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Numero do processo: 10670.720064/2007-76
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
Ementa: ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA
CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT.
Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua - VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido.
Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditá-lo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade
dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.).
JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à
taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para I
títulos federais",
CARÁTER CONFISCATORIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o
princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas
dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, noima regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular
CARF 1102 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.599
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
AFASTAR a nulidade vindicada e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para deferir o valor da terra nua constante no Laudo Técnico trazido pelo recorrente, implicando em um VTN de R$ 462.206,04 (item 20 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido — VALOR DA TERRA_NUA— fl. 04), com a redução do imposto lançado para R$ 1.566,06, a ser acrescido de juros de mora e multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Nubia Matos Mouraque negava provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 Ementa: ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua - VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditá-lo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para I títulos federais", CARÁTER CONFISCATORIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, noima regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF 1102 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso provido em parte.
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INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua - VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o V'TN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditá-lo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para I títulos federais", CARÁTER CONFISCATORIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE 447 v / 1 7 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, noima regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF 1102 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". - Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a nulidade vindicada e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para deferir o valor da terra nua constante no Laudo Técnico trazido pelo recorrente, implicando em um VTN de R$ 462.206,04 (item 20 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido — VALOR DA TERRA_NUA— fl. 04), com a redução do imposto lançado para R$ 1.566,06, a ser acrescido de-jtí de mora e multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira/lá -a Matos l Mour que negava provimento ao recurso. 1 i / ,fil / / 77 G7VANNI CHRISTIA:.i ti d l ./1MPOS - Re . tér e Presidente ., /EDITADO EM: 16/06/2(, /0 1 It ( Participaram do presente ju :arnentd s Conselheiros Núbia de Matos Moura, Ewan Teles Agiiiar, Rubens M/ 1auríci. arvalho, / los André Rodrigues Pereira de Lima,..";Roberta de Azeredo Ferreira P. : - i e GiJvanni C 'I tian Nunes Campos. _------ li - Relatório Em face do contribuinte Empresa Agrícola São Gabriel Ltda, CNPJ/MF n° 21.725.916/0001-89, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 02/07/2007 (fl. 1), auto de infração (fls. 1 a 5), corri éiência postal em 16/07/2007 (fl. 54), a partir de ação fiscal iniciada em 27/03/2007, conforme Termo de Intimação Fiscal n°06102/00016/2007 (fls. 06 e 07). 2 Processo n° 10670.720064/2007-76 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.599 Fl. 262 Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 20.764,12 MULTA DE OFÍCIO R$ 15.573,09 Conforme o demonstrativo de apuração do ITR lançado (fl. 04), vê-se que a autoridade fiscal majorou o valor da terra nua declarado na DITR-exercício 2004, do imóvel denominado Fazenda São Paulo, NIRF n ° 0.640.993-8, com área total de 7.156,0 hectares, localizado em Formoso (MG), utilizando a informação do Sistema de Preços de Terra — SIPT da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Para alcançar o valor do VTN de R$ 809,81 por hectare para a propriedade, a autoridade fiscal calculou uma média ponderada por tipos de cobertura vegetal, conforme informações do SIPT (fl. 03). O contribuinte juntou Laudo Técnico subscrito pelo Engenheiro Agrônomo Octávio Monteiro de Sousa Lima, no qual foi apurado um VTN de R$ 65,22 por hectare, para o ano de 2004 (fls. 22 a52). Eis a motivação da autoridade fiscal para rejeitar o valor da terra nua declarado e também aquele constante em laudo técnico apresentado pelo contribuinte (fls. 02 e 03), verbis: O contribuinte, na DITR 2004 (fls. 09/11), declarou Valor de Terra Nua — VTN médio de R$ 3,80/ha, notadamente suba valiado. O laudo de avaliação do imóvel (fl. 22/52) apresenta VTN também subavalidado (R$ 65,22/ha), quando comparado com valores apurados pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para o município de FORMOSO- MG (tl. 08). Observe que o V'TN do laudo (R$ 65,22/ha) equivale a 11% do menor valor apurado pela Secretaria Estadual de Agricultura (R$ 600,00/ha). Pelo exposto, o laudo apresentado foi desconsiderado para efeito de comprovação do VTN declarado na DITR 2004. (-) Para o município de FORMOSO, os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria " SRF n°447 de 28/03/02, informados pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para o exercício de 2004, estão evidenciados no extrato anexo (fl. 08), sendo R$ 600,00/ha o /1 valo mínimo. 777 3 Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua — 1/7W para a Fazenda SÃO PAULO em R$ 809,10/ha, perfazendo um total de R$ 5.795.000,36, (.) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1' Turma de Julgamento da DRJ-Brasília (DF), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 160 a 169, consubstanciada no Acórdão n° 03-24.471, de 12 de março de 2008. Por relevante, transcreve-se a motivação da decisão acima para arrostar o valor da terra nua constante no Laudo Técnico apresentando pelo contribuinte (fls. 166 e 167), verbis: (.) Ocorre que a exemplo do V7'N/ha originalmente declarado, o VT1V/há apontado pelo autor do trabalho, de R$ 65,22/ha, também se encontra muito abaixo dos VTNs relacionados no SIPT, além de corresponder a apenas 27,31% do V'TN médio por hectare, apurado no universo das DITRs, de R$ 238,82, informado no SIPT, para ao ano de 2004, de forma que o acatamento da pretensão da contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu. Registre-se, ainda, que a fiscalização não acatou, para comprovar o VTN declarado, o Laudo de Vistoria e Avaliação citado, por entender que o V11V constante do mesmo também estaria subavaliado, inclusive, na "Descrição dos Fatos", observou que o VTN/ha do referido Laudo (R$65,22/ha) equivaleria a menos de 11% do menor valor apurado pela Secretaria Estadual de Agricultura (R$ 600,00/ha). No presente caso, não há como acatar a revisão do VTN pretendida pela contribuinte, pois entendo que o teor do documento trazido os autos realmente não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a integralidade das normas da ABNT, não demonstrando, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato •gerador do ITIU2004 (1 0.01.2004), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VT1V/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. De fato, o laudo não atende à totalidade dos requisitos estabelecidos nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT (NBR 14.653-3), principalmente o item 8 — Metodologia Aplicável, com o atendimento dos requisitos mínimos estabelecidos no Anexo A, da referida norma, e o item 9 — Especificação das Avaliações. Em verdade, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares- do imóvel em comparação com as demais terras dos 114i imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares 4 Processo n0 10670.720064/2007-76 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.599 Fl. 263 desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregi ão de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida, ressaltando que tais características gerais já são levadas em consideração quando da definição dos valores incluídos no SIP7'. Ressalte-se que há valores divergentes apresentados no citado Laudo quanto ao valor total do imóvel e ao VTN, conforme constata-se às fls. 50, na qual consta o VIN/ha de R$ 64,59 enquanto às fls. 51, na conclusão do trabalho, consta o VTN/ha de R$ 62,22. Caberia, portanto, a requerente apresentar um "Laudo Técnico" que atendesse aos requisitos da ABNT NBR 14653-3, principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e às fontes eventualmente consultadas, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1 0 de janeiro de 2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VI'N/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal. (.) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 22/04/2008 (fl. 172). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 21/05/2008 (fl. 258). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: 1. o auto de infração foi lavrado com base nos dados do SIPT, os quais não foram franqueados ao contribuinte, caracterizando claro cerceamento direito de defesa; tendo apresentado o Laudo de Avaliação do imóvel, o qual não foi aceito pela autoridade autuante, deveria a autoridade julgadora a quo ter deferido o pedido de perícia do então impugnante, para fazer a contra-prova necessária a demonstrar o valor da terra nua do imóvel. A rejeição da perícia pela autoridade da DRJ também implicou em cerceamento do direito de defesa em desfavor do contribuinte; III. demonstrou o valor da terra nua do imóvel auditado a partir de Laudo Técnico produzido na fauna da NBR 14653-3 da ABTN, com grau de fundamentação e precisão nível II, confoime exigido na intimação da autoridade fiscalizadora. Essa autoridade deveria ter se valido do valor constante do Laudo, que investigou in loco o imóvel rural, colhendo informações de cooperativa, IEF, IMA, EMATER, Produtores Rurais, Cartórios, Prefeituras, Corretores Especializados, e não do SIPT, já que este "é feito com base nas informações da Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais, que nas cidades do interior Mineiro são fornecidas pelas Prefeituras Municipais, e é considerado não o valor da terra nua, mas o valor da terra bruta com toda sua cobertura vegetal e benfeitorias, uma vez que tal valor é I - utilizado para cobrança do ITBL Verifica-se que o VTN arbitrado / , 5 pelo SIPT é 100% maior que aquele arbitrado no exercício anterior" (fl. 183); IV. o ITR é um imposto sujeito ao lançamento por declaração, sendo incabível a cobrança de juros de mora e multa de oficio. Ademais, tais acréscimos legais são confiscatórios, sendo que os juros de mora à taxa Selic incorre em outra ilegalidade, já que tem caráter remuneratório e não moratório. Este recurso voluntário compôs o lote n° 04, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 02/12/2009. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 22/04/2008 (fl. 172), terça-feira, e interpôs o recurso voluntário em 21/05/2008 (tl. 258), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo fmal em 22/05/2008, quinta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Primeiramente deve-se anotar que os recursos voluntários n's 342.590 (exercício 2005), 342.591 (exercício 2003) e o presente (exercício 2004), todos do mesmo recorrente e referentes às autuações de ITR de exercícios sucessivos da mesma propriedade rural (Fazenda São Paulo), foram sorteados para este Conselheiro relator e serão julgados nesta mesma sessão de julgamento. Agora, passa-se a apreciar a defesa do item 1 (o auto de infração foi lavrado com base nos dados do SEPT, os quais não foram franqueados ao contribuinte, caracterizando claro cerceamento direito de defesa). No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente do art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao _ princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou - - o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fl. 09, já que considerou que o valor da terra nua constante do Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte estava em ///x 6 1 Processo n° 10670.720064/2007-76 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00399 Fl. 264 ampla dissonância com os valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura (representavam apenas 11% do menor valor apurado pela Secretaria Estadual — fl. 02). No caso aqui em debate, a autoridade fiscal, motivadamente, escolheu um parâmetro definido em lei para o valor da terra nua, sendo descabido falar em qualquer nulidade no procedimento fiscal. Insiste-se que a autoridade motivou sua escolha, arrostando o valor da terra nua constante do Laudo Técnico, fiando-se nos valores do SIPT. No ponto, deve-se rejeitar a nulidade vindicada, inclusive porque a autoridade fiscal acostou aos autos a tela do SIPT, na qual constam os valores utilizados no arbitramento, permitindo que o contribuinte apresentasse sua impugnação, não havendo qualquer cerceamento do direito de defesa. Agora se passa à defesa do item II descrita no relatório (cerceamento do direito de defesa em decorrência do indeferimento de perícia). Não havia qualquer motivo para deferimento da perícia, já que o contribuinte fez a prova do seu direito a partir do Laudo Técnico. Com essa documentação, aliada a informação do SIPT, a autoridade julgadora a quo estava livre para firmar seu convencimento. Caso o impugnante desejasse, poderia ter feito provas novas, visando robustecer o seu direito. A perícia é uma prova adicional, no interesse do processo, que visa permitir ao julgador firmar sua convicção. Não objetiva fortalecer, ou não, qualquer posição das partes no processo administrativo fiscal, mas apenas perseguir a busca da verdade material. No caso vertente, entendeu a autoridade julgadora a quo, soberanamente, que as provas dos autos bastavam para julgar a lide. E assim procedeu. Não há qualquer nulidade neste ponto. Na defesa trazida no item III, o recorrente insiste na utilização do valor da terra nua constante no Laudo Técnico apresentado, que teria respeitado a NBR 14653-3 da ABTN, com grau de fundamentação e precisão nível II, conforme exigido na intimação da autoridade fiscalizadora Como se viu no relatório, a decisão recorrida arrostou o valor da terra nua constante no Laudo Técnico centrada nos seguintes pontos: 1. o valor apontado do VTN/ha no Laudo Técnico de R$ 65,22 por hectare encontrava-se muito abaixo dos VTNs constantes do SIPT, além de corresponder a apenas 27,31% do VTN médio por hectare, apurado nas DITRs respectivas; 2. o Laudo Técnico não havia apontado as características particulares desfavoráveis que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT; 3. o Laudo não atenderia à totalidade dos requisitos estabelecidos nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT (NBR 14.653-3),- principalmente o item 8 — Metodologia Aplicável, com o atendimento dos requisitos mínimos estabelecidos no Anexo A, da \ referida nouna, e o item 9 — Especificação das Avaliações; 4. há valores divergentes apresentados no citado Laudo quanto ao valor total do imóvel e ao VTN, conforme se constata à fl. 50, na qual consta o VTN/ha de R$ 64,59 enquanto à fl. 52, na conclusão do trabalho, consta o VTN/ha de R$ 62,22 [na verdade é R$ 65,22 por hectare]. A discrepância entre o valor da terra nua constante do Laudo Técnico e do SIPT, em si mesma, não é motivo para rejeitar a informação do Laudo. Até porque, no caso presente, a informação do SIPT tem um elevado grau de variação (fl. 08), de R$ 238,82 a R$ 2.000,00 por hectare, a indicar a pequena confiabilidade dessa informação. Assim, a motivação "1" acima não é idônea para rechaçar a informação do Laudo. O Laudo Técnico foi apresentado exatamente para realçar as peculiaridades do imóvel rural auditado, sendo a ferramenta adequada para contraditar os valores constantes do SIPT. Parece esquisita a argumentação da decisão recorrida de que o Laudo Técnico não havia apontado as características particulares desfavoráveis que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, quando se sabe que tais valores são genéricos, por município, sendo o Laudo a ferramenta idônea para questionar os valores do SIPT, já que aquele mensura especificamente o imóvel rural objeto do lançamento. Não há outro instrumento para apontar as especificidades do imóvel auditado, em termos de avaliação pericial, que não seja um laudo assinado por experto. Aqui, mais um ponto relevante na defesa da possibilidade dos valores do Laudo Técnico contraditar os valores do SIPT. Segue-o. O contribuinte não foi intimado a apresentar laudo técnico que contradissesse os valores constantes do SIPT, mas que o apresentasse, sob pena de assim não o fazendo, sofrer o arbitramento com base no SIPT. Não poderia a autoridade simplesmente arrostar o Laudo Técnico em face do SIPT, por eventual desproporção entre os valores da terra nua que constavam no SIPT versus Laudo Técnico, mas precisaria de uma prova adicional para fulminar o Laudo, sob pena de o Laudo Técnico só ter validade se seus valores estivessem em linha com aqueles constantes do SIPT. Se assim fosse, não se necessitaria de laudo técnico, bastando arbitrar diretamente o valor da terra nua com base no SIPT. Os valores constantes do SIPT devem ser utilizados de forma supletiva, sempre que o contribuinte não apresente laudo técnico, ou que este tenha uma nulidade formal ou substancial objetivamente detectável, ou ainda que a autoridade fiscal possa descaracterizar a amostra utilizada pelo perito. Compulsando o Laudo, vê-se que o experto discriminou a existência de dois tipos de terra no município de Formoso (MG), as chamadas terras altas e as terras baixas, sendo as primeiras de maior valor venal (fl. 28). O imóvel avaliado estaria situado na região de terras baixas, havendo 1.431,2 ha de área de reserva legal averbada à margem do registro imobiliário e 1.740,8 ha de área de preservação permanente, conforme o art. 2° do Código Florestal (fl. 26). Ainda, foi acostado ao Laudo um mapa de solos do imóvel, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Roberto Thadeu Mendes, CREA-MG 14.669-D, e o primeiro experto asseverou que se tratava "de imóvel 'fraco", de fertilidade natural quase nula, solos em sua totalidade arenosos, com cerca de 25% de área brejosa intocável — APP, e com acesso precário, notadamente nos meses chuvosos" (fl. 27, in fine). Por último, o experto utilizou o método comparativo de dados de mercado para a avaliação, coletando dados de pesquisas nos municípios vizinhos, em decorrência da exigüidade do mercado e das informações em Formoso 'N\ (MG), coletando 12 eventos amostrais (fls. 31 a 35). Inegavelmente, apenas por esta reduzida descrição, vê-se que o Laudo especificou detalhes do imóvel, sendo inviável rejeitar suas conclusões ao argumento de que não houve detalhamento especificador do imóvel avaliado. 8 • Processo n° 10670.720064/2007-76 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.599 Fl. 265 Apresentado o Laudo Técnico, a autoridade autuante o rechaçou em decorrência de uma pretensa desproporção entre o valor da terra nua constante do SIPT e aquele do Laudo. Essa também foi, em essência, a linha seguida pela decisão a quo. Ocorre que esse procedimento não é adequado, já que o Laudo do contribuinte somente poderia ser arrostado por um Laudo produzido pela União, de forma similar ao que ocorre no deferimento da perícia pela autoridade julgadora de primeira instância, na forma do art. 18, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 — ("Deferido o pedido de perícia, ou determinada de oficio, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados"), ou caso fosse apontada uma nulidade formal ou substancial detectável objetivamente, como já dito. Ainda, como se tratava de Laudo de avaliação econômico-financeiro, a autoridade autuante poderia vergastá-lo a partir da comprovação de que os eventos da amostra utilizados no modelo de regressão linear não representavam os valores efetivamente transacionados ou mesmos levantar um conjunto de eventos amostrais outros que demonstrassem a inviabilidade da amostra utilizada pelo perito. Entretanto, a simples desproporção entre os valores, do SIPT e do Laudo, em si mesma, não é meio hábil para desconsideração do Laudo assinado pelo experto, no caso o engenheiro agrônomo Rodrigo Octávio Monteiro de Sousa Lima. Aceitar o procedimento acima da autoridade autuante (seguido também pela julgadora) implicaria em afastar qualquer laudo em dissonância com o SIPT, como já dito, sem uma contra-prova documental que tratasse do mesmo ponto da controvérsia, sempre lembrando que as realidades tratadas pelo SIPT e pelo Laudo específico têm apenas pontos de contato, porém são diversas. O SIPT detém valores genéricos de determinado município. Já o laudo técnico aprecia determinado imóvel nesse município, detalhando suas especificidades. O procedimento perpetrado pela autoridade lançadora (e corroborado pela autoridade julgadora) implicaria na assunção de uma completa subjetividade na definição do valor da terra nua, a depender apenas daquele que a autoridade reputasse mais "razoável", que sempre seria o valor do SIPT, eventualmente até ratificado pelo laudo técnico, desde que este confirmasse o valor daquele. Isso não pode ser acatado para o caso vertente, já que o Laudo Técnico avaliou de forma individualizada o imóvel rural em discussão, sendo subscrito por profissional competente, e, em princípio, não poderia ser arrostado pelos valores genéricos do SIPT, os quais, no caso em debate, detém, inclusive, largo espectro de variação, a indicar que o SIPT do município de Formoso — MG pode ser um ponto de partida para o arbitramento, mas jamais um ponto de chegada, inatacável (a informação do preço da área de pastagem/pecuária e cultura/lavoura da Secretaria Estadual de Agricultura para o município de Founoso quadruplicou e dobrou, de 2003 para 2004, respectivamente, como se pode ver no Recurso n° 342.591, a demonstrar a pouca confiabilidade de tal informação). Por outro lado, como já dito, a autoridade poderia afastar o Laudo pelo descumprimento de algum requisito formal ou substancial essencial. Aqui, é verdade, a autoridade julgadora de primeira instância apontou que o Laudo não atenderia à totalidade dos requisitos estabelecidos nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT (NBR -14.653-3), principalmente o item 8 — Metodologia Aplicável, com o atendimento dos requisitos mínimos estabelecidos no Anexo A, da referida norma, e o item 9 — Especificação , das Avaliações, ponto não destacado pela autoridade autuante. O item 8 (metodologia aplicável), 9 (especificação das avaliações) e o Anexo A (procedimentos para utilização de modelos de regressão linear no método comparativo direto de dados de mercado) da NBR 14.653-3 discriminam os métodos de avaliação (comparativo direito de dados do mercado; capitalização da renda; involutivo; evolutivo; comparativo direto de custo; quantificação de custo) e a especificação da avaliação quanto à fundamentação e à precisão (graus I a III). A autoridade julgadora asseverou que o Laudo apresentado não atenderia à totalidade dos requisitos estabelecidos principalmente nos pontos ora citados, porém não indicou quais os requisitos que não foram atendidos, criando, de plano, uma dificuldade para a defesa do recorrente, que sequer soube quais os requisitos que não foram atendidos. Aqui se deve observar que os itens 8, 9 e o Anexo A da ABNT são complexos, detalhados, e a autoridade julgadora deveria clarificar minudentemente os pontos vulnerados e não fazer uma rejeição geral do Laudo em itens tão vastos. Não indicados os pontos vulnerados da NBR 14.653-3, impossível, aqui, manter a decisão recorrida, já que não se sabe quais os pontos violados. Ademais, o experto, competente para o trabalho em foco, asseverou que o Laudo foi produzido em conformidade com a norma citada, atingindo um gni' de precisão e fundamentação II, e a autoridade julgadora deveria especificar onde o Laudo não atendeu a Norma citada, hipótese não ocorrida no julgado recorrido, como já dito. Assim, afasta-se esse óbice apontado pela decisão da Delegacia de Julgamento. Já em relação às pequenas divergências entre os valores da terra nua apontadas nas fls. 50 e 51, vê-se que foi um mero equívoco no Laudo, já que os valores de fl. 50 estão corroborados nas fls. 45 e 46, devendo assim prevalecer o valor da fl. 50 (R$ 64,59 por hectare de terra nua - VTN). Com as considerações acima, aqui se acata o valor da terra nua constante no Laudo Técnico de fls. 22 a 52, para o exercício 2004, no valor de R$ 64,59 por hectare, o que implica em um valor da terra nua de R$ 462.206,04 (item 20 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido - fl. 04). Por fim, na defesa do item IV, o contribuinte alega que o ITR é um imposto sujeito ao lançamento por declaração, sendo incabível a cobrança de juros de mora e multa de oficio. Ademais, tais acréscimos legais são confiscatórios, sendo que os juros de mora à taxa Selic incorre em outra ilegalidade, já que a taxa Selic tem caráter remuneratório e não moratório. Inicialmente, deve-se anotar que o fator gerador do ITR se aperfeiçoa em 1° de janeiro de cada ano, consubstanciado na propriedade, no domínio útil ou na posse de imóvel localizado fora da zona urbana, na forma do art. 1°, capta, da Lei n° 9.393/96, verbis: Art. 10 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora - da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. O art. 10 da Lei n° 9.393/96 não deixa qualquer dúvida que o lançamento do ITR é por homologação, como se pode ver pela estrita dicção legal, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da _ administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos _ - _ _ - - - pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 13 Processo n° 10670.720064/2007-76 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.599 Fl. 266 Assim, após o exercício 1997, quando entrou em vigência a Lei n° 9.393/96, não há qualquer dúvida de que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação e não por declaração, como pugnado pelo recorrente. O entendimento acima era comungado no âmbito do Terceiro Conselho de Contribuintes, então competente para apreciar as controvérsias no âmbito do ITR, como se poder ver pelos Acórdãos n° 301-34.789, sessão de 15/10/2008, unânime, relator o Conselheiro Luiz Roberto Domingo; n° 303-35233, sessão de 24/04/2008, por maioria, relator o Conselheiro Nilton Luiz Bártoli; e n° 392-00008, sessão de 23/09/2008, por maioria, relator o Conselheiro Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque Pizzolante. Ainda, aberto procedimento de oficio em desfavor do contribuinte, deve-se apurar o imposto devido, acrescido de juros de mora e multa de oficio, na forma do art. 14, § 2°, da Lei n° 9.393/96. No ponto, sem razão o recorrente. Para concluir, passa-se a apreciar a irresignação referente ao caráter confiscatório dos acréscimos e da incidência dos juros de mora à taxa Selic. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Assim, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda l , aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Quanto ao caráter confiscatório dos juros de mora e da multa de oficio de 75%, deve-se anotar que essa defesa não pode ser acatada, já que isso implicaria na declaração de inconstitucionalidade da legislação acima citada e do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 (base legal da multa de oficio), procedimento que é vedado ao julgador administrativo, na forma da Súmula CARF n° 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se - pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Dessa forma, não pode prosperar, neste ponto, a irresignação do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de AFASTAR a nulidade vindicada e, no mérito, DAR parcial provimento ao recurso para deferir o valor da terra nua constante no Laudo Técnico trazido pelo recorrente, implicando em um VTN de R$ 462.206,04 (item 20 do Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° a §3° Omissis. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. KÍ Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido — VALOR DA TERRA NUA — fl. 04), com a redução do imposto lançado p 1 •'-..--1,5 66,06, a ser acrescido de juros de mora e multa de oficio. Sala daS Sessões, eri g l de maio de 2010 (7Gi vanni Christia gp . allipos f I 1 111 1 1 1 i 12
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000772/2005-95
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
Ementa: IRPJ. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE EM PARTE DAS INFRAÇÕES. Configurado o evidente intuito de fraude em parte das infrações, toda a matéria tributável apurada no período em questão sujeita-se
a regra do art. 173 do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, mesmo aplicando-se a multa de 75% em parte das infrações,
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 Ementa: IRPJ. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE EM PARTE DAS INFRAÇÕES. Configurado o evidente intuito de fraude em parte das infrações, toda a matéria tributável apurada no período em questão sujeita-se a regra do art. 173 do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, mesmo aplicando-se a multa de 75% em parte das infrações, Recurso Voluntário Negado.
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE EM PARTE DAS INFRAÇÕES. Configurado o evidente intuito de fraude em parte das infrações, toda a matéria tributável apurada no período em questão sujeita-se a regra do art. 173 do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, mesmo aplicando-se a multa de 75% em parte das infrações, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Albertina Si va antas de --ima An_ nio Josésé Praga de '!ouza Relator residente EDITADO EM: 07/04/2010 • Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Albertina Silva Santos de Lima, Roberto Armond, André Ricardo Lemes da Silva e Adriana Giuntini Viana, \ia(' Relatório COTA CONSTRUTORA AMAZON1A S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida em primeira instância no processo 10240.001480/2004-99, fls. 129-139, que considerou não impugnada a matéria "glosa de despesas não necessárias", pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70,235 de 1972 (PAI), A decisão da DRJ entendeu que a peça impugnatória restringiu-se a contestar a glosa de custos lastreados em documentos considerados inidôneos, A parcela do crédito tributário relativo à matéria em questão (glosa de despesas) foi apartada neste processo para continuidade da cobrança (fl. 140). Cientificado em 07/07/2005, fl. 142-verso, o contribuinte apresentou recurso em 8/08/2005, fl. 144-145 alegando que esse parcela foi objeto de impugnação quanto a decadência. Mediante resolução n.{) 105-01.365, fls. 147 e seguintes, a antiga 5'. Câmara do 1CC baixou o processo em diligência para juntada do processo original, visando verificar a conexão entre as decisões. A unidade de preparo juntou os autos solicitados, fls. 155, e devolveu a este conselho. É o relatório, Voto Conselheiro Antonio José Praga de Souza - Relator O recurso é tempestivo e merece ser conhecido. De início, registro estar patente que a alegação de decadência, principal argumento da peça impugnatória, fls.,75-86, alcançava todos os fatos geradores tributados nos autos de infração, relativos ao ano-calendário de 1998, tal qual a glosa em destaque. Portanto, a DR1 equivocou-se ao determinar que fosse apartado o crédito tributário relativo às despesas consideradas não necessárias, Todavia, a DRJ já enfrentou a decadência em sua decisão fl. 133, afastando sua ocorrência, tendo que vista que a contribuinte optou pelo lucro real anual em 1998 e não fez qualquer pagamento ao longo do ano-calendário ou no ajuste. Assim, o prazo decadencial, segundo a decisão recorrida, deveria se contato na forma do art. 173 do CTN. Ademais foram apurados fatos que ensejaram a aplicação da multa qualificada sobre a outra infração tributada, o que também desloca a contagem para o 1. dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado. 2 Processo n" 10240 000772/2005-95 SI-C4T2 Acórdão o ° 1402-00164 Fl 3 Uma vez que a contribuinte foi cientificada em 30/12/2004 (ff 3), nenhuma das parcelas da exigência estaria decaída. Pois bem, No acórdão 105-15791, ao julgar a matéria objeto de multa qualificada no ano de 1998, a 5. Câmara do ICC manteve a qualificação da multa, afastando a decadência. Logo, no ano de 1998 a contagem do prazo decadência para fiscalização do IRP.1 e Reflexos da recorrente deve ser todo realizado na forma do art. 173 do CTN, ou, seja em 30/12/2004 (data da ciência) ainda não havia encerrado o prazo decadencial.' Configurado o evidente intuito de fraude em parte das infrações, toda a matéria tributável apurada no período em questão sujeita-se a regra do art.. 173 do cirN para fins de contagem do prazo decadencial, mesmo aplicando-se a multa de 75% em parte das infrações. Isso porque a base de cálculo a ser tributada é única, e decorre da reconstituição do lucro real do período. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento. i.: Antonio José Prag ou 3 1 0 Seção 4 Câmara - • MINISTERIO DA FAZENDA Fls.: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF CARF 1" SEÇÂO DE JULGAMENTO/4" CÂMARA Processo n" : 10240.000772/2005-95 Interessado(a) : COTA CONSTRUTORA AMAZÔNIA S/A_ TERMO DE JUNTADA l a Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n a 1402-00164, (fls ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo., Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria
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Numero do processo: 00725.002068/82-40
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 1985
Numero da decisão: CSRF/01-00.049
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, como proposto pelo Relator.
