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Numero do processo: 13836.000742/2007-39
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.089
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o
julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 62 1 61 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13836.000742/200739 Recurso nº Resolução nº 2802000.089 – 2ª Turma Especial Data 15 de agosto de 2012 Assunto Sobrestamento de julgamento Recorrente NORBERTO MORATTO GARCIA JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003 , anocalendário 2002, em virtude de a fiscalização ter reclassificado para rendimentos tributáveis rendimentos recebidos em virtude de ação trabalhista (323/97 da 2ª Vara do Trabalho de Diadema/SP, os quais foram declarados como rendimentos isentos, além de reclassificado o valor declarado como Imposto Complementar para Imposto Retido na Fonte e incluído valor de contribuição previdência oficial referente à ação trabalhista. A fiscalização considerou como omissão de rendimentos o valor de R$38.650,25, apurados da seguinte forma: R$25.469,59 líquidos recebidos conforme alvará 993/2002 somados a R$9.119,53 de Contribuição Previdenciária Oficial e R$5.360,78 de IRRF subtraído de R$1.300,00 referente aos honorários advocatícios. Na impugnação o contribuinte alegou que não houve omissão mas apenas erro em informar os valores como isentos, mas em razão da retenção na fonte não houve prejuízo ao Fisco, que o valor da contribuição previdenciária adicionado pelo fisco está errado por incluiu a parte da reclamada, o valor correto é R$836,07, e também está sendo prejudicado por ter informado o IRRF de R$5.360,78 em campo errado (imposto complementar). Fl. 62DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13836.000742/200739 Resolução n.º 2802000.089 S2TE02 Fl. 63 2 A DRJ indeferiu a impugnação sob o fundamento de que não houve prejuízo ao contribuinte, tanto no que toca à contribuição previdenciária oficial quanto ao Imposto Retido na Fonte, isto porque a Contribuição previdenciária que foi somada para compor o rendimento bruto foi deduzida e não afetou a base de cálculo, outrossim o valor de IRRF acrescido para compor o rendimento bruto, ainda que informado como imposto complementar pelo contribuinte, foi computado como IRRF, de maneira que não houve acréscimo indevido à base de cálculo. Ciência do acórdão em 17/05/2011 e interposição de recurso voluntário em 13/06/2011. A peça recursal possui como alegações: a) o fato de ter informado os rendimentos em local incorreto não pode ser considerado uma omissão de rendimentos a fundamentar a manutenção do lançamento no art. 149, IV do CTN b) do erro cometido não decorreu prejuízo ao fisco pois houve a correspondente retenção na fonte, conforme ilustra o DARF juntado; e c) o acórdão recorrido manteve o entendimento de dedução indevida de imposto complementar erroneamente informado, mas este erro não causou prejuízo à Receita pois o valor foi recolhido. Esta é a síntese dos fatos e dos argumentos a serem apreciados. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. As razões recursais são as mesmas da impugnação, o erro de preenchimento da declaração de ajuste não causou prejuízo ao Fisco, uma vez que houve a retenção na fonte. O acórdão recorrido demonstra adequadamente que os erros deram origem à reclassificação de ofício, mediante a qual houve reclassificação dos rendimentos para tributáveis, acrescendo ao valor líquidos os valores de contribuição previdenciária e IRRF, os quais foram também aproveitados como deduções, de maneira que a glosa de Imposto Complementar não prejudicou o contribuinte em razão de o valor ter sido incluído como dedução a seu favor, igualmente a autuação não tornou mais gravosa a situação do contribuinte ao apurar os rendimentos brutos com base no valor da contribuição previdenciária a cargo da empresa pois este valor foi também utilizado como dedução. A tese do recorrente ilustra uma confusão entre o imposto apurado no ajuste anual e a retenção na fonte de caráter antecipatório. O fato de terem ocorrido as retenções não implica em uma quitação definitiva perante a tributação anual, é no ajuste anual que será verificado se haverá imposto a pagar, ou mesmo a restituir. O acórdão recorrido satisfatoriamente registrou que mesmo acatando as alegações do contribuinte sobre a contribuição previdenciária e o erro na informação do IRRF como imposto complementar não há uma agravamento da base de cálculo. As inexatidões do lançamento corrigidas no contencioso não afetam o valor do imposto apurado de ofício. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13836.000742/200739 Resolução n.º 2802000.089 S2TE02 Fl. 64 3 A apuração de imposto a pagar feito pelo auto de infração decorre não dos erros de preenchimento do contribuinte mas da sistemática de apuração do IRPF no ajuste anual. Apreciadas as alegações do recorrente, não há razão para cancelar a exigência. Não obstante, este Colegiado não exaurirá o controle de legalidade do qual é encarregado se não examinar que os rendimentos que deram origem ao litígio decorrem de uma ação trabalhista movida em 1997, mais precisamente de uma condenação trabalhista, o que implica em concluir que se trata de tributação de rendimentos recebidos acumuladamente que ensejaram o cálculo do imposto anual com base no art. 12 da Lei 7.713/1988. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13836.000742/200739 Resolução n.º 2802000.089 S2TE02 Fl. 65 4 A depender da solução dada pelo STF, não se pode excluir a possibilidade de a forma de apuração do imposto, neste caso concreto, ter causado o prejuízo a que o contribuinte se refere desde a impugnação. Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 65DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000030/2010-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária - não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005.
Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização.
Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento.
O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazê-lo em outro momento processual. Nota-se, pois, que o Recurso Voluntário enquadra-se no referido outro momento processual. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.406
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária - não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazê-lo em outro momento processual. Nota-se, pois, que o Recurso Voluntário enquadra-se no referido outro momento processual. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PARTE PATRONAL. NÃO RECOLHIMENTO EM ÉPOCA PRÓPRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO PROCESSUAL. § 4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação tributária não recolhimento, em época própria, das contribuições (parte patronal) para a Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referentes ao período de 01 a 12/2005. 2. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. 3. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. 4. O contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 30 /2 01 0- 51 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, em razão do descumprimento de obrigação principal referente ao não recolhimento, em época própria, de contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados, incidentes sobre a sua remuneração e descontadas dela, não declaradas em GFIP, nas competências de 01 a 12/2005. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira se a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores trazidas aos autos. LIVROS CONTÁBEIS. RECOMPOSIÇÃO. Na ocorrência de extravio, deterioração ou destruição dos livros contábeis, é dever da empresa providenciar a recomposição de sua contabilidade mediante a escrituração de novos livros. DECISÕES JUDICIAIS As decisões judiciais produzem efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. O pedido de realização de perícia ou diligência será rejeitado pela autoridade julgadora de primeira instância quando esta as considerar prescindíveis. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. CONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa não é competente para julgar constitucionalidade de lei, cabendolhe apenas zelar pela observância de suas disposições e determinar o seu fiel cumprimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário mantido Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: As partes litigantes têm o direito de produzir provas das suas alegações. Tratase de prerrogativa de ordem constitucional, posto que envolvida a produção probatória com a ampla defesa assegurada na Carta. Outros princípios indispensáveis ao processo judicial e administrativo se constituem no contraditório e na bilateralidade. In casu, a Impugnante foi flagrantemente ofendida no seu direito de defesa, haja vista não ter tido a oportunidade de produzir as provas cabais que dirimirão, perempetoriamente, todas e quaisquer dúvidas existentes com relação à matéria. No afã de arrecadar impostos, o r. AFRF limitaramse a proceder à lavratura da notificação fiscal de maneira implacável, completamente ao arrepio dos princípios insertos na Carta Fundamental e dos princípios que regem o procedimento administrativo fiscal, cerceando, induvisosamente, o direito de defesa do Impugnante. As provas que o Impugnante pretende produzir, neste momento, são absolutamente necessárias à demonstração do alegado. Desse modo, o indeferimento das provas que se pretende carrear aos autos causará dano irreparável ao princípio da segurança jurídica, pois estas são imprescindíveis na busca da verdade real, escopo primordial do processo. Diante de tal argumentação, temse que a celeridade necessária do procedimento não pode desatender ao primado constitucional da ampla defesa, que, certamente, envolve a demonstração e realização probatória. Se este E. Conselho entender devidas as exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo Fisco e a infração supostamente cometida pelo Impetrante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. O ônus da prova, no dizer de ECHANDIA é o poder ou faculdade de executar livremente certos atos ou adotar certa conduta prevista na norma, para benefício e interesse próprios, sem sujeição nem coerção e sem que exista outro sujeito que tenha o direito de exigir seu cumprimento, mas cuja inobservância acarreta consequências desfavoráveis. Ora, com a devida Vênia, é fato que, em regra, o ônus da prova incumbe a quem alega (art. 333, inciso I, do CPC), haja vista a Constituição, assim com a Declaração Universal dos Direitos do Homem garantirem a presunção da inocência, tal regra ´e válida também em relação às questões de natureza tributária. É cediço que a hipótese em que existe a inversão do ônus da prova no direito tributário se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, onde urge ressaltar que sempre essa inversão se origina da existência em lei de uma presunção relativa (Juris Tantum), pois, com exceção da existência de uma presunção tipificada em lei, o ônus da prova caberá sempre a quem acusa. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 6 5 Embora o fisco esteja amparado na Lei Complementar 105 de 2001, não é legítimo o lançamento de tributo que venha a se basear exclusivamente nos valores dos extratos bancários, pois isso poderá gerar erros grosseiros de tributação. A jurisprudência é ampla no sentido de que não se pode lançar tributo baseado apenas em indícios ou presunções. Cumpre esclarecer, desde logo, que o Impugnante requer a realização de perícia, de acordo com o art. 16, § 1º, inciso IV, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1971, cuja finalidade precípua é de que se proceda a uma averiguação pormenorizada do contribuinte autuado, como forma de restabelecer a verdade. Conforme amplamente demonstrado nos itens acima, se esta Delegacia de Julgamento enteder devidas exações mencionadas, o que se admite pelo dever de argumentação, merece atenção a desproporção existente entre os valores que vêm sendo cobrados pelo fisco e a infração supostamente cometida pelo Impugnante, valores que se demonstram exorbitantes e excessivos se considerados os fatos concretos. Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Não se pode olvidar de que, no âmbito tributário, o caráter sancionador das multas e juros deve estar de acordo com os princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Frisese que se trata de contribuinte sem capacidade financeira para suportar com os encargos que vêm sendo cobrados a título de sanção tributária. As sanções tributárias constituem nada mais do que um instrumento de busca da concretização do princípio da capacidade contributiva. Diante de todo o exposto, e o mais do que dos autos consta e o todo que será suprido pelo bomsenso e ilibado conhecimento técnico de Vossas Senhorias, pede e espera o Impugnante sejam acolhidas as razões que constam da presente impugnação, em razão dos procedimentos fiscalizatórios que deram origem ao auto de infração ora impugnado encontrar se eivado de nulidades insanáveis, de modo que deve ser desconsiderado para constituição de qualquer crédito tributário. Seja, por consectário, anulado o auto de infração, cuja competência porquanto prenhe de fatos controvertidos, inverídicos, portanto, bem como seja declarada a nulidade dos demais atos praticados pela fiscalização, por ser medida da mais absoluta. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão diz respeito ao descumprimento de obrigação principal referente ao não recolhimento, em época própria, de contribuições para a Seguridade Social dos segurados empregados, incidentes sobre a sua remuneração e descontadas dela, não declaradas em GFIP, nas competências de 01 a 12/2005. Como bem pontuado no acórdão recorrido, parte do lançamento se deu de forma direta e parte por aferição indireta, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar uma série de documentos requeridos pela fiscalização. Há que se registrar, ademais, que a parte aferida indiretamente se deu em conformidade com o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e inciso II do art. 447 da IN RFB nº 971/09. Portanto, neste quesito, correta a fiscalização e sem reparos o lançamento. Em seu recurso, o contribuinte insiste na produção de provas, sem ao menos considerar que essa fase já foi superada, porquanto inobservada a regra descrita no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de impugnante fazêlo em outro momento processual. Notase, pois, que o Recurso Voluntário enquadrase no referido “outro momento processual”. As provas documentais deveriam ter sido apresentadas por ocasião do protocolo da impugnação na primeira instância administrativa. Como tal providência não foi tomada pelo contribuinte na fase correta, evidenciada está a denominada preclusão consumativa. No ponto, sem razão o contribuinte. De outra parte, restou também evidenciado que o contribuinte confundiuse em alguns pontos de sua defesa, como se pode observar dos trechos abaixo transcritos: Imprescindível mencionar, por oportuno, que está a se tratar de uma pessoa física aposentada, que sobrevive única e exclusivamente de seus proventos. Não possui, pois, outras rendas. Vêse, assim, que o valor exigido pelo Fisco é extremamente desproporcional em relação à situação econômicofinanceira do contribuinte, pelo que se pode vislumbrar, de maneira nítida, podendo levar o Impugnante à miséria, posto que pertence à classe média do País, que, digase de passagem, está empobrecida. Ora, a defesa diz respeito a uma pessoa jurídica ou a uma pessoa física? Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14367.000030/201051 Acórdão n.º 2803003.406 S2TE03 Fl. 8 7 No que concerne ao mérito não resta qualquer dúvida de que o contribuinte deixou de contestálo, situação que se enquadra na regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com efeito, não tendo contestado expressamente a matéria objeto do lançamento, o contribuinte perdeu a oportunidade de se defender, situação que não pode ser ignorada pelos membros do CARF. Destarte, não vislumbro qualquer possibilidade de alteração do lançamento bem como da decisão recorrida. Assim, conheço do recurso aviado pelo contribuinte, mas negolhe provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10665.720290/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ.
A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento, ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 3401-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. A inovação, pela DRJ, na motivação e fundamentação do lançamento, ocasiona o cerceamento de defesa, o que torna nulo o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 02 90 /2 01 3- 74 Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração. No primeiro (fls. 04/07), foi lançado o PIS nãocumulativo e no segundo (fls.46/49) foi lançado valor da COFINS não cumulativa, referente a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e dezembro de 2011. A Autuada tomou ciência dos lançamentos em 04/03/2013 (fl.759). Consta, no termo de verificação fiscal, que a Contribuinte não recolheu o PIS e a COFINS sobre a venda para o exterior de café cru em grão arábica por entender que a tributação era suspensa nos termos do 8º, §1º, e art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04. Todavia, ela não fazia o trabalho de secagem, limpeza, padronização e armazenagem dos grãos, conforme exigido na lei, para ter direito à suspensão da tributação. Além disso, no termo, há a informação de que foram glosados créditos em razão de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas consideradas inaptas ou baixadas por inexistência de fato, ou que emitiram notas fiscais consideradas falsas. A Contribuinte apresentou impugnação (fls.761/793). A DRJ em Belo Horizonte/MG cancelou parte do lançamento, por ter restabelecido os créditos em relação às aquisições de pessoas jurídicas inexistentes de fato ou não autorizadas a emitirem documentação fiscal. O Acórdão da DRJ (fls. 1562/1603) recebeu a seguinte ementa: NULIDADES. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e do alcance do lançamento. Se não houve prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, não há que se falar em decretação de nulidade. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na ausência de pagamento antecipado contase o prazo para homologação do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITOS. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSAS. Restabelecendose em parte os créditos glosados em procedimento fiscal, deve ser parcialmente procedente o lançamento que apurou débitos remanescentes após reconstituição dos créditos informados em Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon. CRÉDITOS PRESUMIDOS. GLOSAS. LEI Nº 10.925, DE 2004. Para fazer jus a créditos presumidos no período objeto da autuação, a contribuinte precisa atender às exigências determinadas pela legislação. CRÉDITOS BÁSICOS. GLOSAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401002.565 S3C4T1 Fl. 1.853 3 AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Havendo prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias ou serviços, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser restabelecidos. VENDAS A EMPRESA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. REQUISITOS. A suspensão da incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nas vendas realizadas a empresas preponderantemente exportadoras somente será admitida uma vez cumpridos todos os requisitos legais para o gozo do benefício. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO INICIAL NO PERÍODO. Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, de forma que o procedimento fiscal realizado em períodos anteriores não pode ser desconsiderado na apuração de créditos em períodos subseqüentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 06/06/2013 (fl.1610) e interpôs recurso voluntário em 27/06/2013 (fls.1611/1630), com as alegações resumidas abaixo: 1 Decadência em relação aos lançamentos de janeiro a dezembro de 2007. Apesar de neste processo não haver lançamento de 2007, a autoridade fiscal glosou créditos desse período que causaram consequência no cálculo dos lançamentos ora em debate; 2 O auto de infração é nulo porque os fatos narrados não estão em consonância com a lei aplicada, ferindo o princípio da tipicidade cerrada; 3 A DRJ inovou na motivação do lançamento no tocante aos créditos de cerealista; 4 O processo de industrialização do café foi realizado em estabelecimento de terceiros somente nos meses de fevereiro de 2008 a maio de 2009. Mesmo assim, o terceiro era uma empresa interligada à Recorrente e o processo era feito em máquinas da própria Recorrente; Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 5 Quanto às mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas consideradas inaptas, a DRJ manteve algumas glosas em razão de falhas na documentação comprobatória apresentada pela Recorrente. Por essa razão, a Recorrente junta novamente os documentos, sanando as falhas apontadas pela DRJ; 6 A DRJ não se pronunciou sobre o enquadramento da saída com suspensão no art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04; 7 As vendas realizadas pela Recorrente são isentas do PIS e da COFINS desde 1999, por força do art. 14, da Medida Provisória nº 2.15835/01. Ao fim, a Recorrente pediu o que fosse dado provimento ao recurso voluntário. É Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente foi autuada em razão de não ter recolhido PIS e COFINS sobre exportação de café cru. Segundo a fiscalização, a Recorrente não teria direito à suspensão do PIS e da COFINS prevista no 8º, §1º, e art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04, por não praticar todas as atividades de cerealista. A fim de combater o auto de infração, a Recorrente devolveu para apreciação por este Conselho as seguintes matérias: Decadência em relação aos lançamentos de janeiro a dezembro de 2007; nulidade do auto de infração por falta de relação entre os fatos narrados e a lei aplicada; inovação de fundamentação pela DRJ; direito à suspensão do PIS e da COFINS; direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS; omissão da DRJ quanto à saída com suspensão, no art. 9º, inciso I, da Lei nº 10.925/04; isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14, da Medida Provisória nº 2.15835/01. Antes de adentrar as matérias de mérito, é melhor que sejam analisadas primeiramente as questões de nulidade e omissões apontadas. 1. Inovação de fundamentação pela DRJ A Recorrente sustenta que a DRJ aponta o equívoco no lançamento, mas, em vez de anulálo, inova na motivação. O trecho do acórdão (fl.1.584), do qual a Recorrente se insurge, é o seguinte: Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401002.565 S3C4T1 Fl. 1.854 5 “De tal modo, e tendo em vista o aduzido pela impugnante, observase a ocorrência de lapso, eis que a fiscalização motivou a exigência, neste particular, pelo fato de a contribuinte não se enquadrar como cerealista. Todavia, o cerealista, embora pudesse apurar e descontar créditos presumidos na vigência da legislação anterior, deixou de ser beneficiário do crédito presumido na redação da Lei nº 10.925, de 2004, vigente para o período em tela”. (grifos nossos) Para melhor analisar a questão da inovação, é necessária a transcrição do parágrafo seguinte ao parágrafo transcrito acima, presente também na fl. 1.584 dos autos, in vebis: Não obstante, a contribuinte defendeu o seu direito aos créditos presumidos, conforme se constata pelo exame de seus argumentos. E, compulsando os autos, ao fim e ao cabo, não se atesta que a interessada enquadrese para o benefício pleiteado, eis que, para os efeitos legais, ela não pode ser considerada agroindústria. E, na ausência de provas que levam a crer que a empresa realizava cumulativamente as atividades previstas no § 6°, do art. 8°, da Lei n° 10.925, de 2004, não deve ser reconhecido o direito ao crédito. (grifos nossos) Com os dois trechos transcritos, fica clara a inovação da DRJ, notandose que, enquanto a autoridade fiscal glosou os créditos e efetuou o lançamento por entender que a Recorrente não se enquadra no conceito de cerealista. A DRJ manteve o lançamento fundamentando que ela não se enquadra como agroindústria. É interessante frisar que aqui não se trata de mérito, mas sim uma questão processual, vez que essa inovação causa o cerceamento de defesa do contribuinte, o qual perdeu uma instância para discutir essa nova fundamentação. Nessa linha, o acórdão da DRJ é nulo, nos termos do art. 52, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Nesse sentido, têm decidido as esferas administrativas, conforme decisões colacionadas abaixo: Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade julgadora não pode inovar o lançamento, por faltarlhe competência, além de implicar em cerceamento ao dire ito de defesa.(CARF. 2ª SJ, 2ª Cam., 1ª TO. Proc. 10543.002752/200515, julgado em 17/09/2013. Rel. Eduardo Tadeu Farah) “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido.(CARF. 3a SJ, 1a TE. Proc. 10480.914180/200953, julgado em 30/01/2013. Rel.José Luiz Bordignon) “CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO COM ANÁLISE DE ARGUMENTO QUE NÃO CONSTA NO LANÇAMENTO. A decisão de primeira instância deve analisar e enfrentar argumentos presentes no lançamento e no recurso. A inovação de motivação confunde o sujeito passivo, cerceando sua defesa. Anulada a Decisão de Primeira Instância”. (Segundo Conselho de Contribuintes. Processo 14041.001182/200749, julgado em 03/12/2008) Assim sendo, não resta dúvida de que a inovação da DRJ ocasionou a nulidade de seu acórdão. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para declarar a nulidade do acórdão da DRJ, para que os autos retornem àquela instância de julgamento, a fim de que seja proferido um novo acórdão, dentro dos limites da fundamentação utilizada no lançamento de ofício. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401002.565 S3C4T1 Fl. 1.855 7 Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 16561.000027/2007-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
TRIBUTAÇÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL APURADA EM RELAÇÃO A INVESTIMENTOS DETIDOS NO EXTERIOR. RESGATE DE AÇÕES.
