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Numero do processo: 10480.724359/2010-54
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO.
Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38.
Numero da decisão: 2004-000.107
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/12/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38.
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REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONSTANTES DA IMPUGNAÇÃO. Recurso voluntário que apenas reproduz as razões constantes da impugnação e traz nenhum argumento visando a rebater os fundamentos apresentados pelo julgador para contrapor o entendimento manifestado na decisão recorrida, autoriza a adoção dos respectivos fundamentos e confirmação da decisão de primeira instância, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38. Constitui infração deixar a empresa, de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 43 59 /2 01 0- 54 Fl. 471DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2004-000.107 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724359/2010-54 Relatório Cuida o presente de lançamento (DEBCAD 37.297.888-6) para exigência de multa por ter deixado a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, combinado com o artigo 233, paragrafo único do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. (CFL 38) O Relatório Fiscal encontra-se às fls. 16/18. O sujeito passivo impugnou o lançamento às fls. 339/344. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro/RJ, julgou procedente o lançamento às fls. 428/433, por meio do acórdão a seguir mentado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/12/2010 Falta de apresentação de documentos. Constitui infração deixar a empresa, de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Cientificado do acórdão de impugnação, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 442/452. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator. Da admissibilidade A contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação em 6/6/15 (fl. 439) e apresentou seu recurso tempestivamente em 2/7/15 (fl. 442). Preenchido os demais requisitos para a sua admissibilidade, dele conheço e passo a analisar-lhe o mérito. Do mérito Como relatado, a multa aqui tratada decorreu da inobservância do dever de, quando intimada, exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Nesse particular, relatou o autuante as seguintes omissões e incorreções após, ao menos, 3 (três) intimações endereçadas ao recorrente: Fl. 472DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2004-000.107 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724359/2010-54 2.1. A documentação comprobatória dos lançamentos registrados nas contas contábeis: 5110100004 (5A04 – Comissões e Prêmios de Vendas; código 336); 5110100029 (5A02 – Rescisão de Contrato de Trabalho; código 361). Segue planilha que constitui anexo CFL38 relacionando os lançamentos para os quais não foi apresentada a documentação suporte. [...] 3.1. Documentação comprobatória dos lançamentos registrados nas contas contábeis: 5130100001 (5A04 – Comissões; código 472); 5110500014 (5A18 – Propaganda e Publicidade; código 401); 5110500032 (5A04 – Honorários Advocatícios; código 419). Segue planilha que constitui anexo CFL38 relacionando os lançamentos para os quais não foi apresentada a documentação suporte. [...] 4.1. Os recibos de pagamentos efetuados ao Sr. Francisco Paulo Araújo pelos serviços prestados à empresa e registrados na contabilidade através dos lançamentos efetuados nas contas 5110100004 (5A04 – Comissões e Prêmios de Vendas; código 336) e 5130100001 (5A04 – Comissões; código 472), no período de 01/2006 a 12/2006. [...] 5. Apresentação do livro Diário, relativo ao período de 01/2006 a 12/2006, com omissão e informação verdadeira, na medida em que não foram contabilizados os seguintes fatos contábeis: 5.1. A provisão da contribuição social da empresa e a contribuição dos segurados incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviços pessoa física) verificados a partir dos registros de lançamentos realizados nas contas: 5110500050 (5A04 - Despesas com Despachantes; Código 437); 5110100004 (5A04 – Comissões e Prêmios de Vendas; código 336); 5130100001 (5A04 – Comissões; código 472), no período de 01/2006 a 12/2006. Em seu recurso, a autuada suscitou, de forma bastante objetiva, que o descumprimento da norma não teria acarretado qualquer prejuízo ao Fisco, na medida em que não houvera qualquer lançamento por falta de recolhimento das contribuições fiscalizadas. Aduziu ainda que teria havido violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, já que, segundo entende, a medida imposta não guardaria uma dosimetria adequada em relação à conduta do agente. Quanto a esse ponto, cumpre destacar que a sanção imposta tem supedâneo no artigo 33,§§ 2º e 3º, 92 e 102, todos da Lei 8.212/91 e na Portaria Interministerial MPS/MF nº 333/2010, que estabeleceu o valor mínimo em vigor a partir de 01/01/2010 na monta de R$ 14.317,78. Veja-se:. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. [...] § 2 o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3 o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da Fl. 473DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 Fl. 4 do Acórdão n.º 2004-000.107 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724359/2010-54 penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. [...] Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.187-13, de 2001). Tem-se, com isso, não ter havido qualquer violação aos princípios da razoabilidade e/ou da proporcionalidade, eis que o autuante agiu segundo os normativos que vinculam a atividade fiscal. Na sequencia, reafirmou que “Reitere-se: supostamente houve a ausência de entrega, tendo em vista que o funcionário responsável pelo atendimento à Fiscalização assegura que todos os documentos foram entregues. No entanto, apenas não foi realizada a entrega de tais documentos com assinatura de protocolo pelo Ilustre Fiscal.” Prosseguiu insistindo que essa suposta não apresentação dos documentos não teria sido capaz de invalidar, por parte do Fisco, os lançamentos efetuados na contabilidade da Recorrente, visto que da sua análise não teria sido constatada nenhuma irregularidade que o levasse a proceder o lançamento de ofício de quaisquer quantias que pudessem ter sido não recolhidas, o que, aí sim, causaria sérios prejuízos ao Erário. De fato, a efetiva ocorrência da conduta reprovada e sancionada pela norma é motivo, por si só, para que haja a incidência da reprimenda, pouco importando se a inobservância desse dever instrumental acarretou, ou não, a lavratura de lançamento para cobrança das contribuições em questão. Há de se observar, por parte do autuante, os normativos que o vincula. Registre-se, ainda, que a alegação de que teria havido a apresentação da documentação requisitada, desacompanhada do protocolo que comprovaria tal conduta, não merece acolhida. No mais, examinando-se as razões de decidir da decisão desafiada, que contempla toda a tese de defesa posta no recurso sob análise, não vejo reparos a serem promovidos em sua conclusão, motivo pelo qual a confirmo e a adoto em sua integralidade, na forma do § 3º do artigo 57 do RICARF. Confira-se: 11. Alega a Impugnante que apresentou os documentos solicitados pela Auditoria Fiscal, no entanto, a mesma não fora entregue com protocolo de recebimento. 12. De nada vale a apresentação de alegação desacompanhada da respectiva comprovação. Como o Contribuinte não trouxe aos autos a comprovação de que a documentação foi entregue à Auditoria, a alegação deve ser tida como improcedente. 13. Afirma a Impugnante que traz aos autos a documentação indicada pela Auditoria como não entregue. 14. A documentação trazida aos autos foi acima relacionada, sendo assim possível constatar que a Impugnante não trouxe aos autos a totalidade da documentação solicitada pela Auditoria: documentação comprobatória dos lançamentos registrados nas contas contábeis relacionados na planilha de fl. 19. Fl. 474DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2187-13.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2187-13.htm#art3 Fl. 5 do Acórdão n.º 2004-000.107 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724359/2010-54 14.1. Considerando o disposto no §2º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, a saber: “Art. 33 (...)2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições Sociais.”. A não apresentação de qualquer documento enseja a autuação da multa prevista pelos art. 92 e Art 102 da Lei nº 8.212/91, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29/06/2010 (DOU 30/06/2010). 14.2. Ou seja, o valor da multa é fixo, e no presente caso de R$ 14.317,78, independente do número de documentos que deixaram de ser apresentados. 15. Como não atendeu às intimações fiscais, assumiu a Impugnante a obrigação de trazer aos autos o livro diário com os lançamentos indicados pelo Fisco, e a respectiva documentação comprobatória (os chamados documentos de caixa). Como nenhum desses documentos foi carreado para os autos não cabe a revisão do auto de infração. Trata-se de mais uma alegação improcedente. 16. Aduz a Impugnante: 2.6. Importa ressaltar, apenas por amor ao debate, que mesmo se a Impugnante não tivesse apresentado a documentação solicitada, não haveria qualquer prejuízo ao Erário Público, tendo em vista que do exame dos Livros Diários e dos arquivos do SINCO e do MANAD, entregues formalmente, com protocolo (Doc. 4), ao Ilustre Fiscal, acaso fosse constatada qualquer irregularidade, esta poderia ser verificada com o simples exame de tais documentos. 17. Não procede a alegação, uma vez que houve, sim, prejuízo para a Fiscalização, na medida em que não foi comprovada a veracidade dos lançamentos contábeis, a qual deve ser efetuada mediante a entrega da documentação que dá suporte aos registros da contabilidade. 18. Cabe acrescentar que a obrigação acessória não se confunde com a obrigação principal. Transcrevo o artigo pertinente do Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte- se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (destaquei) 19. Como visto, a aplicação da penalidade pecuniária decorre do simples fato da inobservância da obrigação acessória, não havendo necessidade de caracterização do descumprimento da obrigação principal. Também não há necessidade de comprovação de prejuízo efetivo ao trabalho do Fisco decorrente do descumprimento da obrigação acessória, sendo suficiente a demonstração do descumprimento da obrigação imposta pela legislação, como se verifica pela legislação acima transcrita. 20. Em vista de tudo o que foi exposto, fica constatado que o CRÉDITO FISCAL DEVE SER MANTIDO. Forte no exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 475DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2004-000.107 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10480.724359/2010-54 Fl. 476DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11080.732377/2018-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício manejado em razão da exoneração de crédito tributário (tributos mais multa de ofício) inferior ao limite de alçada vigente no momento da apreciação do recurso pelo CARF.
Numero da decisão: 1201-006.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Eduardo Genero Serra, Fredy José Gomes de Albuquerque, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Lucas Issa Halah, Alexandre Evaristo Pinto e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício manejado em razão da exoneração de crédito tributário (tributos mais multa de ofício) inferior ao limite de alçada vigente no momento da apreciação do recurso pelo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Eduardo Genero Serra, Fredy José Gomes de Albuquerque, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Lucas Issa Halah, Alexandre Evaristo Pinto e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, em atenção ao disposto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, recorreu de ofício da sua decisão proferida no Acórdão nº 10-65.000 (fls. 50), como autoridade julgadora de primeira instância no presente processo. O contribuinte apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil 29 declarações de compensação – DCOMP, listadas nas fls. 3, as quais apontam direito creditório oriundo do Programa Reintegra no valor de R$ 29.175.933,56. O alegado direito de crédito não foi reconhecido pela Administração Tributária, que não homologou a compensação, em razão de apontada inconsistência na nota fiscal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 23 77 /2 01 8- 32 Fl. 64DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-006.297 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732377/2018-32 associada à exportação direta correspondente. Tal procedimento foi formalizado no processo nº 16682.900162/2014-61. Em face da não homologação dessas compensações, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 2, em que se impôs multa isolada no percentual de 50% dos correspondentes débitos compensados, o que consiste o objeto do presente processo. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação das compensações, no referido processo nº 16682.900162/2014-61, e apresentou impugnação contra o presente lançamento tributário (fls. 10). A manifestação de inconformidade foi julgada procedente, quando foram esclarecidas as apontadas inconsistências, levando ao reconhecimento do direito de crédito e à homologação das DCOMP. Saliente-se que essa decisão não está sujeita a recurso de ofício, sendo definitiva na esfera administrativa. A referida impugnação, como consequência da homologação das compensações, foi julgada procedente, em data posterior, o que significa a exoneração da correspondente multa isolada, o que deu ensejo ao presente recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. A decisão de primeira instância exonerou a exigência de multa isolada no montante de R$ 14.528.065,03, a qual é o objeto do presente recurso de ofício. Verifico que o recurso de ofício se deu porque o valor exonerado ultrapassou o valor de dois milhões e meio de reais, limite de alçada então vigente para determinar a revisão necessária. Todavia, a Súmula CARF nº 103 1 orienta que, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Atualmente, o limite de alçado está determinado no valor de quinze milhões de reais, nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 2, de 2023, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Assim, o valor exonerado na primeira instância está abaixo do limite de alçada ora vigente, de forma que o recurso de ofício não deve ser conhecido. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque 1 Súmula CARF nº 103 - Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 65DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-006.297 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732377/2018-32 Fl. 66DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001853/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Exercício: 2006
MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS
REFERENTES AOS REGISTROS DE INVENTÁRIO DE
MERCADORIAS.
Comprovado, após duas diligências, que os registros foram efetuados, de fato, nos estabelecimentos da pessoa jurídica, embora houvesse mais de uma inscrição estadual para cada produto, não merece prosperar a multa lançada.
Numero da decisão: 3101-000.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Exercício: 2006 MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS REFERENTES AOS REGISTROS DE INVENTÁRIO DE MERCADORIAS. Comprovado, após duas diligências, que os registros foram efetuados, de fato, nos estabelecimentos da pessoa jurídica, embora houvesse mais de uma inscrição estadual para cada produto, não merece prosperar a multa lançada.
