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Numero do processo: 13433.720859/2011-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso ao qual se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente
(assinado digitalmente)
Solon Sehn - Relator
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 08 59 /2 01 1- 51 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, que manteve a exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), assentado nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇOẼS ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que a contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente, em suas razões recursais de fls. 50 e ss., alega que optou pela inclusão no Simples, desde a data de sua constituição (09/01/1997), sendo excluído de ofício, em 30/06/2007, por exercer atividade econômica vedada, fundamentada pelo inciso XI do art. 17 da Lei Complementar no 123/2006, conforme Termo de Indeferimento de Opçaõ pelo Simples Nacional, registrado em 20/07/2007. Assim, estaria dispensada de apresentar o Dacon no período, conforme inciso I do art. 5º da IN/SRF nº 590/2005, ficando obrigada apenas a partir do período que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. Requer o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13433.720859/201151 Acórdão n.º 3802003.407 S3TE02 Fl. 62 3 A ciência da decisão se deu no dia 06/09/2013 (fls. 47) e o protocolo do recurso, em 02/10/2013 (fls. 50). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Inicialmente, embora intempestiva a entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), cumpre destacar que este foi extinto pela Instrução Normativa RFB nº 1.441/2014: “Art. 1º Fica extinto o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase também aos casos de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2014. Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 4º Fica revogada a Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 5 de março de 2010.” Ao extinguir o demonstrativo, a IN RFB nº 1.441/2014 fez com que a sua não apresentação e sua transmissão extemporânea deixassem de ser tratadas como contrárias à exigência de ação prevista nas INs RFB nº 1.015/2010, nº 940/2009 e nº 590/2005, que, como se sabe, estabeleceram, entre 2005 e 2014, a obrigatoriedade desse dever instrumental. Assim, à medida que não se trata de ato definitivamente julgado, fraudulento ou que tenha implicado a falta de pagamento de tributo, deve ser aplicado deofício o disposto no art. 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Com efeito, a revogação da regra de obrigatoriedade do Dacon implica a desoneração da multa decorrente do seu descumprimento. Isso ocorre porque toda violação de um dever instrumental constitui uma infração. Logo, a extinção do dever afasta também a infração. Há, na linha do que ensina Paulo de Barros Carvalhos, uma equivalência entre as Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 alíneas “a” e “b”, o que também é ressaltado pela doutrina de Hugo de Brito Machado e Sacha Calmon Navarro Coêlho: “As duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 94). “Não conseguimos ver qualquer diferença entre as hipóteses da letra ‘a’ e da letra ‘b’. Na verdade, tanto faz deixar de definir um ato como infração, como deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 77). “Dáse que o contribuinte praticou o ato vedado ou não praticou o ato obrigatório. Cometeu em qualquer dos casos uma infração. Lei posterior risca do mapa jurídico o dever de fazer que foi descumprido ou o dever de nãofazer que, não obstante, foi exercido. A lei posterior e nova, pois, aplicase retroativamente para apagar os deveres, as infrações e as penalidades às infrações. Por que punir o desrespeito a algo que, se reconhece, nao era assim tão importante, tanto que pôde ser desjuridicizado?” (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 566). Votase, assim, pelo conhecimento e provimento do recurso voluntário, com a consequente afastamento da multa pelo atraso na entrega do Dacon. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator designado: O litígio trata da exigência de multa por atraso na entrega do DACON do primeiro semestre de 2007. Em função da edição da IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014, cujo artigo 1º extinguiu o demonstrativo em tela, entende o i. relator que a não apresentação e a transmissão extemporânea da declaração deixaram de ser tratadas como contrárias à exigência da correspondente ação por parte do sujeito passivo. Assim, uma vez que não se trata de ato definitivamente julgado, votou o nobre relator pela desoneração da multa objeto da lide, com fundamento no artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional. Com efeito, entendimento similar ao seu encontra guarida na jurisprudência: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ATRASO NA COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE 'TORNA GUIAS' DESTINADAS A DEMONSTRAR A CONCLUSÃO DE OPERAÇÃO DE TRÂNSITO Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13433.720859/201151 Acórdão n.º 3802003.407 S3TE02 Fl. 63 5 ADUANEIRO, NOS TERMOS DA IN SRF N. 84/89. NORMA SUPERVENIENTE (IN SRF Nº 70/97) QUE DESOBRIGA O BENEFICIÁRIO DESSA COMPROVAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA MAIS BENIGNA (ART. 106, II, "A" OU "C" DO CTN). 1. Execução fiscal que tem origem em auto de infração lavrado com aplicação de multa por atraso na comunicação da conclusão de trânsito aduaneiro simplificado, com fundamento no art. 521, III, "c", do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto nº 91.030/85). 2. A Instrução Normativa SRF nº 70/97 suprimiu o dever instrumental tributário (a "obrigação acessória") de comprovar, na origem, a entrega dos bens no destino. Encargo que foi transferido para a própria repartição de destino (e não mais ao beneficiário do trânsito aduaneiro). 3. Se a conduta em questão deixou de ser obrigatória e, por extensão, não mais autoriza a imposição de qualquer sanção, impõese reconhecer a retroatividade da lei tributária mais benigna a que se refere o art. 106, II, "a", do CTN. Precedente da Turma. 4. Podese argumentar, é certo, que não se trata, propriamente, de um ato que deixou de ser uma infração, mas de um ato que se tornou desnecessário por força da norma superveniente. Ainda assim, tais fatos estariam subsumidos à hipótese do art. 106, II, "c" do CTN, isto é, em que a norma superveniente deixa de tratar o fato "como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo". 5. Condenação da União em honorários de advogado. 6. Apelação a que se dá provimento. [nota: na verdade, a transcrição da alínea “c” corresponde à alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN] (TRF 3ª Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº 1.648.600. Relator: Renato Barth. Data do acórdão: 14/06/2012. Publicado em 22/06/2012) (Grifos nossos) Porém, com a devida vênia, penso de forma diferente, vez que o caso presente me parece ter uma peculiaridade que o torna distinto da jurisprudência supra, a ponto de o mesmo não se subsumir è hipótese de que trata o artigo 106, II, “b”, do CTN. A IN RFB nº 1.441, de 2014, com efeito, extinguiu o demonstrativo em comento, mas apenas em relação “aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014” (artigo 1º). Tanto isso é verdade que o artigo 2º da norma em tela prescreve que “a apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso”. Assim, a nova instrução normativa, em relação aos fatos geradores anteriores a 2014, não deixou de tratar o ato omissivo como contrário à exigência de sua apresentação, de sorte que é inaplicável, à presente realidade, o disposto no artigo 106, II, “b”, do CTN. De fato, a extinção do DACON a partir de 1º de janeiro de 2014 foi motivada pela implantação da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita – EFD Contribuições, no âmbito do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital. Tal implantação vem ocorrendo de forma paulatina desde de 1º de janeiro de 2012, seguindo o cronograma traçado pela IN RFB nº 1.252, de 1º/03/2012. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 Na EFD Contribuições passaram a ser detalhadas as informações que outrora eram disponibilizadas no DACON, tornando esta obsoleta a partir de então. Tanto isso é verdade que, relativamente aos períodos anteriores a 2014 (quando o SPED ainda não operava plenamente), ainda há necessidade de se utilizar programa gerador do DACON no caso desta não haver sido transmitida, ou, ainda, na hipótese de retificação da declaração. Logo, não se cogita de que a norma tenha deixado de tornar obrigatória a apresentação do DACON com respeito aos períodos anteriores a 2014, motivo pelo qual, penso, é inaplicável ao caso a retroatividade benigna prevista no CTN. Vale lembrar que a multa pela apresentação extemporânea da obrigação tributária acessória do DACON, instituída por instrução normativa da Receita Federal, está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. Quanto à exclusão da recorrente do SIMPLES, adoto, como razões de decidir os argumentos aduzidos pela primeira instância, principalmente no tocante ao motivo pelo qual a interessada foi excluída do sistema, que se subsume ao disposto no inciso II do artigo 15 da Lei nº 9.317/96, onde está consignado que a exclusão do SIMPLES surtirá efeitos “a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º”. Diante da atividade exercida pelo sujeito passivo – construção de imóveis – vedada à opção pelo SIMPLES nos termos do artigo 9º, inciso V, da Lei nº 9.317/96, não resta dúvida de que a reclamante, considerando os efeitos retroativos da exclusão, estava obrigada à apresentação da declaração. Não bastasse isso, segundo o próprio sujeito passivo a empresa foi excluída da sistemática do SIMPLES em 30/06/2007. Ainda que considerados os efeitos da exclusão a partir de então, a apresentação da declaração correspondente ao período objeto da exação – 1º semestre de 2007 – também seria obrigatória, conforme disposto no § 1º, inciso I, do artigo 5º da IN/SRF nº 590/2005, abaixo transcrito: Art. 5 º Estão dispensadas da apresentação do Dacon: I as microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente aos períodos abrangidos por esse sistema; [...] § 1 º Não está dispensada da apresentação do Dacon a pessoa jurídica: I excluída do Simples, a partir, inclusive, do período, mensal ou semestral, que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos; [...] (grifo nosso) Uma vez demonstrada a legitimidade da exigência da multa pelo atraso na entrega do DACON e a inaplicabilidade da retroatividade benigna, deverá ser mantido o lançamento correspondente à exigência lavrada contra o sujeito passivo. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13433.720859/201151 Acórdão n.º 3802003.407 S3TE02 Fl. 64 7 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 37216.000686/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO CONCEDIDA AOS DEPEDENTES_ DOS FUNCIONÁRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4", do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. As bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes não possuem natureza salarial, pois o benefício se reveste de características próprias no sentido de que são para o trabalho e não pelo trabalho, deixando, portanto, de integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-001.774
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, conforme segue: quanto à decadência, em aplicar o artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN, no mérito, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento, e Mauro José da Silva que dava provimento parcial, excluir os valores lançados.
Nome do relator: DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES
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BOLSA AUXILIO EDUCAÇÃO CONCEDIDA AOS DEPEDENTES DOS FUNCIONARIOS, NÃO INCIDÊNCIA DE. CONTRIBUIÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4 0, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada totalidade da folha de salários da empresa recorrente„ As bolsas concedidas a funcionários e seus dependentes não possuem natureza salarial , pois o beneficio se reveste de características próprias no sentido de que são para o trabalho e não pelo trabalho, deixando, portanto, de integrar a base de calculo da contribuição previdenciária., Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da .3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, conforme segue: quanto a decadência, em aplicar o artigo 150, §40 do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 17.3, I do CTN, no mérito, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento, e Mauro Jose da Silva que dava provimento parcial, excluir os valores lançados, JULIO CE IRA_ 0 ES Presidente DAMIÃO CORDEIRO D MORAES - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Burros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente)„ Esteve presente ao julgamento a advogada da recorrente Dra. Flávia Marangoni, OAB/DF 9558-E, Relatório 1, Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa INFOGLOBO COMUNICAÇÕES S.A.. contra deeisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal referente à ausência de contribuições incidentes sobre salário-utilidade, pago na forma de bolsa auxilio educação para dependentes de funcionários, destinadas a créditos previdenciários para o SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio As Micro e Pequenas Empresas, no período de 07/2001 a 12/2005. 2, A referida decisão restou ementada nos ten-nos que ora transcrevo abaixo: "TRIBUTARIO — CONTRIBUIÇÕES SEGURIDADE SOCIAL, PARTE DA EMPRESA BOLSA AUXILIO EDUCAÇÃO — SALARIO-DE-CONIRIBUIÇÃO. Integra o salário-de-contribuição o pagamento de utilidade na fbrma de Bolsa Auxilio-Educação para dependentes de eiripregados, conforme prevê o inciso I do art, 28 da Lei n." 8.212/91 A legislação tributória que dispõe sobre outorga de isenção interpreta-se literalmente (art. Ill, II do Código Tributário NacionaI CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS (SEBRA.E). JUROS SELIC MULTAMORAIÕRIA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA, AÇÃO JUDICIAL EM CURSO IMPUGNAÇÃO CONHECIDA proposintra pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido .sobre o qual trate o processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação ú ma feria distinta daquela discutida judicialmente; Tratando-se de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justifica-se acautelar tanto a importância principal quanto aos seus consectá rios legais, visto que indisponível o interesse público subfacente à controvérsia. De qualquer modo, a suspensão preventiva da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que lati alização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata 2 Processo n" 37216.00068612007-06 S2-CI 1 Acórd5o r " 230i-01.774 Fl 2 LANÇAMENTO PROCEDENTE " .3, Em seu recurso voluntário, o contribuinte aduziu, basicamente, o que segue: a) preliminarmente, a decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos a infrações supostamente ocorridas entre abril e outubro de 2001; b) a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a bolsa educação dada aos dependentes de seus funcionários; e) apenas devem ser incluídas nos salário-de-contribuição aquelas parcelas expressamente previstas pela legislação; d) a Lei n." 10,24.3/01, ao acrescentar o parágrafo 2", inciso V ao artigo 458 da Consolidação das Leis Trabalhistas, expressamente excluiu a natureza salarial da balsa- educação fornecida pelo empregador, dessa forma o beneficio não integra os salários de contribuição; e) por fim, alega que a postura arrecadatória do fisco representa flagrante desestimulo para que os empregadores concedam beneficios de natureza não-salarial a seus trabalhadores, posto que, ante o risco de interpretação equivocada da legislação, toma-se preferível não garantir vantagens ou beneficios a que não estejam obrigados por texto legal. 4 . Em sede de contra-razões, o fisco pugnou pela manutenção do julgado recorrido, pois entende que o contribuinte não trouxe em seu recurso qualquer elemento novo, de fato ou de direito, capaz de alterar a decisão.. o relatório. Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO I. Conheço do recurso voluntário uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA EXISTÊNCIA DE AC:A0 JUDICIAL, 2, Preliminarmente, faz-se necessário esclarecer que o lançamento do débito se deu, pois não houve recolhimento da contribuição ao para financiamento dos benefícios destinados ao Serviço Brasileiro de Apoio As Micro e Pequenas Empresas SEBRAE. 1 Segundo a Decisão Notificação n" 17,401.4/0071/2007, "a empresa move as ações judiciais n." 2004,51.01.01629.3-0, da 19" VERJ, e n." 200151,01.001268-6, da 8" VFRJ, onde estão sendo questionadas respectivamente as contribuições para o INCRA e o SEBRAE, tanto ern relação aos estabelecimentos outros que não o parque gráfico, de Código 3 gi FPAS 566, que têm convênio corn o FNDE; quanto o parque gráfico, de Código EPA 507, que tern convênios corn o FNDE, SESI e SENAI". (if 1,00 -1) 4, Assim, considerando que o Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar n." 2002,51.01.001268-6 impetrado pela recorrente questionava acerca da legalidade da contribuição para o SEBRAE, entendo que essa matéria 6 distinta da que será apreciada por este Colegiado, logo afasto a aplicação da súmula n° 1 do CARF. 5. Insta salientar', ainda, que a fiscalização qualificou o auxilio-educação concedido pela empresa para os dependentes de seus funcionários como salário-utilidade, fato esse que resultou na cobrança de contribuição para o INCRA sobre os valores pagos a título de bolsa auxilio educação. 6. Desta -forma, a decisão sobre legalidade da contribuição ao INCRA no âmbito judiciário, não impede a discussão sobre a natureza salarial da bolsa-educação concedida pela empresa aos dependentes de seus funcionários. 7. Sendo assim, passo ás questões preliminares. DECADÊNCIA 8. Nesse momento, 6 importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que alguns créditos tributários constituídos já se encontram decaidos segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional.. 9. