Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,203)
- Segunda Câmara (27,795)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,279)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,809)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,698)
- Segunda Turma Ordinária d (15,668)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,240)
- Segunda Turma Ordinária d (12,220)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,267)
- Quarta Câmara (83,745)
- Terceira Câmara (65,768)
- Segunda Câmara (54,342)
- Primeira Câmara (18,838)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,598)
- Segunda Seção de Julgamen (112,498)
- Primeira Seção de Julgame (74,880)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,897)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,950)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,665)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,196)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,003)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.721958/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. A base de cálculo da Cofins das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante.
2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante.
2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Cofins das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721958/2013-99
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5588258
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.106
nome_arquivo_s : Decisao_19515721958201399.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LENISA RODRIGUES PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 19515721958201399_5588258.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6372944
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423700103168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.322 1 1.321 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721958/201399 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.106 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2016 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente RÁDIO E TELEVISÃO BANDEIRANTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Cofins das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplicase apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 19 58 /2 01 3- 99 Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplicase apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda. contra acórdão proferido pela 6ª Turma de Julgamento da Delegacia Regional da Receita Federal em São Paulo I (SP), oportunidade em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. A questão tem início em autos de infração lavrados contra a contribuinte decorrentes de falta/insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS relativos ao período de apuração de janeiro/2010 a dezembro/2010, no montante de R$ 2.491.264,33 e R$ 11.498.142,88, respectivamente. Cientificada dos autos de infração, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1078/1105), oportunidade na qual alega: O desconto padrão de agência não constitui receita própria da contribuinte, já que a norma regulamentadora do segmento de publicidade distingue os serviços prestados Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.323 3 pela agência de publicidade dos serviços prestados pelos veículos de comunicação (arts. 7º e 10 do Decreto n. 57.690/1966); Tal premissa é confirmada pelo conceito de "valor faturado" previsto nas Normas Padrão da Atividade Publicitária que corresponde ao resultado da diferença entre o Valor Negociado e o Desconto Padrão. A contribuinte esclarece que o valor recebido pelo veículo de comunicação é a remuneração pela contraprestação de serviço de divulgação do material publicitário, dele excluído, por expressa previsão normativa, o valor do desconto padrão de agência; Informa que a agência de publicidade é depositária dos valores repassados pelos anunciantes e também é responsável pelo pagamento dos veículos de comunicação. Essa é uma obrigação prevista nas NormasPadrão da Atividade Publicitária e caso desrespeitada, a contribuinte poderá sofrer as sanções previstas; Alega que a autoridade fiscal interpretou de forma equivocada o já revogado parágrafo 1º do artigo 11 do Decreto 57.690/1966, que dispunha sobre a remuneração do agenciador de programa, que não guarda qualquer pertinência com a questão dos autos; Aduz que ao contrário do que exposto pelo Fisco, a receita bruta da Impugnante não corresponde ao valor do serviço bruto de divulgação e da publicidade comercial, já que é contratada pelo anunciante apenas para veicular o material publicitário. A receita advinda da publicidade comercial ('desconto padrão de agência') pertence única e exclusivamente à agência de publicidade, que é quem presta tal serviço. A impugnação foi julgada improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo do PIS/PASEP o valor concedido às agências de publicidade a título de desconto padrão de agência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo do PIS/PASEP o valor concedido às agências de publicidade a título de desconto padrão de agência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Interposto recurso voluntário (fls.1259/1288), os autos do processo administrativo em tela ascenderam a esse Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora. A autuada foi intimada sobre os termos insertos no acórdão proferido pela instância de origem em 10/06/2014, terça feira, (fl.1258) e interpôs o tempestivamente o recurso voluntário em 10/07/2014, quartafeira (fls.1260). Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do recurso, é de rigor o seu conhecimento. O voto condutor do acórdão recorrido inicialmente tece considerações sobre a indispensável aplicação da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 pelo Supremo Tribunal Federal1, uma vez que esse pronunciamento também foi objeto da Nota PGFN/CRJ n. 1.114, de 300/08/20122. Conclui que diante do pronunciamento da Suprema Corte "nenhum valor que não seja receita da prestação de serviços efetivamente auferida por ela pode ser computado na base de cálculo das contribuições" (fl. 1247). E resume a contenda ao afirmar que "a essência da contestação da impugnante é a alegação de que o desconto padrão não se caracterizaria como receita própria dela, razão pela qual não estaria sujeita à incidência de PIS/PASEP e da COFINS" (fl. 1247). A interpretação conferida pela instância de origem ao Regulamento para Execução da Lei n. 4.680/1965, com a redação conferida pelo Decreto n. 57.690/1966, não diverge da interpretação defendida pelo contribuinte, que é: "enquanto os serviços de propaganda são prestados pela agência, os serviços de divulgação visual, auditiva ou áudio visual, capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público são prestados pelos veículos de comunicação, estabelecendose a existência de duas relações jurídicas distintas: (i) entre o anunciante e a agência e (ii) entre o anunciante e o veículo de divulgação". (fl.1249). A divergência entre o auditor fiscal autuante e o contribuinte está no entendimento sobre a natureza do desconto padrão. Para o contribuinte, o desconto padrão é a remuneração devida pelo anunciante à agência de publicidade pela contraprestação dos serviços de concepção e execução do material publicitário, já o fiscal considera que o desconto padrão é uma remuneração devida pelo veículo de divulgação à agência de publicidade. 1 Recurso Extraordinário n. 585.2351, DJE de 28/11/2008 e certificado o trânsito em julgado em 12/12/2008. 2 De onde se extrai a seguinte ementa: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.324 5 A instância de origem, ao replicar o art. 11 da Lei n. 4.680/1965 e o interpretálo em conformidade com o item 2.3 das Normas Padrão da Atividade Publicitária, concluiu que o valor pago pelo anunciante ao veículo de divulgação é todo ele receita desse veículo e o desconto padrão é a remuneração da agência de propaganda, pelos serviços que também presta à contribuinte, na criação/produção e na intermediação técnica feita nos termos do item 2.3 das NormasPadrão da Atividade Publicitária (fl.1250). Nesse ponto cumpre transcrever trecho do acórdão recorrido: "Com isso, não tem pertinência as alegações da impugnante de que não sendo o desconto padrão sua receita seria caso de não incidência. Realmente, o desconto padrão não é receita da autuada. Ele é receita da agência de propaganda, pois é uma remuneração dela. Aliás, o art. 19 da Lei n. 12.232, de 29 de abril de 2010, citado pela impugnante não faz nada mais do que reafirmar isso, ou seja, que o desconto padrão é da agência de propaganda. Para o veículo de divulgação o desconto padrão é custo operacional, e não pode ser ele deduzido do valor da receita recebida do anunciante quando da apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS por absoluta falta de previsão legal. Por isso, tem sim sentido a argumentação do auditor fiscal quando diz que no § 2º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, não existe hipótese para tal dedução. Todo esse entendimento está em perfeita consonância com a definição de desconto padrão das NormasPadrão da Atividade Publicitária: 1.10 Desconto Padrão de Agência: é o abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação à Agência de Publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre aquele e o anunciante (destaques acrescidos)" (fl. 1250 grifos nossos). Estão presentes no recurso voluntário os seguintes argumentos: Para fins de cálculo das contribuições, não podem ser inseridas em sua base de cálculo quaisquer quantias que não correspondam efetivamente à receita de prestadora de serviços, ainda que tais valores sejam temporariamente contabilizados como receitas (fl.1265); O desconto padrão de agência não é remuneração pela prestação de serviços da agência de propaganda à Recorrente e nem se traduz em receita auferida pela Recorrente, uma vez que não tem natureza de entrada de riqueza nova em seu patrimônio, o que afasta a incidência de PIS/COFINS sobre a mencionada verba; A recorrente aponta contradição ao argumentar que se o desconto padrão é considerado pelo acórdão recorrido como receita da agência de propaganda, não há nenhuma justificativa para a Recorrente levar tais valores à tributação do PIS e pela COFINS (fl. 1270); Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Informa que o Decreto n. 57.690/1966 obriga o veículo de comunicação a emitir fatura contra o anunciante com o destaque do desconto de agência, o qual é repassado diretamente à agência de propaganda, o que comprova as alegações da contribuinte; Traz a conhecimento as definições elencadas na NormasPadrão da Atividade Publicitária, editada pelo Conselho Executivo das NormasPadrão onde o desconto padrão de agência3 é tido como a remuneração devida pelo anunciante à agência de publicidade pela contraprestação dos serviços de concepção e execução do material publicitário. Já a remuneração devida pelo anunciante ao veículo de comunicação pela divulgação do material publicitário corresponde ao valor faturado que, nos termos do item 1.12 das NormasPadrão é o "resultado da diferença entre o valor negociado e o descontopadrão". Diante dessas definições o recorrente defende que o desconto padrão de agência não integra a remuneração devida pelo anunciante ao veículo de comunicação; Aduz que não há relação de subcontratação da agência pelo veículo de comunicação ou viceversa, uma vez que o anunciante não contrata o veículo de comunicação para criar e produzir o material publicitário, mas apenas e tão somente a sua veiculação; Alega que o procedimento contábil adotado nesse segmento é "após a contratação (i) do serviço de criação do material publicitário e (ii) do serviço de divulgação pelo anunciante, deve o veículo de comunicação emitir fatura contra o anunciante, com o destaque do desconto padrão de agência"; Sustenta que o acórdão recorrido incorreu em equívoco ao exigir o montante em questão, já que seu objeto social indica que não executa serviços de "concepção, execução e distribuição de propaganda", o que afasta a possibilidade de ter recebido receita por esses serviços. Também não é razoável a afirmação contida no Termo de Verificação Fiscal que o desconto padrão de agência é a remuneração devida pelo veículo de comunicação à agência de publicidade. O cerne da questão posta nos autos é saber se as verbas recebidas pelos veículos de comunicação em sua totalidade devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, inclusive as que são repassadas para as agências de publicidade. Está expresso no acórdão recorrido que "o desconto padrão não é receita da autuada. Ele é receita da agência de propaganda, pois é uma remuneração dela. Aliás, o art. 19 da Lei n. 12.232, de 29 de abril de 2010, citado pela impugnante não faz nada mais do que reafirmar isso, ou seja, que o desconto padrão é da agência de propaganda". Essa conclusão encontra arrimo no documento entitulado NormasPadrão da Atividade Publicitária4, donde se lê: 2.4.2. Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao "DescontoPadrão", observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao "Valor Faturado". 3 Item 2.5. das Normas Padrão de Atividade Publicitária: O "DescontoPadrão de Agência" de que trata o art. 11 da Lei n. 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei n. 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. 4 Disponível em http://www.cenp.com.br/PDF/NomasPadrao/Normas_Padrao_Portugues.pdf Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.325 7 2.4.3. Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao "Valor Faturado" e ao "DescontoPadrão", respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. (...) 2.5. O "DescontoPadrão de Agência" de que trata o art. 11 da Lei n. 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei n. 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta dos clientes anunciante. (...) 2.7. É facultado à Agência negociar parcela do "desconto padrão de agência" com o respectivo Anunciante, observados os preceitos estabelecidos nos itens 3.5 e 6.4 destas Normas Padrão. 3.5. Nas transações entre Anunciantes e Agências tendo por objeto a parcela negociável do "desconto padrão de Agência", adotarseão como referência de melhor prática os parâmetros contidos no Anexo B destas NormasPadrão. (...) 3.10. Como alternativa à remuneração através do "desconto padrão de agência", é facultada a contratação de serviços de Agência de Publicidade mediante "fees" ou "honorários de valor fixo", a serem ajustados por escrito entre Anunciante e Agência, respeitado o disposto no item 2.9 destas NormasPadrão (grifos nossos). Da leitura do documento acima transcrito, entendo que a intermediação feita pela agência de publicidade para divulgação do material publicitário do anunciante através dos veículos de comunicação, ao meu ver, não corresponde a uma prestação de serviços direta entre agência e veículo. Isso porque a agência atua por conta e ordem do anunciante/cliente e a divulgação do material é a etapa final da prestação de serviços para qual efetivamente é contratada e remunerada. Para a solução do questão submetida a julgamento é necessário considerar o a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal sobre o § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998, na oportunidade em que foi julgado o Recurso Extraordinário n. 357.950/RS. Naquela assentada a Suprema Corte declarou inconstitucional a ampliação do conceito de receita bruta que abarcasse toda e qualquer receita, afastandose do conceito de faturamento previsto no artigo 195, I, b da Constituição Federal, que na sua redação original equivale a receita bruta da venda das mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Após a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal, a questão foi objeto de inúmeros estudos, pois carecia (e ainda carece) de elucidações. Trago a Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 conhecimento extrato da manifestação de Marco Aurélio Grecco, citado por Rodrigo Munhoz5, sobre o tema: "15.1. Não basta o ingresso de dinheiro O primeiro ponto a considerar nesta análise é que os conceitos de receita e faturamento, embora tenham larga amplitude semântica, apresentam um núcleo mínimo (decorrente do próprio sistema constitucional) que não pode ser negado pela legislação subordinada. Este núcleo está na distinção entre receita e 'entrada'. Com efeito, é a própria Constituição que reconhece haver uma diferença entre receita/faturamento e mera movimentação financeira ou transmissão de valores, créditos e direitos de natureza financeira. O artigo 74 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e, hoje, o seu artigo 75 contemplam a figura da CPMF como contribuição destinada a gerar recursos para as ações e serviços da área de saúde e da previdência social, típicas áereas integrantes da seguridade social. Portanto, dentro do conjunto de contribuições destinadas à seguridade social, movimentação financeira e receita/faturamento são conceitos distintos, pois utilizados para discriminar competências diversas, submetidas a regimes jurídicos absolutamente diferentes. A simples movimentação financeira (que abrange ambas as partes que dela participam) já é pressuposto de fato de uma contribuição específica (a CPMF) que poderia, em tese, onerar tanto quem a promove como quem dela é beneficiário. Considerando que esta realidade é pressuposto de contribuição específica, não se pode dar à palavra 'receita' utilizada no artigo 195, I, 'b', um sentido tão lasso que implique abranger toda e qualquer movimentação financeira ou de créditos e valores dessa natureza. Portanto, nem todo dinheiro que entra no universo da disponibilidade da pessoa jurídica integra a base de cálculo da Cofins. Não basta ser uma entrada (mera movimentação financeira) é preciso que se configure como ingresso, no sentido de entrada com sentido de permanência e que resulte da exploração da atividade que corresponda ao seu objeto social (ou dele decorrente). Mera entrada de dinheiro não é receita para fins da base de cálculo do PIS e COFINS!" (grifos nossos). Sobre a conceituação de receita para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a incidência de PIS e da COFINS sobre valores recebidos pela transferência de crédito de ICMS decorrente de exportação a terceiros6, assim consignou: 5 VIEIRA, Marcelo Lima; CARMIGNANI, Zabetta Macarini; BIZARRO, André Renato (Coords.). Lei n. 12.973/14 Novo Marco Tributário: Padrões Internacionais de Contabilidade São Paulo: Quartier Latin, 2015, pgs. 65/66. 