Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.907349/2012-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM SEDE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO.
Comprovada, em sede recursal, a liquidez e certeza do crédito vindicado, deve ser homologado o PER/DCOMP até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1002-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo o crédito de R$ 32.824,56 (valor original), relativo ao IRRF, código de receita 3426, do período de apuração 10/01/2011, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Miriam Costa Faccin e Luís Ângelo Carneiro Batista.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2011 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM SEDE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada, em sede recursal, a liquidez e certeza do crédito vindicado, deve ser homologado o PER/DCOMP até o limite do crédito reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10580.907349/2012-96
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7059141
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1002-003.374
nome_arquivo_s : Decisao_10580907349201296.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580907349201296_7059141.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo o crédito de R$ 32.824,56 (valor original), relativo ao IRRF, código de receita 3426, do período de apuração 10/01/2011, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Miriam Costa Faccin e Luís Ângelo Carneiro Batista.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
id : 10406755
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:19 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395649212416
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-23T13:08:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-23T13:08:55Z; Last-Modified: 2024-04-23T13:08:55Z; dcterms:modified: 2024-04-23T13:08:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-23T13:08:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-23T13:08:55Z; meta:save-date: 2024-04-23T13:08:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-23T13:08:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-23T13:08:55Z; created: 2024-04-23T13:08:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-04-23T13:08:55Z; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-23T13:08:55Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.907349/2012-96 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-003.374 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 4 de abril de 2024 Recorrente RAVENALA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2011 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM SEDE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada, em sede recursal, a liquidez e certeza do crédito vindicado, deve ser homologado o PER/DCOMP até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, reconhecendo o crédito de R$ 32.824,56 (valor original), relativo ao IRRF, código de receita 3426, do período de apuração 10/01/2011, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Miriam Costa Faccin e Luís Ângelo Carneiro Batista. Relatório Conforme relatório do acórdão de Manifestação de Inconformidade, o interessado supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 39/43 (PERDCOMP n° 35745.25920.250211.1.3.04-5717), na qual declara a compensação de débitos de PIS e de Cofins com pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 3426 - IRRF - APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA - PESSOA JURÍDICA, período de apuração 10/01/2011). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 73 49 /2 01 2- 96 Fl. 844DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-003.374 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.907349/2012-96 Pelo Despacho Decisório eletrônico de fls. 44, a autoridade fiscal não homologou as compensações declaradas por inexistência do direito creditório postulado, com a seguinte fundamentação: 3-FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 32.824,56 A partir das características do DAPF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixe relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Em 14/12/2012, o interessado apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/08, alegando que efetuou o recolhimento de IRRF a maior e compensou o crédito da seguinte forma: Afirma que, por equívoco, não providenciou a retificação de sua DCTF, motivo pelo qual a RFB não identificou o crédito utilizado. No entanto, o mero preenchimento incorreto da declaração não pode constituir óbice ao reconhecimento de seu direito creditório, consoante jurisprudência colacionada na peça recursal. Assim, restando evidente a existência de crédito em seu favor, a manifestante pleiteia seja retificada de ofício a sua DCTF, zerando o débito correspondente, e homologada a compensação declarada. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO, conforme acórdão n. 16-88.453, de 23 de julho de 2019 (e-fl. 80). Irresignado, o ora Recorrente apresenta recurso de e-fls. 90, cujos fundamentos são reproduzidos resumidamente na sequência (destaques do original). Diz que “...efetuou o pagamento de DARF referente ao Imposto de Renda Retido da Fonte sob o código de receita n° 3426 (IRRF - Títulos de Renda Fixa - Pessoa Jurídica), no valor de R$ 32.824,56, referente ao período de apuração 10/01/2011, tendo, inclusive, declarado o montante em DCTF.” Aduz que “...deixou de retificar a DCTF em que o recolhimento foi declarado, não demonstrando àquele tempo, de maneira cabal, a inexistência de fato gerador do IRRF.” Relata que “Como o código n° 3426 trata da obrigação de retenção do IR sobre títulos de renda fixa pago a pessoas jurídicas, a conta patrimonial n° 220401014, referente ao saldo devedor das debêntures emitidas pela Recorrente, será analisada para demonstrar que não houve movimentação que justificasse a retenção de IR.” Fl. 845DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-003.374 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.907349/2012-96 Argui que “No detalhamento da conta 220401014 demonstra-se que não houve pagamento de juros ou resgate antecipado das debêntures em janeiro de 2011, razão pela qual não há, em contrapartida, qualquer obrigação legal de retenção de imposto de renda.” Acrescenta que “...na conta do razão analítico 000210707130, o DARF em questão foi lançado e revertido, por não haver qualquer obrigação de recolher.” Sustenta que “...resta demonstrado no razão analítico da conta 220401013 que, em janeiro de 2011, houve apenas um resgate de debêntures, por pessoa física, que gerou uma retenção de IR (código n° 8053) no valor de R$ 16.644,37, sendo este devidamente recolhido e declarado em DCTF.” Junta aos autos “...a movimentação do livro de debêntures emitidas, demonstrando que, no mês de janeiro de 2011 ou no último decêndio de dezembro de 2010, não houve qualquer resgate ou vencimento de debêntures em favor de pessoas jurídicas que justificasse o recolhimento do DARF de R$ 32.824,56.” Conclui que “...não houve, no período, qualquer operação que justificasse o recolhimento de IRRF” e que o IRRF recolhido é “... absolutamente indevido e, portanto, passível de restituição e compensação pelo contribuinte.” Ao final requer o reconhecimento da integralidade do crédito oriundo do recolhimento indevido de IRRF, no valor de R$ 32.824,56, referente ao período de apuração 10/01/2011, a homologação do pedido de restituição do PER/DCOMP em questão e a homologação das compensações declaradas nos PER/DCOMP nºs 35745.25920.250211.1.3.04- 5717 e 05028.37711.280211.1.3.04-0710. Após uma primeira análise dos autos, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência, aprovada pela Resolução n.º 1002-000.284, desta 2.ª Turma Extraordinária (e-fls. 212), a seguir reproduzida: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem elabore relatório circunstanciado e definitivo sobre o crédito postulado, podendo a autoridade fiscal intimar o Recorrente à apresentação de cópia integral da escrituração contábil-fiscal do período-base examinado e outras informações que julgar oportunas, certificando, inclusive, se o valor vindicado já foi compensado ou restituído em outros processos do mesmo contribuinte. Em Relatório de Diligência a Unidade Preparadora prestou esclarecimentos, conforme documento de e-fls. 833. Atendidas as solicitações da Resolução n.º 1002-000.284 e não apresentadas contrarrazões do Recorrente, foram os autos devolvidos a este relator. É o relatório do necessário. Fl. 846DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-003.374 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.907349/2012-96 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 65 da Portaria MF nº 1.634/2023 (Regimento Interno do CARF). Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Como dito no preâmbulo, a controvérsia instalada diz respeito a não homologação do PERDCOMP n° 35745.25920.250211.1.3.04-5717, no qual foram declarados a compensação de débitos de PIS e de Cofins com pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF, período de apuração: 10/01/2011. A decisão do Despacho Decisório eletrônico foi corroborada pelo acórdão de Manifestação de Inconformidade, o que ensejou a apresentação de recurso, que, depois de primariamente analisado, deu azo a Resolução de diligência nº 1002-000.284, desta 2ª Turma Extraordinária. Em cumprimento à diligência, a Unidade de Origem exarou Parecer nº 5/2023/EQAUD/SRRF 5ª RF/RFB (e-fls. 833), cujos excertos principais que interessam a solução desta lide são reproduzidos na sequência (destaques deste relator): (...) 13. Conforme visto, o Interessado alega ser titular de direito creditório decorrente de pagamento indevido de IRRF, no código de receita 3426 (Aplicações Financeiras de Renda Fixa, exceto em Fundos de Investimento – Pessoa Jurídica), referente ao primeiro decêndio de janeiro de 2011, incidente sobre pagamentos de rendimentos a detentores de debêntures de sua emissão. (...) 18. O exame dos documentos e esclarecimentos apresentados pelo Interessado não é capaz de confirmar a existência de fato que tenha gerado para o Interessado, no primeiro decêndio de janeiro de 2011, o dever de reter imposto de renda sobre rendimento de aplicação financeira. Conforme passa-se a expor: 19. No balancete apresentado, fls. 127 a 132, que é compatível com os dados agregados da sua Escrituração Contábil Fiscal, fls. 832 a 834, há apenas duas contas contábeis representativas de passivos financeiros, quais sejam: conta 000220401013 Fl. 847DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-003.374 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.907349/2012-96 (Debêntures – Pessoas Físicas) e conta 000220401014 (Debêntures – Pessoas Jurídicas). As folhas do livro Razão de tais contas foram juntadas às fls. 543 a 545 e 546 e 547, respectivamente. 20. No que se refere à movimentação da conta 000220401013 (Debêntures – Pessoas Físicas) do mês de janeiro, há o registro do resgate de debêntures no valor de R$ 1.000.066,30 e da respectiva retenção do imposto de renda na fonte no valor de R$ 16.644,37, valor este que foi devidamente recolhido conforme DARF, que ora juntamos às fls. 835 e 836. 21. Porém, no que tange à conta 000220401014 (Debêntures – Pessoas Jurídicas) não há registro de pagamento de rendimentos, alienação de título ou de aplicação no mês de janeiro de 2011, fatos que, conforme previsto no art. 39 da IN RFB nº 1022/2010, ensejariam o dever do Interessado de efetuar a retenção do imposto de renda na fonte. Além disso, também não há registro de tais fatos no Livro de Registro de Debêntures disponibilizado pelo Interessado. 22. Nos termos do art. 16, §3º da IN RFB nº 2005/2021, a retificação de valores informados na DCTF, da qual resulte alteração do valor de débito objeto de declaração de compensação não passível de retificação ou cancelamento, somente poderá ser efetivada pela RFB se houver prova inequívoca de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente à declaração. 23. Por outro lado, ao tratar sobre a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014 (item 20) dispõe que o erro de fato está ligado à falsa representação ou à ignorância da realidade reveladas a partir da descoberta de novos fatos ou de novos meios de prova. 24. Sendo assim, à luz dos elementos probatórios apresentados pelo Interessado, pode-se afirmar de forma inequívoca que, ao confessar, em DCTF, crédito tributário de IRRF, no código de receita 3426, relativo ao primeiro decêndio de janeiro de 2011, o Interessado cometeu erro de fato. 25. A despeito de já se encontrar extingo o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente à declaração, conforme previsto no art. 16, §3º da IN RFB nº 2005/2021, a inexistência de qualquer indício que seja capaz de conduzir à conclusão de que teria ocorrido o fato gerador da obrigação de reter imposto de renda na fonte sobre rendimento financeiro pago a pessoa jurídica impõe a retificação de ofício da DCTF de modo a extinguir (na forma do art. 156, IX do Código Tributário Nacional) o crédito tributário em face do Interessado, relativo ao IRRF do código de receita 3426, referente ao primeiro decêndio de janeiro de 2011. 26. Uma vez extinto o crédito tributário, evidencia-se o seu direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 32.824,56, recolhido no dia 13/01/2011, no código de receita 3426, referente ao período de apuração 10/01/2011. 27. Ressalve-se, por fim, que o direito creditório alegado na DCOMP sob exame também foi apresentado no Pedido de Restituição (PER) nº 37421.94084.250211.1.2.04-1968 e na DCOMP nº 05028.37711.280211.1.3.04-0710, os quais foram cadastrados, respectivamente, nos processos administrativos nos Fl. 848DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-003.374 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.907349/2012-96 10580.901220/2017-89 e 10580.907350/2012-11, os quais deverão ser analisados em conjunto com o presente processo. Conclusão 28. Ante o exposto, salvo melhor juízo, deve-se proceder à retificação da DCTF do Interessado referente ao mês de janeiro de 2011, para extinguir o crédito tributário, no valor de R$ 32.824,56, relativo ao IRRF, código de receita 3426, do período de apuração 10/01/2011 e, por consequência, para reconhecer o direito creditório, no mesmo valor, decorrente de pagamento indevido de DARF do código de receita 3426 efetuado no dia 13/01/2011. 29. Na hipótese de a decisão seguir a opinião acima apresentada, a implementação da decisão deverá se dar em conjunto com os pleitos apresentados pelo Interessado através do PERANTE nº 37421.94084.250211.1.2.04-1968 e da DCOMP nº 05028.37711.280211.1.3.04-0710, cadastrados, respectivamente nos processos administrativos nos 10580.901220/2017-89 e 10580.907350/2012-11, tendo em vista que se referem ao mesmo direito creditório aqui tratado. Como se observa, o Parecer exarado pela autoridade fiscal concluiu pela não ocorrência de fato gerador de IRRF, código de receita 3426, referente ao primeiro decêndio de janeiro de 2011, confessado em DCTF não retificada e informado como crédito no PER/DCOMP em questão. Atestadas e liquidez e certeza do crédito vindicado, e não havendo reparos a fazer ao citado Parecer, é de se dar provimento ao recurso, com a ressalva de que a Unidade de Origem deverá verificar, no momento da implementação da decisão, se o total do crédito reconhecido é suficiente para fazer frente aos PER/DCOMPs nºs 05028.37711.280211.1.3.04- 0710, 35745.25920.250211.1.3.04-5717 e PER nº 37421.94084.250211.1.2.04-1968, tendo em vista que se referem ao mesmo direito creditório aqui tratado. Dispositivo Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso, reconhecendo crédito de R$ 32.824,56 (valor original), relativo ao IRRF, código de receita 3426, do período de apuração 10/01/2011, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva. Fl. 849DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-003.374 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.907349/2012-96 Fl. 850DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720029/2011-20
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO.
Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, oportunizando ao autuado o regular exercício de seu direito de defesa, como se deu nestes autos.
SEGURADO APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA.
O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social-RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata a Lei 8.212/91, para fins de custeio da Seguridade Social.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE.
O ato de lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada à lei, não havendo espaço para discricionariedade nem dosimetria da pena ao aplicar a multa tributária. Estando a multa em conformidade com a lei, questionamentos relacionados à desproporcionalidade da multa, à sua razoabilidade e ao seu eventual caráter confiscatório só podem ser analisados pelo prisma de princípios constitucionais tributários, o que não é possível na esfera administrativa. O CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 2004-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202312
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, oportunizando ao autuado o regular exercício de seu direito de defesa, como se deu nestes autos. SEGURADO APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA. O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social-RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata a Lei 8.212/91, para fins de custeio da Seguridade Social. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. O ato de lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada à lei, não havendo espaço para discricionariedade nem dosimetria da pena ao aplicar a multa tributária. Estando a multa em conformidade com a lei, questionamentos relacionados à desproporcionalidade da multa, à sua razoabilidade e ao seu eventual caráter confiscatório só podem ser analisados pelo prisma de princípios constitucionais tributários, o que não é possível na esfera administrativa. O CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2).
turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 15940.720029/2011-20
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7061302
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2004-000.137
nome_arquivo_s : Decisao_15940720029201120.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 15940720029201120_7061302.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 27 00:00:00 UTC 2023
id : 10415158
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:29 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395661795328
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-01-12T01:32:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-01-12T01:32:01Z; Last-Modified: 2024-01-12T01:32:01Z; dcterms:modified: 2024-01-12T01:32:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-01-12T01:32:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-01-12T01:32:01Z; meta:save-date: 2024-01-12T01:32:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-01-12T01:32:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-01-12T01:32:01Z; created: 2024-01-12T01:32:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-01-12T01:32:01Z; pdf:charsPerPage: 2357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-01-12T01:32:01Z | Conteúdo => SS22--TTEE0044 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 15940.720029/2011-20 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2004-000.137 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 27 de dezembro de 2023 RReeccoorrrreennttee LUIZ ORBOLATO ROTTA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, oportunizando ao autuado o regular exercício de seu direito de defesa, como se deu nestes autos. SEGURADO APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA. O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social-RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata a Lei 8.212/91, para fins de custeio da Seguridade Social. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. O ato de lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada à lei, não havendo espaço para discricionariedade nem dosimetria da pena ao aplicar a multa tributária. Estando a multa em conformidade com a lei, questionamentos relacionados à desproporcionalidade da multa, à sua razoabilidade e ao seu eventual caráter confiscatório só podem ser analisados pelo prisma de princípios constitucionais tributários, o que não é possível na AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 29 /2 01 1- 20 Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2004-000.137 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15940.720029/2011-20 esfera administrativa. O CARF é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente). Relatório Cuida o presente de Autos de Infração – DEBCAD 37.327.449-1 - para cobrança da contribuição previdenciária do próprio sujeito passivo, odontólogo, na condição de contribuinte individual. O relatório fiscal encontra-se às fls. 16/22. O sujeito passivo impugnou o lançamento às fls. 40/57, que foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS às fls. 70/81. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 DA DIFICULDADE DE DEFESA DO IMPUGNANTE Tendo a Auditora-Fiscal apresentado todos os relatórios constantes do Auto de infração, além de relatório fiscal bem detalhado, não há cerceamento de defesa. SEGURADO APOSENTADO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA. O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social-RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata a Lei 8.212/91, para fins de custeio da Seguridade Social. DA PROPORCIONALIDADE E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO As multas aplicadas são as previstas na legislação e não ocorreu a ofensa ao princípio da proporcionalidade nem à vedação ao confisco. DO PEDIDO DE PERÍCIA Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação. DA JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2004-000.137 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15940.720029/2011-20 Não tendo sido efetuada juntada de documentos após a impugnação mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas na legislação, o pedido deve ser indeferido. SUSTENTAÇÃO ORAL. Não há previsão legal na legislação que cuida do processo administrativo fiscal para SUSTENTAÇÃO ORAL do autuado em sessão de julgamento de primeira instância. OITIVA DE TESTEMUNHAS. Não há previsão legal na legislação que cuida do processo administrativo fiscal para OITIVA DE TESTEMUNHAS em sessão de julgamento de primeira instância. Dessa decisão foi dado ciência ao autuado que, inconformado, apresentou o recurso voluntário de fls. 86/105. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator. Da admissibilidade O contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação em 5/3/15 (fl. 84) e apresentou seu recurso tempestivamente em 30/3/15 (fl. 86). Preenchido os demais requisitos para a sua admissibilidade, dele conheço e passo a analisar-lhe o mérito. Do mérito. Como já anunciado, trata-se de lançamento para cobrança da contribuição previdenciária do próprio sujeito passivo, odontólogo, na condição de contribuinte individual. A auditoria baseou-se nos valores declarados pelo próprio contribuinte em suas DIRPF como provenientes de pessoas físicas. Em seu recurso, o recorrente, reiterando os termos de sua impugnação, sustentou: i) Em Preliminar, a nulidade do lançamento, eis que o autuante não teria observados as formalidades legais, por não ter feito uma minuciosa descrição no lançamento. Não teria havido nexo lógico na acusação, na documentação e na conclusão que se pretendeu alcançar. Não teria havido a informação correta do dispositivo infringido, a adequada descrição dos fatos, bem como respectiva comprovação documental, o que fez com que lhe fosse cerceado seu direito à defesa. Ainda haveria vício no lançamento, já que a fiscalização teria se valido da totalidade dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, declarados em DIRPF, sem se atentar que por se tratar de campo genérico, poderia ter havido outros tipos de ingressos ali declarados, tais como direitos autorais e juros recebidos de empréstimos concedidos a pessoas físicas. Vale dizer, o autuante não teria feito a prova tratarem-se de rendimentos decorrentes da prestação de serviço autônomo prestados a pessoas físicas. Ademais, o autuante informou, em seu relatório fiscal, ter colhido informações junto a profissional de contabilidade que não seria do conhecimento do recorrente, o que poderia caracterizar, inclusive, a utilização, no lançamento, de informações de contribuintes diversos do autuado; Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2004-000.137 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15940.720029/2011-20 ii) No mérito, a improcedência do lançamento, já que atentaria contra os princípios constitucionais da proporcionalidade, do não confisco, da irredutibilidade das pensões e aposentadorias e da retributividade das contribuições, exigir contribuições daquele que já se encontra aposentado por esse mesmo RGPS, como seria o caso do autuado, na medida em que não fará jus a um outro benefício futuro ou adicional, consoante estabeleceria o artigo 18, § 2º da Lei 8.213/91; e iii) Ainda no mérito, quanto à penalidade aplicada em 75%, que a multa deve ter o intuito intimidatório, mas nunca caráter confiscatório, tal como neste caso. Pois bem. Examinando-se as razões de decidir da decisão desafiada, que contempla toda a tese de defesa posta no recurso sob análise, não vejo reparos a serem promovidos em sua conclusão, motivo pelo qual a confirmo e a adoto em sua integralidade, na forma do § 3º do artigo 57 do RICARF. Confira-se: DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Preliminarmente, verifica-se que o impugnante requer a nulidade do auto de infração. Diz o artigo 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A autoridade administrativa a que se refere o artigo 142 do CTN é o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Do ponto de vista formal, são requisitos do auto de infração os indicados no art. 10, do Decreto nº 70.235/72, cuja ausência poderia acarretar a nulidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O art. 59 do Decreto 70.235/72 também apresenta situações processuais que ensejariam nulidade, e o art. 60 deixa claro que situações diversas dessas não importarão nesse efeito. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2004-000.137 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15940.720029/2011-20 § 1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2°. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3°. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Acrescido pelo art. 1° da Lei n.º 8.748/1993). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O auto de infração só seria fulminado pela nulidade se o mesmo fosse lavrado por pessoa incompetente ou estivesse o contribuinte cerceado no seu direito de defesa, o que não ocorreu no presente caso. No caso concreto, a Auditora-Fiscal elaborou um auto de infração com a liquidação dos valores que estão sendo cobrados (fl 3). Elaborou um Discriminativo de Débito com os valores apurados competência por competência (fls. 5 a 10, referente ao período de 01/2007 a 12/2010. Nos Fundamentos Legais do Débito citou a legislação aplicada (fls. 12 a 13). Além disso, elaborou um Relatório Fiscal integrante do Auto de Infração (fls. 16 a 22) no qual descreve o procedimento adotado e o motivo do Auto de Infração e a metodologia adotada para apurar os valores lançados. Elaborou também um Quadro Demonstrativo, competência por competência, no qual demonstra os valores apurados no DD e cujas colunas estão discriminadas no Relatório Fiscal do Auto de Infração. Todos estes elementos demonstram que o contribuinte teve todas as informações necessárias para compreender o Auto de Infração e que não houve cerceamento do direito de defesa. O contribuinte diz que há precariedade na acusação e inconsistência das conclusões obtidas pela fiscalização ao considerar que todos os rendimentos lançados na coluna Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física configurariam hipótese de incidência de contribuição previdenciária. Trata-se de um campo genérico que abrange uma gama de possibilidades de ingresso, tais como: direito autorais, juros recebidos de empréstimos concedidos a pessoas físicas, etc... Verifica-se que no presente caso, o contribuinte foi cientificado do TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL e intimado a apresentar documentos e esclarecimentos que entender necessários para comprovar a regularidade dos recolhimentos das contribuições previdenciárias (fl. 27). Mesmo intimado, o contribuinte não apresentou documentos à fiscalização para comprovar que os valores informados em sua DIRPF possuem natureza jurídica diversa da prestação de serviços e nada alegou. Tendo o Auditor-Fiscal efetuado o lançamento tributário, cabe ao contribuinte comprovar que a natureza jurídica dos rendimentos informados em sua DIRPF não se referem a prestação de serviço que é base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não tendo feito isto, a simples alegação de que o Auditor-Fiscal é quem deveria comprovar a natureza dos rendimentos declarados não é suficiente para afastar o auto de infração, pois nesta hipótese, o ônus da prova passa a ser do contribuinte. O contribuinte diz que o Auditor-Fiscal faz referência a o contador MICHEL APARECIDO DE MELO, sendo que o defendente nunca ouviu falar deste profissional. O contribuinte diz ainda que o presente auto de infração pode estar maculado de nulidades, haja vista que pode conter informações de contribuintes diversos da pessoa do defendente, e que, se o auto de infração contém informações colhidas de terceiros Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2004-000.137 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15940.720029/2011-20 (MICHEL APARECIDO DE MELO) alheio às informações fiscais do contribuinte, de consequência mostra-se totalmente questionável o presente levantamento fiscal; Consta no Relatório Fiscal (fl. 21): A fiscalização foi atendida pela pessoa física e pelo seu contador Sr. Michel Aparecido de Melo, CRC 1SP2600203/0-4, que foram informados a respeito da origem e da natureza do débito, sendo-lhes prestado os esclarecimentos necessários. O contribuinte não nega que foi intimado e prestou esclarecimentos à Auditora-Fiscal. Tal argumentação do contribuinte em nada modifica o Auto de Infração, pois mesmo se ficasse confirmado que houve um equívoco do Auditor-Fiscal ao digitar o nome do contador do contribuinte, este fato não acarreta a nulidade do processo, tratando-se de mera irregularidade que não acarreta o cerceamento do direito de defesa e nem modifica o fato gerador. Desta forma, não é possível acatar a preliminar de nulidade do auto de infração. DA NATUREZA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O contribuinte diz, em síntese, que é aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social, e que a legislação veda que quaisquer contribuições pagas ao sistema da Previdência Social posteriores à aposentadoria dêem direito a qualquer novo benefício. O contribuinte diz ainda que entende que, se não há qualquer direito de contraprestação, não há que se falar em contribuições após o período de aposentadoria. O contribuinte defende que, em não existindo benefício futuro, qualquer cobrança de contribuição revela verdadeiro caráter confiscatório; Conforme prescreve a Constituição Federal, a Seguridade Social o financiamento é efetuado por toda a sociedade, nos termos do artigo 195, inciso II, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Diz o art. 12, do inciso V, letra “h”, da lei 8.212/91: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V - como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).) Desta forma, se a pessoa física exerce atividade de natureza urbana é segurado obrigatório da Previdência Social. Com efeito, o § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, estabelece que o aposentado pelo RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às correspondentes contribuições previdenciárias. Art. 12... (...) § 4º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social-RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este Regime é segurado Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2004-000.137 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15940.720029/2011-20 obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às contribuições de que trata esta Lei, para fins de custeio da Seguridade Social. Atente-se para o fato de que, apesar de obrigado a contribuir, o segurado já aposentado pelo RGPS não fará jus a mais nenhuma aposentadoria do RGPS. É o que estabelece o art. 124 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social, abaixo transcrito (sublinhou-se). Lei nº 8.213, de 1991. Art. 124. Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto dos seguintes benefícios da Previdência Social: (...) II - mais de uma aposentadoria; (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) (...) Conseqüentemente, o aposentado pelo RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou entidade a ela equiparada na forma da lei, filia-se obrigatoriamente na categoria de segurado contribuinte individual, deve contribuir na forma do art. 21 da Lei nº 8.212, de 1991, e o período de contribuição correspondente não pode ser computado para aposentadoria por tempo de contribuição no RGPS. Disciplinando a lei 8.212/91, a dizem os artigo 68 e 70 da IN/RFB 971/2009: Das Obrigações do Contribuinte Individual Art. 68. O contribuinte individual que, no mesmo mês, prestar serviços a empresa ou a equiparado e, concomitantemente, exercer atividade por conta própria, deverá recolher a contribuição social previdenciária incidente sobre a remuneração auferida pelo exercício de atividade por conta própria, respeitando o limite máximo do salário-de- contribuição. (...) Art. 70. As disposições contidas nesta Seção aplicam-se, no que couber, ao aposentado por qualquer regime previdenciário que retornar à atividade como segurado contribuinte individual, ao síndico de condomínio isento do pagamento da taxa condominial e ao ministro de confissão religiosa ou membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa, desde que a remuneração paga ou creditada pela entidade religiosa ou pela instituição de ensino vocacional dependa da natureza e da quantidade do trabalho executado, observado o disposto no inciso III do art. 55. Verifica-se que os artigos supracitados confirmam o entendimento que o contribuinte individual deve recolher a contribuição social previdenciárias, independentemente de ser ou não aposentado. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA O contribuinte alega que a multa possui caráter confiscatório. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. O princípio constitucional de vedação ao confisco refere-se ao tributo e não à multa. Convém lembrar a precisa lição de Hugo de Brito Machado: "... a vedação ao confisco é atinente ao tributo. Não à penalidade pecuniária, vale dizer, à multa. O regime jurídico do tributo não se aplica à multa, porque tributo e multa são essencialmente distintos. O ilícito é pressuposto essencial desta, e não daquele". (Curso de Direito Tributário, Ed. Malheiros, São Paulo, 2001, p. 47). Seria o caso, então, de se determinar, se fosse possível, a partir de que percentual a multa passaria a afrontar os princípios da “capacidade contributiva” ou da “vedação ao confisco”. Trata-se, é claro, de questão de difícil consenso. Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2004-000.137 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15940.720029/2011-20 Portanto, sem que se tenha sido legalmente estabelecidos parâmetros, critérios ou limites específicos para a fixação da multa, os percentuais aplicados, nos limites e condições estabelecidos em lei, deverão ser, a priori, considerados exigíveis, até porque os princípios invocados – “capacidade contributiva” e “vedação ao confisco” – são premissas necessariamente observadas pelo legislador ao fixar os percentuais, não nos cabendo alterá-los por critérios subjetivos. Desta forma, a multa deve ser mantida. Ademais, vale destacar que, consoante estabelecem o artigo 62 do RICARF e a Súmula CARF nº 2, é vedado ao julgador administrativo deixar de aplicar dispositivo legal, a exemplo do § 4º e alínea “h” do inciso V, ambos do artigo 12 da Lei 8.212/91, do artigos 35-A deste mesmo diploma e do artigo 44 da Lei 9.430/96, ao fundamento de que estaria contrariando princípios constitucionais. Trata-se de tema que se decide no âmbito judicial e não no administrativo. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 116DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15251.720188/2016-05
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2014
DCOMP NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE.
Comprovada a prestação de informação falsa em Dcomp não homologada apresentada pelo sujeito passivo, é devida a multa isolada no percentual de 150%, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11488/2007.
TEMA Nº 736 DO STF. MULTA ISOLADA POR FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. NÃO ABRANGÊNCIA.
O tema nº 736 do STF (RE nº 796.939/RS) fixou a tese de que É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Contudo, consta da fundamentação dos votos no referido RE, que tal inconstitucionalidade não se estende à multa isolada de 150% quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, conforme previsto no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/03 combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1004-000.111
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014 DCOMP NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE. Comprovada a prestação de informação falsa em Dcomp não homologada apresentada pelo sujeito passivo, é devida a multa isolada no percentual de 150%, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11488/2007. TEMA Nº 736 DO STF. MULTA ISOLADA POR FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. NÃO ABRANGÊNCIA. O tema nº 736 do STF (RE nº 796.939/RS) fixou a tese de que É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Contudo, consta da fundamentação dos votos no referido RE, que tal inconstitucionalidade não se estende à multa isolada de 150% quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, conforme previsto no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/03 combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96.
turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 15251.720188/2016-05
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7059108
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 1004-000.111
nome_arquivo_s : Decisao_15251720188201605.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15251720188201605_7059108.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
id : 10406446
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:18 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395686961152
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-16T01:59:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-16T01:59:19Z; Last-Modified: 2024-04-16T01:59:19Z; dcterms:modified: 2024-04-16T01:59:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-16T01:59:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-16T01:59:19Z; meta:save-date: 2024-04-16T01:59:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-16T01:59:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-16T01:59:19Z; created: 2024-04-16T01:59:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2024-04-16T01:59:19Z; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-16T01:59:19Z | Conteúdo => S1-TE04 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15251.720188/2016-05 Recurso Voluntário Acórdão nº 1004-000.111 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Turma Extraordinária Sessão de 12 de março de 2024 Recorrente FOREVER LIVING PRODUCTS BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014 DCOMP NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE. Comprovada a prestação de informação falsa em Dcomp não homologada apresentada pelo sujeito passivo, é devida a multa isolada no percentual de 150%, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11488/2007. TEMA Nº 736 DO STF. MULTA ISOLADA POR FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. NÃO ABRANGÊNCIA. O tema nº 736 do STF (RE nº 796.939/RS) fixou a tese de que “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Contudo, consta da fundamentação dos votos no referido RE, que tal inconstitucionalidade não se estende à multa isolada de 150% quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, conforme previsto no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/03 combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 25 1. 72 01 88 /2 01 6- 05 Fl. 224DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 Relatório Trata-se de auto de infração para cobrança de multa isolada de 150% sobre o valor de débito objeto de Declaração de compensação (Dcomp) não homologada, transmitida no ano- calendário 2014, com informação falsa, no montante de R$735.330,31, conforme previsto no art. 18, caput e §2º, da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. 2. Conforme auto de infração, “ficou comprovada a mendacidade da retenção de CSLL na fonte computada na composição do direito creditório utilizado em tal DCOMP (Saldo Negativo de CSLL - 1° Trimestre de 2014, na monta de R$ 3.000.000,00)”, nos termos do Despacho Decisório (DD) nº 59/2016 (e-fls. 2; 11). 3. Em impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, ausência de falsidade das informações prestadas e controverteu as razões de direito e de fato da aplicação da multa. 4. A Turma julgadora de primeira instância pontuou que a “Impugnante se valeu de uma série de ações coordenadas para tentar quitar débitos tributários com “créditos” não passiveis de compensação. Declarando-os como sendo próprios e os vinculou a supostas Fontes Pagadoras, incorrendo, mais que provado, na inserção de informações falsas no PerDcomp”. Com efeito, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita (e-fls. 152): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício, os débitos cujas Declarações de Compensação não foram homologadas, desde que apresentadas após a vigência do art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, independentemente da existência de dolo ou fraude. COMPENSAÇÃO COM BASE EM CRÉDITO DE TERCEIROS. LANÇAMENTO DA MULTA ISOLADA. LEGALIDADE DA IMPOSIÇÃO FISCAL. Cabível a imposição da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, quando se tratar de compensação não homologada ou não declarada, em se tratando de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. Cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente aduz, em resumo, inocorrência de renúncia na esfera administrativa, ausência de comprovação de falsidade nas informações prestadas nas compensações, aplicação da multa isolada de 50% em caso análogo, 6. Por fim, requer seja afastada a multa isolada de 150%; sucessivamente, reduzida para 50%; e, caso entenda-se que foi comprovada a falsidade das informações prestadas, o que se admite para fins de argumentação, seja tratada como compensação não declarada e aplicação da multa de 75%. 7. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 8. A ciência da decisão de primeira instância, via domicílio tributário eletrônico (DTE), ocorreu em 08/06/21. Todavia, a recorrente informa ter obtido cópia da decisão em 26/04/21 e interposto o recurso voluntário em 27/05/2021. Nestes termos conheço do recurso voluntário. 9. Cinge-se a controvérsia sobre multa isolada de 150% por compensação considerada não homologada, em que se apurou prestação de informação falsa no Per/Dcomp. 10. Vejamos a legislação sobre o tema. 11. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11488/2007, determina a aplicação de multa isolada de 150º% no caso de comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Lei nº 10.833, de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158- 35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 4 o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando- se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1 o , quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Distinção em relação ao RE 796.939/RS - Tema nº 736 julgado pelo STF 12. Importante destacar que a multa isolada em análise é diversa da multa isolada julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos do RE 796.939/RS cuja Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 tese foi fixada no Tema nº 736 nos seguintes termos: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. 