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Numero do processo: 19515.720029/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010
DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Não é nulo o lançamento de ofício referente a crédito tributário depositado judicialmente, realizado para fins de prevenção da decadência, com reconhecimento da suspensão de sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
Aplicação da Súmula CARF nº 165
Numero da decisão: 3401-011.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Garcia Dias dos Santos
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010 DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não é nulo o lançamento de ofício referente a crédito tributário depositado judicialmente, realizado para fins de prevenção da decadência, com reconhecimento da suspensão de sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 165
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LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não é nulo o lançamento de ofício referente a crédito tributário depositado judicialmente, realizado para fins de prevenção da decadência, com reconhecimento da suspensão de sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Aplicação da Súmula CARF nº 165 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório da DRJ: Trata-se de impugnação de lançamento de créditos tributários lavrados por meio dos autos de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 29 /2 01 4- 43 Fl. 661DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720029/2014-43 (COFINS) às fls. 450/474 e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) às fls. 425/449 contra a contribuinte em epígrafe, com vistas à prevenção da decadência dos valores relativos à incidência de PIS e Cofins sobre a parcela do ISS devida. Nos autos de infração, não foram lançados juros de mora, nem multa de ofício. As razões e fundamentações do auto de infração estão no termo de verificação às fls. 368 a 372 e abaixo, parcialmente, reproduzidas: (...) A ciência do auto de infração foi dada à contribuinte em 24/02/2014 (fl. 532) e, dentro do prazo regulamentar — 26/03/2014 (fl. 535), a requerente apresentou sua defesa. Na impugnação, após relatar o motivo da lavratura dos autos de infração, assevera, em síntese, que: primeiro, a jurisprudência do STJ é uníssona em dizer que a realização do depósito judicial constitui o crédito tributário, de modo que é desnecessária sua constituição (transcreveu parcialmente a decisão judicial); e, segundo, tendo em vista que o crédito tributário apurado no auto de infração já foi devidamente constituído no ato da realização do depósito judicial no montante integral no Mandado de Segurança n° 0009291- 90.2009.4.03.6110 (antigo n° 2009.61.10.009291-7), não subsiste necessidade de nova constituição por meio deste auto, de modo que requer sua nulidade. Sucessivamente ao pedido de nulidade dos autos de infração, requer "a suspensão do presente feito até trânsito cm julgado do Mandado de Segurança n° 0009291- 90.2009.4.03.6110, garantindo que não haja qualquer óbice às suas atividades, inclusive no que diz respeito à emissão de certidão de regularidade fiscal". É o relatório. A DRJ Ribeirão Preto, em sessão realizada em 23/01/2020, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação em acórdão ementado da seguinte maneira: DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT Nº 3/2016 É cabível a autuação fiscal, a fim de deixar caracterizada, na constituição do crédito tributário, dentre outros requisitos, a descrição do fato e a disposição legal infringida, contidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, como, por exemplo, o próprio fato de deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 (art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, na redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013, c/c art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996). NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA Descabe sustentar nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição, e proporcionou amplo direito de defesa. Fl. 662DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720029/2014-43 O contribuinte, tendo tomado ciência do acórdão da DRJ em 12/02/2020, apresentou em 10/03/2020 o recurso voluntário de fls. 623/632, contendo os seguintes elementos de defesa: O STJ decidiu em recurso representativo da controvérsia, que o depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo que o Fisco pratique atos de cobrança, como a lavratura de auto de infração (REsp nº 1.140.956/SP); A Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho decidiu que o depósito judicial do crédito tributário possui o condão de impedir a lavratura de auto de infração, aplicando a decisão proferida pelo E. STJ, sob a sistemática dos Recursos Repetitivos (Acórdão nº 9101-003.061); O art. 62, § 2º, Anexo II do RICARF, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, em sede de recurso representativo de controvérsia, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos administrativos; Não se sustenta o racional defendido no v. acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/RPO, de que embora a Recorrente tenha depositado integralmente o valor dos créditos tributários, o fato de não ter declarado estes débitos em DCTF supostamente justificaria a lavratura do auto de infração, já que este Conselho decidiu que o erro no preenchimento de obrigação acessória, não permite o lançamento de crédito tributário que já se encontra constituído, cabendo apenas a retificação de ofício pela autoridade fiscal, corrigindo o erro formal detectado; Caso seja julgado improcedente o Mandado de Segurança nº 0009291- 90.2009.4.03.6110, impetrado pela Requerente, os depósitos judiciais realizados naqueles autos serão convertidos em renda em favor da União, extinguindo os créditos tributários, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN. Ao fim, requer provimento. Voto Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecido. Tendo em vista que a lavratura do presente auto de infração deu-se sem juros de mora ou multa de ofício, reconhecendo-se de plano a suspensão da exigibilidade do crédito, Fl. 663DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720029/2014-43 apenas para prevenção da decadência, tem-se que a situação posta amolda-se à perfeição ao enunciado de nº 165 deste Conselho, aprovado recentemente pelo Pleno nos seguintes termos: Súmula CARF nº 165 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Não é nulo o lançamento de ofício referente a crédito tributário depositado judicialmente, realizado para fins de prevenção da decadência, com reconhecimento da suspensão de sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Mesmo a tese fixada para o Tema 271 no repetitivo levantado na peça recursal (REsp nº 1.140.956/SP) não permite concluir pelo impedimento ao lançamento para prevenção de decadência, com suspensão da exigibilidade, pois na oportunidade o Superior Tribunal de Justiça concluiu pela impossibilidade de levar adiante os procedimentos de cobrança ordinários, tais como a inscrição em dívida ou ajuizamento de execução fiscal, o que, por óbvio, não afeta a possibilidade o crédito se ver constituído, mas com a exigibilidade suspensa. O entendimento pacificado pelo STJ na oportunidade é o de que o depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua exigibilidade e veda a prática de atos de cobrança por parte da Administração Tributária, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. Tal conclusão é facilmente extraída do voto do relator Min Luiz Fux: (...) Deveras, ao realizar-se, no plano fático, a hipótese de incidência contida no antecedente da regra matriz de incidência tributária, vale dizer, a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal ou o próprio contribuinte procedem ao lançamento, que constitui o crédito tributário, que possibilita a incidência de uma outra norma geral e abstrata, qual seja, a regra matriz de exigibilidade. Nesse segmento, no que tange à matéria atinente à exigibilidade do crédito tributário, verifica-se a existência de duas normas gerais e abstratas: a regra matriz da exigibilidade e a regra matriz de suspensão da exigibilidade norma de estrutura prevista no art. 151 do CTN. A regra matriz de exigibilidade do crédito tributário, portanto, em seu critério temporal, decorre, simultânea e obrigatoriamente, da constituição do crédito tributário por atonorma do particular (art. 150 do CTN) ou da autoridade fiscal (art. 142, do CTN) e do decurso do lapso temporal para seu vencimento. A regra matriz de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por sua vez, ocorrida alguma das hipóteses previstas no art. 151 do CTN, inibe o critério temporal da regra matriz de exigibilidade, prevalecendo até que descaracterizada a causa que lhe deu azo. Isso significa dizer que as causas suspensivas da exigibilidade aparecem como critérios negativos das hipóteses normativas das regras gerais e abstratas de exigibilidade, que, por isso, não podem ser aplicadas. Fl. 664DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.080 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720029/2014-43 Por isso que o depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. Nesse sentido, os seguintes precedentes: (...) É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. (...) (*) grifos do original Convém destacar, ademais, que no REsp nº 1.140.956/SP (ou mesmo nos REsp nº 885.246/ES, nº 1.074.506/SP, que integram o conjunto de precedentes que deram origem à tese fixada), aquela Corte de Justiça não se debruçou sobre situação fática idêntica à ora analisada, pois tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial considerado como insuficiente pela Fazenda e, assim, incapaz de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Nesses autos, todavia, o lançamento foi formalizado sem aplicação de qualquer penalidade e com a suspensão da exigibilidade, sem qualquer questionamento relativo à aptidão do depósito judicial. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É o voto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos Fl. 665DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900393/2006-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS
ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OPTANTES PELO SIMPLES.
IMPOSSIBILIDADE.
Há vedação legal à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores de insumos adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS
ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS NÃO OPTANTES PELO
SIMPLES. POSSIBILIDADE.
O insumo utilizado na fabrição de produtos exportados, adquirido junto a pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES, contribuintes da Contribuição para o PIS, assegura o direito à inclusão do seu valor na apuração do crédito presumido de IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE.
POSSIBILIDADE.
Incluem-se no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal para a atualização monetária, com base na taxa Selic, dos valores relativos a ressarcimento de crédito presumido de IPI.
Numero da decisão: 3803-002.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação legal à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores de insumos adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS NÃO OPTANTES PELO SIMPLES. POSSIBILIDADE. O insumo utilizado na fabrição de produtos exportados, adquirido junto a pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES, contribuintes da Contribuição para o PIS, assegura o direito à inclusão do seu valor na apuração do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluem-se no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para a atualização monetária, com base na taxa Selic, dos valores relativos a ressarcimento de crédito presumido de IPI.
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RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OPTANTES PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação legal à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores de insumos adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS NÃO OPTANTES PELO SIMPLES. POSSIBILIDADE. O insumo utilizado na fabrição de produtos exportados, adquirido junto a pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES, contribuintes da Contribuição para o PIS, assegura o direito à inclusão do seu valor na apuração do crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para a atualização monetária, com base na taxa Selic, dos valores relativos a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório O presente processo se refere a Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, no valor de R$ 127.933,82, referente ao primeiro trimestre de 2003 (fls. 1 a 24), cumulado com Declarações de Compensação. A repartição de origem, ao analisar o pleito, decidiu por efetuar algumas glosas, a saber: a) pelas notas fiscais de entradas da madeira adquirida para industrialização, consta que o contribuinte adquire o insumo como produto destinado à exportação, sem incidência de tributação; b) da análise da documentação apresentada, constatouse que o contribuinte adquiriu a maior parte da madeira de sociedades empresárias optantes pelo Simples, o que impossibilitaria a transferência de créditos de IPI, nos termos do art. 149 do RIPI/98 e do art. 5°, § 5° da Lei 9.317/1996; c) os insumos que compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI devem se subsumir na conceituação dada pela legislação de IPI à matériaprima, ao produto intermediário ou ao material de embalagem, nos termos exigidos pelo parágrafo único do art. 3° da Lei n° 9.363/1996; d) os valores referentes ao serviço de transporte, ou frete, não se enquadram no conceito de insumo (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem), pelo fato de não integrarem o produto final, nem se desgastarem em decorrência de ação direta sobre o produto em fabricação; e) no presente caso, o valor do frete não estaria em destaque no corpo das notas fiscais de aquisição de insumos, tendo sido prestado por empresas especializadas em transporte de cargas, que não apresentam qualquer ligação com as fornecedoras. A par das alterações promovidas, a repartição de origem decidiu por reconhecer parcialmente o ressarcimento e homologar parte das compensações no limite do direito creditório reconhecido e outra parte por decurso do prazo legal (fls. 120 a 121). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10280.900393/200610 Acórdão n.º 380302.183 S3TE03 Fl. 363 3 Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 123 a 177) e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, bem como sua atualização monetária, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) é pessoa jurídica de direito privado que opera com a finalidade precípua de industrialização de madeira, atuando na etapa final da cadeia produtiva, qual seja, o beneficiamento da madeira e sua subsequente exportação; b) na condição de industrial exportadora, adquire matérias primas, materiais de embalagem e produtos intermediários sujeitos à incidência do PIS e da Cofins ao longo de toda a cadeia produtiva que antecede sua aplicação nos produtos exportados; c) equívoco na interpretação da lei e dos fatos por parte da autoridade fiscal, dado que baseada em norma legal (Regime Especial Estadual) que não tem o condão de regular ou produzir efeitos sobre a atividade tributária federal, pois a glosa combatida decorreu do entendimento de que o contribuinte teria adquirido matériaprima sem a incidência de PIS e Cofins, por força do regime especial estadual que cita; d) as aquisições de matériasprimas efetuadas foram com suspensão de ICMS, mas não de PIS e Cofins, para o que se exige habilitação junto à Fazenda Federal, obtendose o ADE que lhe deferisse tal direito, possibilidade essa que sequer existia à época; e) ilegalidade da glosa de parcela do crédito relativa a aquisições de insumos de optantes pelo Simples, haja vista que o crédito presumido de IPI não se confunde com o crédito de IPI, inexistindo qualquer limitação quanto a esse direito, pois o optante pelo Simples é contribuinte do PIS e da Cofins, ainda que em alíquotas diferenciadas agrupadas em alíquota única; f) a apuração e o aproveitamento do crédito presumido de IPI não pressupõe a comprovação da incidência nas etapas anteriores da cadeia produtiva, justamente por tratarse de crédito presumido; g) o agente fiscal comprovou que o contribuinte atende a todas as condições de concessão do beneficio por tratarse de industrial exportador, inexistindo na lei previsão que diga que o beneficio é concedido ao produto tributado ou não pelo IPI, que se trate ou não de contribuinte do IPI etc. Cita decisões administrativas e judiciais, advertindo que a própria PGFN sustenta que a convergência entre os atos da Administração e as decisões judiciais deve sempre ser perseguida; h) a glosa do frete sobre a matériaprima, comprovadamente suportado, é verdadeiro absurdo, já que distorce o conceito de custo da matériaprima e, portanto, o custo de produção dos bens exportados, dando tiro de morte no objetivo existencial do incentivo fiscal em questão, qual seja, a desoneração do PIS e da Cofins incidentes ao longo da cadeia produtiva dos produtos exportados; i) a própria Receita Federal do Brasil, em seu quadro de perguntas e respostas, entende no sentido da inclusão do frete como custo da mercadoria na apuração do crédito presumido de IPI; j) inobservância, pela autoridade administrativa, dos princípios da razoabilidade e da primazia da realidade; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 k) o art. 39 da Lei n° 9.250/1995 reconheceu o direito à correção monetária dos direitos creditórios. Ao longo da peça recursal, transcreve decisões administrativas, judiciais e de soluções de consulta, bem como esclarecimentos da Receita Federal (Perguntas e Respostas), que embasariam as teses por ele defendidas. A DRJ Belém/PA indeferiu a solicitação (fls. 261 a 268), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos. A legislação regularmente editada goza de presunção de constitucional idade e de legalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃOCONTRIBUINTES. Incabível o ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins em relação a insumos adquiridos de pessoas que não suportaram o pagamento dessas contribuições. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. Geram o direito ao crédito, além dos bens que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, "stricto senso", e material de embalagem), apenas aqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam ser incluídos no ativo permanente. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10280.900393/200610 Acórdão n.º 380302.183 S3TE03 Fl. 364 5 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. QUANTUM RECONHECIDO DE CRÉDITO. A declaração de compensação depende da existência de um crédito, razão pela qual deve ser homologada na exata medida do direito creditório reconhecido. Solicitação Indeferida. Arguiu o relator a quo que o escopo da lei foi instituir, a título de estímulo fiscal, um incentivo consubstanciado num crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais, sendo certo que esse crédito não teria por objetivo ressarcir todos os tributos que incidissem na cadeia de produção da mercadoria, até por impossibilidade prática. Tanto seria assim que o art. 5° da Lei n° 9.363/1996 prevê o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor/exportador, quando houver restituição ou compensação da Contribuição para o PIS e da Cofins pagas pelo fornecedor na etapa anterior. Ressaltouse, também, que, conforme consta do relatório fiscal que serviu de base à decisão da unidade de origem, a totalidade da madeira ingressada no estabelecimento industrial, objeto da glosa, referese a produtos destinados ao fim específico de exportação, sendo que parte destes foi enviada por optantes pelo Simples. Esclareceuse, ainda, que não se estava negando o fato de que os valores despendidos com serviços de transporte integram, efetivamente, o custo de produção dos bens exportados, mas constatando a ausência de previsão normativa para que tais valores, os quais não se subsumem no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, fossem considerados na base de cálculo do crédito pretendido, inexistindo suporte para a elasticidade interpretativa perseguida pelo contribuinte. Não satisfeito, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 278 a 343), reclama pela possibilidade de juntada de novos documentos e informações comprobatórios da veracidade de tudo quanto alegado, inclusive periciais, caso necessários à formação do convencimento pleno deste Egrégio Conselho, e requer o acolhimento integral de seu pleito, repisando os mesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de controvérsia relativa à glosa, no cálculo do crédito presumido de IPI do período sob análise, (i) da madeira adquirida de pessoas jurídicas que não recolheram as contribuições Cofins e para o PIS, dado que identificada nas notas fiscais de aquisição como destinadas à exportação, (ii) da madeira adquirida de pessoas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 6 jurídicas optantes pelo Simples, bem como do (iii) frete pago a transportadores, não vinculado às notas fiscais de aquisição. Do relatório fiscal elaborado pela repartição de origem, decorrente da análise dos pedidos de ressarcimento (fls. 30 a 39), constatase que, em nenhum momento se questiona acerca da efetividade da exportação da madeira beneficiada pelo contribuinte, tendo decorrido o indeferimento parcial somente a partir da análise da natureza e da origem dos insumos empregados na produção. Conforme consignou o agente fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação suporte de constituição de seu crédito presumido, tendo sido apresentado “mapa de apuração detalhado contendo os valores utilizados no preenchimento da Declaração de Crédito Presumido, bem como a documentação suporte” (fl. 33). Dessa forma, constatase que, inobstante o fato de a Fiscalização não ter juntado aos autos as cópias dos documentos analisados, ela teve amplo acesso a eles, não tendo se pronunciado sobre eventual operação que não tivesse como escopo a exportação. Além disso, o contribuinte, no momento da manifestação de inconformidade, trouxe aos autos cópias de notas fiscais de exportação (fls. 187 a 191), abrangendo o período sob análise, em que se informa a venda para empresa situada no exterior de madeira da espécie IPÊ ou JATOBÁ, serrada em réguas, refiladas, esquadriadas, tipo assoalho. A glosa de parte dos insumos decorreu, basicamente, de dois fatores: primeiro, por terem sido adquiridos de não contribuintes da Cofins e do PIS e, em segundo lugar, pelo fato de que o frete pago pelo adquirente, no entender do agente fiscal, não se subsumiria no conceito de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem. A questão relativa ao direito de apuração do crédito presumido de IPI em relação aos insumos adquiridos de não contribuintes da Cofins e do PIS vem sendo, há muito, objeto de controvérsias na doutrina e na jurisprudência, dividindose os intérpretes entre aqueles que defendem que o crédito presumido só de aplica quando tiver havido a incidência das contribuições na etapa anterior do processo produtivo e os outros que dispensam essa exigência, considerando que o benefício não visou apenas à etapa imediatamente anterior, mas a todas as etapas que antecederam a produção a ser exportada (tributação em cascata), em razão do que o creditamento não se encontraria vinculado à necessária tributação na etapa anterior. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento de Recurso Especial representativo de controvérsia (REsp 993.164, j. 13/12/2010), decidiu por afastar a restrição prevista na Instrução Normativa SRF nº 23/1997, de que o crédito presumido somente seria calculado com base em insumos adquiridos de contribuintes das contribuições sociais, firmando entendimento de que tal condição não se encontraria prevista na lei, em razão do que o crédito poderia ser calculado mesmo em relação aos insumos adquiridos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. Não fosse o fato de o referido REsp ainda se encontrar em tramitação naquele Tribunal, pendente julgamento de embargos de declaração, este Colegiado, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, estaria obrigado a reproduzir o entendimento acima informado. Mas, como não se está diante de uma decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, encontramo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10280.900393/200610 Acórdão n.º 380302.183 S3TE03 Fl. 365 7 nos liberados para adotar o entendimento que consideramos mais consetâneo com a lei instituidora do crédito presumido de IPI. Conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 9.363/1996, o crédito presumido de IPI foi instituído para ressarcir as empresas produtoras e exportadoras da Cofins e da contribuição para o PIS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Verificase que o legislador faz expressa referência às contribuições incidentes sobre as aquisições, o que leva, inexoravelmente, à conclusão de, uma vez não tributado pelo PIS e pela Cofins, o insumo adquirido não gera direito ao ressarcimento. Esse entendimento se torna ainda mais evidente quando se analisa o art. 5º da mesma lei. Lá está dito que a “eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem como a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente”. Verificase que o próprio legislador criou um vínculo necessário entre o direito ao creditamento e a tributação na etapa anterior do processo produtivo. I. Insumo. Madeira adquirida de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES. No que se refere às aquisições junto a pessoas jurídicas optantes pelo Simples (ver “planilha de insumos fornecidos por empresas optantes pelo Simples” às fls. 49 a 53), devese ressaltar que, uma vez que o período sob exame se refere ao 1º trimestre de 2003, a elas se aplicam os dispositivos da Lei nº 9.317/1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), e não os preceitos da Lei Complementar nº 123/2006, instituidora do Simples Nacional. Reza o § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317/1996 que “A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa e para a empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. Mesmo a Lei Complementar nº 123/2006 prevê vedação dessa natureza, em seu art.24, nos seguintes termos: “As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não poderão utilizar ou destinar qualquer valor a título de incentivo fiscal”. Nos termos do dispositivo da Lei nº 9.317/1996 supra referido, a pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, além de não poder transferir créditos de IPI, não pode destinar qualquer valor a título de incentivo fiscal. Como o crédito presumido de IPI é um incentivo fiscal – como o próprio Recorrente reconhece às fls. 281, 282 e 283 – as aquisições de insumos junto a pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES não geram direito ao creditamento presumido por parte da sociedade empresária adquirente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 8 II. Insumo. Madeira adquirida de pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES. No que tange às aquisições de madeira em cujas notas fiscais informouse a destinação à exportação (planilha de fls. 58 a 62) e conforme cópia de algumas notas fiscais trazidas aos autos pelo contribuinte no momento de sua manifestação de inconformidade (fls. 183 a 184), consta que referida madeira seria “destinada à exportação e isenta de ICMS de acordo com a Lei Complementar 87/96 de 03/09/96, publicada no DOU em 16/09/96, art. 3º inciso II, parágrafo único e art.32 incisos I e II”. Somente com base nessas informações, não é possível afirmar, conforme fez a Fiscalização, que “As notas de entradas referentes à madeira adquirida para industrialização indicam que a contribuinte compra este insumo como se fosse produto destinado à exportação, sem incidência, portanto, de tributação (ICMS, PIS/Pasep e COFINS). Consta do referido documentário fiscal (Notas de aquisição) referência a regime especial de exportação n° 31/2003, outorgado em nome da contribuinte” (fl. 33). Consta, ainda, do relatório fiscal, que o “referido regime especial do Estado do Pará utilizado pela contribuinte na aquisição de madeira faz expressa referência ao convênio 113/96. Nos termos do convenio 113/96, são estabelecidos mecanismos para controle das saídas de mercadorias com o fim específico de exportação, promovidas por contribuintes localizados nos territórios dos respectivos Estados para empresa comercial exportadora, inclusive "trading" ou outro estabelecimento da mesma empresa, localizado em outro Estado” (fl. 34). O fato de o fornecedor ter se beneficiado de isenção do ICMS não implica, necessariamente, que não tenha havido pagamento das contribuições sociais relativas à venda da madeira utilizada pelo contribuinte como insumos dos produtos exportados. O art. 3º, inciso II, da Lei Complementar nº 87/1996 prevê a não incidência do ICMS sobre “operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados semielaborados, ou serviços”, sendo equiparadas a tais operações as saídas de mercadorias com o fim específico de exportação (parágrafo único do mesmo artigo). Numa análise perfunctória do preceito legal, podese vislumbrar que, tendo em vista que a madeira sob comento não foi destinada diretamente à exportação, nem a empresas comerciais exportadoras, com fim específico de exportação, mas à empresa industrial exportadora (o Recorrente), que a beneficiou para depois exportála, terseia uma utilização indevida do benefício fiscal, passível de verificação por parte da Administração tributária estadual. Da mesma forma, se nessas operações de venda de insumos não tiver havido o pagamento das contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta, podese estar diante de uma inobservância das normas tributárias instituidoras dos referidos tributos, também passível de verificação por parte da Administração tributária federal. Mas essa possibilidades não são bastantes e suficientes para afastar o direito à apuração do crédito presumido de IPI relativamente às aquisições de madeira utilizada como insumo na fabricação dos produtos exportados. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10280.900393/200610 Acórdão n.º 380302.183 S3TE03 Fl. 366 9 Portanto, a madeira adquirida de pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES assegura o direito ao Recorrente de apuração do crédito presumido de IPI tendoa como insumo utilizado na fabricação dos produtos exportados. III. Frete. Em relação ao valor do frete relativo ao transporte dos insumos, como bem apontou o contribuinte em sua peça recursal (fl. 322), temse que, para a sua inclusão no cálculo do crédito presumido, é necessário que se observem os seguintes requisitos: (i) seja o valor do frete cobrado do adquirente, (ii) esteja incluído no preço do produto e, (iii) caso seja pago a terceiros, nas hipóteses de o transporte ser efetuado por outra pessoa jurídica (contribuinte de PIS/Pasep e Cofins), com o Conhecimento de Transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição. No relatório fiscal, a repartição de origem informa que, no presente caso, além de o frete não se enquadrar no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, o seu valor “não está em destaque no corpo das notas fiscais de aquisição de insumos, tendo sido prestado por empresas especializadas em transporte de cargas, que não apresentam qualquer ligação com as fornecedoras de insumos utilizados na produção do sujeito passivo” (fl. 37). Às fls. 74 a 76, consta a planilha elaborada pela Fiscalização em que se informam as glosas dos fretes relativos ao “transporte de madeira serrada”. Verificase que o agente fiscal teve acesso às notas fiscais relativas aos serviços de frete, sem contudo acostálas, por cópia, aos presentes autos, tendo sido com base nelas que negou o direito ao creditamento em razão de três fatos, a saber: (i) não se enquadrar no conceito de insumo definido na legislação do IPI, (ii) não constar o seu valor das notas fiscais de aquisição da madeira e (iii) ter sido prestado o serviço por transportadora sem ligação com as empresas fornecedoras de insumos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de Conhecimentos de Transporte Aquaviário de Cargas (fls. 192 a 195), em que se informa a prestação de serviço de transporte de madeira serrada, com identificação das notas fiscais de aquisição. Apesar de esses documentos terem sido emitidos nos meses de abril e maio de 2003, fora, portanto, do período sob comento, o agente fiscal não informou que tal circunstância inexistia nas notas fiscais relativas ao 1º trimestre de 2003, todas auditadas por ele. Dessa forma, devese autorizar o direito à inclusão no cálculo do crédito presumido do IPI dos valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontrem identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte. IV. Atualização monetária. Taxa Selic. Inexiste autorização legal para a aplicação da taxa Selic na atualização monetária de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. A legislação tributária distingue as hipóteses de restituição, compensação e ressarcimento, conforme se depreende dos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/1996, bem como do Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS 10 § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995, autorizando a aplicação de juros Selic somente nos casos de restituição, calandose em relação às hipóteses de ressarcimento, como o ora pleiteado. Além disso, há previsão expressa de não incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI e das contribuições Cofins e PIS, ex vi do § 5° do art. 51 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 e § 5° do art. 52 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. V. Conclusão. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de autorizar o direito à inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos à aquisição de madeira junto a pessoas jurídicas não optantes pelo SIMPLES, contribuintes da Contribuição para o PIS, desde que aplicada na fabricação de produtos industrializados efetivamente exportados no período, bem como os valores referentes aos fretes cobrados do Recorrente, em cujos documentos conste a identificação das notas fiscais de aquisição do insumo utilizado na produção exportada. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10280.900393/200610 Acórdão n.º 380302.183 S3TE03 Fl. 367 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10280.900393/200610 Interessada: EXMAM EXPORTADORA DE MADEIRAS AMAZÔNICA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380302.183, de 7 de novembro de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 7 de novembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/11/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11065.902869/2015-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2012
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2012
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: Ailton Neves da Silva
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2012 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 28 69 /2 01 5- 47 Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.496 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902869/2015-47 Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade, transcrevo e adoto parcialmente o relatório produzido pela DRJ/07. Trata o presente processo do Perdcomp com demonstrativo de crédito 01165.66108.300713.1.3.02-6601, no qual o Interessado declara a quitação de débito(s) próprio(s), através de crédito de Saldo Negativo-"SN" de IRPJ do ano- calendário 2012. 2. A compensação não foi homologada (fl. 62), pois o total de parcelas informado no percomp foi menor do que aquele registrado na DIPJ, conforme tela abaixo (...) 3. A interessada foi cientificada em 11/06/2015 (e-fl. 65), por via postal e, inconformada, apresentou em 14/07/2015 a Impugnação de e-fls. 02/03, alegando, em síntese, o seguinte: • Que foram utilizados saldos negativos de IRPJ e CSLL para compensar impostos de FG do período seguinte. Foram utilizados valores apurados na DIPJ. • Requer a reconsideração do indeferimento de ambos os processos e a extinção da obrigação tributária. (...) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/07, conforme acórdão n. 107-002.961, às e-fl. 75. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 89, no qual combate a decisão da DRJ mediante fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados. Relata que “...em respeito ao princípio da verdade material, anexa aos autos os referidos perdcomp a fim de comprovar o efetivo recolhimento do valor de R$ 29.379,55 e, por conseguinte, a necessidade de homologação da totalidade da compensação realizada.” Sustenta que “...o mero preenchimento incorreto do valor recolhido a título de estimativa no perdcomp n° 01165.66108.300713.1.3.02-6601, no qual foi informado o valor de saldo negativo de R$ 5.445,21 ao invés do valor de R$ 29.379,55 deve ser desconsiderado por se tratar de mero erro material, cuja correção é verificável nas provas apresentas.” Ao final, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e o provimento do recurso. É o relatório do necessário Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.496 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902869/2015-47 Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, motivo por que dele conheço. Mérito Como já relatado, o Despacho Decisório Eletrônico de e-fls. 03 não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP n° 01165.66108.300713.1.3.02-6601, por ausência de confirmação do crédito vindicado. Em sede de Manifestação de Inconformidade, houve reconhecimento adicional do valor de R$ 1.742,77 como crédito de Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário de 2012 a favor do Recorrente, conforme fundamentos reproduzidos em seguida, extraídos do acórdão recorrido: (...) 5. O contribuinte alegou apenas que foram utilizados saldos negativos de IRPJ e CSLL para compensar impostos de FG do período seguinte, bem como que foram utilizados os valores apurados na DIPJ. 6. A afirmação acima, da Interessada, não se confirma no perdcomp, pois na DIPJ o total das parcelas das estimativas foi de R$ 29.379,55, ao passo que no perdcomp foi registrado apenas o valor de R$ 5.445,21, porque entendeu a Interessada que deveria registrar no perdcomp estimativas no exato valor do saldo negativo apurado em DIPJ, não tendo observado que o cálculo considera que deve haver o registro de todas as parcelas (constantes em DIPJ), bem como a dedução do IRPJ devido (também registrado em DIPJ); como essas parcelas não foram totalmente registradas, no momento em que houve a dedução do IRPJ devido o resultado foi negativo, e nesse caso, o valor do "SN" a ser considerado pela unidade de origem será zero, o que levou a não homologação do perdcomp. 7. Este motivo já seria suficiente para a manutenção do "DD". 8. Outrossim, procurei buscar junto ao sistema de pagamentos da RFB valores que confirmassem as afirmações da Interessada, contudo, tal sistema informa apenas 4 pagamentos, via DARF, de estimativas de IRPJ (cód. 5993), cujos valores abaixo são o somatório do principal mais multa e/ou juros, conforme tela a seguir: (...) 12. Além disso, o sistema DIRF só registra retenções na fonte no total de R$ 17,55 (tela abaixo), não havendo nos autos qualquer comprovante de rendimentos apresentados pela Interessada: 13. Os valores de pagamentos e retenções na fonte totalizam apenas R$ 25.677,11, ao passo que a DIPJ informa o total de pagamentos de R$ 29.379,55. E a Interessada, por sua vez, nada informa se Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.496 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902869/2015-47 houve pagamentos de estimativas de IRPJ em 2012 efetuados através de compensações. 14. Todavia, como o IRPJ devido, apurado em DIPJ, foi de R$ 23.934,34, e houve comprovação de pagamento no valor total de R$ 25.677,11, é possível reconhecer nestes autos, o valor de R$ 1.742,77 a título de crédito, isso porque, hoje não é mais possível à Interessada transmitir qualquer perdcomp utilizando crédito do a/c 2012. 15. Ademais, a Interessada nada informa sobre pagamentos de estimativas de 2013 efetuados através de compensações. Nas suas razões de defesa, o Recorrente combate a decisão recorrida, mediante dois argumentos principais: - que os PERDCOMP anexos comprovam o efetivo recolhimento do valor de R$ 29.379,55; - que houve mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP, cuja correção é verificável nas provas apresentas. Sem razão o Recorrente. Conforme se constata da leitura supra, o total de pagamentos informados da DIPJ a título de estimativas de IRPJ no valor de R$ 29.379,55 superou R$ 25.677,11, valor efetivamente confirmado nos sistemas de controle da RFB a título de pagamentos e retenções na fonte de IRPJ. O argumento do Recorrente de que a DIPJ ou o PER/DCOMP servem como prova dos pagamentos não prospera, eis que na situação exposta apenas a apresentação dos DARF de recolhimento das supostas estimativas não confirmadas, bem como os registros correspondentes dessas operações na escrituração contábil do contribuinte, se prestariam a fazer prova a seu favor, o que efetivamente não ocorre no presente caso. Não custa lembrar, que o ônus da prova compete a quem alega possuir o direito, conforme reza o artigo 373 do Código de Processo Civil (CPC): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido caminha a jurisprudência do CARF, conforme precedente a seguir transcrito: Acórdão n.º 3001-000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.496 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902869/2015-47 Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente-se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. Some-se a tudo isso, o fato de a DIPJ ter caráter apenas informativo - e não constitutivo de crédito tributário - motivo por que não é apta a, isoladamente, servir de elemento de prova para o fim de gerar crédito a favor do Recorrente. É o que se extrai da Súmula CARF nº 92: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Outro ponto crucial a considerar é que o artigo 170 do CTN 1 exige para o reconhecimento da compensação declarada que o crédito nela pleiteado seja dotado dos requisitos de liquidez e certeza, motivo por que deve ser indeferido o pleito do Recorrente, eis que tais atributos não foram efetivamente comprovados no presente recurso. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão até o deslinde do presente processo, a matéria encontra-se regulada pelo artigo 151 do CTN 2 e não comporta maiores digressões, eis que o inciso III deste artigo prevê expressamente a suspensão pleiteada como efeito do próprio recurso, desde que apresentado na forma prescrita pela legislação que regula o processo administrativo tributário. Dispositivo Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.496 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.902869/2015-47 É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 109DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10925.905323/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2009
COFINS. CRÉDITO. ATO COOPERATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexistindo pagamento das contribuições não há direito ao crédito básico e, no caso, por Precedente Vinculante, não há incidência das contribuições no ato cooperativo, isto é, de transferência de mercadorias entre associado e associação.