6 Recurso Extraordinário n. 606.107, Relatora Ministra Rosa Weber, DJ 25/11/2013. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.326 9 "O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, 'b' da Constituição Federal não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis n. 10.637/02 (art. 1º) e Lei n. 10.833/03 (art. 1º) que determinam a incidência da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, 'independentemente de sua denominação ou classificação contábil'. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". (grifos nossos). Concluise que receita (componente da base de cálculo do PIS e da COFINS) consiste em ingresso financeiro (disponibilidade nova de recursos) que se integra ao patrimônio do contribuinte na condição de elemento novo e positivo. Que não é a hipótese dos autos, já que a verba recebida pelo veículo de comunicação não se atrela ao seu patrimônio e dela não se pode dispor livremente, pois o montante devido a título de desconto padrão deve ser repassado à agência de publicidade. Em que pese a falta de previsão expressa nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que nelas há disposição de que se compreende por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, ainda sim, compreendo que o pleito do contribuinte deve ser acolhido, já que a definição de faturamento defendida pelo contribuinte encontra arrimo no texto constitucional. É preciso compreender que apesar da empresa registrar na contabilidade o ingresso de numerário, estes valores apenas transitam graficamente pela contabilidade do veículo de comunicação, não integram patrimônio e, por consequência são receitas incapazes de exprimir o contorno da sua capacidade contributiva, nos moldes do art. 145 da CF. É nesse mesmo sentido o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES REPASSADOS ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. PRESCRICÃO. (...) O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98, que entende "por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Esta discussão hoje resta superada com a Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 edição das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03, após a alteração do referido dispositivo constitucional, sendo a definição de faturamento a mais ampla, a saber, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas In casu, todavia, não se pode concluir que as verbas que ingressam na contabilidade do veículo de comunicação para pagamento das agências de publicidade, nos termos do art. 11 da Lei n. 4.680/65, podem ser caracterizadas como receitas auferidas por aquela pessoa jurídica. Tais valores apenas transitam nas contas das empresas de comunicação com a finalidade de pagamento das agências de publicidade, não se podendo falar em faturamento a ensejar a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, temse que as agências de publicidade agem como mandatárias da empresa anunciante, perante o veículo de divulgação e, por sua vez, as quantias por ela recebidas decorrem dessa mediação (Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Apelação/Reexame Necessário n. 00009715220114058300, Des. Fed. Francisco Barros Dias, Segunda Turma, DJe 02/12/2010 grifos nossos). Entendo que todo o veículo de divulgação, seja rádio e televisão, jornais e revistas, figuram apenas como meros intermediários dos serviços prestados pelas agências de publicidade, logo, neste caso, o valor transferido às agências não configuram despesas do veículos, porque não correspondem aos insumos de seus serviços. Diante do direito à exclusão pretendida, sugiro que os autos sejam encaminhados para a instância de origem para que a contribuinte seja intimada a apresentar os documentos que comprovem o repasse dos valores às agências de publicidade. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Em que pese os bem postos argumentos apresentados pela i. Conselheira Relatora, com devida vênia, este Relator ousa discordar da conclusão por ela apresentada, pelas razões a seguir aduzidas. Inicialmente, cabe esclarecer que a recorrente exerce atividade de prestação de serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens, cujas receitas, por força das exceções determinadas no art. 8º, XI, da Lei 10.637/2002 e no art. 10, IX, da Lei 10.833/2003, foram corretamente submetidas ao regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, estabelecido nos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998, que, no período de apuração dos valores lançados, tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.327 11 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) [...]. (grifos não originais) Assim, definido que a recorrente estava sujeita ao regime cumulativo de apuração, a base de cálculo das referidas contribuições passa a ser exclusivamente o faturamento, que, no caso das pessoas jurídicas que exerce a atividade de veículo de comunicação, caso da recorrente, corresponde à receita bruta da prestação de serviços de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. Logo, as demais receitas não decorrentes da prestação dos referidos serviços estão excluídas da base de cálculo das citadas contribuições. Aliás, em relação a este ponto, não há controvérsia. No caso, a controvérsia cingese à abrangência da definição da receita bruta da prestação de serviços de divulgação visual, auditiva ou audiovisual, auferida pela recorrente decorrente. Para a fiscalização, o valor do desconto padrão de agência integra a receita bruta da recorrente, representada pelo o valor bruto total dos serviços de publicidade por ela Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 faturado contra os seus clientes anunciantes. Segundo a fiscalização, o referido desconto padrão representa remuneração da agência de publicidade devida pela recorrente, na condição de veículo de comunicação, e custo operacional desta, não dedutível da base de cálculo das referidas contribuições, por falta de previsão legal, conforme explicitado no excerto extraído do Termo de Verificação de Fiscal de fls. 1051/1061, que segue transcrito: Importante ressaltar que, independente da forma de pagamento ajustada entre as partes, o faturamento do veículo de comunicação, conforme vimos, é sempre emitido contra o cliente ou anunciante pelo seu valor bruto. Sendo assim, o faturamento ou a receita bruta do veículo de comunicação deve corresponder ao valor bruto do serviço de divulgação e publicidade comercial prestado ou contratado, sem a dedução do desconto padrão de agência, considerandoo, inclusive para fins de incidência do PIS e da COFINS, haja vista que esse desconto, que é uma remuneração devida pelo veículo para a agência de publicidade, não se encontra dentre as hipóteses de exclusão listadas no parágrafo 2o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. [...] O “desconto padrão”, como vimos, é uma remuneração devida pelo veículo de comunicação à agência de publicidade pela criação/produção ou intermediação do conteúdo publicitário e, portanto, um custo operacional, o qual, ainda que dedutível para fins do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, não o é para fins de apuração das bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS por falta de previsão legal. (grifos não originais) De outra parte, a recorrente alegou que a receita bruta por ela auferida corresponde ao valor total dos serviços de divulgação faturado contra os anunciantes, sem o valor do desconto padrão de agência. Para recorrente, o referido desconto representava receita da agência de publicidade e, como era devido pelo anunciante à agência de publicidade, não representava custo operacional dela, mas do anunciante, conforme explicitado nos excertos extraídos do recurso voluntário, que seguem reproduzidos: Ou seja, ao contrário do exposto pelo Fisco, a receita bruta da Recorrente não corresponde ao valor do serviço bruto de divulgação e da publicidade comercial. Como visto, a Recorrente é contratada pelo anunciante apenas para veicular o material publicitário. A receita advinda da publicidade comercial (desconto padrão de agência) pertence única e exclusivamente à agência de publicidade, que é quem presta tal serviço. [...] Além disso, o desconto padrão de agência não pode ser considerado como custo operacional da Recorrente, conforme aduzido pelo v. acórdão recorrido. Isso porque a remuneração da agência é um custo para o Anunciante e não para a Recorrente. (grifos do original) Do cotejo dos referidos posicionamentos, verificase que o cerne da controvérsia cingese à definição do valor da receita bruta auferida pela recorrente, ou seja, se a receita bruta auferida por ela corresponde ao valor total faturado contra os seus clientes anunciantes com ou sem a inclusão do valor do desconto de padrão de agência. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.328 13 Para o deslinde da controvérsia, revelase oportuno analisar os preceitos legais que dispõe sobre a fixação do valor e forma de pagamento do desconto padrão de agência, que, originariamente, encontravase disciplinado no art. 11 da Lei 4.680/1965, a seguir reproduzido: Art 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda serão fixados pelos veículos de divulgação sôbre os preços estabelecidos em tabela. Parágrafo único. Não será concedida nenhuma comissão ou desconto sôbre a propaganda encaminhada diretamente aos veículos de divulgação por qualquer pessoa física ou jurídica que não se enquadre na classificação de Agenciador de Propaganda ou Agências de Propaganda, como definidos na presente Lei. (grifos não originais) O assunto também se encontra disciplinado nos arts. 11, 14 e 15 do regulamento para execução do citado diploma legal, aprovado pelo Decreto 57.690/1966, a seguir transcritos: Art 11. O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. [...] Art 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por êste fixado em Tabela pública, aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pela propaganda. (grifos não originais) Da leitura combinada dos transcritos preceitos legal e regulamentar, extraise que o preço dos serviços de publicidade, prestados pelos veículos de divulgação, consta de tabela pública, aplicável a todos os anunciantes, em igualdade de condições, e o faturamento dos citados serviços é feito pelo veículo de divulgação diretamente aos anunciantes. De forma complementar, o assunto também encontrase disciplinado nas NormasPadrão da Atividade Publicitária (NPAP), aprovadas em 16 de dezembro de 1998 e que teve seu texto revisado e atualizado pelo Conselho Executivo das Normas Padrão (CENP) em 04/05/2000, 29/03/2001, 16/05/2002, 10/09/2002, 31/10/2002, 15/12/2010, 13/11/2012, 12/03/2013, 08/10/2013 e 12/11/2013. Na edição anterior das NPAP, atualizada em 31/10/2002 (fls. 137/159) e que se encontrava vigente na data dos fatos geradores objeto da presente autuação, o desconto padrão de agência encontravase definido no subitem 1.10, a seguir transcrito: 1.10 Desconto Padrão de Agência: é o abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação à Agência de Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 Publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre aquele e o Anunciante. 1.11 Valor Bruto: é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante. 1.12 Valor Líquido: é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante e os 20% do "desconto padrão de agência". Na edição atualmente vigente das NPAP7, o desconto padrão de agência encontrase definido no subitem 1.11, a seguir reproduzido: 1.10 Valor Negociado: é o valor fixado na lista pública de preços dos Veículos de Comunicação, já deduzidos os descontos comerciais. 1.11 DescontoPadrão de Agência8 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. Comparando as duas definições, verificase que, embora haja diferença na redação, no essencial, as referidas definições são complementares e não se vislumbra qualquer conflito entre ambas, haja vista que na primeira (subitem 1.10), o desconto padrão é definido como “abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação”, ao passo que, na segunda (subitem 1.11), o referido desconto é definido como “remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes” Não há distinção relevante de conteúdo entre as duas definições, porque enquanto a primeira definição tem como referencial a repercussão econômicofinanceira provocada no patrimônio do veículo de comunicação e definiu o desconto padrão como sendo um abatimento por este concedido a agência de publicidade, a segunda definição adotou como referencial a repercussão econômicofinanceira provocada no patrimônio da agência de publicidade e definiu o desconto padrão como remuneração da agência de publicidade, sem contudo especificar quem seria responsável pelo pagamento do referido valor. Além disso, como não houve qualquer alteração nos referidos preceitos legal e regulamentar, anteriormente transcritos, que disciplinam a matéria de forma geral, induvidosamente, a nova definição de desconto padrão foi influenciada pela previsão contida no art. 19 da Lei 12.232/2010, que instituiu as normas gerais sobre licitação e contratação pela Administração Pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda, cujo teor segue transcrito: Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela 7 A atual versão encontrase disponível em: <http://www.cenp.com.br/PDF/NomasPadrao/Normas_Padrao_Portugues.pdf>. Acesso em 01 mar 2016. 8 Fundamentos legais: art. 11 da Lei nº 4.680, de 1965, art. 11 do Decreto nº 57.690, de 1966 e art. 19 da Lei nº 12.232, de 2010. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.329 15 concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. Parágrafo único.(VETADO) Entretanto, em consonância com as razões de veto do parágrafo único do citado artigo, a proibição de não faturar e contabilizar como receita própria do veículo de divulgação, determinada no caput do referido preceito legal, aplicase somente aos serviços de propaganda e publicidade licitados e contratados com a Administração Pública. Em decorrência dessa limitação de alcance do citado preceito legal, os referidos serviços quando contratados com particulares estão excluídos da referida restrição. Para que não haja dúvida quanto abrangência do preceito legal em comento, segue transcrita a Mensagem de Veto ao parágrafo único: MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1odo art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no197, de 2009 (no3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Dessa forma, resta demonstrado que a determinação expressa no art. 19 da Lei 12.232/2010 não se aplica ao caso sob exame, por ser específica para as contratações realizadas com a Administração Pública. De outra parte, as receitas provenientes dos serviços publicitários prestados a particulares permanecem regidas pela Lei 4.680/1965 e pelo Decreto 57.690/1966, que, na forma seu art. 15, determina que o valor total do serviço de divulgação seja faturado em nome do veículo de divulgação, sem a exclusão do valor do desconto padrão. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 Pela mesma razão, a definição de “Valor Faturado”, consignada no subitem 1.12 das NPAP atualmente vigentes, como sendo “a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o ‘Valor Negociado’ e o ‘DescontoPadrão’”, não se aplica aos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade contratados com os particulares, que estão submetidos a regramento próprio. No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme enunciados das ementas dos julgados, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (CARF, CSRF, 3ª Turma Ordinária, Ac. 9303002.589, de 9/10/2013, rel. Henrique Pinheiro Torres) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/10/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (CARF, CSRF, 3ª Turma Ordinária, Ac. 9303002.635, de 13/11/2013, rel. Júlio César Alves Ramos) E embora integrem o valor dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade prestados pelos veículos de comunicação e sejam integralmente repassados às agências de publicidade, por falta de previsão legal, o valor do desconto padrão de agência não pode ser deduzido da receita bruta auferida pelos veículos de comunicação. Cabe ainda ressaltar, que, embora o art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/1978, tenha inicialmente previsto a exclusão da base de cálculo das referidas contribuições dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, por depender de regulamentação, que não foi realizada, o referido preceito legal não chegou a ter eficácia, até a sua revogação pela Medida Provisória 215835/2001. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.330 17 Entretanto, apesar de não haver previsão legal, de acordo com os demonstrativos e a relação das notas fiscais apresentados pela recorrente à fiscalização (fls. 160/701), a recorrente deduziu, indevidamente, os valores dos descontos padrão de agência da base de cálculo das referidas contribuições. Com base nessas considerações, chegase a conclusão que o valor total do preço dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade, faturados pela recorrente perante os seus clientes anunciantes privados, integra a base de cálculo das referidas contribuições, sem a exclusão do desconto padrão de agência. Ademais, por falta de previsão legal, embora integralmente repassado as agências de publicidade, valor do referido desconto não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.722466/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS.
Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária.
No caso, há a comprovação, motivo do provimento do recurso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária. No caso, há a comprovação, motivo do provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13839.722466/2013-81
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5578229
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.980
nome_arquivo_s : Decisao_13839722466201381.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13839722466201381_5578229.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6330400
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423712686080
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-24T22:50:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-24T22:50:39Z; Last-Modified: 2016-03-24T22:50:39Z; dcterms:modified: 2016-03-24T22:50:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c88b3056-b89f-4851-ad62-b2bbcbf5fd25; Last-Save-Date: 2016-03-24T22:50:39Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-24T22:50:39Z; meta:save-date: 2016-03-24T22:50:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-24T22:50:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-24T22:50:39Z; created: 2016-03-24T22:50:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-03-24T22:50:39Z; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-24T22:50:39Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 105 1 104 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.722466/201381 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.980 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente ANTÔNIO ALVES DE ALMEIDA Recorrida FAZENA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária. No caso, há a comprovação, motivo do provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 24 66 /2 01 3- 81 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 106 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou sobre a qual não se manifesta expressamente. DEDUÇÕES. DEPENDENTE. PROVA. São admitidas as deduções pleiteadas a título de dependente se ficar comprovada, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, a relação de dependência nos moldes estabelecidos na legislação tributária. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, para reduzir o imposto suplementar em litígio ao valor de R$7.843,43, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), o lançamento tem a seguinte origem: Decorreu o citado lançamento de revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual (DAA) ND 08/23.593.644, ano calendário 2011. Conforme relatório Descrição dos Fatos e Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Enquadramento Legal (fls. 30/35), apurouse as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas: constatouse omissão de rendimentos recebidos de Carolina Alves de Almeida, no valor de R$3.576,30, já descontada a comissão imobiliária, conforme Dimob transmitida por Cortizo Imóveis Ltda; b) dedução indevida de Previdência Privada/Fapi: foi glosado o valor de R$22.321,56, indevidamente deduzido a título de contribuição à Previdência Privada/Fapi. A autoridade lançadora complementa: Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609, concluise pela glosa da despesa com previdência privada, por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. c) dedução indevida com Dependentes: glosa de R$3.779,28 por falta de comprovação da relação de dependência referente a Laura Luisa de Almeida (não comprovou guarda judicial) e Fernanda América Alves de Almeida (não apresentou a certidão de casamento); d) dedução indevida com despesa de instrução: glosa de R$2.958,23. A autoridade lançadora complementa: Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609, concluise pela glosa da despesa com instrução, por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. e) dedução indevida de despesas médicas: glosa de R$15.440,52, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. A autoridade lançadora complementa: Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609, concluise pela glosa dos seguintes valores a título de despesas médicas: R$924,00 valor declarado pago a UNIMED JUNDIAÍ, referente a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; R$2.316,52 valor declarado pago a UNIMED JUNDIAÍ, referente a despesa de FERNANDA AMÉRICA ALVES DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; R$6.000,00 valor declarado pago a RENATA DE LUCCA ZEZZA, referente a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; R$4.500,00 valor declarado pago a LUIZ EDUARDO DABREU, por falta de comprovação; R$1.700,00 valor declarado pago a SUSY DE ASSIS CARVALHO, por falta de comprovação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos na NL e nos demais anexos que o configuram. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 107 5 Em 27/08/2013 foi dada ciência ao sujeito passivo do lançamento. Contra o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, em 18/09/2013, acompanhada de anexos, argumentando, em síntese, que apresenta documentação para comprovação de dependência e a regularidade das deduções pleiteadas. Quanto à omissão de rendimentos, concorda com o lançamento. Em 29/1/2014, por meio do despacho, a DRJ retornou os autos à autoridade preparadora para que o contribuinte fosse intimado a comprovar as despesas declaradas referentes à profissional Renata de Lucca Zezza e à Associação Brasileira de Educação e Assistência. Intimado, o contribuinte apresentou os documentos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte a impugnação, mantendo no lançamento, em síntese: 1. Glosas de despesas médicas no valor de R$6.200,00; e 2. Glosas de despesas de previdência privada, no valor de R$22.321,56. Em 17/03/2014, o sujeito passivo foi cientificada da decisão, conforme AR. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, em 25/03/2014, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Apresenta recibos de despesas médicas de serviços prestados para si, por Luiz Eduardo de Abreu, em um total de R$ 6.000,00; 2. Apresenta recibos de despesas médicas de serviços prestados para si, por Susy de Assis Abreu, em um total de R$ 1.750,00; 3. Apresenta extratos bancários de Fernanda América Alves de Almeida, sua dependente, que demonstram a aplicação em PGBL, no total de R$ 22.221,56; 4. Solicita análise da documentação e acolhimento de seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, há duas questões em litígio no lançamento: 1. Glosas de despesas médicas no valor de R$6.200,00; e 2. Glosas de despesas de previdência privada, no valor de R$22.321,56. Analisaremos cada uma. Glosa de despesa médica: Segundo a NL, acusação, essas glosas foram motivadas pelos seguinte fundamento: "R$ 4.500,00, valor declarado pago a Luiz Eduardo Abreu, por falta de comprovação; R$ 1.700,00, valor declarado pago a Susy de Assis Carvalho, por falta de comprovação. Fato interessante é que esses recibos foram apresentados na impugnação e, após questionamento de seus requisitos formais, foram retificados e apresentados no recurso, mas não constam da "Declaração de Serviços Médicos e de Saúde Dmed". A Dmed, juntada aos autos, conforme se verifica, foi emitida em 28/01/2014, às 13:02h. A impugnação é de 18/09/2013. De se destacar que em 29/01/2014, um dia depois da emissão da Dmed, por meio do despacho, a DRJ retornou os autos à autoridade preparadora para que o contribuinte fosse intimado a comprovar as despesas declaradas referentes à profissional Renata de Lucca Zezza e à Associação Brasileira de Educação e Assistência, mas nada solicitou quanto aos dois profissionais que não aparecem da Dmed. Intimado, o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Para justificar sua decisão pela manutenção da glosa, a decisão a quo assim fundamenta: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 108 7 "Em sua impugnação, o contribuinte sustenta que as despesas médicas glosadas se referem a Fernanda América Alves de Almeida e a Laura Luisa de Almeida (fls. 2). Entretanto, os recibos juntados às fls. 16/17, emitidos pelos profissionais Luiz Eduardo de Abreu e Susy de Assis Carvalho, não especificam o beneficiário dos serviços prestados. Ademais, não trazem o endereço dos emitentes. Assim, não podem ser aceitos, devendo ser mantida a glosa no valor de R$6.200,00 (R$4.500,00 + R$1.700,00). Portanto, os recibos não foram aceitos por: 1. Não especificar o beneficiário dos serviços prestados; e 2. Não trazer o endereço dos emitentes. Sem adentrar em subjetivismos sobre os motivos desses equívocos não terem sido solicitados no despacho de 29/01/2014, fato é que os recibos agora apresentados corrigem esses dois requisitos formais. A utilização dessa documentação para a solução da questão está em consonância com decisões já proferidas pelo CARF. Sobre a questão, muito bem desenvolve a questão da preclusão o nobre conselheiro Ronnie Soares Anderson, que no acórdão 2802003.088 assim se pronuncia: "A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativo tributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boa fé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizando se assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários." A documentação apresentada soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados, desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. Portanto, por todo exposto, dou provimento ao recurso nesta questão. Glosas de despesas de previdência privada: Para a glosa dessa despesa, a NL, acusação, traz o seguinte argumento: "Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609 concluise pela glosa da despesa com previdência privada, por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência". Destaquese que esse fundamento da acusação para a glosa, único por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência foi superado pela própria decisão a quo, nos seguintes termos: "No tocante a Fernanda América Alves de Almeida, foi apresentada Certidão de Casamento emitida em 27/1/1974 que comprova a celebração sob o regime de comunhão universal de bens do casamento de Antônio Alves Almeida e Fernanda América (fls. 15). Quanto a Laura Luísa Almeida, nascida em 4/9/2000, filha de Ruthe Maria Almeida, o impugnante apresentou Termo de Entrega sob Guarda e Responsabilidade, que demonstra que a menor ficou sob sua guarda e de sua esposa Fernanda América por tempo indeterminado a partir de 18/8/2003 (fls. 14). Ante o exposto e os elementos de prova trazidos aos autos pelo sujeito passivo, acatamse os argumentos expedidos na impugnação, restabelecendose a dedução pleiteada a título de dependentes (R$3.779,28)." Portanto, a única acusação quanto ao motivo dessa glosa já foi superada pela decisão a quo, motivo do provimento do recurso. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 109 9 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000192/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.964
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2007 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10932.000192/2009-33
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5584811
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.964
nome_arquivo_s : Decisao_10932000192200933.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10932000192200933_5584811.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6359955
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423715831808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000192/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.964 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2007 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 92 /2 00 9- 33 Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas, Acórdão 0539.419 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Constam deste processo os seguintes Autos de Infração, cujo período de apuração vai de 11/2004 a 01/2007: Segue abaixo a descrição do Auto de Infração nº 10932.000192/200933, sendo que os outros dois processos estão sendo analisados em acórdãos separadamente: COMPROT nº 10932.000192/200933 (AIOP DEBCAD nº 37.227.380 7) – contribuição para Terceiros (Outras Entidades e Fundos) Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal, se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, destinadas a Outras Entidades: SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e SALÁRIO EDUCAÇÃO não recolhidas em época própria, tendo sido o crédito lançado por aferição indireta, no período de 11/2004 a 01/2007, no valor consolidado de R$2.828.262,42 em 04/06/2009, referindose ao levantamento “240 – Obra240”. Esclarece ainda o Relatório Fiscal o seguinte: Tratase de fiscalização de obra de construção civil, relacionado à serviços contínuos de conservação de Drenagem, Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Desassoreamento, Limpeza e Capinação de córregos, desobstrução de Bocas de Lobo, recuperação de áreas deterioradas, muros de arrimo, pavimentação e outros correlatos e serviços contínuos de execução de Redes de água e esgoto, com fornecimento de equipamentos, materiais e mão de obra, realizado pela empresa Emparsanco S/A, através do contrato entre a mesma e a SEMASA Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André. Informa a fiscalização ter havido vários termos de intimação para a apresentação de documentos sem sucesso, e conclui que: (...) pelo fato da empresa não escriturar em títulos próprios e ou em contas individualizadas as obras realizadas, conforme demonstram as Contas nºs 2.01.01.01.06.0001; 3.01.01.01.01.0001 e 3.01.01.01.01.0003, dos Livros Razão apresentados (xerox em anexo amostragem) foi emitido o AI AutodeInfração 37.227.3653. 4.6. Desta forma não restou à fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na Construção desta Obra conforme comandos do art. 33 § 6º da Lei 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e suas alterações: (...) Enfim, o Relatório complementa: 5. Para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na execução desta obra foi realizado a aferição indireta pelas notas fiscais de serviço emitidas pela empresa e por estar especificado no Contrato a previsão de fornecimento de Material foi aplicada a alíquota de 20% sobre as Notas Fiscais, conforme determina o § 1º do Art. 601 da IN 03, de 14 de julho de 2005 e suas alterações (...) (...) Os cálculos do Salário de Contribuição devido e o período de lançamento do crédito estão discriminados no ANEXO I e no anexo Relatório de Lançamento RL. 6. As alíquotas aplicadas constam do anexo "Discriminativo Analítico do Débito DAD". 7. Foram considerados e abatidos os recolhimentos vinculados à obra, constantes no Sistema de Contacorrente/DATAPREV, demonstrado no anexo RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. O contribuinte contestou o lançamento fazendo um resumo inicial da autuação, e alegando, em síntese, o seguinte: Do Direito Preliminar Descrevendo a atividade administrativa, a impugnante ressalta a importância do princípio da Verdade Material. Afirma que mantém um sistema eletrônico de escrituração contábil em conformidade com os Princípios de Contabilidade geralmente aceitos e que se encontra interligado com os Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 4 5 demais setores da empresa, escriturando as transações que impliquem em mudança da situação patrimonial no mesmo instante nos livros mercantis (Razão e Diário). Assim, o Setor de Pessoal ao elaborar mensalmente a folha de salários promove respectivamente o cálculo dos encargos previdenciários incidentes e de responsabilidade da empregadora, bem como promove a retenção dos encargos relativos à parte dos Segurados Empregados por obra realizada ou serviço prestado. Ou seja, há um controle analítico de salários e respectivos encargos previdenciários de forma individualizada dos funcionários utilizados em cada obra realizada pela impugnante, bem como das verbas previdenciárias obrigatórias a serem recolhidas e também dos valores retidos dos empregados incidentes para cada obra, que são carreados aos cofres da União. Posteriormente ao fechamento do controle analítico individualizado por obra descrito no parágrafo anterior, bem como o cálculo das verbas previdenciárias incidentes, o setor encarregado de elaborar a folha reúne todos aqueles dados individualizados por obra, os lança na folha de salários e respectivos encargos previdenciários. E, ato contínuo, lança na escrita mercantil (contas 2.01.01.01.06.00020, j) de forma individualizada, possuindo, também controles contábeis para identificar a composição do valor total lançado na escrituração mercantil. Outrossim, a decisão de optar pela forma de apuração por aferição indireta foi incorreta e precipitada, uma vez que a servidora ao promover a exegese do artigo 32, inciso II da Lei n°. 8.212/91 desconheceu a diferença entre os conceitos de contabilidade e escritura fiscal. O termo contabilidade descrito no inciso II, do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, deve ser interpretado como os registros analíticos onde a impugnante promove o cálculo das folhas de salário e respectivos encargos previdenciános por obra (de sua responsabilidade, como os retidos dos empregados) em obediência ao determinado naquele dispositivo legal. E segue argumentando: Assim se a Auditora Fiscal houvesse promovido o confronto: a) dos encargos previdenciários lançados nos registros analíticos por obra com a folha teria apurado que há entre os mesmos correlação e consistência; b) do resumo da folha de salários e respectivos encargos previdenciários com os registros contábeis, também teria apurado que há entre os mesmos correlação e consistência e que a impugnante tem perfeitas condições e controles contábeis e analíticos para provar que o valor dos encargos previdenciários Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 apurados por ocasião da lavratura da folha de pagamento encontrase devidamente lançado nos registros mercantis. Da mesma forma, alega que não menos importante de se frisar é que a Servidora Fiscal lavrou entre o início do procedimento em 26/09/07 até a lavratura do auto em 19/06/09 apenas três termos: no dia 26/09/07, em 20/03/08 e em 09/02/09, solicitando no primeiro termo a apresentação de todos os documentos relativos às obras executadas, e nos demais a apresentação da contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra. Assim, a Auditora Fiscal em momento algum intimou e externou à empresa a sua dúvida, ou solicitou justificativas por não visualizar na contabilidade o determinado na Lei n° 8.212/91, sendo que se tivesse feito a distinção entre contabilidade e escrituração mercantil teria percebido que a empresa possui contabilidade por centro de custo/obra e que a lança em sua escrita mercantil (Livros Diário e Razão). Na sequência, alega ainda o seguinte: TAMBÉM COMPETE DESTACAR NESSA FASE PRELIMINAR QUE A SERVIDORA FISCAL UTILIZOU COMO VALOR TRIBUTÁVEL PARA ARBITRAMENTO, A NOTA FISCAL DE N°. 