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Numero do processo: 13603.722323/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA
Não devem ser acolhidos embargos de declaração quando inexiste omissão ou obscuridade no acórdão embargado.
Numero da decisão: 2401-005.200
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,. por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma e, no mérito, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess , Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,. por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma e, no mérito, negar-lhes provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess , Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Não devem ser acolhidos embargos de declaração quando inexiste omissão ou obscuridade no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 23 /2 01 0- 91 Fl. 1616DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado,. por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess , Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401005.200 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.669 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 15 de março de 2017 (fls. 1573/1597), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO Em face da falta de motivação verificase a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP. Fl. 1618DF CARF MF 4 A postulante apresentou embargos de declaração alegando (i) omissão quanto ao pronunciamento sobre a fundamentação contida no lançamento relativa ao Decreto 3.048/99, limitandose o julgado a afirmar que o lançamento se fundamentou no Decreto 6.042/07; (ii) omissão quanto à fundamentação para o CNAE considerado pela fiscalização; (iii) omissão quanto ao pronunciamento acerca da anulação do lançamento ou da sua complementação. Em despacho exarado às fls. 1608/1613, os embargos de declaração foram parcialmente admitidos, com relação aos itens (ii) e (iii), razão pela qual o processo foi devolvido à esta Relatoria para inclusão em pauta para julgamento. É o relatório Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401005.200 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Assevera a Embargante, com relação aos levantamentos AE e AE1 (diferença RAT), que a decisão embargada não teria indicado os fundamentos pelos quais afastou o CNAE considerado pela fiscalização. Afirma ainda que há omissão e obscuridade do Acórdão ao não se pronunciar sobre a possibilidade de complementação do relatório fiscal, ou o reconhecimento de nulidade do lançamento por vício formal, haja vista os defeitos em sua formalização, em especial quanto à motivação. Pois bem. No Acórdão embargado foi firmado entendimento de que a norma utilizada pela fiscalização para motivar a exigência da diferença do RAT, considerando a alíquota de 3% (três por cento), somente passou a vigorar após a ocorrência dos fatos geradores, conforme se destaca: Em Recurso Voluntário a empresa alega que a fiscalização utilizou como fundamento o Decreto nº 6.042/2007 que alterou o Regulamento da Previdência Social, com início de vigência a partir de julho de 2007, data posterior ao período dos fatos geradores lançados, e que a aplicação do Decreto para fatos ocorridos em período anterior à sua vigência afronta o princípio da irretroatividade. Entendo que assiste razão à Recorrente. Foi acatado o Recurso interposto pela empresa, que teve como principal argumento o fato de que a fiscalização utilizou como fundamento do lançamento o Decreto nº 6.042/2007 que alterou o Regulamento da Previdência Social, com início de vigência a partir de julho de 2007, data posterior ao período dos fatos geradores lançados. A referência ao CNAE foi mencionada no voto apenas para demonstrar que a norma que fundamentou a acusação fiscal indica grau de risco diferente do assinalado para o código CNAE constante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ da empresa (fl. 1561). Firmouse entendimento de que a motivação inserida no lançamento relativa às diferenças de valores apurados correspondentes ao Riscos Ambientais do Trabalho – RAT nas competências de janeiro de 2006 a maio de 2007, com base no Decreto 6.042/2007, encontrase incongruente, razão da sua improcedência. Fl. 1620DF CARF MF 6 Assim, não entendo que ocorreu omissão ou obscuridade, razão pela qual nego provimento aos embargos de declaração. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002404/2006-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA.
Na ausência de balanços de suspensão, a falta de recolhimento mensal de IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. A mesma multa isolada também se aplica às estimativas de CSLL, que também não foram recolhidas.
Numero da decisão: 9101-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Na ausência de balanços de suspensão, a falta de recolhimento mensal de IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. A mesma multa isolada também se aplica às estimativas de CSLL, que também não foram recolhidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Na ausência de balanços de suspensão, a falta de recolhimento mensal de IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. A mesma multa isolada também se aplica às estimativas de CSLL, que também não foram recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 04 /2 00 6- 72 Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à manutenção do lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301000.408, de 10/11/2010, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, por voto de qualidade, manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLl.. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 e 2003. IRPJ, CSLL. ESTIMATIVAS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA AJUSTE ANUAL. Na ausência de balanços de suspensão e redução transcritos no Livro Diário, a falta de recolhimento mensal sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de oficio isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. PIS. COFINS. CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição, sem a efetivação da "confissão de dívida" em DCTF, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição do crédito tributário. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. MULTA DE OFICIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONFISCO. A multa de lançamento de oficio decorre de expressa previsão legal e não se confunde com a multa de mora, aplicável aos pagamentos efetuados com atraso, porém de forma espontânea. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 4 3 A alegação de ofensa a princípios constitucionais diz respeito a inconstitucionalidade da lei, matéria cuja apreciação não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso; por unanimidade de votos, em relação às exigências do PIS e da COFINS, e, por voto de qualidade em relação à multa isolada, vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo, André Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, quanto ao que foi decidido sobre a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos apresentados a seguir: o V. acórdão recorrido adotou interpretação divergente da firmada pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que não cabe a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal, bem como pelo fato de que após a apuração anual não há o que se falar em obrigatoriedade de recolhimento de estimativa, pois o tributo na medida correta já foi apurado, bem como pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que determina que encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido e apurado com base no lucro real, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças; DO CABIMENTO DO RECURSO. DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de oficio, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de cálculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa. Acórdão n° CSRF/0105.675 (cópia em anexo). IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalecerá exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 5 4 lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no anocalendário. Acórdão 103 2103 (cópia em anexo). transcrevemos a seguir as ementas de outras decisões divergentes, verbis: [...]; vejamos alguns trechos da decisão recorrida: [...]; destacamos a seguir alguns trechos dos Acórdãos paradigmas (divergentes): [...]; pelo que foi exposto, resulta inelutável a divergência jurisprudencial na interpretação e aplicação do direito federal, uma vez que os julgados já fartamente mencionados, partindo de um mesmo suporte, qual seja, a concomitância da cobrança da multa isolada e da multa de ofício, bem como a cobrança de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas quando já ocorreu o encerramento do período de apuração do Imposto de Renda, deram interpretação e aplicação totalmente antagônicas e divergentes sobre o mesmo tema, na medida em que o Acórdão recorrido não adota o posicionamento que dispõe a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, as quais entendem que não cabe a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal, bem como pelo fato de que após a apuração anual não há o que se falar em obrigatoriedade de recolhimento de estimativa, pois o tributo na medida correta já foi apurado; DO PEDIDO a recorrente requer que o presente Recurso Especial seja conhecido e provido, para o fim de reformar a decisão recorrida, prevalecendo o entendimento proferido pelos Acórdãos divergentes proferidos pelas Egrégias 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (cópias das divergências em anexo), bem como pelas decisões relativas às ementas transcritas (Acórdão n° CSRF/01 05.179. D.O.U. 1 de 26.12.2006, PP 166/7; Acórdão 10708001; Acórdão CSRF/0104.263), e por conseguinte, seja declarado insubsistente o lançamento ora recorrido. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 308/2013, exarado em 01/11/2013, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Para análise do recurso, transcrevo as ementas dos acórdãos paradigmas, na parte que interessa ao presente exame: [...]. De outra parte, está consignado na ementa do acórdão recorrido, igualmente no que pertine ao exame do aspecto questionado: [...]. Tratase da mesma matéria analisada nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 6 5 A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que após o encerramento do exercício não cabe a exigência de multa isolada se o sujeito passivo apura base de cálculo negativa ao final do exercício ou o imposto apurado ao final do exercício é inferior às estimativas apuradas. O acórdão recorrido, por seu turno, traz entendimento que é cabível a aplicação das multas isoladas, independente do resultado apurado ao final do exercício, pois estas têm natureza diversa da multa de ofício aplicada em face da insuficiência de recolhimentos do imposto apurado anualmente pelo lucro real. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Em 07/01/2014, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e nessa mesma data, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: no recurso especial, a contribuinte defendeu que, apesar de não recolhido o imposto de renda por estimativa, o pagamento do lucro real anual ou eventual ausência de base tributável pela empresa no ano calendário respectivo, deveria afastar a multa isolada aplicada; consoante se logrará demonstrar, o aresto recorrido não está a merecer nenhum reparo; MÉRITO apurouse que a Recorrente não efetuou o recolhimento mensal das estimativas de CSLL de forma mensal, razão pela qual lhe foi imputada a penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV da Lei 9430/96 e que foi mantida no art. 44, II, “b”, nos termos da Lei 11.488/07; a Recorrida, como já foi relatado, infringiu o disposto no art. 2º da Lei 9.430/96, ao não recolher o imposto devido por estimativa, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução exigidos pelo art. 35 da Lei 8.981/95. Em vista da infração, foilhe exigido o pagamento da “multa isolada” prevista no art. 44, §1º, “IV”, da Lei 9.430/96, na sua redação original; portanto, a “multa isolada” é devida pelos contribuintes que optaram pela apuração anual do imposto de renda, mas não efetuam recolhimentos mensais, e não justificam esse fato com a transcrição dos balancetes de suspensão/redução no Livro Diário; ora, estando a infração corretamente tipificada em lei, e havendo sido plenamente caracterizada no presente processo administrativo, a responsabilidade da Recorrida só pode ser afastada caso exista expresso permissivo legal, a teor não só do art. 136 do CTN, como do art. 97, VI, do Código, verbis: [...]; eventual inexistência de tributo devido ao final do período não afasta incidência da multa prevista no art. 44, §1º, inc. IV, da Lei 9.430/96, uma vez que a Lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos, ao contrário, o que dizer da situação em que Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 7 6 restou apurado que a contribuinte excluiu indevidamente o lucro líquido? Os efeitos de tal conduta merecem reprovação, assim estabelecida pela Lei 9.430/96 (cuja transcrição abaixo é fiel à redação original), verbis: [...]; seguindo o preceito legal acima, há decisões de outras Câmaras deste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que mantêm a cobrança da multa do art. 44, §1º, inc. IV, da Lei 9.430/96, quando o contribuinte não recolhe o tributo devido por estimativa, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição do balancete de suspensão no Livro Diário; a e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes já se manifestou em sentido contrário à Recorrente, mantendo o lançamento da multa isolada. Confirase a ementa do acórdão n.º 10513.557: [...]; por outro lado, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão 10706.277, já negou provimento a recurso voluntário contra decisão de primeira instância que manteve a cobrança de multa isolada, exigida de contribuinte que havia optado por recolher o IRPJ mediante a apuração de lucro real anual com balanços de suspensão ou redução, mas não recolheu o imposto devido, e não justificou o não recolhimento mediante transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução. A ementa do acórdão é a seguinte: [...]; portanto, concluise que, a partir da Lei 9.430/96, o contribuinte somente estará dispensado de recolher os tributos devidos, apurados pelo sistema de estimativa, quando transcrever no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução. Quando deixar de recolher os tributos devidos, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução, estará sujeito ao pagamento da multa prevista no art. 44, §1º, inciso IV da Lei n.º 9.430/96; CONCLUSÃO ante o exposto, a União requer que seja negado provimento ao recurso do contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Quinta Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para exigência de multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL nos anoscalendário 2002 e 2003, e também para exigência das contribuições PIS e COFINS com fatos geradores ocorridos nesses mesmos anoscalendário. A multa isolada foi aplicada porque a contribuinte não efetuou pagamento de estimativas com base na receita bruta e acréscimos, e nem com base em balancetes de suspensão/redução. No caso, já foi aplicada a multa no percentual de 50%, conforme previsto na Lei 11.488/2007, e não 75%, como era previsto na redação original da Lei 9.430/1996. Para as contribuições PIS e COFINS, o lançamento abrangeu as diferenças entre os valores calculados com base nos assentamentos contábeis da empresa e aqueles declarados ou pagos pela contribuinte. A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito apenas à exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. O lançamento abrange os anoscalendário de 2002 e 2003, períodos anteriores a 2007, quando foram modificadas as normas sobre a referida multa isolada (Lei 11.488/2007). Vêse pelas cópias das DIPJ que constam dos autos (fls. 88/93), que em 2002 a contribuinte apurou resultado positivo no ajuste anual (lucro), e IRPJ a pagar. Entretanto, a dedução de IRfonte gerou saldo negativo de IRPJ. A CSLL no ajuste ficou declarada como "CSLL a pagar". Mas como não houve lançamento da CSLL no ajuste, a indicação é de que a contribuinte ou pagou ou declarou em DCTF essa CSLL apurada no ajuste anual. O que é importa destacar, no caso, é que não houve lançamento de ofício no ajuste, nem para o IRPJ, nem para a CSLL. Em 2003, a contribuinte apurou resultado negativo no ajuste (prejuízo). Não constam da DIPJ nem IRPJ a pagar, nem CSLL a pagar no ajuste (fls. 113/118), e a Fiscalização não contestou essa apuração. Ou seja, também não houve para 2003 lançamento de ofício no ajuste, nem para o IRPJ, nem para a CSLL. Enfim, nesses dois anos, a Fiscalização só aplicou a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. As estimativas foram calculadas com base na receita bruta e acréscimos, porque a contribuinte não apresentou balancetes mensais de suspensão/redução. O quadro acima evidencia que não é caso de concomitância de multas, porque não houve lançamento nem de tributo e nem da multa de ofício em relação ao ajuste anual. Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 9 8 Fica, portanto, afastado um dos argumentos da contribuinte, e também afastada a aplicação da Súmula CARF nº 105, que trata dos casos de concomitância de multas para períodos anteriores a 2007. Além da questão da concomitância, a contribuinte também alega que após a apuração anual não há que se falar em obrigatoriedade de recolhimento de estimativas; que a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, conforme a apuração no ajuste anual. Em síntese, a argumentação é no sentido de que se não há tributo devido no ajuste, também não há razão para exigir estimativas mensais, e nem para aplicar multa isolada pela falta de seu recolhimento. Esta 1ª Turma da CSRF examinou situação muito semelhante à contida nestes autos, quando exarou o Acórdão nº 9101002.604, na sessão realizada em 15/03/2017. Aquele julgado também analisou exigência de multa isolada relativamente a períodos anteriores a 2007, em que não houve a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. E tratou de anoscalendário em que o contribuinte ou não tinha apurado tributo a pagar no final do ano, ou tinha apurado prejuízo fiscal, ou tinha apurado tributo no ajuste em valor inferior ao montante das estimativas que seriam devidas ao longo do ano. Vale transcrever trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura que orientou a referida decisão, e também declaração de voto por mim apresentada naquela ocasião: Acórdão nº 9101002.604 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000, 2001 APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. [...] Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro André Mendes de Moura [...] Mérito. A matéria devolvida trata da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, no decorrer dos anoscalendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, conforme relato da autoridade fiscal (efls. 57/58): [...] A multa isolada, após ter sido mantida na decisão de primeira instância, foi mantida parcialmente pela decisão recorrida. Para os anos calendário de 1997, foi afastada integralmente, porque não se apurou tributo a pagar ao final do anocalendário. Para o anocalendário de 1999, também foi afastada a autuação porque se apurou prejuízo fiscal em 31 de dezembro. Para os anoscalendário de 2000 e 2001, a decisão recorrida manteve a autuação fiscal até o limite apurado de IRPJ a pagar, pautando se nas seguintes conclusões (efls. 3223/3225): [...] Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 11 10 Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 12 11 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, não obstante as substanciosas argumentações da decisão recorrida, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa isolada para o anocalendário de 1997 porque a contribuinte, ao final do anocalendário, não apurou lucro, e para o anocalendário de 1999 porque a contribuinte não apurou tributo a pagar. Tampouco carece de base legal limitar a aplicação de multa isolada ao valor de imposto apurado ao final do anocalendário, como ocorreu para os anoscalendário de 2000 e 2001. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 13 12 Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. A presente declaração de voto se faz necessária tendo em vista que, em relação à matéria objeto do recurso especial ora sob exame, passo a adotar entendimento distinto daquele por mim acolhido no âmbito de alguns antigos acórdãos. A matéria trazida à apreciação desta 1ª Turma diz respeito à divergência interpretativa quanto à exigência de multa isolada imposta pela autoridade fiscal por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ devidas. Inicialmente considero importante registrar que, conforme bem enfatizado pelo Relator, no presente caso a multa isolada foi imposta sobre os valores das estimativas já declaradas pelo sujeito passivo, não alcançando os valores referentes às provisões não autorizadas, objeto de lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL. Noutras palavras, não houve aqui exigência concomitante entre a multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas de IRPJ, e a multa de ofício imposta por falta de pagamento do IRPJ devido ao final dos respectivos anoscalendários, razão pela qual também não se aplica aqui o disposto na Súmula CARF nº 105. Pois bem, no caso a Turma recorrida afastou integralmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas ao longo dos anos de 1997 e 1999, e parcialmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas no decorrer dos anos de 2000 e 2001. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 14 13 Relativamente aos períodos objeto da presente autuação, acima mencionados, a referida multa isolada encontra previsão legal no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, o qual faz remissão ao art. 2º da mesma Lei, também na redação original, ambos a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (g.n.) (...) Pelo exame do acórdão recorrido é possível resumir da seguinte maneira a interpretação que a Turma emprestou às normas acima reproduzidas: a) a multa isolada deve ser aplicada em caso de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e/ou CSLL devidas ao longo do ano calendário; b) todavia, encerrado o anocalendário, o valor total da multa isolada está limitado a 50% (percentual previsto na MP 351/2007, aplicado retroativamente) do valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do mesmo ano; c) como corolário da afirmativa acima, encerrado o anocalendário com apuração de prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, incabível a Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 15 14 imposição de multa isolada pois inexistentes IRPJ e/ou CSLL devidos ao final do ano; d) entretanto, a multa isolada poderá ser imposta sem observância do afirmado nos itens "b" e "c", desde que o lançamento seja realizado antes de encerrado o respectivo anocalendário. Bem, como se verá a seguir, das quatro afirmações acima apenas aquela contida no item "a" é correta. As outras três ("b", "c" e "d") são incorretas. Da fato, a construção interpretativa levada a efeito pela Turma recorrida para chegar às conclusões contidas nos itens "b" e "c" retro parte do disposto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 segundo o qual as multas ali previstas (isoladas ou não) só podem incidir sobre o valor do "tributo ou contribuição". E como a Turma recorrida entendeu que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição", concluiu que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, não poderia incidir sobre o valor daquelas estimativas. A multa, assim, incidiria sobre um valor equivalente ao da estimativa mensal, desde que tal valor não ultrapassasse o valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "b"). E acaso apurado prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, a multa isolada sequer poderia ser exigida, pois inexistentes IRPJ e CSLL devidos ao final do ano calendário (afirmativa "c"). Ocorre que, embora sob o ponto de vista científico até seja possível considerarse correta a premissa de que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição" (e não estou afirmando aqui que são, ou que não são), o fato iniludível é que a própria Lei nº 9.430/96, ao se referir àquelas estimativas mensais, expressamente às denominou de "imposto" ou "contribuição" mensais, com vistas a distinguilas do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vejamos novamente o que estabelece o art. 2º: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (g.n.) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (g.n.) Como dito, a norma acima textualmente denomina as estimativas mensais de IRPJ como "imposto". E não é só. Outras normas da mesma Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 16 15 Lei, ao se referirem às estimativas mensais de IRPJ previstas no art. 2º, expressamente às denominam de "imposto", senão vejamos: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (g.n.) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (g.n.) (...) Quanto às estimativas mensais de CSLL, o art. 30 da Lei nº 9.430/96 textualmente denomina as estimativas mensais de CSLL como "contribuição social sobre o lucro líquido". Vejamos: Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. (g.n.) (...) Ora, se a própria Lei nº 9.430/96, em diversos de seus artigos, expressamente conferiu às estimativas mensais de IRPJ e CSLL a denominação de "imposto" ou "contribuição", a Turma recorrida jamais poderia interpretar as expressões "imposto de renda", "contribuição social sobre o lucro líquido" e apurados "na forma do art. 2º", todas contidas no art. 44, § 1º, IV daquela Lei, como se tais expressões se referissem ao IRPJ e à CSLL devidos ao final do anocalendário, e não às próprias estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Essa premissa inicial equivocada, de que ao empregar as expressões "imposto de renda" e "contribuição social sobre o lucro líquido" o art. 44, § 1º, IV não poderia estar se referindo às estimativas mensais, mas sim ao IRPJ e à CSLL devidos final do ano, causou grande dificuldade à Turma recorrida para interpretar a parte final daquela mesma norma, à qual estabelece que a multa isolada é exigida "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente". Foi a partir da dificuldade da Turma recorrida em compatibilizar essa (equivocada) premissa inicial com a parte final da norma que surgiu a "interpretação", descrita na afirmativa "d" retro, segundo à qual na hipótese de a autuação ser realizada no decorrer do próprio anocalendário (e só nessa hipótese) a multa isolada poderá incidir sobre o valor das estimativas mensais, sem qualquer limitação aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano, já que no decorrer do anocalendário a fiscalização não poderia Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 17 16 saber qual o valor de IRPJ ou CSLL seriam devidos ao final do ano, se é que algum valor seria devido. Ocorre que essa imaginativa "interpretação" do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 levou à Turma recorrida a violar a sua própria premissa inicial, que tanto lhe era cara. De fato, veja que a premissa inicial da Turma (a multa isolada não pode incidir sobre o valor da estimativa mensal, pois esta não é tributo ou contribuição) colide frontalmente com a afirmativa "d" (a multa isolada incide sobre a estimativa mensal, desde que a autuação seja realizada ao longo do ano calendário respectivo). Ora, o fato de a autuação ser realizada no decorrer do anocalendário nada pode dizer sobre a natureza do valor sobre o qual incide a multa isolada (se sobre o valor das estimativas ou sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano). Em verdade, como sugerido antes, a correta interpretação do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 deve levar em consideração o fato de que essa Lei, em diversos momentos, denominou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL como "imposto" ou "contribuição". E ainda que seja possível afirmar se que essa denominação não seja cientificamente correta (e, novamente, não acolho nem afasto aqui essa proposição), o fato é que, como essa denominação foi empregada ao longo do texto legal, não haveria razão para o intérprete deixar de considerála justamente ao examinar a multa isolada de que trata o art. 44. Somese a isso o fato de que, ao empregarse a denominação legal (estimativa mensal como "imposto" ou "contribuição"), a interpretação do art. 44 tornase linguisticamente muito mais fluida (ao contrário do esforço interpretativo hercúleo empreendido pela Turma recorrida), além de consentânea com a finalidade da multa isolada, que é de reprimir a falta dos pagamentos mensais por estimativa. Tendo em vista o exposto, voto por manter integralmente as exigências das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ verificada ao longo dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Adotando os mesmos fundamentos acima transcritos, concluo que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2002 e 2003 deve ser mantida nos presentes autos. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 18 17 Fl. 1380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720626/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS NOS REGISTROS CONTÁBEIS. IMPRESTABILIDADE PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL.
Definido como base de cálculo, o lucro arbitrado deve ser utilizado na apuração do IRPJ sempre que, conforme as hipóteses legais, não seja possível se obter de forma precisa e confiável o lucro real. Sua adoção, portanto, não decorre de discricionariedade da autoridade fiscal nem tampouco de prerrogativa do contribuinte. Omissões e deficiências que comprometam o aproveitamento dos registros contábeis relativos a todo um mês, dentro de um período de apuração trimestral, mostram-se razões suficientes para a aplicação das regras de arbitramento para o trimestre em questão.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE VALORES SIGNIFICATIVOS. APLICABILIDADE.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Provada a reiteração de uma conduta cujo resultado seja a redução irregular em montantes significativos dos tributos devidos afasta-se a possibilidade de erro eventual, restando configurado o dolo.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS. INCOMPATIBILIDADE COM CONCEITO DE SONEGAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Tendo o sujeito passivo apresentado declaração à administração tributária contendo os valores que serviram de base para o lançamento, mostra-se insustentável a tese que aponte para deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Portanto, incabível a aplicação de multa qualificada que se sustente na hipótese de sonegação.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE.
O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dever ser aplicado em um contexto de uma recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. O mesmo se aplica às alegações de ofensa a princípios consagrados, implícita ou explicitamente, na Carta Magna. Tais princípios dirigem-se aos órgãos legiferantes e, portanto, deve-se pressupô-los devidamente observados nas normas vigentes.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS.
Aplica-se à tributação da CSLL, PIS e Cofins, solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1401-002.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício.