Nome do relator: Raul Pimentel
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SERVIÇO PCIBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0725-002.068/82-40 RESOLUÇA0 N9-CSRF/01-0.049 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJ. PASSIVO: HAYEL WANDER BARRETO RELATÓRIO E VOTO _ CONSIDERANDO que pela Resolução n9 CSRF/01-0.040 (fo lhas 85/88) os presentes autos foram, em diligencia, encaminhados a repartição preparadora local para apurar o ali indicado; CONSIDERANDO que, em razão do .atendimento ..apenas parcial do solicitado, mister se faz reiterar o que não ficou adequa damente esclarecido; CONSIDERANDO, ainda, fazer-se necessária a pesquisa de outros dados para a correta solução do litígio: VOTO pela conversão do julgamento em diligencia, a fim de que: I) A Delegacia da Receita Federal na Cidade do Rio de Janeiro determine diligencias com o objetivo de esclarecer junto a firma KAYLAMI FORNECEDORA DE ALIMENTOS LTDA., inscrita no C.G.C. sob o n9 29.992.039/0001-34, com sede a Rua Capitão Felix, n9 110,r. , 7, loja 12, Rio de Janeiro, se o aluguel;aque sdrefere o contrato de/.i fls. 07/09 e pago nas datas mencionadas no doc. de fls. 16, era pago em dinheiro ou em cheques e, nesta -anima hipótese,indicar os números / valores e bancos sacados; II) A Presidência desta Camara Superior oficie ao Di retor-Superintendente do Banco Bamerindus do Brasil S/A., solicitan- -- do cópia do cheque n9 342.078 (frente e verso), com .identificação completa de seu emitente, cheque este depositado na Agencia da Caixa Económica Federal em Macae (RJ), em 13/05/80, conforme recibo defls. 75, cuja cópia xerox deve acompanhar o expediente oficial encaminha- SERVIÇO POBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0725-002.068/82-40 02 RESOLUCAO.N9-CSRF/01;0,049 III) A Repartição Preparadora Local (D.R.F. em Cam pos - RJ): III.a) Intime a Caixa Económica Federal a apresen- tar: III.a.1) cópia xerox do verso e anverso do documento de depósi- to de Cr$ 36.900, efetuado em 13/08/80, em nome de HAYEL WANDER BAR- RETO (f is. 36); III.a.2) cópia xerox dos extratos da conta número 184.001.00003.122.4, em nome de HAYEL WANDER BARRETO, referente ao ano de 1981; III.b) A vista dos esclarecimentos que forem pres- tados pela D.R.F., na Cidade do Rio de Janeiro (item I desta Resolu- ção), intime o(s) banco(s) sacado(s) dos cheques a apresentar cópia desses documentos (frente e verso); III.c) Intime o Banco sacado do cheque a que se re fere o depósito mencionado no it III.a.1 a apresentar cópia (fren- te e verso) do cheque depositad . . sr P.IMENT "‘" RELATOR
score : 1.0
Numero do processo: 10805.724816/2016-96
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA.
A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA.
A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
Numero da decisão: 3201-003.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, exceto quanto à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento pelo voto de qualidade. Vencidos, no ponto, os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior também entenderam que a exigência deveria recair apenas sobre as operações de fretamento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, exceto quanto à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento pelo voto de qualidade. Vencidos, no ponto, os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior também entenderam que a exigência deveria recair apenas sobre as operações de fretamento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 61.694 1 61.693 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.724816/201696 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.727 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria PIS_COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CVC BRASIL OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 48 16 /2 01 6- 96 Fl. 61694DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.695 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, exceto quanto à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento pelo voto de qualidade. Vencidos, no ponto, os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior também entenderam que a exigência deveria recair apenas sobre as operações de fretamento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O presente processo trata de lançamentos de Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Para o Programa de Integração Social PIS, lavrados em 02/01/2017 contra a Empresa acima indicada, abarcando os períodos de apuração janeiro de 2012 a dezembro de 2012. O lançamento de PIS (fls. 61265/61271) totalizou R$ 57.318.463,64, incluindo, incluindo a contribuição, no valor de R$ 25.725.453,85, multa de ofício de 75%, calculada sobre o valor da contribuição apurada, de R$ 19.294.090,33 e juros de mora no valor de R$ 12.298.919,46, calculados até 01/2017. Por sua vez, o lançamento de COFINS (fls. 61.272/61.278) totalizou o montante de R$ 264.546,756,00, sendo R$ 118.732.864,07 como contribuição, R$ 56.764.243,91 como juros de mora calculados ate 01/2017 e R$ 89.049.648,02 a título de multa de ofício de 75%. Do Relatório Fiscal: Fl. 61695DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.696 3 No Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 61220/62264), de 02/01/2017, a Fiscalização esclareceu que a Empresa, nos ano calendário de 2012 auferiu receitas sujeitas às incidências cumulativa e não cumulativa de Pis e Cofins, tendo como objeto social “a intermediação e a operação de pacotes de viagens e turismo, assim como a prática de todas as atividades inerentes às operadoras de turismo, em conformidade com as disposições do Ministério do Turismo – MTUR e dos Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR”. A partir de 27/09/2012 o objeto passou a ser “(i) a intermediação e a operação de pacotes de viagens e turismo, assim como a prática de todas as atividades inerentes às operadoras de turismo, em conformidade com as disposições do Ministério do Turismo MTUR e do Instituto Brasileiro de Turismo EMBRATUR, e, (ii) participação societária em outras sociedades que desenvolvam atividades similares às descritas no item (i) deste artigo.” . Desta análise, verificouse então que a Empresa poderia atuar como intermediadora de pacotes de viagens e turismo e/ou operadora de pacotes de viagens e turismo, dentre outras atividades. Os lançamentos ocorreram face à infração de omissão de receitas sujeitas as contribuições, referentes aos valores dos contratos de vendas de produtos e serviços turísticos – pacotes, cruzeiros, hospedagens, passeios que a CVC Brasil, na qualidade de operadora de turismo vendeu a seus clientes/passageiros nas respectivas datas dos lançamentos contábeis “débitos” lançados na conta contábil 112010001 RECURSOS EM TRANSITO DE TERCEIROS , no ano de 2012, em seu nome, por sua conta e risco, e que nessa condição configuramse como receita bruta da empresa. Relata a Fiscalização que os contratos firmados entre a fiscalizada e seus clientes apresentavam como contratadas apenas a fiscalizada e a(s) agência(s) que a representava(m), ou seja, nenhum fornecedor da fiscalizada (hotel, companhia aérea, etc... ) obrigavase perante os clientes, o que implica afirmar que a fiscalizada ofertava os serviços em seu nome e por sua conta. Da análise dos lançamentos contábeis e dos demais documentos apresentados, verificouse que na maioria dos casos, a fiscalizada efetuava o pagamento dos fornecedores dos serviços mesmo antes do término do recebimento por parte dos clientes, que usufruiriam desses serviços; e no caso específico das passagens aéreas, os valores eram pagos antecipadamente, mesmo antes do recebimento de qualquer parcela pela fiscalizada. Isso demonstraria que as receitas (preço total dos serviços) eram auferidas pela própria fiscalizada, que as gerenciava conforme sua conveniência, e esta efetuava o pagamento de seus fornecedores, conforme acordado com esses, independentemente do recebimento por ela dos valores de seus clientes, evidenciando que a fiscalizada não é mera agência de viagens que apenas intermedeia serviços turísticos, vez que organiza e promove o serviço em seu nome e por sua conta. Fl. 61696DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.697 4 Esta constatação é corroborada por outras cláusulas constantes nos contratos celebrados pela fiscalizada com seus clientes, como, por exemplo, a que garante, em caso de alteração do contrato, a escolha do cliente por um novo roteiro, novo bilhete ou novo serviço turístico, ou ainda carta de crédito para fruição posterior. E como já observado, nesses lançamentos contábeis, a totalidade dos valores dos contratos com clientes celebrados pela fiscalizada era registrada a débito da conta de n°11001.1001.000000.112010001 RECURSOS EM TRANSITO DE TERCEIROS, podendose afirmar que o valor total dos débitos mensais registrados nessa conta correspondem à receita bruta da atividade da fiscalizada. Da Impugnação: Tendo sido cientificada em 05/01/2017, conforme doc juntado a fls. 61281, a Autuada, apresentou Impugnação aos lançamentos em 02/02/2017 (fls. 61286), na qual apresenta os seguintes argumentos e pontos de discordância: Basicamente, alega que esses valores não integram sua receita bruta, pois referemse a valores repassados a terceiros, fornecedores de serviços turísticos e agências de turismo (lojas), os quais, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições. Discorre sobre as atividades que desenvolve, explicando que é empresa brasileira que se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior; na condição de intermediadora de serviços turísticos, está sujeita ao recolhimento do ISS, e a sua atividade está prevista no item 9 da lista de serviços anexa à LC 116/2003. Mantém uma rede de contatos e acordos com os fornecedores dos serviços turísticos (hotéis, companhias aéreas etc), realizando a organização, estruturação e oferecimento dos serviços turísticos prestados por tais fornecedores aos clientes/passageiros tomadores dos serviços, de forma individual ou em pacotes (conjunto de serviços turísticos de diferentes naturezas). Atua por intermédio de agências filiais (lojas filiais) ou agências terceirizadas (lojas terceirizadas), com as quais firmou contratos de franquia empresarial, responsáveis pela comercialização de pacotes turísticos previamente estruturados ou serviços turísticos individuais prestados pelos fornecedores aos clientes/passageiros; as lojas filiais são detidas por outra empresa do grupo, denominada CVC Serviços Agência de Viagens Ltda. e, pois, representam pessoa jurídica diversa da requerente. Com fundamento artigo 27 da Lei n° 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo LGT) e na Lei n° 12.974, de 15/05/2014, define no que consistem as “atividades de intermediação das agências de turismo”, e a diferença existente entre “agência de viagens” e “agência de viagens e turismo”. Conclui que, haja vista os Fl. 61697DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.698 5 conceitos previstos nas referidas leis, bem como na legislação anterior que tratava da matéria, dependendo da natureza e extensão da atividade específica desenvolvida, a agência poderá denominarse “Agência de Turismo” ou “Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística”. Afirma que, independentemente da denominação, a caracterização da espécie de serviço por ela realizado depende das atividades efetivamente realizadas: se a Agência de Viagens ou a Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística prestar determinados serviços de forma direta (e não por intermédio dos terceiros fornecedores), não restará configurada a atividade de intermediação; por outro lado, se a Agência de Viagens ou a Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística tiver como propósito a organização e oferecimento de serviços turísticos prestados por terceiros aos clientes/passageiros (passagens aéreas, hospedagem etc), estará realizando a atividade de intermediação de que trata a legislação do setor. Entende restar evidenciado que é uma Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística que realiza a intermediação entre fornecedores e passageiros, pelas lojas filiais ou lojas terceirizadas, de serviços turísticos prestados por terceiros. Aduz que o “esforço realizado” pela fiscalização em “descaracterizar a Requerente como agência de turismo” e alegar que a Requerente realizaria a “revenda” de serviços turísticos se justifica para fundamentar a errônea premissa adotada para a lavratura da presente autuação, qual seja, de que os valores referentes aos repasses aos fornecedores e as comissões às lojas seriam custos da Requerente e não receitas de terceiros. Alega que, entretanto, tal premissa estaria em total desconformidade com a legislação do Turismo por ela mencionada, pois, o fato de determinada agência ser denominada Operadora significa tão somente que, além de realizar a venda comissionada ou a intermediação de serviços turísticos, a agência também realiza o planejamento e organização das atividades relacionadas às viagens. Afirma que de forma alguma a denominação de “Operadora” significa que a agência presta/oferece ela própria serviços turísticos “em seu nome”, como alega a Auditora Fiscal. Acrescenta que a circunstância de a Requerente também realizar atividades próprias de Operadora Turística (que nada tem a ver com a prestação direta de serviços turísticos) não afasta a sua caracterização como Agência de Viagem que tem como atividade principal a intermediação. Contesta a premissa do fiscal de que “a requerente não realiza atividade de intermediação de serviços turísticos, mas sim a compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio” alegando: que o principal aspecto do negócio jurídico de compra e venda é a efetiva transferência de titularidade/propriedade sobre o bem em questão e na intermediação, o elemento da remuneração decorre da Fl. 61698DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.699 6 existência da prestação do serviço e não se verifica a transferência de titularidade/propriedade para a empresa que realiza a intermediação; que sua atividade consiste da “prestação de serviço de intermediação”, já que “não compra passagens e hospedagens e as revende em seu nome, mas sim organiza, reserva e contrata os serviços turísticos prestados pelos fornecedores e os oferece e comercializa aos clientes/passageiros”. Em relação ao fato de que de as notas fiscais e/ou faturas comerciais terem sido emitidas pelos fornecedores dos serviços turísticos (companhias aéreas, hotéis etc) em nome da requerente, alega que tal fato se deu por razões legais, estritamente operacionais e/ou alheias à sua vontade, e que não desnatura a essência da sua atividade de intermediação. Acrescenta que: as companhias aéreas não emitem notas fiscais contra os passageiros por expressa determinação legal; as faturas comerciais emitidas pelas companhias aéreas contra a requerente apenas formalizam os valores que deverão ser repassados por ela aos efetivos prestadores dos serviços de transporte aéreo usufruídos pelos clientes/passageiros; os bilhetes aéreos, que substituem as notas fiscais, são emitidos contra cada um dos passageiros, tomadores de tais serviços. E ainda que os valores a serem remetidos a terceiros são lançados em uma conta específica e transitória e são efetivamente transferidos aos verdadeiros titulares e que os documentos que suportam tal procedimento – contratos firmados com os passageiros, extratos bancários que atestam os valores recebidos e repassados aos fornecedores, faturas emitidas pelos fornecedores e notas fiscais emitidas com o valor da intermediação da requerente – foram apresentados na Fiscalização. Em relação às soluções de consulta mencionadas pelo autuante, a interessada, considerando que não fornece serviços turísticos diretamente, mas realiza aatividade de intermediação a eles relacionada, alega que o entendimento lá exarado demonstra que os procedimentos da requerente para a determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins foram absolutamente regulares. Discorre sobre a orientação da jurisprudência a respeito da não tributação das receitas de terceiros relacionadas às Agências de Turismo. Considerando que a atividade que desenvolve é a de intermediação de serviços turísticos, defende a não incidência das contribuições sobre os valores repassados a terceiros, no caso, aos fornecedores de serviços turísticos e comissões repassadas às lojas. Argumenta que tais contribuições incidirão, nos termos do art. 1º da Lei n° 9.718/1998, sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica, que corresponde à sua receita bruta. Acrescenta que: o conceito jurídico de “receita” abarca apenas os valores que representam acréscimos patrimoniais efetivos e definitivos e que Fl. 61699DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.700 7 resultam diretamente da atividade econômica desenvolvida pela empresa; a legislação específica do turismo confirma que a receita da agência de turismo não pode abarcar a integralidade dos valores recebidos, mas apenas a verdadeira remuneração auferida pela atividade de intermediação; o preço do serviço de intermediação das agências de turismo é a comissão recebida dos fornecedores e/ou o valor agregado ao preço de custo desses fornecedores, e não o valor total dos ingressos. Por fim, em relação à multa de ofício, suscita a impossibilidade da incidência mensal de juros Selic sobre a multa de ofício lançada. Alega que o artigo 61 da Lei 9.430/96 trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo menção às multas de ofício aplicadas pela RFB. Requer o acolhimento integral da presente Impugnação e o imediato cancelamento da autuação. Protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1059.003, sessão de 31/05/2017, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 Ementa: AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, em se tratando de operadora turística que elabore e opere seus próprios pacotes turísticos ou mesmo ofereça outros produtos isoladamente, como passagens, hospedagens e demais serviços turísticos, mas sempre comercializados em seu próprio nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic por expressa previsão legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 Por envolver os mesmos elementos fáticos, aplicase o decidido em relação à Cofins no julgamento das questões envolvendo o litígio da contribuição para o PIS.. Fl. 61700DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.701 8 Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, explicitando sua atividade que a caracteriza como Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística na prestação de serviço de intermediação de viagens e excursões, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior. A Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria apresenta contrarrazões ao recurso voluntário para manutenção da decisão recorrida. Em síntese aduz: O Estatuto Social da contribuinte prevê autuação de intermediação e operação de pacotes de viagem e turismo; contudo, o conjunto probatório aponta para a contratação dos serviços de turismo entre a CVC e seus clientes; A contribuinte não apresentou documentação probatória de que os valores registrados na sua contabilidade sejam decorrentes de relacionamentos exclusivo e direto entre seus clientes e os fornecedores de serviços de turismo; Foi apresentado contrato de afretamento de aeronave celebrado entre a TAM e a CVC, sem estabelecer qualquer vínculo entre a companhia aérea e os passageiros; Há pagamentos prévios pela CVC aos seus fornecedores independentemente dos pagamentos parcelados dos clientes/consumidores finais, corroborando tratarse de aquisição do serviço do fornecedor, mediante pagamento com recursos próprios, e revenda ou venda de pacote/serviços de viagem/turismo para clientes finais; As cláusulas das "Condições Gerais" dos contratos celebrados com os clientes da CVC permitem alterar completamente os serviços supostamente prestados pelos fornecedores diretamente ao clientes, ou seja, a CVC (e não do fornecedor) assegura o direito ao seu cliente de alterar roteiros, bilhetes, hospedagens ou serviços turísticos ou mesmo concederlhes crédito para usufruir dos serviços oferecidos em momento posterior, situação que não se coaduna com a mera intermediação contratual entre fornecedor e cliente; A preclusão do direito de juntar provas após a impugnação; A incidência dos juros de mora sobre o montante do crédito tributário constituído, que inclui a multa de ofício. O julgamento do recurso voluntário iniciouse em 18/04/2018 e interrompido em razão de solicitação de vistas pelo Conselheiro Winderley Morais Pereira. Em 23/05/2018, a contribuinte solicitou a juntada aos autos de "laudo técnico" (fls. 61.642/61.693) elaborado por empresa de consultoria para alegar que o percentual das receitas com fretamento de aeronaves no ano de 2012 correspondeu a 10,35% do total das operações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Fl. 61701DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.702 9 O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Da incidência das contribuições sobre os valores dos contratos de vendas de produtos e serviços turísticos Conforme se verifica nos autos, na matéria, a lide está vinculada à verificação da natureza dos valores contabilizados pela recorrente a débito em conta de ativo ("Recursos em trânsitos de terceiros") recebidos de seus clientes. Importa perquirir se tais valores compõemse de parcela devida pela CVC ao fornecedor do serviço vinculado ao turismo (resultante dos pagamentos dos clientes da Agência/Operadora), deduzidas da comissão a que tem direito na condição de intermediária; ou se, de outro modo, consubstanciase, em sua integralidade, receita auferida na revenda de serviços adquiridos de fornecedores (companhia aérea, hotéis, transportadores, navio) ou venda de pacotes de viagem/turismo (estes organizados, contratados ou promovidos pela Agência/Operadora), caso em que devem ser incluídos nas bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A matéria foi abordada em julgamento de recurso voluntário da própria recorrente no processo nº 10805.723698/201437, sessão de 24/10/2017, cuja decisão foi prolatada no Acórdão nº 3302004.818, cujo voto muito bem explicitoua, que reproduzo: Relativamente à sujeição das receitas auferidas especificamente pelas agências de viagens e operadoras turísticas, a recorrente defende que apenas exerce atividade de intermediação, de acordo com os preceitos do artigo 27 da Lei nº 11.771/2008, a seguir reproduzidos: Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. § 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3o As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I passagens; II acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III programas educacionais e de aprimoramento profissional. Fl. 61702DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.703 10 § 4o As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: I obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II transporte turístico; III desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV locação de veículos; V obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIII venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IX venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. § 5o A intermediação prevista no § 2o deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. § 6o (VETADO) § 7o As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. Antes da publicação desta lei, a Solução de Consulta nº 214/2008 da SRRF 9º RF/Disit abordou o tema, tratando do cálculo da receita bruta para fins de enquadramento como microempresa ou empresa de pequeno porte no Simples Nacional (§1º do artigo 3º da LC nº 123/2006). Transcrevese trecho abaixo da SC nº 214/2008, que bem delineou quais atividades estariam abrangidas pela intermediação e quais seriam consideradas como prestadas em nome próprio: “Para responder a essa questão, é necessário consultar a Resolução Normativa CNTUR nº 4, de 28 de janeiro de 1983, que assim dispõe (sem destaques no original): Art. 5º As agências de turismo serão remuneradas, quando da intermediação na venda e comercialização de passagens Fl. 61703DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.704 11 individuais ou em grupo, passeios, viagens e excursões, da seguinte forma: I mediante o recebimento de comissão, paga pelas empresas transportadoras, no caso da emissão ou venda de passagens; II mediante o recebimento de comissão, paga por outras agências de turismo, quando venderem ou comercializarem produtos turísticos por essas organizados e promovidos; III mediante a cobrança de adicionais, no caso de venda e comercialização de serviços turísticos não comissionados ou oferecidos por preços "netos".(Preço líquido, sem comissionamento para agências ou operadoras (eco)turísticas, explicação não constante no original.) ... Art. 7º As agências de turismo quando exercerem a intermediação remunerada na reserva de acomodações em meios de hospedagem, o farão mediante uma das seguintes formas: I recebimento de comissão, paga pelas empresas ou entidades que se dediquem a atividade de hospedagem, em empreendimentos classificados pela EMBRATUR; II cobrança de adicional sobre o preço da hospedagem, a ser pago pelo(s) usuário(s), desde que cumulativamente atendidas as seguintes condições: a) que se trate de reservas de acomodações para estabelecimentos localizados no exterior, que não paguem a comissão referida no inciso anterior; b) que a reserva efetuada seja objeto de negociação direta entre a agência de turismo intermediadora e os responsáveis pelo empreendimento para a qual se destinará; c) que a reserva efetuada não faça parte ou integre excursão organizada ou vendida pela agência intermediadora. ... Art. 8º Os serviços receptivos, consistentes na recepção, transferência e assistência especializadas ao turista ou viajante, referidos no inciso III, do artigo 2º, do Decreto nº 84.034, de 21 de julho de l980, compreendem todos os serviços prestados pelas agências de turismo, nas localidades visitadas pelos usuários, participantes das excursões, viagens e passeios locais por elas organizados. ... Art. 9º Os serviços de que trata o artigo anterior serão prestados pela agência de turismo ao usuário: Fl. 61704DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.705 12 I diretamente, mediante remuneração ou preço de serviço correspondente à categoria de conforto dos equipamentos e a qualidade dos serviços receptivos, no caso da agência de turismo que possua equipamentos próprios de transporte turístico de superfície e utilizese regularmente de profissionais cadastrados como guias de turismo,. observado o disposto nesta Resolução; II mediante subcontratação de agência de turismo habilitada a operar os serviços receptivos, e por esta comissionada, ou por contratação de transportadora turística, no caso de não atender o disposto no inciso anterior. ... Art. 15 Os serviços de operação de viagens e excursões, individuais ou em grupo, compreenderão: I organização da viagem ou excursão, mediante o planejamento e elaboração de programas, roteiros e itinerários turísticos; II contratação dos serviços necessários á realização dos programas, roteiros e itinerários elaborados, mediante ajuste ou acordo, na forma da legislação aplicável, firmado pela agência de turismo com: a) as empresas transportadoras responsáveis pela exploração do meio de transporte em que se farão os deslocamentos principais do programa, quando for o caso; b) as empresas ou entidades responsáveis pela exploração ou administração de meios de hospedagem de turismo, ou outros estabelecimentos ou formas de hospedagem, quando permitidos; c) outras agências de turismo ou transportadoras turísticas, para recepção, transferência e assistência especializadas aos turistas; d) outras empresas ou entidades responsáveis pela exploração ou administração dos atrativos e empreendimentos de interesse turístico previstos nos programas. III prestação integral dos serviços mediante a execução dos programas, roteiros e itinerários elaborados e contratados. 11. Sempre que o serviço da agência de turismo for de intermediação (arts. 5º e 7º), sua receita é apenas a comissão ou o adicional. Assim, p.ex., a venda de uma passagem a alguém, mediante comissão da transportadora. Nesse caso, apenas o valor da comissão é reputado “resultado em conta alheia” e, nessa condição, incluído da base de cálculo do Simples Nacional, cf. art. 3º, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006. 12. Sempre que o serviço for de prestação de serviços receptivos (art. 8º), diretamente ou por subcontratação (art. 9º), e operação de viagens e excursões (art. 15), sua receita é a íntegra dos valores recebidos pelos seus clientes. Assim, p.ex., a venda de pacotes fechados, com fretamento de aeronaves etc. Fl. 61705DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.706 13 Nesse caso, o contrário do que ocorre na intermediação, a receita bruta é composta pelo valor integral pago pela contratante, aí incluídos os valores repassados às eventuais subcontratadas (que configuram custos). Ressaltase que a Resolução Normativa, embora referindose à Lei nº 6.505/77, revogada pela Lei nº 11.771/2008, esclareceu quais as formas de remuneração da intermediação, se por comissão ou por cobrança de adicional sobre os custos dos fornecedores e a que atividades se refere, diferenciandoos da prestação de receptivos e de operação de viagens e excursões. A Solução de Divergência nº 3/2012, analisando divergência entre a SC nº 214/2008 e outra solução de consulta, referendou o entendimento adotado na primeira, nos seguintes termos: “7. Percebese que a controvérsia indigitada reside, basicamente, em se definir quais as receitas auferidas por agências de turismo devem ser consideradas na obtenção da receita bruta para fins de enquadramento como microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP) segundo a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. 8. A definição de receita bruta encontrase insculpida no § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006: “Art. 3º (...) § 1º Considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.”(O grifo não é do original) 9. A Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008 (Lei Geral do Turismo), que estabelece normas sobre a Política Nacional de Turismo, aborda aspectos relevantes para a solução da controvérsia em estudo ao disciplinar a prestação de serviços turísticos e classificar os prestadores de serviços turísticos: “Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. [...] 10. Depreendese, da leitura do dispositivo legal acima, que as agências de turismo podem atuar de duas formas: na qualidade de intermediadora dos serviços (emissão de passagens aéreas ou marítimas, os meios de hospedagem dos viajantes e excursionistas, pacotes turísticos de operadoras turísticas, dentre outros serviços ligados ao turismo) e na qualidade de fornecedora direta dos serviços (organizar e promover o serviço, englobando o transporte e a hospedagem dos viajantes e excursionistas). Fl. 61706DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.707 14 11. Essas duas situações produzem consequências jurídicas distintas no âmbito do Simples Nacional. No primeiro caso – intermediadora – a agência de turismo aufere como receita apenas o valor da comissão recebida dos fornecedores dos serviços por ela vendidos, de modo que a receita bruta deve ser o valor da comissão por ela recebida. 12. Já no segundo caso – fornecedora direta – a agência de turismo aufere como receita o valor total pago pelo viajante, de modo que a receita bruta deve ser o preço total por ela recebido do viajante. 13. Observese que a venda e comercialização de passagens, passeios, viagens e excursões, bem como a realização de reservas em restaurantes ou de acomodações para hospedagem, assim como outros serviços turísticos, poderão ser realizadas por agência de turismo na qualidade de apenas intermediadora do negócio sem, contudo, atuar em nome próprio, ou seja, sem que a obrigação da prestação do serviço recaia sobre ela. 14. Importante destacar que, apesar da vedação expressa à intermediação de negócios exercida por empresa optante pelo Simples Nacional (art. 17, inciso XI), tal ação é permitida pela Lei Complementar nº 123, de 2006, quando for inerente à atividade de agências de viagem e turismo (art. 18, § 5ºB, inciso III, c/c art. 17 § 1º). 15. Portanto, quando uma agência de turismo atua como intermediadora de negócios relativos à atividade turística prestados por conta e em nome de terceiros, a receita auferida para fim de aferição da receita bruta de que trata o § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, deverá corresponder à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos, por tratarse do preço do serviço por ela prestado. 16. De outra forma, caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores recebidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.” Conclusão 17. Diante do exposto, concluise que: 17.1 Quando uma agência de turismo atuar como intermediadora de negócios relativos à atividade turística prestados por conta e em nome de terceiros, a receita auferida para fim de cálculo da receita bruta de que trata o § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. 