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Numero do processo: 10166.908366/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/05/2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO
DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS
DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO
DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.004
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 EDITADO EM: 27/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante de manifestação de inconformidade que alega erro no preenchimento da DCTF, sem trazer prova documental que dê suporte à alegação, resta manter o despacho decisório que denegou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 05, emitido eletronicamente em 09/06/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP no. 11341.53979.190106.1.3.047069, transmitido em 19/01/2006, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, proveniente de pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 13.300,07, relativo ao período de apuração de 31/05/2005, efetuado através de DARF no importe de R$ 32.883,10, pago em 23/06/2005, sob o código de receita 2172 (Cofins), o qual foi totalmente utilizado para extinguir débito de igual valor informado em DCTF. Cientificada do despacho denegatório por via postal em 19/06/2009 (fl. 45), a interessada apresentou em 17/07/2009 a manifestação de inconformidade acostada às fls. 01/02, com a alegação de que cometeu erro no preenchimento da DCTF, ao não ter deduzido o do débito informado o valor de R$ 13.300,07, correspondente ao valor de Cofins retido pelo tomador de serviço TATA CONSULTANCY SERVICES DO BRASIL S/A sobre a Nota Fiscal nº 5242, emitida em 25/05/2005. Informa que ao depararse com tal situação, que foi detectada ao receber o Despacho Decisório ora guerreado, corrigiu a falha providenciando a transmissão da DCTF retificadora de cópia anexa (fls. 06 e seguintes), diante do requer que a não homologação seja revista. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.908366/200936 Acórdão n.º 380201.004 S3TE02 Fl. 106 3 A Recorrente, nas razões de fls. 5359, reitera as alegações apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, apresentando a documentação que entende comprobatória do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 21/07/2011 (fls. 52), interpondo recurso tempestivo em 18/08/2011 (fls. 53). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A análise da documentação acostada aos autos mostra que são procedentes as alegações apresentadas pela Recorrente. A tomadora dos serviços Tata Consultancy Services do Brasil S.A., ao pagar a nota fiscal nº 5242, em 08 de junho de 2005, deixou de efetuar a retenção do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Irpj), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Csll) e das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins (fls. 65 cópia do extrato bancário). Diante disso, a Recorrente efetuou o pagamento dos tributos devidos no período de apuração sem deduzir o valor destacado na nota fiscal, que, na oportunidade, deixou de ser retido pela tomadora de seus serviços (fls. 67). Ocorre que, ao realizar um segundo pagamento, a tomadora deu conta de seu lapso anterior, retendo não apenas os tributos devidos nessa segunda nota como também na primeira (fls. 92). Há, inclusive, diversas correspondências da tomadora e da Recorrente (fls. 71 a 78) explicando o equívoco ocorrido. A PER/Dcomp, assim, teve por objeto a repetição desse valor pago em duplicidade. Todavia, ao encaminhála, a Recorrente deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período. Tal circunstância fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, como se inexistisse crédito disponível para compensação, inviabilizando a homologação da compensação, consoante passagem seguinte do despacho decisório: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão o informado no PER/DCOMP: 13.300,07 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação o de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Após a prolação do despacho decisório, acreditando que a não homologação poderia ser afastada mediante retificação da Dctf, o Recorrente não apresentou qualquer prova do equívoco ocorrido nem tampouco do crédito compensado. A DRJ, por sua vez, como não poderia deixar de ser diferente, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 porquanto “a respeito da alegação da interessada, esta se limita a acostar à petição a DCTF que informa ter sido transmitida após a ciência do despacho decisório, sem apresentar nenhuma prova documental que de suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com o documentário contábil/fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro invocado no preenchimento da DCTF primitiva” (fls. 49). Diante disso, a Recorrente providenciou a juntada da prova do indébito e do equívoco ocorrido após a decisão da DRJ, já por ocasião da interposição do recurso voluntário. Entendese, porém, que essa prova pode admitida, porque até a prolação do acórdão recorrido, a ausência de provas do crédito não havia sido aventada nos autos, à medida que, consoante destacado, a não homologação estava assentada apenas na falta de retificação da Dctf. A prova, portanto, foi destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, o que, como se sabe, é admitido pelo art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). A Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade: “O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas.” (MEDAUAR, Odete. A Processualidade do Direito Administrativo. 2. ed. São Paulo: RT, 2008, p. 131). “A força de tais princípios é tanta que o dever de investigação do Fisco só cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular [...]. Enquanto essa possibilidade subsiste, deve o Fisco prosseguir no cumprimento de seu dever, seja qual for a complexidade e o custo de tal investigação.” (XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 152). Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.908366/200936 Acórdão n.º 380201.004 S3TE02 Fl. 107 5 Portanto, se a existência do crédito é inequívoca, não há como deixar de reconhecer o direito à compensação, inclusive porque, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001, a Dctf retificadora tem a mesma natureza da declaração retificada, substituindoa integralmente: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Por outro lado, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, vigente ao tempo da apresentação da Dctf, a retificação pode ocorrer nas seguintes hipóteses: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nesse sentido, embora mais ampla que a interpretação ora adotada, colocase o seguinte julgado da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2005 CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 330201.406. 2ª TO. 3ª C. 3ª S. Processo 10880.920505/200924. Rel. Conselheiro José Antonio Francisco. S. 26/01/2012). Votase, assim, pelo conhecimento e pelo provimento do recurso, devendo a unidade de origem verificar a autenticidade dos pagamentos indicados. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006433/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2005
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO
DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS
DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO.
IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE.
O descumprimento do prazo fixado normativamente pela Administração Pública para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque da carga, subsume-se à hipótese da infração sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO
LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE
IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI.
INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA
AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES.
Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicá-la obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no
artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 256, de 22/06/2009).
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. EDIÇÃO
DE NOVA NORMA QUE DEIXOU DE SANCIONAR COMO INFRAÇÃO
A PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM ATÉ 7 DIAS DO EMBARQUE.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE.
A IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, ao alterar a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, ampliou para 7 (sete) dias o prazo para o registro no Siscomex dos dados do embarque da carga. Tal modificação deixou de considerar como infração a prestação da referida informação em período inferior ao novo prazo estabelecido, passível, pois, de aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-000.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo fixado normativamente pela Administração Pública para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque da carga, subsumese à hipótese da infração sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES. Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. EDIÇÃO DE NOVA NORMA QUE DEIXOU DE SANCIONAR COMO INFRAÇÃO Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 A PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM ATÉ 7 DIAS DO EMBARQUE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. A IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, ao alterar a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, ampliou para 7 (sete) dias o prazo para o registro no Siscomex dos dados do embarque da carga. Tal modificação deixou de considerar como infração a prestação da referida informação em período inferior ao novo prazo estabelecido, passível, pois, de aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 06/05/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Florianópolis (fls. 39/56), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração lavrado contra o sujeito passivo, o qual decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04 por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 90.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segundo a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada às fl. 10 a 13, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 16 a 25, argumentando, em síntese, que: a) a autuação utilizou a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 com Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.006433/200912 Acórdão n.º 380200.966 S3TE02 Fl. 106 3 a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005 para embarques ocorridos anteriormente à vigência da nova redação o que é impossível; b) ocorreu violação ao princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; c) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966; d) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador e de outras pessoas intervenientes no processo; e) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e f) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta nº 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal). O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 22/11/2010 (fls. 59). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/12/2010 (fls. 61), o recurso voluntário de fls. 61/88, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos seguintes argumentos: a) que necessitaria ser aplicada a retroatividade benigna (CTN, artigo 106, inciso II), posto que a IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, deixou de definir como infração a conduta correspondente à inserção de dados de embarque de mercadorias dentro do prazo de 07 dias; b) reitera que grande parte dos atrasos nas informações teria decorrido de dificuldades de averbação no Siscomex devido a inconsistências do sistema, bem como a erros de preenchimento por parte do exportador, e ainda, que o sistema não faria distinção entre “as correções de averbações” e as “registradas como averbações novas”; c) que a multa deveria ser afastada em razão da denúncia espontânea da infração, já que a recorrente procedeu aos registros de todos os embarques objeto do lançamento antes de qualquer medida de fiscalização; d) que sua conduta não gerou nenhum prejuízo para a fiscalização, nem causou embaraço, e que a aplicação da multa violaria o princípio da finalidade do ato administrativo; e) que a Superintendência da 9a Região Fiscal da Receita Federal, em posicionamento exarado em Solução de Consulta, se posicionou no sentido Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 de que a simples alteração de informações referentes ao embarque de mercadorias no SISCOMEX não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à fiscalização; f) que a obrigação acessória de prestar a informação na forma do artigo 37 da IN no 28/94 é complexa; assim, “a intenção de embaraçar a fiscalização, que é a falta passível de penalidade, somente se configuraria se a Recorrente tivesse descumprido a obrigação em toda a sua complexidade, isto é, se tivesse tido a intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques, o que não ocorreu”; g) que o comportamento passível de penalização se restringiria a deixar de prestar informação sobre carga, não tendo o legislador vinculado referida conduta a um evento determinado; assim, deveria ser aplicada uma única multa, no valor de R$ 5.000,00, a teor de jurisprudência da DRJ Florianópolis; h) aduz que a multa cobrada seria desproporcional à infração e à própria legislação de regência da matéria; i) que os fatos tais como relatados no auto de infração dariam ensejo à aplicação de outra penalidade, qual seja, a descrita na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003, que se limita à multa de R$ 5.000,00 por embaraço à fiscalização; j) pugna pela relevação da pena, a qual encontra amparo no artigo 736 do Regulamento Aduaneiro de 2009, já que no caso em tela não houve dano ao Erário e não se caracterizou o dolo; k) aduz a ocorrência de excludentes de responsabilidade, como o fato de o atraso nas informações decorrer de culpa de terceiros ou de falhas no Siscomex. Requer, ao final, seja dado provimento ao seu recurso e, consequentemente, cancelada a exigência em questão. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 22/11/2010 (fls. 59). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 20/12/2010 (fls. 61), tempestivamente, portanto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade do recurso, os mesmos se encontram atendidos. Todavia, há alguns argumentos que só foram aduzidos nesta instância recursal, os quais não podem ser conhecidos por força do disposto no artigo 17 do Decreto no 70.235/72, segundo o qual “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.006433/200912 Acórdão n.º 380200.966 S3TE02 Fl. 107 5 Com efeito, a autuada, na sua impugnação (fls. 16/25), alegou exclusivamente: a) que o alcance do termo “imediatamente”, constante da redação original da IN 28/94, não foi disciplinado pela norma em questão; b) que a IN 510/2005, posterior aos fatos geradores, alterou a redação do artigo 37 da IN RFB n° 28/94 para determinar o prazo de 2 dias para o registro de informações referente ao embarque de mercadorias; c) que grande parte dos atrasos nas informações teria decorrido de dificuldades de averbação no Siscomex devido a inconsistências do sistema, bem como a erros de preenchimento por parte do exportador, e ainda, que o sistema não identificaria a complementação das informações anteriormente prestadas; d) que a Superintendência da 9a Região Fiscal da Receita Federal, em posicionamento exarado em Solução de Consulta, se posicionou no sentido de que a simples alteração de informações referentes ao embarque de mercadorias no SISCOMEX não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à fiscalização; e) também alicerçada em entendimento da Superintendência da 9a Região Fiscal, que a conduta não poderia ser entendida como embaraço à fiscalização, pois não houve perturbação da atividade fiscalizadora; e, f) alega a ocorrência de excludentes de responsabilidade, como o fato de o atraso nas informações decorrer de culpa de terceiros ou de falhas no Siscomex. Confrontando a impugnação com os argumentos aduzidos no recurso voluntário, constatase, claramente, que a recorrente trouxe inovação argumentativa com respeito aos seguintes assuntos: a) à alegada ocorrência de denúncia espontânea da infração; b) que os fatos, tais como relatados no auto de infração, dariam ensejo à aplicação da penalidade descrita na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei no 10.833/2003: multa de R$ 5.000,00 por embaraço à fiscalização; e, c) relevação da pena nos termos do artigo 736 do Regulamento Aduaneiro de 2009. Estes assuntos estão preclusos, pois não estão dispensados do requisito de prequestionamento por não dizerem respeito a matéria de ordem pública, e ainda, por não corresponderem a nenhuma das hipóteses de apresentação de prova documental elencadas no § 4º do artigo 16 do Decreto no 70.235/72. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Há, ainda, a questão da retroatividade benigna, não levantada na primeira instância, mas da qual conheço, em respeito aos princípios da legalidade e da moralidade, aos quais está adstrita a Administração Pública. Conhecendo, pois, em parte do recurso, passo imediatamente para o exame das questões pertinentes. Do mérito Da subsunção da conduta à correspondente sanção prescrita na norma aduaneira De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 03), verificase que a conduta que motivou a aplicação da multa prescrita na alínea “e”, do inciso IV, do artigo 107, do Decretolei no 37/1966, foi a prestação de informação concernente a embarques aéreos discriminados às fls. 10/13 depois do prazo de dois dias estabelecido pelo caput do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, a seguir transcrito: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. De fato, analisando os elementos probatórios colacionados aos autos, notadamente a planilha de fls. 10/13, constatase que as informações concernentes aos embarques objeto do lançamento extrapolaram o prazo de dois dias à época prescrito pela norma em evidência. Adiantese, desde já, que há espaço para a aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso “b”, do CTN, em relação aos embarques cujas informações foram prestadas obedecendo ao novo prazo de 7 dias estatuído pela IN RFB no 1.096/2010. Tal questão será abordada no final deste voto. Importante destacar também que a própria autoridade lançadora já considerou o entendimento amplamente aceito pela jurisprudência administrativa segundo o qual a multa de R$ 5.000,00 deverá ser aplicada por veículo transportador (vide descrição dos fatos do auto de infração e planilha correspondente à apuração do total dos vôos no dia – fls. 10/13). Voltando à análise da sanção, releva mencionar que a conduta típica descrita na norma em evidência não se restringe simplesmente à omissão na prestação da informação exigida, abrangendo, também, a forma e o prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – hoje, Secretaria da Receita Federal do Brasil –, isso em relação às informações sobre a carga transportada em veículo de transporte de carga internacional. É o que se extrai da redação do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto lei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.006433/200912 Acórdão n.º 380200.966 S3TE02 Fl. 108 7 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (destaquei) Dessa forma, patente está que a conduta praticada pela recorrente se subsume à hipótese da infração descrita no referido preceito legal, já que é incontroverso que a prestação das informações sobre a carga embarcada se deu depois do prazo definido à época pela Administração Tributária/Aduaneira. Dos alegados problemas de inconsistência no Siscomex e do não registro das alegadas correções das informações prestadas (a questão das averbações) A averbação representa a conclusão do despacho de exportação (artigo 46 da IN SRF no 28/94). Nos termos do § 1º do mesmo dispositivo, a averbação se dá automaticamente “após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37”. E é o que, de fato, ocorre. Prestadas as informações pelo exportador, o sistema as coteja com os dados do embarque, averbando automaticamente a exportação acaso não evidenciadas divergências entre os dados confrontados, tudo em sintonia com os seguintes dispositivos da Instrução Normativa no 28/94: Art. 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. § 1º Nas exportações por via aérea ou marítima, a averbação será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37. § 2º Nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre, a averbação dar seá no momento da transposição de fronteira da mercadoria, na forma do inciso III do art. 39. Art. 47. Nos termos do artigo anterior, a averbação do embarque ou da transposição de fronteira, no SISCOMEX, apenas confirma e valida a data de embarque ou de transposição de fronteira e a data de emissão do Conhecimento de Carga, registradas, no Sistema, pelo transportador ou exportador, que são as efetivamente consideradas para fins comerciais, fiscais e cambiais. Art. 48. Será automática a averbação do embarque ou da transposição de fronteira: I nos casos indicados no art. 45, após o desembaraço da mercadoria ou da conclusão do trânsito aduaneiro; e II nos demais casos, após a confirmação do embarque da mercadoria, pelo transportador, ou da sua transposição de fronteira, conforme definido no inciso III do art. 39, quando os dados sobre a carga embarcada informados, no Sistema, coincidirem com os da carga desembaraçada pela fiscalização aduaneira. Parágrafo único. A averbação automática, na forma deste artigo, não prejudica a apuração da responsabilidade, por eventuais erros ou fraudes Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 constatados após o desembaraço e o embarque da mercadoria, e a aplicação, aos responsáveis, das sanções administrativas, fiscais, cambiais e penais cabíveis. Evidentemente, a averbação automática não ocorre acaso o sistema detecte divergências nos dados informados. Nessa hipótese, caberá à fiscalização aduaneira realizála, com registro, no Siscomex, das divergências constatadas (IN SRF 28/94, artigo 49). O habitual, no entanto, é que a averbação ocorra de forma automática. No caso presente, a recorrente não trouxe nenhuma prova capaz de demonstrar a tempestiva prestação das informações sobre as mercadorias transportadas e a somente (suposta) ulterior averbação no Siscomex. Em outras palavras, não há, nos autos, nenhuma evidência de que as averbações não teriam ocorrido automaticamente, apesar da eventual prestação das informações de forma tempestiva. E prova nesse sentido poderia ser facilmente colacionada aos autos pela interessada, bastando que a empresa extraísse, do Siscomex, o histórico do despacho de interesse. Tal funcionalidade, com efeito, está disponível para os operadores do sistema. Não custa lembrar o disposto no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Diante dos argumentos acima expostos, e considerando ainda a inexistência de prova capaz de afastar a exação lavrada contra a reclamante, rejeito a argumentação concernente às aduzidas inconsistência de dados no Siscomex. Das demais alegações do sujeito passivo Quanto aos entendimentos exarados em Solução de Consulta da SRRF/9a, os efeitos da consulta, como se sabe, se limitam à consulente, que também poderá ser beneficiada por consulta feita pela matriz da pessoa jurídica ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional em nome dos associados ou filiados. Nenhuma dessas hipóteses alberga a recorrente. Ademais, não obstante a consulta retratar entendimento da administração tributária, – cujos argumentos, decerto, podem ser utilizados subsidiariamente por toda a administração –, a mesma não tem força vinculativa/normativa, a não ser, claro, para as partes que integraram o correspondente processo específico. Mas examinando o teor da consulta como argumento da reclamante, importa destacar que o caso em exame não é de alteração de informações referentes a embarque de mercadorias no Siscomex (que, segundo a consulta, não constitui hipótese de aplicação de multa por embaraço à fiscalização), mas de prestação intempestiva da referida informação. Conforme ressaltado linhas acima, a recorrente não trouxe nenhum elemento capaz de demonstrar a tempestiva apresentação das informações antes da data registrada no sistema e considerada pela fiscalização para a lavratura da multa correspondente. A autuada também alegou que o tipo de que trata o artigo 37 da IN no 28/94 exigiria fosse demonstrada a “[...] a intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques, o que não ocorreu”. A questão de o descumprimento da obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN 28/94 caracterizar embaraço à fiscalização está explicitamente posta no artigo 44 da Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.006433/200912 Acórdão n.º 380200.966 S3TE02 Fl. 109 9 mesma Instrução Normativa, com a consequente aplicação da multa capitulada no artigo 107 do Decretolei nº 37, de 1966, no caso de seu descumprimento, nos seguintes termos: Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. Antes de alterado pela Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833/2003, o inciso I do artigo 107 do Decretolei no 37, de 1966, previa a aplicação da multa de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos) “a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora”. Portanto, a caracterização como “embaraço” da conduta de deixar de prestar a tempestiva informação sobre a carga transportada é normativa, integrando a norma tributária de regência desde a sua edição original, cujo tipo não aborda o elemento subjetivo da “[...] intenção de embaraçar a fiscalização de um conjunto de embarques [...]”. Aliás, no que concerne à aduzida falta da necessária intenção de “embaraçar” para caracterizar a infração, vale ressaltar o disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional, segundo o qual, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Tal preceito trata, em regra, da objetividade da responsabilidade de natureza tributária, que só em casos excepcionais exige seja demonstrado o elemento volitivo para caracterizar o tipo, hipótese na qual não se enquadra a infração presente. Sobre a defendida ofensa ao princípio da proporcionalidade, da razoabilidade, dentre outros, estes são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa interpretá la e aplicála, processo do qual não integra o juízo de valor acerca da justiça ou da injustiça dos efeitos que gerou. Quanto ao argumento de que as informações não foram prestadas por razões alheias à vontade do exportador, este não trouxe aos autos nenhuma prova de ocorrência de eventual caso fortuito ou de força maior capaz de justificar o atraso na apresentação tempestiva dos dados exigidos pela fiscalização aduaneira. O mesmo se diga quanto aos alegados problemas de acesso ao Siscomex. Tal sistema, como todo e qualquer outro, decerto, apresenta momentos em que pode se tornar indisponível. Mas o prazo para a prestação das informações sobre os embarques é de 7 (dias), bastante elástico para neutralizar momentâneas falhas do sistema. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Aliás, não obstante os argumentos acima demonstrarem a legitimidade do lançamento formalizado contra o sujeito passivo, há que se exonerar parcialmente o crédito tributário em decorrência da retroatividade benigna da norma tributária, questão que será examinada no próximo tópico. Da exoneração parcial da exigência em decorrência da aplicação da retroatividade benigna Como adiantado linhas acima, a realidade fática demonstra haver espaço para aplicação parcial da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, do CTN, posto que a IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, deixou de definir como infração a conduta correspondente à inserção de dados de embarque de mercadorias no SISCOMEX dentro do prazo de 07 dias. Com efeito, o artigo 106, inciso II, do CTN, possibilita a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, dentre outras hipóteses, “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo” (alínea “b”). E a IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, em seu artigo 1o, alterou novamente a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, cujo caput passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (grifo nosso) A redação do referido dispositivo, vigente à época do lançamento, concedia o prazo de apenas 2 (dois) dias, contado da data da realização do embarque, para que o transportador efetivasse aludido registro (redação dada pela Instrução Normativa no 510, de 2005). Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN. Compulsando os autos, extraise da fundamentação do auto de infração (fls. 10/13) que o lançamento foi formalizado em relação a embarques de mercadorias realizados no mês de março de 2005, tendo a autoridade administrativa, na ocasião, constatado o atraso na prestação das informações em relação a 18 (dezoito) vôos, razão pela qual o lançamento foi no montante de R$ 90.000,00. No entanto, analisando as informações apresentadas pela fiscalização com base no novo prazo de 7 dias da data do embarque para a realização do registro no Siscomex, observase que houve atraso apenas em relação a 6 (seis) vôos (nos dias 04, 11, 13, 16, 20 e 22). Vêse, pois, que a prestação das informações correspondentes aos embarques (vôos) realizados pela empresa nos demais dias do mês de março de 2005 ocorreu antes de transcorrido o prazo de 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94, dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Assim, é o caso de se aplicar aos referidos embarques (doze vôos) o disposto no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, devendo, consequentemente, ser revisto o lançamento Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10715.006433/200912 Acórdão n.º 380200.966 S3TE02 Fl. 110 11 formalizado contra o sujeito passivo, com exoneração do montante de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais). Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo ser exonerado o montante de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), em vista da aplicação da retroatividade benigna da norma tributária. Sala de sessões, em 25 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 05/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10315.900220/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: ano calendário de 2005
Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3802-001.102
Decisão: Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por
unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE
PROVIMENTO.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: ano calendário de 2005 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
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Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Relator. CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES PEREIRA Redator designado. EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda, José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 50DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ/FOR, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, juntado aos autos, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: anocalendário 2005 Não se homologa a compensação quando crédito declarado advém supostamente, dos efeitos da desvinculação de receita da União (DRU). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão seguiuse nos seguintes termos: “A manifestação de inconformidade apresentada atende os pressupostos de admissibilidade, sendo digna de conhecimento. O único argumento do manifestante contra a não homologação de sua DCOMP é o fato de que vinte por cento dos valores recolhidos a título de CSLL, PIS e COFINS estarem recebendo destinação contrária à finalidade determinada na Constituição Federal, razão pela qual entende que esta parcela tornouse devida, passível de compensação. Não se aceitam as razões do manifestante, pois não possuem fundamentação jurídica suficiente para afetar a juridicidade dos pagamentos por ele realizados. A mudança da destinação do tributo, quando autorizado por Emenda Constitucional, pode até ensejar o questionamento da constitucionalidade deste ato, conforme sugere o manifestante, mas não atinge os elementos do crédito tributário, formais e materiais. Uma análise rasteira das possibilidades aponta para a manutenção da juridicidade do tributo recolhido em todas as situações: se as referidas emendas forem consideradas inconstitucionais, o efeito disso seria o retorno à situação anterior, ou seja, a original juridicidade do tributo;se as referidas emendas são constitucionais, então foi mudada a natureza do tributo, relativamente a sua destinação, adquirindo uma nova juridicidade. De qualquer forma, o tributo recolhido continua devido. Ademais, somente para argumentar, mesmo aceitando a controvérsia erigida pelo manifestante, verificase que a alegada inconstitucionalidade não foi declarada por quem tem competência para tanto, de forma que o suposto crédito não é certo, não sendo passível de compensação, por força do artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que as estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra Fazenda Pública. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA Processo nº 10315.900220/200991 Acórdão n.º 3802001.102 S3TE02 Fl. 49 3 Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, informando que o artigo 76 da Constituição Federal criou o DRU – (Desvinculação de Receita da União), que houve violação do artigo 60, § 4º, do artigo 149, do artigo 154, I, do artigo 195, do artigo 167, XI, todos da a da Constituição Federal. Reiterando o pedido de reconhecimento de validade da PERD/COMP nº 01558.24200.120505.1.3.04.4067. É o relatório. Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Voto Conselheiro Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Admissibilidade do Recurso Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal. Mérito Dá análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 4ª Turma da delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, já que o recorrente não apresentou os documentos necessários para comprovar suas alegações. Conforme entendimento exposto na decisão a quo, temse que, a luz do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes, não dispensável por lei ordinária. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Posto Isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Sala de Sessões, 25 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA 4 Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Relator Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por REGIS X AVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10955.000016/2006-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações acessórias
Data do fato gerador: 10/04/2005
EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO.
