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Numero do processo: 10320.007062/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 1999, 2001
COMPENSAÇÃO. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se a retroatividade benigna e cancela-se a aplicação de multa isolada lançada sob a égide da Lei 10.833/2003, em sua redação original, por compensação de débitos com créditos não tributários ou de terceiros quando tratar-se de compensação não homologada, por decisão da autoridade administrativa, isso porque referida multa a partir das inovações legislativas trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004, foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas não-declaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003
MULTA ISOLADA - VIGÊNCIA A PARTIR DA MP N° 135, de' 30/10/2005.
É incabível o lançamento da multa isolada por compensação indevida para as DCOMPs transmitidas antes da edição da MP n° 135, de 30/10/2003 (Convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003), por falta expressa previsão legal.
Numero da decisão: 2801-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998, 1999, 2001 COMPENSAÇÃO. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se a retroatividade benigna e cancela-se a aplicação de multa isolada lançada sob a égide da Lei 10.833/2003, em sua redação original, por compensação de débitos com créditos não tributários ou de terceiros quando tratar-se de compensação não homologada, por decisão da autoridade administrativa, isso porque referida multa a partir das inovações legislativas trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004, foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas não-declaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003 MULTA ISOLADA - VIGÊNCIA A PARTIR DA MP N° 135, de' 30/10/2005. É incabível o lançamento da multa isolada por compensação indevida para as DCOMPs transmitidas antes da edição da MP n° 135, de 30/10/2003 (Convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003), por falta expressa previsão legal.
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INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a retroatividade benigna e cancelase a aplicação de multa isolada lançada sob a égide da Lei 10.833/2003, em sua redação original, por compensação de débitos com créditos não tributários ou de terceiros quando tratarse de compensação não homologada, por decisão da autoridade administrativa, isso porque referida multa a partir das inovações legislativas trazidas pela Lei n° 11.051, de 2004, foi situada em outro contexto: o das compensações consideradas nãodeclaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003 MULTA ISOLADA VIGÊNCIA A PARTIR DA MP N° 135, de' 30/10/2005. É incabível o lançamento da multa isolada por compensação indevida para as DCOMPs transmitidas antes da edição da MP n° 135, de 30/10/2003 (Convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003), por falta expressa previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 70 62 /2 00 8- 49 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.007062/200849 Acórdão n.º 1401001.162 S1C4T1 Fl. 341 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.007062/200849 Acórdão n.º 1401001.162 S1C4T1 Fl. 342 3 Relatório Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "O presente processo trata de auto de infração (fls. 3/7) realizado para exigir multa isolada qualificada (150%), no valor de R$ 380.912,75 pela apresentação de declaração de compensação que se mostrou indevida, em razão de não existirem os créditos pleiteados. A multa foi qualificada pelo entendimento de que o contribuinte utilizou "procedimento, que, em tese configura falsidade/fraude". O lançamento foi fundamentado no artigo 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no artigo 44, 11, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado pessoalmente do presente auto de infração, em 04/12/2008 (fl. 3), o contribuinte apresentou impugnação em 30/12/2008 (fls. 47/60), cuja tempestividade é afirmada no despacho de fl. 71. Em sua defesa, o impugnante alega, preliminarmente, a decadência do crédito lançado e, no mérito, que não houve falsidade, uma vez que juntou, ao processo de compensação, "Escritura Pública de Cessão Parcial de Direitos" e que a motivação do despacho decisório, que não homologou a compensação, não se fundamenta em falsidade, mas tão somente na natureza do crédito (não tributário) e na sua origem (Fazenda Pública do Estado do Paraná). O processo foi, então, distribuído para a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza DRJ/FOR, que resolveu converter o julgamento em diligência (fls. 86/88), para que fosse juntada aos autos cópia do processo administrativo gerado pelo pedido de compensação e cópia do processo administrativo que acompanhou o processo judicial citado no pedido de compensação, bem como para que fossem respondidos os seguintes quesitos: 1. Qual a natureza e a origem do crédito pleiteado? 2. O impugnante é originalmente titular do crédito pleiteado? 3. No caso de o impugnante não ser originalmente titular do crédito pleiteado, como ele adquiriu essa titularidade? 4. Qual é o objeto da ação judicial citada no pedido de compensação? Fl. 342DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.007062/200849 Acórdão n.º 1401001.162 S1C4T1 Fl. 343 4 5. O impugnante é autor da ação judicial citada no pedido de compensação? 6. Qual é a atual situação da ação judicial citada no pedido de compensação? 7. Qual é o objeto e quais são as partes da cessão de direitos citada na impugnação? 8. Quanto à cessão de direitos citada na impugnação, como os cedentes adquiriram a titularidade do crédito cedido? Voltando o processo para a autoridade fiscal autuante, esta realizou a juntada de cópia dos autos do processo n° 10166.005137/200372, que tem como objeto o pedido de compensação em tela (fls. 96/208), e respondeu aos quesitos propostos no relatório de fls. 217/221. O processo, então, retornou à 4a Turma da DRJ/FOR. Destaquese que o contribuinte não foi cientificado das providências tomadas em sede de diligência, contudo isso não acarretou prejuízo para a defesa, conforme será demonstrado no voto. Este é o caminho percorrido pelo presente processo até chegar a este momento, para ser julgado." A DRJ manteve em parte o lançamento, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998, 1999, 2001 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Não comprovada pela fiscalização a existência de dolo, descabe a multa qualificada de 150%. A fundamentação para a qualificação da multa confundese com a fundamentação para a aplicação da multa simples, se não existe nos autos um esforço adicional, probatório ou argumentativo, suficiente para autorizar a qualificação. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PARCELAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. LEI N° 12.249, de 2010. MULTA DE 50%. A não homologação de DCOMP que não tem natureza de confissão de dívida enseja o lançamento da diferença apurada e da multa de ofício proporcional. O parcelamento posterior à ciência do despacho decisório e anterior ao lançamento não elide a multa de ofício. A esta, devese aplicar a legislação atual quando lhe é mais benéfica. A DRJ decidiu por reduzir o percentual da multa de 150% para 50%, sobre a base de cálculo levantada no auto de infração, com base na alteração efetuada pela Lei n° 12.249/10. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.007062/200849 Acórdão n.