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STE, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8..212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, Seguem transcrições: "Porte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator • Re,sultani inconsiitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art 5" do Decreto-lei n° 1 .569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar, Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se higida a legislação anterior., coin seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição &frame o aiquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, pot violação do art 146, 111, b, da Constituição, e do parágrafo manco do art. 5" do Decreto-lei n° 1.569/77,.frente ao § I" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda COH.Siiiucional 01/69, q( 4 Processo n" 37216 000686/2007-06 S2-C31- 1 Acórdrlo n° 2301-01:774 Fl 3 ,É como voto Súmula Vinculante a' 08 . São inconstitucionais us parágrafo tinico do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e as artigos 45 e 46 da lei 8212/91, que tratam de prescrição e decadencia de crédito tributário". 10. Os efeitos da Súmula Vinculante silo previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11417, de 19/12/2006, in ye) bis: 'Art. 10.3-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mechanic' decisão (le dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovai- súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinca/ante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e á adminisnação pública direta e indireta, nas es:Pray federal, estadual e municipal, bem como proceder á sua revisão ou cancelamento, na )(Orin° estabelecida em lei " 11. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11,417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: "Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de .sumula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dó out; as providencias Art 2" O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de .sirmula que, a partir de ma publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante um relação aos demais órgdos do Poder Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à ua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. , .S 0 enunciado da sumula terá por objeto a validade, a inteipretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que (wart etc grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. 12. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa todos os Órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Sumula Vinculante. 13, Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8,212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto, 14 . Compulsando os autos, depreende-se do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal — TEAF, juntado as fls. 349/350, que houve recolhimento parcial, em face da 5 111 totalidade das folhas de salários da empresa, sobre os valores lançados. E por esse motivo, tenho como certo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4", do CTN. 15, E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 30/11/2006, referente As contribuições do período de 01/07/2001 a 31/12/2005, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 07/2001 a 10/2001, restando mantidas as competências 11/2001 a 12/2005 16, Em razão do exposto, excluo do lançamento fiscal as competências 07/2001 a 10/2001. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO 17.. Conforme narrado no relatório, a empresa teve lançado contra si credito tributário referente ã ausência de contribuições incidentes sobre salário-utilidade, pago na forma de bolsa auxilio educação para dependentes de funcionários, destinadas a créditos previdencizirios para o SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio As Micro e Pequenas Empresas, no período de 07/2001 a 12/2005. 18.. E por esse motivo, insta salientar, que a contribuição destinada ao SEBRAE foi criada como um adicional àquelas destinadas ao SES1 e SENAI, como disposto no artigo 8", parágrafo 3", da Lei n." 8..029/90 e no artigo 1", do Decreto-Lei n." 2.318/86. 19, Dessa forma, basta que a empresa recorrente esteja no rol dos contribuintes destes serviços para que também seja obrigada a contribuir para o SEBRAE, independentemente de ser ou não beneficiária da contribuição, ou mesmo de seu enquadramento coma Micro ou Pequena Empresa. 20, Com efeito, considerando que a recorrente é sujeito passivo de contribuições para o SESI/SENAI e estando a exigência devidamente inserida em norma legal plenamente vigente, tem-se que também está obrigada ao recolhimento da parcela destinada ao SEB RAE. 21 Porém, no caso concreto há que ser feita a análise da incidência de contribuições sociais sobre os valores considerados pelo fisco como salário indireto, uma vez que o agente fiscal atribuiu natureza salarial As balsas de estudo concedidas pela empresa, 22„ No relatório fiscal, restou demonstrado que a atuação do fisco destinou-se ao "lançamento das contribuições incidentes sobre salário-utilidade na forma de bolsa auxilio educação para dependentes de funcionários." (fi, 369) 23.. Ocorre que, no meu entender, os pianos educacionais disponibilizados pelas empresas a seus empregados, ou a dependentes, não gera a incidência de contribuição previdenciária, eis que desvinculadas do salário do trabalhador. 24. E o meu ponto de vista encontra respaldo no artigo 458, parágrafo 2', inciso El, da Consolidação das Leis do Trabalho, que retirou a natureza salarial do beneficio de educação, facultando que os cursos sejam fornecidos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo, inclusive, os valores relativos à matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. 6 Process° n" .37216 000686/2007-06 S2-C3T1 Acôrdilo n " 2301-01.774 Fl 4 25. Cumpre ressaltar que a legislação trabalhista também no colocou qualquer trava para o beneficio, simplesmente o desvinculou do salário, conforme transcrito abaixo: "Art 4.58 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos or ef.eilas legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in nature que a empresa, por força do connato ou do costume, foi necer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pigment() com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas (Redação dada pelo Decreto-lei ,i"229, dc 28.2 1967) ) § .F Para as- efeitos previstos neste (wig°, não Sera() consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregadoi (Redação dada pela Lei n" 10.243, de 19.6.2001) ) - educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valoi es relativos a matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático, (Incluido pela Lei n" 10 243, de 19.6 2001) )" 26. A propósito, essa é a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior do Trabalho, que se posicionam no sentido de que o auxilio- educação no remunera o trabalho, pois no retribui o trabalho efetivo, assim no pode ser considerado salário in natura., conforme jurisprudência abaixo: "TRIBUTÁRIO, RECURSO ESPECIAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁR1A. AUX1210-EDUCAÇÃO. NAO- INCIDENCIA NATUREZA NÃO SALARIAL. ART 28, § ALINEA T, DA LEI N 8.212/91 (ALINEA ACRESCENTADA PELA LEI N. 9.258/97). PRECEDENTES. I, 0 auxílio-educação não remunera o trabalhador, pois nrio retribui o trabalho *thy), de tal modo que integra o salário-de-contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. Recurso especial não-provido " (STI - Recurso Especial. REsp 417043/PR, processo '2002/0023502-9, Alinistro Relator Joao Otávio de Noronha) "( )1 - Adicional de periculosidade -17roporcionalidade. se o adicional de periculosidade é considerado a unidade de tempo- mês não ha que se ¡afar em limite do pagamento des/c coin a incidência apenas no período de exposição C agressividade. 2 - Salário 'in wawa habitação imegração ao saki, ia se a habitação Ibrnecida ao obreiro o era wino condição para a prestação dO trabalho e não como retribuição pelo trabalho prestado, não se trata de parcela de caráter salarial, não integrando a remuneração para nenhum efeito 3 - Salário 'in nature educaviio. o,fato de o (tutor não pagar a escola de seus .filhos representa mera liberalidade da empresa, desde que o 7 obreiro não estava obrigado a matricular seus filhos naquela escola, unto vez que poderiam .freqiientar a rede escolar publica. Portanto, não está caracterizado o salário utilidade, que é a firma indireta de o empregado receber o beneficio, porque se ausente, seria oneroso para ele. A utilidade no caso não é salário, mas benesse. 4 - descontos previdenciórios e fiscais os descontos previdenciários e fiscais são licitas porque deconem de lei, devoid° o valor a ser recebido pelo reclamante sofre , os referidos descontos, consoante os provimentos três de oitenta e qua/to e um de noventa e três, da corregedoria geral da lustiça do trabalho " (TST I" Turma, RR 102700, Ministro Relator Cnea Moreira, DJ 21 10 1994) 27. Por esse mativo, correto não seria que a legislação previdenciária (artigo 28, §90, it') considerasse, para efeitos de incidência de contribuição, um beneficio excluído do salário do trabalhador pela legislação trabalhista. 28. E no presente caso não se trata da aplicação do principio da especificidade da norma previdenciária, pois o que está em jogo para o sistema é a segurança . jurídica. 29. No intuito de fortalecer o seu posicionamento, muito bem se posiciona o contribuinte ao alegar que "a postura arrecadatória ora narrada colide corn os próprios objetivos sociais contemplados pela Constituição Federal, porquanto desestimula, corno visto, a iniciativa privada a repartir corn o Poder Público Cams sociais deste, como é o caso da garantia à educação, obstando a perfeita aplicação do artigo 205, caput, da Constituição Federal." (fl 1062) Ao tratar do terna "Formação Profissional", o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n" 1000, de 26 de março de 1999), permite a dedução desses custos sem colocar qualquer impasse quando dispõe em seu Wig° 368 que: "Poderão ser deduzidos, corno despesa operacional, os gastos realizados com a formação profissional de empregados." 31. Vale ressaltar, por fim, que o auditor fiscal trouxe apenas em seu relatório fiscal o argumento de que o plano educacional da empresa constituia em apoio e auxilio financeiro aos empregados. O que não serve, data vênia, para sustentar o débito levantado em desfavor do contribuinte. 32. Pelo exposto, entendo que não deve prospera o lançamento fiscal em torno dos valores considerados pelo fisco em razão das bolsas de estudos concedidas pela recorrente, razão pela qual dou provimento ao recurso. CONCLUSÃO 33. Assim, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, dar-lhe PROVIMENTO. como voto.. Sala das Sessõe21e dezembro de 2010 DAM1ÃO CORDEIRO DE MORAES 8 Process() n" 37216 000686/2007-06 S2-C3 TI Ado-di:it) o " 2301-0L.774 Fl. 5 Declaração de Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA COMES Entendi que se fazia necessário obter vista dos autos a fim de melhor apreciar uma questão relevante: o beneficio auxilio-educação é pago para custear os estudos dos dependentes de segurados empregados e não destes últimos. Dai um exame mais aprofundado para compreender a natureza jurídica do beneficio, salarial ou não, e os efeitos tributúrios. A fiscalização constatou que a recorrente: "arca cam cerca de 70% das despesas efttivas que seus empregados realizam com matriculas e mensalidades de seus dependentes em cursos regulares de ensino fiatdamental, Médio e pyritic:0o universitária " E a constituição do credito tributário teve como fundamento: "a utilidade fornecida tent origem no con/tato de trabalho e surge em decorrência da prestay7o de serviços, representando um acrés-cinto no patrimônio do trabalhador; visto que o empregado deixou de despender do seu salário o pagamento coin estudos de seus dependentes, configurando salário-milidade." Como se sabe, a Lei n' 8.212, cle 24/07/91 instituiu a isenção sobre o auxilio- educação e estabeleceu como condição o acesso irrestrito ao beneficio para todos os empregados e dirigentes da empresa. No presente caso, não foi a falta de cumprimento da condição que ensejou o lançamento, mas sim o fato de que o beneficio era oferecido aos dependentes dos empregados e também custeava ensino superior: Art 28(.) .§ iViio integram o .salário-de-contribuiçiio para os fins devil Lei, exclusivamente: o valor relativo a plano educacional que vise et educay-io básica, nos termos art 21 du Lei n" 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitay-to e qualificaçâo prpli ssionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que n/Joseja utilizado em substituiçáo de parcela salaried e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao nesmo; (Redayio dada pela Lei n" 9.711, de 20/11/98); Educação Básica e Ensino Superior 9 13 C Sobre a educação básica, a lei de diretrizes da educação, Lei n° 9.394, de 20/12/96, elucida que compreende: a educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; portanto, não abrange a educação superior, in verbis: Art 21 A educação escolar compõe-se de, I - educação básica, .fOrmada pela educação ensino fitnclamental e ensino médio, II - educação .superior Não se discute que a educação superior não foi alcançada pela regra de isenção estabelecida pela Lei n° 8,212, de 24/07/91 e também que o beneficio deva ser oferecido a todos os empregados e dirigentes da empresa; entretanto, não se pode ignorar a existência de lei posterior com regras mais abrangentes . Trata-se da Lei n° 10,243, de 19/06/2001 que deu nova redação ao paragTafb 2" do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT: Art 4.58 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no saltirio„ para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in nature que a empresa, poi. força do contrato on do costume, fornecer habitualmente ao empregado Em caso algum será permitido o pagamento coin bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decreto-lei n°229, de 28 2 1967) § 2 Para os efeitos previstos neste artigo, nap serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei n" 10 243, de 19 6.2001) I — vestuár ias, equipamentos e outros acessórios fbrnecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluido pela Lei n°10.243, de 19.6.2001) II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluido pela Lei n" 10.243, de 19 62001) 111 — transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei n" 10 243, de 19.6 2001) IV — assistência médica, hospitalar e odontolágica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde, (Inchildo pela Lei n" /0243, de 19 6 2001) — seguros de vida e de acidentes pessoais, (Incluido pela Lei n" 1024.3, c/c 19.6 2001) VI — previdência privada; (incluido pela Lei n" 10.243, de 1962001) VII— (VETADO) (Incluído pela Lei n°10 243, de 19 6 2001) 10 Processo e 37216 000686/2007-06 52-C3 T1 Acen (Rio n." 2301-01774 Fl 6 Cam a nova redação da CLT, o Direito do Trabalho não mais considera salário, para todos os efeitos legais, as utilidades recebidas pelos empregados a titulo de educação, seja ela básica ou superior. De fato, o §2° se inicia com a expressão: "para os eleitos previstos neste artigo" que, de acordo com o "copal" compreende definir o que seja ou não salário "para todos os dMOS legais". Ora, um dos efeitos legais é integral ou não a base de calculo das contribuições previdenciárias. Quando o legislador desejou restringir os efeitos apenas à legislação trabalhista, expressamente o fez. Como exemplo, trago à colação o disposto no artigo 144: Art. 144. O abono de Prias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, nau integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho (Redação dada pela Lei n" 9 528, de 1998) O argumento acima já é suficiente para afastar o entendimento de que a autonomia do Direito Previdenciário sobre qualquer outro justifica que as parcelas acima continuem sendo consideradas de natureza salarial para fins de incidência da contribuição previdenciária, t. um ramo autônomo em relação aos institutos que lhe sejam próprios, mas não sobre aqueles essencialmente pertencentes a outros ramos do Direito. Como todos os livros de Introdução ao Direito explicam, o Direito é uno, suas ramificações têm finalidade didritica, composto por todo o ordenamento .jurídico e suas fontes secundririas. Não se olvida da especificidade dos conceitos de segurado empregado, beneficiário, período de carência e mesmo de salário de beneficio, entre outros. Agora, com relação ao salário de contribuição, respeito os entendimentos contrários, mas nada ha de diferente do conceito de salário, enraizado no Direito do Trabalho desde 01/05/1943. A denominação da base de cálculo de incidência das contribuições previdenciarias como "Salário-de-Contribuição" teve a finalidade de distingui-la da base de calculo para o pagamento dos beneficias previdenciários, o "Salário-de-Beneficio". Coincidentemente, ambos são disciplinados no artigo 28; no caso do primeiro, da Lei n° 8,212/91 e, no segundo, da Lei n° 8.213/91. Decididamente, "Salário -de-Contribuição" não é conceito próprio do Direito Previdenciário que justifique um alargamento do conceito de "Salário", explicitamente empregado pelo artigo 195, I, "a" da Constituição Federal, Passamos a discorrer nos próximos parágrafos sobre este ponto.. Inicialmente, corn uma singela observação do próprio artigo 28, §9° da Lei n° 8.212/91 é suficiente para se constatar que o tempo todo se faz remissão a ireito do Trabalho: Lei 17" 8 212/91 art. 28 ( ..) § 9" Não integrant o salário-de-cmuribukcio para os fins desta Lei, exclusivamente b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n" 5.929, de 30 de outubro de 1973, c) a parcela "in nature recebida de acordo cant os programa.s de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos teimas da Lei n" 6.321, de 14 de abril de 1976, d) as imporuincias recebidas a titulo de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da rennin@ ação de férias de que trata o art, 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; e) as importcincias: ( ) .3. recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 479 da CLT, 4 recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 14 da Lei n°5.889, de 8 de junho de 1973; ( ) 6 recebidas a titulo de abono de férias na fbrina dos arts. 143 e 144 da CLT ( ) 9 recebidas a titulo da indenização de que trata o art. 92 da Lei n2 7.238, de 29 de outubro de 1984, .f) a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria, ( ) g) a (Oda de custo, cm parcela ánica, recebida exclusivamente can decorrência de mudanga de local de trabalho do empregado, na farina do art. 470 da CLT; ( ) in) OA valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fOrnecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por fbrça da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho,. ( ) p) o valor das contribuições efétivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou . fechado, desde que disponivel a totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts.. 9" e 468(10 CLT ( ) ár 12 Processo n" 37216.000686/2007-06 S2-C311 Acérdi n°2301-01774 Fl 7 .v) o valor da multa prevista no § 8" do art. 477 da CLT E inegável a interdependência corn esse ramo do direito privado e também se deve advertir sabre à vedação imposta pelo Código Tributário Nacional para se alterar a definição, o alcance e conteúdo utilizados pela Constituição Federal: Antecipando-se às dúvidas que poderiam .surgir na dindmica do inter-relacionamento, o Código Tributário Nacional, em seas artigos 109 e 110, mio .somente deixa patente a relação nutua entre os diversos ramos do Direito, como, também, prescreve limites cogente.s, Em apertada síntese, a lei tributária pode definir eleitos tributários diversos dos efeitos jurídicos que lOram atribuídos aos mesmos institutos, conceitos e formas de &relic) privado, a despeito de sua utilização na norma tributária Todavia, e esta prescrição é relevante para o que se pretende demonstrar, a norma tributária, não obstante valer-se de institutos, conceitos e .f .ormas de direito privado, não poderá alterar-lhes a definição, o conteúdo e o alcance, se expressa ou implicitamente/oram utilizados pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias Código Tributário Nacional Art 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de .seus institutos, conceitos e formas, mas 17a0 para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alteiar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos elbrmas de direito privado; utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, par a definir ou limitar competéncias tributárias A Constituição Federal emprega a expressão "salário" em diversos dispositivos e, especialmente, no artigo 195, Inciso I , alínea "a" atribui competência tributária União para a instituição de contribuição social previdenciária sobre a folha de salários: Art 195 A .seguridade _social será financiada por toda a sociedade, de fbrma direta e indireta, 110S termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Eslacids, do Distrito Federal e dos Municípios, e this seguintes contribuições socials. 