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Numero do processo: 10945.001924/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE.
Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências).
NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIAS-PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matérias-primas aplicadas no processo de produção.
DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para PIS/Pasep não cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito em relação ao GLP, ao frete de matérias primas, aos bens de Manutenção Industrial incluído no CFOP 1.556/2.556, exceto em relação produtos qualificados como de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima, embalagem e indústria. Por voto de qualidade, manteve-se a glosa em relação ao frete de produtos acabados. Designado como redator da parte vencida o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
[assinado digitalmente]
José Fernandes do Nascimento Redator Designado
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências). NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIAS-PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matérias-primas aplicadas no processo de produção. DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para PIS/Pasep não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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NÃO CUMULATIVIDADE. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências). NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matériasprimas aplicadas no processo de produção. DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para PIS/Pasep não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 19 24 /2 00 8- 82 Fl. 6480DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 101 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito em relação ao GLP, ao frete de matérias primas, aos bens de Manutenção Industrial incluído no CFOP 1.556/2.556, exceto em relação produtos qualificados como de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima, embalagem e indústria. Por voto de qualidade, mantevese a glosa em relação ao frete de produtos acabados. Designado como redator da parte vencida o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. [assinado digitalmente] José Fernandes do Nascimento – Redator Designado Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Curitiba que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por entender que não dão direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, os custos com aquisições de bens de manutenção industrial incluído no CFOP 1.556 e 2.556: fretes internos, em especial de produtos acabados; e de Gás Liquefeito de Petróleo – GLP sujeitos à alíquota zero. Da mesma forma, entendeu que não teria direito ao ressarcimento ou compensação do crédito presumido. A ora Recorrente protocolou Pedidos de Ressarcimento (PER) de créditos da Contribuição para o PIS, vinculados a receitas não tributadas no mercado interno do ano calendário de 2007, a seguir resumidos: (a) n° 03972.54773.260208.1.1.087817, relativo ao 1ª trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 85.336,04; (b) n° 24653.77796.260208.1.1.087848, relativo ao 2° trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 36.534,16; (c) n° 27272.53938.260208.1.1.080201, relativo ao 3ª trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 77.963,12; e (d) n° 08895.18854.200608.1.1.086342, relativo ao 4ª trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 32.586,64. Fl. 6481DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 102 3 O Chefe do Seort/DRF/Foz do Iguaçu, com fundamento na Informação Fiscal Seort n° 173/2009 , que discrimina as glosas e os recálculos dos créditos pretendidos pela interessada, emitiu o Despacho Decisório de fl. 6059, indeferindo os créditos pleiteados, nos seguintes temos: No uso da competência prevista no artigo 280, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009, publicada no DOU de 06 de março de 2009 e com fundamento na Informa cão Fiscal supra, que aprovo e torno parte integrante do presente despacho decisório, reconheço parcialmente o direito creditório pleiteado por Frimesa Cooperativa Central, CNP,I 77.595.395/000147, no valor originário de R$ 117.177,55 (Cento e dezessete mil, cento e setenta e sete reais e cinquenta e cinco centavos), sem juros compensatórios conforme artigo 72, § 5°, inciso I, da IN RFB n.° 900/08. (.)" Cientificada em 01/07/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, instruída com os documentos, na qual alega, preliminarmente, que a matéria em litígio se resume aos itens da lista de fls. 6219/6220, quais sejam: a) Crédito Presumido: entende a autoridade fiscal que a empresa não pode utilizar crédito presumido da atividade agroindustrial para ressarcimento, mas tão somente para deduzir da própria contribuição, conforme Ato Declaratório SRF n° 15, de 22/12/2005, operando a glosa sobre a base de cálculo das Contribuições de PIS/COFINS de R$ 245.957.560,09 (duzentos e quarenta e cinco milhões novecentos e cinquenta e sete mil quinhentos e sessenta reais e nove centavos); b) Bens de Manutenção Industrial incluído no CFOP 1.556/2.556: Glosa integral das aquisições de Bens supostamente utilizados para Manutenção Industrial, sobre a base de cálculo das Contribuições de PIS/COFINS de R$ 6.763.448,36 (seis milhões setecentos e sessenta e três mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e seis centavos), decorrente de produtos adquiridos pela manifestante no Exercício de 2007, registrados nos Livros Fiscais Registro de Entradas de mercadorias, com o CFOP (Código Fiscal da Operação) 1.556 e 2.556; c) Fretes "Intercompany": Glosa no valor de R$ 13.146.745,00 (treze milhões cento e quarenta e seis mil setecentos e quarenta e cinco reais) na base de cálculo de créditos do PIS/COFINS do exercício de 2007, relativo a fretes contratados pela impetrante para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos da própria empresa de produtos acabados e matériasprimas; d) Aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo GLP . Glosa no valor de R$ 315. 556,46, (trezentos e quinze mil, quinhentos e cinquenta e seis reais e quarenta e seis centavos) na base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS do exercício de 2. 007, relativo a aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo GLP, adquiridos de Pessoas jurídicas distribuidoras e comerciantes Fl. 6482DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 103 4 varejistas tributadas pela alíquota 'Zero', sujeitos a incidência monofásica das Contribuições. No mérito, esclareceu que o fisco, após verificação por amostragem, entendeu que os bens classificados no CFOP 1556/2556, não se enquadrariam no conceito de insumo, operando a glosa do valor de R$ 6.763.448,36, representado por 8.803 notas fiscais relacionadas. A despeito de concordar com a glosa até o montante de R$ 4.240.897,69, em relação ao remanescente, de R$ 2.522.550,67, entende que, por se referir a bens utilizados no processo industrial, tais como matériasprimas, insumos de produção e embalagem, deveria ser deferido o direito ao correspondente crédito, anexando, As fls. 6277/6347, lista de tais bens. Destaca que a utilização dos referidos códigos (1.556/2.556) não pode afetar seu direito a tomada do crédito. O que realmente importa é se os bens assim classificados tem natureza diversa daquela destinada ao uso e consumo. Afirma que os códigos CFOP utilizados pelo fisco como critério objetivo para glosa, em realidade constituem regramentos criados pelo ajuste SINIEF n° 07/01, para contribuintes do ICMS, que o utilizam para definição de “bens de uso e consumo” e “insumos de produção”, em conceito diverso daquele utilizado para fins de tributação de PIS e Cofins. Argumenta que com relação às despesas com serviços de manutenção, partes e peças de reposição, as regras que devem prevalecer para fins de creditamento de PIS e Cofins, é a do conceito financeiro, ou seja, as despesas com tais itens, inegavelmente aplicados em máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção industrial, conferem direito ao crédito, por comporem o custo do produto final, nos termos do própria Solução de Consulta n° 356, de 15/12/2005. Alega, ainda, que não só as despesas com serviços de manutenção e partes e pegas de reposição, cujo direito a crédito foi negado, mas que também se glosaram créditos de matériasprimas, insumos e embalagens (que fazem parte da precitada listagem), à razão do que dispõe o art. 30, II, tanto da Lei n° 10.833/2003, como da Lei n° 10.637/2002. Já em relação aos Fretes “Intercompany”, diz não concordar com a glosa de custos gerados pelo transporte de matériaprima entre seus estabelecimentos, no montante de R$ 774.439,08, considerandoa ilegal, entendendo que é direito assegurado pelo art. 3º, II, tanto da Lei n° 10.833/2003, como da Lei n° 10.637/2002; alega que conforme lista anexa estaria demonstrado que os fretes que compõem a base de cálculo negada destinarseiam ao referido transporte de matériasprimas, o que significaria custo integrante do processo produtivo. Quanto ao transporte de produtos acabados, também sustenta que a glosa de R$ 12.372.306,90, representaria ato contrario à lei, afirmando que "a transferência de mercadorias do estabelecimento industrial para estabelecimento distribuidor, representa custo intrínseco a qualquer processo logístico de empresa que atua em âmbito nacional e que está ligado processo que medeia a fabricação desses bens ou produtos e sua venda, portanto, geram direito a crédito nos termos do art. 3, da Lei 10.833/03 e 10.637/02"; por tais razões, também, contesta a Solução de Divergência Cosit n° 11/07, por entender que restringiria ilegalmente seu direito de crédito decorrente de custo essencial à atividade econômica, e configuraria usurpação de competência legal, operando restrição ã legislação de regência; quanto a isso, acrescenta que no art. 3°, II da Lei n° 10.637/2002 inexiste vedação ao aproveitamento dos créditos sobre serviços onerosos de transportes, nas operações de transferência de produtos acabados ou insumos de produção entre estabelecimentos da mesma empresa, entendendo, assim, que tais Fl. 6483DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 104 5 serviços de transportes estão inclusos no conceito de insumos de produção de mercadorias destinadas à venda. No que se refere ao item "V Aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo GLP", tem como indevida a glosa na base de cálculos de créditos do PIS e da Cofins, no valor de R$ 315.556,46, relativa ao 'exercício' de 2007, no tocante as aquisições de gás liquefeito de petróleo (GLP) de pessoas jurídicas distribuidoras e comerciantes varejistas tributadas com alíquota 'zero', já que sujeitas à incidência monofásica das citadas contribuições; argumenta que tal produto (GLP) é utilizado como insumo em seu processo produtivo, que gera mercadorias tributadas pelas referidas contribuições, sendo, assim, indevida a referida glosa; cita, a propósito, a Solução de Divergência n° 37, de 09 de outubro de 2008, que afirma ter reconhecido direito ao crédito como o requerido. Relativamente ao item "II Do crédito presumido" (fls. 6221/6240), inicialmente transcreve e comenta os dispositivos que preveem a nãoincidência (imunidade) do PIS sobre as receitas decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior (art. 149, I, da CF11988 e art. 5°, I da Lei n° 10.637/2002), bem como os dispositivos que tratam da nãocumulatividade do PIS (art. 195, § 12 da CF/1988 e art. 3°, II da Lei n° 10.637/02), ressaltando que tais benefícios a ela se estenderiam. Prosseguindo, argumenta que surge problema quando se coloca frente a frente a imunidade tributária com o beneficio da nãocumulatividade sobre os insumos adquiridos e empregados na produção, posto que seguindose essas duas regras, as pessoas jurídicas com características exportadoras, por um lado não teriam débito tributário de PIS na venda de seus produtos, e, por outro, acumulariam todos os créditos originários dos insumos empregados na produção; fala que para dar vazão a tais créditos havia na legislação tanto o art. 5°, I e §§ 1° e 2° da Lei n° 10.637/02, como o art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n° 11.116/2005, uma vez que os créditos ordinários e presumidos, apurados na forma do art. 3ª da Lei n° 10.637/02, e acumulados em razão da nãocumulatividade do PIS, poderiam ser compensados com outros tributos administrados pela RFB e/ou ressarcidos em dinheiro, a cada trimestre civil; diz que tudo transcorria bem, até a publicação da Lei n° 10.925/2004, que no art. 16, revogou expressamente os parágrafos 5°, 6°, 11 e 12 (sic) do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, passando a disciplinar o credito presumido pelo seu art. 8°, sendo que em face dessa alteração a RFB editou o Ato Declaratório Interpretativo n° 15, de 22 de dezembro de 2005, com o qual passou a indeferir o direito de compensação e/ou ressarcimento do crédito presumido, por entender que o art. 50, § 2°, I e III da Lei n° 10.637/02, ao disciplinar o direito a ressarcimento/compensação referese exclusivamente aos créditos apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637/02, sendo que o crédito presumido está vinculado ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, o que daria direito à utilização somente para fins de compensação com o próprio PIS. Entende, assim, que seus créditos serão mantidos eternamente, sem qualquer possibilidade prática de utilização; considera que o mencionado ADI n° 15/2005, utilizado pela autoridade a quo para glosar seus créditos, estaria violando princípios constitucionais, conferindo interpretação tendenciosa e gramatical a dispositivos que devem receber análise sistêmica e interpretação autêntica. No seguimento, no subitem "11.2 — Da plena vigência da base legal que confere direito à compensação e/ou ressarcimento do crédito presumido", a interessada, com base em texto de doutrinadores e menção a julgado do STF (RE 161031/MG), desenvolve um arrazoado no sentido de dizer que a melhor interpretação do art. 8° da Lei n° Fl. 6484DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 105 6 10.925/04, seria aquela que lhe concedesse o direito a usufruir do referido crédito presumido, olvidandose por completo o ADI n° 15/05. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: LEGISLAÇÃO SOBRE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A legislação tributária que dispõe sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS E DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de matériasprimas e de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. 0 valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, art. 8°, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição para o PIS apurada no regime de incidência não cumulativa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Contribuição para o PIS o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com a aquisição de gás liquefeito de petróleo (GLP), bem como com aquisições de mercadorias adquiridas para uso e consumo do próprio estabelecimento (códigos CFOP 1.556/2.556). CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade 'as normas vigentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da sua Manifestação de Inconformidade. Fl. 6485DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 106 7 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a definição do conceito de insumo para fins de reconhecimento do direito ao crédito de COFINS no regime não cumulativo. Afinal, apenas depois de estabelecido o conteúdo e alcance é que será possível afirmar, com segurança se as despesas com bens de manutenção industrial incluído no CFOP 1.556 e 2.556: fretes internos, em especial de produtos acabados; e aquisições de gás liquefeito de petróleo – GLP sujeitos à alíquota zero geram crédito no caso específico da atividade da Recorrente. Além disso, discutese a possibilidade de o contribuinte pleitear o ressarcimento/compensação do crédito presumido. Conceito de insumo (crédito básico) Pois bem. A nãocumulatividade da COFINS foi instituída pela Lei nº 10.833/03, a qual permite o desconto de créditos sobre (i) bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e sobre (ii) custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Neste sentido, o artigo 3º, da Lei nº 10.833/03, estabelece que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Nos termos do referido dispositivo legal, o valor devido a título de COFINS será apurado pela aplicação da alíquota de 7,6%, sobre a base de cálculo definida no artigo 1º, da Lei nº 10.833/031, e, do valor apurado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em 1 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido Fl. 6486DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 107 8 relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desse modo, é possível observar que o direito creditório do sujeito passivo surge com a aquisição de insumos que serão utilizados no desenvolvimento de sua atividade. Ao dispor sobre o conceito de insumo contemplado na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, Natanael Martins nos explica que ele “está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar um determinado serviço”. 2 De fato, a definição de insumo, para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, se relaciona com a ideia de relação intrínseca entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, os quais devem refletir, ainda que mediatamente, na receita/faturamento sobre o qual incidirá referidas contribuições. Neste contexto, sempre deverá ser considerado como o insumo o bem ou serviço que seja necessário ao desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica ou para a existência do processo produtivo ou do produto, ou ainda, que contribua para que estes (processo e produto) tenham determinadas características. Neste sentido, são os ensinamentos de Marco Aurélio Greco: Vale dizer, “utilizar como insumo” é extrair dos bens ou dos serviços todas as utilidades que lhes sejam próprias para o fim de fazer com que o processo produtivo ou o produto destinado a venda existam ou tenham as características almejadas. Vale dizer, fazer com que – no específico contexto da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte – processo e produto sejam o que são. (...) A análise feita leva a uma conclusão preliminar no sentido de deverse considerar “utilizados como insumo” para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais – o que abrange bens, serviços e utilidades deles decorrentes, ligados aos fatores de produção (capital e trabalho), adquiridos ou obtidos pelo contribuinte e onerados pelas contribuições – que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições.3 Tecidos esses comentários e tomando de empréstimo as terminologias utilizadas por esses autores, concluímos que para que um determinado bem ou serviço seja considerado como insumo, devese analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência “(em que medida um é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 2 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In PIS COFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de Insumo à luz da legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário – RFDT. Julho/Agosto de 2008, v. 34, pp. 1620. Fl. 6487DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 108 9 efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências)”.4 Neste ponto, vale ressaltar que a definição do conceito de insumo proposta pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, na sistemática não cumulativa, é manifestamente ilegal, na medida em que estabelece restrição não prescrita na lei. Eis sua formula textual: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: 4 GRECO, Marco Aurélio. Op. cit. p. 17. Fl. 6488DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 109 10 I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Como é possível perceber, a Receita Federal do Brasil pretendeu, com a promulgação da referida Instrução Normativa, limitar o alcance de legislação ordinária (Lei nº 10.833/08). Entretanto, por se tratar de veículo introdutor secundário, não se sustentam os comandos que são manifestamente contrários aos da norma de superior hierarquia que lhe empresta fundamento de validade (a lei). Ademais, ainda que fosse possível a alteração das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 por norma de inferior hierarquia, o que se admite apenas para argumentar, não se pode olvidar que a Instrução Normativa SRF nº 404/04, ao equiparar a definição de insumo para fins de nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, com o de insumo para fins de nãocumulatividade de IPI e ICMS, incorreu em manifesto equívoco. De fato, a presente equiparação não tem qualquer sustentação jurídica, uma vez que a não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS não tem o mesmo perfil da empregada ao IPI e ao ICMS. Isso porque, no caso do IPI e do ICMS, o referencial para se analisar o conceito de insumo, é um objeto físico (produto). De forma diferente, no caso da COFINS, o referencial é a atividade e processo de produzir e fabricar, sendo que a partir dessa referência que se identificará quais os bens e serviços serão considerados insumos. Por outro lado, enquanto o IPI e ICMS incidem sobre o produto/mercadoria, a COFINS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, o que demonstra que o universo de elementos abrangidos pela nãocumulatividade de COFINS é mais amplo do que o de IPI/ICMS. Sobre a inaplicabilidade da Instrução Normativa SRF nº 404/04, face às diferenças existentes entre os insumos de COFINS e os insumos de IPI e ICMS, Ricardo Mariz de Oliveira ensina que: Com efeito, essa interpretação está assentada, ou ao menos influenciada determinantemente, pelo conceito de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI, e também de ICMS. Acontece que as leis destes dois impostos não admitem, como fazem as Leis nº 10.637 e 10.833, a dedução ou o crédito relativo a insumos em geral, pois restringem os créditos aos valores devidos na operação imediatamente anterior sobre apenas alguns tipos de insumos, que são exatamente as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Sem ser necessário adentrar em qualquer discussão relativa à extensão dos créditos de IPI e de ICMS, para se poder distingui los das deduções relativas a insumos para efeito de quantificação da COFINS e da contribuição ao PIS, basta ver que, quanto ao IPI, a redução dos créditos a apenas os três grupos de insumos deriva de expressa disposição da respectiva legislação, enquanto que no ICMS as leis que o regem têm disposições inteiramente diversas das contidas nas Leis nº 10.637 e 10.833. Fl. 6489DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 110 11 Além disso, em benefício da citada instrução normativa sequer existe uma disposição legal que diga que, para a identificação dos insumos que geram dedução da COFINS e da contribuição ao PIS, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como ocorre com o crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363, de 13.12.1996, neste caso por força de expressa determinação do parágrafo único do art. 3º. Portanto, o que dizem as mencionadas instruções normativas quanto a que somente são insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, as embalagens e quaisquer outros bens que sofram alteração, carece inteiramente de base legal. Esse ato fazendário somente teria validade jurídica se a lei expressamente tivesse permitido a dedução exclusivamente quanto a matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros bens sob aquele requisito, em vez de autorizála abertamente sobre insumos destinados à produção de bens e serviços.5 Neste contexto, não resta dúvida de que a restrição estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 não encontra amparo legal, motivo pelo qual não poderá sequer ter seus dispositivos considerados pelo órgão julgador. No caso em análise, a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica à produção de produtos agrícolas, em especial carne bovina e suína e leite. Por outro lado, pretende ver reconhecido o direito ao crédito de Contribuição ao PIS relativo às despesas com bens de manutenção industrial incluído no CFOP 1.556 e 2.556; fretes internos, em especial de produtos acabados; e aquisições de gás liquefeito de petróleo – GLP sujeitos à alíquota zero. No que se refere especificamente às aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo – GLP, esclarece a Recorrente que ele “é utilizado pela manifestante como insumo de produção na sua atividade industrial (geração de chama para queima de pelos dos suínos para abate)”. Sendo essa a sua utilização, não há dúvida que tais mercadorias guardam inerência com a atividade desenvolvida pela empresa, na medida em que são efetivamente importantes para a sua produção, razão pela qual devem gerar direito ao crédito no caso concreto. O fato de o GLP não se enquadrar nos conceitos de “matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outro bem que sofra alteração em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação” não é suficiente, como sugere a decisão recorria, para desqualificalo “como insumo para a sua fabricação”, uma vez que não é esta a definição relevante para fins de nãocumulatividade do PIS e da COFINS. O que se deve observar, como vimos, é se se trata de bem utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Por outro lado, entendo que a circunstância de esses bens serem adquiridos à alíquota zero, não compromete a higidez do crédito quando o produto vendido pela Recorrente 5 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Aspectos Relacionados à “Nãocumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. In PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 43/44. Fl. 6490DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 111 12 é tributado. Isso porque, como bem pontuou a decisão recorrida, a lei garante a manutenção dos créditos nesses casos. Nas suas palavras: Primeiramente, cabe esclarecer que, relativamente ao PIS, a base legal citada pela DRF/FOZ deveria ser o art. 3°, § 2°, II da Lei n° 10.637, de 2002, e não o art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, muito embora tais dispositivos contenham a mesma redação. Entretanto, considerase que a glosa pela razão alegada é indevida. Vejase o que estabelece o art. 3°, § 2°, II da Lei n° 10.637, de 2002 (cuja redação é semelhante ao art. 3º, § 2°, II da Lei n° 10.833, de 2003): Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: §2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (incluído pela Lei n°10.865. de 2004) Primeiramente, vejase que, na prática, quase toda aquisição de combustível derivado de petróleo (como é o GLP), pelas pessoas jurídicas que sejam seus consumidores finais, é feito a partir de pessoas jurídicas distribuidoras (ou varejistas) de tal produto, que os revendem com a incidência da alíquota zero para o PIS e a Cofins (art. 42, I da MP n° 2.15835, de 2001), posto que a tributação dessas contribuições é concentrada nas refinarias; assim, se válida a interpretação dada pela DRF/FOZ ao art. 3°, § 2°, II, das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, seria praticamente impossível aos citados contribuintes se valerem do referido crédito. Entendese que a melhor interpretação a ser dada ao citado dispositivo (art. 30, § 2°, II das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003) é da impossibilidade da utilização do crédito, desde que o bem ou serviço adquirido como não estando sujeito ao pagamento do PIS e da Cofins, fosse revendido ou utilizado como insumo em produtos ou serviços sujeitos a alíquota zero, isentos ou não alcançados pelas citadas contribuições Assim, constatado que o GLP é utilizado como insumo pela Recorrente, uma vez que guarda pertinência, inerência e relevância para a produção de carne suína, na medida em que gera a chama para queima de pelos dos suínos indispensável para o abate, devese reconhecer o seu direito creditório. O outro objeto de glosa diz respeito aos bens incluídos nos CFOP 1.556 e 2.556. Neste ponto, a fiscalização entendeu tratarse de bens de uso e consumo, não passíveis Fl. 6491DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 112 13 de creditamento, o que teria concluído com base justamente no CFOP utilizado pelo contribuinte. De fato a DRF, no que foi seguida pela DRJ, deixou assim consignado na sua decisão: Assim, para análise do crédito referente a essa rubrica, esta autoridade adotou o critério de separação em função do código informado pelo próprio contribuinte na sua escrituração, pois a análise de documentos acostados aos autos mostra quem para praticamente todas as aplicações informadas, há separação na contabilidade entre os CFOP 1556/2556, que se referem a compra de materiais para uso e consumo, e entre outros códigos fiscais relativos a compra de insumos (CFOP estes que foram analisados por amostragem) Antes de analisar propriamente o direito creditório relativo a estes bens, vale esclarecer que o contribuinte indicou nos CFOP 1.556 e 2.556 bens das mais variadas naturezas e com as mais diversas aplicações, incluindo não apenas bens relativos à manutenção de máquinas e equipamentos, mas também, produtos químicos, produtos de laboratório, equipamentos de proteção individual, detergentes, produtos de limpeza, embalagem, higienização, condimentos, combustíveis, matéria prima, indústria, uso e consumo etc. Isso é facilmente verificável na planilha que instruiu a Manifestação de Inconformidade, o que, inclusive, foi confirmado pela fiscalização e pela decisão recorrida. Feito este esclarecimento e tendo em vista que a Recorrente se dedica à produção de carne e leite para consumo humano, por óbvio que se devem incluir no conceito de insumo os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. Nesse sentido já decidiu a Terceira Turma da CSRF: Acórdão 930301.740 – 3ª Turma – Relatora Nanci Gama COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º da LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Da mesma forma, devese reconhecer o crédito relativamente bens relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes, tendo em vista que (i) a Recorrente os contabilizou como bens de uso e consumo; (ii) os bens de uso e consumo têm duração Fl. 6492DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 113 14 inferior a um anos; e (iii) a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, exceto no caso de o Fisco demonstrar por meio de provas o contrário, o que não é o caso. Neste ponto, importa esclarecer que, diversamente do que sugerem as decisões da DRF e da DRJ, o eventual erro na indicação do CFOP não tem o condão de alterar a natureza dos bens adquiridos pela Recorrente. O presente equívoco não é suficiente para desqualificar um insumo, especialmente tendo em vista que para o PIS/COFINS em essência nada é insumo, tudo vai depender de sua relação com a atividade, da maneira ou do modo de sua utilização. Neste contexto, se há elementos que evidenciam que os bens em questão mantêm inerência, pertinência e relevância para a atividade realizada pela Recorrente devem ser considerados como insumo, independentemente do CFOP indicado. Afinal não pode o Fisco simplesmente ignorar a verdade dos fatos e sustentar a glosa em erro na indicação do CFOP das notas fiscais escrituradas. Ora, erro não é fato gerador de tributo, tampouco pode ser utilizado como único embasamento para a glosa de créditos de tributos legitimamente apropriados pela Recorrente. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que que o erro do contribuinte não pode ser o único elemento para fundamentar o lançamento, especialmente diante da inexistência de prejuízo ao fisco e da inocorrência de fraude, o que se aplica analogamente ao caso dos autos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. NOTA FISCAL. ERRO FORMAL. PREJUÍZO AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. AUSÊNCIA. IDONEIDADE DO DOCUMENTO. 1. Uma simples falha no preenchimento da nota fiscal que não acarrete prejuízo ao erário, nem a intenção de fraudar o Fisco , não pode acarretar o reconhecimento de sua inidoneidade para justificar a realização de outro lançamento pelos fiscais da Fazenda. 2. Recurso especial desprovido. (STJ, REsp 1.089.785, Primeira Turma, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe 11/03/09) TRIBUTÁRIO. ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. FATO INCONTROVERSO. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. 1. Em matéria tributária deve ser observado o princípio da verdade real. 2. Não havendo controvérsia de fato, no sentido de que efetivamente não ocorreu a hipótese de incidência do tributo, deve ser admitida a retificação do erro pelo contribuinte, até mesmo para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. (TRF 4, APELREEX 12089 RS 2002.71.08.0120892, Primeira Turma, Relator Desembargador Jorge Antonio Maurique, DJe 22/09/09) Desse modo, considerando que o erro na indicação do CFOP não tem o condão de desnaturar os insumos adquiridos pela Recorrente, deve ser reconhecido o correspondente direito creditório relativamente aos bens em questão que mantêm inerência, pertinência e relevância para a atividade realizada pela Recorrente. A mesma sorte, todavia, Fl. 6493DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 114 15 não se estende as rubricas indicadas pelo contribuinte como embalagem, produto de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima e indústria tendo em vista que não foram apresentados nos autos elementos suficientes para concluir se eles efetivamente são empregados no processo produtivo da Recorrente. Conclusão em sentido contrário demandaria maiores esclarecimentos, o que não foi satisfatoriamente feito pela Recorrente. Cabe, ainda, analisar o direito ao crédito em relação ao frete, que compreende tanto o transporte de insumos bem como de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente. De acordo com a fiscalização, o creditamento sobre despesas com frete somente alcançaria os fretes para a venda. Esse entendimento foi acompanhado pela autoridade recorrida que manteve a glosa desses valores. Ocorre que referidas autoridades olvidaramse que o frete a que se refere o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04, aplicável à contribuição ao PIS em face das disposições do art. 15 deste mesmo diploma legal, é apenas o frete da operação de venda, e não o frete na compra de insumos ou entre os estabelecimentos empresarias da pessoa jurídica. Por conta disso, a vigência temporal indicada pelas decisões proferidas nesse processo, jamais poderia servir de fundamento seja para o deferimento ou indeferimento do presente crédito, haja vista que a norma em questão analisa situação diversa da pleiteada pela Recorrente. De fato, entendo que tais fretes, quando prestados por pessoas jurídicas residente no Brasil, dão direito ao crédito dessas contribuições. Essa conclusão decorre da própria inteligência do art. 3º, II, seja da Lei nº 10.637/02 seja da Lei nº 10.833/04. Afinal, do meu ponto de vista, o frete na compra insumos bem como de transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica inserese no conceito serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a que se refere o art. 3º, II, das referidas leis. Como bem pontuado pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, ao proferir voto vencedor no Acórdão nº 3401002.075 (Processo nº 16366.003307/200738), o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 apenas ampliou o rol dos fretes que dão direito ao crédito, haja vista que o frete de insumos e produtos acabados (vendidos ou não) já estavam contemplados pelo inciso II. Nas suas palavras: A norma introduzida pelo inc. IX, acima, segundo a qual a armazenagem e o frete contratados junto a pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base no inciso II (mais antigo, quando considerada a não cumulatividade do PIS, em vigor desde dezembro de 2002) os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e produtos acabados (vendidos ou não), já davam direito a crédito. O que importa averiguar, a meu ver, é se o transporte é de insumos, de produtos acabados (não vendidos) ou de produtos já vendidos. Fosse transporte de imobilizado, de material de escritório ou de trabalhadores do setor administrativo, por exemplo, não devia ser admitido crédito. Mas, como informado Fl. 6494DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 115 16 no voto vencido, a situação destes autos é de insumos e produtos acabados. Em três momentos – um inicial, quando transportados insumos; outro intermediário, quando transportados produtos acabados, mas não vendidos; e um final, quando entregues produtos vendidos – o crédito deve ser concedido, seja pela norma extraída do inc. II (transporte entre os estabelecimentos da mesma empresa, inclusive antes de 1º fevereiro de 2004 na hipótese do PIS) ou pela do inc. IX (entrega dos produtos vendidos aos adquirentes, nesta hipótese a partir de 1º de fevereiro de 2004, já que introduzida norma específica com vigência a partir dessa data, a mesma que contemplou os custos com armazenagem). Por conta disso, entendo que o frete na aquisição de insumos e no transporte de produtos acabados dão direito ao crédito de Contribuição ao PIS e da COFINS. Crédito presumido – direito ao ressarcimento/compensação Por fim, passase à análise do direito à compensação/ressarcimento do crédito presumido. Com efeito, sustenta a fiscalização, no que foi seguida pela DRJ, existir vedação para compensar/ressarcir os créditos presumidos da agroindústria (art. 8º, § 6°, da Lei n° 10.925/04), em face do que prescreve o Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 15/2005. Pois bem. A Lei n° 10.925/04 se resumiu a assegurar o crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Já o ADI SRF nº 15/2005 prescreveu que o valor do crédito presumido referido no art. 1° não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, art. 5º, § 1°, inciso II, e § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, art. 6, § 1°, inciso 11, e § 2°, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Ocorre que, como regra, o veículo introdutor de comandos inaugurais e autônomos no sistema de direito positivo há de ser sempre a lei em sentido formal (artigo 5°, II, CF). Essa máxima, conquista do Estado Democrático de Direito, afasta a possibilidade de se cogitar o estabelecimento de direitos e deveres senão em decorrência da manifestação de vontade do povo, concretizada em comandos legais. Ao dispor sobre o princípio da legalidade, nos ensina Paulo de Barros Carvalho: Também explícito em nosso sistema — art. 5.º, II — esse princípio assume o papel de absoluta preponderância. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Efunde sua influência por todas as províncias do direito positivo brasileiro, não sendo possível pensar no surgimento de direitos subjetivos e de deveres correlatos sem que a lei os estipule. Como o objetivo primordial do direito é normar a conduta, e ele o faz criando direitos e deveres correlativos, a relevância desse cânone transcende qualquer argumentação que pretenda enaltecêlo. A diretriz da legalidade Fl. 6495DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 116 17 está naquela segunda acepção, isto é, a de norma jurídica de posição privilegiada que estipula limites objetivos. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 199) Neste ponto, é importante esclarecer que para este doutrinador os Atos Declaratórios Interpretativos se amoldam à definição do conceito “legislação tributária”, presente no art. 96, do CTN. A despeito disso, não se lhes autoriza introduzir direitos ou deveres novos no sistema, vez que se trata de veículos normativos secundários, estando por esta razão, subordinados ao que estabelece a lei. Sua função se resume a complementar as leis, não contrariálas ou substituílas. Esta conclusão pode ser extraída do próprio trecho transcrito na decisão recorrida: Tirante as leis, os decretos e, entre as normas complementares, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas e as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa (art. 100, I e II), que são instrumentos introdutórios, primários ou secundários, no ordenamento positivo brasileiro, todos os outros, tratados e convenções internacionais, bem como as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e os convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, esses últimos, na qualidade de normas complementares, são vazios de força jurídica vinculante, não integrando o complexo normativo. Ciente das confusões interpretativas que a redação do art. 96 do CTN poderia causar, por colocar lado a lado, instrumentos introdutórios primários e secundários, acrescenta Paulo de Barros Carvalho: Insere o legislador, no mesmo quadro, indiscriminadamente, atos normativos inaugurais, como as leis, ao lado dos tratados e convenções internacionais, que valem na ordem jurídica interna se e somente se acolhidos no conteúdo de decreto legislativo, como tivemos oportunidade de ver. Coloca, ombro a ombro, instrumentos introdutórios primários com entidades que não podem ser tidas sequer como instrumentos primários de introdução de regras tributárias. E, como se não bastasse, faz referência expressa às normas complementares e, dentro delas, às práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e aos convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 109) A jurisprudência dos Tribunais Superiores também é pacífica no sentido de que as normas regulamentares, como é o caso dos Atos Declaratórios Interpretativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não podem inovar: LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESNECESSIDADE DE DECRETO REGULAMENTADOR. AUTOAPLICABILIDADE. VIGÊNCIA. ... 3. No que concerne à contribuição sobre a folha de salários, a Lei 8.212/91 não tem sua eficácia subordinada à vigência de Fl. 6496DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 117 18 Decreto Regulamentador, já que trouxe a definição de todos os aspectos do fato gerador. Qualquer inovação trazida pela norma regulamentar, importaria violação ao princípio da legalidade estrita. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. (REsp 470198 / RS; Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 31.05.04, p. 180 – destacouse) Tecidas essas considerações e tendo em vista Ato Declaratório Interpretativo não é lei nem pode ser a ela equiparada, não merece acolhida a alegação da decisão recorrida no sentido de que a disposição do art. 2º da ADI SRF nº 15/05 poderia servir de fundamento jurídico para a não homologação da compensação declarada. Ademais, mesmo que se ultrapasse o presente vício, o que se admite apenas em esforço argumentativo, é importante registrar que, especificamente em relação às operações com exportação não podem prevalecer as restrições à utilização do crédito estabelecidas pela ADI SRF nº 15/05. E a razão desta assertiva é singela, mas decisiva: os parágrafos do art. 8º da Lei 10.925, introduzidos pelas MP 552 e 556 deixaram claro que está correta a interpretação da lei ao estabeleceram amplo direito à utilização do crédito para o exportador: § 8º É vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições. § 9º O disposto no § 8º não se aplica às exportações de mercadorias para o exterior. E nem poderia ser diferente, pois o exportador, como regra geral, não apura PIS e COFINS a pagar tendo em vista a imunidade para as operações de venda para o exterior. Assim vedar a utilização do crédito via compensação ou ressarcimento equivaleria, em muitos casos, a excluir as únicas formas de aproveitado do crédito de PIS e COFINS pelas empresas exportadoras, o que não se deve admitir. Dito isto, concluo que deve ser reconhecido o direito de a Recorrente proceder à compensação do crédito presumido da agroindústria, cabendo à DRF proceder à homologação da compensação até o limite do crédito. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente proceder à compensação do crédito presumido da agroindústria, cabendo à DRF proceder à homologação da compensação até o limite do crédito. No que se refere ao crédito básico, relativamente à parte objeto de recurso, manter a glosa de créditos exclusivamente em relação aos produtos de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima, embalagem e indústria. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Fl. 6497DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 118 19 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, no recurso em apreço, a recorrente contesta a glosa (i) dos créditos relativos às despesas com frete do transporte de matérias primas entre os estabelecimentos industriais da própria recorrente e (ii) dos créditos relativos às despesas com frete do transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor. Em relação à primeira questão, não houve divergência em relação ao voto proferido pela Relatora, em que propugnou o restabelecimento do valor do crédito glosado. Apenas em relação a segunda questão, houve divergência, sagrandose vencedora a tese que manteve a glosa dos créditos calculados sobre as despesas com fretes relativas ao transporte dos produtos acabados entre estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor. Em relação a esse ponto, com a devida vênia da i. Relatora, a meu ver, a melhor interpretação está com o órgão de julgamento de primeiro grau, que manteve a glosa dos referidos créditos com base no argumento de que as despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não integravam o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda. Por outro lado, alegou recorrente que no art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, inexistia vedação ao aproveitamento dos créditos sobre serviços onerosos de transportes, nas operações de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, entendendo, assim, que tais serviços de transportes estão inclusos no conceito de insumos de produção de mercadorias destinadas à venda. Como visto a controvérsia cingese ao conceito de insumo. Nesse particular, a meu ver, não assiste razão à recorrente. O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, limita a possibilidade de crédito apenas às aquisições de bens e serviços utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens. No caso, como se trata de estabelecimento industrial, são considerados insumos apenas às aquisições de bens e serviços utilizados no processo de produção dos bens de venda da recorrente. Assim, ficam excluídos do referido conceito os custos e as despesas realizadas após a conclusão do processo de fabricação. Em decorrência dessa conclusão, temse que apenas os custos e as despesas realizadas após a conclusão do processo de fabricação, expressa e taxativamente (numerus clausus), relacionadas nos incisos III a X da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcritos, permitem a apropriação dos créditos em apreço: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 6498DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.001924/200882 Acórdão n.º 3102002.043 S3C1T2 Fl. 119 20 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) [...] (grifos não originais) Da leitura dos referidos preceitos legais, verificase que apenas as despesas com frete atinentes à operação de venda foi contemplada com a permissão de apropriação de crédito, logo, por falta de previsão legal, ficam excluídas as despesas com frete relativas ao transporte dos produtos acabados realizado entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor, operação que, obviamente, não se enquadra no conceito de operação de venda. Por todo o exposto, negase PROVIMENTO ao recurso em relação à glosa dos créditos calculados sobre o valor das despesas com transporte dos produtos acabados do estabelecimento industrial para o estabelecimento distribuidor. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 6499DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13828.000141/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2000
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO.