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Comprovado, após duas diligências, que os registros foram efetuados, de fato, nos estabelecimentos da pessoa jurídica, embora houvesse mais de uma inscrição estadual para cada produto, não merece prosperar a multa lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 23/07/2011 Fl. 878DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro. Vanessa Albuquerque Valente e Corintho Oliveira Machado. Ausente o conselheiro Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração lavrado pela Alfândega do Porto de Manaus, no valor de R$ 2.700.406,89, em que foi aplicada multa prevista no art. 504, II, c/c art. 318 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (Ripi/2002), em virtude da não apresentação, após intimação, de arquivos digitais referentes aos Registros de Inventário de Mercadorias existentes em 31.12.2003 e 31.03.2004, das Inscrições Estaduais (IE) nº 04.720.0600 e nº 04.102.7817, apurada, segundo a Fiscalização, “pelo cotejo entre os elementos constantes dos relatórios de entrega dos arquivos digitais, do conteúdo do meio magnético armazenador das informações, (...) e dos livros de Registro de Inventário”. 2. Cientificada em 21.06.2007 (fl. 06) a interessada apresentou, tempestivamente, em 16.07.2007, impugnação na qual alega que, por imposição da legislação que rege os incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado do Amazonas às empresas da Zona Franca de Manaus – Decreto (Estadual – Amazonas) n° 23.994, de 29 de dezembro de 2003 (fl. 364/386) –, está obrigada “manter Registro de Inventário específico para cada linha de produto incentivado, registro esse que é objeto de uma Inscrição Estatual, pertinente ao produto final incentivado”. 3. Esclarece que a IE n° 04.720.0600 referese única e exclusivamente ao produto final “lápis de resina”, assim como as matériasprimas utilizadas na produção do mesmo. 4. Manifesta entendimento de que a fiscalização deveria ser levada em função do CNPJ da empresa e não de suas IE, informando ainda que, segundo Resolução da Secretaria de Fazenda do Amazonas (fl. 392/393), os estabelecimentos beneficiários de incentivos decorrentes de projetos de diversificação para produtos ainda não fabricados na ZFM até 08.05.1996, passaram a ser identificados pela inscrição no Cadastro de Contribuintes do Amazonas (CCA) sob o n° 04.750.0000 até 04.759.9990, tendo a empresa entregue Termo de Opção referente ao produto “lápis de resina” (fls. 394/395) e solicitado baixa de inscrição (fl. 396), autorizada em 16.09.2002 (fl. 397), passando a ser Inscrição n° 04.750.0093 (fl. 398), em substituição à de n° 04.720.0600. 5. Dessa forma, continuou a escrituração manual do Registro de Inventário a ser feita no mesmo livro, somente para fins de atender ao ICMS, sob a nova inscrição estadual, o que, afirma, Fl. 879DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10283.001853/200778 Acórdão n.º 310100.809 S3C1T1 Fl. 835 3 era de conhecimento da Fiscalização, apontando extrato de fl. 28 do presente processo, referente ao cancelamento da primeira IE. Anexa Resolução da Secretaria de Fazenda do Amazonas (fls. 402/409) que teria permitido a utilização do mesmo livro de Registro. 6. Indica na fl. 31 (cópia na fl. 399) prova documental de que os arquivos digitais relativos à inscrição 04.750.0093, que substituiu à de n° 04.720.0600 foram devidamente entregues em 03.03.2006, encontrandose no meio magnético armazenador das (fls. 319/324), e na fl. 22 (cópia na fl. 400) expediente encaminhando o Livro de Registro de Inventário utilizado para atender ao ICMS, assim como todas as informações em meio magnético, relativas ao exercício de 2003 e janeiro a março de 2004. 7. No que diz respeito à IE n° 04.102.7817, esclarece que a Resolução de fls. 410/417, art. 1º e §§, determinou que os estabelecimentos produtores de bens de incentivos fiscais decorrentes da Lei (Estadual – Amazonas) n° 2.826, de 29 de setembro de 2003 (fls. 418/441) e Decreto n° 23.994, de 29 de dezembro de 2003 (fls. 444/467) passassem a ser identificados por inscrição específica no CCA, sob os códigos 06.200.000.0 a 06.299.999.9, para produtores de bens finais, como se infere dos Termos de Opção de fls. 468/471 e do Decreto n° 24.055, de 02 de março de 2004 (fls. 472/473), tendo sido a inscrição concedida de ofício pela Secretaria, deixando, assim, de existir a IE 04.102.7817 a partir de 31.03.2004. 8. Indica comprovante de entrega na fl. 19 (cópia na fl. 476), ressaltando que os arquivos magnéticos mencionados “sempre foram apresentados mês a mês, durante todos os exercícios que figuram em todos os CDs, fato que poderá ser constatado por breve leitura dos arquivos transportados para os autos pela Fiscalização a qualquer momento, não havendo necessidade, como pretendeu a Fiscalização, de proceder análise por inscrição estadual, uma vez que o trabalho da Fiscalização cingese à apreciação do Registro de Inventário por CNPJ”. 9. Oferece esclarecimentos sobre cada uma das inscrições (ver fls. 351/352), além de análise do demonstrativo dos valores totais das mercadorias constantes dos livros, elaborado pela Fiscalização (fl. 11). Sobre este último afirma que, compulsando os autos nas fls. 250 v., 251, 252, 253 e v., 254 e v., 255 e v. e 256 (cópias nas fls. 484/493), o total dos produtos existentes em 31.12.2003, lançados manualmente no Registro de Inventário referente à IE 04.720.0600, monta a R$ 1.002.685,88, e nas fls. 256 v., 257 e v., 258 e v. e 259 (cópias nas fls. 494/499) o total dos produtos existentes em 31.03.2004 monta a R$ 967.705,26, não estando escriturados o verso da fl. 259 e a folha 260 (cópias nas fls. 500/501), sendo que no verso desta última (fl. 502) anexa Termo de Encerramento do referido Registro de Inventário do qual consta a IE n° 04.720.0600. Fl. 880DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 10. Completa afirmando que o fato da inscrição haver sido substituída levou à falsa impressão de que os valores manualmente escriturados no Registro de Inventário haviam sido omitidos no arquivo magnético, tendo o mesmo ocorrido com relação à outra inscrição, uma vez que quando foram gerados os arquivos, já estando canceladas as inscrições originais, o programa gerador automaticamente lançou as novas inscrições. 11. Acrescenta que a Fiscalização dispunha do Registro de Controle de Produção e Estoque para a realização do trabalho sem levar em conta as IE, tendo sido o arquivo entregue em 26.03.2006. 12. Defende, em seguida, ser indevida a solicitação para apresentação dos RI na forma física por inscrição estadual, tendo os registros sido apresentados em consonância com o presvisto no art. 394 do Ripi/2002, Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001, e ADE Cofis n° 15, de 2001, solicitando a realização de perícia para apuração da realidade dos fatos, para a qual indica seu representante e relaciona os questionamentos que deseja ver respondidos (fls. 358/359). Por fim, pede a improcedência do auto. 13. Necessitando de maiores esclarecimentos acerca do conteúdo dos arquivos magnéticos anexados aos autos solicitou se, através do Despacho n° 031/08, de 25.02.2008 (de fls. 635/639), a realização de diligência para que fosse verificado, em conjunto com o representante legal da empresa, se as informações das IE 04.720.0600 e 04.102.7817 encontravamse devidamente registradas nos referidos arquivos, referentes às inscrições substituidoras. 14. Em resposta, foi elaborado o Termo de Constatação Fiscal de fls. 652/654 e a Informação de fls. 655/657, onde ficou esclarecido que, no que diz respeito ao inventário de 31.12.2003, os valores quantitativos das IE em análise estavam devidamente registrados, em que pese o contribuinte não haver indicado expressamente as referidas inscrições como receptáculo do conteúdo dos arquivos. 14. No que diz respeito ao inventário de 2004, os valores das IE 04.720.0600 e 04.102.7817 não batem com os informados nos arquivos digitais, havendo registro de coincidência apenas no que diz respeito aos valores quantitativos de mercadorias em trânsito da IE 04.102.7817. 15. Com respeito às inconsistências, esclareceu o representante da empresa que os valores não coincidentes estão registrados no arquivo Controle de Estoque na data de 01.04.2004, compondo o saldo de 30.04.2004 do Registro de Inventário e que a não coincidência foi motivada pela emissão de notas fiscais transferindo tais valores para as IE sucessoras, conforme exigência da legislação que regula o benefício estadual. 16. Tendo tomado ciência da Informação em 20.06.2008 (fl. 657), a empresa apresentou suas novas considerações em 18.07.2008 (fls. 661/687), na qual esclarece, quanto às inconsistências acima apontadas, conforme acima adiantado, que em 31.03.2004 imprimiu seus Registros de Inventário para Fl. 881DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10283.001853/200778 Acórdão n.º 310100.809 S3C1T1 Fl. 836 5 apuração dos estoques físicos da IE encerradas, transferindo os referidos estoques para as novas IE através da emissão das notas fiscais de fls. 726/781 e 782/785, conforme exigência da legislação estadual, conforme registrado no arquivo Controle de Estoque. 17. Afirma que a Fiscalização focou todo seu trabalho unicamente no Registro de Inventário impresso em 31.12.2004 para atendimento da legislação estadual, quando a legislação é clara ao determinar que o RI destinase a arolar as MP, PI e ME e produtos em fabricação existentes em cada estabelecimento à época do balanço da firma. 18. Considerando que os Registros de Inventário referentes ao ano de 2004 deveriam ser preenchidos com relação aos estabelecimentos existentes na época do fechamento do balanço (31.12.2004), não havendo como obrigar a escrituração com relação a uma inscrição estadual já encerrada e cujos itens devem ter sido transferidos para outro estabelecimento, sob pena de duplicidade, restou saber se as informações dos itens anteriormente presentes nos estoques das IE nº 04.720.0600 e nº 04.102.7817 encontravamse devidamente registrados nos arquivos de inventário apresentados pela empresa, referentes às novas inscrições substituidoras, em 31.12.2004. 19. Assim, não podendo ser feita tal apuração apenas com base nos Registros de Inventário, uma vez que os mesmos apresentam “fotografias” dos estoques em determinado dia, não indicando com clareza as mutações existentes ao longo do período, impôs se a necessidade de realização de nova diligência (fls. 788/794) para que fosse verificado nos arquivos de controle de estoque se, de fato, houve o registro de entrada das notas fiscais de fls. 726/781 e 782/785 nos estabelecimentos sucessores. 20. Em resposta, a Autoridade Fiscal responsável expediu Relatório (fl. 804), onde constata: a) o comparecimento dos representantes da empresa para abertura dos envelopes; b) “O devido registro da entrada das notas fiscais de fls. 726/781 e 782/787 nos arquivos de controle de estoque dos estabelecimentos sucessores das IE extintas”. 21. Intimada a manifestarse, a empresa apenas historia os fatos faz análise das respostas, concluindo não mais haver que se falar em penalidade por haverem sido reconhecidas suas razões de impugnação (fls. 805/813). A DRJ em BELÉM/PA julgou o lançamento improcedente e recorreu de oficio, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2006 REGISTRO DE INVENTÁRIO. Fl. 882DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 O livro Registro de Inventário destinase a arrolar, pelos seus valores e com especificações que permitam sua perfeita identificação, as MP, PI, ME, produtos acabados e produtos em fase de fabricação, existentes em cada estabelecimento à época do balanço da firma. Lançamento Improcedente. Após intimação do contribuinte, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 883DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10283.001853/200778 Acórdão n.º 310100.809 S3C1T1 Fl. 837 7 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instância supera o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (um milhão de reais), razão pela qual tomo conhecimento do Recurso de Ofício. A imputação era por não apresentação de arquivos digitais referentes aos Registros de Inventário de Mercadorias existentes em 31.12.2003 e 31.03.2004, das Inscrições Estaduais (IE) nº 04.720.0600 e nº 04.102.7817, apurada, segundo a Fiscalização, “pelo cotejo entre os elementos constantes dos relatórios de entrega dos arquivos digitais, do conteúdo do meio magnético armazenador das informações, (...) e dos livros de Registro de Inventário”. Na impugnação foi explicado que por imposição da legislação que rege os incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado do Amazonas às empresas da Zona Franca de Manaus, a interessada está obrigada a manter Registro de Inventário específico para cada linha de produto incentivado, registro esse que é objeto de uma Inscrição Estadual, pertinente ao produto final incentivado. E ainda, que por conta de mudanças no cadastramento dos beneficiários de incentivos, foi obrigada a substituir as duas inscrições estaduais que apresentam problemas aos olhos do Fisco Federal, e isso levou à falsa impressão de que os valores manualmente escriturados no Registro de Inventário haviam sido omitidos no arquivo magnético, tendo o mesmo ocorrido com relação à outra inscrição, uma vez que quando foram gerados os arquivos, já estando canceladas as inscrições originais, o programa gerador automaticamente lançou as novas inscrições. Após duas diligências levadas a efeito para esclarecer os fatos narrados e verificar se os registros foram efetuados, de fato, nos estabelecimentos da pessoa jurídica, embora houvesse mais de uma inscrição estadual para cada produto, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento aponta: 25. Em pesquisa aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificouse que a empresa apurou no anocalendário de 2004 o Imposto de Renda em período anual, sendo obrigado, dessa Fl. 884DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 forma, a haver elaborado seu Registro de Inventário em 31.12.2004. 26. Ou seja, os Registros de Inventário deveriam ser preenchidos com relação aos estabelecimentos existentes na época do fechamento do balanço (31.12.2004), não havendo como obrigar a escrituração com relação a uma inscrição estadual já encerrada e cujos itens devem ter sido transferidos para outro estabelecimento, sob pena de duplicidade. Aparentemente o problema surgiu em virtude da possibilidade de verificação mensal do inventário da PJ e do fato da empresa haver escriturado um Registro de Inventário em 31.03.2004, para fins de extinção das IE. 27. No caso das inconsistências apontadas no ano de 2003, a primeira diligência efetuada já esclarece que os dados que teriam sido omitidos encontramse registrados nos arquivos, motivo pelo qual não cabe essa parte da multa, não havendo maiores considerações a fazer. 28. Quanto ao ano de 2004, em que restava saber se as informações dos itens anteriormente presentes nos estoques das IE nº 04.720.0600 e nº 04.102.7817 encontravamse devidamente registradas nos arquivos de inventário apresentados pela empresa, referentes às novas inscrições substituidoras, crêse que o resultado da segunda diligência esclareceu a questão ao confirmar o registro da entrada das notas fiscais de fls. 726/781 e 782/787 nos arquivos de controle de estoque dos estabelecimentos sucessores das IE extintas. 29. Em vista do exposto, votase pela improcedência do lançamento, cabendo recurso de ofício ao Conselho de Contribuintes por força do disposto na Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Consoante o exposto, o caso vertente trata muito mais de questões de fato do que propriamente de direito, e sendo tais questões esclarecidas já na primeira fase do contencioso, não vislumbro como delongarse na análise do feito. Tendo em vista o expendido supra, voto por DESPROVER o recurso de ofício. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 885DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10283.001853/200778 Acórdão n.º 310100.809 S3C1T1 Fl. 838 9 Fl. 886DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 26/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 23/07/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11020.720097/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INSERÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. RESPONSÁVEIS DE FATO. INTERESSE COMUM. ART. 124, INCISO I, DO CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
A constatação de grupo econômico de fato composto por pessoas jurídicas, apenas formalmente, distintas, que constituem uma única universalidade, conjugada com a interposição de terceiros nos quadros societários de tais pessoas jurídicas, autoriza a imposição da responsabilidade tributária solidária, conforme previsão do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, aos responsáveis de fato pela gestão e prática dos atos que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias, por configuração do interesse comum.