COFINS. FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE.
Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. CALCÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por não se tratar de corretivo para solo, o calcário não é beneficiado com a alíquota zero das contribuições descritas no artigo 1° da Lei 10.925/04, sendo de rigor a concessão de crédito se e quando a operação for tributada (CST01).
COFINS. MATERIAL DE EMBALAGEM. INSUMO. POSSIBILIDADE.
O material de embalagem segue a regra dos demais insumos das contribuições não cumulativas, essencial ou relevante ao processo produtivo (leia-se, da porta de entrada até a porta de saída, inclusive) é insumo, caso contrário, não.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE
Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa.
FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE.
Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. LOCAL DE REGISTRO CONTÁBIL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL.
O objeto do processo administrativo fiscal de compensação e ressarcimento é o crédito a ressarcir ou compensar, se uma questão contábil em nada interfere neste montante, esta não deve ser preocupação do julgador.
GLOSA. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS. POSSIBILIDADE.
Desde que não implique em reformatio in pejus, é possível a alteração do fundamento de glosa de créditos.
COFINS. PERCENTUAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF 157.
O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo.
COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. DEDUÇÃO NA ESCRITA NO PERÍODO DE APURAÇÃO.
O crédito presumido da Lei 10.925/04 somente é dedutível no mês de apuração, logo, o saldo não pode ser transportado para meses subsequentes.
ART. 54 DA LEI 12.350/2010. VIGÊNCIA. 20 DE DEZEMBRO DE 2010.
A partir de 20 de dezembro de 2010 as operações descritas no artigo 54 da Lei 12.350 gozam de suspensão das contribuições, encontre-se esta suspensão descrita ou não em Nota Fiscal. A inscrição em nota fiscal deve ser entendida aqui como novos critérios de apuração ou processos de fiscalização para os quais o artigo 143 § 1° do CTN permite a vigência retroativa.
RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. SÚMULA CARF Nº 125.
Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas.
A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural.
Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco.
Sobre os valores compensados pelo contribuinte (compensação voluntária) e pela Receita Federal (compensação de ofício), ou pagos pela Fazenda Nacional durante este prazo, não deve incidir correção monetária. (Acórdão 3401-008.364)
Numero da decisão: 3401-010.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para I - reverter a glosa sobre: 1. Serviços empregados na manutenção das máquinas e equipamentos industriais, materiais empregados na manutenção predial das indústrias, materiais para a desinfecção e limpeza das máquinas e instalações industriais, uniformes e materiais de proteção e segurança dos trabalhadores e produtos intermediários utilizados no processo produtivo; 2. Materiais e serviços utilizados na manutenção elétrica do maquinário e materiais e serviços utilizados nas caldeiras e torres de resfriamento; 3. Serviço de tratamento de águas; 4. recipientes utilizados para o acondicionamento e movimentação interna de produtos semielaborados; 5. serviços de coleta de lixo, conserto de máquinas e equipamentos, fornecimento de água potável, lavagem de uniformes, dedetização e industrialização por terceiros; 6. Aquisição de ração animal, farelo de soja, óleo degomado, milho, soja desativa de cooperativas de produção agropecuária, nos limites descritos na Lei 10.925/04; 7. Suínos reprodutores adquiridos para revenda; 8. Fretes no sistema de parceria e integração, de insumos no curso do processo produtivo e de produtos acabados; 9. Das despesas com a manutenção de poço artesiano; 10. Dos créditos presumidos da Lei 10.925/04, fixando a alíquota em 60% do crédito básico; II corrigir pela SELIC os créditos reconhecidos, do 361° dia após a data do protocolo do PER até a data do efetivo ressarcimento. Vencido no item 8 acima o conselheiro Marcos Antônio Borges, que concedia o crédito em menor amplitude.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente a Conselheira Fernanda Vieira Kotzias.
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2009 COFINS. CRÉDITO. ATO COOPERATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo pagamento das contribuições não há direito ao crédito básico e, no caso, por Precedente Vinculante, não há incidência das contribuições no ato cooperativo, isto é, de transferência de mercadorias entre associado e associação. COFINS. FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE. Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. CALCÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Por não se tratar de corretivo para solo, o calcário não é beneficiado com a alíquota zero das contribuições descritas no artigo 1° da Lei 10.925/04, sendo de rigor a concessão de crédito se e quando a operação for tributada (CST01). COFINS. MATERIAL DE EMBALAGEM. INSUMO. POSSIBILIDADE. O material de embalagem segue a regra dos demais insumos das contribuições não cumulativas, essencial ou relevante ao processo produtivo (leia-se, da porta de entrada até a porta de saída, inclusive) é insumo, caso contrário, não. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE. Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. LOCAL DE REGISTRO CONTÁBIL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. O objeto do processo administrativo fiscal de compensação e ressarcimento é o crédito a ressarcir ou compensar, se uma questão contábil em nada interfere neste montante, esta não deve ser preocupação do julgador. GLOSA. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS. POSSIBILIDADE. Desde que não implique em reformatio in pejus, é possível a alteração do fundamento de glosa de créditos. COFINS. PERCENTUAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF 157. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. DEDUÇÃO NA ESCRITA NO PERÍODO DE APURAÇÃO. O crédito presumido da Lei 10.925/04 somente é dedutível no mês de apuração, logo, o saldo não pode ser transportado para meses subsequentes. ART. 54 DA LEI 12.350/2010. VIGÊNCIA. 20 DE DEZEMBRO DE 2010. A partir de 20 de dezembro de 2010 as operações descritas no artigo 54 da Lei 12.350 gozam de suspensão das contribuições, encontre-se esta suspensão descrita ou não em Nota Fiscal. A inscrição em nota fiscal deve ser entendida aqui como novos critérios de apuração ou processos de fiscalização para os quais o artigo 143 § 1° do CTN permite a vigência retroativa. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. SÚMULA CARF Nº 125. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. Sobre os valores compensados pelo contribuinte (compensação voluntária) e pela Receita Federal (compensação de ofício), ou pagos pela Fazenda Nacional durante este prazo, não deve incidir correção monetária. (Acórdão 3401-008.364)
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CRÉDITO. ATO COOPERATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo pagamento das contribuições não há direito ao crédito básico e, no caso, por Precedente Vinculante, não há incidência das contribuições no ato cooperativo, isto é, de transferência de mercadorias entre associado e associação. COFINS. FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE. Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. CALCÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Por não se tratar de corretivo para solo, o calcário não é beneficiado com a alíquota zero das contribuições descritas no artigo 1° da Lei 10.925/04, sendo de rigor a concessão de crédito se e quando a operação for tributada (CST01). COFINS. MATERIAL DE EMBALAGEM. INSUMO. POSSIBILIDADE. O material de embalagem segue a regra dos demais insumos das contribuições não cumulativas, essencial ou relevante ao processo produtivo (leia-se, da porta de entrada até a porta de saída, inclusive) é insumo, caso contrário, não. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 53 23 /2 01 1- 84 Fl. 4897DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 FRETE. INSUMO. POSSIBILIDADE. Fora a hipótese do frete de venda, o frete segue o regime geral de creditamento das contribuições essencial (como o frete no curso do processo produtivo) ou relevante (como o frete de aquisição de insumos) ao processo produtivo, possível a concessão do crédito. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. LOCAL DE REGISTRO CONTÁBIL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. O objeto do processo administrativo fiscal de compensação e ressarcimento é o crédito a ressarcir ou compensar, se uma questão contábil em nada interfere neste montante, esta não deve ser preocupação do julgador. GLOSA. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS. POSSIBILIDADE. Desde que não implique em reformatio in pejus, é possível a alteração do fundamento de glosa de créditos. COFINS. PERCENTUAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. SÚMULA CARF 157. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. DEDUÇÃO NA ESCRITA NO PERÍODO DE APURAÇÃO. O crédito presumido da Lei 10.925/04 somente é dedutível no mês de apuração, logo, o saldo não pode ser transportado para meses subsequentes. ART. 54 DA LEI 12.350/2010. VIGÊNCIA. 20 DE DEZEMBRO DE 2010. A partir de 20 de dezembro de 2010 as operações descritas no artigo 54 da Lei 12.350 gozam de suspensão das contribuições, encontre-se esta suspensão descrita ou não em Nota Fiscal. A inscrição em nota fiscal deve ser entendida aqui como “novos critérios de apuração ou processos de fiscalização” para os quais o artigo 143 § 1° do CTN permite a vigência retroativa. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. SÚMULA CARF Nº 125. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. Fl. 4898DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. Sobre os valores compensados pelo contribuinte (compensação voluntária) e pela Receita Federal (compensação de ofício), ou pagos pela Fazenda Nacional durante este prazo, não deve incidir correção monetária. (Acórdão 3401-008.364) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para I - reverter a glosa sobre: 1. Serviços empregados na manutenção das máquinas e equipamentos industriais, materiais empregados na manutenção predial das indústrias, materiais para a desinfecção e limpeza das máquinas e instalações industriais, uniformes e materiais de proteção e segurança dos trabalhadores e produtos intermediários utilizados no processo produtivo; 2. Materiais e serviços utilizados na manutenção elétrica do maquinário e materiais e serviços utilizados nas caldeiras e torres de resfriamento; 3. Serviço de tratamento de águas; 4. recipientes utilizados para o acondicionamento e movimentação interna de produtos semielaborados; 5. serviços de coleta de lixo, conserto de máquinas e equipamentos, fornecimento de água potável, lavagem de uniformes, dedetização e industrialização por terceiros; 6. Aquisição de ração animal, farelo de soja, óleo degomado, milho, soja desativa de cooperativas de produção agropecuária, nos limites descritos na Lei 10.925/04; 7. Suínos reprodutores adquiridos para revenda; 8. Fretes no sistema de parceria e integração, de insumos no curso do processo produtivo e de produtos acabados; 9. Das despesas com a manutenção de poço artesiano; 10. Dos créditos presumidos da Lei 10.925/04, fixando a alíquota em 60% do crédito básico; II – corrigir pela SELIC os créditos reconhecidos, do 361° dia após a data do protocolo do PER até a data do efetivo ressarcimento. Vencido no item 8 acima o conselheiro Marcos Antônio Borges, que concedia o crédito em menor amplitude. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Fl. 4899DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente a Conselheira Fernanda Vieira Kotzias. Relatório 1.1. Por bem descrever os fatos, adoto como relatório o prolatado pelo Órgão Julgador de Piso: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do deferimento parcial de Pedido de Ressarcimento (PER de n° 28352.40727.200809.1.1.09-9857), no valor de R$ 2.943.902,41, de créditos de Cofins não cumulativa do 1º trimestre de 2009 vinculados às receitas de exportação. Foi deferido à interessada o montante de R$ 1.469.993,79, que foi totalmente utilizado para homologar parcialmente os débitos declarados na Dcomp de n° 11986.09486.170310.1.3.09-5460. Por tal razão, não houve valor a ser ressarcido. No Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, o Auditor Fiscal disserta sobre a legislação que regulamenta o direito de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativa, discorre sobre o ônus da prova em pedidos de ressarcimento e relata que detectou diversas inconsistências na apuração do crédito pleiteado. Primeiramente, discorre sobre as “aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos”. Após tecer comentários sobre a disposição legal que autoriza tais créditos, relaciona as glosas efetuadas sob a justificativa de que os bens e serviços, indicados abaixo, não se enquadram na condição de insumos. São eles: Insumos isentos, alíquota “zero” e não alcançados pelas contribuições: não dão direito a crédito as aquisições de insumos nestas condições a exemplo de: ovos, sem suínos, cebola “in natura”, farinhas, produtos classificados na TIPI nos capítulos 25, 29, 30, 38.08 e 40.15 e que se encontram listados no ANEXO II; Despesas imobilizáveis: não dão direito a crédito gastos que pela sua natureza devem integrar o ativo fixo, que se encontram listados no ANEXO III; Outras despesas de uso geral: que se encontram listadas no ANEXO IV, a exemplo de:abraçadeira, acabamento, aço trifilado, acompl., acrílico, adaptador, adesivo, água destilada, água peptonada, água sanitária, agulha metal, alça, algodão, alicate, almofada, alvenarite, ampllif., ampola, antiderrapante, aparelho portátil, aparelho telefônico, aplicador, avental, azulejo, bacia, balde, bara de aço, base fixação, bata proteção, bateria, borracha, botas, botinas, brita, broca de aço, cabos, cadeados, caixa de som, cal, calças, calhas, camisas, canecas, capuz, carimbos, carpete, cartão, cartucho, cera, chapas, chaves, chuveiros, cimento em sacas, cinto de segurança pára-quedista, cloro, cola, colher de pedreiro, copo, cortinas, creme proteção p/mãos e pele, caixa d’ água e de descarga, de disjuntor e de isopor, desinfetantes, detergentes, dobradiças, enfeites diversos, escovas aço, esponja aço, esquadrias, estopas, fechaduras, fitas, fonte alimentação CPU, guarda-chuvas, hipoclorito de sódio, jalecos, kit de análise, lâmpadas, lustra móveis, luvas diversas, máscaras, materiais diversos, meias térmicas nylon, muda cerca viva pingo de ouro, óculos diversos, pallets, palmilhas, pano, papel higiênico, papel toalha, pena descartável, pente de memória 1 giga, pilhas 1,5v recarregável, pinça, pincel, pipetas, pó de brita, porta papel, pregos, proteção auric. concha, puxador gaveta, respirador, rodo alumínio e de borracha, rolete de limpeza, rolha, rolos, sabão em barra e em pó, sabão mecânica, saboneteiras, saco ráfia, saco p/lixo, sapólio, sensores, silicone, sinaleiro verde, soda barrilha leve e soda caustica, tênis de segurança, teste snap, thinner, tijolos, tinta, toalhas, touca de proteção, tocha, torneira elétrica, trena 5 mt, tubos de concreto, de vidro e galvanizados, vassouras e vidros, etc.. Fl. 4900DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 Aquisição de Insumos com suspensão das contribuições: não dão direito a crédito os insumos adquiridos com suspensão da incidência das contribuições, a exemplo de: ração animal, farelo soja, óleo degomado, etc) que se encontram listados no ANEXO V; Serviços não enquadráveis como insumos: que se encontram listados no ANEXO VI, a exemplo de: serviço de análise laboratorial, análises técnicas, coleta de lixo/resíduos, serviços imobilizáveis (colocação de calhas, películas, concreto, conserto de telhados, pisos, calçamento, manutenção de obras civis, etc); fornecimento de água, lavação de roupas/uniformes em geral, limpeza, conservação e manutenção, limpeza,cons/zeladoria/varrição/lavagem, manutenção de bens imóveis, recepção e triagem, etc. Na sequência, disserta sobre a definição de insumos na legislação do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que os bens acima listados são gastos normais, não podendo ser classificados como insumos. No tópico “Compra para revenda e insumos com alíquota zeros, isentos, entrados com suspensão da incidência das contribuições Pis/Cofins e não alcançados pela tributação”, afirma que a contribuinte se creditou da aquisição de mercadorias sujeitas à alíquota zero, isentas e adquiridas com suspensão da incidência das contribuições, as quais, em virtude da proibição estabelecida no inc. II do §2o do art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não geram direito a crédito. Demonstra os totais de valores glosados nas rubricas “Bens para revenda”, “Bens utilizados como insumos” e “Serviços utilizados como insumos”. Após, no tópico “despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, aduz que, quando se trata de frete entre estabelecimentos da empresa, de produto acabado ou em elaboração, não existe previsão normativa para o creditamento dos respectivos valores. Afirma que os fretes entre a indústria e os seus parceiros agrícolas na condução de ovos, ração e frango vivo (produção intermediária), por falta de previsão legal, não gera crédito de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que o ANEXO VI lista as glosas efetivadas. Demonstra os valores de créditos mensalmente glosados. Na sequência, no tópico “crédito sobre o valor dos bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição”, diz que a contribuinte computou indevidamente créditos relativos a encargos de depreciação de bens de ativo imobilizado. Informa que os sujeitos passivos somente podem se creditar desse tipo de crédito em relação a bens utilizados no processo produtivo. Relata que a manifestante deduziu os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não utilizados diretamente no processo de produção. Demonstra os valores glosados e informa que os bens glosados estão indicados no Anexo VIII. No tópico “Crédito presumido – atividades agroindustriais”, discorre sobre a legislação de regência. Após, aduz que os procedimentos adotados pela empresa para o cômputo do crédito presumido, conforme Anexos IX, X e XI evidenciam as seguintes incorreções: 1. Os valores creditados referentes às aquisições no período estão sendo alocadas indevidamente nos campos “Não tributada no Mercado Interno” e de “Receita de