º 1401001.162 S1C4T1 Fl. 344 5 Cientificada da decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário alegando, em síntese, que: a) ocorrência de decadência, por entender que a regra a ser aplicada é aquela contida no art. 150, § 4°, do CTN, tendo citado acórdãos deste Conselho nesse sentido; b) não cabe a exigência de multa de ofício neste caso em virtude de ter efetuado o parcelamento dos débitos não compensados antes da instauração do procedimento fiscal que culminou com o lançamento em questão; c) a base legal que fundamentou o lançamento, art. 18, da Lei n° 10.833/03 (somente promulgada em 29/12/03), não existia no ordenamento jurídico na data da protocolização da Declaração de Compensação DCOMP de fls. 08/09, 05/05/03; d) a situação em lide estava regulamentada pelo art. 90 da MP n° 2.158/35/2001, e pelo art. 44, § 1°, II, III e IV, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, que não previa a aplicação de multa isolada nos casos de indeferimento de pedidos de compensação, restringindose aplicação deste tipo de penalidade às hipóteses elencadas nos incisos II, III e IV do aludido art. 44; e) a DRJ/FortalezaCE, sob o pretexto de aplicar legislação posterior mais benéfica, aplicou retroativamente a norma instituidora da penalidade, em frontal desrespeito ao princípio da irretroatividade da lei tributária. Diante do exposto acima requer o reconhecimento da decadência do direito de impor a multa em questão e, caso assim não se entenda, que seja cancelada a exigência fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de exigência de multa isolada de 150% e reduzida pela decisão de piso para 50%, motivada por compensação indevida (Dcomp apresentada em 05/05/2003), em razão de não existirem os créditos pleiteados e que, por isso, tais compensações não foram homologadas. A exigência da multa de ofício em análise tem fundamento no artigo 90 da MP n° 2.15835/01. Contudo, como bem historiado pela decisão de piso, esse dispositivo sofreu ao longo do tempo uma série de reduções em seu alcance e mudança até de sua natureza, por força do advento da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e posteriores alterações. O 44 da Lei n° 9.430, de 1996, também sofreu alterações em sua redação. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.007062/200849 Acórdão n.º 1401001.162 S1C4T1 Fl. 345 6 Embora o artigo 144 do CTN determine que o lançamento regese pela lei vigente na data do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada, verificase que o lançamento em tela veio para impor uma sanção, a multa de ofício, e, nesse caso, o artigo 106, II, do CTN autoriza a aplicação da nova lei a fatos pretéritos. Assim, é mister que se analise a matéria à vista das inovações legislativas no instituto da compensação trazidas, principalmente a modificação trazida pela Lei n° 11.051, de 2004, o que faz com que a conclusão desse voto se afasta da conclusão adotada pela DRJ. Atentese, antes disso, para o fato de que apesar de a DRJ defender uma situação de “nãohomologação”, o que aconteceu foi que a autoridade fiscal, na verdade, considerou as “compensações indevidas” , sob a égide do art. 90 por falta de comprovação do crédito. MP Nº 2.158, DE 24/08/2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e outras contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federai A hipótese de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, o crédito não ser de natureza tributária ou pertencer a terceiros contemplaria mesmo que indiretamente a hipótese dos autos (Não comprovação dos créditos)? Creio que não. Afinal, a referida multa isolada não era prevista na Lei n° 10.637, de 2002, legislação vigente à época da apresentação das declarações de compensação. A Lei n° 10.833, de 29/12/2003, é a Conversão da MP N° 135, de 30/10/2003 (DOU DE 31/10/2003), isso quer dizer que as Dcomps transmitidas antes de 31/10/2003 de fato não teriam previsão legal para a cobrança dessa multa isolada, a não são ser a partir de atos infralegais, o que não se tolera. Isso quer dizer que tal hipótese foi alijada do tratamento infracional, no que toca a cobrança da multa isolada. Outrossim, mesmo que abstraíssemos isso e fossemos capazes de defender, como fez a DRJ, que o ilícito estaria acobertado pelo novo regramento (Lei 10.833/2002), ocorre, porém, que ela foi situada a seguir em outro contexto: o das compensações consideradas nãodeclaradas, a teor do § 4o do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que, até o advento da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, prescrevia: (...) § 4° A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 74, § 12, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004, dispõe: Art. 74. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros: b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. Io do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.007062/200849 Acórdão n.º 1401001.162 S1C4T1 Fl. 346 7 c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF (...) Dessa forma, não obstante poder se sustentar a custo que teria sido mantida essa hipótese no tratamento infracional, não se poderia aqui, em decorrência de novas alterações introduzidas no ordenamento jurídico após a apreciação da DCOMP pela autoridade competente, transformar o status da Dcomp de declaração nãohomologada, com os efeitos que lhe são próprios, inclusive o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação da Dcomp, conforme art. 74, § 2o, da Lei n° 9.430, de 1996, para compensação não declarada. Ademais também é fato que a Lei nº 11.051/2004 extinguiu a multa de 75% ( reduzida para 50% pela decisão de piso) para as compensações sem dolo, mantendo somente a multa qualificada para as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio. Deixouse de definir como infração, punível com a multa de 75%, a compensação indevida sem dolo. Assim permaneceu até 22/11/2005, data de publicação da Lei nº 11.196/2005, cujo art. 117 alterou novamente o art. 74 da Lei nº 9.430/96, restabelecendo infrações não dolosas. Consequentemente, é indevida a exigência da referida multa para fatos geradores ocorridos anteriormente à Lei nº 11.1196, de 22/11/2005, por força do princípio da retroatividade benigna (art. 106, II do CTN). Neste sentido, existem inúmeros precedentes no âmbito desta Corte: MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Lei nº 11.051, de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito de fraude, situação que vigorou até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005. (Acórdão nº 20179.389, DOU 15/02/2007) COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. LEI Nº 11.051, DE 2004. EXIGÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A Le inº 11.051; de 2004, previa a aplicação de multa isolada unicamente aos casos de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal em que houvesse a prática de evidente intuito defraude. (Acórdão nº 20179.666, DOU 18/2/2007) Portanto, DOU provimento ao Recurso. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10320.007062/200849 Acórdão n.º 1401001.162 S1C4T1 Fl. 347 8 Portanto, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inc. II, alínea "a", do CTN, há de se concluir também quanto a impertinência da cobrança da multa em comento, seja por falta de previsão legal para a cobrança da referida multa isolada, seja porque a hipótese de sua suposta incidência em que se fundamenta o lançamento foi também afastada do art. 18, caput, da Lei n° 10.833, de 2003, pela Lei n° 11.051, de 2004. Por todo o exposto, DOU provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 347DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10830.914933/2012-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
NULIDADE.
