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Numero do processo: 10680.013310/2008-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 33 10 /2 00 8- 00 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013310/200800 Acórdão n.º 2801003.386 S2TE01 Fl. 89 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ/BHE/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte Alencar Peixoto Júnior, CPF 008.653.206 59, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 08/10) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA SUPLEMENTAR R$7.076,25 MULTA DE OFÍCIO R$5.307,18 JUROS DE MORA (até 08/2008) R$3.168,74 TOTAL R$15.552,17 O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, entre os quais foi alterado de ofício o valor de despesas médicas de R$ 24.810,92 para R$ 0,00, e de despesas com previdência privada e FAPI de R$ 920,88 para R$ 0,00 por falta de atendimento a intimação para comprovação ou justificação das mesmas. O contribuinte teve ciência do lançamento em 15/09/2008 conforme tela de rastreamento anexada às fls. 49. Em 10/10/2008, o interessado apresentou impugnação juntada à fl. 01/07, assinada por procurador constituído através de instrumento juntado às fls. 57, na qual alega o que se segue: O defendente é médico e no ano de 2002 passou por um quadro grave de saúde, quando foi acometido de anemia crônica de origem inicialmente desconhecida. A anemia causou várias infecções na boca, nos seios da face, laringe e traquéia, perda de massa muscular e dezoito quilos de peso. Posteriormente foi descoberta perda de sangue por origem gástrica, com o quadro se agravando resultando numa cirurgia de gastrectomia ampla. Diante deste quadro foi obrigado a se tratar com diversos profissionais das áreas de odontologia, fisioterapia, fonoaudiologia e de suporte emocional. Em maio de 2007, já aposentado, o ora defendente, teve deferida a isenção de imposto de renda, desde dezembro de 2006, por ser portador de doença que lhe assegura este benefício. Quando apresentou os documentos solicitados via intimação para o exercício 2003, ano calendário 2002, foi vítima de grosseria por parte do servidor que o atendeu que também Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013310/200800 Acórdão n.º 2801003.386 S2TE01 Fl. 90 3 mencionou que os recibos que apresentara eram fraudulentos. Por este motivo, preferiu apresentar defesa sem atender a nova intimação. As despesas com previdência privada no valor de R$920,88 foi paga ao Ministério da Saúde. Conforme comprovam os recibos ora juntados as despesas declaradas foram efetivamente pagas e segundo informação de todos os beneficiários pelos pagamentos, estes foram, também, declarados no ajuste anual. Todos os recibos estão anexos e provam os pagamentos. Qualquer outra interpretação é presunção. Os profissionais declararam o recebimento das quantias pagas pelo ora recorrente, e tal fato, também não comprova, no entendimento do zeloso auditor fiscal, o pagamento. Requer ao final o reconhecimento da procedência da defesa para invalidar a Notificação de Lançamento e protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, requerendo desde já, que sejam identificados os pagamentos nas declarações de renda das pessoas citadas como recebedoras. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 64/74, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA. AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES. Todas as deduções permitidas na apuração do imposto de renda estão sujeitas à comprovação ou justificação. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. A não comprovação, por documentos hábeis, dos efetivos pagamentos por serviços médicos enseja a manutenção dos valores glosados. DEDUÇÃO A TÍTULO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A dedução com a contribuição à previdência privada devidamente comprovada, limitada a doze por cento do rendimento, cujo ônus foi do próprio contribuinte, deve ser acatada. NOVAS DEDUÇÕES. POSSIBILIDADE. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013310/200800 Acórdão n.º 2801003.386 S2TE01 Fl. 91 4 A base de cálculo do imposto de renda pessoa física será a diferença entre os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste e as deduções admitidas pela legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificado daquele Acórdão em 19/01/2012 (fl. 79), o interessado, representado por seu advogado (fl. 62), interpôs recurso voluntário de fls. 80/86, em 15/02/2012. Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa de despesas médicas, no montante de R$ 24.810,92, e de despesas com previdência privada e FAPI, no montante de R$ 920,88. A decisão recorrida restabeleceu a dedução de despesas com previdência privada e FAPI e a parcela de R$ 5.875,90 de dedução com despesas médicas. Portanto, resta em litígio a glosa da dedução com despesas médicas, no montante de R$ 18.935,02, que foi motivada pela falta de atendimento à intimação. Com a apresentação dos documentos somente na fase impugnatória, a decisão de primeira instância, considerando que as deduções pleiteadas são expressivas, eis que representam 29,67% do rendimento bruto declarado, manteve a glosa pelo fato de não terem sido apresentados elementos de provas que demonstrassem o efetivo pagamento das referidas despesas. Em sede de recurso, o interessado requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas que demonstram a efetividade dos pagamentos/prestação dos serviços das reclamadas despesas médicas. No caso sob exame, como o recorrente não carreou aos autos as provas consideradas necessárias pela decisão de primeira instância, denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013310/200800 Acórdão n.º 2801003.386 S2TE01 Fl. 92 5 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Salientese que não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente, ainda que o contribuinte demonstre disponibilidade de recursos para o pagamento das despesas glosadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.013310/200800 Acórdão n.º 2801003.386 S2TE01 Fl. 93 6 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909815/2006-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999
PIS/PASEP. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA.
A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA.
A determinação, de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (produtos em bonificação e remessa em bonificação) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/2006-67.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1999 a 31/07/1999 PIS/PASEP. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA. A determinação, de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (produtos em bonificação e remessa em bonificação) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/2006-67. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
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BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA. A determinação, de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 15 /2 00 6- 45 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 190 2 Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (“produtos em bonificação” e “remessa em bonificação”) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/200667. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 31/07/99 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 1.897,09;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 11 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 191 3 No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis” A DRJ/SP1 decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega que: as bonificações praticadas não possuem natureza de desconto incondicional aplicado às suas vendas no período; as saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, gratuitamente, e decorrem de contrato de premiação com mercadorias pelo cumprimento de metas ou em comemoração de determinadas datas. Juntou cópias de contratos com grandes empresas do varejo e atacado. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 192 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Não são suscitadas preliminares nem solicitada diligência. Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação e da decisão de primeira instância administrativa que considerou correto o despacho decisório não são combatidos. A única questão discutida no recurso é a possibilidade de incidir a contribuição para o PIS/Pasep sobre saídas de produtos em bonificação. Segundo a recorrente, a DRJ/SP1 equivocouse ao considerar que as saídas de produtos em bonificação, no caso, são descontos que só poderiam ensejar restituição/compensação se fossem incondicionais, para o que seria necessário atenderse ao disposto na IN nº 51, de 1978. De fato, a turma da DRJ/SP1 entendeu que somente quando se caracterizarem descontos incondicionais as bonificações em mercadorias poderão ser excluídas da determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Disto decorre que bonificações desvinculadas de vendas, entregues gratuitamente, por mera liberalidade, por não serem descontos incondicionais, são tributadas pela contribuição. Uma vez que na manifestação de inconformidade a contribuinte não admitiu que as bonificações não estavam vinculadas a vendas, a turma de julgadores esclareceu que no caso não se comprovou serem incondicionais as bonificações, nos termos exigidos pela IN nº 51, de 03/11/1978: “4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 193 5 bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc (...)” Agora, tendo em vista que no recurso voluntário a recorrente afirma que as bonificações não são descontos incondicionais aplicados às suas vendas no período, não é necessário verificar o atendimento às disposições da IN nº 51, de 03/11/1978. Bonificações que não se caracterizam descontos incondicionais. Segundo a RFB, as bonificações concedidas em mercadorias somente não compõem a base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep quando se caracterizam descontos incondicionais concedidos. A pergunta e a resposta abaixo foram extraídas do site da RFB na internet: 815. As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins? Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN n º 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições. 1 E o Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, constante do acórdão recorrido, traz o seguinte: “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2005/PergResp2005/pr808a860.htm (Acessado em 18/08/2013, às 13:30 h) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 194 6 de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. (sem o destaque no original) Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias, não será dedutível, na determinação do lucro real.”[destaquei] 2 Por outro lado, a Divisão de Tributação da Superintendência da RFB da 8ª Região Fiscal emitiu a seguinte solução de consulta com entendimento diverso. “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 130, DE 3 DE MAIO DE 2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a 2 As palavras deste parecer foram extraídas do acórdão recorrido. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 195 7 operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Chefe” Logo, há divergência de entendimento no âmbito da RFB. Esta divergência, porém, não afeta este julgamento. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 196 8 Nos documentos juntados pela recorrente encontramse contratos firmados entre ela e as empresas Makro Atacadista S/A e Bompreço S/A Supermercados do Nordeste, que, ao contrário do que pretendido pela recorrente, não provam que as bonificações aqui discutidas foram concedidas a título gratuito, por liberalidade do vendedor. Este documentos evidenciam que as ditas bonificações decorreram de negociações, foram concedidas com base em condições previstas em contratos, foram faturadas e resultaram em redução do preço normalmente praticado pelo vendedor com outros compradores. No contrato firmado com a Makro Atacadista S/A, constam as seguintes cláusulas (fl. 99 do eprocesso): “Cláusula 6ª BÔNUS: O “FORNECEDOR” pagará mensalmente (em dinheiro) ao ‘COMPRADOR” bônus, conforme modalidades e respectivos percentuais e/ou valores especificados no “Acordo Comercial e FinanceiroSumário”. 6.1 – Os percentuais relativos a todos os tipos de bônus serão calculados sobre o valor bruto das compras do mês, que são representadas pelas notas fiscais de mercadorias entregues e sobre os pedidos de compra cujas mercadorias não foram entregues no prazo ajustado (pedidos cancelados). Os vencimentos de tais valores ocorrerão no primeiro dia do mês subseqüente ao da entrada das mercadorias. 6.2 – Com o objetivo de incentivar o aumento do volume de negócios, ambas as partes fixarão objetivos de crescimento e o “FORNECEDOR” pagará periodicamente (em dinheiro) ao “COMPRADOR” bônus por crescimento das compras em relação ao exercício anterior e/ou por atingimento de metas pré estabelecidas, de acordo com objetivos, condições de bônus e periodicidade especificada no “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário” ou negociados em acordo específico. Parágrafo Único: As condições especificadas no “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário” serão válidas para o exercício em curso. Caso este acordo não seja renovado no próximo exercício ou não seja firmado um acordo específico renovando as condições para o novo exercício, prevalecerão as condições especificadas no acordo original, considerando como base as compras realizadas no exercício encerrado e os mesmos objetivos de crescimento e condições de bônus negociadas. Cláusula 7ª BONIFICAÇÃO: O “FORNECEDOR” pagará ao “COMPRADOR” (em dinheiro ou em mercadorias grátis) bonificação por negociações específicas, cujo valor e condições serão firmados em acordo específico. 7.1 – Quando o pagamento for feito através de mercadorias bonificadas, o “COMPRADOR” emitirá “Pedido de Compra Bonificado” especificando os produtos e respectivas quantidades. Nesses casos o “FORNECEDOR” deverá emitir nota fiscal referente às mercadorias grátis pelo preço de última entrada, ficando o “COMPRADOR”, em caso de divergências, Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 197 9 autorizado a debitar do “FORNECEDOR” o valor da eventual diferença de ICMS. 7.2 – Caso o “FORNECEDOR” não entregue o pedido bonificado previsto no item 7.1 acima, ou o entregue parcialmente, o “COMPRADOR”, a partir do 7º dia de atraso da entrega do pedido (ou do saldo), emitirá Nota de Débito contra o “FORNECEDOR” do valor devido.” No Manual de Fornecimento de Mercadorias, Equipamentos e Serviços, fls. 103/104 do eprocesso, anexo ao Acordo Comercial e Financeiro firmado com Macro Atacadista, constam as seguintes cláusulas: “Cláusula 3 – FATURAMENTO: ... 3.2 – Todas as mercadorias deverão ser faturadas em unidade especificada pelo “COMPRADOR”; caso contrário, a relação entre a unidade do “FORNECEDOR” e a unidade indicada pelo “COMPRADOR” deverá estar claramente especificada. 3.3 – As mercadorias deverão ser faturadas com as quantidades, preços e demais condições do Pedido de Compras e do “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário”, tais como: descontos, bonificações, prazos de pagamento e outras.” ... 7 – CONDIÇÕES PARA COBRANÇA: ... 7.2 Todos os débitos do “FORNECEDOR” para com o “COMPRADOR”, originários de diferenças de preços, diferenças de ICMS, falta de mercadorias, devoluções de mercadorias e outras, tais como: bônus Aniversário, bônus Fidelidade e outros objetos de acordo, serão descontados no primeiro pagamento. No “Acordo de Fornecimento e Reciprocidade nº AFR 886/03”, firmado entre a recorrente e Bompreço S/A Supermercados do Nordeste, fls. 89 e seguintes do e processo, consta o seguinte: “CLÁUSULA 6ª Pagamento de bônus: A data limite para o pagamento, pelo Fornecedor, dos bônus aqui negociados, será até o dia 20 do mês subsequente as respectivas apurações, exceto para o desconto financeiro, o qual é aplicado sobre os títulos de crédito emitidos contra o BOMPREÇO. Parágrafo único: Os bônus acordados em percentuais serão aplicados sobre o valor das compras efetuadas pelo BOMPREÇO junto ao FORNECEDOR, sendo que, em alguns casos, ocorrerão inclusive sobre as notas bonificadas pelo Fornecedor ao Bompreço, conforme Anexo a este Acordo.” Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 198 10 No Anexo a este acordo, fls. 94/95 do eprocesso, verificase que: bônus são negociados e calculados sobre notas bonificadas; e bônus de crescimento são calculados com base no faturamento bruto. No caso destes autos, verificase que as bonificações não são descontos incondicionais, nem doações. São descontos condicionais. Incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre descontos condicionais O STF, no julgamento que decidiu pela inconstitucionalidade do art.3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assentou que a base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim entendido, a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. A decisão, no caso do RE nº 585.235/MG, foi proferida na sistemática do art. 543B do CPC, logo, deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF, por força do art 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações das Portarias MF nºs. 446, de 27/08/2009, e 586, de 21/12/2010. Se as bonificações são descontos concedidos com base em negociações entre as partes, logo, descontos concedidos condicionalmente, elas não integram o valor da venda das mercadorias. Logo, não compõem a base de cálculo da Cofins, nem da contribuição para o PIS/Pasep. Os acórdãos nºs. 1052.581, de 22/03/1988, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1803001.481, de 11/09/2012, da 1ª Turma Especial da 1º Seção de Julgamento do CARF, assentaram que bonificações em mercadorias concedidas condicionalmente classificamse como despesas operacionais para aquele que concede a bonificação. Também a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos acórdãos nºs. 20403.303 e 20403.304, de 1º/07/2008, logo, anteriores ao julgamento pelo STF do RE nº 585.235/MG , assentou que bonificações não são tributadas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. Entendimento da turma quanto à caracterização das bonificações Os demais Conselheiros da turma discordaram deste relator em relação a considerar as bonificações descontos condicionais. Eles adotam o entendimento exposto pela Divisão de Tributação da Superintendência da RFB da 8ª Região Fiscal na Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012, transcrito acima, segundo o qual, as operações em discussão têm natureza de doação, não caracterizando receita auferida, e, por isso, não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Tal divergência de entendimento não afetou o julgamento, de modo que a conclusão do voto do relator foi acolhida pela maioria dos conselheiros. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 199 11 Por força do art. 63, §9º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, são adotados como fundamentos para a conclusão de que as bonificações em mercadorias não são tributadas pela contribuição para o PIS/Pasep os mesmos que embasaram a Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012. Sobre as provas constantes dos autos Além dos contratos, há nos autos cópias de notas fiscais, de demonstrativos contábeis, de apurações mensais e de valores de Cofins e PIS/Pasep calculados sobre valores das notas fiscais. Estes documentos, na maior parte, foram apresentados em setembro de 2013. Nas notas fiscais constam os CFOP 5.99 e 6.99 e, como natureza das operações, remessas de produtos em bonificação. Analisando os mesmos documentos, no julgamento do processo nº 10880.909811/200667, esta turma concluiu não serem suficientes para comprovar o direito creditório pleiteado. Para tanto, valeuse de análise empreendida pelo relator da decisão recorrida, que é igual à realizada pelo relator da decisão contra a qual foi apresentado o recurso voluntário em julgamento. Em resumo: cópias de demonstrativos contábeis ou balancetes ilegíveis; cópias de notas fiscais ilegíveis; conta 311105, que referirseia às operações de bonificação, possui a denominação “Venda de Prod. MI Free Goods”; não há memória de cálculo, ou demonstrativo analítico, que permita verificar como a contribuinte obteve os valores pleiteados. Especialmente, não foram apresentados livros fiscais e contábeis contendo os registros das operações, tais como o diário e o razão, nem DCTF retificadora. Assim, não há provas de que as bonificações foram incluídas no cálculo do tributo recolhido por meio do DARF informado no PER/DCOMP, logo, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior. Sobre a liquidez e certeza O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 200 12 Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos os arts. 165 e 170 do CTN, que autorizam a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 201 13 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito Fl. 286DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 202 14 declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” A 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 203 15 Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre as bonificações em mercadorias. Fundamentos acrescentados durante a sessão de julgamento Os Conselheiros Régis Xavier Holanda e Francisco José Barroso Rios acrescentaram argumentos que haviam sido utilizados no julgamento do processo nº 10880.909811/200667, cuja recorrente também foi a Microlite Sociedade Anônima. Cito as considerações do Conselheiro Régis Xavier Holanda, que também fundamentam a decisão deste julgamento: “A DRJ São Paulo I, ao analisar a matéria, julgou improcedente a manifestação de inconformidade pelos seguintes fundamentos de fato e de direito: a) que enquanto existente a confissão, o débito temse como legítimo e apto a ser extinto pelo correspondente DARF pago. Esgotado o valor do DARF pela sua vinculação ao débito que foi lançado ou confessado por qualquer meio previsto (como, por exemplo, a DCTF), não remanesce valor a ser eventualmente restituído ou compensado; b) que os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos; c) os documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. A decisão restou assim ementada: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Negritos apostos. A solução da lide em casos dessa natureza perpassa pelo enfrentamento de duas questões: as de direito e a probatória. Em outras palavras, reconhecido, em tese, os fundamentos jurídicos base do indébito tributário – in casu, a exclusão da base de cálculo das contribuições em tela dos valores referentes à bonificação de mercadorias, há que se passar a uma segunda etapa da análise referente à prova do direito alegado. Inicialmente, ante a ausência de determinação legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, por si só, não constitui motivo suficiente para o indeferimento do Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 204 16 direito creditório pleiteado ou, se for o caso, da não homologação da compensação declarada. Assim, embora adequada e oportuna, a retificação prévia da DCTF não é requisito obrigatório para fim de formalização do pedido de restituição ou da declaração de compensação. Dessa forma, apresentada prova inequívoca quanto ao erro do valor do débito declarado e atendido o prazo quinquenal de decadência, é possível a retificação de ofício da correspondente Declaração e o reconhecimento do indébito tributário. (...) Vencidas, pois, as questões de direito, restanos a análise do conjunto probatório acostado aos autos para aferirmos, atento à dicção legal do artigo 170 do CTN, a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para comprovação do direito alegado juntou a recorrente, essencialmente, cópias de notas fiscais de bonificações (e.g. fl 41), apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). Entretanto, após análise dessa documentação, entendo, data maxima venia, que a mesma não se apresenta hábil à demonstração da existência do direito creditório. Da decisão recorrida, colhemse as seguintes anotações de relevo: As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Destaques apostos. Com efeito, a documentação juntada não nos permite aferir questões basilares para a definição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É certo que foram apresentadas diversas notas fiscais de bonificações de mercadorias, porém a documentação acostada não nos permite atestar, por exemplo, se as mesmas realmente compuseram a base de cálculo das contribuições. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 205 17 Como assinalado, os demonstrativos contábeis apresentados não trazem registros específicos das operações, nem sequer foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Por fim, entendo também descabida uma possível sugestão de realização de diligência. Com efeito, o Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências ou perícias: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93). Negrito aposto. Dessa forma, com base nesses dispositivos, as diligências ou perícias determinadas pela autoridade julgadora objetivam elucidar questão imprescindível ao julgamento da lide, nunca suprir deficiência probatória imputada ao recorrente que, em diversas oportunidades, poderia ter carreado aos autos os elementos necessários e suficientes à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório alegado. Portanto, competindo à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN, e não logrando êxito em fazêlo, há que se manter o indeferimento do pleito do recorrente.” Conclusão Pelo exposto, tendo em vista insuficiência de provas de que foi recolhido tributo sobre as operações de saídas de mercadorias em bonificação, logo, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior nem existência de direito de crédito líquido e certo, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909815/200645 Acórdão n.º 3802002.125 S3TE02 Fl. 206 18 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15374.724396/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