INCIDÊNCIA DE MULTA
O atraso do cumprimento da obrigação decorrente do regime de exportação temporária enseja a incidência de multa a ser aplicada por auto de infração.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO.
DESCABIMENTO.
A alegação de ausência de prejuízo ao Erário não é suficiente para desconstituir penalidade causada pelo descumprimento de obrigação acessória, caracterizada como dever formal diferente do pagamento nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado.
Crédito tributário mantido
Numero da decisão: 3802-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do
Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Obrigações acessórias Data do fato gerador: 10/04/2005 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. INCIDÊNCIA DE MULTA O atraso do cumprimento da obrigação decorrente do regime de exportação temporária enseja a incidência de multa a ser aplicada por auto de infração. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. DESCABIMENTO. A alegação de ausência de prejuízo ao Erário não é suficiente para desconstituir penalidade causada pelo descumprimento de obrigação acessória, caracterizada como dever formal diferente do pagamento nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado. Crédito tributário mantido
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-08-22T19:18:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-08-22T19:18:48Z; Last-Modified: 2014-08-22T19:18:48Z; dcterms:modified: 2014-08-22T19:18:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4d6b6548-2e00-4635-bcf5-67f4651147ad; Last-Save-Date: 2014-08-22T19:18:48Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-08-22T19:18:48Z; meta:save-date: 2014-08-22T19:18:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-08-22T19:18:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-08-22T19:18:48Z; created: 2014-08-22T19:18:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2014-08-22T19:18:48Z; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-08-22T19:18:48Z | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10955.000016/200691 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802001.115 – 2ª Turma Especial Sessão de 27/06/2012 Matéria MULDI Recorrente NERI JOAO SIMONETTI Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações acessórias Data do fato gerador: 10/04/2005 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. INCIDÊNCIA DE MULTA O atraso do cumprimento da obrigação decorrente do regime de exportação temporária enseja a incidência de multa a ser aplicada por auto de infração. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. DESCABIMENTO. A alegação de ausência de prejuízo ao Erário não é suficiente para desconstituir penalidade causada pelo descumprimento de obrigação acessória, caracterizada como dever formal diferente do pagamento nos termos do art. 115 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado. Crédito tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. EDITADO EM: 27/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 0716.445, fls. 67 e 68, lavrado pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis – SC, em sessão de 05 de junho de 2009, em que foi julgada improcedente a Impugnação do interessado e mantido o crédito tributário no valor de R$ 5.035,00. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Foi lavrado contra o recorrente auto de infração por haver descumprido a obrigação de reimportar mercadorias sujeitas ao regime aduaneiro de exportação temporária do processo n° 10955.000092/200353 de forma tempestiva. O derradeiro prazo firmado por força de prorrogação do referido regime aduaneiro esgotouse em 10/04/2005 e as primeiras providências adotadas por seu beneficiário para extinção do regime, consubstanciaramse nos registros de exportação definitiva, datados de 28/09/2005 e 27/01/2006, respectivamente para cada um dos bens antes exportados temporariamente. Posteriormente, a interessada desistiu de sua exportação definitiva e promoveu a reimportação das mercadorias. Em impugnação tempestiva, o autuado argumenta que o acusado descumprimento de prazo justificase pelas dificuldades burocráticas encontradas para a efetivação da exportação definitiva por ele registrada para fins da extinção do regime de exportação temporária de que era beneficiário. Ao analisar a impugnação oposta ao auto de infração, a 1ª Turma da DRJ de Florianópolis entendeu pela improcedência da impugnação, tendo em vista que o descumprimento de obrigação acessória do regime de exportação temporária tem penalidade de multa e proferiu o seguinte acórdão: “Assunto: Obrigações Acessórias Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10955.000016/200691 Acórdão n.º 3802001.115 S3TE02 Fl. 112 3 Data do fato gerador: 10/04/2005 Ementa: EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. A inobservância do prazo estabelecido para o regime de exportação temporária constitui infração punível com a multa aplicada por meio do auto de infração ora litigado. Lançamento Procedente”. Em seu Recurso Voluntário (fls. 7888), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos da Impugnação. O Recorrente alegou em seu Recurso que atrasou o cumprimento da obrigação de reimportar as mercadorias sujeitas ao regime aduaneiro de exportação temporária em virtude de entraves burocráticos e problemas técnicos do sistema, pois tentava transformar a exportação temporária em definitiva. O Recorrente argumentou, ainda, que não agiu de forma antijurídica, pois não agiu com culpa e a sua conduta não gerou dano ao Erário. Além disso, aduziu que a decisão de primeira instância não vislumbrou a ausência de intenção do agente em infringir a Lei e que esta deve ser aplicada de forma sociológica, considerando a conduta volitiva do agente em violar as normas tributárias. Com base nesses argumentos, o Recorrente pede provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a multa por descumprimento de obrigação acessória lançada no Auto de Infração em litígio. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator. Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. De início, é importante ressaltar que o Recorrente confessa ter cumprido com a obrigação de reimportar as mercadorias sob o regime de exportação temporária de forma intempestiva na própria peça recursal. Por outro lado, argúi que tentava extinguir a exportação temporária e transformála em definitiva e que só não efetivou a mudança em função de dificuldades burocráticas, optando por reimportar as mercadorias pelo regime de exportação temporária do processo 10955.000092/200353. O Recorrente busca, em sua peça recursal, afastar a sua responsabilidade pelo pagamento da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória sob o argumento de que não agiu com culpa, que não teve a intenção de descumprir a norma que disciplina o regime de exportação temporária. No entanto, a tese do Recorrente não deve prosperar. O CTN é claro no que tange a responsabilidade do agente por infrações tributárias. O art. 136 do referido diploma legal dispõe que a responsabilidade por infrações à lei tributária, salvo dispositivo de lei em contrário, independe da intenção do agente e da efetividade, natureza, extensão e natureza do ato. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Sendo assim, não há que se falar em interpretação sociológica da norma, pois, conforme o dispositivo legal mencionado acima, a análise para a aplicação de multa é feita de modo objetivo. Não é necessária a caraterização de culpa, ou mesmo de prejuízo ao Fisco, portanto. Esse, aliás, é o entendimento pacífico nesse Conselho. Nesse sentido, foi lavrado o acórdão de n° 2301001.115 pela 3ª Câmara/2ª Seção de Julgamento na sessão de 08/06/2011: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 31/09/2006 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ANÁLISE OBJETIVA QUE NÃO LEVA EM CONTA INTENÇÃO DO AGENTE OU CONSEQÜÊNCIAS DO ATO. Segundo o art. 136 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Negado”. Vejamos, ainda, o acórdão de n° 2803.00650, lavrado pela Terceira Turma especial/3ª Seção de Julgamento na sessão de 14/04/2011: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. PREJUÍZO AO FISCO. IRRELEVÂNCIA. 1. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. 2. Não é necessário que a conduta traga prejuízo ao Fisco para possibilitar a aplicação da multa. 3. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado. Ademais, o argumento de que a conduta do sujeito passivo não causou prejuízo ao Erário, não é suficiente para elidir o lançamento sob exame. Isso porque sua penalidade decorre de infração a obrigação acessória, ou seja, de um dever formal que independe do pagamento de tributo ou outra penalidade qualquer. Logo, uma vez que o simples descumprimento do determinado na legislação tributária, forte no art. 115 do CTN, é suficiente para imputação de penalidade, nada há que se reparar à decisão recorrida, que acertadamente reconheceu a procedência do lançamento. Diante dos argumentos demonstrados acima, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e de manter o crédito tributário formalizado no Auto de Infração em litígio. Conclusão Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10955.000016/200691 Acórdão n.º 3802001.115 S3TE02 Fl. 113 5 Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 9/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 12267.000067/2007-87
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 205-00.127
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, Por unanimidade de votos, conhecido o embargo de declaração para rescisão do acórdão recorrido e, por unanimidade de voto, convertido o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Sala d essões, em 03 de junho de 2008. (NE f \ JULIc\9E R LEIRA GOMES Presidj44te ARCELO OLIVEIRA 1 Relator 1 Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros, Marco André Ramos Vieira Damião Cordeiro De Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato„Liege Lacroix Thomasi,e. Renata Souza Rocha (Suplente) 1 1 34.14k, MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF , • it;fredt SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f1.428 '40* 5' CÂMARA DE JULGAMENTO PROCESSO N2.: 12267.000067/2007-87 RECURSO N2...: 150.224 co4,2c,-4, n RECORRENTE...: ESTADO DO RIO DE JANEIRO es% J .S‘Ct7 n RECORRIDA • DRP RIO DE JANEIRO - SUL/RJ ci_ 4t i - a Co gi'dolt. 4•14irQa /14c, 4 :?,cin tire RELATÓRIO Trata o presente de pedido de revisão interposto pela Receita Previdenciária, fls. 0396; combatendo o acórdão, fls. 0387, proferido pela 4' Câmara do CRPS que anulou a NFLD por vicio formal. Aquele Colegiado entendeu que deveria ser emitida nova NFLD com observância do art. 351 da Instrução Normativa n° 100. A unidade da SRP entende, em síntese, que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vicio insanável. Há acórdãos divergentes da própria 4' Câmara de Julgamento do CRPS. Cientificada do pedido de revisão, a notificada manifestou-se, fls. 0410. Em síntese alega que não cabe o pedido de revisão, por se tratar de rediscussão de matéria; inexistindo violação a preceito legal. É o Relatório. - - • 4%.h. MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF • 31 '. --q- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES et 429 5' CÂMARA DE JULGAMENTO PROCESSO N2.: 12267.000067/2007-87 2° CcoNsentli, RECURSO Na...: 150.224 aree ll'a.RECORRENTE...: ESTADO DO RIO DE JANEIRO c....22. RECORRIDA • DRP RIO DE JANEIRO - SUL/RJ ¡sie s , - mric:ruse &,7 4, 4 r'*-)59tire 4 fif .... VOTO Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator De acordo com o previsto no art. 60 da Portaria MPS n ° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de revisão é medida extraordinária. A revisão é admitida nos casos de os Acórdãos do CRPS divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável, nestas palavras: i : Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS I! poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de 11 oficio ou a pedido, suas decisões quando: ii 1- violarem literal disposição de lei ou decreto;I. - II- divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; _ i III - depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência 1 ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar Ipronunciamento favorável; 1 IV - for constatado vício insanável. le • 41 1° Considera-se vício insanável, entre outros: 1- o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação,_ concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; Il - a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja - 1 falsidade tenha sido apurada em processo judicial; IIII - o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; I IV - a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. ,sç 20 Na hipótese de revisão de oficio, o conselheiro deverá reduzir a termo_ ,1 . as razões de seu convencimento e determinar a notificação das partes d processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no pr comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendiment apreciação da instância julgadora. I • 1 -..—n•n••---__-------- - ..z • 4'•MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF • ts,k,:7-0,4- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f 1430 5' CÂMARA DE JULGAMENTO a- c PROCESSO N2.: 12267.000067/2007-87 cotv4ovrr._- c, Re c - RECURSO N2...: 150.224 Efreafb e, a, t"' O cbzà. RECORRENTE...: ESTADO DO RIO DE JANEIRO .1 a"). c--..V.44. Iara RECORRIDA • DRP RIO DE JANEIRO - SUL/RJ rw.:3/40 A.4tr. 429;ura § 3 0 0 pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. § 4° Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contra-razões § 5°A revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPS. § 6° Ao pedido de revisão aplica-se o disposto nos arts. 27, § 4°, e 28 deste Regimento Interno. § 7° Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursol ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. § 8° Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instáncia superior. § 9° O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de oficio o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricionat § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. § 11 Nos processos de beneficio, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. 