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Numero do processo: 11020.901417/2009-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/09/2004
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STJ. RECURSO REPETITIVO.
O ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins, conforme decisão do STJ no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.87/SP, proferido segundo a sistemática do art. 543-C do CPC, que deve ser seguida no âmbito do CARF, por força do art. 62-A do seu Regimento Interno.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A interessada deve apresentar as provas que sustentam o direito alegado nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STJ. RECURSO REPETITIVO. O ICMS incluise na base de cálculo da Cofins, conforme decisão do STJ no julgamento do Recurso Especial nº 1.127.87/SP, proferido segundo a sistemática do art. 543C do CPC, que deve ser seguida no âmbito do CARF, por força do art. 62A do seu Regimento Interno. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 14 17 /2 00 9- 16 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 98 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Por meio de Despacho Decisório Eletrônico a contribuinte antes identificada teve nãohomologada a compensação declarada por meio de DCOMP, em virtude de que o crédito apontado foi utilizado integralmente para quitação de débito da empresa, não restando crédito disponível para compensação do débito informado naquela declaração. Do mesmo Despacho constou Intimação para pagamento dos débitos indevidamente compensados. Cientificada da decisão administrativa a contribuinte apresentou, através de procurador, extensa manifestação de inconformidade onde inicialmente retrata os fatos, referindo a seguir, em resumo: · A notificação é nula por ausência de fundamentação. Para que o crédito tributário seja regularmente constituído e goze da indispensável presunção de certeza, liquidez e exigibilidade, necessário sejam obedecidos todos os princípios inerentes ao procedimento administrativo, dentre os quais destacamse os postulados constitucionais da ampla defesa e do contraditório. No caso, se percebe que o débito imputado à empresa decorre de glosa de compensação, sem haver, todavia, adequada fundamentação dos motivos que levaram o fisco a assim proceder; · no Despacho Decisório consta apenas que a glosa se deu porque os pagamentos compensados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. No entanto, não se sabe quais débitos do contribuinte foram utilizados para quitação do valor compensado. A notificação não responde a esta questão, ficando prejudicada a defesa da empresa (não sabe Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 99 3 ao certo com base em quais motivos está sendo notificada). Assim, o cancelamento da notificação atacada é medida que se impõe, por afronta ao art. 10, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, bem como aos princípios do contraditório e da ampla defesa; · A notificação é nula por iliquidez e incerteza. No caso dos autos, na pior das hipóteses, parte do débito exigido certamente não pode prosperar, eis que, na base de cálculo da COFINS foi indevidamente incluído o ICMS. Para que não restasse caracterizada a incerteza e iliquidez do débito, seria necessário que as parcelas a serem dele excluídas fossem perfeitamente destacáveis do total exigido. Por exemplo: exclusão da multa imposta ao contribuinte. Simples cálculo aritmético, que pode ser procedido nos próprios autos do processo administrativo. Vêse, pois, a impossibilidade de os débitos impugnados prosperarem, sob pena de persistir pendência ilíquida e incerta, em evidente afronta às normas arroladas; · O ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Deve se atentar que somente poderão ser tidos por faturamento/receita os valores que representarem o ingresso de recursos financeiros aderidos definitivamente ao patrimônio e à propriedade da pessoa que os auferiu, traduzindose, pois, em riquezas novas. Tal como ocorre com o IPI e o ICMS substituição tributária, também o ICMS normal não se mostra suscetível de ser incluído na base de cálculo do PIS/COFINS. Não há como se negar que os valores a ele respeitantes não se amoldam ao conceito de faturamento e/ou receita. Se tratam, em verdade, de uma despesa da empresa e uma receita do Estado; um tributo que não é faturado, que não se junta ao seu capital, mas apenas e tãosomente é por ela apurado e transferido aos cofres públicos; · o proceder do fisco, de insistir na oneração do PIS/COFINS pela inconstitucional inclusão em sua base de cálculo dos valores referentes ao ICMS, implica em inaceitável ofensa à CF; · a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS se apresenta totalmente contrária ao ordenamento jurídico vigente, tal como se conclui da regra matriz de incidência encampada nos arts. 195, inciso I, (e letra b), e 239 da CF, da regra didática enaltecida no art. 110 do CTN e do primado da capacidade contributiva (CF art. 145, § 1º); · demonstrado, pois, o equívoco na apuração do débito, deve a notificação ser integralmente cancelada, eis que ausentes os indispensáveis requisitos de certeza e liquidez do mesmo. Caso assim não seja entendido, deve o processo ser baixado em diligência, para os devidos ajustes, reabrindose o prazo para defesa; · Do requerimento. Requer seja recebida e julgada procedente a sua manifestação de conformidade, para cancelar completamente o Despacho Decisório atacado, bem como homologar a compensação procedida, haja vista a nulidade do débito, por ausência de motivação fática e por iliquidez e incerteza, ou, quando menos, para que se exclua o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, com o conseqüente cancelamento dos valores correlatos; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 100 4 · requer, ainda, o apensamento destes autos ao processo nº 11020.901817/200921, para julgamento conjunto, a fim de evitarse decisões contraditórias acerca da mesma matéria.” A DRJ/POA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2004 QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/08/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O ICMS devido pelas operações ou prestações próprias da pessoa jurídica compõe o faturamento desta, não havendo previsão legal que possibilite sua exclusão da base de cálculo da COFINS.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, cujas alegações são essencialmente as mesmas da manifestação de inconformidade, acrescentando alegação de nulidade do acórdão recorrido por ausência de análise dos argumentos pertinentes à inconstitucionalidade. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 101 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de Cofins. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito, não se homologava a compensação declarada e qual o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção Serviços ou através de certificação digital na opção e CAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. À folha 29 do eprocesso, encontrase documento apresentado pela contribuinte com a manifestação de inconformidade, com detalhamento da compensação, valores devedores e instruções para a emissão e impressão de DARF. E à folha 70 do eprocesso, extrato de processo vinculado a este, contendo informações sobre o montante devido quando do encaminhamento à recorrente do acórdão de primeira instância. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que a notificação expedida em decorrência dele deveria ser anulada por incerta e ilíquida. A manifestação de inconformidade e os documentos às folhas 29 e 70 do e processo demonstram que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 102 6 Preliminar de nulidade da decisão recorrida. Os órgãos julgadores administrativos não possuem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Diz a Constituição Federal de 1988: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição Federal, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (...) III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: contrariar dispositivo desta Constituição; (...)” Em consonância com esta atribuição de competência o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, alterado pela lei nº 11.941, de 2009, conversão da MP nº 449, de 2008, dispõe. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 103 7 Portanto, correta a DRJ/POA ao decidir não apreciar as argüições de inconstitucionalidade. Alegações de inconstitucionalidade no Recurso Voluntário. Nos julgamentos proferidos pelo CARF aplicamse a mesma vedação legal e também o artigo 62, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, cuja redação é a mesma do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, alterado pela lei nº 11.941, de 2009, conversão da MP nº 449, de 2008. E ainda a Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória pelos membros da CARF, diz: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, as argüições de inconstitucionalidade não podem ser admitidas neste julgamento. Sobre o sobrestamento do julgamento Suscitada, durante o julgamento, a necessidade de seu sobrestamento, com fundamento na ADC nº 18, no RE nº 240.785 e no RE nº 574.706/PR, verifico sua pertinência. A Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, no art. 1º, parágrafo único, determina que o sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no CARF somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente de repercussão geral reconhecida para o caso. Na ADC nº 18, questionase o art. 3º, §2º, I, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, cuja redação é a seguinte: “Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Importo sobre Produtos Industrializado IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Nesta ação, foi concedida medida cautelar suspendendo a apreciação das demandas que envolvam a aplicação do dispositivo questionado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 104 8 Em face desta decisão, julgamentos de recursos que tratavam da mesma matéria foram sobrestados. Posteriormente, foi tomada a seguinte decisão: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, resolveu a questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Gilmar Mendes (Presidente) e Eros Grau e, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso (Vice Presidente). Plenário, 25.03.2010.” Logo, transcorridos mais de 180 dias da decisão, perdeu eficácia a medida cautelar, não cabendo mais o sobrestamento com base nesta ação judicial. Por outro lado, verificase que o STF reconheceu a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão na base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, conforme decisões exaradas nos RE 240.785 e 574.706, pendentes de julgamento. Entretanto, em nenhum destes casos, foi determinado pelo STF o sobrestamento de processos relativos à matéria deste recurso voluntário. O RE nº 240.785 apenas teve seu julgamento suspenso até o julgamento da ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento deste RE, uma vez que aquela, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria Neste RE nº 240.785, consta a seguinte decisão: “Petição/STF nº 134.230/2009 DESPACHO PROCESSO – SEQUÊNCIA – AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE – LIMINAR – ALCANCE E PEDIDO DE VISTA – REMESSA DE CÓPIA AO PRESIDENTE DO TRIBUNAL. 1. O Gabinete prestou as seguintes informações: Auto Americano S/A Distribuidor de Peças apresenta questão de ordem na qual requer a sequência do julgamento do extraordinário, em homenagem aos princípios da segurança jurídica e da duração razoável do processo, pois o recurso tramita há dez anos. Alega que, em 13 de agosto de 2008, o Plenário deferiu medida cautelar na Ação Direta de Constitucionalidade nº 185/DF, suspendendo a apreciação das demandas que envolvam a aplicação do artigo 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98, bem como decidiu sobrestar o julgamento deste recurso, em face da Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 105 9 referida decisão. Sustenta que a citada cautelar teve seus efeitos prorrogados por duas vezes – 4 de fevereiro e 16 de setembro de 2009 – e que, conforme constou da ementa do acórdão, a medida cautelar deferida não abrange os processos em curso no Supremo. Esclarece buscar no extraordinário a interpretação conforme à Constituição do artigo 2º, § 1º, da Lei nº 70/91, não tendo suscitado a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. Ressalta haver o Tribunal assentado, na questão de ordem apresentada na Ação Direta de Constitucionalidade nº 185/DF, que os processos de controle concentrado de constitucionalidade preferem aos de controle difuso. Afirma que, antes da mencionada questão de ordem, o extraordinário retratava o caso piloto alusivo à incidência de ICMS sobre a COFINS, contando com 6 votos favoráveis à tese da recorrente e 1 contra. Salienta que o Plenário, em 17 de setembro de 2008, enfrentou situação idêntica ao examinar o tema da incidência da COFINS em relação às sociedades civis prestadoras de serviços, decidindo em sentido oposto ao firmado neste processo, porquanto determinou a sequência do julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 377.457 e 381.964, nos quais a posição da Corte até então era desfavorável aos contribuintes, mesmo em face do ajuizamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.071. O processo está com vista ao Ministro Gilmar Mendes. 2. Surgem duas questões interessantes. Invariavelmente, tenho revelado ser imprópria a concessão de medida acauteladora para afastar a jurisdição, mas esse não é o entendimento da sempre ilustrada maioria. Além disso, conforme a informação do Gabinete, o processo no qual interposto este recurso extraordinário está com vista ao Ministro Gilmar Mendes. 3. Encaminhem cópia deste despacho a Sua Excelência. 4. Publiquem. Brasília – residência –, 23 de novembro de 2009, às 10h45. Ministro MARCO AURÉLIO Relator” Quanto ao RE nº 574.706/PR, a Ministra Carmen Lúcia, Relatora do RE, apreciando petição nº 27.549/2010 da Procuradoria da Fazenda Nacional, exarou a seguinte decisão: “DECISÃO (Petição n. 27.549/2010) 1. Em 12.5.2010, a Recorrida informou que “o presente recurso, que versa acerca da validade constitucional da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS teve sua Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 106 10 repercussão geral reconhecida em 25.4.2008. (...) esse tema também está sob apreciação da Suprema Corte nos autos da ADC 18” (fl. 166). Requer a submissão do “presente feito ao crivo do Plenário da Corte na mesma sessão daquela em que for levada à apreciação (...) a ADC 18” (fl. 167). 2. A Ação Declaratória de Constitucionalidade n. 18 tem por objeto a declaração de constitucionalidade do art. 3º, § 2º, da Lei n. 9.718/1998. Esse dispositivo exclui do conceito de faturamento, para fins de base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 3. Os arts. 126 e 127 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal dispõem que: “Art. 126. Os processos conexos poderão ser objeto de um só julgamento. Parágrafo único. Se houver mais de um Relator, os relatórios serão feitos sucessivamente, antes do debate e julgamento. Art. 127. Podem ser julgados conjuntamente os processos que versarem a mesma questão jurídica, ainda que apresentem peculiaridades. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, os relatórios sucessivos reportarseão ao anterior, indicando as peculiaridades do caso.” 4. Pelo exposto, defiro o pedido. Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2013. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora” Portanto, no RE nº 240.785, a recorrente pretende interpretação conforme à Constituição do artigo 2º, § 1º, da Lei nº 70/91, não tendo suscitado a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98; e, no RE nº 574.706/PR , foi deferido pedido de que fosse julgado em conjunto com a ADC nº 18, que versa sobre a mesma questão jurídica. Nem a ADC nº 18, nem os RE nºs. 240.785 e 574.706/PR, tiveram seus julgamentos sobrestados por determinação do STF, o que, por força do art. 1º, parágrafo único da Portaria CARF nº 001, de 2012, impede o sobrestamento do presente julgamento administrativo. Sobre a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 107 11 Em recente julgamento, no acórdão nº 3802001.617, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, esta turma decidiu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, conforme ementa abaixo: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial no 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno do referido Conselho.” Transcrevo as razões constantes do voto que levaram a turma a assim decidir, que adoto como razões para, no presente caso, decidir do mesmo modo. “A suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria, determinada pelo STF, motivou fosse também sustado, pelo STJ, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP, recurso o qual fora recebido na origem segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, conforme despacho proferido pelo Sr. relator, Min. Teori Zavascki, em 03/11/2009. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, o STJ proferiu decisão monocrática e definitiva no aludido REsp no 1.127.877SP (transitada em julgado em 20/06/2012), entendimento o qual deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, abaixo transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, não há como reconhecer direito creditório favoravelmente à recorrente, já que o STJ, no âmbito do REsp no 1.127.877SP, entendeu que o ICMS integra sim a base de cálculo da COFINS, conforme ementa do voto acima referenciado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 108 12 COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Portanto, não existe direito de credito favorável à recorrente. Sobre a certeza e liquidez do direito de crédito e o ônus da prova. Conforme dito no início deste voto, o despacho decisório, baseandose em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias, atesta que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O pagamento estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, logo, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos o art. 170 do CTN, que autoriza a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Uma vez que a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, para provar a existência do direito de crédito, restava à contribuinte provar erro que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Para tanto, poderia apresentar livros e documentos fiscais e contábeis junto com a manifestação de inconformidade, tendo em vista que o art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, lei que trata do processo administrativo tributário federal, estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriores. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 109 13 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 110 14 demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 111 15 A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” A 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que o despacho decisório e a decisão de primeira instância estão motivados, voto por rejeitar as preliminares argüidas. Considerando que o STJ, na sistemática de repercussão geral, decidiu que o ICMS integra a base de cálculo da Cofins, e que a contribuinte não comprovou em momento oportuno existência de direito de crédito líquido e certo e também não provou erro na DCTF que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.901417/200916 Acórdão n.º 3802002.080 S3TE02 Fl. 112 16 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10831.008785/2002-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/01/2000
RECOF- REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO. TRANSFERÊNCIA PARA DRAWBACK-ISENÇÃO. NÃO CONFIGURADA - Não caracterizada a transferência de mercadorias admitidas no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF) para o Drawback- Isenção. Processado despacho para consumo mediante a aplicação de isenção obtida anteriormente. Procedimento não obstado pelo §3° do art. 8° da IN SRF n°35/98.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9303-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Júlio Ramos (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Possas e Joel Miyazaki, que davam provimento. Designada a Conselheira Susy Gomes Hoffmann para redigir o acórdão.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
SUSY GOMES HOFFMANN Redatora Designada