As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 49 33 /2 01 2- 17 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 67 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 40484.74750.200812.1.3.042260, em 20.08.2012, fls. 2327, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$1.178,22 contido no DARF no valor de R$1.212,06 recolhido em 30.05.2008, apurado pelo lucro presumido para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.178,22 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 68 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0211, suscitando: II Do Mérito II. a Das nulidades O despacho decisório, em que pese o esforço da autoridade administrativa em cumprir os prazos a que está submetida, para não se ver compelida a acatar o ato praticado pelo sujeito passivo, em razão de sua inércia, está totalmente eivado de nulidades. [...] A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta ir existência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza [o art. 37 da] Carta Magna [,...]. Assim sendo, o processo administrativo no âmbito federal, tal como é o caso, tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade administrativa julgadora. Dispõe a Lei n.° 9.784/99: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" [...]. Resta claro que, tendo a administração pública o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a própria Lei n.° 9.784/99 prevê [...]: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou Interesses; (...) § lº A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato" [...]. Devese entender por motivação, os fundamentos fatídicos e legais que formaram a convicção da autoridade administrativa no caso concreto.Deveras, a autoridade administrativa simplesmente não homologou a compensação realizada pela empresa, por supostamente o crédito não existir. Não se deu sequer ao trabalho de motivar sua decisão, de tal como que a empresa está impedida de promover a sua defesa, na medida em que sequer sabe o motivo pelo qual o crédito inexiste. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 69 4 Nem se diga ao fato de se tratar de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um auditor fiscal. É evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado.Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Todavia, para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" a que afirma a autoridade administrativa. Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. [...] O fato é que a autoridade administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Denotamse facilmente esses fatos, por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 que, digase, é aplicado subsidiariamente ao processo de compensação. [...] É cediço que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. [...] Deve, pois, ser julgado NULO o despacho decisório, por ausência de motivação, devendo o crédito postulado ser totalmente reconhecido, bem como a compensação totalmente homologada. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa de seus interesses. [...] Primeiramente, porque a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação postulado peia empresa. Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 1.300/2012: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 70 5 Apesar de que a previsão normativa se utilize da expressão "poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito", há um dever previsto na Constituição Federal de Eficiência. Em observância a este princípio, a administração deve intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e a comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas. Isto porque, a ampla defesa como garantia constitucional, deve ser entendida em seu sentido amplo, como o direito de produzir todas as provas necessárias à defesa do interesse postulado. Desta forma, não há que se dizer que este direito somente restaria violado em sede de recurso, principalmente à vista do dever de Eficiência, como dito alhures. Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. Além de não analisar o mérito da questão, a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram o seu entendimento. Essa fundamentação é essencial e extremamente necessária para preservar a garantia de ampla defesa e contraditório, inerente ao processo administrativo. A não observância deste dever de motivar suas decisões, como se observa no caso destes autos, obsta o exercício dessas garantias constitucionais. Ora, não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Administrativa obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Portanto, TOTALMENTE NULO o despacho decisório, devendo estes autos retornarem à origem para efetiva apreciação e total homologação da compensação postulada. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72, lei que regula o processo administrativo de exigência de créditos tributários e é aplicado subsidiariamente ao processo de restituição/compensação: "Art. 16. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; [...]. Como amplamente defendido nesta peça processual, a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas. Aliado a essa omissão, há também o fato de a empresa não ter tido oportunidade de esclarecer as razões pelas quais é detentora do crédito postulado. Logo, não há como promover uma defesa, com a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado, já que, nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a requerente. Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa, como já dito alhures e de forma exaustiva. Desta feita, ao caso em tela, há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 71 6 Conclui que: Diante do exposto, requer: • seja o presente recurso recebido e processado, bem como encaminhado à autoridade competente para o seu julgamento; • seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; • seja acatada as preliminares arguidas neste manifesto, a fim de declarar NULO DE PLENO DIREITO o despacho decisório, pois eivado de vício insanável decorrente da ausência da exposição dos fundamentos que culminaram a não homologação da compensação. • sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que, enfim, sejam promovidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito. • caso o entendimento dos Nobres Julgadores seja pelo não reconhecimento das nulidades arguidas, requer seja o presente manifesto julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando o despacho decisório, reconhecendose o direito creditório em sua integralidade, assim como, homologando toda a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 46.818, de 26.09.2013, fls. 4043: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. Se o pagamento utilizado como crédito encontrase alocado a débito declarado pela empresa, não existe o crédito pretendido. DISCUSSÃO DE MÉRITO. Se a manifestante não discute o mérito da lide, ou seja, não traz aos autos documentação hábil e idônea que demonstre o certeza e liquidez do crédito pretendido, a decisão administrativa deve ser mantida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.11.2013, fl. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.12.2013, fls. 4760, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto contra decisão que manteve o despacho decisório que não homologa a compensação realizada, utilizandose como fundamentação a simples menção de que inexiste crédito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 72 7 Em que pese às razões, de fato e de direito, apresentadas pela ora Recorrente, na Manifestação de Inconformidade apresentada, o nobre julgador a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, afirmando que este havia sido fundamentado. Pelo que se percebe, a r. decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito. O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância alegado que esta estava fundamentada, com a menção de artigos genéricos da legislação tributária. Ora, como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada? Logo, inexistindo fundamentação que sustenta decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitai o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta. Além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Ante o exposto, a Recorrente requer seja o RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformandose a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o presente recurso para homologar a compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 73 8 Em conformidade com o processo administrativo fiscal, a manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa no procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos, incluindo necessariamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça de defesa por ter sido alcançada pela preclusão1. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente, na forma prescrita e com a observância completa das formalidades indispensáveis à existência do ato. O objeto está previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, sendo materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido. Ainda o ato foi exarado com a finalidade, pois o agente pratica o ato visando o fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório Eletrônico estão motivados de forma explícita, clara e congruente e dos quais a Recorrente foi regularmente cientificada para se defender. Ademais, o procedimento de ofício foi realizado sem prévia intimação à Recorrente, uma vez que a Administração Tributária dispunha de elementos suficientes à análise do direito creditório 3. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.178,22 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmula CARF 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 74 9 NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0946.818, de 26.09.2013, fls. 4043, está registrado: O Despacho Decisório em questão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal, e não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois, pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de apresentar na manifestação, todos os seus argumentos e comprovantes contrários a não homologação, verificase que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer defeitos porventura presentes no despacho decisório não ensejam sua nulidade e serão sanados se comprovadamente resultarem em prejuízo para a empresa (art. 60). A empresa afirma que “a alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta inexistência”, pois segundo ela “para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de ‘inexistência do crédito’ a que afirma a autoridade administrativa” e “como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento”. Tais alegações mostram que a manifestante não leu com atenção ou não entendeu os termos despacho decisório, tendo em vista que esse é claro ao afirmar que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (grifei). Como se vê, está explicado com clareza o motivo da inexistência de crédito: a utilização do pagamento relacionado pela empresa na Dcomp em análise, para quitar débito dela própria. Ora, que débito seria esse para o qual o pagamento foi integralmente utilizado? O despacho decisório esclarece informando o código do tributo e o período de apuração a que se refere, quais sejam, Db: código 2089 PA 30/06/2008. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 75 10 Mas como teria surgido esse débito? Obviamente que da DCTF apresentada pela empresa em 07/10/2008, referente ao 2º trimestre de 2008. Nessa DCTF ela declara débito de IRPJ para o 2º trim/2008 no valor de R$2.649,97 e vincula a ele o pagamento efetuado em 30/05/2008 no valor de R$ 1.212,06 (o mesmo que usa como crédito na Dcomp em análise). O saldo de R$ 1.437,91, ela transfere para o parcelamento concedido pela Lei 11.941/2011, por meio do processo administrativo nº 18208.079223/201108 [que se encontra no Setor Proc Eletrônico REFIS DRF/CPS/SP4. [...] Posteriormente, essa mesma empresa, entendendo o débito era menor que o declarado, e que portanto, segundo ela, o pagamento teria sido efetuado a maior apresenta uma declaração de compensação utilizando o valor supostamente pago a maior como crédito. No entanto, ela não retifica a DCTF apresentada anteriormente e conseqüentemente o sistema mantém o pagamento alocado ao débito que ela declarou e não retificou. Daí a informação esclarecedora constante do despacho decisório que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte”. A manifestante poderia trazer nessa fase do processo as explicações (acompanhada da documentação hábil e idônea para comprovar a afirmação) sobre o motivo do débito real ser menor do que o que ela declarou. Considerando que ela não fez isso, ou seja, ela não discutiu o mérito da lide, a decisão administrativa deve ser mantida. Assim, estes atos estão motivados e contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, inclusive a partir da informações prestadas pela própria Recorrente à`RFB, O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. 4 Diaponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=18208079223201108>. Acesso em: 22 mai.2014. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 76 11 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 77 12 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente apenas argumenta e efetivamente não apresenta seus assentos contábeis e os documentos correspondentes para essa finalidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914933/201217 Acórdão n.º 1803002.249 S1TE03 Fl. 78 13 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13830.000789/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001, 2002
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da da , por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3‐C3T1 Fl. 374 1 373 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.000789/200671 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 3301001.726 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2013 Matéria IPI Recorrente COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA DEACUCAR, AÇUCAR E ALCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001, 2002 CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 07 89 /2 00 6- 71 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ de Belém(PA), assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBREPRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário:2001, 2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional ( CTN). LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CABIMENTO. LIMITES. Decorre do artigo 63 da Lei 9.430/1996, de forma clara e unívoca, que se encontrando a matéria sub judice é cabível, mesmo porque obrigatória, a constituição do crédito tributário, por meio de lançamento de ofício e sem a incidência de multa punitiva, para prevenir os efeitos da decadência, sob a única condição de que deverá permanecer suspensa a exigibilidade do crédito enquanto viger os efeitos da medida judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De acordo com a decisão recorrida a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/010222) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363,de 1996. Consta ainda que a Recorrente impetrou Mandado de Segurança contra a cobrança do IPI incidente sobre o açúcar da Safra de 2001/2002, objeto do Processo n° Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000789/200671 Acórdão n.