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Numero do processo: 10880.944966/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS COM MANUTENÇÃO DE ESTRADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a crédito de PIS e Cofins os dispêndios com a manutenção de estradas por não se caracterizarem como insumos aplicados no processo produtivo da empresa. Tal gasto, embora necessário à atividade econômica da pessoa jurídica, refere-se à infraestrutura e logística de escoamento, não guardando relação de essencialidade ou relevância direta com a fabricação do produto ou a prestação do serviço (atividade-fim). Incidência da vedação prevista no Art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação: partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção; vestuário e equipamentos de proteção individual, material de análise laboratorial, inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, serviços de manutenção civil e mecânica, serviços de limpeza, serviços de consultoria ambiental, serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, locação de andaimes e rádios para comunicação, serviços de engenharia e projetos, serviço de silvicultura, treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, depreciação de talude, depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets, depreciação de pátio de madeira, depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, depreciação de combate a incêndio e depreciação de máquinas de geração de energia; serviços de logística e supervisão; locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TREINAMENTO OBRIGATÓRIO OU RELACIONADO A ATIVIDADE EMPRESARIAL. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com treinamento que se refiram a obrigatoriedade regulatória ou que tenham relação à atividade empresarial da Contribuinte constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS/COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. CRÉDITO. ALUGUEL DE GUINDASTE E ESCAVADEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (Súmula CARF nº 190) CRÉDITO. LOCAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. CRÉDITO. BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 NULIDADE POR OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A ausência de manifestação sobre pontos irrelevantes para o desfecho da lide não configura cerceamento de defesa. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Opera-se a coisa julgada administrativa quando a matéria em discussão foi objeto de decisão definitiva, não sendo possível a sua reapreciação, em obediência ao princípio da segurança jurídica.
Numero da decisão: 3201-013.226
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que a acolhiam, e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação às seguintes aquisições: (I.1)partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção, (I.2) vestuário e equipamentos de proteção individual, (I.3) material de análise laboratorial, (I.4) inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, (I.5) serviços de manutenção civil e mecânica, (I.6) serviços de limpeza, (I.7) serviços de consultoria ambiental,(I.8) serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, (I.9) locação de andaimes e rádios para comunicação, (I.10) serviços de engenharia e projetos, (I.11) serviço de silvicultura, (I.12) treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, (I.13) arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, (I.14) depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, (I.15) depreciação de talude, (I.16) depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, (I.17) depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, (I.18) depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets,(I.19) depreciação de pátio de madeira, (I.20) depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, (I.21) depreciação de combate a incêndio e (I.22)depreciação de máquinas de geração de energia; (II) por maioria de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços de logística e supervisão, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar e Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, que negavam provimento nesse item; (III) por voto de qualidade, para(III.1) manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que davam provimento nesse item, e(III.2) para reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi e Fabiana Francisco de Miranda, que negavam provimento; e (IV) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos em relação aos fretes em operações de vendas, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que revertiam tal glosa. Durante os debates, o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow propôs a realização de diligência, sendo acompanhado pela conselheira Flávia Sales Campos Vale, proposta essa rejeitada pelos demais conselheiros. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.222, de16 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.944962/2013-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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Não geram direito a crédito de PIS e Cofins os dispêndios com a manutenção de estradas por não se caracterizarem como insumos aplicados no processo produtivo da empresa. Tal gasto, embora necessário à atividade econômica da pessoa jurídica, refere-se à infraestrutura e logística de escoamento, não guardando relação de essencialidade ou relevância direta com a fabricação do produto ou a prestação do serviço (atividade-fim). Incidência da vedação prevista no Art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação: partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção; vestuário e equipamentos de proteção individual, material de análise laboratorial, inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, serviços de manutenção civil e mecânica, serviços de limpeza, serviços de consultoria ambiental, serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, locação de andaimes e rádios para comunicação, serviços de engenharia e projetos, serviço de silvicultura, treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, depreciação de talude, depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets, depreciação de pátio de madeira, depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, depreciação de combate a incêndio e depreciação de máquinas de geração de energia; serviços de logística e supervisão; locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TREINAMENTO OBRIGATÓRIO OU RELACIONADO A ATIVIDADE EMPRESARIAL. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com treinamento que se refiram a obrigatoriedade regulatória ou que tenham relação à atividade empresarial da Contribuinte constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS/COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. CRÉDITO. ALUGUEL DE GUINDASTE E ESCAVADEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (Súmula CARF nº 190) CRÉDITO. LOCAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. CRÉDITO. BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 NULIDADE POR OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A ausência de manifestação sobre pontos irrelevantes para o desfecho da lide não configura cerceamento de defesa. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Opera-se a coisa julgada administrativa quando a matéria em discussão foi objeto de decisão definitiva, não sendo possível a sua reapreciação, em obediência ao princípio da segurança jurídica.

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REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS COM MANUTENÇÃO DE ESTRADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a crédito de PIS e Cofins os dispêndios com a manutenção de estradas por não se caracterizarem como insumos aplicados no processo produtivo da empresa. Tal gasto, embora necessário à atividade econômica da pessoa jurídica, refere-se à infraestrutura e logística de escoamento, não guardando relação de essencialidade ou relevância direta com a fabricação do produto ou a prestação do serviço (atividade-fim). Incidência da vedação prevista no Art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/02. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Fl. 3915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 2 Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação: partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção; vestuário e equipamentos de proteção individual, material de análise laboratorial, inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, serviços de manutenção civil e mecânica, serviços de limpeza, serviços de consultoria ambiental, serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, locação de andaimes e rádios para comunicação, serviços de engenharia e projetos, serviço de silvicultura, treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, depreciação de talude, depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets, depreciação de pátio de madeira, depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, depreciação de combate a incêndio e depreciação de máquinas de geração de energia; serviços de logística e supervisão; locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TREINAMENTO OBRIGATÓRIO OU RELACIONADO A ATIVIDADE EMPRESARIAL. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com treinamento que se refiram a obrigatoriedade regulatória ou que tenham relação à atividade empresarial da Contribuinte constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal. Fl. 3916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 3 NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS/COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. CRÉDITO. ALUGUEL DE GUINDASTE E ESCAVADEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (Súmula CARF nº 190) CRÉDITO. LOCAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. CRÉDITO. BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. POSSIBILIDADE. Há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 NULIDADE POR OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Considera-se fundamentada a decisão que contém elementos de fato e de direito suficientes para suportar as conclusões apresentadas, não estando o julgador obrigado a analisar argumentos que não teriam o condão de alterar o que foi decidido. A ausência de manifestação sobre pontos irrelevantes para o desfecho da lide não configura cerceamento de defesa. Fl. 3917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 4 COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Opera-se a coisa julgada administrativa quando a matéria em discussão foi objeto de decisão definitiva, não sendo possível a sua reapreciação, em obediência ao princípio da segurança jurídica. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que a acolhiam, e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação às seguintes aquisições: (I.1)partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção, (I.2) vestuário e equipamentos de proteção individual, (I.3) material de análise laboratorial, (I.4) inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, (I.5) serviços de manutenção civil e mecânica, (I.6) serviços de limpeza, (I.7) serviços de consultoria ambiental,(I.8) serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, (I.9) locação de andaimes e rádios para comunicação, (I.10) serviços de engenharia e projetos, (I.11) serviço de silvicultura, (I.12) treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, (I.13) arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, (I.14) depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, (I.15) depreciação de talude, (I.16) depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, (I.17) depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, (I.18) depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets,(I.19) depreciação de pátio de madeira, (I.20) depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, (I.21) depreciação de combate a incêndio e (I.22)depreciação de máquinas de geração de energia; (II) por maioria de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços de logística e supervisão, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar e Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, que negavam provimento nesse item; (III) por voto de qualidade, para(III.1) manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que davam provimento nesse item, e(III.2) para reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, vencidos os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi e Fabiana Francisco de Miranda, que negavam provimento; e (IV) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos em relação aos fretes em operações de vendas, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale e Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que revertiam tal glosa. Durante os debates, o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow propôs a realização de diligência, sendo acompanhado pela conselheira Flávia Sales Campos Vale, proposta essa rejeitada pelos demais conselheiros. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes Fl. 3918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 5 aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.222, de16 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.944962/2013-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de PIS- PASEP/COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário com a finalidade de demonstrar a regularidade dos créditos tributários de PIS-PASEP/COFINS vinculados operação de exportação. Solicita direito ao ressarcimento integral do crédito de PIS-PASEP/COFINS apurado e descreve seus motivos nos itens abaixo: PRELIMINARMENTE: - DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO EM RELAÇÃO AO INDEFERIMENTO DO CRÉDITO DE DESPESAS DE ENERGIA DO MÉRITO: - DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS E DA COFINS; DO CONCEITO DE INSUMOS NA LEGISLAÇÃO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS; E DO PROCESSO PRODUTIVO INTEGRADO DA RECORRENTE Fl. 3919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 6 1) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS-PASEP/COFINS SOBRE A AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS DO PROCESSO PRODUTIVO INTEGRADO 1.1 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de partes e peças de máquinas/equipamentos florestais e veículos de transporte 1.2 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de vestuário e equipamentos de proteção individual 1.3 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de material de análise laboratorial 1.4 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de material de construção civil 1.5 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de inibidores de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza 1.6 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na aquisição de materiais de pintura, placas e portas de sinalização e proteção 1.7 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços aplicados em estradas 1.8 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços de manutenção civil e mecânica 1.9 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços de limpeza 1.10 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre contratação de consultoria ambiental 1.11 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre construção e manutenção da estação de tratamento de efluentes 1.12 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins na contratação de serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa 1.13 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre a locação de escavadeira 1.14 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e veículos de transporte 1.15 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre a locação de andaimes, guindastes, rádios, veículos e imóveis 1.16 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre os serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão Fl. 3920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 7 1.17 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre a silvicultura 1.18 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre os serviços de treinamento 1.19 Do direito ao crédito de PIS-Pasep/Cofins sobre o arrendamento de terra agrícolas 2) DA ILEGALIDADE DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO 2.1) Câmaras frigoríficas; 2.2) Poços de tratamento de efluentes, água, lodo; 2.3) Talude; 2.4) Materiais de análise laboratoriais; 2.5) instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões; 2.6) Ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção, cortadores de amostras; 2.7) Máquinas lava-peças, armários de alvenaria e câmeras de monitoramento; 2.8) Carros de transporte e porta pallets; 2.9) Pátio de madeira; 2.10) Serviços de montagem da torre de telecomunicações; 2.11) Combate a incêndio; 2.12) Máquinas de geração de energia 3) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDA É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão Fl. 3921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 8 paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto ao mérito, exceto quanto aos créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, aos créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. Trata-se de Pedido de Ressarcimento (PER) nº 00631.39353.081112.1.1.08- 4370, de créditos da Contribuição para o PIS de incidência não cumulativa, vinculados à receita de exportação, apurados no 3º trimestre-calendário de 2012, no valor de R$ 1.960.251,57. Note-se que os mencionados créditos foram utilizados em declaração de compensação (Dcomp). Preliminares A contribuinte questiona como preliminar a nulidade quanto ao indeferimento do crédito de despesa de energia, uma vez que teria ocorrido omissão pela fiscalização quanto às razões da glosa do crédito. Descreve que houve indeferimento quanto ao ressarcimento dos créditos tributários de fevereiro e março de 2012, relativos às despesas de energia elétrica e térmica. E alega que a fiscalização se limitou a apontar o valor que seria admitido, deixando à sorte da contribuinte a interpretação dos fundamentos e motivos que teriam gerado o não ressarcimento do pleito. Quanto ao argumento de omissão, note-se trecho do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, o qual demonstra que houve a devida informação e descrição dos itens relacionados à despesas de energia: “O interessado aponta também que não foi cientificado a respeito das glosas com despesas de energia elétrica. No entanto, consta às fls.82/86, quadro demonstrativo referente às despesas com energia elétrica e térmica, inclusive sob a forma de vapor, com os totais escriturados cujo confronto com os postulados pela contribuinte, ocasionaram as glosas perpetradas. Ou seja, as informações foram extraídas dos elementos firmados pelo próprio contribuinte através de sua escrituação, sendo descabido a informação de que desconhece tais valores.” Fl. 3922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 9 Além dessa preliminar, descreve em seu Recurso Voluntário quanto ao tema “Do direito ao crédito de PIS e Cofins sobre a formação da floresta. Nulidade do Acórdão recorrido em razão da alteração do critério jurídico do lançamento.” Nesse item, entendo a Contribuinte que deveria haver a nulidade da decisão da DRJ, uma vez que haveria glosado os créditos sobre as despesas com formação de floresta sob o argumento de que não estão diretamente relacionadas ao processo industrial. Nesse contexto, note-se as hipóteses de nulidade previstas nº Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: “Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Entendo que no presente processo não há nulidade, uma vez que os atos e termos foram lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa. Tanto no caso acima exposto das divergências quanto à energia elétrica, quanto no caso de a Decisão ter diferente entendimento que a Contribuinte quanto ao creditamento de formação de floresta, não há aplicação das hipóteses legais mencionadas para a nulidade da decisão. Mérito Em Recurso Voluntário, a Contribuinte descreve sobre a não cumulatividade do PIS/Cofins, diferenciado dos conceitos de outros tributos. Conceitua o termo “insumo” no contexto de creditamento de PIS/Cofins, e afirma que no presente processo foi considerada uma interpretação restritiva pelas autoridades fiscais, contrária ao entendimento do STJ que julgou o Recurso Especial repetitivo nº 1.221.170/PR. Fl. 3923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 10 Explica que o processo produtivo da celulose é totalmente integrado, e que começa com a produção de mudas em viveiros. Também, eventualmente, ocorre a aquisição de florestas inteiras, com madeiras em pé, para o corte, preparação das toras, transporte para a fábrica e produção de celulose. Por motivo de qualidade, sua primeira opção é pela matéria-prima própria, uma vez que possuí controle tora a tora, desde a fase de produção. Concluí que o início do seu processo produtivo ocorre antes mesmo da fase de plantio das mudas de eucalipto, ou seja, quando é escolhido o clone que será utilizado para atender a demanda do cliente. Note-se explicação abaixo na necessidade de adequação do que será plantado ao produto final: “Se o cliente quer adquirir folhas de celulose para produzir papel fotográfico, a Recorrente irá plantar o clone que tem fibras com a densidade (quantidade de fibras por grama) para produzir o referido papel. Se o cliente quer celulose para produzir livros escolares, pode optar por celulose para produzir um papel mais rústico e de maior resistência.” Após a escolha do clone, é analisado onde ele será plantado. Explica que nesse comento se inicia a fase de implantação florestal, com operações destinadas à preparação da área, preparação do solo, fertilização e plantio de modo a desenvolver condições de sobrevivência e crescimento homogêneo das mudas. Em seguida, é iniciada a fase de implantação florestal, que contempla operações destinadas à preparação da área, preparação do solo, fertilização e plantio. São descritos no recurso demais processos realizados na sua produção, como: manutenção florestal; controle de pragas e doenças; controle de ervas daninhas; programa de combate a incêndios; monitoramento e controle de operações de silvicultura; colheita florestal; sistemas de colheita de eucalipto; logística floresta; carregamento das todas do campo; transporte rodoviário; descarregamento e estocagem no pátio de madeira; processo industrial, em que consistem em extrair da madeira de eucalipto o material fibroso; manutenção industrial; manutenção de equipamentos de automação no processo de fabricação dos fardos de celulose; manutenção dos equipamentos de processamento de matéria-prima, insumos, celulose e produto final; manutenção dos equipamentos de geração, transformação de distribuição de energia para acionamento dos equipamentos e iluminação; manutenção dos equipamentos de tratamento de efluentes; e instalações gerais da área da fábrica. Fl. 3924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 11 Por fim, expõe sua conclusão quanto ao seu processo produtivo, explicando que o ciclo “começa com a escolha dos gravetos que serão selecionados para a geração de novas mudas, a preparação e cuidado com estas mudas, a preparação da área agrícola que irá receber estas novas mudas, o plantio, acompanhamento do desenvolvimento e posterior manutenção das árvores já adultas, até que haja o primeiro abate, depois de longos 6 ou 7 anos de cuidados.” E critica o entendimento do Termo de Verificação fiscal, que trazia a alegação que somente poderia ser admitido crédito tributário quando os bens e serviços tomados ocorressem a partir do momento em que a madeira ingressa na linha de produção industrial. 1) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS SOBRE A AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS DO PROCESSO PRODUTIVO INTEGRADO A contribuinte aduz que todos os bens e serviços que foram considerados como geradores de crédito de PIS/Cofins na exportação são essenciais a sua atividade. E, para sua comprovação, demonstra item a item seu fundamento, conforme abaixo: 1.1 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de partes e peças de máquinas/equipamentos florestais e veículos de transporte A contribuinte descreve que utiliza uma série de equipamentos na plantação, colheita e manutenção dos eucaliptos, essenciais para a obtenção da matéria-prima que será utilizada na produção de celulose. Note-se trecho de seu Recurso Voluntário com descrição das aquisições relacionadas a esse item, e os motivos pelo qual defende o creditamento: “O uso de foices, facões e serras elétricas para a limpeza das áreas onde os eucaliptos serão plantados, assim como para a manutenção da limpeza da área; de equipamentos para o corte, desbastamento e transporte dos troncos da área de plantio até o ponto onde serão coletados para serem transportados até a fábrica, todos estes equipamentos são essenciais para a manutenção de seu ciclo econômico, razão pela qual as partes e peças a eles relacionados também devem ser considerados como essenciais dentro deste ciclo produtivo. Fl. 3925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 12 Neste grupo a fiscalização também indeferiu o crédito oriundo do aproveitamento de peças destinadas a veículos, sem se preocupar em intimar a Recorrente para esclarecer qual a utilidade de cada peça. Há aqui mangueiras, parafusos, arruelas, anéis, parafusos, filtros de ar, separadores, tubos, reservatórios, buchas, travas, suportes, bombas, retentores, monitores etc., das marcas John Deere, Komatsu e Valmet, que são as fornecedoras dos equipamentos utilizados pela Recorrente no corte, desbastamento e transporte das toras de eucalipto, sem que a fiscalização da Receita Federal tivesse o mínimo cuidado de fazer esta conferência ou, ao menos, intimar o contribuinte para que apresentasse a lista de bens e sua utilização. Estas partes e peças não são adquiridas para ser mantidas em estoque, mas para emprego nos equipamentos utilizados nas áreas agrícolas da Recorrente, sendo o seu uso essencial para mantê-los em funcionamento, razão pela qual deve garantido o direito ao creditamento de PIS sobre sua aquisição.” Grifei. Cabe notar que as autoridades fiscais entenderam pela glosa das partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e utilizadas em veículos por entender que não possuí relação direta com o produto industrializado, conforme trecho abaixo do Acórdão da Manifestação de Inconformidade: “Entretanto, as partes e peças de reposição, bem como o serviço de manutenção aplicadas na manutenção de máquinas, e equipamentos utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira a qual será, em uma segunda etapa de industrialização, transformada em celulose, não são passíveis do mesmo enquadramento pois não se tratam, obviamente, de bens e serviços aplicados ou utilizados diretamente no produto em fabricação. São bens e serviços aplicados para a eventual obtenção de uma matéria-prima industrial, a madeira, sendo sua relação com o produto industrializado apenas indireta; 8. Nesse aspecto, somente são passíveis de crédito os custos relativos aos bens adquiridos e serviços tomados a partir do momento em que a madeira (matéria-prima industrial) ingressa na linha de produção industrial.” Grifei. No caso em questão foi devidamente demonstrada a essencialidade das partes e peças de máquinas, equipamentos florestais e veículos para o desenvolvimento do processo produtivo da Contribuinte. Fl. 3926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 13 Adicionalmente, note-se abaixo trechos de decisão do CARF dos créditos de PIS, do 2º trimestre de 2009, da mesma Contribuinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR, pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela contribuinte. No presente caso, a contribuinte demonstrou a essencialidade e pertinência dos insumos utilizados em seu processo produtivo, quais sejam: a) equipamentos de proteção individual; b) materiais utilizados para análises químicas em laboratório; c) rádios para comunicação, inclusive pilhas e baterias; d) partes e peças para reposição e serviços de manutenção; e) combustíveis e lubrificantes utilizados tanto na etapa florestal quanto industrial. Acórdão nº 3401-012.731, de 19/03/2024. Processo nº. 12585.000274/2010-34. Relator Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. (grifei). Dessa forma, voto pela reversão das glosas relativas aos créditos decorrentes de aquisições de peças e partes utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos. 1.2 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de vestuário e equipamentos de proteção individual A Contribuinte destaca que seus empregados atuam na limpeza das áreas onde serão plantados os eucaliptos, e também na manutenção da limpeza das áreas de plantio e utilizam equipamentos de proteção individual, com a finalidade de reduzir o risco de eventuais acidentes. Há previsão legal de observância obrigatória dos equipamentos de proteção individual. Por esse motivo, deve haver seu enquadramento ao conceito de insumo, sendo determinante para que o processo produtivo da empresa e pela segurança necessária, nas fases florestais e fabris. A obrigatoriedade e relevância do vestuário e dos equipamentos de proteção individual adquiridos pela recorrente e disponibilizados aos Fl. 3927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 14 funcionários que participam do seu processo produtivo caracteriza o insumo. Note-se trecho do Laudo ESALQ demonstrando a essencialidade de relevância das despesas com vestuário e equipamentos de proteção individual: "Os trabalhadores rurais são treinados e fazem reciclagem de treinamento anual, sendo o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) obrigatório e cedido pela empresa. As vestimentas que se utilizam para proteção são lavadas diariamente, e têm vida útil definida pelo fabricante quanto ao número de vezes que a roupa pode ser lavada, após o que é descartada." (fl. 35 do laudo) "Para os funcionários próprios a empresa disponibiliza os EPIs necessários para a função exercida. As empresas prestadoras de serviço florestal tem que obrigatoriamente fornecer os EPIs adequados para cada função. Os valores (custos) destes equipamentos são ressarcidos pelo contrato de prestação de serviço. Os EPIs são variáveis de acordo com o trabalho executado. A seguir a lista dos equipamentos mais utilizados: protetor auricular, capacete, viseira, uniformes, vestimentas especiais para aplicação de produtos químicos, botas, repelentes, protetores solar, óculos de proteção, caneleira." (fl. 81 do laudo) Dessa forma, voto pela reversão da aquisição de vestuário e equipamentos de proteção individual. 1.3 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de material de análise laboratorial A Contribuinte explica que realiza análise laboratorial na identificação de seus clones, para identificar aquele que melhor se adapta a um solo e para atestar que um produto está de acordo com as especificações do cliente. Descreve que no laudo da ESALQ há a confirmação de que a produção agroindustrial de celulose é uma atividade única, e se inicia no laboratório. Destaca que o laudo demonstra que há essencialidade das atividades de pesquisa, laboratoriais e produção de mudas em viveiros, na forma de garantir a qualidade e produtividade projetada pelo plantio dos clones desenvolvidos. Ainda explica que, ao final do processo produtivo, há a necessidade de certificar que a celulose produzida está de acordo com as especificações determinadas pelo cliente, conforme acordo no momento da compra. Fl. 3928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 15 Sendo inclusive aplicável realizar novo lote caso as especificações alinhadas não tenham sido atendidas. Como se vê, desde o início do processo produtivo é imprescindível a aquisição de material de análise laboratorial. No Acordão de Manifestação de inconformidade, houve negativa do creditamento desse item baseado no entendimento que a interpretação ao conceito de insumo deveria ser restrita, conforme transcrição abaixo: “Em nosso entendimento, na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda excluem-se quaisquer serviços e bens que não sofram alterações, tais como consumo, desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado.” Entendo que a essencialidade das análises laboratoriais no processo produtivo resta caracterizada na necessidade de testes para início da produção, acompanhamento e confirmação se o produto está adequado às especificações contratadas pelo cliente. Além disso, ressalta-se que, a imprescindibilidade das análises laboratoriais foi demonstrada pela Contribuinte em laudo do processo produtivo. Assim, concluo por reverter a glosa sobre materiais destinados às análises laboratoriais. 1.4 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de material de construção civil Trata-se aqui de áreas não relacionadas à atividade industrial direta. Referem-se a outras áreas construídas, como guaritas, refeitórios, parte administrativa, almoxarifado, e estação de tratamento de efluentes. Pela interpretação da Contribuinte, deve-se manter o crédito desses itens relacionados ao suporte administrativo, por serem necessários a atividade da contribuinte. Nesse contexto, note-se o disposto no artigo 3º, inciso VII, e §1º, inciso III, da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 3929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 16 VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;” Note determinação do Parecer Normativo COSIT nº 05/18 quanto a essa matéria: “7. INSUMOS E ATIVO IMOBILIZADO 70. Como cediço, o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, prevê ao lado da modalidade de creditamento em relação à aquisição de insumos (inciso II) a modalidade de creditamento em relação à aquisição ou construção de ativo imobilizado (inciso VI). 71. As duas referidas modalidades de creditamento diferem substancialmente porque a apuração de créditos relativos à aquisição de insumos ocorre com base no valor mensal das aquisições e a apuração referente ao ativo imobilizado ocorre, como regra, com base no valor mensal dos encargos de depreciação ou de amortização do ativo (atualmente essa regra está bastante relativizada pelo creditamento imediato permitido pelo art. 1º da Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008, mas ainda permanece a regra geral da modalidade).” Desta forma, quanto às edificações e benfeitorias em imóveis, somente é aplicável a apropriação de créditos quando utilizados nas atividades da empresa. Adicionalmente, tais créditos devem ser apropriados sobre o valor dos encargos de depreciação e amortização dos bens, e não sobre a aquisição dos bens e serviços. Nesse contexto, note-se que não entendo haver comprovação de essencialidade ou relevância dos itens de construção de suporte administrativo no desenvolvimento do processo produtivo da Contribuinte, não podendo então se falar em apropriação de crédito de insumos. Segue abaixo decisão do CARF quanto à impossibilidade de creditamento de material de construção civil como insumo: “NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAL DE CONSTRUÇÃO DECLARADO COMO INSUMO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo constado do Pedido de Ressarcimento (PER/DComp), e nem informado no Dacon, o pedido alternativo formulado pelo interessado Fl. 3930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 17 quanto à apuração de créditos com base nos encargos de depreciação de material de construção registrado originalmente como insumo, há que se considerar que o processo administrativo fiscal não pode ser utilizado para retificar requisições do próprio sujeito passivo em face de decisões administrativas a ele desfavoráveis.” (Acórdão nº 3201-012.486, de 25/07/2025. Processo nº 10925.901153/2012-40. Relator Hélcio Lafetá Reis.) Adicionalmente, note-se abaixo decisão do CARF em processo similar da mesma Contribuinte, quanto aos créditos de PIS, do 2º trimestre de 2009: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência. No mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da forma a seguir apresentada. Por unanimidade de votos, 1) acatar a reversão da glosa proposta pela autoridade diligente em relação aos créditos apropriados fora do período de competência da respectiva nota fiscal, assim como, replicar tal entendimento em relação aos créditos apropriados pela sistemática regular; 2) em incluir a receita das vendas a empresas comerciais exportadoras no cômputo do rateio proporcional; 3) considerar adequado o momento adotado pela recorrente para apuração dos créditos relativos aos insumos e aos bens para revenda, votaram pelas conclusões os Conselheiros Renan Gomes Rego, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva; 4) em reverter as glosas referentes as rubricas: a) crédito extemporâneo dos insumos; b) equipamentos de proteção individual; c) materiais de laboratório; d) rádios comunicadores; e) Peças e partes de peças de máquinas indicadas no tópico “Bens, partes e peças para manutenção e reposição”; f) “Formação de Floresta. Ativo Imobilizado. Exaustão”, excetuando-se pelos serviços de manutenção/construção de estrada e pontes; g) fretes utilizados na aquisição de matéria-prima; h) combustíveis, GLP e óleo diesel; i) correias utilizadas para transporte de fardos de celulose, estrados de madeira, pallet (palete), caixa de papelão e arames; j) locação de veículos; k) insumos adquiridos de terceiros indicados no voto. Pelo voto de qualidade, manter as glosas de: a) serviços de manutenção/construção de estrada e pontes inseridos no tópico “Formação de Floresta. Ativo Imobilizado. Exaustão”; b) fretes utilizados na aquisição do ativo imobilizado (máquinas), vencidos os Conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator) e Sabrina Coutinho Barbosa. Por maioria de votos: a) reverter as glosas de fretes de produtos acabados, vencido o Conselheiro Marcos Roberto da Silva; b) manter a glosa de materiais de construção civil, vencida a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Renan Gomes Rego.” Fl. 3931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 18 Acórdão nº 3401-012.731, de 19/03/2024. Processo nº. 12585.000274/2010-34. Relator Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Pelos motivos expostos, voto pela manutenção da glosa dos materiais de construção civil. 