Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
10359654 #
Numero do processo: 16682.720259/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Comprovado que o crédito tributário objeto de lançamento de ofício foi, igualmente, exigido em processo distinto, no âmbito do qual foi extinto por pagamento, impõe-se o cancelamento da exigência fiscal, de modo a evitar a cobrança em duplicidade.
Numero da decisão: 1302-007.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, com o cancelamento integral da exigência fiscal tratada no presente processo, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (convocada) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente).
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 06 09:00:03 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Comprovado que o crédito tributário objeto de lançamento de ofício foi, igualmente, exigido em processo distinto, no âmbito do qual foi extinto por pagamento, impõe-se o cancelamento da exigência fiscal, de modo a evitar a cobrança em duplicidade.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 16682.720259/2010-69

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7046520

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1302-007.062

nome_arquivo_s : Decisao_16682720259201069.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

nome_arquivo_pdf_s : 16682720259201069_7046520.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, com o cancelamento integral da exigência fiscal tratada no presente processo, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (convocada) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024

id : 10359654

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 06 09:38:13 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1795577675300995072

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-03-22T14:43:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-03-22T14:43:16Z; Last-Modified: 2024-03-22T14:43:16Z; dcterms:modified: 2024-03-22T14:43:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-03-22T14:43:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-03-22T14:43:16Z; meta:save-date: 2024-03-22T14:43:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-03-22T14:43:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-03-22T14:43:16Z; created: 2024-03-22T14:43:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-03-22T14:43:16Z; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-03-22T14:43:16Z | Conteúdo => S1-C 3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.720259/2010-69 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-007.062 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2024 Recorrente SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO. CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. Comprovado que o crédito tributário objeto de lançamento de ofício foi, igualmente, exigido em processo distinto, no âmbito do qual foi extinto por pagamento, impõe-se o cancelamento da exigência fiscal, de modo a evitar a cobrança em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, com o cancelamento integral da exigência fiscal tratada no presente processo, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (convocada) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 12-94.211, de 30 de novembro de 2017, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pela ora Recorrente. O presente processo se originou de Auto de Infração (fls. 31/40) que constituiu créditos tributários relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anos-calendários de 2005, 2006 e 2007, em decorrência da constatação de compensação indevida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 02 59 /2 01 0- 69 Fl. 563DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.062 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720259/2010-69 de saldos de bases de cálculo negativas da CSLL. A razão para a insuficiência dos saldos compensados seria as alterações realizadas por meio de lançamentos de oficio relativos a anos- calendários anteriores. Após a ciência da citada autuação, foi apresentada a Impugnação de fls. 124/127, na qual a Recorrente arguiu, preliminarmente, que parcela do crédito tributário exigido nos presentes autos já estaria sendo cobrada no processo administrativo nº 16682.720182/2010-27. Em seguida, alegou a improcedência dos lançamentos tratados nos processos administrativos nº 19740.000209/2008-01 e 19740.000114/2009-61, o que imporia o restabelecimento das bases de cálculo negativas apurados para os anos-calendários de 2003 e 2004, com o cancelamento integral do auto de infração em análise nos presentes autos. Apontou que apresentou Impugnações e Recursos Voluntários e pugnou para que as razões de defesa ali expendidas fossem adotadas contra as exigências fiscais tratada nestes autos. Por fim, defendeu que o julgamento do presente processo somente ocorra após as decisões definitivas a serem proferidas naqueles processos. Na decisão de primeira instância (fls. 505/513), apontou-se, inicialmente, que não haveria previsão normativa para o sobrestamento do julgamento da Impugnação apresentada no presente processo. Ao contrário, por força do princípio do oficialidade, haveria o dever da autoridade administrativa de impulsioná-lo até sua conclusão. Os julgadores acolheram a alegação de que os créditos tributários relativos aos anos-calendários de 2005 e 2006 já se encontravam em cobrança no processo administrativo nº 16682.720182/2010-27, cancelando tal parcela do lançamento. Por outro lado, quanto aos processos administrativos nº 19740.000209/2008-01 e 19740.000114/2009-61, apontaram que as exigências ali tratadas já estariam sendo combatidas por meio das peças de defesa ali interpostas, não sendo possível transferir as discussões para os presentes autos. A par disso, em decorrência das desistências apresentadas naqueles processos, as glosas de base de cálculo negativo de CSLL se tornaram definitivas, razão pela qual se manteve o lançamento referente ao ano-calendário de 2007. O Acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. JULGAMENTO CONJUNTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal nem para o sobrestamento, nem para o julgamento conjunto de processos. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a Administração a impulsionar o processo até sua decisão final. APRECIAÇÃO DE PROCESSOS JULGADOS . Incabível o reexame de processos já julgados ou que estejam sendo apreciados por outra unidade judicante, mormente quando os feitos encontram-se decididos definitivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 Fl. 564DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.062 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720259/2010-69 DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Constatado que houve lançamento com mesmo fundamento, fato gerador e base de cálculo para o mesmo tributo já constituído por lançamento de ofício anterior, há que ser cancelado em consonância ao princípio da legalidade e autotutela. Após ser cientificado, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 522/525 no qual sustenta que a parcela do crédito tributário mantida na decisão de primeira instância já teria sido exigida em lançamento de ofício tratado no processo administrativo nº 16682.720594/2011-48, onde teria sido quitada. O processo foi distribuído, por sorteio, à Conselheira Bianca Felícia Rothschild, sendo que, em razão da dispensa a pedido da referida julgadora, houve redistribuição dos autos, igualmente mediante sorteio, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 08 de dezembro de 2017 (fls. 518/519), e interpôs o seu recurso, em 08 de janeiro de 2018 (fl. 520), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que o último dia do referido prazo recaiu em um domingo, de modo que houve a prorrogação para o primeiro dia útil subsequente. O Recurso é assinado, digitalmente, pela própria pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 43, inciso II, do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Isto posto, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. 2 DA DUPLA EXIGÊNCIA E EXTINÇÃO DO DÉBITO Após a decisão de primeira instância, a única parcela do crédito tributário constituído por meio do lançamento de ofício tratado no presente processo se refere à glosa de compensação indevida de bases de cálculo negativas da CSLL, no ano-calendário de 2007, no valor de R$ 1.356.504,30. A Recorrente sustenta que o referido valor já teria sido exigido em lançamento de ofício tratado no processo administrativo nº 16682.720594/2011-48, no âmbito do qual teria sido extinto, por meio de pagamento efetuado com os benefícios estabelecidos na Lei nº 11.941, de 2009 c/c a Lei nº 12.856, de 2013. Apresenta, então, provas neste sentido. Fl. 565DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.062 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720259/2010-69 Do exame dos documentos juntados aos autos, bem como da consulta, no sistema e-processo, ao processo administrativo nº 16682.720594/2011-48, constata-se que o crédito relativo ao ano-calendário de 2007 ali exigido (o que inclui a parcela de R$ 1.356.504,30, referente a compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL) foi transferido para cobrança por meio do processo administrativo nº 16682.720337/2014-59, conforme imagens a seguir: Verifica-se, ainda, que o débito em questão foi incluído no parcelamento instituído na Lei nº 11.941, de 2009 c/c a Lei nº 12.856, de 2013, conforme excerto abaixo, extraído do Recibo de Consolidação atinente ao citado parcelamento: Finalmente, consultando-se o processo administrativo nº 16682.720337/2014-59, por meio do sistema e-processo, constata-se que o referido crédito tributário foi integralmente extinto, no âmbito do referido parcelamento: Deste modo, ainda que o lançamento de ofício tratado no processo administrativo nº 16682.720594/2011-48 tenha sido realizado após aquele de que cuidam os presentes autos, é Fl. 566DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.062 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720259/2010-69 impositivo cancelar a exigência aqui tratada, de modo a evita e cobrança duplicidade do crédito tributário. 3 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, com o cancelamento integral da exigência fiscal tratada no presente processo. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 567DF CARF MF Original

score : 1.0
10359459 #
Numero do processo: 19555.724709/2023-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2020 a 30/09/2022 MULTA ISOLADA DE 50%. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. As alegações de defesa objeto do recurso voluntário que visem discutir matéria estranha à lide não devem ser conhecidas. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. CABIMENTO. A compensação pressupõe a preexistência do direito líquido e certo ao crédito apto a extinguir a obrigação tributária. A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação.
Numero da decisão: 2402-012.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não se apreciando as alegações preliminares, tendo em vista que visam a discutir matéria estranha à lide (inaplicabilidade da multa isolada de 50%) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz- Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 06 09:00:03 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2020 a 30/09/2022 MULTA ISOLADA DE 50%. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. As alegações de defesa objeto do recurso voluntário que visem discutir matéria estranha à lide não devem ser conhecidas. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. CABIMENTO. A compensação pressupõe a preexistência do direito líquido e certo ao crédito apto a extinguir a obrigação tributária. A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 19555.724709/2023-51

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7046467

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2402-012.562

nome_arquivo_s : Decisao_19555724709202351.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : GREGORIO RECHMANN JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 19555724709202351_7046467.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não se apreciando as alegações preliminares, tendo em vista que visam a discutir matéria estranha à lide (inaplicabilidade da multa isolada de 50%) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz- Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2024

id : 10359459

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 06 09:38:12 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1795577675302043648

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-03-21T17:33:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-03-21T17:33:56Z; Last-Modified: 2024-03-21T17:33:56Z; dcterms:modified: 2024-03-21T17:33:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-03-21T17:33:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-03-21T17:33:56Z; meta:save-date: 2024-03-21T17:33:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-03-21T17:33:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-03-21T17:33:56Z; created: 2024-03-21T17:33:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-03-21T17:33:56Z; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-03-21T17:33:56Z | Conteúdo => SS22--CC 44TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 19555.724709/2023-51 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2402-012.562 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 06 de março de 2024 RReeccoorrrreennttee MUNICIPIO DE ARACI IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2020 a 30/09/2022 MULTA ISOLADA DE 50%. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. As alegações de defesa objeto do recurso voluntário que visem discutir matéria estranha à lide não devem ser conhecidas. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. CABIMENTO. A compensação pressupõe a preexistência do direito líquido e certo ao crédito apto a extinguir a obrigação tributária. A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não se apreciando as alegações preliminares, tendo em vista que visam a discutir matéria estranha à lide (inaplicabilidade da multa isolada de 50%) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz- Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 55 5. 72 47 09 /2 02 3- 51 Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.562 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19555.724709/2023-51 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino e Rodrigo Rigo Pinheiro. Ausente a conselheira Ana Cláudia Borges de Oliveira. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 611 Turma da DRJ01, consubstanciada no Acórdão 101-025.187 (p. 98), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, tem-se que: Trata-se de compensação, em GFIP, não homologada, relativa ao período de apuração de 01/2020 a 09/2022, no montante de R$ 32.257.540,06, compreendendo, além da Prefeitura, o Fundo Municipal de Saúde. Tudo, conforme Despacho Decisório de fls.30-42. IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls.55-85, asseverando, em apertada síntese: 1 – As compensações não homologadas, objeto do processo em questão, estão inseridas em seu pedido de parcelamento, sendo pertinente a redução da multa. 2 – A fiscalização omitiu a fundamentação legal em que baseou a imposição tributária, tendo omitido, ainda, a descrição da matéria tributável, caracterizando cerceamento de defesa, o que implica nulidade. 3 – O contribuinte é impedido de exercer sua defesa de forma ampla e irrestrita. O Despacho Decisório em comento possui o vício da incompleta e imprecisa descrição dos dispositivos que foram atribuídos ao contribuinte como infringidos. 4 – As retificações feitas pelo Município tiveram como base somente verbas de caráter indenizatório e/ou transitório, sendo tudo pautado em decisões do STF e do STJ, de modo que não existe razão para que tais compensações sejam consideradas ilegais. 5 – A realização de compensação, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há o que se falar em fraude se não houver dolo. Assim, não se aplica a multa isolada, conforme disposto no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. 6 – A multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendo-se como tributo disfarçado. Ora, não se pode conceber a imposição de multas quando a conduta praticada está estribada na própria legislação. Não se pode exigir que o contribuinte pratique ato afastando-se da própria lei. 7 – Considera-se multa confiscatória aquela que cause ao contribuinte risco de dano, de difícil reparação. A multa em questão, ainda que prevista em legislação específica, assume o caráter nitidamente confiscatório, desrespeitando o princípio do Não- Confisco, previsto na Constituição Federal. Ao final, requer: ... que o presente feito seja suspenso para fins de que os respectivos débitos sejam incluídos parcelamento simplificado, visto seu pedido de adesão. Com isso, conclui-se pela possibilidade da extinção do processo fiscal, objeto da presente petição, visto que seu parcelamento corresponde ao pagamento do débito, conforme entendimento da jurisprudência colacionada. Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.562 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19555.724709/2023-51 Ultrapassado esse pedido, requer a Impugnante a total desconstituição da exigência impugnada, reconhecendo-se a legalidade das retificações e compensações efetuadas pelo Município, conforme amplamente demonstrado. Caso Vossa Senhoria não entenda acerca do aduzido no parágrafo anterior, requer seja incluída a totalidade dos valores constantes no Despacho decisório ora impugnado, inclusive a multa atribuída, no parcelamento simplificado, já devidamente solicitado, para fins de evitar prejuízos ao Município, bem como renúncia de que receita por parte da UNIÃO, nos termos da Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal-LRF. Não sendo provido o pedido anterior, apenas a título de argumentação, requer o afastamento dos juros e da multa, bem como a não aplicação da Taxa SELIC, vez que incabível no caos em apreço. Assim sendo, há evidente necessidade da extinção de todos os processos fiscais que compreendam os débitos aderidos pelo parcelamento simplificado. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do susodito Acórdão nº 101-025.187 (p. 98), conforme ementa abaixo reproduzida: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2020 a 30/09/2022 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ensejam a nulidade, no processo administrativo fiscal, apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. CABIMENTO. A compensação pressupõe a preexistência do direito líquido e certo ao crédito apto a extinguir a obrigação tributária. A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A aplicação da multa de ofício decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder Judiciário. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dos termos da decisão de primeira instância, a Contribuinte apresentou o competente recurso voluntário (p. 113), esgrimindo suas razões de defesa nos seguintes pontos, em síntese: PRELIMINARMENTE * Inaplicabilidade da Multa isolada de 50%  Aplicação da decisão proferida no julgamento do RE nº 796.939/RS - Julgado mérito de tema com repercussão geral - STF afastando multa isolada aplicada nos casos de compensação não homologada;  Contextualização da multa prevista no artigo 74, §17 da Lei nº 9.430/1996; Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.562 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19555.724709/2023-51  Multa isolada prevista no artigo 74, §17 da Lei nº 9.430/1996 analisada à luz da Constituição Federal;  Violação ao direito de petição;  Violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco;  Violação ao non bis in idem; e  Violação aos princípios da igualdade e da isonomia tributária. NO MÉRITO * Adesão ao parcelamento de débitos previdenciários oriundos da EC 113º de 2021 e o Princípio da legalidade; * Débitos correspondem ao período em que há possiblidade de adesão ao PEM; * Extinção do crédito tributário pelo parcelamento; * Suspensão da exigibilidade do débito em face do seu parcelamento; * Suspensão da punibilidade pelo parcelamento – Inexistência de prova de fraude ou simulação; e * Ausência de risco à Receita Federal. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo. Entretanto, não deve ser integralmente conhecido pelas razões a seguir expostas. Da Matéria Não Conhecida Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de lançamento fiscal com vistas a exigir crédito tributário em decorrência da glosa de compensações declaradas em GFIP no período de 01/2020 a 09/2022. De acordo com o Despacho Decisório 609/2023 (p. 30), tem-se que a glosa perpetrada pela autoridade administrativa fiscal se deu em razão de o sujeito passivo, regularmente intimado a detalhar a origem dos créditos compensados em GFIP, com vistas à verificação de sua liquidez e certeza, (...) quedou-se inerte quanto à comprovação da ocorrência fática de recolhimento maior que o devido que pudesse justificar as compensações realizadas (destaque original). Em sua peça recursal, conforme igualmente exposto linhas acima, o Contribuinte defende, em síntese, os seguintes pontos: Fl. 151DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-012.562 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19555.724709/2023-51 PRELIMINARMENTE * Inaplicabilidade da Multa isolada de 50%  Aplicação da decisão proferida no julgamento do RE nº 796.939/RS - Julgado mérito de tema com repercussão geral - STF afastando multa isolada aplicada nos casos de compensação não homologada;  Contextualização da multa prevista no artigo 74, §17 da Lei nº 9.430/1996;  Multa isolada prevista no artigo 74, §17 da Lei nº 9.430/1996 analisada à luz da Constituição Federal;  Violação ao direito de petição;  Violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco;  Violação ao non bis in idem; e  Violação aos princípios da igualdade e da isonomia tributária. NO MÉRITO * Adesão ao parcelamento de débitos previdenciários oriundos da EC 113º de 2021 e o Princípio da legalidade; * Débitos correspondem ao período em que há possiblidade de adesão ao PEM; * Extinção do crédito tributário pelo parcelamento; * Suspensão da exigibilidade do débito em face do seu parcelamento; * Suspensão da punibilidade pelo parcelamento – Inexistência de prova de fraude ou simulação; e * Ausência de risco à Receita Federal. Pois bem! No que tange especificamente às razões preliminares de defesa (todas, ressalte-se, com o objetivo de desconstituir a multa isolada de 50% prevista nos §§ 15 e 17 da Lei nº 9.430/96), impõe-se o não conhecimento das mesmas, tendo em vista que visam a discutir matéria estranha à lide. De fato, analisando-os presentes autos, verifica-se que não houve, in casu, lançamento de multa isolada. Confira-se, a propósito, a decisão do Despacho Decisório nº 609/2023 (p. 41): DECISÃO Nos termos do relatório e fundamentação acima transcritos e no exercício das atribuições privativas de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, a mim conferidas pelo art. 6º, I, b, da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, DECIDO: 1. NÃO HOMOLOGAR as Compensações Declaradas nas GFIP das competências discriminadas no ANEXO I; 2. DETERMINAR o cadastramento dos créditos tributários decorrentes da glosa, discriminados na coluna VALOR GLOSA, do ANEXO I, a ser efetuado no SIEF Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-012.562 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19555.724709/2023-51 Processos, código de receita 3618 (compensação indevida em GFIP), de maneira que passem à condição de exigível desde o vencimento da respectiva competência em que foram indevidamente compensados, observados os acréscimos previstos no §9º, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, assim como o disposto na Nota SIEF Processos nº 003/2014, alterada em 11/03/2015, e seu Anexo I, disponíveis no endereço http://intranet.receita.fazenda/administracao/suara/codac/notas-tecnicas/sief- processos/sief-processos-2014/nota-sief-processos-no-003-2014. 3. DETERMINAR a intimação do contribuinte para que tome ciência do presente Despacho Decisório, conferindo-lhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento ou parcelamento do crédito tributário decorrente dos valores não homologados, acrescidos de multa e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sob pena de encaminhamento do referido crédito à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União e cobrança judicial, ressalvada a possibilidade de apresentação, no mesmo prazo, de manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) competente, conforme art. 135, da IN RFB nº 1.717, de 17 de julho de 20127; e 5. DETERMINAR a adoção das demais medidas acessórias que se fizerem necessárias ao cumprimento integral desta decisão, inclusive quanto ao lançamento da multa isolada a que se refere o §10, art. 89, da Lei 8.212/91 e correspondente representação ao Ministério Público. (grifei) Como se vê – e em resumo – tem-se que o crédito tributário objeto do presente processo administrativo fiscal é composto, apenas, pelos débitos cujas compensações não foram homologadas. É dizer: não houve, no presente PAF, lançamento da multa isolada prevista nos §§ 15 e 17 da Lei nº 9.430/96. Ao contrário, o que houve foi a determinação da adoção das demais medidas acessórias que se fizerem necessárias ao cumprimento integral desta decisão, inclusive quanto ao lançamento da multa isolada a que se refere o §10, art. 89, da Lei 8.212/91. Assim, por visarem a discutir matéria estranha à lide, impõe-se o não conhecimento das preliminares suscitadas no apelo recursal. Das Matérias Conhecidas – Razões de Mérito No que tange às razões de mérito suscitadas pelo Recorrente, verifica-se que estas, em resumo, visam à extinção do crédito tributário em razão de adesão a programa de parcelamento. Ocorre que, conforme destacado pelo órgão julgador de primeira instância, ao que se extrai do Despacho EOPP/DRFSDR nº 11.646/2023, 05 de abril de 2023, fls. 95, não se confirma a alegada inclusão em parcelamento: 3 – Ressalte-se ainda que os débitos constantes deste processo não foram objeto de confissão por parte do contribuinte e sim de lançamento pela fiscalização iniciada em data posterior à finalização do prazo de adesão e confissão previsto na legislação que rege o referido parcelamento, não sendo, portanto, este processo passível de inclusão no PEM. 4 – Foi localizado um pedido de parcelamento simplificado formalizado através do processo nº 10530.72477/2023-45 para o qual o município oferece para parcelamento apenas débitos de contribuição previdenciária patronal para a competência 02/2023. 5 – Não estando, portanto, o débito incluído em parcelamento ou pedido de parcelamento, retorne-se à EQCRE para continuidade. (grifei e destaquei) Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-012.562 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19555.724709/2023-51 Assim, não há que se falar, in casu, em extinção / suspensão do crédito tributário em razão de adesão a parcelamento, tal como defendido pelo Contribuinte, impondo-se a manutenção da decisão de primeira pelos seus próprios fundamentos, a teor do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário, não se conhecendo das alegações preliminares, tendo em vista que visam a discutir matéria estranha à lide (inaplicabilidade da multa isolada de 50%) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 154DF CARF MF Original

score : 1.0
4612258 #
Numero do processo: 16327.001410/2003-86
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS Data do Fato Gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998 PIS. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°, CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. NÃO APLICAÇÃO. O prazo decadencial para a Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS estabelecido no art. 150, § 4°, do CTN, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Precedentes do Pleno do Egrégio STF que vinculam o julgador administrativo, conforme art. 1° do Decreto n.° 2.346/97. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.916
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que deram provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Antonio Praga acompanharam o Conselheiro-Relator pelas suas conclusões. Fez sustentação oral a advogada da Contribuinte, Dra. Cristiane Leme Ferreira, OAB/SP n° 155061.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LEONARDO SIADE MANZAN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)

dt_index_tdt : Sat Apr 06 09:00:03 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200801

ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS Data do Fato Gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998 PIS. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°, CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. NÃO APLICAÇÃO. O prazo decadencial para a Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS estabelecido no art. 150, § 4°, do CTN, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Precedentes do Pleno do Egrégio STF que vinculam o julgador administrativo, conforme art. 1° do Decreto n.° 2.346/97. Recurso especial negado.

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 16327.001410/2003-86

anomes_publicacao_s : 200801

conteudo_id_s : 5581265

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : CSRF/02-02.916

nome_arquivo_s : 40202916_16327001410200386_200801.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : LEONARDO SIADE MANZAN

nome_arquivo_pdf_s : 16327001410200386_5581265.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que deram provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Antonio Praga acompanharam o Conselheiro-Relator pelas suas conclusões. Fez sustentação oral a advogada da Contribuinte, Dra. Cristiane Leme Ferreira, OAB/SP n° 155061.

dt_sessao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008

id : 4612258

ano_sessao_s : 2008

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 06 09:38:23 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1795577675305189376

conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-15T14:10:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 5; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-15T14:10:26Z; Last-Modified: 2011-08-15T14:10:26Z; dcterms:modified: 2011-08-15T14:10:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4be2012f-74a7-4214-a4a0-4b3df10faa9b; Last-Save-Date: 2011-08-15T14:10:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-15T14:10:26Z; meta:save-date: 2011-08-15T14:10:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-15T14:10:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-15T14:10:26Z; created: 2011-08-15T14:10:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-08-15T14:10:26Z; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-15T14:10:26Z | Conteúdo => Re ator Presidente --z•iwidx'—" • • DE MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo a° 16327.001410/2003-86 Recurso n° 204-128.904 Especial do Procurador ,Matéria PIS Acórdão n° 02-02.916 Sessão de 28 de janeiro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO ITAI:J S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS Data do Fato Gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 301 11 1 1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998 PIS. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°, CTN. ART. 45, LEI N.° 8.212/91. NÃO APLICAÇÃO. 0 prazo decglencial para a Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS estabelecido no art. 150, § 4°, do CTN, não se aplicando o art. 45 da Lei n.° 8.212/91 por ser inconstitucional. Precedentes do Pleno do Egrégio STF que vinculam o julgador administrativo, conforme art. 1° do Decreto n.° 2.346/97 . Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire quederam provimento ao recurso. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Antonio Praga acompanharam o Conselheiro-Relator pelas suas conclusões. Fez sustentação oral a advogada da Contribuinte, Dra. Cristiane Leme Ferreira, OAB/SP n° 155061. Processo no 16327.001410/2003-86 Acórdão n.° 02-02.916 FORMALIZADO EM: n u u JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente), Josefa Maria Coelho Marques, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim, Antonio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez López, Emanuel Carlos Dantas de Assis (Substituto convocado), Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ausentes justificadamente os Conselheiros Gileno Gurjgo Barreto e Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório A Fazenda Nacional, por seu procurador, com fundamento no art. 32, inciso II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria n* 55, de 12/03/98, contra decisão consubstanciada em acórdão da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial a esta Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão que considerou ser de cinco anos o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo A. Contribuição para o PIS. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: PIS. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o credito pertinente A contribuição para o Programa de Integração Social - PIS 6. de 05 (cinco) anos, contado da data de ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido. Recurso provido. Segundo as razões apresentadas pelo D. Procurador e conforme o acórdão paradigma citado, o prazo decadencial pra constituir crédito referente à contribuição para o PIS é de dez anos, nos termos do art. 45, da Lei n° 8.212/91. 0 apelo especial, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade, foi recebido pelo despacho n* 204-00.093 da Presidência daquela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. As fls. 236/240, a interessada apresentou contra-razões ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Ê o Relatório. 7/2 2 Processo n° 16327.001410/2003-86 Acórdão n.° 02-02.916 Voto Conselheiro LEONARDO SIADE MANZAN, Relator 0 recurso especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional pode ser admitido nos termos do art. 32, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria ME n° 55/98, e, portanto, dele tomo conhecimento e passo A sua análise. Tratam os presentes autos de controvérsia sobre o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo à contribuição para o PIS. A D. Procuradoria da Fazenda defende que o prazo de decadência para o lançamento da contribuição ao PIS é de dez anos, com fundamento no art. 45 da Lei n° 8.212/91, enquanto que o acórdão recorrido entende ser de cinco anos, conforme previsto no artigo 150, § 4°, do CTN. O lançamento por homologação é aquele que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, consoante os preceitos do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. , Chamo a atenção para.o vocábulo "atividade", acima grifado, pois o objeto de homologação pelo Fisco não 6, e nunca foi, o pagamento, e sim, a atividade do contribuinte de apurar o crédito e tomar todas as providências necessárias A sua satisfação. Por isso, independe, para o inicio da contagem do prazo decadencial, se houve ou não pagamento parcial. 0 termo inicial do prazo decadencial 6, por conseguinte, o momento da ocorrência do fato gerador. Alias, outra não é a posição desta Egrégia Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais — CSRF - , conforme depreende-se do Aresto CSRF/02-01.766 (Sessão de 14 de setembro de 2004), cuja ementa transcrevo adiante: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA 0 PIS - DECADÊNCIA - A contribuição social para o PIS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n 146, III, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Inaplicável a regra estabelecida no art. 45 da Lei n° 8.212/91, até porque a referida lei não incluiu a contribuição para o PIS entre as fontes de custeio da Seguridade Recurso negado. (CSRF/01-05.157). 3 Processo n° 16327.001410/2003-86 Acórdão n.° 02-02.916 Não bastasse o entendimento pacifico desta Casa em relação a matéria, hi recente posicionamento do Egrégio Supremo Tribunal Federal — STF no mesmo sentido, consignado no RE 552.710-7, cuja fundamentação abordou decisões plenárias anteriores do próprio Colendo STF. Foi decidido o que todos já sabiam. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.° 8.212/91 é flagrante, mas foge da competência desta Casa a declaração de inconstitucionalidade. Destarte, face ao disposto no art. 10 do Decreto n.° 2.346/97, por se tratar de entendimento inequívoco do Guardião da Constituição Federal, é medida de rigor que se aplique a decisão daquela Corte, razão pela qual passo a transcrever as razões de decidir, com a devida vênia, registradas no voto condutor prolatado pelo Excelentíssimo Ministro Marco Aurélio: 1. Na espécie, discute-se a constitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, no que introduziram prazo decadencial e prescricional de dez anos para a apuração e constituição de créditos da Seguridade Social, e para a respectiva cobrança. A Corte de origem, com base em precedentes do órgão especial do Tribunal, concluiu pela desarmonia dos referidos dispositivos legais com a Carta, ante a circunstância de não terem sido veiculados por lei complementar. 2. No julgamento do Recurso Extraordinário n° I38.284-8/CE, decidido à unanimidade de votos pelo Plenário em 1 0 de julho de 1992, o ministro' Carlos Yelloso, relator, quanto it natureza da norma para a disciplina do instituto da prescrição consideradas as contribuições sociais, expressamente consignou: Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao C. TN. (art. 146, III, ex vi do disposto no art. 149). Isto não quer dizer que a instituição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não há a exigência no sentido de que os seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes estejam definidos na lei complementar (art. 146, III, a). A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. .t que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, "b'). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, eis contribuições parafiscais (C.F., art. 146, b; art. 149). Esse entendimento veio a ser novamente ressaltado pelo Plenário, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n° 396.266-3/SC, 4 k. Processo n° 16327.001410/2003-86 Acórdão n.° 02-02.916 também relator o ministro Carlos Velloso, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 2004. Assim restou assentado: As contribuições do art. 149 da C.F., de regra, podem ser instituidas por lei ordinária. Por não serem impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146, 111, a). No mais, estão sujeitas its regras das alíneas b e c do inciso III do art. 146, C.F. Assim, decidimos, por mais de uma vez, como, v.g., RE 138.284/CE por mim relatado (RTJ 143/313), e RE 146.733/SP, Relator o Ministro Moreira Alves (RTJ 143/684). Realmente, descabe concluir de forma diversa. Confiram, numa visão eqüidistante, o que está preceituado no artigo 146, inciso III, alínea "b", do Diploma Maior: Art. 146. Cabe à lei complementar: III — estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; b..1 Como se vê, a posição consolidada do Egrégio Supremo Tribunal Federal vem de encontro ao que os mais renomados doutrinadores pátrios, que manifestaram-se com relação à matéria, já haviam externado. Por conseguinte, não é verdade que a inconstitucionalidade do art. 45 ainda não foi declarada pelo Egrégio STF. 0 prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme registrado supra, é regido pelo Art. 150, § 4° do C'IN, que assim dispõe: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei lido fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse 5 Processo no 16327.001410/2003-86 Ac6rclâo n.* 02-02.916 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulagdo". Ora, já não existem mais dúvidas de que o PIS é um tributo sujeito a lançamento por homologação e, por isso mesmo, como já dito, deve seguir o estabelecido no CTN, independentemente de ter ou não havido pagamento antecipado por parte do contribuinte, pois o que homologa-se não é o pagamento em si, mas a atividade de apuração do montante devido. Essa 6, e sera sempre minha posição com relação ao prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Não consigo entender o dispositivo legal (Art. 150, § 40 do CTN) de outra forma. Outra ressalva que sinto-me obrigado a fazer: não ha razão para contar-se de forma diversa o prazo decadencial do PIS e da COFINS, pois ambas são Contribuições Sociais, isto 6, são das mesmas espécie e subespécie! Qualquer alteração que pretenda-se realizar nos prazos decadenciais deverá ser feita necessariamente por Lei Complementar. Alias, outra não é a expressão de nosso Diploma Magno, a saber: "CF/88, Art. 146, III, "b", verbis: Cabe à lei complementar: III — estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributriria, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". (Grifou-se). • . • • .!. No humilde entendimento deste Conselheiro, mas evidentemente respeitando ad máximo as opiniões contrarias, é absurda e absolutamente inaceitável a posição de que o prazo decadencial do PIS encontra-se regido pela Lei 8.212/91, em seu Art. 45, o qual estabelece que o direito da Se.guridade Social de apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. A incoerência de tal dispositivo com a Lei Complementar salta aos olhos de forma manifesta. Insta, ainda, frisar que a Corte Especial do Excelso Superior Tribunal de Justiça — STJ — declarou, por unanimidade de votos, a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.° 8.212/91, nos autos da Argüição de Inconstitucionalidade no Recurso Especial n.° 616.348. Ressalte-se, por Ultimo, que o Egrégio STF vem afastando o declinado dispositivo legal em suas decisões monocraticas, como se pode constatar nos RE n.° 599.991, DJ de 19109/2007, RE n.° 470.382, DJ de 19/09/2007 (Ministro Celso de Mello); RE n.° 540.704, DJ de 08/08/2007, RE n.° 552.855, DJ de 12/09/2007, RE n.° 552.710, DJ de 10/09/2007 (Ministro Marco Aurélio); RE n.° 552.757, DJ de 07/08/2007 (Ministro Carlos Brito) e RE n.° 456.750, DJ de 13/02/2007, RE n.° 534.856, DJ de 26/02/2007, RE n.° 556.241, DJ de 06/09/2007, RE n.° 548.785, DJ de 15/08/2007 e RE n.° 552.824, DJ de 14/08/2007 (Ministro Eros Grau). Lembro que as decisões monocriticas somente podem negar seguimento a recurso interposto, consoante verbera o art. 557 do CPC, quando tratar-se de questão j. pacificada no âmbito do Tribunal. 6 Sala das Sessões, em 28 de 4411.111Pr- 4111.11°.57À.41- DO SIA ZAN e 2008. Processo n° 16327.001410/2003-86 Acórdão n.° 02-02.916 CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Especial. o meu voto. • :6, • e 7

score : 1.0
4751480 #
Numero do processo: 11080.912726/2008-26
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. É ÔNUS DO CONTRIBUINTE APRESENTAR A PROVA DO PAGAMENTO. DARE FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Para ver seu pleito deferido, a recorrente tem a obrigação de apresentar, nos autos, os documentos que provam as suas alegações, in casu, pagamento a maior. Recurso negado.
Numero da decisão: 3401-001.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 06 09:00:03 UTC 2024

anomes_sessao_s : 201009

ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. É ÔNUS DO CONTRIBUINTE APRESENTAR A PROVA DO PAGAMENTO. DARE FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Para ver seu pleito deferido, a recorrente tem a obrigação de apresentar, nos autos, os documentos que provam as suas alegações, in casu, pagamento a maior. Recurso negado.