13. Explico. 14. No referido RE 796.939/RS a matéria controvertida consistia em aferir a constitucionalidade do art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, que previa multa ao contribuinte que tivesse indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada independentemente de falsidade no pedido do contribuinte. Fato evidenciado no voto vogal da Ministra Cármem Lúcia. Assim como a exigência de depósito prévio, a multa prevista no § 17º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 tem por objetivo a intimidação do contribuinte de forma a desestimulá-lo a apresentar declarações de compensação, incidindo ainda que não haja falsidade no pedido, pelo que frustra o regular exercício do direito de petição. (p. 28 do voto) 15. A Ministra Carmem Lúcia destacou ainda que, na hipótese de falsidade, a multa aplicada é de 150%, conforme previsto no §2º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 c/c o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Veja-se: Lembro que, na hipótese de falsidade, a multa a ser aplicada é de 150%, conforme determina o §2º do art. 18 da Lei n. 10.833/2003 c/c o inc. I do art. 44 da Lei n. 9.430/1996: [...] A Secretaria da Receia Federal dispõe, assim, de outro meio para inibir a apresentação de declarações de compensação eivadas de má-fé e punir os contribuintes. Por outro lado, a norma impugnada na presente ação direta acaba por punir os contribuintes de boa-fé e desestimular a apresentação de declarações de compensação mesmo por aqueles que confiantes nesse direito. (p. 30 do voto) 16. De igual forma a Ministra Rosa Weber: (a) A multa de 150% (cento e cinquenta por cento), aplicada por lançamento de ofício, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Essa sanção está prevista no art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833/03, combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96: [...] (b) Multa de 150 (cento e cinquenta por cento) aplicada ao contribuinte que realizar compensações indevidas, por meio de declarações comprovadamente falsas, em relação às contribuições previdenciárias de que trata a Lei 8.212/91: [...] Todas essas modalidades de sanções tributárias referem-se aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Ao contrário das multas previstas nos §§ 15 e 17 da Lei nº 9.430/96, que têm como hipótese de incidência a mera recusa administrativa da homologação do pedido de restituição ou da declaração de compensação tributária, as medidas punitivas anteriormente mencionadas (itens a, b e c), pressupõe, necessariamente, a Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 comprovação da realização de declarações fraudulentas pelo contribuinte ou a prática de atos de sonegação, fraude ou conluio entre os interessados. Essas medidas sancionatórias, como se vê, foram todas instituídas sob a perspectiva da prática comprovada de comportamentos motivados pela má-fé e pelo abuso de direito dos contribuintes. Já as sanções pecuniárias previstas nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, de outro lado, resultam do simples exercício pelo contribuinte do direito de postular à Administração Pública a apreciação de sua pretensão de ressarcimento ou compensação de valores que, segundo seu entendimento, foram pagos indevidamente. (p. 55-58 do voto). 17. Verifica-se, pois, que a multa discutida nesses autos não se insere no âmbito da inconstitucionalidade decidida no Tema nº 736 pelo STF. Mérito 18. No caso em análise, a recorrente compensou débitos próprios com parte (R$ 465.390,88) do crédito de saldo negativo de CSLL apurado no primeiro trimestre de 2014, no montante total de R$ 3.000.000,00, composto exclusivamente por CSLL retida na fonte (código 5952) por Corep Empreendimentos e Participações Ltda. 19. Conforme Despacho Decisório, a autoridade fiscal apurou os seguintes fatos: i) intimada a apresentar documentação comprobatória do direito creditório e da prestação de serviço, a recorrente limitou-se a informar que era detentora do crédito sem apresentar provas; ii) Corep Empreendimentos e Participações Ltda. não figura entre as fontes pagadoras que apontaram a interessada como beneficiária de rendimentos, não foi indicada pela recorrente na condição de declarante, como beneficiária de rendimentos pagos sob o código de receita 5952; iii) no ano-calendário 2014 a Corep Empreendimentos e Participações Ltda. não efetuou pagamento algum e não apresentou DCTF; iv) a inscrição no CNPJ da Corep Empreendimentos e Participações Ltda. foi baixada por iniciativa da Receita Federal e do seu cadastro consta o mesmo endereço de outra empresa, cuja inscrição no CNPJ também fora baixada de ofício pela Receita Federal; v) situações semelhantes a essas foram constatadas em relação às fontes pagadoras enumeradas nas Dcomp’s analisadas nos processos nº s 15251.720036/2016-02, 15251.720047/2016-84 e 15251.720055/2016-21 formalizados em nome da interessada. Veja-se (e-fls. 11 e seg.): Conforme também relatado na seção anterior, o saldo negativo de CSLL discriminado na Declaração de Compensação n.° 14487.49030.160914.1.3.03-0100, no importe de R$ 3.000.000,00, concerne ao primeiro trimestre de 2014 e seria constituído exclusivamente pela retenção de CSLL na fonte relacionada no Quadro – 01, a qual teria sido realizada por Corep Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ n.° 01.352.611/0001-61), sob o código de receita 5952 (Retenção de Contribuições sobre Pagamentos de Pessoa Jurídica a Pessoa Jurídica de Direito Privado – CSLL, COFINS e PIS/PASEP). [...] Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 Em pesquisa realizada nas DIRFs relativas ao ano-calendário de 2014 existentes no banco de dados da Receita Federal do Brasil, em todas as situações possíveis, isto é, “aceita”; “retificada”; “rejeitada” e “cancelada”, foi verificado que a Corep Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ n.° 01.352.611/0001-61): i) Não figura entre as fontes pagadoras que apontaram a interessada como beneficiária de rendimentos (ver os extratos às fls. 57/58), até porque, como se constata no extrato às fls. 59, ela não consta sequer como declarante. ii) Não foi indicada pela Forever Living Products Brasil Ltda., na condição de declarante (ver os extratos às fls. 60/70), como beneficiária de rendimentos pagos sob o código de receita 5952 (Retenção de Contribuições sobre Pagamentos de Pessoa Jurídica a Pessoa Jurídica de Direito Privado – CSLL, COFINS e PIS/PASEP). Mostra a tela do SIEF às fls. 71, em linha com o expendido acima, que relativamente aos períodos de apuração de 2014 a Corep Empreendimentos e Participações Ltda. não efetuou pagamento algum, muito menos sob o código de receita 5952, enquanto o extrato às fls. 72 comprova que também não apresentou nenhuma DCTF e, dessa forma, se eximiu, seja como contribuinte ou responsável, do pagamento de qualquer débito concernente a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. [...] De outro vértice, permanecem sem comprovação e desconhecidos a natureza e o valor dos serviços que teriam dado causa à retenção em causa e, sobretudo, quando e se esses serviços foram efetivamente prestados e quitados, eis que, em detrimento do exigido no Termo de Intimação Fiscal n.° 356/2016, a interessada, além de não se pronunciar a esse respeito no arrazoado às fls. 15/18 e 43/46, não apresentou nenhum documento comprobatório no sentido de elucidar a questão. [...] Por derradeiro, mas não por menos importante, acrescente-se que nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (os extratos correspondentes não foram acostados ao processo para preservar o sigilo dos demais dados) foi constatado que: i) A Corep Empreendimentos e Participações Ltda. (apontada como fonte pagadora da retenção de CSLL na fonte especificada na DCOMP n.° 14487.49030.160914.1.3.03- 0100) teve sua inscrição no CNPJ baixada por iniciativa da Receita Federal do Brasil e do seu cadastro consta o mesmo endereço assentado no de outra empresa, cuja inscrição no CNPJ também foi baixada de ofício pela Receita Federal do Brasil. [...] iv) Situações semelhantes a essas foram constatadas em relação às fontes pagadoras enumeradas nas Declarações de Compensação analisadas no âmbito dos processos nº s 15251.720036/2016-02; 15251.720047/2016-84 e 15251.720055/2016-21 formalizados em nome da interessada. [...] No caso em apreço, a Forever Living Products Ltda., apesar de regular e formalmente intimada, não se desincumbiu eficazmente do ônus da prova, o qual, nos termos da legislação processual vigente recai sobre o autor, no que respeita ao fato constitutivo do direito. Dito de outro modo, ela se furtou a comprovar, pela forma estipulada na legislação aplicável à matéria, os inafastáveis atributos de liquidez e certeza do direito creditório vindicado na DCOMP n.° 14487.49030.160914.1.3.03-0100, a inviabilizar inexoravelmente a homologação das compensações nela declaradas. 20. Em relação às questões aduzidas pela recorrente em primeira instância, a decisão recorrida não apreciou os argumentos relativos à existência, legitimidade e possibilidade de compensação do direito creditório postulado e não homologado em razão de já terem sido objeto de análise no processo nº 15251.720045/2016-95, o qual teve sua desistência administrativa requerida por adesão ao PER. Quanto aos demais pontos, entendeu ter havido falsidade na Fl. 229DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 declaração apresentada. 21. A recorrente alega inocorrência de desistência na esfera administrativa em relação à multa isolada e requer a análise dos seus argumentos os quais, segundo seu entendimento “comprovam a existência e legitimidade do direito creditório em questão, para que seja afastada a presunção de que houve a apresentação de informações falsas”. Nessa linha defende não haver nos autos “qualquer prova de que as informações prestadas nas declarações em tela foram falsas”. 22. Aduz que o direito creditório postulado, na verdade, origina-se de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária nº 96.00.16761-3 que tramitou perante a Justiça Federal do Distrito Federal em que a União Federal, sucessora em obrigações do Instituto do Açúcar e do Álcool - IAA, foi condenada a ressarcir os prejuízos causados a diversas sociedades produtoras, em decorrência da fixação do preço do açúcar e do álcool abaixo dos custos de produção (e-fls. 105, Doc. 08). 23. Nesse contexto, sustenta, com base na legislação de regência, que a empresa S/A Usina Ouricuri Açúcar e Álcool cedeu o direito creditório que lhe fora reconhecido na referida ação ordinária ao Sr. Roberto de Cerqueira Celestino, que o cedeu ao Sr. Celso Roberto Dias Mendes, que por sua vez, o cedeu à recorrente, mediante instrumento particular de cessão de crédito pro solvendo, o qual foi utilizado como direito creditório nos Per/Dcomp’s. (e-fls. 121, Doc. 09; e-fls. 125, Doc. 10; e-fls. 127, Doc. 11). 24. Por fim, salienta que o preenchimento do Per/Dcomp em análise foi realizado pela empresa Intersecção Empreendimentos e Participações Ltda., a qual intermediou a cessão do direito creditório reconhecido nos autos da Ação Ordinária nº 96.00.16761-3 e possuía poderes para atuação em nome da recorrente perante a Receita Federal, conforme contrato de cessão de direitos creditórios e prestação de serviços em consultoria técnica tributária (e-fls. 132, Doc. 12). 25. Sem razão a recorrente. Explico. 26. Inicialmente, oportuno observar que a recorrente reconhece que o direito creditório não se refere a saldo negativo de CSLL, mas sim a crédito de terceiro oriundo de decisão judicial. Resta verificar se houve falsidade na informação prestada na Dcomp. Vejamos. 27. Quanto ao alegado direito creditório oriundo de decisão judicial, nota-se que as cessões desse direito ocorridas entre a empresa S/A Usina Ouricuri Açúcar e Álcool, Sr. Roberto de Cerqueira Celestino e Sr. Celso Roberto Dias Mendes, ocorreram mediante escritura pública, o que é praxe neste tipo de negócio (e-fls. 121 e 125). Todavia, a cessão de direito do cedente, Sr. Celso Roberto Dias Mendes, para a recorrente ocorreu mediante instrumento particular de cessão de crédito pro solvendo, com data de 18/02/2014, porém o reconhecimento da firma do cedente viria a ocorrer somente em 20/10/2016 (e-fls. 128). 28. É dizer, a recorrente demonstra que adquiriu direito creditório no valor de R$45 milhões e preocupou-se com o reconhecimento da firma do cedente no referido instrumento de cessão mais de dois anos e meio anos após a assinatura. Fl. 230DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 29. Outro ponto chama a atenção. Conforme consta do Despacho Decisório, durante a análise do direito creditório, intimada a apresentar documentação comprobatória do direito creditório a recorrente informou, em 16/08/2016, ter sofrido retenção na fonte. Veja-se (e-fls. 13- 14). Porém, houve erro uma divergência entre PERDCOM e a ECF, sendo que as retenções estão disponíveis, tendo a manifestante como beneficiária. [...] É certo que a hipótese prevista no art. 8° da Instrução Normativa RFB n.° 1.300, de 2012, constitui, do ponto de vista da manifestante, o modo ideal de reaver os tributos que lhe foram descontados indevidamente na fonte; todavia as normas não obrigam a fonte pagadora a seguir o prescrito naquele dispositivo, apenas facultam que ela o adote. [...] No caso em epígrafe, a Manifestante se colocava como detentora de um tributo que foi retida a maior e deveria ter sido recolhido aos cofres públicos pela empresa que realizou a retenção. [...] Caberia a fonte pagadora então se manifestar e fazer valer os preceitos do art. 8° da Instrução Normativa n.° 1.300 de 2012, retificando a DIRF apresentada, bem como, a solicitação da restituição do valor pago a maior, desde que comprove a devolução do que reteve indevidamente ou a maior, como já dito anteriormente. III – DO PEDIDO Tendo em vista os motivos acima apresentados, a Manifestante solicita que a autoridade administrativa faça nova análise, verificando de forma pormenorizada os fatos trazidos, confirmando os mesmos via sistema, reconsiderando a compensação para posterior homologação. 30. Como se vê, em 08/2016, dois meses antes de reconhecer a firma do instrumento de cessão de crédito (10/2016) a recorrente foi categórica em afirmar que o crédito referia-se a retenção na fonte de CSLL. 31. Acrescente-se que não constam dos autos nenhuma prova além do instrumento de cessão de crédito que corrobore os argumentos da recorrente. 32. Ante os dados apurados pela autoridade fiscal durante a análise do direito creditório, aliado à conduta da recorrente em demonstrar, de forma frágil, que o crédito teria outra origem, a meu ver só comprovam a falsidade dos dados insertos na Dcomp. Nesses termos entendo restar demonstrada a prestação de informação prestada na Dcomp, de forma intencional, razão pela qual deve ser mantida a multa isolada no percentual de 150%. 33. Nesse mesmo sentido, entendeu a decisão recorrida: 18. Dos autos se extraem que a Impugnante se valeu de uma série de ações coordenadas para tentar quitar débitos tributários com “créditos” não passiveis de compensação. Declarando-os como sendo próprios e os vinculou a supostas Fontes Pagadoras, incorrendo, mais que provado, na inserção de informações falsas no PerdComp. 34. Nessa esteira, não há falar-se em equívoco da empresa que teria transmitido a Dcomp, tampouco em qualificar o alegado equívoco como compensação não declarada; porquanto restou comprovada a falsidade e o contribuinte, nos termos do art. 121 do CTN, é a recorrente. Fl. 231DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1004-000.111 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15251.720188/2016-05 35. Por fim, a alegação de que em caso idêntico (processo nº 15251.720060/2016-33), a fiscalização não constatou falsidade nas informações prestadas e aplicou multa isolada de 50% prevista no artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, também não socorre a recorrente. Após análise elencada acima, bem como a cronologia dos fatos, a meu ver, é inconteste a falsidade. Nestes termos, não cabe a este relator pronunciar-se sobre fatos apurados em processo diverso. Conclusão 36. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Fl. 232DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10935.908900/2021-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2020
MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.
ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2020
COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei
COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o COFINS não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-011.644
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.641, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.908897/2021-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2020 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2020 COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o COFINS não cumulativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10935.908900/2021-42
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7059766
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3201-011.644
nome_arquivo_s : Decisao_10935908900202142.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10935908900202142_7059766.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.641, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.908897/2021-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
id : 10407883
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:22 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395690106880
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-29T20:58:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-29T20:58:55Z; Last-Modified: 2024-04-29T20:58:55Z; dcterms:modified: 2024-04-29T20:58:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-29T20:58:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-29T20:58:55Z; meta:save-date: 2024-04-29T20:58:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-29T20:58:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-29T20:58:55Z; created: 2024-04-29T20:58:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2024-04-29T20:58:55Z; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-29T20:58:55Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10935.908900/2021-42 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-011.644 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2024 Recorrente PLUMA AGRO AVICOLA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO-CALENDÁRIO: 2020 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2020 COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o COFINS não cumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 89 00 /2 02 1- 42 Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.644 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908900/2021-42 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.641, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.908897/2021-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Manifestação de Inconformidade improcedente, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente Ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A 6ª Turma da DRJ-08, através do Acórdão nº 108-028.330, proferido na sessão de 5 de setembro de 2022, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão restou assim ementada: “Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2020 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETE. O direito de calcular créditos de despesas com frete está restrito às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A despesa com frete na aquisição de bens Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.644 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908900/2021-42 não gera crédito por si só, mas sim porque integra o custo da mercadoria revendida e do bem utilizado como insumo.” A referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente reitera as razões contidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, passando-se à sua análise. Alegações genéricas e matérias não impugnadas O Recurso Voluntário ficou adstrita aos créditos vinculados às despesas do frete contratado (serviço de transporte oneroso), sustentando: (a) de forma específica, o direito integral ao crédito da não cumulatividade sobre o frete vinculado a aquisição de produtos não tributados ou sujeitos à alíquota zero (que geram direito ao crédito presumido); e (b) de forma genérica, o direito ao crédito sobre o frete relativo a todo e qualquer serviço oneroso de transporte contratado, porque vinculados às suas atividades econômicas. O presente acórdão, portanto, ficará adstrito aos pontos de inconformismo da Recorrente discutidos em seu Recurso Voluntário e que enfrentam a decisão atacada, pois a argumentação genérica impede o conhecimento da matéria, como reiteradamente decidido por esta Turma Julgadora: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 DEFESA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. EQUIPARAÇÃO A MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente questões de fato ou de direito.” (CARF, Processo nº 10983.909312/2016-93, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.790 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de julho de 2023, Relatora Ana Paula Giglio) “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 Fl. 136DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.644 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908900/2021-42 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.” (CARF, Processo nº 10880.925509/2017-17, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.795 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de julho de 2023, Presidente Redator Hélcio Lafetá Reis) Cumpre pontuar, ademais, que o Recurso Voluntário, apesar de admitir fundamentação livre e ser tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos, conforme precedente deste CARF: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PELA DECISÃO HOSTILIZADA. PROIBIÇÃO DA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal extrínseco dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado pela decisão recorrida havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição.” (CARF, Processo nº 10840.910720/2009-93, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.492 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de abril de 2023, Relator Márcio Robson Costa) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/05/2007 DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso que não ataca os fundamentos da glosa não deve ser conhecido por malferir a dialeticidade descrita no artigo 58 do Decreto 7.574/2011.” (CARF, Processo nº 15504.010684/2010-34; Acórdão nº 3401-007.923; Relator Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; sessão de 30/07/2020) Desse modo, deixo de conhecer do Recurso Voluntário na parte relativa a alegações genericamente formuladas. Superados os pontos acima, passa-se a analisar o direito creditório da Recorrente no que se refere frete vinculado a aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Fl. 137DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.644 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908900/2021-42 Frete vinculado a aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero O acórdão recorrido, interpretando o teor do artigo 167, inciso I, da IN RFB nº 1911/2019, concluiu que somente o valor do frete pago nas aquisições de insumos ou mercadorias passíveis de creditamento pode ser creditado. Ainda de acordo com o acórdão recorrido, se o insumo ou produto adquirido não está sujeito ao pagamento da contribuição, é vedada a possibilidade de calcular créditos em relação a eles, de acordo com o disposto no artigo 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Da mesma forma, não seria possível calcular créditos em relação ao valor do frete correspondente. Ao contrário do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido, o entendimento que vem prevalecendo no âmbito deste CARF é no sentido de ser possível o creditamento em relação ao frete tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado: “FRETES NA COMPRA DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. Nos moldes firmados no julgamento do REsp 1.221.170 / STJ, se o frete em si for relevante e essencial à atividade econômica do contribuinte, independentemente da alíquota do produto que o frete carregou, deve gerar o crédito.” (CARF, Processo nº 10650.902228/2017-91, Acórdão nº 3201-009.200 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Presidente-Redator Hélcio Lafetá Reis, Sessão de 21 de setembro de 2020) “COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido, geram direito integral ao crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.” (CARF, Processo nº 12585.000534/2010-71, Acórdão nº 3201-008.123 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Redator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Sessão de 24 de março de 2021) (g.n.) “CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei.” (CARF, Processo nº 16692.721239/2017-62, Acórdão nº 3201-009.744 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Presidente- Redator Hélcio Lafetá Reis, Sessão de 25 de julho de 2022) Neste sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais também já por inúmeras vezes se pronunciou, como se exemplifica pela transcrição da ementa do Acórdão nº 9303-013.649: “PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao Fl. 138DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.644 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908900/2021-42 crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. Reflexos do decidido no processo principal (10183.904484/2013-43) sobre o processo apensado.” (CARF, Processo nº 10183.725237/2016-25, Acórdão nº 9303-013.649 – CSRF / 3ª Turma, Redator Designado Rosaldo Trevisan, Sessão de 14 de dezembro de 2022) Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo sobre o frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, e observados os demais requisitos exigidos em lei. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 139DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001118/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005, 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.