002851 DE 26/01/2005, NO VALOR DE R$ 89.905.618,00 (OITENTA E NOVE MILHÕES NOVECENTOS E CINCO MIL SEISCENTOS E DEZOITO REAIS), SENDO QUE A MESMA FOI CANCELADA POR ESTAR INCORRETO O SEU VALOR, TENDO SIDO EMITIDA A NOTA FISCAL DE N°. 002852 NA MESMA DATA NO VALOR RETIFICADO DE R$ 899.05618 (OITOCENTOS E NOVENTA E NOVE MIL CINQUENTA E SEIS REAIS E DEZOITO CENTAVOS). Propugna ao final que a forma de aferição indireta adotada seja tornada insubsistente, pois a apuração das contribuições foi promovida conforme a legislação que regula a matéria. MÉRITO No mérito, informa a impugnante que celebrou contrato com o SEMASA Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André, e abriu em seu setor de folha de pagamento o registro contábil de número 240, doravante chamado de “Obra 240”. A impugnante mantém em seus sistemas de folha de pagamento o controle por centro de custo/obra das verbas previdenciárias incidentes sobre os valores pagos os seus empregados e que compõem a base de cálculo daquelas exações. Ao final de cada mês ou período de apuração, é calculado o valor das verbas previdenciárias por centro de custo/obra e emitido o relatório genérico de eventos, onde se demonstra por obra ou centro de custo o montante das verbas previdenciárias incidentes por obra. Informa ainda que: (...) Após proceder ao cálculo de forma individualizada ou por centro de custo/obra, o Setor de Folha de Pagamento inclui em um único valor todos aqueles valores calculados individualmente Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 5 7 e os lança no Resumo Geral da Folha de pagamento e ato contínuo e os lança sob a rubrica "Base INSS Empresa", (conforme se depreende do disposto no Resumo da Folha de Pagamento). Após o Setor de Folha de Pagamento promover o cálculo das verbas descritas no item anterior, a impugnante escritura no livro razão o valor total a recolher na conta 2.01.01.01.06.00020 Salários e Encargos a Pagar na rubrica "Valor INSS Empresa Mês". Assim a rubrica Valor INSS Empresa lançada na conta 2.01.01.01.06.0002 Salários e Encargos a Pagar, reflete o total de todas as verbas previdenciárias e trabalhistas apuradas no mês e o Setor de Pessoal elabora e possui os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil, bem como possui controle de todos os valores lançados na rubrica Valor INSS Empresa Mês. (...) As diferenças entre o valor constante no resumo da folha de pagamentos com o valor da rubrica Valor INSS Empresa Mês são objeto de conciliações. A seguir é feita uma demonstração por meio de planilhas das verbas previdenciárias que foram objeto do lançamento. Conclui, então, que do que foi verificado ficaram demonstradas as suas argumentações, e que os documentos anexados de sua contabilidade, folhas de pagamento, relatórios genéricos de eventos por centro de custo obra, e os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil fazem prova de suas alegações. Segue dizendo que: Tão importante quanto provar que promovemos a apuração das verbas previdenciárias por centro de custo (e que os mesmos encontramse lançados na escrituração mercantil), também é demonstrar que os valores apuradas forma DECLARADOS nas GFIP apresentadas. Em seguida, devese informar que o valor relativo aos terceiros (parte da empresa e retido dos mesmos) não foi informado em GFIP durante alguns meses. Em razão disso ficará demonstrado nas planilhas abaixo a diferença da não informação destes em GFIP, bem como, que os mesmos foram recolhidos com a adição do um percentual de relativo à contribuição prevista no artigo 68 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Após a elaboração de várias planilhas demonstrativas de seus argumentos a impugnante conclui ter ficado demonstrada a insubsistência da ação fiscal, e requer a suspensão da exigência pela apresentação da impugnação, juntando aos autos diversos documentos como cópias do Livro Razão, de resumos das folhas de pagamento, do Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 resumo analítico por obra/centro de custo, GFIP’s e GPS’s. Em vista das alegações e demonstrativos apresentados nos três processos, bem como dos documentos a eles juntados, esta 8ª Turma de Julgamento emitiu a Resolução nº 2692, em 11/11/2009, para que a fiscalização se manifestasse quanto a determinados questionamentos. A fiscalização, em resposta ao que lhe foi solicitado, em síntese, assim se pronunciou: 1) Da análise prévia Preliminarmente, informamos que este termo de constatação se refere a todos os processos que foram gerados por meio da fiscalização de MPF 0811900.2008.00092, listados abaixo: ... 2) Da documentação apresentada pelo contribuinte na impugnação Em sua defesa, o contribuinte apresentou, além do relatório de impugnação, os seguintes documentos, além de outros: a)composição contábil b)razão contábil da conta 2.01.01.01.06.0002 INSS A RECOLHER c)resumo da folha O ponto mais importante a destacar, que embasará a defesa deste auto de infração e de todos os outros, é que, ao analisarmos CONJUNTAMENTE todos os processos originados desta fiscalização, verificamos que todos estes documentos listados acima, apresentados como meio de prova pelo contribuinte, SÃO SEMPRE OS MESMOS, apresentando sempre os mesmos valores, e estes valores apresentados de FORMA GLOBAL, ou seja, totalizados para a empresa como um todo e nunca de forma individualizada, para cada obra de construção civil, logicamente quando comparamos a mesma competência. (...) Além do mais, quanto a folha de pagamento, o contribuinte apresentou apenas o RESUMO GERAL DA EMPRESA e não a folha de pagamento por centro de custo. 3) Do mérito (...) Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa. Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 6 9 de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91. (...) Portanto, analisando esta parte da defesa, chegamos a conclusão que o documento que o contribuinte chama de "relatório genérico de eventos por centro de custo obra" é o mesmo que, em seus anexos, nomeia de "composição contábil". (...) Ora, o contribuinte alega que, sendo este o relatório genérico de eventos por centro de custo obra, seria neste documento que "se demonstra por obra ou centro de custo o montante das verbas providenciarias incidentes por obra:" Porém isto não se comprova. (...) (...) Ora, se este relatório, como disse o próprio contribuinte em sua defesa, se presta para que "se demonstre por obra ou centro de custo o montante das verbas previdenciárias incidentes por obra:", como é que faz sentido que este relatório contenha os mesmos valores para diferentes obras de construção civil? Se realmente este relatório gerencial demonstrasse a contabilização do montante das verbas previdenciárias individualizadas por obra, deveríamos observar valores diferentes em suas tabelas, a não ser que houvesse enorme coincidência, o que não deve ser o caso. O mesmo se pode falar da alegação que o contribuinte diz que apresenta "os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil". Se estes registros contábeis a que se refere o contribuinte são aqueles demonstrados no quadro acima, na parte de CONTABILIDADE, de maneira alguma estes registros estão individualizados por obra de construção civil, conforme explicitado acima. 4) Da conclusão Portanto, diante de todos estes fatos explicitados neste termo de constatação, e em resposta à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, 8a. Turma, decidimos pela manutenção integral dos autos de infração referentes à fiscalização de MPF 0811900.2008.00092. (...) Após um breve relato sobre a situação processual a impugnante apresentou suas contrarazões, conforme resumidamente descrito abaixo: A impugnante inicia sua argumentação dizendo o seguinte: Nos parágrafos seguintes, demonstraremos que o Termo de Constatação Fiscal objeto da presente contrarazões encontrase Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 em desconformidade com a realidade dos fatos, bem como cerceou o Direito de Defesa do Contribuinte, pois a impugnante não participou do mesmo, sendo somente cientificada das conclusões do agente fiscal, sem poder apresentar provas que demonstrem que a aferição indireta foi incorreta. A seguir argumenta que no primeiro tópico da Constatação Fiscal, a fiscalização em sua Análise Prévia apenas descreveu a causa de pedir que resultou na exigência dos créditos previdenciários impugnados, não promovendo qualquer análise ou juízo sobre os fatos. No tópico sobre a documentação apresentada pelo contribuinte na impugnação tece os seguintes comentários: No tópico "Da análise prévia" o agente fiscal lista 52 (cinqüenta e dois) processos que têm como causa de pedir a aferição indireta como forma de apuração de contribuição previdenciária. Cada processo corresponde a uma obra realizada por Emparsanco S/A. Conforme descrito no parágrafo anterior e omitido pelo agente fiscal em seu Termo de Constatação Fiscal, cada um dos 52 (cinqüenta e dois) processos corresponde a uma obra e mensalmente era elaborada uma folha de pagamento individualizada por empreitada com a descrição de todos os trabalhadores envolvidos e respectivas verbas sujeitas à contribuição previdenciária para cada uma. Após elaborar diversas folhas de pagamento analíticas para cada obra realizada, calculandose as verbas previdenciárias incidentes sobre os valores descritos em cada um daqueles documentos era feita a compilação em um único documento chamado folha de pagamento do mês, cujos valores eram escriturados no Livro Razão, inclusive na conta “2.01.01.06.002 – INSS A RECOLHER”. Ante o exposto, concluise que no Livro Razão há somente o lançamento total de todas as verbas previdenciárias apuradas no mês, porém existem controles analíticos elaborados pelo setor de folha de pagamento que demonstram os valores pagos a cada trabalhador para cada obra realiza a e as contribuições previdenciárias apuradas para cada empreitada realizada por Emparsanco S/A para todos os meses do ano. Digno de nota é que a requisição da DRJ CAMPINAS foi para que fossem realizadas diligências para cada auto de infração, ou seja, há um pedido de diligência para cada processo e não "CONJUNTAMENTE" como mencionado no Segundo parágrafo do tópico e acima transladado. No Terceiro parágrafo do tópico, o agente fiscal descreve que há repetições do resumo da folha de pagamento, citando os meses de março e junho de 2005 como exemplo. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 7 11 Tal fato ocorreu pelo fato da aferição indireta haver ocorrido por obra realizada, ou seja, cada processo corresponde a uma empreitada diversa da constante em outro, e considerando que: a) Utilizando a título de exemplo os meses de março e junho de 2005 citados pelo agente fiscal, houve diversas obras realizadas no curso daqueles períodos e não somente aquela em que houve a aferição indireta; b) A aferição indireta ocorreu por obra e não para os meses do ano, como inadvertidamente menciona o agente fiscal, justificando se assim a repetição dos documentos apresentados, pois para cada mês há diversas empreitadas; O que o servidor fiscal não menciona é que o resumo da folha de pagamento dos meses em que houve a aferição indireta está acompanhado do resumo analítico da folha da obra em que ocorreu a aferição indireta, o qual é parte integrante do valor descrito no resumo da folha, a qual confere com os registros contábeis. E mesmo que o resumo analítico por obra não estivesse anexado ao processo, o que não é verdade, caso o servidor fiscal houvesse dado ciência à impugnante que estava realizado a presente diligência teria lhe sido demonstrado de forma didática e clara que a aferição indireta não era cabível. Conclui que se a fiscalização houvesse analisado processo a processo constataria que a impugnante tem controles analíticos que possibilitam a visualização das contribuições previdenciárias por obra escriturada no livro contábil Do mérito À conclusão da fiscalização na diligência de que o contribuinte em nenhum momento da defesa conseguiu provar a contabilização em títulos próprios por obra de construção civil dos fatos geradores de contribuição previdenciária, a impugnante argumenta que esta conclusão está em desconformidade com o meio probatório acostado aos autos, tendo a fiscalização agido contra princípios constitucionais e do direito administrativo, afrontando o seu direito de defesa. Afirma a impugnante que o Princípio da Ampla Defesa determina a obrigatoriedade de se observar a ordem natural do processo, de modo que a defesa de manifeste sempre em último lugar, e da participação do sujeito passivo na realização das perícias e diligências. Argumenta ainda que a fiscalização não promoveu a correta análise da documentação acostada aos autos, pois se assim o tivesse feito teria lido na peça impugnatória que há uma folha analítica por obra realizada, que compõem um resumo com todas as obras realizadas. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 Repete que: o resumo analítico acostado aos autos descreve todas as verbas sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias e seu respectivo cálculo, o resumo da folha é o somatório das verbas pagas aos trabalhadores e descreve todas as contribuições dos montantes pagos, os valores descritos no resumo das folhas são escriturados no Livro Razão e lançados em GFIP. Alega que o servidor fiscal não teve o trabalho de fazer a análise individual dos 52 processos, que agiu em desacordo com a verdade material, não a buscando, e analisando incorretamente os documentos que lhe foram apresentados. Conduziu o procedimento de diligência sem a ciência e participação da impugnante, impediu o acesso da impugnante ao procedimento impossibilitando que demonstrasse que possui controles que possibilitam a identificação das verbas pagas aos trabalhadores por obra, e que ao afirmar que os documentos acostados ao processo não demonstram as verbas previdenciárias e valores pagos por obra sem a ciência e participação da impugnante feriu também o princípio da acessibilidade aos elementos do expediente, da ampla instrução probatória, e determinações da Lei nº 9.784/1999. Enfim, alega a impugnante que na sua conclusão a fiscalização comete outro equívoco, pois arvorouse na atribuição de julgador ao decidir pela manutenção integral dos autos de infração, quando não fez o que lhe foi determinado, ou seja, analisar os 52 processos. Agindo em desconformidade com o Processo Administrativo Fiscal eivou de nulidade todo o procedimento, pois cerceou o direito do contribuinte em produzir provas, esclarecer dúvidas, e eventualmente oferecer outros elementos probantes. Requer ao final a nulidade das conclusões realizadas no curso do procedimento administrativo de diligência por cerceamento do seu direito de defesa, o retorno dos autos à DRF para realizar nova diligência, desta vez com a participação da impugnante, e que a DRJ acate esses pedidos em observância aos princípios que regem o procedimento administrativo, possibilitando à impugnante demonstrar que a aferição indireta foi prematura e incorreta. Enfim, o processo retornou a esta DRJ para julgamento. Foi dado ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, sendo a disponibilização em 29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012. A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013. O processo foi encaminhado para a PGFN em 06/05/2013. Em 05/08/2013 o contribuinte protocolizou recurso voluntário. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 8 13 Em setembro de 2013, o processo retornou para a fase administrativa para apreciação do recurso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · A forma de intimação foi alterada de meio papel para digital sem ciência e anuência prévia do contribuinte. · Não se comprovou a afetiva intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · O processo foi indevidamente encaminhado para inscrição em dívida ativa. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. · Requer o cancelamento da inscrição em dívida ativa e retorno ao trâmite administrativo. O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico – DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. – Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/0000108 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. – De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC. – Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl.1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na fl.1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 É o relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. Em diligência ficou comprovado que a recorrente realizou a opção pelo DTE. Foi dada ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, sendo a disponibilização em 29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012. A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013. O recurso voluntário foi protocolizado junto à Receita Federal em 05/08/2013. O prazo legal para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. O intervalo de tempo entre a ciência por decurso de prazo da decisão de primeira instância (14/12/2012) e a interposição do recurso (05/08/2013) em muito extrapolou o prazo legal. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724728/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO TEMPORAL E IMPOSSIBILIDADE DE INOVAR NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em caso de concomitância entre processo judicial e administrativo, a matéria abarcada pela primeira não deve ser conhecida por este Colegiado, por força da Súmula CARF nº01, devendo-se prosseguir o julgamento apenas das matérias restantes, que não restarem prejudicadas.