1 - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes cobre• a) a Oho de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe pi este serviço, IlleS1110 sem vinculo empregatkio, Chego, inclusive, A conclusão de que o entendimento contrário afasta a aplicação de urna norma legal vigente, a explicitamente contida no artigo 110 do Código Tributário Nacional.. E, ainda, a consideração de que "said& de contribuição" é diferente de "salário" torna inconstitucional, dentre outros, o artigo 21 da Lei n° 8.212/91, já que a União não tinha competência para instituir "salário de contribuição", somente salário. O que, no caso, a fim de se cumprir o Principio da Presunção de Constitucionalidade das normas jurídicas, obriga-nos A uma interpretação conforme a Constituição, afastando as demais: Art 21 A aliquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo salário-de-contribuição (Redação dada pela Lei n" 9 876, de 26.11 99) Por tudo, concluo que a Lei n" 10.243, de 19/06/2001 derrogou o artigo 28, §90 , alínea "t" da Lei n° 8.212/91 em sua parte inicial, ou seja, a expressão: "o valor relativo a plano educacional que vise A educação básica, nos termos do artigo21 da Lei n" 9.394, de 20 de dezembro de 1996..." Quanta As exigências para o gozo da isenção de que o beneficio não substitua parcelas salariais e seja extensivo A totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação, isto porque 6 razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo beneficio ou mesmo sua disponibilização vinculada A produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. Mas, contudo, corno já salientado , não foi essa a razão do lançamento. Por fim, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores é firme em condicionar a incidência ou não de contribuições previdencidrias ao exame da natureza juridica da parcela paga ao segurado empregado. De sorte que descaracterizada a natureza salarial do pagamento, ficará afástada a incidência de contribuição previdencidria, AD1N 1 659-6 "Resta a e.xaminar, portanto, agora, o pedido de liminar no tocante a argüição de inconstitucionalidade do §2° do artigo 22 da Lei 8,212/91 na redação mantida pela Medida Provisória 1..596-14. Passo a fazê-lo. . .deve-se fazer a luz da orientação majoritária desta Corte, a partir do julgamento do RE 166.772, no sentido de que, na expressão "falha de salários" utilizada no artigo 195, 1, da Constituição, salário não é qualquer pagamento, mas o que, como tal, o é em sentido técnico, distinguindo-se da remuneração em geral, por ser esta gênero de que aquele é espécie. Partindo-se, pois, dessa premissa que fbi uni dos fimdamentos de inconstitucionalidade das expressões "avulsos, autônomos e administradores." (...), tem-se que é relevante a .fundamentação jurídica da presente argfiição de inconstitucionalidade quanto primeira parte tia norma sob eyame (relativa aos abonos)... Por outro lado, no tocante à segunda parte do parágrafo em causa ("bent como as parcelas denominadas indenizatórias., também relevante, com maior razão de ser e isso porque as verdadeiras indenizações, por sua natureza, não integram o salário em sentido técnico...(Ministro Moreira Alves, em 27/11/97) 6( 14 Processo n" 37216 000686/2007-06 S2-C311 Acen Si° n 0 2301-01.774 Fl 8 Por tudo, entendo que não ha incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxilio-educação, ainda que ensino superior, mas desde que oferecido A totalidade de empregados e dirigentes da empresa. Auxilio-Educação aos Dependentes Após o exame sobre a natureza jurídica do auxilio-educação e seus efeitos, passo a discorrer sobre à parcela correspondente aos dependentes dos empregados. Essa parte do voto pode ser segmentada em duas fases: a primeira, que ora inicio, examina o aspecto trabalhista; a segunda, os efeitos tributários O dependente econômico do empregado não é uma terceira pessoa desvinculada dos efeitos jurídicos da relação trabalhista. O salário percebido pelo empregado, nos termos do artigo 7' da constituição Federal, visa atender também a educação da família do trabalhador': .Art. 7" Silo direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de °tarov que visem à melhoria de sua condkrio IV - .salário mínimo, fixado ein lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a sluts necessidades vitais básicas e às de sua . familia com moradia, alimentação, educação, saúde, vestri&lo, higiene, transporte e previde3ricia social, com regjuste.v periódicas que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vincula “lo para qualquer fim, Assim, o auxilio-educação que tenha como beneficiário um dependente econômico do empregado 6 parcela dos proventos percebidos como decorrência do contrato de - trabalho. Apenas seria um dispêndio estranho à relação de emprego, sem repercussão trabalhista ou tributária, caso o beneficiário não fosse dependente do empregado, mas pessoa, familiar ou não, que provesse seu próprio sustento. Essa afirmativa, ao que parece é por demais óbvia, mas esclarece o porque, no presente caso, do ponto de vista trabalhista, não se esta diferenciando o pagamento tendo como beneficiário diretamente o empregado ou indiretamente, quando é oferecido aos seus dependentes. Constato também da leitura do texto constitucional, artigo 7°, inciso IV, que a contraprestação pelo trabalho deve suprir no mínimo as necessidades com moradia, alimentação. educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Então, pouco importa se a necessidade seja suprida em pecúnia ou in natura.. Explicando, quando a empresa custeia diretamente a educação esta sendo suprida uma necessidade do trabalhado r. que igualmente seria satisfeita quando paga na forma de salário em pecúnia. Não há diferença. V8-se que no aspecto trabalhista, foi esse o entendimento da fiscalização. Quanto aos efeitos tributários, ressalta-se que as necessidades com alimentação, educação, saúde, transporte e previdência foram, através de normas inflaconstitucionais, isentas dos encargos trabalhistas e fiscais. Tanto na CLT quanto na lei de custeio da previdência social ha normas de renúncia. Em regra, atendidas as condições exigidas para a isenção, não incidem contribuições previdenciarias sobre essas necessidades básicas, dentre as quais a educação. Pois bem, o questionamento que se faz 6 se ha diferença do tratamento tributário A educação do trabalhador e A de seu dependente? Não creio.. Outra conclusão I5 implicaria ignorar a efetividade das normas constitucionais . No capitulo reservado h educação, impõe-se o dever do Estado e da familia (leia-se: o trabalhador que através do salário custeia a educação de seus dependentes), com a colaboração da sociedade (o empregador), de promover educação de todos; regra esta que se alinha com o aludido artigo 70 : Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da familia, sera promovida e incentivada coin a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Ambas as normas de isenção, artigo 458 da CUT e artigo 28 da Lei no 8,212/91, buscaram a efetividade das normas constitucionais de incentivo e desenvolvimento da educação e perante as mesmas, data vênia, não ha qualquer sentido reconhecer a isenção somente ao beneficio oferecido A educação do trabalhador, deixando de lado a dos dependentes: CUT: Art. 458, ( ) Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador (Redação dada pela Lei n" 10 243, de 19.6 2001) I — vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço, (Incluido pela Lei n" 10.243, de 19.6 2001) II — edueaviio, em estabelecintento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático, ancluido pela Lei n" 10243, de 19 62001) Lei n°8212/91: Art 28 (..) 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: o valor relativo a plano educacional que vise 6 educação básica, nos termos do art 21 da Lei n°9 394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitagdo e qualificagdo profissionais vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seta utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n" 9 711, de 20/11/98),. Em síntese, a conclusão a que se chega emerge do artigo 7°, inciso IV da Constituição Federal e a partir dele de uma "filtragem constitucional" das normas de isenção, que nada mais buscam do que lhe conferir efetividade: a educação do trabalhador e de sua familia, indiferentemente, uma necessidade básica a ser atendida com o salário. Sala das n 2 de dezembro de 2010 JULIO C $AR IRA GOMES N 16
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Numero do processo: 10980.724411/2011-12
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010
RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE.
Não há que se falar em recuperação da espontaneidade quando o recolhimento do tributo estiver desacompanhado da prévia confissão de dívida realizada por DCTF retificadora entregue em data anterior a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010 RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. Não há que se falar em recuperação da espontaneidade quando o recolhimento do tributo estiver desacompanhado da prévia confissão de dívida realizada por DCTF retificadora entregue em data anterior a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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Não há que se falar em recuperação da espontaneidade quando o recolhimento do tributo estiver desacompanhado da prévia confissão de dívida realizada por DCTF retificadora entregue em data anterior a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 44 11 /2 01 1- 12 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de auto de infração de IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte, referente aos fatos geradores ocorridos em janeiro/2010, fevereiro/2010, março/2010, maio/2010 e setembro/2010, fls. 42 a 45, apurado mediante cotejo entre os valores declarados em DIRF e confessados em DCTF, considerando, ainda, os valores pagos por DARF e os incluídos em parcelamento, consoante demonstrado e sintetizado no documento de fls. 39. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o contribuinte foi intimado, fls. 06/07, a apresentar planilhas preenchidas e a DCTF referente aos valores recolhidos de IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado, Código Receita 0561, do ano de 2010. Também a empresa “foi intimada (fls. 7, 8 e 10) a retificar a DCTF, referente aos valores recolhidos em DARF no ano de 2010 relativo ao IRRF Rendimentos do Trabalho Assalariado”. Cientificado de ambas intimações em 25/05/2011, fls. 10 e 11, a autoridade lançadora consignou que o contribuinte respondeu a primeira intimação, fls. 11 a 24 e, quanto à segunda, “não retificou as DCTF’s de março e setembro de 2010 (fls. 29 e 31)”. A ciência do lançamento se deu por via pessoal, em 24/08/2011, fls. 47, e na data de 23/09/2011, fls. 48, o sujeito passivo ingressou com a Impugnação de fls. 48 a 49, instruída com os documentos de fls. 50 a 99, alegando, em síntese, que: efetuou o pagamento dos débitos referentes aos períodos de apuração março/2010 e setembro /2010, código de Receita 0561, nos totais de R$ 9.258,69 e R$8.889,08, respectivamente, aí incluídos multa de mora e juros de mora, de forma espontânea, uma vez que realizado anteriormente à lavratura à lavratura do auto de infração e dentro do prazo de 60 dias previsto no art. 7º, §§ 1º e 2º do Decreto nº 70.235, de 1972. apresentou DCTF dentro do prazo estipulado por lei. requer que seja declarado nulo o auto de infração, com a consequente dispensa da multa cobrada. A DRJ em Curitiba/PR, fls. 109 a 114, julgou improcedente a impugnação, para manter integralmente o Crédito Tributário lançado quanto aos períodos de 31/03/2010 e 30/09/2010, e por outro lado, considerou incontroverso o crédito tributário referente aos períodos de janeiro/2010, fevereiro/2010 e maio/2010, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE DIRF X DARF X DCTF. PAGAMENTOS DE DARF E RETIFICAÇÃO DE DCTF REALIZADOS APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE EXCLUÍDA. Após regular intimação de inicio de procedimento fiscal, requisitando elementos relacionados com a matéria fiscalizada, os atos praticados pelo contribuinte, no sentido de efetuar pagamentos de DARF e retificação de DCTF, visando regularizar sua situação, não produzem efeitos para eximirse da multa de ofício, já que o interessado estava com a espontaneidade excluída. Impugnação Improcedente Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.724411/201112 Acórdão n.º 2802003.079 S2TE02 Fl. 162 3 Crédito Tributário Mantido Cientificado em 28/11/2011, fls. 124, o interessado interpôs recurso voluntário em 27/12/2011, fls. 125 a 129, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, para aduzir, em síntese, que: a própria decisão recorrida reconhece o pagamento realizado em 31/05/2011 aconteceu antes da lavratura do auto de infração em 19/08/2011; a consolidação posterior do débito pelo auto de infração comprova a denúncia espontânea por parte do recorrente, segundo art. 138 do CTN; ao apresentar a DCTF e efetuar o pagamento dentro do prazo legal, a recorrente elidiu a responsabilização pelo pagamento da multa; a notificação datada de 25/05/2011 não pode ser entendida como ato de ofício apto a ensejar a abertura do procedimento fiscal, uma vez que sequer havia sido constituído o crédito tributário, o que ocorreu com a homologação da DCTF retificadora apresentada pela recorrente em 22/09/2011, nos moldes do art. 142, do CTN; o pagamento dos DARF foi realizado antes mesmo da apresentação da DCTF retificadora, do que não se pode afirmar sequer que houve atraso no pagamento em face de declaração prévia pelo contribuinte do imposto lançamento por homologação; no caso, a denúncia espontânea se operou pelo pagamento e entrega da DCTF retificadora, no prazo legal, de forma que deve ser afastada a multa. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Observese, inicialmente, que o presente exame se restringe aos recolhimentos dos tributos realizados pelo contribuinte em relação aos fatos geradores ocorridos em 31/03/2010 e 30/09/2010. O recorrente alega que o recolhimento dos valores do IRRF relativos aos fatos geradores ocorridos em 31/03/2010 e 30/09/2010, se deu de forma espontânea, nos termos do art. 7º, §§ 1º e 2º do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: “Art. 7.º. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 § 1.º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2.º. Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A respeito do assunto, a decisão recorrida afirma que: “O interessado junta os Comprovantes de Arrecadação de fls. 70 (referente o PA 30/09/2010); e o de fls. 92 (referente o PA 31/03/2010), ambos tendo como Data de Arrecadação 31/05/2011 (...). Acosta também cópia de DCTF retificadora apresentada em 22/09/2011 (fls. 53), onde se verifica a inserção do Débito de IRRF – 0561 referente Setembro/2010, no valor de R$ 7.043,65, com vinculação do pagamento supra mencionado (fls. 57); e do Débito IRRF – 0561 referente Março/2010, no valor de R$ 7.059,63, com a respectiva vinculação do pagamento acima citado (fls. 75). Pesquisas no sistema SINAL09, de fls. 103105 , confirmam a existência dos pagamentos tal qual informados na impugnação, sendo que o DARF referente a Março/2010 foi objeto de REDARF (fls. 104), onde houve a retificação da data de vencimento do Débito. Está assente que eles se deram, ambos, em 31/05/2011, portanto, após ter sido cientificado da intimação de fls. 0609. (...) Assim, como se observa, o contribuinte foi cientificado do início do procedimento fiscal em 25/05/2011, efetuou os pagamentos do IRRF de Março/2010 e Setembro/2010 em 31/05/2011, e entregou DCTF Retificadora em 22/09/2011. Portanto, suas medidas reparatórias, com um eventual sentido regularizador de sua situação, foram realizadas quando já estava sob ação fiscal, com sua espontaneidade excluída, razão pela qual não podem produzir efeitos, visando eximirse da multa de ofício, os atos que praticou (pagamentos dos DARF e retificação da DCTF).” Observase, conforme relatado, que a ciência do auto de infração foi dada ao contribuinte em 24/08/2011. Em 22/09/2011, ou seja, vinte e nove dias após ter sido devidamente notificado do lançamento de ofício, o contribuinte providenciou transmissão de sua DCTF retificadora à Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme fls. 141. Portanto, o ato de recolher os tributos em 31/5/2011 não pode ser considerado um procedimento decorrente de recuperação da espontaneidade, como entendeu o recorrente, uma vez que desacompanhado da prévia confissão de dívida realizada por DCTF retificadora entregue em data anterior a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo. Esse entendimento possui precedentes no STJ, dos quais abaixo transcrevo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS CONFIGURADOS. MATÉRIA DE PROVA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.724411/201112 Acórdão n.