Numero da decisão: 1302-007.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Oliveira, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente a Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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INSERÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. RESPONSÁVEIS DE FATO. INTERESSE COMUM. ART. 124, INCISO I, DO CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A constatação de grupo econômico de fato composto por pessoas jurídicas, apenas formalmente, distintas, que constituem uma única universalidade, conjugada com a interposição de terceiros nos quadros societários de tais pessoas jurídicas, autoriza a imposição da responsabilidade tributária solidária, conforme previsão do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, aos responsáveis de fato pela gestão e prática dos atos que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias, por configuração do interesse comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Oliveira, Fellipe Honório Rodrigues da Costa (convocado) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Ausente a Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 10-35.114, de 25 de outubro de 2011, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedentes as Impugnações apresentadas por JOSÉ POLIDORO ARENT e TALLES JOSÉ ARENT, responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído em relação ao sujeito passivo acima identificado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 97 /2 01 2- 09 Fl. 658DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 O presente processo decorre de Autos de Infração (fls. 460/514) lavrados contra a pessoa jurídica acima identificada, para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos períodos dos anos-calendários de 2007, 2008 e 2009. Conforme descrição contida no relatório da decisão de primeira instância, o procedimento fiscal e as constatações que levaram à autuação podem ser sintetizadas do seguinte modo: De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 515/549), as pessoas jurídicas Luminárias Daval – Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 93.797.744/0001-60); Daval Indústria Metalúrgica Ltda. (CNPJ 89.453.492/0001-84); Iluminação Sulina Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ 03.992.256/0001-10); Spot Sul Indústria e Comércio de Iluminação Ltda. (CNPJ 03.569.313/0001-53) são, ainda que formalmente constituídas como entidades distintas, um único empreendimento econômico, em razão dos fatos sinteticamente expostos abaixo, que foram obtidos em diligência na data de 03/10/2010: 1. O mesmo endereço de funcionamento das quatro pessoas jurídicas, Rua Mario Boni, 125. Nos demais endereços constantes do cadastro da Receita Federal não foram encontradas atividades das pessoas jurídicas; 2. O Sr. Talles José Arent é sócio da Spotsul e procurador das demais pessoas jurídicas (fls. 18/24); 3. O Sr. Diego Frederico Biegler é o advogado de todas as pessoas jurídicas; 4. Nos diversos setores existentes no prédio onde funcionam as pessoas jurídicas não existe qualquer separação física entre as empresas. Todas funcionam no mesmo prédio, sem que haja qualquer separação entre elas, seja em relação à máquinas/equipamentos, que estão dispostas conjuntamente pelas dependências do prédio, seja em relação aos funcionários, que exercem suas atividades conjuntamente; 5. No referido prédio existem diversos setores, tais como: administrativo, vendas, expedição, fábrica, almoxarifado, projetos, financeiro, dentre outros. Segundo informações da Sra. Vera Lúcia Canello Casagrande (Recursos Humanos) existem vários funcionários das quatros pessoas jurídicas nos diferentes setores da empresa, não havendo qualquer vinculação dos serviços prestados pelos empregados à Razão Social pagadora; 6. Segundo o Sr. Talles e a Sra. Bernardete Silva de Oliveira (gerente financeira) os produtos fabricados no estabelecimento são somente os da marca Daval, apesar de as notas serem emitidas, por exemplo, em nome da Spotsul. Talles afirmou, ainda, que são emitidas notas fiscais pela Spotsul (que é cadastrada no Simples) devido à exigência de seus compradores “pequenos” que não desejam pagar IPI, sendo que a Spotsul emite notas fiscais até, no máximo, o montante total permitido para a sua permanência no referido sistema; 7. Durante a diligência foram colhidas cópias da relação atualizada dos funcionários das quatro pessoas jurídicas (fls. 11/17) e procurações em nome de Telles José Arent com poderes para representar a Luminárias Daval, a Daval e a Sulina (fls. 18/24); 8. No cabeçalho das faturas/duplicatas da Spotsul, constam o endereço “Rua Mario de Boni 125”, home page: “www.daval.com.br”, e-mail: “daval@zaz.com.br” e fone (54)3225-6162 (fls. 280, 281, 285, 297, 299, 301 e Fl. 659DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 303). Já nos documentos emitidos em nome das Luminárias Daval: “Rua Mario de Boni 125” e fone (54) 3225-6162. Nos documentos da Daval (fls. 286 e 294) consta: “www.daval.com.br Vendas@daval.com.br”. Daí se conclui que essas empresas, integrantes de um empreendimento único, compartilham dos mesmos veículos e canais de venda, compartilham o mesmo endereço e se destinam exclusivamente à fabricação dos produtos da marca Daval; 9. Apesar de constarem diferentes sócios no quadro societário das pessoas jurídicas, o responsável pela gerência é o Sr. Talles. Conforme sua afirmação, os sócios da sulina, da Daval e da luminárias Daval nunca aparecem na empresa por serem apenas investidores. Assim, a gerência é exercida, à exceção da Spotsul, por meio de procurações (fls. 18/24), que fornecem uma extensa lista de poderes que propiciam a ele a completa e ilimitada condução dos negócios; 10. Em diversas notas fiscais/faturas verifica-se a confusão gerada em razão da coexistência apenas formal das quatros empresas, que de fato se constituem em apenas um empreendimento, como notas fiscal emitida por uma pessoa jurídica e a fatura por outra (fls. 278, 280, 297/304); fatura emitida por uma PJ e pagamento para outra PJ (fls. 281, 282, 287/295); pedido em nome de uma PJ e o faturamento por outra (fls. 285, 286); 11. Há apenas um contrato de aluguel para o uso do prédio onde são fabricados os produtos Daval, formalizado em nome da Spotsul, sem que tenha havido sublocação com a Daval, Luminárias Daval e Sulina (fls. 49/53); 12. As faturas de água apontam o nome do Sr. Juvenal Hermes Martini (fls. 260/272), que é o proprietário do imóvel locado pela Spotsul; 13. Foram apresentadas somente faturas de energia elétrica em nome da Spotsul (fls. 77/108), as quais foram quitadas pela Luminárias Daval (débito em conta- corrente) e outras sem identificação do quitador (pagamento em dinheiro); 14. As faturas de telefone têm como titulares a Luminárias Daval e a Spotsul (109/259). Quase a totalidade dos pagamentos foi efetuada a dinheiro, mas há pagamentos das contas da Spotsul efetuadas pela Luminárias Daval e vice-versa; 15. Apesar de mais de 80% do faturamento do Grupo Daval estar concentrado na Luminárias Daval, esta possuiu, no período de 2007 a 2009, no máximo 4% dos funcionários do grupo, conforme abaixo: 16. Amparados pelos ofícios nº 958 e 959/2011, emanados da Procuradoria da República em Caxias do Sul (fls. 357/360), foi permitido o acesso às autoridades da Receita Federal do Brasil ao processo judicial nº 010/2/11/0000529-0 (fls. 361/457), que trata de denúncia oferecida pela Promotoria Especializada no Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária do Ministério Público do Rio Grande do Sul, contra as pessoas físicas componentes, formal e informalmente, dos grupos Daval e Magiluz, no qual também são apontados os fatos acima relatados; Fl. 660DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 17. No ano-calendário de 2007 a Luminárias Daval não apresentou a DIPJ, DCTF e nem a DACON, mesmo sendo intimado. Assim, para aferir o faturamento deste ano-calendário foi solicitado ao Fisco Estadual o fornecimento dos dados da GIA – Guia de Informação e Apuração de ICMS. Já os valores dos faturamentos de 2008 e 2009 foram obtidos a partir das informações prestadas na DIPJ e DACON, respectivamente. O faturamento das demais pessoas jurídicas foram obtidas a partir das declarações prestadas à Receita Federal; 18. Embora intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou os Livros Contábeis ou o Livro Caixa; 19. Em razão desses fatos e com base no disposto no artigo 116, parágrafo único, no artigo 118, incisos I e II, e artigo 149, inciso VII, todos do Código Tributário Nacional, combinados com o artigo 167 do Código Civil, as receitas apuradas pelas empresas foram consideradas no seu conjunto. Por ser a Luminárias Daval o principal empresa, por concentrar a maior parte do faturamento e ser optante pelo lucro presumido, os valores foram aglutinados nessa pessoa jurídica, ressalvando-se que os valores anuais, a partir da sua aglutinação, constituem-se em montantes cujos valores ultrapassam os limites máximos permitidos para as empresas optantes pelo Simples; 20. Nos lançamentos foram considerados os valores já declarados e tributados pelo contribuinte; 21. Inúmeros documentos comprovam que os reais proprietários das empresas do grupo econômico fiscalizado são integrantes da “família Arent”. O Sr. José Polidoro Arent executa a condução dos negócios através de relatórios e visitas esporádicas à empresa, sendo que seu filho Talles é o responsável pela gerência diária e rotineira do empreendimento. Vários documentos foram anexados aos autos que comprovam esse fato, como: vários pagamentos de notas fiscais, duplicata/fatura foram efetuados diretamente na conta do Sr. José Polidoro Arent (fls.305/330); DOC’s debitados na Luminárias Daval tendo como favorecido o Sr. José (fls. 332/333); um guia de “Faturamento Clientes Especiais”, no qual constam instruções para que o faturamento originado de alguns clientes tenha o seu valor repassado para o Sr. José e instruções para que sejam elaborados “Relatórios Semanal p\Sr. José (fls. 334/336); o pagamento da nota fiscal 62561, da Luminárias Daval, foi efetivada por meio de depósito em conta-corrente. No cabeçalho do extrato constam como titulares da conta “luminárias daval in e com ltda” e “José polidoro arent” (fls. 337/338); Fatura de televisão por assinatura para o endereço Rua Mario de Boni, 125, em nome de José Polidoro Arent (fls.339); além desses documentos, foi anexada aos autos cópia da denúncia do MPRS e as provas contidas no processo judicial nº 010/2.11.0000529-0 (fls. 361/457), destacando-se o documento apreendido nas dependências do fiscalizado (fls. 457), intitulado ORGANOGRAMA DAVAL, onde consta a real estrutura hierárquica do Grupo Daval, com José Polidoro Arent na função de presidente e Talles na posição de diretor do grupo; 22. O Sr. José Polidoro Arent faz o controle do faturamento por meio de Relatórios de Vendas, que de acordo com os formulários de faturamento (fls. 336) deveriam ser repassados semanalmente para ele. O referido senhor já participou formalmente do quadro societário das quatro pessoas jurídicas, conforme dados do cadastro da Receita Federal, sendo que no período fiscalizado era formalmente sócio da Sulina; 23. São inúmeros os pagamentos de duplicatas/faturas diretamente na conta- corrente do Sr. José Arent. Não se tratam de algumas transações, mas de repetidas e continuadas transferências, das quais apenas uma pequena amostra foi anexada aos autos; Fl. 661DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 24. Os extratos da conta-corrente pessoal de José Polidoro Arent estavam em posse do grupo econômico quando da apreensão efetuado pela Secretaria da Fazenda Estadual, ou seja, caso não fosse o Sr. José Arent o proprietário de fato do grupo econômico Daval não haveria razão para seus extratos bancários pessoais estarem no estabelecimento situado na Rua Mario de Boni, 125; 25. No contrato de locação (fls. 49/53) o Sr. José Polidoro Arent é citado como sócio administrador da Spotsul; 26. No documento de folhas 328, enviado a um cliente, é solicitado que o valor referente à venda seja depositado na conta pessoal do Sr. José Arent, reparando- se que no cabeçalho consta como remetente padrão do fax: “DE: DIRETOR JOSE P ARENT”; 27. Apesar de o Sr. José Polidoro Arent exercer o controle do grupo econômico e de se beneficiar constantemente dos resultados, o responsável pela gerência diária e presencial do grupo é o seu filho Talles Jose Arent, que identificou-se como responsável pelas quatro pessoas jurídicas e que afirmou que os demais “sócios” nunca aparecem , pois são apenas “investidores”, apresentando procurações com amplos poderes de representação, exceto para a Spotsul, da qual detém 99% do capital; 28. Os demais sócios, constantes formalmente dos quadros sociais das empresas, apresentam bens, direitos e obrigações incompatíveis com o volume de negócios praticados pelo grupo Daval. Como regra, apresentam bens e direitos, tão somente, as cotas de capital das respectiva empresas das quais fazem parte; 29. Em razão desses fatos, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Jose Polidoro Arent e Talles Arent (fls. 554/555), pois, de fato, exercem a propriedade e a gerência administrativa do negócio, beneficiando-se constantemente dos resultados obtidos pelo grupo; 30. Também, embora formalmente constituídas separadamente, a Luminárias Daval, a Daval, a Sulina e a Spotsul atuam como uma unidade empresarial, caracterizada, dentre outros, pela confusão patrimonial, produtiva e gerencial, em absoluta ofensa ao princípio da entidade, constituindo-se de fato em um único empreendimento, por isso foram nomeados sujeitos passivos solidários (fls. 551/553); 31. Foi aplicada a multa de 150% em razão de a conduta do grupo Daval se enquadrar nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, requisito do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Embora o contribuinte e todos os responsáveis solidários tenham sido cientificados do lançamento, apenas os responsáveis JOSÉ POLIDORO ARENT e TALLES JOSÉ ARENT apresentaram Impugnações, conforme documentos de fls. 557/567 e 568/593, resumidas na decisão a quo do seguinte modo: O Sr. José Polidoro Arent apresentou impugnação ao Termo de Sujeição Passiva e aos autos de infração, alegando que as conclusões da fiscalização foram precipitadas, pois lastreadas em meras ilações produzidas pelo Ministério Público Estadual em processo crime ainda não sentenciado pelo judiciário. Alega que inexiste prova alguma de que ele seja sócio de qualquer uma das empresas nominadas. Fl. 662DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 Aduz que a decisão do fisco federal assemelha-se a verdadeira desconsideração da personalidade jurídica das empresas autuadas a fim de atingir a responsabilidade das