O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento.
RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3201-001.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2000 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 8. 00 01 41 /2 00 6- 44 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, de fls. 1/5, no valor de R$ 39.872,17, do período de fevereiro de 1999 a outubro de 2000. A fundamentação do pedido seria a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do art. 3º, § 1º, da Lei º 9.718, de 1998, que ampliou a base de cálculo das contribuições. Considerando ter efetuado os recolhimentos de acordo com tal dispositivo, o valor correspondente à incidência sobre receitas outras que não as decorrentes da venda de bens e serviços seriam indevidos. A DRF de Bauru (SP), por meio do despacho decisório de fls. 131/138, indeferiu a solicitação da contribuinte, em função da decadência do direito, por ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos entre as datas dos recolhimentos e a do pedido. Considerou também que os recolhimentos teriam obedecido à legislação em vigor, e que a declaração de inconstitucionalidade não aproveita à requerente. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 140/146, alegando que o prazo para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação é de dez anos (tese dos cinco mais cinco), o que é pacífico na jurisprudência. Transcreveu julgados de Cortes Federais e dos extintos Conselhos de Contribuintes. Argumentou ainda que o disposto no Ato Declaratório 96, de 1999, não discrepa de seu entendimento, pois acolhe como marco inicial do prazo prescricional de 5 anos a data da extinção do crédito tributário, o que só ocorre com a homologação tácita após cinco anos do pagamento. No tocante à Lei Complementar nº 118, disse não ser aplicável a nova orientação nela contida a pagamentos anteriores à sua vigência. Acrescentou que, em se tratando de tributo recolhido com base em norma declarada inconstitucional, o prazo para restituição só teria início com a publicação da Resolução do Senado que retire do sistema a norma que fundamentou a exigência tributária, o que ainda sequer ocorreu. Transcreveu novamente jurisprudência dos Conselhos. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13828.000141/200644 Acórdão n.º 3201001.362 S3C2T1 Fl. 183 3 Por fim, quanto ao alcance da declaração de inconstitucionalidade, suscitou sua aplicação pela Administração conforme o art. 1º do Decreto nº 2.346, de 1997, por se tratar de entendimento pacificado. A instância a quo houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1435.025, de 25/08/2011, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/2000 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário cabível, de forma tempestiva, reiterando, em síntese, os argumentos de defesa suscitados em sua peça impugnatória. O processo foi digitalizado, distribuído e encaminhado a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. A discussão travada no presente processo administrativo diz respeito à prescrição do direito de a empresa pleitear a restituição de indébito fiscal, bem assim a liquidez e certeza do valor pleiteado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 1 Prescrição Até a edição da Lei Complementar nº 118, de 2005, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição de indébito referente a tributo sujeito a lançamento por homologação iniciavase a partir da data em que ocorresse a homologação tácita do pagamento antecipado, ou seja, quando da extinção do crédito tributário. Contudo, quando essa legislação entrou em vigor, o referido prazo passou a ser contado da data do pagamento indevido. Esse é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal, a saber: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Grifouse) Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13828.000141/200644 Acórdão n.º 3201001.362 S3C2T1 Fl. 184 5 (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Convém ressaltar, por oportuno, que as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal, proferidas sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil, devem ser observadas pelos conselheiros do CARF, nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. Voltando para o caso concreto, temse que o pedido de restituição foi formalizado depois do início da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, mais precisamente em 30/08/2006. Dessa forma, aplicandose a jurisprudência ora colacionada, resta claro que a contagem do prazo prescricional deve observar as disposições do art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. Considerando, pois, que o pagamento indevido referese ao PIS das competências de fevereiro de 1999 a outubro de 2000, os pedidos de restituição deveriam ter sido formalizados de março de 2004 a novembro de 2005, ou seja, cinco anos depois da efetivação dos pagamentos indevidos. Portanto, operouse a prescrição do direito de a empresa pleitear a restituição dos indébitos alegados. 2 Liquidez e certeza como prérequisito do crédito a ser restituído Tendo em vista que o pedido de restituição não pode ser analisado, por força de terse operado a prescrição, a análise da liquidez e certeza do crédito alegado tornase prejudicada. 3 Conclusão Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001720/2003-09
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997 e 1998
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO-CSLL. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DO DÉBITO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, uma vez ter a contribuinte depositado o montante integral do débito por ocasião de sua contestação na via Judicial.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.263
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 e 1998 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO-CSLL. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DO DÉBITO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, uma vez ter a contribuinte depositado o montante integral do débito por ocasião de sua contestação na via Judicial. Recurso Extraordinário Negado.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DO DÉBITO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, uma vez ter a contribuinte depositado o montante integral do débito por ocasião de sua contestação na via Judicial. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Claudemir Rodrigues Malaquias, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Assinado digitalmente Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Assinado digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 31/01/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffman, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Pedro Anan Junior. Relatório SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 26/05/2003 (AR de fl. 80), exigindolhe crédito tributário concernente a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, em relação aos anoscalendário 1997 e 1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 05/14, e demais documentos que instruem o processo. De conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 13/14, constituiuse sem exigibilidade e sem multa de ofício, através do auto de infração, a CSLL devida de 1997 a 1998, que deixou de ser recolhida em face de ação judicial, com depósito e o valor compensado em 2000, com multa e exigibilidade.” Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela Procuradoria contra Acórdão nº 10808.615, da então 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência suscitada, a Egrégia 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 11/08/2008, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº CSRF/0105.930, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO — CSLL Exercício: 1998, 1999 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Em se tratando de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, o poder Fl. 445DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.001720/200309 Acórdão n.º 9900000.263 CSRFPL Fl. 415 3 dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 150, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo. Recurso especial negado.” Ainda irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 313/321, com arrimo no artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, eis que o Acórdão atacado, ao aplicar ao caso a decadência insculpida no artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, independentemente da ocorrência de antecipação de pagamento, divergiu de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº CSRF/0203.331, ora adotado como paradigma. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, ressaltando que somente se discute a CSLL, insurgese contra o Acórdão guerreado, sustentando que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. No caso vertente, assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, não se cogitando em decadência no caso sub examine. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão nº CSRF/02 03.331, consoante se positiva do Despacho CSRF nº 095/2009, às fls. 326/328. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário do Procurador, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 372/380, corroborando as razões de decidir Fl. 446DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, ressaltando a ocorrência de antecipação de pagamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso, pretende a recorrente a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outra decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº CSRF/02 03.331, ora adotado como paradigma ,em relação à contagem do prazo decadencial, mormente quando não se constata a ocorrência da antecipação de pagamento. A fazer prevalecer seu entendimento, aduz, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Não obstante as substanciosas razões da recorrente, seu insurgimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições destinadas a Seguridade Social, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.001720/200309 Acórdão n.º 9900000.263 CSRFPL Fl. 416 5 I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Inicialmente, o núcleo da questão residia exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deveria prevalecer para as contribuições destinadas a Seguridade Social, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições destinadas a Seguridade Social, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições destinadas a Seguridade Social sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso Fl. 449DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.001720/200309 Acórdão n.º 9900000.263 CSRFPL Fl. 417 7 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em dezembro de 2009. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições destinadas a Seguridade Social devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de Fl. 451DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 16327.001720/200309 Acórdão n.º 9900000.263 CSRFPL Fl. 418 9 pagamento, tendo em vista a existência do depósito do montante integral do débito e outros recolhimentos, promovidos pela contribuinte por ocasião da contestação judicial das contribuições sociais em epígrafe, fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. É o que se extrai do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 13/14, transcrito no Acórdão da 8a Câmara do 1o Conselho, às fls. 248/256. Assim, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 26/05/2003, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de RecebimentoAR, às fls. 80, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997 (anocalendário 1997), fora, portanto, do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, ratificado pela 1ª Turma da CSRF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Assinado digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 452DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalm ente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/02/2012 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10845.001239/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
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Numero da decisão: 3202-001.126
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Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/02/2005 a 28/02/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56A, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56A, §1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. LIMITAÇÃO A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO.SÚMULA CARF Nº 2. Ao teor da Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e conhecer em parte o recurso voluntário. Na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .0 01 23 9/ 20 05 -3 1 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.001239/200531 Resolução nº 3202001.126 S3C2T2 Fl. 336 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Declaração de Compensação que pretende compensar débitos tributários, mediante a utilização de créditos da Contribuição ao PIS/Pasep nãocumulativa. Após procedimento de auditoria contábilfiscal dos créditos utilizados, a autoridade jurisdicional não homologou parcialmente a compensação por meio do Despacho Decisório DRF/STS nº 43. De acordo com o mencionado Despacho Decisório, embora os créditos sejam procedentes, foram homologadas somente as compensações com aqueles créditos oriundos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, vinculados à exportação. Isso porque, na ótica da DRF, o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não autorizaria a compensação do crédito presumido com tributos de outras espécies. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, pois, o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, apenas, poderia ser utilizado para compensar a própria contribuição, devendo, por isso, ser mantida a glosa da compensação. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário reiterando suas razões para que seja homologada a compensação pretendida, com amparo no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, combinado com o art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e o art. 195, § 12, da CF/88. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.001239/200531 Resolução nº 3202001.126 S3C2T2 Fl. 337 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A matéria em discussão se restringe a possibilidade ou não de utilizar o saldo credor do crédito presumido, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e vinculado a receitas de exportação, para fins de ressarcimento e compensação de outros tributos federais, diversos da própria contribuição nãocumulativa. O ADI – Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 veda a utilização do saldo credor, desse incentivo fiscal, para pedir o ressarcimento proporcional às receitas de exportação, nos seguintes termos: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005 DOU de 26.12.2005 [...] Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, DE 2003, ART. 6º §1º, inciso II, e §2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Como se vê, para negar o ressarcimento ao crédito presumido, o ato interpretativo acima reproduzido fixa sua exegese no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, combinado com o art. 5º, §1º, inciso II, e §2º Lei nº 10.637/2002, cujas respectivas redações é importante ter em mente para o deslinde da controvérsia: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.001239/200531 Resolução nº 3202001.126 S3C2T2 Fl. 338 4 [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ao teor do art. 5º, §1º, da Lei nº 10.637/2002, os créditos apurados na forma do art. 3º do mesmo diploma legal, vinculados a receitas decorrentes de exportação, pode ser objeto de ressarcimento para posterior compensação ou devolução em dinheiro. A mesma referência aos créditos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 é utilizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, combinado com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. Leiase respectivamente: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.001239/200531 Resolução nº 3202001.126 S3C2T2 Fl. 339 5 Assim, considerando que o crédito presumido estaria previsto em artigo legal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) diverso do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, a autorização ao ressarcimento, prevista no art. 5º, §1º, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, não seria aplicável a esse tipo de benefício fiscal. O raciocínio é perfeito não fosse um detalhe, qual seja: o crédito presumido estava previsto, originalmente, nos § 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, tendo sido deslocado para o art. 8º da Lei 10.925/2004. Leiase a redação original: Art. 3º...... Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Dessa maneira, tendo mantido, no essencial, a redação do crédito presumido, antes previsto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, tudo indica que a Lei nº 10.925/2004, apenas objetivou melhorar a técnica legislativa, incluindoo num artigo específico. O indigitado deslocamento topográfico, a meu ver, não leva a conclusão, de que o saldo credor do crédito presumido deixou de ser ressarcível, depois do advento do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, quando vinculado a receitas de exportação, sujeitas a não incidência da contribuição, cujo ressarcimento é possível nos termos do art. 5º, §1º, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Isso porque, tal exegese conduziria a proibição, a proibição na prática, de aproveitamento do crédito presumido por empresas total ou predominantemente exportadoras, o que não encontra eco no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, combinado com o art. 5º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002 e com o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, pelas razões já expostas. A despeito de tudo isso, sobreveio o art. 56A da Lei nº 12.350/2010, criado pelo art. 10 da Lei nº 12.341 de 24.06.2011, fruto da conversão do art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 30.12.2010, que ratificou retroativamente a exegese antes propalada apenas pelo ADI SRF nº 15/2005. O art. 56A da Lei nº 12.350/2010 autoriza pedir o ressarcimento do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente a partir do primeiro mês subseqüente a sua publicação, isto é, a partir de 1º.01.2011 (data da publicação da medida provisória que o originou). Ipsis litteris: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10845.001239/200531 Resolução nº 3202001.126 S3C2T2 Fl. 340 6 § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; Diante da clareza do art. 56A, § 1º, I, da Lei nº 12.350/2010, e da inviabilidade examinar no âmbito administrativo (Súmula CARF nº 2) a sua inconstitucionalidade – no meu entender, inconstitucionalidade manifesta, pois se trata de norma jurídica interpretativa aplicada retroativamente , impede seja negado provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a impossibilidade de utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010 para realizar pedido de compensação no ano de 2005. Nesse sentido, decidiu nossa Turma, em voto da minha relatoria. Confirase: CRÉDITOS DE CONTRBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2010. ART. 56ª, § 1º, I, DA LEI Nº 12.350/2010. IMPOSSIBILIDADE ANTES DE 1º/11/2011. O art. 56A, §1º, I, da Lei nº 12.350/2010 impede a utilização do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2010, para fins de ressarcimento, antes de 1º/01/2011. [PAF Nº 11080.010259/200717. Acórdão nº 3202000.596 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária/3ª Seção. Julgado em 28/11/2012. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbiere, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido] Registro, por fim, que é inapropriado falarse em limitação a utilização do créditopresumido violaria o art. 195 § 12, da CF/88, que prevê a nãocumulatividade da COFINS, porquanto o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 trata de incentivo fiscal, e não de créditos decorrentes da nãocumulatividade. Ademais, ainda que se pense de forma diversa, a Súmula CARF nº 2 veda o conhecimento de matéria que implique na declaração de inconstitucionalidade pelo CARF. Forte nessa razões, CONHEÇO PARCIALMENTE o recurso voluntário; na parte conhecida, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10830.720473/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. REFLEXO EM PROCESSOS CONEXOS.
A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Havendo parcelamento das obrigações principais, não cabe discutir, quando do julgamento do auto de infração relativo à não apresentação da GFIP com dados correspondentes a fatos geradores, a existência dos fatos geradores já confessados.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. USO. POSSIBILIDADE.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, devido a confissão da existência de fatos geradores, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério Relator Ad Hoc.
