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Numero do processo: 10725.903240/2009-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 25 .9 03 24 0/ 20 09 -9 2 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a decisão anterior. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Versa este processo sobre restituição/compensação. A DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 199/2010 (fls. 36/37), não reconheceu o direito creditório pleiteado (por ausência de certeza e liquidez) e, consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. O interessado teve ciência em 30/11/2010 (fl. 46). Em 07/12/2010, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 47/51. Na referida peça, alega, em síntese, que: as compensações declaradas não foram homologadas em razão da suposta omissão de receita apurada no processo n° 15521.000156/200925; ocorre que, no referido processo, apresentou Impugnação e, posteriormente, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual encontrase pendente de julgamento; assim, se por um lado não é possível a homologação da compensação desde logo, tendo em vista a questão prejudicial representada pelo crédito tributário constituído no processo n° 15521.000156/200925, por outro lado e pelo mesmo motivo é certo que a sua exigibilidade está suspensa pelo recurso administrativo apresentado naqueles autos, conforme jurisprudência; com efeito, não se pode atribuir certeza a crédito tributário cuja existência depende do que for decidido em outro processo, no qual ainda não foi proferida decisão administrativa definitiva, o que somente ocorrerá com o julgamento do Recurso Voluntário; em suma, como é evidente que o que for discutido e decidido nos autos do processo administrativo n° 15521.000156/200925 certamente terá reflexo neste processo e encontrandose suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido naqueles autos, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, impõese a suspensão deste processo até que seja proferida decisão final naqueles autos; em caso idêntico ao presente, o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança n° 2010.51.03.0018018, concedeu a Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 4 3 medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário.” A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 03/05/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/05/2012, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua manifestação de inconformidade, e ao fim requer a suspensão do processo até a decisão final do processo nº 15521.000156/200925. Este é o Relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de compensação onde a DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 199/2010 (fls. 36/37), não reconheceu o direito creditório pleiteado, fundamentandose na ausência de certeza e liquidez do crédito, e consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. Constou da decisão que: a) o pleito se encontra consubstanciado na circunstância de o interessado ter apurado, na DIPJ/2006, Saldo Negativo (saldo credor) de IRPJ; b) a análise da Declaração de Compensação implica, entre outros procedimentos, verificar se houve apuração, e de forma correta (conformidade com a legislação), de saldo negativo de IRPJ na correspondente declaração de rendimentos, e que este já não tenha sido objeto de compensação em exercícios futuros; c) constatouse que o interessado fora fiscalizado, no Processo Administrativo 15521.000156/200925, conforme Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos, sendo certo que houve alteração na situação jurídica do mesmo, razão pela qual desconsiderase a apuração efetuada na DIPJ, de saldo negativo de IRPJ. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que não se pode atribuir certeza a crédito tributário cuja existência depende do que for decidido em outro processo, no qual ainda não foi proferida decisão administrativa definitiva. Solicita, então, a suspensão deste processo até que seja proferida decisão final naqueles autos. Alega que, em caso idêntico ao presente, o Poder Judiciário concedeu a medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário. No exame das compensações, a DRF verificou que o Saldo Negativo pleiteado foi revertido em face da ação fiscal objeto do Processo Administrativo 15521.000156/200925, razão pela qual desconsiderou a apuração efetuada na DIPJ, a qual tinha gerado saldo negativo. O processo objeto da ação fiscal que glosou o saldo negativo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara no dia 03 de dezembro de 2013, tendo a decisão sido formalizada em 17 de maio do presente ano, cuja a ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 6 5 OMISSÃO DE RECEITAS. REEMBOLSO DE DESPESAS. CARACTERIZAÇÃO. Em razão de sua inoponibilidade ao Fisco, desconsiderase a existência formal de dois contratos distintos (de afretamento e de prestação de serviços), uma vez caracterizada a falta de propósito negocial naquela forma de contratação, em virtude de diversos elementos fáticos que demonstram a realização de uma única prestação de serviço. A atuação de empresas do mesmo grupo econômico na prestação de serviços a terceiros de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, descaracteriza a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores indevidamente classificados como reembolso de despesas. OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez não se sustentando a acusação de “simulação fraudulenta” que ensejou a qualificação da multa, os documentos apresentados pela Recorrente como justificadores do aumento de capital e reembolso de despesas, não podem ser meramente desconsiderados em sua validade jurídica, a fim de se buscar uma caracterização de suposta receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços efetuados no Brasil, ainda que provenientes de recursos ingressados através de remessas recebidas do exterior, regularmente efetuadas através do Banco Central. Assim, é de se aceitar como plenamente válidos os documentos que ensejaram o aumento de capital e o reembolso de despesas. PIS E COFINS. AUMENTO DE CAPITAL. AFASTADA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS A ESSA REMESSA. Uma vez válida a operação de aumento de capital, por sustentada em documentação hábil e idônea, a justificar tal procedimento, não se pode considerar, a esse título, omissão de receita, que reflete, assim, nas bases de cálculos do PIS e da COFINS, que deve ser expurgada desses valores, por inexistir tal configuração de receita omitida. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. NÃO COMPROVAÇÃO. A contratação de prestação de serviços em condições econômico financeiras desiguais, por si só, não configura simulação, por ausência de comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. DATA DO FATO GERADOR. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 7 6 A contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação obedece à regra do art. 150, §4º, do CTN, iniciandose a contagem da data do fato gerador, quando não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos da jurisprudência firmada em recurso repetitivo do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência da decadência do IRPJ e da CSLL até o terceiro trimestre de 2004 e do PIS e da Cofins até novembro de 2004, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do IRPJ e da CSLL a omissão de receitas originada do aumento de capital, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas originada do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do PIS e da Cofins as omissões de receita originadas do aumento de capital e do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto redução da multa de ofício para o percentual de 75%, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor das matérias em que restou vencida a relatora, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Inicialmente afasto o pleito de suspensão do presente julgamento, por conta da pendência de julgamento do processo nº 15521.000156/200925, eis que no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, não há qualquer hipótese de suspensão ou sobrestamento por conta dos fatos alegados. No caso em exame o mais correto seria que este, assim como os demais processos de compensação que me foram distribuídos referentes a esse mesmo saldo negativo fossem apensados ao processo nº 15521.000156/200925, para que fossem analisados a partir da decisão final, transitada em julgado, proferida naquele feito. Ocorre que essa possibilidade deve ser descartada, eis que aquele processo já encontrase julgado por este Conselho e, embora estes processos estejam intimamente vinculados àquele, a matéria não é a mesma e a decisão não pode ser estendida. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 8 7 Com efeito, este processo parte do saldo que for reconhecido naquele, mas tem matéria distinta, eis que um referese a glosa de saldo negativo de IRPJ, enquanto o outro a compensação decorrente do saldo apurado ao fim do período. Sendo assim a apensação neste momento obrigaria àquela turma a realizar novo julgamento deste processo ou iria suprimir uma instância de julgamento, o que cercearia o direito de defesa do contribuinte. Desse modo, considerando as impossibilidades de suspensão, sobrestamento ou apensação ao processo nº 15521.000156/200925, entendo que deve ser julgado este feito no estado em que se encontra. Pelo julgamento do processo nº 15521.000156/200925, vimos que embora não tenha dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, parte do seu direito foi reconhecido, sendo possível que ainda reste saldo a ser compensado naquele exercício. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a delegacia de origem informe se após o julgamento do processo nº 15521.000156/200925, existe saldo negativo a ser aproveitado nos presentes autos. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934631/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.155
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Pagamento indevido a título de estimativa de IRPJ. Recorrente MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 46 31 /2 00 9- 66 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 392 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase recurso voluntário interposto por MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela improcedência integral de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 03 a 11 do processo digital) de débitos de tributos federais com o crédito de R$ 9.488.421,61 decorrente de pagamento indevido realizado a título de estimativa de IRPJ em 19/04/2000. A Derat/São Paulo, mediante despacho decisório eletrônico, não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pela não localização do DARF informado na PER/DCOMP. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade na qual informou que houve engano no preenchimento da data do período de apuração no DARF. A mencionada 2ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 1627.896, de 23 de novembro de 2010, por meio do qual manteve o não reconhecimento do direito creditório alegado. Cumpre esclarecer que, por tratarem do mesmo direito creditório, a mesma decisão foi proferida para o julgamento da lide contida neste e em outros vinte processos. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 393 3 As estimativas pagas devem ser levadas ao ajuste anual como dedução do valor devido no ano (§4°, inciso IV do artigo 2° da Lei n° 9.430/96), só então configurandose o saldo a restituir, se for o caso, não cabendo falar em pagamento a maior da própria estimativa. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem com indevidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em que deduz os seguinte argumentos: a) Por equívoco, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior na base de cálculo para a apuração da estimativa de março/2000. No entanto, conforme dispõe o artigo 25 da Lei nº 9.249/95, tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. b) Em decorrência desse equívoco, efetuou a maior o recolhimento da estimativa referente ao período de março de 2000. Recolheu R$ 9.488.442,61, quando o correto seria recolher R$ 291.101,75. Assim, possui um indébito passível de compensação no montante de R$ 9.197.340,86. c) Ao contrário do que alega o acórdão recorrido, tratase de recolhimento a maior e não de estimativa mensal. d) Referido valor não compôs a apuração do ajuste anual, portanto, não se aplica o disposto no §4º, inciso IV, do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. e) O DARF não foi localizado no sistema da Receita Federal por causa do equívoco no período de apuração informado. Ao invés de 19/04/2000, o correto seria 31/03/2000. Tal erro não foi detectado em tempo hábil, razão pela qual não foi possível efetuar o REDARF. f) Os rendimentos auferidos no exterior foram corretamente ofertados à tributação e compuseram o ajuste anual em 31/12/2000. g) O saldo negativo do ano de 2000 não é objeto de discussão no presente processo. O que se pretende é o reconhecimento do crédito referente ao recolhimento indevido ocorrido em março de 2000. h) A veracidade de suas alegações pode ser comprovada através de seus registros contábeis, os quais fazem prova da regular existência do crédito. i) Esclarece que incorreu em erro formal no preenchimento do PER/DCOMP ao não informar que o crédito estava vinculado a IN 27/1997. j) Seu pedido encontra amparo no direito de propriedade, do devido processo legal, na legalidade, na moralidade administrativa e na verdade material. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 394 4 Ao final, requer a homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A DRJ não reconheceu o direito creditório pleiteado porque entendeu que não se pode restituir estimativas pagas, as quais devem ser deduzidas no ajuste anual, em conformidade com o estabelecido no artigo 2º, IV, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Neste sentido, só se pode requerer restituição/compensação de eventual saldo negativo apurado no referido ajuste anual. Tal entendimento, de fato, é o correto e vem sendo seguidamente adotado nos diversos julgamentos proferidos nesta Casa. Nada obstante, verifico que o presente caso não trata da estimativa que deveria ser paga na conformidade do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. Isso porque a recorrente agiu de forma equivocada ao calcular a antecipação que seria devida no mês de março de 2000. Com efeito, na apuração desse mês, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior quando o artigo 25 da Lei nº 9.249/95 dispõe que tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. Por tal motivo, recolheu a título de estimativa do mês de março de 2000, o valor de R$ 9.488.442,61, quando o correto seria recolher R$ 291.101,75. Tanto é assim que foi este último valor que foi incluído na dedução a título de estimativas no ajuste anual. Por outro lado, os rendimentos auferidos no exterior foram corretamente ofertados à tributação e compuseram o ajuste anual em 31/12/2000. Tais fatos estão relatados no recurso apresentado e os documentos juntados aos autos apontam para a verossimilhança dessas alegações. Houve, portanto, pagamento maior que o devido na data do respectivo recolhimento, configurando um indébito passível de restituição/compensação no montante de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 395 5 R$ 9.197.340,86. Isso, a despeito do erro formal no preenchimento da PER/DCOMP, a qual indicava um crédito de R$ 9.488.421,61. A possibilidade de restituição/compensação de pagamentos indevidos a título de estimativa já é matéria consolidada no âmbito do CARF desde a edição da seguinte súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a verificação efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte e documentação juntada aos autos com os sistemas de controle da Receita Federal, pois a autoridade julgadora negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de março de 2000, se o valor pago a maior não foi efetivamente apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à instância a quo para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à DRJ para análise do mérito do pedido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 396 6 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013077/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007
INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. LIMITES DA COISA JULGADA.
Não são passíveis de escrituração os créditos oriundos de insumos não tributados, nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado.
CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito.
Recurso Voluntário Provido em Parte
No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura-se devida a atualização monetária. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição e compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 3302-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, quanto ao crédito sobre material de embalagem e produto intermediário, Walber José da Silva, quanto à atualização do crédito, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, quanto aos juros sobre a multa de ofício. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor quanto ao crédito sobre material de embalagem e produtos intermediários.
Fez sustentação oral pela Recorrente em março de 2013 o Dr. Harry Francoia Júnior RG 24766 - RJ.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente e Relator Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas - Redatora-Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. LIMITES DA COISA JULGADA. Não são passíveis de escrituração os créditos oriundos de insumos não tributados, nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura-se devida a atualização monetária. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição e compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, quanto ao crédito sobre material de embalagem e produto intermediário, Walber José da Silva, quanto à atualização do crédito, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, quanto aos juros sobre a multa de ofício. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor quanto ao crédito sobre material de embalagem e produtos intermediários. Fez sustentação oral pela Recorrente em março de 2013 o Dr. Harry Francoia Júnior RG 24766 - RJ. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator Ad Hoc (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas - Redatora-Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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PAINÉIS E SERRADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINARES DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não devem ser acatadas preliminares de nulidade quando as mesmas não se encontrarem tipificadas, provadas nos autos e não ocorrer indeferimento de pedido efetuado com inobservância da forma prescrita em norma e, a critério do julgador a quo, for prescindível para a solução da lide. AÇÃO JUDICIAL. OBEDIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Predominância da interpretação judicial sobre a administrativa. O julgador administrativo é obrigado a seguir a decisão judicial proferida em processo próprio, ainda que extra petita, posto que, transitada em julgado forma lei entre as partes. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura se devida a atualização monetária. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição e compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 30 77 /2 00 7- 91 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. LIMITES DA COISA JULGADA. Não são passíveis de escrituração os créditos oriundos de insumos não tributados, nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, quanto ao crédito sobre material de embalagem e produto intermediário, Walber José da Silva, quanto à atualização do crédito, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, quanto aos juros sobre a multa de ofício. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor quanto ao crédito sobre material de embalagem e produtos intermediários. Fez sustentação oral pela Recorrente em março de 2013 o Dr. Harry Francoia Júnior – RG 24766 RJ. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente e Relator Ad Hoc (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas RedatoraDesignada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 863 3 Relatório Tratase de retorno de diligência, aprovada pela Resolução n. 330200.214, de 22 de março de 2012 (fls. 806 e segs.), cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 668 a 723) apresentado em 07 de outubro de 2011 contra o Acórdão no 1433.866, de 26 de maio de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 652 a 660), cientificado em 06 de setembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro, agosto de 2005, março de 2006 a março de 2007, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI “Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 “NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. “Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. “PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. “Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. “O direito ao crédito de IPI extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, da data de entrada dos materiais no estabelecimento. “INCONSTITUCIONALIDADE. “A autoridade administrativa é incompetente para examinar aspectos de legalidade e constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. “FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. “A falta de recolhimento do IPI, nos prazos previstos na legislação, enseja a sua exigência, acrescido de juros de mora calculados pela taxa Selic e multa de ofício. “RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. “O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido, quando a decisão judicial a ele se reporta. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 “CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. “Considerando que não existe previsão legal para a correção monetária de créditos extemporâneos de IPI, é indevida a atualização fundada em decisão judicial, se esta não estabelece os índices aplicáveis. “JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “É legal a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic. “Impugnação Improcedente” O auto de infração foi lavrado em 23 de outubro de 2007 de acordo com o termo de fls. 266 a 271. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 278/281, lavrado em 22/10/2007, com ciência da contribuinte em 23/10/2007, totalizando o crédito tributário de R$ 5.806.649,26. “Segundo a descrição dos fatos de fls. 280/281 e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 266/271, a contribuinte deixou de recolher ou recolheu a menor o imposto, no período de janeiro/2005 a março/2007, por se utilizar de créditos indevidos. “A contribuinte obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com acórdão transitado em julgado. No entanto, ao escriturar os créditos, cometeu as seguintes irregularidades: “1. Incluiu os créditos decorrentes das aquisições de produtos intermediários e material de embalagem; formulada consulta a respeito, a Divisão de Tributação – DISIT da 9ª Região Fiscal posicionouse no sentido de que o alcance da decisão restringe se aos termos do pedido, devendo ser acatados somente os créditos relativos às matériasprimas; 2. Incluiu os créditos decorrentes das aquisições de produtos que não se enquadram no conceito de insumos, tais como botijões de gás, óleo diesel, óleo combustível, óleo de xisto e gás butano; 3. Corrigiu os créditos pela taxa Selic, o que não encontra respaldo nem na decisão judicial, que não fixou índices de correção monetária, nem na legislação, que não prevê a correção dos créditos de IPI. “Na apuração dos créditos válidos foi considerado o prazo prescricional de 5 anos. “Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 286/334, alegando, em síntese, que: “1. O auto de infração é nulo porque é baseado em presunções e não foi apresentado o cálculo do crédito glosado; Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 864 5 2. A função da fiscalização era de homologar ou não o crédito utilizado e eventual saldo, mas o que foi feito foi a glosa do débito mensal de IPI; 3. Não há prova material da ocorrência de infração; a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que embasam o lançamento, maculam de nulidade todo o procedimento; “4. Imprescindível a realização de diligências no sentido de estabelecer qual o saldo existente relativamente à decisão judicial; “5. Ao alegar que a fiscalização anterior, constante do PAF 10980.012807/200222, glosou créditos de aquisições ocorridas há mais de cinco anos da data da utilização do crédito, o auditor ocorre em erro uma vez que não houve qualquer manifestação quanto à prescrição ou decadência dos créditos, nas razões expostas pelo fiscal no auto de infração anterior; “6. Não é possível a autoridade lavrar outro auto de infração sob o mesmo fundamento daquele ainda não julgado; a apuração do presente processo depende do anterior; “7. O direito advindo com a decisão judicial decorre de um sistema, pelo qual devem ser consideradas todas as manifestações contidas nos documentos elencados na decisão, tais como relatório, votos e notas taquigráficas; não cabe ao auditor reavaliar o conteúdo das manifestações contidas no sistema, uma vez que a coisa julgada material é imutável; “8. Em que pese a prescrição não ter sido apreciada nesta auto de infração, conforme as manifestações no processo, é pertinente fazer considerações sobre o assunto; o reconhecimento dos créditos de IPI deverá alcançar valores pagos no período de dez anos da data em que houve o protocolo da inicial do Mandado de Segurança. “9. A decisão judicial contempla as mercadorias adquiridas pelo contribuinte, e não faz distinção quanto a sua natureza; o que está sendo discutido é o regime da nãocumulatividade do IPI, e sendo assim, não existe possibilidade de limitar a sua aplicação apenas a uma espécie de mercadoria; “10. Com relação à correção monetária, o fato de não ter sido nominado o índice não prejudica a aplicação da determinação judicial de correção dos créditos; além disso, o contribuinte, de forma conservadora, teria adotado os mesmos índices aplicados pelo fisco na correção de seus créditos. “11. A multa exigida é confiscatória; “12. É descabida a atualização da base de cálculo da multa desde a origem dos fatos tidos como infringentes à lei; “13. A exigência de juros moratórios dimensionados pela taxa Selic é inconstitucional.” Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Por fim, requer que seja reconhecida a nulidade do lançamento, a produção de provas, consubstanciadas em juntada de documentos, laudos técnicos e diligências, e, no mérito, que seja dado provimento à impugnação. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação. Destacou, ainda, as decisões nos processos 10980.012807/200222 e 10980.000022/200398. A diligência foi requerida nos seguintes termos, após apresentar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e do Carf sobre o direito de crédito: Assim, ficou esclarecido que “outros créditos” extrapolariam a decisão judicial, razão pela qual não foram acolhidos os embargos. Entretanto, examinando a relação de fls. 20 e 51 a 57, não se conseguem identificar quais produtos foram empregados na produção. Cabe, assim, a realização de diligência, para que sejam discriminados os insumos que, nos termos dos entendimentos acima reproduzidos, foram aplicados na produção, ainda que não tenham sofrido desgaste em contato direto com o produto fabricado. Após a resolução, a Fiscalização intimou a Interessada (fls. 817 e 818) para apresentar a documentação. Houve pedido de prorrogação de prazo (fl. 837) e, nas fls. 843 a 857, a Interessada apresentou a seguinte justificativa, contestando a conclusão da resolução: No entanto, é de absoluta importância que o julgamento do presente recurso considere as demais matérias que constituem a impugnação pela via do Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quais sejam: a) o prazo alcançado pela decisão transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança nº 98.00209263, que tramitou perante a 2ª Vara Cível Federal de Curitiba; b) o entendimento da Secretaria da Receita Federal é que a prescrição do direito da empresa em se creditar do IPI é de cinco anos contados da data da entrada dos produtos no estabelecimento; c) o pedido do Mandado de Segurança não especificou o prazo, mas citou o período não alcançado pela prescrição, que, conforme atesta a certidão de objeto e pé do processo judicial, é de 10 (dez) anos; d) a pessoa jurídica BERNECK foi a beneficiária da ação judicial e o crédito não deve ser considerado apenas por estabelecimento. Conforme informado ao Auditor Fiscal que elaborou o auto de infração, os créditos utilizados no período compreendido neste processo administrativo foram calculados pelas aquisições Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 865 7 realizadas entre setembro 1988 e setembro de 1993, pelo estabelecimento principal da BERNECK. De fato, a fiscalização, desconsiderando o procedimento adotado pela BERNECK e o prazo prescricional (1988 a 1998), glosou a totalidade dos créditos apropriados, oriundos entre 1993 e 1998, e considerou, para o lançamento, as aquisições realizadas dentro do período fiscalizado, de abril de 2002 a setembro de 2006, e somente pelo estabelecimento com endereço na Rua Pedro Gusso. Não há dúvida de que houve absoluta limitação ao inafastável direito concedido por meio de uma decisão judicial transitada em julgado. A seguir, apresentou os demonstrativos, especificando o uso dos insumos: combustível industrial, material secundário, material de embalagem e matériaprima. É o relatório. Voto Vencido CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA – RELATOR AD HOC O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Necessário esclarecer que o voto a seguir exposto foi proferido na sessão de julgamento pelo então Conselheiro Relator José Antonio Francisco. Inicialmente, quanto às questões de nulidade, há que se considerar que foram em parte superadas pela realização da diligência. No mais, cabe adotar os fundamentos do acórdão de primeira instância, por representarem o entendimento estabelecido do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf. Conforme esclarecido no relatório, o auto de infração foi lavrado em função da glosa de créditos atingidos pelo prazo prescricional de cinco anos, correção monetária não concedida na ação judicial e relativos a produtos que não corresponderiam a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Como a questão dos insumos foi analisada preliminarmente na resolução e o Regimento Interno do Carf prevê que toda matéria decidida na resolução deva ser novamente apreciada no acórdão, adoto os fundamentos da resolução, em relação ao posicionamento geral sobre quais insumos geram crédito, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999. Destaquese a conclusão a que se chegou naquela ocasião: [...] temse que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Portanto, não faz sentido algum interpretar a decisão judicial como se tivesse concedido direito de crédito sobre aquilo que não é empregado na produção. Feitos os esclarecimentos acima, passase à análise da decisão judicial. O auto de infração baseouse no relatório da Disit/SRRF 9ª Região (cópias de fls. 260 e segs.), que concluiu que 26.1 I) A decisão judicial abrange tãosomente as aquisições de matériasprimas; 26.2. II) A decisão judicial abrange as aquisições de matérias primas isentas, nãotributadas e cuja alíquota tenha sido reduzida a zero; 26.3 III) A correção monetária dos créditos não foi tratada pela decisão judicial, logo, o contribuinte não tem direito a tal creditamento. No tocante à primeira conclusão, chegouse a ela por ter a Interessada, na petição inicial, se referido somente a matériasprimas. De fato, o mandado de segurança não questionou o conceito de insumo (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), mas, sim, o direito ao creditamento de matériasprimas (e não de insumos) isentos, não tributados e de alíquota zero (a que se pode chamar, genericamente, de “desonerados” do IPI). A diligência foi efetuada com a intenção de identificar se se tratava de produtos que se poderiam classificar como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, questão que precede àquela objeto do mandado de segurança. Nesse contexto, verificase que os insumos referemse, como já descrito, de acordo com a Interessada, a combustível industrial (maioria), material secundário, material de embalagem e matériaprima. Mas, como o pedido da Interessada referiuse apenas às matériasprimas desoneradas, não se pode admitir que gere creditamento, sem reconhecimento em sentença judicial transitada em julgado, de produtos intermediários e material de embalagem desonerados. Como os conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são bastante precisos, não é possível admitir o argumento de que a ação judicial abrangeu a todos. O combustível industrial não representa produto intermediário, uma vez que não se consome diretamente no processo. Tanto é assim que, relativamente ao crédito presumido de IPI (em que a definição de insumo é a mesma do crédito básico de IPI), o Carf emitiu a Súmula n. 19 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 866 9 produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Em relação às matériasprimas, material secundário e material de embalagem, embora a diligência houvesse requerido a discriminação dos produtos utilizados na produção, o procedimento adotado somente consistiu na intimação para que a Interessada o fizesse. Nesse contexto, tratase de produtos que, em tese, são utilizados na produção, como pedras, etiquetas, lixas, resina etc. O direito de crédito, entretanto, não pode atingir o material secundário, que não é matériaprima, e o material de embalagem. Em sua resposta à intimação, a Interessada ainda requereu a apreciação da questão do prazo, considerado de cinco anos pela Fiscalização. Na petição inicial, a Interessada requereu o direito em relação aos créditos não alcançados pela prescrição, mas não requereu que lhe fosse reconhecido direito algum além dos cinco anos. A ordem concedida no acórdão do Tribunal, portanto, não poderia abranger direito maior do que o requerido. Notese que a Disit/SRRF/9ª Região, na fl. 270 (eprocesso), já notara que a Certidão n. 128/2001, era dissonante do pedido. De fato, a certidão deveria atestar o que consta do processo (“objeto”) e o seu estado (“pé”) e, assim, não pode substituir o que foi efetivamente decidido pelo Judiciário. Por óbvio, não é a certidão que concede o direito, mas a decisão transitada em julgado. Esclareçase que a prescrição regese pela aplicação da disposição do Decreto n. 20.910, de 1932, que instituiu um prazo prescricional de cinco anos, contados a partir da violação do direito, para todas as ações contra os entes estatais. A situação é semelhante à do créditoprêmio de IPI, em relação ao qual o Superior Tribunal de Justiça já formou jurisprudência: TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. PRAZO PRESCRICIONAL. DECRETO Nº 20.910/32. 1. Nas ações em que se busca o aproveitamento de crédito do IPI, o prazo prescricional é de cinco anos, nos termos do Decreto nº 20.910/32, por não se tratar de compensação ou de repetição. 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Segunda Turma, AGA 556896 / SC, relator Min. Castro Meira, DJ 31 mai 2004, p. 276.) Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do prazo de dez anos, por que não há que se falar em lançamento por homologação, já que se trata de ressarcimento de créditos e não de restituição. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Finalmente, em relação à correção monetária, a Interessada a requereu expressamente na petição inicial, mas as decisões judiciais foram em relação a ela omissas. Por esse motivo, não lhe foi reconhecido esse direito. Como se trata de matéria levada ao Judiciário, incide a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula Carf n. 1 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em princípio, a Interessada, no caso, teria que ter resolvido tal questão no âmbito judicial, apresentando embargos declaratórios contra a decisão. A questão específica é polêmica, uma vez que o acórdão é omisso em relação à matéria, mas deu provimento ao recurso da Interessada, ensejando a interpretação de que a prejudicada seria a Fazenda Nacional e não a Impetrante. Tanto é assim que nos processos 10980000022/200398 e 10980.012807/200222, a 3ª Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes decidiu pelo cabimento dos juros Selic. Posteriormente, nos Acórdãos n. 9303001.689 e 930300147, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento aos Recursos de Procurador apresentados pela Fazenda Nacional, pelas seguintes razões: Com efeito, a Ilustre relatora do v. acórdão recorrido, Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, considerando a hipótese especifica dos autos, foi certeira, razão pela qual pede se vênia para transcrever trecho do voto condutor, verbis: (...) “Já quanto à correção monetária, ela está expressamente contida no pedido judicial da recorrente que foi inteiramente provido. Verificase que nos fundamentos da petição inicial a recorrente teceu extenso arrazoado acerca do direito do que denominou correção monetária, sendo mais correta a denominação de atualização monetária, visto a revogação da figura da correção monetária Transitada em julgado a sentença, deve a mesma se cumprida em seus devidos termos. A própria PFN/PR manifestouse no curso da ação fiscal, quanto ao alcance da decisão judicial, conforme consta do relatório efetuado pela Equipe de Informações Judiciais—EQIJU da DRF em Curitiba (fls.122a 124), concluindo que "devem ser aplicados os índices de correção monetária utilizados de praxe nas relações negociais". “Em que pese a infelicidade da orientação, uma vez que inexiste na atividade de tributação, arrecadação e fiscalização de Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 867 11 tributos federais a figura das "relações negociais", deve, não só a determinação judicial quanto a orientação da Procuradoria ser entendida nos exatos termos que a própria Secretaria da Receita Federal trata os direitos creditórios dos contribuintes em geral, ou seja, aplicando os índices estabelecidos na Norma de Execução COSIT/COSARn°08/97, relativos ao período que abrange; a UFIR e os juros moratórios estabelecidos no artigo 161 do Código Tributário Nacional até dezembro de 1995ea partir daí a taxa SELIC, nos termos da norma que a rege.” Aliás, no tocante à correção monetária a ser aplicada ao indébito, mister destacar que a inclusão dos expurgos inflacionários afigurase de vida, independente da decisão judicial não ter sido expressa nesse sentido. Com efeito, face à edição, recentemente, do Ato Declaratório PGFN no 10/20081, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal. Nesse sentido, aliás, é o seguinte precedente, cujo voto condutor é da lavra do Ilustre Conselheiro José Luiz Novo Rossari: “[...]” Ainda se deve esclarecer que o art. 62A do Regimento Interno do Carf, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 2010, estabeleceu a observância obrigatória no âmbito do Carf da jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça no julgamento de recursos repetitivos. Em relação aos créditos de IPI, o STJ decidiu, no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ser cabível a incidência da Selic, conforme ementa abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007." Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento foi consolidado na Súmula STJ nº 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. Portanto, o entendimento da CSRF anteriormente expresso, ainda que eventualmente não encontrasse respaldo na decisão judicial, alinhase às hipóteses em que é cabível a incidência de atualização dos créditos de IPI. Finalmente, em relação ao âmbito da aplicação da decisão judicial (limites territoriais), adoto os fundamentos do acórdão citado da 3ª Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes, que concluiu o seguinte (no caso, Ac. 20309.990, de 22 de fevereiro de 2005): Também devem ser acatados no presente voto os fundamentos da decisão recorrida relativamente à indevida inclusão de créditos presumidos provenientes de outros estabelecimentos, relativo às aquisições efetuadas por estabelecimentos localizados fora da circunscrição da autoridade impetrada no Mandado cuja segurança foi definitivamente concedida. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 868 13 Além disso, a afirmação da recorrente de estar “vinculada ao regime de centralização do recolhimento do IPI na cidade de Curitiba, não encontra respaldo na legislação do IPI em face da autonomia dos estabelecimentos, como abaixo afirmado. A centralização está adstrita à apuração do crédito presumido e não resta provados nos autos a observância das condições postas no art. 6º da IN SRF 21/95, que aqui, visando facilitar o raciocínio, novamente é reproduzido, litteres: “Art. 6° O crédito presumido deverá ser apurado de forma centralizada, na matriz, sempre que: “I os produtos forem exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu; “II o estabelecimento produtor e exportador transferir, para outro estabelecimento, parte de sua produção para comercialização no mercado interno.” Ademais, têmse dentre as regras do IPI o conceito de estabelecimento, contido no art. 51, parágrafo único do CTN, reproduzido pelo artigo 392, inciso III do RIPI/82, cuja situação jurídica no contexto do tributo está firmada no inciso IV, verbis: “Art. 392 (...) “IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica.” Com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, adoto também os fundamentos do acórdão de primeira instância em relação a essa matéria, às questões de nulidade e de incidência de multa e juros. Em relação à incidência de juros sobre a multa, a Portaria SRF n. 379, de 23 de dezembro de 1988, que tinha por pressuposto outra legislação, já revogada, determinava a incidência de correção monetária sobre a multa, o que é situação diversa do caso dos juros de mora. O Parecer SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 2 de abril de 1998, estabeleceu o seguinte: 3. Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, desde que estejam associadas a: [...] Inicialmente, no caso da Selic, não havia previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo. O art. 841 da Lei n. 8.981, de 1995, dispunha expressamente que o tributo ou contribuição não pago no vencimento sujeitarseia à incidência dos juros. Ao instituir a Selic, a Medida Provisória n. 947, de 1995, art. 132, reportouse ao referido artigo, não prevendo incidência de juros sobre a multa. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 A Lei n. 9.065, de 1995, convertida da mencionada MP, manteve a disposição do art. 13, da seguinte forma: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Entretanto, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, alterou a disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No caso, resta saber quando ocorreu o fato gerador das multas lançadas. Como se trata de multa por infração à legislação tributária, seu fato gerador ocorreu na data do cometimento da infração, que, no caso, à vista do disposto no art. 44 da Lei n. 9.430, de 1996, na redação vigente à época, é a falta de pagamento, recolhimento ou declaração ou de apresentação de declaração inexata. Ademais, adotamse os seguintes fundamentos do voto vencedor do Acórdão n. 20312.520, que decidiu os embargos de declaração relativos ao acórdão anteriormente citado: Em relação às operações com outras empresas que, de acordo com a recorrente, somente a partir de janeiro de 1997 passaram a ser estabelecimentos da embargante, a peça fiscal assim relata: "levantamento dos créditos de IPI referente a aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, (...) incluiu os estabelecimentos Várzea Grande e Cotriguaçú, localizados no estado do Mato Grosso. O Mandado de Segurança foi impetrado contra o Delegado da Receita Federal em Curitiba Paraná, devendo ser aplicadas as decisões a todos os estabelecimentos da área de circunscrição da autoridade impetrada, (...)". Notese, pois, que se está tratando de créditos decorrentes de aquisições efetuadas por aquelas empresas ou estabelecimentos e não, conforme afirmou nos embargos, de créditos da embargante decorrente de aquisições efetuadas daquelas empresas, em operações normais de comércio. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 869 15 Por fim, registrese que a decisão judicial limitou os créditos às aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo despiciendo alterar a parte final do Acórdão embargado, visto que, na própria ementa, a Relatora deixou explícito que outros créditos extrapolariam a decisão judicial. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para admitir o creditamento em relação aos produtos descritos como matériaprima, nos termos da diligência efetuada, e a atualização monetária nos termos da Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, a partir do final do período de apuração em que se deu a entrada dos produtos no estabelecimento. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Relator Ad Hoc Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, REDATORADESIGNADA Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre as questões fáticas em discussão. Após analisar os autos percebi que o cerne da questão é a interpretação do processo judicial (peças do contribuinte e decisões judiciais) consubstanciado no Mandado de Segurança nº 98.00209263, em que o contribuinte requereu o reconhecimento do direito de aproveitar créditos de IPI decorrentes de entradas desoneradas. Fato é que o pedido do contribuinte referese à matérias primas desoneradas, a saber: PEDIDO DA AÇÃO JUDICIAL Fls.81 “Por todo o exposto, presentes os pressupostos processuais, requer se digne Vossa Excelência, em conceder medida liminar que reconheça a existência de relação jurídica, que assegure à Impetrante o direito de se creditar do IPI, em relação às aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou reduzidas à alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos tributados, com a aplicação das mesmas alíquotas utilizadas nas operações tributadas (8% para o produto aglomerado e 10% para o produto compensado), nas operações pretéritas e futuras, àquelas com obediência ao período não alcançado pela prescrição, obedecida a correção monetária.” – destaquei. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 E que o acórdão do Tribunal Regional da Quarta Região, que foi favorável ao contribuinte após a sentença negativa ter sido proferida, dispor sobre questões distintas daquelas requeridas na exordial, verbis: ACÓRDÃO: Fls. 85: “PI — CREDITAMENTO — MERCADORIAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as duas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade, evitando o fenômeno da superposição tributária.” A simples leitura do voto seguido por unanimidade – que fundamenta o acórdão acostado às fls. 82/85, é suficiente para se constatar que o tribunal limitouse a analisar a tese de creditamento de insumos isentos ou tributados à alíquota zero. Da seguinte forma o Ilustre Desembargador resumiu o litígio na Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.04.01.1049360/PR: TRECHO DO VOTO DO RELATOR Fls. 82 “Preliminarmente, não há a alegada falta de prova pré constituída de que adquiriu os indigitados insumos geradores do direito ao creditamento, porque a matéria é eminentemente de direito. No mérito, embora impressionado pela jurisprudência do STJ, que parece firmada no sentido de que, "na saída com alíquota zero, se não houve recolhimento do IPI na entrada da matéria prima, não há creditamento" (REsp.19.106, I a T., Min. Garcia Vieira), já tenha votado mais de uma vez na linha prestigiada pela adesão do eminente Relator, amadurecendo as minhas reflexões sobre o tema, terminei convencido de que, data venia, nenhuma razão autoriza distinguir entre "isenção" e "alíquota zero" para reconhecer, num caso, e negar, no outro, o direito ao crédito do tributo não recolhido — em ambos.” destaquei Neste sentido, enquanto o contribuinte solicitou o creditamento na compra de matéria prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero; o tribunal concedeu o direito ao creditamento de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero. Por incrível que pareça, não houve Embargos Declaratórios para sanar a omissão e o mencionado acórdão transitou em julgado exatamente da maneira como proferido. As autoridades administrativas, quando analisaram o embróglio causado – fls. 266/270 – optaram por seguir o pedido do contribuinte, utilizando apenas a parte expositiva do acórdão citado, que mencionava o provimento do recurso nos termos requeridos, a saber: Fl. 879DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 870 17 “Nessas condições, dou provimento à apelação para, reformando a sentença, conceder a ordem, nos termos requeridos. Custas pela impetrada, sem honorários advocatícios. É o voto.” destaquei Eis a primeira questão a ser ultrapassada. O que vale no presente caso: O que foi pedido pelo contribuinte – interpretação da fiscalização – ou o concedido pelo Tribunal? Ou seja: (i) o crédito de IPI decorrente de matéria prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero ou (ii) o crédito de IPI decorrente de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero? A diferença é que insumo é mais abrangente que matéria prima, envolvendo além desta os produtos intermediários e material de embalagem. O Ilustre Conselheiro Relator está seguindo o entendimento da fiscalização2 para conceder o crédito decorrente apenas dos insumos “matéria primas”. A despeito de entender e respeitar a posição do Ilustre Colega e da Fiscalização, ouso apresentar outro entendimento. É que apesar de a decisão judicial ser EXTRA PETITA no que se refere à abrangência do que foi pedido (matérias primas x insumos) fato é que ela é válida vigente e eficaz, até porque nenhuma das partes interpôs qualquer espécie de recurso (Embargos de Declaração ou Recurso Especial/Extraordinário). Ademais, consta dos autos registro de transcurso de prazo pra ação rescisória. Neste sentido, a despeito de reconhecer que o I. Relator está com a razão quando diz que a decisão está limitada ao pedido proferido na inicial pelo contribuinte, não posso olvidar que esta limitação deveria ser observada pelos julgadores e pelas partes no âmbito do próprio processo administrativo. A meu sentir, este ajuste não pode ser realizado pela autoridade administrativa, a qual compete apenas a execução do acórdão. Desta forma, meu entendimento é que, no presente caso, o contribuinte tem direito a crédito nos insumos isentos e tributados à alíquota zero. Mais amplo do que o concedido pela fiscalização (no sentido de não estar restrito às matérias primas), todavia mais restrito, posto que não geram créditos os insumos não tributados. Por esta razão, divirjo do 2 Trecho do Termo de Verificação Fiscal Fls. 267 “1.5. A pedido da fiscalização, a Divisão de Tributação DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal na 9 a Região Fiscal da SRF efetuou uma análise sobre o alcance da referida decisão judicial, conforme cópia anexa que passa a fazer parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal. 1.5.1. De acordo com a interpretação da DISIT, a decisão judicial concede ao contribuinte o direito de creditarse de um IPI fictício calculado pela aplicação da alíquota incidente na saída dos produtos tributados do estabelecimento, sobre as aquisições de matériasprimas não tributadas, isentas ou alíquotazero, sem incidência de correção monetária. A decisão não abrange as aquisições de outros tipos de insumos, como, por exemplo, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. A decisão também não abrange as aquisições de produtos não considerados insumos pela legislação, como, por exemplo, os combustíveis, lubrificantes e energia elétrica. (...) 1.5.3. Tendo em vista que a decisão judicial concedeu a ordem, nos termos requeridos, é o pedido que delimita o alcance da decisão. O PEDIDO que consta na inicial é o seguinte: "Por todo o exposto, presentes os pressupostos processuais, requer se digne Vossa Excelência, em conceder medida liminar que reconheça a existência de relação jurídica, que assegure à Impetrante o direito de se creditar do IPI, em relação às aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou reduzidas à alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos tributados, com a aplicação das mesmas alíquotas utilizadas nas operações tributadas (8% para o produto aglomerado e 10% para o produto compensado), nas operações pretéritas e futuras, àquelas com obediência ao período não alcançado pela prescrição, obedecida a correção monetária." Fl. 880DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 ilustre Conselheiro Relator, concedendo crédito para todos os insumos utilizados na produção, exceto aqueles considerados como “não tributados”. Outro ponto questionado referese à pretendida limitação da decisão judicial à jurisdição da Delegacia da Receita Federal onde se encontra o estabelecimento que moveu a ação judicial, entendimento lastreado no princípio de autonomia dos estabelecimentos. Em relação a esta matéria, entendo estar com razão o contribuinte. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Reiterando, ainda, que não consta qualquer restrição ao aproveitamento do crédito nos termos da decisão judicial. No que se refere à aplicação da Taxa Selic sobre o crédito pleiteado e à restrição do crédito a cinco anos da propositura da ação judicial sigo o E. Conselheiro Relator, que, com clareza expôs o entendimento deste colegiado. Em relação à discussão acerca da incidência de Taxa Selic sobre a Multa, discordo do entendimento trazido pelo I. Relator. É que ao meu sentir, inexiste a permissão legal de incidência, pois quando o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que a SELIC incidirá sobre os “os débitos para com a União” não quis dizer tributos + penalidades, mas apenas “tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste sentido, uma vez que multa não é tributo e menos ainda contribuição, por expressa definição do Código Tributário Nacional3, não há meios de se permitir a aplicação de juros (que também possuem natureza punitiva, vez que são compensatórios) sobre as multas. Leiase, novamente, o mencionado § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” No meu entender, sobre as multas seria permitida apenas a incidência de correção monetária, posto que esta não representa acréscimo patrimonial mas apenas manutenção do poder monetário. Os juros, nitidamente punitivos posto que possuem natureza compensatória, por sua vez representam aumento patrimonial e não podem ser considerados quando se trata de multa. 3 Código Tributário Nacional: "Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." Fl. 881DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 871 19 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apresentado para o fim de reconhecer o crédito decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, devidamente acrescidos de SELIC. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Em relação à discussão acerca da incidência de Taxa Selic sobre a Multa, discordo do entendimento trazido pelo I. Relator. É que ao meu sentir, inexiste a permissão legal de incidência, pois quando o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que a SELIC incidirá sobre os “os débitos para com a União” não quis dizer tributos + penalidades, mas apenas “tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste sentido, uma vez que multa não é tributo e menos ainda contribuição, por expressa definição do Código Tributário Nacional4, não há meios de se permitir a aplicação de juros (que também possuem natureza punitiva, vez que são compensatórios) sobre as multas. Leiase, novamente, o mencionado § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” No meu entender, sobre as multas seria permitida apenas a incidência de correção monetária, posto que esta não representa acréscimo patrimonial mas apenas manutenção do poder monetário. Os juros, nitidamente punitivos posto que possuem natureza compensatória, por sua vez representam aumento patrimonial e não podem ser considerados quando se trata de multa. 4 Código Tributário Nacional: "Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apresentado para, além de reconhecer o crédito decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, devidamente acrescidos de SELIC (conforme esclarecido no voto vencedor) para cancelar a SELIC incidente sobre a multa autuada. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 883DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10983.900038/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior do PIS é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior do PIS é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior do PIS é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 00 38 /2 00 8- 87 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório O contribuinte apresentou, em 10/11/2003, o PER/DCOMP nº 13720.37374.101103.1.3.043011, fls. 63/68, para compensação de crédito no valor original de R$ 21.453,92 referente a pagamento a maior do PIS do período de apuração de dezembro/2002 com débitos do PIS correspondente ao fato gerador de agosto/2003. Em 31/08/2006, a DRF/Florianópolis emitiu Termo de Intimação, fl. 05, por meio do qual informa ao contribuinte que o DARF indicado como origem do crédito no citado PER/DCOMP, no valor de R$ 21.453,92, não havia sido localizado nos sistemas de controle da Receita Federal. Ao final intima o contribuinte a sanar as irregularidades apontadas ou por meio da transmissão de PER/DCOMP retificador ou pela apresentação do DARF com comprovação de seu recolhimento. Atendendo à intimação o contribuinte apresentou em 11/09/2006 o PER/DCOMP retificador de nº 30263.48631.110906.1.7.041603, fls. 6/11. Em 14/02/2008 a DRF/Florianópolis emitiu Despacho Decisório indeferindo o direito creditório constante do PER/DCOMP original em razão da não existência do crédito informado, pois o DARF informado no valor de R$ 21.453,92 não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fl. 03, na qual informa que ao saber do preenchimento errado referente ao valor de DARF, providenciou em 11/09/2006, a apresentação do PER/DCOMP nº 30263.48631.110906.1.7.041603, com o valor correto do DARF. Informa ainda que esta retificação não foi permitida por ter informado um valor do débito a ser compensado a maior de R$ 37,57 em relação ao PER/DCOMP original. A 4ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes argumentos, em síntese: que o art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições, estabeleceu que a SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de restituição, de ressarcimento e de compensação; neste sentido, cita os artigos 57, 58, 59 e 73 da IN SRF nº 600/2006, vigente à época do Despacho Decisório, cuja orientação foi mantida pela IN SRF nº 900/2008, os quais estabelecem limites e condições para apresentação de retificação de Declarações de Compensação; que a retificação da DCOMP somente pode ser efetuada pelo contribuinte com o atendimento de determinadas condições, quais sejam, cabe apenas para as declarações pendentes de decisão administrativa, ou seja, aquela Declaração de Compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, e que não tenha por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 12 3 débito compensado. Ainda que cumpridas as duas primeiras condições, a retificação somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais. que a DCOMP retificadora apresentada pelo contribuinte antes da ciência do despacho decisório não foi aceita devido a encontrarse em desacordo com as normas que regem a matéria, não sendo apta a produzir efeitos e que o “erro de preenchimento” suscitado pela requerente somente poderia ter sido sanado até a ciência do despacho decisório. Não concordando com a citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 28/36, no qual faz as seguintes alegações em síntese: que o seu pedido está embasado no art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, que concede aos contribuintes o direito à compensação, por meio de declaração, de quaisquer débitos próprios relativos a tributos ou contribuições devidos à Receita Federal, uma vez apurado crédito passível de restituição ou ressarcimento; que para efetuar a compensação foi enviada DCOMP original com o valor do DARF do crédito em valor equivocado e que antes da ciência do despacho decisório enviou DCOMP retificadora indicando corretamente o valor do DARF que originou o crédito, porém esta retificadora não foi considerada; que a decisão da DRJ, da mesma forma que o despacho decisório da DRF, limitouse a tratar da questão formal, não analisando o mérito que é a existência ou não do direito ao crédito; que recolheu o DARF referente ao recolhimento do PIS do fato gerador de dezembro/2002, no valor de R$ 50.000,00, cujo débito correspondia a R$ 28.546,08, sobrando um saldo de pagamento a maior da diferença que corresponde a R$ 21.453,92, justamente o valor pleiteado em suas DCOMP; que, nas palavras do relatório da Receita Federal (doc. 4), do pagamento realizado a parte correspondente a R$ 28.546,08 foi alocada para pagar o débito do PIS de dezembro/2002, no mesmo valor, restando um saldo, que não possui débito correspondente e não foi “restituído/reservado para restituição”, no valor de R$ 21.453,92; que estão comprovados no presente processo o débito, o pagamento e o crédito remanescente em favor do contribuinte apurado pelo sistema da própria Receita, estando clara a liquidez e a certeza dos valores envolvidos, devendo se proceder à extinção do crédito tributário pela compensação, nos termos do art. 156, inc. II do CTN; que o indeferimento de PER/DCOMP por despacho eletrônico, ocasionado por mero erro de preenchimento verificável de plano, pode sim ser revisto por meio de processo administrativo e cita e transcreve jurisprudência administrativa do CARF a confirmar este entendimento. Posteriormente, analisando o recurso, esta turma do CARF, proferiu a Resolução nº 3301000173 convertendo o julgamento em diligência com o objetivo de que fossem respondidas as seguintes indagações: 1) Quais foram os valores pagos a título de PIS referente ao fato gerador de dezembro/2002? Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 13 4 2) Qual o valor do débito declarado em DCTF do PIS referente ao fato gerador de dezembro/2002? 3) Se há sobra de valor decorrente de pagamento a maior e se é suficiente para a compensação pleiteada no presente processo. Em atendimento à diligência solicitada a autoridade preparadora, proferiu o despacho de encaminhamento de fl. 86, por meio do qual, confirma que houve pagamento a maior no valor de R$ 21.453,92, que está disponível e que é suficiente para amortizar a compensação pleiteada. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Com a realização da diligência solicitada está cabalmente demonstrado que houve o pagamento a maior do PIS referente ao fato gerador de dezembro/2002 e que este pagamento a maior é suficiente para a homologação pleiteada no presente processo. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Desta forma dou provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720305/2011-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTOS DE CESTAS BÁSICAS E UNIFORMES, EM PECÚNIA E SUPRESSÃO DE INTERVALO ALIMENTAR VIA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE. INOBSERVÃNCIA ÀS DIPOSIÇÕES DO ART. 123 DO CTN, BEM COMO DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91.
Os argumentos do contribuinte não encontram ressonância na legislação em vigor. In casu, Convenções Coletivas de Trabalho não podem ser opostas a Fazenda Pública, como pretende o sujeito passivo. Restou caracterizado a toda evidência que o contribuinte não conseguiu enquadrar suas pretensões às regras da legislação em vigor, em especial aquelas dispostas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância ao art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ele deve ser mantido em seus exatos termos.
As alegações do contribuinte não se sustentam, porquanto contrárias às disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.426
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTOS DE CESTAS BÁSICAS E UNIFORMES, EM PECÚNIA E SUPRESSÃO DE INTERVALO ALIMENTAR VIA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE. INOBSERVÃNCIA ÀS DIPOSIÇÕES DO ART. 123 DO CTN, BEM COMO DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. Os argumentos do contribuinte não encontram ressonância na legislação em vigor. In casu, Convenções Coletivas de Trabalho não podem ser opostas a Fazenda Pública, como pretende o sujeito passivo. Restou caracterizado a toda evidência que o contribuinte não conseguiu enquadrar suas pretensões às regras da legislação em vigor, em especial aquelas dispostas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância ao art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ele deve ser mantido em seus exatos termos. As alegações do contribuinte não se sustentam, porquanto contrárias às disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PAGAMENTOS DE CESTAS BÁSICAS E UNIFORMES, EM PECÚNIA E SUPRESSÃO DE INTERVALO ALIMENTAR VIA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. IMPOSSIBILIDADE. INOBSERVÃNCIA ÀS DIPOSIÇÕES DO ART. 123 DO CTN, BEM COMO DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Os argumentos do contribuinte não encontram ressonância na legislação em vigor. In casu, Convenções Coletivas de Trabalho não podem ser opostas a Fazenda Pública, como pretende o sujeito passivo. Restou caracterizado a toda evidência que o contribuinte não conseguiu enquadrar suas pretensões às regras da legislação em vigor, em especial aquelas dispostas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância ao art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ele deve ser mantido em seus exatos termos. 2. As alegações do contribuinte não se sustentam, porquanto contrárias às disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 05 /2 01 1- 62 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados, destinadas à Seguridade Social, bem como aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (AI DEBCAD nº 37.300.5989). Compõe ainda este AI, as contribuições devidas às outras entidades e fundos: SalárioEducação, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE (AI DEBCAD nº 37.300.5997). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 07 de março de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CESTA BÁSICA. UNIFORMES. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA. A inobservância das condições e limites na concessão da cesta básica e uniformes, conforme previsto na legislação específica, atribui a estas verbas o caráter remuneratório, para todos os efeitos, inclusive para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. INTERVALO INTRAJORNADA. HORAEXTRA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. São passíveis de tributação, dada a sua natureza remuneratória, as horas pagas pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso intrajornada. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares, que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 5 4 A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social a prestação de serviços de transporte rodoviário terrestre, urbano de passageiros, municipal, intermunicipal, interestadual, fretamento e turismo, nos termos de seu Contrato Social. No regular exercício de suas atividades, a Recorrente emprega número considerável de empregados, sendo, destarte, sujeito passivo das contribuições previdenciárias, arrecadadas e administradas pelo extinto INSS. Cumpre ressaltar que, nessa condição, sempre cumpriu de forma diligente com todas as suas obrigações. Não obstante todas as características acima e, após o encerramento do procedimento de fiscalização em 01 de novembro de 2011, foram lavrados contra a recorrente os autos de infração DEBCAD nºs 37.300.5989 e 37.300.5997. Por meio desses AI, exige o Fisco o pagamento de supostos débitos referentes às contribuições previdenciárias da empresa incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados. Essas contribuições previdenciárias incidiram, segundo a Fiscalização, sobre: (i) valores pagos a título de distribuição de “Cesta Básica”; (ii) as remunerações pagas a segurados empregados para custeio de uniformes; e (iii) pagamentos efetuados pela empresa a título de indenização pela supressão do intervalo alimentar, efetuado de acordo com as Convenções Coletivas de Trabalho vigentes à época. A Recorrente impugnou os referidos autos de infração demonstrando que seu comportamento se pautou na legislação tributária aplicável, não sendo caracterizado como contraprestação aos serviços desempenhados, afastando a incidência das contribuições sociais. O valor pago a título de distribuição de cesta básica para cumprimento de convenção coletiva de trabalho não tem natureza salarial. O valor pago a título de complemento de uniforme para cumprimento de convenção coletiva não tem natureza salarial. É ilegal o lançamento fiscal sobre os valores pagos a título de indenização por intervalo alimentar, razão pela qual os presentes autos de infração deverão ser inteiramente cancelados. À vista do exposto, a Recorrente pede vênia para requerer a V.Sas., seja integralmente reformado o v. acórdão de fls. 339/348 proferido pela C. 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, cancelandose os autos de infração DEBCAD nº s 37.300.5989 e 37.300.5997, tendo em vista que os créditos previdenciários lançados não têm natureza salarial, e, portanto, não devem servir de base de cálculo para a incidência das contribuições previdenciárias. Outrossim, a Recorrente pugna, também pelo direito de realizar sustentação oral de suas razões por ocasião do julgamento do recurso, razão pela qual requer desde já seja o seu patrono, Dr. Maximino Gonçalves Fontes Neto, inscrito na OABRJ sob o nº 17.783, com escritório à Rua do Mercado, 11 – 7} andar, CEP. 20010120, intimado da data a ser designada. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão abrange as contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados, as contribuições destinadas ao financiamento dos Riscos Ambientais do Trabalho, bem como as contribuições destinadas aos denominados Terceiros, conforme dispõe o inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 39/48), ao pagar aos segurados empregados, em espécie, cestas básicas e uniformes, a empresa descumpriu a legislação que rege a matéria. Da mesma forma, a fiscalização não considerou os pagamentos relativos à supressão de intervalo alimentar como verba indenizatória, tendo em vista que a verba em questão decorre de acerto realizado entre empregador e empregado, nos termos de Convenções Coletivas de Trabalho vigentes à época da concessão do benefício. Por seu turno, o contribuinte, em seu recurso, mantendo o mesmo entendimento apresentado na impugnação, assevera que os pagamentos, em espécie, estão de acordo com a CCT vigente à época, e que não há natureza salarial nas verbas apontadas no Auto de Infração ora em discussão. No ponto, sem qualquer razão o contribuinte. No caso do pagamento de auxílio alimentação em espécie e com habitualidade, o STJ pacificou entendimento de que esse procedimento integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. De igual modo, o pagamento em pecúnia, relativamente a uniformes, também sofrerá a incidência da contribuição previdenciária. No caso do auxílio alimentação pago em espécie, ao contribuinte não se aplicará os comandos do parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2001 (aprovado pelo ministro da Fazenda em 22/11/11 – DOU de 24/11/11), tendo em vista que os efeitos do referido parecer abrange somente o fornecimento de alimentação in natura, independentemente de a empresa der ou não registro no Ministério do Trabalho e Emprego (PAT). Em relação ao intervalo intrajornada (horaextra), também sem razão o contribuinte. Como já referido, o contribuinte sustenta que os pagamentos estão em consonância com as Convenções Coletivas de Trabalho e, portanto, não incidentes de contribuições previdenciárias. As alegações do contribuinte não se sustentam, porquanto contrárias às disposições do art. 123 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15540.720305/201162 Acórdão n.º 2803003.426 S2TE03 Fl. 8 7 Art. 123. Salvo disposições de leis em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas a Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Vêse, portanto, que os argumentos do contribuinte não encontram ressonância na legislação em vigor. In casu, Convenções Coletivas de Trabalho não podem ser opostas a Fazenda Pública, como pretende o sujeito passivo. Restou caracterizado a toda evidência que o contribuinte não conseguiu enquadrar suas pretensões às regras da legislação em vigor, em especial aquelas dispostas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Destarte, tendo em vista que o lançamento foi realizado em estrita observância ao art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ele deve ser mantido em seus exatos termos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006224/2009-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA.