pessoas naturais de sócios, ex-sócios e gestores, ao arrepio da lei. Ademais, na decisão haveria ausência de fundamentação para determinar a desconsideração da pessoa jurídica, que apresenta existência distinta e autônoma das pessoas físicas que a compõem. Além, de não terem sido demonstrados os requisitos fundamentais para a aplicação da teoria da desconsideração da pessoa jurídica, que são o abuso de direito e a fraude. Além de não estarem presentes os requisitos do artigo 50 do Código Civil, a decisão e as conclusões da fiscalização é carecedora de fundamentação e padece de nulidade por ofensa ao disposto no artigo 165 do Código de Processo Civil e no artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal. Alega que a tendência da doutrina e da jurisprudência é no sentido de que deve ser aplicada a teoria da desconsideração da pessoa jurídica apenas diante de prova incontestável de fraude, de prática de atos com finalidade premeditadamente ilícita, de abuso de direito, de desonestidade, de ato criminoso e outras hipóteses igualmente graves, com encerramento irregular das atividades da empresa e inexistência de bens passiveis de penhora. De outro lado, a desconsideração da personalidade jurídica também exige o preenchimento do disposto nos artigos 1.023 e 1.024 do Código Civil , bem como o artigo 28 do Código de Defesa do Consumidor, que, uma vez não atendidos, não há como aplicar tal medida. Por fim, requer que se reconheça a nulidade do Termo de Responsabilidade Solidária. Por sua vez, o Sr. Talles José Arent apresentou a impugnação de folhas 569 a 572, alegando que o artigo 124 do Código Tributário Nacional não autoriza a colocar como solidário quem não tenha relação direta com o fato gerador, uma vez que a solidariedade não é presumida, mas sim resultante de lei. Alega que não era administrador de fato ao tempo das apurações efetivadas no relatório fiscal. Por ser filho de José Arent – o verdadeiro administrador das empresas – no ano de 2005, iniciou a trabalhar como auxiliar de escritório para contribuir nas funções administrativas da empresa, função que exerceu até o ano de 2009. Alega que, apesar de hoje figurar como sócio da empresa Luminárias Daval, somente iniciou as atividades de gestão empresarial a partir de janeiro do ano de 2010, porquanto os responsáveis pelas supostas irregularidades descritas na denúncia são aqueles que de fato estavam na administração das empresas entre os anos de 2005 a 2009, segundo fatos apurados no procedimento fiscal. Dessa forma, não pode ser imputados os débitos, os quais decorrem necessariamente da prática de atos de administração, para quem nem sequer administrava as empresas ao tempo das irregularidades descritas pela Receita Federal do Brasil. Por último, requer que seja acolhida a impugnação para o fim de excluí-lo da sujeição passiva solidária, relativamente aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a testemunhal. Na decisão de primeira instância, registrou-se, inicialmente, que a acusação de simulação mediante a distribuição do faturamento entre quatro pessoas jurídicas formalmente distintas não teria sido objeto de contestação. As Impugnações teriam se voltado, apenas, quanto à imposição de sujeição passiva solidária. Fl. 663DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 Em relação à matéria impugnada, concluiu-se que as provas reunidas nos autos comprovariam que as pessoas jurídicas Daval Indústria Metalúrgica Ltda., Iluminação Sulina Indústria e Comércio Ltda. E Spot Sul Indústria e Comércio de Iluminação Ltda. existiriam, apenas, “no papel, como o único objetivo de escamotear o pagamento dos tributos devidos pela pessoa jurídica existente de fato, em benefício do seu real proprietários e, indiretamente, de seu filho, que exercia o gerenciamento diário do negócio, por isso a correção do procedimento de sujeição passiva aos Srs. José Polidoro Arent e Talles José Arent”. Afirmou-se, ainda, não ter havido desconsideração da personalidade jurídica, mas desconsideração, para fins tributários, de atos e negócios jurídicos decorrentes dos atos simulados. A decisão recebeu, então, a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA É cabível a responsabilização pelo crédito tributário do sujeito passivo de todo aquele que pratica atos ou negócios com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Após a ciência do Acórdão, as responsáveis tributárias apresentaram os Recursos Voluntários de fls. 403/428 e 431/451, nos quais, em essência, são reiteradas as preliminares e as alegações de mérito contidas nas Impugnações. Apenas, o Responsável José Polidoro Arent interpôs Recurso Voluntário (fls. 623/631) no qual reprisa o teor da peça impugnatória. O presente processo foi, então, formalizado, para julgamento do referido Recurso, prosseguindo-se a cobrança da autuação em relação aos demais sujeitos passivos no âmbito do processo administrativo nº 11020.723068/2011-18. Os autos foram distribuídos, por sorteio, ao Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, que constatou a inexistência de comprovação da ciência da decisão de primeira instância ao responsável Talles José Arent, pelo que os autos foram remetidos à Unidade de origem, para as providências cabíveis (fls. 647/648). Após a juntada do Edital de fl. 651, os autos retornaram ao CARF, sendo que, em razão da saída do Relator original deste Colegiado, houve nova redistribuição por sorteio a este Conselheiro. É o Relatório. Fl. 664DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O Responsável José Polidoro Arent foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14 de novembro de 2011 (fl. 622), e apresentou o seu Recurso, em 14 de dezembro do mesmo ano (fl. 623), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado pelo próprio sujeito passivo solidário. As matérias objeto do Recurso estão contidas na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 43, incisos I e IV, do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Cabe registrar que, mediante consulta ao processo administrativo nº 11020.723068/2011-18, verifiquei que o sujeito passivo principal e os demais solidários foram cientificados do Acórdão de 1ª Instância e não interpuseram Recursos Voluntários. Inclusive, quanto ao responsável Talles José Arent, houve tentativa frustrada de intimação por via postal, antes da realização da intimação por meio de Edital. Neste sentido, observa-se a total regularidade do rito processual, pelo que se passa ao exame do único Recurso interposto. 2 DA DELIMITAÇÃO DA DISCUSSÃO Conforme relatado, o contribuinte Luminárias Daval – Indústria e Comércio Ltda. e as pessoas jurídicas Daval Indústria Metalúrgica Ltda., Iluminação Sulina Indústria e Comércio Ltda. E Spot Sul Indústria e Comércio de Iluminação Ltda. não apresentaram Impugnações ao lançamento, de modo que o crédito tributário se encontra definitivamente constituído em relação a eles. Por igual modo, devido à não interposição de Recurso Voluntário por parte do responsável Talles José Arent, houve a constituição definitiva dos valores lançados em relação ao referido sujeito passivo. Finalmente, conforme registrado na decisão de primeira instância, não houve, desde a Impugnação, qualquer questionamento em relação ao crédito tributário objeto do lançamento de ofício, de modo que a única matéria que permanece em discussão diz respeito à solidariedade tributária atribuída ao Recorrente José Polidoro Arent. Fl. 665DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 3 DA PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente, repetindo alegação contida na Impugnação por ele apresentada, que a atribuição de sujeição passiva solidária teria sido realizada de forma precipitada, com base em ilações efetuadas em processo judicial ainda não definitivamente julgado, sem embasamento legal e sem provas robustas, o que violaria o princípio da ampla defesa. Além disso, teria havido a desconsideração da personalidade jurídica das pessoas jurídicas envolvidas, ao arrepio da Lei. Assim, alegou, a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária e, no Recurso Voluntário, também, a nulidade da decisão de primeira instância. O exame dos documentos de constituição do crédito tributário, contudo, revelam que a autoridade fiscal fundamentou a atribuição da condição de responsável solidário ao Recorrente, de modo que, como feito na decisão de primeira instância, as referidas alegações devem ser enfrentadas como matéria de mérito e não como causa de nulidade, seja do lançamento seja da responsabilização solidária. Tampouco, a conduta dos julgadores a quo merece ressalva. É por meio do cotejo das referidas alegações com as provas reunidas nos autos que se concluíra se há, ou não, embasamento fático e jurídico para a referida atribuição de responsabilidade. Neste sentido, rejeito a preliminar suscitada. 4 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO RECORRENTE Conforme relatado, no lançamento de ofício, o Sr. José Polidoro Arent foi arrolado como responsável tributário solidário pelos créditos constituídos. No Relatório Fiscal de fls. 515/549, há tópico específico para tratar da referida solidariedade (“7.1 – Proprietário de fato e solidariedade”) no qual são listadas diversas provas que “comprovam que eram rotineiras as transferências de numerários, decorrentes de operações de vendas operacionalizadas pelo Grupo econômico Daval, diretamente para a conta pessoal de José Polidoro Arent”. Além disso, mencionam-se as provas que comprovariam que o referido contribuinte seria proprietário de fato e atuaria na condução dos negócios do mencionado grupo econômico. Segue-se excerto: Além desses documentos, foram anexadas a denúncia do MPRS e as provas contidas no processo judicial n° 010/2.11.0000529-0 (fls. 361 a 457). Dentre essas provas, destaca- se o documento apreendido nas dependências do fiscalizado (fl. 457), intitulado de ORGANOGRAMA DAVAL, onde consta a real estrutura hierárquica do Grupo Daval, com José Polidoro Arent na função de presidente e Talles na posição de diretor do Grupo. [...] O Sr. Arent faz o controle do faturamento do Grupo por meio de RELATÓRIOS DE VENDAS, que de acordo com os formulários de faturamento (fls. 336) deveriam ser repassados semanalmente para ele. De fato, José Polidoro Arent já participou formalmente do quadro social de todas as quatro empresas componentes do Grupo Daval, de acordo com os cadastros constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil os períodos foram os seguintes: de 1986 a 1992, na Daval; de 1991 a 2000 na Luminárias Daval; de 1999 a 2003 na Spitsul e de 2007 a 2008 na Sulina. Ou seja, no período abrangido por esta fiscalização José Polidoro Arent era sócio formal de uma das integrantes do Grupo Daval: a Sulina. Fl. 666DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 Conforme exaustivamente demonstrado, são inúmeras duplicatas/faturas cujas quitações são feitas na conta corrente de José Arent. Ressalta-se que não se tratam de algumas transações, mas de repetidas e continuadas transferências para José, das quais apenas uma amostra foi anexada nestes autos. Deve ser mencionado, ainda, que os extratos da conta corrente pessoal de José estavam em posse do grupo econômico quando da apreensão efetuado pela Secretaria da Fazenda Estadual, ou seja, caso não fosse José Arent o proprietário de fato do grupo econômico Daval por que razão seus extratos bancários pessoais estariam no estabelecimento situado na Rua Mario de Boni, 125? É notório e sabido no ambiente comercial local que o proprietário de fato do Grupo Daval é o Sr. José Arent. Essa constatação fica evidenciada, repetidamente, pela documentação já relacionada. Exemplificadamente, no contrato de locação referente a 2010/11 (fls. 49 a 53), o Sr José Polidoro é citado, na figura de representante, como "sócio administrador" da Spotsul. É evidente que esse fato não se constitui em mero erro de preenchimento, mas, sim, denota o conhecimento de todos os que mantêm relação com o intitulado Grupo Daval de que o seu proprietário é o Sr. José Polidoro Arent. Nos documento constante da fl. 328 é demonstrada, mais uma vez, a intrínseca relação estabelecida entre o Sr. José e o grupo econômico, visto que no cabeçalho do formulário enviado por fax para um cliente do grupo, é solicitado que o valor referente a venda &eia depositado na conta pessoal de José Arent, reparando-se que no cabeçalho desta folha consta como remetente padrão do fax "DE: DIRETOR JOSE P ARENT". [...] Pelo todo ora exposto, resta evidente que os proprietários e gerentes do Grupo Econômico Daval são José Polidoro Arent e Talles Arent, sendo, destarte, constatada a prática de interposição fraudulenta de pessoas. Os sócios formais das empresas componentes do Grupo Daval, à exceção de José Polidoro Arent e de seu filho Talles, demonstram possuir rendimentos, bens e direitos em valores incompatíveis com o alto faturamento do obtido pelo Grupo. [...] No Relatório, é invocado, ainda, o teor da denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS), que corrobora a constatação de que o Sr. José Polidoro Arent seria efetivo dirigente das pessoas jurídicas criadas em nome de interpostas pessoas, e que tais empresas seria utilizadas pela gerar imensos passivos tributários, jamais pagos, dos quais os sócios de fato se eximiriam por meio da referida interposição. São mencionados, ademais, depoimentos colhidos que ratificam a posição do Sr. José Polidoro Arent como efetivo gestor do grupo econômico. Apesar de amplamente conhecido, cabe transcrever o dispositivo legal que embasou a imputação da responsabilidade tributária solidária: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. O Recorrente argumenta que inexistiria qualquer prova no sentido de que fosse sócio de qualquer das pessoas jurídicas integrantes do Grupo Econômico apontado pela autoridade fiscal. Fl. 667DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 Ora, a acusação fiscal não é no sentido de que o solidário seja sócio de direito das citadas pessoas jurídicas, mas sócio de fato e responsável pelas atividades das empresas, tendo-se valido de terceiros na condição de interpostas pessoas para a composição dos quadros societários formais das empresas. As inúmeras provas coletadas pela autoridade fiscal, conforme acima mencionado, corroboram a referida constatação. Alega o Recorrente, ainda, que “a decisão do fisco federal e a decisão colegiada ora atacada, assemelham-se a uma verdadeira desconsideração da personalidade jurídica das empresas autuadas a fim a tingir a responsabilidade das pessoas naturais de sócios, ex-sócios e gestores, ao arrepio da lei”. Mais uma vez, sem razão o Recorrente, na medida em que o que fez a autoridade fiscal foi buscar a verdade material acerca das citadas pessoas jurídicas e dos responsáveis e beneficiários das suas atividades