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Numero do processo: 37048.267000/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
PROCESSO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LIDE NÃO INSTAURADA
De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Não tendo a Recorrente apresentado a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação a ela.
VÍCIO FORMAL - PRAZO PARA O LANÇAMENTO
O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO.
Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela.
Numero da decisão: 2202-004.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte Companhia Siderúrgica Nacional, (ii) em conhecer do recurso voluntário do sujeito passivo solidário Braskem, (iii) em afastar as preliminaressuscitadas. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), que deram provimento ao recurso por entenderem decaído o lançamento. Votaram pelas conclusões no que tange ao não conhecimento do recurso da CSN os Conselheiros Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PROCESSO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LIDE NÃO INSTAURADA De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Não tendo a Recorrente apresentado a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação a ela. VÍCIO FORMAL - PRAZO PARA O LANÇAMENTO O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO. Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela.
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LIDE NÃO INSTAURADA De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Não tendo a Recorrente apresentado a impugnação, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação a ela. VÍCIO FORMAL PRAZO PARA O LANÇAMENTO O prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos, contados da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO. Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte Companhia Siderúrgica Nacional, (ii) em conhecer do recurso voluntário do sujeito passivo solidário Braskem, (iii) em afastar as preliminaressuscitadas. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), que deram provimento ao recurso por entenderem decaído o lançamento. Votaram pelas conclusões no que tange ao não conhecimento do recurso da CSN os Conselheiros Waltir de Carvalho e Ronnie Soares Anderson. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 04 8. 26 70 00 /2 00 6- 55 Fl. 336DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 127/130): Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.048.2670) relativo às contribuições previdenciárias, correspondente à parte da empresa; à parte dos segurados (não descontadas pela empresa responsável); à destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidentes de trabalho SAT (para competências até 06/1997); e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (para competências a partir de 07/1997), do período de 01/1998 a 12/1998. 2. Nos termos do “Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD”, de fls. 27/30, os seguintes fatos relevantes podem ser destacados: 2.1. O lançamento de débito em questão fora lavrado em substituição à NFLD n° 35.007.3546, cientificada ao sujeito passivo em 01/12/1999, e anulada pela 4° Câmara de Julgamento através do Acórdão n° 724/2005 Oficio n° 10/4° CAJ/CRPS, de 04/04/2006 em face da omissão no relatório de Fundamentos Legais do Débito do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, como também pelo fato de a NFLD ter arrolado, de forma englobada, os 169 prestadores de serviço restando violados os direitos constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa dos contribuintes. 2.2. O crédito tributário foi constituído, em decorrência do instituto da responsabilidade solidária, em nome do prestador do serviço (CEMAN CENTRAL DE MANUTENÇÃO LTDA) e, Fl. 337DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 331 3 também, em face do contratante (COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL CSN), nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, em sua redação original, vigente à época dos fatos geradores, ressaltando que as contribuições devidas a Terceiros deixaram de ser apuradas em cumprimento ao Parecer/CJ n° 1.710, de 05/04/99, aprovado pelo Ministro da Previdência e Assistência e Social em 07/04/99. 2.3. A empresa contratante elidirseia da responsabilidade solidária somente se comprovasse ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal, fatura ou recibo, através da apresentação das folhas de pagamento, juntamente com as respectivas cópias autenticadas das guias de recolhimento específicas para o tomador, sendo que não apresentou tais documentos à fiscalização quando formalmente intimada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de fls. 20, emitido em 27072006. 2.4. Porquanto não apresentados os citados documentos, e não comprovado 0 recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos empregados da empresa prestadora incluída em nota fiscal ou fatura de serviços, o débito foi lançado por aferição indireta, conforme parágrafo 3° do art. 33 da lei n° 8.212/91, mediante a aplicação do percentual de 40% obre o valor das notas fiscais, conforme disposto nas Ordens de Serviço INSS/DC 51, de 06/10/92, 165, de ll/07/97, e 176, de 05/12/97. 3. A Companhia Siderúrgica Nacional CSN não se manifestou nos autos, mesmo tendo sido regularmente notificada pelo aviso de recebimento às fls. 31, enquanto que a notificação, remetida por via postal à empresa CEMAN CENTRAL DE MANUTENÇÃO LTDA, foi devolvida pelos correios sem a especificação do motivo, conforme fls. 37. 4. Em 02062008, o Sr. José Roberto Gianotti sóciogerente do contribuinte, consoante tela de consulta de dados cadastrais, de fls. 35 se manifestou nos autos, às fls. 39/40, aduzindo o seguinte: 4.1. Que em 02052008 recebeu documentos relativos à “NFLD DEBCAD 37.048.2670”, datado de 11122006, os quais se referem à cobrança de débito movido contra a Companhia Siderúrgica Nacional CSN; 4.2. Que nos citados documentos não há qualquer informação quanto: 1) ao número do processo administrativo, mas somente à “NFLD DEBCAD 37.048.2670” que, ao ser informado à unidade da RFB, nada foi encontrado, tendo conseguido localizar o presente processo apenas através do seu CPF; 2) à sua relação com o presente caso, pois nunca Fl. 338DF CARF MF 4 trabalhou na CSN, confonne demonstra o relatório “CORESP”, nem mesmo há qualquer ordem ou determinação de sua notificação entre os documentos recebidos; e 3) ao prazo para apresentação de eventual defesa. 4.3. Que diante de tais fatos, a conclusão a que se pode chegar é a de que houve algum equívoco por parte da Administração ao enviar a notificação ao peticionante. Em caso contrário, postula desde logo 0 esclarecimento necessário, enviando elementos suficientes para conhecer do processo administrativo e a razão de sua notificação, a fim de possibilitar, se for o caso, sua defesa na esfera administrativa; 4.4. Que eventual esclarecimento/notificação futuro deverá ser encaminhado para o seu atual domicílio: Rua Manoel Gomes de Mendonça, 57, apto. 1002, Edf. Mansão Duque de Bergara, Loteamento Pituba Ville, Pituba, Salvador, Bahia, Cep 41810 820; 4.5. Requer, por fim, sua exclusão do processo administrativo em questão. 5. Haja vista ter restado improficua a tentativa de notificar a empresa CEMAN por via postal, esta foi cientificada do débito através do Edital n° 056/2008 (fls. 61), nos termos do art. 23, parágrafo 1°, inciso II e parágrafo 2°, inciso IV, do Decreto 70.235/72. Entretanto, o contribuinte novamente não se pronunciou nos autos. 6. Em 14/04/2009 (fls. 70) a empresa CSN foi cientificada, através da Intimação n° 129/2009 (fls. 66), do Termo de Revelia, de fls. 68. Por sua vez, considerandose que em consulta aos sistemas infonnatizados da RFB, conforme telas anexas às fls. 63/64, constatouse, posteriormente, que a empresa CEMAN foi incorporada pela empresa BRASKEM S/A, CNPJ 42.150.391/000170, esta foi cientificada do Termo de Revelia, de fls. 69, em 16042009 (fls. 71), através da Intimação n° 130/2009 (fls. 67). 7. Em 18/05/2009, a empresa BRASKEM S/A insurgiuse nos autos, às fls. 74/82, suscitando as seguintes questões: 7.1. Que embora não seja parte no processo, recebeu Termo de Revelia, lavrado em nome da CEMAN, para cobrança amigável; 7.2. Que em face do art. 142 do CTN e do art. 11 do Decreto 70.235/72, qualquer autuação deve conter, no mínimo, o nome e a qualificação correta do sujeito passivo, sendo que no caso em tela estes requisitos não foram observados pela autoridade fiscal, ao identificar como sujeito passivo da obrigação tributária a empresa "CEMAN Central de Manutenção Ltda" 7.3. Que em 31/03/1999 a empresa CEMAN foi incorporada pela empresa COPENE Petroquímica do Nordeste S/A, e esta, por sua vez, passou a ser denominada como BRASKEM S/A, desde 16/08/2002, confonne atos societários em anexo, cujos originais se requer prazo de 10 dias para juntada; Fl. 339DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 332 5 7.4. Que o Auto de Infração foi lavrado em 14/12/2006 e identificou como sujeito passivo empresa que não mais existe, o que acarreta a sua nulidade por vício formal; 7.5. Que em face da Súmula Vinculante n° 8, de 2008, o crédito já se encontra extinto pela decadência, visto que se refere ao período de 01/1998 a 12/1998 e somente foi constituído em 14/ 12/2006; 7.6. Que a ilegitimidade passiva e a decadência são matérias que devem ser conhecidas de oñcio pela autoridade julgadora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 126): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS. INTERESSE JURÍDICO. POSSIBILIDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. INCORPORAÇÃO. ARQUIVAMENTO DO ATO NÃO COMPROVADO. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. TERMO INICIAL. DATA DA DECISÃO. VALOR DA MULTA. RETROATIVIDADE DE LEI MAIS BENÉF ICA. Terão legitimidade para impugnar a exigência ñscal, na qualidade de assistente simples, as pessoas que demonstrarem interesse jurídico na resolução do processo administrativo tributário. Enquanto não comprovado o arquivamento do ato de incorporação no registro próprio, sucedida e sucessora continuam a ser, em relação a terceiros, pessoas jurídicas distintas, estando correta a legitimação tributária passiva daquela. Em caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o crédito substitutivo deve ser lançado dentro do prazo de cinco anos a contar da data da decisão. Em matéria tributária a Lei nova que prevê multa mais benéfica ao infrator deverá retroagir para alcançar fatos pretéritos. Em 26/11/2009 foi emitido termo de intimação da referida decisão para a Companhia Siderúrgica Nacional (fls. 138), para Braskem (fls. 139) e para o Sr. José Roberto Gianotti (fls. 140). A Companhia Siderúrgica Nacional apresentou o recurso voluntário de fls. 158/178, no qual alega, resumidamente, o seguinte: a). os débitos lançados estão extintos, uma vez que o acórdão de nulidade lavrado pela 4a CJ do CRPS, nos autos da NFLD originária, trata de vício materal que não autoriza o deslocamento da regra decadencial para o art. 173 II do CTN. b) No mérito, alega que a responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, na redação vigente a época dos fatos geradores, deve ser observada no momento da exigibilidade do crédito, não na sua constituição, sendo obrigatória a averiguação, por parte da Fl. 340DF CARF MF 6 fiscalização, da efetiva inadimplencia da prestadora antes de efetuar qualquer lançamento contra a tomadora. c) De acordo com o art. 37 da Lei 8.212/91, somente pode ser lavrada notificação de débito se constatada pela fiscalização a ausência de recolhimento de contribuição. Sendo assim, a mera constatação de que a empresa prestadora não sofreu fiscalização a época em que prestou serviços a impugnante, não tendo sido sequer intimada para apresentar qualquer tipo de documento, não é suficiente para justificar o procedimento de apuração de débitos, eis que não foi efetuada, em momento algum, a análise da escrituração contábil da prestadora para fins de verificação da sua adimplência. A empresa Braskem apresentou o recurso voluntário de fls. 278/286, no qual reitera as alegações já suscitadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) DA POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE RECURSO POR PARTE DA TOMADORA. Antes de analisarmos a preliminar de ausência de concomitância suscitada pela Recorrente, é importante verificar a admissibilidade ou não do recurso por ela interposto. Isso porque, conforme descrito no relatório da presente decisão, não foi apresentada a impugnação por parte da tomadora de serviço, ora Recorrente. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 a fase litigiosa do lançamento é instaurada com a impugnação. Sendo assim, não tendo apresentado a impugnação por parte da Tomadora, não teria sido sequer instaurada a lide administrativa em relação à Recorrente. Todavia, a situação dos autos possui peculiaridades que merecem ser analisadas com cuidado. Isso porque, embora a empresa Recorrente (tomadora de serviços) não tenha apresentado impugnação, a devedora solidária (prestadora de serviço) apresentou. Sendo assim, há que se questionar se a impugnação apresentada pela devedora solidária teria o condão de instaurar a fase litigiosa em relação aos demais devedores solidários. A resposta, ao meu ver, está no vínculo estabelecido entre os devedores solidários que poderá ser distinto conforme a norma que dispõe sobre a solidariedade. Isso porque existem hipóteses em que a norma de solidariedade estabelece um listiconsório simples e, em outras, unitário. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 333 7 Haverá litisconsórcio simples quando a decisão, embora proferida no mesmo processo, puder ser diferente para cada um dos litisconsortes e unitário quando a decisão tiver que ser uniforme para todos os interessados. É o que dispõe o artigo 116 do CPC/2015: Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes. A identificação da natureza do litisconsórcio estabelecido no presente processo (se simples ou unitário) é fundamental para verificarmos se é possível ou não ao Recorrente aproveitarse da Impugnação oposta pela devedora solidária. Isso porque, de acordo com o artigo 117 do CPC/2015: Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar. (grifamos) No mesmo sentido, o parágrafo único do artigo 509 do CPC/73, reproduzido no 1005 do CPC/2015, determina que: Art. 1.005. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns. (grifamos) A solidariedade discutida nesses autos vinha prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91 que, em sua redação original, dispunha o seguinte: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados , exceto quanto ao disposto no art. 23. Com o advento das Leis 9.032, de 28 de abril de 1995 e 9.129, de 20 de novembro de 1995, o referido artigo passou a vigora as seguintes alterações: Art. 31 (...) § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as a ividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) Fl. 342DF CARF MF 8 § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor , quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. . (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95)" (grifamos) Verificase, assim, que a situação que está no antecedente da norma de responsabilidade solidária é o seguinte: Antecedente Consequente Critério Material: Deixar de exigir do executor dos serviços cópia autenticada da guia de recolhimento e respectiva folha de pagamento; Critério Temporal: data da quitação da nota fiscal ou fatura; Critério Espacial: Território Nacional Critério Pessoal: Sujeito Ativo: União Federal. Sujeito Passivo: tomadores de serviço; Critério Quantitativo: contribuições não recolhidas pelos prestadores de serviço. Por sua vez, a norma de incidência relativa à prestadora de serviços é a seguinte: Antecedente Consequente Critério material: pagar salário Critério Temporal: no final de cada mês Critério Espacial: Território Nacional Critério Pessoal: Sujeito Ativo: União Federal. Sujeito Passivo: prestadores de serviço; Critério Quantitativo: Base de cálculo: folha de salário, Alíquota X. Dessa forma, não há que se falar em litisconsórcio unitário, uma vez que os antecedentes das normas são distintos. Com efeito, caso o devedor solidário tenha cumprido a obrigação acessória de exigir a guia de recolhimento e folha de salário, ainda que elas sejam falsas e, portanto, não correspondam a um recolhimento efetivo, não haverá a incidência da norma de responsabilidade solidária. De acordo com o artigo 116 do CPC/2016 "o litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes". Conforme demonstrado, é possível que se mantenha a obrigação da prestadora quanto ao pagamento das contribuições e não permaneça a obrigação solidária da Fl. 343DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 334 9 tomadora. Para tanto, basta que esta última tenha se desincumbido da obrigação de exigir do prestador as guias de recolhimento e a folha de salário. Em face de todo o exposto, não conheço do recurso voluntário, uma vez que, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72 não foi devidamente instaurado o contencioso administrativo, em face da ausência de impugnação por parte do Recorrente. 1.2) DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Em seu recurso a Braskem alega nulidade do lançamento, em razão de erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que em 31/03/1999 a empresa CEMAN já não mais existia em função de ter sido por ela incorporada, conforme comprovada pela cópia do Diário Oficial de 09/04/1999, com publicação da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela COPENE, em 31/03/1999. Todavia, a decisão recorrida rejeitou a mencionada alegação sob o fundamento de que, para que houvesse a perfeita comprovação da incorporação, seria necessário demonstrar o respectivo arquivamento do ato na junta comercial, conforme se verifica pelos trechos abaixo transcritos: 16. No que conceme à primeira questão aventada, embora conste nos autos a Ata da Assembléia Geral Extraordinária, em que se aprovou o protocolo de intenções relativo à incorporação da CEMAN (fls. 98), e a Ata da Assembléia Geral Extraordinária, de 16/08/2002, alterando a denominação social empresa, ora incorporadora, que passou a se denominar BRASKEM S/A (fls. 99), forçoso concluir que não restou demonstrada, de forma inequívoca, a extinção da CEMAN, bem como a conclusão e eficácia do procedimento sucessório, conforme se verá. 17. Desta forma, o citado documento, de fls. 98, somente comprova que em 31/03/1999 foi concluída uma das etapas do processo de incorporação, qual seja, a aprovação do correspondente protocolo de intenções, o que não significa dizer que tal operação foi, de fato, concretizada naquela mesma data. Para que houvesse a perfeita c mprovação da rncorporaçao, sena necessário demonstrar o arquivamento do respectivo ato na Junta Comercial, a fim de que possa este produzir os seus efeitos em relação a terceiros, o que não ocorreu. O artigo 1.154 do Código Civil, abaixo transcrito, determina que os atos sujeitos à registro não podem ser opostos à terceiros antes do cumprimento das formalidades, salvo quando comprovado que estes o conheciam. Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. O registro mencionado no artigo 1157 do Código Civil é exigido para dar publicidade ao ato, a fim de que terceiros possam dele tomar conhecimento e, se for o caso, Fl. 344DF CARF MF 10 questionálo. No entanto, caso se comprove que terceiro teve acesso ao ato por outros meios, ele gerará todos os efeitos, ainda que não registrado. É exatamente por esse motivo, que o artigo menciona que o ato não poderá ser oposto ao terceiro, salvo prova de que este o conhecia. A Receita Federal tem acesso às informações do contribuinte, em razão das diversas obrigações acessórias a que este está submetido. Sendo assim, é corriqueiro que fiscalização tenha conhecimento dos diversos atos do contribuinte ainda que não realizado o competente registro. Dessa forma, o registro das operações perante a junta é irrelevante para determinar a tributação aplicável. Tanto é assim que diversas autuações fiscais desconsideram as operações registradas na Junta, sob o argumento de que, em seu conjunto, não seriam oponíveis ao fisco. O próprio relatório da decisão recorrida deixa fora de dúvida que a Receita Federal tinha conhecimento da incorporação ao afirmar que: Em 14/04/2009 (fls. 70) a empresa CSN foi cientificada, através da Intimação n° 129/2009 (fls. 66), do Termo de Revelia, de fls. 68. Por sua vez, considerandose que em consulta aos sistemas informatizados da RFB, conforme telas anexas às fls. 63/64, constatouse, posteriormente, que a empresa CEMAN foi incorporada pela empresa BRASKEM S/A, CNPJ 42.150.391/000170, esta foi cientificada do Termo de Revelia, de fls. 69, em 16042009 (fls. 71), através da Intimação n° 130/2009 (fls. 67).(grifamos) A jurisprudência desse Conselho tem decidido, reiteradamente, que o registro na Junta Comercial é irrelevante para que o ato possua efeitos perante à fiscalização. Nesse sentido, citese o Acórdão 1102001.206, de 24/09/2014, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1989, 1990 IRPJ. INCORPORAÇÃO. CRÉDITOS DA INCORPORADA. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA INCORPORADORA. POSSIBILIDADE. A incorporação transfere débitos e créditos da incorporada para a incorporadora, a partir do momento em que aprovada pelos sócios o ato societário. O registro da Junta Comercial é mera formalidade que visa dar conhecimento do ato a terceiros para que estes possam questionálo nas hipóteses legalmente previstas. O Fisco, por exigências próprias, toma conhecimento da incorporação no momento da apresentação da declaração de encerramento da empresa. Inexigibilidade do registro para efeitos fiscais. (grifamos) Merece transcrição, pela clareza com que aborda a questão, os seguintes trechos do voto do Conselheiro Relator Francisco Alexandre dos Santos Linhares: O cerne da questão é saber se o crédito. utilizado pela Contribuinte lhe pertencia no momento da compensação' ou se era crédito de terceiro. A, 'contribuinte deliberou, assim como também deliberou a empresa incorporada, operação, de incorporação' da ,segunda pela primeira em' " , 15,03.2003 e Q registrou na JUCEES,em 18.03.2003, antes, portanto, da extinção 'do débito tributário' pela compensação. Também não Fl. 345DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 335 11 há, 'questionamento acerca do crédito utilizado. A operação; todavia, ainda não foi registrada na JUCERJA, em virtude de exigências formais da própria JUCERJA, Não consta' oposição de credores à incorporação. A dúvida é saber se o ato societário é suficiente para fins fiscais ou se, de fato, o registro, na JUCERJA condiciona à validade da operação. (...) A Lei 6.404/76, aplicável subsidiariamente aos casos da espécie, tem disposição semelhante:. . Art: 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes .sucede em todos'os direitos e obrigações. §1º A assembléia geral da companhia incorporadora. se aprovar. protocolo da operação, deverá autorizar o 'aumento de' capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio .liquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser. incorporada, se aprovar o protocolo da operação. autorizará seus administradores a praticarem;' os atos necessários' à . incorporação. inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3 º Aprovados .pela assembléia. geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação: extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Em ambas as normas, apresentase claro que a extinção da pessoa jurídica se dá no' momento da aprovação do ato societário, que deverá a posteriori, ser.arquivado e publicado. A legislação fiscal não destoa deste entendimento. A Lei.9.430/96 considera o encerramento da empresa; para. fins fiscais, como 'a data do evento societário. Confirase: Art.1º I" A partir do ano calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou' arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de. cada ano calendário, observada a'legislação vigente, com as alterações desta Lei. §1 º Nos' casos de 'incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observado o disposto no art. 21 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. §2°Na'extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento.' Fl. 346DF CARF MF 12 A lei 9.249/95, por sua vez, determina a apresentação do balanço' de encerramento da empresa sem fazer qualquer menção ao registro na Junta Comercial. (...) Por fim, o regulamento do imposto de renda mais uma vez fortalece a. interpretação de'que a extinção da pessoa jurídica incorporada se dá na data da deliberação, conforme se vê do artigo 235: Art. 235.A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 21, e Lei . n° 9.430, de 1996, art. 1º, §1º ). §1ºConsiderase data do evento a data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão. ou. cisão. Enfim, para fins fiscais, a data da incorporação, portanto a data em que a. incorporadora assume direitos e obrigações da incorporada, é a data do evento .societário que deliberou a extinção da pessoa jurídica. Não há uma só norma que condicione; a eficácia da incorporação ao registro do ato societário na . junta comercial. Nesta data,' a . pessoa jurídica' incorporadora, sucessora universal da incorporada, passa a figurar na relação obrigacional que tem .como contraparte a Fazenda Nacional e, portanto, a ser. titular do crédito .tributário surgido quando estava em funcionamento a incorporada. Sendo . titular do crédito, o crédito é seu, não de terceiros. Sendo seu o crédito (assim . como sãos seus os débitos da incorporada), pode compensálos com débitos seus também. Não há norma 'que vede a extinção do crédito. por esta modalidade. o registro; como muito bem frisado pela Contribuinte, serve para dar conhecimento a 'terceiros da decisão, para que estes possam oporse ao ato societário, acaso se sintam prejudicados. No caso do Fisco, o arquivamento (é. isto mesmo; mero arquivamento Lei 8.934/94, artigo 32) é absolutamente desnecessário para que ele tome conhecimento do ocorrido e possa se opor ao ato praticado. Isso porque o próprio Fisco impôs obrigações específicas para a. comunicação a ele do ato praticado. De posse da informação,pode manejar todas as ferramentas necessárias para impugnar o ato, caso seja lesivo aos seus interesses. Dessa forma, resta fora de dúvida o erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que à época do lançamento a empresa CEMAN Central de Manutenção Ltda já tinha sido incorporada pela empresa Braskem, deixando a notificação de lançamento de cumprir requisito básico previsto no artigo 11, inciso I do Decreto nº 70.235/72. O artigo 59 do Decreto 70.235/72, ao disciplinar as nulidades no processo administrativo tributário, é claro ao dispor, em seu inciso II, que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa, como é o caso dos autos. Todavia, o referido artigo prevê em seu §3º "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir ato ou suprirlhe a falta." Fl. 347DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 336 13 1.3) DA DECADÊNCIA EM RAZÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL NO PRIMEIRO LANÇAMENTO; Alega a Recorrente que o lançamento anulado pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, nos autos da NFLD nº 35.007.3546 continha vícios materiais, motivo pelo qual, não deveria ser reaberto o prazo de lançamento previsto no artigo 173, II do CTN, uma vez que este só se aplica às hipóteses de lançamento por vício formal. O primeiro lançamento foi anulado por em virtude de ausência fundamentação para aferição indireta e ausência de individualização e intimação dos prestadores de serviço, o que ofenderia os princípios da ampla defesa e do contraditórios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. A decisão recorrida entendeu que tais vícios eram formais, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: 27. Ademais, a aludida NFLD foi julgada nula pela 4º Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão n° 724/2005, de 20/04/2005. Portanto, muito embora o presente crédito substitutivo tenha sido lançado somente em 14/01/2009 (data da ciência por edital, consoante fls. 61), ele apenas está substituindo o lançamento anteriormente declarado nulo por vício formal. Logo, operouse a reabertura da contagem do prazo decadencial, nos tennos do disposto no art. 173, II, do CTN, transcrito a seguir, o que significa dizer que, em relação ao lançamento substitutivo, o prazo decadencial somente ocorreria em 21/04/2010 (mais de cinco anos após a decisão definitiva que anulou o lançamento por vício formal), não havendo que se falar, portanto, em extinção pela decadência: O critério essencial para distinguir se determinado lançamento padece de vício formal ou material reside na materialidade da obrigação. Em outras palavras, o lançamento substitutivo de que trata o artigo 173, II, não pode trazer qualquer elemento novo na obrigação anteriormente constituída. Nesse sentido, registrese a decisão proferida por este Conselho no julgamento do Acórdão 1402002.206, julgado na sessão de 08/06/2016, cuja ementa é a seguinte: ARTIGO 173, II, DO CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. VICIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL PARA NOVO LANÇAMENTO. Tendo a Fazenda Pública, por força do art. 173, II, do CTN, readquirido o direito de constituir o crédito tributário dentro do prazo de cinco anos, contado a partir da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou os lançamentos efetuados anteriormente, os novos lançamentos devem ser restritos às matérias e provas contidas na acusação original, sem inovação, mormente nas bases imponíveis das exações lançadas. Descumpridas tais regras, a contagem decadencial sujeitase ao definido nos artigos 150, § 4º ou 173, I, do Estatuto Tributário. Decadência estampada. Lançamentos cancelados (grifamos) Fl. 348DF CARF MF 14 Dessa forma, os elementos materiais do lançamento devem ser extraídos do artigo 142 do CTN ao dispor que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifamos) Sendo assim, entendo que assiste razão à recorrente, pois o novo lançamento determinou a inclusão de sujeito passivo que não constava do lançamento originário. A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça possui precente no sentido de que a inclusão de devedor solidário é de ordem material, conforme se verifica pela ementa da decisão proferida nos Embargos de Divergêcia em REsp nº 1.115.549SP, cuja ementa é a seguinte: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DA CDA PARA MODIFICAÇÃO DO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 392/STJ. 1. Embargos de divergência pelos quais se busca dirimir dissenso pretoriano acerca da possibilidade de alteração do sujeito passivo da execução fiscal, mediante emenda da CDA, para cobrar daquele a quem a lei imputa a condição de co responsável da exação. 2. Caso em que a Fazenda municipal constituiu o crédito tributário de ISS apenas contra a empresa construtora (PLANEL) e tão somente contra ela ingressou com a execução fiscal. Somente depois de frustradas as tentativas de citação dessa empresa, no curso da execução, permitiuse, com base em legislação municipal que prevê hipótese de coresponsabilidade, a inclusão da empresa tomadora do serviço (SCANIA) no polo passivo da execução mediante simples emenda da Certidão de Dívida Ativa. 3. Independentemente de a lei contemplar mais de um responsável pelo adimplemento de uma mesma obrigação tributária, cabe ao fisco, no ato de lançamento, identificar contra qual(is) sujeito(s) passivo(s) ele promoverá a cobrança do tributo, nos termos do art. 121 combinado com o art. 142, ambos do CTN, garantindose, assim, ao(s) devedor(es) imputado(s) o direito à apresentação de defesa administrativa contra a constituição do crédito. Por essa razão, não é permitido substituir a CDA para alterar o polo passivo da execução contra quem não foi dada oportunidade de impugnar o lançamento, sob pena de violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, também assegurados constitucionalmente perante a instância administrativa. 4. A esse respeito: "'Quando haja equívocos no próprio lançamento ou na inscrição em dívida, fazendose necessária alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros critérios, imputação de pagamento anterior à inscrição etc., Fl. 349DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 337 15 será indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda viável em face do prazo decadencial, oportunizandose ao contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vício apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento. Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente substituir se a CDA.' (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka, in "Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Livraria do Advogado, 5ª ed., Porto Alegre, 2009, pág. 205)"(Recurso Especial Representativo de Controvérsia 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/12/2009). 5. Incide, na espécie, a Súmula 392/STJ: "A Fazenda Pública pode substituir acertidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando setratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeitopassivo da execução". 6. Embargos de divergência providos Do voto do Ministro Relator Benedito Gonçalves destacamse os seguintes trechos: Dessa forma, temse que, no caso dos autos, para buscar a cobrança do crédito da empresa solidária deve o fisco municipal, dentro do prazo decadencial, fazer novo lançamento. E, nesse particular, as próprias alegações da embargada demonstram a que substituição do sujeito passivo exige novo lançamento, pois defendeu que "a legislação tributária permite aalteração do lançamento por impugnação do sujeito passivo (cf. I, art. 145, do CTN) ou por meio de recurso de ofício, nos termos do art. 145 e 149 do CTN" (grifo adicionado). Como o período de apuração está compreendido entre 01/98 e 12/98 e o presente lançamento ocorreu apenas em dezembro de 2006, decaído está o direito do sujeito ativo constituir o crédito respectivo. Em face de todo exposto, acolho a preliminar de decadência por entender que se trata de anulação do lançamento por vício material, uma vez que a inclusão do sujeito passivo não se refere ao procedimento mas ao conteúdo da obrigação tributária. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto: a) não conheço do recurso voluntário apresentado pela Companhia Siderúrgica Nacional CSN em virtude de ausência de impugnação por parte do recorrente. Fl. 350DF CARF MF 16 b) reconheço a decadência suscitada no Recurso Voluntário da empresa Braskem. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada. Congratulo a i. Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, em relação à nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, e à decadência. DO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA Conforme consulta às fls. 36, de 22/04/2008, a CEMAN ainda estava ativa nos cadastros da extinta Secretaria da Receita Previdenciária. Portanto, correta a fundamentação do julgador de primeira instância ao asseverar a necessidade de registro na Junta Comercial da ata de incorporação. Existem posicionamentos no CARF sobre o registro na Junta Comercial, cuja análise me leva a construir minha convicção sobre a imprescindibilidade desse registro, corroborado por demais documentos que o sustentem, a fim de que sirva como comprovação da veracidade dos fatos: Acórdão nº 1402002.732, de 16/08/2017 Dizendo de outro modo, o fato de os sócios da Batistel terem assinado "Distrato Social" desconstituindo a sociedade e o submetido a registro na Junta Comercial, só isso, per si, não implica em considerar que todos os efeitos irradiados pelas atividades da empresa ao longo do tempo de sua existência formal possam ser apagados como num passe de mágica. Assim fosse, bastaria uma empresa ter registro formal, realizar atos os mais diversos por certo espaço temporal e declararse extinta formalmente para se manter a salvo de eventuais imputações fiscais. Na verdade, o ato de contratar e distratar (matérias de nítido caráter do direito privado civil ou comercial), ainda que projetem reflexos nas relações inter partes não excluem os registros que se devem buscar nos órgãos tributários, até por ser esta obrigação acessória de cadastramento e baixa, o modo que o Poder Público, em última análise, a própria sociedade, tem para aferir e fiscalizar os agentes econômicos. Em outro exprimir, imaginarse que bastaria a baixa na Junta Comercial para eliminar os atos praticados pela sociedade Fl. 351DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 338 17 levaria ao absurdo de impedir que o próprio Estado, em um período médio de cinco, pudesse vir a verificar a correção dos procedimentos da empresa e, como no caso presente, encontradas irregularidades, imputar a penalização que a lei comina. [...] Presumivelmente por estes fatos incontestes é que seus sócios buscaram dar baixa formal nos seus registros. Porém, repita se, tal proceder, se irradiam reflexos nas áreas civil e comercial (típicos e clássicos ramos do direito privado) não alcançam o direito tributário e financeiro que regemse adicionalmente, para proteção dos interesses do Estado, por outros regramentos, dentre eles, como bem pontuado pela diligência, o cadastro no CNPJ, mantido incólume neste caso, ou seja, não baixado. Ademais, não obstante a Lei n° 11.598, de 3 de Dezembro de 2007, ao estabelecer as diretrizes e procedimentos para simplificação e integração do processo de registro e legalização de empresários e pessoa jurídicas tenha definido que "Art. O registro dos atos constitutivos, de suas alterações e extinções (baixas), referentes a empresários e pessoas jurídicas em qualquer órgão dos 3 (três) âmbitos de governo, ocorrerá independentemente da regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário, da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo das responsabilidades do empresário, dos titulares, dos sócios ou dos administradores por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção", foi objeto de VETO PRESIDENCIAL relativamente ao seu inciso V, do mesmo artigo 7o, vazado no seguinte teor: "Ouvido, o Ministério da Fazenda manifestouse pelo veto aos seguintes dispositivos: Inciso V do art T "Art. 7a...................................................................... V regularidade de obrigações tributárias, previdenciárias ou trabalhistas, principais ou acessórias, do empresário da sociedade, dos sócios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem prejuízo da responsabilidade de