(assinado digitalmente)
Luis Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS NOS REGISTROS CONTÁBEIS. IMPRESTABILIDADE PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. Definido como base de cálculo, o lucro arbitrado deve ser utilizado na apuração do IRPJ sempre que, conforme as hipóteses legais, não seja possível se obter de forma precisa e confiável o lucro real. Sua adoção, portanto, não decorre de discricionariedade da autoridade fiscal nem tampouco de prerrogativa do contribuinte. Omissões e deficiências que comprometam o aproveitamento dos registros contábeis relativos a todo um mês, dentro de um período de apuração trimestral, mostramse razões suficientes para a aplicação das regras de arbitramento para o trimestre em questão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE VALORES SIGNIFICATIVOS. APLICABILIDADE. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Provada a reiteração de uma conduta cujo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 06 26 /2 01 4- 31 Fl. 1966DF CARF MF 2 resultado seja a redução irregular em montantes significativos dos tributos devidos afastase a possibilidade de erro eventual, restando configurado o dolo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS. INCOMPATIBILIDADE COM CONCEITO DE SONEGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Tendo o sujeito passivo apresentado declaração à administração tributária contendo os valores que serviram de base para o lançamento, mostrase insustentável a tese que aponte para deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Portanto, incabível a aplicação de multa qualificada que se sustente na hipótese de sonegação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dever ser aplicado em um contexto de uma recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. O mesmo se aplica às alegações de ofensa a princípios consagrados, implícita ou explicitamente, na Carta Magna. Tais princípios dirigemse aos órgãos legiferantes e, portanto, devese pressupô los devidamente observados nas normas vigentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Aplicase à tributação da CSLL, PIS e Cofins, solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Luis Augusto de Souza Gonçalves Presidente Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.967 3 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao anocalendário 2011. O relatório da decisão recorrida assim resume o lançamento efetuado e os argumentos da impugnação: 1. INTRODUÇÃO 1.1 O litígio que se aprecia foi inaugurado por interposição de impugnação, em 03/07/2014 (fl. 1.875/892) 2, contra lançamento em Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep – acrescidos de multa proporcional qualificadas de 150%, multa agravada 225% e de juros de moratórios calculados até 06/2015 – no valor total de R$ 8.700.827,13. 1.2 Os valores lançados no Auto de Infração (exceto juros moratórios, os quais serão recalculados por ocasião do pagamento), que referemse a fatos geradores pertinentes ao anocalendário de 2011, constam do quadro a seguir. Resumo – Valores Lançados no Auto de Infração* 1.3 A ação fiscal estendeuse de 27/12/2013 a 04/06/2014 e teve como escopo a verificação da regularidade fiscal verificações fiscais relativas aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, para o anocalendário 2011. Fl. 1968DF CARF MF 4 2 PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO 2.1 A autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar livros e documentos e a para prestar esclarecimentos quanto às divergências constatadas entre os valores de IRPJ/CSLL a pagar informados na DIPJ, e PIS/COFINS a pagar informados na DACON, e aqueles confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). 2.2 Tendo verificado a documentação apresentada, o autuante solicitou a apresentação da escrituração contábil referente ao mês de dezembro de 2011, como também os extratos bancários relativos a estes lançamentos e explicações detalhadas a respeito da natureza das transações/operações. Informou ao contribuinte que a não apresentação dos documentos solicitados ensejaria o lançamento de ofício por arbitramento. Não obstante a advertência, o contribuinte nada apresentou ou argumentou. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 70): 10. Por meio do TIF nº 0002, cuja ciência pessoal se deu em 04/04/2014, esta fiscalização concedeu novo prazo de 20 (vinte) dias ao contribuinte para a apresentação da escrituração contábil referente ao mês de dezembro de 2011 a que está obrigado, informando que os Livros apresentados devem satisfazer todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas, reiterando a advertência com respeito ao arbitramento do lucro relativo ao 4º trimestre. Nesta mesma intimação, com base no fato de cerca de 80% dos lançamentos a crédito da conta de Receitas Eventuais terem como contrapartida lançamentos a débito em contas do Ativo Circulante (Bancos c/ Movimento), foram requeridos os extratos bancários relativos a estes lançamentos e explicações detalhadas a respeito da natureza das transações/operações a eles correspondentes. 11. Este último prazo expirou em 28/04/2014, sem qualquer manifestação do contribuinte, permanecendo inerte até a presente data. 2.3 Face ao silêncio do contribuinte – mesmo após concessão de prazo adicional – a autoridade fiscal lavrou auto de infração constituindo os créditos tributários. Para o 4º trimestre, o lançamento foi realizado com base nas regras de arbitramento. Foram, ainda, realizados lançamentos referente à falta/insuficiência de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e Cofins e lançamento por omissão de receita. Qualificação e Agravamento da Multa de Ofício 2.4 Além de realizar os lançamentos para constituir os créditos tributários regulares, a autoridade fiscal entendeu tratarse de situação na qual caberia a aplicação de multa agravada e multa qualificada. Com relação ao agravamento da multa, assim se justificou (fl. 76): 39. Constatada a falta de atendimento, por parte do intimado, nos prazos marcados, do quanto solicitado mediante o TIF nº 0001 e o TIF nº 0002, notadamente a não apresentação da escrituração referente ao mês de dezembro de 2011 e de esclarecimentos a respeito de receitas omitidas, procederseá, em função de tal ato omissivo, ao agravamento da multa de ofício, conforme prescrito no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, transcrito abaixo. [Transcreve o ditado dispositivo legal] 2.5 No caso da qualificação da multa, as razões para sua aplicação foram assim sustentadas (fl. 77): 40. A empresa fiscalizada informou, em sua DIPJ, ter auferido receitas de prestação de serviços tributáveis, no anocalendário de 2011, no valor de R$ 18.218.799,20. No Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.968 5 entanto, a despeito de ter escriturado valores de IRPJ e CSLL a pagar, não confessou a totalidade dos débitos de IRPJ e CSLL nas DCTF. 41. Também, embora tenha apresentado os DACON, referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro, com as informações de apuração do PIS e da COFINS e tenha escriturado valores de PIS e COFINS a pagar, não confessou a totalidade dos débitos de PIS e COFINS nas DCTF. 42. Não é razoável supor que tal discrepância entre as informações prestadas ocorreu por um simples “erro material”. Não se trata de um erro de cálculo, de uma transcrição errônea de um valor da escrita fiscal para as declarações, mas sim da entrega de 12 (doze) DCTF preenchidas com valores inferiores aos constantes na escrita contábil/fiscal, com respeito ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS. A grande quantidade de declarações apresentadas contendo informações falsas forma um conjunto de circunstâncias que demonstra, de forma clara e evidente, a intenção, o propósito do fiscalizado de não submeter parte de suas receitas à tributação. 43. Vale ressaltar que, nas contas contábeis do passivo circulante 21307 – IRPJ a Recolher, 21313 – CSLL a Recolher, 21304 – PIS Faturamento a Recolher e 21305 – COFINS a Recolher, constam lançamentos a crédito com os valores informados na DIPJ/DACON (exceto o 4º trimestre, pela inexistência da escrituração de dezembro) e lançamentos a débito com os valores confessados em DCTF, evidenciando a intenção inequívoca do contribuinte em impedir que o fisco tomasse conhecimento de parte do tributo/contribuição a ser pago(a). 44. A prática reiterada de apresentar declarações fiscais contendo informações falsas só leva a fortalecer as conclusões sobre a sua deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. 45. Neste ponto cabe uma explicação sobre a natureza destas declarações para elucidar os motivos de se entregar uma DCTF com valores inferiores aos declarados em DIPJ/DACON. A DCTF é instrumento de confissão de dívida, na qual devem ser informados todos os tributos federais apurados pelo contribuinte. Os tributos que não forem pagos, compensados, parcelados ou suspensos por medida judicial, ou seja, os “saldos a pagar”, são passíveis de imediata e automática inscrição em Dívida Ativa da União. A DACON e a DIPJ não tem essa característica; são documentos meramente informativos. Mesmo o tributo apurado estando informado nestes, ainda há a necessidade de que o crédito tributário respectivo seja constituído através de Auto de Infração, após procedimento de fiscalização, para só então se tornar exigível. Por sua vez, se o débito apurado estiver declarado em DCTF, já estará constituído, sendo desnecessária a autuação. 46. Não há dúvidas de que a RFB não tem condições de fiscalizar todos os contribuintes. Ao prestar declarações falsas, tornando o levantamento de indícios para uma fiscalização mais difícil, a empresa pode ludibriar o Fisco, desviando a atenção deste para outros contribuintes. 47. Além disso, a empresa também escriturou valores de receitas financeiras e não financeiras sem têlas oferecido à tributação. Sequer foram informadas nas declarações que a empresa apresentou ao Fisco. 48. Diante de todo o exposto, concluise que o contribuinte, dolosamente, tentou impedir o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador, em virtude do mesmo escriturar valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a pagar, e não confessar esses débitos em DCTF, além de não informar nas declarações apresentadas à RFB valores escriturados de receitas tributáveis, infringindo o disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, que caracteriza tal prática como sonegação fiscal. Fl. 1970DF CARF MF 6 49. Esta infração enseja a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida provisória nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488/07. Infrações Penais e Responsabilidade Tributária Solidária 2.6 Segundo a interpretação do agente fiscal a conduta do contribuinte enquadrase na tipificação de crime contra a ordem tributária e, em razão disso, formulou Representação Fiscal para Fins Penais (Processo Administrativo nº 13502.720639/201418). 2.7 Por fim, com fulcro no art. 135, do Código Tributário Nacional, atribuiuse responsabilidade tributária solidária aos sóciosadministradores Raimundo Ramos de Andrade e Josenildes Luz Lago de Andrade. Nesse particular, a motivação foi assim apresentada (fl. 79): 52. Em decorrência das infrações penais e das infrações à legislação tributária apontadas anteriormente, encaminhase, conjuntamente com este Termo de Verificação Fiscal, os Termos de Sujeição Passiva nº 01 e 02, nos quais atribuise responsabilidade tributária aos sóciosadministradores Raimundo Ramos de Andrade e Josenildes Luz Lago de Andrade, em conformidade com a regra insculpida na Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), em seu art. 135, inciso III, a seguir transcrito: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (grifo nosso) (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 53. Os representantes da pessoa jurídica ora fiscalizada, à época dos fatos, eram os já mencionados sóciosadministradores, segundo consta no Contrato Social registrado na JUCEB. Em decorrência dos fatos descritos neste Termo, bem como dos documentos apresentados, não há como negar que exerciam plenamente a gestão da empresa, lhes cabendo, inclusive, a administração de forma conjunta, conforme consta no Contrato Social. 3 ALEGAÇÕES DO IMPUGNANTE 3.1 Inconformada com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou impugnação discordando da interpretação dada pela autoridade fiscal. A título de preliminar, apresenta pormenorizadamente o entendimento de diversos autores sobre a questão da nulidade do ato jurídico para, ao fim, emendar as seguintes considerações (fl. 1.877): No caso em tela, vislumbrase com facilidade a nulidade ora apontada quando, ao autuar o contribuinte em razão do arbitramento no período do 12/2011 (cf, 05 dos autos), o agente procede ao arbitramento do 4º trimestre, sob a justificativa de que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável, em virtude de deficiência quanto à ausência de escrituração do mês de dezembro, E, devido a essa ausência de escrituração fez recair sobre o contribuinte uma multa de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) advinda de suposta omissão de ganhos de capital e outras receitas, bem como uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) em virtude de uma suposta apuração incorreta de imposto e/ou falta/insuficiência de recolhimento do IRPJ. 3.2 No entender do autuado, o lançamento não merece prosperar porque fundase somente em percepção subjetiva do autuador, não encontrando base material que suporte a exigibilidade. Em suas palavras: Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.969 7 Observase claramente que as infrações foram apontadas unicamente com base no "achismo" do agente autuador, que justifica as penalidades por uma suposta ausência de escrituração do mês de dezembro, ausência esta que não condiz com a verdade. Sob a égide deste frágil argumento insculpido pelo agente autuador das supostas infrações cometidas pelo contribuinte, foram lavrados todos os autos de infração, que acarretaram valores de alta monta, chegando a uma totalidade superior a oito milhões de reais, todos advindos de uma mera suposição fática, evasiva e com completa falta de concretude, pautandose exclusivamente em uma ausência de escrituração do mês de dezembro, o que, devida aos valores levantados, acarretou outras infrações ao contribuinte, tais como inexatidão no pagamento ou recolhimento ou Declaração de valor a menor da CSLL, dentre outros. 3.3 Ainda a título de preliminar, afirma que a apuração dos valores devidos se deu de forma obscura, sem um detalhamento necessário para seu entendimento e eventual discordância. Teria sido, portanto, prejudicado seu exercício de defesa. In verbis: Nesse mesmo diapasão, temse, ainda, que o auditor, em sua conclusão, não esclarece de maneira pormenorizada os critérios ou métodos adotados para o fim de obtenção do montante relativo ao suposto débito fiscal; desconsiderando a escrita contábil da empresa, pelo que, age em descumprimento explícito do determinado pelo inciso LV, do art. 5° da Constituição Federal de 1980: "Art. 5º LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes," Como não constam no Auto os esclarecimentos devidos, o Contribuinte autuado encontrase duplamente prejudicado: primeiro, porque não tem corno verificar se os cálculos do proposto Fiscal estão corretos; segundo, porque todo a sua defesa tem de ser feita, em decorrência daquela omissão, com base em suposições. Destarte, demonstrada a existência de vícios no lançamento ora atacado, o sendo o motivo originário da lavratura dos presentes autos meramente subjetivo, evasivo, desprovido de qualquer concretude ou provas que de fato justifiquem a aplicabilidade de exorbitantes valores apontados, requer seja a preliminar acolhida, a fim de que sejam os autos em comento declarados nulos face aos argumentos expostos, por ser de pleno direito! Alegações de Ilegalidade/Inconstitucionalidade das Multas Aplicadas 3.4 Apresentadas as preliminares, o impugnante discorre longamente sobre a questão da legalidade/inconstitucionalidade das multas qualificada e agravada, em tópico eloquentemente intitulado “DAS MULTAS APLICADAS CONFISCO PROIBIÇÃO CONSTITUCIONALREDUÇÃO PARA 20% JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA IMPOSSIBILIDADE DA MULTA ULTRAPASSAR O VALOR PRINCIPAL”. 3.5 Desenvolve todo seu raciocínio apoiandose em citações colhidas de obras jurídicas doutrinárias além de trazer diversos excertos de decisões judiciais no mesmo sentido. Intercala as remissões com os comentários que a seguir se reproduzem a título exemplificativo: Conforme se depreende das multas acima expostas. todas elas foram aplicadas no patamar de 150% a 225%, patamares que, segundo a jurisprudência majoritária, se configura como um confisco, alo proibido pela Carta Magna. Fl. 1972DF CARF MF 8 A legislação tributária brasileira contem inúmeros casos de multas absurdas, totalmente em desacordo com o determinado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, que proíbe o confisco. Embora tal dispositivo faça referência apenas ao tributo quando proíbe sua cobrança com efeito confiscatório, a jurisprudência e a doutrina entendem perfeitamente aplicável às multas a mesma limitação. [fl. 1.882] ... No caso em comento, as multas aplicadas nos percentuais de 150% e 225% apresentam nítido caráter confiscatória, pois superiores a 100% do valor do débito e, assim, indiscutivelmente desproporcionais. Destarte, acerca do lema já pacificado pela jurisprudência e em respeito aos princípios constitucionais e a proibição do confisco, mister que sejam as multas de 150% e 225% aplicadas ao presente caso reduzidas para 20%, por ser uma questão de DIREITO! [fl. 1.886] ... Resta claro que, no tocante às multas de 150% e 225% aplicadas, entendese que a fixação neste percentual, nos termos da Lei n. 9.430/90, é excessiva e desproporcional. De fato, a aplicação da multa se reveste de sanção tributária que visa desestimular as infrações e punir a sonegação. No entanto, o princípio constitucional da vedação ao confisco (CF, art. 150, IV), que se aplica as multas punitivas, impede a voracidade da Administração Pública contra o patrimônio do contribuinte. Desta forma, a multa, por não ter caráter confiscatório, pode sofrer redução em face do valor excessivo, em observância aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. [fl.1.888] 3.6 Esgotadas suas argumentações relativas às multas qualificadas e agravadas, o impugnante, no tópico “DA POSSIBILIDADE LEGAL DE PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM ISENÇÃO/EXCLUSÃO DOS JUROS DE MORA APLICADOS INCLUSÃO NO PROGRAMA REFIS”, solicita sua inclusão em programa de parcelamento, nos seguintes termos (fl. 1.889): Desta forma, sabendo ser um pleito legalmente amparado por lei. vez que se trata de prática costumeira e amplamente divulgada, c vislumbrando sanar o crédito de forma que possa vir a adimplir com o mesmo, sem que o parcelamento a ser efetuado venha a comprometer o sustento e funcionamento da empresa, pugna pela inclusão em um programa de refinanciamento fiscalREFIS a fim de que, desde forma, mediante redução da multa para 20%. e concessão de isenção dos juros de mora, seja possível efetuar um parcelamento que esteja em condições de ser honrado. Em 18 de março de 2016 a DRJ em Florianópolis julgou a impugnação parcialmente procedente, cancelando a qualificação e o agravamento da multa de ofício (quando aplicadas), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS NOS REGISTROS CONTÁBEIS. IMPRESTABILIDADE PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. Definido como base de cálculo, o lucro arbitrado deve ser utilizado na apuração do IRPJ sempre que, conforme as hipóteses legais, não seja possível se obter de forma precisa e confiável o lucro real. Sua adoção, portanto, não decorre de discricionariedade da autoridade fiscal nem tampouco de prerrogativa do contribuinte. Omissões e deficiências que comprometam o aproveitamento dos registros contábeis relativos a todo um mês, dentro de um Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.970 9 período de apuração trimestral, mostramse razões suficientes para a aplicação das regras de arbitramento para o trimestre em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE VALORES SIGNIFICATIVOS. APLICABILIDADE. (01/01/2011 A 30/09/2011) Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Provado o reiteramento de uma conduta cujo resultado seja a redução irregular em montantes significativos dos tributos devidos afastase a possibilidade de erro eventual, restando configurado o dolo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS. INCOMPATIBILIDADE COM CONCEITO DE SONEGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. (01/01/2011 A 30/09/2011) Tendo o sujeito passivo apresentado declaração à administração tributária contendo os valores que serviram de base para o lançamento, mostrase insustentável a tese que aponte para deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Portanto, incabível a aplicação de multa qualificada que se sustente na hipótese de sonegação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dever ser aplicado em um contexto de uma recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. O mesmo se aplica às alegações de ofensa a princípios consagrados, implícita ou explicitamente, na Carta Magna. Tais princípios dirigemse aos órgãos legiferantes e, portanto, devese pressupô los devidamente observados nas normas vigentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Aplicase à tributação da CSLL, PIS e Cofins, solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele Fl. 1974DF CARF MF 10 compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado em 6 de abril de 2016 (fl. 1.964), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5 de maio de 2016, alegando, em síntese: (i) nulidade do auto de infração, eis que "infrações foram apontadas unicamente com base no “achismo” do agente autuador, que justifica as penalidades por uma suposta ausência de escrituração do mês de dezembro, ausência esta que não condiz com a verdade", bem como porque "não esclarece de maneira pormenorizada os critérios ou métodos adotados para o fim de obtenção do montante relativo ao suposto débito fiscal". (ii) improcedência das penalidades impostas, que seriam confiscatórias, devendo ser reduzidas para 20%. Recebi o processo em distribuição realizada em 23 de fevereiro de 2018. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme se depreende da análise do relatório, o recurso voluntário apresenta exatamente as mesmas razões de defesa constantes da impugnação, sem qualquer diálogo com a decisão que supostamente pretenderia contraditar. Em casos como este, o regimento interno deste CARF permite ao julgador transcrever e adotar como razões de decidir as da decisão de primeira instância vejase neste sentido o disposto no artigo 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.971 11 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. No caso, entendo que decisão recorrida foi acertada ao manter a autuação. De fato, quanto aos 3 primeiros trimestres de 2011, foram verificados rendimentos não oferecidos à tributação no regime do lucro presumido, sem que a contribuinte tivesse conseguido trazer qualquer explicação plausível no sentido da não incidência de tributos sobre tais valores. Já quanto ao 4o trimestre, acertada foi a conclusão pelo arbitramento com base nos valores informados na Declaração e Apuração Mensal do ICMS tendo em vista a inexistência de registros contábeis e respectiva documentação relativos ao mês de dezembro. Por ter a autoridade fiscal agido em estrita conformidade à lei no que tange ao lançamento dos principais de tributo, voto por manter o lançamento, adotando como razões de decidir as da decisão da DRJ/FNS, que transcrevo abaixo: CONSIDERAÇÕES INICIAIS 4.2 Como visto, tratase de lançamento de ofício realizado em procedimento fiscal cujo objetivo foi verificar a regularidade da escrituração e consistência entre os valores declarados pelo contribuinte (DIPJ e Dacon) e aqueles confessados em DCTF. Sumarizando, a autoridade fiscal constatou as seguintes irregularidades, a partir das quais efetuou os lançamentos de ofício: 1. Omissão de receita (1º, 2º e 3º trimestres). Receitas contabilizadas e não oferecidas à tributação, em especial aquelas registradas na conta contábil 66104 Receitas Eventuais. A autoridade entendeu tratarse de rendimentos que deveriam ser adicionados diretamente ao lucro presumido, ou seja, sem aplicação do percentual de presunção. Nesse caso, os valores foram lançados com a incidência da multa agravada de 225%. 2. Recolhimento a menor em relação ao tributo declarado (1º, 2º e 3º trimestres). Constatação de que o contribuinte declarou valores devidos, porém, efetuou recolhimentos a menor. Nesse caso, os valores foram lançados com a incidência da multa qualificada de 150%. 3. Arbitramento do resultado e apuração do IRPJ (4º trimestre). Em razão da inexistência de registros contábeis e respectiva documentação relativos ao mês de dezembro, a autoridade entendeu necessário da aplicação das regras de arbitramento para o 4º trimestre. A base para o arbitramento foram os registros obtidos da Declaração e Apuração Mensal do ICMS. Nesse caso, os valores foram lançados com a incidência da multa agravada de 225%. 4.3 Cada uma dessas infrações – que implicou os lançamentos, bem como a aplicação das penalidades pecuniárias – são a Fl. 1976DF CARF MF 12 seguir analisadas à luz das contraargumentações apresentadas pelo impugnante. A questão do agravamento e da qualificação das multas será analisada em um tópico à parte. PRELIMINARES 4.4 O impugnante levanta questões de natureza preliminar e, após concisa explanação, afirma que “vislumbrase com facilidade a nulidade ora apontada”. Porém, tal facilidade não afetou esse Relator, que procurou extrair do texto recursal aqueles que parecem ser os principais pontos que sustentam as preliminares de nulidade. De se ver. 4.5 Alega, o contribuinte, “as infrações foram apontadas unicamente com base no "achismo" do agente autuador, que justifica as penalidades por uma suposta ausência de escrituração do mês de dezembro, ausência esta que não condiz com a verdade”. Portanto, segundo a versão do impugnante, o lançamento careceria de suporte fático e teria como suporte apenas valorações subjetivas do agente autuador. Porém, os elementos contidos nos autos desacreditam essa versão. Todo o procedimento de verificação foi pautado nas regras da Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 (Processo Administrativo Fiscal) e nas normativas complementares. 4.6 O contribuinte foi intimado (e reintimado) a justificar, contestar ou corrigir as divergências encontradas durante o procedimento. Foi confrontado com elementos probatórios de sua própria lavra (declarações e registros contábeis). As divergências e omissões foram objetivamente constatadas, explicitadas e apresentadas ao contribuinte. Portanto, não se sustenta a alegação que o lançamento fundouse em valorações subjetivas. 4.7 Outro ponto abordado na preliminar, referese à obscuridade dos demonstrativos de apuração dos valores lançados, o que teria prejudicado seu direito de defesa. Reclama que o autuante “não esclarece de maneira pormenorizada os critérios ou métodos adotados para o fim de obtenção do montante relativo ao suposto débito fiscal”. 4.8 Por um lado, concordo que os demonstrativos de apuração dos valores lançados estão distantes de serem um referencial didático em termos de clareza e objetividade. A disposição gráfica não ajuda, a terminologia é confusa e a ausência de notas explicativas é lamentável. Por outro, não concordo que essa falta de clareza na demonstração da apuração possa ser alegada como cerceamento ao exercício do direito de defesa. Isso porque, embora os demonstrativos não sejam um paradigma de didatismo, não apresentam um nível de complexidade que os tornem indecifráveis para os profissionais da área jurídico/contábil. 4.9 Considero, assim, que não merecem prosperar as alegações relativas às preliminares de nulidade do lançamento, passando se, pois, à análise do mérito. OMISSÃO DE RECEITA (1º, 2º E 3º TRIMESTRES) Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.972 13 4.10 Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, o autuado foi intimada a esclarecer a natureza das receitas lançadas na conta contábil 661045 RECEITAS EVENTUAIS, que registrava na contabilidade, no somatório dos três primeiros trimestres, valores não oferecidos à tributação de R$ 4.664.684,27 (a receita declarada na DIPJ, nesse mesmo período, foi de R$ 13.224.048,28). 4.11 Em resposta (fl. 1.860) o contribuinte apresentou alegações vagas (“acredito que foram cometidos erros na escrituração...”), ou que não condiziam com os registros contábeis (“... em sua grande maioria a Conta Partida [sic] são Contas Contábeis do passivo referente a obrigações a pagar com fornecedores.”). Com relação a essa última colocação, a autoridade fiscal rebate, afirmando que “cerca de 80% dos lançamentos a crédito da conta de Receitas Eventuais terem como contrapartida lançamentos a débito em contas do Ativo Circulante (Bancos c/ Movimento)”. Intimada a apresentar os extratos bancários relativos a esses lançamentos, não houve resposta. 4.12 Portanto, em sua impugnação, o contribuinte não trouxe elementos ou argumentos que pudessem alterar o entendimento sustentado pela autoridade fiscal e objetivamente apresentados no curso da fiscalização, razão pela qual entendo que, em relação a essa omissão de receitas, o lançamento deve ser mantido. RECOLHIMENTO A MENOR (1º, 2º E 3º TRIMESTRES) 4.14 O contribuinte recolheu IRPJ devido trimestralmente em valores inferiores àqueles informados e apurados na DIPJ. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício relativo à diferença entre os valores declarados e os valores efetivamente recolhidos. Em sua impugnação, o contribuinte não apresenta alegações específicas contra esse procedimento do autuante que justificassem qualquer reparo à ação da autoridade fiscal. Portanto, entendo que os lançamentos relativos aos recolhimentos a menor verificados nos três primeiros trimestres do anocalendário fiscalizado também devem ser mantidos. ARBITRAMENTO DO RESULTADO (4º TRIMESTRE) 4.15 É em relação ao lançamento realizado com base no arbitramento que o impugnante se mostra mais eloquente. Segundo afirma em sua impugnação, não haveria razão para a autoridade fiscal lançar mão das regras de apuração com base no lucro arbitrado. Vejamos. 4.16 A autoridade fiscal não encontrou a escrituração contábil relativa a todo o mês de dezembro, o que indubitavelmente prejudicaria a verificação do 4º trimestre. Não se trata da ausência de alguns registros ou documentos comprobatórios ou deficiência na escrituração de alguns lançamentos – situações essas que poderiam ser superadas sem prejuízo da manutenção da apuração no lucro presumido. Apontase a ausência da contabilidade relativa a todo um mês do trimestre de apuração. Fl. 1978DF CARF MF 14 4.17 Por seu turno, o contribuinte reconheceu tal omissão, informando que “a escrituração referente ao mês de dezembro de 2011, não foi feita pela contabilidade anterior responsável pela gestão” (fl. 1.860, resposta à intimação recepcionada em 26/03/2014). Não obstante a fiscalização terse prolongado por mais dois meses, ao que tudo indica, a escrituração faltante não foi (re)feita e/ou apresentada. 4.18 Importante observar que o agente autuante, em sua intimação, já alertava o contribuinte de que, a ausência da escrituração do mês de dezembro teria como consequência o necessário arbitramento do lucro relativo ao 4º trimestre. Não se pode alegar, por isso, que a adoção das regras de arbitramento do lucro possam ter surpreendido o contribuinte. 4.19 A legislação que estabelece as hipóteses de arbitramento assim estabelece (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, destaques do relator): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 4.20 O agente fiscal entendeu que a conduta da contribuinte teria se subsumido à hipótese de incidência descrita no inciso II, alínea b do citado artigo; o que realmente se caracterizou pela ausência da escrituração relativa ao mês de dezembro. 4.21 Já em sede de julgamento – e sem aportar documentação comprobatória – o impugnante, referindose a essa omissão contábil, aduz: “ausência esta que não condiz com a verdade.” Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.973 15 Segue em suas argumentações afirmando tratarse de “mera suposição fática, evasiva e com completa falta de concretude”. Porém, pelas razões já expostas, discordo desse ponto de vista, pois entendo que houve constatação fática da irregularidade, não refutada ou sanada ao longo do procedimento de verificação. 4.22 Por tudo isso, voto pela rejeição das alegações apresentadas na impugnação e pela manutenção do lançamento pelas regras de arbitramento para o 4º trimestre de 2011. (...) ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS LEGAIS/CONSTITUCIONAIS 4.39 As alegações de que as multas aplicadas seriam abusivas, ferindo princípios legais e/ou constitucionais devem, preliminarmente, ser submetidas ao crivo da admissibilidade, no contexto das limitações e restrições referentes ao Processo Administrativo Fiscal. De se observar que compete à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade de ato regularmente editado ou se este fere ou não os princípios consagrados na Carta Magna. Tais princípios, no entender desse julgador, dirigemse aos órgãos legiferantes e, portanto, devese pressupor devidamente observados nas normas vigentes. 4.40 Destaque que o dever de observância das normas abrange também o julgamento administrativo em relação, inclusive, aos atos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, conforme o dispositivo abaixo transcrito (destaques do relator): Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993 e da Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001, resolve: [...] Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. 4.41 Portanto, por entende que falta a esse juízo competência legal bastante para a pretendida discussão, deixo aqui de apreciar as argumentações trazidas pela impugnante e que encontram seu substrato em eventual violação de princípios constitucionais. SUJEIÇÃO PASSIVA DOS ADMINISTRADORES 4.42 Como relatoriado, a autoridade fiscal atribuiu responsabilidade tributária solidária aos sóciosadministradores Raimundo Ramos de Andrade e Josenildes Luz Lago de Andrade. Fl. 1980DF CARF MF 16 Não consta nos autos aqui analisados manifestação dos responsáveis tributário, razão pela qual considero como não impugnada a sujeição passiva. TRIBUTAÇÃO REFLEXA 4.43 Com relação aos autos de infração reflexos (CSLL, PIS e Cofins), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esses lançamentos. Recurso de Ofício Atualmente, cabe recurso de ofício quando a decisão exonera sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, nos termos da Portaria MF 63/2017. É o caso em questão. A DRJ/FNS exonerou o contribuinte do agravamento e qualificação das multas (quando aplicados) por entender que a empresa, além de contestar a constitucionalidade de tais exações, questionou a sua legalidade, e analisando o caso entendeu não estarem presentes as hipóteses de sua aplicação. Foi mantida apenas a qualificação da multa no caso da omissão de receitas, na medida em que a reiteração caracterizou o dolo necessário à exasperação da penalidade. Entendo que a decisão foi acertada. De fato, no caso do recolhimento a menor do 1º, 2º e 3º trimestres, não se pode falar em deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ja que os valores, embora não constassem da DCTF, foram declarados na DIPJ/Dacon. Já em relação ao arbitramento das receitas do 4º trimestre, não há menção às razões pelas quais a multa teria sido qualificada, o que leva à improcedência de tal exasperação. Quanto ao agravamento da multa de ofício para 225% (aplicado exceto para o caso de recolhimento a menor), não se verifica no caso a hipótese de sua aplicação, já que tratouse muito mais de respostas insuficientes e não recusa deliberada de atendimento às intimações adotada com o propósito de impedir a atividade da autoridade autuante. Neste sentido, peço vênia para reproduzir os termos da decisão recorrida, que também adoto como razões de decidir no presente voto: QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO 4.23 Diferente do lançamento dos valores do crédito tributário relativo ao principal, na aplicação da multa qualificada (150%) e da multa agravada (112,5%), entendo caber à autoridade fiscal o ônus da prova da ocorrência das situações fáticas culminadoras dessas sanções. Em razão disso – e considerando que as alegações do impugnante foram no sentindo de considerar a aplicação das multas como ilegal/inconstitucional – , vale buscar, na narrativa do autuante, suas motivações básicas para o recrudescimento da penalidade financeira. Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.974 17 Qualificação da Multa Recolhimento a Menor 4.24 Como relatado, em uma primeira linha de argumentação, o autuante entende que a discrepância entre os valores declarados em DIPJ/Dacon e os valores (a menor) declarados na DCTF seria razão suficiente para – em relação aos valores na DCTF a menor – aplicar a multa qualificada de 150%. Isso porque, a seu juízo, não se tratou de erro isolado, que poderia ser caracterizado como erro material, “mas sim da entrega de 12 (doze) DCTF preenchidas com valores inferiores aos constantes na escrita contábil/fiscal”. Com isso, concluiu ter havido “deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal”. 4.25 Entretanto, não comungo desse entendimento. Não obstante ser inegável que somente a DCTF tenha força de confissão de débito – e, por isso, lhe ser conferida a força constitutiva do crédito tributário – é igualmente inegável que o contribuinte informou à administração tributária (DIPJ e Dacon) os valores de seus débitos (utilizados inclusive para fins de lançamento). A este Julgador, se apresenta incongruente falarse de deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, em relação a débitos já – espontaneamente e antes do início dos procedimentos fiscais – informados a essa mesma autoridade fazendária. No meu entender, o caráter operacional/administrativo, que implica multiplicidade de declarações e dá azo a inconsistências entre elas, não pode operar no sentido de fundamentar o agravamento da sanção para o contribuinte. 4.26 Em relação aos valores já constantes da DIPJ/Dacon, não há que se falar em tentativa de ocultar informações do conhecimento autoridade fazendária, a despeito de eventuais dificuldades administrativas que essas inconsistências apuradas possam impor à administração fiscal, conforme destacado pela autoridade fiscal. Por conseguinte, deve ser afastada a qualificação da multa no caso dos lançamentos por recolhimento a menor nos 1º, 2º e 3º trimestres. Qualificação da Multa Omissão de Receita 4.27 Diferente se mostra a situação relativa à omissão de receita relativa a esses mesmos trimestres. Nesse caso, conforme bem caracterizou o agente autuante, durante vários meses (reiteramento) valores substanciais (significância) deixaram de ser informados à autoridade fazendária. Os valores constavam exclusivamente dos registros contábeis do contribuinte e não se logrou apresentar razões suficientes pelas quais as receitas ali informadas não terem sido oferecidas à tributação, como determina a legislação tributária. 4.28 A pratica omissiva reiterada e de valores significativos, no entender desse Julgador, caracteriza conduta que subsumese à Fl. 1982DF CARF MF 18 norma que prevê a qualificação da multa, como abaixo transcrito (§1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, destaque do relator): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos referenciados no § 1º tem a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 4.29 Portanto, entendo que o caráter doloso da omissão de receitas encontrase presente e materialmente comprovado nos autos. A demonstração do dolo pode ser efetuada por várias vias distintas, mas não há dúvidas de que uma das mais consistentes e seguras é aquela vinculada à caracterização do reiteramento da conduta ao longo do tempo e da significância dos valores subtraídos à tributação. Sim, pois enquanto o reiteramento afasta o erro involuntário (conduta não intencional), a Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.975 19 significação dos valores subtraídos à tributação fornece o objetivo, o motivo para o ato intencionalmente infracional. 4.30 Em conseqüência do exposto, concluise que a situação descrita e comprovada pela autoridade tributária corresponde àquela prevista nos arts. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Mantido, nesse particular, o lançamento da multa qualificada de 150% aplicada às receitas omitidas nos 1º, 2º e 3º trimestres. Qualificação da Multa Arbitramento da Base de Cálculo 4.31 Em relação ao arbitramento das receitas do 4º trimestre – que se deu em consequência da não apresentação dos registros contábeis referentes a dezembro – a autoridade fiscal não lhe faz referência quando fundamenta a aplicação da multa qualificada. Embora, em seu relatório, ao descrever o lançamento do principal afirme que devese considerar “o agravamento da multa de ofício conforme explicado no item “Do Agravamento da Multa de Ofício” deste Termo, e considerando a qualificação da multa de ofício conforme explicado no item “Da Qualificação da Multa de Ofício”, deste Termo de Verificação Fiscal”, não há nos itens citados referência às razões para qualificação da multa no tocante ao lançamento com base nas regras do lucro arbitrado. 4.32 Por si só, a falta de fundamentação já se mostra suficiente para afastar a aplicação da multa qualificada. Mas há de se considerar, ademais, que o arbitramento se deu por falta de apresentação dos registros contábeis de dezembro, falta essa que foi justificada pelo impugnante como erro (“não foi feita pela contabilidade anterior responsável pela gestão”). Até aí, e sem qualquer evidência de dolo, não se pode concluir, sem mais, pela qualificação prevista na legislação. 4.33 Portanto, entendo não terem sido apresentadas razões e evidências suficientes para se manter a qualificação da multa nos lançamentos referentes ao arbitramento do 4º trimestre. Agravamento da Multa de Ofício 4.34 Ainda no tocante à penalização da conduta da contribuinte, a autoridade autuante, apontando como fundamento legal o §2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, elevou a multa de ofício para 225%, exceto para o caso de recolhimento a menor. O dispositivo invocado encontrase a seguir reproduzido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes muitas: ... § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 1984DF CARF MF 20 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. 4.35 Para subsumir a conduta do contribuinte à norma citada, a autoridade fiscal enumera os seguintes fatos (i) “falta de atendimento, por parte do intimado, nos prazos marcados, do quanto solicitado mediante o TIF nº 0001 e o TIF nº 0002, notadamente a não apresentação da escrituração referente ao mês de dezembro de 2011” e (ii) falta “de esclarecimentos a respeito de receitas omitidas”. 4.36 Não obstante a displicência da fiscalizada no atendimento às intimações e na apresentação da escrituração do mês de dezembro, não creio se tratar de situação em que seja aplicável a multa agravada. Isso porque, entendo que aquele agravamento de penalidade se impõe em um contexto de rebeldia evidente e acintosa do contribuinte contra a ação fiscal. Pressupõese uma recusa deliberada de atendimento às intimações adotada com o claro propósito de turbar, obstaculizar e, por fim, impedir a constituição do crédito tributário a favor da Fazenda Nacional. 4.37 No caso em tela, as explicações iniciais do contribuinte mostraramse insatisfatórias para evitar o lançamento de ofício. O fato da não existência de justificativas satisfatórias – a juízo da autoridade fiscal – ou a não apresentação de escrituração (já informada como inexistente) não se mostra suficiente para o agravamento da multa. Cada uma dessas omissões já tem suas consequências específicas, inclusive a aplicação de multa. Para haver o sobreapenamento pretendido, seriam necessárias evidências de uma conduta dolosa no claro intuito de obstruir/impedir os trabalhos da autoridade fiscal, situação essa não devidamente caracterizada nos autos. 4.38 Portanto, a aplicação da multa agravada prevista no §2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996 deve ser afastada. Ante o exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recursos voluntário e de ofício, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.976 21 Fl. 1986DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720119/2015-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2010 a 31/12/2011
PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL.
Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas.
A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados.
PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS.
Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados tem a natureza de retribuição pelos serviços prestados à pessoa jurídica, ensejando a incidência de contribuição previdenciária, por não estar abrigada nos termos da Lei nº 10.101/00.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Os bônus de contratação (hiring bonus) pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual.
