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Numero do processo: 17090.720232/2021-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)
Data do fato gerador: 22/01/2021
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renan Gomes Rego - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: RENAN GOMES REGO
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Renan Gomes Rego - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 103-008.663, de 04 de julho de 2022, proferido pela 7ª Turma da DRJ/03, que julgou PROCEDENTE a impugnação, para DECLARAR A NULIDADE POR VÍCIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 09 0. 72 02 32 /2 02 1- 51 Fl. 1200DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.050 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17090.720232/2021-51 MATERIAL dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. O processo fiscal versa sobre autos de infração com exigência de: a) Imposto de Importação, no valor de R$ 231.522,34; Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 312.555,16; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação (Cofins- Importação), no valor de R$ 279.273,82 e Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação (PIS/PASEP-Importação), no valor de R$ 60.774,61, todos acrescidos de multa no percentual de 150% e de juros de mora; b) multa, no valor de R$ 2.785.868,63, prevista art. 70, inciso II, alínea "b", item 2, da Lei nº 10.833/2003. De acordo com a peça exordial, a exigência fiscal em questão decorre da verificação do valor aduaneiro das mercadorias amparadas pela Declaração de Importação nº 21/0143907-6, registrada em 22/01/2021, as quais consistem em diversos modelos módulos frontais (telas sensíveis ao toque) para telefones móveis de rede celular (smartphones). Consta nos autos impugnação do sujeito passivo às folhas 114 a 147. A DRJ entendeu que o crédito tributário deve ser extinto, ante a insuficiência probatória para sustentar a acusação de fraude de subfaturamento, do que resulta a impossibilidade de arbitramento dos preços das mercadorias em questão, com base no art. 88 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. Declarou, assim, a nulidade, por vício material dos Autos de Infração, sem prejuízo da continuidade da investigação e da eventual feitura de novos lançamentos, a critério da autoridade aduaneira, seja com base nos mesmos fundamentos, acaso venham a surgir efetivamente elementos probatórios de fraude, seja em decorrência da instauração do procedimento de controle do valor aduaneiro, nos termos do AVA-GATT e IN SRF nº 2090, de 2022. Transcreve-se abaixo a ementa do referido julgado: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 22/01/2021 VALOR ADUANEIRO. ACEITABILIDADE DE PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS. O simples fato de o preço da mercadoria declarado pelo importador ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não se reputa motivo suficiente para sua rejeição, para os fins do Artigo 1º do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT 1994 (AVA-GATT), incorporado ao ordenamento jurídico nacional por meio do Decreto nº 1.355/1994, sem prejuízo da prerrogativa da Administração Aduaneira de solicitar informações e documentos adicionais e, persistindo dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, de decidir que o valor aduaneiro não pode ser determinado com base nas disposições do citado Artigo 1º, devendo nessa hipótese, Fl. 1201DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.050 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17090.720232/2021-51 adotar um método substitutivo de valoração, dentre os previstos no AVA-GATT (Opinião Consultiva 2.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial das Aduanas). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/01/2021 LANÇAMENTO. FATURA COMERCIAL. ACUSAÇÃO DE FALSIDADE IDEOLÓGICA E SUBFATURAMENTO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Diante da insuficiência probatória dos autos, inapta a encorpar juízo verossímil acerca da acusação formulada pela autoridade fiscal, conduzindo à subsistência do estado de incerteza quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato apontado como ilícito pela Fazenda Pública, deve ser declarada a nulidade do lançamento, por vício material. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Renan Gomes Rego, Relator. Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, em atenção à previsão dos dispositivos retro mencionados e em convergência com a Súmula CARF nº 10 para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Renan Gomes Rego Fl. 1202DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.050 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17090.720232/2021-51 Fl. 1203DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000366/00-51
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício. 1996
GANHO DE CAPITAL. NÃO COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição considerado pela autoridade fiscal ao lavrar auto de infração deve prevalecer se o contribuinte não produz prova hábil de valor de aquisição distinto.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. É legítima a taxa de juros calculada com base na SELIC, considerando-se que sua utilização foi estabelecida em lei e que o artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional admite a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se previsto em lei.
MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, cabe a aplicação da multa no percentual de 75%.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 196-00.087
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: CARLOS NOGUEIRA NICACIO
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício. 1996 GANHO DE CAPITAL. NÃO COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição considerado pela autoridade fiscal ao lavrar auto de infração deve prevalecer se o contribuinte não produz prova hábil de valor de aquisição distinto. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. É legítima a taxa de juros calculada com base na SELIC, considerando-se que sua utilização foi estabelecida em lei e que o artigo 161, §1° do Código Tributário Nacional admite a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, cabe a aplicação da multa no percentual de 75%. Recurso voluntário negado.
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Numero do processo: 10730.004791/2001-45
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: MOLÉSTIA GRAVE — IRPF — MARCO INICIAL — ISENÇÃO
— Constatada a moléstia grave, mediante laudo pericial oficial, o
marco inicial para o inicio da isenção dos proventos de
aposentadoria ou pensão é o indicado no laudo pericial oficial
corno inicio da moléstia grave.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 196-00.072
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Turma Especial do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANA PAULA LOCOSELLI ERICHSEN
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : MOLÉSTIA GRAVE — IRPF — MARCO INICIAL — ISENÇÃO — Constatada a moléstia grave, mediante laudo pericial oficial, o marco inicial para o inicio da isenção dos proventos de aposentadoria ou pensão é o indicado no laudo pericial oficial corno inicio da moléstia grave. Recurso voluntário negado.
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Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presenies autos de recurso interposto por LENTO DE AZEVEDO MACHADO. ACORDAM os Membros da Sexta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANA EIRujDOS REIS Presidente ANA PAULA Relatora OSELLI ERICHSEN FORMALIZADO EM: 11 FEL' • I- C-V 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: Valeria Pestana Marques e Carlos Nogueira Nicácio. Processo n° 10730.004791/2001-45 Acórdão n.° 196-00072 CCO I/C06 Fls. 103 Relatório A 2a Turma de Julgamento do Rio de Janeiro II considerou procedente o lançamento , relativo ao exercício 1999, ano-calendário 1998, tendo em vista que o pedido de restituição do imposto de renda deste exercício, já foi deferido, a partir de junho de 1998, nos autos no 10730.004958/2006-82, que trata de pedido de restituição do imposto de renda dos exercícios 1996 a 1999, englobando o mesmo exercício em análise. 0 contribuinte foi intimado da decisão através do AR em 21/02/2007 e interpôs Recurso Voluntário em 22/03/2007 alegando em síntese: 1 — deve ser reconsiderado o parecer que informa que o mesmo 6. portador da doença de Parkinson desde 23/10/1995; 2 — que os contribuintes que portam referidas doenças descritas na Lei 771'3/88, Decreto 3000/99, desconhecem os detalhes; 3 — que quando se aposentam, fazem a perícia medica e não pedem a data da ocorrência da doença na hora do exame médico; 4 — que a lei somente exige a data da perícia, data da aposentadoria ou a data em que a doença foi adquirida, além de exigir o mês e ano da doença;; 5 — que a lei estabelece que o exame deverá ser feito por três médicos de estabelecimentos públicos para ter a validade do laudo médico pericial; 6 — que foi examinado por 6(seis) médicos, (3) três do governo estadual de perícia e (3) da Receita Federal, confirmando a doença; 7 — que os exames efetuados por médicos públicos e o laudo pericial médico estabelecendo a data da doença em outubro de 1995 é suficiente para a isenção; o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Locoselli Erichsen, Relatora 0 Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1997. Sendo assim, dele tomo conhecimento. Verifica-se que da decisão da 2 Turma da DRJ/R.T II que a isenção e o pedido de restituição referente ao exercício ora em análise (1999), já foi deferido no processo n° 10730.004958/2006-82, somente a partir de junho de 1998. Processo n° 10730.004791/2001-45 Acórdão n.° 196 -00072 CCO I/C06 Fls. 104 Portanto, deve ser mantido o lançamento tendo em vista que não assiste razão ao contribuinte com relação A data inicial da isenção 23/10/1995, uma vez que o documento trazido As fls. 50, que faz menção A referida data, não preenche a formalidade legal, conforme disposto na legislação que exige o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, devendo, desta forma ser considerada a data inicial da isenção a constante no mesmo. De acordo com o RIR199 a isenção relativa aos rendimentos percebidos a titulo de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, § 5). A partir do ano-calendário 1996, deve-se aplicar, para o reconhecimento de isenções as disposições sobre o assunto trazidas pelo art. 30 da Lei 9250/1995 que dispõe: Art. 30 — A partir de 1" de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei 7.713/1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei 8.541/92, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. No mesmo sentido a Instrução Normativa SRF 0 15 de 06/02/2001 que dispõe sobre a matéria determina em seu art. 5°m parágrafos 10 e 2° o seguinte: Art. 5° (..) 1° A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV solicitada a partir de 01 de janeiro de 1996, só poderá ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 2° As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: II) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão: III) da data ern que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. No caso em exame o laudo pericial exarado pelo Serviço Público Estadual do Rio de Janeiro (Junta Médica Pericial da Gerência Regional de Administração no Rio de Janeiro), atesta que o mesmo é portador da Doença de Parkinson a partir de 08/06/1998 (docs. 84/87), devendo ser considerada esta data corno marco inicial para a isenção. 3 - Ana Paula Lo richsen Processo n° 10730.004791/2001-45 Acórdão n.° 196 -00072 Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 02 de dezembro de 2008 CC01/C06 Fls. 105 4
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721434/2020-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/10/2019
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO. PEDIDO DE RENOVAÇÃO. DEFERIMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Deve ser cancelado o lançamento do crédito tributário fundado unicamente no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS da contribuinte quando esta teve seu recurso deferido pela autoridade competente, reestabelecendo a renovação e a regularidade da sua certificação.