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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TRANSFERÊNCIA PARA DRAWBACKISENÇÃO. NÃO CONFIGURADA Não caracterizada a transferência de mercadorias admitidas no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF) para o Drawback Isenção. Processado despacho para consumo mediante a aplicação de isenção obtida anteriormente. Procedimento não obstado pelo §3° do art. 8° da IN SRF n°35/98. Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Júlio Ramos (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Possas e Joel Miyazaki, que davam provimento. Designada a Conselheira Susy Gomes Hoffmann para redigir o acórdão. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. SUSY GOMES HOFFMANN – Redatora Designada EDITADO EM: 21/11/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 87 85 /2 00 2- 18 Fl. 4196DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Recorre a representação fazendária contra a decisão proferida em 25 de março de 2009 pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção do CARF (Acórdão nº 3102 00.012) que, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário para afastar exigência dos impostos de importação e sobre produtos industrializados. A exigência lastreavase na acusação de que a empresa, detentora de dois regimes aduaneiros especiais, transferira mercadorias de um deles para o outro. Um dos regimes, o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF) tem expressa vedação quanto a isso, de sorte que se teria caracterizado, no entender do fisco, a ausência do recolhimento do imposto devido pela internação da mercadoria. Mais especificamente, a empresa promovera a internalização, com pagamento regular dos tributos, de diversos insumos empregados em produtos industrializados que veio a exportar. Postulou, por isso, o benefício fiscal do drawback isenção, obtendo, por meio de Ato Declaratório da SECEX, direito de importar, com isenção do imposto, quantidade igual das mesmas mercadorias empregadas nos produtos exportados. Era, ao mesmo tempo, titular de RECOF, tendo promovido exportações de produtos fabricados com insumos internalizados com suspensão ao amparo desse regime e destinado uma parte deles à produção de produtos vendidos no mercado interno. Nessa última hipótese, a norma reguladora do regime prevê o pagamento dos impostos suspensos na importação. Ao invés de efetuar tal recolhimento, porém, a empresa pretendeu vincular a esses produtos o direito de isenção obtido pelo regime drawback de que era titular. Em outras palavras, “aplicou” a isenção que lhe fora deferida por meio do drawback isto é, para nova importação dos mesmos insumos anteriormente empregados nos produtos exportados àqueles que já haviam sido importados com suspensão, ao amparo do RECOF e sobre os quais deveria recolher o tributo em face da destinação ao mercado interno. É essa “aplicação” que a autoridade fiscal entendeu configurar a transferência de regime vedada, no caso de RECOF, pelo art. 8º da IN SRF 35/98. A Câmara recorrida, entretanto, acolheu os argumentos da empresa com base no voto vencedor do Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. A passagem seguinte sintetiza o entendimento que veio a prevalecer: A decisão de 1a Instancia Administrativa, apoiandose no que consta do Auto de Infração, considerou a prática como infração ao § 3°, do artigo 8º, da IN/SRF nº 35/98, que regia o Regime na ocasião, nos seguintes termos extraídos da folha nº 305 do processo: Fl. 4197DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10831.008785/200218 Acórdão n.º 9303002.358 CSRFT3 Fl. 11 3 Como o beneficiário, no momento de concluir o ciclo da admissão da mercadoria no RECOF, ao invés de efetuar este pagamento como forma de extinção do credito tributário suspenso, condição sine qua non de implementação do despacho para consumo, utilizouse de um direito adquirido por conta do regime Drawback, na modalidade isenção, esta importadora transferiu as mercadorias anteriormente admitidas no RECOF para o regime Drawback, independente da sua modalidade, procedimento expressamente vedado pela norma de regência do RECOF então vigente (IN/SRF n° 35/98, art. 8º, § 3°), que assim dispõe: " Poderão ser admitidas no RECOF mercadorias transferidas de outro regime aduaneiro especial, vedado o procedimento inverso. Não assiste razão à Fiscalização, devendo ser reformada a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento — S. Paulo II. Com efeito, a legislação citada veda a transferência física de mercadoria admitida no Regime RECOF para qualquer outro Regime Aduaneiro (no presente caso o Drawback), transferência esta que não aconteceu, ainda que assim quisesse caracterizar o digno Fiscal Autuante. Sequer houve transferência documental (jurídica) das mercadorias. Não se operou a tipicidade, ou seja, não está caracterizada a subsunção do fato a norma. As mercadorias jamais foram fisicamente transferidas de Regime. Não há qualquer prova neste sentido, trazida aos autos pelo Agente Fiscal, autor do feito. O que ocorreu, como bem demonstra a Recorrente, foi a liquidação dos tributos suspensos na admissão de mercadorias no Regime RECOF, utilizandose valores provenientes da isenção obtida pela Compaq no Regime Drawback Isenção, que se acumularam em razão de impossibilidade de seu aproveitamento pela empresa, por razões legitimas indicadas pela Recorrente. O pagamento dos tributos suspensos é devido quando produtos da linha de fabricação RECOF, montados com mercadorias admitidas neste Regime (portanto com pagamento suspenso dos tributos incidentes na importação), são comercializados no Pais. A empresa tem até o dia 5 do mês subseqüente ao vencido para submeter a despacho para consumo estas mercadorias, liquidando todos os tributos assim suspensos. E dessa forma sempre procedeu a Recorrente, com a particularidade de ter utilizado, no presente caso, valores provenientes da isenção obtidas no Regime Drawback Isenção. O Regime Drawback revestese da característica de estimulo ã exportação.Tendo a Recorrente praticado exportações neste Regime, obteve créditos expressos em moeda corrente nacional, que assim passou a utilizar para pagamento de compromissos tributários suspensos, resultantes da importação de mercadorias utilizadas na fabricação de produtos de sua linha de comercialização. A Fiscalização jamais questionou o direito às Fl. 4198DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 isenções do Regime Drawback obtidas pela Recorrente, no passado, quando a empresa não operava o Regime RECOF. Nenhuma infração ao Regime Aduaneiro RECOF alcança a prática ora em debate. Além do mais, o pagamento ocorreu no Sistema Siscomex, totalmente operacionalizado pela Secretaria da Receita Federal. Caso houvesse impedimento, ainda que no campo administrativo, o Sistema inviabilizaria os pagamentos. Não houve, sequer, destinação diversa daquelas previstas nas normas que regiam o RECOF na ocasião. As mercadorias admitidas no Regime foram empregadas no processo produtivo da empresa, para qual finalidade foram importadas, ou seja, na linha de fabricação própria deste Regime operado pela Requerente. Dessa forma, considero que a extinção do regime RECOF das mercadorias sob julgamento, pela modalidade de despacho aduaneiro para consumo das mesmas, ocorreu com toda a lisura, transparência e apoiada na legislação de regência. O Redator designado conclui seu voto citando a existência de outros julgados sobre os mesmos fatos e envolvendo o mesmo contribuinte nos quais o Terceiro Conselho de Contribuintes lhe dera razão, com a transcrição, inclusive, de uma das ementas. O recurso fazendário, por seu turno, objeta a utilização da isenção permitida no regime drawback como se fora um crédito fiscal adquirido pelo contribuinte ao qual este pudesse dar a destinação que melhor lhe aprouvesse. Ao contrário, acentua, a obrigatoriedade de interpretação restritiva das normas concessivas de isenção, prevista no art. 111 do CTN, implicaria, segundo a recorrente, que a isenção somente poderia ser aplicada pela importação, posterior à expedição do Ato Declaratório da Secex, de novos insumos, de mesma qualidade e quantidade dos anteriormente empregados nos produtos exportados, a serem, estes sim, empregados na fabricação de produtos que poderiam ser vendidos no mercado interno. Ademais, teria havido contrariedade ao art. 179 do mesmo Código, pois não teria sido implementado o “requerimento com o qual o interessado faça prova do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão”. E ainda da legislação do próprio RECOF que, ao deferir sua regulamentação à SRF, permitiu que a IN SRF 35/98 previsse, como de fato previu, a impossibilidade de transferência das mercadorias internalizadas com os benefícios do RECOF para outro regime especial. Em contrarazões tempestivas, alega a autuada que “pretende a recorrente conceituar como transferência de mercadoria a outro regime aduaneiro a mera utilização, no RECOF, de créditos fiscais obtidos pela Recorrida junto ao Drawbackisenção, o que em nada se assemelha à infração alegada pela Recorrente”, retomando, em seguida o argumento acolhido na decisão recorrida segundo o qual “ao se transferir mercadorias de um regime para outro, sobre ser obrigatória prévia autorização da SRF em procedimento próprio, há que se tê la fisicamente disponível, justificandose o pedido com a necessária alteração da destinação”. Para demonstrar que as mercadorias em discussão foram integralmente empregadas no RECOF narra que elas foram internalizadas mediante despachos de admissão, empregadas na produção de produtos parcialmente exportados e parcialmente vendidos no mercado interno, o que é controlado pelo relatório mensal previsto no art. 14, § 3º da IN SRF já citada, e submetidos a despachos para consumo na parte vendida no mercado interno consoante disposição da mesma IN (art. 15, § 1º). Defende, nessa linha, que “eventual transferência de mercadoria do RECOF Fl. 4199DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10831.008785/200218 Acórdão n.º 9303002.358 CSRFT3 Fl. 12 5 para outro regime, se permitida fosse, só poderia ser feita antes do despacho de admissão, e jamais pelo despacho de consumo posto ser este uma das alternativas pelas quais o regime se extingue”. Pugna, ao fim, pelo afastamento integral da autuação, mantendose a decisão recorrida, ou, ao menos, o afastamento da penalidade imposta, este com base no Ato Declaratório (Normativo) nº 10/97. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi, em meu entender, bem admitido, porquanto cumpridas as condições previstas no Regimento do CARF, em especial, em seu art. 4º – dado que a decisão foi proferida antes de julho de 2009 – e em seu art. 65, pois foi nãounânime, tendo ficado vencido o Conselheiro Relator Ricardo Paulo Rosa. Para finalizar, o recurso aponta diversos dispositivos legais em tese contrariados. Dele conheço. Consoante relatado, o cerne da discussão é se o não pagamento do imposto de importação devido pela venda no mercado interno de produtos fabricados utilizando mercadorias importadas ao abrigo do regime especial RECOF, por conta da “utilização” de isenção regularmente deferida no âmbito do regime especial drawback, configura a transferência de que cuida a IN SRF 35/98 em seu art. 8º, § 3º. São incontroversos tanto o direito de isenção reconhecido como a internação, utilização e submissão a despacho de consumo das mercadorias internadas com base no RECOF. No mesmo sentido, a vedação expressa na IN, em nenhum momento contestada pela recorrida. Para a autoridade fiscal autora do lançamento, bem assim para os julgadores da DRJ e o relator da decisão recorrida, o que configura infração é deixar de importar novos produtos, como autorizado no Ato concessivo do drawback isenção, “substituindoos” por aqueles já importados, mas sob o RECOF. Entendo assistir razão a eles. E para tanto louvome, como bem apontado no recurso especial, da disposição expressa do artigo 111 do CTN já tantas vezes mencionado nos autos, mas que não custa transcrever mais uma vez para maior clareza: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Cristalino, não cabe ao intérprete alargar o alcance de legislação que disponha, entre outros, sobre a concessão de isenção. No presente caso, dispõe o contribuinte de ato concessório que, nos termos dos arts. 335 e 346 do Regulamento Aduaneiro então vigente, lhe permitia IMPORTAR mercadorias para repor o seu estoque ao abrigo de isenção: Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; e III restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. Art. 346. O regime será concedido mediante ato concessório do qual constarão: I valor e especificação da mercadoria exportada; II especificação e classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul das mercadorias a serem importadas, com as quantidades e os valores respectivos, estabelecidos com base na mercadoria exportada; e III valor unitário da mercadoria importada, utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento da mercadoria exportada. Parágrafo único. A Secretaria de Comércio Exterior poderá estabelecer outros requisitos que devam constar no ato concessório. Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10831.008785/200218 Acórdão n.º 9303002.358 CSRFT3 Fl. 13 7 Não foi o que fez, porém, pretendendo utilizar tal direito, qual “crédito fiscal” – expressão, aliás, usada pelo redator designado para a decisão ora atacada. Ocorre que não se trata aqui, em meu entender, da figura do crédito fiscal. Este, como se sabe, é o nome que costumeiramente se dá a um direito do contribuinte contra a Fazenda, que ele pode exercer por meio da restituição, do ressarcimento ou da compensação. E pode decorrer de recolhimento indevido, direito a ressarcimento assegurado por lei ou previsão de uso para abater algum débito, caso dos créditos decorrentes da nãocumulatividade. Bem diverso disso, o que a legislação aduaneira autoriza, no que tange ao drawback isenção, é, tãosomente, que nova importação seja promovida, em quantidade e qualidade equivalentes, das mercadorias anteriormente importadas com tributação normal, para efeito de repor o estoque do contribuinte. Por sua vez, como cansativamente descrito pela autoridade autuante, o regime aduaneiro RECOF somente contempla a possibilidade de destinar ao mercado interno as mercadorias importadas com suspensão (ou os produtos com ela fabricados) mediante o pagamento dos tributos suspensos quando de sua internação no território nacional. E isso basta para inviabilizar a pretensão da autuada. De fato, totalmente despiciendo, diante da expressa determinação do CTN, perquirir se as mercadorias importadas ao abrigo do RECOF são de qualidade e quantidade equivalentes àquelas cuja importação com isenção lhe fora assegurada pelo ato concessivo de drawback isenção. Tal verificação, aliás, se mostra praticamente inviabilizada tal a diferença de tratamento que marca as duas modalidades, como extensamente descrito no auto de infração. Portanto, cabia apenas ao contribuinte, para fazer valer o seu direito, importá las, submetendoas a todo o controle fiscal próprio do drawback e ausente, salientese, do RECOF. Ademais da tese do “crédito fiscal”, o acórdão recorrido encampou a outra tese do recurso: somente haveria transferência de mercadorias do regime enquanto tais mercadorias estivessem fisicamente em posse da beneficiária. Em outras palavras, aceitouse que processar as mercadorias importadas na linha de produção do RECOF basta. Assim também não penso. A uma porque não há nenhum ato legal ou normativo que o diga. A duas, e até mais importante, porque o regime drawback isenção não foi expressamente excluído da proibição de transferência prevista no art. 8º da IN SRF 35/98. E, acompanhando o relator que me antecedeu, não vejo outra forma de cumular os dois regimes senão exatamente na forma aqui intentada: substituir a importação autorizada pelo não pagamento dos impostos devidos no âmbito do RECOF. Entendo por isso devidos os tributos lançados. E se o são, igualmente o são as multas, por força do que dispõem, literalmente, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 e o art. 80 da Lei nº 4.502/64 com a redação que lhe deu o art. 45 da mesma Lei nº 9.430/96. Quanto à primeira, o contribuinte postula, subsidiariamente, a aplicação do Ato Declaratório (Normativo) nº 10/97. Ocorre que, como bem sabido, tal ato não é vinculante deste Conselho, dirigindose tãosomente às unidades da própria SRF. Ainda assim, digase, sequer foi aplicado pela Delegacia de Julgamento que examinou o lançamento. Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Entendo, ao contrário, que é exatamente sua aplicação que não podemos fazer. E isso porque ele importa deixar de aplicar comando expresso de lei, encontrando, por isso, obstáculo intransponível no Regimento Interno do CARF (art. 62). De todo modo, apenas afetaria a multa prevista no art. 44 da Lei 9.430, em nada alterando aquela devida sobre o IPI não recolhido. Com essas considerações, e as demais expostas no voto vencido, de que não discrepo, voto por dar provimento ao recurso fazendário para restabelecer o lançamento excluído pela decisão atacada, inclusive no que tange à multa de ofício expressamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, cuja aplicação é obrigatória. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Voto Vencedor CONSELHEIRA SUSY GOMES HOFFMANN Preliminarmente, deixo consignado meu respeito e admiração ao Conselheiro Relator – Júlio César Alves Ramos – e registro que o seu voto, como é costume, está muito bem fundamentado e dele discordo por razões de direito. A jurisprudência desta CSRF, em casos similares, sempre foi por trilhar o caminho diverso ao do voto vencido. Para tanto, cito o Acórdão da CSRF 03.05.561, da sessão de 13 de novembro de 2007, do qual participei e em que por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso do Contribuinte. Desta forma, assumo como razões de decidir o conteúdo do voto daquele processo, da relatoria do eminente Conselheiro Marciel Elder Costa, nos seguintes termos: De plano, entendo ser oportuno destacar que a controvérsia em questão já fora submetida a exame por esta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em voto do I. Conselheiro João Holanda da Costa, no Acórdão 302123.133, Recurso n° 302 123.133, j. em 15/03/2004, com relação, inclusive, ao mesmo contribuinte. Vejamos, então, o que se concluiu na oportunidade: "Em apreciação dois recursos especiais interpostos, respectivamente, pelo contribuinte, relativamente à exigência fiscal em vista da denegação do beneficio vinculado a regime aduaneiro especial; o outro, interposto pela Fazenda Nacional contra a exclusão da multa de oficio. I — A Fazenda Nacional argüiu, em contra razões, a inexistência de divergência de decisões, o que de pronto se atalha dado que o ponto enfocado pelo contribuinte no acórdão recorrido e no recurso corresponde plenamente ao paradigma apresentado como se demonstra a seguir. Com efeito, o Ac. 30129.296 trata de mercadoria importada e admitida no RECOF, sendo depois submetida a despacho para consumo e apenas por ocasião desse despacho foi utilizada uma concessão já obtida, de um beneficio de isenção, não existindo nenhuma incompatibilidade em tal prática, mesmo que a isenção haja decorrido Fl. 4203DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10831.008785/200218 Acórdão n.º 9303002.358 CSRFT3 Fl. 14 9 de um drawback isenção operada anteriormente. Este é exatamente o caso dos presentes autos. II — O recurso especial do contribuinte versa sobre a questão principal de exigência dos impostos. Nesta parte, querme parecer que o contribuinte tem razão no seu apelo. Com efeito, as partes e peças em causa ingressaram no pais (Despacho de Admissão) sob o regime RECOF, nesse regime foram utilizados, incorporados a produtos que poderiam, em seguida ser exportados ou despachados para consumo destinados ao mercado interno. A dúvida surgiu, o que deu margem ao presente processo fiscal, quando do despacho para consumo, porque havendo a interessada pretendido, nesta ocasião, procurou fazer valer o direito que lhe assistia à isenção de tributos em decorrência do drawback isenção relativo a mercadorias já exportadas em que haviam sido já aplicados aqueles mesmos insumos. Nesta ocasião, entendeu a fiscalização da Receita Federal que o contribuinte estava fazendo transferência de um regime (RECOF) para outro (DRAWBACK), o que não é permitido. Não há prova de que tenha havido a alegada transferência de mercadoria entre regimes, pois tal dependeria de um procedimento especifico que não existe, no caso. O que houve foi que, no despacho para consumo, em lugar de pagar os tributos incidentes sobre os insumos aplicados, o contribuinte valeuse da isenção assegurada com o drawback isenção, já anteriormente acontecido e reconhecido, e que lhe garantia o direito a proceder à importação dos mesmos insumos aplicados como em reposição de estoque. Não há, portanto, que se discutir o direito à isenção, restando a discussão apenas com relação ao entendimento da fiscalização de que teria havido transferência de um regime para o outro, o que não aconteceu. Concordo, portanto, com a manifestação contida tanto no Acórdão n°30129.296, da douta Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, como no voto vencedor integrante do Acórdão objeto de recurso. III — O recurso especial da Fazenda Nacional versando sobre a multa ficou prejudicado com o provimento do recurso do contribuinte. Em conclusão, voto para dar provimento ao recurso do contribuinte e para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional." (g.n.) Pois bem, após uma análise minuciosa dos autos, notase que a controvérsia existente nos autos cingese exatamente na possibilidade ou não da Recorrente utilizar se de beneficio de isenção concedido anteriormente à ocasião de despacho para consumo de mercadorias (destinadas ao mercado interno) importadas e admitidas no RECOF. Pondero, assim, que no RECOF dois despachos aduaneiros são processados: o despacho de admissão e o despacho para consumo. Este último referese aos insumos aplicados em produtos destinados ao mercado interno. Já aquele, aos insumos importados para admissão no regime. Na hipótese, houve a ocorrência de despachos para consumo (processados no âmbito do RECOF), em que a Recorrida atribuiuse beneficio de isenção de que já Fl. 4204DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 era titular em razão de exportações realizadas anteriormente. Vale dizer aqui, que ao verificarmos o artigo 8° da IN SRF n° 35/98 observase, em seu §3°, que efetivamente é vedada a transferência de mercadorias admitidas no RECOF para outro regime. Senão, vejamos: "Art. 8° A admissão de mercadoria no RECOF terá por base declaração de importação especifica formulada pelo importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior — SISCOMEX. (...) §3° Poderão ser admitidas no RECOF mercadorias transferidas e outro regime aduaneiro especial, vedado o procedimento inverso." No entanto, compartilho do posicionamento já exarado nesta Eg. Câmara e aqui destacado, no sentido de que não houve transferência de regime, posto que utilizou se, na verdade, de uma concessão já obtida anteriormente e não há norma que vede a utilização de beneficio de isenção, mesmo proveniente do regime DrawbackIsenção, no despacho para consumo de mercadorias admitidas no RECOF. Isto posto, concluo que não houve descumprimento às normas que regem o RECOF, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial de Divergência interposto pela contribuinte. Pois bem, entendo que nada mais há a acrescentar às razões trazidas no referido voto, motivo pelo qual, pelas razões ali colocadas, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. É como voto. SUSY GOMES HOFFMANN Fl. 4205DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assina do digitalmente em 21/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10768.015894/2001-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A comprovação, em sede de impugnação ao lançamento, da existência do processo judicial informado na DCTF cuja não localização motivou a constituição do crédito tributário em procedimento de revisão interna da Declaração, importa em que se considere improcedente a exigência sob esse fundamento constituída.