RAT/FAPI. TESE RECURSAL FUNDADA EM INCONSTUTICIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
DOCUMENTAÇÃO SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO TARDIA DE PROVA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
A apresentação de documentação superveniente deve estar calcada em hipotese de impossiblidade de sua produção em momento oportuno nos termos do § 4º, Art. 16 do Decreto 70.235/72. Sem tal fundamento, opera-se a preclusão impondo seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2402-006.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, em relação ao Hiring Bônus, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann; e, quanto às demais matérias, pelo voto de qualidade, dar-lhe parcial provimento para excluir da autuação, em relação a cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos de PLR vinculados às convenções e aos PPRS previstos nos acordos coletivos de trabalho, vencidos Conselheiros. João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão.Votou com a divergência, pelas conclusões, em relação à PLR paga aos empregados, em razão de votação sucessiva, o Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregorio Rechmann Junior, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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HIRING BONUS. Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 31/12/2011 PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas. A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados. PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados tem a natureza de retribuição pelos serviços prestados à pessoa jurídica, ensejando a incidência de contribuição previdenciária, por não estar abrigada nos termos da Lei nº 10.101/00. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 19 /2 01 5- 44 Fl. 3170DF CARF MF 2 Os bônus de contratação (hiring bonus) pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual. RAT/FAPI. TESE RECURSAL FUNDADA EM INCONSTUTICIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." DOCUMENTAÇÃO SUPERVENIENTE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO TARDIA DE PROVA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação de documentação superveniente deve estar calcada em hipotese de impossiblidade de sua produção em momento oportuno nos termos do § 4º, Art. 16 do Decreto 70.235/72. Sem tal fundamento, operase a preclusão impondo seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.170 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, em relação ao Hiring Bônus, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann; e, quanto às demais matérias, pelo voto de qualidade, darlhe parcial provimento para excluir da autuação, em relação a cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos de PLR vinculados às convenções e aos PPRS previstos nos acordos coletivos de trabalho, vencidos Conselheiros. João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão.Votou com a divergência, pelas conclusões, em relação à PLR paga aos empregados, em razão de votação sucessiva, o Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregorio Rechmann Junior, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 3172DF CARF MF 4 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 2720/2.818, lançado contra Acórdão de fls. 2.668/2.710, que, por unanimidade de votos, negou provimento à Impugnação apresentada às fls. 2.294/2.358, que manteve, in totum, o crédito tributário exigido. Adotaremos, por bem, parte do relatório da decisão recorrida, uma vez que, adequadamente, narra os fatos e fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Compõem o presente processo os autos de infração 51.060.8299 (parte patronal) e 51.060.8302 (terceiros), lavrados em 8/2/2015, com valores originários (sem multa acessória ou juros), respectivamente, de R$ 571.352.180,22 e R$ 47.693.034,17. Como motivação do lançamento, consta, no Relatório Fiscal de folhas 2212 a 2284, o seguinte: ... 4. Dos Fatos Geradores 4.1 Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas: (a) as remunerações aos segurados empregados a propósito de "Participação nos Lucros ou Resultados", pagas em desacordo com a legislação específica, (b) as remunerações pagas aos segurados empregados a título de "Hiring Bônus", sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Previdenciárias, (c) as remunerações pagas aos contribuintes individuais administradores, durante o exercício de 2011, a propósito de "Participação nos Lucros dos Administradores", sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Sociais, (d) bem como as remunerações pagas aos empregados, durante o exercício de 2010, sobre as quais não foram recolhidas as contribuições ao RAT com o ajuste pelo FAP. 4.2 Foram examinados, durante a auditoria fiscal, documentos tais como Livros Diário e Razão, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social GPS, Convenções, Acordos Coletivos e Programas Próprios de Participações nos Lucros, Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. 4.3 Os valores apurados de "Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados", "Participação nos Lucros dos Administradores" e "Hiring Bônus" foram obtidos de dados constantes em planilhas, contendo os pagamentos por beneficiário (formato excel), fornecidas pela empresa ora notificada. Tais dados foram extraídos e confirmados a partir Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.171 5 das folhas de pagamento e da contabilidade do sujeito passivo, entregues no formato de arquivos magnéticos. Os valores das contribuições ao RAT Ajustado pelo FAP foram apurados através dos salários de contribuição informados pela empresa em GFIP. 4.4 Esses valores encontramse demonstrados nos campos próprios do Relatório de Lançamentos RL em anexo. 5. Da Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados... 5.14 Para tanto vejamos a situação concreta em apreço. A Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Santander, cujos pagamentos ocorreram durante os exercícios de 2010 e 2011, é regida por diferentes instrumentos, quais sejam: (i) Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander 2009/2010 e 2011; (ii) Programas Próprios Específicos 2009, 2010 e 2011; (iii) Programas Próprios Gestão 2009/2010 e 2011; e (iv) Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2009, 2010 e 2011. 5.15 Foram encontradas na contabilidade da empresa em epígrafe, bem como em suas folhas de pagamento, remunerações a título de PLR. Os montantes de Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados por competência, rubrica e beneficiário são apontados nas Relações de Pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados por Beneficiário 2010 e 2011. Por sua vez, as contas contábeis nas quais foram escrituradas as rubricas de pagamento são apresentadas no Demonstrativo PLR Empregados: Rubricas Folha de Pagamento x Contas Contábeis. 5.16 Analisaremos, num primeiro momento, os problemas específicos encontrados nos Acordos Coletivos, Programas Próprios Específicos e Programas Próprios Gestão e, a seguir, os problemas gerais que envolvem todos os instrumentos de negociação que deram origem à PLR, quais sejam Convenções Coletivas, Acordos Coletivos, Programas Próprios Específicos e Programas Próprios Gestão. 5.17 Iniciaremos nossa análise pelos Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados Santander PP RS vigentes para os pagamentos realizados nos exercícios de 2010 e 2011. São eles: (i) Acordo Coletivo PLR 2009/2010, celebrado em 30 de dezembro de 2009, entre, de um lado, o Banco Santander (Brasil) S.A. e outros e, de outro lado, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro CONTRAF e outros, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2009, por dois anos; e (ii) Acordo Coletivo PLR 2011, celebrado em 16 de dezembro Fl. 3174DF CARF MF 6 de 2011, entre, de um lado, o Banco Santander (Brasil) S.A. e outros e, de outro lado, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro CONTRAF e outros, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2011, por um ano. 5.18 Inicialmente merece atenção a celebração dos instrumentos de negociação. Observase que os Acordos Coletivos de PLR em análise foram assinados retroativamente ao início de seus anos base e um dos pontos importantes a ser tratado aqui é exatamente o da vigência de tais acordos, haja vista que o dispositivo legal determina que a participação será objeto de negociação prévia e que suas regras serão previstas no instrumento decorrente dessa negociação. 5.19 Extraise da legislação pertinente que o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados tem como essência uma retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Logo, é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. 5.20 Certamente, a norma referese aqui a uma negociação finalizada e não a uma negociação em curso, ou seja, a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do início do ano base do pagamento da PLR. Ora, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser mudado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial venha a ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar a negociação. Destarte, somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos. 5.21 Deve haver, portanto, uma negociação entre as partes e a empresa concederá o pagamento a esse título se os trabalhadores atingirem a meta préestabelecida. Obviamente, esses objetivos ou metas devem ser pactuados previamente, com um tempo razoável entre o acordo, o conhecimento das regras e o pagamento. 5.22 Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. No caso em questão, o acordo que rege os anos de 2009/2010 foi assinado em 30 de dezembro de 2009, enquanto que o acordo para o exercício de 2011 foi celebrado em 16 de dezembro de 2011. 5.23 Ora, para ter direito ao recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados são impostas condições ao empregado, e Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.172 7 este precisa saber quais são estas e mais, em tempo hábil, sob o risco de ter sua expectativa de direito de pronto prejudicada. 5.24 A estipulação de objetivos após o início do ano base retira do pagamento qualquer possibilidade de adequação à legislação específica. Afinal, datas como as aqui existentes possibilitavam pouca ou reduzida ação por parte dos destinatários para o cumprimento das metas. Ademais, sabemos que a regulamentação dessa matéria dáse no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação seja justa. 5.25 Desta feita, os instrumentos decorrentes das negociações devem ser formalizados antes do ano base, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba desvinculada da remuneração. Afinal, se assim não fosse, indagarseia sobre a utilidade e eficácia das regras contidas na legislação, não bastando, tão somente, a existência de um acordo. 5.26 Sendo que as assinaturas dos acordos e o conseqüente conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram bem após o início da vigência dos mesmos, ou quase ao final desta vigência, isso nos leva a questionar como é possível o comprometimento dos funcionários com metas que só vão conhecer posteriormente? No momento em que a participação foi pactuada, já haviam ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa. 5.27 Admitir que o pagamento não estivesse sujeito a condição estipulada, de forma clara e objetiva, em instrumentos de negociação celebrados previamente, seria admitir o desvirtuamento da rubrica e o ensejo à fraude, pois o empregador poderia instituir pagamentos mascarados com o rótulo de "Participação nos Lucros ou Resultados". 5.28 Dessa forma, os instrumentos de acordo em tela não objetivaram incentivar a produtividade, uma vez que o resultado positivo já estava sendo definido. Independentemente de qualquer atitude tomada pelos empregados após a assinatura dos acordos, eles receberiam a mesma Participação nos Lucros ou Resultados, o que lhes retirou a possibilidade de terem sua produtividade estimulada, desnaturando a essência desse instituto. Ao serem retroativos, os programas criam paradoxo, estabelecendo metas referentes a períodos cujos resultados já aconteceram e não podem ser modificados, por mais que se esforcem os empregados. ... 5.31 Em prosseguimento, verificase que não foi esse o único requisito legal a ter sido desrespeitado no caso em tela. A Lei n° 10.101/00 determina, como já visto, que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da Fl. 3176DF CARF MF 8 participação e regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. 5.32 O Acordo Coletivo de PLR 2009/2010 estabelece, ipsis litteris CLÁUSULA PRIMEIRA: Objeto O presente Acordo tem por objeto formular Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS), referente aos exercícios de 2009 e 2010 conforme o disposto na Lei 10.101 de 19.12.2000. CLÁUSULA SEGUNDA: Elegíveis Serão beneficiados pelo Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS), para o exercício de 2009, os empregados das EMPRESAS ACORDANTES que tenham sido admitidos até 31 de dezembro de 2008 e que estejam em efetivo exercício em 31 de dezembro de 2009 e para o exercício de 2010 todos os empregados das EMPRESAS ACORDANTES que tenham sido admitidos até 31 de dezembro de 2009 e que estejam em efetivo exercício em 31 de dezembro de 2010. (...)CLÁUSULA TERCEIRA: Apuração dos Valores do programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) Os valores devidos a título de Participação nos Resultados Santander (PPRS) serão apurados levandose em conta: a relação percentual do ROE (Return in Equitu) do Banco Santander com a média dos ROE's dos seus principais concorrentes denominado ÍNDICE COMPARATIVO ROE. conforme a seguinte formulação: ROE SANTANDER / ROE MEDIO PRINCIPAIS CONCORRENTES = ÍNDICE COMPARATIVO ROE PARAGRAFO PRIMEIRO: Entendese como ROE a relação percentual entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido, publicados pelos Bancos nos meios oficiais, tais como, no site do Banco Central — BACEN, obtida pela seguinte fórmula: LUCRO LÍQUIDO / PATRIMONIO LIQUIDO =ROE PARÁGRAFO SEGUNDO: O "ROE MÉDIO" será calculado através da somatória dos ROEs dos Bancos Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil, dividida por 3 (três), conforme abaixo: (ROE Bradesco + ROE Itaú Unibanco + ROE Banco do Brasil) / 3= ROE MÉDIO PARAGRAFO TERCEIRO: Para fins exclusivos deste acordo fica assegurado que tanto o ROE do Santander quanto o ROE dos principais concorrentes, citados neste acordo, serão aferidos por critérios similares, cujo cálculo considerará a divisão do lucro líquido do ano sobre o patrimônio líquido constantes nos resultados dos balanços anuais a serem publicados pelos bancos nos meios oficiais, tais como no site do Banco Central BACEN. PARÁGRAFO QUARTO: Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.173 9 Os valores devidos a título de PPRS, para o exercício de 2009, obedecerão à tabela abaixo: Os valores devidos a título de PPRS, para o exercício de 2010, obedecerão à tabela abaixo: CLÁUSULA QUARTA: Formas de divulgação aos Empregados Após as publicações dos respectivos balanços, as EMPRESAS ACORDANTES elaborarão o demonstrativo de cálculo do PPRS e divulgarão para os empregados, antes da data do pagamento. PARÁGRAFO ÚNICO: Todos os empregados terão acesso às informações relativas às premissas e aos resultados previstos neste acordo, através dos meios internos de comunicação. CLÁUSULA QUINTA: Compensação Os valores decorrentes dos pagamentos do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) e dos Programas Específicos mantidos pelas EMPRESAS ACORDANTES, referidos no caput e parágrafo primeiro da cláusula sexta deste acordo coletivo, não serão compensados com a Participação nos Lucros ou Resultados estabelecidos pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. CLÁUSULA SEXTA: Programas Específicos mantidos pelos Acordantes Ficam ratificados, nos termos do artigo 2°, II, da 10.101/00, todos os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados, específicos para segmento de negócios das EMPRESAS ACORDANTES, relacionados em anexo, com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constam dos respectivos instrumentos, nominados PROGRAMAS SIM e respectivos Super Ranking/RV Cartilha, e Programas Específicos relacionados no Anexo I, os quais integram o presente Acordo Coletivo de Trabalho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Integra, também, o presente Acordo Coletivo de Trabalho, o PPG Programa Próprio de Gestão, destinado às áreas institucionais que obedece às regras e valores fixados pela Diretoria com base no respectivo cargos ou função. PARÁGRAFO SEGUNDO O valor do PPRS previsto no presente acordo engloba os valores pagos nos respectivos programas Fl. 3178DF CARF MF 10 específicos previstos nesta cláusula, compensandose as antecipações, eventualmente realizadas. CLÁUSULA SÉTIMA: PAGAMENTO O pagamento da Participação nos Resultados Santander (PPRS) e dos programas específicos mantidos pelas EMPRESAS ACORDANTES será efetuado juntamente com a 2A parcela da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) estabelecida na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária. PARÁGRAFO PRIMEIRO Excepcionalmente, para o exercício de 2010, as EMPRESAS ACORDANTES efetuarão a antecipação da PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS SANTANDER (PPRS), no valor fixo de R$ 540,00 (quinhentos e quarenta reais) juntamente com o pagamento da antecipação da PLR — Participação nos Lucros ou Resultados da Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, a ser compensada quando de sua quitação. CLÁUSULA NONA: Abrangência As cláusulas do presente Acordo Coletivo aplicamse a todos os empregados das EMPRESAS ACORDANTES e empresas listadas nesta cláusula, em todo o território nacional. PARÁGRAFO ÚNICO As empresas referidas no caput são: Banco Santander (Brasil) SA., Santander Asset Management DTVM, Universia Brasil SA., Santander Brasil Seguros SA., Santander Seguros SA., Santander SA. Corretora de Câmbio e Títulos, Santander SA. — Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem de Seguros, Santander Brasil SA. Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, Isban Brasil SA., Produban Serviços de Informática SA., Aymoré Créd. Finan e Invest. SA., ABN AMRO Asset Manag. DTVM SA., Real Corretora de Seguros SA., Real Microcrédito Asse. Fin. SA., WebMotors SA., AAR Corretora de Câmbio Valores Imobiliários SA. (gn) 5.33 Ademais, o Anexo I que acompanha o Acordo Coletivo de PLR 2009/2010 prevê a existência de diversos Programas Semestrais com base em Targets de Premiação em função da performance coletiva e individual, citando diversas áreas beneficiadas. 5.34 Salientamos, ainda, que Acordo Coletivo de PLR 2011, na essência, modifica somente alguns dos parâmetros dispostos pelo Acordo Coletivo de PLR 2009/2010. Vejamos: CLÁUSULA TERCEIRA: Apuração dos Valores do programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) PARÁGRAFO QUARTO: Os valores devidos a título de PPRS, para o exercício de 2011, obedecerão à tabela abaixo: Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.174 11 5.35 Em complementação, o Anexo I que acompanha o Acordo Coletivo de PLR 2011 prevê a existência de diversos Programas Próprios Específicos com base em indicadores previamente definidos nos programas, citando diversas áreas beneficiadas. 5.36 Iniciando nossa análise pelo corpo dos Acordos de PLR, observamos que o valor da participação a ser recebida pelos empregados será calculado levandose em consideração a porcentagem obtida pelo Banco Santander no índice Comparativo Return in Equitu ROE, o qual é definido como sendo a relação percentual entre o ROE do Banco Santander com a média dos ROEs dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil, sendo ainda entendido ROE como a relação percentual entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido do banco. Desta feita, a PLR a ser paga resulta das variáveis Lucro Líquido e Patrimônio Líquido do Banco Santander e de seus concorrentes Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil. 5.37 Sendo a PLR resultante somente dos valores de Lucro Líquido e Patrimônio Líquido do Banco Santander e de seus concorrentes, claro resta a não existência nos acordos ora tratados de objetivos e metas a serem atingidos, nem de critérios para uma avaliação do desempenho individual. Não é possível, desta forma, definir as regras cabíveis a cada beneficiário, em desacordo frontal à legislação específica, a qual exige a presença de regras claras e objetivas pactuadas previamente. 5.38 Podemos nos questionar: quais são as metas individuais que os beneficiários necessitam atingir para receber o benefício? O que cada categoria de empregados terá de fazer para atingi las? Diante da inexistência de respostas às indagações acima, vemos que não é possível identificar nos instrumentos decorrentes da negociação as citadas regras pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. 5.39 Acrescentese ainda o fato de uma das variáveis utilizadas para o cálculo da participação ser o Lucro Líquido e o Patrimônio Líquido de três bancos outros que não o próprio Banco Santander. Ora, foram adotados aqui critérios externos que não podem ser utilizados como parâmetros para a distribuição de PLR, uma vez que não são alcançáveis ou modificáveis pelo desempenho dos beneficiários em apreço. São critérios que não dependem somente do esforço dos empregados do banco ora autuado, e sim, correspondem igualmente ao desempenho dos seus principais concorrentes. 5.40 Ante o exposto, vemos que nos Acordos de PLR em apreço não existe uma definição detalhada das metas individuais a serem atingidas. Ademais, observase a inclusão de parâmetros não individuais, e inclusive externos ao banco em tela, nos critérios utilizados. Tal quadro inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. Igualmente, a existência de critérios subjetivos e externos de avaliação afasta a objetividade da aferição. Desta feita, não se Fl. 3180DF CARF MF 12 pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. 5.41 Evidente que não basta, portanto, a existência de acordo disciplinando a distribuição de lucros; há que se ter efetiva previsão de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos empregados, evitandose a adoção de critérios de índole subjetiva, que levem em consideração aspectos que dependam de avaliação geral e não específica, bem como de critérios externos ao âmbito da empresa contratante. 5.42 Sabemos que a legislação exige que dos instrumentos competentes para a negociação entre a empresa e seus empregados constem regras claras e objetivas, tanto substantivas, quanto adjetivas, as quais contenham critérios e condições. As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. Claro está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais, as empresas sejam motivadas a atrair e incentivar seus empregados com ganhos extras pelo cumprimento de metas ou resultados individuais ou coletivos. ... 5.46 No caso em tela, chama a atenção que os acordos apresentados não se coadunam com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus a tal benefício, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. 5.47 Em suma, os pagamentos em estudo afastaramse do objetivo da Lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a Participação nos Lucros não integre o saláriodecontribuição. ... 5.50 Passaremos agora à análise dos Programas Próprios de Participação nos Resultados decorrentes da negociação entre o banco e seus empregados. De acordo com os Anexos aos Acordos Coletivos de 2009/2010 e 2011, tais Programas Próprios de Participação nos Resultados integram os Acordos Coletivos de PLR. São eles: (i) Programas Próprios Gestão 2009/2010 e 2011; e (ii) Programas Próprios Específicos 2009, 2010 e 2011. Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.175 13 5.51 Os primeiros Programas Próprios de Participação nos Resultados a merecerem nossa atenção são os Programas Próprios Gestão PPG, nos quais aconteceram pagamentos entre janeiro de 2010 e dezembro de 2011. Sendo os textos dos programas de 2009/2010 e 2011 praticamente iguais, transcreveremos a seguir partes do PPG 2009/2010, in verbis 1. OBJETIVOS O Programa Próprio Gestão é um programa de participação nos resultados, previsto na cláusula 6A, § único do Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados ACT/PPRS 2009/2010, com os seguintes objetivos: • Reconhecer o desempenho diferenciado; • Atrair, desenvolver e reter profissionais em linha com os negócios e cultura do Banco; • Incentivar o cumprimento das metas previamente acordadas; • Tornar transparentes os critérios de aferição dos resultados; • Estabelecer instrumentos de mensuração institucionais, que coloquem os profissionais em linha com o negócio como um todo. 2. ELEGIBILIDADE São elegíveis ao Programa Próprio Gestão os ocupantes de cargos N 20 e acima e a partir de N10 em algumas funções específicas, observadas as exceções e condições estabelecidas no item 8 (Casos Especiais) deste documento. Funcionários que participam de Programas Específicos não serão elegíveis ao Programa Próprio Gestão. 3. PREMISSAS BÁSICAS O Programa Próprio Gestão leva em consideração metas vinculadas aos resultados: • Do Banco — será definido anualmente a partir da elaboração e aprovação do orçamento corporativo. • Das Áreas — cada uma das áreas tem metas gerais que representam os principais objetivos a serem alcançados no exercício. • Dos Funcionários — serão definidos a partir das metas da área de atuação e acordados entre gestor e funcionário. Deverão ser traduzidos em metas quantificáveis, sendo que cada uma terá um peso que somados totalizem 100%. 4. DO VALOR A SER PAGO Os valores a serem distribuídos serão baseados no cumprimento das metas, resultado e práticas de mercado, sempre balizados pela renda total. Visando manter a competitividade externa, a renda total é representada pelo somatório da remuneração fixa mais distribuição do Programa Próprio Gestão/PPRS, por se tratar de um valor comparável aos Profissionais das demais instituições do mercado. Fl. 3182DF CARF MF 14 Considerando a especificidade do cargo e atividade, cada posição terá um potencial de participação no resultado através do Programa Próprio Gestão, não comparável com os demais. 5. CRITÉRIOS DE MEDIÇÃO DA PERFORMANCE O desempenho dos profissionais será medido de acordo com os seguintes critérios: • Metas Quantitativas — Leva em consideração o alcance e superação dos orçamentos de receita ou de despesas, assim como a consecução do resultado no que diz respeito a alocação dos produtos oferecidos pelo banco. • Metas Qualitativas Leva em consideração os conceitos de qualidade obtidos junto ao público interno e/ou externo, visando o adequado atendimento aos clientes do Banco. • Competências Individuais Este item enfoca as metas de desenvolvimento pessoal. O processo de avaliação de Competências considera o conjunto de atitudes que levam o funcionário a atingir seus resultados e a busca constantes de desenvolvimento profissional. Para medirmos o desempenho dos critérios acima citados, o Banco utilizará a seguinte tabela: • De 0% a 150% da consecução das metas (quantitativa e qualitativas) e • De 1 a 5 nas competências, sendo que o reconhecimento será feito de forma proporcional ao cumprimento das metas. 6. PROGRAMA DE RENDA VARIÁVEL E PLR CCT • Fica assegurado que, independente do desempenho no Programa Próprio Gestão, o funcionário terá direito ao valor estabelecido no acordo coletivo de trabalho. 7. FORMA DE PAGAMENTO • Os pagamentos serão realizados com periodicidade anual. (...) 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS As políticas aqui descritas poderão ser revistas a qualquer momento pelas partes, levando se em conta, entre outros, os seguintes: • Momento econômico, local ou internacional: • Legislação trabalhista, previdenciária e fiscal: • Convenção Coletiva do Trabalho; • Planos de negócios do Banco, (gn) 5.52 De tais programas são pretensamente partes o Banco Santander e seus empregados. Todavia, não consta qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração nos instrumentos, não sendo possível, portanto, comprovar sequer que foram negociados previamente, celebrados e quem foram as partes e seus representantes legais. Não foram apresentados, durante a Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.176 15 auditoria, as Atas de Eleição dos Representantes dos Empregados, nem do Banco. 5.53 Ademais, durante a auditoria, não restou comprovada a participação de um representante sindical nas negociações dos Programas Próprios Gestão, nem que os instrumentos de negociação estejam devidamente registrados e arquivados na competente entidade sindical. 5.54 Enveredando pelo texto dos programas, notase que preliminarmente estes nos trazem seus objetivos. Dentre eles encontramos: (a) reconhecer o desempenho diferenciado, (b) atrair, desenvolver e reter profissionais em linha com os negócios e cultura do banco, (c) tornar transparentes os critérios de aferição dos resultados e (d) estabelecer instrumentos de mensuração institucionais que coloquem os profissionais em linha com o negócio como um todo. 5.55 Pois bem, o objetivo de acordos como os presentes é estabelecer as regras para a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados, na forma da Lei n° 10.101/00, e não a gestão de operações da empresa, atributo gerencial desta. A própria Lei regulamentadora da PLR trata a participação como um instrumento de integração entre capital e trabalho e incentivo à produtividade e não como instrumento de gestão operacional das empresas. 5.56 Em continuação, vemos que os benefícios não são extensivos a todos os empregados, restando adstritos a uma parte dos colaboradores da empresa. 5.57 Temos ainda que os instrumentos de negociação não apontam em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que o empregado se torne beneficiário da participação. Falase em cumprimento das metas, resultados e práticas de mercado, mas não se apresentam tais metas, resultados e práticas. Falase em metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, mas não se explica. 5.58 Verificase, inclusive, que os planos estipulam que as metas serão acordadas entre o gestor e o funcionário e que as políticas neles descritas poderão ser revistas a qualquer momento levandose em conta fatores tais como momento econômico, legislação trabalhista e planos de negócios do banco. 5.59 Contudo, sabemos que a legislação específica estabelece que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes e integrada por representante do sindicato ou por convenção/acordo coletivo, ou seja, não é possível que, metas sejam definidas a posteriori, entre empregado e gestor, ou que, devido a fatos supervenientes, valores, critérios e formas de distribuir a participação sejam posteriormente regulamentados fora do instrumento original de negociação entre as partes. Fl. 3184DF CARF MF 16 5.60 A partir de tais programas, podemos nos questionar, por exemplo, qual o desempenho nos diferentes segmentos de atuação da empresa necessário para que sejam distribuídos os lucros ou resultados? Qual o desempenho individual esperado para esse mesmo benefício seja recebido por cada empregado? E ainda, por que somente alguns dos empregados são beneficiários de tais participações quando o intuito legal é a integração do capital com o trabalho? 5.61 Não havendo respostas a tais indagações, denotase a impossibilidade de identificar nos planos em tela as citadas regras pertinentes à fixação e cumprimento do acordado. A falta de todas essas informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. Não se pode falar aqui, portanto, da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. 5.62 Este também é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, conforme Acórdão n° 2401003.046, da 4a Câmara, Ia Turma Ordinária, de 18 de junho de 2013, in verbis Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas para o pagamento de PLR, pelo contrário, nos próprios acordos descrevese que as metas dos gerentes serão estipuladas a posteriori, não tendo as mesmas sido apresentadas, (gn) 5.63 Dando prosseguimento aos Programas Próprios de PLR verificouse a existência dos Programas Próprios Específicos PPE 2009, 2010 e 2011, para os quais ocorreram pagamentos durante os exercícios de 2010 e 2011. São dezenas de diferentes planos específicos para diferentes áreas de atuação do banco. 5.64 Vejamos alguns exemplos: 5.64.1 Programa de RV Cartões Comercial 30 Trimestre 2009, ipsis litteris QUEM PARTICIPA • Gte Comi Varejo Cartões I, II, III da área de aquisição cartões. APURAÇÃO E ACOMPANHAMENTO • Acompanhamento Mensal pela área; • Avaliação das Metas Trimestralmente pela área junto com CFO; • Apuração Trimestral por CFO PERIODICIDADE DE PAGAMENTO • Pagamento Semestral por RHRemuneração COMO FUNCIONA O PROGRAMA Os focos do programa envolvem o item de avaliação: • SUPER RANKING Linha Cartões Para cada um desses itens são estabelecidas metas que refletem a estratégia do Grupo Santander Brasil. Ao final do processo, os objetivos cumpridos ou superados serão transformados em prêmio referência. POTENCIAL DE PRÊMIO VARIÁVEL O funcionário tem um potencial específico de prévio variável, traduzido em múltiplos de valorreferência: Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.177 17 O valor base considerado para o cálculo do prêmio variável é o valor referência para o cargo, que não possui vinculação direta com o salário mensal, mas sim, com a referência de mercado de acordo com a região de lotação. SUPER RANKING LINHA CARTÕES (90% Linha PF e 10% Linha PJ) Dpto Rede Santander Indicadores de volume São estabelecidas metas mensais para os Cartões para cada Agência/Rede com revisão trimestral, (gn) As metas serão divididas em Pessoa Física e Business. Gerente Comercial Cartões É considerado a Linha de Cartões do Extrato Super Ranking da Rede em que o especialista estiver alocado. Pontuação A pontuação é igual ao percentual de atingimento da meta de volume / quantidade multiplicado pelo seu peso. Multiplicadores Sobre o total de pontos é aplicado um multiplicador de acordo com o quadro abaixo 5.64.2 Programa Próprio Especifico Consignado, Canal Externo, Interno e Originarão 2o Trimestre 2010, ipsis verbis 1 — Objetivo O Objetivo do Programa Próprio Específico (PPE) é contribuir para o engajamento das equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio, motivando, reconhecendo e valorizando os resultados obtidos. Garantindo a sustentabilidade dos negócios e satisfação dos clientes os indicadores de qualidade serão determinantes neste programa. 2 – Vigência Este programa entra em vigor à partir de Abril de 2010 com vigência até Junho de 2010. Havendo necessidade de alinhamento com base no planejamento da Diretoria Executiva, poderão ocorrer revisões trimestrais das metas, indicadores e critérios. Fl. 3186DF CARF MF 18 3 — Regras de elegibilidade Regra geral: Será elegível ao programa desde que tenha trabalhado 15 dias no mês de produção, respeitando as regras a seguir: Cargo: É elegível ao programa o funcionário que tenha cargo conforme tabela abaixo, efetivamente cadastrado no RH PeopleSoft. (...) Área de lotação: Crédito Consignado (...) 5 — Indicadores: Canal Externo Observações: 1) Será elegível à premiação o funcionário que superar 100% do cumprimento dos critérios, até o limite de 150%. 2) A apuração dos indicadores produção e resultados é independente. Não há compensação. (...) 6 —Prérequisito de qualidade O não atingimento do prérequisito de qualidade, zera automaticamente a RV do mês de referência. 7 — Estratégia de premiação 7.1 Tabela: Valor base mensal A tabela abaixo apresenta o valor de referência por cargo: Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.178 19 7.2 Recuperação O programa prevê que a premiação não apurada no mês, pelo não cumprimento da meta, poderá ser recuperada, conforme tabela abaixo: Validade: Para funcionários ativos no final do período de apuração da recuperação. Não Aplicável: Aos multiplicadores e aos meses em que o pré requisito de qualidade não foi cumprido. (*) A meta e realizado trimestral/semestral é resultante da somatória das metas e realizados do trimestre/semestre. (...) 8 — Apuração e pagamento Apuração: • Mensal para os canais Interno e Externo • Trimestral para canal Originação Pagamento Produção: • Canal Interno e Externo: mensal no período de M+2 após o fechamento (exemplo: produção de Abril será pago em Junho). O pagamento trimestral contemplará além do prêmio conquistado, a recuperação e a medalha, quando aplicável. • Canal Originação: trimestral no período de M+2 após o fechamento (exemplo: produção de Abril, Maio e Junho será pago em Agosto). Pagamento Resultado: Semestral, juntamente com a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O pagamento contemplará além do prêmio conquistado, a recuperação e medalha, quando aplicável, (gn) (...) Fl. 3188DF CARF MF 20 ANEXO MÉTRICA PILAR IMPLANTAÇÃO DE CONVÊNIOS Indicadores São estabelecidas metas trimestrais para quantidade de novos convênios de crédito consignado de acordo com: • Quantidade de Convênios Novos Desbloqueados • Média de Funcionários por convênio implantado (Multiplicador). Será divulgado trimestralmente a quantidade de funcionários das faixas para cada Gerente (devido a particularidade de cada Região atendida essas faixas podem ser diferentes para todos os gerentes). MÉTRICA PILAR ÍNDICE PENETRAÇÃO DE VENDAS, NO (M2) 2O Indicador São estabelecidas metas trimestrais para o índice de penetração nos novos convênios originados (% de contratos sobre o total de funcionários dos convênios originados). Para elegibilidade desse pilar é necessário que o Gerente tenha para a avaliação a quantidade equivalente a 40% da meta de implantação no trimestre anterior. (...) 5.64.3 Programa Próprio Especifico Sala de Ações i° Semestre 2011, ad litteram 1 — Objetivo O Programa Próprio Específico (PPE) Sala de Ações tem como objetivo o engajamento dos funcionários e respectivas equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio, motivando, reconhecendo e valorizando os resultados obtidos. Os indicadores relacionados a satisfação dos clientes e na qualidade dos processos são premissas essenciais na definição desse programa, garantindo a sustentabilidade dos negócios. (...) 4 — Participante É participante deste programa todo funcionário da VP de Varejo, lotados nas Salas de Ações das Agências ou Pontos de Vendas, nos cargos abaixo, efetivamente cadastrado no RH — PeopleSoft: (...) 6 — Indicadores Observações: 1) Será elegível a premiação o funcionário que cumprir 100% ou mais da meta dos indicadores, até o limite de 150%. (...) Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.179 21 8 — Estratégia de premiação Tabela: Valor base Mensal A tabela abaixo apresenta o valor de referência por cargo: (...) 11 — Apuração e pagamento Apuração: Mensal para os indicadores deste programa Semestral para recuperação Semestral para o multiplicador Evolução do Negócio Pagamento: Semestral, juntamente com a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O pagamento contemplará além do prêmio conquistado, a recuperação e medalha, quando aplicável, (gn) (...) Anexo 1 — Evolução do Negócio (*) A evolução do negócio da agência é um indicador de gestão que tem como objetivo garantir a evolução contínua do negócio. Essa evolução é mensurada por meio dos resultados de: • Base Ativa; • Cliente Fidelizado. Dependendo dos resultados da evolução, as agências que obtiverem uma boa performance de evolução de negócios terão um acelerador no seu PPE mensal. Exemplo: A agência batendo as metas de Base Ativa e Cliente Fidelizado a partir de 100% de atingimento, poderá acelerar em até 30% do PPE conquistado. Veja a relação entre o cumprimento das metas x acelerador PPE: Fl. 3190DF CARF MF 22 5.65 Dos Programas Próprios Específicos são pretensamente partes o Banco Santander e seus empregados. No entanto, não constando qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração nos instrumentos, não é possível comprovar as partes envolvidas e seus representantes legais, a existência de negociação previa ou sua data de celebração. Não foram apresentados, durante a auditoria, as Atas de Eleição dos Representantes dos Empregados, nem do Banco. 