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Numero do processo: 10283.007055/2007-50
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.237
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa do art. 35-A
da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que deve ser confrontada com a multa disposta no lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente PROJENG CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurada à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que deve ser confrontada com a multa disposta no lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 92 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD referente às contribuições sociais devidas à seguridade social, incidentes sobre pagamento de remuneração aos segurados empregados, correspondentes às contribuições dos segurados empregados, à parte da empresa, e às destinadas a Outras Entidades (Terceiros), competências 12/2003 e 12/2006, contendo os levantamento: NF2 — Salário de Contribuição, cujas contribuições não foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), sendo que os fatos geradores referemse ao pagamento de remuneração relativa ao contrato de empreitada parcial n° 002/2002 (cópia as fls. 44 e 45 dos autos digitalizados), celebrado com a Sociedade de Desenvolvimento Cultural do Amazonas, que tem por objeto a reforma do imóvel sito à rua Ramos Ferreira, n° 954, relativo à Nota Fiscal de Serviço n° 010. O salário de contribuição foi obtido mediante a aplicação do percentual de 20% sobre o valor do contrato, tendo em vista a previsão contratual de fornecimento de material sem haver especificação dos valores; NF6 — Salário de Contribuição, cujas contribuições não foram declaradas em GFIP, sendo que os fatos geradores referemse ao pagamento de remuneração contida na Nota Fiscal de Serviço n° 009/2003 (cópia às fls. 46 dos autos), oriunda de contrato celebrado com a Sociedade de Desenvolvimento Cultural do Amazonas, referente à conclusão da obra do estacionamento da Beneficência Portuguesa. O salário de contribuição foi obtido mediante a aplicação do percentual de 20% sobre o valor do contrato; NF8 — Salário de Contribuição, cujas contribuições não foram declaradas em GFIP, sendo que os fatos geradores referemse ao pagamento de remuneração contida na Nota Fiscal de Serviço n° 0023/2006 (cópia as fls. 47 dos autos), oriunda de contrato celebrado com a Sonopress Rimo da Amazônia Ind. e Com. Fonográfico Ltda, referente ao serviço de pintura da residência do condomínio Jardim Veneza, n° 24. Considerando que o respectivo contrato não foi apresentado, não foi demonstrado o fornecimento de material, razão pela qual o salário de contribuição foi obtido mediante a aplicação do percentual de 40% sobre o valor do contrato. As bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas aplicadas, o valor apurado das contribuições previdenciárias e para outras entidades estão demonstradas, no relatório Discriminativo Analítico do DébitoDAD e Relatório de LançamentosRL, anexos a NFLD. O Relatório Fiscal de fls. 38 a 42 informa que o pressuposto motivador para a adoção da aferição indireta do saláriodecontribuição relativo aos serviços prestados pela Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 93 3 impugnante foi a não apresentação dos livros contábeis Diário e Razão, tampouco do Livro Caixa, bem como de folha de pagamento individualizada para a obra em questão, não logrando êxito a notificada em comprovar o montante dos salários pagos. Às fls. 43 dos autos, foi anexada planilha Demonstrativo do Salário de Contribuição Aferido contendo dados das notas fiscais de prestação de serviços e da aferição da mãodeobra realizada, demonstrando como as remunerações foram estimadas. Os valores relativos à retenção dos 11% sobre as Notas Fiscais n° 009 e 010 foram apropriados, deduzindo o crédito ora lançado. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado da notificação em 31/10/2007, fl. 50, apresentando impugnação, fls. 54/59. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 71/80. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 29/06/2009, fl. 82, inconformado interpôs recurso voluntário, em 29/07/2009, fls. 85 a 86, alegando em síntese: o reexame da decisão de 1a instancia, reiterando os termos da impugnação apresentada, assim como, dos documentos comprobatórios nela acostados, devendo ser considerado improcedente o lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 90, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Consta da impugnação do contribuinte, fls. 54/59, as seguintes razões: a decadência do lançamento; as supostas irregularidades de não apresentar toda a documentação fiscal, no entanto, apresentando a GFIP e notas fiscais, não causaram qualquer prejuízo ao erário, tendo em vista que todos os tributos da obra foram devidamente recolhidos, consoante se infere da documentação constante no processo administrativo tributário. Quando o descumprimento de obrigação acessória não resultar prejuízo à Fazenda Pública, não há falar em lavratura de auto de infração. a vedação ao bis in idem. Ninguém pode ser punido, na mesma esfera, pelo mesmo fato. A autoridade fiscal informa que a autuação se deu pela ausência de apresentação da Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 94 4 documentação fiscal pertinente, deste modo, só poderia ser apenada por esse fato em uma das autuações, e não em várias; as supostas irregularidades da não elaboração de folhas de pagamento distintas para cada obra em questão não causaram qualquer prejuízo ao erário, tendo em vista que todos os tributos da obra foram devidamente recolhidos, consoante se infere da documentação constante no processo administrativo tributário; por fim, requer: a) a improcedência do lançamento fiscal, em razão da decadência ou de ser revisto o lançamento, b) atenuação da multa se o lançamento for julgado procedente, c) perícia para averiguar se houve prejuízo ao fisco e o período decaído, indicando o Sr. Silvio de Azevedo Pereira, com endereço profissional A Rua Maceió, 417 C, 51, Salas 207/208, Bairro Nossa Senhora das Graças, Manaus/AM, inscrito no CRC sob o n° 3225/AM e no CPF sob o n° 092.093.60753. O lançamento se refere às contribuições sociais incidentes sobre pagamento de remuneração aos segurados empregados, correspondentes à parte do empregados, à parte patronal, e às destinadas a Outras Entidades (Terceiros), competências 12/2003 e 12/2006, levantamentos: NF2 — Salário de Contribuição, não declarados em GFIP, contrato de empreitada parcial n° 002/2002 (cópia as fls. 44 e 45 dos autos digitalizados), Nota Fiscal de Serviço n° 010, com aplicação do percentual de 20% sobre o valor do contrato, tendo em vista a previsão contratual de fornecimento de material sem haver especificação dos valores; NF6 — Salário de Contribuição, não declarados em GFIP, Nota Fiscal de Serviço n° 009/2003 (cópia às fls. 46 dos autos), com aplicação do percentual de 20% sobre o valor do contrato; NF8 — Salário de Contribuição, não declarado em GFIP, Nota Fiscal de Serviço n° 0023/2006 (cópia as fls. 47 dos autos), contrato não foi apresentado, não foi demonstrado o fornecimento de material, razão pela qual o salário de contribuição foi obtido mediante a aplicação do percentual de 40% sobre o valor do contrato. O Relatório Fiscal de fls. 38 a 42 informa que a motivação da aferição indireta do saláriodecontribuição foi a não apresentação dos livros contábeis Diário e Razão, tampouco do Livro Caixa, bem como de folha de pagamento individualizada para a obra em questão. Às fls. 43 dos autos, foi anexada planilha Demonstrativo do Salário de Contribuição Aferido contendo dados das notas fiscais de prestação de serviços e da aferição da mãodeobra realizada, demonstrando como as remunerações foram estimadas. Os valores relativos à retenção dos 11% sobre as Notas Fiscais n° 009 e 010 foram apropriados, deduzindo o crédito ora lançado. DA DECADÊNCIA O período do lançamento fiscal compreende 12/2003 e 12/2006. O contribuinte foi cientificado da notificação em 31/10/2007. Constam menos de 5 (cinco) anos contados do marco mais remoto do lançamento (12/2003). Da análise dos autos depreendese que houve recolhimento parcial/retenção por parte do contribuinte, para a competência 12/2003, assim, o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). Para a competência 12/2006, não houve recolhimento em relação à notificação fiscal, assim, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN). Pelo exposto, em ambos os casos, as competências 12/2003 e 12/2006 não se encontram decadentes. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 95 5 LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Quanto aos argumentos de descumprimento de obrigação acessória e suposta irregularidade por não ter apresentado toda a documentação fiscal e não elaboração de folhas de pagamento distintas para cada obra em questão, estes estão prejudicados e não serão apreciados para o caso em comento, pois o lançamento se refere à obrigação principal, qual seja, notificação fiscal de contribuições previdenciárias de segurados, da empresa e de Outras entidades (Terceiros), incidentes sobre as remunerações aferidas indiretamente a partir de notas fiscais de serviços prestados, composta pelos levantamentos: NF2 — Salário de Contribuição, não declarados em GFIP, Nota Fiscal de Serviço n° 010, com aplicação do percentual de 20% sobre o valor do contrato; NF6 — Salário de Contribuição, não declarados em GFIP, Nota Fiscal de Serviço n° 009/2003, com aplicação do percentual de 20% sobre o valor do contrato; NF8 — Salário de Contribuição, não declarado em GFIP, Nota Fiscal de Serviço n° 0023/2006, com aplicação do percentual de 40% sobre o valor do contrato. Não houve apresentação dos livros contábeis Diário e Razão, tampouco do Livro Caixa, bem como de folha de pagamento individualizada para a obra em questão. NÃO CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM. MULTA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL X ACESSÓRIA A aplicação de duas penalidades ao mesmo fato gerador não se trata necessariamente de bis in idem. Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas – como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis – ou negativas, instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização). O interesse público na arrecadação e na fiscalização tributária legitima o ente federado a instituir obrigações, aos contribuintes, que tenham por objeto prestações, positivas ou negativas, que visem guarnecer o fisco do maior número de informações possíveis acerca do universo das atividades desenvolvidas pelos sujeitos passivos (artigo 113, do CTN). A relação jurídica tributária referese não só à obrigação tributária stricto sensu (obrigação principal), como ao conjunto de deveres instrumentais (positivos ou negativos) que a viabilizam. A obrigação acessória prevista no artigo 113, § 2º c/c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária. Os deveres instrumentais (obrigações acessórias) são autônomos em relação à regra matriz de incidência tributária, aos quais devem se submeter, até mesmo, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal, ex vi dos artigos 175, parágrafo único, e 194, parágrafo único, do CTN. Estes são os entendimentos exarados do Superior Tribunal de Justiça – STJ quanto ao assunto em questão: Processo RESP 2009017 34755RESP RECURSO ESPECIAL – 1182354 Relator(a) HERMAN BENJAMIN, STJ, SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:30/06/2010 Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO.OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ART. 32 DA LEI 8.212/1991. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 96 6 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (ENTREGA DE GFIP). MULTA PELO INADIMPLEMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (OBRIGAÇÃO PRINCIPAL). BIS IN IDEM. NÃOOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. Hipótese em que foram aplicadas quatro multas,cujos fatos geradores são: a) ausência de entrega de declaração dos valores pagos a clubes de futebol, decorrentes de contratos de publicidade; b) inadimplemento das respectivas contribuições previdenciárias incidentes; c) ausência de declaração, na GFIP, dos salários pagos aos empregados do recorrido; e d) inadimplemento do tributo incidente sobre a referida folha de salários. 4. Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas – como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis – ou negativas, instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização). 5. A título exemplificativo, são plenamente cumuláveis as multas impostas pelo inadimplemento do Imposto de Renda (obrigação principal) e pelo atraso na entrega da Declaração Anual de Ajuste (obrigação acessória). 6. Em conseqüência, merece reforma o acórdão que se fundamentou na vedação do bis in idem para excluir as multas cominadas pelo descumprimento das obrigações acessórias. 7. Em relação à multa de R$105.490,15, contudo, deve ser mantido o acórdão hostilizado, porque o fundamento adotado para sua exclusão (desproporcionalidade, em função do valor da obrigação principal– cujo valor aproximado é de R$20.000,00) não foi impugnado no presente apelo. Aplicação da Súmula 283/STF. 8. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Processo AGA 200802641195AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 1138833 Relator(a) LUIZ FUX , STJ, PRIMEIRA TURMA , Fonte DJE DATA:06/10/2009 Ementa : PROCESSUAL CIVIL.TRIBUTÁRIO.AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL .MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA(EXPEDIÇÃO DE NOTAS FISCAIS). IRRELEVÂNCIA DA INCIDÊNCIA OU NÃO DO ICMS. ARTIGOS 113, §2º, 115, 175 PARÁGRAFO ÚNICO, E 194, DO CTN. 1. O interesse público na arrecadação e na fiscalização tributária legitima o ente federado a instituir obrigações, aos contribuintes, que tenham por objeto prestações, positivas ou negativas, que visem guarnecer o fisco do maior número de informações possíveis acerca do universo das atividades desenvolvidas pelos sujeitos passivos (artigo 113, do CTN). 2. É cediço que, entre os deveres instrumentais ou formais, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 97 7 encontramse "o de escriturar livros, prestar informações, expedir notas fiscais, fazer declarações, promover levantamentos físicos, econômicos ou financeiros, manter dados e documentos à disposição das autoridades administrativas, aceitar a fiscalização periódica de suas atividades, tudo com o objetivo de propiciar ao ente que tributa a verificação do adequado cumprimento da obrigação tributária" (Paulo de Barros Carvalho, in "Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, 16ª ed., 2004, págs. 288/289). 3. A relação jurídica tributária referese não só à obrigação tributária stricto sensu (obrigação tributária principal), como ao conjunto de deveres instrumentais (positivos ou negativos) que a viabilizam. 4. A obrigação acessória prevista no artigo 113, § 2º c/c 115, do CTN, constitui dever instrumental, independente da obrigação principal, e subsiste, ainda que o tributo seja declarado inconstitucional, principalmente para os fins de fiscalização da Administração Tributária. 5. Os deveres instrumentais (obrigações acessórias) são autônomos em relação à regra matriz de incidência tributária, aos quais devem se submeter, até mesmo, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal, ex vi dos artigos 175, parágrafo único, e 194, parágrafo único, do CTN. 6. Agravo regimental desprovido. Destarte, é improcedente a alegação de aplicação da multa em duplicidade ou bis in idem por terem sido lavradas Notificações Fiscais (NFLD) e Auto de Infração (AI). Tratase de multas com naturezas diversas: uma punitiva (aplicada no Auto de Infração AI) e outra moratória (aplicada na NFLD), que não se confundem entre si. Deste modo, não ocorreu o Bis in Idem mencionado pelo contribuinte. DO PEDIDO DE PERÍCIA O pedido de produção de prova pericial/diligência não cumpriu os requisitos necessários pelo requerente. O devido processo legal tributário, disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72, disciplina o momento de produção de provas e requerimento de perícia. Todos os elementos de prova devem ser apresentados na impugnação. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c §1°, do Decreto n° 70.235/72, quais sejam, exposição dos motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional perito. Ademais, não há necessidade de perícia/diligência, pois os documentos constantes dos autos são suficientes para análise e julgamento do processo administrativo em questão e, neste caso, é dispensável a perícia/diligência para se constatar o prejuízo à fiscalização que realiza seu trabalho examinando a documentação fiscal do contribuinte, tampouco, há necessidade de perícia para se contatar o período decadente. O contribuinte também não formulou os quesitos a serem respondidos pela perícia solicitada. Destarte, indefiro o pedido de perícia. LANÇAMENTO EFETUADO COM EMBASAMENTO LEGAL Correta a decisão de primeira instância administrativa fiscal, quanto ao lançamento em epígrafe, bem como sua fundamentação da decisão nos termos do art. 148 do CTN, e art. 33, e seus §§ 3o, 4° e 6° da Lei 8.212/91, e normativos mencionados, como segue trecho parcial: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 98 8 As considerações acima explanadas prestamse também para demonstrar a correição do presente lançamento, realizado por arbitramento (utilizandose o instrumento da aferição indireta a partir de notas fiscais de prestação de serviços) a partir de vários pressupostos demonstrados pela fiscalização. No caso em lide, a impugnante não disponibilizou a escrituração contábil que se constitui no instrumento hábil para lastrear a veracidade das informações contidas nos citados documentos, e que viabilizaria a verificação por parte da fiscalização do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. Ocorrendo recusa ou sonegação de documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o AuditorFiscal sem prejuízo da penalidade cabível, poderá inscrever de oficio a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Assim dispõe o art. 148 do CTN, do qual o art. 33, e seus parágrafos 3o, 4o e 6° da Lei 8.212/91 são corolário. A contabilidade escriturada dentro das normas vigentes faz prova a favor ou contra os contribuintes, na forma como é apresentada. Na hipótese de sua inexistência (não apresentação ou apresentação em condições tais que não mereçam fé) a fiscalização dispõe de instrumentos excepcionais, como o lançamento por arbitramento, para apurar os tributos devidos. Uma vez verificado pela fiscalização o surgimento do fato gerador e no arbitramento o fato gerador já está devidamente configurado , está ela, por expressa disposição legal, obrigada a efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, a aferição indireta, não obstante seja procedimento excepcional, no presente caso, achase perfeitamente autorizada, nos termos do artigo 33, § 3°, da Lei n.° 8.212/91, in verbis: ... Constatase, desse modo, inteiramente comprovado o pressuposto condicionante do arbitramento, ou seja, a empresa deixou de apresentar a totalidade da escrituração contábil, e das folhas de pagamento individualizadas da obra, não obstante ter sido formalmente intimada para tanto, conduta que impediu a apuração regular dos fatos geradores da contribuição previdenciária e que autoriza o arbitramento. Portanto, sob o comando dos dispositivos legais vigentes e em observância aos procedimentos estabelecidos nos artigos 473, incisos I, II e IV e art. 427, 428, 601, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 (DOU de 15/07/2005), a base de cálculo da contribuição previdenciária foi aferida indiretamente, utilizandose como parâmetro objetivo, as notas fiscais/faturas. Outrossim, os relatórios informam a metodologia utilizada, demonstrando de forma clara e precisa, a maneira como as Fl. 98DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 99 9 bases de cálculo ora lançadas foram obtidas, juntando quadro demonstrativo, minudenciando a forma como foram apurados os valores que considerou como base de cálculo para as contribuições ora lançadas. Quando o agente fiscal constata uma situação fática que, em principio, configura o pagamento de remunerações a segurados da Previdência Social, intima o contribuinte a comprovar o recolhimento das respectivas contribuições sociais ou demonstrar que a referida situação, na realidade, não configura fato gerador de tais contribuições. Não sendo apresentada documentação capaz afastar o lançamento fiscal, será lavrada Notificação por aferição indireta, com fulcro no art. 33, § 3 0 da Lei n° 8.212/91, impondose desta forma A empresa, por expressa • determinação legal, o ônus da prova em contrário. Assim, a fiscalização tem o dever de lançar, cabendo o emus da prova A empresa envolvida. Isto posto, de toda a análise efetivada, concluo que resta perfeitamente demonstrada nos autos a motivação legal e fática do lançamento, tendo sido a aferição indireta imbuida dos critérios de proporcionalidade e razoabilidade. Logo, quaisquer arguições no sentido de destituir o lançamento não podem vir desacompanhadas de provas cabais, de forma a promover o convencimento do julgador. A simples alegação da defendente não a exime da prova objetiva, a qual não foi realizada no processo administrativo fiscal.. O contribuinte não trouxe aos autos documentos comprobatórios suficientes que pudessem desconstituir o lançamento fiscal. MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. A multa aplicada pela Lei n º 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n º 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei n º 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei n º 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei n º 9.430/96. A multa de ofício, art. 35A da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei no9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 99DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 100 10 declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatada diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei n º 8.212/91 quanto à aplicação da multa devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise dos valores das multas para verificação e aplicação da regra que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, consoante entendimento trazido pela Portaria Conjunta PGFN/RFBnº14, de 4 de dezembro de 2009, DOU de 8.12.2009, bem como, demais normativos sobre o assunto. A análise será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. A comparação deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, atentando para a necessidade de análise em conjunto com os demais lançamentos sofridos pelo contribuinte, registrados no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF constante dos autos, se devido. O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Ante ao exposto, por se tratar de cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração (GFIP) e recolhimento intempestivos da contribuição, incidentes sobre as remunerações aferidas indiretamente a partir de notas fiscais de serviços prestados, referente à obra de construção civil, deve ser aplicada a regra do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10283.007055/200750 Acórdão n.º 280301.237 S2TE03 Fl. 101 11 que deve ser confrontada com a multa disposta no lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação das observações; e, ainda, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas e os valores dos créditos considerados; a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos (fls. 01/49). CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que deve ser confrontada com a multa disposta no lançamento fiscal, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 101DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10865.003829/2009-94
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO
DA MULTA.