1.5 Do direito ao crédito de PIS na aquisição de inibidores de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza A Contribuinte explica que as máquinas e equipamentos utilizados na plantação de eucalipto estão sujeitos a muita poeira e, por isso, ocorre a utilização de inibidores de corrosão e engraxantes. Dessa forma, visa-se impedir que estes itens sofram queda de rendimento ou mesmo uma quebra, paralisando temporariamente a sua utilização. Nesse mesmo sentido, as máquinas necessitam de inibidores de corrosão para proteger sua integridade física, além de graxas para seu devido funcionamento. Também para esse item, as autoridades fiscais no Acordão de Manifestação de inconformidade negaram o creditamento, baseado no entendimento que a interpretação ao conceito de insumo deveria ser restrita. Considerando o processo produtivo de produção de celulose, e nos termos do Recurso Especial no 1.221.170/PR, as despesas realizadas para aquisição de inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, autorizam o desconto de créditos das contribuições de Pis. Dessa forma, reverto a glosa do presente item. 1.6 - Do direito ao crédito de PIS na aquisição de materiais de pintura, placas e portas de sinalização e proteção Conforme descrito no Recurso Voluntário, os itens em análise nesse tópico se referem aos materiais de pintura que são utilizados em diversos locais como nos laboratórios de análises, guaritas, travessia de pedestre e local de circulação dos funcionários; placas de sinalização utilizadas em locais de trânsito de veículos e pedestres; portas de proteção utilizadas em laboratórios para regular o acesso de pessoas autorizadas, e em saídas de emergências. Fl. 3932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 19 As autoridades fiscais destacaram que é requisito ao creditamento que a aquisição de bens e serviços tenham relação direta às atividades realizadas pela empresa. Notadamente, o creditamento de PIS e COFINS está relacionado à comprovação da direta relação dos custos e despesas com o auferimento de receitas da empresa. Deve-se ter em conta os critérios da essencialidade ou relevância das despesas com relação à atividade desempenhada (tal como definido pelo STJ e adotado pelo CARF). Note-se Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, o qual descreve como conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, os bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. De fato, itens de segurança relacionados ao processo produtivo geram direito a crédito, em virtude de sua essencialidade e necessidade à atividade de uma empresa. Entretanto, no caso em análise, não localizei informações e documentos suficientes para concluir que os itens mencionados, como placas de trânsito, sinalização em guarita, entre outros possuem relação direta com sua atividade. Cabe lembrar que é do contribuinte o ônus da prova nos casos de compensação, restituição e ressarcimento, devendo ele apresentar comprovação detalhada documental e explicações para não restar dúvidas quanto ao crédito. Note-se trecho de decisão do CARF, da turma 3201, quanto ao ônus da prova em caso de ressarcimento ser do contribuinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2009 (...) PIS NÃO CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado.” (Acórdão nº 3201-010.788, de 27/07/2023. Processo nº 10925.906142/2011-75. Relator Hélcio Lafetá Reis. Fl. 3933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 20 Pelos motivos expostos, voto pela manutenção da glosa da aquisição de materiais de pintura, placas e portas de sinalização e proteção. 1.7 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços aplicados em estradas A Contribuinte explica que a plantação de eucalipto é realizada em áreas rurais, com estradas de terra e a sua manutenção é essencial a sua atividade. Como exemplo, cita a colocação de bueiros para a passagem de água, a colocação de pedras para que o barro não impeça a circulação de caminhões e o seu nivelamento. Note-se, entretanto, que a contração de serviços para manutenção de estradas não pode ser considerada como insumo, uma vez que não possuí relação direta com sua atividade fim. Entendo que as estradas são bens incorporados ao ativo imobilizado, sendo, assim, os gastos com sua manutenção ou construção não são incluídos no conceito de insumo. Dessa forma, não são passíveis de creditamento com base no inciso II do artigo 3° da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...)” Não se pode confundir a aquisição de bem ou serviço para o ativo imobilizado com a aquisição de um insumo na produção de bens destinados à venda. Assim, voto por manter as glosas dos créditos referentes aos serviços aplicados em estradas. 1.8 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços de manutenção civil e mecânica Fl. 3934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 21 Conforme destaca a Contribuinte, há a contratação de manutenção de máquinas e equipamentos como forma de regular manutenção, a fim de mantê-los em sua função, evitando inclusive paralização da produção. Ainda nesse item, as autoridades fiscais votaram pela glosa da aquisição de serviços de manutenção, por entender que deveria haver uma interpretação restritiva do conceito de insumo. Deve-se aplicar a interpretação do REsp nº 1.221.170/PR, vinculante para a RFB em razão do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/2002, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, e nos termos da referida Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. Notadamente, há essencialidade e relevância para a atividade da empresa a manutenção civil e mecânica. E, dessa forma, deve-se seguir com a reversão da glosa. 1.9 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços de limpeza Trata-se de contratação de serviço de limpeza das áreas comuns e industriais das fábricas, onde há também coleta seletiva do lixo. Conforme itens já expostos, as autoridades fiscais discordaram do creditamento explicando dever ser aplicável uma interpretação restritiva do conceito de insumo. Entretanto, cabe-se notar no caso em questão que há essencialidade na contratação de serviço de limpeza, uma vez que se visa a manutenção da salubridade do local de trabalho de milhares de profissionais. Pelo exposto, voto pela reversão da glosa de contratação de serviços de limpeza. 1.10 Do direito ao crédito de PIS sobre contratação de consultoria ambiental Há a contratação de consultoria ambiental para a finalidade de obtenção de licenças ambientais e sua respectiva renovação perante os órgãos de meio ambiente estadual e federal. Note-se que é obrigatório para manter a fábrica em movimento a existência dessas certificações. A decisão do STJ incluiu no conceito de insumos geradores de crédito do PIS, em razão da relevância os itens que integrem o processo de produção podem imposição legal. Fl. 3935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 22 Dessa forma, incluem-se nesse conceito os de gastos com consultoria ambiental. Pelo exposto, voto pela reversão da glosa de contratação de serviços de consultoria ambiental. 1.11 - Do direito ao crédito de PIS sobre construção e manutenção da estação de tratamento de efluentes Trata-se aqui de construção e manutenção de estação de tratamento de efluentes que, conforme Recurso Voluntário, é resultante de uma obrigação da legislação ambiental, nos termos da Resolução n° 430, de 13 de maio de 2011, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA abaixo transcrita: “Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre condições, parâmetros, padrões e diretrizes para gestão do lançamento de efluentes em corpos de água receptores, alterando parcialmente e complementando a Resolução n° 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente- CONAMA. Parágrafo único. O lançamento indireto de efluentes no corpo receptor deverá observar o disposto nesta Resolução quando verificada a inexistência de legislação ou normas específicas, disposições do órgão ambiental competente, bem como diretrizes da operadora dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto sanitário. Art. 3° Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente nos corpos receptores após o devido tratamento e desde que obedeçam às condições, padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis. Parágrafo único. O órgão ambiental competente poderá, a qualquer momento, mediante fundamentação técnica: I - acrescentar outras condições e padrões para o lançamento de efluentes, ou torná-los mais restritivos, tendo em vista as condições do corpo receptor; ou II - exigir tecnologia ambientalmente adequada e economicamente viável para o tratamento dos efluentes, compatível com as condições do respectivo corpo receptor. Art. 12. O lançamento de efluentes em corpos de água, com exceção daqueles enquadrados na classe especial, não poderá exceder as condições e padrões de qualidade de água estabelecidos para as respectivas classes, nas condições da vazão de referência ou volume disponível, além de atender outras exigências aplicáveis. Fl. 3936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 23 Parágrafo único. Nos corpos de água em processo de recuperação, o lançamento de efluentes observará as metas obrigatórias progressivas, intermediárias e final. Art. 27. As fontes potencial ou efetivamente poluidoras dos recursos hídricos deverão buscar práticas de gestão de efluentes com vistas ao uso eficiente da água, à aplicação de técnicas para redução da geração e melhoria da qualidade de efluentes gerados e, sempre que possível e adequado, proceder à reutilização.” O descumprimento da legislação mencionada gera interdição ao funcionamento do estabelecimento. Ademais, a Contribuinte explica que o tratamento de efluentes é necessário para não prejudicar a qualidade da água que é consumida pela cidade, sendo ainda essencial à produção de celulose o devido tratamento do seu resíduo. Nesse contexto, note-se Solução de Consulta COSIT Nº 1, de 06/01/2021: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. POSSIBILIDADE. No caso de pessoa jurídica dedicada ao curtimento e a outras preparações de couro, os gastos relativos a tratamento de efluentes, resíduos industriais e águas residuais, considerados indispensáveis à viabilização da atividade empresarial, em virtude de integrarem o processo de produção por imposição da legislação específica do setor, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep no regime de apuração não cumulativa, desde que observados os requisitos e condições estabelecidos na normatização desse tributo. Dispositivos Legais: Lei nº 6.938, de 1981; Lei nº 9.433, de 1997; Lei nº 9.605, de 1998, art. 33; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, II; Decreto nº 99.274, de 1990; Resoluções Conama nº 237, de 1997, nº 357, de 2005, e nº 430, de 2011; Resolução Cema nº 65, de 2008; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5, de 2018.” Grifei Entendo que os serviços de tratamento de efluentes geram direito ao crédito de PIS, tanto por sua essencialidade e relevância ao processo produtivo, quanto devido a obrigatoriedade legal de sua realização. Porém, no caso em questão, trata-se de construção e manutenção de construção. Deve-se novamente notar que não se trata de insumo, e sim de ativo imobilizado, em que o creditamento ocorreria via depreciação. Fl. 3937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 24 Conforme já descrito no item “Do direito ao crédito de PIS na aquisição de material de construção civil”, não se trata de gastos relacionados à atividade industrial direta, devendo-se notar o disposto no artigo 3º, inciso VII, e §1º, inciso III, da Lei nº 10.637/2002, quanto à determinação de crédito mediante a aplicação de alíquota sobre o valor dos encargos de depreciação e amortização dos bens. Dessa forma, voto pela manutenção da glosa quanto à construção e à manutenção da estação de tratamento de efluentes. 1.12 - Do direito ao crédito de PIS na contratação de serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa Conforme já detalhado no presente Acordão, a contribuinte realizada a contratação de serviços para a análise laboratorial para certificar o produto que será entregue ao seu cliente atende às especificações contratadas. Adicionalmente, note-se trechos do Recurso Voluntário quanto a forma de realização dessas atividades: “Este controle de qualidade é essencial para que a Recorrente possa certificar o que está sendo entregue ao seu cliente e que atende a todas as especificações exigidas, evitando inclusive reclamações posteriores. (...) As atividades de monitoramento de pragas e doenças ocasionais é um programa contínuo que envolve vistorias periódicas, em intervalos de 60 (sessenta) a 90 (noventa) dias, com o objetivo de detectar precocemente a ocorrência de focos de pragas e doenças, bem como avaliar a evolução dos surtos. As informações são utilizadas pelos responsáveis técnicos para tomada de decisão e análise da eficiência das práticas de controle, quando necessário. Já o monitoramento de plantas daninhas é um programa contínuo, apoiado por um software especializado (MPD) que envolve amostragens periódicas para detectar o nível de competição com o eucalipto. As informações obtidas são utilizadas para a tomada de decisão de controle, bem como para definição do método a ser adotado, considerando o uso racional de recursos no manejo de plantas daninhas.” Como se pode ser observado, a contratação desses serviços é essencial para garantir a entrega do produto contratado. Seja na análise laboratorial do produto, seja na prevenção de pragas e doenças e na pesquisa, há de fato essencialidade na contratação desses serviços à atividade da Contribuinte. Fl. 3938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 25 Pelo exposto, voto pela reversão da glosa da contratação de serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa. 1.14 - Do direito ao crédito de PIS sobre a manutenção das partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e veículos de transporte O tópico 1.1 acima tratou “Do direito ao crédito de PIS na aquisição de partes e peças de máquinas/equipamentos florestais e veículos de transporte” e se referia a aquisição desses itens. Já a presente análise se refere à manutenção dos mencionados itens. Conforme já tratado no item 1.1, os gastos com a manutenção e as peças de reposição dessas máquinas e equipamentos, ligadas à movimentação de carga, empilhadeiras, guinchos e guindastes, são indispensáveis à produção. Aqui também foi devidamente comprovada a essencialidade da manutenção das partes e peças de máquinas, equipamentos florestais e veículos para o desenvolvimento do processo produtivo da Contribuinte. Desse modo, voto pela reversão da glosa da manutenção das partes e peças de máquinas e equipamentos florestais e veículos de transporte. 1.15 - Do direito ao crédito de PIS sobre a locação de andaimes, guindastes, rádios, veículos e imóveis De acordo com o Recurso Voluntário, em virtude do tamanho dos seus equipamentos industriais, é necessária a locação de andaimes e guindastes. Já a locação de rádios se dá pelas dimensões da propriedade, sendo em muitos casos o único meio de comunicação. A locação de veículo está relacionada ao transporte de funcionários da fábrica para as áreas agrícolas. Já a locação de imóveis é realizada para que os empregados tenham um local de descanso durante os intervalos ou em caso se chuva, em pequenos imóveis próximos às florestas da Contribuinte. O creditamento de PIS e COFINS está relacionado à comprovação da direta relação dos custos e despesas com o auferimento de receitas da empresa. Deve-se ter em conta os critérios da essencialidade ou relevância das despesas com relação à atividade desempenhada. Nesse contexto, note-se trecho de decisão do CARF, da turma 3201, quanto à impossibilidade de creditamento referente ao aluguel de veículos: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 3939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 26 Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 (...) ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ARRENDAMENTO DE TERRAS. VEÍCULOS. CRÉDITOS. É possível o aproveitamento de crédito no sistema da não cumulatividade sobre pagamentos quer seja a título de aluguéis de máquinas e equipamentos ou mesmo de arrendamento de terras, quando utilizados na atividade da empresa e devidamente comprovados, com exceção da locação de veículos, tratores, caminhões e afins.” (Acórdão: 3201-012.563 de 21/08/2025. Processo nº: 10183.904960/2017- 50. Relator: Helcio Lafeta Reis). Grifei. Nesse contexto, é imprescindível nesse caso citar a Súmula CARF nº 190, aprovada em 2024, a qual estabelece que os gastos com o aluguel de veículos para transporte de carga ou passageiros não permitem o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins no regime não cumulativo. Note-se abaixo texto da mencionada súmula: “Súmula CARF nº 190 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.415; 9303-014.369; 9303-013.956”. Grifei. Note-se também recente decisão do CARF determinando a aplicação da mencionada Súmula nº 190: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 (...)CRÉDITO. LOCAÇÃO VEÍCULO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 190, para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.” (Acórdão: 3302-015.032 de 29/07/2025. Processo nº: 16682.722026/2017- 77. Relatora: Marina Righi Rodrigues Lara). Grifei. Fl. 3940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 27 Como sabido, nos termos do seu Regimento Interno, as Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Voto, portanto, pela manutenção da glosa dos créditos relacionados às despesas com aluguel de veículos. Adicionalmente, deve-se notar que a locação de imóvel não utilizado na atividade produtiva não pode gerar crédito tributário. Conforme exposto, os imóveis desse item se referem a pequenas propriedades que os empregados usam para descansar. Não vejo essencialidade e necessidade quanto a essa despesa de locação de imóvel, por não ser utilizado nas atividades da empresa. Por esse motivo, também voto pela manutenção da glosa dos créditos de locação de imóveis. Quanto às demais locações, note-se previsão legal do art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrita: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;” Conforme explicado pela recorrente, a locação de andaimes e guindastes possuem direta relação com sua atividade produtiva. Nos termos da legislação acima transcrita, há direito ao crédito na locação de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. Adicionalmente, em relação a locação de rádios comunicadores, entendo que assiste razão à Contribuinte. Suas atividades produtivas são realizadas em local de grande extensão, sendo então imprescindível o uso de rádio para comunicação entre o escritório central e as frentes de trabalho. Notadamente, no caso em questão, o rádio comunicador possuí essencialidade e relevância em seu processo de fabricação, uma vez que atua na segurança, logística e coordenação das atividades. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para o fim de reverter as glosas relativas à locação de andaimes e guindastes e rádios para comunicação. 1.16 - Do direito ao crédito de PIS sobre os serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão Fl. 3941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 28 A Contribuinte explica em seu Recurso Voluntário que sua cadeia produtiva se inicia muito antes do plantio, por meio de estudo do solo realizado e pesquisa laboratorial. Nesse contexto, note-se trechos do mencionado recurso, quanto a esse item: “Conforme atesta o laudo técnico, o processo produtivo da celulose se inicia com a análise laboratorial que propiciará a seleção dos clones de eucaliptos que atendam a gramatura adequada à futura extração da celulose. Ou seja, o processo de produção tem início antes mesma da fase de plantio, ocorrendo a seleção dos clones que possuam características específicas para a obtenção de uma celulose capaz de atender ao pedido de seus clientes. Exemplificando, para clientes que desejam adquirir a celulose da Recorrente para produzir papéis destinados a revelação de fotos, a empresa deverá produzir uma madeira que lhe permita formular uma celulose com tamanha densidade (alta quantidade de fibras por grama) capaz de propiciar a seu cliente a produção de um papel de alta qualidade (com a lisura comum às folhas fotográficas). Fibras de diferente espessura também são objetos de encomenda, para clientes que produzem livros escolares, cujo papel a ser produzido será resistente. Ora, a obtenção das mais variadas especificações de celulose está intrinsecamente relacionada à fase laboratorial, posto que a empresa realiza diversos testes para selecionar o clone que contém características específicas para propiciar a obtenção de uma celulose cujas fibras atendam as exigências de um determinado cliente. Depois de feitos os projetos de pesquisa, a Recorrente precisa de laudos de engenharia de tráfego e orientação da logística, pois as florestas devem garantir fornecimento de madeira para as unidades industriais durante o ano todo. Logo, a Recorrente depende de projetos de logística, contratados junto a prestadores de serviços, que deverão prever como a madeira sairá das fazendas e chegará até as fábricas, passando por comunidades com pouca ou nenhuma infraestrutura, locais de baixa ou alta circulação de veículos, cálculo das distâncias, tudo para garantir o fornecimento contínuo de toras de madeira. Por fim, caberá ao prestador de serviços a supervisão do efetivo implemento dos serviços de logística, cabendo a ele dizer que os projetos contratados no início produziram os resultados desejados ou não. Portanto, a contratação destes serviços é essencial para que a Recorrente possa desenvolver a sua atividade econômica com regularidade, razão pela qual é injustificada a negativa ao creditamento de PIS.” Fl. 3942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 29 Como pode ser observado, as mencionadas aquisições de serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão estão diretamente relacionados à atividade produtiva da Contribuinte. Note-se previsão legal do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, conforme transcrição abaixo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Nesse sentido, segue julgamento da CSRF pelo direito ao creditamento de serviços utilizados como insumo na produção de bens ou direitos destinados à venda: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. ALCANCE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da não-cumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa. Contudo, demonstrado que o bem ou serviço adquirido foi utilizado no processo produtivo e se comprovou a sua essencialidade e relevância faz se necessário o reconhecimento do direito ao crédito. No presente caso devem ser acatados os créditos em relação aos Serviços de topografia; Projetos técnicos de engenharia de projetos industriais; e Projetos gerenciamento e engenharia.” (Acórdão 9303-010.242, de 11/03/2020. Processo nº 15586.720149/2011- 11. Relator Andrada Márcio Canuto Natal)” Grifei. Note-se também decisão do CARF quanto ao creditamento de elaboração de projetos na modalidade insumos: Fl. 3943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 30 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...) DISPÊNDIOS INCORRIDOS COM A ELABORAÇÃO DE PROJETOS (FASE DE DESENVOLVIMENTO). APURAÇÃO DE CRÉDITOS NA MODALIDADE INSUMOS. REQUISITOS. Os dispêndios incorridos na elaboração de projetos (fase de desenvolvimento) são passíveis da geração de créditos da não cumulatividade do PIS e da COFINS na modalidade insumos (inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), desde que documentado o início da fase desenvolvimento e efetivamente comprovado que esses projetos resultaram em produto destinado à venda ou serviço prestado a terceiros. (Acórdão 3001-002.470, de 08/04/2024. Processo nº 15586.720028/2011- 61. Relator João José Schini Norbiato)” Devido à aplicação da necessidade e essencialidade na atividade produtiva da Contribuinte, voto pela reversão da glosa com aquisição de serviços de engenharia, projetos, logística e supervisão. 1.17 - Do direito ao crédito de PIS sobre a silvicultura A recorrente transcreve em seu Recurso Voluntário trecho do laudo técnico para demonstrar que a silvicultura se trata de um processo que o compreende a fase florestal, na qual são empregados dezenas de insumos. Explica que conforme advertido pelos professores da ESALQ, devem ser classificados como serviços silviculturais todos os serviços realizados entre a análise do solo e o abastecimento das unidades fabris: “A atividade de silvicultura consiste no planejamento do abastecimento das unidades fabris, envolvendo e definindo as análises de solo, limpezas de terreno, enleiramentos de resíduos florestais, aberturas de estradas e aceiros, confecções de cercas, delimitações de áreas de preservação permanente, reservas legal, preparos, correções e adubações do solo, combates à formiga, plantios, irrigações, monitoramentos das operações silviculturais, capinas químicas e/ou mecânicas, manutenções anuais (combate à formiga, limpeza de aceiros, manutenção de estradas), adubações complementares, monitoramentos de pragas e doenças, combates a pragas e doenças, monitoramentos e prevenções da ocorrência de incêndios florestais, manutenções preventivas e corretivas de equipamentos, máquinas e veículos florestais, fornecimentos de Fl. 3944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 31 combustível para frota própria e de terceiros por conta da Fibria no campo através de comboios.” A Contribuinte concluí que a manutenção do crédito tributário é devida em virtude da necessidade dos serviços de silvicultura para seu processo produtivo, que é integrado e se inicia na fase florestal. As autoridades fiscais teriam negado o creditamento alegando que o serviço de silvicultura não faria parte do processo produtivo da Contribuinte. Entretanto, cabe-se notar que os serviços de silvicultura são essenciais para obtenção da matéria-prima da Recorrente, sendo necessárias para a fabricação da celulose, devendo ser considerados na composição da base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS. Pelo exposto, voto por reverter a glosa do serviço de silvicultura. 1.18 - Do direito ao crédito de PIS sobre os serviços de treinamento A Contribuinte explica que contrata diversos tipos de treinamentos aos seus funcionários, desde o momento da capina e aplicação de herbicida onde serão plantados os eucaliptos. Cita que os treinamentos são realizados também na fase de manutenção, em que é obrigatório o uso de EPI. Também menciona trecho do laudo pericial da ESALQ, conforme abaixo: “Os trabalhadores rurais são treinados e fazem reciclagem de treinamento anual, sendo o uso de equipamentos de proteção individual (EPI) obrigatório e cedido pela empresa.” E que também são contratados serviços de treinamento para: uso de EPI dos funcionários industriais, direção segura dos caminhões; atualização a funcionários da área administrativa; evacuação em caso de incêndio; operacionalização das máquinas; entre outros. Dessa forma, a recorrente entende que seus treinamentos são essenciais a sua atividade empresarial para assegurar o melhor bem-estar do funcionário no desempenho de sua atividade laboral, bem como sobre para evitar riscos do trabalho caso as normas de segurança não sejam observadas. Fl. 3945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 32 Note-se Súmula CARF nº 189 quanto ao tema de “insumos do insumo”, que permite o direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativa quantos aos gastos relacionados a fase agrícola. “Súmula CARF nº 189 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Os gastos com insumos da fase agrícola, denominados de "insumos do insumo", permitem o direito ao crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.147; 9303-014.128; 9303-009.313” Adicionalmente, note-se decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto à possibilidade de creditamento das despesas com treinamentos, no caso de empresa que têm como objeto social serviços de informática: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/03/2008 CUSTOS/DESPESAS. CURSOS. TREINAMENTO. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. AQUISIÇÃO DE SOFTWARES. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE Os custos/despesas incorridos com treinamento. pesquisa e desenvolvimento, bem como com a aquisição de softwares constituem insumos das empresas que têm como objeto social a produção, comercialização e a distribuição de softwares e de equipamentos de informática, bem como prestação de serviços de infraestrutura, instalação, assistência técnica, manutenção, assessoramento técnico, treinamento, processamento de dados e congêneres, monitoramento, limpeza, integração de sistemas eletrônicos de automação e produtos afins e demais serviços na área de informática e comunicações constituem insumos, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, e, portanto, geram créditos da contribuição passíveis de desconto dos valores calculados sobre o faturamento mensal.” (Acórdão 9303-008.297, de 20/03/2019. Processo nº 19515.720484/2012- 87. Relator Rodrigo da Costa Pôssas)” Grifei. No caso em questão, a atividade da Contribuinte é de “Fabricação de celulose e outras pastas para fabricação de papel”. Entendo que nesse ponto devemos dividir os tipos de treinamento entre: treinamento relacionado à atividade de industrialização (como para o uso Fl. 3946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 33 de EPI, de direção seguro das carretas, operacionalização das máquinas etc.) e demais treinamentos (como exemplo a atualização a funcionários da área administrativa). Quanto aos treinamentos relacionados à atividade industrial, impossível negar a relevância e essencialidade desses treinamentos técnicos para o desenvolvimento de suas atividades, pelo que devem ser considerados insumos, com a consequente reforma do acórdão ora recorrido. Notadamente, quando há gastos de capacitação para cumprimento de exigência legal, ou para possibilitar a entrega da produção, há a configuração do crédito tributário, pois sua ausência impediria a operação da empresa. Já quanto aos demais treinamentos, entendo que tais despesas não constituem insumos nos termos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, nem se enquadram na definição dada pelo STJ na decisão do REsp nº 1.221.170/PR. Como no exemplo do treinamento da área administrativa, uma vez que esse gasto não tem relação com a produção de bens ou serviços. Pelos motivos expostos, voto pela reversão da glosa dos treinamentos relacionados à atividade industrial. Em contraponto, voto pela manutenção da glosa quanto aos demais treinamentos. 1.19 - Do direito ao crédito de PIS sobre o arrendamento de terra agrícolas A Contribuinte explica que realiza o arrendamento de terras para o plantio de novas árvores, quando seu planejamento indica que as áreas de sua propriedade não são suficientes para produzir as toras de eucalipto para a produção de celulose em 6 anos. Dessa forma, entende que a despesa com arrendamento de terra agrícola é necessária à sua atividade, pois há de fato necessidade desse arrendamento quanto suas próprias terras forem insuficientes para a produção das toras. A possibilidade de crédito do arrendamento rural já foi objeto de julgamento nessa turma, conforme trechos abaixo do acórdão nº 3201- 007.349: “O assunto não é unanimidade no CARF, tendo resultados favoráveis e contrários as alegações das empresas quanto a possibilidade de creditamento do arrendamento rural, e muitos dos acórdãos não foram proferidos por unanimidade, acórdãos nº 3302-005.844, 3302- 006.737, 9303-009.737, 3201-004.207, 3201-004.278, 3401-006.851 e 3402 004.759. Fl. 3947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 34 PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádios amadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas e o arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas. (Acórdão: 3403002.318; 25.06.2013) PIS/PASEP. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ARRENDAMENTO DE IMÓVEIS RURAIS. PRÉDIO RÚSTICO. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito das contribuições sobre o arrendamento de imóveis rurais/prédios rústicos utilizados nas atividades da empresa, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.637/02 e da Lei 10.833/03. Para tanto, é de se considerar que o termo prédio de que trata tal dispositivo abarca tanto o prédio urbano como o prédio rústico não edificado, vez que a Lei 4.504/64 Estatuto da Terra e a Lei 8.629/93, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. (Acórdão 9303-007.535) Por pertinente reproduzo os esclarecimentos contidos no acórdão nº 3401- 006.851, do Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto: 2.1.11.7. Todavia, como antedito, as despesas com instalações, estradas, pontes e cercas, ainda que possam ser relevantes (sentido jurídico), inexiste prova neste sentido e a glosa deve ser mantida. 2.1.12. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA para a Recorrente é equivalente ao aluguel de prédio, e portanto, é possível o crédito desta despesa nos termos do artigo 3° inciso IV da Lei 10.833/03. Isto porque, prédio, segundo a legislação de regência, engloba o terreno sem construção. Ademais, aluguel é o valor pago como contraprestação ao arrendamento agrícola. Ainda que assim não fosse, o arrendamento agrícola, a posse do solo para plantio, é essencial ao processo produtivo da Recorrente. Fl. 3948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 35 2.1.12.1. A DRJ aborda o tema arredamento como uma linha no parágrafo destinado às despesas com aquisição de entressafra, e afasta o direito ao crédito porquanto defende que a etapa agrícola não faz parte do processo produtivo da Recorrente. 2.1.12.2. O conceito de prédio no direito civil é diferente do usual e engloba terreno, ainda que sem construção. No direito civil prédio significa imóvel, rural ou urbano, edificado ou não, assim como gleba de terra, moradia, casa ou edifício. É o que se depreende dos arts. 1251, 1252, do Código Civil Brasileiro e do Estatuto da Terra (art. 4°, inciso): Código Civil Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. Estatuto da Terra Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem-se: I - "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; 2.1.12.3. Ainda, o inciso IV do artigo 3° da Lei 10.833/03 aparenta utilizar a palavra aluguel não no sentido de tipo contratual, porém no sentido de contraprestação para a alguém. Tanto assim é que a norma fala de “aluguéis de prédios pagos (...) a pessoa jurídica”. Na forma muito bem exposta pela Recorrente, o aluguel é uma das formas de contraprestação ao contrato de Arrendamento Rural, nos termos do artigo 3° § 2° do Decreto 59.566/66: Art 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de imóvel rural, parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agro-industrial, extrativa ou mista, mediante, certa retribuição ou aluguel , observados os limites percentuais da Lei. (...) § 2º Chama-se Arrendador o que cede o imóvel rural ou o aluga; e Arrendatário a pessoa ou conjunto familiar, representado pelo seu chefe que o recebe ou toma por aluguel. 2.1.12.4. Por consequência, deve ser concedido o crédito decorrente das despesas com arrendamento rural nos termos do artigo 3°, inciso IV da Lei 10.833/03. Conosco precedentes deste Conselho: Fl. 3949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 36 NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. (Acórdão 3201-004.278) 2.1.12.5. Ao lado dos contratos de arredamento em que a contraprestação é o aluguel, a fiscalização encontrou outros contratos de parceria em que o pagamento é feito por meio de uma participação do Arrendador no valor de venda da cana. Portanto, para estes contratos o raciocínio acima é inaplicável, até porque não se trata de despesa, e sim de lucro, receita de venda partilhada. Logo, deve ser mantida a glosa. Neste cenário, entendo que o arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas e de coligadas se caracterizam como custos do processo produtivo, devendo ser revertida a glosa. (Acórdão 3201-007.349, de 20/10/2020. Processo nº 13888.001387/2005- 48. Relatora Mara Cristina Sifuentes)” Grifei. Adicionalmente, note-se que a Solução de Consulta Cosit nº 331, de 21/06/2017 reconheceu o direito ao crédito no arrendamento rural: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. Fl. 3950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 37 Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º.” Grifei Pelo exposto, voto pela reversão da glosa do crédito tributário do arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas por se caracterizar como custos do processo produtivo. 