COMPENSAÇÃO - NEGATIVA - IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS A CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO POR DECISÃO ADMINISTRATIVA
O contribuinte que recebeu decisão negativa por inexistência de crédito, não pode retificar exatamente o crédito, para o fim de alterá-lo, após a decisão que lhe reconheceu a inexistência. Tal tipo de retificação, para ser válida, deveria ter sido realizada antes das decisões administrativas que não homologaram a compensação, sob pena de estar-se utilizando o procedimento de retificação como matéria de defesa, na intenção de modificar a solução do caso e promover a novação do crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Igor Vasconcelos Saldanha - OAB/DF 20191
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO - NEGATIVA - IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS A CONSTATAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO POR DECISÃO ADMINISTRATIVA O contribuinte que recebeu decisão negativa por inexistência de crédito, não pode retificar exatamente o crédito, para o fim de alterá-lo, após a decisão que lhe reconheceu a inexistência. Tal tipo de retificação, para ser válida, deveria ter sido realizada antes das decisões administrativas que não homologaram a compensação, sob pena de estar-se utilizando o procedimento de retificação como matéria de defesa, na intenção de modificar a solução do caso e promover a novação do crédito. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Igor Vasconcelos Saldanha - OAB/DF 20191 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Tal tipo de retificação, para ser válida, deveria ter sido realizada antes das decisões administrativas que não homologaram a compensação, sob pena de estarse utilizando o procedimento de retificação como matéria de defesa, na intenção de modificar a solução do caso e promover a novação do crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Igor Vasconcelos Saldanha OAB/DF 20191 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 96 /2 00 9- 50 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp – de crédito de COFINS recolhido pela sistemática não cumulativa – Combustível no período de janeiro de 2005. Às fls. 28/31, consta despacho decisório que deixou de conhecer o crédito pleiteado com base nas seguintes alegações, nos termos relatados na decisão recorrida: “a) O crédito indicado na Dcomp, relativo a pagamento realizado em 15/02/2005, a título de COFINS não cumulativa/ combustível, período de janeiro de 2005 já foi integralmente utilizado em compensação realizada em outra Dcomp (nº 05908.08462.300508.1.3.044673), em análise no processo 15374.724394/200961; b) Ainda que venha a ser reconhecida a totalidade do crédito nos autos do processo citado, não subsistirá crédito para liquidação do débito arrolado na presente Dcomp; c) Para que não reste dúvidas sobre a duplicidade na utilização do suposto crédito, cumpre registrar que em 15/02/2005, somente foi efetuado um único pagamento sob o código de receita 6840 e que os débitos compensados através das DCOMP 05908. 08462. 300508. 1. 3. 044673 e 15414. 52694. 300508. 1. 3. 041301 se tratam de diferentes parcelas do mesmo débito de estimativa do IRPJ de abril/2008, conforme declarado pela interessada em DCTF.” Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 35/39, alegando, em síntese que: “a) Na Dcomp analisada no presente processo a contribuinte buscou promover a compensação de débito de IRPJ, apuração 04/2008, com crédito de pagamento a maior da COFINS, código 6840, apuração fevereiro de 2005, vencimento e pagamento em Fl. 278DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724396/200950 Acórdão n.º 3302002.311 S3C3T2 Fl. 11 3 15/03/2005, valor total do DARF equivale a R$ 465.462.366,18 e cujo crédito utilizado equivale a R$ 14.984.687,64; b) O auditor fiscal pode ter sido levado a equívoco, pois referida Dcomp apresenta os seguintes equívocos materiais: período de apuração consta 31/01/2005 quando deveria constar 28/02/2005, na indicação do vencimento consta 15/02/2005 quando deveria constar 15/03/2005 e o valor do DARF informado foi R$ 133.245.938,62, quando deveria ser R$ 465.462.366,18; c) Para comprovar que, apesar dos equívocos, o crédito existe de forma independente do utilizado na outra Dcomp, além do DARF no valor de R$ 465.462.366,18, temos a DCTF de fevereiro que apresenta claramente a Cofins devida e o pagamento, restando a quantia de R$ 14.984.687,64, utilizada na presente compensação; d) Requer seja declarada legítima a compensação efetuada, procedendose a sua devida homologação e protesta pela juntada posterior de documentos complementares.” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente a 17a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ1 – proferiu o acórdão de no 1246.478 (fls. 137/141), o qual manteve a decisão proferida no Despacho Decisório, seguindo assim ementado, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal competente, da liquidez e certeza do crédito reclamado, não sendo cabível a retificação, após a ciência da decisão administrativa, que vise a substituição do crédito a compensar. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Às fls. 145 consta “Termo de Ciência por Decurso de Prazo” no qual consta ter ocorrido o decurso de prazo por meio de citação eletrônica e disponibilização na Caixa Postal da contribuinte, a saber: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 “TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 16/07/2012 Data da ciência por decurso de prazo: 31/07/2012.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 157/164, em 13/08/13 (conforme registrado às fls. 147/156), por meio do qual reiterou os argumentos constantes do recurso de impugnação. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente procedeu a compensação do crédito tributário, todavia, o crédito pretendido já havia sido compensado em outro processo administrativo. Nos termos da r. decisão recorrida: “Contra o despacho decisório que não homologou a compensação declarada através da Dcomp anexada às fls. 05/09, a interessada formulou sua defesa argumentando que teriam ocorrido equívocos materiais no preenchimento da referida Dcomp, no que diz respeito ao crédito a ser utilizado na compensação. Esclarece que teria sido informado crédito originado de pagamento a maior relativo à COFINS não cumulativa/ combustível do período de apuração janeiro de 2005 com vencimento em fevereiro de 2005, quando o correto seria crédito do período de fevereiro de 2005 com vencimento em março de 2005. Afirma, ainda, que teria sido indicado DARF relativo ao crédito com valor do principal R$ 133.245.938,62, quando o correto seria R$ 465.462.366,18.” – destaquei. A Recorrente admite este fato, e informa, em suas razões de impugnação e no recurso voluntário, que incorreu em erro no preenchimento da Dcomp, informando crédito equivocado, referente a fato gerador ocorrido em janeiro de 2005, ao invés de fevereiro de 2005. A questão posta relacionase à possibilidade deste procedimento, alteração ou “retificação” do crédito no momento da apresentação de impugnação em prol da verdade material. Com razão a v. decisão recorrida. É cediço meu posicionamento acerca do respeito da verdade material, principalmente quando se constata a existência de créditos em Fl. 280DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.724396/200950 Acórdão n.º 3302002.311 S3C3T2 Fl. 12 5 procedimento de compensação. Todavia, este entendimento não é suficiente para validar a utilização deste procedimento como defesa. A meu sentir, a retificação do erro deveria ter sido realizada antes das decisões administrativas que não homologaram a compensação, a utilização do procedimento como matéria de defesa, modificando a solução do caso por alteração do crédito é proceder a uma espécie de novação inadmissível à espécie. E tal entendimento não significa alteração de critério jurídico, como pretende fazer crer a Recorrente em seu recurso. A negativa do procedimento de compensação continua sendo o fato de que o contribuinte pleiteou crédito inexistente, posto que já utilizado em outro procedimento administrativo; sendo este argumento somado à impossibilidade de retificação do procedimento após proferida a decisão administrativa que negou o crédito. Nestes termos, acato as razões de decidir utilizados pela primeira instância administrativa, indeferindo a compensação pretendida. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 281DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000121/2008-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 04/03/2008
INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OU COTAS EM DÉBITO. NÃO CORREÇÃO DA FALTA QUE ORIGINOU A AUTUAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NÃO RELEVAÇÃO DA MULTA
A empresa em débito para com a Seguridade Social é proibida de distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento.
Não cabe a relevação da multa aplicada quando não foram atendidos todos os requisitos descritos no art. 291, §1º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99.
A extinção por liquidação e o parcelamento do débito dentro do prazo de defesa não corrige a falta que motivou a autuação por distribuir lucros ao seu titular estando em débito com a Seguridade Social.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a multa seja recalculada com base no §2º do art. 32 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, se mais benéfico a recorrente.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 04/03/2008 INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OU COTAS EM DÉBITO. NÃO CORREÇÃO DA FALTA QUE ORIGINOU A AUTUAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NÃO RELEVAÇÃO DA MULTA A empresa em débito para com a Seguridade Social é proibida de distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio-cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Não cabe a relevação da multa aplicada quando não foram atendidos todos os requisitos descritos no art. 291, §1º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A extinção por liquidação e o parcelamento do débito dentro do prazo de defesa não corrige a falta que motivou a autuação por distribuir lucros ao seu titular estando em débito com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a multa seja recalculada com base no §2º do art. 32 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, se mais benéfico a recorrente. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OU COTAS EM DÉBITO. NÃO CORREÇÃO DA FALTA QUE ORIGINOU A AUTUAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NÃO RELEVAÇÃO DA MULTA A empresa em débito para com a Seguridade Social é proibida de distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sóciocotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Não cabe a relevação da multa aplicada quando não foram atendidos todos os requisitos descritos no art. 291, §1º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A extinção por liquidação e o parcelamento do débito dentro do prazo de defesa não corrige a falta que motivou a autuação por distribuir lucros ao seu titular estando em débito com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a multa seja recalculada com base no §2º do art. 32 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, se mais benéfico a recorrente. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 01 21 /2 00 8- 73 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 251 2 (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 252 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa GOFREDO STEFANI em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a lavratura do Auto de Infração DEBCAD 37.154.7075. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fl. 12), a recorrente entregou ao seu titular Gofredo Stefani, a título de distribuição de lucros, conforme consta do Livro Caixa os seguintes valores: R$100.000,00 em 31/12/2005; R$60.000,00 em 31/12/2006, e R$60.000,00, em 31/12/2007, embora estivesse na época dos fatos em débito com a Seguridade Social. 3. O referido Relatório informa ainda que o débito da contribuinte para com a Seguridade Social fora declarado por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, em datas que antecederam a distribuição dos lucros, conforme demonstram os relatórios CCORGIP Consulta valores a recolher x valores recolhidos, em anexo. 4. No Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 27) consta que o valor da multa foi aplicado nos termos do parágrafo único do art. 52 da Lei n° 8.212/91, composta de 50% do valor do lucro distribuído, mais acréscimos legais: juros conforme taxa SELIC e multa de mora, previstos nos artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212/91. 5. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes e nem as atenuantes previstas nos arts. 290 e 291, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS. 6. A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal em 05/03/2008 (fl.02). 7. Opondose ao lançamento, em 03/04/2008, a autuada apresentou tempestivamente impugnação (fls. 29/31), a qual, em decisão a quo foi tida como improcedente. 8. Na impugnação apresentada a contribuinte alegou que efetuou a correção das irregularidades, razão pela qual requereu nos termos do §1° do art. 291 do Decreto n° 3.048/99, a relevação da multa aplicada. 9. Com vistas à correção das irregularidades, conforme alegou a empresa, mas não tendo a mesma anexado entre os documentos apresentados os relativos à sua escrita contábil, a 5ª Turma da DRJ/JFA, em 10/09/2008, emitiu o Despacho de nº 190 (fls.55/56), determinando que os autos fossem baixados em diligência à fiscalização para a constatação se tais irregularidades foram sanadas dentro do prazo de impugnação. 10. Em 15/10/2008, como retorno da diligência solicitada (fl. 58), em síntese, a autoridade administrativa informou que o constatado quando da fiscalização continuava na escrita da empresa sem alteração ou retificação. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 253 4 11. Concluída a diligência e examinada a peça impugnatória, o acórdão exarado em primeira instância restou ementado nos termos a seguir: “AI DEBCAD 37.154.7075 de 04/03/2008. AUTO DE INFRAÇÃO. DAR OU ATRIBUIR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEU TITULAR ESTANDO EM DÉBITO COM A SEGURIDADE SOCIAL. NÃO CORREÇÃO DA FALTA QUE ORIGINOU A AUTUAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. NÃO RELEVAÇÃO DA MULTA. Constitui infração, a empresa dar ou atribuir participação nos lucros ao seu titular estando em débito com a Seguridade Social. Não cabe a relevação da multa aplicada quando não foram atendidos todos os requisitos descritos no art. 291, §Iº do Regulamento Previdenciário aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. A extinção por liquidação e o parcelamento do débito dentro do prazo de defesa não corrige a falta que motivou a autuação por distribuir lucros ao seu titular estando em débito com a Seguridade Social. Lançamento Procedente.” (fl. 59). 12. Cientificada do acórdão de primeira instância (fl. 59) e trazendo basicamente os mesmos argumentos utilizados na impugnação, a recorrente com vistas a reverter a decisão a quo interpôs Recurso Voluntário (fls. 69/79), onde, em síntese, alega que: a) os débitos com a Seguridade Social que haviam, quando lavrado o Auto de Infração, foram devidamente regularizados, o que implica ter sido efetuada a correção da falta dentro do prazo regular, para os efeitos de fruição ao direito à relevação da multa, mediante aplicação do parágrafo 1º, do art. 291, do Dec. 3.048/91 (RPS). b) por analogia vedada, foram aplicados a hipótese os arts. 52, II, da Lei n. 8.212/91, e 280, II, do Decreto n. 3.048/99; e não o parágrafo 1º, do art. 291, do RPS, quando presentes todas as condições para a relevação da multa. c) por fim pugna pela procedência do presente recurso para que seja anulado o acórdão recorrido, não se aplicando o disposto nos arts. 52, II, da Lei n. 8.212/91, e 280, II, do Decreto n. 3.048/99, por não ser aplicável a empresa individual, ou alternativamente, a aplicação o art. 291, parágrafo 1º, do Decreto n. 3.048/99, com a relevação da multa objeto do mencionado Auto de Infração. 13. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 254 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO CABIMENTO DA MULTA 2. O contencioso instalado diz respeito à exigência de multa, em decorrência de violação ao disposto art. 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 280, inciso II, do Dec. 3.0348/99 (RPS) que consiste em dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento, estando em debito com a Seguridade Social, in verbis: Lei nº 8.212/91: “Art. 52. À empresa em débito para com a Seguridade Social é proibido: (...). II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento. Parágrafo único. A infração do disposto neste artigo sujeita o responsável à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas a partir da data do evento (...).” Dec. 3.0348/99 (RPS): “Art. 280. A empresa em débito para com a seguridade social não pode: (...). II dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento.” 3. Dos dispositivo colacionados não se tem dúvidas que estando a empresa em débito para com a Seguridade Social fica a mesma impedida de distribuir lucros aos seus sócios ou dirigentes, aí comportando a remuneração paga ao sócio proporcionalmente pela sua participação no capital social, em virtude da apuração de lucro líquido na sociedade, e, no caso de descumprimento dessa norma impeditiva fica o infrator sujeito à multa de 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 255 6 4. Notese que em nenhum momento a recorrente contesta de que no período a que se refere à autuação não tenha efetuado pagamento de lucros ao sócio Sr. GOFREDO STEFANI, tampouco de que não mantinha até então débito para com a Seguridade Social. 5. A recorrente em seu recurso voluntário (fl. 75), no entanto, advoga pela nulidade do lançamento, tendo por argumento a inaplicabilidade do art. 52, II, da Lei nº 8.212/91 ao caso, pois, por se tratar de empresa individual, nela inexistem as figuras de sócio cotista, diretor, membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo. Ou seja, entende a recorrente que se trata de empresário individual, e não de sociedade empresária, onde não há qualquer uma de tais figuras, a que teria sido distribuída participação nos lucros. 6. Ainda, em complemento ao anteriormente afirmado, sustenta que atribuir tais figuras ao seu caso só seria possível mediante a aplicação do mencionado dispositivo por analogia, o que encontraria óbices no arts. 110 e 112, I e II do CTN que assim estabelecem: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (...). Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto (grifei): I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...).” 7. Ressaltese que a fiscalização para proceder o lançamento em análise, a meu ver, não empregou a analogia e poderia, se fosse o caso, ter recorrido ao disposto no art. 112 do CTN, segundo o qual quando a autoridade administrativa ao apurar o crédito e a infração tributária deve observar sempre o princípio do in dúbio pro contribuinte. No entanto, do simples exame do relatório fiscal verificase que nenhuma dúvida existe quanto à constatação do fato que motivou o lançamento, por sinal não contraditado pela recorrente, qual seja, reiterese: distribuir/pagar lucros quando no momento desse evento era devedora da Previdência Social. 