Apresentar GFIP é dever legal, sendo passível de autuação fiscal o contribuinte que descumprir a lei.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n º 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A a Lei n º 8.212/91.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA. SUCESSÃO DE EMPRESAS.
A imputação de multa fiscal à empresa sucessora ou incorporadora tem respaldo nos artigos 132 e 133 do CTN, que impõe ao sucessor a responsabilidade integral, tanto da multa de caráter moratório decorrente do descumprimento da obrigação principal, quanto da multa de caráter punitivo decorrente do descumprimento de obrigação acessória.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade/legalidade.
CONFISCO.
Não caracteriza confisco a multa aplicada nos estritos termos legais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.310
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendo-se aplicar o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Apresentar GFIP é dever legal, sendo passível de autuação fiscal o contribuinte que descumprir a lei. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n º 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A a Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. A imputação de multa fiscal à empresa sucessora ou incorporadora tem respaldo nos artigos 132 e 133 do CTN, que impõe ao sucessor a responsabilidade integral, tanto da multa de caráter moratório decorrente do descumprimento da obrigação principal, quanto da multa de caráter punitivo decorrente do descumprimento de obrigação acessória. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade/legalidade. CONFISCO. Não caracteriza confisco a multa aplicada nos estritos termos legais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 211 1 210 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.003829/200994 Recurso nº Acórdão nº 280301.310 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de fevereiro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES Recorrente ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE MOGI GUAÇU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 GFIP. LEI nº 11.941/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Apresentar GFIP é dever legal, sendo passível de autuação fiscal o contribuinte que descumprir a lei. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n º 11.941/2009, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. A imputação de multa fiscal à empresa sucessora ou incorporadora tem respaldo nos artigos 132 e 133 do CTN, que impõe ao sucessor a responsabilidade integral, tanto da multa de caráter moratório decorrente do descumprimento da obrigação principal, quanto da multa de caráter punitivo decorrente do descumprimento de obrigação acessória. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade/legalidade. CONFISCO. Não caracteriza confisco a multa aplicada nos estritos termos legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 212 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendose aplicar o disposto no art. 32 A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 213 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, por infração ao disposto no artigo 32, IV da Lei n° 8.212/91 (com a redação vigente na data da ocorrência do fato gerador), combinado com o artigo 225, IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter a empresa apresentado GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social sem a informação dos valores contidos nas notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por cooperados, por intermédio da Unimed Regional da Baixa Mogiana Cooperativa de Trabalho Médico, período de 01/2004 a 12/2004. Foi aplicada a multa estabelecida no §5 ° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 e no artigo 284, II do RPS, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no §4 ° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, conforme planilha demonstrativa de fls.08. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 15/12/2009, fl. 01 dos autos em meio papel, inconformado o contribuinte apresentou impugnação, fls. 102 a 126. O órgão de primeira instância administrativa fiscal julgou o lançamento procedente, fls. 179 a 185. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 23/06/2010, fl. 187, inconformado interpôs recurso voluntário em 14/07/2010, fls. 189 a 203, alegando em síntese: não houve sucessão entre a extinta Associação Comercial e Empresarial de Estiva Gerbi e a Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu; a decadência das competências anteriores a dezembro de 2004; se não há penalidade expressamente cominada na Lei, não há disciplina legal para a aplicação da multa. ilegalidade da multa aplicada por afrontar ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Tem caráter confiscatório; por fim, requer o cancelamento da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 214 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 208, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Os argumentos trazidos pelo contribuinte já foram analisados pela autoridade administrativa de primeira instância, no qual acompanho o entendimento. DA SUCESSÃO DE EMPRESAS Quanto à sucessão entre a extinta Associação Comercial e Empresarial de Estiva Gerbi e a Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu, a decisão de primeira instância assim menciona: SUCESSÃO DE EMPRESAS Aduz, a impugnante, a nulidade da autuação devido à não ocorrência de sucessão da Associação Comercial e Empresarial de Estiva Gerbi pela autuada. Observase que a presente autuação foi lavrada em decorrência do descumprimento da obrigação acessória estabelecida no artigo 32, IV da Lei n° 8.212/91. Consta no relatório fiscal da infração que foram constatados pela fiscalização pagamentos efetuados a Cooperativa de Trabalho Médico — Unimed Regional da Baixa Mogiana — CNPJ: 49.210.966/000142, no período de 01/2004 a 12/2004, pelos estabelecimentos Matriz e o estabelecimento SubSede de Estiva Gerbi. Assim, os valores não declarados pela empresa em GFIP e que são objetos do presente lançamento fiscal, correspondem aos valores pagos à Unimed pela Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu e pela Associação Comercial e Empresarial de Estiva Gerbi. De acordo com as informações e documentos constantes nos autos do processo n° 10865.003827/200903, bem como documentos anexados pela autuada em sua impugnação, observase que em reunião extraordinária realizada na sede da Associação Comercial e Empresarial de Estiva Gerbi em 22/04/2009, ficou decidido por toda a diretoria e presidência o encerramento da entidade, bem como o encampamento da mesma pela associação ora autuada. Ficou decidido, ainda, que os bens móveis pertencentes à entidade seriam doados à sucessora. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 215 5 Posteriormente, em assembléias extraordinárias realizadas em 27/04/2009 e 04/05/2009, com a presença dos membros da diretoria, autoridades locais, associados e do presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu, após discussão acerca do destino a ser dado à Associação Comercial e Empresarial de Estiva Gerbi, ficou decidido, com concordância unânime dos presentes, que a entidade seria efetivamente incorporada Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu. Diante da situação identificada acima, foi lançada em nome da empresa sucessora a contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho. Não obstante a procedência da autuação decorrente do descumprimento da obrigação principal, deve ser ressaltado que a presente lavratura tem como fato gerador o descumprimento, por parte do sujeito passivo, de obrigação acessória estabelecida em lei. Sobre o tema, dispõe o artigo 132 do Código Tributário Nacional: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (grifo não original) 0 dispositivo acima transcrito revela que a responsabilidade do sucessor limitase ao tributo devido, não podendo se estender à responsabilidade por infrações. O mesmo se depreende da leitura do artigo 496 da Instrução Normativa RFB n° 971/09: Art. 496. A empresa que resultar de fusão, transformação, incorporação ou cisão é responsável pelo pagamento das contribuições sociais previdenciárias e das contribuições destinadas as outras entidades ou fundos, devidas pelas empresas fusionadas, transformadas, incorporadas ou cindidas, até a data do ato da fusão, da transformação, da incorporação ou da cisão. (grifo não original) Dessa forma, considerando o caráter pessoal da imputação da falta, deve ser excluída da presente lavratura fiscal a multa relativa à ausência de informação em GFIP, dos Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 216 6 pagamentos efetuados pela Associação Comercial e Empresarial de Estiva Gerbi à Unimed. Consultando os autos do processo n° 10865.003827/2009 03, foram obtidos os seguintes valores a deduzir da presente autuação: Comp. Valor jan/04 240,19 fev/04 233,67 mar/04 233,96 abr/04 229,96 mai/04 226,39 jun/04 234,05 jul/04 260,70 ago/04 253,01 set/04 257,74 out/04 266,04 nov/04 276,30 dez/04 280,33 Considerando a planilha de fls. 08 e tendo em vista que a penalidade aplicada em cada competência encontrase limitada aos valores previstos no §4 ° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, observase que, com a dedução dos valores acima, a multa efetivamente aplicada não sofre qualquer alteração, pois já se encontra limitada ao teto. (nosso grifo) DA RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR PELA MULTA MORATÓRIA E PUNITIVA A imputação de multa fiscal à empresa sucessora ou incorporadora tem respaldo nos artigos 132 e 133 do CTN, que impõe ao sucessor a responsabilidade integral, tanto da multa de caráter moratório decorrente do descumprimento da obrigação principal (pagamento do tributo), quanto da multa de caráter punitivo decorrente do descumprimento de obrigação acessória: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 217 7 alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Este, também, é o entendimento da Segunda Turma do STJ e da Quarta Turma do TRF5 em decisão exarada sobre o assunto: Processo RESP 200701316981RESP RECURSO ESPECIAL – 959389 , Relator(a) CASTRO MEIRA , Sigla do órgão STJ , Órgão julgador SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:21/05/2009. Decisão: por unanimidade. Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Data da Decisão 07/05/2009 , Data da Publicação 21/05/2009. ..... Processo: APELREEX 200482000090454APELREEX Apelação / Reexame Necessário – 10023 , Relator(a): Desembargador Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá , Sigla do órgão: TRF5 , Órgão julgador; Quarta Turma , Fonte: DJE Data::23/06/2010 Página::36. Decisão: UNÂNIME Ementa: TRIBUTÁRIO. MULTA. ARTIGO 285 DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. DECADÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO. SUSPENSÃO PARCIAL DA EXIGIBILIDADE ATÉ JULGAMENTO FINAL DA AÇÃO ANULATÓRIA DE LANÇAMENTO FISCAL. I. No que concerne à imputação da multa fiscal punitiva à empresa sucessora ou incorporadora, temse, a teor dos artigos 132 e 133, CTN, que se impõe ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. Precedente: STJ, REsp Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 218 8 1017186/SC, Rel. Min. Castro Meira, j. em 11/03/2008, Dje 27/03/2008) II. O art. 173, I, do CTN, rege o prazo de decadência dos créditos tributários, inclusive das contribuições previdenciárias, já que o prazo decenal referido nos artigos 45 e 46 da lei 8.212/91, foi proclamado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Súmula vinculante nº 8. III. Referindose o lançamento também a crédito relativo ao exercício de 1996, quando o auto de infração foi lavrado em 15.03.2003, resta caracterizada a decadência com relação a esse período. IV. Remessa oficial e apelação parcialmente providas, para reconhecer que a autora é responsável pelo pagamento do crédito tributário, mantendo, contudo, a decisão que reconheceu a ocorrência da decadência do crédito relativo ao exercício de 1996. Sucumbência recíproca, nos termos do art. 21 do CPC. Data da Decisão: 22/06/2010 , Data da Publicação: 23/06/2010 Assim sendo, o recorrente é responsável pela autuação fiscal em epígrafe. De qualquer modo, a multa efetivamente aplicada não sofre qualquer alteração, pois já se encontra limitada ao teto. DA DECADÊNCIA Quanto à decadência das competências anteriores a dezembro de 2004, alegada pelo contribuinte, a mesma não merece prosperar. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do Fl. 227DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 219 9 previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em concreto, tratase de lançamento de ofício por intermédio de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. O contribuinte deixou de informar em GFIP os valores contidos nas notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por cooperados, por intermédio da Unimed Regional da Baixa Mogiana Cooperativa de Trabalho Médico, período de 01/2004 a 12/2004, infringindo o disposto no artigo 32, IV da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 225, IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Foi aplicada a multa estabelecida no §5 ° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 e no artigo 284, II do RPS, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no §4 ° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, conforme planilha demonstrativa de fls.08. Destarte, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Para a autuação fiscal relativa as competências 01/2004 a 12/2004, não há que se falar em decadência, pois o contribuinte foi cientificado da autuação em 15/12/2009, fl. 01. Para a competência mais remota (01/2004), a contar de 01 de janeiro de 2005 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2010. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado DA DUPLICIDADE DA COBRANÇA Não há duplicidade na cobrança das multas aplicadas. Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 220 10 A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Assim são multas distintas e com capitulação legal distintas, não se confundindo uma com a outra. Destarte, não há que se falar em duplicidade de cobrança em razão da multa aplicada. VALOR DA MULTA NÃO É CONFISCATÓRIO Do mesmo modo, o valor estabelecido como pena pecuniária não é abusivo e nem confiscatório porque o cálculo desta está previsto na Lei nº 8.212/91, sendo o valor da multa, como visto na fundamentação mencionada, não é relativo, mas sim absoluto. A aplicação da multa é atividade plenamente vinculada à autoridade fiscal. Este é o entendimento do Tribunal Federal – TRF2 quanto ao assunto, cujos transcritos seguem: Processo AC 200150010069641AC APELAÇÃO CIVEL – 375867 , Relator(a) Desembargadora Federal SANDRA CHALU BARBOSA , Sigla do órgão TRF2 , Órgão julgador TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA , Fonte EDJF2R Data::12/11/2010 Página::279/280 Ementa ; TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NA LEI 8.212/91. NÃO VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE CONFISCO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Tratase de apelação contra a sentença que julgou improcedente o pedido de desconstituição do auto de infração nº 35.135.1272, a fim de que seja anulado o decorrente débito fiscal. 2. Inicialmente, é de se dizer que o próprio INSS já reconheceu que o depósito judicial realizado pela autora é suficiente para garantir o crédito tributário em questão, de modo que se mostra desnecessário novo esclarecimento acerca do pagamento integral da dívida em debate. 3. No mérito, cabe consignar que, como bem observou a sentença, “existe fundamento legal para a autuação imposta à autora. Com efeito, encontrase no artigo 32 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 221 11 da Lei 8.212/91, com as alterações empreendidas pela Lei 9.528/97, a obrigação de as empresas apresentarem mensalmente informações relativas às contribuições exigidas pelo INSS, por meio da chamada GFIP”. Por outro lado, também aduziu corretamente a sentença que a Portaria 6.211/00, do Ministério da Saúde e Previdência Social, não criou “embasamento infralegal para a obrigação acessória em tela”, mas sim atualizou “o valor da multa por seu descumprimento”, e que não houve violação ao “princípio da irretroatividade da lei tributária”, eis que a Portaria em questão “foi utilizada pelo agente fiscal para fins de fixação do valor da multa,uma vez que já se aplicava no momento da autuação, nos moldes do § 8º do mesmo artigo 32, Lei 8.212/91”. Outrossim, preciso foi o entendimento do juízo a quo no sentido de que “em relação ao valor da multa aplicada, temos que o que fez o agente administrativo foi apenas aplicar os dispositivos legais transcritos nesta decisão, mediante atividade plenamente vinculada”; de que “o seu valor não é relativo, tomado com base em percentual do montante da obrigação principal, mas absoluto, levando em conta o porte da empresa, com base na quantidade de segurados”; e de que a autora se limitou a pedir a anulação do débito fiscal, não tendo formulado pedido para “a atenuação da multa aplicada”. 