2) DA ILEGALIDADE DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Conforme descrito no Acordão da Manifestação de Inconformidade, foram aceitos os encargos de depreciação nos casos de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda. Em paralelo, foram glosados determinados créditos tributários via encargos de depreciação. Como justificativa dessa glosa, as autoridades fiscais informam que somente poderia haver crédito na depreciação a partir do momento em que o bem ingressa na linha de produção industrial, conforme trecho abaixo da “Informação Fiscal”: “No tocante à possibilidade de os encargos de depreciação originarem créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, firma-se o entendimento no sentido de que o art. 3°, § 1°, inciso III, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 apenas autoriza tal benefício nos casos de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, o que não é o caso, pois na presente situação, consideramos como bens a serem industrializados e destinados à venda a madeira (matéria-prima industrial) a partir do momento que ingressa na linha de produção industrial. “ Grifei. Em contraponto, no Recurso Voluntário, a Contribuinte explica que os bens indicados pela fiscalização: 1) integram a fase florestal ou de silvicultura, que tem início com a escolha dos gravetos que darão origem às mudas, ou; 2) integram a fase industrial, mas sem contato direto com a produção da celulose. Fl. 3951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 38 Nesse contexto, note-se transcrição do disposto no artigo 3º, inciso VII, e §1º, inciso III, da Lei nº 10.637/02, que traz a previsão legal pelo creditamento tributário dos encargos de depreciação e amortização: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2ºa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; (...) XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;” A contribuinte em seu Recurso Voluntário descreve um detalhamento da relação entre os itens considerados nos encargos de depreciação e sua atividade produtiva. Note-se breve resumo dos itens abaixo, separados conforme meu entendimento quanto à possibilidade de creditamento via depreciação, a partir da base legal e informações trazidas no presente processo: Itens conforme legislação de creditamento por encargo de depreciação: - Poços de tratamento de efluentes, água, lodo, que se referem a construções de estações de tratamento de efluentes. Há creditamento em razão da obrigatoriedade junto às Secretarias de Meio Ambiente; possibilidade de perda do licenciamento sem essa construção; e essencialidade do item. - Talude, que são planos de terreno inclinados para delimitar um aterro e garantir sua estabilidade. Em um exemplo, demonstrou-se que a elaboração de um talude em rocha para evitar o deslocamento de terra do aterro. Há creditamento por se tratar de medida de segurança relacionada à atividade da empresa. Fl. 3952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 39 - Instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões se referem a uma variedade de prédios, entre os quais refeitórios, prédios administrativos, construções próximas às plantações de eucalipto. Entendo que há creditamento pois houve adequação à regra para edificações (Art. 3º, inciso VII da Lei nº 10.637/02), a qual exige somente que o bem seja "utilizado nas atividades da empresa". Adicionalmente, há essencialidade desses itens na atividade empresarial da Contribuinte. - Ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra foram descritos como: de uso para identificação das correntes elétricas; oficina é onde são realizados os consertos e manutenções preventivas dos equipamentos; e cortadores são usados para extração de uma pequena parte do tronco, para verificação de características de seu local de origem. Há crédito devido à nítida essencialidade desses itens em relação a sua atividade empresarial. - Carros de transporte e porta pallets são utilizados para transporte e guarda dos pallets. Entendo que há creditamento, devido à essencialidade desses itens com relação à produção da Contribuinte. - Pátio de madeira é o local dentro da área industrial em que ficam estocados os troncos que serão utilizados a curto prazo. Como possuí essencialidade e relevância em relação à sua atividade empresarial, entendo que há creditamento desse item. - Serviço de montagem da torre de telecomunicações se refere a despesas de montagem de uma torre de transmissão de telecomunicações na entrada da unidade industrial. Entendo pelo creditamento em virtude da necessidade de ter acesso à comunicação para andamento de suas atividades empresariais. - Combate a incêndio são equipamentos utilizados nas fábricas e áreas agrícolas. Concordo com o creditamento em virtude de sua essencialidade à sua atividade empresarial. Note-se que a Contribuinte não poderia operar sem tal estrutura e, consequentemente, sem um alvará concedido pelos Bombeiros. - Máquinas de geração de energia são equipamentos que produzem a energia elétrica utilizada no processo produtivo. Dessa forma, é nítida sua essencialidade na produção da Contribuinte. Fl. 3953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 40 Itens que não estão em conforme legislação de creditamento por encargo de depreciação: - Câmaras frigoríficas, que são utilizadas para a conservação dos alimentos que serão utilizados nos refeitórios. Não há direito ao creditamento por não se referir a despesa relacionada diretamente a sua atividade empresarial. - Materiais de análise laboratoriais, relacionado tanto a materiais quanto a serviços de análises. Não há direito ao creditamento em virtude de falta de informações suficientes e comprovação documental que efetivamente demonstrasse a que se refere essa despesa, e sua relação de fato com a sua atividade. Vale lembrar que o ônus da prova do caso de ressarcimento é da contribuinte. - Máquinas de lavar peças, armários de alvenaria e câmeras de monitoramento trata-se de máquinas de levar peças industriais; armários para guarde de documentos administrativos, ferramentas e lubrificantes; e câmeras utilizadas no serviço de segurança. Entendo que não geram creditamento em virtude da falta de comprovação quanto sua relação com a produção da Contribuinte. Novamente, note-se que o ônus da prova em ressarcimento é da Contribuinte. 3) DO DIREITO AOS CRÉDITOS DE PIS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDA De acordo com informação descrita no Recurso Voluntário, houve a glosa dos créditos tributários das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda, em virtude de haver divergências entre os montantes declarados nos meses de janeiro e fevereiro de 2012. Exatamente por falta de esclarecimentos quanto aos créditos desse item, houve a glosa dos respectivos créditos tributários. A contribuinte informa que as autoridades fiscais deveriam ter solicitado esclarecimentos e documentações. Note-se, novamente, que o ônus da prova em caso de ressarcimento é da Contribuinte. Não localizei no presente processo informações e documentos suficientes para confirmar o direito ao creditamento desse item de despesas de outras operações. Como já descrito, a contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do referido crédito por ele pleiteado para haver fato constitutivo do direito de crédito. Fl. 3954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 41 Pelo exposto, voto pela manutenção da glosa quanto ao serviço de armazenagem e frete na venda. Quanto aos créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, aos créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Tendo sido designado redator do voto vencedor no presente processo, passo, na sequência, a expor o entendimento que prevaleceu na turma quanto às seguintes matérias: (i) manutenção da glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, (ii) reversão da glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e (iii) reversão da glosa de créditos referentes a benfeitorias em imóveis. I. Crédito. Aluguel de escavadeira e guindaste. A decisão prevalente foi no sentido de manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, com base, precipuamente, na súmula CARF nº 190, que assim dispõe: Súmula CARF nº 190 Para fins do disposto no art. 3º, IV, da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, IV, da Lei nº 10.833/2003, os dispêndios com locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. (g.n.) Os dispositivos legais referenciados na súmula encontram-se assim estabelecidos no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (g.n.) Nota-se que a súmula CARF nº 190 exclui da previsão legal supra a locação de veículos de transporte de carga ou de passageiros, conotando que, sob o manto do termo “máquinas e equipamentos”, não se incluem os veículos, seja de carga ou de passageiros. A dúvida que pode exsurgir dessa constatação paira sobre o enquadramento ou não da escavadeira e do guindaste no conceito de veículos de carga, conceito esse não definido ou delimitado nas referidas leis. Fl. 3955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 42 Em consultas na internet, é possível obter a definição de escavadeira como máquina pesada ou classificada sob o manto do termo genérico “veículos”, neste caso, especificada como maquinário pesado. A retroescavadeira “é um modelo de trator que possui uma pá carregadeira montada à frente e uma escavadeira montada em sua traseira”, cuja “função é escavar o solo ou remover materiais dos canteiros de obra, além de muitas outras, como transportar materiais no dia a dia.” (g.n.) A escavadeira é um veículo utilizado na construção civil especialmente para escavar ou mover objetos grandes. Basicamente, ela é constituída por duas partes: uma base de condução e um braço de lança com um acessório projetado para a escavação. O operador fica dentro de uma pequena cabine ligada à base e pode controlar o braço. Assim, um conjunto move a unidade real para frente e para trás; enquanto o outro move a unidade sobre o plano horizontal e controla o braço. O funcionário precisa ser muito bem treinado, pois estes controles determinam o ângulo e a velocidade dos movimentos do braço. O Ministério dos Transportes, em procedimento de regulamentação da circulação de tratores e de máquinas agrícolas, datado de 20/04/2024, assim cuidou do tema: O CONSELHO NACIONAL DE TRÂNSITO (CONTRAN), no uso da competência que lhe conferem os incisos I e X do art. 12 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), e com base no que consta nos autos do processo administrativo nº 50000.027261/2023-40, resolve: (...) Art. 2º Considera-se trator o veículo automotor construído para realizar trabalho agrícola, de construção e pavimentação e tracionar outros veículos e equipamentos, conforme definição disposta no Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). (...) Art. 3º Os tratores, conforme finalidade principal para a qual são projetados, classificam-se em duas categorias principais: I - Tratores agrícolas: veículos automotores especialmente projetados e construídos para realizar trabalhos relacionados à agricultura, incluindo, mas não limitando-se a cultivo, plantio, colheita, e atividades de manejo de solo e culturas; II - Tratores de construção civil e pavimentação: veículos automotores projetados e construídos para auxiliar as atividades de construção civil, Fl. 3956DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 43 incluindo a construção e manutenção de infraestruturas como prédios, estradas, pontes e outros projetos de engenharia, bem como em atividades de pavimentação, abrangendo uma ampla gama de equipamentos, incluindo, mas não se limitando, retroescavadeiras, pás carregadeiras, pavimentadoras, dentre outras. (destaques nossos) A regulamentação supra abrange a exigência de emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT) para os tratores, excetuando-se aqueles destinados a trabalho agrícola. Nesse contexto, embora dispensada a emissão do CAT para os tratores agrícolas, dentre os quais podem se incluir, a depender de sua utilização, as retroescavadeiras, tais equipamentos encontram-se identificados pelo Ministério dos Transportes na rubrica genérica de “veículos automotores”. Assim, em conformidade com o teor da súmula CARF nº 190, a glosa de créditos decorrentes da locação de escavadeiras deve ser mantida, decisão essa que se estende, também, aos guindastes, cuja definição aqui adotada é a seguinte: O caminhão guindaste, também conhecido como guindauto ou caminhão munck, é um veículo de carga equipado com um guindaste articulado hidráulico acoplado ao seu chassi. É um equipamento especialmente projetado para erguer e movimentar cargas pesadas, oferecendo mais autonomia e agilidade em operações logísticas e de movimentação. (destaques nossos) O Código de Trânsito Brasileiro, instituído pela Lei nº 9.503/1997, faz referência ao guindaste nos seguintes termos: Art. 101. Ao veículo ou à combinação de veículos utilizados no transporte de carga que não se enquadre nos limites de peso e dimensões estabelecidos pelo Contran, poderá ser concedida, pela autoridade com circunscrição sobre a via, autorização especial de trânsito, com prazo certo, válida para cada viagem ou por período, atendidas as medidas de segurança consideradas necessárias, conforme regulamentação do Contran. (...) § 3º Aos guindastes autopropelidos ou sobre caminhões poderá ser concedida, pela autoridade com circunscrição sobre a via, autorização especial de trânsito, com prazo de seis meses, atendidas as medidas de segurança consideradas necessárias. (destaques nossos) Nota-se, portanto, que a legislação também inclui os guindastes na categoria “veículos utilizados no transporte de carga”, razão pela que, em relação a eles, deve-se manter também a glosa de créditos das contribuições não cumulativas. Fl. 3957DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 44 II. Crédito. Locação de bens do ativo permanente. A regra definidora do direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas é a mesma tratada no item anterior deste voto, a saber, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, abrangendo “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Destaque-se que, tratando-se, inequivocamente, de bens imóveis ou maquinário, devidamente comprovados, utilizados nas atividades da empresa, cujo valor do aluguel seja pago a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins, a lei garante o direito ao desconto de créditos. Deve-se ressaltar, ainda, que, para a fruição do crédito, não pode haver dúvidas quanto ao enquadramento de tais bens nas rubricas “prédios, máquinas e equipamentos”, previsão normativa essa que não restringe tal direito a bens utilizados na prestação de serviços e/ou na produção ou fabricação de bens ou produtos, alcançando, portanto, todas as atividades da pessoa jurídica. Esta turma julgadora já decidiu nesses termos, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS O contribuinte pode apurar créditos de COFINS sobre o valor dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos somente quando pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. (Acórdão nº 3201-012.762, j. 01/12/2025 - g.n.) Portanto, reverte-se a glosa de créditos decorrentes dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, mas desde que devidamente comprovados e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins. III. Crédito. Benfeitorias em imóveis. Fl. 3958DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 45 O direito ao desconto de créditos com benfeitorias em imóveis encontra-se previsto nos seguintes dispositivos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (g.n.) A previsão legal é clara e direta, há direito a crédito das contribuições não cumulativas em relação aos encargos de depreciação de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros utilizados nas atividades da empresa, genericamente consideradas, mas desde que devidamente comprovados. Diante do exposto, o presente voto caminha no sentido de (i) manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste, (ii) reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente (imóveis, máquinas e equipamentos) utilizados nas atividades da pessoa jurídica, mas desde que devidamente comprovada e paga a pessoa jurídica domiciliada no País em operação devidamente tributada pelas contribuições PIS/Cofins, e (iii) reverter a glosa de créditos referentes à depreciação de benfeitorias em imóveis devidamente comprovada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 3959DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.226 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.944966/2013-79 46 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (I) para reverter a glosa de créditos em relação às seguintes aquisições: (I.1)partes e peças utilizadas em máquinas, equipamentos florestais e em veículos, bem como os serviços de manutenção, (I.2) vestuário e equipamentos de proteção individual, (I.3) material de análise laboratorial, (I.4) inibidor de corrosão, engraxantes e kits de manutenção, reparo e limpeza, (I.5) serviços de manutenção civil e mecânica, (I.6) serviços de limpeza, (I.7) serviços de consultoria ambiental,(I.8) serviços de análises laboratoriais, monitoramento de pragas e doenças e pesquisa, (I.9) locação de andaimes e rádios para comunicação, (I.10) serviços de engenharia e projetos, (I.11) serviço de silvicultura, (I.12) treinamentos relacionados à atividade industrial, abarcando a fase agroflorestal, (I.13) arrendamento de imóveis rurais de pessoas jurídicas, (I.14) depreciação de poços de tratamento de efluentes, água, lodo, (I.15) depreciação de talude, (I.16) depreciação de instalações civis, edifícios de escritórios e serviços administrativos, edifícios de oficina e acesso de caminhões, (I.17) depreciação de ferramentas de medição elétrica, oficina de manutenção e cortadores de amostra, (I.18) depreciação de carros de transporte e porta pallets utilizados para transporte e guarda dos pallets,(I.19) depreciação de pátio de madeira, (I.20) depreciação de serviço de montagem da torre de telecomunicações, (I.21) depreciação de combate a incêndio e (I.22)depreciação de máquinas de geração de energia; (II) para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços de logística e supervisão; (III) para manter a glosa de créditos em relação ao aluguel de escavadeira e guindaste; (IV) para reverter a glosa de créditos relativos à locação de bens do ativo permanente utilizados nas atividades da pessoa jurídica e quanto à depreciação de benfeitorias em imóveis; e (V) para manter a glosa de créditos em relação aos fretes em operações de vendas. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 3960DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11402766 #
Numero do processo: 13804.001061/2003-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA COM FUNDAMENTO RELATIVO A QUESTIONAMENTO NÃO RELATADO AO COLEGIADO, NÃO CONTROVERTIDO E DESNECESSÁRIO PARA DECISÃO DO COLEGIADO. OBITER DICTUM. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Os fundamentos do acórdão paradigma que versem sobre questionamento jamais aduzido em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário e não contido no relatório apresentado ao colegiado, sendo ainda tal fundamento desnecessário para decisão de mérito do colegiado que aplicava súmula CARF ao caso concreto, caracterizam verdadeiro obiter dictum, e retiram do acórdão paradigma a capacidade de ensejar divergência jurisprudencial em relação a essa matéria.
Numero da decisão: 9101-007.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Jandir José Dalle Lucca (relator), Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior que votaram pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Deliberou-se ainda que o pedido da patrona na aplicação da Súmula CARF nº 37 não pode ser examinada pelo Colegiado em razão do não conhecimento do recurso, e que pode ser examinada pela Unidade de Origem. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca - Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator designado Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Efigenio de Freitas Junior (substituto convocado), Jandir Jose Dalle Lucca, Semíramis de Oliveira Duro, Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-26T19:38:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-26T19:38:01Z; Last-Modified: 2026-06-26T19:38:01Z; dcterms:modified: 2026-06-26T19:38:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-26T19:38:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-26T19:38:01Z; meta:save-date: 2026-06-26T19:38:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-26T19:38:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-26T19:38:01Z; created: 2026-06-26T19:38:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2026-06-26T19:38:01Z; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-26T19:38:01Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13804.001061/2003-31 ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA SESSÃO DE 10 de junho de 2026 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE RECORRENTE MHT SERVICOS E ADMINISTRACAO LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA COM FUNDAMENTO RELATIVO A QUESTIONAMENTO NÃO RELATADO AO COLEGIADO, NÃO CONTROVERTIDO E DESNECESSÁRIO PARA DECISÃO DO COLEGIADO. OBITER DICTUM. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Os fundamentos do acórdão paradigma que versem sobre questionamento jamais aduzido em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário e não contido no relatório apresentado ao colegiado, sendo ainda tal fundamento desnecessário para decisão de mérito do colegiado que aplicava súmula CARF ao caso concreto, caracterizam verdadeiro obiter dictum, e retiram do acórdão paradigma a capacidade de ensejar divergência jurisprudencial em relação a essa matéria. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Jandir José Dalle Lucca (relator), Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior que votaram pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Deliberou-se ainda que o pedido da patrona na aplicação da Súmula CARF nº 37 não pode ser examinada pelo Colegiado em razão do não conhecimento do recurso, e que pode ser examinada pela Unidade de Origem. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Fl. 1276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 2 Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator designado Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Efigenio de Freitas Junior (substituto convocado), Jandir Jose Dalle Lucca, Semíramis de Oliveira Duro, Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente). RELATÓRIO 1.Trata-se de Recurso Especial interposto em face do Acórdão nº 1401-006.416, de 15.03.2023, via do qual se decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. 2.O litígio versa sobre o indeferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) formulado em 07.02.2003 pela Recorrente, relativamente à opção pelo incentivo fiscal declarada na DIPJ do ano-calendário de 1999. 3.A controvérsia reside na exigência de comprovação de regularidade fiscal como condição para o deferimento do benefício, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995. O Despacho Decisório de e-fls. 862 indeferiu o pleito ao identificar diversas pendências fiscais da contribuinte e de empresas por ela incorporadas antes de 1999, incluindo débitos inscritos em Dívida Ativa da União perante a PGFN, débitos em cobrança no sistema PROFISC relativos aos anos-calendário de 1994 a 1996, ausência de apresentação de certidões negativas ou positivas com efeito de negativa (PFN e INSS), e irregularidades perante o FGTS (esta última a cargo da Chemical Serviços Ltda., incorporada em 31.05.1996). 4.Em sede de manifestação de inconformidade (e-fls. 912/930), a contribuinte invocou os argumentos concentrados nos seguintes tópicos: (i)preclusão temporal do direito da Administração apreciar o PERC; (ii) decadência: homologação tácita da declaração da "opção" efetuada pelo contribuinte; (iii) ausência dos requisitos previstos no artigo 31, do Decreto n° 70.235/72 e da inexistência de motivação; (iv) impossibilidade de se exigir regularidade fiscal posteriormente à opção pelo investimento; (v) violação aos princípios da segurança jurídica e da legalidade; e (vi) ilegitimidade da exigência de regularidade fiscal para homologação do incentivo fiscal Fl. 1277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 3 5.A DRJ julgou improcedentes as alegações defensivas (e-fls. 969/972), decisão que motivou a interposição do Recurso Voluntário de e-fls. 989/1007, tendo o colegiado a quo proferido decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. PROVA DE REGULARIDADE FISCAL Nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, é exigível do contribuinte prova da quitação de tributos federais como condição para o deferimento de incentivos fiscais federais. Alternativamente, nos termos do art. 206 do CTN, o contribuinte poderá comprovar a regularidade fiscal mediante Certidão Positiva com Efeito de Negativa, ainda que posteriormente à opção do benefício, conforme inteligência da Súmula Carf nº 37. A falta dessa comprovação acarreta o indeferimento do pleito. 6.Suscitando omissões no julgado, a empresa opôs os Embargos de Declaração de e- fls. 1046/1050, rejeitados pelo despacho de e-fls. 1081/1086, e, ato contínuo, interpôs Recurso Especial em relação às matérias “1 - Nulidade da decisão recorrida por ausência de análise de argumentos relevantes” (paradigmas nºs 9303-003.073 e 3401-005.938); “2 - Momento de comprovação da regularidade fiscal - Súmula Vinculante CARF nº 37” (paradigmas nºs 101-96.213 e 9101-004.624); e “3 - Da decadência do direito do Fisco de analisar a regularidade fiscal da Recorrente: homologação tácita da declaração da opção” (paradigma nº 1301-004.237), tendo o apelo sido admitido apenas em relação à última, nos termos do despacho de e-fls. 1218/1227, mantido pelo despacho de e-fls. 1254/1258, que rejeitou o agravo oportunamente interposto pela interessada. Confiram-se os seguintes excertos do despacho de admissibilidade: (...) 1 – Nulidade da decisão recorrida por ausência de análise de argumentos relevantes (...) Da leitura do despacho de admissibilidade que rejeitou os embargos as únicas conclusões que se pode chegar é: primeiro, que o prequestionamento da matéria existiu; segundo, reforça-se que a Recorrente partiu de premissa carente de comprovação para emplacar uma divergência; e por último, denota irresignação do Recorrente, em sede de recurso especial, contra os termos do despacho que rejeitou seus embargos. Ora, somente partindo de premissa desse quilate é que poderia pretender equipará-la com a situação posta nos paradigmas. Isso porque nos paradgimas claramente ficou assentado que determinados argumentos essenciais trazidos na peça impugnatória, motivo pelo qual as deicsões antecedentes foram anuladas para que fossem enfrentados tais argumentos relevantes que se constituiam em matérias autônomas. O primeiro paradigma, por exemplo, anulou a decisão da DRJ por ter-se limitado à análise da legalidade/aplicabilidade de Instrução Normativa, não se pronunciando sobre argumentos da defesa e sobre o resultado de diligências. No que concerne ao segundo paradigma (Ac. nº 3401-005.938), concluiu pela nulidade da decisão a quo, “por ausência de motivação, quando a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos constantes da impugnação que, de forma autônoma, seria capaz de afastar a disposição do quanto decidido (...)” Porém, no acórdão Recorrido circunstância assemelhada não compareceu. Isso porque a matéria de fundo principal e autônoma relacionada à nulidade alegada – diferente dos paradigmas - foi debatida amplamente tanto na primeira instância quanto Fl. 1278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 4 pela segunda instância, como deixou claro o despacho que rejeitou os seus embargos nesse mesmo ponto: (...) Como se vê, o voto foi claro ao registrar que foi a Embargante que deixou de trazer provas da regularização dos débitos de tributos com períodos de apuração de 1994 e 1995, portanto, anteriores a 1999, e que por conta dessa falta manteve-se a improcedência do pedido. Fica patente que o voto condutor pronunciou-se expressamente sobre todas as alegações suscitadas pela Embargante no recurso voluntário, inclusive as razões pelas quais não se aplicaria, ao caso, a Súmula CARF nº 37. (...) (Destacou-se). Por fim, não há que se buscar divergência em face de teor de Súmula, eventualmente revisada, a não ser que tal situação encontres espelhada em algum paradigma, o que não foi o caso. Pelo exposto, a matéria não pode ser admitida por partir de premissa equivocada ou mesmo por falta de similitude fática. 2 – Momento de comprovação da regularidade fiscal – Súmula Vinculante CARF nº 37 (...) Em resumo o acórdão recorrido descarta a aplicação da Súmula CARF nº 37 ao caso concreto porque “haviam débitos em aberto à época da opção, em 2000, relativo ao ano calendário de 1999”. Por outro lado, ambos os paradigmas apresentados tratam de situações fáticas não assemelhadas daí os resultados serem discrepantes. Isso porque no acórdão recorrido ficou comprovada a existência de débitos em abertos à época da opção por ocasião da entrega da declaração de rendimentos (ano-calendário de 1999), sem estar amparada por nenhuma Certidão Negativa. Nos paradigmas tal situação não compareceu. No primeiro paradigma, não mais existiam em aberto os débitos originalmente apontados de períodos anteriores à opção pelo PERC. Confira-se trechos relevantes do primeiro paradigma: Observe-se que na segunda relação de débitos não se encontram aqueles inicialmente indicados ao contribuinte para que procedesse a sua regularização, bem como não consta um processo administrativo que constava como em "cobrança final" e o segundo processo indicado na primeira relação encontrava-se "suspenso por medida judicial". Os outros débitos apontados na segunda relação são todos de períodos de apuração posteriores ao ano- calendário a que se refere o PERC, não podendo portanto ser utilizados como base para o indeferimento do pleito daquele ano, tendo em vista que, a recente jurisprudência desta Primeira Câmara tem decidido no sentido de que a data para a verificação da regularidade fiscal do interessado é o momento da opção pela aplicação no respectivo incentivo fiscal. Da mesma forma, o segundo paradigma considerou o marco temporal (....) “a data de entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica”, ratificando o entendimento do acórdão recorrido “que considerou a quitação (tomando como marco temporal a data de apresentação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica) devidamente demonstrada”. Para além disso, pode-se concluir também que os fundamentos relevantes são convergentes uma vez que em todos os acórdãos o momento de aferição da regularidade fiscal se dá por ocasião da “data da opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos, na declaração de rendimentos, portanto na data da apresentação de sua DIRPJ.” (1º paradigma) ou, da mesma forma, entendeu o 2º paradigma que “O marco temporal para verificação da regularidade fiscal, no caso de deferimento do PERC, é a data de entrega da Fl. 1279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 5 declaração de rendimentos da pessoa jurídica, precisamente o entendimento do acórdão recorrido”. Portanto, proponho que esta segunda arguição de divergência não seja admitida seja porque os paradigmas são convergentes com a decisão recorrida bem assim por se tratar de decisões com contextos fáticos desassemelhados. 3) Da decadência do direito do Fisco de analisar a regularidade fiscal da Recorrente: homologação tácita da declaração da opção (...) A Recorrente defende que a situação fática é idêntica àquela retratada no acórdão recorrido uma vez que em ambos os casos os respectivos PERCs só foram analisados cinco anos após a protocolização dos mesmos. Dessa forma, conclui que no acórdão paradigma, diferentemente do acórdão recorrido, o CARF entendeu que “a não apreciação do PERC no prazo de cinco anos a contar da data em que efetivada a opção pelo incentivo configura a decadência do direito da Administração de proceder ao seu indeferimento com a consequente homologação tácita da declaração efetuada pelo contribuinte”. Por outro lado, o acórdão recorrido considerou que o art. 150, §4º, do do CTN não seria aplicável ao caso, não reconhecendo “a decadência do direito do Fisco em de analisar a regularidade fiscal da Recorrente, mesmo tendo transcorrido mais de 5 (cinco) anos entre a data da declaração na DIPJ da "opção" pelo incentivo e a análise e indeferimento do PERC pela Administração”. Feito o relato, passa-se a análise desta arguição de divergência. O acórdão recorrido fundamentou o afastamento da decadência, nos seguintes termos: Relativamente aos demais argumentos do recurso voluntário, tais como (i) eventual “prescrição” ou “preclusão temporal” da Administração em apreciar o PERC, de se dizer que não há previsão legal para a apreciação de solicitações desta natureza, assim como não há que se cogitar de falta de observação do art.150 do CTN, uma vez que não é aplicável ao caso em questão, ou seja, não existe a “homologação tácita da declaração da opção efetuada pelo contribuinte”, como sugere a Recorrente. (Negritou-se). De plano verifica-se que o Contribuinte logrou êxito em demonstrar esta arguição de divergência nos termos por ela proposto em caso bastante idêntico inclusive possuindo os mesmos interessados. Isso porque está evidente que o r. acórdão recorrido – (...)– não reconheceu a decadência do direito do Fisco em de analisar a regularidade fiscal da Recorrente, mesmo tendo transcorrido mais de 5 (cinco) anos entre a data da declaração na DIPJ da "opção" pelo incentivo e a análise e indeferimento do PERC pela Administração. Por outro lado, o r. acórdão paradigma, analisando exatamente a mesma situação fática e mesma legislação, qual seja, o art. 150, §4º, do CTN, reconheceu a decadência do direito do Fisco e considerou que se operou a homologação tácita da declaração efetuada pelo contribuinte. Portanto, proponho que esta terceira arguição de divergência seja admitida em face da constatação do dissídio jurisprudencial. Resumo: Por todo o exposto, proponho que seja dado seguimento parcial ao recurso especial do Contribuinte apenas em relação à terceira arguição de divergência. 7.A PGFN apresentou contrarrazões às e-fls. 1271/1273, combatendo exclusivamente o mérito recursal. 8.É o relatório. Fl. 1280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 6 VOTO VENCIDO Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator CONHECIMENTO 9.O Recurso Especial é tempestivo, conforme já atestado pelo despacho de fls. 1218/1227, tendo sido admitido em relação à matéria “Da decadência do direito do Fisco de analisar a regularidade fiscal da Recorrente: homologação tácita da declaração da opção”, em face do paradigma 1301-004.237. 10.A controvérsia posta nos autos consiste em definir se a não apreciação de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) no prazo de cinco anos, contados da data em que formalizada a opção pelo incentivo em Declaração de Rendimentos, acarreta a homologação tácita da declaração, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. 11.O Acórdão recorrido rejeitou a tese, ao fundamento de que "não há previsão legal para a apreciação de solicitações desta natureza, assim como não há que se cogitar de falta de observação do art. 150 do CTN, uma vez que não é aplicável ao caso em questão, ou seja, não existe a ‘homologação tácita da declaração da opção efetuada pelo contribuinte’". 12.O Acórdão paradigma, por seu turno, em situação fática substancialmente idêntica, inclusive quanto ao grupo econômico envolvido (Chase Manhattan), ao incentivo discutido (FINOR) e à cronologia processual (opção formalizada em DIPJ e indeferimento do PERC após transcurso superior a cinco anos), chegou a conclusão diametralmente oposta. Consignou o paradigma que "a não apreciação do PERC no prazo de cinco anos a contar da data em que efetivada a opção pelo incentivo configura a decadência do direito da Administração de proceder ao seu indeferimento com a conseqüente homologação tácita da declaração efetuada pelo contribuinte", reconhecendo, ao final, "indubitável a aplicação do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, que fixa em cinco anos o prazo para a Administração homologar o lançamento efetuado pelo contribuinte, após o que opera-se a decadência". 13.A divergência é, pois, frontal, objetiva e incide sobre a interpretação do mesmo dispositivo legal aplicado à mesma categoria de pleito administrativo. 14.Sabe-se que esta Turma, por ocasião do julgamento do Acórdão nº 9101- 007.4611, deixou de conhecer de Recurso Especial fundado neste mesmo paradigma, ao entendimento de que o fundamento relativo à decadência no Acórdão nº 1301-004.237 teria caráter de obiter dictum, na medida em que não teria sido objeto de prequestionamento no caso 1 J. 07.10.2025. Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir José Dalle Lucca, Semíramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente). Fl. 1281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 7 originário e seria desnecessário à solução da lide, dada a suficiência da aplicação da Súmula CARF nº 37. 15.Naquela oportunidade, fui vencido no ponto, ao lado dos Conselheiros Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic e Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior. Reitero, neste voto, as razões pelas quais entendo que a tese do obiter dictum, ainda que engenhosa, não subsiste ao exame mais detido, pelos fundamentos que passo a expor. 16.A leitura atenta do Acórdão nº 1301-004.237 revela que o fundamento relativo à decadência não constitui observação incidental, marginal ou proferida en passant pelo relator. Ao contrário, foi extensamente desenvolvido ao longo de várias páginas do voto, articulado em raciocínio autônomo e concatenado, e vertido expressamente na conclusão, com afirmação taxativa de que o transcurso de mais de cinco anos entre a opção em DIPJ e a apreciação do PERC acaba por “eivar de nulidade a r. decisão recorrida". 17.De fato, o voto condutor do Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza revela que, após resolver a questão relativa à Súmula CARF nº 37, o relator introduziu, com a expressão "Mas não é só!", um novo bloco argumentativo dedicado especificamente à tese da decadência. Este segmento ocupa porção substancial do voto e articula raciocínio autônomo, estruturado nas seguintes passagens:  Abertura do fundamento autônomo- Após concluir a análise sobre a aplicação da Súmula CARF nº 37, o relator consigna expressamente a transição para novo fundamento: Mas não é só! A não apreciação do PERC no prazo de cinco anos a contar da data em que efetivada a opção pelo incentivo configura a decadência do direito da Administração de proceder ao seu indeferimento com a conseqüente homologação tácita da declaração efetuada pelo contribuinte.  