cada qual por tais obrigações, apuradas antes ou após o ato de extinção. Razões do veto "Antes de outras considerações, importa registrar que a dispensa de comprovação de regularidade fiscal para fins de registro de atos de alteração/extinção societária ingressou em ordenamento jurídico veiculada nos art. 9" e 10 da Lei Complementar n" 123, de 14 de dezembro de 2006, o Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte. Fl. 352DF CARF MF 18 Ocorre que, no caso das microempresas e de empresas de pequeno porte, a Constituição impôs tratamento especial e diferenciado. Ora, tais pressupostos, embora válidos para as microempresas e empresas de pequeno porte, não se aplicam ao caso de todas as demais pessoas jurídicas. A exigência de regularidade fiscal para a baixa é instrumento fundamental de garantia de recuperação de créditos tributários. E importante frisar que tanto o Novo Código Civil quanto a Lei das Sociedades por Ações condicionam a extinção da sociedade ao prévio levantamento do ativo e pagamento do passivo, restando afastada a possibilidade de extinção (de direito) de determinada sociedade com o conseqüente cancelamento de sua inscrição, sem que esta promova a anterior quitação de seus débitos, inclusive os fiscais. Objetivase, a toda a evidência, preservar e garantir a satisfação futura do crédito fiscal, obstando (ou pelo menos dificultando) a prática pelo devedor de atos que resultem, certamente, na dilapidação do seu patrimônio (extinção da empresa ou redução do capital social) e na sua conseqüente insolvência. Assim, a permanência do inciso V do art. T1 no texto do Projeto de Lei terá como conseqüência a fragilização da recuperação dos créditos tributários, pois há sério risco de a Fazenda Pública não conseguir provar em juízo o dolo ou a culpa dos sóciosgerentes, administradores e gestores da sociedade extinta, gerando prejuízos ao Erário Público" (negritouse). [...] De outro lado, antes que se alegue que o avanço nos convênios entre os órgãos do registro do comércio e os órgãos tributários permitiria uma conferência sumária das pendências fiscais, é bom lembrar que o Fisco detém competência legislativa de fiscalizar cinco anos pretéritos e que muitas obrigações fiscais não declaradas portanto não visíveis em um primeiro momento, na ocasião da baixa na Junta poderão só surgir anos depois, mediante ação fiscal específica. Cenário observado pelo próprio legislador da Lei n° 11.598/ 2007, no § Io, do artigo 7°A ao definir: § Ia A baixa referida no caput deste artigo não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados impostos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da simples jaita de recolhimento ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários ou por seus titulares, sócios ou administradores. (Incluído pela Lei Complementar n° 147. de 2014) (Grifei) Acórdão nº 1201001.986, de 22/02/2018: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 339 19 Pois bem. De acordo com o texto constitucional (art. 22, XXV), é a União a pessoa política competente para legislar sobre registros públicos. No plano normativo, coube à Lei n° 8.934/94 (Lei de Registros Públicos de Empresas Mercantis) a missão de regulamentar os aspectos formais e legais que devem ser observados quando da apresentação de atos societários de empresas mercantis (atuais sociedades empresárias) a registro. A finalidade principal do registro de atos societários, segundo a lei, é garantir a publicidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos sujeitos a registro, entre sócios e perante terceiros, além de promover o cadastro de empresas nacionais e estrangeiras atuando no país e a proteção do nome empresarial. O registro público de atos empresariais é exercido enquanto função pública e, diante de sua autenticidade, validade e publicidade, busca conferir segurança jurídica não só as partes envolvidas, mas principalmente em relação a terceiros. A Lei de Registro de Empresas Mercantis determinou que os Serviços Públicos de Empresas Mercantis e Atividades Afins serão exercidos, em todo o território nacional, pelos seguintes órgãos: I o Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC), órgão central, com funções supervisora, orientadora, coordenadora e normativa, no plano técnico; e supletiva, no plano administrativo; e II as Juntas Comerciais, como órgãos locais, com funções executora e administradora dos serviços de registro. Convém frisar, por oportuno, que todo ato, documento ou instrumento submetido a arquivamento, deve ser objeto de exame pela Junta Comercial, a quem compete fazer um juízo de admissibilidade e conformidade. Havendo identificação de algum vício, a Junta possui poderes para indeferir o pleito ou devolvêlo para saneamento. E dentre os atos necessários a esse rito encontramse justamente os eventos societários de fusão, cisão ou incorporação, nos termos do artigo 41, verbis: Art. 41. Estão sujeitos ao regime de decisão colegiada pelas juntas comerciais, na forma desta lei: I o arquivamento: [...] b) dos atos referentes à transformação, incorporação, fusão e cisão de empresas mercantis: [...] No que diz respeito ao prazo para apresentação dos atos societários para registro, o artigo 36 da Lei de Registro de Empresas Mercantis, utilizado como fundamento para a não Fl. 354DF CARF MF 20 homologação das compensações, prescreve que é de 30 (trinta) dias a contar da data da lavratura do ato. Nesses termos, se o ato for apresentado a registro dentro deste prazo, haverá efeito retroativo do registro. [...] Ocorre, porém, que a vinculação solene e formal do registro da cisão na Junta é pressuposto de validade e eficácia do ato perante o público. Nesse ponto, o referido artigo 36 é categórico: fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Nesse sentido, aliás, o Novo Código Civil (de 2002), ao regulamentar os atos empresariais sujeitos a registro público, previu que o ato sujeito a registro não pode ser oponível a terceiros até a efetivação do seu respectivo registro (art. 1.1541). Acórdão nº 3402004.605, de 26/09/2017: Dessa forma, em conformidade com o disposto no art. 32, II e 36 da Lei n° 8.934/94, arts. 8o a 12 da Instrução Normativa DNRC nº 88, de 2 de agosto de 2001, abaixo transcritos, entendeu a fiscalização, com razão, que a data a ser considerada para a incorporação era aquela que foi efetivada o registro na Junta Comercial da sede da incorporada 05/11/2008, do que até então não discordava a contribuinte, eis que foi esta a data que ela informou no DACON de novembro de 2008 para a incorporação: Art. 32. O registro compreende: I a matricula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais: II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas: (...) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento: fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Art. 8o Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades, de tipos iguais ou diferentes, são absorvidas por outra que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo ser deliberada na forma prevista para alteração do respectivo estatuto ou contrato social. Art. 9o A incorporação de sociedade mercantil, de qualquer tipo jurídico, deverá obedecer aos seguintes procedimentos: I a assembléia geral extraordinária ou a alteração contratual da Fl. 355DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 340 21 sociedade incorporadora deverá aprovar o protocolo, a justificação e o laudo de avaliação do patrimônio líquido da sociedade incorporada, elaborado por três peritos ou empresa especializada, e autorizar, quando for o caso, o aumento do capital com o valor do patrimônio liquido incorporado; II a assembléia geral extraordinária ou o instrumento de alteração contratual da sociedade incorporada, que aprovar o protocolo e a justificação, autorizará os seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação; III aprovados em assembléia geral extraordinária ou por alteração contratual da sociedade incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, devendo os administradores da incorporadora providenciar o arquivamento dos atos e sua publicação, quando couber. (...) Art. 12. As sociedades envolvidas na operação de incorporação que tenham sede em outra unidade da federação, deverão arquivar a requerimento dos administradores da incorporadora na Junta Comercial da respectiva jurisdição os seus atos específicos: I na sede da incorporadora: o instrumento que deliberou a incorporação; II na sede da incorporada: o instrumento que deliberou a sua incorporação, instruído com certidão de arquivamento do ato da incorporadora, na Junta Comercial de sua sede. Entendo que não basta apenas o registro, assim como, não basta apenas os documentos, é necessária a concomitância de ambos, para que os atos estejam perfeitamente acabados. Considerando que à época dos fatos geradores a incorporação não havia sido registrada na Junta Comercial, a fim de que se aperfeiçoasse a baixa definitiva da CEMAN, não há razão para nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. DA DECADÊNCIA EM RAZÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL NO PRIMEIRO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Conforme verificado no relatório da DRJ/RJ1, a nulidade da Notificação Fiscal foi em função de a auditoria ter arrolado de forma globalizada os 169 prestadores de serviço e pela falta do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, no relatório de Fundamentos Legais do Débito. Portanto, entendo que nessa situação, não se tratou de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, que dependendo do caso, poderia ser considerado nulidade por erro material. No caso dos autos, entendo que se tratou de nulidade por erro formal, visto que ocorreu um erro na forma de elaboração da emissão da NFLD. Em verdade, como existiam Fl. 356DF CARF MF 22 169 prestadores de serviço, a auditoria não deveria arrolálos em uma única NFLD, mas desmembrar essa NFLD em 169, como forma de facilitar o contraditório e a ampla defesa, vez que ela deveria ter sido também intimada da autuação, o que efetivamente ocorreu no segundo lançamento. Dessa forma, não houve a inclusão de dado novo, pois a prestadora de serviço CEMAN já estava arrolada na primeira NFLD anulada. E, como informa a auditoria, a matéria e a base de cálculo foram as mesmas constantes naquela NFLD. Observo a existência de decisão judicial (fls. 258/269), que faz referência à NFLD anulada no seguinte sentido: Ocorre que os lançamentos impugnados se reterem a parte de créditos que foram objeto de lançamento anterior que foi anulado pela Administração em razão de recurso administrativo da autora, ou seja, a NFLD nº 35.007.3546, que foi lavrada em 30/11/1999 e anulada, por decisão definitiva, em 20/04/2005 (fls. 53, 95 e 165) . Quando foi lavrada a NFLD nº 35.007.3546, já havia ocorrido a docadência do direito à constituição dos créditos tributários referentes às competências da março de 1993 a dezembro de 1993, referentes à NFLD nº 37.048.3553 e à parte da NFLD nº 37.048.3570. Em relação aos créditos relativos às competências iniciadas em janeiro de 1994, não ocorreu decadência, porquanto o prazo decadencial mais remoto terminaria em 1o de janeiro de 2000. Por outro lado, uma vez anulada a NFLD nº 35.007.3546, iniciouse novo prazo decadencial em abril de 2005, nos termos do artigo 173, inciso II, do CTN, que prescreve que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (Grifei) Tal julgado entendeu que a nulidade da primeira NFLD foi por erro formal, uma vez que não acatou a questão da decadência utilizando como fundamento o art. 173, II, do CTN. Assim, considerando a nulidade por erro formal, não há que se falar que tenha ocorrido o instituto da decadência, pois quando do novo lançamento não havia decorrido 5 anos, contados da data de nulidade do lançamento. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário conhecido. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 37048.267000/200655 Acórdão n.º 2202004.365 S2C2T2 Fl. 341 23 Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000214/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 30/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 14 /2 00 9- 65 Fl. 1279DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10932.000214/200965 Acórdão n.º 2202004.415 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1281DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10932.000214/200965 Acórdão n.º 2202004.415 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1283DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 10932.000214/200965 Acórdão n.º 2202004.415 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1285DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.720056/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 56 /2 01 1- 77 Fl. 59264DF CARF MF Processo nº 10410.720056/201177 Acórdão n.º 3401004.974 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59265DF CARF MF Processo nº 10410.720056/201177 Acórdão n.º 3401004.974 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos Fl. 59266DF CARF MF Processo nº 10410.720056/201177 Acórdão n.º 3401004.974 S3C4T1 Fl. 5 4 PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Fl. 59267DF CARF MF Processo nº 10410.720056/201177 Acórdão n.º 3401004.974 S3C4T1 Fl. 6 5 Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas Fl. 59268DF CARF MF Processo nº 10410.720056/201177 Acórdão n.º 3401004.974 S3C4T1 Fl. 7 6 fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo Fl. 59269DF CARF MF Processo nº 10410.720056/201177 Acórdão n.º 3401004.974 S3C4T1 Fl. 8 7 contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59270DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.002855/2010-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.025
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte cópia da DIRPF 2009/2008 e intime o contribuinte a apresentar: 1. documento oriundo da Justiça do Trabalho relativo ao processo citado à fl. 63 onde conste demonstrativo do cálculo e valor total da indenização por dano moral referida à fl. 66, e; 2. cópia legível dos documentos de fls. 29, 71 e 100.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte cópia da DIRPF 2009/2008 e intime o contribuinte a apresentar: 1. documento oriundo da Justiça do Trabalho relativo ao processo citado à fl. 63 onde conste demonstrativo do cálculo e valor total da indenização por dano moral referida à fl. 66, e; 2. cópia legível dos documentos de fls. 29, 71 e 100. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 02 85 5/ 20 10 -2 1 Fl. 109DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 nos seguintes valores (fl. 30): Rubrica Valor em reais Imposto 13.513,32 Multa de ofício 10.134,99 Juros de mora 1.722,94 Total à época 25.371,25 As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Rendimentos recebidos acumuladamente 55.094,19 Os rendimentos referemse à ação judicial 2943/2003 movida contra o Banco Bradesco e totalizam 128.897,32, sendo: 112.255,19 total retirado pelo autor em 24/07/2008 16.442,90 total de imposto de renda recolhido 199,23 valor devido pelo empregado ao INSS Para efeito de cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual os rendimentos totais recebidos da ação devem ser separados entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e rendimentos isentos e nãotributáveis. Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação. Com base nos cálculos periciais do processo trabalhista constatouse que 11,74% dos rendimentos são isentos e que 88,26% são tributáveis no ajuste anual. Foram considerados isentos os seguintes rendimentos originais: a Abono de férias indenizadas: 714,10; b férias indenizadas: 2.142,51; c aviso prévio indenizado: 1.353,16; d FGTS: 4.198,47; e multa FGTS: 1.679,39 Foram considerados tributáveis os demais rendimentos, inclusive indenização por danos morais. Total de rendimentos sujeitos à tributação normal: 113.766,72 (128.897,32 x 88,26%). Total de despesas com advogado: 6.681,30. Parcela dedutível dos rendimentos sujeitos à tributação normal (proporcional a estes): 5.897,02 (6.681,30 x 88,26%). Valor apurado de rendimentos tributáveis sujeito ao ajuste anual esperados na Declaração de Ajuste Anual referente à esta ação: 107.869,71 (113.766,72 5.897,02) Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 13 e 14) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou 1 Imposto de Renda Pessoa Física Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10882.002855/201021 Resolução nº 2002000.025 S2C0T2 Fl. 4 3 ciência do lançamento no dia 21/09/2010 (fl. 35) e protocolou sua peça no dia 08/10/2010 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss), em síntese, o contribuinte alega que: os rendimentos de 55.094,19 em sua totalidade oriundo de indenização por danos morais; a divergência apurada pela fiscalização devese ao preenchimento incorreto da Dirf apresentada pelo agente arrecadador do tributo, Banco do Brasil que omitiu os dados do campo 11 valor das deduções constantes do comprovante de retenção de imposto de renda determinado pela justiça do trabalho; em sua declaração espelho os dados constantes do comprovante; a indenização por dano moral é compensatória, visto a irreparabilidade plena do dano, quer seja por sua subjetividade, quer por sua caracterização de bem personalíssimo insubstituível; a indenização por danos materiais e morais não caracterizam ganho, provento ou acréscimo patrimonial, e sim a recomposição do bem lesado, tangível ou não; o instituto não é tributável por essência; evoca os princípios constitucionais e cita decisões judiciais; Por fim, requer o acolhimento da impunação, canceland0se o débito fiscal. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 14); texto sobre indenização por danos morais (fl. 15); notícia sobre tributação de indenizações (fl. 16); decisões judiciais (fl. 17 e ss); breve relato de apuração (fl. 24); tabelas de cálculo (fl. 25 e ss); documento ilegível (fl. 29); 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10882.002855/201021 Resolução nº 2002000.025 S2C0T2 Fl. 5 4 Diligência A DRJ converteu o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem juntasse o dossiê onde devem constar todos os documentos que deram amparo fático à constituição do presente processo, principalmente os que contêm rendimentos relacionados pela autoridade fiscal. O dossiê foi juntado e o processo devolvido. Decisão de 1ª instância A DRJ3 julgou a impugnação procedente (fl. 78 e ss). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE DOCUMENTO COMPROBATÓRIO. Por expressa imposição legal, após a publicação do Ato Declaratório PGFN nº 9/2011, não cabem a constituição de crédito tributário nem a discussão relativas ao Imposto sobre Renda, na hipótese de verbas percebidas por pessoa física a título de danos morais. Na ausência de documento comprobatório, quanto a certeza e liquidez dos rendimentos recebidos a título de Indenização de Danos Morais, deve ser integralmente mantido o lançamento. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 92) e tempestividade, haja vista que a contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 18/06/2015 (fl. 88) e protocolou sua peça no dia 25/06/2015 (fl. 90), dentro do prazo de 30 dias4 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 90 e ss), em síntese, o contribuinte alega que: o acórdão da DRJ reconhece que os valores percebidos a título de indenização por dano moral não estão mais sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual; diante da impossibilidade de identificação do valor da verba indenização por dano moral, nos documentos apresentados, julgou improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário; no acórdão de fls. 63 a 67 a relatora rearbitrou a indenização por dano moral em 10 vez o último salário e cita trecho da decisão; por ocasião da demissão (11/06/2003), o último salário foi de R$ 5.999,97. Por fim, requer o acolhimento do recurso e cancelamento do débito fiscal e prioridade na tramitação (fl. 106). 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento 4 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10882.002855/201021 Resolução nº 2002000.025 S2C0T2 Fl. 6 5 Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguintes documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 94); cópias da carteira de trabalho (fl. 95 e ss); documento ilegível (fl. 100). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito O contribuinte alega inicialmente que a indenização por danos morais foi de 55.094,19. Na planilha da fl. 27 e 61 consta que a referida indenização foi no valor de 53.648,90. A decisão mencionada fala em 10 vez o último saláriobase percebido, que, segundo o contribuinte foi de 5.999,97 (fl. 99), o que levaria a um total de 59.999,70 sem considerar qualquer atualização. Dessa forma, verificase que as alegações e documentos apresentados pelo contribuinte estão divergentes. No mais, os documentos de fls. 29, 71 e 100 estão ilegíveis, o que impossibilita a sua análise. Diante disso, verifico que o processo não está em condições de julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte cópia da DIRPF 2009/2008 e intime o contribuinte a apresentar: 1. documento oriundo da Justiça do Trabalho relativo ao processo citado à fl. 63 onde conste demonstrativo do cálculo e valor total da indenização por dano moral referida à fl. 66; 2. cópia legível dos documentos de fls. 29, 71 e 100. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10882.002855/201021 Resolução nº 2002000.025 S2C0T2 Fl. 7 6 Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902311/2015-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2014