4. Oportuno reforçar que o entendimento contido no parecer do Ministério Público Federal é análogo ao da sentença supra especificada, ou seja, que o auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91, e não naPortarianº 6.211/00; que a referida portaria se limitou a “atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal”; que o valor estabelecido como pena pecuniária não é confiscatório porque o cálculo desta está previsto no artigo 32, inciso IV, e §§ 4º e 7º da Lei nº 8.212/91; e que o valor da multa,como visto na sentença, não é relativo, mas sim absoluto. 5. Não obstante os fortes argumentos supra defendidos tanto na sentença quanto no parecer ministerial,vale colacionar os seguintes julgados do Egrégio Superior Tribunal de Justiça acerca do tema: STJ, REsp 1182354/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª T., DJe 30/06/2010; REsp 899.895/SP, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T., DJe 05/08/2009. 6. Recurso conhecido e desprovido. Data da Decisão 26/10/2010 , Data da Publicação 12/11/2010. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno Fl. 230DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 222 12 do CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes: Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PELO TOMADOR DE SERVIÇOS COOPERADOS 15% SOBRE NOTA FISCAL/FATURA – ART. 22, IV, DA LEI 8.212/91. A contribuição ora lançada encontrase legalmente estabelecida na Lei n° 8.212/91, em seu artigo 22, IV, o qual dispõe ser obrigação da empresa efetuar o recolhimento, a titulo de contribuição previdenciária, alíquota de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, dispositivo incluído pela Lei n° 9.876/99. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça – STJ reconhece a legalidade à exigência da contribuição previdenciária de 15% sobre o valor da nota fiscal/fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, nos termos do art. 22, IV da Lei 8.212/91, conforme transcrito da decisão: Processo: RESP 200400988992RESP RECURSO ESPECIAL – 670423 , Relator(a) TEORI ALBINO ZAVASCKI , Sigla do órgão: STJ , Órgão julgador: PRIMEIRA TURMA , Fonte: DJE DATA:14/05/2009 Decisão: por unanimidade Ementa: TRIBUTÁRIO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA PELO TOMADOR DO SERVIÇO. ART. 22, IV, DA LEI 8.212/91. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. 1. "O legislador, ao exigir do tomador do serviço contribuição previdenciária de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, nos termos do art. 22, IV da Lei 8.212/91 (com a redação dada pela Lei 9.876/99), em nenhum momento valeuse da regra contida no art. 135 do CTN, que diz respeito à desconsideração da personalidade da pessoa jurídica para que seus representantes respondam pessoalmente pelo crédito tributário nas hipóteses que menciona" (REsp 787.454/PR, 2ª T., Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 23.08.2007). 2. Recurso Especial a que se nega provimento. Data da Decisão 23/04/2009 , Data da Publicação 14/05/2009 A Emenda Constitucional nº 20/98, ampliou as hipóteses de incidência da contribuição para a seguridade social, que passou a incidir sob a folha de salários e outros rendimentos do trabalho pagos ou creditados a pessoa física que preste serviço ao empregador, ainda que sem vínculo empregatício (art. 195, I, CF/88). Assim, não se trata de nova fonte de custeio destinada a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social que não está prevista na Carta Magna, cuja instituição somente pode ocorrer mediante lei complementar (§ Fl. 231DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 223 13 4º do art. 195, CF/88), mas, sim, de ampliação do âmbito de incidência da contribuição para a seguridade social, já prevista na Constituição Federal. Tratandose de tributo autorizado pela Carta Magna, não se aplica a norma insculpida no § 4º do art. 195, CF/88 (lei complementar). Basta, portanto, a edição de lei ordinária, para a instituição da nova incidência. A Lei 5.764/71 definiu, em seu artigo 79 e parágrafo único, o ato cooperativo, dizendoo como o ato realizado entre a cooperativa e seus associados e viceversa, bem como, entre cooperativas, para a consecução de seus objetivos sociais, não implicando em operação de mercado, nem contrato de compra venda de produto ou mercadoria. Deste modo, os atos cooperativos são apenas os realizados entre a entidade cooperativa e seus associados e viceversa, ou entre cooperativas, e não são destinados à obtenção de lucro. Logo, ficam excluídas dessa categoria, as operações com empresas comuns. Nessa linha de raciocínio, é certo qualificar a relação veiculada entre as cooperativas para a venda de serviços de seus associados a empresas comuns como operações com terceiros, portanto não sujeitas à legislação específica das cooperativas. Nesses casos, muito embora a cooperativa participe como intermediária na venda de serviços, é certo que esses são efetivamente prestados pelos associados, que recebem sua remuneração como contraprestação, ainda que tais valores sejam inicialmente repassados à cooperativa contratada. Verificase que o art. 22, IV, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 9.876/99, tornou obrigatória a contribuição para a seguridade social pelo tomador de serviço, no percentual de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Antes da Lei 9.876/99, a forma da exação em tela vinha disciplinada na Lei Complementar 84/96, segundo a qual o sujeito passivo era a própria cooperativa de trabalho, responsável pelo recolhimento, tendo como base de cálculo o valor das importâncias pagas aos cooperados, pelos serviços prestados por seu intermédio. Com o advento da Lei n° 9.876/99, as cooperativas ficaram desobrigadas de recolher a contribuição patronal, tendo sido essa responsabilidade repassada para o tomador de serviços, agora à luz do novo preceito constitucional (art. 195, I, da CF/88, introduzida pela EC 20/98), restando desde então sem efeitos a Lei Complementar n° 84/96. As cooperativas só não estão sujeitas à contribuição social referida no inciso IV do art. 22 da Lei n. 8.212/91, introduzido pela Lei n. 9.876/99, por não revestirem mais a condição de sujeito passivo dessa contribuição, justo porque passaram a revestila as empresas e pessoas jurídicas (tomadores) que se valem dos serviços dos cooperativados, como permitido pela nova EC 20/98. Contudo, o fato de ser cooperativa não a isenta de recolher a exação em voga quando contrata serviços de cooperados de outras cooperativas. Para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias, as cooperativas devem ser equiparadas às demais pessoas jurídicas constituídas como empresas mercantis, conforme previsão do parágrafo único do art.15 da Lei nº 8.212/91, sob a luz do caput e inciso I do art. 195 da CF/88. Se assim não for, estará se criando uma hipótese de isenção não prevista em lei. Estes, também, são os entendimentos da Terceira e Quarta Turma Especializada do Tribunal Federal – TRF2, cujos transcritos da decisão são: Processo AC 200151030012900AC APELAÇÃO CIVEL – 339567 , Relator(a) Desembargador Federal JOSE FERREIRA NEVES NETO , Sigla do órgão TRF2 , Órgão julgador Fl. 232DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 224 14 TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA , Fonte EDJF2R Data::12/11/2010 Página::266/267 Decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCISO IV, ART. 22 DA LEI 8.212, INSERIDO PELA LEI 9.876/99. SOCIEDADE COOPERATIVA. CONSTITUCIONALIDADE. 1. A Emenda Constitucional nº 20/98, ampliou as hipóteses de incidência da contribuição para a seguridade social. Com essa alteração no Texto Constitucional, o artigo 195 da Constituição Federal passou a estabelecer que o financiamento da seguridade social decorreria, dentre outras, das contribuições sociais. 2. Desde 1998, a contribuição para a seguridade social passou a incidir sob a folha de salários e outros rendimentos do trabalho pagos ou creditados a pessoa física que preste serviço ao empregador, ainda que sem vínculo empregatício. 3. Não se trata de nova fonte custeio da seguridade social, não prevista na Carta Magna cuja instituição somente pode ocorrer mediante lei complementar e sob as limitações previstas no § 4º do art. 195 da Lei Maior , mas, sim, de ampliação do âmbito de incidência do tributo em tela, prevista na Carta Constitucional. 4. Cuidandose de tributo autorizado pelo Texto Magno, não se aplica a norma insculpida no citado parágrafo. Basta, portanto, a edição de lei ordinária, para a instituição da nova incidência. 5. No que tange especificamente às sociedades cooperativas, cumpre assinalar, em um primeiro momento, que a Lei 5.764/71 definiu, em seu artigo 79, o ato cooperativo, dizendoo como o ato realizado entre a cooperativa e seus associados e viceversa, bem como entre cooperativas, para a consecução de seus objetivos sociais. Já o parágrafo único desse mesmo dispositivo, prescreve que “o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra venda de produto ou mercadoria”. 6. A partir desses dispositivos legais, é de ter como certo que os atos cooperativos são apenas os realizados entre a entidade cooperativa e seus associados e viceversa, ou entre cooperativas, e não são destinados à obtenção de lucro. Logo, ficam excluídas dessa categoria, as operações com empresas comuns. 7. Nessa ordem de raciocínio, é certo qualificar a relação veiculada entre as cooperativas para a venda de serviços de seus associados a empresas comuns como operações com terceiros, portanto não sujeitas à legislação específica das cooperativas. 8. Nesses casos, muito embora a cooperativa participe como intermediária na venda de serviços, é certo que esses são efetivamente prestados pelos associados, que recebem sua remuneração como contraprestação, ainda que tais valores sejam inicialmente repassados à cooperativa contratada. Na realidade, são os profissionais associados prestando serviços de transporte, no caso dos taxistas, e de saúde, tratandose de médicos. 9. Verificase que a Lei 9.876/99, em seu artigo 1º, tornou obrigatória a contribuição para a seguridade social pelo tomador de serviço, no percentual de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 225 15 serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. 10. Antes da Lei 9.876/99, a forma da exação em tela vinha disciplina na Lei Complementar 84/96, segundo a qual o sujeito passivo era a cooperativa de trabalho, ou seja, na sistemática anterior, o recolhimento era feito pelas próprias cooperativas de trabalho, tendo como base de cálculo o valor das importâncias pagas aos cooperados, pelos serviços prestados por seu intermédio. 11. Com o advento da Lei n° 9.876/99, a partir de 1º/3/2000 (1° dia do mês seguinte ao nonagésimo dia contado da publicação art. 12 da Emenda Constitucional n° 20) as cooperativas ficaram desobrigadas de recolher a contribuição patronal, tendo sido essa responsabilidade repassada para o tomador de serviços, agora à luz do novo preceito constitucional, restando desde então sem efeitos a Lei Complementar n° 84/96. 12. Recurso do autor improvido. Data da Decisão 19/10/2010 , Data da Publicação 12/11/2010 (nosso grifo) ....... Processo AC 200150020001216AC APELAÇÃO CIVEL – 306271 , Relator(a) Desembargadora Federal LANA REGUEIRA , Sigla do órgão TRF2 , Órgão julgador QUARTA TURMA ESPECIALIZADA , Fonte EDJF2R Data::26/07/2010 Página::63/64 Decisão: A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ementa: TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS LEI Nº 9.876/99 CONSTITUCIONALIDADE EQUIPARAÇÃO DE COOPERATIVAS A EMPRESAS PARA FINS DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECURSO PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA. I A EC 20/98, dando nova redação ao art. 195, I "a", da Constituição, estabeleceu que a contribuição social incidiria sobre "a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício." II A Lei 9.876/99 somente acrescentou o inciso IV ao art. 22 da Lei n. 8.212/91, determinando a retenção de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte da empresa contratante de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, não sendo admitida qualquer parcela dedutível da base de retenção, recolhendoa ao INSS até o dia 2 do mês subseqüente ao vencido. III A contribuição social, que, antes, tinha como sujeito passivo as cooperativas, relativamente a associados seus, que prestam serviços a outras empresas ou pessoas jurídicas, passou a ter como base legal a Lei 9.876/99, que tem seu suporte constitucional na nova regra constante da EC 20/98. IV Nenhuma inconstitucionalidade macula a Lei 9.876/99, nem mesmo no ponto em que revogou a LC 84/96, pois, ao fazêlo, já revogou uma lei nominalmente complementar, mas formal e substancialmente ordinária, em Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 226 16 virtude do advento da EC 20/98, que a transformara em lei ordinária. V – As cooperativas só não estão sujeitas à contribuição social referida no inciso IV do art. 22 da Lei n. 8.212/91, alterada pela Lei n. 9.876/99, por não revestirem mais a condição de sujeito passivo dessa contribuição, justo porque passaram a revestila as empresas e pessoas jurídicas que se valem dos serviços dos cooperativados, como permitido pela nova EC 20/98. VI Contudo, in casu, o fato da autora ter natureza jurídica de cooperativa não a isenta de recolher a exação em voga quando contrata serviços de cooperados de outras cooperativas. Para fins de recolhimento de contribuiçõs previdenciárias, as cooperativas devem ser equiparadas às demais pessoas jurídicas constituídas como empresas mercantis, conforme previsão do par. único do art.15 da Lei nº 8.212/91, sob à luz do caput e inciso I do art. 195 da CF. Caso contrário, estarseia criando uma hipótese de isenção não prevista em lei. VII Recurso provido. Sentença reformada. Data da Decisão 29/06/2010 , Data da Publicação 26/07/2010 (nosso grifo) O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, a Instrução para o Contribuinte – IPC; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes das folhas 01 a 100, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei n° 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA Quanto à multa aplicada na autuação fiscal em epígrafe, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 227 17 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3odeste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativa à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Lei nº 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendose aplicar o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003829/200994 Acórdão n.º 280301.310 S2TE03 Fl. 228 18 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 12963.000023/2010-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2006
CONCOMITÂNCIA COM DEMANDA JUDICIAL. SÚMULA 1 DO CARF. EQUIVALÊNCIA A RENÚNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito
Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-001.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Cabe no caso a aplicação do enunciado da Súmula Carf nº 1, consolidada nos termos do artigo 2º da Portaria nº 49, de 1º de dezembro de 2010 (DOU 09/12/2010, Seção I, p. 235), segundo o qual "importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do
processo administrativo".
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2006 CONCOMITÂNCIA COM DEMANDA JUDICIAL. SÚMULA 1 DO CARF. EQUIVALÊNCIA A RENÚNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Cabe no caso a aplicação do enunciado da Súmula Carf nº 1, consolidada nos termos do artigo 2º da Portaria nº 49, de 1º de dezembro de 2010 (DOU 09/12/2010, Seção I, p. 235), segundo o qual "importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo".