Numero da decisão: 2201-011.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por preclusão.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Alvares Feital - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202404
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005, 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10945.001118/2009-95
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7060501
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2201-011.647
nome_arquivo_s : Decisao_10945001118200995.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : THIAGO ALVARES FEITAL
nome_arquivo_pdf_s : 10945001118200995_7060501.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por preclusão. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
id : 10412304
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:25 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395693252608
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-26T13:39:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-26T13:39:26Z; Last-Modified: 2024-04-26T13:39:26Z; dcterms:modified: 2024-04-26T13:39:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-26T13:39:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-26T13:39:26Z; meta:save-date: 2024-04-26T13:39:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-26T13:39:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-26T13:39:26Z; created: 2024-04-26T13:39:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2024-04-26T13:39:26Z; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-26T13:39:26Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10945.001118/2009-95 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-011.647 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2024 Recorrente CLAUDINEI SIQUEIRA MARTINS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005, 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por preclusão. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 11 18 /2 00 9- 95 Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.647 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.001118/2009-95 Versa o presente processo sobre auto de infração lavrado porque o contribuinte deixou de entregar no prazo legal a Declaração de Ajuste Anual do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física nos exercícios de 2005 e 2006, anos-calendário 2004 e 2005. O valor da Autuação é de R$ 7.473,25. Segundo o relatório fiscal, as DIRPF foram entregues após o início do procedimento fiscal. Assim, nos termos do art.7, §1° do Decreto 70.235/72, o contribuinte já havia perdido a espontaneidade. O contribuinte apresentou impugnação na qual alegou em síntese que: A penalidade aplicada, prevista no art.964 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1.999, não pode coexistir com a multa de ofício disposta no art.44, inciso II da Lei 9.430/96 aplicada no lançamento, sob pena de cobrança em duplicidade. A multa de ofício se presta a punir as condutas de falta de pagamento e ausência de declaração. Assim, é inegável que a multa de ofício engloba a sanção pela falta de entrega da DIRPF. Ademais, a multa contida no art.964, I, “a” do RIR é aplicável apenas aos casos de apresentação espontânea de declaração em atraso, não sendo aplicável nos procedimentos de fiscalização. Alega ainda que em casos análogos, o CARF afastou a multa por atraso. Para confirmar seu entendimento junta dois julgados do CARF. Por fim, pede o cancelamento da autuação baseado no princípio do non bis in idem. É o relatório. A decisão de primeira (fls. 47-51) instância manteve | manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: Cientificado da decisão de primeira instância em 24/05/2010, o sujeito passivo interpôs, em 22/06/2010, Recurso Voluntário (fls. 56-76), alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as provas colhidas pelo Fisco não foram autuadas nos termos da legislação; que houve no presente caso presunção quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, na medida em que, não foram consideradas as disponibilidades financeiras existentes no inicio de cada ano-calendario, bem como, foram lançados dispêndios Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.647 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.001118/2009-95 que não encontram amparo nos fatos expostos; que não há que se falar em lançamento a titulo de ganho de capital, em face do fato de que a compra e a venda foi realizada por pessoa jurídica sediada no território do Paraguai; e que a qualificação da multa de ofício, deve ser afastada, pois não há provas acerca do iter doloso da Recorrente em fraudar o erário; bem como em consideração aos fatos praticados amoldarem-se perfeitamente à hipótese da multa de ofício prevista no artigo 44, inciso II da Lei 9.430/1996 e não no parágrafo primeiro que comina a penalidade qualificada. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Alvares Feital - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre a entrega de DIRPF referente aos anos-calendários 2004 e 2005. Verifica-se, inicialmente, que todas as matérias aduzidas no recurso encontram-se fora do alcance desta instância. Isto porque nenhum dos tópicos alegados na peça recursal consta da Impugnação e por isso não podem ser agora conhecidos, pois em relação a eles operou-se a preclusão. Veja-se que até mesmo o questionamento relativo à multa agora formulado diverge do questionamento apresentado na Impugnação. Àquela ocasião, o contribuinte se insurgia contra a cumulação de multa de ofício e multa isolada. Já no recurso apresentado, o contribuinte nada alega acerca da cumulação de penalidades, mas discorre longamente sobre a inaplicabilidade da qualificação da multa de ofício ao presente caso. O entendimento acerca da preclusão quando de inovação recursal encontra-se consolidado neste Conselho: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Não deve ser conhecida a matéria inovada em recurso voluntário que não havia sido objeto de impugnação, tendo sido consumada a preclusão. Ac. 2202-004.915, de 17/01/2019 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa (arts. 1416, Decreto nº 70.235/1972). Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, mandatório o reconhecimento da preclusão consumativa. Ac. 2202-005.272, de 09/07/2019 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.647 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.001118/2009-95 É vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir em sede de julgamento de segundo grau, salvo nas circunstâncias excepcionais referidas nas normas que regem o processo administrativo tributário federal. Ac. 2202-005.311, de 10/07/2019 INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso voluntário, em relação aos quais não teve oportunidade de se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação em segunda instância, por preclusão processual. Ac. 2402-007.507, de 07/08/2019 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Matéria que não tenha sido objeto de impugnação e, portanto, não conste da decisão de primeira instância, não pode ser alegada em sede de recurso voluntário, por estar preclusa. Ac CSRF. 9303-009.436, de 18/09/2019 Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital Fl. 101DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007580/2008-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais, mormente quanto à demonstração da alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA.
O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação aos pagamentos feitos a título de PLR.
Numero da decisão: 9202-011.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, , Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, mormente quanto à demonstração da alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação aos pagamentos feitos a título de PLR.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 19515.007580/2008-50
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7060477
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 9202-011.180
nome_arquivo_s : Decisao_19515007580200850.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 19515007580200850_7060477.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, , Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2024
id : 10412255
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:25 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395694301184
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-03-28T23:58:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-03-28T23:58:03Z; Last-Modified: 2024-03-28T23:58:03Z; dcterms:modified: 2024-03-28T23:58:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-03-28T23:58:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-03-28T23:58:03Z; meta:save-date: 2024-03-28T23:58:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-03-28T23:58:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-03-28T23:58:03Z; created: 2024-03-28T23:58:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2024-03-28T23:58:03Z; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-03-28T23:58:03Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.007580/2008-50 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202-011.180 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 19 de março de 2024 Recorrente RHODIA BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, mormente quanto à demonstração da alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação aos pagamentos feitos a título de PLR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, , Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Regis Xavier Holanda (Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 75 80 /2 00 8- 50 Fl. 774DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 Na origem, cuida-se de lançamento (DEBCAD nº 37.160.400-1) para cobrança das contribuições sociais devidas a terceiros provenientes do pagamento de PLR a empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000. O Relatório Fiscal do Processo encontra às fls. 26/47. Impugnado o lançamento às fls. 81/101, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP julgou-o procedente. (fls. 125/141). De sua vez, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção negou provimento ao Recurso Voluntário de fls. 148/175 por meio do acórdão 2201-005.159 - fls. 182/202. Irresignado, o Sujeito Passivo apresentou Embargos de Declaração às fls. 210/221, que foram rejeitados pelo presidente da turma às fls. 249/253. Não conformado, interpôs Recurso Especial às fls. 258/306, reafirmado às fls. 416/465, pugnando, ao final, fosse conhecido e provido o recurso para que fosse anulado o acórdão recorrido e, subsidiariamente, fosse reformado o acórdão recorrido com o consequente cancelamento da autuação, ou caso assim não se entenda, no mínimo, requer seja adotado o entendimento consignado nos acórdãos paradigmas n°s 2302-002.943 e 2302-002, conforme determina o art. 6º, §1º, III, do RICARF, cancelando-se a autuação em relação à primeira parcela do complemento do Acordo de 2003 paga pela Recorrente em janeiro de 2004 e em relação à parcela da antecipação do Acordo de 2004 paga em agosto de 2004, mantendo-se apenas a exigência da contribuição previdenciária quanto à segunda parcela do complemento do Acordo do ano de 2003 paga pela Recorrente em julho de 2004. Em 4/5/21 - às fls. 620/630 - foi dado parcial seguimento ao recurso do contribuinte, para que fosse rediscutida a matéria “incidência de Contribuições apenas sobre as parcelas pagas a título de PLR que excederam a periodicidade legal”. Não foi dado seguimento quanto às matérias “nulidade do acórdão recorrido, por não aplicação ao caso concreto do resultado dos julgamentos de processos reflexos, conforme art. 6º, §1º, III, e §§ do RICARF” e “impossibilidade de alteração no critério jurídico do lançamento – violação ao art. 146 do CTN”. Ainda não conformado, apresentou Agravo às fls. 638/652, que foi rejeitado pela presidente da CSRF às fls. 748/754. Intimada do recurso interposto em 29/6/21 (processo movimentado em 30/7/21 – fls. 762), a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões tempestivas em 9/8/21 (fl. 768), às fls. 763/767, propugnando pelo improvimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator O Sujeito Passivo tomou ciência do despacho que rejeitara seus embargos tempestivos em 1/3/21 (fl. 410) e já havia apresentado seu recurso tempestivamente em 30/101/19, consoante se denota de fls. 257. Passo, com isso, à análise dos demais requisitos para o seu conhecimento. Fl. 775DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria “incidência de Contribuições apenas sobre as parcelas pagas a título de PLR que excederam a periodicidade legal”. O acórdão vergastado foi assim ementado, naquilo que importa ao caso: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO. CONSEQUÊNCIA. O descumprimento das regras relativas à periodicidade do pagamento da PLR implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos feitos a título de PLR. Sua decisão se deu no seguinte sentido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso, que deram provimento parcial para ajustar o resultado do julgado à conclusão proferida em sede de 2a Instância Administrativa no PAF 19515.007579/2008-25, que tratou da obrigação da empresa imposta no mesmo procedimento fiscal. O tema em discussão cinge-se ao efeitos dos descumprimento da periodicidade nos pagamentos da PLR no ano/semestre. Isso porque, segundo assentou o voto condutor do recorrido, “a despeito de ter observado que os acordos de PLR procuraram respeitar a cláusula relativa à periodicidade na distribuição do PLR, consoante os prazos fixados através do art. 3º, §2° da Lei 10.101/2000, a autoridade fiscal constatou que "a operacionalização nos pagamentos deu-se em diversos casos, de forma diversa daquela acordada entre as partes, processando-se os respectivos pagamentos nesses casos, à margem dos limites fixados pela referida lei, de sorte a ficar caracterizado a infração cometida, cabendo ato contínuo ao Sujeito Ativo, responsabilizar o contribuinte pelas ações ou omissões a que deu causa" (fl. 31). E ainda prosseguiu o Relator detalhando a acusação fiscal. Veja-se: Isto porque verificou que ocorreram pagamentos ao mesmo empregado de parcelas de PLR em número superior a 2 (duas) vezes no mesmo ano civil, conduta que, segundo a fiscalização, viola o art. 30, §2° da Lei n° 10.101/2000. Ou seja, segundo a fiscalização, apesar dos acordos firmados respeitarem, no papel, o limite legal de periodicidade na distribuição, na prática, no ano de 2004 houve 3 pagamentos a título de PLR. Tais informações foram extraídas da escrita contábil da RECORRENTE (pagamento com rubricas códigos 0040 e 3040). Assim, a fiscalização elaborou o demonstrativo, empregado por empregado, das parcelas pagas em desacordo com o limite de periodicidade estabelecido pelo art. 3°, §2° da Lei n° 10.101/2000. Tal demonstrativo encontra-se nas fls. 33/36 (item 14 do Relatório Fiscal). Da sequência do voto extraem-se os seguintes entendimentos vazados a partir dos planos e alegações analisados: I - não foi respeitada a regra que vedaria o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil, ou a sua ocorrência em número superior a 2 (duas) vezes no mesmo ano civil. No ano de 2004 teriam ocorrido mais de dois pagamentos, com periodicidade inferior a 6 meses, o que violaria o disposto no art. 3º, §2° da Lei n° 11.101/2000; Fl. 776DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 II - a Lei n° 10.101/2000 não estabeleceria qualquer relação entre a periodicidade de pagamentos e o ano ao qual estes pagamentos supostamente se referem, mas sim ao ano civil em que eles foram efetuados; III - a lei elencaria a limitação por ano civil, e não por regime de "competência” de pagamento, razão pela qual o pagamento adicional macula todos os pagamentos feitos naquele ano, nos moldes em que entendeu a autoridade fiscalizadora; IV - a existência de três pagamentos no ano de 2004 seria fato suficiente para desconsiderar todo plano de PLR cujos pagamentos aconteceram naquele ano, sendo tais pagamentos considerados salário-de-contribuição; e V - os planos de PLR (seja de acordo próprio, seja decorrentes de acordos ou convenções coletivas) deveriam ser compensados entre si de modo a respeitar a regra de periodicidade do pagamento legalmente prevista. Antes de adentrarmos às razões recursais, cumpre rememorar que as matérias “Nulidade do acórdão recorrido, por não aplicação ao caso concreto do resultado dos julgamentos de processos reflexos, conforme art. 6º, §1º, III, e §§ do RICARF” e “impossibilidade de alteração no critério jurídico do lançamento – violação ao art. 146 do CTN” não tiveram seguimento previamente admitido. Por ocasião do despacho de prévia admissibilidade, identificaram-se as seguintes matérias: No recurso, busca-se levar à discussão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSFR às seguintes matérias: a) nulidade do acórdão recorrido, por não aplicação ao caso concreto do resultado dos julgamentos de processos reflexos, conforme art. 6', §1', III, e §§ do RICARF; b) impossibilidade de alteração no critério jurídico do lançamento violação ao art. 146 do CTN; e c) incidência de Contribuições apenas sobre as parcelas pagas a título de PLR que excederam a periodicidade legal. E, assim, foi estabelecida a divergência em relação à matéria com seguimento admitido: De fato, o cotejo acima revela que o paradigma 1 demonstra a divergência, na medida em que, diferentemente do recorrido, admite que a incidência de contribuições atinja apenas as parcelas de PLR pagas em desconformidade com a periodicidade prevista na Lei da PLR. Passando ao recurso, defende a recorrente – no tópico dedicado à demonstração da divergência - que teria demonstrado “que os pagamentos realizados no ano de 2004 a título de PLR se refeririam a 2 (dois) acordos distintos - pagamentos nos meses de janeiro e julho de 2004 seriam o complemento das verbas referentes ao Acordo de 2003 – e os pagamentos no mês de agosto de 2004 seriam o adiantamento das verbas referentes ao Acordo de 2004 – e, assim, os acordos deveriam ser analisados separadamente". Todavia, logo na sequência, procurou demonstrar a divergência da seguinte forma: Assim, analisando a mesma situação concreta e partindo do mesmo dispositivo, as conclusões dos acórdãos foram diametralmente opostas: o v. acórdão recorrido Fl. 777DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 desconsiderou todo o plano de PLR da ora Recorrente em razão de um pagamento ter sido feito em desconformidade com a Lei nº 10.101/00, fazendo incidir, consequentemente, as contribuições ao INCRA e SEBRAE sobre todo o período, ao passo que os acórdãos paradigmas entenderam que apenas a terceira parcela relativa ao PLR de 2003 (2º parcela do complemento), paga em 2004 sob o código 0040 e exceto para o funcionário Marco Antônio Medeiros deveria ser desconsiderada, fazendo incidir as contribuições devidas em cada caso apenas sobre o remanescente. Veja-se, com isso, que a temática a ser abordada neste voto diz respeito à natureza jurídica das parcelas (se tributável ou não) que foram pagas com inobservância da periodicidade estabelecida no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, independentemente de as mesmas se referirem a planos diversos. Anote-se que o próprio paradigma admitiu a incidência sobre uma das três parcelas pagas no ano. Segundo o entendimento firmado no paradigmático de nº 2302-002.943, as parcelas pagas que observaram o plano que estaria de acordo com a lei, estariam, assim se pode dizer, também de acordo com a lei, o que não se aplicaria àquelas que o houvessem desrespeitado. Confira-se fragmento de seu voto: Assim, os pagamentos que respeitarem o plano que está de acordo com a lei, podem ser considerados isentos de contribuição previdenciária, mas os pagamentos que, por desrespeitarem o plano, estiverem em desacordo com a lei, devem sofrer a incidência do referido tributo. Portanto, o lançamento somente deve ser mantido quanto à terceira parcela relativa ao plano de participação nos lucros do ano de 2003, paga em 2004 sob o código 0040, exceto quanto ao empregado Marco Antonio Medeiros, que além de ter recebido o complemento relativo ao plano de 2003 em duas parcelas, recebeu ainda o adiantamento do plano de 2004 em outras duas parcelas, de sorte que a segunda parcela do adiantamento do plano de 2004 não está coberta pela norma isentiva. A razão do até aqui registrado reside no fato de o recorrente, em suas razões recursais, pretender rediscutir temas que extrapolam a divergência que ele próprio procurou demonstrar e que foi competentemente identificada pela Câmara recorrida, à luz dos 2 paradigmas igualmente por ele próprio indicados. Vale dizer, trouxe temas, sob o manto de “fundamentos” que não foram abordados favoravelmente a ele nos citados paradigmas, conforme abaixo esclarecido. A partir do item “IV.2 - AS RAZÕES PARA A REFORMA DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO” em seu recurso, trouxe os demais subitens abaixo por meio dos quais pretendeu discutir questões outras. Vejamos: A) A CORRETA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Nesse tópico introduziu a discussão de que Participação nos Lucros e/ou Resultados não constituiria, em hipótese alguma, parcela integrante da remuneração de seus segurados, pois não possuiria natureza de remuneração, não seria paga de forma habitual e nem tampouco como contraprestação pelos serviços prestados por estes. B) A NATUREZA DAS VERBAS PAGAS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E/OU RESULTADOS. Reafirmou que por expressa determinação constitucional e legal e, ainda, por não representar uma contraprestação de serviço e não ser habitual, Fl. 778DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 seria inviável pretender caracterizar as verbas advindas da participação nos lucros e resultados como se remuneratórias fossem. C) A IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO PELAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS VALORES CONTIDOS SOB A RUBRICA PLR – CRITÉRIOS LEGAIS CUMPRIDOS PELA RECORRENTE NA FORMALIZAÇÃO DOS ACORDOS. Nesse ponto, pretendeu a rediscussão no sentido de que a periodicidade destes pagamentos deveria ser considerada para cada acordo de PLR celebrado entre a empresa e seus empregados, de modo que se permitisse aferir, individualmente, para cada acordo ou convenção coletiva, se tal critério teria sido ou não respeitado. Perceba-se que essa tese sequer encontra eco nos paradigmas apresentados. D) A INDEVIDA DESCARACTERIZAÇÃO DE PARTE DO ACORDO DE PLR DE 2004. Nesse subitem, insistiu na temática da análise dos pagamentos no ano/semestre segundo o plano a que se referem. Nesses termos: “Isso porque, o v. acórdão recorrido analisa o ano calendário de 2004 sem perceber que os pagamentos efetuados se referem a dois Acordos de PLR distintos!!” Registre-se, mais uma vez, que tal tese não encontra suporte nos