17.2 Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade Fl. 61707DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.708 15 dos valores auferidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Diante do exposto, é possível distinguir dois tipos de operações desenvolvidas pelas agências de turismo: as relativas à intermediação e as realizadas em nome próprio. O artigo 27 da Lei nº 11.771/2008 manteve esta diferenciação ao expor que compreendese por agência "a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente". Logo em seu §1º identificou os serviços como operação de viagens, excursões e passeios turísticos como sendo a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista e, de forma distinta, tratou dos demais serviços como intermediação nos §§3º e 4º, podendo executálos, alternativamente, repetindo, de modo similar a distinção da Resolução Normativa CNTUR nº 4/1983. As conclusões e interpretações das normas exposta permitem assinalar a distinção das operações de intermediação e as realizadas em nome próprio, praticadas pelas agências de turismo. A intermediação de serviços turísticos/viagens caracterizase na atividade de emissão de passagens, hospedagens e outros serviços pertinentes ou na negociação de pacote turísticos de Operadora, realizada em nome e por conta do fornecedor que se obriga pela prestação de serviço perante o cliente/viajante, que remunera o agente mediante comissão. As operações de turismo/viagem realizadas em nome próprio são aquelas organizadas, contratadas ou promovidas pela AgenteOperadora que fornece os serviços/pacotes de turismo/viagem diretamente ao cliente passageiro/viajante, realizada em seu nome, por sua conta e sob sua responsabilidade, auferindo como receita o valor total pago pelo cliente. De se pontuar que "fornecer o serviço diretamente" não significa possuir aeronave, navio, hotel ou qualquer outro bem para a sua disponibilização ao cliente/passageiro, mas sim organizar, contratar (junto a terceiro) e promover o serviço/pacote no qual se inclui o transporte e a hospedagem/acomodação, realizado por sua conta, ordem e responsabilidade. Para efeitos tributários, depreendese da análise acima tratarse de questão secundária manter ou descaracterizar a condição da recorrente como "Agência de Turismo" ou "Agência de Viagem e Turismo/Operadora Turística", pois o que há de relevo é constatar se (i) as receitas são decorrentes de prestação de serviço de intermediação de viagens e excursões, ou são (ii) vendas de serviços/pacotes de turismo organizados, contratados de terceiros, ou promovidos por si, disponibilizado a passageiros/clientes de viagens/excursões. A incidência das Contribuições na hipótese de mera intermediação recairá somente sobre a parcela que representa a remuneração pelo serviço prestado aos fornecedores (comissão); no caso de revenda/venda de serviço/pacote de turismo/viagem o pagamento pelo cliente representará receita bruta da contribuinte, com a incidência das Contribuições. Fl. 61708DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.709 16 Conclui o voto no referido Acórdão que a verificação no caso concreto quanto à atividade de intermediação ou de autuação em nome próprio dependerá das condições contratuais das operações, iniciandose com a análise da descrição dos fatos e constatações pela fiscalização. Um dos objetos sociais da recorrente disposto em seu artigo 3º do Estatuto Social é a "intermediação e a operação de pacotes de viagens e turismo, assim como a prática de todas as atividades inerentes às operações de turismo, em conformidade com as disposições do Ministério do Turismo – MTUR e do Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR (...)". O procedimento fiscal levado a cabo focou na análise das cláusulas gerais de contrato celebrado entre a CVC e seus clientes (passageiros, viajantes, excursionistas) e seus fornecedores (companhias aéreas, empresas de cruzeiro marítimo, hotéis, transportadores). Mediante intimação efetuouse o "rastreamento" das operações de venda de pacotes/excursões a clientes, com a verificação dos contratos individuais, pagamentos recebidos e existência de meros "repasses" a fornecedores, deduzindose a comissão devida à Agência/Operadora Os resultados, em que pese evidenciar análise por amostragem e não ter contemplado todas as modalidades de serviços de turismos prestados, em especial por ausência/insuficiência de respostas ou de apresentação dos documentos e elementos solicitados nos vários termos de intimação e reintimações, são conclusivos ao apontar que a recorrente não pratica a intermediação na contratação de serviços de viagem e turismo supostamente celebrados pelos fornecedores e clientes; ao contrário, as provas coligidas nos autos revelam trataremse de operações em nome e por conta da CVC de venda de serviços a seus cliente, após contratação diretamente efetuada e paga pela CVC a seus fornecedores ou pacotes de viagens/excursões organizadas ou promovidas por si. Passemos à apresentação dessas comprovações de inexistência de intermediação nas atividades da CVC. 1. Contratos e Condições Gerais para Aquisição de Serviços de Turismo São os contratos típicos celebrados entre a CVC, por si ou por filial/agência, e os cliente. Percebese de início a inexistência de disposições que expressamente qualificam a Operadora como empresa intermediadora de serviços de viagem/turismo entre o fornecedor e o cliente. O fato restara evidenciado pois nas partes contratadas não figura fornecedor de serviço que, nos termos da Lei nº 11.771/2008, em seu nome, conta e responsabilidade fará a prestação; ou seja, o fornecedor a CVC não se obriga perante o cliente da Operadora, fato que incompatibiliza as obrigações legais na prestação de serviço legalmente realizadas em nome próprio. Relevante também assinalar que a CVC em momento algum excepciona sua responsabilidade por se apresentar, nos termos da Lei, como mera intermediadora do serviço fornecido por terceiro. A CVC assegura ao cliente a opção de alteração da contratação inicial podendo " (a) usufruir de um novo roteiro, bilhete ou serviço turístico contratado no momento Fl. 61709DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.710 17 da alteração ou (b) obter uma carta de crédito para usufruir dos serviços turísticos em momento posterior, por uma única vez, no prazo de 18(dezoito) meses". Ressaltase que as alterações poderiam ser de destinos, passageiros, data e horários de embarque, desembarque, traslados, hospedagens, bilhetes aéreos, transportes rodoviários, locadoras de veículos entre outras configurações do programa de viagem. Tal liberdade contratual não é própria de que exerceria a simples intermediação no contrato celebrado entre as parte, mormente fornecido por conta, em nome e sob a responsabilidade de terceiro. O fato revela a inconteste situação de que não há terceiro responsável pela prestação do serviço. Temse cláusula com previsão de penalidade contratual na qual a pretensa intermediadora impõe ao cliente multa de 15% sobre o valor total do serviço turístico contratado, o que leva à constatação de que a CVC seria a beneficiária deste valor. O contrato prevê ainda a cessão de crédito decorrente da operação de parcelamento pelo cliente da CVC. O fato é que, em se tratando de contrato de intermediação, a Operadora não seria detentora de crédito em face do cliente, o que seria vedado nos termos do art. 286 do Código Civil, que estabelece somente o credor poderá ceder o seu crédito. Ora, por certo que a cláusula não infligiria disposição legal o que permite sustentar que o preço total recebido (e não a mera comissão de intermediária) pertencia à CVC. As disposições contratuais em que se excluem a condição de responsabilidade de terceiro na prestação do serviço de turismo/viagem descaracteriza por completo a participação da CVC como mera intermediadora, mormente porque a coloca como parte do contrato com a imposição de cláusulas de penalidade, liberdade para ceder crédito, liberalidade em conceder livre alteração do pacote turístico/viagem, inclusive com a concessão de crédito para utilização posterior. Essa prerrogativa é inerente à contratante que incontestavelmente detém a responsabilidade na prestação de serviço realizada em próprio nome e conta. Essas cláusulas e condições gerais estipuladas no contrato para aquisição de serviços de turismo são provas diretas e irrefutáveis de que a CVC não é simples intermediadora de serviços turísticos, mas, em verdade, tratase de uma Operadora Turística que realiza em seu nome, por sua conta e sob sua responsabilidade a prestação de serviços do gênero cujo efeito tributário é a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas provenientes dos pagamentos dos pacotes e serviços turísticos recebidos de seus clientes. Não obstante, há de se prosseguir na demonstração de outras constatações fiscais realizadas no procedimento fiscal que vem corroborar o entendimento assentado neste voto. 2. Contrato de fretamento de aeronave da TAM pela CVC O contrato celebrado entre CVC e TAM não se qualifica como de intermediação de negócio jurídico, mas sim de afretamento, com a estipulação de preço. Assim, por óbvio não se encontra dentre suas cláusulas remuneração da CVC por Fl. 61710DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.711 18 comissionamento nas vendas de passagens ou sua intermediação na contratação entre TAM e cliente/passageiro; aliás, o contrato trata os passageiros como clientes da CVC. O objeto do contrato é de fretamento de aeronave pela CVC, para a realização de voos de fretamento (1.1). O afretamento corresponde ao contrato de utilização da aeronave pagandose preço estipulado o que descaracteriza completamente a intermediação pela CVC entre as partes, TAM e passageiro. A CVC se compromete a dar preferência na contratação de aeronave da TAM. Explicitamente a cláusula prevê a contratação de aeronave pela CVC, de natureza distinta de contrato de intermediação. Há especificação quanto à eventualidade da TAM não conseguir atender a demanda necessária pela "intermediação" promovida pela CVC e quando não houver acordo entre ambas quanto ao preço (1.3). Na cláusula, a expressão "intermediação" não se compatibiliza com o acordo de preços entre partes. A CVC deverá prestar aos seus clientes todas as informações sobre o transporte aéreo contratado com a TAM. Os cliente são da CVC, não da TAM. "Os bilhetes aéreos não são passíveis de reembolso junto à TAM ... cabendo exclusivamente à CVC negociar com os passageiros o seu reembolso, se for o caso ...". As regras de aquisição de passagem aérea da TAM preveem reembolsos, dependendo da categoria do bilhete. Como se vê, a TAM não estabelece nenhuma relação contratual com o passageiro, inexistindo qualquer responsabilidade da TAM diretamente com o passageiro pelo serviço contratado por "intermédio" da CVC. 3. Acordo Comercial CVC/TAM para Condição de Operadora O acordo comercial proporciona à CVC oferecer condições comerciais especiais para oferta de passagens aos clientes da Operadora. As disposições tratam de aquisição de bilhete pela CVC destinadas à oferta de pacotes a seus clientes. A cláusula "2.1" expressamente dispõe a aquisição de bilhetes pela CVC. Não se está a falar em reserva de passagens em nome de clientes ou intermediação entre cliente e companhia aérea. A TAM disponibiliza plataforma operacional para que a CVC adquira os serviços de transporte aéreo. Os bilhetes emitidos sem a observância das condições pactuadas são adquiridos e pagos à TAM como compra normal. Tratase de compra e pagamento de bilhete pela CVC em favor da TAM. As tarifas "CHT" são exclusivas para venda de pacotes turísticos, não podendo os bilhetes serem vendidos separadamente. Tratase de disposição limitadora à forma de venda de bilhete aéreo pela CVC. O exame dos instrumentos permite inferir que se trata de aquisição de bilhete da TAM pela CVC em condições especiais para venda em pacotes organizados pela Operadora a serem posteriormente revendidos a seus clientes. Outra categoria é o contrato de afretamento Fl. 61711DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.712 19 de aeronave pela CVC, no qual a companhia aérea aluga aeronave tripulada e o serviço é prestado por conta, risco e responsabilidade da Operadora. 4. Outros contratos com fornecedores da CVC Ao longo do procedimento fiscal houve a análise e confirmação de que outros contratos ou negócios firmados entre CVC e fornecedores apontam para a mesma constatação de que a CVC presta serviços turísticos em nome próprio e não como intermediadora entre terceiros e clientes. Nesse sentido, podese mencionar as empresas Pullmantur, SHL Serviços de Hospedagem, S2 Turismo. 5. Vendas efetuadas, documentos e lançamentos contábeis Por meio de amostragem a fiscalização analisou por completo alguns contratos de viagem celebrados pela CVC com cliente, observando desde os termos acordados, o recebimento de valores a contabilização e o pagamento aos fornecedores envolvidos. Os fatos e conclusões encontramse no Termo de Verificação Fiscal (fls. 61.226/61.240), a saber: No momento da contratação, o valor integral a ser pago pelo cliente é registrado a débito na conta "recursos em trânsito de terceiros" e a crédito na conta "contratos não embarcados"; Os valores indicados na fatura de transporte aéreo era pago antes do recebimento da primeira parcela do cliente. Os fornecedores de hospedagens e translados eram pagos antes de findar o parcelamento do pacote pelo cliente; Os documentos fiscais emitidos pelos fornecedores consignavam como tomador do serviço a CVC e não o cliente; A antecipação de valores pela CVC a seus fornecedores é atípico na condição de mera intermediadora de serviços turísticos; 6. Histórico da empresa No sítio na internet da CVC há informações quanto a suas operações trazidas pela fiscalização sendo de importância destacar notícia relativa ao ano dos fatos geradores da ação fiscal 2012, assim transcrita: O ano de 2012 também será marcado por grandes novidades e lançamentos de produtos. A CVC anuncia, em fevereiro, uma importante parceria com o Rock in Rio, o maior evento de música e entretenimento do mundo. Com o acordo, a CVC se torna "operadora de viagens exclusiva do Rock in Rio no Brasil" das temporadas "Rock in Rio Lisboa 2012", "Rock in Rio Madri 2012" e "Rock in Rio – Rio de Janeiro 2013", e passará a oferecer com exclusividade, este ano, pacotes de viagens completos, que já incluem transporte aéreo, hospedagem, acompanhamento e assistência de guia, ingressos e traslados Fl. 61712DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.713 20 terrestres até os locais dos festivais em Portugal, Madri e no Rio de Janeiro. Muitas novidades virão por aí!” O texto confirma as constatações de que a CVC oferece pacotes de viagens completos, que incluem transporte aéreo, hospedagem, acompanhamento, translado terrestre. Ou seja, verdadeira prestação de serviço turístico em nome próprio. Na página da internet do jornal "VALOR" há declaração do presidente da empresa no ano de 2012 que confirma o que nos autos restam comprovados: bloqueios de assento e acomodações, mediante negociação de tarifas junto aos seus fornecedores. Segue a imagem da reportagem disponível para consulta em: <http://www.valor.com.br/empresas/1059428/cvcestimaoferecerummilhaodepacotesno verao2012>, acessado em 05/01/2018: Temse que a informação de bloqueios de passagens e quartos de hotéis antecipadamente às vendas de pacotes de turismos aos clientes da CVC é confirmada pelo presidente Valter Patriani como estratégia de vendas da empresa. Outra mídia especializada em economia, de reconhecida notoriedade, pertencente ao Grupo Abril, a REVISTA EXAME, no seu canal de notícia eletrônico noticiou estratégia de venda de pacotes, diárias de hotéis e aluguéis de carros. Fl. 61713DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.714 21 A informação veiculou em 19 de dezembro de 2011 como estratégia de alavancagem de vendas e está disponível em <https://exame.abril.com.br/marketing/cvcvende valeviagemcomoopcaodepresentedenatal/>, acessada em 05/01/2018: 7. Demonstrações Financeiras Padronizadas 2012 Foi carreado aos autos pela fiscalização o documento intitulado " Demonstrações Financeiras Padronizadas 31/12/2012", obtidos na internet, o qual se trata de demonstrativo financeiro a ser apresentado aos investidores da empresa. O documento foi analisado às folhas 61.253/61.254 (Termo de Verificação Fiscal). Os principais apontamentos fiscais foram: Fretou aviões e navios, tendo inclusive já adquirido passagens correspondentes a metade da operação mensal de uma companhia aérea; Vendeu pacotes turísticos, inclusive com destino ao exterior, alguns acompanhados de guias turísticos; Efetuou bloqueio aéreo, que consiste na reserva de assentos de uma aeronave para uso exclusivo de um cliente. O quadro a seguir, retrata a descrição dos negócios no ano de 2012: Fl. 61714DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.715 22 Outros trechos do documento aponta a real natureza das atividades da empresa: Analisando o documento extraemse outras informações que corroboram as constatações fiscais em tópicos a serem discorridos cuja importância é exibir os pagamentos antecipados realizados aos fornecedores antes mesmo da prestação de serviços ao cliente às companhia aéreas, rede hoteleira, navios de cruzeiro e outros fornecedores: Fl. 61715DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.716 23 Neste trecho a CVC informa a seus investidores fatos que desde o procedimento fiscal vem tentando ocultar da fiscalização: o reconhecimento das receitas provenientes dos pagamentos de clientes e os pagamentos antecipados a hotéis, companhias aéreas, incluindo pagamentos de passagens já vendidas e não embarcadas. Em outro tópico das "Notas Explicativas" oferece detalhamento dos valores e natureza dos pagamentos a fornecedores efetuados no ano de 2012, informando que os "adiantamentos a hotéis (...) para garantir disponibilidade de quartos na atual e em futura temporadas" Na mesma linha dos adiantamentos há transações com partes relacionadas, em que se demonstra pagamentos efetuados e sua descrição (natureza): Neste outro quadro, a leitura atenta demonstra que a intermediação, e respectiva comissão, é efetuada e recebida por empresa coligada a CVC Serviços , contudo, reconhecida como receita pela venda de pacotes turísticos preparados e administrados pela controladora a recorrente. Fl. 61716DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.717 24 Por fim, a indicação de vendas antecipadas de pacotes turísticos. Observase que por mais que a recorrente utilizase da expressão "intermediação" nas relações com fornecedores os excertos do Demonstrativo Financeiro do ano de 2012, disponibilizados aos seus investidores, a verdadeira natureza dos serviços turísticos prestados são de vendas de pacotes por si organizados, contratados e promovidos, incluindo a aquisição e pagamento antecipado de passagens aéreas e acomodações em hotéis, como garantia de disponibilidade a seus clientes. 8. Argumentos da recorrente a) Suscita que há relação jurídica entre clientes e fornecedores, pois estes prestam serviços turísticos direta e exclusivamente. As provas aqui comentadas não negam a prestação de serviço pelo fornecedor ao cliente da CVC, todavia, a prestação não é em seu próprio nome, conta e responsabilidade. O primeiro fundamento é que a CVC contrata e paga, por vezes antecipadamente, como consta das descrições do Demonstrativo Financeiro de 2012 e os demais Contratos, a passagem ou acomodação em hotel caracterizandose um serviço efetivamente prestado pelo fornecedor, mas em nome, conta e sob responsabilidade da Operadora. Não se tem prova nos autos da operação como intermediadora de serviços entre fornecedor e recorrente; outrossim, os compromissos assumidos pelos seus clientes decorrentes do serviços tornamse créditos da CVC com a prerrogativa contratuallegal de Fl. 61717DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.718 25 cedêlos a terceiros, o que caracteriza ser detentora dos valores a serem pagos pelo pacote/serviço turístico. O domínio do fatos é tal que a CVC tem a liberalidade de conceder crédito ao cliente na hipótese da postergação da viagem ou alteração do pacote/roteiro. Ademais, a recorrente não trouxe qualquer prova da intermediação e a percepção da comissão pela pretensa intermediação. b) Alega que os valores recebidos são posteriormente repassados aos fornecedores, portanto, "não compõem a sua própria receita, na medida em que não se incorporam de maneira positiva e definitiva em seu patrimônio, transitando apenas de forma temporária pela empresa que os recebe". A recorrente não trouxe provas dessa alegação! Nos contratos celebrados e demonstrativos provouse pagamentos antecipados a fornecedores para garantia de assentos em companhias aéreas e acomodações em hotéis antes mesmo do início da temporada, ou seja, previamente à venda do pacote ao cliente da Operadora. Ressaltase ainda que a receita será de terceiro quando documental e contabilmente há prova inconteste da situação, fato que não se verifica nos autos. Em todo o procedimento, e também na fase recursal, inexiste demonstração e comprovação da percepção de comissão relativa à pretensa intermediação de serviços. Não se tem qual a comissão, a segregação dos valores pagos pelos clientes e a demonstração que são repassadas aos fornecedores com o respectivo registro contábil e prova documental. Cumpre asseverar que os lançamentos e documentos não apontaram os "repasses" descontados das comissões a que a CVC teria direito contratual. Aliás não há uma única disposição contratual apresentada que demonstra qual a remuneração da recorrente frente a seus fornecedores. No recurso a recorrente discorre longamente acerca da segregação da comissão do valor do contrato, contudo, não houve indicação e comprovação desse montante. c) Afirma categoricamente que não compra passagens e hospedagens para revendêlas em seu nome (fl. 61.498). As provas são contrárias às afirmações da contribuinte. A CVC não só compra passagens e hospedagens, como a faz antecipadamente, uma garantia de oferta futura aos clientes. d) Declara que as notas fiscais emitidas pelos fornecedores em seu nome são "alheias à sua vontade, não afeta nem desnatura a essência da atividade de intermediação realizada pela Recorrente". De se pontuar que as notas fiscais emitidas pelos fornecedores de hospedagem e passagens aéreas refletem a transação entre as partes: a aquisição de passagens de hospedagens para vendas posteriores (futuras) de pacotes aos clientes da Operadora. Em resumo, os argumentos suscitados pela recorrente não vêm corroborados por documentação probatória nos autos, tampouco fora trazido nas peças de defesa prova inconteste que demonstrem que os valores que transitaram pela aludida conta 112010001 sejam Fl. 61718DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.719 26 decorrentes de relacionamento exclusivo e direto entre seus clientes e os diversos fornecedores de serviços turísticos. Ao revés, os contratos apresentados evidenciam a existência de negócio jurídico entre a fiscalizada e os clientes/passageiros, bem como a relação entre ela e os fornecedores de serviços, no entanto, nada que comprovasse as comissões na intermediação nessas vendas. Dessa forma, temse por comprovada que a natureza da operação prestada pela CVC não é de intermediação, mas de operações de turismo/viagem realizadas em nome próprio, por sua conta e responsabilidade perante seus clientes. Assim, verificase que a CVC BRASIL OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS S/A adquire as passagens aéreas, marítimas, hospedagens mediante acordos comerciais, ou freta os meios de transporte, para organizar e promover seus pacotes de viagens, ou cruzeiros marítimos. De igual forma, celebra acordos com a rede hoteleira com preços e condições diferenciados nas transações, e não aqueles oferecidos abertamente ao mercado como faz crer a fiscalizada. Outrossim, realiza pagamentos antecipados para assegurar disponibilidade acomodações em hotéis. Concluise, destarte, pela análise dos elementos apresentados e pela falta de documentos que indiquem a existência de contratos de intermediação, que os valores contabilizados na conta patrimonial 112010001 Recursos em Trânsito de Terceiros são decorrentes de vendas de produtos turísticos e serviços turísticos em nome próprio, na qualidade de operadora turística, configurando receita tributável nos termos da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, o já citado Acórdão nº 3302004.818, de 24/10/2017, que julgou recurso voluntário da mesma contribuinte, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os Fl. 61719DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.720 27 serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Por fim, em que pese a apresentação do mencionado laudo técnico no curso do julgamento do recurso voluntário, entendo que seu conteúdo não altera os fundamentos e conclusões deste voto, pois (o voto) assente no conjunto probatório coligido no curso do procedimento fiscal e nas peças de defesa apresentadas. Ademais, e conquanto elaborado com esteio nos sistemas operacionais da contribuinte, as informações e conclusões do laudo não se encontram comprovadas e lastreadas em documentos e escrita fiscal presentes nestes autos. Da cobrança de juros sobre a multa de ofício No que concerne à alegação referente incidência a juros de mora sobre o valor lançado de multa de ofício, o entendimento majoritário do CARF é de que é cabível. Cobramse juros de mora sobre a multa de ofício equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, por expressa previsão legal. O art. 161 do Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Além destes dispositivos, destacase ainda o artigo 43 da Lei n° 9.430/96, que assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos citados, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de oficio, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 61720DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.721 28 Assim, os juros de mora devem incidir também sobre a multa de ofício, que integra o crédito tributário constituído de ofício. Conclusão 1. Quanto à incidência das contribuições sobre os valores dos contratos de vendas de produtos e serviços turísticos, temse que no caso dos autos comprovouse que a contribuinte presta serviços turísticos em nome próprio, não se caracterizando intermediação de serviços entre fornecedores e clientes; 2. A cobrança de juros de mora sobre multa de ofício tem fundamento legal nos arts. 161 do CTN, e 43, parágrafo único da Lei nº 9.430/96. Diante de todo o exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de CVC BRASIL OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS S.A. Paulo Roberto Duarte Moreira Declaração de Voto Conselheiro, Marcelo Giovani Vieira Esta declaração de voto tem como objetivo apenas explicitar, brevemente, as principais diferenças entre operação em conta própria e operação em conta alheia. O que quero ressaltar é que a diferença fundamental reside na forma de remuneração da atividade. As operações em conta alheia são remuneradas mediante comissão combinada previamente com o fornecedor. Já as operações em conta própria são remuneradas pelo lucro, em formação de preços de mercado. Divirjo, pois, da opinião da recorrente, de que exerceria mera intermediação, na medida em que sua atividade se resumiria a aproximar fornecedores de clientes, o que teria conotação de operação em conta alheia. Ora, toda atividade econômica de comércio traduzse em aproximar fornecedores de clientes, sem que isso signifique operação em conta alheia. Com efeito, o comércio age em conta própria, adquirindo mercadorias pelo menor preço que encontrar, e vendendo pelo melhor preço. Nessa atividade, remunerandose pelo lucro na operação, age por conta própria, sem que se revista da condição de representação de fornecedor, a ser remunerado em prévio acerto, de comissão proporcional, fixa ou combinada. Não se pode considerar, nesse aspecto, que a compra de mercadorias para revenda seja, como desejaria a recorrente, o “repasse de receitas de terceiros...representando meros ingressos”. As atividades relacionadas a turismo podem ser exercidas tanto por representação de fornecedores, remunerada por comissão proporcional , fixa ou combinada, Fl. 61721DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.722 29 (exemplo, aplicativos tais como Booking, Airbnb, agências de turismo de representação, etc), comissão esta paga pelo fornecedor, quanto podem ser exercidas em conta própria, adquirindo tais bens e serviços de fornecedores e revendendoos pelo próprio preço, pago pelo cliente, remunerandose com o lucro. A escolha do modo de ação depende dos interesses de cada entidade empresarial, sua estrutura, sua visão e conhecimento do mercado, etc, a fim de que possa gerar maior eficiência em um ou outro modo de operar. A recorrente, tal qual exsurge do que foi relatado, age conforme o segundo modo, isto é, tendo o controle dos próprios preços; praticou compras e vendas, remunerandose pelo lucro, e não por comissões acertadas previamente com fornecedores. Praticou, portanto, operações em conta própria, e não intermediação. Portanto, em atividade por conta própria, comprando bens e serviços e revendendoos mesmo bens e serviços conforme o melhor preço que possa exercitar, a recorrente age por conta própria, e assim, toda a sua receita se subsume à base de cálculo de Pis e Cofins, e não somente o resultado, o que seria o caso em operações em conta alheia, cf. conceitos do art. 12 do Decretolei1.598/77. Marcelo Giovani Vieira Declaração de Voto Conselheiro, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Em que pese o relatório fiscal afirmar que o contribuinte recolhe o Pis e a Cofins em ambos os regimes, cumulativo e não cumulativo, ficou evidente que o lançamento não trata de receita bruta, mas trata de faturamento. O lançamento foi realizado sobre o regime cumulativo padrão, conforme premissa utilizada no Auto de Infração: "INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP." A Lei 9.718/98, que trata do Pis e Cofins no regime cumulativo, em seu art. 2.º, assim como o STF, estabelecem a incidência do Pis cumulativo sobre o faturamento e não sobre a receita bruta. É importante considerar a inconstitucionalidade do §.º1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Fl. 61722DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.723 30 Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo assim como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." Como informado, o lançamento foi fundamentado com base na legislação do PIS e COFINS no regime cumulativo, deixando claro ser "PIS Faturamento" a base de cálculo. Ou seja, a base de cálculo capitulada no lançamento é a do "faturamento". Tratadose o caso, então, unicamente da incidência do PIS cumulativo sobre o faturamento, é obrigatório a este Conselho a aplicação da decisão do STF ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), conforme Art. 62A, do regimento interno deste Conselho. Fl. 61723DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.724 31 Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, a fatura dos serviços de operadora de turismo correspondem ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. Conforme objeto presente no contrato social e demais indícios e provas, ficou comprovado que o contribuinte intermedia sim as operações, mas fatura no nome dela e inclui os valores de toda a operação, caracterizando, portanto, hipótese de incidência do Pis e Cofins faturamento. Confira o trecho do objeto social da empresa que prevê as atividades de operadora de turismo e não de mera intermediação: Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por razão diversa da apresentada pelo nobre colega relator. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Declaração de Voto Conselheiro, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Com a devida vênia, divirjo parcialmente do entendimento do Ilustre Conselheiro relator. Em que pese, como de costume, o bem fundamentado voto proferido pelo Conselheiro relator, perfilho o entendimento de que assiste parcial razão à recorrente. A matéria já foi objeto de apreciação por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, corrente com a qual filiome. Por ocasião do julgamento do processo nº 10805.721926/201353 (Acórdão nº 3402002.434) foi provido Recurso Voluntário com o entendimento de que as operadoras de viagem e agências de turismo não se sujeitam a tributar os valores das receitas de seus fornecedores que constituemse resultados das operações em conta alheia dos terceiros e componente da receita bruta dos mesmos. Aludida decisão está ementada nos seguintes termos: "COFINS. AGÊNCIA E OPERADORA DE TURISMO E VIAGEM. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÃO. Fl. 61724DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.725 32 RESULTADOS AUFERIDOS NAS OPERAÇÕES EM CONTA ALHEIA POR FORNECEDORES DE SERVIÇOS. RECEITA BRUTA.IMPOSSIBILIDADE. As operadoras de viagem e agências de turismo sujeitas ao regime cumulativo devem apurar e recolher a contribuição ao PIS sobre o faturamento, assim entendido como sendo a comissão pela intermediação dos serviços prestados pelos fornecedores de serviços de transporte, hospedagem, locadoras de veículos e afins, nos termos do art. 27, da Lei n° 11.771/2008, não se sujeitando a tributar os valores das receitas de seus fornecedores que constituemse resultado das operações em conta alheia dos terceiros e componente da receita bruta dos mesmos (art. 31, da Lei n° 8.981/95), que não se confunde com o conceito de faturamento pertinente ao regime cumulativo. Recurso Voluntário Provido." O escólio de Aires Barreto, embora abordando o ISS é elucidativo para a questão, no que tange a incidência tributária sobre outros negócios jurídicos: “é despropositado, ilegal e inconstitucional pretender exigir o ISS sobre os valores que sejam provenientes de outros negócios jurídicos distintos da prestação de serviços. E a pretensão de incluir valores não decorrentes da prestação de serviços tributados pelo Município implica flagrante desvirtuamento da base de cálculo, por inclusão de parcelas que não provêm de fatos com tal consistência material.” (BARRETO, Aires F. ISS na Constituição e na Lei. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2009.) O Poder Judiciário possui importantes precedentes no sentido de que não se pode tributar valores que não caracterizem receita própria. Do Superior Tribunal de Justiça temse as seguintes decisões: “TRIBUTÁRIO – ISS – BASE DE CÁLCULO – SERVIÇO DE TRANSPORTE DESPESAS REEMBOLSÁVEIS DEDUÇÃO POSSIBILIDADE. 1. Consoante a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça as despesas necessárias à prestação de serviço que não importem na atividadefim do prestador são excluídas da base de cálculo do tributo. Precedentes. 2. Hipótese em que o transportador efetua despesas em nome dos tomadores do serviço, que serão posteriormente reembolsadas. Dedução da base de cálculo do ISS. 3. Recurso especial não provido.” (REsp 1080161/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2009, DJe 29/04/2009) “TRIBUTÁRIO – ISS – BASE DE CÁLCULO – PREÇO DO SERVIÇO – REEMBOLSOS DE IMPORTÂNCIAS QUE NÃO SE Fl. 61725DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.726 33 ENQUADRAM COMO SERVIÇOS PRESTADOS – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, não sendo possível incluir, nesse valor, importâncias que não serão revertidas para o prestador, mas simplesmente repassadas a terceiros, por meio de posterior reembolso. Precedentes. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1094948/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 16/02/2009) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. BASE DE CÁLCULO. ATIVIDADE DE POSTAGEM E ENTREGA REALIZADA PELA ECT. SERVIÇOS NÃO PRESTADOS PELA DEVEDORA TRIBUTÁRIA. DESPESAS REFERENTES A VALORES QUE SERÃO REPASSADOS A TERCEIRO E POSTERIORMENTE REEMBOLSADOS. NÃOINCIDÊNCIA DO ISSQN. 1. "A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, não sendo possível incluir nesse valor importâncias que não serão revertidas para o prestador, mas simplesmente repassadas a terceiros, mediante posterior reembolso" (REsp 621067/SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Segunda Turma, DJ 25.04.2007). 2. Agravo Regimental não provido.” (AgRg no Ag 848.626/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 07/02/2008, p. 1) “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. BASE DE CÁLCULO. REEMBOLSO DE DESPESAS DE VIAGEM, ALIMENTAÇÃO E ESTADA DE EMPREGADOS QUANDO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM OUTRA LOCALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DO ISSQN. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no art. 9°, caput, do DecretoLei no 406/68. 2. Destarte, o preço do serviço é a contraprestação que o tomador ou usuário do serviço deve pagar diretamente ao prestador, vale dizer, o valor a que o prestador faz jus, pelos serviços que presta. 