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Numero do processo: 11052.001154/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
NORMAS PROCESSUAIS - INCONSTITUCIONALIDADE
À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, "a", e III, "b", da Constituição Federal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL.
Incide o imposto de renda mensal sobre os ganhos líquidos auferidos na compra e venda de ações em Bolsa de Valores.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. NORMAS PROCESSUAIS - INCONSTITUCIONALIDADE À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, "a", e III, "b", da Constituição Federal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Incide o imposto de renda mensal sobre os ganhos líquidos auferidos na compra e venda de ações em Bolsa de Valores. Recurso negado.
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CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. NORMAS PROCESSUAIS INCONSTITUCIONALIDADE À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, "a", e III, "b", da Constituição Federal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Incide o imposto de renda mensal sobre os ganhos líquidos auferidos na compra e venda de ações em Bolsa de Valores. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 11 54 /2 01 0- 18 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11052.001154/201018 Acórdão n.º 2202002.512 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, BENJAMIN NASÁRIO FERNANDES FILHO foi lavrado o Auto de Infração de fls. 140 a 148, em virtude da apuração da seguinte infração: 1) GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL OMISSÃO DE GANHOS OPERAÇÕES COMUNS omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações na bolsa de valores, no anocalendário de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 149 a 154 e planilhas de fls. 155 a 188. Enquadramento Legal: art. 6o da Lei n° 9.959, de 2000. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 4.725.984,86, foram aplicados multa de 75% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 148, perfazendo um total de R$ 10.534.404,01. Após ciência do Auto de Infração em 27/12/2010 (fl. 192), o Interessado, em 13/01/2011, por intermédio de seu procurador (fl. 257), apresentou a impugnação de fls. 195 a 206, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) o lançamento em tela estaria eivado de nulidade, bem como não encartaria preceito legal correspondente à sanção aplicável; 2) o dispositivo regulador que se quer ver infringido, não regularia o caso em espécie, inexistindo dolo ou culpa por parte do Interessado; 3) não haveria tipicidade no comportamento do Interessado que estabeleça azo à cobrança do débito presentemente atacado; 4) não haveria como sustentarse a cobrança em pauta, sob pena de violação dos direitos e garantias do Impugnante, vez que a mesma repousaria plena de vícios, devendo ser anulada in totum, vez que o Contribuinte jamais teria omitido ganhos nem deixado de recolher o devido tributo quando incidente; 5) seria claro o entendimento errôneo esposado pela Autoridade Autuante, haja vista ter havido claras incorreções na feitura da declaração de rendimentos do Impugnante, desde o ano de 1995; 6) pela declaração exarada pela Câmara de Liquidação e Custódia, concernente à posição de ações da Vale do Rio Doce em custódia, não teria havido ganho de capital, como teria entendido o Fisco, mas apenas bonificação com desdobramento; 7) desde 1996, as declarações do Interessado conteriam equívoco em relação ao valor de suas ações, gerando uma seqüência errada de valores, fato esse que não foi observado Fl. 685DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 pelo Fiscal Autuante e que redundou em um errôneo levantamento, como expresso no "Resumo de Ganhos em Renda Variável mercado à vista e opções – ano calendário de 2006"; 8) partindo de valores equivocados, a Fiscalização encontrou, durante o anocalendário de 2006, valores considerados como omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável que não retratariam a realidade; 9) o Interessado solicita a produção de prova pericial a fim de restar comprovada a lisura de seu comportamento e o seu escorreito proceder junto à legislação pertinente, a fim de ver impugnados os valores lançados pela Fiscalização; 10) seria imperativo legal a produção de prova pericial, a fim de que o amplo direito de defesa seja respeitado em nome do devido processo legal; 11) o deslinde da controvérsia em sede administrativa passa pela produção de prova pericial que, se não for realizada, acabará maculando o processo administrativo; 12) o Interessado indica como seu assistente técnico o Dr. José Carlos Gomes Bernardo e formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julga a impugnação procedente nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto s o b r e a Renda de Pessoa F í s i c a IRPF Anocalendário: 2006 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE Estando o auto de infração de acordo com os requisitos formais e materiais estabelecidos pela legislação de regência, não há que se cogitar de nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Incide o imposto de renda mensal sobre os ganhos líquidos auferidos na compra e venda de ações em Bolsa de Valores. PEDIDO DE PERÍCIA Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o Acórdão, a interessado interpõe recurso voluntário onde alega: Indica que o recorrente sempre age de acordo com a lei; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11052.001154/201018 Acórdão n.º 2202002.512 S2C2T2 Fl. 4 5 Indica que não há tipicidade que estabeleça azo a cobrança do débito. Questiona inobservância a princípios constitucionais; Afirma que a fiscalização partiu de valores equivocados; É o relatório. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Cabe registrar que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto nos incisos I, "a", e III, "b", ambos do artigo 102 da Constituição Federal, onde estão configuradas as duas formas de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de ação ou concentrado, e o controle por via de exceção ou difuso. Deste modo não cabe a este Conselho apreciar os argumentos da suposta inconstitucionalidade dos procedimentos. No que toca ao mérito assim se pronunciou a autoridade recorrida: A Fiscalização apurou imposto de renda sobre ganhos auferidos em renda variável, no anocalendário de 2006, tendo o Interessado recolhido valores de imposto muito inferiores ao devido e deixado de apresentar o Demonstrativo de Apuração de Ganhos em Renda Variável da declaração de ajuste anual do exercício 2007. O Impugnante se insurge contra a autuação em epígrafe, alegando que as declarações de rendimentos conteriam valores errados desde 1996, e teriam acarretado a apuração de ganhos líquidos no mercado de renda variável incompatíveis com a realidade. Segundo o Autuado, pela declaração exarada pela Câmara de Liquidação e Custódia, não teria havido ganho de capital com relação às ações da Vale do Rio Doce, mas apenas bonificação com desdobramento. Nesse tocante, é imperativo salientar que a Fiscalização considerou os valores informados na declaração de bens da declaração de ajuste anual do exercício 2007como custos originais para a apuração dos ganhos, acrescentando as despesas de corretagem e demais taxas. A quantidade informada na declaração de bens da declaração de ajuste do exercício 2007 foi comparada com a quantidade total constante das contas de custódia e o custo de aquisição calculado prórata, tendo por base o valor declarado na segunda coluna da declaração de bens do ajuste anual do anocalendário de 2005. Em relação aos Fl. 688DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11052.001154/201018 Acórdão n.º 2202002.512 S2C2T2 Fl. 5 7 ativos em custódia que não foram informados na declaração de bens, foi considerado um custo de aquisição de zero. A alegação genérica de que os valores informados na declaração de bens estariam incorretos não encontra respaldo em nenhum elemento material. Intimado durante a ação fiscal a se pronunciar acerca dos saldos iniciais dos ativos mobiliários em 31/12/2005, o Contribuinte não se manifestou. Tampouco na impugnação interposta, o Contribuinte especificou quais ações possuíam custo de aquisição com valores errados em suas declarações de bens, nem trouxe alguma prova de que os custos de aquisição considerados pelo Fisco não correspondiam à realidade. Nesse diapasão, cabe reportarse ao famoso brocardo latino, "Allegatio non probatio quasi non allegatio", que ensina que alegações destituídas de provas documentais tornamse improfícuas para fins de defesa processual. Não identifico razões para reparar os argumentos da autoridade recorrida, de modo que os utilizo como justificativa para o voto. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 690DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930874/2011-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.930874/201128 Recurso nº Acórdão nº 3801002.522 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERAÇÃO CRM. Recorrida FAZENDA NACIONAL 01/12/2002a31/12/2002 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 74 /2 01 1- 28 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.360, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.930874/201128 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, onde apresentou as 4 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900063/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
Numero da decisão: 1401-000.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhê-los parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire Da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhê-los parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire Da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vice-Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos, para acolhêlos parcialmente, apenas para esclarecimentos, sem contudo alterar a decisão embargada. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire Da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias (vicePresidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Mauricio Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 00 63 /2 00 6- 65 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.916 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração aviado pela Fazenda Nacional, contrária ao entendimento firmado por este Colegiado, no sentido de que “a prestação do serviço de transporte referida teria sido suficientemente comprovada por meio das notas fiscais apresentadas”. Aduz, a Embargante, que regulamento de ICMS do Estado de Sergipe traça exigências a respeito da nota fiscal de serviço de transporte, que não estariam presentes no espécie, desnaturando a prestação de serviço dessa natureza. Requer, assim, o provimento dos embargos para que seja sanada a contradição apontada. Em se tratando de processo em que houve julgamento conjunto com processos correlatos, a decisão proferida em um feito aproveita aos demais processos, a saber: 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/2006 90, 10510.900081/200647, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/2006 38, 10510.900092/200627, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos de declaração são tempestivo e havendo imputação de contradição no julgado, deles conheço. A questão posta em debate no presente feito referese ao percentual de presunção de lucro aplicável aos serviços prestados pela Embargada. Quando do julgamento do feito, tendo em conta que a Embargada executa serviços de transporte e de guindastes, esta Corte Administrativo entendeu por fixar um critério para definir a incidência do percentual de presunção de lucro. Releiase o teor da decisão, in litteris: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.916 S1C4T1 Fl. 4 3 Segundo se extrai do disposto no art. 15, inciso, II, alínea ‘a’ a lei nº 9.249/95, o serviço de transporte de carga está sujeito ao percentual de lucro presumido de 8% (oito por cento) sobre a receita auferida. Já os demais serviços em geral, dentre os quais se enquadram os serviços de guindastes, içamento, e recolocação mecânica de produtos e mercadorias, sujeitamse ao percentual de 32% aplicável sobre a receita decorrente da prestação de serviço. A dúvida surge quando, para que o serviço de transporte seja realizado, seja necessário o içamento da mercadoria por meio de guindastes. Com mais precisão ainda surge a dúvida quando referida composição de serviços “içamento+transporte” é feito por meio de caminhão conhecido como munck. Isso porque o munck é um caminhão que tem, atrelado à sua carroceria, um guindaste que possibilita o levantamento de produtos. Vejamos. De início, registro que a identificação da norma aplicável para caracterizar a hipótese de aplicação do percentual de 8% não é o instrumento utilizado para a prestação, mas sim a natureza do próprio serviço. De fato, conforme alega a Recorrente, o caminhão munck é um “caminhão com guincho ou guindaste acoplado, para o carregamento, transporte e descarregamento de cargas em geral”. No entanto, não é todo serviço executado com um caminhão munck que estará sujeito à aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Isso porque o caminhão munck pode ser utilizado para içar a mercadoria e colocála a bordo do caminhão, para o respectivo transporte e posterior desembarque, como também pode ser utilizado apenas para que o serviço de guindastes seja realizado em local facilmente acessível por meio do caminhão. Assim, se o guincho ou guindaste do caminhão munck é utilizado como serviço acessório ao de transporte, aplicase à respectiva receita o percentual de 8% para identificação do lucro presumido. No entanto, se o guincho ou guindaste do caminhão munck for utilizado para movimentação de mercadorias, e não para o seu transporte, aplicase o percentual de 32% para a definição do lucro tributável. Essa mesma lógica deve ser aplicada aos serviços de içamento, guinchamento ou correlatos: se a atividade é acessória e diretamente relacionada ao serviço de transporte contratado, o total da receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido. Se, por sua vez, o serviço de içamento, guinchamento ou correlato tiver sido contratado separadamente, ou não estiver diretamente atrelado ao serviço de transporte de mercadorias, deverá ser aplicado o percentual de 32%. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.916 S1C4T1 Fl. 5 4 Partindose desse pressuposto legal, é que foram identificadas, individualmente, as notas fiscais em que contavam serviços de transporte, bem como serviços de transporte realizados por meio de caminhões munk. Tratase, pois, de uma vinculação entre a descrição da prestação de serviços constante das notas fiscais com o direito fixado para tributação da prestação de serviços. O fato de a nota fiscal não fazer referência a se tratar de nota fiscal de prestação de serviço de transporte não desnatura a descrição e a essência do serviço prestado, conforme descrição própria no documento. Demais disso, os documentos fiscais possuem presunção de verdade com relação aos dados que apresenta, cabendo ao Fisco o ônus de desconstituílo. Vejase o entendimento deste Conselho, in verbis; IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA EXERCÍCIO 1997 IRPJ E OUTROS DESPESAS OPERACIONAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COMPROVAÇÃO A prova da efetiva da prestação de serviços pode ser realizada através da apresentação de notas fiscais e outros documentos (contratos de prestação de serviços, cópias de cheques correspondentes aos pagamentos e o registro contábil). Considerando que esses documentos não foram contestados pela fiscalização, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. Acórdão nº 10516058 do Processo 153740024309916 Prevalece, assim, a presunção de verdade acerca da descrição dos serviços constantes das notas fiscais. Feitos os esclarecimento supra, acolho parcialmente os embargos, sem contudo, alterar o resultado da decisão embargada. É como voto. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10510.900063/200665 Acórdão n.º 1401000.916 S1C4T1 Fl. 6 5 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.725989/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
AUDITORIA FISCAL EM PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita-se pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN).
TRIBUTAÇÃO DA REVERSÃO DA PROVISÃO INSTRUÇÕES CVM 319 E 349.
Nos termos da Instrução CVM nº 319, de 1999, com as alterações da Instrução CVM nº 349, de 2001, nas incorporações reversas o ágio com fundamento em perspectiva de rentabilidade futura deve ser reconhecido nas demonstrações contábeis da incorporadora pelo montante do benefício fiscal esperado (parcela com substância econômica); esse reconhecimento se opera mediante constituição da Provisão Instruções CVM 319 e 349, no valor do ágio não recuperável (diferença entre o valor do ágio apurado e o benefício fiscal decorrente da sua amortização), que deve ser apresentada como redutora da conta na qual o ágio foi escriturado.
ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, deve-se cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá. Designado o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva para redigir o voto vencedor nessa matéria. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da pessoa jurídica e não conhecer do recurso dos coobrigados por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto,e Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: CARLOS PELA
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VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). TRIBUTAÇÃO DA REVERSÃO DA PROVISÃO INSTRUÇÕES CVM 319 E 349. Nos termos da Instrução CVM nº 319, de 1999, com as alterações da Instrução CVM nº 349, de 2001, nas incorporações reversas o ágio com fundamento em perspectiva de rentabilidade futura deve ser reconhecido nas demonstrações contábeis da incorporadora pelo montante do benefício fiscal esperado (parcela com substância econômica); esse reconhecimento se opera mediante constituição da Provisão Instruções CVM 319 e 349, no valor do ágio não recuperável (diferença entre o valor do ágio apurado e o benefício fiscal decorrente da sua amortização), que deve ser apresentada como redutora da conta na qual o ágio foi escriturado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 59 89 /2 01 2- 77 Fl. 4592DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 3 2 ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá. Designado o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva para redigir o voto vencedor nessa matéria. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da pessoa jurídica e não conhecer do recurso dos coobrigados por perda de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto,e Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Fl. 4593DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL, anoscalendário 2007, 2008 e 2009, cumulados com juros, multa de ofício qualificada (150%) e multa isolada, apurados em decorrência da glosa de exclusão indevida na apuração do Lucro Real. Contanos o Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 3138/3212) que foram glosadas as exclusões de despesas de amortização de ágio, lançadas pela contribuinte em seus LALUR e transpostas às Fichas 09 e 17 de suas DIPJ 2008, 2009 e 2010. Tais despesas teriam natureza de amortização de ágio dito por expectativa de rentabilidade futura, advindo de incorporação, pela DACAR, de parte do patrimônio da cindida FBM PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 04.706.261/000182. Tal ágio surgiu em 01/02/2005 quando a DACAR incorporou a sua controladora FBM, cujo maior ativo era o investimento de R$ 12.320.837,47 na mesma DACAR (conforme “acervo líquido patrimonial contábil” referido na AGO/AGE da FBM PARTICIPAÇÕES de 01/03/2005). Em seguida, a autuada passou a valerse da exclusão de despesas de amortização de ágio oriundo de incorporação às avessas entre partes relacionadas, isto é, ágio interno. Em resumo, sustenta a fiscalização que o caso trata de ágio não pago gerado em transações comerciais sem propósito negocial realizadas entre a DACAR e empresas de seu mesmo grupo econômico. O valor total das despesas de amortização de ágio que foram apropriadas pela DACAR durante os anoscalendário de 2007 a 2009 foi de R$ 31.59.4955,04 à razão de R$ 10.531.651,68 em cada ano, conforme seu razão contábil, conta de despesa 133586 – Amortização de Ágio do período de 31/10/2007 a 31/12/2009. Glosada a exclusão indevida, por meio de desconsideração dos valores lançados contra o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL (Fichas 09 e 17 das respectivas DIPJ), foram apuradas as diferenças de IRPJ e CSLL constituídas ex officio por meio do presente lançamento. Respondem solidariamente pelo presente crédito tributário lavrado sobre a DACAR as seguintes pessoas físicas, todos eles acionistas e administradores da autuada: Sérgio Françozi (CPF 401.780.64904) (fl. 3219/3222); e Jairo José Barbosa (CPF 184.062.20910) (fl. 3215/3218), conforme disposto no art. 124, inciso I c/c art. 135, inciso III do CTN. Fl. 4594DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 5 4 Além disso, ao Sr. Redovino Manfredini (CPF 010.107.86920), acionista e administrador da autuada à época dos acontecimentos dos fatos, também se atribui a qualidade de sujeito passivo solidário deste crédito tributário lavrado sobre a DACAR. No entanto, tendo em vista o seu falecimento ocorrido no ano de 2009, a obrigação tributária foi transferida para seus sucessores legais, Roberto Tadeu Manfredini (fl. 3223/3226), Rosalina Manfredini (3227/3230), Rosane Aparecida Manfredini (fl. 3231/3234), Rosangela Manfredini (fl. 3235/3238) e Rosely Manfredini Barbosa (fl. 3239/3242), até o limite do quinhão (ou meação) por eles recebidos, nos termos do art. 131, inciso II do CTN. A capitulação legal da aplicação da multa qualificada se fez pelo acolhimento do disposto nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, combinados com o art. 44, §1º, da Lei 9.430/1996, em razão do evidente intuito de fraude. A multa isolada é decorrente da glosa de exclusão oriunda de despesa de amortização de ágio que acabou por afetar as bases de cálculos sobre as quais são apuradas as antecipações obrigatórias do IRPJ e da CSLL. Como o crédito tributário referente ao presente auto de infração excede, individualemnte, a trinta por cento do patrimônio conhecido da contribuinte, dos dois sujeitos passivos solidários e de três dos cinco responsáveis por sucessão e, simultaneamente, é superior a R$ 2.000.000,00, foi efetuado o arrolamento de seus bens, o qual está sendo acompanhado pelos seguintes Processos Administrativo: 10980.726011/201222, 10980.726012/201277, 10980.726013/201211 e 10980.726019/201299. Destarte, foi apensado aos autos Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do Processo Administrativo 10980.726010/201288. DA OPERAÇÃO As operações entre partes relacionadas, ocorridas entre os dias 01/11/2004 e 01/03/2005, além da DACAR, envolveram outras três empresas do mesmo grupo econômico, a saber: FBM HOLDING S/A, antiga FBM ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 01.894.288/000158), FBM PARTICIPAÇÕES S/A (CNPJ 04.706.261/000182) e FBM ADMINISTRADORA DE BENS (CNPJ 04.078.292/000136). Destaquese que todas essas empresas possuem (ou possuíam) sede e domicílio sitos à Rua Tavares Lyra, 2200, bairro Afonso Pena, município de São José dos Pinhais – PR. Ademais, todas eram comandadas pelos Srs. SÉRGIO FRANÇOZI (CPF 401.780.64904), JAIRO JOSÉ BARBOSA (CPF 184.062.20910) e REDOVINO MANFREDINI (CPF 010.107.86920). As operações societárias, que culminaram na geração do ágio, ocorreram em cinco momentos distintos, a saber: a) 01/11/2004 – a FBM PARTICIPAÇÕES LTDA é transformada em sociedade anônima (os seus sócios eram os Srs. SERGIO, JAIRO e REDOVINO). Também nesta data a empresa FBM ADMINISTRADORA DE BENS LTDA é transformada em sociedade anônima (os seus sócios eram os Srs. SERGIO, JAIRO e REDOVINO). b) 30/11/2004 – conversão da DACAR em subsidiária integral da FBM PARTICIPAÇÕES; neste ato, Srs. SERGIO, JAIRO e REDOVINO subscrevem ações da FBM Fl. 4595DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 6 5 PARTICIPAÇÕES e integralizamnas por meio de entrega de suas ações da DACAR por eles avaliadas em R$ 60.000.000,00, valor este apurado com base na metodologia da rentabilidade futura conforme “Laudo de Avaliação da Companhia Dacar Química do Brasil para Efeito de Incorporação de Ações” datado de 01/11/2004; em contrapartida desse aumento de capital foi registrado no ativo permanente da FBM PARTICIPAÇÕES investimento na DACAR neste mesmo montante, do qual R$ 52.658.258,00 era representado por Ágio oriundo em expectativa de rentabilidade futura; deste modo, os Srs. SERGIO, JAIRO e REDOVINO passaram a ser acionistas da FBM PARTICIPAÇÕES, que por sua vez passou ser acionista da DACAR; ou seja os sócios pessoas físicas continuaram controlando a DACAR, só que indiretamente. Além disso, nessa mesma data, também a feita a conversão da FBM ADMINISTRADORA DE BENS em subsidiária integral da FBM PARTICIPAÇÕES; neste ato, Srs. SERGIO, JAIRO e REDOVINO subscrevem ações da FBM PARTICIPAÇÕES e integralizamnas por meio de entrega de suas ações da FBM ADMINISTRADORA DE BENS por eles avaliadas em R$ 20.140.434,00, valor este apurado com base na metodologia da rentabilidade futura conforme “Laudo de Avaliação da Companhia FBM Administradora de Bens S/A para Efeito de Incorporação de Ações” datado de 01/11/2004; em contrapartida desse aumento de capital foi registrado no ativo permanente da FBM PARTICIPAÇÕES investimento na FBM ADMINISTRADORA DE BENS neste mesmo montante, do qual R$ 18.932.680,00 era representado por ágio. Ou seja, nesta data, o capital social da FBM PARTICIPAÇÕES então ascendeu de R$ 7.832.169,00, para R$ 88.242.603,00, representado 100% por ações da DACAR e da FBM ADMINISTRADORA DE BENS. c) 15/12/2004 – a FBM ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA é transformada em FBM HOLDING LTDA; ademais, o capital social da FBM HOLDING LTDA é aumentado de R$ 300,00 para R$11.742.732,00 mediante a integralização, na HOLDING, das cotas que os sócios da HOLDING (Srs. SERGIO, JAIRIO e REDOVINO) já detinham na Companhia FBM PARTICIPAÇÕES, cotas estas avaliadas pelo custo da aquisição no valor total de R$11.742.432,00. d) 02/01/2005 – a FBM HOLDING LTDA é transformada em FBM HOLDING S/A. e) 01/03/2005 – a FBM PARTICIPAÇÕES é extinta (mediante cisão total) e parte do seu patrimônio é incorporado pela DACAR e outra parte pela FBM ADMINISTRATORA BENS; em virtude dessa incorporação de parte do patrimônio da FBM PARTICIPAÇÕES, as ações emitidas por esta foram extintas, e em virtude dessa extinção seu único acionista – FBM HOLDING S/A – recebeu as ações da DACAR na mesma proporção da participação que detinham da FBM PARTICIPAÇÕES (neste caso 100%). Ou seja, os Srs. JAIRO, REDOVINO e SÉRGIO – sócios da FBM HOLDING com 33,33% de participação cada