A proposição de ação judicial com o mesmo objeto após o início do litígio administrativo importa em renúncia à via administrativa, conforme art. 78 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1803-002.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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A proposição de ação judicial com o mesmo objeto após o início do litígio administrativo importa em renúncia à via administrativa, conforme art. 78 do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 62 24 /2 00 9- 84 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório FABRICIO ALESSI STEINMACHER, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/FOZ, emitido ao amparo da Informação Fiscal SEORT/DRF/FOZ nº 240/2011 (fls. 2932), que excluiu a contribuinte ao Simples, com efeitos a partir de 01/07/2009, em face de comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, atividade que não encontra amparo na sistemática do Simples. Portanto, a exclusão ao benefício ocorreu por impedimento legal e o fundamento legal para a emissão do ato a Lei Complementar 123 de 14/12/2006, art. 29, inciso VII e parágrafo primeiro. 2. Em sua defesa (fls. 3540) pede que o ato seja julgado improcedente; que, em caso de não aceitação da defesa, determinar o duplo grau de recurso administrativo e, em conseqüência a suspensão das sanções até o julgamento final; aceitar todas as provas e informações admitidas legalmente para comprovar a inaplicabilidade das sanções; e, por fim, julgar extinto o Ato Declaratório Executivo e seus efeitos de modo a permitir sua permanência no Simples. A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0634.898, de 15 de dezembro de 2011 (fls. 57/63), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2009 EXCLUSÃO AO SIMPLES. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO E/OU DESCAMINHO. Comercializar mercadorias objeto de contrabando e/ou descaminho sujeita a pessoa jurídica à exclusão de ofício ao benefício do Simples Nacional. EXCLUSÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INEXISTÊNCIA DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. No âmbito do processo administrativo, o efeito suspensivo não se presume e deve estar expresso em lei, o que impede ao Órgão Julgador receber a manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples com efeito suspensivo. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.006224/200984 Acórdão n.º 1803002.159 S1TE03 Fl. 95 3 Ciente da decisão em 26/12/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 65), apresentou o recurso voluntário em 27/01/2012 fls. 80/83, onde reitera as alegações da inicial. Conforme termo de juntada de 27/06/2013 (fl. 79), a autoridade preparadora da unidade de origem anexou ao processo cópia de sentença judicial em ação demandada pela recorrente (fls. 80/83). É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço em parte. Trata o presente processo de exclusão do SIMPLES NACIONAL (LC 123/2006), pela constatação de comercialização de mercados objeto de contrabando/descaminho. Alega a recorrente em síntese a nulidade do procedimento de exclusão do SIMPLES NACIONAL bem como deve ser atribuído efeito suspensivo ao recurso. Conforme já exposto no relatório, a recorrente intentou ação judicial na Vara Federal de Foz do Iguaçu (PR), com o mesmo objeto de acordo com o relatório e dispositivo da sentença : Tratase de ação ajuizada por Fabrício Alessi Steinmacher em face da União visando à declaração de inexistência da relação jurídicotributária que ensejou a exclusão da parte autora do Simples Nacional. Relata que em 23.08.2011 foi intimada acerca da decisão proferida no processo administrativo nº 10935.006224/200984, a qual aplicoulhe a penalidade de exclusão do Simples Nacional em razão de suposto comércio de mercadoria objeto de contrabando/descaminho, ficando a autora impedida de optar pelo regime especial pelos próximos 3 (três) anos. Alega que não lhe foi oportunizada defesa durante o trâmite do processo administrativo, sendo que somente teve ciência deste quando intimada do ato declaratório de sua exclusão. Requer, em antecipação dos efeitos da tutela, seja autorizada a continuar optando pelo Simples Nacional, bem como seja afastada a exigibilidade de eventual imposto residual decorrente da exclusão da autora do regime simplificado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 (...) Dispositivo Ante o exposto, resolvo o mérito do feito, julgando IMPROCEDENTE o pedido formulado na inicial (artigo 269, I do CPC), nos termos da fundamentação. Condeno a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios em favor do patrono do réu, os quais fixo em 10 % do valor atualizado da causa (evento 14), nos termos do art. 20, § 3º, do Código de Processo Civil. Foz do Iguaçu (PR), 16 de maio de 2013. Rony Ferreira Juiz Federal O Regimento Interno do CARF deixa claro a impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário, conforme dicção do art. 78 do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.017309/2001-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/04/1994, 09/09/1994, 21/10/1994, 27/10/1994, 29/12/1994, 06/10/1995, 27/12/1995
Nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. O termo inicial é a data do término do regime especial.
Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.386
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño e Susy Gomes Hoffmann; e II) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Nanci Gama.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2331; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.003 1 1.002 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.017309/200126 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303002.386 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2013 Matéria II Drawback Decadência. Recorrentes USINA MATARY E FAZENDA NACIONAL USINA MATARY E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 12/04/1994, 09/09/1994, 21/10/1994, 27/10/1994, 29/12/1994, 06/10/1995, 27/12/1995 DRAWBACK. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/04/1994, 09/09/1994, 21/10/1994, 27/10/1994, 29/12/1994, 06/10/1995, 27/12/1995 Nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. O termo inicial é a data do término do regime especial. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em conhecer do recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffmann e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño e Susy Gomes Hoffmann; e II) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 73 09 /2 00 1- 26 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Trata de Recurso Especial de divergência interposto pela PGFN e pelo contribuinte, contra o acórdão proferido pelo 3º Conselho de Contribuintes. Eis a ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. A modalidade de lançamento no regime aduaneiro de drawback suspensão é por declaração. A partir da assinatura do termo de responsabilidade passaria a correr o prazo prescricional. Porém, a prescrição fica suspensa até o termo final do prazo para exportação da mercadoria beneficiada, momento a partir do qual se passará a contar o prazo de 5 anos que a Fazenda Nacional terá para exigir o imposto de importação. DECADÊNCIA. O prazo de decadência no Regime Especial de Drawback suspensão iniciase na data do fato gerador, considerado o registro da DI por se tratar de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Fluindo dentro de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, não admitindo interrrupção nem suspensão. DRAWBACK FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. No caso de vendas no mercado interno, a beneficiária do regime Drawback é responsável pelo recolhimento dos impostos, quando não forem comprovadas as Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.004 3 exportações por meio dos documentos previstos na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Foi lavrado Auto de Infração em razão do inadimplemento do compromisso de exportar firmado por meio dos Atos Concessórios 000794/ 00099, 000795/ 0000156 e 000794/00293. Por tais atos, o importador submeteu declarações de importação registradas no Porto do Recife ao regime aduaneiro especial na modalidade de drawback suspensão e, ao final do prazo estabelecido no regime, não realizou a exportação dos produtos beneficiados, de modo que se resolveu a suspensão e se tornaram exigíveis os tributos (II e IPI) e consectários. Afirma o autuante que os produtos amparados pelas citadas DIs foram importados para utilização no processo produtivo do beneficiário e posterior exportação, porém, findo o prazo estipulado, não tendo o contribuinte adotado nenhuma das providências previstas no art. 319 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 06 de março de 1985, impõese a exigência dos tributos suspensos. No Relatório anexo aos Autos de Infração (fls. 24/45), inicialmente são expendidas considerações genéricas sobre o regime de drawback, compreendendo sua definição, natureza jurídica e princípios informadores (subitem 1.1, fls. 24/28). A seguir, são expostas algumas observações gerais sobre o procedimento de comprovação perante a Secretaria de Comércio Exterior SECEX, citandose a legislação específica a respeito da matéria (subitem 1.2, fls. 28/30). No subitem 1.3 do citado Relatório (fls. 30/32) discorrese sobre o prazo de validade do drawback e as condições para alteração do regime, com base no art. 250 do Regulamento Aduaneiro; art. 4º do DecretoLei nº 1.722, de 03 de dezembro de 1979; subitem 8.11 da Consolidação das Normas de Drawback, aprovada pelo Comunicado DECEX nº 21, de 1997, e nos arts. 16 e 22 da Portaria SECEX nº 04, de 1997. O subitem 1.4 (fls. 32/35) faz alusão às infrações relativas ao drawback, destacandose o conceito de infração, estabelecido no art. 499 do Regulamento Aduaneiro, bem como as normas relacionadas a obrigações acessórias no caso de exclusão do crédito tributário, nos termos do art. 113, § 2º, e art. 175, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN. Citando o art. 325 do Regulamento Aduaneiro e o art. 10, § 3º, da Portaria SCE nº 02, de 1992, a fiscalização informa que, no preenchimento do Registro de Exportação RE, devese observar os códigos apropriados, no caso de drawback, conforme tabelas do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Aduz que no RE há campos próprios para indicação obrigatória do número do Ato Concessório ao qual a exportação está vinculada, o que visa o controle fiscal do benefício para evitar irregularidades na fruição do regime especial de drawback. Conclui, então, que não podem ser considerados idôneos, para fins de comprovação de drawback, Registros de Exportação não vinculados a Atos Concessórios. Antes de passar a descrever especificamente as infrações detectadas no caso concreto, a fiscalização discorre ainda, nos subitens 1.5 e 1.6, sobre a decadência quanto ao lançamento dos impostos incidentes nas mercadorias admitidas no regime drawback, no sentido de demonstrar que não se exauriu o prazo legal para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (fls. 35/39). Nesse sentido, sustenta que, no caso em exame, o prazo Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 decadencial obedece ao que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN, pois não houve antecipação de pagamento, ficando afastada a aplicação da regra do art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Aduz que, para definir o termo inicial do prazo qüinqüenal, devese identificar a data em que houve a omissão por parte do contribuinte, nos termos do art. 149, inciso V, do CTN, já que não pode a Fazenda efetuar o lançamento de ofício sem que se configure tal omissão. Continua afirmando que somente é admissível o lançamento após configurarse o inadimplemento, o que se dá quando da comunicação do encerramento do prazo para exportação, sendo que no primeiro dia do exercício seguinte a essa providência iniciarseá o prazo decadencial (art. 173, I, do CTN). No subitem 1.7 é informada a composição do crédito tributário exigido, remetendo aos demonstrativos do Auto de Infração (fls. 66/67). Finalmente, no item 2, subitem 2.1 (fls. 67/69), a fiscalização passa a descrever os fatos relacionados ao caso concreto objeto da investigação. É feito um relato cronológico dos fatos atinentes aos Atos Concessórios nos 000794/00099, 000795/00156 e 000794/00293, informandose a data de sua emissão e dos respectivos aditivos, as importações e exportações. Quanto ao Ato Concessório no 000794/00099, o autuante afirma que os Registros de Exportação indicados pelo contribuinte no anexo ao Relatório de Comprovação não se encontram vinculados ao referido Ato Concessório, pelo que são inidôneos para comprovar o adimplemento do regime (fls. 95/163). Foram abatidos os recolhimentos efetuados pela empresa em 31/01/1997, calculandose o crédito tributário remanescente. No tocante ao Ato Concessório nº 000795/00156, como documentos comprobatórios do compromisso de exportar, foram informados pela empresa no Anexo ao Relatório de Comprovação, vários REs e as Notas Fiscais de nos 002410, 003943, 000110, 000230 e 001922 (fls. 239/275). Afirma a fiscalização que os REs encontramse vinculados ao Ato Concessório, porém as Notas Fiscais não estão vinculadas e, além disso, não houve exportação pela empresa destinatária das mercadorias, pelo que estes documentos são inidôneos para comprovar o adimplemento do regime. Por fim, no que diz respeito ao Ato Concessório nº 000794/00293, o agente fiscal informa todos os REs relacionados pela empresa, por não estarem vinculados ao Ato Concessório, reputamse inidôneos para comprovar o cumprimento do compromisso de exportar (fls. 372/427). Cientificado do lançamento em 28/11/2001, conforme fls. 01, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 434/457, em 28/12/2001, alegando, em síntese, que: vencidos os prazos para as exportações, estipulados nos Atos Concessórios, fez prova do adimplemento do compromisso de exportação, junto à agência do Banco do Brasil habilitada pela SECEX, anexando ao seu relatório os REs e demais documentos necessários; a agência do Banco do Brasil, no exercício de sua atribuição legal, com base em competente análise técnica, considerou os documentos apresentados idôneos para comprovar as exportações e, portanto, adimplido o regime drawback, providenciando a baixa dos compromissos de exportação, nos termos do art. 314 do Regulamento Aduaneiro, art. 2º da Port. MEFP nº 594/92 e art. 1º da Port. DECEX nº 24/92; Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.005 5 não poderia ser desconsiderado o ato administrativo regularmente praticado pela agência do Banco do Brasil habilitada pela SECEX que, no exercício de suas atribuições, deu baixa no compromisso de exportação da empresa; o art. 2º e 16 da Port. MEFP nº 594/92 atribui à SECEX a verificação do adimplemento do compromisso de exportar e a efetivação da baixa do compromisso de exportação, cabendo ao Fisco a exclusão do lançamento, nos termos do art. 3º da citada Portaria; se a autoridade competente procedeu à baixa do compromisso de exportação, concluise que as exportações foram comprovadas perante a SECEX, dandose por quitadas as obrigações principais; não pode o Fisco se imiscuir na competência conferida à SECEX, para afirmar que as exportações não foram comprovadas, sendo impróprio que a lei tenha atribuído a dois entes distintos no âmbito da Administração Pública o poder de realizar ato que tenha o mesmo objeto, ou seja, a análise e verificação do compromisso de exportação, sob pena de consagrar a insegurança jurídica; não se concebe que o poder fiscalizatório atribuído ao Fisco pelos arts. 3º e 18 da Port. MEFP nº 594/92 possa significar a autorização para desconsiderar o ato homologatório praticado pela SECEX, a não ser que o Fisco atue como corregedor da SECEX, o que não procede; o lançamento somente poderia ser efetuado se a SECEX comunicasse ao Fisco que o compromisso da exportação foi inadimplido; quanto à decadência, há uma manipulação da jurisprudência e da doutrina tendente a enquadrar o caso no art. 173, inciso I, do CTN, porém no caso dos impostos incidentes sobre a importação, cujo lançamento operase por homologação, devese atentar para a regra do art. 150, § 4º, do CTN; a aplicação do prazo de decadência pretendido pelo Fisco se dá quando o sujeito passivo omitese em realizar a quitação do tributo, deixando de recolher o que declarou; no caso, não se deixou de recolher tributo devido, o que ensejaria o lançamento de ofício, pois em razão da suspensão causada pelo Drawback, não há valor a ser recolhido, agindo o contribuinte de pleno direito; ainda que se aplique o art. 173, I, do CTN, o termo inicial do prazo de decadência corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu o fato gerador, conforme jurisprudência dos tribunais; no caso do drawback, a partir do fato gerador a Fazenda Pública pode, no prazo de cinco anos, constituir o crédito tributário com base nas declarações do contribuinte, devendo haver uma verificação do efetivo cumprimento do compromisso de exportação; calculandose os prazos decadenciais para cada importação, tendo em vista a data de ocorrência do fato gerador, tanto com base na regra do art. 150, § 4º, do CTN como na prevista no art. 173, I, do mesmo diploma legal, observase que os prazos decadenciais têm como termo final data anterior à 23/11/2001, ocasião em que foi lavrado o auto de infração, tendo ocorrido, pois, a decadência; Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 em face do princípio da legalidade, cabe à Administração aplicar a lei de ofício e não buscar analogias legais, construir teses jurídicas, questionar a aplicabilidade de normas, preocupações acometidas ao Judiciário; pelo descumprimento da obrigação acessória, qual seja, a de informar o número do Ato Concessório no RE, o Auditor Fiscal sustenta que a empresa não comprovou as exportações, o que justificaria o pagamento da obrigação principal; havendo de descumprimento de obrigações acessórias, assiste ao Fisco o direito de aplicar as penalidades cabíveis, porém no caso não há previsão legal para a imposição de punição pecuniária; não é possível admitir que o descumprimento de obrigações acessórias tenha o condão de não comprovar as exportações e que o ato da SECEX tenha sido perpetrado com erro, como se a isenção nunca tivesse existido, sob pena de ofensa ao princípio da razoabilidade e à mais elementar noção de justiça; fica desonerada a autuada da responsabilidade pela falta de exportação das mercadorias vendidas a empresas exportadoras, conforme arts. 24, VII, “a”; 40, VI, “a” e § 2º e 170 do Decreto nº 2.637/98; a multa de mora ou de ofício apresenta natureza eminentemente punitiva em que o sujeito passivo é punido pela omissão ou negligência em adimplir suas obrigações fiscais, o que não ocorreu no caso, pois antes do termo final do drawback estava amparado pelo próprio regime e após esse prazo pela presunção de regularidade do ato administrativo praticado pela SECEX; Como em momento algum agiu com o intuito de burlar o Fisco, indagase como pode ser punida com uma multa e questionase ainda se existe pena sem culpa. Em julgamento na instância a quo a Turma entendeu que o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos para a exigência dos tributos no regime de drawback suspensão seria a data limite para as exportações comprometidas por meio dos atos concessórios. Sendo assim, e considerando a data de ciência da autuação, qual seja, 28/11/2001, o colegiado declarou decaído o direito de lançar os tributos relativos aos Atos Concessórios AC 000794/ 00099 (que estabelecia o prazo limite 28/03/1996) e AC 000794/ 00293 (que estabelecia a data limite 05/03/1996), por aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Quanto ao Ato 00795/ 00156, que estabelecia o prazo limite 09/02/1997, os créditos pertinentes permaneceriam exigíveis, já que às demais matérias ventiladas pelo contribuinte no Recurso Voluntário foi negado provimento. Ambas as partes apresentaram Recurso Especial e contrarrazões. A Fazenda Nacional recorreu da decisão registrando que: 1) o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente do regime de Drawback é consagrado no art. 173, inciso i do CTN, cuja contagem só pode ocorrer após a emissão do relatório de comprovação emitido pelo órgão administrador do benefício; 2) o termo "a quo" para contagem do prazo decadencial, a ser considerado no regime drawback suspensão, deve ser aquele correspondente ao término do regime, pois impossibilita a fiscalização de exigir tributos não recolhidos no momento do desembaraço, por conseqüência do regime drawback suspensão e diante da possibilidade do compromisso assumido ser cumprido posteriormente e tempestivamente. Tal recurso foi admitido in totum pelo despacho de fl. fls. 608/610 e contraarrazoado pelo contribuinte às fls. 621/628. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.006 7 O contribuinte também interpôs Recurso Especial, que, inicialmente, foi admitido pelo despacho de fls. 808/811 apenas quanto à matéria relativa à vinculação dos atos concessórios aos registros de exportação. (Quanto a essa parte do Recurso, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões às fls. 816/822). Posteriormente, o Recurso Especial do contribuinte foi também admitido na parte em que trata da decadência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O presente voto foi vencido somente em relação à admissibilidade do Recurso Especial intreposto pelo contribuinte. Tanto a PGFN quanto o contribuinte interpuseram recursos especiais. O recurso da PGFN atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Passaremos ao mérito depois do exame de admissibilidade o recurso interposto pelo contribuinte. O contribuinte também interpôs Recurso Especial (fls. 629 a 644), que, inicialmente, foi admitido pelo despacho de fls. 808 a 811 apenas quanto à matéria relativa à vinculação dos atos concessórios aos registros de exportação. (Quanto a essa parte do Recurso, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões às fls. 816 a 822). Posteriormente, o Recurso Especial do contribuinte foi também admitido na parte em que trata da decadência. A Procuradoria da fazenda apresentou contrarrazões quanto a essa matéria. Porém, como será demonstrado adiante não há como se admitir o recurso do contribuinte. Transcrevemos abaixo a ementa do acórdão recorrido: DRAWBACK SUSPENSÃO. PRESCRIÇÃO. A modalidade de lançamento no regime aduaneiro de drawback suspensão é por declaração. A partir da assinatura do termo de responsabilidade passaria a correr o prazo prescricional. Porém, a prescrição fica suspensa até o termo final do prazo para a exportação da mercadoria beneficiada, momento a partir do qual se passará a contar o prazo de 5 anos que a Fazenda Nacional terá para exigir o imposto de importação. DECADÊNCIA O prazo de decadência no Regime Especial de Drawback suspensão iniciase na data do fato gerador, considerado o registro da DI por se tratar de lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Fluindo dentro de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, não admitindo interrupção nem suspensão. DRAWBACK FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. No caso de vendas no Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 mercado interno, a beneficiária do regime Drawback é responsável pelo recolhimento dos impostos, quando não forem comprovadas as exportações por meio dos documentos previstos na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO O recurso voluntário foi negado pela falta de comprovação das exportações vinculadas aos regimes concessórios. Primeiramente o contribuinte não trouxe paradigmas para a efetiva comprovação da divergência suscitada. Ele somente trouxe algumas ementas que são usadas para a defesa do mérito. Porém esse relator analisou essas ementas para que se pudesse comprovar a alegada divergência. Mesmo assim não foi possível vislumbrar semelhança fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. Em todos eles se discute a obrigatoriedade ou não de se cumprir as obrigações acessórias ou mesmo a competência da DACEX versus RFB, para atestar o cumprimento do regime. O problema é que no acórdão recorrido não ficou comprovada a exportação e nos paradigmas houve a comprovação da exportação, embora houvesse o descumprimento de obrigações que a RFB considerasse imperiosas para o cumprimento do regime de suspensão temporária dos tributos. O que se busca nesse Recurso Especial é um reexame de provas para que se possa atestar uma possível exportação dos produtos vinculados ao regime. O recurso especial, na maioria dos casos, não se presta ao reexame de provas, e também o contribuinte não trouxe os paradigmas para a comprovação das divergências, nos moldes preceituados no RICAF. Assim, nego a admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. A discussão que se trava no presente Recurso Especial interposto pela PGFN é saber qual o termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo dedecadência para a Fazenda Pública exercer o direito de exigir créditos tributários não pagos, com relação a benefícios vinculados ao regime aduaneiro de Drawback suspensão. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.007 9 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.008 11 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Feita a explanação conceitual, passemos agora a análise detalhada do caso in concreto. Estando claro que devemos aplicar ao caso o art. 173, I, do CTN, posto não haver pagamento, ainda cabe uma discussão acerca do termo inicial em caso de drawback suspensão. Nos parece lógico que o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao que a fiscalização poderia efetuar o lançamento, já que não houver qualquer tipo de lançamento, até porque os tributos se encontravam com a exibilidade suspensa. Ora, o fisco somente pode agir (lançar) trinta dias depois do término do prazo suspensivo. É impossível, juridicamente falando, a autoridade fiscal efetuar um lançamento sem saber se ocorreu o fato gerador, ou seja, o descumprimento do regime. Tal fato fere a lógica jurídica mais elementar. Pelo texto legal do CTN podese depreender que houve uma condição suspensiva que é a concessão do regime. Ocorre o fato gerador quando se deixa de cumprir o regime, o que somente pode ser aferido após o término do regime. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Notas: teor dos artigos 121 e seguintes do Novo Código Civil Brasileiro, que tratam dessa questão das condições, como se segue: Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Art. 121. Considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; III as condições incompreensíveis ou contraditórias. Art. 124. Têmse por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. Art. 125. Subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extinguese, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boafé. O Parecer Cosit nº 53/99 segue a mesma linha: “7.1 De conformidade com os arts. 1º e 23 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, regulamentados pelos arts. 86 e 87, inciso I, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro, o fato gerador do Imposto de Importação (II) é a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, considerandose ocorrido o fato gerador, para efeito de cálculo dos impostos, na data do registro da Declaração de Importação DI. Quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de acordo com o art. 32, inciso I, do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI), o fato gerador ocorre na data do desembaraço aduaneiro da mercadoria. 7.2 Segundo o art. 112 do RA matriz legal: art. 27 do Decreto lei nº 37, de 1966 , para fins de pagamento do II, a data do vencimento é a data do registro da DI, sendo que, no caso do Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.009 13 IPI, nos termos do art.185, inciso I, do RIPI, o imposto deverá ser recolhido antes da saída do produto da repartição aduaneira que processar o despacho. 7.3 Em cumprimento ao disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento do imposto reportase à data da ocorrência do fato gerador, assim, inadimplido o compromisso de exportação, os acréscimos legais referentes ao II serão calculados a partir da data do registro da DI, e, para o IPI, a contagem de prazo, para fins dos acréscimos legais, terá como termo inicial a data do desembaraço aduaneiro das mercadorias. 7.4 Quanto à contagem do prazo, para efeitos de decadência, observese que o Código Tributário Nacional, arts. 150, § 4º, e 173, fixa o prazo decadencial em cinco anos, e a doutrina, em geral, confirma, para todas as modalidades de lançamento a que esteja sujeito o tributo, variando contudo o termo inicial que se vincula à ciência da Fazenda Pública da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Portanto, com exceção da hipótese prevista no inciso II do art. 173 do CTN, o prazo qüinqüenal começará a fluir após o conhecimento, pelo fisco, da prática, pelo sujeito passivo, do fato imponível. 7.5 No drawback, modalidade suspensão, por ser um incentivo fiscal concedido sob condição resolutiva, não adimplido o compromisso de exportação, embora o fato gerador ocorra na data do registro da DI do respectivo despacho aduaneiro, o pagamento do crédito correspondente somente será exigido do beneficiário, após constada a sua inadimplência em relação ao compromisso de exportação assumido.(grifei). 7.6 Os créditos tributários exigíveis em decorrência de inadimplência do compromisso de exportação serão lançados somente após o vencimento do prazo para a exportação das mercadorias admitidas no regime de drawback, e não no momento do registro das DIs. E, de acordo com o art. 138 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pelo art. 4º do Decretolei nº 2.472, de 1988, c/c o entendimento emanado do Parecer (Normativo) Cosit nº 9/1994, itens 9 e 10, se inadimplido o compromisso de exportar, o prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, será contado a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da data do recebimento do Relatório (final) de Comprovação do Drawback, emitido pela Secex, que é órgão responsável pelo acompanhamento e a verificação do cumprimento do compromisso de exportação assumido pelo beneficiário do regime, ou seja, terá como termo inicial o 1º dia do ano seguinte ao do recebimento, pela SRF, do citado Relatório”.(grifei) No presente caso, o término do regime se deu no fim do prazo para exportação, que foi em 05/03/1996, para o ato concessório mais antigo (000794/00293) e a ciência do Auto de Infração ocorreu em 28/11/2001. Somente a partir dessa data a autoridade aduaneira poderia efetuar o lançamento. Pensar de forma diferente é admitir a fiscalização e Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 possível lançamento dentro do período de suspensão do pagamento dos tributos, o que não parece razoável. Assim, não há que se falar em decadência. Em relação ao Recurso Especial do contribuinte, nego provimento por não ter sido feita a devida comprovação da exportação para fins de cumprimento do regime especial. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback, o que não ocorreu no presente caso. Dessa forma, conheço e dou provimento ao recurso da PGFN e nego provimento ao Recurso do Contribuinte que foi conhecido por maioria, tendo sido vencido esse relator. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10480.017309/200126 Acórdão n.º 9303002.386 CSRFT3 Fl. 1.010 15 Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Redatora designada Este voto vencedor cingese, apenas, ao tema do conhecimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Com a devida vênia ao entendimento do Eminente Relator, voto no sentido de conhecer do Recurso, pois, consoante a minha análise, há comprovação da divergência. O Acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial interposto, restou assim ementado, no que tange ao tema objeto deste voto vencedor: DRAWBACK FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. No caso de vendas no mercado interno, a beneficiária do regime Drawback é responsável pelo recolhimento dos impostos, quando não forem comprovadas as exportações por meio dos documentos previstos na legislação de regência. Assim, resta certo que o fundamento para a negativa de provimento ao recurso voluntário do contribuinte ocorreu porque o Contribuinte não colocou o código de exportação indicando o drawback e não fez a vinculação dos Registros de Exportação com os Atos Concessórios do Drawback. Este tema é bastante controverso no âmbito do CARF, pois há uma corrente que entende que tais irregularidades não são suficientes para impedir o aproveitamento do regime do Drawback e há a corrente que entende que tais irregularidades impedem o aproveitamento do Drawback. Aos olhos desta Conselheira, a Recorrente obteve êxito em comprovar a existência de Acórdãos que apontam o entendimento da primeira corrente acima apontada em contraposição à corrente apontada no Acórdão Recorrido. Neste sentido, anotese a ementa dos julgado paradigma colacionado: PROCESSO N° 13 502.000291/200116 SESSÃO DE 02 de dezembro de 2003 ACÓRDÃO N° 30235.851 RECURSO N° 124.359 RECORRENTE COPENE PETROQUÍMICA DO NORDESTE S.A RECORRIDA DRJ/SALVADOR/BA DRAWBACK (SUSPENSÃO) DESCUMPRIMENTO DE FORMALIDADES OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EXPORTAÇÕES REALIZADAS. O descumprimento de formalidades e obrigações acessórias, tais como a vinculação dos AC'S aos RE's, enquadramento no Siscomex, pela indicação de código de operação, etc, não é suficiente para caracterizar o inadimplemento de compromisso de exportar, fixado era Atos Concessórios de DRAWBACK. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Tendo ocorrido a exportação da mercadoria compromissada nos respectivos Atos Concessórios, em quantidade, qualidade e preço determinado, temse por resolvida a pendência, tornandose inexigíveis os tributos suspensos. RECURSO PROVIDO PELO VOTO DE QUALIDADE. Ora, pelo cotejo dos julgados verificase que está presente a divergência, requisito necessário ao conhecimento do Recurso Especial, de tal modo que em razão da ocorrência da apresentação e demonstração da divergência, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digit almente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10111.000427/2004-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MCT.
Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal, designada comercialmente como MCT - Terminal Móvel de Comunicação, classifica-se no código TEC 8525.20.13.
Numero da decisão: 3102-00.631
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Celso Lopes Pereira Neto
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:02:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:02:39Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:02:39Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:02:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:02:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:02:39Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:02:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:02:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:02:39Z; created: 2010-06-16T12:02:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2010-06-16T12:02:39Z; pdf:charsPerPage: 1127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:02:39Z | Conteúdo => 3-CIT2 I 215 ffrizi;-:si. MINISTÉRIO DA FAZENDA tiiirte CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO .7°49ninit' Processo n° 10111.000427/200446 Recurso n° 343.902 Voluntário Acórdão n° 3102-00.631 – I a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2010 • Matéria II – classificação fiscal • Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MCT. Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal, designada comercialmente como MCT - Terminal Móvel de Comunicação, classifica-se no código TEC 8525.20.13. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ^— Luis areei. uerra de Castro - Presidente eivjÉis-á Celso Lopes Pereira Neto - Relator EDITADO EM: 15/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza - DRJ/FOR, através do Acórdão n° 08-14.176, de 30 de setembro de 2008. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório componente da decisão recorrida, de fls. 112/119, que transcrevo a seguir: "Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir relacionados: L Imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 01/04, no valor total de R$ 256.285,70, incluindo encargos legais. II. Multa Regulamentar, fls. 05/07, no valor total de R$ 51.257,14. Pis/Pasep Importação e Cofias Importação, fls. 08, nos valores de RS 353,44 e RS 1.627,98, respectivamente. IV Multas sobre o Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, ,fis. 09, nos valores de R$ 265,08 e RS 1.220,99, respectivamente. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02 e 06 os lançamentos decorreram da infração indicada a seguir. I. Falta de Recolhimento. O Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI foi pago com base na aliquota de 15%, relativo a NCRI 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declarató rio Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e, levando-se em consideração também o acórdão da 1" turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRI, n° 6.607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00, a qual apresenta aliquota de 20% do IPI. Portanto, cobra-se a diferença de IPI relativa à nova classificação NCM. Enquadramento legal: Arts. 2', 15, 16, 17, 21, 24, 30, 32, 34, 122, 123, 125, 127, 130, 131, 138, 200, 201, 202, 465, 466, 467, •469, 470, 471, 472, 473, 474, 476, 478 e 488 do Decreto n°4344/2002 - RIPI/2002. 2. Mercadoria Classificada Incorretamente na Nomeclatura Comum do RIercosul jtAy Kr. 2 Processo n° 10111000427/2004-46 Acórdão n°3102-00631 3-C112 1.216 O contribuinte, quando do registro da Declaração de Importação, DI, classificou a mercadoria em tela na NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e, levando-se em consideração também o acórdão da I" turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DAI n°6,607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00. Portanto, considerando-se o erro na classificação fiscal cobra-se a multa de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, de acordo com o art. 84 da Medida Provisória n° 2.458-35/2001. Á essa multa não se aplica a redução prevista no art. 6° da Lei n° 8.218/91, conforme art. 81, IV, da Lei n° 10.833/2003. Enquadramento legal: Arts. 2°, 97, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 603, inciso I e IV, 604, inciso IV, 636, inciso L e ff 3°a 5°, e 684 do Decreto n° 4.543/2002; art. 84, inciso 1, da Medida Provisória n°2.158/2001. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 17/08/2004,11s. 27, apresentou o contribuinte impugnação em 16/09/2004, fis. 30/51, contrapondo-se ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. Nulidade por Inépcia No que tange á descrição do fato, o auto de infração é extremamente lacónico, limitando-se a afirmar que o IPI foi pago com base na aliquota de 15%, relativo à NCM 8525.20.13, mas que a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00, com a aliquota de 20% de IPI. Não especifica todavia, qual a mercadoria em tela, nem a razão explicita pela qual a NCIV1 adotada pela impugnante seria incorreta. Quanto à disposição LEGAL infringida, de menção obrigatória no auto de infração, cita o Ato Declaratório Interpretativo SRP' n°014, de 02/09/2003, quemão tem força de disposição legal e o acórdão da I° turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRI, n` 6607, de 23.04.2004, sem indicação do processo administrativo no qual foi proferido e igualmente sem força de lei; já os artigos do decreto n° 4.544/02, nos quais enquadra a exigência, cujo conteúdo é anexado a esta impugnação, não mostram qualquer relação com o fato descrito no auto de infração, o mesmo ocorrendo com os dispositivos legais citados para justificar a exigência dos acessórios com exceção do art. 16, que ratifica os fundamentos de defesa da Impugnante, dispondo que será feita a classificação - DOS PRODUTOS - de conformidade com as Regras Gerais para interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares P1I -C), todas da Nomenclatura Comum do n k tr AIERCOSUL (i'/CM), integrantes do seu texto (Decreto-lei n° 1.154, de 1° de março de 1971, art. 3), e não em conformidade com Atos Declaratórios Interpretativos ou com precedentes decisórios adotados no julgamento de casos especificos Diante do exposto, requer a Impugnante, em preliminar, que seja julgado nulo o auto de infração ora impugnado. No Mérito No mérito, que se discute por cautela, a exigência é totalmente improcedente; com efeito, a Impugnante importou, dos Estados Unidos da América do Norte através da Declaração de Importação n° 04/0721573-0, os equipamentos que nela assim descreveu: Descrição Detalhada da Mercadoria. Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de tato e posicionamento de veículos P/N do sistema 10-11537-1, constituído por antena móvel de transmissão e recepção por satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS P/N 10- 11462-1 e acionador de veículo com tela de cristal (unidade de display) teclado P/N CV90-53152-2, e acessórios antenas móvel de transmissão e recepção por satélite de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle, receptor GPS P/N 10- J1537-I cujos os INRS são: (-) De acordo com a seção J12 "do Manual de Instalação do MCT, ou IALICT abreviatura que designa a máquina móvel acima descrita, suas características são as seguintes: O Terminal de Comunicações Móveis (DICT) é a parte móvel do sistema Omü2TRACS que é instalado no veículo do cliente. Ela dá ao motorista a habilidade de enviar mensagens para a central de despacho e recebê-las do mesmo. O LVICT também envia informação de localização para a central da Autotac MIE). O IMCT consiste nos seguintes componentes: • Unidade de comunicação-antena (ACU) - contém a antena que se comunica com o satélite e contém circuitos de operações e memória. • Dispositivo de intedatce de usuário - Este pode ser um teclado (DU), teclado expandido (EDU) ou um MVIPC, • A/IVPc - Unz computador de bordo com uma tecla sensitiva a toque, teclado integrado, microfone e alto-falante que pode rodar programas próprios ou comerciais. • Teclado (DU) - Consiste em um Teclado e um elisplay que o motorista usa para se comunicar com o despachante. •• Teclado estendido (EDU) - A versão mais nova do DU que consiste em um teclado e um display que o motorista usa para se comunicar com o despachante. '11}.' 4 (75, Processo n°10111.000427/2004-46 Acórdão n.°3102-00.631 3-C1T2 E 1.217 Cada IMCT tem o seu próprio endereço de unidade que é o serial number do ACU. Esse endereço é usado pelo AMC para rotear as mensagens para o veiculo correto. O endereço de unidade de um caminhão em particular vai mudar se o ACU do caminhão for trocado. O operador do IMCT usa as telas do display para criar, mandar e ler mensagens, verificar o sistema e descobrir problemas. A máquina cuja importação se constituiria no fato gerador do imposto é utilizada exclusivamente integrada a um sistema denominado OminSat, cuja função é propiciar a comunicação de mensagens e textos entre um ponto fixo e um ponto móvel, basicamente entre a administração de uma empresa ou entidade e seus veículos. Informações do manual do fabricante transcritas às págs. 06/07 (fls. 35736). Encontram-se enumeradas no manual as várias funções, desempenhadas pelo Sistema, todas derivadas de Telecomunicação. Ora, é evidente que a "máquina móvel" tem destinação especifica definida, qual seja a de se integrar ao Sistema OminiSat para funcionar em conjunto, com ele constituindo um corpo único, para executar funções diferentes, mas complementares, entre as quais predomina (como principal) a de telecomunicações que caracteriza e define o sistema. A Impugnante, ao buscar o correto enquadramento fiscal da máquina importada para efeito de recolhimento dos tributos devidos, seguiu a orientação constante da seção XVI e respectivas notas da tabela de incidência do II e do IPI aprovada pelo Decreto n°4.542, de 26/12/2002, em especial as notas 3, 4 e 5, que definem os seguintes parâmetros para a identificação das posições e códigos da NCM: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracteriza monjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capitulo 84 ou do Capitulo 85, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha. JP)\:k 5. Para aplicação destas notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 a 85. Associadas as características técnicas e a clestinação funcional da máquina importada com a orientação legal para a respectiva classfficação, codificação e tributação de acordo com a NCM adotada para efeito de incidência do IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO e do IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS, chega-se necessariamente ao Código 8525.20.13, que descreve aparelho com características rigorosamente iguais ao MCT, conforme se vê do respectivo texto: 8525 - APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARÁ RADIOTELEFONIA, RÁDIO TELEGRAFIA, RADIODIFUSÃO/OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CÂMARAS DE TELEVISÃO; CÂMARAS DE VIDEO DE IMAGENS FIXAS E 01.1TRAS CÂMARAS ("CAMCORDERS'). ••- 852520 — Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado. 85.25.20.1 — De telecomunicações por satélite. ••• 85.25.20.13 — Digital, para transmissão de voz ou dados operando em banda C, Ru ou L(2). Repetindo-se que o equipamento importado é uma máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto com um acessório para posicionamento de veículos através do GPS, transmitindo e recebendo mensagens por satélite, não há, data vênia, como encontrar classificação mais adequada na NO" A Impugnante já vem sendo constrangida há algum tempo pelas autoridades fiscais a adotar a classificação do equipamento na NCM por elas definida arbitrária e aleatoriamente, assim se afirmando diante da necessidade de um exame técnico da mercadoria, necessário para subsidiar os parâmetros legais orientadores da correta classificação. Na falta do exame técnico do MCT por parte das Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasília, procedimento elementar para a legalidade do ato e que seria necessário e imprescindível para a exigência da alteração da NC.X1. após 10 anos de desembaraços mensais regulares envolvendo valores significativamente elevados, a Impugnante procurou a Universidade de Brasília-UnB, terceira parte independente e detentora de corpo técnico reconhecidamente com notório saber, para elaboração de laudo técnico do MCT e do Sistema OmniSAT, com vistas a-esclarecer as Autoridades .1.;\ e 117 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 3-C1T2 1.218 Alfandegárias a classificação correta do MCT, definitivamente, de forma clara, neutra, inconteste e documental. O laudo anexo não deixa dúvidas acerca da correção do entendimento da Impugnante sobre a matéria. A defesa transcreveu às págs. 11/14 (lis. 40/43) trechos de alguns quesitos e respectivas respostas. Não bastasse o laudo, os serviços prestados pela Impugnante, através do Sistema OmmiSAT, são objeto de outorga do Minicom/Anatel, nos termos da Portaria 904/93 (doc. de fl. 53 anexo) e processos complementares, classificados na Portaria como serviços de comunicação, recolhendo a Impugnante todos os impostos de telecomunicações, tais como 1CMS, FUST, FUNTEL, TFF, TFI e outros. Ou seja, o próprio órgão máitimo regulador das telecomunicações brasileiras definiu, através do ato da outorga, portaria 904/93, que os serviços prestados pela Impugnante são de comunicação. Ressalte-se que os serviços de comunicação são prestados através do Sistema OmniSAT, do qual o MUT é parte integrante, sendo, conseqüentemente, o MC?', um equipamento de comunicação. Ainda com o objetivo de não pairar dúvidas sobre a questão, solicitou a Impugnante declarações do fabricante e fornecedor do MCT e da empresa de Auditoria Externa Independente que subscrevei, anualmente as Demonstrações Financeiras da Autotrac (docs. de fls. 54 e 55), com vistas a identificar e comprovar, respectivamente, o custo de importação do GPS embutido no preço FOR do MCT e a participação da receita gerada pelo uso do GPS na receita total de comunicação. A defesa fez às págs. 15/16 (lis. 44/45) transcrição de ambas as declarações. Está, pois, demonstrado e comprovado que, pelo critério de engenharia, com base nas características, funções, aplicações e utilidades, conforme comprovado pelo laudo emitido pela Universidade de Brasília-UnB, a função principal do MCT é a de comunicação, sendo acessória a de posicionamento viabilizada pelo GPS, bem como que o GPS é opcional no MCT. Está igualmente demonstrado e comprovado que, pelo critério económico e financeiro, conforme certificado pelas declarações do fornecedor externo do FACT, Qualcomm Incorporatece e da empresa de Auditoria Independente, Moore Stephens, a composição do GPS no custo e na receita da Autotrac é irrelevante, representando apenas 4% do custo FOR do MC?' e 11,7% do total da receita de comunicação gerada, bem como que a própria Anatel já classificou os serviços prestados pela Autotrac como de comunicação (doc. de fl. 53), sendo, conseqüentemente, o MC?', um equipamento de comunicação. , • Conclui-se, pois, que razão não assiste às Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasília ao exigirem que o MCT seja classificado na N. 8526.91.00 e que a classificação correta é a que a Autotrac vem praticando há 10 anos, ou seja, a 8525.20.13. O agente