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010

numero_processo_s : 11080.912726/2008-26

anomes_publicacao_s : 201009

conteudo_id_s : 7046924

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3401-001.042

nome_arquivo_s : 340101042_523886_11080912726200826_003.PDF

ano_publicacao_s : 2010

nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

nome_arquivo_pdf_s : 11080912726200826_7046924.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.

dt_sessao_tdt : Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010

id : 4751480

ano_sessao_s : 2010

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 06 09:38:25 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1795577675320918016

conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:41:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:41:42Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:41:42Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:41:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:df885de7-1f65-4322-aa9f-1b4822de1ed6; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:41:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:41:42Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:41:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:41:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:41:42Z; created: 2010-12-21T10:41:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-12-21T10:41:42Z; pdf:charsPerPage: 1241; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:41:42Z | Conteúdo => acedo Rb-Se'ralfurR Filho - Presidente„ S3-0111 FI 89 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11080,912726/2008-26 Recurso n" 523.886 Voluntário Acórdão n" 3401-01.042 — 4" Câmara / I a Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2010 Matéria COFINS Recorrente FERRAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERRO E AÇO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. É ÔNUS DO CONTRIBUINTE APRESENTAR A PROVA DO PAGAMENTO. DARE FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Para ver seu pleito deferido, a recorrente tem a obrigação de apresentar, nos autos, os documentos que provam as suas alegações, in casu, pagamento a maior. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Jean Cleuter Sirri‘s rMendon Réfator. . _. '.' ,------. _.. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, 'Angela Sartori (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. , Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação da COFINS de fevereiro de 2004 (fis.20/24), com crédito de suposto pagamento a maior, da mesma contribuição, efetuado em agosto de 2001. O pedido foi feito por PER/DECOMP e transmitido em 17/03/2004 (f1.20). Em despacho decisório (fl.11) o pedido foi negado em razão da fiscalização não ter localizado o DARF indicado na PER/DCOMP. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fis.01/10), a qual restou infrutífera diante do acórdão da DM em Porto Alegre/RS (fis.55/56) a qual entendeu que, para haver a compensação, o crédito precisa ter liquidez e certeza, o que é impossível sem a prova do pagamento indevido. Assim a DRI prolatou a seguinte ementa: "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Maniftstação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." A contribuinte foi intimada do acórdão da DR.1" em 02/03/2010 (f1,89) e interpôs Recurso Voluntário em 16/03/2010 (fls.60/82) alegando, em resumo, o seguinte: 1- Para se chegar à base de cálculo da COPINS, é necessário fazer as exclusões permitidas, conforme o § 2' da Lei 9318/98; 2- A aplicabilidade do § 2' da Lei 9318/98 não depende de norma regulamentadora do Poder Executivo, pois trata-se matéria de reserva legal, conforme art, 99 da Constituição Federal; 3- Tem direito à compensação em decorrência de ter efetuado pagamento a maior; 4- O período compreendido entre a resolução n° 49 de 09 de outubro de 1995, e a promulgação da Lei n° 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacatio legis onde não existia a obrigatoriedade de recolhimento do PIS (sie); Por fim, a recorrente pediu a reforma do acórdão da URI para que seja reconhecido o seu direito líquido dos créditos pagos indevidamente para conseqüente homologação da compensação. É o relatório. 2 Processo n° 11080,9I2726/2008-2G S3-C4T1 Acórdão n '3401-01,042 Fi 90 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Relatar. O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em seu Recurso Voluntário a recorrente suscitou diversas matéria, mas, ao que parece, ovidou-se da causa da não-homologação de sua compensação, qual seja, falta de comprovação de pagamento a maior. No despacho decisório (fis,1 1) a autoridade fiscal não adentrou no debate de retroatividade, represtinação ou impossibilidade de exclusão de valor de terceiro, como quer debater a recorrente. Simplesmente a autoridade fiscal informou que não localizou o DARF apontado pela contribuinte em sua PER/DCOMP. Veja-se o teor do despacho decisório: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP.' 6.688,65. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal". Como é possível notar da transcrição acima, a razão do não reconhecimento do crédito não o debate sobre necessidade de norma regulamentar, O crédito não foi reconhecido simplesmente porque não foi constatada a sua existência. No acórdão recorrido, a autoridade julgadora mencionou que a contribuinte não havia falado na prova do crédito e mesmo assim, a recorrente manteve sua tese de defesa, não apresentando a DCTF que prova o pagamento alegado. Sendo assim, não há outra desfecho a não ser negar o reconhecimento do crédito e a conseqüente homologação da compensação, haja vista ser do contribuinte a obrigatoriedade de provar a existência do pagamento a maior. Corno o Despacho Decisório não tratou de matéria de direito, mas apenas de matéria de fato, as matérias de direito apresentadas pela recorrente não são capazes de levar este relatar ao reconhecimento do crédito, motivo pelo qual deixo de apreciar as matérias trazidas pela recorrente, visto que não são relevante para o deslinde do processo. Ex positis,nego proyi7nto ao Recurso Voluntário interposto. S ic/by Jean Cleuter Simoe yAltro--r;ça 3

score : 1.0
10363273 #
Numero do processo: 13893.000682/2010-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NÃO ACOLHIDA. PRECLUSÃO. MÉRITO NÃO APRECIADO. Impugnação apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Não acolhida a tempestividade da Impugnação arguida no recurso, ocorre a preclusão processual, tornando-se descabida a apreciação das demais quesitos apresentados no Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 2003-006.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 06 09:00:03 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202402

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NÃO ACOLHIDA. PRECLUSÃO. MÉRITO NÃO APRECIADO. Impugnação apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Não acolhida a tempestividade da Impugnação arguida no recurso, ocorre a preclusão processual, tornando-se descabida a apreciação das demais quesitos apresentados no Recurso Voluntário.

turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 13893.000682/2010-75

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7048648

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2003-006.410

nome_arquivo_s : Decisao_13893000682201075.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

nome_arquivo_pdf_s : 13893000682201075_7048648.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024

id : 10363273

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 06 09:38:18 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1795577675325112320

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-03-28T16:03:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-03-28T16:03:21Z; Last-Modified: 2024-03-28T16:03:21Z; dcterms:modified: 2024-03-28T16:03:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-03-28T16:03:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-03-28T16:03:21Z; meta:save-date: 2024-03-28T16:03:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-03-28T16:03:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-03-28T16:03:21Z; created: 2024-03-28T16:03:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2024-03-28T16:03:21Z; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-03-28T16:03:21Z | Conteúdo => SS22--TTEE0033 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 13893.000682/2010-75 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2003-006.410 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 27 de fevereiro de 2024 RReeccoorrrreennttee AMERICO CIMATTI NETO IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO NÃO ACOLHIDA. PRECLUSÃO. MÉRITO NÃO APRECIADO. Impugnação apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Não acolhida a tempestividade da Impugnação arguida no recurso, ocorre a preclusão processual, tornando-se descabida a apreciação das demais quesitos apresentados no Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 80 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 70 e ss.) que não conheceu, por unanimidade de votos, a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 22 e ss.), lavrada pela constatação de Omissão de Rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 06 82 /2 01 0- 75 Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-006.410 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000682/2010-75 Para o(a) contribuinte, já qualificado(a) nos autos, foi lavrada Notificação de Lançamento, pela DRF/São José dos Campos/SP, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 38.770,51, atualizado até 30/9/2009. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – entregue pelo(a) interessado(a), relativa ao exercício financeiro de 2006, quando foi constatada, conforme a Descrição dos Fatos, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 68.682,15 (com IRRF de R$ 842,20), de acordo com a Declaração de Imposto de Renda na Fonte – DIRF – da Aviccena Assistência Médica Ltda. O(A) contribuinte apresentou impugnação, em 7/4/2010, argumentando, em preliminar, que: Considerando que o Impugnante foi notificado da lavratura da Notificação de Lançamento, ora contestada, em data de 08 de março de 2010 (recebimento pelo correio, com Aviso de Recebimento) e sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a apresentação da presente manifestação, nos termos do que dispõe o art. 15 do Decreto n° 70.235/72, encerrando-se, destarte, no próximo dia 07 de abril de 2010, conclui-se pela sua tempestividade. As razões de mérito trazidas pelo(a) requerente leio em Sessão. À fl. 52 consta o seguinte despacho de funcionário da ARF/Mogi das Cruzes/SP, datado de 14/4/2010: Conforme demonstrado em fls. 44 a 46, o contribuinte supracitado foi cientificado da Notificação de Lançamento n° 2006/608440446232097 em 29/09/2009. Apresentando contestação à referida notificação somente em 07/04/2010, ou seja, fora do prazo previsto pelo art. 15 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. Sendo assim, considerando que o Pedido de Impugnação foi apresentado intempestivamente, proponho a emissão do Termo de Revelia. Foi, então, lavrado em 14/4/2010, pelo Sr. Chefe da ARF/Mogi das Cruzes/SP o Termo de Revelia de fl. 53. Depois de ser cientificado do Termo de Revelia o notificado apresentou, em 2/6/2010, recurso voluntário, fls. 57/65, dirigido à Segunda Seção do Conselho Administrativo Fiscais – CARF, solicitando, dentre outros pontos, que sua impugnação seja conhecida. O acórdão de primeira instância foi exarado dispensado de ementa, conforme Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/10/2016 (e-fls. 78), o sujeito passivo interpôs, em 08/11/2016 (e-fls. 79), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese: - que mesmo diante da intempestividade da impugnação, as matérias de ordem pública devem ser apreciadas pelo julgador administrativo; - aplicação do princípio da verdade material na apreciação das provas; - o recurso voluntário é tempestivo, conforme documentos juntados aos autos; - erro da fonte pagadora ao informar os rendimentos do(a) recorrente, que não pode ser penalizado(a) por esse fato - inexistência de omissão; - o(a) recorrente não recebeu os rendimentos considerados omitidos pela fiscalização, sendo o lançamento improcedente; Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-006.410 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000682/2010-75 - prescrição da cobrança do crédito tributário prevista no art. 174 do CTN, pois não se instaurou o contencioso administrativo; e - os documentos apresentados ensejam a revisão de ofício do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a intempestividade da impugnação e seu reflexo na apreciação dos argumentos e quesitos de ordem pública. Vejam-se os argumentos da DRJ que definiram a intempestividade da impugnação: Em face das circunstâncias que cercam este processo, será verificado, em preliminar, se a impugnação foi apresentada dentro do prazo legal, ou não. Passo a analisar, então, a legislação vigente sobre o tema, especificamente os artigos 15 e 23, do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações posteriores, a seguir transcritos: ... Como se vê, o inciso II, do artigo 23, autoriza a intimação por via postal e prescreve como condição para a sua efetivação que haja prova do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Diferente da intimação pessoal onde apenas o sujeito passivo e seu preposto estão habilitados a tomar ciência, o Decreto no 70.235/72, em seu art. 23, II, não especifica a quem deva ser entregue a intimação por via postal, considerando-o(a), pois, irrelevante, ou seja, é o bastante, quando a intimação é feita por via postal, para dar-se por cientificado o sujeito passivo, que tenha havido a entrega da intimação em seu domicílio tributário. ... ... A Notificação em apreço foi enviada em 28/9/2009 para o endereço constante dos sistemas da Receita Federal à época – Rua Coronel Cardoso de Siqueira, nº 3.232, Lote 6, Quadra 10, Residencial Real Park, Mogi das Cruzes, SP, que é o mesmo informado na peça de defesa, tendo sido entregue em 29/9/2009, de acordo com o AR de fl. 50, e, não, em 8/3/2010, conforme alegado pelo requerente. Dessa forma, vencido o prazo de impugnação em 29/10/2009 e apresentada a defesa somente em 7/4/2010, não resta dúvida que o procedimento do(a) notificado(a) foi intempestivo. Ocorre que a oportunidade de o(a) contribuinte discutir administrativamente o crédito tributário regularmente constituído está condicionada, nesta instância de julgamento, à apresentação de impugnação tempestiva, pois somente ela instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal. ... Assim, impugnação apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Não acolhida a tempestividade da Impugnação arguida Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-006.410 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000682/2010-75 no recurso, ocorre a preclusão processual, tornando-se descabida a apreciação das demais quesitos apresentados no Recurso Voluntário, mesmo aqueles de ordem pública como a prescrição. Conclusão Por todo o exposto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 115DF CARF MF Original

score : 1.0
4694711 #
Numero do processo: 11030.001396/00-17
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995 Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.712
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres, que deram provimento integral ao recurso, e Mário Junqueira Franco Júnior que deu provimento parcial ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario

dt_index_tdt : Sat Apr 06 09:00:03 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200704

ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995 Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Recurso especial negado.

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2007

numero_processo_s : 11030.001396/00-17

anomes_publicacao_s : 200704

conteudo_id_s : 4411445

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : CSRF/02-02.712

nome_arquivo_s : 40202712_127395_110300013960017_013.PDF

ano_publicacao_s : 2007

nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM

nome_arquivo_pdf_s : 110300013960017_4411445.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres, que deram provimento integral ao recurso, e Mário Junqueira Franco Júnior que deu provimento parcial ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez.

dt_sessao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2007

id : 4694711

ano_sessao_s : 2007

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 06 09:38:24 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1795577675328258048

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-22T14:49:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-22T14:49:48Z; Last-Modified: 2009-07-22T14:49:49Z; dcterms:modified: 2009-07-22T14:49:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-22T14:49:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-22T14:49:49Z; meta:save-date: 2009-07-22T14:49:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-22T14:49:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-22T14:49:48Z; created: 2009-07-22T14:49:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-07-22T14:49:48Z; pdf:charsPerPage: 1372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-22T14:49:48Z | Conteúdo => CSRPT02 Fls. I , • 4.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° 11030.001396/00-17 Recurso n° 204-127395 Especial do Procurador Matéria RESTITUIÇÃO/COMP PIS Acórdão e CSRF/02-02.712 Sessão de 24 de abril de 2007 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SEMEATO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995 Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres, que deram provimento integral ao recurso, e Mário Junqueira Franco Júnior que deu provimento parcial ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. au- MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS Presidente . . Processo n.• 11030.001396/00-17 CSItEn02 Ao6rdáo n.• CSRF/02-02.712 Fls. 2 ....---' MARIA TEISA MARTÍNEZ LOPEZ Redatora De ignada FORMALIZADO EM: a 4 I i JUL 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJAO BARRETO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, FLAVIO DE SÁ. Processo o.° 11030.001396/00-17 CSRF/T02 •Acórdão o.' CSR F/02.02.712 Fls. 3 Relatório Em 29/09/2000 o contribuinte formulou pedido de restituição por ter recolhido, no período de outubro de 1988 a outubro de 1995, o PIS com base nos DL n2 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Por meio do Acórdão ni.2 204-00.012 a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que a decadência do direito à restituição do PIS recolhido com base nos DL n2 2.445/88 e 2.449/88 deve ser contada a partir da Resolução do Senado fit 49/95. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial com base no • art. 32, I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, alegando que tal decisão violou os artigos 165 e 168 do CTN, pois o prazo para o pedido de restituição é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Requereu a reforma do acórdão recorrido para que seja restabelecida a decisão de primeira instância, que bem teria aplicado o direito ao caso concreto. Por meio do despacho rt2 204-0023 (fls. 7001102) foi dado seguimento ao recurso especial. Cientificado do Acórdão n2 204-00.012, do recurso especial do Procurador e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou em tempo hábil contra-razões pugnando pela mantença do acórdão recorrido. É o Relatório. fçj Processo n.° 11030.001396/00-17 CSRE/T02 Acórdão n.• CSRF/02-02.712 Fls. 4 Voto Vencido Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica nos autos o motivo alegado para a inexistência do indébito foi a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis n2 2.445 e 2.449/88. No tocante ao prazo de decadência par pedir restituição de tributos declarados inconstitucionais, filio-me ao entendimento lançado pelo Ministro Luis Fux no voto proferido no julgamento do RESP N2 511.279, que transcrevo a seguir: VOTO Todavia, mister enfrentar a questão à luz da eficácia da declaração de inconstitucionalidade num e noutro caso. No sistema adotado pelo Brasil, apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omites. Neste sentido, a lição do ilustre constitucionalista José Afonso da Silva: "A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não anula a lei nem a revoga; teoricamente, a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade nos termos do art. 52, X; a declaração na via direta tem efeito diverso, importa em suprimir a eficácia e aplicabilidade da lei ou ato, como veremos nas distinções feitas em seguida. Em primeiro lugar, temos que discutir a eficácia da sentença que decide a inconstitucionalidade na via da exceção, e que se resolve pelos princípios processuais. Nesse caso, a argüição da inconstitucionalidade é questão prejudicial e gera um procedimento incidenter tantum, que busca a simples verificação da existência ou não do vício alegado. E a sentença é declaratória. Faz coisa julgada no caso e entre as panes. Mas, no sistema brasileiro, qualquer que seja o tribunal que a proferiu, não faz ela coisa julgada em relação à lei declarada inconstitucional, porque qualquer tribunal ou juiz, em princípio, poderá aplicá-la por entendê-la constitucional, enquanto o Senado Federal, por resolução, não suspender sua executoriedade, como já vimos." (Curso de Direito Constitucional. São Paulo, Malheiros, 2001, p. 53154) Ora, se a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso apenas tem efeitos inter partes, forçoso concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo Si'? só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito, quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, mesmo no controle difuso, quando da edição gji • Processo n.°11030.001396/00-17 CSRPT02 Acórdão n." CSRF/02-02.712 Fls. 5 de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga omites àquela declaração (CF, art. 52, X). Nesse mesmo sentido, o entendimento de Marco Aurelio Greco e Helenilson Cunha Pontes: . • "21 declaração de inconstitucionalidacle pode advir de um julgamento incidenter tantum proferido em processo de outro contribuinte. Ou seja, um contribuinte, por discordar da exigência, ingressa com algum tipo de processo judicial (suponhamos que antes do prazo de cinco anos do pagamento efetuado) e obtém êxito, a ponto de, naquele processo, ser declarada a inconstitucionalidade da lei. Olhemos da perspectiva dos demais contribuintes. Em relação a estes, esta declaração de inconstitucionalidade tem o efeito de deflagrar a fluência do prazo prescricional? A rigor, a pergunta não é exatamente esta, mas sim sobre um dado anterior, qual seja, saber se essa decisão tem o efeito de alterar a situação jurídica subjetiva de quem não foi pane naquele processo. Uma resposta possível é a de que a decisão incidenter tantum não produz efeitos em relação a terceiros. Portanto, numa primeira interpretação, pode-se sustentar que a declaração incidenter tantum não altera a situação jurídica subjetiva do contribuinte que pagou aquele tributo, mas não participou do processo em que houve a respectiva declaração de inconstitucionalidade. A situação dos demais contribuintes somente será alterada se vier a ser editado um dentre outros dois tipos de atos jurídicos que apresentam eficácia geral e, portanto, atinjam todos os contribuintes, mesmo os que não participaram do processo espec(co. No âmbito federal, pode haver: a) uma Resolução do Senado suspendendo a execução da lei, nos termos do inciso X do artigo 52 da CF/88; ou b) um ato de caráter geral que reconheça a inconstitucionalidade e estenda, a todos os contribuintes que se encontrem na mesma situação, os efeitos do julgamento que a declarou. É o caso de Decreto do Presidente da República, de Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e de Súmula da Advocacia Geral da União." (Inconstitucionalidade da Lei Tributária - Repetição do Indébito. São Paulo, Dialética, 2002, p. 71172) Definidos os limites do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal no controle difuso e no concentrado, subjaz ainda uma questão a ser analisada: tendo em vista que a Ação Direta de Inconstitucionalidade é imprescritível (Súmula 360 do STF), e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52. X. da CF/88, ficariam as ações de repetição do indébito tributário sujeitas à reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido? Os que defendem esta tese sustentam: a) não haver a lei regulando a prescrição da ação para pleitear a restituição de tributo inconstitucional, uma vez que os arts. 168 e 169 do CTN não se refeririam à ação com fundamento na inconstitucionalidade da lei; b) a presunção de constitucionalidade das leis impediria a afirmação da . . Processo n, 11030.001396/00-17 CSRF/1172 Acórdão n.• CSRF/02-02.712 Fls. 6 existência do direito à restituição do indébito antes da declaração da inconstitucionalidade da lei em que se funda a cobrança do tributo. Ora, a inconstitucionalidade da lei, no controle difuso, é causa petendi, e por isso o C77V a ela não se refere, mas tão-somente à ação de repetição, qualquer que seja a sua razão de ser. Por outro lado, a presunção de constitucionalidade das leis não é absoluta. Deveras, num sistema como o brasileiro, em que se admite o controle difuso, inúmeras são as ações em que os contribuintes pleiteiam a repetição sob a invocação incidenter tantum da inconstitucionalidade. Aliás, na hipótese vertente a declaração foi objeto de controle difuso em Recurso Extraordinário, consequentemente, no nosso sistema, não é necessário aguardar uma ação direta de inconstitucionalidade para repetir-se o tributo indevido. , Em sendo possível discutir no controle difuso a legalidade do tributo, a declaração de inconstitucionalidade posterior e em controle concentrado não tem o condão de reabrir prazos superados. A seguir esse raciocínio, vinte anos depois de incorporado o tributo ao erário, e satisfeitas necessidades coletivas com esses fundos, o Estado ver-se-ia instado a devolver as quantias sem que a contraprestação também ocorresse, gerando situação de enriquecimento por parte do cidadão em detrimento do Estada Não é demais lembrar que a segurança jurídica opera-se pro et contra o cidadão e a Administração Pública. Esposando o entendimento acima delineado, afirmou Eurico Marcos Diniz de Santi que: "44 máquina do tempo instalada no interior do direito não permite que seu operador navegue para o passado que quiser, o passado do direito é repleto de cavidades obstruídas pelo fluir do tempo que se tomam inacessíveis pelo próprio direito. Quando tomado como fato jurídico, o tempo cristaliza a trajetória de positivação no presente e consolida juridicamente o passado. No direito tributário, a segurança jurídica garante a consolidação do passado impondo ao Legislativo, que produz as leis, o limite da irretroatividade da lei; ao Executivo, que produz atos administrativos, o limite da decadência e ao Judiciário, que produz sentenças e acórdãos, o limite da prescrição. A segurança jurídica, portanto, promove a legalidade, garantindo o passado da lei, sem deixar de assumir a trajetória da lei no presente e os seus efeitos, ainda que no futuro essa lei deixe de ser lei. Como ensina GERALDO ATALIBA, os efeitos garantidos pela segurança jurídica são a coisa julgada não sujeita a recurso ou ação rescisória; o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Assim também entende RICARDO LOBO TORRES, quando diz que: 'a invalidade da lei declarada genericamente opera de imediato, anulando o presente os efeitos dos atos praticados no passado, salvo com relação à coisa julgada, ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido ou, o que é a - mesma coisa, opera ex tunc relativamente a certos atos como, por exemplo, a sentença penal; no campo tributário, especificamente, isso significa que a declaração de inconstitucionalidade não atingirá a cep coisa julgada, o lançamento definitivo, os créditos prescritos (...)'. \\) Processo n.• 11030.001396100-17 CSRF/T02 Acerdâo n. CSRF/02-02.712 Fls. 7 Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. Corno a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tomando os direitos subjetivos instáveis até que a cortstitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos •os direitos subjetivos tomar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positiva ção do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidacle da lei. O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da adio nata. Trata-se de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstitufrlo pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo, Editora Mar Limonad, 2000, p. 271/277). À luz destes argumentos, conclui-se que nem a declaração de inconstitucionalidade no controle concentrado, nem a Resolução do Senado no controle difuso, e tampouco um ato de caráter geral do Executivo que reconheça a inconstitucionalidade, têm o• condão de ressuscitar direitos patrimoniais prescritos segundo as regras do CTN. Entendimento em sentido contrário, conduziria à iniqüidade de conferir privilégio aos contribuintes que permaneceram inertes em relação àqueles que ingressaram em juízo atacando a lei inconstitucional, uma vez que os primeiros poderiam recuperar tudo o que pagaram sob o império da lei inconstitucional, enquanto que os segundos somente recuperariam o que recolheram no qüinqüênio imediatamente anterior à propositura das respectivas ações. Processo n.• 11030.001396100-17 CSRF/r02 Acórdão n. CSRF/02-02.712 Fls. 8 Portanto, o advento da Resolução n2 49/95 quando muito serve de fundamento para justificar a existência de um indébito, mas não interrompe prazos e nem faz ressurgir direitos patrimoniais atingidos pela decadência ou prescrição. Em virtude destas razões o Secretário da Receita Federal revogou o Parecer Normativo Cosit n2 58/1998, editando o Ato Declaratório SRF n2 96/1999 que fixou a interpretação de que a decadência do direito à repetição de indébito ocorre em 5 anos contados da extinção do crédito tributário. Estabelecido que a declaração de inconstitucionalidade não faz renascer direitos patrimoniais atingidos pela decadência ou pela prescrição, resta verificar quando ocorre a extinção do crédito tributário referida no art. 168, I do CTN. O STJ acolheu a tese do Professor Hugo de Brito Machado, no sentido de que no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, referida no art. 168, I do CTN, ocorre com a combinação do pagamento antecipado e a homologação do lançamento, referidas no art. 156, VII CTN. Segundo este entendimento, caso o contribuinte tenha efetuado algum pagamento, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 42 do CTN começa a fluir a partir da data da homologação do lançamento. Se a homologação for expressa, os cinco anos do prazo de decadência, contam-se a partir desta data. Se for tácita, contam-se os cinco anos a partir do exaurimento do qüinqüênio previsto no art. 150, § 42 do CTN. Com o devido respeito ao Professor Hugo de Brito Machado e ao tribunal, com esta tese não posso concordar. O art. 156, VII do CTN estabelece que: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: VII- o pagamento antecipado e a homologação do lançaniento nos tertnos do disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4°. (grifei) O dispositivo realmente exige a conjugação de dois fatos que são a ocorrência de um pagamento antecipado, ainda que parcial, e a homologação do lançamento, que pode ser tácita ou expressa. Entretanto, esta interpretação não levou em conta que o art. 150, § l s' consigna que (...) O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.(grifei) Por sua vez, o art. 127 do Novo Código Civil deixou claro que quando a condição é resolutiva o ato jurídico tem eficácia deste o momento de sua constituição, ao estabelecer que (...) Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.(...) (grifei). Processo C11030.001396/00-17 CSRF/T02 Isc6rdo n.•CSRF/02-02.712 Fls. 9 Por outro lado, o disposto nos §§ r e 3 2 do art. 150 do CTN permite concluir que mesmo no caso do pagamento antecipado ser parcial, o valor pago será descontado do que for apurado posteriormente pelo fisco. Em outras palavras, isto significa que o pagamento antecipado, ainda que em montante menor do que o devido, gera efeitos jurídicos a partir do momento em que é efetuado, uma vez que o sujeito passivo passa a ser titular de direitos mesmo antes da homologação tácita ou expressa. Com efeito, uma vez efetuado o pagamento antecipado, o contribuinte não precisa aguardar que sobrevenha a homologação tácita ou expressa para requerer certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN, pois este direito surge no momento do pagamento que extingue o crédito sob condição resolutó ria da ulterior homologação. Reforça este argumento o fato de a homologação não ter sido incluída no art. 206 do CTN entre as hipóteses em que a certidão positiva tem efeitos de negativa. Além disso, a teor dos §§ r e 39 do art. 150 do CTN o valor antecipado parcialmente não gera efeito sobre a obrigação tributária, mas gera efeito em relação ao crédito tributário, uma vez que deverá ser descontado do que porventura for apurado em momento posterior pelo fisco. Isto demonstra que pelo menos uma parte do crédito tributário foi extinto na data em que ocorreu a antecipação do pagamento. Ora, se o pagamento antecipado efetuado a menor gera efeitos até em relação à obtenção de certidão negativa, como se pode dizer que não ocorreu a extinção, ainda que parcial, do crédito tributário? Portanto, não tenho a menor dúvida de que a homologação do lançamento, seja ela tácita ou expressa, tem efeitos ex tunc, retroagindo à data em que foi feito o pagamento antecipado. A tese do Professor Hugo de Brito Machado seria válida se o art. 150 § 1 9 do CTN extinguisse o crédito sob condição suspensiva da ulterior homologação do lançamento, mas como o legislador estabeleceu que a condição é resolutória, a extinção definitiva do crédito tributário ocorre no momento da antecipação do pagamento e somente em relação ao montante antecipado. Os efeitos da homologação ou da não-homologação para o fim de exigir- se eventuais diferenças, retroagem à data do pagamento. Desse modo, como o art. 168, 1 do CTN fixa como dies a quo do prazo de decadência a data da extinção do crédito tributário, considero que o prazo para pleitear restituição ou compensação, em relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue-se com o decurso de cinco anos, contados da data do pagamento indevido e não da data da homologação. Este entendimento foi chancelado pelo legislador por meio de interpretação autêntica no art. 39 da Lei Complementar n9 118, de 09/02/2005, no qual ficou estabelecido que para os efeitos do disposto no art. 168, I do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1 9 da referida lei. • Processo C11030.001396/00-17 CSRF/T02 Acórdão n.° CSRF/02-02.712 Fls. 10 Tratando-se de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106,1, do CTN, que tem caráter imperativo. Considerando que no caso dos autos o pedido foi formulado em 29/09/2000, encontram-se prescritos os pagamentos indevidos efetuados até 29/09/1995, exclusive. Com essas considerações, voto no sentido dar provimento ao recurso por considerar extinto o direito à restituição dos pagamento indevidos efetuados até 29/09/1995. exclusive. Sala das S ssões - DF, e 24 de abril de 2007 ANTONIO CARLOS A L1M Processo n.• 11030.001396100-17 CSRF/T02 Acórdão n.• CSRF/02-02.712 Fls. 11 Voto Vencedor Conselheira MARIA TERESA MARTíNEZ LOPEZ, Redatora Designada. Ouso divergir do Ilustre Conselheiro relator acerca da discussão da forma de contagem do prazo, para solicitar a restituição/compensação de tributo pago Indevidamente. No caso dos autos, o pedido de restituição/compensação, foi protocolado em 29/09/2000 e se reporta a pagamentos efetuados sob a égide dos Decretos Lei 2445 e 2449, ambos de 1988. Em primeiro lugar, registrando a controvérsia que o tema envolve, ressalvo a minha opinião particular de reconhecer, na linha de interpretação atual do STJ, que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 32 da Lei Complementar n2 118/2005 1 devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2• No entanto, no caso dos autos, entre as duas interpretações apresentadas — uma pela Fazenda Nacional (5 anos contados do pagamento) e outra a do acórdão recorrido (5 anos, indicando como termo inicial a Resolução do Senado, ao invés da data do pagamento) curvo-me a esta segunda, por ser particularmente a tese defendida por esta Eg. Câmara. I 'Art. 32 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 9 do art. 150 da referida Lei 2 O prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ - Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835-SC). Éj:P Processo n.°11030.001396/00-17 CSRHT02 Acórdão CSRF/02-02.712 Fls. 12 Invoco, na linha do acórdão recorrido, a interpretação expressa no Acórdão abaixo do STJ, embora atualmente esse tribunal já tenha alterado sua jurisprudência 3 Observe-se: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS. DECRETOS-LEI 2445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LC 1‘112 7/70. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não cabe a este Tribunal proceder ao exame de violações à Constituição pela via estreita do recurso especial. 2. Esta Corte Já pacificou o entendimento no sentido de que o termo a quo do lapso prescricional para pleitear a restituição dos valores recolhidos Indevidamente a tftulo de PIS é o da Resolução do Senado que suspendeu a execução dos Decretos-Lei n 2 2.445/88 e 2.449/88, declarados Inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal através do controle difuso. 3. Enquanto não ocorrido o respectivo fato gerador do tributo, não estará sujeita à correção monetária a base de cálculo do PIS apurada na forma da LC 07/70. Entendimento consagrado pela 1 2 Seção do STJ. 4. Agravo regimental improvido. (Negrito ausente no original). (STJ, 22 Turma, Ag Rg no REsp. n 2 449.019/PR, Rel. Min. João Otávio Noronha, J. à unanimidade em 20.05.03, DJU de 09.06.03); Penso equivocado o entendimento de que nos casos de inconstitucionalidade, a data deve ser contada a partir do pagamento. Cabe lembrar que, administrativamente antes da Resolução, indevida era a restituição. Com a publicação da MP n2 1.110, de 31/08/95 - cujo art. 17, VIII, dispensou a constituição de créditos, bem como a inscrição na dívida, no caso do PIS em questão, o próprio parágrafo 22 do art. 17 da MP n2 1.110/95 ressalvou que tal dispensa não implicava em restituição de quantias pagas. Assim, embora anterior à Resolução do Senado rf 49/95, referida MP não permitia a restituição. Daí o direito à repetição de indébito não ter naséido, ainda, na data da MP n2 1.110, que depois de reedições foi convertida na 3 posteriormente o STJ passou a interpretar que o prazo para repetição do indébito, na hipótese de lançamento por homologação, é de dez anos a contar do pagamento indevido, independentemente do indébito ser decorrente de inconstitucionalidade de lei 1 Processo C11030.001396/00-17 CSRF/T02 Acórdão o.' CSRF/02-02.712 • Fls. 13 Lei n2 10.522, de 19/07/2002. Somente na reedição sob o n2 1.621-36, de 10.06.98, é que o § 22 do dispositivo legal referido, agora renumerado como art. 18 teve sua redação alterada para informar que a dispensa da constituição do crédito ou da inscrição na dívida ativa não implicava em restituição ex officio, apenas. Ou seja, a partir da MP n2 1.621-36, quando solicitada a restituição deveria ser deferida. A respeitável Procuradoria comumente traz em seus argumentos, o art. 3 2 da Lei Complementar n2 118/2005 4 . Alega que com a edição da norma sepultou-se definitivamente a controvérsia envolvendo o termo inicial da prescrição em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Entende ser a norma interpretativa, tendo, pois, aplicação retroativa. Penso estar equivocado a interpretação nesse sentido tendo em vista que sobre a matéria, o STJ, segundo noticiam os Embargos de Declaração 327.043/DF, a nova regra - de cinco anos contados a partir do pagamento indevido, introduzida pela Lei Complementar, aplica- se somente aos pedidos administrativos ou ações judiciais protocoladas ou ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005. Antes do pedido, vale a interpretação firmada do Superior Tribunal de Justiça, geral de 10 anos. Esclarecido porque entendo razoável a interpretação de que o prazo para a restituição ou compensação dos indébitos oriundos dos malsinados Decretos- Leis começa a contar da publicação da Resolução do Senado n249/95. Portanto, considerando que a interessada formulou pedido de restituição em 29/09/2000, quando ainda não tinha transcorrido o prazo de cinco anos da data da publicação Resolução do Senado, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial. Sala das Sessões — DF, em 24 de abril de 2007. MARIA TER A MARTíNEZ LCSPEZ 4 "Art. 3Q Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n9 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 2 do art. 150 da referida Lei Page 1 _0049400.PDF Page 1 _0049600.PDF Page 1 _0049800.PDF Page 1 _0050000.PDF Page 1 _0050200.PDF Page 1 _0050400.PDF Page 1 _0050600.PDF Page 1 _0050800.PDF Page 1 _0051000.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1 _0051600.PDF Page 1