8. Assim, os argumentos trazidos pela recorrente não merecem prosperar primeiro porque para imposição da multa basta que a empresa esteja em débito para com a previdência social e segundo distribua lucro, proporcionalmente pela participação do beneficiário no capital social da empresa, independentemente do tipo de organização societária ou sua natureza jurídica. De outro giro significa que constatada essas condicionantes ensejadoras da sanção será ela imposta independentemente do cargo ou função do beneficiário do pagamento feito pela empresa, seja esta individual ou não, uma vez que o dispositivo não faz essa distinção, não cabendo ao julgador, portanto, fazêla. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 256 7 9. Ao contrário da interpretação dada ao art. 52, II, da Lei nº 8.212/91 pela recorrente, em linha com o exposto no item precedente, é o contido no art. 15, inciso I, da Lei nº 8.212/91 no sentido de que: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional;” (Grifei). 10. Destarte, verificase que a multa imposta a contribuinte está perfeitamente capitulada, razão pela qual rejeito as alegações de nulidade por falta de adequada fundamentação, de forma que estou de acordo com o julgador a quo ao afirmar que: “(...) considerando a firma individual como empresa e aplicando os dispositivos referentes à obrigação acessória acima transcritos, concluise que o sujeito passivo (firma individual) ao entregar ao seu titular os valores discriminados pela Autoridade Fiscal, a título de distribuição de lucros, estando em débito com a Seguridade Social, infringiu a legislação previdenciária.”(fl. 63). DA RELEVAÇÃO DA MULTA 11. Alternativamente ao não acolhimento da nulidade do lançamento por inadequação da fundamentação, como anteriormente explanado, a recorrente pleiteia a aplicação do previsto no art. 291, parágrafo 1º, do Decreto n. 3.048/99, ou seja a relevação da multa, posto que teria efetuado as correções das irregularidades ensejadoras da autuação, preenchendo, assim, os requisitos legais necessários à concessão do benefício, cuja legislação assim estabelece: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” (Grifei). 12. Vejase que, com fulcro no dispositivo anteriormente citado, a não correção das irregularidades ou falta dentro do prazo estipulado para defesa da contribuinte fica esta impedida da fruição do benefício de relevação da multa. 13. Da análise da impugnação e com vistas à informação do saneamento das irregularidades apontadas pela fiscalização, o processo foi convertido em diligência e a autoridade administrativa se manifestou (fl. 25) esclarecendo que: “(...). 2 — Constatamos que não houve alteração ou retificação na escrita do contribuinte. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 257 8 3 Por intermédio do Contador da firma, Sr. Carlos Andrino, fomos informados de que a irregularidade fora sanada como o pagamento de parte do débito e parcelamento do restante, conforme documentos anexados à impugnação.” (fl. 58). 14. Do até aqui exposto, verificado os presentes autos, temse que o julgador de primeira instância reconhece a prática das irregularidades apontadas no relatório fiscal e a não correções das mesmas, razões pelas quais indefere a relevação pleiteada, até porque em procedimento de diligência (fls. 55/58) constatouse que não houve alteração ou retificação na escrita da contribuinte e que equivocadamente para justificar que foram sanadas as irregularidades anexou a sua defesa os comprovantes de pagamento do valor apontado na NFLD n° 37.154.7059 e o parcelamento da NFLD n° 37.154.7067. 15. Assim, inferese que a conduta da autuada não pode ser beneficiada pela regra contida no art. 291, § 1º do Dec. 3048/99 (RPS), uma vez que as providências tomadas pela recorrente, evidentemente, não se constitui em correção da falta praticada, além do que a punibilidade, no caso em análise, não decorre da ausência de recolhimento do eventualmente devido a Seguridade Sócia, mas a inobservância do previsto no inciso II, do art. 52, da Lei nº 8.212/91 que é distribuir lucro ao sócio na época em que a empresa era devedora de contribuição previdenciária. 16. Neste contexto, me alinho com as ponderações feitas pelo julgador de primeira instância, no sentido de que a extinção por liquidação e o parcelamento do débito, mesmo que a autuada seja primária e dentro do prazo de defesa, não corrige a falta que motivou a autuação por distribuir lucros ao seu titular estando em débito com a Seguridade Social. 17. Do acima arrazoado, mantenho a decisão a quo no tocante à não concessão do benéfico da relevação da multa, uma vez que, conforme ficou evidenciado no voto exarado em primeira instância, não foi efetuada “(...) a correção da falta, objeto do presente Auto de Infração, dentro do prazo de impugnação. Os argumentos e cópias de documentos anexas, comprovando a regularização de débito com a Previdência Social não sanam a falta cometida.” (fl. 64). DA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA 18. Como apontado logo no início da presente análise, o lançamento ora efetuado tem por supedâneo a violação à legislação previdenciária, consistente em dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a titulo de adiantamento, estando a empresa em debito com a Seguridade Social, o que uma vez constatado, implica na exigibilidade de multa, na época da ocorrência dos fatos, no equivalente a 50% (cinqüenta por cento) das quantias que tiverem sido pagas ou creditadas (Parágrafo único do art. 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91). 19. No entanto, os dispositivos acima mencionados foram alterados/revogados pela Medida Provisória nº. 449, de 2008, convertida na Lei nº. 11.941, de 2009, como segue: Art. 52. Às empresas, enquanto estiverem em débito não garantido com a União, aplicase o disposto no art. 32 da Lei no Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 258 9 4.357, de 16 de julho de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). I – (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). II – (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 4.357/64: “Art 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de impôsto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: a) distribuir ... (VETADO) ... quaisquer bonificações a seus acionistas; b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; c) (VETADO). § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (Grifei). II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinqüenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A multa referida nos incisos I e II do § 1º deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinqüenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004).”(Grifei). 20. Da nova legislação verificase que continua mantida a restrição quanto à distribuição de resultados, bem como a imposição de penalidade às empresas com débito não garantido para com a previdência social, tendo sido fundamentalmente alterada no que tange à limitação da multa, a qual até então era de 50% dos valores pagos/distribuídos indevidamente, passando a ser de 50% do débito não garantido. 21. Ocorre que, conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13646.000121/200873 Acórdão n.º 2803002.975 S2TE03 Fl. 259 10 pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 22. Assim sendo, com vistas à legislação superveniente que limita, no caso, a penalidade em 50% (cinqüenta por cento) do débito não garantido, com fulcro no artigo 106, II, do CTN, deve a presente multa ser recalculada, uma vez que pode ser mais benéfico ao sujeito passivo. CONCLUSÃO 23. De todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para que a multa seja recalculada com base no §2º do art. 32 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, se mais benéfico a recorrente. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 19515.002651/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO - NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002651/200828 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.220 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2013 Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SALÁRIO INDIRETO, PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Recorrente CHUBB DO BRASIL CIA DE SEGUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 51 /2 00 8- 28 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002651/200828 Acórdão n.º 2401003.220 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.144.7950, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa e incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados;, bem como a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho;, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 22 a 27, os fatos geradores das contribuições ocorreram com o pagamento de valores classificados como Participação nos Lucros e Resultados, mas sem possuir as premissas básicas, previstas em Lei, desta verba. Destacou , ainda o auditor as infrações: 1. Objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: não há provas de que o pagamento referente à Participação nos Lucros e Resultados decorrentes dos Acordos tenha sido objeto de qualquer negociação entre a Comissão de Empregados e a Empresa. Não há Atas de Negociação para os Acordos que indiquem como foram previamente pactuados valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes. Muito embora tenha havido pagamento da PLR nas filiais da empresa (conforme anexo Base de Cálculo da Participação nos Lucros e Resultados), esta não apresentou os respectivos acordos pactuados nas filiais. O acordo firmado na matriz não pode ser ampliado ao restante das filiais tendo em vista o fato de o sindicato envolvido não possuir legitimidade para atuar fora da sua base. 2. Pagamento vinculado ao atingimento de Metas: foi somente no final de cada ano base que houve a assinatura do Acordo, praticamente coincidindo com a data de pagamento da PLR. Não houve, portanto, tempo hábil para o atingimento de metas do ano todo. O Acordo de 2002 da matriz foi assinado em novembro de 2002 e o pagamento foi efetuado em janeiro e março de 2003. O Acordo de 2003 da matriz, foi assinado em dezembro de 2003 e o pagamento foi efetuado em janeiro de 2004. Os acordos das filiais não foram apresentados. O Acordo, em todos os casos acima, referese a metas estipuladas para todo o ano (janeiro a dezembro) não havendo, portanto possibilidade de se cumprir as metas estabelecidas. Sem a existência de negociação pautada na Lei, estes valores são a simples maquiagem da nomenclatura de um sistema de bonificação da empresa. 3. Protocolo de Arquivamento ( 2° do art. 2°): não foi apresentado o protocolo de arquivamento no sindicato dos Acordos. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/06/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 02/07/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 49 a 69. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 212 a 223. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2004 PAGAMENTOS DE PLR. DESATENDIMENTO ik LEI 10.101/2000. BASE DE CALCULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE DOS EMPREGADOS. Pagamentos, a titulo de PLR Participação nos Lucros e Resultados, quando realizados em desacordo com a Lei 10.101/2000, constituem base de cálculo de contribuição previdenciária. Parte dos empregados. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante no 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, • que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indeferese o pedido de perícia e diligencia, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente A. época da impugnação Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 227 a 257, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever: 1. Preliminarmente, nos tributos de lançamento por homologação como é o caso das contribuições sociais o prazo que a Seguridade Social dispõe para constituir seus créditos é qüinqüenal, começando a fluir da data da ocorrência do fato gerador, a teor do § 4° do art. 150 do CTN. 2. O ponto nodal da preliminar aduzida, é que nenhum dispositivo da referida Lei n° 10.101/2000 foi apontado como fundamento do débito no Relatório de Fundamentos Legais FLD, que seguiu anexo ao auto de infração. Assim, a ora recorrente não pode ter certeza dos efetivos fundamentos da autuação, já que o relatório fiscal não está em consonância com o relatório de fundamentos legais. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002651/200828 Acórdão n.º 2401003.220 S2C4T1 Fl. 4 5 3. Conforme entendimento firme e pacifico do E. STJ e dos Tribunais Regionais Federais a PLR paga, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades legais, não perde a sua natureza não salarial. 4. Aliás, também antes de mais nada, é importante frisar que a r. decisão de fls. apenas transcreve a Lei 10.101/2000 e colaciona diversos julgados, mas não rebate cada um dos pontos atacados na defesa administrativa apresentada. 5. Verificase decisão recorrida não soube como refutar os diversos argumentos da empresa, passando a limitar a fundamentação da autuação ao seguinte fato: • As assinaturas dos acordos se deram ao final de cada ano base, não tendo sido dada ciência prévia das metas aos empregados. Contudo, esse rigor formal não leva em conta a realidade fática e nem mesmo o melhor entendimento jurisprudencial sobre o tema. 6. Que, conforme "Atas de Eleição" (fls. 79), de13.12.2000, houve eleição de comissão de representantes dos empregados no Programa Chubb de Participação nos Resultados para os anos 2001 e 2002, com a presença do Representante do Sindicato, para o fim especifico de discutir e negociar, junto aos representantes da empresa, a melhor forma de elaboração e aplicação do PLR. Quanto à PLR dos anos de 2003 e 2004, também foram constituídas comissões. 7. Neste aspecto, especificamente em relação ao ano de 2003 (PLR gaga em 2004), impugnado pelo relatório fiscal, analisandose o 'TERMO DE ACORDO COLETIVO PARA PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS I RESULTADOS PPR' (doc. anexado à defesa), datado de 10.12.2003, verificase que o mesmo ratifica, em sua cláusula 9a , que o plano foi elaborado com base nas deliberações realizadas pela comissão composta por representantes dos empregados e da empresa: 8. Neste aspecto, especificamente em relação ao ano de 2003 (PLR gaga em 2004), impugnado pelo relatório fiscal, analisandose o 'TERMO DE ACORDO COLETIVO PARA PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS I RESULTADOS PPR' (doc. anexado à defesa), datado de 10.12.2003, verificase que o mesmo ratifica, em sua cláusula 9a , que o plano foi elaborado com base nas deliberações realizadas pela comissão composta por representantes dos empregados e da empresa: 9. Que não há vedação legal quanto a se utilizar do PLR para todas as localidades, ou seja, para todas as filiais, já que seus respectivos empregados participaram das eleições, da negociação e da criação do programa. 10. Ademais, em relação à representação sindical, a Constituição Federal e a CLT sempre denotaram preocupação com a observância da categoria profissional, com vista a proteger os interesses de determinados grupos de empregados. A questão da base territorial é apenas acessória e não prejudica a proteção dada pelo Sindicato vinculado matriz da empresa. 11. O argumento da fiscalização não tem amparo legal, pois a lei não exige que exista um lapso temporal mínimo entre a assinatura do acordo de PLR e o período de avaliação, assim como não fixa uma datalimite para a assinatura do referido instrumento de implementação da PLR. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 12. Logo, por qualquer angulo que se analise, seja para a PLR de 2002 (paga em 2003), seja para a PLR de 2003 (paga em 2004), as metas a serem atingidas, seja pela empresa, seja pelos empregados, sempre foram de conhecimento de todos, de forma que a formalização do plano mediante a assinatura não pode esconder o fato de que tudo foi previamente sabido e negociado, não havendo que se falar em falta de tempo hábil para atingimento. 13. Por fim, a fiscalização alega outra absurda formalidade, qual seja, que não foi apresentado protocolo de arquivamento dos acordos no Sindicato, como se este fato pudesse alterar a natureza jurídica da PLR ou invalidar o negociado e acordado com os empregados. 14. Que o Presidente do Sindicato, Sr. Serafim, atestou em 23 de julho de 2008, (fls.209), que cada uma das cópias dos Acordos de PLR da Impugnante estão devidamente arquivadas na entidade sindical e que o STJ jamais exigiu cumprimento de formalidades para que a natureza jurídica do PLR fosse declarada nãosalarial, seja antes ou seja depois da regulamentação legal do artigo 7°, XI, da Constituição Federal. não haveria necessidade imperiosa da existência de protocolo/carimbo do Sindicato, conforme entendimento jurisprudencial do STJ. 15. Em situação semelhante, quando constatada irregularidade ou não cumprimento de requisitos legais, temse afirmado pela preservação da natureza do instituto. Nesse sentido, Marcelo C. Mascaro Nascimento entende que mesmo quando a verba for distribuída em periodicidade inferior ao semestre civil, não haveria fundamento jurídico para afastar a natureza não salarial da verba 4. 16. Como se vê, constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à recorrente seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais retirar a natureza jurídica do pagamento, fazendo com que sobre esse incidissem contribuições previdenciárias. 17. Diante do acima exposto, pedese e esperase seja acolhido o presente recurso, reformandose a decisão de primeira instância administrativa afim de que seja reconhecida a total nulidade da autuação ora em debate. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002651/200828 Acórdão n.º 2401003.220 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 261. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA DECISÃO PROFERIDA PELO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Preliminarmente, em seu recurso, descreve o recorrente que a decisão de primeira instância não refutou os argumentos trazidos na peça impugnatória, senão vejamos: Aliás, também antes de mais nada, é importante frisar que a r. decisão de fls. apenas transcreve a Lei 10.101/2000 e colaciona diversos julgados, mas não rebate cada um dos pontos atacados na defesa administrativa apresentada. Nesse sentido, verificase a fls. 222 que a r. decisão de fls. não soube como refutar os diversos argumentos da empresa, passando a limitar a fundamentação da autuação ao seguinte fato: • As assinaturas dos acordos se deram ao final de cada ano base, não tendo sido dada ciência prévia das metas aos empregados. Contudo, esse rigor formal não leva em conta a realidade fática e nem mesmo o melhor entendimento jurisprudencial sobre o tema. Analisando a referida decisão, observase realmente a falta do julgador, posto que mesmo não refutou os argumentos trazidos pelo recorrente, sendo que os mesmos são fundamentais para determinação da procedência do lançamento. O relatório fiscal, assim embasou o lançamento quanto ao descumprimento da lei 10.101: Objeto de negociação entre a empresa e seus empregados: não há provas de que o pagamento referente à Participação nos Lucros e Resultados decorrentes dos Acordos tenha sido objeto de qualquer negociação entre a Comissão de Empregados e a Empresa. Não há Atas de Negociação para os Acordos que Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 indiquem como foram previamente pactuados valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes. Muito embora tenha havido pagamento da PLR nas filiais da empresa (conforme anexo Base de Cálculo da Participação nos Lucros e Resultados), esta não apresentou os respectivos acordos pactuados nas filiais. O acordo firmado na matriz não pode ser ampliado ao restante das filiais tendo em vista o fato de o sindicato envolvido não possuir legitimidade para atuar fora da sua base. Pagamento vinculado ao atingimento de Metas: foi somente no final de cada ano base que houve a assinatura do Acordo, praticamente coincidindo com a data de pagamento da PLR. Não houve, portanto, tempo hábil para o atingimento de metas do ano todo. O Acordo de 2002 da matriz foi assinado em novembro de 2002 e o pagamento foi efetuado em janeiro e março de 2003. O Acordo de 2003 da matriz, foi assinado em dezembro de 2003 e o pagamento foi efetuado em janeiro de 2004. Os acordos das filiais não foram apresentados. O Acordo, em todos os casos acima, referese a metas estipuladas para todo o ano (janeiro a dezembro) não havendo, portanto possibilidade de se cumprir as metas estabelecidas. Sem a existência de negociação pautada na Lei, estes valores são a simples maquiagem da nomenclatura de um sistema de bonificação da empresa. Protocolo de Arquivamento ( 2° do art. 2°): não foi apresentado o protocolo de arquivamento no sindicato dos Acordos. Ora, embora entenda que nem sempre se faz necessário apreciar ponto a ponto trazido na peça impugnatória ou recursal, compete a autoridade fiscal, no mínimo afastar em conjunto as alegações. Contudo, no presente caso, como a autoridade fiscal descreveu três fundamentos para que a verba PLR constituísse salário de contribuição, e tendo o recorrente impugnado um a um desses fundamentos, necessário a apreciação dos mesmos de forma individual, até mesmo para que esse colegiado, possa baseado no relatório fiscal e nos argumentos trazidos pelo recorrente, apreciar a consonância da decisão de primeira instância com o débito apurado. Também não haveria de se decretar a nulidade do lançamento, face a falta cometida pelo julgador, nem tampouco, poderíamos falar que o mesmo tacitamente concordou com os argumentos trazidos pelo autuado em sua defesa, tendo em vista que o julgador não abordou de forma aprofundada as questões trazidas e que o AI encontrase devidamente fundamentado. Assim, no entender dessa relatora, não há como ultrapassar a falta cometida pela decisão recorrida, razão porque deve a mesma ser anulada, para que sejam enfrentadas na forma devida os argumentos trazidos pelo recorrente, bem como os documentos apresentados, frente ao AI lavrado. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002651/200828 Acórdão n.º 2401003.220 S2C4T1 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000226/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/11/2005 a 31/12/2006
PAF - CONCOMITÂNCIA - INOCORRÊNCIA
Não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa. Precedente do STJ e da CSRF.
Numero da decisão: 3402-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli e Silvia de Brito Oliveira. O Conselheiro João Carlos Cassuli apresentará declaração de voto.