Exportação”, o que geraria o direito de ressarcimento do referido montante, entretanto conforme a literalidade do art. 8º da lei 10.925/2004, o mesmo só dá direito a deduções da própria contribuição, sendo assim o valor de mercado externo foi zerado e transferido para o mercado interno; 2. a requerente aplicou incorretamente o percentual de 60% , do inciso I, §3°, art. 8o, sobre os insumos adquiridos como: milho, milho quebrado, suíno padrão, leitões p/term suicooper, aves para abate. Conforme as respectivas classificações fiscais-TIPI (1005.90.10; 1005.90.10; 0103.91.00; 0103.91.00 e 0105.99.00), as referidas mercadorias tem como enquadramento legal o percentual de 35% das alíquotas Fl. 4901DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 previstas no art. 2° das Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Sendo assim, referidos valores a maior devido à aplicação incorreta do percentual de 60%, foram devidamente glosadas. Demonstra os valores mensalmente glosados do crédito presumido relacionado às atividades agroindustriais. Após, demonstra os percentuais de rateio entre as receitas de vendas tributadas no mercado interno, receitas de vendas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação em relação à receita bruta total que foram utilizados para deferir o crédito requerido. Cientificada em 21/12/2011, a contribuinte apresentou em 20/01/2012 a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. Primeiramente, faz um resumo dos fatos e das glosas realizadas. Após, no tópico “insumos isentos, alíquota zero e não alcançáveis pela contribuição” diz que a fiscalização glosou ovos incubáveis, sêmen de suíno, cebola in natura, farinhas, produtos classificados na TIPI nos capítulos 25, 29, 30, 38.08 e 40.15, listados no Anexo II, sob o argumento de que produtos não tributados não gerariam o direito ao creditamento do PIS/Pasep e da Cofins. Com base em doutrina, entende que a aquisição de insumos tributados à alíquota zero, isentos, com incidência monofásica ou não incidência, geram o direito ao crédito pleiteado. Aduz que as Soluções de Consulta de n°s 99/2007 e 100/2007, ambas da SRRF da 8a RF, corroboram o seu entendimento. Diz que, no mesmo sentido, foi expedido o Ato Declaratório Interpretativo n° 15, de 26/09/2007. Afirma, que a autoridade fiscal considerou os insumos enquadrados no Capítulo 29 e 30 da NCM como tributados à alíquota zero. Assevera, todavia, que, de acordo com o Anexo I do Decreto n° 5.127/2004, não são todos os bens desses capítulos que são tributados à alíquota zero. Alega que, dos produtos glosados e relacionados no Anexo II, parte expressiva não se sujeita à alíquota zero, conforme consta do Anexo I desse recurso. Pede, caso não se acolha as alegações dos parágrafos anteriores, a reversão das glosas dos produtos que não são tributados à alíquota zero. No tópico “despesas imobilizáveis”, aduz que os bens glosados são relativos a “produtos intermediários e não de bens do ativo imobilizado, como entende o r. despacho recorrido”. Argumenta, ainda, que, “na improvável hipótese de se entender que são bens do ativo imobilizado, então, no mínimo, os valores glosados deveriam compor ou integrar os bens integrantes do ativo imobilizado e apropriar crédito na proporção da depreciação, que não foi feito pela autoridade fiscal”. No tópico “aquisição de insumos com suspensão das contribuições”, diz que a fiscalização glosou créditos de insumos adquiridos com suspensão da contribuição, como, por exemplo, ração animal, farelo de soja, óleo degomado, listados no Anexo V. Afirma que as mesmas alegações feitas no tópico “insumos isentos, alíquota zero e não alcançáveis pela contribuição” devem ser aqui aplicadas. Pede a concessão do crédito ordinário e, caso não seja esse o entendimento da autoridade fazendária, requer o crédito presumido agroindustrial, com base no art. 8o da Lei n° 10.935/2004. Na sequência, no tópico “despesas ou material de uso geral e serviços não enquadráveis como insumos” aduz que a decisão prolatada utiliza um conceito restrito de insumos. Entende que os bens cujos créditos foram glosados se enquadram perfeitamente no conceito de insumos. Diz que utiliza, para o enquadramento de determinado bem na categoria de insumo, o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ (art. 290 do RIR/99). Fl. 4902DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 Traz aos autos extensa doutrina sobre o tema do insumo na legislação do PIS/Cofins e do IPI. Entende que o conceito de insumo aplicável ao PIS/Pasep e à Cofins deve ser o mesmo que é aplicado ao IRPJ, visto que para se auferir lucro é necessário se obter faturamento. Entende que não cabe a aplicação do conceito de insumo elaborado no âmbito do IPI. Conclui que não é possível restringir o conceito de insumos ao que foi previsto nas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 4042004. Com base nesse entendimento, argumenta que os materiais utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos estão albergadas no conceito de insumo, em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos que destina à venda. Alega que as peças de reposição também são alcançadas por esse conceito, ainda mais, porque tais bens se desgastam no processo produtivo. Por fim, defende que o mesmo raciocínio é válido para todos os insumos indicados nos Anexos IV e V do relatório da fiscalização. No tópico “Compra para revenda de mercadorias com alíquota zero, isentos, entrados com suspensão da contribuição e não alcançados pela tributação”, esclarece que foram glosadas “aquisições de suínos reprodutores para revenda, adquiridos com alíquota zero, isentos ou com suspensão e revendidos nessa mesma condição”. Argumenta que: Trata-se de suíno leitão NCM 0103.91.00; suínos machos e fêmeas – reprodutores NCM 0103.10.00, adquiridos com objetivo de revenda, tratando-se de aquisição de produto tributado à alíquota básica do PIS e Cofins não cumulativo, e na fase seguinte tem-se a venda para pessoas jurídicas com objetivo de utilizá-las como reprodutores, sendo esta venda tributada para o PIS e Cofins não cumulativa à alíquota básica. Portanto, não se enquadra nas espécies tributárias que envolvem o referido produto, quando utilizado como insumo em processo produtivo. Neste item, a decisão merece ser revista, devendo ser considerado o crédito ordinário requerido pela requerente. No que diz respeito à glosa de créditos sobre os valores relacionados às “Despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda”, entende que, ainda que se tratasse de frete entre estabelecimentos da mesma empresa, tratar-se-ia de etapa essencial à atividade econômica, em razão da adoção do sistema verticalizado de produção, que vai desde a produção de ovos e leitões, passando pelo abate e industrialização dos produtos derivados de aves e suínos até a comercialização dos produtos finais. Explica que, para a consecução de sua atividade, possui granja de reprodutores de aves e suínos, incubatórios, fábricas de rações e concentrados, unidades de abate de aves e suínos, bem assim unidades onde são industrializados os derivados de aves e suínos, bem como filiais comerciais. Aduz que o frete incidente sobre as transferências de uma unidade produtora para a outra deve ser considerado insumo de produção. No que tange aos dispêndios com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, para fins de comercialização, alega que deve ser permitido o aproveitamento do crédito, como já foi estabelecido na Solução de Consulta n° 71, de 28/02/2005, emitida pela 9a Região Fiscal. Entende ser indubitável que os valores relativos aos fretes sobre as transferências de um estabelecimento para outro, para fins de comercialização ou armazenagem, compõem o custo efetivo da mercadoria. Conclui que merece reforma a decisão recorrida que negou o direito ao crédito sobre os fretes, sejam eles sobre a venda efetiva de mercadorias, seja sobre as transferências entre estabelecimentos da mesma empresa para fins de comercialização ou até mesmo de produção. Fl. 4903DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 Após, no tópico “Crédito sobre o valor dos bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição” argumenta que a glosa de valores relativos a encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado deve ser revertida, pois está “em descompasso com as disposições legais, doutrinárias e jurisprudenciais”. Aduz que os argumentos que demonstram o seu direito ao crédito são os mesmos que desenvolveu nos tópicos “Despesas ou material de uso geral” e “Serviços não enquadrados como insumos”. No tópico “Crédito presumido – atividades agroindustriais”, afirma que o crédito presumido foi, inicialmente, previsto no art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, mas que, posteriormente, passou a ser disciplinado pelo art. 8o da Lei n° 10.925/2004. Diz que a RFB negou o direito ao ressarcimento, sob a alegação de que o art. 5o da Lei n° 10.637/2002 e o art. 6o da Lei n° 10.833/2003, ao tratarem da compensação ou ressarcimento, referem-se exclusivamente aos créditos apurados na forma de seu artigo 3o das citadas leis, de modo que o crédito presumido definido pelo art. 8o da Lei n° 10.925/2004 só poderia ser utilizado para dedução do PIS/Cofins devidos nas operações do mercado interno. Aduz que tal entendimento inviabiliza a possibilidade de recuperação do tributo, pois se suas receitas provierem exclusivamente de operações de exportação, seus créditos presumidos ficarão sem qualquer serventia dada a impossibilidade de compensação com outros tributos ou devolução em dinheiro. Alega que a interpretação literal dos arts. 5o e 6o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 podem dar sustentação ao entendimento fazendário, mas essa não é a única maneira de se interpretar tal norma. Salienta que os créditos presumidos deixaram de figurar nas disposições do artigo 3o das citadas leis pela simples necessidade de adequá-los à realidade da não cumulatividade das contribuições. Afirma que não se justifica no modelo não cumulativo apuração de créditos presumidos na ordem de 70% (PIS) e de 80% (COFINS) que eram os créditos que existiam nos tempos da incidência cumulativa. Entende que essa é a razão da revogação dos §§ do artigo 3o daquelas leis. Argumenta que tal mudança jamais teria objetivado impedir a compensação ou ressarcimento de créditos presumidos. Assevera que, mesmo na vigência da Lei n° 10.925/2004, os créditos presumidos são passíveis de compensação ou de ressarcimento, como previsto nos arts. 5o e 6o das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, em razão de que o §1o desses artigos regula a utilização dos créditos apurados na forma do respectivo art. 3o e não dizem que são exclusivamente aos créditos relacionados no artigo 3o de ambas as leis. Entende que tanto os créditos ordinários como os presumidos vinculam-se à forma dos créditos estabelecida pelo artigo 3o das referidas leis, sendo, por isso, passíveis de ressarcimento. Reclama que apenas reconhecer a manutenção dos créditos sem possibilitar sua utilização ou recuperação implica a exportação de produtos onerados pelo PIS e pela Cofins, em razão da incidência presumida dessas contribuições nas etapas de circulação dos bens utilizados como insumos na produção do produto exportado, fato que afronta os objetivos estabelecidos pelo legislador, que é o de não se exportar tributos. Alega, outrossim, que o crédito presumido do PIS e da Cofins constitui uma forma de subvenção, que é definida pelo art. 12, § 3o, da Lei 4.320, de 1964. Com base em doutrina, afirma que o crédito presumido em debate funciona como estímulo financeiro para reduzir o impacto tributário existente sobre a produção. Conclui que deve ser autorizado o ressarcimento do crédito presumido na proporção da receita de exportação. Na sequência, aduz que deve também ser reformada a decisão relativa à glosa do percentual de 60% para 35% do crédito presumido sobre os gastos com insumos Fl. 4904DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 adquiridos como milho, milho quebrado, suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate. Alega ser equivocada a decisão, no mínimo em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, uma vez que, nos termos do art. 8o da Lei n° 10.925/04, para esses produtos, o percentual estabelecido é de 60% do valor da aquisição. Argumenta que a Solução de Consulta nº 39, de 27/04/2006, apresenta decisão dos órgãos fazendários nesse sentido. No tópico “Proporcionalidade das receitas”, aduz que a fiscalização cometeu equívoco ao considerar o valor da receita operacional bruta como o valor da receita tributada no mercado interno, alterando, em consequência, os percentuais de rateio entre a receita não tributada no mercado interno e externo. Demonstra os percentuais de rateio calculados pela RFB, indicando o erro cometido. Anexa, para provar o alegado, o balancete mensal de suas receitas (Anexo II). Na sequência, no tópico “Débito de PIS e Cofins apurado / compensado no mês”, afirma que a fiscalização se enganou ao realizar a dedução do débito de Cofins, conforme o quadro a seguir: Requer, por fim, a reforma da decisão prolatada, a produção de todas as provas em direito admitido, que o presente recurso seja recebido com efeitos suspensivo e devolutivo, bem como seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de ressarcimento até a data da satisfação do crédito. É o relatório. 1.2. A DRJ Curitiba deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade reconhecendo crédito suplementar, em Acórdão com o seguinte teor: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à fabricação de produtos da empresa, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Comprovado o erro de fato na glosa de créditos relativos a bens que não estão sujeitos à alíquota zero na saída do fornecedor, reverte-se as glosas realizadas sob essa fundamentação. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. PERCENTUAIS DE RATEIO. Comprovado o erro de fato no cálculo dos percentuais de rateio para fins de apropriação dos créditos vinculados às receitas de venda no mercado interno e de exportação, refaz- se o cálculo do crédito deferido com base nos percentuais corretos. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CRÉDITO. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda podem ser consideradas insumo para fins de crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, desde que não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas e se sofrerem alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 4905DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. No âmbito do regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens se esses forem adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, se forem incorporadas ao ativo imobilizado e se estiverem diretamente associadas ao processo produtivo de bens destinados à venda ou à produção de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e do PIS/Pasep. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. DEDUÇÃO. Os créditos presumidos da agroindústria, no período em análise, somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento ou compensação. CRÉDITOS PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. A alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/Pasep e de Cofins a que as agroindústrias têm direito, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus dos sujeitos passivos requerentes a comprovação da existência do direito creditório. 1.3. A Recorrente, então, apresentou Voluntário a esta Casa em peça que reitera, no que descrito abaixo, o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade. Voto Fl. 4906DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. De saída, INSUMO no termo das normas DAS CONTRIBUIÇÕES são bens e serviços essenciais (imanentes ao) ou relevantes (pertinentes ao, que de algum modo contribua com o) processo produtivo, nos termos de precedente vinculante bem conhecido de fisco e Recorrente. 2.1.1. Deste modo, deve ser revertida a glosa para peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e equipamentos industriais (máquinas sem as quais não há processo produtivo), materiais empregados na manutenção predial das indústrias, materiais para a desinfecção e limpeza das máquinas e instalações industriais (lembrando que tratamos de indústria de carnes, logo, a limpeza do maquinário é imprescindível ao processo produtivo), uniformes e materiais de proteção e segurança dos trabalhadores (bens que o próprio Precedente Vinculante indica como relevantes ao processo produtivo) e produtos intermediários utilizados no processo produtivo – por sinal, os mesmos julgadores, da mesma Turma, da mesma DRJ reverteram a glosa destes bens para a mesma contribuinte, que apresentou as mesmas provas, no processo 10925.900872/2017-58: A fiscalização glosou créditos na rubrica “bens utilizados como insumos”, sob a justificativa que são “materiais de uso e consumo”, ou seja, de que tais bens não integram o processo produtivo da Contribuinte. A seu turno, a Recorrente aduz que tais glosas são indevidas e que, em análise ao relatório de glosas, constatou que elas correspondem, na verdade, a créditos calculados sobre os bens que são efetiva e diretamente utilizados no processo produtivo. Informa que, com a finalidade de demonstrar que os itens glosados possuem pertinência com o seu processo produtivo, elaborou o Anexo V. Afirma que todos os produtos relacionados nesse anexo se enquadram na condição de insumos. Explica o processo de contabilização de tais gastos, a fim de demonstrar que são custos dos produtos que industrializa. Relata que tais bens correspondem a peças para manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo; matérias de manutenção elétrica de equipamentos industriais e das plantas industriais; produtos para higienização e limpeza industrial; bens (ferramentas e utensílios) utilizados para medição e nos laboratórios industriais; medicamentos veterinários e aditivos; produtos intermediários utilizados no processo produtivo; material de proteção e segurança do trabalhador, entre outros. Pois bem, examinando o relatório de glosas da fiscalização (arquivo não paginável - planilha Insumos), percebe-se que as glosas dos bens indicados no relatório da contribuinte (Anexo V) foram, de fato, realizadas porque a autoridade fiscal entendeu que tais bens são de uso e consumo. Contudo, entende-se que os produtos indicados no citado anexo estão relacionados diretamente à atividade fabril da Cooperativa Aurora, nos termos do Parecer Cosit n.