score : 1.0
4751420 #
Numero do processo: 13819.003223/2001-45
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE LIQUIDAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. MANUTENÇÃO DA PARTE MANTIDA PELA DRJ. Comprovada a liquidação apenas parcial do crédito tributário lançado, cabe manter o valor remanescente quando o recorrente alega tão somente que teria havido a extinção total, mas não a comprova.
Numero da decisão: 3401-001.061
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)

dt_index_tdt : Sat Apr 06 09:00:03 UTC 2024

anomes_sessao_s : 201010

ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE LIQUIDAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. MANUTENÇÃO DA PARTE MANTIDA PELA DRJ. Comprovada a liquidação apenas parcial do crédito tributário lançado, cabe manter o valor remanescente quando o recorrente alega tão somente que teria havido a extinção total, mas não a comprova.

dt_publicacao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010

numero_processo_s : 13819.003223/2001-45

anomes_publicacao_s : 201010

conteudo_id_s : 7047764

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3401-001.061

nome_arquivo_s : 340101061_13819003223200145_201010.pdf

ano_publicacao_s : 2010

nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS

nome_arquivo_pdf_s : 13819003223200145_7047764.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).

dt_sessao_tdt : Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010

id : 4751420

ano_sessao_s : 2010

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 06 09:38:25 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1795577675331403776

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 90          1 89  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13819.003223/2001­45  Recurso nº  243.857   Voluntário  Acórdão nº  3401­01.061  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de outubro de 2010  Matéria  COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO.  Recorrente  INDÚSTRIAS ARTEB S/A  Recorrida  DRJ CAMPINAS­SP    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1997  AUTO DE INFRAÇÃO. ALEGAÇÃO DE LIQUIDAÇÃO. AUSÊNCIA DE  PROVAS. MANUTENÇÃO DA PARTE MANTIDA PELA DRJ.   Comprovada a  liquidação apenas parcial  do crédito  tributário  lançado,  cabe  manter o valor remanescente quando o recorrente alega tão­somente que teria  havido a extinção total, mas não a comprova.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  4ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos  do voto do(a) Relator(a).    (assinado digitalmente)  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho,  Emanuel  Carlos  Dantas  de Assis,  Jean Cleuter  Simões Mendonça,  Odassi  Gerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Antonio Mário de Abreu Pinto (Suplente).         Fl. 103DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.003223/2001­45  Acórdão n.º 3401­01.061  S3­C4T1  Fl. 91          2 Relatório  O processo trata de auto de infração eletrônico referente à Cofins, cuja multa  foi exonerada pela DRJ. Além de exonerar integralmente a multa de ofício o acórdão recorrido  também  cancelou  parte  do  valor  principal,  por  ter  sido  cobrado  em  processo  anterior,  remanescento em litígio a importância de R$ 26.276,71.   No Recurso Voluntário,  tempestivo, o contribuinte insiste na improcedência  total do lançamento, asseverando que a cobrança anterior, com origem na Certidão de Dívida  Ativa n° 80 6 98 003339­00 e Processo Administrativo n° 13819 001194/97­94  (Doc 05,  fl.  79), e que deu suporte à Execução Fiscal n° 98.1502194­0, resultou em decisão transitada em  julgado pela quitação do crédito tributário em sua totalidade (Doc 06, fl. 80).  Da  parte  cancelada  pela  DRJ  não  coube  remessa  de  ofício,  haja  vista  o  montante exonerado ser inferior ao limite de alçada.  É o relatório, elaborado a partir de arquivo digitalizado.     Voto             Conselheiro Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  do  Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço.  Diante da  peça  recursal,  que  afirma  ter  havido  liquidação  integral  do  valor  lançado mas remete a documento comprobatório da extinção parcial, tal como verificado pela  DRJ, cabe manter sem qualquer reforma o acórdão recorrido.  O documento que, segundo a Recorrente, comprovaria a quitação de  todo o  valor lançado, é o extrato com cópia à fl. 79, referente à Certidão de Dívida Ativa n° 80 6 98  003339­00, no valor de R$ 140.774,95. Este valor  já  foi devidamente considerada pela DRJ,  cujo voto, da ilustre Edeli Pereira Bessa, não merece reparo e explica o seguinte (fls. 61/62):  ...  verifica­se  que  a  autoridade  preparadora  juntou,  às  fls.  40,  extrato  Profisc  do  processo  13819.001194/97­94,  confirmando  que dele faz parte débito do mesmo período em questão, mas no  valor  de  R$  140.774,95,  menor  do  que  aquele  aqui  lançado  (184.764,34). Débito no valor de R$ 140.774,95 também consta  da  cópia  da  Certidão  de  Dívida  Ativa  apresentada  pelo  interessado  no  processo  13819.001142/2002­91  (cópia  parcial  juntada às fls. 57/58 destes autos).  (...)  Assim,  depreende­se  que  o  valor  controlado  no  referido  processo formalizado em 1997 relativo a março/97 corresponde  a uma parcela do quantum aqui lançado.  Quanto à diferença de valor, registre­se que:  Fl. 104DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.003223/2001­45  Acórdão n.º 3401­01.061  S3­C4T1  Fl. 92          3 ­ no sistema PROF1SC, de acordo com pesquisa de fls. 50/54, o  valor  de  R$  140.774,95,  inscrito  em  dívida,  decorre  do  débito  originário de R$ 158.487,63, do qual a parcela de 17.712,68 foi  amortizada por pagamento de valor total de 22.844,07;  ­  no  sistema  SIPADE,  em  que  é  cadastrado  o  pedido  de  parcelamento, também é indicado, conforme pesquisa de fls. 56,  total amortizado de 22.844,07.  Portanto,  depreende­se  que  o  contribuinte  pretendeu  parcelar  para o PA março/97 o valor de R$ 158.487,63.  A  diferença  entre  o  valor  lançado  (R$  184.764,34)  e  o  parcelado  (R$  158.487,63), igual a R$ 26.271,71, é que foi mantida pela primeira instância.   Quanto ao despacho com cópia à fl. 80, prolatado no processo da execução  fiscal e segundo o qual o juízo a julga extinta, refere­se exatamente ao valor de R$ 140.774,95,  e não ao montante total lançado. Mais uma vez é no sentido da liquidação parcial em relação ao  total lançado, estando em consonância com o acórdão recorrido.  Pelo exposto, nego provimento ao Recurso.    Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis                                Fl. 105DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 25/02/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 04/03/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

score : 1.0
10399957 #
Numero do processo: 10855.907946/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 29 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida indevidamente. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PERDCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), desde que comprovada a sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3402-011.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja reconhecido o crédito no montante de R$ 17.007,39 (dezessete mil, sete reais e trinta e nove centavos) de COFINS pago sob o código 5856, homologando-se a compensação até o limite reconhecido. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202402

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida indevidamente. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PERDCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), desde que comprovada a sua certeza e liquidez.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10855.907946/2012-43

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7057230

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3402-011.581

nome_arquivo_s : Decisao_10855907946201243.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO

nome_arquivo_pdf_s : 10855907946201243_7057230.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja reconhecido o crédito no montante de R$ 17.007,39 (dezessete mil, sete reais e trinta e nove centavos) de COFINS pago sob o código 5856, homologando-se a compensação até o limite reconhecido. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Feb 29 00:00:00 UTC 2024

id : 10399957

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:20 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210499633152

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-10T22:32:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-10T22:32:41Z; Last-Modified: 2024-04-10T22:32:41Z; dcterms:modified: 2024-04-10T22:32:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-10T22:32:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-10T22:32:41Z; meta:save-date: 2024-04-10T22:32:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-10T22:32:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-10T22:32:41Z; created: 2024-04-10T22:32:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-04-10T22:32:41Z; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-10T22:32:41Z | Conteúdo => S3-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10855.907946/2012-43 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-011.581 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de fevereiro de 2024 Recorrente CLARIOS ENERGY SOLUTIONS BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, em especial no caso de pedido de restituição decorrente de contribuição recolhida indevidamente. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PERDCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), desde que comprovada a sua certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que seja reconhecido o crédito no montante de R$ 17.007,39 (dezessete mil, sete reais e trinta e nove centavos) de COFINS pago sob o código 5856, homologando-se a compensação até o limite reconhecido. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 79 46 /2 01 2- 43 Fl. 304DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-011.581 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907946/2012-43 Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório nº 042056195, que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 14456.15822.301112.1.3.04-7081 com crédito de recolhimento a maior da Cofins, no valor de R$ 49.307,72, originário de DARF recolhido no valor de R$ 938.856,47 e arrecadado em 25/03/2009. 2. O crédito alegado não foi reconhecido porque o recolhimento encontra-se integralmente apropriado ao débito correspondente declarado pelo contribuinte em DCTF. 3. Cientificado do decisório em 22/01/2013 (fl 10), o contribuinte manifestou inconformidade em 20/02/2013 (fls ), na qual alega, em síntese: Dos fatos: • dedica-se, entre outras atividades, à fabricação e comercialização de baterias, utilizadas, usualmente, em veículos e motocicletas; • em procedimento de auditoria externa realizado pela empresa Deloitte, a requerente constatou que a sua apuração de Cofins, relativa ao PA de fevereiro de 2009, contemplava valores indevidos, especialmente em decorrência de reclassificação de créditos e, ainda da consideração indiscriminada do regime monofásico em operações com baterias classificadas na posição 8507.10.10, que deveriam ter sido tributadas às alíquotas do regime não cumulativo convencional; • isso porque, considerando que a grande parte das operações realizadas era destinada ao comércio atacadista, varejista ou a consumidores finais, a requerente sempre tributava o Pis e Cofins nas suas saídas, às alíquotas de respectivamente 2,3% e 10,8%, próprias do regime monofásico; • ocorre que uma parcela das operações da requerente era realizada para fabricantes de veículos, máquinas e autopeças, pelo que nos termos do art. 3° inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n° 10.485/2002, deveriam ter sido tributadas pelo Pis e Cofins às alíquotas de 1,65% e 7,6%, próprias do regime não cumulativo convencional; • ante tais constatações, recalculou a contribuição devida, procedendo às devidas retificações de alíquotas e reclassificações de créditos, chegando à diferença de pagamento a maior que respaldou o Per/Dcomp de que trata este processo, conforme demonstrativo que apresenta na manifestação de inconformidade. • por lapso, ao processar sua compensação, não retificou a DCTF para reduzir o débito, tendo essa falta motivado a não homologação; • após a emissão do Despacho Decisório tentou transmitir a DCTF retificadora, porém não foi possível porque o sistema da RFB bloqueou a transmissão. Do Direito: • preliminarmente, o Despacho Decisório é nulo porque exarado sem a prévia análise da natureza das saídas e dos valores que geraram os pagamentos a maior reivindicados pelo requerente, violando com isso o dever de motivação a que estão submetidos os atos administrativos; • no mérito, se a DCTF original contemplava valores maiores que os legalmente devidos, não há como impedir a retificação dessas informações prestadas ao Fisco, e, por conseguinte, a repetição dos valores pagos a maior; • segundo jurisprudência do CARF, o direito à compensação não está condicionado à prévia retificação da DCTF, nesse sentido, a retificação tardia das informações prestadas na referida declaração, devem ser atenuadas ante as evidências dos fatos, em face do princípio da verdade material; Fl. 305DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-011.581 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907946/2012-43 • ao final, solicita a realização de diligência, com o intuito de confirmar os elementos da nova apuração realizada, sob a justificativa de assegurar o pleno direito de defesa e considerando o grande número de despachos decisórios recebidos conjuntamente. 4. O julgamento foi convertido em diligência mediante Resolução nº 08-2.632, de em 31 de janeiro de 2014. A unidade local prestou Informação Fiscal, sobre a qual se manifestou o requerente. Ato contínuo, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Fortaleza-CE julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte improcedente, mão reconhecendo o direito ao crédito. Em seguida, devidamente notificada, a empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No recurso voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões de mérito, arguindo que teria direito a um valor adicional de crédito, além daquele já reconhecido, conforme abordou em seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide trata de direito creditório da Recorrente, decorrente de suposto pagamento indevido de Darf de COFINS. Visando utilizar o suposto crédito, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação que foi indeferida parcialmente pela Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito disponível relativo ao referido DARF, o que impediu a homologação integral da compensação. Posteriormente ao recebimento do despacho decisório, a DCTF do período enviada pela Recorrente à Receita Federal foi retificada efetuando o acerto necessário ao reconhecimento do crédito. Como se observa nos autos, a DRJ de Fortaleza converteu o julgamento em diligência para fins de confirmação dos elementos que impactaram na reapuração do tributo do período em discussão. Como resultado dessa diligência, a Autoridade Fiscal confirmou a regularidade da reapuração da contribuição pleiteada pela Recorrente, conforme atesta o seguinte trecho do Relatório de Diligência Fiscal: Após efetuadas as checagens acima, efetuamos planilha sintética comparativa entre a apuração do COFINS no DACON original e retificador (conforme apresentado na Manifestação de inconformidade - fl 15) e os dados constantes ‘Livros_P_Comparativo_Dacon_Fevereiro_2009’ relativo ao procedimento de auditoria externa (fl 261). Fl. 306DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-011.581 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907946/2012-43 O que verificamos, relativamente a este Período de apuração, é que o valor do COFINS apurado pela Delloite está em conformidade com o valor declarado no Dacon retificador. Quanto à apuração dos créditos após o procedimento de auditoria externa o valor informado foi pouco maior que o valor constante do Dacon, daí concluímos que está demonstrado crédito suficiente para comprovar a apuração de COFINS a pagar 02/2009 de R$ 1.038.401,65, conforme Demonstrativo de fl 15. Ocorre que o pagamento efetuado em 25/03/2009 foi de R$ 938.856,47, valor inferior à COFINS devida, sendo assim entendemos que não há valor indevido e não há que ser homologada a DCOMP 14456.15822.301112.1.3.04-7081. Bem como, elaborou-se uma planilha resumindo os valores apurados pela Fiscalização: Com fundamentação no resultado da diligência, a DRJ de Fortaleza não reconheceu a existência de crédito passível de ressarcimento, julgando improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Em seu Recurso, a Empresa aduz que a Autoridade Fiscal desconsiderou que, dentro da reapuração da COFINS, não havia somente o débito de código 5856, mas também o débito de código 1840 aplicável às operações sujeitas à sistemática da Substituição Tributária, os quais foram liquidados por meio de DARFs diversos. Ou seja, não poderia a diligência, por um lado, ter se pautado no valor total da reapuração dos grupos de débitos da COFINS (5856-Cofins Não Cumulativa e 1840-Cofins Substituição Tributária) e, por outro, ter limitado a análise do pagamento apenas ao DARF aplicável ao débito de código 5856, desconsiderando o DARF com o código 1840 recolhido. Contrario sensu, se a diligência apenas se reporta ao pagamento indevido efetuado pelo DARF de código 5856, a sua análise não deveria ter considerado o valor total da COFINS reapurada (R$ 1.038.401,65), mas apenas ao valor reapurado que efetivamente se reporta ao débito da COFINS não-cumulativa do referido código 5856 (R$ 921.849,08). Nesse passo, pede a Recorrente que seja integralmente reconhecido o crédito em discussão no valor de R$ 49.307,77 (quarenta e nove mil, trezentos e sete reais e setenta e sete Fl. 307DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-011.581 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907946/2012-43 centavos), considerando-se, para tanto, a COFINS a pagar no montante de R$ 1.038.401,65 (um milhão, trinta e oito mil, quatrocentos e um reais e sessentae cinco centavos) e, por outro lado, a existência dos pagamentos efetuados em DARF sob os códigos 1840 (R$ 148.852,95) e 5856 (R$ 938.856,47), homologando-se integralmente a compensação. Subsidiariamente, caso não se entenda possível considerar o pagamento efetuado sob o código 1840, pede que seja reconhecido o crédito em discussão no montante de R$ 17.007,39 (dezessete mil, sete reais e trinta e nove centavos), considerando-se estritamente como COFINS a pagar o montante de R$ 921.849,08 (novecentos e vinte e um mil, oitocentos e quarenta e nove reais e oito centavos), parcela que se reporta ao débito de código 5856, e, por outro lado, o recolhimento efetuado sob o mesmo código 5856 (R$ 938.856,47), homologando- se a compensação até o limite. Expostos os fatos envolvidos para melhor entendimento da matéria em debate, passa-se a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. Como se constata, a controvérsia posta diz respeito unicamente a correção da base de cálculo da COFINS utilizada pela Fiscalização para apurar o crédito passível de restituição e compensação. Observa-se que a Recorrente se encontra sujeita ao pagamento de dois tipos de COFINS, quais sejam, 5856-Cofins Não Cumulativa e 1840-Cofins Substituição Tributária, tanto que a Recorrente corretamente informou em DCTF retificadora duas naturezas diversas de débitos da COFINS, como se constata nos espelhos das declarações apresentadas: DCTF Fl. 308DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-011.581 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907946/2012-43 No entanto, constata-se que o pedido de constante da PERDCOMP diz respeito unicamente aos valores pagos a maior sob o código 5856 (e-fls.2 a 6), não constando qualquer pedido relativo ao código 1840. Entendo, assim, que o valor da base de cálculo apurada da contribuição devida não poderia ter incluído nos cálculos débitos tributários a título de COFINS Substituição tributária, como fez a Autoridade Fiscal na realização da diligência, tampouco poderia considerar como valor recolhido qualquer valor de COFINS Substituição tributária sob o código 1840 recolhido a maior, como quer a Recorrente, visto que não fez parte do pedido de restituição na PERDCOMP entregue. Desta feita deve-se somar ao valor apurado pela Autoridade Fiscal o valor do débito de COFINS-Substituição Tributária (1840), no montante de R$ 116.552,57, indevidamente incluído no débito apurado de COFINS para efeito de comparação com o DARF pago no valor de R$ 938.856,47, obtendo-se o valor de crédito de R$ 17.007,39. Ou dito de outra forma, deve-se levar em consideração somente o valor apurado sobre o grupo 5856 que foi de R$ 921.849,08 para efeito de comparação com o DARF recolhido sob o mesmo código no montante de R$ 938.856,47, obtendo-se o montante se crédito a ser reconhecido de R$ 17.007,39. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para que seja reconhecido o crédito no montante de R$ 17.007,39 (dezessete mil, sete reais e trinta e nove centavos) de COFINS pago sob o código 5856, homologando-se a compensação até o limite reconhecido. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 309DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-011.581 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.907946/2012-43 Fl. 310DF CARF MF Original

score : 1.0
10401531 #
Numero do processo: 10320.722040/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. ARTIGO 173, I DO CTN. COMPROVAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 72 O prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. As Decisões em que a Autoridade julgadora a quo analisa as alegações formuladas na Impugnação que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador não devem ser considerada nulas por preterição ao direito de defesa. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO EM ENDEREÇO DIVERSO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PREJUÍZO NÃO CONFIGURADO. No âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico, sendo que, tendo em vista que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias - pessoal, postal ou eletrônica -, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia. O dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional Não haverá qualquer nulidade nas hipóteses em que as intimações são realizadas por via postal e são enviadas aos endereços que constam nos cadastros da RFB, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DAS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA A BOA COMPREENSÃO DAS RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS RELATIVAS ÀS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA ATENDIDOS. Não há que se falar em nulidade com fundamento no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 nas hipóteses em que as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias discutidas restam expostas, de forma clara, nos documentos que são devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações. PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo de complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípios da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ARTIGO 6º, I, “a” DA LEI Nº 10.593/2002. ARTIGOS 121 E 142 DO CTN. De acordo com o artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para constituir o crédito tributário mediante o lançamento. A determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos dos artigos 121 e 142 do CTN. O Auto de infração lavrado por autoridade competente em conformidade com a legislação de regência e o julgamento proferido por Delegacia de julgamento competente devem ser considerados válidos. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO. PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 171. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui-se em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, por isso mesmo, quaisquer irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não ensejam a nulidade do lançamento tributário, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESSUPOSTO DE EXISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA À REALIDADE DOS FATOS E DO DIREITO. ATO-NORMA VÁLIDO. O instituto do lançamento tributário se enquadra na categoria dos atos administrativos e, enquanto tal, sua identidade estrutural é composta por elementos e pressupostos de existência, os quais, em conjunto, equivalem aos requisitos necessários para que o ato possa ser considerado como integrante do sistema jurídico, enquadrando-se, portanto, na espécie “ato administrativo”, inserindo-se aí os pressupostos do motivo e da motivação do ato-norma de lançamento. Nas hipóteses em que a motivação do lançamento é adequada à realidade dos fatos e do direito o ato-norma de lançamento será válido, não havendo se cogitar, aqui, da nulidade do auto de infração, já que os motivos que ensejaram a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não se confundem com os motivos que implicam na apuração de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada. PRELIMINAR. NULIDADE. ILEGALIDADE DIRETA E POR DERIVAÇÃO DAS PROVAS. ÂMBITO CRIMINAL E ÂMBITO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIAS INDEPENDENTES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DO ILÍCITO. ELEMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS CONSTITUÍDOS NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal, mas apenas nas hipótese em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As provas que lastreiam e dão substrato fático ao Auto de Infração foram produzidas pela própria autoridade autuante no bojo do procedimento fiscalizatório e, por si só, sustentam o lançamento no todo, independentemente das provas que foram colhidas no âmbito criminal, as quais, aliás, foram, por força de decisão judicial, regularmente compartilhas com a Receita Federal, não havendo se falar, portanto, na nulidade do lançamento por suposta quebra de sigilo bancário. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE. EXAME DE EXTRATOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há qualquer violação às garantias constitucionais do sigilo bancário e da privacidade nas hipóteses em que a autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições Financeiras (RMF), a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária é cabível quando restar demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas que integravam o quadro social da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN quando restar demonstrado, a partir do conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve a interposição fraudulenta de pessoa(s) em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária quanto a aplicação, de forma concorrente e conjunta, dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. FRAUDE. MOTIVOS APURADOS E COMPROVADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. STANDARD PROBATÓRIO EXIGIDO. CONDUTA INFRATORA QUE SÓ GANHA SENTIDO À LUZ DE UMA FINALIDADE ILÍCITA. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C” DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS CARF Nº 4 E 108. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-007.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, apenas, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à responsabilidade tributária fundamentada no art. 124, inciso I, do CTN, e no art. 135, inciso III, do CTN. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10320.722040/2014-51