Incabível que a Administração, muito tempo depois, proceda à revisão do lançamento original em face de decisão judicial desfavorável ao contribuinte, ainda mais quando realizada fora do prazo determinado na legislação de regência.
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO PARCIAL DO CRÉDITO CONSTITUÍDO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DA PARTE EXCLUÍDA NA REVISÃO. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO EM PARTE.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício na parte correspondente ao crédito tributário que não mais integra a lide, por ter sido excluído do auto de infração pela Unidade Preparadora por ocasião da revisão do lançamento original.
Recurso de Ofício Parcialmente Conhecido e na Parte Conhecida Negado
Numero da decisão: 3102-001.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pelas conclusões.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 23/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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REVISÃO INTERNA DE DCTF. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A comprovação, em sede de impugnação ao lançamento, da existência do processo judicial informado na DCTF cuja não localização motivou a constituição do crédito tributário em procedimento de revisão interna da Declaração, importa em que se considere improcedente a exigência sob esse fundamento constituída. Incabível que a Administração, muito tempo depois, proceda à revisão do lançamento original em face de decisão judicial desfavorável ao contribuinte, ainda mais quando realizada fora do prazo determinado na legislação de regência. AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO PARCIAL DO CRÉDITO CONSTITUÍDO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DA PARTE EXCLUÍDA NA REVISÃO. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. Não deve ser conhecido o recurso de ofício na parte correspondente ao crédito tributário que não mais integra a lide, por ter sido excluído do auto de infração pela Unidade Preparadora por ocasião da revisão do lançamento original. Recurso de Ofício Parcialmente Conhecido e na Parte Conhecida Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 58 94 /2 00 1- 11 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pelas conclusões. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo A falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, dos períodos de apuração de janeiro a março de 1997 (fls. 51 a 55), em decorrência de auditoria interna efetuada pela DEFIC/RJO. Na Descrição dos Fatos (fls. 52), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna na DCTF apresentada pelo sujeito passivo referente ao primeiro trimestre de 1997, tendo sido verificada a falta de recolhimento do valor nela informado, em razão de inexatidão, pelos seguintes motivos: • por não ter sido comprovado o processo judicial informado com vinculação ao débito declarado na condição de compensação sem DARF; • por não ter sido comprovado o processo judicial informado com vinculação ao débito declarado na condição de suspensão da exigibilidade; • por não terem sido localizados os pagamentos informados. O enquadramento legal da presente autuação encontras especificado às fls. 52 e 55. A empresa autuada apresentou a impugnação de fls. 01 a 05 em 28/12/2001, alegando que a) Os pagamentos informados na DCTF foram efetuados, conforme comprovantes em anexo; b) 0 processo n° 9100110566 se refere a Mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato do Comércio varejista de Combustíveis Minerais do Estado do Paraná, onde se questiona a retenção antecipada do PIS com base no regime de substituição tributária. Em obediência A ordem do MM. Juiz Federal, a defendente passou a depositar judicialmente a contribuição em comento. Junta aos autos cópia do Mandado de Intimação; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10768.015894/200111 Acórdão n.º 3102001.931 S3C1T2 Fl. 3 3 c) 0 processo n° 95.4422546 referese a Mandado de Segurança impetrado pela Impugnante objetivando compensar a referida contribuição. Junta aos autos cópias das folhas do citado processo judicial. d) a autuação perdeu seu objeto, eis que provada a existência dos processos judiciais e dos DARFs. As fls. 147/149, encontrase o Despacho Derat/RJO DIMCO n°61, em que se relata que, em face do acórdão do TRF da 2 Regido, publicado em 07/07/2005, que deu provimento a Unido na questão objeto do processo n° 95.00442256, "não subsiste mais qualquer amparo judicial para as compensações efetuadas pelo contribuinte. Portando, impõese a cobrança imediata dos débitos indevidamente compensados". Em 13/07/2009, com fundamento no citado Despacho Dimco n° 61, foi elaborado o documento de fl. 156, intitulado Revisão de Lançamento n° 353/2009 — PIS/1997, em que se reviu de oficio o lançamento consubstanciado no auto de infração n° 0000687. Consta informação de que o sistema Sief Fiscalização Eletrônica alocou os pagamentos e que foi efetuada a "validação total" dos débitos vinculados ao processo n° 91.00110566 e que, após a emissão do DARF, os mesmos voltarão à condição de suspensão até a decisão final da ação judicial. Por fim, foi determinado o prosseguimento da exigência dos créditos tributários procedentes, conforme demonstrativo de fls. 155, cancelamento dos créditos tributários improcedentes e validação total temporária dos créditos vinculados ao processo n° 91.00110566, sendo então a interessada instada a pagar o débito ou impugnar o lançamento, no prazo regulamentar de 30 dias. Cientificada em 17 de julho de 2009, a interessada apresentou nova impugnação, em 14 de agosto de 2009, onde alega, em síntese: a) A Impugnante comprovou a existência do processo judicial n° 95.0044225 6. Em 07/07/2005 foi publicado o Acórdão do TRF 2a regido que deu provimento à apelação interposta pela Unido, cassando os efeitos da liminar e da sentença. Em decorrência, a Impugnante realizou depósito judicial vinculado ao referido processo; b) A fiscalização não mais poderia efetuar a revisão de oficio do lançamento, em razão do decurso do prazo decadencial; c) Ante a decadência da revisão de oficio do auto primitivo, este ainda subsistiria, mas seria nulo por falta de amparo fático (motivo); d) Ainda que se entendesse não ter havido decadência para revisão de oficio, ela seria improcedente por erro de direito, ou seja, aplicação equivocada da legislação tributária de regência; e e) Por fim, ainda que se admitisse não ter havido erro de direito, a revisão de oficio deveria ter excluído o montante então depositado judicialmente pela impugnante, sob pena de locupletamento indevido da Fazenda Nacional. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FATICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, nos termos do artigo 10III do Decreto n° 70.235/72, é incabível a manutenção do lançamento. Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro submete a decisão à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em Recurso de Ofício, nos termos do artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Depreendese dos autos que a Fiscalização Federal, em procedimento de revisão interna das DCTF apresentadas pelo contribuinte, concluiu pela inexistência dos processos judiciais informados nas Declarações, ou porque o contribuinte não figurava como proponente da ação indicada (CNPJ distinto), ou por não ter encontrado o processo judicial indicado. Realizada a autuação fiscal, o contribuinte compareceu perante o Órgão Fiscalizador, impugnando o lançamento. Apresentou o processo judicial não localizado pelo Fisco e, em relação àquele no qual o CNPJ era divergente, esclareceu tratarse de ação impetrada pelos postos de combustível, determinando que ele, distribuidor, depositasse, sob suspensão, o valor do PIS devido a título de substituto tributário. Por não ter proposto a ação, embora sujeito à ordem dela emanada, não constava como proponente, razão pela qual foi identificada a divergência do CNPJ informado na DCTF em comparação com o que constava nas ações judiciais declaradas. Resolvida a questão, o processo foi encaminhado1 à Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (Dicat) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro. Baseada no Despacho Derat/RJO/Dimco nº 61, de 18 de junho de 2009, expedido pela Divisão dos Maiores Contribuintes, que acompanhava as medidas judiciais impetradas pela parte, a Dicat procedeu à revisão do lançamento consignado no Auto de Infração original, sob fundamento de que “...não subsiste mais qualquer amparo judicial para as compensações efetuadas pelo contribuinte. Portanto, impõese a cobrança imediata dos débitos indevidamente compensados”. Revisado o lançamento, o processo seguiu para julgamento em primeira instância, que considerou indevida a cobrança, recorrendo de ofício a este Conselho. 1 ao que tudo indica, pois não logrei êxito em encontrar o despacho de encaminhamento. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10768.015894/200111 Acórdão n.º 3102001.931 S3C1T2 Fl. 4 5 Agiu corretamente a Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Com efeito, peço licença aos que divergem do meu entendimento para dizer que, pessoalmente, não vejo como autuação desta forma conduzida pudesse prosperar. Como se sabe, muito se discute quando, por conta de intercorrências próprias do processo dialético do julgamento, as razões de decidir do julgador não guardam perfeita identidade com a fundamentação encontrada no auto de infração sub judice. Quanto a isso, não vejo razão para protesto. De fato, nem mesmo consigo imaginar como se poderia evitar que certos desalinhamentos apareçam no curso do litígio, muitas vezes como resultado da leitura pessoal que cada um faz dos fatos apresentados e das normas legais que lhes sejam aplicáveis, outras motivados por novos elementos trazidos aos autos. Contudo, não me parece que tenha sido isso o que aconteceu no vertente caso. Em lugar disso, viuse que, uma vez que a empresa tivesse sido autuada pela falta de comprovação dos processos judiciais informados na DCTF, impugnou a exigência e comprovou a sua existência, sanando o problema. Não há nenhuma indicação no Processo de que os documentos apresentados na impugnação ao lançamento (me refiro à primeira) fossem insuficientes para regularização da situação fiscal que ensejou a constituição do crédito no Auto de Infração. Inobstante, em lugar de tomar uma decisão definitiva sobre a procedência da autuação, a Secretaria da Receita Federal determinou que seu encaminhamento a um setor específico para aguardar a solução do litígio judicial. Não tenho dúvida, a situação fiscal que deu azo à autuação foi resolvida no momento da apresentação da impugnação (primeira) ao lançamento, com a comprovação dos processos judiciais até então considerados não comprovados. O encaminhamento do processo para controle deveuse exclusivamente à pendência de decisão judicial final e à possibilidade de que ela modificasse a situação válida para aquele momento. Quando finalmente a empresa deixou de contar com o respaldo jurisdicional, tentouse aproveitar o lançamento já realizado. No entanto, a sua motivação original não guardava nenhuma relação com a situação nova. É fato que não se pode ignorar que houve um ato de revisão do lançamento, o que, aparentemente, só ocorreu justamente para que tais obstáculos não frustrassem a efetivação do ingresso dos valores consignados no Auto de Infração. Apesar disso, além de todos os aspectos acima suscitados em relação à pertinência do procedimento adotado, a ciência do contribuinte da revisão do lançamento data de 17 de julho de 2009 (fls. 158) e corresponde a fatos geradores do ano de 1997 e um Auto de Infração cuja ciência ocorreu em 07/12/2001 (fls.02). Determina o Código Tributário Nacional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não existindo o direito da Fazenda Pública. Salvo melhor juízo, por qualquer leitura que se faça da delimitação contida no parágrafo único do artigo 149 do Código, o direito da Fazenda Pública revisar o lançamento original, em 17 de julho de 2009, já estava ou prescrito ou decaído. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Melhor que, segundo informa a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há depósitos judiciais suficientes para satisfação do crédito tributário devido pela empresa autuada. Isto tudo posto, importa reproduzir alguns arestos extraídos de julgamentos processados em outras Turmas deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que seguem na mesma direção aqui proposta. Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20181364 do Processo 10935001775200366 08/08/2008 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998 PIS. REVISÃO DE DCTF. ACUSAÇÃO INICIAL. SUPERAÇÃO. EFEITOS. É improcedente o lançamento efetuado em revisão de DCTF, cuja acusação inicial de "processo judicial não comprovado" tenha sido afastada pela demonstração da existência da ação judicial. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. ACUSAÇÃO INCONSISTENTE. REVISÃO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. COMPETÃSNCIA E FALTA DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE DO PROCESSO. SUPERAÇÃO PELA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Sendo improcedente parcialmente o lançamento original, não é admissível como forma de saneamento processual em sede de "revisão de lançamento" que a projeção da Administração Tributária da Delegacia de origem altere a sua fundamentação com desatenção aos requisitos formais da revisão de lançamento. A alteração da fundamentação legal representa materialmente a revisão de lançamento definida no art. 149 do CTN e deve ser praticada por servidor competente, com obediência ao disposto no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 11 do Decreto no 70.235, de 1972. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso voluntário provido em parte. 3ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial Acórdão nº 380300478 do Processo 13005000662200332 28/06/2010 Ementa ASSUNTO: COFINS AUTO DE INFRAÇÃO DCTF.PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/98 A 05/98. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO EMITIDO PELO SISTEMA SIEF FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA EM DECORRÊNCIA DE REVISÃO INTERNA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO DECORRENTE DE AUDITORIA INTERNA NA DCTF, POR CONTA DE PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL O LANÇAMENTO DEVER SER CANCELADO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO AO RECURSO, PARA CANCELAR O LANÇAMENTO. 3ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10768.015894/200111 Acórdão n.º 3102001.931 S3C1T2 Fl. 5 7 Acórdão nº 330200801 do Processo 10480009446200278 02/02/2011 Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 A 31/12/1998COFINS. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÕES. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. FUNDAMENTAÇÃO SUPERADA. NO CASO DE LANÇAMENTO EFETUADO A PARTIR DA REVISÃO DAS DECLARAÇÕES DE CRÉDITOS E DÉBITOS FEDERAIS DCTF, A PROVA DA EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL CUJA NÃO COMPROVAÇÃO TENHA FUNDAMENTADO O AUTO DE INFRAÇÃO IMPLICA A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS,ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. Finalmente, devese acrescentar que, conforme informa o Ato de Revisão do Lançamento, o crédito tributário exigido do contribuinte e impugnado foi apenas aquele fundamentado na inexistência dos processos judiciais informados nas DCTF (abaixo referenciado como primeiro caso). Por essa razão o Recurso de Ofício não deve ser conhecido na parte em que se refere aos casos de falta de confirmação de inclusão do CNPJ do contribuinte no processo judicial informado. Ressaltamos o fato de que os débitos objeto do referido Auto de Infração tiveram três tipos de vinculação, conforme Anexo I do Auto de Infração, em fls. 53: > Compensação sem DARF (Processo n° 95.4422546, objeto da referida cobrança) > Exigibilidade Suspensa (Processo no 91.00110566) > Pagamento Considerando que o próprio Sistema Sief Fiscalização Eletrônica alocou os respectivos pagamentos, para que a cobrança ficasse limitada ao primeiro caso, efetuamos a "Validação Total" no segundo caso que, após a emissão do DARF, voltará à condição de Suspensão até a decisão final da respectiva Ação Judicial. VOTO NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício em relação ao crédito tributário constituído no Auto de Infração sob o fundamento “Proc. Jud. Não comprovado” (nº processo 95.4422546) e POR NÃO CONHECER do Recurso em relação aos demais valores objeto da Decisão. Sala de Sessões, 23 de julho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11020.002418/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.266
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Data da lavratura do AIOP: 16/07/2009. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 02 41 8/ 20 09 -8 6 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.002418/200986 Resolução nº 2302000.266 S2‐C3T2 Fl. 126 2 Data da Ciência do AIOP: 24/07/2009 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada em face do Acórdão nº 0934.912 proferido pela 5ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação ofertada em contestação ao Auto de Infração – AIOP nº 37.231.4902, decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da entrega de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com informações incorretas ou omissas, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 12/17. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. De acordo com a resenha fiscal, a soma da receita declarada somada à receita omitida resultou em excesso de receita bruta deixando o contribuinte fora da faixa de opção pelo SIMPLES. A empresa Recorrente foi, então, excluída da sistemática do SIMPLES, por excesso de receita bruta, mediante o Ato Declaratório Executivo ADE n° 33, de 02/07/2009, publicado no Diário Oficial da União DOU em 06/07/2009, com efeito retroativo a 1º de janeiro de 2005. A empresa está sendo autuada por infração ao disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, com redação da Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09 por apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas, nos meses 08/2005, 10/2006, 11/2006 e 12/2006. O contribuinte declarouse como optante aos Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, não tendo retificado suas declarações até o início do procedimento fiscal. Apresentou as GFIPs nas competências: 08/2005, 10/2006, 11/2006, 12/2006 com os seguintes campos: a. Campo "SIMPLES" A empresa informou código "2" (optante pelo SIMPLES). O correto é " l " Não optante pelo SIMPLES; b. Campo " ALIQ. RAT" A empresa informou "0,0". O correto é a alíquota de "3,0" (Código da atividade econômica 36.919); c. Campo " OUTRAS ENT " A empresa nada informou. O correto é informar "0079"; d. Campo "Cód Pgto GPS" A empresa informou "2003" (Código empresa optantes do SIMPLES). O correto é "2100" (Código das empresas em geral); Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.002418/200986 Resolução nº 2302000.266 S2‐C3T2 Fl. 127 3 e. Código FPAS A empresa informou 515 empresa comercial. O correto é "507" por se tratar de indústria, (conforme anexos II e XIX da IN INSS/DC 100/2003 e anexos II e III da IN MPS/SRP n° 03, de 14/07/2005). A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no inciso I e parágrafos 2º e 3º do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com redação da Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, observada a retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 22/24. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1034.912 5ª Turma da DRJ/JFA, a fls. 81/85, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/06/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 87. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 89/91, requerendo, ao fim, o cancelamento do lançamento ora contestado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08/06/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 20/06/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DO JULGAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONEXO Informa o Agente Fiscal Autuante que serviram de base para o lançamento do crédito de contribuições previdenciárias ora em litígio, a Declaração de Exclusão do SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES (ADE) n° 33, de 02/07/2009, publicado no DOU em 06/07/2009, as remunerações consignadas nas folhas de pagamento de salário e 13° salário dos empregados, as GFIP e os valores disponíveis no Banco de dados da Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.002418/200986 Resolução nº 2302000.266 S2‐C3T2 Fl. 128 4 RFB/previdência social, informados pelo contribuinte, através da GFIP, compreendidos no período de 01/2005 a 13/2006. Acrescenta que, como consequência da vedação à opção pela sistemática do SIMPLES, por excesso de receita bruta, a empresa ficou sujeita às normas de tributação aplicáveis às empresas em geral (lucro: presumido, real ou arbitrado). Nesses regimes de tributação, as empresas são contribuintes da previdência social, na forma prevista no artigo 22, incisos I, II e III da lei nº 8.212/91, bem como das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme elucidado pela Autoridade Lançadora, o vertente lançamento teve como motivação maior o fato de a empresa ora Recorrente haver sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, por excesso de receita bruta, nos termos consignados no Ato Declaratório Executivo nº 33 n° 33, de 02/07/2009, publicado no DOU em 06/07/2009. Inconformada com a decisão administrativa da qual resultou o Ato Declaratório Executivo nº 33/2009, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, nos autos do PAF nº 11020.002248/200930, a qual foi julgada improcedente em primeira instância administrativa pela 2ª Turma da DRJ/SDR. Insatisfeito com a decisão proferida pela DRJ/SDR, a empresa em tela interpôs Recurso Voluntário ao CARF, ao qual se houve por negado provimento pela 2ª TO/3ª Câmara/1ª SEJUL, nos termos do Acórdão nº 130200696 – 3ª Câmara/2º Turma Ordinária, de 04 de agosto de 2011, a fls. 2030/2048 do PAF nº 11020.002248/200930 Ainda descontente, insurgiuse o Contribuinte em apreço contra a decisão de 2ª Instância Administrativa acima mencionada, mediante a interposição de Recurso Especial ao Conselho Superior de Recursos Fiscais, nos termos assinalados no Instrumento a fls. 2062/2082 do PAF nº 11020.002248/200930, o qual ainda se encontra pendente de julgamento na CSRF. Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento do Recurso Especial interposto nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pautamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado da demanda objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11020.002248/200930. A diligência deve ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva a ser proferida pelo CSRF nos autos do PAF nº 11020.002248/200930. Na sequência, antes de os presentes autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser promovida a ciência do resultado da Diligência Fiscal acima Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11020.002418/200986 Resolução nº 2302000.266 S2‐C3T2 Fl. 129 5 comandada ao Sujeito Passivo, para que ele, desejando, possa se manifestar nos autos deste processo, no prazo normativo. 4. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela conversão do Julgamento em Diligência Fiscal, nos exatos termos detalhados nos parágrafos precedentes. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13896.002851/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003, 2004
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO ESTABELECIDO EM ATO DO MINISTRO DA FAZENDA. DESCABIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso de ofício, por descabido, quando a decisão de primeira instância exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total inferior àquele estabelecido em ato do Ministro da Fazenda.