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2014 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 23 11 /2 01 5- 00 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de CSLL. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de CSLL para o 4º trimestre/2014, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativo ao 4º trimestre de 2014, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 03969.45346.030915.1.2.047065. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, em seu art. 20 estabelece que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral, sob o regime do Lucro Presumido, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). Contudo, o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" (redação alterada pela Lei 11.727/08), previu uma exceção ao percentual de 32% exatamente para os serviços hospitalares, caso da Manifestante, em que a base da CSLL será de 12%, desde que seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 5 4 de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 12%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para utilizaação da alíquota no percentual de 12%, para apuração da base de cálculo sobre o lucro presumido da CSLL, é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de CSLL, relativo ao 4º trimestre/2014. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13005.902311/201500 Acórdão n.º 1201002.193 S1C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660402/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.803
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 02 /2 01 2- 03 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660402/201203 Acórdão n.º 3401004.803 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660402/201203 Acórdão n.º 3401004.803 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660402/201203 Acórdão n.º 3401004.803 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660402/201203 Acórdão n.º 3401004.803 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660402/201203 Acórdão n.º 3401004.803 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660402/201203 Acórdão n.º 3401004.803 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007844/2003-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONTAGEM.
A existência de depósitos judiciais não tem o mesmo efeito que a existência de pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Na ausência de pagamento aplica-se o prazo previsto no inc. I do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COFINS. PRAZO DECADENCIAL. EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONTAGEM. A existência de depósitos judiciais não tem o mesmo efeito que a existência de pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Na ausência de pagamento aplica-se o prazo previsto no inc. I do art. 173 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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COFINS. PRAZO DECADENCIAL. EXISTÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONTAGEM. A existência de depósitos judiciais não tem o mesmo efeito que a existência de pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Na ausência de pagamento aplicase o prazo previsto no inc. I do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 78 44 /2 00 3- 08 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 280100.120, de 1º de junho de 2009, proferido pela extinta 1º Turma Especial da 1º Câmara da 2º Seção de Julgamento, que por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos períodos de abril a junho de 1998 e excluir a multa de ofício, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à COFINS decai em 5 (cinco) anos a contar do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais. CONVERSÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS EM RENDA DA UNIÃO. MOMENTO DE EXTINÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.Depósitos judiciais somente extinguem débitos tributários depois de efetivada a respectiva conversão em renda da Unido. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa de oficio e juros de mora na forma prevista na legislação. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, que foram acolhidos em parte, com a supressão da contradição havida entre o dispositivo do acórdão e o resultado do julgamento. Ressaltese apenas que, conforme constou do despacho nº 380300.262, de 19 de novembro de 2012, em que se examinou a admissibilidade dos embargos de declaração, a Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 4 3 PGFN cometeu mais uma vez o equívoco de considerar o termo final do prazo do art. 173, I, do CTN como ocorrido em dezembro de 2004, pois, tratandose de fatos geradores ocorridos em 1998 e iniciandose o referido prazo em 1º de janeiro de 1999, o termo final se dá em 31/12/2003. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, aduz que à equiparação dos depósitos judiciais à antecipação do pagamento para fins de aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4°, do CTN, argüindo que o depósito judicial não se equipara ao pagamento antecipado, pois, no depósito, não há a entrega da quantia em dinheiro ao credor, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº 20180517. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls.183/185. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso, ás fls. 193/200. No essencial é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, contra a Contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração lavrado em decorrência de auditoria interna na DCTF do segundo, terceiro e quarto trimestre de 1998 em que, consoante descrição dos fatos, A fl. 57, e anexos, de fls. 58/61 são exigidos R$ 21.252,91 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente aos períodos de apuração 04/1998 a 12/1998, além dos correspondentes valores devidos a titulo de multa de oficio e juros de mora. Cientificada da autuação em 21/07/2003 (fl. 71), a Contribuinte apresentou defesa, exerceu ampla defesa e contraditório. Por sua vez, a extinta 1º Turma Especial, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a ocorrência da decadência em relação aos períodos de abril a junho de 1998 e excluir a multa de ofício, diante da existência de depósitos judiciais e por se tratar a Cofins de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é aquele previsto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Alega a Fazenda Nacional, que o prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias são de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/9, vez que o auto de infração foi lavrado em data anterior á do término do prazo de dez anos, devendo ser reformado integralmente o acórdão vergastado. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 5 4 Em contrarrazões ao recurso, a Contribuinte aduz que realizou depósitos judiciais, com recolhimento integral do débito, conforme declarações de recolhimento da COFINS juntadas aos autos do Mandado de Segurança, bem como os comprovantes depósitos efetuados. Dessa forma, ficam as Contribuições submetidas ao disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Analisando a quaestio, com a alteração regimental, que o art. 62, § 2 ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo, sob pena de perda de mandato. Nessa perspectiva, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria similar à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O precedente tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 6 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos)". Como visto, o Recurso Repetitivo acima colacionado, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Assim, de um exame meticuloso junto aos autos, verifico que houve recolhimento integral da COFINS, por meio de depósitos judiciais em ação movida em desfavor da União (Mandado de Segurança nº 9700112535/PR). Temse, portanto, que em relação a COFINS ora sob exame, a Contribuinte (i) apurou a ocorrência do fato gerador, (ii) calculou o montante devido e (iii) depositou em juízo o valor da exação, ao invés de recolhêla diretamente para a Receita Federal do Brasil. A meu ver a ratio decidendi do Superior Tribunal de Justiça no RESP nº 973.733/SC, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos do artigo 543C do CPC, foi a de considerar o pagamento antecipado como pressuposto necessário de atividade da contribuinte objeto de homologação no âmbito do lançamento por homologação. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 7 6 Com efeito, depósito integral do tributo exerce o mesmo papel, de pagamento antecipado, sendo a Contribuinte responsável por exercer a atividade de calcular o valor que entende devido e efetuar o depósito, tomando a Fazenda Nacional conhecimento para a partir dai fiscalizar e se for o caso lançar o valor apurado, como fez na presente demanda. Para corroborar meu entendimento, o depósito judicial passa, inclusive, a integrar o orçamento da União, nos termos dos artigos 1º, §2º e 2º da Lei n. 9.703,1998, cabendo à União efetuar a devolução a Contribuinte em caso de decisão favorável. Vejamos: Art. 1 Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. § 1o O disposto neste artigo aplicase, inclusive, aos débitos provenientes de tributos e contribuições inscritos em Dívida Ativa da União. § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. § 4o Os valores devolvidos pela Caixa Econômica Federal serão debitados à Conta Única do Tesouro Nacional, em subconta de restituição.§ 5o A Caixa Econômica Federal manterá controle dos valores. Ademais, os depósitos foram automaticamente convertidos em renda da União, extinguindo o crédito tributário, nos ditames do art. 156, VI, do CTN, restando desnecessário o lançamento por conta do próprio provimento judicial. A jurisprudência do STJ perfilha o entendimento supra delineado, sendo oportuna a transcrição dos seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 8 7 DECADENCIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento dos ERESP 686.479/RJ, Rel. Min. Denise Arruda, a Primeira Seção pacificou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, "o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso porque verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, deposita a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário é constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose, com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Não há, portanto, necessidade de ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa quanto aos valores depositados." Precedentes da Primeira Seção e de ambas as Turmas de Direito Público. 2. Não cabem Embargos de Divergência quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado (Súmula 168/STJ). 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1037202/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 27/05/2009, DJe 21/08/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. WRIT OF MANDAMUS. DEPÓSITO JUDICIAL. DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. LANÇAMENTO TÁCITO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. I O Tribunal a quo julgou satisfatoriamente a lide, não havendo que se falar em omissão no julgado atacado, porquanto se pronunciou sobre o tema proposto, tecendo as devidas considerações acerca da questão da natureza do depósito efetuado, de seu levantamento, bem como com relação ao lançamento fiscal e à decadência. II Verificase que, a teor do art. 151, inciso II, do CTN, é depósito judicial e não caução, o montante ofertado pela recorrente, por ocasião da concessão da liminar em mandado de segurança, porquanto se trata de valor em dinheiro e que equivale ao discutido na ação em comento. III O depósito judicial, em razão da denegação da segurança, deve ser convertido em renda em favor da União, após o trânsito em julgado da sentença, representando a garantia do cumprimento de seu débito fiscal. IV Esta Corte já teve oportunidade de se manifestar, por meio do EDcl no REsp nº 736.918/RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 03/04/2006, p. 257, no sentido de que o depósito judicial, no caso de tributo sujeito a Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 9 8 lançamento por homologação, equivale ao recolhimento da exação, condicionada a sua conversão em renda no caso de improcedência da demanda. Sendo assim, não haveria que se falar em decadência, porquanto ocorrido o lançamento tácito. V Recurso especial improvido. (REsp 767328/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/09/2006, DJ 13/11/2006 p. 232". Deste modo, com fundamento do RESP nº 973.733/SC, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos do artigo 543C do CPC, que considerou pagamento antecipado para aplicação do artigo 150, parágrafo 4º do CTN, entendo presente os pressupostos de aplicação no presente caso, objeto de depósito judicial. Destarte, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 21/07/2003, (fl.71), deve ser mantida a declaração da decadência em relação aos valores exigidos dos períodos de abril a junho de 1998, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da contagem de prazo decadencial quando da existência de depósitos judiciais. Relembrando um pouco a origem do presente processo, temos que se trata de uma auto de infração decorrente de auditoria em DCTF que resultou na exigência de créditos tributários da Cofins relativos aos períodos de apuração de abril a dezembro/1998. O auto de infração foi lavrado em 18/06/2003 e a ciência foi dada ao contribuinte em 21/07/2003, conforme AR de efl. 78. Como visto o acórdão recorrido reconheceu a decadência do lançamento relativa aos períodos de apuração de abril a junho/98, aplicando a contagem prevista no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, considerou que o prazo é contado de 5 anos a partir do fato gerador. Entendeu que a existência de depósitos judiciais se equiparam a pagamento e essa é a divergência trazida a julgamento em sede do presente recurso especial. A decadência do direito de se constituir créditos tributários está regulada no Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 11 10 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. Consoante os dispositivos citados e transcritos acima, para os casos em que há antecipação de pagamento por conta das parcelas da contribuição (tributo) devida, a contagem do prazo quinquenal decadencial deve ser efetuada, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da data do respectivo fato gerador. Já para os casos em que o contribuinte não efetua quaisquer antecipações, a contagem deve ser efetuada nos termos do art. 173, inciso I, desse mesmo Código, ou seja, seja a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido constituído. Portanto, o que se põe em julgamento é se a existência de depósitos judiciais equiparase a pagamento para aplicação do prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 5 anos contados do fato gerador ou o prazo previsto no inc. I do art. 173 do CTN 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte. Temos o entendimento de que depósitos judiciais não se equiparam a pagamento e a contagem do prazo decadencial deve ser aplicada conforme disposto no inc. I do art. 173 do CTN. Vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional a respeito de depósitos judiciais e pagamento. CAPÍTULO III Suspensão do Crédito Tributário SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 12 11 IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (...) CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10980.007844/200308 Acórdão n.º 9303007.024 CSRFT3 Fl. 13 12 Da leitura dos dispositivos acima, resta evidente que depósitos judiciais não se equiparam a pagamento. Depósitos judiciais é uma forma de suspensão do crédito tributário, por sua vez, pagamento é uma forma de extinção do crédito tributário. E não venham dizer que estes institutos têm o mesmo efeito prático. O pagamento quando realizado satisfaz a obrigação não gerando qualquer expectativa diferente que não seja a extinção do crédito tributário correspondente. Daí a razão de o CTN prever um prazo decadencial um pouco mais curto pois em tese não há mais providências a serem atribuídas ao sujeito ativo da obrigação tributária. Por sua vez, os depósitos judiciais geram expectativas diferentes, não podendo sequer de perto em falar em extinção do crédito tributário, ao contrário, na maior parte das vezes o contribuinte está sinalizando que aqueles montantes depositados não são devidos. Portanto aplicável o prazo decadencial previsto no inc. I do art. 173 do CTN. Considerando então que os lançamentos em discussão no presente recurso especial são referentes a abril a junho/1998, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser realizado, o prazo inicial de decadência é contado a partir de 1º/01/1999, vencendo em 31/12/2003. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte no dia 21/07/2003, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, entendendo que não houve o transcurso do prazo decadencial aplicado na decisão recorrida. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.001606/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos.