A variação cambial apurada em resgate de ações de companhia estrangeira não se confunde com a mera flutuação cambial decorrente de ajuste de equivalência patrimonial, constituindo-se rendimentos tributáveis, devendo, por expressa disposição de lei, ser submetida à incidência do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas por via reflexa.
Numero da decisão: 9101-001.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade foi negado provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(assinado digitalmente)
SUSY GOMES HOFFMANN - Relatora
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 TRIBUTAÇÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL APURADA EM RELAÇÃO A INVESTIMENTOS DETIDOS NO EXTERIOR. RESGATE DE AÇÕES. A variação cambial apurada em resgate de ações de companhia estrangeira não se confunde com a mera flutuação cambial decorrente de ajuste de equivalência patrimonial, constituindose rendimentos tributáveis, devendo, por expressa disposição de lei, ser submetida à incidência do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas por via reflexa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade foi negado provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Paulo Roberto Cortez (suplente convocado) e Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 27 /2 00 7- 61Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 SUSY GOMES HOFFMANN Relatora (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Contribuinte, em face do V. Acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que visa unificar entendimento quanto à tributação de variação cambial apurada em relação a investimentos detidos no exterior. O processo administrativo em que se julga o presente Recurso Especial trata de lançamento veiculado por meio de auto de infração e imposição de multa que tratou dos seguintes temas: lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 786/788), no valor de R$ 65.176.204, 46 (sessenta e cinco milhões, cento e setenta e seis mil, duzentos e quatro reais e quarenta e seis centavos), lavrado sob a alegação de que ocorreu: a) majoração indevida por subavaliação dos estoques, propiciando maior custo das mercadorias vendidas e menor lucro tributável; b) omissão de receita financeira, caracterizada pelo ganho de variação cambial na redução do capital de controlada no exterior e redução indevida do lucro sujeito a tributação; c) amortização indevida do ágio. Foram lavrados os lançamentos conexos: referente à Contribuição para o PIS/PASEP (fls.791/792), no valor de R$ 1.193.495,18 (um milhão, cento e noventa e três mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e dezoito centavos), por decorrência do item “b” acima; e, referente à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, (fls. 795/798), no valor de R$ 5.306.302,35 (cinco milhões trezentos e seis mil, trezentos e dois reais e trinta e cinco centavos), também por decorrência do item “b acima; referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (fls. 804/806) no valor de R$ 18.314.556,79, (dezoito milhões trezentos e quatorze mil, quinhentos e cinquenta e seis reais e setenta e nove centavos), por decorrência dos itens “a” a “c” acima. Desde logo, indico que o Recurso Especial do Contribuinte só foi admitido com relação aos temas do item “b”, ou seja, sobre o tema da tributação da variação cambial apurada em Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 3 3 relação a investimentos detidos no exterior, por este motivo, só trarei neste relatório os temas relativos a este tema. Sobre este tema, constou do lançamento fiscal: •02 OMISSÃO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS VARIAÇÕES CAMBIAIS Omissão de receita financeira, caracterizada pela ganho de variação cambial na redução do capital de controlada no exterior , redução indevida do lucro sujeito A tributação, conforme relatório de verificação fiscal em anexo, que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2003 R$ 1.866.149,00 75 31/12/2004 R$ 32.896.205,50 75 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 8 da Lei n° 9.249/95; Art. 9 ° da Lei n ° 9.718/98; Arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 288, 375 e 378, do RIR/99; Art. 30 da Medida Provisória n ° 1.85810/99 e reedições Ainda, no Termo de Verificação Fiscal, constou que: GANHOS COM VARIAÇÕES CAMBIAIS APURADOS NO RESGATE DE AÇÕES EM CONTROLADAS NO EXTERIOR NÃO ADICIONADO 1.4 —DOS FATOS Verificamos que o contribuinte efetuou resgate das ações que detinha na controlada Ache Internacional, conforme lançamentos relacionados anteriormente (folhas 281 a 291, 292 a 303. 304 a 328 e de suas contabilizações (fls. 305,316, 327, 328)) provocando um ganho de variação cambial, porque até então, tais variações eram tratadas como equivalência patrimonial, sem tributação, pois eram excluídas no Lalur, exceções feitas a variação cambial do ano calendário de 2002, que ora tributamos com base na Instrução normativa 213/02. Para apurarmos o valor efetivo de ganho, elaboramos quadro, a seguir destacado, que contém, os valores originalmente capitalizados que são agregados As variações cambiais tomadas como equivalência patrimonial do ano calendário de 2002 (já tributada) e diminuído do valor efetivamente resgatado conforme lançamentos contábeis e documentação de liberação de cambio. ....(tabela) Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Os lançamentos de diário relativo ao investimento na Ache Internacional, encontrase às folhas de n° 334 a 437 deste processo e os correspondentes balanços da companhia do exterior estão demonstrados As folhas de n° 387 a 420. Os valores anotados como parcial 1 referese ao resgate ocorrido em 2003 e os valores mencionados como parcial 2 referese ás ações resgatadas durante o ano calendário de 2004. Tomando como principio básico que o CTN, lei 5.172, de 25/10/96, o seu artigo 43 diz que: "0 imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tern como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou juridica". 0 inciso I esclarece "de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação entre ambos e o inciso II, de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior" 0 art. 45 diz que "o contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei condição ao possuidor, a qualquer titulo, dos bens produtores da renda ou dos proventos tributáveis. 0 art. 114 diz que " fato gerador da obrigação principal é a situa do definida em lei como necessária e suficiente it sua ocorrência."" O art. 116 do CTN normatiza que "salvo disposição da Lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existente seus efeitos" tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstancias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprias, tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável Parágrafo único: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributaria, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária( acrescentado pela lei ordinária 104 de 10/01/2001) 0 art. 118 dá a "definição legal do fato gerador, que é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos., II dos efeitos dos fatos efetivamente concorridos. Portanto o fato gerador do imposto de renda identificase com a concreta disponibilidade econômica ou jurídica do rendimento. Concluindo, ao aplicar certa quantidade de moeda estrangeira a uma determinada contrapartida em reais e depois receber a mesma quantidade de moeda estrangeira que convertido em valores reais superiores ao original apurase efetivamente um ganho real. Isto posto, confrontandose a operação, salta aos olhos que houve um ganho real na transação. 0 que poderia ser discutido é que a norma manda contabilizar os lucros de equivalência patrimonial, e neste caso, determina que se exclua no livro de apuração do lucro real, entretanto sabemos que a Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 4 5 legislação tributaria alcança a variação cambial, e é nada mais do que se pretende neste auto de infração. 0 instituto da equivalência patrimonial nasceu para ajustar o valor de investimento na controladora ao patrimônio liquido da controlada, e não é tributada para evitar a dupla tributação do lucro da empresa controlada, partindose do principio que naquela (controlada) já houve a tributação, que não é o caso em analise, já que tratando de empresa situada em paraíso fiscal no exterior em nada contribuiu para o fisco nacional, entretanto, compôs o lucro contábil do contribuinte para fins de distribuição de dividendos. Colocando em termos práticos, o contribuinte, se tivesse comprado ações, ou mesmo adquirido dólares a uma determinada taxa e posteriormente houvesse resgatado estes dólares a uma taxa superior estaria ele auferindo riqueza perfeitamente sujeita a tributação por ganho em variação cambial. A renda, neste ato configurada foi o produto do capital acrescido ao seu patrimônio. A verdade nos conduz a seguinte constatação, foram aplicados USD 37 milhões que equivalia a R$ 39 milhões e pela mesma quantidade de dólares foram recebidos R$ 117 milhões, que por si só comprova aumento da riqueza, de que houve acréscimo patrimonial, (efetiva, pois foi recebida de forma pecuniária), logo está configurado o fato gerador do imposto de renda, que se consuma como necessária e suficiente a sua ocorrência, independente do nome que se atribui. Logo se cobra imposto de renda sobre a variação cambial que proporcionou o aumento de patrimônio. Na realidade a variação cambial opera nas duas direções, e isto é previsível na esfera do imposto de renda, todavia, não se pode aceitar que enquanto lucro, escondemos tal valor como equivalência. Diante do exposto, tributase R$ 34.762.354,50, como rendimento não oferecido à tributação. Não se pode alegar que a autuação se trata com base em presunção subjetiva ou impressão pessoal, nem tampouco, que pretenda afastar a exigência do ato legal de capitalização. A fiscalização limitouse, no exercício da atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a proceder a verificação da regularidade da apuração de montantes tributáveis, não há, pois ingerência sobre a atividade empresarial do contribuinte, mas constatada a renda, devidamente demonstrada, seja dado o nome que se queira dar ao' a e , devese formalizar a exigência, ou seja não proíbe o contribuinte a adotar qualquer conduta, desde que não esconda sob o manto de equivalência patrimonial a renda obtida, clara e definitiva. A fiscalização não contesta o ato jurídico praticado, mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. Visando a anulação dos autos de infração, a Contribuinte apresentou Impugnação às fls. (868/926). As suas principais alegações são as seguintes: Com relação aos investimentos detidos em sociedades domiciliadas no exterior, o ajuste de equivalência patrimonial é composto não só pelos diversos elementos que dão ensejo a variações patrimoniais da subsidiária tais como, lucros e ajuste de exercícios anteriores mas também pela Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 flutuação da taxa de conversão das moedas em que escrituradas as demonstrações financeiras da investidora e da investida, sendo certo que a parcela do ajuste relativo as variações cambiais também é registrada em conta de resultado da investidora. ... Destarte, não resta dúvida que o resultado de equivalência patrimonial abrange todas as variações patrimoniais registradas pela sociedade investida, bem como, no que tange a investimentos detidos no exterior, as variações registradas em função da taxa de cambio, como inclusive reconhecido pelo D. Agente Fiscal, nos termos acima discutidos. Sendo assim, como poderia a Impugnante ter auferido ganho decorrente de variação cambial no resgate das ações da Subsidiária se essa já estava reconhecida em seu patrimônio liquido mediante o ajuste de equivalência patrimonial?! Ao julgar os presentes autos, (fls. 1157/1187, volume 6), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloSP, julgou o lançamento procedente em parte, em acórdão que restou assim ementado(naquilo que atinge o tema deste Recurso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAJURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa:VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS TRIBUTAÇÃO Resultados positivos de variações cambiais relativos a retorno de investimento em coligada no exterior são rendimentos tributáveis na forma da lei. Visando a reforma de parte do julgado, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, (fls. 1.194/1.231, volumes 5 e 6), praticamente repisando os seus argumentos. Ao apreciar os presentes autos, a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, proferiu acórdão (fls.1257/1281, volume 7), em que por unanimidade de votos deu parcial provimento ao recurso no que se refere à variação cambial, reduzindo a base tributável em R$ 46.250,00 (quarenta e seis mil duzentos e cinquenta reais) nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 Ementa: RESGATE DE AÇÕES. VARIAÇÃO CAMBIAL — A variação cambial apurada em resgate de ações não se confunde com a flutuação cambial decorrente de ajuste de equivalência patrimonial, devendo, por expressa disposição de lei, ser submetida à incidência do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas por via reflexa. Não obstante, a identificação de erro na determinação da matéria tributável impõe a devida correção por parte da autoridade julgadora. O voto, sobre este tema, trouxe o seguinte texto: Resultados positivos da variação cambial 41 De plano, esclarecese a douta contribuinte que a razão lhe assiste quando argumenta que as variações cambiais estariam inseridas dentro da Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 5 7 equivalência patrimonial, calculada anualmente, ou por trimestre, pelas empresas que detém investimos no exterior. A variação do valor desses investimentos é computada diminuindose do valor do investimento em determinado período de apuração, o seu próprio valor apurado no período anterior. 0 resultado obtido passou a ser tributado pelo Fisco Federal a partir de 2002. No cálculo desse valor inseremse os valores positivos e negativos das variações cambiais. 42 No entanto, esse método é utilizável quando a situação é estática, ou seja, não há variação da situação do investimento na contabilidade da empresa: De um exercício para outro não há variação na quantidade de cotas ou ações que a empresa detém da investida no exterior. 43 Por conseguinte em 2002, foi tributado o resultado positivo da variação patrimonial que englobava as variações cambiais positivas. 44 Ocorre que, em 2003 e 2004 houve o retorno do capital investido, no valor total de U$ 37.645.534,71, sendo U$ 2.770.000,00 em 23/10/2003 e U$ 34.995.000,00 em 2004 (U$ 17.349.465,29 em 28/04/2004 e U$ 17.645.534,71 em 30/06/2004). 45 Esses valores registrados os lançamentos do livro Diário, encontramse às fls. 334 a 437. 46 Na tabela de fls. 817, o Auditor Fiscal detalha os investimentos feitos pela impugnante, em 1995, 1996 e 1997, na Aché International que totalizaram U$ 37.765.000,00. 47 Detalha também a composição do cálculo da Equivalência Patrimonial feito para 2002, ano em que começou a ser tributada. 48 Na terceira parte dessa tabela, há o demonstrativo dos resgates feitos pela empresa, ou seja, dos retornos parciais do investimento feito. 49 Nessa tabela podese observar também que, contrariamente ao que alega a empresa, o Auditor Fiscal deduziu os U$ 50.000,00 aplicados, em 1995, em ações da empresa Aché International, no cálculo das variações cambiais positivas que, também contradizendo o que alega a empresa, foi feito conforme determina a legislação. 50 0 art. 375 do RIR199, citado no Auto de Infração dispõe: Art.375.Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei n2 9.249, de 1995, art. 82). Parágrafo único.As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei n2 9.718, de 1998, art. 99). A Medida Provisória n° 1858 11/99, atual MP no 2.15835/2001, dispõe em seu Art.30.A partir de 1' de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. §19A opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. §2'A opção prevista no § l aplicarseá todo o anocalendário. §3º No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições,serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. 52 Desse modo, ainda que a impugnante tente de maneira canhestra desqualificar o trabalho fiscal, os fatos permanecem os mesmos: houve retorno do capital investido, com liquidação do investimento em dólares, que são convertidos em moeda nacional na data de cada retorno. A variação cambial positiva é considerada receita financeira para fins tributários e deve ser adicionada à base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS de cada período de apuração onde houve o resgate dos valores aplicados. 53 Assim, a Fiscalização calculou o valor da variação cambial diminuindo do valor em reais apurado nos resgates os valores aplicados em reais, tomando sempre a data da conversão da moeda como sendo a data da efetivação da aplicação ou do retorno do capital. 54 0 Auditor Fiscal diminuiu também desse total o valor relativo à variação cambial que estava embutido na equivalência patrimonial já tributado em 2002. 55 Dessa feita, esclarecese a. contribuinte que sim, houve diferenciação entre como foi tributado em 2002 , quando as variações cambiais estavam embutidas na tributação da equivalência patrimonial e, 2003 e 2004 quando foram tributadas as variações cambiais positivas auferidas pelo retomo do capital investido. 56 Cabe lembrar ainda que, não se esta tributando a variação cambial positiva de investimento ainda mantido no exterior em 2003 e 2004, como afirma a douta representante da empresa as fls. 892 pois, nesse caso, a variação cambial estaria inserida no cálculo da equivalência patrimonial. No caso presente, o investimento representado pelas ações da empresa Aché International, retornou integralmente à empresa Aché, gerando a variação cambial positiva que é tributada conforme determina a legislação. 57 Assim correta a tributação das variações cambiais positivas auferidas em 2003 e 2004 no retorno do investimento. 58 Embora a contribuinte esperneie, no caso presente as variações cambiais constituíram receita financeira, sendo o valor em dólar o próprio investimento de risco, pois, tanto poderia ter obtido resultado positivo como negativo. 0 valor total investido em reais foi R$ 34.539.627,23 que, ao invés de ser aplicado em cotas de participações ou debêntures, foram aplicados em ações cotadas em dólares de empresa no exterior, criada e controlada pela impetrante. Tanto isso é verdade que ao resgatar as ações, a exata Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 6 9 quantidade de dólares investido foi devolvido à Aché no Brasil, sem qualquer alteração no valor das ações em mais de seis anos, ganhando a empresa na conversão desses dólares na moeda nacional. 59 Desse modo, a empresa aplicou R$ 34.539.627,23 e recebeu, com todos os resgates, R$ 117.845.018,23, constituindo receita financeira a diferença entre esse último valor e os custos do investimento inicial, descontandose também o valor relativo, já tributado em 2002, quando do cálculo da equivalência patrimonial. 60 Por outro lado, esclarecese que não se está tributando PIS e COF1NS sobre o resultado positivo de equivalência patrimonial, como alega a impugnante, construindo toda uma tese a respeito da impropriedade dessa tributação. 61 0 que está sendo tributado é a variação cambial positiva, obtida de investimento em empresa controlada que foi resgatado, com a diminuição do capital social dessa última e com cancelamento de certificados de ações, conforme os documentos apresentados pela própria empresa à Fiscalização (fls. 215 a 328). 