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Numero do processo: 13896.002393/2004-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
Restabelece-se o valor da dedução pleiteada a título de pensão alimentícia em favor dos filhos quando ficar comprovado que o seu desembolso decorreu de acordo homologado judicialmente.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$48.000,00 (quarenta e oito mil reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente o conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. Restabelecese o valor da dedução pleiteada a título de pensão alimentícia em favor dos filhos quando ficar comprovado que o seu desembolso decorreu de acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$48.000,00 (quarenta e oito mil reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Ronnie Soares Anderson. Ausentes justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano e, momentaneamente o conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 23 93 /2 00 4- 32 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 De acordo com o Auto de Infração, fl. 35 a 42, o lançamento decorreu da constatação das seguintes irregularidades apuradas na declaração de ajuste anual, correspondente ao exercício financeiro de 2003, ano calendário de 2002: 1 — dedução indevida com dependente, no valor de R$ 1.272,00, uma vez que não foi apresentada comprovação de dependência da Sra Maria Amaral Duran; 2 — dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 5.413,15, tendo sido desconsiderados os recibos apresentados em nome de Gabriele Estela Molhedas e Ivone Duran por não figurarem como dependentes do contribuinte, Foram também desconsideradas as despesas reembolsadas ao contribuinte por seu Plano de Saúde; 3 — dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$48.287,61, ao argumento de que somente poderão ser deduzidos os valores objeto de determinação judicial. O desembolso praticado pelo contribuinte em favor dos filhos foi considerado mera liberalidade. Assim, somente foram aceitos os valores constantes em carta de sentença emitida pela 5 Vara da Comarca de Barueri. Em sua impugnação, fls. 2/3, instruída com os documentos de fls. 4 a 36, o contribuinte requer a retificação do lançamento, conforme a seguir se transcreve do acórdão de primeira instância: tem direito à dedução de dependentes relativamente a sua mãe, Maria Amaral Duran, conforme previsto no art. 38, inciso VI da IN SRF n° 15, de 2001; com relação às despesas médicas parcialmente reembolsadas por seu plano de saúde, tem direito a deduzir o montante. não ressarcido, conforme prevê o art. 43, § 4º da IN SRF nº 15, de 2001; com relação à pensão judicial, tem direito a deduzir os valores pagos a seus filhos conforme termo de acordo datado de 26/03/2001, homologado pela 5ª Vara da Comarca de Barueri, assim como os valores pagos a sua exesposa em cumprimento a carta de sentença da mesma vara datada de 08/05/2000. O Acórdão nº 1735.510, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo DRJ/SP2, fls. 58 a 62, considerou procedente em parte a impugnação para restabelecer o valor de R$ 1.272,00, correspondente à glosa da dedução a título de dependentes, e para restabelecer o valor de R$287,61 correspondente à parte da pensão alimentícia paga à excônjuge que ultrapassou o valor constante da respectiva decisão judicial, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Poderá ser deduzida da base de cálculo a quantia de R$ 1.272,00 por dependente. Comprovada a relação de dependência restabelecese a dedução pleiteada. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Na determinação da base de cálculo somente poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13896.002393/200432 Acórdão n.º 2802002.940 S2TE02 Fl. 292 3 DEDUÇÃO: DESPESAS MÉDICAS. Na declaração de rendimentos somente poderão ser deduzidas as despesas médicas devidamente comprovadas, relativas ao tratamento do contribuinte e de seus dependentes, não ressarcidas por planos de saúde. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado em 01/03/2010, fls. 65, o interessado interpôs recurso voluntário em 24/03/2010, fls. 72 a 74, alegando, em síntese, que: os valores consignados na declaração de imposto de renda do ano calendário de 2002 a titulo de pensão alimentícia estão em conformidade com o art. 78 do Decreto nº 3.000, de 1999, uma vez que decorre de acordo datado de 26/04/2001 e homologado pela 5ª Vara Cível da Comarca de Barueri SP em 31/05/2001; quando recebera da RFB a primeira intimação para apresentação dos documentos que comprovassem os pagamentos da pensão alimentícia, bem como os valores pagos, prontamente foram apresentados os seguintes documentos: (a) cópia da declaração de imposto de renda dos filhos; (b) cópia dos recibos devidamente assinados, referente aos valores pagos à titulo de pensão alimentícia; (c) cópia do acordo homologado na 5.° Vara Cível da comarca de Barueri — SP; quanto às demais deduções, afirma concordar com as respectivas glosas; junta os documentos que relaciona; requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O contribuinte em seu recuso voluntário reconhece expressamente a glosa da dedução de despesas médicas remanescentes da dedução de primeira instância. Em vista disso, por ficar caracterizada a preclusão, rejeitase, de plano, a manifestação apresentada pelo patrono do contribuinte em memorial durante a sessão de julgamento acerca dessa matéria. Portanto, não se deve conhecer, nessa parte, o pedido apresentado em memorial. Diante disso, o exame a ser realizado neste julgamento se limita ao lançamento da glosa da dedução de pensão alimentícia declarada como paga aos dois filhos do contribuinte, no valor de R$48.000,00. A decisão recorrida não reconheceu a dedução dessa parte de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte sob os seguintes argumentos: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 “Quanto à pensão alimentícia judicial, .somente poderão ser deduzidos os valores pagos em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (art. 78 do RIR/99). No caso presente, o contribuinte juntou' aos autos cópia da determinação judicial obrigando a fonte pagadora a descontar dos pagamentos feitos ao interessado o valor mensal equivalente a R$ 2.400,00, corrigidos anualmente, a serem depositados em conta de sua exesposa (fl. 23). Também foi anexada cópia do informe anual de rendimentos indicando o desconto a titulo de pensão judicial na importância de RS 29.087,61 (fl..34). No tocante aos valores pleiteados relativamente a seus filhos, o contribuinte juntou tãosomente cópia de petição de seu advogado requerendo ao Juízo a homologação do Termo de Acordo referente à guarda e ao pagamento de alimentos a seus filhos (fls. 24/25). Não foram anexados aos autos cópia da homologação judicial do acordo nem prova do pagamento dos valores pleiteados, que não pode ser suprida pela simples juntada das declarações de ajuste anual dos beneficiários. Assim, será considerada apenas a quantia de R$ 29.087,61 a titulo de pensão alimentícia judicial. Diante desses argumentos proferidos pela decisão recorrida, o recorrente juntou, fls. 90 a 99, cópia do Termo de Acordo celebrado para pagamento de pensão alimentícia no valor de R$2.000,00 mensais estabelecida para cada um de seus dois filhos, bem como da respectiva homologação judicial realizada em 31/05/2001. Também juntou os recibos firmados pelos referidos filhos, no valor global de R$48.000,00, fls. 100 a 122, que corroboram as informações nas declarações de ajuste anual desses beneficiários, recusadas pela decisão recorrida, fls. 26 a 35. Tais documentos, ora examinados consoante autorização expressa na alínea “b”, do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em homenagem aos princípios da verdade material e da informalidade dos processos administrativos fiscais, comprovam a dedução pleiteada pelo contribuinte a título de pensão alimentícia paga aos seus dois filhos. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$48.000,00 (quarenta e oito mil reais). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005501/2002-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/1997 a 31/10/1997
NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO DE DÉBITO DECLARADO COMO COMPENSADO QUANDO A COMPENSAÇÃO NÃO SE MOSTRA ACOBERTADA PELA DECISÃO JUDICIAL INFORMADA EM DCTF. CABIMENTO.
É procedente lançamento de ofício de valores declarados em DCTF como compensados com direito creditório reconhecido em ação judicial se os débitos se referem a tributos não alcançados pela decisão judicial, mormente quando esta se torna definitiva em data em que já se encontra vigente norma legal que amplia o direito anteriormente restrito.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Antônio Lisboa Cardoso; e II) no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-04-08T16:20:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-04-08T16:20:57Z; Last-Modified: 2014-04-08T16:20:57Z; dcterms:modified: 2014-04-08T16:20:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2014-04-08T16:20:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-04-08T16:20:57Z; meta:save-date: 2014-04-08T16:20:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-04-08T16:20:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-04-08T16:20:57Z; created: 2014-04-08T16:20:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2014-04-08T16:20:57Z; pdf:charsPerPage: 2216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-04-08T16:20:57Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 115 1 114 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.005501/200289 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.015 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2012 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente AUTO PEÇAS PADRE CÍCERO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/1997 a 31/10/1997 NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO DE DÉBITO DECLARADO COMO COMPENSADO QUANDO A COMPENSAÇÃO NÃO SE MOSTRA ACOBERTADA PELA DECISÃO JUDICIAL INFORMADA EM DCTF. CABIMENTO. É procedente lançamento de ofício de valores declarados em DCTF como compensados com direito creditório reconhecido em ação judicial se os débitos se referem a tributos não alcançados pela decisão judicial, mormente quando esta se torna definitiva em data em que já se encontra vigente norma legal que amplia o direito anteriormente restrito. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade do auto de infração. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Antônio Lisboa Cardoso; e II) no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 55 01 /2 00 2- 89 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de Recurso Especial interpostos por AUTO PEÇAS PADRE CÍCERO LTDA. (fls. 86 a 94), contrarrazoado pela Fazenda Nacional (fls. 105 a 111), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 71 a 78), que negou provimento ao seu recurso voluntário (fls. 48 a 56), indeferindo compensação de débitos decorrentes de COFINS com créditos oriundos de PIS (semestralidade), em respeito a decisão judicial transitada em julgado que deferiu a compensação de créditos de PIS com débitos da mesma espécie. O v. acórdão foi assim ementado: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins” Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997. DCTF. AUDITORIA INTERNA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. A compensação indevida de débitos informados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) implica no lançamento de ofício dos valores indevidamente compensados, acrescidos de juros de mora. CRÉDITOS FINANCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. COMPENSAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Os limites da discussão judicial, em tema de compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, devem ser criteriosamente observados pelo sujeito passivo, sob pena de nãohomologação das compensações declaradas e também pela autoridade administrativa sob pena de desobediência à decisão judicial transitada em julgado. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, versando sobre idêntica matéria, importas em renúncia às instâncias administrativas, prejudicando a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005501/200289 Acórdão n.º 9303002.015 CSRFT3 Fl. 116 3 Recurso negado. (grifos nossos) À vista do Auto de Infração, o contribuinte foi intimado a comprovar o pagamento de débitos de PIS e COFINS da competência julho de 1997 a setembro de 1997. Em sua impugnação, a Recorrente alega que o pagamento dos débitos foi compensado parte com o Processo Judicial nº 97.175286, em que obteve sentença deferindo créditos decorrentes de pagamento indevido de PIS (semestralidade), e parte pago através de DARF. Como se lê na ementa transcrita acima, o Colendo Colegiado a quo, na esteira do voto vencedor proferido pelo Ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, entendeu que a glosa das compensações deverá ser mantida, tendo em vista que a decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo n 97.175286 não reconheceu o direito de compensar créditos tributários decorrentes de pagamentos indevidos e/ou a maior, a título de PIS, com débitos fiscais de COFINS. A decisão judicial autorizou somente a compensação de créditos do PIS com débitos do próprio PIS. Outrossim, apontou que, face à Recorrente ter optado pela esfera judicial para discutir seu direito à compensação de possíveis indébitos decorrentes de pagamentos a maior da contribuição para o PIS, cabe à autoridade administrativa competente acatar a decisão judicial transitada em julgado que restringiu a compensação somente com débitos dessa mesma contribuição, ou seja, créditos de PIS com débitos dessa mesma contribuição, sob pena de desobediência à ordem judicial. De seu turno, a Recorrente interpôs recurso especial (fls. 86 a 94), aduzindo pela possibilidade de compensação de débitos com créditos provenientes de tributos de espécies diferentes, haja vista a nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Contrarrazões às fls. 105 a 111, onde a Fazenda Nacional requereu o desprovimento do recurso especial interposto haja vista a existência de decisão judicial transitada em julgado sobre o referido tema determinando a compensação de débitos de PIS somente com créditos dessa mesma contribuição. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 102. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, fazse mister destacar que a presente exigência, ao meu ver, encontrase maculada de nulidade, não podendo subsistir. Com efeito, antes de mais nada, é de se ressaltar que a exação se cristalizou através do auto de infração eletrônico de fls. 11 a 18, lavrado em virtude de erros ou inconsistências verificadas na DCTF do terceiro e quarto trimestres de 1997 (fls. 13 e 14), em que se apontou “CRÉDITO VINCULADO TOTAL/PARCIALMENTE NÃO CONFIRMADO – Comp s/ DARFOutrosPJU”.Tal declaração, por sua vez, decorreu da ocorrência “Proc jud não comprovad”, especificamente quanto ao processo 97.135322. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 A Colenda DRJ de Fortaleza CE, ao prolatar a r. decisão de primeira instância (fls. 37 a 42), ao seu turno, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, mantendoo para prevenir a decadência. O fundamento do v. acórdão de primeira instância, em síntese, foi de reconhecimento da existência da ação ordinária nº 97.135322, inclusive que a empresa estava amparada desde 10 de julho de 1997 por liminar e decisão favorável com trânsito em julgado, razão pela qual julgou procedente em parte o lançamento para excluir a multa por lançamento de ofício. O lançamento se justificaria, assim, apenas para prevenção da decadência. Verificase, portanto, no presente caso, que se impõe o cancelamento do auto de infração, visto que o seu fundamento não se mostrou verdadeiro. Com efeito, não se mostrando verdadeiro o fundamento do lançamento, (“proc jud não comprovad”), notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos, não deve ele subsistir. Além disso, restou claro que a r. decisão de primeira instância tentou aditar a motivação do lançamento, fundamentandoo em bases distintas daquela invocada originalmente pela autoridade administrativa, qual seja, não a existência da ação judicial em si, mas sim a necessidade de lançamento para prevenção da decadência. A inovação na fundamentação do lançamento, tendo restado comprovada a improcedência na sua motivação original, implica no cerceamento do direito de defesa do contribuinte. De fato, não cabia à DRJ modificar a fundamentação do lançamento a fim de legitimálo. Referida modificação significa alterar de maneira patente um dos critérios jurídicos do lançamento, em completa dissonância com o artigo 146 do Código Tributário Nacional e em descompasso com a doutrina e jurisprudência pátria. Deveras, os antigos Conselhos de Contribuintes, por diversas vezes, se manifestaram nesse sentido em situações análogas à presente. Dentre vários julgados, destacamse os seguintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento. (CSRF/0104.535 – Relator Candido Rodrigues Neuber DOU 09.06.2003) IRPJ/IRF A mudança dos fundamentos legais que embasaram a exigência caracteriza inovação e aperfeiçoamento do lançamento, requerendo a lavratura de novo auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, e ao Òrgão julgador não foi dado esse poder. Recurso negado. (CSRF/0104.490– Relator Verinaldo Henrique da Silva DOU 14.04.2003) (grifos nossos) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005501/200289 Acórdão n.º 9303002.015 CSRFT3 Fl. 117 5 Impõese, portanto, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade e o cancelamento da autuação por falta de motivação legal. Por outro lado, caso reste vencido quanto à preliminar de nulidade, mister ressaltar que, nos termos do relatório acima, verificase que a exação em pauta originouse do fato de se ter realizado compensações de tributos de diferentes espécies, quando a decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação ordinária teria autorizado a compensação apenas de tributos de mesma natureza e destinação, nos termos do §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/1991. O acórdão a quo deu a seguinte interpretação à questão da compensação dos débitos de COFINS com créditos de PIS: Ao contrário do entendimento da requerente, a decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo n. 97.175286 não lhe reconheceu o direito de compensar créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou maior, a título de PIS nos termos dos indigitados DecretosLeis nº 2.445 e n. 2.499, ambos de 1988, em relação aos valores devidos com base nas LCs nº 07, de 1970, e nº 17, de 1973, com débitos fiscais de Cofins. Consulta efetuada aos acórdãos do TRF da 5ª Região disponibilizados em seu “site”, bem como os extratos às fls. 24/36 comprovam que a decisão judicial transitada em julgado autorizou somente a compensação de créditos financeiros do PIS com débitos do próprio PIS. Dessa forma, em relação aos débitos de Cofins, objeto do lançamento em discussão, compensados com créditos financeiros do PIS, devese manter a glosa das compensações e suas exigências por meio do lançamento contestado. Tendo a Recorrente optado pela esfera judicial para discutir seu direito à compensação de possíveis indébitos decorrentes de pagamentos a maior a título de contribuição para o PIS, efetuados nos termos dos indigitados DecretosLei nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, em relação aos valores devidos segundo as LCs nº 07, de 1970, e nº 17, de 1973, cabe à autoridade administrativa competente acatar a decisão judicial transitada em julgado que restringiu a compensação somente com débitos dessa mesma contribuição, ou seja, créditos financeiros de PIS com débitos do próprio PIS, sob pena de desobediência à ordem judicial. No v. acórdão recorrido foi negado provimento ao recurso do contribuinte, fazendoo pretensamente em respeito à decisão judicial transitada em julgado, restringindo a compensação de créditos de PIS somente com débitos do próprio PIS. Como se vê, a decisão em apreço reportase ao comando do §1º do artigo 66 da Lei nº 8.383/1991, que determina apenas a compensação de tributos de mesma espécie e destinação. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Com o advento do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, ocorreu intensa modificação no instituto da compensação tributária, eliminandose, a partir do advento desse diploma legal, a exigência de que a compensação somente se fizesse entre tributos de mesma espécie e destinação. A atual redação do referido dispositivo assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” Verificase, portanto, que a atual roupagem da compensação tributária admite compensação de tributos de espécies e destinação diferentes. Não se olvida que a coisa julgada faz lei entre as partes no limite das questões decididas. Todavia, conforme já decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a imutabilidade conferida à coisa julgada não pode eternizála quando a legislação que a pautou experimentou substanciais modificações a ponto de desfigurar o quadro jurídico que a emoldurou. Na presente hipótese, a atual redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 disciplinou o oposto da legislação abraçada pela coisa julgada, ou seja, enquanto que no regime do §1º do artigo 66 da Lei nº 8.383/91 a compensação tributária era admitida somente entre tributos de mesma espécie e destinação, a redação atual do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 passou a admitir a compensação de débitos próprios de quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Vejase ainda que o Supremo Tribunal Federal, examinando os direitos e garantias individuais arrolados no artigo 5º, tem afirmado que referidos direitos não têm caráter absoluto: "Os direitos e garantias individuais não têm caráter absoluto. Não há, no sistema constitucional brasileiro, direitos ou garantias que se revistam de caráter absoluto, mesmo porque razões de relevante interesse público ou exigências derivadas do princípio de convivência das liberdades legitimam, ainda que excepcionalmente, a adoção, por parte dos órgãos estatais, de medidas restritivas das prerrogativas individuais ou coletivas, desde que respeitados os termos estabelecidos pela própria Constituição. O estatuto constitucional das liberdades públicas, ao delinear o regime jurídico a que estas estão sujeitas – e considerado o substrato ético que as informa – permite que sobre elas incidam limitações de ordem jurídica, destinadas, de um lado, a proteger a integridade do interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode ser exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros." (MS 23.452, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 1691999, Plenário, DJ de 1252000.) Vide: HC 103.236, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 1462010, Segunda Turma, DJE de 392010. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005501/200289 Acórdão n.º 9303002.015 CSRFT3 Fl. 118 7 Por outro lado, importante destacar que a própria Receita Federal, através da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, ao examinar o contraste entre os conceitos de compensação tributária do §1º do artigo 66 da Lei nº 8.383/91 e do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, publicou a Nota Cosit 141/2003, cujo teor é o seguinte: 3 – No entanto, a questão que tem gerado dúvidas às unidades da SRF diz respeito à observância, na homologação de procedimento de compensação efetuado pelo sujeito passivo, nos exatos termos da decisão judicial que reconheceu seu direito creditório e que dispôs sobre a forma de utilização de seus créditos na compensação de seus débitos para com a Fazenda Nacional, na hipótese de a legislação superveniente (editada posteriormente à decisão judicial e antes da efetivação da compensação) tratar a compensação de forma mais benéfica ao sujeito passivo do que a norma na qual a decisão judicial foi fundamentada, por vezes revogandoa expressa ou tacitamente. (...) 