(assinado digitalmente)
Mauro Jose Silva Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Mauro Jose Silva
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. REFLEXO EM PROCESSOS CONEXOS. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Havendo parcelamento das obrigações principais, não cabe discutir, quando do julgamento do auto de infração relativo à não apresentação da GFIP com dados correspondentes a fatos geradores, a existência dos fatos geradores já confessados. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. USO. POSSIBILIDADE. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, devido a confissão da existência de fatos geradores, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator Ad Hoc. (assinado digitalmente) Mauro Jose Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Mauro Jose Silva
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CONFISSÃO. REFLEXO EM PROCESSOS CONEXOS. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Havendo parcelamento das obrigações principais, não cabe discutir, quando do julgamento do auto de infração relativo à não apresentação da GFIP com dados correspondentes a fatos geradores, a existência dos fatos geradores já confessados. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. SELIC. JUROS MORATÓRIOS. USO. POSSIBILIDADE. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 73 /2 01 1- 79 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, devido a confissão da existência de fatos geradores, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 529DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 3 3 Adriano Gonzáles Silvério – Relator Ad Hoc. (assinado digitalmente) Mauro Jose Silva – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Mauro Jose Silva Fl. 530DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa GERMED FARMACEUTICA LTDA, outrora denominada NATURE’S PLUS (até a competência 08/2007), em face da decisão que julgou procedente o lançamento fiscal realizado. 2. De acordo com o relatório fiscal, o auto foi lavrado em razão de apresentação pela empresa de documentos “com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º (fls. 55), nos seguintes termos: 6. Com base na documentação apresentada e na análise da contabilidade, esta fiscalização verificou a existência de valores que integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, para os quais não havia comprovação de recolhimentos e que não foram informados em folha de pagamento nem incluídos em Gfip, sendo então lançados como crédito previdenciário. O lançamento foi feito conforme os levantamentos abaixo descritos: 6.1 L1 – GRATIFICAÇÃO FORA DA FOLHA – valores lançados na contabilidade na conta de despesa 4000070 – Gratificações e discriminados no ANEXO I. 6.2 L2 – FÉRIAS FORA DA FOLHA – a apuração se deu através da comparação dos valores informados em folha de pagamento, levandose em conta as rubricas incidentes (ANEXO II) e não incidentes (ANEXO III), bem como dos valores lançados na contabilidade nas contas 4000040 – Férias (ANEXO IV) e 2250020 – Provisão de Férias (ANEXO IVA), sendo o resultado final obtido conforme discriminado no ANEXO V. Nas competências não constantes deste anexo não se verificou diferença paga a maior. 6.3 L3 – SEGURO VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIOS valores lançados na contabilidade no período 01 a 12/2006, na conta de despesa 4155160 – (denominada “TESTE” no plano de contas). A apuração se deu através da comparação dos valores lançados na contabilidade (VALOR DO DÉBITO) e os descontos informados em folha de pagamento na rubrica 0238 – SEGURO VEÍCULO, sendo o resultado final obtido conforme discriminado no ANEXO VI. 6.4 L4 – ASSISTÊNCIA MÉDICA – a empresa tomou serviço das cooperativas médicas UNIMED CAMPINAS E ASSITÊNCIA MÉDICA SUL AMÉRICA conforme valores lançados na contabilidade na conta 2000004 – FORNECEDORES DE SERVIÇO, para os quais não foram apresentados comprovantes de recolhimento, nem houve declaração em GFIP. Observamos que esses valores foram contabilizados incorretamente uma vez que não foram lançados em conta de despesa. Nos termos artigo 22, inc. IV da Lei nº 8.212/91 (acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26/11/99), é de“quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. Considerando que o plano de saúde padrão fornecido pelas prestadoras assegura o atendimento completo em consultório ou hospital, a base de cálculo das Fl. 531DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 4 5 contribuições foi aferida em trinta por cento sobre os valores apurados na contabilidade conforme discriminado no ANEXO VII, nos termos do artigo 291 da Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005. 7. Com base no contrato de prestação de serviço (ANEXO XVII) e nos extratos de premiação emitidos (modelos nos ANEXOS XA e XB) e fornecidos pela empresa Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda. à Receita Federal do Brasil e repassados a esta fiscalização, foram identificados valores pagos a empregados e contribuintes individuais em cartões de premiação utilizados para aquisição de produtos ou saques em caixas eletrônicos. Esses valores não integram a folha de pagamento e não foram declarados em GFIP e diante do não recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre tais fatos geradores, foram apurados os seguintes créditos identificados pelos levantamentos a seguir: 7.1 L5 – INFINITI CARTÃO EMPREGADOS – a partir dos elementos fornecidos foram identificados através do CPF os pagamentos efetuados aos empregados, bem como, através dos dados da folha de pagamentos, foram individualizadas as contribuições dos segurados, conforme discriminado nos ANEXOS VIII (base da contribuição patronal) e X (desconto dos segurados). 7.2 L6 e L8 INFINITI CARTÃO CONTRIBUINTES INDIVDUAIS – os pagamentos efetuados a pessoas físicas não empregados foram considerados como remunerações a contribuintes individuais e estão discriminados no ANEXO IX. Os valores pagos nas competência 05 a 07/2006 foram lançados no levantamento L8 por ensejarem a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória mais benéfica ao contribuinte no CFL 68. 8. L7 – RANO DO BRASIL – neste levantamento foram apurados créditos referentes às contribuições devidas em virtude da remuneração do segurado RONALDO HEILBUT, considerado como empregado pela fiscalização, no período de 01/2006 a 12/2007, pelos motivos abaixo mencionados, salientandose que em ação fiscal anterior, no período de 03/2003 a 12/2005, o mesmo já havia sido caracterizado como empregado: 8.1 Analisandose a contabilidade da empresa, foram identificados diversos lançamentos para o fornecedor RANO DO BRASIL CONSULTORES LTDA no período entre 01/2006 e 12/2007. Encontramse na contabilidade, além das notas fiscais de serviços de consultoria emitidas pela empresa Rano do Brasil Consultores Ltda, lançamentos em nome do Sr. RONALDO HEILBUT referentes a reembolsos de despesas/viagens e descontos referentes a multas de trânsito, cartão de visita, autorização de baixa de valores (ANEXO XII). (...) 10. Representações Fiscais para Fins Penais dos fatos apurados concluiu se que, ao deixar de incluir em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias, a empresa incorreu, em tese, em crime de sonegação fiscal, previsto no Art. 337 A, Inciso III do DecretoLei nº 2.848, de 1940, com a redação dada pela Lei nº 9.983, de 14/07/00, bem como, em Crime Contra Ordem Tributária previsto nos artigos 1º e 2º Lei nº. 8.137, de 27/12/1990 no que se refere a contribuições devidas a Terceiros. Elaboradas as competentes Representações Fiscais para Fins Penais que deverão ser encaminhadas ao Ministério Público Federal depois de Fl. 532DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito previdenciário. 11.Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA nos termos Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (D.O.U de 04/12/20 08), convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009 (D.O.U de 28/05/2009), foram feitas as verificações da aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte (ANEXO XVI). Para as competências 05 a 07/2006, no levantamento L8, foi emitido o Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA, no Código de Fundamento Legal 68 (GFIP) “Apresentar a empresa o documento a que se refere o art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Os relatórios referentes ao AIOA são apresentados a seguir: (...) 3. Após a contribuinte apresentar sua impugnação, a instância a quo julgou procedente o lançamento fiscal, tendo o acórdão vergastado restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: ARGUIÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDAE DE LEI. Não é de competência do julgador administrativo decidir sobre constitucionalidade de lei. COOPERATIVAS MÉDICAS. As empresas que contratam cooperativas de trabalho para a prestação de serviços por segurados contribuintes individuais devem recolher a contribuição prevista no inciso IV do artigo 22 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre as gueltas, valores pagos pela indústria a funcionários do setor terciário a fim de incrementar suas vendas. Incide contribuição previdenciária sobre o ganho eventual percebido por contribuinte individual. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. O Fisco Federal é competente para fixar a relação previdenciária entre segurados e empresas. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária, nos termos do artigo 32, inciso IV e § 5º, da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991. DOLO. DECADÊNCIA. Constatada a conduta dolosa do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo inciso I do artigo 173 do Códito Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1996. JUNTADA DE PROVAS. Para que seja autorizada a juntada de provas após o decurso do prazo para oferecimento da impugnação, a notificada dve demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 5 7 PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Devese indeferir o pedido por realização de perícia ou diligència quando a impugnante não demonstra o que pretende elucidar com a sua realização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (fls. 416 e 417) 4. No intuito de modificar a decisão que julgou procedente o lançamento, contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho cuja síntese descrevo adiante: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração ante à ausência de obrigatoriedade de obrigações acessórias registradas no auto de infração; b) o simples fato de ocorrer provisionamento de valores não significa dizer verdadeiramente serão fatos geradores sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, sendo inviável tributação por presunção; c) ao confrontar os valores que foram descontados em folha com os valores lançados na contabilidade, no que se refere ao seguro dos veículos dos funcionários, verificou se uma diferença que é justificável devido ao fato de que alguns funcionários gozarem do benefício de custeio de 100%, de modo que para alguns não há desconto em folha; d) os prêmios eventualmente pagos aos empregados das empresas contratantes e a terceiros não se confundem com os salários e/ou remunerações pagas pelo serviço prestado, como também não se enquadram no conceito de saláriocontribuição para fins de tributação previdenciária; e) admitir que o auditor fiscal possui competência para descaracterizar eventual relação entre pessoas jurídicas e, concomitantemente, declarar a existência de vínculo empregatício entre as partes, é admitir que este possa emitir juízo de valor sobre constatações fáticas de modo unicamente subjetivo, em completa arbitrariedade; f) é impossível a incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados à pessoas jurídicas, dessa forma, não há que se falar em trabalhador avulso/contribuinte individual, uma vez que as relações resultantes da campanha de marketing de incentivo para terceiros limitase à pessoa jurídica, de modo que não há que se falar em vínculo entre os balconistas e vendedores e a empresa ora recorrente; g) os prêmios de incentivo, concedidos em função de campanhas motivacionais, não apresentam natureza salarial, conforme posição firme da jurisprudência e da doutrina, até mesmo porque não apresentam caráter remuneratório do trabalho, assim, não se pode cogitar em incidência de contribuições previdenciárias sobre tais valores; h) a multa aplicada possui caráter confiscatório e restritivo, sendo arbitrária a sua aplicação, pois inexistiu prejuízo ou dolo; i) a SELIC não pode prevalecer com índice de correção monetária e de juros de mora, visto ser reflexo da variação do curso primário da capitalização dos depósitos e prazo Fl. 534DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 fixo, não possuindo o condão de refletir a variação do poder aquisitivo da moeda e o ressarcimento pelo inadimplemento no tempo certo pelo contribuinte; j) por fim, alega que a empresa apresentou todos os documentos e informações que dispunha, juntando tempestivamente tudo que lhe foi solicitado e foi possível apresentar e demonstrar, assim, resta demonstrada a sua colaboração com a fiscalização. 5. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação por este Conselho que converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução 2301000.230 (fls. 478/483), para que o fisco verificasse eventual pedido de desistência do contribuinte recorrente com a respectiva inclusão do débito em questão ao Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), pela Lei 11.941/2009. 6. Em atendimento à resolução mencionada, a Receita Federal (fls. 487 e 488) informou, após consulta ao sistema de parcelamento, o débito referente a este processo é relativo ao AI 37.284.3549 e não foi incluso ao programa de parcelamento: 1. Em atendimento ao solicitado nas fls.483, informamos o que segue: 2. O processo 10.830.720473/201179 foi consolidado com os autos 37.284.3514, 37.284. 37.284.3522, 37.284.3530, 37.284.3549. 3. Conforme consulta ao sistema de parcelamento, tela anexa, verificamos que os autos finais 3514, 3522 e 3530, foram incluídos em parcelamento especial em 11/07/2011. 4. O recurso voluntário de que trata a presente diligência, conforme fls. 451, referese ao auto 37.284.3549 que não foi incluído em parcelamento. 5. Sugerimos o envio do presente ao SECAT para, se necessário, complementar as informações. 7. Intimada do resultado da diligência, a contribuinte recorrente não se manifestou a respeito, voltando os presente autos para análise e julgamento por esta Turma. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Ad Hoc DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Tendo em vista que houve pedido de desistência do presente processo administrativo, nos termos do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 02/2011 (fls. 447). O referido artigo e as respectivas redações alteradas têm o seguinte teor: Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2, de 3 de fevereiro de 2011 Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, Fl. 535DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 6 9 ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º O sujeito passivo deverá selecionar débito com exigibilidade suspensa no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de cada modalidade, ainda que a desistência e a renúncia de que trata o caput sejam: I formalizadas pelo sujeito passivo após a apresentação das informações necessárias à consolidação; ou II analisadas e acatadas pelo órgão ou autoridade competente, administrativo ou judicial, em momento posterior à apresentação das informações necessárias à consolidação. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009 Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria.(Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) § 1º No caso em que o sujeito passivo possuir ação judicial em curso, na qual requer o restabelecimento de sua opção ou a sua reinclusão em outros parcelamentos, deverá desistir da respectiva ação judicial e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se funda a referida ação, até 30 (trinta) dias após a data de ciência do deferimento do requerimento do parcelamento ou da data do pagamento à vista. (Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) § 2º No caso de desistência de ações judiciais, o sujeito passivo poderá ser intimado, a qualquer tempo, a comprovar que protocolou tempestivamente requerimento de extinção dos processos, com resolução do mérito, nos termos do inciso V do art. 269 do CPC, mediante apresentação da 2ª (segunda) via da correspondente petição de desistência ou de certidão do Cartório que ateste a situação das respectivas ações. § 3º A desistência de impugnação ou recurso administrativos deverá ser efetuada mediante petição dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento ou ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o caso, devidamente protocolada na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, no prazo previsto no caput, na forma do Anexo I. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 § 4º Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativos interpostos ou de ação judicial, se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos na ação judicial ou no processo administrativo. § 5º Havendo desistência parcial de ações judiciais, o sujeito passivo deverá apresentar, nas unidades da PGFN ou da RFB, conforme o órgão responsável pela administração do débito, 2ª (segunda) via da correspondente petição de desistência, no prazo previsto no caput, e discriminar com exatidão os períodos de apuração e os débitos objeto da desistência parcial. § 6º Caso exista depósito vinculado à ação judicial, à impugnação ou ao recurso administrativo, o sujeito passivo deverá requerer a sua conversão em renda da União ou transformação em pagamento definitivo, na forma definida no art. 32. 2. Tendo em vista o pedido de desistência em razão de possível inclusão no Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), pela Lei 11.941/2009, foi convertido o julgamento em diligência (fls. 478/483) para verificar se o débito destes autos estaria incluso no REFIS. 3. Em resposta, o fisco informou (fls. 487 e 488) que o débito em questão não está incluso no programa, permanecendo o débito em discussão administrativa. 4. Assim, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende a todos os pressupostos de admissibilidade. DA GRATIFICAÇÃO E DAS FÉRIAS FORA DA FOLHA 5. Narra o relatório fiscal que, ainda com base na documentação entregue pelo contribuinte em comparação com a contabilidade, verificouse a existência de valores que integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, para os quais não havia comprovação de recolhimento , sequer constaram em folha de pagamento nem incluídas em GFIP. No caso das gratificações e das férias, a apuração deuse do seguinte modo: 6.1 L1 – GRATIFICAÇÃO FORA DA FOLHA – valores lançados na contabilidade na conta de despesa 4000070 – Gratificações e discriminados no Anexo I. 6.2 L2 – FÉRIAS FORA DA FOLHA – a apuração se deu através da comparação dos valores informados em folha de pagamento, levandose em conta as rubricas incidentes (Anexo II) e não incidentes (ANEXO III), bem como dos valores lançados na contabilidade nas contas 4000040 – Férias (ANEXO iv) e 2250020 – Provisão de férias (ANEXO IV – A), sendo o resultado final obtido conforme discrinado no ANEXO V. Nas competências não constantes deste anexo não se verificou diferença paga a maior. 6. A contribuinte recorrente, por sua vez, arguiu a impossibilidade de se tributar, pois as provisões representam estimativas de perda de ativos ou de obrigações para com terceiros. Tais eventos seriam, portanto não podem ser consideradas como hipótese de incidência tributária. 7. Bem, segundo o Código Tributário Nacional (CTN), artigo 113, caput e parágrafo 1º, há a definição de o que seria obrigação tributária principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória Fl. 537DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 7 11 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 8. O art. 114 do mesmo diploma, por sua vez, fala que o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Assim, se a contabilidade, por questão de organização da estrutura empresarial, elaborou estimativas de despesas, não significa dizer que serão integralmente realizadas, a não ser que ocorra o respectivo não se pode tributar o que ainda não ocorreu no mundo fato jurídico. Certamente o auditor fiscal não poderia valerse de meras provisionamentos contábeis para lançar o auto de infração. 9. Dessa forma, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte, com base nas normas legais transcritas bem como dos elementos que instruem o processo, porquanto o auditor fiscal não poderia ter lavrado o auto de infração comparandose a contabilidade efetiva com a provisionada, uma vez que a provisionada, como o próprio nome e função dizem, INCENTIVE HOUSE 10. O pagamento por intermédio de cartão premiação aos empregados e contribuintes individuais, por meio da empresa INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA., a jurisprudência deste Colegiado é pacífica no sentido de entender que se trata de fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseqüência, consubstancia motivo suficiente para determinar a lavratura do auto de infração, visto que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes a todas as contribuições: ARTIGO 32, II DA LEI Nº 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, "a" DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS.A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei nº 8.212/91 c/c artigo 283, II, "h" do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO, PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é Cato gerador de contribuição providenciaria. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 (ACÓRDÃO Nº 230200.328; Recurso nº: 145.939; Relatora Liege Lacroix Thomasi) Da Legislação Previdenciária 11. A legislação previdenciária também não foge às regras acima delineadas. Segundo dispõe a Lei 8.212/91, em seu artigo 28, inciso I, constitui salário de contribuição “(...) a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” (g.n.) 12. A própria Lei de Organização da Seguridade Social dispõe ainda que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais, conforme segue abaixo: “Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... e) as importâncias: ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;” (g.n.) 13. Desse modo, muito embora esta Câmara já tenha se manifestado, em julgamentos anteriores, no sentido de que os valores pagos por meio de cartões de premiação são considerados salário e sobre eles há a incidência de contribuição (acórdão 20501475 de minha relatoria), prefiro avançar na discussão do tema para firmar posição no sentido de que, restando demonstrado que as premiações ocorriam de forma regular, em pagamentos eventuais e que havia regras claras e objetivas disponíveis para o recebimento da verba, não há incidência de contribuição social previdenciária. 14. Embora discorde do posicionamento, porque entendo que é possível a incidência de tributo sobre os valores em comento quanto se revestirem de caráter salarial, vale ressaltar o que assevera Elidie P. Bifano e Luciana Aguiar na obra “marketing de incentivo: uma visão legal”, p. 43, in verbis: “(...) em nenhuma hipótese a vantagem ou prêmio recebidos em virtude de programas de incentivos comporiam base de cálculo da contribuição previdenciária posto que: i) o prêmio não tem natureza de verba salarial, (ii) não se destina a retribuir trabalho (iii) tem natureza aleatória e principalmente eventual.” Do Pagamento Limitado a Duas Vezes ao Ano Fl. 539DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 8 13 15. Neste ponto, convencido que a habitualidade é fator imprescindível para caracterizar o prêmio como saláriodecontribuição, é preciso estabelecer parâmetros temporais para considerar o pagamento habitual ou não. 16. Mas fica sempre a dúvida quanto ao conceito de habitualidade. Quantas vezes o empregado poderia receber a chamada gratificação sem que isso fosse considerando para efeito da incidência da contribuição? Nesse ponto, creio que a norma de Participação nos Lucros ou Resultados pode servir como parâmetro, já que em vezes a própria justiça assim o considerou no exame do chamado prêmio por produtividade básica e a gratificação semestral. 17. Como a atividade de marketing de incentivo ainda não possui regulamentação legislativa no tocante à sua atuação no mercado e tão pouco há menção desta na legislação previdenciária, para manter, uma coerência nas decisões proferidas, entendo cabível analisarmos o posicionamento da Justiça Federal que entendeu que o prêmio por produtividade equivale à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Sobre essas verbas não incide contribuição previdenciária desde que pagos semestralmente conforme o disposto no § 2º do art. 3º da MP nº 794/94. “TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. ANULAÇÃO DE NFLD. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LICENÇAPRÊMIO NÃO USUFRUIDA (INDENIZADA). AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AJUDA DE CUSTO TRANSPORTE/DIAS DE REPOUSO. REEMBOLSO CRECHE/BABÁ/DEFICIENTES. PRÊMIO PRODUTIVIDADE BANESPA. GRATIFICAÇÕES SEMESTRAIS. NÃO INCIDÊNCIA. DESLOCAMENTO NOTURNO. SUPERVISOR DE CONTAS. ALIMENTAÇÃO/DIAS DE REPOUSO. INCIDÊNCIA. DECADÊNCIA QUINQUENAL. (...) 6. O prêmio por produtividade básica e a gratificação semestral ou de balanço se equivalem à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Sobre essas verbas não incide contribuição previdenciária desde que pagos em conformidade com o disposto no § 2º do art. 3º da MP nº 794/94 (periodicidade semestral). (...) 13. Apelação a que se dá parcial provimento. (AC 1997.34.00.0228345/DF, Rel. Juiz Federal Osmane Antônio Dos Santos, Oitava Turma, eDJF1 p.576 de 29/10/2008)” 18. Dentro desse contexto transcrevemos trechos do acordão onde o relator equipara o pagamento do prêmio ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultado (PLR). “(...) Sobre o “Prêmio Produtividade Banespa” e “Gratificações Semestrais ou de Balanço”, tem razão o autor ao sustentar a sua natureza não salarial. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 É que, efetivamente, são verbas pagas para apenas alguns funcionários, de forma individualizada e ocasionalmente, que tenham atingido determinadas metas, o que constitui mera expectativa de direito do empregado. Assim, se são criadas pelo Banco para implementar determinadas condições e para ter direito ao pagamento do prêmio o empregado tem de determinar produtividade, interesse e etc, não há de se falar em habitualidade, pois é intuitivo que não são concedidas sempre aos mesmos empregados. Ademais, tais parcelas se equivalem à participação nos lucros, assegurada aos trabalhadores pelo art. 7º, XI, da Constituição Federal, que é desvinculada da remuneração e não possui natureza salarial. Portanto, não constitui base de cálculo para a contribuição previdenciária.” 19. Assim, considerando necessário estabelecermos um parâmetro temporal para caracterizar, habitual ou eventual, o pagamento de valores por meio do chamado ‘cartão de premiação’ e diante do posicionamento do judiciário que trata o prêmio por produtividade equivalente ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), entendo cabível nesse caso, a interpretação por analogia (art. 108, inciso I, do CTN). Até porque a analogia, no Direito Tributário, é sempre forma de integração. Acredito ser razoável o pagamento de prêmio de produtividade por, no máximo, duas vezes ao ano, assim como estipula a regulamentação da PLR. 20. Por fim, embora não seja argumento jurídico para a minha convicção, chamo a atenção, apenas como registro, para o fato de haver sérias distorções no sistema tributário brasileiro, o que ocasiona certa confusão por parte nos contribuintes para determinarem o que é ou não efetivamente devido ao fisco, o que torna necessária uma urgente reforma tributária. Vejamos a matéria abaixo: “Presidente vê "resistência", mas diz que mudanças são "prementes" e cita o caso da tributação de energia. A presidente Dilma Rousseff quer atacar de forma "específica" as distorções do sistema de impostos, um dos entraves ao crescimento do País. Ao classificar de "inadequada" a tributação brasileira, em discurso na abertura da marcha dos prefeitos, ontem em Brasília, Dilma disse que a opção é fazer mudanças pontuais. "Já tentamos duas vezes fazer uma reforma de maior fôlego. Resolvemos agora atuar, em vez de ficar discutindo se a reforma sai ou não sai." Dilma deixou claro que uma das primeiras áreas que serão atacadas é a de energia. "Não conheço muitos países que tributam energia elétrica. Nós tributamos. Tem várias formas de tributação nossas que são regressivas." Dilma disse saber que há "resistências" à reforma tributária, mas afirmou que "tem coisas que são prementes". (O Estado de S. Paulo 16/05/2012) 21. Diante do exposto, voto no sentido de limitar a incidência da contribuição social previdenciária às parcelas excedentes a dois pagamentos anuais. excluindo totalmente da base de cálculo os valores pagos àqueles empregados segurados em até duas únicas vezes a cada ano. SEGUROS DE VEÍCULOS 22. O seguro de veículos de funcionários foi tributado pelo auditor fiscal após comparar os valores lançados na contabilidade no período de 01/2006 a 12/2006, na conta de Fl. 541DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 9 15 despesa 4155160 – (denominada TESTE no plano de contas). A apuração se deu atra´vez da comparação dos valores lançados na contabilidade (VALOR DO DÉBITO) e os descontos informados em folha de pagamento na rubrica 0238 – SEGURO VEíCULO, sendo o resultado final obtido conforme discriminado no ANEXO VI. (fls. 59). 23. Informa a contribuinte em sua peça recursal (fls. 455): Cumpre esclarecer que, dentre os benefícios estabelecidos pela Política Interna da Recorrente, um deles é o custeio parcial ou integral de Seguro de Veículo. A referida política estabelece que, para os cargos de Supervisão e Coordenação haverá custeio de 50% (cinquenta por cento) do valor do seguro do auto utilizado à serviço da empresa. E para cargos hierárquicos superiores, haverá custeio de 100% (cem por cento) do seguro. (sic) 24. Verifico, em síntese, que os descontos efetuados nos salários sob rubrica TESTE no plano de contas, referente a esses seguros, não configuram salário em utilidades, porque não se tratam de vantagem salarial do empregado, na medida em que está arcando com os ônus. 25. Tampouco se trataria de salário in natura nos casos em que o valor pago pela empresa é integral, porquanto os veículos eram igualmente utilizados para o trabalho e se trataria de um método preventivo aos intempéries decorrentes da atividade, não compondo o saláriodecontribuição para fins de recolhimento de tributo previdenciário, como o art. 458, § 2º, inc. I a VI, in verbis: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2oPara os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador:(Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 542DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 16 V – seguros de vida e de acidentes pessoais;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada;(Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) 26. Para o Ministro do Superior Tribunal do Trabalho, Maurício Godinho Delgado, em sua obra Curso de Direito do Trabalho – 11 ed. Trata este artigo com um rol meramente exemplificativo das parcelas que são meramente instrumentais, afastandose do conceito de salárioutilidade. 27. Para ele, essas parcelas são ofertadas pelo empregador ao obreiro essencialmente como mecanismo viabilizador da própria realização do seviço contratado ou viabilizador do aperfeiçoamento no processo de consecução do trabalho. Acrescenta que não é concedido como uma contraprestação, porquanto são entregues ao empregado para o trabalho. 28. Verifico que a empresa recorrente em comento possui como objeto social (fls. 293/294) a fabricação, comercialização, importação e exportação de produtos próprios e de terceiros, essencialmente: Produtos farmacêuticos, Alopáticos, Homeopáticos, Odontológicos, Alimentícios, Dietéticos, de Higiene, de Toucador, Cosméticos, Perfumes, Domissanitários, Fitossanitários, Insumos FarmacÊuticos, Dorgas e Correlatos, Sìntese de Antibióticos, da Química Fina e a Química Industrial. 29. Em sendo esse o objeto social, tornase imprescindível que o seguro dos veículos utilizados pelos funcionários e qualquer que represente esta empresa, tais como diretores, gerentes e afins, empregados ou não, em razão da atividade, do valor econômico e da segurança tanto das pessoas quanto do produto (trabalhos de divulgação em que levam amostras para hospitais e consultórios, apenas para exemplificar), porquanto são utilizados para o trabalho, como uma parcela meramente instrumental, sem incorporar o salário in natura. 30. Assim, julgo procedente o recurso voluntário nesta parte, afastando a incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a título de seguro de veículo. ASSISTÊNCIA MÉDICA 31. Considerando que a legislação trabalhista asseverou claramente que o benefício concedido a título de assistência médica não é salário, resta evidente o óbice para que o fisco possa considerálo como base de cálculo para o saláriodecontribuição. 32. No caso destes autos, a fiscalização admitiu que o convênio saúde fornecido para empregados após 120 dias na empresa viola o requisito isencional. 33. Apenas para melhor me posicionar sobre o tema, transcrevo o inteiro teor do dispositivo: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 10 17 § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde. 34. O conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição é unívoco e expressam a mesma ideia, de maneira que não se admite em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição previdenciária, que possa o lançamento de tributo incide sobre plano de assistência médica se a própria norma trabalhista retirou o caráter salarial do benefício. 35. Devese aplicar também o art. 110 do Código Tributário Nacional que assevera claramente: a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 36. De maneira que a incidência da contribuição previdenciária está restrita à folha de salário, conceito formalizado pelo direito trabalhista, pois quem define e limita a competência impositiva é a própria Constituição, que circunscreveu o tributo à folha de salário dos empregados. Sendo que o referido conceito não pode ser simplesmente alterado por outra legislação, haja vista a expressa vedação do Código Tributário Nacional. 37. De outro lado, as empresas, ao propiciarem diretamente os meios de consecução da assistência social e à saúde a seus empregados, estão contribuindo com o próprio Estado, que há muito não fornece devidamente aos cidadãos uma assistência médica com responsabilidade. 38. Sérgio Lindoso Baumann das Neves Pietroluongo, ao tratar da questão, vai mais longe ainda ao defender que: “A empresa subrogase no dever do Estado de ministrar a seguridade social. E, por via de conseqüência, não se justifica tal oferecimento se constituir em hipótese de incidência de exação previdenciária. Faz parte integrante da natureza da contribuição a sua finalística. Atendido diretamente o objetivo da previdência social, em condições ideais, dada a proximidade gerada pelo contrato de trabalho, entre quem enseja a proteção e o protegido, não tem cabimento subtrairse do próprio montante parcela a ser utilizada na sua consecução. Não respeita a lógica sedimentadora da construção do ordenamento científico da seguridade social; portanto, tal raciocínio deve ser estendido (e estimulado) a todas as prestações laborais com cunho previdenciário, principalmente quando o acréscimo operado fica fazendo parte indissociável da pessoa humana, podendo esta todo o tempo com ele contar." (In ‘Da não incidência da contribuição previdenciária sobre planos de saúde oferecidos pelas empresas a seus empregados’) Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 18 39. Desse modo, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte pois, como visto, o benefício de assistência médica deve ser estimulado e não restringido pela incidência de tributos, já que o próprio Estado não consegue realizálas em sua plenitude, não podendo se falar em incidência de contribuição sobre ela. DO EMPREGADO NÃO DECLARADO EM GFIP 40. O auditor fiscal, quando da sua fiscalização, verificou que houve empregado não declarado em GFIP, a saber, o Sr. Ronaldo Heibult, muito embora estivessem presentes todos os requisitos para configuração do vínculo empregatício, senão vejamos no trecho do relatório: 8. L7 – RANO DO BRASIL – neste levantamento foram apurados créditos referentes às contribuições devidas em virtude da remuneração do segurado RONALDO HEILBUT, considerado como empregado pela fiscalização, no período de 01/2006 a 12/2007, pelos motivos abaixo mencionados, salientandose que em ação fiscal anterior, no período de 03/2003 a 12/2005, o mesmo já havia sido caracterizado como empregado: 8.1 Analisandose a contabilidade da empresa, foram identificados diversos lançamentos para o fornecedor RANO DO BRASIL CONSULTORES LTDA no período entre 01/2006 e 12/2007. Encontramse na contabilidade, além das notas fiscais de serviços de consultoria emitidas pela empresa Rano do Brasil Consultores Ltda, lançamentos em nome do Sr. RONALDO HEILBUT referentes a reembolsos de despesas/viagens e descontos referentes a multas de trânsito, cartão de visita, autorização de baixa de valores (ANEXO XII). 8.2 A empresa Rano do Brasil Consultores Ltda, cujo sóciogerente é o Sr. Ronaldo Heilbut, não registrou movimentação, nem possui empregados registrados ou retiradas de prólabore, de acordo com as informações prestadas ao INSS através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, apesar de emitir notas fiscais de prestação de serviços nas competências levantadas (ANEXOS XIII e XIV). 8.3 Embora formalmente tenha havido a prestação de serviços pela pessoa jurídica, a situação de fato observada é o exercício do cargo de diretor da empresa Germed Farmacêutica Ltda. pelo Sr. Ronaldo Heilbut. Este possui uma sala na empresa, além de se identificar como diretor da empresa conforme noticiado no sítio da Revista “H & C”, Household & Cosméticos, na internet em edição recente (ANEXO XV). Apesar de ocupar um cargo com a denominação de “diretor”, o Sr. Ronaldo Heilbut não faz parte do quadro societário da empresa Germed Farmacêutica Ltda., e, sendo uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, não existe a figura do diretor não empregado (contribuinte individual). Portanto, só resta à fiscalização considerálo como empregado. 8.4 Foram constatadas as características inerentes à relação de emprego: Pessoalidade: a obrigação pessoal de prestar serviços é característica marcante da relação de emprego, não podendo o segurado fazerse substituir por outro. O Sr. Ronaldo Heilbut exerce o cargo de diretor, possuindo responsabilidades e atribuições, não podendo ser substituído, por exemplo, por um empregado, mesmo porque esta empresa não possui empregados. Não eventualidade: entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. A eventualidade diz respeito tão somente à natureza do serviço. No caso em exame, os serviços Fl. 545DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 11 19 prestados pelo Sr. Ronaldo Heilbut são contínuos e correspondem a uma necessidade permanente da empresa, característica inerente ao cargo que ocupa. Onerosidade: o segurado é remunerado mensalmente, e ainda, havendo necessidade de viagens, a contratada arca com as despesas, a exemplo do que faz em relação aos seus empregados registrados, não sendo as mesmas incluídas nas notas fiscais emitidas como serviços de consultoria. Subordinação: a subordinação é o estado de sujeição em que se coloca o empregado em relação ao empregador, aguardando ou executando suas ordens. A subordinação estabelecida na lei deve ser entendida como o direito do empregador de dirigir e fiscalizar a prestação do trabalho e dispor dos serviços contratados como melhor lhe aprouver. No caso em tela, há a subordinação hierárquica aos sócios, de quem ele cumpre ordens. Observase também que ele está sujeito às penalidades impostas pela empregador, como ao ter descontado os valores referentes às multas de trânsito com o veículo da empresa. 8.4 O art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, com a redação dada pelo Decreto n.º 3.265, de 29/11/1999, dispõe: “Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições requeridas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” 8.5 Considerando que o segurado Ronaldo Heilbut foi considerado como empregado pela fiscalização, a base de cálculo das contribuições foi aferida indiretamente, sendo considerada como o total das notas fiscais emitidas a título de serviços de consultoria (ANEXO XI). 9. Nos Demonstrativos do Débito – DD, anexos, estão discriminados por levantamento e competência, as bases de cálculo, as alíquotas utilizadas e os valores líquidos devidos. (fls. 60/62). 41. Ora, o art. 3º, caput, da CLT, afirma que empregado é toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. 42. Ou seja, para a caracterização desse vínculo é necessário comprovação de trabalho realizado pela pessoa física, com pessoalidade, isto é, não podendo transferir a terceiro; subordinação, onerosidade e o trabalho não pode ser exercido de forma eventual. 43. Esse vínculo empregatício, além de estar devidamente configurado neste presente processo administrativo fiscal, houve igual constatação quando da fiscalização anterior, de 03/2003 a 12/2005, conforme o relatório fiscal: 8. L7 – RANO DO BRASIL – neste levantamento foram apurados créditos referentes às contribuições devidas em virtude da remuneração do segurado RONALDO HEILBUT, considerado como empregado pela fiscalização, no período de 01/2006 a 12/2007, pelos motivos abaixo mencionados, salientandose que em ação fiscal anterior, no período de 03/2003 a 12/2005, o mesmo já havia sido caracterizado como empregado: (...) ( fls. 60) Fl. 546DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 20 44. Desse modo, após esmiuçar os autos, nego provimento ao recurso voluntário da contribuinte recorrente nesta parte, porquanto restou comprovado pelo auditor fiscal essa relação empregatícia e, portanto, devem ser inclusas todas as remunerações pagas ou creditadas a esse segurado empregado para fins de incidência de contribuição social previdenciária. DAS MULTAS APLICADAS 45. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 46. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 47. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 48. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 49. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, até 11/2008, se for mais benéfica para o contribuinte. MULTA – DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Fl. 547DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 12 21 50. Por fim, no que se refere à multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória – apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – entendo que o lançamento deve ser reformado. 51. Isso porque a Lei 11.941, de 2009, alterou a Lei 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. 52. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 22 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 53. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 54. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 55. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 56. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 549DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 13 23 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 57. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 58. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 59. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 24 60. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 61. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 57. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 551DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 14 25 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 62. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 63. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 64. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 26 Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 65. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC 66. A recorrente afirma que aplicação da taxa SELIC é inconstitucional, porém, cumpre ressaltar que o presente caso tratase do descumprimento de obrigação acessória, onde o montante da multa aplicada consiste no somatório de valores fixos, e não consta a incidência da taxa SELIC como alegado pelo recorrente. 67. Aduz a recorrente ser indevida a utilização da taxa SELIC, tendo em vista sua ilegalidade e inconstitucionalidade formal e material. 68. A legislação de regência, sobretudo a Lei 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente, pois as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34, verbis: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) 69. A propósito do tema convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 70. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto, porquanto restou confirmada a aplicação da taxa SELIC aos juros moratórios para tributos federais. DO EFEITO CONFISCATÓRIO 71. Aduz, ainda, o contribuinte que a cobrança das contribuições possui, na verdade, efeito confiscatório. Porém, tal assertiva não merece prosperar. 72. Isso porque, consoante o relatório fiscal (fls. 62), a notificação se deu com base no artigo 32, § 2º, da Lei 8.212/91, cuja redação foi dada pela Lei 9.528/97, que dispõe que “as informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem Fl. 553DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 15 27 como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários”. 73. Assim, tendo o agente fiscalizador detectado divergência entre os valores declarados em GFIP e os recolhimentos correspondentes efetuados pela empresa através da GPS, encontrase amparado legalmente o lançamento do débito, tendo em vista que a empresa deixou de recolher contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, referentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos dos trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços no período fiscalizado. 74. É bem verdade que, excepcionalmente, o Poder Judiciário pode, atendendo às circunstâncias do caso concreto, reduzir a multa revestida de caráter excessivo imposta pela administração pública sempre que a sanção implicar em ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, ou mesmo configurar confisco. Entretanto, tal procedimento é reservado ao judiciário e não ao julgador administrativo. 75. Por fim, a questão já foi enfrentada por esta Egrégia Câmara, cujo entendimento firmado foi no sentido de que o princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. (Acórdão nº 20500035; 2º Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara; data da sessão 10/10/207; de minha relatoria) 76. Dessa feita, nego provimento ao recurso voluntário nesta parte. CONCLUSÃO. 77. Dado o exposto, CONHEÇO dos recursos voluntários, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para: 78.1 Afastar a incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos sob os seguintes títulos: a) gratificação e férias, pois o auditor fiscal não pode fazer aferição indireta pautandose em provisão contábil; b) incentive house pagos em até duas vezes ao ano civil; c) seguros de veículos, por se tratarem de parcelas instrumentais, não se incorporando ao salárioin natura; d ) assistência médica, por não integrar o saláriodecontribuição; 78.2 Deverá, porém, permanecer a inciência tributária sobre as remunerações pagas ou creditadas a empregados não declarados em GFIP. 78.3 Quanto às multas, devem ser aplicadas, relativamente à mora, o disposto no art. 61, § 2º da Lei 9430/96; e para o descumprimento de obrigação acessória, a prevista no art. 32A, da Lei 8.212/1991. 78. 4 Por fim, a taxa SELIC deve ser aplicada aos juros moratórios. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 28 (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silverio – Relator Ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Confissão em parcelamento. Reflexos em processos conexos. A recorrente, segundo informação que consta dos autos, apresentou confissão dos débitos e os parcelou em relação aos lançamentos de obrigação principal. Somente o auto de infração relativo à não apresentação de GFIP com dados correspondentes a fatos geradores restou em discussão. Porém, não cabe analisarmos aqui a existência ou não dos fatos geradores de obrigação principal, tendo em conta que a existência destes foi confessada no momento do pedido de parcelamento, em harmonia com o art. 5º da Lei 11.941/2009. Como restam incontroversos os fatos geradores, a GFIP remanesce com dados não correspondentes aos fatos geradores, autorizando a manutenção da multa aplicada. Tendo ocorrida a confissão cabe agora apenas aferirmos o quantum da multa. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de Fl. 555DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 16 29 definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 30 Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 17 31 Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe Fl. 558DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA 32 expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.720473/201179 Acórdão n.º 2301003.772 S2C3T1 Fl. 18 33 Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Mauro Jose Silva – Redator designado. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 16/04/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720570/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
No caso, a decisão judicial sobre a denúncia espontânea no pagamento em atraso de estimativa deve ser aplicada à multa isolada pelo não recolhimento da antecipação, impedindo o conhecimento da matéria pelo CARF.
REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento fiscal - MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art. 906 do RIR/99.
IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE.
Constatado o recolhimento em atraso do tributo, a diferença a ser cobrada pode ser apurada com a sistemática da imputação proporcional, que consiste na alocação do pagamento proporcionalmente ao principal, multa de mora e juros, lançando-se o principal não recolhido com os acréscimos devidos em procedimento de ofício.
Tal sistemática tem amparo nos arts. 163 e 167 do Código Tributário Nacional.
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE.
Incide multa de ofício sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado.
Essa penalidade pode ser aplicada isoladamente, mesmo após o final do exercício, por expressa determinação legal.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-000.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e não conhecer das razões recursais atinentes à denúncia espontânea, inclusive no tocante à exigência da multa isolada, e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito, que dava provimento ao recurso na parte conhecida.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). No caso, a decisão judicial sobre a denúncia espontânea no pagamento em atraso de estimativa deve ser aplicada à multa isolada pelo não recolhimento da antecipação, impedindo o conhecimento da matéria pelo CARF. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal - MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art. 906 do RIR/99. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE. Constatado o recolhimento em atraso do tributo, a diferença a ser cobrada pode ser apurada com a sistemática da imputação proporcional, que consiste na alocação do pagamento proporcionalmente ao principal, multa de mora e juros, lançando-se o principal não recolhido com os acréscimos devidos em procedimento de ofício. Tal sistemática tem amparo nos arts. 163 e 167 do Código Tributário Nacional. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE. Incide multa de ofício sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado. Essa penalidade pode ser aplicada isoladamente, mesmo após o final do exercício, por expressa determinação legal. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Conhecido em Parte. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente TEREOS DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CONCOMITÂNCIA DAS VIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). No caso, a decisão judicial sobre a denúncia espontânea no pagamento em atraso de estimativa deve ser aplicada à multa isolada pelo não recolhimento da antecipação, impedindo o conhecimento da matéria pelo CARF. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal MPF é documento emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, que determina a execução do procedimento fiscal, e assim cumpre a determinação de ordem escrita para o segundo exame de período já fiscalizado, nos termos do art. 906 do RIR/99. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE. Constatado o recolhimento em atraso do tributo, a diferença a ser cobrada pode ser apurada com a sistemática da imputação proporcional, que consiste na alocação do pagamento proporcionalmente ao principal, multa de mora e juros, lançandose o principal não recolhido com os acréscimos devidos em procedimento de ofício. Tal sistemática tem amparo nos arts. 163 e 167 do Código Tributário Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 70 /2 01 1- 81 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 428 2 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE. Incide multa de ofício sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado. Essa penalidade pode ser aplicada isoladamente, mesmo após o final do exercício, por expressa determinação legal. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Conhecido em Parte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e não conhecer das razões recursais atinentes à denúncia espontânea, inclusive no tocante à exigência da multa isolada, e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito, que dava provimento ao recurso na parte conhecida. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, para lançar tributo no valor de R$ 5.848.489,96, acompanhado apenas de juros de mora calculados até 31/10/2011, e multa isolada de R$ 2.924.244,98 por falta de recolhimento da estimativa mensal de junho de 2007 (fls. 158 a 176). O lançamento se deu para prevenir a decadência em virtude de decisão no Mandado de Segurança n° 2009.61.06.0025492/SP, e assim todo o crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 429 3 A citada decisão judicial afastou a cobrança de multa de mora relativa ao pagamento em atraso da estimativa de junho de 2007, que inicialmente havia sido declarada e paga no valor de R$ 53.878.206,53, mas posteriormente foi informada em DCTF retificadora no valor de R$ 89.785.010,93, e a diferença de R$ 35.906.804,40 foi paga sem o acréscimo de multa de mora. Nesse contexto, a fiscalização calculou o tributo efetivamente quitado pelo pagamento em atraso, com o uso da imputação proporcional, concluindo que esse recolhimento serviria para extinguir imposto de R$ 30.058.314,44, acrescido de multa e juros de mora. Utilizandose esse valor como a estimativa do mês, verificouse que, no ajuste do ano de 2007, restou uma diferença de IRPJ não pago de R$ 5.848.489,96. Observese que, apesar de esse valor equivaler a estimativa não recolhida (R$ 35.906.804,40 R$ 30.058.314,44), a autuação se deu a título de tributo devido o ajuste. Assim, a diferença de R$ 5.848.489,96 foi lançada apenas com juros de mora, sem a inclusão de multa de ofício, tendo também sido exigida a multa isolada de 50% pelo não recolhimento de parte da estimativa, estando todo o crédito tributário lançado com a exigibilidade suspensa. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 179 a 203), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 339 a 340): a) o lançamento é nulo por ausência de ordem escrita e específica determinando o segundo exame do anocalendário 2007; b) é inaplicável o procedimento de imputação proporcional do pagamento, em face do disposto no art. 43 da Lei nº 9.430/96; c) se não pode ser admitido o procedimento de imputação proporcional, não há débito de IRPJ relativo ao anocalendário 2007, não havendo insuficiência de recolhimento por estimativa sendo indevida, por consequência, a multa isolada; d) não é devido imposto a título de estimativa mensal após o encerramento do anocalendário e, portanto e com mais razão, não deve ser admitida a exigência da multa isolada aplicada após o encerramento do anocalendário; e) nos autos de infração lavrados para prevenir a decadência, não cabe o lançamento da multa de ofício compreendida aí também a multa isolada; f) ao pagamento da estimativa de IRPJ do período de apuração 06/2007 aplicase o instituto da denúncia espontânea, vez que foi efetuada a apuração e o pagamento e só então informado o débito em DCTF, na linha da Súmula nº 360 do STJ e do entendimento do CARF, devendo ser cancelada qualquer penalidade, como é o caso da multa de mora e da multa de ofício e, também, da multa isolada. Ao final, são requeridos o acolhimento da impugnação e a declaração de improcedência da autuação, cancelandose a exigência fiscal. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 430 4 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 337 a 354): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observadas as normas pertinentes à apuração do imposto e, tendo o auto de infração sido lavrado por agente competente e não tendo havido cerceamento do direito de defesa, não há nulidade do lançamento. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. PROCEDIMENTO ESTABELECIDO EM NORMA. O procedimento de imputação proporcional está previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil, devendo ser observado por seus agentes. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. A multa isolada é devida em não havendo pagamento por estimativa, antes ou depois de encerrado o anocalendário, não havendo na legislação nenhum dispositivo que afaste a sua aplicação. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. O afastamento da multa de ofício nos lançamentos de tributos cuja exigibilidade estiver suspensa não se aplica à multa isolada em face da não vinculação desta diretamente a tributo lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 431 5 a) não se conheceu os argumentos relativos à denúncia espontânea, por concomitância com a discussão na esfera judicial, nos termos do Ato Declaratório Normativo (Cosit) n. 03, de 14 de fevereiro de 1996; b) não ocorreu a nulidade por falta de ordem escrita e específica determinando o segundo exame do anocalendário 2007, porque a ausência desse documento não acarreta a nulidade pretendida, tratandose de mera irregularidade; o art. 59, II, do PAF não se aplica ao procedimento de fiscalização, em face da natureza inquisitória deste; o outro procedimento a que a empresa foi submetido foi decorrente de malha fiscal e não de procedimento de fiscalização; o lançamento sob análise foi simplesmente para prevenir a decadência, não podendo se considerado como de “fiscalização”, no sentido próprio da palavra; e o MPF supre a exigência de ordem escrita do art. 906 do RIR/99, pois é emitido pelo delegado da unidade; c) o procedimento de imputação proporcional está baseado em norma emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente o Manual de Aplicação de Acréscimos Legais de Tributos Federais, aprovado pela IN SRF nº 019/84, que deve ser aplicado pela autoridade administrativa; d) não se conheceu os argumentos sobre a inexigibilidade de estimativas após o encerramento do anocalendário, pelo lançamento ter se dado a título de IRPJ no ajuste e pela matéria constar da ação judicial. e) caso não tenha sucesso na discussão judicial, a multa isolada será devida. Nesse contexto, essa penalidade é devida por expressa previsão legal; f) no lançamento para prevenir a decadência é permitida a cobrança de multa isolada, pois o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, proíbe apenas a exigência de multa de ofício relativa à tributo com exigibilidade suspensa, e a penalidade isolada não está vinculada a qualquer tributo. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 26/2/2013 (fl. 357), o contribuinte apresentou, em 26/3/2013, o recurso voluntário de fls. 359 a 390, onde argumenta que: a) em procedimento interno de revisão da apuração das estimativas de IRPJ do anocalendário de 2007, constatou a insuficiência de recolhimento relativamente ao período de apuração de 06/2007, de modo que, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, e antes de instaurado qualquer procedimento administrativo de cobrança ou medida de fiscalização, ou seja, espontaneamente, em 11/10/2007, efetuou o pagamento complementar de R$ 35.906.804,40 (principal), acrescido dos juros de mora no valor de R$ 1.001.799,60, e, posteriormente, em 10/10/2008, retificou a DCTF para indicar, pela primeira vez, a existência do débito em questão; b) com o objetivo de garantir a espontaneidade no pagamento indicado, impetrou o Mandado de Segurança n° 2009.61.06.0025492, distribuído para a 3a Vara Cível da Subseção Judiciário de São José do Rio Preto SP. 4, onde foi proferida liminar, confirmada Fl. 431DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 432 6 por sentença, afastando a aplicação da multa de mora de 20% ao pagamento complementar da estimativa de IRPJ do mês de 06/2007, efetuado em 11/10/2007, estando atualmente pendente de apreciação a remessa oficial e o recurso de apelação interposto pela União; c) repete os argumentos da impugnação, autônomos e suficientes (não discutidos nos autos do Mandado de Segurança), que demonstram que, independentemente da discussão judicial da multa de mora de 20%, bem como da suspensão da sua exigibilidade, o auto de infração merece ser integralmente cancelado, pois: (I) o lançamento é nulo de pleno direito, tendo em vista a ausência de “ordem escrita” e específica determinando o segundo exame do anocalendário de 2007, conforme exigido pelo artigo 906 do RIR/99; (II) na vigência do art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, não pode ser admitido o procedimento de imputação proporcional do pagamento; (III) a improcedência do procedimento de imputação proporcional do pagamento conduz, necessariamente, ao reconhecimento da inexistência de débito de IRPJ (quota de ajuste) e da inadmissibilidade também da multa isolada; e (IV) em qualquer hipótese, é absolutamente improcedente a aplicação da multa isolada de 50%; d) quanto à necessidade de ordem escrita para nova fiscalização, acrescenta que o MPF não se presta a esse propósito; e) não cabe a aplicação de multa de mora de 20% sobre estimativa recolhida a destempo, pois a estimativa é apenas antecipação do tributo devido por ocasião do encerramento do anocalendário; f) nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, não é permitido o lançamento de multa de ofício, o que inclui a multa isolada de 50%; g) na ação judicial, discutese a ocorrência da denúncia espontânea para afastar a aplicação da multa de mora de 20% ao pagamento complementar da estimativa de IRPJ do mês de 06/2007, efetuado em 11/10/2007. Não se discute a ocorrência de denúncia espontânea com relação à multa isolada de 50%, matéria não é discutida na ação judicial e que deve ser conhecida neste julgamento. Nesse sentido, estão presentes todos os requisitos necessários para o reconhecimento da denúncia espontânea, na linha do atual entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Súmula n° 360) e do CARF. Ao final, pugna pela nulidade do lançamento e pelo provimento do recurso voluntário, com o cancelamento do auto de infração lavrado, e protesta pela sustentação oral de suas razões recursais em sessão de julgamento a ser designada. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, mas foi efetivamente disponibilizado para trabalho apenas em 3 de setembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 426. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 433 7 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte recolheu parte da estimativa de junho de 2007 em atraso, informando o débito em DCTF após o pagamento. Por entender estar albergado pela denúncia espontânea do art. 138 do CTN, efetuou o recolhimento sem o acréscimo de multa de mora. Para defender seu direito, impetrou o Mandado de Segurança n° 2009.61.06.0025492/SP, onde obteve liminar e sentença que afastaram a cobrança de multa de mora relativa ao pagamento em atraso da estimativa de junho de 2007. O presente lançamento se deu para prevenir a decadência, e assim todo o crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa. Para apurar os valores lançados, a autoridade fiscal a) calculou a estimativa efetivamente paga pelo método da imputação proporcional; b) apurou o IRPJ devido no final do exercício com o uso dessa estimativa recalculada; c) lançou a diferença de IRPJ devido no ajuste, acompanhada apenas de juros de mora, e a multa isolada de 50% sobre a parte não recolhida da estimativa de junho de 2007. PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente, o contribuinte defende que o lançamento é nulo de pleno direito, tendo em vista a ausência de ordem escrita e específica determinando o segundo exame do anocalendário de 2007, conforme exigido pelo artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, abaixo transcrito: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). Penso que a exigência de ordem escrita para um segundo exame é determinação legal, pouco importando se o primeiro exame se deu em procedimento de malha, não sendo possível se concordar com os argumentos da decisão recorrida de que sua ausência seria mera irregularidade, e de que a malha fiscal e o lançamento para prevenir a decadência não são procedimentos de fiscalização. Contudo, entendo que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF cumpre o papel de ordem escrita, pois foi emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil determinando a execução do procedimento fiscal, e cumpre inteiramente a função prevista no dispositivo legal. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 434 8 É esse o entendimento predominante neste CARF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: SEGUNDO EXAME AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO Com a criação do Mandado de Procedimento Fiscal, deixou de ter aplicação a norma do art. 906 do RIR/99, pois não há mais que falar em condicionar a ordem escrita de autoridade superior o segundo exame em relação ao mesmo exercício, quando mesmo a primeira fiscalização externa está condicionada a prévia ordem de autoridades competentes. (Acórdão n° 110100.109, 1a Câmara/ 1o Conselho de Contribuintes, sessão de 17 de junho de 2009, relatora Conselheira Sandra Maria Faroni) REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. EXIGÊNCIA SUPRIDA PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento fiscal supre a necessidade de ordem escrita, no caso de reexame de período já fiscalizado, eis que a autoridade competente é a mesma, sendo ambos os documentos de mesma natureza e qualidade, surtindo ainda os mesmos efeitos legais. (Acórdão n° 1802001.620, 2a Turma Especial/ 1o Sessão de Julgamento, sessão de 10 de abril de 2013, relator Conselheiro Marciel Eder Costa) Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL O contribuinte também defende não ser possível o procedimento de imputação proporcional do pagamento, sendo necessário o lançamento de multa de mora isolada, nos termos do art. 43 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Transcrevese o dispositivo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. (...) De fato, a autoridade fiscal não lançou a multa de mora não recolhida isoladamente, como previsto na lei, mas imputou parte do pagamento efetuado a título de multa de mora, e apurou um valor efetivamente recolhido a menor a título do principal, exigindo a diferença com os acréscimos devidos em procedimento de ofício. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 435 9 Apesar de conhecer as respeitadas opiniões de que, desde a vigência desse artigo de lei, somente seria possível o lançamento da multa de mora isolada, sendo vedada a imputação proporcional, entendo que a redação da lei é clara no sentido de oferecer uma possibilidade para a autoridade fiscal, que pode optar pelo lançamento da multa isolada ou pela imputação proporcional. Na verdade, a imputação proporcional deriva do art. 163 do Código Tributário Nacional CTN, que não estabeleceu preferência entre tributos, penalidades pecuniárias e juros de mora quando da imputação de pagamentos, e segue a lógica do art. 167 do CTN, que determina a restituição do tributo pago a maior e, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. Esse entendimento está bem sedimentado nos Pareceres PGFN/CDA nºs. 1.936/2005 e 74/2012, cujos termos adoto como razões de decidir, e se encontra amparado na seguinte decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS A ausência de pagamento integral do crédito tributário legitima o lançamento de ofício para exigir insuficiências de recolhimento constatadas, que podem ser apuradas com a sistemática da imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos, multa pecuniária e juros moratórios, na mesma proporção em que o pagamento o alcança. (Acórdão n° 930301.659, 3a Turma da CSRF, sessão de 4 de outubro de 2011, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) No mesmo sentido, transcrevo ementa de recente decisão da 1a Turma Ordinária desta 1a Câmara: POSTERGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. POSSIBILIDADE. No caso de postergação de imposto devido e recolhido em período posterior, a autuação deve imputar o recolhimento postergado proporcionalmente ao valor devido com os acréscimos moratórios previstos em lei, determinando o valor principal que, não recolhido, sujeitase aos acréscimos devidos em procedimento de ofício. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional. (Acórdão n° 1101000.837, 1a Turma Ordinária/1a Câmara, sessão de 04 de dezembro de 2012, relatora do voto vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa) Acrescentese que esse entendimento foi referendado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, quando da discussão sobre se as regras de imputação de pagamento do Código Civil se aplicariam à esfera tributária. Confirase a seguinte ementa: Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 436 10 TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. AMORTIZAÇÃO DOS JUROS ANTES DO PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 354 DO CC/2002. REGRA DO CTN ART. 167. 1. O art. 167 do CTN veicula regra para determinar a imputação proporcional de pagamento entre as rubricas de principal e correção monetária, multa, juros e encargos que compõem o crédito tributário, nos casos de repetição de indébito. 2. Sendo assim, não se pode aplicar por analogia o art. 354 do CC/2002 (art. 993 do CC/1916), posto que o legislador não quis aplicar à compensação de tributos indevidamente pagos as regras do Direito Privado. E a prova da assertiva é que o art. 374 do CC/2002, que determinava que a compensação das dívidas fiscais e parafiscais seria regida pelo disposto no Capítulo VII daquele diploma legal foi revogado pela Lei 10.677/2003, logo após a entrada em vigor do CC/2002. Precedentes: REsp 987.943/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 28.02.2008; REsp 1.037.560 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 21.05.2008; REsp 921.611 / RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 17.04.2008; REsp 973.386 / RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 12.05.2008. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1025992 / SC, 2a Turma do STJ, julgado em 26/08/2008, Ministro Mauro Campbell Marques) (grifei) LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA DE MULTA ISOLADA. O recorrente também defende que, nos lançamentos para prevenir a decadência, não é permitida a cobrança de multa de ofício, o que inclui também a multa isolada de 50%, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) Para essa matéria, concordo com as conclusões da decisão recorrida de que esse dispositivo legal proíbe a cobrança de multa de ofício relativa à tributo com a Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 437 11 exigibilidade suspensa, mas não alcança a multa isolada, que não está vinculada a nenhum tributo. Penso ser essa a única interpretação razoável para a exigência legal, sob pena de se impossibilitar o lançamento de penalidades cobradas isoladamente com o objetivo de prevenir a decadência e evitar o perecimento do direito. Imaginese uma ação judicial proposta com o objetivo de não se pagar multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, com deferimento de liminar sem ordem de depósito judicial. Caso não se possa constituir o crédito tributário relativo à penalidade isolada com a exigibilidade suspensa, ao final da lide, caso vitoriosa a Fazenda Nacional, impossível será a cobrança do crédito tributário devido à decadência do direito de lançar. MULTA ISOLADA: DENÚNCIA ESPONTÂNEA O recorrente pugna pela aplicação do instituto da denúncia espontânea para a multa isolada lançada, afirmando que essa matéria não está incluída na ação judicial, que cuida apenas da incidência da multa de mora sobre o pagamento complementar da estimativa de IRPJ do mês de junho de 2007, efetuado em 11/10/2007. Após intensa discussão sobre a matéria na sessão de julgamento, chegouse à conclusão de não ser possível seu conhecimento pela Turma, uma vez que a ocorrência da denúncia espontânea deve ser decidida pelo Poder Judiciário, com efeito pleno sobre todo o lançamento. Apesar de ser verdade que objeto principal da ação judicial é a denúncia espontânea relativa ao pagamento em atraso da estimativa mensal, é evidente que o destino da multa isolada decorrente do não pagamento da antecipação deve ser o mesmo. Imaginese que o Poder Judiciário entenda pela não ocorrência da denúncia espontânea no pagamento da estimativa. Como consequência, sobre a parte não recolhida, seria devida a multa isolada. Mas se essa Turma tivesse conhecido da matéria e reconhecido a ocorrência de denúncia espontânea para a multa isolada, seria impossível a aplicação integral da decisão judicial. E esse evidente o conflito entre as decisões administrativa e judicial não é admitido por nosso ordenamento, pois a simples propositura de ação judicial com o mesmo objeto de processo administrativo implica imediata desistência do recurso administrativo interposto, nos termos do art. 38 da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, abaixo transcrito: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 438 12 na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Do mesmo modo, a Súmula CARF nº 1 tem o seguinte enunciado: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA ISOLADA: EXISTÊNCIA APÓS O EXERCÍCIO O recorrente também defende que não é devido imposto a título de estimativa mensal após o encerramento do anocalendário e, portanto e com mais razão, não deve ser admitida a exigência da multa isolada aplicada após o encerramento do anocalendário. Discordo do argumento. Isso porque a imposição dessa penalidade é consequência direta da lei, que não pode ter sua aplicação afastada pelos membros do CARF, sob pena de se estar, por vias transversas, declarando a inconstitucionalidade do ato legal, afrontando diretamente o conteúdo da Súmula CARF nº 2 e do art. 62 do anexo II do Regimento Interno do CARF. A multa aplicadas está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) A interpretação de não ser a estimativa devida após o encerramento do exercício se escorava na antiga redação da lei, que determinava que a multa fosse calculada Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 439 13 sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, afirmando que as estimativas não tinham a natureza de tributo, que somente existiria no final do exercício, mas de simples antecipação. Ora, o art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, define a estimativa como imposto, que é uma das espécies de tributo, e a ela se aplica, na íntegra, o conceito de tributo do art. 3o do Código Tributário Nacional prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. O fato de a legislação facultar a redução ou o não recolhimento das estimativas com base em balanços ou balancetes mensais não desnatura sua natureza de prestação compulsória, trazendo apenas hipótese onde é possível suspender ou reduzir sua incidência. Isto é, comprovado que o valor já recolhido excede o imposto a ser pago no mês, a lei afasta a incidência compulsória da norma, ou reduz o seu alcance até o limite do tributo devido. O raciocínio empregado consiste em verdadeira petição de princípio, utilizandose a conclusão como premissa: a estimativa não é compulsória o que comprova que não possui natureza de tributo, que é compulsório. Ora, tanto as estimativas são compulsórias que existe punição específica pelo seu não recolhimento, mesmo se o principal já tiver sido absorvido pelo imposto devido do exercício. Confirmam a natureza tributária das estimativas a sua cobrança por meio de auto de infração no decorrer do exercício, e sua restituição ou compensação como tributo (Súmula CARF no 84). Além disso, esse entendimento violava diretamente o conteúdo da lei, que era explícito em aplicar a penalidade ainda que se tivesse apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A explicação de que essa parte da norma somente se aplicaria se a fiscalização se desse no mesmo anocalendário em que se apuram os lucros fere a lógica, pois, tratandose de lucro real anual, o prejuízo e a base de cálculo negativa só são apurados no último dia do ano, em especial porque o contribuinte não elaborou balancetes mensais (pois senão poderia suspender as estimativas). De qualquer modo, com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, essa interpretação não pode prosperar, pois a base de cálculo da multa por falta de recolhimento da estimativa deixou de ser “a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”, passando a ser “o valor do pagamento mensal”. O que se observa é que as diversas interpretações que afastavam a aplicação da multa isolada sobre estimativas se escoravam na idéia de que seu valor era desproporcional à gravidade da infração, pois a base de cálculo era mal calibrada. Contudo, esse argumento não serve ao intérprete, que não pode escolher deixar de aplicar as leis que lhe desagradam, mas deve nortear o legislador na confecção da norma. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16004.720570/201181 Acórdão n.º 1102000.984 S1C1T2 Fl. 440 14 Vejase que o legislador teve a oportunidade de alterar a sistemática de penalidades por falta de recolhimento das estimativas, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007, mas manteve, em essência, o mesmo procedimento. As modificações efetuadas se deram como resposta às críticas recebidas, diferenciandose as alíquotas e se alterando a redação para bem distinguir as bases de cálculo. Mas a essência da tributação restou inalterada. Assim, devese respeitar a opção expressa do legislador, afastandose interpretações que, na prática, esvaziam o conteúdo de norma cogente, negando vigência à lei federal. PROTESTO PARA SUSTENTAÇÃO ORAL Quanto ao protesto pela sustentação oral das razões recursais em sessão de julgamento, há que se reconhecer que é um direito do contribuinte garantido no regimento do CARF, bastando, para exercêlo, que se compareça ao local do julgamento na data e hora constante da pauta publicada no Diário Oficial da União, pessoalmente ou por meio de procurador devidamente constituído. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, não conhecer os argumentos da denúncia espontânea e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 11030.904003/2012-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 03 /2 01 2- 25 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904003/201225 Acórdão n.º 3803005.442 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11020.001103/2005-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
BASE DE CÁLCULO. ELEMENTO FORMADOR. AUSÊNCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO.
Na ausência de elemento formador da base de cálculo deve o contribuinte comprovar que a constituição do crédito tributário foi incorreta, causando-lhe prejuízo. Não cabe simples alegação de que a ausência de elemento formador da base de cálculo é causa de nulidade da autuação, quando a autoridade fiscalizadora, em face da escassez de informações prestadas pelo contribuinte, presume de forma mais benéfica ao mesmo.
NECESSIDADE DE PROVA. FATOS ALEGADOS.
Cabe a parte que alegou comprovar a existência dos fatos. São considerados sem efeito os fatos alegados e não comprovados.
AUTO-INCRIMINAÇÃO MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. VEDAÇÃO À AUTO-INCRIMINAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. MANUTENÇÃO DA MULTA.
Não cabe ao CARF analisar questões de caráter constitucional. Alegações de inobservância dos princípios da ampla defesa, do contraditório, da vedação de produzir prova contra si próprio e do não confisco não são apreciadas por essa corte administrativa, cabendo ao Poder Judiciário a sua análise. Multa de ofício não pode ser afastada em sede de processo administrativo por argumentação de violação de matéria constitucional.
Numero da decisão: 2201-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa aos caminhões Scania, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ELEMENTO FORMADOR. AUSÊNCIA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. Na ausência de elemento formador da base de cálculo deve o contribuinte comprovar que a constituição do crédito tributário foi incorreta, causandolhe prejuízo. Não cabe simples alegação de que a ausência de elemento formador da base de cálculo é causa de nulidade da autuação, quando a autoridade fiscalizadora, em face da escassez de informações prestadas pelo contribuinte, presume de forma mais benéfica ao mesmo. NECESSIDADE DE PROVA. FATOS ALEGADOS. Cabe a parte que alegou comprovar a existência dos fatos. São considerados sem efeito os fatos alegados e não comprovados. AUTOINCRIMINAÇÃO MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. VEDAÇÃO À AUTO INCRIMINAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. MANUTENÇÃO DA MULTA. Não cabe ao CARF analisar questões de caráter constitucional. Alegações de inobservância dos princípios da ampla defesa, do contraditório, da vedação de produzir prova contra si próprio e do não confisco não são apreciadas por essa corte administrativa, cabendo ao Poder Judiciário a sua análise. Multa de ofício não pode ser afastada em sede de processo administrativo por argumentação de violação de matéria constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 11 03 /2 00 5- 98 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa aos caminhões Scania, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por meio do Auto de Infração (fls. 07) lavrado em 18/04/2005 exigese do contribuinte ASSOCIAÇÃO DOS MOTORISTAS SÃO MARQUENSES o crédito tributário de R$ 551.622,97, sendo que R$ 195.564,84 a título de imposto de renda, R$ 62.710,88 de juros de mora e 293.347,25 de multa qualificada de ofício (atualizados até abril de 2005) referente a ausência de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) nos anos calendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 sobre entrega de prêmios em bens e serviços. Conforme percebese do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 21), a Recorrente é uma associação (entidade civil de direito privado) que dentre outros objetivos sociais apresentados em seu estatuto social destacase a realização, em parceria com a Diocese de Caxias do Sul — Paróquia de São Marcos, anualmente, a Festa de Nossa Senhora Aparecida e dos Motoristas, congregando esforços para seu melhoramento e crescimento, visando o incremento das atrações que oferece, seja na parte social, seja cultural, técnica ou religiosa, com ênfase à direcionadas ao caminhoneiro e ao ramo de transportes. De acordo com a fiscalização, o referido objetivo social acima é fomentado por meio de sorteios de bens (na maioria dos casos, carros e caminhões) promovidos pela Recorrente. Entende a fiscalização que em observância ao artigo 677 do Decreto nº 3.000/99, o prêmio recebido em bens deve sofrer incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 20%, sendo responsável pelo recolhimento a pessoa jurídica que distribuiu o prêmio e a base de cálculo do imposto o valor de mercado do bem na data do sorteio. Quando do processo de fiscalização não foram identificados os pagamentos do IRRF sobre a entrega dos prêmios. Assim, quando questionada acerca da realização de sorteios com distribuição de prêmios para fomentar a parceria com a Paróquia de São Marcos, Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001103/200598 Acórdão n.º 2201002.234 S2C2T1 Fl. 3 3 a Recorrente informou que apenas realizou um único sorteio no anocalendário de 2002, cujo IRRF foi devidamente pago, conforme Documento de Arrecadação Fiscal (DARF) juntado aos autos (fls. 59). Entretanto, a fiscalização, com fortes indícios que houve sorteio de outros prêmios em outros períodos, pois nas cautelas havia menção de sorteio de prêmios na festa de Nossa Senhora Aparecida, intimou por diligência as seguintes pessoas, com vistas a aferir se as mesmas mantiveram operações com a Recorrente no sentido de ofertar bens a serem sorteados: Randon S/A Implementos e Sistemas Automotivos, Brasdiesel S/A Comercial e Importadora (SCANIA), Dipesul Veículos Ltda. (VOLVO), P10 X Comércio e Transportes Ltda., Petrymar Transportes LtdA., Transporte da Lago Ltda. ME., Chico Transportes Rodoviários Ltda. ME. e Valderez Osmar Fredrez. A fiscalização concluiu que a diligência resultou na concretização, com apresentação de provas, como: recibos de compra e venda, notas fiscais de compra, dentre outros, de que houve operações entre a Recorrente e essas pessoas que indicam a aquisição (entrega) de bens para fins de sorteio na festa de Nossa Senhora Aparecida. Assim, tendo em vista que a Recorrente negou a existência de outros sorteios senão aquele já mencionado anteriormente, a fiscalização com base nas datas e valores apresentados pelas pessoas na diligência lançou o IRRF que julga devido, bem como aplicou multa de ofício qualificada de 150%, em razão de entender que a Recorrente sonegou informações à fiscalização, ou seja, agiu dolosamente com o intuito de omitir fatos à fiscalização que acabariam por resultar em lançamento do tributo. Além disso, a fiscalização ainda efetuou representação para fins penais alegando que a Recorrente concorreu para o tipo penal previsto no art. 2°, I, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. A Recorrente apresentou tempestivamente impugnação (fls. 593) pleiteando: · a nulidade do lançamento, tendo em vista que a fiscalização não conseguiu comprovar a data de ocorrência do sorteio. Logo, como a data do sorteio, de acordo com o previsto no artigo 677 do Decreto nº 3.000/99, é elemento essencial para definição da base de cálculo do IRRF, essa não pode ser presumida pela fiscalização sob pena de macular o lançamento; · o cancelamento do lançamento por entender que não houve a identificação do sujeito passivo. Ou melhor, a fiscalização não logrou êxito em comprovar que as provas obtidas no processo de diligência estariam vinculadas a sorteios e mais, sorteios efetuados pela Recorrente. A Recorrente alega que a documentação de compra e venda de veículos e caminhões não se relaciona a sorteios, mas refere se sim à atuação da Recorrente como associação, visando prover os caminhoneiros autônomos de meios e melhores condições para execução do seu ofício. Ainda complementa que a festa de Nossa Senhora Aparecida, momento no qual a fiscalização alega que ocorreu o sorteio, é patrocinada por diversas empresas, inclusive a Prefeitura Municipal de São Marcos, logo não pode a fiscalização presumir que a responsável por eventual sorteio seja a Recorrente e não outro igual patrocinador da festa; e Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · o cancelamento da multa qualificada, inicialmente por alegar que não houve fraude, pois argumenta que a Recorrente prestou com a verdade quando informou à fiscalização que não houve sorteios, salvo aquele informado. E, na eventualidade de se entender que houve a fraude, argumentar que a majoração da multa de ofício fere o princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, bem como o da autoincriminação, ou seja, é direito ao contribuinte quedarse omisso perante a fiscalização tributária se o fato que deveria reportar acaba por ensejar a autuação fiscal. Também argumenta que a multa apresenta caráter confiscatório, fato que fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade e, portanto, deve ser afastada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) de Porto Alegre/RS julgou improcedente (fls. 709) a impugnação por entender se tratar de matéria fática e que a Recorrente não logrou êxito na sua defesa em apresentar provas substanciais que afastassem a prova e o entendimento das mesmas produzidas pela fiscalização. Assim, a DRJ manteve o lançamento na sua integralidade, inclusive com a qualificação da multa de ofício. O contribuinte foi notificado da decisão em 08/08/05, fls. 751, tendo apresentado recurso voluntário, tempestivo, em 01/09/05, fls. 753, reforçando as razões apresentadas na Impugnação, bem como rebatendo a decisão da DRJ no sentido de que não há sorteio de bens, mas sim contemplação de seus associados em face de consórcio. Assevera que possui convênios com diversas empresas (comerciantes de caminhões) e com vistas a fomentar e viabilizar a atividade dos seus associados (caminhoneiros autônomos) adquire caminhões dessas empresas conveniadas em nome dos seus associados, contemplados no consórcio e, posteriormente, é reembolsada. E, conclui que não há sorteio de bens passível de tributação conforme alega a fiscalização. O referido processo foi pautado para julgamento na Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte que proferiu Resolução no sentido de se efetuar diligência para: (i) junto aos fornecedores dos veículos, mediante intimação complementar própria, se os veículos fornecidos à Associação se destinavam ao Sorteio dos grupos de consórcio ou ao sorteio das rifas representadas pelas cautelas, (ii) junto aos registros societários e contábeis da Recorrente, mediante procedimento fiscal próprio, a efetiva realização das operações regulares 'de administradora de consórcio mediante convênios com terceiros, na forma alegada e quais os veículos entregues a esse titulo no período fiscalizado, (iii) mediante o cotejo entre as informações do item (i) e do item (ii) acima, quais os veículos incluídos no auto de infração teriam sido supostamente objeto de sorteio de quota de consórcio e quais teriam sido objeto de rifa, e (iv) junto aos registros contábeis da Associação, qual a origem dos créditos financeiros existentes na Associação utilizados para pagamento aos fornecedores dos veículos. A fiscalização diligenciou perante as empresas Dipesul Veículos Ltda., Brasdiesel SA Comercial e Importadora, Randon SA Implementos e Sistemas Automotivos e a Recorrente com vistas a obter a documentação solicitada por essa Corte Administrativa e concluiu em Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1011) que: · os registros contábeis da Brasdiesel SA Comercial e Importadora não produziram nenhuma prova em relação questão da intermediação dos planos de consórcio dos associados, exceto pelo caminhão Scania, NF 59.061 que era devida a título de consórcio, de propriedade de Arisoli Macedo dos Santos, sem vinculação a AMSM e do caminhão Scania, NF 649.270, era devida a título de compra através de FINAME, realizada pela PIO X Transportes, sem vinculação a AMSM; Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001103/200598 Acórdão n.º 2201002.234 S2C2T1 Fl. 4 5 · no tocante aos demais veículos objeto da presente ação fiscal as empresas Dipesul Veículos Ltda., Brasdiesel SA Comercial e Importadora e Randon SA Implementos e Sistemas Automotivos alegaram desconhecer que tais veículos estivessem vinculados a plano de consórcio; e · A AMSM, intimada e reintimada, respondeu aos questionamentos das diligências reapresentando a sua tese jurídica, porém nada respondeu às perguntas constantes dos Termos de Diligência Fiscal e tampouco apresentou elementos probantes de sua contabilidade ou de seus registros societários. Em suma, em resposta ao objeto desta Diligência Fiscal, relativo ao item 1, IV, não há registros contábeis dos créditos da AMSM com os fornecedores de veículos, pois estes se mantiveram à margem da contabilidade. A Recorrente se pronunciou acerca do Relatório de Diligência Fiscal e reforçou os argumentos já expostos no Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A defesa da Recorrente encontrase pautada em matérias de fáticas (prova) e encontrase dividida em 04 argumentações: (i) cancelamento do auto de infração pela inocorrência do fato gerador do imposto rebatendo o entendimento da fiscalização com base nas provas apresentadas, no sentido de interpretálas como sendo um consórcio de caminhões para seus associados e não sorteio de bens, (ii) cancelamento do auto de infração em razão da ausência de elemento formador da base de cálculo do IRRF incidente sobre prêmios pagos em bens e serviços, (iii) cancelamento do auto de infração em virtude da identificação imprecisa do sujeito passivo e (iv) afastamento da multa de ofício qualificada em face de seu caráter confiscatório, não observando os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Passemos a análise de cada argumentação colocada pela Recorrente. 