5.66 De mais a mais, durante a auditoria, não restou comprovada a participação de um representante sindical nas negociações dos Programas Próprios Específicos, nem que os mesmos estejam devidamente registrados e arquivados na entidade sindical. 5.67 A maior parte dos Programas Próprios Específicos apresentam como objetivo o engajamento dos funcionários e respectivas equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio, motivando, reconhecendo e valorizando os resultados obtidos. 5.68 Ora, como ressaltado anteriormente, o objetivo de acordos como os presentes é estabelecer as regras para a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados, na forma da Lei n° 10.101/00, e não a gestão de operações da empresa, atributo gerencial desta. A própria Lei regulamentadora da PLR trata a participação como um instrumento de integração entre capital e trabalho e incentivo à produtividade e não como instrumento de gestão operacional das empresas. 5.69 De mais a mais, os programas ora tratados apresentam parâmetros muito semelhantes aos sistemas utilizados para o pagamento de "prêmios de incentivo" e não para um benefício de PLR. Inclusive "prêmio" é a denominação utilizada, como pode ser visto nos textos dos instrumentos de negociação em apreço. 5.70 Ora, a empresa em tela faz parte do ramo financeiro. O exercício de funções relacionadas a tal ramo, notoriamente e pelas regras da experiência comum na observação do que ordinariamente acontece, é comumente remunerada à base de remuneração variável. O objetivo é simplesmente o de motivar o empregado a realizar o máximo de negócios para que a empresa tenha maior lucro e o trabalhador ganhe mais. 5.71 Diante dos parâmetros insertos nos Programas Específicos de PLR aqui analisados, verificase estarmos diante de remuneração a título de "prêmios de incentivo", diretamente relacionada a fatores de ordem pessoal deste, tais como produção, eficiência, rendimento, cumprimento de metas, economia de tempo, assiduidade, etc, sendo uma espécie de salário vinculado a uma condição, da mesma forma que os adicionais (insalubridade, hora extra, etc), e dependente de Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.180 23 certas circunstâncias, subjetivas ou objetivas. São valores totalmente vinculados ao desempenho laboral dos empregados, comprovando a contraprestação do mesmo e constituindose, conseqüentemente, em elemento remuneratório do trabalho, evidenciando sua natureza jurídica salarial. 5.72 Os prêmios não se confundem com a Participação nos Lucros ou Resultados, uma vez que sua causa não é a percepção de lucros pela empresa, mas o cumprimento, pelo empregado, de uma condição preestabelecida, como, por exemplo, o atingimento de uma determinada produção. 5.73 É sabido, entretanto, que o art. 30 da Lei n° 10.101/00 dispõe que a Participação nos Lucros ou Resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, não podendo, dessa forma, ser confundida com o pagamento de prêmios. 5.74 Como já visto anteriormente a mera existência de acordos disciplinando a distribuição de lucros não basta. Fazse mister a efetiva previsão de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos empregados, evitandose a adoção de critérios de índole subjetiva, que levem em consideração aspectos que dependam de avaliação geral e não específica, bem como de critérios subjacentes ao pagamento de outras verbas, tais como prêmios. Consequentemente, não foram encontradas, nos Programas Específicos de PLR, os parâmetros que permitam o cumprimento da legislação específica que rege a matéria. 5.75 Por fim, analisemos os Problemas Gerais que envolvem todos os instrumentos de negociação que deram origem à PLR, quais sejam, Acordos Coletivos de Trabalho do Plano de Participação nos Resultados, Programas Próprios de Gestão, Programas Próprios Específicos e Convenções Coletivas sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados. 5.76 Preliminarmente precisamos verificar se o contribuinte em apreço utiliza ou não dois planos distintos de Participação nos Lucros e se efetua o pagamento relativamente a ambos os planos. 5.77 Iniciando pelas Convenções Coletivas de PLR, e sendo que os textos destas, para os anos base 2009, 2010 e 2011, possuem a mesma estrutura, transcreveremos a seguir o estabelecido pela convenção de 2010, in verbis CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2009, em efetivo exercício em 31.12.2010, convencionase o pagamento pelo banco, até 01.03.2011, a título de PLR., até 15% (quinze por cento) do lucro líquido do exercício de 2010, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: Fl. 3192DF CARF MF 24 I. REGRA BÁSICA Esta parcela corresponderá a 90% (noventa por cento) do saláriobase acrescido das verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2010, mais o valor fixo de R$ 1.100,80 (um mil, cem reais e oitenta centavos), limitada ao valor individual de R$ 7.181,00 (sete mil cento e oitenta e um reais). O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados na .REGRA BÁSICA, observarão, em face do exercício de 2010 como teto, o percentual de 13% (treze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Se o valor total da .REGRA BÁSICA, da PLR for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2010, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2,2 (dois inteiros e dois décimos) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 15.798,20 (quinze mil, setecentos e noventa e oito reais e vinte centavos), ou até que o valor total da .REGRA BÁSICA, da PLR atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da .REGRA BÁSICA, da PLR o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2010, em razão de planos próprios. II. PARCELA ADICIONAL O valor desta parcela será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido do exercício de 2010, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais). II.a) A parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. (...) CLÁUSULA SEGUNDA ANTECIPAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS . P.L.R. Excepcionalmente, e respeitados os termos do caput e dos parágrafos da Cláusula Primeira, o banco efetuará, até 10 (dez) dias após a assinatura da presente Convenção, o pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: I. REGRA BÁSICA 54% (cinquenta e quatro por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2010, acrescido do valor fixo de R$ 660,48 (seiscentos e sessenta reais e quarenta e oito centavos), limitada ao valor individual de R$ 4.308,60 (quatro mil, trezentos e oito reais e sessenta centavos) e também ao teto de 13% (treze por cento) do lucro líquido do banco apurado no i° semestre de 2010, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da antecipação da .REGRA BÁSICA, da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a Fl. 3193DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.181 25 esse título, referentes ao exercício de 2010, em razão de planos próprios. II. PARCELA ADICIONAL O valor desta parcela da antecipação será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido apurado no 1° semestre de 2010, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais). II.a) A antecipação da parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios, (gn) 5.78 Por sua vez, para esses mesmos anos bases, temos a vigência de Acordos Coletivos de PLR. O Acordo Coletivo de PLR de 2009/2010 estabelece, ipsis litteris CLÁUSULA QUINTA: Compensação Os valores decorrentes dos pagamentos do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) e dos Programas Específicos mantidos pelas EMPRESAS ACORDANTES, referidos no caput e parágrafo primeiro da cláusula sexta deste acordo coletivo, não serão compensados com a Participação nos Lucros ou Resultados estabelecidos pela Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, (gn) 5.79 Durante a auditoria, o banco foi intimado a esclarecer se, na prática, ocorreu a compensação entre a Participação nos Lucros ou Resultados relativa aos Acordos Coletivos, Programas Gestão e Programas Específicos de PLR e àquela decorrente das Convenções Coletivas, tendo respondido, por intermédio de CartaProtocolo, de 06 de janeiro de 2014, não ter ocorrido compensação dos valores pagos entre CCT, Acordos Coletivos e Planos Próprios. 5.80 Claro está, portanto, que o contribuinte utiliza os diversos planos, quais sejam, Acordos Coletivos, Programas Próprios e Convenções Coletivas de PLR, os quais contemplam os mesmos empregados, sendo extensivos a todos estes. 5.81 Não obstante, sabese que somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se realiza uma Participação nos Lucros através de Convenção Coletiva ou por intermédio de um Plano Próprio. ... 5.85 A Lei n° 10.101/00 é clara e o pagamento de PLR com base em dois acordos concomitantemente encontrase em desacordo com seus preceitos, devendo incidir, desta feita, Contribuição Previdenciária sobre a totalidade dos pagamentos realizados. 5.86 Em continuidade ao expendido, lembramos que um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema é aquele que Fl. 3194DF CARF MF 26 determina que a Participação nos Lucros ou Resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Essa disposição legal demonstra claramente a preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial. 5.87 No caso dos acordos ora questionados foram apontados, por amostragem, nos demonstrativos PLR x Salário Anual 2010 e 2011, dados através dos quais é possível notar a existência de diferentes "castas" de empregados no que tange ao recebimento da PLR devido a uma grande diferença de valores recebidos. 5.88 Em relação aos pagamentos ocorridos durante o ano de 2010 verificase que a porcentagem de PLR em relação ao salário anual vai de 2,78% a 4.546,51%. Já, para o exercício de 2011, vemos que a porcentagem de PLR em relação ao salário anual estendese de 2,54% a 2.552,10%. 5.89 Há que se observar ainda o montante altíssimo pago a determinados beneficiários. Tais valores apontam a mais de 4.000% de seus salários anuais, apesar de já termos visto que essa participação não deve substituir ou complementar a remuneração dos empregados. 5.90 Percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR nada mais são do que instrumento de premiação, gratificação, bonificação, comissões, ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de Participação nos Lucros ou Resultados. Nítidos aqui o caráter retributivo e a substituição salarial. Ademais, observase que muitos empregados recebem valores superiores à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem a incidência de Contribuições Previdenciárias. É evidente que tais pessoas não estão prestando serviço por conta do salário "oficial" que recebem e sim pelos valores exorbitantes disfarçados de Participação nos Lucros ou Resultados. 5.91 É consenso que os profissionais do mercado financeiro são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam. Nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Ocorre que, quando a suposta Participação nos Lucros ou Resultados paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de parcela salarial. 5.92 Correndo o risco da repetição, mas de forma importante para a análise proposta, lembramos em complemento que o art. 1° da Lei n° 10.101/00 estabelece que a Participação nos Lucros ou Resultados da empresa é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e deve servir como incentivo à produtividade, nos termos do art. 70, inciso XI, da Constituição. 5.93 Diante de um quadro como o apresentado e das disposições legais sobre o tema, algumas questões ficam no ar. Qual a justificativa da empresa para o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados de forma bastante desigual entre seus colaboradores? Um pagamento dispare como esse pode ter por Fl. 3195DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.182 27 fim de integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade? O que os empregados que pouco recebem acham dos valores recebidos pelos outros colegas? Sentemse eles devidamente incentivados conhecendo da existência de um fosso entre os empregados da mesma empresa? Seriam tais valores realmente participação nos lucros ou forma de prêmios? ... 5.95 Desta feita, não se evidencia aqui base legal que justifique uma distribuição de forma tão desigual entre os empregados ou a distribuição de valores tão significantes. A PLR não admite critérios subjetivos de distribuição, haja vista que não visa premiar determinados colaboradores em detrimento de outros, a não ser por critérios objetivos de aferição. ... 5.99 Desta feita, sendo a Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados um conceito único e tendo os problemas acima expostos atingido os diferentes instrumentos de negociação, quais sejam Acordos Coletivos, Planos Próprios e Convenções Coletivas, todos os pagamentos baseados nesses instrumentos encontramse em desacordo com a legislação específica e foram incluídos no presente lançamento. 5.100 À guisa de conclusão, os pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados por intermédio de instrumentos de negociação que não apresentem os requisitos legais fazem com que as parcelas pagas estejam em desacordo com a Lei específica, passando a integrar, portanto, o salário de contribuição. Além disso, os acordos que regem esses pagamentos devem ser prévios e os desembolsos realizados em seu decorrer devem estar em conformidade com as regras estabelecidas tanto em termos de valor, como no prazo de distribuição. 5.101 Ademais, os critérios e condições adotados devem constar obrigatoriamente dos instrumentos de negociação e devem, conforme os parâmetros sugeridos na Lei, buscar atingir o objetivo da PLR, qual seja, o de ser um instrumento de integração entre capital e o trabalho e incentivo à produtividade. Devem, portanto, buscar o envolvimento efetivo dos funcionários na busca dos resultados. 5.102 Destaquese igualmente que a estrutura da norma tributária e a exoneração da tributação somente podem ser estabelecidas em Lei, ficando afastados subjetivismos, interferências externas ou convenções de particulares para por ou tirar tributo. Assim, uma cláusula de um acordo coletivo ou de um acordo entre empresa e empregados, na qual as partes ajustaram que o valor a título de PLR corresponde à hipótese do art. 70, inciso XI da Constituição Federal, livre de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário, não é capaz de alterar a natureza da rubrica sob análise, sob pena de se admitir que terceiros possam interferir na tipicidade. Seria esvaziar Fl. 3196DF CARF MF 28 inteiramente a obrigatoriedade das normas tributárias, deixando a questão ao arbítrio, interesse e conveniências externas. 5.103 Neste ponto importa registrar que a PLR é verba aleatória: é variável, não é fixa, não é garantida. O seu caráter condicional está relacionado ao cumprimento de metas, resultados ou limites diretamente ligados à ação dos empregados com vistas à integração destes na empresa por meio da divisão dos resultados obtidos pelo empregador com a colaboração do empregado. É instituída para que o empregado se anime a produzir mais. É paga sempre que o trabalhador coletivamente atingir um limite fixado pelo empregador, limite este que demonstra o reconhecimento de que, não só o empregador, mas que também o empregado colaborou para que se alcançasse o lucro ou resultado almejados. Este é o sentido da regra do § i° do art. 20 da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, o qual exige que, dos instrumentos de negociação, constem claras, não só as regras substantivas, como também as regras adjetivas. São nessas regras que encontraremos definidas as condições que, se implementadas, darão aos empregados o direito de participarem dos lucros ou resultados da empresa, bem como a forma como o processo se desenvolverá. ... 6. Da Participação nos Lucros dos Administradores... 6.6 Denotase que a legislação previdenciária ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, utilizou, para definir o conceito de saláriodecontribuição para o contribuinte individual, um critério amplo, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. 6.7 Desta feita, quando o legislador entendeu que determinada verba devesse, por determinadas razões, tais como interesse social, razões políticas, etc, ser excluída da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, ele, expressamente, por meio de Lei, assim o fez, como nas hipóteses do § 90, do art. 28, da Lei n° 8.212/91. Além do mais, sendo exceção, a não incidência de contribuições deve ser expressa, nunca presumida, ou seja, a exclusão de verbas remuneratórias da base de cálculo somente pode ser feita por meio de Lei. 6.8 Vejamos o disposto no § 90, alínea "j", do citado art. 28 da Lei n° 8.212/91, ad litteram § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a Lei específica: (gn) 6.9 Claramente se verifica que dispositivo legal transcrito no item anterior estabelece as hipóteses que não integram o salário de contribuição e, dentre elas, não consta a Participação nos Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.183 29 Lucros dos Administradores, prevista no citado art. 152 da Lei das Sociedades Anônimas. ... 6.16 Diante da análise ora empreendida, não resta dúvida de que a intenção do legislador, seguindo a determinação constitucional, foi desvincular da remuneração a Participação nos Lucros ou Resultados recebida tãosomente pelos segurados empregados. A contrario sensu, a participação paga ao contribuinte individual ou a outra espécie de segurado será considerada como base de incidência das Contribuições Previdenciárias por falta de previsão legal de nãoincidência. ... 6.32 No caso concreto encontramos pagamentos de Participação nos Lucros dos Administradores a diretores do Banco Santander Brasil SA. durante o exercício de 2011, os quais foram registrados nas Folhas de Pagamento sob a rubrica n° 805 Distribuição de Resultados Lei 6404 e contabilizados na Conta Cosif n° 49930100 Provisão de Participações Administradores. 6.33 Os valores de Participação nos Lucros dos Administradores, pagos durante o exercício de 2011, não foram declarados em GFIP e sobre eles não foram recolhidas as devidas Contribuições Previdenciárias, caracterizandose, dessa forma, o descumprimento da legislação vigente. Os montantes discriminados por beneficiário encontramse na Relação de Pagamentos de Participação nos Lucros dos Administradores por Beneficiário. 7. Do Hiring Bônus... 7.13 Os Hiring Bônus são conhecidos como bônus pagos a alguns empregados como forma de estímulo e com a finalidade de retêlos no negócio até determinada data, após a qual estariam liberados para buscar outra colocação. São usualmente denominados "Hiring Bônus", "Bônus de Contratação", "Bônus de Retenção" ou "Luvas", e assemelhamse aos valores pagos aos atletas profissionais de futebol, disciplinados pela Lei n° 6.354, de 02 de setembro de 1976. 7.14 O expediente de pagamento de bônus a profissionais especializados, reconhecidos por suas qualidades no mercado de trabalho ou com uma boa carteira de clientes, ou ainda a altos executivos não é apenas parte da estratégia de atração de talentos, mas parte do pacote de remunerações para incentivar o empregado a manter seu vínculo profissional com a empresa. Seu objetivo é a retenção, ou seja, oferecer condições para que o profissional recémcontratado continue na sociedade pelo maior tempo possível. A contrapartida é o trabalho oferecido pelo empregado, sua permanência, durante o período mínimo determinado contratualmente. Fl. 3198DF CARF MF 30 7.15 Claro resta que a contrapartida é a prestação de serviços. A própria previsão de devolução dos valores recebidos em caso de pedido de demissão ou dispensa por justa causa antes de decorrido o prazo estabelecido mutuamente determina que em qualquer das hipóteses de ressarcimento dos bônus recebidos, os montantes devolvidos serão proporcionais ao tempo remanescente para o término do prazo estabelecido inicialmente. 7.16 Desta feita, tal verba é negociada expressamente entre a empresa e o empregado, sendo paga durante e em virtude do contrato de trabalho e condicionada ao cumprimento de um tempo mínimo de permanência na companhia, possuindo, assim, natureza de gratificação ajustada. ... 7.18 Por conseguinte, os "Hiring Bônus", que têm natureza de gratificação ajustada, encontramse contidos na definição legal de saláriodecontribuição, vista anteriormente, não constando do rol das exceções legais. ... 7.24 Constatase, portanto, que os empregados recebem os "Hiring Bônus" em contrapartida à prestação de trabalho e manutenção da relação de emprego. Desta feita, tal verba integra a remuneração e compõe a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. 7.25 Os valores pagos a título de "Hiring Bônus" pelo banco ora autuado não foram informados em GFIP e sobre eles não foram recolhidas as respectivas Contribuições Previdenciárias, caracterizandose assim o descumprimento da legislação vigente. Os montantes discriminados por beneficiário encontramse na Relação de Pagamentos de Hiring Bônus por Beneficiário. 8. Da Contribuição Relativa ao RAT ajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção... 8.20 A empresa em questão, tendo como atividade econômica o setor dos "bancos múltiplos, com carteira comercial", passou, com as mudanças adivindas do Decreto n° 6.042/07, a partir de julho de 2007, a enquadrarse no CNAE 64221. Ademais, a partir de janeiro de 2010 tem a sua alíquota básica RAT definida em 3% (três por cento), conforme as mudanças implementadas pelo Decreto n° 6.957/09. 8.21 Para o ano de 2010, o FAP atribuído ao Banco Santander foi de 1,5708, após decisão favorável em 2 a instância no Processo Administrativo n° 44000003420201001. Desta feita, seu RAT Ajustado é igual a sua alíquota básica RAT, qual seja 3%, multiplicada pelo FAP, ou seja, 3% x 1,5708, que resulta em 4,7124% (alíquota final RAT a ser observada durante o exercício de 2010). 8.22 Durante a auditoria verificouse que, no período de fevereiro a dezembro de 2010, do valor total da alíquota relativa à Contribuição ao RAT Ajustada, qual seja, 4,7124%, que Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.184 31 deveria incidir sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer de cada mês, aos segurados empregados, o contribuinte não recolheu o montante acrescido à alíquota RAT básica pelo FAP, tendo recolhido somente 3%. Ademais, para tal período foram declarados em GFIP: alíquota RAT de 3% e fator FAP de 1,00. Desta feita, nas competências em que a parcela acrescida à alíquota RAT pelo FAP não foi recolhida nem declarada, foram levantadas as diferenças entre os valores devidos e os efetivamente pagos. 8.23 Salientamos que para a competência de janeiro de 2010 o FAP declarado em GFIP foi o correto. 8.24 O crédito foi apurado tendo como base os valores dos salários de contribuição dos empregados informados em GFIP, conforme Demonstrativo de Contribuição ao RAT Ajustado pelo FAP 2010. ... A ciência do lançamento se deu em 20/2/2015, por procuração, conforme folhas de rosto das autuações. As impugnações foram apresentadas às folhas 2294 e seguintes em 24/3/2015, por procuração, nos seguintes termos: Inicialmente, aduz que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) pautase apenas em Convenções (2009 e 2010) e Acordos Coletivos (2009/2010 e 2011) e que o que se considerou como Programas Próprios, na verdade, correspondem a Programas de Metas integrantes dos Acordos Coletivos. Relata, então, as assinaturas, vigências, metas, pagamentos, valores e elegibilidade relativas a cada um dos documentos. Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2009 celebrada entre a Fenaban e Contraf e Federações/Sindicatos • Assinatura: 19/10/2009; • Vigência: 01 de Setembro 2009 a 31 de agosto de 2010; • Meta: Lucro Líquido do exercício de 2009; • Pagamento: o 01/03/2010; o banco que apurar prejuízo está isento do pagamento da PLR; • Valor. 90% do salário base + verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro de 2009 + R$ 1.024,00, respeitado o teto máximo de R$ 6.680,00; Máximo: 13% do lucro líquido; Mínimo: 5% do lucro líquido. • Elegibilidade: Fl. 3200DF CARF MF 32 o empregados admitidos até 31/12/2008 e em atividade em 31/12/2009 receberão integralmente; o admitidos até 31/12/2008 e afastados a partir de 01/01/2009, por motivo de doença, acidente de trabalho, auxílio maternidade, recebimento integral; o admitidos após 01/01/2009 e afastados por motivo de doença, auxílio maternidade, acidente de trabalho e em atividade na data do pagamento da PLR receberão na proporção de 1/12 por mês trabalhado; o dispensados sem justa causa, entre 02/08/2009 e 31/12/2009, será devido 1/12 do valor, por mês trabalhado. Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2010 celebrada entre a Fenaban e Contraf e Federações/Sindicatos • Assinatura: 20/10/2010; • Vigência: 01 de Setembro 2010 a 31 de agosto de 2010; • Meta: Lucro Líquido do exercício de 2010; • Pagamento: o 01/03/2011; o banco que apurar prejuízo está isento do pagamento da PLR; • Valor. 90% do salário base + verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro de 2010 + R$ 1.100,80, respeitado o teto máximo de R$ 7.181,00; • Elegibilidade: o empregados admitidos até 31/12/2009 e em atividade em 31/12/2010 receberão integralmente; o admitidos até 31/12/2009 e afastados a partir de 01/01/2010, por motivo de doença, acidente de trabalho, auxílio maternidade, recebimento integral; o admitidos após 01/01/2010 e afastados por motivo de doença, auxílio maternidade, acidente de trabalho e em atividade na data do pagamento da PLR receberão na proporção de 1/12 por mês trabalhado; o dispensados sem justa causa, entre 02/08/2010 e a data de assinatura da convenção coletiva, será devido 1/12 do valor, por mês trabalhado. Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) celebrado entre as "Empresas Acordantes" (Grupo Santander), a Contraf e a Fenacrefi/Sindicatos Empregados para o Biênio 2009/2010 • Assinatura: 30/12/2009; • Vigência: Janeiro de 2009 a Dezembro de 2010; • Abrangência: todo território Nacional; Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.185 33 • Meta Global: ROE Return on equity relação percentual entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido, publicados pelos Bancos nos meios oficiais, tais como, no site do Banco Central BACEN = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido = ROE • Metas individuais: CLÁUSULA SEXTA: Programas Específicos mantidos pelos Acordantes Ficam ratificados, nos termos do artigo 2O, II, da Lei 10.101/00, todos os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados, específicos para segmento de negócios das EMPRESAS ACORDANTES, relacionados em anexo, com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constam dos respectivos instrumentos, nominados PROGRAMAS SIM e respectivos Super Ranking/RV Cartilha, e Programas Específicos relacionados no Anexo I, os quais integram o presente Acordo Coletivo de Trabalho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Integra, também, o presente Acordo Coletivo de Trabalho, o PPG Programa Próprio Gestão, destinado às áreas institucionais que obedece às regras e valores fixados pela Diretoria com base no respectivo cargos ou função. PARÁGRAFO SEGUNDO O valor do PPRS previsto no presente; acordo engloba os valores pagos nos respectivos programas específicos previstos nesta cláusula, compensandose as antecipações, eventualmente realizadas. O Anexo I dos Acordos contém a descrição resumida e individualizada de cada um dos Programas de Metas, conforme exemplificado a seguir: ... Pagamento: o 14/01/2010 e 14/01/2011, mesma data Convenção Coletiva; o Valor. Os valores devidos a título de PPRS, para o exercício de 2009, obedecerão à tabela abaixo: ... o Divulgação prévia: após as publicações dos balanços as empresas acordantes elaborarão o demonstrativo de cálculo dos Acordos e Programas e divulgarão para os empregados, antes da data do pagamento. Meios internos de comunicação; o Elegibilidade o empregados admitidos até 31/12/2008 ou 31/12/2009 e em atividade em 31/12/2009 e 31/12/2010 receberão integralmente; o empregados admitidos até 31/12/2008 ou 31/12/2009 e tenham o contrato suspenso ou interrompido a partir de 01/01/2009 ou 01/01/2010, por motivo de doença, acidente de trabalho, Fl. 3202DF CARF MF 34 liberação remunerada préaposentadoria, licença remunerada ou licença maternidade, receberão integralmente os valores; o empregado admitido ou desligado em decorrência de dispensa sem justa causa, pedido de demissão ou aposentadoria, durante o exercício de 2009 e durante o exercício de 2010 e que tenha trabalhado por no mínimo 90 dias, terá direito ao recebimento proporcional na razão de 1/12 do valor por mês trabalhado. Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPRS) celebrado entre as "Empresas Acordantes" (Grupo Santander), a Contraf e a Fenacrefi/Sindicatos Empregados para o ano base 2011 • Assinatura: 28/02/2011; • Vigência: Janeiro de 2011 a Dezembro de 2011; • Abrangência: todo território Nacional; • Meta Global: ROE Return on equity relação percentual entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido, publicados pelos Bancos nos meios oficiais, tais como, no site do Banco Central BACEN = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido = ROE • Metas individuais: ... O Anexo I dos Acordos contém a descrição resumida e individualizada de cada um dos Programas de Metas, conforme exemplificado a seguir: ... • Pagamento: o 14/01/2010 e 14/01/2011, mesma data Convenção Coletiva; • Valor. ... Divulgação prévia: após as publicações dos balanços as empresas acordantes elaborarão o demonstrativo de cálculo dos Acordos e Programas e divulgarão para os empregados, antes da data do pagamento. Meios internos de comunicação; • Elegibilidade: o empregados admitidos até 31/12/2010 e em atividade em 31/12/2011 receberão integralmente; o empregados admitidos até 31/12/2010 e tenham o contrato suspenso | ou interrompido a partir de 01/01/2011, por motivo de doença, acidente de trabalho, liberação remunerada pré aposentadoria, licença remunerada ou licença maternidade, receberão integralmente os valores; o empregado admitido ou desligado em decorrência de dispensa sem justa causa, pedido de demissão ou aposentadoria, durante o exercício de 2011 e que tenha trabalhado por no mínimo 90 Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.186 35 dias, terá direito ao recebimento proporcional na razão de 1/12 do valor por mês trabalhado. Aduz que os Acordos celebrados pela impugnante são integrados por outros instrumentos, que estabelecem as metas e as regras para seu cumprimento, prazos e critérios de aferição. Informa que seus Acordos têm âmbito nacional, abrangendo milhares de empregados elegíveis, alocados nas mais diversas áreas, de modo que a definição de metas préestabelecidas nos acordos, aplicáveis à totalidade dos empregados, impediria que tais metas se ajustassem às mais diversas realidades de cada região. Não haveria impedimento legal que metas e critérios de aferição estejam contidos no bojo do instrumento coletivo. O art. 2º, §1º da Lei 10.101/2000 não obriga, mas faculta que sejam considerados, dentre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade. Informa que não houve irregularidades nas Convenções celebradas, tendo a auditoria, apenas alegado cumulação destas com os acordos. Em relação à data das assinaturas dos Acordos, alega que, conforme constata a auditoriafiscal, a assinatura do Acordo 2009/2010 em 12/2009, tornáloia válido para 2010. Quanto ao Acordo de 2011, não foi assinado em 16/12/2011 mas em 28/2/2011, ou seja, bem no início do período de apuração. Assim, a única irregularidade estaria no período 2009, cujo pagamento ocorreu em 2010. Mesmo para essa, tal circunstância apenas revela a existência de negociações que culminaram com a assinatura do Acordo no final do período. Assim, antes da assinatura, a impugnante já havia dado conhecimento aos seus empregados os critérios, metas e condições para o pagamento do PLR, que seriam muito semelhantes aos programas de PLR celebrados em anos anteriores. Alega também que se trata de negociação complexa, envolvendo sindicatos de todo o país e que, tradicionalmente, estes não iniciam tratativas antes de haver previsão realista do índice de reajuste da categoria. Também a Lei 10.101/2000 exige negociação, mas não especifica quanto esta pode ou deve ocorrer. O entendimento deveria ser de que a negociação deve anteceder ao pagamento, o que foi observado pela impugnante. Colaciona três julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nesse sentido. Quanto às metas e regras nos Acordos celebrados, aduz que, ao contrário do que informado pela auditoria, não só contiveram a meta global (ROE – Return on Equity) estipulada, como também a previsão de metas individuais específicas em programas próprios, descritos em anexo. Fl. 3204DF CARF MF 36 O ROE corporativo utilizado é decorrente da divisão entre o ROE do Impugnante e o ROE médio dos principais concorrentes. Estes, portanto, seriam meros comparativos em relação ao índice do impugnante e não critérios de atingimento alheios à atuação dos seus empregados. Informa que a meta do ROE em 2010 e 2011 foi atingida pelos empregados. Quanto às metas individuais, contrapõe a auditoria afirmando que tais metas foram sim parte integrante dos Acordos, ainda que formalizadas em anexos. Ressalta que tais programas de metas foram celebrados a partir de formação de comitês de RH e demais áreas envolvidas e previamente divulgados e disponibilizados na intranet do banco. Entende que a complexidade de observação e mensuração da multiplicidade de funções, áreas, capacidades e estratégias da instituição financeira não foram consideradas pela fiscalização. Entende que mesmo metas subjetivas nos Acordos não haveria suas invalidações. Cita decisões do CARF nesse sentido. Em seguida, discorre sobre o que entende ter sido meras presunções da AuditoriaFiscal no entendimento dos critérios de apuração do cumprimento das metas adotados. E não se poderia considerar ocorrido o fato imponível por ficção ou presunção, mas apenas pela real ciência de tipificadores da obrigação tributária. Entende que se os sindicatos consideraram que as cláusulas do PLR estavam suficientemente claras e objetivas a ponto de celebrarem o Acordo, não pode o Fisco intervir nesse fato. Do contrário, a administração tributária estaria estabelecendo seus próprios conceitos de clareza e objetividade. Assim, o fato do impugnante não ter sido questionado sobre a clareza dos termos dos instrumentos de PLR implicaria na nulidade da autuação, por falta de fundamentação. Quanto à possibilidade de pagamento simultâneo de PLR por Convenção e Acordo, aduz que a própria Lei 10.101/2000, em seu art. 3º, §3º, prevê a compensação de planos mantidos espontaneamente pela empresa com os devidos por acordos ou convenções coletivas, anuindo, implicitamente, na concomitância. No que diz respeito ao caráter substitutivo da remuneração pelos pagamentos realizados a título de PLR, alega que, nos termos do Relatório Fiscal, a presunção de que os valores recebidos pelos profissionais do mercado financeiro são elevados, implicaria na vedação do recebimento desse benefício à estes empregados. Não há, na legislação, valores máximos para tais pagamentos. Cita acórdão CARF nesse sentido. Entende que “PLR não é instrumento de Justiça Social, mas sim, de distribuição de lucros ou resultados, de acordo com o alcance de metas previamente negociadas entre empresa e dos empregados”. Por outro tanto, no que diz respeito aos diretores da impugnante, o art. 152, §1º da Lei 6.404/1976 determina que na fixação do dividendo obrigatório pelo estatuto, possibilita a atribuição de participação nos lucros aos administradores, Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.187 37 desde que esses valores não ultrapassem suas remunerações anuais ou um décimo dos lucros. Tal, portanto, se combinaria com o previsto no art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/1991 e excluiria tais valores da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Também o art. 7º, XI da Constituição Federal seria proteção aos trabalhadores e não apenas aos empregados. Cita acórdãos do CARF nesse sentido. Quanto ao hiring bônus, ou bônus de contratação, alega que não há contraprestação por parte do contratado; não há habitualidade por ser valor único; e nem há previsão legal que reconheça tal verba como remuneração. Entende que tal bônus tem caráter indenizatório para “restabelecer e indenizar esse empregado pela rescisão involuntária de seu contrato de trabalho”. Também pode se dar por liberalidade, caso o profissional não esteja, no momento, inserido no mercado de trabalho. Ou seja, não haveria que se falar em caráter de remuneração. Cita acórdão do Carf reconhecendo ser tal verba de caráter indenizatório. Tratandose de um ganho não habitual, nos termos do art. 28, §9º, “e”, item 7, temse que não integram o saláriode contribuição. Entende ser claro que não é verba decorrente do trabalho do empregado contratado, já que não há, para a verba, habitualidade, contraprestação e previsão em Lei. A condição de permanência mínima ao pagamento, sob pena de devolução, ratificaria a sua desvinculação ao conceito de remuneração, já que inexistente remuneração condicionada à devolução de valores. Aduz que é equivocada a informação do Relatório Fiscal de que hiring bônus seria pago ao longo do contrato de trabalho, conforme consta de sua página 57, o que falseia o instituto. Cita acórdão CARF no sentido. Finaliza entendendo que a autuação não evidenciou, muito menos comprovou a hipótese de incidência. No que pertine ao RAT (riscos ambientais do trabalho) e ao FAP (fator acidentário de prevenção), alega que o FAP imputado ao impugnante é incongruente com a sua realidade fática e documental. Informa que impugnou administrativamente o FAP de 2010 e lhe foi atribuído o índice 1,5708 além do RAT básico de 3%. O cenário dos acidentes na empresa são acidentes em vias públicas desniveladas e esburacadas, acidentes de trânsito, e assaltos e furtos. Assim, seriam improcedentes os números apurados pela Previdência Social, sendo imprescindível o recálculo do fator. Por estas razões, o crédito tributário lançado com índice fundamentado em eventos descabidos carece de liquidez e certeza. Alega que falta autorização constitucional para o estabelecimento do critério quantitativo do FAP por ato infra legal. Não há definição legal dos critérios para os pesos da Fl. 3206DF CARF MF 38 definição do índice. Também aduz ofensa à segurança jurídica e à publicidade na definição do desempenho acidentário da definição do índice. 