7 – Diante disso, como é que a Administração Fazendária deveria proceder se, em 1° de dezembro de 2002 – portanto, após a edição da Processo n.° 10680.019436/9909 CCO3/CO2 Acórdão n.° 30238.029 Fls. 618 Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, cujo art. 49 alterou o art. 74 da Lei n° 9.430, de 28 de dezembro de 1996, de modo a estabelecer a possibilidade de o sujeito passivo compensar, independentemente de requerimento, seus créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão, mediante a entrega de declaração de compensação – o sujeito passivo entregasse à SRF declaração de compensação de saldo negativo de IRPJ apurado em 1997 com débito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do 2° decêndio de novembro de 2002 ? A Administração Fazendária homologaria ou não a aludida compensação ? (...) 9 – Acerca do tema cumpre lembrar que a questão da eficácia ao longo do tempo da coisa julgada em matéria tributária já foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao analisar no Recurso Especial n° 38.8155 a incidência, no Estado de São Paulo, de Imposto sobre Circulação de Mercadoria (1CM) sobre as vendas promovidas por cooperativas de consumo a seus cooperados, conforme verificado na ementa de acórdão transcrita a seguir: 'As cooperativas estão sujeitas ao recolhimento do ICM, mesmo sobre as operações realizadas com seus cooperados. Diante das profundas alterações na legislação que rege a espécie, já não tem mais reflexo nos dias atuais a sentença proferida na ação declaratória, há mais de vinte anos. A coisa julgada não impede que a lei nova passe a reger diferentemente fatos ocorridos a partir de sua vigência.’ (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 12 – A adoção do procedimento acima esposado não implica, de modo algum, descumprimento da decisão judicial transitada em julgado, mas, sim, a implementação da decisão mediante sua necessária integração à legislação superveniente e mais favorável ao sujeito passivo, na hipótese de a implementação vir a ocorrer em data na qual a norma que fundamentou a decisão e que orienta sua execução não mais se mostrar aplicável. 13 – Referida exegese merece acolhimento inclusive nas hipóteses em que a compensação do crédito na forma prevista na legislação superveniente à decisão judicial tenha sido pretendida pelo sujeito passivo e denegada pelo Poder Judiciário, haja vista que tal denegação somente ocorreu em face da ausência de base normativa à data do reconhecimento judicial do direito creditório, situação modificada com a edição da legislação que permitiu a compensação na forma pretendida pelo sujeito passivo e na qual a própria Administração Tributária vem se orientando na homologação de compensações de tributos e contribuições sob sua administração. (...) 15 – Por fim, convém registrar que o entendimento ora esposado encontra respaldo no Acórdão n° 2176511 proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme se pode verificar na ementa transcrita a seguir: ‘PIS – PEDIDO DE COMPENSAÇÃO – DECISÃO JUDICIAL – RECURSO PARCIAL – COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. A interpretação sistemática do art. 66 da Lei n° 8.383/91, c./c os arts. 39 da Lei n°9.250/95, 73 e 74 da Lei n°9.430/96 e 12 da IN n° 21/97, nos leva a concluir ser possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Provido.’ À consideração superior. Paulo Antonio Gama de Paiva. AFRF (.) Aprovo o teor da presente Nota. Encaminhese às Superintendências Regionais da Receita FederaL Regina Maria F. Barroso Coordenadora Geral da COSIT.” (grifos e destaques nossos) Dessa forma, conforme entendimento da própria Receita Federal, não há que se falar em descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, mas, sim, na implementação da decisão mediante sua necessária integração à legislação superveniente, na Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005501/200289 Acórdão n.º 9303002.015 CSRFT3 Fl. 119 9 hipótese de a implementação vir a ocorrer em data na qual a norma que fundamentou a decisão e que orienta sua execução não mais se mostrar aplicável. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de, preliminarmente, reconhecer a NULIDADE do auto de infração por falta de fundamentação legal e cerceamento de defesa. Caso reste vencido na preliminar, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial para reformar o v. acórdão recorrido, admitindo a compensação de créditos de PIS com débitos de COFINS, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9430/06. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Tendo o colegiado considerado válido o lançamento, fui incumbido de redigir o acórdão dado que o i. relator, preliminarmente, o considerara nulo e, se vencido quanto a essa preliminar, como de fato foi, julgava improcedente a autuação. Começo, então, pela preliminar de nulidade. O que motivou a maioria qualificada a não acompanhar o voto do relator foi a constatação de que tal nulidade, decorrente de eventual cerceamento do direito de defesa, somente poderia ser examinada se argüida pela recorrente. Ao se examinarem a impugnação e o recurso voluntário observase, no entanto, que, na primeira peça de defesa, não postulou o autuado tal nulidade, seja pelo motivo apontado pelo dr. Rodrigo ou por qualquer outro. Em verdade, a impugnação ao lançamento consistiu numa única folha, podendo se aqui transcrita na íntegra para comprovação do que aduzo: AUTO PECAS PADRE CICERO LTDA, pessoa jurídica inscrita no CNPJ sob No 07.965.809/000288, estabelecida a Av. Bezerra de Menezes, 1476 — Fortaleza/Ce, vem, tempestivamente, por conduto de seu representante legal, IMPUGNAR O AUTO DE INFRAÇÃO no. 0002544, pelas razões que segue: A requerente ingressou com Ação Cautelar (Processo No. 97.135322) e posteriormente obtendo sentença no. 546/98 conforme processo No. 97.175286, pleiteando a compensação das quantias pagas indevidamente a título de PIS(semestralidade), com os valores devidos a título do COFINS (conforme fazem prova as cópias das decisões , bem como planilha em anexo). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 A requerente vem informar que o COFINS 10/97, cobrado no supracitado AI, foi compensado parte com o Processo Supracitado e parte pago através do DARF (vide cópia em anexo). Segue copia do acórdão do Superior Tribunal de Justiça, encerrando definitivamente o litígio da semestralidade do PIS. Com efeito, vislumbrase que o instituto da compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário, à luz do disposto art. 66 da Lei Nº. 8.383/94, bem como em consonância com o previsto no art. 170 do CTN, portanto não se antolha mais cabível qualquer cobrança no presente caso. Diante do exposto, a peticionante roga a V. As. Que declare a insubsistência da presente cobrança, e conseqüente o cancelamento do auto em tela. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente juntada posterior de documentos e perícia contábil com o fito de comprovar as alegativas acima citadas. Nestes Termos. Pede Deferimento. É certo que, após a ciência da decisão da DRJ, o contribuinte procurou melhorar a sua defesa, consistindo o recurso voluntário numa peça já bem mais elaborada, que inclui tópico específico postulando a nulidade do auto de infração, não argüida antes (fls. 50 a 55). Aí, porém, toda a extensa exposição procura demonstrar a suposta nulidade com base na ausência de participação do autuado durante a fase de elaboração do lançamento, a qual, segundo a defesa, teria sido enfrentada pela decisão da DRJ. Ocorre que não houve qualquer pronunciamento da instância de piso acerca de tal suposta causa de nulidade. E nem poderia ser diferente na medida em que, como já dito, nenhuma argüição fora feita em sua impugnação. Destarte, em meu entender, a alegação aposta no recurso voluntário sequer deveria ser objeto de pronunciamento pela turma ordinária, preclusa que se encontrava a matéria. Ocorre que o voto vencido, da lavra do i. exconselheiro Erick Morais de Castro, sem analisar aquela alegação do contribuinte, declarava, ao mesmo tempo, nulo e improcedente o lançamento – exatamente como feito aqui pelo dr. Rodrigo – porque, primeiro, o processo Judicial teria sido comprovado e segundo, teria sido comprovado até mesmo o direito à compensação indicado na DCTF. Ocorre que, muito bem apontado no voto vencedor, a segunda das premissas não procede. Isso porque o processo judicial não amparava a compensação entre tributos diversos; tudo ao contrário, nele essa compensação fora expressamente negada, apenas subsistindo entre créditos de PIS e débitos do mesmo PIS. É fundamental o aspecto de que este lançamento se estriba exclusivamente nas informações apostas pelo contribuinte em sua DCTF. Foi ele quem disse, pois, que a compensação realizada se amparava na decisão prolatada naquele processo judicial, o que não procede. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.005501/200289 Acórdão n.º 9303002.015 CSRFT3 Fl. 120 11 Ou seja, ele não aduziu nem em sua impugnação, nem no recurso voluntário, que, embora a decisão judicial não lhe amparasse, legislação superveniente lhe dava suporte, como pretende agora em seu recurso especial. Por fim, nem mesmo esse último argumento procede. De fato, é o próprio recorrente quem afirma que a decisão judicial que limitou a compensação transitou em julgado em junho de 2002. Para o recorrente, nessa data não haveria disposição legal que permitisse a compensação entre tributos diversos, a qual somente teria surgido com a edição da Medida Provisória 66, ocorrida quatro meses depois. Assim, o magistrado não a poderia mesmo reconhecer quando proferiu a decisão. Acontece que, desde 1996, com a edição da Lei 9.430, tal compensação entre tributos diversos já era permitida. Tratase, como bem sabido, de seu art. 74 cuja redação original já previa: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Indubitável, me parece, que não havia mais, desde 1996, a restrição imposta pelo art. 66 da Lei 8.383, alargado que fora o instituto da compensação para alcançar quaisquer tributos e não mais apenas o mesmo tributo que gerara o indébito ou o direito de ressarcimento. Nesses termos, a restrição imposta pela decisão judicial – lei entre as partes – somente pode ter como conseqüência a impossibilidade determinada na decisão recorrida. Notese, ademais, em reforço do que se disse acima, que não estamos discutindo compensação postulada administrativamente nos termos da Lei 9.430 e respectiva IN 210 ou declarada nos termos da Lei 10.637. O que este lançamento discute é compensação informada em DCTF com créditos reconhecidos em decisão judicial e que, sequer, foi objeto de qualquer pedido administrativo. Assim sendo, não vemos como se possa atrair as disposições da Nota Cosit 141, mencionada pelo recorrente. É que esta se aplica exatamente a esta última hipótese: compensação postulada ou declarada administrativamente que busca utilizar créditos reconhecidos judicialmente em compensação de débitos de outros tributos (com base, portanto, na Lei 9.430 seja em sua redação original ou após a alteração introduzida pela Lei 10.637). Com essas considerações, entendeu o colegiado por manter a decisão recorrida, sendo este o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16682.720032/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008
MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62-A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, deve-se tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000.
PLR. PAGAMENTO ACIMA DO VALOR PREVISTO NO ACORDO. INCIDÊNCIA.
Deve ser tributado o valor pago a título de PLR em patamar superior ao que ficou estabelecido nas cláusulas do acordo, não podendo ser acatada a alteração das regras por exclusiva vontade do empregador.
IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO POR INADEQUAÇÃO DOS MOTIVOS ADOTADOS PELO FISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO.
Constatando que os motivos apresentados pelo fisco para justificar o lançamento são improcedentes, não pode o órgão de julgamento alterá-los, sob pena de afronta ao devido processo legal.
Numero da decisão: 2401-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração as competência 01 e 08/2007 para o levantamento P3 e os valores listados no item 25 do relatório fiscal. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial em menor extensão, ao excluir do lançamento somente os valores listados no item 25 do relatório fiscal. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Para que não sofram a incidência de contribuições sociais o pagamento da PLR deve ser efetuado em conformidade com a Lei n. 10.101/2000. PLR. PERIODICIDADE. DESCUMPRIMENTO DA LEI DE REGÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DAS PARCELAS EXCEDENTES. Quando se observa que o sujeito passivo não cumpriu a periodicidade legal para pagamento da PLR, devese tributar apenas as parcelas pagas em desconformidade com a Lei n. 10.101/2000. PLR. PAGAMENTO ACIMA DO VALOR PREVISTO NO ACORDO. INCIDÊNCIA. Deve ser tributado o valor pago a título de PLR em patamar superior ao que ficou estabelecido nas cláusulas do acordo, não podendo ser acatada a alteração das regras por exclusiva vontade do empregador. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO POR INADEQUAÇÃO DOS MOTIVOS ADOTADOS PELO FISCO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO PELO ÓRGÃO DE JULGAMENTO. Constatando que os motivos apresentados pelo fisco para justificar o lançamento são improcedentes, não pode o órgão de julgamento alterálos, sob pena de afronta ao devido processo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 32 /2 01 0- 13 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração as competência 01 e 08/2007 para o levantamento P3 e os valores listados no item 25 do relatório fiscal. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial em menor extensão, ao excluir do lançamento somente os valores listados no item 25 do relatório fiscal. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 368 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 37.543 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.265.0473. Consoante o relatório fiscal, fls. 130/159, constituem fatos geradores das contribuições lançadas (parte dos segurados) o pagamento de verbas a título de participação nos lucros e resultados em desacordo com a lei de regência Na apuração fiscal foram analisados os elementos apresentados pela empresa, consistentes em arquivos digitais, Convenções Coletivas de Trabalho relativas à PLR dos exercícios de 2006 e 2007, Termos de Acordos Coletivos, do Programa de PLR e aditivos. Para o fisco foram pagas as seguintes parcelas em desconformidade com a lei: a) PLR TRÊS PARCELAS EM 2007 (Levantamento P3) – PLR creditado aos segurados empregados relacionados nominalmente no item 15 do relatório fiscal, em desconformidade com o estabelecido no art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000, nos meses de janeiro, fevereiro e agosto de 2007; b) PLR ACIMA DOS VALORES DEVIDOS (Levantamentos PN e PN1): engloba valores pagos a título de PLR acima daqueles definidos nas negociações com os empregados. Pondera a fiscalização que tal prática afronta o artigo 2º da Lei n° 10.101, permitindo que, depois de apurada a participação segundo regras objetivas, o sujeito passivo, a seu exclusivo critério, pague um benefício maior que o convencionado. De acordo com a autoridade fiscal, nos levantamentos PN e PN1 foram lançadas as parcelas remuneratórias que excederam o valor do PLR devido, seja pelo fato de o empregado não ser elegível (grupo I), por não haver trabalhado na empresa durante todo o período aquisitivo (grupo II), por ter recebido conceito que o excluiria o direito à participação (grupo III) ou por haver recebido o valor acima do apurado pelas regras do programa (grupo IV). A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O fisco esclareceu que levou em consideração o limite máximo do saláriode contribuição quando do cálculo das contribuições lançadas no AI em destaque. O sujeito passivo, em seu recurso, fez um apanhado do arcabouço normativo relativo à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e concluiu que não incorreu em desvirtuamento do instituto em tela, sendo indevida a exigência fiscal atacada. Depois passou a abordar pontos específicos, conforme destacarei a seguir. a) Periodicidade Não deve prosperar o entendimento do fisco, posto que a recorrente é obrigada, por força de Convenção Coletiva de Trabalho, ato normativo de mesma hierarquia que lei federal, a efetuar pagamentos de PLR em janeiro de cada ano, independentemente das previsões de seu programa específico de PLR, elaborado em consonância com a Lei n. 10.101/2000, que determina que os pagamentos desta rubrica sejam efetuados em duas parcelas, em agosto do respectivo anocalendário e em fevereiro do ano seguinte. Menciona a seguir os termos da Convenção Coletiva celebrada em 04/01/2007 entre o Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Capitalização e de Resseguros do Estado do Rio de Janeiro e o Sindicato dos Securitários do Estado do Rio de Janeiro, a qual obrigaria o pagamento da primeira parcela PLR relativa ao anocalendário de 2006 no mês de janeiro de 2007. Afirma que de acordo com a cláusula 3.ª da Convenção a segunda parcela, a ser paga no mês de julho, somente era devida pelas empresas que não possuíssem programas próprios de PLR, desde que apresentassem lucro líquido no seu balanço. Conclui que dos três pagamentos efetuados em 2007 apenas dois se referem ao anocalendário de 2006, quais sejam, a parcela efetuada em janeiro, decorrente de regra obrigatória prevista na Convenção Coletiva de Trabalho, e a parcela paga em fevereiro, esta em obediência ao seu programa de PLR. Quanto ao pagamento efetuado em agosto de 2007, afirma que decorreu de antecipação decorrente do programa de PLR de 2007. Arguiu que somente efetuou o pagamento da PLR em periodicidade superior aquela prevista na lei em razão do cumprimento de dois instrumentos válidos e de observância obrigatória. Apresentou precedentes da Justiça do Trabalho que abonariam o seu entendimento. Arremata, afirmando que o pagamento da verba em três parcelas anuais se deu com amparo no art. 7. , inciso XXVI da Carta Magna, o qual deve preponderar ante a alegada ofensa à Lei n. 10.101/2000. b) Pagamentos acima do limite acordado no Programa de PLR2006 Nessa parte do seu recurso, a empresa voltase contra a incidência sobre a PLR paga a funcionários que teriam recebido montantes superiores aos proporcionalmente fixados no instrumento do anocalendário de 2006. Descreve o seu modelo de Distribuição da PLR, enfatizando que, segundo a cláusula 5.ª do seu programa, a empresa poderia, a seu exclusivo critério, pagar PLR acima dos valores calculados conforme as regras estabelecidas nas negociações. Assevera que a empresa não estaria adstrita aos limites fixados no acordo, mencionando precedente do TRF – 4.ª Região, que manifesta a orientação de que a Lei da PLR Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 369 5 apenas estipula as balizas que norteiam o processo, não podendo limitar e tampouco engessar a concessão do benefício trabalhista. Afirma que a pesquisa mercadológica que norteou o pagamento da verba não a vinculava integralmente, servindo apenas como referência para que pudesse efetuar o cálculo da PLR devida, a qual deveria considerar ainda as particularidades de cada faixa de desempenho dentro da sua hierarquia funcional. Apresenta tabela de cálculo da PLR devida aos três funcionários que supostamente teriam recebido parcelas acima do acordado e a seguir faz considerações sobre as situações individualmente, tentando demonstrar a consonância do pagamento com as regras legais aplicáveis. Essas justificativas serão tratadas em detalhes no desenvolvimento do voto. Os mesmo argumentos acima foram utilizados para justificar os pagamentos de PLR, que o fisco denominou de “pagamentos a funcionários genericamente acima do limite de pesquisa mercadológica”. Assevera que, mesmo o fisco não concordando com os critérios adotados para o pagamento da verba, se as regras constantes do programa de PLR resultaram de consenso entre empregador e empregados e se os valores atribuídos a cada funcionário podem ser justificados racionalmente, não há de se considerar que houve atropelo à legislação de regência. Outra questão colocada no recurso referese a pagamentos efetuados a empregados que não teriam atingido o conceito mínimo para percepção do benefício. Justifica essa situação no fato de que a Convenção Coletiva de Trabalho determinava o pagamento obrigatório de um valor mínimo. Adverte que a soma do valor pago a título de antecipação em agosto de 2007 com a parcela paga em março de 2008 atinge exatamente o montante fixado na Convenção. Menciona que apenas cinco funcionários com essa avaliação receberam a PLR além do mínimo, porém isso se deu em razão da imprevisibilidade da queda de desempenho durante o último semestre do ano de 2007. c) outras alegações Advoga a recorrente que o art. 7. , XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, possui plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto à impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. Apresenta jurisprudência que acolheria sua tese. Assevera ainda que a rígida interpretação da Lei n. 10.101/2000, a ponto de ensejar a cobrança de contribuições previdenciárias sobre a PLR em razão do descumprimento de simples formalidade, também viola o art. 218, § 4. da Carta Magna, posto que representa um desestímulo aos empregadores para conceder a participação nos lucros aos seus empregados. Assinala que o entendimento apresentado no recurso coincide com a orientação extraída das decisões do STJ. Ao final, pede o provimento do recurso, ou sobrestamento do feito até que sobrevenha decisão final no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS, processado sob o rito da Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 repercussão geral no STF. Afirma que essa providência tem como fundamento os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 370 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão incondicional do PLR do saláriodecontribuição Não posso concordar com a recorrente quando afirma que a desvinculação da participação nos lucros e resultados é norma constitucional de eficácia plena. Ao aderir a tal tese, o sujeito passivo, por via oblíqua, defende que as normas previstas na Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais, além de que a alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também representaria uma contrariedade Carta Magna. Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n. 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1. desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer normatização infraconstitucional que venha a lhe impor restrições, a Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estarseia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. Para enfrentar essa questão é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 371 9 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de leis trazidas pela recorrente. Com esse mesmo argumento, afasto a alegação de que a aplicação da Lei da PLR poderia levar ao atropelo da regra constitucional que visa estimular os empregadores a conceder participação nos lucros aos empregados. Assim, partindose do pressuposto de que são constitucionais os dispositivos da Lei n. 8.212/1991 e da Lei n. 10.101/2000 que tratam da PLR, vejo que é equivocado o entendimento da recorrente quando afirma que não incidem contribuições sobre a verba independentemente do cumprimento de qualquer requisito estabelecido pela legislação infraconstitucional. Sobrestamento do feito Invocando os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF, o sujeito passivo requer o sobrestamento do feito até que sobrevenha decisão final no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS, processado sob o rito da repercussão geral no STF. O pedido de sobrestamento não tem mais amparo legal. É que a Portaria MF n. 545, de 18/11/2013 (DOU 20/11/2013), revogou os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF. As regras da nova Portaria por serem de direito processual têm aplicação imediata, afastando a pretensão do sujeito passivo de ter o feito sobrestado. Periodicidade Verificase dos autos que o AI referese às seguintes competências: 01/2007; 02/2007; 08/2007; 01/2008, 02/2008 e 03/2008. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Consoante a legislação vigente quando da ocorrência dos pagamentos, a empresa não poderia repassar a verba mais de duas vezes por ano, nem em periodicidade inferior a um semestre civil. Eis a redação então vigente da Lei n. 10.101/2000: Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2ºÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Entendeu o fisco que, ao pagar a PLR a 246 empregados (todos nominados) em três ocasiões no ano de 2007 (janeiro, fevereiro e agosto), a empresa atuou em descumprimento à legislação de regência, afastandose da desoneração prevista na alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. A recorrente afirma que procedeu em obediência à Convenção Coletiva de Trabalho que determinava a antecipação da primeira parcela da PLR de 2006 na competência de janeiro de 2007. Assevera que o pagamento em fevereiro de 2007 decorreu da segunda parcela da PLR do ano anterior e que o pagamento efetuado em agosto referese à antecipação prevista no programa próprio de 2007. Argumento que não há de se falar em atropelo à norma, posto que estava obrigada por Convenção Coletiva, norma de mesma hierarquia que lei ordinária, a efetuar o pagamento da primeira parcela da PLR de 2006 em janeiro de 2007. Sendo que os pagamentos em fevereiro e agosto daquele ano vinculamse ao programa próprio, mas representam parcelas de exercícios distintos. Para o órgão de primeira instância, a norma que trata da periodicidade no pagamento é clara ao vedar que a verba seja paga mais de uma vez por semestre ou mais de duas vezes por ano, assim ao efetuar pagamentos a título de PLR em janeiro, fevereiro e agosto a empresa descumpriu os ditames do § 2. do art. 3. da Lei n. 10.101/2000, descabendo o argumento de que os pagamentos seriam referentes a exercícios distintos. Além disso, afirmouse no acórdão recorrido que as convenções coletivas fazem a lei entre as partes convenentes, mas não podem contrariar a legislação tributária. É fato incontestável que empresa efetuou três pagamentos de PLR no exercício de 2007. Da leitura do § 2. do art. 3. da Lei da PLR na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores, verificase limitação legal ao pagamento da verba em periodicidade inferior a um semestre ou em mais de duas vezes ao ano. O dispositivo em questão não contempla nenhuma exceção em relação aos exercícios a que se refiram os pagamentos, ou seja, ainda que se trate de antecipação ou complementação, qualquer concessão da verba será considerada na aplicação da regra da periodicidade. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 372 11 Todavia, esse Colegiado tem entendido que somente deve ser tributada a parcela que exceda a previsão legal. Peço licença, para transcrever voto da Ilustre Conselheira Carolina Landim que, apreciando situação análoga àquela posta nos presentes autos (Processo n. 16327.720507/201100), entendeu que devessem sofrer a tributação apenas as parcelas excedentes da periodicidade legal. Eis o que ficou assentado no voto condutor do acórdão: “Contudo, havendo apenas três pagamentos no ano civil, entendo que não se pode tributar a totalidade dos pagamentos efetuados, mas apenas aquele pagamento que acabou por violar a regra de periodicidade prevista na lei. Esse posicionamento vem sendo manifestado tanto pela jurisprudência administrativa quanto pela judicial, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: ´Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições.´ (CARF, trecho do voto condutor, proferido pela Relatora Conselheira Ana Maria Bandeira, Acórdão 20601.025, Sessão de 02/07/2008). ´TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES.ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991.REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART.35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO.[...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). [...] ´ (STJ, REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Desse modo, apenas sobre as parcelas dos lucros ou resultados pagas ou creditadas em inobservância à regra legal devem incidir as contribuições previdenciárias. Já as parcelas pagas em observância ao art. 3º, §2º – uma vez por semestre e, no máximo, duas vezes por ano – devem ser excluídas. Como já se disse, as parcelas foram distribuídas, respectivamente, em janeiro, fevereiro e agosto do ano de 2007. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 É preciso, inicialmente, identificar quais os empregados que receberam as três parcelas de participação nos lucros ou resultados, já que, conforme informado nas defesas apresentadas, nem todos os empregados fazem jus à participação com base na Convenção Coletiva e Plano Próprio, ou receberam três parcelas de participação no ano de 2007. Segundo informado pela Recorrente, apenas 2% dos empregados receberam três pagamentos no ano de 2007. Para os empregados que receberam pagamentos em janeiro, fevereiro e agosto de 2007, entendo que há descumprimento das regras de periodicidade previstas na lei apenas quanto aos pagamentos efetuados em fevereiro de 2007, devendo apenas este ser mantido na autuação. Os pagamentos efetuados em janeiro e em agosto, portanto, por se ajustarem aos requisitos legais quanto à periodicidade, devem ser excluídos da autuação. Para os empregados que receberam até dois pagamentos no ano de 2007, só deverá ser mantido na autuação o pagamento que eventualmente descumprir a limitação semestral imposta na Lei. Sendo assim, caso tenha havido pagamento em janeiro e agosto, ou em fevereiro e agosto, tais parcelas devem ser excluídas da autuação, por estarem em conformidade com a lei. Caso, contudo, os dois pagamentos tenham sido feitos nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, apenas este último deverá ser mantido na autuação, por desrespeitar a periodicidade legal.” Após a transcrição dessas magistrais considerações, não poderia deixar de concluir que para o Levantamento P3 devem ser excluídos da base de cálculo os valores de PLR relativos às competências janeiro e agosto de 2007. PLR acima dos valores devidos (Levantamentos PN e PN1) Sob a denominação PN e PN1 foram abrigados os pagamentos a empregados que o fisco considerou irregulares, sob a justificativa de que teriam sido repassados em valores superiores aos previstos no acordo coletivo que definiu as regras para pagamento da verba. A separação em levantamentos distintos decorreu meramente da diferença no percentual de multa que foi aplicado, conforme a norma mais benéfica ao sujeito passivo. Farei a análise dos fatos utilizando a mesma nomenclatura adotada pela autoridade notificante. Os empregados foram separados em quatro grupos, conforme a natureza da irregularidade apontada pelo fisco. a) Grupo I: pagamento efetuado na competência fevereiro de 2007 a segurada Maria Sílvia Bastos Marques, Presidente da empresa, no montante de R$ 800.000,00. O valor referese a PLR de 2006. Segundo o fisco, a segurada não poderia ser contemplada por esta parcela, uma vez que foi admitida na empresa em 02/01/2007, portanto, em nada contribuiu para formação do resultado objeto do pagamento. Foi mencionado dispositivo do acordo coletivo, no qual somente eram elegíveis para o recebimento da PLR os funcionários admitidos até o dia 03 de setembro e que tivessem trabalhado mais de 120 dias no decorrer do exercício. O sujeito passivo não impugnou de forma específica a incidência de contribuições sobre este pagamento, dessa forma devese considerar que esse ponto do lançamento foi impugnado apenas quando se tentou demonstrar que a norma constitucional que trata da PLR teria eficácia plena, tese esta que não mereceu acolhida. Assim, deve prevalecer a tributação sobre esse pagamento. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 373 13 b) Grupo II: pagamentos efetuados a segurados empregados que trabalharam em apenas parte do período aquisitivo e que receberam a verba em valores superiores àqueles estabelecidos no acordo. As regras constantes no acordo de PLR previam que para cada empregado seria atribuído um conceito, o qual definiria o percentual de “Remuneração Total do Mercado – RTM” a que faria jus o avaliado. Esse valor seria comparado à remuneração real recebida e a diferença corresponderia à PLR a ser paga. No grupo ao qual estamos nos referindo, o fisco apontou três empregados que receberam o valor da PLR na sua integralidade, malgrado tenham trabalhado apenas em parte do período aquisitivo. Acostouse os seguintes dados: Segurado PLR Vlr devido Vlr recebido Diferença Luis Henrique M Reis 2006 68.885,00 119.500,00 50.615,00 Marcos Pessoa Falcão 2006 3.343.308,00 5.494.888,00 2.151.580,00 Marcelo de Freitas Assunção 2007 59.166,00 210.000,00 150.834,00 A empresa afirma inicialmente que não estaria obrigada a observar rigorosamente os limites estabelecidos pelas regras do acordo, posto que consoante a parte final do “item 5” do ajuste, haveria a possibilidade de pagamento acima do mínimo garantido. Afirma que o valor excedente apurado pelo fisco diz respeito ao pagamento de valor de remuneração superior aquele previsto na pesquisa mercadológica. Eis o dispositivo do acordo que foi invocado pela recorrente: “Em qualquer hipótese a Icatu Hartford Seguros SA poderá, a seu exclusivo critério, objetivando beneficiar/incentivar seus funcionários, pagar participação nos lucros acima dos valores definidos” Para o fisco, esta parte do acordo fere o art. 2. da Lei da PLR, pois permite que o empregador de forma unilateral pague a determinado empregado parcela superior àquela definida segundo as regras claras e objetivas previstas no instrumento de negociação. Neste ponto não podemos deixar de concordar com a auditoria. Se o empregador, a seu critério, puder a qualquer momento alterar as regras atinentes ao pagamento da PLR, o art. 2. da Lei n. 10.101/2000 vira letra morta. Em se acolhendo esse procedimento, abrese uma porta à inserção de rubricas outras no guarda chuva da PLR, permitindo a burla da norma, com consequente possibilidade de incorporação de parcelas salariais à participação nos lucros. A norma que prevê o estabelecimento de regras claras e objetivas definindo os critérios para pagamento da PLR tem por desiderato proteger o trabalhador, que poderá sem dificuldades aferir se o valor que foi pago está em consonância com as cláusulas negociadas. Outra justificativa se exigir a existência de definição das regras do processo de pagamento da rubrica é evitar que sejam excluídos da base de cálculo do benefício previdenciário e do FGTS valores remuneratórios disfarçados de PLR. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Por esse motivo tem o fisco a prerrogativa de requerer a documentação comprobatória do pagamento da participação de modo a aferir se os valores abrigados sob a nomenclatura de PLR estão em consonância com as regras firmadas no acordo entre patrões empregados. Em outras ocasiões já me manifestei favoravelmente à possibilidade da empresa definir a posteriori o percentual de lucro auferido no exercício a ser distribuído aos empregados, mas a situação aqui é outra, posto que não se está definindo o quantum do lucro global vai ser repassado aos trabalhadores, mas promovese modificação na regra de distribuição dos valores individualmente para cada beneficiário. Essa hipótese não pode ser admitida, pois subverte a lógica de previsibilidade na concessão da PLR. Mais adiante a empresa tenta justificar o pagamento apresentando tabela para se contrapor aos dados apresentados pela auditoria. Alega que o valor pago já havia levado em conta a proporcionalidade do período trabalhado. Asseverou ainda que as remunerações de referência atribuídas a cada funcionário estão compatíveis com a tabela apresentada. Para compreender esse ponto da contenda é necessária que se apresente com mais detalhes a forma com era calculado o valor da PLR a ser atribuída da cada empregado. O desempenho individual de cada funcionário era definido tomando como parâmetro o Processo de Gestão de Desempenho do Icatu Seguros, que resultava em classificação nos conceitos A, B, C, D e E, os quais correspondiam, respectivamente, aos desempenhos Excelente, Muito Bom, Bom, Regular e Fraco. A partir dessa classificação chegavase a Remuneração Total de Mercado – RTM, estabelecida conforme pesquisa salarial efetuada junto ao Mercado de Seguros e Previdência Privada, observando a Remuneração Total de cada posição/nível nas diferentes referências de mercado, atribuindose os valores conforme desempenho individual, conforme abaixo: máximo e/ou 90 percentil para funcionários com conceito A 75 percentil para funcionários com conceito B 50 percentil para funcionários com conceito C mínimo de mercado ou 25 percentil para funcionários com conceito D zero para funcionários com conceito E De acordo com o esclarecimento prestado pelo sujeito passivo à fl. 261 do processo n. 16682.720030/201424, a Remuneração Total correspondia ao salário de dezembro multiplicado por 13 somado ao valor recebido a título de PLR. Analisando os cálculos efetuados pelo fisco para os três empregados em questão, pude observar que foram adotados todos os parâmetros estabelecidos no acordo e, de fato, o valor pago está acima do valor acordado, posto que não se considerou que a atuação destes ocorreu apenas em parte do período aquisitivo. Vale ressaltar que os cálculos apresentados pelo sujeito passivo pecam por não esclarecer em que momento levou em conta a proporcionalidade dos meses trabalhados. Até apresenta um número que denomina de “PLR Integral – 12 meses”, mas não o justifica diante da tabela apresentada à fl. 261 do processo n. 16682.720030/201424. Assim essa Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 374 15 memória de cálculo não merece fé, posto que incompatível com outro documento juntado pela própria recorrente. Tomemos como exemplo o caso do Diretor Presidente, Sr. Marcos Falcão (ver fl. 261 do processo n. 16682.720030/201424), que obteve o conceito A, resultado acima do esperado, sendolhe atribuída a RTM máxima no exercício de 2006 no montante de R$ 5.705.822,00. Considerando que a sua RT (salário dezembro X 13 + PLR) foi de R$ 6.185.747,00 e o valor do PLR efetivamente distribuído foi de R$ 5.494.888,00, deduzse que a remuneração auferida no ano foi de R$ 690.859,00. Assim, subtraindose da RTM o valor da remuneração recebida obtémse a quantia de R$ 5.014.963,00, a qual na proporção dos oito meses trabalhados atinge a cifra de R$ 3.343.308,67, que é o valor de PLR considerado pelo fisco como devido ao empregado. Seguindo os passos acima não há dificuldade em se concluir que o sujeito passivo carece de razão quando questiona a improcedência do lançamento quanto a esses três segurados. c) Grupo III Baseandose na regra do acordo coletivo segundo a qual os empregados avaliados com conceito “E”, correspondente a desempenho “Fraco”, não poderiam receber a PLR, o fisco incluir no saláriodecontribuição os valores pagos a esse título aos empregados englobados nessa categoria. Inicialmente deve ser ressaltado que para os funcionários avaliados com o conceito “E” foram lançadas as contribuições relativas às competências 02 e 03/2008. Para a PLR paga em 08/2007 não houve a tributação, posto que o fisco já havia incluído os valores no levantamento “P3”, em razão de quebra da regra legal da periodicidade (ver itens 42 e 43 do relatório fiscal). Assim, considerouse como base de cálculo os valores pagos a esse grupo de empregados sob a rubrica “0050 – PLR 2.ª Parcela Institucional”. A nomenclatura utilizada e as competências dos pagamentos não deixam dúvida de que se trata do pagamento da 2.ª parcela da PLR conforme o acordo coletivo firmado em 2007. A empresa alega que o pagamento a esses empregos ocorreu, para a maioria, em razão da disposição da Convenção Coletiva de Trabalho de 2007, que garantiria o recebimento de um valor mínimo de PLR, inclusive para os empregados das empresas com programas próprios. De fato, observase que a Convenção de 2007 há a garantia de pagamento da PLR mínima entre R$ 1.100,00 e R$ 1.300,00 (conforme o salário do empregado), o qual deveria ser repassado até março de 2008, independentemente da apuração do resultado do exercício, a todos os trabalhadores em efetivo exercício em 31/12/2007. Da tabela apresentada pelo fisco, verificase que para esse grupo de empregados a PLR foi distribuída em valores iguais ou inferiores ao mínimo previsto na Convenção Coletiva. Em alguns casos, chegase a observar que a soma das parcelas pagas em 08/2007 e no início de 2008 corresponde exatamente ao mínimo acima referido. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Para nos posicionarmos sobre essa questão, primeiramente devemos ter em conta que a causa que levou o fisco a tributar essa verba foi o pagamento a trabalhadores que não poderiam ser contemplados em razão do seu desempenho. Em nenhum momento o fisco tencionou desconsiderar os termos da Convenção Coletiva, em razão da falta de metas ou critérios a serem atingidos para pagamento da parcela mínima. Nessa toada, mesmo entendendo que os ajustes para pagamento da verba em questão não podem, sob pena de afrontar a lei de regência, prescindir da fixação de parâmetros a serem cumpridos para garantir aos trabalhadores o recebimento da PLR, devo me abster de trazer essa questão ao debate, uma vez que esta não constou das razões do lançamento expressas no relatório fiscal. Também não detectei nenhuma consideração da Autoridade Lançadora sobre a impossibilidade de coexistência de convenção e acordo tratando da PLR. Diante dessas constatações, sou forçado a admitir que havia uma norma coletiva de trabalho que autorizava a empresa a efetuar o pagamento da PLR em valor mínimo, o que me leva ao entendimento de que deve ser afastada a tributação sobre as parcelas pagas aos empregados que receberam em 02 e 03/2008, a esse título, quantia inferior ao mínimo previsto na Convenção Coletiva. Devem, portanto, ser excluídas da base de cálculo os valores listados no item 25 do relatório fiscal. Embora se verifique que na competência 08/2007 houve pagamento acima do limite a cinco empregados, esses valores não foram incluídos nos levantamentos PN/PN1, posto que já haviam constado do levantamento P3. Ocorre que afastamos deste último levantamento a competência 08/2007, quando tratamos da questão da periodicidade, o que poderia sugerir que devêssemos voltar a incluir os valores excedentes das remunerações desses cinco empregados nos levantamentos PN/PN1. Entendo, todavia, que esse não é o melhor procedimento, haja vista que é vedado aos órgãos de julgamento promoverem mudanças nos critérios adotados pelo fisco para a confecção do lançamento, sob pena de se recair no inadmissível julgamento extra petita. Não se pode admitir que em sede de contencioso administrativo seja feito qualquer rearranjo das rubricas de um dado lançamento, no intuito de garantir a procedência de contribuições que seriam excluídas caso se considerasse a forma de apuração adotada pela Autoridade Lançadora. Tal procedimento representaria violenta agressão ao princípio constitucional do devido processo legal, que não permite alteração na peça acusatória pelo órgão responsável pelo julgamento. d) Grupo IV Neste grupo de empregados foram incluídos aqueles que, segundo o fisco, a PLR teria sido paga em valores acima daqueles calculados conforme as regras previstas no acordo. Foi apresentada tabela demonstrativa dos valores excedentes, a qual foi individualizada por empregado. A empresa apresentou justificativa para cada um dos nove trabalhadores constantes desse grupo. Afirma que os pagamentos foram efetuados dentro da perfeita observância das regras do seu programa de PLR, notadamente quanto à adoção de faixas de remuneração referenciais da pesquisa mercadológica. Afirmou ainda a inexistência de obrigatoriedade de que os valores repassados a esse título correspondam exatamente ao cálculo efetuado conforme as regras do programa, Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720032/201013 Acórdão n.º 2401003.332 S2C4T1 Fl. 375 17 posto que as faixas de remuneração representam apenas uma referência, não impedindo a empresa de repassar um valor maior aos seus empregados, mormente, quando a parte final do item 5 do Acordo Coletivo permite que a empresa, a seu exclusivo critério, pague a PLR acima dos valores definidos. Conforme já me posicionei acima esta disposição do ajuste que permite o pagamento acima dos valores previstos no ajuste contraria a Lei n. 10.101/2000 e as quantias excedentes devem sofrer tributação. Cabeme agora aferir se a empresa tem razão quando afirma que, para os empregados em questão, a verba foi paga conforme as regras do acordo. Não custa recapitular a fórmula negociada entre a recorrente e seus empregados para pagamento da participação. Os empregados eram ranqueados conforme seu desempenho no exercício de apuração e a verba era paga levandose em conta a remuneração efetivamente recebida (RT) e aquela praticada no mercado (RTM), conforme a seguir. máximo e/ou 90 percentil para funcionários com conceito A 75 percentil para funcionários com conceito B 50 percentil para funcionários com conceito C mínimo de mercado ou 25 percentil para funcionários com conceito D zero para funcionários com conceito E Para o fisco, após a conceituação do empregado, a sua RTM seria, no máximo, aquela prevista na tabela correspondente a sua função. A empresa, ao contrário, defendeu que a RTM poderia se situar entre o valor máximo da classe em que foi avaliado o empregado até o valor mínimo da classe subsequente. Exemplificando, um empregado com conceito “C” para o fisco teria sua RTM limitada ao 50. percentil, ou seja, não poderia ser superior a 50% dos maiores salários pesquisados. A empresa, por sua vez, asseverou que esse funcionário teria como piso para RTM o 50. percentil e como teto a faixa imediatamente superior, podendo o seu salário de referência variar entre 50 a 75% da amostra. Para mim, o fisco tem razão. O acordo celebrado toma como conceito chave para pagamento da PLR a Remuneração Total do Mercado RTM, que é atribuída a cada empregado em função do seu desempenho. Subtraindose da RTM a Remuneração Total – RT recebida no período obtémse o valor da PLR. Atingindo o conceito “A”, o empregado faria jus à RTM no valor máximo obtido na pesquisa de empresas do mercado de seguros e previdência privada. Percebese que a lógica desse mecanismo de cálculo da PLR reside em se atribuir aos empregados a remuneração de mercado compatível com o desempenho em determinada função/cargo. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Caso se admitida, como deseja a requerente, que os valores constante na tabela representam o piso para definição da RTM, seria possível se chegar a pagamentos de PLR acima do máximo pago pelo mercado. Tal raciocínio foge à razoabilidade. Portanto, a melhor exegese do acordo celebrado para pagamento da verba em questão é o de que os valores constantes da tabela corresponderiam ao teto da RTM a ser atribuída e que a empresa poderia fixar esse valor entre o máximo da classe anterior até o máximo da classe correspondente à avaliação do empregado. Assim, o conceito “A” iria do 75. percentil até o máximo; o conceito “B” do 50. percentil até o 75. percentil; o conceito “C” do 25. percentil até o 50. percentil e o conceito “D”do menor salário do mercado até o 25. percentil. Feitas essas consideração, entendo que deva ser mantida a tributação da verba para os empregados abrigados no Grupo 4. Conclusão Voto por afastar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração as competência 01 e 08/2007 para o levantamento P3 e os valores listados no item 25 do relatório fiscal. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10494.000674/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 17/05/2007
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. SONEGAÇÃO.