continuaram controlando a DACAR. No entanto, a DACAR passou a registrar em seu ativo ágio próprio e FBM HOLDING passou a registrar investimento majorado na DACAR. A partir de então a DACAR passou a apropriar em sua contabilidade, e, por conseguinte em suas DIPJ, despesas oriundas da amortização desse ágio interno à razão de R$ 10.531.651,68 em cada ano (vide conta contábil de despesa 133586 – Amortização de Ágio). Com efeito, sustenta a fiscalização que as operações estruturadas em comento indicam a existência de um objetivo único, eleito previamente à escolha dos instrumentos a Fl. 4596DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 7 6 serem utilizados. Por assim dizer, o fim (a redução de tributos) foi definido antes dos meios (assembléias, alterações contratuais, laudos, protocolos e justificação, etc), o que conduz ao predomínio do fim sobre o meio, já que este (o meio) foi escolhido unicamente por servir ao objetivo visado, que não era outro senão uma menor carga tributária. Em relação à FBM PARTICIPAÇÕES, relata a fiscalização ter ela servido como “empresa veículo” para a manobra a ser efetuada em seguida, tendo permanecido como “controladora” da DACAR por apenas três meses, de 30/11/2004 a 01/03/2005. Ou seja, fica evidente que jamais houve, por parte dos Srs. SÉRGIO, JAIRO e REDOVINO, a intenção de viabilizar a FBM PARTICIPAÇÕES, de sorte que esta pudesse conservar as ações da DACAR. Ademais, ressalta que analisando os atos societários registrados na Jucepar (Junta Comercial do Paraná), em conjunto com os dados contábeis das empresas envolvidas, verificouse que em nenhuma das etapas ocorreu investimento de capital ou recursos, ou mesmo realização de despesas incorridas, que justificassem num momento posterior a amortização de ágio. Em outras palavras, nas integralizações de capital feitas nos dias 30/11/2004 (FBM PARTICIPAÇÕES), e 01/03/2005 (DACAR) não houve aportes de bens ou moeda em espécie, e sim apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de cotas ou ações de outras sociedades. Ou seja, para a utilização dos dispositivos na forma pretendida, o sujeito passivo desvirtuou o conceito de ágio atribuído pela legislação tributária e pelas normas contábeis. Com isso, afirma que um ágio não pago está desprovido de uma característica fundamental, sem a qual o mesmo não é contabilmente aceito: a substância econômica. Além disso, afirma não há que se falar em ágio quando o mesmo surgiu de em transações entre partes não independentes. O relatório fiscal destaca, ainda, que praticamente a totalidade da economia tributária obtida em decorrência desse planejamento tributário abusivo não permaneceu na DACAR, mas foi transferida aos patrimônios pessoais dos seus administradores/acionistas. Assim foi que: f) Em 15/04/2009 – foi aprovada a redução do capital da HOLDING (para restituição aos sócios) de R$ 86.850.000,00 para R$ 2.898.270,00 (ou, seja redução de R$ 83.951.730,00). Com isso as ações que a HOLDING detinha da DACAR e da FMB ADM. BENS foram restituídas aos Srs. SERGIO, JAIRO e REDOVINO. Com isso, o saldo da conta contábil Reserva de Lucros da HOLDING, de R$ 72.918.993,00, foi zerado e o seu montante foi distribuído aos três sócios da empresa (total de R$ 24.306.331,00 para cada, declarados como “rendimentos isentos e não tributáveis” na DIRPF 2010 – AC 2009 de cada sócio). g) Em 30/04/2010 foi aprovada pelos Srs. SERGIO, JAIRO e REDOVINO a distribuição dos dividendos da DACAR no total de R$ 44.517.966,41 (saldo acumulado na conta 257 Reserva Especial de Lucros até aquele dia). Esse montante por sua vez foi dividido em três partes iguais, o que resultou num pagamento de R$ 14.839.322,14 para cada acionista. h) A partir do AC 2010 com o falecimento do Sr. REDOVINO as suas ações da DACAR e da FBM ADM. BENS foram transferidas aos seus sucessores; Em ato contínio, a Sra. ROSALINA (mãe), repassou as suas ações herdadas para os demais sucessores (Srs. ROBERTO, ROSANE, ROSANGELA e ROSELY); Ainda em 2010 os acionistas da DACAR subscreveram cotas do GARDENS – FUNDO DE INVESTIMENTO EM PARTICIPAÇÕES (CNPJ 09.182.400/000130) mediante transferência de 60% de suas ações da DACAR. Em relação aos 40% restantes, 30% foi vertido ao patrimônio da HOLDING e Fl. 4597DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 8 7 10% permaneceu de posse dos sócios pessoas físicas; Os cotistas do GARDENS então subscreveram cotas do VICTORIA – FIQ MULTIMERCADO FUNDO DE INVESTIMENTO EM QUOTAS DE FUNDOS DE INVESTIMENTO CRÉDITO PRIVADO (CNPJ 10.346.873/000104) mediante transferência de 100% de suas cotas do GARDENS ao VICTORIA. Após isso, os Srs. SÉRGIO e JAIRO subscreveram cotas do VICTORIA mediante entrega do supracitado montante recebido por eles da HOLDING. Da mesma forma procederam os sucessores do Sr. REDOVINO (Srs. ROBERTO, ROSANE, ROSANGELA e ROSELY). Tais importâncias foram então investidas pelo VICTÓRIA no GOOD HOPE – FUNDO DE INVESTIMENTO MULTIMERCADO CRÉDITO PRIVADO (CNPJ 11.733.898/000123). Ao final, a DACAR é controlada 30% pela HOLDING e 60% pelo Fundo GARDENS. Portanto, conclui o relatório fiscal afirmando que, em ato típico de blindagem patrimonial, os recursos economizados pela reestruturação societária narrada foram transferidos da DACAR para o Fundo VICTORIA, cujos únicos cotistas são os Srs. SÉRGIO, JAIRO e os sucessores causa mortis do Sr. REDOVINO. Acrescenta que tal Fundo não só é o atual controlador da DACAR, como também é o responsável pela administração dos dividendos distribuídos por esta a seus sócios. DA IMPUGNAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 3260/3357), em que aduz, em síntese, o que segue: a) no tópico “Breve relato das operações realizadas (Legitimidade dos Fatos e Demonstração do Efetivo Propósito Negocial)”, argúi que a presente operação não pode ser analisada simplesmente do ponto de vista da validade dos atos societários considerados isoladamente, sendo necessário analisala como um todo; que a contribuinte é uma empresa 100% brasileira, fabricante de tintas imobiliárias, cujo início das atividades em 1985 se deu com a atuação na linha de complementos automotivos; que no contexto do franco desenvolvimento de suas atividades, bem como da necessidade de preparação da empresa para a profissionalização da sua administração e a sucessão de seus fundadores, foi realizada uma série de reestruturações societárias, de forma a transferir o controle da companhia para uma companhia holding e, posteriormente, para fundos de investimento; . até 30/10/2004 a estrutura societária do grupo era composta pelas seguintes empresas: FBM Participações, Dacar, FBM Administradora de Bens e FBM Administração e Serviços; em 30/11/2004 a FBM Participações promove a incorporação de ações da DACAR, avaliadas com base na sua expectativa de rentabilidade futura, por meio do competente laudo de avaliação; que foi registrado um ágio de R$ 52.658.258,00, correspondente à diferença entre o preço de aquisição das ações da Dacar (R$ 60.000.000,00) e o seu valor de patrimônio líquido avaliado pelo MEP (R$ 7.341.742,00); . em 30/11/2004 a FBM Participações também promove a incorporação de ações da FBM Administradora de Bens, cujas ações também foram incorporadas a valor de Fl. 4598DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 9 8 mercado, com registro de ágio R$ 18.932.680,00 fundamentado no valor de mercado dos bens do ativo; a FBM Participações constitui uma provisão no valor total de R$ 71.590.938,00, correspondente a 100% do ágio decorrente da aquisição das ações da Impugnante e da FBM Participações; . em 15/12/2004 a FBM Administradora e Serviços altera sua razão social para FBM Holding e, no mesmo ato, aprova aumento do seu capital de R$ 300,00 para R$ 11.742.432,00 mediante a integralização das cotas da FBM Participações, avaliadas a valor de custo, que os sócios detinham; . em 01/03/2005 foi realizada a cisão total da FBM Participações, mediante a versão do seu patrimônio para a interessada e FBM Administradora de Bens; que, nesse momento o ágio foi incorporado ao patrimônio da interessada e as despesas com sua amortização contábil passaram a ser dedutíveis para fins fiscais (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997); que, à medida que registrava as despesas com a amortização contábil do ágio, também registrava uma receita de reversão da provisão, nos termos da Instrução CVM nº 349/01; que, como a despesa com a constituição da referida provisão havia sido adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 2004, a procedeu à exclusão da referida receita nos anos calendários subsequentes; . em 15/04/2009 o capital da FBM Holding foi reduzido de R$ 86.850.000,00 para R$ 2.898.270,00 mediante a entrega das ações da Dacar e da FBM Administradora de Bens aos sócios pessoas físicas, aos quais foram destinados o saldo contábil da conta Reserva de Lucros, no valor total de R$ 72.918.993,00; . em 2010 os sócios pessoas físicas realizaram as seguintes operações societárias/patrimoniais: (i) subscrição da Gardens Fundo de Investimento em Participações (FIP), mediante transferência de 60% das ações da Dacar; (ii) versão de 30% das ações dessa companhia para a FBM Holding; e (iii) manutenção dos 10% das ações restantes em poder dos sócios pessoas físicas; essas pessoas físicas subscreveram quotas do Victoria – Fundo de Investimento em Quotas de Fundos de Investimento Crédito Privado (FIQ) mediante transferência de 100% das cotas do Gardens FIP; os sócios pessoas físicas subscreveram novas cotas do Victória FIQ mediante a integralização em dinheiro do valor que havia sido recebido a título de redução de capital/reserva de lucros, tendo tais valores sido investidos pelo Victória no Good Hope – Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado; b) que não houve uma mera reorganização formal do Grupo societário, mas uma efetiva transformação e profissionalização da sua administração, com o controle e gestão da Impugnante pelos Fundos de Investimento mediante os seguintes órgãos: (i) Comitês de Investimento “1” e “2” (gestão financeira do caixa e estratégias de investimento); (ii) Conselho de Administração (gestão do negócio); (iii) Assembléias Gerais (participação de todos os sócios nas questões deliberativas); c) no tópico “Preclusão da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio”, alega que em 30/11/2004 foi realizada a incorporação de ações da Impugnante pela FBM Participações, operação na qual foi gerado o ágio; que o Fisco não pode mais questionar (por meio dos autos de infração cientificados em 13/08/2012) a legalidade e eficácia tributária de tais atos societários, pois já transcorreu o prazo decadencial de cinco anos contados do fato que propiciou o surgimento do ágio; que o antigo Conselho de Contribuintes e o CARF já se manifestaram reiteradas vezes sobre o tema, Fl. 4599DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 10 9 reconhecendo a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos fatos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos; d) no tópico “Da Impossibilidade de Tributação da Receita de Reversão da Provisão CVM 319 e 349 – Provisão Que Foi Adicionada Quando de Sua Constituição”, argumenta que em 2004 constituiu a Provisão CVM 319 e 349, no valor de R$ 52.658.258,00, com contrapartida em despesa contábil de mesmo valor; que tal provisão foi constituída como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no patrimônio líquido da Impugnante (proteção do fluxo de dividendos dos minoritários), conforme art. 6º da referida Instrução CVM; como a despesa com essa provisão foi adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL em 2004 (art. 335 do RIR de 1999), a receita decorrente de sua reversão deve ser excluída do lucro tributável, sob pena de tributação em duplicidade, entendimento este pacífico no antigo Conselho de Contribuintes; e) no tópico “Ad Argumentandum – Da Validade do Ágio Interno Para o Direito”, aduz que não se pode fundamentar a tributação da receita de reversão da Provisão CVM 319 e 349 com base na suposta indedutibilidade da despesa com a amortização do ágio, pois são lançamentos contábeis absolutamente distintos, baseados em fatos que não se confundem; ainda que fosse possível tal fundamentação, a autoridade fiscal cometeu grave equívoco ao entender que o ágio interno não seria válido para fins fiscais, uma vez que referido ágio é respaldado pelo Direito, seja pela legislação societária, seja pela legislação tributária; f) no tópico “Limites Para a Aplicação da Ciência Contábil pelo Direito”, discorre sobre as relações entre a Ciência Contábil e o Direito Contábil (societário e fiscal/tributário); que a Ciência Contábil é uma ciência social que possui como objeto específico a descrição do patrimônio de uma entidade e sua mutação no tempo; que o conjunto de normas comerciais/societárias que regulamentam a contabilidade passa a ser denominado Direito Contábil Societário; que há diversos pontos de intersecção entre a Ciência Contábil e a legislação societária e tributária, mas o âmbito de aplicação da ciência contábil para definição dos limites da legislação societária/fiscal não é irrestrito; que o DecretoLei nº 1.598, de 1977, determina em seu art. 8º que os registros contábeis específicos para fins tributários devem ser feitos no LALUR ou em livros auxiliares; que a esse conjunto de normas jurídicas estabelecidas pela legislação tributária atribuise a denominação de Direito Contábil Fiscal; g) que a definição de muitos tributos depende de conceitos formados a partir da Ciência Contábil, mas positivados pelo Direito Contábil Fiscal (Tributário); que esse conceitos, contudo, devem ser buscados inicialmente no Direito Privado (recepção dos conceitos de Contabilidade Societária), mas fazse necessária uma análise posterior para saber se não existe um tratamento diferenciado na norma tributária; nesse sentido, a base de cálculo do IRPJ é o lucro, que é um conceito econômico (mensurado pela ciência contábil) cuja utilização validade do ágio interno do ponto de vista da legislação societária e foi publicado após a ocorrência dos fatos em análise, em 2004; i) a autoridade fiscal, ao tentar justificar a prevalência da Ciência Contábil sobre o Direito, afirma que somente haverá “substância econômica” quando o ágio observar os requisitos materiais previstos pela Ciência Contábil: (i) independência entre as partes; (ii) pagamento; e (iii) um efetivo ambiente concorrencial; contudo, o Ilustre Professor Eliseu Martins, ao analisar o disposto no art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, se manifestou expressamente no sentido de que a legislação tributária dá respaldo para a operação da geração do ágio interno; Fl. 4600DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 11 10 j) o tópico “Natureza Jurídica do Ágio para o Direito Contábil Societário e as Várias Formas de Aquisição”, assevera que para o Direito Contábil Societário o ágio e o deságio decorrem da diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial das ações adquiridas; que a Lei das S/A, em seu art. 248, não aborda expressamente a temática do ágio na aquisição de participação societária, mas o órgão regulador da matéria já se manifestou a esse respeito, por meio da Instrução CVM nº 247, de 1996; que, em conformidade com referida Instrução CVM, a FBM Participações desdobrou o custo de aquisição das ações da impugnante (R$ 60.000.000,00) em valor do investimento pela equivalência patrimonial (R$ 7.341.742,00) e ágio (R$ 52.658.258,00), mas o agente fiscal concluiu, equivocadamente, que esse ágio seria inválido em face de ter sido gerado em operação: (i) na qual não houve pagamento; (ii) sem qualquer dispêndio; (iii) sem registro em conta de obrigações de terceiros; k) que o negócio jurídico da incorporação de ações está previsto no art. 252 da Lei das S/A e corresponde à operação na qual ocorre o aumento do capital da sociedade incorporadora, que passa a ter a outra sociedade como sua subsidiária integral; na incorporação de ações não há pagamento, que é uma contraprestação do negócio jurídico de venda e compra, pois a incorporadora terá como contraprestação a entrega de ações que couberem aos titulares das ações incorporadas; o custo de aquisição é o valor do capital aumentado e entregue aos titulares das ações incorporadas, custo este desmembrado em valor do investimento avaliado pelo MEP e ágio; l) contesta a alegação do agente fiscal de que o lançamento do ágio não teve como contrapartida o lançamento de uma conta de obrigação, porquanto o aumento do capital social representa obrigação da companhia perante os sócios; que foi também equivocada a afirmação fiscal de que a FBM Participações e a interessada seriam credoras e devedoras da relação jurídica que deu ensejo ao nascimento do ágio, porquanto o credor é a incorporadora (FBM Participações) e os devedores são os sócios pessoas físicas que têm a obrigação de entregar a participação societária detida na Dacar; que não ocorreu “confusão jurídica” quando a FBM Participações foi extinta pela cisão e o ágio foi incorporado na Dacar, pois a FBM Holding continuou titular das participações societárias; que todos os pressupostos deve estar prevista em lei; havendo conflito entre a contabilidade societária e a contabilidade fiscal, esta deverá prevalecer quando se tratar de apuração de algum dos aspectos do fato gerador, uma vez que se trata da aplicação de norma específica em face de uma norma geral; h) no tópico “Da Distorcida Interpretação Quanto ao Entendimento da Comissão de Valores Mobiliários CVM”, alega que o agente fiscal incorreu em grave equívoco, uma vez que o entendimento da CVM (OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007), acerca da inadmissibilidade da geração de “ágio interno”, referese apenas à visão da Ciência Contábil; esse ofíciocircular da CVM não questiona a societários para a realização da operação ora em análise foram observados, e que o valor de avaliação para fins de conferência das ações foi o de mercado, uma vez que tais ações geraram um rendimento muito superior ao previsto; m) no tópico “Natureza Jurídica do Ágio Para o Direito Contábil Fiscal/Tributário”, destaca que a legislação tributária brasileira confere o mesmo tratamento ao ágio e deságio na aquisição de participação societária que o previsto na legislação societária, conforme se verifica do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977; ainda que se tenha alguma dúvida acerca da forma de contabilização da aquisição de participação societária do ponto de vista da Ciência Contábil ou do Direito Contábil Societário, não há qualquer margem para dúvida do tratamento tributário (Direito Contábil Fiscal/Tributário) dado à aquisição do Fl. 4601DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 12 11 investimento, uma vez que é expressa a previsão em lei no sentido de se registrar o ágio; que a previsão de conferência de bens, a valor de mercado, para fins de integralização de capital é expressamente permitida às pessoas físicas, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1996; n) com relação às formas de aquisição da participação societária, o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, não traz qualquer referência a um negócio jurídico específico para que esta aquisição seja realizada; que a aquisição pode se dar sem necessidade de pagamento em dinheiro, como na dação em pagamento, doação, conferência de bens para integralização de capital e incorporação de ações; que no caso em questão, o custo das ações está devidamente suportado por ter havido uma efetiva aquisição em ambas as acepções do Direito Contábil Societário como do Direito Contábil Fiscal/Tributário, bem como por laudo elaborado por renomada empresa de auditoria; o) no que diz respeito ao fundamento econômico para a aquisição do investimento com ágio, ressalta que a legislação estabelece que deverá ser um dos três indicados no § 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977; que o fundamento econômico para a atribuição de valor às ações a serem incorporadas decorre de decisão única e exclusiva do incorporador, pois se trata de prerrogativa negocial que representa a própria livre iniciativa das partes na determinação do preço do ativo negociado; p) quanto à existência de “partes relacionadas” na presente operação de incorporação de ações, aduz que para fins do Direito Contábil Societário não há qualquer óbice à realização da operação de incorporação de ações entre pessoas que possuam algum tipo de vinculação; que a existência de partes vinculadas pode fazer com que determinadas operações sejam tratadas de forma diferenciadas pelo Direito Contábil Fiscal/Tributário, de forma a evitar que essas operações sejam realizadas fora dos padrões de mercado, tal como as regras de distribuição disfarçada de lucros e dos preços de transferências; contudo, não há qualquer dispositivo previsto na legislação tributária que estabeleça tratamento diferenciado para a incorporação de ações entre partes vinculadas; mesmo que houvesse algum tratamento diferenciado, seria no sentido de criar uma regra que trouxesse o valor das operações para os parâmetros de mercado, o que nas operações em questão foi observado; q) no tópico “Da Geração de Riqueza na Operação de Incorporação de Ações e Reflexos Tributários Para os Titulares das Ações Incorporadas”, destaca que a operação de incorporação de ações gera um efetivo fluxo de riqueza – do ponto de vista econômico – para os acionistas (pessoas físicas) da empresa que tiveram suas ações incorporadas (Dacar), riqueza essa que deve ser tributada a título de ganho de capital, mas apenas pelo regime de caixa; r) no tópico “O Ágio Interno e a Atual Jurisprudência do CARF”, relata que a validade do ágio interno para fins fiscais foi reconhecida recentemente pelo CARF no Acórdão ns 110100.708, sessão de 11/04/2012 (processo n° 10680.724392/201028); que nesse acórdão foi firmado entendimento no sentido de que: (i) o pagamento em dinheiro é apenas uma dentre as várias formas existentes para a aquisição de participações societárias; (ii) a aquisição de participação societária não se dá apenas por meio de compra e venda; (iii) não existe na legislação fiscal qualquer restrição ao reconhecimento do ágio em operações realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico; s) No tópico “Isonomia com Tratamento Fiscal do Deságio”, indaga se, caso tivesse apurado deságio, deveria amortizalo para ser tributado nos 5 anos subsequentes; que a Receita Federal (Acórdão nº 10807684) já manifestou entendimento de que esse deságio deveria ser tributado mesmo quando gerado dentro do mesmo grupo; Fl. 4602DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 13 12 t) no tópico “Da Inexistência de Sociedade Veículo – Objetivos Econômicos da Operação”, argúi que a FBM Participações foi regularmente constituída e serviu ao propósito econômico do Grupo de expandir suas atividades; em 2004 os sócios da Dacar decidiram reestruturar a companhia com o objetivo de implementar medidas de governança corporativa, profissionalizando sua administração e preparando a empresa para a sucessão de seus fundadores; o conjunto de atos negociais e societários implementados foram realizados nos estritos termos da lei e eram necessários e essenciais para consecução daqueles objetivos, sendo que a dedutibilidade fiscal da amortização do ágio foi apenas uma consequência; u) que a FBM Participações não foi uma mera “empresa veículo” para gerar um direito supostamente fictício à amortização fiscal do ágio, pois foi efetivamente constituída e serviu ao seu objetivo econômico de permitir a evidenciação do verdadeiro valor da Dacar (avaliado com base na expectativa de rentabilidade futura); que a única norma que poderia ter sido aventada para a desconsideração de uma operação sem substância econômica seria o parágrafo único do artigo 116 do CTN, de eficácia limitada, pois os procedimentos necessários para aplicação dessa norma dependem de elaboração de lei ordinária, o que até o presente momento não ocorreu; v) no tópico “Da Inexistência de Fraude nas Operações em Questão/Da Inaplicabilidade de Multa Agravada”, argumenta que não houve, no presente caso, intuito de fraude nas operações que culminaram com: (i) a apuração do ágio e a posterior dedutibilidade da sua amortização contábil; (ii) a constituição da Provisão CVM 319 e 349; (iii) a adição da despesa com a constituição da Provisão CVM 319 e 349; (iv) a exclusão das receitas decorrentes da posterior reversão contábil dessa provisão; w) para a caracterização da fraude, há que estar presente, necessariamente, a figura do dolo, caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento no atendimento do dever tributário; que age com dolo todo aquele que tem o ânimo de prejudicar ou fraudar alguém, ou seja, todo aquele que intencionalmente adota uma conduta com o objetivo de fraudar; para que se caracterize o vício do dolo em uma relação jurídica não basta que uma das partes atue com a vontade de prejudicar outrem, é necessária, também, a prova cabal de que houve a malfadada intenção perniciosa; x) que é grosseira a justificativa apresentada pelo Agente Fiscal como “prova” desse dolo, pois foi utilizada a transcrição de um trecho do “Protocolo e Justificação de Cisão Total Seguida de Versão do Patrimônio Cindido às Companhias Já Existentes”, pois este ato societário é exatamente aquele previsto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, como suficiente para desencadear a dedutibilidade da amortização do ágio para fins fiscais; y) ressalta que quem age com fraude realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais, não declara essas operações nos formulários de entrega obrigatória e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações; e mais, adultera documentos, utilizase de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou “laranjas” e de documentos falsos e inidôneos, mas, no presente caso, nenhuma destas condutas foi praticada pela Impugnante; z) no tópico “Ad Argumentandum – Inexistência do Dolo – Suposto Erro na Interpretação da Lei”, salienta que não ocorreu fraude no presente caso, pois, no máximo, se trata de uma questão de “erro de interpretação” acerca da licitude das operações societárias, o Fl. 4603DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 14 13 que afasta, por consequência, o dolo e a máfé, que são os requisitos necessários à configuração da fraude mencionada pelo Agente Fiscal; aa) no tópico “Ad Argumentandum Da Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa Com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização” alega que inexiste previsão legal para adição da despesa com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, pois não se encontra elencado dentre as hipóteses de adição prevista no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; que constou do Termo de Verificação Fiscal que o lançamento da CSLL foi fundamentado no § 2º do artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995, que trata de “omissão de receita”, hipótese completamente distinta da discutida nos presentes autos; bb) da análise do histórico legislativo denotase