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7057630

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1302-007.054

nome_arquivo_s : Decisao_10320722040201451.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA

nome_arquivo_pdf_s : 10320722040201451_7057630.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, apenas, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à responsabilidade tributária fundamentada no art. 124, inciso I, do CTN, e no art. 135, inciso III, do CTN. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024

id : 10401531

ano_sessao_s : 2024

ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. ARTIGO 173, I DO CTN. COMPROVAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 72 O prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. As Decisões em que a Autoridade julgadora a quo analisa as alegações formuladas na Impugnação que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador não devem ser considerada nulas por preterição ao direito de defesa. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO EM ENDEREÇO DIVERSO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PREJUÍZO NÃO CONFIGURADO. No âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico, sendo que, tendo em vista que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias - pessoal, postal ou eletrônica -, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia. O dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional Não haverá qualquer nulidade nas hipóteses em que as intimações são realizadas por via postal e são enviadas aos endereços que constam nos cadastros da RFB, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DAS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA A BOA COMPREENSÃO DAS RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS RELATIVAS ÀS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA ATENDIDOS. Não há que se falar em nulidade com fundamento no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 nas hipóteses em que as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias discutidas restam expostas, de forma clara, nos documentos que são devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações. PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo de complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípios da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ARTIGO 6º, I, “a” DA LEI Nº 10.593/2002. ARTIGOS 121 E 142 DO CTN. De acordo com o artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para constituir o crédito tributário mediante o lançamento. A determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos dos artigos 121 e 142 do CTN. O Auto de infração lavrado por autoridade competente em conformidade com a legislação de regência e o julgamento proferido por Delegacia de julgamento competente devem ser considerados válidos. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO. PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 171. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui-se em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, por isso mesmo, quaisquer irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não ensejam a nulidade do lançamento tributário, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESSUPOSTO DE EXISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA À REALIDADE DOS FATOS E DO DIREITO. ATO-NORMA VÁLIDO. O instituto do lançamento tributário se enquadra na categoria dos atos administrativos e, enquanto tal, sua identidade estrutural é composta por elementos e pressupostos de existência, os quais, em conjunto, equivalem aos requisitos necessários para que o ato possa ser considerado como integrante do sistema jurídico, enquadrando-se, portanto, na espécie “ato administrativo”, inserindo-se aí os pressupostos do motivo e da motivação do ato-norma de lançamento. Nas hipóteses em que a motivação do lançamento é adequada à realidade dos fatos e do direito o ato-norma de lançamento será válido, não havendo se cogitar, aqui, da nulidade do auto de infração, já que os motivos que ensejaram a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não se confundem com os motivos que implicam na apuração de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada. PRELIMINAR. NULIDADE. ILEGALIDADE DIRETA E POR DERIVAÇÃO DAS PROVAS. ÂMBITO CRIMINAL E ÂMBITO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIAS INDEPENDENTES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DO ILÍCITO. ELEMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS CONSTITUÍDOS NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal, mas apenas nas hipótese em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As provas que lastreiam e dão substrato fático ao Auto de Infração foram produzidas pela própria autoridade autuante no bojo do procedimento fiscalizatório e, por si só, sustentam o lançamento no todo, independentemente das provas que foram colhidas no âmbito criminal, as quais, aliás, foram, por força de decisão judicial, regularmente compartilhas com a Receita Federal, não havendo se falar, portanto, na nulidade do lançamento por suposta quebra de sigilo bancário. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE. EXAME DE EXTRATOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há qualquer violação às garantias constitucionais do sigilo bancário e da privacidade nas hipóteses em que a autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições Financeiras (RMF), a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária é cabível quando restar demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas que integravam o quadro social da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN quando restar demonstrado, a partir do conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve a interposição fraudulenta de pessoa(s) em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária quanto a aplicação, de forma concorrente e conjunta, dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. FRAUDE. MOTIVOS APURADOS E COMPROVADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. STANDARD PROBATÓRIO EXIGIDO. CONDUTA INFRATORA QUE SÓ GANHA SENTIDO À LUZ DE UMA FINALIDADE ILÍCITA. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C” DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS CARF Nº 4 E 108. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:21 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210533187584