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Waltir de Carvalho, que lhe deu provimento parcial, para fins de que o imposto seja recalculado utilizando-se as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos. IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido
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INOCORRÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos. IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Waltir de Carvalho, que lhe deu provimento parcial, para fins de que o imposto seja recalculado utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 16 06 /2 00 7- 08 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10930.001606/200708 Acórdão n.º 2202004.522 S2C2T2 Fl. 282 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10930.001606/200708, em face do acórdão nº 0627.014, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 18 de junho de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o processo de defesa em relação ao Auto de Infração de fls. 08 a 11, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, que exige R$ 332,28 de Imposto de Renda suplementar, R$ 249,21 de multa de ofício e R$ 227,24 de juros de mora, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. 2. No relatório denominado Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 24, traz a autoridade fiscal as seguintes informações quanto à omissão de rendimentos: Os rendimentos referentes à ação judicial 1.153/1994 movida contra BANCO ITAÚS/A, CNPJ 60.701.1901000104, totalizam R$ 223.191,36 sendo: R$ 169.278,45 total devido ao autor. R$ 52.400,28 total de Imposto de Renda recolhido. R$1.512, 63 valor devido pelo empregado ao INSS. Para efeito de cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual os rendimentos totais recebidos da ação devem ser separados entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e rendimentos isentos e não tributáveis. O Imposto de Renda pago deve ser proporcionalizado entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e rendimentos e rendimentos tributáveis com tributação exclusiva na fonte. Com base nos cálculos periciais constantes do processo trabalhista verificouse que 11,72% dos rendimentos são isentos, que 0,45% dos rendimentos são de tributação exclusiva na fonte e que 87,83% são tributáveis no ajuste anual. Foram considerados isentos os seguintes rendimentos originais: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10930.001606/200708 Acórdão n.º 2202004.522 S2C2T2 Fl. 283 3 RS 26.148, 34, sendo RS 21.746, 73 de FGTS e R$ 4.401, 61 de Aviso prévio. Foram considerados exclusivos na fonte os seguintes rendimentos: RS 1.006, 58 (13' salário). Foram considerados sujeitos à tributação normal os seguintes rendimentos: R$ 196.033,58 (RS 223.191,36x 87,83%). Valor apurado de rendimentos tributáveis sujeito ao ajuste anual esperados na Declaração de Ajuste Anual referente a esta ação: RS 196.033, 58. (sem grifo no original) 3. Acontece que o contribuinte declarou como rendimento isento e nãotributável o montante de R$ 213.188,11, recebido na ação trabalhista (vide fl. 86), o que gerou a divergência apontada pela fiscalização. 4. Acrescentese, ainda, que do valor total declarado como retenção na fonte, foram glosados R$ 16,00, por se tratar de valor sujeito à tributação exclusiva na fonte. • 5. Cientificado do lançamento em 22/08/07, conforme Aviso de Recepção de fl. 182, o interessado ingressou com a impugnação tempestiva de fls. 01 e 18, em 18/09/07, alegando, em síntese, que: a) os créditos a que se refere este Auto de Infração correspondem a verbas trabalhistas relativas ao período compreendido entre março de 1994 e junho de 1995, de forma que, nos termos do art. 150, § 4% do CTN, estão extintos por força da decadência. Todavia, ainda "que se tome como termo inicial as datas de recebimento das parcelas trabalhistas como sendo a data do fato gerador do tributo, que ocorreu em julho de 2002 , temse que a decadência operouse, em iulho de 2007 . "; (grifo e negrito no original) b) em face da ação trabalhista "levantou a quantia de R$ 169.278,45, conforme guia em anexo. Desse valor, R$ 12.425,05 referiase às horas extras e respectivos reflexos; R$ 86.334,77 referiase à indenização decorrente da estabilidade; R$ 6.034,67 referiase à ajuda alimentação e reflexos; R$ 4.042,45 referiase aos reflexos da estabilidade no aviso prévio; R$ 92.574,18 referiase aos juros incidentes sobre essas parcelas, tudo conforme demonstrativo de valores constante nos autos de reclamação trabalhista (fls. 759/770). "; c) das parcelas descritas, apenas a parcela no valor de R$ 12.425,05 está sujeita à tributação, sendo as demais isentas, o que evidencia que está correta a declaração apresentada pelo contribuinte, ao passo que equivocado o auto de infração . "; (grifo e negrito no original) Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10930.001606/200708 Acórdão n.º 2202004.522 S2C2T2 Fl. 284 4 d) "a quantia de R$ 86.334,77 decorreu da indenização recebida pela estabilidade do emprego em razão de o impugnante ocupar, à época da rescisão do contrato de trabalho, cargo de suplente de Juiz Classista. [ ... ] A indenização recebida por força de estabilidade de emprego não tem natureza salarial porque, nos termos do artigo 457 da CLT, não decorre de contraprestação de serviço prestado ao empregador. [ ... ] Tendo em vista que os valores recebidos apresentam natureza indenizatória, não podem sofrer incidência do imposto de renda por não constituírem fato gerador desta espécie tributária." O valor de R$ 4.042,45, por se referir à reflexos da estabilidade, também não está sujeito à tributação; e) o valor de R$ 6.034,67 (referente à ajuda alimentação), por decorrer do PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, não tem natureza salarial (vide OJ n° 133 do TST). "Dessa sorte, tal verba tem natureza indenizatória, razão pela qual não pode ser tributada pelo imposto de renda."; f) "No auto de infração a Agente Fiscal faz referência à perícia realizada o na ação trabalhista" [ ... ]. Ocorre que o impugnante não teve acesso a estes documentos, porque não fazem parte dos autos, e também porque não lhe foram entregues. [ ... ] A não existência nos autos da perícia a que faz referência à autoridade administrativa, e o conseqüente não fornecimento de cópia, visto que documento importante tanto para a fiscalização como para o lançamento, implica cerceamento de defesa, por razão deve ser invalidado o procedimento, assim como os atos. de lançamento e imposição de sanção", haja vista prejudicarem o "contraditório e a ampla defesa do impugnante."; g) é indevida a cobrança de multa de 75%, pois tal multa somente é aplicada quando o contribuinte deixa de apresentar a declaração ou apresenta de forma inexata, porém, o contribuinte não deixou de declarar os rendimentos, mas sim os declarou como isentos e não tributáveis, que é a natureza das verbas recebidas, motivo pelo qual também não declarou de forma inexata. "No máximo, seria justificada a multa de 20%, prevista no art. 61, por atraso no pagamento do tributo, caso a autoridade Administrativa entenda haver tributo devido." Acrescentese que "inexiste nos autos qualquer prova apta a demonstrar que o impugnante visou fraudar o Fisco."; • h) acrescentase "ainda que o quadro fático relatado revela a inexistência do suporte probatório necessário para a procedência da ação fiscal, uma vez que a Auditora Fiscal tomou por base supostas provas indiciárias que ensejaram a lavratura do auto de infração, sem sequer substanciálas em outros elementos, não sendo possível atingir, pois, a verdade material. In casu, não há prova de qualquer infração cometida pelo contribuinte." 6. Diante dessas alegações, requer o Impugnante a anulação do presente Auto de Infração e, sucessivamente, a redução da multa de 75% para 20%. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10930.001606/200708 Acórdão n.º 2202004.522 S2C2T2 Fl. 285 5 7. É o Relatório. ” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 205/209, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Decadência. Alega o recorrente que o presente Auto de Infração referese a verbas trabalhistas relativas ao período compreendido entre março de 1994 e junho de 1995 e que, dessa forma, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, o respectivo credito tributário encontrase extinto pela decadência. Primeiramente, insta destacar que o fato gerador do imposto de renda se dá com a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, segundo o art. 43, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: 1 de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Logo, se o contribuinte recebeu os valores objeto do presente lançamento em 2004, é neste anocalendário que se tem por ocorrido o fato gerador. Portanto, ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 2002, temse que o direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento em relação aos rendimentos auferidos em 2002 não se encontrava atingido pela decadência quando da notificação do sujeito passivo do presente Auto de Infração, o que se deu em 28/08/2007. Rejeito a preliminar, portanto. Rendimentos recebidos acumuladamente. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10930.001606/200708 Acórdão n.º 2202004.522 S2C2T2 Fl. 286 6 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no lançamento, o crédito tributário foi constituído em razão de do recebido de rendimentos acumulados recebidos decorrente de reclamação trabalhista de nº 1.153/1994 movida pela contribuinte em face do Banco Itaú S/A, na Declaração de Ajuste Anual; Assim, verificase que o lançamento tributário deriva do contribuinte ter recebido valores de forma acumulada, referente a períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Portanto, fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendário em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10930.001606/200708 Acórdão n.º 2202004.522 S2C2T2 Fl. 287 7 Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, a qual foi declarada inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 287DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.720594/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
PROCESSUAL - RECURSO DE OFÍCIO - SUMULA 103 DO CARF
Para verificação do cabimento do Recurso de Ofício, prevalece o valor de alçada fixado por Portaria do Ministério da Fazenda viegente à época do respectivo julgamento, nos precisos termos da Sumula 103 deste Conselho.
PROCESSUAL - NULIDADE - REGIME DE TRIBUTAÇÃO - OMISSÃO DE RECEITA - FALTA DE EXCLUSÃO DA EMPRESA DO REGIME DA LC 123 - INOCORRÊNCIA
Ainda que a exclusão da empresa do SIMPLES Nacional fosse medida mandatória, a sua não concretização poderia, quando muito, encerrar a responsabilização do servidor competente, não impondo a exclusão automática do regime descrito na LC 123; verificada a omissão de receita, prevalece a regra inserta no art. 288 do RIR, devendo ser apurado o crédito tributário pelo regime a que estava submetido o contribuinte (SIMPLES Nacional).
OMISSÃO DE RECEITAS - ART. 41 DA LEI 9.430 - PRESUNÇÃO - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Constatados depósitos bancários de origem nebulosa, não escriturados contabilmente, opera-se a presunção encartada no art. 41 da Lei 9.430, cabendo ao contribuinte, e não à fiscalização, ilidir tal presunção mediante prova hábil e idônea.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ART. 135, III, DO CTN
Não há como se sustentar a responsabilização dos solidário com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN apenas com base na premissa de que estes seriam sócios administradores do contribuinte, cabendo à autoridade lançadora apontar, objetivamente, quais atos ilícitos, contrários ao contrato ou estatuto ou, ainda, com excesso de poderes foram praticados.
Numero da decisão: 1302-002.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitadas, e, no mérito, em, conhecer parcialmente do recurso voluntário do sujeito passivo principal e em negar provimento, tendo o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado) votado pelas conclusões quanto a omissão de receitas (liquidação de títulos); por unanimidade em negar provimento ao recurso do responsável solidário Guilherme Paulo Deucher Filho, e em dar provimento integral aos recursos dos devedores solidários Nei Nardi e Roberta Spera de Almeida. E, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 PROCESSUAL - RECURSO DE OFÍCIO - SUMULA 103 DO CARF Para verificação do cabimento do Recurso de Ofício, prevalece o valor de alçada fixado por Portaria do Ministério da Fazenda viegente à época do respectivo julgamento, nos precisos termos da Sumula 103 deste Conselho. PROCESSUAL - NULIDADE - REGIME DE TRIBUTAÇÃO - OMISSÃO DE RECEITA - FALTA DE EXCLUSÃO DA EMPRESA DO REGIME DA LC 123 - INOCORRÊNCIA Ainda que a exclusão da empresa do SIMPLES Nacional fosse medida mandatória, a sua não concretização poderia, quando muito, encerrar a responsabilização do servidor competente, não impondo a exclusão automática do regime descrito na LC 123; verificada a omissão de receita, prevalece a regra inserta no art. 288 do RIR, devendo ser apurado o crédito tributário pelo regime a que estava submetido o contribuinte (SIMPLES Nacional). OMISSÃO DE RECEITAS - ART. 41 DA LEI 9.430 - PRESUNÇÃO - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Constatados depósitos bancários de origem nebulosa, não escriturados contabilmente, opera-se a presunção encartada no art. 41 da Lei 9.430, cabendo ao contribuinte, e não à fiscalização, ilidir tal presunção mediante prova hábil e idônea. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - ART. 135, III, DO CTN Não há como se sustentar a responsabilização dos solidário com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN apenas com base na premissa de que estes seriam sócios administradores do contribuinte, cabendo à autoridade lançadora apontar, objetivamente, quais atos ilícitos, contrários ao contrato ou estatuto ou, ainda, com excesso de poderes foram praticados.