O lançamento isolado de fração de multa de ofício qualificada, para atender a mudança de critério jurídico introduzida pela DRJ, não encontra respaldo em lei, pois só havia previsão legal para formalização de multa isolada em auto de infração nas hipóteses dos incisos II a V do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Waldir Rocha e Luiz Matosinho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO ESTABELECIDO EM ATO DO MINISTRO DA FAZENDA. DESCABIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso de ofício, por descabido, quando a decisão de primeira instância exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total inferior àquele estabelecido em ato do Ministro da Fazenda. O lançamento isolado de fração de multa de ofício qualificada, para atender a mudança de critério jurídico introduzida pela DRJ, não encontra respaldo em lei, pois só havia previsão legal para formalização de multa isolada em auto de infração nas hipóteses dos incisos II a V do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Waldir Rocha e Luiz Matosinho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
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Os autos de infração devem ser cancelados, se, em outro julgamento proferido por este Colegiado, foram cancelados os lançamentos dos créditos de Cofins e do PIS sobre os quais incidira a fração de multa de ofício qualificada ora em julgamento. O lançamento isolado de fração de multa de ofício qualificada, para atender a mudança de critério jurídico introduzida pela DRJ, não encontra respaldo em lei, pois só havia previsão legal para formalização de multa isolada em auto de infração nas hipóteses dos incisos II a V do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO ESTABELECIDO EM ATO DO MINISTRO DA FAZENDA. DESCABIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso de ofício, por descabido, quando a decisão de primeira instância exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total inferior àquele estabelecido em ato do Ministro da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 28 51 /2 00 8- 67 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 302 2 Conselheiros Waldir Rocha e Luiz Matosinho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório PAULO CESAR AL BEHY ANDRÉ, já qualificado nestes autos, foi autuado e intimado a recolher crédito tributário no valor total de R$ 408.519,88, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, às fls. 001/002. Por bem descrever o ocorrido, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de auto de infração complementar para qualificar a multa de oficio sobre o PIS e a Cofins, lançados no âmbito do processo administrativo n° 10882.002362/2006121, no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, no valor total de R$408.519,88, em face do responsável tributário pelos débitos da empresa Base Logística e Locação de Transportes Ltda. (CNPJ n° 04.219.027/0001 20), extinta por liquidação voluntária em 08/06/2005, e na qual o autuado detinha 10% da participação. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 119/133 a seguinte descrição dos fatos: "0 presente termo destinase a relatar o agravamento da exigência inicial sobre as contribuições ao PIS e a Cofins dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2003, mediante duplicação das multas de 75% aplicadas no auto de infração do processo administrativo 10882.002361/200660, resultando em multa total de 150% sobre os valores principais, em decorrência dos fatos relatados nos itens 8.30 a 8.41 do ACÓRDÃO 0520.875 — 5ª TURMA DA DRJ/CPS, conforme detalhado adiante. 0 agravamento das referidas multas será formalizado de forma complementar, ern novo processo administrativo, de numeração 13896.002851/200867, de modo a não sobrestar o andamento do AUTO DE 1 Aqui equivocouse a ilustre relatora. Tratase, na verdade, do processo nº 10882.002361/200660. Esta nota não consta do relatório original transcrito. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 303 3 INFRAÇÃO DO PROCESSO 10882.002361/200660, para o qual já houve decisão do órgão julgador da primeira instância e sobre o qual cabe recurso do CONTRIBUINTE ao CONSELHO DE CONTRIBUINTES. (...) 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS Tendo em vista o pleno esclarecimento dos fatos, juntase ao processo 13896.002851/200867 o ANEXO I, contendo 12 volumes, formados pelas cópias das folhas 01 a 2258 do processo administrativo 10882.002361/200660, o qual passa a fazer parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO ora lavrado. Cabe observar que o contribuinte já tem conhecimento dos documentos inseridos as fls. 01 a 2258 do processo administrativo 10882.002361/200660, motivo pelo qual não estão sendo encaminhados ao mesmo neste momento, no entanto, caso julgue necessário, poderá obter vistas ou solicitar a extração de cópias no endereço informado nos demonstrativos do AUTO DE INFRAÇÃO. Os fatos que motivaram a exigência dos valores principais do AUTO DE INFRAÇAO do processo administrativo 10882.002361/200660 encontramse descritos no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, às fls. 107 a 109 do citado, enquanto que os demonstrativos de apuração do AUTO DE INFRAÇÃO encontram se anexados as fls. 110 a 150. 0 CONTRIBUINTE foi cientificado da exigência fiscal formalizada no processo 10882.002361/200660 em 12/12/2006, tendo apresentado a impugnação e anexos que foram anexados às fls. 154 a 2177 desse processo, cujas cópias fazem parte do ANEXO I do processo 13896.002851/200867. O órgão julgador de primeira instância procedeu ao julgamento da matéria e elaborou o ACÓRDÃO 0520.875 — 5" TURMA DA DRJ CAMPINAS, anexado ás fls. 2239 a 2258, verso, do processo administrativo 10882.002361/200660, cujas cópias fazem parte do ANEXO I do processo 13896.002851/200867. Através dos itens 8.30 a 8.41 do ACÓRDÃO 0520.875 — TURMA DA DRJ CAMPINAS, a autoridade julgadora relata as circunstâncias que evidenciam a prática de fraude na apuração do PIS e da COFINS, apuradas em documentos que não foram apresentados no curso do procedimento de fiscalização, mas somente na impugnação, as quais ensejariam o agravamento da exigência inicial, mediante formalização do diferencial da multa de oficio prevista para os casos de evidente intuito de fraude, conforme art. 44, inciso II da Lei 9.430/96 em sua redação original, ou já na redação dada pela Lei 11.488/2007, art. 44, §1°. A autoridade julgadora, através do item 8.41 do citado ACÓRDÃO, elaborou representação dirigida a autoridade lançadora, em razão do que dispõe o art. 9º, §3° do Decreto n° 70.235/72, c/c seu art. 15, parágrafo único, para avaliação da possibilidade de agravamento da exigência, em razão dos novos fatos evidenciados nos documentos juntados a impugnação. Transcrevese na seqüência os itens 8.30 a 8.38 do ACÓRDÃO 0520.875 — 5ª TURMA DA DRJ CAMPINAS, posto que descrevem com clareza a fraude caracterizada pela prestação de informações falsas nas DCTF e DIPJ entregues à RFB, através da qual a empresa declarava débitos de PIS e Cofins em valores sistematicamente próximos a 10% do valor que seria efetivamente devido. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 304 4 8.30. Demais disso, os demonstrativos de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, juntados A impugnação, confirmam, para os períodos de 2002 e 2003, as receitas informadas na DIPJ e, mais ainda, indicam a apuração de contribuições sobre o faturamento em valor próximo ao aqui exigido, e significativamente superior ao consignado na DCTF e na DIPJ. 8.31. Tais documentos, inclusive, denotam o conhecimento dos fatos geradores ocorridos e das contribuições, por conseqüência, devidas, as quais, todavia, não foram recolhidas pelo valor apurado, mas sim em parcelas sistematicamente menores, determinadas mediante a intencional aplicação do percentual de 10% sobre a contribuição apurada, conforme anotação contida na maioria dos demonstrativos referidos. 8.32. De fato, com referência ao cálculo da COFINS, vêse a seguinte correspondência entre os valores apurados e os exigidos na ação fiscal em questão: [planilha por período de apuração, comparando os demonstrativos de apuração de PIS e Cofins apresentados na impugnação e os valores de PIS e Cofins lançados exofficio nos processos 10882.002360/2006, 10882.002361/2006 e 10882.002362/2006] 8.33. Por sua vez, também consta destes demonstrativos de apuração, alem do valor inicialmente apurado da COFINS, indicações do cálculo de 10% deste montante, cujo resultado equivale aos recolhimentos efetuados: [planilha às fls. 215/216 da sequência do sistema eprocesso] 8.34. Já na DIPJ, as bases de cálculo de tais contribuições são reduzidas mediante o registro de "Outras Exclusões", as quais não constam dos demonstrativos de apuração e permitem a apuração de débitos equivalentes aos recolhidos, como também demonstrado abaixo: [planilha às fls. 216/217 da sequência do sistema eprocesso] 8.35. 0 mesmo se diga relativamente a Contribuição ao PIS, que apresenta a mesma correspondência entre os valores apurados e os exigidos na ação fiscal em questão, A exceção dos períodos a partir de dezembro/2002, nos quais o contribuinte adotou o regime de nãocumulatividade: [planilha às fls. 217/218 da sequência do sistema eprocesso] 8.36. Tais demonstrativos de apuração, inclusive os relativos aos períodos nos quais foi aplicado o regime de nãocumulatividade, também contém a indicação do cálculo de 10% do montante apurado da Contribuição ao PIS, o qual resulta em valor equivalente aos recolhimentos efetuados: [planilha às fls. 219/220 da sequência do sistema eprocesso] Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 305 5 8.37. E na DIPJ, o mesmo procedimento visto na informação dos débitos de COFINS é adotado, mediante o registro de "Outras Exclusões": [planilha às fls. 220/221 da sequência do sistema eprocesso] 8.38. Tais circunstâncias, evidenciadas nos novos elementos que não foram apresentados no curso do procedimento fiscal, mas somente na impugnação, ensejariam o agravamento da exigência inicial, mediante formalização do diferencial da multa de oficio prevista para os casos de evidente intuito de fraude, conforme art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96 ern sua redação original, ou, já na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, art. 44, § 1º . A exposição de motivos da autoridade julgadora mostra que a empresa apresentou, em sua impugnação dirigida ao órgão julgador de primeira instância, demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS que confirmam, para os períodos de 2002 e 2003, as receitas informadas nas DIPJ 2003/2002 e 2004/2003, no entanto, esses mesmos demonstrativos apresentam anotações, por vezes manuscritas, que evidenciam a intencional e sistemática aplicação do percentual de 10% sobre a contribuição apurada, ern valores que coincidem com os valores recolhidos em DARF e informados nas DCTF, cujos extratos foram anexados as folhas 2213 a 2238 do processo administrativo 10882.002361/200660, cujas cópias fazem parte do ANEXO I do processo 13896.002851/200867. Por sua vez, as DIPJ 2003/2002 e 2004/2003, conforme cópias anexadas as folhas 50 a 102 do processo administrativo 10882.002361/200660, cujas cópias fazem parte do ANEXO I do processo 13896.002851/200867, apresentam valores de exclusões de base de cálculo não justificadas pelo CONTRIBUINTE até a presente data, que conduzem a apuração de valores de PIS e COFINS coincidentes com os valores recolhidos em DARF e informados nas DCTF, evidenciando de vez a tentativa de impedir que a autoridade fiscal tenha conhecimento dos verdadeiros débitos de PIS e COFINS apurados pela empresa. Tendo em vista conceder amplo direito de defesa ao CONTRIBUINTE, lavrouse o TERMO DE INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL — MPF 2008.001238/01, cujo original e seus anexos foram anexados as folhas 06 a 114 do processo 13896.002851/200867. O CONTRIBUINTE foi intimado a prestar esclarecimentos sobre os fatos relatados, bem como a apresentar documentos comprobatórios de suas alegações, conforme texto transcrito na seqüência: [...] O TERMO DE INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL MPF 2008.00123 8/01 e seus anexos foram encaminhados ao CONTRIBUINTE pela via postal, sendo recebidos em 13/06/2008, conforme aviso de recebimento anexado à folha 115 do processo 13896.002851/200867. O CONTRIBUINTE solicitou a prorrogação do prazo estabelecido no termo de inicio, de cinco dias úteis, em quinze dias, através de carta protocolada 17/06/2008, anexada à folha 116, no entanto, cabe registrar que o prazo adicional Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 306 6 solicitado já transcorreu e o mesmo não apresentou quaisquer dos esclarecimentos e documentos solicitados até a data da lavratura do presente termo. 2. AUTO DE INFRAÇÃO LANÇAMENTO DE MULTA COMPLEMENTAR Diante do exposto, restou evidenciada a prática de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei 4502/64, cujo teor transcrevese na seqüência. [...] Portanto, esta fiscalização considera cabível a aplicação do disposto no §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que prevê a duplicação da multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9430/96, cujo teor transcrevo na seqüência. [...] O AUTO DE INFRAÇÃO do processo administrativo 10882.002361/200660 já efetuou o lançamento dos valores principais do PIS e da COFINS com a aplicação de multas de 75%, de modo que procedemos a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO DE MULTA COMPLEMENTAR, do processo administrativo 13896.002851/200867, para lançamento de multas complementares de 75%, incidentes sobre os valores do PIS e da COFINS mantidos pelo órgão julgador no ACÓRDÃO 0520.875 — 5ª TURMA DA DRJ/CPS, conforme tabelas anexadas às folhas 2257, verso, a 2258, verso, do processo 10882.002361/200660, cujos valores transcrevemse na seqüência, com a inclusão da coluna ‘MULTA COMPLEMENTAR', contendo os valores ora lançados. [demonstrativo por períodos de apuração da exigência de PIS e Cofins e da multa de oficio exigida, excluída e mantida, e a incidência da multa complementar de 75% sobre os valores mantidos das autuações] Cabe reiterar que as multas estão sendo lançadas no CONTRIBUINTE, na condição de responsável tributário pelas infrações constatadas nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2003 na empresa BASE LOGÍSTICA E LOCAÇÃO DE TRANSPORTES LTDA., CNPJ 04.219.027/000120, extinta por liquidação voluntária e na qual o mesmo detinha 10% de participação. A responsabilidade tributária no caso em tela, lançada proporcionalmente a participação social do autuado, encontrase prevista no art. 135, inciso III, do CTN, uma vez que o mesmo exercia a função de gerência e administração da empresa, juntamente com os sócios Marco Antônio Guilhermino e Pedro José Vergani, e as obrigações tributárias lançadas são decorrentes de atos praticados com infração a lei, caracterizados pela falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal, impedindo ao fisco o conhecimento e a apuração dos tributos efetivamente devidos e conduzindo ao arbitramento na forma do art. 530, incisos I e III, do RIR/99, bem como pela prática de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei 4502/64. A constituição do crédito tributário em nome dos sócios Marco Antônio Guilhermino e Pedro José Vergani foi formalizada inicialmente nos processos 10882.002362/200612 e 10882.002360/200615, respectivamente, sendo agora também complementada pelo lançamento das multas de 75%, através dos processos 13896.002850/200812 e 13896.002853/200856, respectivamente. [...] Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 307 7 Cientificado do lançamento complementar, por via postal, em 02/08/2008 (AR de fls. 149), o contribuinte por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumento de Mandato de fls. 166), protocolizou a impugnação de fls. 151/165, em 27/08/2008, aduzindo em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Argúi que em sua defesa, protocolizada em 11/01/2007, no âmbito do processo administrativo 10882.002361/200660, teria demonstrado a nulidade dos lançamentos originalmente formalizados, por ausência de capitulação legal e, no mérito, a impossibilidade de atribuição de responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN, tendo em conta a ausência de qualquer ato de gestão praticado pelo Impugnante, com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos. Questiona a qualificação da autoridade julgadora acerca dos "novos fatos evidenciados" nos documentos juntados à impugnação, afirmando que "nenhum dos documentos juntados era desconhecido pela Fiscalização, visto que sempre estiveram a disposição para a análise dos fiscais". Aduz que o auto de infração para a exigência complementar da multa qualificada seria eivado de nulidade, em face da ilegitimidade do Impugnante para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, e da impossibilidade de qualificação da multa de oficio sem a prova das condutas descritas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Contesta a imputação de responsabilidade solidária ao Impugnante, na medida em que a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, ficaria condicionada à prova de atuação com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos, sendo portanto, decorrente de uma relação jurídica sancionatória (obrigação de pagar tributo em decorrência da prática de ato ilícito). Segundo a defesa, não teria sido regularmente comprovado que as infrações apuradas teriam sido provocadas por atuação dos exsócios com excessos de poderes, infração de Lei, contrato social ou estatutos. E continua: "A simples condição de sócio não implica responsabilidade tributária, menos ainda por solidariedade. Nos exatos termos determinados pela legislação de regência, são atributos da solidariedade a pluralidade subjetiva de credores ou devedores, bem como a unidade objetiva, ou seja, cada devedor responde pela totalidade da prestação, e cada credor tem direito à totalidade do crédito. Afeição societária da empresa que atua sob o regime de cotas de responsabilidade limitada, como diz a própria designação, restringe, nos termos da Lei, o alcance do eventual credor ao patrimônio do eventual devedor. Logo, tal alcance poderá ocorrer se, e somente se, restar exaurida a comprovação de prática de atos que denotem ilícitos, e não com base em presunção de culpa". Assevera que, nem a doutrina, nem a jurisprudência, admitiriam a responsabilidade objetiva, para não se comprometer a autonomia da pessoa jurídica: não se admite que os sócios respondam pela mera inadimplência da pessoa jurídica. Colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes, para ressaltar a necessidade da prova da prática de atos com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos, para que se configure a responsabilidade tributária dos administradores, prevista no art. 135, III, do CTN. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 308 8 Diz que no curso do processo, nada teria sido suscitado de modo a justificar a inclusão do Impugnante no pólo passivo, não tendo sido sequer apresentado mero indicio da prática de ato doloso ou fraudulento. E ressalta: "(..) 0 que é pior: a própria fiscalização afirma explicitamente no Termo de Verificação Fiscal que 'a extinção da empresa por encerramento de liquidação voluntária, segundo entendimento da SRF, implica automaticamente a fiscalização da empresa em nome dos sócios' Ou seja, a D. Fiscalização afirma expressamente que a simples extinção da pessoa jurídica, mesmo que de modo regular, ressaltese, serviria de fundamento para a responsabilização pessoal dos sócios". Afirma que a responsabilidade tributária e, conseqüentemente, a sujeição passiva tributária, elementos que integram a regra matriz de incidência, somente poderiam ser estabelecidos por Lei e não por interpretação da Administração Tributária. Requer seja afastada a responsabilidade pessoal atribuida ao sócio Impugnante. Quanto à aplicação da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, defende que a sanção deve ser limitada pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, sob pena de caracterização de confisco. In casu, questiona uma sanção do porte de um milhão e meio de reais. Contesta a constitucionalidade da incidência. Segundo a defesa, seria leviana a imputação de sonegação ao exsócio da pessoa jurídica, na medida em que a base do presente lançamento complementar seria os documentos apresentados pelo próprio contribuinte, nos autos do processo 10882.002362/200612. Afastada assim a caracterização da conduta tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. Em suas palavras: "Logicamente, se o Impugnante apresentou, perante o Órgão competente da Receita Federal, toda a documentação de que dispunha para a análise da legalidade em que operava a empresa de que foi sócio, é porque jamais pretendeu `impedir' ou ‘retardar' o conhecimento da autoridade tributária a respeito da ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias — isto devido a razão primordial de que ele, Impugnante, não é sujeito passivo daquelas obrigações". Diz que toda a documentação juntada nos autos do processo n° 10882.002360/200615 era do conhecimento da fiscalização, e as planilhas encerrariam simplesmente os cálculos, com exclusões legalmente permitidas, pelos quais a pessoa jurídica teria apurado as contribuições devidas. "A apresentação de tais documentos, imprecisos que sejam, só demonstra, com maior clareza de sentido, a boafé do Impugnante. Nenhum indicio sequer aponta para qualquer ato ilícito praticado pela empresa contribuinte e, menos ainda, pelo Impugnante, ex sócio". Invoca a presunção de boafé e inocência dos contribuintes no julgamento dos processos em que a fiscalização impõe multas qualificadas. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 309 9 Protesta contra a exigência porque: não haveria prova nos autos da conduta fraudulenta; não caracteriza fraude "exclusões de base de cálculo não justificadas" e nem o descumprimento de intimações para juntada de documentos ou a prestação de esclarecimentos. Requer o cancelamento do lançamento complementar e protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos para reforçar todas as alegações da defesa. A 2ª Turma da DRJ em CAMPINAS/SP analisou a impugnação apresentada pelo sujeito passivo e, por via do Acórdão nº 0524.995, de 03/03/2009 (fls. 208/238), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2003 Decadência. Pronunciamento de Oficio. Por força do principio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de oficio, independentemente de pedido do interessado. Decadência. Multa de Oficio Qualificada. Sonegação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Devem ser canceladas de oficio as exigências constituídas após o término do prazo decadencial. Responsabilidade de Terceiros. Administradores. Conforme confirmado nos atos constitutivos da pessoa jurídica, o autuado não era apenas sócio da empresa, mas teria exercido a função de gerência e administração juntamente com os outros sócios, em todo o período de funcionamento da sociedade, sendo perfeitamente imputável a responsabilidade pessoal do art. 135, III, do CTN. Responsabilidade de Terceiros. Administradores. Excesso de Poderes, Infração de Lei ou Contrato Social. Sonegação fiscal é atuação com excesso de poderes, é infração de Lei e é infração ao contrato social, porque a grave ilicitude da conduta não deve ser tolerada em qualquer dos universos normativos que prescrevem os limites de atuação dos administradores. Responsabilidade de Terceiros. Administradores. Dolo. Não se admite que os administradores do empreendimento desconheçam a sonegação de noventa por cento do PIS e da Cofins devidos, nas informações prestadas à Secretaria da Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 310 10 Receita Federal do Brasil RFB acerca das bases de cálculo (DIPJ), nas declarações constitutivas de crédito tributário (DCTF), e nos pagamentos (DARF), no mínimo, durante os dois anos, objeto de autuação. Sonegação. Caracterização. As exclusões injustificadas de noventa por cento das bases de cálculo do PIS e da Cofins devidos mensalmente, em dois anos consecutivos, que redundaram num recolhimento de apenas dez por cento dos tributos devidos, e na ocultação dolosa das verdadeiras bases de cálculo, caracterizam sonegação. Constitucionalidade de Lei. Competência do órgão Administrativo de Julgamento. 0 julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuida ao Poder Judiciário Ciente da decisão de primeira instância em 27/07/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 233, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 13/08/2009 conforme carimbo de recepção à folha 234. No recurso interposto (fls. 234/248), o interessado repisa, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação, os quais podem ser bem resumidos nas próprias palavras do recorrente, à fl. 248: O acórdão ora combatido, enfim, viola preceitos legais e constitucionais dos mais relevantes, valendo destacar: i. viola o art. 135 do Código Tributário Nacional, ao manter a responsabilização pessoal do exsócio da empresa fiscalizada, perpetrada no Auto de Infração de Multa Complementar, sem demonstrar, faticamente, a suposta ação dolosa, fraudulenta ou com excesso de poderes; ii. afronta a letra do art. 150, IV, da Constituição Federal, já que estipula cobrança com verdadeiro caráter confiscatório, atentando, por conseguinte, contra os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, na parte que lhe foi desfavorável. A Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado, nos seguintes termos (fl. 209): Deste ato, tendo em conta a conexão fática e probatória do presente (art. 9°, §1° do Decreto n° 70.235/72) com os processos n° 13896.002850/200812 e 13896.002853/200856, relacionados aos lançamentos complementares efetuados em nome dos outros dois administradores da mesma empresa, RECORRESE DE OFÍCIO à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 311 11 conformidade com o art. 34, inciso I, e art. 37 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, c/c art. 1° da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008 (DOU 07/01/2008). Diante dos fatos aqui expostos e, ainda, em atendimento ao pedido dos interessados, foi proferida por este colegiado a Resolução nº 130200.183, de 03/07/2012 (às fls. 2494/2503 da sequência do sistema eprocesso nos autos do processo administrativo nº 10882.002361/200660). A Resolução determinou que os seis processos administrativos aqui mencionados fossem reunidos e distribuídos a este conselheiro, para julgamento conjunto. Por amor à clareza, são eles: · Interessado Marco Antônio Guilhermino: 10882.002362/200612 13896.002850/200812 · Interessado Pedro José Vergani: 10882.002360/200615 13896.002853/200856 · Interessado Paulo Cesar Al Behy André: 10882.002361/200660 13896.002851/200867. Cumprida a determinação, os processos agora retornam para julgamento conjunto. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a multa (não há, aqui, exigência de tributo) afastados em primeira instância (demonstrativo às fls. 221/221v), verifico que totalizam exatos R$ 142.781,75, montante inferior ao limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Esclareço que, desde que o Fisco dividiu a matéria tributável proporcionalmente à participação de cada sócio na pessoa jurídica extinta e assim efetuou os lançamentos, cada uma das pessoas físicas deve ser considerada individualmente como sujeito passivo das obrigações tributárias que lhe foram imputadas, e o limite para o recurso de ofício deve, da mesma forma, ser considerado de forma individualizada. Ainda que se trate dos Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 312 12 mesmos fatos e da mesma empresa extinta, considero descabido que se pudesse pretender somar os valores afastados em primeira instância neste processo àqueles afastados nos processos nº 13896.002850/200812 (Marco Antônio Guilhermino) e nº 13896.002853/2008 56 (Pedro José Vergani), para fins de aferição do limite. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, por ter sido o sujeito passivo exonerado, em primeira instância, de encargos de multa em valor inferior ao limite estabelecido pela legislação aplicável. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. De pronto, dois aspectos devem ser ressaltados. O primeiro é que o julgamento administrativo do presente recurso é indissociável dos fatos descritos no processo administrativo nº 10882.002361/200660, cujo interessado é o mesmo Sr. Paulo Cesar Al Behy André, e da decisão proferida naqueles autos nesta mesma sessão de julgamento. O segundo aspecto é a delimitação do escopo do recurso voluntário. O crédito tributário constituído mediante os lançamentos aqui discutidos diz respeito ao agravamento da exigência inicial sobre as contribuições ao PIS e à Cofins dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2003, mediante duplicação das multas de 75% aplicadas no auto de infração do processo administrativo 10882.002361/200660, resultando em multa total de 150% sobre os valores principais daquele processo. Em assim sendo, somente serão aqui discutidos os argumentos atinentes à sujeição passiva e à qualificação da multa de ofício. Passo a me manifestar sobre a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído mediante os presentes lançamentos, imputada ao sócio da pessoa jurídica extinta, com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. O motivo pelo qual foi imputada a responsabilidade tributária ao sócio, consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 267 da sequência do sistema eprocesso, grifo não consta do original): A responsabilidade tributaria no caso em tela, lançada proporcionalmente a participação social do autuado, encontrase prevista no art. 135, inciso III, do CTN, uma vez que o mesmo exercia a função de gerência e administração da empresa, juntamente com os sócios MARCO ANTÔNIO GUILHERMINO e PEDRO JOSÉ VERGANI, e as obrigações tributárias lançadas são decorrentes de atos praticados com infração à lei, caracterizados pela falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal, impedindo ao fisco o conhecimento e a apuração dos tributos efetivamente devidos e conduzindo ao arbitramento na forma do art. 530, incisos I e Ill, do RIR199, bem como pela pratica de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei 4502/64. Foram, assim, dois os fundamentos adotados pelo Fisco para a imputação de responsabilidade ao sóciogerente: a não apresentação da escrituração contábil e fiscal (infração à lei) e a prática de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. A base legal foi o art. 135, inciso III, do CTN, verbis: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 313 13 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A questão deve ser analisada com cuidado no que respeita ao primeiro fundamento, a saber, a não apresentação da escrituração contábil e fiscal, especialmente na situação sob exame, em que, no momento em que se iniciou a fiscalização, a pessoa jurídica já havia sido extinta por liquidação voluntária. O acórdão nº 0520.875, proferido pela DRJ Campinas nos autos do processo nº 10882.002361/200660 (fls. 2239/2258v daquele processo), nos itens 9.1 a 9.28, efetua extensa análise da legislação aplicável. Destaco, por especialmente relevantes, os seguintes pontos: A guarda dos livros e documentos da escrituração contábil e fiscal é dever legal2. Após a dissolução da pessoa jurídica, esse dever é atribuído à pessoa ou às pessoas nominalmente especificadas no distrato social (art. 53, inciso X, do Decreto nº 1.800, de 30/01/1996) 3. 2 Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). 3 Decreto n° 1.800, de 30 de janeiro de 1996 Regulamenta a Lei n° 8.934, de 18 de novembro de 1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências. Art. 53. Não podem ser arquivados: [...] X o distrato social sem a declaração da importância repartida entre os sócios, a referencia à pessoa ou às pessoas que assumirem o ativo e passivo da sociedade mercantil, supervenientes ou não a liquidação, a guarda dos livros e os motivos da dissolução, se não for por mútuo consenso. [...] Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 314 14 Esse dever legal tem por fundamento permitir ao Fisco aferir a regularidade do cumprimento da legislação tributária por parte da pessoa jurídica, no período que antecedeu sua extinção, visto que o Fisco não é chamado a opinar quanto à regularidade desse processo de extinção. Ademais, permite dar efetividade ao prazo de cinco anos para que a Fazenda Pública se pronuncie e promova o lançamento tributário de eventual diferença não recolhida. O descumprimento desse dever legal de guarda é ato contrário à lei. E não se trata tão somente de descumprimento da lei tributária, mas da lei civil, que regula os atos de constituição e extinção de sociedades, especificando as formalidades e garantias que lhes são inerentes e indispensáveis. Ademais, o descumprimento do dever de guarda é ato praticado com infração de contrato social. Observese que o Distrato Societário firmado entre os sócios e arquivado na repartição competente nada mais é do que um contrato societário, que recebe nome especial, por se tratar de ato que tem por objetivo específico a dissolução da sociedade. Mas é contrato firmado entre as partes e que produz efeitos perante terceiros, especialmente, no que interessa à presente análise, perante a Fazenda Pública, ao indicar o responsável pela guarda dos livros e documentos. Vejamos o que dispõe, no Distrato Social, a cláusula terceira: Terceira A guarda e responsabilidade dos livros e documentos fiscais ficará a cargo do sócio MARCO ANTONIO GUILHERMINO, já qualificado, residente e domiciliado na Alameda Franca, n.° 744, bairro Alphaville, no Município de Santana do Parnaíba, Estado de São Paulo. De seu descumprimento resultam diretamente as obrigações tributárias de que cuida o presente processo, visto que, na impossibilidade de exame dos livros e documentos, a lei impõe o arbitramento dos lucros. Ou, na frase lapidar empregada pela decisão mencionada, “a omissão no dever de guarda de tais documentos, após a extinção da pessoa jurídica, é ato ilícito do qual decorrem alterações na determinação da base de cálculo dos tributos devidos, atribuindose novos contornos à relação jurídicotributária”. E, muito embora o arbitramento somente se refira ao IRPJ e à CSLL, o mesmo se pode concluir no que respeita às exigências de PIS e COFINS, nas quais o lançamento foi feito, originalmente, diante da impossibilidade de exame da regularidade das vultosas “exclusões” feitas nas bases dessas contribuições. De se observar, finalmente, que a lei não exige que a conduta seja dolosa, como quer fazer crer o recorrente, muito embora, no mais das vezes, essa seja a situação de fato. Aqui, no entanto, com a devida vênia, devo divergir da conclusão a que chegou a ilustre julgadora em primeira instância na decisão referida. A decisão a quo concluiu que o descumprimento do dever de guarda dos livros e documentos serviria como fundamento para a imputação de responsabilidade aos três sóciosgerentes. Noutro sentido, entendo que, após a dissolução da pessoa jurídica, o cumprimento desse dever somente pode ser exigido daquela pessoa que formalmente assumiu esse encargo diante de seus sócios e diante do Poder Público. No caso sob exame, o Sr. Marco Antônio Guilhermino. A partir daquele momento, cessadas as atividades e extinta a pessoa jurídica, dos demais sócios (Sr. Paulo César Al Behy André, interessado no presente processo, e Sr. Pedro José Vergani) não se pode exigir que apresentem livros e documentos que não mais estão sob sua guarda. Diante disso, concluo que a não apresentação de livros e documentos que não mais estavam sob sua guarda, após a extinção da pessoa jurídica, não pode ser invocada como Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 315 15 ato com infração à lei e ao contrato social, capaz de fundamentar a atribuição de responsabilidade tributária ao sócio Sr. Paulo César Al Behy André. Como segundo fundamento para a imputação da responsabilidade tributária, passo a apreciar os fatos descritos no relatório que antecede a este voto, relacionados aos demonstrativos de apuração da contribuição para o PIS e da COFINS, elaborados pelo sujeito passivo, não apresentados por ocasião do procedimento de fiscalização, mas juntados em meio à vasta documentação apresentada com a impugnação aos lançamentos nos autos do processo nº 10882.002361/200660. Não pode ser aceita a alegação de que os documentos já seriam de conhecimento da fiscalização desde o procedimento inicial. A uma, porque a não apresentação dos livros e documentos naquela fase ficou documentada nos autos do processo nº 10882.002361/200660, com intimação e reintimação e respectivas respostas. A duas, porque, ainda que assim fosse, o que se admite apenas por hipótese, isso não seria capaz de afastar a conduta comprovada nos demonstrativos. O minucioso exame dos demonstrativos, empreendido pela Turma Julgadora em primeira instância no processo nº 10882.002361/200660, em todos os meses dos anos calendário 2002 e 2003, revelou o procedimento sistemático e intencional de pagar meros e exatos 10% (dez por cento) do valor das contribuições apuradas. Demonstrouse que os valores assim reduzidos correspondiam com exatidão aos DARFs pagos, e que, para que houvesse coincidência de valores com as fichas da DIPJ, o expediente era de informar as vultosas e já mencionadas “exclusões” das bases de cálculo. As exclusões se revelam, assim, artifício empregado para ocultar dolosamente da Autoridade Tributária os montantes efetivamente devidos das contribuições. Revelase, ao mesmo tempo, a falsidade das declarações e informações prestadas à Administração Tributária mediante as DCTFs e DIPJs apresentadas. Tal conduta, praticada por ocasião (ou logo após) a ocorrência dos fatos geradores tributários de PIS e de COFINS, e antes da extinção da pessoa jurídica, por certo deve ser imputada àqueles que detinham e exerciam poderes de administração na sociedade, ou seja, os três sóciosgerentes, Sr. Marco Antônio Guilhermino, Sr. Paulo César Al Behy André (interessado no presente processo) e Sr. Pedro José Vergani. Fica aqui evidenciada a prática de atos com infração de lei, nitidamente dolosos, dos quais decorrem as exigências de PIS e COFINS. Por este fundamento, portanto, considero correta a atribuição da responsabilidade tributária ao Sr. Paulo César Al Behy André, para as exigências de PIS e COFINS aqui discutidas. Superada a questão da responsabilidade, cabe examinar os argumentos contrários à qualificação da multa de ofício. Tais argumentos devem ser divididos, para melhor análise. Quanto à correção do procedimento fiscal ao aplicar a multa no percentual de 150%, resta pouco a acrescentar ao exposto. Tenho que a sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/1964) restou perfeitamente caracterizada, a ocultação dolosa do montante efetiva e sabidamente devido, de tal forma a pagar meros e exatos 10% (dez por cento) dos valores apurados pelo próprio sujeito passivo. Por um lado, os demonstrativos que surgiram somente com a impugnação nos autos do processo nº 10882.002361/200660, com as anotações e cálculos de 10% do valor devido, o que coincide com os DARFs pagos. Por outro, as informações falsas prestadas na DCTF e na DIPJ, de tal forma a fazer parecer a regularidade fiscal, tudo ao longo de, no mínimo, dois anos. O intuito de fraudar o Fisco é evidente, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 316 16 descabendo cogitar de mero equívoco ou de erro escusável. Correta, assim, a qualificação da multa, sendo lançada nos presentes autos a complementação do percentual já anteriormente lançado no processo nº 10882.002361/200660. O recorrente alega, também, que a multa qualificada de 150% teria efeito confiscatório, afrontando assim o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pelo recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a súmula nº 2 deste CARF, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conclusão, voto por não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso divergir do seu voto no julgamento do recurso voluntário em tela, pelas razões a seguir aduzidas. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 317 17 De plano, entendo que os autos de infração em tela devem ser cancelados, tendo em vista que, em julgamento proferido por este Colegiado nesta mesma assentada, foram cancelados os lançamentos dos créditos de Cofins e do PIS sobre os quais incidira a fração de multa de ofício ora em julgamento, lançada para atender a mudança de critério jurídico introduzida pela DRJ no Acórdão nº 0520.875, de 16/01/2008,, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Todavia, apenas para registro, transcrevo o meu voto vencedor nos autos do PAF nº 10882.002361/200660, no qual, ali mesmo, já aduzia razões pelas quais os autos de infração ora em julgamento deviam ser cancelados: “Com a devida vênia do ilustre Relator, pelas razões a seguir aduzidas, acompanho o seu voto relativo aos lançamentos do IRPJ e CSLL apenas pelas conclusões, pois divirjo dos fundamentos adotados, por sua vez, ouso divergir integralmente (fundamentos e conclusões) do seu voto com relação aos lançamentos de COFINS e PIS. Inicialmente, saliento que há um equívoco grave no trabalho da Fiscalização, pois, se, no entender dela, os sócios eram responsáveis tributários com base no art. 135, III, do CTN, eles deveriam responder solidariamente por todo o crédito tributário devido pela extinta Base Logística e Locação de Transporte Ltda., sendo totalmente desprovido de fundamento legal o rateio da base de cálculo feito à razão da participação de cada sócio no capital social da sociedade extinta e, consequentemente, o desdobramento disso em três diferentes autos de infração. Por sua vez, isso só causará prejuízo ao Fisco, caso mantidos os lançamentos, já que os sócios só responderão, individualmente, por parcelas do crédito tributário, quando, na verdade, eles deveriam ser solidários por todo o crédito tributário apurado. No mérito, antes de se verificar a procedência do arbitramento do lucro, há que se analisar a sujeição passiva indireta do sócio, pois, caso afastada a responsabilidade tributária do recorrente, fica prejudica a análise das razões do arbitramento. A primeira questão posta ao exame deste Colegiado reside em saber se a não apresentação da escrituração fiscal seria conduta enquadrável no inciso III do art. 135 do CTN, a justificar a responsabilização do sócio. Inicialmente, alerto que o art. 135, III, do CTN exige mais do que o simples descumprimento da lei ou do contrato social, para responsabilizar o sócio, ou seja, há que restar demonstrado que agiu com dolo ou culpa, se não vejamos o seguinte excerto da ementa do AgRg no REsp 1340390 / MG, in verbis: “4. A responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, único dispositivo prequestionado na origem, não é objetiva, mas depende comprovação de dolo ou culpa por uma das pessoas indicadas nos seus incisos.” De antemão, já verifico o equívoco da Fiscalização ao tentar responsabilizar objetivamente a recorrente que não tinham mais o dever de guarda da escrituração no momento do lançamento. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 318 18 Peço vênia para transcrever o excerto do TVF (doc. a fls. 183) já citado pelo Relator, in verbis: Conforme destacado acima, os três sócios exerciam a função de gerência e administração da empresa. A não apresentação da escrituração comercial e fiscal constitui por si só infração à lei. A falta de recolhimento de tributos, materializada pela própria constituição de créditos tributários também constitui infração legal. Dessa forma, os sócios são pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias da empresa. Assim, os créditos tributários são constituídos com base no art. 135 inciso III do CTN e art. 530 Inc. I e III e 532 do RIR199. Notese que, durante o período de atividade da pessoa jurídica, todos os sócios tinham o dever de guarda da escrituração contábil, já que todos tinham poderes de gerente. Ora, diante disso, indago se, caso a Fiscalização tivesse ocorrido ainda quando a sociedade estava ativa, o arbitramento do lucro por falta de apresentação da escrituração contábil implicaria na responsabilização tributária de todos os sócios com base no art. 135, III, do CTN? A resposta é, irrefragavelmente, não. A conseqüência da falta de apresentação da escrituração contábil é apenas o arbitramento do lucro, mas nunca, por si só, a responsabilização pessoal dos sócios, como sustentou o trecho do TVF acima indicado. Ademais, a expressão “por si só” colocada no referido trecho denota o equívoco exegético da Fiscalização, pois não estamos diante de uma responsabilidade objetiva, já que, para o enquadramento no art. 135, III, do CTN, exigese que esteja demonstrado o dolo ou a culpa. Em outras palavras, a Fiscalização não sustentou que a recorrente tenha intencionalmente se recusado a apresentar, ou que tenha voluntariamente destruído a escrituração, ou mesmo, que tenha agido com negligência na guarda da escrituração contábil, mas, segundo afirma, “A não apresentação da escrituração comercial e fiscal constitui por si só infração à lei”, ou seja, equivocase ao sustentar a responsabilização objetiva do sócio na espécie. Vale, ainda, comentar outro trecho da decisão recorrida pinçado pelo ilustre Relator, para sustentar a sua decisão, qual seja: “a omissão no dever de guarda de tais documentos, após a extinção da pessoa jurídica, é ato ilícito do qual decorrem alterações na determinação da base de cálculo dos tributos devidos, atribuindose novos contornos à relação jurídico tributária”. Ora, com a devida vênia do Relator, entendo equivocado tal entendimento do julgador de primeira instância, pois é desprovido de base legal. A omissão no dever de guarda da escrituração contábil, após a extinção da pessoa jurídica, não se torna automaticamente um ato ilícito, pois não há norma que diga isso. Notese que, para fins tributários, o dever de guarda está assim posto: “Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram” (art. 195, par. único, CTN); ou “Os comprovantes da escrituração da pessoa Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 319 19 jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios” (art. 37 da Lei 9430/96). Por sua vez, se esse dever não é cumprido, não se pode, de plano, concluir que isso decorreu de pratica de ato ilícitos dos sócios. Tanto é assim, que, no plano tributário federal, o descumprimento de tal dever não implica em uma sanção, mas apenas no arbitramento do lucro, sendo que, eventual multa de ofício só será aplicado se o tributo apurado sobre essa base restar superior aquele anteriormente apurado pelo contribuinte. A partir, ainda, da análise deste trecho da decisão recorrida, volto a ponto já enfrentado, para reforçar a minha conclusão. Se a Fiscalização não sustentou nem muito menos demonstrou qualquer conduta dolosa dos sócios (tanto que aplicou multa de 75%), concluise, então, que, para ela, das duas uma: ou o art. 135, III, do CTN responsabiliza objetivamente o sócio gerente ou então, ela entende que se pode deduzir a culpa da recorrente pelo simples fato de não ter sido apresentado a escrituração. Já vimos ser um equívoco exegético responsabilizar objetivamente o sócio com base no art. 135 do CTN, por sua vez, parece insustentável uma omissão culposa no dever de guarda de documentos. Em verdade, a hipótese de aplicação do art. 135, III, do CTN por infração culposa à lei ou ao contrato social, de que trata a jurisprudência retro citada, deve decorrer de conduta comissiva do sócio gerente, não de omissão. Assim sendo, reforço mais as minhas conclusões anteriores, pois sustento que, no presente caso, só poderia ser aplicado o art. 135, III, do CTN se restasse demonstrada a omissão dolosa do recorrente na guarda da escrituração contábil. Por sua vez, o evento extinção da pessoa jurídica não tem o condão de alterar a resposta acima, pois o dispositivo que trata da responsabilização de sócio por tributo devido por sociedade extinta é o art. 5º do DecretoLei nº 1.598/77, o qual assim dispõe: “Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: [...] V os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. § 1º Respondem solidariamente pelos tributos da pessoa jurídica: c) os sócios com poderes de administração da pessoa extinta, no caso do item V.” Notase, assim, que, a situação fática ora sub examine também não se enquadra nesse dispositivo, pois, não resta demonstrado nos autos que os sócios deixaram de proceder à liquidação da sociedade ou de apresentar a declaração de rendimentos. O outro fundamento adotado pelo Fisco para a imputação de responsabilidade aos sócios, com base no art. 135, III, do CTN, qual seja, a falta de recolhimento de tributos, ofende frontalmente a Súmula nº 430 do Superior Tribunal de Justiça, in verbis: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 320 20 “O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente.”. Por essas razões, afasto a responsabilidade tributária do recorrente com relação aos créditos tributários de IRPJ e de CSLL. No que tange ao lançamento da contribuição para o PIS e da COFINS, a decisão recorrida modifica o critério jurídico do lançamento, para sustentar conduta dolosa dos sócios, tudo isso com base em uma planilha, por ela elaborada a partir de documentos apresentados pela recorrente junto com a impugnação (vide planilha a fls. 2.551 e segs). Todavia, a decisão recorrida não somente mantém o lançamento, como já representa à Fiscalização (vide parágrafo 8.41 do acórdão recorrido), para que efetue o que denomina de “agravamento da exigência”, se não vejamos o seguinte excerto: “8.41. Por tais razões, esta Relatora representa à autoridade lançadora (Delegacia da Receita Federal em Osasco), em razão do que dispõe o art. 9º, § 3º do Decreto n° 70.235/72, c/c seu art. 15, parágrafo único, para que avalie a possibilidade de agravamento da exigência,em razão dos novos fatos evidenciados nos documentos juntados à impugnação.” Primeiramente, verifico um vício formal na decisão, pois nenhum dos artigos citados autorizam que representações à Fiscalização sejam feitas no próprio acórdão que julga o lançamento, se não vejamos o teor dos arts. 9º, § 3º, e 15 do referido decreto: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Na verdade, o dispositivo que deve ser analisado no presente caso é o § 3º do art. 18 do Decreto 70235/72, o qual assim dispõe: “§ 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” Ora, como já dito, ao alterar o critério jurídico do lançamento, por sustentar que a conduta dos sócios seria dolosa, a DRJ alterou o fundamento da responsabilidade tributária imputada aos sócios – já que a Fiscalização não sustentou dolo inicialmente. Logo, toda a matéria deveria ser objeto de novo auto de infração, devolvendose o prazo para que o contribuinte impugnasse Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 321 21 o novo critério jurídico. Não obstante, a DRJ preferiu representar à DRF para que fizesse lançamento complementar apenas de fração complementar da multa de ofício, razão pela qual a contribuinte só pôde apresentar impugnação de parte do agravamento. Digase de passagem que o lançamento de fração complementar da multa de ofício sequer encontrava respaldo em lei, pois a formalização de multa isolada em auto de infração só estava prevista nas hipóteses dos incisos II a V do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, se não vejamos a redação vigente à época: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. [...]” Como se vê, não havia previsão legal para formalização de auto de infração para lançamento isolado de fração de multa de ofício, para atender a novo critério jurídico sustentado em decisão de primeira instância. Não obstante esse não era o problema mais grave. Em verdade, a decisão de primeira instância se constituiu em verdadeiro reformatio in pejus, pois, com base na impugnação da contribuinte e nos documentos por ela coligidos aos autos, a autoridade julgadora de primeira instância agravou a sua situação, não somente com a representação para que a Fiscalização qualificasse a multa, mas, principalmente, pela qualificação da conduta da recorrente como dolosa, o que passaria a justificar o enquadramento no art. 135, III, do CTN. Além disso, houve supressão de instância, pois a contribuinte não pode se defender, em sede de impugnação, do novo critério jurídico sustentado pela decisão de primeira instância, pelo menos, não na parte que alterava o fundamento da responsabilidade tributária da recorrente. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 322 22 Não é essa a melhor exegese do § 3º retro transcrito, pois, nem mesmo à época em que a autoridade julgadora de primeira instância era a própria autoridade lançadora, entendia a doutrina que poderia haver mudança de critério jurídico do lançamento em decisão de primeiro grau administrativo, se não vejamos como se pronunciava Antônio Cabral da Silva (in Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, p. 258): “É claro que o julgador singular não está autorizado a mudar o critério jurídico do lançamento, ou seja, ao julgador compete dizer se aquela obrigação mencionada no lançamento contestado existe (an debeatur) e em que montante (quantum debeatur). Não outra obrigação, que o julgador apure, em razão da mudança de critério jurídico. No Conselho de Contribuintes, no entanto, não pode haver reformatio in pejus, em qualquer sentido que se queira dar à expressão, pois o colegiado não é autoridade lançadora.”. Na mesma linha, sustento que, ao julgador, compete dizer se a responsabilidade tributária existe em face do critério jurídico adotado pela Fiscalização, não em razão de outro critério jurídico. Da mesma forma, a DRJ não é autoridade lançadora, logo, nas sua decisões não pode haver reformatio in pejus. Nessa mesma linha, sustenta Marcos Neder e Maria Lopez (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 3ª edição, p. 319, in verbis: “Agravar significa tornar pior, mais grave, mais pesado, exacerbar. Luiz Henrique Barros de Arruda escreve, com muita propriedade, que ‘O termo agravar, na acepção do Decreto nº 70235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, nos temos do art. 18, parágrafo terceiro’. Só quem pode constituir o crédito tributário por meio do lançamento é quem possui a competência para, em exames posteriores, realizados no curso do processo, verificadas as incorreções, omissões ou inexatidões, proceder ao agravamento da exigência fiscal.” Registro que o art. 146 do CTN não era obstáculo para que os referidos lançamentos da COFINS e do PIS com multa qualificada fossem feitos dentro do prazo decadencial, caso tivessem sido cancelados os lançamentos em tela pela DRJ. Isso porque, o art. 146 do CTN só veda o lançamento de fatos geradores anteriores à decisão que modifica o critério jurídico, em casos nos quais o critério jurídico alterado era amplamente adotado pela administração. No caso em tela, o que houve efetivamente foi uma requalificação da conduta da recorrente a partir de levantamentos feitos pela instância julgadora, o que importou em alteração do critério jurídico tanto da multa de ofício como da sujeição passiva, logo, situação fática diferente daquela regida pelo art. 146 do CTN. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002851/200867 Acórdão n.º 1302001.215 S1C3T2 Fl. 323 23 Assim, concluo que a qualificação da multa para 150%, objeto da representação da DRJ à DRF, é demonstração clara de mudança de critério jurídico, o que, no presente caso, não atinge apenas a multa, mas modifica o próprio fundamento de responsabilização da recorrente, pois, caso a prova produzida pela DRJ fosse suficiente para demonstrar o dolo no recolhimento das contribuições em tela, poderseia, então, sustentar o enquadramento no art. 135, III, do CTN. Destarte, limito o meu juízo de valor sobre a responsabilidade tributária da recorrente pelos créditos de COFINS e PIS lançados aos fundamentos expendidos pela Fiscalização nos autos de infração e no TVF, razão pela qual, tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamento da Cofins e do PIS.” Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto S. Jr. – Redator designado. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 12045.000295/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/03/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 11/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/03/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 02 95 /2 00 7- 61 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MUNICÍPIO DE ARAÇÁS PREFEITURA MUNICIPAL, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.158.7470, em 11/10/2005 (AR fl. 220), exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração os segurados empregados (servidores), em relação ao período de 01/1995 a 03/2005, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 212/216, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da então Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador/BA, DN n° 04.401.4/0543/2005, às fls. 244/250, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 6a Câmara, em 08/10/2008, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 20601.403, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/03/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 12045.000295/200761 Acórdão n.º 9202002.984 CSRFT2 Fl. 332 3 pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CUSTEIO – ÓRGÃO PÚBLICO REGIME PRÓPRIO. Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 301/306, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Acrescenta que para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos, não havendo que se falar em recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de maneira que qualquer pagamento realizado possa interferir na hipótese dos autos. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho nº 2400226/2009, às fls. 307/308. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 324, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese diferença de contribuições previdenciárias referentes à parte dos segurados, da empresa e do SAT, incidentes sobre a remuneração os segurados empregados (servidores) do Município. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, acolhendo a decadência de parte do crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, razão do insurgimento da Procuradoria da Fazenda Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. A fazer prevalecer sua pretensão, defende que para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos, não havendo que se falar em recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de maneira que qualquer pagamento realizado possa interferir na hipótese dos autos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 12045.000295/200761 Acórdão n.º 9202002.984 CSRFT2 Fl. 333 5 Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 12045.000295/200761 Acórdão n.º 9202002.984 CSRFT2 Fl. 334 7 por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 12045.000295/200761 Acórdão n.º 9202002.984 CSRFT2 Fl. 335 9 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de diferença de contribuições apuradas nos levantamentos elencados nos autos, consoante restou assentado pela própria fiscalização nos itens 3 e 6.2 do Relatório Fiscal, fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, senão vejamos: “ 3. A Prefeitura Municipal de Araçás não efetuou o recolhimento integral de todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos seus servidores, no período descontínuo de janeiro/1995 a março/2005. Os valores recolhidos pelo Órgão supracitado que foram consultados pelo Sistema Plennus foram abatidos do presente débito, conforme podese denotar nos seguintes relatórios: DAD — Discriminativo Analítico de Débito e RL — Relatório de Lançamentos, que fazem parte deste processo. Este lançamento tem como finalidade apurar as diferenças entre os valores devidos e os valores recolhidos pelo Órgão supramencionado. 6.2. “Discriminativo Analítico de Débito" relatório discriminativo do débito por competência: valor apurado, valor recolhido, diferença a recolhe, valor originário das contribuições devidas, acréscimos legais incidentes – juros e valor consolidado, além dos respectivos códigos de fundamentação legal; [...]” (grifamos) Da simples leitura do Relatório Fiscal, com os trechos acima transcritos, nos conduz à clara e evidente conclusão da existência de antecipação de pagamento. Aliás, aludida Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 discussão fora objeto de análise, igualmente, em sede de Embargos de Declaração, onde o Conselheiro subscritor do voto vencedor condutor do Acórdão recorrido espancou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto ao tema. Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 11/10/2005, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de RecebimentoAR, de fl. 220, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1995 a 09/2000, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.001615/2005-95
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ- OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO FICTÍCIO LATO SENSO .RESERVA NÃO OBRIGATÓRIA. A constituição de reserva não obrigatória, por si só, não autoriza a presunção de omissão de receitas a titulo de passivo fictício.