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-18T01:38:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2024-04-18T01:38:49Z; Last-Modified: 2024-04-18T01:38:49Z; dcterms:modified: 2024-04-18T01:38:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-18T01:38:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-18T01:38:49Z; meta:save-date: 2024-04-18T01:38:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-18T01:38:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2024-04-18T01:38:49Z; created: 2024-04-18T01:38:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 63; Creation-Date: 2024-04-18T01:38:49Z; pdf:charsPerPage: 2589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-18T01:38:49Z | Conteúdo => SS11--CC 33TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10320.722040/2014-51 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1302-007.054 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 15 de março de 2024 RReeccoorrrreennttee PSE COMERCIAL DE PEÇAS PARA VEÍCULOS LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. ARTIGO 173, I DO CTN. COMPROVAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 72 O prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. As Decisões em que a Autoridade julgadora a quo analisa as alegações formuladas na Impugnação que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador não devem ser considerada nulas por preterição ao direito de defesa. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO EM ENDEREÇO DIVERSO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PREJUÍZO NÃO CONFIGURADO. No âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico, sendo que, tendo em vista que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias - pessoal, postal ou eletrônica -, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia. O dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 20 40 /2 01 4- 51 Fl. 29992DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Não haverá qualquer nulidade nas hipóteses em que as intimações são realizadas por via postal e são enviadas aos endereços que constam nos cadastros da RFB, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DAS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA A BOA COMPREENSÃO DAS RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS RELATIVAS ÀS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA ATENDIDOS. Não há que se falar em nulidade com fundamento no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 nas hipóteses em que as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias discutidas restam expostas, de forma clara, nos documentos que são devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações. PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo de complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípios da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ARTIGO 6º, I, “a” DA LEI Nº 10.593/2002. ARTIGOS 121 E 142 DO CTN. De acordo com o artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para constituir o crédito tributário mediante o lançamento. A determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos dos artigos 121 e 142 do CTN. O Auto de infração lavrado por autoridade competente em conformidade com a legislação de regência e o julgamento proferido por Delegacia de julgamento competente devem ser considerados válidos. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO. PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 171. Fl. 29993DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui-se em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, por isso mesmo, quaisquer irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não ensejam a nulidade do lançamento tributário, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESSUPOSTO DE EXISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA À REALIDADE DOS FATOS E DO DIREITO. ATO-NORMA VÁLIDO. O instituto do lançamento tributário se enquadra na categoria dos atos administrativos e, enquanto tal, sua identidade estrutural é composta por elementos e pressupostos de existência, os quais, em conjunto, equivalem aos requisitos necessários para que o ato possa ser considerado como integrante do sistema jurídico, enquadrando-se, portanto, na espécie “ato administrativo”, inserindo-se aí os pressupostos do motivo e da motivação do ato-norma de lançamento. Nas hipóteses em que a motivação do lançamento é adequada à realidade dos fatos e do direito o ato-norma de lançamento será válido, não havendo se cogitar, aqui, da nulidade do auto de infração, já que os motivos que ensejaram a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não se confundem com os motivos que implicam na apuração de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada. PRELIMINAR. NULIDADE. ILEGALIDADE DIRETA E POR DERIVAÇÃO DAS PROVAS. ÂMBITO CRIMINAL E ÂMBITO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIAS INDEPENDENTES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DO ILÍCITO. ELEMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS CONSTITUÍDOS NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal, mas apenas nas hipótese em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As provas que lastreiam e dão substrato fático ao Auto de Infração foram produzidas pela própria autoridade autuante no bojo do procedimento Fl. 29994DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 fiscalizatório e, por si só, sustentam o lançamento no todo, independentemente das provas que foram colhidas no âmbito criminal, as quais, aliás, foram, por força de decisão judicial, regularmente compartilhas com a Receita Federal, não havendo se falar, portanto, na nulidade do lançamento por suposta quebra de sigilo bancário. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE. EXAME DE EXTRATOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há qualquer violação às garantias constitucionais do sigilo bancário e da privacidade nas hipóteses em que a autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições Financeiras (RMF), a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária é cabível quando restar demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas que integravam o quadro social da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN quando restar demonstrado, a partir do conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve a interposição fraudulenta de pessoa(s) em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária quanto a aplicação, de forma concorrente e conjunta, dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 29995DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. FRAUDE. MOTIVOS APURADOS E COMPROVADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. STANDARD PROBATÓRIO EXIGIDO. CONDUTA INFRATORA QUE SÓ GANHA SENTIDO À LUZ DE UMA FINALIDADE ILÍCITA. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C” DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS CARF Nº 4 E 108. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, apenas, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à responsabilidade tributária fundamentada no art. 124, inciso I, do CTN, e no art. 135, inciso III, do CTN. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente Fl. 29996DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Tratam-se, na origem, de Autos de Infração por meio dos quais foram constituídos créditos tributários de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 28.713/28.823), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 28.753/28.792), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 28.794/28.807) e de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 28.809/28.822), relativos aos anos-calendário de 2009, 2010, 2011 e 2012 e cujas exigências restaram formalizadas nos montantes discriminados a seguir: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA (150%) TOTAL IRPJ 454.729,85 158.791,50 682.094,81 1.295.616,16 CSLL 245.128,44 86.123,41 367.692,74 698.944,59 COFINS 557.623,85 204.472,82 836.435,90 1.598.532,57 PIS 120.818,52 44.302,48 181.227,89 346.348,89 TOTAL: R$ 3.939.442,21 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes dos respectivos Autos de Infração (fls. 28.717/28.720, 28.757/28.761, 28.798/28.800 e 28.813/28.815) e com o Relatório de Atividade Fiscal de fls. 28.825/29.265, a Autoridade entendeu por efetuar os respectivos lançamentos a partir da apuração de omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias sem emissão de documentos fiscais, daí por que a Autoridade acabou entendendo por arbitrar o lucro com base na receita bruta das revendas de mercadorias conhecida, nos termos do artigo 530, incisos II e III do Decreto nº 3.000/99, já que, a despeito de ter sido regularmente intimada, a PSE COMERCIAL DE PEÇAS PARA VEÍCULOS LTDA. (“PSE COMERCIAL”) teria deixado de apresentar os livros e documentos contábeis, sendo que, ainda que a fiscalizada tivesse apresentado seus livros contábeis, a Autoridade informou que os mesmos não se prestariam à identificação da efetiva movimentação financeira, conforme se verifica dos trechos abaixo reproduzidos: “RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL [...] 10. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Fl. 29997DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 995. O quadro abaixo traz a receita efetiva da PSE, conforme demonstrado no tópico anterior. 996. No período acima, muito embora a PSE tenha apresentado DIPJ pelo LUCRO PRESUMIDO, em verdade não efetivou a opção por tal modalidade de tributação, posto que não realizou nenhum pagamento. Além disso, apesar de regularmente intimado, não apresentou a escrituração obrigatória. 997. No entanto, ainda que tivesse apresentado uma contabilidade, de se destacar que a contabilidade oficial certamente não contemplaria os diversos registros de operações encontrados pela fiscalização no programa CAIXA, (Filial 067 S. L. MHÃO - fls 28.508 a 28.601), inerentes à fiscalizada, o que implicaria na completa imprestabilidade dessa hipotética contabilidade para a identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou mesmo para apuração do LUCRO REAL. 998. Tal contabilidade seria completamente imprestável simplesmente por força da organização administrativa do esquema, senão vejamos: 999. Dentre as funções primordiais da contabilidade empresarial destacam-se o controle do patrimônio e a obtenção do resultado do empreendimento em um determinado período. Porém, no esquema REDE PRESIDENTE (e por conseqüência também na PSE) tais funções não eram alcançadas pelo uso da contabilidade. Note-se que o esquema mantinha um controle de resultados globalizado, como denotam as planilhas “BALA”, onde as diversas lojas (empresas) do esquema eram consideradas filiais de um único empreendimento REDE PRESIDENTE. Porém, esse controle globalizado, elaborado de forma até rudimentar, em planilhas formato “excel”, era totalmente divorciado da escrituração contábil oficial, que contemplava apenas as operações “oficiais”, vinculadas a cada CNPJ, de modo que a maior parte dos custos, despesas e receitas, não eram escriturados. 1000. Nesse sentido destaca-se que os valores contabilizados pelas diversas empresas do esquema, entre elas a PSE, o são apenas “pró forma”, para cumprir a formalidade legal e emprestar uma aparência de legalidade a um esquema totalmente fraudulento. A escrita contábil se fazia necessária até mesmo para que fosse possível proceder-se à abertura de contas bancárias em nome das empresas. Porém essa contabilidade é apenas formal, ou seja, não espelha as reais operações de cada empresa. Viu-se que existem inúmeros custos e despesas que não são reconhecidos nas diversas “filiais”, tais como as despesas com manutenção dos “bunkers” administrativos do esquema, por exemplo, ou ainda os custos com os diversos veículos registrados em nomes de “laranjas”. São pequenos exemplos de uma infinidade de custos ou despesas que não são rateados e contabilizados nas diversas empresas do esquema, o que torna uma eventual contabilidade oficial apresentada, completamente imprestável à apuração do Lucro Real. 1001. Pode-se citar também os pagamentos e retiradas feitos em favor dos reais proprietários do esquema (FAMÍLIA TOLARDO), como os constantes das planilhas "ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls”, ou aqueles extraídos o programa CAIXA (Fls 26.207 a 26.235) que obviamente não são contabilizados. Fl. 29998DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 1002. Também os colaboradores do esquema, que recebiam diversos valores “por fora” como demonstra o relatório de funcionários do esquema REDE PRESIDENTE (MGA23-3.9 – fls 8.942 a 8.962), onde se tem as colunas “Salário” e “Salário2”. 1003. As vendas efetuadas pelas diversas filiais, sobretudo quando eram vendas sem Nota Fiscal (TAB2), eram depositados em benefício de outras empresas, ou seja, a filial fazia a venda, mas quem recebia os recursos era outra empresa. Nesse sentido veja-se as orientações dadas por DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR, por e-mail, às diversas lojas do esquema (MGA18-15.14– fls 4.760): [...] 1005. A própria sistemática de compras de auto peças, que era centralizada em poucas empresas compradoras, enquanto os pagamentos dessas compras eram feitos por diversas outras empresas da REDE PRESIDENTE, já implica, por si só, na imprestabilidade da contabilidade para aferição do Lucro Real de qualquer uma das empresas envolvidas. [...] 1007. Resta cristalino que a contabilidade oficial (quando existente) era confeccionada apenas pró forma, como obrigação legal, sem guardar relação com a efetividade das operações de cada filial. Isso fica claro também na troca de e-mails, de 2008, entre o principal comandante do esquema – ROBSON MARCELO TOLARDO, e seu preposto, DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR (fls 13.538 a 13.541): [...] 1010. O que se demonstrou neste breve relato é que dentro deste panorama de atuação da REDE PRESIDENTE não há como se considerar apta à aferição do Lucro Real, ou mesmo à identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, a escrituração contábil apresentada por quaisquer das filiais do esquema REDE PRESIDENTE, posto que essas contabilidades não registram nem de perto as reais operações da respectiva “filial” (empresa), sejam de receitas, custos ou despesas. Eram escriturações confeccionadas apenas “pro forma” com o único intuito de fictamente cumprir uma obrigação legal afastando (ou tentando afastar) a possibilidade de autuações fiscais. Restam completamente imprestáveis à apuração do Lucro Real. 1011. A constituição da empresa em nome de laranjas (gerando registros contábeis fictos); os bens (veículos) utilizados pelas empresas, porém registrados em nome de laranjas e cujas despesas, obviamente, não são contabilizadas; funcionários não registrados ou registrados com salários inferiores aos efetivamente pagos (vide MGA23- 3.9 – fls 8.942 a 8.962); todo o esquema de administração clandestina (em “bunkers”) e centralizada, cujas despesas não são contabilizadas; o esquema montado para as compras da REDE, onde algumas empresas são utilizadas para fazer as compras junto aos fornecedores, enquanto outras empresas são utilizadas para fazer o pagamento dessas compras; receitas oriundas de vendas sem notas fiscais de uma empresa, sendo depositadas em contas de outras empresas; as diversas operações efetivas da filial, obtidas a partir do programa CAIXA (fls 28.508 a 28.601), e não contabilizadas, enfim, são elementos que denotam a completa imprestabilidade da contabilidade escriturada pelas “filiais”, e mais que isso, a imprestabilidade se dá por vícios que pela sua própria natureza se mostram completamente insanáveis, ou seja, o esquema todo foi engendrado em uma plataforma operacional que impede a regular aferição contábil individualizada de cada empresa. 1012. A aferição contábil do resultado do esquema, como vimos, não era feita por meio da contabilidade oficial de cada “filial”, mas sim de forma centralizada, por métodos não contábeis, por meio dos controles constantes das planilhas “BALA”. 1013. Assim, ainda que a fiscalizada tivesse apresentado seus livros contábeis, pode-se adiantar que os mesmos não se prestariam à identificação da efetiva movimentação financeira e bancária, condição para a manutenção no LUCRO PRESUMIDO, muito menos à aferição do LUCRO REAL. Fl. 29999DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 1014. De todo modo deve-se destacar que a empresa, apesar de regularmente intimada, sequer apresentou quaisquer livros contábeis, de modo que não resta outra alternativa a não ser a tributação pelo LUCRO ARBITRADO. É o que se denota do art 530 do decreto 3.000 de 26 de Março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; 1015. O arbitramento que se impõe, de acordo com o art 532 do mesmo Regulamento (RIR/99), quando possível, deverá ter por base a Receita Bruta do contribuinte: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). 1016. Assim sendo, efetua-se no presente processo o lançamento tributário relativo ao IRPJ e CSSL reflexa, na modalidade de tributação denominada LUCRO ARBITRADO, tendo-se por base a efetiva receita bruta obtida pela empresa, conforme amplamente discorrido nos tópicos 8. QUANTIFICAÇÃO DA RECEITA DE VENDAS DA REDE PRESIDENTE, e 09. DA VINCULAÇÃO DAS “FILIAIS” DA REDE PRESIDENTE AOS CNPJ:. Do valor lançado diminui-se os valores de IRPJ e CSLL declarado/confessado pela fiscalizada. 1017. No que tange aos reflexos de PIS e COFINS, a fiscalização só os fez incidir sobre as vendas efetivadas pelo contribuinte sob código TAB2 (sem nota fiscal), e portanto, não declaradas. Isso porque, em regra, para as vendas declaradas (TAB1 + Cupom fiscal + Vendas para empresas do Grupo) o contribuinte confessa o PIS e COFINS devidos. 1018. Já no que tange às vendas sob cód TAB2 (sem nota fiscal), e portanto não declaradas, os relatórios extraídos a partir do programa AUTO W não permitem a identificação dos itens vendidos, de modo que não é possível à fiscalização identificar eventuais vendas sujeitas a alguma desoneração de PIS e COFINS, de modo que fez-se incidir reflexos de PIS e COFINS sobre a totalidade dessas receitas (TAB 2)”. Segundo a Autoridade, o procedimento fiscal decorreu do resultado obtido na operação “Laranja Mecânica” que restou deflagrada em 17/11/2012, a qual foi fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal e que, no seu curso, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), tendo sido constatado, então, e a partir da análise de vasta documentação e Fl. 30000DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 arquivos magnéticos apreendidos com autorização da Justiça Federal, a existência de uma rede intrincada de empresas que atuavam no ramo de comercialização de autopeças denominada REDE PRESIDENTE, do qual a autuada faz parte, e as quais, embora fossem constituídas por interpostas pessoas, eram, na verdade, administradas, de fato, por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e das pessoas físicas envolvidas e a farta documentação e os demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados apontaram, de forma contundente e inequívoca, para a existência de um grande empreendimento comercial voltado ao ramo do comércio de autopeças (atacado e varejo) denominado REDE PRESIDENTE, que, no caso, contava com lojas espalhadas em várias unidades da federação e que, embora fosse formalmente constituído por diversas empresas que, a rigor, eram constituídas em nome de “laranjas”, revelaram, no final, e na verdade, que se tratava de um único empreendimento que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo e que, posteriormente, foi transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, Íris da Silva Tolardo, esposa, e para os seus filhos Róbson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Com base em documentação e nos arquivos magnéticos apreendidos, a Autoridade fiscal apurou que as receitas brutas efetivas da fiscalizada nos anos-calendário de 2009, 2010, 2011 e de janeiro a setembro de 2012 foram de, respectivamente, R$ 5.457.529,23, R$ 5.642.688,15, R$ 6.281.112,24 e R$ 5.315.746,52, tendo sido calculados os montantes de IRPJ e de CSLL devidos com base no lucro arbitrado, uma vez que a autuada não declarou nenhum rendimento e havia apresentado DIPJ com receita zerada. No caso, a Autoridade fiscal entendeu, ainda, por aplicar a multa qualificada no percentual de 150% em virtude da ocorrência de sonegação fiscal e fraude, nos termos dos artigos 71, incisos I e II e 72 da Lei nº 4.502/62, haja vista que a autuada teria se utilizado de sistemática um tanto elaborada quanto às vendas sem emissão de notas fiscais as quais, a rigor, não foram declaradas à RFB, e que, no final, permitiram que a contribuinte tivesse omitido parcela relevante de suas vendas mediante esse intricado sistema que era mantido à margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como em razão da apuração de que a sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, conforme se verifica dos trechos abaixo transcritos: “RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL [...] 11. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA 1030. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, define fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 1031. Como podemos observar do até aqui exposto, o contribuinte se utiliza de pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a nossa fiscalizada. Destaque-se que, para tanto utiliza- se de expedientes escusos tais como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Tal conduta obviamente busca modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, qual seja, o real sujeito passivo, enquadrando-se então, o contribuinte, no conceito de fraude constante do art 72 da Lei 4.502/64. Fl. 30001DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 1032. Igualmente enquadra-se no conceito de sonegação, dado pelo art 71, inciso II, da mesma Lei 4.502/64, vez que se constitui em uma ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 1033. Cita-se também toda a elaborada sistemática de vendas sem nota fiscal (TAB2), e que, obviamente, não são declaradas à RFB. Mais que notório, o fato de que ao omitir parcela relevante de suas vendas mediante intrincado sistema (programa informatizado denominado “AutoW”, contemplando vendas “TAB2”, emissão de “cotações para verificação”, etc...), o contribuinte incorre tanto no conceito de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características essenciais), como no conceito de sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do imposto devido). 1034. Ambas condutas (utilização de sócios “laranja” e realização de vendas não declaradas à RFB e sem emissão de NFs) evidenciam claramente o dolo do contribuinte ao cometer as ações caracterizadoras de fraude e sonegação acima descritas. 1035. Tais condutas (fraude e sonegação) impõem a aplicação da multa de ofício em percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 e seu parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Redação do art 44 da Lei 9.430/96, dada pela MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada p/ Lei 11.488, de 2007) .... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 1036. Transcreve-se, também, os artigos pertinentes da Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 1037. Dessa forma, está sendo aplicada a multa qualificada (150%) para o crédito tributário constituído no presente processo”. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores do esquema REDE PRESIDENTE eram os integrantes da família Tolardo, a Autoridade fiscal entendeu por atribuir a responsabilidade tributária com fundamento nos artigos Fl. 30002DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 124, inciso I e 135, inciso III da Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional aos Srs. Íris da Silva Tolardo, Róbson Marcelo Tolardo, Rogério Marcio Tolardo, Samuel Tolardo Junior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Veja-se: “RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL [...] 12. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: 1038. Tendo-se a comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família TOLARDO, os mesmos são nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos respectivos TERMOS DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). 1039. Com efeito, assim dispõe o art 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 1040. Ora, sendo os integrantes da família TOLARDO os verdadeiros proprietários e beneficiários de todo o esquema REDE PRESIDENTE, conforme amplamente comprovado no presente relatório, particularmente no tópico 6. DOS RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO, torna-se inequívoco o fato de que os integrantes da família TOLARDO têm interesse comum nos negócios da REDE PRESIDENTE, da qual faz parte a empresa alvo do presente relatório. 1041. Além disso, também o art 135 do mesmo Código Tributário Nacional, impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 1042. Note-se que são pessoalmente responsáveis os sócios, gerentes, diretores, responsáveis, pelo crédito tributário decorrente dos atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família TOLARDO, que comanda a REDE PRESIDENTE utilizando-se de meios fraudulentos, tais como a interposição de “laranjas” em suas empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, a margem da escrituração ou de declaração. 1043. Deste modo, lavra-se os respectivos TERMOS DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA em desfavor dos reais sócio proprietários do esquema REDE PRESIDENTE, quais sejam: Sra ÍRIS DA SILVA TOLARDO (CPF 958.804.969-53), Sr RÓBSON MARCELO TOLARDO (CPF 623.843.849-53), Fl. 30003DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Sr ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO (CPF 723.045.539-15), Sr SAMUEL TOLARDO JÚNIOR (CPF 121.023.838-14); Sra JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (CPF 828.784.559-91).” E, aí, a Autoridade fiscal acabou elaborando os respectivos Termos de Sujeição Passiva que foram juntados às seguintes folhas: (i) ROBSON MARCELO TOLARDO (fls. 29.473/29.475); (ii) JEANE CRISTINE TOLARDO (fls. 29.477/29.479); (iii) SAMUEL TOLARDO JUNIOR (fls. 29/481/29.483) (iv) ÍRIS DA SILVA TOLARDO (fls. 29.485/29.487); e, por fim, (v) ROGÉRIO MARCIO TOLARDO (fls. 29.489/29.491). A empresa PSE COMERCIAL foi intimada da autuação por meio dos Editais Eletrônicos nº 001070823 e 001070822, os quais foram publicados em 15/12/2014 e cujas ciências foram consideradas no dia 30/12/2014 (fls. 29.495/29.496). Já os responsáveis foram intimados da autuação por via postal e por Edital nas seguintes datas: (i) ÍRIS DA SILVA TOLARDO: 09/12/2014 (fls. 29.497/29.498); (ii) JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE: a intimação por via postal realizada em 09/12/2014 (fls. 29.499), enquanto que a ciência da autuação através dos Editais Eletrônicos nºs 001070827 e 001070826 foram realizadas em 30/12/2014 (fls. 29.502/29.503); (iii) ROBSON MARCELO TOLARDO: a intimação por via postal foi efetivada no dia 09/12/2014 (fls. 29.504), enquanto que a ciência da autuação por meio dos Editais Eletrônicos nºs 001070825 e 001070824 foram realizadas em 30/12/2014 (fls. 29.507/29.508); (iv) ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO: 11/12/2014 (fls. 29.510); e (v) SAMUEL TOLARDO JÚNIOR: 09/12/2014 e 11/12/2014 (fls. 29.511/29.512). A empresa PSE COMERCIAL e o responsável ROBSON MARCELO TOLARDO não apresentam Impugnações. Já os responsáveis ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO (“ROGÉRIO”), SAMUEL TOLARDO JÚNIOR (“SAMUEL”), ÍRIS DA SILVA TOLARDO (“ÍRIS”) e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (“JEANE”) apresentaram, tempestivamente, Impugnações que foram juntadas, respectivamente, às fls. 29.514/29.565, 29.571/29.622, 29.626/29.677 e 29.682/29.733. Na ocasião, os responsáveis suscitaram, em resumo, as alegações que, a rigor, podem ser assim sintetizadas: (i) A nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; (ii) A decadência ou a prescrição dos créditos tributários lançados; (iii) A ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; (iv) O cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; (v) A ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; (vi) A falta de motivação e fundamentação da autuação; (vii) A incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; Fl. 30004DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 (viii) A ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; (ix) A necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; (x) A ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; (xi) A exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; e (xii) A inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal. Com base em tais alegações, os responsáveis requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que a exigência fiscal fosse julgada improcedente. Os autos foram encaminhados à Autoridade julgadora de 1ª instância para que as Impugnações fossem apreciadas. E, aí, ao proferir o Acórdão nº 12-80.489 (fls. 29.750/29.768), a 5ª Turma da DRJ/RJO entendeu por julgar as Impugnações improcedentes, de modo que as respectivas exigências fiscais e a responsabilidade tributária dos Impugnantes restaram mantidas. Ao final, o Acórdão recorrido restou ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. Fl. 30005DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Na sequência, a empresa PSE COMERCIAL foi intimada do resultado do julgamento do Acórdão nº 12-80.489 através dos Editais Eletrônicos nºs 001953818 e 001953821, os quais foram publicados em 27/04/2016 e cuja ciência foi considerada no dia 12/05/2016 (fls. 29.786/29.787), mas, no final, a empresa não apresentou Recurso Voluntário. Em 12/05/2016, o responsável ROBSON foi intimado do resultado do julgamento do Acórdão recorrido através dos Editais Eletrônicos nºs 001953826 e 001953822 (fls. 27.788/27.789, sendo que, no caso, o Sr. ROBSON acabou não apresentando Recurso Voluntário. Em 27/04/2016, os responsáveis ROGÉRIO, JEANE, SAMUEL e ÍRIS foram intimados do resultado do julgamento do Acórdão por via postal, conforme se verifica, respectivamente, dos ARs de fls. 29.790, 29.791, 29.794 e 29.795. Em 23/05/2016, as responsáveis JEANE e ÍRIS entenderam por apresentar seus respectivos Recursos Voluntários os quais, a rigor, encontram-se juntados, respectivamente, às fls. 29.800/29.856 e 29.860/29.915. Além do mais, a Autoridade fiscal constatou que, em 23/05/2016, houve a solicitação de juntada de documento com o título “Recurso Voluntário”, sendo que o conteúdo do documento correspondia a telas do SVA, de sorte que o responsável SAMUEL foi, novamente, intimado do resultado do julgamento do Acórdão nº 12-80.489 e, na ocasião, tomou ciência de que deveria apresentar, no prazo de 15 (quinze) dias, o seu Recurso Voluntário, conforme se verifica da Intimação nº 197/2016 (fls. 29.923/29.924), a qual foi Fl. 30006DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 recebida, efetivamente, em 23/06/2016 (fls. 29.925). E, aí, em 30/06/2016, o responsável SAMUEL acabou apresentando seu Recurso Voluntário de fls. 29.928/29.985. Os responsáveis tributários suscitam as mesmas razões e fundamentos de defesa que, inclusive, já haviam sido levantados em suas Impugnações, os quais, a rigor, podem ser assim sintetizados: Alegações preliminares (i) Nulidade da Decisão de primeiro grau (ii) Nulidade da intimação: intimação em endereço diverso (iii) Nulidade: Inexistência de garantia do contraditório e ampla defesa (iv) Nulidade: Ausência de análise de todas as matérias invocadas em defesa via impugnação administrativa e ausência de fundamentação e motivação (v) Nulidade: julgamento proferido por Autoridade incompetente (vi) Nulidade: Ausência de mandado de procedimento fiscal (vii) Nulidade: Ausência de intimação pessoal - Nulidade daquela realizada por correios (viii) Nulidade: Ilegitimidade passiva dos Recorrentes (ix) Nulidade: Falta de motivação e fundamentação (x) Nulidade: Ilegitimidade do Auditor Fiscal (xi) Nulidade: Ilicitude das provas utilizadas (xii) Prejudicial ao Mérito: Necessidade de suspensão do Processo Administrativo Fiscal. Alegações de Mérito (i) Ausência de responsabilidade dos recorrentes: impossibilidade de imputação da responsabilidade a terceiro (ii) Ausência de responsabilidade dos recorrentes: inexistência de prova de benefício pelos recorrentes (iii) Prescrição e Decadência (iv) Multa: exclusão ou redução (v) A multa confiscatória: impossibilidade de manutenção (vi) A multa de ofício: ausência dos requisitos para sua aplicação (vii) Taxa SELIC: inaplicabilidade (viii) Provas e impugnação: garantia do devido processo legal. Com base em tais alegações, os responsáveis tributários requerem que as preliminares de nulidade sejam reconhecidas e, no mérito, que os Recursos Voluntário sejam Fl. 30007DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 julgados procedentes a fim de que a exigência fiscal seja cancelada e a responsabilidade seja cancelada. Através do Despacho de fls. 29.987, os autos foram encaminhados a este E. CARF para que os Recursos Voluntários dos responsáveis JEANE, ÍRIS e SAMUEL sejam analisados, e, posteriormente, foram distribuídos a este Relator mediante sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. 1. Do Juízo de Admissibilidade dos Recursos Voluntários interpostos pelos Responsáveis JEANE, ÍRIS e SAMUEL Quanto à análise do requisito da tepempstividade dos recursos, verifico, de plano que, em 27/04/2016, as responsáveis JEANE e ÍRIS foram intimadas do resultado do julgamento do Acórdão recorrido, conforme se verifica, respectivamente, dos ARs de fls. 29.791 e 29.795, de modo que o prazo de 30 dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 começou a fluir em 28/04/2016 (quinta-feira) e findar-se-ia, apenas, em 27/05/2016 (sexta-feira). A rigor, as Recorrentes apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários em 23/05/2016, o que significa dizer, portanto, que o requisito da tempestividade resta preenchido. Já o responsável SAMUEL foi intimado do resultado do julgamento do Acórdão nº 12- 80.489 em 23/06/2016, conforme se verifica do AR de fls. 29.925, e, ai, em 30/06/2016, o responsável acabou apresentando seu Recurso Voluntário, de modo que o recurso deve ser considerado tempestivo. Além do mais, veja-se que os Recursos foram assinados por profissional legalmente habilitado para tanto, de modo que o requisito da legitimidade também resta preenchido. Considerando, pois, que os presentes Recursos foram apresentados tempestivamente e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade recursais, devo conhecê-los e, por isso mesmo, passo a apreciá-los e examinar as alegações preliminares e meritórias que restaram formuladas pelos Recorrentes JEANE, ÍRIS e SAMUEL. 2. Da Análise dos Recursos Voluntários Interpostos pelos Responsáveis Considerando, de plano, que os Recursos Voluntários interpostos pelos Srs. SAMUEL, ÍRIS e JEANE são idênticos no que diz com as razões e fundamentos de defesa, entendo que a análise das alegações ali formuladas – e até por questões de encomia processual – deve ser realizada em conjunto. Dito isto, passo, então, a analisar cada uma das alegações e fundamentos formulados pelos Recorrentes, aglutinando-os, pois, quando entender que a medida é pertinente. Fl. 30008DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 2.1. Da Análise da Alegação de Decadência e Prescrição dos Créditos Tributários lançados Os Recorrentes sustentam, inicialmente, a ocorrência da decadência, já que, nos seus entendimentos, a Fazenda não constituiu, devidamente, o crédito tributário, porquanto foi realizado a destempo. As alegações acerca da decadência podem ser assim resumidas: - Com vistas à segurança jurídica, de modo a não permitir que o direito do fisco de constituir o crédito tributário perdure ad aeternum, o artigo 173, inciso I estabelece que este direito se extingue em 5 anos. - Assim, a decadência vem a ser a perda do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento tributário em decorrência da omissão do seu exercício, no prazo estipulado em lei. - A extinção do crédito tributário pela decadência está previsto no art. 156, V do CTN, que estipula que o prazo para o lançamento do crédito tributário é de cinco anos - Verifica-se que o lançamento dos tributos deveria ser feito por homologação, o que na verdade não ocorreu. - O que vem a significar que a Fazenda não constitui, devidamente, o crédito tributário em relação aos Recorrentes, já que não foi realizado o lançamento do mesmo e a respectiva cientificação. - Assim, em relação aos Recorrentes, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito decaiu. - No caso presente, esse prazo já se esvaiu. Portanto, extinto encontra-se o direito de constituir os créditos tributários em face da Recorrente, ou seja, ocorreu a decadência deste direito. Pois bem. Verifique-se, de logo, que a decadência prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicada apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação. Confira-se: “Lei nº 5.172/66 SEÇÃO II - Modalidades de Lançamento Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Fl. 30009DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Pois bem. Ao apreciar o Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado sob a sistemática do artigo 543-C do CPC/1973, o Superior Tribunal de Justiça – STJ acabou decidindo que o prazo de decadência previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas nas hipóteses em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. Confira-se: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. Fl. 30010DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009).” A rigor, o STJ acabou decidindo por fixar a tese do Tema Repetitivo nº 163 nos seguintes termos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” De acordo com tal entendimento, a regra de decadência prevista no artigo 150, § 4º do CTN só deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo tiver antecipado pagamento do imposto e não houver comprovação de que tenha atuado com dolo, fraude ou simulação, porque, do contrário, prevalecerá a regra decadencial constante do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional 1 . De toda sorte, não pairam dúvidas de que a empresa agiu dolosamente com o intuito de sonegar e fraudar a ocorrências dos fatos geradores aqui discutidos, haja vista que teria se utilizado de sistemática um tanto elaborada quanto às vendas sem emissão de notas fiscais, as quais, a rigor, não foram declaradas à RFB, e que, no final, permitiram que a contribuinte tivesse omitido parcela relevante de suas vendas mediante esse intricado sistema que era mantido à margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como em razão da apuração de que a sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas. A título de informação, registre-se que este Tribunal Administrativo tem o entendimento sumulado no sentido de que a contagem do prazo decadencial será realizada à luz do artigo 150, § 4º do CTN nas hipóteses em que restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. É ver-se: “Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” No caso concreto, registre-se que a autuação fiscal compreende os anos-calendário de 2009, 2010, 2011 e 2012, sendo que, em relação aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2009, cujos fatos geradores ocorreram, respectivamente, em 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 e 31/12/2009, a Autoridade Fiscal teria até 31/12/2015 para constituir os respectivos créditos 1 Cf. Lei n 5.172/66. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 30011DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 tributários, de modo que, tendo em vista que a autuada foi cientificada dos lançamentos em 30/12/2014, conforme se verifica dos Editais Eletrônicos nº 001070823 e 001070822 (fls. 29.495/29.496), tem-se que a Autoridade lavrou os respectivos Autos de infração dentro do prazo de 5 (cinco) anos estabelecido pela legislação de regência. Com efeito, entendo por afastar a alegação preliminar de decadência dos créditos tributários aqui discutidos. 2.2. Da Análise da Alegação de Nulidade da Decisão de Primeiro Grau e da Nulidade em decorrência da Ausência de Análise de todas as Matérias invocadas em defesa e da Ausência de Fundamentação e Motivação Os Recorrentes aduzem, ainda, a nulidade da Decisão de primeiro grau por suposta ofensa ao artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, bem como a nulidade quanto a ausência de análise de todas as matérias invocadas em sede de Impugnação e a ausência de fundamentação e motivação, pois, segundo eles, a Decisão não teria se referido expressamente às razões de defesa suscitadas. Confira-se, então, quais são os fundamentos que embasam a alegação de nulidade: - Provavelmente com o intuito de proporcionar “celeridade” ao PAF em epígrafe, os Nobres Julgadores de primeiro grau violaram o dispositivo legal acima disposto, pois algumas matérias suscitadas pelo ora Recorrente sequer foram analisadas, bem como outras, sequer foram lidas. - Com uma simples leitura da Impugnação e da decisão em primeiro grau, vislumbra-se que existe uma contradição entre ambas. Ou seja, as razões de defesa suscitadas pelo Recorrente não foram analisadas, conforme determina o art. 31 do Decreto 70.235/72. - Em que pese as várias matérias arguidas na impugnação administrativa, através do acórdão, houve uma decisão singular e simplista, sem analisar todas as questões invocadas, que provam a total inexigibilidade do crédito tributário indevidamente lançado. - Ora, verifica-se que a decisão nada mais é que um resumo do relatório fiscal, baseado unicamente em provas indiciárias contidas em inquérito policial, sobre o qual não existe um julgamento de validade das provas coligidas e, como se sabe, muito menos o direito ao contraditório e à ampla defesa. Em que pese o inconformismo dos Recorrentes, não há indicação precisa de quais argumentos teriam sido ignorados ou quais as supostas contradições, de sorte que não se vislumbra a nulidade suscitada. Ademais, observe-se que, se é certo que as decisões judiciais e administrativas devem ser proferidas com observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa Fl. 30012DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 previstos no artigo 5º, LV da Constituição Federal 2 , também é certo que os respectivos julgadores não estão obrigados a analisar e enfrentar cada um dos argumentos levantados pelas partes, desde que a(s) respectiva(s) alegação(ões) não tenha(m) o condão de infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Conforme preceitua o artigo 489, § 1º, inciso IV do Código de Processo Civil o qual, por óbvio, possui natureza de norma processual e, portanto, por força do seu próprio artigo 15 3 , deve ser aplicado supletiva e subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72 e à Lei nº 9.784/99, não considera fundamentada a decisão que não enfrenta todos os argumentos deduzidos que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Veja-se: “Lei nº 13.105/2015 Seção II- Dos Elementos e dos Efeitos da Sentença Art. 489. São elementos essenciais da sentença: [...] § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: [...] IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador.” De fato, a previsão legal em comento deixou uma brecha ao julgador ao prever que a exigência de enfrentamento se limita aos argumentos que, em tese, são aptos a infirmar o seu convencimento, de modo que o objetivo aí é afastar a exigência, por parte do julgador, de enfrentar os argumentos irrelevantes e/ou impertinentes ao objeto da lide, liberando-o da atividade valorativa inútil. Entretanto, a previsão não pode ser desvirtuada ao ponto de levá-lo a manter o sistema de fundamentação suficiente a partir da afirmação, padronizada, de que os demais argumentos suscitados pela(s) parte(s) não eram, ou não são, capazes de influenciar, nem mesmo em tese, o próprio resultado do julgamento tal qual decidido 4 . A premissa que deve ser fixada, aqui, é, portanto, no sentido de que o julgador estará dispensado de analisar cada um dos argumentos trazidos aos autos pelo(s) recorrente(s) (aspecto objetivo) desde que não sejam relevantes à decisão a ser proferida e, portanto, não sejam capazes de infirmar a conclusão tal qual adotada (aspecto subjetivo). Acrescente-se, ainda, que a jurisprudência do próprio Superior Tribunal de Justiça – STJ é uníssona no sentido de que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos ou apreciar todos os dispositivos de lei invocados pelas partes quando, por outros meios que lhe sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia. Confira-se: 2 Cf. Constituição Federal de 1998. Art. 5º (omissis). LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 3 Cf. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. 4 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo Código de Processo Civil Comentado. 1. ed. Salvador: Editora JusPodvm, 2016. Não paginado. Fl. 30013DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 ‘PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. REGULARIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. CONTROVÉRSIA DE MÉRITO DO RECURSO DEMANDA REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ. ENTENDIMENTO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO INTERNO. DECISÃO MANTIDA. I - Na origem, trata-se de execução fiscal ajuizada pela União (Fazenda Nacional) contra a sociedade empresária, objetivando a obtenção de créditos constantes em certidões de dívida ativa, conforme especificado na inicial (fl. 3). A executada opôs exceção de pré-executividade, acolhida na sentença para declarar a nulidade das certidões de dívida ativa e a consequente extinção da execução (fl. 190). No Tribunal a quo, deu-se provimento à apelação da União. O recurso especial foi inadmitido. II - No caso, não há que se falar em negativa de prestação jurisdicional. A parte recorrente aduziu que: "Embora o v. acórdão tenha considerado a inexistência de prova inequívoca capaz de desconstituir a presente cobrança, esse teve que se recorrer ao procedimento administrativo acostado aos autos em momento posterior à distribuição para conseguir identificar a origem e natureza do crédito ora exigido. Pois o título executivo que consubstancia o presente feito não menciona especificamente a disposição de lei em que se funda." (fl. 327). Ocorre que tais razões consistentes em alegada omissão visam apenas à rediscussão de matéria já decidida com fundamento suficiente quando do julgamento do mérito do recurso. III - Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos ou apreciar todos dispositivos de lei invocados pelas partes quando, por outros meios que lhe sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.575.315/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/6/2020; REsp 1.719.219/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2018; AgInt no REsp n. 1.757.501/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3/5/2019; AgInt no REsp n. 1.609.851/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, Dje 14/8/2018. IV - No mérito, o recurso especial não comporta seguimento. No caso, o Tribunal de origem decidiu a causa mediante fundamento suficiente de que não há razão para o acolhimento da nulidade do título. Fundamentou o acórdão recorrido no fato de que não foram demonstradas as alegadas nulidades da CDA, em especial por terem sido atendidos os requisitos legais, bem como diante do fato de que informações detalhadas não precisam constar da CDA, bastando a consulta ao processo administrativo. Assim, não cabe o conhecimento da pretensão recursal que implicaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos. Incidência do Enunciado Sumular n. 7/STJ. V - Ainda que fosse superado esse óbice, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, de que a Certidão de Dívida Ativa goza de presunção de certeza e liquidez, cujo ônus de ilidi-la é do contribuinte. Ademais, a juntada do processo administrativo, caso imprescindível à solução da controvérsia, especialmente para subsidiar as nulidades arguida, também é ônus do contribuinte. A propósito: EDcl no AgInt no AREsp 1.203.836/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 11/4/2018. VI - Ainda, não superado o óbice relativo à incidência da Súmula n. 7 do STJ, anote-se que, quanto ao dissídio jurisprudencial, a necessidade do reexame da matéria fática impede a admissão do recurso especial tanto pela alínea a quanto pela alínea c do permissivo constitucional. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.645.528/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 29/4/2021; AgInt no AREsp 1.696.430/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 29/4/2021; AgInt no REsp 1.846.451/RO, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, Fl. 30014DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 DJe 29/4/2021; AgInt no AREsp 1.587.157/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe 4/6/2020. VII - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.925.820/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 21/3/2022, DJe de 24/3/2022).” Nesta linha, conclua-se que a mera alegação genérica no sentido de que a DRJ não analisou os fundamentos aduzidos nas Impugnações não é, de per se, suficiente para decretar a nulidade da Decisão recorrida, principalmente quando não há um indicativo mínimo de quais foram os argumentos e fundamentos que não teriam sido analisados. Por estas razões, entendo por rejeitar as preliminares de nulidade da Decisão de primeiro grau por suposta ofensa ao artigo 31 do Decreto nº 70.235/72 e a nulidade quanto a ausência de análise de todas as matérias invocadas em sede de Impugnação e a ausência de fundamentação e motivação. 2.3. Da Análise da Alegação de Nulidade da Intimação: Intimação em Endereço diverso e Da Nulidade pela Ausência de Intimação Pessoal Os Recorrentes suscitam, também, e em sede de preliminar, as nulidades relativas às intimações, pois a Receita Federal não teria providenciado a intimação pessoal prevista no artigo 23, inciso I do Decreto nº 70.235/72 e, além disso, teria incluído endereços diversos daqueles que foram indicados nas Impugnações. As respectivas alegações de nulidade podem ser assim sintetizadas: - Os Recorrentes apresentaram suas Impugnações indicando o seu endereço de domicílio em Curitiba-PR, sendo que a RFB insistiu em fazer a sua intimação em endereço diverso, somente tomando conhecimento em função do acompanhamento que fez do processo. - Logo, deve ser decretada a nulidade da intimação realizada em endereço diverso, reabrindo-se o prazo para apresentação de recurso, sob pena de nulidade. - A intimação por via postal é sucedânea à pessoal, ou seja, a regra é a intimação pessoal, tendo em vista que nesta há segurança da ciência do sujeito passivo. Somente sendo infrutífera a pessoal, se procede das demais formas. - Essa regra, inclusive, é repetida pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, em seu art. 10, I. - A intimação pessoal dos interessados, no procedimento administrativo, em obediência aos postulados do contraditório e da ampla defesa, é expressamente assegurada por meio idôneo que assegure a certeza da ciência. Ilegal, portanto, por conduta “ultra vires”, o ato do Fisco que determinou a intimação por correio em endereços diversos e de terceiras pessoas, que não comprovam a ciência inequívoca. Fl. 30015DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 - Desta forma, impõe-se reconhecer a nulidade da intimação por falta de observância legal, determinando a sua realização ou considerando efetivada quando da disponibilização do processo administrativo fiscal ao sujeito passivo. De início, destaque-se que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico. E, aí, considerando que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias – pessoal, postal ou eletrônica –, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia, sendo que apenas a intimação por edital é que deve respeitar a ordem de preferência. Confira-se, portanto, o que dispõe o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 na parte que aqui nos interessa: “Decreto nº 70.235/72 Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005).” Não basta que os Recorrentes requeiram que as intimações sejam realizadas em endereços diversos daqueles constante dos sistemas cadastrais da Receita Federal, os quais, a rigor, devem ser mantidos atualizados. Aliás, veja-se que a obrigação que os contribuintes têm de Fl. 30016DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 informar às Fazendas públicas a realização de eventuais alterações cadastrais apresenta natureza acessória nos termos do que prescreve o artigo 113, § 2º do Código Tributário Nacional 5 . Em outras palavras, o dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional. A propósito, destaque-se que o artigo 100 do Código Tributário Nacional acabou dispondo acerca das normas complementas, conforme se pode observar adiante: “Lei nº 5.172/66 SEÇÃO III - Normas Complementares Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (grifei). À época da Intimação, encontrava-se vigente a Instrução Normativa RFB nº 1.548, de 13 de fevereiro de 2015 que dispunha expressamente acerca dos meios para atualização do endereço cadastrado. Confira-se: “Instrução Normativa RFB nº 1.548/2015 CAPÍTULO III - DA ALTERAÇÃO DE DADOS CADASTRAIS Art. 8º A alteração no CPF será solicitada conforme estabelecido nos Anexos III ou IV desta Instrução Normativa. § 1ºA alteração do endereço poderá ser efetivada por intermédio: I - da DIRPF; II - do Portal e-Cac no sítio da RFB na Internet; III - de solicitação nas entidades relacionadas nos incisos I a VI do caput do art. 24; IV - do formulário “Ficha Cadastral de Pessoa Física”, disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, para residentes no exterior; ou 5 Cf. Lei n. 5.172/66. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 30017DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 IV - do formulário “Ficha Cadastral de Pessoa Física”, disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://rfb.gov.br, no caso de residentes no exterior, que deverão apresentá-lo em uma representação diplomática brasileira; ou V - das unidades da RFB, no caso de alteração de endereço para o exterior. § 2º Fica dispensada a apresentação de documentos que comprovem a alteração de endereço. Ademais, constata-se que, no caso, não houve qualquer prejuízo aos Recorrentes que, a rigor, compareceram espontaneamente e apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários, sendo que, se, a título argumentativo, tivesse ocorrido algum vício quanto às respectivas intimações, tal vício foi plenamente suprimido, nos termos do artigo 289, § 1º da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 6 , o qual deve ser aplicado de forma supletiva e subsidiária ao processo administrativo fiscal. A rigor, note-se que a jurisprudência deste Tribunal Administrativo vem entendendo que a ausência de intimação válida se trata de vício sanável com o comparecimento espontâneo do contribuinte: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. (Processo n. 10120.728985/2013-51. Acórdão n. 1401-002.687. Conselheira Relatora Letícia Domingues Costa Braga. Sessão de 14.06.2018. Data da publicação em 31.08.2018).” Portanto, tem-se que, por qualquer ângulo que a questão seja visualizada, as preliminares de nulidade quanto às intimações tais quais formuladas devem ser rejeitadas. Com efeito, entendo por rejeitar as preliminares de nulidade de intimação - intimação em endereço diverso e a nulidade pela ausência de intimação pessoal. 2.4. Da Análise da Alegação de Nulidade em razão da Inexistência de garantia do Contraditório e Ampla Defesa e da Alegação da garantia do Devido Processo Legal 6 Cf. Lei n. 13.105/15. Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução.” Fl. 30018DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Em sede preliminar, os Recorrentes sustentam, ainda, que não tiveram acesso aos Autos de infração e aos demais documentos juntados aos autos antes do final do prazo para apresentar suas respectivas Impugnações. Neste sentido, suas alegações podem ser sintetizadas nas seguintes questões: - No caso presente, a parte Impugnante foi incluída em auto de infração, através de um “termo de sujeição passiva tributária”, sem qualquer fundamentação e sem se fazer acompanhar dos elementos de convicção para tal desiderato praticado pelo auditor fiscal. - Frise-se: não foram disponibilizados para os Recorrentes os documentos que o Auditor fiscal se valeu para imputar-lhes o cometimento de qualquer infração fiscal, deixando-os à margem do processo e, depois, responsabilizando-os tal qual o sujeito passivo, que é uma pessoa jurídica dotada de personalidade própria e distinta das pessoas físicas que sequer compõem o quadro societário da empresa - Embora tenha a Impugnante procurado saber os motivos da imputação, comparecendo à Unidade da Receita Federal do Brasil onde possui domicílio fiscal, não lhe foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo, o qual, repita-se, deveria ter acompanhado a imputação. - Evidente o cerceamento de defesa, na medida em que tiveram que se defender sem ter acesso aos autos e, embora tenham diligenciado neste sentido na DRF do seu domicílio fiscal, não obtiveram êxito em consulta o conteúdo integral e nem obterem cópias antes do prazo de Impugnação, o que acabou causando a nulidade insanável ante a inobservância do devido processo legal. Pois bem. Registre-se, de plano, que o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 prescreve duas hipóteses de nulidade dos atos jurídicos administrativos. Confira-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Observe-se que o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 cuida da nulidade decorrente do cerceamento do direito de defesa, que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é garantido pela Constituição Federal. Nas palavras de Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka 7 , 7 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder. Direito processual tributário: Processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 8. ed. rev. e atual. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2014, Não paginado. Fl. 30019DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 “[A nulidade no processo administrativo fiscal] Só deve ser reconhecida excepcionalmente, quando verificada: a) incompetência do servidor que lavrou praticou o ato, lavrou termo ou proferiu o despacho ou decisão; ou b) violação ao direito de defesa do contribuinte em face de qualquer outra causa, como vício na motivação dos atos (ausência ou equívoco na fundamentação legal do auto de infração), indeferimento de prova pertinente e necessária ao esclarecimento dos fatos, falta de apreciação de argumento de defesa do contribuinte.” Fixadas essas premissas, note-se que todas as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias aqui discutidas restaram expostas, de forma clara, no Relatório da Atividade Fiscal (fls. 13.797/14.160 e 14.171/14.371) e nos Autos de Infração os quais, a rigor, foram devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações, cujas informações, inclusive, foram confirmadas pelos próprios Recorrentes, conforme se verifica dos trechos abaixo reproduzidos: “No caso presente, a parte Recorrente foi incluída em auto de infração, através de um "termo de sujeição passiva tributária", sem qualquer fundamentação e sem se fazer acompanhar dos elementos de convicção para tal desiderato praticado pelo auditor fiscal. Juntamente, veio em anexo uma copia de um "compact disc" ou CD contendo relatório elaborado pela zelosa fiscalização, fazendo uma série de referência à documentos apreendidos em residências de terceiras pessoas, sobre os quais não foi dado à conhecer ao Recorrente.” (grifei). Ora, resta claro que os documentos em questão foram devida e regularmente entregues aos interessados. Por essas razões, entendo por rejeitar a preliminar de nulidade em razão da inexistência de garantia do contraditório e ampla defesa. Ademais, e no que diz respeito ao pedido de eventual conversão do julgamento em diligência, frise-se que a atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo a complementação ou a obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípio da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes ou, ainda, que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Ou seja, a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Em outras palavras, por se tratar de prova especial subordinada a requisitos específicos, a diligência só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento, de modo que o pedido de diligência, quando se resume ou versa apenas acerca de argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do Julgador, mostra-se desnecessário à solução da controvérsia. Desse modo, estando presentes nos autos os documentos e elementos de convicção Fl. 30020DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por se tratar de medida prescindível, o pedido de realização de diligência. Aliás, note-se que essa linha de entendimento encontra amparo nos precedentes desta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, conforme se verifica da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2014 [...] PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo a complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelo próprio sujeito passivo, de modo que, mesmo em observância ao princípio da verdade material, a autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo quanto ao direito creditório que alega possuir. Ademais, o processo encontra-se suficientemente instruído de provas necessárias ao julgamento. (Processo nº 10980.910271/2015-27. Acórdão nº 1302-006.465. Sessão de 20/06/2023).” Com base em tais fundamentos, entendo por rejeitar o pedido de realização de diligência por entender que se trata de procedimento desnecessário para a resolução da lide. 2.5. Da Análise da Alegação de que o Julgamento foi Proferido por Autoridade Incompetente e Da Nulidade em Razão da Ilegitimidade do Auditor Fiscal Os Recorrentes sustentam a nulidade do Auto de Infração, pois, segundo eles, o Auditor fiscal teria, supostamente, ultrapassado sua competência ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e ter atribuído a responsabilidade a terceiros. Além disso, sustenta-se que, no caso, o julgamento foi proferido por Autoridade incompetente, haja vista que foi proferido por Auditor fiscal da RFB quando, na verdade, deveria ter sido realizado por Delegado da Receita Federal. As alegações postas nesse tópico podem ser assim sintetizadas: - No caso presente, o julgamento foi proferido por Autoridade incompetente, consistente no auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, quando deveria ter sido realizado por Delegado da Receita Federal; - É o que dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 25, letra “a”, competindo o julgamento em primeiro instância “a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades Fl. 30021DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. - Assim, o ato de julgamento – via intimação – promovido pela autoridade fazendária é plenamente nulo, pela própria disposição do citado decreto, por força do disposto no art. 59, I. - O Auditor Fiscal extrapolou os limites de sua competência funcional, previstas na Lei 10.593/2002, ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária à Impugnante, sem indicar concretamente os motivos, notadamente porque a Impugnante não é sócia da pessoa jurídica autuada, tampouco exercendo qualquer função dentro dela ou estando relacionado ao fato gerador do tributo ora constituído. - Com efeito, imiscuiu-se o Auditor Fiscal sobre a vida privada da Impugnante, terceira completamente estranha ao quadro societário da empresa e que não exerce função ou ocupa cargo de gerência na empresa. - O Fiscal não tem legitimidade para impor a outrem, terceiros como a Impugnante, a responsabilidade objetiva sem qualquer fundamento, por meras presunções e pautado em provas sem valor, produzidas à margem do devido processo legal. De plano, afirma-se que os Recorrentes não têm razão. Isto porque, nos termos do artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para, dentre outros, constituir o crédito tributário mediante o lançamento. In verbis: “Lei nº 1.593, de 06 de dezembro de 2002 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Fl. 30022DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 II - em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1º O Poder Executivo poderá cometer o exercício de atividades abrangidas pelo inciso II do caput deste artigo em caráter privativo ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. § 2º Incumbe ao Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil, resguardadas as atribuições privativas referidas no inciso I do caput e no § 1o deste artigo: I - exercer atividades de natureza técnica, acessórias ou preparatórias ao exercício das atribuições privativas dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil; II - atuar no exame de matérias e processos administrativos, ressalvado o disposto na alínea b do inciso I do caput deste artigo; III - exercer, em caráter geral e concorrente, as demais atividades inerentes às competências da Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Além disso, note-se que o artigo 142 do Código Tributário Nacional cuidou de dispor sobre o instituto do lançamento 8 o qual, a rigor, e enquanto ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório, deve ser formalizado com observância a todos os requisitos ali previstos. Assim, a determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos do que estabelece o próprio artigo 142 CTN que, aqui, deve ser interpretado com vistas ao artigo 121 do CTN, que dispõe que o sujeito passivo são apenas o contribuinte e o responsável 9 . Da mesma forma, também não assiste razão aos Recorrentes quanto à alegação de que a Autoridade julgadora de 1ª instância seria incompetente. Ora, verifica-se da mesma Lei nº 10.593/2002 que, na estrutura da Receita Federal, existe o cargo de Delegado, mas, na verdade, o julgamento é realizados pelos respectivos Auditores Fiscais, conforme se extrai do artigo 331 da Portaria ME nº 284/2020. É ver-se: “Portaria ME nº 284, de 27 de julho de 2020 Art. 331. Às Turmas de Julgamento, composta por Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil com mandato, compete conhecer e julgar impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais, de acordo com sua competência por matéria.” Com base em tais fundamentos, entendo por rejeitar a alegação de nulidade relativa a incompetência da Autoridade julgadora de 1ª instância. 2.6. Da Análise da Alegação de Nulidade por Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal 8 De acordo com o artigo 146, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal, o instituto do lançamento é matéria que deve ser tratada tão-somente por Lei Complementar, porquanto, nos dizeres da Constituição, trata-se de norma geral em matéria de legislação tributária. 9 Cf. Lei n 5.172/1966. Art. 121. (omissis). Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 30023DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Os Recorrentes aduzem, em síntese, que, em momento algum, foram cientificados da existência do processo de fiscalização que estava em andamento, sendo que, de acordo com o artigo 33 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, qualquer procedimento de apuração de créditos tributários impõe a necessidade de cientificação prévia do sujeito passivo e, inclusive, quanto a sua prorrogação. Além do mais, os Recorrentes sustentam que, nos termos do artigo 7º, inciso II da Portaria RFB nº 3.014/2011, o MPF conterá os dados identificadores do sujeito passivo, porém a Autoridade fiscal não cientificou as pessoas físicas de que estavam sob procedimento de fiscalização, bem assim que, em ofensa ao artigo 196 do CTN, não houve a lavratura do Termo de início de procedimento em nome dos Recorrentes, sem contar, ainda, que o artigo 4º da referida Portaria RFB nº 3.014/2011 determina, de forma expressa, a necessidade de emissão do MPF e a sua ciência por parte do sujeito passivo. Por fim, os Recorrentes defendem que, no caso, o MPF não foi instaurado e expedido contra si e não tiveram conhecimento a respeito do mesmo e que, portanto, tal situação acabou cerceando o direito de defesa. Pois bem. Reconheça-se, de início, que, a partir da edição da Portaria SRF nº 1.265/1999, a expedição de uma ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF tornou-se indispensável em ralação à instauração de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O MPF é, basicamente, o documento por meio do qual autoriza a autoridade fiscal a realizar um procedimento de fiscalização e/ou diligência que pode resultar na constituição do crédito tributário e, portanto, apresenta dois principais objetivos:. (i) servir de controle administrativo sobre as ações fiscais; e (ii) conceder ao contribuinte a garantia de que está sendo fiscalizado por autoridade autorizada, sem contar, que, num segundo plano, o MPF também teve por objetivo de informar o escopo da fiscalização. Em síntese, afirma-se que o MPF ou o TDPF tem a função de delimitar as verificações a serem exercidas pelo auditor durante o procedimento de fiscalização, que não necessitam ser exercidas de imediato pelo auditor designado. Não é de hoje que os efeitos sobre o lançamento fiscal decorrentes de irregularidades no MPF ou no TDPF têm provocado acaloradas discussões tanto por parte da jurisprudência, quanto por parte da própria doutrina. A doutrina tem sustentado que, uma vez que os lançamentos devem ser lavrados em decorrência de procedimentos inaugurados pelo MPF ou TDPF, a inobservância aos respectivos requisitos procedimentais acaba ensejando a invalidade do próprio lançamento. O fato é que não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de MPF instaurado contra os Recorrentes. É que, em primeiro lugar, a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do MPF nº 03.2.01.00-2013-00156-8, conforme se verifica da informação constante do Termo de início de ação fiscal de fls. 13.785/13.786, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 25/09/2013 através do Edital de fls.13.790. Em segundo lugar, veja-se que o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, que, como visto, é um instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento e, quando muito, caracterizaria infração disciplinar da Autoridade Fiscal. O artigo 9º, parágrafo único da Portaria RFB nº 11.371/2007, vigente à época dos fatos aqui discutidos, dispunha o seguinte: Fl. 30024DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 “Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.” Nesse contexto, destaque-se, ainda, que este Tribunal Administrativo também foi palco de debates dos mais técnicos sobre os efeitos que as supostas irregularidades do MPF ou TDPF poderiam provocar no lançamento tributário, sendo que, de uns anos para cá, a jurisprudência passou a sustentar, de forma uníssona, o entendimento de que o MPF ou TDPF consiste em mero instrumento de controle da Administração Tributária e, portanto, eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não legitimam a anulação do lançamento. Veja- se: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF consiste em mero instrumento de controle da Administração Tributária. Eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não legitimam a anulação do lançamento. [...] (Processo nº 13888.001268/2007-57. Acórdão nº 2002-005.135. Sessão de 20/05/2020. Acórdão publicado em 05/06/20200. *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. [...] (Processo nº 15586.001793/2008-83. Acórdão nº 2402-009.409. Sessão de 15/01/2021. Acórdão publicado em 08/02/2021).” E tanto é que, em sessão do Pleno realizada em 06/08/2021, este Tribunal acabou editando a Súmula Vinculante nº 171, vigente a partir de 16/08/2021, cuja redação segue reproduzida abaixo: “Súmula CARF nº 171 Fl. 30025DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021).” Com efeito, não assiste razão aos Recorrentes quanto a tese de que a falta de intimação do MPF ensejaria o suposto vício formal no ato de lançamento. Por essas razões, entendo por rejeitar a preliminar de nulidade por ausência de MPF relativo aos Recorrentes. 