º 3301001.726 S3‐C3T1 Fl. 375 3 2001.61.00.0084924, cujo o pedido foi julgado procedente, sendo concedida a segurança, confirmando a liminar obtida, em Primeira Instância. A decisão recorrida considera que esta não foi a finalidade do lançamento de ofício dos débitos de IPI em tela, que é a “constituição”, sem multa de ofício, de créditos tributários que não foram anteriormente pagos ou confessados pelo contribuinte – e exclusivamente para se evitar a decadência do respectivo direito. Em relação ao mérito, a decisão recorrida entendeu que a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial, para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003,de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64,de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Cientificada em 01/03/2012 (AR – fl. 350) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 352 e seguintes, em 30/03/2012, aduzindo, em síntese, que as vendas efetuadas pela cooperativa são vendas dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a certidão de inteiro teor, de objeto e pé do Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0084924, junto à 4ª Vara Federal de São Paulo, expedida pela 6ª Turma do TRF da 3ª Região de fls. 174 e seguintes, consta que a Recorrente impetrou o mandamus com a finalidade de não recolhimento do IPI sobre as saídas de açúcar relativas à safra 2001/2002, a adquirentes que não estejam sujeitos ao pagamento do IPI, afastandose o Decreto nº 2.917/98. A liminar foi deferida em 03/05/2001 (fl. 196), nos seguintes termos: Diante do exposto, verificando presentes o fumus bonis iuris e o periculum in mora, DEFIRO O PEDIDO DE LIMINAR, pleiteada pela impetrante, a teor do postulado na exordial, para o fim de determinar, de imediato, que a autoridade impetrada se abstenha de exigir recolhimento do IPI na forma veiculada pelo Decreto n° 2.917/98, até posterior deliberação deste Juízo, sem que disso decorra qualquer medida coativa ou punitiva por parte do Fisco. Logo, não há concomitância entre as vias administrativa e judicial, porquanto os objetos são distintos, visto que, no presente processo o que se discute é a possibilidade do crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, ser apurado e requerido pela cooperativa e não pelo produtor exportador. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000789/200671 Acórdão n.º 3301001.726 S3‐C3T1 Fl. 376 5 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto divergente do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000789/200671 Acórdão n.º 3301001.726 S3‐C3T1 Fl. 377 7 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000789/200671 Acórdão n.º 3301001.726 S3‐C3T1 Fl. 378 9 resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000789/200671 Acórdão n.º 3301001.726 S3‐C3T1 Fl. 379 11 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 19515.001309/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Omissão de receita com base em pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade. IRRF. Pagamentos sem causa. Multas qualificadas. Recorrente FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 30 9/ 20 07 -2 0 Fl. 11667DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.562 2 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração do processo em papel. Tratase de recurso voluntário interposto por FIGWAL TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA contra acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência integral dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/São Paulo, referentes ao IRPJ e reflexos, bem como ao IRRF, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2000 a 2004, totalizaram, respectivamente, os valores de R$ 104.709.951,19 e R$ 152.694.019,63. Tal autuação foi fundamentada (i) na omissão de receita com base em pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade e (ii) em pagamentos sem causa. Sobre os tibutos lançados, foram aplicadas multas qualificadas. Devese esclarecer, ainda, que o lançamento de IRRF havia sido inicialmente consubstanciado no processo nº 19515.001310/200754, o qual, no entanto, foi anexado ao presente processo. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim transcreveu o feito fiscal: Os Termos de Verificação Fiscal (TVs) dão conta (fls. 430 a 444 e 494 a 503), dos seguintes fatos: 1 quanto às investigações relativas ao "MERCHANTS BANK": a) em 27/04/2004, a Policia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba a quebra de sigilo bancário no exterior da documentação referente ao "Merchants Bank", recebida via acordo MILAT, em virtude de conexão entre os responsáveis pelas contas ali mantidas e outras contas administradas pela "Beacon Hill Services Corporation"; na mesma data, o mesmo juízo decretou "a quebra do sigilo bancário sobre as contas do 'Merchants Bank' de Nova York relacionadas no oficio 837/04 da autoridade policial"; b) a documentação havia sido entregue ao Ministério da Justiça do Brasil pelo "U.S. Department of Justice Criminal Division Office of International Affairs", a pedido do Governo Brasileiro, datado de 26/11/2003, após certificações de diversas autoridades daquele país a respeito da origem da documentação relacionada ao caso; a descrição dos documentos está no Certificado assinado por Tom Dombrowski, Agente Especial Sênior do "Department of Homeland Security, Newark Field Office"; c) em 18/02/2004, o Diretor da Secretaria Nacional de Justiça, Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, pelo Oficio n.° 66/2004/DRCISNJMJ, aponta o recebimento dos documentos e os encaminha ao Dr.Carlos Fernando dos Santos Lima, Procurador da República do Paraná; d) o Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, conforme item 26 do despacho no Processo n.° 2.004.7000082670, em 29/04/2004, autorizou o compartilhamento com a Receita Federal do material relativo ao "MTBCBCHudson Fl. 11668DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.563 3 Bank" e "Lespan" e, pelo Oficio n.° 146/2004GJ, explicitou ao Coordenador Geral de Fiscalização que a autorização "abrange todo o material já obtido relativamente às contas mantidas no 'Merchants Bank' de Nova York"; 2 quanto às investigações relativas ao "MTBCBCHudson Bank", "Lespan" e "Safra": a) em 16/12/2003, o Juiz da Suprema Corte, "Honorable" John Cataldo, expediu "Order to Disclose" para liberar à CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos obtidos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como "International Money Laudering by John Doe"; b) em 29/04/2004, em decisão no processo n.