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PROCESSUAL NULIDADE REGIME DE TRIBUTAÇÃO OMISSÃO DE RECEITA FALTA DE EXCLUSÃO DA EMPRESA DO REGIME DA LC 123 INOCORRÊNCIA Ainda que a exclusão da empresa do SIMPLES Nacional fosse medida mandatória, a sua não concretização poderia, quando muito, encerrar a responsabilização do servidor competente, não impondo a exclusão automática do regime descrito na LC 123; verificada a omissão de receita, prevalece a regra inserta no art. 288 do RIR, devendo ser apurado o crédito tributário pelo regime a que estava submetido o contribuinte (SIMPLES Nacional). OMISSÃO DE RECEITAS ART. 41 DA LEI 9.430 PRESUNÇÃO INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Constatados depósitos bancários de origem nebulosa, não escriturados contabilmente, operase a presunção encartada no art. 41 da Lei 9.430, cabendo ao contribuinte, e não à fiscalização, ilidir tal presunção mediante prova hábil e idônea. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ART. 135, III, DO CTN Não há como se sustentar a responsabilização dos solidário com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN apenas com base na premissa de que estes seriam sócios administradores do contribuinte, cabendo à autoridade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 05 94 /2 01 4- 78 Fl. 1009DF CARF MF 2 lançadora apontar, objetivamente, quais atos ilícitos, contrários ao contrato ou estatuto ou, ainda, com excesso de poderes foram praticados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitadas, e, no mérito, em, conhecer parcialmente do recurso voluntário do sujeito passivo principal e em negar provimento, tendo o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado) votado pelas conclusões quanto a omissão de receitas (liquidação de títulos); por unanimidade em negar provimento ao recurso do responsável solidário Guilherme Paulo Deucher Filho, e em dar provimento integral aos recursos dos devedores solidários Nei Nardi e Roberta Spera de Almeida. E, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Cuida o feito de auto de infração lavrado a fim de exigir, do contribuinte, crédito tributário relativo ao SIMPLES Nacional, devido no ano calendário de 2011 e cujos fatos infracionários foram divididos, pela Fiscalização, em três itens: a) R$ 13.065.330,88 omissão de receitas oriunda da verificação da liquidação de títulos não ofertados à tributação; b) R$ 241.185,78 omissão de receitas oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada; c) insuficiência de recolhimento de parcelas do SIMPLES Nacional constatada a partir da soma da receita bruta declarada através da DASN (R$ 2.026.721,69) aos montantes descritos nas infrações anteriores. Num resumo brevíssimo, digase, de acordo com o TVF, a despeito de regularmente intimado o contribuinte não conseguiu esclarecer porque os valores descritos em "a" não foram adicionados à sua receita bruta, nem tampouco qual seria a origem dos montantes apontados em "b", acima, não tendo trazido quaisquer documentos ou provas suficientes para ilidir as presunções assumidas a partir das constatações fiscais anteriormente tratadas. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10880.720594/201478 Acórdão n.º 1302002.805 S1C3T2 Fl. 1.009 3 À parte dos créditos apurados foi aplicada multa qualificada de 150% (concessa maxima venia, mas o TVF é tão confuso que não consegui identificar, até momento, qual infração teria sido objeto da qualificação retro); ao restante, foi aplicada a multa de ofício ordinária de 75%. Além disso, os sócios administradores e um mandatário foram incluídos no pólo passivo da obrigação, com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN, sob o único fundamento fático de serem sócios gerentes... Cientificados do auto de infração, o contribuinte e os solidários (três deles) opuseram a sua impugnação administrativa; a DRJ de Porto Alegre conheceu apenas das defesas da empresa e do devedor solidário Nei Nardi, deixando de conhecer das manifestações dos demais responsáveis em razão de intempestividade(Guilherme e Roberta). E, quanto às impugnações que tomou conhecimento, julgouas procedentes em parte apenas para desqualificar a multa de ofício (uma vez que aplicada sem qualquer fundamentação legal e fática). Os interessados, a exceção do Sr. Nei Nardi, foram intimados do resultado de julgamento em 17 de dezembro de 2015 (ARs de efls. 888, 889 e 9950. O Sr. Nei Nardi somente foi cientificado do acórdão da DRJ por meio de edital (efls. 997), afixado em 01/03/2016; nada obstante, todos os autuados apresentaram recurso voluntário em 15 de janeiro de 2016 (docs. de efls 891, 936, 956 e 974). Em suas razões de apelo, o devedor principal sustentou, em síntese: a) inovando a discussão até aqui travada, que, preliminarmente, o auto de infração seria nulo dado que, uma vez constatada a infração reiterada aos termos da LC 123, os tributos componentes do regime simplificado deveriam ser apurados de acordo com os regimes aplicáveis às demais empresa, já no mês subsequente ao da constatação do ilícito (art. 29, § 9º, da citada lei complementar); b) quanto ao mérito; b.1) que não haveria provas de que os depósitos identificados seriam, em verdade, receitas da empresa recorrente, sendo descabida a interpretação estrita do art. 42 da Lei 9.430 para inverterse, totalmente, o ônus probatório; b.2) que parte considerável das receitas apontadas no auto de infração refeririamse, em verdade, à vendas realizadas no anocalendário de 2010 e que, por força do regime de competência, teriam sido declaradas e tributadas naquele ano pelo que o auto de infração deveria ser cancelado ou, quando menos, ajustado à esta realidade; b.3) mais um vez inovando a matéria em discussão nos autos de infração, que seria ilegal a exigência juros sobre multa de ofício; c) finalmente, sustenta a irresponsabilidade dos devedores solidários. Os corresponsáveis, ponto comum, alardearam a inexistência da prova de prática de atos ilegais suficientes à caracterização da responsabilidade tratada pelo art. 135, III; especificamente os devedores Roberta e Guilherme, aduziram, mais, que as suas impugnações, originariamente não conhecidas pela DRJ, foram regularmente opostas, mormente porque os Fl. 1011DF CARF MF 4 documentos constantes dos autos não comprovariam a sua regular intimação acerca auto de infração. Os autos, então, foram encaminhados à este Colegiado para análise e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Conheço, em parte, do recurso do contribuinte, não conhecendo do argumento relativo à pretensa ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa ofício, uma vez que esta questão não foi suscitada por ocasião da impugnação administrativa (operando, pois, preclusão consumativa, na forma dos artigos 17 e 33 do Decreto 70.235/72). Conheço, também, do recurso do devedor solidário, Nei Nardi, porque tempestivo. Quanto aos recursos dos corresponsáveis Roberta e Guilherme, inicialmente conhecerei deles apenas quanto a parte que trata da tempestividade de suas impugnações (consideradas intempestivas pela DRJ) e, se ultrapassada tal questão, estenderei o conhecimento destes ao mérito. Por fim, não conheço do recurso de ofício, já que o valor exonerado (R$ 1.349.076,101) não atinge o valor de alçada preconizado pela Portaria Portaria MF 63/2017, em especial à luz dos preceitos da Súmula 103 deste CARF. I Recurso voluntário contribuinte. I.1 Preliminar de mérito nulidade por desobediência, em tese, ao regime tributário cabível. Nos termos do art. 288 do RIR, "verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão". No caso em análise, observei, inicialmente, a inexistência de qualquer notícia sobre eventual exclusão da empresa recorrente do SIMPLES Nacional; até aqui, semelhante providência (exclusão do contribuinte do SIMPLES) não teria sido adotada pelo D. Fiscalização que não a menciona no TVF ou no próprio auto de infração... ou seja, pelo que constava dos autos, enquanto não operada a exclusão da empresa do SIMPLES (que, já que entende passível de exclusão, poderia/deveria fazêlo sponte propria, nos termos do art. 30, II da LC 123/06), o contribuinte se sujeita, e só pode se sujeitar, ao regime de tributação aplicável "ao período de apuração a que corresponder a omissão". 1 O valor exonerado foi calculado a partir da soma dos valores d emultas aplicadas com o percentual de 150% (R$ 2.698.152,20), descritos nas planilhas de efls. 304/315, dedudzido, a seguir, o montante correspondente à metade deste valor (redução determinada pela DRJ de 150% para 75%). Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10880.720594/201478 Acórdão n.º 1302002.805 S1C3T2 Fl. 1.010 5 Vale destacar que, a míngua de exclusão ou, quiçá, de publicação de ADE, caso a fiscalização tivesse procedido ao cálculo dos tributos no regime ordinário de tributação (lucro real/lucro presumido/lucro arbitrado), muito provavelmente estaríamos, agora, analisando preliminar de mérito de nulidade por erro de identificação da matéria tributável sob alegação de que o valor do crédito tributário deveria ter sido apurado conforme regime preconizado pela LC 123... Outrossim, o descumprimento da regra encartada no art. 29, I, da citada lei complementar, que impõe a exclusão de ofícios de MEs e EPPs que não procederem à comunicação de exclusão, poderá, quando multo, resultar na apuração de responsabilidade funcional do servidor a quem recairia o mister da adoção da medida ali descrita; o fato é que, enquanto não promovida a predita exclusão, por força dos preceitos do art. 288 do RIR, prevalece o regime a que estava sujeito o recorrente. Por ocasião do julgamento deste feito, o patrono dos recorrentes trouxe notícia de que teria havido a exclusão da empresa; todavia, pelo documento apresentado, tal exclusão operou efeitos quanto ao anocalendário posterior ao período objeto desta autuação, não importando, por isso mesmo, quaisquer impactos no resultado de minha análise. Diante disto, voto por afastar esta preliminar. I.2 Mérito. I.2.1 Da presunção encartada no art. 42 da Lei 9.430/96 e da inversão do ônus da prova. Neste ponto, o recorrente sustenta que a inversão do ônus probandi, quando identificados depósitos de origem duvidosa, não pode ser absoluta, cabendo, ainda, à fiscalização exaurir a matéria fática ao fim de, quando menos, atestar que os citados depósitos seriam, de fato, receita de titularidade do contribuinte. Permissa venia, mas este argumento vai de encontro, expresso, com as disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, cujo teor, peço licença para transcrever: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso, vejam bem, o único trabalho investigativo que se pode exigir da Auditoria Fiscal é aquele tendente à identificação, justamente, de depósitos mantidos à margem da escrita contábil/fiscal do contribuinte; verificada tal situação, a consequência é inexorável: a empresa titular das contas será intimada para, ELA, comprovar os motivos pelos quais estes numerários não foram registrados, nem tampouco levados à tributação. Neste processo, a fiscalização verificou que a declaração entregue pelo contribuinte (DASN) descrevia valores substancialmente inferiores aos que transitaram em conta bancária de sua titularidade; em vista disso, intimou o contribuinte para apresentar livros e documentos necessários à verificação do registro destes valores e, uma vez apresentados, identificou a manutenção de tais numerários à margem da contabilidade. Fl. 1013DF CARF MF 6 A situação acima descrita, pois, encerra, para além de dúvidas razoáveis, a tipificação dos preceitos do art. 42, pelo que se promoveu a intimação do contribuinte para comprovar a origem daqueles créditos e, nada obstante, o recorrente nada disse ou provou (ao menos quanto a esta infração, digase omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada). Se a norma legal desafia questionamentos ou críticas, que se questione a sua validade perante o Poder Judiciário, foro próprio para semelhante debate; até lá, a lei deve ser obedecida e seguida por todos, especialmente, os membros da Administração Pública, jungidos que são ao princípio máximo da legalidade. I.2.2 Do problema da competência liquidação de títulos com vencimento em 2010 ou emitidos neste ano. Sobre este argumento, a decisão a quo, assim se pronunciou, verbis: Em sua defesa o contribuinte diz que valores recebidos em 2011 representam vendas realizadas no ano calendário de 2010, período não fiscalizado. Neste caso, se o contribuinte não comprova a contabilização da venda, bem como o seu regular oferecimento à tributação, é correto concluir que o mesmo corresponde a uma receita omitida. Cópia dos extratos bancários da carteira de cobrança dos Bancos Bradesco e Itaú, emitidos em 30/12/2010, isoladamente nada provam. Esperava se que o contribuinte vinculasse a estes extratos as notas fiscais e sua contabilização. Porém , esta vinculação não foi feita pelo sujeito passivo. Portanto, ao ser intimado pela fiscalização, caberia ao contribuinte comprovar a origem dos créditos levantados, bem como o seu regular oferecimento à tributação, sob pena de restar configurada a presunção legal de omissão de receitas. A meu sentir, do ponto de vista técnico/teórico a tese do recorrente estaria correta; e, realmente, da assertiva extraída do acórdão recorrido e acima reproduzida, saltam aos olhos, ao menos a meu ver, dois problemas... Primeiramente, esta parte do recurso do contribuinte discute a omissão de receitas de venda ou prestação de serviços, pura e simples; não se perquiriu, quanto esta parte da autuação, a origem das receitas; o objeto do trabalho fiscal, aqui, cinge à falta de escrituração contábil/fiscal destes valores para fins de tributação, não havendo, neste ponto dúvidas sobre a origem das receitas em análise justamente porque verificadas a partir do creditamento de valores decorrentes de liquidação de títulos (provavelmente, duplicatas) com identificação precisa e exata dos sacados (docs. de efls. 476 e ss, denominados "Listagem de Títulos"). O segundo problema é que, ainda que recaia sobre a constatação a presunção de omissão de receita, o questionamento aventado persiste: se os títulos foram emitidos em 2010, é porque se referem à operações concretizadas naquele anocalendário. Vale lembrar que a teor item 22 do CPC 00, as demonstrações contábeis elaboradas segundo o regime de competência importam em que"os efeitos das transações e outros eventos" sejam "reconhecidos quando ocorrem (e não quando caixa ou outros recursos financeiros são recebidos ou pagos)". Logo em seguida, e ainda dentro do mesmo item, o citado pronunciamento assim pontifica: Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10880.720594/201478 Acórdão n.º 1302002.805 S1C3T2 Fl. 1.011 7 As demonstrações contábeis preparadas pelo regime de competência informam aos usuários não somente sobre transações passadas envolvendo o pagamento e recebimento de caixa ou outros recursos financeiros, mas também sobre obrigações de pagamento no futuro e sobre recursos que serão recebidos no futuro. Por outro lado, o CPC 09, ao tratar da "receita de venda de mercadorias, produtos e serviços" a define, em seu item 09, como sendo "os valores reconhecidos na contabilidade a esse título pelo regime de competência e incluídos na demonstração do resultado do período". Ora, se omissão, no caso, se refere à receitas de vendas de mercadorias (e não decorrente de depósitos de origem não comprovada) e, mais, constatado a partir das DASN 2010/2011 juntadas à efls. 21/40 e 41/58 respectivamente, que a empresa adotava, de fato, o regime de competência, a autuação fiscal teria que observar este regime. Nada obstante, é correta a assertiva da decisão recorrida de que cabia ao recorrente, quando menos, trazer alguma prova que evidenciasse que os títulos liquidados no anocalendário de 2011 se refeririam à operações contratadas no ano de 2010. Neste passo, os documentos acostados à impugnação (docs 7 e 8 efls. 476 e ss mencionados no recurso voluntário), em especial as já citadas "Listagens de Títulos", limitam a informar a data da baixa dos aludidos títulos, nada dizendo sobre, sequer, a data do saque respectivo; as planilhas, por outro lado, produzidas pelo contribuinte são unilaterais e, como dito no acórdão recorrido, não se encontram lastreadas em notas fiscais ou, mesmo, nas cópias dos preditos títulos. Ou seja, ainda que teoricamente correta a tese do contribuinte, não há, nos autos, provas de que as obrigações encartadas no mencionados títulos tenham, de fato, sido pactuadas no anocalendário de 2010... E, vale relembrar, o contribuinte teve oportunidades diversas para produzir esta prova que era, sim, de sua responsabilidade (já que deixou de escriturar tais receitas em seus livros contábeis). A vista disso, há que se concluir pela correção da r. decisão recorrida. 1.2.3 Da alegada irresponsabilidade dos sócios. Permissa vênia, mas a míngua de autorização expressa concedida pelos devedores solidários para que a ora recorrente defenda os seus interesses, é impossível acolher as alegações trazidas neste tópico, justamente por ser vedada a defesa de interesses alheios art. 18 do Código de Processo Civil. Também correta, aqui, a decisão de primeiro grau. I.2.4 Conclusão parcial. Diante do exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário do contribuinte e, no mérito, por negarlhe provimento. II Dos recursos dos devedores solidários. Fl. 1015DF CARF MF 8 II.1 Do recurso manejado pelo Sr. Guilherme. Como descrito no relatório acima, a impugnação oposta pelo Sr. Guilherme não foi conhecida pela DRJ em face de incontestável intempestividade. O recorrente, neste ponto, afirma que a sua intimação não teria sido feita de forma regular já que o AR, juntado à efls. 332, teria sido assinado por terceiro desconhecido, desprovido de poderes para representálo. Primeiramente, vale destacar, o insurgente reconhece que a intimação foi encaminhada corretamente ao endereço indicado por ele como sendo seu domicílio fiscal. Num segundo momento, é muito curioso que o recorrente sustente que um terceiro desconhecido tenha recebido a intimação e assinado o predito AR quando se observa que o endereço apontado como domicílio fiscal do sujeito passivo não descreve dados como "andar" ou "apartamento"; neste passo, das duas, uma: a) o devedor indica apenas o número do imóvel para receber correspondências porque existe algum responsável para recebêlas e repassálas aos moradores deste imóvel (se se tratar, de fato, de um edifício); b) ou, mais provável, o devedor reside numa casa e, neste caso, é quando menos questionável a alegação de que o agente dos correios tenha entregado a intimação a um estranho que passasse pela rua; isto é, o referido agente, muito mais razoável, deve ter chamado alguém à porta do imóvel e, aí sim, entregado a citada intimação. E, não bastasse isto, a posição atualmente dominante neste Conselho é aquela descrita na Sumula 09, cujo verbete reproduzo a seguir: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Enfim, me parece absolutamente correto o entendimento adotado pela DRJ, já que, cientificado do auto de infração em 27/02/2014, o prazo para oferecimento da respectiva impugnação, realmente, se dera em 31 de março; o recurso dos solidários, em petição única, foi protocolizado apenas em 04/04/2014 (efls. 753), revelando, pois, a sua inexpugnável intempestividade. Uma vez não conhecida a impugnação, não cabe, por certo, a análise do recurso voluntário quanto ao mérito da citada defesa, já que não devolvida a matéria à este Colegiado. II.2 Dos recurso do Srs. Nei e Roberta. II.2.1 Prefacialmente. Antes de analisarmos o mérito dos apelos, é necessário superar um problema semelhante ao verificado no caso do recurso do Sr. Guilherme, mormente em relação ao devedora solidária Roberta. É que, assim como ocorrido com o Sr. Guilherme, também a impugnação da Sra. Roberta teria sido oposta fora do prazo legal, pelo que a DRJ decidiu por, dela, não conhecer. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10880.720594/201478 Acórdão n.º 1302002.805 S1C3T2 Fl. 1.012 9 Diferentemente, todavia, do que decidi no tópico anterior, no caso da Sra. Roberta não foi juntado ao processo a cópia do AR, com a respectiva assinatura dando conta do recebimento da intimação concernente à lavratura do auto de infração em análise. Há, realmente, nos autos, provas de que a predita intimação foi encaminhada à devedora, ora recorrente, além de, à efls. 334, ter sido juntada uma tela dos corrêios em que se observa a informação de que o documento (intimação) teria sido entregue ao destinatário em 27/02/2014. Mas não há provas de que o AR tenha sido assinado e isto, per se, afasta a aplicação, neste caso específico, dos preceitos da Súmula/CARF de nº 09 anteriormente invocada. Que a intimação foi encaminhada e, mais, que foi recebida, pareceme extreme de dúvidas... mas a tela dos correios, permissa venia, não pode servir como prova definitiva da data da respectiva entrega, a luz do que afirma o art. 21, III, do Decreto 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (...). Neste passo, a míngua da prova do recebimento, deve se aplicar a espécie os preceitos do § 2º, II, do já citado art. 23, segundo o qual considerarseá intimado o contribuinte "na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação". No caso, a notificação do lançamento foi postada, conforme o próprio documento de efls. 334 em 26/02/2014; aplicandose a regra contida no citado § 2º, supra mencionado, impõe se considerar como a data da predita intimação o dia 14/03, do mesmo ano, dandose o decurso do prazo legal para oposição da impugnação em 15/04. Ou seja, a impugnação apresentada pela devedora solidária foi, de fato, tempestivamente oposta e cabia, pois, à DRJ, dela tomar conhecimento. Tal constatação poderia, desde logo, encerrar a anulação parcial da decisão recorrida... como restará demonstrado, todavia, a seguir, o caso em análise desafia a aplicação do art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72. II.2.2 Da responsabilização com base no art. 135, III, do CTN e dos seus pressupostos jurídicos. Do TVF, à efls. extraise do trecho abaixo transcrito a única justificativa para a responsabilização dos sócios ora recorrentes: A Fiscalização analisou as informações e documentos apresentados pelo contribuinte e constatou que Roberta Spera de Almeida, na qualidade de sóciaadministradora, Guilherme Paulo Deucher Filho, na qualidade de administradordelegado e Nei Nardi, na qualidade de sócioadministrador, eram os responsáveis pela administração e representação da empresa Fl. 1017DF CARF MF 10 fiscalizada, exercendo as funções de forma isolada, segundo consta nos Contratos Sociais, reproduzidos parcialmente abaixo. (...) Diante de tais fatos, fica caracterizado que os sócios administradores e o administradordelegado, citados anteriormente, responsáveis tributários, respondem pessoalmente pelo crédito constituído nos termos 135, do CTN (...). Data maxima venia, mas o fato dos recorrentes serem sócios gerentes da empresa autuada não é suficiente, per se, para tipificar a hipótese de responsabilização pessoal descrita no art. 135, III, do CTN que, sabidamente, exige para sua aplicação, a comprovação e demonstração efetiva da prática de atos ilícitos, contrários ao estatuto ou contrato social ou com excesso de poderes. No caso, a fiscalização não cuidou, nem de longe, de apontar quais atos ilícitos teriam sido praticados a fim de permitir a responsabilização pessoal dos recorrentes o que, senão torna nulo o ato por falta de motivação, quando menos torna improcedente, neste ponto, o lançamento. E, vale lembrar, apenas para reforçar o que se está dizendo aqui, que nem mesmo em se considerando a totalidade das informações constantes do TVF seria possível identificar algum outro fato/ato ilegal ou ilícito imputável aos sócios, já que, inclusive, houve desqualificação da multa, ficando claro, na hipótese, que o caso, em analise, resumese a simples falta de pagamento de tributo que, a toda monta, não autoriza a aplicação dos preceitos do citado art. 135, III, do CTN. Cumpre apenas fazerse a seguinte observação: em relação a Sra. Roberta, num primeiro momento, tendo em conta que, a nosso sentir, a DRJ errou ao não receber a sua impugnação, caberia, no caso, a anulação parcial do acórdão recorrido. Todavia, como já o disse anteriormente, é de se aplicar ao feito os preceitos do § 3º, do art. 59, do Decreto 70.235, cujo teor transcrevo abaixo: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Considerando, no caso, a possibilidade de resolução do mérito em favor dos recorrentes, e até em atendimento ao princípio da economia processual, entendo desnecessário o retorno dos autos à instância a quo. Os recursos dos devedores solidários devem ser providos justamente por não se identificar, no ato de lançamento, motivos claros a justificar a sua responsabilização na forma do art. 135, III, do CTN. III Conclusão. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e, parcialmente, do recurso do devedor principal. Quanto aos recursos voluntários, voto por negar provimento aos apelos do contribuinte e do devedor solidário Guilherme Paulo Deucher Filho e por dar provimento Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10880.720594/201478 Acórdão n.º 1302002.805 S1C3T2 Fl. 1.013 11 integral aos recursos dos devedores solidários Nei Nardi e Roberta Spera de Almeida para afastar a sua responsabilidade tributária. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1019DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.721136/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2007, 2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE.
Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE
"A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32)
Numero da decisão: 2202-004.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 11 36 /2 01 1- 28 Fl. 522DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 461/468): Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls. 02/08, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2006, exercício 2007, e anocalendário 2007, exercício 2008, no valor total de R$ 410.524,05, assim composto: (...) O demonstrativo de apuração do imposto devido, multa e juros de mora encontramse às fls. 06/08. Do procedimento fiscal descrito no Relatório Fiscalde fls. 14/17, deve ser destacado que: foi dado início à fiscalização contra o interessado em atendimento à representação do Escritório de Corregedoria da 3ª Região Fiscal, na qual se relata movimentação financeira em contas de titularidade do servidor e pagamento de empréstimos com valores incompatíveis com aqueles declarados (fl. 18); em 06/08/2009, conforme fls. 30/32, o interessado foi cientificado do início do procedimento fiscal e intimado a apresentar elementos/esclarecimentos relativos a: i) extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de todas as contas mantidas pelo contribuinte, seu cônjuge e dependentes, junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007; ii) comprovantes dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF: 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$ 12.000,00 e R$ 12.000,00, respectivamente, conforme informado na DIRPF/2006, no quadro 10 Dividas e Ônus reais, bem como a descrição com comprovante da forma de quitação de tais empréstimos. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 523 3 houve pedido de prorrogação de prazo para entrega de documentos (fl. 33) e apresentação de documentos às fls. 34/95; através do Termo de Intimação de fl. 96, cuja ciência ocorreu em 16/10/2009 (fl. 108), o interessado foi instado a: i) comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito daconta corrente n° 187933, mantida na Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na Caixa Econômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas anexadas; descrever,com comprovantes, a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente na seqüência, houve pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 109/110). em 02/12/2009, o interessado solicitou prorrogação de prazo para comprovar a origem de depósitos e foram apontadas transferências entre contas de sua titularidade (fl. 111), e apresentados outros documentos (fls. 112/121); a fim de evitar a decadência referente ao anocalendário de 2004, a fiscalização foi encerrada parcialmente, foi lavrado o correspondente auto de infração, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, e o interessado foi cientificado da continuidade do procedimento em relação aos anos de 2005 a 2007; houve novo pedido de prorrogação de prazo para apresentar documentos (fl. 122) e transcorridos os 30 dias solicitados, o interessado foi reintimado em 18/02/2010 (fls. 123/124); paralelamente foram intimadas pessoas físicas informadas na declaração de ajuste anual como tendo efetuado empréstimos ao interessado; os Srs. Francinilton Caetano Araújo e José Hamilton Brito Silva não apresentaram comprovantes, mas responderam que os empréstimos foram efetuados em moeda corrente, que os valores foram provenientes do acúmulo de anos anteriores e que os empréstimos, até a presente data, não haviam sido quitados pelo interessado (fls. 130/131); em 12/02/2010, o interessado apresentou resposta informando que “os valores movimentados nas contas correntes de sua titularidade originaramse de valores auferidos pela Fl. 524DF CARF MF 4 empresa CLIP CONSTRUTORA LTDA, CNPJ 01.940.771/000121”(fl. 132),anexando notas fiscais de serviços emitidas pela empresa e cópias de cheques e comprovantes bancários (fls. 133/201); em 08/09/2010, houve a intimação de fls. 204/205 para que fosse: i) informado e comprovado o motivo do crédito da empresa nas contas correntes de titularidade do interessado (pessoa física); ii) comprovada e descrita minuciosamente o tipo de transação efetuada; iii) comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na Caixa Econômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas; iv) descrita e comprovada a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente; e v) apresentadas cópias de documentos relativos a lançamentos a débito das contas bancárias. houve novos pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 207/2008). o interessado foi re intimado em 29/10/2010 (fls. 209/210) e houve novo pedido de prorrogação de prazo em 08/11/2010 (fl. 213); em 18/11/2010 o interessado foi informado de que, face à demora no atendimento à intimação, a documentação bancária solicitada seria requisitada diretamente às instituições financeiras e que seria lavrado o auto de infração referente ao anocalendário de 2005, a fim de evitar a decadência (fls. 214/215); foram enviadas RMF para o Banco do Brasil e para a Caixa Econômica Federal (fls. 216/224); a fim de evitar a decadência dos tributos relativos ao ano calendário 2005, foi lavrado auto de infração e a fiscalização foi encerrada parcialmente; após analisar as respostas dos bancos (fls. 225/236), foi promovida a abertura de MPFdiligência para os beneficiários dos cheques emitidos pelo interessado a fim de se investigar a origem da movimentação financeira; como os cheques emitidos pelo interessado eram muito pulverizados, foram intimados 40 beneficiários (alguns cujos cheques eram de valores baixos ou alguns beneficiários com Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 524 5 apenas um cheque), sendo que apenas 6 apresentaram alguma informação relevante, relacionando o recebimento de cheques a transações com as empresas das quais o interessado figurava como sócio: Clip Construtora Ltda, Nutriagro.com e Serviço Ltda Epp (fls. 249/253), bem como a transações agropecuárias com o interessado; diante da alegação do interessado de que os valores movimentados nas contas correntes de sua titularidade originaramse da atividade comercial da empresa CLIP CONSTRUTORA LTDA, foi aberto MPFdiligência e foi solicitado que a empresa apresentasse Livro Caixa, com movimentação financeira, inclusive bancária, ou Livros Diário e Razão; bem como outros documentos relativos à atividade comercial (fls. 254/255); foi solicitada prorrogação de prazo pela empresa em 27/05/2010 (fl. 256) e, em 01/09/2010, foi enviado Termo de Intimação Fiscal (fl. 257); após desatendimento ao novo pedido de prorrogação de prazo solicitado pela empresa (fl. 259), houve reintimação (fl.260); ainda sem resposta, em 08/02/2010, foi enviado novo termo de intimação à empresa, reiterando os termos das intimações anteriores e intimandoa a justificar o recebimento de diversos cheques nominais e transferências bancárias à empresa, a débito de contas de titularidade do interessado, totalizando R$ 46.900,00 (fl. 262/304); sem resposta, houve mais reintimações (fls. 305/308); à fl. 311 consta a informação de sócio da empresa de que, no período fiscalizado “gerenciava apenas a parte de construção e edificação de obras, não tinha nenhuma influência nem responsabilidade em relação ao setor financeiro, cargo exercido com toda propriedade e liberdade pelo sócio de administração financeira, o Sr. Jeová da Silva Pereira, CPF 351.809.43434, tendo o poder de compras, pagamentos, recebimentos e administração de contas bancárias, sendo assim, o único apto a esclarecer qualquer atitude em relação ao setor financeiro, assim como todos os itens apontados nos termos de Reintimação Fiscal. Sendo assim, após a saída do mesmo da referida empresa, fica impossível os sócios atuais responderem por qualquer atitude financeira efetuada pelo mesmo durante o período citado no termo de Reintimação Fiscal”; foram apresentados pelo sócio da empresa, ainda, cópia dos atos constitutivos da empresa e contratos (fls. 314/369); após reiteração da exigência da apresentação dos livros contábeis da empresa, foram apresentados os livros Diário e Razão de 2005 a 2007; verificouse que as notas fiscais da empresa apresentadas pelo interessado não coincidiam em data e valor com os lançamentos a crédito das contas bancárias examinadas; Fl. 526DF CARF MF 6 por amostragem, verificouse que as notas fiscais foram devidamente escrituradas pela empresa; os cheques nominais e transferências da empresa para o interessado constam nos extratos bancários, mas o interessado não esclareceu a natureza de tais pagamentos; os elementos colhidos durante a ação fiscal não permitem, portanto, identificar a origem dos recursos lançados a crédito das contas bancárias analisadas, pois o interessado pode ter movimentado em contas de sua titularidade recursos da empresa de que era sócio, pode ter recebido prolabore, distribuição de lucros ou algum tipo de pagamento; do total dos lançamentos efetuados a crédito na conta bancária no período fiscalizado, foram deduzidos os valores referentes a cheques devolvidos, excluídos os valores inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório, no ano de 2007, não ultrapassou R$ 80.000,00 e efetuada a conciliação bancária; a fiscalização foi encerrada, conforme termo de fls. 371/372. Procedeuse ao lançamento da infração concernente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 480.942,54 para o ano calendário de 2006 e, no valor de R$ 213.592,00 para o ano calendário de 2007. Cientificado do lançamento pela via postal em 09/11/2011 (AR à fl. 373), o interessado apresentou impugnação em 08/12/2011 (fls. 382/397) em que contesta o lançamento aduzindo em síntese: 1. Dos Fatos a autoridade fiscal competente valeuse de parte dos créditos efetuados nas três contas bancárias mantidas pelo interessado, durante os exercícios 2007 e 2008, todavia há inconsistências na autuação. (...) 3. Forma de cálculo do imposto de renda. Erro Material. Nulidade conforme demonstrativos anexos ao auto de infração, verificase que a fiscalização procedeu à contagem das supostas omissões no decorrer do anocalendário, apurando ao final de cada mês, o total do valor a ser tributado; todavia, ao invés de exigir o tributo com base no fato gerador do mês em que foi identificada a omissão, promoveu indevidamente, e sem base legal, a soma dos valores ali apurados e os tributou no final do mês de dezembro do ano; foi ferido o princípio da legalidade, pois os rendimentos deveriam ter sido tributados no mês em que considerados recebidos, consoante legislação (§ 4º do art. 42 da Lei nº 9.430/66 e caput e § 3º do art. 849 do Decreto nº 3.000/99); Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 525 7 resta patente a ilegitimidade de todo o feito fiscal, por processarse em desacordo com a legislação de regência, seja em relação à base de cálculo, seja em relação à data do efetivo fato gerador, o que gera a necessidade do cancelamento do lançamento por erro no critério temporal da constituição do crédito tributário. 4. Do mérito. Erro na composição da base de cálculo a autoridade autuante incidiu em erro material quando da consolidação dos valores movimentados nas três contas bancárias de titularidade do interessado; a partir da planilha de fl. 13, quando foi efetuada a soma do total dos valores creditados em 2006, não foi considerado o montante concernente aos cheques devolvidos da coluna 6 no valor da sétima coluna, denominada “vl tribut”; desse modo, foi erroneamente considerado o montante de R$ 488.783,31, sem considerar a redução de R$ 7.840,50, concernente aos cheques devolvidos. 5. Insujeição Tributária Passiva ao ser indagado acerca da origem dos depósitos, o interessado sempre foi incisivo em afirmar que tais recursos provinham de receitas de pessoa jurídica, havendo apenas sido depositados em suas contas; conforme resposta escrita e cópias de notas fiscais e cheques já acostados aos autos (fls. 132/200), boa parte dos recursos lançados a crédito em suas contas bancárias são, de fatos, oriundas da empresa CLIP CONSTRUTORA LTDA, sociedade da qual fez parte durante o período fiscalizado, conforme contrato social e aditivos; os demais depósitos são de valores menores, cuja justificação de origem é praticamente impossível, seja pelo tempo decorrido, seja pela falta de controle de recursos auferidos por pessoas naturais, desobrigadas de escrita fiscal; vem em fase de impugnação ratificar sua demonstração de forma hábil e idônea, através de fotocópias de notas fiscais e cheques emitidos pela referida construtora, conforme demonstrado a seguir: (...) conforme se depreende das planilhas, o interessado recebeu da construtora R$ 564.645,78 que foram creditados em suas contas bancárias no mesmo dia, quando não, poucos dias após as notas fiscais de empenho; as notas fiscais eram emitidas como procedimento indispensável para o recebimento dos pagamentos efetuados pela Prefeitura Municipal de Juazeiro, a contratante dos serviços de construção civil oferecidos pela CLIP CONSTRUTORA LTDA; Fl. 528DF CARF MF 8 uma vez emitidas as faturas, eram efetuados os pagamentos e, posteriormente, eram realizados depósitos ou transferências para a conta bancária dos sócios da empresa, inclusive o interessado, para que pudessem ser efetuados pagamentos de material de construção, pessoal, dentre outras despesas inerentes à atividade; é importante repisar que todos os depósitos, quando não coincidem com os valores das notas fiscais, são em valores menores ao valor da fatura recebida pela construtora, nunca maiores, do mesmo modo as datas, quando não coincidem, são, no máximo,com poucos dias de diferença; a própria autoridade autuante, no relatório fiscal, ao reconhecer que os cheques nominais e transferências da construtora para o interessado constam dos extratos bancários, não tendo sido esclarecida a natureza de tais pagamentos; deixa claro que a razão da autuação não foi a falta de demonstração hábil e idônea de que os valores creditados nas contas do interessado eram da construtora, mas sim a simples falta de informação quanto à razão de tais recursos; se tivesse havido o esclarecimento pelo autuado, certamente, o lançamento não teria sido efetuado, ou teria sido efetuado em valor bem inferior; a construtora faturou aproximadamente R$ 2.000.000,00 nos anos de 2006 e 2007, fato que pode ser comprovado através da oportuna juntada do Livro Razão, o que não se faz neste momento em virtude de o livro contábil se encontrar em poder da RFB; tais numerários apenas circularam pelas contas bancárias do interessado, sem que este tenha auferido renda; vêse que há débitos de valores tão elevados ou até superiores aos creditados, e as contas, durante diversos períodos, apresentaram saldo devedor; o interessado funcionou como mero depositário de parte da receita da pessoa jurídica da qual foi sócio, assim como ocorre em quase toda empresa; e por ser situação comum a movimentação de valores provenientes de uma empresa pelas contas de seus sócios, que o legislador foi cauteloso ao prever a obrigatoriedade de se privilegiar a verdade real, conforme §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96; o termo “renda” não significa, pura e simplesmente, a disposição de valores, mas sim o efetivo acréscimo patrimonial, a aquisição de riqueza nova; a renda deve ser tributada por quem, efetivamente, a obteve e não por aquele que tão somente deteve como outorgante, os valores daquele que obteve a renda; não se pode olvidar que todos os valores lançados a crédito na conta corrente do interessado já foram tributados nos moldes Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 526 9 legais, na condição de receita, renda e lucro da pessoa jurídica, que, de fato, os auferiu, por tal motivo, o lançamento em cotejo está prejudicado por nulidade de caráter objetivo, uma vez que não há por que se falar em tributação daquilo que já foi tributado, sob pena de recair em bis in idem; o lançamento mostrase nulo, também, sobre o aspecto subjetivo, tendo em vista ser a cobrança em total desacordo