Numero da decisão: 2201-011.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO. PEDIDO DE RENOVAÇÃO. DEFERIMENTO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Deve ser cancelado o lançamento do crédito tributário fundado unicamente no indeferimento do pedido de renovação do CEBAS da contribuinte quando esta teve seu recurso deferido pela autoridade competente, reestabelecendo a renovação e a regularidade da sua certificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 2786/2807, interposto contra decisão da DRJ02 de fls. 2729/2739, a qual julgou procedente o lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, relativamente à parte patronal, adicional para o SAT e contribuições devidas a Terceiros, conforme descrito nos autos de infração, de fl. 02/19 e 20/43, lavrados em 03/03/2020, referente ao período de 01/2017 a 10/2019, com ciência da RECORRENTE em 13/04/2020, conforme AR de fls. 426/427. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 14 34 /2 02 0- 51 Fl. 3095DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 O crédito tributário objeto do presente processo administrativo se encontra no valor respectivo de R$ 13.088.466,44 e R$ 2.772.548,72, perfazendo um montante total de R$ 15.861.015,16, já inclusos juros de mora e multa de ofício. De acordo com o relatório fiscal (fls. 45/47), a RECORRENTE declarou em GFIP ser isenta das contribuições sociais, utilizando o código FPAS 639 – ENTIDADES FILANTRÓPICAS (isentas de contribuições). Assim, recolheu e declarou como devida apenas as contribuições descontadas de seus empregados e autônomos. No entanto, após consulta ao sítio do Ministério da Educação, restou constatado que a RECORRENTE não é detentora do Certificado de Entidades Beneficente de Assistência Social – CEBAS, previsto na Lei 12.101/2009. Verificou a fiscalização que a RECORRENTE obteve a última renovação do CEBAS, para o triênio 01/01/2010 a 31/12/2012. Contudo, o requerimento de renovação do certificado referente ao período de 01/01/2013 a 31/12/2015 foi indeferido pela Portaria nº 1036 de 02/10/2017, publicada no DOU em 03/10/2017 (processo nº 23000.010392/2012-62). Observou, também, que o pedido de concessão de renovação do CEBAS, protocolado em 23/12/2015 sob o nº 23000.025134/2015-23, referente ao triênio 01/01/2016 a 31/21/2018, constava em análise até a data do lançamento; na mesma situação estava o pedido de renovação relativo ao do período de 01/01/2019 a 31/12/2021, protocolado em 13/12/2018 sob nº 23000.040560/2018-30. Por fim, apontou que o art. 26, §1º, da Lei nº 12.101/2009, assegura a apresentação de recurso em face da decisão que indeferir a renovação da certificação, contudo, tal recurso não impede o lançamento de ofício do crédito tributário correspondente. Assim, constatado que a RECORRENTE usufruía indevidamente a imunidade das contribuições, declarando-se isenta em GFIP (código FPAS 639), apesar de não haver CEBAS, efetuou-se o presente lançamento. Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 436/460 e docs. até a fl. 2726, em 29/05/2020. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ02, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: A autuação é nula por estar fundamentada em dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Na Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADI 4480, foi declarada inconstitucional o art. 13 da Lei 12.101/2009 – “fundamento para o indeferimento de CEBAS da FUNDEG”. A não observância do limite de 20 salários mínimos das bases de cálculo de Contribuições devidas por terceiros - art. 4º da Lei 6.950/1981 – leva a nulidade deste Auto de Infração. Fl. 3096DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 O Decreto-Lei nº 2.318/1986, por meio de seu art. 3º, revogou o limite de 20 salários mínimos em relação à contribuição da empresa (cota patronal), no entanto, permaneceu intacto este limite em relação às contribuições destinadas a Terceiros – parágrafo único do art. 4º da Lei 6.950/1981. Interpretação divergente viola o princípio da legalidade, “uma vez que majora o valor das contribuições destinadas a terceiros por interpretação de caráter ampliativo”. Decisões do STJ e do TRF sufragam este entendimento. Requer, portanto, o cancelamento das Contribuições destinadas a Terceiros, “haja vista que não foi observado o limite de 20 salários mínimos das bases de cálculo do referido tributo, tal como previsto expressamente no parágrafo único do artigo 4º da Lei 6.950/1981”. Há divergência entre os valores informados em GFIP e a base de cálculo eleita pela Autoridade Fiscal para lançamento das Contribuições. Destaca-se a filial 0002-99, competência 11/2017, o que torna o lançamento ilíquido e incerto e conseqüentemente nulo o lançamento. O crédito lançamento deve permanecer suspenso, art. 151, III, do CTN. Ademais, o crédito tributário foi lançado após decisão que indeferiu a renovação de CEBAS da FUNDEG, com recurso interposto que se encontra em fase de análise pelo Ministério da Educação. Segundo o art. 26 de a Lei 12.101/2009 o presente processo deve ser sobrestado até o julgamento definitivo referente ao Processo CEBAS nº 23000.010392/2016-62. A Impugnante é uma entidade constituída sem finalidade lucrativa e com atuação beneficente na área de educação, detentora de imunidade tributária nos termos do art. 150, VI, “c” c/c art. 195, § 7º, ambos da Constituição Federal – CF. Referidas imunidades devem atender os requisitos estabelecidos em lei complementar – art. 9º de 14 do CTN. A FUNDEG não distribui seu patrimônio ou renda e aplica seus recursos no território nacional e em suas finalidades essenciais e mantém escrituração contábil revestida das formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ademais, mesmo que inconstitucionais, ainda cumpre os requisitos contidos no art. 29 da Lei 12.101/09. Não obstante, a Ministério da Educação indeferiu, por equivocada compreensão, o pedido de renovação de CEBAS por meio da Portaria n* 1036/2017, publicada no DOU em 03.10.2017. Por meio da Nota Técnica n* 1232/2017 (Doc. 11) o Ministério da Educação identificou que a FUNDEG teria incorrido nos seguintes descumprimentos legais: · não possui cadastro atualizado no SISCEBAS; · não apresentou cópia da ata de eleição dos dirigentes e do instrumento comprobatório de representação legal, quando for o caso; · não apresentou identificação dos integrantes do corpo dirigente de cada instituição de ensino, destacando a experiência acadêmica e administrativa de cada um; · não concedeu bolsas de estudo em cursos de graduação ou sequencial de formação específica regulares da instituição; No entanto, a Interessada já demonstrou no Recurso ao Ministério da Educação e demonstra - nas fls. 456, in fine, a 457 - que já cumpriu todos os requisitos indicados pelo Ministério da Educação para fruição da Imunidade. Fl. 3097DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 Requer a nulidade do lançamento tributário conforme argumentos em sede de preliminar, alternativamente a suspensão do crédito e o sobrestamento do presente processo. No mérito, a improcedência total dos Autos de Infração. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ02 julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 2729/2739): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2017 a 31/10/2019 CONTRIBUIÇÕES TRIBUTÁRIAS DESTINADAS A OUTROS ENTES OU FUNDOS. TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. LIMITE DE VINTE SALÁRIOS MÍNIMOS. INAPLICABILIDADE. PROIBIÇÃO CONSTITUCIONAL DE VINCULAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO A QUALQUER FIM. PARÁGRAFO ACÉFALO. NOVA ORDEM JURÍDICA. A limitação da base de cálculo da Contribuição de Terceiros (outras entidades e fundos) a vinte salários mínimos era uma sistemática consoante a ordem jurídica anterior à fundada pela Constituição de 1988. A atual ordem jurídica veda expressamente a vinculação do salário mínimo para qualquer fim, sem margens para ser excepcionada por um parágrafo acéfalo, sem caput, pinçado de norma anterior a 1988 que além de contrariar técnica legislativa não possui densidade jurídica suficiente para alterar normas constitucionais como a citada vedação de vinculação do salário mínimo para qualquer fim, a contida no ADCT que revoga após dois anos da promulgação da atual Constituição os incentivos que não forem confirmados por lei e inclusive no que diz respeito aos valores sobre os quais o atual ordenamento jurídico se estrutura e busca consolidar, mormente a educação básica pública, financiada pela contribuição social do salário educação e o importante papel desempenhado pelo Sesc, Incra e Sebrae. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CEBAS. RENOVAÇÃO. REQUISITOS. INOVAÇÕES JURISPRUDENCIAIS. LEI COMPLEMENTAR. LEI ORDINÁRIA. A imunidade das entidades de assistência social sem fins lucrativos exige lei complementar para estabelecer as condições para sua fruição e as contrapartidas a serem observadas por elas. As novas decisões do STF abrandaram as exigências para a renovação da certificação, sem no entanto, abolir o CEBAS, parte dos critérios exigidos para o gozo da imunidade, ao mesmo tempo em que deixou claro que aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo, entre outros, são passíveis de definição por lei ordinária. FISCALIZAÇÃO E O JULGAMENTO. PROVAS ESPECÍFICAS. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DOS JULGADORES. Distintos são os regimes jurídicos que regem as fases anterior e posterior ao lançamento tributário. As garantias do contraditório e da ampla defesa são efetivadas na fase litigiosa. Portanto, não é apropriado confundir as funções do Auditor-Fiscal autuante com as do julgador administrativo de litígios fiscais. As alegações genéricas e/ou desacompanhadas de provas têm valor apenas argumentativo, já que para ilidir o lançamento fiscal se exige que a Interessada produza argumentos e provas específicas com o objetivo de afetar a livre convicção motivada dos julgadores administrativos. Esse é o ônus da Impugnante e ao mesmo tempo condição para que sua resistência tenha êxito. Fl. 3098DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. JULGADOR ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITAÇÃO. O julgador de litígios administrativos fiscais, no âmbito da Administração Tributária Federal, não recebeu autorização de nenhuma norma jurídica brasileira para decidir sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. A opção do sistema jurídico pátrio foi de subtrair competência para o julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo sob a alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Esta atribuição foi reservada ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Das manifestações A RECORRENTE apresentou, às fls. 2750/2759, em 15/10/2020, documentos demonstrando que o Ministério da Educação deferiu a renovação do CEBAS requerida, pelo requerimento de nº 23000.010392/2012-62, referente ao período de 01/01/2013 a 31/12/2015. A RECORRENTE ainda colacionou petição, em 26/10/2020, às fls. 2762/2764, alegando que em 16/10/2020, foi publicada a Portaria n° 311/2020 no DOU, por meio da qual o Ministério da Educação veicula o deferimento do CEBAS da FUNDEG para o período 01/01/2013 a 31/12/2015, no âmbito do processo n° 23000.010392/2012-62. Relata que o presente lançamento se deu pelo indeferimento, em primeira instância, do CEBAS para o período de 01/01/2013 a 31/12/2015, ao passo que a Autoridade Fiscal fundamentou a autuação em questão no indeferimento de CEBAS referente à período diverso do qual estava sendo fiscalizado (2017-2019). Assim, indaga que é importante considerar que o deferimento do processo n° 23000.010392/2012-62 reestabelece toda a cronologia de CEBAS da FUNDEG, de modo que seu CEBAS permanece vigente até o presente momento, nos termos do art. 24, § 2º, da Lei n° 12.101/20091. Alega que os pedidos de renovação para os períodos subsequentes (incluindo o período fiscalizado) – 01/01/2016 a 31/12/2018 e 01/01/2019 a 31/12/2021 - foram tempestivamente apresentados pela FUNDEG ao Ministério da Educação, respectivamente em 17/12/2015 e 12/12/2018 (fls. 2779/2783) e aguardam análise. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 17/11/2020, conforme AR de fl. 3037, apresentou o recurso voluntário de fls. 2786/2807em 10/12/2020. Em suas razões, preliminarmente, alega a improcedência dos lançamentos por superveniência de fato novo relevante, qual seja, o deferimento do CEBAS da Fundeg, relativo ao período 01/01/2013 a 31/12/2015, no âmbito do processo n° 23000.010392/2012-62. Fl. 3099DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 Assim, requer o cancelamento de ofício e imediato do presente lançamento, pelo fato do deferimento do CEBAS em decisão final irrecorrível e imutável. No mais, reiterou os argumentos da impugnação. Das Contrarrazões PGFN A PGFN apresentou contrarrazões, às fls. 3040/3062, afirmando que a matéria em litígio se restringe somente ao CEBAS, de modo que não interessa a alegação de cumprimento do art. 14 do CTN. Traz argumentos sobre a constitucionalidade da exigência do CEBAS, mas não discute a decisão do Ministério da Educação, apresentada pelo contribuinte, no sentido de deferir a renovação do CEBAS para o período 01/2013 a 12/2015. Faz ponderações sobre o argumento de defesa acerca do limite da base de cálculo das contribuições devidas para Terceiros em 20 (vinte) salários-mínimos. Ato contínuo, quanto à higidez da base de cálculo, alega que a RECORRENTE se limitou a fazer a comparação entre o valor constante da GFIP e o valor constante do auto de infração, mas nada arguiu a respeito de sua folha de pagamentos e da eventual erronia por parte da fiscalização ao se utilizar de valores lá constantes. Portanto, entende que não restou devidamente demonstrado o suposto erro cometido pela autoridade lançadora, motivo pelo qual não há como se falar em vício no lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Decisão Posterior Acerca da Renovação da Certificação da Contribuinte Entendo que o caso não comporta maiores digressões. Fl. 3100DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 Em princípio, apenas a título de esclarecimento, válido destacar que o STF, quando da análise conjunta do mérito dos embargos de declaração opostos nos autos da ADI 2.028, da ADI 2.036,da ADI 2.621, da ADI 2.228 e do RE 566.622, entendeu que os aspectos procedimentais da imunidade, relacionados à certificação, à fiscalização e ao controle das entidades beneficentes de assistência social podem ser regulamentados por lei ordinária; por outro lado, é exigível a lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da Lei Maior, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. Neste sentido, entendeu que vinculações restritivas “à livre disposição do indivíduo para agir nos campos da benemerência ou da filantropia” bem como “definir que a imunidade somente é aplicável se um determinado percentual da receita bruta for destinado à prestação gratuita de serviços”, são matérias afetas à lei complementar; ao passo que outras questões, como a mera certificação prevista no art. 55, II, da Lei nº 8.212/91, poderia ser exigida mediante lei ordinária. Assim, a tese existente hoje no STF é no sentido de ser válida a exigência do CEBAS por lei ordinária. Referida questão fica clara nas palavras expostas pelo Ministro Luís Roberto Barroso no voto em que acompanhou a decisão da Ministra Relatora Rosa Weber quando do julgamento do RE 566.622, em 18/12/2019, antes da oposição dos embargos de declaração que hoje estão pendente de apreciação. Na ocasião, o excelentíssimo senhor Ministro observou o seguinte: VOTO O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO - Presidente, também estou votando na linha da Ministra Rosa Weber, para reconhecer a aparente contradição, considerar constitucional o Cebas e reafirmar – porque não mudei de opinião – o entendimento de que aspectos procedimentais das imunidades podem estar previstos em leis ordinárias, enquanto os que estabelecem condições para fruição material da imunidade devem estar previstos em lei complementar. Estou igualmente dando provimento aos embargos, em todos os feitos, na linha proposta pela Ministra Rosa Weber. Apenas deixo claro que uma coisa é procedimento e outra coisa é exigência material. Nessa linha, considero que o Cebas é válido. Portanto, acompanho a Ministra Rosa Weber. Portanto, resta claro que a tese do STF é de ser constitucional a exigência do CEBAS, pois este é apenas um aspecto procedimental da imunidade, e não uma contrapartida ou definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social. No caso concreto, conforme apontado pela autoridade fiscal, o motivo determinante para o lançamento do crédito tributário foi unicamente o indeferimento, pelo Ministério da Educação, da certificação da RECORRENTE referente ao período de 01/01/2013 a 31/12/2015 através da Portaria nº 1036 de 02/10/2017, publicada no DOU em 03/10/2017 (processo nº 23000.010392/2012-62). No entanto, logo após a decisão recorrida, a contribuinte trouxe aos autos informação de que teve seu recurso deferido pelo Ministério da Educação no processo n° 23000.010392/2012-62. Com isso, teve renovado seu CEBAS para o período de 01/01/2013 a 31/12/2015, conforme Portaria nº 311/2020 (fls. 2750/2759). Fl. 3101DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 Sendo assim, entendo com razão a contribuinte quando afirma que, a partir da renovação do CEBAS para o período 01/01/2013 a 31/12/2015, a RECORRENTE está, atualmente, regular em relação à sua certificação, conforme disciplina o art. 24, §2º, da Lei nº 12.101/2009: Art. 24. Os Ministérios referidos no art. 21 deverão zelar pelo cumprimento das condições que ensejaram a certificação da entidade como beneficente de assistência social, cabendo-lhes confirmar que tais exigências estão sendo atendidas por ocasião da apreciação do pedido de renovação da certificação. § 1º Será considerado tempestivo o requerimento de renovação da certificação protocolado no decorrer dos 360 (trezentos e sessenta) dias que antecedem o termo final de validade do certificado. (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) § 2º A certificação da entidade permanecerá válida até a data da decisão sobre o requerimento de renovação tempestivamente apresentado. Como exposto, quando da lavratura do auto de infração, a situação era a de que a RECORRENTE teve indeferido o seu pedido de renovação do CEBAS relativo ao triênio 01/01/2013 a 31/12/2015, enquanto que os pedidos de renovação para os triênios subsequentes 01/01/2016 a 31/21/2018 e 01/01/2019 a 31/12/2021, objeto dos processos nº 23000.025134/2015-23 e nº 23000.040560/2018-30, respectivamente, haviam sido protocolizados tempestivamente, mas estavam sob análise. Em pesquisa realizada no site http://siscebas2.mec.gov.br/visao-publica, verifica- se que os processos que tratam da renovação relativa aos triênios 01/01/2016 a 31/21/2018 e 01/01/2019 a 31/12/2021 permanecem sob análise: Insta salientar que, conforme mensagem disponibilizada no mesmo site, as informações do portal foram atualizadas no dia 01/04/2021. Fl. 3102DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-011.248 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.721434/2020-51 Contudo, independentemente disso, entendo que assiste razão à RECORRENTE quando afirma que “o deferimento do processo n° 23000.010392/2012-62 reestabelece toda a cronologia de CEBAS da FUNDEG, de modo que seu CEBAS permanece vigente até o presente momento” (fl. 2763). Isso porque, nos termos do já citado art. 24, §2º, da Lei nº 12.101/2009, a certificação da entidade permanecerá válida até a data da decisão sobre o requerimento de renovação tempestivamente apresentado. Em outras palavras, com o deferimento do recurso, pelo Ministério da Educação, acerca da renovação do CEBAS da RECORRENTE relativo ao triênio 01/01/2013 a 31/12/2015, esta voltou a ficar em situação regular no que se refere à sua certificação, haja vista que os pedidos de renovação para os triênios subsequentes foram protocolados tempestivamente e ainda permanecem sob análise (pelo menos até 01/04/2021). Portanto, é certo afirmar que, pelo menos até a data de 01/04/2021, a RECORRENTE possuía certificação válida (haja vista a ausência de decisão sobre os requerimentos de renovação tempestivamente apresentados), de modo que é insubsistente o presente lançamento efetuado em 03/03/2020 e que teve como único fundamento o indeferimento da renovação do CEBAS para o período de 01/01/2013 a 31/12/2015. Por fim, saliente-se que a os termos da Lei Complementar nº 187/2021 somente se aplicam aos requerimentos de concessão ou de renovação de certificação apresentados a partir da data de sua publicação (que ocorreu em 17/12/2021), sendo certo que os requerimento apresentados antes da citada LC ficam sujeitos às regras vigentes à época de seu protocolo, conforme dispõe o art. 40 da citada LC 187/2021: Art. 40. Aplica-se o disposto nesta Lei Complementar aos requerimentos de concessão ou de renovação de certificação apresentados a partir da data de sua publicação. § 1º A validade dos certificados vigentes cujo requerimento de renovação não tenha sido apresentado até a data de publicação desta Lei Complementar fica prorrogada até 31 de dezembro do ano subsequente ao do fim de seu prazo de validade. § 2º (VETADO). § 2º Aos requerimentos de concessão ou de renovação de certificação pendentes de decisão na data de publicação desta Lei Complementar aplicam-se as regras e as condições vigentes à época de seu protocolo. (Promulgação partes vetadas) CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos das razões acima. Deixo de analisar as demais questões recursais por desnecessário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 3103DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.989053/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/07/2002
RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. TEMA RE Nº 574.706.