34 Entende também que a imposição do FAP representa medida exageradamente gravosa, ferindo o princípio da proporcionalidade, beirando o confiscatório, em flagrante abandono do sistema autarial do cálculo do custeio dos benefícios do INSS. Alega que o FAP também é ilegal porque colide com o conceito de tributo e com sua finalidade jurídica. Outra ilegalidade do FAP seria a perda da referibilidade, entendida como vínculo entre o valor da exação e do benefício, uma vez que as alíquotas de 1%, 2% e 3% de RAT sempre foram consideradas pela Previdência Social suficientes para fazer frente aos benefícios acidentários. Ao final, pede o cancelamento das autuações e a extinção dos créditos tributários delas decorrentes. Acompanha cópias de documentos, procurações e atas." Em suas razões, alega o Recorrente, logo de início, que os instrumentos coletivos que deram base para o pagamento da participação nos lucros ou resultados “atenderam plenamente aos requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000, contendo regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas”, estando, ainda, de acordo com a jurisprudência deste e. CARF. Segue, às fls. 2.727/2.731, aduzindo que sua PLR seria composta por valores que teriam sido negociados nos âmbitos dos Sindicatos da Federação e Confederação “cujo resultado dessa negociação originou, respectivamente, as Convenções e Acordos”. Assim, em sustento de sua tese, colaciona, no corpo do próprio recurso, cópias das assinaturas constantes nos Acordos Coletivos de 2009, 2010 e 2011, evidenciando, segundo ele, que “a DRJ menciona não ter encontrado, acerca da existência de negociação entre as partes. É dizer, está expresso e do teor de documentos assinados se extrai que a negociação das partes abrange os programas próprios de metas exaustivamente relacionados e referidos no corpo dos acordos como expressão das negociações havidas. ” (sic – fls. 2753) Dessa forma, argui que as exigências apresentadas pelo julgador do acórdão guerreado são “impossíveis de serem concretizadas”, a conta de que seriam tais acordos coletivos o “instrumento destinado a formalizar a negociação entre as empresas e os sindicatos”. Prossegue sustentando estarem os pagamentos efetuados a título de PLR totalmente regulares, já que teria havido prévia negociação dos termos em todos os casos, assim, os funcionários tinham pleno conhecimento das metas a serem perseguidas, invalidando o que alegado na decisão colegiada da d. DRJ. Assinala que a presente autuação é referente aos pagamentos nos anos de 2010 e 2011 e, portanto, não haveria que se falar em ausência de prévia assinatura e pactuação dos termos do Acordo, uma vez que assinado com a anterioridade necessária. Corroborando seu entendimento, colaciona precedentes desse e. Conselho que, a seu ver, deram escorreita solução para casos como o dos presentes autos. Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.188 39 Afirma que, no que se refere à decisão ora apelada, “não deve haver juízo de valor por parte da fiscalização sobre as metas e critérios que foram definidos entre as partes” (fls. 2770), uma vez que, a decisão cria argumentações “subjetivas” sobre os métodos e critérios utilizados para, assim, afastar a infalibilidade do PLR do banco recorrente. A seguir, sublinha que há falta de motivação no ato administrativo objurgado, uma vez que a d. fiscalização teria uma visão incompleta dos fatos, bem como que o trabalho fiscal baseiase em meras presunções, o que, em sua visão, contraria o que estampado no art. 142 do Código Tributário Nacional. Isso porque, teria a i. Sra. Agente Fiscal se utilizado de ficção ou “presunção” (fls. 2783) para justificar o lançamento. Prossegue afiançando que é raso o argumento da d. Fiscalização de que não seria possível o pagamento simultâneo de PLR efetuados com base em Convenção e Acordo e que, em sua Impugnação, foram demonstrados todos os motivos pelos quais tal argumento não poderia ser utilizado como justificativa para a lavratura dos autos de infração. Para tanto, transcreve o §3º do art. 3º da Lei 10.101/00. À guisa desses fundamentos, aditados às alegações de sua Impugnação de fls. 2.333 usque 2.358, quer, pois, o provimento de seu apelo para reformar integralmente o acórdão recorrido para, em consequência, serem canceladas as atuações fiscais combatidas. As contrarrazões da d. Procuradoria da Fazenda nacional às fls. 3.009 a 3.043, pela pena da Dra. Raquel Godoy Aguiar, são pelo desprovimento da insurgência e manutenção integral do decisum. É o Relatório. Fl. 3208DF CARF MF 40 Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. DO FATO TIDO POR TRIBUTÁVEL. De modo sumário, o Relatório Fiscal (fls. 354 a 391) registra como fatos geradores do lançamento recorrido: Pagamento de remunerações, pelo Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) aos segurados empregados, a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” (PLR), em desacordo com a legislação referente; Pagamentos realizados pelo Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142), aos segurados empregados, a título de “Hiring Bônus” sobre os quais não foram recolhidas as devidas contribuições. Remunerações pagas aos contribuintes individuais administradores, durante o exercício de 2011 a propósito de PLR e PPR, sem recolhimento de contribuições sociais; Remunerações pagas aos empregados no exercício de 2010 sobre as quais não foram recolhidas as contribuições ao RAT com o ajuste pelo FAP; Com base nos fatos geradores relatados, foram lavrados diversos autos de infração, estando vinculados ao presente processo os seguintes: • AIOP DEBCAD nº 51.060.8299 à parte da empresa e àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, sobre "Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados " e "Hiring Bônus', bem como à parte da empresa sobre "Participação nos Lucros dos Administradores", e ainda à parte destinada ao financiamentos dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência e incapacidade laborativa decorrentes dos Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.189 41 riscos ambientais do trabalho RAT (parcela relativa ao Fator Acidentário de Prevenção FAP) sobre a contribuição dos empregados de janeiro a dezembro de 2010 (FAP 2010); Debcad nº 51.060.8302, à parte destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE (Salário Educação) sobre "Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados" e "Hiring Bônus". "Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 349.039.506,11 (trezentos e quarenta e nove milhões, trinta e nove mil e quinhentos e seis reais e onze centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009, consolidado em 03/06/2013;" • AIOP DEBCAD nº 51.002.5463 "Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 36.957.124,16 (trinta e seis milhões, novecentos e cinqüenta e sete mil e cento e vinte e quatro reais e dezesseis centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2009 a 12/2009, consolidado em 03/06/2013." Os períodos abrangidos por cada levantamento objeto das autuações foram assim descritos no Relatório Fiscal ("RF"): • PLR Empregados fevereiro de 2010 a dezembro de 2011; • PLR Administradores contribuintes individuais fevereiro de 2011 • Hiring Bonus ou Bônus de Contratação — fevereiro de 2010; maio de 2010; julho a agosto de 2010; outubro de 2010; dezembro de 2010 a junho de 2011; agosto a dezembro de 2011; • Diferença de Aliquota RAT Ajustada pelo FAP — fevereiro a dezembro de 2010. A contenda pode ser assim resumida. A Fiscalização alega que os pagamentos realizados aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados com base nos Acordos Coletivos de Trabalho Fl. 3210DF CARF MF 42 ("Acordo"), não teriam respeitado os requisitos previstos pela legislação para a fruição da isenção, em especial no que tange à data de assinatura e à definição de metas claras e objetivas; Alega que o Recorrente teria efetuado pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados base em programas próprios ("Programa") celebrados em suposta dissonância aos requisitos legais, pois não existiria comissão de negociação; assinatura de representantes empregados, empregadores e sindicato; e não existiriam metas previamente definidas; Registra que os pagamentos realizados com base nas Convenções Coletivas de Trabalho não poderiam ser cumulativos aos pagamentos realizados com base nos Acordos Coletivos de Trabalho; Sustenta que a participação nos lucros ou resultados paga aos empregados teria caráter substitutiva da remuneração, pois superaria o montante total da remuneração anual de alguns empregados; Indica que não existiria previsão legal para a não incidência de contribuições previdenciárias sobre e os valores pagos a título de hiring bônus, que se configurariam como gratificação ajuda, supostamente paga em retribuição ao trabalho; Afirma que o Recorrente não teria aplicado o índice do FAP para o período de fevereiro a dezembro de 2010, recolhendo a contribuição ao RAT sem a aplicação do índice definido após de isso proferida no âmbito administrativo. A decisão recorrida e as contrarrazões seguem integralmente a linha de argumentação da fiscalização. Isto posto passaremos a analisar tais teses frente aos pontos articulados na peça recursal. 3. BASE NORMATIVA ATINENTE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. A Participação nos Lucros e Resultados é direito social do trabalho previsto constitucionalmente no inciso XI do Art. 7º da CFRB/88: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em Lei;" Quanto a desvinculação da remuneração atribuída constitucionalmente à PLR, a alínea J, do §9º, do Art. 28 da Lei nº 8.212/91 assim dispõe: "Art. 28. (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.190 43 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com Lei específica;" Da mesma maneira dispõe o inciso X, §9º do Art. 214 do Decreto nº 3.048/99. Atualmente, consta da Lei 10.101/00 a indicação dos requisitos e condições para caracterização de pagamentos como sendo decorrência de participação nos lucros ou resultados e, por conseqüência, sua classificação como fato econômico não alcançado pela incidência de contribuições previdenciárias. A conseqüência do pagamento de tais valores em desacordo com a legislação de referencia está prevista no §10º do Art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS) Decreto n.º 3.048/99: "Art. 214. (...) (...) §10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis." Da revisão dos dispositivos citados, resta clara a relevância do atendimento integral ao que dispõe a legislação, no caso a Lei nº 10.101/00, para que os pagamentos realizados a titulo de PLR assim sejam reconhecidos, sendo esta a contenda que se passa a analisar no caso concreto. 4. DOS INSTRUMENTOS JURÍDICOS RELACIONADOS AOS PROGRAMAS DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS MANTIDOS PELO RECORRENTE EM BENEFÍCIOS DOS EMPREGADOS, VÍCIOS ALEGADOS PELA FISCALIZAÇÃO E BASES DE ANÁLISE. Segundo registrado no item 5.14, o I. Agente Fiscal sustenta que o pagamento de PLR foi realizado com base nos seguintes instrumentos: I Acordos Coletivos de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander 2009/2010 e 2011 (Fls. 99/145); II Programas Próprios Específicos 2009, 2010 e 2011 (Fls. 114/1918); III Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2009, 2010 e 2011 (Fls. 119/146). Pelas exposições contidas no RF, os itens I e III representariam planos instituídos segundo o procedimento definido no inciso II, do Art. 2º da Lei 10.101/00 e o item II indicaria plano de PLR calcado no procedimento definido no item I do mesmo dispositivo legal. Entretanto, compulsando os autos e analisando os argumentos recursais percebese que há um pressuposto equivocado na fundamentação fiscal. Para este relator, por Fl. 3212DF CARF MF 44 toda conformação dos referidos documentos, em realidade, os denominados Programas Próprios Específicos 2009, 2010 e 2011 (Fls. 114/1918) são anexos, partes integrantes, dos Acordos Coletivos de Trabalho. Depois de conferir as informações, resolvemos transcrever o resumo apresentado pelo Recorrente em sua peça recursal: Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucro ou Resultados dos Bancos em 2009 celebrada entre a Fenaban e Contraf e Federações/Sindicatos: • Assinatura: 19/10/2009; • Vigência: 01 de Setembro 2009 a 31 de agosto de 2010; • Meta: Lucro Líquido do exercício de 2009; • Pagamento: 01/03/2010; O banco que apurar prejuízo está isento do pagamento da PLR; • Valor. 90% do salário base + verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em sete de 2009 + R$ 1.024,00, respeitado o teto máximo de R$ 6.680,00; Máximo: 13% do lucro líquido; Mínimo: 5% do lucro líquido. • o empregados admitidos até 31/12/2008 e em atividade em 31/12/2009 recebe integralmente; o admitidos até 31/12/2008 e afastados a partir de 01/01/2009, por motivo de acidente de trabalho, auxílio maternidade, recebimento integral; o admitidos após 01/01/2009 e afastados por motivo de doença, auxílio maternidade, acidente de trabalho e em atividade na data do pagamento da PLR receberão proporção de 1/12 por mês trabalhado; o dispensados sem justa causa, entre 02/08/2009 e 31/12/2009, será devido 1/1 valor, por mês trabalhado. Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucro ou Resultados dos Bancos em 2010 celebrada entre a Fenaban e Contraf e Federações/Sindicatos • Assinatura: 20/10/2010; • Vigência: 01 de Setembro 2010 a 31 de agosto de 2010; • Meta: Lucro Líquido do exercício de 2010; • Pagamento: 01/03/2011; O banco que apurar prejuízo está isento do pagamento da PLR; • Valor. 90% do salário base + verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro de 2010 + R$ 1.100,80, respeitado o teto máximo de R$ 7.181,00; • O empregados admitidos até 31/12/2009 e em atividade em 31/12/2010 receberão integralmente; O admitidos até 31/12/2009 e afastados a partir de 01/01/2010, por motivo de Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.191 45 doença, acidente de trabalho, auxílio maternidade, recebimento integral; O admitidos após 01/01/2010 e afastados por motivo de doença, auxílio maternidade, acidente de trabalho e em atividade na data do pagamento da PLR receberão na proporção de 1/12 por mês trabalhado; O dispensados sem justa causa, entre 02/08/2010 e a data de assinatura da convenção coletiva, será devido 1/12 do valor, por mês trabalhado. Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resul dos Santander (PPRS) celebrado entre as "Empresas Acordantes" (Grupo Santander ), a Contraf e a Fenacreti/Sindicatos Empregados para o Biênio 2009/2010. • Assinatura: 30/12/2009; • Vigência: Janeiro de 2009 a Dezembro de 2010; • Abrangência: todo território Nacional; • Meta Global: ROE — Return on equity — relação percentual entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido, publicados pelos Bancos nos meios oficiais, tais como, no site do Banco Central — BACEN = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido = ROE • Metas individuais: CLÁUSULA SEXTA: Programas Específicos mantidos pelos Acordantes Ficam ratificados, nos termos do artigo 2*. II, da Lei 10.101/00, todos os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados, específicos para segmento de negócios das EMPRESAS ACORDANTES, relacionados em anexo, com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constam dos respectivos instrumentos, nominados PROGRAMAS SIM e respectivos Super Ranking/RV Cartilha, e Programas Específicos relacionados no Anexo I, os quais integram o presente Acordo Coletivo de Trabalho. PARÁGRAFO PRIMEIRO Integra, também, o presente Acordo Coletivo de Trabalho, o PPG — Programa Próprio Gestão, destinado as áreas institucionais que obedece as regras e valores fixados pela Diretoria com base no respectivo cargos ou função. PARÁGRAFO SEGUNDO O valor do PPRS previsto no presente acordo engloba os valores pagos nos respectivos programas específicos previstos nesta cláusula, compensandose as antecipações, eventualmente realizadas. O Anexo I dos Acordos contém a descrição resumida e individualizada de cada um Programas de Metas. Fl. 3214DF CARF MF 46 • Pagamento: O 14/01/2010 e 14/01/2011, mesma data Convenção Coletiva; • Valor Os valores devidos a titulo de PPRS, para o exercido de 2009, obedecerão à tabela abaixo: Os valores devidos a título de PPRS, para o exercício de 2010, Obedecerão à tabela abaixo: • Divulgação prévia: após as publicações dos balanços as empresas acordantes elaborarão o demonstrativo de cálculo dos Acordos e Programas e divulgarão para os empregados, antes da data do pagamento. Meios internos de comunicação; • Elegibilidade: o empregados admitidos até 31/12/2008 ou 31/12/2009 e em atividade em 31/12/2009 e 31/12/2010 receberão integralmente; o empregados admitidos até 31/12/2008 ou 31/12/2009 e tenham o contrato suspenso ou interrompido a partir de 01/01/2009 ou 01/01/2010, por motivo de doença, acidente de trabalho, liberação remunerada pré aposentadoria, licença remunerada ou licença maternidade, receberão integralmente os valores; o empregado admitido ou desligado em decorrência de dispensa sem justa causa, pedido de demissão ou aposentadoria, durante o exercício de 2009 e durante o exercício de 2010 e que tenha trabalhado por no mínimo 90 dias, terá direito ao recebimento proporcional na razão de 1/12 do valor por mês trabalhado. Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.192 47 Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados Santander (PPFtS) celebrado entre as "Empresas Acordantes" (Grupo Santander), a Contraf e a Fenacrefl/Sindicatos Empregados para o ano base 2011 • Assinatura: 28/02/2011; • Vigência: Janeiro de 2011 a Dezembro de 2011; • Abrangência: todo território Nacional; • Meta Global: ROE — Return on equity — relação percentual entre Lucro Líquido e Patrimônio Líquido, publicados pelos Bancos nos meios oficiais, tais como, no site do Banco Central — BACEN = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido = ROE • Metas individuais: CLÁUSULA SEXTA: Programas Específicos mantidos pelos Acordantes Ficam ratificados, nos lermos do artigo 2°. II, da Lei 10.101/00, todos os Programas de Participação nos Lucros ou Resultados, específicos para segmento de negócios das EMPRESAS ACORDANTES, relacionados em anexo, com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constam dos respectivos instrumentos, nominados PPE — Programa Próprio Especifico, Super RankIng e RV Cartilhas Próprias relacionados no Anexo I, os quais integram o presente Acordo Coletivo de Trabalho, PARÁGRAFO PRIMEIRO Integra, também, o presente Acordo Coletivo de Trabalho, o PPG — Programa Próprio Gestão, destinado às áreas institucionais que obedece às regras e valores fixados pela Diretoria com base no respectivo cargos ou função. PARÁGRAFO SEGUNDO Os valores decorrentes dos respectivos programas especifico e previstos nesta cláusula serão compensáveis com os valores devidos a titulo de PPRS, inclusive eventuais antecipações O Anexo I dos Acordos contém a descrição resumida e individualizada de cada um dos planos. Fl. 3216DF CARF MF 48 Programas de Metas, conforme exemplificado a seguir: • Pagamento: 14/01/2010 e 14/01/2011, mesma data Convenção Coletiva; • Valor. PARÁGRAFO QUARTO: Os valores devidos a título de PPRS. para o exercido de 2011. obedecerão à tabela abaixo: • Divulgação prévia: após as publicações dos balanços as empresas acordantes elaborarão o demonstrativo de cálculo dos Acordos e Programas e divulgarão para os empregados, antes da data do pagamento. Meios internos de comunicação; • Elegibilidade: o empregados admitidos até 31/12/2010 e em atividade em 31/12/2011 receberão integralmente; o empregados admitidos até 31/12/2010 e tenham o contrato suspenso ou interrompido a partir de 01/01/2011, por motivo de doença, acidente de trabalho, liberação remunerada préaposentadoria, licença remunerada ou licença maternidade, receberão integralmente os valores; o empregado admitido ou desligado em decorrência de dispensa sem justa causa, pedido de demissão ou aposentadoria, durante o exercício de 2011 e que tenha trabalhado por no mínimo 90 dias, terá direito ao recebimento proporcional na razão de 1/12 do valor por mês trabalhado. Da Leitura dos dados contidos nos referidos acordos e convenções coletivas de trabalho temos que: Quanto a abrangência Temporal: Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.193 49 Convenções Coletivas de Trabalho – CCT’s têm seu inicio em 19/10/2009, abrangendo o período de 01/09/09 a 31/08/10, sendo seus termos renovados em 20/10/10, abrangendo o período de 01/09/10 a 31/08/2011. Os pagamentos previstos nas CCT's deveriam ocorrer em 01/03/2010 e 01/03/2011. Acordos Coletivos de Trabalho – ACT’s têm seu início em 30/12/2009, abrangendo o período de 01/01/09 a 31/12/10, sendo seus termos renovados em 28/02/11, abrangendo o período de 01/01/11 a 31/12/2011. Os pagamentos previstos nas ACT’s deveriam ocorrer em 14/10/2010 e 14/01/2011. Quanto a abrangência territorial, são todas nacionais; Quanto aos empregados abrangidos por esses acordos, em seu objeto, todos os instrumentos são claros ao afirmar que abrangem todos os empregados das empresas acordantes. Por fim, quanto a suposta autonomia dos denominados programas próprios, nos exercícios de 2009, 2010 e 2011, tais documentos estão expressamente indicados nos ACT’s como sendo parte integrante do acordo, portanto, nessa condição devem ser analisados tendo o I. Agente Fiscal incorrido em erro ao tratálos como planos autônomos. Nesse sentido, é bem ilustrativo o gráfico apresentado pelo recorrente e que optamos por colacionar visando facilitar a visualização da analise ora apresentada: Realizamos esta análise de modo prévio visando alinhar o entendimento quanto os pressupostos que delinearão nossa manifestação nos próximos pontos. O I. Agente Fiscal organizou a fundamentação de seu voto conforme o seguinte: Acordos Coletivos de Trabalho e Participação nos Resultados Santander PPRS, vigentes para os pagamentos realizados em 2010 e 2011 possuem os seguintes vícios: Itens 5.17 a 5.30 Assinatura com datas retroativa, quando a Lei define que a participação será objeto de negociação prévia, que possibilite aos empregados conhecerem as regras e metas Fl. 3218DF CARF MF 50 definidas ou direitos substantivos e regras adjetivas, para ser mais técnico; Itens 5.31 a 5.49 Os instrumentos estariam eivados de vícios por ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação de direitos substantivos e regras adjetivas inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Salienta no item 5.34 que o ACT 2011 possui poucas alterações em relação ao ACT 2009/2010 "Programas Próprios de Participação nos Resultados, decorrentes da negociação entre o banco e seus empregados. De acordo com os Anexos nos Acordos Coletivos de 2009/2010 e 2011: Itens 5.52 a 5.55 Faltaria a assinatura de representante do sindicato e prova de sua efetiva participação Item 5.56 Que os benefícios dos referidos instrumentos se destinam apenas a parte dos empregados. Itens 5.57 a 5.63 Que não estabelece metas e que tais definições deveriam advir de processo negocial realizado por meio de comissão paritária com a efetiva participação do sindicato, faltando assim além de regras claras e objetivas, falha no procedimento formativo do plano, nos termos do inciso I, Art.2º da Lei 10.101/00; "Programa Próprios Específicos PPE, 2009, 2010 e 2011 para os quais ocorreram pagamentos durante os exercícios de 2010 e 2011. São dezenas de diferentes planos específico para diferentes áreas de atuação do banco": Item 5.65 Ausência de assinatura, qualificação ou data de celebração nos instrumentos, não sendo possível comprovar as partes envolvidas e seus respectivos representantes legais, a existência de negociação previa ou sua data de celebração. Item 5.66 Não restou comprovada a participação de um representante da entidade sindical; Itens 5.67 a 5.70 Que a maior parte dos "Programas Próprios Específicos", nas palavras do I. Agente Fiscal: "apresentam como objetivo o engajamento dos funcionários e respectivas equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio, motivando, reconhecendo e valorizando os resultados obtidos." Para a fiscalização tal disposição contraria o que dispõe a Lei 10.101/00, que atribui a tais instrumentos o objetivo de definir a forma de participação nos lucros atribuídas aos funcionários. Itens 5.70 a 5.74 Que estamos diante de remuneração a títulos de prêmios e não de PLR, e que faltaria a tais instrumentos regras claras e objetivas. Problemas Gerais que envolvem todos os instrumentos de negociação que deram origem a PLR: Itens 5.75 a 5.85 Que o pagamento de PLR com base em Convenções coletivas e Acordos Coletivos de Trabalho de modo Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.194 51 concomitante são vedados pela legislação. Cita o §3º do Art. 3º da Lei 10.101/00 como sendo norma proibitiva. Itens 5.86 a 5.99 Que o fato da PLR possuir variações entre 2,78% e 4.546,51% seriam indicativos de substituição da remuneração pela própria PLR ou de que tais pagamentos seriam remuneração pagamentos com base em resultados variáveis, instrumentos de premiação e não PLR. Item 5.105 Que tais valores não foram declarados em GFIP e sobre eles não foram recolhidas as contribuições devidas, uma vez que integrariam o saláriodecontribuição. Feitas as considerações e transcrições, quanto a PLR destinada aos funcionários analisaremos a questão apenas sob a égide do que dispõe o inciso II do Art. 2º da Lei 10.101/00. Equivocada a fundamentação fiscalizatória quanto a autonomia daquilo que convencionou denominar de Programas Próprios e Específicos. Existe até contradição quanto a seus argumentos nesse sentido, pois no item 5.50 do relatório fiscal o mesmo reconhece que são "anexos aos Acordos Coletivos de 2009/2010 e 2011" Assim sendo, todos os instrumentos serão analisados a luz do que dispõe o inciso II do Art. 2º da Lei 10.101/00 e de modo unificado, pois os programas próprios, nada mais são que anexos dos ACT’s. 4.1. DOS INSTRUMENTOS JURÍDICOS INSTITUIDORES DA PLR E OS VÍCIOS ALEGADOS PELA FISCALIZAÇÃO. 4.1.1. ITENS 5.17 A 5.30 ASSINATURA COM DATAS RETROATIVAS, QUANDO A LEI DEFINE QUE A PARTICIPAÇÃO SERÁ OBJETO DE NEGOCIAÇÃO PRÉVIA, QUE POSSIBILITE AOS EMPREGADOS CONHECEREM AS REGRAS E METAS DEFINIDAS OU DIREITOS SUBSTANTIVOS E REGRAS ADJETIVAS, PARA SER MAIS TÉCNICO. De fato, conforme já analisamos nos itens anteriores, os instrumentos jurídicos, tanto os ACT’s quanto as CCT’s, contêm disposições indicando uma retroatividade de sua validade o que contraria o disposto no Art. 614, § 3º da CLT. Contudo, no presente caso, isto é pouco relevante, pois, no que se refere aos pagamentos que derem base ao lançamento combatido, estariam abrangidos pela vigência dos referidos acordos, eis que ocorreram nos exercícios de 2010 e 2011, tendo as CCT’s e ACT’s sido assinadas em 19/10/2009 e 30/12/2009, respectivamente. Todos os pagamentos realizados ocorreram a partir de 2010, portanto, já sob a vigência dos referidos acordos. Outrossim, os instrumentos coletivos de trabalho possuem forma de norma jurídica especifica, sendo aplicáveis desde de a sua assinatura. Isso posto, não assiste razão a fiscalização quanto ao fato dos pagamentos não estarem suportados pelos instrumentos jurídicos, eis que os mesmos já estavam válidos e com força normativa no momento da efetivação dos pagamentos questionados neste processo. Fl. 3220DF CARF MF 52 4.1.2. ITENS 5.31 A 5.49 OS INSTRUMENTOS ESTARIAM EIVADOS DE VÍCIOS POR AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO À FIXAÇÃO DE DIREITOS SUBSTANTIVOS E REGRAS ADJETIVAS INCLUSIVE MECANISMOS DE AFERIÇÃO DAS INFORMAÇÕES PERTINENTES AO CUMPRIMENTO DO ACORDADO. SALIENTA NO ITEM 5.34 QUE O ACT 2011 POSSUI POUCAS ALTERAÇÕES EM RELAÇÃO AO ACT 2009/2010. Quanto a existência de regras claras e objetivas, iniciando no item 5.31 a 5.49 do RF, o I. Agente Fiscal afirma que os programas não possuem regras claras e objetivas, não estando fixados direitos substantivos e regras adjetivas de participação. Tal entendimento foi adotado pela DRJ e vem reforçado pela PGFN em suas contrarrazões. Entretanto, nos parece haver certo subjetivismo quanto ao que seriam regras clara e objetivas, pois a Lei não estabeleceu nada quanto ao conteúdo das normas e não poderia estabelecer, já que cabe aos empreendedores, de acordo com o principio da Livre Iniciativa, definir o que gera ou não resultados aos seus empreendimentos e como organizálos. As regras estão postas, o próprio relatório fiscal as indica, as transcreve, não em sua totalidade, pois, anexados aos acordos e convenções, como parte integrante dos mesmos, constam programas específicos e bem detalhados, como há de ser para um Banco Múltiplo, que possui operações tão diversas que seria impossível dar um tratamento único para cada setor. A Lei nº 10.101/00 em seu artigo 2º, parágrafo 1º impõe como condição de validade dos Planos de PLR que os instrumentos possuam “regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo”. Os documentos juntados na impugnação e os já citados demonstram que o Recorrente envidou esforços para a divulgação e medição das metas a serem atingidas, das fórmulas de cálculo da participação baseadas no desempenho individual, por área e área superior, disponibilizou meios de acesso a informação por parte dos funcionários e, mais importante do que isso, implementou, efetivamente, as avaliações tratadas nos acordos e seus respectivos anexos. Da análise dos documentos de fls. 99 a 408 e 2.377 a 2.658, percebese que o Recorrente adotou um método de avaliação de resultados internacionalmente aceito como uma das melhores praticas de gestão por metas, sendo ainda um dos mais democráticos eis que tem por base a participação dos empregados na definição de metas individuais e coletivas, tratase do método SMART. Basta verificar os formulários juntados pelo recorrente para perceber que esta foi a técnica de medição e envolvimento nos funcionários na definição e aferição das metas e resultados que dariam base a PLR. O que deve ser percebido é que, nos acordos, devem ser estabelecidos os resultados globais esperados, sendo inadequado ficar nestes instrumentos tão genéricos, todos os resultados individuais esperados, pois, isso depende de cada setor, de cada funcionários, do momento econômico e da estratégia empresarial adotada para o momento. Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.195 53 O que deve constar e consta dos instrumentos, são os meios pelos quais os empregados serão avaliados e as metas globais a serem alcançadas, além das bases de cálculos para sua participação. Da análise da documentação juntada, percebese que o Recorrente foi além, disponibilizou aos empregados ferramentas digitais e online que permitem tanto a realização das avaliações quanto a aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo e cartilhas explicativas. Constam ainda dos autos, cópia de uma série de formulários que demonstram ter o Recorrente não apenas regras claras e objetivas de avaliação como efetivamente as aplica, mede e registra, possuindo amplo controle de desempenho individual e coletivo, não havendo qualquer base para negar tal realidade. O Agente Fiscal não se preocupou em verificar se o estabelecido nos acordos estava efetivamente sendo atendido. Se a avaliação era aplicada e como era. Se assim tivesse procedido, teria percebido que qualquer funcionário tem plena possibilidade de tomar conhecimento de seus direitos substantivos de participação e das regras adjetivas. Vale reprisar o que dispõe a Lei 10.101/00: "Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente." A Lei não apresenta um rol numerus clausus de critérios de avaliação e nem poderia, pois cada empresa tem sua estratégias, realidade, sazonalidade, produtividade e cultura. No caso do Recorrente, há ainda uma diversidade de áreas com lógicas operacionais das mais variadas. Portanto, não se poderia esperar de um negócio deste porte, critérios únicos e menos ainda metas estáticas, já que seu negócio depende inteiramente da economia nacional e internacional, que variam ao longo do ano. Fl. 3222DF CARF MF 54 O que se espera é que as regras sejam claras e objetivas e que os direitos sejam postos de modo que se permita amplo conhecimento e capacidade de medição pelas partes, o que, está presente no referido acordo. Quanto aos resultados, no caso das agências, por exemplo, o acordo e seus anexos indicam que o resultado individual corresponde a 50% e os resultados da área e área superior 25% cada. Para os demais cargos, apenas os de área e área superior são considerados. Analisando a documentação juntada, resta claro que o processo de definição de metas, como já indicamos, segue um sistema de gestão internacionalmente reconhecido, o método SMART. No que tange a metas, essa metodologia tem sido aplicada e indicada como uma das mais simples ferramenta para criar metas, pois é uma espécie de check list, por meio do qual é possível verificar se cada uma das metas tem uma das seguintes premissas atendidas: A meta é especifica? O S corresponde a specific ou específica. Quer dizer que sua meta obrigatoriamente tem que ter especificidade naquilo que se quer atingir, com números e dados. No presente caso, se tomarmos como exemplo os documentos de fls. 919, por exemplo, podemos verificar que, no exercício de 2007, a Gerência de Marketing de Relacionamento, possuía metas como aumentar em 10% a base de correntistas na época composta de 3.380,00 mil, dos quais 520,4 mil eram preferenciais, 504,3 mil Exclusivos, 984,7 mil clássicos e 1.370,7 mil massivos. Elas mostramse, assim, como metas bem específicas, sendo inquestionável tal ponto, até porque, o Recorrente apresenta vários exemplos como esses. As metas devem ser mensuráveis, o M vem de measurable ou mensurável. Isso quer dizer que, para toda meta escrita, é preciso determinar o indicador pelo qual iremos verificar sua evolução todos os meses e também a fonte oficial de medição deste indicador, o que se pode obter pelo sistema disponibilizado pelo banco a seus funcionários, conforme consta dos documentos anexados a impugnação. Os indicadores são bem objetivos conforme demonstrado no exemplo anterior. A meta precisa ser atingível, o A corresponde a achievable ou attainable. Com efeito, ainda no exemplo em questão, um aumento de 10% na carteira de um banco que estava passando por um processo de incorporação parece algo bem razoável. A meta ainda precisa ser relevante para a empresa, o R vem de relevant. Mais uma vez, um aumento da carteira de clientes é o que de mais relevante se pode ter para uma instituição financeira. O T vem de time e indica que estas metas precisam ter prazo definido, o que está posto também no mesmo formulários e nas cartilhas, sendo de 12 meses ou semestrais conforme a área. Assim, considerando que estamos diante de uma empresa de grande porte, nos pareceria até temerária a adoção de metodologias de gestão de metas e pessoas que não estivessem de acordo com as boas práticas internacionais e a metodologia SMART é uma forma simples e acessível de gerenciar metas e pessoas que já foi bastante testado em estudos de liderança e gestão. Ao contrário do que sustenta a fiscalização, não há qualquer base legal em exigir que todos esses elementos constam da estrutura principal do instrumento jurídico, no caso, o próprio instrumento indica que os planos, conforme já destacado anteriormente, lhes são parte integrante. Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.196 55 Por todo o exposto, não há como comungar com as visões fiscais sobre este ponto, tão pouco com o exposto na decisão recorrida, assim sendo, voto por reconhecer a existência de regras claras e objetivas de avaliação, préestabelecidas e definidas de forma democrática, eis que os funcionários têm ampla participação em sua elaboração seja para área ou para as metas individuais, conforme restou comprovado pelos documentos anexados na impugnação e aqueles juntados pela própria fiscalização. 4.1.3. "PROGRAMAS PRÓPRIOS DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS, DECORRENTES DA NEGOCIAÇÃO ENTRE O BANCO E SEUS EMPREGADOS. DE ACORDO COM OS ANEXOS NOS ACORDOS COLETIVOS DE 2009/2010 E 2011" E "PROGRAMA PRÓPRIOS ESPECÍFICOS PPE, 2009, 2010 E 2011 PARA OS QUAIS OCORRERAM PAGAMENTOS DURANTE OS EXERCÍCIOS DE 2010 E 2011. SÃO DEZENAS DE DIFERENTES PLANOS ESPECÍFICO PARA DIFERENTES ÁREAS DE ATUAÇÃO DO BANCO": A fiscalização alega nos itens 5.52 a 5.55 que faltaria a assinatura de representante do sindicato e prova de sua efetiva participação, conforme posição já manifestada anteriormente, tais documentos são anexos dos ACT’s. Por conseqüência, não há que se falar em assinaturas autônomas ou prova de participação de representantes dos sindicatos eis que, na condição de acessórios ao instrumento principal, ATC, segue o seu rito próprio. Sendo os Acordos Coletivos firmados entre sindicatos e empresa, a participação do sindicato é um corolário lógico. Para Programas formados com base em Acordos Coletivos de trabalho a Lei não estabelece a necessidade de que as metas sejam definidas em processo negocial realizado por meio de comissão paritária com a efetiva participação do sindicato, faltando assim além de regras claras e objetivas, falha no procedimento formativo do plano, nos termos do inciso I, Art.2º da Lei 10.101/00. Tratase de um equívoco cometido na fundamentação deste lançamento e que não merece prosperar. Quanto a alegação de que os benefícios referidos nos Programas serem específicos para determinados grupos de empregados, isto não seria procedente, pois, os ACT’s indicam ter por abrangência a totalidade dos empregados do grupo. O que existe e assim deve ser pela própria característica operacional do Recorrente, são programas que consideram a realidade de cada uma de suas áreas de atuação. Ora, tal diversificação constituise em benefícios para os funcionários, pois, o estabelecimento de regra única, como deseja a Fiscalização, além de não encontrar acolhimento normativo, contradiz a própria finalidade da Lei. A finalidade de Lei é promover a distribuição de riquezas entre os empregados e, principalmente, fomentar o crescimento da atividade econômica das empresas que aderirem ao programa, eis que o ajuste de partilha dos resultados entre capital em trabalho é direcionado a maximização dos lucros, E como garantir isso, sem levar em conta a realidade de cada setor? Os empregados que atuam com ações têm uma realidade, um conjunto de metas, um conjunto de meios de avaliação, os de agência outros, os de financiamentos um terceiro, os empregados de TI um quarto conjunto de critérios que devem ser considerados. Fl. 3224DF CARF MF 56 As argumentações da fiscalização se contradizem a todo o momento, pois, de um lado veda o estabelecimento de pagamentos mínimos e de outro busca impor uma igualdade entre desiguais, há que se decidir, pois a igualdade impõe pagamentos mínimos e desvinculados de resultados. De toda sorte, a Lei não desceu a estas minúcias, como bem deve ser. Não havendo qualquer vedação ao estabelecimento de regras diversas para setores da empresa que tem lógicas e métricas diferentes. Nos itens 5.67 a 5.70, mais uma vez se percebe a contradição nos racionais adotados pela fiscalização, pois, para o Agente Fiscal seria inadequado a um Programa de PLR apresentar "como objetivo o engajamento dos funcionários e respectivas equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio, motivando, reconhecendo e valorizando os resultados obtidos." Para a fiscalização, tal disposição contraria o que dispõe a Lei 10.101/00, que atribui a tais instrumentos o objetivo de definir a forma de participação nos lucros atribuídas aos funcionários, nos levando a uma remuneração a título de prêmios e não de PLR, e que faltaria a tais instrumentos regras claras e objetivas. Quanto às regras serem claras e objetivas já nos manifestamos adotando posição contraria a tese fiscal. Quanto ao fato de ser objetivo dos Programas promover o "engajamento dos funcionários e respectivas equipes na superação das metas definidas na estratégia de negócio, motivando, reconhecendo e valorizando os resultados obtidos" Vejamos o que diz o Art. 1º da Lei nº 10.101/00: "Art. 1º. Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição." Assim, os termos destacados pela fiscalização como sendo um vício dos referidos programas, em realidade, apenas indicam seu perfeito alinhamento as finalidades da Lei. Confirase o entendimento deste e. CARF quanto ao tema: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE PLANOS DIFERENCIADOS ENTRE OS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. A discrepância de valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, em função do cargo do trabalhador e da área que atua é motivo insuficiente para desqualificar a natureza dos pagamentos realizados. Segundo a Lei de regência, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizandose, desse modo, o papel do colaborador na empresa. (...) (Acórdão 2401 004.797). O engajamento dos funcionários na superação de metas, não seria equivalente a integração entre capital e trabalho como incentivo a produtividade? O Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.197 57 atendimento de metas não equivale ao aumento de produtividade de que trata a Lei? Por isso concluir que a Leitura da fiscalização está equivoca também neste ponto. 