° 2.004.70000082670, o Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba decretou a quebra de sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os recebeu da Promotoria Distrital de Nova York relativamente As contas mantidas no "MTBCBCHudson Bank", "Safra Bank" e "Lespan"; no item 26 da mesma decisão, o Juízo autorizou o compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal, Bacen e Coaf, para instruir as atividades especificas desses órgãos; c) em 24/11/2004, Laura Billings, "Assistant District Attorney of the County of New York", autorizou representantes do Congresso e da Policia Federal brasileira a obterem cópias de diversos documentos e mídias eletrônicas, dentre os quais constam nominados o "MTBCBCHudson Bank", "Lespan" e "Safra Bank"; d) com base nesses elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do Sistema Financeiro Nacional ordenando, remetendo ou se beneficiando desses recursos, utilizandose de contas mantidas no "Merchants Bank" administradas por Maria Carolina Nolasco, que representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas "off shore" com participação de brasileiros ou em contas mantidas no "MTBCBC Hudson Bank", "Lespan" e "Safra Bank"; e) para examinar tais fatos e documentos, foi constituída Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da Portaria SU n.° 463 de 30/04/2004, integrada por representantes das áreas de Fiscalização, Aduana e Pesquisa e Investigação, cujos trabalhos limitaramse à verificação documental e da mídia eletrônica, para identificar os contribuintes nacionais que enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando desses recursos, por meio de contas no "Merchants Bank", administradas por Maria Carolina Nolasco, e representar tais fatos às Regiões Fiscais de domicilio, sem prévia análise econômicofinanceira; 3 quanto às investigações do caso "Beacon Hill": a) em 04/08/2003, a Policia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal de Curitiba a quebra de sigilo bancário no exterior da empresa "Beacon Hill Service Corporation" (em Nova York) que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas (ou de pessoas jurídicas, representadas por cidadãos brasileiros), em agência do "JP Morgan Chase Bank"; b) em 14/08/2003, o mesmo Juízo encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter a documentação pertinente; tal autoridade oficiou à Promotoria de Nova York sobre o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA; em 09/09/2003, a Promotoria apresentou as mídias eletrônicas e documentos Fl. 11669DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.564 4 contendo dados financeiros relativos à empresa "Beacon Hill", após a decisão judicial ("Order to Disclose"), de 29/08/2003; tais informações e documentos foram trazidos para o país pela autoridade policial e, conforme decisão da 2" Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, transferiu os dados à Receita Federal, que iniciou a sua análise pela Equipe Especial de Fiscalização; c) com base nesses elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais possivelmente "doleiros" ou brasileiros com participação em empresas "off shore" teriam atuado como intermediários para a movimentação de divisas no exterior em seu próprio nome ou em nome de terceiros, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank", pela empresa "Beacon Hill Service Corporation"; d) a Equipe Especial de Fiscalização examinou tal documentação, para qualificar os responsáveis brasileiros pelas diversas contas administradas pela "Beacon Hill Service Corporation", e por meio do Memorando EEF/Port. 463/2004, n.° 33/2006, encaminhou à Superintendência Regional da Receita Federal na 8ª RF representações eletrônicas relativas aos contribuintes dessa Região Fiscal, relativamente às movimentações no exterior ocorridas no "Merchants Bank", "Lespan", "Safra Bank" e "MTBCBCHudson Bank"; 4 encontrandose a fiscalizada dentre esses contribuintes que movimentaram recursos no exterior, como ordenante/beneficiário, utilizandose de contas/subcontas mantidas em diversas instituições financeiras no exterior, em nome de terceiros, a Equipe Especial de Fiscalização efetuou levantamento analítico dessa movimentação, de forma que o contribuinte foi intimado, em 20/12/2006, a apresentar: a) registros contábeis dos valores movimentados; b) quando o contribuinte for o beneficiário das operações, e caso estas não estejam escrituradas, comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos recebidos pelo mesmo; c) quando o contribuinte for o remetente/ordenante das operações e caso estas não estejam escrituradas, identificar, através de documentação hábil e idônea, a(s) natureza(s) da(s) operação(bes) ou a(s) sua(s) causa(s); d) não sendo o contribuinte o titular dos recursos remetidos/recebidos e tendo operado em nome de terceiros, identificar o real proprietário/beneficiário, juntando documentação hábil e idônea que comprove este fato; e) esclarecer as razões dessas movimentações financeiras e outras que julgar necessárias. 5 a Figwal respondeu que: a) tem como objetivo social principal o agenciamento, comissão e corretagem de cargas de qualquer natureza, prestação de serviços de assessoria ao comercio exterior, transporte marítimo e aéreo nacional e internacional e despacho aduaneiro de mercadorias; b) foi contratada, em 2.000, pela ALCATEL SUBMARINE, de Londres, para prestar serviços de assessoria na implantação e execução de um projeto internacional (na condição de DDP), de instalação de subestações em terra e da substituição do cabo submarino de telecomunicação brasileira, desde Fortaleza, CE, até Praia Grande, SP, para interligação com o resto da América do Sul e do mundo; todo o planejamento, assessoria, execução, administração e controle financeiro deste projeto, no que se refere à nossa atividade, ficou concentrada em nosso exdiretor operacional, financeiro e Fl. 11670DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.565 5 despachante aduaneiro, Sr Arlindo Dotta (falecido em 24 de agosto de 2.005, sócio com 1 %); c) a Figwal faturava os gastos previstos em cada processo contra a empresa acima, que disponibilizava a verba; todos os valores recebidos foram acolhidos numa conta especifica na agência Parque Thomas Edson (Barra Funda), do Banco do Brasil, com os quais foram efetuados todos os pagamentos por conta e ordem do cliente, sendo que o maior volume dos recursos foi utilizado para recolher impostos, taxas, despesas de armazenagem, aeroportuárias, serviços aduaneiros, e comissárias de despachos, transporte rodoviário e aéreo nacional, Sindicato Nacional dos despachantes, CPMF, taxas de urgência etc., e que o II, IPI e ICMS, representaram mais de 80% do volume financeiro envolvido, recolhido em nome das seguintes empresas no Brasil: I GCG SERVICES CNPJ 02.934.071/000359, situada na cidade do Rio de Janeiro. II 360 AMERICAS DO BRASIL CNPJ 02.934.071/000278, situada na cidade de Fortaleza; III BRASIL TELECOM CABOS SUBMARINOS CNPJ 02.934.071/000278, situada na cidade de Fortaleza; IV SAC BRASIL CNPJ 03.427.524/000232, situada na cidade do Rio de Janeiro; d) quanto aos recursos financeiros movimentados no exterior através de contas correntes mantidas nas instituições financeiras citadas na intimação, esclarece que a FIGWAL, não é beneficiária das referidas contas; apenas ordenava que os recursos fossem direcionados às citadas contas para que a verba chegasse com maior velocidade à sua conta corrente no Banco do Brasil, agência Parque Thomas Edson, cujos valores estão devidamente escriturados em nossos livros Diário e Razão. Os TVs dão conta, também, de que a fiscalização juntou cópias das planilhas eletrônicas do período de 2.000 a 2.004, que mostram as transações realizadas no exterior, em que a FIGWAL aparece como ordenante das transações, o valor objeto da transação em dólares americanos, a data em que foi efetuada, o banco remetente, o banco recebedor, a conta beneficiária, informações adicionais da instituição de origem, nessas transações efetuadas no exterior, e que em nenhum dos casos existe uma remessa de numerário para as empresas acima citadas e nem tão pouco ordem para que o