Não confirmada a reavaliação de bens na coligada ou controlada, não se sustenta a acusação de falta de adição ao lucro líquido da contrapartida do ajuste decorrente da reavaliação de bens em coligada ou controlada Recurso de oficio a que se nega provimento.
Numero da decisão: 101-95.844
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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DRJ no Rio de Janeiro - RJ. I Interessada : Farmoquimica S.A. Sessão de : 08 de novembro de 2006 Acórdão n°. : 101-95.844 IRPJ- OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO FICTÍCIO LATO SENSO .RESERVA NÃO OBRIGATÓRIA. A constituição de reserva não obrigatória, por si só, não autoriza a presunção de omissão de receitas a titulo de passivo fictício. Não confirmada a reavaliação de bens na coligada ou controlada, não se sustenta a acusação de falta de adição ao lucro líquido da contrapartida do ajuste decorrente da reavaliação de bens em coligada ou controlada Recurso de oficio a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio interposto pela 6° Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro — RJ. I ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 1 8 DEZ 2306 , Processo n° 18741.001615/2005-95 Acórdão n° 101-95.844 • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, CAIO MARCOS CÂNDIDO, VALMIR SANDRI, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 2 . . . Processo n° 18741.001615/2005-95 Acórdão n° 101-95.844 Recurso n°. : 152.159 (ex officio) Recorrente : 6° T. DRJ no Rio de Janeiro - RJ. I RELATÓRIO Contra Farmoquímica S.A. foram lavrados autos de infração do IRPJ e decorrentes (CSLL, PIS, COFINS), relativos a fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2002. A empresa é acusada de ter cometido as seguintes irregularidades: a) Omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo (PL), de obrigação incomprovada. b) Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, de contrapartida do ajuste do lucro decorrente da reavaliação de bens, pela controlada ou coligada, por valor superior ao que justificou o ágio, não contabilizado como reserva de reavaliação. A empresa apresentou impugnação tempestiva na qual contesta a acusação de omissão de receitas, afirmando que não manteve passivo fictício em suas demonstrações financeiras, tendo adotado procedimento previsto no art. 6° §1°, "a", da Instrução CVM n° 349/01, o qual, a despeito de não ser de observância obrigatória para as sociedades anônimas de capital fechado, reflete os princípios da boa técnica contábil. Quanto à acusação de ausência de adição da contrapartida do ajuste decorrente de reavaliação de participação societária, diz que a autoridade autuante se equivocou, pois não ocorreu a indigitada reavaliação. Submetido o litígio a julgamento, entendeu a Turma de julgamento ser improcedente o auto de infração. A motivação da decisão consistiu, em síntese, no seguinte: (a) Quanto à primeira infração, há ausência de tipicidade, uma vez que a presunção de omissão de receitas com base em passivo fictício (art. 281 do RI/99) ocorre em situações em que se apura a manutenção no passivo ÇÇe obrigações já 3 fr . . * . . . Processo n°18741.001615/2005-95 Acórdão n° 101-95.844 pagas ou incomprovadas e, no caso, o fato apontado como infração pela autoridade autuante foi a constituição de reserva sem amparo legal; (b) Quanto à segunda infração, por ter restado comprovado nos autos não ter ocorrido a alagada reavaliação. Foi interposto recurso de oficio. É o relatório.r ce) 4 . ., Processo n° 18741.001615/2005-95 Acórdão n° 101-95.844 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria MF 333/97, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. Conforme Termo de Constatação (fls. 679/682), a acusação de omissão de receita baseou-se no seguinte: Intimada a apresentar os lançamentos contábeis no valor de R$14.536.836,58, indicados na DIPJ do ano-calendário de 2002, na Ficha 38-A, a título de "Outras Reservas", o contribuinte prestou, em síntese, os seguintes esclarecimentos: 1. Em agosto de 2001 a Farmoquímica Holding adquiriu 80% da participação no capital da Farmoquímica S.A. por R$ 49.609.560,00 sendo R$ 2.967.808,56 correspondente ao valor do PL e R$ 46.642.256,44 a titulo de ágio. 2. Em setembro de 2001 a Holding iniciou a amortizar o ágio, à razão de 1/120 (dez anos). 3. Em julho de 2002 a Farmoquimica S A incorporou a Holding, e tributou a parcela já amortizada do ágio (10/120) 4. Nos termos do art. 386, III, do RIR/99, o ágio registrado nos livros da Holding pode ter sua amortização dedutival após a incorporação. 5. O valor real do ágio está atrelado à redução/ economia de tributos que o mesmo pode gerar com a incorporação, e nesse sentido, o ágio vale apenas 34% do seu valor registrado na contabilidade, que é o valor do imposto de renda e contribuição social reduzidos por conta da sua amortização dedutiva'. 6. Observando o princípio do conservadorismo, a Holding registrou provisão para ajustar o ágio ao valor efetivo de realização, ou seja, criou provisão no valor de 66% do respectivo montante. r_ 5 . • Processo n° 18741.001615/2005-95 Acórdão n° 101-95.844 7. O registro dessa provisão é corroborado pelos atos normativos da CVM, e em que pese as empresas envolvidas não serem de capital aberto, a observância das normas da CVM revela sua preocupação com a aplicação das melhores práticas contábeis. 8. A provisão (R$ 28.218.565,15) foi calculada pela aplicação do percentual de 66% do ágio contabilizado, e foi devidamente adicionada nas apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social. 9. Seguindo as boas práticas contábeis e as normas da CVM (art. 6°, §1°, "a", da Instrução CVM n° 319/99, alterada pela Instrução CVM n° 349/01), após a incorporação, a diferença (R$14.536.836,58) entre o valor do ágio o valor da provisão foi registrada em conta de reserva no PL da Farmoquimica S.A. A autoridade fiscal observou: (a) que a normatização da CVM não alcança as sociedades fechadas; (b) que o art. 386 do RIR199 não alcança a interessada. Afinal, considerando que não há amparo legal para a reserva e que os lançamentos contábeis informados pelo contribuinte em sua resposta à intimação não foram escriturados no Diário da Fiscalizada e, por conseqüência, não registrados no balanço patrimonial estampado às fls. 630 do Livro Diário, conclui pela existência de omissão de receitas caracterizada pela manutenção, no passivo "lato sensu", de obrigação incomprovada (14.436.836,59). O primeiro aspecto a ser considerado é que o fato de a contribuinte não estar obrigada a observar as normas da CVM não a impede de fazê-lo. Quanto à referência ao art. 386, III, do RIR/99, é pertinente a observação da autoridade fiscal, de que a norma se aplicaria se a Holding tivesse incorporado a Farmoquimica S.A., não alcançando a situação concreta em que a interessada incorporou a Holding. Não obstante, a acusação fiscal não encontra respaldo nos fatos descritos. Em momento algum o autuante esclarece como identificou a manutenção, no passivo, de obrigação incomprovada. O item 2 do auto de infração também não pode subsistir, porque os fatos apontados como irregulares (falta de adição ao lucro liquido da contrapartida do ajuste decorrente da reavaliação de bens em coligada ou controlada) não se confirmaram. Efetivamente, a autoridade fiscal acusou a interessada de ter reavaliado a participação societária na Zest Farmac utica Ltda, de 6 . . . . •. .. Processo n° 18741.001615/2005-95 Acórdão n° 101-95.844 R$14.847.144,00 para R$ 22.991.774,79, sem registrar a contrapartida como reserva de reavaliação. Não obstante, restou comprovado nos autos não ter havido reavaliação da participação, não se sustentando a acusação. Nego provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, DF, em 08 de novembro de 2006 gre SANDRA MARIA FARONI 7 Page 1 _0038900.PDF Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1
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Numero do processo: 23034.000012/2004-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2001
RELATÓRIO FISCAL DO LANÇAMENTO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o lançamento, cujo Relatório Fiscal não demonstra/explicita de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a nulidade por vício formal.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/2001 RELATÓRIO FISCAL DO LANÇAMENTO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento, cujo Relatório Fiscal não demonstra/explicita de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim.
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OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento, cujo Relatório Fiscal não demonstra/explicita de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 00 12 /2 00 4- 84 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente a Conselheira Carolina Wanderley Landim. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 23034.000012/200484 Acórdão n.º 2401003.247 S2C4T1 Fl. 272 3 Relatório Tratase de recurso endereçado ao Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, contra decisão daquela Autarquia, que julgou improcedente a defesa apresentada contra a Notificação para Recolhimento de Débito – NRD n.º 0041/2004, fl. 98, lavrada pela Gerência de Arrecadação e Cobrança do FNDE, na qual são exigidas contribuições patronais referentes ao Salário Educação. O crédito em questão diz respeito a saldo remanescente da NRD n.º 328/2002, fl. 81, cujos valores foram objeto de parcelamento, respaldado no art. 11 da MP n.º 38/2002, todavia, verificouse, nas competências 11/1998 a 06/2001, diferenças entre as contribuições apuradas no processo de débito e os valores efetivamente parcelados, divergências estas que representam o objeto do presente litígio tributário. Cientificada do lançamento em 22/01/2004, a empresa ofertou impugnação, fls. 105/106, na qual alegou que não recebeu os demonstrativos e relatórios necessários ao entendimento da exigência e que fez contatos telefônicos com a Coordenadoria Geral de Arrecadação e Cobrança do FNDE, todavia, não recebeu as informações necessárias ao exercício do seu direito de defesa. Requer a nulidade do lançamento. O órgão de primeira instância, fls. 139/140, decidiu pela improcedência da impugnação, sob a fundamentação de que os demonstrativos e relatórios necessários à compreensão do lançamento foram recebidos por preposto da empresa, conforme provas colacionadas às fls. 70/72. A empresa se manifestou às fls. 150/152 para informar que quitou o valor exigido, conforme guia de fl. 159, requerendo, assim, o arquivamento do feito. À fl. 166, consta de despacho da Divisão de Análise de Defesa do FNE para que a Procuradoria Federal averiguasse o recolhimento mencionado pelo sujeito passivo, posto que a guia apresentada conteria código relativo à área jurídica. O processo foi devolvido, fls. 169/170, com informação de que o feito estaria em fase administrativa, não cabendo a Procuradoria se pronunciar acerca da questão. A Divisão de Acompanhamento e Distribuição da Arrecadação do Salário Educação pronunciouse à fl. 191 para informar que a guia acostada pela empresa referese a 6.ª parcela do parcelamento de n.º 23034.031668/200287, portanto, não diz respeito à quitação da NRD, a qual contemplou apenas valores não parcelados. Sugerese o encaminhamento a Receita Federal do Brasil, em razão de previsão contida na Lei n.º 11.457/2007. O processo subiu ao CARF para julgamento do recurso, o qual foi convertido em diligência mediante a Resolução n. 2401000.271, de 21/02/2013, para que o sujeito passivo tomasse ciência da manifestação da Administração acerca da quitação da NRD. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O sujeito passivo manifestouse, fls. 229/235, para afirmar que o lançamento encontrase maculado pela nulidade, posto que o fisco não fez a clara descrição do fato infringente, prejudicando o seu direito de defesa. Depois pugna pelo reconhecimento da prescrição intercorrente, uma vez que a constituição do crédito se deu há quase dez anos e o processo ainda não se conclui por inércia da Administração. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 23034.000012/200484 Acórdão n.º 2401003.247 S2C4T1 Fl. 273 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Malgrado a empresa não se reporte a recurso voluntário, a sua manifestação de fls. 150/152, deve ser tratada como tal, posto que busca afastar a imposição, após a declaração de improcedência de sua defesa apresentada contra a NRD n.º 0041/2004. A competência do CARF para conhecer do litígio decorre das disposições contidas nos arts. 3.º, 4.º e 29 da Lei n.º 11.457/2007. Assim, a peça merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do lançamento Inicia o recurso pelo enfrentamento da preliminar de nulidade decorrente da falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco, a qual foi mencionada na defesa e na resposta à informação fiscal em sede de diligência. Assevera a recorrente que o fisco não se desvencilhou do ônus de provar a ocorrência do fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Do dispositivo transcrito, verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a demonstração da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Apreciando com atenção os termos lançados no corpo da NRD, fl. 101, verificase que a Coordenadora Geral de Arrecadação, de Cobrança e do SME, laconicamente se reporta a existência de irregularidade nos recolhimentos efetuados ao SalárioEducação, nos seguintes termos: “Fica a EMPRESA notificada a recolher no prazo de 15 (quinze dias, contados a partir do recebimento desta, a crédito do FNDE, o valor de R$ 14.632,28 (Quatorze mil, seiscentos e trinta e dois reais e vinte e oito centavos), de acordo com o “Quadro de Atualização de Débito” anexo, sob pena de ser promovida a imediata cobrança judicial. Dentro do mesmo prazo, de acordo com o § 1. do art. 14, do Decreto n. 3.142/99, poderá ser apresentada defesa, por escrito, junto a esta Gerência, no endereço abaixo, anexando provas das alegações apresentadas, ou pedido de parcelamento, utilizando o Termo de Confissão de Dívida Fiscal, cujo formulário está internet, no site www.fnde.gov.br, no link Salário Educação, à disposição desta empresa. O débito em questão, apontado de acordo com Relatórios e Demonstrativos apensados, decorre de irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, consoante o disposto na legislação aplicável, conforme a fundamentação legal abaixo descrita e demais instruções pertinentes. Procedida a quitação, mediante Comprovante de Arrecadação Direta em anexo, deverá ser enviada cópia do mesmo ao FNDE, para providências cabíveis.” À fl. 103, consta o demonstrativo do débito onde são apresentados apenas os valores da base de cálculo, a alíquota e a contribuição devida, não se mencionado os fatos geradores das contribuições lançadas. Não há como discordar que os elementos trazidos são insuficientes para que a empresa pudesse se defender, uma vez que não há qualquer referência à origem do saláriode contribuição, ou seja, quais fatos geradores originaram a obrigação tributária demonstrada. Verificase que não foram acrescentadas quaisquer informações adicionais, com um maior grau de detalhamento, que possibilitasse o entendimento da narrativa acerca dos fatos geradores tomados na apuração. Sem dúvida, a falta de detalhamento acima apontada, deixa a NRD carente da clareza e da precisão exigidas para a certeza e liquidez do crédito tributário, prejudicando totalmente o direito de defesa do sujeito passivo. A preterição ao direito de defesa do administrado é norma constitucional (inciso LV do art. 5.º) que, uma vez desrespeitada, acarreta em nulificação do ato administrativo que lhe for contrário. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 23034.000012/200484 Acórdão n.º 2401003.247 S2C4T1 Fl. 274 7 Quanto ao vício, entendemos que a sua natureza é material, posto que a autoridade lançadora pecou por não descrever a contento o fato gerador do tributo lançado. Conclusão Voto por declarar a nulidade do lançamento por vício material. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.011841/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Apurada a existência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, deve ser feito o lançamento de ofício do imposto sobre a renda.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas.