4.1.4. PROBLEMAS GERAIS QUE ENVOLVEM TODOS OS INSTRUMENTOS DE NEGOCIAÇÃO QUE DERAM ORIGEM A PLR. 4.1.4.1. ITENS 5.75 A 5.85 DO RF PAGAMENTO DE PLR COM BASE EM CONVENÇÕES COLETIVAS E ACORDOS COLETIVOS DE TRABALHO DE MODO CONCOMITANTE, VEDAÇÃO PELO DISPOSTO NA LEGISLAÇÃO (§ 3º DO ART. 3º DA LEI 10.101/00 COMO SENDO NORMA PROIBITIVA). Argumenta a fiscalização que seria vedado a empresa efetuar, de modo cumulativo, pagamentos de PLR com base em Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho. Segundo a tese fiscal, adotada pela DRJ e reforçada nas contrarrazões da PGFN, o Recorrente estaria obrigado a compensar as obrigações de participação nos lucros previstas em convenções coletivas com outras estabelecidas de modo voluntário ou por meio de ACT’s. Tal entendimento estaria calcado no §3º do Art. 3º da Lei nº 10.101/92. Vejamos o dispositivo legal em voga: "Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados." (grifamos) A Leitura do dispositivo retrata muito mais uma faculdade do empregador do que uma obrigação. O termo articulado é "poderá" e não "deverá". Deste modo, é licito ao empregador manter planos próprios, ACT’s e CCT’s vinculados a Programas de Participação nos Lucros ou Resultados. A Lei não proibiu a cumulatividade. No presente caso, o recorrente foi diligente a ponto de inserir nos textos dos ACT’s a previsão de pagamento conjunto com o definido nas CCT’s, para assim evitar a realização de mais de um pagamento por semestre. Antes ao exposto, se vislumbra qualquer irregularidade no que se refere ao pagamento cumulativo, eis que se a Lei não proíbe não cabe a fiscalização vedar. Assim, voto por dar provimento ao recurso também neste ponto. Fl. 3226DF CARF MF 58 4.1.4.2. ITENS 5.86 A 5.99 RF "POSSUIR VARIAÇÕES ENTRE 2,78% E 4.546,51% SERIAM INDICATIVOS DE SUBSTITUIÇÃO DA REMUNERAÇÃO PELA PRÓPRIA PLR OU DE QUE TAIS PAGAMENTOS SERIAM REMUNERAÇÃO PAGAMENTOS COM BASE EM RESULTADOS VARIÁVEIS, INSTRUMENTOS DE PREMIAÇÃO E NÃO PLR." Avaliando a questão, de fato não há qualquer norma legal que fundamente a tese fiscal quanto a ilicitude de atribuição de pagamentos de PLR e PPR em valores deferentes para o conjunto de empregados. Ao contrário, a intenção da Lei é premiar a produtividade, logo, aquele que não produz ou que tem uma atividade de menor relevância para a empresa, naturalmente, receberá menos participação do que outros que produzem e possuem atividade estratégica para o negócio. Os pagamentos estão alinhados ao que foi acordado e as diferenças se dão por metas e resultados atingidos em super áreas, áreas e individualmente sendo o resultado de cada setor atribuído de acordo com sua ordem de grandeza e seguindo a lógica da Lei. É natural que alguns setores tenham resultados extremamente superiores a outros. Lembrando que não estamos falando de um único negócio, mas, de um leque de operações com resultados dos mais variados, agências, ações, previdência, financiamentos, seguros etc. Quanto ao valor ser superior ao salário, mais uma vez, equivocam se o I. Agente Fiscal e a DRJ, pois, a Lei nada estabeleceu quanto a este ponto. E, em realidade, se consideraremos os valores envolvidos, seriam os salários que ingressariam em uma condição de complementariedade. A Lei nº 10.101/00 não pode ser interpretada da forma que pretende o I. Agente Fiscal ou estaríamos limitando as possibilidades de acesso dos empregados ao resultados. Estes, na visão do Fisco, teriam por limite o salário dos empregados, o que é um inadequado dadas as finalidades de distribuição de renda e de incentivo a produtividade que permeiam esta Lei. A proximidade da PLR com pagamentos por êxito, não desnatura a operação em questão, pois, a base de formação dos valores é composta por resultados globais e calculada com base em Lucro da empresa, ainda que a distribuição seja por área e tome o desempenho individual como um dos parâmetros de cálculo, não é possível confundir o pagamento de PLR com o de renda variável. A renda variável ou premiação está atrelada unicamente aos resultados da pessoa em relação a sua atividade e a base de cálculo sempre leva em conta as unidades de média, sem qualquer vinculação a resultados da empresa. No presente caso, inclusive, há previsão de suspensão de pagamento caso o banco não apure lucro. Isso não aconteceria se estivéssemos diante de uma remuneração variável, já que esta estaria vinculada apenas as vendas ou a produção, sem qualquer abatimento com base em custos incorridos pela empresa. Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.198 59 Ante ao exposto, vêse a tese fiscal carece de fundamentação legal e fática, decorrendo de uma construção hermenêutica que contraria o espírito e finalidades dos institutos da PLR, assim voto por dar provimento ao recurso neste ponto. 4.1.4.2. ITEM 5.105 DO RJ VALORES NÃO FORAM DECLARADOS EM GFIP E SOBRE ELES NÃO FORAM RECOLHIDAS AS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS, UMA VEZ QUE INTEGRARIAM O SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. A não declaração em GFIP e recolhimento de contribuições sobre tais valores é uma decorrência lógica do que dispões a Lei 8.212/91 em seu Art 28, §9º: "Art. 28. (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com Lei específica;" Da mesma maneira dispõe o inciso X, §9º do Art. 214 do Decreto nº 3.048/99. Uma vez atendidos os requisitos legais para pagamento da PLR no presente caso, a consequência lógica é a ausência de enquadramento dos referidos pagamentos no conceito de saláriodecontribuição e, nessa condição, não há que se falar em declaração em GFIP ou pagamento de contribuições tomando tais valores por base. Dado os pontos anteriores, é entendimento deste relator que os requisitos legais foram atendidos pelo Recorrente, razão pela qual o voto é no sentido de dar provimento ao recurso. 5. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DOS ADMINISTRADORES. 5.1. BASE NORMATIVA. A Lei das Sociedade Anônimas, Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 assim disciplina o tema: "Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de1997) § 10 O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a Fl. 3228DF CARF MF 60 remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. (gn) § 2° Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. (...) Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. O prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Participações Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. (...) Art.145 As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores. (...) Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202." A Leitura dos dispositivos em questão deixam clara a possibilidade de participação nos lucros ser atribuída a administradores, não havendo qualquer Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.199 61 especificação quanto a tipo de vinculo, se empregados, acionistas ou contribuintes individuais. 5.2. DO PAGAMENTO PREVISTO NO ART. 152 DA LEI DAS S.A. E SEU ENQUADRAMENTO NO QUE DISPÕE A ALIENA J, §9º DO ART. 28 DA LEI 8.212/91. A Fiscalização sustenta que o pagamento de lucros aos administradores não estaria abrangido pelo disposto na alínea J, §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91 eis que tal norma seria restrita a relação existente entre empregados e empregadores. Tal tese foi adotada pela DRJ e mais uma vez, reafirmada pelas contrarrazões apresentadas pela PGFN. A fiscalização não apresentou nenhum ponto de ordem fática que pudesse desqualificar o pagamento em questão como participação nos Lucros pagos a administradores nos termos do Art. 152 da Lei das Sociedades Anônimas, limitandose a travar uma discussão de ordem conceitual. Nesse sentido, temos que resgatar o conceito de saláriodecontribuição. Vejamos: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da Lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o trabalhador autônomo e equiparado, empresário e facultativo: o saláriobase, observado o disposto no art. 29. III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Fl. 3230DF CARF MF 62 § 5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social." Em momento nenhum, a Lei vinculou o conceito de saláriodecontribuição a relação de emprego, ao contrário tal conceito abrange praticamente qualquer relação de trabalho e inclui aquela existente entre os administradores e as empresas administradas, sejam estes empregados, acionistas ou autônomos contratados. A própria Lei nº 8.212/91 tratou de indicar algumas hipóteses de não incidência qualificadas e condicionas e dentre estas a distribuição de lucros e resultados na forma de Lei especifica; "(...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com Lei específica;" Também aqui, não é possível vislumbrar qualquer limitação a PLR paga pela empresa a seus empregados, ao contrário, abrange a participação nos resultados pagas de acordo com Lei específica e nesse sentido, conforme já colacionamos, a Leia das Sociedades Anônimas é clara ao atribuir tal faculdade as sociedades que desejarem parar PLR aos seus Administradores. Outrossim, da Leitura dos dispositivos da Lei das S.A. sobre o tema, percebemos uma total desvinculação do pagamento de participação nos resultados aos administradores, frente a sua remuneração, não evidenciando caráter retributivo. Nesse sentido o que decidido pelo e. Superior Tribunal de Justiça: PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO DECADÊNCIA AUXÍLIOCRECHE, AUXÍLIOQUILOMETRAGEM E GRATIFICAÇÃO SEMESTRAL: NATUREZA JURÍDICA. 1. A jurisprudência do STJ já se posicionou no sentido de entender que nas exações de natureza tributária, como sói acontecer com as contribuições previdenciárias, lançadas por homologação, o prazo decadencial segue a regra do artigo 173, I do CTN, ou seja, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. A contribuição previdenciária incide sobre base de cálculo de nítido caráter salarial, de sorte que não a integra as parcelas de natureza indenizatória. Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.200 63 3. O auxíliocreche, conforme precedente da Primeira Seção (EREsp 394.530PR), não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. O auxílioquilometragem, quando pago ao empregado como indenização pelo uso de seu veículo particular no serviço da empresa, mediante prestação de contas, é de caráter indenizatório, não servindo de base para a cobrança de contribuição previdenciária. 5. A gratificaçãosemestral equivale a participação nos lucros da empresa, cuja natureza jurídica é desvinculada do salário, por força de previsão constitucional (artigo 7º, XI), estando previsto na Lei das Sociedades Anônimas o pagamento da parcela, o que descarta a incidência da contribuição para a Previdência Social. 6. Recurso especial improvido. (REsp 420390. 2ª Turma. Rel. Min. Eliana Calmon. Julg. 17/08/2004. DJe. 11/10/2004) Em decorrência do exposto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. 7. DO HIRING BÔNUS. No item 7 do Relatório Fiscal o I. Agente apresenta manifestação quanto a natureza jurídica do "Hiring Bônus" como espécie remuneratória integrante do conceito de saláriodecontribuição. Segundo sua tese, o §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91 não trata de bonificações e pagamentos em ações. Segue indicando o método de interpretação adequado ao caso (CTN Art. 175, I e II). Quanto as questões de fato, limitase a informar que foram pagos pelo Santander a título de "(a) 'hiring bônus' (código 765) a segurados empregados, durante os exercícios de 2008 e 2009. (b) 'Bonificação Extraordinária 166' (código 1150) a segurados empregados, durante o exercício de 2008, e (c) 'Bonificação Extraordinária 106 Est' (código 1155) a segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), diante o exercício de 2008." Tendo em conta o fato de que "os valores referentes a essas verbas não foram informados na GFIP e sobre elas não foram recolhidas as respectivas Contribuições Previdenciárias, caracterizandose assim o descumprimento da legislação vigente.", com fundamento em sua construção teórica, efetuou lançamento tomando tais verbas como abrangidas pelo conceito de saláriodecontribuição. A DRJ adotou o entendimento fiscal em sua decisão. Inicialmente, cabe um sumaríssimo esclarecimento quanto à finalidade de tal verba. Originária dos mercados de trabalho dos Estado Unidos e Canadá, o "Hiring Bônus" ou bônus de contratação consiste no pagamento de determinada verba, acordado entre a empresa e determinado profissional, visando sua efetiva contratação. O pagamento deve acontecer antes do início da prestação de serviços sendo utilizado como instrumento para atração e retenção de profissionais altamente qualificados através da cobertura de eventuais vantagens do antigo emprego. Fl. 3232DF CARF MF 64 Quando realizado de modo adequado, da a sua excepcionalidade (não habilitalidade) e desvinculação relativa a salário, tal verba não seria alcançada pela incidência de obrigações trabalhistas e previdenciárias, nos termos do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 e a alínea j, §9º, inciso IV do Artigo 214 do Decreto 3.048/99 que elencam de forma expressa, todas as verbas que estão excluídas da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária, havendo previsão de não incidência quanto ao pagamento de gratificação eventual. O ponto de lide, no presente caso, não está posto em relação a questões fáticas referentes ao pagamento do bônus de contratação. A lide consiste em discussão quanto a natureza jurídica do referido bônus, se saláriodecontribuição ou não. A Lei nº 8.212/91 exclui, expressamente, do âmbito do conceito de salariode contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; De tal sorte que, em regra geral, os pagamentos a título de bônus de contratação e extraordinários estão descritos no dispositivo em questão. Entretanto, é necessário, ante ao caso concreto, verificar o atendimento a requisitos como pagamento desvinculado do salário, sem habitualidade, não condicionado a metas ou prazo mínimo de permanência. Tais situações, se verificadas no caso concreto, acabam por vincular o pagamento ao trabalho, indiretamente ao salário e, por consequência, caracterizando a renda como saláriode contribuição. No entanto, o I. Agente Fiscal, no presente ponto, deixou de abordar as questões fáticas necessárias a sustentação de sua tese, limitandose aos aspectos conceituais e à indicação da ocorrência dos pagamentos, tão pouco, na fase de auditoria, juntou qualquer documento que permitisse aduzir que os pagamentos em questão estariam vinculados ao salario e ao trabalho, portanto desqualificando a sua condição de abono eventual. O pagamento de "hiring bônus" e bônus extraordinário por si só não são passíveis de enquadramento no conceito de saláriodecontribuição, salvo se pagos de modo vinculado ao salário, com recorrência, condicionado a metas ou prazo mínimo de permanência, situações que nem mesmo foram mencionadas no Relatório Fiscal. A natureza jurídica de tal bônus ainda não está consolidada em âmbito jurisprudencial, entretanto, sua natureza indenizatória, no Carf, vem sendo objeto de algumas decisões recentes e nesse sentido citamos: ACÓRDÃO 2301003.392, CARF 2ª. Seção, Data de publicação: 07/07/2014, ACÓRDÃO 2403002.938, CARF 2ª. Seção 4ª CAMARA / 3ª Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.201 65 TURMA ORDINARIA, Data de publicação: 06/04/2015 e ACÓRDÃO 2301004.364, CARF 2ª. Seção 3ª CAMARA / 1ª TURMA ORDINARIA, Data de publicação: 14/04/2015. Por todo exposto, nos limites que fundamentariam o lançamento, não há como comungar da tese fiscal, razão pela qual dou provimento a recurso. 8. DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO RAT AJUSTADA PELO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. A fiscalização no item 8.20, sustenta que a empresa em questão, tendo como atividade econômica o setor dos "bancos múltiplos, com carteira comercial", passou, com as mudanças advindas do Decreto n° 6.042/07, a partir de julho de 2007, a enquadrarse no CNAE 64221. Assim, a partir de janeiro de 2010 passou a ter como alíquota básica RAT 3% (três por cento). No item 8.21 registra que em "2010, o FAP atribuído ao Banco Santander foi de 1,5708, após decisão favorável em 2ª instância no Processo Administrativo n° 44000003420201001. Desta feita, seu RAT Ajustado é igual a sua alíquota básica RAT, qual seja 3%, multiplicada pelo FAP, ou seja, 3% x 1,5708, que resulta em 4,7124% (alíquota final RAT a ser observada durante o exercício de 2010)". E no item 8.22 informa que "durante a auditoria verificouse que, no período de fevereiro a dezembro de 2010, do valor total da alíquota relativa à Contribuição ao RAT Ajustada, qual seja, 4,7124%, que deveria incidir sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer de cada mês, aos segurados empregados, o contribuinte não recolheu o montante acrescido à alíquota RAT básica pelo FAP, tendo recolhido somente 3%. Ademais, para tal período foram declarados em GFIP, alíquota RAT de 3% e fator FAP de 1,00. Desta feita, nas competências em que a parcela acrescida à alíquota RAT pelo FAP não foi recolhida nem declarada, foram levantadas as diferenças entre os valores devidos e os efetivamente pagos." Registra ainda que a competência de janeiro de 2010 o FAP declarado em GFIP foi o correto. Conclui no item 8.24, que "o crédito foi apurado tendo como base os valores dos salários de contribuição dos empregados informados em GFIP, conforme Demonstrativo de Contribuição ao RAT Ajustado pelo FAP 2010." Estas parcelas do lançamento foram mantidas pela DRJ e as contrarrazões reforçam a tese fiscal para este caso. O Recorrente alinha seu recurso quanto a ilegalidade da cobrança e inconstitucionalidade das referidas normas que instituem as alíquotas adicionais, apoiando sua tese em princípios constitucionais como razoabilidade, proporcionalidade, segurança jurídica, referibilidade entre outros. Não apresenta nenhuma prova substancial por meio de documentos hábeis e idôneos que demonstre um desenquadramento das suas operações frente ao relatado, restando apenas questões de ordem constitucional a serem decididas, o que não é alcançado pela competência deste colegiado, conforme já sumulado por este Conselho: Fl. 3234DF CARF MF 66 "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei tributária." Isso posto, voto por não conhecer do recurso neste ponto. 9 DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Quanto as obrigações acessórias, estas deixaram de ser atendidas no que se refere as declarações em GFIP das obrigações de RAT ajustada pelo FAP, mas não em relação aos pagamentos realizados a titulo PLR aos empregados ou administradores, eis que tais verbas não compõem o conceito de salário de contribuição. Em que pese o recurso nada ter abordado quanto ao tema, cabe manifestação por ser uma decorrência lógica do julgado, devendo guardar simetria. 10 JUNTADA DE DOCUMENTAÇÃO SUPERVENIENTE. A Recorrente junta documentação superveniente referida na Petição de 04 de agosto de 2017, mas não fundamenta as razões pelas quais não apresentou tais documentos nos momentos oportunos, eis que a produção de novas provas após a impugnação e, neste caso, após a interposição do Recurso Voluntário é situação excepcionalmente admitida pela norma processual vigente, razão pela qual, voto por não conhecer de tais documentos, com fundamento no §4º, Art. 16 do Decreto 70.235/71. Conclusão Por todo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.202 67 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Da participação nos lucros ou resultados. Não obstante os argumentos do D. Relator, não partilho de seu entendimento no sentido de que os Programas Específicos Programas SIM e respectivo SuperRanking, Programas específicos relacionados em Anexo (fls. 107/108 e 117/118) referidos na cláusula 6ª do ACT, e PPG referido no § 1º dessa cláusula (fls. 147 e ss, em documento apartado) integrem, de fato, os acordos coletivos firmados entre o recorrente e os sindicatos dos trabalhadores envolvidos (fls. 99 e ss, para os anoscalendário 2010/2011), possuindo os pagamentos com base neles realizados caráter de PLR. Notese que as cláusulas dos acordos, à exceção da sexta tomandose como exemplo o acordo coletivo do biênio 2009/2010 regram os termos do PPRS (Programa da Participação nos Resultados Santander), não havendo outro dispositivo acerca dos programas próprios, salvo breve referência na cláusula quinta, que trata das compensações entre os planos, e a sétima, que refere que os valores a esses pertinentes serão pago na mesma data de parcela dos valores relativos à convenção coletiva. Tal cláusula sexta possui, como já mencionado pelo relator e pelo recorrente, disposição ratificandoos genericamente, "com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constaram nos respectivos instrumentos, nominados Programas SIM e respectivo Super Ranking/RV Cartilha, e Programas Específicos relacionados no Anexo I, os quais integram o presente Acordo Coletivo de Trabalho". De modo similar, o parágrafo único diz que integra o acordo o PPG destinado às áreas institucionais que obedece "às regras e valores fixados pela diretoria com base no respectivo cargo ou função". Sem embargo, o fato é que os contornos concretos desses programas ficaram relegados a serem estipulados pelos funcionários e suas respectivas chefias/gestores, sem traço de participação de entidade sindical, tratandose à toda vista de planos apartados dos acordos coletivos. Não há prova alguma nos autos de que sequer suas linhas gerais tenham sido discutidas no âmbito dos acordos, o que abriria a possibilidade de suas minúcias serem relegadas a outros documentos. Ora, há que se reconhecer que acordos coletivos não são instrumento sequer viável para o detalhamento dessas metas em instituições de grande porte. Justamente para essas situações, a Lei nº 10.101/00 prevê no inciso I do seu art. 2º que elas possam ser acordadas via comissão paritária, integrada por representante sindical, o que tornaria perfeitamente possível utilizar esse meio para resguardar os interesses dos trabalhadores em casos do gênero, proteção essa inafastável por expressa disposição do indigitado diploma legal. O fato de os acordos do Santander incorporarem posteriormente, via cláusula genérica, os mencionados programas de PLR não supre a necessária, posto que legalmente Fl. 3236DF CARF MF 68 estipulada, participação do representante e/ou entidade sindical quando das negociações e formalização desses programas. Isso, sem falar da participação dos próprios trabalhadores nas negociações, da qual tampouco há sinal, pois não há quaisquer evidências de que tenha havido reuniões de comissões, ou discussões dos termos constantes nos programas específicos em comento, bem como análise das demandas sindicais. A par disso, não houve arquivamento desses programas nas entidades sindicais, tampouco constam assinaturas dos empregados e as datas em que firmados os correspondentes instrumentos, evidenciando sua precariedade como prova das relações e condições a que se referem, e uma proximidade com instrumentos meramente formais utilizados pela instituição para estipular os critérios e regras unilateralmente. De fato, a mera remissão nos acordos coletivos à ratificação e/ou integração dos programas específicos não supre tais carências. Reiterese que inexistem provas nos autos de que as regras substantivas e adjetivas desses planos/programas tenham sido, em algum momento, concertadas entre as partes, mediante o necessário debate e efetiva negociação, integrando o capital e o trabalho, como requer a Lei nº 10.101/00. Tal situação revela terem sido eles elaborados de forma unilateral pela administração da recorrente, tratandose, na realidade, de programas autônomos de premiação, com ínsita natureza remuneratória, os quais se procura abrigar, de maneira um tanto forçada, sob o manto de participação em lucros ou resultados nos termos da precitada lei, almejando as decorrentes benesses tributárias. Sob essas razões, concluise não terem sido os programas próprios em destaque objeto de negociação coletiva entre as partes, muito menos com participação sindical, a despeito da cláusula formal que a eles alude, no acordo coletivo, motivo pelo qual constituemse em instrumentos apartados e autônomos, no que tange as regras neles contidas, relativamente aos acordos. Também no que toca à questão da anterioridade dos planos, dissinto, ainda que em menor grau, do voto do Relator. Lembrese, de início, que a Lei nº 10.101/00 referese à participação nos lucros ou resultados como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Forçoso reconhecer que, não sendo possível estabelecer uma correspondência direta entre a atividade do trabalhador e a percepção de lucros da pessoa jurídica, os valores pagos a título de PLR, quando não prescrevem uma individualização da conduta para os beneficiários, aproximamse do conceito de gratificações, definidas por Maurício Godinho Delgado1 como "parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador (gratificações convencionais) ou por norma jurídica (gratificações normativas)". Já os montantes pagos a título de participação nos resultados guardam proximidade com pagamentos efetuados como prêmios, definidos pelo precitado doutrinador como "as parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de 1 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 5ª Ed. São Paulo: LTr, 2006, p. 738. Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.203 69 um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa" 2 (sublinhei). Sob esse prisma, vêse que os pagamentos de PLR apresentam importantes pontos de semelhança com as gratificações ou prêmios, a depender dos critérios acordados. O maior diferencial é que estão abrigados sob a proteção da Lei nº 10.101/00, face ao cumprimento dos requisitos nela estipulados. Tendo em vista tais constatações, deve ser notado que o alcance de metas por parte do trabalhador, de modo a que perfaça real incentivo à produtividade dentro de um plano de resultados, tem como pressuposto a realização de uma conduta consciente e deliberada com vistas à consecução de resultados previamente avençados, independentemente do instrumento utilizado. Acerca do tema, tenho como muito bem postas, em linhas amplas, as considerações vertidas pelo Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, ao relatar o Acórdão nº 2402005.392 (j. 13/07/2016): Observese que, a depender do marco que se adote como obrigatório para a formalização dos acordos, podese apequenar ou dar um relevo desproporcional a cada um dos aspectos acima mencionados. Caso se adote o entendimento daqueles que defendem que o fechamento das negociações possa ser feito até momentos antes do pagamento da parcela, prejudicase a integração capital trabalho e se compromete o desejado aumento da produtividade, posto que durante o período aquisitivo os trabalhadores não seriam estimulados a incrementála por não terem conhecimento das metas a serem ultrapassadas ou requisitos a serem cumpridos para a obtenção do tão almejado prêmio. Por outro lado, o patrão, muitas das vezes pressionado pelos trabalhadores para concessão de ganhos salariais, poderia ser tentado a instituir, durante o período aquisitivo da PLR, metas irreais de modo que o seu pagamento fosse efetuado como forma de atendimento às reivindicações salariais dos empregados e não como resultado de um processo negociado para melhorar o desempenho empresarial. Esse procedimento desnatura a essência do instituto e se revela danoso ao substituir salário por prêmio, prejudicando os trabalhadores no cômputo das suas verbas trabalhistas (férias, décimo terceiros, FGTS, etc), além de claramente desfalcar os cofres da Seguridade Social, com a exclusão das parcelas da base de cálculo das contribuições. É prática que abre margem para manobras que apenas beneficiariam o mau contribuinte. Certamente muitos se levantarão contra esse raciocínio, argumentando que não há na norma um prazo estipulado para formalização do acordo e que a adoção da exigência de que a assinatura do acordo seja prévia ao período aquisitivo decorreria de mero subjetivismo do intérprete, que acarretaria em prejuízo principalmente para os trabalhadores, que deixariam de receber essa benesse de cunho constitucional. Não vejo por essa lente, na verdade estamos diante de uma lacuna legal, a qual deve ser integrada, no meu entendimento, mediante a interpretação sistemática que leve ao menor prejuízo à relação capital trabalho, aos trabalhadores, ao empregador e à Fazenda Pública. Vejase que a inexistência de metas prévias equivale a ausência dos parâmetros que nortearão a aferição do direito ao benefício 2 Idem, ibidem, p. 747. Fl. 3238DF CARF MF 70 trabalhista, os quais são claramente exigidos no § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. É curioso que, mesmo os que defendem que o acordo pode ser formalizado após o encerramento do período aquisitivo do direito, acabam por firmar como data limite o pagamento da verba, o que de certa forma coloca um requisito que não consta da norma, posto que, conforme ponderei acima, a norma é omissa quanto a esse aspecto. Assim, também nesse caso o intérprete acaba por fixar um marco que, no entender daqueles que defendem essa tese, vem a se configurar em um subjetivismo. Tal fato revela uma grande contradição para essa solução exegética. Muito mais problemática para mim, no entanto, é a fixação de um momento dentro do período aquisitivo que seria aceitável para delimitar a data limite para formalização do acordo. Nesse caso, aí se sim, com o perdão dos que defendem esse raciocínio, entrase no total subjetivismo, posto que o critério passa a ser unicamente a cabeça do aplicador da lei. Eu posso achar que três meses é um prazo razoável para fechar a negociação, outros ao revés, atendose as peculiaridades do caso concreto, tomarão seis meses como período razoável e alguns poderão entender que, para situações limite, um ano ainda é pouco. Temendo ser um pouco repetitivo, volto a enfatizar que a apreciação dessa questão não deve apenas se ater ao direito imediato do empregado de receber a PLR, mas também ao seu direito de não ter verbas salariais transmudadas em participação nos lucros, bem como o direito do fisco de evitar que as práticas nocivas ao erário e, por fim, o direito da sociedade brasileira de obter melhorias nas relações entre capital e trabalho, com consequente aumento geral da produtividade. Ouso ainda discordar daqueles que têm defendido a tese de que se já era do conhecimento dos trabalhadores os termos a serem apostos no acordo, deve ser dado um tratamento diferenciado a essa situação. Esse entendimento não se coaduna com a norma de regência, por um simples motivo: a lei privilegia a negociação coletiva, seja com ente sindical ou em comissão específica. Nestas negociações, acredito que deva ser assim, são colocadas as propostas das partes e estas buscam chegar a um acordo, que, via de regra, resulta em um meio termo entre as proposições colocadas na mesa. Todavia, nada impede que até a formalização do ajuste uma das partes resolva retirar sua proposta e as negociações retroajam. Assim, pelo fato de não haver previsão legal para que as cláusulas costumeiramente acordadas em processos anteriores venham a ser incorporadas ao novo acordo, não há espaço interpretativo para que se flexibilize a necessidade de acordo prévio em razão do suposto conhecimento dos empregados acerca das regras a serem inseridas nos acordos para pagamento da PLR. Raciocínio similar vem sendo acolhido, registrese, nos recentes julgamentos da CSRF sobre o assunto, dentre os quais cito, ilustrativamente, o Acórdão nº 9202004.308 (j. 21/07/2016). Então, nos casos em que o cumprimento dos objetivos negociado envolvem a realização de determinada conduta por parte dos beneficiários, ainda que dimensionadas por setor/área da companhia, não vejo reparos a fazer nessas bem colocadas razões. Não acompanho esse entendimento, contudo, no tocante aos planos de PLR nos quais os pagamentos acordados estão desvinculados de um comportamento volitivo comprometido com o alcance de determinados objetivos. Por exemplo, quando se estabelece que os empregados de uma empresa perceberão dado PLR se aquela atingir determinados índices de lucratividade. Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.204 71 Vejase que não há como estabelecer um liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários. Recordese, caso necessário, que o lucro, seja econômico ou contábil, é um conceito dimensionado com base em uma multiplicidade de variáveis, tais como receitas, despesas, custos, ativo, passivo, obrigações diversas, dependendo fortemente de fatores totalmente fora do controle da empresa, e às vezes até mesmo do mercado no qual ela opera (por exemplo, políticas governamentais macroeconômicas, etc.) Nessas situações, então, prepondera no PLR o aspecto de instrumento de integração capital e trabalho, visto que do empenho de ambos são colhidos os lucros auferidos no período, sendo apenas indiretamente contemplada a função de incentivo à produtividade. Já no PLR cujas metas estão atreladas ao desempenho individual de uma maneira mais direta e concreta, como o alcance de incremento no índice de vendas por setor, por exemplo, a faceta predominante é a de incentivo à produtividade, sendo a integração capital e trabalho naturalmente reflexa com o ulterior aumento nos lucros e/ou resultados a serem distribuídos, decorrente desses aumentos de produtividade tomados em seu conjunto. Planos com essas características requerem assim que suas regras e condições sejam claramente delineadas antes do período de aferição, para que atenda aos preceitos de incentivar a produtividade, e indiretamente, estimular a integração capitaltrabalho. Diversamente, nos planos em que o PLR é mensurado com base em critérios em grande medida independentes da uma prédeterminada atuação dos trabalhadores, ou seja, revestindose de feição mais propriamente corporativa, deve ser relativizada a exigência mais acima frisada. Vale dizer que nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletiva, muitas vezes adentrando no anocalendário de sua vigência, tendo em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Não por acaso, a própria Lei nº 10.101/00, quando se refere objetivamente à necessidade de ajuste prévio, o faz com referência aos programas de metas, resultados e prazos especificados no inciso II do artigo, de maneira apartada, assim, da menção aos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, referidos no seu inciso I, verbis: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, Fl. 3240DF CARF MF 72 período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) (grifei) Na espécie, constatase que não havendo sido comprovado que os Programas Específicos Programas SIM e respectivo SuperRanking, Programas específicos relacionados em Anexos e PPG foram firmados, bem como suas regras e condições delineadas, antes do início do período a que se referem, desatendem eles os preceitos da Lei nº 10.101/00, motivo o qual, por si só, é suficiente para caracterizar os pagamentos neles baseados como sendo de caráter remuneratório. De sua parte, as convenções coletivas estabeleciam o pagamento de PLR aos funcionários com esteio nos lucros dos períodos, sendo que, na sua ausência, nada seria pago sob aquele título. Também os PPRS (Programa de Participação nos Resultados Santander) previstos nos acordos coletivos eram baseados no atingimento de fatores relacionados ao lucro, o chamado ROE (relação entre lucro líquido e patrimônio líquido). Tendo em vista as razões mais acima expendidas, tenho que os valores de PLR pagos com base nas Convenções Coletivas, e nos PPRS atrelados aos Acordos Coletivos, não podem ser tidos por remuneratórios somente com amparo no critério "ausência de acordo prévio", ou seja, por terem sido celebrados os correspondentes instrumentos no curso do ano calendário a que eles se referem. Distintamente, os Programas Específicos Programas SIM e respectivo SuperRanking, Programas específicos relacionados em Anexos e PPG, além das questões já levantadas acerca da negociação e participação sindical, carecem de qualquer assinatura vinculada a data aposta nos respectivos instrumentos para fins de se aferir sua anterioridade frente aos períodos a que se referem, sendo, também sob esse prisma, incompatíveis com as disposições legais de regência de PLR. Assim, entendo deva ser excluída da autuação, para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos vinculados às convenções e aos PPRS estabelecidos nos acordos coletivos de trabalho, efetuados a título de PLR. No mais, saliento que acompanho o relator no que concerne aos temas existência de regras claras e objetivas, possibilidade de pagamento com base em dois planos observados os demais requisitos legais e ainda que por razões somente em parte convergentes, no atinente à inexistência de substituição de salário. Da participação nos lucros e resultados pagas aos diretores não empregados. O inciso XI do art. 7º da Constituição Federal (CF) preconiza que dentre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, temse a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.205 73 Essa norma está inserta no Capítulo II da Carta Maior, denominado "Dos Direitos Sociais", e visa à proteção não de qualquer trabalhador, mas sim daquele que apresenta vínculo de subordinação, como ressaltam Canotilho e Vital Moreira3: (...) a individualização de uma categoria de direitos e garantias dos trabalhadores, ao lado dos de caráter pessoas e político, reveste um particular significado constitucional, do ponto em que ela traduz o abandono de uma concepção tradicional dos direitos, liberdades e garantias como direitos do homem ou do cidadão genéricos e abstractos, fazendo intervir também o trabalhador (exactamete: o trabalhador subordinado) como titular de direitos de igual dignidade. Com efeito, os direitos dos trabalhadores explicitados nos incisos do art. 7º da CF não contemplam sem restrições, todos os trabalhadores, mas sim os trabalhadores subordinados, conforme destaca também Uadi Lammêgo Bulos em seu "Curso de Direito Constitucional" (11ª edição, 2018, Ed. Saraiva, p. 825). Reiterese então que esses direitos, tais como o décimo terceiro salário e a licençapaternidade, são voltados aos trabalhadores com vínculo de subordinação4, sem que seja sequer cogitada 'discriminação' pelos não alcançados pelas normas ali contidas, tais como os profissionais liberais, para citarse apenas um dentre os vários exemplos possíveis. Também o § 4º do art. 218 da CF reforça a compreensão de que a participação nos lucros e resultados é dirigida ao trabalhador subordinado. Esse parágrafo veicula previsão de participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade, regrando que a lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado e não ao trabalhador não subordinado desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Diante desse quadro, descortinase, como decorrência de caráter constitucional, que diretores não empregados não estão sob o alcance do instituto regrado pelo inciso XI do art. 7º, norma de eficácia limitada que passou a adquirir seus contornos mais definitivos com o advento da MP nº 794/94. Por sua vez, o art. 2º da Lei nº 10.101/00, que a partir de sua edição passou a regrar a participação nos lucros e resultados constitucionalmente prevista, restringe claramente, em consonância com o acima explicado, esse benefício apenas aos empregados. Atentese que a lei não faculta, como parecem entender alguns, a negociação entre empresa e seus empregados, mas determina "será' que ela seja realizada para que se possa falar em acordo sobre lucros ou resultados. Ou seja, o legislador previu, como não poderia deixar de ser, como pressuposto lógico, que existam partes a princípio contrapostas, mas que procuram negociar e por meio de tal negociação atinjam um patamar de colaboração e integração, com a 3 CANOTILHO, J.J. Gomes, MOREIRA, Vital. Constituição dirigente e vinculação do legislador. Coimbra: Coimbra Editora, 1994, p. 285. 