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
Presidente Substituta
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli e Silvia de Brito Oliveira. O Conselheiro João Carlos Cassuli apresentará declaração de voto. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituta FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000226/200895 Recurso nº 161.103 Voluntário Acórdão nº 3402002.084 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO EXCLUÕES RESSARCIMENTOS DE CRÉDITOS DE IPI Recorrente SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2005 a 31/12/2006 CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. AÇÃO RESCISÓRIA. Receita de créditoprêmio do IPI reconhecida por força de decisão judicial e posteriormente estornada em virtude de reconhecimento expresso do contribuinte quanto a procedência de ação rescisória e renúncia ao direito de crédito correspondente, não integra a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/11/2005 a 31/12/2006 PAF CONCOMITÂNCIA INOCORRÊNCIA Não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa. Precedente do STJ e da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Suplente), Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli e Silvia de Brito Oliveira. O Conselheiro João Carlos Cassuli apresentará declaração de voto. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 26 /2 00 8- 95 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício Voluntário (fls. 416/448 Vol. III) interposto contra o v. Acórdão/DRJ/RJO nº 1320.362 exarado em 27/06/08 (fls. 383/405 vol. II) pela 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedentes”, “nos termos do relatório e voto os seguintes lançamentos originais: a) Contribuição para o PIS (MPF nº 071900/01692/06 fls. 13/17 vol. I), notificado em 04/03/08 (fls. 14 vol. I), no valor total de R$ 3.781.582,30 (PIS R$ 3.033.158,10; e Juros R$ 748.424,20), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 30/11/05, 31/12/05 e 31/12/06 em razão de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS do “valor obtido em decisão favorável na 21ª Vara Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00166582RJ o valor relativo ao crédito prêmio de IPI, uma vez que o mesmo não o incluiu na determinação do débito apurado das referidas contribuições” (cf. TVF fls. 11/12), pelo que a d. Fiscalização considerou infringidos os dispositivos capitulados no AI, e devidos juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96; b) COFINS (MPF nº 071900/01692/06 fls. 18/22 vol. I), notificado em 04/03/08 (fls. 19 vol. I), no valor total de R$ 17.418.197,29 (COFINS R$ 13.970.910,05; e Juros R$ 3.447.287,24), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 30/11/05, 31/12/05 e 31/12/06 em razão de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS do “valor obtido em decisão favorável na 21ª Vara Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00166582RJ o valor relativo ao crédito prêmio de IPI, uma vez que o mesmo não o incluiu na determinação do débito apurado das referidas contribuições” (cf. TVF fls. 11/12), pelo que a d. Fiscalização considerou infringidos os dispositivos capitulados no AI, e devidos juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 383/405 (vol. II) da 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ, houve por bem “julgar procedentes”, os lançamentos originais, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005, 01/12/2006 a 31/12/2006 PIS/COFINS. BASE TRIBUTÁVEL. CRÉDITOPRÊMIO DE 'PI. É cabível a tributação das receitas relativas ao créditoprêmio de IPI, que deve compor a base de cálculo das contribuições, nos termos de suas respectivas legislações de regência. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.084 S3C4T2 Fl. 3 3 Lançamento Procedente” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 416/448 Vol. III) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) preliminarmente a prejudical de coisa julgada; b) a errônea diferença entre o tratamento da denominada receita auferida com crédito prêmio de IPI pela empresa participante do programa BEFIEX e a auferida pela recorrente; c) a não submissão do créditoprêmio às bases de cálculo do PIS de da COFINS; d) a imunidade e isenção do créditoprêmio como ingresso de exportação; o crédioprêmio como subvenção ou prêmio e a não incidência do pis e da COFINS. Submetido o recurso a julgamento, em sessão de 11/03/08, através da Resolução nº 340200.083 (fls. 458/459) a C. 2ª Turma ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, acolhendo proposta do ínclito Cons. Leonardo Siade Manzan, por maioria de votos (vencido o relator original Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça) converteu o julgamento em diligência, na forma do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, para que restassem esclarecidos nos presentes autos os seguintes fatos: a)A decisão judicial proferida no writ impetrado pela Recorrente (Mandado de Segurança n° 99.00166582RJ) transitou em julgado? Se sim, quando ocorreu o transito em julgado? A decisão final foi favorável à Recorrente e consignou expressamente os períodos discutidos nos presentes autos (30/11/05, 31/12/05 e 31/12/06)? b) Há prova na escrita fiscal da Recorrente de que os valores excluídos da base de cálculo das referidas contribuições sociais efetivamente referemse a creditoprêmio de IPI? Se sim, até que ano o créditoprêmio foi considerado? No atendimento à diligência solicitada, às fls. 476/493, 546/547 e 565 a d. Fiscalização certifica que: “7 — Pequeno resumo do desenvolvimento da Ação da SAB Trading Em 11 de junho de 1999, a SAB TRADING, CNPJ N° 42.354.274/000129, entrou com um Pedido de Ressarcimento de Crédito do IPI proveniente de exportação de produtos adquiridos no mercado interno, conhecido como Crédito Prêmio de IPI. Este benefício tem sua base legal no Art. 1° do Dec Lei N° 469/69 e no Art. 10, inciso II, do DecretoLei N° 1.894/81. Apesar de citado no pedido, o Art. 1°, inciso III, da lei nº 8402/92, se refere apenas ao inciso I do Art. 1° do DL N° 1.894/81. A SAB TRADING impetrou, em 08 de julho de 1999, na 21 a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, o Mandado de Segurança N° 99.00166582 objetivando: a) concessão de medida liminar inaldita altera pars no sentido de obstar qualquer ação por parte da SRF que venha exigir o estorno ou impedir a utilização do crédito lançado em sua escrita fiscal e, b) no mérito da sentença, reconhecer em definitivo, o direito á. manutenção dos créditos e assegurada a utilização dos créditos de IPI nos termos das IN SRF 21/97, 37/97 e 73/97. A liminar foi indeferida em 10 de dezembro de 1999, foi encaminhado a DRFRJO/SRF o Oficio n° 1379/1999/21VF informando que foi concedida a liminar substitutiva, através de decisão proferida no Agravo de Fl. 690DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 Instrumento n° 99.02.294464/RJ (041242AG/RJ), para não sofrer a agravante, qualquer coação que venha exigirlhe o estorno e, via de consequência, cobra do valor do IN, conforme requerido. A sentença foi prolatada no dia 07 de maio de 2001 concedendo a segurança, assegurando, a impetrante, a utilização dos créditos de IPI nos termos da IN SRF n° 21/97, consolidada pela IN SRF nº 73/97 e 37/97. Em julho de 2001, a União entrou com a Apelação em Mandado de Segurança, distribuída no Egrégio TRF/2a Região com o n° 2001.02.01.0470300 (41778AMS/RJ). No dia 04 de setembro de 2002, por unanimidade, a Segunda Turma do TRF/2a Região, negou provimento h apelação e A. remessa necessária. No dia 16 de junho de 2003, foi expedido o Oficio n° 542/03, comunicando que em 12 de junho de 2003, foi prolatada decisão que determinava o cancelamento das glosas efetuadas, aplicando a correção dos valores e a alíquota de 15% a todos os bens, e a expedição das Notas de compensação e dos DARF SIAFI relativas às compensações. Em 15 de agosto de 2003, a Unido apresentou um recurso Extraordinário. Em 19 de abril de 2004, o recurso foi inadmitido. Em 03 de outubro de 2005, ocorreu o trânsito em julgado. Em 15 de dezembro, a PFN ajuizou Medida Cautelar Inominada n° 2005.02.01.0144723, preparatória de ação rescisória, cuja liminar foi deferida em 19 de dezembro de 2005. Em 14 de março de 2006, o TRF/2a Regido esclareceu que a liminar deferida não autoriza a desconstituição dos pedidos de ressarcimento e compensações tributárias. Em 18 de janeiro de 2006, a Unido Federal ajuizou a ação rescisória n° 2006.02.01.0004164. Em 12 de abril de 2007, a ação rescisória foi julgada procedente, estabelecendo que o créditoprêmio foi extinto na melhor das hipóteses em 05/10/1990. A decisão judicial vigente para o Mandado de Segurança n° 99.00 16658é o Acórdão prolatado pelo o TRF/2a Regido na Ação Rescisória n° 2006.02.01.0 04164. Este acórdão estabelece que: A O créditoprêmio de IPI foi extinto em 30 de junho de 1983 (folha 2 da Ementa); "Afastadas as normas inconstitucionais que autorizavam o Ministro da Fazenda a dispor sobre os incentivos fiscais, prevalecem as regras anteriores, ou seja, os Decretoslei nº 1.658/79 e 1.722/79, que estabeleceram a extinção do crédito prêmio de IPI na data de 30 de junho de 1983." B — Mesmo desconsiderando o efeito dos DecretosLei, o beneficio se extinguiu em 05 de outubro de 1990 (folha 2 da Ementa); Fl. 691DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.084 S3C4T2 Fl. 4 5 "Se assim não fosse, a extinção ocorreria em 05 de outubro de 1990, de acordo com o disposto no artigo 41 e seu § 1° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988." C — A ação quando proposta, o prazo prescricional já tinha sido extinto, resultando em crédito inexistente (folhas 141 e 142 do voto do relator). "Feitas essas considerações acerca da aplicação do art. 41, § 1º, do ADCT da Constituição Federal, chegase à conclusão que a ação na qual foi proferido o acórdão rescindendo, quando proposta, em julho de 1999, observado o prazo prescricional, o creditoprêmio pleiteado era inexistente, eis que extinto antes do período cuja restituição é pretendida (mesmo considerada a extinção do creditoprêmio em 05/10/90 — artigo 41 do ADCT)." Na conclusão do voto do relator (folha 148) este volta a se manifestar declarando; "Concluí o meu voto reconhecendo,consoante a fundamentação nele consignada, a extinção do beneficio do créditoprêmio instituído pelo Decretolei nº 491/69 em 30/06/1983." "Contudo, ainda que sua extinção houvesse acontecido em 05/10/1990, nos termos do artigo 41, § 1º do ADCT à CF/88, resultou dos debates que a lide, no caso, diz respeito a fatos verificados a partir de 1994." 0 texto final do Acórdão é dado abaixo. "Decide a Egrégia Segunda Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, por unanimidade, julgar procedente a ação rescisória e, em juízo rescisório, dar provimento à apelação e à remessa necessária, para julgar improcedente o pedido formulado na inicial da ação de mandado de segurança, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado." Conforme se observa dos trechos citados acima, de acordo com a decisão judicial vigente, o direito creditório pleiteado é inexistente. Portanto, todos os processos estão em condições de ser indeferidos. A ação da SAB não está transitada em julgado. 8 Situação do Caso SAB Trading A decisão vigente para o Mandado de Segurança N° 99.00166582, impetrado pela SAB não contempla a existência de créditos para o impetrante. Desta forma, todos os processos que pleiteiam créditos lastreados neste direito creditório estão em condições de ser decididos indeferindo os respectivos pleitos. Relativamente a este mandamus existem para ser decididos: quatro processos de ressarcimento com compensações de débitos próprios (total de 25 milhões de reais); Fl. 692DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 um processo de compensação; trinta e oito processos de ressarcimento, sendo que onze com compensação com débitos de terceiros; Além desses, consta do processo de ressarcimento n° 10768.005718/2003, uma solicitação de compensação em nome de SAB INVESTIMENTOS e no processo n° 15374.000644/2006 21, uma solicitação de compensação de débito próprio relativo ao processo de ressarcimento n° 10768.001995/200718, já decidido e sem indeferir esta compensação. É importante verificar se estas compensações já não foram decididas antes. Uma relação de processos da SAB existentes no gabinete da DERAT/RJO é colocada ao fim do relatório. 0 controle dos processos da SAB foi feito através de um programa desenvolvido em access pela DITEC da Superintendência. 0 acesso era feito através do computador da AFRFB Tania Caldas e que teve um problema no disco rígido, sendo perdidos todos os dados nele registrados, inclusive o acesso ao referido programa. Neste programa, provavelmente podese verificar se já houve cobrança das duas compensações citadas acima. Assim que for decidido em que máquina este controle deva ser reativado, é necessário verificar a viabilidade de se reativar tal sistema. Apesar da legislação ser bem clara de que o indeferimento de pedidos de ressarcimento e de compensação lastreados em créditoprêmio de IPI não admite o recurso denominado Manifestação de Inconformidade, a SAB tem incansavelmente procurado este direito na justiça, sem resultado. Impetrou diversos Mandados de Segurança com tal objetivo, como por exemplo os de n° 2007.51.01.0299006 e 2008.51.01.0142183, tendo sempre a segurança denegada. A SAB também entrou com ação ordinária na Justiça Federal em Brasília n° 2008.34.00.0129258 tentando obter a antecipação de tutela para anular as decisões administrativas proferidas pela DERAT/RJO. 0 pedido foi julgado improcedente. Os recursos contra as decisões administrativas indeferindo os pleitos da SAB devem ser encaminhados à DISIT/SRRF07, salvo se algum Mandado de segurança o impedir. Com relação aos demais processos, eu solicitei a AFRFB Tania Caldas que fornecesse algumas informações que estão colocados ao fim deste relatório.” (...) MF/RFB/DeratRJO/Gabin Em 20/03/09” (...) “Trata o presente processo de Autos de Infração referentes aos tributos PIS e COFINS, relativos ao período de apuração NOV/2005, DEZ/2005 e DEZ/2006, lavrados com exigibilidade Fl. 693DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.084 S3C4T2 Fl. 5 7 suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos da Medida Cautelar Inominada Preparatória de Ação Rescisória n° 2005.02.01.0144723, da 21 Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, conforme fls. 13/22. A DICAT/DRJ/RJOI encaminhou o presente processo a esta EAJUD com o escopo de que seja informado o andamento da ação judicial n° 99.00166582, em atendimento à solicitação formulada no item "a" da Resolução n° 340200.083 proferida pelo CARF/MF (fls. 458/459 e 475). Sendo assim, informamos que o Mandado de Segurança no 99.00166582 transitou em julgado em 03 de outubro de 2005 (fls. 125), garantindo à interessada o direito à utilização dos créditos provenientes de estímulos fiscais relativos ao IPI incidente sobre venda de produtos industrializados no exterior, bem como o reconhecimento dos créditos, para que sejam utilizados nos termos do § 1º do art. 39 da Lei n° 9.532/97, admitindose, assim, as formas de restituição, ressarcimento, compensação entre tributos, contribuições de diferentes espécies e compensação com débito de terceiro (fls. 513/520), não tendo sido especificados expressamente os períodos discutidos nos presentes autos. Ocorre que, a União Federal propôs a supracitada Ação Cautelar com objetivo de obter provimento cautelar, inclusive liminar, para suspender a execução do acórdão proferido nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0470300 (Mandado de Segurança originário n° 99.00166582). A liminar foi deferida, determinando a suspensão dos efeitos e da consequente execução do acórdão nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0470300, até a decisão definitiva da lide na Ação Rescisória a ser proposta no prazo do artigo 806 do CPC, como consta do pedido liminar formulado pela Fazenda Nacional (fls. 121/152). Sucede que, a interessada em epígrafe interpôs Agravo Interno, em face de decisão proferida (vide fls. 512/519) que autorizou a União Federal a desconstituir os pedidos de ressarcimento e compensações tributárias realizadas pela agravante no regime de lançamento por homologação e em razão do acórdão transitado em julgado, cujos efeitos foram apenas suspensos (não desconstituídos) pelo referido provimento cautelar. 0 referido recurso foi provido nos termos da liminar anteriormente deferida (fls. 153/162). Os autos da mencionada Medida Cautelar, atualmente, encontramse arquivados, conforme fls. 521. A União Federal ajuizou a Ação Rescisória n° 2006.02.01.0004164, cujo acórdão proferido pelo TRF2a Regido a julgou procedente e, em juízo rescisório, deu provimento à apelação e à remessa necessária, para julgar improcedente o pedido formulado na inicial dos autos do Mandado de Segurança n° 99.00166582, rescindindose, Fl. 694DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 portanto, o acórdão anteriormente proferido pelo Tribunal nos autos do citado Mandado de Segurança (fls. 362/365). Os Embargos de Declaração opostos pela União Federal em face do acórdão proferido nos Embargos de Declaração apresentados nos autos da citada Ação Rescisória foram parcialmente providos, para declarar que o julgamento de procedência da citada Ação Rescisória alcança a decisão rescindida de forma a desconstituir seus efeitos ab initio (desde começo), consoante fls. 524/545. Os autos judiciais da Ação Rescisória encontramse, atualmente, no TRF2ª Região (fls. 522/523). Ressaltese que foi juntada, ás fls. 476/520, cópia de peças processuais extraída dos autos do PM n° 10768.017.223/9956 (acompanha MS n° 99.00166582), destacandose às fls. 484/486 (item 7) do Relatório elaborado pela antiga DERAT/RJ relativamente aos trabalhos desenvolvidos com a contribuinte em epígrafe. Ante o exposto, e considerando a solicitação às fls. 475, proponho encaminhamento a DIFIS/DRF/RJOI para prosseguimento. Em 07/06/2011” (...) “Trata o presente processo de Auto de Infração referente, aos tributos de PIS e COFINS, lavrados com exigibilidade suspensa por força de liminar concedida nos autos da Medida Cautelar Inominada Preparatória de Ação Rescisória n° 2005.02.01.0144723, da 21 4 Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Conforme solicitado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais às fls. 458/459, estamos anexando cópia da registro contábil do crédito prêmio de IPI referente aos meses de NOV/2005, DEZ/2005 e DEZ/2006 (fls. 549/558). Em função do Supremo Tribunal Federal ter decidido pela extinção do crédito prêmio de IPI após 04/10/1990, por força do art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT(RE n° 577.348/RS, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos), e sujeito passivo apresentou juntamente o razão da conta onde foram estornados os valores tidos como receita de crédito prêmio de IPI decorrentes de exportações realizadas após 04/10/1990. Cabe, ainda, informar que os respectivos registros do "estorno do crédito prêmio ocorreram em 30/08/2009 e 30/09/2009 (559/560). Isto posto, proponho o encaminhamento deste processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 24/11/11” É o relatório. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.084 S3C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Inicialmente registro que há na primeira folha da petição de recurso (fls. 44) duas autenticações de protocolo do DERAT/RIO: uma datada de 27/08/08 e outra de 02/09/08. Entretanto, considerando que há na mesma folha 44 um carimbo da DERAT encaminhando o Recurso datado de 01/09/08, tudo leva a crer que o recurso foi realmente protocolado na data da primeira autenticação (27/08/08), e portanto é tempestivo, vez que a decisão ora recorrida foi notificada à Recorrente por via postal em 29/07/08 (cf. AR de fls. 408 vº vol. III), razões pelas quais dele conheço. Da mesma forma, verifico que a questão relativa à prejudicial de concomitância foi bem afastada pela própria r. decisão recorrida, eis que o objeto da ação judicial (ressarcimento e compensação de créditoprêmio de IPI) em nada interfere com o objeto da presente ação fiscal que tem por objeto supostas exclusões indevidas das bases de cálculo de PIS e da COFINS no período excogitado. Nesse sentido já assentou o 1º CC que: “só existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial” e “se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio” (cf. Ac. nº 10808494 da 8ª Câm. do 1º CC, em sessão de Sessão de 13/09/05, Rel. José Henrique Longo), sob pena de nulidade da decisão, por desatender aos requisitos essenciais que os artigos 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72 enumeram como condição de sua validade (Ac. da 3ª Turma da CSRF no Recurso de Divergência nº 301122696, Proc. nº 13149.000230/9605 em sessão de 17/05/05 Acórdão de CSRF/0304.421, Rel. Cons. Paulo Roberto Cucco Antunes, em nome de VIAÇÃO XAVANTE LTDA). Assim, não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa, ou quando o objeto do processo administrativo for mais abrangentes que o judicial, tal como já reconheceu a Jurisprudência Administrativa e judicial e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser Fl. 696DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 10 tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 840.556AM; Reg. nº 2006/00851969, em sessão de 26/09/06, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Rel p/Ac Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/11/06 p. 286) "IRF Aplicações financeiras de renda fixa Instituições de Previdência Privada Pessoas jurídicas imunes opção pela via judicial as questões postas ao conhecimento do judiciário implica a impossibilidade de discutir o mesmo mérito na instância administrativa, (...), posto que a decisão daquele Poder detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional, ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva, com efeito, de coisa julgada. Todavia, sendo a autuação posterior à demanda judicial, nada obsta que se conheça o recurso quanto à legalidade no lançamento em si, que não o mérito litigado no judiciário. (...)." (Ac un da 4ª C do 1° CC n° 10418.397 Rel. Cons. Nelson Mallmann j 17/10/01 DOU 1 07/01/02, p 61 ementa oficial, publ. in RJIOB1 Trib., Const. e Adm. nº 02/2001, E116839) Exatamente este é o caso dos autos onde se verifica que embora havendo decisão no Mandado de Segurança invocado pela d. Fiscalização, a mesma não versa sobre a Fl. 697DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.084 S3C4T2 Fl. 7 11 exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento (acréscimos moratórios), que não forem objeto da sentença. Superada a questão da concomitância passo ao exame do mérito do recurso que se prende à legitimidade (ou não) de supostas exclusões indevidas das bases de cálculo de PIS e da COFINS no período excogitado. Nesse ponto, o recurso merece provimento, eis que a Jurisprudência desta Corte Administrativa tem reiteradamente proclamado que as parcelas relativas à recuperação de créditos de IPI e ICMS registrados extemporaneamente não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, e não portanto não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2000 a 31/08/2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO DO ICMS. O valor do ICMS registrado extemporaneamente não representa entrada de receita e não integra a base de cálculo do PIS. (...) Recurso provido em parte. (cf. ACÓRDÃO nº 20179494, Rec. nº 122665, Proc. nº 10940.000811/200133, em sessão de 27/07/06, Rel. Cons. Walber José da Silva, publ. in D.O.U. de 14/08/2007, Seção 1, pág. 288,) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002 “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002 (...) CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 12 Recurso provido.” (cf. ACÓRDÃO nº 20218396 da 2ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 139098, Proc. nº 13973.000401/200365, em sessão de 18/10/07, Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa, publ. in D.O.U. de 07/03/2008, Seção 1, pág. 29) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 (...) BASE DE CÁLCULO. ICMS. CESSÃO DE CRÉDITO. As cessões onerosas e outras operações semelhantes envolvendo créditos de ICMS, por representarem mera mutação patrimonial, não integram a base de cálculo da contribuição. Recurso provido em parte.” (cf. ACÓRDÃO nº 20180864 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 142593, Proc. nº 13609.000792/200457, em sessão de 13/12/07, Rel. Cons. José Antonio Francisco, publ. in D.O.U. de 23/04/2008, Seção 1, pág. 45) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2003 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. (...) Recurso provido em parte. (cf. ACÓRDÃO nº 20180785 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 131895, Proc. nº 10825.001520/200341, em sessão de 11/12/07, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, publ. in D.O.U. de 23/04/2008, Seção 1, pág. 41), “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido.” (cf. ACÓRDÃO nº 20180505 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 138254, Proc. nº 13005.000506/200533, em sessão de 15/08/07, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, publ. in D.O.U. de 08/01/2008, Seção 1, pág. 22)” Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para julgar improcedentes os lançamentos de PIS, da COFINS e respectivos Juros consubstanciados nos Autos de Infração inicialmente referenciados, e incidentes sobre as parcelas relativas às receitas decorrentes de ressarcimentos de créditosprêmio de IPI extemporâneos que, por não representarem entradas de receitas novas oriundas do exercício da Fl. 699DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.084 S3C4T2 Fl. 8 13 atividade empresarial, não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, tal como pacificamente reconhecido pela Jurisprudência retro mencionada. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Declaração de Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior,com Declaração de voto. Em face do resultado do julgamento, que por unanimidade de votos, houve por bem em concluir pelo cancelamento dos lançamentos tributários constituídos em desfavor da Recorrente neste Processo Administrativo Tributário, mas que, parte dos Conselheiros entenderam por votar “pelas conclusões” do Ilustre Relator, coubeme a honrosa tarefa de exprimir as razões desta divergência de fundamentos, embora o resultado final seja o mesmo, no sentido de se exonerar o crédito tributário em questão. É que nestes autos foi constituído crédito tributário das contribuições ao PIS e à COFINS, decorrente do entendimento da autoridade autuante de que o registro contábil feito pela Recorrente do créditoprêmio de IPI decorrente da ação judicial que transitara em julgado em seu favor, representa receita tributável, de acordo com as bases de cálculo previstas nas Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03. Embora defenda a Recorrente que este créditoprêmio de IPI não revestese da natureza de receita, por ser uma subvenção dada ao exportador, ou um incentivo fiscal visando a recuperação de custos, e, conseqüentemente, não teria natureza de receita, tese a qual o Ínclito Relator, Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça houve por bem agasalhar em sua fundamentação para prover o recurso; a maioria dos Conselheiros entendeu que não seria pertinente adentrar nessa temática, pois que haveria outra motivação e especialmente fato superveniente que resolveria a contenda no mesmo sentido. Assim, não se colocou em votação a natureza jurídica do créditoprêmio de IPI, se de receita, de subvenção ou recuperação de custos. Votouse pelas conclusões, baseado em outros fundamentos que passo a explanar. A primeira motivação que ensejara o fundamento condutor das conclusões a que chegou a maioria do Colegiado, decorre do próprio fato dos lançamentos em questão terem sido lavrados com a finalidade de prevenir a decadência, com expressa suspensão da exigibilidade do crédito tributário, pois que havia Ação Rescisória em tramitação, visando a desconstituição do julgado que concedera o direito ao sujeito passivo. Logo, se a Rescisória viesse a ser procedente, desapareceria o crédito, e, conseqüentemente a discussão sobre a existência ou não de “receita”: se improcedente, aí sim, os créditos seria hígidos e conseqüentemente, a Administração entendia que o registro da “receita” seria definitivo. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 14 Mas de grande repercussão no deslinde da contenta foi o fato de ter havido sentença procedente da Ação Rescisória. Compulsando os autos, se pôde extrair do “resultado da diligência” determinada nestes autos (transcrita no relatório) que: “A União Federal ajuizou a Ação Rescisória n° 2006.02.01.0004164, cujo acórdão proferido pelo TRF2a Região a julgou procedente e, em juízo rescisório, deu provimento à apelação e à remessa necessária, para julgar improcedente o pedido formulado na inicial dos autos do Mandado de Segurança n° 99.00166582, rescindindose, portanto, o acórdão anteriormente proferido pelo Tribunal nos autos do citado Mandado de Segurança (fls. 362/365). Os Embargos de Declaração opostos pela União Federal em face do acórdão proferido nos Embargos de Declaração apresentados nos autos da citada Ação Rescisória foram parcialmente providos, para declarar que o julgamento de procedência da citada Ação Rescisória alcança a decisão rescindida de forma a desconstituir seus efeitos ab initio (desde começo), consoante fls. 524/545” Pela leitura que se viu da conclusão da diligência, se conclui que a Rescisória desconstituiu a própria sentença e acórdão anterior, produzindo efeitos “ab initio”, ou seja, reconheceu como se jamais houvera o direito pleiteado na Ação rescindenda. Assim, se em algum momento pudesse sobrevir dúvida dos efeitos da sentença da Ação Rescisória, neste caso em particular, o TRF da 2.ª Região foi expresso em atribuirlhe efeitos “ex tunc”, ou seja, retroativos. Ainda restou um fundamento decisivo na conclusão da douta maioria, que igualmente se colhe da conclusão da diligência, abaixo transcrita: “Em função do Supremo Tribunal Federal ter decidido pela extinção do crédito prêmio de IPI após 04/10/1990, por força do art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT(RE n° 577.348/RS, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos), e sujeito passivo apresentou juntamente o razão da conta onde foram estornados os valores tidos como receita de crédito prêmio de IPI decorrentes de exportações realizadas após 04/10/1990. Cabe, ainda, informar que os respectivos registros do "estorno do crédito prêmio ocorreram em 30/08/2009 e 30/09/2009 (559/560).” Ou seja, o procedimento do contribuinte de ter procedido ao estorno dos créditos que havia registrado em sua contabilidade, para com isso amoldarse ao entendimento consagrado pelo STF, e mais, que ficou comprovado que este estorno referese aos períodos objeto do lançamento em questão, também influiu nos fundamentos da decisão. Isso porque, se a decisão prolatada na Ação Rescisória rescinde a sentença com efeitos “ab initio”, significa que os créditos, na realidade, não existem validamente, carecendo de substrato material para a base de cálculo. Portanto, em que pese ter havido motivo para o registro contábil dos créditos em um determinado momento (em que vigorante sentença favorável), na realidade a superveniência da decisão da Ação Rescisória e a atribuição de efeitos “ab initio”, é determinante para o cancelamento dos créditos, pois que inconsistentes. Inclusive sequer poderiam ser objeto de manutenção na escrita societária. Finalmente, mas não menos importante, foi igualmente verificado que a sentença proferida na Ação Rescisória ainda não transitou em julgado. Porém, constatouse que o sujeito passivo fez acostar aos autos petição em que informa ter concordado expressamente com a procedência da Ação Rescisória, renunciando ao seu direito de defesa, com relação aos Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 18471.000226/200895 Acórdão n.º 3402002.084 S3C4T2 Fl. 9 15 créditos gerados anteriormente a 04 de outubro de 1990, alinhandose ao entendimento pacificado pelo STF, tudo isso, para fins de aderir ao parcelamento instituído pela MP 470/09. Desta forma, ainda que não haja o trânsito em julgado da Ação Rescisória como um todo, quanto aos créditos que foram estornados, nos termos que a diligência acima constatou, é certo que não há nenhuma possibilidade de que futuramente o sujeito passivo possa vir a registrar idênticos créditos em sua escrita, quando já decaído o direito da Fazenda constituir o crédito fiscal. Já há, efetivamente, pleno reconhecimento judicial que não há direito a crédito de exportações realizadas posteriormente a 04 de outubro de 1990. E, tendo havido o estorno dos créditos indevidamente registrados (digo “indevidamente” porque a Rescisória atribuiu efeitos “ab initio” à sentença rescindenda), falecendo de substrato material para sobre ele haver a incidência tributária. Assim sendo, nos termos da fundamentação acima declaradas, votouse pelo cancelamento do lançamento tributário, diante do estorno dos créditos em virtude de reconhecimento expresso do contribuinte quanto a procedência de ação rescisória e renúncia ao direito de crédito correspondente. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Conselheiro com Declaração de Voto. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 17/07/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Numero do processo: 13410.000084/2002-71
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41). Hipótese em que a contribuinte apresenta ADA protocolado intempestivamente e consta Laudo Técnico emitido pelo IBAMA indicando a existência de APP, declarada na DITR.
DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS.
Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiros Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41). Hipótese em que a contribuinte apresenta ADA protocolado intempestivamente e consta Laudo Técnico emitido pelo IBAMA indicando a existência de APP, declarada na DITR. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiros Carlos César Quadros Pierre.
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2000. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF nº 41). Hipótese em que a contribuinte apresenta ADA protocolado intempestivamente e consta Laudo Técnico emitido pelo IBAMA indicando a existência de APP, declarada na DITR. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 0. 00 00 84 /2 00 2- 71 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13410.000084/200271 Acórdão n.º 2801003.191 S2TE01 Fl. 140 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiros Carlos César Quadros Pierre. Relatório Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 21/12/2002, o Auto de Infração de fl. 04 e ss., pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 1.574,30, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, do exercício de 1998, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 1.180,72 e mais juros de mora, calculados pela Taxa Selic, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Sobrado”, cadastrado na RFB sob o nº 21849226, com área declarada de 1.625,0 ha, localizado no Município de Santa Maria da Boa Vista/PE. O Auditor Fiscal relatou, no Lançamento, em suma, que apurou a falta de recolhimento do ITR, considerando que a Receita Federal, no ano de 2001, intimou a contribuinte a comprovar legalmente as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Porém, a contribuinte apresentou um Ato Declaratório Ambiental (ADA) formalizado junto ao IBAMA no dia 03/04/2001. Fundamentase na Instrução Normativa SRF nº 67/97 e no Manual do ITR/1998, para concluir que o ADA fora apresentado intempestivamente e, portanto, para efetuar a glosa de 186,0 há declarados como Área de Preservação Permanente (APP) e de 487,0 há declarados como Área de Utilização Limitada, com a conseqüente alteração do grau de utilização do imóvel e da alíquota aplicável.(fl. 5) Inconformada, a contribuinte apresentou Impugnação, conforme fl. 41, que, conhecida e analisada pela DRJ RECIFE/PE, ensejou o pronunciamento do Julgador de 1ª instância para considerar procedente o lançamento, uma vez que, no seu entendimento, o ADA fora protocolado intempestivamente no IBAMA e que, em relação à Reserva legal (área de utilização limitada), ainda, a mesma deveria estar averbada á margem da matrícula de registro de imóveis, conforme a Lei nº 4.771/1965, com alterações posteriores, em data anterior ao fato gerador do ITR em caso. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, onde em resumo, assim manifesta suas razões: houve um “impasse” entre os Cartórios e o Ibama, em sua região, em função das modificações nas formalidades legais exigidas para reconhecimento de áreas isentas para fins de ITR. Não foi possível providenciar o Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas e averbálo no registro imobiliário, no período de 1997 e 1998; diligenciara junto ao Ibama para que aquele órgão procedesse vistoria para fins de declaração da Reserva Legal, não tendo sido atendida. Possui ADA protocolado em 2001, fato que torna inquestionável a existência da “área de preservação” em 1998; estando na iminência de ser gravemente prejudicada pela exigência fiscal, empreendeu esforços junto ao IBAMA para obter a confirmação de que requerera os Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13410.000084/200271 Acórdão n.º 2801003.191 S2TE01 Fl. 141 3 procedimentos necessários para o “reconhecimento da área de Preservação Permanente de Utilização Limitada, mediante o ADA” (sic) e que tal procedimento não pode ser realizado. Pugna pelo acolhimento do Recurso para que seja “cancelada a exigência do débito fiscal reclamado”. Foram proferidas, pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, duas Resoluções que decidiram pela conversão do julgamento em Diligência, para esclarecer a questão: a primeira, nº 3011.738, de 19 de outubro de 2006, que entendeu pela necessidade de se anexar “Laudo Técnico e/ou ADA” que corroborassem as alegações da Recorrente da existência das áreas em litígio, vindo então aos autos o documento de fl. 106; a segunda, nº 3011.865, de 24 de maio de 2007, que acrescentou a necessidade de que houvesse “um pronunciamento do IBAMA sobre a área de preservação permanente”, o que, providenciado pela Unidade preparadora, trouxe aos autos o Ofício nº 034/2010, do IBAMA/PE, que encaminhou o Laudo Técnico nº 019/2010, referente ao imóvel do qual aqui se trata (fl. 127/8) É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme manifestação da Unidade preparadora na fl. 86, e com condições de admissibilidade, já tendo sido conhecido anteriormente por esta instância recursal, conforme mencionado no Relatório. Destaco que o arrolamento de bens para seguimento de recurso administrativo não é mais necessário, a teor da Súmula Vinculante nº 21 do STF, devendo a Unidade de origem adotar as providências necessárias para seu cancelamento. Entendo que não são necessárias mais diligências ou perícias, além das que já foram determinadas anteriormente. No momento, a discussão sobre a matéria cingese a questões formais para o reconhecimento ou não do direito à isenção de áreas definidas como de utilização limitada/reserva legal e preservação permanente. Observo que parece haver confusão no que tange à classificação as áreas objeto do litígio, que a Instrução Normativa SRF nº 43/1997, art. 1º, tratou de discriminar. Vejamos: a) São áreas de preservação permanente as ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965: I com o fim de proteção aos cursos d'água, lagoas, nascentes, topos de morros, restingas e encostas; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13410.000084/200271 Acórdão n.º 2801003.191 S2TE01 Fl. 142 4 II declaradas por ato do Poder Público, destinadas a atenuar a erosão, fixar dunas, formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias, auxílio à defesa nacional, proteção de sítios de excepcional beleza, de valor científico ou histórico, asilos de fauna e flora, de proteção à vida e manutenção das populações silvícolas e para assegurar o bemestar público. b) São áreas de utilização limitada: I as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, destinadas à proteção de ecossistemas, de domínio privado, declaradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, mediante requerimento do proprietário, conforme previsto no Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996; II as áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual, conforme previsto no art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c", da Lei nº 9.393, de 1996; III as áreas de reserva legal, descritas no art. 16 e seus parágrafos e no art. 44, parágrafo único, da Lei nº 4.771, de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, onde não é permitido o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. MÉRITO. Façamos breve digressão sobre o instituto da isenção tributária: CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (sublinhei) Natureza da isenção. Conforme art. 175, caput, a isenção exclui o crédito tributário, ou seja, surge a obrigação, mas o respectivo crédito não será exigível; logo, o cumprimento da obrigação resta dispensado. Para Rubens Gomes de Souza, favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento de tributo. Para Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, hipótese de nãoincidência da norma tributária. Para Paulo de Barros Carvalho, o preceito de isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério antecedente ou do conseqüente da norma tributária, paralisando a atuação da regra matriz de incidência para certos e determinados casos.(PAULSEN. Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 10 ed – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1179) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13410.000084/200271 Acórdão n.º 2801003.191 S2TE01 Fl. 143 5 DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO. INAPLICABILIDADE ATÉ O EXERCÍCIO DE 2000. Considerando tratarse aqui do exercício de 1998, cujo fato gerador do tributo ocorreu em 1º de janeiro daquele ano, a jurisprudência deste CARF já se orientou no sentido de não ser exigível o ADA, uma vez que até o exercício de 2000, inclusive, não havia lei stricto senso que o subsidiasse. A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar também que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA. Desta forma, a finalidade da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13410.000084/200271 Acórdão n.º 2801003.191 S2TE01 Fl. 144 6 Entretanto, considerando a Súmula CARF nº 41, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros, não há que se falar em desconsideração de área de preservação permanente e reserva legal por apresentação de ADA intempestivo, para os exercícios anteriores a 2000, inclusive: “Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Desta feita, a alteração procedida pelo Auditor Fiscal na Área de Preservação Permanente declarada, de 186,0 há, e na área de Utilização Limitada, de 487,0 há, exclusivamente porque constatou que não fora apresentado ADA no prazo de até seis meses após a apresentação da DITR ao IBAMA, conforme a “descrição dos fatos” integrante do Auto de Infração, na fl. 05, não pode subsistir. Observo que no Relatório de Vistoria efetuado pelo Analista Ambiental do IBAMA, conforme fl. 128, o mesmo conclui, “por estimativa”, que na área existam de “10% a 15%” de áreas que podem ser enquadradas como de preservação permanente. Assim, considerando tratarse do exercício de 1998, que a motivação da glosa das áreas declaradas foi a apresentação intempestiva do ADA, a manifestação do IBAMA que estima a existência real de áreas assim definidas na propriedade, entendo que devam ser restabelecidos os valores declarados como APP ( 186,0 há) e Utilização Limitada (487,0 há). Desta feita, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11 /10/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10245.003640/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA.
A comprovação da entrega do numerário à pessoa jurídica, bem como de que sua origem é externa aos recursos desta, são dois requisitos cumulativos e indissociáveis, cujo atendimento é ônus do sujeito passivo. Só a ocorrência concomitante dessas condições é capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
A prova da concretização do pagamento é pressuposto material para a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, no caso de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado.
Numero da decisão: 1102-000.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a autuação relativa à omissão de receitas por presunção legal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. A comprovação da entrega do numerário à pessoa jurídica, bem como de que sua origem é externa aos recursos desta, são dois requisitos cumulativos e indissociáveis, cujo atendimento é ônus do sujeito passivo. Só a ocorrência concomitante dessas condições é capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A prova da concretização do pagamento é pressuposto material para a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, no caso de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a autuação relativa à omissão de receitas por presunção legal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MANGUARI SILVOPASTORIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. A comprovação da entrega do numerário à pessoa jurídica, bem como de que sua origem é externa aos recursos desta, são dois requisitos cumulativos e indissociáveis, cujo atendimento é ônus do sujeito passivo. Só a ocorrência concomitante dessas condições é capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A prova da concretização do pagamento é pressuposto material para a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, no caso de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a autuação relativa à omissão de receitas por presunção legal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 36 40 /2 00 8- 18 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Belém contra acórdão de sua própria lavra, em que julgou procedente a impugnação, exonerando integralmente o crédito tributário lançado, e cuja ementa encontrase assim redigida: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2003,2004,2005,2006,2007 OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. POTENCIALIDADE DE SIMULAÇÃO. A potencialidade de simulação de operações entre empresas do mesmo grupo deve ser provada como efetiva para se caracterizar negócio jurídico simulado. RECIBOS E ESCRITURAS. ASSINATURA MESMA PESSOA NOS PÓLOS DA OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. Pessoas jurídicas são entidades diversas das de seus sócios ou diretores. Não há irregularidade em uma mesma pessoa figurar nos pólos passivo e ativo de uma obrigação, como diretor de pessoas jurídicas diversas, desde que os fatos descritos nos documentos existam e sejam provados no plano exterior à organização interessada. NEGÓCIO JURÍDICO. FORMA INCOMUM. Características incomuns de negócios jurídicos dependem da natureza de cada atividade. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VERDADE MATERIAL. A verdade material, salvo previsões legais, preside a condução processo tributário, desde a instauração do procedimento fiscal até o deslinde do contencioso administrativo tributário, em conseqüência o do fato gerador deve estar contido na realidade das atividades exercidas pelo fiscalizado. FATO GERADOR. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Não foi deferido pela legislação o instituto da “presunção legal” para o fato gerador do art. 61, § 1º, da lei 8.981; assim, deve ser provada a existência de”pagamentos”, que não podem ser presumidos por mera redução de saldo da conta caixa ao final do exercício analisado. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. FATO INDICIÁRIO. PROVAS EM CONTRÁRIO. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 4 3 Havendo provas em contrário, em relação aos indícios que autorizam a presunção de Omissão de Receitas, não deve prevalecer a presunção legal, por não provado o fato indiciário.” A autuação fiscal abrange o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e os lançamentos reflexos ou decorrentes dessa fiscalização (PIS, COFINS, CSLL, e IRRF). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 319352), foram as seguintes as infrações imputadas à MANGUARI SILVOPASTORIL LTDA: 1) pagamento, ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, sem comprovação da operação ou sua causa ou a beneficiário não identificado: diminuição do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007 – multa de 75%; 2) pagamento, ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, sem comprovação da operação ou sua causa: lançamentos de pagamentos em espécie de compras de imóveis rurais com operações não comprovadas – multa de 150%; 3) presunção legal de omissão de receita: suprimento de caixa peia integralização de quotas de aumento de capital subscrito pela pessoa física Michael Patrick Vogel – multa de 75%. Com relação à primeira infração, transcrevo os seguintes parágrafos que elucidam a imputação fiscal: “A fiscalizada informou que o saldo em espécie do seu caixa em 31/07/2007 era de R$ 95.780,11, o qual, quando comparado ao valor de R$ 3.798.481,68 escriturado no último Balanço Patrimonial da empresa (transcrito no Livro Diário do AC 2005 Anexo I, fls. 103 a 116) indica saída de caixa neste período, no total de R$ 3.702.701,57, sendo necessário que o contribuinte apresentasse toda documentação hábil e idônea que comprovasse o beneficiário e a causa do pagamento, não sendo a alegação de que fez o uso do seu direito de buscar o arbitramento do lucro em 2006, justificativa válida para a não apresentação dos documentos requeridos. (...) O contribuinte mais uma vez utilizando o mesmo argumento anterior de que se encontrava impossibilitado de apresentar os elementos requeridos em função dos documentos apreendidos pela Policia Federal no Mandado de Busca e Apreensão da operação Exodus, além do fato de ter arbitrado o lucro em 2006, não apresentou nenhuma informação concreta sobre o destino de R$ 3.702.701,57; (...) Não há como aceitar os argumentos apresentados pelo contribuinte ora fiscalizado, dispensando a comprovação da causa e o beneficiário dos R$ 3.702.701,57 reduzidos da contabilidade do caixa, visto que os documentos, mesmo de forma não integral como alega o fiscalizado, foram devolvidos pela Policia Federal. (...) Pelo conjunto indissociável dos fatos relatados, a saída do caixa no valor de R$ 3.702.701,57, diferença entre o valor R$ 95.781,11 (...) e valor de R$ 3.798.481,68 (...) teve destinação diversa, uma vez que não houve a comprovação da saída destes valores, resultando em pagamento sem causa, ou por operação não comprovada, com apuração de ofício do IRRF em 31/07/2007.” Fl. 986DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 5 4 Com relação à segunda infração, transcrevo os seguintes parágrafos que elucidam a imputação fiscal: “No ano de 2003, a empresa Manguari movimentou no caixa o valor correspondente a R$ 2.885.300,00 (já considerando o estorno contábil de R$ 1.200.000,00, em 05/06/03), só realizando as operações referentes a 03 aquisições de imóveis rurais, sendo todas contabilizadas como pagamento pelo caixa, portanto, em espécie, conforme apresentado a seguir: (...) Pelos dados informados, verificamos que todas as operações de compra dos imóveis foram realizadas com a pessoa jurídica Esmeralda Empreendimentos Imobiliários, a qual possuía em seu quadro societário os seguintes sócios: (...) Pelo que referenciamos até este ponto, a Manguari Silvopastoril Ltda tem como participantes do seu quadro societário as pessoas físicas Walter Vogel e Michael Patrick Vogel, além da empresa estrangeira Coyote Finance Limited, que é quem oferece realmente o suporte financeiro, sendo assim, inconcebível aceitar as ocorrências das operações envolvendo pagamentos de somas vultosas nas formas contabilizadas, apenas com a apresentação de documentos eivados de suspeição em relação à declaração das partes ali contidas, pelas quais, pessoas jurídicas interligadas, conforme demonstrado, realizaram compra e venda de imóveis por valores que chegam a ser até 16 vezes maiores que o preço de aquisição contabilizado como pagamento em espécie e por empresa também ligada ao empreendimento Walter Vogel. Por exemplo, em 15/07/03 a Imobiliária Esmeralda, ligada ao Sr. Walter Vogel, adquiriu a Fazenda Pindorama pelo valor de R$ 50.000,00, vendendoa para Manguari Silvopastoril Ltda, também ligada ao Sr. Walter Vogel, sete dias depois, em 22/07/03, por R$ 800.000,00, cujo suposto pagamento deuse em espécie, sem nenhuma comprovação de repasse financeiro para a operação dita efetuada. Da mesma forma são as aquisições do Lote Araçá e da Fazenda Tangara, também adquiridas da Imobiliária Esmeralda por valores bem superiores ao de aquisição por aquela empresa, existindo uma supervalorização dos bens que foram supostamente vendidos à empresa Manguari em curto espaço de tempo. (...) Pelas formas suspeitas como as operações foram realizadas, com forte indício de simulação, não sendo concebível que empresas que possuem conta bancária, inclusive realizando operações com recebimento de recursos do exterior, efetuem pagamento em espécie, em um montante de cédulas equivalente a R$ 2.350.000,00, entre pessoas que possuem interesse comum, com dispensa de testemunha e outras averiguações, sendo portanto imprescindível que houvesse a comprovação do repasse financeiro, não realizado pelo contribuinte conforme respostas às nossas intimações. Desta forma, consideramos neste procedimento fiscal que os pagamentos de R$ 800.000,00, R$ 800.000,00 e R$ 750.000,00, escriturados como pagos a empresa Esmeralda Empreendimentos Imobiliários pela compra de Imóveis, escriturados como ocorridos respectivamente em 22/07/2003, 27/07/2003 e 10/10/2003, não tiveram as operações e o repasse financeiro devidamente comprovado, restando a apuração do IRRF nos termos do art. 61, §1° da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995, com qualificação da multa em razão da evidência da conduta do contribuinte estar inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71,72 e 73 da Lei n° 4.502/64, nos termos do artigo 44 inciso I I , da Lei n° 9.430/96.” E, por fim, com relação à terceira infração, transcrevo os seguintes parágrafos que elucidam a imputação fiscal: Fl. 987DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 6 5 “A empresa ora fiscalizada foi intimada, Termo de Intimação Fiscal n° 0006, a apresentar documentação, hábil e idônea, que comprovasse a integralização de capital (repasse financeiro) realizado pela pessoa física Michael Patrick Vogel, visto a existência de registro contábil nos Livros Diário e Razão de ingresso do valor R$ 240.000,00 no caixa da empresa em 10/10/2005, descrito no histórico contábil ser em razão de integralização de quotas de capital. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou apenas a 5a Alteração Contratual da Sociedade Manguari Silvopastoril Ltda, na qual apenas os senhores Walter Vogel e Michael Patrick Vogel assinam por todas as partes. Mais uma vez não há qualquer comprovante externo à sociedade de que efetivamente houve transferência financeira do sócio para a sociedade. Portanto, de acordo com o art. 282 do Decreto 3.000/1999, em que a autoridade tributária poderá arbitrar omissão de receita ‘com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas’, presumese que a entrada no caixa da empresa na data 10/10/2005, no valor de R$ 240.000,00, tratase de receita omitida.” Em sede de impugnação, o contribuinte tece extensas considerações acerca do “empreendimento Walter Vogel” e das peculiaridades das suas atividades e operações societárias, para desfazer as suspeitas de envolvimento da requerente em operações ilícitas, referindose à conclusão das autoridades Policiais e do Ministério Público Suíço relativas às investigações conduzidas no âmbito do “caso Meletta” (envolvendo crime organizado e lavagem de dinheiro), de que, no caso, nem o Sr. Walter Vogel, nem as suas 107 empresas estariam sendo alvo de investigação naquele país, em razão da ausência de “presunção fática de lavagem de dinheiro ou de alguma atividade ilegal”. E, com relação às infrações, alegou, em síntese, o seguinte: a) em relação à autuação por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, por diminuição do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007: para que o fisco presuma a ocorrência do fato gerador, é necessário despertar um sentimento robusto de segurança, razão peia qual essa presunção jamais é absoluta; é impossível comprovar a existência, ou não, dos pagamentos, para quem foram feitos, ou a que operação se referem, de forma convincente, se claramente identificado que o próprio Poder Público suprimiu a possibilidade de comprovação em contrário, dando sumiço em documentos da impugnante, uma vez que nem todos os documentos apreendidos na operação foram devolvidos; o procedimento fiscal foi arbitrário e violou a legalidade, a moralidade e a finalidade administrativa; b) em relação à autuação por pagamento sem causa, por pagamentos em espécie relativos a compras de imóveis rurais em operações não comprovadas: Fl. 988DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 7 6 o fato de o negócio ter sido realizado com documentos de emissão dos próprios envolvidos não autoriza a presunção feita; não há óbice ou ilegalidade a que uma pessoa física exerça a administração de mais de uma pessoa jurídica, e o simples fato de coincidir os administradores das pessoas jurídicas envolvidas em uma operação não invalida e nem descaracteriza a certeza e a veracidade do ato revestido de todas as formalidades legais; a compra e venda foi formalizada através de escritura publica, lavrada por tabelionato com fé pública e devidamente registrada no cartório de Registro de Imóveis, não podendo, sem qualquer base factual ou legal, ser tida como ato simulado, para o fim de aplicar penalidades; não há prova do dolo que justifique a multa qualificada; c) em relação à omissão de receitas por suprimento de caixa na integralização de Capital: o fato de o negócio ter sido realizado com documentos de emissão dos próprios envolvidos não autoriza a presunção feita; não há óbice ou ilegalidade a que uma pessoa física exerça a administração de mais de uma pessoa jurídica, e o simples fato de coincidir os administradores das pessoas jurídicas envolvidas em uma operação não invalida e nem descaracteriza a certeza e a veracidade do ato revestido de todas as formalidades legais; a integralização de quotas de capital social realizadas pelo sócio Michael Patrick Vogel, foi formalizada através da 5a alteração contratual da empresa, documento hábil e idôneo, com fé pública, eis que devidamente registrada na Junta Comercial do Estado de Roraima, não podendo, desta forma, sem qualquer base, tanto factual (porque não aponta o benefício obtido) quanto legal, ser tida como não comprovada, como se fora um ato simulado, para o fim de aplicar penalidades; estando comprovada a operação na impugnante, e os valores registrados na contabilidade, conforme documentos constantes nos autos, ainda que realizada em moeda corrente do País, não se materializa a presunção de receita omitida pela empresa. Ao final, requereu a anulação ou o reconhecimento da completa improcedência da autuação. A DRJ decidiu a lide favoravelmente ao contribuinte, em síntese, sob os seguintes fundamentos: não há prova do efetivo pagamento, no caso da diminuição do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007, pelo que não há que se falar na aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95, pois o Fisco não se pode valer de provas indiretas, neste caso; Fl. 989DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 8 7 com relação aos pagamentos em espécie relativos a compras de imóveis rurais em operações ditas não comprovadas, as operações tem beneficiários identificados (sujeitos ativos), sujeitos passivos identificados, e causas identificadas (os imóveis), estando a operação registrada em cartório e em registros contábeis, não podendo a fiscalização querer fazer crer que o “entorno”, as “circunstâncias” das operações comerciais do impugnante, aliadas a indícios de omissão de receitas, constituam fundamento para a autuação; a própria alteração contratual constitui prova da integralização de capital e de seu modo de execução, sem falar que a mesma encontrase registrada nos livros Diário e Razão da impugnante e na declaração de Imposto de Renda Pessoa Física do Sr.Michael Patrick Vogel, ano calendário 2005, e, com relação à origem, a mesma declaração informa o recebimento de valores a título de rendimentos isentos e não tributáveis em montante muito superior à integralização em questão (R$ 2.793.222,71), assim, em face da interpretação benigna prevista no art 112 do CTN, não restou demonstrado o fato indiciário, pois a origem dos recursos foi demonstrada. Tendo a recorrente sido cientificada da decisão, encaminhou a DRJ os autos a este Conselho para o reexame necessário. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. Imposto de renda na fonte: As exigências do imposto de renda na fonte foram feitas com fundamento no art. 61, da Lei no 8.981/1995, abaixo transcrito: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 9 8 § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Consoante o disposto no caput e no § 1o acima transcrito, a efetuação do pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. O § 2o reforça essa assertiva, ao determinar que a incidência do imposto ocorre no dia do pagamento, seja este “sem causa” ou “a beneficiário não identificado”. Para a aplicação deste dispositivo, portanto, o primeiro pressuposto é que não pode haver dúvida quanto à efetividade do pagamento (saída de numerário da empresa), cujo ônus da prova é do fisco, que deve, portanto, individualizar com clareza os valores e as datas em que estes ocorreram. Já com relação à causa das operações, o ônus probatório pode ser considerado repartido entre fisco e contribuinte, pois, para a aplicação do dispositivo, tanto basta que o contribuinte não prove a causa da operação, quanto pode o fisco, eventualmente, provar que a causa por ele alegada não é verdadeira. De igual modo ocorre também com relação à identificação do beneficiário. No caso, pelo relato dos fatos, ao norte efetuado, não há que se discordar da decisão da autoridade julgadora a quo no que diz respeito ao imposto de renda na fonte. Com relação à primeira situação de fato apontada pelo fisco (diminuição do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007), não há qualquer certeza, nem com relação à efetiva ocorrência do pagamento ou entrega de recursos a terceiros, nem com relação ao seu valor e momento da suposta ocorrência. No campo de aplicação do art. 61 da Lei no 8.981/1995 não há espaço para o uso da simples presunção, feita pelo fisco, de que a diferença entre o valor contábil escriturado na conta Caixa em determinada data, e o montante do saldo em espécie, fisicamente verificado em outra data, constitui prova de pagamento efetuado. Com relação à segunda situação de fato apontada pelo fisco (pagamentos em espécie relativos a compras de imóveis rurais em operações não comprovadas), igualmente não há certeza com relação à efetiva ocorrência do pagamento ou entrega de recursos a terceiros. O relato da própria autoridade fiscal deixa isto claramente transparente, conforme os seguintes excertos (grifei): “(...) cujo suposto pagamento deuse em espécie, sem nenhuma comprovação de repasse financeiro para a operação dita efetuada. (...) (...) não sendo concebível que empresas que possuem conta bancária (...) efetuem pagamento em espécie, em um montante de cédulas equivalente a R$ 2.350.000,00 (...) (...) sendo portanto imprescindível que houvesse a comprovação do repasse financeiro (...) (...) os pagamentos de R$ 800.000,00, R$ 800.000,00 e R$ 750.000,00, escriturados como pagos a empresa Esmeralda Empreendimentos Imobiliários pela Fl. 991DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 10 9 compra de Imóveis, escriturados como ocorridos respectivamente em 22/07/2003, 27/07/2003 e 10/10/2003, não tiveram as operações e o repasse financeiro devidamente comprovado (...)” Não há que se confundir a falta de comprovação de uma operação com falta de comprovação de pagamento. Conforme dito, sobre a efetivação do pagamento não pode haver dúvidas, e, no caso, conforme visto, o próprio fisco sustenta justamente a não realização do pagamento, pelo que não pode prosperar a autuação. Omissão de receitas: A exigência do IRPJ e seus reflexos de PIS, COFINS, e CSLL, por sua vez, está amparada na acusação de omissão de receitas por força de suprimentos de sócios cuja origem e efetividade não restaram comprovadas. Aqui, diferentemente do que ocorre com relação ao pagamento “sem causa” ou “a beneficiário não identificado”, a falta de efetividade da transferência dos recursos é justamente um dos pressupostos materiais para a aplicação do dispositivo legal que prevê a ocorrência de omissão de receitas, no caso, o art. 12, § 3o, do DecretoLei no 1.598/1977, que possui a seguinte dicção: “§ 3º Provada, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a omissão de receita, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas.(Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978).” Outro dos pressupostos materiais para a aplicação do mencionado dispositivo é a falta de comprovação da origem dos recursos eventualmente supridos. A jurisprudência do CARF a respeito desta matéria de há muito consolidou se no sentido de que, para afastar a presunção legal em comento, o sujeito passivo há de fazer prova cumulativamente de que os recursos efetivamente ingressaram na sociedade e de que os mesmos foram percebidos pelos sócios, ou de origem estranha à sociedade, ou, se dela oriundos, que foram submetidos à regular contabilização. A falta de comprovação de qualquer uma das duas circunstâncias previstas na norma legal em questão (origem dos recursos e efetividade da entrega) atraem a incidência da presunção legal em comento. Neste sentido, a seguinte jurisprudência: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA POR SÓCIOS A jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, referendada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, é firme no sentido de que a comprovação da entrega do numerário à pessoa jurídica, bem como de que sua origem é externa aos recursos desta, são dois requisitos cumulativos e indissociáveis, cujo atendimento é ônus do sujeito passivo. Só a ocorrência concomitante dessas condições será capaz de elidir a presunção legal de omissão de receitas. (Acórdão CSRF/0105.722, sessão de 11 de setembro de 2007, relator Cândido Rodrigues Neuber) Fl. 992DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 11 10 PROVAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO A origem do numerário utilizado nos suprimentos de caixa realizados pelos sócios da pessoa jurídica está sujeita a comprovação. Não basta a existência de depósitos bancários e cheques, pois a comprovação da origem deve ser distinta da comprovação da efetividade, pois não haveria sentido em o legislador discriminar duas provas se elas evidenciassem os mesmos fatos. Também não ilide a cobrança a comprovação genérica da capacidade financeira dos sócios por meio de declarações anuais, pois é necessário que se demonstre a origem específica de cada suprimento de numerário. (Acórdão CSRF/01 05.949, sessão de 11 de agosto de 2008, relator Marcos Vinícius Neder de Lima) SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS FEITOS POR SÓCIOS PROVA DA ORIGEM E EFETIVA ENTREGA. A jurisprudência deste Colegiado é pacífica ha mais de duas décadas no sentido de que, para afastar a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 12, § 30 do Decretolei n° 1.598/77 e art. 1° inciso II do Decretolei n° 1.648/78, hoje consolidada no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, não basta provar a efetividade da entrada de recurso nas contas de disponíveis da pessoa jurídica, é preciso provar que a origem dos recursos é externa à empresa e, lógico, que a fonte externa seja perfeitamente identificada como estranha às atividades e operações da empresa. (Acórdão 10709.445, sessão de 13 de Agosto de 2008, relator Luiz Martins Valero) SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO COMPROVAÇÃO A simples apresentação de contrato de mútuo não pode servir de elemento de comprovação dos alegados suprimentos de numerário feitos pelos sócios, eis que, no caso, a legislação de regência exige que sejam comprovadamente demonstradas a efetividade da entrega e a origem dos recursos, e o contrato, em si considerado, não demonstra nem uma nem outra situação. (Acórdão 10516.307, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator Wilson Fernandes Guimarães) OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. CARACTERIZAÇÃO. O suprimento de numerário feito por sócio, cuja origem e efetividade da entrega não forem devidamente comprovados através de documentação hábil e idónea, autoriza a presunção legal de omissão de receita. (Acórdão 10322.594, sessão de 16 de agosto de 2006, relator Paulo Jacinto do Nascimento) IRPJ — SUPRIMENTOS DE CAIXA OMISSÃO DE RECEITAS — CARACTERIZAÇÃO — A presunção da omissão de receitas por suprimentos de caixa de que trata o art. 181 do RIR/80 somente se desfaz quando presentes as provas, cumulativas, da efetividade da entrega e da origem dos suprimentos, coincidentes em datas e valores. (Acórdão 10708.828, sessão de 09 de novembro de 2006, relator Natanael Martins) No caso, há que se discordar da argumentação tecida pela autoridade julgadora a quo, segundo a qual a própria alteração contratual revestirseia do caráter de prova da integralização e de seu modo de execução, bem como de que se deva aceitar a simples comprovação da capacidade financeira do supridor como suficiente a evidenciar, por alguma forma de interpretação benigna, a comprovação da origem dos recursos. Nada mais equivocado. Conforme acima exposto, a prova da efetividade do ingresso do numerário e da origem dos recursos utilizados para aumento de capital hão de ser feitas pela pessoa jurídica, sob pena de se materializar a incidência da presunção legal em comento. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 12 11 O aumento de capital, que teria sido feito por um de seus sócios, encontrase registrado na conta caixa da empresa em 10/10/2005, no valor R$ 240.000,00. Intimado, o contribuinte limitouse a apresentar a cópia da sua 5a Alteração Contratual, na qual consta o registro do referido aumento de capital. Este documento, contudo, não comprova a efetiva transferência financeira do sócio para a sociedade. Esta seria comprovada, por exemplo, por meio de transferência bancária feita, ou de cheque nominal emitido, diretamente pelo sócio em favor da pessoa jurídica. O contribuinte, entretanto, em sede de impugnação, insiste na afirmativa de que o pagamento referente ao aumento de capital foi feito em espécie (fls. 411), sem fornecer qualquer outro elemento adicional de prova de que detinha a posse daquela significativa quantidade de numerário em espécie naquela data. Tenho, portanto, que a efetividade da entrega do numerário não foi comprovada, o que, por si só, já é motivo suficiente para a manutenção da autuação fiscal, neste aspecto. Na sessão de setembro de 2013, foi ponderado por alguns de meus pares que não haveria vedação na lei a que os suprimentos de numerário fossem efetuados em espécie, e o processo saiu em vistas. De fato, não há vedação à entrega de numerário em espécie, entretanto, em se tratando de suprimentos alegadamente efetuados pelo próprio sócio, evidentemente o fato de a operação, envolvendo vultosa quantia, ser realizada em espécie, é circunstância que somente dificulta a comprovação da efetividade da operação, cujo ônus, em face da presunção legal que sobre ela pesa, é do contribuinte. Deveria o contribuinte ter feito prova de que havia sacado recursos naquele montante, de uma de suas contas bancárias, ou então de que havia recebido, também em espécie, aquele valor de alguma outra fonte. Ao fazer o suprimento em espécie, é o contribuinte que atrai para si uma dificuldade na formação da prova, que cabe exclusivamente a ele fazer. Neste mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho, de acordo com os precedentes acima transcritos. Transcrevo, por oportuno, trecho do voto condutor do referido Acórdão 10709.445, cujo julgamento deuse por unanimidade de votos: “Não basta provar que os sócios tinham capacidade econômica para arcar com os recursos registrados, é preciso prova efetiva e inconteste de que os recursos saíram do patrimônio pessoal dos supridores. Alegar entrega em espécie, sem quaisquer outros elementos de prova não satisfaz o requisito legal.” (destaquei) Da mesma forma, trecho do voto condutor do referido Acórdão 10516.307, também decidido por unanimidade de votos: “Alega a empresa que não existe proibição para a realização de operações em dinheiro. Quanto a isso, não merece reparo o argumento, pois, efetivamente, em regra, inexiste qualquer vedação para que operações sejam realizadas em dinheiro. Contudo, quando se trata de suprimento feito por sócio à empresa, a lei, como já dissemos, exige que a efetiva entrega e a origem dos recursos sejam comprovadamente demonstradas. Assim, tratandose de suprimentos de numerário, a Fl. 994DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 13 12 operação realizada em dinheiro compromete a comprovação, tanto da origem do recurso envolvido, como da própria efetividade da transação.” (destaquei) Da mesma forma, trecho do voto condutor do referido Acórdão 10322.594, também decidido no ponto por unanimidade de votos: “Por outro lado, o suprimento não comprovado, registrado na contabilidade sem qualquer documento emitido por terceiro que o lastreie, por si mesmo, sobretudo quando, como ocorre no caso, é feito em espécie, se constitui no indício de omissão de receitas exigido pela legislação de regência para a incidência da presunção, não merecendo prosperar a alegação da recorrente em sentido contrário.” (destaquei) E, ainda, trecho do voto condutor do referido Acórdão 10708.828, também decidido por unanimidade de votos: Pois bem, quanto a primeira das acusações, suprimentos de caixa não comprovados , andou bem o Colegiado da 3' Turma da DRJ em Fortaleza ao manter a acusação visto que embora não haja dúvida quanto à efetividade dos recursos internados ao caixa da empresa, a verdade é que esta não conseguiu provar, mediante documentação hábil e idônea a sua origem porquanto todos os depósitos foram feitos em dinheiro. (destaquei) Ademais, com relação à origem, tampouco há nos autos qualquer comprovação feita pela fiscalizada, que, neste aspecto, sequer buscou demonstrar ao menos a capacidade financeira do supridor (o que, de qualquer sorte, não seria suficiente para afastar a presunção legal de omissão de receitas). De fato, foi somente a DRJ quem informou, em sua decisão, ter consultado, em nome da verdade material e da celeridade processual, nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física – DIRPF do sócio em questão. A partir dos dados obtidos nesta consulta, que evidenciavam a capacidade financeira do supridor, desenvolveu a DRJ o seu equivocado raciocínio para concluir pela comprovação da origem dos recursos, no presente caso. Merece reforma, portanto, neste tópico, a decisão recorrida. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a autuação relativa à omissão de receitas por presunção legal. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 995DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10245.003640/200818 Acórdão n.º 1102000.947 S1C1T2 Fl. 14 13 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 11/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 16327.721048/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Havendo pagamento antecipado, aplica-se a regra prevista no artigo 150 § 4º do CTN.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ABRANGÊNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Como previsto no § 1º do artigo 7º da Portaria RFB 11.371/07, o MPF fará referência a tributo cujo fato gerador tenha ocorrido cinco anos anteriores à sua expedição.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
INCONSTITUCIONALIDADE - ADICIONAL DE 2,5%.
Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS
Não constitui desrespeito à Lei nº 10.101/00 a celebração de acordos de PLR na metade ou no final do período a que se referiam acima descritos, já que legislação não estipula prazo para a sua assinatura, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas.
Rege o princípio do ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto.
Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO.
O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE MECANISMOS DE AFERIÇÃO DO CUMPRIMENTO DO ACORDADO.
A Lei 10.101/2000, em seu art. 2º. § 1º, exige que existam mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Na ausência de apresentação de tais mecanismos, afasta-se o benefício fiscal da isenção/imunidade.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais e, no caso da GFIP, deve ser aplicada a multa prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, se mais benéficas ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-003.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, devido à questão do acompanhamento de metas para pagamento de PLR, pelos segurados, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de celebração dos acordos de PLR, em relação aos que se referem aos segundos semestres de 2006 e 2007, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de celebração dos acordos de PLR, em relação aos demais acordos, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c)em dar provimento ao recurso, na questão da razoabilidade de valores pagos e conseqüente substituição do salário pelo PLR, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, em relação ao descumprimento de obrigação acessória, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva. Declaração de voto: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Mauro José Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. PRAZOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Havendo pagamento antecipado, aplicase a regra prevista no artigo 150 § 4º do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ABRANGÊNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Como previsto no § 1º do artigo 7º da Portaria RFB 11.371/07, o MPF fará referência a tributo cujo fato gerador tenha ocorrido cinco anos anteriores à sua expedição. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 48 /2 01 1- 73 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Não constitui desrespeito à Lei nº 10.101/00 a celebração de acordos de PLR na metade ou no final do período a que se referiam acima descritos, já que legislação não estipula prazo para a sua assinatura, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas. Rege o princípio do “ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus”, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA DE MECANISMOS DE AFERIÇÃO DO CUMPRIMENTO DO ACORDADO. A Lei 10.101/2000, em seu art. 2º. § 1º, exige que existam mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Na ausência de apresentação de tais mecanismos, afastase o benefício fiscal da isenção/imunidade. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais e, no caso da GFIP, deve ser aplicada a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, se mais benéficas ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, devido à questão do acompanhamento de metas para pagamento de PLR, pelos segurados, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de celebração dos acordos de PLR, em relação aos que se referem aos segundos semestres de 2006 e 2007, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de celebração dos acordos de PLR, em relação aos demais acordos, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 484 3 Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; c)em dar provimento ao recurso, na questão da razoabilidade de valores pagos e conseqüente substituição do salário pelo PLR, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, em relação ao descumprimento de obrigação acessória, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva. Declaração de voto: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório O presente processo administrativo fiscal tem por objeto os seguintes autos de infrações sob as seguintes rubricas: i) Debcad nº 37.333.6632 no qual foram lançadas as contribuições devidas pela empresa (quota patronal (20%), contribuição adicional (2,5%) e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT (2%)). O referido lançamento diz respeito às remunerações pagas aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados, ao arrepio da legislação específica, nas competências de 02 e 08/2006, 02 e 08/2007 e 02/2008. O valor total do crédito perfez o montante de R$ 14.282.305,68 (quatorze milhões e duzentos e oitenta e dois mil e trezentos e cinco reais e sessenta e oito centavos); E ii) Debcad nº 37.333.6640 no qual foram lançadas as contribuições devidas pela empresa e destinadas ao FNDE (Salário Educação – 2,5%) e ao INCRA (0,2%). O referido lançamento diz respeito às remunerações pagas aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados, ao arrepio da legislação específica, nas competências de 02 e 08/2006, 02 e 08/2007 e 02/2008. O valor total do crédito perfez o montante de R$ 1.593.014,39 (um milhão e quinhentos e noventa e três mil e quatorze reais e trinta e nove centavos). Fundamentando a lavratura dos relacionados autos de infração, a D. Autoridade fiscal informa, em relação ao PLR, que: “5.19 Os Acordos Próprios de PLR, relativos aos períodos aqui tratados, foram celebrados em: # 2º semestre 2005 (outro CNPJ) – 20 de setembro de 2005; # 1º semestre 2006 (outro CNPJ) – 20 de janeiro 2006; # 2º semestre 2006 – 06 de novembro de 2006; # 1º semestre 2007 – 01 de julho de 2007; e 2º semestre 2007 – 10 de dezembro de 2007. 5.20 Ora, se tais acordos foram celebrados na metade ou no final do período a que se referiam e, portanto, não há que se falar em metas pré estabelecidas. (...) Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 485 5 5.25 Sendo que as assinaturas dos acordos e o consequente conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram muito após o início de vigência dos mesmos, isso nos leva a questionar como é possível o comprometimento dos funcionários com metas que só vão conhecer praticamente no final do ano? No momento em que a participação foi pactuada, já haviam ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa. 5.26 Admitir que o pagamento não estivesse sujeito a condição estipulada, de forma clara e objetiva, em instrumento da rubrica e o ensejo à fraude, pois o empregador poderia instituir pagamentos mascarados com rótulo de “participação nos lucros ou resultados” apenas para não ter natureza salarial e não pagar encargos sociais sobre o referido pagamento. 5.27 Dessa forma, os instrumentos de acordo em tela não objetivaram incentivar a produtividade, uma vez que o resultado positivo já havia sido definido. Independentemente de qualquer atitude tomada pelos empregados após a assinatura dos acordos, eles receberiam a mesma participação nos lucros, o que lhes retirou a possibilidade de terem sua produtividade estimulada, desnaturando a essência desse instituto. Ao serem retroativos, os programas criam paradoxo, estabelecendo metas referentes a períodos cujos resultados já aconteceram e não podem ser modificados, por mais que se esforcem os empregados. (...) 5.42 Ora, em momento algum foram demonstradas quais as regras a serem cumpridas por cada funcionário (Ferramentas para Definição das Metas), data de seu estabelecimento, o detalhamento da base de composição de cálculo dos valores recebidos, bem como a data e ciência das avaliações de performance. 5.43 Desta feita, não ficaram comprovados o estabelecimento prévio de metas, as bases de composição de cálculo dos pagamentos de PLR, nem a forma e data das avaliações qualificativa e quantificativa procedidas pela empresa. Ademais, não há que se falar em conhecimento prévio dos objetivos individuais, uma vez que os relatórios apresentados durante a auditoria não possuem data que comprove quando tais metas passaram a ser de conhecimento do empregado. Em continuidade ao expedido, lembramos que um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema é aquele determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, Essa disposição legal demonstra claramente a preocupação do legislador em permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial. 5.47 No caso dos acordos ora questionados foram apontados, nos Anexos II, III e IV – Comparativos Salário Anual x PLR Anual 2006/2007/2008, dados Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 através dos quais é possível notar a existência de duas “castas” de empregados no que tange ao recebimento da PLR, devido a uma diferença de valores recebidos. 5.48 Em 2006 os valores de PLR representam entre 20,02% e 89,34% do salário anual dos empregados. Em 2007, os montantes vão de 20,37% a 94,52%. Em 2008, de 20,17% a 100,00%. 5.53 Desta feita, o que embasaria o pagamento de uma PLR que chega a 100% do salário anual de um emprego? É consenso que os profissionais do mercado financeiro são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam. Nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Ocorre que, quando a suposta PLR paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração.” Devidamente notificada, a Recorrente opôs impugnação alegando, basicamente, que (i) nulidade dos autos de infração por terem sido lavrados com base em suposições; (ii) ocorrência de decadência; (iii) ocorrência de erro material quanto à citação do CNPJ da empresa nos Acordos não constituiria motivo para fundamentar a presunção de ausência dos respectivos acordos; (iv) os empregados já tinham devido conhecimento das regras reguladoras do PPL, muito antes da assinatura do instrumento de Acordo, sendo a assinatura apenas mero ato de formalização das disposições previamente fixadas e comunicadas; (v) cumprimento dos requisitos legais quanto à clareza e objetividade das regras previstas nos acordos, bem como a mudança de entendimento sentido de que as disposições contidas nos acordos não seriam claras e objetivas, inovou no critério jurídico da fiscalização, o que ocasionou no desrespeito ao artigo 146 CTN; (vi) deixou a Fiscalização de comprovar que o pagamento a título de participação de lucros possuíam caráter salarial; necessidade de proceder a revisão na multa aplicada. A instância a quo julgou improcedente a impugnação, mantendose, dessa forma, o lançamento integralmente no período subsequente. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 486 7 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência Por se tratar a decadência de matéria cujo reconhecimento prejudica o mérito da demanda administrativa, passo apreciar esse tema em sede de preliminar. Cabe salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 487 9 competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se apura verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados mediante GPS (vide TEAF de fl. 271), considerando, assim, a totalidade da folha de salários do sujeito passivo, efetuando o lançamento das diferenças encontradas, qual seja, a parte relativa aos denominados “salários indiretos”. Assim, a meu ver, não há dúvidas, pois, de que houve pagamento antecipado e, portanto, deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Nesse sentido vem se posicionando a Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê nos autos do processo nº 36918.002963/200575, em cuja ementa restou consignado: “In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal).” Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre fevereiro de 2006 a fevereiro de 2008 e que a ora recorrente foi intimada em 31 de agosto de 2011, verificase que está decaída a competência de fevereiro de 2006. Mandado de Procedimento Fiscal Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 488 11 Sustenta a Recorrente que o Mandado de Procedimento Fiscal expedido pela autoridade fiscalizadora padeceria de nulidade haja vista que albergou fatos geradores além daqueles nele previstos. Contudo, não há de se manter a alegação. Isto, porque como bem afirma o recorrente o MPF foi expedido para a verificação de fatos geradores ocorridos entre 2006 a 2009. A fiscalização, a meu ver, seguiu fielmente o predeterminado tanto que apurou contribuições nas competências de fevereiro e agosto de 2006; fevereiro e agosto de 2007 e fevereiro de 2008. Não se impõe, como pretende a recorrente, impor limites ao MPF em relação aos documentos analisados relativos ao ano de 2005, já que como previsto no § 1º do artigo 7º da Portaria RFB 11.371/07, o MPF fará referência a tributo cujo fato gerador tenha ocorrido cinco anos anteriores à sua expedição, o que de fato ocorreu. A norma citada, como visto, tem como referência o prazo decadencial do fato gerador e não da documentação que lhe deu suporte, o que não poderia ser diferente em razão do artigo 195 do Código Tributário Nacional. Assim, rejeito a preliminar. Inclusão dos sócios como coresponsáveis pelo crédito tributário Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, procede o argumento da recorrente. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Aplicase ao caso, portanto, a Súmula CARF nº 88, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos apenas como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, não atribuindo a responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas. Acolho, portanto, essa alegação. Inconstitucionalidade – Adicional de 2,5% No tocante a essa matéria, aplico a Sumula CARF nº 02, segundo a qual pontifica que esse Conselho não é competente para decidir sobre inconstitucionalidade de lei. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 Também não é o caso de, a meu ver, determinar o sobrestamento da matéria, pois não houve determinação expressa do Supremo Tribunal Federal para que todos os processos envolvendo essa matéria fossem suspensos, conforme Portaria CARF nº 01/2012. Participação nos Lucros e Resultados – Lei nº 10.101/00 A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7°, inciso XI, instituiu a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho, desvinculandoa, nos termos da lei regulamentadora, expressamente da remuneração e, portanto, da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI — participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" Muito se discute acerca das qualidades da norma imunizante do disposito supra, isto é, se de eficácia plena e com aplicabilidade imediata ou de eficácia contida e dependente de lei que talhe os requisitos para a sua fruição. Até o presente momento, o Supremo Tribunal Federal tem se manifestado no sentido de que o dispositivo constitucional supra depende, para sua aplicabilidade, de lei que o regulamente. É o que se vê nos julgados abaixo: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.(RE 505597 AgRAgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe237 DIVULG 17122009 PUBLIC 18122009 EMENT VOL02387 08 PP01391)” “DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança da contribuição previdenciária em período anterior à Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 489 13 edição da Medida Provisória 794/94.(RE 393764 AgR, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008, DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234609 PP01971 RTJ VOL0020902 PP 00864)” “EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido.(RE 398284, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008, DJe241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL02346 09 PP02087 RTJ VOL0020803 PP01221)” Não obstante os precedentes ora colacionados o Augusto Supremo Tribunal Federal, nos autos do recurso extraordinário nº 569.441/RS, reconheceu a densidade constitucional da matéria e sua repercussão geral, submetendo o caso a julgamento pelo Plenário, de modo a dar contornos definitivos acerca da interpretação do inciso XI, do artigo 7º da Constituição. A legislação tributária, ao tratar da matéria, impôs condição para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9°, alínea "j", que assim preceitua: "Art. 28. (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: (...) j — a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando para ou creditada de acordo com a lei específica." Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: "Art. 2° Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participacão e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vivência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3° A participação de que trata o artigo 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário.” (...) § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. (...)" Após reedições a Medida Provisória retro foi convertida na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: "Art. 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art.3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação de lucros ou Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 490 15 resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” Como se extrai da legislação existem alguns requisitos basilares para que os valores pagos a título de participação nos lucros não sejam tributados por meio das contribuições previdenciárias, quais sejam, exemplificativamente: i) negociação entre empresa e empregados, representados por suas respectivas comissões mediante acordo, com a participação do representante do sindicato da categoria, ou mediante acordo ou convenção coletiva; ii) o acordo entre empresa e empregados ou no acordo ou convenção coletiva deverá prever regras claras e objetivas, isto é, do conhecimento de todos, quanto à forma de atingimento das metas, índices de produtividade, lucratividade, etc. (regras substantivas), e conter mecanismos de aferição de como esses valores serão apurados; iii) dada a predileção normativa para a livre negociação entre empresa e empregados, podem ser adotados os critérios de antemão exemplificados nos incisos I e II do § 1º do artigo 2º ou outros de interesse das partes; iv) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; v) a participação nos lucros ou resultados não pode substituir ou complementar a remuneração devida a qualquer empregado; vi) os pagamentos a esse título não podem ser efetuados em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes ao ano. Importante registrar que, por um lado, se a empresa instuir a participação nos lucros ou resultados deverá atender a todos os requisitos expostos na Lei nº 10.101/00, por outro, a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem, em seus julgados, privilegiando a interpretação normativa no sentido da liberdade de negociação entre as partes envolvidas e da atenção ao cumprimento dos requisitos que expressamente constem da lei de regência. Nesse sentido destaco voto do Conselheiro Elias Sampaio Freire, condutor do Acórdão nº 920200.503: “Mais uma vez há de se insistir na questão de que, procurando não interferir nas relações entre a empresa e seus empregados e atento ao verdadeiro conteúdo do inciso XI do art. 7º da Constituição, o legislador ordinário, no art. 2º da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, fruto da conversão da Medida Provisória nº 794/94 e reedições, limitouse a prever que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para a revisão do acordo. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício. Existe sim a obrigatoriedade de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. A Constituição reconhece amplamente a validade das convenções e acordos coletivos de trabalho (art. 7º, XXVI) e a função da negociação coletiva é obter melhores condições de trabalho e cobrir os espaços que a lei deixa em branco. Se por um lado cabe ao fisco verificar se os requisitos legalmente estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado é defeso a este mesmo fisco exigir requisitos desprovidos de previsão legal.” No caso desses autos, a autoridade fiscalizadora elencou, no Relatório Fiscal, os fatos que na sua visão comprometeram o acordo de participação nos lucros e resultados em relação ao cumprimento dos requisitos legais: a) acordos de PLR referentes ao 2º semestre de 2005 e 1º semestre de 2006 eram de outro CNPJ e não do contribuinte autuado; b) os acordos foram celebrados na metade ou no final do período a que se referiam e, portanto, não há que se falar em metas préestabelecidas; c) ausência de regras claras e objetivas; d) divergência nos valores pagos aos empregados, sendo que alguns variaram entre 20,37% a 89,34% dos seus salários nominais em 2006; 20,37% a 94,52% em 2007 e 20,17% a 100,00% em 2008, o que evidencia também a substituição salarial. Seguindo a linha de raciocínio entendemos que prevalece o princípio do “ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus”, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto. Nesse sentido o voto do Conselheiro Oseas Coimbra Junior, condutor do Acórdão nº 280300.254: “As regras das PLR foram estatuídas ao final do exercício, com acordos assinados no mês de dezembro dos respectivos anos envolvidos na PLR. A lei 10.101/00 não traz limite temporal para a celebração dos acordos, o que seria mais um fator limitador de aplicação da norma. Não cabe ao julgador estabelecer limites que dificultem a efetivação de direitos, onde a lei assim não se manifestou.” Posição essa que vem encontrando ressonância nesse Conselho, conforme se vê do voto do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, condutor do Acórdão nº 240100.828: “Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não Fl. 474DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 491 17 poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade” Dessa forma, entendo que não podem constituir como desrespeito à Lei nº 10.101/00 os itens “b” e “d” acima descritos, já que não se configuram como requisitos exigidos para a validade do Plano. De fato a Lei 10.101/00 não estipula prazo para a assinatura dos acordos de PLR, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas. Como visto, a legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. Nesse mister, é muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconhecia os objetivos a serem perseguidos. No caso dos autos verificase, em adição, que os planos analisados no período autuado são todos muito similares, reforçando a idéia do conhecimento prévio dos empregados a respeito das metas a serem atingidas. A fiscalização, inclusive, assim reconheceu ao afirmar no item 5.30 do Relatório Fiscal o seguinte: “5.30. Sendo o teor dos Acordos Próprios ora analisado extremamente parecidos, trataremos como exemplo daquele relativo ao 2º semestre de 2006, celebrado em 06 de novembro de 2006.” Também nesse diapasão não se sustenta o argumento de que os empregados receberam valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria lei que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. Nesse sentido o Acórdão 20501.331: “ (...) a lei não diz que os valores pagos a titulo de participação nos lucros devem ser idênticos e uniformes para todos os beneficiários do programa. Os aumentos de lucratividade da empresa resultam participação variável pela aplicação de percentual incidente sobre os salários. Dai a necessidade do ajuste anual para que as regras pactuadas previamente sejam adequadas à realidade dos fatos. Não há nenhuma restrição da lei nesse sentido” Igualmente não se pode caracterizar, data vênia, como salário simplesmente o fato de um dado empregado ter recebido valores próximos a 100% do seu salário anual como participação nos lucros e resultados. A Lei 10.101/00 ao passo que não impõe limites objetivos nesse patamar não permite que se criem regras nela não subsistentes, tal como descrito acima. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 18 Avançando nas questões arroladas no lançamento, o Fisco afirmou que os acordos de PLR referentes ao 2º semestre de 2005 e 1º semestre de 2006 eram de outro CNPJ e não do contribuinte autuado. O Recorrente afirma que tratouse de mero erro material, o que foi corroborado pela decisão recorrida, in verbis: “8.2. No atinente ao suscitado erro material quanto ao CNPJ do signatário informado nos acordos que deram azo aos pagamentos a título de PLR referentes ao 2º semestre de 2005 e aos dois semestres de 2006, ainda que sob a ótica do benefício da duvida soa razoável entenderse pela efetiva ocorrência do erro material afastandose, assim, o entendimento da Autoridade Fiscal quanto à inexistência de tais Acordos.” Embora reconhecido o erro material em primeira instância, a autuação foi mantida na íntegra pois a DRJ aderiu aos demais argumentos suscitados pela autoridade fiscalizadora. Reconheço também tratarse de evidente erro material na transcrição do CNPJ nesses dois acordos, pois como pode ser observar apesar de citar um outro CNPJ, ambos retratam do estabelecimento autuado, fazendo a referência ao seu endereço e assinado por seus empregados, como se pode aferir do levantamento efetuado pela fiscalização dos valores recebidos por cada um deles. Aponta o relato fiscal que o acordo de PLR não contém regras claras e objetivas. Assim expõe: “Ora em momento algum foram demonstradas quais as regras a serem cumpridas por cada funcionário (Ferramentas para Definição de Metas), a data de seu estabelecimento, o detalhamento da base de composição de cálculo dos valores recebidos, bem como a data e ciência das avaliações de perfomance.” Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que “a objetividade e clareza exigida pelo § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado”, conforme Acórdão nº 920201.607 proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. No caso dos autos os programas de PLR definem como meta objetiva a ser atingida é o aumento do lucro. Nesse sentido a Cláusula 2º do acordo firmado em 06 de novembro de 2006 e base para a autuação: “As partes estabelecem que, para sr feita distribuição de resultados aos empregados, o lucro deverá ser igual ou superior a 20% (vinte por cento) do faturamento das EMPRESAS no período acima.” O parágrafo único da cláusula supra transcrito é claro em afirmar que não haverá distribuição de participação caso o lucro das empresas envolvidas não atinja o valor acima. A meta a ser alcançada, portanto, é puramente objetiva e acolhida pelo inciso I, do § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 492 19 O que a meu ver a fiscalização não acolheu, em que pese afirmar a ausência de definição de metas, foi com a maneira pela qual, atingida a meta, cada empregado receberá a sua participação. Não acolheu, portanto, com a metodologia de aferição do seu resultado. Por seu turno a metodologia de aferição leva em consideração, segundo o Anexo I do citado Acordo a avaliação de desempenho individual do empregado em conjunto com avaliação de critérios objetivos para a área a qual pertence. Por exemplo, para os empregados alocados na área de private banking serão avaliados os seguintes critérios: i) captação de novos clientes; manutenção dos clientes atuais; quantidade de visitas realizadas a clientes; volume de receita gerada, etc. Além disso prevê que empregado e seu gestor direto farão avaliação da respectiva área a fim de averiguar o cumprimento de melhorias, alterações de processos internos, de modo,no meu sentir, a alcançar a meta primordial que é o aumento da lucratividade. Constam dos autos avaliações individuais de empregados, sejam aqueles referentes à sua qualificação no trabalho (eficiência, pro atividades, trabalho em equipe), bem como aquela referente à sua performance na área de atividade. A Lei nº 10.101/00 apenas exemplifica alguns critérios por meio dos quais poderão ser aferidas a participação do empregado, tais como, lucro, índices de resultado, prazos, não impondo às partes legitimidades para a elaboração do acordo (empregador e empregados) a obrigatoriedade na utilização dos critérios nela arrolados. Nesse sentido são livres as partes para instituírem metas ou resultados que melhor condizem com os objetivos a serem alcançados em conjunto de modo a dar flexibilidade nas relações e, com isso, construir uma sociedade mais justa e solidária ao entabular a paridade nas relações ao passo que representantes do empregador e dos empregados, estes com a participação e orientação sindical, criam suas próprias metas. Por essa trilha e seguindo o precedente acima citado da Câmara Superior de Recursos Fiscais não vislumbro a existência de dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado, já que a meta principal – aumento do lucro – é indissociável do desempenho pessoal do empregado e seus resultados atingidos nas áreas que lhes competem. O sindicato da categoria, como visto, acompanhou as negociações e arquivou o programa, o que reforça, a meu ver, que esse, tal como fixado, foi amplamente aceito e conhecido pelos empregados. Ademais, os anexos acostados ao acordo de PLR definem os termos nele utilizados explica a forma e os critérios para a pontuação dos empregados, além de demonstrar exemplificativamente a avaliação de um caso concreto, o que a meu ver revela a clareza das suas regras, seja no atingimento das metas, seja quanto aos mecanismos de aferição do que fora acordado. Multa Fl. 477DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 20 Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte, para as obrigações principais e, no caso da GFIP, deve ser aplicada a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para, nas preliminares reconhecer a decadência da competência de fevereiro de 2006 e rejeitar a nulidade do lançamento em razão do prazo contido no MPF e, no mérito, reconhecer que os valores pagos a título de PLR seguiram os ditames da Lei nº 10.101/00, não podendo, portanto, constituírem em base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. A multa, para a obrigação principal, deverá ser Fl. 478DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 493 21 calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91 e, para a GFIP (obrigação acessória) deverá ser atendido o disposto no artigo 32A, se mais benéfico ao contribuinte. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 479DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 22 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Inicio a análise do litígio posicionandome sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem consequências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 494 23 com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em consequência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 24 constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em consequência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 495 25 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um consequente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 26 “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 496 27 entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 28 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 497 29 Nºhttp://brs02.tst.jus.br/cgibin/nph brs?d=BLNK&s1=%2831%29+e+bddc.base.&u=http://www.tst.gov.br/ jurisprudencia/brs/genep.html&p=1&r=1&f=G&l=0 h0http://brs02.tst.jus.br/cgibin/nph brs?d=BLNK&s1=%2831%29+e+bddc.base.&u=http://www.tst.gov.br/ jurisprudencia/brs/genep.html&p=1&r=1&f=G&l=0 h231 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. Em adição, a Lei 10.101/2000, em seu art. 2º. § 1º, exige que existam mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, mas, segundo a autoridade fiscal, a recorrente foi intimada a apresentar documentos que comprovassem a existência de tais mecanismos, mas não o fez. No Recurso Voluntário, a recorrente não trata dessa questão ou traz provas que refutem a acusação fiscal. Portanto, votamos por negar provimento ao Recurso pela falta de acompanhamento das metas e ausência de regras claras e objetivas. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 30 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações sobre alguns aspectos relacionados à matéria apresentada pela recorrente ou que consideramos como de ordem pública. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 498 31 Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA 32 do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721048/201173 Acórdão n.º 2301003.571 S2C3T1 Fl. 499 33 capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digit almente em 07/10/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903393/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 3102-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 Por caracterizar cerceamento de direito de defesa, é nula a decisão primeira instância que não aprecia as provas adequadas à comprovação do direito creditório apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vencidos os conselheiros Álvaro Almeida Filho e Andréa Medrado Darzé, que reformavam o despacho decisório. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 33 93 /2 01 2- 27 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER (fls. 2/5) de crédito da Cofins não cumulativo exportação do 4º trimestre de 2011, no valor R$ 16.534.080,39, utilizado na compensação dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fls. 6/27. Por meio do Despacho Decisório de fls. 26/28, o crédito pleiteado foi integralmente indeferido e as compensações não homologadas, sob o argumento de que a interessada não apresentara, previamente a entrega do referido PER, os arquivos digitais dos estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saída, relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001, e especificado nos itens 4.3 (Documentos Fiscais) e 4.10 (Arquivos complementares PIS/COFINS) do Anexo Único do Ato Declaratório Cofis n° 15, de 23 de outubro de 2001. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 37/42, o fundamento jurídico da decisão denegatória foi enquadrado no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, art. 1º a 3º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 e artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991. Cientificada do Despacho Decisório, em sede de manifestação de inconformidade, em preliminar, a recorrente requereu, com respaldo no princípio da economia e celeridade processual, a reunião e análise conjunta de todos os processos relativos aos pedidos de ressarcimento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do período janeiro a dezembro de 2011, discriminados no MPF 05101002012003080. No mérito, alegou que: a) a fiscalização havia indeferido o pedido de ressarcimento e não homologada as compensações com base no frágil e equivocado argumento de que a interessada não havia entregue os arquivos digitais de todos estabelecimentos previamente à transmissão do pedido de ressarcimento; b) era equivocada a interpretação dada pela autoridade ao § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, porque os §§ 1º e 3º do citado artigo tratavam de dois momentos distintos, relativo ao exercício do direito de ressarcimento e compensação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, ou seja, o primeiro dizia respeito a condição para recepção dos PER/DCOMP e o segundo dirigiase à apreciação dos PER/DCOMP já entregue, momento posterior à transmissão dos correspondentes pedidos ressarcimento e declarações de compensação; c) a apresentação prévia dos arquivos digitais era condição apenas da recepção dos pedidos pela RFB, nada tendo a ver com a validade do crédito pleiteado, haja vista que o § 3o em comento, ao dispor que a autoridade “poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital” continuava dispondo sobre uma faculdade conferida à autoridade fiscal de só reconhecer o direito creditório se os arquivos digitais tivessem sido apresentados; d) a interpretação correta assegurava que era possível a recepção pela RFB e a posterior apreciação de pedidos de ressarcimento e compensação que tenham sido transmitidos sem o prévio envio dos arquivos digitais, até porque autoridade fiscal sempre teria Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903393/201227 Acórdão n.º 3102002.028 S3C1T2 Fl. 11 3 garantida a possibilidade de exigir a apresentação de tais arquivos para análise do direito creditório, em sintonia com o disposto no art. 2o da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001; e) a equivocada interpretação dada ao § 4o do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, era fruto de uma leitura simplista e apegada tão somente à literalidade do texto e não possuía amparo em qualquer artigo de lei, resvalando para a ilegalidade, acaso fosse acatada, pois violaria o princípio da motivação previsto nos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 1999; f) a totalidade da documentação solicitada fora entregue à fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço; e g) a decretação de nulidade do despacho decisório imporseia, uma vez que a negativa do legítimo direito de crédito da requerente sem o exame de toda farta documentação trazida ao conhecimento da fiscalização, e, pior, sem lei que o autorizasse a tanto, a decisão denegatória da fiscalização implicava evidente cerceamento de defesa e flagrante afronta ao princípio da verdade material, corolário do princípio da legalidade. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 97/107), em que, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade, indeferido o pedido de ressarcimento do crédito informado e não homologada as compensações declaradas, com base nos seguintes argumentos: a) a recorrente não tinha transmitido, dentro do prazo fixado, os arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à EFD, embora fiscalização tivesse concedido prazo suficiente para a transmissão dos citados arquivos; b) a recorrente somente teria iniciado a transmissão dos referidos arquivos digitais a partir de setembro/2011, de modo que, à época da transmissão do PER e das DComp em apreço, não cumprira o disposto no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008; e c) o julgador administrativo de primeira instância, por força do disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, devia estrita observância aos atos administrativos expedidos pela Receita Federal, logo não podia se pronunciar sobre a legalidade dos atos administrativos expedidos pelo referido Órgão. Em 1/3/2013, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 28/3/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 113/153, em que reafirmou a razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, protestou pela análise detalhada da farta documentação levada ao conhecimento da fiscalização, fosse pela própria autoridade julgadora, fosse mediante a determinação de diligência fiscal, sob o argumento de que: a) a análise da referida documentação era necessária porque, na fase do contraditório, previsto no art. 174, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, o contribuinte tinha o direito de, mediante manifestação de inconformidade, comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, uma vez que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, não foi apresentado qualquer documento adicional; e b) se o contribuinte tinha o direito de comprovar até erros de fato cometidos no preenchimento de suas declarações, com muito mais razão devia ser admitido o direito de comprovar, com documentação adequada e idônea, que os valores informados no seu pedido de ressarcimento estavam corretos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 No final, a recorrente protestou que, , fosse pela superação dos formalismos exacerbados aos quais à fiscalização se valera, fosse pela equivocada capitulação dos fatos, era necessária a anulação do despacho decisório em questão, para fosse efetivada uma correta análise do direito creditório em questão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da questão preliminar: pedido de reunião dos processos. Em preliminar, recorrente requereu que, em observância ao princípio da economia processual, fosse determinada a reunião deste processo com os demais processos objeto da diligência amparada no MPF nº 05101002012003080, por terem o mesmo objeto, qual seja, o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, apurados no anocalendário de 2011. O pedido em tela não é passível de atendimento, porque não atende os requisitos estabelecidos no inciso IV do art. 1º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, a seguir transcrito: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; [...] De acordo com o referido preceito normativo, somente os pedidos de ressarcimento e as DComp referentes ao mesmo crédito podem ser reunidos em um único processo. No caso em tela, os processos relacionados pela recorrente tratam de tributos distintos (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins) e de trimestres diferentes, logo, não atendem as condições estabelecidas no referido preceito normativo. Entretanto, para fim de evitar decisões conflitantes no âmbito deste Conselho, em conformidade com o disposto no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos ainda pendentes de julgamento, relacionados pela recorrente, poderão ser distribuídos para esta Turma Ordinária. Do mérito. No mérito o cerne da presente questão gira em torno da comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência colacionado aos autos (fls. 37/42), o fato que motivou o despacho denegatório em apreço foi a não Fl. 163DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903393/201227 Acórdão n.º 3102002.028 S3C1T2 Fl. 12 5 apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saída, relativos ao período de apuração do crédito em apreço, e o consequente enquadramento normativo nos §§ 1º e 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) (grifos não originais) Previamente, é oportuno ressaltar que, em conformidade com entendimento da explicitado pela recorrente, a hipótese de indeferimento ou não homologação de compensação, prevista no § 4º do art. 65 da em destaque, aplicase somente nos casos em que autoridade fiscal condiciona o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital e este não é apresentado. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 2º1 da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, que dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas, e com estatuído no Ato Declaratório Executivo Corat nº 3, de 13 de agosto de 2012, que em seu art. 1º2 concedeu prazo adicional de 110 dias às intimações com solicitação de transmissão dos arquivos digitais exigidos para apreciação dos créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. Ora, se a própria administração tributária, por meio do seu órgão central, intimou os contribuintes a apresentar os mencionados arquivos digitais, inclusive prorrogando o prazo inicial, consequentemente, nada obstaria que a recorrente fosse intimada a apresentar tais arquivos e que lhe tivesse sido concedido o prazo adicional que foi oportunamente solicitado. Assim, o disposto nos referidos atos normativos é a prova cabal de que o a exigência da prévia apresentação dos arquivos digitais, estabelecida no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tratase apenas de uma condição para transmissão dos PER/DCOMP atinentes aos pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação dos citados créditos. Além disso, considerar um simples descumprimento de obrigação acessória como fato suficiente para o indeferimento de crédito tributário contraria frontalmente o princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpido no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, o disposto no caput do art. 24 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que tem o seguinte teor: “São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332).” Entretanto, no caso, embora a fiscalização tenha motivado o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações, por inobservância do disposto no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, o fato é que, até a data do encerramento da diligência, a recorrente não tinha apresentado os arquivos digitais das filiais não obrigadas à EFD. Em consequência, se não foram apresentados dentro do prazo estabelecido pela fiscalização, tais arquivos foram considerados não apresentados pela fiscalização, situação que se enquadra na hipótese de indeferimento contemplada no § 4º do art. 1 "Art. 2 º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1 º , quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras." 2 "Art. 1º As intimações emitidas para pedidos de ressarcimento (PER/DCOMP) de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) pelas quais é solicitada a transmissão de arquivos digitais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 , têm seu prazo de atendimento prorrogado para 110 dias, contados da data da ciência da intimação." Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903393/201227 Acórdão n.º 3102002.028 S3C1T2 Fl. 13 7 65 em destaque. Aliás, tal fato é incontroverso nos autos, conforme asseverado pela recorrente no recurso em apreço. Por essa razão, não merece acolhida pedido de nulidade do despacho decisório proferido com base no motivo relatado pela fiscalização no citado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. Porém, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente informou que havia atendido a totalidade das exigências da fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço. Consequentemente, em 14/8/2012, data da apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue todos os arquivos digitais, inclusive os relativos as 61 filiais não obrigadas a EFD. Logo, embora na data do encerramento da diligência, a recorrente ainda não tivesse apresentado todos os arquivos digitais solicitados pela fiscalização, fica demonstrado que, previamente, ao início da fase litigiosa do processo, inaugurada com a referenciada manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue toda a documentação solicitada pela fiscalização. Dessa forma, como todas as provas solicitadas pela fiscalização foram coligidas aos autos na fase inaugural do contraditório, obviamente, a recorrente procedeu em conformidade com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 7.235, de 6 de março de 1972 (PAF), logo a autoridade julgadora de primeira instância tinha o dever de analisar tais provas, principalmente, diante do fato de que a fiscalização não as analisara quando da prolação do despacho decisória guerreado. Compulsando a manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que, em várias passagens, a manifestante reitera, insistentemente, para que a documentação por ela já entregue a fiscalização fosse analisada. No entanto, o órgão julgador de primeiro grau não analisou as referidas provas nem determinou que elas fossem analisadas pela fiscalização da Unidade da Receita Federal de origem, o que se fazia necessário ante o disposto no art. 29 do PAF. Além disso, ao invés de analisar o pedido de apreciação das provas, expressamente, formulado pela recorrente, estranhamente, o relator do voto condutor do julgado recorrido, negou a realização de perícia e diligência, que havia sido suscitada pela recorrente, ao final da manifestação inconformidade, apenas a título de protesto geral. Na verdade, o que a recorrente pediu, imediata e expressamente, ressaltase mais uma vez, foi a análise das provas entregue a fiscalização em meio eletrônico (CD) e não a produção de novas provas por meio de perícia ou diligência, como entendeu a nobre relatora do julgado recorrido. Além disso, a Turma de Julgamento a quo apresentou motivo distinto daquele consignado no despacho decisório, ou seja, falta de apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Com efeito, para manter o indeferimento dos pedidos de ressarcimento em apreço e a não homologação das compensações declaradas, estranhamente a recorrente alegou falta de apresentação dos arquivos digitais dos 20 estabelecimentos não obrigados à EFD, conforme exposto no trecho extraído do voto condutor do julgado que segue transcrito: A interessada somente a partir de setembro de 2011 iniciou a transmissão dos arquivos digitais relativos aos vários estabelecimentos dos períodos de crédito compreendidos entre o exercício de 2007 até 2011, donde se conclui que à época de transmissão dos PER/DCOMP não havia cumprido as disposições da legislação tributária quanto a apresentação dos arquivos mencionados, estes necessários para averiguação do direito creditório. A exigência para apresentação dos arquivos magnéticos se encontra prevista na legislação e o conseqüente indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação quando do descumprimento pela interessada dos comprovantes mencionados no art. 65 da IN RFB nº900, de 2008, e de que trata o despacho decisório não pode ser desconsiderada. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito. Da simples leitura do texto transcrito, verificase que a nobre Relatora da decisão recorrida reproduziu, nestes autos, a mesma decisão prolatada no processo nº 10580.909730/201117, atinente a apuração do crédito do 3º trimestre de 2009, decorrente do procedimento diligência relativo ao MPF nº 05101002011005608, cujo despacho decisório foi baseado em fatos e motivos diferentes dos lançados no despacho decisório em tela. Além disso, se a falta de apresentação de parte dos referidos arquivos digitais foi o motivo para a decisão denegatório consignada no despacho decisório em tela, obviamente, ele não mais existia na fase do contraditório, instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que tais arquivos já tinham sido anteriormente transmitidos, conforme provas colacionadas aos autos. Assim, se na data do encerramento da diligência e da emissão do contestado despacho decisório, a falta de apresentação dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD encontrava guarida no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, com a transmissão dos citados arquivos, obviamente, tal motivo deixou de existir. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 29 do PAF, a autoridade julgadora é livre para formar convicção sobre a prova, mas, desde que regularmente apresentada, não tem a faculdade de apreciar ou não a prova, principalmente, quando esta é o principal meio de defesa do contribuinte, como no caso em tela. No caso, como o órgão julgador de primeiro grau não analisou as provas apresentadas tempestivamente, a preterição do direito de defesa da recorrente restou configurada, vício insanável que, por força do disposto no art. 54, II, do PAF, impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10580.903393/201227 Acórdão n.º 3102002.028 S3C1T2 Fl. 14 9 Por todo o exposto, votase por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a remessa dos autos ao Órgão de Julgamento de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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