Numero da decisão: 2101-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
__________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Gonçalo Bonet Allage e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Apurada a existência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, deve ser feito o lançamento de ofício do imposto sobre a renda. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 18 41 /2 00 8- 50 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Gonçalo Bonet Allage e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada omissão de rendimentos e dedução indevida de despesas médicas. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 6), manifestando sua inconformidade quanto ao lançamento, no que concerne tanto à omissão de rendimentos quanto à glosa das despesas médicas declaradas, argumentando, em síntese, que: (i) o montante de R$ 2.882,45 foi recebido e declarado a título de décimo terceiro salário; e (ii) anexou todos os documentos necessários para comprovar as despesas médicas. Aduziu que os pagamentos das despesas são comprovados com indicação dos dados do recebedor (médico), conforme recibo ou nota fiscal e, somente na falta destes documentos é que seria necessário indicar cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Além disso, a seu ver, é absurdo considerar suas deduções exageradas, tal como fez a Fiscalização, e é descabida a aplicação da multa de 75%. A 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 02 31.468, de 21 de março de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de oficio, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Recibos ou notas fiscais, .mesmo que emitidos nos termos exigidos pela legislação, não comprovam, "Por Si só, sem outros elementos de prova complementares, pagamentos • realizados por serviços médicos ou odontológicos, quando há, dúvidas sobre a efetividade da sua prestação. Nessa hipótese, justificase a exigência:por parte do Fisco, de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e/ou do pagamento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. ÔNUS. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.011841/200850 Acórdão n.º 2101002.333 S2C1T1 Fl. 3 3 A impugnação deverá ser instruída com os documentos nos quais se fundamenta, cabendo ao contribuinte produzir as provas documentais necessárias à justificação de suas alegações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou suas razões de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento constante do presente processo originouse da revisão da declaração de ajuste anual do contribuinte, na qual apurouse omissão de rendimentos e dedução indevida de despesas médicas. De acordo com relato da Fiscalização, na Complementação da Descrição dos Fatos (fls. 910), o contribuinte foi intimado a apresentar, como provas do efetivo pagamento das despesas médicas/odontológicas declaradas, cópias de cheques nominais microfilmados e/ou extratos bancários com compatibilidade de datas e valores, nos casos de pagamentos em espécie aos profissionais de saúde. No entanto, não o fez, razão pela qual as deduções com despesas médicas foram glosadas. A autoridade autuante também esclareceu que a omissão de rendimentos apurada, de R$ 2.882,45, referese à diferença recebida de Unibanco AIG Vida e Previdência em novembro de 2005, quando o contribuinte auferiu rendimentos dessa pessoa jurídica no montante de R$5.764,90. No tocante à omissão de rendimentos, o defendente alegou, na impugnação, que o valor ao qual alude a Fiscalização diz respeito a 13º salário, rendimento tributado exclusivamente na fonte, conforme declarado. Ante a refutação do argumento pelo julgador a quo, o contribuinte reiterouo, em sede de recurso. Do exame da declaração de ajuste do contribuinte, anexada às fls. 20 a 23 dos autos, verificase que, no quadro “Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular”, às fls. 20, foi informado rendimento recebido de Unibanco Seguros e Previdência o valor de R$ 31.706,95, com retenção na fonte de R$ 4.039,22 e 13º salário de R$ 2.882,45. Confrontandose essa informação com a Declaração de Imposto de Renda na Fonte – DIRF da fonte pagadora (fls. 27), contudo, constatase que o referido rendimento não foi pago ao contribuinte a título de 13º salário, tal como alegado, eis que, nessa rubrica, nada Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 consta na DIRF em questão. Sendo assim, é tributável na declaração de ajuste anual o total de R$ 34.589,40, e não R$ 31.706,95, tal qual declarado. O valor de R$ 2.882,45, informado na declaração de ajuste como 13º salário, por ter sido declarado indevidamente como rendimento tributado exclusivamente na fonte, não sofreu a devida tributação na declaração, eis que os rendimentos tributados exclusivamente na fonte não estão sujeitos ao ajuste anual. Por essa razão, correto o lançamento de ofício. No tocante à glosa das despesas médicas, o contribuinte alegou que, conforme estabelece o Decreto n° 3.000/99, no inciso III, do artigo 80, os pagamentos são comprovados com indicação dos dados do recebedor (médico), conforme recibo ou nota fiscal e, somente na falta destes documentos é que seria necessária a indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Sendo assim, as despesas declaradas estariam devidamente comprovadas por meio dos recibos emitidos pelos profissionais. Argumentou ainda, em sua peça impugnatória, que não há na legislação nenhuma norma que obrigue o contribuinte pessoa física a fazer guarda de prontuários médicos. Além do mais, as despesas declaradas não seriam exageradas em confronto com os rendimentos declarados e a Fiscalização deveria confrontar tais informações e documentos com o recebedor, ou seja, com o profissional médico que prestou serviços e forneceu os recibos. Se entender que os recibos são falsos, deve comprovar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não acolheu os argumentos suscitados. O relator do voto condutor da decisão a quo ponderou que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado, não cabendo ao Fisco obter provas da imprestabilidade dos recibos, mas sim ao impugnante apresentar elementos que dirimam quaisquer dúvidas que pairem sobre tais documentos. Complementou o julgador a quo que, muito embora o contribuinte tenha informado que os pagamentos foram feitos “em espécie” e que juntava novamente os comprovantes apresentados à fiscalização, não trouxe nenhuma prova de que realmente tivesse ocorrido a prestação dos serviços ou que tivesse entregue os valores declarados aos profissionais contratados, o que poderia ter sido feito por meio de extratos bancários nos quais constassem saques compatíveis com os valores e datas dos pagamentos, comprovantes de transferências bancárias etc. No tocante à multa de ofício, esclareceu que ela foi aplicada em estrita observância ao disposto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. No recurso voluntário, o defendente repisou todos os argumentos suscitados na impugnação e pediu seja declarado nulo o lançamento, por conter forma ilegal de apuração, desrespeito aos procedimentos fiscais da pessoa física, quebra de sigilo bancário sem a competente e devida ordem judicial, arbitramento incompatível in casu e sem suporte legal e análise incompleta de documento. No tocante às considerações da defesa, cumpre, primeiramente, salientar que o lançamento constante deste processo, veiculado por meio da Notificação de Lançamento às fls. 8 e seguintes, originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.011841/200850 Acórdão n.º 2101002.333 S2C1T1 Fl. 4 5 declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Das normas deduzidas do caput do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora, a seu critério, está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas. No caso, foi exigida a comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento das despesas declaradas, por meio de cheques nominais, compensados, transferências bancárias identificadas, etc., coincidentes em datas e valores com as despesas declaradas As despesas médicas que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física são aquelas efetuadas pelo contribuinte, no anocalendário, com seu próprio tratamento e o de seus dependentes, tal como previsto no artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. [...]. Conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, a lei não estipula ser o recibo de despesas médicas documento suficiente, por si só, para comprovar as despesas declaradas, de modo a autorizar a dedução do montante correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física. Muito menos obriga o julgador a acolhêlo como prova única e definitiva da prestação dos serviços e de seu efetivo pagamento, pelo só cumprimento dos requisitos mínimos fixados no inciso III, tal como pretende a defesa. Tendo em vista que as despesas médicas declaradas têm por escopo reduzir a base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física, devem ser estritamente comprovadas. Uma vez regularmente intimado pela autoridade fiscal para comprovar a efetiva prestação dos serviços médicos e o seu respectivo pagamento, o contribuinte deve apresentar provas suficientes para esse fim. O Recorrente pretende fazer prova das despesas médicas utilizadas como deduções em sua declaração de ajuste correspondente ao anocalendário de 2005 por meio dos recibos e demonstrativos anexados às fls. 46 a 77. Examinando os autos, constatase que o contribuinte, intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, apresentou apenas recibos e demonstrativos nos quais totaliza os valores constantes dos recibos. Mesmo após o julgamento da impugnação, quando se ressaltou a importância da comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas nos casos em que isso é exigido pela autoridade fiscalizadora, mesmo assim o contribuinte não logrou carrear aos autos qualquer documento que Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.011841/200850 Acórdão n.º 2101002.333 S2C1T1 Fl. 5 7 demonstrasse o fundamento de suas alegações de que os pagamentos aos profissionais de saúde haviam sido feitos “em espécie”, conforme declarado. Este colegiado tem entendido que, nos casos em que, regularmente intimado pela Fiscalização para comprovar a prestação dos serviços de saúde e o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, o contribuinte alega ter feito pagamentos “em espécie”, mas não comprova, de forma inequívoca, a efetiva disponibilidade do dinheiro nas datas dos pagamentos, apenas os recibos emitidos por profissionais da área de saúde não são suficientes para restabelecer a dedução pleiteada, mesmo nos casos em que os recibos cumpram os requisitos do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995. Em casos como o que aqui se analisa, em que, regularmente intimado pela Fiscalização a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, o contribuinte alega ter feito pagamento “em espécie”, tenho me manifestado pela necessidade de se apresentar ou os extratos bancários para comprovação dos saques que lastrearam o pagamento “em espécie” ou qualquer documento que traga elementos de convencimento da veracidade do argumento do contribuinte. Além, é claro, da comprovação da realização dos serviços de saúde declarados. Salientase, por oportuno, que o ônus da prova do quanto declarado compete ao declarante, quando para isso tenha sido intimado pela Fiscalização. Quando se trata de comprovação de deduções com despesas médicas, ainda que presentes todas as formalidades exigidas pelo artigo 8.°, § 2.°, III, da Lei n.° 9.250, de 1995, a legislação do imposto sobre a renda não confere aos recibos valor probante absoluto. A apresentação de recibos médicos de acordo com a legislação tem potencialidade probatória relativa e limitada por todos os outros elementos de convicção apresentados ao julgador, tanto pelo contribuinte quanto pela fiscalização. Sendo assim, mesmo que os recibos contenham todos os requisitos formais exigidos, podem ser insuficientes para fazer prova da efetiva prestação dos serviços médicos ao contribuinte ou a dependente seu. No presente caso, alguns dos recibos apresentados nos autos não cumprem nem mesmo os requisitos previstos no artigo 8.º, § 2.º, III, da Lei n.º 9.250, de 1995. No entanto, como visto, mesmo que todos os recibos apresentados pelo recorrente tivessem cumpridos todas essas exigências, não seriam suficientes, isoladamente, para restabelecer a dedução com despesas médicas declarada, eis que, na hipótese, não ficou comprovado o seu efetivo pagamento pelo contribuinte. Não há, portanto, neste quesito, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Em seu recurso, o contribuinte pediu a declaração de nulidade do lançamento, por conter forma ilegal de apuração, desrespeito aos procedimentos fiscais da pessoa física, quebra de sigilo bancário sem a competente e devida ordem judicial, arbitramento incompatível in casu e sem suporte legal, e análise incompleta de documento. Sem razão o recorrente. O lançamento perpetrado no presente processo cumpriu todas as formalidades exigidas pela legislação, em particular o Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, tal como preceitua seu artigo 11, a seguir transcrito: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento constante dos autos deste processo, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infração estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. As alegações de quebra de sigilo bancário sem a competente e devida ordem judicial, arbitramento incompatível in casu e sem suporte legal são totalmente impertinentes: não houve quebra de sigilo bancário do contribuinte e não foi feito qualquer arbitramento de valores nos autos deste processo. A alegação de análise incompleta de documentos, por não vir acompanhada da indicação específica do aspecto que se entendeu não analisado, é vaga e genérica e, por essa razão, não merece ser apreciada. Sendo assim, os argumentos do recorrente não podem prosperar. Por fim, quanto à alegação de ser descabida a aplicação da multa de 75%, impende destacar que as multas de lançamento de ofício estão previstas no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1.° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] A multa lançada no presente processo, de 75% sobre a diferença de imposto apurada, está, portanto, em conformidade com os ditames da legislação tributária. Conclusão Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.011841/200850 Acórdão n.º 2101002.333 S2C1T1 Fl. 6 9 Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000811/2010-93
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 08 11 /2 01 0- 93 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 294 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada o Auto de Infração à fl. 32, com a exigência do crédito tributário no valor de R$26.403,54 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 06.08.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2006, cujo prazo final era 09.04.2007. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0220, com as alegações a seguir transcritas: O autuado foi intimado da autuação fiscal para pagar a multa ou apresentar impugnação administrativa no prazo de trinta dias contados da ciência desta notificação. E desta forma, diante do suposto crédito tributário em cobro, e mais da total inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança, requer seja encaminhado o recurso em tela para competente delegacia de julgamento. Ocorre que a aplicação da multa, tomada como percentual da declaração realizada pelo contribuinte viola o princípio da proporcionalidade e vedação de confisco, senão vejamos. As pessoas jurídicas optantes pelo lucro real ou presumido, conforme determina a legislação federal, são obrigadas a entregar periodicamente a chamada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. De fato, a quase totalidade dos tributos administrados pela Receita Federal são submetidos ao regime do lançamento por homologação, que pressupõe que o contribuinte calcule, pague e declare os débitos apurados por sua própria conta. Desta forma, a entrega da DCTF nada mais é do que uma obrigação acessória, cuja relevância para o fisco é indispensável, porém não se confunde com o pagamento do tributo (este deve ser recolhido antes da entrega da DCTF). Deste modo, deixar de entregar ou entregar a declaração com atraso, descumprindo a obrigação acessória, não importa em mora no recolhimento do Fl. 294DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 295 3 tributo (que é a obrigação principal), já que o contribuinte pode pagar em dia o tributo devido, atrasando tão somente a entrega da DCTF. O atraso na entrega da declaração (obrigação acessória) é passível de punição, assim como o atraso do pagamento do tributo (obrigação principal), porém, há que se observar que a mensuração da punição ao sujeito passivo. A diferença consiste que na obrigação principal, o contribuinte fere uma obrigação de dar, e por isso a penalidade é fixada com base em um percentual sobre o tributo devido. No caso da obrigação acessória, o contribuinte fere uma obrigação de fazer, que por sua própria natureza, não tem conteúdo econômico delimitável, e deste modo, em casos de descumprimento de obrigação acessória, a multa a ser aplicada deve ter valor fixo. No entanto, embora seja inerente às obrigações acessórias a aplicação de multas em valores fixos, o fato é que o artigo 7° da Lei n° 10.426/2002 prevê que o atraso na entrega da DCTF importará em multa variável calculada de acordo com o total dos tributos informados na declaração do contribuinte [...]. Isso porque de acordo com o inc. II do dispositivo legal supra transcrito, o atraso na entrega da DCTF importa em multa de 2% ao mês, limitada a 20%. Isto significa dizer que, pelo atraso na entrega da declaração em um único dia, o contribuinte será penalizado em 1% do montante dos tributos informados como devidos na declaração. No caso da Recorrente é ainda pior, eis que a Impugnante recolheu antes do vencimento os tributos devidos, ou seja, não há inadimplência, e por seqüência, não há nenhum prejuízo econômico ao Fisco.[...] Ou seja, ainda que exista dispositivo legal prescrevendo a multa pelo atraso na entrega da DCTF, calculada com base em percentual do tributo informado em declaração, não é suficiente para que sua exigência seja válida. Nem se alegue que os atos administrativos de constituição da multa deverá observar os ditames legais; não é menos verdade que este mesmo ato deverá, antes de tudo, observar as normas e princípios constitucionais vigentes. Neste sentido, há que o ato administrativo observar um dos mais importantes princípios, o da proporcionalidade. [...] O atraso na entrega da DCTF, ainda que caracterizado como um ilícito à legislação fiscal que estipula prazo para a entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação. Diante disto, considerandose então, a função precípua da obrigação acessória cumprida com atraso pelo contribuinte, e o dano decorrente do ilícito praticado, claro que a multa aplicada é desproporcional, e não é razoável. Os princípios constitucionais administrativos, expressos ou implícitos no sistema, constituem o Estatuto Jurídico máximo no qual a Administração Pública deve atender obrigatoriamente. [...] Por incidir em todos os atos da administração, sejam eles atos vinculados ou discricionários, acentuamos que o atendimento aos preceitos é uniforme pouco importando a natureza do ato administrativo. O ato vinculado é aquele em que o administrador não possui O margem de liberdade no agir, ou seja, a escolha acerca do mérito do ato foi realizada pela lei, devendo cumprila nos seus exatos limiares. Então, o ato administrativo vinculado pode sofrer controle principiológico, ou seja, inquinado de inconstitucionalidade o ato estará quando afrontar aos princípios administrativos constitucionais. Deflui daí a aplicação de outros dois princípios da Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 296 4 administração, a saber, a tutela e a autotutela, permitindo a própria administração pública à revisão de seus atos ilegais ou inconstitucionais, independentemente de recurso as vias judiciais (Súmula do STF). [...] Apercebese que como a Administração age sob o manto da lei, o cumprimento dela é uma atividade automática, importando, na revogação ou anulação de atos que colidem com os princípios. Notamos que os atos administrativos mais rígidos quanto à análise meritória, os vinculados, se submetem a controle interno, então, flexibilizase o seu cerne para permitir um retorno do ato ao agasalho constitucional, assim há possibilidade da autoridade investida do poder administrativo fazer controle de legalidade e constitucionalidade do ato, sem, contudo invadir o campo do mérito administrativo. O ato vinculado pode ser limitado quanto ao seu alcance ou objeto, desde que este não se configure como mais razoável ou proporcional, reduzindo sua incidência quantitativamente e qualitativamente. Vejase que as Declarações foram apresentadas a com atraso, porém, todos os recolhimentos dos tributos foram realizadas pontualmente, de modo que não houve nenhum prejuízo ao fisco. E mais, a multa imposta pela administração ultrapassa o valor do próprio tributo (obrigação principal). Veja que é desproporcional o valor da multa, eis que ela ultrapassa o valor da própria obrigação principal, que foi recolhida pontualmente. [...] O confisco deve ser entendido como a violação abrupta e arbitrária ao direito de propriedade de quaisquer tipos de bens, sendo a sua vedação expressa desde os remotos tempos da constituição em seu sentido usual, não jurídico do Estado Republicano, sendo por meio axiomático, ou camuflado, sob a forma de um tributo. [...] A finalidade também é um ponto de distinção entre ambos. O primeiro tem função gerativa de receita ordinária estatal para o cumprimento de sua função social. Sua finalidade principal é de ordem financeira. A multa, por sua vez, não visa primariamente à arrecadação. O seu principal objetivo é desestimular a infração à legislação, evitando, assim, o descumprimento das regras arrecadatórias. [...] Isso se deveria ao fato de poderse até aplicar a pena de perdimento do bem, na hipótese de infração altamente grave, todavia, a usurpação de valores referentes a operações estranhas à que deu causa a multa constituiria confisco. Esta questão perderia sua razão de ser caso não tivessem nossas autoridades o vício de instituir multas [...] sem atentar a qualquer lei, complementar ou extravagante, visto que o espectro da discricionariedade que vige na administração pátria alastrase indefinidamente. [...] Nessa esteira é que sintetizamos tendo em vista a aplicabilidade do preceito constitucional inserto no art. 150, IV daquela Carta às multas e penalidades pecuniárias e, dizerse o contrário seria tentativa (travestida) de chancelar o arbítrio e o malferimento a ideais transcendentes de liberdade individual. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 297 5 Requer seja anulado o Auto de Infração, tendo em vista que o auto de infração não respeita os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, conforme acima demonstrado. Ou em hipótese remota, caso seja entendimento dos Srs. Julgadores; requer seja adequada a multa, ao equivalente a 1% sobre o valor do montante informado na DCTF. Termos em que, pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1440.157, de 31.01.2013, fls. 260269: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A multa pela entrega intempestiva da Declaração DCTF, além de disciplinada em Instrução Normativa da RFB, tem respaldo em lei. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a sua entrega, e tendo descumprido o prazo estabelecido na legislação, é devida a cominação da multa pelo atraso. O pagamento do montante dos tributos declarados na DCTF não tem o condão de afastar a aplicação da multa. O valor da multa é limitado a vinte por cento do montante de tributos informados na DCTF, com previsão de redução à metade quando a declaração for apresentada (após o prazo) antes de procedimento de ofício, observado o valor mínimo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A multa por atraso na entrega da DCTF é prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar arguições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente a elas. Notificada em 25.02.2013, fl. 272, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.03.2013, fls. 274288, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 298 6 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 299 7 matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, s atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 300 8 Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos3. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores4. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 06.08.2008 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2006, cujo prazo final era 09.04.2007. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. 3 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 4 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.000811/201093 Acórdão n.º 1801001.756 S1TE01 Fl. 301 9 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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