3. Consectariamente, as despesas realizadas com viagens, alimentação e estada de funcionários, para prestação do serviço em localidade diversa do estabelecimento do prestador, ostentam natureza indenizatória em virtude do repasse ao contratante para posterior reembolso, não integrando a remuneração pelo serviço prestado, porquanto não realizadas em favor de quem as efetuou. Fl. 61726DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.727 34 4. É cediço na jurisprudência da Corte que somente os gastos com a própria atividade são objeto de tributação pelo ISS, não podendo ser deduzidos para a apuração do resultado, sob pena de o preço do serviço deixar de ser a receita bruta a ele correspondente. 5. Outrossim, não podem ser considerados como referidos valores os recebidos de outrem para adimplir obrigações (não do prestador) de terceiro, cujo negócio é por aquele administrado, sob pena de não se distinguir o conceito de despesa com o de custo da prestação do serviço, e de valores pertencentes a terceiros. 6. Precedentes: REsp 411580/SP, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 08/10/2002; REsp 618772/RS, 1ª TUrma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19/12/2005; REsp 224813/SP, 1ª TUrma, Rel. Min. José Delgado, DJ 07/12/1999. 7. Recurso especial desprovido." (REsp 788.594/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/02/2007, DJ 08/03/2007, p. 167) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. CONTRIBUIÇÕES: COFINS/PIS/CSLL. INCIDÊNCIA. SALÁRIOS DOS TRABALHADORES E ENCARGOS SOCIAIS. REPASSE PELA EMPRESA TOMADORA. REAL FATURAMENTO: TAXA DE ADMINISTRAÇÃO. I "A empresa que agencia mãodeobra temporária age como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". O implemento do tributo em face da remuneração efetivamente percebida conspira em prol dos princípios da legalidade, justiça tributária e capacidade contributiva (...) Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas, que pressupõem o reembolso. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários. Precedentes do E STJ acerca da distinção. (...)" (REsp nº 411.580/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 16/12/02). II Os valores referentes ao pagamento de salários e respectivos encargos sociais dos trabalhadores são repassados pela empresa tomadora como meras entradas na empresa de trabalho temporário, uma vez que pertencentes a terceiros, não podendo, pois, ser considerados para fins de incidência tributária. III Recurso improvido." (REsp 827.194/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/12/2007, DJe 24/03/2008) Fl. 61727DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.728 35 É sabido que a fiscalização pode utilizar elementos auxiliares para promover suas ações, no entanto, limitouse a formar juízo de valor desprezando o conjunto probatório dos autos, especialmente, o fato de a Recorrente ter contabilizado os valores de terceiros em "Recursos em Trânsito de Terceiros" desprezando os argumentos expendidos e os elementos e documentos contábeis colacionados aos autos. Não é sem medida que a própria codificação processual civil admite a escrituração comercial como prova em processo (artigos 417 e seguintes do Código de Processo Civil). E, se assim prescreve, estes não podem ser ignorados, como ocorre no vergastado caso. Aqui, importante frisar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais em caso análogo deu provimento a Recurso Especial do contribuinte justamente pelo fato de a sua contabilização ter segregado os valores de terceiros. Tal decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 PIS.AGÊNCIA DE TURISMO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos a atividade turística, prestados por conta em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Somente devem ser considerados como receita, para fins do PIS e da COFINS, os bens e direitos que impliquem efetivo aumento patrimonial, vale dizer, que realmente influenciem o resultado do período, tendo sido recebidos com a finalidade de se agregarem ao patrimônio existente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/07/2004 a 31/12/2004 COFINS. AGÊNCIA DE TURISMO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos a atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja Fl. 61728DF CARF MF Processo nº 10805.724816/201696 Acórdão n.º 3201003.727 S3C2T1 Fl. 61.729 36 prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Somente devem ser considerados como receita, para fins do PIS e da COFINS, os bens e direitos que impliquem efetivo aumento patrimonial, vale dizer, que realmente influenciem o resultado do período, tendo sido recebidos com a finalidade de se agregarem ao patrimônio existente. Do voto destaco a parte em que é salientado o fato de a recorrente ter contabilizado os recursos de terceiros separadamente: "Como se vê, os valores recebidos dos clientes, perfaz exclusivamente a comissão devida pela intermediação de negócios turísticos, a qual é contabilizada como receita da empresa. Os demais valores em litígio, referente às passagens aéreas, diárias de hotel, serviço de transfer, não transitam pela contas de resultado da Contribuinte, sendo contabilizado de modo separado, como valores de terceiros, para serem repassados posteriormente para seus efetivos titulares." As entradas são valores que, embora transitando graficamente pela contabilidade das prestadoras de serviços, como no caso da recorrente, não integram seu patrimônio, pois destinados para terceiros, conforme já referido. Ausente a receita própria da Recorrente (CVC) não se pode exigir a contribuição sobre os ingressos de recursos transferidos aos fornecedores de serviços turísticos (terceiros). A exigência tributária, no caso, deve obedecer ao estatuído no § 2º do art. 27 da Lei nº 11.771/2008, in verbis: "Art.27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. (...) §2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados." Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário de modo que exigência tributária recaia apenas sobre as operações de fretamento. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 61729DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.723013/2010-82
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.091
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para cientificar a PGFN do acórdão nº 2301-02.693, com abertura de prazo para interposição de recurso especial e posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1247; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 578 1 577 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.723013/201082 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9202000.091 – 2ª Turma Data 21 de fevereiro de 2017 Assunto Solicitação de Resolução Recorrente VALE DO OURO TRANSPORTE COLETIVO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para cientificar a PGFN do acórdão nº 230102.693, com abertura de prazo para interposição de recurso especial e posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 23 01 3/ 20 10 -8 2 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10680.723013/201082 Resolução nº 9202000.091 CSRFT2 Fl. 579 2 RELATÓRIO Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de Auto de Infração que implicou o DEBCAD nº 37.282.3912, às efls. 02 a 19, cientificado à contribuinte em 03/09/2010 (efl. 54), com relatório do auto de infração às efls. 45 a 49. O AI é referente a contribuições destinadas ao custeio da seguridade social relativas à remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa. contribuições devidas a Entidades/Fundos denominados “Terceiros”: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE (Salário Educação), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, Serviço Social do Comércio SESC e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, pela empresa autuada. Os fatos geradores das contribuições lançadas no presente auto de infração são os valores pagos pela empresa referentes a benefício de alimentação concedido a seus empregados, em espécie, no período de 01/2007 a 12/2007, constando inclusive das folhas de pagamento como proventos, porém não sendo considerados como base de incidência de contribuições previdenciárias A NFLD foi impugnada, às efls. 170 a 182, em 01/10/2010 (efl. 166). Já a 6ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0232.826, prolatado em 16/06/2011, às efls. 500 a 511, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação. Inconformada, em 22/07/2011 (efl. 523), a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 514 a 521. Essa contestação trouxe os seguintes argumentos, em resumo: a) as verbas que são base da autuação, tem natureza indenizatória, não implicando incidência tributária, o que se buscou comprovar através da apresentação da Convenção Coletiva, tendo sido pagas e informadas em contracheques, denotando sua boafé; b) poderiam os julgadores reconhecer a ilegalidade de normas, tais como a que determina a utilização da taxa SELIC e que exige contribuição previdenciária sobre o 13ºsalário, diferentemente do entendimento expresso no julgamento de primeira instância ; c) a multa aplicada no auto de infração viola o princípio do não confisco; O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 17/04/2012, resultando no acórdão 230102.693, às efls. 524 a 531, que tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10680.723013/201082 Resolução nº 9202000.091 CSRFT2 Fl. 580 3 SALÁRIO INDIRETO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO As verbas intituladas auxílioalimentação, pagas em pecúnia, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. Constatada a não incidência das contribuições previdenciárias sobre a referida quantia, logo, não há que se falar na cobrança de valores a título de contribuições destinadas a FNDE, INCRA, SESC, SENAC E SEBRAE. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS. Não trazendo a autuada elementos que infirmem o trabalho fiscal, há de ser mantida a atuação, eis que a legislação determina a incidência de contribuição previdenciária sobre salários pagos a segurados empregados. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação pago em pecúnia, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em excluir a multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos; a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. RE da contribuinte Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10680.723013/201082 Resolução nº 9202000.091 CSRFT2 Fl. 581 4 Intimada (efl. 533) do acórdão em 17/07/2012 (efl. 534), no dia 02/06/2014 a empresa manejou recurso especial de divergência (efls. 536 a 542) ao citado acórdão, em 31/07/2012, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados nos acórdãos paradigmas nº 2302 01.758 e nº 2402002.677, que consideram não ser incidente a contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados, ainda que não haja a devida inscrição o PAT. O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300774/2015, datado de 07/04/2015, às efls. 562 a 565, deu seguimento ao recurso, pois apresentava os requisitos para sua interposição. Contrarrazões da Fazenda Tendo a Fazenda pública sido cientificada do despacho de admissibilidade em 10/04/2015 (efl. 566), encaminhou suas contrarrazões em 13/04/2015, às efls. 567 a 575. Em seu arrazoado, a Procuradora da fazenda argumenta que, de acordo com o art. 28 da Lei nº 8.212/1991, todo rendimento que retribua o trabalho, incluindo os ganhos habituais sob forma de utilidades compõem o saláriodecontribuição para fins de contribuição previdenciária. As parcelas que apesar de estarem no campo de incidência não se sujeitam à contribuição são aquelas arroladas no § 9º do mesmo artigo. No que toca ao auxílioalimentação, há requisito daquela norma de que sua exclusão depende de adesão ao PAT e, além disso, é necessário que o referido auxílio seja pago in natura, o que também não ocorreu no caso concreto. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Contudo, antes de manifestarme sobre o recurso, cabe fazer uma ressalva. Na análise do processo, verifiquei que, posteriormente à prolação do acórdão recorrido pela contribuinte, não foi dada ciência do resultado à Procuradoria da Fazenda Nacional. Tal procedimento seria obrigatório, à luz do § 4º, do art. 631, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, à época vigente, pois houve parte da decisão, sobre a multa, desfavorável à Fazenda. Dessarte, para evitar cerceamento de defesa e eventual nulidade no procedimento, entendo ser necessário que se dê ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional relativamente ao acórdão nº 230102.693, hoje no rito e prazos do RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. 1 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 4° Dos acórdãos será dada ciência ao recorrente ou ao interessado e, se a decisão for desfavorável à Fazenda Nacional, também ao seu representante. (...) Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10680.723013/201082 Resolução nº 9202000.091 CSRFT2 Fl. 582 5 Na sequência, caso haja interposição de recurso especial de divergência da Fazenda, que se realize o encaminhamento deste à Presidência da 3ª Câmara para que esta analise a admissibilidade do recurso. Em caso de admissão do especial, encaminhese à DRF de jurisdição da contribuinte para que ela seja intimada do recurso da fazenda e respectivo despacho de análise de admissibilidade para, desejando, interpor contrarrazões. Ao final dos prazos, ou posteriormente ao envio das peças pelos interessados, retornese o processo a este relator para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720054/2007-72
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 10/01/2004.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.506
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13609.720054/2007-72 Recurso n° 343.965 Voluntário Acórdão n° 2101-00.506 — i a Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente V & M FLORESTAL LTDA Recorrida ia TURMA DA DRJ BRASÍLIA/DF Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 10/01/2004. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do_Relator. ----,e_A„è CAIO MARCOS ANDIDO -presidente 46,1 L4- JOSÉ RAIMUN 'OTOS A SANTOS - Relator EDITADO EM: 18 JLN 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Odmir Fernandes. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-25.969, proferido pela 1' Turma da DRJ Brasília (fls. 309/313), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Pela notificação de lançamento de n° 06113/00029/2007 (fls. 01), a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 1.330.834,41, correspondente ao lançamento do ITR/2004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 29/06/2007, incidentes sobre o imóvel rural "Fazenda Brejão" (N1RF 0.631.183-0), com 35.693,0 ha, considerado localizado no município de João Pinheiro - MG. A descrição dos fatos, o enquadramento legal das infrações e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora encontram-se às fls. 02/05. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2004 (fls.38140), iniciou-se com o termo de intimação de fls. 06/07, para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: - cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA requerido ao 1BAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; - laudo técnico com ART/CREA, com memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2° do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no art. 3° desse código, com o ato do poder público que assim a declarou; - laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, a requerente apresentou os documentos de fls. 08/37 e 42/153. Na análise desses documentos e da DITR/2004, a autoridade fiscal glosou o VTN declarado de R$ 5.498.723,58 (R$ 154,05/ha), arbitrando-o em R$ 41.310.364,34 (RS 1.157,38/ha), com base nos valores do S1PT, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 614.420,32, conforme demonstrativo de fls. 04. Cientificada do lançamento em 19/07/2007 (fls. 301), a contribuinte protocolou em 15/08/2007, por meio de representantes legais, a impugnação de fls. 155/164, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 165/169 e 172/299, alegando, em síntese: - de início, informa que o imóvel questionado localiza-se no município de Brasilândia de Minas, criado em 22/12/1995 pela Lei Estadual n° 12.030, e sua valoração deve ater-se aos preços previstos pela respectiva prefeitura; - discorda do procedimento fiscal no arbitramento incoerente do VTN (parcialmente transcrito), sem fiscalização in loco, visto que o imóvel com solo majoritariamente arenoso apresenta baixa fertilidade natural e baixo aproveitamento para cultivo, conforme esclarece o laudo técnico já anexado anteriormente; Processo n° 13609320054/2007-72 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.506 Fl. 335 - o VTN declarado equivale ao valor contábil, superior ao valor de mercado em 2003 desse imóvel, peculiar por sua grande dimensão mas em hipótese alguma subavaliado; transcreve entendimentos de José Carlos Pellegrino e da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, para referendar seus argumentos, além do art.14 da Lei n° 9.393/1996, para eventualmente adotar-se o menor valor da terra para a região (R$ 500,00/ha), fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura. Ao final, a contribuinte requer, além da produção de provas necessárias em direito admitidas, a anulação do lançamento impugnado; em conseqüência, sejam extintos o crédito fiscal, as multas e os acréscimos, ou seja adotado o valor mínimo de R$ 500,00/ha, fornecido pela Secretaria de Agricultura. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a quo julgou procedente em parte o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 DO VALOR DA TERRA NUA - VI'N. Cabe rever, de oficio, o Ii7N arbitrado pela autoridade fiscal com base em município diverso daquele em que se localiza o imóvel, observados os dados constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT) para o município correto. Deverá ser mantido esse VTIsi. revisado para o ITR/2004, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado e as características particulares desfavoráveis do imóvel, que o justificassem. Lançamento Procedente em Parte Em sua peça recursal (fls. 318/328), a contribuinte suscita as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, em relação à parte da decisão que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em sua impugnação ao lançamento, a contribuinte alegou que o imóvel se encontra localizado no município de Brasilândia de Minas, onde os preços médios das terras são menores que em João Pinheiro, e ainda questionou o VTN apurado pela fiscalização, apresentando o laudo de avaliação às fls. 42/45, reapresentado às fls. 290/292, com VTN de R$ 5.498.723,74, equivalente a R$ 154,04/ha, e o argumento de que o imóvel apresenta fertilidade natural e aproveitamento para cultivo baixos, devido à excessiva arenosidade do solo, características desfavoráveis que justificariam esse valor. 3 Constatado o erro de fato, foi alterado no julgamento a quo o VTN arbitrado para o ITR12004, de de R$ 41.310.364,34 (R$ 1.157,38/ha) para R$ 19.422.702,88, calculado com base no VTN de R$ 544,16/ha, utilizando-se do mesmo critério adotado pela autoridade fiscal (fls. 03), mas pelos valores apontados no SIPT para o município de Brasilândia de Minas — MG (fls.308), instituído nos termos do § 1° do art. 14 da Lei 9.393/1996, com base em valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais. Referida norma dispõe que a fiscalização procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terra, constantes de sistema a ser por ela instituído, observados os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1 0, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, e levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Desnecessário, portanto, qualquer fiscalização in loco da propriedade, para se constatar que o VTN indicado pela contribuinte encontra-se subavaliado, mesmo em relação ao menor VTN por aptidão agrícola, pretendido secundariamente pela contribuinte, que não pode ser adotado, sem que haja correspondência com as áreas utilizadas na atividade rural. O Laudo de Avaliação, desconsiderado pela autoridade autuante (fls. 02/03), foi novamente apreciado pelo Órgão julgador a quo, que formou convicção de que não cabe ser ele aceito, não podendo ser classificado com Grau II de fundamentação e precisão, nos termos da NBR 14653 da ABNT e da intimação inicial. Com efeito, para formar a convicção sobre os valores indicados para o imóvel avaliado, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.653-3 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2004. Desta forma, apareceriam todas as distorções na formação de preço, aventadas pela contribuinte em seu recurso, como a baixa fertilidade do solo, topografia, valor por hectare na alienação de grandes propriedades etc. No presente caso, a resposta à intimação fiscal, às fls. 12/13, indica que o valor da terra nua declarado foi apurado a partir dos valores que incorporam a conta contábil do ativo da contribuinte, ou seja, refere-se ao custo de aquisição ou formação de cada terreno, quando deveria ter-se baseado no valor de mercado. No mesmo diapasão argumenta a -contribuinte em sede recursal. Tal circunstância evidencia o descompasso entre o valor declarado e o apurado pela fiscalização. No mesmo equívoco incorre o Laudo de Avaliação, que informa ter-se baseado unicamente em valores utilizados pela Prefeitura Municipal de Brasilândia de Minas, para efeito de cobrança do ITBI, prejudicando a avaliação, a preços de mercado, em 01/01/2004, da Fazenda Brejão, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, conforme exigido pela autoridade fiscal. Não há, portanto, elemento de prova hábil e idôneo a demonstrar que as características particulares desfavoráveis do imóvel, em relação à média da região, torna inviável a aplicação do 'VTN indicado na decisão recorrida. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 13 de maio de 2010. 7 \ • I José Raim ndo-,3osta Santos 4
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000341/2004-36
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RECEITAS.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS, ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular., regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONTRIBUINTES OPTANTES PELO SIMPLES, A Lei 9.317, de 1996, em
seu art. 18, determina a aplicação das presunções de omissão de receita existentes na legislação do IRPJ à microempresa e à empresa de pequeno porte.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Se a contribuinte apura e paga tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a autoridade fiscal dispõe de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para formalizar o lançamento. Incabível a exigência de diferenças apuradas nos meses de janeiro e fevereiro/99 se o
lançamento somente é cientificado à contribuinte em 30/0.3/2004.
CÁLCULO DAS EXIGÊNCIAS POSTERIORES. EFEITOS DA RECEITA BRUTA ACUMULADA NO COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DO RECOLHIMENTO SIMPLIFICADO. Ante a homologação tácita das apurações declaradas em janeiro e fevereiro/99, deve-se expurgar os efeitos
da omissão de receitas ali verificada do montante de receita bruta acumulada, apurando-se novos coeficientes para determinação dos tributos devidos na sistemática simplificada, relativamente aos períodos subseqüentes.
Numero da decisão: 1101-000.326
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em declarar a decadência relativamente ao crédito tributário exigido nos períodos de janeiro e fevereiro/99, afastando tais exigências e aquelas delas decorrentes e, no mais, negar provimento ao recurso,
nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado,
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS, ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular., regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRIBUINTES OPTANTES PELO SIMPLES, A Lei 9.317, de 1996, em seu art. 18, determina a aplicação das presunções de omissão de receita existentes na legislação do IRPJ à microempresa e à empresa de pequeno porte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Se a contribuinte apura e paga tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a autoridade fiscal dispõe de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para formalizar o lançamento. Incabívet a exigência de diferenças apuradas nos meses de janeiro e fevereiro/99 se o lançamento somente é cientificado à contribuinte em 30/0.3/2004. CÁLCULO DAS EXIGÊNCIAS POSTERIORES. EFEITOS DA RECEITA BRUTA ACUMULADA NO COEFICIENTE PARA DETERMINAÇÃO DO RECOLHIMENTO SIMPLIFICADO. Ante a homologação tácita das apurações declaradas em janeiro e fevereiro/99, deve-se expurgar os efeitos da omissão de receitas ali verificada do montante de receita bruta acumulada, apurando-se novos coeficientes para determinação dos tributos devidos na sistemática simplificada, relativamente aos períodos subseqüentes. .a ,.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em declarar a decadência relativamente ao crédito tributário exigido nos periodos de janeiro e fevereiro/99, afastando tais exigências e aquelas delas decorrentes e, no mais, negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, IF ERAN(1CO Di L — S RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente. • e•Auw, E ri ELI PEREIRA BESSA Relatora EDITADO EM: 04/08/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Shelley Henrique Dalcamim, 2 Processo If I 8471 000341/2004-36 SI-CITI Acórdão " 1101-00,326 Fl 2 Relatório O PAPÃO DOS LEGUMES LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 9" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro-I que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento formalizado em 30/03/2004, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1..607.238,21, Consta da decisão recorrida o seguinte relato: I- Do Lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 79/130, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização do Rio de Janeiro, em 29/03/2004, do qual a interessada acima .foi cientificada em 30/03/2004, consubstanciando exigência, na sistemática do SIMPLES, do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica —JRPJ, no valor de R$47.629,18 (fls. 79), além das autuações reflexas referentes às contribuições "Programa de Integração Social" — PIS, no valor de R$$7. 629,18 (fls. 99); "Social sobre o Lucro Líquido" CSLL, no valor de R$75.068,78 (fls. 107); "Financiamento da Seguridade Social" — COFINS„ no valor de R$150.13 7,55 (lis, 115); e "Contribuição para Seguridade Social — INSS", no valor de R$310.798,65 (fls. 123). Estes tributos, acrescido da correspondente multa de oficio de 75% e dos furos de mora, rekrern-se aos fatos geradores ocorridos no ano calendário 1999 II. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, efetuou o autuante o lançamento de oficio do IRRI, que, de acordo com a descrição dos .fatos contida no corpo do auto de infração, resultaram na apuração das infrações denominadas,. 2 — "Omissão de Receitas—Depósitos Bancários Não Escriturados"— Ar! 226 e .229 do RIR194; Art. 24 da Lei 11" 9249/95, arts 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5 0, 70, ,sç I°, 18, da Lei n°9,317/96; An. 42 da Lei n°9.430/96; Art. .3° da Lei n° 9.73.2/98, e Arts 186, 188 e 199, do RIR199; 2.2 — "Insuficiência de Recolhimento"— Ar! 889, inciso IV, 890, do RIR/94, Art. .50, da Lei n° 9.31 7/96 c/c Art„3° da Lei 9.732/98; e Art,s- 186 e 188, do RIR/99; 3. Os lançamentos da CSLL; COHNS; PIS e INSS são mera decorrência dos fatos amealhados na apuração do 4. As razões que motivaram os lançamentos estão descritas no próprio corpo do auto de infração —1RPJ, às fls. 80 e 81 - e alentam para o seguinte: 4.1 — valor de omissão de receitas apurado conforme planilha, anexada às fls. 77/78, tendo em vista que a fiscalizada, embora intimada consoante Termo de fls. 10/14, não justifica a origem dos recursos depositados em suas contas correntes; — insuficiência de valor recolhido apurada como omissão de receitas caracterizada através da falta de registro de depósitos bancários; Da Impugnação 3 5 Inumfbrmada com o lançamento, do qual tomou ciência no próprio auto de Ofiação, em 30/03/2004, às fls 79, apresentou a interessada, em 27/04/2004, a impugnação de fls 138/142, instruída com os documentos de fls 143/144, alegando, em síntese, o que se segue: 5 1 — argúi, em sede preliminar-, a nulidade do lançamento em face do cerceamento (lo seu direito de defesa, haja vista não constai .' dos autos quaisquer cópia de extrato bancário que indique 03 supostos depósitos bancários não registrados em sua contabilidade, 5 2 — esclarece que tal fato se revela de extrema imponência pois ela tem diversos cheques depositados . que _foram devolvidos por insuficiência de fundos, 5 $ — afirma que os termos, constantes da Intimação de fls. 10— "as Manilhas, de _fls 11 e 12, elaboradas através dos extratos bancários do ano calendário de 1999, .fornecidos à . fiscalização e devolvidos à . fiscalizada nesta oportunidade" - não condizem com a verdade, pois nunca forneceu extrato bancário à fiscalização, por não possui-los, apesar de ter sido intimado para tal, a teor das intimações de/Is. 8 e 9; 5 4 — que não compreende a existência de tais depósitos, porquanto "com as compras realizadas pela autuada, não seria obter possível receita tão elevada" 5 5 — nos termos rio art. 18 da Lei 9,317/96, impõe-se à fiscalização demonstrar com documentos da fiscalizada, as supostas diferenças de receita, não bastando, para tanto, apresentar alegações sem estar acompanhados de documentação hábil; 5 6 — no mérito, aduz que se fbsse demonstrada, efetivamente, a difer ença de receita, por omissão, a norma a aplicar seria a do art 23, §3° da Lei n° 9 317/96, 5 7 — requer que seja declarada a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e no mérito, a improcedência dos autos cie inflação pelas razões apontadas, IV Da Diligência 6. Entendendo não estarem presentes todos os elementos necessárias para firmar convicção a respeito da matéria, o relator do presente processo resolveu baixar em conforme resolução de fis 151/152, para que a fiscalização respondesse os quesitos nela constante, tendo o AFRF diligenciante, mediante relatório de fls. 203 expressado as seguintes conclusões em resposta ao solicitado. 6 1 — que não é passível proceder ao pedido de Requisição de Movimentação Financeira — RIVIE, haja vista o entendimento disposto na Solução de Consulta n° 07/2007 de que não cabe RMF 110 decorrer de procedimento fiscal de diligência, 6 2 — que apesar do disposto acima, anexa, às . fls 154/271, cópias de extraias bancários relativas à movimentação _financeira da interessada no Banco Unibanco no período autuado; 6.3 — que janta; também, o dossiê . integrado de períodos posteriores a .firn confirmar a veracidade do mencionado no termo de fls 10; 6.4 — que "a natureza dos valores constantes das Manilhas de .fis 11/14 está identificada no item 1 da intimação de fls. 10, onde consta taxativamente que o interessado deve esclarecer a origem dos depósitos", 6 5 — que os valores constantes das Manilhas de lis 11/12 podem ser verificados na documentação ora .juntada, 6.6 — que foi encaminhado à interessada o Termo de Encerramento de Diligência, o qual fai recepcionado em 22/10/2007 (AR às [is 281), onde ficou consignada a abertura de prazo pala que esta, querendo, aditasse novas razões de defesa,. 