Desenvolvimento dogmático da tese- Em seguida, o voto desenvolve a fundamentação teórica da aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN ao caso, articulando raciocínio que não é breve nem incidental: Isso porque, muito embora o indeferimento do PERC não implique imediato lançamento tributário com a constituição do crédito, a decisão da Administração terá reflexo na esfera jurídica do contribuinte, na medida em que, apesar da destinação de parcela do seu Imposto de Renda ao Fundo de Investimentos, ele não receberá os certificados de investimento a que faz jus nos termos do artigo 603 do RIR, os quais deverão ser convertidos, mediante leilão especial, em títulos pertencentes às carteiras dos fundos, de acordo com suas respectivas cotações, nos termos do artigo 605 do RIR. Ou seja, o indeferimento do PERC acarreta não só um ônus financeiro a Recorrente, como evidentemente representa ato que atinge sua esfera jurídica. Por essa razão, indubitável a aplicação do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, que fixa em cinco anos o prazo para a Administração homologar o lançamento efetuado pelo contribuinte, após o que opera-se a decadência.  Definição do termo inicial- O relator prossegue fixando dogmaticamente o termo a quo do prazo decadencial: Fl. 1282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 8 No caso em comento, o termo "a quo" do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, é a data da declaração formalizada pelo contribuinte em DIPJ contendo a opção pelo incentivo. Isso porque, tal como se verifica no tocante declaração do crédito tributário, é certo que a declaração que o contribuinte faz para aderir a determinando incentivo fiscal, formalizada em DIPJ, também está sujeita a homologação da Autoridade Administrativa mediante o exercício de seu direito potestativo, porque implica em redução da carga tributária, o que não pode ficar ao arbítrio temporal exclusivo da Autoridade Administrativa, para que o exerça se e quando quiser, sob pena de dotar-se de total insegurança as relações jurídicas tributárias.  Aplicação ao caso concreto- Em seguida, o voto aplica a tese desenvolvida ao substrato fático, demonstrando tratar-se de fundamento voltado à resolução da lide, não de divagação teórica: Ora, no caso concreto, a opção pelos investimentos nos Fundos Regionais foi formalizada pela Recorrente na DIPJ do exercício de 1999, entregue em junho de 1999. A partir dessa data, teria a Administração o prazo de cinco anos para analisar a regularidade da declaração formalizada pela Requerente, intimando-a até junho de 2004, caso eventualmente fosse apurada qualquer irregularidade no procedimento, após o que, considera-se homologada tacitamente a declaração. Ocorre que, na hipótese dos autos, formalizada a opção pelo incentivo na DIPJ do exercício de 1999, a Autoridade Administrativa apenas apreciou o PERC em 2008, ou seja, quase dez anos depois!  Arremate- O bloco argumentativo encerra-se com afirmação taxativa sobre a consequência jurídica do reconhecimento da decadência, vinculando-a expressamente ao dispositivo do acórdão: Dessa forma, evidente a decadência do direito da D. Fiscalização de analisar a regularidade fiscal da Recorrente, na medida em que transcorreram mais de 5 (cinco) anos entre a data da declaração na DIPJ da "opção" pelo incentivo e a análise e indeferimento do PERC pela Administração, tudo a eivar de nulidade a r. decisão recorrida. 18.Esta estrutura, característica de fundamento construído como razão de decidir, é incompatível com a qualificação como obiter dictum. Observações marginais ou ditas de passagem não comportam desenvolvimento dogmático extenso, aplicação ao caso concreto e articulação com o dispositivo do acórdão em chave de nulidade. Quando o relator afirma que o transcurso do prazo decadencial culmina por "eivar de nulidade a r. decisão recorrida", está afirmando, em termos técnicos precisos, que a decadência é fundamento suficiente para a reforma pretendida, o que é incompatível com a natureza meramente incidental que a tese do obiter dictum lhe pretende atribuir. 19.O acórdão paradigmático, portanto, adotou fundamentação dupla, articulando tanto a aplicação da Súmula CARF nº 37 quanto o reconhecimento da decadência com base no artigo 150, § 4º, do CTN. Ambos os fundamentos foram expressamente incorporados à conclusão do voto, e o colegiado, por unanimidade, acolheu a integralidade da proposta do relator. 20.Quando o colegiado aprova, sem ressalvas, voto que articula dois fundamentos concorrentes, ambos se incorporam à razão de decidir do acórdão. Não há base legal para, a posteriori, cindir a manifestação colegiada e reclassificar um dos fundamentos como meramente Fl. 1283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 9 acessório. Tal reclassificação implica usurpação da manifestação original do órgão julgador, substituindo o juízo efetivamente proferido por juízo hipotético sobre o que teria sido suficiente decidir. 21.Além disso, a eventual ausência de provocação pelas partes do paradigma quanto à tese de decadência não tem o condão de obstar o reconhecimento da divergência, pois confunde planos processuais distintos. 22.Com efeito, o prequestionamento que constitui requisito de admissibilidade do recurso especial é aquele aferido no acórdão recorrido, não no acórdão paradigma. O que importa verificar é se a matéria sobre a qual se pretende uniformização foi efetivamente debatida e decidida no caso concreto sob julgamento. No presente feito, tal exigência foi amplamente atendida: o contribuinte suscitou a tese de decadência e preclusão temporal desde a Manifestação de Inconformidade, reiterou-a em Recurso Voluntário, e o Acórdão recorrido expressamente a enfrentou e rejeitou. Opostos embargos de declaração, foram igualmente apreciados e rejeitados. 23.A circunstância de o paradigma ter enfrentado a matéria por iniciativa de seu relator, ainda que sem provocação direta das partes, não retira da decisão colegiada sua aptidão para servir como termo de comparação. A interpretação divergente existe no plano objetivo, publicada, consolidada, proferida por órgão julgador competente, e isso basta para os fins do RICARF. 24.Nem se argumente que o paradigma seria inapto por se tratar de decisão irrecorrível pela Fazenda Nacional, à vista do art. 67, §3º do RICARF/2015 ou do art. 118, §3º do RICARF/2023, que vedam recurso especial contra decisão que adote entendimento de súmula. A aptidão paradigmática de um acórdão para fins de caracterização de divergência jurisprudencial não está condicionada à possibilidade teórica de recurso pela parte contrária no processo originário. A divergência existe como fenômeno objetivo da jurisprudência administrativa, e sua configuração não depende de circunstâncias processuais específicas do paradigma. Condicionar o cabimento do recurso especial a requisito dessa ordem significa introduzir limitação não prevista no regimento, com efeito de blindar certas linhas jurisprudenciais contra qualquer escrutínio uniformizador. CONCLUSÃO 25.Ante o exposto, conheço do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Jandir José Dalle Lucca Fl. 1284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 10 VOTO VENCEDOR Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, redator designado No caso concreto, a matéria admitida no despacho de admissibilidade de Recurso Especial diz respeito à pretensa decadência do direito do Fisco de revisar a sua regularidade fiscal, em razão da não apreciação de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) no prazo de cinco anos, contados da data em que formalizada a opção pelo incentivo em Declaração de Rendimentos, acarretando a homologação tácita da declaração, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Ou seja, teria a autoridade fiscal deixado transcorrer mais de 5 anos entre a data em que foi formalizada a opção na sua DIPJ e a data do indeferimento do PERC. Com a devida vênia ao muito bem fundamentado voto do ilustre relator, Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, ouso dele discordar, e o faço com os fundamentos utilizados em meu voto no Acórdão nº 9101-007.461, ocasião em que rejeitei o mesmo paradigma que o ilustre relator entendeu ensejar dissídio jurisprudencial, nos termos reproduzidos a seguir: O acórdão recorrido negou provimento ao recurso quanto a esta matéria, ao fundamento de que “as regras de caducidade que operam contra o Fisco para constituir e cobrar tributos não podem ser aplicadas, analogicamente, para o reconhecimento de direitos tal como ocorre quanto aos Pedidos de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais – PERC”. No acórdão paradigma (Acórdão nº 1301-004.237), por sua vez, toda a discussão, desde a apresentação de impugnação, limita-se à comprovação da inexistência de débitos: Relatório [...] Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião da decisão de primeira instância, a seguir transcrito: Inicialmente, há que se consignar que a empresa em epígrafe foi incorporada em 30/09/1998 por CHASE MANHATTAN HOLDINGS LTDA, CNPJ 31.888.167/0001-64 (fls. 685), que a sucedeu em todos os direitos e obrigações, inclusive os referentes a este processo, que trata de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano calendário de 1998, protocolizado em 27/06/2002 (fls. 1 e 2). Conforme dados constantes da Ficha 10 — Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Rendimentos - DIRPJ entregue em 29/10/1998, a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda, no montante de Fl. 1285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 11 R$212.503,68 para aplicação no Fundo de Investimentos do Nordeste - FINOR (fls. 53). Todavia, no processamento eletrônico da DIRPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, por meio do Despacho Decisório de fls. 623, em razão de irregularidades perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional — PGFN e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço — FGTS, a teor do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069/95. Cientificada da decisão em 10/11/2008 por meio da Intimação n° 6.037/2008 (fls. 624), a contribuinte protocolizou, em 09/12/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 627 a 638, acompanhada dos documentos de fls. 639 a 683. Preliminarmente, alega que o documento de fls. 623 não se caracteriza como uma decisão administrativa, mas como mero parecer, pois não atende aos requisitos previstos no art. 31 do Decreto n° 70.235/72, restando evidente sua nulidade. A interessada também alega nulidade por falta de motivação. Argumenta que o parecer não traz os fundamentos pelos quais se exige a comprovação da regularidade fiscal no momento da apreciação do PERC. Quanto ao mérito, sustenta que o momento de verificação da regularidade fiscal do contribuinte optante pelo incentivo é a data em que se manifestou a opção, ou seja, a data da entrega da Declaração de Rendimentos. Acrescenta que a análise da regularidade fiscal do contribuinte na data do despacho no PERC constitui violação aos artigos 105 e 144, caput, do Código Tributário Nacional — CTN. Argumenta também que o indeferimento do incentivo com base em fatos ocorridos muitos anos após a manifestação da opção constitui ofensa ao princípio da segurança jurídica. A interessada também sustenta que a opção pela destinação do imposto recolhido para o FINOR se deu com base nas Leis n° 8.167/91 e n° 9.532/97, que não traziam a previsão de indeferimento da opção em razão de existência de débitos perante a RFB, a PGFN e o FGTS. Assim, conclui que a decisão recorrida não encontra fundamento legal. Ante o exposto, a interessada requer seja anulado ou reformado o parecer, julgando-se procedente a Fl. 1286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 12 Manifestação de Inconformidade, a fim de deferir a ordem de emissão de incentivos fiscais. Na sequência, foi proferido o acórdão recorrido, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Tendo sido o Despacho Decisório emitido por autoridade competente e atendidos os demais requisitos legais, inclusive quanto A. motivação do ato administrativo, incabível a alegação de nulidade. INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida Ciente do acórdão recorrido em 20/04/2009 (fl. 704), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 20/05/2009 (fl. 705), tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70. Dos Fatos De acordo com os autos, empresa em epígrafe foi incorporada em 30/09/1998 por CHASE MANHATTAN HOLDINGS LTDA, CNPJ 31.888.167/0001-64, que a sucedeu em todos os direitos e obrigações, inclusive os referentes a este processo, que trata de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao ano calendário de 1998. De acordo com os dados constantes na DIRPJ do período, o Contribuinte optou por destinar parcela do Imposto de Renda, para aplicação no Fundo de Investimentos do Nordeste - FINOR. Trata-se de hipótese de redução de tributos, visto que, se concedido o incentivo, Fl. 1287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 13 uma parcela do valor recolhido a título de IRPJ não fica nos cofres públicos, mas é destinada a terceiros (FINOR). Todavia, no processamento eletrônico desta declaração, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, o que motivou a apresentação em 27/06/2002 da PERC, que foi indeferido pelo Delegado da Receita Federal em São Paulo, por meio de Despacho Decisório de fls. 628, em razão de irregularidades fiscais, a teor do disposto no artigo 60 da Lei nº 9.069/95. Irresignado, no prazo regulamentar, o contribuinte apresenta em 09/12/2008 Manifestação de Inconformidade perante a DRJ/SP1, que decidiu julgá-la improcedente, mantendo, assim, os termos do aludido Despacho. Inconformado com a r. decisão, em sede de recurso, o contribuinte renova suas razões recursais, pugnando pela procedência do seu pleito. Conforme se observa, no acórdão paradigma jamais foi relatado ao colegiado qualquer discussão acerca de decadência no caso concreto, da mesma forma que a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário interpostos pelo Contribuinte jamais trouxeram qualquer argumento sobre o tema. Observa-se que o fundamento contido no voto condutor do aresto paradigmático acerca da aplicação da Súmula CARF nº 37 ao caso lá debatido era suficiente para o provimento do Recurso Voluntário, e, mais do que isso, versava sobre a única matéria controvertida nos autos, a saber: a existência de regularidade fiscal no momento da entrega da DIPJ para fins de exame de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC). Tanto é assim, que a Fazenda Nacional, ainda que quisesse a reforma do acórdão paradigmático, não poderia fazê-lo por impossibilidade de recorrer-se de acórdão que adotava fundamento de súmula CARF, a teor do que dispunha o § 3º do art. 67 do RICARF/20152. Nesse contexto, os fundamentos trazidos pelo relator no acórdão paradigma que versam sobre questionamento jamais aduzido em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário e não contido no relatório exposto ao colegiado, sendo ainda tal fundamento 2 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Fl. 1288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.603 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 13804.001061/2003-31 14 desnecessário para decisão de mérito do colegiado que aplicava súmula CARF ao caso concreto, caracterizam verdadeiro obiter dictum, e retiram do acórdão paradigma a capacidade de ensejar divergência jurisprudencial em relação a essa matéria. Dessa forma, o Recurso Especial não deve ser conhecido. 1 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte. Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1289DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor 1 CONCLUSÃO

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4817095 #
Numero do processo: 10183.003476/90-11
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 1993
Ementa: ITR - NOTIFICAÇÃO CORRETA - INCOMPROVADAS AS ALEGAÇÕES DAS PEÇAS IMPUGNATÓRIA E RECURSAL. A simples declaração da existência de processo na FUNAI, referente à criação de área indígena, onde está encravada a propriedade, não tem o condão de eximir o Recorrente do lançamento fiscal. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-00.390
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara de Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MAURO WASILEWSKI

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O. U. . 19MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO DY... /..74./tí.; It Z.mt.t,F, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C Rubrica , Processo no 10.103-003.476/90-11 Sessão de g 15 de abril de 1993 ACORDAO no: 203-00.390 Recurso no t 90.434 Recorrente g DIVONSIR FRANCISCO DA LUZ Recorrida g DRF EM CUIABA - MT /TR Nicruirscneno coRRErn INCOMPROVADAS AS ALFEAÇOES DAS PEÇAS IMPUONATORIA E: RECURSAL. A simples deciara0/0 da existÊncía de processo na FuhnI, referente á crioço de área indlgena, onde está encravado a propriedade, no tem o condãO de eximir o Recorrente do larlhmmnto fiscal. Recurso negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DIVONSIR FRANCISCO DA LUZ. • ACORDAM o5 Membros da Terceira Câmara de Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, • Sala das Sessaes, em 15 de abril de 1993. ROSAL I VITAL. GONZAGA SALMUS - Presidente 41/110.- • m .upn nis r eaI lb- ta." I hl lk DALWRAKInA Ao cii ar" o r-Re pr eisAn • a • te da Fa- z e ri da Na c: i. on a 3. VISTA 1:31 sEssnt DE 1 g JuN 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os ComE“,,,lheiL'os RICARDO LEITE: RODRIGUEM„ MARIA THUEZA VASCONCEILOS DE: ALLIEIDA, SERGIO AFANASIEFF, TIBERANY RTMRAZ DOS SANTOS e ARMALMO ZURITA. OFR/mias/AC 3'24_ -AUgW ale MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO. . 10,4e SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 10.183-003.476/90-11 Recurso no o 90.434 • Acôrdgo no; 203-00.390 Recorrente:: DIVONSIR FRANCISCO DA LUZ R E: LATORIO Trata-se de exigtáncia fiscal relativa a IIR, consubstanciado na Notificaço do rum1990. Ha Informac"ão Técnica do INCRA (fls. 14) aquele OrgWo esclarece que o processo " mencionado pelo Contribuinte na impugnac'Xo, se refere. As glebas 10„ 11 e 12p COffi área de 9.034,0 ha codificada sob o no 023034.012050-0, cuja solicitaao foi inde,f(~, e que o imóvel de que trata a Notificaflo (fls. 02) é a Fazenda Paraná, situada DO MunicJ.pio de Lebrea-AM, assim como as glebas mencionadas, com área de 30,6 ha e codificada sob o ne 023035.012114-0. julgando • procedente o lançamento. o ju~r Singular ementou sua decisW:i da seguinte ±brmao 1 TTR/1990 - Wio comprovada a inexistencia de Propriedade do imóvel em nome do interessado é de manter-se o lançamento processado nos dados inforuados pelo INCRA". Em seu recurso " o Contribuinte se diz 2X-- proprietârio da "Fazenda Parwiát"„ com 3.000 ha, encravado na area indígena Paunari. conforme processo FUNAI 4.104/87 e solicita a. muspenso do prcm=so otó que aquele Ora confirme a criaflo da área indígena. r: o ,,,.• relatói /dffVV.V ' 2 5W - AikW'RAMMTÉRIODAMMNONMNUENDAEPLAMEJAMENTO W4,ost • • 4en0 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 2 10.163-003.476/90-11 . Acórd go np2 203-00.390 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURO WASILEWSKI A peça recursal não trouxe aos autos nenhum documento que comprove as alegaçães nela contidas, limitando-me, apenas, a pedir a suspensão do processo até que a FUNAI traga "os dados elucidativos da criação da referáda área incllgenan. Por outro lado, na impugnação, o Contribuinte disse que já havia pedido o cancelamento do cadastro, conforme processo administrativo. Todavia, esta af'irmape foi elidida pelo INCRA, que informou que o imóvel de que tratava o citado processo não ê o ff/e95fflo do imóvel referente à . Notificação ITRV90, em questão. Port.:mito,. em face do desencontro cmtre as alegaçffes das peças impugnatória e recursal e a ausOncia de provas documentais em ambas, conheço do recurso e nego-lhe provimento, para manter inlã[djra a decisão nccáprida. :/ fas Sessnes, em 15 de abril de 1993. A /mOMW 7/ • Ilir L. n0 WAWLEMSKI V. 3

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11395788 #
Numero do processo: 12448.721110/2013-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 11 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. O requerimento de diligência ou perícia que trata de questão totalmente inócua para fins de solução do litígio deve ser indeferido por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA AFASTAR LEI POR INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício de 75% e a aplicação da taxa SELIC decorrem de previsão legal expressa, vedado ao CARF afastá-las sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmulas CARF nº 2 e nº 4.
Numero da decisão: 1001-004.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ – Relator Assinado Digitalmente CARMEN FERREIRA SARAIVA – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. O requerimento de diligência ou perícia que trata de questão totalmente inócua para fins de solução do litígio deve ser indeferido por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA AFASTAR LEI POR INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício de 75% e a aplicação da taxa SELIC decorrem de previsão legal expressa, vedado ao CARF afastá-las sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmulas CARF nº 2 e nº 4.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-19T20:25:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-19T20:25:02Z; Last-Modified: 2026-06-19T20:25:02Z; dcterms:modified: 2026-06-19T20:25:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-19T20:25:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-19T20:25:02Z; meta:save-date: 2026-06-19T20:25:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-19T20:25:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-19T20:25:02Z; created: 2026-06-19T20:25:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2026-06-19T20:25:02Z; pdf:charsPerPage: 1483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-19T20:25:02Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 12448.721110/2013-61 ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE INTERPORTOS ARMAZENS GERAIS E LOGISTICA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. O requerimento de diligência ou perícia que trata de questão totalmente inócua para fins de solução do litígio deve ser indeferido por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO E JUROS SELIC. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA AFASTAR LEI POR INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício de 75% e a aplicação da taxa SELIC decorrem de previsão legal expressa, vedado ao CARF afastá-las sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmulas CARF nº 2 e nº 4. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. Fl. 317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 2 Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ – Relator Assinado Digitalmente CARMEN FERREIRA SARAIVA – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por INTERPORTOS ARMAZENS GERAIS E LOGISTICA LTDA, contra decisão nº 01-37.348 da 5ª Turma da DRJ em Belém (PA) que julgou improcedente a impugnação apresentada em face dos Autos de Infração, através dos quais foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). De acordo com Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 28/30), a ação fiscal foi iniciada com a intimação do contribuinte para apresentar sua escrituração contábil e esclarecer divergências entre os valores informados em DIPJ e DCTF. Após duas outras intimações com o mesmo teor, em 21.11.2012 e 20.12.2012, o contribuinte apresentou, em 07.01.2013, o Livro Razão e cópia das contas IRPJ a recolher (conta 21348) e Contribuição Social (conta 253052), mas não contestou nem esclareceu as divergências apontadas. Considerando que a contribuinte escriturou como devido os valores de IRPJ e CSLL declarados na DIPJ mas não efetuou o recolhimento e não declarou em DCTF, os valores foram lançados de ofício em virtude da infração Falta de Recolhimento da CSLL e do IRPJ. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou Impugnação, na qual alegou, em síntese que: a. Erro ou equívoco formal praticado não é ato originário de fato gerador do tributo; b. Os valores foram imputados pelo autuante em razão de divergências de informações prestadas pelo próprio contribuinte entre a DIPJ e a DCTF e falta de Fl. 318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 3 pagamento do imposto correspondente; Estas informações foram remetidas de forma errada à Receita Federal; A fiscalização não oportunizou que fossem esclarecidas; c. As informações constantes da DIPJ resultaram de escolha de regime tributário equivocado informado pela empresa (lucro presumido), quando, na verdade, a empresa sempre foi adotante de regime tributário Lucro Real, desde sua constituição; d. Trata-se de equívoco formal pois este não se concretizou plenamente, já que, em momento posterior, observado o equívoco formal cometido, deixou ela de recolher os impostos supostamente devidos e não informados em DCTF, para, então, consertar sua contabilidade para o regime do lucro real, o que não foi, ainda, possível; e. Tendo em vista que o contribuinte não efetuou o pagamento de qualquer parcela do imposto devido no período fiscalizado, não foi confirmada a opção pela tributação com base no Lucro Presumido; Diante da ausência de opção, a fiscalização somente poderá apurar o tributo com base na sistemática do Lucro Real, que é o regime que espelha a lucratividade verdadeira da atividade do contribuinte — nem maior, nem menor. Caso a escrituração do contribuinte não permita apuração com base no Lucro Real, caberá ao fisco o arbitramento do lucro; f. A taxa SELIC não pode ser utilizada para calcular "juros de mora" para fins tributários; e g. A multa imputada é de valor equivalente a 75% do principal, o que revela seu efeito confiscatório, especialmente quando agregada à Taxa Selic; A 5ª Turma da DRJ/BEL, ao apreciar a Impugnação por meio do Acórdão de nº 01- 37.348, julgou-a improcedente, adotando as seguintes teses: a. Ainda que se admitisse que a opção pelo Lucro Presumido era desvantajosa à impugnante, inadmissível a conduta desta em simplesmente não proceder as devidas correções para que pudesse efetuar o recolhimento dos tributos, conforme os ditames da lei. No curso da ação fiscal, a contribuinte foi intimada por três vezes para esclarecer os motivos das divergências entre a DIPJ e a DCTF mas respondeu às intimações apenas entregando o Livro Razão e cópias das contas IRPJ a recolher e CSLL a recolher, sem prestar qualquer esclarecimento; b. Importante, ainda, ressaltar que as informações que fundamentaram a autuação foram fornecidas pela própria impugnante, mediante a DIPJ 2011, afastando-se, portanto, a alegação de que o erro por ela cometido teria sido utilizado como fato gerador de tributo ou de que os fatos geradores não teriam sido identificados pela fiscalização; Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 4 c. Nestes termos, improcedentes se mostram as argüições do contribuinte contra a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, devendo a mesma, portanto, ser mantida, a incidir sobre o crédito tributário remanescente; d. Portanto, não há como acatar as alegações da impugnante quanto à violação de princípios constitucionais na aplicação das normas tributárias vigentes; e e. Diante de tais constatações, improcedente o pedido de conversão do procedimento fiscal em diligência, com fundamento no art. 18 do Decreto 70235/72, tendo em vista que estão presentes no processo todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, bem como que a impugnante não observou o disposto no art. 16, inciso IV, do mesmo decreto. Cientificada em 14/01/2020, a contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário ao CARF em 13/02/2020, apresentando os seguintes argumentos: a. os valores declarados na DIPJ foram fruto de erro de fato na escolha do regime de tributação da empresa, não sendo também declarados em DCTF, justamente para que não se constituíssem em confissão de dívida que inexistia; b. não há como admitir que qualquer declaração, embora enviada pelo contribuinte, e que esteja errada, possa criar tributo. Nas lições do ilustre Professor Geraldo Ataliba é indispensável que todos os elementos constitutivos estejam presentes para formação da obrigação tributária, na forma do artigo 97 do CTN. No caso concreto, o lançamento pretendido está rarefeito e está em desacordo com o que dispõe a norma; c. o erro de fato que legitima a revisão de lançamento é aquele que não depende de interpretação normativa. Trata-se de fato que não foi considerado por desconhecimento de sua existência. No presente caso, o equívoco cometido quando da indicação do regime de tributação da Recorrente (Lucro presumido ao invés do Lucro Real) fez com que fossem lançados tributos que não condiziam com a realidade, sendo estes fatos desconhecidos pela autoridade fiscal. Portanto, a possibilidade de revisão do lançamento mostra-se absolutamente válida; d. ressalta-se que a utilização de mera presunção para identificar um todo tributável vai ao encontro do fato de ser a base de cálculo do tributo um indispensável e importante elemento para delineação do arquétipo legal. Portanto, diante de tais argumentos e como já bem requerido na impugnação administrativa, torna-se imprescindível a baixa do presente processo em diligência a fim de que sejam apresentado os elementos contábeis mínimos que demonstrem a ausência de tributo a ser recolhido, afastando a autuação lavrada; e. da impossibilidade do cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic; e f. do efeito confiscatório da multa de ofício. Fl. 320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 5 É o Relatório. VOTO Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. 1. Da Admissibilidade O presente recurso voluntário foi interposto dentro do prazo legal de trinta dias, conforme estabelecido pela legislação aplicável. Ademais, estão presentes todos os demais pressupostos de admissibilidade, como legitimidade, interesse e adequação. Por essas razões, o recurso merece ser conhecido e devidamente apreciado por esta instância. 2. Do Mérito A autuação foi consequência de procedimento de revisão de declaração, tendo em vista que a contribuinte apresentou DIPJ para o ano-calendário 2010, devidamente preenchida, na qual apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 536.282,49 e CSLL a pagar de R$ 209.858,01, mas não declarou tais valores em DCTF e não efetuou os recolhimentos: O sujeito passivo foi intimado e reintimado a esclarecer c comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem das diferenças constatadas entre os valores informados pelo contribuinte na Declaração de Informações Econômicas- Fiscais Pessoa Jurídica (DIPJ) e os declarados na Declaração de Débitos c Créditos Tributos Federais (DCTF) dos tributos Imposto de Renda Pessoa Jurídica apuração trimestral c Contribuição Social sobre Lucro Liquido - apuração trimestral. Em atendimento as intimações o sujeito passivo apresentou apenas sua escrituração contábil - Livro Razão não tendo contestado nem esclarecido as divergências apontadas pela presente fiscalização no que se refere aos valores informados na DIPJ e aos declarados em DCTF. A Recorrente alega que a apuração de tais valores é consequência de equívoco na escolha do regime de tributação pois sempre apurou o IRPJ pelo regime do Lucro Real e, por equívoco, apresentou a DIPJ 2011 pelo regime do Lucro Presumido. Invoca o art. 26 da Lei nº 9.430/96 e o art. 516 do RIR/99, os quais preceituam que a opção pela tributação com base no lucro presumido será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido e será válida para todo o ano calendário. Fl. 321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 6 Afirma, ainda, que ao se dar conta do equívoco cometido optou por não realizar o pagamento dos valores apurados e que não retificou as declarações devido à troca de contadores e processo de revisão da contabilidade de 2010. Os argumentos da Recorrente não merecem prosperar. O vencimento do IRPJ e da CSLL relativos ao 1º trimestre/2010 ocorreu em 30/04/2010. A considerar procedentes os argumentos da autuada, esta seria a data em que o equívoco quanto à escolha do regime do Lucro Presumido se tornaria evidente. Desta forma, caberia à Recorrente, neste momento, proceder à alteração do regime de apuração do IRPJ. Mas a contribuinte não procedeu à tal correção naquele trimestre e nem nos outros três trimestres do ano-calendário 2010. Em conduta totalmente contrária a seus argumentos, em 30/06/2011, 14 meses depois do vencimento dos tributos relativos ao 1º trimestre/2010, a contribuinte apresentou a DIPJ 2011, ano-calendário 2010, devidamente preenchida e pelo mesmo regime do Lucro Presumido, que, em tese, ela mesma já teria concluído não lhe ser o mais vantajoso. Além disso, em 22/08/2011, retificou a DIPJ 2011, mantendo o regime de apuração do Lucro Presumido. A ação fiscal, por sua vez, foi iniciada em 22/10/2012, mais de um ano após a apresentação da última retificadora, sem qualquer alteração neste quadro. Importante, ainda, ressaltar que as informações que fundamentaram a autuação foram fornecidas pela própria contribuinte, mediante a DIPJ 2011, afastando-se, portanto, a alegação de que o erro por ela cometido teria sido utilizado como fato gerador de tributo ou de que os fatos geradores não teriam sido identificados pela fiscalização. Neste sentido, imperioso reproduzir abaixo a ementa da Solução de Consulta Interna nº 5 - COSIT, de 11 de fevereiro de 2008: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ A entrega espontânea da DCTF ou de Declaração de Compensação, bem como os parcelamentos requeridos caracterizam opção pelo lucro presumido uma vez que constituem confissão de dívida, e são encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, quando não pagos administrativamente. A entrega da DIPJ, devidamente preenchida, sem pagamentos e sem entrega de DCTF, caracteriza opção pelo lucro presumido, uma vez que ela representa mais do que a mera opção pelo lucro presumido, pois traz todos os elementos referentes à apuração do lucro presumido e do imposto. (grifo nosso) De fato, o interesse da Contribuinte em desconstituir lançamento por falta de recolhimento de tributos informados em DIPJ pela invocação de uma sistemática de tributação mais onerosa, em um contexto no qual não houve respostas às intimações fiscais e não há Fl. 322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 7 qualquer ato administrativo incompatível com a apuração informada em DIPJ, aponta para a tentativa de se beneficiar da própria torpeza. Isto porque, se não estivesse confirmada a opção na sistemática do lucro presumido, necessário seria, antes, exigir escrituração contábil e fiscal completa, para apuração do lucro real trimestral, o que sujeitaria a Contribuinte à apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins, em uma onerosidade, ao menos do ponto de vista formal, superior à já vislumbrada no arbitramento dos lucros. Neste sentido, oportuno citar, ainda, o voto do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, condutor do Acórdão nº 1301-004.398: A questão controvertida é bastante simples: o contribuinte transmitiu DIPJ informando a opção pelo Lucro Presumido, sem, contudo, realizar o pagamento de qualquer tributo. Em DCTF, contudo, o contribuinte não informou a existência de qualquer débito. Intimado a se manifestar sobre a divergência, informou que apurou prejuízo ao longo daquele ano-calendário, e como não havia feito qualquer pagamento, não teria realizado a opção pela tributação com base no Lucro Presumido, e que já houvera feito o pedido de retificação da DIPJ para apurar o imposto de renda na forma do Lucro Real. Pois bem, de fato, no caso concreto, o contribuinte não realizou o pagamento de IRPJ em qualquer das formas de tributação. Em princípio, aplicar-se-ia o disposto no § 4º do art. 516 do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano-calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no ano-calendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). (...) Se, por um lado, não houve o pagamento da primeira quota do IRPJ, por outro há de se considerar o disposto no § 2º do art. 13 da Lei n° 8.541/1992, verbis: 13. Poderão optar pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas cuja receita bruta total, acrescida das demais receitas e ganhos de capital, tenha sido igual ou inferior a 9.600.000 Ufir no ano calendário anterior. [...] § 2° Sem prejuízo do recolhimento do imposto sobre a renda mensal de que trata esta seção, a opção pela tributação com base no lucro presumido será exercida e considerada definitiva pela entrega da declaração prevista no art. 18, inciso IV, desta lei. Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 8 Conforme esse dispositivo legal, com a entrega da declaração (no caso, a DIPJ). a opção pelo Lucro Presumido é considerada definitiva. No mesmo sentido, o § 4º do art. 26 da Lei 9.430/96 também conduz à conclusão de que a opção pelo Lucro Presumido é feita com a entrega da declaração. Veja- se: (...) No que atine à informação da Receita Federal, por meio de seus “Perguntas e Respostas”, afirmar que a opção pelo Lucro Presumido se dá com o pagamento da primeira ou única cota, trata-se de mera reprodução do dispositivo legal, e não leva em consideração a excepcionalidade de o contribuinte já ter transmitido declaração com a opção pelo Lucro Presumido, tal qual estampado no § 2º do art. 13 da Lei n° 8.541/1992, conforme já abordado alhures. Desse modo, e não havendo qualquer outra contestação do contribuinte quanto ao lançamento, esse deve ser mantido em sua totalidade. Conclui-se, portanto, que a Recorrente utiliza-se, primeiramente, de um suposto equívoco na escolha do regime de tributação para justificar o não recolhimento dos tributos devidos e, em seguida, utiliza-se de sua própria opção pelo não recolhimento como argumento para invalidar o lançamento de ofício motivado justamente por este não recolhimento, em um perfeito exemplo de tentativa de beneficiar-se da própria conduta irregular. Neste diapasão, deve ser mantida a infração apurada. 