O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio declaração falsa, constitui fraude e sonegação que implicam o agravamento da multa no lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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DIFERENÇA. Incide imposto sobre a diferença apurada entre o preço de importação da mercadoria subfaturada e o efetivamente pago, apurado mediante procedimento administrativo fiscal, nos termos da legislação tributária vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/04/2007 SUBFATURAMENTO. DIFERENÇA. Incide imposto sobre a diferença apurada entre o preço de importação da mercadoria subfaturada e o efetivamente pago, apurado mediante procedimento administrativo fiscal, nos termos da legislação tributária vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/04/2007 BASE DE CÁLCULO. IMPORTAÇÃO. VALORES DO ICMS E DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. EXCLUSÃO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STF, no julgamento do RE 559.937/RS, sob o regime do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro de mercadorias estrangeiras e dos valores das próprias contribuições do PIS e da Cofins incidentes sobre importação de tais produtos na base de cálculo do PISImportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 06 74 /2 00 9- 08 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Data do fato gerador: 13/04/2007 BASE DE CÁLCULO. IMPORTAÇÃO. VALORES DO ICMS E DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. EXCLUSÃO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STF, no julgamento do RE 559.937/RS, sob o regime do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro de mercadorias estrangeiras e dos valores das próprias contribuições do PIS e da Cofins incidentes sobre importação de tais produtos na base de cálculo do COFINSImportação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 17/05/2007 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. O subfaturamento na importação de mercadorias, visando à redução dos tributos e impostos a pagar incidentes na operação, por meio declaração falsa, constitui fraude e sonegação que implicam o agravamento da multa no lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC) que julgou procedente, em parte, a impugnação interposta contra os lançamentos dos créditos tributários referentes ao Imposto de Importação (II), ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ao PIS Importação, à Cofins Importação, acrescidos das cominações legais, multa de oficio qualificada e juros de mora, e, ainda, multas regulamentares. Os lançamentos decorreram da importação fraudulenta de um automóvel, Ford Mustang GT, cupê, transmissão automática de cinco velocidades, motor à gasolina V8 de 4,6 litros, chassis QZVHT82h075230126, equipado com acessórios e introduzido no País através da DI n.° 07/04744648, que foi registrada, na modalidade de importação direta, pelo Fl. 547DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 547 3 contribuinte, por valor inferior ao efetivamente praticado na operação, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e Relatório Fiscal às fls. 32/91, parte integrante dos autos de infração. Cientificada das exações, a recorrente impugnou os lançamentos (fls. 333/350), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Alega não ter omitido, nem falsificado, sonegado ou adulterado qualquer fato do interesse da Receita Federal do Brasil, alem do que não adquiriu o veículo em causa mediante fraude, nem enviou qualquer importância em moeda estrangeira ou nacional ao exportador por meio de casa de câmbio, nem tampouco anuiu com o fato relatado pela fiscalização; Aduz que desconhece parte das informações e discriminações contidas na planilha de fl. 248, e que o custo total da importação informado pela empresa CONVECTOR foi de R$ 148.585,02, sendo que os depósitos e os pagamentos efetuados foram todos feitos sob orientação daquela empresa, a qual, aliás, não obstante os fatos narrados pela fiscalização, os considera lícitos; Alega que o email enviado por OSCAR INZULZA ao endereço eletrônico particular de MARIO GUGLIELMI, à fl. 257, informa que o importador será PEDRO ZALUSKI, e não a sua empresa, apenas porque o bem importado destinase a uso pessoal; Aduz não ter respondido o email, de fl. 105, que foi enviado por OSCAR INZULZA também a MARIO GUGLIELMI, e que se refere a remessas via casa de câmbio, além do que a função de MARIO GUGLIELMI resumiuse à análise técnica dos veículos que foram importados, ao que reitera que não determinou e nem sabe de qualquer remessa ilegal de dinheiro ao exterior para pagar despesas com a importação sob apreço; Transcreve as disposições contidas no art. 112 do Código Tributário Nacional, e argumenta que não há prova cabal no processo de que tenha anuído ou participado das infrações relatadas pela fiscalização, destacando que segundo consta do feito, ao importador coube "apenas escolher o veículo desejado e promover os pagamentos solicitados pela CONVECTOR", pelo que entende que não pode ser punido por fato que não praticou, sobretudo, quando há fundadas dúvidas acerca dos fatos e da autoria; Neste quadro, aduz que, só lhe pode ser imputada a culpa in eligendo, em face da má escolha daquele a quem se confia a prática de um ato ou o adimplemento da obrigação, qual seja, a má escolha dos prepostos na importação dos veículos, não lhe cabendo a imputação de ter agido dolosa ou fraudulentamente, havendo desembolsado exatamente as importâncias informadas na declaração do IRPF e que entregou à CONVECTOR para custear as despesas de importação lícitas; Em razão disso, cita as disposições legais contidas nos artigos 135 e 137 do CTN, para argumentar que apenas a CONVECTOR e seus representantes deveriam figurar como sujeitos passivos da obrigação correspondente, até porque os fatos narrados pela fiscalização foram praticados pelos representantes da CONVECTOR e não pela empresa impugnante; Alega não ter recebido a planilha colacionada às fls. 97 e 248, sendo que, neste documento, tampouco há referência de remessa de valores via casa de câmbio, ao que aduz que, afora o valor de R$ 148.585,02 que gastou na importação, Fl. 548DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 conforme declaração de IRPF, reconhece como correta apenas parte dos valores constantes da referida planilha; Em outro plano, argúi a inconstitucionalidade da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes na importação, por ter a Lei n.° 10.865, de 2004, extrapolado o conceito constitucional de valor aduaneiro, para nele incluir o ICMS devido na importação e o montante das próprias contribuições; Em face das contrarrazões já explicitadas, alega que devem ser afastadas as multas qualificadas de 150% calculadas sobre o Imposto de Importação, IPI, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação em relevo, tendo em vista a inexistência de dolo ou fraude em sua conduta e as disposições legais previstas nos artigos 112 e 137 do CTN; Na seqüência, alega que se fosse cabível, na espécie, a aplicação de alguma penalidade, esta seria a aplicação da multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, conforme consta do inciso I do art. 633 Decreto n.° 4.543, de 2002, e do art. 703 do Decreto n.° 6.579, de 2009, já que, nos termos do ADI SRF n.° 17, de 2004, a aplicação dessa multa independe da caracterização de fraude, sonegação ou conluio; Todavia, por considerar que houve a inclusão dos tributos e penalidades na base de cálculo das multas previstas no art. 83, I, da Lei n.° 4.505, de 1964, e no inciso I do art. 633 do Decreto n.' 4.543, de 2002, e que isto caracteriza dupla incidência tributária e dupla punição pelo mesmo fato, já anteriormente penalizado, entende que deve ser afastado, da incidência de tais multas, o valor dos tributos e demais parcelas que não correspondem ao preço da mercadoria importada; De outro lado, alega ser incabível a aplicação da multa regulamentar do IPI, fulcrada no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, já que não foi o responsável pelas infrações descritas no auto de infração e não entregou a consumo os veículos importados, aduzindo que, sempre teve a certeza de que a importação havia ocorrido de forma regular, de modo que o recebimento dos veículos importados, seu uso e posterior alienação não dão suporte à aplicação da referida penalidade, pois inexistiu máfé em sua conduta; Não obstante isso, alega também que o valor da mencionada multa é excessivo e equivocado, pois a multa deve ser igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído em nota fiscal, ao passo que a base de cálculo do II, no montante de R$ 207.410,69, não deve compreender os custos de importação, uma vez que os veículos destinavamse a uso particular, ao que entende que, no ponto, devem ser consideradas as disposições contidas nos artigos 109 e 110 do CTN; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento integral do auto de infração hostilizado. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme acórdão nº 0723.465, datado de 18/03/2011, às fls. 355/378, sob as seguintes ementas: “SUBFATURAMENTO. FATURA FALSA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. SIMULAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL EXPORTADOR. MERCADORIA NÃO MAIS APREENSÍVEL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. SUJEITO PASSIVO. IMPORTADOR. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Constatado o subfaturamento e não sendo mais apreensível a mercadoria para aplicação da pena de perdimento, o Fl. 549DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 548 5 importador, na qualidade de contribuinte, responde pelo pagamento dos tributos e contribuições sociais que, incidentes na importação, deixaram de ser recolhidos, acrescidos de multa qualificada e juros moratórios, estando sujeito, ainda, à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. BASE DE CÁLCULO. COFINSIMPORTAÇÃO. PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E EFETIVAMENTE PRATICADO OU ARBITRADO. FALSIDADE DOCUMENTAL. DANO AO ERÁRIO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Quando a diferença apurada entre o preço declarado na importação e o efetivamente praticado ou arbitrado decorrer da apuração de falsidade (material ou ideológica) da fatura que instruiu o despacho aduaneiro, a caracterização do dano ao Erário impõe a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada ou da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na hipótese desta não ter sido localizada ou ter sido consumida, apenas sendo cabível o lançamento da multa de cem por cento sobre a diferença de preços quando a exteriorização do dano ao Erário ocorrer em momento posterior à aplicação dessa penalidade. MULTA REGULAMENTAR DO IPI. É incabível a aplicação da multa regulamentar do IPI por entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulentamente, quando a fraude ou a irregularidade que macula a importação é definida legalmente de forma mais específica como dano ao Erário, porquanto, nesses casos, a não localização da mercadoria sujeita a perdimento em face da entrega a consumo é penalizada expressamente na forma de outra disposição legal.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 387/410), requerendo a sua a reforma, a fim de que se cancelem os lançamentos, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação, ou seja: não participou de qualquer fraude; os documentos carreados aos auto não foram obtidos em sua sede, mas na empresa Convector; os indícios, por si só, não demonstram que ela sabia dos fatos narrados pela Fiscalização; a procuração outorgada a Flávio Romero lhe foi apresentada pela Convector; a ela somente cabia escolher o carro e pagar o preço; a responsabilidade era daquela empresa; a prova produzida em outros processos administrativos e judiciais não pode ser utilizada neste processo; a realização do lançamento e aplicação das penalidade violou seu direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório; não sonegou tributos; não enviou qualquer importância em moeda nacional ou estrangeira ao exportador ou a Flávio Romero; não Fl. 550DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 falsificou fatura comercial; não tinha conhecimento e consciência de que o exportador, conforme documentos apreendidos na Convector, era o próprio importador do veículo; a autoridade julgadora de primeira instância não analisou as razões da impugnação, quanto à ausência de dolo, mas apenas de forma objetiva; o valor do custo total da importação, R$148.585,02, foi passada pela Convector; o email enviado por Oscar ao endereço eletrônico particular do Eng. Mário Augusto Bastos Guglielmi (fls. 257) apenas informa que o importador será a recorrente e não sua empresa; já em relação ao email de fl. 105 no qual Oscar se refere à remessa de US$6.050,00, mais taxa de US$70,00, o Eng. Mário Augusto Bastos Guglielmi foi questionado sobre o fato e informou que certamente não houve resposta, pois sua função é técnica, resumindo à análise do veículo que estava sendo importado e desconhece como ocorreu a importação; não remeteu, não determinou e não sabe de qualquer remessa ilegal de divisas ao exterior para pagar despesas com importação, apenas depositou na conta da Convector o que lhe foi solicitado a fim e que o veículo fosse importado, concluindo, que não deve ser responsabilizado pelas imputações fiscais, exigência de tributos e penalidades agravadas por fatos que não praticou e não conhecia, quais sejam: falsidade material e ideológica da fatura comercial (montagem de nota fiscal e ocultação do preço do bem importado); interposição fraudulenta da mercadoria importada (ocultação do real exportador); e remessa de valores a Flávio Romero para custear despesas de embarque e importâncias a Ford Midway Mall, assim, quem deve responder por estas infrações é a Convector e não ele recorrente; questionou, ainda, as bases de cálculo do PIS/COFINSImportação, defendendo a exclusão do ICMS e das próprias contribuições, sob a alegação de inconstitucionalidade, por tais valores não integrarem o valor aduaneiro que é base de cálculo destas contribuições; e, finalmente, questionou o agravamento das multas de ofício, por não ausência de dolo e fraude, nos termos previstos nos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Apesar da multa regulamentar equivalente ao valor comercial do bem importado ter sido excluída pela autoridade julgadora de primeira instância, questionoua nesta fase recursal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Quanto ao questionamento da multa regulamentar do IPI, equivalente ao valor da mercadoria estrangeira importada, sua apreciação e julgamento, nesta fase recursal ficaram prejudicadas, tendo em vista que a autoridade julgadora de primeira já determinou sua exclusão. Assim, as matérias opostas nesta fase recursal envolvem os lançamentos do II e do IPI e do PIS/COFINSImportação decorrentes das diferenças apuradas entre o valor do bem declarado e o efetivamente pago, bem como o agravamento das respectivas multas de ofício. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06/, o recorrente promoveu o registro da DI nº 07/04744648 de um automóvel de passageiros, ano 2007, modelo 2007, zero quilômetro, marca Ford, modelo Mustang GT, cupê, transmissão automática de 5 velocidades, motor à gasolina, V8, 4,6 litros, 24 válvulas, 300 HP, rodas de Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 549 7 liga leve, cor exterior branca metálica, estofamento em couro, ar condicionado, postas e vidros elétricos, rádio AM/FM com CD player, freios ABS 4W, chassis nº 1ZVHT82H075230126, declarando preço inferior ao efetivamente pago, o que configurou importação fraudulenta, mediante falsidade material e ideológica da fatura comercial e também interposição fraudulenta na importação por ocultação do real exportador do bem para o território nacional, conforme demonstrado e provado no Relatório Fiscal, parte integrante dos autos de infração. Do exame do Relatório Fiscal, no entendimento deste Relator ficou demonstrada e provada a importação e interposição fraudulentas do automóvel, mediante assessoria da empresa Convector – Distribuição Importação e Exportação Ltda. Por meio de fiscalização realizada naquela empresa, foram apreendidos documentos em arquivos magnéticos, discos rígidos e computadores que foram então lacrados e, posteriormente, deslacrados e copiados. Embora, seus diretores e sócios Pablo Rodrigo Figueroa Inzulza e Oscar Lorenzo Inzulza Concha tenham impetrado mandados de segurança (nº 2008.71.00.0142387/RS e 2008.71.00.0214064/RS), visando a proibição de rompimento de lacres e copiagem dos documentos e arquivos, a Justiça indeferiu o pedido, inclusive, no Agravo Regimental, (nº 2008.04.00.0000497). Segundo o organograma da empresa, a direção comercial era exercida pelo Sr. Oscar e a financeira pelo Sr. Pablo. O recorrente, embora seja vinculado a diversas empresas atuantes na comercialização de veículos, efetuou a importação do automóvel Ford Mustang, como pessoa física. Contudo, do exame da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIPF) do ano calendário de 2007, verificase que o automóvel importado, no valor de R$148.696,02, foi repassado para a San Marino Veículos, empresa do grupo empresarial do recorrente, em 17/12/2004, pelo valor de R$148.000,00. No desembaraço aduaneiro do automóvel Ford Mustang, foram apresentadas a Commercial Invoice (fatura comercial) nº 037506 e o Pakcing List de mesmo número emitidos pela Ford Midway Mall, INC, com assinatura de Many Martinez. Segundo esta fatura, o valor FOB do automóvel era de US$23,653.00. Assim, este processo englobaria todos os custos e despesas do automóvel colocado no navio em que foi embarcado, ou seja, todas as despesas de importações incorridas no país de origem. Contudo, a documentação coletada na Convector demonstra que o preço real do automóvel, sem estas despesas, foi superior ao declarado, bem como das despesas de embarque no exterior (Estados Unidos da América) que foram pagas por ela, com recursos enviados pelo recorrente ou por suas empresas. Os documento apreendidos na Convector provam relação do recorrente e de suas empresas, dentre elas a Cia Zaluski de Negócios, com aquela e o pagamento das despesas, ou seja, que o preço declarado na DI era falso, conforme prova o trecho extraído do Relatório Fiscal que, ora transcrevo adoto como fundamento: Na documentação coletada na CONVECTOR foram localizados vários documentos e arquivos magnéticos comprovando que o preço declarado é FALSO. Em mensagem eletrônica enviada por OSCAR INZULZA, da CONVECTOR, ao Sr. MÁRIO, do GRUPO ZALUSKI, em 30/10/2006 (fl. 257), este último autoriza o início dos trâmites para importação do veículo. A pessoa referida como MÁRIO (mabg@viars.net ) é MARIO AUGUSTO BASTOS GUGLIELMI , CPF n° 237.045.78053, administrador da CIA ZALUSKI DE NEGÓCIOS. “De: Mario [mabg@viars.net] Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Enviada em: seg 30/10/2006 23:01 Para: 'Oscar Inzulza' RES: Sinfonia a 15.000 7pm Oscar A importação será feita em nome de Pedro Antonio Xavier Zaluski. Mario De: Oscar Inzulza [mailto: oscar@convectorbrasil. com. br] Enviada em: segundafeira, 30 de outubro de 2006 10:00 Para: mabg@pro. viars. com. Br Assunto: Sinfonia a 15.000 rpm Prezado Mario: Em anexo unia genial sinfonia a 15.000 rpm. Cara ! não esqueças agitar o assunto do Mustang para dar inicio ao processo. favor informar a nome de quem vão fazer a operação, afim de preparar a documentação, não adianta agora se preocupar com a compra do carro, primeiro e fundamental é dar inicio ao processo de obtenção da LI Abraços. Oscar Porto Alegre, RS, 30 de outubro de 2006.” Mário, é o Sr. Mário Augusto Bastos Guglielmi, administrador das empresas do grupo empresarial do recorrente. Na mensagem, o Sr. Oscar questiona “em nome de quem” será feita a importação e não quem seria o importador. Mário responde que a importação será feita em nome de Pedro Zaluski, ou seja, a importação deveria ser feito, por uma empresa do grupo empresarial do recorrente, em seu nome. No dia seguinte, o Sr. Oscar responde ao Sr. Mario, conforme mensagem (fls. 256). “De: Oscar Inzulza [mailto: oscar@convectorbrasil. com. br] Enviada em: terçafeira, 31 de outubro de 2006 09:53 Para: Mario Assunto: Re: Sinfonia a 15.000 rpm Prezado Mario: OK ! estou iniciando agora o processo pelo Mustang V8 coupe, 2007, logo mais passarei o relatório dos eventos seguintes. Pelo momento não há que gastar em nada, quando supere essa primeira etapa (requerimento do LCVM junto ao IBAMA) aviso a vocês para ir pagando os primeiros trâmites. capisci ??? Abraços. Oscar Porto Alegre, RS, 31 de outubro de 2006 Posteriormente, em 10/11/2006, o Sr. Oscar envia mensagem para Rodrigo Ortega, administrador da revenda norte americana Midway Ford (fls. 101), informando as características do automóvel Mustang desejado, preço, prazo de entrega,, etc. O Sr. Oscar Fl. 553DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 550 9 informa também que eles (a Convector) se encarregarão de tudo que estiver relacionado com os trâmites de embarque e aduna em Miami (USA). Em 30/11/2006, o Sr. Oscar envia mensagem a Mário, solicitando o envio de valores para pagamento de taxas junto ao IBAMA, DENATRAN e outros serviços e, ainda, passa as instruções sobre o pagamento do automóvel (fls. 105/106): “De: "Oscar lnzulza" oscar@convectorbrasil. com. br Para: "Mario Augusto Bastos Gughelmi" <nnagb@viars.neti> Cc: . "Eng Mario San Marino "<niabg@pro. viars. com. br> Enviada em: quintafeira, 30 de novembro de2006 20:13 Assunto: Import Mustang GT, coupe Instruções de Pagto. Prezado Eng°Mario: [...] Remesas para pagamento do carro: Por fechamento de cambio US$ 23.653,00 Taxa Bancária ” 50,00 Por casa de câmbio ” 6.050, 00 Taxa casa de câmbio ” 70,00 Total US$ 29.823,00 Dados Bancários: Continental National Bank of Miam Conta: #066009456 ABA #0088269 Midway Ford 8155 West Flager Street Miami, FL 33144 USA Para fazer o fechamento de Câmbio precisamos saber o nome do Banco e Agência onde o importador tem conta corrente para passar as instruções da remessa. O envio por Casa de Câmbio podem fazerlo com aquela de preferência (confiança) do importador, caso precisem de alguma orientação ao respeito nos consultem para poder ajudar. Sobre a relação de cópias de documentos necessários assim como as procurações e formulário da Receita assinados pelo importador, nos avisem no momento que estejam à disposição para retirarlos. Por qualquer dúvida que surgir favor entrar em contato conosco. Atenciosamente Oscar Inzulza” Do conteúdo da mensagem, verificase que parte do valor foi feito por meio de doleiros (casa de câmbio). Também o documento denominado “Previsão Importação Mustang V8”, às fls. 116, discrimina minuciosamente o custo e as despesas com o automóvel importado, no valor total de US$72,265.78, correspondente a R$156.816,74, e não aquele declarado na DI. Embora o nº do chassi não confere com o do automóvel importado, no Fl. 554DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 entendimento deste Relator, é sim do Mustang. Todas as características nele discriminadas são as mesmas do automóvel importado, inclusive a data do documento e nome do recorrente. Aquele documento “confirma o envio de valores ao revendedor através de casas de câmbio. O somatório do valor remetido através de contratação de câmbio junto à instituição financeira autorizada, com o valor enviado à margem do controle oficial, alcança o montante de US$ 30.190,00. No mesmo documento, estão informados ainda outros dois valores relevantes. Há uma estimativa de DESPESAS DE EMBARQUE NA ORIGEM, no montante de US$ 2.250,00 e outra para contratação de seguro de transporte internacional, no montante de US$ 185,00. O fato de as despesas de embarque na origem terem sido pagas pelo importador demonstra que ao Inconterm FOB constante na fatura comercial não reflete a realidade, pois as despesas de embarque, nessa hipótese, seriam de responsabilidade do exportador, o que não ocorreu”. Em 13/12/2006, o Sr Oscar enviou mensagem para o Sr. Rodrigo Ortega, administrador da revenda norte americana: “De: "Oscar Inzulza" oscar@convectorbrasil. com. br Para: "Rodrigo Ortega" nicarod3@yahoo.com Enviada em: quartafeira, 13 de dezembro de 200618:14 Assunto: Dados bancários Midway Ford & Isuzu. Estimado Rodrigo Ortega El valor de US$ 6,030.00 que enviados para ustedes via casa bancaria retornó a nuestra cuenta, el agente de cambio alega que les datos bancarios están incompletos, apesar de que los datos que fiíeron informados son los mismos que utilizamos para la remesa de los US$ 23,653.00 Si tienen más algun dato que identifique la cuenta bancaria agradecemos que nos informen. Confirmen tambien el n° del chasis (VIN) del Mustang y pedimos que nos envien el balance considerando: striper color azul metálico, instalado juego de tapetes (caso el carro ya venga con tapetes desconsiderem este iten) porta licencia delantera 03 filtros de aceite 02 filtros de aire 1 juego de correas 1 juego de bujias Por cualquier duda entren en contacto con nosotros. Cordiales saludos Oscar Inzulza Fono/Fax. [5551] 3329 2202 Cel.: [5551] 9982 3230 Email oscar@convectorbrasil. com. Br Brasil, Porto Alegre, RS, diciembre 2006 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 551 11 Ora, esta mensagem não deixa dúvida, quanto ao pagamento de valor adicional, não declarado, e, ainda que, após o pagamento, remanesceu saldo a ser enviado (balance), tendo em vista pedidos adicionais de peças e opcionais. Além disto, o documento, denominado Vehicle Description, às fls. 111, emitido pela Ford, o valor atribuído para o modelo importado é de US$ 29.605,00. Tratase do MSRP (Manufacturer Suggested Retail Price, ou seja, preço de venda sugerido ao revendedor pelo fabricante). O documento inclui, ainda, a dealer fee (taxa do revendedor), no montante de US$ 489,50 (fl. 112), resultando em um preço total de US$ 30.094,50. Ainda que este seja apenas um preço sugerido, verificase que está de acordo com o restante dos documentos. Já a fatura emitida pela Ford para o revendedor Midway Mall INC (fls. 182) que exportou o veículo para o Brasil, consta o valor básico de US$29,105,00, mais os equipamentos instalados pelo revendedor, no valor de US$936,93, tiras decorativas no valor de US$280,00, totalizando US$30,321.90. Dessa forma, concluo que a fatura comercial apresentada no despacho aduaneiro é falsa em relação ao preço declarado e às despesas de exportação, no exterior. Além desta infração, também foi configurada a interposição fraudulenta na importação pelo fato de ter sido ocultado o real importador, conforme demonstrado no Relatório Fiscal, mais especificamente às fls. 48/52, conforme descrição dos fatos que transcrevo e adoto como razão de decidir: Mensagem de correio eletrônico salva no notebook de Oscar Inzulza esclarece o motivo pelo qual nas importações de veículos intermediadas pela CONVECTOR, quando provenientes dos Estados Unidos, ocorre a ocultação do real exportador. Em mensagem com o título "Importación de Carros nuevos" (fl. 328), OSCAR INZULZA questiona uma empresa sediada em Miami, Palmetto Motorsports, sobre a possibilidade de esta constar como exportadora em importações de veículos promovidas pela CONVECTOR. O veículo mencionado não é o que foi importado, nem houve, no presente caso, envolvimento da Palmetto. Porém, a mensagem é elucidativa, por demonstrar a necessidade de forjar uma operação de exportação: (grifamos) “From: Oscar Inzulza To: elgayo@hotncail.conc Cc: Marcia Velloso Sent: Monday, August 28, 2006 2:10 PM Subject. Importación de Carros nuevos Estimado José Martínez: Con relación a lo que conversamos sobre importación de carros nuevos, azradezco estudien Ia posibilidad que su compania Pueda actuar como exportadora de carros nuevos para nuestros clientes, sean ellos persona física o iurídica. En este momento estancos tramitando la adquisición de 01 unidad de Chevrolet Corvette, coupe, nuevo, modelo 2007, para importador brasileno persona física, cliente nuestro. Los dealer Chevrolet no pueden exportar directamente. Deseamos saber si es posible que Palmetto realize estas operaciones como exportador y cuales seria el valor a vazar por estos servicios ? Fl. 556DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 