7. Registre-se que não há nos autos, quaisquer . manifestações de vontade da inqnignante que caracterize aditamento de razões de defesa ou apresentação de p4 Processo ir 18471.000341/2004-36 SI-C1TI Acórdão o" 1101-00,326 H. 3 nova impugnação, apesar de a defendente ter tirado cópias dos documentos de f1s. 138/283, a teor da solicitação de 284; A Turma Julgadora recorrida acolheu parcialmente tais alegações argumentando que: • O ato de lançamento está inquinado por um equívoco procedimental ,flagrante por não ser possível confirmar integralmente os elementos de prova que o fundamentam, mormente em se tratando de presunção a exigir uma demonstração inequívoca dos fatos elegidos como indícios de omissão de receitas, de .1brina a garantir seriedade e consistência do vínculo entre estes fatos e a infração.. Afastou, desta forma, as exigências fundadas em depósitos bancários . junto ao Banco BCN, cujos extratos bancários o autuante devolveu à contribuinte sem antes providenciar cópias reprográficas de seu conteúdo, destacando que apesar de a declaração do autuante merecer fé pública, também, os argumentos expendidos pela impugnanie, pelo princípio da Boa- Fé Objetiva, têm que ser creditados, até prova em contrário. • Quanto à alegação de que a transibrmação dos depósitos em receita acarreta uma apuração desta última em valor muito elevado, registrou que a atividade administrativa é plenamente vinculada, e a alteração do crédito tributário daí decorrente só é possível pela própria impugnante mediante apresentação de provas que contrariem a presunção legal. Demais disto, a presunção contida no art. 42 da Lei n" 9.4.30/96 não afronta o conceito de renda expresso no art. 43 do CTN, porque baseada na experiência da vida cotidiana que correlaciona depósitos em conta corrente, em que o seu titular não comprova a sua origem, com efetivo acréscimo de renda do contribuinte. ia Relativamente à aplicação do art. 23, §.3' da Lei n" 9,317/96, observou a fiscalização precisamente o ali contido, determinando a exigência mediante a aplicação do coeficiente de 10,32%, que corresponde exatamente ao valor máximo previsto para empresas de pequeno porte - 8,60% - acrescido de 20%. • Constatou, ainda, que a autoridade lançadora não observou a existência de cheques devolvidos por insuficiência de fundos, promovendo os ajustes pertinentes na base de cálculo. E, em tais verificações, observou também que a autoridade lançadora não juntou ao processo os extratos bancários referentes aos períodos compreendidos entre .29/01/1999 e 31/03/1999, 05/05/1999 e 30/06/1999; 08/09/1999 e 30/09/1999 e 08/12/1999 e 30/12/1999 do Banco Unibanco, o que implica desconsiderar a apuração realizada pelo autuante para estes períodos, haja vista a carência de provas que pudesse vir a ratificá-la, exatamente como decidido relativamente aos depósitos junto ao Banco BCN. 5 o Registrou a ausência de impugnação administrativa relativamente à falta de recolhimento, apurada em confronto com os tributos informados em Declaração de Rendimentos, e declarou a definitividade da exigência, ressaltando, porém, que tendo em vista, que na sistemática do SIMPLES, a alíquota aplicável depende do valor tributável total, é imperativo aguardar- a consolidação cio crédito tributário no âmbito administrativo. o Declarou, por fim, a validade parcial dos lançamentos relativos à contribuições CSLL, COFINS, PIS e INSS, por constituírem mera decorrência da apuração das duas primeiras infrações descritas no relatório. o Recompondo os cálculos da exigência, os valores principais exigidos foram reduzidos nos valores abaixo indicados Tributo Exigido Mantido Principal M Principal IRPJ 47.629,18 75% 15.261,09 75% PIS 47.629,18 75% 15.261,09 75% CSLL 75.068,78 75% 24.985,50 75% COFINS 150.137,55 75% 49.971,00 75% INSS 310.798,65 75% 96.445,71 75% Total 631.263,34 75% 201.924,39 75% Cientificada da decisão de primeira instância em 20/06/2008 (fl , 315), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 22/07/2008 (fls. 317/328), Reprisando sua alegação de que não compreende a existência de tais depósitos, porquanto, com as compras por ela realizadas, não seria obter possível receita tão elevada (sie), firma seu entendimento de que a presunção de ilícito fiscal, como qualquer outra, deve ser alegada e provada por quem a levantou, com indícios materiais que a fluidamente.. De .fato, é estéril a presunção, quando o objeto de lançamento tributário . feito pela fiscalização deixa a cargo do contribuinte provar que não houve ilícito Invocando o art. 142 do CTN, destaca que a determinação da matéria tributável somente se dá com a verificação de todos os elementos ensejadores do nascimento da obrigação tributária, não sendo possível ao auditor fiscal transferir ao contribuinte atribuições que lhe são próprias, inclusive o "trabalho manual" da ação/isca!, O arbitramento do imposto é incompatível com o conceito de determinação do crédito tributário expresso naquele dispositivo, o qual obriga o sujeito ativo a . fazer um levantamento completo, a partir de finos indiscutíveis, inquestionáveis e bem definidos, não de meras presunções ou palpites para a produção de autos de infração, sem a determinação da matéria tributável, na expectativa que o sujeito passivo a determine na Impugnação. Entende nulo de pleno direito o auto que não traduz essa determinação, por incúria e desídia cio Fisco, bem como que a cobrança de tributo com base em presunção permite a exigência sem fato gerador, o que desconsidera por completo o Estado Democrático de Direito e a segurança jurídica. Transcreve textos doutrinários neste sentido, Concluindo que o Auto de Infração fbi lavrado sob a tutela da presunção simples, acrescenta ser perceptível que o . fiscal autuante não analisou, com critérios e minúcia g 6 Processo n" 18471 000341/2004-36 SI-C1TI Acórdão r 0110100326 Fl 4 necessária, a doclunentação hábil e idônea que lhe Ibi ofertaria durante a .fiscalização, afirmando que lhe foi dado acesso a toda a escrita contábil da ora Recorrente, sem que se deixasse de apresentar a documentação comprobatória do eletivo ingresso e da origem do numerário aportado.. Pede, assim, o cancelamento integral da exigência, já que em momento algum ocorreu omissão de receitas por parte da Recorrente. É o relatorio 71+ Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente questiona a validade da presunção de omissão de receitas que lhe foi imputada e, em especial, aduz que colocou à disposição da fiscalização toda a escrita contábil da ora Recorrente, sem que se deixasse de apresentar a documentação comprobatória do efetivo ingresso e da origem do numerário aportado. Dos autos extrai-se que, no ano-calendário 1999, a contribuinte, optante pelo SIMPLES Federal, declarou receita bruta mensal que se inicia em janeiro no valor RS 19.394,90 e chega em dezembro ao montante de R$ 64,788,00 (fl. 06). Na mesma declaração ainda consta estoque final no valor de R$ L095.000,00, compras de R$ 14.101910,00 e saldo final de caixa e bancos no montante de R$ 22..357.988,00, mas seus registros contábeis e fiscais, corno adiante se verá, evidencia que estas informações foram prestados com o acréscimo de dois zeros ao final de cada valor. O procedimento fiscal teve início em 28/05/2003, mediante termo que intimou a contribuinte a apresentar (fl. 7): 1 - Livros Comerciais e Fiscais, 2 - Contrato Social e illteraçães; 3 - Documentação que deu suporte aos lançamentos contábeis para o exercício de 2000 - ano-calendário 1999, 4 - Daít s de recolhimento para os tributos no período de 06/98 a 04/2003. Na seqüência, cru 24/06/2003, a contribuinte é intimada a apresentar todos os extratos bancários relativos a todos os Bancos, no Brasil e no Exterior, com as quais realizou movimentações financeiras (II, 8). Não atendida a intimação no prazo fixado de 5 (cinco) dias, lavrou-se reintimação em 18/08/2003 (fi, 9), Observa-se que, ao menos em relação aos livros comerciais e fiscais, a intimação foi atendida, pois dos autos constam: a) cópias das últimas páginas do Livro Diário escriturado manualmente em 1999, apontando no Balanço Patrimonial levantado em 31/12/1999 saldo de disponibilidades apenas na conta Caixa, no valor de RS 223,579,88, e estoque de mercadorias de R$ 10..950,00, bem como, na Demonstração de Resultados, a receita de venda de mercadorias no total de R$ 445.407,90 (fl. 15/20); b) cópias do Livro Registro de Entradas que evidenciam compras mensais entre R$ 8..536,00 e R$ 15,916,00 (fls. 21/45); c) cópias do Livro Registro de Saídas nas quais os totais mensais de vendas estão compatíveis com as informações da declaração no âmbito do SIMPLES (fis, 46/77). Constata-se, ainda, que em 15/01/2004 foi cientificada à contribuinte intimação para que, em 20 (vinte) dias, esclarecesse: Processo n" 18471 000341/2004-36 SI-CITI Acórdão ri." 1101-00.326 Fl 5 I- A origem dos depósitos não registrados em receita, identificados no Acompanhamento da Movimentação Financeira, ANEXO A e ANEXO B, elaborados através dos extratos bancárias do ano calendário de 1999, fOrnecidas à fiscalização e devolvidos à . fiscalizada nesta oportunidade 2- Relação com valoração contábil dos bens próprios da empresa Os anexos referidos individualizam os depósitos bancários efetuados em 1999, junto ao Unibanco (cujos totais mensais variam entre R$ 158.514,01 e R$ 524.374,83, fls. 11/1.2) e ao BCN (cujos totais mensais variam entre R$ 17.751,50 e R$ 409,448,79, fls. 13/14). Ausente qualquer resposta por parte da contribuinte, a autoridade lançadora, consolidando os valores constantes de fls. 11/14 como depósitos bancários não contabilizados nos demonstrativos de fls. 77/78, registrou no Auto de Infração à11., 80 a ocorrência de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados, assim descrevendo: Valor apurado conforme planilha anexada, fls 77/78,tendo em vista que a fiscalizada, embora intimada consoante Termo de fis 10/14, não justifica a origem das re cursos depositados em suas contas correntes. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Adulta(%) 31/01/1999 R$ 445.784,27 75,00 [—] 31/12/1999 R$ 414.330,61 7.5,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. .226 e .2.29 do 1?IR/94; Ar!, 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2 0, § 2°, 3 0, § , alínea "a", 5 0, 70, § 1 0, 18, da Lei n° 9.317/96, art. 4.2 da Lei n" 9.430/96 ; Ari. 30 da Lei n° 9,732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. Registrou, ainda, insuficiência de recolhimento em virtude da nova aliquota aplicável sobre as receitas declaradas, quando consideradas também as receitas omitidas. Diante deste contexto, observa-se que a contribuinte não contabilizou sua movimentação bancária, mantendo apenas controle das disponibilidades em Caixa, e também deixou de responder à intimação formulada no sentido de que informasse a origem dos depósitos não registrados em receita. Ainda que suas receitas declaradas integrassem depósitos bancários questionados pelo Fisco, na medida em que não houve contabilização da conta bancária, incumbia-lhe apresentar documentos que correlacionassem tais valores, e ante sua omissão a conseqüência é aquela prevista no art. 42 da Lei n" 9,4.30/96, que autoriza o Fisco presumir a omissão de receitas tributáveis a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, invertendo o ônus da prova em desfavor da contribuinte. Ressalte-sé o flagrante descompasso entre a movimentação bancária operada pela empresa (que chega a superar o valor mensal de R$ 500.000,00) e as receitas declaradas no âmbito do SIMPLES (no valor máximo de R$ 64.788,00, apontando para dezembro/99), ainda que parte daqueles depósitos bancários tenham sido desconstituidos no julgamento de la instância, ante a ausência de prova dos correspondentes extratos bancários.. 9 De toda sorte, consoante demonstrado na decisão recorrida, ainda subsistiram depósitos sem justificativas, os quais, espelhados nos extratos bancários juntados aos autos, representaram os seguintes totais mensais, também significativamente superiores às receitas mensalmente declaradas no âmbito do SIMPLES: Mês : : Valor Omissão .J99: jan 368.590,33 fev - mar abr 429.557,33 moi 42.470,10 jun fui 204.909,05 ago 200.097,45 set. 42.158,51 ou! 283.962,52 nov 438.411,48 dez 89.674,97 Assim eontextualizado o procedimento fiscal, tem-se a escialecer à recorrente o que segue: a) quanto à impossibilidade de obter receita tão elevada com as compras por ela realizadas: os fatos reunidos no lançamento evidenciam a manutenção de significativos valores à margem da contabilidade, os quais podem perfeitamente ter se prestado a suportar compras de produtos também não escrituradas, mormente tendo em conta que o resultado tributável se faz mediante aplicação de coeficiente de presunção de lucros — embutido na determinação de parcela da alíquota que corresponde ao IRPJ e a CSLL no cálculo do recolhimento simplificado —, o que torna desnecessária a comprovação de custos e despesas incorridos para sua obtenção, Para desconstituir o indício da presunção legal, a contribuinte deve demonstrar que outra foi a origem dos valores aportados em suas contas bancárias, e a inexistência de compras, ante a possibilidade de seu registro também ter sido omitido, não é suficiente para tanto b) com relação à necessidade de prova dos indícios materiais que sustentam a presunção, restou demonstrado que a autoridade lançadora sé desinctlinbiu do ônus qüe a lei lhe impõe, consistente em caracterizar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, o que se fez aqui mediante a apuração de depósitos bancários não contabilizados cuja origem a contribuinte, intimada, não logrou demonstrar. Neste caso, a lei, de fato, deixa a cargo do contribuinte provar que não houve ilícito, e ante a sua desídia ao elaborar sua escrituração contábil, bem como em face de sua omissão no curso do procedimento fiscal, lhe transfere, validamente, o "trabalho manual" da ação fiscal, na medida em que sua conduta °missiva inviabilizou o prosseguimento das investigações pela autoridade lançadora. e) não há arbitramento do imposto, mas sim presunção de base de cálculo, em razão de conduta repreensível da contribuinte como acima exposto Para evitar que o lançamento tributário fosse inviabilizado em face de contribuintes que não cumprem a obrigação acessória de manter escrituração regular de suas atividades, a lei dispensou o Fisco da prova dos mencionados , finos indiscutíveis, inquestionáveis e bem definidos, e constituiu outro meio de prova regular, e não apenas meras presunções ou palpites, como quer fazer crer 1° Processo n" 18471.000341/2004-36 Si-Cri 1 Acórdão ri" 1101-00.326 Fl 6 a recorrente. Diante deste contexto, o levantamento completo mencionado no recurso voluntário foi realizado pela autoridade lançadora, ao individualizar os depósitos bancários que não estavam reproduzidos na contabilidade, disto cientificando a contribuinte para que demonstrasse sua origem.. d) imprópria a afirmação de que houve incúria e desídia do Fisco, pois o lançamento reúne validamente a determinação da matéria tributável, e a prova mediante presunção é meio admitido na legislação e na doutrina, como citado na decisão de 1a instância, para caracterização do fato gerador, sem qualquer ofensa ao Estado Democrático de Direito ou à segurança jurídica, e) não se trata aqui de presunção simples, mas sim de presunção legal, sendo certo que não há qualquer prova de contabilização da movimentação bancária, a evidenciar a ausência de conteúdo da alegação de que o .fiscal autuante não analisou, com critérios e minúcia necessária, a documentação hábil e idônea que lhe foi alertada durante a fiscalização. Regular, assim, a exigência que, devidamente saneada em primeira instância, resultou na determinação de matéria tributável que a recorrente não logrou desconstituir, subsistindo a prova da omissão de receitas que lhe foi imputada. Apenas atente-se que o lançamento foi cientificado à contribuinte em .30/03/2004, mas reune exigências pertinentes aos períodos de apuração de .31/01/1999 a 31/12/1999, sendo certo que relativamente àqueles verificados até 28/02/1999 já havia transcorrido o prazo lixado no art 150, §4 0 do CTN para tanto, De fato, para os períodos em questão, a contribuinte apurou tributos devidos no valor total de R$ 1,047,33 e R$ 1.066,72, promovendo os correspondentes recolhimentos em 09/02/1999 e 09/03/1999 (confirmados nos sistemas informatizados da RFB sob n" 2018741078-4 e 2040470458-6) e declarando sua apuração em 30/05/2000 (fi„ 06).. Neste contexto, sua apuração e recolhimento restaram homologados tacitamente em 31/01/2004 e 28/02/2004, respectivamente, não sendo mais possível sua revisão, até porque não imputado à contribuinte a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conseqüência disto, porém, é não só a exoneração dos valores lançados em janeiro e fevereiro/99, como também a alteração dos coeficientes utilizados para determinação dos tributos devidos na sistemática simplificada, relativamente aos períodos subseqüentes, em razão da redução da receita bruta acumulada, com a exclusão da omissão de receitas verificada em janeiro e fevereiro/99„ Neste sentido, os cálculos da decisão recorrida são refeitos a seguir: a) Recomposição da receita bruta acumulada e determinação dos coeficientes de apuração do SIMPLES: Mês RecSruta Coef. Diferença RmBruta Cad., 1.999 Declarada Aplicado Apurada Acumulada Apurado jan 19.394,90 5,40% 19.394,90 5,40% fev 19.754,00 5,40% 39.148,90 5,40% mar 23.909,00 5,40% 63.057,90 5,40% abr 20.339,00 5,40% 429.557,33 512.954,23 6,60% mal 20.403,00 5,40% 42.470,10 575.827,33 6,60% „jun 24.141,00 5,40% 599.968,33 6,60% jul 31.915,00 5,40% 204.909,05 836.792,38 7,40% ago 40.486,00 5,40% 200.097,45 1.077.375,83 8,20% set. 54.414,00 5,80% 42.158,51 1.173.948,34 8,60% out 26.051,66 5,80% 1.200.000,00 8,60% 36.158,34 5,80% 283.962,52 1.520.120,86 10,32% nov 63.654,00 6,20% 438.411,48 2.022.186,34 10,32% dez 64.788,00 6,20% 89.674,97 2.176.649,31 10,32% b) Recalculo das exigências relativas ao IRPJ, reduzindo o valor principal total de R$ 15.261,09 para R$ 12.549,78 Mês Tipo de Receita Simples Valor °A Simples Valor Valor Multa 1999 Total Calculado IR I.R Total 75% jan Omissão de Receita 5,40% - 0,13% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 0,13% 0,00 0,00 0,00 fév Omissão de Receita 5,40% - 0,13% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 0,13% 0,00 0,00 0,00 mar- Omissão de Receita 5,40% - 0,13% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 0,13% 0,00 0,00 0,00 abr Omissão de Receita 6,60% 28.350,78 0,52% 2.233,70 Insuficiência cle Recolhimento 6,60% 244,06 0,52% 19,23 2.252,93 1.689,70 mai Omissão de Receita 6,60% 2.803,03 0,52% 220,84 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,84 0,52% 19,29 240,13 180,10 jun Omissão de Receita 6,60% - 0,52% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 289,69 0,52% 22,82 22,82 17,12 jul Omissão de Receita 7,40% 15.163,27 0,65% 1.331,91 Insuficiência de Recolhimento 7,40% 638,30 0,65% 56,07 1.387,98 1040,98 ago Omissão de Receita 8,20% 16.407,99 0,65% 1.300,63 Insuficiência de Recolhimento 8,20% 1.305,94 0,65% 103,52 1.404,15 1.053,11 sct Omissão de Receita 8,60% 3.625,63 0,65% 274,03 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 0,65% 55,13 329,16 246,87 out Omi-ssãó -de Receita - 10,32% 29.304,93 - 0,78% - 2.214,91 - Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 .. 0,65% 55,13 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 1.634,36 0,78% 123,53 2.393,57 1.795,18 nov Omissão de Receita 10,32% 45.244,06 0,78% 3.419,61 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.622,55 0,78% 198,22 3.617,83 2.713,37 dez Omissão de Receita 10,32% 9.254,46 0,78% 699,46 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.669,26 0,78% 201,75 901,21 675,91 12 Processo ri" 18471.000341/2004-36 Sl-CITI Acórdão o." 1101-00326 El 7 c) Recálculo das exigências relativas à Contribuição ao PIS, reduzindo o valor principal total de R$ 15261,09 para R$ 12.549,78: Mês Tipo de Receita Simples Valor Vo Simples Valor Valor ME 1999 Total Calculado PIS PIS Total 75 jan Omissão de Receita 5,40% Men 0,13% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 0,13% 0,00 0,00 0,0, fev Omissão de Receita 5,40% Neellie 0,13% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 0,13% 0,00 0,00 0,0, mar Omissão de Receita 5,40% - 0,13% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 0,13% 0,00 0,00 0,0, abr Omissão de Receita 6,60% 28.350,78 0,52% 2.233,70 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,06 0,52% ellein 2.252,93 1.68.Ç. mai Omissão de Receita 6,60% 2.803,03 0,52% 220,84 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,84 0,52% 19,29 240,13 180 jun Omissão de Receita 6,60% 1~ 0,52% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 289,69 0,52% 99,82 22,82 17, jul Omissão de Receita 7,40% 15.163,27 0,65% 1.331,91 Insuficiência de Recolhimento 7,40% 638,30 0,65% 56,07 1.387,98 1.04( ago Omissão de Receita 8,20% 16.407,99 0,65% 1.300,63 Insuficiência de Recolhimento 8,20% 1.305,94 0,65% 103,52 1.404,15 1.052 set Omissão de Receita 8,60% IMEM 0,65% 274,03 Insuficiência de Recolhimento 8,60% efflel 0,65% ellffla 329,16 246 out Omissão de Receita 10,32% 29.304,93 0,78% 2.214,91 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 0,65% 55,13 Insuficiência de Recolhimento 10,32% RIEM 0,78% 123,53 2.393,57 1.79. nov Omissão de Receita 10,32% 45.244,06 0,78% alliffill Insuficiência de Recolhimento 10,32% UNE 0,78% 198,22 3.617,83 2.712 - dez Omissão de Receita 10,32% 9.254,46 0,78% IlergE Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.669,26 0,78% 201,75 901,21 675 O 14 13 d) Recalculo das exigências relativas à CSLL, reduzindo o valor principal total de R$ 24,985,50 para R$ 20..275,00: Mês Tipo de Receita Simples Valor 'YD Simples Valor Valor Multa 1999 Total Calculado CSLL CSLL Total 75% jan Omissão de Receita 5,40% - 1,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 1,00% 0,00 0,00 0,00 fév Omissão de Receita 5,40% - 1,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 1,00% 0,00 0,00 0,00 mar Omissão de Receita 5,40% - 1,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 1,00% 0,00 0,00 0,00 abr Omissão de Receita 6,60% 28.350,78 1,00% 4.295,57 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,06 1,00% 36,98 4.332,55 3.249,41 mai Omissão de Receita 6,60% 2.803,03 1,00% 424,70 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,84 1,00% 37,10 461,80 346,35 jun Omissão de Receita 6,60% - 1,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 289,69 1,00% 43,89 43,89 32,92 jul Omissão de Receita 7,40% 15.163,27 1,00% 2.049,09 Insuficiência de Recolhimento 7,40% 638,30 1,00% 86,26 2.135,35 1.601,51 ago Omissão de Receita 8,20% 16.407,99 , 1,00% 2.000,97 Insuficiência de Recolhimento 8,20% 1.305,94 1,00% 159,26 2.160,24 1.620,18 set Omissão de Receita 8,60% 3.625,63 1,00% 421,59 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 1,00% 84,82 506,40 379,80 out Omissão de Receita 10,32% 29.304,93 1,20% 3.407,55 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 1,00% 84,82 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 1.634,36 1,20% 190,04 3.682,41 2.761,81 nov Omissão de Receita 10,32% 45.244,06 1,20% 5.260,94 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.622,55 1,20% 304,95 5.565,89 4.174,41 dez Omissão de Receita 10,32% 9.254,46 1,20% 1.076,10 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.669,26 1,20% 310,38 1.386,48 1.039,86 é() 14 Processo o" 18471 000341/2004-36 S i-c AÇO] dão o" 1101-00.326 F 1 8 e) Reeáleulo das exigências relativas à COFWIS, reduzindo o valor principal total de R$ 49.971,01 para R$ 40.550,01: Mês Tipo de Receita Simples Valor % Simples Valor Valor Multa 1999 Total Calculado COFINS COFINS Total 75% jan Omissão de Receita 5,40% - 2,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 2,00% 0,00 0,00 0,00 fev Omissão de Receita 5,40% - 2,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 2,00% 0,00 0,00 0,00 mar Omissão de Receita 5,40% - 2,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 2,00% 0,00 0,00 0,00 abr Omissão de Receita 6,60% 28.350,78 2,00% 8.591,15 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,06 2,00% 73,96 8.665,11 6.498,83 mai Omissão de Receita 6,60% 2.803,03 2,00% 849,40 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,84 2,00% 74,19 923,60 692,70 jun Omissão de Receita 6,60% - 2,00% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 289,69 2,00% 87,78 87,78 65,84 jul Omissão de Receita 7,40% 15.163,27 2,00% 4.098,18 Insuficiência de Recolhimento 7,40% 638,30 2,00% 172,51 4.270,69 3.203,02 ago Omissão de Receita 8,20% 16.407,99 2,00% 4.001,95 Insuficiência de Recolhimento 8,20% 1.305,94 2,00% 318,52 4.320,47 3.240,35 set Omissão de Receita 8,60% 3.625,63 2,00% 843,17 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 2,00% 169,64 1.012,81 759,61 ou t Omissão de Receita 10,32% 29.304,93 2,40% 6.815,10 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 2,00% 169,64 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 1.634,36 2,40% 380,08 7.364,82 5.523,62 nov Omissão de Receita 10,32% 45.244,06 2,40% 10.521,88 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.622,55 2,40% 609,90 11.131,77 8.348,83 dez Omissão de Receita 10,32% 9.254,46 2,40% Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.669,26 2,40% 620,76 2.772,96 2.079,72 (1)*', 15 f) Recálculo das exigências relativas à Contribuição Prevideneiária (INSS), 1-eduzindo o valor principal total de R$ 96.445,72 para R$ 75,337,47: Mês Tipo de Receita Simples Valor °A Simples Valor Valor Multa 1999 Total Calculado INSS INSS Total 75% jan Omissão de Receita 5,40% - 2,14% 0,00. Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 2,14% 0,00 0,00 0,00 fev Omissão de Receita 5,40% - 2,14% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 2,14% 0,00 0,00 0,00 mar . Omissão de Receita 5,40% - 2,14% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 5,40% 0,00 2,14% 0,00 0,00 0,00 abr Omissão de Receita 6,60% 28.350,78 2,56% 10.996,67 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,06 2,56% 94,67 11.091,33 8.318,50 mai Omissão de Receita 6,60% 2.803,03 2,56% 1.087,23 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 244,84 2,56% 94,97 1.182,20 886,65 jun Omissão de Receita 6,60% - 2,56% 0,00 Insuficiência de Recolhimento 6,60% 289,69 2,56% 112,36 112,36 84,27 jul Omissão de Receita 7,40% 15.163,27 3,10% 6.352,18 Insuficiência de Recolhimento 7,40% 638,30 3,10% 267,40 6.619,58 4.964,68 ago Omissão de Receita 8,20% 16.407,99 3,90% 7.803,80 Insuficiência de Recolhimento 8,20% 1.305,94 3,90% 621,12 8.424,92 6.318,69 set Omissão de Receita 8,60% 3.625,63 4,30% 1.812,82 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 4,30% 364,72 2.177,54 1.633,15 out Omissão de Receita 10,32% 29.304,93 5,16% 14.652,47 Insuficiência de Recolhimento 8,60% 729,45 4,30% 364,72 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 1.634,36 5,16% 817,18 15.834,37 11.875,78 nov Omissão de Receita 10,32% 45.244,06 5,16% 22.622,03 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.622,55 5,16% 1.311,28 23.933,31 17.949,98 dez Omissão de Receita 10,32% 9.254,46 5,16% 4.627,23 Insuficiência de Recolhimento 10,32% 2.669,26 5,16% 1.334,63 5.961,86 4.471,39 Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DECLARAR A DECADÊNCIA relativamente ao crédito tributário exigido nos períodos de janeiro e fevereiro .. ...: i ..,. de 1999, afastando tais exigências e aquelas delas decorrentes conforme cálculos acima, e, no •-•-•,..:. •-• mais, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. 10 (0"*L .E LI PEREIRA BESSA - Relatora 16 14._
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720053/2007-28
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 10/01/2004.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-00.502
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 10/01/2004. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do v do Relator. CAIO MARCOS-ÇÃNDI 1____VAL- Presidente — 1 - JOSÉ • I I/ TOSTA SANTOS - Relator EDITADO EM: 1 8 )10 2_010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Odmir Fernandes. - Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n o 03-26.498 (fls. 196/202). A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Pela notificação de lançamento de n° 06113/00028/2007 (fls. 01), a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 532.067,77, correspondente ao lançamento do IIR12004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 29/06/2007, incidentes sobre o imóvel rural "Fazenda Campo Alegre II" (NIRF 0.631.180-6), com 10.763,6 ha, localizado no município de João Pinheiro — MG. A descrição dos fatos, o enquadramento legal das infrações e o demonstrativo da multa de oficio e dos juros de mora encontram-se às fls. 02/06. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2004 (fls.10/12), iniciou-se com o termo de intimação de fls.07, para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: - cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; - laudo técnico com ART/CREA, com memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação permanente prevista no art. 2° do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar prevista no art. 3° desse código, com o ato do poder público que assim a declarou; - laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, a requerente apresentou os documentos de fls. 13/88. Na análise desses documentos e da DITR/2004, a autoridade fiscal glosou parcialmente a área declarada de utilização limitada /reserva legal, reduzindo-a de 2.852,8 ha para 687,7 ha, além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 929.063,80 (R$ 86,31/ha), arbitrando-o em R$ 11.243.118,38 (R$ 1.044,55/ha), com base nos valores do SIPT, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 245.645,33, conforme demonstrativo de fls. 05. Cientificada do lançamento em 17/07/2007 (fls. 192), a contribuinte protocolou em 15/08/2007, por meio de representantes legais, a impugnação de fls. 90/102, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 103/190, alegando, em síntese: - de início, faz um breve relato do procedimento fiscal, do qual discorda; - a área de reserva legal declarada (2.852,8 ha) está devidamente averbada em cartório e possui o respectivo ADA, comprovando essa área de utilização limitada e a área de preservação permanente (2.165,1 ha); - o importante, quando se fala em isenção do ITR, é efetiva a existência da área preservada, não passando a sua averbação de mera formalidade; - as averbações feitas em 20/09/2001, reconhecidas e citadas no auto de infração, provam a efetiva existência de tais áreas antes de 01/01/2004, pois não se cria uma "floresta" de um dia para o outro; 2 • Processo n° 13609.720053/2007-28 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00502 Fl. 226 - a lei que confere a isenção deve ser interpretada pelo método lógico final, de acordo com a vontade do legislador: - preservar áreas naturais deixando um ambiente saudável e duradouro para as próximas gerações; dessa forma, a isenção vem para incentivar um maior número de áreas preservadas; se não, por que mantê-las?; - as florestas de preservação permanente estão relacionadas nos artigos 2° e 3° do Código Florestal e sua existência é comprovada pelo ADA, cuja contestação cabe ao MAMA; transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes e ensinamento de Maria Helena Diniz, para embasar seus argumentos; - discorda do arbitramento incoerente do VTN, sem fiscalização in loco, visto que o imóvel com solo majoritariamente arenoso apresenta baixa fertilidade natural e baixo aproveitamento para cultivo, conforme esclarece o laudo técnico já anexado anteriormente; - apesar do VTN fornecido pela Secretaria de Minas Gerais para 2004, o valor de mercado desse imóvel era muito baixo, por exigir investimentos de alto custo, sendo o valor contábil superior a ele, e assim o VTN declarado não representava em hipótese alguma subavaliação; transcreve entendimentos de José Carlos Pellegrino e da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, para referendar seus argumentos, além do art.14 da Lei n° 9.393/1996, para eventualmente adotar-se o menor valor da terra para a região (R$ 700,00/ha), fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura. Ao final, a contribuinte requer, além da produção de provas necessárias em direito admitidas, a anulação do lançamento impugnado; em conseqüência, sejam extintos o crédito fiscal, as multas e os acréscimos, ou seja adotado o valor mínimo de R$ 700,00/ha, fornecido pela Secretaria de Agricultura. Ao apreciar o litígio, a ia Turma de Julgamento da DRJ de Brasília, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer a área de utilização limitada /reserva legal declarada (2.852,8 ha) e manter o VTN arbitrado pela autoridade fiscal, de R$ 11.243.118,38 (R$ 1.044,55/ha), e demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado de R$ 245.645,33 para R$ 24.775,81. A ementa a seguir transcrita resume o entendimento do órgão julgador a quo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR --);\ Exercício: 2004 DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Para fins de exclusão do ITR, deve ser restabelecida a área de utilização limitada/reserva legal informada na DITR/2004, por estar averbada no registro imobiliário à época do fato gerador, além de ter o requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental - ADA. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN - Deverá ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o ITR/2004, por falta de documentação hábil para comprovar o valor pretendido e as características particulares desfavoráveis do imóvel, que o justificassem. Lançamento Procedente em Parte 3 Em sua peça recursal (fls. 209/219), a contribuinte suscita as mesmas questões declinadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, em relação à parte da decisão que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, • à fl. 05, a autoridade fiscal arbitrou o Valor da Terra Nua - VTN declarado de R$ 929.063,80 (R$ 86,31/ha) para o ITR12004, arbitrando-o em R$ 11.243.118,38 (R$ 1.044,55/ha), com suporte no VTN por aptidão agrícola proporcional às áreas declaradas no exercício de 2004, para os imóveis rurais localizados no município de João Pinheiro — MG, constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT - fl. 09), instituído nos termos do § 1° do art. 14 da Lei 9.393/1996, com base em valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais. Referida norma dispõe que a fiscalização procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terra, constantes de sistema a ser por ela instituído, observados os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1 0, inciso II da Lei n° 8.629, de 25/02/1993, e levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Desnecessário, portanto, qualquer fiscalização in loco da propriedade, para se constatar que o VTN indicado pela contribuinte encontra-se subavaliado, mesmo em relação ao menor VTN por aptidão agrícola, pretendido secundariamente pela contribuinte, que não pode ser adotado, sem que haja correspondência com as áreas utilizadas na atividade rural. Em suas alegações, a contribuinte refere-se ao laudo de avaliação anexado na fase inicial (fls. 48/51) e reapresentado na impugnação (fls. 114/115-frente e verso), com um VTN de R$ 929.063,80, equivalente a R$ 86,31/ha, idêntico ao declarado para o ITR12004, argumentando que o imóvel apresenta fertilidade natural e aproveitamento para cultivo baixos, devido à excessiva arenosidade do solo, características desfavoráveis que justificariam esse valor. Referido laudo foi apreciado pela P Turma de Julgamento da DRJ Brasília, que formou convicção de que não cabe ser ele aceito, por não atender às exigências da autoridade fiscal, não podendo ser classificado com Grau II de fundamentação e precisão, nos termos da NBR 14653 da ABNT e da intimação inicial. Com efeito, para formar a convicção sobre os valores indicados para o imóvel avaliado, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.653-3 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2004. Desta foinia, apareceriam todas as distorções na formação de preço, aventadas pela contribuinte em seu recurso, como a baixa fertilidade do solo, topografia, valor por hectare na alienação de grandes propriedades etc. - _ A discrepância entre o VTN declarado pela contribuinte e o levantado pela fiscalização, resulta, penso eu, do laudo técnico de avaliação ter apurado o VTN a partir dos 4 Processo n° 13609.720053/2007-28 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.502 Fl. 227 valores que incorporam a conta contábil do ativo da contribuinte, ou seja, refere-se ao custo de aquisição ou formação de cada terreno, conforme resposta à intimação (fl. 15) e indicação no laudo à fl. 50, quando deveria ter-se baseado no valor de mercado. À mingua de elementos de prova hábil e idôneo a demonstrar que as características particulares desfavoráveis do imóvel, em relação à média da região, torna inviável a aplicação do VTN arbitrado, concluo que a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. e'lÇ Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Se õe (-DF:, em 13 de maio de 2010. 4 ' José Raim ,I , do T sta Santos, ,\ -- 5
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000168/2001-88
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL
Anos calendário: 1992 a 1995
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, rios termos dos artigos 165 e 168, do Código Tributário Nacional.
No caso de tributos lançados por homologação, a extinção do crédito tributário dá-se na data do pagamento antecipado. Quando se trata de apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL, a contagem inicial do prazo se dá no primeiro dia do mês seguinte ao encerramento do período de apuração.
Numero da decisão: 1802-000.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto acatar a preliminar de prescrição em relação aos pagamentos efetuados até 31/12/1995, vencida a conselheira Cheryl Berno que não acatava tal prescrição. No mérito por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Cheryl Berno
1.0 = *:*
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materia_s : CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
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ementa_s : Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL Anos calendário: 1992 a 1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, rios termos dos artigos 165 e 168, do Código Tributário Nacional. No caso de tributos lançados por homologação, a extinção do crédito tributário dá-se na data do pagamento antecipado. Quando se trata de apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL, a contagem inicial do prazo se dá no primeiro dia do mês seguinte ao encerramento do período de apuração.