dinheiro fôsse enviado para a agência do Banco do Brasil na Barra Funda (Parque Thomas Edson), como consta da resposta dada. Para melhor compreensão das planilhas eletrônicas juntadas, elenca seus principais campos, a saber: 1 IN (ordens recebidas) OUT (remetidas); 2 Current date: data da efetivação da transação (IN e OUT); 3 Value SECPONT: valor da transação expresso em dólares americanos (IN e OUT); 4 a 3100 name: banco remetente (IN); 5 a 3400 rec fi: banco recebedor (IN e OUT); 6 a 4200 identifier: conta bancária (IN); 7 a 5000 org.: ordenante (IN); Fl. 11671DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.566 6 8 a 5100 orig. fin: informações adicionais da instituição de origem (IN); 9 a 5200 ins fin: outros dados da instituição de origem ou ordenante (IN); 10 a 6500 bbi: informações adicionais de banco para banco (IN); 11 a 4200 acc: conta beneficiária (OUT); 12 a 4200 name: nome do beneficiário (OUT); 13 a 5000 acc: conta debitada (OUT); 14 a 5000 name: nome da conta debitada (OUT); 15 a 6000: informação do ordenante ao beneficiário (OUT); 16 a 4100: instituição detentora da conta do beneficiário; 17 a 6100: detalhes e observações do pagamento (OUT). Os TVs são concluídos apontando os seguintes lançamentos: 1 IRPJ e reflexos: OMISSÃO DE RECEITA: tendo em vista pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade e a não comprovação da origem dos recursos financeiros movimentados no exterior, farseá o lançamento de oficio relativo ao IRPJ, anoscalendário de 2.000 a 2.004 e tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS, com base no art. 249, inciso II, art. 251 e parágrafo único, art. 279, art. 281, inciso II, e art. 288, todos do RIR/99. II IRRF: não tendo a fiscalizada comprovado a causa das transferências de recursos no exterior, conforme intimação, os valores movimentados, ordenados pelo contribuinte, serão considerados como pagamentos sem causa sujeitos, portanto, à incidência do IRRF, à alíquota de 35%, conforme disposto no § 1° do art. 674 do RIR199; como o rendimento é considerado liquido, farseá o reajustamento da base sobre a qual recairá o imposto, de acordo com o § 3° do art. 674 e art. 725 do RIR/99. Os TVs reportam, também, a aplicação de multas qualificadas de 150%, conforme o inciso II do art. 44 da Lei n.° 9.430/96 e, em conseqüência, a formalização de processo de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (em 3 volumes), de n.° 19515.001313/200798, apensado a este processo, para dar conhecimento ao Ministério Público Federal, dos crimes, EM TESE, cometidos nos moldes do inciso I do art. 1°, da Lei n.° 4.729/65 (crime de sonegação fiscal) e do inciso I do art. 1°, da Lei n.° 8.137/1990 (crime contra a ordem tributária). Os TVs trazem, ainda, o quadro resumo das movimentações financeiras no exterior e as tabelas de conversão de dólares para reais, efetuada de acordo com o art. 1° da IN SRF n.° 41 de 19/04/99, que diz: “para fins de determinação da base de cálculo.. .o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação I 1enda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si" Fazem parte integrante dos TVs as planilhas de conversão dos dólares em reais. Foram juntadas cópias de ofícios da Policia Federal, decisões da Justiça Federal do Paraná, decisões da Suprema Corte de New York, ofícios da Promotoria de New Fl. 11672DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.567 7 York, laudos (fls. 8 a 48), bem como de todos os demonstrativos e seus resumos extraídos das bases de dados com a movimentação financeira da empresa no exterior, no período de 2.000 a 2.004, que dão conta de detalhes das transferências de recursos (fls. 49 a 122). Os autos de infração e suas bases legais constam às fls. 445 a 492 e 504 a 521. Da impugnação: Essencialmente, a empresa autuada apresentou em sua impugnação (fls. 530 a 549) os argumentos que assim foram relatados pela decisão recorrida: 1 a impugnação é tempestiva; 2 ocorreu a decadência de todos os tributos em tela, cujos fatos geradores ocorreram antes de 30/05/2002, nos moldes do art. 150, § 4°, do CTN, pois os autos de infração foram lavrados em 30/05/2007, conforme argumentos de praxe; quanto ao IRRF sobre os pagamentos sem causa, seu fato gerador ocorre no dia do pagamento; quanto ao IRPJ, PIS. COFINS e CSLL, seus fatos geradores ocorreram antes das transferências dos valores, que se deram entre 19/05/2000 e 08/05/2004; ou seja: somente os tributos exigidos com base nas transferências ocorridas a partir de 18/06/2002 (sic) é que poderiam ser mantidos; em outras palavras: cada omissão teria ocorrido no momento do recebimento, que é anterior a data de transferência, de forma que somente os tributos referentes as transferências ocorridas a partir de 18/06/2002 é que podem ser mantidos; transcreve doutrina; e, ainda que se considere que houve fraude, dolo ou simulação, a aplicação da regra do art. 173 do CTN resultaria na decadência dos tributos exigidos com base nas transferências realizadas em 2000 e 2001; 3 foi contratada em 2000 pela Alcatel Submarine Ltd. (ALCATEL) para prestar serviços logísticos e aduaneiros para esse grupo substituir cabos marítimos de comunicação, conforme projeto aprovado pela ANATEL em 1999 (doc. 3); 4 recebeu recursos da ALCATEL para efetuar, por conta e ordem desta, pagamentos de tributos e despesas vinculados a importação por empresas brasileiras desse grupo, a saber: a) OCG SERVICES (posteriormente denominada 360 Americas do Brasil e Brasil Telecom Cabos Submarinos), com estabelecimentos no Rio de Janeiro (CNPJ 02.934.071/000359) e Fortaleza (CNPJ 02.934.071/000278); b) SOUTH AMERICAN CROSSING SAC BRASIL (CNPJ 03.427.524/0002 32), situada no Rio de Janeiro; 5 a ALCATEL disponibilizava a verba solicitada (pelo seu sócio, administrador e diretor operacional a época, Sr. Arlindo Dotta, responsável pelo estudo logístico, desenvolvimento da rotina operacional, administrativa e financeira da operação, falecido em 24.8.05) para viabilizar o desembaraço aduaneiro; a solicitação feita por meio de fatura, assinada pelo referido sócio, na medida da necessidade, conforme o vencimento das obrigações, principalmente tributárias, decorrentes das importações; Fl. 11673DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.568 8 6 a ALCATEL, por sua vez, efetuava os depósitos em duas contas correntes abertas pela impugnante para este projeto: a) "BNP" Ag. Miami USA; e b) "Bank of Ireland" Ag. Old Brompton Road, LondonUK; 7 possui farta documentação para comprovar essa afirmação e a origem licita dos valores depositados nas contas correntes acima mencionadas, tal como os comprovantes de depósito emitidos pelos respectivos bancos; 8 em virtude do grande volume dos documentos, anexa, a titulo de exemplo, os seguintes comprovantes de depósito provenientes da Alcatel Submarine Networks Ltd. (ALCATEL NET), na sua conta mantida no: a) "Bank of Ireland", em 27/11/2000, no valor de US$ 3.933.938,31 (doc. 4), identificado pela fiscalização em virtude da transferência para a conta no "Merchants Bank", NY, um dia após o seu recebimento; b) Banco "BNP", em 25/09/2000, no valor de US$ 6.703.548,65 (doc. 5), identificado pela fiscalização em virtude da transferência para a conta no "Merchants.Bank", NY, dois dias após o seu recebimento; c) "Bank of Ireland", em 23/04/2001, no valor de US$ 13.717.217,50 (doc. 6); 9 além dos comprovantes, junta uma declaração da ALCATEL de que esta efetuou diversos pagamentos no período de 2000 a 2004 em favor da impugnante, para fazer face as despesas e tributos relacionados à