4 Cabendo registrar que o § 3º do art. 39 da CF estende alguns desses diretios aos servidores públicos. Fl. 3242DF CARF MF 74 participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Não existe negociação consigo mesmo, salvo, talvez, na esfera íntima do indivíduo. A redação desse artigo, aliás, evidencia muito claramente ser o empregado o destinatário da norma, pois como defender que o diretor estatutário, representante do poder de da empresa que subordina, poderia participar de negociação sob as vestes simultâneas de empregador/empregado (trabalhador ou empregado em sentido amplo, caso assim se admita)? Curioso seria imaginar, por exemplo, uma comissão paritária formada por representantes dos diretores estatutários/trabalhadores diretores também, por suposto que fossem negociar PLR com os outros diretores estatutários, ou ainda, com eles mesmos, só que aí assumindo os papéis de representantes dos empregadores. Tudo isso, sob as vistas de um representante indicado pelo sindicato, algo despiciendo na insólita situação criada. A prosperar tal tese, o comando da empresa, composto por diretores nessa condição alçados pelo estatuto, poderia, a seu talante, concederse aumentos indiscriminados a título de premiação, e, alegando "autonegociação", a propósito, buscar granjear as benesses tributárias correspondentes, em prejuízo da seguridade social. Com a devida vênia, carece de razoabilidade tal exegese. Não se vislumbra, no mais, tratamento diferenciado ou mesmo inconstitucional com relação ao diretor empregado, pois este se despe dessa condição na medida em que assume cargo com poder de mando na empresa, como já reconhecido em enunciado sumular pelo Tribunal Superior do Trabalho: Súmula TST nº 269: O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. Isso porque, uma vez eleito para o cargo de diretoria, o empregado que passa a ser diretor estatutário não pode assumir o papel de emprego e empregador de si próprio. Não há, assim, qualquer inconstitucionalidade a distinguir trabalhadores em razão de sua ocupação ou função, mas sim de aplicação plena do princípio da legalidade, diferenciando os desiguais na medida da desigualdade, em observância ao primado dos direitos sociais tal como insculpidos em sede constitucional. À luz dessas constatações, e a par delas, deve ser lembrado que diretores não empregados são segurados obrigatórios da previdência social, na categoria de contribuintes individuais, a teor da alínea "a" do inciso I do art. 195 da CF, c/c a alínea "f" do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Nessa qualidade, o correspondente saláriodecontribuição é a remuneração auferida durante o mês, sendo a contribuição a cargo da empresa calculada com base no total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, forte nos incisos III dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, não lhes sendo aplicável o benefício previsto na alínea "j" do § 9º do art. 28 desse diploma, tendo em vista ser a lei específica requerida nesse dispositivo a Lei nº 10.101/00, a qual, conforme explanado, não contempla trabalhadores não empregados. Como fecho desse tópico, registro que a Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, em nenhuma parte de seu texto tratou da tributação das contribuições Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.206 75 previdenciárias em relação a remuneração dos segurados contribuintes individuais por parte das empresas, e nem o poderia fazer, pois a instituição e o regramento de contribuições para a seguridade social requer lei ordinária específica, competência essa exercida pela União com a edição da Lei nº 8.212/91. Essa lei, em seu artigo 152 e parágrafos, estabeleceu somente normas sobre a forma de remuneração dos administradores das Sociedades por Ações, não versando, assim, sobre a incidência das contribuições em comento. Cumpre lembrar, aliás, que o RE nº 569.441/RS, j. 30/10/2014, firmou a Tese de Repercussão Geral nº 344 (de observância obrigatória para este Colegiado por força do art. 62 do RICARF): Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7º, XI, da Constituição Federal de 1988. Temse, então, que a lei regulamentadora da participação nos lucros ou resultados prevista constitucionalmente é a Lei nº 10.101/00 (conversão da MP nº 794/94), conforme já assentado pelo STF, em compreensão partilhada também pelo STJ no AgRg no AREsp nº 95.339/PA, j. 20/11/2012. Portanto, não há reparos a fazer na exigência fiscal, nesse ponto. Do hiring bonus Ao contrário do que concluiu o D. relator, não me parece que a fiscalização tenha deixado de abordar as questões fáticas necessárias a sustentação de sua tese respeito do tema, pois circunstanciou adequadamente ter encontrados nas folhas de pagamento e na contabilidade à rubrica nº 765, atinente ao hiring bonus, indo além, inclusive, ao analisar os contratos a ela vinculados. Nesse sentido, vejase os documentos reunidos às fls. 2011 e ss dos autos. E, a respeito da matéria, esta Turma já se pronunciou no Acórdão nº 2402 005.392 (j. 13/07/2016), do qual extraio o seguinte excerto, por comungar com o entendimento ali exarado, e por bem se aplicar ao caso examinado: Na minha visão, para esse caso específico o bônus de contratação assemelha se a um adiantamento de remuneração, o qual vai se incorporando ao salário do segurado ao longo do seu tempo de prestação de serviço. Analisemos o que dispõe o inciso I do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991, que trata da base de cálculo da contribuição incidente sobre a remuneração do empregado: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 3244DF CARF MF 76 (...) De se concluir que esse tipo de pagamento, independente da nomenclatura utilizada, subsumese ao conceito de saláriodecontribuição acima reproduzido, posto que é um rendimento pago como forma de atrair o empregado e que, malgrado seja disponibilizada ao beneficiário em parcela única, há a necessidade da prestação de serviço para que o valor incorporese totalmente ao seu patrimônio, posto que, caso não cumpra o prazo de permanência mínima na empresa estabelecido contratualmente, terá que devolver total ou parcialmente o valor transferido. Não há dúvida de que a configuração fática revela não uma verba de natureza indenizatória, mas um pagamento que é efetuado como antecipação salarial pelo tempo que o segurado deve permanecer vinculado à empresa, o que revela sua feição nitidamente remuneratória. Ora, o fato de ficar claro no acordo do pagamento do hiring bonus que tais valores são um adiantamento pelo período futuro em que o empregado deverá ficar vinculado à empresa, já demonstra forte indício de que existe uma vinculação do seu pagamento à contraprestação pelo serviço. No presente caso vêse sem dúvida uma remuneração antecipada. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu art. 457, prescreve que compõe o salário toda contraprestação pelo trabalho do empregado. Tal premissa nos leva a indagar a que título o bônus de contratação é pago. A contratante paga um bônus de contratação (no caso denominado hiring bônus) para atrair e manter por um período em seus quadros um profissional reconhecidamente competente no seu ramo. Pretende dispor do trabalho do profissional por um tempo e comprometese a pagar uma quantia adicional em relação ao salário contratado. Portanto, de um lado temos a empresa oferecendo uma quantia ao trabalhador e de outro temos o empregado que deverá ficar vinculado à nova contratante por um período. Dessa configuração emerge a natureza contraprestacional do bônus. Esse entendimento tem sido também adotado nas cortes trabalhistas, onde se entende que os pagamentos em questão se assemelham as luvas do atleta profissional, que não têm natureza de indenização, mas de pagamento vinculado à performance do trabalhador no cumprimento do seu contrato de trabalho. Vale a pena trazer à colação as seguintes decisões do TST: "INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO LUVAS .NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso da Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista conhecido e provido, no particular. (TSTRR5674138.2003.5.04.0028, 4ª Turma, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, DEJT 01.4.2011)" " RECURSO DE REVISTA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE LUVAS. NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso do Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista não conhecido. (RR 15260058.2009.5.15.0095, 4ª Turma, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, DJ de 19.04.2013)" Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 16327.720119/201544 Acórdão n.º 2402006.068 S2C4T2 Fl. 3.207 77 " RECURSO DE REVISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO PAGO NO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO. "LUVAS". NATUREZA JURÍDICA. O valor pago a título de empréstimo, formalizado por meio de contrato de mútuo, com a finalidade de tornar mais atrativa a contratação de empregado bancário, equipara se às luvas pagas aos atletas profissionais, razão por que tem nítida natureza salarial e, não obstante o pagamento ter ocorrido uma única vez, a parcela deve integrar a remuneração da autora para todos os efeitos. Recurso de revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR1336 98.2012.5.03.0005, 6ª Turma, Relator Ministro Aloysio Correia da Veiga, DJ de 16.04.2014)" Também não deve ser aceita a afirmação de que os ganhos seriam eventuais e, por esse motivo, excluídos do saláriodecontribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991. A eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no dispositivo citado, significa que as vantagens para o segurado decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, digam respeito à ocorrência de caso fortuito. Como se pode ver da pesquisa efetuada no Dicionário Michaelis: Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. Não encontro qualquer traço de eventualidade no pagamento de bônus de contratação , haja vista que estes decorrem de contrato firmado entre empresa e empregado para manutenção do trabalhador a serviço do empregador por um tempo previamente ajustado. Acrescentese que o fato de haver previsão contratual de devolução dos valores em caso de pedido de demissão ou dispensa por justa causa, antes do prazo estabelecido no momento da avença (ver as "proposta de contratação" ilustrativas às fls. 2012 e ss), além de se tratar de acerto privado que não influencia a incidência de contribuições previdenciárias, desvela, de modo claro, a inexistência do caráter indenizatório defendido pelo contribuinte. Também deve ser afastada a associação entre os valores em discussão e espécie sui generis de indenização restituível, pois o que se constata é que a percepção dessas quantias tem como pressuposto necessário a realização da prestação de serviço durante determinado período, possuindo daí nítida natureza retributiva. Importa registrar que a Lei de Custeio exigiu o requisito de habitualidade somente para as utilidades. E, de sua parte, a obrigatoriedade de prestação de serviços por determinado período de tempo, sob pena de devolução do montante em questão, aponta para a ausência de caráter gracioso ou eventual do pagamento, e para a existência de uma gratificação ajustada antecipadamente, vinculada à prestação de serviço a ser efetuada. Ou seja, ao invés de receber mês a mês tal valor, o beneficiário recebe previamente a remuneração estabelecida, de acordo com as expectativas incorporadas no texto da proposta de contratação. Reiterese que, quanto à pretensa eventualidade a atrair a incidência do disposto no item 7 da alínea 'e' do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não verifica ela na espécie, pois como bem frisado pela decisão de piso, há conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição estabelecida para o seu recebimento, a prestação de serviços para o empregador durante dado período. Fl. 3246DF CARF MF 78 A jurisprudência recente do CARF vem caminhando nessa senda, como atestam os Acórdãos nº 2401003.708 (j. 07/10/2014), nº 2402005.274 (j. 11/05/2016) e nº 2202003.438 (j. 14/06/2016). Cumpre destacar, ao final, recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema Acórdão nº 9202005.156, j. 25/01/2017 no qual o voto vencedor aborda com lucidez o conceito de ganho eventual: Entendo que somente os pagamentos que não guardam relação com o contrato de trabalho podem ser tidos por ganhos eventuais desvinculados, devendo decorrer de condições específicas de um trabalhador, como por exemplo destinação de valores em eventos de doença e outros sinistros fortuitos, sem relação direta ou indireta pela prestação de serviços. Não há dúvida de que o pagamento de bônus de contratação Hiring bônus, ou mesmo, gratificação em razão da admissão do empregado (utilizados por algumas empresas) tem relação direta com o vínculo contratual estabelecido entre as partes, e o seu principal objetivo é atrair profissionais para o quadro funcional da empresa, representando, a bem da verdade, um pagamento antecipado pela futura prestação de serviço do trabalhador. Nesses termos, peço vênia para divergir do D. Relator e encaminhar voto no sentido de negar provimento ao recurso no particular. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação, em relação a cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos de PLR vinculados às convenções e PPRS previstos nos acordos coletivos de trabalho. E, no que se refere às demais matérias preliminares e de fundo, acompanho o encaminhamento do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3247DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.932258/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: 04845811391 - CPF não encontrado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado 1 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para compensação de débitos. O crédito provém do recolhimento em 28/12/2006, de R$ 411.500,61 de 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, do mês 12/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 32 25 8/ 20 09 -8 1 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.932258/200981 Resolução nº 1201000.420 S1C2T1 Fl. 3 2 2. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. 4. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA IN SRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 5. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 6. Assevera que a DIPJ e DCTF comprovam o pagamento a maior da estimativa mensal; que a aplicação da IN SRF nº 600, de 2005, não tem sido recepcionada nas instâncias superiores de julgamento. 7. Descreve que, tanto as pessoas jurídicas como as pessoas físicas fazem a consolidação da renda auferida durante o ano para, conforme determinações legais, fazer o cálculo do ajuste anual do imposto devido ou imposto a ser restituído e compensado; que, para facilitar a gestão desses tributos, inclusive beneficiando o fluxo de caixa das empresas e do próprio Governo Federal, foi criada a sistemática de recolhimento antecipado do IRPJ e da CSLL, no regime de estimativas mensais pelo qual as Pessoas Jurídicas ficaram obrigadas a ANTECIPAR mensalmente valores de Imposto de Renda/ CSLL; e, uma vez apuradas e pagas as estimativas mensais, caso no final do período o imposto devido seja inferior ao recolhido mensalmente, o contribuinte poderá utilizar esse valor pago a maior na forma de "saldo negativo" do imposto/contribuição; e se o contribuinte recolher um valor a maior do que a estimativa apurada, é certo que esse pagamento será indevido, podendo o valor excedente ser restituído ao contribuinte. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10980.932258/200981 Resolução nº 1201000.420 S1C2T1 Fl. 4 3 8. Frisa que o pagamento indevido não está condicionado ao período de apuração anual, mas decorre do pagamento do imposto em valor superior ao efetivamente apurado para determinada estimativa. 9. Argumenta que, como esses pagamentos a maior não foram utilizados para a compensação das estimativas subsequentes e nem para a composição do saldo negativo do período, é líquido e certo o direito da Recorrente em utilizálos na compensação de outros tributos. 10. Aponta ilegalidade da IN SRF nº 600, de 2005, dado que, conforme comando inserto no art. 165 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributaria aplicável; da mesma forma, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, garante a restituição de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, cujo recolhimento tenha se mostrado superior ao exigível. 11. Transcreve Acórdãos do CARF e de DRJ em apoio à sua tese. 12. Reportase à IN SRF nº 900, de 2008, que veio corrigir o cenário, permitindo a compensação de pagamentos indevidos e não a condicionando ao uso dos valores na composição do saldo negativo, pois suprimiu o art. 10 da IN anterior; as autoridades administrativas passaram a decidir pela aplicação retroativa da IN SRF nº 900, de 2008. 2 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.417, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10980.934190/200974, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório requerido no presente processo tem como origem o DARF recolhido em 28/12/2006 , relativo ao 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal, no valor de R$ 411.500,61 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.417): "2.1 LOTE. 13. O processo nº 10980.934190/200974, foi elaborado visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do Lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: 10980.932255/200947 10980.932260/200950 10980.932256/200991 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.932258/200981 Resolução nº 1201000.420 S1C2T1 Fl. 5 4 10980.932258/200981 10980.934191/200919 10980.932263/200993 10980.934189/200940 14. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ destes processos que compõem o lote são de teor idêntico. 2.2 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. VALOR INDEVIDO OU A MAIOR. 15. A IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinava que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 16. O art supra foi suprimido pela IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005. 17. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.932258/200981 Resolução nº 1201000.420 S1C2T1 Fl. 6 5 originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 18. Na sessão realizada em 10/12/2012, foi aprovada pela Primeira Turma da CSRF a Súmula CARF nº 84: Súmula Acórdãos paradigma Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. 19. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.932258/200981 Resolução nº 1201000.420 S1C2T1 Fl. 7 6 conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 20. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 DIREITO CREDITÓRIO. 21. O valor requerido se refere a estimativa mensal informada no processo nº [...] como tendo sido recolhida em [...], via DARF, no valor total de [...], mas cujo comprovante de arrecadação não consta do processo, e tampouco foi objeto de verificação/confirmação. O contribuinte anexou a Ficha 11 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário e a ficha de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referentes à estimativa em pauta, ambas retificadoras. As datas de transmissão de todas as peças do processo são: a. PER/Dcomp [...]; b. DIPJ retificadora [...]; c. DCTF retificadora [...]; d. ciência do despacho decisório [...], portanto as declarações supra foram espontâneas. 22. Sobre declarações retificadoras, determina a IN SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. (...) § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF No 094, de 24 de dezembro de 1999; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2º A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF, deverá Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.932258/200981 Resolução nº 1201000.420 S1C2T1 Fl. 8 7 apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Art. 3º Quando a retificação da declaração apresentar imposto maior que o da declaração retificada, a diferença apurada será devida com os acréscimos correspondentes. Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. 23. Consoante a IN SRF nº 166, de 1999, as declarações retificadoras substituem integralmente as originais, produzindo os mesmos efeitos; verificase que foram espontâneas, pois entregues antes da ciência do despacho decisório. 24. Porém, em se tratando do reconhecimento de direito creditório, e como a discussão se ateve ao direito ou não ao crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, verificase que não houve em momento algum a análise visando confirmar o direito creditório requerido. 25. Consta da DIPJ [...], da qual a Ficha [...], foi anexada, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduz os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 26. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 8 (oito) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2006 e 2005. 27. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 28. Há necessidade que: a. se confirmem os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações (verificase que em algumas partes de DCTF anexadas nos processos do lote consta que o pagamento se deu mediante "Outras compensações", sem informar o PER/Dcomp onde tal compensação teria sido declarada), que devem ser verificadas; b. se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; c. consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.932258/200981 Resolução nº 1201000.420 S1C2T1 Fl. 9 8 verificar ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; d. se verifique se eventuais saldos negativos anuais resultantes já não teriam sido objeto de Per/Dcomp; e. emitir Parecer acerca do pedido constante do PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passivel de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. f. cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. 3. Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000385/2004-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/1999
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO PELO CARF EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO RECONHECENDO O DIREITO AO CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO NO LIMITE A SER DEFINIDO QUANDO DA EXECUÇÃO DO TEOR DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO 303-31.074. DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO FIXADA EM ACÓRDÃO EXARADO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL.
Reconhecido o direito creditório, pela Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, em sede de embargos declaratórios, inclusive fixando os índices de correção monetária para a atualização do citado direito creditório (Embargos de Declaração no Acórdão nº 303-31.074 - Recurso nº 124.258) e, ainda, havendo reconhecimento do mesmo crédito por decisão judicial transitada em julgado, crédito este objeto de pedido de restituição na esfera administrativa, ao qual está atrelado o pedido de compensação com débitos de terceiros, é forçoso reconhecer-se o direito creditório, nos estreitos limites do valor a ser aferido no processo administrativo onde se encontra o pedido de restituição, nos termos da decisão exarada nos Embargos Declaratórios, para que se possa realizar o encontro de contas e efetivar-se, ainda que parcialmente, a compensação pleiteada.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Como acessórios, devem seguir o principal apurado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado como redator do voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
Ari Vendramini - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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CRÉDITO RECONHECIDO PELO CARF EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO RECONHECENDO O DIREITO AO CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO NO LIMITE A SER DEFINIDO QUANDO DA EXECUÇÃO DO TEOR DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO 30331.074. DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO FIXADA EM ACÓRDÃO EXARADO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. Reconhecido o direito creditório, pela Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, em sede de embargos declaratórios, inclusive fixando os índices de correção monetária para a atualização do citado direito creditório (Embargos de Declaração no Acórdão nº 30331.074 Recurso nº 124.258) e, ainda, havendo reconhecimento do mesmo crédito por decisão judicial transitada em julgado, crédito este objeto de pedido de restituição na esfera administrativa, ao qual está atrelado o pedido de compensação com débitos de terceiros, é forçoso reconhecerse o direito creditório, nos estreitos limites do valor a ser aferido no processo administrativo onde se encontra o pedido de restituição, nos termos da decisão exarada nos Embargos Declaratórios, para que se possa realizar o encontro de contas e efetivarse, ainda que parcialmente, a compensação pleiteada. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Como acessórios, devem seguir o principal apurado. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 85 /2 00 4- 02 Fl. 315DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado como redator do voto vencedor o Conselheiro Ari Vendramini. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. (assinado digitalmente) Ari Vendramini Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1612.159, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido, em parte: DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos fatos de fls. 3, assim relata a Fiscalização: Em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. PIS (INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS) FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE PIS Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16327.000385/200402 Acórdão n.º 3301004.610 S3C3T1 Fl. 316 3 Lançamento efetuado decorrente de representação fiscal constante do processo n°13804.004156/9923. A incorporada Cartão Unibanco Ltda, CNPJ 34.163.683/000110, deixou de recolher o PIS pois pretendia compensar o débito com crédito de terceiros. A autoridade administrativa indeferiu o pedido conforme despacho constante do processo n° 10.660.001897/9955. Cientificado da decisão o contribuinte não recolheu o débito, conforme informações do despacho. Lançamento que se efetua com base no artigo 90 da MP n°2158 35.35. Em face do acima exposto, foi efetuado o seguinte lançamento, relativo ao período base de 31/10/1999: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 26 de março de 2004 (AR fl s. 11), a empresa interessada, por meio de seu advogado regularmente constituído (fl. 58/60), apresentou, em 26 de abril de 2004, a impugnação de fls. 14 a 25, acompanhada dos documentos de folhas n°26 a 127, alegando em síntese o seguinte: Equivocada a premissa em que se fundamentou o Sr. Auditor Fiscal para a lavratura do auto em questão, uma vez que não houve, como suposto, o referido indeferimento que tornaria insubsistente a compensação efetuada, como se passa a demonstrar. DOS FATOS A empresa autuada realizou a compensação de PIS com crédito fiscal líquido, certo e exigível, decorrente de decisão judicial transitada em julgado (Processos n°89.00084143 e 90.00123062), nos termos da IN SRF n°21 de março de 1997. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Em 24/12/03, sem ter tomado ciência de qualquer despacho de indeferimento, a autuada, verificando o retorno, indevido, dos autos a São Paulo, requereu que a exigibilidade dos créditos tributários de COFINS fosse mentidos suspensos até decisão final do processo n°10660.001897/9955, objeto dos créditos havidos por cessão. Tudo nos termos do disposto no art. 17 da MP n°135/03, que deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 9430/96. Fl. 317DF CARF MF 4 Dúvidas não pairam de que a exigibilidade dos créditos de PIS, objeto do pedido de compensação consubstanciado no processo n° 13804.004156/9923, porque totalmente dependente do processo n° 10660.001697/9955, permanece suspensa até decisão final do Conselho de Contribuintes. Salientese que, em 13/01/04, foi publicada decisão do Conselho de Contribuintes nos autos do processo n° 10660.001697/9955 que reconheceu o equívoco incorrido, cuja ementa, in verbis, transcrevemos: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte no fato da a autoridade administrativa local, a DRF/VGA haver deixado de apreciar a matéria contida em uma das sentenças judiciais trazidas no pedido inicial de restituição dos valores recolhidos a título de contribuição sobre a exportação de café. PROCESSO DECLARADO NULO, A PARTIR DO DESPACHO DECISÓRIO N°10660.2388/2000, de fls. 1119/1123, inclusive" O lançamento em tela é manifestamente nulo por fundamentarse em fato inexistente. Ademais, inexigível o pretendido pagamento de COFINS, diante dos fatos já relatados, descabida a aplicação das penalidades impostas, uma vez que o inadimplemento ou mora, no caso, como demonstrado não ocorreu. DO DIREITO DA LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO EFETUADA PELA AUTUADA A compensação é forma de extinção do crédito tributário nos termos do que dispõe o art . 156, II, do CTN e disciplinada pelo art. 66 da Lei n°8383, de 30/12/91. A INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Na hipótese de suspensão da exigibilidade, como é o presente caso, ao Fisco é assegurado, apenas, o direito de constituir o crédito a fim de prevenir a decadência, apurando o valor do tributo em questão (Cita ementa do CC às fl s. 17 e do STJ, às fls. 18). Destarte, não pode prevalecer o auto de infração, ora impugnado, também no que diz respeito aos acréscimos de multa de oficio e dos juros moratórios calculados à taxa SELIC, tendo em vista que a exigibilidade permanece suspensa, como sobejamente demonstrado. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer seja a presente impugnação acolhida, a fim de determinarse o cancelamento do auto de infração impugnado, com a conseqüente desconstituição do crédito tributário de PIS que representa, inclusive quanto às penalidades indevidamente aplicadas, bem como o arquivamento do correspondente processo. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16327.000385/200402 Acórdão n.º 3301004.610 S3C3T1 Fl. 317 5 Caso assim não se entenda, requerse, ao menos, seja o presente processo suspenso até a decisão definitiva a ser proferida nos autos do Processo n° 10660.001697/9955 (sic), em que se deverá reconhecer o crédito havido por cessão pela autuada e, conseqüentemente, definitivamente extinto o crédito de PIS em questão. (Grifos do original). O citado acórdão decidiu pela procedência do lançamento, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível cogitarse de nulidade do Auto de Infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO. A legislação de regência, vigente à época da autuação, impõe o lançamento de oficio do crédito tributário, quando não homologada a compensação pretendida pelo sujeito passivo. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de compensação, com créditos de terceiros, não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação às hipóteses descritas no art. 151, do CTN. MULTA DE OFÍCIO.APLICAÇÃO. Aplicase a multa prevista no a rtigo 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário cuja compensação não foi homologada. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. Lançamento Procedente Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando parte dos argumentos trazidos na impugnação. Em síntese: Fl. 319DF CARF MF 6 preliminarmente, defende ser o lançamento manifestamente nulo por se fundamentar em fato inexistente; e, no mérito: aduz a legalidade da compensação com base na norma, entende pela suspensão da exigibilidade de seu débito em decorrência da inexistência de decisão administrativa definitiva no processo 10660.001897/9955 e defende a inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros de mora. Ao final, pugna pelo cancelamento da autuação ou, ao menos, pela suspensão do presente processo, até decisão final no processo acima referido. Em 2010, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção emitiu Resolução nº 340300.038, convertendo o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o feito até decisão nos autos do processo número 10660.1697/9955 (errou o relator da resolução: o processo ao qual se refere a contribuinte é o 10660.001897/9955). Em função da solicitada diligência, foi juntado a Acórdão n° 9303004.351 da 3ª Turma do Câmara Superior deste Carf. Tal Acórdão nega conhecimento a parte do Recurso Especial da Fazenda Nacional e na parte conhecida, negalhe provimento, em decisão assim ementada: Em 10/10/2017, a contribuinte solicitou a juntada dos seguintes documentos: "Ped Comp com Crédito Terceiro (10660.001897/9955)"; "DARFSIAFI"; "Extrato do Processo 10660.720301/201790"; e "Despacho n° 120/2017 RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC". O primeiro documento é um "PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS", sendo o contribuinte detentor do crédito, a "EXPORTADORA PRINCESA DO SUL"; o "Nº DO PROCESSO DO PROCESSO EM QUE CONSTA O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU RESSARCIMENTO" 10.666001897/9955; o contribuinte devedor "CARTÃO UNIBANCO LTDA" CNPJ (34.163.683/000110) e a "DISCRIMINAÇÃO DOS DÉBITOS", a arrolada abaixo: Do segundo arquivo constam dois DARFsSIAFI, exatamente nos valores dos débitos discriminados acima, datados de 2017: Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16327.000385/200402 Acórdão n.º 3301004.610 S3C3T1 Fl. 318 7 [...] O terceiro documento é extrato do processo 10660.720301/201790, de 20/09/2017, posterior portanto aos DARF acima, dando conta da extinção de créditos tributários exatamente nos valores dos débitos discriminados acima. O último deles é o "Despacho no 120/2017 RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC", emitido em Varginha, em 17 de julho de 2017. Os DARFs expostos se referem ao CARTÃO UNIBANCO e ao processo 10660.720301/201790, o mesmo do extrato mencionado. Deste processo consta o despacho acima referido, no interesse do CARTÃO UNIBANCO LTDA, o qual esclarece que: [...] foi formalizado com a finalidade de viabilizar o encontro de contas e a operacionalização da compensação dos débitos relacionados no(s) Pedido(s) de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, referente à empresa acima identificada, os quais foram protocolados no eprocesso nº 10660.001897/9955, cujo detentor do crédito é a empresa Exportadora Princesa do Sul Ltda, CNPJ nº 25.865.247/000100. Os débitos foram cadastrados neste processo visando agilizar o procedimento de compensação, tendo em vista a grande quantidade de terceiros envolvidos na compensação, sendo que os mesmos débitos também Fl. 321DF CARF MF 8 estão controlados nos processos nº 16327.000385/200402 e 16327.000384/200450 sendo que na época do cadastramento estavam localizados no CONSELHO ADMINIST RECURSOS FISCAISMFDF. Visando não causar prejuízo a empresa identificada em epígrafe, após o cadastramento dos débitos foi informado no sistema SIEF questionamento/revisão de lançamento para suspensão da cobrança dos débitos cadastrados. Observando que após a compensação efetuada o presente processo seria encaminhado à jurisdição para providências relativas aos débitos dos processos nº 16327.000385/200402 e 16327.000384/200450. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16327.000385/200402 Acórdão n.º 3301004.610 S3C3T1 Fl. 319 9 Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado já foi verificado quanto aos pressupostos de admissibilidade1. Preliminar Preliminarmente a recorrente defende ser o lançamento manifestamente nulo. Conforme relatado, defendeu, em impugnação, ter havido decisão do Conselho de Contribuintes no processo n° 10660.001897/9955, dado pela nulidade de decisão da DRF/VGA, por "haver deixado de apreciar a matéria contida em uma das sentenças judiciais trazidas no pedido inicial de restituição, sendo "o lançamento em tela é manifestamente nulo por fundamentarse em fato inexistente". E relata os fatos: O crédito fiscal utilizado para a compensação de seus débitos foi recebido por meio de cessão de crédito da Empresa Exportadora Princesa do Sul Ltda. e a compensação devidamente comunicada à Delegacia da Receita Federal da jurisdição da autuada, nos termos da referida Instrução Normativa. O pedido de restituição cumulado com compensação foi protocolado em 12 de novembro de 1999 pela Empresa Exportadora Princesa do Sul Ltda. — cedente do crédito compensado — perante a Delegacia da Receita Federal de Varginha/MG (processo n° 10660.001694/9955). 0 crédito objeto do pedido fundamentase em sentença judicial transitada em julgado que reconheceu à empresa cedente o direito à restituição de valores indevidamente recolhidos a título de cotas de contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (IBC). Por seu turno, o ora Recorrente ingressou nos autos daquele processo (n°. 10660.001897/9955) com "pedido de compensação de créditos com débito de terceiros" e ofereceu, em pagamento de seus débitos de PIS, parte do crédito fiscal recebido da Exportadora Princesa do Sul Ltda, notificando a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (DEINF/SP) da apresentação do referido pedido de compensação, nos termos do a rt. 15 da já 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 323DF CARF MF 10 referida Instrução Normativa n° 21/97, cujo processo foi protocolado sob n° 13804.004156/9923. Ocorre que, em maio de 2000, foi proferido o Despacho Decisório SASIT n° 10660.388/2000 nos autos do processo n° 10660.001697/9955 (da empresa Exportadora Princesa do Sul Ltda.) que, por em equívoco na análise dos documentos que fundamentavam o pedido, concluiu pelo não cabimento do pedido de restituição do indébito da contribuição para o IBC.Tal decisão foi objeto da impugnação endereçada à DRJ/JFA e, em 03 de maio de 2001, a auto ridade julgadora reconheceu como legítimo o pleito de restituição do processo judicial n° 90.00123062, olvidandose, contudo, do crédito decorrente do processo judicial n° 89.00084143, ensejando a interposição do competente recurso ao Conselho de Contribuintes. O que se verifica dos fatos trazidos pela recorrente é que, independentemente de restarem transitadas em julgado as decisões judiciais que amparavam direito de crédito da EXPORTADORA PRINCESA DO SUL, no momento do pedido de compensação pleiteada pela recorrente, este não restava homologado. Ao contrario, por um determinado período entre o Despacho Decisõrio da DRF/VGA e o decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes o crédito restava descabido o crédito que fora cedido à recorrente, justamente quando ocorreu o lançamento. Não há portanto que se falar em " lançamento [...] fundamentarse em fato inexistente". Ademais, como bem colocou o acórdão recorrido, "o Auto de Infração não foi lavrado por pessoa incompetente" e "quanto ao cerceamento de defesa, não se aplica a Autos de Infração" não se configurando quaisquer das hipóteses de nulidade previstas no Decreto 70.235/72, art. 59, nem mesmo quando se discute a questão da suspensão da exigibilidade. Assim, quanto às preliminares, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mérito A recorrente traz em sua defesa a legalidade da compensação então pleiteada, com base na Instrução Normativa SRF 21/91 (na verdade, de 97), vigente à época: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. Ora, não havia, no momento do protocolo da compensação pleiteada pela recorrente propriamente "crédito a ser restituído", como diz o caput do dispositivo exposto, posto que não havia demonstração definitiva no curso do processo administrativo 10660.001897/995, apenas uma pretensão a ser verificada. Já o parágrafo primeiro, quando diz que "a compensação [...] será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário [...], Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16327.000385/200402 Acórdão n.