1. Inocorrência do Fato Gerador A Recorrente alega que a interpretação que a fiscalização dispensa sobre as provas não é correta, pois na verdade não se trata de sorteio de bens, mas sim de contemplação de seus associados em consórcio de caminhões. A Recorrente pondera que uma de suas funções é o fomento e suporte do labor de seus associados que na sua maioria caminhoneiros autônomos não gozam de estrutura para exercício de seu ofício. Assim, com vistas a proporcionar melhores condições instituiu o Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 consórcio de caminhões. Desta forma, por meio de convênios junto a empresas consegue obter caminhões a preços mais “em conta” e por meio de consórcio sorteia aos seus associados, sendo reembolsada posteriormente. Assim, se defende a Recorrente sobre a questão no seu Recurso Voluntário: Bem verdade que a recorrente procedeu ao pagamento de caminhões e semi reboques faturados em nome de terceiros; mas isto mesmo que de indicio se tratasse não é prova cabal da ocorrência do fato gerador, qual seja, da distribuição de prêmios em bens e serviços. (...) Como resultado destes convênios, a recorrente teve créditos a seu favor abertos em conta pessoal junto a estes fornecedores, passando a disponibilizar estes créditos para que alguns associados adquirissem esses produtos em melhores condições. Esclarecese que a recorrente não comprava os produtos para revender; apenas servia de intermediária para obter melhores pregos ao caminhoneiro, autorizando o pagamento por conta de seus créditos e reembolsandose depois.(grifos nossos) Logo, defende a Recorrente que por se tratar de consórcio de caminhão e não sorteio de bens, não há ocorrência do fato gerador alegado pela fiscalização. Por outro lado, pelo fato de a Recorrente não ter prestado as devidas informações durante o processo de fiscalização, a autoridade fiscal se viu compelida a obter provas indiretas junto a terceiros. Dessa forma diligenciou perante as empresas conveniadas (bem como outras) da Recorrente a listagem de bens que foram transacionados com a Recorrente para fins de sorteio. Aqui, importante destacar que a Recorrente pondera que a fiscalização não especificou a que sorteio que se destina, podendo ser o sorteio dentro do âmbito de um consórcio. De toda sorte, as empresas diligenciadas apresentaram lista com notas fiscais de veículos que foram pagos pela Recorrente e faturados em nome de terceiros. Logo, conclui se que as empresas diligenciadas apontam que esses veículos foram transacionados com a Recorrente para fins de sorteio. As datas da emissão das notas fiscais é muito próxima à data da realização da festa, conforme pode se verificar dos panfletos anexados aos autos. Além disso, a fiscalização alega que há prova de alguns dos veículos estiveram na festa. Em relação a esse último ponto, a Recorrente alega que diversos caminhões são expostos na festa, tendo em vista que se trata de uma festa para caminhoneiros. E, ainda há prova (recibos e correspondências internas) de que alguns caminhões foram recebidos em razão do sorteio da festa. Neste aspecto, a Recorrente pondera que de fato os veículos foram “sorteados” na festa, mas no âmbito do consórcio em face de assembleia ali realizada. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001103/200598 Acórdão n.º 2201002.234 S2C2T1 Fl. 5 7 Em face do acima exposto, bem como de toda a documentação apensada ao processo, resta claro que Recorrente e autoridade fiscal efetuam leitura diversa sobre os mesmos fatos. Logo, importante aferir qual parte logrou em melhor comprovar seu entendimento. Para tanto, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte resolveu por diligenciar junto às empresas conveniadas com a Recorrente se havia registro e conhecimento que tais veículos eram objeto de sorteio em âmbito de consórcio. Conforme se verifica do Relatório de Diligência Fiscal, apenas 02 caminhões da Brasdiesel SA Comercial e Importadora foram identificados como objeto de consórcio, a saber: caminhão Scania, NF 59.061 que era devida a título de consórcio, de propriedade de Arisoli Macedo dos Santos, sem vinculação a AMSM e do caminhão Scania, NF 649.270, era devida a título de compra através de FINAME, realizada pela PIO X Transportes, sem vinculação a AMSM. A resposta das empresas diligenciadas para os demais veículos é no sentido de que os mesmos não eram objeto de consórcio, mas sim a sorteio de rifa na referida festa. Ainda para fins de diligência, a Recorrente foi solicitada a apresentar registros societários e contábeis que comprovassem a efetiva realização das operações regulares de administradora de consórcio mediante convênios com terceiros, na forma alegada no Recurso Voluntário e quais os veículos entregues a esse título no período fiscalizado, bem como demonstrar com base nos registros contábeis, qual a origem dos créditos financeiros existentes utilizados para pagamento aos fornecedores dos veículos. Intimada e reintimada, a Recorrente não apresentou a documentação solicitada apenas repisando os argumentos jurídicos e fáticos expostos na sua peça recursal. De acordo com a legislação, toda a pessoa que administra consórcios deve ter autorização para funcionar emitida pelo Banco Central do Brasil. A Recorrente não trouxe aos autos prova de que seja autorizada a funcionar pelo referido órgão na prática de consórcios, fato que pode por sob suspeição a alegação da Recorrente que a entrega dos caminhões ocorreu no âmbito de contemplação em consórcio. Porém, esse fato por si só não tem o condão de afastar a existência do consórcio alegado pela Recorrente, pois a mesma ainda que infringindo uma legislação regulatória, de fato estaria administrando o consórcio e, é certo, que as normas tributárias se preocupam com os fatos, não devendo ser imposta ou liberada a tributação em face do não cumprimento de uma norma regulatória. A Recorrente alega que é reembolsada pelos associados contemplados no âmbito do consórcio, mesmo porque essa é a natureza dessa transação, todos contribuem para em momento futuro serem contemplados por meio de sorteio. Entretanto, a Recorrente não consegue juntar aos autos provas da existência de pagamento da prestação consorcial pelos associados. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Pois bem, se é alegada a existência de um consórcio, esse deve ser provado, especialmente com os “reembolsos” que a Recorrente alega ter recebido de seus associados. Essa é a prova cabal de que não se trata de um sorteio de bens, mas sim de sorteio em âmbito de consórcio. Ademais, no tocante às provas trazidas pelas empresas diligenciadas cabe destacar que foram uníssonas ao alegar que os bens em questão não mantém relação com sorteio no âmbito de consórcio, salvo os caminhões Scania NF 59.061 e NF 649.270 que a Brasdiesel SA Comercial e Importadora alega e comprova que não são vinculados a sorteios de bens, mas sim negociados em âmbito de consórcio. Logo, com base nas provas carreadas no processo, entendo por excluir do crédito tributário o valor referente aos caminhões Scania NF 59.061 e NF 649.270, que comprovouse terem relação com sorteio em âmbito de consórcio mantémse o crédito tributário em relação aos demais veículos por se tratar de sorteio de bens, sujeitos à tributação pelo imposto de renda. 2. Elemento Formador da Base de Cálculo A Recorrente alega que a data do sorteio não foi claramente identificada para os anos de 2000 e 2001. Pleiteia a Recorrente ser de suma importância a referida data, tendo em vista que a data do sorteio é elemento formador da base de cálculo do imposto autuado. Assim, entende a Recorrente que em não havendo a exata data do sorteio, o lançamento deve ser cancelado por vício na formação da base de cálculo. É certo que a fiscalização acaba por presumir a data de ocorrência do sorteio, especialmente para os anos de 2000 e 2001, porém a presunção é efetuada de forma a não prejudicar o contribuinte. Sendo certo que os bens foram objeto de sorteio, optou o fiscal, na incerteza quanto data do sorteio, em assumir data que não ocasionasse prejuízo a Recorrente. Logo, ao pugnar o vício na formação da base de cálculo, deveria fazer o contribuinte demonstrando que foi prejudicado na quantificação do imposto devido e não sob a alegação do imposto não ser devido. Isso porque em face das provas juntadas ao processo entendese que de fato ocorreu o sorteio e o imposto é devido. Não pode se imiscuir o Recorrente de não pagar o imposto pela imprecisão na formação da base de cálculo, se entende não estar correta deve apontar o erro material existente e pleitear o ajuste do crédito tributário, mas não o seu cancelamento por vício. A fiscalização adotou a postura mais conservadora possível em prol da Recorrente. Os bens foram objetos de sorteio sem retenção de imposto, como a fiscalização não teve como aferir a real data do sorteio em face de informações imprecisas fornecidas pela Recorrente, a fiscalização optou por presumir datas que não majorassem o tributo devido. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.001103/200598 Acórdão n.º 2201002.234 S2C2T1 Fl. 6 9 Portanto, não procede alegação no sentido de que o crédito tributário deve ser cancelado em razão de imprecisão da base de cálculo, pois a presunção assumida pela autoridade fiscal foi benéfica ao contribuinte e não logrou êxito a Recorrente em comprovar qual a real data do sorteio. 3. Identificação do Sujeito Passivo A Recorrente alega que são muitas as pessoas que patrocinam a festa e por que ela seria a responsável pelo sorteio. Em face dos fatos acima apresentados e da conclusão de que as provas identificam a existência do sorteio, resta comprovado que a Recorrente é a responsável por orquestrar os sorteios. A própria Recorrente em sua defesa pontua que efetuou os sorteios no âmbito do consórcio, como restou entendido que a Recorrente não comprovou que tais sorteios são no âmbito do consórcio, por dedução lógica resta claro que o sorteio aconteceu, foi efetuado pela Recorrente (alegado pela própria) só que não no âmbito do consórcio. Portanto, por a lei indicar que o contribuinte é a pessoa que efetua o sorteio e como a própria Recorrente afirma na defesa que efetuou sorteios, não restam dúvidas que a Recorrente é o sujeito passivo do tributo. 4. Multa de Ofício A Recorrente pugna pelo cancelamento da multa de ofício qualificada, inicialmente por entender que não incorreu em omissão de fatos à fiscalização, pois suas respostas foram verdadeiras e as provas obtidas pela fiscalização não tiveram o condão de elidir o justificado pela Recorrente durante o processo de fiscalização. Além disso, em não se mantendo o entendimento que os fatos reportados à fiscalização pela Recorrente foram verdadeiros, defendese a Recorrente pelo afastamento da multa de ofício por 02 (dois) prismas, conforme analisado a seguir. 4.1. Violação dos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório. Vedação à autoincriminação. A Recorrente alega que a omissão de informações à fiscalização é garantia do seu direito constitucional de não produzir provas contra si mesma. Assim, ao negar ou prestar informações inexatas à fiscalização a Recorrente entende não estar infringindo norma alguma, pois se encontra abrigada pelo direito constitucional de não incriminação que, por conseguinte, asseguralhe os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 De plano já é aplicável á argumentação da Recorrente a Súmula CARF nº 2 que dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido, essa corte administrativa não detém competência para afastar multa de ofício com base em argumentações constitucionais, sendo essa mantida. 4.2. Caráter Confiscatório da Multa de Ofício Da mesma forma que a argumentação anterior, a Recorrente se socorre de princípio constitucional da vedação ao confisco para pleitear o afastamento da multa de ofício qualificada. Pela aplicação da Súmula nº 2 do CARF, a multa de ofício qualificada resta mantida, pois não cabe a essa corte administrativa afastar aplicação de multa em face de alegação de matéria constitucional. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido dar provimento parcial para excluir da exigência a parte relativa aos caminhões Scania NF 59.061 e NF 649.270. Assinado digitalmente Nathália Mesquita Ceia – Relatora. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13971.000771/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1995 a 30/10/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Verificado que o corpo do v. acórdão embargado padece de contradição entres os seus fundamentos e a parte dispositiva, o vicio merece ser sanado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-003.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Verificado que o corpo do v. acórdão embargado padece de contradição entres os seus fundamentos e a parte dispositiva, o vicio merece ser sanado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 71 /2 00 8- 27 Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por KARSTEN S/A em face do v. acórdão n. 2402000.122 que complementado pelo v. acórdão de fls. 459461 o qual julgou anteriores Embargos de Declaração opostos pela FAZENDA NACIONAL. Nos presentes Embargos sustenta a contribuinte que o v. acórdão embargado apresenta contradição entre sua fundamentação e a parte dispositiva, no que concerne ao termo final do prazo decadencial, tendo em vista que a fundamentação do voto aponta que estariam decaídas as competências até 11/2002, ao passo em que a sua parte dispositiva aponta como decaídas as competências até 11/2000. Sustenta, ainda que o v. acórdão embargado incorreu em erro de fato, na medida em que aquilo que a fiscalização chamou de 'prêmio absenteísmo/assiduidade', na realidade, corresponde aos valores pagos aos funcionários em decorrência do PPR (Programa de Participação nos Resultados), verba prevista pela própria legislação (art. 30 da Lei no 10.101/00, art. 28, § 9 0 , "j", da Lei no 8.212/91 e art. 7o, XI, da CF) como não sujeita às contribuições previdenciárias. Por fim defende que o v. acórdão omitiuse na análise dos seguintes pontos nucleares a causa e objeto de seu recurso: (a) previdência privada: a LC no 109/01 (arts. 68 e 69, § 1 0), o Decretolei no 2.296/86 (art. 29, a CLT (art. 458, § 2o, VI) e a Lei no 8.212/91 (art. 28, § 9 0 , "e", 7) impedem a tributação da previdência privada concedida aos diretores (itens 90103 do Recurso); (b) plano de saúde: o próprio relatório fiscal (ft 145: "0 contribuinte mantém convênio com a empresa Bradesco Saúde para oferecer plano de saúde aos seus empregados e diretores....") e também o Acórdão de primeira instância reconheceram que a empresa cumpre o único requisito exigido pela Lei no 8.212/91 (art. 28, § 9 0, "q") para que as contribuições não sejam exigidas sobre o plano de saúde pago pela empresa (itens 110123 do Recurso); e (c) seguro de vida: o Decreto no 3.048/99 (art. 214, § 90, XXV) expressamente prevê que não integra o saláriode contribuição o seguro de vida em grupo pago pela empresa, desde que "disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes"; no caso da Embargante, esta condição foi cumprida, tendose em vista que, como consta no próprio relatório fiscal (fl. 146), a empresa mantém seguro de vida para todos os seus funcionários e dirigentes (itens 129130 do Recurso). Prestadas as devidas informações, fora determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o que bastava relatar. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 2402003.830 S2C4T2 Fl. 1.534 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de sua admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente, analiso as argumentações acerca da suscitada omissão do v. acórdão n. 2402000.122, na análise de pontos considerados pela embargante como nucleares em seu recurso voluntário. Sustenta, sob este aspecto, que o v. acórdão fora omisso na analise de sua defesa no que se refere ao lançamento das seguintes rubricas: (i) concessão de previdência privada aos seus funcionários, (ii) concessão de plano de saúde aos seus funcionários e (iii) concessão de seguro de vida aos seus funcionários. Acresce que a concessão de tais benefícios obedeceu aquilo o que previsto na legislação previdenciária, de sorte a excluir tais valores das bases de cálculo das sobreditas contribuições lançadas. Da análise do v. acórdão ora embargado, sobre ao assunto, assim se manifestou esta Eg. Turma quando do julgamento do recurso voluntário. Confirase: Não nega que pagou a seus empregados verbas a títulos de auxilio creche, participação dos administradores nos resultados, prêmio assiduidade, previdência privada, plano de saúde e seguro de vida, utilizadas pelo fiscal auditor como base de cálculo do salário de contribuição de seus empregados, limitandose a tentar demonstrar que referidas verbas não possuem natureza salarial. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é entendido corno "...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer ti do, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua • •''' usive as godetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades..."(grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4° do art. 201, renumerado para o § 11, corn a redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 conseqüentemente repercussão em beneficios, nos casos e na forma da lei. (grifei) A CLT discrimina as parcela que compõe a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as godetas que receber. 1" Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. O § 2°, do art. 458, da CLT, assim dispõe sobre os salário pagos "in natura": Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por for0 do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado....". Ressalto que não há necessidade de a lei, ou o regulamento, prever hipóteses de não incidência, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, "a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...". No presente caso, não restam dúvidas que as verbas pagas pela empresa a titulo de participação dos administradores nos resultados, prêmio assiduidade, previdência privada, plano de saúde e seguro de vida não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdencidria, previstas no § 9°, art. 28, da Lei 8.212/91, devendo, portanto, serem incluídas no salário de contribuição. Verificase que a argumentação de que o v. acórdão embargado fora omisso na análise da matéria de defesa argüida em sede de recurso voluntário não merece prosperar, na medida em que o v. acórdão embargado expressamente entendeu que todas as rubricas lançadas além do auxíliocreche, não se tratavam de rubricas previstas nas exceções previstas no no § 9°, art. 28, da Lei 8.212/91, de sorte que, por tal motivo, foram consideradas como salário contribuição. Ou seja, resta incontroverso que sobre a incidência ou não das rubricas que o ora embargante sustenta não ter se manifestado o acórdão, este de fato o fez, entendendo que todas encontravamse inclusas dentre as componentes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fato é que os embargos, a meu ver e sob este aspecto, pretendem obter a rediscussão da causa neste momento, o que é inadmissível de acordo com o artigo 65 do RICARF, senão pela interposição competente recurso cabível. Ademais, no que se refere ao erro de fato cometido pelo julgamento ora embargado, também não vejo como acatar as considerações levadas a efeito pelo embargante. Neste ínterim, sustenta o mesmo que este se verificou na medida em que aquilo que a fiscalização chamou de 'prêmio absenteísmo/assiduidade', na realidade, corresponde aos valores pagos aos funcionários em decorrência do PPR (Programa de Participação nos Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.000771/200827 Acórdão n.º 2402003.830 S2C4T2 Fl. 1.535 5 Resultados), verba prevista pela própria legislação (art. 30 da Lei no 10.101/00, art. 28, § 9 0 , "j", da Lei no 8.212/91 e art. 7o, XI, da CF) como não sujeita às contribuições previdenciárias. Todavia, conforme consta expressamente do relatório fiscal, o PPR fora adotado pela empresa somente em 2007, como forma de substituição dos pagamentos do premio absenteísmo/assiduidade, que ressaltese, em anos anteriores tinha inclusive pagamentos mensais. Ainda sobre o assunto, há de se esclarecer que o lançamento somente fora efetuado até o ano de 2006, de modo que o implemento do PPR em 2007, sequer fora objeto do presente lançamento. Logo, não verifico ter havido, sob este aspecto, qualquer erro de fato a ser reconhecido na presente oportunidade. Todavia, já no que se refere a argumentação acerca da contradição existente no acórdão de fls. 459461 no que se refere a determinação do prazo decadencial, de fato, tem razão a embargante. Conforme consta da fundamentação de referido voto, deveria ter constando, também em sua parte dispositiva o acatamento da decadência até a competência de 11/2002, esta inclusive considerada como decadente. Assim, a parte dispositiva de referido acórdão deve ser lida da seguinte forma: Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para sanar a contradição apontada e retificar o voto condutor e sua parte dispositiva, no que se refere a decadência, para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS, tão somente para reratificar a parte dispositiva do acórdão n. 2402001.944, para que seja a mesma lida da seguinte forma: Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para sanar a contradição apontada e retificar o voto condutor e sua parte dispositiva, no que se refere a decadência, para reconhecer a extinção do lançamento das competências até 11/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/01/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10935.904730/2012-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 30 /2 01 2- 36 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904730/201236 Acórdão n.º 3801002.449 S3TE01 Fl. 83 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904730/201236 Acórdão n.º 3801002.449 S3TE01 Fl. 84 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904730/201236 Acórdão n.º 3801002.449 S3TE01 Fl. 85 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904730/201236 Acórdão n.º 3801002.449 S3TE01 Fl. 86 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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