econômicas. Apesar de a decisão a quo mencionar como fundamento para tal procedimento o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN), o procedimento adotado encontra fundamento, na realidade, no art. 149, inciso VII, do CTN, no qual se determina: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; No Relatório Fiscal, tal dispositivo legal é invocado, juntamente com diversas menções à constatação de simulação praticada na criação das empresas, apenas formalmente, distintas; e na interposição de terceiros nos quadros societários, para tentar ocultar a responsabilidade pelos atos praticados sob a coordenação do responsável Sr. José Polidoro Arent e do seu filho Talles Arent. Não é o caso, portanto, de se verificar o preenchimento dos requisitos dos arts. 50, 1.023 e 1.204 do Código Civil e do art. 28 do Código de Processo Civil, na medida em que, repita-se, não houve a desconsideração das pessoas jurídicas, mas a consideração de que todas as empresas formalmente distintas constituem uma única universalidade, a qual deve ter suas receitas tributadas de modo conjunto, em procedimento usualmente adotado e referendado. A par disso, houve a responsabilização dos responsáveis de fato pelo grupo econômico, uma vez demonstrada a interposição de pessoas e o interesse comum daqueles nos fatos geradores praticados, nos termos do art.124, inciso I, do CTN. Tal procedimento, mais uma vez, não se ampara no referido art. 50 do Código Civil e na desconsideração da personalidade jurídica. Trata-se, conforme teor daquele dispositivo, de solidariedade na sujeição passiva. O Recorrente, também, sustenta que a acusação fiscal se embasaria em ilações e alegações unilaterais do Ministério Público Estadual, sem que tivesse havido a prova necessária à imposição da solidariedade. Como acima detalhado, a autoridade fiscal reuniu uma série de elementos de prova, sendo que os elementos colhidos a partir da denúncia formulada pelo MPRS foi, apenas, mais uma, dentre o rol de documentos comprobatórios coletados. Fl. 668DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-007.073 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.720097/2012-09 Neste sentido, deve ser mantida a condição de responsável tributário solidário do Sr. José Polidoro Arent. 5 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 669DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000581/2001-08
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: DIRPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos declarados em Declaração de Imposto de Renda devem ser encaminhados à PFN para imediata inscrição em dívida ativa e conseqüente cobrança executiva não cabendo a instauração de processo administrativo fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-00.219
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos declarado emI. ot( FA7f.NON CONFEREMM O RIG Ia- igi4Sil-Mg-ii_ -- _1106Str---- visTo Declaração de Imposto de Renda devem ser encaminhados à PFN para imediata inscrição em divida ativa e conseqüente cobrança executiva não cabendo a instauração de processo administrativo fiscal Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela: DRJ EM RIBEIRÃO PRETO – SP. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, em 14 de junho de 2005ifienrilrie PinfartVotrr›-:::. Presidente • (412/aodrigo Bernardes de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. Imp/fclb • 1 G • • <PA, 41 Ministério da Fazenda MIN. DA 1-A.I&QA - CC 20 CC-ME Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE O O GIN„Al El. '%;:a5r4:5):::e ORAS (LIA ta»! (PD Processo e 13851.000581/2001-08 VISTO Recurso n° : 124.148 Acórdão n : 204-00.219 Recorrente : DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo o relatório que compõe a Decisão Recorrida de fls. 532/537: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para Programa de Integração Social (PIS) no período de março de 1996 a fevereiro de 2001, exigindo-se-lhe contribuição de R$747.910,82, multa de oficio de R$560.932,89, e juros de mora de R$ 304.033,88, perfazendo o total de R$1.612.877,59. O lançamento foi baseado no Decreto-lei n° 5.844 de 23 de setembro de 1943, art. 77, III; Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — C7N), art. 149; Lei Complementar (LC) te 7, de 7 de setembro de 1970, art. 3°, "b"; Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 1°, parágrafo único; Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, arts. 2°, I, 3, 8°, I, e 9°: Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, arts. 2° e 3°; Medida Provisória (MP) n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, arts. 2°, I, 3°, 8°, I, e 9°; Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria n°142, de 1982, título 5, capítulo 1, seção 1, "b", te IL Segundo o relatório, de fls. 15 e 16, a fiscalização apurou que a contribuinte, no período acima, não apresentou a Declaração de Contribuições e Tributos Federais e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nem comprovou os pagamentos da contribuição ao PIS. Sendo assim, foram lançados de ofício os valores não recolhidos. Inconformado, a autuada impugnou o lançamento. Primeiramente discorreu sobre a figura da substituição tributária, que ocorre nos casos das contribuições, em relação ao cigarro e aos combustíveis, e, para os diversos tributos e contribuições, no caso da retenção pela União e suas autarquias, nos pagamentos para as pessoas jurídicas que lhes forneçam bens ou serviços, bem assim de outras substituições específicas previstas em legislações diversas. Dito isso, conclui que os valores relativos às vendas cujos produtos foram objeto de • substituição tributária devem ser excluídos do lançamento. Alegou também que a imputação é vaga e genérica, os elementos são frágeis, pois o Fisco não provou que houve saídas de mercadorias, e não há correspondência nos documentos fiscais. A fls. 520 e 521 foi anexado despacho do Setor de Fiscalização e Controle Aduaneiro (Siana) da DRF/Araraquara-SP, dando conta que houve equívoco por pane do fiscal autuante ao não levar em consideração os valores informados, relativos aos anos-calendário de 1996 a 1998, nas DIRPJ e DIPJ, que nesse período, na ausência das DCTF, tinham o caráter de confissão de dívida, 2 11/ • CC-MF Ministério da Fazenda . CC Fl. 'ÇPj Segundo Conselho de Contribuintes BRASWIA 'htCtOINN.FIE1RAE.F8P;M -j0 arINAL Processo n° : 13851.000581/2001-08 Recurso n° : 124.148 VISTO Acórdão n° : 204-00.219 Informa também que tais valores estão incluídos no sistema conta corrente de cobrança da Secretaria da Receita Federal (SRF) e que estes não devem ser suspensos. Não consta no processo manifestação do fiscal autuante em relação ao despacho em • questão. O Decreto-Lei n°2.124, de 13 de junho de 1984, em seu art. 5°, dispõe que os valores constantes em declarações de rendimentos constituem confissão de dívida e em documento hábil e suficiente para cobrança do débito e inscrição em Dívida Ativa da União, verbis : Art 5° O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 20 Não pago no prazo estabelecido pela legislaç'doo crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva • observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3° Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3° e 4° do artigo 11 do Decreto- lei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei n°2.065, de 26 de outubro de 1983. (ressaltei) O artigo acima transcrito é mencionado nos recibos de entrega das declarações de rendimentos dos anos-calendário de 1996 a 1999, a fis. 39, 40, 56 e 92, respectivamente. No mesmo sentido, a IN SRF n° 77, de 24 de julho de 1998, em seu art. 1°, determina que os valores declarados nas DCFT e declarações de rendimentos devem ser comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, verbis: Art. 1° Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do I77?, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (ressaltei) ' zo' •Is-: ?a, Ministério da Fazenda- FA...:MM • 2 n—• Fl. tP.s= <C Segundo Conselho de Contribuintes 41 BRASILIA pé_.1 ........ CONFERE Acy o Processo n° : 13851.000581/2001-08 Recurso n° : 124.148 . VIS Acórdão n° : 204-00.219 Tal artigo foi modificado pela IN SRF n° 14, de 14 de fevereiro de 2000, que estabeleceu que, no caso das pessoas jurídicas, apenas os débitos constantes em DCTF e nas declarações do 1772 seriam inscritos em dívida ativa, não mais os informados nas DIPJ. Desta forma pode-se concluir que, pelo menos até o ano-calendário de 1999, os valores informados nas declarações de rendimentos constituem confissão de dívida e não devem ser objeto de lançamento de ofício, mas sim de cobrança via inscrição . como dívida ativa. O citado despacho informa que as declarações de rendimentos das pessoas jurídicas têm o caráter de confissão de dívida até a referente ao ano-calendário de 1998, inclusive, mas não esclarece de onde provém essa informação. Isso posto e considerando que o Decreto-Lei n° 2.124, de 1984, ainda não foi revogado e o seu art. 50 está citado no recibo de entrega da DIPJ do ano-calendário de 1999 (fL92), e que o art. 1° da IN SRF n° 77, de 1998, somente foi modificado em fevereiro de 2000, o processo foi baix ndo em diligência, à DRF/Araraquara, para que a Siana infornzasse onde se baseou (ato legal ou administrativo) para chegar ao entendimento acima, qual seja, o de considerar que os valores constantes na DIPJ relativa ao ano-calendário de 1999 são apenas informativos e não caracterizam confissão de dívida Em atendimento à diligência, aquela seção da DRF/Araraquara informou, por meio do despacho de ft 529, que o seu entendimento está baseado no manual de fiscalização da Coordenação-Geral de Fiscalização (Cofis) da Secretaria da Receita Federal (SRF), que entendeu que, com o advento da Instrução Normativa (IN) SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a DC7'F, esta declaração passou a ser o único documento hábil para inscrição em dívida ativa dos créditos federais, por disposição do §10 do art. 7° da referida IN. Informou também que o fiscal autuante não se manifestou tempestivamente porque foi transferido para outra Região FiscaL A 4' Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto — SP, que julgou parcialmente procedente o lançamento tributário, fê-lo através do Acórdão DRI/RPO N° 3.466, de 20 de março de 2003, assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 28/02/2001 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. VALORES DECLARADOS. DEDUÇÃO. • iiitp 4 . • -• Ministério da Fazenda tov---77 7 22 CC-MF:Cr 'ti,P,Tir2ear Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 13851.000581/2001-08 BCRCANsf; LERAE ft:10. LH,' A v o Recurso n° : 124.148 Acórdão n° : 204-00.219 Os valores informados pela autuada, em declaração de rendimentos, até o ano- calendário de 1998, caracterizam confissão de divida e devem ser deduzidos dos valores apurados no lançamento. Lançamento Procedente em Parte No que se refere ac. crédito exoneradO, por força do recurso necessário este processo foi submetido a este Conselho e, quanto ao crédito mantido não houve interposição de recurso voluntário pelo contribuinte. Este é o relatório. fig 5 2.*CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ----"'"r""-----7::Tr"--27r —:--"""ncctgftRc-7t-sy, o _oLiSINAL 2/1 Processo o : 13851.000581/2001-08 2RASii.IÀ . I_ _- Recurso n° : 124.148 TC Acórdão n° : 204-00119 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO Correto o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido ao se basear no despacho proferido no âmbito da DRF em Araraquara - SP (fls. 520-521), cujas informações foram no sentido de que houve equívoco no lançamento ao incluir os valores referentes aos anos de 1996 a 1998, pelo que já estavam informados em declarações de rendimentos (DIRPJ e DIPJ), que, à época tinham característica de confissão de dívida, e já estariam em procedimento de cobrança por meio do sistema conta corrente da SRF. Observe-se que, conforme disposição expressa no art. 5' do Decreto-Lei n' 2.124, de 1984, o valor constante nas declarações de rendimento "comunicando existência de crédito tributário constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito". Nesta mesma esteira, o artigo P da IN SRF n° 77, de 1998, informa que os débitos "constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e na DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União." Neste sentido, tem se pronunciado este Segundo Conselho de Contribuintes, conforme ementas dos seguintes arestos: Ementa: DIRPJ. COFISSÃO DE DÍVIDA. O débito confessado na Declaração de Imposto de Renda tem a efetividade de sua cobrança garantida por considerar-se confusão de dívida, a teor do art. 5°, § 1°, do DL n°2.124, de 13/06/1984. Recurso de ofício negado. (Rec. 124743, Ac. 201-78016) Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL EXCLUSÃO DE DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PROCEDIMENTO DE COBRANÇA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Nos casos de débitos efetivamente declarados em DCTF, não pagos no devido prazo legal, cabe à autoridade tributária encaminhá-los à PFN para imediata inscrição em dívida ativa e conseqüente cobrança executiva, não cabendo a instauração de processo fiscal, de natureza contenciosa, para a exigência dos mesmos, por ferir o arcabouço legal, normativo e jurisprudencial vigente e aplicável à sistemática ínsita à DCTF. Recurso provido. (Rec. 114956, Ac 203-08042) Ementa: PIS. DIPI DC7'F. Se os valores dos débitos declarados não têm a natureza de confissão de dívida, devem ser lançados de oficio para instrumentalizar sua cobrança Até dezembro de 1998, os valores declarados em DIPJ tinham tal natureza. Após, só os valores declarados em DC7F. Se os valores declarados em DCTF são menores do que aqueles encontrados pelo Fisco na escrita fiscal do sujeito passivo, a j afib 6 • ..~.4‘n•••••eal~alp.- • ji gb dle‘01 CC-MF Ir: Ministério da Fazenda • DA FAZEMOA - 2 CC Fl. tra:w Segundo Conselho de Contribuintes CZNVFERE eÇ t4pA O "IGINAL aRASILiA.L./1 Processo n° : 13851.00058112001-08 _ v , 1 C Recurso n° : 124.148 Acórdão n° : 204-00.219 diferença também deve ser lançada de oficio. Recurso negado. (Rec. 122368, Ac. 201- 77.565) Diante do acima exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 14 de junho de 2005. R RIGO BERM12- C--VES AR ALHO # 7 Page 1 _0016600.PDF Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.905723/2015-65
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2010
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF Nº 80, Nº 143 e Nº 168.
Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1003-004.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 80, nº 143 e nº 168 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULAS CARF Nº 80, Nº 143 e Nº 168. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório.