que: (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos; (ii) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei nº 11.638, de 2007; (iii) a base de cálculo do IRPJ é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL; cc) nos tópicos relativos à multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por Estimativa argumenta que os recolhimentos efetuados com base na estimativa nada mais são do que uma antecipação do tributo que será devido no encerramento do períodobase; que a multa isolada somente pode ser exigida caso o Fisco verifique falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais antes do término do anobase; que não pode haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso; argúi o decurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, da multa isolada correspondente às estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas até 31/07/2007; dd) no tópico “Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa” alega que ainda que se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal; ee) no tópico “Do Pedido” requer: (i) o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, seja em razão da preliminar, seja em razão do mérito, com o consequente cancelamento dos autos de infração originários do presente processo administrativo; (ii) alternativamente, o cancelamento da multa de ofício agravada, pela inexistência de fraude ou dolo, bem como da multa isolada, seja em razão da duplicidade de cobrança com a multa de ofício, seja pela impossibilidade de cobrança após o encerramento do exercício. DA IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Cientificados por via postal em 11/08/2012 e 13/08/2012 (AR às fls. 3247 e 3253), respectivamente, Jairo José Barbosa e Sérgio Françozi, apresentaram, também em 10/09/2012, as tempestivas impugnações de fls. 3599/3616 e 3740/3757, instruídas com os documentos de fls. 3617/3631 e 3758/3772, nas quais; Fl. 4604DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 15 14 a) requerem que a impugnação apresentada pela Dacar Química do Brasil S/A seja parte integrante da presente defesa; b) alegam que não podem prosperar os argumentos da autoridade fiscal para justificar a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, pois não há que se falar: (i) de responsabilidade tributária antes de encerrada a esfera administrativa; (ii) em interesse comum que justifique a aplicação do artigo 124, I, do CTN; e (iii) em atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social e estatutos, o que impede a aplicação do artigo 135, III, do CTN; c) que a inclusão de responsáveis tributários no polo passivo da obrigação tributária é competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional; o Agente Fiscal apenas poderia exigir o crédito tributário da Dacar Química do Brasil S/A, por ser essa pessoa jurídica que possui relação direta com os atos contábeis e operações societárias supostamente indevidas; qualquer apreciação da responsabilidade tributária no âmbito do processo administrativo fiscal é precária, já que o julgamento do lançamento fiscal está pendente de decisão final; a sujeição passiva antes do encerramento do processo administrativo gera significativo ônus às pessoas físicas envolvidas, que ficam desprovidas do pleno gozo de seus bens, além dos transtornos causados pela sujeição solidária a débitos indevidos; por força do entendimento judicial predominante que admite a posterior inclusão de responsável tributário na fase de cobrança executiva (após o encerramento do processo administrativo), notório o direito dos Impugnantes de serem exonerados da presente obrigação; d) que não se verifica a presença do interesse comum previsto no art.124, I, do CTN para dar ensejo à responsabilidade solidária; para que reste caracterizado o interesse comum é imprescindível que as partes consideradas encontremse lado a lado na relação jurídicotributária, sendo insuficiente o mero interesse fático eventual de uma determinada parte; resta claro que a responsabilização de acionistas e administradores de uma pessoa jurídica somente pode ocorrer diante da comprovação da prática de atos contrários à lei e aos estatutos da empresa; e) que o Agente Fiscal esquivouse de comprovar quais teriam sido os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, limitandose a afirmar que os impugnantes participaram do processo decisório relativo às operações que teriam culminado na suposta redução indevida de tributos; o ágio interno é válido para fins tributários, não havendo qualquer intuito de fraude nas operações que culminaram na sua apuração e amortização; ainda que se pretendesse alegar que a Dacar Química do Brasil S/A, em virtude dos atos que contaram com a participação dos Impugnantes, deixou de recolher tributos, a infração de lei a que faz referência o art. 135 não há de ser entendida como a mera ausência de pagamento de tributo; f) ao final requer o conhecimento e o provimento da impugnação, com o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Rosalina Manfredini e Rosely Manfredini Barbosa, cientificadas por via postal em 13/08/2012 (AR às fls. 3249 e 3252), além de Rosane Aparecida Manfredini, cujo AR foi devolvido (fl. 3250), apresentaram, em 10/09/2012, as impugnações de fls. 3632/3652, 3704/3724 e 3668/3688, respectivamente, instruídas com os documentos de fls. 3653/3667, 3725/3739 e 3689/3703, acrescentaram as seguintes alegações: Fl. 4605DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 16 15 a) que a responsabilização advém do falecimento de Redovino Manfredini, pois entendeu a autoridade fiscal que a obrigação tributária transferiuse a seus sucessores, nos termos do art. 131, II, do CTN, até o limite do quinhão recebido em herança; b) que a ação praticada por Redovino Manfredini que acarretou na sua obrigação solidária decorre de um ato pessoal e indissociável da sua atividade, exercida na administração da Dacar Química do Brasil S/A, de forma contrária a lei e ao contrato social, no entender do Agente Fiscal; que os efeitos desta infração não podem ser transferidos aos seus herdeiros, por se tratar de atos decorrentes de uma atividade de gestão/administração realizada de forma personalíssima; c) o crédito tributário oriundo de suposto ato doloso não pode afetar terceiros desvinculados do ato praticado que tenha gerado a sanção imposta pela autoridade fiscal; no Direito Tributário, ninguém responderá por uma infração que não tiver cometido ou ao menos colaborado para a consecução desse ato, o que denota a impossibilidade da exigência do crédito tributário; considerando que os atos que deram ensejo à constituição do crédito tributário e à aplicação da multa agravada foram atos de gestão e administração praticados pessoal e diretamente por Redovino Manfredini, não se pode admitir que as impugnantes respondam, em razão da sucessão, por tais valores. Roberto Tadeu Manfredini, cientificado por via postal em 14/08/2012 (AR à fl. 3248), apresentou em 11/09/2012, a tempestiva impugnação de fls. 37783779, instruída com os documentos de fls. 3780/3817, cujo teor é sintetizado a seguir: a) esclarece que é acionista minoritário da Dacar Química do Brasil S/A e jamais recebeu qualquer valor a título de dividendos em suas contas correntes, bem como jamais compactuou com a forma como foram “aparentemente” distribuídos os dividendos, tendo inclusive sido levado a erro (vício de consentimento), motivo pelo qual propôs a Ação Anulatória de Deliberação Social, Por Indisponibilidade Patrimonial, em trâmite na 2ª Vara Cível do Foro Regional de São José dos Pinhais/PR; b) que discorda principalmente das manobras de gestão da Dacar Química do Brasil S/A, ou seja, dos procedimentos escriturais onde os recursos, muito embora registrados em nome do impugnante (participação de 8,34%), foram levados diretamente ao fundo de investimento constituído sem o seu consentimento; c) requer a suspensão dos efeitos do auto de infração na parcela atribuída ao impugnante, até o proferimento de sentença final nos autos da Ação Anulatória de Deliberação Social. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/12/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, indeferir a preliminar de decadência das estimativas de IRPJ e CSLL apuradas até 31/07/2007 e de preclusão da possibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos atos que deram origem ao ágio amortizado; e, no mérito, negar provimento à impugnação, mantendo os lançamentos de IRPJ e CSLL, assim como as atribuições de responsabilidade tributária solidária (fl. 3819/3870), nos termos da ementa a seguir reproduzida: Fl. 4606DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 17 16 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação, da falta de pagamento na aquisição das participações societárias e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. ÁGIO COM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. SOMENTE O ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO PODE SER AMORTIZADO. RECUPERAÇÃO DO CAPITAL APLICADO. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; somente o ágio efetivamente pago, com expectativa de rentabilidade futura, pode ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou pelos lucros futuros da investida, cujos valores não representam um ganho efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, mas uma recuperação do capital aplicado. ADIÇÃO AO LALUR. DESPESA COM CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO NÃO EXPRESSAMENTE AUTORIZADA. EXCLUSÃO POR OCASIÃO DA REVERSÃO NO PERÍODO EM QUE A DESPESA PROVISIONADA FOR EFETIVAMENTE PAGA OU INCORRIDA. DESPESA NECESSÁRIA, USUAL E NORMAL. A despesa com constituição de provisão não expressamente autorizada deve ser adicionada ao LALUR para ser excluída por ocasião da reversão da provisão no período em que a despesa provisionada for efetivamente paga e/ou incorrida, porquanto tal despesa seria nesse momento dedutível, desde que atendido o requisito da necessidade para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, além de ser usual e normal no tipo de transação, operação ou atividades desenvolvidas pela empresa. TRIBUTAÇÃO DA REVERSÃO DA PROVISÃO INSTRUÇÕES CVM 319 E 349. INOCORRÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. A tributação do valor correspondente à reversão da Provisão Instruções CVM 319 e 349 provisão não expressamente Fl. 4607DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 18 17 autorizada que foi constituída e adicionada ao LALUR pela ex controladora e acabou sendo transferida para a interessada em operação de incorporação reversa não acarreta tributação em duplicidade, porquanto decorrente de despesa indedutível com amortização indevida de ágio interno, constituído sem qualquer substância econômica, efetivo pagamento e indispensável independência entre as partes envolvidas. PROVISÃO INSTRUÇÕES CVM 319 E 349. Nos termos da Instrução CVM nº 319, de 1999, com as alterações da Instrução CVM nº 349, de 2001, nas incorporações reversas o ágio com fundamento em perspectiva de rentabilidade futura deve ser reconhecido nas demonstrações contábeis da incorporadora pelo montante do benefício fiscal esperado (parcela com substância econômica); esse reconhecimento se opera mediante constituição da Provisão Instruções CVM 319 e 349, no valor do ágio não recuperável (diferença entre o valor do ágio apurado e o benefício fiscal decorrente da sua amortização), que deve ser apresentada como redutora da conta na qual o ágio foi escriturado. No presente, caso, como o valor do ágio constituído pela excontroladora foi integralmente anulado pela Provisão Instruções CVM 319 e 349, verificase que parcela alguma do ágio tinha substância econômica e, em consequência, valor algum pode ser recuperado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, além de as obrigações tributárias resultarem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, porquanto participaram diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, tendo sido beneficiados, mediante distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno; com o falecimento de um dos sócios, o espólio, os sucessores e o cônjuge meeiro são pessoalmente responsáveis pelos tributos devidos pelo “de cujus”, limitado ao montante do quinhão do legado ou da meação recebido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. Fl. 4608DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 19 18 Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplica se para as estimativas mensais de IRPJ o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da exclusão no LALUR dos encargos com amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois os sócios administradores estavam perfeitamente conscientes da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica, sem efetivo pagamento e da indispensável independência entre as partes. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. DECORRÊNCIA. CSLL. Fl. 4609DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 20 19 Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA E DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 3924/4103, em 20/12/2012, repisando os argumentos de suas peça impugnatória. Jairo José Barbosa e Sérgio Françozi, apresentaram, tempestivamente, em 20/12/2012, os respectivos recursos voluntários de fls. 4455/4541 e 4370/4454, repisando os argumentos de suas peças impugnatórias. Rosalina Manfredini, Rosely Manfredini Barbosa e Rosane Aparecida Manfredini, apresentaram também em 20/12/2012, os tempestivos recursos voluntários de fls. 4282/4369, 4194/4281 e 4104/4193, repisando os argumentos de suas peças impugnatórias. Rosangela Manfredini e Roberto Tadeu Manfredini, devidamente notificados do acórdão de primeira instância, não apresentaram recurso. MEMORIAIS DA FAZENDA NACIONAL A Fazenda Nacional apresentou memoriais (fls. 4544/4590) sustentando as seguintes razões para o desprovimento dos recursos voluntários: a) O entendimento pela responsabilidade tributária solidária dos administradores, prevista no art. 135, III do CTN, já foi objeto de profundo e completo parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional, Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55, de 2009, onde a “responsabilidade por substituição”, ou benefício de ordem é expressamente afastada, ao passo que a responsabilidade solidária é amplamente reconhecida. b) Ressalta o teor da Nota GT Responsabilidade Tributária nº 1, de 17 de dezembro de 2010, para concluir que não há qualquer razão para que sejam cancelados os Termos de Sujeição Passiva lavrados contra os administradores acima mencionados, bem como contra os herdeiros do Sr. Redovino Manfredini. c) Conforme jurisprudência do CARF, o fato gerador só ocorre quando das amortizações indevidas de ágio, não havendo que se falar em decadência. d) O ágio utilizado pela Contribuinte não existiu de verdade, fora criado apenas no papel, pois não apresenta propósito negocial e substrato econômico que justifique o seu surgimento. Fl. 4610DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 21 20 e) A estrutura que transformou a DACAR e a FBM ADMINISTRATORA BENS em subsidiárias integrais da FBM PARTICIPAÇÕES, antes dita como de fundamental importância para os negócios do GRUPO, desfezse em um lapso de poucos dias. g) Nas integralizações de capital feitas nos dias 30/11/2004 (FBM PARTICIPAÇÕES), e 01/03/2005 (DACAR) não houve aportes de bens ou moeda em espécie, e sim apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de quotas ou ações de outras sociedades. h) Mesmo que se considere como válido o propósito negocial eleito pela Recorrente e se reconheça como oriundo de transações entre partes independentes, destacase que o registro que originou a criação do ágio fora cancelado com a posterior incorporação de uma empresa pela outra, já que uma sociedade não pode ser sócia dela mesma. Assim, quando a Dacar incorporou a parcela cindida da FBM Participações, tal investimento, traduzido em ações da própria Dacar, teve que ser cancelado, pois a ela não poderia ter, após a incorporação, participação societária de si mesma. O registro do valor de mercado da Dacar nos livros da FBM Participações, assim, acabou sendo cancelado. i) Como tal investimento seria obrigatoriamente cancelado com a incorporação, o valor de mercado das ações da Dacar seria cancelado, restando à empresa resultante da reorganização somente o direito à amortização do ágio criado de forma artificial. Portanto, como resultado líquido da estruturação empresarial adotada, temse somente como efeito tributário o direito à amortização do ágio pela empresa resultante. O propósito negocial que deu origem ao ágio era a sua própria criação, um fim em si mesmo. j) O ágio contabilizado com o aumento de capital da FBM Participações também não apresenta substrato econômico que justifique o seu surgimento. Com a incorporação da FBM Participações pela Dacar, o investimento que deu origem ao ágio não refletiu nenhum gasto efetuado pela adquirente do investimento e/ou nenhum ganho auferido pela FBM Participações (alienante). Mesmo tendo havido, no papel, a aquisição do investimento que deu origem ao ágio, o qual foi pago com ações da Recorrente, não houve circulação de nenhuma espécie de riqueza que justificasse a sua existência. l) Caso se considere que houve efetivo ganho e gasto, estarseá diante da esdrúxula hipótese de que uma empresa seja ao mesmo tempo alienante de sua participação societária e, em decorrência dessa alienação, responsável pelo pagamento do sobrepreço por ela mesma estipulado. m) Mesmo se não tivéssemos enveredado pela ausência de propósito negocial ou sobre a discussão de tratarse ou não de ágio interno, ainda assim a dedutibilidade deste ágio seria impossível. Isso porque a permissão legal para que a empresa resultante de incorporação, em que houver investimento de uma em outra, adquirido com ágio, possa amortizar esse ágio (despesa dedutível), exige a absorção do patrimônio da incorporada; de outra forma (permanecendo a existir o investimento), não se caracteriza a situação prevista na norma, que é exatamente o de estabelecer uma regra de tributação para quando acontece a “confusão patrimonial do investimento”, ou seja, o ágio pago na aquisição das ações de A em B resta desacompanhado de sua origem (conta de investimento). o) A ausência de propósito negocial e de substrato econômico, da mesma forma que impedem a existência material do ágio, atestam a simulação praticada pela Fl. 4611DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 22 21 Contribuinte, estando cabalmente demonstrado que o negócio praticado pela Contribuinte foi realizado com evidente intuito fraudulento. p) Deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 4612DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 23 22 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. DA PRELIMINAR Inicialmente, no que tange à alegação de preclusão da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, cabe tecer algumas considerações. Conforme Termo de Verificação e “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações para Conversão em Subsidiária Integral”, em 30/11/2004 foi realizada a incorporação de ações da Recorrente pela FBM PARTICIPAÇÕES, operação na qual foi gerado o ágio. Conforme “Protocolo e Justificação de Cisão Total Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Companhias Já Existentes”, em 01/03/2005, foi deliberada a incorporação da parte cindida da FBM PARTICIPAÇÕES pela Recorrente. A amortização da primeira parcela de ágio ocorreu em 31/01/2007. Contabilmente, a Recorrente reduziu seu Lucro Líquido mediante apropriação de despesa de amortização de ágio, conta de despesa “133586 – Amortização de Ágio” (fl. 3139), conforme Ficha 05, linha 31 “Outras Despesas Operacionais” (fl. 3139 e 3166). Já o aumento do Lucro Líquido ocorreu mediante reconhecimento de receita de Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais, conforme Ficha 06, linha 28 “Reversão dos Saldos...”. Em relação ao Lucro Real, o mesmo foi reduzido mediante exclusão da reversão acima referida, conforme Ficha 09, linha 29 “()Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis”. A partir de tais procedimentos, relata a fiscalização que o Lucro Líquido não se alterou, pois a sua redução pela despesa foi compensada pela receita de reversão de despesa, mas que, contudo o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL foram indevidamente reduzidos. A ciência dos autos de infração ocorreu em 13/08/2012. Posto isso, a controvérsia preliminar destes autos cingese em saber qual a data inicial para contagem do prazo decadencial do ágio, se (i) na data em que ocorre a aquisição de participação societária, (ii) na data da incorporação que permite legalmente o início da amortização do ágio, ou (iii) na data de sua primeira parcela amortizada. Mais do que isso, consiste em saber se os atos societários perpetrados pela contribuinte cujos valores foram Fl. 4613DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 24 23 contabilizados a mais de cinco anos não mais podem ser revistos, ainda que causem reflexos na contabilidade atual. No mais, parece claro que ao caso aplicase o artigo 150, § 4º do CTN. Como se sabe, os tributos sujeitos ao lançamento por declaração impõe ao fisco a necessidade de ulterior homologação do lançamento, como atividade exercida pelo sujeito passivo. Por conta disso, quando o contribuinte efetua pagamento antecipado, contase o dies a quo do prazo quinquenal à partir da ocorrência do fato gerador. Pois bem. O artigo 114 do CTN estabelece como fato gerador da obrigação principal "a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência." Logo, está claro que para a ocorrência do fato gerador da obrigação é necessário: (i) a situação de fato e (ii) a norma aplicável ao fato. Sobre o conceito de fato gerador diversos doutrinadores já se debruçaram e apresentaram suas críticas. Paulo de Barros Carvalho assevera que esse termo é acompanhado de enorme vício de linguagem já que alude, em um só tempo, a duas realidades distintas, quais sejam: (i) a descrição legislativa do fato que faz nascer a relação jurídico tributária e (ii) o próprio acontecimento relatado no antecedente da norma individual e concreta do ato de aplicação. Assim, essa expressão pode parecer, em princípio, um obstáculo de ordem semântica, mas não deve, contudo, dificultar nossa análise. É necessário, apenas, ter em mente que, em virtude da nossa legislação, o "fato gerador" deve ser encarado como o momento em que ocorre a subsunção do fato à norma. Nessa linha de raciocínio, o artigo 116 do CTN define quando se considera ocorrido o fato gerador. Vejamos: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.” A situação de fato é aquela concretizada no nível das realidades materiais, também chamada de "mundo fenomênico". Essa situação de fato, se relatada no antecedente de uma norma individual e concreta, fará irromper o vínculo abstrato que o legislador estipulou na consequencia (efeitos), podendo ser então chamada de situação jurídica. Com relação a este dispositivo em específico, o citado doutrinador Paulo de Barros Carvalho tece algumas considerações que confio serem pertinentes à nossa análise. Dessa forma, passo a transcrever: Fl. 4614DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 25 24 “Da forma como prescreveu (o art. 116), parece até admitir que existam conjunturas de fato, disciplinadas pelo direito, mas que, mesmo assim, não podem ser consideradas situações jurídicas. É de ciência certa a afirmação de que uma circunstância de fato, prevista em norma do direito positivo, será sempre um fato jurídico, quer em sentido lasso, quer em acepção estrita, pois consiste num acontecimento, em virtude do qual as relações de direito nascem e se extinguem, no conceito de Clóvis Beviláqua. E não nos deparamos, ainda, com a discordância de qualquer autor, no que repita a esse ensinamento. Sobre ele há absoluta unanimidade. (pg. 271, Curso de Direito Tributário, 13. ed. rev e atual. São Paulo: Saraiva,2000.)” Pretendeuse demonstrar com a passagem transcrita que, tanto a situação do inciso I do art.116, quanto a do inciso II constituem situações jurídicas tecnicamente falando, pois inexistem conjunturas de fato disciplinadas pelo direito que não possam ser consideradas situações jurídicas. Com efeito, podemos assinalar que o fato gerador do ágio, tratandose de situação jurídica, considerarseá ocorrido, desde o momento em que esteja definitivamente constituído, nos termos de direito aplicável. Noutras palavras, acerca da subsunção do conceito de fato ao conceito de norma é possível dizer que houve a subsunção, quando o fato (fato jurídico tributário) guardar absoluta identidade com o desenho normativo da hipótese (hipótese tributária, construção de linguagem prescritiva geral e abstrata). Passo então a analisar os desenhos normativos aplicáveis à hipótese. A primeira observação a ser feita é de que os ágios e deságios fazem parte do regramento do sistema de avaliação de investimentos permanentes em pessoas jurídicas controladas e coligadas, que se denomina “método da equivalência patrimonial” (MEP), instituído no ordenamento jurídico brasileiro com a Lei nº. 6404/1976. Muito embora esse método tenha surgido com a lei societária, essa lei limitouse a determinar os casos em que ele é obrigatório e não há nela uma só palavra relativa a ágio ou deságio no MEP. Ágio e deságio são entes que surgiram expressa e especificadamente no ordenamento pelas leis fiscais, precisamente, com o advento do Decretolei nº. 1598/1977, nos art. 20 e seguintes. Nesta toada, vejamos como o Decretolei nº. 1598/1977 regulamenta o assunto: “Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e Fl. 4615DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 26 25 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Parágrafo 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. Parágrafo 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Parágrafo 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras ‘a’ e ‘b’ do parágrafo 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. “ Assim é que, face à mandatória redação do art. 20 (“deverá, por ocasião da aquisição”) quando o investimento for sujeito obrigatoriamente ao MEP, no momento da sua aquisição também é obrigatório o desdobramento do respectivo custo. Posteriormente, em virtude do art. 8º, letra “a”, da Lei nº. 9532/1997, o mesmo desdobramento se torna obrigatório para os investimentos não sujeitos ao MEP, nos casos de pessoas jurídicas que passem por processos de reorganização societária previstos nessa lei, senão vejamos: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n. 1598, de 26 de dezembro de 1997: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘a’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘c’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1589, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘b’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decreto lei n. 1598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; Fl. 4616DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 27 26 IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘b’ do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei n. 1598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Parágrafo 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Parágrafo 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Parágrafo 3º O valor registrado na forma do inciso II do ‘caput’: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Parágrafo 4º Na hipótese da alínea ‘b’ do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. Parágrafo 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.’ Sendo assim, o desdobramento do custo de aquisição em valor de equivalência patrimonial e ágio ou deságio não é uma conveniência do contribuinte, já que a lei Fl. 4617DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 28 27 expressamente o obriga a proceder à separação entre o custo avaliado por equivalência e o ágio ou deságio. Ora, entendo com isso, estarmos diante da precisa subsunção do fato à norma. Tanto na participação societária (no caso de empresas obrigadas ao MEP), quanto na ocorrência dos eventos de incorporação, fusão ou cisão (no caso de empresas não obrigada ao MEP) verificase uma situação de fato que se subsume a uma norma jurídica tributária posta. Ambas as situações estão relatadas no antecedente de uma norma individual e concreta, e, portanto, desde o momento em que estejam definitivamente constituídas considera se ocorrido o fato gerador. Forçoso concluir que o fato gerador (entendido como subsunção do fato à norma) do ágio ou deságio para empresas obrigadas ao MEP ocorre no momento em que definitivamente concluída a aquisição de participação societária, quando nasce legalmente a obrigação de se desdobrar o preço pago. É nessa situação em que o fato (aquisição de participação societária) subsume a norma do art. 20 e produz efeitos, obrigando o contribuinte a contabilizar o ágio ou deságio e seu fundamento econômico. Na data em que a aquisição de participação societária de fato ocorre quando consignada a tradição das mesmas é que nasce o ágio a ser registrado contabilmente. Lembrando que o contribuinte poderá tornarse obrigado ao MEP em razão da própria aquisição de participação societária. Nesses casos, se na data da aquisição de participação societária a empresa tornarse obrigada pela legislação vigente a registrar o investimento adquirido pelo MEP, estará consequentemente obrigada a desdobrar o preço pago, e, assim, diante do fato gerador do ágio ou deságio. Na mesma linha de raciocínio, o fato gerador (entendido como subsunção do fato à norma) do ágio ou deságio para empresas até então não obrigadas ao MEP ocorre no momento em que definitivamente concluídos os eventos de incorporação, fusão ou cisão, quando nasce legalmente a obrigação de registrar o ágio ou deságio apurado e o seu fundamento. A propósito, cabe lembrar, aqui, que o ágio ou deságio nada mais é que a diferença entre o valor pago e patrimônio líquido adquirido, portanto, efeito oriundo do desdobramento do pagamento realizado. Daí porque sua origem está intrinsecamente relacionada à ocorrência da situação de fato que, em virtude de norma jurídica tributária, obrigue o contribuinte a desdobrar contabilmente o pagamento realizado. O ágio existe no momento em que sua contabilização tornase obrigatória por força de lei, seja em razão de aquisição de investimento, seja em razão dos eventos de incorporação, fusão ou cisão. Há mais uma observação relevante a ser feita, apontada em estudos por Ricardo Mariz de Oliveira que, no mais das vezes, é simplesmente ignorada por alguns Fl. 4618DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 29 28 intérpretes ou aplicadores da lei: a finalidade legal do desdobramento do custo de aquisição, com a determinação de ágio ou deságio. A disposição mandatória das leis supracitadas tem como finalidade o desdobramento do preço pago para apuração de ágio ou deságio, tanto porque algumas espécies de ágio podem ser amortizadas fiscalmente, senão porque a amortização de deságio é sujeita à tributação. Logo, se estamos diante de uma norma jurídico tributária que impõe obrigação principal, quando se trata de deságio, o conteúdo da norma representa uma imposição tributável. Ou seja, é nesse momento que o Fisco deve avaliar se a contabilização do ágio ou deságio está correta, de forma a exigir ou não, dependendo do caso, a cobrança do imposto sobre a base tributável. Assim, tanto o valor apurado de ágio ou deságio como a natureza do ágio registrado na contabilidade devem ser avaliados no momento em que verificada a situação de fato que imponha a incidência dos dispositivos legais supramencionados e o consequente desdobramento do preço pago. A relação jurídico tributária de crédito, no caso do ágio, está sujeita à homologação pelo Fisco desde o momento em que o contribuinte desdobra o preço pago. Nesse passo, nem se alegue que o fato gerador do ágio ocorre com a sua amortização. Ora, a ocorrência do ágio elemento contábil nada tem a ver com a possibilidade de amortização do mesmo. A concessão de vantagens fiscais, quando se trata de determinados tipos de ágio, não pode ser encarada como finalidade da norma que institui decomposição mandatória do preço pago. A possibilidade de estarmos diante de base tributável é que justifica a necessidade de decomposição do preço pago. Mesmo porque, como a própria norma dispõe, o contribuinte "poderá" amortizar o ágio pago cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n°. 1.598/1977 e "deverá" amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decretolei n.º 1.598/1977. Voltando ao caso concreto, verificamos que a FBM PARTICIPAÇÕES era empresa obrigada ao MEP no anocalendário 2004, em virtude da aquisição de participação societária na empresa DACAR, por força do que dispunha o art. 248 da Lei nº. 6404/1976. Vejamos a redação do artigo há época: “Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: Fl. 4619DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 30 29 I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I.” Ou seja, no momento em que a FBM PARTICIPAÇÕES adquiriu participação societária da DACAR, passou a ser sua controladora. Uma vez controladora da DACAR, a FBM PARTICIPAÇÕES viuse legalmente obrigada a registrar sua participação na DACAR pelo MEP e, por sua vez, obrigada a desdobrar o preço pago (conforme dispõe o art. 20 do Decretolei nº. 1598/1977). Sendo assim, o ágio pago pela FBM PARTICIPAÇÕES nasceu na data da aquisição de participação societária da empresa DACAR em 30/11/2004. É de se convir que a partir dessa data os fatos passaram ao conhecimento da autoridade fiscal e a partir desse momento já era possível proceder ao lançamento ou questionamento acerca da fundamentação do ágio registrado. Em resumo, não poderiam ser questionados os atos praticados no ano calendário 2004, já que decorridos mais de 5 anos entre o surgimento do ágio (30/11/2004) e a lavratura dos autos de infração (13/08/2012). Outrossim, e por consequência de ser assim, o entendimento jurisprudencial deste Conselho é no sentido de que a adição de valores futuros tidos como indedutíveis a Fl. 4620DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 31 30 períodos passados e alcançados pela decadência não pode ser admitida, já que se equipara a lançar valores naquele período. Vejamos algumas decisões nesse sentido: “DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) No que diz respeito à glosa do prejuízo fiscal, sustentou a recorrente que o prejuízo foi efetivamente apurado a maior em decorrência de erro no cálculo do seu valor em 1997, em função de ter sido a ele adicionado também o montante do prejuízo não operacional, adição essa que a recorrente reconhece ser vedada pelo disposto no artigo 511 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que essa adição não poderia ser questionada pela fiscalização em função do decurso do prazo decadencial. Com efeito, o valor do prejuízo fiscal, compensado a maior nos anos calendário de 2001 e 2002, foi apurado no ano calendário de 1997. Como o auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2005, já teria ocorrido a decadência do direito de o fisco revisar os valores em questão. (...)Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). Fl. 4621DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 32 31 RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CITY; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram.(Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada.(Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). IRPF ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição de participação societária alienada, constante da declaração anual de ajuste do exercício de 1992, tempestivamente apresentada, não é passível de contestação, presente a decadência, prevalecendo, se maior, sobre outro que venha a ser apurado pelo fisco. Na íntegra: (...)Tratase de lançamento de ofício do imposto de renda de pessoa física fundado em ganho de capital em alienação de participações societárias ocorridas em 1995, cua tributação foi diferida para as datas dos efetivos recebimentos dos valores, fls. 03. (...)No que respeita a custo de aquisição, presente a decadência, a fiscalização não poderia questionar valores de mercado constantes da DIRPF/92, como ressaltado pela autoridade recorrida. (Acórdão 10418.701, Relator Roberto William Gonçalves, DOU em 03/09/2002). CSLL BASE NEGATIVA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Fl. 4622DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 33 32 Na íntegra: (...) No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99; portanto, em princípio, o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/1994. Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541/92. A redução indevida, ou falta de adição ao lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo do lançamento de ofício. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.(Acórdão 108 06.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. Fl. 4623DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 34 33 Na íntegra: (...)Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (...) Essas premissas, como não poderia ser diferente, devem nortear o exame da compensação do prejuízo fiscal. Todavia, neste particular, é preciso terse presente que reduzir o valor do prejuízo apurado, mediante a impugnação de valores apropriados ao resultado do período de sua formação, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele exercício. Com efeito, a redução do prejuízo fiscal de um período, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não de um dispêndio lá apropriado, ou sobre a falta de tributação de uma receita ou ganho havido no período da sua formação, inserese, portanto, no campo do lançamento de ofício. (...) Submisso às premissas colocadas e para reforçar a coerência necessária, diferente seria o tratamento quando o fisco recalcular lucro inflacionário em períodos já atingidos pela decadência, constatando, em função da ação fiscal, que o contribuinte teria realizado valores menores que o mínimo exigido nesses períodos. Ocorrendo essa hipótese entendemos que deve o fisco considerar como se realizado fosse o mínimo exigido para esse período, evitandose assim a transferência da tributação suplementar não mais possível para períodos posteriores ainda não atingidos pela decadência. Ainda nesse ponto, mas agora analisando os reflexos na recomposição do lucro real dos períodos afetados pelo recalculo do lucro inflacionário passível de diferimento, tendo em vista as premissas já referidas, não podem ser aceitas as glosas efetuadas pela fiscalização no valor excluído do lucro real, a título de lucro inflacionário diferido, nos anos de 1991 e 1º semestre de 1992. Reduzir aquelas exclusões implicam na redução dos prejuízos fiscais apurados pela empresa naqueles períodos (=lançar, como visto), o que não é mais possível face ao decurso do prazo Fl. 4624DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 35 34 decadencial. (Acórdão nº : 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido.(Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997).” Que fique claro que, em virtude da íntima relação de interdependência entre períodos de apuração, eventual glosa realizada pelo fisco não poderá refletir na composição das bases em anoscalendário anteriores já atingidos pela decadência. Como bem se percebe de alguns julgados transcritos, a problemática ora enfrentada também é verificada, por exemplo, no âmbito das compensações de bases negativas de IRPJ e CSLL, quando se torna necessário saber se o fisco pode efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos passados (atingidos pela decadência), mas que repercutem nos créditos pleiteados pelos contribuintes em períodos futuros (ainda não decaídos). Com todo respeito às opiniões divergentes, é incabível dizer que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com a compensação do saldo negativo (e não com a sua apuração), ou com a amortização do ágio (e não com a sua apuração). Isso porque, tratamse de efeitos futuros continuados de ato pretérito. Não pode o Fisco alterar informações e valores da contabilidade já alcançados pela homologação tácita. A esse propósito, é necessário fazer constar que, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao enfrentar a problemática da contagem do prazo decadencial de base negativa de CSLL (Acórdão 40105.873), muito embora tenha decidido que entre a formação da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do direito de constituir o crédito tributário, deixou consignado que assim seria, pois a fiscalização, na ocasião, não efetuou qualquer juízo de valor no tocante à formação do saldo de base de cálculo negativa, restringindose a refazer o histórico dos valores declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração do saldo a compensar nos anos seguintes. Reforçase com isso o entendimento que adoto para decidir que não é possível retroagir no tempo para, após cinco anos, alterar os lançamentos contábeis do sujeito passivo. É exatamente o caso dos autos, no qual a fiscalização, avaliando procedimento adotado na contabilização do ágio, desconsiderou os registros contábeis da contribuinte, embora essa apuração já estivesse alcançada pela decadência. Não é demais ressaltar que ao disciplinar o procedimento de amortização, as Leis nº 9.532/1997 e 9.178/1998, não estabeleceram qualquer regra demarcando os limites Fl. 4625DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 36 35 temporais em relação aos quais o Fisco poderia retroceder no tempo, para verificar se o contribuinte efetivamente faz jus à amortização do ágio. Entretanto, a omissão não deve ser entendida como apta a permitir que o Fisco retroceda livremente a períodos remotos, com o objetivo de desconstituir despesas com amortização de ágio que entende indevidas. Pelo contrário, a legislação tributária estabelece que o Fisco dispõe de cinco anos a contar do fato gerador para homologar, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo contribuinte. Um outro ponto digno de nota é que a homologação compreende toda atividade realizada pelo contribuinte em substituição à autoridade fiscal, desde o procedimento de apuração de débitos e créditos tributários até seu pagamento. Prova disso é que o resultado pode ser deficitário, nulo ou superavitário e, ainda assim, as autoridades fiscais tem o dever de avaliar a apuração levada a cabo pelo contribuinte. Esse entendimento, aliás, harmonizase com aquele sempre adotado pela CSRF, segundo o qual: “O que o CTN homologa é o procedimento, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. Se o citado § 4º do art. 150 homologasse apenas o pagamento teria dito “homologado o pagamento” e não “homologado o lançamento”, como diz o texto do citado parágrafo do art. 150 da lei complementar. (Acórdão 910100.169 da 1ª Turma da CSRF, no DOU de 15/06/2009).” Por isso, em síntese, após o decurso do prazo decadencial, não cabe à fiscalização homologar ou deixar de homologar a apuração tributária do sujeito passivo, incluídos, claro, fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes. Posto isso, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência levantada pela Recorrente para entender que não poderiam ser questionados os atos praticados no ano calendário 2004, dentre eles a fundamentação do ágio contabilizado, afastando, portanto, todo lançamento dos autos de infração em análise. Todavia, vencido nessa preliminar, enfrento o mérito. DO MÉRITO No presente caso, a autoridade fiscal constatou que a FBM PARTICIPAÇÕES incorporou as ações da DACAR e da FBM ADMINISTRADORA DE BENS em 30/11/2004, que passaram a ser suas subsidiárias integrais, e aumentou seu capital social em R$ 80.410.434,00 mediante emissão de 80.410.434 novas ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 1,00 cada, em substituição às ações anteriormente detidas por Sérgio Françozi, Jairo José Barbosa e Redovino Manfredini nas sociedades incorporadas, conforme Ata de AGE da FBM PARTICIPAÇÕES (fls. 6369). Considerando que DACAR e a FBM ADMINISTRADORA DE BENS possuíam à época patrimônio líquido de R$ 7.341.742,00 e R$ 1.477.754,00, respectivamente, Fl. 4626DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 37 36 e foram recebidas por R$ 80.410.434,00 na integralização do aumento do capital social da FBM PARTICIPAÇÕES, conforme Laudos de Avaliação elaborados pela ZHC Consultores S/S Ltda. (fls. 4248 e 5562), foi constituído ágio no montante de R$ 71.590.938,00, sendo R$ 52.658.258,00 sobre o patrimônio líquido da Recorrente. Ato contínuo, a FBM PARTICIPAÇÕES foi cindida totalmente e parte de seu patrimônio, que incluía o ágio na aquisição da participação da DACAR, foi incorporado pela própria DACAR, tornandose, com isso, amortizável, em virtude do que dispõe o art. 386, III, do RIR/99. Conforme auto de infração fls.3165/3167, nas DIPJ 2008, 2009 e 2010 (referente anoscalendário 2007 a 2009), a Recorrente lançou a despesa de amortização na Ficha 05 e estornou a mesma despesa na Ficha 06, anulando o efeito da amortização sobre o Lucro Líquido. Porém, na Ficha 09, essa despesa tornou a ser excluída, o que acabou por reduzir, indevidamente, o Lucro Real tributável. Esta exclusão foi registrada mensalmente no LALUR nos períodos de jan/2007 a dez/2009, conforme abaixo: (O valor da exclusão anual de R$ 10.531.651,68 equivale à exclusão mensal de R$ 877.637,64, conforme excerto do LALUR 2007 da Recorrente) Contabilmente, a Recorrente reduziu seu Lucro Líquido mediante apropriação de despesa de amortização de ágio, conforme Ficha 05, linha 31 “Outras Despesas Operacionais”. Já o aumento do Lucro Líquido ocorreu mediante reconhecimento de receita de Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais, conforme Ficha 06, linha 28 “Reversão dos Saldos...” (conta de receita nº 3.02.05.01.01 – Reversão Provisão Instruções CVM 319 e 349, às fls. 569, 689, 259). Em relação ao Lucro Real, o mesmo foi reduzido mediante exclusão da reversão referida, conforme Ficha 09, linha 29 “() Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis”. Fl. 4627DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 38 37 O Lucro Líquido não se alterou, pois a sua redução pela despesa foi compensada pela receita de reversão de despesa, mas o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL, no entender da fiscalização, teriam sido indevidamente reduzidos. Em razão disso, e considerando que o ágio apurado pela Recorrente seria fictício, a fiscalização glosou as referidas exclusões, e apurou novamente o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL da Recorrente nos AC 2007 a 2009, cálculos estes localizados no ANEXO I do Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal (os cálculos foram elaborados com base nas DIPJ e apresenta comparação entre os Valores Apurados pelo Sujeito Passivo versus Valores Apurados pela Fiscalização) às fls. 3179/3209. Do exposto, o que se verifica é que, ao invés de glosar a amortização do ágio, a fiscalização glosou a exclusão da reversão dos saldos das provisões operacionais, o que não pode ser aceito em face da legislação vigente. O equívoco da interpretação fiscal está em tentar correlacionar a reversão da provisão operacional sobre realização de ágio (“receita”) e a despesa de amortização de ágio contabilizadas, haja vista que tais lançamentos não possuem qualquer relação e muito menos o efeito de anulação recíproca, ainda que matemática. A contabilização dessa provisão decorre da observância ao disposto no art. 6º, § 1º, da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº. 319/99, com a redação que lhe foi dada pela Instrução CVM nº. 349/01. Essa norma pauta a contabilização, na incorporadora excontrolada, do ágio apurado pela incorporada excontroladora quando da aquisição do investimento na excontrolada. Em resumo, o dispositivo citado objetiva circunscrever os efeitos contábeis do ágio aos seus aspectos fiscais diante da incorporação de uma sociedade controladora por sua controlada. Vejamos: “Art. 6º. O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: [...] III. em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado de exercício futuro (deságio) – quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro. § 1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a. constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b. registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; Fl. 4628DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 39 38 c. reverter a provisão referida na letra "a" acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d. apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização.” A CVM buscou expurgar das demonstrações financeiras valores que não tivessem significação econômica. Por isso, determinou a constituição, na incorporada, de provisão (redução concomitante do ativo e do patrimônio líquido) em montante equivalente à diferença entre o valor do ágio e o do benefício fiscal decorrente da sua amortização (§ 1º , “a”). O valor líquido remanescente dessa operação (ágio – provisão) deveria ser registrado em conta do patrimônio líquido da incorporadora denominada “Reserva Especial de Ágio” (§ 1º, “b”), enquanto o ativo da incorporadora deveria registrar esse mesmo valor líquido no circulante ou no realizável a longo prazo de acordo com a expectativa de realização do ágio (§ 1º, “d”). Leiamse as orientações do Manual de Contabilidade: “O próximo passo do processo de incorporação reversa é promover a incorporação da sociedade veículo (Cia. “Y”) pela Cia. “B”, sua controlada direta, a qual utilizará a despesa fiscal de amortização do ágio [...] Ocorre que esse ágio, se fosse amortizado contabilmente também (o que acontecia até 2008), produziria uma redução do lucro de “B”[...] Por isso determinou a CVM em sua Instrução nº 319/99, com as alterações promovidas pela Instrução CVM nº 349/01, que precisavam ser feitos ajustes nas rubricas de ativo (ágio por rentabilidade futura incorporado) e de reserva especial de ágio na Cia. “B” no sentido de que se contabilizasse, a crédito do referido ágio uma conta retificadora, a débito da conta de patrimônio líquido criada com a incorporação, normalmente uma reserva para futuro aumento de capital; o valor desse lançamento devia corresponder ao total do ágio diminuído do benefício fiscal decorrente de sua amortização, fazendo com que assim o ativo correspondesse apenas ao valor desse benefício. Essa conta retificadora só era transferida para o resultado à medida da baixa do ágio a que se referia. E a reserva só podia ser incorporada ao capital à medida do efetivo aproveitamento fiscal da amortização do ágio. (IUDÍCIBUS, Sérgio de... [et. al.]. Manual de Contabilidade Societária. – São Paulo: Atlas, 2010, p. 446)” Diante disso, verificase que a Recorrente procedeu corretamente constituindo provisão no valor de R$ 52.658.258,00, fazendo com que as amortizações mensais do ágio (cuja contrapartida constitui despesa) passassem a ter o mesmo valor da reversão da provisão constituída (cuja contrapartida é uma receita). Fl. 4629DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 40 39 Destaquese, por oportuno, que a despesa correspondente à referida provisão foi adicionada ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em 2004, nos termos do artigo 335 do RIR/99, já que não se trata de provisão com dedutibilidade expressamente autorizada. Ocorre que, na constituição da provisão, não houve reflexo no resultado contábil apurado, uma vez que sua contrapartida se deu diretamente em conta do patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado. Justamente por isso, considerando que a contabilização da provisão não gerou efeitos fiscais no momento de sua constituição, sua reversão também não poderia. Essa reversão é realizada com lançamentos a crédito de conta de resultado, os quais resultam, por via de consequência, em um aumento do lucro real e da base de cálculo de CSLL. Logo, o procedimento de exclusão, via Lalur, dos valores contabilizados como receita, era o único caminho que a Recorrente poderia ter seguido a fim de manter a neutralidade da constituição da provisão e de sua reversão. Noutras palavras, a exclusão do Lalur apenas neutraliza a reversão da provisão para realização de ágio. Dessa forma, é incorreta a conclusão final da autoridade fiscal no sentido de que a exclusão realizada no Lalur caracteriza a infração, pois o que de fato diminuiu a base de cálculo do IRPJ e CSLL foram as despesas com amortização de ágio. Se a intenção do Sr. agente fiscal era glosar o aproveitamento fiscal do ágio, deveria ter glosado diretamente sua amortização e não questionado as receitas decorrentes da reversão da provisão. Forçoso concluir, pois, que a Sr. agente fiscal incorreu em vício material, já que embasou incorretamente a autuação. Nesse sentido já se manifestou essa 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, 1ª Seção do CARF: “IRPJ/CSLL GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. É inválida a amortização do ágio artificial. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado. (Acórdão 1402001.357, sessão em 09/04/2013, Relator Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Recurso Voluntário provido por unanimidade).” Com efeito, no mérito, a exigência fiscal deve ser integralmente cancelada. Fl. 4630DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 41 40 Deixo de analisar as demais controvérsias, posto que desnecessárias ao deslinde da controvérsia. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, em virtude do acolhimento da preliminar de decadência do direito do Fisco de revisar os lançamentos feitos pelo contribuinte no anocalendário de 2004. Se vencido na preliminar, no mérito, encaminho meu voto para dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente as exigências fiscais. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 4631DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 42 41 Voto Vencedor Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Redator Designado O presente voto destinase a apontar as razões do resultado do julgamento em relação à preliminar de decadência do direito do Fisco, quando da autuação, revisar os lançamentos feitos pelo contribuinte no anocalendário de 2004. Esta matéria foi longamente debatida quando do julgamento do Caso Santander, ocasião em que este Colegiado, por maioria de votos, no acórdão nº 140200.801, em acórdão relatado pelo ilustre Conselheiro Antônio Praga de Souza, cujas razões de decidir aqui adoto por empréstimo, assim enfrentou o tema: Da Decadência do Questionamento dos Atos Societários A contribuinte argumenta que teria ocorrido a decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio ora em debate, uma vez que os fatos em comento ocorreram em 2001, e os autos de infração foram cientificados à impugnante em 30/12/2008. A fim de enfrentar a questão, é necessário, inicialmente, trazer o conceito técnico de fato gerador, conforme definido pelos artigos 114 e 115, do CTN, in verbis: “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.” Dos artigos acima transcritos resta claro que o fato gerador da obrigação tributária é necessariamente um conceito legal, ou seja, é uma situação definida em lei. No que tange à decadência no Direito Tributário, também cumpre analisar o disposto no art.150, caput e §4º, e no art.173, incisos I e II, e parágrafo único, do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 4632DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 43 42 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pela análise dos artigos retromencionados, é possível constatar que o §4º, do art.150, do CTN, é específico ao se referir a fato gerador do tributo, ou seja, o dispositivo legal em questão trata de um conceito diferente daquele utilizado pela impugnante, cuja argumentação tratou não da acepção técnica de fato gerador, que, consoante o exposto, é uma situação definida em lei, mas sim de fatos como acontecimentos genéricos do mundo fenomênico, ao mencionar os fatos que propiciaram o surgimento do ágio. Logo, a norma contida no art.150, do CTN, não confere sustentação à alegação da impugnante. A respeito da questão, já se pronunciaram os Conselhos de Contribuintes, conforme se depreende da ementa do acórdão abaixo: “DECADÊNCIA – TESE DO PAGAMENTO – IMPROPRIEDADE NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – LANÇAMENTO – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A atividade exercida pelo contribuinte para dar efetividade ao artigo 150 do CTN, assemelhase à atividade exercida pela autoridade administrativa prevista no artigo 142 do CTN. A relação jurídica tributária somente nasce, se o fato previsto na hipótese de incidência prevista na lei ocorrer no mundo fenomênico e for traduzida em linguagem. (...) (1º Conselho de Contribuintes, 7ª Câmara, acórdão 10709263, sessão de 06/12/2007).” (negritamos) Cumpre destacar que a própria contribuinte demonstrou conhecimento da distinção entre (i) fato gerador do tributo, previsto em lei, e (ii) fato genérico do mundo fenomênico, como fica claro pelo excerto da impugnação de fls.371, quando, ao tratar dos créditos tributários de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2002, a impugnante reconhece: “De fato, considerandose que os fatos jurídicos tributários ocorreram em 31/12/02 (...)”. Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 44 43 Da mesma forma, nenhuma das situações descritas nos incisos I e II, e no parágrafo único, do art.173, do CTN, contempla a hipótese de decadência aventada pela contribuinte. Sendo assim, a alegação da contribuinte de decadência do questionamento da legalidade dos atos societários resta improcedente, por absoluta falta de embasamento legal. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, em 2008 o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no anocalendário 2001, ou seja, constituir exigências tributária. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN conforme acima grifado. O “prazo de preclusão” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. A preclusão temporal, em principio, corresponde à perda da possibilidade do exercício de um direito em decorrência do decurso de um determinado prazo. Portanto, para que seja possível falar nesse instituto no caso em concreto, caberia ao contribuinte identificar um dever atribuído por lei à Fazenda Pública, o qual seria passível de extinção pelo decurso de prazo. Logo, “para se falar em preclusão, a lei deveria atribuir à Administração Pública o dever de glosar o ágio amortizável registrado pelo Santander Holding, ou mesmo o registrado pelo Banespa após a incorporação, a partir da data dos registros contábeis”, como bem observado pela ilustre Procurador da Fazenda Nacional Paulo Roberto Riscado Junior na sustentação oral realizada durante o julgamento do presente processo. Efetivamente, não existe essa previsão legal. Tanto o art. 142 do CTN quanto o art. 9° do Decreto n. 70.235/72 prevêem apenas o lançamento como forma de exigência do crédito tributário, retificação de prejuízo fiscal e aplicação de penalidade isolada. Não há, em lei, previsão para a glosa de ágio registrado na contabilidade em decorrência de subscrição de ações ou de incorporação nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97. Com efeito, o registro do ágio na contabilidade não implica em redução de crédito tributário, em majoração de prejuízo fiscal ou em causa para lançamento de multa isolada. Repitase: o simples registro do ágio na contabilidade não implica em fato gerador de obrigação tributária ou em alteração, de qualquer ordem, na base de cálculo do IRPJ e da CSSL daquele período. Ao adquirir uma participação societária com ágio, a lei autoriza a pessoa jurídica a amortizar esse valor, na apuração dos tributos por ela devidos sobre os lucros em períodos futuros, sob determinadas condições, isso porque foi exatamente a expectativa desse lucro que justificou o ágio. Apenas nessa hipótese, o ágio pago, que nunca foi e nunca será fato gerador de nenhuma obrigação tributária, passa a influenciar na apuração da base de cálculo dos tributos devidos pela empresa que o pagou. Frisese: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 45 44 prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frisese, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador.. Recentemente, o professor Marco Aurélio Greco manifestou o entendimento de que “não existe direito adquirido da empresa de usar o ágio mesmo depois de passados cinco anos do fato gerador.” A afirmação foi feita na V Jornada de Debates sobre Questões Polêmicas de Direito Tributário, promovida pela FISCOSoft em junho de 2011. Para o Dr. Greco, a tese bate de frente com entendimento do Supremo Tribunal Federal. "Não se tem direito adquirido ao prejuízo, conforme disse o Supremo ao julgar a trava de 30% para redução do lucro tributável", diz. Em 2009, o STF entendeu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um benefício fiscal e que, por isso, não havia nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assevera ele que, enquanto o ágio não é amortizado totalmente, não existe fato consumado, apenas expectativa de direito. "A empresa espera que futuramente estará sujeita ao IR e ao regime de apuração do lucro real. Mas não existe direito adquirido a regime jurídico. Ela vai se submeter àquele a que se enquadrar na data da ocorrência do fato gerador." Por isso, em relação aos autos de infração lavrados depois de passados cinco anos da informação do ágio ao fisco, Greco afirma que a prática é legal. "O auto não existe sozinho, mas decorre da contabilização irregular", defendeu. "Embora a segunda conduta aconteça cinco anos depois, é causal, não bastante em si." Segundo ele, não há prazo para o fisco reconhecer a irregularidade, mas somente para impedir o aproveitamento. "As amortizações feitas no passado ficam consolidadas. Apenas as posteriores podem ser desconsideradas." Tais considerações primam pela coerência e vem ao encontra da tese defendida neste voto. Vejamos, na prática, algumas situações abusivas que podem decorrer do entendimento defendido pelo nobre recorrente (contribuintes optantes pelo lucro real anual): Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 46 45 i) No ano de 1998, determinado contribuinte adquire um bem não depreciável, composto por várias partes e peças, pelo valor total de $100, mas contabiliza no ativo por $200; nos anos seguintes permanece pelo mesmo valor em seus livros contábeis e balanços. No ano 2007, vende esse bem por $180 e não apura ganho de capital. Sofre auditoria em 2010 e o Fisco solicita a comprovação do custo contabilizado, ele não apresenta notas fiscais de aquisição sequer das peças efetivamente compradas, alegando que o ano de 2001 já estava decaído, logo, ocorreu a preclusão do Fisco de verificar tais custos. É isso mesmo? O tempo pode homologar o que nunca existiu, e permitir que produza efeitos futuros, impedindo a constituição do crédito tributário devido ? Estou certo de que a resposta é não. ii) No ano de 1999 o contribuinte realiza a construção de uma planta industrial com vida útil de 20 anos e contabiliza regularmente os custos. No ano de 2001 inicia a depreciação a 5% ao ano. É Fiscalizado em 2008 e apresenta apenas parte dos custos da construção realizada. Então? o Fisco não poderia glosar o excesso os encargos de depreciação de 2003 a 2007? Evidente que sim, pois esses encargos submetemse ao regime de competência e o contribuinte deve fazer prova da efetividade dos mesmos o que só é possível mantendo em boa guarda os comprovantes dos custos e despesas incorridos. iii) No ano de 2000 o contribuinte adquire um imóvel por $1000. Contabiliza a aquisição por $12.000, utilizando para tanto um documento fraudado. Realiza uma incorporação em 2001, acrescentando diversos custos inexistentes. Vende esse imóvel, já fracionado, nos ano de 2001 e 2002, apurando um pequeno ganho em 2002 que é declarado e o tributo recolhido. É fiscalizado em 2008 (anocalendário 2002). De plano alega que o ano 2002 já está decaído, afinal passaramse mais de 5 anos da ocorrência dos fatos geradores. Todavia, com receio de o Fisco apurar a verdade dos fatos, apresenta o aludido documento de aquisição. O Fisco efetua diligências e apura todas as fraudes tributárias. Em relação à 3a. situação hipotética acima (“iii”), cabe questionar: qual o amparo legal para o Fisco realizar em 2008 uma auditoria do ano de 2002, se o contribuinte estava em tese regular perante a Administração Tributária, inclusive tendo efetuado os recolhimentos? há vedação expressa em lei para a auditoria fiscal alcançar os anos de 2000 e 2001, nos quais apurou a verdade dos fatos? Respondo: a única vedação expressa nessa hipótese “ìii” é para constituição do crédito tributário relativo ao ano de 2001, em face da decadência. Este Conselho já se manifestou sobre alegações dessa natureza em diversos acordãos. Em um deles, inclusive, o contribuinte alegou a preclusão para rever o ágio devidamente registrado na contabilidade. Tratase do acórdão 10709.545, cuja ementa é a seguinte: “EMENTA DECADÊNCIA — OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL GLOSA DE ÁGIO. O fisco pode questionar fatos ocorridos no passado cujos efeitos fiscais se dão no futuro, pois o tempo não pode transformar em verdadeiro o que não era real, nem tampouco desfazer o que consolidou, desde que a readequação dos fatos situados em períodos já decaídos não decorra de juízo de valor. É o caso da formação de ágio maior por erro de cálculo, cujos efeitos fiscais somente se verifiquem no futuro, na sua amortização ou na utilização como custo na baixa”. (Grifei) Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 47 46 No aludido processo o contribuinte registrou o ágio de forma equivocada em 1995, mas apenas amortizou o valor em 2000. O contribuinte alegou que a fiscalização estaria proibida, face o prazo decadencial, de glosar esse ágio. Tal argumentação foi refutada pela Câmara. Noutro acórdão, de nº 10419.219, de 27/02/2003, que tratou da retificação de prejuízo fiscal da atividade rural de período anterior, com reflexo em outro período de apuração do tributo ainda não atingido pelo decadência, a decisão também foi favorável à tese defendida por este relator. Vejamos transcrições da ementa, dispositivo e voto condutor: Acórdão 10419.219de 27/02/2003 “EMENTA IRPF ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 – ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – DECADÊNCIA – ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de ano calendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatandose que o anocalendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em anocalendário abarcado pela decadência. DISPOSITIVO ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. VOTO CONDUTOR “(...) De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência.Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 48 47 (...) A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente.” Vejase que na situação versada no Acórdão 10419.219, o contribuinte foi intimado a comprovar o saldo de prejuízos da atividade rural do ano de 1989 que foi aproveitado no anocalendário de 1996. Diante do fato de o contribuinte ter efetuado correções a maior do aludido valor no ano de 1990, a fiscalização glosou o excesso de compensações utilizado para reduzir o tributo devido em 1996. O contribuinte alegou decadência nessa revisão, que foi rejeitada pelo Colegiado, haja vista que tais valores “influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente”. Analisemos o Acórdão nº CSRF/0400.054, de 21/06/2005. Vejamos sua ementa e dispositivo: Acórdão CSRF 0400.054 de 21/06/2005 “EMENTA IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL DECADÊNCIA ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. DISPOSITIVO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do mérito do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente relatório. Vencidos os Conselheiros Romeu Bueno de Camargo, José Ribamar Barros Penha e Wilfrido Augusto Marques que negaram provimento ao recurso.. VOTO CONDUTOR No caso, a fiscalização verificou inicialmente que o prejuízo da atividade rural fora incorretamente apurado na declaração do Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 49 48 exercício de 1995, com indevida utilização nas declarações dos exercícios posteriores (1996 a 2000). A origem da incorreção seria o fato de a contribuinte haver procedido à atualização monetária indevida dos saldos de prejuízos e de incentivos fiscais nos anoscalendário de 1989 e 1990 (fls. 12 a 18). No acórdão recorrido, foi acolhida a arguição de decadência, sob o seguinte argumento (fls. 276) (...) De plano, verificase que tal entendimento carece de base legal. No caso em apreço, o lançamento, cientificado a contribuinte em 28/09/2000, abarcou os anoscalendário de 1996 e 1999, que ainda não se encontravam atingidos pela decadência, seja qual for o angulo pelo qual se analise. Destarte, uma vez que os anoscalendário fiscalizados não haviam sido atingidos pela decadência, não há óbice à exigência de comprovação acerca dos elementos que de alguma forma influenciaram os respectivos lançamentos, ainda que vinculados a exercícios anteriores. Ressaltese que os anos calendário anteriores aos autuados, em que teria ocorrido o alegado lapso na correção dos saldos de prejuízo a compensar estes sim alcançados pela decadência não foram revistos. 0 que houve foi tãosomente a retificação do valor do prejuízo a compensar, apropriado nos exercícios fiscalizados. Nesse sentido é o Acórdão n° 10419.219, de 27/02/2003, cujo voto vencedor foi acatado por unanimidade de votos, assim ementado: (...)” Apesar de ambos os acórdãos acima terem tratado de atividade rural na pessoa física, cumpre esclarecer que a Legislação sempre estabeleceu a obrigatoriedade de escrituração para os contribuintes que desejam aproveitar prejuízos de períodos anteriores. Aliás, na redação original da Lei 8.023, acima de determinado valor de receitas era obrigatória a escrituração comercial. Outrossim, cumpre registrar que em situações análogas, nas quais a verificação de fatos, documentos e registros contábeis, de períodos atingidos pela decadência , com repercussão futura favorável ao contribuinte, ou seja, erros que lhe prejudicam, as decisões deste Conselho são sempre favoráveis à retificação dos lançamentos nos períodos ainda não atingidos pela decadência, inclusive para reconhecimento de direito creditório. Cite se como exemplo as seguintes situações em que se admite retificação favorável ao contribuinte: Lucro Inflacionário Inexistente. Fiscalização autua em 2000 a falta de realização do Lucro Inflacionário Diferido (parcelas realizáveis em 1996 a 1999. Somente em sede recurso, o Contribuinte verifica e alega que errou na apuração/declaração do LI de 1991, estando patente que seu Patrimônio Líquido era maior que o ativo imobilizado. Conselho exclui da base de cálculo o lucro inflacionário de 1991, e determina ainda, que as realizações mínimas de 1992 a 1995, porventura não efetuadas, sejam diminuídas do Saldo (existe inclusive súmula neste sentido). Ao fim e ao cabo, mantemse apenas a tributação do saldo do inflacionário efetivamente existe nos anos de 1996 a 1999. Custo de aquisição de imóvel declarado a menor. Pessoa Física e Jurídica. Contribuinte declara/contabiliza a menor o custo de aquisição de imóvel no ano de 1996 e Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 50 49 seguintes. Em 2004 aliena o imóvel e não recolhe ganho de capital. Fiscalização autua em 2006 e toma como custo o valor declarado/contabilizado. Contribuinte faz prova do custo de aquisição real do imóvel. Conselho acolhe o custo efetivo, e reduz a exigência ainda que isso implique no reconhecimento de erros de escrituração e/ou declaração de períodos atingidos pela decadência. Nesse sentido vide acórdãos deste Conselho: Acórdão 10321611 processo 13925000136200129 “LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF – Havendo a pessoa jurídica, no períodobase de 1990, apurado saldo devedor de correção monetária e não possuindo lucro inflacionário diferido de exercícios anteriores, não há que se falar em adição ao lucro real, a partir do períodobase de 1993, do valor que corresponder à diferença entre a variação do IPC e do BTNF, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário.” Acórdão 10514773 processo 10166016076200115 “LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA O início da contagem do prazo decadencial para o Fisco dáse a partir do momento em que é possível efetuar o lançamento, no exercício financeiro em que deve ser tributada a sua realização, e não imediatamente após o termo do anocalendário em que foi gerado o lucro inflacionário. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO REALIZAÇÃO A MENOR DECADÊNCIA RECOMPOSIÇÃO DE SALDO A recomposição do saldo de lucro inflacionário acumulado deve levar em consideração, para fins de decadência, as parcelas de realização do ativo da pessoa jurídica. JUROS DE MORA SELIC Nos termos dos arts. 13 e 18 da Lei nº 9.065/95, a partir de 1º/04/95 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, rejeitando a preliminar de decadência e, no mérito, acatar o pleito no sentido de se excluir as parcelas do lucro inflacionário que deveriam ser realizadas nos anos calendários de 1993 e 1994.” Acórdão 10194663 processo 10410.001504/200168 “LUCRO INFLACIONÁRIO. SALDO DA CORREÇÃO IPC/BTNF. ERRO DE FATO. Não procede a exigência de crédito tributário decorrente de erro cometido pela pessoa jurídica no preenchimento da declaração de rendimentos, tendo informado a maior o saldo credor da diferença de correção IPC/BTNF.” Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 51 50 Acórdão 10193740 _ processo 10880.008657/9805 “ERRO DE FATO. PREJUIZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação de prejuízos, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. PREJUIZO FISCAL INSUFICIENTE. DECADÊNCIA: Apesar de não haver prejuízo fiscal suficiente para compensar o lucro real apurado em determinado período de apuração, deixase de propor a formalização da exigência em virtude de já ter transcorrido, nesta data, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário respectivo. ERRO DE FATO. BASE NEGATIVA. COMPENSAÇÃO: Constatado erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos, e tendo a contribuinte direito à compensação da base negativa da contribuição social, procedese a tal compensação, exonerandose o crédito tributário lançado. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO.” Acórdão 10416265, processo 10920.000343/9699 “IRPF GANHOS DE CAPITAL CUSTO DE AQUISIÇÃO ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA Deve prevalecer para efeitos fiscais o custo de aquisição constante da Escritura Pública de Compra e Venda devidamente registrado no Registro de Imóveis, quando este for mais favorável ao contribuinte que o custo avaliado pelo valor de mercado, em 31/12/91, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992. O fato gerador do imposto de renda é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária.” Enfim, ao contribuinte incumbe a prova da regularidade dos valores utilizados para redução da base de cálculo nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem a prerrogativa de deles discordar, enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para constituição do crédito tributário correspondente; podendo, para tanto, efetuar verificações em períodos anteriores, já atingidos por esse mesmo prazo decadencial; vedada, obviamente, a possibilidade de apuração e constituição de créditos tributários desses últimos. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de impossibilidade do Fisco efetuar em 2008 a auditoria dos elementos contábeis e fiscais do anocalendário de 2001, para glosar valores com repercussão tributária em períodos posteriores (ágio passível de amortização). Encerrados os a longa transcrição referente ao voto do Caso SANTANDER, retomase a situação dos autos para destacar que o marco inicial da decadência contase a partir do fato gerador da obrigação/crédito tributária. Fl. 4641DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.725989/201277 Acórdão n.º 1402001.461 S1C4T2 Fl. 52 51 ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 4642DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/11/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por CARLOS PE LA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10980.001635/2004-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001
COFINS- RESTITUIÇÃO - PRAZO DECADENCIAL - ART. 62-A DO RICARF. Pleito articulado anteriormente a edição da lei nº 118/2005 propiciando o prazo de dez anos na conformidade do entendimento adotado pelo E. STJ.
Recurso provido
Numero da decisão: 9303-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidentet substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidentet substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 COFINS RESTITUIÇÃO PRAZO DECADENCIAL ART. 62A DO RICARF. Pleito articulado anteriormente a edição da lei nº 118/2005 propiciando o prazo de dez anos na conformidade do entendimento adotado pelo E. STJ. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidentet substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ivan Allegretti e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 16 35 /2 00 4- 23 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Em Recurso Especial de fls. 107/133, admitido pelo despacho de fls. 135/138, insurgese a Contribuinte contra o acórdão de fl. 98, que, por maioria de votos, declarou os períodos anteriores a 12/03/1999 decaídos e, unanimemente, negou provimento em relação aos demais períodos objetos do pedido de restituição da COFINS. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: “COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTOS SUPOSTAMENTE INDEVIDOS OU A MAIOR. Nos termos dos arts. 168, I, e 150, § 1º, do CTN, o direito de pleitear a repetição de indébito tributário oriundo de pagamentos supostamente indevidos ou a maior extinguese em cinco anos, a contar do pagamento. COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Não estando devidamente comprovada a impossibilidade da utilização do sistema informatizado PERD/COMP, não há como aceitar pedido de restituição em formulário impresso. Recurso negado.” Aduz a Recorrente, que o acórdão confrontado assumiu entendimento divergente em relação ao prazo decadencial, argumentando a favor da decadência decenal, na conformidade da jurisprudência paradigmática transcrita às fls. 109/110. Salienta, com efeito, que a aplicação do artigo 3º da lei Complementar no 118/05, como o próprio Superior Tribunal de Justiça já entendeu, somente tem eficácia para as ações propostas depois de 09/06/2005, sustentando com acórdão deste CARF à fl. 113. Por fim, requer seja reformado o acórdão para afastar a decadência e ser restituído dos valores pleiteados. ContraRazões às fls. 142/149. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.001635/200423 Acórdão n.º 9303002.343 CSRFT3 Fl. 153 3 Aduz a Fazenda Nacional que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 165, caput e inciso I, 168, caput e inciso I, e 156, inciso I, do CTN. Neste sentido, considerando que o pagamento dos valores considerados indevidos se deram entre janeiro de 1997 a agosto de 2001 e tendo em vista que o presente pedido de restituição apenas foi protocolado na data de 12/03/2004, resta claro que os valores recolhidos em períodos anteriores a 12/03/1999 foram atingidos pela decadência, não assistindo qualquer direito a repetição de indébito. Sustenta sua tese no art. 3º da LC 118/05, transcrevendoo à fl. 145, assim como o trecho em que o dispositivo legal referido faz menção ao artigo 106, CTN. Segue transcrevendo jurisprudência do E. STJ às fls. 146/147 sobre a não influência do prazo prescricional em se tratando de tributo declarado inconstitucional após seu pagamento, pois a Contribuinte é dada a faculdade de recorrer ao judiciário, observandose o prazo de decadência qüinqüenal, tendo como dies a quo o pagamento da obrigação. Por fim, pede a mantença do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O pedido de restituição de que trata este Recurso foi protocolizado em 12.03.2004 referente ao períodos de apuração dezembro de 1997 a outubro de 2001. (fl. 135) Indiscutivelmente o pleito foi articulado anteriormente a edição da Lei Complementar nº 118/2005, assim sendo, o alcance dos períodos base deve atingir retroativamente o prazo de dez anos a contar da formalização do pleito fato inconteste que abrange o período em questão. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Este entendimento se coaduna com os precedentes adotados pelo E. STJ, o que me faz, com esteio no art. 62A do RICARF, conceder provimento ao recurso interposto pela Contribuinte devendo o processo retornar à Delegacia da Receita Federal de origem. Sala das Sessões, 20 de junho de 2013. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014385/2004-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de IPI.