fiscal, todavia, embora não explicitando a razão pela qual estaria incorreta a classificação do equipamento na NCM 8525.20.13, indicou corno correta a Nal 8526.91.00, também sem explicar porque esta seria a correta, menciona como justificativa o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, fazendo presumir que, no seu entendimento, o equipamento seria caracterizado como de rádio navegação, uma vez que é esta a espécie descrita no Código 8526.9100, por ele reputada correta. Este entendimento, no entanto, é totalmente desprovido de suporte técnico e de amparo legal. Em 04 de setembro de 2003 foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n` 14, de 02 de setembro de 2003, que dispõe em seu artigo único: "Artigo único: Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul", (doc. dei?. 01) anexo. O referido Ato Declaratório teve como origem a "Nota n° 244 Coana/Cotac/Dinom", que dispõe, na segunda parte de seu parágrafo n° 2: "Por trinta votos (quontm de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, corno aparelho de radionavegação, considerando que desempenha a única e bem determinada fiação de auto localização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites" (docs. de fls. 02 e 03) anexo. Pela simples leitura dos instrumentos normativos acima citados, ato cleclaratorio n°14 e nota número 244, constata-se de forma clara e inconteste que o ato declarató rio ultrapassou a orientação contida na Nota, possuindo abrangência muito superior à nota que lhe deu origem, senão vejamos: Diz a Nota: "Por trinta votos (quorum de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, como aparelho de raclionavegação considerando que desempenha a única e bem determinada função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites", (grifou-se). Diz o Ato: os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Posítionin• Sustem — GPS) desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se ii\t' 8 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n. 3-C1T2 1.219 corno aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul ". (grifou-se) A Nota n°244 Coana/Cotac/Dinom concluiu, expressamente, que o GPS deve ser classificado na posição 8826. Não trata a nota de aparelhos ou equipamentos que façam uso ou contenham o GPS, mas do GPS em si. Essa é a única conclusão que se pode extrair do claro texto da mencionada Nota. No entanto, o Ato Declarató rio Interpretativo combatido, fundamentando-se expressamente na Nota n°244) conferiu a esta interpretação muito mais extensa, incluindo na posição 85.26 também os "aparelhos e equipamentos que fazem uso do GPS" que se trata, evidentemente, de conceito distinto. Ou seja, o ato interpretativo foi além do conteúdo da Nota, ao classificar na posição 8526.91.00 os aparelhos que fazem uso do GPS para o desempenho genérico da função de autolocalizaçã o, quando só poderia fazê-lo para os aparelhos que desempenham a função específica de autolocalização, como faz concluir a expressão "única e bem determinada função autolocalização", comida na Nota. Está demonstrada e comprovada, pois, uma inconsisténcia técnica relevante (erro mrtterial) entre o Ato Declaratório e a Nota que lhe deu origem, merecedora de imediata correção (retificação do ato), sob pena de elevados prejuízos ao contribuinte importador, como está ocorrendo com a Auto trac. Corrobora a necessidade da correção, o fato da interpretação literal do ato declaratório levar a situações inusitadas e absurdas, inclusive para abranger na classcação os aparelhos e máquinas dotados do GPS para funções acessórias e complementares das funções básicas, tais como veículos e colheitadeiras, telefones celulares (doc. de fl. 57 anexo) e outros aparelhos fabricados com o GPS embutido para fazer uso dessa tecnologia já integrada no cotidiano das atividades empresariais e até pessoais, que nem por isso são classificáveis na posição determinada pelo ato interpretativo. É importante salientar que as gritantes incorreções no Ato Declaratório Interpretativo n` 14, conduziram-no a revogação pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 22, de 20/08/2004, publicado no DOU de 23/08/2004. A ora lmpugnante vem promovendo a importação dos MCT's desde o inicio de suas opérações na década passada. Durante todo esse período, o desembaraço das importações da Impugnante ocorreu sem nenhuma contestação por parte dos fiscais da alfândega. 5‘). .11`» Também importante notar que, por diversas vezes, o desembaraço da mercadoria importada se deu através do chamado canal vermelho. Como se sabe, nesses casos o produto importado e detidamente examinado pelos fiscais alfandegários. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve às págs. 19 (fls. 48)0 art. 20 da Instrução Normativa n°206/02. A título de exemplo, a impugnante Estou às págs. 20 (fls. 49) algumas das DI's da autuada que foram submetidas a essa detida análise (canais amarelo e, em especial, vermelho) e, posteriormente, liberadas sem qualquer restrição por parte da Receita. Desta forma, verifica-se que a Autoridade Alfandegária vem, reiteradamente, mormente nos casos de canal vermelho, em que obrigatoriamente há a vistoria aduaneira da mercadoria, confirmando como corretas as classificações utilizadas pela Impugnante para a importação dos produtos em questão, tendo o presente auto sido lavrado tão somente em razão de evidente desconhecimento do Sr. Fiscal acerca do produto importado e suas características. Tamanha a incúria do Agente Fiscal, que não atentou para o fluo de que, em casos de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, como a ora debatida, haveria que se afastar pelo menos as penalidades, os juros de mora e a atualização monetária dos tributos, de acordo com o parágrafo único do artigo 100 do CTA Esse também é o entendimento do Eg. Conselho de Contribuintes e do C. STJ (ementas transcritas às págs. 21 -fls. 50). Do Pedido Em conclusão, nem o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, norma de qualificação hierárquica inferior, já revogado por inconsistência jurídica através do ADI número 22, de 20/08/2004, nem qualquer regra legal que sirva de parâmetro para a classificação fiscal de mercadorias na NCIVI, apresenta- se como apta para dar suporte ao auto de infração ora impugnado, pelo que requer: • I. A declaração de NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ora impugnado, por ausência dos requisitos legais e formais para sua subsistência; 2. Se ultrapassada a preliminar, no mérito, seja julgada improcedente a exigência, por falta de amparo na legislação tributaria, já que os documentos anexos (laudo técnico, manual do equipamento, declaração do fabricante, declaração dos auditores da impugnante e a outorga MINICOM/ANATEL expressa na portaria N° 904/93) comprovam a inexistência do fato gerador da diferença do imposto e das contribuições (PIS/COFINS), por ser tratar, na espécie, de equipamento de comunicação e não de radionavegação, como entendeu a autoridade fiscal. • 3. Para o caso de serem rejeitados os pedidos anteriores, hipótese aventada pela impugnante em atenção ao principio da 1.1).\710 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 3-C1T2 E 1. 220 eventualidade, fica requerida a exclusão das penalidades, representadas pela atualização monetária, multas e juros, em obediência ao artigo 100, do CTN." Os membros da 3' Turma de Julgamento da DRJ/FOR decidiram, por unanimidade de votos, considerar procedeMe o lançamento, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2004 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA DE MERCADORIAS. MCT. "Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veiculas, constituído por antena móvel de pro transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veiculo com tela de cristal liquido" designado comercialmente como MCT - Terminal Móvel de Comunicação e que se caracteriza como hardware transmissor com receptor incorporado, digital, de telecomunicação por satélite, em banda C, o qual é integrante do Sistema OmniSAT e faz uso do sistema GPS, classifica-se no código NCM 8526.91.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Improcerle a argüição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando o peticionante, na impugnação, demonstra pleno conhecimento da infração apontada pelo fisco. Lançamento Procedente" Irresignada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso voluntário, de fls. 130/156, ein que aduz, em resumo, que: - a matéria é absolutamente idêntica àquela discutida nos autos do Recurso Voluntário n° 130.748 e do Recurso Especial 302-130.748, ambos julgados em favor da ora recorrente, consagrando como correta a classificação fiscal adotada pela contribuinte; - a discussão gira em tomo do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação (IVICT), que possui função principal de telecomunicação e função acessória de localização de veiculo, conceito absolutamente distinto de radionavegação; - a recorrente utilizou, para fins de classificação fiscal, a posição 8525.20.13 da NCM, enquanto a fiscalização entende que o equipamento deveria ser classificado na posição 8526.91.00 da NCM; -• o acórdão recorrido encontra:se em descompasso com precedente da Câmara Superior, desatende o entendimento da própria Receita Federal em Soluções de Consulta, diverge das conclusões do laudo pericial acerca do equipamento, desconsidera os demais elementos de prova trazidos aos autos e demonstra absoluto desconhecimento dos conceitos de localização e radionavegação; - a própria Receita Federal já apreciou a questão da classificação fiscal de equipamentos semelhantes ao MCT, a exemplo das Soluções de Consulta n° 212, de 25105/2005, ri) 97, de 20/0512002 e n°201, de 10/07/2007; - a função principal contida no serviço prestado pela recorrente é a telecomunicação, não havendo qualquer menção à radionavegação no Estatuto Social da Autotrac, na Portaria no Ministério das Comunicações que outorgou a permissão do serviço, nem no Ato de Autorização da ANATEL; - em virtude da prestação de serviço de comunicação, encontra-se a recorrente obrigada a recolher o ICMS, imposto este que não seria devido caso o serviço prestado fosse de radionavegação e não o de telecomunicação; - analisando-se o sistema Omnisat e sua relação com o MCT, verifica-se que todas as funções do sistema têm como fonte primária os meios de comunicação elementares utilizados, sendo relevante esclarecer que mesmo o uso do GPS só se justifica pelo fato do aparelho poder se comunicar, pois caso contrário a informação da posição ficaria restrita ao equipamento e para nada serviria; - a função principal do MCT é a telecomunicação (transmissão e recepção de dados) e não o posicionamento de veículos (que, ademais não se confunde com radionavegação); - a razão da autuação foi o Ato Dedaratório Interpretativo SRF n° 14/2003 que estabeleceu que os equipamentos que fazem uso de GPS classificam-se como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da NCM; - embora o Ato Declaratório faça menção à Nota Coana/Cotac/Dinom n° 244/2003, aquele flagrantemente extrapolou a conclusão da Nota, ao estender, equivocadamente, a classificação do aparelho de GPS em si para todos os equipamentos que fazem uso do GPS, tais como aviões, automóveis, celulares, relógios, etc. Por esta razão o ADI n° 14/2003 foi expressamente revogado pelo ADI n°22, de 22/08/2004; - não há controvérsia acerca do enquadramento no capitulo 85 da NCM. Acerca da posição 8525, tem-se que o laudo técnico elaborado pelo Departamento de Engenharia Elétrica da UnB concluiu que se trata de equipamento transceptor (transmissor e receptor), operando entre aproximadamente 4 a 6 GHz, sendo o MCT um aparelho de radiotelegrafia; - também não há dúvida sobre o enquadramento do equipamento na sub- posição 8525.20, uma vez que o laudo concluiu que o MCT trata-se de um transceptor que contém transmissor, receptor e circuitos de processamento de dados; t>12 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 E 3-C1T2 1.221 - relativamente ao enquadramento no item 8525.20.1, também atesta o laudo técnico que se trata de equipamento de telecomunicações por satélite e ainda que a função básica do MCT é transmitir e receber dados para e a partir da estação terrena de comunicação via satélite da Autotrac; - finalmente, sobre o subitem 8525.20.13, tem-se que o laudo concluiu que se trata de aparelho digital destinado à transmissão de dados, operando em banda C (4 a 6 GHz); - ainda, sobre as conclusões do laudo, tem-se que: a função básica do MCT•é transmitir e receber dados via satélite; os sinais de GPS são armazenados no MCT na forma de dados brutos, não tendo aplicação prática no veículo; o MCT possui função principal de comunicação e função acessória de captação de sinais de GPS, ou localização; a placa receptora de GPS é opcional e sua ausência não afeta a operação do equipamento; por outro lado, ausente a função de comunicação, o sistema OmniSat fica inoperante, o que significa a impossibilidade de obtenção da localização do veiculo; o MCT não possui aplicação em radionavegação; - empresa de auditoria externa atesta que a receita gerada pelo uso do GPS, chamado "pedido de posição" ou "localizáção do veiculo", equivale a 11% da receita total de comunicação da recorrente, os 89% restantes correspondem à telecomunicação pura, ou seja, envio e recebimento de mensagens; - sob o ponto de vista econômico, a declaração do fabricante do MCT atesta que a participação do GPS no custo do equipamento é de tão somente 4%, o que bem demonstra seu caráter acessório; - demonstrou-se que o equipamento em comento possui função acessória de localização de veiculos, no entanto, ainda que a localização de veículos fosse a função principal do MCT, localização e radionavegação são conceitos absolutamente distintos; - é impossível utilizar-se o MCT para navegação, já que este, mediante solicitação do cliente, tão somente indica à sua estação terrena o local tia que se encontra o veículo, não fornecendo rota ou indicação de direção Em outras palavras, o cliente ou o motorista de seu veículo jamais conseguirão utilizar o MCT como auxiliar para encontrar o seu ponto de destino. Portanto o MCT é imprestável para a radionavegação, ainda que possa ser utilizado subsidiariamente para a radio localização. É o relatório. • r7;7/7' Voto Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto, Relator O recurso voluntário é tempestivo: a recorrente tomou ciência da decisão hostilizada em 14/10/2008 (AR de fls. 129) e apresentou sua peça recursal em 11/11/2008 (fls. 130). O presente litígio versa sobre a classificação fiscal de equipamentos importados pela recorrente. O equipamento encontra-se descrito na declaração de importação como "máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal", e é designado comercialmente como MCT — Terminal Móvel de Comunicação. Para este equipamento, a recorrente adotou a classificação fiscal 8525.20.13: 8525 - APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RAMO TELEFONIA, RADIOTELEGRAEL4, RADIODIFUSÃO OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CÂMERAS DE TELEVISÃO; CAMERAS DE VIDRO DE IMAGENS FIXAS E OUTRAS CÂMERAS DE VÍDEO; CÂMERAS FOTOGRÁFICAS DIGITAIS. 8525.20 Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado. 8525.20.1 De telecomunicaÇâO por satélite 8525.20.13 Digital, para transmissão de voz de dados, operando em banda C, Ku, L ou S." A fiscalização desclassificou-os para o código NCM 8526.91.00: "8526- APARELHOS DE RADIODETECÇÃO E DE RADIOSSONDAGEM (RADAR), APARELHOS DE RADIONAVEGAÇÃO E APARELHOS DE RADIOTELECOMANDO. 8526.9 — Outros 8526.91.00—Aparelhos de radionavegação" O MCT é constituído por mais de um produto com funções distintas, que podem ser exercidas simultânea ou alternativamente, quais sejam: de telecomunicação de dados entre o veículo e a base, e de radiolocalização (determinação do posicionamento) do veículo, esta Ultima função a partir de utilização de placa GPS instalada no equipamento MCT. A Regra Geral de Interpretação n° 1 (RGI (SH) 1) estabelece que: - OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAP1TULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 5 3-CIT2 E I. 222 LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES." Portanto, as notas de Seção devem ser respeitadas na interpretação da Nomenclatura. No presente caso, observa-se que a classificação fiscal do equipamento, tanto a adotada pela recorrente quanto aquela que o fisco entende correta, encontra-se co capitulo 85, que está na Seção XVI da NCM. A Nota n°3 desta seção dispõe: "3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. "(grifei) Assim, para a correta classificação da mercadoria, é necessário determinar qual é a função principal do equipamento. Foi anexado aos autos, já em sede de impugnação, Laudo Técnico referente à verificação de funcionamento do equipamento MCT (fls. 90/103), elaborado pelo Prof. Doutor Plínio Ricardo Ganime Alves, do Departamento de Engenharia Elétrica da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília. Neste Laudo define-se que a função básica do MCT é "transmitir e receber dados para e a partir da estação terrena de comunicação via satélite da Autotrac, conhecida como Central de Gerenciamento de Rede (NMF)" (fls. 94). Mais adiante, o Laudo afirma que "O MCT possui duas funções distintas: a) Função principal — comunicar-se com a estação terrena de comunicação satelital da Autotrac. b) Função acessória — captar sinais dos satélites GPS e armazená-los na forma de dados brutos de latitude e longitude." (fls. 96) (grifei) Acrescenta o Laudo que "Ao desabilitar, desativar ou mesmo retirar a placa receptora GPS do MCT ele continua operante em perfeitas condições técnicas de ser instalado no veículo, e a comunicação entre o MCT e a estação terrena não é afetada; Ao manter no MCT apenas o GPS, o sistema OmniSAT fica inoperante, uma vez que a função de comunicação é a parte essencial do sistema. Sem a comunicação, o cliente não pode ordenar qualquer ação de seu interesse ao veiculo, e ainda sem a função de comunicação, todas as aplicabilidades do sistema deixam de existir, inclusive o posicionamento; "(fls. 96) E conclui que "tecnicamente, pelo critério de engenharia e concepção do MCT, sua função principal é a de se comunicar com a estação terrena de comunicação satelital da Autotrac a qual disponibiliza os dados recebidos do MCT ao cliente, e em situação inversa, transmite os dados recebidos do cliente ao MCT. Conclui-se ainda, que, - pelos mesmos motivos acima, a função do MCT de captar os sinais dos satélites GPS através da placa receptora GPS e armazená-la na forma de dados brutos de latitude e longitude é função acessória. "(fls. 97) (grifei) O Laudo ainda respalda a alegação da recorrente de que, mesmo que o GPS exercesse a função principal do equipamento, esta não seria de radionavegação e sim de simples posicionamento do veiculo (radiolocalização) uma vez que o cliente ou motorista de seu veiculo jamais conseguiriam utilizar o MCT como auxiliar para encontrar o seu ponto de destino. Vejamos o item 4.1.3 do Laudo (fls. 94/95): "4.1.3 Identificar e detalhar as funções do GPS no MUT O MCT possui placa receptora GPS. A função da placa é captar sinais dos satélites GPS e armazená-los (sempre que nova informação é recebida a anterior é descartada). Os dados estão na sua forma bruta, isto é, em latitude e longitude, ou seja, no MCT os dados não são transformados em posições geo- referenciadas (posições baseadas em estradas e cidades), bem como não existe no MCT mapas ou software que transformem os dados brutos em informações aZabadas, prontas para uso local (no veículo), tais como indicação de direção, distância percorrida, velocidade, guia de ponto de destino e indicador de caminho reverso usualmente disponibilizadas em GPS's convencionais. (...)"(grifei) O Laudo apresentado pela recorrente foi elaborado por órgão federal (Departamento da UnB) congênere ao Laboratório Nacional de Análises ou Instituto Nacional de Tecnologia, e não consta dos autos nenhum documento ou informação que comprove ou sequer alegue a improcedência daquele Laudo. Este deve ser, portanto, adotado nos aspectos técnicos de sua competência, segundo o art. 30, eaput, do Decreto n°70.235/72, verbis: "Árt. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Para fins de classificação fiscal, -portanto, deve-se considerar que a função principal do equipamento MCT é a de telecomunicação, ou seja, possibilitar a transmissão de dados entre a estação da Autotrac e o veículo. A função de radiolocalização exercida por meio do GPS é acessória. Conforme vimos anteriormente, segundo a Nota 3 da Seção XVI a mercadoria deve ser classificada de acordo com a sua principal função, que mão é de radionavegação como julgou a fiscalização e sim de telecomunicação de dados via satélite. Assim, a mercadoria em questão não se classifica no código NCM 8526.91.00, como considerou a fiscalização e sim no código NCM 8525.20.13, classificação utilizada pela empresa. A própria Receita Federal, através da Solução de Consulta SRRE/7a RF/DIANA ti° 212, de 25 de maio de 2005, decidiu por classificar no Código NCM• .)n,..A‘ 16 Processo n° 10111.000427/2004-46 Acórdão n.° 3102-00.631 3-C1T2 1 1. 223 85235.20.13 um equipamento semelhante ao MCT, um rastreador de veículos, inclusive contendo um GPS. Vejamos parte da ementa desta Solução de Consulta: "Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: CÓDIGO TEC — 8525.20.13. Equipamento Transceptor(transmissor e emissor) de sinais via satélite para Comunicação de Dados Digitais, operando na "L" transmitindo e recebendo sinais dos Satélites Inmarsat D+ e ainda com receptor GPS, marca registrada N e tipo N1HL, modelo SAT-10I, fabricado por Satamatics, empregado para transmissão de dados digitais, por satélites tendo como principal objetivo o rastreamento de veículos, denominado vulgarmente e comercialmente "Rastreaclor" e tecnicamente "Transceiver", dotado de Antena. A fiscalização baseou sua autuação no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 14 de 02/09/2003, conforme se deduz do campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração (fls. 02). Na decisão recorrida, os julgadores a quo entenderam que, visto que à época da autuação vigorava o Ato Declaratório Interpretativo n° 14, de 02/09/2003, a fiscalização estava a ele vinculada e não havia como deixar de aplicá-lo. O referido Ato Declaratório estabelecia, em seu artigo único, que "Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System - GPS), desempenhando a função de autolocalizaçâo em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificam-se como aparelhos de radionavegaçâo ,,no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul." A decisão de primeira instância considerou que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 20/08/2004, que revogou o ADI SRF n° 14/2003, na prática, ratifica o anterior: "Ato Declaratório Interpretativo SRF n°22, de 20 de agosto de 2004 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos denominados receptores GPS, que desempenham a fita ção de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta no processo n° 10168.002623/2004-08, declara: Art. I° Aparelhos receptores GPS (Global Positioning System - Sistema de Posicionamento Global), que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificam-se no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Afercosul. Art. 2° Fica Revogado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n' 14, de 2 de setembro de 2003." Peço vênia para discordar da decisão recorrida, pois a expressão "aparelhos e equipamentos que fazem uso do GPS" não é equivalente a "aparelhos de GPS ". Nem todos os aparelhos que fazem uso de GPS têm como função _a radionavegação e mesmo quando a têm, esta pode não ser a sua função principal. No presente caso, restou demonstrado que a função do GPS, no MCT não é de radionavegação e sim de simples radiolocalização e, mesmo esta, não é a função principal do equipamento e sim a de telecomunicação de dados entre o veiculo e a base da Autotrae, de tal forma que não se aplica ao equipamento em questão (MCT), o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°22/2004. Conclui-se que a mercadoria deve ser classificada de acordo com a principal função do equipamento, que é a de comunicação via satélite, no código NCM 8525.20.13, relativo a aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado (8525.20), de telecomunicação por satélite (8525.20.1), digital, para transmissão de dados, operando em banda 0(8225.20.13). • Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Celso Lopes Pereira Neto
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724953/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO PARA ELETROBRÁS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais, como é o caso dos valores decorrentes de empréstimo compulsório à Eletrobrás.
MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO.
Diante da ausência de omissão ou incorreção dos valores declarados em GFIP, não há como sustentar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD nº 51.031.171-7 (multa CFL 68 - Omissão de GFIP). Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Kleber Ferreira de Araujo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos que sabidamente não eram passíveis de compensação com contribuições sociais, como é o caso dos valores decorrentes de empréstimo compulsório à Eletrobrás. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO. Diante da ausência de omissão ou incorreção dos valores declarados em GFIP, não há como sustentar a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 49 53 /2 01 2- 10 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD nº 51.031.1717 (multa CFL 68 Omissão de GFIP). Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Kleber Ferreira de Araujo – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 572 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 553558 contra decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 381387, que julgou totalmente procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob os DEBCADs nº 51.031.1717 e 51.031.1725, referentes às multas por descumprimento de obrigação acessória e isolada, respectivamente. O MPF nº 08.1.10.00.2012.00024 tinha por objetivo a verificação das compensações efetuadas em GFIP, pelo sujeito passivo, em 07/2007 a 12/2008. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 137142), em que pese a Recorrente ter sido intimada três vezes para comprovar o seu direito de efetuar a compensação, apenas apresentou duas planilhas contendo os valores compensados, os estabelecimentos e as competências. Em face da ausência de informação e comprovação do direito de a empresa compensar, tais compensações foram consideradas indevidas. Em virtude disso, a Autoridade Fiscal entendeu que restou configurado dolo, fraude e simulação, pelo que considerou o prazo decadencial para efetuar o lançamento com base no art. 173, I do CTN. Além disso, a Fiscalização entendeu que a ausência de comprovação do direito de compensar ensejou falsidade na declaração em GFIP, pelo que aplicou multa isolada de 150% sobre o total dos débitos correspondentes às GFIPs que foram entregues após a vigência da MP 449/2008, que incluiu o §10º ao art. 89 da Lei nº Lei n° 8212/91, estabelecendo, a partir daquele momento, tal medida sancionatória. Diante de tais constatações, a Autoridade Fiscal lavrou três Autos de Infrações cadastrados sob os seguintes DEBCADs: 1. DEBCAD nº 37.389.7910, através do qual lançou os valores indevidamente compensados, objeto do PAF nº 10855.724.952/201267; e 2. DEBCAD nº 51.031.1717 para a multa CFL 68 – Omissão de GFIP e DEBCAD nº 51.031.1725 para a Multa Isolada, os quais estão controlados no presente processo. Tendo sido cientificada em 30/11/2012, a Recorrente apresentou impugnação alegando: a) preliminarmente, a necessidade de retificar informação prestada decorrer do procedimento fiscal. Isso porque, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 01, a Contribuinte declarou: “não propôs e não tem conhecimento da propositura por entidade filiada, de ação em face da União Federal, relativa às contribuições previdenciárias (patronal) do período entre dezembro de 2006 a dezembro de 2008, objeto da fiscalização”; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 b) que a informação reproduzida no tópico anterior seria fruto de informação equivocada prestada pelo então assessor jurídico, pois, na verdade, ela teria ajuizado, em face da União Federal, Centrais Elétricas Brasileiras S/A – Eletrobrás e Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, Ação Ordinária de Compensação com pedido de antecipação parcial dos efeitos da tutela. Tal demanda tinha por fundamento 32 Cautelas de Ação ao Portador do Empréstimo Compulsório, instituído pela União em favor da Eletrobrás, emitidas em 16/06/72, em seu favor. c) a ausência de configuração do crime de sonegação tributária, bem como do dolo, fraude ou simulação, pois, ela teria realizado a compensação na qualidade de credora da União; d) que compensou o crédito com os débitos expressamente apontados na inicial (vencidos), mas, diante do indeferimento da tutela de urgência, passou a fazer a compensação com os débitos vincendos, com base no art. 374 do CC, deixando de realizar tal compensação desde a homologação da desistência do recurso de apelação que havia sido, por ela, interposto; e) que atuou de forma clara e transparente, utilizando informações corretas e códigos pertinentes, não omitindo informações, tampouco atuando na intenção de lesar o Fisco, de modo que, no seu entender, são incabíveis as multas por descumprimento de obrigação acessória e de ofício, objeto desse DEBCADs. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, através do acórdão nº 1441.216 (fls. 381 a 387), manteve, de forma integral, o crédito tributário constituído, destacando que: I. os débitos de contribuições previdenciárias apenas podem ser compensados com créditos decorrentes de recolhimentos indevidos ou a maior que o devido, conforme estabelece o art. 89 da Lei nº 8.212/91, de modo que supostos créditos utilizados pelo Recorrente não eram compensáveis com contribuições previdenciárias; II. a ação judicial ajuizada pelo Recorrente com o objetivo de compensar os mesmos créditos a débitos tributários já vencidos, que tramitava perante a Justiça Federal de Sorocaba/SP sob o nº 2006.61.10.0014772, foi peremptoriamente extinta por aquele juízo, diante da prescrição dos créditos; III. que a sentença acima se tornou definitiva após o Recorrente ter desistido, em 26/06/2008, do recurso de apelação interposto contra essa decisão; IV. que o Recorrente, mesmo ciente da impossibilidade de realizar tal compensação, aguardou a homologação tácita dos valores compensados sem ao menos retificar as GFIP’s, demonstrando a vontade dolosa de fraudar a legislação. Tendo sido cientificada do acórdão proferido pela DRJ em 29/04/2013, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário rebatendo essa decisão utilizando os mesmos argumentos trazidos na impugnação, aduzindo adicionalmente que: f) não deu continuidade ao procedimento de compensação após o trânsito em julgado da sentença, pois, embora tenha protocolado o pedido de desistência no dia 26/06/2008, o seu advogado apenas foi cientificado da Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 573 5 decisão homologatória da desistência no dia 16/01/2009, momento em que restou configurado o trânsito em julgado; g) as compensações teriam sido realizadas no período em que tramitou a ação judicial, deixando de realizálas com o trânsito em julgado da decisão; h) não restou configurado fraude, dolo ou simulação, pois a compensação foi realizada nos moldes que a Recorrente entendia juridicamente possível. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Vencido Carolina Wanderley Landim, relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente processo se refere cobrança de (i) multa isolada de 150% e (ii) multa por descumprimento de obrigação acessória, decorrentes das compensações indevidas cujos valores principais foram objeto do DEBCAD nº 37.389.7910, controlado no PAF nº 10855.724.952/201267. Passemos então à análise do cabimento de tais penalidades. No que tange à multa isolada, a Fiscalização entendeu, conforme já descrito no relatório integrante deste acórdão, que a ausência de comprovação do direito de compensar ensejou falsidade na declaração em GFIP, pelo que considerou fraudulenta a conduta da Recorrente, aplicando assim esta penalidade qualificada. No entanto, no presente caso, não enxergo a ocorrência de conduta fraudulenta, uma vez que a Recorrente não ocultou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. As contribuições previdenciárias foram informadas ao Fisco, assim como o procedimento compensatório. É tanto que foi com base nas declarações prestadas em GFIP que a Autoridade Fiscal pautou o seu lançamento. Deste modo, entendo que não restou comprovado que a Recorrente agiu dolosamente no intuito de ludibriar o Fisco, como se configuraria, por exemplo, com a apresentação de documentos/declarações com conteúdos falsos. O que ocorreu foi uma compensação indevida, circunstância da qual, por si só, não podemos presumir o dolo e atribuir um evidente caráter de fraude. Em situação análoga, esse Conselho entendeu pelo não cabimento da qualificação da multa, senão vejamos: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PERD/COMP. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. Créditos decorrentes de indébitos do empréstimo compulsório para a Eletrobrás não são compensáveis com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Pedidos de compensação de tais tributos, formulado pelo contribuinte via PERDCOMP, não ensejam multa qualificada de 150%. Remessa ex officio a que se nega provimento. CARF, Primeira Seção, 2ª Câmara, 1ª Turma, Rel. Regis Magalhães Soares Queiroz, data do julgamento: 07/04/2010. Considerando que, no âmbito previdenciário, a penalidade de 75% prevista no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430/96, somente tem cabimento quando aplicada em dobro nos moldes do art. 89, § 10º, da Lei nº Lei n° 8212/91, aqui não há que se falar em redução da multa isolada para 75%, mas sim em cancelamento integral da penalidade por inocorrência de evidente intuito de fraude. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 574 7 Já em relação à multa por conta do descumprimento de obrigação acessória, a Autoridade Fiscal entendeu por bem aplicála com base no art. 32A, “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º da Lei 8.212/91. Como se sabe, tal dispositivo prevê que é cabível a multa por descumprimento de obrigação acessória quando o contribuinte deixa de apresentar a declaração ou a apresenta com incorreções ou omissões1. No caso em análise, a Recorrente apresentou a GFIP com os dados corretos, declarando os valores devidos. Se o crédito utilizado para compensação foi indevido, cabe a glosa dessa compensação e aplicada as penalidades cabíveis, mas não a imputação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, cujo suporte fático, como visto, não restou caracterizado. Logo, tampouco há que se falar na aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Portanto, por todo o exposto, voto por considerar o RECURSO VOLUNTÁRIO PROCEDENTE, para afastar a aplicação das penalidades consubstanciadas no DEBCAD nº 51.031.1717 (multa CFL 68 – Omissão de GFIP) e no DEBCAD nº 51.031.172 5 (Multa Isolada). É o voto. Carolina Wanderley Landim. 1 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Considero que o voto da Ilustre Relatora, como de costume, foi muito bem fundamentado, todavia, ouso divergir de seu entendimento quanto ao afastamento da multa isolada, aplicada em razão da ocorrência de falsidade na declaração de compensação A Conselheira Carolina Landim não acolheu às conclusões do fisco acerca da existência de conduta fraudulenta do sujeito passivo, por entender que a compensação indevida, por si só, não caracteriza a fraude, principalmente tendose em conta que a empresa declarou os fatos geradores na GFIP. Pelo seu raciocínio somente caberia a aplicação da multa isolada caso o fisco demonstrasse que a empresa houvera lançado mão de documentos ou declarações falsos com intuito de ludibriar o fisco. Conforme relatado, por três vezes o fisco intimou a empresa a demonstrar a origem dos créditos utilizados na compensação, todavia, a empresa limitouse a apresentar planilhas contendo os valores compensados por estabelecimento. Em razão desta omissão do sujeito passivo, a Autoridade Fiscal aplicoulhe a multa de 150% sobre o valor indevidamente compensado, conforme previsão do § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991, haja vista que a falta de pagamento das contribuições decorrera de processo compensatório em que a empresa utilizouse de créditos que não conseguiu demonstrar a origem. Ao impugnar o crédito, a autuada trouxe fato novo. Afirmou que se utilizou de créditos postulados em ação judicial ajuizada em face da União e do INSS para se compensar de valores originados de 32 Cautelas de Ação ao Portador do Empréstimo Compulsório, instituído pela União em favor da Eletrobrás, emitidas em 16/06/72, em seu nome. Acrescenta que deixou de realizar a compensação desde a homologação da desistência do recurso de apelação que havia sido, por ela, interposto. O órgão de primeira instância manteve o entendimento da auditoria, por entender que os supostos créditos mencionados na impugnação não eram compensáveis com contribuições sociais, além de que a pretensão do sujeito passivo foi sepultada pelo Judiciário após a desistência do recurso de apelação interposto pela autuada. Acrescentou o órgão a quo que a recorrente, mesmo ciente da impossibilidade de realizar tal compensação, aguardou a homologação tácita dos valores compensados sem ao menos retificar as GFIP’s, demonstrando a vontade dolosa de fraudar a legislação. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário para acrescentar que cessou as compensações após o trânsito em julgado da ação judicial, além de que inexistiu fraude posto que efetuou o processo compensatório em consonância com o direito que supunha existir. Iniciemos pela análise do dispositivo legal utilizado pelo fisco para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 575 9 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que saiba não se prestarem a compensar contribuições previdenciárias, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Vejase que aí também foram excluídas as referências aos crimes tributários tipificados nos artigos 71,72,e 73 da Lei n. 4.502/1964. Da mesma forma, a Lei n. 9.430/1996 é invocada como parâmetro exclusivamente para quantificar o percentual de multa a incidir sobre os valores indevidamente compensados. De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo. Pois bem, no caso sob apreciação, mesmo se tendo em conta que a empresa apresentou a declaração dos fatos geradores, é clara a ocorrência de falsidade de declaração no campo compensação, posto que o sujeito passivo inseriu valores que sabidamente não possuía, para quitar as contribuições devidas. Penso que tem razão a Delegacia de Julgamento da RFB. Enxergo duas principais razões para concluir que a empresa valeuse de ardil para tentar livrarse do pagamento das contribuições. Primeiro, pelo que dispõe o art. 170A do CTN, incluído pela Lei Complementar n. 104/2001, é vedada a compensação de tributo postulada judicialmente antes do trânsito em julgado da decisão que a concedeu. No caso sob enfoque, sequer a empresa obteve, mesmo que de forma precária, autorização para realizar a compensação pretendida. Não é razoável se supor que o sujeito passivo desconhece essa regra tributária e nem poderia, posto que a ninguém é dado descumprir a lei sob alegação do seu desconhecimento, conforme dispõe o art. 30 da Lei de Introdução ao Código Civil. De outra banda, há de se ter em conta que, mesmo desistindo da ação judicial que lhe supostamente lhe servia como base para não recolher as contribuições, o sujeito passivo permaneceu inerte perante a Fazenda, não quitando o tributo devido ou sequer retificando as declarações em que lançou as falsas compensações. Ao não retificar de imediato as GFIP, a empresa tentou se beneficiar da inércia do fisco, sorrateiramente aguardando o transcurso do prazo decadencial para se ver livre Fl. 580DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10855.724953/201210 Acórdão n.º 2401003.243 S2C4T1 Fl. 576 11 da sua obrigação. Isso é conduta que precisa vigorosamente desestimulada, posto que causa sérios danos a realização da arrecadação tributária, com prejuízo irreparável para toda a sociedade. Neste sentido, sintome plenamente confortável para concluir com base nos elementos constantes nos autos que a empresa utilizouse do artifício de inserir declaração falsa na GFIP para deixar de recolher as contribuições lançadas. Justificase, assim, a imposição da multa isolada no patamar de 150% das contribuições indevidamente compensadas. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 13/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13982.000312/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL.
Dada a intima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos decorrentes o decidido no principal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA
A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva.
Numero da decisão: 1401-000.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) acolher parcialmente a arguição de decadência, vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto; b) no mérito, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, também vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. Quanto ao mérito, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira votou pelas conclusões.