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2073; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 85 1 84 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000023/201003 Recurso nº 12.963.000023201003 Voluntário Acórdão nº 280301.278 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente SAO TOMAS DE AQUINO PREF. MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2006 CONCOMITÂNCIA COM DEMANDA JUDICIAL. SÚMULA 1 DO CARF. EQUIVALÊNCIA A RENÚNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Cabe no caso a aplicação do enunciado da Súmula Carf nº 1, consolidada nos termos do artigo 2º da Portaria nº 49, de 1º de dezembro de 2010 (DOU 09/12/2010, Seção I, p. 235), segundo o qual "importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo". (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000023/201003 Acórdão n.º 280301.278 S2TE03 Fl. 86 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000023/201003 Acórdão n.º 280301.278 S2TE03 Fl. 87 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que manteve o lançamento de crédito tributário oriundo da incidência de contribuições previdenciárias oriundas de glosas de compensação, no período de set/2005 a mai/2006, utlizandose de créditos oriundos dos períodos de créditos advindos de contribuições previdenciárias decorrentes de remunerações de agentes políticos (prefeito, viceprefeito e vereadores), no período de 01/02/1998 a 18/09/2004. As razões da decisão encontramse no argumento de que a aplicação do disposto no art. 12, I, h, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 9.506/1997, que coloca os agentes políticos como contribuintes da Previdência Social não poderia ser afastado (art. 26A, do Decreto 70.235/1972), de forma a gerar créditos hábeis à compensação, bem como o prazo prescricional para compensação/repetição de indébito é de qüinqüenal. O recurso voluntário da Recorrente foi protocolizado tempestivo (fls. 6365 dos autos digitais), alegando que: a) o dispositivo do art. 12, I, h, da Lei n. 8.212/1991, com a redação do art. 13, §1º, da Lei n. 9.506/1997, teve sua aplicação suspensa em razão da Resolução n. 26/2005 do Senado Federal, em razão de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 – Paraná; b) o prazo prescricional em questão é de 10 (dez) anos, segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça; c) o auto de infração e a decisão questionados são conflitantes com a sentença de procedência prolatada nos autos n. 2007.34.00.035312, da 4ª Vara Federal do Distrito Federal.(fls. 66/72 dos autos digitais) Os autos vieram à presente Turma Especial do CARF/MF para apreciação. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000023/201003 Acórdão n.º 280301.278 S2TE03 Fl. 88 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), porém ele não deve ser conhecido. As razões do não conhecimento está justamente na concomitância entre o objeto das alegações do Recurso Voluntário e da supra indicada sentença, que justamente se pronuncia quanto ao indébito causado pela aplicação indevida o dispositivo do art. 12, I, h, da Lei n. 8.212/1991, com a redação do art. 13, §1º, da Lei n. 9.506/1997, que teve sua aplicação suspensa em razão da Resolução n. 26/2005 do Senado Federal, em razão de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 – Paraná, bem como reconheceu o prazo prescricional de 10 (dez) anos para o pedido de restituição/compensação de indébito, segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça. Inclusive, a demanda envolve o indébito apurado no período de janeiro de 1998 a outubro de 2002, competências que incluem as que são objeto da glosa do questionado auto de infração. Assim, cabe no caso a aplicação do enunciado da Súmula Carf nº 1, consolidada nos termos do artigo 2º da Portaria nº 49, de 1º de dezembro de 2010 (DOU 09/12/2010, Seção I, p. 235), segundo o qual "importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo". Isso posto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO. É o meu voto. Sala de Sessões, 19 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.914443/2012-92
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS INOMINADOS - LAPSO MANIFESTO
Verificado o lapso manifesto no acórdão embargado, cabíveis os embargos declaratórios para alterar o dispositivo, de forma a eliminar o lapso manifesto com a parte dispositiva do acórdão e com o voto vencedor.
Numero da decisão: 1002-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Voto no acórdão 1002-002.240 de provimento parcial para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: FELLIPE HONORIO RODRIGUES DA COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 EMBARGOS INOMINADOS - LAPSO MANIFESTO Verificado o lapso manifesto no acórdão embargado, cabíveis os embargos declaratórios para alterar o dispositivo, de forma a eliminar o lapso manifesto com a parte dispositiva do acórdão e com o voto vencedor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Voto no acórdão 1002-002.240 de provimento parcial para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Voto no acórdão 1002-002.240 de “provimento parcial” para “negar provimento” ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório A servidora integrante da Equipe de Execução do Direito Creditório da 1ª Região Fiscal (EQCRE DEVAT01-VR), sob a forma de “Despacho de Encaminhamento” (fl. 106), contra o Acórdão nº 1002-002.240 de 06 de dezembro de 2021, às e-fls. 95/101 para os seguintes esclarecimentos, in verbis:. DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO - Trata-se de solicitação de esclarecimento sobra a data limite de transmissão das Dcomp que serão consideradas homologadas tacitamente. No Acórdão do Recurso cita ¿até 20/02/2008, data em que o contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 44 43 /2 01 2- 92 Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.607 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.914443/2012-92 deu-se por citado do Despacho Decisório, pela apresentação da Manifestação de Inconformidade¿. No entanto, a data da apresentação da Manifestação foi em 20/02/2013. Se considerar a data 20/02/2008, conforme consta no Acórdão, não ocorrerá homologação de nenhuma Dcomp, pois a 1ª foi transmitida em 29/02/2008. Sendo assim, mediante o Despacho de e-fls. 109/111, o Sr. Presidente desta Segunda Turma Extraordinária acolheu os Embargos para a análise da omissão suscitada nos seguintes termos: “(...)Todavia, restou registrado, por equívoco, tanto na parte dispositiva do acórdão quanto na conclusão do voto do i. Conselheiro Relator, que a ciência a respeito do Despacho Decisório teria se dado em 20/02/2008. Diante de tal quadro, assumo a autoria dos presentes embargos e os ACOLHO como inominados, com fundamento no art. 66 do Anexo II do RICARF/2015, tendo em vista a existência de inexatidões materiais por lapso manifesto. À SECAM, para providenciar o sorteio dos presentes embargos dentre os Conselheiros da 2ª Turma Extraordinária da 1ª Seção, para inclusão em pauta de julgamento.” Assim, como o Conselheiro Relator não faz mais parte desta Turma de Julgamento, o processo foi encaminhado para este relator para análise, pelo que passo a proceder o julgamento dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Relator. Admissibilidade Inicialmente, destaco que a análise da tempestividade dos presentes Embargos já fora analisada pelo Presidente desta Turma por ocasião do Despacho de encaminhamento, razão pela qual os tenho como tempestivos e, para além disso, preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, pois deles tomo conhecimento. Mérito No que diz respeito ao mérito dos Embargos, ao cotejar o acórdão recorrido e as razões do acolhimento embargos, realmente constatamos a existência de lapso manifesto diante da transcrição das datas da ciência do contribuinte do Despacho Decisório que determinaria no caso concreto, o marco retroativo para o limite da transmissão das Dcomps, pelo que assim foi citado no despacho de encaminhamento (e-fls. 106), in verbis: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO - Trata-se de solicitação de esclarecimento sobra a data limite de transmissão das Dcomp que serão consideradas homologadas tacitamente. No Acórdão do Recurso cita ¿até 20/02/2008, data em que o contribuinte deu-se por citado do Despacho Decisório, pela apresentação da Manifestação de Inconformidade¿. No entanto, a data da apresentação da Manifestação foi em Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.607 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.914443/2012-92 20/02/2013. Se considerar a data 20/02/2008, conforme consta no Acórdão, não ocorrerá homologação de nenhuma Dcomp, pois a 1ª foi transmitida em 29/02/2008. Assim, como bem pontuou o Presidente desta Segunda Turma na oportunidade da análise de acolhimento dos Embargos no Despacho de e-fls. 109/111, in verbis: (...) Ocorre que a fundamentação do voto é clara no sentido de que a ciência da contribuinte acerca do Despacho Decisório se deu em 20/02/2013, operando-se a homologação tácita das DCOMP transmitidas até 20/02/2008: Não é demais suscitar matéria de ordem pública correlata à decadência. Tendo o contribuinte tomado ciência espontânea do Despacho Decisório em 20/02/2013, já que inexiste nos autos comprovante de sua intimação, operou-se a homologação tácita das declarações de compensação transmitidas até de 20/02/2008. Todavia, restou registrado, por equívoco, tanto na parte dispositiva do acórdão quanto na conclusão do voto do i. Conselheiro Relator, que a ciência a respeito do Despacho Decisório teria se dado em 20/02/2008. (...) Sendo assim, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos para fins de que se considere a data de ciência do Despacho Decisório como sendo 20 de Fevereiro de 2013 e não e não 20 de fevereiro de 2008. No entanto, a referida alteração ainda assim não resolveria o problema, uma vez que, em considerando a data da ciência do despacho decisório como sendo 20 de fevereiro de 2013, haveria fatalmente a homologação tácita de todas as Dcomps transmitidas até 20 de fevereiro de 2008. Ocorre que, no DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO, a servidora que o subscreveu traz a informação de que a primeira DCOMP foi transmitida em 29/02/2008, ou seja após o dia 20 de fevereiro de 2008, portanto, em consequência, não haveria a homologação tácita de nenhuma das DCOMPS posto que elas estariam dentro do prazo de cinco da ciência do despacho decisório, razão pela qual acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Voto no acórdão 1002-002.240 de “provimento parcial” para “negar provimento” ao recurso, tendo em vista que não apenas se observou o erro na transcrição na data de ciência do despacho decisório, como também se reconheceu equivocadamente a homologação tácita das DCOMPS, uma vez que, como dito, a primeira delas foi transmitida em 29/02/2008, portanto, dentro do prazo de cinco anos, procedendo assim a seguinte modificação no Dispositivo do Acórdão nº 1002-002.240 de 06 de dezembro de 2021, às e-fls. 95/101, ratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos. Seja, portanto, considerado o seguinte Dispositivo: 4 – Dispositivo Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares suscitadas, e negar provimento ao Recurso Voluntário, já que a data em que o contribuinte deu-se por citado do Despacho Decisório foi 20 de Fevereiro de 2013 e a primeira DCOMP foi transmitida em 29/02/2008, portanto, dentro do prazo de cinco anos. Ressalvo, que na eventualidade de haver alguma DCOMP anterior a data de 20 de fevereiro de 2008, que seja reconhecida a homologação tácita de ofício por ser matéria de ordem pública. Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.607 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.914443/2012-92 Conclusão Sendo assim, voto em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Voto no acórdão 1002-002.240 de “provimento parcial” para “negar provimento” ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa Fl. 116DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720129/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 30/12/2008
FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO. Tratando-se de lançamento com base em documentos apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, não se exige a anexação ao processo administrativo de todos os documentos analisados, sendo suficiente a indicação pormenorizada dos mesmos.
PRODUTOR RURAL COM ATIVIDADE AUTÔNOMA. O produtor rural pessoa jurídica que desenvolve atividades econômicas autônomas deve recolher a contribuição sobre a folha de salários, em todas as atividades, e não a contribuição de forma substitutiva.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido o lançamento em seu estado original.
Numero da decisão: 2301-010.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Joao Mauricio Vital Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 30/12/2008 FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO. Tratando-se de lançamento com base em documentos apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, não se exige a anexação ao processo administrativo de todos os documentos analisados, sendo suficiente a indicação pormenorizada dos mesmos. PRODUTOR RURAL COM ATIVIDADE AUTÔNOMA. O produtor rural pessoa jurídica que desenvolve atividades econômicas autônomas deve recolher a contribuição sobre a folha de salários, em todas as atividades, e não a contribuição de forma substitutiva. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido o lançamento em seu estado original.
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COMPROVAÇÃO. Tratando-se de lançamento com base em documentos apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, não se exige a anexação ao processo administrativo de todos os documentos analisados, sendo suficiente a indicação pormenorizada dos mesmos. PRODUTOR RURAL COM ATIVIDADE AUTÔNOMA. O produtor rural pessoa jurídica que desenvolve atividades econômicas autônomas deve recolher a contribuição sobre a folha de salários, em todas as atividades, e não a contribuição de forma substitutiva. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido o lançamento em seu estado original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Joao Mauricio Vital – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Mauricio Dalri Timm do Valle e João Mauricio Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 01 29 /2 01 2- 10 Fl. 453DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.329 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720129/2012-10 Relatório De acordo com o Relatório Fiscal a empresa dedica-se às atividades de extração, industrialização, comercialização e exportação de produtos minerais naturais e beneficiados em sua matriz e atividades de agropecuária e silvicultura nas filiais 0003-10 e 0004-00. A empresa, equivocadamente, as enquadrou como produtoras rurais, FPAS 604, recolhendo somente as contribuições descontadas dos segurados e a outras entidades (FNDE e INCRA). Não houve recolhimentos sobre a comercialização da produção rural que ocorreu, fato constatado através das notas fiscais de saída e contabilidade. Ocorre que, como a empresa dedica-se também às atividades de mineração, não pode haver seu enquadramento como produtor rural FPAS 604 para as filiais, conforme previsto no Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigo 201, incisos I a IV, e § 22. A fiscalização enquadrou as filiais 0003 e 0004 no código FPAS- 787. Para aplicação da multa foi observado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, como descrito no relatório fiscal, fls. 47 a 49. O contribuinte teve ciência das autuações em 8/3/2012, fl. 70, e apresentou impugnação, fls. 76 a 90, em 9/4/2012,alegando em síntese: => Preliminar: Nulidade do lançamento: ausência de documentos apresentados no curso da fiscalização e imprescindíveis ao pleno exercício da ampla defesa e do contraditório. A fiscalização durante seus trabalhos examinou os resumos das folhas de pagamento, as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, as Guias da Previdência Social – GPS e contrato social, sem contudo, anexar aos autos cópias dos documentos examinados, o que invalida o procedimento fiscal, e, consequentemente, as autuações. Citada providência era necessária para garantir o direito de defesa do contribuinte, conforme artigo 5º, inciso LV, da CF/88. É imprescindível que se torne público no processo administrativo todos os documentos que a fiscalização teve acesso, para que os julgadores possam exercer o controle de validade e legalidade do lançamento, bem como a legitimidade da conduta dos agentes administrativos. Além dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da publicidade, o artigo 9º do Decreto 70.235/1972 dispõe de forma clara e objetiva sobre a obrigatoriedade de instruir o processo administrativo com todos os elementos de prova indispensáveis para comprovação do ilícito. Sem prejuízo da alegada nulidade do lançamento, requer com base no princípio da eventualidade e no artigo 37 da CF/88 que os fiscais sejam intimados para discriminar e juntar os documentos analisados no procedimento fiscal. => Decadência das contribuições previdenciárias – prazo de cinco anos para constituir o débito. Estão decaídas as competências 12/2006 a 03/2008, visto que a intimação válida da impugnante deu-se em 8/3/2012, ultrapassando o prazo de cinco anos previsto tanto no artigo Fl. 454DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.329 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720129/2012-10 150, § 4º, quanto no artigo 173, inciso I, do CTN. Requer a declaração de nulidade dos autos de infração, nas competências 12/2006, 13/2006, 01/2007 e 02/2007. Direito. Retenção da Contribuição Previdenciária pelo Comprador – exação paga – Bis in idem. Os adquirentes da produção rural, mesmo quando o vendedor é produtor rural pessoa jurídica, tendo em vista a praxe, a complexidade do sistema tributário brasileiro e do temor da fiscalização fazendária, tomam equivocadamente como regra a retenção da contribuição previdenciária trazida pelo artigo 30, incisos III e IV, da Lei 8.212/1991. Diante da retenção na fonte das exações em questão, pelo adquirente da produção rural, não há que se falar em ausência de recolhimento por parte da impugnante, devido à extinção do crédito pelo pagamento (inciso I do artigo 156 do CTN). Correto enquadramento da impugnante na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social – produtor rural pessoa jurídica – FPAS 604. Está correto o enquadramento da impugnante na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social – produtor rural pessoa jurídica – FPAS 604. De acordo com os artigos 109 B e 109 C da IN 971/2009, cabe à pessoa jurídica classificar a atividade por ela desenvolvida e atribuir-lhe o código FPAS correspondente à principal atividade desenvolvida pela empresa, assim considerada a que constitui seu objeto social. A filial 0003-10 exerce atividades ligadas exclusivamente à produção rural, dessa forma estaria a empresa alcançada pela substituição prevista no artigo 175 da IN 971/2009, já que não pratica qualquer atividade considerada autônoma, nos termos do inciso XXII do artigo 165 da IN 971/2009. O enquadramento no FPAS deve ser feito em relação à atividade preponderante de cada empresa, e no caso da filial 0003, a atividade preponderante é a produção rural. Caso desconsidere as retenções realizadas na fonte pelos adquirentes da produção rural, deve-se ter como base de cálculo, a receita bruta da comercialização da produção rural, pelo produtor rural pessoa jurídica e nunca a folha de salário de seus empregados. Requer: A nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa pela ausência nos autos dos documentos que o embasaram. A intimação dos fiscais para discriminarem e juntarem aos autos os documentos analisados no processo; O cancelamento dos autos de infração, tendo em vista a retenção pelo adquirente da produção rural dos valores referentes a contribuição previdenciária, cota patronal, o correto enquadramento da filial 0003-10 no FPAS 604. Protesta por todas as provas admitidas em direito, especialmente a documental. A DRJ Belo Horizonte, na análise da impugnação manifesta o seu entendimento no seguinte sentido: Fl. 455DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.329 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720129/2012-10 A nulidade do feito fiscal pelo fato de não ter sido instruído com cópia da documentação que embasa o lançamento. Referida documentação foi solicitada pela fiscalização à empresa por meio dos Termos de Início de Procedimento Fiscal e de Intimação Fiscal 01 e 02 e restituída após análise. O fato do lançamento não estar instruído com cópia dos documentos em que se fundamenta não o macula, não se vislumbrando os alegados prejuízos à defesa e contraditório do sujeito passivo, posto que livremente pode cotejar sua documentação com o lançamento, apontando eventuais incorreções. Assim, o ônus de provar a ocorrência do fato gerador não exige a anexação ao processo de todos os documentos analisados, sendo suficiente a indicação destes. O art. 142 do CTN define os contornos básicos do ato administrativo de lançamento, sendo imprescindível para a própria caracterização da relação jurídica tributária O auditor fiscal registrou em seu relatório que para apuração do débito junto ao contribuinte foram verificados os resumos das folhas de pagamento, as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, as Guias da Previdência Social – GPS, contrato social e alterações. As bases de cálculo lançadas constam dos Relatórios de Lançamento, fls. 20 a 22 (AI 37.302.209-3) e fls. 41 a 43 (AI 37.302.212-3) e dos Discriminativos do Débito, fls. 4 a 9 – AI 37.302.209-3 e 24 a 29 – AI 37.302.212-3, bem como as alíquotas aplicadas no cálculo das contribuições. No Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 18/19 e 38/40, estão elencados todos os dispositivos legais que fundamentam o lançamento, prazo e obrigação de recolher, bem como acréscimos legais (juros e multa). Logo, o lançamento fiscal atende aos requisitos do artigo 142 do CTN, bem como os do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Questões como base de cálculo, alíquota utilizada no cálculo da contribuição devida, cálculo de juros e multa são verificáveis pela leitura do auto de infração emitido. Atente-se ainda que nada foi apresentado pelo impugnante que colocasse em dúvida os valores lançados na autuação fiscal. Ademais os documentos que embasaram os lançamentos são de elaboração e guarda do próprio impugnante. Decadência. Pleiteia o impugnante a declaração de nulidade dos autos de infração, nas competências 12/2006, 13/2006, 01/2007 e 02/2007. Quando se tratar de crédito tributário o qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, aplica-se o disposto no Código Tributário Nacional – CTN, artigo 150, § 4º. Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no artigo 173 do mesmo Código. Fl. 456DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.329 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720129/2012-10 Assim, diante do fato de que não houve antecipação do pagamento do tributo lançado no AI 37.302.209-3, pois o sujeito passivo sequer o reconhecia como fato gerador de contribuição previdenciária, aplica-se o disposto no CTN, artigo 173, inciso I. Logo, o presente lançamento, ocorrido em 02/2012, poderia retroagir a 12/2006 (vencimento da obrigação em 2/1/2007). A partir desta data, o lançamento poderia ser constituído. Portanto, o prazo decadencial começou a fluir em 1/1/2008, extinguindo-se o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento em 31/12/2012. Contudo, para a contribuição devida incidente sobre o valor bruto do décimo terceiro salário, o recolhimento das contribuições deve ser efetuado até o dia 20/12, nos termos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigo 216, § 1º. Logo, depois dessa data, se não ocorreu o cumprimento da obrigação por parte do sujeito passivo, surge para a fazenda pública o direito de constituir o crédito tributário. Assim, o prazo decadencial começa a fluir no primeiro dia do exercício seguinte. No presente caso, para o 13º de 2006 (vencimento da obrigação em 20/12/2006), o prazo decadencial começou a fluir em 1/1/2007, extinguindo-se o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento em 31/12/2011, portanto, operou-se a decadência em relação a esta parcela do lançamento. Desta forma, deve ser excluída do AI 37.302.209-3, a contribuição relativa ao 13º salário de 2006. Quanto ao AI 37.302.212-3, considerando que houve antecipação do pagamento, conforme Discriminativo do Débito, fls. 24 a 29, e relatório fiscal, item 3, considerando que o lançamento foi consolidado em 23/2/2012, com ciência do contribuinte em 8/3/2012, aplica-se o § 4º do artigo 150 do CTN. Assim devem ser excluídas desta autuação as competências 12/2006, 13/2006, 01/2007 e 02/2007, devendo ser mantidas as demais. Direito. Retenção da Contribuição Previdenciária pelo Comprador – exação paga – Bis in idem. Correto enquadramento da impugnante na tabela de códigos FPAS – produtor rural pessoa jurídica – FPAS 604. O contribuinte deixou de recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores de seu estabelecimento 01.774.668/0003-10 (produtor rural) por entender que em relação a eles caberia a substituição dessas contribuições por aquelas incidentes sobre o receita bruta da comercialização da produção rural e que seu enquadramento no código FPAS 604 estaria correto. Segundo o artigo 25 da Lei 8.870/1994, na redação dada pela Lei 10.256/2001, incide a contribuição sobre a receita bruta da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários, prevista nos incisos I e II do artigo 22 da Lei 8.212/1991, desde que, a pessoa jurídica, exceto a agroindústria, não explore, além da atividade rural, outra atividade econômica autônoma, conforme § 22 do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Especificamente, o artigo 201, inciso IV e § 22, do Regulamento da Previdência Social, dispõe as regras. Fl. 457DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-010.329 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720129/2012-10 As alterações promovidas pelo Decreto 4.032/2001 tornaram mais evidente a regra pela qual o produtor rural pessoa jurídica dedicado a mais de uma atividade econômica autônoma deve contribuir com base na remuneração de todos os seus trabalhadores, independente da atividade em que atuam, e não com base na receita bruta auferida com a comercialização da produção rural. A empresa Alto Boa Vista Mineração Ltda dedica-se às atividades de extração, industrialização, comercialização e exportação de produtos minerais naturais e beneficiados em sua matriz e atividades de agropecuária e silvicultura nas filiais 0003-10 e 0004-00 (relatório fiscal – item 3 – fl. 46 e contrato social – fl. 94). Vê-se também, pelo objetivo social da empresa, que a mesma não tem como finalidade a industrialização de sua produção rural e, portanto, não pode ser considerada agroindústria para fins de aplicação da Legislação Previdenciária. Como o impugnante é pessoa jurídica, não agroindustrial, que explora outras atividades econômicas autônomas além da atividade rural, é inconteste que deve recolher as contribuições devidas a Seguridade Social e a Outras Entidades e Fundos com base nos valores de remuneração demonstrados nas Folhas de Pagamento de todos os seus estabelecimentos, inclusive aqueles dedicados a produção rural, não se lhe aplicando a substituição prevista na Lei 8.870/1994. Assim não procede a alegação do contribuinte quanto ao correto enquadramento da filial 01.774.668/0003-10 no código FPAS 604, nem a de que sua contribuição como pessoa jurídica produtora rural tenha sido retida pelos adquirentes, por falta de previsão legal. Produção de Provas. Na parte final da impugnação, a defesa protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental. O processo administrativo fiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na impugnação, sob pena de preclusão, nos moldes do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 Nesse sentido, não cabe à Autoridade julgadora deferir a produção de prova documental, pois a mesma deve ser apresentada com a impugnação, a menos que ocorra uma das hipóteses de exceção previstas no art. 16 do referido decreto, o que não se vislumbrou no presente caso. Isto posto, vota a DRJ no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, exonerando o contribuinte por decadência, do crédito constituído na competência 13/2006 (AI 37.302.209-3) e nas competências 12/2006, 13/2006, 01/2007 e 02/2007 (AI 37.302.212-3). Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte segue sustentando suposta nulidade do auto, suposto Bis In Idem, correto enquadramento no FPAS 604. Às fls 481 do pdf a Secretaria da Receita informa que houve parcelamento dos débitos. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-010.329 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720129/2012-10 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo. Mas não deve ser conhecido. De acordo com o quanto exposto, verifica-se que o contribuinte solicitou o parcelamento do crédito tributário lançado. Esse fato, enseja renúncia de todas as alegações de direito sobre as quais se funda, conforme disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343, de 09/06/2015. senão vejamos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornando- se insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado com pedido de parcelamento do débito. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Fl. 459DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-010.329 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.720129/2012-10 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 460DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720242/2017-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2013
EMENTA
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DOS RECIBOS EMITIDOS PELOS PRESTADORES DE SERVIÇO. REDUÇÃO DOS MEIOS PROBATÓRIOS À CERTIFICAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA OU DA DISPONIBILIDADE DE VALORES POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO PRÉVIA, ESPECÍFICA E PRECISA. VALIDADE. MANUTENÇÃO.
A orientação firmada por esta Turma Extraordinária entende ser válida a glosa das deduções a título de despesa médica, na hipótese de o passivo deixar de apresentar documentação emitida por instituição financeira responsável pela operação de transferência de valores, ou pelo fornecimento de dinheiro em espécie na proximidade da data de vencimento da obrigação, se houve intimação prévia e expressa para tanto.
Numero da decisão: 2001-005.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2013 EMENTA DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DOS RECIBOS EMITIDOS PELOS PRESTADORES DE SERVIÇO. REDUÇÃO DOS MEIOS PROBATÓRIOS À CERTIFICAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA OU DA DISPONIBILIDADE DE VALORES POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO PRÉVIA, ESPECÍFICA E PRECISA. VALIDADE. MANUTENÇÃO. A orientação firmada por esta Turma Extraordinária entende ser válida a glosa das deduções a título de despesa médica, na hipótese de o passivo deixar de apresentar documentação emitida por instituição financeira responsável pela operação de transferência de valores, ou pelo fornecimento de dinheiro em espécie na proximidade da data de vencimento da obrigação, se houve intimação prévia e expressa para tanto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
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DESPESA MÉDICA. REJEIÇÃO. GLOSA MOTIVADA PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DOS RECIBOS EMITIDOS PELOS PRESTADORES DE SERVIÇO. REDUÇÃO DOS MEIOS PROBATÓRIOS À CERTIFICAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA OU DA DISPONIBILIDADE DE VALORES POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO PRÉVIA, ESPECÍFICA E PRECISA. VALIDADE. MANUTENÇÃO. A orientação firmada por esta Turma Extraordinária entende ser válida a glosa das deduções a título de despesa médica, na hipótese de o passivo deixar de apresentar documentação emitida por instituição financeira responsável pela operação de transferência de valores, ou pelo fornecimento de dinheiro em espécie na proximidade da data de vencimento da obrigação, se houve intimação prévia e expressa para tanto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 02 42 /2 01 7- 58 Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o(a) contribuinte, acima identificado(a), foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 47/52, relativo ao ano-calendário de 2013, para formalização de exigência e cobrança de imposto suplementar no valor total de R$ 11.428,45, incluindo multa de ofício e juros de mora. A(s) infração(ões) apurada(s) pela Fiscalização, relatada(s) na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se detalhados às fls. 49/50. - Dedução Indevida de Despesas Médicas: Glosa das despesas médicas ora relacionadas, por falta de comprovação, apesar de intimado a comprovar a efetividade destes dispêndios. Inconformado(a) com a exigência, cuja ciência ocorreu em 28/12/2016 (AR às fls. 53), o(a) interessado(a), através de seu(ua) procurador(a) (instrumentos às fls. 06/07), apresentou impugnação total em 27/01/2017 (fls. 04/13), alegando a improcedência da autuação. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da Coordenação-Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, encaminhou-se o presente e-processo para apreciação pela DRJB/Fortaleza. É o relatório. A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 e suas alterações posteriores. Portanto, dela se toma conhecimento. Da análise da matéria consubstanciada na Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF e seus anexos, na peça impugnatória e nos demais documentos acostados ao processo, fundamento, na qualidade de autoridade julgadora, esta decisão nas verificações a seguir descritas. Das Preliminares: Oitiva de Testemunhas: Em relação à oitiva de testemunhas, não há previsão no Processo Administrativo Fiscal para audiência de instrução, onde são ouvidas testemunhas. Os testemunhos que o contribuinte tenha em seu favor deveriam ser apresentados sob forma de declaração escrita, junto com a sua impugnação. Ademais, como já dito, à exceção dos casos legais supracitados, a apresentação de documentos está a cargo do contribuinte, e deve acontecer junto com a peça impugnatória. Não há regra no Decreto nº 70.235/72 que autorize sua admissão. No processo administrativo tributário, por sua feição peculiar, predominam a prova documental, a prova pericial e a prova indiciária. Desse modo, além de ser reduzido o valor probante da prova testemunhal no processo administrativo fiscal e não demonstrada a necessidade ou conveniência da realização de diligência para oitiva de testemunhas, deve ser indeferido tal pedido. Juntada de Documentos “a Posteriori”: Sobre o pedido para juntada de novos documentos, é de se esclarecer que no processo administrativo fiscal, diferentemente do que ocorre no processo civil, as provas devem ser apresentadas no prazo da impugnação do lançamento, devendo-se observar o estabelecido pelo art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e pelo art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/93) (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine- se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97) § 5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.” (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97) Como no caso dos presentes autos, não ocorreram as circunstâncias acima descritas, indefere-se o pedido de juntada de novos documentos formulado pela defesa. No Mérito: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A dedução de despesas médicas é assunto cuja base normativa encontra-se na Lei 9.250/95, a qual trata da tributação das pessoas físicas pelo imposto de renda. Conforme estabelece o art. 7° e seguintes da lei, os contribuintes deverão apresentar, à Receita Federal, declaração de rendimentos contendo todas as informações relativas à apuração do imposto. É dispensada a juntada de documentos à declaração, devendo, contudo, o contribuinte mantê-los em boa guarda, pois poderão ser necessários para comprovar as informações prestadas, em procedimento de revisão da declaração ou de fiscalização, que venha se realizar enquanto não decorrido o prazo decadencial. O art. 8°, inserido no Capítulo III da Lei, que trata da declaração de rendimentos, dispõe sobre a base de cálculo do tributo, que se determina, basicamente pela diferença entre os rendimentos tributáveis e as deduções estabelecidas em seu inciso II: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: (...)" Dentre as deduções admitidas, encontram-se as da alínea “a”, que, interpretada conjuntamente com o que dispõe o inciso II, do § 2°, permite concluir que, de modo geral, são dedutíveis as despesas realizadas com a finalidade de manter ou restaurar a saúde do contribuinte e de seus dependentes, quando correspondentes a serviços prestados pelos profissionais na mencionada alínea indicados, ou a aquisição dos serviços ou produtos também ali constantes: "Art. 8º (...) Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 II – (...) a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...)" Como destacado o aproveitamento das despesas independe de comprovação prévia, ficando apenas sujeita a possível verificação futura. Vindo isto ocorrer, deverá o contribuinte comprovar o desembolso tido com as despesas declaradas. Isto decorre de uma regra geral do Direito, segundo a qual quem alega algum fato deve comprová-lo, não lhe cabendo, para beneficiar-se do alegado, limitar-se a permanecer no terreno das afirmações. Se foi o contribuinte que inicialmente informou as despesas, para fins de dedução, deverá fazê-lo, quando instado a comprová-las, para usufruir das correspondentes deduções. Sobre o assunto dispõe o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), cuja matriz legal é o artigo 8º, inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.250/1995: “Art. 80 - Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º - O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º - Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º - Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 § 4º - As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º - As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º).” O mesmo Regulamento, em seu art. 73, § 1º, estabelece: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretos-lei nº 5.844, de 1943, art. 11 e § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º)." Em princípio, admitem-se como provas de pagamento os recibos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços. Entretanto, como destacado no Auto de Infração, pode a autoridade fiscal, a seu juízo, com base no citado art. 73 do RIR/1999, quando as deduções forem exageradas, exigir outros meios complementares de provas em relação a todas ou a algumas despesas declaradas. Sob tal aspecto, importa lembrar que a esta instância é conferida plena liberdade de apreciação dos elementos probatórios tal como preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Com efeito, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943. Os recibos oferecidos, por si sós, são considerados insuficientes para a aceitação da referida dedução no montante declarado, levando em conta o valor envolvido, pois, na verdade, fazem prova tão somente das declarações neles contidas, não dos fatos declarados. Por pertinente, incumbe dizer que as afirmações constantes de documentos, sejam os recibos ou as declarações prestadas pelos profissionais, não podem ser opostas, incontinenti, à Fazenda Pública, que têm seus próprios mecanismos e poderes. O Código Civil, por seu turno, regula as relações entre particulares. Assim, quando estabelece os requisitos básicos, por exemplo, para que um documento seja considerado prova de quitação, o faz tendo em vista a oposição deste documento em relação aos seus signatários, não em relação à Administração Pública. Aliás, a presunção de veracidade, como estatui o artigo 219 do Código Civil (Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002), opera-se somente em relação aos signatários: “Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários”. (o grifo é nosso). A presunção de veracidade não alcança terceiros, entre os quais o sujeito ativo da obrigação tributária, que mantém uma relação jurídica distinta e completamente independente daquela entre os signatários. É sabido que, em regra, os tratamentos de saúde e odontológicos mais onerosos correspondem a tratamentos mais complexos, sendo, por isso, precedidos por exames laboratoriais, radiológicos e outros. Além disso, é possível afirmar que, em regra, as dívidas de valores elevados são pagas em cheque ou cartão de crédito, por questões de segurança e de comodidade. Considerando esses fatores, que são de conhecimento geral, e, portanto, deduzidos a partir da ordinária experiência, presume-se que, nesses casos, em regra, é viável e Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 possível a apresentação, pelo contribuinte, de elementos complementares ao recibo de pagamento. O ônus quanto à comprovação e justificação das deduções fica a cargo do contribuinte e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao Fisco, neste caso, obter provas da imprestabilidade dos recibos, mas incumbe ao impugnante apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire sobre os documentos. Exige-se nesses casos, a comprovação da prestação dos serviços e, principalmente, da efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugere-se: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais. Com efeito, inexiste obrigação legal de que o contribuinte efetue os pagamentos com cheque cruzado e nominal, mas deve ter em conta que, caso tenha intenção de beneficiar-se de dedução de despesa médica, a questão passa a envolver não apenas ele e o profissional de saúde, mas também o Fisco. Nesse sentido, deve acautelar-se, mantendo sob sua guarda os elementos de prova da efetividade do serviço e do pagamento, pois ao contribuinte incumbe o ônus da prova da regularidade da dedução pleiteada, ao contrário do que alega a impugnante. A situação torna-se ainda mais complexa quando o interessado alega ter efetuado pagamento em dinheiro, como é o caso. Nada impede que o faça, mas é razoável admitir que o fato é de difícil comprovação. Também é equivocado entender-se que o inciso III do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação refere-se aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8º da Lei 9.250, de 1995. Documentos, de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento. Em situação similar, pode-se citar, a título ilustrativo, jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços.(Ac.104-22781, 4ª Câmara, 1º C.C., Data da Sessão 18/10/2007). No mesmo sentido: Ac. 104-22755, Data da Sessão 18/10/2007; Ac. 104-23092, Data da Sessão 06/03/2008, Ac. 104-23.035, Data da Sessão 05/03/2008. DESPESAS MÉDICAS - GLOSA - Não comprovada a efetividade dos dispêndios e nem a prestação dos serviços, correta a glosa da dedução pleiteada pelo contribuinte.(Acórdão CSRF/04-00.576, Data da Sessão: 19/06/2007, Relator Remis Almeida Estol). Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 DEDUTIBILIDADE - DESPESAS MÉDICAS - Passível de dedução despesa médica quando devidamente comprovados o pagamento da despesa e a efetiva prestação do serviço. (Acórdão CSRF 04-00.220, Data da Sessão: 14/03/2006, Relatora Leila Maria Scherrer Leitão, aprovado por maioria de votos)" Ultrapassadas as preliminares anteriormente apresentadas, passa-se a análise da documentação acostada pelo(a) impugnante. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. Contudo, mesmo que a contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. No caso, a Autoridade solicitou à contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, que corresponde ao primeiro requisito legal para a aceitação de uma dedução de despesa médica. Ressalte-se que a apresentação de movimentação bancária para efeito de comprovação de pagamentos em espécie devem apresentar coincidência de valores e datas, ou aproximações razoáveis, com a movimentação observada nos extratos. Assim, sem que haja qualquer correspondência entre os recibos apresentados e os saques efetuados, mantém-se de plano a glosa, pela falta de comprovação da efetividade dos pagamentos. A matéria em foco já está sedimentada no entendimento administrativo, podendo ser destacados, para ilustração, os seguintes ensinamentos estampados nas ementas de Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes: “IRPF - DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS - Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu). Quando o documento apresentado pelo contribuinte não preenche tais requisitos e também não é feita a comprovação do pagamento por qualquer outro meio de prova, deve prevalecer a glosa da referida despesa. (Ac. 106-16.880, sessão de 25/4/2008). COMPROVAÇÃO RECIBOS – Simples recibos não são suficientes para demonstrar a efetividade do pagamento a título de despesas com tratamento psicológico, mormente no caso de não terem sido trazidos aos autos provas adicionais suficientes à comprovação da efetiva prestação dos serviços e, ainda, existirem indícios de que eles não foram prestados. Somente podem ser dedutíveis quando comprovada mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado.” (6ª Câmara/Ac. 106-16.542, sessão de 17.10.2007) DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços.(Acórdão 104-22781, Sessão de 18/10/2007) DESPESAS MÉDICAS - GLOSA - Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 102-48922, Sessão de 25/01/2008)” À vista do exposto, VOTO por julgar IMPROCEDENTE a impugnação que ora se analisa, mantendo integralmente o crédito tributário exigido na Notificação de Lançamento acostada às fls. 47/52. Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 A decisão de primeira instância, proferida com dispensa da ementa, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/12/2017, o sujeito passivo interpôs, em 26/01/2018, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os documentos apresentados cumprem com os requisitos legais e são hábeis a comprovar as despesas médicas, pois houve a prestação dos serviços e o seu efetivo pagamento; e b) há possibilidade de juntada de provas em sede recursal. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se o sujeito passivo comprovou o efetivo custeio das despesas médicas cuja dedução é pleiteada. Conforme expõe o i. CONS. HONÓRIO ALBUQUERQUE DE BRITO: Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. De fato, nos termos da Súmula CARF 180, “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Assim, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada. A imprescindibilidade da motivação decorre do caráter plenamente vinculado do lançamento (art. 142, par. ún.do CTN) e da circunstância de ele se tratar de ato administrativo (art. 50 da Lei 9.784/1999). Afinal, sabe-se que “a presunção de validade do lançamento tributário será tão forte quanto for a consistência de sua motivação, revelada pelo processo administrativo de constituição do crédito tributário” (AI 718.963-AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 26/10/2010, DJe-230 DIVULG 29-11-2010 PUBLIC 30-11-2010 EMENT VOL-02441-02 PP-00430), e, dessa forma, o processo administrativo de controle da validade do crédito tributário pauta-se pela busca da chamada “verdade material”. A propósito, “por respeito à regra da legalidade, à indisponibilidade do interesse público e da propriedade, a constituição do crédito tributário deve sempre ser atividade administrativa plenamente vinculada. É ônus da Administração não exceder a carga tributária efetivamente autorizada pelo exercício da vontade popular. Assim, a presunção de validade juris tantum do lançamento pressupõe que as autoridades fiscais tenham utilizado os meios de que legalmente dispõem para aferir a ocorrência do fato gerador e a correta dimensão dos demais critérios da norma individual e concreta, como a base calculada, a alíquota e a sujeição passiva” (RE 599194 AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/09/2010, DJe-190 DIVULG 07-10-2010 PUBLIC 08-10-2010 EMENT VOL-02418-08 PP- 01610 RTJ VOL-00216-01 PP-00551 RDDT n. 183, 2010, p. 151-153) Assim, a declaração de insuficiência de recibos conjugada à faculdade de exigir documentação complementar, especialmente prova específica da transferência de valores monetários (cheques, PIX, DOCs, TEDs, transferências bancárias, cartão de crédito, extratos bancários) não são discricionárias e, nesse sentido, devem ser devidamente motivadas e fundamentadas. A questão de fundo se torna, assim, saber-se se exige-se a inexorável apresentação desse tipo de documento – prova da operação de transferência de recursos (se as condições de sua exigibilidade foram cumpridas), ou se sua ausência pode ser suprida por outros meios de prova admitidos em direito. De fato, são indícios consistentes a exigir aprofundamento do acervo probatório das despesas médicas, exemplificativamente: a) Insuficiência do patrimônio ou das receitas declaradas para fazer frente ao custo dos serviços, dada a necessidade de prover outras despesas essenciais à vida humana; b) Inidoneidade dos prestadores dos serviços médicos; c) Incompatibilidade dos valores pagos, quando comparados com a prática normalmente verificada na praça; Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 d) Ausência de registro dos respectivos recebimentos nos deveres instrumentais dos prestadores de serviços (e.g., DAA, DMED); e) Inusualidade da prática de pagamento de tais quantias em espécie. AGUSTÍN GORDILLO faz uma observação muito interessante e que julgo útil para o estudo das presunções e do “ônus processual probatório" a envolver atos administrativos em sentido amplo: “Claro está, se o ato não cumpre sequer com o requisito de explicitar os fatos que o sustentam, caberá presumir com boa certeza, à mingua de prova em contrário produzida pela Administração, que o ato não tem tampouco fatos e antecedentes que o sustentem adequadamente: se houvesse tido, os teria explicitado” (Tratado de derecho administrativo. Disponível em http://www.gordillo.com/tomos_pdf/1/capitulo10.pdf, pág. X-26). Singelamente, acrescemos que o sujeito passivo também deve saber exatamente o que a autoridade fiscal entende como necessário para confirmar ou para infirmar os fatos jurídicos relevantes à apuração do tributo. Por oportuno, transcrevo os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/1999, aplicável aos fatos jurídicos em exame: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Resumidamente, diante de fundada dúvida, a autoridade fiscal pode exigir a apresentação complementar de documentos, como, por exemplo: 1- Recibos, documentos fiscais, declarações ou laudos que atendam aos requisitos formais previstos no art. 80 do Decreto 3.000/1999 (beneficiário/paciente, pagador, indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, registro profissional do prestador de serviços, descrição do serviço prestado); 2- Títulos de crédito ou extratos bancários que comprovem a efetiva transferência da quantia em dinheiro tida por despesa médica. Para assegurar ao sujeito passivo a possibilidade de conhecer e atender à exigência da autoridade fiscal, a especificação desses documentos deve ocorrer logo no início do processo de fiscalização e controle da atividade desempenhada pelo contribuinte, sob pena de violação do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. O detalhamento da documentação necessária na primeira oportunidade de contato com o sujeito passivo é profilática, com o objetivo de evitar futura contaminação do crédito tributário pela inovação de critérios legais originariamente adotados para confirmar ou para infirmar as deduções pretendidas. Elucidativos desse risco são os seguintes precedentes: Numero do processo:10510.007814/2008-34 Turma:Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação:Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de dedução indevida de IRRF é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2003-002.600 Numero do processo: 10680.005472/2008-66 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão: 2201-002.503 Numero do processo: 13162.000079/2009-12 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É de se cancelar a autuação quando a decisão recorrida aponta fundamentos diversos daqueles da autuação para manter a exigência, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Numero do processo: 10510.004826/2007-26 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restando comprovado o imposto de renda retido na fonte, cabe computa-lo no lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Numero do processo: 13748.001852/2008-98 Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção Câmara: Primeira Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido Uma vez comprovadas as despesas médicas, por documentação idônea, é imprescindível assegurar ao sujeito passivo o direito à respectiva dedutibilidade, observada a legislação de regência. Vão ao encontro da observância do direito à dedutibilidade os seguintes precedentes: Numero do processo:13677.000205/2001-73 Data da sessão:Mon May 10 00:00:00 UTC 2010 Ementa:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indicio de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial negado Numero da decisão:9202-000.814 Numero do processo:10850.000104/2008-22 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação:Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Numero da decisão:2202- 004.319 Numero do processo:10980.720179/2009-29 Turma:Segunda Turma Especial da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu May 12 00:00:00 UTC 2011 Data da publicação:Fri May 13 00:00:00 UTC 2011 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poderdever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. Recurso provido em parte. Numero da decisão:2802-00.824 Numero do processo:13603.000777/2007-10 Turma:2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:2ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:Assunto: Imposto Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. A apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Numero do processo:13830.720850/2016-72 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação:Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PRÓTESE ORTOPÉDICA. LAUDO MÉDICO. Notas fiscais com identificação do paciente e médico. Laudo médico apresentado. Comprovação realizada. Numero da decisão:2001-000.204 Ademais, a singela ausência de distinção entre fonte pagadora e beneficiário é insuficiente para manter a glosa. O modo menos ambíguo e vago para identificação dos elementos essenciais do pagamento consiste na aposição de rótulos às informações. Contudo, a prática empresário-comercial de emissão de documentos nem sempre é padronizada de modo otimizado, nem observa a máxima cautela. Afinal, a linguagem natural utilizada no cotidiano tende a ser fluida (cambiante), atécnica e subordinadas às particularidades regionais. Em alguns momentos, o Direito acaba por juridicizar a prática (e.g., art. 673, 3 da Lei 556/1850). Assim, ausentes outros obstáculos, pode-se inferir que a fonte pagadora é também o beneficiário, pois essa é a prática adotada na elaboração de documentos simplificados ou padronizados. De fato, a própria SRFB reconhece essa circunstância, como revela consulta ao art. 97, II da IN 1.500/2014, textualmente: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: [...] II - a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário CASO seja pessoa diversa daquela; (grifamos). Em sentido semelhante, a simples e isolada ausência de indicação do endereço não justifica a glosa, ante a possibilidade de identificação desse dado de outro modo, inclusive com consulta aos bancos de dados disponíveis à autoridade fiscal: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: § 4º A ausência de endereço em recibo médico é razão para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova de despesa médica, porém não impede que outras provas sejam utilizadas, a exemplo da consulta aos sistemas informatizados Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) (grifamos). Sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, na hipótese de adimplemento em espécie, em que pese meu entendimento pessoal, no sentido de que a rejeição dos recibos deve ser expressamente motivada e fundamentada, de modo a inexistir permissão legal para que a autoridade fiscal exija discricionariamente e logo de início prova legitimada por terceiros acerca da efetiva transferência de valores, reconheço que, no âmbito desta Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção do CARF, a compreensão sobre o tema é diversa (cf., e.g., os Processos 19647.001463/2008-87, 17437.720120/2012-41 e 15504.720043/2012-53). Por observância do Princípio do Colegiado, registro minha posição pessoal, mas adiro à orientação firmada. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Segundo entendimento desta c. Turma Extraordinária, essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). No caso em exame, a glosa foi motivada pela ausência de comprovação do efetivo pagamento, verbatim (fls. 35): - MARCO AURÉLIO CRESPO ALBUQUERQUE (despesa declarada como sendo com dentista): Através do Termo de Intimação Malha PF n2 084/2016 foram requisitadas cópias dos cheques emitidos, faturas de cartão de crédito ou, no caso de transferências bancárias e pagamentos em dinheiro, extratos bancários com as movimentações financeiras que comprovassem os pagamentos das despesas declaradas (caso os pagamentos tivessem sido realizados em dinheiro e não houvesse movimentação bancária que os comprovassem, foi requisitada a apresentação da justificativa e comprovação da origem dos recursos financeiros utilizados para os declarados pagamentos). Em resposta a referida requisição, a contribuinte afirmou que pagou todas as despesas em dinheiro, não apresentando comprovantes das origens dos recursos nem extratos bancários. Todos os rendimentos declarados pela contribuinte necessariamente transitaram por suas contas bancárias (a contribuinte é médica sem ter declarado rendimentos recebidos de pessoas físicas). O valor do dinheiro em espécie declarado pela contribuinte no inicio do ano base foi de R$60.000,00 e no final do referido ano foi de R$95.000,00. Além do exposto, a contribuinte reside e exerce suas atividades profissionais no Município de Garibaldi e o declarado profissional, em Porto Alegre. O Termo de Intimação Malha PF n2 084/2016 e a resposta do contribuinte estão no dossiê fiscal. Não obstante meu entendimento pessoal em sentido diverso, observo que esta Turma Extraordinária fixou entendimento que tem por exigível a comprovação da efetiva transferência de recursos monetários, ou do fornecimento de moeda em espécie, emitida por instituição financeira responsável pela transação. Ausente prova da operação bancária, deve-se manter a glosa. Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2001-005.162 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.720242/2017-58 Nesse contexto, é anódino o requerimento para a juntada de novos documentos elaborados pelo profissional médico, porquanto o padrão probatório estabelecido exige a comprovação da operação por instituição financeira. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 106DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000804/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/02/2007
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à Lei n. 8.212-1991 e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-001.272
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/02/2007 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à Lei n. 8.212-1991 e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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Obrigação Acessória Recorrente JOSE BENEDITO DA MOTA ESCHRIQUE Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/02/2007 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à Lei n. 8.2121991 e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10215.000804/200721 Acórdão n.º 2803001.272 S2TE03 Fl. 79 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10215.000804/200721 Acórdão n.º 2803001.272 S2TE03 Fl. 80 3 Relatório O segurado, prefeito municipal, foi autuado por descumprimento da legislação previdenciária, por ter a prefeitura deixado de elaborar as folhas de pagamento dos segurados, sob sua gestão. A DecisãoNotificação – fls 61 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • Que as tolhas de pagamento sempre foram encaminhadas de acordo com instrução do Tribunal de Contas dos Municípios, órgão competente de fiscalização dos Municípios Paraenses • Pugna que o presente processo seja julgado improcedente e seu conseqüente arquivamento, por medida de justiça É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10215.000804/200721 Acórdão n.º 2803001.272 S2TE03 Fl. 81 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O lançamento referese a auto de infração aplicado contra o Sr. JOSE BENEDITO DA MOTA ESCHRIQUE, que ocupava o cargo de Prefeito do Município de Senador José Porfírio, por deixar de elaborar as folhas de pagamento dos segurados. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei 8.212/1991, como segue: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese sub examine. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, há que se dar provimento ao presente recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, DOULHE provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10215.000804/200721 Acórdão n.º 2803001.272 S2TE03 Fl. 82 5 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 12217.720088/2019-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE.
Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1002-002.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Miriam Costa Faccin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: MIRIAM COSTA FACCIN
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE. Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE. Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático- probatório dos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 21 7. 72 00 88 /2 01 9- 41 Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por GUERRA LOGÍSTICA EIRELI., em face do acórdão de n° 15-49.510, proferido pela C. 2ª Turma da DRJ/SDR, objetivando sua reforma integral. Por economia processual e por bem reproduzir os fatos, pedimos licença para transcrever o relatório constante do acórdão de julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (“DRJ/SDR”), o qual será complementado ao final: “Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta pelo interessado referenciado contra Despacho Decisório emitido em 09/09/2019 por Auditor Fiscal da Delegacia da Receita Federa do Brasil em Jundiaí, que não reconheceu direito creditório em favor do contribuinte, referente a saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2018, e não homologou as compensações declaradas nos seguintes Per/Dcomp: A autoridade fiscal assim fundamenta sua decisão: - em pesquisas nos sistemas informatizados da Receita Federal para a detecção de fraudes e comportamentos atípicos, foram encontradas diversas Declarações de Compensação lastreadas em saldo negativo de IRPJ ou CSLL, de contribuintes de quase todos os estados da federação, com o creditamento de supostas retenções a título de Imposto de Renda Retido na Fonte ou Contribuição Social Retida na Fonte, apontando como fontes pagadoras Wander Batista de Oliveira Supermercado Serve-Bem, CNPJ nº 64.403.652/0001-50 ou Sindicato dos Trabalhadores Desenhistas dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina – Sidergs, CNPJ 90.822.719/0001-09; - apenas um assinante digital, o senhor PEDRO ENIO ARNOLD, CPF 508.426.920- 53, entregou quase 56 milhões de reais em habilitação de direitos creditórios; - só no cotejo entre as naturezas dos rendimentos (aplicação financeira/Juros sobre o Capital Próprio) e da atividade das fontes pagadoras (supermercado/sindicato), já se verifica estranheza; - não houve a informação de Rendimentos/Retenções em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF por parte do Supermercado e nem do Sindicato; Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 - os declarantes só informaram que tiveram a retenção e não carrearam os rendimentos; - as DCOMPs da interessada foram apresentadas com autorização, ou melhor, a mando da declarante por PEDRO ENIO ARNOLD, CPF 508.426.920-53. Saliente- se que a outorga de poderes, por meio eletrônico (e-cac), não prescinde da utilização do Certificado Digital do Outorgante, o que denota que a respectiva procuração teve a sua participação; - o interessado noticiou à Receita Federal supostos direitos creditórios no valor de R$ 371.951,28 de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL, supostamente apurados nos 1º, 2º e 4º trimestres de 2018, e os compensou com diversos créditos tributários que somam R$ 118.014,09, utilizando-se, para compor os saldos negativos, dos seguintes códigos de retenção: a. 3426 – IRRF - Aplicações Financeiras de Renda Fixa - Pessoa Jurídica b. 5952 - Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado - CSLL, COFINS e PIS/PASEP; e c. 5706 - IRRF - Juros sobre o Capital Próprio - mediante consulta à Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF - vide extrato anexado ao processo) as quais a GUERRA LOGISTICA EIRELI consta como beneficiária relativa ao ano de 2018, constatei que não há pagamentos de rendimentos e retenções oriundas das fontes pagadoras Wander Batista de Oliveira Supermercado Serve-Bem, CNPJ nº 64.403.652/0001- 50, e Sindicato dos Trabalhadores Desenhistas dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina – Sidergs, CNPJ 90.822.719/0001-09; - com o intuito de esclarecer a questão, em diligência decorrente do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF nº 08.1.24.00-2019-01034-0, a interessada foi intimada a: a. apresentar o contrato de prestação de serviço entre este e a consultoria/escritório que ofereceu a solução tributária constante no “contexto” desta intimação; b. com respeito às retenções na fonte das quais o interessado alega ter sido beneficiário (Anexo I): • descrever que tipo de aplicações financeiras as retenções se referem; • informar a origem e o montante dos rendimentos que deram origem às retenções na fonte; • informar em que data os rendimentos foram recebidos e em qual conta contábil foram lançados; • apresentar os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora. c. Apresentar demonstrativos de apuração do Lucro Presumido/Real e do cálculo do IRPJ referentes aos seguintes períodos: 1º, 2º e 4º trimestres/2018. - após duas dilações de prazo para atender à intimação, o contribuinte não se manifestou; - apenas a falta de comprovação da legitimidade do crédito pleiteado, já seria motivo suficiente para que houvesse o indeferimento do reconhecimento do direito creditório e glosa das respectivas compensações, contudo, trata-se de tentativa grosseira de fraude; Fl. 191DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 - em arremate, se verifica que os supostos direitos creditórios de IRPJ e CSLL sequer são confirmados na Escrituração Contábil Fiscal (ECF) entregue pelo próprio contribuinte. Em todos os trimestres há apenas IRPJ e CSLL a pagar; - não se vislumbra no presente caso a ocorrência de erro escusável, mas, sim, de intenção dolosa de burlar o fisco, com a apresentação de uma série de Declarações de Compensação com créditos sabidamente inexistentes (pois não apurados, nem demonstrados, ou nem comprovados) com finalidade de abster-se de pagar débitos tributários próprios. O contribuinte protocolou manifestação de inconformidade, na qual solicita que sejam homologadas as compensações declaradas, sob os seguintes fundamentos: - as DCOMP foram de fato enviadas, fruto de erro material, sendo vedado ao contribuinte, por diversas vezes, o direito de esclarecer o erro e cancelar as Dcomps; - nenhuma das DCOMP fora vinculada em DCTF, ou seja sob os débitos apurados não houve o vinculo; - tendo a empresa direito creditório lícito e válido em face ao fisco, fora enviado a PER/DCOMP na formatação recepcionada e validada pelo sistema eletrônico da própria Receita Federal. Ao ser notificado, tentou o contribuinte retificar a PER/DCOMP com erro, porém novamente fora apontado erro no sistema que impediu tal retificação, não obstante, foi o contribuinte consecutivamente surpreendido com o auto de infração objeto da presente defesa. O contribuinte não pode ser prejudicado por um erro de sistema que impossibilitou a formatação correta do envio da PER/DCOMP; - a partir da edição da Medida Provisória nº 66, em 29.08.2002, o contribuinte passou a ter direito subjetivo à compensação de seus créditos contra débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, bastando para tanto apresentar declaração de compensação, sendo que o crédito tributário fica extinto sob condição resolutória; - o principio do procedimento para indeferir ou não homologar uma compensação lastreada em saldo negativo de IRPJ ou CSLL deverá ser pautado sempre em documentação contábil e analise técnica submetida ao crivo do auditor fiscal, fato esse que parece não ter ocorrido no presente caso, haja vista que a fundamentação arguida pela autoridade fiscal está baseada apenas em demonstrativo de saldo na Escrituração Fiscal já retificada; - a ora Recorrente efetivamente possui os créditos utilizados nas respectivas compensações realizadas, que devem ser reconhecidos à luz do princípio da verdade material (cita-se excertos da doutrina e decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sobre a matéria); - o processo administrativo, não só é facultado ao reclamante, após a fase inaugural, levar aos autos novas provas, como é dever da autoridade administrativa atentar para todas as provas e fatos de que tenha conhecimento, ou mesmo determinar a produção de provas, trazendo-as aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão. Se a Receita Federal possuía dúvida quanto ao crédito utilizado nas compensações, deveria realizar fiscalização na Recorrente para apurar se os créditos efetivamente existiam. O que não é admissível é o fisco simplesmente presumir a inexistência dos créditos e, dessa forma, não homologar as compensações realizadas; - sendo assim, a não-homologação da compensação deve ser revista ainda no âmbito da Receita Federal, em sede de controle do ato administrativo, sob pena de permitir-se o nascimento e a cobrança de título executivo, que, na essência, será nulo, pois o crédito tributário que se exigirá não é legítimo, por estar extinto por compensação. Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 As demais alegações do contribuinte referem-se ao lançamento da multa isolada, portanto devem ser apreciadas no processo administrativo fiscal nº 12217.720150/2019- 03.” (g.n.) Confira-se, a propósito, a ementa da decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018 SALDO NEGATIVO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em sessão do dia 18/03/2020, a DRJ/SDR ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, entendeu por bem julgá-la improcedente, ao fundamento de que: (i) não repercute na análise do mérito o fato do contribuinte afirmar que não vinculou as compensações aos débitos declarados em Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF, pois a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, nos termos da artigo 74, §5º, da Lei nº 9.430/96; (ii) este órgão julgador está vinculado ao princípio da verdade material, em detrimento da verdade formal, contudo, o contribuinte não trouxe aos autos documentos aptos a comprovar a existência de seu alegado saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2018. Ressalte-se que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado (com duas prorrogações de prazo deferidas) a descrever que tipo de aplicações financeiras as retenções se referem; a informar a origem e o montante dos rendimentos que deram origem às retenções na fonte; a informar em que data os rendimentos foram recebidos e em qual conta contábil foram lançados, e a apresentar os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora; (iii) mesmo restando caracterizado o esquema fraudulento envolvendo créditos de retenção na fonte inexistentes, tendo como fonte pagadoras Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 as pessoas jurídicas Wander Batista de Oliveira Supermercado Serve-Bem, CNPJ nº 64.403.652/0001- 50, e Sindicato dos Trabalhadores Desenhistas dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina – Sidergs, CNPJ 90.822.719/0001-09, foi oportunizado à interessada comprovar a certeza e liquidez do crédito em comento, e o contribuinte nada apresentou para ratificar o alegado crédito e na manifestação de inconformidade limita-se a afirmar a existência do seu direito, sem, mais um vez, comprová-lo; (iv) a natureza das retenções na fonte informadas nas declarações de compensação para compor o pretenso direito creditório não são compatíveis com a atividades das indigitadas fontes pagadoras e não houve a informação de Rendimentos/Retenções em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF por parte do Supermercado e nem do Sindicato; (v) no artigo 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02, consta a previsão legal para extinção de débitos de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, mediante entrega de declaração de compensação; no entanto, dentro do prazo quinquenal para homologação tácita, previsto no §5º do citado artigo, a autoridade fiscal pode solicitar a comprovação da certeza e liquidez do direito creditório, com a finalidade de atender ao disposto artigo 170 do CTN; (vi) por fim, conclui que se trata de uma questão de natureza probatória, cabendo ao interessado, e não à Fazenda Pública, o ônus de comprovar, segundo o disposto no artigo 373, I, do CPC, o fato constitutivo do seu direito, qual seja, a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 152/186), no qual pleiteia a reforma do acórdão proferido pela DRJ/SDR, sob a alegação de que: (i) com a nova redação do artigo 74 da Lei 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/02, a compensação passou a ser direito subjetivo do contribuinte; (ii) que a Recorrente efetivamente possui os créditos utilizados nas compensações realizadas e que a decisão recorrida somente não reconheceu a regularidade da compensação por não ter sido apresentados documentos que embasassem os créditos; (iii) ao não homologar a compensação a autoridade fiscal acaba por exigir tributo que já se encontrava extinto sob condição resolutória; (iv) cita doutrina e jurisprudência deste Conselho a respeito da aplicação do princípio da verdade material; Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 (v) por fim, pugna pela declaração de inconstitucionalidade da multa aplicada de forma “autoritária e excessiva”, sob a ótica do princípio constitucional da vedação ao confisco; É o relatório. Voto Conselheira Miriam Costa Faccin, Relatora. Admissibilidade e Tempestividade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017 1 e pela Portaria CARF n° 6.786/2022 2 . Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 11/06/2020 (e-fl. 149), apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 18/08/2020 (e- fl. 150), ou seja, ultrapassado o prazo de 30 dias após a ciência da decisão de primeira instância, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 3 . Contudo, como se pode observar na regra do artigo 6º, a Portaria RFB n° 4.105/2020 suspendeu os prazos perante a Receita Federal até 31/08/2020. Confira-se: “Art. 6º Ficam suspensos os prazos para prática de atos processuais no âmbito da RFB até 31 de agosto de 2020.” (NR) Portanto, é tempestivo o recurso apresentado e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). 1 Art. 23-B. As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. 2 Art. 1° Elevar a até 120 (cento e vinte) salários mínimos, o limite das turmas extraordinárias para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Parágrafo único. A elevação de limite atribuída às turmas extraordinárias não prejudica a competência das turmas ordinárias sobre os recursos voluntários tratados no caput. 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 Mérito O propósito recursal consiste no reconhecimento do direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ e CSLL, relativo ao 1º, 2º e 4º trimestre de 2018, oriundo de retenções na fonte, conforme sintetiza a tabela abaixo: Em 07/06/2019, a Recorrente foi intimada (e-fl. 32), conforme “Termo de Intimação Fiscal nº 1/2019” (e-fls. 26/28), a apresentar esclarecimentos a respeito das fontes pagadoras informadas nas Declarações de Compensação, bem como demonstrativos de apuração. Contudo, a Recorrente limitou-se a pedidos de dilação de prazo (e-fls. 39/40 e 50/51). Em que pese as concessões de dilação de prazo, a Recorrente se manteve inerte. Ato contínuo, em 09/09/2019, foi proferido o Despacho Decisório (e-fls. 77/86), o qual concluiu pela não homologação das compensações, nos seguintes termos: “Verificada a inexistência do direito creditório e fraude na compensação tributária declarada, é imposto à autoridade tributária o dever de não homologação da compensação, com a consequente cobrança dos tributos indevidamente compensados, lavratura de multa isolada, responsabilização dos administradores, e elaboração de representação fiscal para fins penais.” (e-fl. 77, g.n.) Para melhor ilustração do caso, transcrevo o seguinte trecho do Despacho Decisório: “1. Em pesquisas nos sistemas informatizados da Receita Federal para a detecção de fraudes e comportamentos atípicos, foram encontradas diversas Declarações de Compensação lastreadas em saldo negativo de IRPJ1 ou CSLL, de contribuintes de quase todos os estados da federação, com o creditamento de supostas retenções a título de Imposto de Renda Retido na Fonte ou Contribuição Social Retida na Fonte a qual as fontes pagadoras seriam Wander Batista de Oliveira Supermercado Serve- Bem, CNPJ nº 64.403.652/0001- 50 ou Sindicato Dos Trabalhadores Desenhistas Dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina – Sidergs, CNPJ 90.822.719/0001-09. 2. Neste particular, apenas um assinante digital, o senhor PEDRO ENIO ARNOLD, CPF 508.426.920-53, entregou quase 56 milhões de reais em habilitação de direitos creditórios. 3. Ora, só no cotejo entre as naturezas dos rendimentos (aplicação financeira/Juros sobre o Capital Próprio) e da atividade das fontes pagadoras (supermercado/sindicato), já verifica estranheza. 4. Não houve a informação de Rendimentos/Retenções em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF por parte do Supermercado e nem do Sindicato. Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 5. E não é só: os declarantes só informaram que tiveram a retenção e não carrearam os rendimentos. 6. Ora, o normal é que a fonte pagadora pague o rendimento ao beneficiário e retenha uma fração para posterior repasse ao erário, tal como acontece com os assalariados, não existe retenção de imposto sem rendimentos. 7. Assim sendo, a Secretaria Especial da Receita Federal iniciou a fiscalização destes contribuintes. (...) 15. Mediante consulta à Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF - vide extrato anexado ao processo) as quais a GUERRA LOGISTICA EIRELI consta como beneficiária relativa ao ano de 2018, constatei que não há pagamentos de rendimentos e retenções oriundas daqueles. (...) 22. Apenas a falta de comprovação da legitimidade do crédito pleiteado, já seriam motivos suficientes para que houvesse o indeferimento do reconhecimento do direito creditório e glosa das respectivas compensações. 