MAJORAÇÃO DA PENALIDADE. REINCIDÊNCIA ESPECIFICA.
Nos termos do artigo 70 da Lei nº 4.502/64, o termo a quo para caracterização da reincidência é a data em que transitou em julgado a decisão administrativa condenatória da infração anterior.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de IPI. MAJORAÇÃO DA PENALIDADE. REINCIDÊNCIA ESPECIFICA. Nos termos do artigo 70 da Lei nº 4.502/64, o termo a quo para caracterização da reincidência é a data em que transitou em julgado a decisão administrativa condenatória da infração anterior. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de IPI. MAJORAÇÃO DA PENALIDADE. REINCIDÊNCIA ESPECIFICA. Nos termos do artigo 70 da Lei nº 4.502/64, o termo a quo para caracterização da reincidência é a data em que transitou em julgado a decisão administrativa condenatória da infração anterior. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 43 85 /2 00 4- 76 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.014385/200476 Acórdão n.º 3302002.349 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI e multa isolada, em decorrência da constatação de insuficiência de lançamento do imposto nas notas fiscais devido a erro de classificação fiscal (fls. 10/29). Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido às fls. 311/314. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG julgou parcialmente procedente o lançamento, para exonerar a multa de ofício de R$ 2.290.244,19 e o Imposto dos períodos 209/1999 e 110/1999, no valor de R$ 38.891,82, nos termos do Acórdão no 10.484, de 16/06/2005, cuja ementa abaixo se transcreve. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os depuradores de ar e as coifas, de uso doméstico, classificamse no ex 01 da posição 8414.60.00. As máquinas de lavar roupas de uso doméstico classificamse no ex 01 da posição 8450.19.00. As máquinas de secar roupas de uso doméstico classificamse no ex 01 da posição 8451.21.00. MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio prevista no artigo 461, inciso I, do RIPI/98, com a redação dada pelo art. 45 da Lei 9.430/96, aplicase à hipótese de falta de recolhimento do imposto decorrente de destaque a menor na nota fiscal por erro de classificação fiscal e alíquota. MAJORAÇÃO DA PENALIDADE. REINCIDÊNCIA ESPECIFICA. Nos termos do artigo 452 do RIPI/98, o termo a quo para caracterização da reincidência é a data em que transitou em julgado a decisão administrativa condenatória da infração anterior. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 19/11/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial, no caso de IPI não recolhido antecipadamente pelo contribuinte, se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme dispõem os artigos 116, II, do RIPI/98 e 173, I, do CTN. Lançamento Procedente em Parte Da parte favorável ao contribuinte, a Turma de Julgamento recorreu de ofício ao Terceiro Conselheiro de Contribuintes, atual CARF. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.014385/200476 Acórdão n.º 3302002.349 S3C3T2 Fl. 4 3 Ciente desta decisão em 19/07/2005 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 11/08/2005, com Recurso Voluntário, que restou julgado no dia 04/12/2007, nos termos do Acórdão nº 30334.950, nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declarouse a decadência do lançamento relativa aos fatos geradores ocorridos até outubro de 1999. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Zenaldo Loibman, Tarásio Campelo Borges e Luis Marcelo Guerra de Castro, votaram pela conclusão. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto à classificação fiscal, para excluir a exigência relativa aos depuradores, nos termos do voto do relator. Cientes do referido acórdão, a Fazenda Nacional e a Empresa interessada ingressaram com Recurso Especial junto a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Posteriormente, a Empresa interessada desistiu do Recurso Especial relativamente às seguintes matérias: a) exigência referente a erro na classificação fiscal de Lavadoras no período de 08/2000 a 12/2003; b) exigência referente a erro na classificação fiscal de Coifas no período de 10/2002 a 12/2003; c) exigência referente a erro na classificação fiscal de Secadoras no período de 09/2002 a 12/2003. O Recurso Especial foi julgado no dia 10/07/2012, conforme Acórdão nº 930302.039, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Braga Rios, OAB/RJ nº 77.838, advogado do sujeito passivo. O Processo retornou à DRF de Belo Horizonte – MG que constatou que o Recurso de Ofício não foi julgado e devolveu o processo para o seu julgamento, conforme despacho de fls. 145. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.014385/200476 Acórdão n.º 3302002.349 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso de Ofício atende aos requisitos legais e dele se conhece. Como relatado, os autos subiram para julgamento do recurso de ofício posto que o recurso voluntário foi julgado e a decisão transitado em julgado. A decisão recorrida exonerou parcela do imposto, em face da ocorrência da decadência, e o valor da majoração da multa de ofício pelo ocorrência de reincidência específica, prevista nos arts. 69, I, e 70, da Lei nº 4.502/64. A parcela do imposto exonerado referese a fatos geradores ocorridos em 1 01/99, 209/99 e 110/99, sendo que a ciência do lançamento ocorreu no dia 30/11/2004. Para estes períodos, considerase que ocorreu pagamento antecipado posto que apurouse saldo credor, aplicandose as disposições do art. 150, § 4º, do CTN na contagem do prazo decadencial, ou seja, 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. No vejo reparos fazer nesta parte. Quanto à majoração da multa de ofício, com fulcro no então vigente art. 69, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 4.502/64, a mesma incide a partir do transito em julgado de decisão administrativa, conforme determina o art. 70 da mesma Lei nº 4.502/64, abaixo transcrito. Art. 70. Considerase reincidência a nova infração da legislação do Imposto do Consumo, cometida pela mesma pessoa natural ou jurídica ou pelos sucessores referidos nos incisos III e IV do artigo 36, dentro de cinco anos da data em que passar em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior. Parágrafo único. Dizse a reincidência: I genérica, quando as infrações são de natureza diversa; II específica, quando as infrações são da mesma natureza, assim entendidas as que tenham a mesma capitulação legal e as referentes a obrigações tributárias previstas num mesmo capítulo desta lei. No caso dos autos, a Empresa autuada apresentou Recurso Voluntário no Processo nº 10680.026453/9930 e, posteriormente, apresentou pedido de desistência do mesmo. Neste caso, a decisão recorrida acertadamente considerou a data do pedido de desistência como a data em que passou “em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior”, fato ocorrido no dia 01/09/2000. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.014385/200476 Acórdão n.º 3302002.349 S3C3T2 Fl. 6 5 Por outro lado, a autoridade lançadora considerou a data da decisão de primeira instância (16/02/2000) como sendo a data em que transitou em julgado a referida decisão. De fato, as disposições do art. 70, acima transcrito, não deixam dúvida que a decisão da DRJ somente passou a ser exigível a partir da data em que a empresa autuada apresentou pedido de desistência do recurso voluntário, como bem disse a decisão recorrida no trecho: De acordo com o art. 42, inciso I, do Decreto 70.235/72 (PAF), a decisão de primeira instância tomase definitiva esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. No caso concreto, a empresa interpôs recurso voluntário á época. Com isso, suspendeu os efeitos da decisão proferida em primeira instância. Nessa situação, vale socorrer à regra geral do processo civil, como explicada por Humberto Theodoro Júnior em seu Curso de Direito Processual Civil, Ed. Forense, 2001, pág. 499: "Da desistência do recurso ou da renúncia ao direito de interpôlo decorre o transito em julgado da sentença". Ou seja, só a partir da desistência é que a decisão de primeira instância tomouse definitiva. [...] Devese, dessa forma, eximir a autuada da majoração da multa para os períodos de apuração compreendidos entre o primeiro decêndio de janeiro de 1999 ao terceiro decêndio de agosto de 2000, mantendo a aplicação da penalidade no percentual de 75%. Os cálculos estão consolidados na planilha de fl. 290. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.014385/200476 Acórdão n.º 3302002.349 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11843.000040/2010-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE
A retificação de DARF somente deve ser aplicada na hipótese de erro cometido pelo contribuinte em seu preenchimento. Necessidade, entretanto, de evidenciar o erro de preenchimento.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
É procedente a aplicação da multa estabelecida pela Lei nº 12.249, de 2010, mediante a inclusão dos §§ 15 a 17 no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, quando não homologada a compensação.
JUROS SOBRE MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.
É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que davam provimento parcial no sentido de cancelar a multa isolada. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para redigir o voto vencedor
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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IMPOSSIBILIDADE A retificação de DARF somente deve ser aplicada na hipótese de erro cometido pelo contribuinte em seu preenchimento. Necessidade, entretanto, de evidenciar o erro de preenchimento. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É procedente a aplicação da multa estabelecida pela Lei nº 12.249, de 2010, mediante a inclusão dos §§ 15 a 17 no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, quando não homologada a compensação. JUROS SOBRE MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que davam provimento parcial no sentido de cancelar a multa isolada. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para redigir o voto vencedor (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 3. 00 00 40 /2 01 0- 36 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 152 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 153 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Palmas, abaixo transcrito: Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 1 a 9), no qual a contribuinte, acima identificada, compensou suposto crédito relativo a pagamento indevido de Cofins (PA 31/10/2007) efetuado em 30/10/2007, no valor de R$ 526.715,02, com débito de IRRF apurado em dez/2008 e jan/2009, no valor total de RS 511.791,72. No despacho decisório (fls. 33 a 38), a autoridade fiscal competente não homologou a declaração de compensação por constatar que o crédito (R$ 526.715,02) utilizado na compensação já havia sido objeto de pedido indeferido no processo n° 11843.000057/200879, por se tratar de recolhimento de IRPJ apurado por estimativa, código de receita 5993, retificado mediante REDARF para o código 2172. Ao tomar ciência da decisão mediante AR entregue em 31/08/2010 (fl. 94), a contribuinte apresentou, em 27/09/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 51 a 66), na qual preliminarmente pugna pela suspensão da exigibilidade dos débitos compensados e pela necessidade de juntada a este do processo relativo à exigência da multa isolada formalizada com base no artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430, de 1996; transcreve os fatos e, em resumo,apresenta os seguintes argumentos de defesa: a conclusão da autoridade administrativa é absurda e contraditória, porque no item 13 da decisão, a autoridade fiscal afirma que ela possuiu crédito referente ao pagamento realizado pelo DARF n° 42236070318. Todavia, no item 15 afirma que ela não possui o crédito de fato; os procedimentos de REDARF estão previstos na IN SRF n° 672, de 2006, não havendo qualquer irregularidade no ato que requereu a retificação do DARF n° 42236070318 e não contrariou em nada a norma legal que disciplina o REDARF; o ato de REDARF praticado por ela não violou em nada o art. 11 da IN/SRF n° 672/2006, tanto que em 01/04/2009 foi analisado e deferido pela autoridade competente da DRF/Palmas/TO, conforme processo de retificação n° 12580000228/2008 61; ou seja, a autoridade fiscal analisou o pedido de REDARF e constatou que não existia qualquer impedimento ou irregularidade no procedimento e DEFERIU a solicitação, modificando o código 5993 de recolhimento do DARF para 2172; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 154 4 somente após o deferimento do REDARF foi que retificou as obrigações acessórias (DCTF) e apresentou o Per/Dcomp pugnando as compensações, contrariamente do que afirmou a autoridade fiscal no item 17 da decisão (fl. 35), declarou sim em sua DCTF (anexo III) o pagamento a maior efetivado a título da COFINS de 10/2007, nos termos do REDARF deferido; mais uma vez contradizendo as informações prestadas na decisão ora impugnada, somente não prestou qualquer informação na DACON (anexo III) acerca do pagamento de COFINS, efetivado a maior na competência 10/2007, porque como está sujeita ao pagamento da COFINS pelo regime cumulativo, a DACON entregue à Receita Federal não possibilita a declaração dos valores pagos a maior, mas sim, exclusivamente, a receita auferida, a base de cálculo e a contribuição devida; o REDARF deferido pela autoridade competente da DRF/Palmas/TO não violou qualquer das disposições do art. 11 da IN/SRF n° 672/2006, sendo que qualquer procedimento para anular ou desfazer aquele REDARF deverá ter que respeitar os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; apesar do procedimento de REDARF ter sido idôneo e ter respeitado os procedimentos previstos na IN/SRF 672/2006, a autoridade administrativa, retificou de ofício o REDARF, outrora deferido pela DRF/Palmas. Assim, é muito estranho que somente após passados mais de 14 meses do deferimento do REDARF foi que a autoridade procedeu sua "retificação de ofício" para retornar o DARF n° 42236070318 ao status quo ante, revertendo assim o procedimento de REDARF; o art. 10 da IN/SRF n° 672/2006, prevê os casos em que são possíveis a retificação de ofício de DARF. Todavia o procedimento efetivado pela autoridade administrativa não se trata de retificação de ofício d'e DARF, mas sim do cancelamento/revisão do procedimento de REDARF. Logo não se aplica a regra prevista no art. 10 da IN/SRF n° 672/2006. com relação ao procedimento que revisou de ofício o procedimento do REDARF, a autoridade fiscal deveria ter obedecido ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, sob pena de nulidade do ato administrativo, conforme preceitua o art. 59, do Decreto n° 70.235/1972; da mesma forma, o procedimento administrativo que revisou o processo de retificação de 125800002282200861, por não se enquadrar nas hipóteses e revisão de ofício de DARF, deveria ter sido procedido à notificação da contribuinte, visto que é o ato que permite a materialização de um dos mais importantes princípios de nosso ordenamento jurídico, o princípio constitucional da ampla defesa; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 155 5 a doutrina também segue a mesma linha, aplicando tal principio (justamente a casos de processo administrativo fiscal. No presente caso, JAMAIS foi notificada da decisão administrativa que revisou o deferimento do REDARF e que deu causa ao indeferimento do crédito pleiteado no PER/DCOMP; a falta de notificação acerca do procedimento que reanalisou o processo já deferido de retificação de DARF n° 12580000228200861, é nulo por afrontar o art. 59 do Decreto 70.235/72, gerando o insuperável cerceamento de seu direito de defesa, e, desta feita, infringindo os princípios insculpidos no art. 5o , LV, da Constituição Federal, quais sejam, os princípios da ampla defesa e do contraditório diante de todo o exposto, deve ser declarada nula a revisão do REDARF efetivado de ofício pela autoridade fiscal, tornandose válido o REDARF e por consequ .ncia o crédito pleiteado no PER/DCOMP e as respectivas compensações formuladas. Por fim, no item 2.3 cita e transcreve dispositivo da legislação tributária e discorre ainda sobre o direito e origem do crédito pleiteado no Per/Dcomp e requer o seguinte: a) o recebimento da presente manifestação de inconformidade e a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto das compensações não homologadas; b) a reforma do Despacho Decisório DRFB/PAL, para reconhecer o crédito pleiteado no Per/Dcomp, bem como as compensações efetivadas; c) a reunião do processo administrativo fiscal 11843.000077/201064 ao presente processo, conforme determina o art. 9o , § I o , do Decreto n° 70.235/1972, para que tramitem em conjunto, vez que dependem dos mesmos elementos de prova; e) a produção de todas as provas admitidas em direito caso seja necessário para comprovar todo o alegado pela contribuinte. O processo relativo ao lançamento da multa isolada do qual a contribuinte tomou ciência em 31/08/2010 (AR fl. 113) foi reunido a este processo para a manifestação de inconformidade e a impugnação serem examinadas simultaneamente neste acórdão, conforme prevê o artigo 18, § 3 o , da Lei 10.833, de 2003. No tocante ao lançamento da multa isolada pela compensação indevida, a contribuinte na sua impugnação (fls. 117 a 127) alega que esse não merece vigorar com base, em resumo, nos seguintes argumentos de defesa: a sanção pecuniária aplicada é indevida, porque não ocorreu qualquer compensação indevida nos Per/Dcomp não homologados. Além disso, a norma legal utilizada como Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 156 6 fundamento para a aplicação da multa é posterior a transmissão das DCOMP; em momento algum transmitiu Per/Dcomp sem a existência de crédito e também pelo fato do dispositivo invocado para o lançamento atacado ter retroagido indevidamente no tempo, para alcançar fatos anteriores à sua entrada em vigor; o § 17 do art. 74 da Lei 9430, de 1996, com redação pela Lei n° 12.249, de 2010, não se aplica ao caso em tela, pois somente entrou em vigor em 11/06/2010, sendo que transmitiu as DCOMP em 31/03/2010 e 26/05/2010, respectivamente; a referida legislação não pode retroagir para alcançar os fatos pretéritos realizados pelo contribuinte antes da sua entrada em vigor. A lei só pode retroagir para atingir situações mais benéficas, o que não é o caso dos autos; admitir a retroatividade de legislação mais gravosa para atingir fatos realizados antes de sua entrada em vigor, é permitir a violação do princípio da irretroatividade, insculpido no art. 150 da Constituição Federal; o Código Tributário Nacional somente permite a retroatividade de uma lei para beneficiar o contribuinte: Art. 106. A lei aplica se a ato ou fato pretérito: (...) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. a exigência da multa ora impugnada viola não somente o princípio da irretroatividade, mas também o princípio da segurança e certeza jurídica, os quais devem ser especialmente observados em matéria tributária," a fim de garantir aos contribuintes o conhecimento prévio e objetivo dos seus deveres e direitos frente à administração; 1.1 DOS JUROS DE MORA. Cita jurisprudência do CARF, dispositivos constitucional e da legislação ordinária, e argumenta que a cobrança de Juros de mora sobre a Multa Isolada viola o principio constitucional da legalidade, o que não pode vigorar, por falta de previsão legal. No pedido, requer o acolhimento da presente impugnação para cancelar o auto de infração da multa isolada, bem como os juros de mora calculados com base na taxa Selic sobre a multa de isolada ora combatida. Analisando o litígio, a DRJBrasilia entendeu por bem não homologar a compensação declarada, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto : Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 Restituição/Compensação Pagamentos Indevido de Cofins. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 157 7 A compensação de débitos tributários somente poderá ser autorizada pela autoridade fiscal com crédito liquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Multa Isolada Mantémse o lançamento da multa isolada aplicada sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, conforme determina a legislação tributária de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente A contribuinte apresentou, então, recurso voluntário, no qual repete os argumentos lançados em sua manifestação de inconformidade, acrescentando àqueles os seguintes: Que o acórdão proferido pela DRJ em Brasília não observou o princípio da verdade material, pois não analisou a existência do crédito pleiteado pela Recorrente no PER/DCOMP, o qual é idôneo, líquido e certo; Que o crédito pleiteado advém do pagamento do DARF no. 43847715217, posteriormente retificado através do procedimento de REDARF no. 12580000228200861. Que encontrase nos autos o comprovante de arrecadação, obtido no sistema da Receita, que demonstra a origem e idoneidade do pagamento efetuado É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 158 8 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente. Esclareço. Pelo que se depreende dos autos, o crédito que a Recorrente visa compensar já havia sido objeto de processo de compensação anterior n° 11843.000252/200807, cujo direito creditório pleiteado foi indeferido administrativamente. O indeferimento se deu em face de a Recorrente, optante pelo regime de tributação com base no Lucro Real com recolhimento do IRPJ através de estimativas mensais, ter transmitido a DCOMP pleiteando a compensação de direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior no recolhimento de IRPJ, Código de Receita: 5993. Porém, o artigo 10 da IN n° 600/2005, vigente à época dessa transmissão das DCOMP, dispunha que "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período”. Por essa razão, a compensação requerida não foi validada, haja vista que o contribuinte ofereceu um direito creditório, o qual não estava sujeito à compensação por pagamento indevido ou a maior. O recolhimento por estimativa de IRPJ poderia apenas ser utilizado na apuração anual do imposto e caso houvesse saldo negativo. A compensação solicitada na mencionada DCOMP foi, portanto, considerada NÃO DECLARADA através do Despacho Decisório DRFB/PAL n° 403, de 26/09/2008. Somente após ter tomado ciência do Despacho Decisório que considerou a compensação como NÃO DECLARADA, é que a Recorrente utilizouse do procedimento de REDARF para efetuar a alteração do Código de Receita: 5993 para o Código de Receita: 2172 constante no DARF n° 43847715217. Em seguida, transmitiu as DCOMP n°s 36060.72911.310310.1.3.042582 e 07342.18385.260510.1.3.047742, apresentando o mesmo DARF n° 43847715217, como comprovante do crédito pleiteado, porém, com o Código de Receita alterado de 5993 para 2172. Ocorre, porém, que a retificação de DARF somente deve ser aplicada na hipótese de erro cometido pelo contribuinte em seu preenchimento. No caso presente, não ficou evidenciado esse erro de preenchimento. Houve, sim, o Pedido de Restituição ou a Declaração Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 159 9 de Compensação, que foi considerada não declarada e, tendo em vista essa negativa, o aproveitamento desse mesmo DARF utilizandose o procedimento do REDARF. E foi exatamente por essa razão que a unidade retifícadora com jurisdição sobre o contribuinte promoveu a retificação de ofício do DARF n° 43847715217, em virtude da utilização indevida do procedimento de REDARF. O que resta evidente, nessa análise, é que não houve um pagamento a maior ou indevido de COFINS. De se destacar que em momento algum a Recorrente apresenta nos autos comprovação de sua escrituração fiscal ou contábil, demonstrativos de apuração de base de cálculo, notas fiscais, que demonstrem que o crédito pretendido efetivamente corresponde a um indébito de COFINS. Houve, sim, ante a frustrada compensação do crédito de IRPJ, já analisada e negada em processo administrativo próprio, uma tentativa de conferir a esse mesmo crédito a natureza de indébito de COFINS. E, consoante dispõe o artigo 34, § 3o. , incisos XIII, da IN RFB n° 900, de 2008, não poderá ser objeto de compensação mediante declaração de compensação valor objeto de pedido de restituição indeferido pela autoridade competente da RFB, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Ainda, o parágrafo 5º do mencionado artigo, estabelece que o sujeito passivo poderá compensar crédito que já tenha sido objeto de pedido de restituição apresentado à RFB, desde que na data de entrega da Dcomp o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB. No tocante à retificação de DARF, cancelada mediante revisão de ofício, não cabe no presente processo a análise quanto à validade ou nulidade do ato relativo à revisão de oficio. Este Conselho possui a competência, sim, de analisar criticamente a decisão que não homologou a compensação efetuada pela Recorrente. De toda forma, é importante lembrar a Súmula 473, do STF: “a Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”. Tal Súmula reforça o poder de autotutela administrativa, segundo o qual se a Administração pode agir de ofício, sem a necessidade de autorização prévia do Poder Judiciário, ela também poderá rever seus atos de ofício.A revisão dos atos pela Administração implica no poder de declarar a sua nulidade, caso haja vício de ilegalidade. O conteúdo da Súmula é também reproduzido no art. 53 da Lei nº 9.784/99, de acordo com o qual: “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. Por conseguinte, nesse aspecto, sem razão a Recorrente. Porém, no que tange à cobrança da multa isolada, assiste razão à Recorrente. As compensações consideradas indevidas foram realizadas em 31/03/2010 e 28/05/2010. Por sua vez, a Lei no. 12.249, que vem fundamentar a cobrança da multa isolada, foi publicada em Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 160 10 11/06/2010. Posterior, portanto, à infração incorrida pelo contribuinte. Fundamentar o auto de infração em legislação superveniente aos fatos que representam a infração implica em ofensa ao princípio da irretroatividade das normas, o que não é admissível ocorrer. De se destacar que a multa pretendida foi baseada no disposto no § 17, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Inferese, assim, ser inaplicável a infrações ocorridas antes da data da publicação da referida Lei nº 12.249/2010, como ocorreu no caso presente. Em consequência, incabível também os juros de mora incidentes sobre a multa indevida. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 161 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da Relatora, ouso dela discordar em relação à cobrança da multa isolada. Com o objetivo de estabelecer penas mais severas àqueles que realizassem compensações irregulares, o legislador, por meio da Lei 10.833, de 2003, em seu art. 18, já previa a aplicação da multa isolada nas hipóteses ali elencadas. Referido artigo sofreu diversas alterações pela legislação superveniente, culminando na Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que limitou a imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação apenas quando se comprovasse a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, que não me parece ser o caso dos autos. A Medida Provisória 472, de 15/12/2009, no seu art. 27, por sua vez, alterou novamente a redação do art. 18 da Lei 10833/03, incluindo uma nova hipótese de incidência da multa isolada, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado, no percentual de 75% incidente sobre o total do débito indevidamente compensado, que, a princípio, poderia se amoldar ao caso vertente, conforme, colacionado abaixo: Art. 27. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Em que pese o fato de, ao ser convertida na Lei 12.249/2010, este artigo ter sido suprimido, o art. 62 desta mesma lei, alterou o art. 74 da Lei 9.430/1996, incluindo os parágrafos 15, 16 e 17, nos quais estava prevista a multa por declaração não homologada, que aplicase ao presente caso e foi a base legal do lançamento efetuado, com a seguinte redação: (...) Art. 62. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74. (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 162 12 § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (...) Quanto a sua aplicabilidade, nos termos do artigo 139 da mencionada Lei nº 12.249, de 11/06/2010, essa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 16 de dezembro de 2009, em relação aos demais dispositivos, como no caso do artigo 62, acima transcrito. Sendo as declarações de compensação transmitidas posteriormente a essa data, legítima a aplicação da multa em comento. Como a citada lei continua válida no ordenamento jurídico, não há que se falar em ofensa aos princípios constitucionais da irretroatividade, da segurança e certeza jurídica citados no recurso voluntário, sendo defeso a esse Conselho questionar a validade da norma legal devidamente inserida no ordenamento jurídico nacional,. Pontuo ainda que a alegação de inconstitucionalidade de lei é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Quanto à alegação de que é incabível a incidência de juros de mora sobre a multa isolada, por falta de dispositivo legal que o imponha, igualmente não assiste razão à recorrente. A multa aplicada possui caráter punitivo sendo parte integrante da obrigação tributária, conforme estabelecido no art. 113 do CTN, e sobre a qual incidem juros a partir do seu inadimplemento. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11843.000040/201036 Acórdão n.º 3801002.179 S3TE01 Fl. 163 13 DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 15504.005968/2010-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.202