º 2802003.079 S2TE02 Fl. 163 5 1. Há de ser preservada a fundamentação atacada no sentido de que é cabível ao caso o benefício da denúncia espontânea, dada a realização do pagamento de débito juntamente com a respectiva confissão, já que foi apreciada pela Corte de origem com base na análise do contexto fático instaurado no processado. Súmula 7/STJ. 2. Agravo regimental nãoprovido. (STJ, 1ª T. AgRg no Ag 858887 / SP, Rel. Ministro José Delgado) TRIBUTÁRIO. IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. I Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, ante seu manifesto caráter infringente, em atenção aos princípios da instrumentalidade das formas e da fungibilidade recursal. II Acerca da denúncia espontânea, esta Colenda Corte Superior firmou entendimento no sentido de que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando não há o denominado autolançamento por meio de prévia declaração de débitos pelo contribuinte, não se encontra constituído o crédito tributário, razão pela qual, nesta situação, a confissão da dívida acompanhada do seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo, configura denúncia espontânea, capaz de afastar a multa moratória, o que é a hipótese dos autos. Precedentes: REsp 836.564/PR, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 03.08.2006; AgRg no REsp 868680/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 27.11.2006 p. 267 e AgRg no Ag 600.847/PR, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 05.09.2005. III Agravo regimental provido. (STJ 1ª T. EDcl no AgRg no REsp 926647 / RJ, Re. Ministro Francisco Falcão) (negritos acrescentados) Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904606/2012-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 46 06 /2 01 2- 71 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte transmitiu o Per/DComp em 14/07/2009 (fl. ), referente ao ano calendário de 2003, sob a alegação de haver recolhido Cofins a maior, proveniente da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins (§1, art. 3º, Lei 9.718/98), portanto oriundo da inclusão indevida de ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 024935674, ao proceder o exame desse fato verificou a inexistência de crédito para à satisfação da compensação declarada, não a homologando. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte arguiu que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal, assim considerando a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Aduziu que ao realizar as vendas de seus produtos efetuou o recolhimento de ICMS, imposto esse que repassa ao seu preço, incluindoo por tal razão em seu faturamento, com isso o ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins e, embora não seja faturamento, não se constitui como receita operacional da contribuinte, como também que o ICMS, como tributo estadual, é considerado como despesa do sujeito passivo da Cofins e, concomitantemente, receita do erário estadual, sendo injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência do PIS e da Cofins. No mais, o STF decidiu que o ICMS não é receita da venda de bens ou da prestação de serviços (RE nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, DJ de 06/02/2006), Ciente da inconstitucionalidade da aplicação dessa sistemática, dissociada da real base de cálculo do PIS/Cofins, requereu a compensação do valor recolhido indevidamente em 17/05/2007, eis que o ICMS não deve fazer parte da base de cálculo do PIS/Cofins, forçandose concluir por sua exclusão, mencionando, outrossim jurisprudência que trata do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins, com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (18471.000899/200683). A contribuinte também fundamentou acerca da impossibilidade da cobrança do crédito tributário sob a égide do§ 1º do art. 475L, do CPC, com a redação dada pela Lei nº 11.232/05, in verbis: § 1º Para efeito do disposto no inciso II do caput desta artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 20 3 Explicitou a interessada a maneira como apurou o direito creditório no mês 01/2005, mediante a realização do levantamento do ICMS total para o período que, multiplicado pela alíquota da Cofins, chegase ao montante do crédito a receber, pois pago sobre base de cálculo estranha à contribuição. Ao final requereu a anulação do despacho decisório impugnado e o reconhecimento do direito creditório, com fulcro no art. 26 do Dec. nº 70.235/72 e, não sendo este o entendimento profligado, requer a suspensão da cobrança do crédito até a prolação da decisão em definitivo pelo STF. Os autos foram conclusos para apreciação pela 6ª Turma da DRJ/RPOSP, que por meio do Acórdão nº 1443.443, proferiu decisão, cuja síntese encontrase na ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar nº 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado no pedido de restituição e/ou na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão em questão, ao se pronunciar acerca da suspensão do processo aduziu que o pleito não encontra amparo na legislação mencionada, pois o rito processual em tela se aplica às controvérsia acerca de pedido de restituição e compensação formalizados perante a RFB, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96, com Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 a redação da Lei nº 10.833/2003, bem assim que o art. 265, IV, do CPC, estabelece a hipótese de suspensão aplicáveis a processos judiciais, conforme preceitua o art. 1º do próprio CPC, portanto rejeitando o pleito da manifestante. Relativamente à juntada posterior de documentos aos autos pela contribuinte entendeu a referida decisão que ocorreu a preclusão temporal, consoante o disposto no art. 15 do Dec. nº 70.235/72, bem assim que o requerimento nesse sentido foi genérico, ausentes os requisitos previstos no art. 16, § 4º, do mesmo diploma legal, rejeitando também este pleito. A discussão acerca do mérito pautouse sob dois aspectos, quais sejam: (i) a questão da comprovação da liquidez e certeza do direito creditório alegado, estando o ônus da prova sob a responsabilidade da manifestante e, quanto a este aspecto não laborou a parte interessada em demonstrar por meio de prova hábil e idônea o alegado, eis que não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele período de apuração e o débito apurado, de acordo com o disposto no art. 923 do RIR/99; e (ii) a questão da exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Neste sentido também não logrou êxito a contribuinte, eis que nos termos do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, com redação da Lei nº 11.941/09, como também do art. 18 da Portaria RFB nº 10.875/07, DOU de 24/08/07, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em consonância com essas premissas, complementarmente, aduziu que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento, englobando a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, diminuído das deduções ex vi do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que somente a lei pode estabelecer a hipótese de exclusão, que tais possibilidades estão elencadas diploma legal retromencionado e que tais exclusões não contemplam a exclusão do ICMS incluído no preço da venda, nesse sentido se manifestando o enunciado da Súmula 94 do STJ. Por entender não haver a contribuinte comprovado nos autos a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação nos termos do art. 170 do CTN, não há se cogitar reparos no despacho decisório, nem tampouco nos procedimentos de cobrança levados a efeito pela autoridade administrativa. Cientificada do Acórdão nº 1443.443 em 25/10/2013, por decurso de prazo, haja vista a data de disponibilização em sua caixa postal em 08/10/2013, dele recorreu aduzindo sucintamente: Em relação à suspensão do presente processo até o julgamento final pelo STF do afastamento do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, a decisão a quo não observou o condito no art. 543B do CPC, que trata do reconhecimento da repercussão geral e do sobrestamento dos autos quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, nem mesmo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 62A, do RICARF/09. A CF/88, por meio do art. 195, I, 'b', ao tratar do financiamento da seguridade social por toda a sociedade, mediante recursos: do empregador, na forma da lei, incidentes sobre a receita ou o faturamento, ex vi do decidido no PAF nº 18471.000899/200683, pelo afastamento da exigência relativa ao alargamento da base de cálculo PIS/COFINS, declarado inconstitucional pelo STF. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 21 5 No mais a contribuinte reitera os termos expendidos na exordial, minudentemente, resumidamente que o ICMS não traduz em receita do contribuinte, porém do Estado, na medida em que o contribuinte apenas participa da operação como substituto tributário. Ou seja, IMPOSTO NÃO É FATURAMENTO OU RECEITA. Requer ao final pela suspensão do presente processo em decorrência da repercussão geral reconhecida no RE nº 574.706, nos termos da Portaria MF nº 586; ou, alternativamente, o provimento do recurso para reforma da decisão a quo e para o reconhecimento do direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 22 7 Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 23 9 Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 24 11 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 25 13 § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 26 15 Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 27 17 geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904606/201271 Acórdão n.º 3803006.217 S3TE03 Fl. 28 19 alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15540.720394/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.
Numero da decisão: 2201-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 28/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
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MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 28/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 94 /2 01 1- 47 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 20/23, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 6.858.029,52. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%. A fiscalização apurou, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 12/18): (1) Dedução indevida de dependente: foi glosada a dependente Valélia de Araújo Alonso (CPF: 052.126.63784), declarada sob o código 11, nas Declarações de Ajuste Anual – DAA dos exercícios 2008, 2009, 2010 e 2011. (2) Dedução indevida de despesas médicas: foi considerada indevida a dedução do valor de R$ 9.900,00, relativo à despesa declarada na DAA do exercício 2009 com a dependente glosada. (3) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada: foram considerados rendimentos omitidos os valores creditados nas contas bancárias discriminados na planilha às fls. 32/42, cuja origem o interessado não logrou comprovar; os valores objeto do lançamento correspondem a depósitos/créditos verificados na conta corrente nº 160733 (agências nº 37885 e 46906) do Banco do Brasil e na conta corrente nº 2409788 (agência 0325) do Banco Itaú ... Relativamente ao procedimento fiscal, a autoridade singular destacou os seguintes pontos: inicialmente foi aberto procedimento de fiscalização sobre a contribuinte Valélia de Araújo Alonso (CPF: 052.126.63784), selecionada em virtude da elevada movimentação financeira e de ter apresentado Declaração de Isento, relativa ao ano calendário 2007; após inúmeras tentativas infrutíferas de intimação da citada contribuinte para cientificála do início da ação fiscal, foi necessário emitir Requisições de Movimentação Financeiras – RMF às instituições bancárias; nos trabalhos constatouse que Valélia de Araújo Alonso havia falecido em 21/01/1997, que existe processo de inventário aberto e o inventariante é seu neto, Roberto de Oliveira Alonso Neto; em resposta à RMF, o Banco do Brasil encaminhou os extratos bancários relativos ao anocalendário 2007, bem como os documentos que constam do cadastro da conta corrente de titularidade da então investigada, merecendo destaque uma procuração assinada 10 anos após o falecimento da titular da conta em que o Sr. Cláudio Roberto Gonçalves Palma, interessado no presente processo, figura como outorgado com plenos poderes para movimentála; Fl. 668DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15540.720394/201147 Acórdão n.º 2201002.470 S2C2T1 Fl. 3 3 à vista dos fatos e documentos coletados no desenvolvimento da ação fiscal, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de Diligência nº 2011002478 em face do interessado, para o qual foi encaminhado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 206/207); por meio desse expediente, recebido em 13/04/2011, a fiscalização deu conhecimento ao interessado do material até então coletado que o indicavam como real beneficiário dos valores movimentados na conta corrente em análise, sendo na seqüência intimado a apresentar comprovação de origem para os depósitos bancários; o interessado justificou os depósitos alegando que são decorrentes de prêmios lotéricos e juntou documento com timbre da Caixa Econômica Federal (CEF), para fins de comprovação; instados a se pronunciar, a CEF e o signatário do documento não confirmaram a sua emissão, tendo a instituição declarado que os alegados pagamentos nunca ocorreram; em virtude dos fatos apurados, o investigado da ação fiscal em curso passou a ser identificado como espólio de Valélia de Araújo Alonso e foi determinada a extensão da fiscalização para os períodos subsequentes (período de 2008 a 2010) e também em relação ao Sr. Cláudio Roberto Gonçalves Palma, interessado no presente processo, mediante expedição do MPF de Fiscalização nº 2011004560; o interessado foi intimado em 13/07/2011 (fl. 272/273) a apresentar, entre outros, os comprovantes de todos os rendimentos recebidos no período fiscalizado e os extratos de todas as suas contas correntes, de poupança e investimentos, mantidas em seu nome, constando a movimentação de 2007 a 2010; os extratos bancários solicitados foram obtidos somente via RMF o que possibilitou o encaminhamento ao contribuinte do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 533/534), emitido em 09/09/2011, para que ele identificasse e comprovasse a origem dos recursos que deram origem aos depósitos verificados na conta corrente 160733 do Banco do Brasil e na conta 2409788 do Banco Itaú, listados em planilha anexa; não tendo o interessado apresentado os esclarecimentos e comprovações solicitados, a fiscalização encerrou o procedimento fiscal lançando como rendimentos omitidos os valores creditados nas contas bancárias discriminados na planilha às fls. 32/42, cuja origem entendeu que o interessado não logrou comprovar, bem como considerou indevida a dedução das despesas com a dependente Valélia de Araújo Alonso; sobre o imposto apurado foi aplicada multa de ofício qualificada em 150 %, nos termos do que dispõe o art. 44 da Lei Fl. 669DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 9.430/96, por entender a fiscalização que o interessado agiu com intuito de fraude; em apenso aos autos, seguem processos relativos a: (1) representação fiscal para fins penais (nº 15540.720396/2011 36), formalizada conforme previsto nas Portarias RFB n.º 2.439/2010 e 3.182/2011, apontando a ocorrência de fatos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária e (2) arrolamento de bens (nº 15540.720395/201191). Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Inicia a peça de defesa discorrendo sobre o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Compara a sistemática criada com a implantação do MPF com a que existia anteriormente. Na sequência, transcreve trechos de julgados administrativos a respeito dos efeitos sobre o lançamento fiscal decorrente de irregularidades no MPF. Admite a existência de jurisprudência no sentido de não se considerar tal ato como elemento indispensável para a validade do lançamento, mas ressalta que discorda dessa linha de entendimento. Defende que eventual irregularidade no MPF configura vício de procedimento que pode acarretar sim a invalidade do lançamento. Acrescenta que tal vício é passível de ser sanado no decorrer do procedimento fiscal, mas não depois de lavrado o Auto de Infração, pois, caso contrário, restaria prejudicada a própria finalidade do MPF que é assegurar maior transparência ao trabalho fiscal. Reproduz ementas de julgados e doutrina que estariam em consonância com sua posição. Transcreve parte das Portarias RFB nº 11.371 e nº 4.066, de 2007, que dispõem sobre as regras para emissão dos MPF, bem como o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata da intimação no procedimento fiscal. Sustenta que, no caso dos autos, o MPF foi emitido em total afronta aos mandamentos legais. Alega irregularidades em seus requisitos de validade. Diz que “não foi dada ciência ao contribuinte para efeito de reconhecimento do agente perante o mesmo, para a perfeita atenção aos atos administrativos para o qual estava sendo iniciada a apuração do fisco, que por sinal, não consta aos autos os motivos de ordem pública para instauração do feito”. Afirma ainda que deveriam ter sido indicados no MPF a natureza do procedimento fiscal a ser executado, o prazo para o encerramento dos trabalhos e os tributos ou contribuições que seriam objeto de fiscalização, o que não ocorreu. Diz ainda que o MPF teve início em 13/12/2010, sem delimitação de prazo, o qual teria sido prorrogado sucessivamente, em desacordo com os mandamentos legais, uma vez que não foram expostos os fundamentos que estavam “balizando/alicerçando/ convalidando” o procedimento, o que poderia sugerir intenção de prejudicar o contribuinte. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15540.720394/201147 Acórdão n.