57, § 2°, deste Regimento. O acórdão sob revisão fundamentou-se na inobservância do art. 351 da Instrução Normativa n ° 100 para anular a NFLD. Contudo, tal fundamentação não corresponde a realidade, uma vez que o lançamento, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, observou a Instrução Normativa., no aspecto da identificação do sujeito passivo. O caput do art. 351 exige que os documentos de constituição sejam emitidos em nome do ente federado, sendo obrigatória a lavratura de notificações distintas por órgão público, - o que foi observado pela fiscalização. O parágrafo único do art. 351 exige que no campo de identificação seja consignada a designação do órgão a que se refere. Ocorre que a notificação fiscal de lançamento não é composta apenas pela capa, ou folha de rosto, mas possui anexos, entre os quais, a peça mais relevante que é o relatório fiscal. Desse modo, o documento de constituição do crédito a que se refere o parágrafo único do art. 351 da Instrução Normativa, não pode ser confundido com a folha de rosto da NFLD, mas sim deve ser compreendido como a NFLD em u integralidade, compreendendo capa, discriminativos e relatório fiscal. O campo identificação do sujeito passivo está expressamente discrimina ( . 0188. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF 4..t»gf, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n431 '•-• • 4* 5' CÂMARA DE JULGAMENTO '° CC/M2C2 PROCESSO N2.: 12267.000067/2007-87 01.4F.rfte èglnyaga C.-rnar-] RECURSO N2 : 150.224 emalha. a c"c'Nad... O RECORRENTE...: ESTADO DO RIO DE JANEIRO Isia sotjta 4.:;Irra RECORRIDA • DRP RIO DE JANEIRO - SUL/RJ Neste campo consta o nome da Secretaria do Estado da Educação, portanto, a fiscalização atendeu ao previsto no art. 351, parágrafo único da Instrução Normativa n° 100. Desta forma, é procedente o pedido de revisão, e, uma vez reconhecendo o vicio do acórdão anterior (juizo rescindente), deve ser apreciada toda a questão devolvida a este Colegiado por meio do recurso interposto pelo notificado (juizo rescisório), incluindo as matérias cujo conhecimento deva ser realizado de oficio. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Antes da análise das questões cabe esclarecimento de uma questão preliminar, na busca da verdade material, da certeza da ausência de vícios e da celeridade processual. Vários foram os processos elaborados nessa ação fiscal analisados por esta Câmara. Em sua grande maioria, os processos estão sendo, novamente, anulados. Anulados não pelo vicio formal já debatido (identificação equivocada do sujeito passivo), mas por vicio decorrente da falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MF'F) por ocasião da instauração da fiscalização. Nestas decisões, anula-se o processo pelo procedimento fiscal ter tido inicio com a emissão do em 26/11/2003, com ciência aposta pelo contribuinte em 08/12/2003, fls. 0209. Entretanto, nos demais processos constam Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), solicitando documentos, emitido em 06/10/2003, data 1 anterior à expedição do MPF. A legislação vigente, Decreto n. 3.969/2001, exige emissão e ciência do MPF para a instauração do procedimento de fiscalização, conforme vemos a seguir. Decreto n. 3.969/2001 - Art. 2° Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por servidores habilitados e instaurados mediante ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (AfPF-F) e, no caso de diligência. Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência (MPF-D). Art. 3° Para os fins deste Decreto, entende-se por procedimento fiscal: 1- de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumpriment obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tri o 4-,:tinX'.1. MINISTÉRIO DA FAZENDA 22 CC-MF '''''4.422t?‘ d b ts- -±fet SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f1432'51,V. • co2°NcFeÉresrcEiclic.(::" M-'44: 5' CÂMARA DE JULGAMENTO PROCESSO N2.: 12267.000067/2007-87 RECURSO 1‘112 : 150.224 Brasilia, l CITS à_ rGINALRECORRENTE...: ESTADO DO RIO DE JANEIRO is, c_2_, Ag RECORRIDA • DRP RIO DE JANEIRO - SUL/RJ Matr. 4295 e federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; II - de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração previdenciária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Art. 4 0 O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Assim, esses processos estão sendo anulados, pois há ausência de MPF válido, quando da formal solicitação de documentos. Portanto, na busca da verdade material, da certeza do crédito e da celeridade processual, solicito que a fiscalização emita Parecer conclusivo, onde fique claro, com a juntada de provas (cópias), a data do primeiro procedimento no sujeito passivo, especialmente citando a data de emissão do primeiro TIAD. Após essa providência, a DRP deve dar ciência do Parecer à recorrente para, caso deseje, apresente novas alegações, em 15 (quinze) dias, respeitando, assim, o direito à ampla defesa e ao contraditório. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2008. \ , /ti _ , /1". • ELO OLIVEIRA , /Relator ----1,---• - Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10860.000819/2001-90
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2005
Ementa: COOPERATIVAS — RESULTADO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS — TRIBUTAÇÃO — Os resultados obtidos nas aplicações de recursos no mercado financeiro não resultam de atos cooperativos, no conceito dado pelo art. 79 da Lei n° 5.764/71, e, por isso, se contêm no campo da incidência tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 101-95.150
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Â;N MINISTÉRIO DA FAZENDA 0•='..-•?TO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°. : 10860.00081912001-90 Recurso n°. :139.732 Matéria : IRPJ — EX: DE 1997 Recorrente : UNIMED CRUZEIRO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Recorrida : 2 . TURMA/DRJ-CAMPINAS — SP. Sessão de : 12 de agosto de 2005 Acórdão n°. :101-95.150 COOPERATIVAS — RESULTADO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS — TRIBUTAÇÃO — Os resultados obtidos nas aplicações de recursos no mercado financeiro não resultam de atos cooperativos, no conceito dado pelo art. 79 da Lei n° 5.764/71, e, por isso, se contêm no campo da incidência tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIMED CRUZEIRO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE - Á Y ANDRI RELATOR FORMALIZADO EM: 2. 7 SE I 2CO5 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI, CAIO MARCOS CÂNDIDO, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo n°. : 10860.00081912001-90 Acórdão n°. : 101-95.150 Recurso n°. :139.732 Recorrente : UNIMED CRUZEIRO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. RELATÓRIO UNIMED CRUZEIRO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, já qualificada nos autos, recorre a este E. Conselho de Contribuintes de decisão proferida pela 2'. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas — SP, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica no ano-calendário de 1996, objetivando a reforma da decisão recorrida. O lançamento é decorrente de constatação, conforme relatório de Ação Fiscal às fls. 12/13, de que a Recorrente não havia incluído no valor recolhido a título de Lucro Real, os rendimentos de aplicações financeiras recebidas no ano- calendário de 1996. Em resposta, explicou que tais receitas não constituíam lucro real de sociedade cooperativa, tendo em vista tratar-se de sobras líquidas a serem distribuídas aos sócios. Porém, a fiscalização, em desacordo com o entendimento da empresa, formalizou a exigência. As alegações que fundamentaram a impugnação, juntada às fls. 25/28, foram, em síntese: (i) preliminarmente, que seria cooperativa sem fins lucrativos, constituída nos termos da Lei n° 5.764/71, com o intuito de organizar o trabalho de seus sócios profissionais na área medica; (ii) que de acordo com a legislação supracitada, os atos praticados entre as cooperativas e seus associados para a consecução dos objetivos sociais denominariam-se atos cooperativos, que não implicariam operações de mercado. Assim, as cooperativas não possuiriam receita nem despesa, uma vez que seriam de competência dos associados; (iii) entretanto, que haveria trânsito no caixa da sociedade de receitas, de propriedade de médicos associados. E que para 2 Processo n°. : 10860.000819/2001-90 Acórdão n°. : 101-95.150 prevenir a depreciação destes valores, a cooperativa efetuaria a aplicação destes para no fim repassá-los integralmente; (iv) e que por conseqüência, uma vez tratarem-se de rendimentos provenientes de receitas obtidas por associados, os rendimentos das aplicações financeiras não constituiriam Lucro Real da sociedade, vez que sendo acessórios do principal, possuiriam as mesmas características jurídicas, e estariam à margem da tributação. À vista dos termos da impugnação, decidiu a 2'. Turma da DRJ em Campinas — SP, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento (fls. 32/38), ficando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de pessoa Jurídica — IRPJ. Ano calendário: 1996. Ementa: COOPERATIVAS. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. As receitas obtidas pelas sociedades cooperativas nas aplicações de recursos no mercado financeiro são tributáveis, pois não decorrem de atos cooperativos. Lançamento Procedente. Como razões de decidir, consignou-se que de acordo com o art. 111 da Lei n° 5.172/66, não haveria necessidade de que a lei conceituasse como tributável o resultado obtido em aplicação financeira; ao contrário, seria desnecessário uma vez que não possuindo a cooperativa tratamento diferenciado, prevaleceria a regra de que todas as suas rendas não classificáveis como ato cooperativo estariam sujeitas à tributação. E que o Parecer Normativo SRF/CST n° 04 de 1986, haveria explanado que conquanto as operações financeiras das sociedades cooperativas pudessem refletir atos de boa administração, os resultados positivos destas aplicações não proveriam de atos cooperativos, conforme definido no art. 79 da Lei 3 c./j, Processo n°. : 10860.00081912001-90 Acórdão n°. : 101-95.150 n° 5.764/71, sendo classificáveis dentre aqueles que se colocam no campo da incidência tributária. Assim, pelo acima exposto, a 2' turma da DRJ de Campinas prestigiou o procedimento fiscal que tributou as receitas auferidas em aplicações financeiras, uma vez que entenderem tratar-se de rendimentos sujeitos a incidência de imposto de renda, por não configurar atos cooperativos conforme definidos em lei. É o relatório. 4t, 4 Processo n°. : 10860.000819/2001-90 Acórdão n°. : 101-95.150 VOTO Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se verifica dos autos, trata-se de exigência do imposto de renda pessoa jurídica, incidente sobre as receitas de aplicações financeiras obtida pela Recorrente no mercado financeiro. É por demais sabido que os atos e atividades praticados pelas sociedades cooperativas com seus associados não sofre a incidência do imposto de renda, sendo os resultados daí decorrentes, chamados de sobras. Por outro lado, este E. Conselho possui farta jurisprudência no sentido de que os rendimentos auferidos pelas cooperativas em aplicações no mercado financeiro enquadram-se entre aquelas atividades consideradas ato não cooperativo, devendo, portanto, sofrer a incidência do imposto de renda. Neste sentido, vale citar o brilhante voto proferido pelo ilustre Conselheiro, Dr. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, no julgamento do Recurso n°.97.329, e que serviu de base ao Acórdão 101-81.728, de 16/07/91: "O artigo 111, da Lei n° 5.764, de 16-12-71, dispõe que serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 da referida lei. Os artigos 85, 86, 87 e 88 da Lei n) 5.764/71 estão assim redigidos: "Art. 85 — As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar 5 Ot, Processo n°. : 10860.00081912001-90 Acórdão n°. : 101-95.150 lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86 — As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único — No caso das cooperativas de créditos e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regra a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87 — Os resultados das operações das cooperativas com não associados mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88 — Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Corporativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único — As inversões decorrentes dessa participação." Como a lei assevera no artigo 111 retrotranscrito que somente as rendas provenientes das atividades de que tratam os artigos 85, 86 e 88 são consideradas tributáveis, construiu-se um entendimento, "a contrario sensu", de que todos os demais resultados obtidos pelas cooperativas seriam não tributáveis. Esta interpretação, todavia, não pode ser extensiva aos resultados de atividades estranhas aos objetivos precípuos das cooperativas que justificam o tratamento tributário que a lei lhes reserva. Se a cooperativa pratica atos que não são considerados pela lei como atos cooperativos estará evidentemente praticando um ato não cooperativo que, salvo permissão legal, pode até ensejar a intervenção do Poder Público na cooperativa quando contumaz o desvio de suas finalidades típicas ou normais, por caracterizar violação das disposições legais. Com efeito, diz a Lei n° 5.764/71 em seu artigo 93 e inciso I, com a seguinte redação: 6 Processo n°. : 10860.00081912001-90 Acórdão n°. : 101-95.150 "Art. 93. O Poder Público, por intermédio da administração central dos órgãos executivos federais competentes, por iniciativa própria ou solicitação da Assembléia Geral ou de Conselho Fiscal, intervirá nas cooperativas quando ocorrer um dos seguintes casos: 1— violação contumaz das disposições legais." Ao tratar do ato cooperativo, diz a referida lei: 'Art. 79 — Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aqueles e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único — O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias." No entanto, a lei permite às cooperativas a prática de certos atos que, embora não cooperativos, estão ligados à consecução de seus objetivos. Estes atos estão previstos nos artigos 85, 86 e 88 da referida lei, acima transcritos, sendo a redação taxativa. O intérprete não pode estender a autorização a outras hipóteses. São os atos não cooperativos autorizados por lei. Mas, como se disse, a autorização é apenas para que a cooperativa, ao praticá-los, não se descaracterize como tal e reclame a intervenção do Poder Público. Não para efeito de imposto. Tanto assim é que os resultados positivos obtidos pelas cooperativas na prática dos atos não cooperativos autorizados por lei são considerados como renda tributável (lei cit. Art. 111), sendo levados à conta do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos (art. 87). Salta desde logo aos olhos que o resultado de tais atos não poderiam trazer, no campo tributário, efeitos mais benéficos aos seus autores que os decorrentes dos "atos não cooperativos autorizados por lei", exatamente porque não sendo atos cooperativos (aqueles cujos resultados positivos são intributáveis), de um lado, não tem permissão legal, de outro, e, no mínimo o que poderia ocorrer, na esfera fiscal, é que fossem tributados. Jamais se identificarem em tratamento, como os atos cooperativos, porque seria reduzir a interpretação da lei ao absurdo. 