Entendemos que su compania puede adquirir Ias unidades junto aos Dealer libre del Impuesto de Consumo, de tal forma que proponencos que parte de ese valor, que corresponderia al Impuesto, se pague a ustedes por uso de la empresa, como por ejemplo, 4 % del valor del carro. En el caso del Corvette, Coupe, versión ILT, 2007 el valor de la unidad que se desea adquirir vale, aproximadamente $ 46,665.00 (sin el inipuesto) el 4% de ese valor corresponde a $ 1,866.60, que seria al valor que pagaríamos a Palmetto por intervenir en la operacion. Los trámites de exportación. Los trámites de exportacion se pueden realizar con la empresa o persona de la confianza de ustedes y los costos de embarque y aduana en Miami (u otro puerto de USA), son por nuestra cuenta. Observamos que todos los valores son pagos antecipadamente, tanto el valor del carro, la participación de Palmetto como exportadora e los costos del embarque y de aduana. Aguardamos sus comentarios al respecto, y sobre motos esperamos para en breve realizar otra operación. Cordiales saludos Oscar Inzulza Convector servicios comerciales Fone/Fax: [555113029 2202 Cel.: [555119982 3230 Email: oscar@convectorbrasil.com.br Brasil, Porto Alegre, RS, agosto 28 de 2006 No presente caso, porém, em vez de contratar uma empresa para constar como exportadora, a opção foi falsificar materialmente a documentação fazendo constar como exportador o revendedor de veículos norteamericano quando, na verdade, este apenas efetuou uma venda no mercado interno norteamericano ao Sr. PEDRO ZALUSKI. Na sequência, discorreremos sobre a falsidade material da fatura comercial com mais detalhes. Por ora, importa destacar que a fatura emitida pelo revendedor FORD MIDWAY MALL (invoice n° 67291 fl. 114) referese a uma venda habitual no mercado interno. Além disso, foi localizada a PROCURAÇÃO (fl. 88) concedida pelo Sr. PEDRO ZALUSKI a Flavio Romero, da empresa UPS EXPRESS INC, de Miami, Flórida, para promover a exportação do veículo. Não haveria qualquer necessidade, caso a FORD MIDWAY MALL fosse exportar ela própria o bem, de que o importador outorgasse poderes a uma empresa de transportes norteamericana para efetuar o embarque do veículo. Ora, quem trata dos trâmites de exportação, em especial numa operação na modalidade FOB, seja nos Estados Unidos, no Brasil, ou nos demais países, é o exportador. O importador estrangeiro não necessita se fazer representar perante as autoridades aduaneiras do país exportador, salvo se ele próprio promover a exportação. Foi o que ocorreu neste caso. O Sr. PEDRO ZALUSKI firmou documento intitulado EXPORT POWER OF ATTORNEY (procuração para exportação) fl. 88, nomeando Flávio Romero procurador e concedendolhe poderes para conduzir todas as transações necessárias perante a Aduana Norte Americana relativas à exportação do veículo em questão. O procedimento adotado está de acordo com a legislação aduaneira dos Estados Unidos da América. O Código de Regulamentação Federal dos Estados Unidos (Code of Federal Regulations CFR), trata em sua parte 1924 do Controle de Exportação. O § 192.1 traz uma série de definições aplicáveis à exportação de Fl. 557DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 552 13 veículos. Exportação 5 está definida como o transporte de mercadoria para fora dos Estados Unidos com o propósito de ser colocada no comércio de um país estrangeiro. O termo usado s, quando aplicado a um veículo, referese a qualquer veículo auto propelido que a título justo ou legal tenha sido transferido por um fabricante, distribuidor ou revendedor para um comprador final (ultimate purchaser). Já ultimate purchaser7 (comprador final) é a primeira pessoa que não o revendedor comprando na sua capacidade como revendedor, que em boa fé, compra um veículo auto propelido para propósitos outros que não sejam de revenda. Sendo assim, para a legislação norteamericana, o veículo vendido por um revendedor (dealer) em território americano para outra pessoa que • não um revendedor norteamericano é considerado usado. A Aduana norteamericana (U.S. Customs and Border Protection) oferece em sua página eletrônica oficial na internet um guia relativo à exportação de veículos $. Esse guia esclarece que se a pessoa que apresentar a documentação para a Aduana não estiver identificada nos documentos como o comprador final ou proprietário, deverá apresentar autorização do proprietário/comprador para exportar o veículo. Além disso, para veículos de valor superior a US$ 2.500,00, é necessário preencher uma declaração de exportação (Shipper's Export Declaration SED) e se a declaração for preparada por uma parte que não o exportador uma procuração (power of attorney) deverá acompanhála? O Sr. PEDRO ZALUSKI efetivamente encaminhou uma procuração contendo autorização para exportação para FLAVIO ROMEIRO, da UPS EXPRESS, em Miami, Flórida, para que este o representasse junto à Aduana norteamericana. Encaminhou, também, ao revendedor FORD MIDWAY MALL, correspondência em língua inglesa, com firma reconhecida em cartório (fl. 86), autorizando o revendedor a entregar o veículo para a UPS EXPRESS, representada por Flavio Romero, para que este tratasse de todos os procedimentos para o embarque no porto de Miami. Conforme consta no documento DEMONSTRATIVO DE VALORES IMPORTAÇÃO (fl. 97), foi remetido o valor de US$ 1.365,00 a Flavio Romero para as despesas de embarque, pagas pelo Sr. PEDRO ZALUSKI. Constatase, portanto, que o EXPORTADOR foi, o próprio importador, e não revendedor norteamericano, o qual limitouse a efetuar uma venda doméstica no mercado norteamericano. Ainda, segundo o Relatório Fiscal “Através dos arquivos magnéticos encontrados nos computadores da CONVECTOR, foi possível verificar que a fatura comercial e o packing list foram "FABRICADOS" por esta empresa. No HD do servidor da empresa, em pasta denominada "PAULO/MEUS DOCUMENTOS" (relativa aos documentos salvos por PABLO FERNANDO SILVA LUNA) foi localizado o arquivo "FATURA MUSTANG.xls" (fl. 252253). Tratase da fatura comercial e do packing list instrutivos do despacho aduaneiro, montados em um arquivo do programa Microsoft Excel. O Excel é uma planilha eletrônica, não sendo usada, habitualmente, para arquivos de texto. Neste caso, porém, a fatura e o packing list foram montados no Excel, possivelmente pela facilidade em formatar colunas e linhas, dando aos supostos documentos um aspecto de formulário pré impresso. Ao se consultar as propriedades do arquivo magnético, observase que consta como autor do documento "Paulo" (fl. 254), que vem a ser PABLO FERNANDO SILVA LUNA. Quando se recebe, por meio de correio eletrônico, cópia de um documento emitido por terceiro, ele habitualmente é enviado em formato de imagem, ou seja, o documento é digitalizado na forma de uma cópia digital. Obviamente, se o Fl. 558DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 documento o qual se digitalizou estiver assinado, sua cópia digital também estará. No caso do arquivo em comento, tratase de uma planilha totalmente manipulável. A fatura tem espaço (em branco) para a assinatura de Many Martinez. Todas as informações podem ser livremente alteradas, inclusive o logotipo do exportador MIDWAY FORD. O logotipo é uma imagem à parte, colada dentro da planilha. Para utilizála, basta se valer dos comandos "copiar e colar" do Windows: Ademais, foi localizada uma via da Invoice VERDADEIRA, emitida pela MIDWAY, com o número 67291, conforme já referido, a qual se encontra, inclusive, visada um por notário público norte americano. Não há qualquer semelhança, no que diz respeito ao leiaute, entre os dois documentos. Além disso, a assinatura atribuída a MANY MARTINEZ constante na fatura e packing list apresentados por ocasião do despacho aduaneiro divergem completamente da assinatura dessa pessoa. Pelo que se percebe, MARTINEZ é vendedor da empresa FORD MIDWAY MALL. No pedido de compra (Retaú Buyer"s Order) consta como Salesman (vendedor), M. MARTINEZ. Ocorre que foi localizada cópia de um documento, enviado via fax, pelo Sr. MARTINEZ ao Sr. OSCAR INZULZA (fl. 104). Tratase de um resumo de custos para a compra do veículo, conforme se verifica pelo número do chassi, datado de 08112/2006, no qual é atribuído ao mesmo o valor de US$ 29.105,00, igual ao constante no pedido de compra já referido, mas sem a inclusão das demais despesas. Tal documento está manuscrito e assinado pelo Sr. MARTINEZ, o que nos permite comparar a sua assinatura com a que consta na fatura e paccking list forjados. Ambas as assinaturas, a verdadeira e a forjado foram reproduzidas no Relatório fiscal às fls. 55. Assim, o recorrente ficou sujeito ao pagamento dos impostos II, IPI, e contribuições PIS/COFINSImportação, incidentes sobre a diferença de preço apurado, nos termos da legisla e às respectivas multas de ofício, inclusive, agravadas por fraude e sonegação fiscal. O imposto de importação teve como fundamento o Decreto nº 4.543, de 2002, assim dispõe: “Art. 69. O imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira (Decretolei no 37, de 1966, art. 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). [...]. Art. 75. A base de cálculo do imposto é (Decretolei no 37, de 1966, art. 2o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1o de setembro de 1988, art. 1o, e Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e ComércioGATT 1994Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 1, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I quando a alíquota for ad valorem, o valor aduaneiro apurado segundo as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994; e [...]. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 553 15 Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II. Art. 84. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: [...]. Art. 103. É contribuinte do imposto (Decretolei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; [...] Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei no 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei no 37, de 1966, art. 94, § 2o). Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 95): Fl. 560DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; [...].” Já o IPI, teve como fundamento a Decreto nº 4.544, de 2002, que assim determina: “Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). [...]. Art. 21. Sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa obrigada ao pagamento do imposto ou penalidade pecuniária, e dizse (Lei nº 5.172, de 1966, art. 121): I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; [...]. Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b ); [...].” E, por último, o PIS/COFINSImportação teve como fundamento a Lei nº 10.865, de 2004, que assim estabelece: “Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: [...]. Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou [...]. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 554 17 Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; [...]. Art. 5o São contribuintes: I o importador, assim considerada a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional; [...]. Art. 7o A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; ou [...].” Dessa forma, correta a exigências tributos, nos termos destas normas legais. Quanto a suscitada inconstitucionalidade da inclusão dos valores do ICMS e do PIS/Cofins incidentes no desembaraço aduaneiro de produtos estrangeiros importados, segundo o art. 7º da Lei nº 10865, de 2004, citado e transcrito, aqueles integram a base de destas contribuições. No entanto, no julgamento do RE 559.937/RS, em 20 de março de 2013, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, sob o regime de repercussão geral, que o valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro de produtos estrangeiros importados e os valores das próprias contribuições incidentes na importação não integram a base de cálculo do PIS/COFINSImportação, nos termos da seguinte ementa e acórdão: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem , com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 18 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 555 19 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, em negar provimento ao recurso extraordinário, que visava a reconhecer a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre prestação de Serviços de Transporte interestadual e intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. Tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, acordam, ademais, os Ministros, em determinar a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Por fim, acordam os Ministros, em rejeitar questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional, que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Foi designado para redigir o acórdão o Ministro Dias Toffoli Brasília, 20 de março de 2013.” Esta decisão foi publicada em 17 de outubro de 2013. Também, a Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, alterou o art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004, citado e transcrito anteriormente, dandolhe nova redação, sem a previsão de inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e dos valores das próprias contribuições do PIS e da Cofins incidentes na importação da base de cálculo do PIS/COFINS importação, assim dispondo: “Art. 26. O art. 7o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 7o ........................................................................ I o valor aduaneiro, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; ou ...................................................................................” (NR) Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, a decisão do STF, naquele recurso extraordinário, para excluir da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINSImportação os valores do ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro do automóvel Mustang importados pelo recorrente e também dos valores das próprias contribuições para o PIS/Cofins incidentes nas operações de importação daquele produto. (ii) Agravamento da multa de ofício para 150,0 % Fl. 564DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 20 O autuante agravou a multa nos lançamentos de ofício do II, IPI, PIS Importação e COFINSImportação sob os fundamentos de sonegação fiscal e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, com fundamento na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, II, § 1º, que assim dispunha: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...]; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...]. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...].” Já os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, assim definem sonegação e fraude: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; [...]. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” No presente caso, conforme demonstrado nos autos, a recorrente, de forma dolosa, prestou declaração falsa ao informar na DI o valor aduaneiro do automóvel importado inferior ao efetivamente pago, com o objetivo de reduzir os tributos devidos. Ainda, de acordo com a Lei nº 8.137, de 1990, constitui crime contra a ordem tributária os atos praticados por particulares, visando suprimir e/ ou reduzir tributos e quaisquer acessórios, mediante a pratica de condutas definidas em seus arts. 1º e 2º, que assim dispõem: “Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Fl. 565DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10494.000674/200908 Acórdão n.º 3301002.174 S3C3T1 Fl. 556 21 II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; [...]. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; [...].” No presente caso, ao subfaturar o bem importado, o recorrente prestou declaração falsa à autoridade fazendária, fraudou a fiscalização tributária, alterou o documento da operação (DI) e reduziu os valores dos tributos devidos. Assim, a multa de ofício agravada, calculada sobre o valor de tributo não declarado/pago, lançado e exigido de oficio, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 150,0% o legalmente previsto, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para excluir da base de cálculo do PIS/COFINSImportação os valores do ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro e das próprias contribuições para o PIS e Cofins incidentes na importação. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10183.902413/2012-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 24 13 /2 01 2- 25 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902413/201225 Acórdão n.º 3803006.078 S3TE03 Fl. 56 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 31 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar o recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902413/201225 Acórdão n.º 3803006.078 S3TE03 Fl. 57 5 Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000387/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa:
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO.
O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS.
O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
Numero da decisão: 3402-002.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator e do relator designado. Vencidos conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto aos custos com Etiquetas e quanto aos Ovos Incubáveis. Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Conselheiro João Carlos Cassuli Junior quando ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e aplicação da Selic. Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Designada Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor quanto aos ovos incubáveis e etiquetas. Apresentará declaração de voto conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto a SELIC.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Raquel Motta Brandão Minatel, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira e Luiz Carlos Shimoyama.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator e do relator designado. Vencidos conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto aos custos com Etiquetas e quanto aos Ovos Incubáveis. Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Conselheiro João Carlos Cassuli Junior quando ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e aplicação da Selic. Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Designada Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor quanto aos ovos incubáveis e etiquetas. Apresentará declaração de voto conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto a SELIC. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Raquel Motta Brandão Minatel, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira e Luiz Carlos Shimoyama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.009 1 1.008 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000387/200891 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.312 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PIS Recorrente COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS (SC) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 87 /2 00 8- 91 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator e do relator designado. Vencidos conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto aos custos com Etiquetas e quanto aos Ovos Incubáveis. Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Conselheiro João Carlos Cassuli Junior quando ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e aplicação da Selic. Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel quanto à aplicação da Selic e ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Designada Conselheira Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor quanto aos ovos incubáveis e etiquetas. Apresentará declaração de voto conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto a SELIC. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Raquel Motta Brandão Minatel, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira e Luiz Carlos Shimoyama. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da decisão recorrida, verbis: A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC manifestouse pelo reconhecimento parcial do direito creditório postulado, com base no não acatamento da apuração de créditos em relação a: a) mercadoria para revenda adquiridas de pessoas físicas; b) aquisições de bens e serviços não enquadrados com insumos, como: b.1) material de uso geral; b.2) material de embalagem e etiquetas, utilizadas no acondicionamento para transportes das mercadorias; b.3) peças de reposição e serviços gerais; b.4) material de segurança; b.5) conservação e limpeza; Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.010 3 b.6) manutenção predial; b.7) ovos incubáveis, considerados como serviços adquiridos de pessoas físicas; b.8) outros itens; c) gastos com transporte de produtos entre filiais, classificados pela cooperativa como despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda; d) crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais, tendo em vista não serem passíveis de ressarcimento, apenas de desconto, ou ainda decorrente da aplicação incorreta do percentual de 60% incidente sobre os insumos adquiridos, quando o percentual correto seria 35%; e) créditos a descontar na importação — foram redistribuídas as Declarações de Importação apresentadas, em função de sua data de registro, bem como a fiscalização excluiu as importações com cujo pagamento foi suspenso devido a operação de DRAWBACK. A interessada apresenta manifestação de inconformidade frente esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Em relação à glosa dos créditos referentes a mercadorias para revenda adquiridas de pessoas físicas, a interessada confirma ter se equivocado na apropriação destes créditos. Requer, tendo em vista estas aquisições se referirem a animais para reprodução, e gerarem crédito presumido das contribuições, que seja reconhecido o direito ao crédito presumido sobre as referidas aquisições. No que tange aos bens e serviços não enquadráveis como insumos, salienta que a decisão considera o conceito de insumo de forma restrita, excluindo incontáveis insumos que a seu ver não são aplicados no produto. Aduz que, em atenção ao artigo 3° da Lei n° 10.833/04, todas as aquisições de bens e serviços utilizados diretamente como insumo na fabricação de produtos destinados à venda geram direito ao crédito. Desta forma, os valores glosados se enquadrariam perfeitamente como insumos, tanto na ótica da Lei n° 10.833/04 quanto da IN/SRF n° 404/2004, artigo 8°. Em relação às peças de reposição de máquinas e equipamentos, sustenta o direito à compensação baseado na similaridade com os créditos decorrentes de depreciação de máquinas, combustíveis e lubrificantes e energia consumida, anexando solução de consulta n° 80, de 13/06/08, que permitiria o creditamento. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 4 Em relação às aquisições de caixas de papelão e etiquetas, aduz em primeiro lugar que é equivocada a afirmação da autoridade fiscal de que estes materiais foram utilizados no acondicionamento para transporte. Informa que o material utilizado nas embalagens tem por finalidade garantir a proteção adequada ao produto para minimizar a contaminação, prevenir danos e acomodar o rótulo. Explicita particularidades de algumas embalagens especiais, afirmando que as embalagens são colocadas com fins comerciais. No que tange as aquisições de material de segurança, produtos de conservação e limpeza e bens destinados à manutenção predial, defende o mesmo entendimento exposto em relação ao conceito de insumo, agregando a informação de que, no caso de equipamentos de proteção individual, os mesmo são obrigatórios nos termos da NR 6 e 8. Quanto à aquisição de ovos incubáveis, salienta que não se trata de remuneração de serviço prestado por pessoa física. Informa a adoção do modelo de produção integrado ou verticalizado, que consiste em uma combinação de dois ou mais estágios sucessivos de produção e ou distribuição em propriedade da empresa ou terceiros, mas sob o controle da empresa proprietária. Neste modelo, a agroindústria, por meio de contrato de parceria, fornece ao produtor rural lotes de matrizes poedeiras e ou reprodutores de suínos, lotes de pinto de um a dois dias de vida, assim como leitões. O produtor rural pessoa física, chamado de integrado ou parceiro integrado cuida das matrizes poedeiras, até a fase anterior à incubação dos ovos. O parceiro integrado, de igual modo cria os pintos de um dia e ou leitões até a época do abate, recebendo assistência técnica, ração e medicamentos. O parceiro produtor, em contrapartida, recebe da empresa uma parcela da produção, em cada lote, obtendo para si uma parcela do que foi produzido. A parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. É o caso dos autos, ou seja, a parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde a sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa. Assim, não se trataria de remuneração paga à pessoa física e sim de compra e venda de ovos para incubação. Desta forma, a decisão deve ser reformada para, no mínimo, reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as compras de ovos para incubação. No tocante às despesas de armazenagem de mercadorias e fretes na operação de venda, aduz que o frete incidente sobre as transferências de uma unidade produtora para outra unidade produtora deve ser considerado insumo de produção. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.011 5 Explica que na granja de aves são produzidos ovos, que é um produto semiacabado para o incubatório. No incubatório são produzidos pintos de um dia que é um produto semiacabado para o produtor. No estabelecimento do produtor são produzidas aves terminadas que é um produto semiacabado para o abatedor. E o processo se encerra apenas no estabelecimento industrializador, de onde sai o produto acabado para o estabelecimento comercial. Em relação aos dispêndios com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, para fins de comercialização, sustenta a possibilidade do creditamento, salientando o posicionamento da 9ª Região Fiscal (solução de consulta n° 71, de 28/02/05). No tocante aos valores creditados a titulo de crédito presumido e alocados no campo de receita de exportação, a recorrente salienta que, em que pese a utilização da interpretação literal leve ao entendimento exposado pela autoridade fiscal, esta interpretação não é única nem isolada. Afirma que os créditos presumidos deixaram de figurar nas disposições do artigo 3° das leis 10.637/02 e 10.833/03 pela simples necessidade de adequálos à realidade da não cumulatividade, e não com o objetivo de impedir a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos. Afirma ainda que mesmo na vigência da Lei n° 10.925/04 os créditos presumidos são passíveis de compensação ou ressarcimento, em razão de que os artigos 5° e 6° das leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu §1°, regulam a utilização dos créditos apurados na forma do respectivo artigo 3°, e não dizem que são exclusivamente os créditos relacionados no artigo 3° de ambas as leis. O inciso II do caput do artigo 3° das leis em questão, permitem, pois duas formas de apropriação de créditos sobre bens utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens: uma de forma direta, que são os denominados créditos ordinários pagos pelos respectivos fornecedores daqueles bens; outra de forma presumida, nas limitações estabelecidas pelo artigo 8° da Lei n° 10.925/04. Tanto os créditos ordinários com o os presumidos vincularse iam à forma dos créditos estabelecida pelo artigo 3° de ambas as leis, e por isso mesmo seriam passíveis de compensação com outros tributos, ou de ressarcimento em espécie. Defende, caso não seja acatado sua argumentação, que isto provocaria o desrespeito da norma constitucional que veda a incidência das contribuições sobre as receitas de exportação, pois somente reconhecer a manutenção dos créditos sem possibilitar sua utilização ou recuperação implicaria em onerar os produtos exportados. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 6 Argumenta que o crédito presumido do Pis e da Cofins constitui forma de subvenção, espécie de estímulo financeiro, para reduzi ro impacto tributário existente sobre a produção. Aduz, após explicar a sistemática da dedução, compensação e ressarcimento dos créditos do tributo em tela, afirma que, frustradas as outras formas de ressarcimento, a União deve efetuar o pagamento, mediante a entra ao beneficiário da respectiva soma em dinheiro. Defende que, embora não esteja prevista expressamente no texto do artigo 8°, da Lei n° 10.925/04, há que se reconhecer a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do PIS/COFINS. No que tange a aplicação do percentual de 60% sobre os insumos adquiridos, quando deveriam ter sido aplicado o percentual de 35%, aduz que, em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, o artigo 8° da Lei n° 10.925/04 estabelece o percentual de 60% sobre o valor das aquisições. Argumenta que a Solução de Consulta n° 39, de 27/04/2006, apresenta decisão dos órgãos fazendários neste sentido. No tocante às aquisições de milho inteiro e quebrado, deve, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. Por derradeiro, em relação à glosa da Contribuição ao PIS paga em razão do registro das declarações de importação ter sido efetuado por meio do regime aduaneiro drawback, a interessada não contesta tal vedação a seus créditos. A interessada, todavia, expõe que não se creditou de algumas aquisições feitas por meio de declarações de importação referentes aos meses de julho a setembro de 2005. Desta forma, requer que sejam incluídos no cálculo deste período os valores correspondentes a estas exportações. Requer, por fim, a reforma da decisão prolatada, a produção de todas as provas em direito admitido, que o presente recurso seja recebido com efeitos suspensivo e devolutivo, bem como seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0720.505, de 16 de julho de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.012 7 No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 8 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. O Sujeito passivo, descontente com a decisão proferida, protocolou recurso voluntário valendose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fossem verificados: a) Quanto ao material de segurança, qual o papel do “creme protetor” e da “meia”? b) Quanto à conservação e limpeza, que tipo de serviço de bem móvel é feito? Qual a participação da limpeza na operação do sujeito passivo? c) Quanto às peças de reposição e serviços gerais, qual a participação da lavagem de roupa no processo produtivo do sujeito passivo? d) Quanto à manutenção predial, os serviços de pintura e de construção civil foram realizados no estabelecimento fabril? A compra de argamassa, calcáreo, tintas, tomadas, torneiras e de concreto usinado foram para o estabelecimento fabril? e) Quanto ao frete, quais foram os valores dos fretes utilizados para transporte de documentos, transporte de insumos entre estabelecimentos, transporte de produto intermediário entre estabelecimentos e transporte de produto final para venda? A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC realizou a diligência e os autos retornaram para análise deste Colegiado. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.013 9 O Sujeito Passivo apresentou petição sobre o resultado da diligência restringindose a afirmar que: Com a devida vênia, a diligência feita pela Receita Federal de Joaçaba, não pode ser acolhida, pois desconsiderou as informações prestadas pela intimada para, assim, tecer considerações de ordem subjetiva sobre a interpretação da legislação aplicável aos casos suscitados. A competência para dizer qual é o direito aplicável ao caso concreto, neste momento, é do Egrégio Conselho de Contribuintes e não da autoridade fiscal. Cabia a esta tão somente responder de forma objetiva aos questionamentos suscitados, que, como se pode ver, quedou inerte. Assim, tendo a autoridade fiscal respondido aos questionamentos de forma subjetiva, não merecem prosperar as alegações ali lançadas, devendo o E. Conselho, atentar para as informações prestadas pela ora intimada, as quais foram protocoladas em 04/07/12. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo ao mérito. Tratase de processo de pedido de ressarcimento da Cofins nãocumulativa referente ao 4º trimestre de 2005. BENS E SERVIÇOS INSUMOS A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf entendeu que os autos não estavam maduros para julgamento e retornouos para fase instrutória com o fim de sanar dúvidas que assombravam as mentes dos componentes do Colegiado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência em 27/08/2012 e apresentou petição em 12/09/2012 sobre o resultado da diligência. Reproduzo as conclusões da Autoridade Fiscal e os argumentos apresentados pelo recorrente no âmbito da diligência proposta. Item 01 “creme protetor e meias”: O Fisco concluiu que são materiais de proteção individual, contudo não são consumidos pelo produto final. A Recorrente afirma que o creme protetor é equipamento de proteção individual utilizado por trabalhadores que laboram no processo fabril, que tem a finalidade de Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 10 proteger as mãos dos funcionários contra agentes ambientais presentes nas atividades por eles executadas. E as meias têm a função de proteger os pés dos funcionários contra a baixa temperatura. Item 02 – Quais os serviços de bem móvel são realizados e sua participação no processo produtivo? Apuração do Fisco: (...) alega a interessada que o serviço de bem móvel realizado ocorreu, apenas, em conserto de máquinas e equipamentos. No entanto, de acordo com a descrição constante dos documentos acostados aos autos, tratam da aquisição de vassouras de palha e outras espécies, utensílios estes não utilizados diretamente na produção dos bens vendidos, não dando direito a crédito, portanto. Também os serviços discriminados nas Notas fiscais de prestação de serviço serviço de ajardinamento, serviços de lenha, cultivo de horta e pomar, carga e descarga, eventuais roçadas); serviço de limpeza de esgoto da lavagem de caminhões); ref.limpeza e desinfecção de todos os reservatórios de água da unidade); serviços de lavanderia. (...) Resposta do Recorrente: (...) os serviços de bens móveis realizados foram de conserto em máquinas e equipamentos industriais, registrados nas contas contábeis: 30449 máquinas e 30431 equipamentos pertence ao grupo de custeio de produção, bem como serviços de limpezas, os foram contabilizados nas contas de custeio: 30.465, 30.732, 30.422 e 30.449, e o serviço de lavanderia (lavagem de uniforme), contabilizados na conta de custeio: 30.732.(...) Item 03 – Serviços de limpeza. Apuração do Fisco: (...)Relativamente aos serviços de limpeza, assegura a interessada que esta atividade compreende a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos, também a lavanderia industrial (lavagem dos uniformes do pessoal) e ajardinamento de pátios dos estabelecimentos (...) Resposta do Recorrente: (...)Os serviços de limpeza compreendem a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos industriais; lavanderia industrial (lavagem dos uniformes utilizados pelos funcionários que atuam no processo produtivo); e, ajardinamento de pátios dos estabelecimentos fabris.(...) (...)Os produtos adquiridos para a limpeza da área fabril (desinfetante, detergente e vassoura) foram contabilizados na conta contábil de estoque 10.812, já os serviços em bem móveis foram contabilizados nas contas contábeis de custeio sendo, 30.449 máquinas e 41111 30.431 equipamentos, os serviços de limpeza foram contabilizados nas contas de custeio 30.465, Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.014 11 30.732, e 30.422 e 30.449, e o serviço de lavanderia na conta de custeio 30.732.(...) Item 04 – Manutenção predial, serviços de pintura e de construção civil. Apuração do Fisco: (...) Relativamente à manutenção predial e os serviços de pintura e de construção civil, assevera a interessada que foram realizados no estabelecimento fabril. No entanto, ainda que aplicados nos estabelecimentos industriais este fato por si não implica no reconhecimento de que os valores aplicados dão direito ao crédito de Pis e Cofins não cumulativo. Com efeito, em se tratando de serviços de pintura em instalações conforme descrito nas notas ficais pintura acesso indústria e lateral do prédio bloco administ II, pintura circulação de acesso aos vestiários parede/platib, pintura na salda de manutenção de baterias, pintura em calhas, teto, tirantes, suporte de expedição, pintura no setor Mec preparação e piso da oficina, pintura no setor abt, serviço de manutenção civil no setor abt, serviço manutenção civil piso setor Prd, implicam em serviços de reforma e ampliações até porque tem previsão de serem consumos em mais de doze meses, fato que implica em imobilização para futura depreciação.(...) Resposta do Recorrente: (...) A manutenção predial e os serviços de pintura e construção civil foram realizados no estabelecimento fabril e a compra de todos os itens foi utilizada nos estabelecimentos industriais, conforme demonstrado através da cópia de documentos fiscais e razão contábil dos lançamentos dos documentos fiscais na conta de estoque 10812. Para evidenciar a baixa dos itens para manutenção predial na conta de custo de produção das unidades industriais, anexamos também cópia do relatório de saída de materiais (custos) dos itens do estoque e seu lançamento nas contas de custos 30.422, 30.813, 30.431, 30.635 e 30.449. Quanto aos serviços de pinturas o custo foi contabilizado diretamente nas contas de custos 30.422, 30.449 e 30.431. As aquisições de calcáreo foram destinadas à fabricação de ração, ocorrendo a contabilização pela compra do produto na conta de estoque 10.812 e seu consumo evidenciado pela baixa do item na conta de custeio 30.805. Trata se, portanto, de insumo para a fabricação de ração.(...) Item 05 – Fretes Apuração do Fisco: Relativamente aos fretes, a requerente alega de apenas 2,83% (R$ 375.525,66 de um total de R$ 13.232.008,38) se referem a despesas de armazenagem, sendo que 47,99% corresponderiam a fretes sobre operações de venda de produtos acabados e 49,16% se trataria do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte (frete transferência). Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 12 Resposta do Recorrente: ... Em relação ao frete informamos que do valor total de R$ 13.232.007,88 glosado no 4° trimestre de 2005, R$ 6.359.681,85 correspondem a transporte de produtos acabados em operação de venda; R$ 375.525,66 referem a despesas com armazenagem de produto final para venda, R$6.496.800,37 a transporte de produtos acabados entre estabelecimentos para venda (frete transferência). O transporte de produto acabados entre estabelecimentos é contabilizado na conta de estoque 12319, do estabelecimento destinatário. Posteriormente, quando ocorre a efetiva operação de venda do produto, este valor do frete fará parte do custo da mercadoria vendida. Os gastos com frete na operação entre estabelecimentos são imprescindíveis para a efetivação da venda dos produtos fabricados pela recorrente e agregam o custo do próprio produto. É que a empresa comercializa a sua produção em todo território nacional, porém, as suas unidades industriais estão localizadas nos Estados do RS, SC e MS, que transferem a sua produção para os estabelecimentos comerciais localizados nos Estados do PR, SP, RJ, MG, PE e DF. Portanto, os gastos com frete para transferência da produção das unidades industriais para comercialização pelas unidades comerciais agregam o custo do produto, revestindo a característica de insumo ou serviço utilizado na fabricação de produtos destinados a venda.(...) Esses são os fatos contidos nos autos que servirão de base para análise da subsunção dos serviços/aquisição de mercadorias ao conceito de “insumo” contido nas leis que instituíram o regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 65 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.015 13 venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 14 pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.016 15 Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 16 É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.017 17 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 18 c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.018 19 destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando a lide, passo ao exame dos itens reclamados pelo recorrente, tendo por base a diligência realizada e o conceito de insumo alhures detalhado. Bens e Serviços material de uso geral, material de embalagens e etiquetas, peças de reposição e serviços gerais, material de segurança, material de conservação e limpeza, material de manutenção predial, ovos incubáveis, fretes e outros itens. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 20 Quanto à imensa lista de elementos que não foram considerados para o cálculo do crédito da Cofins, me reservo a analisar apenas aqueles que o recorrente buscou demonstrar participar de seu processo produtivo. Para os demais, nego de pronto sua inclusão no cálculo do crédito em virtude das alegações estarem órfãs de informações que sustentem seu direito. É bom lembrar que a lide versa sobre pedido de ressarcimento, cujo ônus da prova é do recorrente. a) Material de uso geral avental plástico, bota de borracha, camisa, camiseta impermeável, calça proteção, desinfetante, creme protetor microbiológico, detergentes, lenha de eucalipto, luva, óleos lubrificantes, papel toalha, peças para máquinas, protetor auricular, correias industriais. Entendo que os valores gastos com o avental plástico, camisa, desinfetante, luva, a bota de borracha, a camiseta impermeável, a calça de proteção, o creme protetor microbiológico, o protetor auricular, os óleos lubrificantes e as peças para as máquinas do parque fabril subsumem ao conceito de insumo, devendo fazer parte do cálculo do crédito da Cofins. Quanto aos demais elementos mencionados neste item nego seu aproveitamento por falta de prova. b) Material de Embalagens e Etiquetas caixas de papelão e etiqueta. Quanto a esse item, apenas as caixas de papelão utilizadas no acondicionamento dos produtos para fins de proteção contra ataque ambientais, choques, vibrações impróprias, esmagamento, etc, fazem parte do processo produtivo do recorrente, de forma que devem ser incluídos nos cálculos dos créditos como sendo insumos. Mesma sorte não teve o elemento “etiqueta”, pois não têm nos autos provas mínimas de sua utilização no processo produtivo. c) Material de Conservação e Limpeza Após diligência realizada no estabelecimento do recorrente, é pacífico que os serviços de limpeza compreendem a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos industriais; lavanderia industrial (lavagem dos uniformes utilizados pelos funcionários que atuam no processo produtivo). Portanto, em vista da atividade desenvolvida pela sociedade ser de cunho alimentício, entendo que os valores referentes a estes custos devem fazer parte do cálculo do crédito da Cofins, por estarem contemplados no conceito de insumo. d) Manutenção Predial, Serviço de Pintura e de Construção Civil A diligência revela que a manutenção predial e os serviços de pintura e construção civil foram realizados no estabelecimento fabril e a compra de todos os itens foi utilizada nos estabelecimentos industriais, conforme demonstrado através das cópias dos documentos fiscais e razão contábil. O Fisco apurou que os serviços de pintura foram realizados no acesso a indústria e lateral do prédio bloco administrativo II (pintura circulação de acesso aos vestiários parede/platib, pintura na sala de manutenção de baterias, pintura em calhas, teto, tirantes, suporte de expedição, pintura no setor mec preparação e piso da oficina, pintura no setor abt, serviço de manutenção civil no setor abt e serviço manutenção civil piso setor Produtivo. Neste caso apenas os custos com a manutenção predial do setor fabril e os serviços de pintura deste mesmo setor tem o direito de fazer parte do cálculo do crédito da Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.019 21 exação. Os custos com a manutenção e pintura dos prédios administrativos e outros setores não podem compor o referido crédito. e) Fretes. Em relação ao frete informa a recorrente e não contesta o Fisco: ... Em relação ao frete informamos que do valor total de R$ 13.232.007,88 glosado no 4° trimestre de 2005, R$ 6.359.681,85 correspondem a transporte de produtos acabados em operação de venda; R$ 375.525,66 referem a despesas com armazenagem de produto final para venda, R$6.496.800,37 a transporte de produtos acabados entre estabelecimentos para venda (frete transferência). O transporte de produto acabados entre estabelecimentos é contabilizado na conta de estoque 12319, do estabelecimento destinatário. Posteriormente, quando ocorre a efetiva operação de venda do produto, este valor do frete fará parte do custo da mercadoria vendida. Os gastos com frete na operação entre estabelecimentos são imprescindíveis para a efetivação da venda dos produtos fabricados pela recorrente e agregam o custo do próprio produto. É que a empresa comercializa a sua produção em todo território nacional, porém, as suas unidades industriais estão localizadas nos Estados do RS, SC e MS, que transferem a sua produção para os estabelecimentos comerciais localizados nos Estados do PR, SP, RJ, MG, PE e DF. Portanto, os gastos com frete para transferência da produção das unidades industriais para comercialização pelas unidades comerciais agregam o custo do produto, revestindo a característica de insumo ou serviço utilizado na fabricação de produtos destinados a venda. Das informações coletadas concluise que as despesas com fretes estão divididas entre as relativas ao transporte de produtos acabados em operação de venda, ao transporte entre estabelecimentos de produtos acabados e ao frete sobre as compras dos insumos utilizados para industrialização dos produtos a serem comercializados. O aproveitamento do custo com frete relativo ao transporte de produto acabado para venda está previsto na Lei que instituiu a nãocumulatividade. Ressalto apenas que o ônus deve ser suportado pelo vendedor. Os custos dos fretes referentes à aquisição dos insumos incorporam ao custo dos insumos, desde que estejam descriminados na nota fiscal de compra e assumidos pelo comprador. Cumpridos esses requisitos, estarão acobertados pela legislação. Assim, o único problema a ser resolvido se refere ao frete correspondente ao transporte de bens acabados entre estabelecimentos da mesma sociedade. Conforme já mencionado o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins tem um alcance maior do que matériaprima, produto intermediário e material de embalagem relacionados ao IPI e menor que os custos de produção do IRPJ. Contudo, defendo que nos Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 22 casos em que a Lei previu, expressamente, o tipo do bem ou o do serviço que poderá ser utilizado para descontar créditos das exações, aplico os cânones legais. É o caso da despesa com fretes, o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 prevê que apenas os fretes utilizados na operação de venda poderão servir de créditos a serem descontados do valor apurado de exação. No caso em questão, o transporte de produto acabado de um estabelecimento a outro da mesma sociedade não dá direito ao crédito, pois falta previsão legal. Se fosse produto semiacabado, meu entendimento seria diverso, uma vez que esse frete faria parte do processo produtivo da empresa. Portanto, quanto a esse custo, mantenho afastados os valores da base de cálculo do crédito da Cofins. f) Armazenagem As despesas com armazenagem também foi prevista no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 como integrante dos créditos descontáveis da exação. De sorte que afasto a glosa efetuada pela fiscalização e mantida pela instância a quo. g) Ovos incubáveis A operação na visão do recorrente: (...) no modelo de integração/parceria, a empresa firma um contrato de parceria com o parceiro produtor, pessoa física, em que a empresa se compromete a fornecer as matrizes, pintos, leitões, medicamentos, alimentação e assistência técnica, enquanto que o parceiro produtor, pessoa física, participa com as instalações, água, luz, mãodeobra de alimentação e manutenção do lote dos animais recebidos. O parceiro produtor, pessoa física, em contrapartida, recebe da empresa (agroindústria), uma parcela da produção, em cada lote, obtendo para si um parcela do que foi produzido. Tal parcela é estabelecida através da aplicação de uma fórmula específica, constante no contrato, com base na conversão de produção ou conversão alimentar para determinar o fator de eficiência e produção. A parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. É o caso dos autos, ou seja, a parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde a sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa. Ou seja, o parceiro produtor emitiu nota fiscal para acobertar a venda da sua parte na produção. (...) A operação na visão da Autoridade Fiscal: Verificase que o contrato de parceria, anexado aos autos, tem por objeto o fornecimento à cooperativa de ovos para incubação, ovos férteis destinados à produção de pintos de corte. No caso em exame, são formalizados contratos de parceria entre a cooperativa (parceira) e o produtor integrado (matrizeiro), pessoa física. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.020 23 Este sistema de parceria para fornecimento de ovos para incubação, comumente denominado de integração, de fato, é tradicionalmente empregado no setor avícola. A parceira assume a obrigação de fornecer ao produtor os insumos necessários a produção, quais sejam lotes de aves, machos e fêmeas, além de rações, medicamentos e vacinas, bem como o transporte das aves e dos ovos que saírem da propriedade. O matrizeiro, por sua vez, tem por atribuição a guarda e conservação das aves postas à sua disposição, devendo cumprir uma série de prescrições relativas à criação das aves, além de suprir água potável e energia elétrica nas quantidades necessárias à atividade. Exigese do matrizeiro instalações físicas adequadas, constituídas, no contrato em apreço, de três aviários de 14m x 130m, além dos equipamentos que se fizerem necessários, "de acordo com a avaliação e orientação do departamento técnico da segunda (parceira)", sendo do matrizeiro a responsabilidade pela mão de obra necessária. Quanto à partilha dos frutos da parceria, reproduzse a cláusula contratual que a define: “Cláusula segunda (...) Parágrafo segundo: Ajustam as partes, para efetivação da parceria, que 88% (oitenta e oito por cento) dos ovos provenientes de cada lote de aves entregues, é de propriedade da PARCEIRA, sendo o saldo remanescente de 12% (doze por cento) de propriedade do MATRIZEIRO.” O contrato estabelece ainda que, "em relação ao percentual de 12% (doze por cento) dos ovos produzidos, de propriedade do MATRIZEIRO, comprometese este a dar à PARCEIRA preferência na sua compra, cujas condições serão dispostas em documento específico” Pois bem, como se percebe da leitura das cláusulas deste contrato, bem como dos usos e costumes referentes a contratos de parceria aviária, a parceira exige, para ingresso na atividade, que o matrizeiro possua os aviários e as máquinas conforme suas especificações, bem como que este entregue os ovos nos padrões exigidos pela parceira. Para tal, o matrizeiro deverá fazer investimentos em ativos com elevada especificidade. Esta necessidade de criar um relacionamento em ativos específicos transforma o relacionamento à medida que a transação se desdobra. Antes dos investimentos em ativos específicos serem feitos, uma parte pode ter várias alternativas de negócio, sendo que ela poderia escolher um entre os muitos possíveis negociantes. Mas, depois que o investimento em ativos específicos é feito, as partes têm poucas, se tiver, alternativas de negócios. Assim, uma forma de Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 24 oferta competitiva não se torna mais possível. Ou seja, uma vez que tal investimento em ativos dedicados é feito, o relacionamento muda de uma posição na qual a parte teria uma grande quantidade de negociantes para uma situação em que tem apenas um negociante. No caso analisado, não há a possibilidade (ou se há, é muito pequena) de negociação da produção com a sua segunda melhor alternativa. O produto, em que pese no contrato restar estabelecido que uma parte ser propriedade do matrizeiro, na realidade não lhe pertence, sendo ele apenas o responsável pela condução do setor de produção. Por esta tarefa, a parceira agrícola paga ao matrizeiro uma remuneração, em pecúnia, cujo valor é definido de acordo com a produção. Assim sendo, os valores pagos pela cooperativa aos matrizeiros correspondem à remuneração paga a pessoa física. Após apresentar a operação sob a ótica das partes envolvidas na lide, parto da premissa de que o ônus da prova é do recorrente, em vista do processo tratar de pedido de ressarcimento. Ao meu sentir afirmativas das partes convergem no sentido de que a operação efetuada é de prestação de serviço por pessoa física. Consoante noção cediça, a legislação veda o direito ao crédito relativo ao valor de prestação de serviço por pessoa física. Deste modo, mantenho a decisão da Delegacia de Julgamento quanto à glosa desses valores do cálculo do crédito da Cofins. AGROINDÚSTRIA – RESSARCIMENTO. A Autoridade Fiscal glosou o crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais pelo entendimento de serem passíveis de ressarcimento, apenas de desconto com a própria Cofins na apuração do quantum debeatur. Já o recorrente defende que, embora não esteja prevista expressamente no texto do artigo 8°, da Lei n° 10.925/04, há que se reconhecer a possibilidade de ressarcimento em relação ao crédito presumido do PIS/COFINS. Assim, o cerne da questão é definir se os créditos presumidos da agroindústria podem ser objeto de processo de ressarcimento ou de compensação tributária. A solução da lide passa necessariamente pelas irradiações das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.021 25 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 26 Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.022 27 De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Deste modo, em que pese à reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 28 § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.023 29 no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, a Lei nº. 12058, de 13 de outubro de 2009 aduziu importantes modificações no tema, a saber: Permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; Autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei nº. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direito concedidos pela Lei nº. 12058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Não se pode esquecer que o art. 106 do CTN autoriza a aplicação de lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 30 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria da Cofins em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pelo contribuinte deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO O recorrente afirmar que houve erro na aplicação do percentual sobre os insumos adquiridos – suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate – em seu julgamento o percentual do crédito presumido deveria ser de 60% e não de 35% como foi feito pela DRJ/Joaçaba. Mesma sorte deveria ter as aquisições de milho inteiro e quebrado em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 trata do percentual em questão: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07. 