62 Certamente não quer alegar a empresa que variações cambiais positivas, que representam rendimentos financeiros, não fazem parte da base de cálculo das contribuições sociais, dado que essa inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS decorre de expressa disposição legal constante nos artigos 2°, 3° e 9°;da Lei n° 9.718/1998: Art.22 As contribuições para o PIS/PASEP e a COF1NS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória n° 215835, de 2001) Art.32 0 faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde areceita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória n°215835,de 2001) 18 §12 Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Art. 92 As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso." (grifouse) 63 Quanto a CSLL, a própria contribuinte citou o dispositivo legal que autoriza a sua exigência, apenas, não atentou que variações cambiais positivas são consideradas receitas financeiras, integram o valor do resultado do exercício e são passiveis de tributação pela CSLL, conforme o art. 2° da Lei n°7689/1988 citado pela empresa as fls. 924. 64 E a suposta reavaliação de investimento pelo patrimônio liquido alegada pela empresa para justificar a exclusão, da tributação, das contribuições sociais claramente não se aplica ao caso , visto que o que ocorreu foi Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 simplesmente o retorno do capital investido anteriormente na empresa Aché International. 65 Ora, o que se tem no presente caso, é a variação cambial positiva do investimento feito, que são consideradas pela lei, receitas financeiras e, sobre essa receita incide IRPJ, PIS, COFINS e CSLL.ndo cabendo qualquer reclamação a respeito em âmbito administrativo pois o Fisco Federal, sendo órgão de execução da política fiscal do Governo Federal, tem sua autuação vinculada estritamente ao texto legal, dele não podendo se distanciar. À autoridade Fiscal cabe, tão somente, o cumprimento das normas tributárias vigentes, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. 66 Desse modo, a exigência do PIS , da COFINS e da CSLL sobre essa variação cambial positiva é correta, amparada pelo texto legal. Alegando a existência de omissões e obscuridades no acórdão, a Contribuinte nos termos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, opôs Embargos de Declaração (fls.1305/1324, volume 7). Em julgamento realizado pela 1ª Turma Ordinária/3ª Câmara, da Primeira Seção deste Conselho, foi proferido Acórdão (fls.1397/1406, volume 7), que negou provimento aos Embargos de Declaração, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 112P3 Exercício: 2003, 2004, 2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INOCORRENCIA. Há que se manter a decisão embargada nos termos em que foi prolatada se o contribuinte, com fundamento na alegação de ocorrência de omissão e obscuridade, traz como suporte matérias não suscitadas no recurso voluntário ou que não concorreram para a solução da controvérsia. Inconformada com os acórdãos que foram proferidos em sede de Recurso Voluntário e de Embargos de Declaração, a Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1427/1491, volume 8) Em exame de admissibilidade, foi proferido despacho (fls.1861/1877, volume 9) negando seguimento ao Recurso Especial em relação as questões atinentes ao Embargos de Declaração e a glosa de amortização de despesa com ágio, por não estarem caracterizadas a divergência e por não preencherem os requisitos de admissibilidade. Assim, o Recurso Especial foi admitido somente em relação à divergência demonstrada quanto à tributação de variação cambial apurada em relação a investimentos detidos no exterior. Às fls. 1878/1880, foi proferido despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial, pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que corroborou o entendimento exarado no despacho anterior. Devidamente intimada, a União (Fazenda Nacional), apresentou contrarrazões (fls. 1883/1885) ao Recurso Especial. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 7 11 A Recorrente apresentou acórdãos paradigmas quanto ao tema da variação cambial. Assim expôs a Recorrente: Inicialmente, citese o Acórdão 110100.131, da Conselheira Sandra Faroni, que afastou pretensão fiscal originalmente fundada no artigo 375, do RIR/99, regime aplicável aos créditos e obrigações. 0 referido acórdão paradigma acatou os fundamentos que vem sendo apresentados pela recorrente no sentido de que a variação cambial apurada na redução do capital social de investida domiciliada no exterior está sujeita ao mesmo regime aplicável à equivalência patrimonial dos investimentos no pais (artigo 25, par. 6°. da Lei 9.249/95), o que implica, nos termos do artigo 427, do RIR/99, excluir o valor da equivalência patrimonial na baixa de investimento relevante, in verbis: : "DISPONIBILIZAÇA0 DE LUCROS NO EXTERIOR.TRIBUTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. A redução de capital da controlada representa, para a controladora brasileira, realização do investimento, sujeito a apuração de resultado não operacional correspondente à diferença entre o valor restituído e o valor contábil do investimento. A baixa do investimento precedida da avaliação pelo valor do patrimônio liquido da controlada ou coligada. A variação cambial do investimento avaliado pela equivalência patrimonial não se sujeita. A tributação, tendo em vista o veto presidencial ao art. 46 da MP 135, de 2003, que buscava estabelecêla." 48. 0 paradigma acima colacionado trata de autuação idêntica aquela que deu origem A presente autuação. De fato, consta de trecho do relatório da decisão paradigma: "0 retorno de capital, recebido pela empresa em função da recompra de suas ações pela controlada no valor de R$ 26.499.750,00, traz em seu bojo uma significante variação cambial positiva,equivalente à diferença entre o valor da recompra e a soma das duas capitalizações anteriores ocorridas em agosto de 1994 e em março de 1998, calculada como abaixo (...)" 49. Por sua vez, o item 1.4 do Termo de Verificação Fiscal que deu origem à presente autuação refere que: "Verificamos que o contribuinte realizou resgate das ações que detinha na controlada Ache International, conforme lançamentos relacionados anteriormente (folhas 281 a 291, 292 a 303, 304 a 328 e de suas contabilizações (fls. 305, 316, 327, 328)) provocando um ganho de variação cambial, porque até então as variações cambiais eram tratadas como equivalência patrimonial, sem tributação, pois eram excluídas no LALUR,exceções feita a variação cambial de 2002, que ora tributamos com base na Instrução Normativa 213/20022 . Para apurarmos o valor efetivo do ganho, elaboramos quadro, a seguir destacado, que contém, os valores originalmente capitalizados que são agregados as variações cambiais tomadas como equivalência patrimonial do ano de 2002 (já tributadas) e diminuído do valor efetivamente resgatado conforme lançamentos contábeis e documento de liberação de câmbio." Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 50. Em ambos os casos, portanto, as autoridades fiscais pretenderam tributar a variação cambial relacionada aos investimentos detidos no exterior, incluída no da equivalência patrimonial, alegando que estariam sujeitas à tributação conforme a regra do artigo 375, do RIR/99, e não ao regime jurídico de investimentos permanentes, introduzido pelos artigos 25, da Lei 9.249/95, 426 e 427, do RIR/99. 51. Entretanto, diferentemente da r. decisão recorrida, o acórdão paradigma cancelou, POR UNANIMIDADE, o lançamento tributário, atestando que os investimentos permanentes detidos em controladas e coligadas no exterior estão sujeitos ao regime jurídico introduzido pelos artigos 25, da Lei 9.249/95, par 6°. (que obriga a observância dos arts. 426 e 427, do RIR/99) afastando a aplicação do artigo 375 do RIR, aplicável aos créditos e obrigações da pessoas jurídicas ..... 52. Corroborando a divergência acima apontada, no Acórdão 10196 .125, a l a Câmara do antigo 1 Conselho de Contribuintes igualmente afastou a tributação da variação cambial relacionada a investimentos permanentes detidos no exterior com base nos dispositivos legais que cuidam das variações monetárias em função da taxa de câmbio de direitos e obrigações. É o que se infere dos seguintes trechos daquela decisão Ao final, a Recorrente requer a alteração do Acórdão recorrido com o provimento do Recurso Especial. Por sua vez a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional trouxe as contrarrazões ao Recurso Especial e, alega, em síntese que: A hipótese dos autos, em verdade, referese à ganho de capital decorrente de resgate de ações, pois houve realização do investimento, uma vez que a operação conferiu ao contribuinte efetiva repercussão econômica, caracterizada como receita financeira para fins de tributação. Não há esteio para alegações no sentido de que o valor obtido é mera flutuação cambial derivada de ajustes de equivalência patrimonial, na medida em que não ocorreu apenas ajuste contábil com a avaliação dos investimentos realizados em empresa no exterior, mas a realização desse investimento. A contrapartida de tal resgate ensejou, no caso dos autos, acréscimo patrimonial, que deve ser incluído no lucro operacional Em síntese é o Relatório. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann O Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte no que se refere ao tema da tributação da variação cambial atende os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 8 13 Os dois temas controvertidos em que há a divergência estão muito bem tratados nos acórdãos paradigmas. A questão da legalidade da incidência tributária sobre a variação cambial reconhecida na equivalência patrimonial em investimentos permanentes detidos no exterior está presente na análise do acórdão recorrido e no acórdão 10196.124. E o tema sobre a incidência tributária sobre a variação cambial apurada na redução de capital social de investida domiciliada no exterior está trabalhado com a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma veiculado pelo Acórdão 110100.131. Com o objetivo de delimitar corretamente a matéria tratada neste Recurso Especial é fundamental entender o que está sendo discutido. No plano dos fatos, o evento tributado pelo lançamento em discussão neste processo administrativo, versa sobre investimentos permanentes que a Recorrente possuía em sua controlada no exterior e que foram resgatados – a empresa Ache International BVI. Pela ótica desta Conselheira, a questão central, em tese, é definir se estes investimentos podem ou não ser entendidos como direito de crédito. Se estes forem considerados efetivamente como investimentos permanentes, não há tributação da variação cambial, se forem créditos há a tributação da variação cambial, isto porque o fundamento legal da autuação fiscal está nos artigos 375 e 378 do RIR a seguir transcritos: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Art. 378. Compreendemse nas disposições dos arts. 375 e 377 as variações monetárias apuradas mediante: I compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e determinada no encerrem amento do período de apuração em função da taxa vigente. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Primeiramente, é importante anotar que não há dúvidas de que o objeto do lançamento tributário ora em discussão foi a tributação da variação cambial pelo resgate de investimentos permanentes da Recorrente no exterior. Este fato fica claro pelo próprio termo de TVF, que citei no relatório e cito pequeno trecho: Verificamos que o contribuinte efetuou resgate das ações que detinha na controlada Ache Internacional, conforme lançamentos relacionados anteriormente (folhas 281 a 291, 292 a 303. 304 a 328 e de suas contabilizações (fls. 305,316, 327, 328)) provocando um ganho de variação cambial, porque até então, tais variações eram tratadas como equivalência patrimonial, sem tributação, pois eram excluídas no Lalur, exceções feitas a variação cambial do ano calendário de 2002, que ora tributamos com base na Instrução normativa 213/02. Para apurarmos o valor efetivo de ganho, elaboramos quadro, a seguir destacado, que contém, os valores originalmente capitalizados que são agregados As variações cambiais tomadas como equivalência patrimonial do ano calendário de 2002 (já tributada) e diminuído do valor efetivamente resgatado conforme lançamentos contábeis e documentação de liberação de cambio. Assim, o auditor fiscal, entendeu que como houve uma variação cambial positiva em favor do contribuinte, esta variação cambial deveria ser tributada, por se caracterizar como um crédito. A decisão da Turma Ordinária, ora recorrida, também deixa claro que o fato tributado é o fato de um resgate de um investimento da Recorrente, como se verifica pelo seguinte trecho: 57 Assim correta a tributação das variações cambiais positivas auferidas em 2003 e 2004 no retorno do investimento. 58 Embora a contribuinte esperneie, no caso presente as variações cambiais constituíram receita financeira, sendo o valor em dólar o próprio investimento de risco, pois, tanto poderia ter obtido resultado positivo como negativo. 0 valor total investido em reais foi R$ 34.539.627,23 que, ao invés de ser aplicado em cotas de participações ou debêntures, foram aplicados em ações cotadas em dólares de empresa no exterior, criada e controlada pela impetrante. Tanto isso é verdade que ao resgatar as ações, a exata quantidade de dólares investido foi devolvido à Aché no Brasil, sem qualquer alteração no valor das ações em mais de seis anos, ganhando a empresa na conversão desses dólares na moeda nacional. 59 Desse modo, a empresa aplicou R$ 34.539.627,23 e recebeu, com todos os resgates, R$ 117.845.018,23, constituindo receita financeira a diferença entre esse último valor e os custos do investimento inicial, descontandose também o valor relativo, já tributado em 2002, quando do cálculo da equivalência patrimonial. Para corroborar este entendimento, nos memoriais trazidos pela Recorrente, há um laudo da PWC que nada mais faz do que apresentar, de forma mais simples, um resumo Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 9 15 dos lançamentos contábeis da Recorrente, a demonstrar a apuração da equivalência patrimonial: A questão central está em discutir se no resgate destas ações há possibilidade de tributação do IRPJ sobre variação cambial que seria fato jurídico tributário de incidência do IRPJ. E esta tributação se daria pelo fato de considerar que este valor do resgate da ações equivaleria a um crédito. Entendo que devo iniciar este voto pela análise da possibilidade da tributação de variação cambial sobre investimento permanente detido pela PJ domiciliada no Brasil. Sobre este tema, o próprio Acórdão Recorrido, assume que não caberia a tributação. Anotese neste sentido o trecho do Acórdão: Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Releva observar que as flutuações cambiais derivadas dos ajustes de equivalência patrimonial, por não configurarem realização efetiva do investimento, têm sido objeto de ampla discussão neste Colegiado, vez que, com fundamento nas disposições da Instrução Normativa SRF n° 213/2002, as autoridades fiscais as tem submetido â incidência do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL). Neste particular, amparado em pronunciamento do Ministério da Fazenda no veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão n° 30, de 2003 (art. 46 da Medida Provisória n° 135/03), tenho me manifestado pela exoneração dos créditos tributários constituídos (IRPJ e CSLL). Apesar deste tema não ter chegado à CSRF é certo que a partir do veto ao artigo 46 da MP 135/2003 ao ser convertida na Lei 10.833/2003 ficou claro que não pode haver tributação sobre a variação cambial sobre os investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial (redação do artigo 46 – a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada anocalendário). Ademais, cabe registrar que novamente pela MP 232/2004 também houve referida disposição (art. 9º.) que além de não ser convertida em lei foi expressamente revogada pela MP 243/2005. Enfim, para este tema, entendo que a questão está tratada e foi amparada, no sentido da impossibilidade da tributação da variação cambial, pelo próprio acórdão recorrido. A questão foi que no Acórdão recorrido, ficou decidido que o caso não se trata de variação cambial sobre os investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Constou do Acórdão recorrido: No caso ora submetido a exame, entretanto, o lançamento tributário teve por base, entre outras, as disposições do art. 375 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR199) e do art. 30 da MP n° 1.85810/99 e reedições. 0 artigo 375 do RIR199, por sua vez,tem por fundamento o preconizado pelo art. 18 do DecretoLei n° 1.598/77, art. 8° da Lei n°9.249/95, art. 9° da Lei n° 9.718/98 e art. 30 da MP n° 1.85810/99 e reedições. Em conformidade com a citada legislação, as variações cambiais: a) devem ser incluídas no lucro operacional; b) quando negativas (perdas cambiais), podem ser deduzidas para efeito dedeterminar o lucro operacional; c) são consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso; e d) devem ser consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 10 17 lucro liquido, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando da liquidação da correspondente operação. Observo, assim, que a situação tratada na peça acusatória, qual seja, variação cambial apurada em resgate de ações, é absolutamente distinta das flutuações cambiais determinadas em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial que, por pronunciamento advindo do próprio Ministério da Fazenda, dependeria de expressa previsão legal. Apesar de entender que os diplomas legais antes citados, na hipótese da efetiva disponibilização de lucros auferidos no exterior e da ocorrência de variação cambial positiva, são aptos a servir de suporte para a incidência dos tributos e contribuições aqui tratados, sendo admissível a subtração do resultado negativo na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tenho me curvado ao pronunciamento do Ministério da Fazenda acerca da matéria, única e exclusivamente em razão da necessária observância dos ditames do poder hierárquico. Pois bem, resta claro que o Acórdão Recorrido entendeu que a situação do resgate das ações deve ter tratamento diferente do tratamento dos investimentos permanentes no exterior e que neste caso caberia a aplicação do artigo 375 do RIR. Com o devido respeito não concordo com a conclusão do Acórdão recorrido e pelo motivo de entender que o caso apresentado não está tipificado na norma legal – artigos 375 e seguintes do RIR. Para iniciar as minhas razões, colaciono, porque muito esclarecedores, os fundamentos de decidir da Eminente Conselheira Sandra Faroni, nos autos do Processo 16561.000156/200750, Acórdão n. 110100.131, nos seguintes termos: Quanto a essa matéria, a controvérsia pode assim ser figurada: Alega o contribuinte que a variação cambial do investimento no exterior avaliado pela equivalência patrimonial não sofre tributação em razão do veto do Presidente da República ao art. 46 da MP n° 135, de 2003, que a estabelecia. Por seu turno, a decisão recorrida assevera que a hipótese dos autos não trata de resultado da equivalência patrimonial, referida no artigo 46 da MP n° 135/2003, e que o lançamento se deve à apuração de variação cambial ativa, pela comparação da taxa de câmbio utilizada na conversão do crédito no dia'da redução de capital, com as taxas de câmbio referentes aos aportes de capital efetuados anteriormente. A exigência teria amparo legal nos artigos 375 a 378 do RIR/99, que tratam como receita as contrapartidas das variações monetárias em função da taxa de câmbio dos direitos de crédito do contribuinte. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 A Procuradoria da Fazenda Nacional analisa a legalidade da tributação do ganho de capital obtido na recompra das ações e, assim como a decisão recorrida, destaca que a hipótese não trata de resultado de equivalência patrimonial, referida no art. 46 da MP 135, amoldandose à fundamentação legal indicada no auto de infração. Reportase aos artigos 375 e 378 do RIR199, e ao art. 30 da MP 1.85810, como variações monetárias de direitos de créditos. A redução de capital da controlada representou, para a controladora, realização do investimento, sujeito a apuração de resultado não operacional (ganho ou perda de capital). O resultado na alienação de investimento é representado pela diferença entre o valor da alienação e o valor contábil do investimento. A baixa do investimento, necessariamente, é precedida da atualização do valor do investimento segundo a variação cambial, seguida da avaliação pelo valor do patrimônio líquido da controlada ou coligada, com base em balanço ou balancete levantado em até, no máximo, 30 dias antes da baixa. A jurisprudência é uníssona no sentido de que a variação cambial do investimento avaliado pela equivalência patrimonial não se sujeita à tributação, considerando o veto presidencial ao art. 46 da MP 135, que a estabelecia. Dessa forma, não prospera esse item da exigência. Ora, trazendo estas razões para o caso em comento, verificase que todas elas se encaixam perfeitamente, pois neste caso houve o resgate total do investimento, o que também representou para a controladora a realização do investimento sujeito à apuração de resultado não operacional. Neste caso o investimento é avaliado pela equivalência patrimonial e a variação cambial está inserida neste contexto e não pode ser tributada. Ademais a baixa do investimento foi precedido da equivalência patrimonial. O fato só poderia trazer a tributação se representasse um direito de crédito. Neste tema, trago ainda as razões trazidas pelo parecerista Ricardo Mariz de Oliveira, no seguinte sentido: Acontece que a conta de investimento não reflete uma relação jurídica de crédito da investidora contra a sua investida, quando mais apropriadamente se trataria de registro do respectivo valor em conta de ativo circulante ou do realizável a longo prazo. Realmente, a participação societária à qual a conta de investimento se refere é uma relação jurídica derivada do contrato de sociedade, que induz não a um direito de crédito da investidora contra a investida, mas sim, a um direito de participação na sociedade na condição de sócia. Somente quando os lucros da investida sejam objeto de deliberação, pela investida, para distribuição de dividendos, surge uma nova relação jurídica entre ela e sua investidora, cuja relação jurídica, esta, sim, passa a ser uma relação de crédito e débito. Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 11 19 Tanto é assim que, neste momento, a investidora baixa o valor correspondente aos dividendos, por crédito na conta de investimento, a débito de uma conta a receber, do mesmo modo que a investida debita sua conta de lucros a crédito de uma conta no passivo, de dividendos a pagar. Portanto, apenas nesta última hipótese haveria espaço para aplicação das normas legais segundo as quais a variação monetária de créditos e obrigações, inclusive de natureza cambial, deve integrar o lucro tributável (isto em tese, pois também interfere na questão a taxa de câmbio estabelecida pelo art. 25, parágrafo 4°, da Lei n. 9249). Não assim quanto à conta de investimento, que não traduz a existência de um crédito da investidora contra sua investida. Ademais, recentemente a douta 1ª. Turma Ordinária da 1ª. Câmara da 1ª. Seção votou caso similar, num Recurso de Ofício, e por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício, constante do processo 16561000085.200745 Como o caso é semelhante, trago à colação os fundamentos da decisão da DRJ e da Turma Ordinária. A ementa da DRJ foi registrada da seguinte forma: Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 12 21 E, no voto da DRJ a conclusão foi a seguinte: Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 22 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 13 23 Por seu turno, a decisão da Turma Ordinária – Acórdão 1101000870, de relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa, julgado por unanimidade de votos, foi no seguinte sentido: EMENTA: VARIAÇÃO CAMBIAL. INESTIMENTO NO EXTERIOR. LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE. RETORNO DE CAPITAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. REEXAME NECESSÁRIO. Correta a decisão que exonera crédito tributário em razão da incompatibilidade do lançamento com a legislação de regência e com os fatos apurados, mormente tendo em conta que não há previsão legal para tributação de variação cambial de investimentos no exterior. No corpo do voto, a relatora ao tratar da problemática da tributação da referida variação cambial assim se manifestou, nos principais trechos que transcrevo: Não há determinação legal expressa de atualização contábil de investimentos mantidos no exterior segundo a variação da taxa de câmbio. Há orientações da CVM neste sentido, bem como Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 24 orientações contábeis, como expresso no “ Manual de Contabilidade por Ações”. ... Ambos, o Ibracon e a CVM, inserem a variação cambial no acréscimo patrimonial ocorrido na empresa controladora decorrente da avaliação do investimento no exterior pelo método de equivalência patrimonial. Mas também orientam o seu registro em separado dos ganhos ou perdas decorrentes da participação da investidora no resultado do exercício da controlada e nos acréscimos ou diminuições realizados no patrim^onio desta, sendo que o o Ibracon classifica a variação cambial como resultado não operacional e a CVM como resultado operacional. Resta claro, portanto, que a variação cambial de investimentos no exterior não representa ganho tributável por ausência de previsão legal. De toda a sorte, para cogitar da tributação, em 2002, de variação cambial de investimento promovido no exterior em 1996, a autoridade lançadora deveria, minimamente, manifestarse acerca dos procedimentos contábeis adotados pela contribuinte, bem como justificar a adoção de regime de caixa para tributação daquele valor, na medida em que o artigo 375 do RIR/99, adotado com fundamento legal da exigência fixa expressamente o regime de competência para reconhecimento das variações cambiais e sua alteração somente se verificou a partir de 1999, com bem observado na decisão sob reexame. Ressaltese,a inda, a incompatibilidade entre a apuração da base tributável, que teve em conta a variação cambial verificada até 20/04/2001 e resultou em exigência tributária no anocalendário 2002, por adotar como fato gerador o momento da devolução do investimento em razão da dissolução da controlada antes ocorrida. Evidente, assim, que autoridade julgadora de 1ª. Instância agiu corretamente ao cancelar a exigência. Portanto, fica claro que a baixa de investimento, inclusive em razão da redução de capital, é precedida de equivalência patrimonial, de tal modo que a variação cambial relacionada ao investimento no exterior deverá ser apurada como equivalência patrimonial e excluída do resultado positivo da baixa do investimento. Enfim, por qualquer ângulo que se analise o fato objeto deste processo, resta evidente, ainda, que não houve a subsunção do fato à norma, pois, a norma indicada no lançamento não se aplica ao presente caso, como robustamente demonstrado no presente processo. Sendo assim, entendo que cabe razão à Recorrente e voto pelo PROVIMENTO do Recurso Especial interposto. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora. Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 14 25 Voto Vencedor Redator Designado C. Marcos Aurélio Pereira Valadão Ouso divergir da I. Relatora C. Susy Hoffmann, pelos motivos que passo a expor. Primeiramente destaco que há que se distinguir entre variação cambial do valor do investimento no estrangeiro na sua constância e variação cambial do valor do investimento no estrangeiro quando da sua realização/liquidação ou baixa (no caso por via do resgate de ações). São situações completamente distintas e que afetam a composição patrimonial, o fluxo de caixa, bem como tem impacto diferente na arrecadação, e, portanto na política tributária (motor das alterações legislativas na matéria tributária). Conforme consta do acórdão recorrido, sobre o tema: Com efeito, ainda que se possa fazer algum reparo às considerações feitas pela Recorrente acerca da tributação da variação cambial atrelada aos ajustes decorrentes de equivalência patrimonial, a situação retratada nos autos é absolutamente distinta. Em consonância com o Termo de Verificação de fls. 813/830, a infração imputada à contribuinte está representada pelo não oferecimento à tributação dos ganhos cambiais auferidos em resgates de ações. Tratandose, pois, de realização do investimento, em consonância com a legislação tributária, tornase necessário determinar o ganho ou a perda cambial correspondente, fazendose transitar pelo resultado fiscal a receita (ganho) ou a despesa (perda) apurada. Cumpre verificar a legislação que regula a matéria. Vejase que a Instrução Normativa SRF nº 213/2002, em seu art. 7º, não trata da situação que envolve o encerramento do investimento no exterior (seja ele avaliado pelo método da equivalência patrimonial, seja avaliado pelo custo de aquisição). E não dispõe sobre esta matéria, porque neste caso se aplica a regra geral, sendo a regra geral a da tributação da variação patrimonial positiva, medida na moeda nacional. Ou seja, não se trata aqui de aplicar o art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002. Conforme consta do lançamento de ofício, este teve por base, entre outras, as disposições do art. 375 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) e do art. 30 da MP n° 1.85810/99 e reedições. O artigo 375 do RIR/99, por sua vez, tem por fundamento o preconizado pelo art. 18 do DecretoLei n° 1.598/77, art. 8° da Lei n° 9.249/95, art. 9° da Lei n°9.718/98, abaixo transcrito: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei n 9.249, de 1995, art. 8º). Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 26 Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei n 9.718, de 1998, art. 9º). Dão também supedâneo ao lançamento os arts. 247, 248, 251 e parágrafo único e parágrafo único, 277, 288, 375 e 378, do RIR/99 e o art. 30 da Provisória n ° 1.858 10/99 e reedições (em vigor sob o pálio da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), que tem o seguinte teor (com redação vigente à época dos fatos geradores): Art. 30. A partir de 1 o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2 o A opção prevista no § 1 o aplicarseá a todo o anocalendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subsequentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Em relação aos argumentos expostos, vejase que o voto da C. Sandra Faroni no acórdão n. 110100.131, citado pela I. Relatora vai, de início, direção da Lei, mas depois, sob o argumento da ausência de disposição legal expressa afasta a tributação, que é o mesmo argumento o Acórdão 1101000870 da relatoria I. da C. Edeli Bessa, também citado e transcrito pela I. Relatora. Ou seja, o argumento é no sentido de não haver previsão expressa de tributação para o presente caso. Ora, é justamente o contrário. Ocorrido o fato gerador previsto na legislação tributária (CTN art. 43, e §§, que corresponde à variação patrimonial positiva decorrente do ganho com a variação cambial, conforme disciplinado no caso específico pela norma do art. 18 do DecretoLei n° 1.598/77), para haver a exclusão desta parcela da base de cálculo do IRPJ (e da CSLL) há que se ter uma norma específica excluindo tal parcela da tributação. Na lógica do IRPJ, toda receita que implique variação patrimonial positiva deve ser incluída no cômputo da base de cálculo, a não ser que haja uma previsão legal expressas excluindoa; e no caso de despesas/custos, devem ser deduzidas no cômputo da base de cálculo, conforme previsão legal, tendo como ponto de partida a contabilidade comercial. O caso dos autos é uma situação fática completamente diferente daquela em que a variação patrimonial na constância do investimento se dá por flutuação das cotações das moedas. É que neste último caso a realização do ganho ou perda ao final de cada período de apuração não representa disponibilidade econômica (embora haja disponibilidade jurídica, daí porque necessitaria de uma norma específica para fixar o momento da tributação, aspecto temporal do fato gerador). Ademais, representaria mais uma dificuldade para expansão de investimentos brasileiros no exterior. Vejase que as razões de veto do art. 46 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, diz respeito a motivações de ordem arrecadatória (nada tendo a Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16561.000027/200761 Acórdão n.º 9101001.847 CSRFT1 Fl. 15 27 ver com inconstitucionalidade ou ausência de ocorrência do fato gerador)1 e a norma vetada se dirigia ao reconhecimento da receita ou despesa com variação cambial na constância do investimento no estrangeiro esta sim, como foi dito, carece de norma específica para que haja sua tributação (já que embora haja variação patrimonial ela não é definitiva). O Congresso Nacional quando da conversão da Medida Provisória nº 232/2004 na Lei nº 11.119, de 25 de Maio de 2005, também eliminou o art. 9o da referida MP que tinha teor idêntico ao do vetado art. 46 da Lei n. 10.833/2003. Isto posto, fica claro, que a não aceitação de tributação das variações cambiais na constância do investimento no exterior (objeto de veto e de rejeição congressual), nada tem a ver com a incidência na liquidação/realização/baixa do investimento caso dos presentes autos. É este também a razão pela qual não se aplica a Súmula CARF n. 94 que diz: “Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001.", pois esta Súmula se refere à tributação do investimento em sua constância (com base no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001). Apenas ad argumentandum, vejase que mesmo no ponto de vista contábil, há divergência sobre a natureza da variação cambial, conforme destacado no voto do Acórdão 1101000870 (transcrito pela I. Relatora), o Ibracon e a CVM inserem a variação cambial no acréscimo patrimonial da controladora, mas enquanto o Ibracon diz se tratar de resultado não operacional, a CVM entende que deve ser computado como resultado operacional. Vejase que é incontroverso contabilmente que se trata de acréscimo patrimonial (fato gerador do Imposto de Renda), sendo a controvérsia referente apenas ser o resultado classificável como operacional ou não operacional. Fica patente, portanto a inclusão da parcela da variação cambial na base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando da liquidação/baixa do investimento no exterior, por se tratarem de receitas financeiras que afetam o patrimônio. No que diz respeito às Contribuições para PIS/COFINS a incidência decorre da caraterização dessas receitas como receitas financeiras, tratandose de lançamento reflexo, sendo irretocável as razões de decidir exaradas no acórdão recorrido, pela qual não merecem reparo (também com base na incidência expressa do art. 9° da Lei n. 9.718/98 e art. 30 da MP n° 1.85810/99). Em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO 1 Informação disponível em http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2003/lei1083329dezembro2003497045 veto13879pl.html Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 28 Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13362.000536/2004-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas - que levaram às conseqüentes decisões - são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se admitir o recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 00 05 36 /2 00 4- 08 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13362.000536/200408 Acórdão n.º 9202003.111 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 079, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 Ementa: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF Nº 41) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre preclusão de matéria não alegada na impugnação. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. A questão que fundamentou a decisão pelo provimento do recurso voluntário do sujeito passivo a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 não foi objeto da impugnação da contribuinte, inclusive, tendo, a matéria sido reconhecida como preclusa pela decisão de primeira instância (fls. 042); 2. A decisão recorrida é divergente a expressa no acórdão paradigma, oriunda da Colenda lº Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2 Seção de Julgamento do CARF, que assentou o posicionamento de que a apresentação dos argumentos apenas na esfera recursal, acaba por importar preclusão do direito do contribuinte, sendo que tais argumentos não devem ser apreciados; 3. Diante do exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial. Por despacho, fls. 098, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O sujeito passivo – devidamente intimado – não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13362.000536/200408 Acórdão n.º 9202003.111 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto a admissibilidade, há questão a ser analisada. O acórdão recorrido adotou seu fundamento pela existência de Súmula do CARF. Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ressaltese que o acórdão recorrido consigna, de forma literal, a utilização da Súmula para sua decisão: “Por se tratar de lançamento referente ao exercício de 2000, cujo fundamento é a não apresentação de ADA para poder se excluir da base de cálculo do ITR a área de preservação permanente, devemos aplicar a Súmula nº 41, deste respeitável Conselho: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (Súmula CARF Nº 41)” Desta forma, tendo em vista a Súmula nº 41 do CARF, entendo que assiste razão a recorrente. Portanto conheço do recurso e no mérito dou provimento.” Já o acórdão paradigma fundamentou sua decisão pela preclusão devido a vários pontos do recurso, não objeto de súmula, não terem sido alegados na impugnação: “Com relação às alegações de ilegitimidade da cobrança de contribuições Sociais devidas ao Seguro Acidente do Trabalho — SAT; de inconstitucionalidade da cobrança do INCRA; da ilegitimidade da cobrança do SEBRAE e de contribuições devidas aos chamados terceiros; da inconstitucionalidade da Taxa SEL1C e da multa consignada. É de se ver que tais matérias não foram suscitadas em sede de defesa/impugnação, não merecendo aqui qualquer apreciação uma vez que já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação, conforme se extrai do artigo V, § 6", da Portaria n° 520, do Ministério da Previdência Social, e artigo 54, § 5 0, inciso "V", do Regimento interno do CRPS, vigentes época, c/c artigo 17, do Decreto n°70.235/72, como segue:” Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Em nosso entender, a matéria ter sido objeto de súmula – de observância obrigatória pelos membros do CARF (Art. 72 do Regimento Interno do CARF) – confere destaque expressivo à questão, que não há em matérias não sumuladas. Assim, para que existisse a divergência, a preclusão decidida no acórdão paradigma deveria ser sobre matéria objeto de súmula, pois aí sim teríamos caracterizada a divergência entre decisões. Portanto, como não há divergência clara entre as decisões, não conheço do recurso especial. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em NÃO CONHECER do recurso especial da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15940.000611/2010-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2007
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF. DEVER DE INFORMAÇÃO.
As informações de movimentação financeira obtidas administrativamente via RMF, com observância da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, estão plenamente inseridas no ordenamento jurídico e respaldam o procedimento das autoridades fiscais, tornando inoponíveis as alegações de quebra irregular do sigilo bancário. As pessoas jurídicas devem escriturar todas as suas operações inclusive bancárias e apresentá-las às autoridades fiscais sempre que exigidas, sendo inoportunas alegações de sigilo bancário para este tipo de contribuinte.