7 Processo n°. : 10860.00081912001-90 Acórdão n°. : 101-95.150 A Lei das Cooperativas não tinha que dar, como não deu, tratamento especifico aos resultados dos atos não cooperativos, não autorizados por ela (como o fez no artigo 111 c/c o art. 87 em relação aos autorizados), porque, não provindo de atos cooperados, estão fora do campo da não incidência, ou seja, estão dentro do campo da incidência tributária a que estão sujeitos os ganhos de todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, sejam quais forem os seus fins (art. 95, I, e 96, I, do RIR/80). Exatamente por isso é que o artigo 129 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 85.450, de 04-12-80, em seu "caput", ressalva que o tratamento de se tributar apenas os resultados que indica (e que são precisamente os referidos nos artigos 85, 86 e 88, da Lei n° 5.764/71) dirige-se às cooperativas QUE OBEDECEREM AO DISPOSTO NA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O dispositivo regularmente está assim redigido: "Art. 129 — As sociedades cooperativas, que obedecerem ao dispositivo na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou ativiriaripR • (n grifo não á do original). Dentro desse contexto foram baixados diversos pareceres normativos pela Administração Fazendária, esclarecendo e orientando as repartições fiscais para que fosse preservada a intributalidade dos resultados dos atos cooperativos e tributados os demais (Ver PN CST 155/73, 75/75, 114/75, 33/80, 38/80, 4/86 e 49/87). Assim, se a contabilidade segrega as receitas, despesas, custos e encargos inerentes a cada atividade, tributam-se apenas os resultados das atividades estranhas ao objetivo social. Caso contrário, se impossível estabelecer-se essa distinção, recorrer-se-ia às regras vigentes sobre arbitramento para determinar-se o lucro da atividade estranha aos objetivos sociais. O resultado obtido da aplicação de recursos de cooperativas no "open market", "over night", CDB, RDB e etc. não provem de atos cooperativos, no conceito dado pelo artigo 79 da Lei n° 5.764/71 e, por isso, estão afastados do campo da não incidência tributária reservado aos resultados daqueles atos, pelo mencionado mandamento legal. Por outro lado, a pessoa jurídica alvo da ação fiscal não é imune ou isenta do imposto. Aqui, não se pode dar tratamento proporcional como pleiteou a recorrente, porque, repita-se, o ganho é exclusivo de aplicação financeira, e, neste caso, somente se eximiria do tributo se fosse imune ou isenta, o que não ocorre não espécie. Este entendimento está de acordo com a conclusão a que chegou o PN CST n° 4/86, em relação ao resultado de aplicações financeiras efetuadas por cooperativas. 8 )cesso n°. : 10860.00081912001-90 árdão n°. : 101-95.150 O lançamento foi efetuado de acordo com a lei de regência, não procedendo o argumento de que se baseara na analogia" De fato, os rendimentos de aplicações financeiras, em quaisquer de suas modalidades, obtidos por sociedades cooperativas, estão fora do campo da não-incidência de que gozam tais sociedades cooperativas e submetem-se à tributação normal pelo imposto de renda, eis que oriundos de operações com terceiros não cooperados, não se inserindo no campo da não-incidência de que gozam essas sociedades, o qual abrange apenas os resultados com associados, os chamados atos cooperados. Considerando todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 12 de agosto de 2005 YALMIR DRI 67) 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 37280.001643/2005-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2003
SERVIDORES NÃO AMPARADOS POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
Vinculam-se compulsoriamente ao RGPS tanto os servidores civis ocupantes de cargo efetivo não amparados por RPPS, quanto os servidores ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão, assim como aqueles regidos pela CLT.
NEGATIVA DE RETIRADA DOS AUTOS PARA FORA DA REPARTIÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A negativa de retirada dos Autos para fora da repartição pública, quando fulcrada em hipótese exceptiva legal, e sendo-lhe
disponibilizadas todas as condições necessárias à ampla consulta de do processo, incluindo a cessão de espaço físico adequado para análise dos autos e o fornecimento de cópia de qualquer documento, não se constitui óbice impugnável à defesa do
contribuinte.
PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS DOCUMENTAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS. DESCONTO DE SUAS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES PELA EMPRESA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA PELO RECOLHIMENTO.
A responsabilidade pela arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados repousa sobre a empresa, por força da responsabilidade tributária a esta atribuída pelo art. 30, I, ‘a’ e ‘b’ da Lei nº 8.212/91.
CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o
reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.293
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2003 SERVIDORES NÃO AMPARADOS POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. Vinculam-se compulsoriamente ao RGPS tanto os servidores civis ocupantes de cargo efetivo não amparados por RPPS, quanto os servidores ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão, assim como aqueles regidos pela CLT. NEGATIVA DE RETIRADA DOS AUTOS PARA FORA DA REPARTIÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A negativa de retirada dos Autos para fora da repartição pública, quando fulcrada em hipótese exceptiva legal, e sendo-lhe disponibilizadas todas as condições necessárias à ampla consulta de do processo, incluindo a cessão de espaço físico adequado para análise dos autos e o fornecimento de cópia de qualquer documento, não se constitui óbice impugnável à defesa do contribuinte. PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS DOCUMENTAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS. DESCONTO DE SUAS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES PELA EMPRESA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA PELO RECOLHIMENTO. A responsabilidade pela arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados repousa sobre a empresa, por força da responsabilidade tributária a esta atribuída pelo art. 30, I, ‘a’ e ‘b’ da Lei nº 8.212/91. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. Vinculamse compulsoriamente ao RGPS tanto os servidores civis ocupantes de cargo efetivo não amparados por RPPS, quanto os servidores ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão, assim como aqueles regidos pela CLT. NEGATIVA DE RETIRADA DOS AUTOS PARA FORA DA REPARTIÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A negativa de retirada dos Autos para fora da repartição pública, quando fulcrada em hipótese exceptiva legal, e sendolhe disponibilizadas todas as condições necessárias à ampla consulta de do processo, incluindo a cessão de espaço físico adequado para análise dos autos e o fornecimento de cópia de qualquer documento, não se constitui óbice impugnável à defesa do contribuinte. PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS DOCUMENTAIS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS. DESCONTO DE SUAS RESPECTIVAS REMUNERAÇÕES PELA EMPRESA. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA PELO RECOLHIMENTO. Fl. 503DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 A responsabilidade pela arrecadação e recolhimento das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados repousa sobre a empresa, por força da responsabilidade tributária a esta atribuída pelo art. 30, I, ‘a’ e ‘b’ da Lei nº 8.212/91. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior Relatório Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2003. Data da lavratura da NFLD: 16/12/2004. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 494 3 Data da Ciência do NFLD:08/03/2005 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do Ente Estatal em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social a cargo dos segurados, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo comissionado, aos servidores públicos estaduais vinculados ao regime jurídico da CLT, aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo temporário, aos aposentados que retornaram à atividade na Secretaria de Estado de Esportes, todos na qualidade de segurados empregados, apurados diretamente a partir das informações prestadas pelo sujeito passivo nas suas folhas de pagamento, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 190/236 e anexos a fls. 237/267. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 307/319. A Delegacia da Receita Previdenciária RJSul lavrou Decisão Notificação, a fls. 327/364, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/06/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 367. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 368/378, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que houve cerceamento do seu direito de defesa, por ter sido negada vista dos autos fora da repartição previdenciária aos Procuradores do Estado; • Que houve cerceamento do seu direito de defesa, por não ter sido admitida a produção de prova documental após a apresentação da impugnação; • Nulidade do lançamento pela inclusão dos Dirigentes Estaduais como corresponsáveis pelo crédito previdenciário; • Que não há lei a ensejar a exigibilidade da contribuição lançada; • Que a taxa Selic é inaplicável ao caso. Ao fim, requer a nulidade da Notificação Fiscal. O Serviço do Contencioso Administrativo Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária – RJSul baixou o feito em diligências para que o Serviço de Fiscalização se pronunciasse a respeito da argumentação de quitação de parte do débito objeto do corrente lançamento, quitado por meio do Fundo de Participação dos Estados, conforme Despacho a fl. 395. Informação Fiscal a fls. 396/397, acatando as razões do Recorrente e retificando o montante do lançamento, nos termos emoldurados na Planilha a fl. 398. Contrarrazões a fls. 415/417 pugnando pela procedência parcial do lançamento, nos moldes bosquejados na Planilha a fl. 398. Fl. 505DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Decisão da 4ª CaJ, a fls. 418/421, declarou nula a vertente NFLD, por vício formal consistente na identificação irregular do sujeito passivo. Pedido de Revisão de Acórdão a fls. 428/438, colimando reformar o Acórdão promanado pela 4ª CaJ, o qual foi provido pela 5ª Câmara de Julgamento do 2º Conselho de Contribuintes, consoante Resolução nº 20500.102 a fls. 463/467, a qual baixou o feito em diligências para que fossem esclarecidos pontos controvertidos na formalização do Lançamento. Informação Fiscal a fl. 473, da qual foi o Sujeito Passivo cientificado em 06/01/2011, consoante Termo a fls. 487/489. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 10/06/2005. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 11 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DASPRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega o Recorrente ter havido cerceamento do seu direito de defesa consistente na negativa de vista dos autos, aos Procuradores do Estado, fora da repartição previdenciária, e por não ter sido admitida a produção de prova documental após a apresentação da impugnação. Razão não lhe assiste. Com efeito, mediante requerimento a fl. 302, o sujeito passivo, em 15 de março de 2005, com fulcro no inciso XV do art. 7º da Lei nº 8.906/94, requereu à Divisão de arrecadação do INSS no Rio de Janeiro vista dos autos do presente Processo Administrativo Fiscal, a qual foi denegada pela Gerência Executiva Rio de Janeiro – Sul, mediante Ofício SRP/UDRJSUL/SERVREC nº 170, a fl. 304, pelos motivos expostos em Nota Técnica da Procuradoria Previdenciária encaminhada à Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro por meio do oficio INSS/GEXRJS n° 30, com fundamento em regra de exceção prevista no parágrafo 1º do mesmo art. 7º do Estatuto da OAB. Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994 Art. 7º São direitos do advogado: (...) XIII examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de Fl. 506DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 495 5 processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos; XIV examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos; XV ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirálos pelos prazos legais; XVI retirar autos de processos findos, mesmo sem procuração, pelo prazo de dez dias; (...) §1º Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI: 2) quando existirem nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido de ofício, mediante representação ou a requerimento da parte interessada; Notese que o inciso XV do art. 7º do Estatuto da OAB, ao contrário do inciso XVI do mesmo dispositivo legal, não estipula prazo para a retirada de processos em tramitação da repartição, remetendo à lei ordinária não somente a fixação de prazo, como, também, as situações em que tal retirada será possível. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal em âmbito Federal, não prevê em seus dispositivos a retirada dos autos de processos fiscais para exame fora da repartição. Dispunha, tão somente, o Parágrafo Único do seu art. 15, que ao sujeito passivo era facultada a vista do processo, no órgão preparador, dentro do prazo de 30 dias. Tal dispositivo, no entanto, foi revogado pela Lei nº 8.748/93 que lhe deu nova e distinta redação, excluindo tal faculdade. O Código de Processo Civil, que poderia ser aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, dispõe em seu art. 40 que o advogado tem o direito de retirar os autos do cartório ou secretaria, pelo prazo legal, sempre que lhe competir falar neles, por determinação do juiz, nos casos previstos em lei. Código de Processo Civil Art. 40. O advogado tem direito de: I examinar, em cartório de justiça e secretaria de tribunal, autos de qualquer processo, salvo o disposto no art. 155; II requerer, como procurador, vista dos autos de qualquer processo pelo prazo de 5 (cinco) dias; III retirar os autos do cartório ou secretaria, pelo prazo legal, sempre que lhe competir falar neles por determinação do juiz, nos casos previstos em lei. Fl. 507DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 §1ºAo receber os autos, o advogado assinará carga no livro competente. §2ºSendo comum às partes o prazo, só em conjunto ou mediante prévio ajuste por petição nos autos, poderão os seus procuradores retirar os autos, ressalvada a obtenção de cópias para a qual cada procurador poderá retirálos pelo prazo de 1 (uma) hora independentemente de ajuste. (Redação dada pela Lei nº 11.969, de 2009) Conforme decorre da interpretação sistemática dos dispositivos encartados no art. 7º, XV da Lei nº 8.906/94 c.c. art. 40, III do CPC, ante a inexistência de determinação judicial, falece o requerimento atravessado pelo sujeito passivo a fl. 302 de previsão legal para a sua observância obrigatória pela Repartição Previdenciária em tela. No caso em apreço, o pedido de retirada dos autos para fora da repartição foi denegado pela Gerência Executiva Rio de Janeiro – Sul, mediante Ofício SRP/UDRJ SUL/SERVREC nº 170, a fl. 304, com fundamento na hipótese exceptiva estampada no §1º do mesmo art. 7º da lei nº 8.906/94, pelos motivos expostos em Nota Técnica da Procuradoria Previdenciária encaminhada à Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro por meio do oficio INSS/GEXRJS n° 30. Escapa da competência deste Colegiado a sindicância das razões de conveniência e oportunidade que animaram a autoridade competente a obstar a retirada dos referidos autos, mas, tão somente, verificar se tal negativa, se ilegal, sofreou o direito de defesa do contribuinte. Tal efeito nefasto, se nos antolha, entretanto, não ter ocorrido no caso em apreciação. A uma, porque a denegatória fundouse em hipótese prevista em lei. A duas, porque a negativa de vista dos autos fora da Repartição da Autarquia Previdenciária não representou qualquer prejuízo à defesa do Estado do Rio de Janeiro. Citese que, até a data do recebimento do requerimento em apreço, no presente processo encontravam se colacionados apenas os relatórios de estilo integrantes das NFLD lavradas pela fiscalização previdenciária, cujas cópias foram devidamente entregues ao sujeito passivo na ocasião da ciência do vertente lançamento tributário, o qual se deu em 08 de março de 2005. Ou seja, o contribuinte já dispunha, em seu poder, de cópia autêntica de todas as peças integrantes do processo administrativo em tela até aquele momento. A três, em razão de a Unidade Descentralizada Rio de JaneiroSul ter franqueado aos Procuradores do Estado do Rio de Janeiro todas as condições necessárias à ampla consulta de todo procedimento administrativo, cedendo espaço físico adequado para análise dos autos e, sendo o caso, o fornecimento de cópia de qualquer documento essencial à defesa do Estado do Rio de Janeiro. No que pertine ao pedido de produção ulterior de provas, é mister citar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restava a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinalava, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deveria consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamentava a defesa, os pontos Fl. 508DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 496 7 de discordância, as razões e as provas que a parte possuísse. Mas não parou por aí: Impôs ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Fl. 509DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1ºConsiderarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2ºÉ defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3ºQuando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5ºA juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se Fl. 510DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 497 9 demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(grifos nossos) §6ºCaso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo em momento posterior à apresentação da impugnação ao lançamento. Tem o Recorrente, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Não vislumbramos pois qualquer fato ou circunstância que dê amparo à alegação de cerceamento de defesa tão veementemente defendido pelo Recorrente. 2.2. DA NULIDADE Pugna o Recorrente pela nulidade do lançamento em razão da inclusão dos Dirigentes Estaduais como corresponsáveis pelo crédito previdenciário. Tal alegação não procede. Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes do vertente Auto de Infração é da empresa, não dos diretores arrolados no relatório intitulado "CORESPONSÁVEIS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relação de Coresponsáveis CORESP", a fl. 19, possui apenas caráter informativo, prestandose como mero subsídio à Procuradoria, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente Fl. 511DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003, vigente por ocasião da lavratura Notificação Fiscal em tela, assim dispõe: Instrução Normativa INSS/DC nº100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 688. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (..) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação"; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de Corresponsáveis – CORESP, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DOMÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA LEGALIDADE. Fl. 512DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 498 11 O Recorrente concentra seu inconformismo na alegação de não haver lei formal a ensejar a exigibilidade da contribuição ora lançada, pautando pela inexigibilidade das contribuições previdenciárias resultantes do que dispõe§13 do art. 40 da Constituição Federal, na redação dada pela EC 20/98, por falta de lei formal da União que disponha, especificamente, sobre os elementos do fato gerador da nova exação. Constituição Federal Art. 40. O servidor será aposentado: (...) §13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Tal rogativa não reúne condições para prosperar. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Fl. 513DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 No exercício da competência que lhe fora atribuída, a lei orgânica da Seguridade Social definiu em seus artigos12 e 13 as categorias de trabalhadores abraçados, compulsoriamente, pelo Regime Geral de Previdência Social e, dessarte, sujeitos às normas emolduradas na Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). (...) Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). §2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 514DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 499 13 Mostrase, ainda, auspicioso destacar que, para os fins específicos das disposições encartadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, são considerados como empresa não somente a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, como, também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Da análise dos dispositivos legais e constitucionais suso selecionados deflui que, mesmo antes da promulgação da Emenda nº 20/98, imperiosa era a vinculação obrigatória ao Regime Geral de Previdência Social tanto dos servidores efetivos quanto dos ocupantes de cargos em comissão, ou de outro cargo temporário ou de emprego público da União, dos estados, e dos municípios quando não amparados por regime próprio de previdência social. Com a edição da citada Emenda Constitucional, os ocupantes exclusivos de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, não mais poderiam se vincular a RPPS, mas, tão somente, ao RGPS. Assim, conforme devidamente esclarecido, a Emenda nº 20/98 não criou nova hipótese de exação. Apenas excluiu do RPPS os ocupantes de cargo comissionado, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, os quais passaram a ser regidos, obrigatoriamente, pelo regime geral, pelas regras já existentes na Lei nº 8.212/91. Nada mais. No caso sub examine, a presente NFLD efetuou o lançamento de contribuições previdenciárias a cargo dos segurados incidentes sobre os pagamentos efetuados aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo comissionado, aos servidores públicos estaduais vinculados ao regime jurídico da CLT, aos servidores públicos estaduais ocupantes de cargo temporário, aos aposentados que retornaram à atividade na Secretaria de Estado de Esportes, todos na qualidade de segurados empregados, apurados diretamente a partir das informações prestadas pelo Estado do Rio de Janeiro nas suas folhas de pagamento. Conforme muito bem detalhado na decisão recorrida, a fls. 327/364, todos os obreiros abrangidos no presente lançamento se qualificam como segurados empregados, máxime em razão de se subsumirem a uma das hipóteses genéricas e abstratas elencadas no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, além de não se encontrarem amparados pelo regime próprio de previdência social do Estado do Rio de Janeiro. Fl. 515DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Não se mostra despiciendo dar relevo ao fato de o Recorrente não ter produzido qualquer indício de prova que demonstrasse que os segurados objeto do presente lançamento se encontravam amparados por Regime Próprio de Previdência Social, circunstância que impõe as suas filiações ao regime geral. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 20 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu a contribuição previdenciária a cargo do segurado empregado, calculada mediante a aplicação de alíquota própria incidente sobre o seu Salário de Contribuição, restando a cargo do empregador a responsabilidade pelo desconto de tal contribuição social da remuneração auferida mensalmente pelo trabalhador e o recolhimento aos cofres do fisco federal, no prazo legal, por força das disposições insculpidas no inciso I do art. 30 da mesma Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032/95). Saláriodecontribuição Alíquota em % até 249,80 8,00 de 249,81 até 416,33 9,00 de 416,34 até 832,66 11,00 (Valores e alíquotas dados pela Lei nº 9.129/95) §1 Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Lei n° 8.620/93) §2 O disposto neste artigo aplicase também aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços a microempresas. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.620/93) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (grifos nossos) b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a Fl. 516DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 500 15 seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).(grifos nossos) Não se mostra demasiada prudência relembrar que a Lei Orgânica da Seguridade Social estabeleceu como presunção absoluta, a efetivação do desconto das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, de suas respectivas remunerações, pelo empregador, não sendo lícito a este alegar omissão para se eximir do correspondente recolhimento, ficando ele diretamente responsável pela importância que deixou de descontar ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) De outro canto, enfocandose a questão da constitucionalidade aventada pelo Recorrente por um outro ângulo, revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registrese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente. Diante de tal quadro jurídico/normativo, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria Fl. 517DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar alegações de inconstitucionalidade ou afastar interpretação conforme da Constituição e, assim, reformar a Decisão Recorrida, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.2. DA TAXA SELIC. Pondera em defesa o Recorrente que a taxa Selic é inaplicável. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Fl. 518DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 501 17 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1ºSe a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2ºO disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1ºdesse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da Fl. 519DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também, há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 520DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37280.001643/200502 Acórdão n.º 230201.293 S2C3T2 Fl. 502 19 Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 521DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 522DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10680.009547/2002-92
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2005
Ementa: RESTITUIÇÃO – COMPENSAÇÃO – PRAZO – Tratando-se de lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito, mesmo mediante compensação, é o previsto no inciso I, do artigo 168 do CTN, tendo como dia a quo da data do pagamento indevido.
Recurso negado.