Fixada a tese pelo STF de que o ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições sociais, com repercussão geral reconhecida, seu cumprimento é vinculante aos Conselheiros do CARF por força do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3301-013.094
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a motivação de negativa ao crédito, com base no RE nº 574.706, cabendo à unidade de origem fazer os procedimentos necessários em relação à apuração do crédito e reconhecê-lo até o limite pleiteado em PER/DCOMP. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.091, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.989050/2017-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/07/2002 RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. TEMA RE Nº 574.706. Fixada a tese pelo STF de que o ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições sociais, com repercussão geral reconhecida, seu cumprimento é vinculante aos Conselheiros do CARF por força do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a motivação de negativa ao crédito, com base no RE nº 574.706, cabendo à unidade de origem fazer os procedimentos necessários em relação à apuração do crédito e reconhecê-lo até o limite pleiteado em PER/DCOMP. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301- 013.091, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 10880.989050/2017-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior, Jose Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta (suplente convocada), Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Por bem retratar os fatos que circundam o litígio, adoto o relatório do Acórdão Recorrido, a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 90 53 /2 01 7- 13 Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.094 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.989053/2017-13 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento do pedido de restituição – PER nº 03567.95799.130707.1.2.04-7149 (fls. 63 a 65), de acordo com Despacho Decisório exarado pela DERAT São Paulo em 02/01/2018 (fls. 67 a 68) e Informações Complementares da Análise do Crédito (fls. 69 a 74). O referido PER contém demonstração de crédito de Pagamento Indevido ou a Maior, no valor de R$ 307.767,57, referente a arrecadação de Cofins (código de receita 2172) realizada, por meio de Darf, em 15/07/2002. Nesse contexto, a DERAT, em análise eletrônica, concluiu que não há direito ao crédito pleiteado, pois para o pagamento informado no PER/DCOMP foi localizado um débito alocado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva (fls. xx a xx) contendo os argumentos a seguir. A manifestante afirma que o crédito decorre de recolhimento a maior, em razão da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo. Pontua que, originalmente, foram incluídos nas bases de cálculo das contribuições os montantes cobrados a título do ICMS destacado nas notas fiscais, como se, de fato, o referido imposto estadual tivesse natureza jurídica de faturamento/receita, ou seja, como se integrasse o seu patrimônio. No entanto, sustenta que o montante arrecadado a título de ICMS não pode integrar a receita bruta, já que configura mero ingresso, eis que não integra ou adere ao patrimônio do contribuinte, apenas transitando por sua contabilidade para, ao final, compor a receita dos Estados. Nesse sentido, a manifestante menciona decisões judiciais que afastaram a possibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, notadamente o RE nº 574.706, no qual o STF fixou a tese de que “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS”. Após, a manifestante apresenta entendimento acerca do conceito de receita, concluindo que o ICMS não pode ser assim classificado. Ademais, cita trechos do julgamento do RE nº 574.706 e alega que, após a declaração de inconstitucionalidade, a RFB não pode negar direito ao crédito pleiteado. Nessa esteira, entende que o referido julgado deve ser observado, mesmo que ainda esteja pendente a apreciação dos Embargos de Declaração opostos pela União, porque esta medida recursal não tem o objetivo de alterar o mérito da decisão. Por fim, afirma que a decisão que indeferiu o pedido sobreveio após a decisão da Suprema Corte que reconheceu a manifesta inconstitucionalidade dessa exigência. Pelo exposto, a manifestante requer a reforma do despacho decisório, para efeito de homologar, integralmente, o crédito pleiteado. É o relatório. (grifos nossos) Os argumentos foram julgados improcedentes pela DRJ, porque ainda não seria possível aplicar a tese firmada pelo STF no bojo do RE nº 574.706, até que se desse o seu trânsito em julgado – Ementa dispensada a teor do Art. 2º da Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017. Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.094 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.989053/2017-13 Intimada à Recorrente apresentou Recurso Voluntário para, resumidamente, suplicar a observância pela instância administrativa da decisão transitada em julgado no RE nº 574.706, com espeque no artigo 26-A, § 6º, inciso I, do Decreto 70.235/72, e do art. 62, inciso I do Regimento Interno do CARF (Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015). É o breve relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Administrativo deve ser conhecido, eis que preenchidos os requisitos legais. Da leitura do relatório, verifica-se que a restituição de R$ 303.182,03, decorrente de pagamento a maior de COFINS, pago via DARF em 15/04/2002, foi indeferida por ausência do crédito indicado, já que utilizado integralmente para pagamento do débito do período de março. Negativa mantida pela DRJ, sendo adotado como argumento principal o seguinte: (...) A despeito da argumentação trazida pela manifestante, ainda não é possível, em sede de julgamento administrativo, a aplicação da tese firmada pelo STF, pois não há decisão definitiva plenária no RE nº 574.706. (...) Diante dessas considerações, para além da imposição legal trazida pela Lei nç? 10.522/2002, é razoável que se aguarde o trânsito em julgado da decisão do STF para a aplicação do entendimento firmado na tese. Dessa forma, ainda prevalece o entendimento do STJ que, no REsp 1144469/PR, decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do PIS e da Cofins: RECURSO ESPECIAL Nº 1.144.469 - PR (2009/0112414-2) EMENTA RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. (...) 8. Desse modo, firma-se para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". Dessarte, enquanto não se tornar definitiva a decisão do STF e atendidos os requisitos impostos pela Lei nº 10.522/2002, o tema decidido pelo STF não pode produzir efeitos nas instâncias administrativas. Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.094 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.989053/2017-13 Conclui-se, assim, que a discussão levada a cabo diz respeito à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, tema objeto do RE nº 574.706 com repercussão geral reconhecida, tendo o STF fixado a seguinte tese “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”. O tema dispensa maiores debates, vez que transitado em julgado o referido RE em 09/09/2021, momento em que se tornou vinculante e obrigatória a sua aplicação, inclusive pelos Conselheiros deste Conselho Administrativo por força do art.62 do RICARF 1 , tendo à Receita Federal se manifestado através da Solução de Consulta DISIT/SRFB nº 1.013/2021, quanto aos critérios de apuração: Assunto: Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO EXTEMPORÂNEA. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO. Os saldos a maior de créditos da não cumulatividade, apurados após os ajustes decorrentes da exclusão do 'ICMS destacado nas notas fiscais' da base de cálculo da Cofins, e que estejam em conformidade com o disposto no artigo 3ºda Lei nº10.833. de 2003, só são passíveis de compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, relativamente aos valores em que haja previsão na legislação, como no caso de se relacionarem a vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, ou estiverem vinculados a operações de exportação dos serviços, por força do art. 5ºe do art. 6º, respectivamente, da citada lei, e do art. 16 da Lei nº11.116, de 2005. Os saldos a maior de créditos da não cumulatividade, apurados após os ajustes decorrentes da exclusão do 'ICMS destacado nas notas fiscais' da base de cálculo da Cofins, e que estejam em conformidade com o disposto no artigo 3ºda Lei nº10.833. de 2003, podem ser aproveitados nos meses subsequentes na dedução dos saldos a recolher da referida Contribuição, conforme previsão contida no § 4ºdo referido artigo. Os ajustes da base de cálculo da Cofins decorrentes da exclusão do 'ICMS destacado nas notas fiscais' devem observar a modulação temporal constante da decisão do Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral (Recurso Extraordinário nº574.706/PR), onde se estabelece 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [omissis] II - que fundamente crédito tributário objeto de: [omissis] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [omissis] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.094 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.989053/2017-13 que os efeitos desta exclusão devem se dar apenas a partir de 16.03.2017, ressalvadas as ações judiciais protocoladas até (inclusive) 15.03.2017. A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil está vinculada ao referido entendimento em razão do disposto nos arts. 19, VI, "a", e 19-A, III, § 1º, da Lei nº10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº1, de 2014 e no Parecer SEI Nº7698/2021/ME. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº355, DE 13 DE JULHO DE 2017Dispositivos Legais: Lei nº10.833, de 2003, arts. 3ºe 6º; Lei nº11.033, de 2004, art. 17; Lei nº11.116, de 2005, art. 16, I; Lei nº10.522, de 2002, arts. 19, VI, "a", e 19-A, III, § 1º; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº1, de 2014; Parecer SEI Nº7698/2021/ME, Instrução Normativa RFB nº1.717, de 2017, artigo 2º, I, e artigo 65. Assunto: Contribuição Para o PIS/Pasep NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROPRIAÇÃO EXTEMPORÂNEA. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO. Os saldos a maior de créditos da não cumulatividade, apurados após os ajustes decorrentes da exclusão do 'ICMS destacado nas notas fiscais' da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, e que estejam em conformidade com o disposto no artigo 3ºda Lei nº10.637. de 2002, só são passíveis de compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, relativamente aos valores em que haja previsão na legislação, como no caso de se relacionarem a vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, ou estiverem vinculados a operações de exportação dos serviços, por força do art. 5ºe do art. 6º, respectivamente, da citada lei, e do art. 16 da Lei nº11.116, de 2005. Os saldos a maior de créditos da não cumulatividade, apurados após os ajustes decorrentes da exclusão do 'ICMS destacado nas notas fiscais' da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, e que estejam em conformidade com o disposto no artigo 3ºda Lei nº10.637. de 2002, podem ser aproveitados nos meses subsequentes na dedução dos saldos a recolher da referida Contribuição, conforme previsão contida no § 4ºdo referido artigo. Os ajustes da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da exclusão do 'ICMS destacado nas notas fiscais' devem observar a modulação temporal constante da decisão do Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral (Recurso Extraordinário nº574.706/PR), onde se estabelece que os efeitos desta exclusão devem se dar apenas a partir de 16.03.2017, ressalvadas as ações judiciais protocoladas até (inclusive) 15.03.2017. A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil está vinculada ao referido entendimento em razão do disposto nos arts. 19, VI, "a", e 19-A, III, § 1º, da Lei nº10.522, de 2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº1, de 2014 e no Parecer SEI Nº7698/2021/ME. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 355, DE 13 DE JULHO DE 2017. Dispositivos Legais: Lei nº10.637, de 2002, arts. 3ºe 5º; Lei nº11.033, de 2004, art. 17; Lei nº11.116, de 2005, art. 16, I; Lei nº10.522, de 2002, arts. 19, VI, "a", e 19-A, III, § 1º; Portaria Conjunta PGFN/RFB nº1, de 2014; Parecer SEI Nº7698/2021/ME, Instrução Normativa RFB nº1.717, de 2017, artigo 2º, I, e artigo 65. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a motivação da negativa ao crédito com base no RE nº 574.706. Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.094 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.989053/2017-13 Cabe à Unidade de Origem fazer os procedimentos necessários em relação a apuração do crédito, e reconhecer até o limite pleiteado em PER/DCOMP. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a motivação de negativa ao crédito, com base no RE nº 574.706, cabendo à unidade de origem fazer os procedimentos necessários em relação à apuração do crédito e reconhecê-lo até o limite pleiteado em PER/DCOMP. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 113DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11684.720298/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 01/10/2015
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/10/2015 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 02 98 /2 01 6- 18 Fl. 170DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.188 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720298/2016-18 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou PROCEDENTE/PROCEDENTE EM PARTE, para DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). que para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. Fl. 171DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.188 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720298/2016-18 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 172DF CARF MF Original
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Numero do processo: 23034.042642/2006-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2004
SALÁRIO-EDUCAÇÃO. GLOSA DE DEDUÇÕES
É escorreita a glosa de deduções do salário-educação de empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, quando deixarem de respeitar os procedimentos e prazos estabelecidos em Resolução do FNDE.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF nº 11.
Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, pois o prazo prescricional só começa a fluir a partir da decisão definitiva do processo administrativo de constituição do crédito tributário. Na fase entre a notificação do lançamento e a solução definitiva do processo
administrativo não ocorrem nem a prescrição nem a decadência. Ademais, não há previsão legal ou normativa para aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
São devidas e legais a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4º e 5º do CARF.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.181
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa prevista no art. 35-A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941 de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2004 SALÁRIO-EDUCAÇÃO. GLOSA DE DEDUÇÕES É escorreita a glosa de deduções do salário-educação de empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, quando deixarem de respeitar os procedimentos e prazos estabelecidos em Resolução do FNDE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF nº 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, pois o prazo prescricional só começa a fluir a partir da decisão definitiva do processo administrativo de constituição do crédito tributário. Na fase entre a notificação do lançamento e a solução definitiva do processo administrativo não ocorrem nem a prescrição nem a decadência. Ademais, não há previsão legal ou normativa para aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. São devidas e legais a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4º e 5º do CARF. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SALÁRIOEDUCAÇÃO Recorrente CLEMAR ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2004 SALÁRIOEDUCAÇÃO. GLOSA DE DEDUÇÕES É escorreita a glosa de deduções do salárioeducação de empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, quando deixarem de respeitar os procedimentos e prazos estabelecidos em Resolução do FNDE. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF nº 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, pois o prazo prescricional só começa a fluir a partir da decisão definitiva do processo administrativo de constituição do crédito tributário. Na fase entre a notificação do lançamento e a solução definitiva do processo administrativo não ocorrem nem a prescrição nem a decadência. Ademais, não há previsão legal ou normativa para aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. São devidas e legais a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado à empresa a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 26 42 /2 00 6- 98 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 544 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941 de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Eduardo de Oliveira. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 545 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito tributário relativo à contribuição para o SalárioEducação, lançado contra a empresa acima identificada, por meio da Notificação Para Recolhimento de Débito — NRD n° 486/2006, (Sicob n° 49.906.2485), emitida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, com ciência do contribuinte em 21/12/2006. As contribuições exigidas são relativas às competências 07/1996 a 12/2004. A fiscalização do FNDE informa que o lançamento decorre de deduções indevidas do Salário Educação realizadas pela empresa, conforme divergências apontadas no comparativo entre deduções realizadas na modalidade “indenização de dependentes”, apuradas do numero de alunos informados pela empresa na Relação de Alunos Indenizados — RAI. DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 21/12/2006. Inconformado apresentou impugnação. DO RECURSO A decisão de primeira instância administrativa fiscal deu provimento parcial à impugnação reconhecendo a decadência das competências 07/1996 a 11/2001, pelos critérios previstos no art. 150, § 4 do CTN. O contribuinte foi cientificado da decisão em 21/11/2011, apresentando recurso voluntário em 20/12/2011, alegando em síntese: a prescrição intercorrente em razão da demora no julgamento administrativo; que seja provido o recurso tornando inexigível o crédito tributário, eis que restou provada a destinação correta das verbas para quem de direito; no caso da manutenção do lançamento fiscal, que seja amenizados os juros e a multa aplicados, em razão da primariedade da recorrente; É o relatório. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 546 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual passase a analisálo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, pois o prazo prescricional só começa a fluir a partir da decisão definitiva do processo administrativo de constituição do crédito tributário. Na fase entre a notificação do lançamento e a solução definitiva do processo administrativo não ocorrem nem a prescrição nem a decadência. O contencioso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. Ademais, não há previsão legal ou normativa para aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ressaltase que houve transferência dos autos que estavam sob a jurisdição do FNDE para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em razão da mudança da competência do órgão administrativo de julgamento. Desse modo, também, não procede o argumento da prescrição intercorrente em razão da demora na constituição definitiva do crédito tributário, pois deve ser demonstrada pelo contribuinte a desídia por dolo ou culpa atribuída à Fazenda Pública, o que não ocorreu. Neste raciocínio são as decisões do Superior Tribunal de Justiça STJ: Processo AGARESP 201200951218AGARESP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – 175260. Relator(a) CASTRO MEIRA. Sigla do órgão STJ. Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:08/02/2013 ..DTPB: Decisão por unanimidade. Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. CITAÇÃO VÁLIDA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO COMPROVAÇÃO DA ATUAÇÃO DESIDIOSA DA FAZENDA PÚBLICA. SÚMULA 7/STJ. 1. Esta Corte reconhece a prescrição intercorrente da execução fiscal apenas se estiverem presentes os seguintes pressupostos: transcurso do quinquídeo legal; e comprovação de que o feito teria ficado paralisado por esse período por desídia do exequente. 2. Considerando os elementos fáticoprobatórios fixados pela Corte de origem, não há que se falar em prescrição intercorrente, ante a ausência da comprovação da desídia ou do abandono processual da Fazenda Pública, tal análise encontra óbice na Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (nosso grifo) Fl. 546DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 547 5 Data da Decisão 18/12/2012. Data da Publicação 08/02/2013 Processo RESP 201201771239RESP RECURSO ESPECIAL – 1355982. Relator(a) HERMAN BENJAMIN. Sigla do órgão STJ. Órgão julgador SEGUNDA TURMA. Fonte DJE DATA:18/12/2012 . Decisão por unanimidade. Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. SUCESSÃO DE EMPRESAS. CITAÇÃO APÓS O PERÍODO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA CITAÇÃO DA DEVEDORA ORIGINÁRIA. INÉRCIA DA FAZENDA PÚBLICA NÃO CONFIGURADA. INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. 1. A situação debatida nos autos é peculiar. Não versa sobre o redirecionamento da Execução Fiscal contra o sócio administrador da empresa, em razão de dissolução irregular (o que afasta a hipótese de sobrestamento do apelo, pois a matéria é distinta da debatida no RESP 1.201.993/SP, pendente de julgamento no rito do art. 543C do CPC), mas sim decorrente da possível sucessão empresarial (art. 133 do CTN). 2. O Tribunal de origem ratificou a decisão do juízo de primeiro grau, isto é: a) a discussão a respeito da sucessão empresarial é inviável em Exceção de PréExecutividade, pois demanda dilação probatória; e b) embora a citação da empresa em tese sucessora tenha ocorrido em período que superou o prazo de cinco anos, contados da citação da sucedida, a Fazenda Nacional jamais ficou inerte. 3. O presente apelo ataca apenas a última parcela da decisão (tema da prescrição), dotado de autonomia para, acaso acolhido, reformar o acórdão hostilizado. A empresa defende a tese de que basta o transcurso do lustro para o reconhecimento da prescrição intercorrente. 4. O STJ, no julgamento do RESP 1.222.444/RS, julgado no rito do art. 543C do CPC, pacificou a orientação de que "A configuração da prescrição intercorrente não se faz apenas com a aferição do decurso do lapso quinquenal após a data da citação. Antes, também deve ficar caracterizada a inércia da Fazenda exequente". 5. Recurso Especial não provido. Data da Decisão 06/12/2012. Data da Publicação 18/12/2012 Processo AGA 201001366317AGA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 1336961. Relator(a) NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. Sigla do órgão STJ. Órgão julgador PRIMEIRA TURMA. Fonte DJE DATA:13/11/2012. Decisão por unanimidade. Ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DA CDA. HIGIDEZ DO Fl. 547DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 548 6 TÍTULO EXECUTIVO AFIRMADA PELO TRIBUNAL A QUO. INVERSÃO DO JULGADO QUE DEMANDARIA INCURSÃO NA SEARA PROBATÓRIA DOS AUTOS. SÚMULA 7 DO STJ. NÃO OCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO ADMINISTRATIVA INTERCORRENTE. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL DE CINCO ANOS ATÉ A DECISÃO DEFINITIVA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECEDENTES DA 1a. SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. (...). 2. (...).3. Estabelece o art. 174 do CTN que o prazo prescricional do crédito tributário começa a ser contado da data da sua constituição definitiva. Ora, a constituição definitiva do crédito tributário pressupõe a inexistência de discussão ou possibilidade de alteração do crédito. Ocorrendo a impugnação do crédito tributário na via administrativa, o prazo prescricional começa a ser contado a partir da apreciação, em definitivo, do recurso pela autoridade administrativa. Antes de haver ocorrido esse fato, não existe dies a quo do prazo prescricional, pois, na fase entre a notificação do lançamento e a solução do processo administrativo, não ocorrem nem a prescrição nem a decadência (REsp. 32.843/SP, Rel. Min. ADHEMAR MACIEL, DJ 26.10.1998, AgRg no AgRg no REsp. 973.808/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 17.11.2010, REsp. 1.113.959/RJ, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 11.03.2010, REsp. 1.141.562/SP, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 04/03/2011). 4. Agravo Regimental desprovido. ..EMEN: Data da Decisão 23/10/2012. Data da Publicação 13/11/2012 Processo AGARESP 201200901842AGARESP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – 173621. Relator(a) HUMBERTO MARTINS. Sigla do órgão STJ. Órgão julgador SEGUNDA TURMA. Fonte DJE DATA:25/09/2012. Decisão por unanimidade. Ementa: TRIBUTÁRIO.PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RECURSO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE E DO PRAZO PRESCRICIONAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEMORA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. Todavia, a análise, no presente caso, de que ocorreu demora injustificada no encerramento do processo administrativo fiscal capaz de configurar prescrição intercorrentes barra no óbice da Súmula 7/STJ. 3. Ademais, nos termos da jurisprudência do STJ, o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito Fl. 548DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 549 7 tributário enquanto perdurar o contencioso administrativo,nos termos do art. 151, III, do CTN. Assim, somente a partir da notificação do resultado do recurso tem início a contagem do prazo prescricional, afastandose a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica. Agravo regimental improvido. Data da Decisão 18/09/2012. Data da Publicação 25/09/2012 Ademais consta da Súmula nº 11 do CARF: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Os documentos anexados aos autos como prova da destinação correta das verbas para quem de direito já foram examinadas pelo julgador de primeira instância. O contribuinte não contestou de maneira específica a decisão, não informando os pontos discordantes. A argumentação genérica, por si só, não tem o condão de desconstituir o lançamento fiscal legalmente constituído. JUROS. TAXA SELIC São devidas e legais a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa aplicada pela Lei 8.212/91, na redação introduzida pela Lei 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. A multa de ofício, art. 35A da Lei 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 549DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 550 8 inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatada diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei 8.212/91 quanto à aplicação da multa devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise será realizada pela comparação entre os valores das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11.941, de 2009; por descumprimento de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei 11.941, de 2009; e por multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei 8.212, de 1991, acrescido pela Lei 11.941, de 2009. Ante ao exposto, por se tratar de deduções indevidas do SalárioEducação realizadas pela empresa (glosa) e inexatidão de valores recolhidos na época própria (recolhimento intempestivo da contribuição), referese a lançamento de ofício. Assim, a multa a ser aplicada será a do art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, e art. 33 da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941 de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 550DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.042642/200698 Acórdão n.º 2803002.181 S2TE03 Fl. 551 9 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11634.000319/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais).