14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.024 31 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004). § 2° O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4° do art. 3° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3° O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n's 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n°11.488, de 15 de junho de 2007) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: 1 do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 32 De acordo com as modificações aduzidas pela Lei nº 12.865/2013, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é de 60%. Portanto, o pleito do recorrente tem amparo legal, de sorte de aplico o percentual citado de reformo da decisão a quo quanto a esta matéria. CRÉDITOS A DESCONTAR. Alega o recorrente que a decisão vergastada glosou valores em razão de que foram importados bens através do regime aduaneiro DRAWBACK, com suspensão do PIS, tendo, entretanto, o sujeito passivo se apropriado do crédito, contrariando disposição contida na Lei n° 10.865/04, art, 15, § 1°, que autoriza a apropriação do crédito apenas quanto aos valores efetivamente pagos, o que não seria o caso de importações amparadas pelo DRAWBACK. Entretanto, a divergência entre os valores solicitados e os reconhecidos pela autoridade fiscal, reside noutra situação de fato. Nos meses de JULHO A SETEMBRO de 2005, a recorrente, por motivo ignorado, deixou de incluiu no pedido de ressarcimento, a totalidades as DI's registradas no mencionado período. A totalidade das DI's, por ocasião da apreciação do pedido de ressarcimento do referido, também não foram computadas pela autoridade fiscal. Quanto a essa matéria, entendo que é defeso o aditamento de pedido de ressarcimento visando à inclusão de novos créditos financeiros ao pedido inicial. Novos direitos devem ser pleiteados em novo pedido de ressarcimento, sob pena de cerceamento do direito de defesa e de inobservância do devido processo legal. Nesta linha, acertou a DRJ/Joaçaba em não aceitar a inclusão de novos créditos financeiros ao pedido inicial de ressarcimento sem que fosse efetuado por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). TAXA SELIC A interessada requer que seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. Quanto à possibilidade de aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais referentes ao PIS e a Cofins nãocumulativos, entendo que não há amparo legal, muito pelo contrário, a Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais nela previstos, assim dispondo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art 3°, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e §5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o P1S/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e lido § 3° do art. 1°, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7º, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.025 33 Portanto, pela regra acima reproduzida, é vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: admitir o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos; determinar a aplicação da alíquota de 60% aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; admitir a inclusão dos custos abaixo relacionados no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da Lei n° 10.833/2003: 3.a) aquisição de avental plástico, desinfetante, luva, camisa, de bota de borracha, de camiseta impermeável, de calça de proteção, de creme protetor microbiológico, de protetor auricular, de óleos lubrificantes para as máquinas fabris, de peças para as máquinas do parque fabril e de caixas de papelão utilizadas para o acondicionamento dos produtos finais; 3.b) prestação de serviços de limpeza que compreendam a lavagem e desinfecção das instalações, máquinas e equipamentos industriais; 3.c) prestação de serviço de lavanderia industrial que efetue a lavagem dos uniformes utilizados pelos funcionários que atuam no processo produtivo; 3.d) manutenção predial do setor fabril; 3.e) transporte dos produtos acabados para venda, desde que o vendedor arque com o ônus; 3.f) frete referente a aquisição dos insumos utilizados no processo produtivo, desde que o comprador arque com o custo; e 3.g) despesas com armazenagem para venda do produto acabado. É como voto. Sala das Sessões, em 29/01/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Sílvia de Brito Oliveira, Redatoradesignada Durante os debates ocorridos na sessão em que ocorreu o julgamento do recurso voluntário interposto neste autos, divergi do Conselheiro relator quanto aos créditos relativos aos ovos incubáveis e às etiquetas. Passo então a expor as razões que conduziram meu voto divergente, que foi seguido pela maioria dos conselheiros presentes na sessão. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 34 Relativamente aos ovos incubáveis, a recorrente afirmou que não se trata de pagamento por serviços prestados por pessoa física, mas, sim, de aquisição, de pessoa física, de ovos para incubação, pois adotou um modelo de produção verticalizado, em que, nesse caso, fornece ao produtor rural, pessoa física, matrizes poedeiras, bem como assistência técnica, ração e medicamentos necessários, para o produtor rural cuidar dessas matrizes até a fase anterior à incubação dos ovos. Nesse modelo, a pessoa física participa com as instalações, água, luz, mão deobra para alimentação e manutenção do lote de animais recebidos e, como pagamento, recebe uma parcela do que foi produzido (no caso, os ovos incubáveis), essa parcela normalmente é vendida para a própria empresa. Assim, os pagamentos efetuados à pessoa física referemse à compra da parcela da produção de ovos incubáveis pertencente ao produtor rural. Diante dessa situação, comprovada por cópia de contrato entre produtor rural e a recorrente, para os casos em que há recibo ou nota fiscal que ampara a venda à recorrente por produtor rural, pessoa física, de ovos incubáveis, o que se tem é a aquisição de insumos de pessoa física, o que faculta à recorrente a apropriação de crédito presumido calculado com base nessas aquisições, na forma do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Por essas razões, voto pelo provimento parcial do recurso (parcial porque reconhecese como passível de gerar crédito presumido apenas as aquisições comprovadas) para que seja, quanto a este item, permitida a apropriação do crédito presumido previsto no precitado dispositivo legal sobre as aquisições comprovadas de ovos incubáveis de pessoa física. Quanto às etiquetas, percebese que a glosa efetuada juntamente com os créditos de aquisição de embalagens decorreu de paralelo feito com o IPI cuja legislação diferencia embalagem de transporte e embalagem de apresentação para fins de incidência desse imposto. Contudo, para a Cofins e a contribuição para o PIS, essa diferenciação não possui nenhuma relevância, pois, adotada a premissa de inerência ao processo produtivo para a conceituação dos insumos, devem ser afastados os conceitos aplicáveis ao IPI. Destarte, na atividade desenvolvida pela recorrente, no setor alimentício, a embalagem adequada, com as etiquetas apropriadas não só é inerente e pertinente ao processo de produção ou obtenção do alimento, como também é medida de saúde pública, razão pela qual são cabíveis os créditos relativos à aquisição de etiquetas. Diante do exposto, divirjo do Conselheiro relator para prover o recurso também quanto aos créditos decorrentes da aquisição de ovos incubáveis e de etiquetas. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.026 35 Declaração de Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior,com Declaração de voto. Em face do resultado do julgamento, que por maioria de votos, houve por bem em admitir o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos realizados pela Recorrente neste Processo Administrativo Tributário, mas que, parte dos Conselheiros entenderam ser vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos a serem ressarcidos/compensados, coubeme a honrosa tarefa de exprimir as razões desta divergência de fundamentos, embora o resultado final seja o mesmo, no sentido de prover apenas em parte o recurso voluntário. Como bem se sabe, para que o ressarcimento ou a restituição ocorra de forma integral, o sujeito passivo tem direito à correção monetária e juros incidentes sobre os valores indevidamente pagos, salvo nos casos em que a proibição venha expressa, como forma de sanção por procedimento incorreto, indevido ou da desídia do próprio credor. No caso dos autos, a recorrente faz jus ao direito de uso dos créditos apontados pelo art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, apesar de uma aparente resistência criada pelo art. 13 deste último diploma legal, como passo a expor. Antes de mais nada, salientase que os créditos constantes no dispositivo supra mencionado passaram a fazer parte do sistema não cumulativo implantado, visando, como conseqüência, um menor recolhimento das contribuições sociais ali disciplinadas, ou de desoneração da cadeia produtiva mediante um sistema de abatimento/desconto de saldos credores que se acumulem na escrita do contribuinte. Dessa forma, sempre que houver restrições à tomada/desconto de créditos, maior será o desembolso (ou o custo) do contribuinte. A premissa inicial é de que, em sendo a restrição ilegítima, o desembolso (ou o custo) equivalente ao crédito não permitido terá sido indevido. Tendo em vista o acima exposto, ouso discordar, data vênia, do entendimento exarado pelos nobres colegas julgadores, pois entendo que, embora possa se extrair do art. 13, da Lei nº 10.833/03, de forma literal, que possa existir uma aparente resistência à atualização monetária sobre os valores a serem ressarcidos nos termos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, na verdade havendo resistência normativa ou através de ato expresso emitido pela Administração, passa a existir o direito a correção. Os créditos pleiteados nesses autos deixaram de ser utilizados por força de norma ou interpretação proibitiva emanada da própria Fazenda, necessitando da interferência deste Conselho CARF, para que se lhe declarasse o direito, transmudandose a sua natureza, vindo a constituir uma dívida de valor. E às dívidas de valor é inconteste a aplicação da SELIC, nos termos do §4º, do art. 39, da Lei n° 9.250/95. Nesse sentido ocorreu o desfecho do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, que embora tenha sido proferido em torno de outro tributo, a circunstância aqui referida mostrase equivalente, razão pela qual se destaca parte do julgado: Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 36 “1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, Dje 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ – 1ª Seção – Rel. Min. Luiz Fux – j. 25.6.2009 DJe 03/08/2009) – grifouse. Como dito, embora o julgado transcrito tenha sido proferido em sede de IPI, a verdade é que o raciocínio se aplica aos créditos escriturais como um todo, no sentido de que, havendo permissão legal para tomada dos créditos e o contribuinte não os escriturou no devido tempo, por sua própria mora ou omissão, não fará jus aos juros e correção, pois que não pode imputar ao Poder Público uma penalização que decorre de sua própria inércia. No entanto, o inverso também é verdadeiro, na medida em que, havendo oposição da Administração Tributária, no tocante ao direito de escriturar determinados créditos, inibindo o contribuinte de lançálos no tempo oportuno, obrigandoo a correr o risco de glosa ou mesmo, forçandoo a buscar guarida num processo litigioso, administrativo ou judicial, será então debitada a mora ao Poder Público, que dessa forma, deverá permitir a incidência de SELIC sobre os créditos que até então tinham seu registro vedado, por norma expressa ou oposição na interpretação dada pela Administração Pública. Tanto é verdadeira a situação que o entendimento já está plasmado na Súmula nº 411, do STJ, que se transcreve: Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.027 37 "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" A aplicabilidade deste entendimento e posicionamento a todos os tipos de créditos escriturais também já foi discutido pelo próprio STJ que, em decisão da 2ª Turma, nos autos do REsp nº 1.203.802/RS, cujo relator foi o Min. Herman Benjamin, em 03.02.2011 (DJe 03.02.2011) expressou seu entendimento como abaixo se alinha: “... 1. O regramento específico para os créditos de PIS e Cofins apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637∕02 e 10.833∕03 só permite que sejam deduzidos do montante a ser pago a título da própria contribuição. No entanto, havendo saldo credor acumulado ao final do trimestre, é possível a compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, conforme autoriza o art. 16 da Lei 11.116∕2005. 2. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847∕RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), pacificou o entendimento de que somente é devida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão de óbice normativo instituído pelo Fisco. O mesmo raciocínio aplicase aos créditos escriturais de PIS e Cofins obtidos na forma do art. 3º das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, já que não há previsão legal que admita sua correção monetária.” (grifei) No mesmo sentido, analisando se a simples demora na análise de pleito de ressarcimento declinado pelo contribuinte subsumirseia a chamada “resistência ilegítima” da Administração, autorizando consequentemente a incidência da correção monetária, aquele mesmo Superior Tribunal de Justiça, pela sua 2ª Turma (REsp nº 1.331.033 – SC, Rel. Ministro Mauro Campbell, julgado em 02 de abril de 2013), posicionouse favoravelmente a incidência da SELIC, sendo que do voto do Relator cabe destacar: “Decerto, essa lógica é pertinente quando estamos a falar de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro, ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subsequentes (se forem utilizados em um mesmo período de apuração não há diferença de correção monetária, vejase o votovista vencido do Min. José Delgado no REsp. n. 212.899 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Garcia Vieira, julgado em 5.10.1999). Se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento. Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 38 legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima. Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente. (...) A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada ´resistência ilegítima´. Desse modo, óbice do fisco a ensejar a incidência de correção monetária se deu em uma e outra hipóteses: a do reconhecimento espontâneo do crédito pela administração tributária com mora e a da negativa reconhecimento do crédito pela administração tributária vindo a ser reconhecido apenas pela via judicial.” (grifei) Do mesmo modo, a Primeira Seção (congregando as 1ª e 2ª Turmas do STJ – competente para julgar essa matéria), acabou firmando posicionamento nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.220.942/SP, de Relatoria do Min. Mauro Campbell Marques (julgado em 14.04 e publicado no DJE em 18.04.2013), reiterando os mesmos termos acima, no qual cita expressamente o trecho relativo ao PIS e COFINS, acima transcrito, na própria Ementa do referido julgado, deixando expresso que o Recurso Representativo de Controvérsia REsp nº 1.035.847/RS (Rel. Min. Luiz Fux), aplicase também a todos os casos de pedidos de ressarcimento, quando os créditos deles objeto, deixam de ser meramente “escriturais”. Assim sendo, com ainda mais razão, em havendo oposição da Administração Tributária tolhendo o aproveitamento tempestivo dos créditos, será devida a correção monetária. E para tal fim, se entende como vedação ou oposição ao aproveitamento dos créditos, a edição de Atos Normativos pela Administração, como forma de vedar ou restringir o uso de determinados créditos, como se entende ser o caso das IN’s 247/02 e 404/04, que limitaram a tomada de créditos, quando o insumo não se desgastar no processo produtivo pelo contato direto com o produto em fabricação ou na prestação de serviços. Nessas circunstâncias de oposição da Administração ao registro tempestivo dos créditos, se entende que dúvida não deveria haver, no sentido de ser cabível o direito a Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Processo nº 10925.000387/200891 Acórdão n.º 3402002.312 S3C4T2 Fl. 1.028 39 correção dos créditos apropriados extemporaneamente pelo contribuinte, através do índice da SELIC, nos mesmos termos em que se tem entendido cabível a correção monetária pelo aproveitamento extemporâneos de créditos escriturais em geral, se igualmente não foram escriturados por óbice criado pela Administração. Ao aplicar a SELIC aos créditos reconhecidos tardiamente, administrativa ou judicialmente, ao contribuinte, ainda que sejam oriundos de anteriores créditos escriturais, se está meramente recompondo o poder aquisitivo da moeda e, ao mesmo tempo, compensando o contribuinte pela demora do Estado em reconhecer um direito. E como visto pelo excerto a seguir, não é outro o entendimento do próprio STF como se pode conferir: “... 1. Apesar de ter sido alegado durante todo o processo que a escrituração tardia dos créditos tributários se deu em razão de óbice imposto pelo Estado, tal alegação não foi apreciada pelo acórdão embargado. Configurada, assim, omissão passível de correção por meio de embargos de declaração. 2. Fazem jus à correção monetária os créditos tributários tardiamente escriturados em função de oposição injustificada do Fisco. (RE 200.379EDEDEDv, rel. Min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, DJ 05052006).” (RE 372975, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 21.05.13, DJ de 04.06.13). Embora sendo ainda uma corrente minoritária, este Conselho já concedeu referido direito aos créditos de PIS não cumulativo, em função desse entendimento, como se pode atestar pelo precedente cuja ementa abaixo segue transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS Á COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3o, § 1o, I da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei n.º 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR 40 Recurso Provido em Parte.” (CARF – 2ª Turma Especial da 3ª Seção – Acórdão 3802001.418 Red. designado Cons. Solon Sehn, julgado em 25.10.12). Assim sendo, nos termos da fundamentação acima declaradas, salvo melhor juízo, é que votei pela admissão da incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido referentes ao PIS e a Cofins nãocumulativos entre a data do pedido de ressarcimento até a data da completa satisfação do crédito. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Conselheiro com Declaração de Voto. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 7/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por SILVIA DE BRITO OL IVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Numero do processo: 10680.012140/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Cabem embargos de declaração para sanar omissão no acórdão embargado com o enfrentamento de matérias nele suscitadas e não enfrentadas tempestivamente.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, mantendo o improvimento do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, mantendo o improvimento do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Cabem embargos de declaração para sanar omissão no acórdão embargado com o enfrentamento de matérias nele suscitadas e não enfrentadas tempestivamente. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, mantendo o improvimento do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 21 40 /2 00 6- 76 Fl. 4392DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3301002.089, proferido por esta Turma Ordinária que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância. A embargante alega omissão sob o argumento de que o acórdão embargado não analisou todas as matérias objeto do recurso de ofício, limitandose à decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Nacional constituir parte dos créditos tributários e à multa agravada, silenciandose quanto à desoneração decorrente da exclusão de outras receitas das bases de cálculo das contribuições, também objeto do recurso de ofício. Assim, requereu o conhecimento e acolhimento dos embargos a fim de sanar o vício apontado com o enfrentamento da matéria que não foi analisada expressamente no acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Os embargos de declaração interpostos atendem aos requisitos de admissibilidade. Assim, deles conheço. Realmente assiste razão à embargante. A autoridade julgadora de primeira instância exonerou a interessada do pagamento de parte dos créditos tributários sob os fundamentos de (i) decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Nacional constituir parte deles, (ii) inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, e (iii) inexistência de fraude. No acórdão embargado, esta Turma Ordinária enfrentou apenas a decadência qüinqüenal e o agravamento da multa de ofício, silenciandose sobre as desonerações decorrentes da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, sob a seguinte ementa: RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. EXONERAÇÃO. Correta a exoneração de partes dos créditos tributários, decorrentes de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, em virtude da decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituílas, bem como das multas agravadas e qualificadas pelos fatos de, respectivamente, as intimações terem sido atendidas e por não ter sido provado evidente intuito de fraude.” Assim, deve ser analisada e julgada a parte dos créditos tributários desonerados sob o fundamento de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, omitida no acórdão embargado. Fl. 4393DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.012140/200676 Acórdão n.º 3301002.211 S3C3T1 Fl. 958 3 A autoridade julgadora de primeira instância desonerou a parte dos créditos tributários apurados e exigidos sobre receitas não operacionais (recuperação de despesas, rendimentos s/ aplicações financeiras, juros ativos e receitas aplic. financeiras) sob o fundamento de que aquele dispositivo legal, que fundamentou a exigência de tais contribuições, foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Realmente a ampliação da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, nos termos daquele dispositivo legal, foi julgada inconstitucional pelo STF, no julgamento dos RE nºs 357.950 e 358.273, sob o regime do art. 543B da Lei nº 8.869, de 11/01/1973 (CPC). Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, aquela decisão, para afastar a incidência daquelas contribuições sobre outras receitas (receitas não operacionais), conforme decidiu a autoridade julgadora de primeira instância, rerratificando o acórdão embargado sob as seguintes ementas: RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXONERAÇÃO. Correta a exoneração de partes dos créditos tributários, decorrentes de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, em virtude da (i) decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituílas, (ii) inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições, apuradas sobre outras receitas, e (iii) atendimento às intimações e inocorrência de fraude. Em face do exposto, acolho os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, mantendo, contudo, o improvimento do recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4394DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10920.916501/2011-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a estes autos o resultado final e definitivo do processo nº 10480.729052/2012-10, em que se discute o auto de infração referente à reclassificação fiscal de mercadorias.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado Presidente
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues..
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a estes autos o resultado final e definitivo do processo nº 10480.729052/2012-10, em que se discute o auto de infração referente à reclassificação fiscal de mercadorias. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues..
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Resolvem os membros da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a estes autos o resultado final e definitivo do processo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração referente à reclassificação fiscal de mercadorias. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Presto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte supra identificado, em decorrência da decisão presente no despacho decisório lavrado pela repartição de origem, em que se deferiu apenas em parte o direito creditório pleiteado e homologouse parcialmente a compensação declarada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 16 50 1/ 20 11 -4 2 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.916501/201142 Resolução nº 3803000.450 S3TE03 Fl. 331 2 De acordo com o Termo de Informação Fiscal, em razão da reclassificação de mercadorias fabricadas pelo contribuinte, com a consequente reconstituição da escrita fiscal, lavrouse auto de infração para se exigirem as parcelas do imposto apuradas a partir da utilização das alíquotas consideradas devidas pela Fiscalização (processo administrativo nº 10480.729052/201210), do que resultou na redução do saldo credor do imposto passível de ressarcimento ao final do trimestre. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, com o reconhecimento da procedência das classificações fiscais por ela adotadas, alegando serem indevidos os motivos alegados pela Fiscalização para a reclassificação fiscal e lavratura do auto de infração no processo administrativo nº 10480.729052/201210. Submetidos os presentes autos a julgamento na DRJ Ribeirão Preto/SP, decidiu se pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Havendo redução do saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude de lançamento de imposto, deferese o ressarcimento do novo saldo credor, após a reconstituição da escrita fiscal. Quando a delegacia de origem já deferiu o valor correspondente ao saldo credor reconstituído, não resta saldo a ser deferido. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. COMUNICAÇÃO. ATOS PROCESSUAIS. ESCRITÓRIO DO ADVOGADO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto condutor do acórdão recorrido, registrouse que o auto de infração formalizado no bojo do processo nº 10480.729052/201210 fora julgado pela mesma Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP na mesma data em que se julgou o presente processo, tendo sido mantido integralmente o lançamento efetuado pela repartição de origem, por ter sido considerada como correta a reclassificação fiscal promovida pela Fiscalização. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.916501/201142 Resolução nº 3803000.450 S3TE03 Fl. 332 3 Cientificado da decisão em 7 de março de 2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 27 do mesmo mês e requereu a anulação do despacho decisório, reconhecendose a procedência das classificações fiscais por ele adotadas, com a consequente homologação da compensação declarada, ou, subsidiariamente, a realização de perícia técnica ou, ainda, o sobrestamento do presente processo até o julgamento definitivo do processo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração decorrente da reclassificação fiscal promovida pela Fiscalização. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre o reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado e a homologação apenas parcial da compensação declarada, em razão da reconstituição da escrita fiscal da pessoa jurídica, do que decorreu o lançamento de ofício das parcelas do imposto que exsurgiram após a reclassificação fiscal dos produtos promovida pela Fiscalização. Em consulta efetuada aos sistemas Comprot e EProcesso em 7 de abril de 2014, constatouse que o processo administrativo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração, foi julgado pela DRJ Ribeirão Preto/SP em 29 de janeiro de 2014, encontrandose na DRF Recife/PE desde 3/2/2014. Conforme constou do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, uma vez que já haviam sido analisados, no bojo dos autos em que se controverte sobre o lançamento de ofício, os elementos de fato e de direito que embasaram os trabalhos da Fiscalização, não era cabível, no momento do julgamento deste processo, a reanálise dos fundamentos da autuação. Nesse sentido, considerando que o deslinde deste processo depende do que vier a ser julgado definitivamente no processo nº 10480.729052/201210, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que se junte a estes autos o resultado final e definitivo a ser obtido no processo em que se discute o auto de infração, ficando este processo sobrestado até a providência requerida. Após a providência requerida, os autos deverão retornar a esta 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000188/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS-COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91.
MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial para excluir a multa de ofício de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial para excluir a multa de ofício de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 01 88 /2 01 0- 73 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial para excluir a multa de ofício de 75%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 315 3 Relatório BEL S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1436.307/2012, às fls. 272/277, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, concernentes a parte da empresa, incidentes o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços médicos de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, nos termos do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, em relação ao período de 02/2005 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 65/72. Tratase de Auto de Infração (Obrigação principal), lavrado em 26/02/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário devidamente consignado na folha de rosto da autuação. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas são os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo às cooperativas de trabalho na área de saúde denominada UNIMED TUPÃ – Cooperativa de Trabalho Médico e UNIMED DE MARÍLIA – Cooperativa de Trabalho Médico em cumprimento aos contratos de prestação de serviços firmados entre os interessados. Informa, ainda, o fiscal autuante que o presente lançamento fora realizado em face da contribuinte BEL S/A, em observância aos preceitos contidos no artigo 227 da Lei n° 6.404/76, diante da incorporação da empresa LATICÍNIOS HERCULÂNDIA LTDA. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 280/309, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, aduzindo para tanto que a Lei n° 9.876/99, ao revogar os preceitos da Lei Complementar n° 84/1996, contrariou inúmeros preceitos constitucionais, a começar pela ordem formal, eis que uma lei ordinária derrogou os ditames de outra lei complementar, o que não é admitido em nosso ordenamento jurídico pátrio, mormente quando a matéria tratada é reservada à lei complementar. Alega ser plenamente viável/possível a análise de inconstitucionalidade/ilegalidades das normas pela instância administrativa, sobretudo quando tal entendimento vem sendo admitido pela jurisprudência judicial e doutrina pátria. Em defesa de sua pretensão, assevera que o montante relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou a daquela a ela conveniado, não pode ser considerado na base de cálculo de contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 72, inciso XVII, da IN/INSS n° 03/2005, pouco importando se a contribuição encontrase prevista nos incisos I, II ou IV da Lei n° 8.212/91. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Sustenta que a autoridade julgadora de primeira instância não se debruçou sobre o tema acima relembrado, de crucial importância ao deslinde da controvérsia, mormente por se tratar de hipótese de exceção à regra. Contrapõese ao lançamento, insistindo que a contribuição previdenciária inscrita no artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 se aplica aos serviços prestados pelas cooperativas de trabalho, com exceção das quantias relativas à assistência médica ou odontológica. Explicita a melhor interpretação do artigo 291 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 que deverá ser levada a efeito na subsunção do fato à norma, concluindo que a forma correta para se apurar a contribuição devida sobre uma fatura de serviço médico prestado por cooperativas de trabalho, consiste em encontrar a base de cálculo resultante da multiplicação do índice de 30% (trinta por cento) ou 60% (sessenta por cento), conforme o caso, sobre o valor total da fatura, aplicandose, em ato contínuo, o percentual referente à alíquota da multi citada contribuição social a incidir sobre o montante concernente à base de cálculo. Infere que a fiscalização adotou o percentual de 60% e não de 30%, como fora declarado pela contribuinte, por entender se tratar de contrato de pequeno risco, o que não representa a realidade dos fatos, uma vez que os procedimentos médicos a serem realizados, nos termos do instrumento contratual firmado, demonstram se tratar de contrato de grande risco, garantindo aos colaboradores da recorrente cobertura médicohospitalar, como assistência médica ambulatorial, cirúrgica, UTI, etc. Ressalta que não pode prevalecer o entendimento da fiscalização no sentido de que aludidos percentuais somente podem ser aplicados quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, por absoluta ausência de previsão legal neste sentido. Quanto à penalidade imputada, aduz que esta nova sistemática de aplicação de multa por lançamentos de ofício referente às obrigações principais de contribuições previdenciárias deve ser aplicada somente em relação aos fatos geradores ocorridos após a vigência da Lei n° 11.941/2009, uma vez que a legislação anterior dispensava tratamento mais benéfico ao sujeito passivo. Defende não haver lógica na soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória, de maneira a limitar a 75%, tendo em vista que se tratam de penalidades distintas para fatos geradores diferentes, devendo, portanto, ser aplicada a penalidade prevista pela redação do art. 35 vigente à época dos fatos geradores, no que atine às multas por descumprimento de obrigação principal, e, em relação à obrigação acessória, imperiosa a retroatividade da Lei n° 11.941/09 que enxertou o artigo 32A na Lei 8.212/91, por trazer tratamento mais benéfico. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 316 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva do Relatório Fiscal, às fls. 65/72, a lavratura da presente autuação se deu em virtude da constatação da falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por segurados contribuintes individuais cooperados mediante cooperativas de trabalho, conforme disposição constante do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 c/c artigo 201, inciso III, do RPS, que assim preceituam: “ LEI Nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Acrescentado pela Lei nº 9.876/99, com vigência a partir de 03/00. Até 02/00 vigorou a LC nº 84/96. Ver inciso III do art. 201 do Regulamento, Dec. nº 3.048/99 e § 2º do art. 1º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03)” (grifamos) “ RPS – DECRETO 3.048/99 Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] III quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 8º do art. 219;” (grifamos) Conforme se depreende dos dispositivos legais encimados, tratandose de serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, incide contribuição previdenciária calculada à base de 15% (quinze por cento) sobre as notas fiscais ou fatura de prestação de serviço. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência na forma constituída, argüindo a inconstitucionalidade/ilegalidade dos tributos ora exigidos, por afronta ao disposto nos artigos Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 195, inciso I, alínea “a”; 154, inciso I; e 156, inciso III, da Constituição Federal, tornando, assim, inconstitucional a cobrança consignada neste lançamento. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento se apresenta incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Com efeito, além da exigência dos tributos ora lançados, com os respectivos acréscimos legais, encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 317 7 E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Assim, não há como se acolher a pretensão da contribuinte em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Não procede, igualmente, a argumentação da contribuinte no sentido de que não incide contribuições previdenciárias sobre prestação de serviços médicos por cooperados, mediante cooperativas de trabalho. Isto porque, a única hipótese de isenção relativa a serviços médicos encontra se inscrita no artigo 28, §9°, alínea “q”, da Lei n° 8.212/91, o qual contempla a não inclusão dos valores pagos à totalidade dos funcionários da empresa com o plano de assistência médica ou odontológica, não integrando o salário de contribuição, o que não se vislumbra no caso vertente, que contempla a prestação de serviços por cooperados, mediante cooperativas de trabalho, onde a contribuição previdenciárias pertinente fundamentase em outro dispositivo legal, qual seja, artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, acima transcrito. Ainda irresignada com a exigência fiscal, sustenta a recorrente que a fiscalização adotou o percentual de 60% e não de 30%, como fora declarado pela contribuinte, por entender se tratar de contrato de pequeno risco, o que não representa a realidade dos fatos, uma vez que os procedimentos médicos a serem realizados, nos termos do instrumento contratual firmado, demonstram se tratar de contrato de grande risco, garantindo aos colaboradores da recorrente cobertura médicohospitalar, como assistência médica ambulatorial, cirúrgica, UTI, etc. Ressalta que não pode prevalecer o entendimento da fiscalização no sentido de que aludidos percentuais somente serão aplicados quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, por absoluta ausência de previsão legal neste sentido. Da mesma forma, inobstante o esforço da contribuinte, suas alegações não merecem acolhimento, não sendo capazes de rechaçar o lançamento ora contestado. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Destarte, consoante se depreende da Informação Fiscal, às fls. 261/263, não se aplicou o percentual de 30% ou 60%, em face do grau de risco do contrato, mas, sim, considerouse como base de cálculo o valor dos serviços discriminados pela própria Unimed de Tupã, senão vejamos: “[...] 2.2. E também, que nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de 15% (quinze por cento) devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo. Assim estabelecia o inciso I do artigo 291 da IN SRP 03/2005 e atualmente o inciso I do artigo 219 da IN RFB 971/2009. No entanto, observarseá a peculiaridade do contrato – se de grande risco ou de pequeno risco – para a aplicação do percentual de 30% (trinta por cento) ou 60% (sessenta por cento), apenas quando o valor dos serviços prestados por cooperados (ato cooperativo principal) não estiver discriminado nas notas fiscais ou faturas. Quando estiver discriminado nas notas fiscais ou faturas, é o próprio valor dos serviços que constitui base de cálculo da contribuição. 2.3. No presente caso, examinando o contrato de prestação de serviços firmado entre o sujeito passivo e a Unimed de Tupã, não resta dúvida que é de grande risco ou risco global, pois assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares. Portanto, não há como apontar cláusulas específicas do contrato que o caracterizam como de pequeno risco, pois não é. 2.4. Verificando as faturas emitidas pela Unimed de Tupã para o sujeito passivo, podese observar que a base de cálculo utilizada no Auto de Infração não decorre de critério de enquadramento do contrato de prestação de serviços como de pequeno risco, mas sim, que foi considerado como base de cálculo o valor dos serviços discriminados nas faturas. 2.5. O AuditorFiscal autuante não afirma ter lavrado o Auto de Infração considerando o contrato de prestação de serviços como de pequeno risco, e que por isso utilizou a base de cálculo de 60% (sessenta por cento), e nem que o valor dos serviços não está discriminado nas faturas. Apenas cita, no subitem “4.3”, a previsão normativa de utilização dos percentuais de 30% (trinta por cento) ou de 60% (sessenta por cento). 2.6. Nas faturas emitidas pela Unimed de Tupã que foram juntadas ao processo, verificase que no período em questão a cooperativa de trabalho médico discriminou o valor dos serviços médicos efetivamente repassado aos cooperados (ato cooperativo principal), valor esse informado como “Mensalidade PP (60% com IR), o qual corresponde à 60% (sessenta por cento) do valor das mensalidades do contrato de prépagamento – percentual de repasse aos cooperados utilizado pela Unimed, mas coincidente com o percentual de 60% aplicável ao contrato de pequeno risco, quando não discriminados os valores repassados nas faturas, o que não é o caso. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 318 9 27. É certo que ao mencionar a previsão de utilização dos percentuais de 30% (trinta por cento) e de 60% (sessenta por cento) no subitem “4.3” do Relatório Fiscal, quando o valor dos serviços não estiver discriminado na nota fiscal ou fatura, e na alínea “c” ter citado a base de cálculo utilizada sobre as faturas da Unimed de Tupã, pareceu que o AuditorFiscal utilizou tal critério na apuração da base de cálculo sobre as faturas da referida cooperativa de trabalho médico, mas não foi isso que ocorreu. Devia ter mencionado no Relatório Fiscal que estava considerando como base de cálculo o valor dos serviços discriminados nas faturas, que foi o que de fato ocorreu. 2.8. Portanto, o AuditorFiscal autuante não aplicou o percentual de 60% (sessenta por cento) sobre o valor das faturas para apurar a base de cálculo por aferição, ao contrário, para a lavratura do Auto de Infração considerou como base de cálculo o valor dos serviços discriminados pela própria Unimed de Tupã, a critério dela, coincidentemente correspondente a 60% do valor das faturas. Frisese que a mesma base de cálculo foi utilizada para o cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte, pela alíquota de 1,5% (um e meio por cento), com base no artigo 45 da Lei nº 8.541/1992, alterada pela Lei nº 8981/95, cujo dispositivo legal também estabelece que “estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei nº 8.981, de 1995) [...]” “(grifamos) Constatase, assim, que a própria fiscalização reconhece que os serviços prestados são de grande risco, o que atrairia o percentual de 30% sobre a nota fiscal e/ou fatura de prestação do serviço, se não estivesse discriminado em tais documentos o valor dos serviços médicos efetivamente repassado aos cooperados, na forma que prescreve o artigo 291, inciso I, da IN SRP n° 03/2005, e artigo 219 da IN RFB n° 971/2009, que assim estabelecem: “ IN SRP N° 03/2005 Art. 291 . Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco Fl. 331DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; b) inferior a sessenta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; [...] IN RFB N° 971/2009 Art. 219. Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de 15% (quinze por cento) devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou na fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; b) inferior a 60% (sessenta por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; [...]” Extraise daí que somente quando os valores dos materiais utilizados nos serviços não estiverem discriminados nas notas fiscais ou faturas é que deverá ser levado a efeito o enquadramento do contrato como de grande ou pequeno risco, o que não se vislumbra no caso dos autos, onde a contribuinte fez constar de tais documentos aludida base de cálculo, a qual fora utilizada na constituição do crédito previdenciário sob análise. Como se observa, todo o procedimento adotado pelo fiscal autuante ao constituir o crédito tributário encontrase devidamente elencado nos autos e devidamente escorado nas normas que regulamentam a matéria, não havendo se falar em improcedência do feito. DO RECÁLCULO DA MULTA A PARTIR DA EDIÇÃO DA MP N° 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N° 11.941/2009 Em que pese a procedência do Auto de Infração em relação ao seu mérito, mister destacar que posteriormente à ocorrência dos fatos geradores ora lançados fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 319 11 ordem na aplicação de multas de ofício e/ou acessória e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das penalidades constantes da Lei nº 9.430/96. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Inobstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos explicitados no item 2 acima, adotando os seguintes fundamentos para tanto: Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 “[...] 6.2 Em relação as competências anteriores a edição da referida MP (04/12/2008) e considerando que o art. 106 que o art. 106, inciso II, "c do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) dispõe que tratandose de ato não definitivamente julgado a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, efetuamos o demonstrativo da multa entre as penalidades da legislação posterior e anterior a MP 449/2008 para a aplicação da mais benéfica, conforme Anexo único e resumo abaixo. [...]” Como se verifica, com as novas modalidades de multas contempladas pela legislação hodierna, a multa de mora prescrita no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 deixou de existir, passando a dar lugar à multa de ofício estabelecida no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o que fez florescer o entendimento de que a multa de mora aplicada em lançamentos pretéritos teriam que ser rechaçadas ou mesmo limitadas a 20%, na esteira da previsão contida no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. Com mais especificidade, analisando a legislação previdenciária constatase que a multa moratória achavase regulamentada pelo artigo 35 da Lei n° 8.212/91, que assim prescrevia: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei 9.528, de 10/12/97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 320 13 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99)” Entrementes, a Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, em seu artigo 24, alterou a redação do dispositivo legal encimado, revogando, ainda, os seus incisos e parágrafos, passando a estabelecer o seguinte: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Por sua vez, os artigos 44 e 61 da Lei n° 9.430/96, trazem em seu bojo as seguintes determinações: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Conforme se extrai da evolução da legislação acima transcrita, constatase que, para as contribuições previdenciárias, as notificações fiscais eram lavradas com a exigência de multa de mora gradativa, dependendo da época em que fosse pago o tributo. Não havia, porém, a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados. Em via, os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, anteriormente à unificação com a Previdência, se pagos em atraso estariam sujeitos à multa de mora, limitada a 20%, na forma do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. No entanto, na hipótese de lançamento de ofício, aplicase a multa de ofício contemplada no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, deixando de se exigir a multa de mora do artigo 61 do mesmo Diploma Lega. Em outras palavras, no que concerne as contribuições previdenciárias, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, somente se exigiria multa de mora, que podia variar de acordo com a data do pagamento, não se cogitando em multa de ofício. Por seu turno, na Receita Federal do Brasil a multa de mora só é exigida no pagamento, antes do lançamento de ofício, que, se ocorrer, sujeitará o contribuinte à multa de ofício, não mais a de mora. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 321 15 Assim, a partir da edição da MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a multa de mora exigida/lançada nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e/ou Autos de Infração de contribuições previdenciárias, como in casu, deixou de ter amparo legal, eis que aqueles Diplomas Legais determinaram que somente seria cobrada multa de mora, limitada a 20%, no caso de pagamento e, multa de ofício, na hipótese de lançamento. Dessa forma, tendo a multa moratória encontrado limite legal, qual seja, 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, por força da alteração introduzida pela Lei n° 11.941/2009, devem seus efeitos retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, por tratarse de norma que comina penalidade mais branda, com base no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II – tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Observese que a multa de ofício, atualmente exigida no lançamento de ofício, não poderá ser aplicada retroativamente, tendo em vista não ser mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que ocorre com a multa de mora. Neste sentido, aliás, impende transcrever os ensinamentos do doutrinador LEANDRO PAULSEN, que assim preleciona: “Penalidade, inclusive multa moratória. A retroatividade abrange qualquer penalidade pelo descumprimento da legislação tributária, incluindose, nesta categoria, evidentemente, a multa moratória. Ou juros moratórios, por não terem caráter punitivo, não sofrem a incidência deste dispositivo. Na nota acima, sob a rubrica Retroatividade da lei mais benigna, há ementas de acórdãos dando aplicação ao art. 106, II, c, do CTN em relação a multas moratórias.” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 10 ed. Ver. Atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora;a ESMAFE, 2008) A propósito da matéria, não é demais citar outro excerto da obra de Leandro Paulsen, supratranscrita, corroborando a pretensão da contribuinte, senão vejamos: “ – Multa moratória. Art. 61 da Lei 9.430/96. O percentual de multa moratória teve inúmeras variações ao longo do tempo. Alternouse entre 20% e 30% e chegou até mesmo a 40% aplicada com suporte na Lei 8.218/91, tendo sido novamente reduzida para 30% pelo art. 84, III, c, da Lei n° 8.981/95 e para 20% novamente em razão da superveniência do art. 61 da Lei 9.430/96. Sempre que o percentual aplicado tenha sido superior a 20%, cabe reduzir a mesma a este percentual por força da lei Fl. 337DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 superveniente em cumprimento ao art. 106, II, c, do CTN.” (grifamos) Da leitura dos dispositivos legais encimados, conjugados com a legislação tributária, sinteticamente, concluímos o seguinte: 1) Para os lançamentos contemplando fatos geradores ocorridos posteriormente à MP n° 449/2008, impõese observar as novas regras de multas inscritas na Lei n° 9.430/96; 2) Relativamente aos lançamentos exigindo contribuições previdenciárias (obrigação principal) cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à edição da MP n° 449/2008, impõese à observância da multa de mora estabelecida no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época, com a limitação de 20% do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, diante da nova legislação mais benéfica; E fora exatamente neste ponto que a autoridade incorreu em equívoco, aplicando retroativamente a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, para fatos geradores ocorridos anteriormente à alteração na legislação previdenciária, determinada, inicialmente, pela Medida Provisória n° 449/2008. Ora, para aqueles que entendem pela impossibilidade da conjugação das multas de mora, ofício e acessória após a edição da MP n° 449/2008, salvo melhor juízo, não há que se falar em multa de ofício em lançamento exigindo contribuições com fatos geradores anteriores àquela MP, mas, sim, a aplicação da multa de mora limitada a 20%, na forma acima explicitada. Na hipótese dos autos, deixando a autoridade fiscal de aplicar a multa de mora de 20% ou mesmo de 24%, variável ao tempo (nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época), o que seria analisado posteriormente, para aplicar a multa de ofício de 75% com base na legislação nova, mais gravosa que a anterior, impõese a sua exclusão, por absoluta ausência de dispositivo legal amparando tal penalidade. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para excluir a multa de ofício de 75%, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 322 17 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Redatora Designada Em que pese a fundamentada explicação do ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, ouso divergir da interpretação em relação a aplicação dos dispositivos da MP 449/2008, convertida na lei 11.941. Na verdade o próprio relator, trouxe em seu voto toda a sistemática que o fisco adotou para aplicação da multa de 75%, sendo que o mesmo discorda em relação a interpretação dos referidos dispositivos. Nesse sentido, filiome a tese adotado pelo auditor fiscal e ratificada pelo julgador de primeira instância. Assim como descreveu o Conselheiro Rycardo, mesmo não se filiando a conclusão trazido pelo auditor, no que tange ao cálculo da multa, face à edição da MP 449/08, convertida em lei 11.941, a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso conforme descrito no relatório fiscal, para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática, multa moratória, com a aplicação de multa pela não informação em GFIP, e da sistemática descrita na nova legislação. Assim, trouxe o próprio relator do processo: Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos explicitados no item 2 acima, adotando os seguintes fundamentos para tanto: “[...] 6.2 Em relação as competências anteriores a edição da referida MP (04/12/2008) e considerando que o art. 106 que o art. 106, inciso II, "c do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) dispõe que tratandose de ato não definitivamente julgado a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11444.000188/201073 Acórdão n.º 2401003.339 S2C4T1 Fl. 323 19 menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, efetuamos o demonstrativo da multa entre as penalidades da legislação posterior e anterior a MP 449/2008 para a aplicação da mais benéfica, conforme Anexo único e resumo abaixo. [...]” Ou seja, para efeitos da apuração da situação mais favorável, observou o auditor fiscal notificante: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que, ao contrário do voto do relator, não há qualquer reparo no cálculo da multa imposta, tendo em vista ter sido aplicada a mais favorável ao sujeito passivo, conforme entendimento exposto acima. CONCLUSÃO Voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 11020.001647/98-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1982 a 31/12/1982
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO.
A decisão judicial deve ser cumprida dentro dos limites nela determinados, observados seu comando e as normas vigentes à época da interposição petição perante o Poder Judiciário.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DÉBITOS DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE.
O pedido de compensação de crédito financeiro próprio com débito tributário de terceiro, pendente de julgamento na data da instituição da compensação, mediante Declaração de Compensação (Dcomp), não se converteu nesta declaração, para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita da compensação de débito tributário com crédito financeiro de terceiro, objeto de pedido de compensação, porque tal pedido, ainda que pendente de apreciação, na data de instituição da Dcomp, não foi convertido em declaração de compensação (Dcomp).
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A decisão judicial deve ser cumprida dentro dos limites nela determinados, observados seu comando e as normas vigentes à época da interposição petição perante o Poder Judiciário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DÉBITOS DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de compensação de crédito financeiro próprio com débito tributário de terceiro, pendente de julgamento na data da instituição da compensação, mediante Declaração de Compensação (Dcomp), não se converteu nesta declaração, para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita da compensação de débito tributário com crédito financeiro de terceiro, objeto de pedido de compensação, porque tal pedido, ainda que pendente de apreciação, na data de instituição da Dcomp, não foi convertido em declaração de compensação (Dcomp). Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 16 47 /9 8- 41 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Miranda, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto em tempo hábil pela Procuradora da Fazenda Nacional ao Acórdão 30132.545, por meio do qual foi dado provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido recebeu as seguintes ementas: “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/06/1982 a 31/12/1982 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS – CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria serão considerados declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Intimada desse acórdão, a Procuradora da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência (fls. 457/465), requerendo a sua reforma a fim de que seja afastada a homologação tácita da compensação, reconhecida na decisão recorrida, e os autos remetidos à instância “a quo” para que se analisem as demais questões constantes dele, decadência do direito do interessado pedir a restituição/compensação e ofensa à coisa julgada, alegando, em síntese, que os pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros pendente de Fl. 504DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001647/9841 Acórdão n.º 9303002.908 CSRFT3 Fl. 504 3 apreciação na data de instituição da compensação, mediante Declaração de Compensação (Dcomp), não foram convertidos em Dcomp, nos termos do art. 74, caput, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, c/c a redação dada pela Lei nº 10.833, de 30/12/2003. Intimado do acórdão do acórdão recorrido e do recurso especial interposto pela Procuradora da Fazenda Nacional, o interessado apresentou contrarrazões (fls. 481/487), requerendo, em preliminar, a rejeição do recurso especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que “a recorrente apenas apresentou acórdão com entendimento diverso daquele consignado na decisão, sem tampouco apresentara as datas do requerimento da compensação, haja vista que a lei em análise sofreu inúmera alterações”, e, no mérito, a manutenção da decisão da segunda instância, sob o fundamento de que a vedação à homologação tácita de Dcomp com créditos de terceiros é posterior ao protocolo do seu pedido de compensação, em 06/08/1998, visto que foi inserida pela Lei nº 11.051, de 2004. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto à preliminar suscitada pelo interessado de que não foi provado o entendimento diferente em julgamentos de outras Turmas do CARF e/ ou de outras Câmaras do antigo Conselho de Contribuintes, sobre a matéria (homologação tácita), o Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, datado de 04/01/2012, às fls. 489/491, demonstrou e provou que ficou “configurada a necessária identidade fática (em ambos discutiuse a compensação com créditos de terceiros), a interpretação assentada no acórdão recorrido é diametralmente oposta da fixada no paradigma: o primeiro entendeu que o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, em sua atual redação, dava espeque à pretensão de homologação tácita, enquanto o segundo não”. Realmente do exame do acórdão paradigma apresentado às fls. 466/472, constatase com segurança a divergência de entendimento entre as decisões. Assim, rejeito a preliminar contra o seguimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, suscitada pelo interessado. No mérito, o presente processo trata exclusivamente da compensação de crédito financeiro do interessado contra a Fazenda Nacional, cujo direito à repetição lhe foi reconhecido na esfera judicial, ação ordinária nº 9894470. A decisão judicial favorável ao interessado, condenou a União Federal a lhe restituir os indébitos do Finsocial, objeto do pedido de compensação em discussão. O trânsito em julgado ocorreu na data de 02 de setembro de 1992 (fls. 217). Efetuados os cálculos do montante a ser restituído, a sentença da conta foi homologada (fls. 277) e a União Federal Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 citada (fls. 285). Vencido o prazo de 10 (dez) dias, sem a interposição de embargos (fls. 287), o interessado iniciou a execução da sentença, visando a restituição dos indébitos. Contudo, posteriormente, na fase de expedição do respectivo precatório (fls. 289), o interessado protocolou requerimento ao Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal da 2ª Vara, informando a desistência da execução e, ao mesmo tempo, requerendo autorização para a compensação do crédito financeiro com débitos de Cofins (fls. 293). O Exmo Sr. Dr. Juiz Federal intimou a Fazenda Nacional daquele requerimento e solicitou sua manifestação a respeito. Em atendimento à solicitação do Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal, a Fazenda Nacional apresentou o requerimento às fls. 323, informando que o interessado postulou repetição dos indébitos e não compensação e que tal pedido representava inovação imponível na atual fase do processo. Assim, não concordou com a compensação proposta. Por meio do Despacho SRIP Nº 00.09894470, datado de 06/05/1997, às fls. 325, o Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal indeferiu o requerimento do interessado, mantendo a restituição reclamada, na ação ordinária, e, ainda, determinou a baixa e o arquivamento dos autos. Posteriormente, o interessado protocolou, em 18/06/1997, novo requerimento àquele Exmo. Sr. Dr, Juiz Federal (fls. 331/335). Contudo, não nos autos quaisquer decisões sobre tal requerimento, ao contraio, o Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal determinou o arquivamento dos autos, em 24/06/1997, conforme despacho às fls. 337. Dessa forma, a compensação do crédito financeiro indicado no pedido de compensação, em discussão, independentemente de ser utilizado em compensações com débitos próprios e/ ou de terceiros, estava vedada por expressa decisão judicial. Quanto à homologação tácita de compensação de crédito financeiro próprio com débitos tributários de terceiros, objeto do pedido de compensação pendente de julgamento na data de instituição da Dcomp, inexiste amparo legal para o reconhecimento de sua ocorrência. A compensação de débitos tributários com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, foi instituída por meio da Medida Provisória (MP) nº 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos seguintes termos: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 506DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.001647/9841 Acórdão n.º 9303002.908 CSRFT3 Fl. 505 5 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...].” Já o instituto da homologação tácita surgiu com a edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, com vigência a partir desta mesma data, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que, por meio art. 17, deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluindo nele o parágrafo 5º, assim dispondo: “§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Ora, segundo estes dispositivos legais, somente podem ser objeto de compensação, mediante a apresentação de Dcomp, créditos financeiros e débitos tributários do mesmo contribuinte, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Também, conseqüentemente, somente se converteram em Dcomp os pedidos de compensação de créditos financeiros e débitos tributários do mesmo contribuinte. Pedidos de compensação de créditos financeiros cedidos por terceiros não foram convertidos em Dcomp. Posteriormente, ratificando o disposto no caput do art. 74, citado e transcrito acima, de que a compensação de crédito financeiro com débito tributário de terceiro não estava e não está amparada neste dispositivo legal, a Lei nº 10.051, de 2004, incluiu o § 12 naquele artigo, assim dispondo: “§ 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...]; II – em que o crédito: a) seja de terceiros; [...].” Dessa forma, não há que se falar em homologação tácita, no presente caso. Quanto ao pedido da recorrente para que, se decidido que não ocorreu a homologação tácita, os autos sejam baixados à autoridade “a quo” para analise da decadência do direito de o interessado pedir a restituição/compensação do crédito financeiro e a ofensa à coisa julgada, entendo desnecessária, tendo em vista que este processo trata exclusivamente de pedido de compensação de crédito e não de repetição de indébitos tributários. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Assim, demonstrado e provado que a compensação, em discussão, não fora autorizada pela decisão judicial transitada em julgado, ao contrário requerida ao Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal, foi indeferida e, ainda, que não ocorreu a homologação tácita, o julgamento daquelas matérias fica prejudicado. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Procuradora da Fazenda Nacional, restabelecendo, desta forma, a decisão de primeira instância. Henrique Pinheiro Torres Fl. 508DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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