Designado para redigir o voto venccedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) acolher parcialmente a arguição de decadência, vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto; b) no mérito, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, também vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. Quanto ao mérito, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto venccedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
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EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCROS. DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. CABIMENTO. Impõem o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, uma vez constatadas sérias deficiências na escrituração contábil, que impedem a verificação da efetiva movimentação financeira e a determinação do lucro real. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) acolher parcialmente a arguição de decadência, vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 03 12 /2 01 0- 39 Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Mattos e Antonio Bezerra Neto; b) no mérito, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, também vencidos os Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. Quanto ao mérito, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto venccedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmin Teixeira. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 10891090): Tratase o presente processo de impugnação a autos de infração referente ao sujeito passivo em epígrafe. Foram lavrados os seguintes autos de infração relativos aos trimestres 1° a 4º de 2005, 1° a 4° de 2006, e 1° e 2° de 2007, tendo sido a exigência lavrada no regime do lucro arbitrado devido a contribuinte, que declarava pelo Simples, não possuir escrituração na forma exigida pela legislação comercial e fiscal. Foram objeto de lançamento os seguinte tributos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$ 192.165,21, acrescido de juros de mora; Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 95.313,77, acrescido de juros de mora; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 270.903,89, acrescido de juros de mora; Contribuição ao Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 58.714,19, acrescido de juros de mora. Os lançamentos decorrem da constatação de infrações de: omissão de receita, identificada devido a depósitos bancários recebidos em contas de sua titularidade em instituições financeiras, de origem não comprovada; omissão de receitas operacionais decorrentes da venda de produtos de fabricação própria. Exigese ainda pelo presente processo multa de oficio de 75% em relação infração de omissão de receitas operacionais decorrentes da venda de produtos de fabricação própria, e multa de oficio de 150% em relação à omissão de receita, identificada devido a depósitos bancários recebidos em contas de sua titularidade em instituições financeiras, de origem não comprovada. A multa de oficio de 150% foi fixada devido à. contribuinte ter incorrido na prática de sonegação e fraude ao não escriturar em seus livros contábeis a totalidade de suas receitas auferidas, mantendo três contas bancárias a margem de sua escrituração regular durante o período fiscalizado e deixando de comprovar a origem de depósitos efetuados nestas contas que superaram a sete milhões de reais. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Além destes autos de infração, compõe o presente processo o Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n° 043, de 23 de abril de 2010, que declara a exclusão da contribuinte supracitada do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições da Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Federal a partir de 01/01/2005. A contribuinte apresentou impugnação aos autos de infração, com os argumentos abaixo expostos. Inicialmente, manifesta seu interesse em efetuar o parcelamento de parte dos valores exigidos, quais sejam: IRPJ: imposto devido referente ao período compreendido os vencimentos entre 29/07/2005 e 31/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. PIS: contribuição devida referente ao período compreendido entre 15/06/2005 e 20/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. Cofins: contribuição devida referente ao período compreendido entre 15/06/2005 e 20/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. CSLL: contribuição devida referente ao período compreendido os vencimentos entre 29/07/2005 e 31/07/2007; multa de 75%; e 50% do valores exigidos a titulo de multa de 150%. Defende a decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação.ao IRPJ, CSLL; e aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro; fevereiro, março e abril de 2005 em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins. A decadência é motivada pelo previsto no artigo 150, §4° do CTN, que estabelece o prazo de 5 anos para a homologação do autolançamento. Tendo em vista que o sujeito passivo teve ciência dos lançamentos apenas em 14/06/2010, já teria ocorrido a decadência de parte do crédito tributário exigido. Alega que o fato de não ter escriturado sua movimentação bancária não permite a aplicação de multa de 150%. Aduz que após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos o Fisco tem acesso irrestrito a tais dados, deixando este elemento prestativo de configurar o cometimento de fraude ou a existência de dolo. A contribuinte colaciona a Súmula n° 14 do 1° CC, afirmando que a aplicação da multa pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, o que não teria ocorrido no presente caso, tendo o Fisco presumido a existência de fraude. Salienta que a situação econômicofinanceira do sócios é bastante reduzida, e que inexistem sinais exteriores de riqueza. A autoridade fiscal ainda não teria comprovado que os depósitos bancários. tenham resultado em disponibilidade econômica de renda e proventos. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 4 5 Defende a impossibilidade da representação fiscal para fins penais. Afirma que a autoridade fiscal descaracterizou a escrituração contábil da Contribuinte de forma sumaria, mesmo com a empresa atendendo as intimações e exigências da fiscalização. Esta medida deveria ser precedida de intimação a contribuinte para que procedesse com sua regularização, todavia este procedimento não foi efetuado. Esclarece que a atividade desenvolvida pela contribuinte demanda serviços de transportes rodoviários, custos operacionais e de aquisição de mercadorias, e que estas despesas foram desconsideradas. Contesta ainda o arbitramento levado a efeito, que desconsiderou as despesas da contribuinte, fato que resulta na improcedência do auto de infração. Salienta que a impugnante recolheu os tributos devidos a RFB no período objeto do lançamento, o que demonstraria a boafé da contribuinte. Requer, por fim, a declaração de nulidade e a improcedência dos autos de infração. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 10981099) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCROS. DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. CABIMENTO. Deficiências na escrituração contábil, tornandoa imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou determinar o lucro real, impõem o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para lançamentos deslocase da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento das condutas ilícitas ao longo do tempo, associado à significância dos valores subtraidos à tributação, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. INTUITO DE FRAUDE. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. APLICABILIDADE. Ê aplicável a multa de oficio agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta da contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, COFINS E CSLL. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos decorrentes o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 12/01/2012 (fls. 1135), a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 11381194, com base nos seguintes argumentos: a) Houve nulidade nas intimações efetuadas no decorrer do presente processo, tendo em vista a ausência de indicação da finalidade das mesmas, em desacordo com o disposto no art. 26, II da Lei nº 9.784/99; b) Insurgiuse contra o ato de exclusão do SIMPLES (Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n º 043, de 23 de abril de 2010), tendo em vista a inocorrência de reiteração na infração, posto que existe um único auto de infração. Ainda que fosse o caso de exclusão, tal ato não poderia produzir efeitos retroativos a 01 de janeiro de 2005, por afronta aos princípios da irretroatividade e ofensa a direito adquirido. No seu entender, o ato de exclusão somente poderia surtir efeitos a partir do exaurimento das possibilidades de defesa na esfera administrativa ou após 30 dias da sua publicação, nos termos do art. 103, II do CTN; c) Reiterou a alegação de decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação.ao IRPJ, CSLL; e aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2005 em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins. A decadência é motivada pelo previsto no artigo 150, §4° do CTN, que estabelece o prazo de 5 anos para a homologação do autolançamento. Tendo em vista que o sujeito passivo teve ciência dos lançamentos apenas em 14/06/2010, já teria ocorrido a decadência de parte do crédito tributário exigido. Afirmou que não houve dolo no presente caso, o que afasta a hipótese de aplicação da regra disposta no art. 173 do CTN; Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 5 7 d) Voltou a questionar a tributação realizada com base em movimentação bancária, acrescentando que o fato de não ter escriturado sua movimentação bancária não autoriza, por si só, a aplicação de multa de 150%. Reiterou seu entendimento de que após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos o Fisco tem acesso irrestrito a tais dados, razão pela qual a ausência de escrituração da movimentação bancária não mais configura o cometimento de fraude ou a existência de dolo. Neste sentido, invocou a Súmula n° 14 do 1° CC, afirmando que a aplicação da multa pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, o que não teria ocorrido no presente caso; e) Contestou o procedimento de arbitramento do lucro, o que implicou a desconsideração das despesas da contribuinte, fato que resulta na improcedência do presente auto de infração. Salienta que a impugnante recolheu os tributos devidos a RFB no período objeto do lançamento, o que demonstraria a boafé da contribuinte. Afirmou, outrossim, que a autoridade fiscal descaracterizou a escrituração contábil da recorrente de forma sumária, sem previamente fixar um prazo para a sua regularização; f) Afirmou que a atividade desenvolvida pela contribuinte demanda serviços de transportes rodoviários, custos operacionais e de aquisição de mercadorias, e que estas despesas foram desconsideradas. Arguiu, outrossim, a inaplicabilidade do DecretoLei nº 1.648/78, uma vez que no presente caso o lucro poderia ser obtido pela adição da receita omitida à declarada. No seu entender, não poderia ser tributada mais do que 50% da receita omitida. Nestes termos, requereu a improcedência do lançamento. Alternativamente, requereu a redução da exigência, pela aplicação do art. 8º, § 6º do DecretoLei nº 1.648/78. Pleiteou a redução da multa qualificada de 150% e requereu a declaração de impossibilidade de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, tendo em vista a inocorrência de reiteração da infração. É o relatório. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de nulidade No entender da recorrente, houve nulidade nas intimações efetuadas no decorrer do presente processo, tendo em vista a ausência de indicação da finalidade das mesmas, em desacordo com o disposto no art. 26, II da Lei nº 9.784/99. Alegação desprovida de sentido, uma vez que o dispositivo legal citado pela recorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. Sobre o tema, dispõe o art. 69 da retrocitada Lei nº 9.784/99: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. De se esclarecer, por oportuno, que as intimações a que se refere a recorrente foram expedidas durante os procedimentos de fiscalização, que não se submetem ao regime do contraditório. Diante do exposto, concluo pela inexistência de qualquer causa de nulidade no presente processo, razão pela qual voto pela rejeição sumária da preliminar argüida pela recorrente. Argüição de decadência Repetindo o que foi alegado na fase impugnatória, a recorrente e sustentou a decadência do direito de constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação ao IRPJ e à CSLL e aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2005 em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins. No entender da recorrente, no caso em apreço o prazo decadencial deve ser contado segundo a regra prevista no artigo 150, §4° do CTN, que estabelece o prazo de 5 anos para a homologação do autolançamento. Considerando que o sujeito passivo teve ciência dos lançamentos apenas em 14/06/2010, entende já ter se operado a decadência de grande parte do crédito tributário constituído. Em relação a esta alegação, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 11021104: Em relação ao arguido, há que se dizer, de inicio, que, em regra e em principio, para os tributos lançados por homologação a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários esta regrada pelo parágrafo 4.° do artigo 150 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. [...] Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 6 9 § 4 º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, como se infere da parte final do dispositivo transcrito, a regra é excetuada nos casos em que reste “comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Mas então, na comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação (afastado, portanto, o parágrafo 4° do artigo 150 do CTN), como fica a disciplina da decadência? A resposta desta questão encontra na doutrina três correntes: uma afirma que, constatada a fraude, não haveria prazo decadencial correndo contra a Fazenda; outra, se posiciona no sentido de que o prazo decadencial só teria seu termo inicial quando da descoberta da prática dolosa; uma outra, por fim, baseada principalmente na constatação de que não há no Direito, em regra, relações jurídicas imprescritíveis, afirma que o afastamento do parágrafo 4.° do artigo 150 traria como conseqüência a aplicação do prazo mais largo definido no inciso I do artigo 173. Luciano Amaro (in"Direito Tributário Brasileiro", Ed. Saraiva, 2. edição, 1998, p. 385), defende esta terceira corrente por outros argumentos: A segunda questão diz respeito a ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação [...] Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra geral do art. 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos a não ver outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário nacional (arts. 156, V, 173, 174, 195, parágrafo único). Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado a pós a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinidamente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não se ter criado a ressalva. Há de se entender, por certo, como mais consentânea com a nossa ordem jurídica, a terceira das opções postas. Com efeito, num sistema jurídico onde a prática até mesmo do mais grave dos crimes, aquele que atenta contra a vida humana, tem prazo definido para o exercício do jus puniendi, não seria razoável eleger o direito de constituição do crédito tributário como imprescritível, ou melhor dizendo, não passível de decadência. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Do mesmo modo, atentaria também contra a busca da pacificação social, da estabilização das relações jurídicas e contra a própria segurança jurídica — objetivos de primeira ordem do Direito , a eleição de uma regra que, por vias transversas, igualmente levaria a uma quase eternização do direito da Fazenda, como tal a que condiciona o inicio do curso do prazo decadencial à ciência da autoridade fiscal quanto à prática dolosa da contribuinte. Temse, assim, como primeira exceção à regra da aplicação do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, a aplicabilidade do inciso I do artigo 173 do mesmo CTN para os casos em que o dolo, a fraude ou a simulação se mostrarem presentes. Partindose para a análise do caso concreto objeto do presente processo, temse, assim, que, a teor do parágrafo 4.° do artigo 150 do CTN, o prazo para a Fazenda efetuar o lançamento é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a menos que tenha restado evidenciada a presença de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo de cinco anos passa a ter transcurso a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, a teor do inciso I do artigo 173 do mesmo CTN. Bem, como dos autos se infere, logrou a autoridade lançadora comprovar o intuito fraudulento da contribuinte, como se verá em item posterior deste voto, o que faz com que, desde já, se tenha como aplicável não a regra do parágrafo 4.° do artigo 150, mas a do inciso I do artigo 173. A partir desta regra, passa a ser importante, assim, identificar, no caso que aqui se tem, qual é a data que se deve ter como "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". No caso do IRPJ e da CSLL, a tributação se dá em bases trimestrais; assim, a regularidade fiscal da contribuinte relativa a um determinado trimestre, só pode ser aferida no trimestre imediatamente posterior, sendo a partir deste momento que o lançamento poderia ser efetuado. Diante deste quadro, apenas ao inicio do ano seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter ocorrido é que tem inicio o curso do prazo decadencial previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Deste modo, como no presente processo está a contribuinte se insurgindo contra o lançamento referente ao primeiro trimestre de 2005, temse que o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir do segundo trimestre de2005, o que faz com que o primeiro dia do exercício seguinte seja 01/01/2006. Quanto à Contribuição ao PIS e a Cofins, sua tributação ocorre com periodicidade mensal. Desta forma, o lançamento referente aos meses de janeiro a abril de 2005 só poderiam ter sido efetuados a partir de fevereiro, março, abril e maio de 2005, o que, de forma semelhante aos valores lançados a titulo de IRPJ e CSLL, resulta em que o primeiro dia do exercício seguinte seja 01/01/2006 Tendo o curso do prazo decadencial de cinco anos seu termo inicial em 01/01/2006, percebese que só ao final de 2010 é que Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 7 11 se teve o termo final do lapso temporal, o que torna o lançamento aqui discutido — cientificado que foi à contribuinte em 14/06/2010 — perfeitamente regular à luz desta questão especifica. Assim, como se vê, do ponto de vista da disciplina da decadência relativa aos tributos exigidos neste processo, não há crédito tributário constituído a destempo. Diante do exposto, concluo que não merece prosperar a presente arguição de decadência apresentada pela recorrente. Tributação com base em depósitos bancários A recorrente, repetindo o que fez na fase impugnatória, arguiu a inexistência de sinais exteriores de riqueza, afirmando que a situação econômicofinanceira do sócios seria bastante reduzida. Sobre o tema, o acórdão recorrido foi bastante feliz ao mencionar que a necessidade de demonstração da existência de sinais exteriores de riqueza somente se fazia presente sob a égide do art. 6º, § 5º da Lei nº 8.021/90, expressamente revogada pelo art. 88 da Lei nº 9.430/96. A retrocitada Lei n° 9.430/96, por meio do seu art. 42, estabeleceu a regra de que a simples existência de depósitos bancários de origem não comprovada autoriza a presunção juris tantum de que os aludidos valores correspondem a receitas omitidas pelo titular da conta bancária. Estabelecida esta presunção, compete ao acusado demonstrar a sua improcedência, mediante a comprovação da origem dos aludidos depósitos bancários. Sobre o tema, assim me manifestou o acórdão de piso, fls. 1105: A figura da presunção legal é prevista na legislação em determinadas circunstâncias, em que o legislador reduz o ônus probatório a cargo do fisco. Assim, por exemplo, existe a presunção de ocorrência de receita omitida quando é apurada a falta de escrituração de pagamentos (RIR/99, art. 281, II); há presunção de pagamento de rendimento a pessoas ligadas ou a terceiros quando o contribuinte não comprova o beneficiário ou a causa de pagamento (RIR/99,.art. 674). No caso do art. 42 em análise, o legislador procurou imputar maior.carga probatória ao titular da conta bancária, que é afinal quem mais possui condições de esclarecer a que se devem os depósitos realizados em sua conta. Neste novo cenário jurídico; não se aplica mais o entendimento do antigo TFR: Estabelecido assirn . a distribuição do ônus probatório, é fácil verificar que as alegações da impugnante de que os depósitos bancários não correspondem a operações geradoras de renda ou acréscimo patrimonial devem estar amparadas por provas hábeis e idôneas, sem o que não poderão ser acatadas. Arbitramento do lucro Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 A recorrente afirmou que a desconsideração da sua escrituração contábil foi realizada de maneira sumária e arbitrária, não obstante o atendimento da grande maioria das intimações expedidas pela recorrente. No entender da recorrente, o arbitramento do lucro somente poderia ocorrer após a devida intimação para que a contribuinte pudesse regularizar a sua escrituração. No caso concreto, contudo, o Fisco não abriu esta oportunidade para o contribuinte. A recorrente enfatizou que o desempenho da sua atividade demanda serviços de transportes rodoviários, custos operacionais e de aquisição de mercadorias, e que estas despesas foram desconsideradas. No seu entender, tal fato acarreta a improcedência do presente lançamento. Tais alegações não merecem prosperar. Para maior clareza, considero prudente transcrever o art. 530 do Decreto nº 3000/99, que regula o procedimento de arbitramento do lucro: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 19: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Convém frisar, assim como fez o acórdão recorrido, que o arbitramento dos lucros não constitui um procedimento isolado, antecedente ou preparatório ao lançamento. O arbitramento dos lucros constitui, sim, uma decorrência dos procedimentos fiscalizatórios, quando verificada a ocorrência dos pressupostos autorizadores desta forma de apuração do lucro da contribuinte. Sobre o tema, manifestouse com clareza e precisão o acórdão recorrido, fls. 1106: Na verdade, o que há é um só procedimento a ação fiscal , no curso do qual, verificadas irregularidades nas informações e documentos fornecidos pelo contribuinte, podese chegar ao arbitramento, depois de devidamente assegurado o direito de defesa – direito este, aliás, que até mesmo por força de comandos constitucionais, deve nortear todo o feito fiscal, e não especificamente este ou aquele ato. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 8 13 A contribuinte possuía escrituração contábil bastante deficiente, conforme demonstrado pela falta de escrituração de depósitos bancários e de todas as movimentações fmanceiras mantidas junto ao Banco do Brasil S/A, Sicoob e Banco Besc S/A. Tal situação justifica a utilização da tributação pelo lucro arbitrado e a consequente adoção Receita Bruta da contribuinte como base de cálculo, deixando de ser consideradas as suas despesas. Ressaltese, por oportuno, que não se poderia cogitar da hipótese de apuração do imposto por meio do lucro real ou presumido, tendo em vista a não manutenção, pela contribuinte, de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Sobre o tema, pronunciouse com suficiente clareza o Termo de Verificação Fiscal, fls. 100, verbis: Tendo o sujeito passivo sido excluído do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2005, ficou sujeito, desde então às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, como frisado anteriormente, o que exige a manutenção de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, cuja falta de apresentação ou apresentação deficiente (contas bancárias não contabilizadas), de acordo com o art. 530, III, do RIR/99, enseja o arbitramento do lucro. Foi o que ocorreu no caso concreto. Diante do exposto, concluo que em relação a este tema, o recurso voluntário interposto pela contribuinte não merece provimento. Multa qualificada A recorrente alega que o simples fato de não ter escriturado sua movimentação bancária não autorizaria a aplicação da multa no percentual de 150%. Acrescenta qte Aduz que após a eliminação do sigilo bancário nas operações de fiscalização de tributos o Fisco tem acesso irrestrito a tais dados, razão pela qual a simples ausência de escrituração da movimentação bancária não poderia configurar a ocorrência de fraude ou dolo. Em defesa do seu entendimento, fez referência à Súmula n° 14 do 1° CC, afirmando que a aplicação da multa pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, o que não teria ocorrido no presente caso. Não assiste razão à recorrente. Em relação a este tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão de piso, fls. 1107: A majoração prevista no parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96 referese à sua conduta ; aferivel, em face da legislação .tributária, no curso de sua vida cotidiana. Nestes termos, nos autos esta devidamente evidenciado que o sujeito passivo, ao longo de três anoscalendário, reiteradamente omitiu rendimentos à tributação, não tendo sido capaz de justificar um montante significativo de ingressos em suas contas bancárias, Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 quais sejam R$ 2.939.303,51 em 2005, R$ 3.530.247,50 em 2006 e R$ 957.853,74 em 2007. O que parece, razoável, diante do quadro posto, é que o montante das rendas omitidas, em que pese ter sido constatado por presunção, pode perfeitamente consubstanciar a caracterização do dolo, no caso de a ela estar vinculada a evidenciação de que isto ocorreu ao longo de vários períodos base. Ou seja, desproporção e reiteramento levam, conjuntamente, a um quadr6 mais consistente acerca da aferição do dolo. Portanto, se o que se tivesse no processo fosse a demonstração de que parcelas pequenas dos ingressos nas contas bancárias se mantiveram sem justificação e de que tais omissões se referissem a um períodobase especifico, poderseia até acatar a idéia de que houve uma conduta ,involuntária e de que, portanto, a imposição da penalidade agravada não seria. justificável. Entretanto, à luz do que dos autos consta, o quadro é bastante distinto, tornandose absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria cometido meros equívocos. Diante deste quadro de reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de omitir receitas, o que torna perfeitamente aplicável, sim, a multa agravada prevista no parágrafo 1° do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96. Assim sendo, considerando que a ausência de escrituração das contas bancárias configurouse como um procedimento sistemático da contribuinte, aliado ao fato de que o montante das receitas omitidas mostrouse extremamente elevado, considero claramente evidenciado o evidente intuito de fraude, fato este que autoriza a qualificação da multa de ofício. Diante do exposto, concluo que também em relação a este tema, o recurso voluntário não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 9 15 Em que pese as razões apresentadas pelo nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu por desqualificar a multa de ofício, pelas razões a seguir detalhadas. Tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei nº 11.488/2007. Dispõe, o art. 44 da lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1º Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). No caso dos autos, a Turma entendeu que os fatos indicados representam a mera omissão de rendimentos, não passível de imputação do dolo específico necessário à qualificação da penalidade, razão pela qual houve a redução para o patamar de 75%. Afastada a multa qualificada, e tendo havido recolhimento parcial de tributos, deve ser reconhecida, por conseqüência, a decadência parcial do crédito tributário em litígio, relativo aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 em relação.ao IRPJ, CSLL; e aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2005 em relação ao PIS e à Cofins Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13982.000312/201039 Acórdão n.º 1401000.980 S1C4T1 Fl. 10 17 (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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