MULTA QUALIFICADA.
A supressão integral de receitas nas declarações entregues à Administração Tributária, aliada a ausência de quaisquer recolhimentos ao longo dos diversos anos objeto do procedimento de ofício ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 1803-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF. DEVER DE INFORMAÇÃO. As informações de movimentação financeira obtidas administrativamente via RMF, com observância da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, estão plenamente inseridas no ordenamento jurídico e respaldam o procedimento das autoridades fiscais, tornando inoponíveis as alegações de quebra irregular do sigilo bancário. As pessoas jurídicas devem escriturar todas as suas operações inclusive bancárias e apresentá-las às autoridades fiscais sempre que exigidas, sendo inoportunas alegações de sigilo bancário para este tipo de contribuinte. MULTA QUALIFICADA. A supressão integral de receitas nas declarações entregues à Administração Tributária, aliada a ausência de quaisquer recolhimentos ao longo dos diversos anos objeto do procedimento de ofício ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96 reputamse como receitas omitidas os depósitos/créditos bancários, cuja origem o contribuinte regularmente intimado não logra comprovar. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. DEVER DE INFORMAÇÃO. As informações de movimentação financeira obtidas administrativamente via RMF, com observância da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, estão plenamente inseridas no ordenamento jurídico e respaldam o procedimento das autoridades fiscais, tornando inoponíveis as alegações de quebra irregular do sigilo bancário. As pessoas jurídicas devem escriturar todas as suas operações inclusive bancárias e apresentálas às autoridades fiscais sempre que exigidas, sendo inoportunas alegações de sigilo bancário para este tipo de contribuinte. MULTA QUALIFICADA. A supressão integral de receitas nas declarações entregues à Administração Tributária, aliada a ausência de quaisquer recolhimentos ao longo dos diversos anos objeto do procedimento de ofício ensejam a aplicação da multa de ofício qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 06 11 /2 01 0- 95 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto. Relatório PHELIPPE CONSTRUÇÕES E COMERCIO DE COPIADORAS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram feitas as seguintes apurações: 1) Omissão de receita, nos anos calendárioS de 2006 e 2007, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos utilizados em depósitos bancários; 2) Omissão de receitas operacionais, provenientes de revenda de mercadorias (AC 2006 e 1° trimestre de 2007) e da prestação de serviços (AC 2006); Foi arbitrado o lucro, com base no art. 530, III, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), tendo em vista que a contribuinte, intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, não o fez. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 686 a 701. Imposto R$ 155.657,07 Juros de mora: R$ 57.418,47 Multa Proporcional: R$ 118.411,17 Total: R$ 331.486,71 Enquadramento legal do imposto: RIR, de 1999, arts. 529, 530, combinado com arts, 251, 253, 258, § 1 0, 259, 260, I, II e III e §§ 1 0, 2° e 3°, 265, 266, 532 e 537; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 16, 24, § 1 0; Lei n° 9.430, de 27 de Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 901 3 dezembro de 1996, arts. 27, I, e 42, Instrução Normativa (IN) n°93, de 1997, art. 41. Contribuição para o PIS fls. 702 a 717. Contribuição: R$ 14.063,76 Juros de mora: R$ 5.378,78 Multa Proporcional: R$ 11.211,46 Total: R$ 30.654,00 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) n° 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1° e 3º; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 2°; Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 2°, I, a e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91. 3 Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) fls. 718 a 732. Contribuição: R$ 64.910,24 Juros de mora: R$ 24.826,04 Multa Proporcional: R$ 51.746,17 Total: R$ 141.482,45 Enquadramento legal da contribuição: Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2°, II, parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91. 4Contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) fls. 733 a 746: Contribuição: R$ 59.972,96 Juros de mora: R$ 22.034,94 Multa Proporcional: R$ 46.165,03 Total: R$ 128.172,93 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 9.249, de 1995, art. 20; Lei n° 9.430, de 1996, art. 29; Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37; Lei n° 10.684, de 2003, art. 22. Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a fiscalização, em 05/05/2009, tentou intimar a contribuinte no seu domicilio tributário e a intimação retornou com a informação de que a empresa havia se mudado. Encaminhouse, então, a intimação para o domicilio tributário do sócio responsável Rogério de Souza Phelippe, tendo a intimação retornado com a informação de que ele era desconhecido naquele endereço. Foi feita, em 01/06/2009, a intimação por edital e, como a contribuinte não atendeu As solicitações feitas, foram expedidas RMF (Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira), por meio das quais foram obtidos os extratos bancários da fiscalizada. Somente em 23/02/2010 é que o advogado da contribuinte compareceu A Seção de Fiscalização, alegando que a empresa estava desativada, tendo sido expedida outra intimação, na qual foi concedido mais 20 (vinte) dias de prazo par a. apresentar a documentação solicitada. A contribuinte solicitou nova prorrogação de prazo e alegou que grande parte da documentação comprobatória da movimentação financeira havia sido apreendida pela policia na operação mexilhão. Depois dessa prorrogação de prazo, foram encaminhados, em 25/03/2010, os livros de Apuração do ICMS, Registro de Entradas, Registro de Saídas e Apuração de ISS e a contribuinte Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 reiterou o pedido para que a fiscalização solicitasse A Policia Civil a devolução dos seus cinco computadores apreendidos. Em 04/05/2010, a empresa apresentou um demonstrativo tentando relacionar a origem dos recursos creditados nas suas contas correntes com débitos em contas da empresa Pressserv Terceirização de Mão de Obra e Construções Ltda, da qual Rogério também é cotista e anexou extratos bancários daquela pessoa jurídica. A fiscalização constatou que no livro Diário do ano de 2006 da Pressserv não há qualquer registro dessas supostas operações. Não tendo sido comprovada a origem dos recursos utilizados para a realização dos créditos bancários, efetuouse o lançamento de oficio com base na Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, e arbitrouse o lucro, uma vez que não foram apresentados os livros contábeis solicitados pela fiscalização. 0 lucro foi arbitrado a partir dos valores de vendas de mercadorias e serviços apurados por meio dos livros de Registro de Apuração do ICMS e de Serviços (fls. 528 a 651). Notificada do lançamento, a contribuinte, representada por Jackson Peargentile (fls. 120, 476 a 481), ingressou, em 27/08/2010, com a impugnação de fls. 756 a 783, alegando: • Nulidade do auto por cerceamento de defesa: Apesar de o procedimento fiscal ter se iniciado em 05/05/2009, somente tomou conhecimento dele em 23/02/2010, ocasião em que o Fisco já havia solicitado os extratos bancários por meio de RMF. No entanto, quando solicitou que o Fisco expedisse ofícios e requisições necessárias para fazer as comprovações necessárias, ele se omitiu, indeferindo as postulações e transferindo toda a responsabilidade de produção de provas por meio da apresentação de documentos que se encontravam em poder de terceiros; • 0 Fisco usou dois pesos e duas medidas e limitouse a efetuar somente as diligências tendentes a prejudicar a sua defesa, acabando por responsabilizála pela produção de provas que se encontravam em poder de terceiros (Bancos e Policia Civil — computadores, documentos e livros fiscais); • Toda a documentação da empresa foi apreendida na operação policial denominada "mexilhão dourado" e, diversas vezes, solicitou à Policia Civil a devolução de seus computadores, sem qualquer sucesso. Ajuizou ações para ter acesso aos documentos que pudessem facilitar a sua defesa, mas também não teve êxito; • 0 Fisco agiu no sentido premeditado de comprovar as supostas irregularidades de que tinha conhecimento por meio da mídia e não fiscalizou para apurar eventual fato, mas sim para demonstrar o que queria ver comprovado, agindo de forma deliberada para deturpar os fatos realmente ocorridos, para acomodar a prova à necessidade do referido procedimento; • Quanto ao argumento do fiscal de que nas cópias dos autos de apreensão não consta a menção aos livros contábeis nem ao Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 902 5 contrato de mútuo, bastaria que fosse enviado um oficio aos órgãos detentores de tais informações e documentos fiscais para se estabelecer a verdade. Para exemplificar, cabe registrar que os cinco microcomputadores não aparecem em nenhum documento apresentado ao Fisco, mas foram e estão apreendidos até a presente data; • Solicitou que se fizesse o cruzamento de dados bancários entre as outras empresas do grupo — cuja maioria do capital social pertencia a Rogério de Souza Phelippe e que também foram alvo de fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB), para demonstrar que grande parte dos depósitos bancários existentes, ou tiveram origem da empresa PRESSERV ou da troca de cheques de terceiros, como meio de levantamento de recursos para reforçar o caixa dessa mesma empresa; • Com relação ao argumento exposto no Termo de Verificação Fiscal (TVF), no sentido de que os valores mencionados não constam no livro da empresa Pressserv, não deve prevalecer, pois tais empréstimos foram efetuados no decorrer do ano, portanto, antes do final do exercício retornavam, uma vez que todas as empresas tinham como sócio majoritário e controlador a mesma pessoa física; • Se faz necessário rebater o argumento de que as trocas de cheques efetuadas constituíam antecipação de receita. Isto porque, não existia venda nem receita para motivar a emissão dos cheques que eram descontados previamente pelos bancos. 0 que ocorria era que se emprestavam cheques de uma determinada pessoa física ou jurídica, independentemente da realização de negócio, e trocava referidas cártulas em instituições bancárias, tudo com o único intuito de auferir empréstimos e trabalhar com o dinheiro do próprio banco. Por ocasião do vencimento dos citados cheques, emitiamse outros de outra pessoa física ou jurídica, que era utilizado para cobrir os anteriores, tudo isso sem que houvesse venda ou receita; • Para a comprovação dessas operações de crédito se fazia necessário buscar a microfilmagem de cada cheque descontado no decorrer do período fiscalizado, o que também não foi feito. No entanto, estamos, nessa oportunidade, apresentando o oficio endereçado ao banco, requisitando todas as microfilmagens e borderôs ou a relação com nomes de terceiros que emprestaram cheques para fazer o desconto, para cobertura da conta corrente da Pressserv e cheques emitidos pela fiscalizada para pagamentos de fornecedores da Pressserv. Assim, não deve prevalecer a alegação de falsa declaração, pois não foi emitida nenhuma nota fiscal durante os exercícios de 2006 e 2007, e os lançamentos em livros referemse a recebimentos de órgãos públicos inscritos em restos a pagar de exercícios anteriores, que já se encontravam devidamente declarados; • Da tributação por presunção. A presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, pois ela deve sempre Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 estar apoiada na repetida e comprovada correlação, no caso, entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos. Ademais, a movimentação bancária na corporifica fato gerador do imposto de renda. Depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial. 0 Fisco não se esforçou para comprovar o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos, requisito essencial para configurar a tributação; • Na área judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; • Conforme se verifica da movimentação financeira da Pressserv, apesar de os valores não serem idênticos, mas sim próximos, a grande maioria ou quase totalidade tiveram origem da conta da referida empresa, uma vez que ambas possuíam como sócio majoritário e controlador a mesma pessoa física. Por essa razão, seria correto "presumir" que a origem dos créditos deriva da transferência de dinheiro de uma empresa para outra; • Levese em conta, ainda, que foi realizado contrato de mútuo para documentar o empréstimo de dinheiro entre as referidas empresas (Phelippe e Pressserv), sendo certo que os respectivos instrumentos contratuais não foram localizados em virtude da bagunça e do alvoroço decorrente do cumprimento dos já citado Mandados de Busca e Apreensão, decorrentes da operação policial. Requer que seja considerado válido o empréstimo de mutuo entre as empresas do mesmo grupo; • Diante da total falta de documentos contábeis e de cinco microcomputadores, viuse obrigada a contratar pessoa com capacitação técnica para realizar laudo contábil (documento anexo), o qual concluiu que o valor de R$ 1.401.201,14 teve origem na transferência da conta bancária da Pressserv, o que já demonstra a ausência de fato gerador para a imputação de qualquer tributo; • Como se não bastasse toda a documentação já despendida, insta consignar que os documentos anexos — Extrato Demonstrativo de Dividas comprova que as empresas controladas por Rogério de Souza Phelippe devem perante o Bradesco S/A, o valor de R$ 3.325.028,79, provenientes de empréstimos e outras operações de crédito não quitadas. Assim, os valores constantes como divida perante o Bradesco não podem ser considerados pela fiscalização; • Da ilegalidade das multas. Todas as multas aplicadas deverão ser excluídas, seja porque nenhum imposto é devido ou porque o percentual aplicado é ilegal. A multa de 150% s6 é permitida quando houver dolo ou máfé, o que não ocorreu, pois atendeu todas as notificações e apresentou toda a documentação que se encontrava em seu poder e indicou onde e com quem se encontravam os documentos apreendidos, contribuindo e auxiliando a fiscalização. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1431.225, de 14 de outubro de 2010 (fls. 808/818), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 903 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Ciente da decisão em 04/11/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 825), apresentou o recurso voluntário em 29/11/2010 fls. 826/873, onde reitera os argumentos da inicial acrescendo as alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade da quebra de seu sigilo bancário. Por força da Resolução 1803000.070, de 14/10/2010 (fls. 890/898), desta Turma Julgadora o processo foi sobrestado em virtude das alegações acerca do sigilo bancário. Sobrevindo alteração regimental conforme despacho (fl. 899), o processo foi novamente distribuído para julgamento a esta Turma. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), lavrados em decorrência da constatação de omissão de receitas por depósitos bancários sem origem e falta de declaração de receitas constantes dos livros fiscais, com simultâneo arbitramento do lucro dos anos calendários 2006 e 2007. Alega a recorrente em síntese: a) A conversão do julgamento em diligência para que a Polícia Civil seja instada a devolver os HD de 05 (cinco) computadores apreendidos em operação de busca e apreensão, que possibilitarão a comprovação da origem dos depósitos bancários; b) Da ilegal quebra do sigilo bancário considerando que os extratos bancários foram obtidos mediante RMF (Requisição de Movimentação Financeira) foi realizada antes mesmo de citação válida e à revelia das disposições da LC 105/2001 e no Artigo 3.° do Decreto nº 3.724/2001. c) A inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001; d) A nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, sem que tenham sido oportunizadas as diligências requeridas, adotandose dois pesos e duas medidas que apenas favoreceram o Fisco; e) Da impossibilidade de tributação por presunção adotada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois depósito bancário não é renda. f) Que os depósitos bancários tem origem em contrato de mútuo com a empresa PRESSERV conforme atesta o Laudo Contábil anexado, bem como deve ser considerado também o elevado débito das empresas do grupo controlado por Rogério de Souza Phelippe no Banco Bradesco e não quitadas. g) Da ilegalidade de todas as multas de ofício aplicadas pois não houve dolo ou má fé pois a empresa atendeu a todas as solicitações da fiscalização. Com efeito, desenvolve a recorrente extensa argumentação em torno da tese da inviolabilidade do sigilo bancário sem a competente autorização judicial. A tese defendida pela recorrente e da mais alta indagação, suscitou o sobrestamento do processo considerando a então disposição regimental do CARF, conforme Resolução 1803000.070, de 07/08/2012 (fls. 890/898), tendo em vista as discussões travadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria do sigilo bancário. Considerando no entanto, a revogação do dispositivo regimental que determinava o sobrestamento dos processos com alegações acerca da inviolabilidade do sigilo bancário, retornou o processo para regular distribuição a esta Turma Julgadora. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 904 9 O tema do sigilo bancário embora suscitando acalorados debates na mais alta Corte Judicial do País, não tem ainda uma definição que submeta o presente processo aos seus ditames. Ao revés, em julgado submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543 C do CPC), o Superior Tribunal de Justiça, reafirmou a legalidade da requisição administrativa dos extratos bancários, assim se definindo em relação ao tema: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, Fl. 928DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). (...) 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir Documento: 932315 Inteiro Teor do efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. (...) (Resp 1.134.665SP, 25/11/2009, Min. Luiz Fux) Assim é, que a requisição administrativa dos extratos bancários nos moldes preconizados pela Lei Complementar 105/2001 e sua regulamentação no âmbito tributário através do Decreto 3.724/2001 encontrase respaldada legalmente, somente podendo alegarse qualquer vício em caso de descumprimento da norma posta. A apreciação de incompatibilidade da norma perante a Constituição Federal é competência exclusiva do Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não vislumbro outrossim, considerando a obrigatoriedade da escrituração completa de suas operações por parte das pessoas jurídicas, supostas alegações de violação do sigilo bancário uma vez que tem o dever de apresentar a documentação e a escrituração às autoridades fiscais. Além do mais, não estando a empresa funcionando no endereço do domicílio informado à Receita Federal do Brasil, e tampouco localizado o sócio Rogério de Souza Phelippe, o termo de início se deu através de edital (fl. 11), ocasionando na seqüência a Requisição das Informações bancárias ante a expressiva movimentação em nome da empresa. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15940.000611/201095 Acórdão n.º 1803002.158 S1TE03 Fl. 905 11 Ao contrário do que afirma a recorrente, não foi a autoridade fiscal que requisitou as informações bancárias. A autoridade fiscal apenas solicita de forma fundamentada para o Delegado da Receita Federal do Brasil, as informações imprescindíveis para o prosseguimento da ação fiscal sendo este a autoridade competente para requisitar as informações às instituições financeiras. Neste sentido, vide as RMF constantes das folhas 12/13, 15/16 e 18/19 do presente processo, que foram assinadas pelo DelegadoAdjunto da DRFB de Presidente Prudente (SP). Portanto, rejeito as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade na requisição das informações bancárias da empresa. Tendo sido intimada regularmente por duas vezes a comprovar a origem dos depósitos/créditos em suas contas bancárias limitouse a afirmar que a documentação da empresa teria sido apreendida pela polícia civil e que os créditos decorrem de empréstimos de pessoas físicas e jurídicas bem como de empréstimos tomados por empresas do sócio Rogério de Souza Phelippe. Ao longo do procedimento fiscal limitouse a contribuinte a solicitar que a fiscalização obtivesse as informações diretamente das instituições financeiras e que requisitasse junto à Polícia Civil 05 (cinco) computadores que foram apreendidos na operação “mexilhão dourado”. Constatase que as mesmas alegações vem sendo reiteradas na impugnação e agora no recurso voluntário quando na verdade deveria caso entendesse imprescindíveis para a sua defesa, solicitado ao Poder Judiciário caso não obtivesse êxito junto às instituições financeiras ou da Polícia Civil. Fato é que a empresa, não procurou se desencumbir do ônus imposto pela própria presunção legal esculpida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 que impõe o dever de comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas correntes bancárias pena de caracterização de omissão de receitas. A principal alegação produzida ao longo do procedimento fiscal de que a movimentação financeira teria como origem a empresa PRESSERV TERCERIZACAO DE MAO DE OBRA E CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 04.252.648/000106, foi fundamentadamente refutada pela autoridade fiscal conforme Termo de Verificação (fls. 654/685), não se constatando qualquer correspondência com a movimentação apresentada. Diante de tal fato, enveredou a recorrente por alegações de que empréstimos tomados junto às instituições financeiras por diversas empresas do grupo justificariam a movimentação bancária. Ora, sequer os débitos das empresas a recorrente comprova a contento, pois a planilha de débitos apresentada por ocasião da impugnação (fls. 795/796) foram produzidas unilateralmente pela própria empresa. Tampouco o suposto laudo técnico que apenas tenta conferir legitimidade às informações prestadas pela contribuinte à fiscalização em relação aos empréstimos da PRESSERV tem o condão de elidir os valores apurados. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 12 No tocante às multas de ofício aplicadas, constatase que a fiscalização somente aplicou a multa de ofício qualificada para as receitas conhecidas extraídas dos livros fiscais do ano calendário 2006 (únicos disponíveis) e se referem às vendas de mercadorias e prestação de serviços. Considerando que a contribuinte apresentou a sua DIPJ do ano calendário 2006 totalmente zerada e informou em DCTF apenas um único débito de R$ 33,93 no mesmo ano, afigurase perfeitamente aplicada a multa de 150% por restar evidente o intuito de omitir do conhecimento das autoridades fiscais, o fato gerador das receitas auferidas com a revenda de mercadorias e prestação de serviços. Assim, escorreita a decisão de primeira instância que refutou adequadamente todas as alegações da recorrente a qual mantenho pelas seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 931DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 14485.000198/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 20/07/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE NFLD CONEXA.