º 2201002.470 S2C2T1 Fl. 4 5 Aponta ainda falta de competência do agente frente à ausência da devida prorrogação do MPF acarretando nulidade do ato administrativo. Conclui que as irregularidades do MPF macularam o procedimento administrativo e causaram efetivo prejuízo ao contribuinte. Solicita, assim, o acolhimento de suas razões para que tal ato seja anulado, bem como os seus efeitos, especialmente no que diz respeito à cobrança do crédito tributário lançado e arrolamento de bens. A 7ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ I julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A competência para constituir o crédito tributário é ato vinculado e conferido por lei ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 06/06/2013 (fl. 635pdf), Claudio Roberto Gonçalves Palma apresenta Recurso Voluntário em 01/07/2013 (fls. 637pdf e seguintes), sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; dedução indevida de dependente e dedução indevida de despesas médicas, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010. Em seu apelo, reitera o contribuinte a preliminar suscitada em sua Impugnação, qual seja, que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) possui falhas que viciaram todo o procedimento fiscal, razão pela qual a exigência fiscal deve ser anulada. De pronto, sem querer ser repetitivo, reproduzo os bem lançados fundamentos da decisão recorrida, os quais adoto e agrego ao meu voto: Fl. 671DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 No caso dos autos, verificase que o procedimento fiscal sobre o interessado iniciouse na forma de diligência para coleta de informações necessárias ao desenvolvimento de outra ação fiscal em curso. O Termo de Constatação e Intimação Fiscal à fl. 206, emitido em 05/04/2011, formalizou o início desse procedimento ao dar ciência ao interessado da existência de ação fiscal em andamento sobre o espólio de Valélia de Araújo Alonso e dos fatos até então apurados que ensejaram o aprofundamento das investigações com abertura de procedimento fiscal de diligência em seu nome. O respectivo MPF (nº 2011002478), bem como o código de acesso para consulta na internet, foram devidamente indicados no cabeçalho do referido Termo. Com a lavratura, em 08/07/2011, do Termo de Intimação Fiscal às fls. 271/272, recebido pelo interessado em seu domicílio fiscal e endereço comercial em 13/07/2011, o interessado foi intimado a apresentar diversos elementos relativos às declarações de ajuste anual dos exercícios 2008 a 2011, bem como extratos de sua movimentação bancária. Esse Termo de Intimação Fiscal fez referência ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 201100456 0, emitido em 06/07/2011, no qual constou a informação de que o procedimento fiscal em curso passara a ser de fiscalização. Conforme se verifica à fl. 02, nesse mesmo MPF foi informado o período objeto de investigação (01/2007 a 12/2010), o tributo a ser fiscalizado (IRPF), bem como os auditores fiscais encarregados da execução do procedimento fiscal ora definido. Foi fixado ainda o prazo para execução do Mandado: 03/11/2011, o qual foi prorrogado para 02/03/2012, conforme se verifica no campo “Demonstrativo de Prorrogações”. Ressaltese que por meio do citado Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte tomou ciência do número do MPF de fiscalização e do código de acesso para verificação no sítio da Receita Federal do Brasil. De posse desses dados, o interessado esteve plenamente capacitado a acessar todas as informações contidas no Mandado e confrontálas com as exigências feitas pela fiscalização. Em relação à alegada falta de motivação para início do procedimento fiscal, cumpre salientar que a instauração de uma ação fiscal prescinde de justificativa perante o contribuinte. A ação fiscal é uma fase oficiosa em que a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para iniciar qualquer tipo de procedimento, seja de fiscalização ou de diligência. Todos os contribuintes, pessoas físicas ou jurídicas, estão obrigados a prestar informações ao Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, tanto que apresentam regularmente declarações de rendimentos, ficando sujeitos à auditoria das informações prestadas, momento em que pode ser lhes exigida a documentação comprobatória, cabendo ao contribuinte a obrigação de atender as intimações expedidas nesse sentido, conforme preceituam os art. 927 e 928 do RIR/99. Assim é que as normas que disciplinam o MPF não previram a apresentação ao contribuinte das razões que ensejaram o início Fl. 672DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15540.720394/201147 Acórdão n.º 2201002.470 S2C2T1 Fl. 5 7 do procedimento fiscal ou mesmo os motivos para sua prorrogação, não cabendo assim os argumentos do impugnante a esse respeito. Vale notar que, mesmo não sendo obrigatória a indicação dos motivos para abertura de um procedimento fiscal, a autoridade autuante, ao lavrar o Termo à fl. 206, antes de proceder à intimação para apresentação de esclarecimentos e documentos, deu conhecimento ao interessado dos elementos até então coletados na ação fiscal aberta sobre o espólio de Valélia de Araújo Alonso que o indicavam como real beneficiário de valores depositados em conta bancária objeto de investigação. Ou seja, por intermédio do referido termo, a fiscalização não só deu ciência ao contribuinte do início de procedimento fiscal em seu nome como expôs os motivos para tal medida. Do exposto, verificase que a autoridade julgadora a quo foi bastante criteriosa e logrou demonstrar que não houve qualquer falha na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Ademais, se houvesse vício no MPF (que não ocorreu neste processo, digase), eventuais omissões ou incorreções no referido documento, não dão causa a nulidade prevista no inciso I do art. 59 do Decreto n° 70.235/1972 (atos e termos lavrados por pessoa incompetente). Não se pode perder de vista que a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é derivada diretamente da lei, cabendo a ele, independentemente de observação de normas administrativas, cumprir as determinações contidas no art. 142 do CTN. Citase, outrossim, ementa nesse sentido: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A inexistência de MPF ou erros na elaboração, emissão ou cumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal não provocam nulidade do Lançamento de Ofício e da Autuação, pois o art. 142 do CTN não pode ter sua validade ou aplicação condicionada por normas infralegais. (Processo n°: 16327.003401/200249 – Acórdão nº 0707.532) Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. Ressaltese que o recorrente, além das questões de direito mencionados em sua preliminar, não se insurge contra o mérito da autuação. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 673DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 12571.000168/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
AQUISIÇÃO DE FRETE PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MOMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO.
As despesas relativas a frete para aquisição de insumos geram direito a crédito de PIS não cumulativo, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. Considera-se adquirido o frete, para efeitos de creditamento de PIS, no momento da conclusão do transporte dos insumos adquiridos, ou seja, na entrada dos referidos insumos no estabelecimento do adquirente.
Numero da decisão: 3201-001.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(ASSINATURA DIGITAL)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINATURA DIGITAL)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento Silva e Pinto, Daniel Mariz Gudiño, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE FRETE PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MOMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO. As despesas relativas a frete para aquisição de insumos geram direito a crédito de PIS não cumulativo, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. Considera-se adquirido o frete, para efeitos de creditamento de PIS, no momento da conclusão do transporte dos insumos adquiridos, ou seja, na entrada dos referidos insumos no estabelecimento do adquirente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (ASSINATURA DIGITAL) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINATURA DIGITAL) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento Silva e Pinto, Daniel Mariz Gudiño, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 415 1 414 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.000168/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.361 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA CASTROLANDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 AQUISIÇÃO DE FRETE PARA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MOMENTO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO. As despesas relativas a frete para aquisição de insumos geram direito a crédito de PIS não cumulativo, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. Considerase adquirido o frete, para efeitos de creditamento de PIS, no momento da conclusão do transporte dos insumos adquiridos, ou seja, na entrada dos referidos insumos no estabelecimento do adquirente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (ASSINATURA DIGITAL) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINATURA DIGITAL) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento Silva e Pinto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 68 /2 00 9- 76 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Daniel Mariz Gudiño, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a interposição do recurso voluntário, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida e sua ementa, seguidos das razões recursais: Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/Pasep – Mercado Interno, apurados no regime de incidência nãocumulativa, correspondente ao 4º trimestre de 2004, totalizando R$ 278.850,65 (fls. 16/18), formulado por meio do Per/Dcomp retificador nº 10922.63871.130808.1.5.109696, cumulado com Dcomp retificadora nº 21810.47536.140808.1.7.103512 e nº 34757.76040.150808.1.3.104189 (original), pretendendo compensar (parte de) débitos de IRPJ (R$ 6.648.036,29) e CSLL (R$ 2.544.015,94), tendo sido, inclusive, realizado depósito administrativo para garantir as compensações pleiteadas. A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do Despacho Decisório nº 101/2009, a partir das informações fornecidas pela interessada, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 147.215,78 e, em conseqüência, homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Na análise realizada pela autoridade administrativa, consta que o pedido da interessada está fundamentado na apuração de créditos do PIS/Pasep relativos às entradas de produtos e insumos sujeitos à incidência nãocumulativa, vinculados às receitas não tributadas no mercado interno, decorrentes de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, que não puderam ser compensados com débitos da própria contribuição. E também de créditos em relação a receitas de vendas de bens e mercadorias a associados adquiridos pela cooperativa e de não associados; receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos à assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; e receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; conforme decidido na Solução de Consulta nº 80 SRRF/9ªRF/DISIT, de 17/03/2008, que, em síntese, igualou essas receitas àquelas do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Consta, ainda, que só foram admitidos para aproveitamento os créditos a partir de 09/08/2004, conforme preceitua o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Em relação às receitas, foi constatado que, diferentemente do registrado no Dacon, houve a apuração de receitas tributadas no período, sendo por isso os créditos da contribuição do mercado Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 12571.000168/200976 Acórdão n.º 3201001.361 S3C2T1 Fl. 416 3 interno apropriados proporcionalmente, pelo critério de rateio, às receitas tributadas e nãotributadas. Procedeuse também às seguintes glosas de créditos decorrentes de: a) compras de materiais para uso e consumo, registradas sob o código CFOP 1.556, 2.556 e 3.556, que não têm relação com à produção de bens; b) gastos com energia elétrica, fornecida pela Cooperativa de Eletrificação Rural Castrolanda Ltda., a qual é membro cooperado, por isso não houve recolhimento da contribuição na etapa anterior; c) despesas de frete e armazenagem com data de emissão do documento fiscal anterior à data de entrada da cooperativa no regime de nãocumulatividade; e d) encargos de depreciação de bens que não foram demonstrados sua utilização no processo produtivo. Cientificada em 06/11/2009, a interessada, por intermédio de seu representante legal, ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 332/334, em 07/12/2009, argumentando, em síntese, que dentre os diversos fundamentos adotados pelo auditor fiscal para efetivar a glosa dos créditos encontrase os créditos correspondentes a frete, tendo em vista que a data de emissão das notas fiscais ou conhecimento de transporte se deu em data anterior a maio de 2004. Entretanto, a seu ver, o crédito de PIS e Cofins é descontado com base na data de entrada da mercadoria no estabelecimento, como já reconhecido pela Receita Federal na sistemática de nãocumulatividade do IPI quando da aquisição de mercadorias. (Grifouse) A instância a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, deixando de reconhecer o direito creditório declarado, nos termos do Acórdão nº 0635.837, de 07/03/2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 MOMENTO DE UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. FRETE E ARMAZENAGEM. O momento para as pessoas jurídicas se utilizarem do crédito para o desconto da contribuição devida ou para o pedido de compensação ou ressarcimento é o da data de aquisição dos bens para revenda ou utilizados como insumos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o resultado do julgamento de 1ª instância administrativa, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em síntese, os argumentos já suscitados em sua manifestação de inconformidade. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 O processo foi encaminhado para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da discussão consiste em saber se dão direito a crédito de PIS não cumulativo despesas de frete e armazenagem com data de emissão do documento fiscal anterior à data de entrada da cooperativa no regime de nãocumulatividade. Como muito bem ressaltou a Recorrente, a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não se confunde com a não cumulatividade do IPI. No primeiro caso, dá direito a crédito certas despesas e encargos previstos em lei e nas condições por ela definidas; no segundo caso, dá direito a crédito o imposto pago na etapa anterior da cadeia produtiva, salvo exceções legais em que o pagamento do imposto é dispensável para a geração de créditos. Tal esclarecimento fazse necessário para deixar claro que os critérios de creditamento são distintos nos dois casos. Analisando os dispositivos legais relativos à geração de crédito de PIS e Cofins, verificase que tanto a Lei nº 10.833, de 2003, quanto a Instrução Normativa SRF nº 404, de 2002, são claras ao disporem que: (i) as despesas com frete contratado no contexto da ; produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (insumos) dão direito a crédito no mês em que realizadas as respectivas aquisições de bens e serviços; e (ii) as despesas com armazenagem dão direito a crédito no mês em que forem incorridas. O art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 12571.000168/200976 Acórdão n.º 3201001.361 S3C2T1 Fl. 417 5 [...] Para a fiscalização, o mês em que os bens e serviços foram adquiridos e as despesas foram incorridas corresponde ao mês da emissão das respectivas notas fiscais. Tal entendimento foi confirmado pela instância a quo. Contudo, esse não parece ser o momento em que tais despesas são incorridas. No caso do serviço de transporte contratado para transportar os insumos a serem utilizados na produção da Recorrente, o serviço somente pode ser considerado como adquirido quando o frete é concluído, ou seja, quando o insumo transportado ingressa no estabelecimento da Recorrente. Isso porque o serviço é um bem imaterial e, como tal, a sua aquisição deve ser considerada no momento em que o seu objeto se aperfeiçoa, pois essa hora é a que mais se aproxima da tradição do bem material. Antes disso, não há como considerar que o referido bem imaterial foi adquirido. Analisando o relatório intitulado “Glosa das Notas de Frete e Armazenagem – Anteriores a Maio de 2004” (fls. 306/308), percebese que, embora as notas fiscais de prestação de serviços de transporte tenham sido emitidas antes de a Recorrente estar sujeita à não cumulatividade do PIS, a entrada das mercadorias transportadas no seu estabelecimento posteriormente a 1º/05/2004, quando, então, a não cumulatividade já era uma realidade para a Recorrente. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo o crédito pleiteado pela Recorrente relativamente aos fretes de aquisição de insumos listados às fls. 306/308. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726099/2012-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2010