° 5, de 17 de dezembro de 2018. Saliente-se que, dentre os diversos bens glosados, constam os seguintes produtos: gás argônio, gás comprimido, amônia, soda cáustica, diversos tipos de vacinas, raticidas, aditivos, aventais, botas plásticas, calças impermeabilizantes, camisas, luvas, correias, etc. Os trechos do Parecer Cosit abaixo transcritos permitem enquadrar os bens ora tratados como insumos do processo produtivo: Fl. 4907DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 15. Neste ponto já se mostra necessário interpretar a abrangência da expressão “atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto essa expressão, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito da não cumulatividade das contribuições em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (administrativa, jurídica, contábil, etc.), a verdade é que todas as discussões e conclusões buriladas pelos Ministros circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. [...] 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade (“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões”). [...] 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. [...] 25. Por outro lado, a interpretação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das contribuições afasta expressamente e por completo qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo com o bem produzido para que se permita o creditamento, como preconizavam a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em algumas hipóteses. [...] 45. Outra discussão que merece ser elucidada neste Parecer Normativo versa sobre a possibilidade de apuração de créditos das contribuições na modalidade aquisição de insumos em relação a dispêndios necessários à produção de um bem-insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo). [...] 47. Assim, tomando-se como referência o processo de produção como um todo, é inexorável que a permissão de creditamento retroage no processo produtivo de cada pessoa jurídica para alcançar os insumos necessários à confecção do bem-insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros, beneficiando especialmente aquelas que produzem os próprios insumos (verticalização econômica). Isso porque o insumo do insumo constitui “elemento estrutural e Fl. 4908DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”, cumprindo o critério da essencialidade para enquadramento no conceito de insumo. Relativamente aos bens de pequeno valor, nos termos do citado Parecer Cosit, tem-se que: 93. São exemplos de bens que geralmente se enquadram na presente seção: a) moldes ou modelos; b) ferramentas e utensílios; c) itens consumidos em ferramentas, como brocas, bicos, pontas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, materiais para soldadura, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono, etc. 94. Quanto aos moldes ou modelos utilizados para dar a forma desejada ao produto produzido, é inegável sua essencialidade ao processo produtivo, constituindo insumo gerador de crédito das contribuições, desde que não estejam contabilizados no ativo imobilizado da pessoa jurídica, conforme regras apresentadas nesta seção. [...] 96. Acerca da subsunção de outros itens de pequeno valor e de vida útil inferior a um ano ao conceito de insumos, não há como fugir de relegar a questão à análise casuística, com base nos detalhes do caso concreto. Quanto ao “material de proteção e segurança do trabalhador”, o Parecer Normativo Cosit/RFB n.° 5, de 2018, assim consignou: 4. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL 49. Conforme relatado, os Ministros incluíram no conceito de insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em razão de sua relevância, os itens “cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção (...) por imposição legal”. 50. Inicialmente, destaca-se que o item considerado relevante em razão de imposição legal no julgamento da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça foram os equipamentos de proteção individual (EPIs), que constituem itens destinados a viabilizar a atuação da mão de obra e que, nos autos do AgRg no REsp 1281990/SC (Relator Ministro Benedito Gonçalves, julgamento em 05/08/2014), não foram considerados essenciais à atividade de uma pessoa jurídica prestadora de serviços de mão de obra, e, consequentemente, não foram considerados insumos pela Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça. 51. Daí se constata que a inclusão dos itens exigidos da pessoa jurídica pela legislação no conceito de insumos deveu-se mais a uma visão conglobante do sistema normativo do que à verificação de essencialidade ou pertinência de tais itens ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços por ela protagonizado. Aliás, consoante exposto pelo Ministro Mauro Campbell Marques em seu segundo aditamento ao voto (que justamente modificou seu voto original para incluir no conceito de insumos os EPIs) e pela Ministra Assusete Magalhães, o critério da relevância (que engloba os bens ou serviços exigidos pela legislação) difere do critério da pertinência e é mais amplo que este. 52. Nada obstante, nem mesmo em relação aos itens impostos à pessoa jurídica pela legislação se afasta a exigência de que sejam utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços para que possam ser considerados insumos para fins de creditamento das contribuições, pois esta exigência se encontra na noção mais elementar do conceito de insumo e foi reiterada diversas vezes nos votos dos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça colacionados acima. Fl. 4909DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 53. São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação5, etc. 54. Por outro lado, não podem ser considerados para fins de creditamento das contribuições: a) itens exigidos pela legislação relativos à pessoa jurídica como um todo, como alvarás de funcionamento, etc; b) itens relativos a atividades diversas da produção de bens ou prestação de serviços. [...] i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); Quanto aos produtos intermediários, entende-se que também são bens que integram os custos do processo produtivo e estão especificamente indicado no Parecer Cosit como geradores de crédito. Não há como vincular tais produtos a atividades que não as vinculadas, ainda que indiretamente, à produção fabril da empresa. Afinal, não são bens que estão relacionados à área administrativa, contábil, comercial ou jurídica. Deste modo, em consonância com o Parecer Cosit, o qual define os critérios da essencialidade e relevância para classificar determinado bem como insumo ou não, nos termos do item 167, compreende-se que os bens discriminados pela fiscalizada devem ser enquadrados como insumos de seu processo produtivo. Certamente, em sua esmagadora maioria, não são itens empregados nos setores administrativos da empresa. Ressalte-se que a Interessada elaborou, no mesmo Anexo V, diversos sub-anexos, assim discriminados: Produtivas; Processo Produtivo; – EPI’s, Utilizados pelos Colaboradores que Atuam no Processo Produtivo; sso Produtivo; Fl. 4910DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 Nestes documentos, a contribuinte anexa notas fiscais por amostragem e os respectivos razões contábeis. Deste modo, embora possa haver um ou outro bem indicado no anexo em análise que possa, talvez, não gerar o direito ao crédito, como no caso de produtos utilizados na manutenção predial e material de embalagens e etiquetas, entende-se que, no contexto analisado, deve-se conceder o crédito sobre a totalidade dos bens informados no documento produzido pela Recorrente. Relativamente aos materiais de limpeza, produtos que estão fartamente indicados no relatório de glosas da fiscalização, o Parecer Normativo Cosit/RFB n.° 5, de 2018, assim consignou: 7.4. PRODUTOS E SERVIÇOS DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E DEDETIZAÇÃO DE ATIVOS PRODUTIVOS 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiram-se apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, trata-se de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. Quanto a esta questão, interessante observar que o caso paradigma analisado pelo STJ, nos autos do REsp n.° 1.221.170/PR, semelhantemente ao aqui analisado, a postulante se dedicava à industrialização de produtos alimentícios. Portanto, como os bens glosados estão relacionados ao processo produtivo da contribuinte, deve-se reverter as glosas indicadas no Anexo V, nos seguintes valores: A fiscalizada reclama, ainda, de glosas relativas a materiais utilizados em “limpeza/uso industrial”, relacionados no Anexo VI que elaborou. Explica que são produtos que são empregados da seguinte forma: i) adicionados à água das caldeiras, visando a sua conservação; ii) nas torres de resfriamento e túneis de congelamento, para evitar a criação de limo e encrostamento externo; iii) no tratamento da água utilizada no processo produtivo, especialmente na limpeza de equipamentos, utensílios e instalações (ETA); iv) desinfecção de instalações sanitárias; v) produtos para tratamento dos Fl. 4911DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 efluentes industriais (ETE); e vi) condimentos e conservantes de uso no processo produtivo. Relata que a indústria frigorífica de aves e suínos e de laticínios estão sujeitas ao cumprimento de uma série de normas legais, dentre elas a Portaria nº 711, de 01/11/1995, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; a Portaria nº 210, de 10/11/1998, do Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura; a Portaria nº 146, de 07/03/1996, do Ministério da Agricultura; as Circulares n°s 175/2005 e 176/2005 da Coordenação Geral de Programas Especiais. Esclarece que as mencionadas normas exigem a manutenção preventiva das instalações e equipamentos industriais, limpeza e disposição dos vestiários e sanitários, tratamento da água de abastecimento, tratamento das águas residuais, controle integrado de pragas, limpeza e sanitização dos ambientes, equipamentos e utensílios, hábitos higiênicos e saúde dos trabalhadores, controle dos procedimentos sanitários e a realização de testes microbiológicos. Entende que o fato de a utilização desses materiais ser exigência legal revela o caráter de indispensabilidade à produção. Conclui que os bens glosados são indispensáveis e diretamente ligados ao processo produtivo e integram o custo de fabricação dos produtos destinados à venda, revestem, indiscutivelmente, a condição de “insumo” Informa que o Anexo VI foi feito com base no anexo de glosas elaborado pela fiscalização (planilha Insumos do arquivo não paginável). Analisando-se o citado anexo, constata-se que ele relaciona bens que, indiscutivelmente, nos termos do Parecer acima citado, são insumos do processo produtivo da manifestante. Analisando o relatório, percebe-se que, dentre outros, que constam os seguintes produtos: ácido fosfórico, cloreto de cálcio, sanitizantes, etc. Obviamente, tais bens não estão ligados aos setores administrativos da empresa. Registre-se, outrossim, que o Anexo VI foi desmembrado pela contribuinte em três anexos: condimentos e conservantes; materiais de higiene e limpeza utilizados no processo produtivo e produtos utilizados na manutenção de caldeiras e torres de resfriamento. 2.1.2. Ainda no tópico bens utilizados como insumos a Recorrente pleiteia créditos para materiais e serviços utilizados na manutenção elétrica, o que, segundo ela (e demonstrado por planilha) “trata-se de material elétrico e eletrônico empregado na manutenção de máquinas e equipamentos e instalações elétricas, em geral, das plantas industriais”, Bens de pequeno valor, consistentes em ferramentas e utensílios utilizados na manutenção mecânica e predial, materiais e aparelhos utilizados para medição e nos laboratórios industriais, recipientes utilizados para o acondicionamento e movimentação interna de produtos semielaborados e materiais e serviços utilizados nas caldeiras, torres de resfriamento e tratamento de águas, que são produtos utilizados na manutenção e conservação das caldeiras e torres de resfriamento, utilizadas para o processo produtivo e no tratamento de afluentes e efluentes industriais. 2.1.2.1. Por identidade de razões àquelas apontadas na concessão de crédito para peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e equipamentos industriais (a saber, possibilidade concreta de perda de qualidade e fluidez do processo produtivo), deve ser concedido o crédito para materiais e serviços utilizados na manutenção elétrica do maquinário e materiais e serviços utilizados nas caldeiras e torres de resfriamento. 2.1.2.2. Os serviço de tratamento de águas é relevante ao processo produto não apenas para a saúde dos animais (que posteriormente transformar-se-ão em carne) como também Fl. 4912DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 para o tratamento dos dejetos naturalmente decorrentes da atividade, logo, também deve ser revertida a glosa. 2.1.2.3. Já para os bens de pequeno valor, por falta de descrição pormenorizada, deve ser negado o crédito a ferramentas e utensílios utilizados na manutenção predial e materiais e aparelhos de medição nos laboratórios industriais. No entanto, deve ser concedido o crédito para recipientes utilizados para o acondicionamento e movimentação interna de produtos semielaborados, sem os quais o material em elaboração pode sofrer contaminação, prejudicando o processo produtivo. 2.2. Embora o caput do artigo 8° limite a concessão de CRÉDITO PRESUMIDO para as aquisições de pessoa física, o incido III do § 1° estende igual direito PARA AS AQUISIÇÕES DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. Ao analisarmos a coluna Fornecedor do Anexo V elaborado pela fiscalização, temos que a Recorrente adquiriu os insumos de seu processo produtivo (no tópico em questão) de cooperativas de produção agropecuária, logo, de rigor a concessão de crédito presumido nas operações (em verdade, bastaria a fiscalização ter observado que as vendas de ração animal, farelo de soja, óleo degomado, milho, soja desativa, deram-se com a suspensão das contribuições, para chegar-se à idêntica conclusão). 2.3. A DRJ mantém a glosa na aquisição de SUÍNOS REPRODUTORES pois “analisando-se o relatório de glosas da fiscalização, constata-se que todos os crédito relacionados ao produto “suínos reprodutores” dizem respeito a gastos com “produção própria” (informação constante da coluna Nota Fiscal). Em outros termos, pela informação da autoridade a quo não há aquisição de suínos reprodutores, mas tão somente produção interna, o que obviamente não gera direito ao crédito”. 2.3.1. Todavia, logo na primeiro linha da planilha produzida pela fiscalização (Anexo I) há a informação de aquisição de suíno reprodutor fêmea, em que o campo tipo de entrada descreve crédito de PIS e COFINS para revenda, o CFOP descreve uma operação de compra para comercialização (1102) e a coluna tributação encontra-se preenchida com a informação “tributado”. Destarte, deve ser revertida a glosa para suínos reprodutores adquiridos para revenda. 2.4. A Recorrente demonstra com maestria singular que os FRETES SOBRE O SISTEMA DE PARCERIA (de acordo com os CFOPs, planilhas e descrição do processo produtivo) E INTEGRAÇÃO referem-se ao transporte de aves e suínos (e de rações e medicamentos para estes animais) de um produtor parceiro a outro, para que os animais evoluam e resultem prontos para o abate. Ora, se tratam-se de fretes de aves e suínos para que estes restem prontos para o abate e aves e suínos são, uma e justamente, os principais insumos da Recorrente, logo, estes fretes são de insumos. Fl. 4913DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 2.4.1. Claro que poder-se-ia argumentar (como faz a DRJ) que os associados da Recorrente são pessoas jurídicas distintas de si, logo, não se trata de frete de insumos. No entanto, como já descrito acima, esta Casa (e esta Turma em particular) também concede o crédito das contribuições ao frete de aquisição de insumos e ao frete para industrialização por encomenda – o que torna, em qualquer caso, de rigor a reversão da glosa. 2.5. O TRANSPORTE DE INSUMOS NO CURSO DO PROCESSO PRODUTIVO é essencial ao mesmo. Sem o transporte dos insumos entre filiais o processo produtivo resulta inacabado. Portanto, deve ser concedido o crédito para a Recorrente nas despesas com movimentação dos insumos no curso do processo produtivo deste, na forma antedita por este Turma em Acórdão unânime no ponto em questão de Lavra do Saudoso Conselheiro Tiago Guerra Machado (e também concedido pela DRJ no processo 10925.900872/2017-58, diga-se): CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Por integrar o valor do estoque de matéria-prima, é possível a apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de matéria-prima entre estabelecimentos da mesma empresa. (Acórdão 3401-006.135) 2.6. Como regra, este relator entende (ao contrário da esmagadora maioria da Turma e desta Casa) que não é possível a concessão de crédito ao FRETE DE PRODUTOS ACABADOS, salvo se, e somente se, este se demonstrar essencial ou relevante ao processo produtivo por razões de segurança ou ainda para preservar o produto acabado, como é o caso, vez que tratamos de alimentos que devem ser transportados e preservados no mínimo resfriados dos centros produtores até os consumidores, para tornar possível a sua venda e consumo – o que nos leva à reversão da glosa. 2.7. As glosas do ATIVO IMOBILIZADO deram-se em bens classificados como softwares (Office, Windows, etc), móveis e utensílios (bancada, cadeira ergonômica), poços artesianos (outorga) e equipamentos de informática (monitor, notebook, etc). Sendo assim, salvo poço artesiano (do qual se retira água para uso no processo produtivo), as demais despesas são administrativas, que não geram créditos das contribuições. 2.8. Dispõe a DRJ que o percentual de apuração da ALÍQUOTA APLICÁVEL SOBRE OS CRÉDITOS PRESUMIDOS DE PIS/COFINS a que as agroindústrias têm direito, prevista no § 3º do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados, o que é diametralmente contrário à Súmula 157 desta Casa: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base Fl. 4914DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. 2.8.1. Portanto, não restando dúvida quanto ao enquadramento da produção da Recorrente nos capítulos 2 (cortes resultantes do abate de suínos e aves) e 16 (embutidos), o crédito presumido é de 60% das alíquotas do PIS/Pasep e da COFINS. 2.9. Ao final, a Recorrente pleiteia CORREÇÃO MONETÁRIA de seus créditos pela SELIC, tese que encontra guarida em Repetitivo do Tribunal da Cidadania, como reconheceu esta Turma por unanimidade de votos em Acórdão recente (outubro de 2020) da lavra do Conselheiro Lázaro, o qual replico a Ementa (vez que de elevada sabedoria e capacidade de síntese) como razões de decidir: RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. SÚMULA CARF Nº 125. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. Sobre os valores compensados pelo contribuinte (compensação voluntária) e pela Receita Federal (compensação de ofício), ou pagos pela Fazenda Nacional durante este prazo, não deve incidir correção monetária. (Acórdão 3401-008.364) 2.9.1. Assim, considerando que trata-se de pedido de ressarcimento de contribuições sem compensação vinculada, de rigor a concessão da correção monetária dos créditos da Recorrente pela SELIC a partir do tricentésimo sexagésimo primeiro dia após o protocolo do PER. 3. Ante o exposto, admito, uma vez que tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para reverter a glosa sobre: 3.1. Serviços empregados na manutenção das máquinas e equipamentos industriais, materiais empregados na manutenção predial das indústrias, materiais para a desinfecção e limpeza das máquinas e instalações industriais, uniformes e materiais de proteção e segurança dos trabalhadores e produtos intermediários utilizados no processo produtivo; Fl. 4915DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-010.586 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.905323/2011-84 3.2. Materiais e serviços utilizados na manutenção elétrica do maquinário e materiais e serviços utilizados nas caldeiras e torres de resfriamento; 3.3. Serviço de tratamento de águas; 3.4. recipientes utilizados para o acondicionamento e movimentação interna de produtos semielaborados; 3.5. serviços de coleta de lixo, conserto de máquinas e equipamentos, fornecimento de água potável, lavagem de uniformes, dedetização e industrialização por terceiros; 3.6. Aquisição de ração animal, farelo de soja, óleo degomado, milho, soja desativa de cooperativas de produção agropecuária, nos limites descritos na Lei 10.925/04; 3.7. Suínos reprodutores adquiridos para revenda; 3.8. Fretes no sistema de parceria e integração, de insumos no curso do processo produtivo e de produtos acabados; 3.9. Das despesas com a manutenção de poço artesiano; 3.10. Dos créditos presumidos da Lei 10.925/04, fixando a alíquota em 60% do crédito básico; 3.11. Todos os créditos ressarcíveis devem ser corrigidos pela SELIC do 361° dia após a data do protocolo do PER até a data do efetivo ressarcimento. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 4916DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002506/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS
NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT.
Os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, não se enquadrando suas elaborações no conceito jurídico de industrialização. Inaproveitáveis os créditos originários de aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem destinados à fabricação de produtos não tributados “NT”.
Ademais, a Súmula n.º 20 do CARF determina que não gera direito aos créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como “NT”.
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃO-CUMULATIVIDADE.
A não cumulatividade do IPI é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos.
Numero da decisão: 3803-002.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso por
unanimidade de votos, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JULIANO LIRANI
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Matéria Imposto Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS SAMBR Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. Os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, não se enquadrando suas elaborações no conceito jurídico de industrialização. Inaproveitáveis os créditos originários de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem destinados à fabricação de produtos não tributados “NT”. Ademais, a Súmula n.º 20 do CARF determina que não gera direito aos créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como “NT”. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃOCUMULATIVIDADE. A não cumulatividade do IPI é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator. (Assinado Digitalmente) Alexandre Kern Presidente (Assinado Digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/12/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Belchior Melo de Souza e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/1999, relativo ao 3° trimestre de 2005, cuja apuração se deu sobre o IPI incidente sobre insumos utilizados na elaboração de produtos nãotributados, e de Declarações de Compensação, PER/DCOMP transmitidas visando a compensação de débitos do IRPJ. O Despacho Decisório às fls. 11/13 denegou o pedido de compensação por entender que o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados não é contribuinte do IPI e por isso não se classifica como estabelecimento industrial. Asseverou que o art. 8° do RIPI determina que estabelecimento industrial é aquele que executa operações caracterizadas como industrialização, tais como, a transformação; beneficiamento, montagem, acondicionamento ou reacondicinamento. Segundo o Despacho Decisório, se o estabelecimento não é contribuinte do IPI, não há que se falar em obrigação do pagamento do IPI devido na saída do produto do estabelecimento e desde modo não há também direito ao crédito do IPI pago na aquisição de insumos e para reforçar a sua tese, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Gleber Giardino e de José Soares de Melo. Afirma que na Constituição Federal não há nenhuma restrição para que se credite, ainda que se trate de produto não tributado. Irresignado com a conclusão da referida decisão, apresentou às fl. 23/28 Manifestação de Inconformidade argumentando que o IPI é um imposto nãocumulativo, nos termos do artigo 153, § 3°, inciso II, da Constituição Federal, bem como tenta demonstrar que é um estabelecimento industrial em função da atividade que desempenha. Sobreveio a Decisão n.º 0924.746, prolatada pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora, cujo acórdão apresenta o seguinte teor: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. Só são reconhecidos como créditos básicos de IPI aqueles provenientes de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, em consonância com o princípio da nãocumulatividade, cujo fundamento é encontrado no art. 153, IV, § 3º, II da Constituição Federal de 1988, o qual dispõe que o IPI será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Obviamente, não se acatam créditos de IPI decorrentes de aquisições de produtos tributados para emprego na elaboração de produtos não tributados. Solicitação Indeferida Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/12/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 13603.002506/200791 Acórdão n.º 3803002.261 S3TE03 Fl. 78 3 Conforme se retira do acórdão referido, a decisão aponta no sentido de que a Recorrente não possui direito a crédito do IPI, basicamente em razão de que os produtos por ela fabricados estão classificados na TIPI como NT, conforme se denota do Decreto n.º 4.5442002. Extraise ainda da decisão recorrida que esta fundamentou o indeferimento do pedido no argumento de que o art. 155, § 3º da Constituição Federal estabeleceu imunidade para as operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. Assim, segundo a decisão “a quo”, tornase irrelevante se os minerais são exportados ou destinados para o mercado interno, uma vez que em função da imunidade jamais se sujeitam a tributação pelo IPI. Discordando da decisão supra descrita, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 86/109, cujo cerne da defesa perfaz a discordância do entendimento fazendário em relação a impossibilidade do creditamento pleiteado, sob o argumento de que a glosa do crédito de IPI implica em ofensa ao princípio da nãocumulatividade, impondo o cancelamento da exigência fiscal em cumprimento também dos princípios da legalidade, moralidade, e eficiência. E com a finalidade de demonstrar que é estabelecimento industrial, sustenta que se dedica a atividade de exploração de beneficiamento de minério de ferro e que o processo produtivo consiste na lavra e produção de minério de ferro, logo é inquestionável que essa atividade enquadrase como processo de industrialização em razão do beneficiamento, ainda os produtos sejam tributados com alíquota zero. Além do que, o Recorrente afirma que a maioria da mercadoria produzida é exportada e que embora esteja classificada na TIPI como nãotributada “NT”, tal fato não constitui impedimento para o gozo do crédito do imposto, pois o produto mineral é isento, por força do art. 7º da Lei n.º 4.502/64, cujo conteúdo da norma abaixo está reproduzido na íntegra: Lei n.º 4.502/64: Art . 7º São também isentos: XVI os produtos de origem mineral, inclusive os que tiverem sofrido beneficiamento para eliminação de impurezas, através de processos químicos, desde que sujeitos ao imposto único. Destaca ainda que na época apuração do crédito de IPI, exportava mais de 80% (oitenta por cento) da sua produção, portando, no mínimo, tem direito aos créditos de IPI na proporção das exportações, com base no DecretoLei no. 491/1969, conforme segue: DL n.º 491/69: "Art.5° É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados." Apresenta decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Processo no. 13906.000031/9912 — Recurso 202112279 /Acórdão CSRF/02 01.311), no sentido de que o produto classificado como NT tem direito ao crédito de IPI como incentivo de exportação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/12/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 Cita também as Soluções de Consulta n.º 14/2003; 17/2005; 3942003 e n.º 223/2003, para demonstrar já ter sido reconhecido pela SRF o direito aos créditos de IPI em relação aos produtos imunes empregados na industrialização de minerais. Por fim, requer a correção monetária do crédito pleiteado, tendo em vista que o IPI recolhido na operação anterior configura um adiantamento ao Erário de parte do que seria devido pelo consumidor final. Além do que, se o imposto não fosse plurifásico a União somente receberia o crédito tributário ao final do ciclo produtivo, ou seja, quando o produto fosse vendido para o consumidor final, razão pela qual o crédito do IPI não pode ser entendido como um valor escritural, já que representa um ingresso financeiro que ocorre durante o processo industrial. Acrescenta ainda que a correção monetária tem a função de atualizar os valores defasados pela inflação e neste sentido corrobora com este entendimento o Resp nº 68.090 – SP e AC n.º 1998.04.01.0621328/SC – 4ª Região. Pleiteia também a homologação dos créditos e a aplicação da taxa SELIC, por compreender que o pedido de ressarcimento dos créditos de IPI equivale a pedido de restituição e deve ser atendido com a correção monetária, na forma da Lei no. 8.383/91. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani A lide encontrase exatamente no fato da repartição de origem ter negado o direito a créditos calculados sobre o IPI incidente na aquisição de insumos tributados empregados no processo industrial de extração de minerais. O indeferimento se deu com fulcro no art. 8º do Decreto n° 4.5442002 — RIPI/2002, que determina não existir créditos em relação as operações de produtos não tributados, ou seja, NT. Alega a Fazenda que não é possível fazer nascer um crédito de IPI e, por conseguinte, efetivar o seu aproveitamento escritural para o estabelecimento cujos produtos fabricados sejam nãotributados, isto é, para estabelecimento não industrial, logo, não contribuinte do IPI. “Data vênia”, penso que não deve prosperar a tese da Recorrente de que às empresas industriais era permitido o aproveitamento dos créditos do IPI provenientes da aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos não tributados, em razão do princípio da nãocumulatividade. Tal conclusão decorre do fato de que o princípio constitucional da não cumulatividade não é amplo e irrestrito. Aliás, não há um só direito, por mais fundamental, que seja absoluto, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais. Ademais, a supremacia da Constituição não se confunde com a impossibilidade de regulação dos créditos do IPI por meio da legislação. Seria um absurdo tal Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/12/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 13603.002506/200791 Acórdão n.º 3803002.261 S3TE03 Fl. 79 5 pretensão, pois não se pode imaginar que a norma constitucional seja suficiente à determinação de todo um sistema jurídico positivo. O art. 49 do CTN, dispõe a respeito do saldo credor do IPI, nos seguintes termos: "Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Assim, da leitura do artigo supra descrito notase que não há referência alguma a hipótese de ressarcimento do saldo credor, mas sim de transferência deste saldo para períodos seguintes. Conseqüentemente, a possibilidade de ampliação das hipóteses de compensação dos créditos decorrentes de créditos incentivados previstos no art. 11 da Lei n° 9.779/99 não possui qualquer relação com o princípio da cumulatividade. Em outro giro, verificase, analisando a evolução dos atos normativos que regulam o IPI, que os créditos relacionados aos insumos empregados em produtos não tributados (NT) não foram contemplados, por exemplo, com o mesmo tratamento destinado aos empregados em produtos isentos e os de alíquota zero, visto que estes não podiam ser aproveitados, e passaram, entretanto, a sêlo após o advento da Lei n° 9.779/99. Deste modo, a melhor interpretação no presente caso deve ser aquela que aponta no sentido de que a norma positiva desejou assegurar o direito ao crédito apenas quando, na saída, houvesse tributação, pois o pressuposto da cumulatividade é ter mais de uma incidência na cadeia produtiva do produto final tributado. Portanto, se a idéia determinante da sistemática de nãocumulação é o produto final e se este está fora do campo de incidência do IPI, então nada mais razoável que seus insumos, não participem da sobredita sistemática de nãocumulação. Com efeito, é essencial observar que o direito estabelecido no art. 11 da Lei n° 9.779/99, está restrito aos produtos tributados, não alcançando, portanto, os produtos classificados como "NT" (não tributados), como é o caso dos autos. É verdade também que a partir da Lei 9.779/99 permitese o aproveitamento do crédito do IPI devido sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero. Entretanto, o mesmo não ocorre em relação à industrialização de produtos NT pelo IPI, uma vez que estes são excluídos do campo de incidência do imposto. Além do que, o conceito de produção, à luz da legislação do IPI, abrange apenas os produtos tributados, ainda que isentos ou tributados à alíquota zero. Os produtos não tributados (NT), por se situarem fora do campo de incidência do imposto, não se inserem Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/12/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 naquele conceito, não sendo considerados, para os efeitos do IPI, como produtos industrializados, nos termos do art. 8º do Regulamento do IPI. O contribuinte sustenta subsidiariamente que na época apuração do crédito de IPI, exportava mais de 80% (oitenta por cento) da sua produção, portando, no mínimo, tem direito aos créditos de IPI na proporção das exportações, com base no DecretoLei no. 491/1969, renovado pela Lei n.º 8.402/1992. Neste particular, cumpre esclarecer que o art. 153, § 3º, III, da CF, determina que o IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior e o art. 155, § 3º também da CF, dispõe que não as operações relativas a minerais são imunes aos impostos, salvo ao ICMS, II e IE. Neste caso, como as operações de exportação estão fora do alcance da incidência do IPI, resta concluir que não há que se falar em reconhecimento de créditos neste caso, razão pela qual afasto a aplicação do art. 7º da Lei n.º 4.502/64, bem como da Lei n.º 8.402/1992. Cumpre ainda citar a Súmula n.º 20 do CARF, a qual dita a regra de que não gera direito aos créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como “NT e cuja aplicação é obrigatória aos membros do colegiado. (Assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 04/12/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 10880.991642/2012-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3003-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta apure o valor devido a título de Cofins não cumulativa (código 5856), do período de apuração em questão, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme as operações apontadas no Recurso Voluntário e a suficiência para homologação dos débitos compensados, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo, Muller Nonato Cavalcanti Silva e Ricardo Piza Di Giovanni.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta apure o valor devido a título de Cofins não cumulativa (código 5856), do período de apuração em questão, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil; a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme as operações apontadas no Recurso Voluntário e a suficiência para homologação dos débitos compensados, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo, Muller Nonato Cavalcanti Silva e Ricardo Piza Di Giovanni. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 03289.85420.290711.1.3.04-9889, cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins não cumulativa (código 5856), do período de apuração 06/2010, recolhida em 23/07/2010, no valor original utilizado na data de transmissão de R$ 48.503,21. Após processado foi exarado o Despacho Decisório (e-fls.07 ), no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde alegou, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 91 64 2/ 20 12 -4 9 Fl. 146DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3003-000.316 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.991642/2012-49 porém houve recolhimento no valor de R$ 48.503,21, efetuado em 23/07/2010, que o contribuinte pleiteou no referido PERDcomp; tou DCTF retificadora para a competência 06/2010; -se que o valor informado na DCTF foi informado equivocadamente, e com a finalidade de otimizar os processos administrativos e solucionar as informações divergentes, retificou a DCTF, excluindo-se o débito informado equivocadamente na competência de Junho de 2010; retificação para correção das informações, a fim de sanar as inconsistências, por se tratar de erro material na informação de obrigações acessórias; despacho decisório, requer a seja acolhida a presente impugnação, que seja julgado o despacho decisório totalmente improcedente, determinando seu arquivamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão constante nos autos. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o recolhimento já estaria vinculado a um débito declarado em DCTF e a falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que na competência relativa ao mês de junho de 2010 não auferiu receita tributável para fins de COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social} e todo o seu faturamento foi efetuado para uma pessoa jurídica do exterior, ou seja, auferiu somente receita com exportação de serviços, originando o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, evidenciado na DCTF retificadora e pleiteando a juntada de documentação comprobatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3003-000.316 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.991642/2012-49 A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior da Cofins não cumulativa, do período de apuração de junho de 2010, conforme declarado na DCTF retificadora do período. Juntou em sede recursal documentos comprobatórios: (DACON}, notas fiscais, razões contábeis e balancetes. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Da mesma forma fundamentou-se a decisão de primeira instância, ressaltando que a retificação da DCTF se deu posteriormente à apresentação da DCOMP. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, espera-se, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. De fato não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010, abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3003-000.316 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.991642/2012-49 No entanto, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Sobre a origem do direito creditório a recorrente apresenta as seguintes alegações: Na competência relativa ao mês de junho de 2010, a recorrente não auferiu receita tributável para fins de COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social} e todo o seu faturamento foi efetuado para uma pessoa jurídica do exterior, ou seja, auferiu somente receita com exportação de serviços. Conforme se verifica, nas documentações fiscais (DACON}, notas fiscais, razões contábeis e balancetes (doc. anexo), comprova-se então que o faturamento do mês de junho de 2010 nao houveram íncídéncías de receitas decorrentes de COFINS o que pode ser observado nos termos do Art. 6°, Inciso 11, da Lei 10.833/2003 (...) Ressalta-se neste momento que, em 07 de janeiro de 2013, a declaração acessória DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) - (doc. Anexo), competência Maio de 2010, foi devidamente retificada, o que ao analisar o PER/DCOMP destaca-se que o valor informado na declaração assessória DCTF {Declararação de Débitos e Créditos Tributários Federais) foi informado equivocadamente. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que a retificação da DCTF se deu posteriormente à apresentação da DCOMP, não tendo sido apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada do exame dos elementos comprobatórios, para que não haja supressão de instância, uma vez que os documentos apresentados não foram objeto de verificação quando da emissão do respectivo despacho decisório, nem tampouco foram Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3003-000.316 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.991642/2012-49 utilizados como fundamento para aquela decisão, compete à DRF de origem apreciar a documentação juntada à manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário, a fim de que seja apurada a contribuição devida e eventual direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure o valor devido a título de Cofins não cumulativa (código 5856), do período de apuração 06/2010, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais elementos que julgar necessários; a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme as operações apontadas no Recurso Voluntário e a suficiência para homologação dos débitos compensados; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestar-se no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 150DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726464/2018-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2003-000.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade de Origem instrua os autos com cópia completa da DAA (DIRPF/2014) apresentada pelo contribuinte. Vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que rejeitou a diligência proposta.
(documento assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente).
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a Unidade de Origem instrua os autos com cópia completa da DAA (DIRPF/2014) apresentada pelo contribuinte. Vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que rejeitou a diligência proposta. (documento assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima, Wilderson Botto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente). Relatório Trata-se o presente processo de exigência de IRPF, referente ao ano-calendário de 2013, exercício de 2014, no valor de R$ 14.354,50, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 23.500,00, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, importando na apuração do imposto suplementar no valor de R$ 6.462,50 (fls. 19/23). Cientificado do lançamento, o contribuinte, por procurador habilitado apresentou impugnação (fls. 2/5), insurgindo-se contra a glosa das despesas pagas, alegando que os recibos ora apresentados são suficientes para comprovar a efetividade dos serviços odontológicos prestados, e que em relação à despesa com a Medsports Serviços Médicos Ltda., não foi possível localizar o sócio, havendo tão somente a informação de que este reside atualmente no exterior. Ao apreciar o feito, a DRJ/RJO (fls. 27/29), por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se incólume o crédito tributário exigido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 81 86 .7 26 46 4/ 20 18 -1 1 Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2003-000.081 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.726464/2018-11 Cientificado da decisão, em 21/05/2021 (fls. 36), o contribuinte, por procuradores habilitados interpôs, em 22/06/2021, recurso voluntário (fls. 40/46), repisando as alegações da peça impugnatória, no sentido de que os recibos e documentos já apresentados cumprem com os requisitos legais e são hábeis a comprovar a prestação dos serviços contratados. Quanto a Mesports Serviços Médicos Ltda., afirmar que a empresa consta como baixada e assim, não teve como solicitar a cópia do recibo posteriormente ao serviço prestado. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 47/52. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. O litígio recai sobre a glosa das despesas pagas aos profissionais Ana Carolina Duboc Miziara Soares Nakazone (R$ 12.300,00) e Sérgio Nakazone Junior (R$ 8.000,00), e à Medsports Serviços Médicos Ltda. (R$ 3.200,00), por falta de comprovação e indicação dos beneficiários dos serviços prestados, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do acatamento das aludidas despesas declaradas. Contudo, para apurar a regularidade das deduções declaradas, levando-se em conta os recibos apresentados, imperioso se faz consultar a DAA/2014 do Recorrente, para conferir o teor das informações nela contidas, sobretudo em relação a existência de dependentes declarados, cuja informação entendo ser de suma importância ao deslinde da controvérsia recursal instaurada, para apurar a correção da conduta fiscal por ele adotada, ao teor das alegações recursais suscitadas. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem instrua os autos com cópia completa da DAA (DIRPF/2014) apresentada pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 56DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10280.903019/2013-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva - se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
Numero da decisão: 3302-013.026
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-013.021, de 26 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10280.901062/2013-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva - se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva - se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-013.021, de 26 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10280.901062/2013-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Walker Araujo, Carlos Delson Santiago (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Fabio Martins de Oliveira, Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Larissa Nunes Girard (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Larissa Nunes Girard. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 30 19 /2 01 3- 97 Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-013.026 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903019/2013-97 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito apurado pela Recorrente, sendo que no regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Reproduzindo suas razões de defesa, a Recorrente, em síntese apertada, alega que não há vedação para tomada de créditos nas operações sujeitas a tributação monofásica, posto que é intrínseco à não-cumulativa o creditamento nos termos do artigo 17 da Lei nº 11.033/04. Adicionalmente, colaciona decisões judiciais proferidas em processos de terceiros que, concedem o direito ao créditos das operações sob análise. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente insta tecer que a Contribuinte é revendedora de veículos e autopeças, bem como presta serviços de garantia e assistência técnica sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. A despeito da vedação supracitada, a Recorrente apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-013.026 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903019/2013-97 receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-013.026 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903019/2013-97 Quanto a alegação da Recorrente de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse a decisão recorrida, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro a decisão recorrida, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-013.026 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903019/2013-97 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a Recorrente não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. No mesmo sentido são as decisões proferidas nos acórdãos nº 3302-005.447 e 3302-008.314, envolvendo o crédito nas aquisições de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. *** Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-013.026 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.903019/2013-97 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva - se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. Por fim, inaplicáveis ao presente caso as decisões judiciais citadas pela Recorrente, posto tratar-se de meros precedentes que não tem observância obrigatória dos Julgadores desta Corte, a teor do artigo 62, do Regimento Interno deste órgão. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente Redatora Fl. 99DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12448.926731/2016-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3401-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade preparadora para vinculação ao processo 15374.982125/2009-17, retornando-se os autos conjuntamente para julgamento tão logo se encontrem em mesma fase - instância - processual ou se obtenha decisão administrativa definitiva para o processo nº 15374.982125/2009-17, apenso ao processo nº 15374.981556/2009-66, nos termos do parágrafo 4º do artigo 6º do Anexo II do RICARF.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado (a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO GARCIA DIAS DOS SANTOS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à unidade preparadora para vinculação ao processo 15374.982125/2009-17, retornando-se os autos conjuntamente para julgamento tão logo se encontrem em mesma fase - instância - processual ou se obtenha decisão administrativa definitiva para o processo nº 15374.982125/2009-17, apenso ao processo nº 15374.981556/2009- 66, nos termos do parágrafo 4º do artigo 6º do Anexo II do RICARF. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado (a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto em parte o relatório da DRJ: Trata-se da análise do PER - Pedido Eletrônico de Restituição n° 34129.59887.300309.1.2.04-2527 e das DComp nºs 14422.48305.270509.1.3.04-1948, 36279.52873.250809.1.7.04-6290, 17203.40203.200510.1.3.04-4145. O PER foi indeferido, tendo em vista que o DARF "identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição". Consequentemente, as DComp foram não homologadas, conforme informação contido no Despacho Decisório de fl.431 abaixo reproduzido: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 26 73 1/ 20 16 -8 2 Fl. 635DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.603 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926731/2016-82 Cientificada do Despacho Decisório, a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls.05/16, tecendo seus argumentos conforme segue: (...) Ao final, a Interessada requer o reconhecimento do crédito informado A DRJ Ribeirão Preto, em sessão realizada em 15/10/2019, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade reconhecendo que a discussão do direito creditório fora realizada no processo nº 15374.982125/2009-17, posteriormente juntado por apensação ao processo nº 15374.981556/2009-66, que se encontra pendente de julgamento neste Conselho, não cabendo, portanto, a rediscussão de mérito no presente. O contribuinte, tendo tomado ciência do acórdão da DRJ em 09/12/2019, apresentou em 07/01/2020 o recurso voluntário de fls. 482/487, levantando a necessidade de reforma do acórdão ora recorrido, na medida em que, em se tratando de causas conexas, o decisum deveria ter determinado a suspensão do presente processo para aguardar o julgamento do recurso voluntário no âmbito do processo nº 15374.981556/2009-66 para, só então, replicar o entendimento exarado ao presente caso. Alternativamente, poderia ter determinado o apensamento do presente processo àquele pendente de análise conclusiva acerca do crédito. Ao fim, pugna pelo sobrestamento até que se conclua a análise do processo nº 15374.981556/2009-66. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Garcia Dias dos Santos, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecido. A situação retratada consiste em vinculação por conexão entre o presente e o processo nº 15374.982125/2009-17, posteriormente juntado por apensação ao processo nº 15374.981556/2009-66, dado que todos os Per/Dcomp analisados se utilizam do mesmo direito creditório - pagamento indevido de Pis/Pasep (6912) de março de 2005. Há, contudo, uma particularidade na relação entre as demandas: o mérito do direito material não teve sua apreciação sequer iniciada nesses autos, uma vez que o despacho decisório denegou sumariamente o crédito vindicado nos Per/Dcomp desses autos em razão de já existir decisão (aquela do processo nº 15374.982125/2009-17) referente ao mesmo pagamento, negando o direito creditório. Portanto, apesar de conceitualmente tratar-se de mera conexão entre as demandas, para o que, em tese, não há necessidade de baixa em diligência ou sobrestamento, podendo quaisquer dos processos conexos serem julgados de imediato, a ausência nesses autos de litígio acerca do direito de fundo, bem como os fundamentos constantes no despacho decisório, estabelecem, até pela lógica processual, uma relação de decorrência entre o processo nº Fl. 636DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.603 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.926731/2016-82 15374.982125/2009-17, apenso ao processo nº 15374.981556/2009-66, estabelecidos assim como principais, e o presente. Desse modo, considerando que o processo nº 15374.981556/2009-66 (e, por via reflexa, o processo nº 15374.982125/2009-17) foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento, tendo este colegiado concluído pela nulidade da decisão de DRJ (Acórdão nº 3401-011.331, de 23/11/2022), impõe-se a conversão do julgamento em diligência à unidade preparadora, para vinculação, retornando-se os autos conjuntamente para julgamento tão logo se encontrem em mesma fase - instância - processual ou se obtenha decisão administrativa definitiva para o processo nº 15374.982125/2009-17, apenso ao processo nº 15374.981556/2009-66, nos termos do parágrafo 4º do artigo 6º do Anexo II do RICARF. É o voto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Garcia Dias dos Santos Fl. 637DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10670.001799/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Dec 28 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 103. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Considerando que o valor exonerado pela decisão de primeira instância foi interior ao atual limite de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, não há que se falar em conhecimento do recurso de ofício.
CORREÇÃO DA INFRAÇÃO PELA CONTRIBUINTE. ART. 291, I, DO DECRETO Nº 3.048/99. INTEMPESTIVIDADE.
O dispositivo em epígrafe determina que a correção da falta por parte da contribuinte deve se dar antes do prazo final para a apresentação da impugnação administrativa, e não até o prazo final para a apresentação do recurso voluntário.
APLICAÇÃO DA MULTA. ART. 284, I, DO DECRETO Nº 3.048/99. NÚMERO DE SEGURADOS.
Deve ser considerado o número total de segurados, e não somente aqueles para os quais não houve o recolhimento de contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO DA MULTA. ART. 291, § 1º.
A relevação das multas se o infrator corrigir as faltas, for primário e não houver circunstância agravante.
Numero da decisão: 2301-010.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maurício Dalri Timm do Valle - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa.
Nome do relator: Maurício Dalri Timm do VAlle
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 103. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Considerando que o valor exonerado pela decisão de primeira instância foi interior ao atual limite de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, não há que se falar em conhecimento do recurso de ofício. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO PELA CONTRIBUINTE. ART. 291, I, DO DECRETO Nº 3.048/99. INTEMPESTIVIDADE. O dispositivo em epígrafe determina que a correção da falta por parte da contribuinte deve se dar antes do prazo final para a apresentação da impugnação administrativa, e não até o prazo final para a apresentação do recurso voluntário. APLICAÇÃO DA MULTA. ART. 284, I, DO DECRETO Nº 3.048/99. NÚMERO DE SEGURADOS. Deve ser considerado o número total de segurados, e não somente aqueles para os quais não houve o recolhimento de contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO DA MULTA. ART. 291, § 1º. A relevação das multas se o infrator corrigir as faltas, for primário e não houver circunstância agravante.