A decisão definitiva, no âmbito administrativo, que reconheça a improcedência integral da obrigação principal, com fundamento na não caracterização de ocorrência dos fatos geradores apurados, implica, ipso facto, a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 conexo, em virtude de não se haver efetivado, por parte do Sujeito Passivo, violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para se reconhecer a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.078.785-4, CFL 68, em virtude da inocorrência de violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 20/07/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE NFLD CONEXA. A decisão definitiva, no âmbito administrativo, que reconheça a improcedência integral da obrigação principal, com fundamento na não caracterização de ocorrência dos fatos geradores apurados, implica, ipso facto, a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 conexo, em virtude de não se haver efetivado, por parte do Sujeito Passivo, violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para se reconhecer a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.078.7854, CFL 68, em virtude da inocorrência de violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 01 98 /2 00 7- 15 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.000198/200715 Acórdão n.º 2302003.244 S2C3T2 Fl. 360 3 Relatório Período de apuração: MARÇO/2005 e MARÇO/2006. Data do Fato Gerador: 20/07/2007. Data da lavratura do Auto de Infração: 20/07/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 20/07/2007. Temse em pauta auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da apresentação de GFIP com omissão de dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, relativas a remunerações pagas a título de PLR, nas competências março/2005 e março/2006, pagas em desconformidade com a legislação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 11,12 e 20. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100 % do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, apurados pela fiscalização. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 27/41. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I /SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1615.619, a fls. 302/316, julgando procedente o Auto de Infração e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 23 de janeiro de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 318. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 320/336, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que o julgamento do presente Auto de Infração depende do veredicto a ser proferido na NFLD nº 37.078.7862, na qual se discute a procedência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas a título de PLR; · Que a empresa preencheu todos os requisitos legais para o pagamento da PLR; · Que o elemento definidor da natureza salarial de uma remuneração é a habitualidade, e que a verba paga a título de PLR foi paga em apenas duas oportunidades no contrato de trabalho, de tal forma que não há habitualidade suficiente para se descaracterizar a verba e transmudala para uma que tenha natureza salarial. Ao fim, o Recorrente requer que seja reformada integralmente a decisão recorrida. Visando à esquiva de prolação de decisões conflitantes, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em Diligência Fiscal, sobrestandose o trâmite do presente feito até o Trânsito em Julgado da decisão relativa à NFLD n° 37.078.7862, a qual formalizou o lançamento das obrigações tributárias principais decorrentes dos mesmos fatos geradores objeto do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória, conforme Resolução nº 2302 000.097, da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, a fls. 340/343. Em cumprimento da Diligência Fiscal requestada, foi juntado a fls. 349/355 do presente processo a Decisão Definitiva referente à NFLD nº 37.078.7862, textualizada no Acórdão nº 9202002.778 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 14485.000199/200760. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.000198/200715 Acórdão n.º 2302003.244 S2C3T2 Fl. 361 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 23/01/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22/02/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DEPENDÊNCIA DO JULGAMENTO DE NFLD CONEXA. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos a título de PLR ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. A obrigação principal correspondente aos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.078.7862, lavrada na mesma ação fiscal, a qual promoveu o lançamento tributário das contribuições previdenciárias relativas a valores a segurados obrigatórios do RGPS a título de PLR, os quais, por se subsumirem no conceito de Salário de Contribuição, no entendimento da fiscalização, Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 deveriam ter sido declarados em GFIP e não o foram, fato que motivou a lavratura do presente Auto de Infração. O Recorrente assevera que tais verbas foram pagas em estrita consonância com a legislação de regência e, por tal motivo, não estariam inseridas no conceito de Salário de Contribuição fixado no art. 28, caput da Lei nº 8.212/91, mas, sim, abraçadas pela hipótese de exclusão prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 do mesmo Diploma Legal acima mencionado. Com efeito, o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não se encontra instruído com os elementos necessários aptos a indicar, de forma inequívoca, se os fatos jurídicos apurados na NFLD conexa acima apontada se caracterizam, efetivamente, como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Almejando furtarse à prolação de decisões conflitantes, houve por bem esta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF converter o julgamento do Recurso Voluntário em Diligência Fiscal, sobrestando o julgamento do feito até a proferição de decisão definitiva no âmbito da NFLD n° 37.078.7862, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 14485.000199/200760, mediante a qual se formalizou o lançamento das obrigações tributárias principais decorrentes dos mesmos fatos geradores objeto do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Nessa perspectiva, a eventual procedência integral do lançamento aviado na NFLD n° 37.078.7862 implica, por decorrência lógica, a procedência do presente Auto de Infração. De outro canto, qualquer improcedência, mínima que seja, no conjunto de fatos geradores apurados naquela Notificação Fiscal importará retificações nos valores da multa aplicada nesta autuação. Em atendimento à Diligência Fiscal comandada mediante a Resolução nº 2302 000.097 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, a fls. 340/343, foi coligido aos autos cópia da decisão definitiva referente à NFLD conexa n° 37.078.7862, textualizada no Acórdão nº 9202 002.778, proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 14485.000199/200760, mediante a qual os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, deram provimento ao Recurso Especial interposto pela Haldex do Brasil Indústria e Comércio ltda, julgando improcedente o lançamento aviado na NFLD conexa n° 37.078.7862, por considerar que não se houveram por ocorridos/caracterizados os fatos geradores de contribuições previdenciárias apurados pela Fiscalização. Nesse contexto, o reconhecimento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais da improcedência da obrigação principal implica, ipso facto, a insubsistência do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória, em virtude de não se haver efetivado, por parte do Sujeito Passivo, violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Diante de tal panorama, há que se reconhecer a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.078.7854, CFL 68, em virtude da inocorrência de violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.000198/200715 Acórdão n.º 2302003.244 S2C3T2 Fl. 362 7 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10850.902165/2013-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 5/ 20 13 -9 3 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902165/201393 Resolução nº 3801000.683 S3TE01 Fl. 56 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 421,06. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF, juntando documentação comprobatória. O processo foi encaminhado a este Conselho para fins de apreciação da lide tendo em vista a interposição de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902165/201393 Resolução nº 3801000.683 S3TE01 Fl. 57 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Preliminarmente, deixo consignado que o presente processo foi encaminhado conjuntamente com outros do mesmo sujeito passivo que tratam de matéria idêntica, qual seja, o direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Em atendimento ao princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual que importa é a finalidade do ato e não ele em si mesmo e considerandose os recursos interpostos nos demais processos julgados conjuntamente, tomo conhecimento do presente processo em sede de recurso voluntário. No entanto, para que se possa sanear o processo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para a Delegacia de origem: a) Informar sobre a existência de Decisão de 1ª Instância e Recurso Voluntário interposto no presente processo, colacionandoos aos autos e, posteriormente, retornar o mesmo a este CARF para julgamento; b) caso contrário, encaminhar a Delegacia de Julgamento para análise da Manifestação de Inconformidade e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13963.001001/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA - CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS - - COMISSÃO PAGA SOBRE O FRETE - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO - NÃO CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS ANTERIORMENTE
Tendo sido proferida NOVA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, atendendo inclusive aos anseios do próprio contribuinte, oportunizando-lhe a apreciação de todos os fatos trazidos em sua impugnação, a NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO, mesmo devidamente cientificado no próprio acórdão para tanto, torna incabível a apreciação de qualquer argumento por parte deste colegiado, considerando que deveria o recorrente insurgir-se (apresentando novo recurso) contra a nova decisão proferida.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que votou por conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA - CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS - - COMISSÃO PAGA SOBRE O FRETE - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO - NÃO CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS ANTERIORMENTE Tendo sido proferida NOVA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, atendendo inclusive aos anseios do próprio contribuinte, oportunizando-lhe a apreciação de todos os fatos trazidos em sua impugnação, a NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO, mesmo devidamente cientificado no próprio acórdão para tanto, torna incabível a apreciação de qualquer argumento por parte deste colegiado, considerando que deveria o recorrente insurgir-se (apresentando novo recurso) contra a nova decisão proferida. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 10 01 /2 00 9- 81 Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que votou por conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.37.237.5952, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais não retida pela empresa. Destacase que conforme descrito no relatório fiscal, o procedimento de auditoria em questão baseou no artigo 149 do CTN, isto 6, na existência de simulação. Como resultado da análise documental e dos procedimentos de auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil, ficou configurado os seguintes pontos: 1. A despeito da aparente distinção formal entre o sujeito passivo e as sete pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, todas constituem única empresa, posto que exploram a mesma atividade econômica (transporte rodoviário de carga) com suas sedes sociais no mesmo imóvel, utilizandose indistintamente da mesma frota de veículos e quadro de funcionários, sob gestão centralizada do verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, empresa administrada pelo Sr. Valdemiro Da Rolt.. 2. Tratase de fatos que configuram simulação de negócios, mediante a utilização de empresas interpostas, para usufruir indevidamente dos benefícios estabelecidos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, instituído pela Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996 e do Simples Nacional instituído através da LC123/2006 com vigência a partir de 07/2007. 3. O emprego de simulação com evidente objetivo de elidir a contribuição previdenciária patronal retira a validade do ato formal, devendo prevalecer a real situação fática, com base no principio da verdade material. 4. É inconcebível que o sujeito passivo, que congrega tal quantidade de trabalhadores, com faturamento acima dos parâmetros legais, tenha usufruído indevidamente dos benefícios instituídos pelo sistema simplificado. 0 tratamento tributário instituído pela lei 9.317/96, não é dirigido a empreendimento deste porte. 5. Finalmente, será encaminhada representação fiscal para fins penais ao Ministério Público Federal pela ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. Além do sujeito passivo acima identificado foram também abrangidas pela auditoria fiscal as seguintes pessoas jurídicas: · RMG Transportes Ltda ME · RA Transportes Ltda ME · Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 · ULIS Transportes Ltda ME · FJB Transportes Ltda ME · JCMF Transportes Ltda ME · RPRM Transportes Ltda ME Dando início ao procedimento fiscal o auditor conseguiu contatar a o R. Valdemiro Dal Rolt, administrador da empresa notificada, que disse desconhecer qualquer aspecto relacionado as empresas que prestavam serviços na empresa, responsabilizandose apenas pela empresa notificada. Foi mantido contato com o contador Sr. Pedro Rampinelli, que disse efetuar a contabilidade das empresas, mas recusouse a passar os contatos dos sócios das demais empresas, responsabilizandose por colher a assinatura dos sócios das mesmas, o que o fez em data posterior. Notese que para a empresa RMG a assinatura foi realizada por pessoa não mais integrante da sociedade. No relatório fiscal enfatiza a autoridade por meio de ampla e detalhada pesquisa, que os ditos sócios da empresas, constam apenas formalmente de suas constituições, sem contudo, ter qualquer participação efetiva, desconhecendo aspectos relacionados as mesmas. Vejamos alguns trechos do relato do auditor: A Sra. Matilde confirma que realmente a sua sobrinha Denise da Silva Gomes com sua mãe Maria da Silva Gomes estão radicados nos EUA a mais de sete anos e que Denise até já casou por !A. Assegurou que a sobrinha Denise nunca foi empregada da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda e muito menos ter participado, de fato, na condição de empresaria ou sócia de qualquer empresa no segmento de transportes de cargas. Casualmente, no momento, passa defronte à loja o Sr. Pedro Oclides Gomes, pai de Denise, que ainda permanece na cidade de Sombrio trabalhando em escritório de despachante — Despachante Gomes. 0 Sr. Pedro ratificou as informações já transmitidas pela Sr. Matilde e destacou que esta situação, ou seja, a sua filha constar como dona de empresa, deve ter sido manobra praticada pela transportadora dos Irmãos Da Rolt. Marieta Borges de Barcelos e Fabio Juner Borges Barcelos são irndos. Ocupam formalmente as funções de administradores. Este, desde 03/2001, junto à pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME com 50% do capital e aquela na RMG Transportes Ltda ME, desde 04/1997, com participação de 1% do capital. Consta ainda o registro de Fábio na condição de empregado da RMG Transportes Ltda ME, no período de 12/2000 a 02/2001 na função de auxiliar de escritório. Rosanaela Vieira, companheira de Fábio Juner Borges Barcelos, era menor e foi assistida por sua mãe Maria de Lourdes Carvalho Vieira quando da constituição da pessoa jurídica FJBTransportes Ltda ME, onde assume formalmente a condição de sócia cotista, com 50% na participação societária a partir de 03/2001. Em contato mantido em 24/08/2009 na sua própria Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 4 5 residência no bairro Retiro da Unido na cidade de Sombrio, Rosangêla Vieira declarou que desconhece qualquer aspecto relacionado com a empresa FJB Transportes Ltda ME, pois sempre se dedicou aos afazeres domésticos no seu lar e na criação dos seus filhos. Lembra que somente assinou os papéis de constituição da empresa, assistida por sua mãe. Por último destaca que o seu companheiro Fábio não divide com ela assuntos relativos a sua atuação junto aos Irmãos Da Rolt. André de Souza Gonçalves protagoniza atuação polivalente. Figura na qualidade de sócio administrador das pessoas jurídicas RA Transportes Ltda ME com 99% do capital desde 04/2004 e na ULIS Transportes Ltda ME com 1% desde 02/2004. André assumiu a titulação da pessoa jurídica RA Transportes Ltda ME, no lugar do seu colega Rogério Alexandre Anastácio, que inicialmente lhe propôs o negócio. As condições e a maneira de gerir a empresa foram definidas por Valdemiro Da Rolt, conforme declaração feita pelo próprio André em depoimento prestado em 25/08/2009 Auditoria Fiscal, na Agência da Receita Federal do Brasil em Araranguá. Venicio Almeida da Silva, morador da rua do Mercado Araras, s/n, no bairro Mato Alto em Sombrio, embora tenha feito parte do quadro social da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda, lapso de 03/1999 a 08/2000, na condição de cotista com 1% do capital, está registrado formalmente como empregado na função de mecânico, desde 01/09/1999 conforme anotação à fls. 47 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1. Ulisses Marcon figura como administrador (99%) da pessoa jurídica Ulis Transportes Ltda ME no período de 09/1999 a 02/2004 e possui registro de vinculo empregaticio com o sujeito passivo a partir de 02/2005 na função de mecânico, conforme Cadastro Nacional de Informações Social — CNIS. • João Manoel Fagundes com residência à rodovia BR101, KM 423, estrada geral, Lagoa do Caverá, bairro Sanga da Toca 1, em Ararangud, consta como sócio administrador (50%) da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME, juntamente com o Sr. Bento Costa Joaquim na função de sócio cotista, desde 12/2005. Está registrado como empregado da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, no período de 08/2004 a 01/2006 na função de lavador de caminhão, conforme anotado fls. 35 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1 apresentado à auditoria fiscal. Em 24/08/2009 foi realizada nova tentativa de contato com o Sr. João Manoel Fagundes, desta feita, na sede do sujeito passivo onde, conforme informações obtidas, continuava a trabalhar. Nesta oportunidade foram protagonizadas novas demonstrações a fim de obstaculizar o procedimento fiscal. 0 Sr. João Manoel Fagundes chegou a ser abordado no seu posto de trabalho (rampa — lavação e lubrificação de caminhões), sem que os auditores soubessem de quem se tratava. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Posteriormente, por suas características (pessoa na faixa dos 40 anos, baixa estatura e peculiar marca próxima ao supercilio, entre outras), ficou claramente definida a sua identidade. Joao Manoel Fagundes, esquivandose de contato, encaminha a auditoria para o Sr. Angelo Da Rolt, um dos irmãos de Valdemiro Da Rolt. 0 Sr. Angelo, fingindo indiferença, sugere que os auditores fiscais busquem informação junto ao setor administrativo da empresa. (...)Declaração categórica da moradora Mazilda Pereira Serafim4, vizinha defronte A residência, restaura a verdade dos fatos. Assegurou aos auditores que se tratava realmente da residência da família do Sr. Joao Manoel Fagundes. Alinhou as características físicas e afiançou que ele trabalha na Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Destacou a moradora que o Sr. João Manoel Fagundes é um trabalhador incansável no sustento de sua família e que carrega na sua roupa, suja de graxa, a marca do seu trabalho. De fato o Sr. João Manoel Fagundes trabalha na chamada rampa, nos serviços de lavagdo/lubrificação dos veículos da transportadora Da Rolt. A filha da vizinha Mazilda busca complementar as informações da mãe e esclarece que naquele dia, momento antes de ali chegarmos, o Sr. João Manoel Fagundes estava conversando com alguém numa caminhonete preta. Joaquim seria outro sócio (cotista), com 50% do capital, da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME com atuação desde 12/2005. A despeito da impossibilidade/dificuldade alegada pelo contador do sujeito passivo, Sr. Pedro Rampinelli, conseguimos manter contato com o Sr. Bento. A entrevista ocorreu defronte a sua residência, no mesmo enderego5 da sede contratual da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda, conforme já ilustrado na foto constante em item próprio. Tratase de pessoa modesta que, secundado por sua esposa, declarou categoricamente à auditoria fiscal que: Nunca foi dono ou fez parte de fato de qualquer empresa; Tinha conhecimento que a empresa constava em seu nome, porém nunca se considerou sócio de nada e também não recebeu nada por isto; Simplesmente assinava os papéis que lhe apresentavam; Acreditava que a sua parte na empresa teria sido transferida para o outro sócio, Sr. Joao Manoel Fagundes; Desde uns dois meses atrás está aposentado e que trabalhava para o sujeito passivo na função de borracheiro e que ratificaria suas declarações em qualquer foro ou instância em que fosse chamado. Renan Prudêncio José, 20 anos, e Raquel Pereira Matheus José, ambos residentes estrada geral s/n, bairro Lagoa do Cavera, em Ararangud, representam formalmente a pessoa jurídica RPRM Transportes Ltda ME, com 99% e 1% das cotas do capital social, a partir de 07/2007. Três meses depois, em 10/2007, Raquel Pereira Matheus • José foi registrada como auxiliar de escritório do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, conforme fls. 25, cópia anexa, do livro de registro de empregados n°3. No dia 04/08/2007. DOS LAUDOS E AMBIENTE DE TRABALHO Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 5 7 Os Laudos" Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT's de 2009, identifica todo o grupo, ou seja, o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transporte Importação e Exportação Ltda e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que constituem uma só empresa, exatamente no mesmo estabelecimento, situado na cidade de Araranguá. De resto, fica evidente a semelhança na estrutura dos documentos relativos as condições ambientais do trabalho bem como a atividade desenvolvida, endereço e funções envolvidas. Quanto aos livros de registros de empregados, constatouse que até os termos 12 de abertura e encerramento dos livros referentes tanto ao sujeito passivo quanto as pessoa jurídicas RMG Transportes Ltda ME e FJB Transportes Ltda ME foram assinadas pelo próprio administrador da Irmãos Da Rolt, empresário Valdemir Da Rolt, sob designação de "procurador". Ainda que na forma aparentam alguma distinção, a realidade demonstra que os trabalhadores laboravam num mesmo estabelecimento, dedicados a uma mesma atividade econômica, subordinados ao mesmo empregador. Concretamente, em outras palavras temos: a) Idêntica atividade econômica: Tanto o sujeito passivo quanto as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, dedicamse a mesma atividade econômica, qual seja, o transporte rodoviário de cargas — CNAE 49.302. b) Mesmo endereço: A sede do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas, é representada por um só estabelecimento, qual seja, a sede da empresa Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, situada As margens da rodovia BR101, s/n, altura do KM423, bairro Sanga da Toca, na cidade de Ararangud/SC. c) Uma só empresa ou empregador Todas as provas indicam a existência de um único empregador: Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento. DA DECLARAÇÃO DO CONTADOR DA EMPRESA Embora o contador Pedro Rampinelli possua o escritório de contabilidade no centro de Sombrio, dedica o período matutino aos afazeres contábeis do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, na própria sede da Irmãos Da Rolt Ltda em sala e com equipamentos próprios a este mister. Também da mesma forma, indagado pela auditoria fiscal a respeito da configuração da empresa e o estreito relacionamento com as demais pessoas jurídicas, o contador demonstra visível desconforto. Chegou a ponto de declarar categoricamente que aquelas pessoas jurfdicas 13 não emitem qualquer tipo de documento. Possuem apenas as folhas de pagamentos e não Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 auferem qualquer tipo de receita ou faturamento. Em resumo: Inexistira origem de recursos para suportar as despesas com a folha de pagamento. As pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, que integram visceralmente o empreendimento Dal Rolt, não possuem caminhões próprios, sede social, nem tampouco faturamento pelos serviços prestados. Os conhecimentos de fretes são emitidos pelo sujeito passivo. Demonstração clara que as pessoas jurídicas subsistem apenas no papel e são utilizadas somente para abrigar os registros de vínculos empregaticios do sujeito passivo que, desta forma, vem obtendo indevidamente o tratamento tributário favorecido com a conseqüente sonegação de contribuições previdenciárias. Diante da manifesta ilegalidade da situação, o contabilista Pedro Rampinelli reconheceu sua resignação perante os fatos, justificando que apenas cumpre as determinações do empresário Valdemir Da Rolt. Confidenciou que estava com a saúde abalada a exigir doses diárias de comprimidos. Evidente que não se trata de empresas distintas funcionando de "per si" e desenvolvendo cada qual a sua atividade na sede social respectiva. Estamos diante de um s6 empreendimento econômico a desenvolver a mesma atividade de transporte rodoviário de cargas, utilizandose da mesma frota de caminhões, quadro comum de funcionários, sob a mesma administração de fato, na pessoa do empresário Valdemir Da Rolt. Em resumo, uma só empresa. DAS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS A pluralidade no pólo passivo das demandas, relatos de unicidade empresarial ou grupo econômico, práticas simulatórias ou abusivas, além de pagamentos extrafolhas de comissões (10%) sobre o valor do frete, são temas recorrentes nas reclamatórias processadas perante a Vara do Trabalho de Ararangué, envolvendo o sujeito passivo e pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. "Na realidade, todas as demandadas atuam no ramo de transporte de cargas e pertencem ao mesmo grupo econômico, ou melhor, aos mesmos sócios. Estas pessoas físicas se acobertam sob uma pessoa jurídica, dificultando a descoberta de quem, na verdade, responde pelas obrigações da sociedade, causando embaraço e confusão. 0 cedo é que durante o contrato mantido pelo de cujus, quem sempre comandou e lhe deu ordens foi à mesma pessoa, Senhor Valdemiro Darolt, proprietário de fato das empresas, embora na CTPS do Reclamante, no período que abaixo reclamará, conste anotações com pessoas jurídicas diferentes". Relatos acerca da unicidade empresarial, relação trabalhista extravagante e pagamento de comissões "por fora" estão presentes na reclamatória n° 186/02 proposta pelo motorista Rodrigo da Costa Matos contra o sujeito passivo — primeira reclamada, pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME — segunda reclamada e os • representantes legais do sujeito passivo, pessoas fisicas21 . Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 6 9 quatro rés pertencem a mesma família; não se recorda para qual empresa trabalhou, apesar de haver anotação na CTPS; na prática todas as rés constituíam uma única empresa, operando no mesmo local, com a mesma atividade; todas as rés só tem um escritório e eram dirigidas pelos irmãos da família Da Rolt, entre os quais, o Sr. Tola (Valdemiro), Angelo, Nine (Valdemir) e Neca (Valdemar); o acerto com todos os caminhoneiros era feito pelo Sr. Nino, também da família Da Rolt; ( ) na CTPS era anotado salário fixo, mas a remuneração era somente a base de comissão de 10% sobre o valor do frete". A reclamatória trabalhista n° 181/02 proposta pelo motorista Rubens Mello de Oliveira em face de FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento ora relatado, versa igualmente sobre a unicidade da empresa e do indigitado pagamento de comissões "por fora". Na esteira de outras demandas: utilização de empresas interpostas, comissões pagas • "por fora" e a introdução de testas de ferro na administração dos negócios do sujeito passivo, são causas em que se funda a reclamatória trabalhista n° 399/06, proposta pelo motorista Jovelino Gomes da Rosa contra RA Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 trabalhador Valcirlei Casagrande, motorista, ingressou em 05/10/2006 com reclamatória trabalhista no 657/06 contra FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda trazendo relatos de confusão entre as empresas e prática de pagamentos de comissões de 10% do frete bruto, fora da folha. Constantino da Silva Caetano pleiteia a retificação da sua CTPS para incluir a remuneração de fato recebida, através de reclamatória trabalhista de no 568/08 de 04/08/2008 ajuizada contra FJB Transportes Ltda ME. Informa o reclamante: "( ) foi contratado em 01.09.2004, para exercer a função de motorista, com término do pacto labora! em 18/10/2006, por iniciativa da empresa, sendo que as verbas rescisórias foram calculadas com base no valor anotado na CTPS e não no valor (extrafolha) efetivamente recebido pelo autor, havendo diferenças de valores no pagamento das referidas verbas. (....) A remuneração pactuada era a base de comissões, no importe de 10%, que resultava uma remuneração média mensal de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), em toda a contratualidade. No entanto, a CTPS foi anotada com o valor de R$ 658,00 (seiscentos e cinqüenta e oito reais), devendo ser retificada, informando a forma de recebimento de salário.". MANIFESTAÇÃO DE JUIZA DO TRT: Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 "Além disso, as reclamadas possuem o mesmo preposto, o mesmo procurador, ofereceram contestação conjunta e as citações de fls. 24 e 25 foram assinadas pela mesma pessoa que afirmou ser o sócio das demandadas, o que demonstra a relação havida entre elas. Dessarte, devem prevalecer as alegações do reclamante no sentido de que foi admitido em 20022001, ou seja, em data anterior àquela anotada na sua CTPS (1°62001), e que prestou serviço a ambas as demandadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico. Quanto a este último aspecto, como bem elucidado na sentença, o Sr. Valdomiro Da Rolt recebeu as duas citações iniciais de fls. 24/25 se dizendo sócio das empresas. De outro lado, o Sr. Rossi da Silva Gomes, na audiência de fL 26, foi o preposto nomeado pelas empresas para representálas na audiência inicial (cartas de preposição de fls. 29 e 30). Além disso, o procurador das rés é o mesmo, tendo estas contestado a ação em pega Onica". 10.0 SUJEITO PASSIVO NO ÂMBITO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALH0 22 Representação formulada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Vale do Ararangud, que noticia discriminação de trabalhador em virtude de ajuizamento de reclamatória trabalhista, não pagamento de férias e gratificação natalina e ausência do controle da jornada de trabalho, dá causa a instauração do inquérito civil público 39.2009.12.002/0 pela Procuradoria do Trabalho em Criciúma onde figura o sujeito passivo na condição de inquirido. PARTICIPAÇÃO DO SR. VALDEMIRO NA GESTÃO DAS DEMAIS EMPRESAS Valdemiro Da Rolt — Administrador do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, pratica com freqüência atos de verdadeira comunhão administrativa com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, com as quais alega suposta distinção. Quer assinando termos de rescisão de contrato de trabalho, notificando empregados a respeito de férias ou firmando contrato de experiência e declaração de opção do FGTS, dentre outros atos típicos da gestão administrativa. Aliás, não pode prosperar eventual alegação no sentido de que estaria atuando na condição de procurador. De qualquer forma citamos, para ilustrar, a participação de Valdemiro Dal Rot assinando documentos como representante de outras pessoas jurídicas, com as quais alega não possuir qualquer vinculo. (VER TABELA FL. 89). E mais: As informações de remessa 24 da GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social relativas a cada uma das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal estão registradas em nome de um só responsável— Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 nome da pessoa designada para contato é invariavelmente Valdemiro Da Rolt. Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 7 11 CONTRATAÇÃO DE SEGURO COLETIVO Em 02 de maio de 2007 o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, através do seu administrador Waldemiro Da Rolt, celebrou com a Bradesco Vida e Previdência S/A contrato25 de seguro coletivo de pessoas com as seguintes coberturas: Morte, morte acidental, auxilio emergencial e inclusão de cônjuge. 0 grupo segurável abrange todos os funcionários, sócios, diretores e gerentes do estipulante — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda e dos subestipulantes. Inusitadamente o sujeito passivo indicou como subestipulantes as seguintes pessoas jurídicas: Transportes Anva Ltda, Transportes Rodavan Ltda, RA Transportes Ltda ME, Ulis Transportes Ltda ME, RMG Transportes Ltda ME, Reforma de Carreta Da Rolt LtdaME, FJB Transportes Ltda ME e JCMF Transportes Ltda ME. Ou seja, as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que integradas de fato ao sujeito passivo, constituem a unicidade empresarial de Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. EXAMES ADMISSIONAIS Os atestados de saúde ocupacional abaixo discriminados, ilustram sobremaneira a unicidade do sujeito passivo. Embora os ASO's, relativos a exames admissionais e • demissionais sejam destinados a Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, referemse a empregados com registros de contratualidade nas diversas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Ou seja, o sujeito passivo providencia os exames médicos, adota as providencias administrativas de praxe e distribui os empregados entre as diversas pessoas jurídicas, a fim de fragmentar a folha de pagamento, sonegando contribuições previdenciárias mediante obtenção indevida do tratamento tributário favorecido, instituído pela lei 9.317/96 — Lei do SIMPLES. CANDIDATURA A VÍNCULO DE EMPREGO Derradeiras demonstrações da unicidade empresarial do sujeito passivo podem ser verificadas nas informações prestadas (preenchimento obrigatório) pelos candidatos a emprego junto a empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. MASSA SALARIAL X FATURAMENTO Quando examinada de forma isolada a empresa Irmãos Da Rolt apresenta uma evolução coerente, tanto da massa salarial quanto no número de empregados e respectivo faturamento. No conjunto, ou seja, quando se apresenta a empresa na sua real dimensão, é flagrante o contraste dos valores em comparação com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Notese que, com exceção da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt ME, as demais não declaram qualquer faturamento. Com efeito, o próprio contador Pedro Rampinelli afirmou categoricamente que elas não emitem mesmo qualquer documento fiscal. Fato absurdo já que teriam, em tese, Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 que suportar com os encargos trabalhistas dentre os quais destacamse os salários (massa salarial) abaixo discriminados. Como poderiam tais empresas serem responsáveis pelo pagamento de salários e ao mesmo tempo declararem que não auferem qualquer tipo de receita? 0 emprego da simulação e da fraude produz situações inusitadas. Mesmo quanto a pessoa jurídica Transportes e • Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME se observa flagrante contradição na relação entre os valores com encargos da massa trabalhista, que superam os da receita declarada. CONCLUSÃO Repetese a partilha: Empregados e respectivos encargos para as optantes do SIMPLES e faturamento resguardado para o verdadeiro empregador. A constituição e a existência meramente formais das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal se destinam a: Servir de abrigo para registro da mão de obra e conseqüente encargo com a massa salarial, usufruindo indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido do sistema SIMPLES, e resguardar o faturamento para o verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. O que fica patente é que toda a movimentação de empregados ocorre dentro de uma • mesma empresa, ou seja, do sujeito passivo. Tratase de um só empreendimento, perseguindo a mesma atividade econômica com a utilização da mão de obra integrada na unicidade da empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Não pode prosperar eventual alegação no sentido de que as pessoas jurídicas referidas atuam como "empresa terceirizada". A pratica da terceirização é comum no mundo moderno e no Brasil não poderia ser diferente. As empresas buscam através desta técnica administrativa maior produtividade; diminuição de custos; respostas rápidas as mudanças no mercado; foco no seu negócio; descentralização de decisões; entre outras vantagens. Desde que não constatada a fraude, a terceirização é manifestação de moderna técnica competitiva, e para tanto, deve atender aos preceitos legais vigentes em nosso pais. Foi observado anteriormente, no tópico dedicado as procurações, que o empresário Valdemiro Da Rolt estaria atuando em nome de supostas terceirizadas, o que representaria verdadeiro paradoxo, já que a finalidade precipua da terceirização é justamente o foco no seu próprio negócio. Além do mais, todos os requisitos do vinculo empregaticio são identificados na relação entre aqueles trabalhadores formalmente registrados nas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, que realizam as atividades fins do sujeito passivo, mediante subordinação e de forma permanente. a) Pessoa física os serviços são prestados pelos próprios trabalhadores que foram treinados para as atividades de transporte rodoviário de cargas, que se constituem em atividades típicas do objetivo social do sujeito passivo. Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 8 13 b) Não eventualidade Os serviços prestados não são de natureza eventual eis que visam atender uma necessidade social permanente do sujeito passivo. c) Subordinação A própria natureza dos serviços e as condições em que são prestados não permitem garantir ao trabalhador a autonomia que afastaria o vinculo de subordinação ao sujeito passivo. Além do mais, a qualidade e o padrão dos trabalhos são definidos pelo sujeito passivo, responsável pelos seus serviços perante sua clientela. A subordinação se define independentemente da afirmação contrária das partes, ela se estabelece em função das próprias condições em que o trabalho é realizado. d) Remuneração — Ocorre com o correspondente pagamento dos salários. A existência meramente formal das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, não tem o condão de garantir a inexistência de vinculo empregaticio com o sujeito passivo. Não é suficiente para descaracterizar a relação de emprego, pois estão presentes os requisitos legais que estabelecem o vinculo. A constatação pela Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil de que determinados trabalhadores são empregados, não constitui invasão da Justiça do Trabalho. Mesmo porque a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, o que não se confunde com ato de fiscalização da Receita Federal do Brasil. É aplicável também o principio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. É licito à Receita Federal do Brasil pesquisar a relação de trabalho para encontrar, na • sua verdadeira configuração, a relação de emprego e cobrar a contribuição legalmente devida, pois a cogência das normas de ordem pública impede que se adote regime jurídico apenas formalmente, para frustrar os objetivos nelas perseguidos, quando a prática da relação jurídica de direito material indica tratarse de relação de emprego. DAS PROCURAÇÕES Pesquisa realizada junto aos cartórios de Sombrio e Ararangud redundou em várias procurações outorgadas por pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal e por seus representantes contratuais, transferindo poderes ao Sr. Valdemiro Da Rolt, administrador do sujeito passivo. Os mandados versam sobre representações perante estabelecimentos bancários e para a completa gestão das empresas outorgantes. Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Os termos dos mandatos conforme amostragem abaixo, revelam a unicidade empresarial, onde o outorgado, representante legal do sujeito passivo, é o verdadeiro empregador.Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. 14. PAGAMENTO POR FORA DE COMISSÕES SOBRE 0 VALOR DO FRETE Remunerar extrafolha os seus motoristas através de comissão de 10% (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados, é prática antiga do sujeito passivo. 0 fato é sobejamente noticiado nas reclamatórias trabalhistas e ratificado em diversos depoimentos prestados a auditoria fiscal. Tratase, infelizmente, de mecanismo perniciosamente incrustado no segmento de transportes de cargas, reconhecido pelos próprios profissionais que atuam no ramo. E pois, fato público e notório. Desta feita, entretanto, logramos êxito no desafio que imperava até então: A comprovação 410 material. Evidente que matéria relativa a remuneração extrafolha é eminentemente fáticoprobatória, posto que depende da comprovação ou não de pagamentos "por fora". No caso presente, a indigitada praxe fica comprovada a partir, principalmente, dos seguintes documentos abaixo descritos.Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 629 a 703. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado, fl. 692 a 4588. a) Acerto de Contas Irmãos Da Rolt: Tratamse de relatórios que identificam os veículos e respectivos motoristas, data de saída e chegada da viagem. Contém ainda a discriminação das despesas (borracharia, agenciamento, outros serviços) e pedágios, valores de fretes e comissões (10% sobre o valor do frete). No final do extrato consta um campo destinado a assinatura do motorista que confirma o recebimento da comissão sobre o valor do frete. Conforme já reiteradamente manifestado ao longo do relatório, as comissões incidentes sobre o valor do frete, na aliquota de 10% (dez por cento) embora seja uma praxe do sujeito passivo já a muito tempo, são pagas em dinheiro e não figuram na folha de pagamento ou na contabilidade apresentadas a auditoria fiscal. Tratase de remuneração praticada por fora ou extrafolha, clássico exemplo de sonegação fiscal. para Controle de Viagens: Tratase de relatório juntado pelo motorista Antonio Claudino, apelido Tonhão, nos autos da reclamatória trabalhista n° 748/06 proposta contra RMG Transportes Ltda ME e Irmãos Da Roit Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 relatório destacase como importante elemento de prova. Intitulado Relatório para controle de Viagens Período de 01/12/2002 a 20/05/2003 — Laerte Da Rolt, foi emitido pelo próprio sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda no dia 19/05/2003 As 18:04 horas, através do Sistema de Controle de Frotas 2003 para o veiculo placa LXV8140, dirigido pelos motoristas Antonio Claudino (autor da demanda) e outro motorista de apelido Pedrão. 