Numero da decisão: 101-95.182
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri que deu provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MARIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR
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Numero do processo: 37280.001501/2005-37
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 205-00.198
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, Por unanimidade de votos, conhecido o embargo de declaração para rescisão do acórdão recorrido e por unanimidade de votos, convertido o julgamento em diligência Ausência justificada do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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'UI\,i~l\ '\" • ,I l.1 \I JULIO C\ESÀI,{VIEIRA GOMES \ \j • \ IPreSIdente! / /~". .:v-...-.., -;.t' .1 { i, (// . .•~'. ./ _' L/ MARCO ÃNDREl\AMOS VIEIRA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Renata Souza Rocha (Suplente). I. Processo n." 37280.001501/2005-37 Resolução n." 205-00.198 RELATÓRIO ((02/(05 Fls. 492 Trata o presente de pedido de revisão interposto pela Receita Previdenciária, confonne fls. 458 a 468; combatendo o acórdão de fls. 448 a 451, proferido pela 4" Câmara do CRPS que anulou a NFLD por vício formal. Aquele Colegiado entendeu que deveria ser emitida nova NFLD com observância do art. 351 da Instrução Normativa n 0100. A unidade da SRP entende, em síntese, que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vícío insanável e que há acórdãos divergentes da própria 4" Câmara de Julgamento do CRPS. Cientificada do pedido de revisão, a notificada manifestou-se às fls. 471 a 484. Em síntese alega que não cabe o pedido de revisão, por se tratar de rediscussão de matéria; inexistindo víolação a preceito legal. Em decisão monocrática, o Conselheiro Presidente desta Câmara, fls. 489 a 490, acolheu o pedido de revisão, dando seguimento ao recurso. É o relatório. I, ': j I, ~\J V .) 2 Processo n.n37280.001501/2005-37 Rt:solução n.o 205-00.198 l VOTO CC02iCOS Fls. 493 Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O Conselheiro Presidente acolheu o pleito revisional, em virtude da violação a literal disposição de lei, no caso o art. 55 da Lei n. 9.784, bem como o art. 60 do Decreto n 70.235; e uma vez reconhecendo o vício do acórdão anterior (juizo rescindente), deve ser apreciada toda a questão devolvida a este Colegiado por meio do recurso interposto pelo notificado (juizo rescisório), incluindo as matérias cujo conhecimento deva ser realizado de oficio. De acordo com o previsto no art. 5°, S 2° da POliaria MF n o 147, aplica-se o Regimento Intemo do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n° 88/2004, aos recursos já interpostos quando da instalação das 5" e 6' Câmaras no 2° Conselho. Desse modo, o presente pleito revisional será analisado à luz do Regimento Interno do CRPS. De acordo com o previsto no art. 60 da Portaria MPS n o 88/2004, que aprovou o Regimento Intemo do CRPS, a admissibilidade de revisão é medida extraordinária. A revisão é admitida nos casos de os Acórdãos do CRPS divergirem de pareceres da Consultoria Juridica -do-Ministério da -Previdência Social, aprovados pelo -Ministro - da pasta;-bem-como - do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de. lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vicio insanável, nestas .palavras: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida u prescrição administrativa, de oficio ou (1 pedido, suas decisões quando: 1- violurem lileral disposição de lei 011 decreto; 1/ - dil'ergirem de pareceres da Consulioria Jllridica do MPS aprovados pelo Minislro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar n" 73. de lO defevereiro de 1993; 11/ - depois da decistio, a parte obtiver documento 110VO, cqja existência igl1ora\'£I, ou de que nilo pôde fazer uso, capa~.por si só, de assegurar P"OllllllCi a lI/CU (o .favará l'cl; IV -lar constatado vício insanável. f 1"Considera-se dcia inSWlá\'e/, elltre outros: [ - O voto de conselheiro impedido ou incompeteme. bem como condenado, por .I'cnlcnça judicial tl'Onsitada em julgado. por crime de prel'nriCoçcfo. concussfio ali C01TlfPÇclU passiva, diretamente relacionado cf matéria submetida ao julgamellto do colegiado: 11 - o fwu/ameJlwçZio baseada em prOl'{1 ubtida por meios ilícitos Oli cl~iafalsidade tellha sido apurado em processojlldicia/: Processo n." 37280.00 150 l!2005~37 Resolução n." 205-00.198 2°C~',' CONFE"R,E: êQUInta Cá - OM O O~ l11ara Brasilí", 1.4 I Jí. IG'NAr.. ~~.:.....og Is;sSou --- M sa MoujÁ',Ur,4296 ra <p CC02/C05 Fls. 494 III - ojulgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV - a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua cone/usclo. ;1 2" Na hipótese de revisão de oficio, o conselheiro deverá reduzir a termo as razões de seu convencimento e determinar a notificaçclo das partes do processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendimento à apreciação da instância julgadora. ;13" O pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS. que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, c01?forme o caso. ,$ 4" Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contra-razões ;15" A revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPs. ;1 6" Ao pedido de revisão aplica-se o disposto nos arts. 27, ;1 4'; e 28 deste Regimento Inferno. ,lI 7" Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proFerida e/1/ única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. ;1 8" Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instância superior. ::0' 9" O não conhecimento do pedido de revisào de acórdào nao impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de oficio o ato ilegal, desde que niiu decorrido O prazo prescricional. ,~~'10 É defeso às partes renovar pedido de revi:.;dode acórdào com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. f li Nos processos de beneficio, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ali de última in.s'láncia, ressalvado O di.spo:,;to J/O ar!. 57, jC; ]", deste RegimeJ1lo, Reconheço que há um vício no acórdão de ns, 448 a 451. O acórdão anterior fundamentou-se na inobservãncia do art. 351 da Instrução NOl111ativan o 100 para anular a NFLD, Contudo, tal fundamentação não corresponde a realidade, uma vez que o lançamento, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, observou a Instrução Nonnatíva. O caput do (ui,35! exige que os documentos de constituição sejam emÍtidos em nome do ente federado, sendo obrigatória a lavratura de notiticações distíntas por órgão público, o que foi observado pela fiscalização. j, \IV4 )b j Por seu tumo, o parágrafo único do ar!. 351 exige que no campo de identificação seja consÍgnada a designação do órgão a que se refere. A notificação fiscal de lançamento não ' ' é composta apenas pela capa, ou folha de rosto, mas possuÍ anexos, entre os quais, a peça mais Processo n." 37280.001501/2005-37 Resolução n.O 205-00.198 CC02/C05 Fls. 495 relevante que é o relatório fiscal. Desse modo, o documento de constituição do crédito a que se refere o parágrafo único do art. 351 da Instrução Nonnativa, não pode ser confundido com a folha de rosto da NFLD, mas sim deve ser compreendido como a NFLD em sua integralidade, compreendendo capa, discriminativos e relatório fiscal. O campo identificação do sujeito passi vo está expressamente discriminado às folhas 204 do relatório fiscal, em tal campo consta o nome da Secretaria de Estado de Integração Govemamental, portanto reconheço que a fiscalização atendeu ao previsto no art. 351, parágrafo único da Instrução Normativa n 0100. Entendo que antes da apreciação de mérito há um ponto a ser esclarecido. O MPF inicial foi emitido em 26 de novembro de 2003, 11. 301; sendo cientificado o representante do contribuinte em 08 de dezembro de 2003. O TIAF foi cientificado ao contribuinte também em 8 de dezembro de 2003, f1. 306, e o TIAD também foi emitido em 8 de dezembro de 2003, f1. 308. Contudo há um outro TIAD emitido em 6 de outubro de 2003, 11. 307; portanto em data anterior ao MPF, bem como ao TIAF. Desse modo, antes de o Colegiado proferir qualquer decisão pela nulidade do procedimento pela falta de cobertura do MPF, entendo ser mais prudente a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade da Receita Federal do Brasil infonne o motivo de emissão do TlAD à f1. 307, e se há um MPF embasando esse TIAD, e se for o caso juntando cópia aos autos. CONCLUSÃO: Voto por CONHECER do PEDIDO DE REVISÃO da Receita Previdenciária e resolvo RESCINDIR o Acórdão anterior. Em substituição àquele, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA. Antes de os autos retomarem a este Colegiado, deve ser conferida ciência ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de agosto de 2008 } ~ - ( f.J .C L - , IMARCO ANDRE RAMOS VIEIRA i Relator . l; \X)5 .tJ .} 1 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 13603.000616/2002-11
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A recusa do julgador a quo em apreciar todos os autos de infração constantes do processo, bem como a ausência da ciência da contribuinte em relação a fato de tamanha relevância, acarreta a nulidade da decisão por preterição do direito de defesa, e, ainda, a supressão de instância, se, porventura, o julgador de segundo grau resolve apreciar fatos e documentos não conhecidos na instância inferior.
Processo ao qual se anula a partir do segundo auto de infração, inclusive.
Numero da decisão: 203-09.378
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuinte, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir do segundo auto de infração de fl. 318, inclusive.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Publicado no D.ão Oficial De j ci 1_05 I os Processo n° : 13603.000616/2002-11 -(2--Recurso n° : 123.299 VISTO Acórdão n° : 203-09.378 Recorrente : FIAT AUTOMÓVEIS S/A Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A recusa do julgador a quo em apreciar todos os autos de infração constantes do processo, bem como a ausência da ciência da contribuinte em relação a fato de tamanha relvância, acarreta a nulidade da decisão por preterição do direito de defesa, e, ainda, a supressão de instância, se, porventura, o julgador de segundo grau resolve apreciar fatos e documentos não conhecidos na instância inferior. Processo ao qual se anula a partir do segundo auto de infração, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FIAT AUTOMÓVEIS S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir do segundo auto de infração de fl. 318, inclusive. Sala d.aessões, em 28 de janeiro de 2004 (Iodai° 1h t. C. o President Valm ronst• . • nezes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Zomer (Suplente), César Piantavigna, Maria Teresa Martinez López, Luciana Pato Peçonha Martins e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valdemar Ludvig e Maria Cristina Roza da Costa. Imp/cUovrs MIN, DA FAZENDA - 2? CC CONFERE por,i O ORIGINAL /DF:ASMAJ.1 Vi 0 life ; 1 ISTO Ministério da Fazenda 1)4 FAZENPA - 2'• CC r CC-NIF .x Fl i '4Jr Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE çom O ORIGINAL, BRASiLIA 01 Processo n° : 13603.000616/2002 - 11 ur/Litl Recurso n° : 123.299 iro Acórdão n° : 203-09.378 Recorrente : FIAT AUTOMÓVEIS S/A RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Contra a interessada foi lavrado o auto de infração de fls. 7/18 com exigência de crédito tributário no valor de R$39.898.080,96 a titulo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa proporcional de 75 % por insuficiência de recolhimento para os períodos relacionados nas fls. 9 e 10. O feito fiscal originou-se do prosseguimento à auditoria de preços de transfe- rência na Fiat Automóveis S/A, em cumprimento ao devido mandado de procedimento fiscal. Várias reuniões e intimações foram feitas no intuito de acertar diversas inconsistências de dados decorrentes de deficiências no processo contábil da Fiat ou dos próprios arquivos fornecidos eletronicamente por ela à Fiscalização. Entre outras informações prestadas pela contribuinte, destacam-se o arquivo contendo as contas contábeis que compõem as bases de cálculo do PIS e da Cofins e o arquivo contendo dados sobre as respectivas exclusões. Comparando-se os valores calculados mediante utilização das bases de cálculo fornecidas pela contribuinte e os valores informados pela mesma nas DCTFs, várias divergências foram levantadas. Dessa forma, a autuação decorreu devido às discrepâncias entre as bases de cálculo levantadas pela Fiscalização, após inúmeros acertos, e as declaradas pela empresa. As diferenças objeto do presente auto de infração são valores que não foram declarados nas DCTFs dos períodos correspondentes, os quais estão demonstrados em quatro planilhas, uma para 1997, outra para 1998, uma para janeiro de 1999 e, por fim, outra para fevereiro a novembro de 1999. A planilha referente ao período de fevereiro a novembro de 1999 está dividida em dois grupos de contas contábeis. O primeiro contém as contas que constituem a base de cálculo nos moldes da Lei Complementar n° 70, de 1991, e o segundo grupo complementa a base de cálculo de acordo com o § 1° do art. 3° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998. Os valores referentes ao segundo grupo de contas contábeis foram objeto de questionamento judicial via liminar em Mandado de Segurança n° 2 MIN ijA FAZENDA - 2.° CC , 2° CC-NiF - Ministério da Fazenda CONFERE ,COM O ORIGINAL Fl. n " Segundo Conselho de Contribuintes BRASILIAjd, , • Leet 4141;11> optof • Processo n° : 13603.000616/2002-11 ISTO Recurso n° : 123.299 Acórdão n° : 203-09.378 1999.38.00.009272-2. Foi concedida, em parte, a segurança, no que se refere à base de cálculo (fls. 158/165). Entretanto, em 7 de dezembro de 2000 foi publicada decisão judicial da 3a Turma do TRF da 1 a Região (Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.01.00.025002-8) que decidiu por unanimidade negar provimento ao apelo da contribuinte e dar provimento ao recurso da União (fls. 144/154), interrompendo os efeitos do inc. IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN). Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido auto de infração, conforme a seguir: arts. I° e 2° da Lei Complementar n°70/91; art. 77, inc. III do Decreto-lei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; arts. 2°, 30 e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições e art. 63 da Lei n° 9.430/96. Irresignada, tendo sido cientificada em 17/04/2002 (fl. 8), a empresa apresen- tou, em 17/05/2002, o arrazoado de fls. 170/210, acompanhado dos documen- tos de fls. 211/307, com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucinta- mente: a Fiscalização considerou valores que por expressa disposição legal não integram a base de cálculo da Cofins; foram consideradas na base de cálculo da Cofins receitas não-operacionais no período de janeiro de 1997 a fevereiro de 1999; integraram a base de cálculo da Cofins valores que não configuram receita auferida, e sim, mera recuperação de despesa; foi descon- siderado que as receitas que não se enquadram no conceito de faturamento dado pela Lei Complementar n° 70, de 1991, encontram-se com a sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial obtida pela impugnante em ação judicial que discute a constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998. Por toda impugnação são enumeradas diversas contas, as quais são questionadas pela contribuinte pelo modo como foram tratadas contabihnente pela Fiscalização face à legislação da Cofins. Referidas contas são: 1)Vendas Trading Company (fls. 172 e 173); 2) IPI sobre Vendas (fls. 173 e 174); 3) IPI Revenda Grupo FIAT (fl. 174); 4) Devolução Revenda Terceiros Alfa (fls. 174 e 175); 5) Reversão Provisão PQR (fls. 175 e 176); 6) Contingências (fl. 176); 7) Receita Baixa Investimento (fl. 176 e 178); 8) Devolução Vendas (fl. 177); 9) Receita de Vendas de 1998 (fl. 177); 10)Produção Interna Ativada (fls. 177 e 179); 3 MIN . A FAZENPA - 2. ¥ CC cc -mF Ministério da Fazenda CONFERE jcpm o ORIGIN Segundo Conselho de Contribuintes BRASIL1114_1- 0 / Ft. (0 - Processo n° : 13603.000616/2002-11 V TO Recurso n° : 123.299 Acórdão 0 : 203-09.378 11) Divergência entre DCTF x Contábil (fls. 179 e 180); 12) Receita Vendas Peças Marea (fl. 180); 13) Receita Garantia Estendida (fl. 184); 14) Receita com Taxa de Administração (fls. 184 e 185); 15) Recuperação Despesa Manutenção Pátio (fls. 185 e 186); 16) Aluguel de Imóvel (fl. 186); 17) Aluguel Trading (fl. 186); 18) Outras Receitas Operacionais (fls. 186 e 187); 19) Vendas Terceiros Sucata (fl. 191); 20) Recuperação Garantia Fornecedor (fl. 192); 21) Recuperação Garantia Concessionário (fl. 193); 22) Recuperação IRRF Incentivo Fiscal PDTI (fl. 193); 23) IPI Crédito Presumido (fl. 194); 24) Recuperação Material Deb. Fornecedores (fl. 195); 25) Ressarcimento Perdas Materiais (fls. 195 e 196); 26) Receita com Taxa de Administração (fl. 196); 27) Recuperação Despesas PAT (fl. 196). Historiando a respeito do conceito de faturamento, a impugnante alerta que os fatos geradores ocorridos anteriormente a fevereiro de 1999 são tributados conforme o conceito dado pelo art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1991, que tem semelhante definição dada pelo art. 279 do R1R199. Assim, no que se refere ao período de janeiro de 1997 a fevereiro de 1999, a Fiscalização, conforme alegação da requerente, consignou como tributáveis outras receitas que não se enquadram no conceito de faturamento para fins de Cofins (antes da vigência da Lei 9.718, de 1998). Tais receitas estão discriminadas nas contas correspondentes aos itens "13)" a "18)", Prossegue, mencionando sobre os valores referentes à recuperação de despesas. Transcreve vários entendimentos doutrinários do significado da palavra "receita". No entender de ilustres especialistas sobreleva o conceito de "receita" como o ingresso que representa acréscimo ao patrimônio. Assim, não produzindo acréscimo patrimonial, e sim, mera recomposição, os valores recebidos a titulo de recuperação de despesas estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins. As receitas que apesar de se configurarem recuperações de despesas foram consideradas pela Fiscalização, no que se refere à incidência da contribuição, estão discriminadas nas contas correspondentes aos itens "19)" a "27)". Aduz que o Recurso de Apelação foi objeto de oposição de Embargos de Declaração, os quais restam aguardando julgamento, o que, conforme alega a requerente, suspende a exigibilidade do crédito tributário, haja vista também que a posição doutrinária e a jurisprudencial são pelo entendimento de que a 4 MIN t,A F AZEN . 'A - 2' CL 0:-C Ministério da Fazenda CONFERE Fp O ORIGINAL r CC-MF "ut" Segundo Conselho de Contribuintes BRASILIA .t1Segundo 04/ Fl. egO• *si laotc Processo n° : 13603.00061612002-11 VRTO Recurso n° : 123.299 Acórdão n° : 203-09.378 oposição de embargos declaratórios suspende os efeitos e, conseqüentemente, a executoriedade da decisão embargada. Transcrevendo o art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, aduz que a imposição da multa e dos juros moratórios é frontalmente contrária ao que estabelece o citado artigo, uma vez que esse extinguiu a caracterização da multa de mora até trinta dias após a decisão final, ou seja, da decisão transitada em julgado, estendendo-se tal efeito, não obstante o artigo referir-se explicitamente à multa, também sobre os juros moratórios, porquanto opôs Embargos de Declaração, impedindo, até o seu julgamento, a geração de efeitos por parte da decisão embargada. Citaram-se vários dispositivos legais bem como foram transcritos diversos entendimentos administrativos, judiciaise doutrinários por toda peça impug- natória, nos quais a impugnante se sustenta para, ao fim, requerer a procedência da sua impugnação, determinando-se o cancelamento do indigi- tado feito fiscal ou, quanto menos, seja excluída a cobrança de multa e juros no que se refere aos períodos autuados em que a exigibilidade do crédito tributário encontra-se, conforme alega, suspensa. Tendo em vista as argumentações da autuada e com base no art. 18 do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972, e de acordo com o art. 15, § 8° e o art. 22, § 2°, ambos da Portaria MF n° 258, de 24 de agosto de 2001, retornaram-se os autos em diligência, a fim de que fosse verificada a pertinência de suas alegações." A DRJ em Belo Horizonte - MG proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1999 Ementa: Verificada a falta de recolhimento da Cofins, impõe-se o lançamento de oficio nos termos da legislação vigente. Cabe a aplicação da multa de oficio nos lançamentos destinados a prevenir a decadência, quando a sua exigibilidade não estiver suspensa na forma da legislação de regência da matéria. Os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial — por qualquer modalidade processual — antes ou posteriormente à autuação, com o 5 MIN. till FAZENDA - Ce• . CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE çom o ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes BRASÍLIA .. 4. / / Cif ,:.4eark-> O°. 0.0 Processo n° : 13603.000616/2002-11 VI TO Recurso n° : 123.299 Acórdão n° : 203-09.378 mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornando-se definitiva a exigência discutida. Lançamento Procedente em Parte". Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o relatório. 6 2 CC-MF - Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA _ 2 , Fl. • 1.. ! 1.. ‘'P 4 -5 % Ir Segundo Conselho de Contribuintes 4 . ..,1"). • CONFERE ÇO,b1 O ORIGINAI BRASILIA I 14 Processo n° : 13603.000616/2002-11 0. sin .! . Recurso n° : 123.299 18TO Acórdão no : 203-09.378 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALMAR FONSÊCA DE MENEZES O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Preliminarmente, porém, há que observar detalhes processuais de relevância para a solução da lide. Compulsando-se os autos, verifica-se, inicialmente, que: • constam das peças processuais dois autos de infração, respectivamente, às fls. 08 e 318. Observa-se, também, que o segundo auto de infração foi lavrado após a solicitação de diligência de fl. 309, onde a DRJ de origem determina algumas verificações concernentes às alegações presentes na peça impugnatória, determinando a elaboração de planilhas demonstrativas das diferenças porventura apuradas naquele procedimento; • o Termo de Diligência de fl. 315, após as verificações feitas, informa que são confirmadas parcialmente as alegações da impugnante, conforme detalha, aduzindo que foram elaboradas novas planilhas, bem como foram recalculados os valores, mencionando, às fls. 317-339, onde encontramos um novo auto de infração lavrado, com redução da exigência em relação ao anterior; e • não se vislumbra nos autos a ciência à contribuinte de tal procedimento e, na decisão recorrida, não se menciona o fato da lavratura de um novo auto de infração, apenas se reportando aquele decisum às verificações feitas. Vislumbro, das observações feitas acima, que: • a autoridade fiscal, ao lavrar um novo auto de infração, incorreu em ilegalidade, visto que não detinha autorização para revisão de lançamento, mas apenas determinação para verificação de valores e elaboração de planilhas; • ainda que se considere que tal procedimento tenha sido realizado à luz da Legislação, não foi dado ciência à contribuinte de tal ocorrência; e • por fim, a Delegacia de Julgamento, que determinou providência diversa da efetuada pela delegacia de origem, não se pronunciou sobre fato tão relevante para o processo, razão por que entendo que incorreu em grave omissão. Diante do exposto, ressalte-se o disposto na Legislação de regência, verbis: 7 Ministério da Fazenda CC-MF . . Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 1 Processo n° : 13603.000616/2002-11 Recurso n° : 123.299 Acórdão n° : 203-09.378 Lei n° 9.784/99 dispõe que: "Art. 69 - Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. (...) Art. 41 - Os interessados serão intimados de prova ou diligência ordenada, com antecedência mínima de três dias úteis, mencionando-se data, hora e local de realização. (--.)" Decreto n° 70 235/72: "Art. 18: (---) § 32. Quando, em exames posteriores, diligencias ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Parágrafo acrescido pelo art. 1-(= da Lei rP 8.748/93). (...) Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. É da Lei PP 8.748/93)" (.-.) Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (...)" A Lei Complementar n° 70/91 determina que se aplica, subsidiariamente, à COFINS a legislação concernente ao Imposto de Renda. Senão, vejamos: ML.. A FAZENDA - 2.° CC CONFERE ppm o ORIGINAL, 8 SRASILIA / Oy 09. 1....111.. . VI TO MIN c:A FAz€10,4 2 • Ct. • 2' CC-MF •-• Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Segundo Conselho de Contribuintes BRASÍLIA 44. Lay Fl. Processo n° : 13603.000616/2002-11 ISTO Recurso n° : 123.299 Acórdão n° : 203-09.378 "An. 10 - O produto da arrecadação da contribuição social sobre o faturamento, instituída por esta Lei Complementar, observado o disposto na segunda parte do art. 33 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, integrará o Orçamento da Seguridade Social. Parágrafo único. À contribuição referida neste artigo aplicam-se as normas relativas ao processo administrativo-fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federás, bem como, subsidiariamente e no que couber, as disposições referentes ao Imposto sobre a Renda, especialmente quanto a atraso de pagamento e quanto a penalidades." Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda, em seu artigo 838, veda o reexame de período fiscalizado sem a expressa autorização da autoridade preparadora, conforme trannscrevo a seguir: "Art. 838 - O contribuinte será notificado do lançamento no local onde estiver seu domicilio fiscal (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 82)." "Reexame de Período já Fiscalizado Art. 906 - Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei n°2.354, de 1954, art. 7, § 2°, e Lei n°3.470, de 1958, art. 34)." A Secretaria da Receita Federal, segundo o Parecer CST n° 2.243/85, explicita que a execução de diligência não equivale a um segundo exame de documentos: "PARECER CST n' 2.243/85 - Diligência na fase de preparo do processo fiscal, antes ou após a impugnação, só poderá ser promovida mediante determinação da autoridade preparadora ou julgadora. Para efeitos do imposto sobre a renda, sua execução não eqüivale a segundo exame de livros e documentos. (a partir da Lei n9 8.748/93, a autoridade preparadora não mais detém essa competência)". Por duas razões entendo ser nula a decisão recorrida: • a primeira, pelo fato de ter sido proferida com base em procedimento diligenciai de cujo teor não foi dado ciência à recorrente, nos termos da Lei n° 9.784/99 e do Decreto n° 70.235/72; e • a segunda, por ter se omitido sobre fato relevante presente nos autos, qual seja, a lavratura de um novo auto de infração, sem a devida ciência á autuada e sem a devida autorização legal para tal, ferindo frontalmente o Decreto n° 70.235/72. 9 MIN I A FAZENnA - 2 0C . Ministério da Fazenda CONFERE çoy o ORIGINAL 2.200 -MF Fl. "rp; ..;it Segtmdo Conselho de Contribuintes BRASÍLIA " 44 • / ovo" #4511(alfteg Processo se : 13603.000616/2002-11 Recurso n° : 123.299 Acórdão n° : 203-09.378 A conduta do Fisco, ao proceder a um novo auto de infração, revisando o lançamento, sem autorização legal para tal, feriu o disposto no artigo 906 do R1R, enquanto que a omissão em dar ciência do mesmo à autuada feriu o Decreto n° 70.235/72 e a própria Lei n° 9.784/99. Por sua vez, a DRJ se omitiu sobre peça processual relevante, ferindo o artigo 31 daquele Decreto. Tais atitudes apenas implicam em tumultuar o processo, conforme entende Antônio da Silva Cabral, na sua obra "Processo Administrativo Fiscal", Editora Saraiva, 1993, cujas palavras aduzimos a esta explanação, a seguir: "Quem efetua a diligência deve ater-se a fatos e provas, sem expressar qualquer juizo a respeito do mérito da causa. Se a autoridade determina que um fiscal vá até a empresa, que impugnou o auto de infração, a fim de verificar se uma duplicata foi rasurada ou não, ou para certificar se esse titulo contém ou não a data em que foi pago, quem receber tal incumbência ater-se-á a esta tarefa evitando comentários, por exemplo, sobre a exigência de passivo fictício, já que tal sorte de juizo caberá exclusivamente ao órgão julgador. Esta observação é importante, pois cada autoridade deve desempenhar no processo a tarefa que lhe é especifica. (.) Se o momento da realização de diligências se converte em motivo para disputas laterais, em que os contribuintes dizem coisas que não deviam, e os que efetuam diligências se manifestam sobre o próprio mérito da questão, isto tumultua o processo. As diligências que são ordenadas diretamente pelo . julgador de primeira instância, ou pelo Conselho de Contribuintes, são atos de oficio e, como se disse, têm por fim servir para a formação do livre convencimentodo julgador. Essas diligências devem ser cumpridas, não cabendo ao funcionário opinar sobre o cabimento delas. Por outro lado, o preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo, conforme dispõe o Decreto n° 70.235/72, verbis: "Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo." 10 2Q CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl Processo n° : 13603.00061612002-11 Recurso n° : 123.299 Acórdão n° : 203-09.378 O processo fiscal determina que a autoridade preparadora tem a missão de não só sanear o processo, mas também organizar os autos, providenciar a juntada de provas, alem de outras atividades pertinentes, tais como proceder à devida ciência dos atos processuais ao contribuinte para que a autoridade julgadora se atenha exclusivamente ao seu papel de apreciar os fatos e dizer qual a norma aplicável ao caso, o que deveria fazer. A realização de diligência, sem a devida ciência à impugnante, e a posterior decisão da DRJ emitida sem quaisquer menção a um novo lançamento efetuado por ocasião deste procedimento, e constante dos autos, são fatos que se constituem em descumprirnento de normas processuais com evidente cerceamento do direito de defesa. Por todo o exposto, voto por anular o processo a partir do segundo auto de infração lavrado, de fl. 318. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2004 /7"-- VAL ' F 11,14' ‘MENEZ E S MIN. DA FAZENDA - 2.° Ct. CONFERE ÇOM O O ,IGINAL /BRASILIA .4d Or dá". .4111111 Laia ISTO 11
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