3. Da Diligência A Recorrente requer a realização de diligência para que seja apresentado os elementos contábeis que demonstrem a ausência de tributo a ser recolhido. Ocorre que a realização de diligência ou perícia é, antes de qualquer outra coisa, providência a ser demandada pela autoridade julgadora, devendo ser adotada nos casos em que tal se mostre necessário à solução do litígio. O artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72, que prevê a possibilidade da autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de diligência, assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/93) No caso vertente, verifica-se que a Recorrente teve tempo hábil para proceder às correções e retificações de sua escrituração contábil e declarações antes do início do Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 9 procedimento fiscal, bem como teve oportunidade, no curso deste, de esclarecer os fatos que motivaram o procedimento e apresentar a escrituração contábil e os documentos comprobatórios correlatos, mas não o fez. Ainda assim, embora o momento adequado para tal fosse o durante o procedimento fiscal, a contribuinte poderia, ainda, ter apresentado a escrituração e documentos em conjunto com a impugnação, mas também não o fez. Ademais, da mesma forma, poderia ter juntado documentos capazes de elidir o lançamento fiscal junto ao recurso Voluntário, o que também não foi feito. Desta forma, tendo em vista que a diligência solicitada é totalmente prescindível, já que não aborda questão capaz de interferir na dirimição do presente litígio e nem pode ser usada para produção de provas a favor da contribuinte, sendo este seu ônus, deve ser indeferido o pedido de diligência por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Neste diapasão, indefiro o pedido de diligência. 4. Multa de ofício - Confisco Apesar das alegações sobre o caráter confiscatório da multa, faz-se salutar destacar a impossibilidade de apreciação, no âmbito do CARF, da inconstitucionalidade da multa aplicada, nos termos da Súmula CARF n.º 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, vigente o disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; que dispõe expressamente que, em se tratando de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; mostra-se imperiosa a sua aplicação. Desse modo, nego provimento ao recurso, nessa parte. 5. Da Taxa SELIC Alega a Recorrente que a aplicação da SELIC é inaplicável em matéria tributável, não se pode exigir cobrança de juros e correção com base numa taxa não clarificada e definida, sendo inconstitucional sua aplicação. Fl. 325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.316 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.721110/2013-61 10 A aplicação da SELIC consolidou-se, no âmbito desse Conselho de Administração de Recursos Fiscais, por meio da Súmula CARF nº 4, conforme segue: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Dessa forma, improcedente o pleito. 6. Conclusão Diante do exposto, voto em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Fl. 326DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13502.900232/2013-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3202-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima - Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-18T14:16:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-18T14:16:36Z; Last-Modified: 2026-06-18T14:16:36Z; dcterms:modified: 2026-06-18T14:16:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-18T14:16:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-18T14:16:36Z; meta:save-date: 2026-06-18T14:16:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-18T14:16:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-18T14:16:36Z; created: 2026-06-18T14:16:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2026-06-18T14:16:36Z; pdf:charsPerPage: 1228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-18T14:16:36Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13502.900232/2013-83 RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 2 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MONSANTO NORDESTE INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS QUIMICOS LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário contra indeferimento de Pedido de Ressarcimento nº 00217.08286.140211.1.5.11-7068, no valor de R$5.068.368,71 (fls.2 a 17) relativo a Crédito de COFINS não-cumulativo – mercado interno – 2º Trimestre de 2008. Fl. 501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 2 Do Termo de Informação Fiscal se extrai que foram localizadas 3 (quatro) Declarações de Compensações Ativas vinculadas ao crédito ora pleiteado, conforme planilha abaixo: 15 – As vendas de produtos sujeitos à alíquota zero da contribuição para o PIS, as quais embasam o pedido de ressarcimento, foram constatadas em análise efetuada nos arquivos digitais de Notas Fiscais. 16 – A empresa não apresentou as planilhas da memória do cálculo dos créditos, solicitada pelo TIF n° 2, impossibilitando a análise dos créditos lançados nas linhas 3 – Serviços Utilizados como Insumos -, 7 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Vendas –, 13 – Outras Operações com Direito a Crédito – e 16 - Créditos Calculados a Alíquotas Diferenciadas - Ficha 6 A do DACON -, por falta dos detalhamentos solicitados no TIF para a verificação de tais créditos, como tipo do serviço prestado, identificação das despesas de armazenagem e de frete e também a identificação das demais operações com direito a crédito, motivos pelos quais tais créditos foram glosados em sua integralidade. 17 – Foram constatadas divergências entre os valores das bases de cálculo dos créditos decorrentes de importação constantes no DACON, nos arquivos digitais de notas fiscais enviados pela empresa à Receita Federal e obtidas no Sistema DW Aduaneiro, conforme demonstrativo abaixo, ensejando a glosa dos créditos cujas bases não foram comprovadas. Fl. 502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 3 Apresentamos a totalização dos créditos glosados: CRÉDITOS RECONHECIDOS 21 - Depois de efetuadas as glosas, o saldo credor ao final do trimestre, relativo à contribuição para o PIS - Não Cumulativa – Mercado Interno, foi de R$ 944.520,36 (novecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e vinte reais e trinta e seis centavos), conforme demonstrativo abaixo: 21 - Depois de efetuadas as glosas, o saldo credor ao final do trimestre, relativo à COFINS não cumulativa – Mercado Interno, foi de R$ 3.877.597,54 (três milhões, oitocentos e oitenta e sete mil, quinhentos e noventa e sete reais e cinquenta e quatro centavos), conforme demonstrativo abaixo: Fl. 503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 4 Cientificada, a Recorrente apresentou defesa administrativa, a qual foi julgada improcedente pela 9ª Turma da Delegacia Regional de São Paulo/SP, formalizada através do acórdão nº 16.80.964, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão devidamente motivada, lavrada por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual o contribuinte foi regularmente cientificado, sendo-lhe possibilitada a apresentação de defesa contra a decisão proferida. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Constatada pela RFB a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo é comunicado da não homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, pois a Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. Fl. 504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 5 Sob o regime de incidência não-cumulativo e para os fins da dedução de créditos, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica que sejam intrínsecos à atividade e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM INSUMOS. CRÉDITO. Somente geram direito a crédito aqueles insumos que são utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda desde que sofram alterações (desgaste, dano, perda de propriedades física ou químicas) em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Despesas com fretes devem observar as hipóteses do inciso I, II do art.3º da Lei nº 10.637/02 (PIS) ou inciso IX do art.3º c/c inciso II, art.15 da Lei REGIME NÃO-CUMULATIVO. FRETE INTERNO. Fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica não geram direito a apuração de crédito. PROVA. MEIOS. MOMENTO DE PRODUÇÃO. IRRESIGNAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal são admissíveis os meios documentais e/ou pericial. Para evitar a preclusão o contribuinte deve apresentar com a irresignação a documentação que sustente as suas alegações ou demonstrar alguma das situações do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA. A diligência se restringe à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 6 Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário pugnando pela homologação integral do crédito. É o que havia a ser relatado. VOTO Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como relatado anteriormente, parte da questão de mérito discutida nos presentes autos perpassa pelo conceito de insumos para fins de crédito da Contribuição par o PIS não- cumulativo – mercado interno – 2º Trimestre de 2008, no valor de R$1.203.067,00 (um milhão duzentos e três mil e sessenta e sete reais, permanecendo a controvérsia a respeito das seguintes glosas: (i) Serviços Utilizados Como Insumos; (ii) Despesas de Armazenagem e Fretes; (iii) Outros Operações com Direito a Crédito; (iv) Créditos Importação - Base não comprovada; e (v) Outros Créditos. Entretanto, tanto a fiscalização, quanto a autoridade julgadora a quo aplicaram o conceito restritivo de insumo, com amparo nas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04, conforme pode ser visto do texto do Acórdão a seguir: (e-fls. 453) Os critérios adotados pela Receita Federal nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 e 404/04, levam em conta os parâmetros concretos da legislação do IPI, que oferece a definição exata de insumo, e são coerentes com os demais incisos do art. 3º. A leitura sistemática do dispositivo legal permite inferir que o legislador pretendeu considerar, para efeito de creditamento, apenas os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, somente os elementos específicos e vinculados à atividade fim do contribuinte, e não a todos os aspectos de sua atividade. Se a intenção fosse permitir o creditamento de qualquer despesa, encargo, aquisição ou custo de produção, não haveria a preocupação em detalhar as situações que possibilitam os descontos ou Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 7 aproveitamentos dos créditos nos vários incisos do art. 3º, pois bastaria prever genericamente o abatimento dos custos, encargos, aquisições ou despesas operacionais. As Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal explicitaram a definição de insumo já prevista pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, para efeitos de “descontos de créditos” de PIS e Cofins nas aquisições de bens e serviços empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não podemos perder de vista que as citadas Instruções Normativas integram a legislação tributária, conforme define o art. 96 do CTN, sendo editadas pela Receita Federal, autoridade competente nos termos do art. 100 do CTN, para expedição de atos normativos complementares às Leis em matéria tributária, apenas confirmaram e esclareceram o que já constava dos diplomas legais, sem extrapolar o que está ali disposto. Ou seja, o conceito de “insumo” para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e Cofins deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem prejuízo das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços. A esse respeito, insiste o contribuinte que limitar o direito de crédito não encontraria respaldo legal. No entanto, da simples leitura dos dispositivos legais já transcritos, conclui- se que o conceito de insumos definido nas instruções normativas esclarece e especifica o disposto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Tais Instruções nada mais fizeram do que normatizar, regular o que já é amplamente aceito como conceito de insumo, ou seja, os elementos que interferem diretamente na fabricação do produto ou na prestação do serviço. Assim, a definição dada à palavra “insumos” pela Instrução Normativa SRF nº 247/02 e nº 404/04, não restringiu indevidamente o contido nas leis que instituíram a não cumulatividade, pois as IN simplesmente relacionaram e melhor esclareceram o disposto nas leis, atendendo à finalidade subjacente ao conceito de não-cumulatividade, sem, contudo, alargar o conceito nelas determinado. Ilegais seriam as IN, por contrárias às Leis 10.833/03 e 10.637/02, caso, sob o pretexto de definir/especificar o termo “insumos”, tivessem se apartado Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 8 dos objetivos declaradamente pretendidos pelas referidas Leis, desvirtuando o sistema da não-cumulatividade delineado pelo legislador ordinário e desnaturando, até mesmo, o próprio perfil constitucional conferido às contribuições sociais em tela. Mais uma vez, vale recorrer às lições de hermenêutica para se concluir que, diante de conceitos ambíguos, que admitem diversas interpretações, deve-se privilegiar aquela que atende aos objetivos pretendidos pelo legislador, e não simplesmente aquela que, na mente do intérprete, afigura-se-lhe como a mais favorável, sob algum aspecto. Daí porque se conclui que as Instruções Normativas SRF nº 247/02 e nº 404/04, por se tratarem de atos normativos elaborados especificamente para o regime não cumulativo do PIS e Cofins, com a especial definição do que é insumo para tais fins, atenderam exatamente ao fim a que se prestam, não ultrapassando os limites de sua função normativa e regulamentar. Não houve a transferência pura e simples do conceito de insumos utilizados na legislação do IPI: a Receita Federal do Brasil, fazendo uso de sua competência regulamentar, analisou e definiu de maneira técnica, à luz das Leis 10.637/02 e 10.833/03 e suas finalidades, o que deve ser considerado “insumo”. Percebe-se, portanto, que não há qualquer ilegalidade no art. 66 da IN nº 247/02 e no art. 8º da IN nº 404/04, que tão-somente explicitaram o que já estava incutido nas Leis que regulam as contribuições ao PIS e a Cofins. O que ocorre é que há zonas de imprecisão nas leis e certo espaço não preenchido pelo próprio legislador, que abrem ao Poder Executivo o poder- dever de complementar a regra. É natural que do ato da Administração constem certas normas específicas que não se deduzem, simplesmente, da Lei. Ora, não fosse assim o regulamento seria manifestamente inútil, não regulamentando nada, cingindo-se a repetir norma anterior. Ocorre que, como se sabe, tal entendimento já foi superado definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.221.170/PR. Para interpretar o conceito de insumo, entendo por bem registrar que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS deve tomar como base a decisão proferida no RESP 1.221.170. É sabido que em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 9 “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 10 Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete que o “teste de subtração” deve ser utilizado para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: Fl. 510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 11 “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal e pela DRJ não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo ser necessária uma reapreciação dos créditos objeto do presente julgamento, em consonância com a nova interpretação determinada pelo STJ. Diante de todo o exposto, em razão da superveniência do julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, proponho a conversão do presente em diligência, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, para que a Unidade de Origem: (i) intime a Recorrente para demonstrar de forma detalhada e individualizada, caso queira, por meio de Laudo Técnico, apresentar o enquadramento das despesas que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização, devendo ser considerado o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; (ii) analise todos os documentos e informações apresentadas nos presentes autos após a decisão recorrida, Fl. 511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.572 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.900232/2013-83 12 (iii) elabore relatório fiscal conclusivo, manifestando-se acerca dos documentos e das informações apresentadas nos presentes autos, avaliando a eventual revisão das glosas realizadas, trazendo os esclarecimentos e as considerações pertinentes, especialmente, quanto ao enquadramento de cada bem e serviço no conceito de insumo delimitado em julgamento ao REsp nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; (iv) recalcule as apurações e resultado da diligência; (v) intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima Fl. 512DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 13896.721177/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o valor do crédito tributário exonerado pela DRJ é inferior ao previsto na Portaria MF nº 2/2023, o Recurso de Ofício não deve ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE. EXIGÊNCIA BASEADA EM NOTÍCIA JORNALÍSTICA. IMPROCEDÊNCIA. Alegação de nulidade por ausência de base idônea para o lançamento de ofício, o qual estaria fundamentado em notícia jornalística. Improcedência. Exigência decorrente da falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos para comprovar efetiva prestação de serviços durante o procedimento fiscalizatório. EXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR RELATIVO AO MESMO PERÍODO. IMUTABILIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A revisão de lançamento prevista no art. 149 do CTN não se confunde com o reexame do período objeto de fiscalização anterior. No primeiro caso, há modificação posterior de um mesmo lançamento, o que só pode ser feito nos termos do dispositivo legal citado. No reexame do período há lançamento distinto, baseado em premissas fáticas diversas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 GLOSA DE DESPESAS DE IRPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MATERIAL DO SERVIÇO. A comprovação da despesa deve ser feita por meio de documentos hábeis (art. 9º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.598/77), os quais devem demonstrar a efetiva prestação dos serviços que ensejaram os pagamentos. Ausente tal demonstração pelo contribuinte, deve ser mantida a glosa das despesas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ATOS ADICIONAIS À INFRAÇÃO. A omissão de receitas dá ensejo à qualificação da multa de ofício quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a situação do Fisco. Ausente tal demonstração, com a imputação de atos já abrangidos pela própria infração fiscal, deve ser cancelada a penalidade majorada. MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com nova redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, da prevê duas condutas jurídicas distintas e, para cada uma delas, o legislador ordinário previu sanções igualmente distintas. Incorrendo o sujeito passivo nas duas condutas previstas em lei, deve ser aplicada a respectiva sanção prevista.
Numero da decisão: 1301-008.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso de Ofício. Quanto aos Recursos Voluntários, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Quanto aos seus méritos, acordam os membros do colegiado em lhes dar parcial provimento para (i) por unanimidade de votos, (i.1) manter os lançamentos, (i.2) cancelar a qualificação da multa de ofício e (i.3) excluir a responsabilidade tributária das pessoas físicas com relação às exigências de IRPJ, CSLL e IRRF relativas às glosas das despesas com a Guerra Advogados Associados e Jacoby Fernandes Advogados Associados, bem como com em relação às multas decorrentes por ausência de recolhimento de estimativas mensais; e (ii) por voto de qualidade, manter as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais, em razão da possibilidade de sua cumulação com a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Eduardo Monteiro Cardoso (Relator), José Eduardo Dornelas Souza e Eduarda Lacerda Kanieski, que foram pela impossibilidade de cumulação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Iágaro Jung Martins. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso - Relator Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros - Presidente Assinado Digitalmente Iágaro Jung Martins - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luis Angelo Carneiro Baptista, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MONTEIRO CARDOSO

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FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Tendo em vista que o valor do crédito tributário exonerado pela DRJ é inferior ao previsto na Portaria MF nº 2/2023, o Recurso de Ofício não deve ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE. EXIGÊNCIA BASEADA EM NOTÍCIA JORNALÍSTICA. IMPROCEDÊNCIA. Alegação de nulidade por ausência de base idônea para o lançamento de ofício, o qual estaria fundamentado em notícia jornalística. Improcedência. Exigência decorrente da falta de apresentação de documentos hábeis e idôneos para comprovar efetiva prestação de serviços durante o procedimento fiscalizatório. EXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ANTERIOR RELATIVO AO MESMO PERÍODO. IMUTABILIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A revisão de lançamento prevista no art. 149 do CTN não se confunde com o reexame do período objeto de fiscalização anterior. No primeiro caso, há modificação posterior de um mesmo lançamento, o que só pode ser feito nos termos do dispositivo legal citado. No reexame do período há lançamento distinto, baseado em premissas fáticas diversas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 GLOSA DE DESPESAS DE IRPJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MATERIAL DO SERVIÇO. A comprovação da despesa deve ser feita por meio de documentos hábeis (art. 9º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.598/77), os quais devem demonstrar a Fl. 19846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 2 efetiva prestação dos serviços que ensejaram os pagamentos. Ausente tal demonstração pelo contribuinte, deve ser mantida a glosa das despesas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ATOS ADICIONAIS À INFRAÇÃO. A omissão de receitas dá ensejo à qualificação da multa de ofício quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a situação do Fisco. Ausente tal demonstração, com a imputação de atos já abrangidos pela própria infração fiscal, deve ser cancelada a penalidade majorada. MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com nova redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, da prevê duas condutas jurídicas distintas e, para cada uma delas, o legislador ordinário previu sanções igualmente distintas. Incorrendo o sujeito passivo nas duas condutas previstas em lei, deve ser aplicada a respectiva sanção prevista. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso de Ofício. Quanto aos Recursos Voluntários, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Quanto aos seus méritos, acordam os membros do colegiado em lhes dar parcial provimento para (i) por unanimidade de votos, (i.1) manter os lançamentos, (i.2) cancelar a qualificação da multa de ofício e (i.3) excluir a responsabilidade tributária das pessoas físicas com relação às exigências de IRPJ, CSLL e IRRF relativas às glosas das despesas com a Guerra Advogados Associados e Jacoby Fernandes Advogados Associados, bem como com em relação às multas decorrentes por ausência de recolhimento de estimativas mensais; e (ii) por voto de qualidade, manter as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais, em razão da possibilidade de sua cumulação com a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Eduardo Monteiro Cardoso (Relator), José Eduardo Dornelas Souza e Eduarda Lacerda Kanieski, que foram pela impossibilidade de cumulação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Iágaro Jung Martins. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso – Relator Fl. 19847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 3 Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Assinado Digitalmente Iágaro Jung Martins – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luis Angelo Carneiro Baptista, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO 1. Trata-se de Recursos Voluntários interpostos por ENGEVIX ENGENHARIA E PROJETOS S/A (fls. 19.552/19.596), GERSON DE MELO ALMADA (fls. 19.521/19.549), JOSÉ ANTUNES SOBRINHO (fls. 19.599/19.607) e CRISTIANO KOK (fls. 19.610/19.632) em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB) que julgou parcialmente procedentes as Impugnações apresentadas, mantendo parte do crédito tributário cobrado. 2. Referido crédito tributário decorre de Autos de Infração (fls. 19.179/19.225) lavrados para exigir IRPJ, CSLL, e IRRF do ano-calendário de 2013 da contribuinte ENGEVIX, em função de despesas cuja efetiva prestação e licitude não teriam sido comprovadas. Os tributos foram acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada. Também houve a exigência de multas isoladas em razão da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, relativas aos anos-calendário de 2011 e 2013. 3. A Fiscalização também imputou responsabilidade tributária às pessoas físicas JOSE ANTUNES SOBRINHO, CRISTIANO KOK e GERSON DE MELLO ALMADA, com fundamento no art. 135 do CTN. 4. Por bem sintetizar as razões da autuação, adoto parte do relatório presente no acórdão recorrido: I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Extraem-se do Termo de Verificação Fiscal de Fls. 19.077 a 19.178, parte integrante dos presentes autos de infração, em síntese, as seguintes informações. A ação fiscal iniciou-se em 09/01/2015 e foi motivada pelo fato de a ENGEVIX estar envolvida na operação denominada “Lava Jato”, deflagrada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal para investigação de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, em que empreiteiras, organizadas em cartel, pagavam propina para que altos executivos da Petrobrás e outros agentes públicos permitissem fraudes à licitação em contratos com a estatal. Fl. 19848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 4 Importa observar que já foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF, controlados no processo administrativo fiscal de autos n° 13896-723.568/2015- 00, cujo o julgamento por esta primeira instância administrativa ocorreu em 3 de junho de 2016. A seguir, transcreve-se o acórdão e a respectiva ementa. [...] Neste processo, como continuidade da referida ação fiscal, a autoridade autuante utilizou a ECD – Escrituração Contábil Digital – do ano-calendário de 2013, apresentada pela CONTRIBUINTE no sistema SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e as informações por esta prestadas em sua DIPJ – DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA – do exercício de 2014, relativas ao ano-calendário de 2013. Observe-se que o lucro real e a base de cálculo da CSLL, apurados na referida DIPJ da contribuinte, foram alterados, de ofício, por meio dos autos de infração controlados pelo processo administrativo fiscal n° 13896-723.568/2015-00 (Fls. 17.397 a 17.566). Conforme dados extraídos da DIPJ do anos-calendário de 2013 e das fichas cadastrais obtidas junto à JUCESP, o controle e a administração da ENGEVIX era exercida de forma plena, no período sob fiscalização, pelos sócios administradores CRISTIANO KOK, CPF xxx.xxx.xxx-xx, GERSON DE MELLO ALMADA, CPF xxx.xxx.xxx- xx, e JOSE ANTUNES SOBRINHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx (Fls. 11.548 a 11.609). Observa-se também que, no período sob fiscalização, as pessoas físicas CRISTIANO KOK, CPF xxx.xxx.xxx-xx, GERSON DE MELLO ALMADA, CPF xxx.xxx.xxx-xx, e JOSE ANTUNES SOBRINHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx, exerciam o controle societário e a administração da ENGEVIX de forma indireta, por meio das suas participações na empresa JACKSON EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ: 02.357.415/0001-42 (Fls. 11.610 a 11.617). Durante a fiscalização, a autoridade lavrou, entre outros, diversos Termos de Intimação Fiscal, dos quais resultaram diversas respostas por escrito fornecidas pela contribuinte. Promoveu também o Fisco diligências nas pessoas jurídicas apontadas como prestadoras de serviços à contribuinte. I.1 Das operações da ENGEVIX S/A com a Empresa Guerra Advogados Associados e Jacoby Fernandes Advogados Associados. Nesse tópico, registre-se a seguinte solicitação do Fisco à ENGEVIX S/A durante o procedimento fiscal (Fls. 1.333): (...) 1. As tabelas da sequência mostram lançamentos contábeis extraídos da ECD 2013, relativos a despesas e pagamentos contendo históricos vinculados às empresas BECHARA COMUNICACOES E ARTES LTDA, GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e JACOBY FERNANDES ADVOGADOS Fl. 19849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 5 ASSOCIADOS, sobre os quais solicitam-se os documentos e esclarecimentos relacionados na sequência. 1.a. Cópias digitalizadas dos documentos fiscais, tais como notas fiscais, notas de débito, recibos e outros documentos que tenham embasado as despesas e pagamentos relacionados, ou justificativa expressa para a falta. 1.b. Cópias digitalizadas dos contratos de prestação de serviços ou justificativa expressa para a falta. 1.c. Cópias digitalizadas dos documentos bancários que comprovam os pagamentos ou justificativa expressa para a falta. 1.d. Carta esclarecendo detalhadamente quais foram os serviços prestados ou quais bens foram adquiridos. Cabe observar que os esclarecimentos devem ser minuciosamente detalhados, não ficando limitados à simples e genérica descrição eventualmente contida no corpo das notas fiscais ou dos contratos. Assim, a título de exemplo, caso se trate de serviços de advocacia, devem ser informados os serviços prestados, os processos administrativos ou judiciais envolvidos, os profissionais utilizados, o número de horas gastas, as petições e demais documentos elaborados no curso dos trabalhos, os resultados obtidos nas ações, como foi feita a medição dos valores devidos, como foi calculado o valor devido, bem como os demais elementos que evidenciem a efetiva realização dos serviços. 1.e. Demonstrativo identificando e qualificando os profissionais utilizados na prestação de serviços. 1.f. Cópia digitalizada dos processos administrativos ou judiciais envolvidos, bem como das petições, ações, iniciais, despachos, relatórios, pareceres, demonstrativos, análises, estudos técnicos, memoriais, planilhas, atas de reunião, publicações, e-mails, correspondências, comprovantes de despesas com transporte, hospedagem e alimentação, e dos demais documentos gerados no curso dos trabalhos, de modo a evidenciar a efetiva prestação dos serviços. Cabe observar que a apresentação isolada de notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamento não é suficiente para comprovar a efetiva prestação dos serviços. 1.g. Caso as mencionadas empresas não tenham efetivamente prestado serviços ou fornecido bens para o CONTRIBUINTE, apresentar declaração informando expressamente esta condição. 1.h. Comprovar a necessidade para a atividade da empresa e para a manutenção da respectiva fonte produtora, na forma prevista nos artigos 290 e 299 do Decreto 3.000/99, das despesas lançadas em sua escrituração. Fl. 19850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 6 1.i. Declaração informando em quais linhas, das fichas 04A – Custo dos Bens e Serviços Vendidos ou das fichas 05A – Despesas Operacionais, da DIPJ 2014/2013 foram incluídos os lançamentos das despesas relacionadas. 1.j. Em complemento ao item anterior, informar se tais custos e despesas foram considerados como parcelas dedutíveis ou não dedutíveis na apuração do lucro real. Caso tenham sido considerados como indedutíveis, comprovar a sua exclusão na apuração do lucro real do período. (...) I.1.1 Da prestação de serviços não comprovados da Sociedade Guerra Advogados Associados à ENGEVIX ENGENHARIA S/A Segundo a autoridade fiscal, em resposta a reiteradas intimações, a contribuinte informou que os serviços do escritório GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS consistiram em consultoria jurídica, acompanhamento e execução de medidas dentro do processo n° 008.748/2000-9 do TCU – Tribunal de Contas da União. Para comprovar os serviços, limitou-se a apresentar cópias dos seguintes documentos (cópias transcritas no presente TVF): - contrato de prestação de serviços (DOC. 5); - acórdão n° 1717/2010 do TCU (DOC. 8); - acordão n° 2.420/2013 do TCU (DOC. 4); - cópia de memorial assinado por ERENICE GUERRA (DOC. 6); - procuração da ENGEVIX (DOC. 7);e - nota fiscal 123 (DOC. 9). O processo n° 008.748/2000-9, do TCU, é relativo à prestação de contas do exercício de 1999 das Centrais Elétricas do Norte do Brasil – ELETRONORTE, dentro do qual foram auditados os serviços prestados pelo Consórcio ENGEVIX- THEMAG (ENGEVIX ENGENHARIA S/A – CNPJ 00.103.582/0001-31 e THEMAG ENGENHARIA E GERENCIAMENTO LTDA. – CNPJ 00.366.080/0001-01), dentro do Contrato DT-TUC 004/75, relativo às obras da Usina Hidrelétrica de TUCURUÍ. O contrato de prestação de serviços apresentado pela contribuinte foi assinado em 17/07/2012 por JOSÉ ANTUNES SOBRINHO, sócio da ENGEVIX e por MARIA EURIZA ALVES DE CARVALHO, sócia da empresa GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, tendo como objeto, em suas palavras, “...consultoria jurídica, acompanhamento e execução de medidas cabíveis em face do processo de TC n. 008.748/2000-9, em curso na Primeira Turma do tribunal de Contas da União, visando o reconhecimento da prescrição da condenação de ressarcimento de valores à Eletronorte, conforme Acordão 1.717/2010, os quais se encontram retidos...”. A autoridade fiscal estacou as seguintes peças de interesse ao esclarecimento dos fatos: Acórdãos 1.717/2010 e 2.420/2013, do TCU, e Embargos de Declaração protocolizados em 15/04/2010, 30/11/2011 e 29/05/2012. Fl. 19851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 7 O item 9.4 do acordão n° 1.717/2010 determinou à ELETRONORTE a adoção de medidas administrativas e judiciais para ressarcimento do prejuízo decorrente das vantagens que teriam sido auferidas pelo Consórcio ENGEVIX/THEMAG na subcontratação de cooperativa de trabalho para a realização de serviços de acompanhamento e fiscalização de obras de construção e montagem eletromecânica. O referido consórcio teria recebido indevidamente da ELETRONORTE, no âmbito do Contrato DT-TUC 004/75, valores resultantes da aplicação do fator K às suas faturas, correspondentes a encargos incidentes sobre contratações submetidas ao regime CLT, mas que, de fato, o consórcio não recolheu, visto que subcontratou cooperativa de trabalho para a realização dos serviços. O Consórcio ENGEVIX/THEMAG opôs quatro embargos de declaração, cabendo destaque para os protocolizados em 15/04/2010, assinado pelo advogado IRINEU DE OLIVEIRA FILHO (OAB/DF 5.119), e em 30/11/2011 e 29/05/2012, ambos assinados pelo advogado JOSÉ CARLOS BARRETO, OAB/RJ 16.263, cujas cópias seguem transcritas neste TVF. Por meio do acórdão n° 2.420/2013, o TCU decidiu favoravelmente ao Consórcio ENGEVIX/THEMAG, tornando sem efeito o item 9.4 do acórdão n° 1.717/2010, o qual havia determinado à ELETRONORTE a adoção de medidas administrativas e judiciais contra o consórcio para ressarcimento do prejuízo. Segundo o Fisco, a contribuinte informou que apresentou, no TCU, memorial, elaborado pela sociedade GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS (DOC. 6), cujo conteúdo influenciou a decisão do TCU quanto ao reconhecimento da prescrição da condenação ao ressarcimento de valores à ELETRONORTE. Porém, segundo o Fisco, o referido memorial não consta dos documentos juntados ao processo n° 008.748/2000-9, do TCU. Conforme consta do sistema CNPJ e dos contratos sociais, a empresa GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, CNPJ 13.574.765/0001-87, foi constituída em 18/03/2011 para prestação de serviços advocatícios, com capital de R$20.000,00, dividido entre duas sócias, ambas com poderes de administração, a saber, ERENICE ALVES GUERRA, CPF xxx.xxx.xxx-xx, detendo 90%, e MARIA EURIZA ALVES DE CARVALHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx, detendo 10%. A sociedade sofreu a 1ª alteração contratual em 14/06/2012, por meio da qual foi admitido o sócio ANTONIO EUDACY ALVES CARVALHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx. A sócia MARIA EURIZA ALVES DE CARVALHO cedeu R$1.000,00 de suas quotas, e foi aumentado o capital em R$80.000,00, totalmente integralizado pela sócia ERENICE ALVES GUERRA, a qual passou a deter 98% e a administração isolada da empresa. Por meio da 3ª alteração contratual, firmada em 01/06/2015, a sócia MARIA EURIZA ALVES DE CARVALHO retirou-se da sociedade, cedendo suas quotas para o Fl. 19852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 8 sócio ANTONIO EUDACY ALVES CARVALHO, mantendo a sócia ERENICE ALVES GUERRA a administração isolada da empresa. Em diligência à sociedade GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, a diligenciada apresentou declaração, supostamente firmada em 21 de outubro de 2016, pelo Procurador-Geral do MPTCU (Fls. 19.112), dando conta de que ERENICE GUERRA esteve, em 2012, por diversas vezes, despachando assuntos referentes ao processo n° 008.748/2000-9, no interesse da empresa ENGEVIX. No entendimento da autoridade fiscal, a tese da prescrição já havia sido fartamente alegada nos autos, dentro dos embargos opostos em 30/11/2011 e 29/05/2012 pelo advogado JOSÉ CARLOS BARRETO. Além do mais, segundo a autoridade fiscal, a Corte de Contas acolheu os referidos embargos por razão diversa da exposta no referido memorial, o que a levou à conclusão de que a contribuinte não conseguiu comprovar a efetiva prestação de serviços lançados em sua escrituração contábil como despesa em 2013, bem como a sua licitude. Pelos mesmos motivos, o Fisco procedeu à glosa dos pagamentos efetuados à sociedade GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, em 2013, por entender que a contribuinte não conseguiu comprovar a causa dos referidos pagamentos. I.1.2 Da prestação de serviços não comprovados da Sociedade Jacoby Fernandes Advogados Associados à ENGEVIX ENGENHARIA S/A Segundo a autoridade fiscal, em resposta a reiteradas intimações, a contribuinte informou que os serviços do escritório JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS consistiram na realização de parecer analítico acerca dos efeitos jurídicos do acórdão n° 2.420/2013, dentro do processo n° 008.748/2000-9 do TCU, ou seja, versam sobre o mesmo processo que envolveram os alegados serviços do escritório GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS. Informou que, para comprovar os serviços, a contribuinte limitou-se a apresentar cópias do contrato de prestação de serviços, da nota fiscal n° 3.270 e do contrato de cessão direitos da empresa REOLON & JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS para a empresa JACOBY FERNANDES & REOLON ADVOGADOS ASSOCIADOS (DOC 3), além de cópias dos Acórdãos 1717/2010 e 2.420/2013, do TCU. O contrato de prestação de serviços apresentado pela contribuinte foi firmado em 06/06/2013 e contém, somente, a assinatura de JOSÉ ANTUNES SOBRINHO, sócio da ENGEVIX. Os campos destinados à assinatura de JAQUES FERNANDO REOLON, indicado como diretor presidente da REOLON & JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, e das testemunhas, encontram-se em branco (Fls. 19.142). O referido contrato estabelece, como objeto, a prestação de serviços de assessoria jurídica para análise dos efeitos jurídicos do acordão n° 2.420/2013, da 1ª. Câmara do Tribunal de Contas da União, prolatado no âmbito do processo n° Fl. 19853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 9 008.748/2000-9, referente ao contrato DT-TUC 004/75, sob a forma de orientação aos contratantes, bem como estabelece o pagamento de honorários de êxito de 10% do valor bruto total que vier a ser recebido pela ENGEVIX da ELETRONORTE. Informou a autoridade fiscal que os recursos sob litígio no TCU, no valor de R$13.757.958,55, foram transferidos da ELETRONORTE para a ENGEVIX em 03/07/2013, conforme consta do item 34 da carta de 19/10/2016 da contribuinte (Fls. 17.796). Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte informou que seria possível os serviços jurídicos serem prestados de forma não escrita, por meio de orientações presenciais e verbais. Informou a contribuinte, ainda, que contratou a referida empresa para prestação do serviço da “advocacia preventiva”, para o fornecimento de parecer oral ou escrito, a fim de evitar quaisquer prejuízos futuros para a empresa. Disse a contribuinte ao Fisco que a prestação de serviços advocatícios não se concretiza, apenas, em trabalhos escritos, mas também verbais, e que seria possível afirmar que uma consultoria jurídica tem por escopo fornecer um parecer para sanar questionamentos feitos pelo cliente sobre determinado assunto, ou dar conselhos jurídicos a um cliente, ainda que verbalmente, o que teria acontecido no caso em tela. Em resposta à diligência do Fisco ao escritório JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, o diligenciado apresentou carta, informando que foi contratado pela ENGEVIX, em 2013, para auxílio na liberação de valores junto à ELETRONORTE, em decorrência do Acórdão n° 2.420/2013 do TCU. Disse que o problema era complexo, pois o item 9.4 do acordão 1.717/2010 considerou indevidas parcelas de pagamento cobradas pela ENGEVIX. Assim, quando o acordão n° 2.420/2013 anulou o entendimento anterior, não foi imposta obrigação de pagamento. Nesse cenário, houve fundadas dúvidas dos diretores da ELETRONORTE para liberar os referidos valores, porque, em termos de lógica jurídica, a suspensão da ordem de não pagar não seria equivalente à ordem para pagar, além disso, poderia haver ações judiciais trabalhistas, ou até mesmo do Ministério Público, questionando os atos de pagamento dos referidos valores à ENGEVIX e a seu consórcio. Disse que recebeu o material e procedeu a estudos, e, na seqüência, realizou despachos com dirigentes da ELETRONORTE, convencendo-os da legalidade da liberação dos valores para a ENGEVIX e assegurando-os de que não seriam admoestados por ações judiciais. Informou o diligenciado que as audiências ocorreram na sede da empresa, em quatro reuniões com duração superior a uma hora cada. No tocante aos documentos comprobatórios, informou o diligenciado que não localizou o contrato firmado com a ENGEVIX, mas que reconhecia a sua existência, Fl. 19854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 10 e anexou cópia da nota fiscal n° 3.270 e cópia de memorial, ofertado aos dirigentes da ELETRONORTE, tendo alertado que vários argumentos, no exercício da advocacia, decorrem de exposições orais e não obrigatoriamente constam de papéis (Fls. 18.622 e ss). O memorial que teria sido ofertado aos dirigentes da ELETRONORTE, cuja cópia já foi anexada no presente termo, é uma carta com timbre da AJ & JACOBY FERNANDES, assinada em 05/06/2013 pelos sócios JAQUES FERNANDO REOLON e JORGE ULISSES JACOBY FERNANDES, representando a ENGEVIX, endereçada ao presidente da ELETRONORTE e seus dirigentes, sem qualquer protocolização ou comprovação de sua entrega, na qual a ENGEVIX estaria expondo as razões que demonstrariam a legalidade dos pagamentos realizados no âmbito do contrato DT-TUC 004/75. Observou a autoridade fiscal que o escritório JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS e seus sócios já haviam defendido os interesses da ELETRONORTE nos autos do processo do TCU. Anexou aos presentes autos a petição protocolada em 23/02/2010 pela ELETRONORTE, assinada por JORGE ULISSES JACOBY FERNANDES, por meio da qual é encaminhado parecer, e a petição protocolada pela ELETRONORTE em 13/04/2010, assinada por JORGE ULISSES JACOBY FERNANDES, por meio da qual pede certidão de pleno teor para atestar uma sustentação oral. O Fisco questionou o fato de que a carta, defendendo os interesses da ENGEVIX, tenha sido assinada em 05/06/2013, uma vez que o contrato de prestação de serviços com a ENGEVIX foi firmado em 06/06/2013. Questionou a autoridade fiscal também o fato de que não há qualquer comprovação da entrega ou protocolização dessa carta memorial junto à ELETRONORTE. Questionou, ainda, o fato de, após anos de longa batalha nos autos, a ELETRONORTE e seus dirigentes não dirimirem suas dúvidas pelas vias processuais, por meio de embargos de declaração ou outra via cabível, para esclarecimento dos efeitos da decisão. Por fim, questionou a autoridade fiscal o fato de a ELETRONORTE e seus dirigentes, diante de uma dúvida jurídica dita complexa, terem se conformado com meras explicações da ENGEVIX, Empresa que seria justamente a beneficiada com a liberação dos recursos. Observou, ainda, o Fisco que o escritório JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS e seus sócios, os quais já haviam atuado no processo como defensores da ELETRONORTE, informaram que o caso sob tela era complexo, por ter implicações jurídicas contra os dirigentes da ELETRONORTE, com eventual responsabilização por encargos trabalhistas. Fl. 19855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 11 No entanto, apesar da alegada complexidade e das consequências que isso traria contra a ELETRONORTE e seus e dirigentes, os advogados da Empresa não levaram o questionamento ao TCU, uma vez que não há qualquer petição no processo de autos n° 008.748/2000-9, solicitando esclarecimentos sobre o teor e efeitos da decisão do acordão n° 2.420/2013. Concluiu a autoridade fiscal que a contribuinte não conseguiu comprovar a efetiva prestação de serviços, lançados em sua escrituração contábil como despesa em 2013, bem como a sua licitude. Pelos mesmos motivos, o Fisco procedeu à glosa dos pagamentos efetuados à sociedade JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, em 2013, por entender que a contribuinte não conseguiu comprovar a causa dos referidos pagamentos. I.2 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Segundo a autoridade fiscal, em decorrência dos fatos descritos nos itens 3 a 5 do TVF e sintetizadas neste relatório, sobre os pagamentos às sociedades GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS em 2013 e sobre as correspondentes despesas incorridas, a contribuinte incorreu na conduta . dolosa de sonegação e fraude a que se referem os artigos 72 e 73, ambos da Lei n° 4.502, de 1964, respectivamente fraude e conluio. Razão pela qual aplicou a qualificação à multa de ofício prevista no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996, em relação ao IRRF, IRPJ e CSLL. I.3 Das exigências de multa isolada por ausência de recolhimento estimativas de IRPJ e de CSLL Em razão da glosa de despesas na apuração ex officio do IRPJ e da CSLL nas autuações do presente processo (2013) e nos autos de infração controlados no processo administrativo fiscal de autos n° 13896-723.568/2015-00 (2011 e 2013), a autoridade fiscal apurou ausência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL nos referidos períodos. Procedeu a autoridade fiscal, então, com fundamento no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, ao lançamento das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL (Fls. 19.170 a 19.174). I.4 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Em relação às multas isoladas de IRPJ e CSLL, decorrentes da recomposição das bases de cálculo das estimativas mensais, em decorrência das despesas e exclusões irregulares glosadas em 2011 e 2013 nas autuações do processo de autos n° 13896-723.568/2015-00, pelos fundamentos descritos no respectivo TVF, a autoridade fiscal responsabilizou solidariamente os sócios CRISTIANO KOK, CPF xxx.xxx.xxx-xx, GERSON DE MELLO ALMADA, CPF xxx.xxx.xxx-xx, e JOSE ANTUNES SOBRINHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx, com base no inciso III do art. 135 do CTN. Fl. 19856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 12 Em relação aos presentes autos (2013), a autoridade fiscal também responsabilizou solidariamente os sócios CRISTIANO KOK, CPF 197.438.828-04, GERSON DE MELLO ALMADA, CPF 673.907.068-72, e JOSE ANTUNES SOBRINHO, CPF 157.512.289-87, com base no inciso III do art. 135 do CTN, pelo crédito tributário destes autos. Entendeu o Fisco que os referidos sócios tinham conhecimento do processo da ELETRONORTE no TCU, bem como tinham conhecimento de que estavam contratando serviços advocatícios das sociedades GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, para atuar no processo da ELETRONORTE no TCU, e de que nenhum dos respectivos patronos interveio com alguma peça processual nos respectivos autos. 5. Inconformados, os sujeitos passivos ENGEVIX, CRISTIANO KOK, GERSON DE MELLO ALMADA e JOSÉ ANTUNES SOBRINHO apresentaram as suas respectivas impugnações, as quais foram parcialmente acolhidas pela DRJ, por meio de acórdão (fls. 19.435/19.477) ementado da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. REVISÃO. NULIDADE. HIPÓTESE. Não há que se tratar como hipótese de revisão de lançamento, nova exigência tributária decorrente da mesma escrituração contábil a qual lastreou outros créditos tributários em outro processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. PROVA. Existindo prova cabal de que os administradores do contribuinte pessoa jurídica agiram com infração de lei, exsurge a responsabilidade tributária solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2013 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a torná-la dedutível, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a sua dedução a comprovação da efetiva prestação do serviço, com documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 19857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 13 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o ano-calendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, no regime do lucro real anual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2013 BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIR-SE A OPERAÇÃO OU CAUSA NÃO COMPROVADA. Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiro ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. IRRF E GLOSA DE DESPESAS. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. Não se configura bis in idem a cobrança simultânea de IRRF e de IRPJ, uma vez que se trata de fatos geradores distintos e não há vedação legal à simultaneidade entre as respectivas cobranças. IRRF. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DO PAGAMENTO. AJUSTE DETERMINADO POR LEI. O ajuste do valor bruto sobre o qual recairá o IRRF ocorre por expressa determinação legal. IRRF. NATUREZA JURÍDICA. TRIBUTO. O IRRF é tributo, cobrado do substituto tributário por Lei, conforme previsto no parágrafo único do art. 45 do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 6. Em síntese, a DRJ cancelou parte do crédito tributário e da responsabilização das pessoas físicas, para: (i) afastar a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais nos valores de R$ 629.169,58 (IRPJ) e R$ 229.021,05 (CSLL), em razão da decadência; e (ii) afastar parcialmente a responsabilidade das pessoas físicas, para a sua exclusão com relação à multa isolada decorrente da glosa de exclusão de despesas com inovação tecnológica no ano-calendário Fl. 19858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 14 de 2013, tendo em vista o decidido no PAF nº 13896.723568/2015-00. Diante do cancelamento parcial, houve interposição de Recurso de Ofício, com fundamento no art. 34 do Decreto nº 70.235/72. 7. O contribuinte e os responsáveis interpuseram Recursos Voluntários (fls. 19.552/19.596, 19.521/19.549, 19.599/19.607 e 19.610/19.632), alegando em síntese o seguinte: preliminarmente, teria sido utilizada prova ilícita; teriam sido lavrados Autos de Infração relativos ao mesmo período cobrando os mesmos tributos, violando a “imutabilidade dos lançamentos”; havia “abuso do direito” de lançar, pois reconhecida a licitude da prática pela própria Fiscalização; os beneficiários e a causa teriam sido confirmados durante a ação fiscal, sendo ilegítima a exigência de IRRF; a recomposição da base de incidência do IRRF seria indevida; não há que se falar em qualificação da multa de ofício; a exigência da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais é ilegal, pois não pode ser cumulada com a multa de ofício; não estariam presentes os pressupostos para aplicação da responsabilidade tributária com base no art. 135, III, do CTN. 8. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Eduardo Monteiro Cardoso, Relator. 9. Conforme conclusão da DRJ, houve cancelamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de junho/2011 e julho/2011, nos valores totais de R$ 629.169,58 (IRPJ) e R$ 229.021,05 (CSLL). Além disso, foi excluída parcialmente a responsabilidade dos responsáveis, tão somente com relação a parte da multa isolada remanescente, decorrente de glosa de despesas com inovação tecnológica discutidas no PAF nº 13896.723568/2015-00. 10. Portanto, o deferimento das defesas apresentadas se deu exclusivamente com relação às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais. Consultando os Autos de Infração (fls. 19.179/19.225), verifico que tais penalidades foram aplicadas no montante de R$ 7.833.338,59 (IRPJ) e R$ 3.018.639,75 (CSLL), totalizando o montante de R$ 10.851.978,34. Portanto, ainda que a DRJ tivesse cancelado integralmente as penalidades – o que não foi feito –, o montante seria inferior ao valor de alçada de R$ 15.000.000,00, definido pela Portaria MF nº 2/2023. 11. Diante disso, não conheço do Recurso de Ofício. 12. Os Recursos Voluntário foram interpostos (i) em 10/04/2018, pelo responsável GERSON DE MELLO ALMADA (fls. 19.549); (ii) em 16/04/2018, pela contribuinte ENGEVIX (fls. 19.551) e pelos responsáveis JOSÉ ANTUNES SOBRINHO (fls. 19.597) e CRISTIANO KOK (fls. 19.608), dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados das suas intimações (fls. 19.505, 19.501, 19.504, 19.643), por procuradores habilitados. Assim, presentes os pressupostos formais, conheço dos Recursos Voluntários. Fl. 19859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 15 13. Preliminarmente, os Recorrentes alegam que a prova utilizada pela RFB para fundamentar a exigência seria ilícita, pois não poderia ter considerado “[...] reportagem tirada da Revista Época, porquanto fundada em irresponsável e criminosa divulgação de pseudo-fatos”, não podendo também emprestar tratativas de acordo de colaboração não homologado em processo penal. Afirma que a DRJ não teria analisado a questão. 14. Consultando o acórdão recorrido, porém, fica evidente que a DRJ efetivamente apreciou a discussão, entendendo que a Autoridade Fiscal não se baseou nos elementos mencionados pelos Recorrentes, mas sim na ausência de documentos idôneos para suportar as despesas contabilizadas: A partir do julgamento deste item, também concluo que a autoridade fiscal baseou-se na ausência de documentos idôneos, os quais dessem sustentação à exclusão de despesas na apuração do IRPJ e da CSLL e à falta de recolhimento do IRRF, e não em provas ilícitas, como quis fazer crer a impugnante. 15. De fato, o procedimento fiscal girou em torno da ausência de comprovação das despesas, sendo esse o fundamento empregado no Termo de Verificação Fiscal (p. 91): O fiscalizado não logrou apresentar documentos hábeis para comprovar a efetiva prestação e a licitude dos serviços das empresas GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, ensejando a glosa das despesas relacionadas na tabela da sequência, na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL, em procedimento efetuado nos Autos de Infração de IRPJ e CSLL formalizados no processo administrativo 13896.721177/2017-12. 16. Portanto, não há que se falar na lavratura de exigência com base em prova ilícita, devendo ser rejeitada a alegação. 17. No mérito, os Recorrentes alegam que a exigência violaria o “princípio da imutabilidade do lançamento”, pois a Fiscalização já havia lavrado autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF para os anos-calendário de 2011 e 2013 (PAF nº 13896.723568/2015-00), períodos abrangidos também por esta exigência. Afirmam que haveria “[...] modificação do critério jurídico adotado nos lançamentos anteriores”, inexistindo hipótese de revisão de lançamento aplicável no caso. 18. Ocorre que a revisão prevista no art. 149 do CTN diz respeito ao mesmo lançamento, não se aplicando na hipótese de existência de outro ato administrativo, com fundamentos fáticos e jurídicos distintos. Não há qualquer nulidade na circunstância de a Autoridade Fiscal reexaminar o mesmo período objeto de autuação anterior, enquanto não transcorrido o prazo decadencial, conforme precedente desta Turma Ordinária: REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às Fl. 19860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 16 disposições do art. 149 do CTN. (Acórdão nº 1301-006.557, Rel. Cons. Rafael Taranto Malheiros, Sessão de 19/09/2023) 19. Assim, acertou a DRJ ao entender o que segue: Equivocou-se a impugnante, pois o presente lançamento não se trata de revisão de lançamento anterior, mas, resulta de continuidade da mesma ação fiscal do Processo Administrativo nº 13896.723568/2015-00. Os presentes autos apuram a multa exigida isoladamente por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL, nos anos-calendário de 2011 e 2013, em decorrência da glosa de despesas naqueles. Do mesmo modo, não procede a alegação de que a autoridade fiscal, por ter examinado a escrituração contábil por ocasião daqueles autos, não poderia revê- los. Ora, como dito, trata-se de reexame da mesma escrituração contábil para exigência de outro crédito tributário, qual seja, a multa por insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL, em 2011 e 2013, sujeita, apenas, ao prazo do art. 173, inciso I, do CTN. Razão pela qual rejeito a argüição de nulidade da presente impugnação. 20. Portanto, rejeito a alegação. 21. Em seguida, os Recorrentes alegam “abuso de direito” pela Autoridade Fiscal na realização da glosa das despesas. Afirmam que houve esclarecimento, em Impugnação, de que o escritório Guerra Advogados teria sido “[...] contratado devido ao conhecido bom trânsito daquele escritório junto ao TCU”, não havendo ilicitude neste fato, pois ausente qualquer comprovação de prática ilícita. Afirmam que existiria prova da contratação e pagamento. Defendem que, no caso do escritório Jacoby Fernandes, existiria parecer e “[...] envolvimento do escritório com a matéria objeto da contratação”. 22. Neste ponto, vale destacar que a comprovação da despesa deve ser feita por meio de documentos hábeis (art. 9º, § 1º, do Decreto-lei nº 1.598/77), os quais devem demonstrar a efetiva prestação dos serviços que ensejaram os pagamentos. Segundo RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA,1 “a lei exige que as despesas sejam registradas em escrita com forma contábil, devendo ser devidamente identificadas através de requisitos formais e de requisitos extrínsecos”. O mesmo autor destaca ainda que o lançamento contábil deve ter lastro em documento que identifique “as partes, a natureza da despesa, a quantidade de bens ou utilidades e as respectivas identificações, o valor respectivo, e outros elementos essenciais a evidenciar a vinculação do gasto com as atividades ou a fonte produtora da pessoa jurídica que nela tenha incorrido”. Ou seja, o fundamental é que a despesa esteja comprovada por meio de documento que permita identificar com precisão a sua origem, o destinatário dos recursos, o valor respectivo e, no caso de serviço, a 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda (2020). - São Paulo: IBDT, 2020, p. 893- 896. Fl. 19861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 17 utilidade fornecida, viabilizando a confrontação com a escrituração contábil e a verificação dos seus efeitos fiscais. 23. Sobre as despesas com a Guerra Advogados Associados, a DRJ bem destacou que não houve a comprovação da efetiva prestação de serviços: Não podemos perder de vista que a autoridade fiscal intimou e reintimou tanto a ENGEVIX quanto o escritório Guerra Advogados Associados a comprovar a efetiva prestação de serviços, contudo, nem a Impugnante, muito menos o escritório diligenciado conseguiram provar a prestação dos serviços, conforme já relatado. Não há sequer um único documento anexo aos autos do processo do TCU de origem do escritório Guerra Advogados Associados. A cópia do memorial assinada pela sócia do referido escritório (Fls. 19.097 a 19.100), e dirigida a um Ministro do TCU, e que não consta dos referidos autos não contém a data da sua elaboração. E mais. A suposta declaração de terceiro sobre visitas a este da sócia do referido escritório sem nenhuma peça processual anexada àqueles autos não constitui documento idôneo para considerar os valores excluídos na apuração do IRPJ como despesas a que se refere o art. 299 do RIR, de 1999. Por sua vez, a nota fiscal apresentada (Fls. 19.102) não produz efeitos tributários, pois quem a emitiu não conseguiu comprovar a efetiva prestação dos serviços, conforme dispõe o art. 217, parágrafo único, do RIR, de 1999, verbis: [...] Portanto, agiu acertadamente a autoridade fiscal ao glosar os valores excluídos pela impugnante na apuração do IRPJ, nos termos do disposto no art. 249, inciso I, do RIR, de 1999. 24. Os Recorrentes, em suas razões, limitam-se a apontar a legitimidade da contratação do escritório para a realização de lobby junto ao TCU, sem comprovar materialmente a efetiva prestação do serviço. Assim, entendo que a análise da DRJ deve ser mantida, com a rejeição das alegações. 25. Sobre os serviços que teriam sido prestados por Jacoby Fernandes Advogados Associados, os Recorrentes defendem o prestígio do sócio titular e a efetiva elaboração de parecer sobre a matéria objeto da contratação. Porém, a DRJ bem destacou que não houve a demonstração de entrega de qualquer documento ou a sua atuação concreta: Não podemos perder de vista que a autoridade fiscal intimou e reintimou tanto a ENGEVIX quanto o escritório Jacoby Fernandes Advogados Associados a comprovar a efetiva prestação de serviços, contudo, nem a impugnante, muito menos o escritório diligenciado conseguiram provar a prestação dos serviços, conforme já relatado. Conforme já relatado, a autoridade fiscal enumerou quais tipos de documentos deveria a impugnante apresentar, os quais, mais uma vez, transcreve-se: (...) Fl. 19862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 18 Cabe observar que os esclarecimentos devem ser minuciosamente detalhados, não ficando limitados à simples e genérica descrição eventualmente contida no corpo das notas fiscais ou dos contratos. Assim, a título de exemplo, caso se trate de serviços de advocacia, devem ser informados os serviços prestados, os processos administrativos ou judiciais envolvidos, os profissionais utilizados, o número de horas gastas, as petições e demais documentos elaborados no curso dos trabalhos, os resultados obtidos nas ações, como foi feita a medição dos valores devidos, como foi calculado o valor devido, bem como os demais elementos que evidenciem a efetiva realização dos serviços. (...) 1.f. Cópia digitalizada dos processos administrativos ou judiciais envolvidos, bem como das petições, ações, iniciais, despachos, relatórios, pareceres, demonstrativos, análises, estudos técnicos, memoriais, planilhas, atas de reunião, publicações, e-mails, correspondências, comprovantes de despesas com transporte, hospedagem e alimentação, e dos demais documentos gerados no curso dos trabalhos, de modo a evidenciar a efetiva prestação dos serviços. Cabe observar que a apresentação isolada de notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamento não é suficiente para comprovar a efetiva prestação dos serviços. (...) Não há sequer um único documento anexo aos autos do processo do TCU de origem do escritório Jacoby Fernandes Advogados Associados. Não há qualquer comprovação de entrega do memorial dirigido aos dirigentes da ELETRONORTE (Fls. 19.156 a 19.159), no qual a ENGEVIX estaria expondo as razões que demonstrariam a legalidade dos pagamentos realizados no âmbito do contrato DT-TUC 004/75. Limitou-se a impugnante a argumentar que contratou a referida empresa para prestação do serviço da “advocacia preventiva”, para o fornecimento de parecer oral ou escrito e, dessa forma, restaria fundamentada a exclusão dos valores a título de despesa na apuração do IRPJ. Por sua vez, a nota fiscal apresentada (Fls. 19.102) não produz efeitos tributários, pois quem a emitiu não conseguiu comprovar a efetiva prestação dos serviços, conforme dispõe o art. 217, parágrafo único, do RIR, de 1999, verbis: [...] Portanto, agiu acertadamente a autoridade fiscal ao glosar os valores excluídos pela impugnante na apuração do IRPJ, nos termos do disposto no art. 249, inciso I, do RIR, de 1999. 26. Em suas razões, os Recorrentes reiteram os pontos já alegados em defesa, os quais foram bem rechaçados pela DRJ por meio da fundamentação mencionada, sem acrescentar Fl. 19863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 19 elemento relevante apto a infirmar a conclusão adotada. Assim, entendo que é o caso de rejeição da alegação. 27. Com relação ao IRRF, os Recorrentes alegam que não seria o caso de exigência, pois identificado o beneficiário e demonstrada a causa das operações. Ainda, afirmam que a exigência não poderia se dar de forma concomitante ao IRPJ por glosa de despesas e que seria impossível a recomposição da base de incidência do IRRF, devendo se limitar aos contratos. 28. Sobre a exigência do IRRF, o art. 674 do RIR/99 prescreve o seguinte: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considera-se vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). 29. Como mencionado anteriormente, não houve a comprovação da prestação dos serviços, razão pela qual também não ficou demonstrada a causa dos pagamentos realizados, sendo cabível a exigência. 30. Também não há que se falar em bis in idem na exigência cumulativa com o IRPJ e a CSLL sobre a glosa das despesas, vez que os fundamentos da incidência de cada tributo são distintos, conforme precedente da 1ª Turma da CSRF do Carf: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. CONCOMITÂNCIA COM PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS A PARTIR DE PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há qualquer incompatibilidade intrínseca entre a tributação do lucro e do faturamento, em face da presunção de omissão de receitas por falta de escrituração dos pagamentos, e o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. As bases jurídicas para tais incidências são completamente distintas. (Acórdão nº 9101- 007.023, Rel. Cons. Edeli Pereira Bessa, Sessão de 06/06/2024) Fl. 19864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 20 31. O reajustamento da base de cálculo questionado pela Recorrente, por sua vez, encontra expressa previsão no art. 674, § 3º, do RIR/99 acima transcrito, editado com base legal no art. 61, § 3º, da Lei nº 8.981/95, não havendo qualquer irregularidade na sua realização. 32. Em seguida, os Recorrentes questionam a qualificação da multa de ofício, defendendo a inexistência de conduta dolosa, sem o objetivo de sonegação, limitando-se a pagar honorários advocatícios. 33. Com efeito, a caracterização da sonegação, para fins de aplicação do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1995, depende da comprovação da ocorrência de atos adicionais à infração tributária, praticados dolosamente com o fim de ocultar o conhecimento da sua ocorrência. A falta de comprovação das despesas, neste caso, constitui a própria infração fiscal, sendo imprescindível a demonstração, por parte da Fiscalização, de que o sujeito passivo foi além da falta de recolhimento dos tributos, agindo também para esconder o fato gerador do conhecimento da autoridade fiscal. Nesse sentido: IRRF. PAGAMENTO PARA BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. A multa de ofício deve ser qualificada quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a infração, praticando ato que não faz parte do núcleo da ação que concretizou a infração. A emissão de notas fiscais inidôneas e a interposição de terceiros para iludir a realização de pagamentos, além dos atos que materializam a infração (omissão), é ato que exterioriza e evidencia o dolo do contribuinte, dando ensejo à qualificação da multa de ofício, mesmo no caso de presunção legal de omissão. (Acórdão nº 1201- 005.640, Rel. Cons. Gisele Barra Bossa, Red. Desig. Cons. Neudson Cavalcante Albuquerque, Sessão de 17/11/2022) MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. A omissão de receitas dá ensejo à qualificação da multa de ofício quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a omissão do Fisco, praticando atos preparatórios para a omissão, como uma simulação, praticando atos contemporâneos à omissão, como o subfaturamento, ou praticando atos posteriores à infração, como a ocultação de documentos ou registros contábeis. (Acórdão nº 1201-002.724, Rel. Cons. Neudson Cavalcante Albuquerque, Sessão de 20/02/2019) 34. Neste caso, entendo que a Fiscalização não se desincumbiu do ônus probatório quanto aos mencionados atos adicionais, limitando-se a apontar circunstâncias já abrangidas pela própria infração, vinculadas à contabilização de despesas sem comprovação. Veja-se a fundamentação da multa de ofício qualificada (p. 99 do TVF): Esta fiscalização procedeu à qualificação do percentual da multa de ofício aplicável aos tributos apurados em decorrência das infrações descritas nos itens 3 a 5 do presente termo, relativas a despesas e pagamentos para as empresas GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada Fl. 19865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 21 pelo art. 14, da Lei 11.488/07, posto que constatada a ocorrência de sonegação e fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, conforme textos legais transcritos na sequência, contendo grifos desta fiscalização. [...] A sonegação é constatada na dedução, na apuração do IRPJ e pela CSLL, de despesas cujas operações e licitude não foram comprovadas, reduzindo de forma ilegal o resultado tributável. Do mesmo modo, a fraude é constatada na realização de pagamentos relativos a operações, cuja efetividade e licitude não foram comprovadas. 35. Veja-se que a Fiscalização se limitou a apontar pressupostos de fato que compõem as próprias infrações que levaram à autuação fiscal – dedução ilegítima e pagamentos sem comprovação de efetividade e licitude –, sem demonstrar a efetiva ocorrência de ato adicional apto a indicar a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Deste modo, entendo que a qualificação da multa deve ser cancelada, com a aplicação da multa de ofício no seu patamar ordinário de 75%. 36. Os Recorrentes também questionam a concomitância de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e da multa de ofício, defendendo o cancelamento da primeira. 37. Consultando o TVF (p. 95/96), verifico que parte da multa isolada por estimativas mensais não recolhidas diz respeito aos mesmos fatos que ensejaram as exigências – pagamentos feitos aos dois escritórios de advocacia citados. As demais penalidades isoladas decorrem de autuação lavrada no PAF nº 13896.723568/2015-00, decidida por esta Turma Ordinária no Acórdão nº 1301-002.618, na qual também houve a exigência de multa de ofício sobre as glosas realizadas. Assim, está demonstrada a efetiva aplicação cumulativa das penalidades. 38. De fato, entendo indevida a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas cumulada com a multa de ofício, por conta da aplicação da Súmula Carf nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” 39. Vale destacar que não ignoro a existência de manifestações, neste Carf, no sentido de que tal enunciado não seria aplicável após a alteração feita pela Lei nº 11.488/2007 no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. No entanto, entendo que o racional da súmula permanece aplicável, pois não se trata de penalidades para condutas distintas. Nesse sentido há precedentes desta C. Turma Ordinária: MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Não é cabível a multa isolada de forma cumulativa com a multa de ofício sobre as faltas de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, de forma cumulativa, com a multa de ofício. (Acórdão nº 1301-003.347, Rel. Cons. Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Sessão de 18/09/2018) FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 105. ALCANCE. A Fl. 19866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 22 Súmula CARF 105, que anuncia que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44, §1º, IV, da Lei 9.430/96, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, apurados no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Em que pese o entendimento sumulado ter sido construído antes da alteração promovida pela MP 351/2007, sua aplicação deve alcançar os casos em que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%. (Acórdão nº 1301-005.681, Rel. Cons. Lucas Esteves Borges, Sessão de 15/09/2021 – decisão com base no art. 19-E da Lei nº 10.522/02) 40. Além disso, a Segunda Turma do E. STJ tem se manifestado no mesmo sentido, vedando a exigência cumulativa das referidas multas, inclusive após a edição da Lei nº 11.488/07: [...] 5. A Segunda Turma do STJ, em julgados mais recentes, continua a aplicar o entendimento de que a vedação à cumulação das multas "isolada" e "de ofício" persiste, mesmo após as alterações promovidas pela Lei 11.488/2007. Nesse sentido: AREsp 1.603.525/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 25.11.20. (AgInt no AREsp n. 1.878.192/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/3/2022, DJe de 12/4/2022) 41. Destaco, por fim, que a matéria vem sendo decidida desta forma pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Carf, por maioria: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO POR FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Apesar de a aplicação da Súmula CARF 105 ser restrita à multa isolada “lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996”, os argumentos que ensejaram a aprovação da referida súmula são totalmente aplicáveis à multa isolada lançada com base no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. (Acórdão nº 9101-007.277, Rel. Cons. Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Sessão de 21/01/2025) 42. Assim, entendo que é o caso de acolher as alegações, para cancelar as multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas mensais. 43. Por fim, os Recorrentes defendem que a responsabilização com fundamento no art. 135, III, do CTN seria indevida, pois não teria sido provado “[...] elemento concreto da existência de ação fraudulenta” que teria gerado as infrações tributárias. 44. Com efeito, a responsabilização de sócios e administradores pelo crédito tributário está prevista no art. 135, III, do CTN, dependendo da comprovação da prática de atos “com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. Para aplicação do referido dispositivo, não basta a indicação da circunstância que levou à falta de recolhimento do tributo e à constatação da infração. É necessária a comprovação de ato específicos dos administradores que comprovem os ilícitos praticados. Nesse sentido, o E. STJ firmou a seguinte tese vinculante no REsp 1.101.728/SP (Rel. Min. Teori Zavascki, DJ 11/03/2009): Fl. 19867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 23 A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. 