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ADRIANA GOo ÇeZD 4o MËS REG - Presidente RNO - Relatora —7 SI-TE02 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13962.000168/2001-88 Recurso n° 156.153 Voluntário Acórdão n° 1802-00.008 — 2" Turma Especial Sessão de 18 de março de 2009 Matéria CSLL Recorrente QUIMISA SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza-CE Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL Anos calendário: 1992 a 1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para pleitear a restituição de valor pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, rios termos dos artigos 165 e 168, do Código Tributário Nacional. No caso de tributos lançados por homologação, a extinção do crédito tributário dá-se na data do pagamento antecipado. Quando se trata de apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL, a contagem inicial do prazo se dá no primeiro dia do mês seguinte ao encerramento do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto acatar a preliminar de prescrição em relação aos pagamentos efetuados até 31/12/1995, vencida a conselheira Cheryl Berno que não acatava tal prescrição. No mérito por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Cheryl Berno, Éster Marques Lins de Sousa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado) e Adriana Gomes Rego. 2 Processo n° 13962.000168/2001-88 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.008 Fl. 2 Relatório 1.Trata-se de pedido de restituição cumulado com pedido de compensação do Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL„ no valor de R$ 234.315,56, referente aos anos-calendário de 1992 a 1998, com o tributo da mesma contribuição (código de recolhimento: 2484). 2. Ao apreciar o pedido, o órgão preparador (Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC), exarou em 23 de novembro de 2004 Despacho Decisório, indeferindo o pedido do contribuinte (fls. 313/319); 3. Inconformado com a referida decisão o contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade (fls. 349/360), alegando, em síntese, que: 3.1 — em 30 de julho de 2004, a Quimisa S/A Indústria e Comércio, CNPJ n° 82.984.881/0001-97, foi incorporada pela empresa Eloquímica Anilinas e Produtos Químicos Ltda, CNPJ n° 43.683.069/0001-70. Em função do citado evento, a empresa incorporadora alterou o seu tipo societário, de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para sociedade por ações, bem como assumiu a nova denominação social "Quimisa S/A", conforme cópia (Anexo I) dos respectivos instrumentos registrados na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina ; 3.2 — protocolou em 13/09/2001 junto à Agência da Receita Federal de Brusque/SC, pedido de restituição/compensação de crédito relativo a CSLI„ no valor de R$ 234.315,56 (Anexo II), sendo que a compensação pleiteada refere-se a pagamentos a maior ou indevidos efetuados no período de 30/10/1992 a 11/01/2000, valores estes que pretende compensar com a mesma CSLL devida por estimativa no período de 01/1995 a 11/1998; 3.3 — em 14/12/2004 foi cientificado do Despacho Decisório da DRF/Blumenau/SC (Anexo III), deferindo parcialmente o pleito sob o argumento de que os pagamentos efetuados em data anterior a 31/12/1995 já estariam alcançados pelos efeitos da prescrição; 3.4 — transcreve em demonstrativo adequado, os valores reconhecidos no Despacho Decisório autorizando-o a creditar-se dos pagamentos que discrimina (fls. 350), recebendo junto com o referido Despacho, Carta Cobrança e Darf, no valor de R$ 219.960,88 (Anexo III), referente à parcela indeferida do seu pedido, demonstrando e fundamentando, em seguida, que nenhum parcela do crédito deste contribuinte foi alcançada pelos efeitos da decadência, aliado ao fato de que o cálculo efetuado pela SRF deixa de considerar créditos relativos a pagamentos indevidos ou a maior efetuados após a data de 31/12/1995, sem qualquer explanação de motivos; 3.5 - aduz, relativamente à decadência, que, a CSLL é uma contribuição calculada pelo próprio contribuinte, o qual presta informação à autoridade administrativa, efetuando ele próprio sua notificação para o recolhimento, caracterizando-se a antecipação do recolhimento da contribuição sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim, o contribuinte fica no aguardo da conformação de seus atos pela autoridade administrativa, 3 podendo ocorrer a homologação expressa ou tácita, ocorrendo aquela quando a autoridade administrativa notifica o contribuinte da regularidade de seu "auto lançamento" 3.6 — no presente caso, aduz, não tendo ocorrido a homologação expressa e, sendo a CSLL uma contribuição sujeita ao lançamento por homologação, verificou-se a homologação expressa, nos termos do art. 150, § 40, do CTN, evidenciando-se nos tributos sujeitos à essa modalidade de lançamento, que a extinção definitiva do crédito tributário ocorrerá pela homologação do lançamento, fixada no prazo de 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador; 3.7 — o direito de pleitear a restituição de seu crédito, está albergado nos arts. 165, I e 168, I, ambos do CTN. Salienta, também, que a extinção do crédito tributário se dá, entre outras hipóteses, nos casos de pagamento e pagamento antecipado e a homologação do pagamento nos termos do disposto no art. 150, incisos I e VII, tendo este último como fundamentação jurídica o art. 150, §§ 1 0 e 4'; 3.8 - respeita o esforço da Delegacia da Receita Federal em tentar demonstrar que ocorreu a extinção do crédito tributário pelo "pagamento", ressaltando, porém, que, sendo a CSLL uma contribuição sujeita ao lançamento por homologação, não se verifica o "pagamento", mas sim o "pagamento antecipado". Portanto, à luz do art. 156, VII, do CTN, o crédito tributário será extinto pelo pagamento antecipado e, a homologação do pagamento, isto é, o pagamento antecipado, cumulado com a homologação; 3.9 — é de se reconhecer, portanto, o direito de o contribuinte reaver os valores recolhidos a maior ou indevidamente nos últimos dez anos, considerando-se nessa contagem, relativamente à decadência, 05 (cinco) anos, até a homologação tácita; mais 05 (cinco) anos a partir da referida homologação em relação à prescrição, sendo esse o entendimento proferido e reconhecido de forma pacífica nos julgados, tanto na esfera administrativa, quanto na judicial, conforme jurisprudência trazida à colação (fls. 353/354); 3.10 — tendo em vista que o pedido administrativo foi protocolado em 13/09/2001, tem o direito de ser restituído da CSLL paga a maior ou indevidamente, a partir do mês de setembro de 1991, devendo, assim, a Delegacia da Receita Federal, considerar em seu cálculo os pagamentos a maior ou indevidos, de acordo com o demonstrativo que insere na impugnação, os quais já foram comprovados, conforme cópias das guias e outros documentos apensos às páginas 22 a 46 e 59 do presente processo, ressaltando que os mesmos são juntados novamente aos autos, conforme Anexo IV (fls. 355); 3.11 — no item 3 da manifestação de inconformidade (Dos pagamentos a maior/indevidos efetuados a partir de 01/01/1996), argúi o Recorrente que embora no Despacho Decisório a r. Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC informasse que seriam considerados os pagamentos a maior/indevidos a partir de 01//01/1996, os pagamentos dessa natureza, conforme fls. 22 a 46 e 59 (Anexo V) não foram considerados em seu cálculo, aqui discriminados em demonstrativo próprio (fls. 356/357); 3.12 — no tocante aos pagamentos efetuados a maior/indevidos entre 1998 e 1999, a citada repartição fiscal não apresentou qualquer fundamentação que desse motivo a não inclusão de tais pagamentos em seus cálculos; 3.13 — discorda do motivo dado pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC para não incluir em seus cálculos os valor dos pagamentos a maior/indevidamente efetuados entre 1996 e 1997, esclarecendo, nesse sentido, que pleiteou a compensação da CSLL devida por estimativa, nos períodos de 1995, 1996, 1997 e 1998, com Processo n° 13962000168/2001 88 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.008 Fl. 3 recolhimentos efetuados a maior/indevidamente entre 10/1992 a 01/2000, entretanto, em momento algum, assinala, no processo administrativo n° 13962.000168/2001-88 pleiteou a compensação/restituição do "saldo negativo" da CSLL dos exercícios de 1996 e 1997; 3.14 - assim, com base no art. 74 da Lei n° 9.430/96, ingressou com requerimento dirigido à Secretaria da Receita Federal para efetuar a compensação de pagamentos a maior/indevidos com a CSLL devida por estimativa, mediante imputação de valores, conforme demonstrativos juntados às fls. 14/21 do mesmo processo administrativo acima indicado (Anexo VI). Ressalta, neste particular, que, a teor do art. 74 da Lei n° 9.430/96, é sua prerrogativa eleger o débito que irá compensar com seus pagamentos a maior ou indevidos; 3.15 — argúi ainda que, relativamente aos pagamentos efetuados a maior ou indevidamente entre 1996 e 1997, conforme demonstração do cálculo de imputação juntada às fls. 14/21 do processo fiscal n° 13962.000168/2001-88, c/c o Anexo VI, somente foram levados em consideração os pagamentos efetuados a maior/indevidamente ainda não compensados ou restituídos, significando dizer que os pagamentos da CSLL devida por estimativa em 1998 não foram utilizados para quitar a CSLL devida de 1997, procedimento esse que se verificou também com os pagamentos efetuados no ano-calendário de 1996; 3.16 — quanto aos saldos negativos da CSLL (item 4 da manifestação de inconformidade), alega que tendo o contribuinte comprovado que todos os seus créditos, oriundos de pagamentos a maior/indevidos são legítimos, deve o ente tributante reconhecer o recolhimento/compensação total da CSLL, devida por estimativa no período de 01/1995 a 11/1998, no valor (principal), de R$ 234.315,56 (Anexo VI, c/c às fls. 14/21 do processo administrativo n° 13962.000168/2001-88); 3.17 — considerando, assim, que a CSLL devida na apuração anual (conforme DIPJ's juntadas no Anexo VII), existe um "saldo devedor de declaração", que este contribuinte tem o direito de compensar futuramente nos termos do demonstrativo que insere no referido item da manifestação de inconformidade (fls. 358); 3.18 — em item próprio da manifestação de inconformidade (item 5 - Da Compensação), argúi que não resta dúvida que foram efetuados recolhimentos indevidos, devendo, assim, serem restituídos e/ou compensados com tributo ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, conforme aduz a legislação tributária pertinente, citando, neste particular, o art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), bem como o art. 66 da Lei n° 8.383/91, art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, e a Instrução Normativa — SRF n°210/2002; 3.19 — ante o exposto, requer, seja : a) reconhecido o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos a maior/indevidamente a título de CSLI„ conforme Anexo VI; b) homologado o pedido de compensação do valor da CSI,L, pago a maior nos termos do processo n° 13962.000168/2001-88, no valor de R$ 234.315,56, conforme Anexo III;11,,,Í) 5 c) reconhecido o "saldo devedor de declaração", referente a CSLL dos exercícios de 1995, no valor de R$ 11.585.34; de 1996, no valor de R$ 70.972,99; de 1997, no valor de R$ 39.327,87; e de 1998, no valor de R$ 204,17; d) reconhecido o direito à compensação dos valores discriminados no item 'c" supra, acrescidos de juros a base da Taxa Selic; e) reconhecido o direito à aplicação de juros Selic, a partir de 01/01/96, na forma expressamente prevista no art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95; e f) comunicado ao contribuinte do inteiro teor da decisão desta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. 4. A Delegacia de Julgamento de Fortaleza achou por bem manter a decisão que deu pela procedência parcial do direito, mantendo assim a decadência, bem como a impossibilidade de compensação por entender que tratam-se de valores relativos à estimativa e estes não podem ser objeto de compensação. A empresa apresentou recurso com os mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. 6 \)" ' rheryl B, Processo n° 13961000168/2001-88 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.008 Fl. 4 Voto Vencido Conselheira CHERYL, BERNO, Relatora Trata-se de pedido de restituição de CSL,L, no valor de R$ 234.315,56 ajuizado em 13.09.2001 acompanhado de pedido de compensação no mesmo valor. Os créditos seriam de 30.10.1992, o mais remoto a 11.01.2000, o mais atual. A compensação ocorreu de fevereiro de 1995 a dezembro de 1998. PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO Com relação ao prazo para promover a compensação do tributo pago a maior adota-se a tese do Superior Tribunal de Justiça à época do protocolo dos pedidos, ou seja, a tese dos "5 mais 5", ou seja, por se tratar de tributo sujeito à homologação conta-se 5 anos a partir da extinção do crédito e considera-se extinto, na falta da homologação expressa, na tácita que se deu 5 anos a contar do fato gerador. Trata-se da combinação do art. 150, § 40 com o art. 165 ambos do Código Tributário Nacional. Para evitar quaisquer discussões mister esclarecer que não se aplica ao caso a Lei Complementar 118/2005, uma vez que posterior ao protocolo do presente pedido, bem como entende-se que a mesma só se aplica para as compensações efetuadas na égide de sua vigência. Também é importante destacar que as compensações na época poderiam ser feitas sem prévia solicitação à Receita Federal e a mesma se deu dentro de 5 anos, tendo somente sido postergados os pedidos de restituição e compensação. se a prescrição. iç Portanto, considera-se a compensação efetuada nos termos acima, afastando:ir 7 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; no9 Processo n° 13962.000168/2001-88 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.008 Fl. 5 Voto Vencedor A análise do prazo prescricional circunscreve-se aos saldos negativos dos anos calendário de 1992 a 1995, tendo em vista que o despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC (fl.317), considerou passíveis de restituição os saldos negativos em relação aos anos calendário de 1996 a 1998. Portanto, o litígio decorre da decisão de primeira instância administrativa que manteve o indeferimento de direito creditório relativo aos supostos saldos negativos da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL dos ano calendário de 1992 a 1995, e por conseqüência a não homologação das compensações efetuadas pelo contribuinte. A decisão de primeira instância indeferiu o pedido da recorrente fundamentada nos artigos 150, § 1°, 156, VII, e 168, I, do Código Tributário Nacional, por entender que o direito de pedir a restituição/compensação dos saldos negativos da CSLL relativos aos anos calendário de 1992 a 1995, já havia sido alcançado pela decadência. Quanto ao prazo para postular a restituição/compensação de tributos, vem a Recorrente, defender a tese dos "5+5", por ser a CSLL tributo lançado por homologação. Indubitavelmente, o prazo para se pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido, inicia-se na data do pagamento, conforme disposição contida no art. 165, inciso I, combinada com o art. 168, caput, e inciso I, todos do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for à modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no sç 4' do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria. 10 — na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenató ria. A recorrente optou pela tributação dos resultados apurados nos aludidos anos calendário, com base no lucro real anual, o qual delimita a base de cálculo e a temporalidade do fato gerador do tributo para a data de 31 de dezembro do ano correspondente. No que se refere ao alegado recolhimento a maior de CSLL nos anos calendário de 1992 a 1995 (saldo negativo), não há falar em pagamento a maior antes da apuração do tributo devido. É preciso delimitar a partir de quando a pessoa jurídica adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação do indébito em decorrência de eventual excesso de antecipação de tributo no ano calendário. Para a efetiva aplicação da legislação tributária ao presente caso faz-se necessário uma explicitação dos atos normativos em sua temporalidade. A Lei n° 8.383, de 30 dezembro de 1991, introduziu regras que modificaram a legislação do imposto de renda, a partir de 01/01/1992, aplicável também à CSLL, especialmente quanto a periodicidade de apuração do tributo. Dentre as principais alterações introduzidas pelo novo diploma legal, destaca- se aquela relativa ao período de apuração dos tributos incidentes sobre os lucros das pessoas jurídicas, que passou a ser mensal, verbis: Art. 38. A partir do mês de janeiro de 1992, o imposto de renda das pessoas jurídicas será devido mensalmente, à medida em que os lucros forem auferidos. ,sç 1° Para efeito do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas deverão apurar, mensalmente, a base de cálculo do imposto e o imposto devido. ,sç 2° A base de cálculo do imposto será convertida em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do mês a que corresponder. § 3 0 O imposto devido será calculado mediante a aplicação da alíquota sobre a base de cálculo expressa em Ufir. ,s5' 4° Do imposto apurado na forma do parágrafo anterior a pessoa jurídica poderá diminuir: a) os incentivos fiscais de dedução do imposto devido, podendo o valor excedente ser compensado nos meses subseqüentes, observados os limites e prazos fixados na legislação específica; b) os incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração apurado mensalmente; c) o imposto de renda retido na fonte sobre receitas computadas na base de cálculo do imposto. sÇ 5° Os valores de que tratam as alíneas do parágrafo anterior serão convertidos em quantidade de U:fir diájla pelo valor desta no último dia do mês a que corresponderem.V Processo n° 13962.000168/2001 88 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.008 Fl. 6 „sç 6° O saldo do imposto devido em cada mês será pago até o último dia útil do mês subseqüente. § 7° O prejuízo apurado na demonstração do lucro real em um mês poderá ser compensado com o lucro real dos meses subseqüentes. sç 8° Para efeito de compensação, o prejuízo será corrigido monetariamente com base na variação acumulada da Ufir diária. ,sç 9° Os resultados apurados em cada mês serão corrigidos monetariamente (Lei n° 8.200, de 1991). Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: I - nos meses de janeiro a abril, o imposto estimado corresponderá, em cada mês, a um duodécimo do imposto e adicional apurados em balanço ou balancete anual levantado em 31 de dezembro do ano anterior ou, na inexistência deste, a um sexto do imposto e adicional apurados no balanço ou balancete semestral levantado em 30 de junho do ano anterior; II - nos meses de maio a agosto, o imposto estimado corresponderá, em cada mês, a um duodécimo do imposto e adicional apurados no balanço anual de 31 de dezembro do ano anterior; III - nos meses de setembro a dezembro, o imposto estimado corresponderá, em cada mês, a um sexto do imposto e adicional apurados em balanço ou balancete semestral levantado em 30 de junho do ano em curso. § 1° A opção será efetuada na data do pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro e só poderá ser alterada em relação ao imposto referente aos meses do ano subseqüente. § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso. § 3° O imposto apurado nos balanços ou balancetes será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do mês a que se referir. § 4° O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos computados na determinação do lucro real poderá ser deduzido do imposto estimado de cada mês. ,sç 5° A diferença entre o imposto devido, apurado na declaração de ajuste anua (art. 43), e a importância paga nos termos deste1, artigo será: / , ... — 11 12 a) paga em quota única, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, se positiva; b) compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, se negativa, assegurada a alternativa de requerer a restituição do montante pago indevidamente . (Grifei) Como se vê, o regime de apuração instituído pela Lei n° 8.383/91 prevê, para as empresas optantes pela tributação com base no lucro real, que o IRPJ e a CSLL são devidos mensalmente e deve ser pago segundo uma das seguintes modalidades: com base no lucro real apurado mensalmente;ou estimado em cada mês. A opção pelo pagamento dos referidos tributos efetivamente devido, mês a mês, dispensa qualquer espécie de ajuste no final do ano calendário. Por conseguinte, a declaração de rendimentos (DIRPJ/93) tem caráter apenas informativo. No caso do pagamento por estimativa a empresa fica obrigada a confrontar os recolhimentos efetuados por estimativa com o efetuado em Declaração de Ajuste, a ser apresentada no início do ano seguinte (no caso 1993), podendo dela resultar diferença positiva a ser recolhida no prazo legal ou diferença negativa compensável a partir do mês subseqüente ao da entrega da declaração. De acordo com a Lei n° 8.541, de 23/12/1992, publicada em 24 de dezembro de 1992, a partir de janeiro de 1993, o período base de incidência do Imposto de Renda da pessoa jurídica com base no lucro real, permaneceu mensal, porém com a possibilidade da pessoa jurídica optar pelo recolhimento mensal do imposto por estimativa devendo apurar o resultado tributável em 31 de dezembro de cada ano ou na data de encerramento de suas atividades a teor do art.25 do mencionado ato legislativo. Dispunha a Lei n° 8.541/92: "Art. 23. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento do imposto mensal calculado por estimativa. § I" A opção será formalizada mediante o pagamento espontâneo do imposto relativo ao mês de janeiro ou do mês de início de atividade. § 4' O imposto recolhido por estimativa, exercida a opção prevista no § 3", deste artigo, será deduzido do apurado com base no lucro real dos meses correspondentes e os eventuais excessos serão compensados, corrigidos monetariamente, nos meses subseqüentes. § 5' Se do cálculo previsto no § 4' deste artigo, resultar saldo de imposto a pagar, este será recolhido, corrigido monetariamente, na forma da legislação aplicável. Art. 28. As pessoas jurídicas que optarem pelo disposto no art.23. , desta Lei, deverão apurar o imposto na declaração Processo n° 13962.000168/2001-88 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.008 Fl, 7 anual do lucro real, e a diferença verificada entre o imposto devido na declaração e o imposto pago referente aos meses do período-base anual será: I - paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual quando positiva; II - compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entre . a da declara ão anual se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior corrigido monetariamente. (grifamos) Destarte, no caso de pessoa jurídica que apura o resultado em período anual, o recolhimento de IRPJ sob a fonna de antecipação ( parcelas de estimativa ou IRRF) são adiantamentos que só com o fato gerador ocorrido em 31 de dezembro poderão se transformar em pagamento a maior. Como se vê, o supracitado dispositivo legal delimitou que só a partir do mês subseqüente ao fixado para a entrega da declaração, é que a pessoa jurídica poderá pleitear a restituição/compensação da diferença do imposto considerada, a maior. A Lei n° 9.430/96, também permite compensar o saldo do imposto de renda, apurado no encerramento do período anual de 31 de dezembro, com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano seguinte, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior, verbis: Art.6" .0 imposto devido, apurado na forma do art.r, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele que se referir. ,sç 1°- O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I - pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente se positivo(..); II - compensado, com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. (Destaquei) A Instrução Normativa SRF n° 127, de 30.10.98, instituiu a Declaração Integrada de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ e tornou extinta a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica, a partir do Exercício de 1999. No sentido de esclarecer aos contribuintes, foi expedido o Ato Declaratório SRF N° 3, de 07/01/2000, orientando que os saldos negativos do IRPJ e da CSL,L das pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro real, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial Selic, observando o disposto no § 40 , art.39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim redigido: Art.39. . 13 4° - A partir de 1 0 de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SEL1C para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Da questão apontada conclui-se, diante dos fundamentos jurídicos alinhados, que a pessoa jurídica, após 31 de dezembro, momento do fato gerador adquire o direito de pleitear a restituição ou compensação do IRPJ e da CSLL, do pagamento a maior apurado decorrente do ajuste anual. Registre-se que, segundo o disposto no artigo 44, caput, da mencionada Lei n° 8.383/91, e artigo 38 , caput, da Lei n° 8.541/92, aplicam-se à CSLL as mesmas normas estabelecidas para o IRPJ. Quanto a tese aventada pela Recorrente em relação ao prazo decadencial, que entendo como prescricional, não obstante a jurisprudência do STJ trazida aos autos, e, ainda, considerando o aspecto não vinculante desta, partilho do entendimento de que o alcance da nouna consagrada pelo art. 168, inciso I, do CTN, que por sua vez dispõe sobre a contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição de valores pagos a maior ou indevidamente, nas hipóteses do art. 165, inciso I, do CTN, somente pode ser entendido se contarmos 5 (cinco) anos da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data em que se considerou o pagamento indevido ou maior. Segue-se do arrazoado que não é da homologação do pagamento, expresso ou tácito, que flui o prazo prescricional de cinco anos, senão do pagamento a maior, que no caso da apuração anual, a lei considera ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro, podendo ser requerida a restituição ou procedida a compensação, a partir de janeiro dei 993 para os saldos apurados em 31/12/1992, janeiro de 1994 para os saldos apurados em 31/12/1993, janeiro de 1995 para os saldos apurados em 31/12/1994 e janeiro de 1996 para os saldos apurados em 31/12/1995 . Não pode o contribuinte a seu talante ter a seu favor a tese dos 10 anos para alargar o prazo prescricional que se expirou para os fins de pedir a restituição/compensação em razão de sua inércia. O direito de postular a restituição do saldo negativo do IRPJ e da CSLL somente exsurge após o encerramento do ano calendário. Assim, o direito de postular a restituição dos saldos negativos da CSLL referente aos anos calendário de 1992 a 1995, considerando o mais recente, o ano calendário de 1995, teve seu termo inicial no dia 01/01/1996, e o termo final no dia 01/01/2001. Formulado o pedido de compensação somente em 13/09/2001, mediante a apresentação do Pedido de Restituição/Compensação, caracterizada está a prescrição, no que se aplica o disposto no artigo 168 do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de considerar prescrito o prazo para pleitear a restituição/compensação em relação aos saldos negativos da CSLL dos anos, calendários de 1992 a 1995. 14
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Numero do processo: 11070.722318/2011-07
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO
O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. A utilização de sociedade veículo, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da
artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO
É cabível a qualificação da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de reduzir ou evitar o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica.
JUROS DE MORA. SELIC
É defeso ao servidor público afastar a aplicação de lei regularmente editada. Os juros de mora incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, calculados com base na Taxa Selic,
decorrem de lei, portanto, de aplicação obrigatória.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE
É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva , a qual integra o crédito tributário
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006
DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA
O prazo decadencial vincula-se direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera, aplicando-se a regra prevista no art. 173, I, do mesmo Código, que define como termo de início da contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
ANO-CALENDÁRIO: 2005, 2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO PARA A REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE
O MPF é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A extrapolação do prazo para a realização do procedimento fiscal diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o
procedimento, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1402-002.968
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Conselheiro relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado para
elaborar o voto vencedor, o Conselheiro Evandro Correa Dias.
Nome do relator: Demetrius Nichele Macei
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. A utilização de sociedade veículo, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO É cabível a qualificação da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de reduzir ou evitar o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica. JUROS DE MORA. SELIC É defeso ao servidor público afastar a aplicação de lei regularmente editada. Os juros de mora incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, calculados com base na Taxa Selic, decorrem de lei, portanto, de aplicação obrigatória. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva , a qual integra o crédito tributário ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vincula-se direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera, aplicando-se a regra prevista no art. 173, I, do mesmo Código, que define como termo de início da contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANO-CALENDÁRIO: 2005, 2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO PARA A REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE O MPF é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A extrapolação do prazo para a realização do procedimento fiscal diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972.