paradigmas. E) AUSÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO CONCEITO DE SALÁRIO. Nesse ponto, procurou trazer à discussão o argumento da ausência de habitualidade no pagamento da PLR, já que, segundo sustenta, as parcelas teriam sido pagas de forma esporádica. E, ainda, a ausência de contraprestação pelo serviço, eis que, segundo ainda entende, a PLR teria sido paga por mera liberalidade. Aqui, cumpre assinalar, mais uma vez, que a tese de que a suposta ausência de habitualidade e contraprestação por serviço prestado retiraria a PLR do campo de incidência da exação também não encontra guarida nos paradigmas. Feitos os registros, passo ao mérito no tocante à questão dos efeitos em relação a inobservância da periodicidade estipulada no § 2º do artigo 3º da Lei 10.101/2000. Com efeito, conheço do recurso com as ressalvas acima mencionadas. Pois bem. A Lei nº 8.212/1991, trouxe na alínea “j” do § 9º do seu art. 28 a hipótese de não incidência tributária contida no inciso XI, do art. 7º da CF/88, excluindo do campo de tributação das contribuições previdenciárias as importâncias pagas, creditadas ou devidas a título de PLR, sempre que estas verbas forem pagas de acordo com a lei própria de regência, in casu, a Lei nº 10.101/2000: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 28 – [...] §9º Não integram o salário-de-contribuição: Fl. 779DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Por sua vez, a Lei nº 10.101, de 2000 regulou a participação dos trabalhadores nos lucros, e ao fazê-lo estabeleceu parâmetros bem definidos e que não podem ser desprezados. Confira-se: Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II - convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, O acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4º A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5º As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Como destacado, a regra é a incidência da contribuição sobre os rendimentos pagos, o que pode se realizar sobre diferentes rubricas. A exclusão à regra geral é exceção, regra especial. E, logicamente, aquilo que não está na exceção, está na regra geral. Se, no caso, a Fl. 780DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 norma especial prevê que somente se exclui do salário de contribuição os valores correspondentes a PLR distribuídos na forma preconizada em lei, qualquer pagamento feito fora dessas condições deve ser enquadrado na regra geral, isto é, integra o salário-de-contribuição. É a lei nº 10.101, de 2000 que estabelece as condições para a participação dos empregados nos lucros das empresas. E, como vimos, o art. 28, § 9º, “j”, da Lei nº 8.212, de 1991 remete a hipótese de exclusão dos pagamentos do PLR à lei. E como veremos, no presente caso, os pagamento foram realizados em desacordo ao que estabelece o art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 2000. No caso dos autos, a Fiscalização identificou, por empregado, pagamentos efetuados a título de PLR ao longo de 2004 em desacordo com a periodicidade retro citada (vide fls. 33/36). Precipuamente, essas parcelas teriam sido pagas nos meses de fevereiro, julho e agosto de 2004. Sobre o tema, este colegiado tem entendido que referido descumprimento desnaturaria toda a PLR paga ao empregado. Nesse sentido, adiro às razões de decidir da Relatora do acórdão de nº 9202-005.516, da sessão de 25/5/17, e as adoto como minhas razões de decidir. Confiram-se: Conforme descrito no relatório fiscal, através das planilhas citadas e das folhas de pagamento constatou-se que, para uma parcela de empregados, o contribuinte pagou a título de antecipação ou distribuição, nas rubricas referentes a Participações nos Lucros ou Resultados, três parcelas no ano calendário 2002, contrariando o disposto no § 2º artigo 3º da Lei 10101/00, que veda pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil , ou mais de duas vezes no ano civil. Às fls. 174 e seguintes o auditor lançou planilhas que demonstram os empregados que receberam mais de duas parcelas a titulo de PLR, planilha esta não contestada pelo recorrente. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos em sua totalidade a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Contudo, para que seja descumprido o requisito da periodicidade, deve o auditor indicar que a empresa distribuiu efetivamente PLR aos empregados com a inobservância da lei. Quanto a alegação que não paga em mais de duas parcelas, mas tão somente antecipa a primeira parcela entendo que razão não assiste ao recorrente. Observa-se que a lei 10.101 (§2º do art. 3º) é enfática ao dizer que é VEDADO O PAGAMENTO DE QUALQUER ANTECIPAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. Assim, entendo acertado o lançamento em relação aos empregados que receberam PLR mais de 2 vezes no mesmo ano, ou em periodicidade inferior a um semestre. A empresa, para obedecer os ditames legais, e valer-se da exclusão, deve adequar seus planos, nos mais diversos exercícios de forma a que não haja pagamento ou distribuição acima dos limites legais, quais sejam, duas vezes no ano e uma vez por semestre na época da ocorrência do presente lançamento. Descrita a fundamentação pela qual entendo que o pagamento mais de 2 vezes por ano, ou em periodicidade inferior ao estabelecido em lei encontra-se vedado, devemos Fl. 781DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 avançar nas razões do recurso especial. Determinou o acórdão recorrido a manutenção do lançamento apenas em relação a parcela excedente, conforme podemos extrair dos pontos trazidos pelo relator: Quanto à periodicidade, observo que houve quebra da regra legal, posto que a PLRE foi paga no ano de 2005 nos meses de novembro e dezembro. Essa sistemática contraria o § 2. do art. 3. da Lei da PLR, que dispõe: Art. 3o (.....) (.....) § 2.o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Observe-se que a norma veda o pagamento da verba em periodicidade inferior a um semestre civil, mesmo que a título de antecipação. Todavia, tem sido entendimento majoritário dessa Turma que apenas a parcela excedente à periodicidade legal é que deve sofrer a tributação. Assim, a parcela de 11/2005 deveria ser afastada não fosse a sua exclusão pela decadência. Essa análise foi necessária em razão da influência que terá no julgamento do processo 15504.019402/200921, auto de infração de obrigação acessória relativo à falta de declaração de fatos geradores na GFIP. Todavia, entendo que a interpretação adotada, embora não interfira diretamente no lançamento, já que a competência excluída também o fora pela decadência, não se mostra a mais acertada, tendo em vista que em momento algum a lei 10.101/2000, determina que o descumprimento enseja a exclusão parcial dos fatos geradores. Destaca-se, ainda, outro ponto que atribui fragilidade a essa tese: como seria possível, objetivamente, escolher qual a parcela que seria excluída? A ausência de qualquer previsão legal a respeito, associada a subjetividade atribuída pelo relator fragiliza, ainda mais, a referida tese. Ademais, a lei 10.101/2000 descreve uma expressa vedação, cujo descumprimento implica desnaturar todo o PLR atribuído, razão pela qual deve ser tributada a totalidade das rubricas. Cito julgados do TST e TRF que corroboram referida argumentação de que, em havendo descumprimento da periodocidade estabelecida na lei 10.101/2000, todo o PLR encontra-se desnaturado: TRF1 APELAÇÃO CIVEL AC 31295 MG 2002.38.00.0312951 (TRF1) Data de publicação: 29/11/2005 PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA SENTENÇA. REJEIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7º , XI , DA CF/1988 . AUTOAPLICABILIDADE. PAGAMENTOS EM PERÍODOS INFERIORES A UM SEMESTRE. DESCARACTERIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO EM LUCROS. LEI Nº 10.101 , de 2000, ART. 3º , § 2º. VERBA HONORÁRIA. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20 , § 4º , DO CPC . [...] 3. Todavia, após a vigência da Medida Provisória nº 794 , de 29.12.1994, convertida na Lei nº 10.101 , de 2000, a distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre civil descaracteriza a participação em lucros, em face da vedação contida no art. 3º , § 2º , dos referidos atos legislativos. [...] Fl. 782DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 TST RECURSO DE REVISTA RR 15477420125010431 (TST) Data de publicação: 24/04/2015 Ementa: RECURSO DE REVISTA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO MENSAL. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. INTEGRAÇÃO EM OUTRAS PARCELAS. O art. 3.º , § 2.º , da Lei n.º 10.101 /2000, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 12.832 /2013, veda o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em mais de duas vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a um trimestre civil. Infere-se da regulamentação promovida pela Lei n.º 10.101 /2000, ao art. 7.º , XI , da Constituição Federal , que se buscou evitar que a PLR passasse a ser paga como complemento ao salário mensal e acabasse substituindo parte da remuneração, conforme expressamente proibido no caput do referido art. 3.º Tem-se, assim, que referida regra objetivou, também, dificultar a transformação de salário em PLR com o fito de diminuir artificialmente os encargos decorrentes da relação de emprego. Ademais, a eventualidade do pagamento da PLR, conforme expressamente previsto na lei, permite diferenciá-la de parcelas salariais, afastando a possibilidade de sua incorporação, uma vez que a natureza salarial de uma parcela pressupõe periodicidade, uniformidade e habitualidade no seu pagamento. Desse modo, considerando que a lei repele o pagamento mensal da referida parcela, ainda que o nosso ordenamento jurídico disponha que o pactuado em acordo faz lei entre as partes, por injunção do art. 7.º , XXVI , da Constituição Federal , não há como reconhecer acordos e convenções coletivas que contrariem a legislação em vigor. No caso dos autos, as partes acordantes desviaram-se dos objetivos e da finalidade da lei, ao autorizar o pagamento mensal da participação nos resultados, devendo ser reputado inválido o ajuste coletivo, que não pode subsistir aos termos da legislação em vigor, razão pela qual deve ser mantido o reconhecimento da natureza salarial da parcela mensalmente paga e sua integração na base de cálculos de outras verbas salariais, conforme decidido no Regional de origem. Recurso de Revista. Ou seja, embora não tenha influência direta no lançamento, já que mantido sob outros fundamentos de descumprimento de PLR (lei 10.101/2000), entendo que a PGFN possui interesse recursal em ver afastada a tese acatada em sua maioria pelo colegiado a quo de que em descumprido o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, sob o fundamento de que apenas haveria incidência de contribuições previdenciárias sobre a parcela excedente. Face ao exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a tese de que em descumprindo o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, tributar-se-ia apenas as parcelas excedentes. Nessa mesma linha, os acórdãos a seguir ementados: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. O descumprimento do § 2º, do art. 3ª, da Lei nº 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos feitos a título de PLR. Acórdão 9202- 008.677, de 17/3/20. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de Fl. 783DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-011.180 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.007580/2008-50 Contribuições Previdenciárias em relação a todos os pagamentos efetuados a esse título e não apenas em relação às parcelas excedentes. Acórdão 9202-008.081, de 20/8/19. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes. Acórdão 9202-008.249, de 22/10/19. Forte no exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGAR- LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 784DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10689.000013/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 02/02/2004 a 23/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE.
Incabível a arguição de nulidade de autos de infração lavrados por servidor competente e com observância de todos os requisitos necessários do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-011.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Mateus Soares de Oliveira (Relator), que acolhia a preliminar de nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio Robson Costa.
(documento assinado digitalmente)
Helcio Lafeta Reis - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mateus Soares de Oliveira - Relator
(documento assinado digitalmente)
Marcio Robson Costa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Helcio Lafeta Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Joana Maria de Oliveira Guimaraes.
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202401
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/02/2004 a 23/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade de autos de infração lavrados por servidor competente e com observância de todos os requisitos necessários do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 10689.000013/2009-97
anomes_publicacao_s : 202404
conteudo_id_s : 7059789
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3201-011.452
nome_arquivo_s : Decisao_10689000013200997.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10689000013200997_7059789.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Mateus Soares de Oliveira (Relator), que acolhia a preliminar de nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio Robson Costa. (documento assinado digitalmente) Helcio Lafeta Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator (documento assinado digitalmente) Marcio Robson Costa - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Helcio Lafeta Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Joana Maria de Oliveira Guimaraes.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2024
id : 10407948
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:23 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395699544064
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-03-27T18:10:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-03-27T18:10:05Z; Last-Modified: 2024-03-27T18:10:05Z; dcterms:modified: 2024-03-27T18:10:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-03-27T18:10:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-03-27T18:10:05Z; meta:save-date: 2024-03-27T18:10:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-03-27T18:10:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-03-27T18:10:05Z; created: 2024-03-27T18:10:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2024-03-27T18:10:05Z; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-03-27T18:10:05Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10689.000013/2009-97 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-011.452 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2024 Recorrente UNITED PARCEL SERVICE CO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/02/2004 a 23/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE. Incabível a arguição de nulidade de autos de infração lavrados por servidor competente e com observância de todos os requisitos necessários do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Mateus Soares de Oliveira (Relator), que acolhia a preliminar de nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio Robson Costa. (documento assinado digitalmente) Helcio Lafeta Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator (documento assinado digitalmente) Marcio Robson Costa - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Helcio Lafeta Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Joana Maria de Oliveira Guimaraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 9. 00 00 13 /2 00 9- 97 Fl. 1086DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto as fls. 596-615 em face da r. decisão de fls. 571-582, pugnando por sua reforma, sustentando, em síntese que: - o Auto de Infração é nulo por violar o princípio da irretroatividade das Leis e Atos Normativos. - Não houve fato gerador das multas. O Auto de Infração foi lavrado na data de 14/01/2009. Todos os fatos geradores ocorreram entre Fevereiro e Dezembro de 2004. A fundamentação adotada para aplicação da sanção prevista no artigo 107, IV, e do Decr. 37/1966 é foi o disposto no artigo 37 da IN 28/1994, o qual, por meio da alteração promovida pelo artigo 1º da IN 510/2005, passou a adotar o prazo de 02 dias como limite para fins de registro da exportação pelo transportador aéreo. Em reforço, adota ainda a Notícia Siscomex nº 105 de 1994, a qual considerava o termo imediatamente previsto na redação original do artigo 37 da IN 28/1994, o prazo de 24 horas. Explica-se isto pois a redação original, em vigência na época dos fatos geradores, não contemplava prazos específicos para registro da exportação, tão somente, o termo ‘imediatamente’. Em sede do Acórdão recorrido, as fundamentações são as seguintes: - não há como acolher a tese de que não havia prazo definido, posto que a lei usa o termo “imediatamente”. - inclusive a Noticia Siscomex nº 105, do ano de 1994, interpretava o termo “imediatamente” como sendo o prazo de 24 horas. - O prazo de 02 dias foi estabelecido pela Instrução Normativa SRF n. 510, de 2005, o qual entrou em vigor somente no ano de 2005. Todavia, a Instrução Normativa SRF n. 1.096, de 2010, deu nova redação ao art. 37 da IN SRF 28/94, sendo que o prazo para registro dos dados de embarque, tanto para embarque aéreo como marítimo, passou a ser de 07 (sete) dias, motivo pelo qual houve a aplicação a retroatividade benigna ao presente caso, de modo a desconsiderar como infração os registros extemporâneos com menos de 07 dias. - desta feita julgou-se pela procedência parcial da impugnação do contribuinte. Eis o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. Fl. 1087DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 1 Da Tempestividade. O recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 2 Da Nulidade do Auto de Infração. O Código Tributário Nacional dispõe acerca da eficácia das normas, com especial destaque a redação dos artigos 97, III e V e 100 I e II, os quais são transcritos a seguir: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do art. 52, e do seu sujeito passivo; V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Seção III-Normas Complementares Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Observa-se que o fundamentos sustentado em sede do Auto de Infração reside única e exclusivamente na inobservância do prazo de 02 dias para fins de Registro das Informações de Exportações no tocante aos embarques ocorridos entre Fevereiro e Dezembro de 2004. Veja-se a transcrição do disposto as fls. 03 do A.I.: Através do Termo de Constatação Fiscal e da planilha extraída do SISCOMEX EXPORTAÇÃO, que são partes integrantes do presente Auto de Infração, foram apurados registros de embarque intempestivos, efetuados no período de fevereiro a dezembro de 2004, uma vez que a empresa de transporte internacional supra mencionada formalizou o registro de dados pertinentes ao embarque de mercadorias no referido sistema após o prazo de 02 (dois) dias, contados da data da realização do embarque, previsto no artigo 37 da Instrução Normativa SRF n. ° 28/1994, com nova redação dada pela Instrução Normativa SRF n. ° 510/2005. Tal pratica configura a infração prevista no artigo 107 do Decreto Lei n. ° 37/1966, com as alterações introduzidas pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, com multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais) por embarque (vôo). Fls. 18 do mesmo A.I.: Enquadramento Legal:...Art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n °10.833/03.Artigo 37 da Instrução Normativa SRF n.° 28/1994, com nova redação dada pela Instrução Normativa SRF n.° 510/2005. Portanto, a infração prevista no artigo 107, IV, “e” do Dec. 70.235/1972 somente teria ocorrido por força da violação do artigo 37 da IN 28/1994 que passou a contemplar o prazo de 02 dias para fins de registro por meio da alteração, no próprio artigo, promovida pela IN nº Fl. 1088DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 510 de 2005. E os fatos geradores ocorreram no ano de 2004. Tal fato, resulta, por sí só, em nulidade por vício material do Auto de Infração. Neste ponto, necessário registrar que a norma original, presente no artigo 37 da IN 28/1994, NÃO DEFINIA PRAZO EM DIAS. Apenas adotada o termo “imediatamente”. Eis a sua redação: Art. 37. IMEDIATAMENTE após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Esta redação esteve em vigor até a data de 14 de Fevereiro de 2005, posto que no dia seguinte, entrou em vigor a IN 510/2005, a qual alterou a redação deste dispositivo, retirando o termo IMEDIATAMENTE e incluindo o prazo de 02 dias. Eis a sua redação: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, NO PRAZO DE DOIS DIAS, contado da data da realização do embarque. O Auto de Infração adotou a fundamentação de norma de 2005 para reger os operações de exportações ocorridas em 2004. E o recorrente claramente se opôs a este ponto. Em todas as suas manifestações de defesa neste processo. Houveram duas sessões de julgamento deste processo em sede de primeira instância. Na primeira, ocorrida na data de 29 de Novembro de 2012, Resolução nº 253 da 23ª Turma da DRJ/SP1, converteu este feito em diligencia posto que, no ano de 2010, o prazo de 02 dias foi alterado para 07. Segue trecho da decisão de fls. 345: Na planilha de fls. 97/287 estão relacionados os embarques cujos registros foram efetivados após 02 (dois) dias do embarque das mercadorias correspondentes. A Instrução Normativa SRF nº 510/2005 preceituava que o prazo para o registro dos embarques aéreos era de 02 (dois) dias, e de 07 (sete) dias para os marítimos. Contudo, posteriormente a ela uma outra Instrução Normativa ( IN RFB nº 1.096/2010) modificou tais prazos, estipulando o limite de 07 (sete) dias para registro dos dados de embarque, indistintamente de tratar-se de embarque aéreo ou marítimo. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA: Para deslinde da lide (relativamente ao número de ocorrências penalizáveis com a multa em questão), e tendo em vista que as tabelas de fls. 97/287 relatam centenas de eventos, necessário se torna que nova planilha seja elaborada, de forma a apurar apenas os casos de embarques registrados após 07 (sete) dias de sua efetivação. Cumprida a diligência solicitada, houve a segunda sessão de julgamento, ocorrida aos 21 de Outubro de 2013, Acórdão 1651.845, ocasião em que a impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada parcialmente procedente, deixando de considerar como infrações os registros ocorridos em até 07 dias do embarque em razão da adoção e aplicação do instituto da retroatividade benigna. Para melhor compreensão, cita-se trecho da decisão de fls. 581-582: Posteriormente, nova redação foi dada ao art. 37 da IN SRF 28/1994, pela IN SRF nº 1.096/2010, que adotou o prazo de 07 (sete) dias para o registro dos dados de embarque, sem distinção do tipo de transporte (aéreo ou marítimo). Portanto, cabe à situação em Fl. 1089DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 curso a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional), devendo-se lançar a multa apenas nos casos em que os dados de embarque foram informados após sete dias contados da data do efetivo embarque da mercadoria, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003.... Embora tenham sido penalizados inicialmente 265( duzentos e sessenta e cinco) embarques, todos com dados registrados no Siscomex em prazo superior a 02 (dois) dias, nota- se que, pela aplicação da retroatividade benigna da lei, já discutida anteriormente, há apenas 195 (cento e noventa e cinco) voos com atraso de mais de 07 (sete) dias no respectivo registro. São eles os constantes da tabela anexada às fls. 420/557. Em face das considerações acima, voto pela procedência parcial da impugnação, bem como pela manutenção parcial do crédito tributário exigido no presente auto de infração, conforme tabela abaixo... Resta claro e evidente, portanto, que a decisão recorrida manteve a aplicação das normas definidoras de prazos para o registro das exportações, mesmo ciente de que os fatos se deram no período de Fevereiro a Dezembro de 2004 e que tais normas passaram a ter vigência somente a partir de 15 de Fevereiro de 2005. Outro ponto merecedor de atenção foi a adoção da NOTÍCIA SISCOMEX n 105 de 1994, como fundamento para aplicar o prazo de 24 horas como limite para fins do registro do embarque da mercadoria. Eis o trecho da r. decisão: FLS. 577-A Notícia Siscomex n. 105, de 27 de julho de 1994, esclareceu que “imediatamente” deveria ser entendido como até 24 horas após o embarque....Portanto, atualmente o prazo para o registro dos dados de embarque, por parte do transportador, é de sete dias, independentemente do tipo de transporte (aéreo ou marítimo). Desta forma, verifica-se que o prazo para o transportador ou exportador registrar no Siscomex os dados pertinentes ao embarque marítimo de mercadorias foi dilatado, excluindo de sanções os registros efetuados depois de 24 horas e antes de 7 dias. Consoante as folhas 03 e 18 apontadas neste tópico, no tocante ao Auto de Infração, observa-se que em sua fundamentação legal, jamais adotou-se a NOTICIA SICOMEX como fundamento para definir a infração do recorrente, muito embora tenha sido mencionada as fls. 93. Pelo contrário. A infração foi pautada no descumprimento do prazo de DOIS dias. Tanto é verdade que a própria decisão recorrida aplicou o instituto da retroatividade benigna para que se fossem considerados como infração apenas os registros promovidos com mais de 07 dias de extemporaneidade. Entende-se que este fundamento poderia ser utilizado se, de forma clara e precisa, tivesse servido de FUNDAMENTAÇÃO LEGAL no Auto de Infração. Mas não o foi. Por isso destacou-se, neste voto, as folhas que contemplam a fundamentação legal adotada no mesmo. E mais, caso a autoridade fiscal tivesse vinculado e descrito a sua vinculação ao inciso III do art. 100 do CTN, poder-se-ia interpretar esta NOTICIA SISCOMEX como ato que resultasse um certo grau de comando normativo a ser obedecido pelos operadores do comércio exterior. Assim o fez. Desta feita, devem ser consideradas as regras previstas no artigo 97, V do CTN. Registra-se que somente as normas vigentes à época dos fatos geradores ou supostas infrações devem ser aplicáveis, salvo no caso de retroatividade benigna. E na época, é fato notório que NÃO HAVIA DEFINIÇÃO DE DIAS. Apenas o termo ‘imediatamente’. Fl. 1090DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 Desta feita, inexistente a Infração apontada no Auto de Infração, bem como a própria descrição dos fatos destoa dos documentos que compõem este Processo Administrativo, viola-se de forma flagrante, a regra do art. 10 do Decreto no 70.235/72. Não por acaso que este dispositivo estabelece que no auto de infração deverá constar a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 dias, a assinatura do agente e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Uma vez destituído de quaisquer dos elementos aludidos e que resulte, em limitação ou mesmo impossibilidade de exercício pleno de defesa por parte do Recorrente, inegável que o Ato Administrativo Tributário do Lançamento ou do Auto de Infração deva ser destituído do mundo jurídico, posto não estar revestido do manto da legalidade. Como já afirmado anteriormente, o ato de lançamento deve ser fundamentado, tendo o Fisco o dever de explicar detalhadamente a ocorrência dos fatos que o justificaram, e ainda comprovar tais afirmações. Ato desacompanhado dessa fundamentação, e dessa comprovação, é nulo, e não gera a tão alegada quanto equivocada “presunção de validade” do ato administrativo. Confira-se, a propósito, o que didaticamente dispõe o art. 9o do Decreto no 70.235/72: Art. 9o A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Sobre a questão da necessária fundamentação do ato administrativo, e das relações desse requisito com a presunção de validade de tais atos, Raquel Cavalcanti Ramos Machado adverte que “[...] para que o ato administrativo goze da presunção de validade, o mesmo deve, pelo menos formalmente, ser válido. E, para tanto, é necessário que o ato seja fundamentado, ainda que as afirmações contidas nessa fundamentação não sejam verdadeiras. Fundamentar um ato é, em termos mais genéricos, explicar as razões pelas quais tal ato foi praticado. Essa explicação, evidentemente, não há de ser qualquer afirmação sobre ditas razões, mas uma explicação que atenda à lógica e que permita ao acusado conhecer as imputações que lhe estão sendo feitas e delas se defender (MACHADO, Hugo de Brito. Processo tributário / Hugo de Brito Machado Segundo. – 10. ed. rev e atual. – São Paulo : Atlas, 2018, FLS. 99-100). Da nulidade do Ato que lavrou o Auto de Infração por uma situação inaplicável ao caso, restam comprometidos todos os atos posteriores. Não por acaso, declarar nulidade de algo é extremamente excepcional. O fundamento da existência de um Auto nada mais é do que um ato antecedente, violador de alguma norma e, pelo subsequente, sujeitar-se-á a uma sanção previamente prevista na legislação tributário e aduaneira. Neste sentido: Por força da eficácia jurídica, que é propriedade de fatos, o consequente dessa norma, que poderemos nominar de “sancionatória”, estabelecerá uma relação jurídica em que o sujeito ativo é a entidade tributante, o sujeito passivo é o autor do ilícito, e a prestação, digamos, o pagamento de uma quantia em dinheiro, a título de penalidade. Aquilo que permite distinguir a norma sancionatória, em presença da regra tributária, é precisamente o exame do suposto. Naquela, sancionatória, temos um fato delituoso, caracterizado pelo descumprimento de um dever estabelecido no consequente de norma tributária. (Carvalho, Paulo de Barros Curso de direito tributário / Paulo de Barros Carvalho. - 31. ed. rev. atual. - São Paulo: Noeses, 2021, p. 494-495). Fl. 1091DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 Com a devida vênia, não resta outra alternativa senão reconhecer que o Auto de Infração é nulo de pleno direito, por vício material, posto estar sem fundamentação adequada, seja nos fatos, direito e, especialmente, na própria identificação do sujeito passivo, em clara e inequívoca afronta até mesmo ao disposto no artigo 10, I, IV do Decreto nº 70.235/72. Este mesmo diploma legal estabelece as causas de nulidade de auto de infração fiscal em seu artigo 59, com especial destaque ao inciso II que: Art. 59. São nulos: II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Corroborando a tese e os fundamentos adotados nesta decisão, necessário colacionar repertório jurisprudencial desta Colenda Corte, a seguir transcrito: Numero do processo:10111.720547/2012-73- Turma:Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção- Câmara:Segunda Câmara- Seção:Terceira Seção De Julgamento- Data da sessão:Wed Jul 28 00:00:00 GMT-03:00 2021- Data da publicação:Wed Sep 15 00:00:00 GMT-03:00 2021- Ementa:ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSO QUANTO A NATUREZA DO VÍCIO DA ANULAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação aduaneira/tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Numero da decisão:3201-008.839- Decisão:Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para sanar o vício de omissão suscitado, para que passe a constar a nulidade material. Vencido o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles que rejeitou os embargos. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Nome do relator:Laércio Cruz Uliana Junior. Turma:3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:3ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Ementa:Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2002 a 18/09/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. Numero da decisão:9303-005.461 Nome do relator:RODRIGO DA COSTA POSSAS. Fl. 1092DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 DO DISPOSITIVO. Do exposto, conheço do Recurso Voluntário, acolho a preliminar de nulidade do Auto de Infração e julgo procedente o Recurso nos termos apontados. Auto de Infração é nulo de pleno direito, por vício material, posto estar sem fundamentação adequada, seja nos fatos, direito e, especialmente, na própria identificação do sujeito passivo (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Márcio Robson Costa, Redator designado. Tendo sido designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, no qual prevaleceu no julgamento, em não acolher a preliminar de nulidade do Auto de Infração e julgar improcedente o Recurso Voluntário, assim divergindo do Relator, que ressalta dentre seus argumentos que, “no tocante ao Auto de Infração, observa-se que em sua fundamentação legal, jamais adotou-se a NOTICIA SICOMEX como fundamento para definir a infração do recorrente’. Vejamos a decisão deste colegiado que constou na Ata de Julgamento: Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Mateus Soares de Oliveira (Relator), que acolhia a preliminar de nulidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio Robson Costa. Com todas as vênias ao ilustre Conselheiro-Relator Original deste processo, o entendimento que prevaleceu, é que nos termos do enquadramento legal posto (e-fl.18 do A.I.), abarca o contexto da infração cometida, visto que o cerne da questão trata de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, pelo fato do transportador não ter promovido o registro de dados do embarque, no prazo estabelecido, com todo o respaldo legal que trata desta obrigação com a tipificação em vigor na época dos fatos para a imposição de penalidade, quer seja aalínea“e”doincisoIVdoart.107do art. 37 do Decreto-Lei nº 37/96, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833,de2003,inverbis: “Art.37.OtransportadordeveprestaràSecretariadaReceitaFederal,naformaeno prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado” Assim o entendimento persistente é que não pode falar em quaisquer vícios no lançamento ou mesmo no julgamento da primeira instância, pois todo o procedimento previsto Fl. 1093DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-011.452 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10689.000013/2009-97 no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. A discussão que gira em torno do termo “imediatamente”, disposto no Art. 37 da IN 28/1994, para assim dizer que não havia prazo específico e determinado para que o transportador fizesse tal registro, como muito bem disse o Relator: “NÃO DEFINIA PRAZO EM DIAS”. Ora, não seria a falta de capitulação da Notícia Siscomex n. 105/94 ou mesmo, por outro ponto de vista, quer seja a citação no enquadramento da Instrução Normativa SRF nº 510/2005, que macularia o lançamento, para a pretensa nulidade por vício material. Não restaram dúvidas aos olhos da maioria deste colegiado da validade jurídica, seja do lançamento seja do procedimento adotado neste processo, pois diferentemente do alegado pela recorrente, da simples leitura, seja da própria tipificação legal, seja pelas considerações posta na decisão a quo, que bem rechaçou as alegações de falta de fundamentação legal para a autuação, que inclusive racionalmente aplica o instituto daretroatividadebenignadalei (IN SRF n. 1.096/2010), não deixa qualquer dúvidas de que a questionada autuação foi adequada e suficientemente motivada, o que afasta a pretensa nulidade por erro ou inexistência de motivação. Importante ressaltar que pela aplicação da retroatividade benigna da lei, foram mantidos 195 (cento e noventa e cinco) voos com atraso de mais de 07 (sete) dias no respectivo registro, o que corrobora com a total racionalidade da decisão a quo, que se mostrou consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes. Dentro desse contexto fático e com arrimo ao entendimento proferido pela maioria da turma, é incabível a arguição de nulidade do Auto de Infração, cujos procedimentos relacionados estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em observância a evolução das normas que disciplinaram o assunto ao longo do tempo, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva impugnação. Conclusão Diante do exposto voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 1094DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13852.000408/2002-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
ANALOGIA.
O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois não há previsão de atualização monetária.
Note-se que o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
Numero da decisão: 3101-000.894
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ANALOGIA. O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois não há previsão de atualização monetária. Note-se que o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13852.000408/2002-72
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4785420
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3101-000.894
nome_arquivo_s : 310100894_13852000408200272_200110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 13852000408200272_4785420.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
id : 4748063
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:32 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395702689792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 256 1 255 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13852.000408/200272 Recurso nº 269.999 Voluntário Acórdão nº 310100.894 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2011 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente JBS EMBALAGENS METALICAS LTDA Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. ANALOGIA. O procedimento de ressarcimento do saldo credor do IPI é diverso do da compensação e restituição, pois não há previsão de atualização monetária. Notese que o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 267DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Corintho Oliveira Machado Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratam os autos do Pedido de Ressarcimento do crédito de IPI, apurado segundo a forma do art. 5º do DecretoLei nº 491/69 e art. 1º II da Lei nº 8.402/92, conforme pedido formalizado às fls. 01, homologados em sua totalidade pelo valor histórico, ou seja, sem atualização monetária. Diante da ausência da correção monetária, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade a qual foi julgada improcedente, segundo os argumentos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CORREÇÃO MONETÁRIA. Não existe previsão legal para a correção monetária de valores relativos a ressarcimento de créditos de IPI. Solicitação Indeferida Intimada dessa decisão em 28/01/2009 (fls. 92), interpôs Recurso Voluntário em 20/02/2009 (fls. 155/201), aduzindo em síntese que: i) o caso impõe a correção monetária pela SELIC, em decorrência da aplicação, por analogia, do §4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, segundo os fundamentos do art. 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e o artigo 108 do CTN, argumentando que se o índice atualiza os créditos da Fazenda Pública, deve também atualizar seus débitos; ii) “ressarcimento” é uma espécie do gênero “restituição”, de modo que a atualização monetária dos créditos em face da Fazenda Pública devem ser atualizado segundo o índice legalmente previsto, ou seja, a SELIC; iii) acusa o Fisco de reter indevidamente o referido crédito, dada a morosidade em responder o pedido de ressarcimento, descumprido o prazo máximo estipulado pelo art. 49 da Lei 9.784/99, o que para a Recorrente também embasa seu posicionamento pela necessidade de correção monetária, argumentando ainda que o descumprimento desse prazo impede que o benefício fiscal previsto pela Lei 9.363/96 cumpra sua finalidade; e Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13852.000408/200272 Acórdão n.º 310100.894 S3C1T1 Fl. 257 3 iv) apresenta precedentes das instâncias administrativas federais de julgamento, bem como dos tribunais superiores brasileiros. É o Relatório Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. O ponto nodal da lide está na possibilidade de atualizar créditos originariamente escriturais do IPI, que foram objeto de pedido de ressarcimento. O julgador de primeira instância parte da premissa de que o crédito escritural não se presta à atualização monetária. No que tem inteira razão em face do que pacificou o Supremo Tribunal Federal no RE 205.453/SP, de 03/11/97. O que argumenta é que a atualização monetária só é possível quando o crédito tiver outra origem, como por exemplo o caso do indébito, cuja repetição deverá ser corrigida. Pois bem, para solucionar a questão proposta nos autos, devemos nos debruçar sobre a análise da verdadeira natureza do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Cumpre destacar que o crédito de natureza escritural tem a finalidade de viabilizar o princípio da nãocumulatividade, de modo que o contribuinte que tem o direito ao credito de IPI escriturao em conta gráfica seja presumido seja decorrente da aquisição de matériaprima, material de embalagem ou produto intermediário (que tenham sofrido a incidência do IPI). Tais créditos participam da apuração do imposto devido por meio da compensação, ou seja, do montante de “débito escritural” devido em face da ocorrência do fato gerador do imposto, pela saída do produto industrializado do estabelecimento do contribuinte, deverá deduzido (compensado) os créditos escriturais advindos das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, bem como os créditos presumidos. Dessa operação de compensação poderá exsurgir um débito escritural – que automaticamente se transformará em crédito tributário a ser recolhido pelo contribuinte (imposto a pagar) – ou um crédito escritural – o qual se denomina “saldo credor de IPI” passível de compensação no período de apuração subseqüente e, mantido ao final do trimestre passível de ressarcimento (indébito) por meio de pedido formulado à Receita Federal. Assim, o sistema de direito positivo contempla situações em que um determinado bem possa se submeter a diversos regimes jurídicos a depender das relações jurídicas que em torno dele se instauram. Na dinâmica da nãocumulatividade de tributos, como no IPI, o crédito tributário cobrado nas operações anteriores transformase em crédito escritural, por meio do destaque do imposto na nota fiscal de saída do fornecedor e conseqüente ingresso no estabelecimento industrial adquirente, passando a submeterse ao regime jurídico de crédito escritural (RE 205.453/SP, de 03/11/97) mediante as regras próprias da escrituração e apuração dos tributos nãocumulativos: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. ICMS. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS DÉBITOS FISCAIS E INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13852.000408/200272 Acórdão n.º 310100.894 S3C1T1 Fl. 258 5 1. Crédito de ICMS. Natureza meramente contábil. Operação escritural, razão por que não se pode pretender a aplicação do instituto da atualização monetária. 2. A correção monetária do crédito do ICMS, por não estar prevista na legislação estadual, não pode ser deferida pelo Judiciário sob pena de substituirse o legislador estadual em matéria de sua estrita competência. 3. Alegação de ofensa ao princípio da isonomia e da não cumulatividade. Improcedência. Se a legislação estadual só previa a correção monetária dos débitos tributários e vedava a atualização dos créditos, não há como falarse em tratamento desigual a situações equivalentes. 3.1 A correção monetária incide sobre o débito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferenciase do crédito escritural técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da nãocumulatividade. Recurso extraordinário conhecido e provido. RE 205453/SP Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Julgamento: 03/11/1997. Órgão Julgador: Segunda Turma No momento final da apuração do quantum debeatur, que se dá com a compensação, no âmbito da nãocumulatividade, entre créditos escriturais e débitos escriturais, exsurge novamente o crédito tributário, se e quando, o resultado dessa apuração resultar imposto a pagar. O débito escritural convertese automaticamente em crédito tributário que passa a submeterse ao regime jurídico tributário do Código Tributário Nacional. Se o resultado da apuração resultar em crédito escritural, este continuará escritural, sob a rubrica de saldo credor, para compor o conjunto de créditos escriturais utilizados na compensação dos débitos escriturais do período de apuração subseqüente (art. 49, parágrafo único, CTN e art. 256, § 1º, Decreto n° 7.212/2010). Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). Mas, da mesma forma que para o débito escritural, o sistema jurídico criou para o saldo credor uma procedimento para alteração de regime jurídico de escritural para tributário. Ao final de cada trimestre calendário, o saldo credor de IPI pode ser objeto de Fl. 271DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 ressarcimento, ou seja, como todos os requisitos do regime jurídico tributário (art. 11, Lei 9.779/1999 e art. art. 256, § 2º, Decreto n° 7.212/2010). Art. 256 .... ... § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Diante dessas disposições legais, resta definir o aspecto temporal escolhido pelo Sistema, que determina essa transformação de regime jurídico. Como visto, encerrado o trimestrecalendário com saldo credor, o contribuinte tem duas opções: (i) ou transfere o saldo credor para o período de apuração subseqüente, com o fim de utilizálo na compensação de créditos e débitos escriturais, na sistemática da nãocumulatividade, ou, formula pedido administrativo de ressarcimento, zerando o saldo credor objeto do pedido do livro de apuração, o que impedirá a utilização na compensação do período subseqüente. Portanto, excluído escrituração contábilfiscal de apuração do imposto o saldo credor deixa de ter lastro com sua característica escritural e passa a integrar o pedido de ressarcimento, na forma de indébito. Desta forma, no exato momento da protocolização do pedido administrativo de ressarcimento, a partir do qual o Fisco passa a ter o dever de restituir o respectivo valor ao contribuinte, aquele valor, originário do saldo credor, passa a ter a natureza jurídica de indébito. Se o contribuinte não exercer esse direito o crédito continuará a se submeter ao regime jurídico escritural. Noutro giro de palavras, os aspectos temporal, espacial e material da norma de incidência que confere a transformação da natureza jurídica do crédito escritural em direito creditório tributário contra o Fisco, revelamse no exato momento em que o contribuinte protocoliza seu pedido de ressarcimento/restituição/compensação. Nesse instante, aquilo que era crédito escritural passa a ser um dever que o Fisco tem de adimplir: a restituição ou compensação. A partir daí que o dever de restituir impõe ao Fisco as regras gerais das relações jurídicas, inclusive o dever de atualizar e remunerar os valores que congregam suas obrigações de pagar. É por conta da alteração do regime jurídico escritural para o regime jurídico tributário que o saldo credor (escritural) passa a ser indébito (tributário) submetendose a todas as repercussões próprias desse regime jurídico, inclusive a atualização por meio da Taxa SELIC, consoante dispõe o art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95. Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Fl. 272DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13852.000408/200272 Acórdão n.º 310100.894 S3C1T1 Fl. 259 7 Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) Ademais, no âmbito das relações jurídicas, não há como conceberse que alguém que esteja sob a imposição legal do dever de pagar fique livre para exercer essa obrigação quando melhor lhe prouver. O credor de qualquer relação jurídica não pode ficar submetido à vontade do devedor para ver satisfeito seu direito. Nesse sentido é que o art.49 da Lei n° 9.784/99 impõe um prazo para que a Administração cumpra a obrigação de pagar. Inobstante, a jurisprudência do STJ que vem sendo aplicada, inclusive em relação aos efeitos do Recurso Repetitivo no REsp 1.035.847, leva em conta que o relevante na aplicação da atualização monetária, é o enriquecimento sem causa, em face da oposição, na qual o silêncio está incluído: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (ARTIGO 543C, DO CPC) (PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.). ERRO MATERIAL. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. MANIFESTO INTUITO INFRINGENTE. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MULTA POR EMBARGOS PROCRASTINATÓRIOS. ARTIGO 538 C/C 557, § 2º, DO CPC. APLICAÇÃO. 1. O inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do artigo 535, do CPC. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 2. A pretensão de revisão do julgado, em manifesta pretensão infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos, quando o aresto recorrido assentou que: "1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008)." 3. A Fazenda Nacional, nos presentes embargos de declaração, suscitou preliminar no sentido de que o acórdão embargado não teria atentado para a novel jurisprudência do STF, firmada por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários 353.657/PR e 370.682/SC, que concluiu pela ausência de direito ao creditamento de IPI quando da aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero e pela não tributação, cujo consectário lógico seria o afastamento do direito à correção monetária. 4. Nada obstante, em sede de embargos de declaração manejados na instância ordinária, bem como no âmbito do recurso especial eleito como representativo de controvérsia, a Fazenda Nacional, pugnando pela ausência de previsão legal de correção monetária de créditos escriturais, assinalou que "a questão versa sobre o reconhecimento do direito do contribuinte à correção monetária de crédito escritural de IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero e que o contribuinte não pôde compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, ao Fl. 274DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13852.000408/200272 Acórdão n.º 310100.894 S3C1T1 Fl. 260 9 realizar a compensação do referido crédito com outros tributos nos termos do art. 11, da Lei 9.779/99". 5. Conseqüentemente, a preliminar ventilada pela embargante, além de destoar das razões esposadas nos embargos de declaração e no recurso especial fazendários (donde se poderia inferir aparente litigância de máfé), constitui inovação argumentativa, vedada na instância extraordinária, notadamente em virtude do inarredável requisito do prequestionamento e tendo em vista o óbice inserto na Súmula 7/STJ. 6. Embargos de declaração rejeitados, com a condenação da embargante ao pagamento de 1% (um por cento) a título de multa, pelo seu caráter procrastinatório (artigo 538, parágrafo único, do CPC), em face da impugnação de questão meritória, esta submetida ao rito do artigo 543C, do CPC (mutatis mutandis, Questão de Ordem no REsp 1.025.220/RS, apreciada pela Primeira Seção aplicação de multa artigo 557, § 2º do CPC). (EDcl no REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Nesse sentido é o Acórdão prolatado no REsp 1.088.292, cuja votação unânime, confirmou o voto de lavra do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI N. 9.363/96. PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO. MORA DA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 411/STJ. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELO ART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA. 1. O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos, dos créditos adquiridos por força do art. 1º, da Lei n. 9.363/96 créditos presumidos de IPI adquiridos como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS) quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. 2. Incidência do enunciado n. 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" e mudança do ponto de vista do Relator em razão do decidido no recurso representativo da controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 3. Precedentes em sentido contrário: REsp. Nº 1.115.099 SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 16.3.2010; AgRg no REsp. Nº 1.085.764 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 18.8.2009. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1088292/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/02/2011, DJe 16/02/2011) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário Luiz Roberto Domingo Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13852.000408/200272 Acórdão n.º 310100.894 S3C1T1 Fl. 261 11 Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo eminente Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto da maioria, firmou entendimento de que não assiste razão a ambos no que diz com a interpretação da legislação referente à sistemática de ressarcimento de créditos de IPI e normas legais análogas (Código Tributário Nacional, art. 49, parágrafo único, e art. 256, §§ 1º e 2º, do Decreto n° 7.212/2010, art. 11 da Lei 9.779/1999 e art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95). Com efeito, o sistema jurídico criou para o saldo credor do IPI um procedimento opcional ao contribuinte, que possibilita a alteração de regime jurídico de escritural para tributário, ao permitir que esse seja objeto de ressarcimento, contudo o fez diversamente do que acontece com a compensação e a restituição, sem previsão de atualização monetária. Notese que o art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, que trata de acréscimos de juros calculados pela taxa SELIC, só os prevê para compensação e restituição. O uso de analogia para criar direito ao contribuinte fere os princípios administrativos mais comezinhos, tais como legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. Nesse diapasão, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2011. Corintho Oliveira Machado Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01 /2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 37183.005978/2006-71
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 2004-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta emita informação/parecer conclusivo após o exame das GFIP retificadoras, bem como demais informações que julgar pertinentes, aí incluídos os documentos apresentados por ocasião de sua manifestação de inconformidade, a fim de que seja averiguado a existência, ou não, de crédito quantificável e restituível ao sujeito passivo.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202312
turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 37183.005978/2006-71
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7060607
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 2004-000.004
nome_arquivo_s : Decisao_37183005978200671.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
nome_arquivo_pdf_s : 37183005978200671_7060607.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta emita informação/parecer conclusivo após o exame das GFIP retificadoras, bem como demais informações que julgar pertinentes, aí incluídos os documentos apresentados por ocasião de sua manifestação de inconformidade, a fim de que seja averiguado a existência, ou não, de crédito quantificável e restituível ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 28 00:00:00 UTC 2023
id : 10412638
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:26 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395705835520
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-01-11T20:54:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-01-11T20:54:43Z; Last-Modified: 2024-01-11T20:54:43Z; dcterms:modified: 2024-01-11T20:54:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-01-11T20:54:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-01-11T20:54:43Z; meta:save-date: 2024-01-11T20:54:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-01-11T20:54:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-01-11T20:54:43Z; created: 2024-01-11T20:54:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-01-11T20:54:43Z; pdf:charsPerPage: 2258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-01-11T20:54:43Z | Conteúdo => 00 SS22--TTEE0044 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 37183.005978/2006-71 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 2004-000.004 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 28 de dezembro de 2023 AAssssuunnttoo REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO RReeccoorrrreennttee SENGE SERVICOS DE ENGENHARIA E CONSTRUCOES EIRELI IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta emita informação/parecer conclusivo após o exame das GFIP retificadoras, bem como demais informações que julgar pertinentes, aí incluídos os documentos apresentados por ocasião de sua manifestação de inconformidade, a fim de que seja averiguado a existência, ou não, de crédito quantificável e restituível ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente). Relatório Cuida o presente, na origem, de Requerimento de Restituição da Retenção indeferido pela autoridade fiscal em razão do não atendimento a intimação. O Despacho Decisório encontra-se às fls. 109/113. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade às fls. 116/117. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE julgou- a improcedente às fls. 183/187, por meio do acórdão a seguir mentado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/10/2006 REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O requerimento de restituição deve estar acorde com a declaração das correspondentes informações em GFIP, de forma a instruir devidamente o processo e possibilitar análise de mérito conclusiva. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 71 83 .0 05 97 8/ 20 06 -7 1 Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2004-000.004 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 37183.005978/2006-71 Cientificado do acórdão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 192/194. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator. Da admissibilidade O contribuinte tomou ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 12/3/15 (fl. 190) e apresentou seu recurso tempestivamente em 10/4/15 (fl. 192). Preenchido os demais requisitos para a sua admissibilidade, dele conheço e passo a analisar-lhe o mérito. Do mérito Como relatado, cuida o caso de pedido de Requerimento de Restituição de Retenção. Os quadros a seguir evidenciam, por competências, os valores retidos, as compensações, as notas fiscais e os créditos aqui reclamados e aqueles relativos a outros 4 (quatro) processos do mesmo requerente, que estão sob a relatoria deste Conselheiro e que serão apresentados ao colegiado, simultaneamente, na mesma sessão de julgamento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO PROCESSO COMP CNPJ CONTRI DEVIDA VLR RETIDO VLR COMPENSADO RESTITUIÇÃO 37183.005978/2006-71 jul/06 01.091.043/0001-92 3.446,97 4.487,62 2.918,98 1.568,64 ago/06 01.091.043/0001-92 3.385,46 8.234,95 2.557,17 5.677,78 set/06 01.091.043/0001-92 3.431,96 4.551,65 525,59 2.906,37 out/06 01.091.043/0001-92 3.301,47 3.104,72 498,64 317,62 37183.005979/2006-15 nov/06 01.091.043/0001-92 3.255,32 3.795,33 2.760,59 4.034,74 37183.005977-2006-26 jan/05 01.091.043/0001-92 2.187,77 2.567,73 1.824,10 743,63 fev/05 01.091.043/0001-92 2.340,44 6.839,97 1.941,96 4.898,01 mar/05 01.091.043/0001-92 2.545,82 3.272,27 2.104,23 1.168,05 abr/05 01.091.043/0001-92 2.977,80 7.689,61 2.429,64 5.257,97 jun/05 01.091.043/0001-92 5.047,54 10.073,89 4.190,60 5.883,30 jul/05 01.091.043/0001-92 4.212,56 19.745,19 3.515,33 16.229,86 37183.002107/2006-03 08/mai 01.091.043/0001-92 3.829,91 12.172,12 3.192,31 8.979,81 09/mai 01.091.043/0001-92 3.384,68 9.004,62 2.557,17 6.447,45 10/mai 01.091.043/0001-92 3.336,31 9.163,16 2.816,46 6.346,70 11/mai 01.091.043/0001-92 3.049,37 11.475,48 2.512,55 8.926,93 12/mai 01.091.043/0001-92 5.449,47 10.805,27 4.921,10 5.884,17 01/jun 01.091.043/0001-92 3.046,66 8.632,67 2.032,74 6.599,93 10510.004745/2007-26 jun/07 01.091.043/0001-92 5.896,74 8.998,39 5.000,09 3.998,30 jul/07 01.091.043/0001-92 5.890,68 21.321,41 4.996,52 16.324,89 ago/07 01.091.043/0001-92 5.542,62 8.624,62 4.699,73 3.924,89 DADO DAS NOTAS FISCAIS Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2004-000.004 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 37183.005978/2006-71 PROCESSO DT NF nº NF VALOR BRUTO VLR RETIDO CNPJ CONTRATANTE 37183.005978/2006-71 07/07/2006 848 2.500,00 275,00 13.017.462/0001-63 13/07/2006 849 10.139,55 1.115,35 13.017.462/0001-63 13/07/2006 850 9.082,58 999,08 13.017.462/0001-63 13/07/2006 851 522,34 57,46 13.017.462/0001-63 25/07/2006 852 7.985,08 878,36 13.017.462/0001-63 25/07/2006 853 5.358,85 589,47 13.017.462/0001-63 25/07/2006 854 2.781,08 305,92 13.017.462/0001-63 25/07/2006 855 2.427,06 266,98 13.017.462/0001-63 37183.005979/2006-15 01/11/2006 888 13.118,17 1.443,00 13.017.462/0001-63 17/11/2006 889 4.359,77 479,57 13.017.462/0001-63 17/11/2006 890 10.713,39 1.178,47 13.017.462/0001-63 20/11/2006 892 14.687,55 1.615,63 13.017.462/0001-63 20/11/2006 893 4.943,75 543,81 13.017.462/0001-63 20/11/2006 894 13.953,21 1.534,85 13.017.462/0001-63 37183.005977-2006-26 03/01/2005 894 1.614,00 177,54 13.017.462/0001-63 03/01/2005 575 1.443,80 158,82 13.017.462/0001-63 03/01/2005 576 331,00 36,41 13.017.462/0001-63 03/01/2005 578 4.561,44 501,76 13.017.462/0001-63 03/01/2005 579 12.230,70 263,20 33.592.510/0443-64 11/01/2005 580 1.000,00 110,00 62.032.180/0001-40 12/01/2005 581 11.000,00 1.210,00 13.017.462/0001-63 21/01/2005 582 1.000,00 110,00 62.032.180/0001-40 37183.002107/2006-03 01/08/2005 697 4.950,00 544,50 03.838.932/0001-04 08/08/2005 701 3.140,00 345,40 03.838.932/0001-04 18/08/2005 707 20.232,00 2.225,52 03.838.932/0001-04 01/08/2005 699 4.119,34 453,13 33.592.510/0443-64 15/08/2005 706 26.098,00 2.870,78 34.274.233/0001-02 01/08/2005 691 4.076,27 448,39 13.017.462/0001-63 01/08/2005 692 4.354,58 479,00 13.017.462/0001-63 01/08/2005 694 3.116,73 342,84 13.017.462/0001-63 01/08/2005 695 966,66 106,33 13.017.462/0001-63 01/08/2005 696 3.923,01 431,53 13.017.462/0001-63 01/08/2005 698 11.845,93 1.303,05 13.017.462/0001-63 11/08/2005 702 1.843,71 202,81 13.017.462/0001-63 11/08/2005 703 731,42 80,46 13.017.462/0001-63 11/08/2005 404 3.967,31 436,40 13.017.462/0001-63 11/08/2005 705 2.781,05 305,92 13.017.462/0001-63 23/08/2005 708 11.321,82 1.245,40 13.017.462/0001-63 23/08/2005 709 3.187,80 350,66 13.017.462/0001-63 10510.004745/2007-26 20/06/2007 966 103.512,15 5.693,17 33.000.167/0577-23 21/06/2007 967 3.568,50 392,54 13.017.462/0001-63 21/06/2007 968 17.626,30 1.938,89 13.017.462/0001-63 21/06/2007 969 1.879,88 206,79 13.017.462/0001-63 Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2004-000.004 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 37183.005978/2006-71 21/06/2007 970 662,60 72,89 13.017.462/0001-63 21/06/2007 971 1.173,60 129,10 13.017.462/0001-63 21/06/2007 972 3.738,60 411,25 13.017.462/0001-63 21/06/2007 973 1.374,00 151,14 13.017.462/0001-63 21/06/2007 974 23,79 2,62 13.017.462/0001-63 Durante a análise do requerimento, a autoridade fiscal, após consignar divergências em relação aos salários de contribuição declarados nas GFIP quando comparadas com a RAIS e DIRF, além de registrar a necessidade fossem detalhadas as compensações em períodos posteriores que utilizaram créditos do período em análise, intimou o sujeito passivo – em 02/07/14 - a apresentar: 5.1 - Folha de Pagamento, em meio digital, com layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD) da SRP, conforme Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, das competências acima mencionadas; 5.2 - Contabilidade, em meio digital, com layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais (MANAD) da SRP, conforme Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006, das competências acima mencionadas; 5.3 - Última alteração contratual que identifique os responsáveis pela administração ou pela gerência da sociedade; Todavia, pelo que consta dos autos, até a data do despacho decisório (23/7/14) a intimação fiscal não havia sido atendida, muito embora o requerente houvesse protocolizado requerimento para prorrogação do prazo assinalado, o que me parece razoável dado o tempo decorrido entre a apresentação do RRR (2006) e a sua respetiva análise pelo Fisco (2014). Já em sua impugnação o recorrente apresentou documentos com vistas a satisfazer as exigências fiscais, os quais foram analisados pela decisão de primeira instância nos seguintes termos, segundo as competências requeridas nestes autos: 06/2006: Retificou a GFIP para incluir o valor da retenção de R$ 4.551,65; 07/2006: Retificou a GFIP para incluir a remuneração informada em RAIS e DIRF. Quanto à compensação na competência 13/2008, que teria utilizado crédito do período aqui pleiteado, apresentou GFIP retificadora não mais informando referida compensação. No que tange à compensação na competência 04/2011, que, tal como na anterior, teria utilizado crédito do período aqui reclamado, a recorrente retificou a GFIP, mantendo a compensação, mas deixando em brando o período a que se referia o crédito ofertado no encontro de contas. Não obstante a DRJ ter reconhecido sanada boa parte das inconsistências apontadas pela autoridade fiscal, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada ao fundamento de que haveria “mais incoerências entre o pedido de compensação e as informações da GFIP....” E ainda concluiu que: “Assim, a falta de harmonia entre GFIP e valores constantes no requerimento da restituição levam no indeferimento do pleito”. Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2004-000.004 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 37183.005978/2006-71 Penso que, no caso, a incoerência entre os pedidos e o produto das retificações das GFIP não impediria houvesse o deferimento, parcial é claro, do eventual crédito que restasse comprovado, naturalmente em valor que não excedesse aquele originalmente pedido. Nesse sentido, entendo oportuno convolar o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB emita informação/parecer conclusivo após o exame das GFIP retificadoras, bem como demais informações que julgar pertinentes, aí incluídos os documentos apresentados por ocasião de sua manifestação de inconformidade, a fim de que seja averiguado a existência, ou não, de crédito quantificável e restituível ao sujeito passivo. Saliento, por fim, que do resultado desta diligência deverá ser dado ciência ao requerente para que, se entender pertinente, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Forte no exposto, VOTO no sentido de CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA na forma do voto acima. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 266DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12266.724277/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009
RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS.
O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/1966, conforme Súmula CARF 185, vinculante, de acordo com a Portaria ME 12.975, de 10/11/2021.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SÚMULA CARF 186.
Nos termos da Súmula CARF 186, a retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei 37/66.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009
APLICAÇÃO DE MULTA DISPOSTA EM LEI. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA CARF 2.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF 2, razão pela qual esse ponto recursal não deve ser conhecido.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO PRECISA DO FATO E COM APONTAMENTO DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Inexiste nulidade em auto de infração, lavrado pela autoridade fiscal competente, com a descrição precisa do fato objeto da autuação e com apontamento da legislação aplicável ao caso.
DEVERES INSTRUMENTAIS. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126.
Nos termos do enunciado da Súmula CARF 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à Administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei 12.350/2010.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE E EFEITOS DO ATO.
Salvo disposição legal em sentido contrário, a responsabilidade por infrações à legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICABILIDADE.
Aplica-se o princípio da retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3301-013.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wagner Mota Momesso de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Onizia de Miranda Aguiar Pignataro (substituta convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Wagner Mota Momesso de Oliveira. Ausente(s) o conselheiro(a) Jucileia de Souza Lima, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Onizia de Miranda Aguiar Pignataro.