0 documento que contém mais de quinze colunas, revela minucioso controle das despesas e lucro incidentes sobre os Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 9 15 fretes realizados. No caso do relatório sob análise, para o valor total do frete no período — R$ 80.439,90, foi destacada uma comissão no valor total de R$ 7.353,03. Aliás, a prática ilegal de pagamento "por fora" de comissões sobre o valor dos fretes continua, conforme ficou demonstrado no extrato acostado a procedimento perante a Procuradoria do Trabalho em Criciúma, examinado anteriormente. DA BASE DE CÁLCULO DAS COMISSÕES – Diante do exposto, as bases de cálculo foram indiretamente aferidas a partir da receita mensal de prestação de serviços apurada com base nos conhecimentos de transportes (contas contábeis — 1170 a 1175 e 1185 — vendas de serviços de transportes) emitidos pelo sujeito passivo, deduzidas as despesas com selo pedágio (conta contábil 1635 selo pedágio) e fretes realizados por terceiros (conta contábil 1406 fretes e carretos de terceiros). Aos valores resultantes foi aplicada a aliquota de 10% (dez por cento) a titulo de comissão. 15. APURAÇÃO DO CRÉDITO — FATOS GERADORES LEVANTAMENTOS No auto de infração ora relatado, foram utilizados levantamentos, consoante quadro abaixo, tendo por fatos geradores: a) Levantamento SMP: Referente remunerações pagas aos segurados empregados do sujeito passivo, cujos valores foram apurados através das folhas de pagamentos confeccionadas em nome das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, relativas ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme em planilha anexa intitulada Demonstrativo do Salário de Contribuição, cujos valores mensais (totais) encontramse registrados no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. Levantamento COM: Relativo remunerações pagas por fora aos empregados do sujeito passivo, na função de motoristas, a titulo de comissões sobre o valor dos fretes realizados, cujos valores foram apurados através dos conhecimentos de frete, relativos ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. 16. DOLO, SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO Já no primeiro contato com o sujeito passivo, na pessoa do sócio administrador Valdemiro Da RoIt, por ocasião da coleta das assinaturas nos Termos de Inicio do Procedimento Fiscal, constatouse o emprego de manobras a fim de encobrir a verdade dos fatos, revelada posteriormente no decorrer da ação fiscal. 0 representante do sujeito passivo em conluio com o contabilista buscou obstaculizar o exercício legal da atividade de fiscalização omitindo informações acerca da real configuração da sua empresa e do estreito relacionamento que mantinha com os sócios contratuais e das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Foram apurados basicamente dois levantamentos: COM – COMISSÕES e SMP – FOLHA EMPRESAS ABRANGIDAS. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 133 a 168. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado, mais especificamente documentos GFIP que demonstram os recolhimento da contribuição de segurados descrita na presente AIOP nas demais pessoas jurídicas objeto da ação fiscal. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência total do lançamento, fls. 2461 a 2474. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 2477 a 2517. Ao apreciar o recurso o CARF determinou a nulidade da Decisão de Primeira Instância, considerando a não apreciação de todos os argumentos pela autoridade julgadora de primeira instância, o que cerceia o direito de defesa do recorrente.Vejamos, a síntese do voto proferido, Acórdão 240102.224 de 19 de janeiro de 2012: Ao analisarmos os termos do recurso apresentado, que no caso em questão, digase reitera todos os argumentos apresentados na peça impugnatória, verificase que a decisão proferida, apesar de guardar consonância com o lançamento realizado, apreciando fatos quanto a simulação, acabou por julgar matéria diversa da contida na defesa, descrevendo em principio, inclusive que não houve por parte do contribuinte a impugnação expressa dos fatos geradores. Ao contrário do posicionamento adotado pela ilustre julgadora, entendo que houve por parte do impugnante o questionamento dos fato geradores lançados por aferição, bem como das contribuições dos segurados inicialmente registrados nas empresas que prestavam serviços na notificada, o que classificou a autoridade fiscal, como simulação. Ou seja, questionou o recorrente que as referida contribuições já haviam sido recolhidas pelas empresas que prestavam serviços a autuada, o que entendo não restou devidamente apreciado pela autoridade julgadora de 1 instância. Notese que o ponto central da referida decisão reportase a configuração da simulação, o que na peça impugnatória desse auto de infração não foi abordada. Após ter sido proferido nova Decisão foi intimado o recorrente dos seus termos, porém não houve a interposição de recurso. É o relatório. Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 10 17 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Conforme verificase do relatório deste voto, o presente processo foi objeto de apreciação por parte desse colegiado, quando restou decidido pela nulidade da decisão de primeira instância, face os argumentos apresentados pelo próprio recorrente de que seus argumentos não foram devidamente apreciados pelo julgador a quo. Vejamos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE NÃO CONHECIMENTO DAS QUESTÕES TRAZIDAS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DE 1 INSTÂNCIA. A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Ao deixar de apreciar o cerne do recurso apresentado, qual seja a identificação do sujeito passivo e dos argumentos de recolhimentos da parcela dos segurados pelas empresas interpostas a autoridade julgadora ensejou nulidade da decisão. Decisão de 1ª instância Anulada Às fls. 2558 e 2559, consta a intimação do recorrente dos termos da decisão acima citada, nos seguintes termos: “Comunicamos que o processo, em atendimento ao acórdão será encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis – DRJ/FNS, para novo julgamento.” Procedeu a autoridade de primeira instância novo julgamento, determinando a improcedência da impugnação, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD no: 37.237.5952 DECISÃO ANULADA PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo CARF. NÃO CONHECIMENTO DAS QUESTÕES TRAZIDAS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DE 1 INSTÂNCIA. A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. SIMULAÇÃO. EVASÃO FISCAL. A fiscalização atribuiu ao sujeito passivo as contribuições sociais que tiveram subsunção da hipótese de incidência ao fato material concretamente detectado. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ao proceder a decisão resta assim consignado no acórdão devidamente cientificado ao recorrente, fl. 2568 e 2583 Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para regularização do crédito mantido, no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Encaminhese à DRF de origem. Sala de Sessões em 20 de novembro de 2012 Conforme consta da cópia do AR constante dos autos, fl. 2584, houve a devida intimação do recorrente em 15/02/2013. Assim, a autoridade da DRFB proferiu despacho indicando a ausência de interposição de novo recurso e apenas retornando o processo para que fosse apreciado o proesso apensado: Tratase o presente de AIOP nº 37.237.5952, que teve a decisão de 1ª instância anulada pelo CARF/DF. Submetido a novo julgamento, foi proferido o Acórdão nº 0349726 (fls. 2567 a 2580), pela 5ª Turma da DRJ/Bsb, a qual manteve o crédito tributário, abrindose prazo para pagamento ou recurso. Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 11 19 2. O contribuinte tomou ciência do referido Acórdão em 15/02/2013 (fls 2584 a 2585) e, decorrido o prazo de 30 dias, não se manifestou a respeito, nem pagou/parcelou o crédito tributário. 3. Paralelamente, e em cumprimento à determinação de diligência do CARF/DF, foi anexado a este o processo nº 13963.001003/200971, referente AIOA nº 37.237.5910, por tratarse de assunto conexo. 4. Cumprida a diligência, proponho que os autos retornem ao CARF/DF para julgamento do recurso referente ao processo apensado. Face todos os fatos narrados entendo que a ausência de apresentação de novo recurso pelo recorrente enseja o não conhecimento de qualquer matéria por parte do colegiado em relação ao primeiro recurso já apreciado anteriormente e que determinou a nulidade da decisão de primeira instância. Conforme os termos do decreto 70235, art. 33 e seguintes caberá recurso da decisão proferida Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nos termos da referida portaria 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o regulamento do CARF, compete aos órgãos julgadores o julgamento dos recursos de decisões proferidas em primeira instância. ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS (Vide Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Entendo que tendo sido proferida nova decisão, atendendo inclusive aos anseios do próprio contribuinte, oportunizandolhe a apreciação de todos os fatos trazidos em sua impugnação, a não apresentação de novo recurso, mesmo devidamente cientificado no Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 próprio acórdão para tanto, torna incabível a apreciação de qualquer argumento por parte deste colegiado, considerando que deveria o recorrente insurgirse contra a nova decisão proferida. CONCLUSÃO Face as considerações acima descritas, VOTO POR NÃO CONHECER DO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15504.014863/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA
Integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica.
DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO.
Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação.
Numero da decisão: 2403-002.567
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA Integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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INCIDÊNCIA Integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. Constituise infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 48 63 /2 00 9- 15 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0227.640 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. CONEXÃO. Constitui infração A legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos apensados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e procedente em parte do lançamento, retificando o valor da multa aplicada no Auto de Infração n°37.218.9156 para R$1.329,18. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infração à Lei 8.212/91, artigo 30, inciso I, alínea 'a' e artigo 4° da Lei 10.666/03, tendo em vista que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurados empregados, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Infração, fls. 25/27. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 28, a multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso I, alínea 'g', e o valor da multa aplicável corresponde a R$ 1.329,18. Contudo, ante a presença de circunstância agravante de reincidência genérica, a multa aplicada corresponde ao valor mínimo elevado em duas vezes, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 de acordo com o RPS, artigo 292, inciso IV, totalizando R$ 2.658,36. A ação fiscal teve inicio com o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal —TIPF de fls. 6/7. A interessada foi cientificada da presente autuação em 01/09/2009, conforme documento de fl. 1, e apresentou defesa, as fls. 76/85, que contém, em síntese: Quanto aos valores pagos a segurados empregados a titulo de participação nos lucros e resultados, a defesa apresenta os mesmos argumentos da defesa apresentada nos autos do processo principal 15504.014864/200951, DEBCAD 37.218.9164, lavrado na mesma ação fiscal, ao qual o presente processo está vinculado, cujo conteúdo foi relatado no Acórdão 0227.636, julgado conjuntamente com o presente processo, na mesma sessão de julgamento da 8a turma da DRJ/BHE. Alega ainda que não pode ser considerada reincidente, pois sobre a PLR não incidem contribuições previdenciárias. Requer a extinção do Auto de Infração. A DRJ afastou a circunstância agravante identificada quando do lançamento e reduziu a multa ao valor mínimo. Todavia, da análise dos autos (fls.19/24) e em pesquisa realizada ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, constata se que os autos de infração lavrados contra a empresa, em ações fiscais anteriores (AI n°37.025.7480 e 37.025.7499) transitaram em julgado em 13/08/2008, mas ambas autuações foram julgadas improcedentes. Assim, não há que se falar em circunstância agravante de reincidência. Portanto, a multa aplicada deve ser retificada para o valor mínimo (sem majoração), passando a mesma, à importância de R$1.329,18. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Não tem como prosperar o entendimento firmado pelo i. julgador a quo no sentido de que a participação nos lucros e resultados tenha que ser paga para todos os estabelecimentos da empresa na mesma forma e parâmetros, sendo vetado o pagamento da PLR para os funcionários de um único estabelecimento da empresa. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 4 5 · A lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa. · A Lei 10.101/00, estipula que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante negociação direta com os empregados, formados em comissão, DELA CONSTANDO UM REPRESENTANTE DO SINDICATO da respectiva categoria ou mediante acordo coletivo. · O sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. · Se a empresa possui diversos estabelecimentos, ou seja, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, terá necessariamente, diversos acordo coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada regido e de cada sindicato · A jurisprudência já é pacifica quanto a natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art.7°'XI da Constituição Federal e art. 2° da Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o Relatório Fiscal, a atuação foi motivada pelo fato de a empresa ter deixa do de arrecada, mediante desconto, a totalidade da contribuição dos segurados empregados. A rubrica PLR não foi tributadada. 1 0 presente Auto de Infração foi lavrado contra a empresa acima identificada, uma vez que a mesma deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados, o que constitui infração ao artigo 4 0 , "caput", da Lei no 10.666/03, e artigo 30°, Inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 216, Inciso I, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação do Decreto n° 4.729103. 2 A empresa remunerou segurados empregados, sem efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida pelos mesmos em benefícios pagos ou creditados a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados, constantes em folhas de pagamento no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005. 3 Os valores pagos aos empregados sem a realização do desconto correspondente à contribuição previdenciária encontramse relacionados no "Anexo I — Participação nos Lucros e Resultados", que se constitui parte integrante deste Relatório. A recorrente entende que seu proceder está correto e que não incide tributação sobre a PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR GERAL A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 5 7 concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 6 9 a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 7 11 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. PLR CASO CONCRETO. A divergência entre a recorrente e o fisco é que a recorrente entende harmônico com a Lei 10.101/2000 a previsão do pagamento de PLR apenas para empregados de 1 estabelecimento e nada (nenhuma previsão) para os demais empregados da empresa, enquanto o fisco entende que para se harmonizar com a Lei 10.101/2000, devese prever PLR para toda a empresa. O relatório fiscal da obrigação principal apontou como fatos geradores das contribuições lançadas o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, alegando que a PLR pago está em desacordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio ocorreu somente para empregados da filial de Ipatinga/MG. 2 A empresa omitiu da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP os seguintes dados: 2.1 Benefícios pagos ou creditados a segurados empregados, constantes em folhas de pagamento no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005, a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados. 2.2 Remunerações pagas a pessoas físicas, a titulo de serviços prestados na condição de autônomos no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005. 3 DETALHAMENTO DAS INFORMAÇÕES OMITIDAS 3.1 — Participação nos Lucros e/ou Resultados 3.1.1 Beneficio pago a empregados, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados, constantes em folha de pagamento, em desacordo com a Lei 10.101, de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio é pago somente a empregados da filial de Ipatinga/MG, conforme documento apresentado pelo contribuinte e que se encontra anexado ao processo principal — DEBCAD 37.218.9164 — protocolo 15504.014864/200951. 3.1.2 — 0 beneficio integra o salário de contribuição por não atender o disposto no § 9°, letra "j", do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. ... Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 8 13 3.1.3 Portanto, estando em desacordo com a legislação, o beneficio se incorpora ao salário de contribuição dos empregados. 3.1.4 — A relação dos empregados com os respectivos valores do beneficio estão demonstrados no "Anexo I — Participação nos Lucros e Resultados". A recorrente alega que a lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa e que seu procedimento está conforme a lei 10.101/2000, fora, portanto do alcance da tributação. Entendo correto o entendimento do fisco. Para fundamentar meu entendimento, reproduzo a Lei 10.101/2000, com suas alterações, para demonstrar que sempre se refere à “Empresa” e nunca a “Estabelecimento”. LEI No10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. Dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos doart. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3oNão se equipara a empresa, para os fins desta Lei: Ia pessoa física; IIa entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a)não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b)aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c)destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d)mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4oQuando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1odeste artigo:(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação;(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 9 15 § 2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4oA periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5oAs participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 6º Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada, com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 7º Na hipótese de pagamento de mais de uma parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no ano calendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 8º Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 9º Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8º, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 anocalendário. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 6oPara efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 7oNa hipótese de pagamento de mais de 1 (uma) parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no anocalendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 8oOs rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 9oConsiderase pagamento acumulado, para fins do § 8o, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 10 17 rendimentos.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 11. A partir do anocalendário de 2014, inclusive, os valores da tabela progressiva anual constante do Anexo serão reajustados no mesmo percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do imposto de renda incidente sobre os rendimentos das pessoas físicas.(Incluído dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.4oCaso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; IIarbitragem de ofertas finais. II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos daLei no9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1oConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2oO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3oFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4oO laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Art.5oA participação de que trata o art. 1odesta Lei, relativamente aos trabalhadores em empresas estatais, observará diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. Parágrafoúnico.Consideramse empresas estatais as empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. Art.6oFica autorizado, a partir de 9 de novembro de 1997, o trabalho aos domingos no comércio varejista em geral, observado o art. 30, inciso I, da Constituição. Parágrafo único.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de quatro semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras previstas em acordo ou convenção coletiva. Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007)Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.7oFicam convalidados os atos praticados com base naMedida Provisória no1.98276, de 26 de outubro de 2000. Art.8oEsta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Congresso Nacional, em 19 de dezembro de 2000; 179oda Independência e 112oda República. Senador ANTONIO CARLOS MAGALHÃESPresidente Este texto não substitui o publicado no DOU de 20.12.2000 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 11 19 Uma vez considerado o procedimento da empresa em desarmonia com a Lei 10.101/2000, devese considerar procedente o lançamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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