2.7. Da Análise da Alegação de Nulidade por Falta de Motivação e Fundamentação Ainda em sede de alegações preliminares, os Recorrentes defendem que, nos termos do artigo 11, inciso III do Decreto nº 70.235/72, os atos devem conter obrigatoriamente a disposição legal infringida, sendo que, no caso a Autoridade não tipificou a disposição legal a exigência dos tributos e multas, o que acarreta a nulidade do Auto de Infração. As alegações de nulidade do Auto de infração por falta de motivação e fundamentação podem ser sintetizadas a partir dos seguintes fragmentos: - A autoridade fazendária tipificou as exigências em dispositivos genéricos, não especificando em seu relatório ao final quais artigos embasam a motivação da lavratura do auto de infração, especialmente quando impõe a responsabilidade objetiva à Impugnante. - O auto de infração deve conter perfeitamente os dispositivos legalmente infringidos, como forma de, identificar qual a sujeição do contribuinte dentro do ordenamento tributário vigente, de acordo com a motivação apresentada pelo Fiscal. - No presente caso, ao fundamentar nos artigos que cita, o Fiscal demonstrou apenas a forma pelo qual deverá ser calculado o imposto, jamais, a exigência, por suposta infração cometida pela parte Recorrente. - Os atos e processos administrativos, na esfera tributária, estão regulamentados pelo Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 que, em seu artigo 11, dispõe que a notificação do lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente, dentre outros, a disposição legal infringida, se for o caso. - A Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, recepcionada pela Carta Magna dispõe em seu artigo 142 que “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Fl. 30026DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 De início, é importante consignar que a motivação do lançamento tem a ver com a capitulação da matéria tributável, de modo que, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, veja-se que o lançamento é o procedimento administrativo por meio do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determina-se a matéria tributável, calcula-se o montante devido, identifica-se o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplica-se a penalidade cabível. Veja- se: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” O documento que o formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos esses requisitos, fazendo-se necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente, de modo que o sujeito passivo possa compreender, com perfeição, as causas de fato e de direito que ensejaram a confecção do procedimento 10 , de acordo com o que preceituam os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. In verbis: “Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” (grifei). A rigor, note-se que o motivo e a motivação do ato de lançamento são duas realidades que não se confundem. Enquanto o motivo é o fato que serve de suporte para a prática 10 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 16. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, Não paginado. Fl. 30027DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 do ato, a motivação, por sua vez, é a exposição desse motivo, o que é feito por meio da indicação (i) da norma na qual está previsto, abstratamente, o motivo para a prática do ato, autorizando, pois, a sua produção, (ii) do evento concreto que preenche as características descritas na hipótese da regra abstrata, motivando a prática do ato concretamente e (iii) das provas que demonstram a ocorrência desse evento 11 . É nesse sentido que Eurico Marcos Diniz de Santi 12 sustenta ao asseverar que “(...) não é o motivo do ato sozinho o fato jurídico criador do ato-norma administrativo, nem é o motivo do ato o suposto normativo do ato-norma. O motivo do ato é pressuposto fático e por tratar-se de fato não pode compor estrutura normativa proposicional. O que ingressa na estrutura normativa do ato-norma é a sua descrição: a enunciação linguística do motivo do ato. Ou seja, é a motivação que integra a estrutura normativa do ato-norma como seu antecedente normativo, em nexo de causalidade jurídica (imputação) com seu consequente normativo: a relação jurídica intranormativa. A motivação é o antecedente suficiente do consequente do ato-norma administrativo. Funciona como descritor do motivo do ato que é fato jurídico. Implica declarar, além do (i) motivo do ato [fato jurídico], o (ii) fundamento legal (motivo legal) que o torna fato jurídico, bem como, especialmente nos atos discricionários, (iii) as circunstâncias objetivas e subjetivas que permitam a subsunção do motivo do ato ao motivo legal.” A Teoria da Motivação Determinante confirma a tese de que a motivação do ato administrativo – é aqui que se enquadra o lançamento tributário – é elemento essencial do ato- norma administrativo, de modo que se a motivação é adequada à realidade do fato e do direito o ato norma será válido, sendo que, do contrário, se faltar a motivação, ou esta for falsa, isto é, não corresponder à realidade do motivo do ato ou dela não decorrer nexo de causalidade jurídica com a prescrição do ato-norma (conteúdo), então, por ausência de antecedente normativo, o ato- norma é invalidável 13 . No caso concreto, e diferentemente do que os Recorrentes sustentam, a descrição dos fatos e as disposições legais infringidas foram expostas de forma clara, conforme se verifica das Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes dos respectivos Autos de Infração (fls. 28.717/28.720, 28.757/28.761, 28.798/28.800 e 28.813/28.815) e do Relatório da Atividade Fiscal de fls. 28.825/29.265, não havendo se falar, portanto, em qual qualquer nulidade por falta de motivação e fundamentação do Auto. É que, no caso, a Autoridade fiscal cumpriu à risca o seu dever de formalizar o lançamento ora em discussão à luz dos artigos 142 do CTN, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Por essas razões, entendo por rejeitar a nulidade da autuação por falta de motivação e fundamentação. 2.8. Da Análise da Alegação de Nulidade diante da Ilicitude das Provas Utilizadas e do Pedido de Suspensão do Processo Administrativo 11 FIGUEIREDO, Marina Vieira. Lançamento Tributário: Revisão e seus efeitos. São Paulo: Noeses, 2014, p. 212. 12 SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Lançamento tributário. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 83-84. 13 SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Lançamento Tributário. 3. Ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 84. Fl. 30028DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Os Recorrentes alegam, de plano, que as provas utilizadas pela Autoridade fiscal são ilícitas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por Autoridade incompetente. As alegações quanto a ilicitude das provas podem ser assim sintetizadas: - Conforme o parágrafo único do artigo 24 do Decreto nº 7.574/2011, não podem ser utilizadas as provas obtidas por meios ilícitos; no entanto, as provas utilizadas no presente processo administrativo, decorrente de mandados de busca e apreensão expedidos e cumpridos pela autoridade policial federal, são ilícitas, tendo em vista que determinada por autoridade judicial incompetente para análise da matéria. - Ora, o inquérito policial teve origem em compartilhamento de dados entre o COAF, Receita Federal e o Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. Além disso, o juízo que decretou a busca e apreensão, no momento em que houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados eram crimes antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito. - Portanto, todas as provas utilizadas por não respeitarem o princípio do e: juiz natural e por terem origem em mandado expedido por juiz incompetente, já que não havia crime antecedente à lavagem de dinheiro, importa em nulidade do presente processo administrativo fiscal. - Por outro lado, ainda que fossem emanadas de juiz competente, no caso, houve extrapolação dos limites da ordem contida no mandado de busca e apreensão. Ora, basicamente, o auditor baseou-se em elementos de provas colhidas em computadores particulares de terceiros, para os quais não foi expedido mandados de busca e apreensão específicos. - Os dados pessoais utilizados de terceiros, para os quais não houve ordem de busca e apreensão, especialmente porque não autorizada a quebra de sigilos de mensagens eletrônicas como e-mails e arquivos digitais especificamente para estas pessoas, importa em extrapolamento da ordem, ocasionando a nulidade das provas. Já as alegações quanto a necessidade de suspensão do Processo Administrativo Fiscal podem ser sintetizadas a partir dos seguintes fragmentos: - Antes de entrar no mérito da questão, há necessidade desse processo administrativo fiscal aguardar o julgamento pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL sobre a quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, realizada no caso pelo auditor fiscal sem qualquer justificação ou fundamentação, em vista de que a Lei Complementar 105 é objeto de 5 (cinco) Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIN), sendo duas do Partido Social Liberal (PSL) sob os ns. 2389-6 e 2390-0, duas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sob os ns. 2406-0 e 2397-7 e, uma da Confederação Fl. 30029DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Nacional do Comércio (CNC) sob n.o 2386-1, que hoje encontram-se todas apensadas a ADI 2390, tendo como Relator o Min. DIAS TOFFOLI, ainda pendente de julgamento naquela Corte. - Embora o Decreto 70.235/72 -regulador do processo administrativo fiscal- seja omisso quanto aos casos de suspensão do procedimento, há a aplicação do Código de Processo Civil subsidiariamente. As normas do processo administrativo fiscal não contêm qualquer dispositivo que regule a natureza, suspensão, formação, requisitos ou valor relativo de apreciação de provas, razão porque, recorre-se ao Código de Processo Civil para suprir as lacunas da legislação específica. Ademais, convém seja dito, todos esses procedimentos não são exclusividades regimentais do contencioso administrativo-fiscal da União. São inspirações emanadas do Código de Processo Civil. Logo, encontra-se aplicação o disposto no código de processo civil (...). Registre-se, inicialmente, que o ordenamento jurídico brasileiro estipula limites à obtenção da prova em razão da proteção aos direitos personalíssimos e aos direitos fundamentais. O artigo 5º, inciso LVI da Constituição Federal estipula que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. As provas ilícitas não se revestem de eficácia jurídica e, por isso mesmo, não podem ser admitidas como suportes de juízos acusatórios ou condenatórios. A rigor, registre-se que a prova é considerada ilícita quando, tendo sido obtida mediante infração às garantias individuais e legais, caracterizar, no final, violação às normas legais ou aos princípios, de natureza processual ou material. Aliás, é de se reconhecer que a prova pode ser ilícita em relação ao momento em que é formada – diz-se aí que a ilicitude é material – ou quando decorre da forma ilegítima pela qual ela é produzida – aqui a ilicitude é de ordem formal. É nesse sentido que Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López 14 sustentam: “A prova pode ser ilícita em sentido material e formal. A ilicitude material diz respeito ao momento formativo da prova. A conduta utilizada para obtenção da prova não é admitida pela ordem jurídica, seja porque contraria norma civil, penal ou, sobretudo, princípios constitucionais. São desrespeitadas regras não apenas de processo, mas as relacionadas a direitos fundamentais (v.g., invasão de domicílio, violação de sigilo, subtração de documentos, escuta clandestina, constrangimento físico ou moral para obtenção de confissões etc.). Há ilicitude formal quando a prova decorre da forma ilegítima pela qual ela se produz, muito embora sua origem seja lícita. Se a questão for ligada à lógica e à finalidade do processo, a proibição terá natureza processual e vem estabelecida por norma processual que considera a prova ilegitimamente produzida (exemplos: art. 406 do CPC e arts. 206 e 207 do CPP).” Segundo Ada Pellegrini Grinover 15 , a produção e a formação da prova subordinam-se às seguintes restrições de conduta: “a) proibição de utilização de fatos que não 14 NEDER, Marcos Vinícius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF). 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, Não paginado. Fl. 30030DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 tenham sido previamente introduzidos pelo juiz no processo e submetidos a debate das partes; b) proibição de utilizar provas formadas fora do processo ou, de qualquer modo, colhidas na ausência das partes; c) obrigação do juiz, quando determine a produção de provas ‘ex-officio’, de submetê-las ao contraditório das partes, as quais devem participar de sua produção e poder de oferecer contraprova. A introdução da prova no processo sem obediência a estas restrições, originadas nos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, irá dar ensejo ao surgimento de vícios formais. Nesse contexto, confira-se que o artigo 197, inciso II do Código Tributário Nacional dispõe que, mediante intimação escrita, os bancos, as casas bancárias e demais instituições financeiras são obrigadas a prestar à autoridade administrativa todas as informações que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros. Veja-se: “Lei nº 5.172/66 Título IV - Administração Tributária Capítulo I – Fiscalização Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras.” E, aí, veja-se que, a partir do advento da Lei Complementar n° 105 de 10 de janeiro de 2001, o sigilo bancário foi, por assim dizer, flexibilizado. O artigo 1º, § 3º da referida Lei é claro ao estabelecer que não constitui violação do sigilo a que estão obrigadas as instituições financeiras, entre outras hipóteses, a prestação de informações nos termos e condições que estabelece. Confira-se: “Lei Complementar n° 105/2001 Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. Art. 1 o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3 o Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2 o , 3 o , 4 o , 5 o , 6 o , 7 o e 9 desta Lei Complementar.” As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios passaram a poder examinar documentos, livros, registros de instituições financeiras quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e desde que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade 15 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Prova Emprestada”, Constituição Federal, 15 Anos - Mutação e Evolução: Comentários e Perspectivas. São Paulo: Método, 2003, p. 108 Fl. 30031DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 administrativa competente no que diz com o deslinde do respectivo processo ou procedimento fiscal em curso. É o que dispõe o artigo 6º da referida Lei nº 105/2001, cuja redação segue transcrita abaixo: “Lei Complementar n° 105/2001 Art. 6 o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” A partir de então, foi editada a Lei n° 10.174/2001 que, por sua vez, alterou o artigo 11, § 3º da Lei nº 9.311/1996 o qual passou a dispor sobre a faculdade da Secretaria da Receita Federal utilizar-se das informações prestadas pelas instituições responsáveis pela retenção da CPMF para fins de instaurar procedimentos administrativos tendentes a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Confira-se: “Lei n° 9.311/1996 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação.(Vide Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) [...] § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto noart. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores.(Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001).” O simples repasse de informações por parte das instituições financeiras às autoridades tributárias não configura a quebra do sigilo, mas, ao revés, configura, isso sim, a transferência de responsabilidade à autoridade administrativa solicitante e aos respectivos agentes fiscais, restando-se observar, pois, que o acesso a tais informações por parte das autoridades administrativas permanecerá restrito ao exercício das respectivas funções, ressalvadas as disposições contidas nos artigos 198 e 199 do Código Tributário Nacional. A título de informação complementar, verifique-se que, em 24/02/2016, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário n° 601.314/SP e acabou fixando as teses de que (i) o artigo 6º da Lei Complementar n° 105/2001 não viola o direito fundamental ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos por meio do princípio da capacidade contributiva e estabelece os requisitos e o translado do dever de sigilo da Fl. 30032DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 esfera bancária para a fiscal, bem como no sentido de que (ii) a Lei n° 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma nos termos do artigo 144, § 1º do Código Tributário Nacional. Ao final, o referido leading case representativo do Tema 225 restou ementado nos seguintes termos: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (grifei). No caso, extrai-se do Relatório da Atividade Fiscal (fls. 28.831/28.832) os seguintes excertos: Fl. 30033DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 17. O presente relatório utiliza-se de elementos coligidos nos processos administrativo fiscais de nºs 11020.723699/2012-18 e 15586.720329/2011-95, bem como no Inquérito Policial nº 256/2008-DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita na Delegacia de Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontra-se distribuído no Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, sob nº 2008.70.00.009427-5/PR. 18. No âmbito do mencionado inquérito policial foram providenciados dois Pedidos de Quebra de Sigilo de Dados e/ou Telefônico nºs 5011377-60.2012.404.7000/PR e 5034633-32.2012.404.7000/PR, em cujas decisões, datadas de 18/05/2012 e 14/09/2012, ambas favoráveis à quebra do sigilo telefônico, o R. Juízo fez constar que todos os dados e informações obtidos nos autos do inquérito 256/2008-DPF/MGA/PR fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil (RFB) (decisões às fls 633 a 636; e 643 a 645, respectivamente). 19. Destaque-se ainda que junto ao Pedido de Quebra de Sigilo de Dados e/ou Telefônico nºs 5034633-32.2012.404.7000/PR, o juízo determinou, em decisão do dia 23/08/2012, a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE (decisão às fls 637 a 642), dentre os quais os integrantes da FAMÍLIA TOLARDO. 20. Em cumprimento às decisões judiciais supra mencionadas, por intermédio do ofício nº 030/2012-UIP/dpf/mga/PR, de 17/09/2012, a Polícia Federal franqueou o acesso da RFB aos dados até então coletados nas investigações constantes do mencionado inquérito (fls 9.366 a 9.367). 21. As investigações procedidas pela Polícia Federal, juntamente com a Receita Federal do Brasil, culminaram na deflagração da denominada “Operação Laranja Mecânica”, realizada em 17 de outubro de 2012, com o cumprimento de diversos MBAs (Mandados de Busca e Apreensão). 22. Todo o material arrecadado na denominada “Operação Laranja Mecânica” foi disponibilizado à RFB por meio do ofício nº 032/2012-UIP/DPF/MGA/PR, de 18/10/2012 (fl 9.368). 23. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio de auto peças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”, trata-se, em verdade, de um único empreendimento, que foi originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.709-44), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.969-53), e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.849-53), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.539-15), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.838-14) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.559- 91)”. No caso concreto, veja-se que todo o material coletado nas investigações procedidas pela Polícia Federal, juntamente com a Receita Federal do Brasil, que culminaram na deflagração da denominada “Operação Laranja Mecânica” foi disponibilizado à RFB por meio do ofício nº 032/2012-UIP/DPF/MGA/PR. Além do mais, registre-se que, por mais que existam provas constituídas no âmbito penal que gravitem em torno dos Recorrentes e possam apontar para a prática delituosa a qual transcende do âmbito criminal para o campo tributário, é preciso que, ainda assim, a Autoridade fiscal comprove a ocorrência do fato gerador nos termos do artigo 142 do CTN e que o Auto esteja instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do Fl. 30034DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 ilícito, de acordo com o que determina o artigo 9º, caput do Decreto nº 70.235/72. E foi exatamente isso que ocorreu no caso concreto. Esse entendimento encontra amparo na própria jurisprudência deste Conselho Administrativo, conforme se observa da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012, 2013 GLOSA DE DESPESAS. PROVA. DEPOIMENTOS. NEXO PROBATÓRIO. LIAME. INOCORRÊNCIA. No processo tributário, salvo as hipóteses presuntivas previstas em lei, incube ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador; o auto de infração deve estar instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, nos termos do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1982 (PAF). Na mesma linha, segundo o art. 373 da Lei 13.105, de 2015 (CPC), o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Por mais que existam indícios que gravitem em torno dos envolvidos é preciso um nexo probatório, um liame, que os conecte à prática do ilícito para fins de glosa de despesa. Em se tratando de hipótese diversa de presunção, não basta a fiscalização deduzir a existência da irregularidade é necessário prová-la no caso concreto. (Processo nº 13855.720980/2017-16. Acórdão nº 1201-005.136. Conselheiro Relator Efigênio de Freitas Júnior. Sessão de 20/08/2021. Acórdão publicado em 05/09/2021).” As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal. Mas apenas nas hipóteses em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. É nesse sentido que este tribunal tem sustentado, conforme se verifica da ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2008, 2009 PROVAS EMPRESTADAS. DECISÃO JUDICIAL SUPERVENIENTE. ILICITUDE DAS PROVAS. PROVAS REMANESCENTES REVESTIDAS DE LICITUDE. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO ORIGINAL. AUTO DE INFRAÇÃO INSUBSISTENTE. A decisão judicial superveniente que reconhece a ilicitude da prova emprestada, em decorrência da forma como produzida, resulta na eliminação do respectivo conjunto probatório transportado ao processo administrativo tributário. Na hipótese dos autos, uma vez expurgadas as provas ilícitas, a imputação fiscal com fundamento na base probatória remanescente revestida de licitude implicaria um lançamento de ofício com alteração da motivação original, o que não é admissível em sede do contencioso Fl. 30035DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 administrativo. Cabe tornar insubsistente o auto de infração quando a motivação adotada para o lançamento do crédito tributário está vinculada, direta ou indiretamente, às provas emprestadas colhidas na esfera criminal, posteriormente reputadas ilícitas. (Processo nº 10580.731723/2012-76. Acórdão nº 2401-007.102. Conselheiro Relator Cleberson Alex Firess. Sessão de 05/11/2019. Acórdão publicado em 06/01/2020).” Toda essa linha de raciocínio bem demonstra que não há, no caso, qualquer violação às garantias constitucionais ao sigilo bancário e à privacidade nas hipóteses em que a Autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições financeiras, a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade ante a ilicitude das provas utilizadas. Da mesma forma, não há que se falar em suspensão do processo administrativo, até porque, como aventado, o Supremo Tribunal Federal já definiu o Tema de forma definitiva. 2.9. Da Análise, conjunta, da Alegação Preliminar de Nulidade do Auto de Infração por Ilegitimidade Passiva dos Recorrentes e da Alegação de Mérito da Ausência de Responsabilidade dos Recorrentes – Impossibilidade de Imputação de Responsabilidade a Terceiro – Inexistência de Prova de Benefício por parte dos Recorrentes Os Recorrentes alegam, em primeiro lugar, e em sede de preliminar, a nulidade do Auto de infração pela suposta ilegitimidade passiva, sendo que, pelo que se observa, a matéria tratada em preliminar acaba se confundindo com as alegações meritórias quanto a atribuição da responsabilidade tributária, razão pela qual devem ser tratadas de forma conjunta. As alegações preliminares quanto a nulidade do Auto de Infração pela legitimidade passiva dos Recorrentes podem ser assim sintetizadas: - A ilegitimidade passiva dos Recorrentes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; - O processo administrativo foi instaurado utilizando-se dos elementos coligidos nos PAF's ns. 11020.723699/2012-18 e 15586.720329/2011-95, bem como no Inquérito Policial n. 256/2008-DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita na Delegacia de Polícia Federal de Maringá/PR, como informa o Relatório de Atividade Fiscal. - No entanto, mostra-se manifestamente nulo o direcionamento do processo administrativo contra a Impugnante, como se sujeito passivo solidário fosse, por ausência de prova que o justifique, notadamente que Fl. 30036DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 seja capaz de demonstrar a existência de qualquer vínculo entre a Impugnante e a empresa autuada. - Isso porque, a conclusão a que chegaram os Agentes Fiscais, de que a Impugnante é o sujeito passivo solidário da obrigação tributária, a quem o Fisco denomina de proprietária da empresa autuada, foi extraída do inquérito policial acima apontado, que nada mais é do que um procedimento policial administrativo, de cunho meramente investigativo E. inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa, pois a Impugnante sequer foi ouvido pela autoridade policial. Quanto às alegações de mérito acerca da atribuição da responsabilidade tributária, os Recorrentes sustentam, em síntese, o seguinte: - Impôs o Auditor Fiscal a responsabilidade à Impugnante, pessoa estranha ao quadro societário da empresa autuada, invocando o art. 124, 1 do CTN, sem, contudo, fundamentar a exigência. - Para isso, utilizou-se de presunções e ficções, baseado em provas ilícitas, sobre as quais não havia autorização judicial para sua utilização. - Contudo, não prova de que os Recorrentes tenha recebido qualquer recurso da referida pessoa jurídica, tampouco que participe ou tenha participado da sociedade, exercido a sua administração com a imposição de ordens, autorizações ou qualquer outro ato de que caracterizasse os Recorrentes como efetivos gerenciadores de quaisquer atividades. - Não há vinculação dos Recorrentes com os fatos geradores. Não há interesse comum da Impugnante no fato gerador, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica, enquanto a Impugnante não teve qualquer participação em sua gestão ou administração. - Desta forma, é crucial destacar que a responsabilidade solidária decorrente do artigo 124, 1 do CTN só poderá subsistir quando todos os sujeitos passivos houverem praticado, conjuntamente, atos relacionados com o fato gerador, porque esta é a única hipótese em que todas as pessoas possuem interesse jurídico comum no fato que originou a tributação. - Essa vinculação dos Recorrentes com o fato gerador não restou caracterizada. - Sequer há possibilidade de aplicação conjunta do art. 135 do Código Tributário Nacional, uma vez que os Recorrentes não são sócios da empresa fiscalizada, e esta continua ativa e sujeita à exigibilidade da autuação fiscal. Nesse sentido, mutatis mutandis, é o teor da Súmula nº 430, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: “O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente”. Pois bem. Se existe vedação à responsabilidade do sócio-gerente da sociedade nos casos de simples inadimplemento, vedada é a inclusão de terceiro alheio a realização do fato jurídico-tributário, como é a situação dos Recorrentes. Fl. 30037DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 De plano, registre-se que, no caso concreto, a Autoridade fiscal entendeu por atribuir a responsabilidade tributária aos Srs. ROBSON, ROGÉRIO, SAMUEL, JEANE e ÍRIS com fundamento nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III do Código Tributário Nacional, já que, no seu entendimento, restou comprovado que os reais proprietários e administradores do esquema REDE PRESIDENTE eram os integrantes da família Tolardo, conforme se verifica do item 12. Da Sujeição Passiva Solidária do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 29.262/29.264): “RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL [...] 12. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: 1038. Tendo-se a comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família TOLARDO, os mesmos são nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos respectivos TERMOS DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). 1039. Com efeito, assim dispõe o art 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 1040. Ora, sendo os integrantes da família TOLARDO os verdadeiros proprietários e beneficiários de todo o esquema REDE PRESIDENTE, conforme amplamente comprovado no presente relatório, particularmente no tópico 6. DOS RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO, torna-se inequívoco o fato de que os integrantes da família TOLARDO têm interesse comum nos negócios da REDE PRESIDENTE, da qual faz parte a empresa alvo do presente relatório. 1041. Além disso, também o art 135 do mesmo Código Tributário Nacional, impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 1042. Note-se que são pessoalmente responsáveis os sócios, gerentes, diretores, responsáveis, pelo crédito tributário decorrente dos atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família TOLARDO, que comanda a REDE PRESIDENTE utilizando-se de meios fraudulentos, tais como a interposição de “laranjas” em suas empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, a margem da escrituração ou de declaração. 1043. Deste modo, lavra-se os respectivos TERMOS DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA em desfavor dos reais sócio proprietários do esquema REDE PRESIDENTE, quais sejam: Fl. 30038DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Sra ÍRIS DA SILVA TOLARDO (CPF 958.804.969-53), Sr RÓBSON MARCELO TOLARDO (CPF 623.843.849-53), Sr ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO (CPF 723.045.539-15), Sr SAMUEL TOLARDO JÚNIOR (CPF 121.023.838-14); Sra JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (CPF 828.784.559-91).” Por óbvio, note-se que as respectivas alegações acerca da responsabilidade tributária devem ser analisadas à luz dos artigos 124, inciso I e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. Dito isto, confira-se, de logo, o que dispõe o artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Seção II – Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.” Veja-se que, ao associar a locução interesse comum à expressão situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o legislador deixou claro que não é qualquer interesse comum que pode ser considerado como suficiente para a aplicação da regra da responsabilidade solidária, de modo que o mero interesse social, moral ou econômico, enquanto pressuposto fático do tributo, não autoriza, pois, a aplicação da responsabilidade solidária. O interesse comum cuja presença cria a solidariedade não é um interesse meramente de fato, mas, sim, um interesse jurídico que, a rigor, é aquele que decorre de uma situação jurídica 16 . Ou seja, o interesse jurídico é aquele que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador do tributo, devendo ser considerada solidária, portanto, a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Nas palavras de Ramon Tomazela Santos 17 , “(...) O interesse comum, hábil a justificar a imposição de responsabilidade tributária solidária, deve ser interpretado no seu sentido jurídico, pois, como consta expressamente do inciso I do artigo 124 do CTN, o interesse deve ser comum “na situação que constitua o fato gerador”. Assim, o interesse comum restará caracterizado, por exemplo, nas hipóteses em que duas ou mais pessoas figurarem no mesmo polo da relação jurídica descrita em lei como fato gerador, tal como ocorre com os coproprietários de um imóvel em relação ao IPTU incidente sobre a respectiva propriedade. Neste caso, como ambos os contribuintes estão enquadrados na condição de proprietários do imóvel, realizando a situação definida como fato gerador, é 16 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional: Artigos 96 a 138.. vol. 2. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 460-461. 17 SANTOS, Ramon Tomazela. Responsabilidade tributária e grupo econômico. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 238, jul./2015, p. 108, 120-121. Fl. 30039DF CARF MF Original Fl. 49 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 justificável a atribuição de responsabilidade solidária pelo pagamento do imposto devido. [...] O interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal caracteriza-se pela existência de direitos e deveres compartilhados por pessoas situadas no mesmo polo da relação jurídica de direito privado escolhida pelo legislador como suporte fático para a incidência tributária. Assim, as partes partilham de um interesse comum em sentido técnico-jurídico, que não se confunde com o mero interesse econômico, social ou moral, que pode existir nas relações entre sociedades (...).” Portanto, a aplicação da responsabilidade passiva prevista no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional exige a presença do interesse jurídico comum que, a rigor, corresponde à hipótese em que as pessoas são sujeitos da relação que deu azo à ocorrência do fato gerador, o que, tecnicamente, não se confunde com o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Além do mais, registre-se que, para que a fiscalização possa atribuir a responsabilidade solidária a alguém, deverá comprovar que o suposto responsável solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa. No caso concreto, observe-se que a Autoridade fiscal foi um tanto exitosa ao reunir evidências de que os responsáveis tributários fizeram uso de laranjas, enquanto interpostas pessoas, com o intuito de eximirem-se do pagamento dos tributos devidos, de modo que ostentaram a condição de sócios de fato da sociedade jurídica que era constituída apenas de “fachada” e, além do mais, eram os verdadeiros proprietários e beneficiários de todo o esquema REDE PRESIDENTE. A jurisprudência deste Tribunal tem encampada essa mesma linha de entendimento, conforme se verifica dos precedentes a seguir citados: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária quando demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas integradas ao quadro social da pessoa jurídica, e inclusive destinando seu patrimônio segundo seus interesses particulares. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. BENEFÍCIO FINANCEIRO DISSOCIADO DE PROVA DE ATUAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. O benefício financeiro auferido mediante transferências bancárias provenientes de conta de titularidade da pessoa jurídica, ainda que sem causa negocial e em valores significativos, é insuficiente para caracterização de interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária, mormente se as transferências são feitas pelo pai, sócio de fato a autuada, em favor de seus filhos. É indispensável a prova da intervenção dos demais responsabilizados na condução das atividades da pessoa jurídica. [...] Fl. 30040DF CARF MF Original Fl. 50 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 (Processo nº 13961.720342/2015-18. Acórdão nº 9101-004.522. Sessão de 07/11/2019. Acórdão publicado em 03/12/2019). *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 SOCIEDADE QUE SE COMPORTA COMO SOCIEDADE DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ILIMITADA PARA OS SÓCIOS DE FATO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (CTN, art. 124, I). Em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito). Mas a utilização fraudulenta de pessoa jurídica afasta essa apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/ empreendimento). A sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, faz com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. [...] (Processo nº 19515.001263/2009-19. Acórdão nº 9101-002.954. Sessão de 03/07/2017. Acórdão publicado em 21/08/2017)”. Com base em tais argumentos, entendo por manter a responsabilidade solidária dos Srs. SAMUEL, ÍRIS e JEANE com fundamento no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Pois bem. Faz-se necessário, agora, observar o que dispõe o artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional. In verbis: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Seção III - Responsabilidade de Terceiros Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” De plano, note-se que a intepretação do artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional deve ser realizada por partes. Em primeiro lugar, atente-se que apenas quem está na administração executiva, é diretor ou gerente ou representante de direito privado pode ser responsabilizado, o que significa dizer, portanto, que a responsabilidade pessoal, no caso, decorre de atos praticados ilicitamente por conta e risco do gestor, de modo que a mera condição de sócio é insuficiente para a caracterização da responsabilidade em evidência. Fl. 30041DF CARF MF Original Fl. 51 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Segundo Leandro Paulsen 18 , “Conforme se vê das notas específicas adiante, entende-se que a responsabilização exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou tolerado a prática do ato abusivo e ilegal quando em posição de influir para a sua não ocorrência. A mera condição de sócio é insuficiente, pois a condução da sociedade é que é relevante. Também por isso, não é possível responsabilizar pessoalmente o diretor ou o gerente por atos praticados em período anterior ou posterior a sua gestão.” Em segundo lugar, observe-se que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado somente devem ser considerados pessoalmente responsáveis pelos créditos resultantes dos atos praticados fora da esfera de atuação da própria pessoa jurídica. Os atos devem ser estranhos aos objetivos da sociedade ou, melhor, alheios aos seus interesses. Isso significa que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado somente podem ser responsabilizados nas hipóteses em que atuam fora dos limites de sua competência. Essa atuação, obviamente, é aquela que se dá com infração às normas que limitam essa competência, ou seja, a lei societária, o contrato social ou o estatuto, de sorte que a lei que o legislador faz referência não é qualquer lei e muito menos a lei tributária, mas, sim, a lei societária que, a rigor, é, por assim dizer, análoga ao contrato social. Quer dizer, a infração à lei capaz de responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado é uma só e, portanto, corresponde àquela que configura a violação às disposições de direito comercial que regem o exercício da função do órgão que corporificam. No entendimento de Misabel Abreu Machado Derzi 19 , “(...) o ilícito é, assim, prévio ou concomitante ao surgimento da obrigação tributária (mas exterior à norma tributária) e não posterior, como seria o caso do não pagamento do tributo. A lei que se infringe é a lei comercial ou civil, não a lei tributária, agindo o terceiro contra os interesses do contribuinte. Daí se explica que, no pólo passivo, se mantenha apenas a figura do responsável, não mais a do contribuinte, que viu, em seu nome, surgir dívida não autorizada, quer pela lei, quer pelo contrato social ou estatuto.” Por último, e de modo não menos importante, veja-se que a demonstração e a comprovação da ocorrência dos atos praticados com excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto constitui elemento essencial para a caracterização da responsabilidade nos moldes do artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, de sorte que caberá à Autoridade fiscal fazê-lo por aplicação do artigo 142 do CTN. No caso concreto, veja-se que a Autoridade fiscal demonstrou e comprovou que os Srs. ROBSON, ROGÉRIO, SAMUEL, ÍRIS e JEANE praticaram atos com excesso de poderes ou infração à Lei, já que comandaram e eram os verdadeiros proprietários do esquema REDE PRESIDENTE, sem contar, ainda, que se utilizaram de meios fraudulentos tais como a interposição de “laranjas” em suas empresas e a larga prática de venda sem a emissão das respectivas Notas Fiscais e à margem da escrituração fiscal da contribuinte. 18 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 16. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, Não paginado. 19 DERZI, Misabel Abreu Machado. Nota de atualização à obra de Aliomar Baleeiro, Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., Forense, 1999, p. 756. Fl. 30042DF CARF MF Original Fl. 52 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 A rigor, observe-se que a jurisprudência deste Tribunal tem sustentado que o uso fraudulento de pessoas jurídicas mediante interposição de pessoas leva à responsabilização com fundamento no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional. Confira-se: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 [...] RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. [...] (Processo nº 10680.015517/2008-19. Acórdão nº 9101-002.349. Sessão de 14/06/2016. Acórdão publicado em 01/07/2016).” Por todo o exposto, entendo que a responsabilidade tributária dos Srs. SAMUEL, ÍRIS e JEANE também deve ser mantida com fundamento no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional. 2.10. Da Análise, conjunta, das Alegações sobre Exclusão ou Redução da Multa, da Impossibilidade de Manutenção da Multa e do seu Caráter Confiscatório e da Ausência dos Requisitos para sua Aplicação Em relação às alegações de mérito acerca da aplicação da multa, os Recorrentes aduzem, em resumo, as seguintes questões: - O CARF editou a Súmula 14, que dispõe “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Assim como a Súmula 25: “Apresunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” - Também não pode haver o agravamento da multa aos Recorrentes quando não respondem pela empresa e sequer tinham o conhecimento do mando do procedimento fiscal. Como a eles pode ser impingido com penalidade que decorre de ato praticado por outrem, se sequer têm Fl. 30043DF CARF MF Original Fl. 53 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 responsabilidades sobre o mesmo? Obviamente, que tal aplicação desborda do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. - Assim, a multa deve ser excluída, ainda mais quando “O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem consequências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros”. - Ou seja, está se aplicado dupla penalidade: uma pelo arbitramento, outra pela não entrega dos documentos. Ambas decorrem do mesmo fato, devendo ser afastada e excluída a responsabilidade dos Recorrentes sobre ela, já que não foram eles os autores da infração. - Ademais, além de ser ônus do fisco, é evidente para haver a cobrança da multa deve estar comprovado o intuito de fraude, o que não restou caracterizado no caso. - Com efeito, as penas pecuniárias em quaisquer modalidades de atos jurídicos vêm sofrendo podas, de modo a se verificar que dos 100% previstos no CC, admite-se, hodiernamente, a imposição de pena em valor não superior a 20%, conforme dicção prevista na Lei nº 2.98/96. - Quanto ao princípio da capacidade contributiva, observa-se no artigo 150, IV, da CF, o legislador, ao vedar a utilização de tributos com efeito de confisco, estabeleceu que há um limite a tributar cujo máximo não pode se configurar em confisco, deixando ao legislador infraconstitucional fixar parâmetros mediante lei complementar. - No presente caso foi aplicado multa de 150% (cento e cinquenta por cento), nitidamente confiscatória. - A Constituição Federal de 1988 é clara ao dispor que ao contribuinte está assegurado que o tributo não será utilizado como confisco, no art. 150, IV. - E tanto a doutrina quanto a jurisprudência concordam que a multa é assemelhada ao tributo no sentido da proibição de confisco. - O conceito de que os tributos não devem ser utilizados com efeito de confisco data da Constituição de 1934 e a extensão do não confisco as multas é admitido há décadas pelos nossos Tribunais. - Em data de 21 de agosto de 2013, no Recurso Extraordinário RE 754.554/GO foi consolidado, no Supremo Tribunal Federal, a vedação da multa tributária confiscatória. - Também em respeito ao princípio da eventualidade, caso os lançamentos sejam mantidos e não haja diminuição da multa para o patamar de 10% (dez por cento), requer seja a multa reduzida de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). - Referida diminuição se deve ao fato dos Recorrentes não terem praticado nenhuma fraude, bem como nenhuma omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. Fl. 30044DF CARF MF Original Fl. 54 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 - Então, para que o percentual de 75% dobre para 150% é necessário ocorram fraude ou sonegação. Ambos os casos não se encaixam no processo, pois segundo consta do Relatório dos Agentes Fiscais, a empresa entregou todos os documentos solicitados, inclusive informando que os demais estavam em poder da Polícia Federal. Pois bem. Observe-se, de plano, que, de acordo com o artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, os órgãos de julgamento não podem afastar ou deixar de observar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Veja-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Em consonância com o que determina o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/72, registre-se que o artigo 98 do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, prescreve que “Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto”. A Súmula CARF nº 2 também dispõe que este Tribunal não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Veja-se: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Tendo em vista que não cabe a este Tribunal Administrativo se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de tratados, acordos internacionais, leis ou decretos, é de se concluir que as alegações de que a multa aplicada na modalidade qualificada é confiscatória e viola o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal não devem ser aqui examinadas, haja vista que esse tipo de alegação reivindicaria a análise da inconstitucionalidade da própria norma tributária prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Por essas razões, entendo por não acolher as alegações meritórias no sentido de que a multa é confiscatória e, por conseguinte, inconstitucional. Por outro lado, tem-se que as alegações acerca das circunstâncias que ensejaram a aplicação da multa na modalidade qualificada devem ser, aqui, apreciadas. Em primeiro lugar, reconheça-se que o descumprimento da legislação tributária ensejará a aplicação da respectiva sanção independentemente da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É nesses termos que o 136 do Código Tributário Nacional estipula. In verbis: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Fl. 30045DF CARF MF Original Fl. 55 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” As sanções aplicadas para os ilícitos tributários apresentam a dupla função de (i) inibir aquelas condutas por parte de possíveis infratores que visam suprimir ou reduzir o pagamento de tributos, intimidando-os – eis, aí, a chamada prevenção geral –, e, também, de (ii) punir os sujeitos infratores que efetivamente deixaram de adotar aquela determinada conduta prevista na legislação, fazendo com que eles não reincidam na infração – aqui, diz-se que a prevenção é especial. No final das contas, as sanções devem ser estabelecidas para estimular o cumprimento da obrigação tributária e evitar, pois, a prática de infrações à legislação tributária, revelando aí a sua função educativa. Nas palavras de Luciano Amaro20, “No campo das sanções administrativas pecuniárias (multas), é preciso não confundir (como faz, frequentemente, o próprio legislador) a proteção ao interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado) com o objetivo de arrecadação por meio da multa. Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Se se tratar de obrigação acessória, a multa igualmente se justifica (pelo perigo que o descumprimento da obrigação acessória provoca para a arrecadação de tributos), mas a multa não pode ser transformada em instrumento de arrecadação; pelo contrário, deve-se graduá-la em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a arrecadação de tributos.” Dito isto, observe-se, de logo, que o artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 dispõe sobre a multa qualificada no percentual de 150%, a qual deve ser aplicada nas hipóteses em que há ação dolosa praticada de acordo com as hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.5020/1964. Confira-se: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007).” Veja-se que a imposição da multa qualificada pressupõe a comprovação de dois elementos que, embora estejam relacionados, são distintos. De um lado, deve haver a comprovação de que ocorreu o fato gerador de um determinado tributo sem o seu pagamento – o 20 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2014, Não paginado. Fl. 30046DF CARF MF Original Fl. 56 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 que, por si só, já enseja a incidência da multa de ofício de 75% -, e, de outro lado, dever haver a comprovação de que o inadimplemento do tributo ocorreu por meio de sonegação, de fraude ou de conluio21. A redação do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 é bastante clara ao dispor que a multa será duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 os quais, respectivamente, tratam dos institutos da sonegação, da fraude e do conluio. É ver-se: “Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72.” O traço característico e comum nas três modalidades é a conduta dolosa. O dolo corresponde a prática do ilícito por alguém que possuía o animus, ou seja, a intenção de realizá- lo e de obter o resultado – trata-se do elemento volitivo –, somado a um elemento adicional que, no caso, consubstancia-se na consciência da antijuridicidade por parte do agente, quer dizer, no saber que se encontrava por realizar uma conduta vedada – é a própria consciência do ilícito. Em síntese, o dolo, o qual, aliás, consubstancia-se em elementos relativos à vontade e à consciência, é, portanto, o requisito inafastável para que a multa seja aplicada na modalidade qualificada. Ao comentar sobre a figura do dolo, João Carlos de Lima Junior22 afirma que “O dolo possui diferentes teorias e o conceito depende daquela adotada (...). [....] Percebe-se que, em todas as teorias, a coincidência reside no elemento volitivo, na vontade consciente de realizar a conduta típica e causar o resultado. Logo, livre do afunilamento da opção teórica, para que exista a qualificação da penalidade tributária, é imprescindível que o sujeito passivo tenha agido intencionalmente no sentido de realizar o previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 [...] “Logo, impõe-se ao agente a consciência em relação à conduta praticada, é necessário que ele saiba que está que ele saiba que está realizado o comportamento vedado; da mesma forma o resultado, o sujeito passivo há de conhecer o produto da sua ação; em complemento, exige-se que haja a percepção, por parte de quem age, que a conduta pode ter como consequência o resultado. Finalmente, o dolo requer a vontade de agir e de causar o resultado.” 21 HALPERIN, Eduardo Kowarick. Multa Qualificada no Direito Tributário. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBDT, 202, p. 31. 22 LIMA JUNIOR, João Carlos de. Interpretação e aplicação das multas de ofício, de ofício qualificada, de ofício agravada e isolada. 1. ed. São Paulo: Noeses, 2018, p. 170-174. Fl. 30047DF CARF MF Original Fl. 57 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Em tom de arremate, é preciso consignar, ainda, que a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% exige que o dolo seja comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, ou seja, a hipótese que a Autoridade fiscal deve comprovar para aplicar a multa qualificada é a de que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. Essa é a linha de entendimento que tem sido sustentada por Eduardo Kowarick Halperin23: “Da contraposição do standard probatório exigido para a comprovação da sonegação, da fraude e do conluio (prova acima de qualquer dúvida razoável) com a hipótese que deve ser comprovada para que seja caracterizado o dolo (conduta ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita), resulta que não basta que o dolo seja comprovado: ele deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência. Se, de um lado, a Fiscalização comprova que uma determinada conduta ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita, mas, de outro lado, o contribuinte demonstra que ela também ganha sentido à luz de uma finalidade lícita, isso não significa que a Fiscalização não comprovou a hipótese – apenas significa que ela não cumpriu com o seu ônus de comprovar a referida hipótese acima de qualquer dúvida razoável. Disso conclui-se que, na verdade, a hipótese que a Fiscalização deve comprovar para aplicar a multa qualificada é que a condua SÓ ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita – se ela também ganhar sentido à luz de uma finalidade lícita, existirão dúvidas razoáveis a respeito do caráter doloso da conduta.” (grifei). No caso concreto, note-se que a Autoridade fiscal entendeu por aplicar a multa na modalidade qualificada em virtude da ocorrência de sonegação fiscal e fraude, haja vista que a autuada teria se utilizado de sistemática um tanto elaborada quanto às vendas sem emissão de notas fiscais as quais, a rigor, não foram declaradas à RFB, e que, no final, permitiram que a contribuinte tivesse omitido parcela relevante de suas vendas mediante esse intricado sistema que era mantido à margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como em razão da apuração de que a sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas. Confira-se: “RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL [...] 11. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA 1030. O art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, define fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 1031. Como podemos observar do até aqui exposto, o contribuinte se utiliza de pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a nossa fiscalizada. Destaque-se que, para tanto utiliza- se de expedientes escusos tais como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Tal conduta obviamente busca modificar uma característica essencial do fato gerador da 23 HALPERIN, Eduardo Kowarick. Multa Qualificada no Direito Tributário. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBDT, 202, p. 58. Fl. 30048DF CARF MF Original Fl. 58 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 obrigação, qual seja, o real sujeito passivo, enquadrando-se então, o contribuinte, no conceito de fraude constante do art 72 da Lei 4.502/64. 1032. Igualmente enquadra-se no conceito de sonegação, dado pelo art 71, inciso II, da mesma Lei 4.502/64, vez que se constitui em uma ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 1033. Cita-se também toda a elaborada sistemática de vendas sem nota fiscal (TAB2), e que, obviamente, não são declaradas à RFB. Mais que notório, o fato de que ao omitir parcela relevante de suas vendas mediante intrincado sistema (programa informatizado denominado “AutoW”, contemplando vendas “TAB2”, emissão de “cotações para verificação”, etc...), o contribuinte incorre tanto no conceito de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características essenciais), como no conceito de sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do imposto devido). 1034. Ambas condutas (utilização de sócios “laranja” e realização de vendas não declaradas à RFB e sem emissão de NFs) evidenciam claramente o dolo do contribuinte ao cometer as ações caracterizadoras de fraude e sonegação acima descritas. 1035. Tais condutas (fraude e sonegação) impõem a aplicação da multa de ofício em percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 e seu parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Redação do art 44 da Lei 9.430/96, dada pela MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada p/ Lei 11.488, de 2007) .... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). 1036. Transcreve-se, também, os artigos pertinentes da Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 1037. Dessa forma, está sendo aplicada a multa qualificada (150%) para o crédito tributário constituído no presente processo”. Fl. 30049DF CARF MF Original Fl. 59 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Apenas a título de informação, registre-se que não há, nos autos, aplicação de multa agravada pela falta de atendimento às intimações, de modo que a alegação quanto a tal penalidade não procede. Além disso, a alegada incompatibilidade da aplicação de multa agravada com o arbitramento do lucro também não procede. Já em relação aos motivos que ensejaram a aplicação da multa na modalidade qualificada no percentual de 150%, é de se reconhecer que o instituto da sonegação previsto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64 corresponde a toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador ou a respeito das condições pessoais do contribuinte. Ou seja, a sonegação consiste na intenção de se criar embaraços à Fiscalização no que diz com o conhecimento do fato gerador. E, realmente, a Autoridade fiscal conseguiu demonstrar e comprovar o evidente intuito de sonegar por parte empresa ao ter relatado que ela deixou de contabilizar todas as suas receitas, as quais foram auferidas sem a devida emissão das respectivas Notas Fiscais de venda, tendo mantido controle dessas operações não contabilizadas. Além disso, a Fiscalização relatou que, no caso, a empresa e os seus sócios reais utilizaram-se, também, de pessoas interpostas em seu quadro societário mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. Tais fatos corroboram, no final, a prática das hipóteses de sonegação e da fraude, nos termos do que apregoam os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que acabou sendo demonstrado a partir das seguintes constatações e respectivos documentos (fls. 29.407/29.410): “442. Nos MBAs foram encontrados vários documentos relativos à PSE, dos quais destacamos apenas alguns: a) Controles de fechamento de contas, relatórios de pedidos, tabelas de vendas com cartão de débito e crédito, relatórios de envelopes, comprovantes de depósito para a RPS peças para Veículos e PSE Comercial de Peças, cotações para verificação e comprovantes de cartão de crédito e débito (Visa e Mastercard) da Central de Cobranças (FORT LUB PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA – ME – CNPJ 55.847.057/0001- 12), referente ao período de ago/2011 a jul/2012, do cliente Auto Pecas Nova Medeiros Ltda – ME, (MGA08-6.43); b) Controles de fechamento de contas e boletos emitidos pelas empresas GHK AUTO PEÇAS, PSE COMERCIAL DE PEÇAS; RPT DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS; RENOVA AUTOS PEÇAS LTDA ao cliente A RODRIGUES SANTOS PEÇAS ME – CNPJ 07.562.349/0001-66 e comprovantes de cartão de crédito e débito Visa e Mastercard da central de cobranças – 55.847.057/0001-12, dos meses de jun e jul/2012 (MGA08-6.59 – fls 2.658 a 2.688); c) Contrato de prestação de serviços de cobrança entre o Itaú e PSE (MGA08-7.18); d) Paginas de Agenda de ANDREIA129 contendo anotações com roteiro detalhado de acesso a dados, como emitir boletos, emitir GNRE por Estado da Federação, alterar pedidos etc; relação de filiais com telefone, nome do gerente, e telefone celular; Relação de Contas Bancarias com senhas de contas das empresas (PINHEIRÃO - BRADESCO, RNO - BRADESCO, RPT DISTRIBUIDORA - BANCO DO BRASIL, RNO - BANCO DO BRASIL, FEISCAR AUTO - BANCO DO BRASIL E PSE COMERCIAL - BANCO DO BRASIL) (CTB33-11.2 – fls 1.159 a 1.176); e) DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) de diversos fornecedores para DISTRIBUIDORA PINHEIRAO PEÇAS AUTOM LTDA, para APE AUTO PEÇAS LTDA em Cascavel e Cuiabá, para PSE COMERCIAL DE PEÇAS PARA Fl. 30050DF CARF MF Original Fl. 60 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 VEICULOS LTDA em São Luís, para RDN PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA em Belo Horizonte, para RPT DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA em Cariacica e Oliveira & Garbuio Ltda – ME em Sumaré E MARTINS & ALVES COMERCIAIS DE AUTO PEÇAS LTDA – ME (MGA17-32.6 – fls 3.352 a 3.405); f) DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) da SI GROUP CRIOS RESINAS S/A para PSE COMERCIAL DE PEÇAS P VEICULOS LTDA em São Luis/MA, de 29/08/2012, e nota fiscal da DISTRIBUIDORA PINHEIRÃO PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA para EMBREPAR DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA em 18/09/2012 (MGA17- 42.6 – fls 3.546 a 3.555); g) Envelope com o nome EZEQUIEL, contendo faturas da Retificadora de Motores Foz Ltda, com respectiva transferência bancária da RPT, APE, PRV, PSE, PRS e FARO (MGA18-98.5); h) Pasta folha pagamento 2012 -SÃO LUIS (167), contendo folha de pagamento da PSE, de JAN a SET/2012 (MGA18-102.6); i) Troca de e-mails, de FEV/2012, entre SILVIA – DEPARTAMENTO PESSOAL (pessoal.sp53@gmail.com), com Karina Souza (karinasousa@gmail.com), e desta com JULIETH (c.cooperativa@gmail.com), todas funcionárias da REDE PRESIDENTE, confirmando o ingresso de valor em conta, referente DEVOLUÇÃO MULTA DE 40% do funcionário JOSE HERMELINO DOS SANTOS da PSE (MGA18-104.7 – fls 5.118 a 5.120); j) Recibo de entrega da RAIS ano base 2010 de várias empresas, dentre elas a PSE (MGA18- 150 – fls 5.303 a 5.367); k) Envelopes plásticos com GPS de diversas empresas de 2010, dentre elas a PSE (MGA18-152.1); l) Contrato de locação, sem assinatura, de imóvel em SÃO LUIS-MA para PSE COMERCIAL LTDA, de 28/02/2012 a 28/02/2015 (MGA19-13.126 – fls 6.892 a 6.896); m) Despesas mês AGO/2012 da “LOJA 67”, em nome da PSE COMERCIAL DE PEÇAS na cidade de SÃO LUIS-MA (MGA19-17.10); n) Uma Caixa de arquivo morto, contendo notas fiscais de saída da 1ª quinzena de agosto de 2009 da empresa PRS - PECAS PARA VEÍCULOS LTDA - São José dos Campos, contendo principalmente vendas para empresas do grupo como A. Presidente, RPT, PRP, PSE, UBERPEÇAS, PRE, APE, ABJD, RENOVA, GIGANTE, PTD, ALBA, KPL, KAP, PRP, PRV e transferência para as filiais (MGA18-176.1); o) No arquivo “empresa ativas”, localizado no “bunker” da rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, encontrava-se também a pasta da PSE, contendo cópia contrato social e alterações societárias da PSE (MGA19-16.17 – fls 7.537 a 7.549); p) Destaque-se também a presença da PSE no documento controle das filiais (MGA19- 19.214 – fls 8.481 a 8.515), encontrado no “bunker” da rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, que identifica as diversas empresas (filiais) da REDE PRESIDENTE. A PSE aparece identificada como sendo a filial 67 – São Luis, tendo como Gerente Rosiane. Note-se que o telefone abaixo indicado (3245-4560), é o mesmo divulgado na imagem da loja, constante do início deste tópico”. É de se concluir que a empresa agiu com dolo e, a rigor, acabou incorrendo na hipótese prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/64 a qual trata da figura da sonegação que, aliás, corresponde à tentativa de ocultar da Autoridade fazendária algum elemento ou a ocorrência do fato gerador, o que significa dizer, em complemento, que as Súmulas CARF nº 14 e 25, que dispõem, basicamente, que a simples omissão de receitas ou a simples presunção de omissão de receitas não autorizam, por si, a qualificação da multa de ofício, não devem ser aplicadas no caso em apreço. Fl. 30051DF CARF MF Original Fl. 61 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 Da mesma forma, entendo que a fraude também restou caracterizada em decorrência da constatação de que houve a utilização de laranjas, os quais, a rigor, mantiveram controle dessas operações não contabilizadas, sem contar, ainda, que houve a utilização de pessoas interpostas no quadro societário da empresa, mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. A aplicação da multa qualificada deve ser mantida, sendo que, por força do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, a multa deve ser fixada no patamar de 100%, nos termos do que preceitua o artigo 14 da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023. Com efeito, entendo por manter a multa qualificada a qual, a rigor, deve ser fixada e/ou reduzida ao patamar de 100%. 2.11. Da Análise das Alegações acerca da Inaplicabilidade da Taxa Selic Por fim, os Recorrentes defendem, em síntese, que a Taxa Selic não deve ser aplicada para fins de correção dos créditos com base nas seguintes alegações: - A Taxa Selic não deve ser aplicada para correção de créditos tributários. - Não olvidando a premissa maior alegada na defesa, é preciso dizer que, acaso mantida a multa, ad argumentandum, os juros que serão aplicados sobre o valor da multa (Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC), que é calculada diariamente pelo Banco Central, sendo resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus mercados, é ilegal. - Assim, não pode a União utilizar como juros de mora a Taxa Selic, por ter caráter estritamente remuneratório. Atente-se que na Taxa Selic está embutida os juros e a correção monetária, concomitantemente, por isso sendo elevada e onerosa para o contribuinte. - Corroborando este entendimento, assim dispõe o art.43, parágrafo único, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe que “Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirãojuros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” - Da leitura deste dispositivo legal, é fácil concluir que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. Em outras palavras, não havendo autorização legal, não há que se autorizar a cobrança. De início, confira-se que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade e extingue-se com o Fl. 30052DF CARF MF Original Fl. 62 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 crédito dela decorrente, nos termos do artigo 113, § 1º do Código Tributário Nacional 24 . Por outro lado, o artigo 139 do Código Tributário Nacional dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e apresenta mesma natureza 25 . A partir da interpretação conjunta dos respectivos dispositivos, conclui-se que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, haja vista que tanto o crédito quanto a penalidade constituem a obrigação tributação, a qual, aliás, tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Em outras palavra, um é a imagem absolutamente simétrica do outro, apenas invertida. E, aí, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, diz-se que a penalidade, portanto, compõe o crédito. Ao tratar do crédito, o artigo 161 do Código Tributário Nacional estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Confira-se: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 SEÇÃO II - Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Pelo que pode observar, verificado o inadimplemento do tributo será cabível a incidência dos juros de mora sobre o principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do auto de infração, bem como a aplicação de multa punitiva, que, a propósito, passam a integrar o crédito fiscal consolidado, que é o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Não se pode olvidar que os juros moratórios representam, efetivamente, o preço do direito, isto é, o valor que o detentor da moeda (contribuinte) paga ao seu legítimo proprietário (Fisco) pela posse temporária do numerário que, aliás, desde o vencimento da obrigação já é de sua titularidade. Com efeito, a partir da data de vencimento especificado no Auto de Infração para o pagamento espontâneo, o Sujeito Passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento tributário. Os juros, portanto, são devidos para compensar a demora do sujeito em relação ao pagamento do crédito tributário consolidado. E, aí, se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário consolidado. 24 Cf. Lei n 5.172/66. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 25 Cf. Lei nº 5.172/66 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 30053DF CARF MF Original Fl. 63 do Acórdão n.º 1302-007.054 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.722040/2014-51 E tanto é assim que este Tribunal acabou entendendo por editar Súmula CARF nº 108 que, a rigor, é de natureza vinculante, nos termos do que estabelece o artigo 100, inciso II do Código Tributário Nacional, que dispõe que os juros moratórios serão calculados sobre a multa com base na Taxa Selic. Confira-se: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019)”. A título de informação, veja-se, ainda, que este E. CARF editou, também, a Súmula Vinculante nº 4, que estabelece que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrativos pela SRFB são devidos à Taxa Selic: “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Sobre este ponto, note-se que, muito embora o artigo 100, inciso II do Código Tributário Nacional prescreva que as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa equivalem a normas complementares das leis, tratados, convecções internacionais e decretos, é de se reconhecer que essa competência só veio a ser exercida a partir da promulgação da Lei nº 11.196/2005 a qual, a rigor, acabou conferindo força vinculante às súmulas aprovadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. Com efeito, entendo por não acolher as alegações lançadas pelos Recorrentes quanto à inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. 3. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, conheço dos Recursos Voluntários apresentados pelos responsáveis, rejeito as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, entendo por dar provimento parcial aos Recursos apenas para fixar a multa no percentual de 100%, nos termos do que preceitua o artigo 14 da Lei nº 14.6898/2023, mantendo- se, ao final, a responsabilidade tributária dos Recorrentes SAMUEL, JEANE e ÍRIS com fundamento nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 30054DF CARF MF Original