45. De igual forma, a Súmula nº 430 do STJ prescreve que “o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio- gerente”. Assim, para a aplicação do art. 135, III, do CTN é fundamental avaliar se há prova dos atos ilícitos que transbordem a falta de recolhimento do tributo, conforme já entendeu esta Turma: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO OBJETIVA DAS IRREGULARIDADES PRATICADAS A interpretação sistemática do CTN faz com que a mera falta de recolhimento de tributos se subsuma ao art. 134 do CTN, enquanto o art. 135 do CTN abarque as hipóteses de infração a leis diversas daquelas que instituem obrigações tributárias principais. A Autoridade Fiscal deve indicar de forma objetiva as irregularidades supostamente praticadas, comprovar os atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto e demonstrar o nexo causal entre as irregularidades e a obrigação tributária delas decorrente. (Acórdão nº 1301-006.253, Rel. Cons. Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Sessão de 13/12/2022) 46. Como mencionado na análise da qualificação da multa de ofício, entendo que a Fiscalização não demonstrou a prática de atos dolosos além daqueles que caracterizaram a infração, relativa à falta de comprovação dos serviços e glosa das despesas correspondentes. Veja- se a fundamentação adotada (p. 99/100 do TVF): 8. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Restou evidenciada a prática de infração à lei, na forma de sonegação e fraude, nas irregularidades descritas nos itens 3 a 5 do presente termo, relativas a despesas e pagamentos para as empresas GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, motivo pelo qual esta fiscalização responsabilizará, pelos correspondentes créditos tributários lançados, de forma solidária com o CONTRIBUINTE, os SUJEITOS PASSIVOS – RESPONSÁVEIS identificados nos quadros 03, 04 e 05 do presente termo, a saber, os sócios administradores da empresa à época dos fatos geradores, CRISTIANO KOK, CPF xxx.xxx.xxx-xx, GERSON DE MELLO ALMADA, CPF xxx.xxx.xxx-xx, e JOSE ANTUNES SOBRINHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx. A responsabilidade dos citados é evidenciada pela sua condição de sócios administradores da emplresa, pela assinatura de JOSÉ ANTUNES SOBRINHO nos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e JACOBY FERNANDES ADVOGADOS ASSOCIADOS, e pelas assinaturas de CRISTIANO KOK e GERSON DE MELLO ALMADA na procuração da ENGEVIX estabelecendo poderes para os advogados da empresa GUERRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, evidenciando que todos tinham conhecimento do Fl. 19868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 24 processo da ELETRONORTE no TCU, bem como tinham conhecimento de que estavam contratando serviços advocatícios prestados fora do âmbito do processo, prestados por pessoas com poder para exercer tráfico de influência. Nesse sentido cabe recordar a notícia veiculada na imprensa, dando conta de que JOSÉ ANTUNES SOBRINHO afirmou, em sua proposta de delação, que a ausência de documentos jurídicos demonstrava o tráfico de influência de ERENICE GUERRA, posto que não houve nenhuma petição assinada pela mesma, demonstrando que o problema foi resolvido internamente, sem usar os caminhos do processo. No tocante aos créditos tributários detalhados no item 6 do presente termo, relativos a multas isoladas de IRPJ e CSLL, decorrentes da recomposição das bases de cálculo das estimativas mensais, em decorrência das despesas e exclusões irregulares glosadas nas autuações dos processos 13896-723.568/2015-00 e 13896.721177/2017-12, nas quais restou evidenciada a prática de infração à lei, esta fiscalização também responsabilizará, pelos correspondentes créditos tributários lançados, de forma solidária com o CONTRIBUINTE, os SUJEITOS PASSIVOS – RESPONSÁVEIS identificados nos quadros 03, 04 e 05 do presente termo, a saber, os sócios administradores da empresa à época dos fatos geradores, CRISTIANO KOK, CPF xxx.xxx.xxx-xx, GERSON DE MELLO ALMADA, CPF xxx.xxx.xxx-xx, e JOSE ANTUNES SOBRINHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx. Conforme relatado no item 13 do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, restou evidenciada a prática de infração à lei, na forma de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, nas irregularidades constatadas nas despesas e exclusões glosadas nas autuações do processo 13896- 723.568/2015-00, relativas a despesas com as empresas JAMP, JD, ENTRELINHAS, COSTA GLOBAL, SOTERRA, TREVO S, SELTON, AP ENERGY, EMPMAR, FLEXSYSTEM, CIGMA, LINK PROJETOS, ARATEC, com as empresas JAMP e RIGIDEZ no CONSORCIO URC, com as empresas LFSN, M.O. CONSULTORIA e EPGN no CONSORCIO RNEST, e relativas a exclusões de benefícios fiscais com dispêndios com inovação tecnológica. A responsabilidade dos mencionados sócios administradores é atribuída com base no Inciso III do art. 135 do CTN, a seguir transcrito, posto que os mesmos praticaram atos com infração à lei. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os sócios administradores CRISTIANO KOK, CPF xxx.xxx.xxx-xx, GERSON DE MELLO ALMADA, CPF xxx.xxx.xxx-xx, e JOSE ANTUNES SOBRINHO, CPF xxx.xxx.xxx-xx, serão cientificados pessoalmente dos créditos tributários ora lançados e de sua Fl. 19869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 25 sujeição passiva solidária, com abertura de prazo para que, se assim o desejarem, apresentem impugnação contra o feito, na forma do art. 3º da Portaria RFB 2.284/10. 47. Inicialmente, destaque-se que a conduta dos ditos responsáveis de contratar serviços advocatícios que não foram efetivamente comprovados já compõem as infrações que levaram à exigência tributária. Vale destacar que a falta de comprovação dos serviços não leva, automaticamente, à conclusão da falsidade ideológica das notas fiscais e demais documentos, uma vez que a ausência de prova do fato é diferente da prova de sua falsidade. Por isso, entendo que, no caso das despesas glosadas nestes autos com os dois escritórios de advocacia, apesar da ausência de prova cabal e efetiva dos serviços, não há elementos para se concluir pela falsidade. Deste modo, entendo que, ao menos quanto a essas glosas e as estimativas mensais correspondentes, deve ser excluída a responsabilidade tributária. 48. É necessário diferenciar tais exigências das estimativas mensais decorrentes das glosas feitas no PAF nº 13896.723568/2015-00. Ao julgar referido processo (Acórdão nº 1301- 002.618), esta Turma Ordinária concluiu que os próprios “[...] recorrentes confessaram que não houve comprovação de serviços da forma e nos valores constantes dos contratos e das notas fiscais”, havendo conclusão pela falsidade das declarações. Assim, por decorrência, deve ser mantida a responsabilidade tributária relativa às estimativas mensais decorrentes das glosas feitas naqueles autos. 49. Diante do exposto, não conheço do Recurso de Ofício. 50. Ainda, conheço do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar e, no mérito, dou-lhe provimento parcial, para (i) cancelar a qualificação da multa de ofício, (ii) cancelar as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais, em razão da impossibilidade de sua cumulação com a multa de ofício; (iii) excluir a responsabilidade tributária com relação às exigências de IRPJ, CSLL e IRRF relativas às glosas das despesas com a Guerra Advogados Associados e Jacoby Fernandes Advogados Associados, bem como com relação às multas decorrentes por ausência de recolhimento de estimativas mensais. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso VOTO VENCEDOR Conselheiro Iágaro Jung Martins, redator designado Entendeu o i. Relator, com base em precedente deste CARF e do STJ, não ser cabível a multa pelo não recolhimento da estimativa mensal, por ser essa uma etapa preparatória do ato Fl. 19870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 26 de reduzir o imposto no final do ano, que foi sancionado com multa de ofício vinculada, isto é, que pelo princípio da consunção aquela primeira infração restaria absorvida pela segunda. Ainda que se compreenda o argumento de natureza econômica sobre a impossibilidade de incidência cumulativa das duas multas exigidas em decorrência de omissão de tributo, uma vinculada ao tributo lançado e outra isolada, incidente sobre as estimativas que deixaram de ser recolhidas em razão da omissão identificada pela Fiscalização (denominado princípio da concomitância), a solução do tema deve ser jurídica. Assim, dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n.) Note-se que embora a antiga e a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pareçam similares, elas têm conteúdo distintos. A redação anterior previa multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo, fato que permitia concluir que as estimativas estariam contidas no tributo apurado ao final do período. A nova redação, contudo, tem redação mais clara e objetiva, distinguindo as duas condutas típicas, que têm consequências jurídicas distintas. O lançamento foi efetuado com a imputação da multa isolada de 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007, portanto a Súmula CARF nº 105 não se aplica ao presente caso, pois editada em precedentes que analisaram lançamentos efetuados com base em legislação revogada à época do presente lançamento. Fl. 19871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 27 Há, portanto, duas condutas jurídicas distintas e, para cada uma delas, o legislador ordinário previu sanções igualmente distintas. Incorrendo, portanto, o sujeito passivo nas duas condutas previstas em lei, deve ser aplicada a respectiva sanção prevista para cada uma delas. Nessa linha, destaca-se o seguinte precedente deste CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário. (Acórdão nº 1302-001.080, sessão de 07.05.0213, relator Conselheiro Alberto Pinto) Pela profunda análise do tema, destacam-se os seguintes excertos do voto: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a Fl. 19872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 28 possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressalte-se que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1º aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1º – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1º do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco Fl. 19873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 29 todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, além dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondo-se igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não, vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, Fl. 19874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 30 pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do ano-calendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2. Da redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96 Adite-se ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculados sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano calendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º, IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado ano calendário, decidir se obedece ou não o art. 2º e segs. da Lei nº 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornando-a uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Fl. 19875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.206 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13896.721177/2017-12 31 Assim, além das condutas infracionais distintas, que a lei atribui consequências sancionatórias distintas, afastar a exigência da multa isolada é negar vigência a texto legal expresso (art. 2º e 44, II, “b”, da Lei no 9.430, de 1996), fato defeso ao CARF, nos termos da Súmula nº 2. Assinado Digitalmente Iágaro Jung Martins Fl. 19876DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 19613.725560/2024-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2021 NORMAS REGIMENTAIS. PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE AS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETO. CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. A propositura de ação judicial importa renúncia à instância administrativa apenas quando configurada a identidade entre as demandas, com coincidência de partes, causa de pedir e pedido. A mera similitude fática ou jurídica entre os temas discutidos nas esferas judicial e administrativa não é suficiente para caracterizar a concomitância impeditiva do conhecimento da impugnação. No caso, a ação judicial versa sobre isenção de IRPF incidente sobre proventos de aposentadoria, ao passo que o lançamento impugnado refere-se à tributação de rendimentos oriundos de previdência complementar (PGBL), não se verificando identidade estrita de objeto.
Numero da decisão: 2002-010.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, dar provimento parcial para afastar a preliminar de não conhecimento da impugnação, determinando o retorno dos autos à instância de origem para apreciação do mérito. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente)
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

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PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO. CONCOMITÂNCIA ENTRE AS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETO. CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. A propositura de ação judicial importa renúncia à instância administrativa apenas quando configurada a identidade entre as demandas, com coincidência de partes, causa de pedir e pedido. A mera similitude fática ou jurídica entre os temas discutidos nas esferas judicial e administrativa não é suficiente para caracterizar a concomitância impeditiva do conhecimento da impugnação. No caso, a ação judicial versa sobre isenção de IRPF incidente sobre proventos de aposentadoria, ao passo que o lançamento impugnado refere-se à tributação de rendimentos oriundos de previdência complementar (PGBL), não se verificando identidade estrita de objeto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, dar provimento parcial para afastar a preliminar de não conhecimento da impugnação, determinando o retorno dos autos à instância de origem para apreciação do mérito. Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.299 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.725560/2024-76 2 Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, decorrente da constatação da omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições a previdência privada (PGBL e FAPI), referente ao exercício 2022. Após apresentação de impugnação por parte do contribuinte, foi proferido Acórdão n° 109-023.911 - 14ª TURMA da DRJ09 de e-fls. 130/134, a qual NÃO conheceu da impugnação por concomitância. Inconformado com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso (e-fls. 144/156), afirmando que não há renuncia ao contencioso administrativo, uma vez que a matéria tratada entre a impugnação e a ação declaratória são distintas. Explicita que na ação declaratória pleiteia a isenção de IRPF exclusivamente sobre os proventos de aposentadoria recebida do INSS, enquanto o presente lançamento é decorrente da suposta omissão de rendimentos referente ao resgate de previdência privada. Assevera que não houve omissão de rendimentos pois os valores foram informados no campo isentos e não tributáveis. Aduz que a multa aplicada é confiscatória. Ao fim requer que seja julgado totalmente improcedente a presente Notificação de Lançamento, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o relatório. VOTO Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.299 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.725560/2024-76 3 Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Prejudicial de Mérito Conhecimento da Impugnação – Concomitância Inicialmente, cabe a análise do conhecimento da impugnação em face da concomitância, eis que, se reconhecida, resta prejudicada a análise dos demais argumentos recursais suscitados pelo contribuinte. A decisão de piso entendeu pelo não conhecimento da impugnação, em virtude da renúncia ao contencioso administrativo pela interposição de ação judicial, possuindo a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2021 IMPUGNAÇÃO. ADMINISTRATIVA E AÇÃO JIDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETOS. RENÚNCIA AO CONTECIOSO ADMINISTRATIVO. A proposição de ação judicial com o mesmo objeto da impugnação administrativa importa renúncia ao contencioso administrativo. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Com a devida vênia ao entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, entendo que, no presente caso, não se vislumbra a renúncia ao contencioso, consequentemente concomitância, senão vejamos: Como regra, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia à via administrativa, nos termos do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e do entendimento consolidado na Súmula n° 1 deste Conselho, veja-se: Lei nº 6.830/80 Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.299 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.725560/2024-76 4 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Depreende-se dos excertos encimados que para a caracterização da concomitância apta a impedir o conhecimento da impugnação, exige-se a identidade entre as demandas, notadamente quanto às partes, causa de pedir e pedido, não sendo suficiente a mera similitude fática. No caso concreto, verifica-se que a ação judicial trata do reconhecimento de isenção de IRPF sobre proventos de aposentadoria do INSS, em razão de moléstia grave, com pedido de restituição dos valores indevidamente recolhidos. Por sua vez, a impugnação administrativa referem-se à exigência de imposto decorrente de rendimentos específicos (PGBL recebido de entidade de previdência privada), cuja tributação foi objeto de lançamento próprio. Ainda que ambas as discussões tangenciem a incidência do imposto de renda sob a alegação de isenção por moléstia grave, os elementos constantes dos autos indicam que não há perfeita identidade entre os objetos, especialmente porque a ação judicial se volta à análise da incidência sobre proventos de aposentadoria vinculados ao INSS, ao passo que o lançamento ora enfretado decorre de rendimentos de previdência complementar. Assim, não restando demonstrada a identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo administrativo, conclui-se que não se configura a renúncia à instância administrativa, razão pela qual deve ser afastada a decisão de não conhecimento proferida pela DRJ. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento para afastar a preliminar de não conhecimento da impugnação, determinando o retorno dos autos à instância de origem para apreciação do mérito. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 208DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10580.901146/2021-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 1401-001.171
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para esclarecimento de questão de fato, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Daniel Ribeiro Silva – Relator Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Matheus Ferreira Azevedo, Alberto Pinto Souza Júnior, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA

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Assinado Digitalmente Daniel Ribeiro Silva – Relator Assinado Digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Matheus Ferreira Azevedo, Alberto Pinto Souza Júnior, Andressa Paula Senna Lísias, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão n.º 107-027.372, proferido pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 07 (DRJ07), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que denegou parcialmente a compensação objeto da PER/DCOMP n.º Fl. 1953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.171 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.901146/2021-87 2 34964.78719.280219.1.7.02-1527, apresentado com objetivo de reconhecer direito creditório de IRPJ (saldo negativo), referente ao ano-calendário de 2015, no valor histórico de R$ 573.642,62. A BRASPE RECURSOS HUMANOS EIRELI, contribuinte sujeita à tributação pelo lucro real anual, transmitiu, em maio de 2016, PER/DCOMP para compensar o saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2015 — composto integralmente por retenções de IRRF sofridas na prestação de serviços de locação de mão de obra — com débitos próprios de CSLL e COFINS. A Autoridade Fiscal glosou R$ 168.146,22 do total de retenções declaradas (R$ 1.938.275,43), sob o fundamento de que os valores não foram confirmados pelo batimento DIRF × PER/DCOMP, reconhecendo apenas R$ 405.496,40 do crédito pleiteado. A controvérsia reside no direito da contribuinte de utilizar integralmente o saldo negativo de IRPJ decorrente de retenções que afirma ter efetivamente suportado, mas que alguns tomadores de serviço não confirmaram nas DIRFs, e na suficiência dos elementos de prova apresentados para afastar as glosas mantidas. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 5/18), o que fez com base nas seguintes alegações, devidamente contextualizadas: a) Alega a nulidade do Despacho Decisório por ausência de motivação, com fundamento no art. 2º, caput, da Lei n.º 9.784/1999, que impõe à Administração Pública o dever de motivar seus atos, e no art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/1972, que prevê a nulidade dos atos proferidos com preterição do direito de defesa. Sustenta que o Despacho Decisório limitou-se a declarar que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos, sem indicar quais competências, valores e notas fiscais referentes ao IRRF glosado não foram confirmados, tornando impossível o exercício efetivo do contraditório. Invoca, em apoio, os Acórdãos CARF n.º 1002-000.569 e n.º 3002-000.305, que assentam a nulidade de despacho decisório carente de fundamentação válida. b) Que a contribuinte possui direito legalmente assegurado à compensação do saldo negativo de IRPJ com débitos próprios, nos termos do art. 6º, §1º, II, c/c art. 74 da Lei n.º 9.430/1996, e do art. 165, I, do CTN, uma vez que as retenções na fonte sofridas ao longo do ano-calendário 2015 superaram o imposto efetivamente apurado (R$ 1.938.275,43 em retenções contra R$ 1.312.641,71 de IRPJ apurado), gerando saldo negativo de R$ 625.633,68, hipótese expressamente contemplada pela própria Receita Federal como passível de compensação via PER/DCOMP. c) Que o saldo negativo está comprovado por farta documentação: escrituração fiscal (Livro Razão gerado pelo SPED), notas fiscais de prestação de serviços e extratos bancários que demonstram o recebimento líquido das faturas com dedução do IRRF retido pelos tomadores. Destaca que, na condição de prestadora de serviços de locação de mão de obra, a contribuinte recebe os valores contratados já com a retenção efetuada pelos tomadores (entre os quais ARSAL, Condomínio Vita, CRC, Fundação Cidade Mãe, FGM, FMLF, Petrobras, SALTUR, SEMAN, SEMPS, SERPRO, SETUR, SMED, SPMJ, SUSPREV, TRANSALVADOR e UNEB), de modo que qualquer Fl. 1954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.171 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.901146/2021-87 3 inconsistência na confirmação das DIRFs não pode ser imputada à prestadora, que já suportou financeiramente o ônus tributário. Sustenta que o eventual não recolhimento do IRRF pelos tomadores configura apropriação indébita destes, não podendo prejudicar o crédito da contribuinte, sob pena de indevido confisco. d) Que o princípio da verdade material, consagrado na doutrina de James Marins e Alberto Xavier e respaldado por jurisprudência do CARF (Acórdãos 1001-001.466 e 3201-006.655), impõe à Administração o dever de promover as diligências necessárias à apuração dos fatos. Com fundamento no art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235/1972, requer a conversão do julgamento em diligência técnica para que a Autoridade Fiscal coteje o Livro Razão (SPED), o Relatório Gerencial "Títulos Recebidos por Tipo e por Cliente", as notas fiscais e os extratos bancários com os sistemas internos da RFB. Protesta pela juntada posterior dos Comprovantes Anuais de Retenção do Imposto de Renda na Fonte a serem fornecidos pelos tomadores, com base nos arts. 29, 36, 37, 38 e 39 da Lei n.º 9.784/1999. Posteriormente, a 3ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 07, proferiu o Acórdão n.º 107-027.372 (fls. 1489/1530) abaixo ementado: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. RETENÇÕES. DIRF. BATIMENTO SCC-RFB. COMPROVAÇÃO PARCIAL. As retenções na fonte integram o saldo negativo apenas se comprovadas. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inicialmente, a DRJ apreciou a alegação de nulidade do Despacho Decisório por falta de motivação, rejeitando-a. Consignou que os atos nulos, na forma do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972, são apenas aqueles proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa — hipóteses não verificadas no caso concreto: o Despacho foi lavrado por autoridade competente, a contribuinte foi regularmente cientificada e pôde apresentar Manifestação de Inconformidade, e a motivação foi explícita (retenções não confirmadas). Registrou que o próprio fato de a contribuinte ter demonstrado pleno conhecimento da decisão e de seus efeitos na Manifestação de Inconformidade evidencia a ausência de prejuízo à defesa. A DRJ também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa, pontuando que o contencioso no âmbito de PER/DCOMP somente se instaura com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, sendo este o momento próprio para juntar toda a prova documental (art. 16, Fl. 1955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.171 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.901146/2021-87 4 §4º, do Decreto n.º 70.235/1972). Anotou que a intimação para apresentação de documentos durante a análise do PER/DCOMP é faculdade — e não obrigação — da autoridade fiscal, conforme art. 156 da IN RFB n.º 2.055/2021, e que, ao transmitir a PER/DCOMP, o declarante afirma deter crédito certo e líquido, incumbindo-lhe a prova correspondente (art. 170 do CTN). Quanto ao pedido de diligência, a DRJ o indeferiu sob o fundamento de que: (i) o ônus de comprovar o crédito é do contribuinte; (ii) após o prazo de 30 dias da ciência do Despacho Decisório, preclui o direito de juntar prova documental, salvo nas hipóteses de força maior, fato superveniente ou contraprova, nenhuma das quais foi demonstrada; e (iii) os elementos dos autos eram suficientes para o julgamento de mérito, tornando a diligência prescindível nos termos do art. 18 do Decreto n.º 70.235/1972. Consignou que o ônus de articular a prova — correlacionando cada documento ao valor glosado específico — não pode ser transferido à autoridade julgadora, e que documentos emitidos pelo próprio beneficiário (notas fiscais e escrituração contábil), desacompanhados de lastro de terceiro, não se prestam, por si sós, a comprovar as retenções sofridas (Acórdão CARF 1301-002.075). No mérito, a DRJ realizou novo batimento DIRF × PER/DCOMP no SCC-RFB para cada uma das 18 retenções glosadas. Para 16 delas, o batimento confirmou integralmente os valores declarados, determinando o cancelamento das respectivas glosas: Fundação Cidade Mãe (R$ 42,08), SPM (R$ 692,05), Secretaria de Turismo (R$ 372,83), SUSPREV (R$ 484,98), TRANSALVADOR (R$ 107,90), Condomínio Vita (R$ 1.107,04), SALTUR (R$ 21.688,05), FGM (R$ 179,90), CRC (R$ 289,74), ARSAL (R$ 18,33), SERPRO — código de receita 6147 (R$ 5.700,31), SERPRO — código de receita 6190 (R$ 189,13), Petrobras (R$ 465,84) e FMLF (R$ 228,80), entre outros. Quanto à SMED (CNPJ básico 13.927.801, 17 controles de CNPJ, total declarado de R$ 1.539.345,81), o SCC-RFB confirmou apenas R$ 1.416.125,75, mantendo a glosa de R$ 123.220,06. A DRJ consignou que a contribuinte apresentou relatórios de apenas 4 dos 17 controles — com soma inferior às retenções já confirmadas pelo SCC — e que os 124 extratos bancários não foram organizados por fonte pagadora nem correlacionados explicitamente aos relatórios de notas fiscais, inviabilizando a comprovação individualizada. Quanto à UNEB (CNPJ 14.485.841/0001-40, R$ 48.598,98 declarados), o batimento SCC manteve a confirmação de apenas R$ 35.564,71, preservando a glosa de R$ 13.034,27, pois o relatório apresentado apontava retenções de apenas R$ 6.793,96 e não havia demonstrativo correlacionando valores faturados, líquidos e pagos. Com base nesses fundamentos, a DRJ reconheceu ao interessado o direito creditório adicional de R$ 31.891,89, perfazendo o total de R$ 437.388,29, e remanescendo não reconhecida a quantia de R$ 136.254,33 (R$ 123.220,06 relativos à SMED e R$ 13.034,27 relativos à UNEB). Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1539/1554). Em sede recursal, o contribuinte inova/desenvolve os seguintes pontos: Fl. 1956DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.171 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.901146/2021-87 5 a) Delimita com precisão o objeto recursal ao crédito remanescente de R$ 136.254,33, identificando especificamente que apenas 4 das 18 retenções originalmente glosadas permanecem sem reconhecimento — as relativas à SMED (CNPJ básico 13.927.801, glosa de R$ 123.220,06) e à UNEB (CNPJ 14.485.841/0001-40, glosa de R$ 13.034,27). A Manifestação de Inconformidade havia contestado a glosa integral de R$ 168.146,22 sem distinguir os tomadores específicos com retenções ainda impugnadas. b) Junta nova documentação diretamente endereçada às lacunas apontadas pelo Acórdão recorrido: doc. 01 (notas fiscais dos tomadores cujas retenções permanecem glosadas), doc. 02 (relatório da relação de notas fiscais emitidas e recebidas), doc. 03 (relatório de razão entre notas fiscais — identificadas por número e data — e a efetiva retenção de IRRF) e doc. 04 (informes e extratos bancários), com o objetivo de demonstrar a correlação entre valores faturados, líquidos e pagos — correlação que o Acórdão recorrido identificou como ausente nos documentos anteriores. c) Invoca expressamente a exceção de força maior prevista no art. 16, §4º, alínea "a", do Decreto n.º 70.235/1972 para justificar a admissibilidade da nova prova documental em sede recursal. Argumenta que os Comprovantes Anuais de Retenção do Imposto de Renda na Fonte dependem integralmente do envio pelos tomadores de serviço ou da consulta a sistemas internos da RFB, configurando impossibilidade de apresentação oportuna no prazo de 30 dias. Essa tese, que não constava da Manifestação de Inconformidade, responde diretamente ao fundamento da DRJ que rejeitou a diligência por ausência de demonstração de hipótese excludente da preclusão probatória. d) Apoia o pedido de conversão em diligência sobre fundamento não utilizado na Manifestação de Inconformidade: invoca o próprio reconhecimento da DRJ, no Acórdão recorrido, de que as informações registradas nos bancos de dados e sistemas da RFB podem dispensar a produção de provas pelo contribuinte, requerendo que a RFB utilize seus sistemas internos em análise conjunta com a nova documentação — sem pretender deslocar o ônus da prova, mas buscando o cotejo entre dados administrativos e elementos documentais para a constatação da veracidade das retenções declaradas. É o relatório do essencial. VOTO Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Fl. 1957DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.171 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.901146/2021-87 6 Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. No mais, da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, constitui-se em grande parte de reprodução dos fundamentos de sua manifestação de inconformidade cujos argumentos foram detalhadamente apreciados pelo julgador a quo. Além das preliminares de nulidade, que deixo de apreciar neste momento, o Recorrente de certa forma reproduz os mesmos argumentos e junta em grande parte as mesmas provas já apresentadas (em que pese dizer que juntou apenas provas relativas às glosas mantidas). A DRJ foi bem clara em seu voto e concordo inteiramente com as suas razões quando defende que: 44. Ao interessado cabe, portanto, reunir provas organizadas, para cada uma das retenções objeto de glosa (parcial ou integral). 45. O interessado juntou os documentos enumerados em nosso item 9. 46. Contudo, o interessado não traz correlação entre os valores glosados e a vasta documentação que anexa. 47. Insere-se no ônus da prova a articulação entre os documentos que o interessado junta e a prova que quer construir, sobretudo, em processo de compensação, cujo pressuposto é a liquidez e a certeza do crédito pretendido. 48. Tais ônus não podem ser transferidos à autoridade julgadora, repise-se. 49. Tal está em perfeita harmonia com o já reproduzido art.170 do CTN (nosso item 50. Com efeito, diferentemente do lançamento do crédito tributário - em que a autoridade tributária exige do interessado o crédito tributário que constituiu -, aqui, em sede de compensação, é o interessado que, perante o Fisco, vem dizer que é titular de direito creditório líquido e certo. 51. Por isso, a disposição da lei: quem alega que possui direito creditório, líquido e certo, passível de compensação, é que deve reunir as provas do dito direito. 52. É verdade, também, que as informações registradas nos bancos de dados e nos sistemas desta RFB podem dispensar a produção de provas pelo interessado. 53 Nada, porém, desloca para a autoridade tributária o ônus da prova da liquidez e da certeza do direito afirmado em Per/dcomp. Fl. 1958DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.171 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.901146/2021-87 7 De fato, provar não é apenas juntar centenas de documentos e exigir que a autoridade fiscal promova a sua análise sem a mínima concatenação, justificativa e conciliação, especialmente ao se tratar de PER/DCOMP onde o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito é inteiramente do contribuinte. Em sede de manifestação, em que pese bem articuladas as suas razões, o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus e buscou, de forma clara, imputar à administração o dever de analisar e conciliar os documentos para confirmar suas alegações. No presente caso, não estamos diante de um volume tão grande de operações que ensejassem grande complexidade probatória que justificasse a DRJ converter em diligência sem demonstração de esforço probatório pela Recorrente. Ocorre que, em que pese a DRJ não tenha convertido o presente processo em diligência, o fato é que acabou por realizar uma verdadeira diligência e fez nova conciliação com os sistemas da Receita e acabou por validar mais uma parcela do crédito. Por sua vez, muito embora a DRJ tenha explicitado o que precisaria ser feito pela Recorrente, a mesma acabou por não fazê-lo de forma adequada, promovendo a juntada dos mesmos elementos e argumentos. Entretanto, não há como negar o fato de que quase a totalidade do crédito originalmente pleiteado foi confirmado, seja pela unidade de origem seja pela DRJ. Por sua vez, o IRRF remanescente decorre de prestação de serviços para órgãos públicos que possuem procedimentos de retenção de tributos bem constituídos e processos de pagamento fiscalizados por órgãos de controles. Assim, em que pese tal complemento dialético das provas já pudesse ter trazido pela contribuinte em seu Recurso, diante da razoabilidade de suas razões e o grande volume de crédito já reconhecido, em atenção ao princípio da verdade material entendo pertinente a conversão do presente processo em diligência. Todavia, todo o ônus probatório deve recair sobre o contribuinte. Desta feita, oriento o meu voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que a unidade de origem: a) Intime a Recorrente para que elabora planilha analítica com a conciliação das operações que geraram as retenções não reconhecidas, vinculando notas fiscais, lançamentos em extratos bancários e no sistema informatizado do recorrente, indicando o número das folhas em que se encontram os respectivos lançamentos bem como sua devida composição e devido oferecimento à tributação; Fl. 1959DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1401-001.171 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.901146/2021-87 8 b) Como complemento probatório, a Recorrente também deverá ser intimada para que apresente as respectivas ordens bancárias e de pagamento emitidas pelas respectivas fontes pagadoras, com a vinculação aos empenhos e respectivos documentos fiscais, também devidamente conciliados; c) Após, a autoridade fiscal deve proceder à análise da documentação fornecida e verificar se resta comprovado, efetivamente, que a Recorrente recebeu os respectivos valores líquidos, devidamente descontados das notas fiscais e oferecidos à tributação; d) Intime o Recorrente do resultado para dele se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias; e) Após, com ou sem manifestação, retornem os autos para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1960DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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11389764 #
Numero do processo: 16682.900202/2020-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Decisão regularmente fundamentada e apta a permitir o exercício do contraditório e da ampla defesa. Rejeição da preliminar. MATÉRIA-PRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO. O direito ao crédito de IPI sobre a aquisição de matéria-prima ou produto intermediário é garantido quando ocorre o desgaste de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, excluindo-se aqueles bens componentes ativo imobilizado que sofrem o desgaste apenas indireto nº processo produtivo. Resp nº 1.075.508/SC. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O Tema nº 168 dos Repetitivos do E. STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos. AQUISIÇÃO DE MATERIAL REFRATÁRIO. CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Material refratário destinado à manutenção ou reparo de fornos e demais instalações, ainda que se desgaste pelo contato direto com o produto em fabricação, não dá direito a crédito do IPI. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção.