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AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. A utilização de sociedade veículo, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO É cabível a qualificação da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de reduzir ou evitar o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica. JUROS DE MORA. SELIC É defeso ao servidor público afastar a aplicação de lei regularmente editada. Os juros de mora incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, calculados com base na Taxa Selic, decorrem de lei, portanto, de aplicação obrigatória. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva , a qual integra o crédito tributário ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 23 18 /2 01 1- 07 Fl. 3766DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.767 2 O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera, aplicandose a regra prevista no art. 173, I, do mesmo Código, que define como termo de início da contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2005, 2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO PARA A REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE O MPF é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A extrapolação do prazo para a realização do procedimento fiscal diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Conselheiro relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Designado para elaborar o voto vencedor, o Conselheiro Evandro Correa Dias (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Fl. 3767DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.768 3 Mateus Ciccone (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 3768DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.769 4 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 10 38.158, proferido em 26 de abril de 2012, pela 1ª Turma da DRJ/POA, devido a sua completude, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 2941/2950) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 2951/2959), exigindo um total de crédito tributário de R$ 8.386.813,30 e reduzindo o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados no anocalendário de 2006. A autuação devese a dedução de ágio incorrido em processo de reestruturação societária que envolveu os grupos Schneider Logemann & Cia Ltda. e John Deere (Deere & Company), controladores de SLC S.A. Indústria e Comércio (antiga denominação do autuado), procedida na forma e na linha de tempo apontada no Termo de Constatação Fiscal (fls. 2848/2940), a seguir sintetizada: Em 1979 a John Deere se associa ao grupo Schneider Logemann & Cia Ltda, adquirindo 20% do capital social da SLC S.A. Indústria e Comércio. Em 1996 foi efetuada uma reorganização societária, oportunidade em que a Deere & Company constituiu a Holding John Deere Brasil Participações Ltda., quando passou a deter 40% do capital da SLC S.A. Indústria e Comércio. Em 10/07/1998 foi constituída a sociedade Aços Planos do Sul S.A. com capital social de R$ 100,00. Em 31/08/1998 foi alterada a denominação social para Evaux Participações S.A. Em 25/06/1999 foi aprovado aumento de capital da Evaux de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00, mediante a emissão de 621.321.825 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal, pelo preço de sua emissão total de R$ 149.117.238,00. As ações foram subscritas por Schneider Logemann e Cia Ltda. e integralizadas mediante a conferência à sociedade de 62.102.108 ações ordinárias de emissão da SLC S.A. Indústria e Comércio (nessa época já denominada SLC – John Deere S.A.), oportunidade em que os sócios originais deram lugar aos sócios da Schneider Logemann & Cia Ltda. Nessa data a Evaux Participações passou a deter 60% do capital social da SLC – John Deere S.A. e a John Deere Brasil Participações Ltda. os 40% restantes. Em 15/06/1999 a Deere& Company já havia constituido nova holding no Brasil, denominada John Deere do Brasil Ltda., com capital social de R$ 100,00. Em 28/06/1999 o capital social da John Deere do Brasil Ltda. foi aumentado para R$ 154.558.300,00, integralizado totalmente por meio do Contrato de Câmbio nº 99/003706, correspondente á US$ 86.500.000,00, recursos que efetivamente ingressaram no País. Fl. 3769DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.770 5 Além do aumento de capital, a Deere & Company capitalizou a John Deere do Brasil Ltda. em mais R$ 155.451.600,00, por meio de operações de empréstimos. Em 30/06/1999 a Evaux procedeu ao aumento de capital social para R$ 221.892.584,00, mediante emissão de 303.230.193 novas ações ordinárias nominativas sem valor nominal pelo preço de emissão total de R$ 305.542.800,00, sendo que, do preço de emissão, o valor de R$ 72.775.246,00 foi destinado ao capital social e o valor de R$ 232.767.654,00 foi destinado à reserva de ágio para futura capitalização. As ações emitidas foram subscritas e integralizadas em moeda corrente nacional por John Deere do Brasil Ltda. A John Deere do Brasil Ltda. contabilizou como ágio o valor de R$ 156.425.562,00, correspondente à diferença entre o valor integralizado (R$ 305.542.800,00) e o capital da Evaux (R$ 149.117.338,00), fundamentado na expectativa de resultados futuros da sociedade SLC – John Deere S.A. (atual John Deere Brasil Ltda – o autuado), conforme Laudo de avaliação (fls. 2816). Observase que a integralização das ações em aumento de capital, efetuada pela John Deere do Brasil Ltda., observou o mesmo valor patrimonial praticado para as ações integralizadas anteriormente pela Schneider Logemann no capital da Evaux, sendo que o excedente foi contabilizado como ágio. A fiscalização afirma que, preservada a essência econômica dos fatos, o ágio foi suportado pela Deere & Company, sediada no exterior, pois foi dela a origem dos recursos utilizados pela John Deere do Brasil Ltda. para aportar capital na Evaux. Afirma, também, que a Schneider Logemann, embora alienando as ações remanescentes para o controle da totalidade do capital social e do negócio da SLC – John Deere S.A., na negociação a natureza do ágio alegada foi a de rentabilidade futura, ignorando qualquer parcela derivada do fundo de comércio da SLC John Deere S.A. Em 30/06/1999 também foi firmado o Contrato de Sessão e Transferência de Marca (fls. 762/771), no qual a Schneider Logemann cede gratuitamente a marca mista “SLC” à SLC – John Deere S.A., o que também é indicativo de que o ágio foi deliberada e oportunamente direcionado para o fundamento da rentabilidade de exercícios futuros para usufruir o expediente legal da amortização pela sociedade incorporadora antes mesmo da realização do próprio investimento que lhe deu causa, conforme arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Em 01/07/1999, por meio de Assembléia Geral Extraordinária – AGE da Evaux Participações Ltda., foi aprovado o protocolo de cisão parcial e justificação, firmado em 30/06/1999, mediante a versão de parcela de seu patrimônio à John Deere do Brasil, depois de avaliação do patrimônio a ser vertido e a elaboração do competente laudo a cargo da Ernst Young Auditores Independentes S/C. A referida cisão foi processada mediante a versão à John Deere do Brasil Ltda. da parcela do patrimônio representada pelas 62.102.108 ações ordinárias nominativas sem valor comercial de emissão da SLC – John Deere S.A. A versão foi realizada sem qualquer alteração do capital social, substituindo a John Deere do Brasil Ltda. em seus registros contábeis a participação detida na Evaux pela parcela de patrimônio vertida em razão da cisão (SLC John Deere S. A.) Foi deliberada a alteração proporcional das contas do patrimônio líquido da Evaux, no montante de R$ 149.117.238,00, correspondente à parcela do patrimônio cindido, com a conseqüente redução do capital social em R$ 72.775.271,00. Dessa forma o capital Fl. 3770DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.771 6 social da Evaux passou de R$ 221.892.584,00 para R$ 149.117.313,00, mediante a extinção de 303.230.193 ações ordinárias nominativas, todas de propriedade da John Deere do Brasil Ltda. Em 31/07/1999 a SLC – John Deere S.A. (atual John Deere do Brasil Ltda – a autuada) incorporou a John Deere do Brasil Ltda., mediante a versão do patrimônio líquido da sociedade incorporada. A Evaux Participações S. A. não foi extinta. O autuante afirma que aqui ficou caracterizada a operação usualmente denominada “casa separa”, em que as sociedades envolvidas em um liame negocial de natureza societária, visando obter exclusivamente vantagem tributária, utilizam sociedade interposta para servir de veículo de transferência da participação societária e do preço pago pela aquisição/transferência. Por um lado evitase a tributação do ganho de capital e por outro permite a dedução do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O autuante destaca que a John Deere do Brasil Ltda. não realizou outras operações que não tenham se relacionado ao processo de: 1) recebimento dos recursos aportados por Deere & Company (capital social e empréstimo); 2) repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux Participações S.A.; 3) incorporação, decorrente da cisão da Evaux, da participação na SLC – John Deere S.A.; 4) sucessiva incorporação reversa pela sociedade investida. Em decorrência da incorporação realizada, a SLC – John Deere S.A. (John Deere Brasil Ltda.) passou a escriturar em seu balanço patrimonial o ágio apurado pela incorporada, no montante de R$ 156.425.562,00, e o empréstimo contraído junto à Deere & Company, no montante de R$ 155.451.600,00, além dos reflexos dessas operações. O autuante aponta que a Lei Societária exige que as operações de incorporação, fusão e cisão sejam submetidas à deliberação da assembléia geral das companhias interessadas mediante justificação, na qual devem ser expostos, dentre outros aspectos, os motivos ou fins da operação e o interesse da companhia na sua realização. Para cumprir as formalidades legais, as sociedades lançaram mão de atos societários realizados pelos cotistas/acionistas das duas entidades, com agentes coincidentes e num intervalo de 4 horas. A seqüência temporal, a quase instantaneidade dos atos societários e a coincidência de agentes se constituem em mais um indicativo de se tratar de operação circunstancial, previamente arquitetada, envolvendo sociedade efêmeras ou, pelo menos, circunstancialmente utilizadas para obter vantagem fiscal. O próprio Contrato de Subscrição de Ações, firmado em 30/06/1999, já dispunha expressamente sobre a forma mediante a qual se realizaria tal operação, desde o aporte original de recursos provenientes do exterior, passando pela constituição da sociedade Evaux Participações S.A, que inclusive foi interveniente no próprio contrato, até cisão parcial da mesma. Isso também demonstra que o negócio foi premeditado com um objetivo simples e único de transferir a participação societária que a Schneider Logemann & Cia Ltda. detinha na SLC – John Deere S.A. (60% do capital social), mediante o pagamento, em contrapartida, do preço em moeda nacional por aquela sociedade no exterior. Afirma o autuante que não há interesse econômico, além da economia fiscal, para a criação da “empresa veículo” John Deere do Brasil Ltda, que foi utilizada apenas como artifício para a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da SLC – John Fl. 3771DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.772 7 Deere S.A., por esta mesma empresa, tanto é assim que logo aquela é incorporada por esta sem nem ao mesmo ter entrado em atividade (entrega da DIPJ Inativa). Não há a presença de um dos elementos essenciais intrínsecos ao negócio jurídico: a vontade, ânimo, das partes em exercer a atividade econômica por meio da John Deere do Brasil Ltda. Há um claro divórcio entre a vontade real e a vontade ostensiva. O ágio registrado pelo autuado foi amortizado nos anoscalendário posteriores à incorporação, sendo que até o anocalendário de 2004 o total amortizado foi de R$ 101.676.615,29, no anocalendário de 2005 foi amortizado o valor de R$ 31.285.112,40 (fls. 1772) e no anocalendário de 2006 foi amortizado o saldo de R$ 23.463.834,31 (fls. 1714). Os fundamentos legais da amortização foram os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (art. 426 do RIR/99). O autuante afirma, também, que as circunstâncias referidas ao longo do relatório fiscal levaram a fiscalização a formar a convicção que as condutas praticadas na realização dos negócios societários de 1999 se subsumem às hipóteses previstas no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, por isso a aplicação da multa de 150%, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Todas as operações societárias foram realizadas em seqüência e todo o instrumental societário e empresarial criado indicam a predeterminação dos agentes, a vontade deliberada de praticar os atos (conhecendo as exatas conseqüências), o que caracteriza a conduta dolosa, realizada com o intuito de reduzir ou suprimir o pagamento de tributo. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 2970 a 3035, alegando, preliminarmente, a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, pois a fiscalização estendeu os trabalhos fiscais para além do previsto no MPF original sem a lavratura de um novo documento complementar, conforme determina o art. 10 da Portaria MF nº 3.007, de 2001. Alega ter ocorrido a decadência de toda a exigência fiscal, tendo em vista que os fatos ocorreram no anocalendário de 1999. Não sendo esse o entendimento, pelo menos se deve reconhecer a decadência em relação ao anocalendário de 2005, uma vez que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, nesse caso, a regra aplicável é aquela do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. No mérito, ao referir que a fiscalização fez citação do ilustre Professor Marco Aurélio Greco, o qual leciona que, diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo; que, ao invés de se analisar cada fotografia (etapa), devese analisar o filme (conjunto delas), afirma ser esse justamente o seu pedido inicial: que este caso seja visto como um filme, e não como uma fotografia. Que aqui seja analisada a verdadeira substância dos atos por ele praticados, e não somente a sua forma estritamente considerada, pois, embora não exista previsão legal expressa nesse sentido, o entendimento da doutrina e jurisprudência dominantes têm sido no sentido de que o exame da validade das operações do contribuinte deve passar pelo exame das razões empresariais e extratributárias que tenham motivado essas suas operações. Alega que o ágio foi gerado de acordo com a correta e racional aplicação das regras contábeis e fiscais em vigor, nos exatos termos do art. 385 do RIR/99, e que a amortização também se deu de acordo com o art. 386 desse Regulamento. Alega que todas as operações foram estruturadas no contexto de expansão das atividades da Deere & Company no País e de busca de uma maior independência dessa atuação em relação ao grupo Schneider Logemann. Motivada por essas razões corporativas e Fl. 3772DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.773 8 extratributárias, a Deere & Company pretendeu aumentar a sua participação no autuado, sendo que, para isso, um preço foi efetivamente pago por uma de suas holdings, tendo por base o valor justo de mercado do autuado, que foi devidamente confirmado em laudo de avaliação preparado por empresa especializada e independente. Alega que, ao contrário do que afirma o autuante, a John Deere do Brasil e a Evaux foram constituídas como holdings puras, de acordo com a legislação, que admite a possibilidade da existência de uma sociedade cujo objeto social seja a mera detenção de outra sociedade, daí que não se pode esperar que a sociedade tenha empregados, receitas ou ativos além de unicamente participações societárias. Alega que recentemente o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em julgado prolatado no Acórdão nº 1301000.711 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, decidido por unanimidade, entendeu que a utilização de sociedades veículo não tem o condão de invalidar, por si só, as transações das quais decorra o aproveitamento fiscal do ágio, desde que essa situação não resulte em montante de ágio superior àquele a que o contribuinte já teria direito. No mesmo sentido a decisão objeto do acórdão nº 140200.802 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento. Alega que as alterações societárias não foram efetuadas em face de um planejamento tributário, mas, como denomina a doutrina, uma “opção fiscal”, situação em que o contribuinte não se aproveita de nenhuma lacuna da lei ou da construção de diversos dispositivos para se contornar uma regra proibitiva. Pelo contrário, diante de uma regra permissiva expressa, e sem jamais alterar a essência econômica de seus atos, o contribuinte opta por um caminho plenamente regulado para estruturar suas operações conforme lhe pareça mais conveniente, não só do ponto de vista negocial e empresarial, mas também eventualmente fiscal. Alega que, mesmo que não existisse o propósito negocial nas operações, não poderia a autuação fiscal desconstituir uma operação realizada em absoluta conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das suas motivações econômicas, pois o parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (acrescentado pela LC nº 104, de 2001) não é autoaplicável, dependendo de regulamentação por lei ordinária, o que não ocorreu até o momento. Alega que é descabida a aplicação da multa qualificada, na medida que não houve fraude, simulação ou dolo. Os elementos de prova apresentados pela fiscalização não permitem sequer que se cogite uma suspeita minimamente racional de fraude ou de qualquer tipo de conduta dolosa de sua parte, sendo então lógico que não se pode falar em “evidente intuito de fraude”. Devese considerar, também, que as operações consideradas pela fiscalização como não oponíveis à Administração Tributária eram largamente reconhecidas como válidas pela jurisprudência administrativa, de forma que não se pode arguir fraude ou dolo; quando muito se poderia falar em erro de proibição, pois, se é que havia qualquer ilicitude nas operações examinadas, não era do seu conhecimento essa suposta ilicitude do negócio. É nesse sentido que tem decidido a jurisprudência administrativa. Alega que, à luz do art. 142 do Código Tributário Nacional, na aplicação da multa de ofício devem ser ponderadas as situações objetivas e subjetivas da conduta praticada pelo contribuinte, de modo que possa ser feito um verdadeiro juízo de pertinência e adequação da aplicação da penalidade, se for o caso. Fl. 3773DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.774 9 Alega ser incabível a exigência de juros de mora calculados sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal. Alega que, embora sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão do que vem sendo reconhecido pela jurisprudência existe a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, pelo que contesta a sua aplicação e requer a sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. Por fim, requer o acolhimento de sua impugnação." Passo, agora, a complementar o relatório acima transcrito. A impugnação da Recorrente foi julgada improcedente para manter os lançamentos na sua integralidade. Tal decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 IRPJ/CSLL DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente ao fato gerador objeto do lançamento tributário. O direito de o fisco constituir o crédito tributário implica no direito de examinar a legalidade de todos os elementos que compõem a base de cálculo do período, independentemente do tempo transcorrido entre a formação desses elementos e o seu aproveitamento. IRPJ/CSLL DECADÊNCIA DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera, aplicandose a regra prevista no art. 173, I, do mesmo Código, que define como termo de início da contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO PARA A REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE O MPF é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A extrapolação do prazo para a realização do procedimento fiscal diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972. IRPJ/CSLL GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. A utilização de sociedade veículo, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da Fl. 3774DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.775 10 artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. IRPJ/CSLL MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de reduzir ou evitar o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica. IRPJ/CSLL JUROS DE MORA. SELIC É defeso ao servidor público afastar a aplicação de lei regularmente editada. Os juros de mora incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, calculados com base na Taxa Selic, decorrem de lei, portanto, de aplicação obrigatória. IRPJ/CSLL JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO PELA DRJ Os juros de mora incidiram unicamente sobre os tributos lançados e não tendo o auto de infração formulado exigência de juros sobre a multa de ofício lançada, inexiste a respeito qualquer contraditório suscetível de apreciação pela Turma de Julgamento da DRJ." Inconformada com a improcedência total de seus pedidos, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (efls. 34063460) a esta Colenda Turma, onde reproduziu as suas alegações de impugnação, requerendo a) a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecida, em preliminar, a nulidade do Auto de Infração, por conta do desrespeito ao artigo 10 da Portaria nº 3007/01, e; b) no mérito, seja dado provimento ao seu pedido, para cancelar integralmente o Auto de Infração, juntamente com as penalidade e juros aplicados, com o consequente arquivamento do processo administrativo. Ato contínuo, em análise pelo Carf, verificouse que não foram acostados aos autos informes de rendimentos indicando retenções de IRRF e de CSLLfonte sofridas pela recorrente, tampouco comprovantes de pagamentos de estimativas mensais de tais tributos. E que as informações inseridas na DIPJ não são suficientes para demonstrar que houve efetiva antecipação de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2005, o que atrairia a aplicação do art. 150, par 4º do CTN. Diante deste forte indício de existência de pagamento parcial, o voto foi pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: "a) informe se a contribuinte realizou recolhimentos de IRPJ e CSLL (devidos por estimativa mensal ou no ajuste anual) e, ou, sofreu retenções de IRRF e CSLLfonte no anocalendário de 2005; b) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às informações constantes do respectivo relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e Fl. 3775DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.776 11 c) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Concluiu o Relatório de Diligência Fiscal (efls. 3671 a 3672) o que segue: "Conforme podemos constatar nos extratos das DCTF,s anexados às fls. 3658/3664 e 3669/3670, a empresa declarou débitos de IRPJ e CSLL estimativa, para o exercício 2006, anocalendário 2005 nos meses de janeiro, fevereiro e abril, tendo recolhido através de DARF apenas parte do débitos de IRPJ estimativa declarado para fevereiro/2005 no valor de R$ 369.457,60, o saldo remanescente e os demais débitos dos períodos declarados em DCTF, foram liquidados através de compensação mediante PER/DCOMP. O comprovante de pagamento(DARF) foi anexado a fl. 3665. No demonstrativo anexado a fl. 3666, consta que empresa sofreu retenções de IRRF e CSLLfonte no anocalendário 2005. O referido demonstrativo foi extraído das informações constante das DIRFterceiros tendo a empresa como beneficiário, realizado através do aplicativo contábil. Encaminhese o presente processo a ARF em Santa Rosa, para que seja cientificada a contribuinte sobre o resultado da presente diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às informações constantes do presente relatório, no prazo de 30(trinta), findo o prazo, com ou sem manifestação, o presente processo deverá retornar ao CARF, para prosseguimento do julgamento." Por sua vez, a fiscalizada apresentou manifestação ao Relatório de Diligência FIscal (efls. 36783682) alegando que: "10. No presente caso, o Resultado da Diligência não deixa qualquer dúvida: houve recolhimento de IRPJ, CSL, IRF e CSLfonte por parte da Recorrente no anocalendário de 2005. Sendo assim, na medida em que a turma de julgamento já reconheceu que não houve caracterização de fraude no caso em análise, e que o reconhecimento da decadência dos créditos tributários referentes ao anocalendário de 2005 estava condicionado à verificação devidamente apontada pela Diligência, temse que, no mínimo, a decadência do período de 2005 deve ser finalmente reconhecida pelo E. CARF. 11. Em conclusão, independe da discussão de mérito, no mínimo deve ser imediatamente reconhecida a decadência dos créditos tributários em relação ao anocalendário de 2005, aplicandose ao presente processo administrativo o artigo 150, parágrafo 4º do CTN." É o relatório. Fl. 3776DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.777 12 Voto Vencido Conselheiro Demetrius Nichele Macei, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, a questão principal neste processo é a dedutibilidade ou não de ágio pago na aquisição de participação societária, devidamente contabilizado na investidora que, no último ato societário realizado, foi incorporada pela Recorrente (investida), possibilitando que esta pudesse, à luz do art. 386, III, do RIR/99, amortizar o ágio e utilizálo como despesa dedutível na apuração do lucro líquido, base de cálculo do IRPJ e CSLL. Antes de adentrar à análise do recurso voluntário, importante destacar que às p. 3628 a 3654, o i. Conselheiro Marcos Takata, Relator sorteado originalmente para o julgamento do recurso voluntário do contribuinte, externou seu voto, afastando preliminar de nulidade levantada pela Recorrente quanto à regularidade do MPF e, no mérito, deu provimento ao recurso voluntário, entendendo estar presentes os pressupostos legais autorizadores da dedutibilidade do ágio no caso concreto, em arrazoado consistente e detalhado. Tendo em vista o posicionamento favorável do i. Relator quanto ao mérito, o que afastou a análise da prejudicial de mérito arguida pela Recorrente – decadência tributária nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN em relação ao fato gerador do IRPJ e CSLL constituídos, ocorrido em 31.12.2005, o i. Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos abriu divergência, votando pela conversão do julgamento em diligência, de tal forma a confirmar se o contribuinte teria, ou não, feito recolhimentos de IRPJ e CSLL durante o anocalendário de 2005, de tal forma a caracterizar o pagamento antecipado, fato necessário para a verificação da homologação tácita ao final do exercício e fixação do termo a quo para a contagem do prazo decadencial no caso concreto, à vista do posicionamento do E. STJ exarado no Recurso Especial nº 973.733, julgado sob os efeitos dos recursos repetitivos, representativo de controvérsia, segundo o qual o prazo decadencial, em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, será regido pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e pelo art. 173, I, do CTN, quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou, ainda, quando mesmo havendo a declaração ou antecipação, for constatada a prática de dolo, fraude ou simulação. Assim, baixado o feito em diligência, observase no termo de diligência de p. 3671/3672 que a fiscalização constatou a declaração, por parte do contribuinte, de débitos de IRPJ e CSLL por estimativa para o anocalendário 2005 nos meses de janeiro, fevereiro e abril, tendo recolhido com DARF parte dos débitos de IRPJ estimativa declarado para fevereiro e o saldo deste e os demais débitos dos períodos declarados em DCTF foram liquidados através de compensação mediante PER/DCOMP. Constatou, ainda, que o contribuinte sofreu retenções de IRRF e CSLL na fonte no referido anocalendário. Com a volta dos autos para julgamento por esta Turma, acolho, inicialmente, as razões adotadas pelo i. Conselheiro Marcos Takata para afastar a preliminar de nulidade Fl. 3777DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.778 13 levantada pela Recorrente quanto à regularidade do MPF que justificou a fiscalização realizada. Da preliminar de nulidade Em suma, a Recorrente alegou que o MPF 10108002008005483 foi emitido para análise dos efeitos tributários das ações ordinárias relativas à utilização dos expurgos inflacionários do Plano Verão e Plano Collor na correção monetária das demonstrações contábeis da empresa. Que a extensão para a análise que culminou com a glosa de despesas com amortização de ágio deveria ter sido expedido um MPF Complementar. O i. Conselheiro Marcos Takata, acessando o site da RFB e consultando o MPF em questão, concluiu que o mesmo foi emitido para fiscalização de IRPJ do período de janeiro a dezembro de 2007 e de IPI de outubro de 2003 a dezembro de 2005. Que o MPF sofreu diversas alterações e, numa delas, a inclusão do período de janeiro a dezembro de 2005 e 2006 para fins de fiscalização do IRPJ e CSLL. Que ocorreram inúmeras prorrogações, todas dentro do prazo previsto no art. 12 da Portaria RFB 11.371/07 e da Portaria RFB 3.014/11, para concluir que o MPF em questão se destinou à fiscalização de IRPJ e CSLL para os períodos autuados de 2005 e 2006. Concordando e corroborando com essas constatações, rejeito a preliminar de nulidade. Passase, então, para a análise da prejudicial de mérito. Da prejudicial de mérito decadência A intimação da lavratura dos autos de infração de IRPJ e CSLL, no caso concreto, deuse em 23.12.2011 (p. 2941 e 2951). Como o ágio em dissídio foi pago na aquisição de participação societária ocorrida em 1999, alega a Recorrente terse consumado a decadência para a glosa da amortização fiscal do ágio de 2005 e 2006. O momento a ser considerado, contudo, não é o do nascimento do ágio, mas o momento em que o mesmo foi amortizado como despesa dedutível, afetando a apuração do IRPJ e CSLL devidos pelo contribuinte. No presente caso, os fatos geradores autuados se consumaram em 31.12.2005 e em 31.12.2006. Para justificar a autuação de 31.12.2005, a fiscalização e, posteriormente, a DRJ firmaram e defenderam o entendimento de que “tratase de reorganização societária levada a efeito num contexto em que nenhuma norma legal foi violada, mas que no seu bojo reflete o único objetivo de economia tributária”, corroborando o entendimento do i. fiscal autuante no sentido de que “os elementos carreados aos autos apontam que a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada e dolosa, com o fim exclusivo de reduzir o montante dos tributos devidos”. Fl. 3778DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.779 14 Esse entendimento teve duas consequências diretas: qualificação da multa de ofício e fixação do termo a quo para a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário nos moldes do art. 173, I, do CTN. O auto de infração foi lavrado e o contribuinte cientificado de seu teor em 23.12.2011, como dito acima, de tal forma que o ágio amortizado até 2004 não foi objeto de autuação. A questão controversa, em relação à decadência, fica restrita ao fato gerador de 31.12.2005, pois se for considerada a regra de decadência do art. 150, § 4º, do CTN, há decadência; se for considerada a regra do art. 173, I, do CTN, não há. Passase a analisar, portanto, se há elementos nos autos que justifiquem a conclusão do i. agente autuante, mantida pela DRJ, de que houve simulação, fraude ou dolo no caso concreto. A DRJ parte da premissa que o caso em análise é um típico planejamento tributário, fundado em aparente observância das normas legais, pois as alterações societárias foram efetuadas num contexto em que nenhuma norma legal foi violada, mas que trazem no seu bojo a artificialidade e a simulação, com o único objeto de escamotear o pagamento dos tributos devidos pelas pessoas jurídicas envolvidas. A descrição feita pela DRJ das operações analisadas são diretas: aquisição pela Deere & Company da totalidade das ações da ora Recorrente, detidas, na época, pela empresa Schneider Logemann & Cia Ltda., de forma indireta, através da empresa Evaux Participações Evaux, mediante o artifício da constituição de uma empresaveículo (John Deere do Brasil JDB), que se associa à Evaux mediante a subscrição de ações com pagamento de ágio e, ato contínuo, sai da sociedade (cisão) levando consigo as ações da Recorrente e o ágio pago, enquanto a Evaux fica com o dinheiro aportado. Ou seja, a JDB adquiriu 60% das ações da Recorrente detidas pela Evaux pelo valor de R$ 149.117.338,00 mais ágio de R$ 156.425.562,00. Para possibilitar a dedução do ágio, a ora Recorrente incorporou a JDB (art. 386, III, RIR/99). Avalia a DRJ que não há propósito negocial nas operações societárias entabuladas pelos controladores originais da Recorrente. Que toda a movimentação societária não era necessária ao atingimento do objetivo final da Deere & Company, qual seja, adquirir 100% das ações da Recorrente. De se observar, contudo, que na posição inicial a Deere & Company detinha 40% do capital de Recorrente, através de sua subsidiária John Deere Participações – JDP e os outros 60% eram da Schneider Logemann & Cia Ltda, através da empresa Evaux Participações. Ao final, há uma mudança de controle acionário, na medida em que a Deere & Company passa a deter 100% das ações da Recorrente: 40% através da JDP e os outros 60% diretamente, após a incorporação da JDB pela ora Recorrente. Importante ressaltar, nesse ponto, que a Deere & Company e a Schneider Logemann & Cia Ltda não são empresas relacionadas. Apenas têm em comum um negócio materializado nas atividades exercidas pela ora Recorrente. Tanto que, na compra e venda do controle acionário, foi feito desembolso financeiro pela Deere & Company, a valor de Fl. 3779DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.780 15 mercado, para a aquisição das ações da Recorrente, detidas pela Schneider Logemann & Cia Ltda (pagamento com ágio). Assim, ao contrário do que se verifica no v. acórdão recorrido, não ocorreu a criação artificial de ágio, uma vez que houve circulação de valores monetários na operação realizada, uma efetiva operação de compra e venda de participação societária entre partes independentes. A forma utilizada, para possibilitar o aproveitamento do ágio, é, ao ver deste Julgador, uma indução da própria norma legal que admite, em situação específica, a dedutibilidade do ágio. Não se constatando o artificialismo na criação do ágio, nem se comprovando que as partes adquirente e vendedora eram relacionadas, não se pode admitir que tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação no caso concreto a justificar, de um lado, a qualificação da multa e, de outro, a mudarse o termo a quo para a contagem do prazo decadencial. Desta forma, reconheço que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, nessa condição, estão sujeitos ao disposto no art. 150, § 4º, do CTN, para fins da contagem do prazo decadencial, notadamente porque a diligência de p. 3671/3672 concluiu pela existência de pagamento antecipado, via DARF e compensação, bem como atestou a retenção de IRRF e CSLL na fonte. Por consequência, acolho a prejudicial de mérito invocada pela Recorrente em seu recurso voluntário, declarando decaído o direito do fisco de constituir crédito tributário de IRPJ e CSLL na competência 31.12.2005. Superada a prejudicial de mérito, passase para a análise de mérito, qual seja, a legalidade, ou não, da dedutibilidade do ágio pago pela Deere & Company no caso concreto. Do mérito Considerando o detalhamento trazido pelo i. Conselheiro Marcos Takata em seu voto quanto aos detalhes da operação de compra e venda de ações que redundou no pagamento de ágio utilizado pela Recorrente como despesa dedutível na apuração do IRPJ e CSLL na competência de 31.12.2005 (decaída) e 31.12.2006, adotarseá abaixo partes dos esclarecimentos trazidos pelo Conselheiro para justificar o presente voto. No item “6. Das operações societárias realizada pela contribuinte em 1999” do Termo de Constatação Fiscal que integra os lançamentos constam os seguintes registros. que o laudo de avaliação produzido por empresa especializada, posteriormente à aquisição do investimento na Evaux, cujo ativo era o investimento na SLC – John Deere S/A (ora Recorrente) foi fundamentado na expectativa de rentabilidade futura desse último investimento; que a natureza do ágio alegada foi a rentabilidade futura da SLC – John Deere S/A (ora Recorrente), ignorandose qualquer parcela derivada de fundo de comércio, mesmo com a existência de um contrato de cessão e transferência de marca, pela qual a Schneider Logemann (vendedora) cede gratuitamente a marca mista “SLC” registrada no INPI para a ora Recorrente (p. 2897 e 2898) Fl. 3780DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.781 16 No item “7. Das provas identificadas pela fiscalização no contexto das operações realizadas e sociedades constituídas” do Termo de Constatação Fiscal foca na questão de como foram utilizadas as empresas Evaux e JDB (holdings) consideradas veículos simulados ou veículos abusivos. No item “8. Do posicionamento da fiscalização a respeito da consideração do propósito negocial para determinação dos efeitos tributários das operações examinadas” é decorrência do consignado no item 7., e dá o fecho conclusivo sobre as citadas empresas veículos simuladas ou empresas veículos abusivas. No item “9. Da amortização do ágio apurado pelo John Deere do Brasil Ltda. e vertido por incorporação para a contribuinte” cuida somente dos valores amortizados até 2004, e dos valores amortizados nos anoscalendários de 2005 e 2006, estes objeto das autuações. No item “10. Da base legal relacionada às operações societárias realizadas” traz as regras para amortização fiscal do ágio para concluir por sua inaplicabilidade. No item “11. Da fundamentação para qualificação das infrações e para extensão do período de fiscalização para o anocalendário 2005” faz remissão ao item 7., para qualificação da multa. No item “12. Da condição de responsável solidária