com a sujeição passiva tributária, pois está sendo tributada pessoa que não é a real contribuinte do imposto de renda; está se conferindo a natureza de fato gerador do imposto de renda o simples fato de “pegar em dinheiro”, o que representa má compreensão e aplicação da regra de incidência tributária do imposto, que exige a disponibilidade patrimonial e não a detenção de valores auferidos por outra pessoa; não se pode desconsiderar o próprio caráter impessoal das pessoas jurídicas, que sendo apenas entidades com personalidade assegurada por lei, exercem seus atos e vontades através das pessoas de seus sócios; no caso dos autos, houve a outorga de valores aos sócios da empresa, para que em nome dela cumprissem com todas as obrigações; no máximo, podese falar em falha contábil ou administrativa; renda só pode ser presumida relativamente, salvo prova em contrário do autuado acerca da origem dos valores creditados em conta bancária, sendo crucial destacar que a pura disposição de valores em conta bancária não é fato gerador do imposto de renda, mas sim a ausência de esclarecimentos acerca da origem, que impõe a presunção a favor do fisco, conforme decisões administrativas colacionadas; o procedimento administrativo fiscal é informado pelo princípio da verdade material, consoante texto de douto; não se pode ladear todas as evidências trazidas aos autos, pois contribuem para a busca da verdade real, para a realidade dos fatos de quem auferiu renda; conforme jurisprudência administrativa, não se pode considerar os valores depositados em conta corrente de uma pessoa quando auferidos por outra; devese analisar os fatos e as provas de forma razoável, em consonância com a proporcionalidade e a razoabilidade, não se podendo ostentar o formalismo e a exatidão de datas e valores em situações em que se busca justamente provar algo que é real, mas que não possui os devidos controles de lançamento contábil e financeiros; entendese que restou satisfatoriamente demonstrado que a origem de valores tão significativos e destoantes com a renda Fl. 530DF CARF MF 10 declarada pelo interessado, advieram da empresa da qual foi sócio; não tendo sido exteriorizado pelo interessado nenhum sinal de riqueza relevante, nem mesmo em seus saldos bancários, não há razão de ser a manutenção do lançamento. Em 27 de janeiro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 459/460): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO MENSAL. SIMPLES METODOLOGIA. Todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário compõem a base de cálculo do imposto devido naquele período, exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Como os rendimentos presumivelmente auferidos por depósitos bancários sem origem comprovada não se situam entre as exceções acima apontadas, tratamse de rendimentos sujeitos à apuração anual do IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A mera identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do depósito e afastar a presunção legal de omissão de rendimentos. A comprovação de origem que a lei exige deve ser suficiente para possibilitar a averiguação acerca do cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário do depósito, submetendoo às normas de tributação específicas vigente à época em que auferidos os rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 527 11 A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DOUTRINA. EFEITOS. Mesmo a mais respeitável doutrina, dos mais consagrados tributaristas, não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Cientificado em 04/02/2014 (AR fls. 482), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 485/511, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Alega o Recorrente que o lançamento é nulo, pois a autoridade fiscal não possuía o MPF e não intimou o recorrente sobre a existência deste. Ao contrário do afirmado pelo Recorrente o lançamento em questão estava amparado pelo MPF nº 03.1.02.00.200900447 mencionado às fls. 14 do Relatório Fiscal, bem como em todos os termos de intimação fiscal enviados quando do procedimento de fiscalização. Além disso, é importante registrar que, no âmbito deste Conselho, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. Fl. 532DF CARF MF 12 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimentofiscal. Se ocorrerem problemas com a Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 528 13 prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Improcedente a preliminar suscitada. 1.2) NULIDADE DO PROCEDIMENTO POR AFRONTA AO ART. 42, §4º DA LEI Nº 9.430/96; Alega a Recorrente que, nos termos do artigo 42, §4º da Lei 9.430/96 a apuração da omissão de rendimento decorrentes de depósito bancário sem origem comprovada deve ser feita mensalmente e não no final do mês de dezembro como fez a autoridade fiscal. Tal matéria não demanda maiores discussões uma vez que encontrase sumulada pela jurisprudência desse Conselho ao determina a Súmula CARF nº 38 : Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. (grifamos) 2) MÉRITO 2.1) ERRO NA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EXCLUSÃO DOS CHEQUES DEVOLVIDOS. Reitera do Recorrente a alegação de que houve erro material quando da consolidação dos valores movimentados nas três contas bancárias de titularidade do interessado, que, a partir da planilha de fl. 13, quando foi efetuada a soma do total dos valores creditados em 2006, não foi considerado o montante concernente aos cheques devolvidos. Todavia, como já exposto pela decisão recorrida, tal falha não influenciou em nada o cálculo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Física: De fato, vêse que na coluna intitulada “vl tributável” à fl. 13, no somatório dos depósitos de janeiro a dezembro de 2006 não foi considerada a redução relativa aos cheques devolvidos no anocalendário, cujo valor é R$ 7.840,50. Fl. 534DF CARF MF 14 Contudo, tal falha não acarretou erro no cálculo do Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Física de fl. 06, pois foram efetivamente considerados os valores depositados mensalmente já deduzidos os cheques devolvidos no respectivo mês, totalizando R$ 480.942,81, conforme demonstrado a seguir: Improcedentes, portanto, as alegações do Recorrente. 2.3) USO DA CONTA BANCÁRIA POR TERCEIROS. CRÉDITOS ORIUNDOS DE RECEITA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL FOI SÓCIO O RECORRENTE Alega o recorrida que grande parte dos depósitos bancários eram proveniente de receitas de pessoa jurídica da qual era sócio, conforme comprovado pelas notas fiscais e cheques juntados aos autos. Todavia, a simples juntadas de cheques e notas fiscais sem a precisa correlação destes com os depósitos efetuados não permitem identificar a origem dos depósitos e a utilização da conta por terceiros. Como bem destacado pela decisão recorrida: Mesmo que restasse identificada a origem dos recursos, que os créditos nas suas contas bancárias, no valor de R$ 564.645,78, referemse a valores transferidos pela empresa da qual era sócio, o que, frisese, o interessado não logrou demonstrar integralmente consoante detalhado adiante, ainda faltaria demonstrar o motivo pelo qual os valores foram depositados, se correspondiam a pagamento por serviços prestados, remuneração a qualquer título, etc, isto é, comprovar sua natureza tributária. Tal informação, conforme visto, é indispensável para que se verifique o correto cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte e aplicação do disposto no § 2.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/96. Senão, vejamos: i) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 19/04/2006, no valor de R$ 84.586,82 (fl. 10), o interessado indicou as Notas Fiscais de nº 10, 11, 12, 13 e 14, de 11/04/2006, cujo somatório é R$ 104.586,82. Ocorre que foram apenas apresentadas as Notas Fiscais nº 10, 12, 13 e 14, às fls. 428, 429, 430 e 431, e mesmo se tivesse sido anexada à impugnação a Nota Fiscal nº 11, que somada às demais atingiria o montante registrado pelo interessado de R$ 104.586,82, não foi identificado o depositante, muito menos a motivação do depósito. Não havendo qualquer coincidência entre data e valor, não é possível estabelecer uma relação inequívoca entre as Notas Fiscais emitidas em 11/04/2006, cujo somatório seria de R$ 104.586,82, e o crédito na conta bancária do interessado de R$ 84.586,82, feito no dia 19/04/2006. Cumpre registrar que a fotocópia do cheque de fls. 426/427 está ilegível e a informação manuscrita “depositado o valor : 84.586,82” à fl. 426, não tem valor probante. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 529 15 ii) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 02/05/2006, no valor de R$ 74.085,19 fl. 10), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 17, no valor de R$ 80.439,95. Além da discrepância entre os valores da Nota Fiscal de fl. 404 e do crédito na conta bancária do interessado, entendese que a referida Nota Fiscal de prestação de serviços, emitida em 08/05/2006, não pode servir de justificativa para origem de depósito feito anteriormente, em 02/05/2006. Registrese que a cópia do cheque nº 852551, de fls. 402/403, está ilegível. iii) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 03/07/2006, no valor de R$ 30.000,00 (fl. 10), o interessado indicou as Notas Fiscais de nº 27 e 28, de 09/06/2006, cujo somatório é R$ 35.190,47. Apesar de ter sido anexada aos autos a Nota Fiscal nº 28 (fl. 425), no valor registrado pelo impugnante (R$ 35.190,47), e ter sido demonstrado através dos cheques no valor de R$ 10.000,00 e 20.000,00, de 30/06/2006, às fls. 421/424, que os títulos de crédito foram emitidos pela construtora em favor do interessado, não se tem como aferir a motivação do depósito, especialmente porque, além do disparate entre o valor da Nota e o do crédito, há ainda uma diferença entre a data de emissão dos cheques e da Nota Fiscal de mais de 20 dias. iv) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 30/04/2007, no valor de R$ 22.000,00 (fl. 11); bem como o crédito na contacorrente nº 11.3142, Ag. 0032 da Caixa Econômica Federal, nos dias 30/04/2007 e 05/12/2007, no valor de R$ 100.000,00 e R$ 33.000,00, respectivamente, o interessado indicou a Nota Fiscal nº 70 no valor de R$ 200.810,20. Comprovase a transferência de recursos da construtora para a conta bancária do interessado na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 33.000,00, em 05/12/2007, conforme documento à fl. 401; comprovase a transferência de R$ 22.000,00 da construtora para a conta bancária do interessado, consoante documento de fl. 399; bem como comprovase a transferência de R$ 100.000,00 da conta da pessoa jurídica para a conta bancária do interessado através dos documentos de fls. 411/412. Contudo, conforme já explanado, apenas a identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do recurso, se o crédito decorreu, tal qual afirmado, da Nota Fiscal de serviços de fl. 400 e 413, pois não há qualquer coincidência entre data e valor entre a Nota Fiscal e os créditos na conta bancária do interessado, nem qualquer outro documento que demonstre cabalmente o alegado. Salientese que a Nota Fiscal é de 17/04/2007 e o crédito de R$ 33.000,00 foi feito na conta do interessado em 04/12/2007, e os Fl. 536DF CARF MF 16 crédito de R$ 22.000,00 e R$ 100.000,00 ocorreram em 30/04/2007. v) Para comprovar o crédito na contacorrente nº 187933, Ag. 04332 do Banco do Brasil, no dia 04/12/2007, no valor de R$ 15.000,00 (fl. 11), o interessado apresentou do comprovante de depósito em dinheiro de fl. 417. O documento não se presta a comprovar devidamente a origem do recurso, apenas o depósito na conta corrente do interessado. vi) Para comprovar os créditos na conta poupança da Caixa Econômica Federal, no dia 11/01/2006, no valores de R$ 3.923,77 e R$ 50.000,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 05, no valor de R$ 74.161,78. Comprovase a transferência de recursos da construtora para a conta bancária do interessado na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 3.923,77, em 11/01/2006 (fls. 405/406) e de R$ 50.000,00, na mesma data (fls. 418/419). Todavia, conforme já explanado, apenas a identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do recurso, se decorreu o depósito, tal qual afirmado, da prestação de serviços representada pela Nota Fiscal de fls. 407 e 420, tendo em vista que não há qualquer coincidência entre o valor da Nota Fiscal e o crédito na conta bancária do interessado e a data da Nota Fiscal mencionada está ilegível. vii) Para comprovar o crédito na contapoupança da Caixa Econômica Federal, no dia 14/09/2006, no valor de R$ 100.000,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 47, no valor de R$ 271.967,88. De fato, há às fls. 414/415 um cheque nominativo da construtora, no valor indicado na impugnação (R$ 100.000,00), todavia apenas com um nome ilegível, não se demonstra cabalmente se era nominal ao interessado. E mesmo que se houvesse sido identificado o depositante, repete se, não seria suficiente para comprovar a origem do recurso, pois não foi esclarecido o motivo pelo qual o montante foi depositado na conta bancária do interessado. A hipótese de que tenha decorrido da prestação de serviços representada pela Nota Fiscal de fl. 416 não foi demonstrada cabalmente, especialmente em função da discrepância entre os valores. viii) Para comprovar o crédito na contapoupança da Caixa Econômica Federal, no dia 22/12/2006, no valor de R$ 22.050,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 64, no valor de R$ 60.000,00. Comprovase a transferência de recursos da construtora para a conta bancária do interessado na Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 22.050,00, consoante documento de fls. 408/409. Todavia, como já mencionado, apenas a identificação do depositante não é suficiente para estabelecer o vínculo entre o crédito e a alegada transação comercial representada pela Nota Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 530 17 Fiscal de fl. 410, inclusive salientese que o cheque de fl. 408 foi emitido em 16/12/2006, antes da feitura da Nota Fiscal (21/12/2006). ix) Para comprovar o crédito na contapoupança da Caixa Econômica Federal, no dia 06/03/2007, no valor de R$ 30.000,00 (fl. 12), o interessado indicou a Nota Fiscal nº 67, no valor de R$ 145.081,78. Apenas a referida Nota Fiscal (fl. 434), no valor e data indicado pelo interessado não se presta a comprovar a origem do recurso. Destaquese que nem mesmo restou comprovada a transferência do valor da pessoa jurídica para o sócio, conforme asseverado na impugnação, haja vista que a data do cheque nº 900340, de fls. 432/433, está ilegível. Ainda, mesmo que tivesse sido demonstrada a identificação do depositante, não seria suficiente para comprovar a origem do recurso, se decorreu da prestação de serviços, tal qual afirmado, representada pela Nota Fiscal de fl. 434, porque não há coincidência entre o valor constante na Nota Fiscal e o crédito na conta bancária do interessado. Ademais, conforme disposto da súmula CARF nº 32: "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." 2.4) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 538DF CARF MF 18 normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10315.721136/201128 Acórdão n.º 2202004.665 S2C2T2 Fl. 531 19 valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.5) VALORES IGUAIS OU INFERIORES À R$ 12.000,00 ATÉ O LIMITE DE R$ 80.000,00 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Alega a Recorrente que a base de cálculo utilizada pela fiscalização está incorreta, uma vez que não foram excluídos os depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não supere R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) Conforme se verifica pelas planilhas anexas ao Auto de Infração (fls. 9 a 13) os valores de cheques inferiores à R$12.000,00 superam, em muito, o montante total de R$ 80.000,00. Improcedentes, portanto, as alegações do Recorrente. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 540DF CARF MF
score : 1.0