CRÉDITO DE IPI. COISA JULGADA. LIMITES OBJETIVOS. ISENÇÃO E SUSPENSÃO.
Não é lícito a interpretação ampliativa do conteúdo da coisa julgada para fazê-la alcançar a suspensão, tendo esta abrangido somente o crédito de IPI relativo aos insumos e matérias-primas adquiridos sob o regime de isenção, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero.
MULTA QUALIFICADA PELA REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. PRAZO.
Somente o trânsito em julgado administrativo de decisão que aplica a multa de infração gera os efeitos de da regra de agravamento por reincidência específica.
Caso o contribuinte tenha agido após os cinco anos de vigência da agravante, não faz ele jus à punição qualificada, mesmo que exista outro processo administrativo em curso, ainda não definitivamente julgado, independente da instância administrativa em que esteja.
Recurso Parcialmente Provido.
Crédito Parcialmente Mantido.
Numero da decisão: 3402-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para afastar o agravamento da multa para os créditos indevidos aproveitados entre 11/08/2009 e 31/12/2009.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Relator Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO TEMPORAL E IMPOSSIBILIDADE DE INOVAR NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Em caso de concomitância entre processo judicial e administrativo, a matéria abarcada pela primeira não deve ser conhecida por este Colegiado, por força da Súmula CARF nº01, devendo-se prosseguir o julgamento apenas das matérias restantes, que não restarem prejudicadas. CRÉDITO DE IPI. COISA JULGADA. LIMITES OBJETIVOS. ISENÇÃO E SUSPENSÃO. Não é lícito a interpretação ampliativa do conteúdo da coisa julgada para fazê-la alcançar a suspensão, tendo esta abrangido somente o crédito de IPI relativo aos insumos e matérias-primas adquiridos sob o regime de isenção, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. MULTA QUALIFICADA PELA REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. PRAZO. Somente o trânsito em julgado administrativo de decisão que aplica a multa de infração gera os efeitos de da regra de agravamento por reincidência específica. Caso o contribuinte tenha agido após os cinco anos de vigência da agravante, não faz ele jus à punição qualificada, mesmo que exista outro processo administrativo em curso, ainda não definitivamente julgado, independente da instância administrativa em que esteja. Recurso Parcialmente Provido. Crédito Parcialmente Mantido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11065.724728/2013-15
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589263
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.006
nome_arquivo_s : Decisao_11065724728201315.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 11065724728201315_5589263.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para afastar o agravamento da multa para os créditos indevidos aproveitados entre 11/08/2009 e 31/12/2009. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Relator Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6374475
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423720026112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.724728/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.006 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria IPI Recorrente INDUSTRIAL BOITUVA DE BEBIDAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO TEMPORAL E IMPOSSIBILIDADE DE INOVAR NO RECURSO VOLUNTÁRIO. Nos termos do art.17 do Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O sistema de preclusões no procedimento administrativo veda a veiculação de novos fundamentos para a impugnação no âmbito do Recurso Voluntário. CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO JUDICIAL SOBRE O MESMO OBJETO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA MATÉRIA. SÚMULA CARF Nº01. Em caso de concomitância entre processo judicial e administrativo, a matéria abarcada pela primeira não deve ser conhecida por este Colegiado, por força da Súmula CARF nº01, devendose prosseguir o julgamento apenas das matérias restantes, que não restarem prejudicadas. CRÉDITO DE IPI. COISA JULGADA. LIMITES OBJETIVOS. ISENÇÃO E SUSPENSÃO. Não é lícito a interpretação ampliativa do conteúdo da coisa julgada para fazêla alcançar a suspensão, tendo esta abrangido somente o crédito de IPI relativo aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de isenção, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. MULTA QUALIFICADA PELA REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. PRAZO. Somente o trânsito em julgado administrativo de decisão que aplica a multa de infração gera os efeitos de da regra de agravamento por reincidência específica. Caso o contribuinte tenha agido após os cinco anos de vigência da agravante, não faz ele jus à punição qualificada, mesmo que exista outro processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 47 28 /2 01 3- 15 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 administrativo em curso, ainda não definitivamente julgado, independente da instância administrativa em que esteja. Recurso Parcialmente Provido. Crédito Parcialmente Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para afastar o agravamento da multa para os créditos indevidos aproveitados entre 11/08/2009 e 31/12/2009. Antônio Carlos Atulim Presidente. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Aproveito neste voto o minucioso relatório feito pelo relator do processo na DRJ/Porto Alegre: O estabelecimento industrial acima qualificado, originalmente Cassel S/A Indústria de Bebidas, posteriormente Industrial Boituva de Alimentos S/A e, atualmente, Industrial Boituva de Bebidas S/A, doravante designado “Boituva”, foi autuado por Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, para exigência do IPI, no valor de R$ 5.657.380,13, acrescido de juros de mora e da multa de 150% do referido imposto, majorada por reincidência específica, totalizando R$ 16.373.059,24, na data do lançamento de ofício, conforme Auto de Infração das fls. 147 a 155. Os motivos da autuação se acham explicitados no Relatório da Ação Fiscal das fls. 156 a 165, a seguir resumido. De posse da documentação inicialmente solicitada, a fiscalização verificou que foram escrituradas no livro Registro de Entradas notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento, sob o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) 1.949, alusivo a “outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada”, fato em relação ao qual o estabelecimento apresentou a seguinte justificativa: “Estorno dos débitos fiscais extemporâneos produzidos pelo não uso nas épocas oportunas dos créditos fiscais demonstrados nas planilhas anexas com o fito de compensação (abatimento) com os débitos fiscais gerados Fl. 558DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.724728/201315 Acórdão n.º 3402003.006 S3C4T2 Fl. 3 3 no período de apuração atual consoante direito potestativo decorrente do art.153, parágrafo 3, II, da CF/88”. Intimado a dar maiores explicações, o estabelecimento se reportou ao Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, em que, segundo a autora do procedimento fiscal, foi reconhecido o direito ao aproveitamento de créditos do IPI nas aquisições de insumos isentos desse imposto, ou tributados à alíquota zero, ao passo que as aquisições em relação às quais foram aproveitados créditos por Boituva dizem respeito a produtos saídos dos estabelecimentos fornecedores com suspensão do IPI, que é uma técnica fiscal de postergação do pagamento do imposto para etapas subsequentes do processo produtivo, não se confundindo com o benefício fiscal da isenção, nem com a tributação à alíquota zero, suspensão que, sobretudo, não legitima qualquer crédito, dada a inexistência de cobrança do IPI na operação, seja do ponto de vista da legislação tributária, seja do ponto de vista do mandado de segurança invocado pelo estabelecimento. A propósito do referido mandado de segurança, a fiscalização refere a existência de decisão na Ação Rescisória nº 001260084.2012.404.0000/RS, favorável à União, permitindo o lançamento de ofício do IPI que não tenha sido recolhido pela utilização de créditos desse imposto, nas aquisições de insumos isentos desse imposto, ou tributados à alíquota zero, excluindo a imposição de multa. A fiscalização ressalta que o principal produto fabricado pelo estabelecimento é a aguardente de cana, que, em razão do princípio constitucional da seletividade do IPI, em função da essencialidade do produto, é normalmente tributado por esse imposto, nas saídas promovidas por Boituva, que é o contribuinte de direito, sendo o ônus correspondente suportado pelos respectivos clientes de Boituva, que são os contribuintes de fato. Ocorre, segue a fiscalização, que graças ao artifício de escrituração dos créditos fictos nas aquisições de insumos saídos dos estabelecimentos fornecedores com suspensão, Boituva não recolhe aos cofres públicos o valor do IPI lançado nas notas fiscais de saída e pago pelos seus clientes, eis que deduz, do montante dos débitos escriturados, os créditos considerados indevidos na presente auditoria. Assim, em primeiro lugar, foi constatado que o interessado utilizou, para dedução de débitos na escrita fiscal do IPI, de janeiro a dezembro de 2009, créditos fictos desse imposto, constantes de notas fiscais de entrada emitidas pelo próprio interessado, sem amparo na legislação e tampouco na decisão judicial invocada, conforme planilha na fl. 160, no valor total de R$ 5.505.380,13, relativos a entradas de álcool e de aguardente de cana, que saíram dos estabelecimentos remetentes com suspensão do IPI, tendo sido promovida a glosa desses créditos e o correspondente lançamento de ofício do IPI, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 150%, por reincidência específica. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Em segundo lugar, a autora do procedimento fiscal constatou que o interessado também utilizou na escrita fiscal do IPI crédito irregular, no valor de R$ 152.000,00, que corresponde ao IPI lançado indevidamente na Nota Fiscal nº 269, de aquisição de álcool neutro, do fornecedor Joma Indústria e Comércio de Bebidas Ltda., inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob no 09.526.482/000192. O mencionado produto deveria obrigatoriamente ter saído do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, circunstância que torna ilegítimo o crédito do imposto pelo adquirente, pois foi indevidamente lançado na nota fiscal de saída, levando à glosa do valor creditado na escrita fiscal e tornando devida, além do IPI correspondente, exigido neste processo, também a multa igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 7o da Lei no 9.493, de 10 de setembro de 1997, conforme discriminado na fl. 161, no valor de R$ 1.900.000,00, sendo esta última exigência objeto do processo 11065.724885/201321. Notese que a ação fiscal que deu origem ao presente processo 11065.724728/201315, referente ao período de janeiro a dezembro de 2009, também gerou o processo 11065.721263/201421, pela mesma infração, referente ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, além de ter gerado o citado processo 11065.724885/201321, sendo que os três estão sendo apreciados nesta sessão de julgamento. No tocante à glosa de créditos nas aquisições de produtos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, a fiscalização ressalta que a pessoa jurídica havia sido autuada anteriormente pela mesma infração, em especial, nos processos 11065.000887/200197, 11065.001289/200721 e 11065.000577/201063. Além desses processos, também houve autuação sob o mesmo fundamento no processo 11065.001149/00 88. Nesse último processo 11065.001149/0088, o estabelecimento foi autuado pela utilização indevida, no período de janeiro de 1998 a janeiro de 2000, do crédito ficto descrito no item precedente, sendo que a autuação foi objeto da Decisão DRJ/POA no 1.023, de 20 de agosto de 2001, confirmada em segunda instância pelo Acórdão no 20215.422, da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. O julgamento em primeira instância considerou que houve opção do interessado pela discussão na via judicial, no tocante ao aproveitamento de créditos de IPI em aquisições de insumos com suspensão do imposto, matéria essa objeto do Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, antes mencionado, razão pela qual a impugnação e o recurso não foram conhecidos, nessa parte, e o lançamento foi considerado definitivo na esfera administrativa. No outro processo mencionado, 11065.000887/200197, o estabelecimento foi autuado pela utilização indevida, no período de maio de 2000 a março de 2001, do mesmo crédito ficto nas aquisições de produtos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, sendo que a autuação foi alvo da Decisão DRJ/POA no 1.052, de 27 de agosto de 2001, confirmada em segunda instância pelo Acórdão no 20215.423, da Segunda Fl. 560DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.724728/201315 Acórdão n.º 3402003.006 S3C4T2 Fl. 4 5 Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes. O julgamento em primeira instância também considerou que houve opção do interessado pela discussão na via judicial, no tocante ao aproveitamento de créditos de IPI em aquisições de insumos com suspensão do imposto, matéria que, segundo antes mencionado, é objeto do Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, razão pela qual a impugnação e o recurso não foram conhecidos, nessa parte, e o lançamento foi considerado definitivo na esfera administrativa. Em relação aos dois processos citados nos dois itens precedentes (11065.001149/0088 e 11065.000887/200197), sobreveio sentença em outro mandado de segurança, dessa feita de nº 502425496.2012.404.7108/RS, impetrado pelo interessado neste processo. A referida sentença considerou que a matéria objeto do lançamento discutido administrativamente não é a mesma da ação judicial que beneficiou o contribuinte, determinando a apreciação das impugnações interpostas nos processos 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, na parte em que não haviam sido conhecidas sob o argumento de opção pela via judicial. O magistrado, na sentença, discorreu com propriedade sobre as diferenças entre os institutos da isenção e da suspensão do IPI. O novo julgamento determinado pelo juízo aconteceu, respectivamente, pelos Acórdãos nº 1046.707 e nº 1046.708, ambos de 30 de setembro de 2013, desta Terceira Turma, que consideraram improcedentes as impugnações apresentadas nos referidos processos, mantendo o crédito tributário exigido em relação às glosas de créditos nas aquisições de insumos saídos com suspensão do IPI do estabelecimento fornecedor. Os dois acórdãos citados transitaram em julgado, sem interposição de recurso voluntário, e os débitos correspondentes foram encaminhados pela unidade de jurisdição do sujeito passivo, para inscrição em dívida ativa. Posteriormente, o interessado voltou a ser autuado pelas mesmas glosas de créditos nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, nessa oportunidade, no processo 11065.001289/2007 21, mencionado no início deste relatório, processo que focalizou o período que vai de 2003 a 2006, inclusive com majoração da multa de ofício, de 75% para 150%, por reincidência específica. Nesse último caso, o julgamento guardou conformidade com os julgamentos das autuações anteriores, conforme Acórdão no 1015.059, de 24 de janeiro de 2008, desta Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), mantendose a autuação, sem que se tomasse conhecimento da impugnação no tocante à glosa de créditos nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do IPI, dada a opção pela via judicial, nessa matéria. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Ainda quanto a esse processo 11065.001289/200721, cumpre relatar que houve interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual foi apreciado conforme Acórdão nº 3403 000.947, de 2 de junho de 2011, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, segundo consta nas fls. 1248 a 1260 do citado processo, acórdão que deu provimento parcial ao recurso voluntário em comento, exclusivamente para descaracterizar a majoração da multa, por reincidência específica, no tocante a alguns dos períodos de apuração. O voto condutor do aresto considerou o trânsito em julgado em 10 de agosto de 2004, em relação aos Acórdãos 202 15.422 e 20215.423 proferidos nos processos 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, respectivamente, data a partir da qual o Acórdão nº 3403 000.947 manteve a reincidência específica. Importante observar que o sujeito passivo interpôs, em duas oportunidades, embargos de declaração contra o citado Acórdão nº 3403000.947, tendo sido ambos rejeitados, em caráter definitivo, sob o fundamento de que o recorrente pretendia rediscutir as questões postas em recurso voluntário e devidamente julgadas no acórdão questionado, conforme consta nas fls. 1339 e 1510 do processo 11065.001289/200721. Nesse mesmo processo, ainda houve a interposição de recurso especial pelo interessado, contra os despachos de rejeição dos embargos declaratórios, sem abordar a questão de fundo do antes mencionado Acórdão nº 3403000.947, recurso especial que não foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf, conforme consta nas fls. 1560 e 1561 do processo 11065.001289/200721, por considerar incabível recurso especial contra despacho monocrático de rejeição de embargos. O despacho que não admitiu o recurso especial foi confirmado por despacho do Presidente do Carf, na fl. 1652 do processo 11065.001289/200721. Nesse mesmo processo, recentemente, foi apresentado o requerimento das fls. 1658 a 1660, pelo qual o sujeito passivo postula a exclusão da multa, invocando decisão proferida na Ação Rescisória nº 0012600 84.2012.404.0000/RS, proposta pela União contra o antes mencionado Mandado de Segurança nº 1999.71.08.009927 0/RS, que havia reconhecido, ao interessado, o direito de se creditar do IPI relativo aos insumos e matériasprimas imunes, isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. O despacho mais recente no processo 11065.001289/2007 21 é de encaminhamento para ciência do interessado sobre o fato de não ter sido admitido o recurso especial por ele apresentado. Recentemente, em outro processo administrativo, dessa feita protocolizado sob nº 11065.000577/201063, sobreveio nova autuação contra o interessado, também alusiva à glosa de créditos nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento Fl. 562DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.724728/201315 Acórdão n.