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-012.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF N° 02/2023. SÚMULA CARF N° 103. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023 estabelece o atual limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que passou a ser de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do recurso de ofício. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.050, de 22 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 17090.720232/2021-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 19 /2 01 0- 85 Fl. 353DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.185 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000319/2010-85 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso de Ofício interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou PROCEDENTE/PROCEDENTE EM PARTE, para DECLARAR A NULIDADE dos Autos de Infração objeto da presente lide, de modo a EXONERAR os respectivos créditos tributários. Diante do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade do Recurso de Ofício Nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 34, inc. I, e da Portaria MF nº 02/2023, cabe recurso de ofício (remessa necessária) ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) sempre e quando a exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, em atenção à previsão dos dispositivos retro mencionados e em convergência com a Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de oficio, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, verifica-se que o Acórdão recorrido promoveu a exoneração inferior ao atual limite de alçada, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. Por essa razão, voto por não conhecer do recurso de ofício. Fl. 354DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.185 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11634.000319/2010-85 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 355DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720276/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante à segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor (§ 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA.
O arbitramento por aferição indireta tem lugar na falta de apresentação de contabilidade e incumbe ao contribuinte demonstrar a incorreção das bases de cálculo utilizadas.
Numero da decisão: 2201-011.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante à segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor (§ 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA. O arbitramento por aferição indireta tem lugar na falta de apresentação de contabilidade e incumbe ao contribuinte demonstrar a incorreção das bases de cálculo utilizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face da decisão da Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), consubstanciada no Acórdão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 02 76 /2 01 5- 14 Fl. 576DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.720276/2015-14 nº 09-59.623 (fls. 552/556), o qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Reproduzo a seguir o relatório do Acórdão de Impugnação, o qual descreve os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Compõem o presente processo os autos de infração 51.081.353-4 (patronal), 51.061.354-2 (segurados) e 51.061.355-0 (terceiros), lavrados em 1/12/2015, com valores originários (sem multa ou juros), respectivamente, de R$ 246.677,90, R$ 44.947,22 e R$ 70.388,87. Como motivação do lançamento, consta, no Relatório Fiscal de folhas 58 a 67, o seguinte: 3 – ANÁLISE DOS DOCUMENTOS 3.1 Nas GFIPs dos períodos 01/2013 a 10/2013, 12/2013 a 13/2013 e 01/2014 a 13/2014, conforme demonstrado na Planilha – Anexo I, o sujeito passivo declarou-se optante do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES NACIONAL). 3.2 Na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, anocalendário 2013, a empresa informou ser do “LUCRO PRESUMIDO”. 3.3 Em consulta ao Portal do Simples Nacional, no sítio da Receita Federal do Brasil - www.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional, verificou-se que a situação da empresa é de “NÃO OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL" no período 01/2013 a 13/2014. 3.4 A empresa foi excluída do SIMPLES NACIONAL através do Ato Declaratório Executivo DRF/JPA nº 726142, de 10 de setembro de 2012, com efeitos a partir de 01/01/2013 e voltou a ser optante a partir de 01/01/2015. 3.5 Os valores declarados em GFIP, extraídos dos sistemas informatizados da RFB, foram apresentados ao sujeito passivo através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (item 4) e do Termo de Intimação Fiscal nº1 (item 1). Através dos mencionados termos o sujeito passivo foi instado a manifestar-se, por escrito, sobre tais valores e a justificar por que foi declarado, incorretamente na GFIP, que a empresa seria optante do SIMPLES NACIONAL. 3.6 Em resposta às intimações, o sujeito passivo informou que houve erros nas informações enviadas ao SEFIP e que a empresa após o encerramento da fiscalização iria fazer as “devidas correções e pagamentos das diferenças”. 3.7 Foram apresentados os contratos de prestação de serviços firmados com as empresas NET SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO S/A, CNPJ 00.108.786/0140-34, em 22/03/2013, EMBRATEL TVSAT LTDA, CNPJ 09.132.659/0001-76, em 31/08/2010 e CLARO S/A, CNPJ 40.432.544/0001-47, no ano 2014. ... 3.12 Em suma, a VIA.COM SERVICE presta serviço de instalação e manutenção de pontos de telecomunicações (televisão por assinatura, internet e telefonia) e de vendas, mediante comissionamento, desses mesmos produtos para as empresas EMBRATEL, NET e CLARO, que a partir de 18/12/2014, passaram a integrar o mesmo grupo econômico. 3.13 Todos os equipamentos/terminais (decoders, e-MTA, caixa digital, cable modem, DVR) e materiais instalados nas residências dos assinantes são fornecidos pelas empresas contratantes (NET, EMBRATEL e CLARO). Fl. 577DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.720276/2015-14 3.14 As notas fiscais emitidas no período 01/2013 a 12/2014, listadas na Planilha – ANEXO II, confirmam a prestação dos serviços previstos nos contratos apresentados. 3.15 Não foram apresentados os Livros Diários dos períodos 01/2013 a 12/2014. A empresa estaria dispensada de apresentar a contabilidade formalizada (livros diários e razão) se apresentasse os Livros Caixa de tal período, o que não ocorreu. 4 – VALORES LANÇADOS 4.1 Fatos Geradores 4.1.1 Constituem os fatos geradores das contribuições lançadas através dos Autos de Infração 51.081.353-4, 51.081.354-2 e 51.081.355-0, as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados no período 01/2013 a 12/2014. 4.1.2 Os créditos tributários em questão foram constituídos por arbitramento, através de aferição indireta, tomando-se por parâmetro as notas fiscais de serviço emitidas para as empresas CLARO S/A, EMBRATEL TVSAT TELECOMUNICAÇÕES S/A, EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A – EMBRATEL e NET SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO S/A. ... 4.1.4 O que motivou o lançamento por arbitramento, através de aferição indireta das bases de cálculo, no caso em questão, foi a não apresentação dos livros contábeis (Diários e Razão ou Caixa) do período 01/2013 a 12/2014. 4.1.5 Mesmo tendo sido intimado através do Termo de Intimação Fiscal nº 2 (item 4), de 16/06/2015 e reintimado por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 3 (item 2), de 01/07/2015, para apresentar os livros contábeis (Livros Dário e Razão ou Livro Caixa) do período 01/2013 a 12/2014, o sujeito passivo não atendeu às intimações e deixou de apresentar os livros solicitados. 4.2 Bases de Cálculo 4.2.1 Na análise dos contratos verificou-se que os contratantes fornecem todos os materiais e equipamentos instalados nas residências dos clientes, ficando a cargo da contratada, VIA.COM SERVICE, a alocação dos empregados para execução dos serviços de instalação. 4.2.2 Nas notas fiscais de serviço não há discriminação de valores alusivos à utilização de materiais e equipamentos. 4.2.3 Os valores descontados pelos tomadores de serviço em favor do INSS, por conta da retenção de 11% prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, são calculados sobre o valor total da nota fiscal. 4.2.4 Assim, definiu-se como base de cálculo o percentual de 40% do valor total da nota fiscal, de acordo com os art. 450, I, da Instrução Normativa RFB nº 971 de 13/11/2009, a segui transcrito: Art. 450. Para fins de aferição, a remuneração da mão-de-obra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde, no mínimo, ao percentual de: I - 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; 4.2.5 Das bases de cálculo apuradas sobre as notas fiscais foram deduzidos os valores das remunerações declaradas em GFIP, conforme demonstrado na Planilha – Anexo II. Fl. 578DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.720276/2015-14 ... A ciência do lançamento se deu em 1/12/2015, conforme folhas 3, 21 e 34. Com data de protocolização em 4/1/2016, foram juntadas três impugnações, por procuração, uma para cada lançamento, contendo o seguinte: Inicialmente, alega que não obstante estar a autuação pautada no fato de a impugnante não ter apresentado os livros contábeis, as bases de cálculo são de conhecimento da auditoria, tanto que lavrou o lançamento no processo 14751.720147/2015-26, tomando por base os valores de remunerações sem recorrer ao arbitramento. Em função disso, alega duplicidade no lançamento. Alega que o arbitramento é medida excepcional à regra de aferição direta não tendo sido pela auditoria a infirmação dos fatos declarados, obrigação da autoridade autuante. Informa acostar documentação que possibilita a aferição direta. Ao final, pede a dispensa do arbitramento, por existirem elementos para aferição direta. Pede também a revisão do lançamento para excluir os valores já lançados ou recolhidos. Nas outras duas impugnações, lança os mesmos termos e pede sua respectiva revisão. Junta cópias de resumos de folhas e GFIP. Há despacho à folha 550 da Sacat/DRF/JPA concluindo pela tempestividade da impugnação. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), julgou improcedente a Impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA. O arbitramento por aferição indireta tem lugar na falta de apresentação de contabilidade e incumbe ao contribuinte demonstrar a incorreção das bases de cálculo utilizadas. Cientificada dessa decisão em 20/05/2016 (sexta-feira), por via postal (A.R. de fl. 566), a Contribuinte apresentou, em 20/06/2016, o Recurso Voluntário de fls. 569/573, repisando as alegações da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 579DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.720276/2015-14 Tendo em vista que a Recorrente repete em seu recurso os mesmos argumentos da sua Impugnação, opto por reproduzir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordo integralmente. Inicialmente, a impugnante insurge-se contra o lançamento ao argumento de desnecessidade do arbitramento por aferição indireta. Na verdade, nos termos do art. 33, §3º da Lei 8.212/1991 (fundamento devidamente explicitado no Relatório Fiscal), nos casos de não apresentação de documentos legalmente exigíveis, a administração tributária pode lançar de ofício a importância reputada como devida, cabendo à empresa o ônus da prova ao contrário (art. 447, §3º, Instrução Normativa RFB 971/2009). No caso em tela, verificou-se que houve prestação de serviços com cessão de mão-de- obra pela empresa sem a coerente declaração dos empregados envolvidos. Na medida em que não houve apresentação da contabilidade, para que se averiguasse a correção do procedimento, o lançamento por arbitramento, aferindo-se a base de cálculo nas notas fiscais de prestação de serviço, teve seu lugar. Os créditos tributários lançados no processo 14751.720147/2015-26 partiram da premissa de que a informação de opção ao Simples indicada nas Guias de Recolhimento de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) incorretamente, não permitia a constituição e cobrança de parte das contribuições sociais devidas. Mesmo assim, no Relatório Fiscal consta que os lançamentos com base nas notas fiscais de prestação de serviços levaram em conta o declarado, abatendo-o do arbitrado, o que afasta dúvida de não haver bis in idem. A partir desse momento, em que o crédito tributário é constituído por arbitramento, nasce a possibilidade ao contribuinte contraditar a premissa utilizada contrapondo provas que denotem a correção de outros valores que não os aferidos indiretamente. O impugnante junta, no entanto, apenas resumos de folhas de pagamento e cópias de GFIP entregues. Documentos esses que foram já analisados durante a ação fiscal, conforme consta do Relatório Fiscal parte integrante do lançamento. Assim, não vislumbramos incorreção no procedimento atacado nem efetividade nos argumentos expendidos na contrariedade. Votamos, portanto, pela improcedência da impugnação. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 580DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-011.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14751.720276/2015-14 Fl. 581DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000611/2007-61
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 01/01/2007
DECADÊNCIA RECONHECIDA E APLICADA NO JULGAMENTO A QUO. EXTENSÃO DO PERÍODO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO, AINDA, QUE PARCIAL. LEVANTAMENTO GRA GRATIFICAÇÃO AJUSTADA COM HABITUALIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS QUANTO A SER GRATIFICAÇÃO RESCISÓRIA. SELIC; SEBRAE E INCRA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. POSSIBILIDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.169
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS. ABONO CONVENÇÃO COLETIVA. GRATIFICAÇÃO EXCEPCIONAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO SEM PAT. Recorrente UMICORE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 01/01/2007 DECADÊNCIA RECONHECIDA E APLICADA NO JULGAMENTO A QUO. EXTENSÃO DO PERÍODO DECADENCIAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO, AINDA, QUE PARCIAL. LEVANTAMENTO GRA GRATIFICAÇÃO AJUSTADA COM HABITUALIDADE. AUSÊNCIA DE PROVAS QUANTO A SER GRATIFICAÇÃO RESCISÓRIA. SELIC; SEBRAE E INCRA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. POSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 11 /2 00 7- 61 Fl. 383DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 379 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, DEBCAD 37.052.9731, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias não adimplidas pelo empregador, parte dos segurados, parte patronal, SAT/RAT e terceiros – outros fundos ou entidades, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores empregados, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 31 a 34, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 26. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 29/11/2007, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 175 a 217, recebida, em 26/12/2007, estando acompanhada dos documentos, de fls. 218 a 299; 302 a 310. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 311 e 312. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1619.980 13ª Turma da DRJ/SPOI, em 23/12/2008, fls. 322 a 344, no qual o lançamento foi considerado procedente em parte. O lançamento foi retificado pelo Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 315 a 321, pois foram considerados decadentes in totum os levantamentos ABO; COC e PAT e o levantamento GRA até a competência 11/2001. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 22/01/2009, AR, fls. 348. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 350 e 351, recebida, em 20/02/2009, e razões recursais, as fls. 352 a 375, desacompanhado de qualquer documento, as teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminarmente. · que a decisão de primeiro grau excluiu do crédito os levantamentos ABO; COC e PAT em razão da decadência reconhecida até 11/2001, entretanto nada falou sobre o levantamento GRA que contém as competência 12/2000 e 01/2001, as quais não foram expressamente excluídas; · que o acórdão a quo reconheceu a decadência até a competência 11/2001 porém o correto seria até a competência 11/2002, pois as contribuições previdenciárias que têm natureza tributária aplicase a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, sendo incorreta a aplicação do artigo 173, I, do CTN pelo acórdão guerreado; Fl. 384DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 380 3 Mérito. · que quando da prolação do acórdão o relator estabeleceu presunções não aventadas no descritivo do débito, tentando inverter o ônus da prova, pois cabe ao fisco provar o seu direito; · que a alegação de ser a gratificação verba préajustada não procede, pois a empresa em momento algum e em nenhum documento estabeleceu tal gratificação, sendo a mesma mera liberalidade do empregador, sendo tais valores pagos uma única vez e apenas na ocasião da rescisão contratual; · que a gratificação não era habitual, não tendo nenhuma vinculação com a remuneração mensal, uma vez que o empregado não mais prestaria serviços a recorrente, tendo em vista a rescisão de seu contrato, ao entender tal verba como salário de contribuição o fisco viola os princípios basilares da remuneração, bem como os previdenciários e trabalhistas, nos termos do artigo 28, da Lei 8.212/91 e do artigo 214, do Decreto 3.048/99; · que ganhos eventuais não integram o salário de contribuição, sendo a habitualidade requisito obrigatório para tal caracterização, o que não ocorre com a verba paga, conforme consta da Consulta Técnica 536, de 12/04/2004, traz jurisprudência do STJ e do TST; · que a taxa SELIC é inconstitucional, não podendo ser fixada por atos infralegais, violação aos princípios estrita legalidade, indelegabilidade de competência e segurança jurídica, bem como ao artigo 161, § 1º, do CTN; · que a contribuição para o SEBRAE é inconstitucional, estando a União autorizada pelo artigo 149, da CF/88 a instituir contribuição parafiscal, mas de certas categorias econômicas, de acordo com sua finalidade, não podendo estendêla para além deste grupo em violação a própria contribuição; · que tal contribuição não foi recepcionada pela CF/88, que as contribuições possíveis foram ressalvados pelo artigo 240, bem como as do artigo 62 do ADCT, o que não ocorreu com o SEBRAE, não podendo esta ser mantida após o advento das CF/88; · que a contribuição destinada ao INCRA é inconstitucional, sendo incompreensível que se cobre de empresa urbana contribuição destinada a previdência rural, violando tal situação o princípio da isonomia, pois a empresa urbana recolhe previdência urbana e rural, mas a empresa rural só recolhe contribuição para a previdência rural, sendo tal impossibilidade reconhecida pelo STJ e STF; Fl. 385DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 381 4 · Nos pedidos, a recorrente requer: a) acolhimento integral do recurso; b) julgando o lançamento improcedente; c) protesta pela sustentação oral, com intimação prévia dos representantes legais. O órgão preparador não se pronunciou quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao 2º Conselho de Contribuintes, fls. 377. É o Relatório. Fl. 386DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 382 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Preliminar. A alegação da recorrente quanto ao levantamento GRA é sem razão. O acórdão a quo mencionou expressamente os levantamentos ABO; COC e PAT, pois estes foram excluídos in totum, porém o levantamento GRA não teve o mesmo fim, ficando, assim, submetido à regra estabelecida no decisório, qual seja decadência até a competência 11/2001. Tanto é que no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 317, as competências 12/2000 e 11/2001 do levantamento GRA foram excluídas, estando o saldo nestas competências e para este levantamento zerado. Podese observar, também, do acórdão que as teses suscitadas pela impugnante no que tange ao levantamento GRA foram devidamente consideradas no tópico denominado DAS VERBAS A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO. No que se refere à aplicação incorreta do marco decadencial, isto é, aplicação do artigo 173, I ou 150, § 4º, ambos, da Lei 5.172/66. Tenho para mim, ainda, que com ressalvas, que o acórdão de primeiro grau está correto neste aspecto, pois para a aplicação de uma ou outra regra, nos termos do que decidiu o STJ o divisor d’água é a antecipação do pagamento, observese o julgado. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Da observação dos elementos dos autos não se extrai a ocorrência da antecipação do pagamento, ainda, que parcial. O Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 11, não contém créditos considerados e nem lista Guia de Recolhimento da Previdência – GPS. De igual modo, não consta dos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, que relaciona os pagamentos deduzidos das contribuições levantadas, o que implica reconhecer a inexistência de pagamento considerado, bem como não foram anexados comprovantes da realização de tais pagamentos, ou seja, GRPS ou GPS ou equivalente, por quem quer que seja – fisco ou contribuinte e no caso de pagamento a prova é o recibo ou equivalente, artigo 320, da Lei 10.406/2002. Fl. 387DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 383 6 O Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 31 a 34, item 13 deixa claro que na ação fiscal, também, foram emitidos os créditos AI DEBCAD 37.052.9723 – CFL.68 e a NFLD DEBCAD 37.052.9715 – FNDE, ou seja, não foi emitida na fiscalização notificação fiscal a exigir parte patronal, SAT, parte de segurados, o que pode ser indício de ter havido pagamento, mas não prova efetiva da ocorrência deste, aí reside minha ressalva. O presente crédito foi lançado, em 29/11/2007, logo para a verificação do início do marco decadencial, aplicase a regra do artigo 173, I, da Lei 5.17266 ante a falta de prova de antecipação do pagamento, o que resultará em início da decadência a partir de 01/01/2002 como a competência 12/2001 só venceu em 02/01/2002, todas as competências a partir desta, inclusive, são aptas a cobrança. O acórdão fustigado apenas tratou de tecer comentários sobre as argumentações da impugnante no intuito de afastar tais teses e com isso manter o levantamento no crédito. O julgador de primeiro grau não agregou ao relatório fiscal ou ao crédito por meio do acórdão qualquer elemento inovador da matéria tributável, de