Numero da decisão: 3202-003.700
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria, que votavam por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas relativas ao coque de petróleo e aos materiais refratários. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.589, de 17 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.900197/2020-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Decisão regularmente fundamentada e apta a permitir o exercício do contraditório e da ampla defesa. Rejeição da preliminar. MATÉRIA-PRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO. O direito ao crédito de IPI sobre a aquisição de matéria-prima ou produto intermediário é garantido quando ocorre o desgaste de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, excluindo-se aqueles bens componentes ativo imobilizado que sofrem o desgaste apenas indireto nº processo produtivo. Resp nº 1.075.508/SC. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O Tema nº 168 dos Repetitivos do E. STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos. AQUISIÇÃO DE MATERIAL REFRATÁRIO. CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Material refratário destinado à manutenção ou reparo de fornos e demais instalações, ainda que se desgaste pelo contato direto com o produto em fabricação, não dá direito a crédito do IPI. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. Fl. 495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria, que votavam por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas relativas ao coque de petróleo e aos materiais refratários. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.589, de 17 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.900197/2020-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que DEFERIU PARCIALMENTE o ressarcimento solicitado no PER nº 39215.74510.270918.1.1.01-9431, no montante de R$ 439.896,16, e homologou parte da compensação declarada na DCOMP 36395.07425.191018.1.3.01-4094, gerando a cobrança ora contestada de R$ 277.637,71 (valor principal) em débitos da contribuinte. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO. IPI Fl. 496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 3 Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. CRÉDITOS DE IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O crédito de IPI está ligado diretamente ao fato de o insumo participar intrinsecamente do processo produtivo. Como isso não ocorre com as máquinas, equipamentos e instalações, suas partes e peças, não cabe crédito de IPI relativo à aquisição destes materiais. CRÉDITO DE IPI. COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos relativos a produtos que, por não se enquadrarem nos conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não ensejam direito de crédito do IPI, nos termos do Regulamento do IPI e do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. CRÉDITO DE IPI. MATERIAL EXPLOSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os materiais explosivos não são insumos usados na industrialização do cimento e sim na mineração de produtos não tributados e, portanto, fora do conceito de industrialização. Somente se pode considerar industrialização aquilo que está disposto no artigo 4º do RIPI/2010, ou seja, transformação, acondicionamento, beneficiamento, montagem e renovação. A referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente solicita, em síntese: (i) Preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do acórdão recorrido e determinado novo julgamento, notadamente em razão do indeferimento do pedido de produção de perícia técnica realizado pela Empresa – ou, ao menos, seja o julgamento convertido em diligência, para realização da perícia técnica; (ii) No mérito, seja reformado o acórdão recorrido, para que, reconhecendo-se as naturezas de produto intermediário e de matéria prima dos produtos ora em Fl. 497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 4 discussão, sejam integralmente homologados os pedidos de ressarcimento e compensação efetivados pela Empresa e glosados pela Fiscalização. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à admissibilidade, à preliminar de nulidade e ao mérito, ressalvado quanto aos materiais refratários e do coque de petróleo, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. NULIDADE A recorrente pugna pela nulidade do acórdão da DRJ, sob o argumento de cerceamento de defesa, em razão do indeferimento do pedido de produção de prova pericial, a qual integra o rol de provas passíveis de produção pelo sujeito passivo, configurando violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. As decisões administrativas devem ser fundamentadas e motivadas1, enfrentando todos os pontos sensíveis para a resolução da lide, nos termos dos arts. 5º, LV e 97, X, da CRFB/88. Em relação aos litígios administrativos que envolvam créditos tributários da União, o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972 fixou que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Apesar da cristalina dicção dos dispositivos supracitados, o r. acórdão indeferiu o pedido de perícia técnica da Empresa – que, vale dizer, se mostra indispensável para a resolução da discussão em tela. Dessa forma, é medida imperativa o reconheci mento da nulidade do r. acórdão por cerceamento de defesa. Com efeito, toda a discussão dos autos gravita em torno da subsunção ou não dos produtos que geraram os créditos aproveitados pela Empresa ao conceito de pro dutos intermediários ou matéria-prima. Enquanto a Empresa pugna pelo Fl. 498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 5 reconhecimento dos insumos adquiridos como produtos intermediários ou matéria-prima, a Fiscalização sustenta ser impossível essa classificação. (...) Esclareça-se, apenas a partir de uma análise produto a produto, verificando-se sua descrição, bem como a forma de sua utilização no complexo processo industrial de produção de cimento, é possível afirmar, de modo categórico, se determinado pro duto se amolda ou não ao conceito de intermediário ou matéria-prima. No entanto, a c. Turma Julgadora somente aderiu às conclusões da Fiscalização, afirmando que não haveria necessidade de perícia. Ora, com a devida vênia, é justa mente em razão da questão a ser resolvida – a respeito da caracterização dos insumos como produtos intermediários – que houve a instauração do processo administrativo. E essa questão, em razão de sua própria natureza, reclama a realização de perícia técnica capaz de lançar luz sobre a devida função assumida por cada um desses insumos no processo produtivo do cimento, a teor do já demonstrado pela Empresa nestes autos. Nesse sentido, o indeferimento do pedido de produção de prova pericial, que, vale dizer, integra o rol das provas passível de produção pelo sujeito passivo, viola o direito à ampla defesa e ao contraditório. Em conclusão, deve-se determinar (i) o retorno dos autos à primeira instância para novo julgamento em razão da nulidade acima demonstrada; ou, sucessivamente, (ii) a conversão do julgamento em diligência, para que seja realizada a perícia em questão e respondidos os quesitos indicados pela Empresa em sua manifestação de in conformidade. No entanto, importante lembrar que o Decreto regulador do PAF aborda a questão em seu art. 16 e parágrafos, e artigos 18 e 29: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 6 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, conforme detalhado pela DRJ, as diligências e perícias visam, única e tão- somente, dirimir dúvidas com relação às provas carreadas ao processo, no sentido de subsidiar a formação de convicção do julgador, conforme lhe facultam os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não se presta a servir de meio de produção de provas cuja responsabilidade é do encargo da manifestante, por se tratar de crédito a seu favor e, portanto, de direito a ser provado ao Fisco. É ônus processual da interessada fazer prova dos fatos constitutivos de seu direito ou dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da Fazenda Pública. Ademais, no caso em exame, considera-se desnecessária a diligência/perícia proposta pela manifestante, por entendê-la dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Este julgador pode perfeitamente identificar quais os bens objeto de glosa, como se dá a utilização desses bens na cadeia produtiva da interessada e de que forma foram consumidos/desgastados no processo de industrialização. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou quando se exige o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto, fora do campo de atuação do julgador, o que, como já dito acima, não é o caso dos presentes autos. Nesse sentido, entendo que a decisão está fundamentada e não contém nulidade. Neste sentido, a Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Em face do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. MÉRITO Das partes e peças de máquinas e equipamentos Fl. 500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 7 Segundo a DRJ, não geram direito ao crédito os produtos incorporados às instalações industriais, as peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações e das máquinas, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Por outro lado, a recorrente defende que tais considerações não condizem com a realidade da produção do cimento, já que as características da aplicação dos produtos em questão fazem com que se subsumam à norma do art. 226 do RIPI. Isso porque trata-se de peças de vida útil curta, rapidamente consumidas na produção do cimento e que integram os custos de fabricação do produto – motivo pelo qual há que se concluir pela legitimidade dos créditos gerados, sob pena de violação à não-cumulatividade. No ponto em foco são as partes e peças que integram máquinas e equipamentos que o contribuinte deseja se apropriar de créditos de IPI. Segundo o Tema nº 168 do E. STJ, tais elementos, ainda que indispensáveis ao processo produtivo, uma vez que integram máquinas e equipamentos destinados ao processo fabril, não dão direito ao creditamento de IPI. De fato, tais peças e partes não integram o conceito de matéria-prima, insumo, ou material intermediário, nos termos exigidos pelo artigo 11 da Lei 9.779/99 e RIPI/2010 (arts. 226 e 256) mas, como indica a norma do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC nº 27 no seu parágrafo 13, integram a mesma classificação do bem principal a que integram. 13. Partes de alguns itens do ativo imobilizado podem requerer substituição em intervalos regulares. Por exemplo, um forno pode requerer novo revestimento após um número específico de horas de uso; ou o interior dos aviões, como bancos e equipamentos internos, pode exigir substituição diversas vezes durante a vida da estrutura. Itens do ativo imobilizado também podem ser adquiridos para efetuar substituição recorrente menos frequente, tal como a substituição das paredes interiores de edifício, ou para efetuar substituição não recorrente. Segundo o princípio de reconhecimento do item 7, a entidade reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado o custo da peça reposta desse item quando o custo é incorrido se os critérios de reconhecimento forem atendidos. O valor contábil das peças que são substituídas é baixado de acordo com as disposições de baixa deste Pronunciamento (ver itens 67 a 72). Nesse sentido, tais elementos não integram a base de cálculo dos créditos de IPI passíveis de aproveitamento e, por isso, nego provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Dos materiais explosivos Fl. 501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 8 Consoante análise do acórdão proferido pela DRJ, verifica-se que a extração das matérias-primas (calcário, argila e gipsita) e a britagem estariam em uma etapa anterior à industrialização, razão pela qual os insumos nela empregados não gerariam cré ditos de IPI. Isto porque o produto da mineração (no caso o calcário, a brita, a argila e magas ou até o gesso), que são as matérias primas para a produção do cimento, não são tributados pelo IPI (ou seja, constam da TIPI como NT). Com efeito, o conceito de industrialização, à luz da legislação do IPI, abrange apenas os produtos tributados ainda que isentos ou tributados à alíquota zero. Nesse passo, os produtos não tributados (NT), por se situarem fora do campo de incidência do imposto, não se inserem no conceito anteriormente exposto, não sendo considerados, para os efeitos do IPI, como produtos industrializados. Mesmo que se considerasse a mineração como processo industrial, os produtos e materiais usados na extração do calcário, fugiriam ao conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário latu sensu, pois, diferentemente do que alegado pela manifestante, tais conceitos (produtos intermediários e de matérias-primas) deve obedecer estritamente ao estipulado pela legislação do IPI (Lei nº 5.172 de 1996, Decretos, Regulamentos, Instruções Normativas e Pareceres). Assim, os produtos e materiais usados na extração do calcário são custos da mineração, mas na industrialização o insumo é o calcário (que já possui o custo de extração embutido). A não cumulatividade do IPI não permite o uso de créditos de cadeia não industrial, pois estes não são contribuintes do IPI. Ademais, os explosivos e os outros materiais usados na extração do calcário não tiveram contato direto com o produto em fabricação (cimento) nem sofreram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (cimento); ou, vice-versa. Como já dito anteriormente, o princípio da não-cumulatividade tem origem constitucional, entretanto, o direito dele decorrente não é irrestrito, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais e atos infralegais, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Por outro lado, a recorrente defende que a fase de extração do calcário integra o processo de industrialização do cimento. No entanto, é incorreta a classificação da fase de extração do calcário (insumo essencial na produção de cimento) como pré-industrial, isolada do processo de produção. Ora, o processo produtivo do cimento é complexo e integrado por várias etapas, iniciando-se na extração, sendo que os produtos utilizados na explosão em minas de calcário entram em contato direto com a matéria prima do cimento e são integralmente consumidos no processo – razão pela qual, conforme entendimento deste CARF, são intermediários. Fl. 502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 9 Não bastasse tal questão, digno de nota que os produtos utilizados na explosão em minas de calcário entram em contato direto com a matéria-prima do cimento, sendo integralmente consumidos nesse processo industrial, de modo que podem ser legitimamente considerados como produtos intermediários, inclusive atendendo aos requisitos colocados pela própria decisão recorrida. É o que já entendeu a 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária do eg. CARF: CRÉDITO DE IMPOSTO INCIDENTE SOBRE INSUMOS NÃO INCORPORADO AO PRO DUTO FINAL, CONSUMIDO NO PROCESSO, POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. É assegurado o aproveitamento de crédito de IPI de materiais cujo desgaste se dá por uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, independente mente de que não sejam vinculados ao produto final. Recurso provido. (CARF, PTA nº 13876.000441/2001-43, Acórdão nº 3403-00.507, Relator Cons. DOMINGOS DE SÁ FILHO, 3ª TURMA, julgamento em 25/08/2010, destacamos). Nesse contexto, acompanho o entendimento da DRJ, considerando que os produtos provenientes da atividade minerária (tais como calcário, brita, argila, margas e gesso), empregados como insumos na fabricação de cimento, não sofrem incidência do IPI, uma vez que estão classificados na TIPI como “NT” (não tributados). Conforme demonstrado pela DRJ, tais bens não se qualificam como matéria- prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos da legislação de regência do IPI, por não se integrarem ao produto final nem se consumirem ou se desgastarem em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Ademais, inserem-se em etapa anterior e autônoma, a atividade minerária, a qual não se confunde com o processo de industrialização sujeito à incidência do imposto, sobretudo quando o produto extraído se encontra classificado como “NT” (não tributado). Nessa linha, a sistemática da não cumulatividade do IPI não autoriza a apropriação de créditos oriundos de operações estranhas ao ciclo industrial tributado, tampouco permite a extensão do conceito de insumo para abarcar custos próprios de atividade não sujeita à incidência do imposto. Assim, nego provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Quanto aos materiais refratários e do coque de petróleo, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: A ilustre relatora deu parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas relativas ao coque de petróleo e aos materiais refratários. Com a devida vênia, divirjo. Fl. 503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 10 Coque de Petróleo No que diz respeito ao coque de petróleo, a recorrente aduz que o coque de petróleo consiste em matéria-prima do cimento, bem como que se desgasta no processo produtivo. Sem razão a recorrente. Concordo com a fundamentação da decisão recorrida acerca da matéria, a qual adoto como razão de decidir: Em que pese a alegação da impugnante e o parecer do IPT, o coque de petróleo é combustível usado para gerar energia térmica. Para a presente análise, o que importa é saber se este combustível (coque) entra em contato direto com a matéria prima e é consumido em razão deste contato, alterando-se os componentes. Nas indústrias de cimento, o coque (que não possui material volátil bastante para produzir uma chama autossustentável) pode ser usado isoladamente, ou em uma mistura com o óleo combustível, carvão mineral, gás natural, ou até pneu usado, para a combustão no forno rotativo. O uso do coque como combustível é uma escolha da empresa e relacionado com o custo de produção e qualidade do clínquer. Este produto serve para gerar chama e calor nos fornos e é esse calor que transforma a matéria prima em clínquer por meio da calcinação3 (temperatura de + ou - 1500ºC), que após resfriamento será triturado e misturado com gesso, se transformando em cimento. Assim, não há dúvidas que o coque se consome no processo produtivo e é essencial a este, mas a questão é se o combustível se consome pelo contato direto com o produto industrializado e se esse consumo se dá em razão deste contato. Aqui, parece que não. O coque se consome na combustão para emissão do calor que formará o clínquer, mas não entra em contato com o calcário ou argila. É o calor que forma o clínquer, não o coque. Conforme se verifica pela figura abaixo, o que se introduz do forno é a chama e não o coque de petróleo: Apesar de a queima do combustível e de o tipo deste poder interferir na qualidade do produto fabricado, por seus resíduos entrarem em contado com a matéria prima, deve-se ter em mente que não é o coque que entra em contato com o produto fabricado, e seu consumo (queima para gerar calor) não se dá em ação direta com a matéria prima. O fato de os resíduos da queima do coque entrar em contato com o produto fabricado não lhe descaracteriza a classificação de combustível, não lhe cabendo o conceito de matéria-prima. Fl. 504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 11 Assim, o coque de petróleo não pode ser considerado como matéria-prima estrito sensu, porque não é adicionado ou agregado às outras matérias primas, nem matéria prima latu sensu, porque não entra em contato direto com os produtos industrializados consumindo-se em razão deste contato. Assim, correta a glosa. De fato, não é o coque que entra em contato direto com o produto em fabricação, e, seu consumo, não se dá em contato direto com a matéria prima, ele se consome na combustão para a emissão do calor que formará o clínquer, de modo que é o calor que forma o clínquer e não o coque. Ademais, o fato de os resíduos da queima do coque entrar em contato com o produto fabricado não o descaracteriza como combustível utilizado no processo produtivo do cimento. É exatamente nesse sentido que dispõe o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 acerca do coque de petróleo: 11. Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final, (matérias-primas e produtos intermediários, ‘stricto-sensu’, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” No presente caso, o coque de petróleo utilizado como combustível, ao se queimar não exerce ação direta sobre o cimento nem tem contato direito ou indireto com este produto, assim como as cinzas resultantes da combustão. Aliás, o Relatório Técnico 115 562-205, elaborado pelo Instituto de Pesquisas e Tecnologias Laboratório de Materiais de Construção Civil CT-OBRAS (IPT), às fls. 170/268 carreado aos autos pela própria recorrente, demonstra e comprova que o coque de petróleo é um tipo de combustível, largamente utilizado na indústria do cimento, aqui no Brasil e no exterior. O laudo, assim, definiu esse produto: COQUE DE PETRÓLEO ("petroleum coke" ou "petcoke"): subproduto da destilação do petróleo crú num processo denominado craking ou coqueificação, utilizado preponderantemente corno combustível, haja vista sua propriedade de fácil liberação de energia no processo de combustão. Das várias utilizações do coque de petróleo como combustível destacam-se o uso na co-geração em refinarias para a produção de eletricidade, como combustível nos fomos de produção de clínquer, nas fornalhas de centrais hidrelétricas, dentre outras. O fato de as cinzas resultantes da sua combustão serem misturadas à produção do clínquer, matéria prima da fabricação do cimento, com o objetivo de reduzir o impacto da emissão de gases e metais do forno, não o torna produto intermediário e muito menos matéria prima para fabricação do cimento. Fl. 505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 12 Assim, demonstrado e provado que o coque de petróleo não constitui matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização do cimento, e, portanto, não se enquadra no art. 11 da Lei nº 9.779/99, a glosa dos créditos do IPI deve ser mantida. (destaque nosso) Há precedente da 3ª Tuma da CSRF (Câmara Superior de Recursos Fiscais) deste Conselho, conforme acórdão n. 9303-016.700, de 28 de março de 2025, sob a relatoria do eminente conselheiro Alexandre Freitas Costa, cuja parte da ementa reproduzo a seguir: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. No mesmo sentido, há o acórdão n. 9303-015.691, também proferido pela 3ª Turma da CSRF, em 10 de setembro de 2024, sob a relatoria do eminente conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. Resta claro, portanto, que o coque de petróleo não se enquadra como insumo apto ao creditamento de IPI, de sorte que está correta a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Logo, nada a prover neste ponto do recurso. Materiais Refratários Quanto aso materiais refratários, cumpre assinalar que o Parecer Normativo CST nº 260, de 1971 assim dispõe: 01.01 CRÉDITO (exclusive exportação) Substâncias refratárias adquiridas por usinas siderúrgicas e destinadas à construção ou reparo (manutenção) dos fornos e demais instalações. Não Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 13 constituindo matéria prima ou produto intermediário, estão excluídas do direito ao crédito previsto no inciso I, do Art. 30, do RIPI (Decreto nº 61.514/67). (...) 7. É sabido, inclusive através de pareceres do Instituto Nacional de Tecnologia, que os materiais refratários usados nas operações metalúrgicas se perdem sem haver incorporação ao produto. Entretanto, essa perda não é necessariamente destinada ao processo de industrialização, mas, isto sim, dele é decorrência natural, constituindo um desgaste ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento (substituição e conserto de peças e outros reparos mais ou menos constantes e previsíveis), constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos financeiros das indústrias. 8. Isto posto, não se aplica à hipótese em epígrafe o direito previsto no art. 30, inciso I, do Regulamento aprovado com o Decreto nº 61.514/67, por não atenderem ao conceito nele especificado os produtos refratários e ignífugos adquiridos por indústrias siderúrgicas, vez que não se compreendem como matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem, destinados que são ao emprego na construção ou reparo (manutenção ou recondicionamento) de seus fornos e demais instalações, tais como, caçambas, lingoteiras etc, citando-se como exemplo as argamassas retratarias; os refratários pré-moldados, apresentando-se em tijolos, cunhas, suportes, placas, muflas etc, os materiais pulverulentos, tais como a magnesita, a diatomita (Kieselgur), a lã de rocha ou de vidro, etc, isolantes térmicos empregados para evitar a fuga do calor, nas corridas do forno, bem como as demais misturas destinadas a reparar as partes do revestimento e condutos sujeitos à ação agressiva do banho ígneo. 9. Cumpre ter em vista que os materiais refratários submetidos à ação do metal em estado de fusão e às elevadíssimas temperaturas reinantes no interior dos fornos, lingoteiras, caçambas, etc, perdem a resistência que lhes é característica e se desgastam, considerando-se desgaste de uma peça o arrancamento de partículas da sua superfície, geralmente por abrasão ou atrito, o qual, quando continuado, termina por inutilizar a peça. O desgaste observado, é certo, é o fator que determina a oportunidade de substituição dos refratários, visando à melhor proteção dos revestimentos das instalações. Mas isto nada tem a ver com o direito ao crédito do tributo incidente sobre as matérias-primas e produtos intermediários consumidos nos artigos objeto da elaboração. Não se entende por consumo, para os efeitos da legislação fiscal pertinente, a destruição ou perda do produto pelo uso, não componente do processo de fabricação. Haja vista, para simples ilustração teórica, que se chegaria ao mesmo resultado se se empregasse (no caso em foco) um refratário imune ao desgaste. Trata-se, não cabe a menor dúvida, de circunstância acidental e não de um requisito essencial ao processo de industrialização. (...) (destaques nosso) Ulteriormente, o Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, publicado no Diário Oficial de 23/10/1974 (republicado em 02/12/1974), ratificou o entendimento disposto no aludido Parecer Normativo CST nº 260/71, firmando a condição dos Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 14 tijolos refratários utilizados em fornos como partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e instalações: 01 - IPI 01.10 - CRÉDITO (exclusive exportação) produtos consumidos no processo de industrialização O direito ao crédito do imposto, pago na entrada de matérias-primas e produtos intermediários, quando estes são consumidos no processo de industrialização, não compondo o produto final (Art. 32, inc. I, do RIPI/72), restringe-se ao imposto referente àqueles que participam direta e intrinsecamente do processo de industrialização, não se prestando mais à finalidade que lhes é própria após o término de cada etapa do processo. Mister se faz, outrossim, que o produto final seja tributado na saída do estabelecimento. (...) 8. Com efeito, as máquinas, equipamentos e instalações, bem como suas partes, peças e acessórios e ferramentas não se confundem com as matérias-primas e produtos intermediários: estes são submetidos ao processo de industrialização, sendo sua participação intrínseca, ao mesmo; ao passo que aqueles agem sobre o processo, de modo extrínseco. (...) 13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâminas de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc. (destaques nosso) Os materiais refratários estão compreendidos na categoria de “máquinas, equipamentos e instalações, suas partes, peças e acessórios” e não se caracterizam como matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem, conforme expressamente disposto no aludido Parecer Normativo CST nº 260/71. Com efeito, os materiais refratários adquiridos por usinas siderúrgicas são destinados à manutenção ou reparo dos fornos e demais instalações, não são produtos intermediários, agregam características ao forno, como proteção a altas temperaturas e resistência à abrasão e isolamento térmico, e não ao produto em fabricação. As reposições desses materiais refratários em razão dos desgastes pelo uso são decorrentes da própria atividade industrial, pois são submetidos à alta Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 15 temperatura, consistem em despesas de manutenção do forno para seu perfeito funcionamento. Há precedente da 3ª Turma da CSRF deste Conselho acerca da matéria, conforme acórdão 9303-016.321, de 10 de dezembro de 2024, sob relatoria da eminente conselheira Semíramis de Oliveira Duro, conforme parte da ementa e do voto abaixo reproduzidos: Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, NEM CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INVIABILIDADE DO CREDITAMENTO. Consolidada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme acórdão proferido pelo regime de recurso repetitivo (REsp n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009). Parte do voto da relatora Semíramis de Oliveira Duro: (...) Dessume-se da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito do IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Os materiais refratários se desgastam por conta de sua aplicação direta na linha produtiva principal. No entanto, não é o suficiente para se enquadrar na categoria de “produtos intermediários”. Ademais, o refratário não agrega qualquer característica ao produto, mas sim ao equipamento: proteção das altas temperaturas, resistência à abrasão e isolamento térmico. Assim, são acessórios ao forno industrial e aos demais equipamentos, todos integrantes do ativo imobilizado, razão pela qual não geram direito ao crédito de IPI. Os refratários terão sempre a função de proteger a parede metálica do forno, evitando o seu derretimento, ataque químico e perda de calor. E a função dos fornos será sempre a mesma: a queima de combustível gerando calor, que se pretende transferir a uma substância que se quer aquecer. Não se questiona que o refratário tem contato com o produto. Mas este contato não tem o objetivo de agregar ao produto alguma característica especial. Logo, quanto à tomada de crédito, como produto intermediário dos materiais refratários, tal pleito deve ser afastado diante da consolidada jurisprudência do STJ, no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização. (...) (destaques nosso) Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.700 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.900202/2020-13 16 Dessa forma, estão corretas as glosas de créditos de IPI referentes a materiais refratários, efetuadas pela autoridade fiscal. Logo, nada a prover neste tópico do recurso. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 510DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.935845/2017-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3302-002.184
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na unidade de origem, até a decisão final do processo principal, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.179, de 16 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.935844/2017-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Vinicius Guimaraes - Presidente em Exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Vinicius Guimaraes (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Larissa Nunes Girard, o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Vinicius Guimaraes.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na unidade de origem, até a decisão final do processo principal, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.179, de 16 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.935844/2017-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Vinicius Guimaraes - Presidente em Exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Vinicius Guimaraes (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Larissa Nunes Girard, o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Vinicius Guimaraes.

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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.179, de 16 de dezembro de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.935844/2017-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Vinicius Guimaraes - Presidente em Exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Vinicius Guimaraes (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Larissa Nunes Girard, o conselheiro(a) Gilson Macedo Rosenburg Filho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Vinicius Guimaraes. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a saldo credor do IPI. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 35 84 5/ 20 17 -6 0 Fl. 838DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.184 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.935845/2017-60 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: A constatação da prática de infrações que levaram à reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento e à lavratura de auto de infração para exigência dos saldos devedores apurados na ação fiscal resulta no indeferimento do pleito de ressarcimento, nos termos da normatização dada pela RFB, que veda o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva possa alterar, total ou parcialmente, o valor a ser ressarcido Irresignada com a decisão recorrida, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reproduzindo, em síntese apertada, suas razões de defesa. Adicionalmente o julgamento em conjunto com o PA nº 11624.720043/2017-41. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Compulsando os autos, constasse que a DRJ condicionou o direito creditório da Recorrente ao resultado do julgamento proferido nos autos do PA 11624.720043/2017- 41 (ainda não julgado definitivamente). Aquele processo, resultará na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Como se vê, a decisão definitiva que será proferida no processo nº 11624.720043/2017- 41, por envolver questões conexas, caso seja parcial ou totalmente favorável ao contribuinte, validará parcial ou totalmente o crédito por ele apurado e modificará o despacho que não homologou os pedidos de compensação. Neste cenário, verifica-se que a decisão que será proferida no processo administrativo nº 11624.720043/2017-41 repercutirá nestes autos, sendo, necessário apurar o reflexo daquelas decisões ao presente caso. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos a unidade de origem para: (i) sobrestar o julgamento deste processo até o julgamento definitivo do PA 11624.720043/2017-41 (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva a ser proferida naqueles processos com o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Fl. 839DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-002.184 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.935845/2017-60 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de sobrestar o processo na unidade de origem, até a decisão final do processo principal. (documento assinado digitalmente) Vinicius Guimaraes - Presidente em Exercício e Redator Fl. 840DF CARF MF Documento nato-digital

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