º 3402003.006 S3C4T2 Fl. 5 7 fornecedor com suspensão do IPI, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, autuação que foi objeto de impugnação e julgamento por esta Terceira Turma, conforme Acórdão nº 10 31.179, de 29 de abril de 2011, mantendose o lançamento de ofício, sem que se tomasse conhecimento da impugnação no tocante à referida glosa relacionada à suspensão, tendo em vista que Boituva optou por discutir esse assunto na via judicial. O referido Acórdão nº 1031.179 foi alvo de recurso voluntário, que aguarda apreciação pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Carf. Retornando ao presente processo, cumpre dizer que as infrações foram enquadradas nos dispositivos mencionados nas fls. 149 e 150. Quanto à exigência de multa e juros, o enquadramento achase especificado na fl. 153. Cientificado da autuação ora em exame em 9 de dezembro de 2013, segundo consta na fl. 147, o contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, em 8 de janeiro de 2014, por meio do arrazoado das fls. 368 a 399, firmado por advogado credenciado pelos documentos das fls. 400 a 411 e instruído pelos documentos das fls. 412 a 466, alegando novamente ser beneficiário do direito de crédito do IPI nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão do referido imposto, com menção e transcrição de excertos doutrinários e jurisprudenciais, reiterando a argumentação apresentada nas impugnações opostas aos diversos lançamentos anteriores, e dizendo, em resumo, o que segue. O impugnante sustenta que, ao lhe ser reconhecido em juízo o direito de aproveitar créditos do IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, fica implícito o direito de crédito do mesmo imposto nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão, dado que, do ponto de vista da defesa, suspensão é espécie do gênero isenção. Segue dizendo que reforça esse entendimento o fato de que suspensão e isenção têm os mesmos efeitos jurídicos e econômicos. Aduz que, na hipótese de suspensão, o IPI incide e, se incide, há necessariamente crédito. Deixar de reconhecer esse direito implica, segundo o impugnante, desobediência à decisão judicial. Segue afirmando que a Ação Rescisória nº 0012600 84.2012.404.0000/RS não tem o efeito de impedir o aproveitamento dos créditos em questão com efeitos retroativos, porquanto, ao tempo da apropriação dos créditos em litígio, vigorava decisão do STF e do TRF da 4ª Região que reconheciam ao impugnante o direito discutido. Para sustentar o exame, neste processo, do litígio sobre o alegado crédito do IPI referente aos insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão, invoca a decisão proferida no Mandado de Segurança nº 5024254 96.2012.404.7108, que anulou decisões de não conhecimento dessa matéria baseadas na opção pela via judicial, proferidas Fl. 563DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 nos processos administrativos 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, obrigando o conhecimento da impugnação no tocante à referida glosa de créditos. Afirma que a exigência de multa é descabida, à luz do que ficou decidido pelo TRF da 4ª Região na Ação Rescisória nº 0012600 84.2012.400.0000. Além disso, a defesa alega que a multa aplicada no percentual de 150% do valor do tributo exigido é manifestamente inconstitucional, por ser confiscatória. Encerra, pedindo a improcedência da autuação. É o relatório. O acórdão da DRJ decidiu nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da Terceira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, (a) não tomar conhecimento da impugnação das fls. 368 a 399, no tocante ao mérito da glosa de créditos do IPI, relativos a entradas de insumos que saíram dos estabelecimentos fornecedores com suspensão desse imposto, dada a opção pela via judicial, quanto a essa matéria, declarando definitiva, na esfera administrativa, a glosa e a correspondente exigência do IPI, no valor total de R$ 5.505.380,13, conforme planilha na fl. 160, acrescido de juros de mora, (b) não tomar conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa de ofício proporcional ao IPI, (c) considerar definitiva a exigência não contestada do IPI, no valor de R$ 152.000,00, acrescida de juros de mora e da multa de ofício lançada, referente à glosa de crédito irregular desse imposto, que foi indevidamente lançado, pelo fornecedor, na correspondente nota fiscal de saída de produto sujeito à suspensão obrigatória do IPI, e (d) no mérito, na parte litigiosa, julgar improcedente a impugnação das fls. 368 a 399, para manter a exigência da multa de ofício no percentual de 150%, por reincidência específica, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.724728/201315 Acórdão n.º 3402003.006 S3C4T2 Fl. 6 9 Verificase de pronto que a lida versa apenas sobre a tomada indevida de créditos de entradas de insumos sujeitos a suspensão do IPI. Não houve glosa ao creditamento de insumos isentos, imunes ou com alíquota zero: (...) as aquisições em relação às quais foram aproveitados créditos por Boituva dizem respeito a produtos saídos dos estabelecimentos fornecedores com suspensão do IPI (...) 1. Da matéria não impugnada O contribuinte alega que impugnou genericamente a multa do art.7º da Lei 9.493/1997. Como bem apontado pela DRJ, não existe contestação expressa, porquanto o impugnante sustenta em suas razões exclusivamente o direito de crédito do IPI nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão desse imposto, sendo que, nessa segunda infração, o que ocorreu foi saída com tributação indevida, em detrimento da suspensão obrigatória. Tal circunstância implica, em face do disposto no art. 58 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, a seguir transcrito, a definitividade da correspondente parcela de R$ 152.000,00: “Art. 58. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67).” Improcede, pois, a preliminar do Recorrente. 2. Da opção pela via judicial A respeito desse tema, há exemplar voto do Conselheiro Antônio Carlos Atulim, Presidente deste Colegiado, que tratou de questão idêntica no Acórdão 3403000.947, relativa ao mesmo contribuinte, com diferenças apenas nos períodos de apuração, mas versando sobre os mesmos processos judiciais e seus efeitos. O colegiado a quo fundamentou o não conhecimento da questão do direito ao crédito ficto das entradas com suspensão de IPI, vez que a matéria estava sujeita à análise no Judiciário, no Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que revogou o ADN nº3/96: “CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação.”(destacado na transcrição) Pela integral adequação ao caso sub judice, repiso as razões do voto do Cons. Atulim: Analisandose a fundamentação e o pedido da inicial do mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270 (fls. 18/97) verificase que realmente a questão do direito ao crédito de IPI pelas entradas de insumos desoneradas do imposto foi submetida ao crivo do Poder Judiciário antes da autuação. A Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, assim estabelece: “SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” Portanto, não é nula e nem merece reparo a decisão recorrida, posto que decidiu a questão no mesmo sentido da súmula de jurisprudência do Conselho de Contribuintes. A esta conclusão, no mencionado voto, seguiu um longo arrazoado demonstrando a constitucionalidade da mandatória renúncia às vias administrativas pela adoção da via judicial, com fundamento no Recurso Especial nº 24.0406/RJ. Dessa forma, há que se reconhecer a concomitância da discussão judicial e administrativa, com aplicação da Súmula CARF nº1 e não conhecimento do pleito reiterado. 2. Do Direito ao crédito reconhecido no Mandado de Segurança O Recorrente alega que o MS abrange os insumos que entraram com suspensão do IPI, mas não é o que se verifica da leitura dos acórdãos, cujas ementas são claríssimas. A Apelação em Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270/RS foi assim ementada: Fl. 566DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.724728/201315 Acórdão n.º 3402003.006 S3C4T2 Fl. 7 11 “TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITO PRESUMIDO. 1. O princípio constitucional da nãocumulatividade tem como finalidade essencial a proteção do consumidor final, evitando que este venha a suportar carga tributária excessiva, decorrente da incidência cumulativa de IPI, nas operações que envolvem o processo de industrialização. 2. O contribuinte tem direito de creditarse do IPI relativo aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de isenção, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, a fim de que o benefício possa ser efetivamente refletido no preço final do produto oferecido ao consumo. 3. Sobre os créditos apurados incide correção monetária, a fim de conservarlhes o poder aquisitivo da moeda.”(grifos nossos) Embora o impetrante tenha revelado a pretensão de se utilizar de supostos créditos nas entradas de insumos remetidos ao seu estabelecimento, com suspensão do IPI, o acórdão do TRF da 4a Região não reconheceu esse direito específico – que tampouco existe na legislação – limitandose a autorizar créditos do IPI, em outras hipóteses, créditos que denominou de “presumidos”. O mesmo se deu no STF, no julgamento do Terceiro Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 370.562, em que foram agravantes União e Industrial Boituva de Alimentos S/A, com trânsito em julgado em 16 de fevereiro de 2012: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO – AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS SOB REGIME DE ISENÇÃO, DE NÃO TRIBUTAÇÃO OU DE ALÍQUOTA ZERO – RECONHECIMENTO, PELO TRIBUNAL RECORRIDO, DO DIREITO DA EMPRESA CONTRIBUINTE AO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO DE IPI REFERENTE A TODAS ESSAS HIPÓTESES EXONERATIVAS, COM ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS RESPECTIVOS CRÉDITOS – APELO EXTREMO DEDUZIDO PELA UNIÃO FEDERAL QUE NÃO SE INSURGIU CONTRA O ACÓRDÃO NO PONTO EM QUE ESTE RECONHECEU O DIREITO DE CREDITAMENTO QUANTO AOS PRODUTOS ISENTOS – CONSEQÜENTE DEVOLUTIVIDADE PARCIAL DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO – TRÂNSITO EM JULGADO DO ACÓRDÃO NO PONTO QUE NÃO CONSTITUIU OBJETO DE IMPUGNAÇÃO RECURSAL –IMPOSSIBILIDADE JURÍDICOPROCESSUAL DE JULGAMENTO “EXTRA PETITA” – NECESSÁRIA OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DISPOSITIVO –IMPOSSIBILIDADE DE EXAME, EM SEDE RECURSAL EXTRAORDINÁRIA, DA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA SOBRE O CRÉDITO RESULTANTE DO INGRESSO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS SOB REGIME DE ISENÇÃO – CONTENCIOSO DE MERA LEGALIDADE –PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – RECURSO DE AGRAVO DA UNIÃO FEDERAL Fl. 567DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 IMPROVIDO – AGRAVO DA EMPRESA CONTRIBUINTE PROVIDO, EM PARTE.” (destaques no original) Melhor sorte não assiste ao Recorrente no julgamento da Ação Rescisória nº 001260084.2012.404.0000/RS: “EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU REDUZIDOS À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 63, DO TRF4. 1. A teor da súmula 63 desta Corte, ‘não é aplicável a Súmula 343 do STF nas ações rescisória versando matéria constitucional’. 2. De acordo com a inteligência do art. 153, § 3º, inc. II, da Constituição Federal, somente os valores efetivamente recolhidos na operação anterior é que podem gerar créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, por ocasião da saída do produto final do estabelecimento industrial. 3. Assim, por não haver ‘cobrança’ do imposto na operação de entrada, relativamente à aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, é vedada a aquisição de crédito presumido relativamente a tais operações. Precedentes da Primeira Seção deste Tribunal Regional. 4. Precedentes desta Corte e do STF (REXT 353.657/PR).” “ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por maioria, em juízo rescindendo, julgou parcialmente procedente a ação rescisória para desconstituir o acórdão proferido no mandado de segurança que foi referido e, em juízo rescisório, deu provimento parcial à apelação da empresa autora, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 05 de dezembro de 2013.” Ainda que pendentes Embargos Infringentes da Recorrente nesta Ação Rescisória, não há qualquer fundamento para que o presente processo administrativo não possa ser julgado de pronto. E mais, alega insistentemente a Recorrente que SUSPENSÃO e ISENÇÃO seriam figura idênticas, intercambiáveis. Tal argumento certamente não deve prosperar, haja vista se tratarem de institutos há muito consolidados na prática tributária brasileira, com distinção tanto no âmbito legal quanto jurisprudencial. A jurisprudência desse Conselho é firme em reconhecer a distinção entre as duas figuras. Dessa forma, não procede o pleito do Recorrente, restando definitiva a exigência sob discussão. 3. Da majoração da multa por reincidência específica Fl. 568DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.724728/201315 Acórdão n.º 3402003.006 S3C4T2 Fl. 8 13 Sobre este tema, trago o voto exarado na DRJ para após demonstrar as razões de minha divergência: No tocante à impugnação do percentual, em si, da multa de ofício, que foi majorada em 100%, pela circunstância agravante de reincidência específica, resultando em multa de 150% sobre o IPI não recolhido, abordada no art. 479 do RIPI, de 2002 (art. 560 do RIPI de 2010), a seguir transcrito, cabe dizer que essa figura restou caracterizada, conforme será demonstrado na seqüência, justificando a aplicação da multa majorada: “Art. 479. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132, e parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 70).” Antes da exposição do ponto de vista deste relator, é preciso trazer a baila entendimento divergente sobre essa matéria, exarado no Acórdão nº 3403000.947, que julgou recurso voluntário interposto por Boituva no processo 11065.001289/200721. No voto condutor do referido acórdão, o eminente relator admitiu a reincidência específica exclusivamente no período de cinco anos, contado de 10 de agosto de 2004, data do trânsito em julgado relativo à prática da mesma infração, apurada anteriormente nos processos 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197. Eis a reprodução do trecho correspondente do voto condutor do referido aresto (fls. 1258 a 1260 do processo 11065.001289/200721): “.................... Nos processos nº 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, tornaramse definitivas, na via administrativa, as exigências do IPI fundadas nas glosas de supostos créditos pelas entradas de insumos remetidos ao estabelecimento do interessado com suspensão do imposto, mesma infração que gerou este processo. Os documentos que vieram com a diligência demonstraram que o contribuinte foi notificado por edital dos Acórdãos n2 20215.422 e 20215.423 proferidos naqueles processos. Na fl. 1152, consta que o Edital nº 27/04/Sacat foi fixado no painel do saguão da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo no dia 08/07/2004, dando publicidade ao Acórdão nº 20215.422. Na fl. 1199, consta que o Edital nº 26/04/Sacat foi fixado no painel do saguão da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo no dia 08/07/2004, dando publicidade ao Acórdão n2 20215.423. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 O art. 23, inciso III, § l 2 e § 22 , inciso III, do Decreto n 2 70.235, de 06 de março de 1972, na redação que lhe foi dada pelo artigo 67, da Lei n 2 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecia o seguinte: ‘Art. 23 Farseá a intimação: I e II – omissis III Por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1º O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2º Considerase feita a intimação: (...) III Quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado;’ Segundo esta regra, considerase que o contribuinte foi cientificado dos Acórdãos acima citados no 16º dia, contado da fixação do edital, ou seja, a ciência ocorreu no dia 24/07/2004, sábado. O prazo de 5 dias para a interposição de embargos de declaração e o prazo de 15 dias para interposição do recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais começaram a fluir na segundafeira, dia 26 de julho de 2004. O prazo para embargos de declaração transcorreu in albis e terminou no dia 30 de julho de 2004, sextafeira. O prazo para o recurso de divergência também transcorreu in albis e terminou no dia 09 de agosto de 2004, segundafeira. Portanto, segundo a regra do art. 42, II, do Decreto nº 70.235/72, os dois Acórdãos tornaramse definitivos na via administrativa no dia 10 de agosto de 2004, terçafeira. Tendo em vista que segundo a regra do art. 479 do RIPI/2002 (art. 70 da Lei nº 4.502/64), a reincidência específica somente se constitui do ponto de vista jurídico a partir da data em que passar em julgado a decisão condenatória referente à infração anterior, o agravamento da multa só pode ser mantido para fatos geradores ocorridos a partir de 10 de agosto de 2004 e até 10 de agosto de 2009. A cópia do Livro de Registro e Apuração do IPI (fls. 223 a 519) comprova que os créditos pelas entradas com suspensão foram apropriados durante os anos de 2003 a 2006. Portanto, segundo a regra do art. 42, II, do Decreto nº 70.235/72, os dois Acórdãos tornaramse definitivos na via administrativa no dia 10 de agosto de 2004, terçafeira. Tendo em vista que segundo a regra do art. 479 do RIPI/2002 (art. 70 da Lei n2 4.502/64), a reincidência específica somente se constitui do ponto de vista jurídico a partir da data em que passar em julgado a decisão condenatória referente à infração anterior, o agravamento da multa só pode ser mantido para fatos Fl. 570DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.724728/201315 Acórdão n.º 3402003.006 S3C4T2 Fl. 9 15 geradores ocorridos a partir de 10 de agosto de 2004 e até 10 de agosto de 2009. ....................” Da mesma forma que se analisou a literalidade da decisão exaradas nos autos do MS comentado anteriormente, não se pode fugir do conteúdo literal do art.479 do RIPI 2002, que exige o trânsito em julgado administrativo, com o encerramento da discussão de forma definitiva nesta instância. Compulsando o Processo 11065.001289/200721, verificase que o mesmo não foi definitivamente julgado, o que impede a sua aplicação para abranger todos os fatos ocorridos no ano de 2009, contados os 5 anos na data de 07/04/2008, data da intimação do Recorrente do Acórdão nº1015.059, exarado no bojo do processo citado. Desse modo, preciso o entendimento exarado pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim no Acórdão mencionado pela DRJ, de que o agravante da reincidência específica só poderia ser mantido para os fatos geradores entre 10/08/2004 até 10/08/2009. Em razão disso, do PROCEDÊNCIA PARCIAL ao Recurso Voluntário para afastar o agravamento para os créditos indevidos aproveitados entre 11/08/2009 e 31/12/2009. É como voto. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 571DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 04/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907339/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Walker Araújo, Relator, que negava provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
RELATÓRIO
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10850.907339/2009-28
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595937
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-000.522
nome_arquivo_s : Decisao_10850907339200928.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10850907339200928_5595937.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Walker Araújo, Relator, que negava provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6402334
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423743094784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907339/200928 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.522 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de maio de 2016 Assunto Solicitação de diligência Recorrente RODOBENS PRESTADORA DE SERVIÇOS E INTERMEDIAÇÃO DE VENDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Walker Araújo, Relator, que negava provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. RELATÓRIO Tratase de Declaração de Compensação DComp nº 20562.62547.170708.1.3.041930, visando a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Cofins do mês de maio de 2008, com débitos de PIS e da Cofins do mês de junho de 2008, nos valores de R$ 1.139,94 e R$ 22.051,15, respectivamente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 33 9/ 20 09 -2 8 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Ass inado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10850.907339/200928 Resolução nº 3302000.522 S3C3T2 Fl. 3 2 A unidade da Receita Federal de São José do Rio Preto, por meio de despacho decisório (eletrônico) de fls.32, não homologou a compensação declarada, com base nos seguintes fundamentos: "A partir das características discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada" Em sede de manifestação de inconformidade (fls.0102) a contribuinte alegou (i) preliminarmente: No preenchimento da DCTF do 1º semestre de 2008, o valor informado no campo "Informações do Débito" foi informado com base no DARF que havia sido pago, porém o valor é indevido; e (ii) no mérito: Apesar do preenchimento incorreto DCTF 1º Semestre de 2008, segue anexo a mesma retificada, e diante do exposto acima e com base nos documentos anexados, comprovamos a origem da apuração do crédito e discordamos do despacho decisório em questão. Para comprovar suas alegações, apresentou cópia (i) do despacho de decisório; e (ii) da DCTF retificadora apresentada em 06.11.2009, relativa ao 1º Semestre/2008 (fls.3457), sendo que o comprovante de pagamento do DARF no valor de R$ 16.357,87, mencionado pela Recorrente não fora juntado aos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls.6062), proferida pela 14ª Turma da DRJ/RPO que, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes fundamentos: (i) Embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. (ii) O exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. (iii) a interessada não contesta os fundamentos da decisão administrativa, ou seja, não busca demonstrar os fundamentos legais ou factuais da existência do crédito com o qual pretendeu a extinção do débito tributário por meio de compensação. Simplesmente alega erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais sem trazer qualquer justificativa ou prova a respeito. Com efeito, não foi apresentado qualquer documento que evidencie o erro de apuração original e, portanto, confira consistência à retificação formalizada. (iv) a simples retificação de declarações, no caso da DCTF, não é suficiente para fazer nascer direito creditório passível de oposição à Fazenda Pública. Sem que se justifique e se comprove os fundamentos do direito de crédito, acatar o argumento da interessada seria admitir que sua simples vontade, materializada numa declaração retificadora, fosse suficiente para criar créditos em seu favor, o que contraria todo o arcabouço legal tributário. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Ass inado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10850.907339/200928 Resolução nº 3302000.522 S3C3T2 Fl. 4 3 (v) Ainda sobre a retificadora, sua apresentação aconteceu após a ciência do despacho decisório, pelo que é incapaz de comprometer seus fundamentos. Intimada da decisão de piso em 07.11.2013, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.12.2013, instruído com novos documentos (DACON; Balancete Analítico; DCTF retificadora apresentada em 20/07/2010; DARF no valor de R$ 60.645,56; DARF´s relacionadas aos processos 10850.908.422/200914 e 10850.908155/200985) e, alegando em síntese: (i) que, por um erro material escusável no preenchimento da DCTF Semestral 1º Semestre de 2008 a recorrente lançou incorretamente como valor devido a título de COFINS referente à Maio de 2008 o valor de R$ 60.645,56, quando na verdade deveria informar o valor de R$ 37.684,08, valor correto devido a titulo de COFINS referente a Maio de 2008; (ii) que a DACON Semestral, na competência Maio de 2008 fora preenchida incorretamente na ficha 18A Cálculo da COFINS, como se nota da cópia da DACON referida, a qual segue em anexo (doc. 02), na linha 01 Receita de Vendas de Bens e Serviços Alíquota Cumulativa consta como Receita o valor de R$ 723.152,59, quando na verdade deveria constar o valor de R$ 1.256.136,05, valor este que deveria ser utilizado como Base de Cálculo da COFINS; (iii) que, tendo sido informado valor incorreto de Receita, o valor a ser recolhido a título de COFINS foi calculado incorretamente como R$ 21.694,58, quando na verdade o valor devido a título de COFINS referente ao período 05/2008 é de R$ 37.684,08. Tal valor de Receita pode ser confirmado a partir da análise do Balancete Contábil da recorrente referente ao mês de maio de 2008, cuja cópia segue em anexo (doe. 03); (iv) que, como visto, a recorrente, por conta de sucessivos erros, preencheu incorretamente as declarações que comprovam o valor devido a esse título no período de maio de 2008 (DACON e DCTF), tanto que a DCTF do 1º Semestre de 2008 (doc.04), ainda pende de retificação, eis que permanece incorreta, não havendo sido declarado nenhum valor devido a título de COFINS referente a maio de 2008; e (v) por fim, invoca o princípio da verdade material, colacionando precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 16.10.2014, por meio da Resolução nº 3801000.850, o julgamento do processo foi convertido em diligência para que a Recorrente fosse intimada a regularizar sua representação processual. Em atendimento a citada diligência, a Recorrente procedeu a regularização de sua representação através dos documentos juntados às fls.158170. Ato contínuo, foi determinado o retorno dos autos a este Conselho. É o relatório. VOTO VENCEDOR Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir. Conforme relatado, a recorrente entregou a DCOMP 20562.62547.170708.1.3.041930, em 17/07/2008, compensando crédito indevido da Cofins do mês de maio de 2008, com débitos de PIS e da Cofins do mês de junho de 2008. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Ass inado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10850.907339/200928 Resolução nº 3302000.522 S3C3T2 Fl. 5 4 Tal compensação não foi homologada em razão de a recorrente ter utilizado referido pagamento para quitação de outros débitos. Neste ponto, ressaltase que não há reparos a se fazer nem no despacho decisório, nem na decisão de primeira instância, a qual, corretamente, negou provimento à manifestação de inconformidade, por falta de provas, uma vez que a mera retificação da DCTF, após a emissão do despacho decisório, não tem o condão de invalidálo, nem faz prova inequívoca da alegação. Porém, em sede de recurso voluntário, a recorrente apresentou novos documentos como DACON; Balancete Analítico; DCTF retificadora apresentada em 20/07/2010; DARF no valor de R$ 60.645,56; DARF´s relacionadas aos processos 10850.908.422/200914 e 10850.908155/200985. Verificase no Dacon apresentado que a recorrente efetuou a apuração de PIS/Pasep e Cofins pelo regime cumulativo, ou seja, incidência apenas sobre receitas. A única linha preenchida foi a de receita de vendas e prestação de serviços. Por sua vez, o balancete de maio/2008 indica a conta de 3.1.04.02 RECEITAS C/ PRESTAÇÃO DE SERVI o valor de creditado de R$ 1.256.136,05 e mais nenhuma outro valor de receita, o que tornaria correta a apuração de Cofins no valor de R$ 37.684,08. No mesmo recurso, a recorrente confessou ter utilizado o mesmo crédito em duas outras DCOMPs nº 28774.72091.170309.1.3.040738, processo 10850.907718/200918, 12993.14520.250209.1.304.6676, processo 10850.907340/200952, mas que extinguiu tais compensações com recolhimentos em DARF, anexandoos ao recurso. Observase que estas duas compensações ocorreram em 17/03/2009 e 25/02/2009, em datas posteriores ao envio da DCOMP aqui tratada. Antes de mais nada, frise se que a postura da recorrente em entregar várias Dcomps com o mesmo crédito é sem dúvida reprovável e poderia, inclusive, ser perquirida a ocorrência de fraude e aplicação da multa isolada do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003. Mas este juízo quanto a uma possível conduta fraudulenta deveria ser exercido naquelas duas compensações posteriores. Em consulta a ambos processos, destacamse os despachos abaixo transcritos, dos quais inferese que, de fato, tais compensações foram quitadas pela recorrente nos processos de cobranças respectivos: Processo nº 10850.907718/200918: Sr. Chefe, o processo de cobrança 10850.908.422/200914 encontrase encerrado. Isto Posto, proponho arquivamento do processo de crédito 10850.907.718/200918, pelo prazo de 25 (vinte e cinco) anos. Processo nº 10850.907340/200952: Sr. Chefe, o processo de cobrança 10850.908.155/200985 encontrase encerrado. Isto Posto, proponho o arquivamento do processo de crédito 10850.907.340/200952, pelo prazo de 25 (vinte e cinco) anos. De outro giro, o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 estabeleceu procedimentos para a admissão de retificação de DCTF após a emissão de despacho decisório. Transcrevese parte da ementa e excertos, para melhor esclarecimento da matéria: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Ass inado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10850.907339/200928 Resolução nº 3302000.522 S3C3T2 Fl. 6 5 DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP.A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Ass inado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10850.907339/200928 Resolução nº 3302000.522 S3C3T2 Fl. 7 6 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 No item 18.1, o parecer dispôs que: 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. (grifos não originais). Em conclusão, assim dispôs o parecer: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) [...]b)[...] c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Assim, entendo que as provas e alegações apresentadas pela recorrente indicam a existência do indébito tributário. Entretanto, por medida de cautela, e atendendo à orientação do PN Cosit nº 2/2015, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Ass inado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 10850.907339/200928 Resolução nº 3302000.522 S3C3T2 Fl. 8 7 autoridade administrativa certifique, nos termos do item 18.1 do parecer, a existência do indébito, a partir dos documentos constantes nos autos ou de outros que julgar necessário, bem como se houve utilização do crédito em outras compensações, além das já mencionadas no relatório do voto condutor, ou ainda outras questões, conforme item 18.4 e seguintes do parecer referido. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em diligência, conforme o delineado no parágrafo anterior, cujo relatório fiscal conclusivo deve ser cientificado à recorrente, facultandolhe o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/05 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Ass inado digitalmente em 30/05/2016 por WALKER ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000094/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/11/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.734
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2004 a 30/11/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12689.000094/2009-51
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5592021
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.734
nome_arquivo_s : Decisao_12689000094200951.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 12689000094200951_5592021.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6386768
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423747289088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 195 1 194 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12689.000094/200951 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.734 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/11/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 00 94 /2 00 9- 51 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 196 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.321. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 197 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 198 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 199 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 200 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 201 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 202 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 203 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 204 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 205 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12689.000094/200951 Acórdão n.º 9303003.734 CSRF‐T3 Fl. 206 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723472/2014-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso.....
Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso..... Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19985.723472/2014-30
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5598839
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Jun 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.395
nome_arquivo_s : Decisao_19985723472201430.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 19985723472201430_5598839.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
dt_sessao_tdt : Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6410288
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423767212032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 54 1 53 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.723472/201430 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.395 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso....”. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 34 72 /2 01 4- 30 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723472/201430 Acórdão n.º 2202003.395 S2C2T2 Fl. 55 2 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento de folhas 04 e seguintes, onde lhe é exigido crédito tributário relativo ao imposto de renda das pessoas físicas, do exercício de 2012, ano calendário de 2011, no importe de R$ 13.502,16, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados pela taxa Selic. Observo da descrição dos fatos e enquadramento legal que foram constatadas 3 infrações: a) dedução indevida de pensão alimentícia judicial, glosa do valor de R$ 14.630,39; b) dedução indevida com despesas com instrução, glosa do valor de R$ 2.958,23, e c) dedução indevida de despesas médicas, glosa do valor de R$ 31.510,13. Nas três infrações, consignou a Autoridade Fiscal que o contribuinte não comprovou regularmente, o direito às deduções pleiteadas. Acrescentou que “quanto à solicitação para que os rendimentos sejam considerados isentos face a moléstia grave, o Contribuinte apresentou Laudo Médico Pericial emitido pela Clínica São Francisco. Os laudos periciais expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal e, portanto, não podem ser aceitos.” Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, na fl. 02, onde não se manifesta quanto às glosas, dizendo apenas que os rendimentos são isentos por corresponderem à aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por portador de moléstia grave. Ao analisar a impugnação, a 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA referiuse apenas aos termos da impugnação sem observar a Notificação de Lançamento , considerandoa improcedente, sob o motivo seguinte: O laudo apresentado pelo impugnante (fls. 10) contém carimbo ilegível do órgão que o teria emitido. O interessado afirma que se trata de serviço da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Matinhos. Ainda que se confirmasse este fato, o documento não contém qualquer indicação de que o profissional que o assina estivesse autorizado a representar oficialmente o órgão na emissão Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723472/201430 Acórdão n.º 2202003.395 S2C2T2 Fl. 56 3 de laudos periciais. Não há também elementos que indiquem que o documento tenha sido formalmente solicitado e oficialmente emitido, pois não contém referências a número de protocolo, registro ou arquivamento no órgão. Ademais, a data de início da isenção é a data do laudo pericial, ou a data de diagnóstico da doença, quando estabelecida no laudo, como determina expressamente o §5º art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): (...) Neste caso, como o laudo foi emitido em 13/10/2014 e não estabelece data diversa do diagnóstico, não resta comprovada a presença da moléstia em 2011. Por estes motivos, voto pela improcedência da impugnação.(grifei) Cientificado dessa decisão em 09/02/2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/02/2015. Em sede de recurso, repisa a questão da isenção por ser portador de moléstia grave e apresenta novo laudo a fim de “sanar as pendências que aconteceram”. O novo laudo está na folha 49. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, identifico uma questão de cunho processual a ser resolvida. Como descrito no relatório, a Notificação de Lançamento, que enseja a pretensão do Fisco, nestes autos, não efetuou reclassificação de rendimentos declarados como isentos ou lançamento de rendimentos omitidos, referiuse a glosa de deduções (instrução, médicos e pensão alimentícia) motivandoas na falta de comprovação adequada. A Notificação originouse da revisão da declaração de número 09/32.938.956, entregue em 23/04/2012, conforme consta de sua primeira folha. Em tal declaração, cuja cópia está nas folhas 17/18 e seguintes, o contribuinte declarou três fontes de renda, como “tributáveis”, que não foram alteradas pela Autoridade Fiscal, em sua revisão. Consta destes autos uma cópia de declaração “retificadora”, nas folhas 11 e seguintes, sem identificação de que haja sido regularmente transmitida ao Fisco, e não poderia mesmo sêlo, haja vista que se a declaração original estava em procedimento fiscal de revisão o contribuinte perde a espontaneidade de retificar, a seu talante, a declaração originalmente entregue, onde verifico que das três fontes acima citadas resta apenas uma (Prefeitura Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723472/201430 Acórdão n.º 2202003.395 S2C2T2 Fl. 57 4 Municipal de Matinhos/PR), passando as outras duas à lista de “rendimentos isentos e não tributáveis”. A alegação da impugnação é que esses rendimentos, provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, seriam isentos por ser o contribuinte portador de moléstia grave definida em lei. A DRJ, ao julgar a manifestação, atevese a tratar dos requisitos para a isenção de imposto sobre tais rendimentos, percebidos pelos portadores de moléstia grave. Entendo que equivocouse o Julgador de 1ª instância. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação. A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada. (grifei) (NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Bem, qual foi o objeto da Notificação de Lançamento, que deu origem a este processo e que enfim consubstancia a "pretensão do Fisco"? A glosa de deduções com despesas médicas, instrução e pensão alimentícia. O que quer o contribuinte, que não questiona as glosas perpetradas? Retificar sua declaração de rendimentos, para que parte deles seja reconhecida como isenta. No recurso ao CARF, recorrese daquilo que foi disposto pelo Julgador de 1ª instância, em relação ao lançamento tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento. Se o contribuinte não contesta a glosa das despesas, não há controvérsia a ser resolvida aqui. O que diz o recurso é que parte dos rendimentos, que foram declarados como tributáveis, seriam isentos por enquadramento no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988. Não se pode transformar a lide tributária a ser julgada pelos órgãos administrativos competentes, em 1ª instância e grau recursal, em pedido de revisão de ofício para que seja retificada uma declaração que teria sido apresentada com erro pelo contribuinte, como o próprio assinala e pretende em seu recurso. Ressalvadas algumas matérias de ordem Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723472/201430 Acórdão n.º 2202003.395 S2C2T2 Fl. 58 5 pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). Não obstante as lições processuais retro transcritas, conforme o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, temos que: Das Competências das Unidades Descentralizadas Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) ... X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; XI controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários; XXII proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; (sublinhei/grifei) CONCLUSÃO Portanto, não encontro litígio a ser resolvido, nos limites da lide impostos pela Notificação de Lançamento e pela Impugnação e VOTO no sentido de negar provimento ao recurso, que extrapola esses limites, cabendo à Unidade de origem observar a possibilidade de revisão de ofício, em face dos documentos apresentados. Assinado digitalmente Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19985.723472/201430 Acórdão n.º 2202003.395 S2C2T2 Fl. 59 6 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11050.000719/2009-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 09/04/2004 a 29/04/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.604
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 09/04/2004 a 29/04/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11050.000719/2009-18
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589649
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.604
nome_arquivo_s : Decisao_11050000719200918.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 11050000719200918_5589649.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6377564
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423790280704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 135 1 134 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11050.000719/200918 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.604 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OCEANUS AGENCIA MARITIMA SA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 09/04/2004 a 29/04/2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 07 19 /2 00 9- 18 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 136 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.535, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 137 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 138 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 139 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 140 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 141 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 142 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.000719/200918 Acórdão n.º 9303003.604 CSRF‐T3 Fl. 143 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15467.001620/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS COM SAÚDE. PROVA.
A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS COM SAÚDE. PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15467.001620/2009-01
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5587016
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.615
nome_arquivo_s : Decisao_15467001620200901.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 15467001620200901_5587016.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6366557
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423806009344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 44 1 43 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15467.001620/200901 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.615 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente SÔNIA VALÉRIA DOS SANTOS BORGES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS COM SAÚDE. PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 7. 00 16 20 /2 00 9- 01 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1253.807, da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, f. 2931, que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2007, anocalendário 2006, em razão de glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 23.803,12, por falta de comprovação. O sujeito passivo apresentou impugnação parcial, juntando documentos para comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, declaradas em favor de Marcelo Gretzinger, no valor de R$ 9.500,00, e solicitando o cancelamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada improcedente sob o fundamento de que os documentos apresentados não comprovam o beneficiário dos serviços. O sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 25/03/2013, fls. 33. Em 15/04/2013 foi apresentado recurso, fls. 36, no qual a interessada reitera os argumentos apresentados na impugnação. Por fim, requer o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15467.001620/200901 Acórdão n.º 2301004.615 S2C3T1 Fl. 45 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas A dedução das despesas cm saúde, na Declaração de Ajuste Anual ,é permitida nos casos de prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (art. 8o , inc. II “a” da lei 9.520, de 26/12/1995), quando o beneficiário da prestação do serviço ou o adquirente do produto for o contribuinte ou seus dependentes, e desde que o preço do serviço ou do produto tenha sido suportado pelo contribuinte (art. 8o § 2o, inc. II da lei 9.520, de 26/12/1995). O legislador restringiu a prova da despesa médica ao tipo documental, estipulando requisitos objetivos para sua eficácia, a saber: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No mais, é do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no DecretoLei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. No caso dos autos, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas peao Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, conforme abaixo discriminado: Fl. 46DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Tabela 1 Nº Prestador Serviço Nome Prestador Serviço Valor Declarado DAA Dedução Glosada NFLD Dedução Mantida NFLD Motivo Glosa NFLD 1 Alvaro Luiz Gomes Afonso 590,00 590,00 0,00 não apresentou documento não impugnado 2 Myrian Cristina Lopes Schetini 1.220,00 1.220,00 0,00 não apresentou documento não impugnado 3 Marcelo Gretzinger 9.500,00 9.500,00 0,00 falta comprovar beneficiário serviço impugnado 4 Bronstein Medicina Diagnóstica 3.464,80 3.464,80 0,00 não apresentou documento não impugnado 5 Antonio Vieira de Mello Ltda 3.200,00 3.200,00 0,00 não apresentou documento não impugnado 6 Aguiar e Oliveira Çtda 2.700,00 2.700,00 0,00 não apresentou documento não impugnado 7 Amil Assistência Mèdica Ltda 3.128,32 3.128,32 0,00 beneficiário não é dependente não impugnado 8 GEAP 2.724,32 0,00 2.724,32 9 UNIMED 6.222,93 0,00 6.222,93 TOTAL 32.750,37 23.803,12 8.947,25 A parte contestada no recurso referese apenas à despesa paga em favor de Marcelo Gretzinger, no valor de R$ 9.500,00, glosada pela fiscalização sob o fundamento de que não houve comprovação de que a Recorrente era a beneficiária do tratamento. Os fatos relativos aos demais valores glosados, que não foram contestados pela contribuinte, são considerados não impugnados, conforme dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/721, com efeito definitivo na esfera administrativa. Os recibos de fls. 37 a 39, emitidos pelo profissional Marcelo Gretzinger, especificam que a Recorrente foi submetida ao tratamento psicoterápico realizado pelo referido profissional, conforme abaixo: Tabela 2 Nº Prestador Serviço Documento Descrição do documento Valor Data fls 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 900,00 31/01/2006 10 e 37 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 800,00 28/02/2006 10 e 37 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 800,00 31/03/2006 11 e 37 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 800,00 28/04/2006 11 e 37 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 900,00 31/05/2006 12 e 38 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 900,00 30/06/2006 12 e 38 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 900,00 31/07/2006 13 e 38 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 1.000,00 31/08/2006 13 e 38 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 800,00 29/09/2006 14 e 39 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 900,00 31/10/2006 14 e 39 3 recibos atendimento psicoterápico da Recorrente 800,00 30/11/2006 15 e 39 9.500,00 Os recibos contêm o nome do profissional de saúde, CPF, nº do registro no Conselho Profissional e identificam o tratamento específico ao qual a contribuinte foi submetida e o valor do serviço prestado. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 15467.001620/200901 Acórdão n.º 2301004.615 S2C3T1 Fl. 46 5 E não existem elementos nos autos infirmando a veracidade dos documentos apresentados. Portanto, considero eficazes as provas apresentadas e restabeleço a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 9.500,00. O imposto incidente sobre as despesas com saúde que não foram contestadas deverá seguir o trâmite normal de cobrança, se for o caso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901094/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11040.901094/2014-90
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873352
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.080
nome_arquivo_s : Decisao_11040901094201490.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 11040901094201490_5873352.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7345925
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050304990150656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.901094/201490 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.080 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PGL DISTRIBUICAO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 94 /2 01 4- 90 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11040.901094/201490 Acórdão n.º 1402003.080 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11040.901094/201490 Acórdão n.º 1402003.080 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11040.901094/201490 Acórdão n.º 1402003.080 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11040.901094/201490 Acórdão n.º 1402003.080 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11040.901094/201490 Acórdão n.º 1402003.080 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11040.901094/201490 Acórdão n.º 1402003.080 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