º 3301004.610 S3C3T1 Fl. 320 11 está a comandar que o pleito será processado no de um processo administrativo podendo ser deferido ou não. O lançamento foi efetuado, em 26/03/2004, com base no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. O lançamento em pauta se refere ao períodobase 31/10/1999, com vencimento (informado pela contribuinte) em 12/11/1999, mesma data do trânsito em julgado das decisões judiciais que amparariam o pedido, como também do protocolo do pedido de restituição da EXPORTADORA PRINCESA DO SUL que inaugura o processo 10660.001897/995, e assim também do pedido de compensação de crédito com débito de terceiros da qual se originou o presente lançamento. O crédito em pauta só fora reconhecido administrativamente em 2016, com a última decisão da Câmara Superior deste Carf. Não havia portanto compensação comprovada no momento do protocolo do respectivo. Observese que a data de compensação é a data do protocolo (CARF, 3ª Seção, 1ª Turma Extraordinária, Ac. 3001000.094, de 31/10/2017, rel. Conselheiro Renato Vieira de Avila). É nesse momento em que o crédito a compensar devem restar líquido e certo nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). A recorrente ainda defende a suspensão da exigibilidade de seu débito em decorrência da inexistência de decisão administrativa definitiva no processo 10660.001897/99 55. Sobre tal argumento não cabe mais análise, posto que, na esteira do cumprimento da diligência determinada pela Resolução nº 340300.038, sobreveio decisão definitiva naquele processo. Por fim, a recorrente entende pela inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros de mora. Ora, a prevalecer o entendimento deste relator, em sendo correto a lançamento, em não havendo direito comprovado ao crédito nem no momento o protocolo do pedido de compensação nem na momento do lançamento sob análise, permanecem aplicáveis a multa de ofício, posto que a Lei 9.430/96, art. 44, I, assim determina, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento de tributo, os juros de mora, pela regra do CTN, art. 161, I. Os documentos que o contribuinte fez juntar em outubro do 2017 dão conta de que a Delegacia de Origem teria efetuado, neste ano, o compensação do valor referente à contribuição em discussão no presente processo (não alcançando a multa de ofício e dos juros de mora), o que deverá ser objeto de confirmação na execução da decisão que sobrevier do presente contencioso administrativo. Portanto, quanto às questões de mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 325DF CARF MF 12 Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16327.000385/200402 Acórdão n.º 3301004.610 S3C3T1 Fl. 321 13 Voto Vencedor Conselheiro Ari Vendramini. Com a devida vênia, diante do bem fundamentado voto do Nobre Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, discordo de tais fundamentos. Além das já bem delineadas informações constantes do relatório, citamos, por entender oportunas, as informações constantes do despacho de encaminhamento, emitido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da DEINF/SP, ás fls.67/70 dos autos digitais: o presente processo, que trata de compensação de débitos de PIS e COFINS , período de apuração out/99, com créditos de terceiros, no caso presente, titularizado por EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA, decorrente de recolhimento da Contribuição para o IBC, julgada indevida e objeto das seguintes ações judiciais : AD 89.00084143, AO 90.00123062 (onde se solicitou a tutela jurisdicional para declarar a inexistência de relação jurídico tributária relativa á Contribuição para o IBC e a sua consequente repetição de indébito, tendo a sentença de primeira instância julgado procedente o pedido, sendo ambas as decisões objeto de recurso de ofício, quais sejam, REO 95.01.170594 e REO 95.01.169510, aos quais o TRF 1ª RF negou provimento. As decisões transitaram em julgado em 11/11/1999 ); em 12/11/1999 a EXPORTADORA PRINCESA DOSUL LTDA apresentou á Receita Federal pedido de restituição da referida Contribuição, fundamentada nas decisões judiciais que a amparavam, formalizado no Processo Administrativo nº 10660.001897/9955; em 16/11/1999, formalizou os presentes autos, CARTÃO UNIBANCO LTDA apresentando, nos termos do então disciplinado art. 15 da IN SRF nº 21/1997, com redação dada pela IN SRF nº 73/1997, pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, objetivando a extinção de débitos de PIS e COFINS do período de apuração out/99; nos autos do processo administrativo de nº 10660.001897/9955, foi exarada decisão pelo não cabimento do pedido de restituição no âmbito administrativo, indeferindo os pedidos de compensação; tal decisão foi objeto de impugnação dirigida á DRJ/JUIZ DE FORA, que reconheceu como legítimo o pedido de restituição, entretanto, limitando seu valor, o que provocou a interposição de Recurso Voluntário ao CARF. Já do presente relatório extraímos a informação de que, em 13/01/2004 foi publicada decisão do CARF nos autos do processo administrativo de nº 10660.001697/9955, Fl. 327DF CARF MF 14 reconhecendo equívoco incorrido nos autos, caracterizando cerceamento de defesa por ter a unidade de origem deixado de apreciar matéria contida em uma das sentenças judiciais. No mesmo relatório encontramos a informação de que em 2010, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção emitiu Resolução nº 340300.038, nos presentes autos, convertendo o julgamento do recurso em diligência, para sobrestar o feito até decisão nos autos do processo administrativo de nº 10660.001897/9955. Verificase, também, que em sede de Embargos Declaratórios, interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional nos autos do processo citado de nº 10660.001897/9955 (Recurso nº 124.558), foi exarado o Acórdão nº 30331.074, pela Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, de lavra do Conselheiro Relator Nilton Luiz Bartoli, que assim determinou: Diante do exposto, admitindo excepcionalmente efeitos modificativos aos embargos declaratórios, e em razão da permissão regimental de novo julgamento, robustecida pela busca da verdade material e demais princípios de direito invocados, resta a este Colegiado DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do Contribuinte para o fim de deferir a restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente diante da inconstitucionalidade do tributo reconhecida nas decisões judiciais transitadas em julgado, com débitos de terceiros, até o limite dos créditos apurados, com a devida atualização monetária, incluindose, pois, na Normas 1 de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97, apenas os expurgos inflacionários de 42,72% (jan/89), 10,14% (fev/89), 84,32% (mar/90), 44,80%(abr/90), 7,87% (Maio/90), e 21,87% (fev/91) pacificados no seio da jurisprudência, devendo ser aplicada, a partir de 1° de janeiro de 1996, a taxa referencial SELIC, podendo a d. fiscalização verificar a exatidão dos valores compensados. Deve, ainda, ser declarada suspensa a exigibilidade do crédito objeto de compensação não homologada, em razão da manifestação de inconformidade, conforme preceitua o art. 151, inciso III, do CTN. Portanto, o que se verifica é que, o Pedido de Compensação de Débitos com Créditos de Terceiros encontrase deferido parcialmente, pelo Acórdão citado, em resposta aos Embargos Declaratórios apresentados, portanto, o que se encontra pendente é a execução dos ditames constantes do Acórdão, quais sejam, a atualização monetária do crédito reconhecido incluindose os expurgos inflacionários detalhados, com a devida verificação dos valores compensados. Há que se esclarecer ainda, e por último, que não cabe mais nenhuma discussão no âmbito administrativo, como restou decidido no Acórdão nº 9303004.351, exarado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sede Recurso Especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, onde se decide, ao tentar a Fazenda reabrir a discussão travada no processo administrativo nº 10660.001897/9955: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2000 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16327.000385/200402 Acórdão n.º 3301004.610 S3C3T1 Fl. 322 15 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial "por contrariedade à prova dos autos" seja admitido, além de a decisão ter sido nãounânime, que se aponte com clareza qual a prova, constantes dos autos, foi contrariada. RESTITUIÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal. Desta forma, forçoso se admitir que, em havendo decisão administrativa, já definitiva, a respeito do pedido de restituição ao qual o pedido de compensação está atrelado e, havendo decisão judicial transitada em julgado, ambas reconhecendo o direito ao crédito, que deve ser reconhecido o direito creditório nos presentes autos, nos estreitos limites do valor a ser aferido no processo administrativo de nº 10660.001897/9955, titularizado pela detentora do crédito, a empresa EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA., limites estes definidos nos Embargos de Declaração no Acórdão de nº 30331.074, inclusive fixandose os índices de correção monetária para atualização do crédito, para que se efetive a compensação pleiteada. Esclareçase que devem ser verificados os DARFs mencionados no relatório, pois que deve ser realizado o encontro de contas e a operacionalização da compensação do crédito a ser aferido, com os débitos indicados no pedido de compensação, Quanto á multa aplicada, nos socorremos mais uma vez do despacho de encaminhamento exarado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da DEINF, ás fls. 70 do presente processo digital, que no item 12 esclarece que, pelo fato de o recorrente não ter informado em DCTF os créditos tributários objeto das compensações e, ainda, considerando o disposto na Solução de Consulta Interna COSIT nº 3, de 08/01/2004, deve ser formalizado o lançamento de ofício, tendo em vista o pedido de compensação não se caracterizar como confissão de dívida. Portanto, a multa de ofício e os juros de mora devem, como acessórios que são, seguir o principal, a ser apurado como já comentado. (assinado digitalmente) Ari Vendramini Redator designado Fl. 329DF CARF MF 16 Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727408/2016-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte junte ao processo os termos do parcelamento do qual sua empresa aderiu, bem como discrimine todos os valores e a relação com os tributos que estão sendo ou foram quitados, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que votou contra a realização de diligência, por entender que o sujeito passivo teve a oportunidade de carrear as provas exigidas tanto na impugnação, quanto no seu recurso.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte junte ao processo os termos do parcelamento do qual sua empresa aderiu, bem como discrimine todos os valores e a relação com os tributos que estão sendo ou foram quitados, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que votou contra a realização de diligência, por entender que o sujeito passivo teve a oportunidade de carrear as provas exigidas tanto na impugnação, quanto no seu recurso. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 27 40 8/ 20 16 -8 9 Fl. 119DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 120 ___________ RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 52 a 56), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 24.489,36, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 51 dos autos, no qual o contribuinte alega: · que uma vez comprovada a retenção do imposto de renda na fonte, é direito do contribuinte compensálo quando da entrega da DAA, independentemente do fato de ter havido recolhimento pela fonte pagadora; · alega ainda que a empresa do qual é sócio entrou com pedido de parcelamento de todos os tributos federais. Recurso voluntário Devidamente intimado da decisão da DRJ, em 16/02/2017 às efls. 76, ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 13/03/2017 às efls. 80 a 116, no qual alega, em resumo, que: · é pacífica a jurisprudência deste CARF quanto a possibilidade de compensação ed IRRF pelo contribuinte quando da apresentação da DAA, mesmo que a fonte pagadora não tenha repassado os valores para os cofres públicos; · reitera que a empresa, do qual é sócio e funcionário, entrou em programa de parcelamento de tributos federais, devendo ser feito encontro de contas sobre o que foi pago e se há algum tributo que ainda seja devido. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10830.727408/201689 Resolução nº 2002000.014 S2C0T2 Fl. 121 3 VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator O contribuinte foi autuado por compensação indevida de imposto de renda retido na fonte quando da apresentação da sua Declaração de Ajuste Anual. A fonte pagadora, sociedade empresária denominada Construtora Bitencourt da Rocha juntou DIRF às efls. 71 em que consta o rendimento anual pago ao contribuinte no valor de R$ 129.1040,00, bem como a retenção efetuada, no montante de R$24.489,36, sob código 0561. Conforme artigo 717 do RIR/99, compete a fonte pagadora reter o imposto, cabendo a sociedade empresária assim proceder, de forma que a DIRF com nome do funcionário pessoa física é suficiente para que esta efetue a compensação do imposto retido quando da apresentação da DAA. Contudo, tal regra é excepcionada pelo artigo 723 do mesmo regulamento, dispõe que são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. Logo, no presente caso, não é suficiente que o contribuinte apresente apenas a DIRF em seu nome, devendo apresentar também a comprovação de que o pagamento foi efetuado pela empresa do qual é sócio, vide sua responsabilidade solidária. Ainda, informou que a pessoa jurídica do qual é sócio entrou em programa de parcelamento de tributos federais, colacionando, em sede de recurso voluntário, o pagamento de diversos DARF, sem qualquer especificação dos tributos que foram parcelados e quitados. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o contribuinte junte ao processo os termos do parcelamento do qual sua empresa aderiu bem como discrimine todos os valores e a relação com os tributos que estão sendo ou foram quitados. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.013087/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Verificada a existência lapso manifesto na decisão de segunda instância administrativa, os aclaratórios devem ser acolhidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO.
O § 2º do art. 62 do RICARF impõe observância à decisão consubstanciada no REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil e a consequente retificação da decisão, dando-se provimento ao recurso do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-006.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, atribuindo-lhes efeitos infringentes de modo a retificar a decisão embargada para dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Verificada a existência lapso manifesto na decisão de segunda instância administrativa, os aclaratórios devem ser acolhidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO. O § 2º do art. 62 do RICARF impõe observância à decisão consubstanciada no REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil e a consequente retificação da decisão, dando-se provimento ao recurso do contribuinte.
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LAPSO MANIFESTO. Verificada a existência lapso manifesto na decisão de segunda instância administrativa, os aclaratórios devem ser acolhidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO. O § 2º do art. 62 do RICARF impõe observância à decisão consubstanciada no REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, na sistemática do art. 543 C do Código de Processo Civil e a consequente retificação da decisão, dando se provimento ao recurso do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 30 87 /2 00 8- 10 Fl. 253DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, atribuindolhes efeitos infringentes de modo a retificar a decisão embargada para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata de embargos de declaração (fl. 226) interpostos em face do Acórdão nº 2101002.505, de 17/07/2014, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento (fls. 209/216), que negou provimento a recurso voluntário oposto contra impugnação apresentada em razão de lançamento de Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), ano calendário 2004 / exercício 2005. A decisão do colegiado ordinário foi proferida após diligência determinada pela Resolução nº 2101000.116 (fls. 186/193) que demandou do órgão preparador informações quanto à natureza da atividade desenvolvida pelo sujeito passivo na UNESCO. Consoante expresso na referida Resolução: Examinando a divergência de entendimentos, tenho para mim que o deslinde da presente controvérsia depende da análise do Contrato de Serviço firmado entre a contribuinte e a UNESCO, que não consta dos autos, já que o STJ entendeu que os "peritos de assistência técnica" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, também estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a fonte pagadora seja intimada a apresentar o(s) Contrato(s) de Serviço relativo ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004 e a esclarecer o cargo/função ocupado por Brent Hayes Millikan, CPF nº 285.962.932/72. (Grifamos) O órgão preparador, de posse das informações prestadas pela UNESCO, emitiu Relatório de Diligência Fiscal (fls. 202/203) com as seguintes informações: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10166.013087/200810 Acórdão n.º 2402006.092 S2C4T2 Fl. 92 3 Em 14/02/14, a Unesco entrega nesta Delegacia uma resposta contendo: Ofício N° 42 CGP1/DCJI/DAMC/D1MU BRAS UNESCO e Nota Verbal do Escritório de Representação da Unesco no Brasil. Não foram entregues contratos de prestação de serviços. Em sua Nota Verbal, dentre outras considerações, a Unesco informa que: "...o Sr. Brent Hayes Millikan não manteve qualquer vínculo contratual com esta Organização no ano de 2004, tampouco era funcionário do quadro esta Organização, razão pela qual o nome do Sr. Brent Hayes Millikan não foi incluído na lista dos funcionários aos quais se aplicam os privilégios e imunidades da Convenção, lista esta enviada anualmente a esse respeitável Ministério das Relações Exteriores ". Em vista do resultado da diligência, o sujeito passivo teve seu recurso voluntário negado. O acórdão que negou provimento ao recurso teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS (UNESCO). MATÉRIA JULGADA PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DILIGÊNCIA QUE DEMONSTROU QUE O RECORRENTE NÃO PRESTOU SERVIÇOS À UNESCO. Havendo decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543 B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Hipótese em que diligência comprovou que o Recorrente não prestou serviços à UNESCO. Recurso negado. (Grifamos) Em vista da decisão adotada com base no resultado da diligência, o contribuinte apresentou embargos de declaração com as alegações que seguem: Em resposta à Intimação nº 631/2014, vimos respeitosamente chamar atenção para o fato de que houve um erro no Relatório de Diligência Fiscal com data de 25/02/2014, que equivocadamente solicitou informações junto à UNESCO sobre uma suposta prestação de serviços de nossa parte durante o ano calendário de 2004. Conforme amplamente caracterizado nos autos do processo no.10166.013.087/200810, inclusive no recurso voluntário que protocolamos no CARF em 28/06/2011, nesse período trabalhamos como consultor do Programa das Nações Fl. 255DF CARF MF 4 Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e não da UNESCO. Conforme observado no próprio Acórdão no. 2101002.505 do CARF, anexado à Intimação no. 631/2014, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou que "são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD", na medida em que estes peritos são contemplados pelo Acordo de Assistência Técnica, firmado entre o Brasil e a Organização das Nações Unidas (ONU), promulgado pelo Decreto nº 27.784/50. Sem mais para o momento, solicitamos a tomada de medidas necessárias para sustar imediatamente a Intimação no. 631/2014, evitando assim cobrança indevida por parte da Receita Federal. (Grifos do original) Com base na Notificação de Lançamento (fls. 9/17), constatouse que o rendimento tido por omitido pela Fiscalização referese a serviço prestado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, e não à UNESCO, organismo internacional do qual se solicitou equivocadamente as informações sobre o contratos de trabalho firmado com o embargante. Embora tenhase verificado no Despacho de Admissibilidade de Embargos (fls. 232/233) que os aclaratórios foram interposto após transcorrido o prazo de cinco dias estabelecido no § 1º do art. 65 do anexo II ao Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época, a autoridade responsável pela prolação do referido despacho considerou que o caso encerrado na peça recursal tratavase, em verdade, de inexatidão material decorrente de lapso manifesto, enquadrado no art. 66 do Regimento, e que não obedecia ao prazo consignado no artigo antecedente. Vejamos: Analiso. Cediço que o contribuinte, conforme demonstrativos de efls. 119 a 137, recebeu valores do PNUD (e não da UNESCO), durante o anocalendário de 2004, objeto de tributação através do presente lançamento de ofício, não havendo, até a realização da diligência, qualquer dúvida acerca da identidade da fonte pagadora dos rendimentos objeto de lançamento. Verifico ainda, a propósito da petição de efl. 226, que o Acórdão guerreado foi cientificado em 26/08/2014 (efl. 223), tendo ingressado com seu pleito recursal somente em 30/09/2014 (efl. 226). Todavia, ainda que se deva reconhecer, assim, a intempestividade do apelo de efl. 226 como embargos de declaração, entendo que está a se tratar, aqui, em verdade, de argumentação acerca de existência de lapso manifesto na decisão vergastada. Assim, de se receber, com fulcro no art. 66, do anexo II ao Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, a peça de efl. 226 como embargos inominados, os quais entendo como não sujeitos a prazo para fins de análise de sua admissibilidade. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10166.013087/200810 Acórdão n.º 2402006.092 S2C4T2 Fl. 93 5 Prosseguindo, uma vez aqui constatada a existência do referido lapso (a diligência demandada deveria ter sido realizada, na forma demandada pela Resolução de efls. 186 a 193, junto ao PNUD da ONU, fonte pagadora em questão, e não junto à UNESCO), entendo que seja de se admitir os embargos inominados, sanandose o lapso através da prolação de novo Acórdão, consoante disposto pelo arts. 67 e 76 do Decreto no. 7.574, de 29 de setembro de 2011. Destarte, diante do exposto, proponho que a petição de efl. 226 seja recebida como embargos inominados e estes sejam admitidos, a fim de que seja sanado o lapso manifesto constatado na decisão decorrida, através da prolação de novo Acórdão. Em razão do exposto no referido despacho de admissibilidade, esta Turma Ordinária converteu o julgamento novamente em diligência, a fim de que a fonte pagadora, no caso o PNUD, fosse intimada a apresentar o(s) contrato(s) de serviço(s) relativo(s) ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004 e a esclarecer o cargo/função ocupado por Brent Hayes Millikan. Em atendimento à solicitação do órgão preparador, o Escritório do PNUD no Brasil informou que o sujeito passivo foi contratado por aquele organismo internacional entre 01/01/2004 a 31/12/2004 para prestação de serviços de consultoria em projeto que tinha por beneficiário o Ministério do Meio Ambiente. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Na esteira do Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 232/233, entendo que se está diante de lapso manifesto disciplinado no art. 66 do RICARF, não se sujeitando o apelo ao prazo estabelecido no artigo precedente, portanto acolho os presentes aclaratórios como embargos inominados. Em resposta à diligência demandada por esta Turma Ordinária, e atendo intimação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, assim se manifestou o Escritório do PNUD no Brasil (Doc. de fls. 244/245): (...) em resposta à solicitação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, sem prejuízo aos privilégios e imunidades da Organização das Nações Unidas e com vistas à cooperação para facilitar a devidas administração da Justiça, o PNUD está disposto a informar (...) que o Sr. Millikan, entre os dias 01 de janeiro de 2004 e 31 de dezembro de 2004 teve contrato de serviços de consultoria assinado com o PNUD no âmbito do PROJETO DE APOIO AO MUNITORAMENTO E ANÁLISE PPG7, cujo beneficiário foi o Ministério do Meio Ambiente. (Grifei) Muito embora não tenha sido apresentado o contrato relativo aos serviços executados pelo recorrente, entendo que as informações prestadas pelo Escritório do PNUD são suficientes para concluirmos que Brent Hayes Millikan prestou serviços de consultoria àquele organismo internacional, no entanto sem vinculo de emprego. A esse respeito, como bem observou a decisão recorrida, a Súmula CARF nº 39: Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Em vista do entendimento contido na Súmula Vinculante CARF nº 39, e considerandose que o recorrente, além de ser residente no Brasil à época dos fatos, sequer tinha vínculo de emprego com o PNUD, a conclusão mais lógica seria de que os rendimentos por ele recebidos no anocalendário 2004 não estariam abrangidos pela isenção aqui tratada, de conformidade com que vinha se posicionando este Órgão Colegiado. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.306.393/DF, submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil/1973 (Recursos Repetitivos), assim decidiu sobre o tema: “TRIBUTÁRIO.RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART.543C DO CPC).ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ ,ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10166.013087/200810 Acórdão n.º 2402006.092 S2C4T2 Fl. 94 7 posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08”. (STJ, 1ª Seção, REsp 1306393/DF, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 24/10/2012, DJe 07/11/2012) Nos termos do voto do relator do relator do acórdão prolatado no âmbito do STJ: [...] No entanto, na assentada do dia 8 de junho de 2011, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, a Primeira Seção desta Corte, por maioria de quatro votos a três, firmou o entendimento no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Transcrevo trechos de relevo do voto do Min. Teori Zavascki, in verbis: (...) Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. [...] Fl. 259DF CARF MF 8 A partir de então, passou então o CARF a decidir segundo o posicionamento expresso pelo Superior Tribunal de Justiça, nos termos do § 2º, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. À guisa de exemplo, nos Acórdãos CARF nº 2802003.249, 2102003.032, 2801003.381, 2401004.813, dentre inúmeros outros. Posteriormente, a Portaria nº 578, de 27 dezembro de 2017, retirou da Súmula nº 39 o efeito vinculante em relação à administração tributária federal, tendo a referida súmula sido revogada pela Portaria CARF nº 3, de 9 de janeiro de 2017. Portanto, ante a revogação da Súmula CARF nº 39 e a imposição regimental da aplicação do precedente do STJ, deve o contribuinte beneficiarse da isenção do imposto de renda sobre os rendimentos do trabalho prestado para atuar como consultor no âmbito do PNUD. Em vista do exposto, voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, atribuindolhes efeitos infringentes de modo a retificar a decisão embargada para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.904213/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.353
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 13 /2 01 2- 94 Fl. 1005DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0352.862, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.587. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante dessa Resolução, em parte: Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso (sic) foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.862, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10746.904213/201294 Acórdão n.º 3301004.353 S3C3T1 Fl. 1.006 3 Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Fl. 1007DF CARF MF 4 Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº (sic), por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215). Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri (sic) Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10746.904213/201294 Acórdão n.º 3301004.353 S3C3T1 Fl. 1.007 5 Complemento o relato, com trechos do voto da Resolução, na qual se decidiu pela diligência, apoiandose na busca pela verdade material: A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9.784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, [...] Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendolhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Fl. 1009DF CARF MF 6 Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Por fim, reproduzo trecho da informação emanada da dita diligência: 1. [...]No Quadro 01, estão as informações relativas ao PER transmitido pela interessada. [...] 8. Conforme legislação explanada no item 7 (sobretudo, art. 58B da Lei 10.833, de 2003, combinado com os arts. 58A e 58V, do mesmo diploma legal) e considerando a vigência dos atos nela inserida, os comerciantes varejistas e atacadistas dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03 da Tabela de Impostos sobre Produtos Industrializados TIPI (Quadro 02) podem aplicar a alíquota reduzida a zero sobre a receita de tais vendas. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10746.904213/201294 Acórdão n.º 3301004.353 S3C3T1 Fl. 1.008 7 9. Consoante documentos fiscais (notas fiscais de saída e levantamento digital de dados) acostados ao processo administrativo fiscal em comento, a interessada planilhou as suas mercadorias vendidas em cada período de apuração, identificandoas no tocante à descrição da NCM/TIPI. Para explicitar o batimento entre as informações constantes no DACON e as decorrentes dos documentos fiscais supracitados, ambas vinculadas ao PER constante no Quadro 01, optouse por expor tais informações nos Quadros 03, 04 e 05. Fl. 1011DF CARF MF 8 CONCLUSÃO 10. Diante dos fatos expostos e dos autos constantes no processo epigrafado, considerando QUE a contribuinte está sujeita às penas da Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, e da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, caso as informações prestadas em seu PER e na resposta à Intimação Fiscal não correspondam à expressão da verdade, QUE foi observado o prazo prescricional de extinção do direito creditório (inciso I do artigo 168 do CTN), QUE foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), a autoridade fiscal, in fine subscrita, propõe, perante o CARF, o deferimento total do PER sob nº 42495.95375.301210.1.2.048150, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 50,11 (cinquenta reais e onze centavos). (Grifos do original). Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente". Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10746.904213/201294 Acórdão n.º 3301004.353 S3C3T1 Fl. 1.009 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1013DF CARF MF 10 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "o deferimento total do PER sob nº 42495.95375.301210.1.2.048150, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 50,11" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10746.904213/201294 Acórdão n.º 3301004.353 S3C3T1 Fl. 1.010 11 Fl. 1015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002719/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Boletos bancários apresentados para comprovarem o pagamento de plano de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que o pagamento não foi efetuado. Cabe à autoridade lançadora apontar as razões pelas quais entendeu não comprovadas as despesas, não se desincumbindo dessa atribuição não cabe ao órgão julgador realizá-la.
Numero da decisão: 2202-004.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente FRANCISCO JOSE RESENDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Boletos bancários apresentados para comprovarem o pagamento de plano de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que o pagamento não foi efetuado. Cabe à autoridade lançadora apontar as razões pelas quais entendeu não comprovadas as despesas, não se desincumbindo dessa atribuição não cabe ao órgão julgador realizála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 19 /2 00 6- 41 Fl. 57DF CARF MF 2 Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2005, ano calendário 2004. O lançamento originouse da glosa da dedução de despesas médicas no valor de R$ 34.070,39 e da glosa da dedução com dependentes no valor de R$ 1.272,00. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) Que anexou toda a documentação que comprova os gastos das despesas informadas na DAA, e que através do aludido acervo probatório liberasse a restituição do IRPF do referido período exigido (fls. 02). b) Juntou documentação a fim de corroborar/fundamentar suas alegações, sendo ela composta por: recibos simples (fls. 14/15), certidão de interdição de Francisco Eloi Resende (fls. 16/20). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) negou provimento à Impugnação (fls. 31/34), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AnoCalendário: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as deduções com despesas médicas, quando houver comprovação da efetividade dos serviços prestados, sendo que na presente situação, apenas foi comprovado parte do valor pleiteado. GLOSA DA DEDUÇAO COM DEPENDENTES. Não caracterizada a relação de dependência conforme previsão da lei tributária, não é legítima sua dedução da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 39/51) e requereu a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Laudo médico pericial (fls. 40); b) Comprovante de pagamentos realizados ao Plano de Saúde (fls. 41/42); c) Certidão de curatela (fls. 43/45). É o relatório. Voto Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10840.002719/200641 Acórdão n.º 2202004.477 S2C2T2 Fl. 58 3 Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratada pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, Fl. 59DF CARF MF 4 psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; II limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. A decisão recorrida manteve parcialmente a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: O interessado apresentou o documento emitido pela UNIMED de Ribeirão Preto Cooperativa de Trabalho Médico (fl. 10), no qual foram informados os valores no montante de R$ 35.320,17. Embora a declaração conste o nome do Sr. Francisco José Resende não é possível determinar se tais despesas pertencem exclusivamente ao próprio beneficiário. Ademais, inexiste assinatura do responsável pela emissão do referido documento, tornandose um documento apócrifo e sem autenticidade. Portanto, não é possível aceitálo como documento comprobatório para afastar a despesa glosada no valor total de R$ 32.390,39. Quanto à dedução pleiteada a título de despesas médicas em nome do dentista Reinaldo C. Moraes, no valor de R$ 1.680,00, o impugnante trouxe aos autos os recibos de fl.09, comprovando o valor pleiteado com o referido profissional, motivo pelo qual é de se restabelecer a quantia comprovada, com a conseqüente alteração correspondente ao lançamento em questão. No tocante à dedução pleiteada a título de Dependentes, no valor de R$1.272,00, em que pese o documento judicial apresentado (fl. 11), no qual consta que o contribuinte foi nomeado curador de Francisco Eloi Resende, não foi especificado qual o motivo da interdição. Além do mais, não há comprovação nos autos se o curatelado é incapacitado física ou mentalmente para o trabalho, nos termos do inciso V do art. 35 do diploma legal supracitado, razão pela qual não há reparo a ser feito nesta parte específica do lançamento. Dessa forma, o contribuinte tem direito tãosomente à dedução pleiteada a título de despesas médicas (odontológicas), no valor de no valor de R$ 1.680,00, por ter sido comprovada, razão pela qual é de se alterar a notificação de lançamento (fl. 09) (omissis). Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10840.002719/200641 Acórdão n.º 2202004.477 S2C2T2 Fl. 59 5 O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Fl. 61DF CARF MF 6 A documentação juntada ao recurso voluntário comprova que o Recorrente suportou os pagamentos de despesas de saúde para si ou para seu dependente (fls. 41). Além disso, não consta dos autos que a autoridade lançadora tenha intimado o contribuinte para identificar os beneficiários do plano de saúde, nem explicitado o motivo de ter considerado não comprovado o pagamento das despesas médicas. Sendo assim, não pode a autoridade julgadora de primeira instância inverter o ônus da prova ao contribuinte e apontar a ausência de indicação dos beneficiários do plano de saúde como justificativa para manutenção da glosa. Isso porque o artigo 73 do RIR/99 determina que "todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora" . Ou seja, o mencionado artigo referese à "autoridade lançadora" e não ao órgão julgador. Nesse sentido, já se posicionou a 2ª Turma Especial no Acórdão nº 2802001.576: ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Verificado que a notificação de lançamento contém todos os elementos necessários à compreensão dos ilícitos apurados e que o contribuinte teve todas as prerrogativas a ampla defesa assegurados, é de se rejeitar a preliminar de nulidade. Aplicação do Art. 59 da Lei nº 70.235/75. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Boletos bancários apresentados para comprovarem o pagamento de plano de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que o pagamento não foi efetuado. Cabe à autoridade lançadora apontar as razões pelas quais entendeu não comprovadas as despesas, não se desincumbindo dessa atribuição não cabe ao órgão julgador realizála. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).Recurso provido em parte (grifamos) Por derradeiro, há de se ressaltar que o Recorrente comprovou a condição de seu dependente (eis que portador de esquizofrenia paranóide, conforme fls.40, que se encontra sob sua curatela, conforme fls. 11). Nesse sentido, há de se destacar o art. 35 da Lei 9.250/95, que prescreve: "Art. 35 Para efeito do disposto nos arts. 4, inciso III, e 8° inciso II, alínea "c"; poderão ser considerados como dependentes: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10840.002719/200641 Acórdão n.º 2202004.477 S2C2T2 Fl. 60 7 I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. No caso dos autos, não foi apontado qualquer indício de falsidade nos mencionados documentos juntados na impugnação, e tendo o Recorrente demonstrado que faz jus às deduções pretendidas, há de se afastar as glosas. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