VERBAS PAGAS À TÍTULO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, QUANDO DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS FICA ISENTA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBA PAGA À TÍTULO DE DIA DO COMERCIÁRIO, VERBA COM NATUREZA SALARIAL, POIS PAGA EM DECORRÊNCIA DE CRITÉRIOS E ELEMENTOS TRABALHISTAS. VALOR EM QUE INCIDE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para determinar a exclusão dos levantamentos PV2 - PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS e PW2 - PREV PRIV CONTRIB INDIVIDUAIS, do lançamento que compõe o presente PAF. Sustentação oral Advogada Dra Kalinka C.F.S. Bravo, OAB/SP nº242.811.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente UGHINI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2010 VERBAS PAGAS À TÍTULO DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, QUANDO DENTRO DAS DETERMINAÇÕES LEGAIS FICA ISENTA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBA PAGA À TÍTULO DE “DIA DO COMERCIÁRIO”, VERBA COM NATUREZA SALARIAL, POIS PAGA EM DECORRÊNCIA DE CRITÉRIOS E ELEMENTOS TRABALHISTAS. VALOR EM QUE INCIDE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para determinar a exclusão dos levantamentos PV2 PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS e PW2 PREV PRIV CONTRIB INDIVIDUAIS, do lançamento que compõe o presente PAF. Sustentação oral Advogada Dra Kalinka C.F.S. Bravo, OAB/SP nº242.811. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 99 /2 01 2- 99 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 301 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 302 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 51.019.6730 – CFL.78, por apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, bem como Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.019.6748, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa das categorias de empregados e contribuintes individuais, parte patronal; SAT e o desconto do contribuinte individual, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.024.5145, que objetiva o lançamento das contribuições para outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, e por fim o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 51.024.5153 – CFL.77, por deixar o contribuinte de apresentar ou apresentar fora do prazo a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 9º, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 24 a 29, com período de apuração de 12/2007 a 12/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 47 e 48. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 24/05/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03, 04, 14 e 21, respectivamente. O PAF é compostos pelos seguintes levantamentos por DEBCAD: a) DEBCAD 51.019.6748: CI2 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; DC2 – RUBRICA DIA DO COMERCIÁRIO; FP2 – FOLHA DE PAGAMENTO SEG EMPREGADOS; PV2 – PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS e PW2 – PREV PRIV CONTRIB INDIVIDUAIS. No DEBCAD 51.024.5145 os levantamentos são: DC2 – RUBRICA DIA DO COMERCIÁRIO; FP2 – FOLHA DE PAGAMENTO SEG EMPREGADOS; PV2 – PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS. Constituem o lançamento as multas punitivas dos Autos de Infração de Obrigação Acessória, supramencionados. Consta, as folhas 85, dos autos, que o presente PAF foi juntado por apensação ao processo 11080.726098/201244. O contribuinte apresentou sua defesa, em 22/06/2012, as fls. 86 a 111, acompanhada dos documentos, de fls. 112 a 181. A empresa atuada apresentou pedido de parcelamento envolvendo os dois DEBCAD’s de obrigação principal deste PAF para os levantamentos: FP2 – FOLHA DE PAGAMENTO SEG EMPREGADOS e CI2 – CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, bem como para os dois autos de infração de obrigação acessória, conforme petição, de fls. 182. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 303 4 Devido a este pedido de parcelamento o processo original foi desmembrado e transferido para o processo 11080.727996/201210, os créditos incontroversos e que foram objeto do pedido de parcelamento, conforme documentos, de fls. 213 e 214. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 223. A empresa recorrente peticionou, as fls. 224, pelo fornecimento de cópia do processo, tal pedido foi atendido, conforme recibo, as mesmas folhas, datado de 04/07/2012. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1042.039 7ª, Turma DRJ/POA, em 08/01/2013, fls. 238 a 248. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/02/2013, conforme AR, de fls. 262. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 264 a 290, recebido, em 21/03/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 335, acompanhado dos documentos, de fls. 291 a 298. Mérito. · que o lançamento relativo a previdência privada foi realizado sob a alegação de desproporcionalidade dos valores aportados em favor dos participantes e o não favorecimento de alguns empregados, o citado plano não restringe a participação de nenhum trabalhador ou dirigente, não havendo critérios de proporcionalidade entre salário e benefícios; · que a decisão de primeiro grau, assim, como o agente lançador exigiu critérios que não estão na lei, agindo de forma arbitrária e com vício de legalidade, uma vez que o plano de previdência é ofertado a todos, mas nem todos aderem e cabe a recorrente controlar tal adesão para informála a contratada fornecedora do plano, sendo que tal parcela não integra o salário de contribuição, devido a isenção do artigo 28, §9º, alínea “p”, da Lei 8.212/91, cita e transcreve precedente do CARF; · que a fiscalização ao exigir a exação sob a alegação de que o custeio é diferenciado em razão do participante e que isso gera favorecimento em relação a alguns funcionários em detrimento de outros e que assim este não é ofertado a todos violou a norma de isenção e o artigo 142, do CTN, tornado o lançamento nulo, volta a citar e transcrever decisões do CC e do CARF; · que a alegada ausência de proporcionalidade entre os aportes e os salários dos participante não é condição imposta por lei e que para trabalhadores com remunerações idênticas não há desproporcionalidade, além do que o baixo índice de adesão ao plano nada significa, sendo inafastável e lógico que aqueles que ganham até Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 304 5 o teto da previdência não têm interesse, pois a função do plano é complementar a aposentadoria e não criar novo benefício, constando, inclusive, do site da previdência tais conclusões, retorna a citar e transcrever precedentes do CARF e do poder judiciário; · que nos termos do artigo 202, § 2º, da CF/88 a contribuição à previdência complementar não constitui base de cálculo da contribuição social previdenciária, o que, também, é disposto pela artigo 69, § 1º, da LC 109/2001 o mesmo se dando com a CLT, na redação da lei 10.243/2001, artigo 457, § 2º, inciso VI, estando, ainda, tal parcela isenta pela norma do artigo 28, §9°, alínea “p”, da Lei 8.212/91, porém a normas anteriormente citadas não impõe a mesma restrição da lei da previdência, ou seja, a extensão a todos os empregados e dirigentes, e, observando a LICC DL 4.657/42, artigo 2º, assim tal exigência estaria revogada pelas normas posteriores, citando decisões do STF, devendo, assim, ser considerado tacitamente revogado o dispositivo que impõe os requisitos, por ser anterior e incompatível com as demais leis do ordenamento citadas, devendo ser observada a Lei 9.784/99 ao PAF, cita e transcreve decisão do CARF, não estando os requisitos do artigo 28, § 9º, alínea “p”, da Lei 8.212/91 amparado no ordenamento jurídico, não restando outra alternativa senão o cancelamento do crédito tributário; · que não incide contribuição previdenciária sobre a rubrica “Dia do Comerciário”, uma vez que esta não se enquadra no conceito de salário de contribuição, não sendo hipótese de isenção, mas de não incidência da contribuição, pois a julgador a quo não analisou a natureza da verba, pois se o tivesse feito verificaria ser indenizatória, conforme sua natureza jurídica, desde a criação, pois instituída por Convenção – Coletiva, “lei entre as partes”, dispondo esta de sua natureza indenizatória, estando tais instrumentos previstos no artigo 7ª, XXVI, da CF/88, citando e transcrevendo precedente do STJ, não integrando tal verba a base de cálculo, por ser indenizatória como prescreve a convenção, que tem caráter de lei em sentido estrito, conforme jurisprudência e doutrina; · que apenas poderia ser cobrado da recorrente multa por descumprimento da obrigação acessória e nunca a contribuição, por afronta a convenção coletiva lei individual e concreta entre as partes, estando equivocado o lançamento; · Pede e requer a recorrente: a) reforma da decisão de primeiro grau, com o cancelamento dos autos de infração, em razão de não se previdência privada salário de contribuição e de ser indenizatória a verba “Dia do Comerciário”, conforme convenção coletiva; b) realização de sustentação oral, bem como a realização de todas as intimações e comunicações administrativas sejam realizadas e nomes dos causídicos signatários em seus endereço profissional. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade do recurso. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 305 6 Os autos subiram ao CARF, fls. 372, do processo 11080.726098/201244, considerado principal. O contribuinte apresentou petição solicitando o adiamento do julgamento da sessão de fevereiro/2014 para a sessão de março/2014, o que foi deferido. É o Relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 306 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Devido o pedido de parcelamento, que resultou em desmembramento e transferência de valores para outro processo necessário se faz fixar os limites da demanda. Após o parcelamento o presente PAF ficou composto pelos seguintes levantamentos por DEBCAD: a) DEBCAD 51.019.6748: DC2 – RUBRICA DIA DO COMERCIÁRIO; PV2 – PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS e PW2 – PREV PRIV CONTRIB INDIVIDUAIS. No DEBCAD 51.024.5145 os levantamentos são: DC2 – RUBRICA DIA DO COMERCIÁRIO; PV2 – PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS. Os Autos de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 51.019.6730 – CFL.78, e, DEBCAD 51.024.5153 – CFL.77, deixaram de constituir o presente PAF, pois não contestado e parcelados. Inicialmente, cabe esclarecer quanto a rubrica “Previdência Privada”, no que tange a alegação de revogação tácita da exigência da disponibilização a todos os empregados e diretores, que a tese da recorrente esta equivocada, uma vez que tal revogação jamais ocorreu. A uma, porque não cabe mais a LICC DL 4.657/42 cuidar da matéria sobre revogação, uma vez que tal assunto foi disciplinado na LC 95/98 que diz que a revogação deve ser expressa “Art. 9o A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas.”, conforme redação da LC 107/2001, ou seja, não cuidando as lei citadas pela recorrente de trazerem expressas tal revogação esta não ocorreu. A duas, porque a lei de custeio da previdência é lei especial e assim o critério da temporalidade não se coaduna com suas prescrições. A três, porque a CRFB/88 estabelece no artigo 150, § 6º, que a isenção deve ser disciplinada por lei especifica, que regule exclusivamente as matérias previstas e enumeradas no dispositivo em comento ou o tributo ou contribuição, o que as citadas leis não fazem. A quatro porque as decisões do Supremo Tribunal Federal STF citadas não se aplicam a matéria, uma vez que a decisão que cuida do crédito prêmio em IPI cuida da “outorga de isenção ou abrandamentos de ônus dessa isenção”, a que o tribunal disse ser possível apenas nas hipóteses do texto legal, ou seja, a revogação tácita ou a analogia não se aplicam, para aumentar a abrangência da isenção. A outra decisão cuida de extinguir a isenção ou de aumentar a alíquota de contribuição, isto é, aumentar tributo existente ou criar nova base Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 307 8 de contribuintes por meio da extinção da isenção, o que não é a tese sustentada pela recorrente ampliação da isenção por supressão de requisitos ou como ela diz hipótese de não incidência. A cinco, porque só a lei pode nos termos do artigo 97, inciso V c/c o 176, ambos da Lei 5.172/66 criar hipóteses de isenção. Equivocase, também, a recorrente ao trazer à baila a Lei 9.784/99, não que o princípio da segurança jurídica não se aplique ao caso, mas a citada lei certamente não, veja o que o Superior Tribunal de Justiça – STJ diz, pois no âmbito federal o PAF tem disciplina própria. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 308 9 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Assim sendo, não há motivos para se afastar a aplicação do artigo 28, §9º, “p”, da Lei 8.212/91, da forma como disciplinada na lei, uma vez que só outra lei poderia mudar tal exigência. Todavia, apesar das digressões, acima, entendo que no caso em tela aplicase integralmente o que estabelecido no artigo 28, § 9º, alínea “p”, da lei 8.212/91, haja vista que os motivos que levaram a autoridade fiscal lançadora e o julgador de primeiro a concluírem que o plano de previdência privado, não é extensivo a todos os trabalhadores e dirigentes e que há diversidade de contrapartida, não excluem a natureza não remuneratória da verba. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 309 10 As explicações do fisco, como dito acima, para considerar a previdência privada base de cálculo, como a seguir transcritas e confrontadas a seguir, não permitem esta interpretação, é o que se demonstrará em seguida. Analisando referida planilha, constatase que os aportes foram feitos para o presidente da empresa, diretores da empresa e para mais quatro segurados empregados (Marlene Kuse Soares – Chefe de Departamento Pessoal, Nei Renato Cogo – Comprador, Oclir Luiz Gusso – Chefe de Contabilidade, Gilberto Basso – Acionista e Ivo José Thimming Assessor Diretoria). Através da folha de pagamento, verificouse que, os quatro segurados empregados são ocupantes dos cargos que detêm os maiores salários pagos pela empresa. Nenhum empregado pertencente a cargos com remunerações inferiores aderiu ao Plano de Previdência. Constatase, também, através da planilha fornecida pela empresa, que os aportes feitos para os contribuintes individuais (presidente e diretores) são diferenciados. O aporte de maior valor é feito para o presidente. Para os diretores os valores são menores, sendo que alguns diretores possuem valores iguais entre si e outros possuem valores diferentes (menores). Quanto aos aportes feitos para os segurados empregados, os valores são extremamente inferiores. A uma, porque basta que a empresa empregadora ponha o plano à disposição, mas não se exige a adesão maciça dos trabalhadores, ainda, que um único trabalhador faça sua adesão isso não descaracteriza o plano. A duas, porque a existência de aportes distintos para trabalhadores com salário distintos não viola o espírito do benefício, um vez que quem ganha mais terá motivos para pagar mais, pois poderá pretender mais se aproximar de seu salário real quando se aposentar. Alias, é isso que ocorre no RGPS, quem mais ganha, mais paga para aproximarse do teto. Assim, entendo que os levantamentos PV2 – PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS e PW2 – PREV PRIV CONTRIB INDIVIDUAIS, devem ser excluídos dos lançamento que compõe o presente PAF. No entanto, no que tange a rubrica “Dia do Comerciário” as alegações da recorrente não encontram ressonância na legislação. A convenção coletiva, ainda, que prevista constitucionalmente é capaz de ampliar ou definir direitos trabalhistas entre as categorias dos empregadores e empregados, mas não é lei em sentido formal, bem como dela convenção, não participa a vontade do Estado. A lei entre as partes como diz a recorrente não vincula o poder público, pois dela não participou a semelhança da sentença judicial, onde esta só vincula as partes que integram a lide. Aliás, o artigo 123, da Lei 5.172/66 diz que a convenção particular não obriga o fisco. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 310 11 Além do que, a não incidência e matéria que só compete ao ente tributante, pois a ele cabe definir dentro de sua competência constitucional, o que vai ou o que não vai ser tributado, não sendo tal prerrogativa atribuída aos particulares. Ademais, do que dito a própria recorrente apesar de chamar a verba de indenizatória deixa claro que é remuneratória, observese a passagem transcrita de sua peça recursal. 65. A rubrica denominada “dia do Comerciário” consiste em pagamento efetuados pela Recorrente (empregador) aos empregados a título de INDENIZAÇÃO – verba correspondente ao valor de um ou dois dias de salário, a depender do tempo de serviço de cada trabalhador, tendo sido criado em razão da regulamentação da jornada de trabalho pelo Presidente Getúlio Vargas. Não possui previsão legal, sendo acordado através de Convenção Coletiva. Não há dúvidas de que quem define determinado instituto jurídico não é seu nomen iurus, mas sim sua natureza jurídica e no caso em comento não há indenização, mas sim uma verba ajustada paga aos trabalhadores em razão do seu trabalho, pois vinculada a tempo de serviço, em valor correspondente a um determinado número de dias de salário, bem como em razão da jornada de trabalho. A importância paga não é eventual, pois todos anos o trabalhador sabem que o dia do comerciário ocorrerá e que o valor será pago, sabendo até com antecedência o valor que receberá, não está desvinculada do salário, pois não há lei estabelecendo está desvinculação. Verificase, assim, nítida a natureza remuneratória da verba intitulado “Dia do Comerciário”, razão pela qual deve ser mantida no lançamento. A multa por descumprimento de dever instrumental apesar de ter sido inicialmente lançada nestes autos foi incluída em parcelamento pela recorrente, o que implica em reconhecimento e concordância com o lançamento, estabilizandose o crédito em relação a elas. A sustentação oral em julgamento no CARF é direito assegurado as partes pela Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, não havendo nenhuma providência a ser tomada, não há necessidade de intimação do contribuinte da realização de sessão de julgamento, pois o artigo 55, do RICARF determina a publicação da ata no DOU com dez dias de antecedência e no sitio do CARF, cabendo ao contribuinte diligenciar a respeito, bastando aparecer na hora designada para a sessão e manifestar o desejo da sustentação oral e nada mais. Indefiro o pedido de intimação em nome dos causídicos e nos endereços destes, uma vez que o artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, do Decreto 70.235/72 não trazem tal hipótese e estabelecem as formas de comunicações ao sujeito passivo. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, salvo quanto a previdência privada. CONCLUSÃO: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.726099/201299 Acórdão n.º 2803003.103 S2TE03 Fl. 311 12 Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, para determinar a exclusão dos levantamentos PV2 – PREV PRIV SEGURADOS EMPREGADOS e PW2 – PREV PRIV CONTRIB INDIVIDUAIS, do lançamento que compõe o presente PAF. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11080.732752/2011-78
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE SCP. RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NATUREZA TRIBUTÁVEL. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MULTA DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES ERRADAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. CONTRIBUINTE SÓCIO DA FONTE PAGADORA.