da contribuinte, na qualidade de sucessora por incorporação, e de beneficiária das vantagens tributárias auferidas na amortização do ágio gerado nas operações” versa somente sobre a responsabilização da recorrente. Assim, do exame integral do Termo de Constatação Fiscal e, principalmente, da análise contextual da valoração dos fatos feita pelo fiscal autuante, observou o i. Conselheiro Marcos Takata que o motivo das autuações se fixa e se identifica nas questões referentes às empresas veículos, posição que coaduno pela leitura do mesmo texto produzido pelo fiscal autuante. Recapitulase, sinteticamente, os principais passos das operações até a amortização fiscal do ágio em discussão: a) O grupo D&C (Deere & Company) do exterior passou a investir no Brasil em 1979, pela associação com o grupo Schneider Logemann, com aquisição de 20% do capital da SLC S/A Indústria e Comércio; b) Em 1996, o grupo D&C ampliou sua participação da SLC S/A para 40%, e constituiu a holding John Deere Participações Ltda., que passou a ser a investidora direta da SLC S/A; c) Em 1998, o grupo Schneider Logemann, por meio da Schneider Logemann S/A, constitui a holding Evaux Participações S/A. d) Em 1999 (junho), foi conferida ao capital social da Evaux toda a participação que a Schneider Logemann S/A possuía na SLC S/A. e) Em 1999 (junho), a D&C constituiu a holding John Deere do Brasil Ltd. (JDB), capitalizandoa em R$ 154.558.300,00 e lhe emprestando R$ 155.451.600,00; Fl. 3781DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.782 17 f) Com tais recursos financeiros, a JDB promoveu a integralização de capital que subscreveu na Evaux, sendo R$ 72.775.246,00 a título de capital e R$ 232.767.654,00 a título de reserva de ágio (PL). No caso, a JDB pagou R$ 305.542.800,00 pela participação na Evaux (por subscrição e integralização de capital social), sendo R$ 149.117.238,00 correspondentes a valor patrimonial e R$ 156.425.562,00 de ágio; g) Em 01.07.99 houve a cisão parcial da Evaux, com ruptura do quadro de acionistas, sendo vertido todo o investimento da Evaux na SLC – John Deere S/A (ora Recorrente) para a JDB, permanecendo como acionista da Evaux apenas a Schneider Logemann S/A; h) No final de julho/99 a JDB foi incorporada pela SLC – John Deere S/A (ora Recorrente), com a incorporadora passando a se chamar John Deere Brasil Ltda. Não há dúvidas, pela sequência acima descrita, que o objetivo final por trás de toda a operação societária ocorrida a partir de 1998 era a aquisição, pela Deere & Company, de 60% das ações da SLC – John Deere S/A (ora Recorrente) da Schneider Logemann e, assim, deter 100% do capital da Recorrente. Para o atingimento desse objetivo, tanto o lado vendedor, como o lado adquirente utilizaramse de empresas holdings: a Evaux, pelo lado do vendedor e a JDB, pelo lado do adquirente. Focando inicialmente da Evaux, foi a mesma constituída em 10.07.98, com a denominação de Aços Planos do Sul S/A e, em 31.08.98 passou a ter a denominação de Evaux Participações S/A. Em 25.06.99, o capital da Evaux foi aumentado de R$ 100,00 para R$ 149.117.238,00 pela capitalização, na Evaux, da participação societária detida pela Schneider Logemann na SLC – John Deere S/A. Em 30.06.99, o capital da Evaux foi novamente aumentado, pela subscrição de ações e integralização de capital realizada pela JDB, em dinheiro, no valor total de R$ 305.542.800,00, sendo que R$ 72.775.246,00 foi para aumento de capital e o saldo para reserva de ágio. Em 01.07.99, a Evaux sofreu cisão parcial, deixando a JDB o quadro de acionistas, sendolhe vertido em pagamento de sua participação o investimento na SLC – John Deere S/A, permanecendo como acionista da Evaux apenas a Schneider Logemann. Como bem observado pelo Conselheiro Marcos Takata, vislumbrase uma situação típica de “casa e separa”, sendo que, ao final, quem entrou com o dinheiro saiu com o investimento e quem detinha o investimento ficou com o dinheiro. Ou seja, uma típica operação de compra e venda de participação societária. Todas essas operações, contudo, já tinham sido previamente contratadas entre as partes, inclusive tinha sido determinada a sua cronologia, bem como a vedação da Evaux ter qualquer outro ativo que não fosse o investimento na SLC – John Deere S/A, ou passivo. Fl. 3782DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.783 18 A questão do eventual planejamento para que o vendedor pudesse deixar de pagar imposto pelo ganho de capital na venda de sua participação societária na operação “casa e separa” não é objeto deste processo administrativo. O foco, aqui, é a dedutibilidade do ágio pago pela D&C, através da JDB, na aquisição de 60% do capital social da SLC – John Deere S/A. Passase a analisar a holding criada pelo comprador – a John Deere do Brasil Ltda – JDB. Ela foi criada em 03.02.99, com a denominação Sassatune Comercial Ltda. Em 15.06.99 suas sócias passaram a ser a D&C com 99% e a Deere Payroll Services, com 1%, sendo a denominação alterada para John Deere do Brasil Ltda. – JDB. Em 28.06.99, a JDB foi capitalizada pela D&C em dinheiro, no montante de R$ 154.558.300,00. Obteve, ainda, empréstimo de R$ 155.451.600,00. Todo esse dinheiro foi utilizado para a subscrição e integralização de capital na Evaux, como acima já relatado. Em 31.07.99, a JDB foi incorporada pela SLC – John Deere S/A, ocasião em que a Deere Payroll Services cedeu sua única ação na referida empresa, recebida com a incorporação, para a D&C. Com a realização deste último passo, a ora Recorrente passou a amortizar o ágio como despesa dedutível. A terceira holding – John Deere Participações Ltda., constituída em 1996 e detentora de 40% das ações da SLC – John Deere S/A, permanece ativa até hoje. Posto o cenário, a questão é se as partes abusaram da forma para atingir o objetivo final de compra e venda de participação societária com ágio, de tal forma a utilizar este ágio como despesa dedutível, nos moldes previstos na legislação de regência (arts. 7º e 8º, da Lei 9.532/97). A fiscalização, ao ver deste Julgador, por não estar diante de uma típica operação de “ágio interno”, buscou elementos subjacentes que pudesse descaracterizar as condições de uma legítima operação de compra e venda de participação societária entre partes independentes, com ágio, apontando, desta forma, o uso de empresas veículo para que o ágio pudesse chegar à Recorrente e ser utilizado como despesa dedutível. O desenrolar da operação de reorganização societária esclareceu o motivo da utilização de duas holdings na operação: estava previamente contratado que a Evaux seria utilizada para a realização do “casa e separa” e, por outro lado, estava definido que a compradora utilizaria uma holding para a aquisição da participação societária, que ao final seria incorporada, de tal forma que o ágio pudesse chegar e ser usufruído pela empresa operacional (a Recorrente). A estrutura societária final não é a mesma estrutura societária inicial, uma vez que, inicialmente, a SLC – John Deere S/A era controlada pela Schneider Logemann, através da Evaux (60%) e pela D&C, através da John Deere Participações Ltda. (40%); ao final, a D&C passou a controlar 100% da SLC – John Deere S/A, com 60% diretamente. Ou seja, ocorreu, de fato, uma operação de venda de participação societária com ágio, entre partes Fl. 3783DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.784 19 não relacionadas, com desembolso efetivo de dinheiro e ganho de capital por parte da vendedora. Em que pese os contornos e delineamentos que envolveram o processo da reorganização societária em comento permitir inferir tratarse de um caso típico de planejamento tributário, não se pode taxálo de abusivo sem comprovar os abusos, notadamente porque, apesar de o uso da despesa com ágio proporcionar uma redução do IRPJ e CSLL devidos pela Recorrente, fato é que, na outra ponta da equação, a vendedora experimentou um ganho de capital na venda realizada. Não se pode concordar que o ágio em questão tenha sido “gerado artificialmente”. Como já foi dito acima, a JDB, de fato, foi criada com o intuito de ser, ao final da reorganização, extinta por incorporação. Fez, de fato, o papel de uma empresa veículo. Mas ao contrário dos casos típicos de “ágio interno”, neste as partes não são relacionadas e houve o efetivo desembolso de dinheiro na operação de aquisição de participação societária. O aspecto temporal, considerando a duração de tempo da reorganização societária não demonstra que vendedor e comprador sejam partes relacionadas, mas que a operação estruturada pela compradora para a aquisição de 60% das ações da SLC – John Deere S/A foi estudada em detalhes para que o ágio gerado legalmente pela aquisição da participação societária pudesse subsumirse às regras da Lei 9.532/97 e, assim, ser utilizado como despesa dedutível pela empresa operacional, no caso, a Recorrente. Quanto às formalidades, a própria fiscalização afirma que foram observadas. Vejamos, então, se a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura, com fulcro no artigo 7º, inciso III, da Lei nº 9.532 de 1997, atende a três premissas básicas, como forma de comprovação da realização do propósito negocial da operação: O efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; A realização das operações originais entre partes não ligadas; Seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Vejase, inicialmente, que a fiscalização e a DRJ não questionaram o efetivo pagamento das ações subscritas e integralizadas pela JDB na Evaux, com ágio. Há, portanto, o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive do ágio. Por outro lado, há, nos autos, laudo de avaliação da participação vendida, fundado na expectativa de rentabilidade futura, firmado por empresa idônea de consultoria tributária. O valor de venda, conforme já exposto alhures, considerou o valor patrimonial e o ágio na aquisição do investimento. Fl. 3784DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.785 20 As partes compradora e vendedora são independentes. Tinham, em comum, investimento na mesma atividade econômica, exercida pela ora Recorrente. Ademais, como bem esclareceu o i. Conselheiro Marcos Takata em seu voto, havia mais de uma maneira da compradora adquirir o investimento e passar a deter a integralidade das ações da ora Recorrente. O fato de ter utilizado, desde o começo, uma empresa para receber o capital a ser investido em dinheiro e, posteriormente, encerrar as atividades da empresa, mediante incorporação, decorre da própria indução da legislação fiscal a esse tipo de atitude para que se possa atender os formalidades para a dedutibilidade do ágio à época dos fatos (1999). Há quase 20 anos atrás a interpretação dos fatos seria diametralmente oposta a de hoje. Aqui trago moderna doutrina de Marco Aurelio Greco. (Moralidade Administrativa: Uma questão de postura. Editora Instituto Memória: Curitiba, 2017), na qual me fundo, ao dizer que não podemos ver o contribuinte apenas como um "Ser" destinatário da norma e de determinada conduta esperada. É preciso ver o "Ser e suas circunstâncias". Frase simples, mas de grande profundidade. È preciso ter presente o contribuinte e seu contexto, no tempo e no espaço. Ele não existe sozinho no mundo. Só podemos detectar sua real dimensão se enxergarmos o contexto que ele se insere. Neste sentido a Moralidade Administrativa (que abrange a tributária) não pode ser confundida com Moralismo (ou seja, o conceito que cada um tem de certo e errado) mas sim colocarse no lugar do "Outro". Esta postura diante do "Outro" nos traz riscos, evidentemente. Se nossa atividade como autoridade administrativa julgadora está plenamente vinculada a lei, assumimos um certo risco se não a aplicamos diretamente, isoladamente. Essa nossa "Responsabilidade Jurídica" de julgar conduz a um desejo de inação. Contudo, não existe responsabilidade moral sem risco. O agir moral não é o agir para não ser punido pelos outros. Agir com moralidade, portanto, é assumir um compromisso de agir perante o outro, agir positivamente, ou seja, promover uma ação moral concreta e, certamente, com riscos. A Moralidade e a Legalidade não se excluem, mas se completam, sobretudo pela previsão constitucional que nos obriga a aplicar ambas. Concluindo, entendo que é possível ter um comportamento moral dentro da legalidade, sem que isso se transforme em moralismo. Obedecer o principio da Moralidade é enxergar o destinatário da norma, é assumir uma responsabilidade perante ele, é não cometer uma injustiça. A questão da empresa veiculo tem sido motivo de intenso debate no âmbito desse colegiado e tenho me manifestado via de regra contra a utilização dessa sistemática societária. Contudo, diante deste caso concreto, em que todos os requisitos legais para a formação e amortização do ágio foram atendidos, em que nenhuma das formalidades foram dispensadas mas, acima de tudo, em que os fatos ocorreram diante de um ambiente empresarial e interpretativo completamente diverso do atual, ouso posicionarme em sentido contrário, repito, neste especifico caso, por entender que acima de uma questão de legalidade ou propósito, estamos no âmbito da necessária aplicação da moralidade administrativa, a meu ver, mandatória em todos os órgãos do Poder Executivo. Fl. 3785DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.786 21 Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, exonerandoo do IRPJ e CSLL constituídos no presente processo. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 3786DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.787 22 Voto Vencedor Conselheiro Evandro Correa Dias, Redator Designado. Abordo neste voto os pontos a respeito dos quais divirjo dos entendimentos tão bem expostos pelo i. Conselheiro Relator, com a devida vênia. PRELIMINARES DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Em síntese a Recorrente alega que o MPF 10108002008005483 foi emitido para análise dos efeitos tributários das ações ordinárias relativas à utilização dos expurgos inflacionários do Plano Verão e Plano Collor na correção monetária das demonstrações contábeis da empresa. Que a extensão para a análise que culminou com a glosa de despesas com amortização de ágio deveria ter sido expedido um MPF Complementar. Eis a dicção do art. 7°, caput e §§ 1° a 5°, da Portaria RFB 11.371/07, vigente à época do início do procedimento fiscal em discussão: Art. 7°.O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: 1 a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1°. O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos Fl. 3787DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.788 23 geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2° No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § 1° será de dez anos. § 3° Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 4° O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 5°. O MPFE indicará a data do início do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. [...] Vale lembrar também o que dispunham os arts. 8°, 11 a 14, da Portaria RFB 11.371/07, os quais não tiveram seu conteúdo alterado pela superveniente Portaria RFB 3.014/11 (arts. 8° e 11 a 14): Art. 8°. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. [...] Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5°doDecreto n° 70.235, de 1972. Fl. 3788DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.789 24 Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Em acesso ao site da RFB, para consulta ao MPF 10.1.08.002008005483 (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/confieWeb.asp), mediante código de acesso contido no termo de intimação fiscal n° 1 (fls. 2 e 3), constatase: Tratase de MPFF emitido inicialmente para fiscalização de IRPJ do período de janeiro a dezembro de 2007 e de IPI de outubro de 2003 a dezembro de 2005. O MPFF sofreu inúmeras alterações um total de 15. Muitas delas foram para mudança dos ARFB responsáveis pela execução do MPFF, outras para inclusão de PIS e Cofins do período de setembro de 2004 a dezembro de 2004 e de CSL de janeiro a dezembro de 2007. Constam alterações do MPFF para inclusão do período de janeiro a dezembro de 2006 e do período de janeiro a dezembro de 2005, para IRPJ. Também figura a relação de prorrogações do MPFF num total de 19 prorrogações todas dentro do prazo previsto no art. 12 da Portaria RFB 11.371/07 e da Portaria RFB 3.014/11. Significa dizer, o MPFF em questão se destinou à fiscalização de IRPJ compreendendo os períodos autuados de 2005 e 2006 (fls. 2942, 2949, 2950), e da CSL do mesmos períodos (fls. 2952, 2958 e 2959), por força do art. 8° da Portaria RFB 11.371/07 e da Portaria RFB 3.014/11. Em tese, mesmo que houve alguma deficiência no MPF, esse instrumento é um ato de controle interno da administração tributária, de caráter gerencial e utilizado para a determinar a realização do procedimento fiscal relativo aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A extrapolação do prazo para a realização do procedimento fiscal diz respeito apenas à administração tributária e não tem o poder de contaminar todo o procedimento, que é regido pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Na linha das considerações expostas, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade por deficiência no MPF. Fl. 3789DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.790 25 DA DECADÊNCIA A Recorrente alega que a presente exigência fiscal referese a valores de tributos que derivam diretamente de operações ocorridas no anocalendário de 1999, de forma que toda a autuação já se encontra fulminada pela decadência. No entanto, caso se entenda que a decadência dos tributos ora exigidos deve ser contada anualmente, o que se admite para argumentar, ao menos a exigência de valores de IRPJ e CSL relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005 já se encontra fulminada pela decadência, uma vez que não ocorreu nenhuma forma de dolo, fraude ou simulação no presente caso. A ciência da lavratura dos autos de infração de A intimação da lavratura dos autos de infração de IRPJ e CSLL, no caso concreto, deuse em 23.12.2011 (p. 2941 e 2951). Ressaltase que momento a ser considerado, contudo, não é o do nascimento do ágio, mas o momento em que o mesmo foi amortizado como despesa dedutível, afetando a apuração do IRPJ e CSLL devidos pelo contribuinte. O ágio contabilizado por conta da incorporação da John Deere do Brasil Ltda. em de 31/07/1999 não foi adicionado ou excluído da base de cálculo do IRPJ e CSLL ocorrido nesta data, portanto não aumentou ou reduziu os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL apurados pelo contribuinte naquela data. Isto é: não trouxe nenhuma conseqüência tributária naquele período de apuração. Somente na dedução da base de cálculo em períodos posteriores é que seus efeitos foram sentidos, por isso nesse momento que sua legalidade pode ser contestada. O presente lançamento referese à glosa da dedução dos valores amortizados a título de ágio nos anoscalendários de 2005 e 2006. Os fatos geradores autuados se consumaram em 31/12/2005 e em 31/12/2006 de 2006, portanto é a partir dessas datas que devese verificar se os lançamentos foram atingidos pela instituto da decadência. Fl. 3790DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.791 26 A regra geral para a contagem do prazo decadencial está prevista no artigo 173 do Código Tributário Nacional, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados (i) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou (ii) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No entanto, nas situações em que a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa, interpretando a legislação tributária, apurando o montante e efetuando o recolhimento do tributo ou contribuição devidos, o prazo decadencial é de cinco anos contados da data do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4o, do referido Código, o qual dispõe que se a lei não fixar o prazo para a homologação, ele será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, excepcionada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação no procedimento do sujeito passivo, quando a regra aplicável é a do artigo 173 do Código Tributário Nacional. A questão controversa, em relação à decadência, fica restrita ao fato gerador de 31/12/2005, pois se for considerada a regra de decadência do art. 150, § 4º, do CTN, há decadência; se for considerada a regra do art. 173, I, do CTN, não há. O lançamento foi efetuado com base no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, pois a Autoridade Fiscal formou convicção de que "as condutas praticadas na realização dos negócios societários praticados em 1999, que culminaram com a transferência da participação societária detida pela sociedade Schneider Logemann S.A. (CNPJ n° 90.522.921/000107) na sociedade SLC John Deere S.A. (CNPJ n° 89.674.782/000158 atual John Deere Brasil Ltda. a contribuinte) para a sociedade Deere & Company, se subsumem às hipóteses previstas de fraude, previstas no art. 72 da Lei n° 4.502/64, transcrito a seguir. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A fiscalização e, posteriormente, a DRJ firmaram e defenderam o entendimento de que “tratase de reorganização societária levada a efeito num contexto em que nenhuma norma legal foi violada, mas que no seu bojo reflete o único objetivo de economia tributária”, corroborando o entendimento do i. fiscal autuante no sentido de que “os elementos carreados aos autos apontam que a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada e dolosa, com o fim exclusivo de reduzir o montante dos tributos devidos”. Verificase pelos elementos trazidos ao autos que a aquisição pela Deere & Company da totalidade das ações da SLC – John Deere S.A., detidas por seu sócio no Brasil (Schneider Logemann & Cia Ltda – Evaux), mediante o artifício da constituição da “empresa veículo” John Deere do Brasil Ltda., que se associa à Evaux Participações mediante a subscrição e ações com pagamento de ágio e, ato contínuo, sai da sociedade (mediante cisão) levando consigo as ações da SLC – John Deere S.A. e o ágio pago, enquanto a Evaux fica com o valor em espécie decorrente da subscrição das ações. Em outras palavras: A John Deere do Brasil Ltda. adquiriu 60% das ações da SLC – John Deere S.A. detidas pela Evaux pelo valor de R$ 149.117.338,00, mais o ágio de R$ 156.425.562,00. Fl. 3791DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.792 27 Contatase que ágio não era imediatamente dedutível na John Deere do Brasil Ltda., a SLC – John Deere S.A. a incorpora (controlada incorpora a controladora), passando esta, então, a deduzir o ágio pago pela John Deere do Brasil Ltda. com base no art. 386, III, do RIR/99. Concluise que os procedimentos foram arquitetados de forma artificial, simulada e dolosa entre os dois grupos controladores da SLC – John Deere S.A. com o fim exclusivo de economia tributária. Verificase que o lançamento cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2005, não foi atingido pela decadência, pois os elementos carreados aos autos apontam que a constituição do ágio se deu de forma artificial, simulada e dolosa, com o fim exclusivo de reduzir o montante dos tributos devidos, o que exclui a contagem do prazo decadencial a partir da data de ocorrência do fato gerador, remetendoo para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto voto, por rejeitar a alegação preliminar de decadência. MÉRITO No mérito, a Recorrente apresenta os seguintes motivos para a reforma da decisão recorrida, em síntese: (a) O efetivo pagamento do ágio; (b) A permissão legal para a amortização desse ágio; c) Os Casos "Gerdau", "Tele Norte" e "Santander" (acórdãos nº 1101 000.708, 1301000.711 e 1402000802) nos quais foi assentado que o fato do ágio ter surgido dentro de um mesmo grupo econômico não invalida sua amortização para fins fiscais; d) Que o caso em análise encaixase na categoria que a doutrina chama de "opção fiscal"; e) Impossibilidade de aplicação da teoria do "Propósito Negocial" por ausência de previsão legal. A Recorrente alega que houve a demonstração do efetivo pagamento do ágio e, como sucessora da JDB, que apurou o ágio em questão, há a possibilidade de amortizar tal custo, de acordo com o art. 386, inciso III do RIR/99, que tem como base legal o artigo 7º da Lei n° 9.532/97, o qual autoriza o procedimento adotado pela Recorrente no presente caso. "Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do S 2° do artigo anterior [expectativa de rentabilidade futura], nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; Ressaltase que o direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). Fl. 3792DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.793 28 A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de “empresas veículo”, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. Contatase que, conforme destacado pela decisão recorrida, a aquisição pela Deere & Company da totalidade das ações da SLC John Deere S.A. detidas por seu sócio no Brasil (Schneider Logemann & Cia Ltda Evaux), deuse mediante a constituição da "empresaveículo" John Deere do Brasil Ltda., que se associa à Evaux Participações mediante a subscrição e ações com pagamento de ágio e, ato contínuo, sai da sociedade (mediante cisão) levando consigo as ações da SLC John Deere S.A. e o ágio pago, enquanto a Evaux fica com o valor em espécie decorrente da subscrição das ações. Na decisão recorrida, entendeuse que esse ágio não era imediatamente dedutível na John Deere do Brasil Ltda., a SLC – John Deere S.A. a incorpora (controlada incorpora a controladora), passando esta, então, a deduzir o ágio pago pela John Deere do Brasil Ltda. com base no art. 386, III, do RIR/99. A Recorrente alega que tal argumento é infundado, pois o ágio devidamente pago por qualquer uma das sociedades mencionadas acima poderiam sim regularmente ser amortizado para fins fiscais nos termos da legislação vigente atualmente e à época dos fatos quando houvesse a incorporação da referida sociedade por outra (ou viceversa). Argumenta ainda que "o momento da incorporação em nada interfere no direito da Recorrente ao ágio. Se a JDB não tivesse sido incorporada naquele momento (e conseqüentemente não amortizado o ágio para fins fiscais), e a tivesse incorporado anos mais tarde, o ágio seria passível de amortização pela Recorrente da mesma forma." Verificase que não assiste razão à Recorrente, pois o caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. Ou seja deve haver um confusão patrimonial. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da “confusão patrimonial” a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na “mais valia” do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. No caso, a Recorrente utilizouse da empresa veículo JDB de forma que na incorporação às avessas pela SLC houvesse a confusão patrimonial necessária para fazer jus à amortização do ágio. Tratase de procedimento arquitetado de forma artificial, simulada e dolosa entre os dois grupos controladores da SLC – John Deere S.A. com o fim exclusivo de economia tributária conforme verificase pela descrição da Autoridade Fiscal: " No caso em exame, não há causa econômica (além da economia fiscal) para a criação da "empresa veículo" John Deere do Brasil Ltda. (CNPJ n° 02.978.822/000177), que é usada apenas como artifício para a dedutibilidade do ágio pago pela aquisição das ações da SLC John Deere S.A. (CNPJ n° Fl. 3793DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.794 29 89.674.782/000158 atual John Deere Brasil Ltda. a contribuinte), frisese, por esta mesma empresa (contribuinte), tanto assim que logo aquela é incorporada a esta sem nem ao menos haver entrado em atividade (pela conceituação adotada pelo RFB para fins de entrega da declaração da Pessoa Jurídica Inativa). Não há, portanto, a presença de um dos elementos essenciais intrínsecos ao negócio jurídico: a vontade, ânimo, das partes em exercer atividade econômica por meio da John Deere do Brasil Ltda. (CNPJ n° 02.978.822/000177). Há, no caso, claro divórcio entre a vontade real e a vontade ostensiva. É revelador que a John Deere do Brasil Ltda. (CNPJ n° 02.978.822/000177) seja denominada "empresa veículo", e também o foi, até sua cisão parcial, a Evaux Participação S.A. (CNPJ n° 02.699.849/000120), uma vez utilizada somente para materializar a "troca" das ações da SLC John Deere S.A. (CNPJ n° 89.674.782/000158 atual John Deere Brasil Ltda. a contribuinte) pelos recursos financeiros internalizados por Deere & Company no país. Ressaltase que a sociedade John Deere do Brasil Ltda não realizou outras operações que não sejam relacionadas à sua utilização como empresa veículo, conforme destacou a Autoridade Fiscal: Digno de destaque, que a sociedade John Deere do Brasil Ltda. (CNPJ n° 02.978.822/000177) não realizou outras operações que não tenham se relacionado ao processo de: 1) recebimento de recursos aportados por Deere & Company (como capital social ou como empréstimo(s)); 2) repasse integral dos recursos em forma de investimento na sociedade Evaux Participações S.A. (CNPJ n° 02.699.849/000120); 3) incorporação, decorrente de cisão daquela sociedade, da participação na SLC John Deere S.A. (CNPJ n° 89.674.782/000158 atual John Deere Brasil Ltda. a contribuinte); 4) sucessiva incorporação reversa por aquela investida A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização. Portanto mostrase correto o entendimento da Autoridade Fiscal, confirmado pela decisão " a quo" de que não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma “empresaveículo” com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a “confusão patrimonial” advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. Fl. 3794DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.795 30 A Recorrente apresenta os Casos "Gerdau", "Tele Norte" e "Santander" (acórdãos nº 1101000.708, 1301000.711 e 1402000802) nos quais foi assentado que o fato do ágio ter surgido dentro de um mesmo grupo econômico não invalida sua amortização para fins fiscais; Sem adentrar o mérito dos casos citados pela recorrente, observase que o motivo para a indedutibilidade da amortização no presente caso não se confunde, simplesmente, com o fato do ágio ter surgido dentro de um mesmo grupo econômico. Além disso, a jurisprudência citada não vincula o julgamento do presente feito. Citase, a seguir, as ementas de decisões, nas quais se adotou o entendimento de indedutibilidade do ágio na utilização de empresas veículos: Acórdão 9101003.006 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. Acórdão 9101003.371 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO ORIUNDO DE AQUISIÇÃO COM USO DE RECURSOS FINANCEIROS DE OUTREM. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora real, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais Fl. 3795DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.796 31 valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma "empresaveículo" com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa e se a "confusão patrimonial" advinda do processo de incorporação não envolve a pessoa jurídica que efetivamente desembolsou os valores que propiciaram o surgimento do ágio, ainda que a operação que o originou tenha sido celebrada entre terceiros independentes e com efetivo pagamento do preço. Acórdão 9101003.208 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Não produz o efeito tributário pretendido pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, em operações em seqüência feitas em curto espaço de tempo entre a integralização de capital na incorporada e posterior evento de incorporação reversa. Nestes casos resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresaveículo para transferência do ágio à incorporadora. Verificase, ao contrário alegado pela Recorrente, que a atual jurisprudência desse CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, foi assentado que não é possível o aproveitamento tributário do ágio se a investidora real transferiu recursos a uma “empresaveículo” com a específica finalidade de sua aplicação na aquisição de participação societária em outra empresa. A Recorrente alega que o caso em análise encaixase na categoria que a doutrina chama de "opção fiscal". Argumenta que que não cabe qualquer tentativa da D. Autoridade Julgadora de caracterização da conduta da Recorrente como indevida, uma vez que todos os atos por ela praticados, bem como pelo Grupo John Deere como um todo, estiveram sempre suportados pela legislação fiscal em vigor, por autorizada doutrina e pela mais atual jurisprudência administrativa sobre a matéria. Constatase, conforme ementa das decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que o presente caso, no qual a Recorrente alega que "encaixase" na doutrina da "opção fiscal", não está suportada nem pela legislação fiscal em vigor, nem autorizada pela atual Fl. 3796DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.797 32 jurisprudência administrativa sobre a matéria. Como demonstrado pela Autoridade Fiscal, as condutas praticadas na realização dos negócios societários praticados em 1999, que culminaram com a transferência da participação societária detida pela sociedade Schneider Logemann S.A. (CNPJ n° 90.522.921/000107) na sociedade SLC John Deere S.A. (CNPJ n° 89.674.782/000158 atual John Deere Brasil Ltda. a contribuinte) para a sociedade Deere & Company, se subsumem às hipóteses de fraude previstas no art. 72 da Lei n° 4.502/64. A recorrente argumenta a impossibilidade de aplicação da teoria do "Propósito Negocial" por ausência de previsão legal. As disposições do parágrafo único do art. 116 do CTN, asseguram à autoridade fiscal o poder de desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Em tese, argumentando que há a impossibilidade de aplicação do art. 116 do CTN, a Autoridade Fiscal ainda poderia desconsiderar o ato ou negócio jurídico, se dissimulados, pois, nessa atividade, ela é investida do Poder e no dever de constituir o crédito tributário (art. 142, CTN), sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, Par. único, CTN). Esse poder dever existe independentemente da LC n. 104, porquanto os arts. 118, 142, 147, 148, 149 e 150, § 4º, todos do CTN, autorizam a Autoridade Administrativa a efetuar (ou rever) o lançamento de ofício, nas hipóteses de falsidade, erro, omissão, dolo, fraude, simulação. Da Multa Qualificada Pelos motivos já descritos na preliminar de decadência deve ser mantida a Multa Qualificada, em síntese, a sucessão de eventos modificativos de controle societário em um mesmo grupo empresarial sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio, com utilização de empresa veículo, caracteriza simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, o que autoriza o lançamento de ofício com imposição de multa qualificada em razão do intuito de fraude demonstrado. O exame do conjunto de operações realizadas, detalhadas no relatório fiscal, confirma a alegação da autoridade fiscal acerca da ocorrência de operações estruturadas em seqüência com a utilização de empresa veículo, sem qualquer finalidade negocial. Tal contexto autoriza a imposição da multa qualificada no percentual de 150%, em razão da caracterização de simulação montada para o fim exclusivo de economia tributária, restando demonstrado o intuito de fraude. Em virtude da ocorrência de fraude e portanto a adequação da aplicação da Multa Qualificada, devem ser afastadas as alegações de Teoria da Imputação Subjetiva, Erro de proibição e dúvida relevante,e o Princípio da Proporcionalidade. Fl. 3797DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.798 33 Dos Juros sobre a Multa Aplicada A Recorrente alega que não há margem para qualquer interpretação acerca da possibilidade da incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas pelas autoridades fiscais. Pelo contrário, o dispositivo que embasa o entendimento do Fisco é expresso no sentido de que apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições são atualizáveis. A discussão em relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, tratase de matéria sobre a qual a 1ª Turma da CSRF vem reiteradamente se posicionando pela incidência. Citese, nesse sentido, os acórdãos de nº 9101002.180 e 9101002.181 (de 19/01/2016), ambos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, bem como os de nº 9101002.209 e 9101002.209 (de 02/02/2016) e 9101002.349 (de 14/06/2016), esses de autoria do Conselheira Adriana Gomes Rêgo, tendo sido acompanhada por maioria de votos pela turma. O Acórdão citado de nº 9101002.349 segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º , a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos (sublinhei): Fl. 3798DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.799 34 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Este é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves (sublinhei): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva , a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." Conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) Fl. 3799DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11070.722318/201107 Acórdão n.º 1402002.968 S1C4T2 Fl. 3.800 35 § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Portanto, não assiste razão à Recorrente quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação, e que a exigência correspondente ofende o princípio da legalidade. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei. Nesse sentido, o fato de a Lei nº 11.941/2009 e as normas que a regulamentam não trazerem determinação de incidência dos juros moratórios sobre as multas, como alega a Recorrente, em nada altera a incidência em questão, comandada pelo art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 3800DF CARF MF Documento de 35 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.15537.FK1I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. 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Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP14.0918.15537.FK1I Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 36336FBCA2BD57BEDA630400205A50A3DAED988D9AD510C4D0F46472912467A0 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11070.722318/2011-07. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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