Nome do relator: WAGNER MOTA MOMESSO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 04 09:00:02 UTC 2024
anomes_sessao_s : 202403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009 RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/1966, conforme Súmula CARF 185, vinculante, de acordo com a Portaria ME 12.975, de 10/11/2021. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SÚMULA CARF 186. Nos termos da Súmula CARF 186, a retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei 37/66. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009 APLICAÇÃO DE MULTA DISPOSTA EM LEI. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA CARF 2. O Carf não é competente para se pronunciar sobre alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF 2, razão pela qual esse ponto recursal não deve ser conhecido. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO PRECISA DO FATO E COM APONTAMENTO DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade em auto de infração, lavrado pela autoridade fiscal competente, com a descrição precisa do fato objeto da autuação e com apontamento da legislação aplicável ao caso. DEVERES INSTRUMENTAIS. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126. Nos termos do enunciado da Súmula CARF 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à Administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei 12.350/2010. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE E EFEITOS DO ATO. Salvo disposição legal em sentido contrário, a responsabilidade por infrações à legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICABILIDADE. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2024
numero_processo_s : 12266.724277/2013-12
anomes_publicacao_s : 202405
conteudo_id_s : 7061322
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2024
numero_decisao_s : 3301-013.966
nome_arquivo_s : Decisao_12266724277201312.PDF
ano_publicacao_s : 2024
nome_relator_s : WAGNER MOTA MOMESSO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12266724277201312_7061322.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Onizia de Miranda Aguiar Pignataro (substituta convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Wagner Mota Momesso de Oliveira. Ausente(s) o conselheiro(a) Jucileia de Souza Lima, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Onizia de Miranda Aguiar Pignataro.
dt_sessao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
id : 10415416
ano_sessao_s : 2024
atualizado_anexos_dt : Sat May 04 09:38:30 UTC 2024
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1798114395711078400
conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-22T19:34:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-22T19:34:32Z; Last-Modified: 2024-04-22T19:34:32Z; dcterms:modified: 2024-04-22T19:34:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-22T19:34:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-22T19:34:32Z; meta:save-date: 2024-04-22T19:34:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-22T19:34:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-22T19:34:32Z; created: 2024-04-22T19:34:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2024-04-22T19:34:32Z; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-22T19:34:32Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12266.724277/2013-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-013.966 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2024 Recorrente MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009 RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37/1966, conforme Súmula CARF 185, vinculante, de acordo com a Portaria ME 12.975, de 10/11/2021. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SÚMULA CARF 186. Nos termos da Súmula CARF 186, a retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei 37/66. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009 APLICAÇÃO DE MULTA DISPOSTA EM LEI. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. SÚMULA CARF 2. O Carf não é competente para se pronunciar sobre alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF 2, razão pela qual esse ponto recursal não deve ser conhecido. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO PRECISA DO FATO E COM APONTAMENTO DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade em auto de infração, lavrado pela autoridade fiscal competente, com a descrição precisa do fato objeto da autuação e com apontamento da legislação aplicável ao caso. DEVERES INSTRUMENTAIS. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 126. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 42 77 /2 01 3- 12 Fl. 297DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 Nos termos do enunciado da Súmula CARF 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à Administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei 12.350/2010. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/02/2009, 07/03/2009, 27/03/2009 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE E EFEITOS DO ATO. Salvo disposição legal em sentido contrário, a responsabilidade por infrações à legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICABILIDADE. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso voluntário, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Onizia de Miranda Aguiar Pignataro (substituta convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Wagner Mota Momesso de Oliveira. Ausente(s) o conselheiro(a) Jucileia de Souza Lima, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Onizia de Miranda Aguiar Pignataro. Relatório Trata-se de auto de infração, lavrado em 17/12/2013, para aplicação da multa disposta no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03, consistente no montante de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 Aduz a autoridade aduaneira (fl. 4): O Autuado retificou conhecimento(s) eletrônico(s) ou item(ns) de carga, conforme demonstrado em tabela anexa. A retificação de conhecimento(s) eletrônico(s) ou item (ns) de carga configura infração, por não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos pela RFB (arts. 23 e 50 da IN 800/2007), e sujeita o transportador que incluiu o(s) conhecimento(s) eletrônico(s) à aplicação de penalidade, por cada deferimento, automático ou não, de retificação do(s) conhecimento(s) eletrônico(s) ou item (ns), independentemente da quantidade de campos retificados, conforme regem a IN RFB 800/2007, arts. 27, § 3°, e 45, e o ADE Corep 03/2008, art. 64, § § 2°, II, 4°, II, e 7°. Sendo assim, por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que executou, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB na IN RFB 800/2007 e no ADE Corep 03/2008, para CADA RETIFICAÇÃO DEFERIDA, o Autuado sujeita-se à aplicação de MULTA NO VALOR DE R$ 5.000,00, de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, regulamentado pelo art. 728, inciso IV, alínea "e" do Decreto n° 6.759/2009. (...) Às fls. 6-7 consta tabela com os dados das infrações apuradas pela autoridade aduaneira, a seguir reproduzida: Após ciência do auto de infração, a interessada apresentou impugnação, conforme petição juntada às fls. 84-109 e 148-153. Mediante o acórdão juntado às fls. 195-212, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo-SP julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário. Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 A recorrente interpôs recurso voluntário em face do sobredito acórdão, consoante petição juntada às fls. 221-252, por meio do qual, em apertada síntese, (i) suscita a sua ilegitimidade passiva para o caso em questão, pois atuou como representante, na qualidade de agente marítimo de transportador marítimo internacional, e não existe amparo legal para a responsabilização do agente marítimo; (ii) aduz que o auto de infração é nulo, pois a descrição do fato que ensejou a aplicação da multa não foi realizada de forma clara e completa, restando prejudicada a sua defesa, o que afronta o disposto no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal; (iii) assevera que a sua conduta não caracteriza o tipo legal sob o qual se justifica a imposição de multa, pois as autuações se deram com base em retificação de informação, e a retificação não pode ser objeto de multa, pois não configura inclusão fora do prazo, bem como argumenta que a Cosit, por meio da Solução de Consulta de 04/02/2016, definiu que as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa; (iv) afirma que nunca houve, por parte do transportador, a intenção de obstruir a fiscalização da Receita Federal do Brasil, e que não houve nenhum prejuízo ao Erário; (v) aduz que, quanto ao valor da multa aplicada, é necessário destacar a afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois a pena aplicada é extremamente desproporcional ao fato ocorrido; (vi) argumenta que a Cosit, através da Solução de Consulta de 14/02/2008, definiu que a multa aplicada ao transportador deverá ser única, neste caso, por navio, quando ocorre o descumprimento da obrigação acessória, independentemente da quantidade de dados não informados; (vii) alega que, ainda que eventual informação tenha sido prestada posteriormente, e isto para atender às exigências legais, o registro no SISCOMEX de dados relativos a um transporte marítimo, mesmo fora do prazo, mas antes da lavratura de um auto de infração, equivale, para todos os efeitos, a uma denúncia espontânea, o que afasta a aplicação de penalidade. Por fim, pleiteia o provimento do recurso, para que a infração seja anulada ou seja julgada insubsistente em razão dos argumentos apresentados, cancelando-se a penalidade imposta. Voto Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais o conheço. Violação a princípios constitucionais Não merece acolhida a alegação da recorrente, acerca do valor da multa aplicada, no sentido de que houve afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, já que a pena aplicada é extremamente desproporcional ao fato ocorrido. Isso porque não cabe a este Conselho se pronunciar acerca da constitucionalidade de lei, consoante a Súmula CARF 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A aludida multa fora aplicada em estrita observância à disposição legal, de aplicação obrigatória pela autoridade aduaneira, cuja atividade é vinculada e obrigatória, por Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 força do artigo 142 do CTN (Lei 5.172/1966), cabendo à autoridade aduaneira tão somente aplicar a multa disposta em lei para o caso constatado. Portanto, não conheço a alegação recursal atinente à violação de princípios constitucionais, uma vez que tal análise não compete a este Conselho, conforme a aludida súmula. Preliminar - Ilegitimidade Passiva A recorrente suscita a sua ilegitimidade passiva para o caso em questão, pois atuou como representante, na qualidade de agente marítimo de transportador marítimo internacional, e não existe amparo legal para a responsabilização do agente marítimo. Tal alegação não merece acolhida. Conforme visto, a infração em questão é a disposta no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei 37/1966, a seguir transcrita: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; (destaque nosso) A responsabilidade pela prestação de informações de todos os agentes intervenientes nas operações de transporte internacional de mercadorias se encontra disposta no § 1º do art. 37 do Decreto-Lei 37/1966: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (destaque nosso) Os artigos 4º e 5º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a qual dispõe a respeito do controle aduaneiro de embarcações, cargas e unidades de carga, prescrevem o seguinte: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. Fl. 301DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. (destaque nosso) Consoante os artigos acima transcritos, o termo “transportador”, mencionado na aludida Instrução Normativa, abrange a agência de navegação, também denominada agência marítima, e o agente de carga, os quais representam o transportador estrangeiro no País. O agente de navegação, também denominado agente marítimo, representa o transportador estrangeiro no País perante as autoridades aduaneiras, assumindo a administração da escala, a apresentação de documentos da embarcação e da carga transportada, e tem o dever de prestar informações às autoridades aduaneiras, na forma e no prazo dispostos na legislação, sob pena da multa disposta no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei 37/1966. Nesse sentido, há a Súmula CARF 185: O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. Recentemente, a 3ª Turma da CSRF (Câmara Superior de Recursos Fiscais) deste Conselho proferiu o acórdão 9303-013-635, na sessão de 14 de dezembro de 2022, versando sobre a mesma matéria, conforme a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/01/2006 a 22/06/2009 RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei n. 37/1966, como disposto na Súmula CARF 185, vinculante, conforme Portaria ME 12.975, de 10/11/2021. Logo, afasto a preliminar de ilegitimidade passiva. Preliminar de nulidade do auto de infração A recorrente aduz que o auto de infração é nulo, pois a descrição do fato que ensejou a aplicação da multa não foi realizada de forma clara e completa, restando prejudicada a sua defesa, o que afronta o disposto no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal. Inicialmente, cumpre registrar que todas as decisões administrativas e judiciais mencionadas pela recorrente na peça recursal não possuem força vinculante, aplicam-se somente às partes do processo administrativo e judicial. De outra parte, no que diz respeito à nulidade, cabe destacar que a legislação estabelece que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, Fl. 302DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 conforme art. 59 do Decreto 70.235/1972. No presente caso, não restam configuradas tais hipóteses. Com efeito, a autoridade aduaneira apresentou todos os dados necessários à identificação de cada infração constatada por ela, conforme tabela, com os dados das infrações, juntada às fls. 6-7, e de acordo com apresentação dos fatos constatados e da legislação aplicável, constantes do auto de infração, às fls. 3-5, de sorte que não vislumbro nenhuma violação ao direito de defesa da recorrente. Dessa forma, não procede a alegação apresentada pela recorrente, uma vez que a infração está tipificada de forma adequada e devidamente fundamentada pela autoridade aduaneira, com a delimitação dos fatos constatados e normas aplicáveis. Logo, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada pela recorrente. Intenção do agente e existência de prejuízo à Fiscalização Afirma a recorrente que nunca houve, por parte do transportador, a intenção de obstruir a fiscalização da Receita Federal do Brasil, e que não houve nenhum prejuízo ao Erário. Tais alegações não têm o condão de eximir a responsabilidade legal da recorrente pela infração em tela, uma vez que a sua responsabilidade é objetiva, por força do artigo 136 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com efeito, a responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, vale dizer, independe da intenção do agente ou responsável, dos motivos que o levaram a descumprir a obrigação tributária ou dos efeitos do ato de descumprimento da obrigação tributária, se causou ou não prejuízo ao erário ou embaraço à fiscalização. Assim sendo, para caracterizar a infração tributária, basta a identificação do agente ou responsável e a subsunção do fato (ação ou omissão do agente ou responsável) à norma quer dispõe acerca da obrigação tributária e da correspondente multa por descumprimento. No mesmo sentido, dispõe o art. 94 do Decreto-Lei 37/1966 acerca da responsabilidade por infração à legislação aduaneira: Art. 94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. § 1º - O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. Fl. 303DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Logo, nego provimento a esse ponto recursal. Alegação no sentido de que se deve aplicar uma única multa por navio Conforme visto, a recorrente argumenta que a Cosit, através da Solução de Consulta Interna nº 8, de 14/02/2008, definiu que a multa aplicada ao transportador deverá ser única, neste caso, por navio, quando ocorre o descumprimento da obrigação acessória, independentemente da quantidade de dados não informados. Tal alegação não merece acolhida, uma vez que a autoridade aduaneira aplicou corretamente a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada informação prestada a destempo. A multa aplicada está disposta, conforme já destacado, no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei n. 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n. 10.833/03, in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; e A Solução de Consulta Interna Cosit nº 2, de 4 de fevereiro de 2016, dispõe que a multa em questão é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos pela RFB, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto-Lei nº37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (destaque nosso) Fl. 304DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 No que diz respeito à Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 8, de 14/02/2008, cumpre destacar que ela não se aplica ao caso sob exame, já que dispõe acerca do registro de dados relativos ao embarque de exportação, na forma e nos prazos estabelecidos no artigo 37 da IN SRF 28/1994, situação que não guarda relação com os fatos discutidos no presente processo, conforme a ementa da aludida SCI, a seguir reproduzida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS APÓS O PRAZO. Aplica-se a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF nº 510, de 2005. Para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, a multa a ser aplicada na hipótese de o transportador não informar, no Siscomex, os dados relativos aos embarques de exportação na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, por se tratar de uma única infração. (destaque nosso) Logo, forte nesses argumentos, nego provimento a esse capítulo recursal. Denúncia espontânea A recorrente alega que, ainda que eventual informação tenha sido prestada posteriormente, e isto para atender às exigências legais, o registro no SISCOMEX de dados relativos a um transporte marítimo, mesmo fora do prazo, mas antes da lavratura de um auto de infração, equivale, para todos os efeitos, a uma denúncia espontânea, o que afasta a aplicação de penalidade. A matéria foi pacificada por este Conselho com a edição da Súmula 126, de aplicação obrigatória, conforme Portaria ME 129, de 01/04/2019, ementada da seguinte forma: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010 .(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). A jurisprudência deste Conselho está consolidada, conforme precedentes a seguir: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/09/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF N.º 126. Fl. 305DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 Nos termos do enunciado da Súmula CARF n.º 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” (Processo nº 10711.006071/2009-08; Acórdão nº 9303-010.200; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 10/03/2020) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/05/2009 (...) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. Em razão do disposto na súmula CARF nº 126, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (...)” (Processo nº 11968.000910/2009-27; Acórdão nº 3002-001.091; Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; sessão de 10/03/2020) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 (...) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (...)” (Processo nº 11128.006980/2010-14; Acórdão nº 3003-000.932; Relator Conselheiro Márcio Robson Costa; sessão de 10/03/2020) Assim sendo, nego provimento a esse ponto recursal. Retificação de informações - retroatividade benigna Na peça recursal, a recorrente assevera que a sua conduta não caracteriza o tipo legal sob o qual se justifica a imposição de multa, pois as autuações se deram com base em retificação de informação, e a retificação não pode ser objeto de multa, pois não configura inclusão fora do prazo, bem como argumenta que a Cosit, por meio da Solução de Consulta de 04/02/2016, definiu que as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa. De fato, as multas aplicadas decorrem de retificações intempestivas de informações prestadas tempestivamente pela recorrente, conforme se infere da análise dos documentos juntados pela autoridade aduaneira, às fls. 48-79, bem como da leitura do relatório do auto de infração, à fl. 4, e do exame da tabela com os dados das infrações constatadas pela autoridade aduaneira, às fls. 6-7, a seguir novamente reproduzidos: Fl. 306DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 O Autuado retificou conhecimento(s) eletrônico(s) ou item(ns) de carga, conforme demonstrado em tabela anexa. A retificação de conhecimento(s) eletrônico(s) ou item (ns) de carga configura infração, por não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos pela RFB (arts. 23 e 50 da IN 800/2007), e sujeita o transportador que incluiu o(s) conhecimento(s) eletrônico(s) à aplicação de penalidade, por cada deferimento, automático ou não, de retificação do(s) conhecimento(s) eletrônico(s) ou item (ns), independentemente da quantidade de campos retificados, conforme regem a IN RFB 800/2007, arts. 27, § 3°, e 45, e o ADE Corep 03/2008, art. 64, § § 2°, II, 4°, II, e 7°. Sendo assim, por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que executou, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB na IN RFB 800/2007 e no ADE Corep 03/2008, para CADA RETIFICAÇÃO DEFERIDA, o Autuado sujeita-se à aplicação de MULTA NO VALOR DE R$ 5.000,00, de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, regulamentado pelo art. 728, inciso IV, alínea "e" do Decreto n° 6.759/2009. (...) Ao analisar a legislação aplicável ao caso sob exame, constata-se que houve alteração no decorrer do tempo existente entre a autuação e o presente julgamento atinente à retificação de informação já prestada e à prestação de informação a destempo. O fundamento para a aplicação da multa decorrente de retificação de informações prestadas é o artigo 45 e seu parágrafo 1º, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que foram revogados pela Instrução Normativa RFB 1473, de 02 de junho de 2014 : Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação Fl. 307DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1º Configura-se também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) (destaques nosso) Conforme acima transcrito, em 2014, por meio da Instrução Normativa RFB 1.473, de 2 junho de 2014, foi revogado o artigo 45 e seu § 1º, os quais traziam a equiparação da alteração ou retificação de informação com a prestação de informação intempestiva. A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da já mencionada Solução de Consulta Interna Cosit nº 2, de 04 de fevereiro de 2016, apresentou entendimento no sentido de que a alteração ou retificação de informações já prestadas não configuram prestação de informação fora do prazo, conforme a seguir transcrito: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas "e" e "f" do Decreto-Lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: Decreto-Lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007. (destaque nosso) Importante assinalar que há súmula deste Conselho a respeito da matéria sob julgamento: Súmula CARF nº 186: A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). As supracitadas constatações apuradas pela autoridade aduaneira se referem, conforme visto, a retificações de informações já prestadas pela recorrente tempestivamente, fato não sujeito à aplicação da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei 37/1966. Sendo assim, é imperiosa a aplicação do princípio da retroatividade benigna, aplicável também em matéria aduaneira, previsto no artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional – CTN, uma vez que a legislação posterior deixou de definir o ato em tela como infração: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 308DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de trata-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado cm falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (destaque nosso) No mesmo sentido há os seguintes acórdãos: Acórdão nº 3402-007.583 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária - Sessão de 30 de julho de 2020 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE OFÍCIO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, ainda não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração. Constituindo matéria de Ordem Pública, deve ser aplicada de ofício. Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº 3302-010.842 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária - Sessão de 29 de abril de 2021 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIA (...) MULTA REGULAMENTAR. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. INOCORRÊNCIA. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 trata de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. As retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes configuravam prestação de informação fora do prazo antes da revogação do art. 45 da IN RFB nº. 800/2007, pela IN RFB nº. 1473/2014. Após esta norma, a retificação, ainda que intempestiva, não configura prestação de informação fora do prazo, não sendo mais cabível a aplicação da citada multa, devendo-se aplicar a retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do CTN. Acórdão nº 3002-002.306 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária - Sessão de 21 de julho de 2022 (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 309DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-013.966 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.724277/2013-12 Data do fato gerador: 21/05/2008, 29/10/2009, 23/08/2010 RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT N. 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SÚMULA CARF Nº 186. Nos termos da Súmula CARF nº 186, a retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/05/2008, 29/10/2009, 23/08/2010 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. CTN. APLICABILIDADE. Aplica-se o princípio da retroatividade benigna aos casos não definitivamente julgados, quando a legislação deixe de definir o ato como infração, de acordo com o art. 106, II, "a", do CTN. Desta forma, forte nesses argumentos, reconheço a retroatividade benigna e cancelo o auto de infração em questão. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso, não conhecendo a alegação recursal atinente à violação de princípios constitucionais, e, na parte conhecida, rejeito as preliminares de ilegitimidade passiva e de nulidade do auto de infração, e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração em questão. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira Fl. 310DF CARF MF Original
score : 1.0