Não cabe a exclusão da multa de ofício lançada, quando dos autos se constata que o contribuinte é sócio da fonte pagadora que prestou informação de que seriam isentos os rendimentos recebidos pela prestação de serviços médicos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NATUREZA TRIBUTÁVEL. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES ERRADAS PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. CONTRIBUINTE SÓCIO DA FONTE PAGADORA. Não cabe a exclusão da multa de ofício lançada, quando dos autos se constata que o contribuinte é sócio da fonte pagadora que prestou informação de que seriam isentos os rendimentos recebidos pela prestação de serviços médicos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 27 52 /2 01 1- 78 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por bem descrever a matéria questionada no presente processo, abaixo se transcreve o relatório que integra o Acórdão nº 1037.617, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA, fls. 179 a 187: “Mediante Auto de Infração, Demonstrativos de fls. 105 a 115 e Relatório de Ação Fiscal, de fls. 98 a 104, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 25.767,29, calculados até dezembro de 2011, a título de imposto de renda pessoa física suplementar e acréscimos, em virtude da infringência de dispositivos legais abaixo descritos. 1. A autoridade lançadora detectou Omissão de Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, correspondentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, nos valores respectivamente de R$ 30.908,85 e R$ 33.520,75. Enquadramento Legal: arts. 37, 38, 45, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/1999, art. 1°, inciso I e parágrafo único, da Medida Provisória n° 340/2006, art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482/2007 (fl. 107). O lançamento no contribuinte Dr. Alexandre Sacomori Ferraz foi decorrente de procedimento fiscal junto à Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus (AMEMD) Saúde Sociedade Simples LTDA, cujo resultado está no processo administrativo fiscal nº 11080.723457/201040, no qual a autoridade fiscal procurou demonstrar que os objetivos da celebração do negócio jurídico na constituição da Sociedade em Conta de Participação visava proporcionar a supressão do imposto de renda na fonte incidente no pagamento de serviços prestados pelos profissionais médicos, de forma que esses rendimentos ingressassem como isentos na DIRPF, a título de distribuição de Lucros. A autoridade Fiscal concluiu pela inexistência concreta de uma Sociedade em Conta de Participação e a prestação de serviços não era pelo sócio ostensivo e, sim, pelos profissionais médicos que efetivamente atendiam os pacientes, sendolhes repassado o valor relativo ao seu atendimento e, não, distribuição de lucros equivalente e proporcional ao número de sócios e capital; entendendo, pois, ter havido simulação no negócio jurídico, na qual fez parte o contribuinte com o intuito de, fraudulentamente, diminuir a carga tributária à qual estava sujeito. Face às conclusões pela simulação e intuito de fraude, a Autoridade Fiscal efetuou a Representação Fiscal para Fins Penais sob o processo nº 11080.732753/201112. O contribuinte apresentou impugnação ao Auto de Infração, fls. 119 a 135, consolidando o impugnante o seu pedido, para que seja reconhecida a insuficiência e a improcedência total do auto de infração, tendo em vista que a Amemd Saúde Sociedade Simples LTDA, na condição de sócia ostensiva da Amemd Saúde HMD SCP e de substituta tributária do imposto de renda dos demais sócios participantes da sociedade em conta de participação que receberam valores da sociedade em conta de participação que receberam valores a título de distribuição de lucro, deve responder pelo pagamento do IRPF constante do Auto de Infração, uma vez que não realizou a retenção na fonte e o recolhimento devido. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.732752/201178 Acórdão n.º 2802003.082 S2TE02 Fl. 253 3 O interessado no que se refere à aplicação da multa qualificada de 150%, entende que não merece prosperar por não ocorrer sonegação ou fraude, que são características obrigatórias para a presença de dolo, sendo que apenas ocorreu um erro de classificação no preenchimento da declaração de ajuste, informando os rendimentos com a natureza discriminada pela fonte pagadora. Continua o impugnante, acaso superada essa argüição, seja reconhecida a insubsistência e a improcedência parcial do Auto de Infração, apenas no que concerne a exigibilidade da multa de 150%, uma vez que declarou o valor recebido da Amemd, em suas DIRPF dos anoscalendário de 2007 e 2008, como rendimentos isentos e não tributáveis, mas não sonegou, nem cometeu fraude ou conluio.” A DRJ/POA examinou o assunto e decidiu pela procedência parcial da impugnação reduzindo a multa de ofício para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008, 2009 SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DOS RENDIMENTOS PAGOS AOS SÓCIOS. VERDADE MATERIAL. Sendo que as atividades e os negócios jurídicos desenvolvidos possuem aspectos diversos da realidade formal, onde os sócios participantes da conta participação prestavam serviços ao sócio ostensivo, os valores pagos por este em decorrência desses contratos devem ser classificados segundo a sua efetiva natureza jurídica, como rendimentos tributáveis de prestação de serviços, que correspondem a verdade material dos fatos, e não lucros isentos do Imposto de Renda. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – CONTRIBUINTE. O contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, tal como definido no Código Tributário Nacional, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE FALTA DE RETENÇÃO Inexistindo lei que assegure isenção aos rendimentos recebidos, não se eximem os contribuintes da obrigação de tributálos na declaração, uma vez que a falta de retenção na fonte não gera direito a isenção não prevista na legislação tributária. MULTA QUALIFICADA. Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte e sua materialidade, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, aplicase a multa de ofício de 75%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado em 17/04/2012, fls. 191, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/05/2012, fls. 193 a 212, alegando, em síntese, que: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 deve ser reconhecida a insubsistência e a improcedência total do Auto de Infração de IRPF, tendo em vista que a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., na condição de sócia ostensiva da AMEMD SAÚDE HMD SCP, e, de substituta tributária do imposto de renda dos demais sócios participantes da sociedade em conta de participação que receberam valores a título de distribuição de lucro, deve responder, sim, pelo pagamento do IRPF constante no Auto de Infração, já que a mesma não realizou a retenção na fonte e o recolhimento devido; alternativamente, acaso superada a arguição anterior, seja então, reconhecida a insubsistência e a improcedência parcial do Auto de Infração de IRPF, apenas no que concerne a exigibilidade da multa de 75% (setenta e cinco por cento), tendo em vista que o ora Recorrente declarou os valores recebidos da AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., a título de distribuição de lucros, nas suas declarações de rendimentos dos anos calendário de 2007 e 2008, como "Rendimentos Isentos e NãoTributáveis", mas não mentiu, não falseou, não ocultou tal rendimento. Fato este que vem a afastar, portanto, a hipótese de inexatidão material de suas declarações, bem como afasta a aplicação da multa de 75%, com fulcro nas disposições constantes do art. 5º, XXII c/c art. 150, II, da CF/88. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com o Auto de Infração, o lançamento foi realizado em virtude da constatação de que o contribuinte classificou indevidamente como rendimentos não tributáveis, os valores recebidos de AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda., uma vez que ficou constatado que tais valores, na verdade, correspondem à prestação de serviços médicos. O recorrente pretende transferir a responsabilidade pelo pagamento do imposto de renda exigido nos presentes autos à fonte pagadora, tendo em vista que esta não realizou a retenção na fonte e o recolhimento devido. Convém ressaltar que o assunto já se encontra pacificado no âmbito do julgamento no CARF, em face da edição da Súmula CARF nº 12, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, correta a decisão recorrida ao afirmar que “A falta de retenção do imposto de renda na fonte sobre esse rendimento não exclui a sua natureza tributável, nem exonera o beneficiário do rendimento da obrigação de incluílo, para tributação, na declaração de ajuste anual, porquanto o contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, conforme prescreve o art. 45 do Código Tributário Nacional”. Pretende ainda o recorrente que seja excluída a multa de ofício que foi alterada pela decisão recorrida para o percentual de 75% ao argumento de que a AMEMD Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.732752/201178 Acórdão n.º 2802003.082 S2TE02 Fl. 254 5 “lançou tais rendimentos, na declaração de rendimentos anuais emitida para fins da elaboração da declaração de imposto de renda de cada sócio participante, como ‘Rendimentos Isentos e NãoTributáveis’. De fato, consta dos presentes autos, fls. 6 e 7, o formulário denominado COMPROVANTE DE RENDIMENTOS E DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, no qual a fonte pagadora alocou os valores tributados pelo auto de infração como isentos e não tributáveis. Entretanto, conforme se observa do Relatório Fiscal, fls. 98 a 104, referida fonte pagadora é uma sociedade em conta de participação, da qual o próprio contribuinte é sócio desde 03/10/2006. Essa sociedade teria sido criada com a finalidade de “propiciar a supressão do imposto de renda na fonte incidente no pagamento de serviços prestados por profissionais médicos [entre os quais o próprio contribuinte] (...), bem como fazer que esses valores ingressassem na declaração de imposto de renda dos beneficiários como rendimento isento.” Ressaltese que a respeito do assunto o CARF, por meio da Súmula CARF nº 73, pacificou entendimento no sentido de que: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Contudo, do exame do teor dos acórdãos paradigmas que serviram para o enunciado contido nessa Sumula CARF nº 73 (Acórdão nº CSRF/0400.409, de 12/12/2006 Acórdão nº CSRF/0400.089, de 22/09/2005 Acórdão nº CSRF/0105.049, de 10/08/2004 Acórdão nº CSRF/0105.032, de 09/08/2004 Acórdão nº 280100.239, de 21/09/2009), constatase que em nenhum deles as pessoas físicas mantinham relação societária com as fontes pagadoras. Portanto, pelo fato de o próprio contribuinte ser sócio da fonte pagadora que prestou informação de que seria isento o rendimento recebidos pela prestação de serviços médicos desempenhados, a ele não se aplica a exclusão da multa. Portanto, correta a decisão recorrida que manteve o lançamento com a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004517/2003-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplica-se aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n°. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 19/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplica-se aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n°. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 19/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. AMPLIAÇÃO. CASOS PENDENTES. Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n°. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 19/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 17 /2 00 3- 57 Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 25/07/2011, foram julgados os Recursos Voluntário e de Ofício nº 167.642, prolatandose o Acórdão nº 2202101.248 (fls. 1.608 a 1.627), assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO LIMITE ALÇADA. NÃO CONHECIDO. Não se conhece o Recurso de Ofício interposto antes da edição da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008, que exonera o contribuinte do pagamento de tributo e multa de ofício em valor inferior R$1.000.000,00, por se tratar de norma processual de aplicação imediata. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR ANUAL. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada compõe a base de cálculo do ajuste anual e, portanto, o fato gerador da infração se perfaz em 31 de dezembro de cada ano (Súmula no 38, em vigor desde 22/12/2009). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004517/200357 Acórdão n.º 9202003.301 CSRFT2 Fl. 10 3 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE A Súmula no 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei no 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula no 4 do CARF, vigente desde 22/12/2009. A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, quanto ao Recurso de Ofício, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto (abaixo do limite de alçada). Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento, seu advogado, Dra. Liliane Vieira Mendes, OAB/DF nº 34.669. Declarouse impedido no julgamento o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza.” Os autos foram enviados à Fazenda Nacional em 18/08/2011 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.629). Assim, de acordo com o disposto no art. 7º da Portaria MF nº 527, de 2010, o Recurso Especial poderia ser interposto até 02/10/2011, o que foi feito em 26/09/2011 (fls. 1.630 a 1.639), com a devolução dos autos ao CARF (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.640). O Recurso Especial da Fazenda Nacional contém as seguintes razões, em síntese: Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 merece prevalecer o entendimento firmado pelos acórdãos paradigmas, no sentido de que o recurso de ofício atinge plenamente os requisitos de alçada, devendo ser conhecido, uma vez que o valor exonerado excedeu o limite de alçada vigente à época do julgamento de primeira instância; a questão ora discutida trata de hipótese de aplicação do direito intertemporal processual; com efeito, é cediço que as normas processuais têm aplicação imediata, conforme art. 1.211 do CPC, que assim dispõe: “Art.1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor,suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” entretanto, a norma posterior não poderia impedir o conhecimento do recurso, pois o ato processual praticado – a interposição do recurso – encontrase perfeito e acabado, do contrário, estarseia incorrendo em inadmissível afronta à Constituição Federal que estabelece como cláusula pétrea a proteção ao ato jurídico perfeito (art. 5º, XXXVI); o sistema processual brasileiro consagrou a Teoria do Isolamento, segundo a qual a lei nova só terá eficácia quanto aos atos processuais futuros, respeitada a eficácia dos atos já praticados na vigência da lei velha; a Teoria do Isolamento dos atos processuais procura respeitar aquilo que os Professores Galeno Lacerda e Cândido Dinamarco denominam direito processual adquirido que significa, substancialmente, levar em conta as situações processuais consumadas, sem que sintam os efeitos da lei nova; portanto, na época em que proferida a Decisão da DRJ, recorrida de ofício, vigia a Portaria que determinava a interposição de recurso de ofício no valor superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), sendo este o critério definido para interposição do pertinente recurso; restou patente que, no momento da interposição do pertinente recurso de ofício, vigia a legislação antiga, não podendo, agora, com surgimento da nova disposição contida na Portaria MF n. 03, de 03/01/2008, impedirse o processamento do ato processual (do referido recurso), pois isso configuraria nítida violação ao direito adquirido; e mais, nessa linha de pensamento, Dinamarco nega aplicação imediata da lei processual nova nas seguintes situações: (a) quando ela atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas competências ou priválo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da tutela jurisdicional; (b) não pode a lei nova retirar a proteção jurisdicional antes outorgada à determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida; (c) não se admite a aplicação imediata da lei processual quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; (d) sempre que haja redução da possibilidade de ampla defesa, é vedada a aplicação imediata da lei processual que cria novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes; e (e) não se pode impor a lei nova que altere regras de distribuição do ônus da prova ou subtraia bens à responsabilidade patrimonial, excluindo sua penhorabilidade; observase que a situação sob exame encaixase na hipótese de redução de possibilidade de ampla defesa, devendose vedar a aplicação imediata dessa norma processual; Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004517/200357 Acórdão n.