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SÚMULA CARF 103. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Considerando que o valor exonerado pela decisão de primeira instância foi interior ao atual limite de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, não há que se falar em conhecimento do recurso de ofício. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO PELA CONTRIBUINTE. ART. 291, I, DO DECRETO Nº 3.048/99. INTEMPESTIVIDADE. O dispositivo em epígrafe determina que a correção da falta por parte da contribuinte deve se dar antes do prazo final para a apresentação da impugnação administrativa, e não até o prazo final para a apresentação do recurso voluntário. APLICAÇÃO DA MULTA. ART. 284, I, DO DECRETO Nº 3.048/99. NÚMERO DE SEGURADOS. Deve ser considerado o número total de segurados, e não somente aqueles para os quais não houve o recolhimento de contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO DA MULTA. ART. 291, § 1º. A relevação das multas se o infrator corrigir as faltas, for primário e não houver circunstância agravante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 17 99 /2 00 8- 88 Fl. 967DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.100 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001799/2008-88 (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalrio Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente). Ausente o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 531-538) em que o recorrente sustenta, em síntese: a) Cabe o pedido de revisão do auto de infração com a finalidade de autuação da multa. Isso porque não há nos autos comprovação da data de notificação da contribuinte quanto a decisão recorrida e, por isso, não se verifica a fluência do prazo de impugnação - permitindo a aplicação do art. 291 do Decreto nº 3.048/99, ante as novas correções nas GFIP realizadas pela recorrente; b) A fiscalização incorreu em erro no cálculo da multa posterior à correção parcial da falta no que tange ao limite da multa em função do número de segurados, em desrespeito ao art. 284, I, do Regulamento da Previdência Social. A fiscalização utilizou para todas as competências o limite de dez vezes o valor mínimo, quando deveria ser de: i. Duas vezes o valor mínimo nas competências de 01 a 05/2005. Houve uma cobrança a maior de R$ 915,49. ii. Uma vez o valor mínimo nas competências de 06 a 11/2005. Houve uma cobrança a maior de R$ 3.225,47. iii. Metade do valor mínimo, na competência de 12/2005. Houve uma cobrança a maior de R$ 2.215,29. c) A vedação à relevação da multa pressupõe que o infrator cometera infração anterior seguida de relevação, o que caracterizaria a reincidência. Não foi isso que ocorreu no caso em tela, tendo em vista que a infração anterior da contribuinte foi objeto de parcelamento conforme a própria decisão recorrida, ou seja, não foi agraciada pela relevação da multa naquela oportunidade. Como não obteve o benefício anteriormente, mesmo tendo esse direito, entende a contribuinte que cabe a relevação da multa no caso em tela. Ao final, formula pedidos nos termos da fl. 538. Fl. 968DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.100 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001799/2008-88 O recurso veio acompanhado dos seguintes documentos: i) Procuração (fl. 539); ii) Protocolo de envio de arquivos e relativos às GFIP e GPS mencionadas pela recorrente (fls. 540-941). A presente questão diz respeito ao Auto de Infração – AI/DEBCAD nº 35.940.691-2 (fls. 2-36) que constitui crédito tributário de penalidade em decorrência de obrigação acessória (art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei nº 8.212/91), em face de Domingas da Silva Paz (CEI nº 41.450.05041/05), referente a fatos geradores ocorridos no período de 01/2005 a 12/2005. A autuação alcançou o montante de R$ 122.070,35 (cento e vinte e dois mil e setenta reais e trinta e cinco centavos). A notificação do contribuinte aconteceu em 17/08/2006 (fl. 40). Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento, menciona o Relatório Fiscal da Infração (fl. 3): Em Auditoria fiscal realizada no Município de Riacho dos Machados - Prefeitura Municipal, CNPJ. 16.925.208/0001-51, observou-se que a Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP) referentes as competências 01/2005 a 02/2006 foram apresentadas com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Foram omitidos nas GFlPs - Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social - pagamentos realizados a segurados empregado ( inclusive os médicos, dentistas, enfermeiros, Prefeito, Vice Prefeito, etc e segurados contribuinte individual (Autônomos - categoria 13, Transportador Rodoviário autônomo - categoria 15 e Membros do Conselho Tutelar - categoria 13), pelos serviços prestados a Prefeitura Municipal. Após análise da Legislação Municipal, em especial, a Lei Orgânica do Município e a Lei 348/2005, art. 24, concluímos que o ocupante do cargo de Prefeito Municipal é quem tem a competência funcional para decidir a prática ou não do ato que constitua infração à legislação da seguridade social. Considerado dirigente, de acordo com o Artigo 283, § 1°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, é responsável pessoal pela multa aplicada, em conformidade com o disposto no Artigo 289 do regulamento mencionado. A relação de Segurados, Empregado e Contribuinte Individual, não declarados em GFIP, discriminados por competência, nome e remuneração segue anexa ao presente relatório. A infratora foi autuada em 10/08/2001, por deixar de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP, no periodo de 01/99 a 12/00, segurados contratados e contribuinte individual, em 22/03/2002 entrou com recurso que transitou em julgado em 20/11/2002. Considerando o exposto concluímos que a infratora é reincidente, uma vez que praticou nova infração a dispositivo da legislação dentro de cinco anos da data em que passou em julgamento administrativo a decisão condenatória ou homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior. Ressaltamos que a multa será atenuada, ainda que não contestada a infração, se a falta tiver sido totalmente corrigida até decisão da autoridade julgadora competente. Para efetuar a correção da falta a infratora deverá preparar e entregar, via conectividade social, GFIP retificadora, para todas as competências envolvidas, conforme orientações do Manual da GFIP/SEFIP, especialmente o subitem 10.2.2 - GFIP/SEFIP retificadora do capitulo IV e o capitulo V. Fl. 969DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.100 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001799/2008-88 Constam do processo, ainda, os seguintes documentos: i) Relatório fiscal da multa aplicada (fl. 4); ii) Anexo AI - 68.xls (fls. 5-26); e iii) Mandado de procedimento fiscal e demais intimações (fl. 31-36). O contribuinte apresentou impugnação em 28/08/2006 (fls. 39 e 40), pela qual requereu a atenuação ou relevação da multa, tendo em vista que cumpriu parcialmente as obrigações acessórias. Requereu, ainda, prazo de 30 dias para a apresentação documentação complementar. Conforme despacho de fl. 41, foram apresentados os seguintes documentos: i) Guias da Previdência Social - GPS (fls. 42-71); e ii) Protocolo de envio de arquivos e relativos às GFIP mencionadas nos autos e na impugnação (fls. 72-512). Com isso, foi determinada diligência interna para a análise da documentação apresentada pela contribuinte (fl. 523). Considerando a correção parcial da falta, o valor da multa foi retificado para R$ 78.807,07 (fl. 514-521). A Delegacia da Receita Previdenciária em Governador Valadares, por meio Decisão-notificação nº 11.424.4/503/2006, de 14 de dezembro de 2006 (fls. 523-526), deu parcial provimento à impugnação, mantendo a exigência fiscal com atenuação, conforme o entendimento resumido na seguinte ementa: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REINCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA. CORREÇÃO DA FALTA. ATENUAÇÃO 1)Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constitui infração ao disposto no artigo 32, IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91. 2)A correção da falta até a decisão da autoridade julgadora é circunstância atenuante da penalidade, reduzindo em cinqüenta por cento do seu valor - Artigos 291, caput, e 292, inciso V, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo DEC. 3.048/99. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM ATENUAÇÃO. O mesmo órgão julgador recorreu de ofício. Sobreveio despacho de fl. 943, indicando que o recurso voluntário foi apresentado intempestivamente, seguido pelo despacho de fl. 945, que encaminhou os autos ao auditor para análise quanto à relevação da multa. Por sua vez, o despacho de fl. 946 informa que: Em resposta à solicitação de diligência às fls. 942, vimos por meio deste informar que se entende que está prejudicada a análise quanto ã possível correção da falta motivadora do Auto de Infração. O contribuinte apresentou os documentos anexados às fls. 539/938 em 12/04/07, ou seja, após a homologação da DN - Decisão de Notificação, que se deu 23/O1/2007, consoante fls. 526 dos autos. O Artigo 291, § 1°, do Decreto 3.048/99 - vigente ã época da decisão - dispunha: “Art. 291 - Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primario, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante". Fl. 970DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.100 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001799/2008-88 Da inteligência dos dispositivos normativos, depreende-se que a decisão referida é a de primeira instancia administrativa, bem como a expressão contestação mencionada na norma redação do artigo 291, com alteração feita pelo Decreto 6.032/07, diz respeito à impugnação dirigida à primeira instância julgadora. Observa-se, inclusive, que o § 3° do mencionado artigo determina que da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. O Art. 366 do mencionado Decreto, que regulamento o custeio da Previdência Social, por sua vez dispõe que o presidente de turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal recorrerá de ofício sempre que a decisão, dentre outras, declara indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização. Não há qualquer menção a recurso de ofício de decisão do conselho, a qual seria cabível para apreciar e julgar sobre as correções feitas após a decisão da primeira instância administrativa. Por todo exposto, encaminha-se o processo acima identificado à SARAC - EAC/2 para o que couber. Posteriormente, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio da Resolução nº 2301-000.850, de 03 de junho de 2020, determinou a conversão do julgamento em diligência nos seguintes termos: Do exposto, manifesto-me pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte aos autos a comprovação da intimação do sujeito passivo acerca da decisão recorrida (cópia do AR, cópia de eventual edital, etc). O Recorrente deverá ser cientificado do resultado da diligência, com abertura do prazo de 30 dias para se manifestar. Do exposto, voto pela conversão do julgamento e diligência, na forma do breve relatório. Com isso, foram juntados ao processo a captura de tela SICOB de fl. 951 e a informação fiscal de fls. 952 e 953, que menciona: 1 - Trata-se o presente do auto de infração de obrigação acessória de nº 35.940.691-2 (multa CFL 68), lavrado em 03/08/2006. 2 – O processo retornou do CARF, para cumprimento da Diligência Fiscal de fls. 948/949, onde se requer seja comprovada a ciência da intimação do Sujeito Passivo, acerca da decisão recorrida. 3 - Compulsando os autos, verifica-se que: a) O documento enviado para a realização da ciência referida, foi o ofício nº 82/2007 (fl. 95), onde consta a Decisão Notificação (DN) nº 11.424.4/0503/2006 e a de nº 11.424.4/0505/2006, esta última relativa ao AI 35.940.694-7, lavrado na mesma ação fiscal: [...] b) Não consta no processo o AR- Aviso de Recebimento relativo ao ofício acima. c) – Não localizado no sistema comprot número de processo relativo ao AI 35.940.694- 7 onde poderia ser localizado tal AR. Este débito foi baixado por acórdão em 02/06/2009. [...] 4 – Diante do exposto, encaminha-se à DRF/MCR/MG para que, em cumprimento à diligência determinada pelo CARF, se verifique a existência do Aviso de Recebimento Fl. 971DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-010.100 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001799/2008-88 da Decisão de 1ª instância, no processo relativo ao auto de infração nº 35.940.694-7, cuja ciência se deu conjuntamente com a Decisão exarada no presente processo. A Delegacia da Receita Federal em Montes Claros, por sua vez, emitiu o Despacho de fl. 954, afirmando que: 1 - Trata-se o presente do auto de infração de obrigação acessória de nº 35.940.691-2 (multa CFL 68), lavrado em 03/08/2006. 2 – Conforme despacho fls 952 a 953, o CARF determina diligência com o objetivo de comprovação da ciência do contribuinte em relação à Decisão Notificação (DN) nº 11.424.4/0505/2006. 3 – O processo referente ao AI nº 35.940.691-2, obrigação acessória, não foi localizado na DRF/MCR, motivo pelo qual não é possível comprovar a ciência do Contribuinte via Aviso de Recebimento – AR. 4 – Considerando as alterações implementadas nas Delegacias da RFB, com a instituições das Equipes Especializadas. 5 – Considerando que a DRF/MCR não dispõe de servidores para as providências necessárias à cientificação do contribuinte e consequentemente abertura de prazos regulamentares. Retornamos o processo para que a DEVAT06/ECOA adote as medidas necessárias para cumprimento da diligência determinada ou movimente o processo para Equipe competente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Maurício Dalrio Timm do Valle, Relator. Conhecimento Tendo em vista os fatos relatados, tem-se que ainda não se deu a devida comprovação da data de notificação em relação à Decisão-notificação recorrida. Pelo despacho de fls. 952 e 953, relata a autoridade fiscal que o Aviso de Recebimento que poderia comprovar a referida notificação poderia estar anexado ao processo referente ao AI nº 35.940.694-7, pois ambas as intimações teriam se dado no mesmo ato, e, por essa razão, remeteu os autos à Delegacia da Receita Federal em Montes Claros - a qual poderia diligenciar no sentido de encontrar o AR no referido processo. Ocorre que a Delegacia da Receita Federal em Montes Claros, segundo despacho de fl. 954, buscou encontrar esse documento, sem sucesso. Sendo assim, tenho por tempestiva a apresentação do recurso voluntário. No que tange ao recurso de ofício, cumpre observar o que prescreve a Súmula CARF nº 103: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada Fl. 972DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-010.100 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001799/2008-88 vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. Atualmente, o valor em questão é de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Considerando que o valor exonerado pela decisão de primeira instância foi inferior a tal limite, deixo de conhecer do recurso de ofício. Mérito 1. Da correção da infração por parte da recorrente Alega a recorrente que houve correção da infração dentro do prazo estipulado pelo art. 291 do Decreto nº 3.048/99 e, dessa forma, caberia nova atenuação da multa aplicada no caso concreto. O dispositivo em questão prescreve o seguinte: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. Ocorre que, em que pese a dúvida com relação à data exata da intimação da recorrente sobre a decisão que julgou a sua impugnação administrativa, não assiste razão aos seus argumentos. Isso porque o prazo ao qual se refere o art. 291 não diz respeito à totalidade das possibilidades de questionamento administrativo do crédito tributário, mas sim tão somente do prazo para a apresentação da impugnação administrativa - o qual, evidentemente, já se encerrou no caso em tela. Dessa forma, afasto o referido argumento. 2. Da aplicação da multa Entende a contribuinte que houve equívoco por parte do órgão julgador a quo, tendo em vista que para fins de cálculo da multa a ser aplicada deveria ter sido utilizado o número de segurados para os quais não houve recolhimento de contribuições previdenciárias em cada competência, quando a decisão recorrida utilizou a quantidade total de segurados em cada período. Primeiramente, cabe lembrar que já foi revogada a Súmula CARF nº 119, que indicava a necessidade de se observar a retroatividade benéfica aos casos semelhantes ao presente após a edição da MP nº 449 e a Lei que a sucedeu. Assim, a multa deve ser calculada a partir da legislação vigente à época dos fatos. Isso posto, veja-se o que dispõe o art. 284, caput e I, do Decreto nº 3.048/99: Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I - valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Fl. 973DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-010.100 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.001799/2008-88 Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: [Planilha referente à gradação das multas] Note-se que a parte final do inciso I acima transcrito menciona que a gradação das multas será calculada “independentemente do recolhimento de contribuição”. Não há qualquer indicativo de que o cálculo deverá ser realizado considerando apenas o número de segurados para os quais não houve recolhimento de contribuições, como postula a recorrente. Nesses termos, entendo correto o posicionamento da decisão recorrida, o qual utilizou o número total de segurados, e afasto os argumentos da recorrente. 3. Da relevação da multa Entende a recorrente que possui direito à relevação da multa. Isso porque o termo “primário”, constante do §1º do art. 291 do Decreto nº 3.048/99 significaria que, para ter direito ao benefício, a contribuinte não poderia ter incorrido em infração anterior e ter em razão desta já ter sido agraciada com a relevação. Ocorre entretanto que, para a descaracterização da recorrente como primária, bastará que tenha incorrido em infração anterior. Esse fato foi reconhecido pela decisão recorrida e admitido pela recorrente, na medida em que afirmou ter sido alvo do Auto de Infração n° 35.260.270-8, o qual transitou em julgado em 11/2002 e, posteriormente, foi objeto de parcelamento. Sendo assim, novamente, afasto os argumentos apresentados pela recorrente. Conclusão. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Maurício Dalrio Timm do Valle Fl. 974DF CARF MF Original
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