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IRRF. SÚMULAS CARF Nº 80, Nº 143 e Nº 168. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 80, nº 143 e nº 168 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 57 23 /2 01 5- 65 Fl. 213DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 19800.64021.180411.1.3.03-4736 em 18.04.2011, e-fls. 83- 103, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor total de R$1.987.499,44 do ano-calendário de 2010 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 74-81: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÃO FONTE PAGAMENTOS SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 776.301,70 1.211.197,74 [...] 1.987.499,44 CONFIRMADAS [...] 611.559,44 1.211.197,74 [...] 1.822.757,18 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.987.499,44 Valor na DIPJ: R$ 1.987.499,44 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.987.499,44 CSLL devida: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 1.822.757,18 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 30209.18477.190411.1.3.03-7147 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 11ª Turma da DRJ/06 nº 106-008.011, de 07.01.2021, e-fls. 183-192: Fl. 214DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 ACÓRDÃO Acordam os membros da 11ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, nos termos do voto do relator. [...] Conclusão Em face do exposto, voto por julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer o crédito adicional no valor original de R$ 82.468,26 e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Recurso Voluntário Notificada em 01.02.2022, e-fl. 198, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.02.2022, e-fls. 201-210, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: 5. Extrai-se que o acórdão recorrido, aplicando à espécie o entendimento assentado na Súmula Vinculante nº 143 do CARF (“A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”), logrou conciliar “as divergências na identificação de códigos de receita e/ou CNPJ de fontes pagadoras e observados os percentuais de IRPJ definidos na IN SRF n° 480/2004, em razão dos comprovantes anuais de retenção e extratos de DIRF juntados na manifestação de inconformidade”, adicionando parcela do direito creditório reclamado. 6. Entretanto, furtou-se a DRJ de origem de fundamentar as razões pelas quais a indeferiu a parcela remanescente do direito creditório. 7. Com efeito, a decisão vergastada limita-se a elaborar conciliação de apenas algumas divergências identificadas na DIRF quanto à vinculação da retenção à respectiva fonte pagadora, deixando injustificadamente de demonstrar o critério eleito para não admitir parte da CSLL retida como crédito. 8. A título de exemplo, identifica-se na DIRF anexada aos autos que a Recorrente auferiu da fonte pagadora identificada pelo CNPJ 94.877.586 (Universidade Federal do Rio Grande) receita no valor de R$ 2.129.854,95, tendo sido retida CSLL no total de R$ 21.298,55 (percentual de 1% estabelecido pelo Anexo I da IN SRF nº 480/2004 para fins de retenção da CSLL): [...] 9. No entanto, a DRJ de origem inexplicavelmente apenas admitiu o crédito da CSLL retida no valor de R$ 6.391,27, não explicitando, insista-se, qualquer fundamento ou critério legal que amparasse o deferimento apenas parcial do citado direito creditório. [...] 12. As retenções e rendimentos acima indicados estão informados na DIRF anexada aos autos, como também se observa abaixo: [CNPJ 00.394.502, CNPJ 03.566.870, CNPJ 04.902.979 e CNPJ 08.829.974] [...]. 13. Do ora exposto, extrai-se que a DRJ equivocou-se ao revisar o direito creditório inerente às retenções da CSLL objeto de glosa no despacho decisório originário, não motivando, ademais, a decisão de indeferir a parcela remanescente do crédito em testilha. 14. Nessa linha, afigura-se nulo o acórdão combatido por ausência de fundamentação e, consequentemente, por violar o direito de defesa da Recorrente, [...]. Fl. 215DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 No que concerne ao pedido conclui que: 17. Ante o exposto, depreca para que seja conhecido e provido este recurso voluntário, para que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida, por preterição do direito de defesa da Recorrente. A título de pedido subsidiário, caso assim não entenda esse Colendo Colegiado, requer a conversão do feito em diligência, a fim de que seja revisada a apuração das parcelas relativas à CSLL retida objeto da glosa perpetrada no despacho decisório de origem, retificando-se os equívocos perpetrados pela DRJ no julgamento da manifestação de inconformidade, para fins de admissão das parcelas comprovadamente retidas e informadas na DIRF anexada aos autos. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da existência do crédito relativo ao saldo negativo de CSLL, no valor de R$82.274,00 (R$1.987.499,44 - R$1.822.757,18 – R$82.468,26) referente ao ano-calendário de 2010 pleiteado no presente processo (art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Diligência A Recorrente diz que o prazo de produção de provas deve ser devolvido. Sobre a diligência, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito com inserção de todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar. Opera-se a preclusão do direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 15, art. 16, art. 17 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que determinam critérios de aplicação do princípio da verdade material. Assim, tendo em vista o princípio da concentração da defesa, a manifestação de inconformidade deve conter todas as matérias litigiosas e instruída com os elementos de prova em que se justificar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. A lei prevê meios instrutórios amplos para que o julgador venha formar sua livre convicção motivada na apreciação Fl. 216DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 do conjunto probatório mediante determinação de diligências quando entender necessárias com a finalidade de corrigir erros de fato e suprir lacunas probatórias. As autoridades administrativa e julgadora de primeira instância analisaram detidamente todos os elementos constantes nos registros internos da RFB e aqueles colacionados em sede de manifestação de inconformidade. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). A realização desse meio probante é prescindível, uma vez que os elementos produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio e formação do livre convencimento motivado do julgador. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que deve ser considerado o conjunto probatório produzido nos autos que evidenciam o direito creditório. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e no lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de Fl. 217DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”, conforme art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Para fins de análise do litígio tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Ainda, “o interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” mesmo porque tem direito, perante a Administração, de “formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente” (inciso III do art. 3º e art. 38 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Em regra, as provas documentais, assim como os fundamentos de defesa e o pedido de diligência, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual (art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), exceto, entre outras hipóteses, a apresentação de documentos complementares no contexto da discussão da matéria em litígio que apenas sistematizam o conteúdo dos documentos tempestivamente apresentados. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período apurado de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 8º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). O Parecer Normativo Cosit nº 01, de 24 de setembro de 2002, orienta: Fl. 218DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 7. No caso do imposto de renda, há que ser feita distinção entre os dois regimes de retenção na fonte: o de retenção exclusiva e o de retenção por antecipação do imposto que será tributado posteriormente pelo contribuinte. Retenção exclusiva na fonte 8. Na retenção exclusiva na fonte, o imposto devido é retido pela fonte pagadora que entrega o valor já líquido ao beneficiário. 9. Nesse regime, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. 10. Ressalvada a hipótese prevista nos parágrafos 18 a 22, a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (Vinculante, conforme Portaria nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Súmula CARF nº 168 Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. Mudando o que deve ser mudado, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica pode deduzir da contribuição devida o valor da contribuição retida na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo da contribuição. A retenção conjunta, código 6190, refere-se aos pagamentos efetuados pela administração pública federal a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços e estão sujeitos à incidência na fonte de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, cujos valores, considerações como antecipações, somente podem ser deduzidos com o que for devido em relação à mesma espécie tributária no encerramento do período de apuração (art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 e Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 9,45% aplicado Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 sobre a receita pelo fornecimento de bens ou fornecido ou de serviços prestados tais como de alimentação e de energia elétrica entre outros correspondente ao somatório das alíquotas de 4,80% de IRPJ, de 1,0% de CSLL, de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins. O beneficiário é a pessoa jurídica que obtém os rendimentos e o imposto é recolhido pela fonte pagadora até o terceiro dia útil da semana subsequente à de ocorrência do fato gerador. A retenção conjunta, código 6147, refere-se aos pagamentos efetuados pela administração pública federal a pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços e estão sujeitos à incidência na fonte de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, cujos valores, considerações como antecipações, somente podem ser deduzidos com o que for devido em relação à mesma espécie tributária no encerramento do período de apuração (art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 e Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012). Sujeita-se ao regime de tributação em que o tributo retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual à alíquota incidente de 5,85% aplicado sobre a receita pelo fornecimento de bens ou fornecido ou de serviços prestados tais como de alimentação e de energia elétrica entre outros correspondente ao somatório das alíquotas de 1,2% de IRPJ, de 1,0% de CSLL, de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins. O beneficiário é a pessoa jurídica que obtém os rendimentos e o imposto é recolhido pela fonte pagadora até o terceiro dia útil da semana subsequente à de ocorrência do fato gerador. De acordo com a distribuição dinâmica, incumbe à Recorrente pleiteante o ônus de provar, por meios hábeis, eventual erro na informação prestada à RFB (art. 15 e art. 373 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nos termos legais somente pode ser deduzido da CSLL apurada o que for devido em relação à mesma espécie tributária no encerramento do período de apuração, ou seja, a retenção conjunta referente à alíquota de 5,85% corresponde ao somatório das alíquotas de 1,2% de IRPJ, de 1,0% de CSLL, de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins. No Per/DComp a Recorrente informa, e-fls. 82-103: 0017.CNPJ da Fonte Pagadora: 00.394.502/0001-44 Código da Receita: 6147 - Alimentação, energia elétrica, transporte de carga, bens em geral,serv c/ forn. de bens (IN 306/2003) Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: SIM Valor 13.731,50 [...] 0033.CNPJ da Fonte Pagadora: 03.566.870/0001-10 Código da Receita: 6147 - Alimentação, energia elétrica, transporte de carga, bens em geral,serv c/ forn. de bens (IN 306/2003) Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: SIM Valor 129,00 [...] 0038.CNPJ da Fonte Pagadora: 04.902.979/0001-44 Código da Receita: 6147 - Alimentação, energia elétrica, transporte de carga, bens em geral,serv c/ forn. de bens (IN 306/2003) Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: SIM Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 Valor 223,51 [...] 0046.CNPJ da Fonte Pagadora: 08.829.974/0017-51 Código da Receita: 6147 - Alimentação, energia elétrica, transporte de carga, bens em geral,serv c/ forn. de bens (IN 306/2003) Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: SIM Valor 171,14 [...] 0108.CNPJ da Fonte Pagadora: 94.877.586/0001-10 Código da Receita: 6190 - Água, telefone, correios, vigilância, limpeza, locação de mão de obra, locação e demais serviços (IN 306/2003) Retenção efetuada por Órgão / Entidade da Administração Pública: SIM Valor 17,61 No Despacho Decisório consta, e-fls. 74-81: - CNPJ 00.394.502/0001-44 o total de retenção, código 6147, no valor de R$13.731,50 não foi reconhecida por falta de comprovação; - CNPJ 03.566.870/0001-10 o total de retenção, código 6147, no valor de R$129,00 não foi reconhecida por falta de comprovação; - CNPJ 04.902.979/0001-44 o total de retenção, código 6147, no valor de R$233,51 não foi reconhecida por falta de comprovação; - CNPJ 08.829.974/0017-51 a parcela de retenção, código 6147, no valor de R$89,67 não foi reconhecida por falta de comprovação; - CNPJ 94.877.586/0001-10 o total de retenção, código 6147, no valor de R$7.972,93 não foi reconhecida por falta de comprovação; e - CNPJ 94.877.586/0001-10 o total de retenção, código 6190, no valor de R$17,61 não foi reconhecida por falta de comprovação. Na DIRF está registrado, e-fls. 15-23: - CNPJ 00.394.502/001-44 o total de retenção, código 6147, no valor de R$30.46274 e código 6190, no valor de R$729,77; - CNPJ 03.566.870/0001-10 o total de retenção, código 6190, no valor de R$754,62; - CNPJ 04.902.979/0001-44 o total de retenção, código 6190, no valor de R$993,46; - CNPJ 08.829.974/0004-37 o total de retenção, código 6147, no valor de R$110,42; - CNPJ 08.829.974/0011-66 o total de retenção, código 6147, no valor de R$34,91; - CNPJ 08.829.974/0015-90 o total de retenção, código 6190, no valor de R$294,29; - CNPJ 08.829.974/0017-51 o total de retenção, código 6147, no valor de R$476,60; e Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 - CNPJ 94.877.586/0003-82 o total de retenção, código 6147, no valor de R$37.388,85. Está registrado no Acórdão da 11ª Turma da DRJ/06 nº 106-008.011, de 07.01.2021 , e-fls. 183-192, que em relação: - CNPJ 00.394.502/0001-44 não foi reconhecida qualquer parcela retenção; - CNPJ 03.566.870/0001-10, foi reconhecida a parcela, código 6190, no valor de R$79,85; - CNPJ 04.902.979/0001-44 foi reconhecida a parcela, código 6190, no valor de R$105,13; - CNPJ 08.829.974/0017-51 foi reconhecida a parcela, código 6147, no valor de R$24,84; e - CNPJ 94.877.586/0001-10 foi reconhecida a parcela, código 6147, no valor de R$6.391,27. Na ficha 07A - Demonstração do Resultado - Critérios em 31.12.2007 - PJ em Geral do ano-calendário de 2010 a Recorrente consigna na Linha 05. Receita de Prestação de Serviços - Mercado Interno o valor de R$2.577.641.792,30, e-fl. 177. Necessária é a comprovação do oferecimento à tributação da integralidade dos rendimentos correspondentes às parcelas das retenções na fonte do tributo constantes na DIRF informadas pelas fontes pagadoras e nos correspondentes registros contábeis e fiscais com o escopo de verificar a composição do saldo negativo de CSLL no encerramento do ano-calendário de 2010, com base nas Súmulas CARF nº 80, nº 143 e nº 168. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito pleiteado nos presentes autos em cotejo com as informações constantes nos sistemas da RFB e aquelas originárias dos registros contábeis e fiscais e demais documentos que a Recorrente deve apresentar para comprovação do efetivo mês em que houve a retenção das parcelas IRRF constantes na DIRF, uma vez que há indícios de que o referido direito creditório encontra-se disponível para compensação dos débitos ali confessados. Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento ou ainda que pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-004.329 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.905723/2015-65 preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em preclusão do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimento das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Dispositivo Em assim sucedendo voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações das Súmulas CARF nº 80, nº 143 e nº 168 para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 223DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13866.000154/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA.
Sob a égide da Lei 9.718, de 1998, “faturamento” ou “receita bruta”, base de cálculo da contribuição, compreende, tão somente, a venda de mercadorias, a venda de serviços e a venda de mercadorias e serviços. Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO EM DUAS
INSTÂNCIAS.
É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superados, no órgão julgador ad quem, pressupostos que fundamentavam o julgamento de primeira instância.
Recurso não conhecido nas demais razões de mérito, devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância.