score : 1.0
7773263 #
Numero do processo: 16366.003421/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 2º trimestre de 2002 NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A busca de tutela jurisdicional caracteriza renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto, sem prejuízo do enfrentamento administrativo da matéria diferenciada. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 2º trimestre de 2002 IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. PRODUTOR EXPORTADOR. O direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos nacionais utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior é restrito às pessoas jurídicas qualificadas, cumulativamente, como produtoras (lato sensu) e exportadoras.
Numero da decisão: 3101-000.855
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade: (1) porque caracterizada a renúncia implícita à via administrativa, em não conhecer das razões do recurso voluntário inerentes (1.a) à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, de insumos adquiridos de pessoas físicas, (1.b) ao conceito de “receita de exportação” e (1.c) à atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic; (2) em negar provimento ao recurso voluntário quanto à matéria diferenciada.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 201108

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 2º trimestre de 2002 NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A busca de tutela jurisdicional caracteriza renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto, sem prejuízo do enfrentamento administrativo da matéria diferenciada. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 2º trimestre de 2002 IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. PRODUTOR EXPORTADOR. O direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos nacionais utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior é restrito às pessoas jurídicas qualificadas, cumulativamente, como produtoras (lato sensu) e exportadoras.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção

numero_processo_s : 16366.003421/2007-68

conteudo_id_s : 6017924

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3101-000.855

nome_arquivo_s : Decisao_16366003421200768.pdf

nome_relator_s : TARASIO CAMPELO BORGES

nome_arquivo_pdf_s : 16366003421200768_6017924.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade: (1) porque caracterizada a renúncia implícita à via administrativa, em não conhecer das razões do recurso voluntário inerentes (1.a) à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, de insumos adquiridos de pessoas físicas, (1.b) ao conceito de “receita de exportação” e (1.c) à atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic; (2) em negar provimento ao recurso voluntário quanto à matéria diferenciada.

dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011

id : 7773263

ano_sessao_s : 2011

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:30 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210617073664

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =>     S3­C1T1  Fl. 462      _________  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16366.003421/2007­68  Recurso nº  903.213  Voluntário  Acórdão nº  3101­00.855  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Sessão de  10 de agosto de 2011  Matéria  IPI (ressarcimento)  Recorrente  VILELA VILELA & CIA. LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 2º trimestre de 2002  NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA.  A busca de tutela jurisdicional caracteriza renúncia ao direito de questionar  igual  matéria  na  via  administrativa  bem  como  desistência  de  recurso  eventualmente interposto, sem prejuízo do enfrentamento administrativo da  matéria diferenciada.  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 2º trimestre de 2002  IPI.  RESSARCIMENTO.  EXPORTAÇÃO.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  PIS­PASEP  E  COFINS.  PRODUTOR  EXPORTADOR.  O direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/Pasep e da  Cofins  incidentes  sobre  as  aquisições,  no  mercado  interno,  de  insumos  nacionais utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o  exterior é restrito às pessoas jurídicas qualificadas, cumulativamente, como  produtoras (lato sensu) e exportadoras.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade:  (1)  porque  caracterizada a renúncia implícita à via administrativa, em não conhecer das razões do recurso  voluntário  inerentes  (1.a)  à  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido,  de  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas,  (1.b)  ao  conceito  de  “receita  de  exportação”  e  (1.c)  à  atualização  dos  créditos  presumidos  do  IPI  pela  taxa  Selic;  (2)  em  negar  provimento  ao  recurso voluntário quanto à matéria diferenciada.  Fl. 484DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 463  _________          Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente  Tarásio Campelo Borges ­ Relator  Formalizado em: 12/08/2011  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado,  Henrique  Pinheiro  Torres,  Luiz  Roberto  Domingo,  Tarásio  Campelo  Borges,  Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente.   Relatório  Cuida­se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma  da  DRJ  Ribeirão  Preto  (SP)  [1]  que  rejeitou  manifestação  de  inconformidade  [2]  contra  indeferimento  de  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  presumido do  imposto  sobre produtos  industrializados (IPI) apurado no 2º trimestre de 2002, para ressarcimento do PIS/Pasep e da  Cofins  incidentes  sobre  as  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  utilizados  no  processo  produtivo  de  mercadorias  exportadas para o exterior, benefício  fiscal  instituído pela Lei 9.363, de 13 de dezembro de  1996, com os preceitos do regime alternativo oferecido pela Lei 10.276, de 10 de setembro de  2001.  Indeferido  o  pedido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  competente  [3],  a  interessada  tempestivamente manifestou  sua  inconformidade  com as  razões de  folhas 318 a  347 (volume II), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido:                                                              1   Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 364 a 374 (volume II).  2   Manifestação de inconformidade acostada às folhas 318 a 347 (volume II).  3   Indeferimento do ressarcimento às folhas 288 a 315 (volume II): “(19) Fomos informados que aquela filial e  as  demais,  compram milho,  trigo  e  soja  em  grãos,  efetuam  secagem  e  limpeza  dos  grãos  e  revendem  os  produtos  a  granel.  Estes  grãos  são  adquiridos  dos  produtores  rurais  —  pessoas  físicas,  que  não  são  contribuintes da COFINS e do PIS. Adquirem os grãos, os quais são classificados na TIPI —Tabela do IPI  como NT – não tributados e como não sofrem modificação após a  limpeza e secagem, são revendidos pela  mesma classificação fiscal, NT. Esta secagem é realizada apenas para poder ser armazenada por determinado  período de tempo e depois ser revendida, conforme informação recebida na empresa. CONCLUSÃO [...] (71)  Nestes  termos,  em  que  pese  as  decisões  judiciais  (Liminar  em  Mandado  de  Segurança  e  Agravo  de  Instrumento,  já  citados),  [...]  a  empresa  requerente  não  se habilita  à  fruição  do beneficio  fiscal  do Crédito  Presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, visto que não se caracteriza  como  estabelecimento  industrial  (produtor),  como  demonstram  os  próprios  registros  (CFOP)  nos  livros  Fl. 485DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 464  _________          a)  Devem  ser  reconhecidas  e  aplicadas  as  decisões  judiciais  proferidas  no  citado  Mandado  de  segurança  e  no  Agravo  de  Instrumento  n° 2008.04.00.001316­9/PR;  b) O despacho decisório deve ser reformado considerando que,  por beneficiar os grãos, deve ser considerada como estabelecimento industrial, com  a  inclusão  nas  receitas  de  exportação  dos  produtos  NT,  inclusão  no  cálculo  do  crédito presumido das  aquisições de pessoas  físicas  e  corrigir os valores  a  serem  ressarcidos pela taxa SELIC;  Encerrou  pugnando  por  apresentar  todas  as  provas  admitidas  em  direito  e  pela  realização  de  diligências  para  aferir  in  loco  seu  processo  produtivo.  Os  fundamentos  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  estão  consubstanciados na ementa que transcrevo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002  CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.  A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de  parte  da  manifestação  de  inconformidade,  importa  em  renúncia  ao  litígio  administrativo e  impede a apreciação das  razões de mérito pela autoridade  administrativa competente.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.  O  estabelecimento  que  executa  operação  que  resulta  em  produto  não­ tributável,  não  é  considerado  estabelecimento  industrial,  não  se  enquadrando  no  conceito  de  estabelecimento  produtor­exportador.  Por  conseguinte, não faz jus ao crédito presumido de IPI.  Solicitação Indeferida  Ciente  do  inteiro  teor  desse  acórdão,  recurso  voluntário  foi  interposto  às  folhas 410  a  453  (volume  III).  Nessa  petição,  reitera  as  razões  iniciais  noutras  palavras  e  requer, verbis:  a)  Recebimento  e  processamento  do  presente  Recurso  Voluntário;  b)  Reconhecimento  e  aplicação  do  Acórdão  do  processo  judicial no 2007.70.01.007272­7/PR que atende a Recorrente em caso concreto;  c)  A reforma total da r. decisão ora combatida, reconhecendo o  direito da ora recorrente ao crédito presumido de que tratam a Leis 9.363 e 10.276,  pelas razões de fato e de direito ofertados nesta, quais sejam: 1) Considerar como  Receita de Exportação o somatório das vendas ao exterior ou com o fim específico  de  exportação  das mercadorias  classificadas  na  TIPI  como NT;  2)  Considerar  o                                                                                                                                                                                        fiscais. (72) Portanto, Vilela Vilela & Cia Ltda. é estabelecimento comercial, exercendo somente atividade de  compra e venda, e como tal não faz jus ao Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados —  IPI, na forma prevista nas Leis 9.363, de 13 de dezembro de 1996 e 10.276, de 10 de setembro de 2001. [...]”  Fl. 486DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 465  _________          processo  produtivo  (beneficiamento);  3)  Considerar  como  integrante  da  base  de  cálculo para a incidência do crédito o valor total das aquisições (pessoas físicas e  jurídicas); 4) Correção dos valores pleiteados pela incidência da taxa SELIC desde  o mês subseqüente ao fato gerador conforme decisão judicial em caso concreto.  d)  Ressarcimento  integral  dos  créditos  solicitados  corrigidos  pela Selic em conta de titularidade do Contribuinte/recorrente.  A  autoridade  competente  deu  por  encerrado  o  preparo  do  processo  e  encaminhou para a segunda instância administrativa [4] os autos posteriormente distribuídos a  este conselheiro e submetidos a julgamento em três volumes, ora processados com 461 folhas.  Na  última  delas  consta  despacho  com  registro  da  distribuição  mediante  sorteio  e  encaminhamento dos autos para este conselheiro­relator.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator)  Versa  o  litígio,  conforme  relatado,  acerca  do  indeferimento  de  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  presumido  do  IPI,  para  ressarcimento  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes sobre aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo  de mercadorias exportadas para o exterior, benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, de 13 de  dezembro de 1996, com valor do crédito presumido determinado na forma do artigo 1º da Lei  10.276, de 10 de setembro de 2001.  A  existência  de  litígio  judicial  sobre  fatos  vinculados  ao  pedido  de  ressarcimento  é  tema  incontroverso:  Mandado  de  Segurança  2007.70.01.007272­7/PR,  sentença às folhas 376 a 381 (volume II, frente e verso) [5] [6].  Desse  modo,  em  sede  de  preliminar,  entendo  que  o  ajuizamento  de  ação  judicial implica em renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem  como  desistência  de  recurso  eventualmente  interposto,  nos  termos  do  parágrafo  único  do                                                              4   Despacho acostado à folha 460 determina o encaminhamento dos autos para o Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais.  5   Nos autos deste processo administrativo, a sentença do mandado de segurança está desordenada. Sequência  de folhas para a correta leitura desse título judicial: 376, 381, 380, 379, 378 e 377 (volume II).  6   Apelação da União, remessa oficial e apelação da impetrante: acórdão da 2ª Turma do TRF­4 às folhas 382 a  396 (volume II).  Fl. 487DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 466  _________          artigo  38  da  Lei  6.830,  de  22  de  setembro  de  1980,  sem  prejuízo  do  enfrentamento  administrativo da matéria diferenciada.  Ademais,  dada  a  prerrogativa  constitucional  do  poder  judiciário  para  o  controle jurisdicional dos atos administrativos, tenho por certo irrelevante distinguir se a ação  judicial  está  em  curso  ou  se  transitou  em  julgado,  porquanto  a  decisão  lá  proferida  será  sempre soberana.  Na  leitura  do  relatório  da  sentença  proferida  nos  autos  do  mandado  de  segurança,  identifico  três  pontos  concomitantes  das  vias  administrativa  e  judicial:  (a) inclusão,  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido,  de  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas; (b) conceito de “receita de exportação”; e (c) atualização dos créditos presumidos do  IPI pela taxa Selic.  A cognição  liminar e a  cognição  exauriente estão destacadas no  trecho do  relatório da sentença do mandado de segurança que aqui transcrevo:  Vilela, Vilela & Cia Ltda. impetrou mandado de segurança em face de suposto ato  coator  do  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Londrina,  visando  em  cognição liminar:  "a)  determinar ao  Impetrado, que em prazo não superior a cinco dias, dê  regular  seguimento  e  impulsione  os  pedidos  administrativos  da  impetrante  (indicado  na  exposição  fática),  consoante  documentos  em  anexo,  solicitando  eventuais  esclarecimentos para a contribuinte impetrante e instrua­os em 30 dias e, em igual  prazo,  proceda  ao  respectivo  julgamento  motivado  do  pleito,  procedendo  aos  ressarcimentos  dos  valores  apurados,  relativamente  ao  ressarcimento  do  crédito  presumido de que tratam as leis 9.363 e 10.276;  b)  determinar  que  a  digna  autoridade  coatora  ao  processar  os  pedidos  de  ressarcimento  crédito  presumido  de  que  tratam  as  leis  9.363  e  10.276  da  impetrante, protocolados e sob os números já expostos, não deixe de computar no  cálculo  os  insumos  adquiridos  de  fornecedores  da  impetrante  que  são  pessoas  físicas, tampouco exclua da Receita de Exportação o produto da venda ao Mercado  Externo e a comercial exportadora das mercadorias cuja tributação de IPI esteja sob  a condição NT ­ Não tributadas e apure todos os valores de créditos constantes do  pedido mediante a incidência da SELIC;" (fls.43/44)  Em cognição exauriente, buscou a concessão da segurança para, in verbis:  "a)  Declarar o direito da Impetrante e determinar ao Impetrado que em prazo não  superior  a  cinco  dias,  dê  regular  seguimento  (impulsione)  os  processos  administrativos  da  impetrante,  consoante  documentos  em  anexo,  solicitando  eventuais esclarecimentos para a contribuinte impetrante e instrua­o em 30 dias e,  em  igual  prazo,  proceda  ao  respectivo  julgamento  motivado  dos  pleitos,  procedendo  aos  ressarcimentos  dos  valores  apurados,  relativamente  ao  ressarcimento  do  crédito  presumido  de  que  tratam  as  leis  9.363  e  10.276,  declarando o direito da impetrante ao impulso e andamento do feito administrativo  em tempo razoável e nos termos da Lei;  b)  em  reconhecendo  e  declarada  a  ilegalidade  e  inconstitucionalidades  do  § 2°,  art. 2° da IN 23/97, do § 2° art. 50 IN 69/01, do § 2° art. 5° da IN 315/03 e do § 2°  art. 5º  da  IN  420/04,  e,  ao  depois,  das  disposições  contidas  no  §  1°  e  Inc  II  do  Art. 21 da IN 69/2001, § 1° e Inc .II do Art. 21 da IN 315/2003 e § 1° e Inc. II do  Fl. 488DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 467  _________          Art.  21  da  IN  420/2004,  seja  reconhecido  o  direito  da  impetrante  e  determinado  que  o  impetrado  não  deixe  de  computar  no  cálculo  dos  créditos  os  insumos  adquiridos  dos  fornecedores  da  impetrante  que  sejam  pessoas  físicas;  tampouco  exclua  do  conceito  de  Receita  de  Exportação  o  produto  da  venda  ao  mercado  externo e a comercial exportadora de mercadorias cuja tributação de IPI esteja sob  a condição NT ­ Não Tributadas;  c)  Outrossim, seja determinado que o impetrado apure todos os valores de créditos  constantes do pedido mediante a incidência da SELIC a partir de cada período de  apuração" (fls.44/45)  Consequentemente,  por  inferir  caracterizada  a  renúncia  implícita  à  via  administrativa, não conheço das razões do recurso voluntário inerentes: (a) à inclusão, na base  de cálculo do crédito presumido, dos insumos adquiridos de pessoas físicas;  (b) ao conceito  de “receita de exportação”; e (c) à atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic.  Na matéria diferenciada, conheço do recurso voluntário interposto às folhas  410  a  453  (volume  III),  porque  tempestivo  e  atendidos  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade.  São três os temas remanescentes:  ­  atividade  econômica  exercida  pela  ora  recorrente  (compra  e  venda  ou  produção de mercadorias);  ­  pessoas  jurídicas  destinatárias  do  benefício  fiscal  instituído  pela  Lei 9.363, de 13 de dezembro de 1996, com as balizas do regime alternativo oferecido pela  Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001; e  ­  base de cálculo do crédito presumido.  A propósito da primeira dessas três questões remanescentes, na inauguração  do litígio,  logo no primeiro parágrafo da exposição dos fatos, resta  incontroversa a natureza  comercial das atividades exercidas pela ora recorrente, senão vejamos:  A Recorrente é empresa comercial que desempenha atividades que se equiparam à  indústria,  dedicada  à  produção,  comercialização  e  exportação  de  mercadorias  nacionais classificadas na TIPI como não tributados ­ NT (tais como mercadorias  agrícolas  e  agropecuárias,  entre  outras),  conforme  contrato  social  em  anexo,  submetidos  a  processos  que  se  equiparam  a  industrialização,  de  acordo  com  regulamento do IPI (Decreto nº 4.544 de de [sic] 26/12/2002 – RIPI, em seu artigo  3º, e artigo 4º inciso II).  Do  uso  subsidiário  da  legislação  do  IPI  para  buscar  o  conceito  de  estabelecimento produtor [7], tenho como fato de somenos importância a alegada equiparação  das  atividades  da  ora  recorrente  às  da  industria,  porque  operação  de  beneficiamento  não  equipara  estabelecimento  comercial  a  estabelecimento  produtor.  A  equiparação  tem                                                              7   Lei 9.363,  de 1996,  artigo 3º,  parágrafo único: Utilizar­se­á,  subsidiariamente,  a  legislação do  Imposto de  Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos  de receita operacional bruta e de produção, matéria­prima, produtos intermediários e material de embalagem.  Fl. 489DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 468  _________          pressupostos específicos, enumerados no artigo 4º da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964  [8], regulamentado no artigo 9º tanto do RIPI 1998 (Decreto 2.637, de 25 de junho de 1998)  quanto do RIPI 2002 (Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002). Distintas  da equiparação,  a  transformação,  o  beneficiamento,  a  montagem,  o  recondicionamento  (renovação)  e  o  acondicionamento  ou  o  reacondicionamento  são  características  próprias  das  operações  industriais [9] [10].  É  certo  que  a  lei  do  imposto  de  consumo  e  os  regulamentos  do  IPI  dela  decorrentes somente consideram estabelecimento industrial, stricto sensu, aquele que executa  operações  próprias  das  indústrias  (transformação,  beneficiamento,  montagem,  recondicionamento  e  acondicionamento  ou  reacondicionamento)  e  cuja  produção  resulta  produto tributado pelo IPI, ainda que de alíquota zero ou isento. Isso acontece porque a saída  de mercadorias do estabelecimento produtor é  fato gerador do  IPI  [11] e não há  se  falar em  fato gerador do tributo diante de produtos não tributáveis (NT).  Por  outro  lado,  o  crédito  outorgado  pela  Lei  9.363,  de  1996,  é  uma  presunção e essa norma jurídica não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI.  Outrossim, quando determina o uso da  legislação desse  tributo,  expressamente  indica o  seu  emprego  subsidiário  [12],  vale  dizer,  uso  secundário,  uso  auxiliar,  uso  subordinado  aos  ditames da norma extravagante.                                                              8   Lei 4.502, de 1964, artigo 4º: Equiparam­se a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: (I) os  importadores  e  os  arrematantes  de  produtos  de  procedência  estrangeira;  (II)  as  filiais  e  demais  estabelecimentos  que  exercerem  o  comércio  de  produtos  importados,  industrializados  ou  mandados  industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte; [inciso com redação dada pela Lei 9.532, de  1997]  (III)  os  que  enviarem  a  estabelecimento  de  terceiro,  matéria­prima,  produto  intermediário,  moldes,  matrizes ou modelos destinados à industrialização de produtos de seu comércio. (IV) os que efetuem vendas  por  atacado  de  matérias­primas,  produtos  intermediários,  embalagens,  equipamentos  e  outros  bens  de  produção.  [inciso  incluído  pelo  Decreto­Lei  34,  de  1966]  (V)  [...]  [inciso  V  revogado  pela  Lei  9.532,  de  1997]  (§ 1º) O  regulamento conceituará para efeitos  fiscais, operações de venda e bens  compreendidos no  inciso IV deste artigo. [parágrafo incluído pelo Decreto­Lei 34, de 1966] (§ 2º) Excluem­se do disposto no  inciso  II  os  estabelecimentos  que  operem  exclusivamente  na  venda  a  varejo.  [parágrafo  renumerado  do  parágrafo único pelo Decreto­Lei 34, de 1966].  9   Lei  4.502,  de  1964,  artigo  3º,  parágrafo  único:  Para  os  efeitos  deste  artigo,  considera­se  industrialização  qualquer  operação  de  que  resulte  alteração  da  natureza,  funcionamento,  utilização,  acabamento  ou  apresentação do produto, salvo: (I) o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; (Il) o  acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (III) O preparo de medicamentos oficinais ou  magistrais,  manipulados  em  farmácias,  para  venda  no  varejo,  diretamente  e  consumidor,  assim  como  a  montagem  de  óculos,  mediante  receita  médica.  [inciso  incluído  pelo  Decreto­Lei  1.199,  de  1971]  (IV)  a  mistura  de  tintas  entre  si,  ou  com  concentrados  de  pigmentos,  sob  encomenda  do  consumidor  ou  usuário,  realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e  varejista não sejam empresas  interdependentes, controladora, controlada ou coligadas.  [inciso  incluído pela  Lei 9.493, de 1997].  10   Lei 4.502, de 1964, artigo 3º, parágrafo único, regulamentado pelo artigo 4º  tanto do RIPI 1998 quanto do  RIPI 2002.  11   Lei 4.502, de 1964, artigo 2º: Constitui fato gerador do imposto: [...] (II) quanto aos de produção nacional, a  saída do respectivo estabelecimento produtor. [...].  12   Lei 9.363, de 1996, artigo 3º, parágrafo único.  Fl. 490DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 469  _________          Além disso,  a  confessada  natureza  comercial  da  pessoa  jurídica  corrobora  fato  denunciado  no  indeferimento  do  pedido  de  ressarcimento:  a Classificação Nacional  de  Atividades  Econômicas  (CNAE)  cadastrada  na  Receita  Federal  do  Brasil,  tanto  da  matriz  quanto  dos  estabelecimentos  filiais,  aponta,  inquestionavelmente,  para  o  exercício  de  atividade comercial, ora atacadista, ora varejista [13].  Igualmente demonstram o exercício de atividade comercial os livros fiscais  “Registro  de Apuração  de  IPI”,  “Registro  de  Entradas”  e  “Registro  de  Saídas”  e  todos  os  documentos  fiscais  neles  escriturados.  Nesses  livros  não  existe  um  só  registro  de  saída  de  produtos industrializados pelo estabelecimento, nem de entrada de insumos (matérias­primas,  produtos intermediários ou materiais de embalagem), sejam insumos provenientes de pessoas  jurídicas, sejam insumos oriundos de pessoas físicas. Quanto ao Código Fiscal de Operações e  Prestações  (CFOP) consignado  nos  documentos  fiscais,  eles  são  próprios  de  operações  comerciais [14].  De mais a mais, é cediço que a escrituração contábil e fiscal é uma confissão  dos dirigentes da sociedade empresária e goza da presunção de verdade. As notas fiscais que  amparam  os  assentamentos  contábeis  e  fiscais,  quando  contêm  declarações  inexatas,  são  inidôneas  para  todos  os  efeitos  fiscais,  mas  fazem  prova  inequívoca  em  desfavor  do  contribuinte,  por  força  do  §  1º  do  artigo  7º  do Convênio  de  15  de  dezembro  de  1970,  por  intermédio do qual o Ministro da Fazenda e os Secretários de Fazenda  ou de Finanças dos  estados  e  do  distrito  federal  criaram  o  Sistema  Nacional  Integrado  de  Informações  Econômico­Fiscais (Sinief) [15] [16].                                                              13   Indeferimento  do  pedido  de  ressarcimento,  folhas  288  a  315  (volume  II),  parágrafo  20,  tema  não  controvertido.  14   Indeferimento  do  pedido  de  ressarcimento,  folhas  288  a  315  (volume  II),  parágrafo  48,  tema  não  controvertido.  15   Convênio  (Sinief),  de  15  de  dezembro  de  1970,  artigo  6º:  Os  contribuintes  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados e/ou Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de  Serviços  de  Transporte  Interestadual,  Intermunicipal  e  de  Comunicações  emitirão,  conforme  as  operações  que  realizarem,  os  seguintes  documentos  fiscais:  (I)  Nota  Fiscal,  modelos  1  ou  1­A;  (II)  Nota  Fiscal  de  Venda  a  Consumidor,  modelo  2;  (III)  Cupom  Fiscal  emitido  por  equipamento  Emissor  de  Cupom  Fiscal  (ECF); (IV) Nota Fiscal de Produtor, modelo 4. [...] [artigo 6º com a nova redação dada pelo Ajuste Sinief 5,  de 1994, efeitos a partir de 14 de dezembro de 1994].  16   Convênio (Sinief), de 15 de dezembro de 1970, artigo 7º: Os documentos fiscais referidos nos incisos I a V  do  artigo  anterior  deverão  ser  extraídos  por  decalque  a  carbono  ou  em  papel  carbonado,  devendo  ser  preenchidos a máquina ou manuscritos  a  tinta ou a  lápis­tinta, devendo ainda os  seus dizeres e  indicações  estar  bem  legíveis,  em  todas  as  vias.  (§  1º)  É  considerado  inidôneo  para  todos  os  efeitos  fiscais,  fazendo  prova apenas em favor do Fisco, o documento que: (1) omitir indicações; (2) não seja o legalmente exigido  para a respectiva operação; (3) não guarde as exigências ou requisitos previstos neste Convênio; (4) contenha  declarações  inexatas,  esteja  preenchido  de  forma  ilegível  ou  apresente  emendas  ou  rasuras  que  lhe  prejudiquem a clareza. (§ 1º­A) Fica permitida a utilização de carta de correção, para regularização de erro  ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado com: (I) as variáveis que  determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da  operação  ou  da  prestação;  (II)  a  correção  de  dados  cadastrais  que  implique mudança  do  remetente  ou  do  destinatário;  (III) a data de emissão ou de saída.  [§ 1º­A acrescido pelo Ajuste Sinief 1, de 2007, efeitos a  partir de 4 de abril de 2007] [...].  Fl. 491DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 470  _________          Praesúmptio  juris  tantum,  ela  admite prova  em  contrário. No  entanto,  em  caso  de  retratação,  é  ônus  exclusivo  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  a  material  demonstração do erro escusável.  In concreto, não se tem notícia nos autos deste processo administrativo da  existência  de  qualquer  prova  material  apontando  que  a  ora  recorrente  exerce  atividade  industrial, ou a exerceu no período de apuração do crédito presumido objeto do  litígio,  tais  como: (a) mudança da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) cadastrada  na Receita Federal  do Brasil,  de atividade  comercial  para  atividade  industrial;  (b) cartas de  correção vinculadas às notas fiscais de aquisição dos alegados insumos (CFOP original aponta  mercadorias  para  revenda);  (c)  cartas  de  correção  vinculadas  às  notas  fiscais  de  saída  dos  supostos  produtos  industrializados  (CFOP  original  indica  revenda  de  mercadorias);  e  (d) retificação dos assentamentos contábeis e fiscais, inerentes à alegada compra de insumos e  à  suposta  saída  de  produtos  industrializados  [17]  originalmente  lançados,  na  entrada,  como  aquisição de mercadoria para revenda e, na saída, como revenda de mercadorias.  Concluo, por conseguinte, que o comércio (varejista e atacadista) é a única  atividade econômica exercida pela ora recorrente.  Passo,  doravante,  à  identificação  das  pessoas  jurídicas  destinatárias  do  benefício  fiscal  instituído  pela  Lei 9.363,  de  13  de  dezembro  de  1996,  com  as  balizas  do  regime alternativo oferecido pela Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001.  A resposta para essa dúvida está expressamente respondida nos textos legais  das duas normas citadas.  Com efeito, no artigo 1º de ambas, o favor fiscal representado pelo crédito  presumido  do  IPI  nelas  definido  tem  como  destinatárias  as  pessoas  jurídicas  qualificadas  como produtoras (lato sensu) e exportadoras [18] [19] de mercadorias nacionais, o que limita  o direito à fruição do benefício ao implemento das duas qualificadoras, cumulativamente.                                                              17   IN DNRC 102, de 2006, artigo 5º: A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela  Junta  Comercial,  deverá  ser  efetuada  nos  livros  de  escrituração  do  exercício  em  que  foi  constatada  a  sua  ocorrência,  observadas  as  Normas  Brasileiras  de  Contabilidade,  não  podendo  o  livro  já  autenticado  ser  substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada.  18   Lei 9.363, de 1996, artigo 1º: A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito  presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam  as  Leis Complementares  nºs  7,  de  7  de  setembro  de  1970,  8,  de  3  de  dezembro  de  1970,  e  70,  de  30  de  dezembro  de  1991,  incidentes  sobre  as  respectivas  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (Parágrafo único) O  disposto neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos  casos  de venda  a  empresa  comercial  exportadora  com o  fim  específico de exportação para o exterior.  19   Lei 10.276, de 2001, artigo 1º, caput: Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de  1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o  valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às  contribuições  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento.  Fl. 492DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16366.003421/2007­68  Acórdão nº 3101­00.855  S3­C1T1  Fl. 471  _________          Portanto, a produção de mercadorias conjugada com a prática de operações  de  comércio  exterior,  na  modalidade  exportação  de  produção  própria,  são  condições  necessárias para o ressarcimento do crédito presumido do IPI pela sociedade empresária.  Finalmente, não há se  falar em inclusão de insumos na base de cálculo do  crédito  presumido  se  sequer  existem,  nos  livros  da  ora  recorrente,  registros  contábeis  ou  fiscais relativos à aquisição de insumos. Tampouco foram apresentadas notas fiscais relativas  à  entrada  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  ou  materiais  de  embalagem:  nem  adquiridos de pessoas jurídicas, nem adquiridos de pessoas físicas.  Com essas considerações, por inferir caracterizada a renúncia implícita à via  administrativa, não conheço das razões do recurso voluntário inerentes: (a) à inclusão, na base  de cálculo do crédito presumido, de insumos adquiridos de pessoas físicas; (b) ao conceito de  “receita de exportação”; e (c) à atualização dos créditos presumidos do IPI pela taxa Selic. Na  matéria diferenciada, conheço das razões recursais para negar­lhes provimento.  Tarásio Campelo Borges    Fl. 493DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/08/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

score : 1.0