º 9202003.301 CSRFT2 Fl. 11 5 não resta dúvida de que a teoria geral do processo, que também rege o processo administrativo, ensina que é a norma em vigor à época da decisão recorrida que rege o juízo de admissibilidade recursal; nesse sentido, cumpre citar elucidativo precedente do STJ, Corte responsável pela uniformização do entendimento acerca da legislação infraconstitucional: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA.AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 207/STJ. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos seus efeitos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, por isso que o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e o prazo para recorrer regulase pela lei da data da publicação do decisum. Distinção que evita tratamento antiisonômico na hipótese em que causas passíveis da mesma impugnação tem os seus arestos publicados em datas diversas. 2. Hipótese em que o acórdão de apelação, muito embora tenha sido publicado somente em 04.02.2003, foi proferido na sessão de 17.10.2001, data anterior à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, que entrou em vigor em 27.03.2002, e deu nova redação ao art. 530, do CPC. (“Cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência.”). 4. O direito de recorrer nasce com o julgamento que em segundo grau se completa com a divulgação do resultado (art. 556, do CPC) (Lição de Galeno Lacerda in “O Novo Direito Processual Civil e os Feitos Pendentes”, p. 6869). 5. Consectariamente, a lei da data do julgamento regula o direito do recurso cabível, (Pontes de Miranda, in “Comentários ao Código Processual Civil”, Forense, 1975. T. VII, p. 44) 6. A ausência de interposição de embargos infringentes contra acórdão proferido por maioria de votos configura o nãoesgotamento da instância a quo, de modo a impedir o manejo de recurso especial.Incidência da Súmula nº 207/STJ. 7. Precedente: RESP nº 602.916/DF, deste relator, publicado no DJ 28.02.2005. 8. Agravo Regimental desprovido. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 (AgRg no REsp 663.864/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 26/09/2005, p. 205) tal orientação foi confirmada, recentemente, pela Corte Especial do STJ, em sede de Recurso Repetitivo, devendo ser reproduzida pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. Confirase: “RECURSO REPETITIVO. REMESSA NECESSÁRIA. LEI N. 10.352/2001. A Corte Especial, ao julgar o recurso sob o regime do art. 543C do CPC c/c a Res. n. 8/2008STJ, afirmou que a incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório é de rigor quando a data da sentença desfavorável à Fazenda Pública for anterior à reforma promovida pela Lei n. 10.352/2001 (que alterou dispositivos do CPC referentes a recurso e a reexame necessário). Ressaltouse que se adota o princípio tempus regit actum do ordenamento jurídico, o qual implica respeito aos atos praticados na vigência da lei revogada e aos desdobramentos imediatos desses atos, não sendo possível a retroação da lei nova. Assim, a lei em vigor no momento da data da sentença regula os recursos cabíveis contra ela, bem como a sua sujeição ao duplo grau obrigatório, repelindose a retroatividade da lei nova. Diante desse entendimento, o recurso da Fazenda Pública foi provido, determinandose o retorno dos autos ao tribunal a quo para apreciar a remessa necessária (antigo recurso ex officio). Precedentes citados: EREsp 600.874SP, DJ 4/9/2006; REsp 714.665CE, DJe 11/5/2009; REsp 756.417SP, DJ 22/10/2007; Resp 1.092.058SP, DJe 1º/6/2009; AgRg no REsp 930.248PR, DJ 10/9/2007; REsp 625.224SP, DJ 17/12/2007, e REsp 703.726MG, DJ 17/9/2007. REsp 1.144.079SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/3/20112. percebase que o STJ julgou questão semelhante à presente, pois o caso envolvia o conhecimento de remessa necessária, também chamada (sem o rigor técnico) de recurso de ofício, no âmbito do processo civil; mutadis mutandis, a jurisprudência pacífica daquela Corte conduz inexoravelmente à conclusão de que o recurso de ofício, no âmbito do processo administrativo fiscal, deve ser conhecido com base no limite de alçada vigente no momento em que foi proferida a decisão pela DRJ. Ao final, a Fazenda Nacional pede que o Recurso Especial seja admitido e provido, para que seja conhecido o Recurso de Ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade nº 220000.894, de 15/02/2012 (fls. 1.644 a 1.650). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e do despacho que lhe deu seguimento em 14/08/2012 (AR – Aviso de Recebimento dos Correios de fls. 1.831), não houve manifestação de Representante do Contribuinte (informação de fls. 1.833). Às fls. 1.833, a Autoridade Preparadora informa que o crédito tributário mantido foi transferido para o Processo de Representação nº 16151.720368/201246, para Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004517/200357 Acórdão n.º 9202003.301 CSRFT2 Fl. 12 7 prosseguimento da cobrança, restando no presente processo apenas os créditos tributários referentes ao Recurso de Ofício. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A parte contrária não ofereceu Contrarrazões. Tratase de Recurso de Ofício com base no limite de alçada de R$ 500.000,00, fixado pela Portaria MF nº 375, de 2001. Entretanto, quando do julgamento deste recurso, dita Portaria já havia sido revogada pela de nº 3, de 2008, que estabeleceu o limite de alçada de R$ 1.000.000,00. Como o crédito exonerado pela DRJ não atingiu este patamar, o Recurso de Ofício não foi conhecido. Assim, no presente caso, verificase que o Presidente da Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria/RS, recorreu de oficio ao CARF, em face da exoneração de crédito tributário correspondente a multa de ofício no valor de R$ 507.881,95 (fls. 1.684 a 1.691). Ocorre que, em 07/01/2008, foi publicada a Portaria MF n°003, de 03/01/2008, ampliando o limite de alçada para Recurso de Oficio, nos seguintes termos: “Art.1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Analisandose os reflexos da Portaria acima, no que tange aos direitos das partes, concluise, sem sombra de dúvida, que se trata de norma processual nova, benéfica para o Contribuinte e prejudicial à Fazenda Nacional. Em casos semelhantes, em que a nova lei processual pode vir a prejudicar uma das partes, o Superior Tribunal de Justiça efetivamente entende que o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada devem ser resguardados, conforme argumenta a Fazenda Nacional em suas razões de recurso. O entendimento acima encontrase obviamente atrelado ao fato de que, no processo civil, as normas processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual nova emana da relação angular característica do Poder Judiciário, atingindo ambas as partes, beneficiandoas ou prejudicandoas, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. O processo administrativo fiscal, por sua vez, é consequência do poder de autotutela de que goza a Administração Pública, o que permite que esta, enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Nesse passo, verificase que a Portaria MF n° 003, de 03/01/2008, acima transcrita, que elevou o limite de alçada para Recurso de Oficio, constitui norma processual nova, a qual não se aplica o entendimento esposado no processo judicial. Isso porque, embora a majoração do valor de alçada para Recurso de Oficio, em última análise, prejudique a Fazenda Nacional enquanto parte processual, tal majoração foi por ela mesma promovida, o que afasta desde logo a ideia de eventual desrespeito a direito. Com estas considerações, verificase que, ao tempo da publicação da Portaria acima, inúmeros processos em que os Presidentes de Turma de DRJ já haviam recorrido de oficio encontravamse pendentes de julgamento neste CARF. Ressaltese que ditos Recursos de Oficio constituíam atos jurídicos perfeitos e acabados, resguardando o direito adquirido pela Fazenda Nacional, de ver reexaminada, em Segunda Instância, a exoneração do crédito tributário levada a cabo na Primeira Instância. Não obstante, tendo em vista que foi a própria Fazenda Nacional, parte no processo administrativo fiscal, que tomou a iniciativa de elevar o limite de alçada, a jurisprudência maciça dos Conselhos de Contribuintes é no sentido de que, encontrandose esses Recursos de Oficio pendentes de julgamento, independentemente de haver um ato jurídico perfeito e um direito adquirido, a eles deve ser aplicada imediatamente a nova norma processual. Confirase: “RECURSO DE OFICIO LIMITE DE ALÇADA Tem aplicação imediata, alcançando os processos pendentes de julgamento, a norma que elevou o limite de alçada para a interposição de recurso de oficio, tornando sem objeto os recursos interpostos cujos créditos tributários exonerados são inferiores ao novo limite. Recurso de oficio não conhecido.” (Acórdão 10423.059, de 06/03/2008, decisão unânime) “RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA TEMPUS REGIT ACTUM RETROATIVIDADE LEGITIMA – É legitima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legitima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada na apreciação do recurso. (Recurso de Oficio). Recurso de oficio não conhecido por falta de objeto. (...)” (Acórdão 10516.879, de 04/03/2008, decisão unânime) “FIXAÇÃO DE NOVO LIMITE DE ALÇADA. Quando da instituição de novo limite de alçada para as Delegacias de Julgamento pelo Ministério da Fazenda, tal limite aplicase imediatamente, inclusive para os casos pendentes de julgamento em face do principio "Tempus Regit Actum", pelo qual a forma e o conteúdo do ato são regidos pela norma vigente ao tempo de sua prolação. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO” (Acórdão 30134.316, de 29/02/2008, decisão unânime) O posicionamento acima não é novo, já que havia sido adotado maciçamente pelos Conselhos de Contribuintes, quando o limite de alçada fora elevado para R$ 500.000,00, em 1999. Confirase: “RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA TEMPUS REGIT ACTUM RETROATIVIDADE Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.004517/200357 Acórdão n.º 9202003.301 CSRFT2 Fl. 13 9 LEGÍTIMA – É legitima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada na apreciação do recurso. (...)” (Acórdão 10807.485, de 13/08/2003, decisão unânime) Diante do exposto, acompanhando a maciça jurisprudência administrativa, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 16327.910327/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2003
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DEVER DE COLABORAÇÃO DO PARTICULAR. RECURSO DESPROVIDO.
A compensação pressupõe a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a encontro de contas, notadamente quando o contribuinte, a despeito da conversão do feito em diligência, deixa de apresentar os documentos indispensáveis à demonstração da efetiva configuração do indébito tributário. O dever de investigação que decorre do princípio da verdade material pressupõe o exercício do dever correlato de colaboração do particular.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2003 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DEVER DE COLABORAÇÃO DO PARTICULAR. RECURSO DESPROVIDO. A compensação pressupõe a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a encontro de contas, notadamente quando o contribuinte, a despeito da conversão do feito em diligência, deixa de apresentar os documentos indispensáveis à demonstração da efetiva configuração do indébito tributário. O dever de investigação que decorre do princípio da verdade material pressupõe o exercício do dever correlato de colaboração do particular. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 03 27 /2 00 8- 12 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se conhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O Recorrente apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que, a partir do exame da Dctf, apenas parcela do Darf foi utilizada para quitação do débito do período, o que evidenciaria, em tese, um crédito a favor do interessado. Porém, manteve o despacho decisório, porquanto o sujeito passivo teria se limitado a apontar os valores da Dctf, desacompanhado de provas do direito creditório e dos detalhes necessários à demonstração da origem do recolhimento a maior, tais como a base de cálculo utilizada para apuração da contribuição e a alíquota aplicada. O Recorrente, nas razões de fls. 3844, apresentou o detalhamento da origem do direito creditório, instruindo o recurso com demonstrativo de apuração do tributo, acompanhado da Dipj (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) do anocalendário correspondente, da Darf relativa ao recolhimento a maior e da Dctf original, esta última que, segundo o interessado, evidenciaria a abertura do crédito e a correção da declaração. Aduz que o direito ao ressarcimento do indébito tributário, assegurado pelo art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), tem natureza constitucional, encontrando amparo no Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.910327/200812 Acórdão n.º 3802003.301 S3TE02 Fl. 116 3 direito de propriedade e nos princípios da legalidade tributária e da moralidade administrativa. Requer, ao final, o provimento do recurso voluntário. Em 24 de abril de 2013, por meio da Resolução nº 3802000.098, a Turma decidiu pela conversão do julgamento em diligência “à unidade de origem para informar: i) se a base de cálculo utilizada para apuração da contribuição não sofreu alteração ulterior; e ii) a corretude do valor do crédito tributário apurado pelo sujeito passivo. Após, intimese o contribuinte para manifestação com posterior retorno dos autos a esta 2a TE para julgamento”. Por sua vez, em 14 de novembro de 2013, Delegacia Especial de Instituições Financeiras (DIORT) intimou o contribuinte a apresentar “cópia da escrituração fiscal e contábil, relativa aos valores constantes da apuração de COFINS objeto do pagamento indevido ou a maior, com indicação das identificações de contas COSIF ‘atestando a correspondência com a base de cálculo declarada na Dipj’, nos termos da Resolução do CARF” (fls. 78). Após a apresentação dos documentos de fls. 82103, a Delegacia proferiu o despacho de diligência de fls. 104, atestando que “o interessando não respondeu ao solicitado, limitandose a apresentar a contabilização do suposto crédito de COFINS”. Devidamente intimado desse despacho, o Recorrente não se manifestou (fls. 106). A Procuradoria da Fazenda Nacional, na petição de fls. 111 e ss., a requereu o desprovimento do recurso voluntário, nos termos seguintes: “[…] conforme registrado no despacho de diligência, o contribuinte não respondeu ao solicitado, limitandose a apresentar a contabilização do suposto crédito de COFINS, o que inviabilizou a realização da análise determinada pelo CARF. Nesse contexto e considerando que em pedidos de restituição/compensação compete ao contribuinte demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado, impõese a não homologação da DCOMP apresentada, eis que o interessado não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia.” É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 17/06/2011 (fls. 72), interpondo recurso tempestivo em 18/07/2011 (fls. 38). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Inicialmente, cumpre destacar que, nos casos de transmissão de PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido”. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012. No mesmo sentido, cf.: Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012; “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.910327/200812 Acórdão n.º 3802003.301 S3TE02 Fl. 117 5 “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013). No presente caso, a partir do exame das fichas de demonstração do resultado (fls. 59) e do cálculo da Cofins (fls. 59), notase que o Recorrente, no mês de junho de 2003, teria apurado uma base de cálculo de R$ 43.130.430,20, da qual resultaria um crédito tributário de R$ 1.293.912,91. Todavia, promoveu o pagamento de Darf no valor de R$ 1.362.889,74, o que implicou uma suposta diferença de R$ 68.976,83. Desta, que foi parcialmente compensada com o Irpj do mês de julho de 2003 (R$ 41.222,50), resultaria o saldo atualizado de R$ 32.023,55, em discussão no presente feito. Não foi apresentada, entretanto, a escrituração fiscal nem tampouco a respectiva documentação de lastro. Apesar disso, a Turma entendeu que seria apropriada devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma empresa de seguros a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem atestasse qual foi a base de cálculo efetivamente tributada e se esta corresponderia à declarada na Dipj. Ocorre que, devidamente intimado pela DIORT, o Recorrente não apresentou a documentação indispensável à realização adequada da diligência. Portanto, à medida que o ônus da liquidez e da certeza do direito de crédito cabe ao sujeito passivo, entendese que deve ser mantida a decisão recorrida, inclusive porque, consoante ensina Alberto Xavier, o dever de investigação que decorre do princípio da verdade material “[…] cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular” 1. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) 1 Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Solon Sehn Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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