23. Contudo, conforme se verifica a seguir, não se trata de um simples pleito não comprovado pelo contribuinte, mas uma tentativa grosseira de fraude.” (e-fls. 78, 81 e 82, g.n.) Nessa linha, se manteve o acórdão recorrido, no qual se sublinhou: “Percebe-se com clareza, portanto, que mesmo restando caracterizado o esquema fraudulento envolvendo créditos de retenção na fonte inexistentes, tendo como fonte pagadoras as pessoas jurídicas Wander Batista de Oliveira Supermercado Serve-Bem, CNPJ nº 64.403.652/0001- 50, e Sindicato dos Trabalhadores Desenhistas dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina – Sidergs, CNPJ 90.822.719/0001-09, foi oportunizado à interessada comprovar a certeza e liquidez do crédito em comento, conforme explicitado no parágrafo anterior. O contribuinte nada apresentou para ratificar o alegado crédito e na manifestação de inconformidade limita-se a afirmar a existência do seu direito, sem, mais um vez, comprová-lo. Ademais, a natureza das retenções na fonte informadas nas declarações de compensação para compor o pretenso direito creditório não são compatíveis com a atividades das indigitadas fontes pagadoras e não houve a informação de Rendimentos/Retenções em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF por parte do Supermercado e nem do Sindicato.” (e-fl. 139, g.n.) Da análise dos autos, observa-se que a Recorrente não apresentou qualquer justificativa e/ou documentos comprobatórios do seu direito, capazes de infirmar o quanto decidido pela C. 2ª Turma da DRJ/SDR, pelo contrário, limitou-se a reproduzir ipsis litteris os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Não é demais destacar que a Recorrente teve várias oportunidades de se manifestar acerca da presença dos requisitos de certeza e liquidez nas declarações de compensação em análise. Contudo, não apresentou qualquer argumento válido a refutar as conclusões da Autoridade Fiscal, tampouco quanto ao suposto saldo negativo de IRPJ e CSLL em cotejo com as retenções informadas, limitando-se à protestos vazios e negação geral, de modo que o acórdão recorrido não merece retoques. Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 Não é demais destacar que o ônus da prova compete a quem alega possuir o direito, conforme dispõe o artigo 373 do Código de Processo Civil (CPC): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse ponto, registro a jurisprudência deste Conselho: NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático- probatório dos autos. (Processo n° 13884.900958/2008-10. Acórdão n° 1002-000.779. Sessão de 06/08/2019. Relator Aílton Neves da Silva, g.n.) Outro ponto crucial a considerar é que o artigo 170 do CTN4 exige para o reconhecimento da compensação declarada que o crédito nela pleiteado seja dotado dos requisitos de liquidez e certeza, motivo pelo qual deve ser indeferido o pleito da Recorrente, eis que tais atributos não foram efetivamente comprovados no presente recurso. Nesse contexto, o entendimento manifestado pela C. 2ª Turma da DRJ/SDR no acórdão recorrido, encontra respaldo na jurisprudência deste Conselho, in verbis: RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2002 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de Declaração de Compensação quando o crédito pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez e o Recorrente não traz aos autos elementos de prova capazes de infirmá-la. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1002-002.722 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 12217.720088/2019-41 (Processo n° 10880.914113/200926. Acórdão n° 1002000.528. Sessão de 05/12/2018. Relator Aílton Neves da Silva, g.n.) Assim, considerando que a Recorrente não trouxe nenhum argumento e/ou justificativa capaz de demonstrar equívoco no acórdão recorrido, decido mantê-lo por seus próprios fundamentos, valendo-me do artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99 5 c/c o do artigo 57, §3º, do RICARF 6 . Dispositivo Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para nessa extensão, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Costa Faccin 5 § 1º. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 6 § 3º. A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 199DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721444/2010-23
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/07/2010
ARQUIVOS DIGITAIS. ENTREGA COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÕES. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO
A entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital, com informações incorretas ou com omissões, caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 11, §§3º e 4º, da Lei nº 8.218/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA
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Obrigação Acessória Recorrente FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO FUBRAE Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/07/2010 ARQUIVOS DIGITAIS. ENTREGA COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÕES. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO A entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital, com informações incorretas ou com omissões, caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 11, §§3º e 4º, da Lei nº 8.218/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721444/201023 Acórdão n.º 280301.287 S2TE03 Fl. 2 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721444/201023 Acórdão n.º 280301.287 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária conforme disposto no relatório da decisão impugnada, que trancrevo. Esclarece a autuante que, após ser a empresa intimada pela fiscalização para apresentar arquivos em meio digital, foram apresentados apenas os que continham os dados dos estabelecimentos 34.170.472/000104 e 34.170.472/000457. Para os demais estabelecimentos, mesmo após dois pedidos de prorrogação de prazo (14/12/2009 e 13/01/2010), não foram entregues, o que caracteriza o descumprimento da obrigação acessória acima descrita. A DecisãoNotificação – fls 1811 e ss conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • Nulidade da infração por ter sido lavrada por fiscais da Receita Federal em matéria previdenciária, visto que a criação da Super Receita se deu por medida provisória que perdeu a eficácia; • O Centro Educacional de Niterói, filial CNPJ 34.170.472/001003, a quem foram requeridos os documentos, goza de autonomia financeira e administrativa, sendo responsável pela apresentação tempestiva dos documentos • A Fundação não pode sofrer penalidades por conta de outra unidade que não conseguiu remeter, tempestivamente, os documentos solicitados; • Como a Receita é um órgão federal, com atuação em todo o território nacional, deve desconstituir o presente auto e oficiar a Superintendência Regional do Trabalho com jurisdição em Niterói – RJ para que a fiscalização dos documentos relativos àquela regional seja feita diretamente naquela unidade, afastando, assim, a possibilidade do bis in idem; • De acordo com o art. 630, §4º da CLT, “os documentos sujeitos à inspeção deverão permanecer, sob as penas da lei, nos locais de trabalho, somente se admitindo, por exceção, a critério da autoridade competente, sejam os mesmos apresentados em dia e hora previamente fixados pelo agente da inspeção”; no caso, o local apropriado seria a unidade Centro de Ensino de Niterói, devendo os documentos, por lei, lá permanecerem, devendo então o auto ser anulado para que seja feita nova fiscalização diretamente no Centro de Ensino de Niterói. Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721444/201023 Acórdão n.º 280301.287 S2TE03 Fl. 4 4 • Pugna pelo provimento do recurso, com a anulação do presente auto de infração. É o relatório. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721444/201023 Acórdão n.º 280301.287 S2TE03 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA LAVRATURA – COMPETÊNCIA LEGAL Sobre a competência do Auditor Fiscal para a lavratura de Autos de Infração, a Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 esclarece a matéria: Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721444/201023 Acórdão n.º 280301.287 S2TE03 Fl. 6 6 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; A base legal para a competência do Auditor autuante foi a retrocitada lei e não a MP 258, vigente até 18.11.2005. Dessa feita, fica demonstrado que o Auditor autuante tinha o necessário respaldo legal à lavratura do presente auto. DA APRESENTAÇÃO DEFICENTE DOS ARQUIVOS DIGITAIS O contribuinte foi autuado por apresentar os arquivos em meio digital apenas com os dados dos estabelecimentos 34.170.472/000104 e 34.170.472/000457, omitindo as demais filiais. Agindo dessa forma, infringiu o que disposto no artigo 11, §§3º e 4º, da Lei nº 8.218/91: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. ... § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Não procede a argumentação de que não subsiste responsabilidade do estabelecimento matriz pelo fato da não apresentação dos dados referentes a filial CNPJ 34.170.472/001003, pois a empresa é responsável pela higidez de sua escrita contábil, o que engloba os fatos que dizem respeito a todas suas filiais. Também é o que determina o art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721444/201023 Acórdão n.º 280301.287 S2TE03 Fl. 7 7 padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Vejamos a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 2.6, aprovada pela resolução CFC N.º 684/90, vigente à época. NBC T 2.6 – Da Escrituração Contábil das Filiais 01. A Entidade que tiver unidade operacional ou de negócios, quer como filial, agência, sucursal ou assemelhada, e que optar por sistema de escrituração descentralizado, deverá ter registros contábeis que permitam a identificação das transações de cada uma dessas unidades, observado o que prevê a NBC T 2 – Da Escrituração Contábil. 02. A escrituração de todas as unidades deverá integrar um único sistema contábil, com a observância dos Princípios Fundamentais da Contabilidade aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade. 03. O grau de detalhamento dos registros contábeis ficará a critério da Entidade. 04. As contas recíprocas relativas às transações entre matriz e unidades, bem como entre estas, serão eliminadas quando da elaboração das demonstrações contábeis. 05. As despesas e receitas que não possam ser atribuídas às unidades serão registradas na matriz. 06. O rateio de despesas e receitas, da matriz para as unidades, ficará a critério da administração da Entidade. A apresentação de informações sem os dados das filiais configura infração à legislação tributária. Constatada a falta, pode e deve a autoridade fiscal proceder a autuação, sendo irrelevante se os dados se referem a filial em localização diversa da sede onde foi iniciado o procedimento fiscal, posto que a recorrente é responsável por todos os registros de suas filiais. Consequência lógica do exposto é a impossibilidade de bis in idem, pois todas as filiais já foram fiscalizadas na ação fiscal que deu origem ao presente auto, não havendo que se falar em nova fiscalização, referente ao mesmo período, exclusivamente na filial CNPJ 34.170.472/001003 Niterói, tampouco tem a Receita Federal que oficiar ao Ministério do Trabalho acerca de fiscalização de tributos federais de sua responsabilidade, pois cada órgão tem sua competência de fiscalização definida em lei, que não foi extrapolada. Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.721444/201023 Acórdão n.º 280301.287 S2TE03 Fl. 8 8 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 19991.000093/2007-60
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2006
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL. DEVER DE RETENÇÃO.
I – O adquirente de produto rural de pessoa física, está obrigado a descontar dos valores a serem pagos pelos produtos adquiridos, a contribuição devida por estes;
II – Não cabe aos Órgãos Julgadores dos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 49 do seu Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.565
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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CUSTEIO. AQUISIÇãO DE PRODUTO RURAL. DEVER DE RETENÇAO. I — O adquirente de produto rural de pessoa fisica, está obrigado a descontar dos valores a serem pagos pelos produtos adquiridos, a contribuição devida por estes; II — Não cabe aos órgãos Julgadores dos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 49 do seu Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado)/ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ./ Processo n.° 19991.000093/2007-60 CONFERE COM O CRUNAL CCO21C06 Acórdão n.• 206-00.565 -I 6Brasília. .. / 05 / Og Fls. 97 Una crevelra Mat.: Sag» 877862 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 617.-N---• ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Lf• l eal, I R G •B LELLIS PINTO R lat r Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Bernadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 19991.000093/2007-60 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.565 MF -SEGUNDO CO?. ;;ELHO LONTRISUINTE:S Es. 98 CONFERE CO.'! O C.R:CIIN.r.L Brasília, 3 6 05 ; 08 WM8 g311 dó aveta Relatório Mal. Sape 877862 Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo FRIGORÍFICO TAMOYO LTDA, contra Decisão-Notificação (fls. 66 e s.), exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária em Varginha - MG, a qual julgou procedente a presente NFLD no valor originário de R$ 350.840,21 (trezentos e cinqüenta mil oitocentos e quarenta reais e vinte e um centavos). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 48 e s.), as contribuições ora lançadas são aquelas devidas pelos produtores rurais, que em virtude da comercialização de seus produtos (carne bovina e suma) com a Notificada, caberia a esta o desconto dos valores respectivos e o recolhimento ao Fisco. A empresa Recorre alegando que adquire produtos rurais de varias pessoas fisicas, sendo que a contribuição previdenciária devida em decorrência da comercialização não tem autorização constitucional, o que, inclusive, estaria sendo objeto de apreciação do STF, discorrendo sobre o assunto, para encerrar requerendo o provimento do seu recurso. A Delegacia Regional de Poços de Caldas-MG, apresentou suas contra-razoes, reiterando os fundamentos da DN. É o Relatório}, . . e Processo n.° 19991.000093/2007-60 CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.565 MF - SEGUNDO CONSELHO OE CONTR Es Fls. 99 CONFERE COM O COGINAL !BUI" -Brasil/a. P i J Uma IV (*cata Voto MIL sap. mau Conselheiro ROGERIO DE LELLIS PINTO, Relator Recurso tempestivo, e considerando presentes todos os requisitos de sua admissibilidade, apto se encontra ao seu conhecimento. Temos no caso em baila, exigência de contribuições previdenciárias devidas pelos produtores rurais pessoas fisicas, as quais a legislação previdenciária conferiu a obrigação de retenção e recolhimento do tributo, a empresa adquirente dos produtos rurais, no caso, a Notificada. Sem espaços para dúvidas, a obrigação em debate, consubstanciado no dever de retenção adstrito ao adquirente de produto rural, acha-se assentada na atual redação do art. 30, incisos III e IV da Lei n. 8.212/91, que assim dispõe: "Art. 30: omissis: III — a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecido em regulamento; IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa fisica de que trata a alínea "a' do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecido em regulamento;" A legislação previdenciária, por meio do dispositivo legal acima citado, conferiu a responsabilidade pelo destaque e posterior recolhimento do tributo em questão, a empresa que adquira o produto rural diretamente da pessoa fisica. É dizer, o adquirente da produção rural da pessoa fisica, atrai para si a obrigação de reter as contribuições devidas por estes, e efetuar o seu recolhimento ao Fisco. Não olvidemos que a Lei não transforma esse adquirente em contribuinte, e nem mesmo o confere essa condição, mas possivelmente em vista de uma maior eficiência no recolhimento do tributo, portanto, adotando critério de conveniência ou necessidade, atribui a ele o dever de retenção no momento em que for efetuar o pagamento referente aos produtos adquiridos. Os contribuintes de tais contribuições, são as pessoas fisicas alienantes da produção rural, e não aqueles que a adquirem.1„, • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES•• e Processo n.° 19991.000093/2007-60 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.565 Brada. si G 05- O g Fls. 100 SJmaft2e ô,wn mai : SIIroe 871862 No caso sub exame, segundo demonstrado no REFISC, a Notificava não efetuou o destaque do tributo dos valores pagos aos produtores rurais, nem muito menos recolheu ao Fisco a quantia devida, motivo pelo qual executou o lançamento. Esse desconto das remunerações não parece ter sido questionado pelo contribuinte, de forma que não há como discordar do entendimento esposado pela autoridade fiscal, sendo correto o lançamento neste ponto. O contribuinte em seu recurso, alega insistentemente que seriam inconstitucionais as contribuições ora exigidas. Não obstante seu abastado discurso, é preciso reconhecer que a este julgador nem mesmo a este Colegiado, é facultado adentrar ao mérito de validade da norma jurídica em vigor, devendo aplicá-la mesmo que a tome por ilegal ou inconstitucional, nos termos do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Súmula 02 do seu 2° Conselho. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de conexão, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação supra. Sala das Sessões, em 12 de março de 2008 IBS ' O'' • a a ELLIS PINTO Page 1 _0057700.PDF Page 1 _0057800.PDF Page 1 _0057900.PDF Page 1 _0058000.PDF Page 1
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