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 05 96 8/ 20 10 -1 7 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 460 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 0229.555 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, AIOP nº 37.246.1646, no montante inicial de R$ 9.848.411,14. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições sociais previdenciárias destinadas à. Seguridade Social a cargo da empresa, (de acordo com o FPAS 5150), nas competências de 01/2006 a 12/2007, incluído 13.° Salário, declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP incorretamente no código FPAS 639, que é destinado a Entidades Beneficentes de Assistência Social — EBAS. O relatório Fiscal informa que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tivesse emitido Ato Cancelatório de Isenção n° 11.401.1/006/2007, de 26/01/2007, cancelando o beneficio a partir de 27/04/2000, por descumprimento do inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91: Na presente situação foi emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ato de cancelamento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), razão pela qual procedemos ao lançamento de todos os créditos das contribuições devidas à Seguridade Social relativas aos fatos geradores. Em função do ato de cancelamento, constatamos o não cumprimento pelo contribuinte do critério estabelecido no 1.3 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social) que provocou o seu desenquadramento da condição de Entidade Beneficente de Assistência Social — EBAS — código FPAS — 639, passando a ser enquadrada no código FPAS — 5150 — Estabelecimento de Serviço de Saúde. Conforme o Relatório Fiscal, em relação ao objeto social da Recorrente, aponta para as seguintes atividades: a) planejamento e execução de todas as obras de beneficência e assistência social e cultural ligadas às unidades por ela mantidas denominadas "Hospital Mário Pena", situado na Avenida Churchill, n.° 232, "Hospital Luxemburgo", situado na Rua Gentios, n.° 1.350, "Lar Celia Janotti, situado na Rua dos Timbiras, n.° 853, "Lar da Criança Januário Carneiro", situado na Rua Pombalgina, n.° 346, todas em Belo Horizonte, Minas Gerais, e outras unidades que vierem a ser criadas ou por ela, em conjunto com terceiros, instituídas, dentro dos seus objetivos socais; b) — campanhas de miter preventivo, no combate ao câncer; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 461 3 c) — incentivo A pesquisa e fornecimento de meios para os estudiosos do câncer e especialidades correlatas; d) — propaganda, seminários, informações, investigação cientifica e promoções visando esclarecer a Sociedade sobre os problemas de saúde, sua prevenção e seu tratamento; e) — prestação de serviços médicohospitalares, ambulatoriais e paramédicos, diretamente ou mediante convênio com terceiros; f) — patrocínio técnico especializado no combate ao câncer; g) — levantamento e mobilização de recursos materiais e financeiros para consecução de seus fins; h) — promoção de atividades e eventos culturais que concorram para a execução das finalidades da Associação; i) — outras atividades compatíveis e concordantes com suas finalidades. Em relação aos fatos geradores, informa o Relatório Fiscal: Constituem fatos geradores das contribuições os pagamentos ou créditos das remunerações efetuados pela empresa aos seus segurados empregados e segurados contribuintes individuais, através de folhas de pagamento de salários, termos de rescisões de contratos de trabalho, recibos de pagamento de ferias e recibos de pagamentos de serviços prestados por pessoas físicas (autônomos), conforme informações constantes no anexo n.° 01, que integra o presente relatório. Os valores informados encontramse expressos nos seguintes documentos solicitados A empresa pela fiscalização, analisados no transcorrer da auditoria fiscal: Guias de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, comprovantes de recolhimento e outros elementos Em relação aos códigos de levantamento, informa o Relatório Fiscal: 5 Período do lançamento do crédito: 01/2006 a 12/2007 — contribuições destinadas a Seguridade Social, devidas pela empresa. Códigos de levantamento: SE — Salários de Empregados declarados em GFIP no código FPAS incorreto, ST Serviços de Terceiros Pessoas Físicas declarados em GFIP no código FPAS incorreto. Para efeito de lançamento do crédito previdenciário todos os valores declarados incorretamente no código FPAS 639/ estão sendo considerados como não declarados em GFIP, conforme lançado na classificação do Discriminativo do Debito. No DD Discriminativo do Débito, que lista as características componentes do levantamento que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o debito de contribuição previdenciária existente, foi utilizado o código destinado As atividades desenvolvidas pela empresa FPAS 5150. O Relatório Fiscal ressalta que o AIOP foi lavrado em decorrência da emissão do Ato Cancelatório de Isenção n.°11.401.1/006/2007, de 25.01.2007, às fls. 35: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 462 4 1. DADOS DA ENTIDADE NOME DA ENTIDADE: ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO HOSPITAL MÁRIO PENNA CNPJ: 17.513.235/000180 ENDEREÇO: Rua Dias Adorno, n° 367 —6° andar BAIRRO: Santo Agostinho MUNICÍPIO: Belo Horizonte/MG CEP: 30.190100 2. DECLARAÇÃO DE CANCELAMENTO DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 8°, artigo 206; do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo, Decreto n°3.048, de 06 de maio de .1999, a partir de 27/04/2000, isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n°' 8.212, de 24 de julho de 1991, concedida à Associação DOS' AMIGOS DO HOSPITAL MÁRIO PENNA, CNPJ 17.513.235/0001;80, por infração ao disposto no inciso V do artigo 55 da Lei "n° 8.212,, de 1.991, na sua redação primitiva, sem as alterações introduzidas; pela Lei n° 9.732, de 11/12/1998, combinado com o inciso V do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo: Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pelos motivos especificados na Decisão Notificação n° 11.401.4/1230/2006 anexa. Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2007. O período objeto do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 04, é de 01/2006 a 12/2007. A Recorrente teve ciência do AIOP em 27.04.2010, conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 86. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Nulidade da autuação, uma vez que fundamentada em Ato Cancelatório de Isenção pendente de decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e cujos efeitos se encontram suspensos em razão de defesa e recurso tempestivos, na forma do art. 33 do Decreto 70.235, de 06/03/72. A referida suspensão retira do Ato Cancelatório a imediata eficácia e exeqüibilidade e, assim, insuscetível de produzir efeitos. A autuação estaria afetada também pela retroatividade benigna prevista no art. 106, II , "a" do CTN, eis que se refere a período anterior a 07/11/2008 e decorre de descumprimento das exigências do art. 55 da Lei 8.212/91, que foi expressamente revogado pelo art. 48, I da Medida Provisória 446/2008. Acrescenta que não se pode argumentar que a MP 446/2006 foi revogada pela posterior Lei 11.941, de 27/05/2009, pois é sabido que a aludida MP surtiu intocáveis e imediatos efeitos desde sua publicação em 07/11/2008, nos termos do art. 11, §2° da Constituição Federal. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 463 5 A Impugnante frui da imunidade constitucional (não de isenção) versada no art. 156, IV da CR e deferida as instituições que, como ela, são assistenciais e da área de saúde, assim devendo preencher apenas os requisitos indicados no art. 14 do CTN e que sempre sobrepuseram se As exigências do art. 55 da Lei 8.212/91, revogadas e extrapoladas .A Impugnante teve deferido, em janeiro de 2008, através da Resolução CNAS n.03, de 23/01/2009, na forma do art. 37 da MP 446/2008, o vigente Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social anexo , cuja validade foi confirmada pelo TRF 1a regido ao julgar agravo de instrumento 2009.01.00.0226937/MG de interesse da impugnante, em que a FGFN questionava o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS sob o argumento de ter sido emitido com base no art. 37 da MP 446/2008 que foi rejeitada pelo Congresso Nacional. Assim, a impugnante sempre esteve algergada pela imunidade tributária constitucional atendendo aos requisitos do art. 14 do CTN. Não consta do Auto de Infração ter a impugnante descumprido qualquer requisito da recente e também ordinária Lei 12.101, de 27/11/2009, baseandose apenas na existência de Ato Cancelatório emitido por descumprimento de requisito do revogado art. 55 da Lei 8.212/91 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0229.555 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG , a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE. INSTRUMENTO LEGAL HÁBIL. 0 dispositivo constitucional que trata da imunidade de contribuições, ao remeter à lei a disciplina sobre as exigências para a concessão do beneficio fiscal As entidades beneficentes de assistência social, o fez de forma genérica, sem referirse a lei complementar, motivo pelo qual pode ser regulado por lei ordinária INOVAÇÕES DA MEDIDA PROVISÓRIA 446/2008 As inovações para o gozo da imunidade tributária trazidos pela Medida Provisória 446/2008 somente se aplicaram As entidades que obtiveram certificados na forma da nova ordem jurídica introduzida pela MP, não atingindo as entidades que obtiveram o beneficio exonerativo com base em certificados deferidos de acordo com a legislação anterior, para as quais prevalece a legislação vigente A época dos fatos geradores.. INAPLICABILIDADE DA RETROATIVIDADE BENIGNA A LEGISLAÇÃO QUE DEFINE REQUISITOS PARA IMUNIDADE. A retroatividade da lei mais benéfica s6 se aplica em matéria de infrações ou sanções tributárias, não tendo o condão de retroagir para modificar os aspectos temporal e espacial, relacionados A ocorrência do fato gerador do tributo e A requisitos indispensáveis a fruição de imunidade tributária. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 464 6 LANÇAMENTO FISCAL DE PERÍODO INCLUÍDO EM PROCESSO DE CANCELAMENTO DE IMUNIDADE PENDENTE DE JULGAMENTO. A ausência de decisão definitiva em processo de cancelamento de imunidade não obsta o lançamento fiscal de contribuições previdenciárias correspondentes ao período nele incluído. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 6' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração DEBCAD 37.246.1646. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 10 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Ainda, às fls. 161, temse cópia da tela do Sistema Informatizado de Protocolo da Previdência Social informando o andamento do Processo nº 36378.001108/200763 que se refere ao Ato Cancelatório de Isenção nº 11.401.1/006/2007: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 465 7 A decisão de primeira instância, exarada em 18.11.2010, esclarece que o processo referente ao julgamento do Ato Cancelatório de Isenção processo nº 35407.000981/200609 ainda estava pendente de julgamento no âmbito do CARF: Se de um lado o efeito suspensivo do recurso contra o Ato Cancelatório beneficia as entidades, de outro, temse o interesse público resguardado através do lançamento dos créditos tributários respectivos para fins de se evitar a decadência, ficando sobrestada a cobrança dos valores ate a decisão final do CARF no processo que discute o cancelamento da isenção. Hoje, o acima transcrito art. 45 do novíssimo Decreto n° 7.237, de 20/07/2010, que regulamentou a Lei 12.101/2009, determina que os atos cancelatório pendentes de julgamento, como se dá com o Ato Cancelatório da Isenção da autuada, sejam devolvidos à DRF de origem para lançamento fiscal do crédito tributário correspondente. Assim, a nova legislação afasta por completo o argumento de nulidade por pendência de julgamento de ato cancelatório e confirma o acerto do procedimento lançamento fiscal. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, dentre outros argumentos reitera que pela nulidade do acórdão a determinar a efetuada cobrança do crédito tributário constituído e quando, diversamente, sua dissociada e conclusiva fundamentação foi no sentido de ficar "sobrestada a cobrança dos valores até a decisão final do CARF no processo que discute o cancelamento da isenção": Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 466 8 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 0229.555 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, AIOP nº 37.246.1646, no montante inicial de R$ 9.848.411,14. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições sociais previdenciárias destinadas à. Seguridade Social a cargo da empresa, (de acordo com o FPAS 5150), nas competências de 01/2006 a 12/2007, incluído 13.° Salário, declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP incorretamente no código FPAS 639, que é destinado a Entidades Beneficentes de Assistência Social — EBAS. O relatório Fiscal informa que a Secretaria da Receita Federal do Brasil tivesse emitido Ato Cancelatório de Isenção n° 11.401.1/006/2007, de 26/01/2007, cancelando o beneficio a partir de 27/04/2000, por descumprimento do inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91. O Relatório Fiscal ressalta que o AIOP foi lavrado em decorrência da emissão do Ato Cancelatório de Isenção n.°11.401.1/006/2007, de 25.01.2007, às fls. 35. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0229.555 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG. Ainda, às fls. 161, temse cópia da tela do Sistema Informatizado de Protocolo da Previdência Social informando o andamento do Processo nº 36378.001108/200763 que se refere ao Ato Cancelatório de Isenção nº 11.401.1/006/2007 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 467 9 A decisão de primeira instância, exarada em 18.11.2010, esclarece que o processo referente ao julgamento do Ato Cancelatório de Isenção processo nº 35407.000981/200609 ainda estava pendente de julgamento no âmbito do CARF. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação onde, dentre outros argumentos, reitera que o Ato Cancelatório de Isenção n° 11.401.1/006/2007, de 26.01.2007 Processo n° 36378.001108/200763, que deu origem ao presente auto encontrase em andamento no CARF. DA QUESTÃO CONTROVERTIDA O ponto central em discussão é o referente ao andamento do processo n° 36378.001108/200763, na qual se discute a revogação do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 11.401.1/006/2007, de 26.01.2007.. Ou seja, devese verificar a ocorrência, ou não, da decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 36378.001108/200763. Outrossim, em consulta ao "site" de tramitação de processos do Ministério da Fazenda (http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp), consulta realizada em 13.10.2013, temse que, desde 20.04.2012, o processo nº 36378.001108/200763 encontrase no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ou seja, sem uma decisão definitiva no âmbito administrativo: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.005968/201017 Resolução nº 2403000.202 S2C4T3 Fl. 468 10 DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se conhecer a decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 36378.001108/200763. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte: (i) informe a decisão definitiva no âmbito administrativo do processo nº 36378.001108/200763, ou seja, após o julgamento de todos os recursos no âmbito do CARF; (ii) no escopo do processo nº 36378.001108/200763, anexe aos autos as cópias dos Recursos impetrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e ou pelo Contribuinte, bem como a cópia das respectivas decisões no âmbito do CARF. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 492DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19740.720217/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
EXIGIBILIDADE SUSPENSA - LANÇAMENTO.
O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destina-se a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco.
CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo.
DESPESAS DE CÂMBIO. DISPONIBILIDADE EM MOEDA ESTRANGEIRA. DEDUÇÃO.
Na apuração da base de cálculo da Cofins das instituições financeiras, não é passível de dedução o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações. Nas demais operações de câmbio as despesas podem ser deduzidas na sua integralidade. Tendo sido constatada que a dedução de despesas de câmbio foi efetuada de acordo com a legislação regente, é de se convalidar a dedução efetuada.
Recuso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termo do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 EXIGIBILIDADE SUSPENSA - LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destina-se a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo. DESPESAS DE CÂMBIO. DISPONIBILIDADE EM MOEDA ESTRANGEIRA. DEDUÇÃO. Na apuração da base de cálculo da Cofins das instituições financeiras, não é passível de dedução o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações. Nas demais operações de câmbio as despesas podem ser deduzidas na sua integralidade. Tendo sido constatada que a dedução de despesas de câmbio foi efetuada de acordo com a legislação regente, é de se convalidar a dedução efetuada. Recuso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termo do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo. DESPESAS DE CÂMBIO. DISPONIBILIDADE EM MOEDA ESTRANGEIRA. DEDUÇÃO. Na apuração da base de cálculo da Cofins das instituições financeiras, não é passível de dedução o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações. Nas demais operações de câmbio as despesas podem ser deduzidas na sua integralidade. Tendo sido constatada que a dedução de despesas de câmbio foi efetuada de acordo com a legislação regente, é de se convalidar a dedução efetuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 17 /2 00 9- 41 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo. DESPESAS DE CÂMBIO. DISPONIBILIDADE EM MOEDA ESTRANGEIRA. DEDUÇÃO. Na apuração da base de cálculo da Cofins das instituições financeiras, não é passível de dedução o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações. Nas demais operações de câmbio as despesas podem ser deduzidas na sua integralidade. Tendo sido constatada que a dedução de despesas de câmbio foi efetuada de acordo com a legislação regente, é de se convalidar a dedução efetuada. Recuso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termo do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 372/394), lavrados pela Fiscalização, em que se alude a falta/insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS nos períodos de apuração 01 a 11/2005 e 01 a 12/2006. Os autos de infração foram lançados com intuito de prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da lei nº 9.430/96, pois os créditos estão com a exigibilidade suspensa, de acordo com decisão judicial exarada no Mandado de Segurança nº 2006.51.01.0226515, atualmente no Egrégio Tribunal Regional da 2ª Região. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19740.720217/200941 Acórdão n.º 3302002.002 S3C3T2 Fl. 604 3 Ressaltase que a medida liminar autorizou a impetrante a não incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS “receitas diversas das provenientes da venda de mercadorias, mercadorias e serviços de qualquer natureza” (fl. 363). Intimada deste auto de infração, e por não concordar com estes termos, a Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese que: “No item 06 do Termo de Verificação Fiscal a Fiscalização informa que procedeu ao lançamento do crédito tributário do PIS e da COFINS, apesar de ambas as contribuições estarem com a exigibilidade suspensa por força de Mandado de Segurança impetrado pela Impugnante, registrese, relativo ao período compreendido entre janeiro de 2005 a dezembro de 2006, conforme Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS. Todavia, a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração ora impugnado não tem condição de prosperar, eis que, além de se basear em dispositivo legal cuja inconstitucionalidade já foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, o que torna a cobrança da Cofins e do PIS/PASEP inviáveis, e configurar desobediência à ordem judicial expressa, também contempla atividade não sujeita à incidência da contribuição. Tanto o Auto de Infração quanto o Termo de Verificação Fiscal enquadram o Impugnante em infração à legislação tributária por insuficiência ou falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP, com base em dispositivos legais manifestamente inconstitucionais, ou que não se prestam para caracterizálo como infrator e sujeitálo à imposição de qualquer penalidade pecuniária, até mesmo de natureza moratória. O artigo 2º da Lei n° 9.718, de 1998, estabelece que as contribuições para o PIS e a COFINS serão calculadas com base no faturamento das pessoas jurídicas de direito privado, mas, para que o mesmo possa sujeitar o Impugnante e qualquer outro contribuinte à sua incidência, antes é necessário estabelecer o que se entende por faturamento, tendo em vista que os bancos e instituições financeiras não emitem faturas pela venda de bens e serviços, ou seja, não praticam o faturamento. O artigo 3º da Lei n° 9.718, de 1998, que passou a definir faturamento em seu § 1º, caracterizandoo como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica e considerando irrelevantes para esse fim o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, foi justamente o dispositivo que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional no julgamento dos RREE n°s. 346.084, 357.950 e 390.840, não podendo, portanto, ser invocado pelo auto de infração ou pelo Mandado de Verificação Fiscal como fonte legítima de criação da obrigação tributária, eis que a lei declarada inconstitucional pela Suprema Corte a ninguém pode obrigar. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Ainda que o Auto de Infração tivesse condições de prosperar, o que somente se admite a título de pura argumentação, o mesmo teria que ser refeito, porque apresentam diversos erros de cálculo, discriminados nas tabelas às folhas 403 a 407”. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco. FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Integram o faturamento ou receita bruta como base de cálculo da COFINS as receitas operacionais percebidas pelas instituições financeiras. DESPESAS DE CÂMBIO. DISPONIBILIDADE EM MOEDA ESTRANGEIRA. DEDUÇÃO. Na apuração da base de cálculo da Cofins das instituições financeiras, não é passível de dedução o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações. Nas demais operações de câmbio as despesas podem ser deduzidas na sua integralidade. Tendo sido constatada que a dedução de despesas de câmbio foi efetuada de acordo com a legislação regente, é de se convalidar a dedução efetuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco. FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Integram o faturamento ou receita bruta como base de cálculo do PIS as receitas operacionais percebidas pelas instituições financeiras. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19740.720217/200941 Acórdão n.º 3302002.002 S3C3T2 Fl. 605 5 DESPESAS DE CÂMBIO. DISPONIBILIDADE EM MOEDA ESTRANGEIRA. DEDUÇÃO. Na apuração da base de cálculo do PIS das instituições financeiras, não é passível de dedução o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações. Nas demais operações de câmbio as despesas podem ser deduzidas na sua integralidade. Tendo sido constatada que a dedução de despesas de câmbio foi efetuada de acordo com a legislação regente, é de se convalidar a dedução efetuada. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Na parte em que o lançamento restou cancelado, o acórdão conclui que “diante do relatado, é de se constatar que somente o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações, não pode ser deduzido da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”. Contra esta decisão a recorrente apresentou recurso voluntário fazendo remissão aos argumentos lançados na sua Impugnação bem como entendendo por ilegala cobrança dos créditos lançados, por meio de DARFs anexadas a decisão, antes do transito em julgado da ação judicial. Contra a decisão também houve recurso de ofício da autoridade julgadora da Delegacia Regional de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se depreende do relato, a contribuinte recorreu ao Poder Judiciário nos termos da ação judicial n° 2006.51.01.0226515, atualmente no Egrégio Tribunal Regional da 2ª Região, para discutir a não incidência do PIS e da COFINS sobres as receitas estranhas ao faturamento assim entendido como o decorrente da venda de mercadorias, mercadorias e serviços de qualquer natureza estando os créditos tributários abrangidos pelo presente processo com a exigibilidade suspensa determinada por decisão judicial. A questão do conceito de faturamento dos bancos comercias se encontra, inclusive, sob análise do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria e determinou o sobrestamento dos demais processos que tratam do tema. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Primeiramente, esclarecese que de fato, o Fisco, deve promover o lançamento mesmo nos casos em que o crédito esteja com a exigibilidade suspensa promovida no âmbito de processo judicial, como bem determina o art. 63 da Lei nº 9.430/96: “Art. 63. Não caberá lançamento da multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV ou V do artigo 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.” No mesmo sentido o CARF editou a sumula nº 48, que prescreve: A suspensão da exigibilidade do crédito por medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Já em relação ao mérito, tendo em vista a existência de discussão judicial sobre a incidência dos tributos sobre as receitas aqui tratadas, dispensável a análise dos argumentos dos lançados pelo contribuinte e pela decisão recorrida, uma vez que claramente caracterizada a existência de concomitância. Nestes casos, determina a jurisprudência do CARF que resta configurada a renuncia a instância administrativa, como vemos na Súmula nº 1deste Conselho: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo. Nunca é demais lembrar que ao julgador deste colegiado é obrigatória a aplicação de súmula do CARF, sob pena de afronta ao Regimento Interno do CARF. No entanto, cabe destacar que tem razão o Recorrente ao reclamar da cobrança dos créditos tributários aqui discutidos, antes do término do processo judicial. Bem destacou que o envio dos DARFs para pagamento importa em descumprimento de decisão judicial inclusive. Isto porque, tendo o presente auto de infração sido lançado para prevenir a decadência, seu destino será selado pela decisão judicial transitada em julgado, e competirá à autoridade administrativa responsável cumprir o que restar decidido no judiciário. Se vencedor o contribuinte serão indevidos os valores lançados, e por outro lado, se derrotado, ai sim promover a cobrança dos créditos. Neste contexto não conheço do presente recurso voluntário ante a existência da concomitância. Já em relação ao Recurso de Ofício, entendo que o mesmo não deve prosperar. As glosas das deduções da base de calculo, efetuadas pela autoridade lançadora, foram de fato indevidas estando correta a decisão exarada pela DRJ. A discussão foi assim resumida: No demonstrativo de apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins anexo ao Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19740.720217/200941 Acórdão n.º 3302002.002 S3C3T2 Fl. 606 7 358 a 361, a autoridade fiscal, na apuração dos resultados das operações com Títulos de Renda Fixa – NTN (cambiais), limitou a dedução das variações negativas, contabilizadas na conta nº 8.1.9.99.00.0020 Outras Despesas Operacionais – NTN, ao movimento mensal da conta nº 7.1.5.10.00.00048 Rendas de Títulos de Renda Fixa – NTN. Em outras palavras, excluiu as referidas receitas da base de cálculo nos meses em que as despesas foram superiores às receitas. A Impugnante, por sua vez, na apuração efetuada em sua peça impugnatória, deduz o total das despesas contabilizadas na conta nº 8.1.9.99.00.0020 Outras Despesas Operacionais – NTN, desconsiderando o limite adotado pelo fiscal. Transcrevo as razões de decidir lançadas no acórdão recorrido, posto que bem retrataram a matéria: A alínea “c” do inciso III do art. 1º da Lei nº 9.701, de 17/11/1998, dispõe que os bancos comerciais, na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS, podem deduzir da receita bruta operacional auferida no mês, os valores referentes às despesas de câmbio. Eis o que diz a norma: “Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; Fl. 610DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e) despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional; (...)” (grifouse) A Lei nº 9.718, de 27/11/1998, em seu art. 3º, § 5º, manteve para a Contribuição para o PIS e estendeu para a Cofins, as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998, no entanto, em seu § 4º, excluiu das hipóteses de dedução, a referente à despesa de câmbio oriunda de operação de compra e venda de moeda estrangeira. O § 6º desse mesmo artigo, o qual foi incluído pela MP nº 1.807/1999 e suas reedições (sendo a última a MP nº 2.15835/2001), veio ampliar as hipóteses de exclusão e dedução previstas na Lei nº 9.701/1998. Seguem, abaixo transcritos, os citados dispositivos: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004). Fl. 611DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 19740.720217/200941 Acórdão n.º 3302002.002 S3C3T2 Fl. 607 9 § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para fins da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluída pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluída pela Medida Provisória no 2.158 35, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) (...) (grifouse) Tendo em vista o disposto na alínea "c" do inciso III do art. 1º da Lei nº 9.701/1998, e no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi editado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 7, de 20 de Novembro de 2001, in verbis: Art. 1º O disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente se aplica nas operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie. Parágrafo único. A diferença negativa apurada nas operações de que trata este artigo não poderá ser utilizada para a dedução Fl. 612DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins. Art. 2º O inciso I do art. 1º do Ato Declaratório SRF nº 39, de 30 de abril de 1999, passa a vigorar com a seguinte redação: "I os resultados de câmbio em operações tendo por objeto moeda estrangeira em espécie somente serão computados quando forem positivos no período;" (grifouse) Diante do relatado, é de se constatar que somente o valor referente às despesas de câmbio oriundas de operações de compra e venda de moeda estrangeira em espécie que ultrapassar o valor das rendas de câmbio oriundas dessas mesmas operações, não pode ser deduzido da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Faço remissão aos argumentos acima transcritos como razão de decidir, motivo pelo qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO aos Recursos de Oficio e Voluntário, nos termos do voto proferido. Voluntário propostos. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13888.724203/2012-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE. INTIMAÇÃO. NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
PERÍCIAS.