Numero da decisão: 3101-000.865
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial
provimento ao recurso voluntário, para afastar o alargamento da base de cálculo da Cofins previsto no artigo 3º da Lei 9.718, de 1998, e determinar a devolução dos autos para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão judicante de primeira instância administrativa.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/07/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. Sob a égide da Lei 9.718, de 1998, “faturamento” ou “receita bruta”, base de cálculo da contribuição, compreende, tão somente, a venda de mercadorias, a venda de serviços e a venda de mercadorias e serviços. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO EM DUAS INSTÂNCIAS. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Forçosa é a devolução dos autos para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão julgador a quo quando superados, no órgão julgador ad quem, pressupostos que fundamentavam o julgamento de primeira instância. Recurso não conhecido nas demais razões de mérito, devolvidas ao órgão julgador a quo para correção de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o alargamento da base de cálculo da Cofins previsto no artigo 3º da Lei 9.718, de 1998, e determinar a devolução dos autos para apreciação das demais questões de mérito pelo órgão judicante de primeira instância administrativa. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão nº 310100.865 S3C1T1 Fl. 129 _________ Henrique Pinheiro Torres Presidente Tarásio Campelo Borges Relator Formalizado em: 12/08/2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Ribeirão Preto (SP) que rejeitou [1] manifestação de inconformidade [2] da interessada contra indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório da contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurada em julho de 2002 [3], atrelado a pedido de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela SRF. Aduz a peticionária que tais créditos são decorrentes de “pagamento a maior” [4]. Indeferido o pedido pela Delegacia da Receita Federal competente [5], a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 67 a 75, cuja síntese tomo de empréstimo do relatório do acórdão recorrido: a) Preliminarmente, alega que houve "erro material de julgamento crasso" uma vez que não se trata de pedido de restituição e sim de pedido de compensação e, sendo este não apreciado, suprimese esfera de julgamento "prejudicando a necessária entrega de jurisdição administrativa, como elemento fundamental e atenção ao devido processo legal...". Assim requer a anulação do julgamento por conta do vicio material apontado, que não houve 1 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 91 a 93. 2 Manifestação de inconformidade acostada às folhas 67 a 75. 3 Protocolo do pedido no dia 15 de maio de 2003 (folhas 1 a 3). 4 Motivo do pedido de restituição consignado na folha 1. 5 Indeferimento do pedido às folhas 58 a 61. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão nº 310100.865 S3C1T1 Fl. 130 _________ negativa formal à pretendida homologação da compensação na forma descrita pela DCTF do 3° trimestre de 2002; b) No mérito, alega que é operadora de planos de saúde, nos termos da Lei n° 9.656, de 1998, discorre sobre o conceito de faturamento, concluindo que, no seu caso, adstringese ao resultado das receitas decorrentes do serviço que presta, consubstanciado nas contraprestações auferidas dos beneficiários dos planos de assistência à saúde que opera. c) Conclui que não há de se falar em exclusão indevida da base de cálculo da Cofins relativamente aos valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais e outros assemelhados, uma vez que sequer tais valores fazem parte da base de cálculo do tributo. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida, por vicio material e o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação declarada. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Interpretase literalmente a legislação que trata da exclusão do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 111, do CTN. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. CONDIÇÃO ESSENCIAL. Nos termos do disposto no art, 170, do CTN, a condição essencial para a compensação tributária é a comprovação da liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Não efetuada essa comprovação, não é de se homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 100 a 112. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [6] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 127 folhas. Na última delas consta despacho com registro da distribuição mediante sorteio e encaminhamento dos autos para este conselheirorelator. É o relatório. 6 Despacho acostado à folha 126 determina o encaminhamento dos autos para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão nº 310100.865 S3C1T1 Fl. 131 _________ Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 100 a 112, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca de pedido de restituição da contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins) atrelado a pedido de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela SRF. No julgamento de primeira instância administrativa, para negar ao contribuinte o direito ao crédito alegado em desfavor da Fazenda Nacional, nele restam assentados, dois pressupostos: (1) “engano do interessado ao pretender que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins seja o resultado da venda de bens e serviços”; e (2) “a base de cálculo das contribuições é o faturamento, nos termos do disposto no art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998” [7]. A propósito da base de cálculo da contribuição, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica no sentido de tomar como sinônimos “faturamento” e “receita bruta”. Nesse sentido, o voto condutor do Recurso Extraordinário 390.8405 (MG), repetido no Recurso Extraordinário 346.0846 (PR), da lavra do ministro Marco Aurélio (relator, no primeiro; redator, no último RE citado) [8], verbis: Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo a faturamento sem darlhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarseia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhadose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. Eis um panorama de precedentes do Tribunal, considerados conceitos relativos a tributos. 7 Voto condutor do acórdão recorrido, folha 92, antepenúltimo parágrafo. 8 RE 346.0846 (PR): voto do ministro Marco Aurélio proferido em 18 de maio de 2005, julgamento concluído em 9 de novembro de 2005 e resultado publicado no DJ de 1º de setembro de 2006. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão nº 310100.865 S3C1T1 Fl. 132 _________ Ao julgar o Recurso Extraordinário nº 116.1213/SP, o Plenário, sendo relator o ministro Octávio Gallotti, vencido no entendimento, teve oportunidade de proclamar que o imposto sobre serviços não incide sobre locação de bens porque locação de bens móveis não é simplesmente serviço. Fiquei com a redação do acórdão, conforme publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 178/1.265. Também na apreciação do Recurso Extraordinário nº 166.7729/RS, o Plenário, em 12 de maio de 1994, reafirmou a necessidade de se atentar para o conceito consagrado dos institutos. Glosou a tentativa de se tomar, como abrangidos pela expressão “folha de salário”, os pagamentos efetuados a administradores e autônomos – Revista Trimestral de Jurisprudência 156/666692. E, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 172.0581/SC, o Plenário, em 30 de junho de 1995 e conforme acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 161/1.0431.057, veio, mais uma vez, a dar eficácia aos figurinos constitucional e legal ao concluir que não se pode falar em imposto sobre renda sem que haja ocorrido acréscimo patrimonial representado pela aquisição de disponibilidade sobre a renda. No caso, tevese presente não só a Lei Fundamental como também o artigo 110 do Código Tributário Nacional, consoante o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conceito e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal. Então, após mencionar a jurisprudência da Corte sobre a valia dos institutos, dos vocábulos e expressões constantes dos textos constitucionais e legais e considerada a visão técnicovernacular, volto à Lei nº 9.718/98, salientando, como retratado acima, constar do artigo 2º a referência a faturamento. No artigo 3º, deuse enfoque todo próprio, definição singular ao instituto faturamento, olvidandose a dualidade faturamento e receita bruta de qualquer natureza, pouco importando a origem, em si, não estar revelada pela venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadorias e serviços: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Não fosse o § 1º que se seguiu, terseia a observância de jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Em síntese, o legislador ordinário (logicamente não no sentido vulgar, mas técnicolegislativo) acabou por criar uma fonte de custeio da seguridade à margem do disposto no artigo 195, com a redação vigente à época, e sem ter presente a regra do § 4º nele contida, isto é, a necessidade de novas fontes destinadas a garantir a manutenção ou a expansão da seguridade social pautarse pela regra do artigo 154, inciso I, da Constituição Federal, que é explícito quanto à existência de lei complementar. Antecipouse à própria Emenda Constitucional 20, Fl. 136DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão nº 310100.865 S3C1T1 Fl. 133 _________ no que, dando nova redação ao artigo 195 da Constituição Federal, versou a incidência da contribuição sobre a receita ou o faturamento. A disjuntiva “ou” bem revela que não se tem a confusão entre o gênero “receita” e a espécie “faturamento”. Repitase, antes da Emenda Constitucional nº 20/98, tinhase apenas a previsão de incidência da contribuição sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros. Com a citada emenda, passouse não só a se ter a abrangência quanto à primeira base de incidência, folha de salários, apanhandose de forma linear os rendimentos do trabalho pagos ou creditados a qualquer título, mesmo sem vínculo empregatício, observandose o precedente desta Corte, como também a inserção, considerado o que surgiu como alínea “b” do inciso I do artigo 195, da base de incidência, que é a receita. Como, então, dizerse a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do STF, no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigura se írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagrado que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial. Assim, sob a égide da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998, anterior à Emenda Constitucional 20, de 15 de dezembro de 1998, que deu nova redação ao artigo 195 da Constituição da República, “faturamento” ou “receita bruta”, base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, a despeito de espécie e gênero, respectivamente, aqui se confundem e compreendem somente a venda de mercadorias, a venda de serviços e a venda de mercadorias e serviços. Por conseguinte, concluo equivocado o pretendido alargamento da base de cálculo da contribuição adotado como pressuposto para o indeferimento do pedido de restituição. Com essas considerações e em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, superados, no órgão julgador ad quem, pressupostos que fundamentavam o Fl. 137DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13866.000154/200314 Acórdão nº 310100.865 S3C1T1 Fl. 134 _________ julgamento de primeira instância, voto no sentido de devolver os autos deste processo para apreciação das demais razões de mérito pelo órgão julgador a quo. Tarásio Campelo Borges Fl. 138DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10680.003429/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA.
Sob a égide da Lei 9.718, de 1998, “faturamento” ou “receita bruta”, base de cálculo da contribuição, compreende, tão somente, a venda de mercadorias, a venda de serviços e a venda de mercadorias e serviços. Precedentes do Supremo Tribunal Federal.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3101-000.710
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. Sob a égide da Lei 9.718, de 1998, “faturamento” ou “receita bruta”, base de cálculo da contribuição, compreende, tão somente, a venda de mercadorias, a venda de serviços e a venda de mercadorias e serviços. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Tarásio Campelo Borges Relator Formalizado em: 06/05/2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Valdete Aparecida Marinheiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10680.003429/200513 Acórdão nº 310100.710 S3C1T1 Fl. 87 _________ Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão da Primeira Turma da DRJ Belo Horizonte (MG) que, por maioria [1], julgou procedente [2] o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), regime cumulativo, fatos geradores de março de 2000, acrescida de juros de mora equivalentes à taxa Selic e de multa proporcional (75%, passível de redução) [3]. Ciência pessoal do lançamento a preposto da sociedade empresária em 15 de março de 2005. Segundo a denúncia fiscal, a exação é decorrente de incorreta determinação da base de cálculo [4] [5] do tributo pelo sujeito passivo da obrigação: nela não teria sido incluído o deságio obtido na compra de prejuízos fiscais nem o deságio auferido na compra de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro, ambos utilizados para a liquidação de multa e de juros devidos no âmbito do Refis [6]. Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 47 a 57, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente lançamento, argumenta que a diferença entre o valor pago na cessão dos prejuízos e da base de cálculo negativa da contribuição social e o utilizado como abatimento de multa e juros no Refis não representa ingresso de receita nova e, portanto, não é fato gerador da contribuição. A contabilização dessa diferença deve e foi feita a débito da conta do passivo que registrou o valor dos tributos e encargos devidos e a crédito de conta de despesas representativas da própria obrigação, estornandoa. Sobre o tema, cita entendimento contido no “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” e o Ato Declaratório Interpretativo SRF 1 Vencido o julgador Kleber Drummond Júnior. 2 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 67 a 74. 3 Auto de infração às folhas 5 a 15. 4 Lei 9.718, de 1998, artigo 2º: As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). 5 Lei 9.718, de 1998, artigo 3º: O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (§ 1º) Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. [§ 1º revogado pela Lei 11.941, de 2009] [...]. 6 Lei 9.964, de 2000, artigo 2º: O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1º. [...] § 7º: Os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: (I) compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do Refis; (II) a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros, estes declarados à Secretaria da Receita Federal até 31 de outubro de 1999. [...]. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10680.003429/200513 Acórdão nº 310100.710 S3C1T1 Fl. 88 _________ nº 25, de 24 de dezembro de 2003, que trata da incidência do PIS e da Cofins sobre valores de tributos recuperados via ação judicial de repetição de indébito. Em seguida, aduz que na data que o fisco promoveu a tributação março/2000 , o “ganho” não reunia os atributos reclamados pela lei, pois não havia disponibilidade econômica e jurídica, não ocorrendo o fato gerador. Isso porque o contribuinte somente pode considerar como líquida e certa a compensação se e quando a autoridade fiscal competente deferir a solicitação, que foi protocolizada no “Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativas”. Ressalta que a qualquer momento a autoridade fiscal poderia negar a transferência e compensação, seja por falha na correta apuração do prejuízo ou na base negativa pelo cedente, pelo não deferimento da adesão ao Refis ou pela exclusão do programa de parcelamento. Transcreve a IN SRF nº 44, de 25 de abril de 2000, destacando o art. 5º e o §2º do art. 7º. Conclui, a partir do disposto no citado ato, que a transferência e compensação pelo cessionário somente se consolidam de fato e de direito após auditoria fiscal nos registros do cedente para aferir a regularidade dos seus prejuízos e bases de cálculos negativas da CSLL. Ressalta que posteriormente o Comitê Gestor do Refis editou novas regras tornando mais rígida a compensação, como, por exemplo o art. 3º da Resolução CG/Refis nº 19, de 6 de setembro de 2001 (determinação da glosa do valor cedido ou parte dele se o cedente for optante pelo Refis e não o utilizar, antes da cessão, para a liquidação de seu próprio débito). E o art. 1º da Resolução CG/Refis nº 31, de 3 de outubro de 2003, veio estabelecer o processo quando do indeferimento do pedido da utilização dos créditos em questão. Assim, tendo em vista que todas as normas apontam para eventos futuros condicionantes à compensação e transferência dos valores, o contribuinte só adquire a real disponibilidade econômica e jurídica depois do deferimento do pedido pelo Delegado da Receita Federal. Acrescenta que esse é o entendimento da DRJ de Florianópolis no Acórdão cuja ementa reproduz. Informa que só teve ciência de seu débito consolidado no Refis em data muito posterior a 1º de abril de 2001, embora fosse essa a data prevista. Além disso, o Contrato Particular de Cessão de Direitos Refis traz uma condição suspensiva vinculando a realização do negócio caso haja a autorização da SRF para a transferência dos prejuízos ou a ocorrência do prazo decadencial, conforme as cláusulas que transcreve. Portanto, pendia condição suspensiva na realização do negócio jurídico por época da cessão, oportunidade em que não ocorre fato gerador do tributo. Aduz ainda que a cessão inicialmente contratada era de prejuízos e base de cálculo negativa no valor de R$ 7.050.000,00, com utilização de crédito de R$ 1.621.500,00, mas só pôde usar R$ 1.291.791,38. Afirma que até a data da impugnação a SRF não havia autorizado expressa e textualmente utilização dos valores para quitação dos débitos do Refis, encontrandose pendente de decisão o pedido realizado em agosto/2000. Por fim, requer seja declarado improcedente o Auto de Infração. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10680.003429/200513 Acórdão nº 310100.710 S3C1T1 Fl. 89 _________ Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2000 DESÁGIO OBTIDO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE TERCEIROS A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL adquiridos de terceiros, para quitar parte do débito consolidado no Refis, constitui acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo PIS na data da aquisição de sua disponibilidade. Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 78 a 84. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [7] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 85 folhas. É o relatório. Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 78 a 84, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). Para a Fazenda Nacional, fazem parte dela tanto o deságio obtido na compra de prejuízos fiscais quanto o deságio auferido na compra de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro. A propósito da base de cálculo da contribuição, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é pacífica no sentido de tomar como sinônimos “faturamento” e “receita bruta”. Nesse sentido, o voto condutor do Recurso Extraordinário 390.8405 (MG), 7 Despacho acostado à folha 85 determina o encaminhamento dos autos para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10680.003429/200513 Acórdão nº 310100.710 S3C1T1 Fl. 90 _________ repetido no Recurso Extraordinário 346.0846 (PR), da lavra do ministro Marco Aurélio (relator, no primeiro; redator, no último RE citado) [8], verbis: Examino, então, a problemática referente à Lei nº 9.718/98. Aqui há de se perceber o empréstimo de sentido todo próprio ao conceito de faturamento. Eis o teor da lei envolvida na espécie: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Tivesse o legislador parado nessa disciplina, aludindo a faturamento sem darlhe, no campo da ficção jurídica, conotação discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudência, terseia solução idêntica à concernente à Lei nº 9.715/98. Tomarseia o faturamento tal como veio a ser explicitado na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, ou seja, a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer, no inciso I do artigo 195, o cálculo da contribuição para o financiamento da seguridade social devida pelo empregador, considerado o faturamento. Em última análise, terseia a observância da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que é o faturamento, caminhadose para o atendimento da jurisprudência desta Corte. Eis um panorama de precedentes do Tribunal, considerados conceitos relativos a tributos. Ao julgar o Recurso Extraordinário nº 116.1213/SP, o Plenário, sendo relator o ministro Octávio Gallotti, vencido no entendimento, teve oportunidade de proclamar que o imposto sobre serviços não incide sobre locação de bens porque locação de bens móveis não é simplesmente serviço. Fiquei com a redação do acórdão, conforme publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 178/1.265. Também na apreciação do Recurso Extraordinário nº 166.7729/RS, o Plenário, em 12 de maio de 1994, reafirmou a necessidade de se atentar para o conceito consagrado dos institutos. Glosou a tentativa de se tomar, como abrangidos pela expressão “folha de salário”, os pagamentos efetuados a administradores e autônomos – Revista Trimestral de Jurisprudência 156/666692. E, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 172.0581/SC, o Plenário, em 30 de junho de 1995 e conforme acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 161/1.0431.057, veio, mais uma vez, a dar eficácia aos figurinos constitucional e legal ao concluir que não se pode falar em imposto sobre renda sem que haja ocorrido acréscimo patrimonial representado pela aquisição de disponibilidade sobre a renda. No caso, tevese presente não só a Lei Fundamental como também o artigo 110 do Código Tributário Nacional, consoante o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conceito e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente pela Constituição Federal. Então, após mencionar a jurisprudência da Corte sobre a valia dos institutos, dos vocábulos e expressões constantes dos textos constitucionais e legais e considerada a visão técnicovernacular, volto à Lei nº 9.718/98, salientando, como retratado acima, constar do artigo 2º a referência a faturamento. No artigo 3º, deuse enfoque todo próprio, definição singular ao 8 RE 346.0846 (PR): voto do ministro Marco Aurélio proferido em 18 de maio de 2005, julgamento concluído em 9 de novembro de 2005 e resultado publicado no DJ de 1º de setembro de 2006. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10680.003429/200513 Acórdão nº 310100.710 S3C1T1 Fl. 91 _________ instituto faturamento, olvidandose a dualidade faturamento e receita bruta de qualquer natureza, pouco importando a origem, em si, não estar revelada pela venda de mercadorias, de serviços, ou de mercadorias e serviços: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Não fosse o § 1º que se seguiu, terseia a observância de jurisprudência desta Corte, no que ficara explicitado, na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, a sinonímia dos vocábulos “faturamento” e “receita bruta”. Todavia, o § 1º veio a definir esta última de forma toda própria: § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. O passo mostrouse demasiadamente largo, olvidandose, por completo, não só a Lei Fundamental como também a interpretação desta já proclamada pelo Supremo Tribunal Federal. Fezse incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa, pouco importando a origem, em si, e a classificação que deva ser levada em conta sob o ângulo contábil. Em síntese, o legislador ordinário (logicamente não no sentido vulgar, mas técnicolegislativo) acabou por criar uma fonte de custeio da seguridade à margem do disposto no artigo 195, com a redação vigente à época, e sem ter presente a regra do § 4º nele contida, isto é, a necessidade de novas fontes destinadas a garantir a manutenção ou a expansão da seguridade social pautarse pela regra do artigo 154, inciso I, da Constituição Federal, que é explícito quanto à existência de lei complementar. Antecipouse à própria Emenda Constitucional 20, no que, dando nova redação ao artigo 195 da Constituição Federal, versou a incidência da contribuição sobre a receita ou o faturamento. A disjuntiva “ou” bem revela que não se tem a confusão entre o gênero “receita” e a espécie “faturamento”. Repitase, antes da Emenda Constitucional nº 20/98, tinhase apenas a previsão de incidência da contribuição sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros. Com a citada emenda, passouse não só a se ter a abrangência quanto à primeira base de incidência, folha de salários, apanhandose de forma linear os rendimentos do trabalho pagos ou creditados a qualquer título, mesmo sem vínculo empregatício, observandose o precedente desta Corte, como também a inserção, considerado o que surgiu como alínea “b” do inciso I do artigo 195, da base de incidência, que é a receita. Como, então, dizerse a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do STF, no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 10680.003429/200513 Acórdão nº 310100.710 S3C1T1 Fl. 92 _________ jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigura se írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagrado que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial. Assim, sob a égide da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998, anterior à Emenda Constitucional 20, de 15 de dezembro de 1998, que deu nova redação ao artigo 195 da Constituição da República, “faturamento” ou “receita bruta”, base de cálculo do PIS e da Cofins, a despeito de espécie e gênero, respectivamente, aqui se confundem e compreendem somente a venda de mercadorias, a venda de serviços e a venda de mercadorias e serviços. Por conseguinte, o deságio obtido na compra de prejuízos fiscais e o deságio auferido na compra de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro, ambos utilizados para a liquidação de multa e de juros devidos no âmbito do Refis, são valores estranhos à base de cálculo do tributo. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campelo Borges Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES Assinado digitalmente em 06/05/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000248/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
ARTIGO 99 DO RICARF. APLICABILIDADE.
De acordo com o artigo 99, do RICARF, este tribunal administrativo deve respeitar as decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 2201-011.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Alvares Feital - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
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Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS. ARTIGO 99 DO RICARF. APLICABILIDADE. De acordo com o artigo 99, do RICARF, este tribunal administrativo deve respeitar as decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 02 48 /2 01 0- 01 Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.562 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000248/2010-01 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 13/17, exige-se da contribuinte R$ 5.264,13 de imposto suplementar, R$ 3.948,09 de multa de ofício de 75% e encargos legais. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 16, refere-se à constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 23.123,74, já compensado o IRRF, de R$ 693,71, na base de cálculo relativa ao exercício de 2008, ano-calendário de 2007. Cientificada do lançamento em 14/04/2010 (fl.48), a contribuinte apresentou tempestivamente, em 12/05/2010, a impugnação de fls.02/11, instruída com os documentos de fls. 12/36, na qual alega em síntese que a fiscalização, erroneamente, a autuou por omissão de rendimentos tributáveis; no entanto, 90% dos rendimentos que serviram para a autuação seriam isentos, por se tratarem de juros acrescidos ao principal cobrado na revisão de cálculo de renda mensal de benefício previdenciário, discutido no processo n° 2003.33.00.76216-2, no qual a impugnante figura como autora; também não foram considerados pela autoridade fiscal as deduções previstas em lei, tais como, honorários advocatícios. Argumenta que a cobrança das sanções impostas é abusiva e fere o Princípio Constitucional do Não Confisco. Transcreve teses doutrinárias a respeito da vedação constitucional à utilização de cobrança de tributos com efeito de confisco. Insurge-se contra o cálculo dos juros de mora, alegando que a Constituição Federal impõe a limitação da cobrança de juros a 12% ao ano. Ao final, requer a improcedência do lançamento em face do reconhecimento da parte dos rendimentos isenta do imposto de renda; alternativamente, que os juros sejam contabilizados e capitalizados de maneira simples, aplicáveis sobre o valor principal do imposto devido. Solicita, ainda, com fulcro no art. 5° da Constituição Federal, o direito de apresentação de documentos, posteriormente à presente data. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2008 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. É vedado ao Fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação judicial não incluídos na declaração de ajuste anual de imposto de renda de pessoa física servem de base para o lançamento de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.562 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000248/2010-01 É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazê-lo em data posterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 14/05/2014, o sujeito passivo interpôs, em 12/06/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que tratando-se de rendimentos recebidos acumuladamente a tributação deve dar-se no regime de competência. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Alvares Feital - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 23.123,74, já compensado o IRRF, de R$ 693,71, na base de cálculo relativa ao exercício de 2008, ano-calendário de 2007. Tem razão o recorrente quando argumenta que os rendimentos recebidos acumuladamente sujeitam-se à sistemática de tributação distinta daquela imposta pela decisão recorrida. Realmente, o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, estabelecia que os rendimentos recebidos acumuladamente, relativos a anos-calendário anteriores, deveriam ser tributados pelo regime de caixa. Isto é, a incidência do IRPF ocorria no mês do crédito, tomando-se como base de cálculo o total dos rendimentos creditados e subtraindo-se o valor das despesas judiciais necessárias ao recebimento. Ora, a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no regime de caixa afronta os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia. Isto, porque, como o IRPF é progressivo, a tributação paulatina das parcelas a que o contribuinte faz jus naturalmente sofrerá uma incidência menor do que aquela imposta de uma só vez ao total dos rendimentos. Sobre o tema o STF fixou a seguinte tese no RE 614.406/RS: O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez. Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do STF, realizada em 09/12/2015. Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.562 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.000248/2010-01 Desta forma, o IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser recalculado, adotando-se as tabelas e alíquotas vigentes nas épocas a que se refiram tais rendimentos, observando-se o regime de competência. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dou- lhe provimento para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital Fl. 91DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002106/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA
RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA
DE EXPORTAÇÃO.
A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo
confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto.
“IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE
PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito
presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se
a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas,
produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de
cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-000.829
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2)
desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de
cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. Vencido os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e
Corintho Oliveira Machado.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 08 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002106/200791 Acórdão n.º 3101000829 S3C1T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. Vencido os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado,Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 88 a 89 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator Carlos Alberto Donassolo, nos seguintes termos: “O estabelecimento acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados durante o período de 01/07/2006 a 30/09/2006, no valor de R$ 57.018,49, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP, de fls. 02 e 03. 1.1 A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 08 e 09, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº. 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. Não bastasse isso, prossegue o agente fiscal, a maior parte das matériasprima adquiridas são provenientes de pessoas físicas, que não sofreram o gravame das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins a que o benefício fiscal visa ressarcir e, dessa forma, essas aquisições também não dariam direito ao crédito presumido. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 08 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002106/200791 Acórdão n.º 3101000829 S3C1T1 Fl. 3 3 1.2 O Delegado da DRF/Passo Fundo, acolhendo a proposição da Fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, conforme teor do Despacho Decisório, de fls. 11. 2 Regularmente intimado do Despacho Decisório referido, mas discordando daquele entendimento, o requerente apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 16 a 31, alegando, em síntese, o que segue: a) que realiza uma operação de beneficiamento da pedra denominada “ametista”, caracterizada como sendo uma operação típica de industrialização, uma vez que a matéria prima adquirida (ametista) passa por todo um processo de tratamento/acabamento antes de ser comercializada, operação essa caracterizada como sendo de industrialização pelo Regulamento do IPI; b) que no caso da não admissão na base de cálculo das aquisições de insumos de pessoas físicas houve ofensa ao princípio da legalidade estrita, previsto no art. 150, I, da Constituição Federal/88, de forma que a fiscalização não poderia impor restrições na composição do cálculo com base em atos infralegais, posto que tanto o conceito insculpido na Lei nº 9.363, de 1996 quanto na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, estendem o benefício para toda a cadeia produtiva e não somente para a última etapa desta. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese; 2.1. Finaliza, requerendo a procedência de sua manifestação de inconformidade para que seja reformado o Despacho Decisório e que se defira integralmente o crédito presumido do IPI pleiteado, acrescido de juros pela taxa Selic, desde a protocolização do pedido.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1015.458 de fls. 87 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Inexiste direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributado). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo do benefício as aquisições de matérias primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 08 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002106/200791 Acórdão n.º 3101000829 S3C1T1 Fl. 4 4 Solicitação Indeferida “ Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 96 a 112) onde faz as mesmas alegações antes apresentadas e finalmente requer: a) a reforma do acórdão recorrido, provendo as razões recursais para o fim de reconhecer o crédito encapsulado no pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI; b) acrescidos da Taxa SELIC desde a protocolização do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o motivo principal de controvérsia no presente processo se deve ao fato da fiscalização ter considerado que os produtos exportados pelo interessado estariam classificados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado), ou seja, são produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, portanto, sem direito ao crédito presumido do IPI. Nesse sentido, a decisão recorrida, analisou a classificação fiscal dos produtos exportados e concluiu “... que se tratam de produtos que se encontram fora do campo de incidência do IPI, ou seja, indicação típica de produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, por essa razão, sem direito ao crédito presumido do IPI pela legislação que trata do benefício fiscal”. Assim, não obstante, demais considerações é importante lembrar que o IPI é um imposto seletivo em virtude da essencialidade do produto, e não cumulativo conforme artigo 153 § 3º da CF/88, logo, por imposição constitucional, o IPI deve ser seletivo, não cumulativo e não poderá incidir sobre produtos industrializados, destinados ao exterior. Esses são os limites mínimos a serem respeitados pelo legislador infraconstitucional. Verificase na TIPI, que inumeros produtos ficaram sem tributação, outros tantos, reduzidos à alíquota zero, outros, ainda, tiveram isenções decretadas por leis específicas. No caso concreto, como o produto exportado está na TIPI como produto não tributado, significa que o objeto encontrase fora do campo abrangido pela tributação, isto é, é o fato de não estar contemplado na norma jurídica definidora do fato gerador da obrigação tributária. Acontece que o fato gerador do IPI é a industrialização e a lei definiu o que seja produto industrializado (artigo 46 do CTN e art. 3º da Lei nº 4.502/64). Assim, uma tabela aprovada por mero decreto ao promover enumeração de produtos não tributados, motivados tãosomente pelo caráter da seletização gradual do imposto, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 08 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002106/200791 Acórdão n.º 3101000829 S3C1T1 Fl. 5 5 não pode implicar em alteração do fato gerador, a ponto de excluir os produtos não tributados do rol de produtos industrializados, abrangidos pela definição do fato gerador do IPI. Logo, produto classificado na TIPI como NT, não significa necessáriamente tratarse de produto não industrializado. Portanto, o relevante é que a Recorrente tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT, nada considerável, também, que seus insumos sejam classificados como NT, pois, não estamos tratando de créditos normais de IPI, mas um crédito pressumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Também, a Recorrente pretende ver incluído no seu pedido de ressarcimento crédito referente a aquisições de pessoas físicas e cooperativa e nesse sentido discordando da decisão recorrida, corroboro com o entendimento exposto pelo nosso Presidente Dr. Henrique Pinheiros Torres no Recurso nº 201116199 da CSRF – 2º Turma nos seguintes termos: “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 08 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002106/200791 Acórdão n.º 3101000829 S3C1T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 08 /07/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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