fatos ou de fundamentos jurídicos, tratando apenas de refutar as alegações do contribuinte. O fato de não estar à gratificação estipulada em documento escrito não retira seu caráter de préajustada, pois como bem demonstrou o julgador de primeiro grau nas decisões que colacionou tal ajuste pode ser tácito. Podese verificar do lançamento que a referida gratificação foi paga em dez oportunidades diferentes em um período de vinte e cinco meses, apesar de duas competências estarem decadentes, este fato não exclui a ocorrência do pagamento. Desta forma, percebese que a gratificação é bem mais frequente do alega a recorrente, bem como não há provas de que nestes meses ocorreram demissões e que os valores lançados na notificação correspondem aos valores das gratificações que integraram as rescisões contratuais. Aliás, em dados meses como 12/2000; 12/2001; 01/2002; 02/2002; 05/2002; 06/2002; 10/2002 e 12/2002 o valor lançado na notificação parece ser um pouco alto para ser uma simples gratificação de liberalidade paga unicamente aos trabalhadores no ato da rescisão. Ficou demonstrado acima que a frequência com que ocorre o pagamento faz ocorrer à habitualidade, bem como não há comprovação nos autos de que tal gratificação só seja paga nas rescisões, aliás, como dito antes o valor lançado nas competências infirmam e refutam tal alegação. A título de exemplo na competência 12/2000 o salário de contribuição decorrente apenas da gratificação lançado pelo agente fiscal foi de R$ 222.981,33. Assim, perguntase: Quantos funcionários foram demitidos neste mês? Qual o valor de gratificação que cada um recebe? Apenas a título de curiosidade neste mês o salário mínimo era de R$ 151,00, se dividirmos o valor lançado pelo salário da época a empresa pagou só de gratificação rescisória mil quatrocentos e setenta e seis salários mínimos. A habitualidade ficou demonstrada, não há violação ao artigo 28 ou 214, respectivamente, da Lei 8.212/91 e do RPS anexo ao Decreto 3.048/99, pois a empresa não comprova que o pagamento é eventual e feito apenas em rescisões de contrato de trabalho. A consulta técnica suscitada pela recorrente não se ajusta a hipótese destes autos. A uma, porque ela cuida de exdiretor, que necessariamente não é empregado, sendo em regra sócio. A duas, porque cuida de trabalhador gratificado em função de expertise, uma vez que devida em razão de excelência nos serviços. A três, porque ficou neste caso demonstrado o ajuste tácito da gratificação. A quatro, porque a repetição do pagamento em dez meses e seus valores elevados demonstram no primeiro caso a habitualidade e no segundo ausência de razoabilidade e Fl. 388DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 384 7 proporcionalidade no valor da mera gratificação rescisória, pois ou esta é muita alta ou o número de rescisão em determinado mês é elevado. A aplicação da SELIC nos créditos tributário esta prevista em lei, à época do lançamento o artigo 34, da Lei 8.212/91 prévia a aplicação de tal taxa de juros. Além disto, tal índice é plenamente aceito por nossos tribunais. A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. Fl. 389DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 385 8 EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu). O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 390DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 386 9 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A respeito da contribuição para o SEBRAE o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça decidiram pela constitucionalidade e pela obrigação de outros setores também contribuírem, conforme abaixo descrito. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO VALIDADE CONSTITUCIONAL DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SEBRAE EXIGIBILIDADE DESSA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 396.266/SC, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, reconheceu a plena legitimidade constitucional da norma inscrita no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90, na redação dada pelas Leis nº 8.154/90 (art. 1º) e nº 10.668/2003 (art. 12), admitindo, em conseqüência, a constitucionalidade da contribuição social destinada ao SEBRAE. O tratamento dispensado à referida contribuição social não exige a edição de lei complementar, resultando conseqüentemente legítima a disciplinação normativa dessa exação tributária mediante legislação de caráter meramente ordinário. Precedentes. (AIAgR 655354, CELSO DE MELLO, STF) EMENTA: CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS SEBRAE. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE. A decisão agravada está em perfeita consonância com o entendimento firmado pelo Plenário desta Corte, ao julgar o RE 396.266, rel. Ministro Carlos Velloso, DJ 27.02.2004. Entendeuse, nesse julgamento, que a cobrança da contribuição destinada ao SEBRAE é constitucional, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Enfatizouse, ainda, não ser necessária a vinculação direta entre o contribuinte e o benefício decorrente da aplicação dos valores arrecadados. Assim sendo, o fato de a parte ora recorrente não estar vinculada ao SESI/SENAI, não a desobriga da contribuição ora em exame. Agravo regimental a que se nega provimento. (REAgR 429521, JOAQUIM BARBOSA, STF) EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONSTITUCIONALIDADE DO § 3º DO ARTIGO 8º DA LEI 8.029/90. PRECEDENTE. A contribuição do SEBRAE é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, SESC e SENAC. Constitucionalidade do § 3º do artigo 8º da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental não provido.(REAgR 404919, EROS GRAU, STF) Fl. 391DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 387 10 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, RE n.º 138.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE. 2. Deflui da ratio essendi da Constituição, na parte relativa ao incremento da ordem econômica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Precedentes: RESP 608.101/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 24/08/2004, RESP 475.749/SC, 1ª Turma, desta Relatoria, DJ de 23/08/2004. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 814.536/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/11/2006, DJ 14/12/2006, p. 283) (grifos desta peça). As casas superiores de justiça citadas no tópico anterior, também, entendem constitucional e devidas às contribuições para o INCRA, observe abaixo o que pensam tais cortes. Ementa: RECURSO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM PROPÓSITO MODIFICATIVO E INTERPOSTO DE DECISÃO MONOCRÁTICA CONHECIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO EXTRA PETITA. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. ESPECÍFICA TESE DA REFERIBILIDADE OU DO BENEFÍCIO DIRETO. PRECEDENTES. A agravada reconheceu expressamente em suas razões de recurso extraordinário não ter interesse em recorrer da parte do acórdão que versava sobre a contribuição destinada ao Funrural. Portanto, não está caracterizada decisão extra petita. Esta Suprema Corte firmou orientação quanto a constitucionalidade da sujeição passiva das empresas urbanas à Contribuição ao INCRA. Matéria diversa da discussão sobre a inconstitucionalidade superveniente devido à modificação do art. 149 da Constituição. Recurso de embargos de declaração conhecido como agravo regimental, ao qual se nega provimento.(RE 372811 ED, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe185 DIVULG 19092012 PUBLIC 2009 2012) EMENTA: CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA: EMPRESAS URBANAS. O aresto impugnado não diverge da jurisprudência desta colenda Corte de que não há óbice à cobrança, de empresa urbana, da referida contribuição. Precedentes: AI 334.360AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence; RE 211.442AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; e RE 418.059, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Agravo desprovido. (AIAgR 548733, CARLOS BRITTO, STF) Fl. 392DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 388 11 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. DECISÃO EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CONTRIBUIÇÃO AO SESC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE ENSINO/EDUCAÇÃO. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. COMPENSAÇÃO COM CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. ART. 66 DA LEI N. 8.383/91. IMPOSSIBILIDADE. SOMENTE COM EXAÇÃO DA MESMA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO. 1. A antiga controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição destinada ao Incra há muito está pacificada nesta Corte, inclusive com o julgamento do REsp 977.058/RS, da relatoria do Rel. Min. Luiz Fux, mediante a sistemática do art. 543C do CPC e da Res. 8/08 do STJ. Na ocasião, a Primeira Seção decidiu que a referida exação não fora extinta pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, permanecendo lídima sua cobrança até os dias atuais. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência formada no sentido de que as empresas prestadoras de serviço estão enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac. Esse entendimento também alcança as empresas prestadoras de serviços de ensino/educação. Precedentes da Primeira e Segunda Turmas e da Primeira Seção. 3. O art. 66 da Lei n. 8.383/91 não admite a compensação das contribuições devidas ao Sebrae com as demais contribuições patronais recolhidas ao INSS, porque a referida autorização legal permite tal operação apenas entre tributos da mesma espécie e destinação. Precedentes. 4. Recursos especiais do Incra, INSS e Sesc providos e recurso especial da empresa não provido. (RESP 200601909339, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 01/09/2010) Diante dos argumentos explicitados rejeito a preliminar de decadência, bem como a ausência de aplicação de decadência no levantamento GRA pela autoridade julgadora a quo. Nesta esteira, rejeito, também, s alegações de mérito quanto ao levantamento GRA e a aplicação da SELIC, assim como em relação a exigência de contribuição ao SEBRAE e INCRA. Fl. 393DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000611/200761 Acórdão n.º 2803002.169 S2TE03 Fl. 389 12 Por fim, indefiro o pedido de intimação para fins de sustentação oral, uma vez que o artigo 55, parágrafo único, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determina a publicação da pauta de julgamento no DOU e sua publicação no site do CARF, cabendo ao contribuinte ou a seu representante legal diligenciar a respeito. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 394DF CARF MF Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1019.09116.6B2B. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE OLIVEIRA em 19/03/2013 18:45:20. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE OLIVEIRA em 26/03/2013. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 28/03/2013 e EDUARDO DE OLIVEIRA em 26/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.1019.09116.6B2B Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 69E65EF14541E86BF2BFE6E6E9EB8FD40E9A5322 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16095.000611/2007-61. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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