Indefere-se o pedido de perícia quando a providência é desnecessária ao deslinde da controvérsia posta nos autos.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DO IMPOSTO.
É legítima a glosa de créditos extemporâneos do imposto, quando o contribuinte não consegue demonstrar que já não foram aproveitados na época em que os insumos ingressaram no estabelecimento.
SOLIDARIEDADE.
Tratando-se de crédito tributário relativo ao IPI, os sócios, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica são solidariamente responsáveis pela dívida, a teor do art. 8º do Decreto-Lei nº 1.736/79.
MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO.
Não restando caracterizada a sonegação, reduz-se a multa de ofício ao percentual básico de 75% sobre as diferenças apuradas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar básico de 75%. O Conselheiro Alexandre Kern votou pela conclusão, pois entende que o contribuinte precluiu do direito de apresentar os documentos que vieram aos autos com o recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007, 2008 NULIDADE. INTIMAÇÃO. NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PERÍCIAS. Indefere-se o pedido de perícia quando a providência é desnecessária ao deslinde da controvérsia posta nos autos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DO IMPOSTO. É legítima a glosa de créditos extemporâneos do imposto, quando o contribuinte não consegue demonstrar que já não foram aproveitados na época em que os insumos ingressaram no estabelecimento. SOLIDARIEDADE. Tratando-se de crédito tributário relativo ao IPI, os sócios, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica são solidariamente responsáveis pela dívida, a teor do art. 8º do Decreto-Lei nº 1.736/79. MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. Não restando caracterizada a sonegação, reduz-se a multa de ofício ao percentual básico de 75% sobre as diferenças apuradas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar básico de 75%. O Conselheiro Alexandre Kern votou pela conclusão, pois entende que o contribuinte precluiu do direito de apresentar os documentos que vieram aos autos com o recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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INTIMAÇÃO. NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. PERÍCIAS. Indeferese o pedido de perícia quando a providência é desnecessária ao deslinde da controvérsia posta nos autos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DO IMPOSTO. É legítima a glosa de créditos extemporâneos do imposto, quando o contribuinte não consegue demonstrar que já não foram aproveitados na época em que os insumos ingressaram no estabelecimento. SOLIDARIEDADE. Tratandose de crédito tributário relativo ao IPI, os sócios, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica são solidariamente responsáveis pela dívida, a teor do art. 8º do DecretoLei nº 1.736/79. MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. Não restando caracterizada a sonegação, reduzse a multa de ofício ao percentual básico de 75% sobre as diferenças apuradas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa Selic. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 42 03 /2 01 2- 41 Fl. 6265DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar básico de 75%. O Conselheiro Alexandre Kern votou pela conclusão, pois entende que o contribuinte precluiu do direito de apresentar os documentos que vieram aos autos com o recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência do contribuinte por via postal em 30/11/2012, lavrado para exigir o Imposto Sobre Produtos Industrializados decorrente da glosa de créditos indevidos, em relação aos fatos geradores compreendidos entre fevereiro e dezembro de 2007 e janeiro e abril de 2008. Segundo o relatório de trabalho fiscal, o contribuinte, embora intimado e reintimado, não comprovou a legitimidade dos créditos extemporâneos de IPI lançados nos livros de apuração modelo 8 dos anos de 2007 e 2008. Os créditos foram glosados e foi elaborada a reconstituição dos saldos da escrita fiscal onde restaram saldos devedores em aberto nos períodos acima especificados. Foi aplicada multa de 150% sobre os valores lançados porque a fiscalização entendeu que a apropriação de créditos de IPI não comprovados configura sonegação. Foi elaborada a representação fiscal para fins penais, invocando o art. 1º, II, da Lei nº 8.137/91. Foram elaborados termos arrolando como responsáveis solidários pelo crédito tributário os sócios que exerceram mandato diretivo no período de 15/04/2005 a 15/04/2008, com base no disposto no art. 8º do DecretoLei nº 1.736/79. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade do auto de infração por vício na intimação postal e por estar baseado em mera presunção; b) impossibilidade de inclusão de pessoas físicas como responsáveis solidários; c) existem créditos registrados nos livros contábeis que não foram apurados, os quais poderão ser considerados mediante a juntada de documentos posteriores, contando, inclusive com pedido de perícia, que poderá apurar tais valores de forma incontroversa; d) tem direito ao crédito decorrente de aquisições de insumos isentos, não tributados e tributados com alíquota zero; e) tem direito ao crédito de insumos adquiridos de comerciais atacadistas; f) tem direito ao crédito em relação a bens adquiridos para o ativo fixo; g) tem direito aos créditos decorrentes de títulos das obrigações do reaparelhamento econômico; h) a conduta da recorrente não pode ser qualificada como fraude e nem como sonegação. A multa aplicada viola os princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da não utilização de tributo com efeito de confisco; i) a taxa Selic não pode ser aplicada sobre dívidas tributárias; j) requereu a produção de provas e a juntada posterior de documentos. Fl. 6266DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724203/201241 Acórdão n.º 3403002.634 S3C4T3 Fl. 6 3 Por meio do Acórdão 40.771, de 12 de março de 2013, a 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. INTIMAÇÃO. NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. NULIDADE. PROVA DOS FATOS. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito ou dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Publica. O contribuinte deve comprovar a existência dos créditos que poderão ser utilizados para abater os débitos de IPI apurados. É incabível pretender que deva o Fisco produzir prova negativa da existência do crédito. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INCLUSÃO DOS SÓCIOSGERENTES NO PÓLO PASSIVO COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. A solidariedade passiva tributária de direito, conforme definida no art. 124, II, CTN, provém da expressa disposição da lei, seja com caráter de sanção ou então para facilitar a cobrança da prestação tributária. São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas na lei. O Decretolei nº 1.736, de 1979, imputa aos acionistas controladores, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, a responsabilidade solidária pelos créditos decorrentes do não recolhimento do IPI. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS. INOVAÇÃO DA LIDE COM PEDIDO NOVO. É defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso. A competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) é de apreciar, em primeira instância, após instaurado o litígio, as impugnações e manifestações de inconformidade. Se o pedido não foi apreciado pela DRF de origem, não houve, logicamente, instauração do litígio administrativo com relação a essa matéria. Não há o que a DRJ apreciar. Não se conhece do pedido. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considerase não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 6267DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado deve ser aplicada utilizando o percentual determinado expressamente em lei. É dever da autoridade fiscal, bem como do julgador administrativo, a aplicação da norma legal sem qualquer juízo dos aspectos de sua validade. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. A deliberada intenção de inserção de dados falsos no RAIPI enseja a majoração da multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Previstos na lei, os juros de mora decorrentes da aplicação do percentual equivalente à taxa SELIC são devidos no lançamento efetuado. Impugnação Improcedente." Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 02/04/2013, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/05/2013, no qual, em síntese, reprisou as alegações de impugnação e acrescentou o seguinte: a) ocorreu cerceamento de defesa pelo fato do acórdão de primeira instância ter indeferido o pedido de perícia e rejeitado a juntada posterior de documentos; e b) existe a possibilidade de enfrentar argumento de inconstitucionalidade na via administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. DDAASS NNUULLIIDDAADDEESS AALLEEGGAADDAASS O contribuinte alegou cerceamento de defesa porque a notificação do auto de infração poderia ter sido feita de forma pessoal, mas foi feita por via postal e a correspondência foi recebida por pessoa que não tinha poderes para representar a empresa. O art. 23, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que os meios de intimação não estão sujeitos a ordem de preferência. Verificase que no aviso de recebimento de fls. 5475 consta que o auto de infração foi recebido no dia 30/11/2012 na Rua Tobias Bueno de Oliveira, 483, Chapeu do Sol, CEP 13190000, Monte Mor SP. Esse endereço é o mesmo que consta no auto de infração (fl. 5462) e que corresponde ao endereço que consta no cadastro da repartição fiscal que foi declarado pelo próprio contribuinte. Fl. 6268DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724203/201241 Acórdão n.º 3403002.634 S3C4T3 Fl. 7 5 Sendo assim, a intimação foi eficaz, pois existe nos autos prova do recebimento da correspondência no endereço eleito pelo contribuinte, a teor do art. 23, § 2º, II, do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao fato da correspondência ter sido recepcionada por pessoa que não tinha poderes para representar a empresa, a matéria está pacificada com o advento da Súmula CARF nº 9, in verbis: "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Outra nulidade apontada foi quanto ao indeferimento do pedido de perícia e de juntada posterior de documentos consignada no acórdão recorrido. Verificase que a DRJ considerou o pedido de perícia não formulado, em face de não terem sido preenchidos os requisitos do art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, quais sejam: a apresentação de justificativa para a providência requerida e a apresentação dos quesitos a serem respondidos. Considerando que a rejeição do pedido de perícia está fundamentada e que, de fato, os requisitos legais não foram preenchidos, não houve cerceamento de defesa em razão desse indeferimento. No que tange ao indeferimento do pedido de apresentação posterior de documentos, também não houve cerceamento de defesa. A uma porque esse deferimento é condicionado pelo art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 e não consta que a recorrente tenha demonstrado se enquadrar em nenhum daqueles requisitos. E a duas porque o indeferimento não impediu que a recorrente juntasse notas fiscais com o recurso voluntário, as quais serão consideradas junto com o exame das questões de mérito. Outra nulidade alegada foi no sentido de que o lançamento está calcado em presunções porque a fiscalização teria analisado as notas ficais por amostragem. Na verdade o lançamento não está calcado em nenhuma presunção e nem em amostragens. O lançamento está calcado na falta de comprovação por parte do contribuinte dos valores dos créditos extemporâneos lançados no livro modelo 8 e nada mais. Desse modo, inexistindo as nulidades apontadas, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares. DDOO MMÉÉRRIITTOO GGLLOOSSAA DDEE CCRRÉÉDDIITTOOSS EEXXTTEEMMPPOORRÂÂNNEEOOSS PPOORR FFAALLTTAA DDEE CCOOMMPPRROOVVAAÇÇÃÃOO No mérito, a exigência tributária recai sobre os períodos de apuração em que apareceram saldos devedores do imposto, após a reconstituição dos saldos originais da escrita fiscal. A fiscalização retirou do livro de IPI os créditos extemporâneos apropriados pelo contribuinte, em relação aos quais não foi apresentada a documentação comprobatória de sua origem e legitimidade. Assim, cai por terra a alegação de que se trata de um lançamento por presunção, uma vez que a acusação está lastreada em um fato concreto: o contribuinte não Fl. 6269DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 conseguiu comprovar a origem e a legitimidade de valores que ele próprio lançou em seus livros fiscais. Não se nega o direito de o contribuinte escriturar créditos que não tenham sido aproveitados na época própria pelos mais variados motivos. Mas o que se exige para que esse aproveitamento possa ser chancelado pela autoridade fiscal é a comprovação de que os créditos são legítimos, ou seja, que são créditos admitidos pelo regulamento e que já não tenham sido aproveitados na época própria. A empresa foi intimada por várias vezes a apresentar a comprovação dos valores creditados a título de créditos extemporâneos, mas não apresentou a documentação hábil para tanto. Verificase que a título de comprovação, a empresa apresentou uma série de notas fiscais emitidas entre 2002 e 2005 (fls. 998 a 5453) e os seguintes livros fiscais: registro de entradas de novembro e dezembro de 2007 e de agosto a dezembro de 2008; livro de apuração de IPI dos anoscalendário de 2007 e 2008. A mera apresentação de notas fiscais desacompanhadas da comprovação de que já não foram escrituradas na época em que os insumos ingressaram no estabelecimento industrial não comprova a legitimidade do crédito extemporâneo lançado nos livros modelo 8 de 2007 e 2008. Além disso, o exame das aludidas notas fiscais, revela que muitas delas não se referem a matériasprimas ou a produtos intermediários, tais como as notas fiscais emitidas pela CPFL, que se referem ao faturamento de energia elétrica. Já outras, como as emitidas pela Cargill relativa a "pallets", não dão direito ao crédito, pois as mercadorias são tributadas com alíquota zero de IPI, a teor da Súmula CARF nº 18. Entretanto, não cabe aqui discutir a natureza dos créditos, pois o contribuinte nem sequer consegue comprovar que os valores já não foram aproveitados na época própria. O contribuinte alegou que possui uma série de créditos que não foram considerados em virtude de não estarem escriturados, tais como os créditos por aquisições de comerciantes atacadistas, por aquisições de insumos desoneradas do imposto, créditos decorrentes das obrigações do reaparelhamento econômico, entre outros. Juntou algumas notas fiscais com o recurso, relativas a insumos ingressados na fábrica entre 2007 e 2008, a fim de demonstrálos e renovou o pedido de perícia para que esses créditos fossem quantificados. Essas notas fiscais são impertinentes à discussão versada nestes autos, pois elas se referem a créditos que o contribuinte entende possuir, mas que não são os créditos extemporâneos glosados pela fiscalização, uma vez que as notas fiscais ora apresentadas se referem a produtos que entraram na empresa apenas em 2007 e 2008. A alegação desses créditos é impertinente a este processo, pois aqui se trata exclusivamente da exigência de diferenças relativas aos créditos extemporâneos glosados do livro de IPI dos anos de 2007 e 2008, por falta de comprovação de sua legitimidade, e não de se analisar a legitimidade de créditos que não foram escriturados pelos mais variados motivos. Não se olvide que cabe ao contribuinte comprovar a legitimidade dos valores registrados em seus livros contábeis e fiscais, a teor do art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77 e do art. 190 do RIPI/2002. Fl. 6270DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.724203/201241 Acórdão n.º 3403002.634 S3C4T3 Fl. 8 7 Nesse passo, com base no art. 18 e 28, parte final, do Decreto nº 70.235/72, indeferese o pedido de perícia solicitado, em razão da providência ser impertinente à discussão versada nestes autos. DDAA IIMMPPUUTTAAÇÇÃÃOO DDEE RREESSPPOONNSSAABBIILLIIDDAADDEE SSOOLLIIDDÁÁRRIIAA AAOOSS DDIIRREETTOORREESS DDAA PPEESSSSOOAA JJUURRÍÍDDIICCAA A defesa contestou os termos de responsabilidade solidária que incluíram as pessoas físicas dos diretores no polo passivo da relação jurídicatributária. Entende a defesa que não foram demonstrados os requisitos legais exigidos pelo art. 135 do CTN. Entretanto, a responsabilidade solidária foi imputada com base no art. 124, II, do CTN, que estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas designadas por lei. E no caso, o no art. 8º do DecretoLei nº 1.736/79 estabelece que os diretores, independentemente de qualquer conduta dolosa, são sempre responsáveis solidários em relação às dívidas tributárias relativas ao IPI. Portanto, não existe nenhum reparo a fazer na atribuição da responsabilidade solidária aos diretores. DDAA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO QQUUAALLIIFFIICCAADDAA EE DDAA AAPPRREECCIIAAÇÇÃÃOO DDEE AARRGGUUIIÇÇÃÃOO DDEE IINNCCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALLIIDDAADDEE NNAA VVIIAA AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVAA Entendeu a fiscalização que a conduta do contribuinte em incluir créditos extemporâneos no livro de IPI, sem comprovação, constitui a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. De fato, embora a conduta de incluir valores não comprovados no livro represente uma ação tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da dimensão econômica do fato gerador, que é uma de suas circunstâncias materiais (art. 71, I, da Lei nº 4.502/64), é preciso que reste comprovado o dolo, ou seja, é preciso que o contribuinte escriture os créditos sabendo que eles são ilegítimos. No caso concreto, não ficou comprovada a intenção do contribuinte sonegar o IPI por meio da inserção dos créditos extemporâneos nos livros, pois a própria fiscalização relatou que o contribuinte apresentou notas fiscais para justificar os valores creditados (fls. 998 a 5453), as quais não foram aceitas pela fiscalização ou por não darem direito ao crédito, ou pelo fato do contribuinte não ter comprovado que já não aproveitara o crédito na época própria. Transparece da narrativa fiscal que o contribuinte entende que possui créditos extemporâneos, mas não teve como comprovar sua legitimidade. E isto é totalmente diferente de lançar a crédito valores inexistentes com o fim de reduzir ou suprimir o recolhimento do tributo. Portanto, não restando comprovado o dolo, não há justificativa para a aplicação da multa por infração qualificada, devendo ser reduzida a penalidade ao percentual básico de 75%, a teor do que determinam os arts. 475 e 488, I, do RIPI/2002. O contribuinte contesta a imputação que lhe foi feita quanto ao crime contra a ordem tributária. Entretanto, o CARF não é competente para dirimir controvérsias sobre processo de representação fiscal para fins penais, a teor da Sumula CARF nº 28. No mais o contribuinte alega a violação de diversos princípios constitucionais e sustenta a possibilidade de análise de questão constitucional pela esfera administrativa. Fl. 6271DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 A alegação é improcedente porque o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 veda expressamente o afastamento de lei, decreto ou acordo internacional, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Essa questão também está pacificada com o advento da Súmula CARF nº 2, in verbis: " O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária." DDOOSS JJUURROOSS DDEE MMOORRAA CCOOMM BBAASSEE NNAA VVAARRIIAAÇÇÃÃOO DDAA TTAAXXAA SSEELLIICC A defesa contesta a aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário, sob o argumento de que já teria sido julgada ilegal pelo Poder Judiciário. Entretanto, as decisões citadas na peça de defesa não foram proferidas na sistemática dos recursos repetitivos e nem na sistemática da repercussão geral e, portanto, não são vinculantes para o CARF. A Sumula CARF nº 4 estabelece o seguinte: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Com essas considerações, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar básico de 75% . (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 6272DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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