importação pelas empresas brasileiras do Grupo (doc. 7); 10 as transferências para o "Merchants Bank", solicitadas pelo Sr. Arlindo Dotta, visavam a internação dos recursos (que eram recebidos no Brasil em sua conta corrente mantida na Ag. Parque Thomas Edison São Paulo, do Banco do Brasil, aberta para atender aos compromissos desse cliente) para pagar as despesas e tributos de importação (II, IPI, ICMS, AFRMM, contribuições sindicais, Taxa de Renovação da Marinha Mercante, Sindicato dos Despachantes Aduaneiros, Armazenagem Oficial Portuária, Aeroportuária e de Entrepostos Aduaneiros EADI's), sendo que todos os valores foram escriturados; em virtude do grande volume de documentos, junta, a titulo de exemplo, nove "invoices" e respectivos comprovantes de pagamento de impostos (doc. 8); 11 o doc. 9 comprova (desde o recebimento até o pagamento) a transferência de US$ 1.920.000.00, em 19/06/2000, da sua conta no "BNP" para a sua conta no "Merchants Bank", conforme extrato emitido pelo primeiro, cuja origem é comprovada pelos extratos de crédito emitidos pelo banco "BNP", que mostra que os valores de US$ 1.067.716,08 e US$ 867.613,16, totalizando US$ 1.935.329,24, entraram na sua conta apenas 4 dias antes da transferência, em 15/06/2000, sendo que a pequena diferença recebida seria considerada em futuros recebimentos e pagamentos, tendo a natureza de adiantamento, que seria objeto de ajuste em faturas posteriores; estes valores estão respaldados pelas faturas 092/00, 113/00, 115/00, 205/00 e 207/00, no total de US$ 1.930.062,42, devidamente contabilizado, e cada fatura é acompanhada dos respectivos comprovantes de pagamentos de impostos e outras despesas; estão anexos as faturas: a) os extratos do SISCOMEX comprovando o débito em conta do II e do IPI; b) guias de recolhimento do ICMS; Fl. 11674DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.569 9 c) DIs; 12 traz tabela que condensa essas informações e de mais dois casos. 13 não houve omissão de receita, seja em razão do elevado montante em tão curto prazo, desproporcional para uma empresa que fatura cerca de R$ 12.000.000,00 por ano, com lucro aproximado de R$ 2.500.000,00, seja pelas características da sua atividade, pois os documentos anexos comprovam que os valores autuados e movimentados no exterior têm origem na empresa ALCATEL e foram aplicados no pagamento de despesas e tributos de importações desse grupo, não tendo os recebimentos a natureza de receitas, mas sim de adiantamentos para efetuar pagamentos por conta e ordem das empresas do grupo, o que é comprovado pela aplicação dos recursos, de forma que tampouco houve pagamentos sem causa aptos a justificar a exigência de IRRF; 14 a autoridade entendeu que a omissão de receitas pode ser presumida em virtude da falta de escrituração de pagamentos efetuados, nos moldes do art. 281, do RIR199; entretanto, esta presunção é relativa, e a jurisprudência confirma que se há prova da origem e da aplicação dos recursos, a autuação deve ser cancelada, que é o que ocorre neste caso, pois os pagamentos por conta e ordem foram contabilizados e estão devidamente documentados, conforme provas anexas, de forma que tampouco houve pagamentos sem causa; 15 em virtude do grande volume de operações, não foi possível anexar todos os documentos e nem conciliar todos os valores autuados; as provas foram anexadas como amostragem; mas possui as demais, razão pela qual requer a realização de perícia documental, por um expert contabilista, ou simples diligência, para efetuar a conciliação dos valores e a prova de que não houve omissão de receitas e tampouco pagamentos sem causa; caso as provas apresentadas não sejam suficientes para cancelar a autuação; designa o Sr. Constantino José Gonçalves Fraga Filho, domiciliado na Rua Afonso Celso, 694, apt. 142, CEP 04119060, Bairro Vila Mariana, Sao Paulo, SP, técnico em contabilidade inscrito no CRC/SP sob n° 106016/04 e administrador de empresas; os quesitos para a perícia ou diligência são: a) existem documentos aptos a comprovar o recebimento de grande volume de recursos pela Impugnante, provenientes da ALCATEL SUBMARINE LTD., notadamente do volume de recursos indicados nos autos de infração? b) existem documentos aptos a comprovar o pagamento de grande volume de despesas e tributos por conta e ordem das empresas do Grupo ALCATEL, notadamente do volume de recursos indicados nos autos de infração? c) há razão para se manter a autuação diante dos documentos analisados, ou seja, há razão para se manter a presunção relativa prevista na legislação no sentido de que os recebimentos caracterizamse como receitas omitidas e os pagamentos como pagamentos sem causa? 16 a multa de 150% é inaplicável, pois não agiu de forma dolosa, não houve o "evidente intuito de fraude" e não há prova da existência de sonegação, fraude ou conluio, não sendo admissível a aplicação da multa baseada em presunção (de que os pagamentos configuram omissão de receita ou que foram feitos sem causa); ao contrário, a documentação acostada é suficiente para comprovar a sua boafé da e afastar o evidente intuito de fraude; transcreve jurisprudência administrativa que rechaçaria a aplicação da multa de 150% em casos análogos. Fl. 11675DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.570 10 Da diligência: Diante dos elementos apresentados com a impugnação a instância a quo resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos (fls. 765 a 767): “(...) apresentar provas das operações de câmbio, sejam diretas, sejam indiretas (prova presuntiva), todas claramente legíveis após sua anexação do ao processo. Caso a prova seja direta, (...) apresentar os comprovantes dos ingressos no Banco do Brasil dos recursos provenientes do Merchants Bank (contas administradas por Maria Carolina Nolasco), Hudson United Bank, Lespan Account e Lespan TBL. Caso a prova seja presuntiva, a impugnante deve apresentar as seguintes provas materiais: 1 todos os avisos de crédito do BNP e do Bank of Ireland, para confirmar a origem dos valores autuados; 2 todos extratos bancários de 2000 a 2004 das contas ou subcontas da impugnante nas seguintes instituições financeiras, para permitir avaliar a consistência das alegadas transferências: a) BNP — Agência Miami — USA; b) Bank of Ireland — Agência Old Brompton Road — London UK; c) Merchants Bank (contas administradas por Maria Carolina Nolasco), Hudson United Bank, Lespan Account e Lespan TBL, se possível; caso contrário, a fiscalização deverá fornecer as datas e valores dos débitos nas referidas contas; d) Banco do Brasil, conta 20000 da Agência Parque Thomas Edson; 3 relação das cotações do dólar (mínima, máxima e média, dos vários mercados de cambio), de 2000 a 2004, obtidas em fontes de consulta pública, devidamente identificadas; 4 planilha vinculando todas as datas e valores recebidos da "Alcatel Submarine Networks Ltd.", no BNP e no Bank of Ireland, de 2000 a 2004, às datas e valores transferidos para o Merchants Bank e outros, e, em seguida, as datas e valores recebidos e pagos no Banco do Brasil, com o cálculo da respectiva taxa de câmbio efetiva em cada operação, além dos totais mensais de créditos e débitos, desde o BNP e Bank of Ireland até o Banco do Brasil, com a apuração do saldo em cada conta após cada crédito e cada débito; essa planilha deve ser apresentada, também, em "disquette" de 3 1/2" ou CD. Devem, também, ser apresentadas provas diretas hábeis a enfrentar as questões da omissão de receitas e dos pagamentos sem causa, a saber: 1 todos os contratos de prestação de serviços com a "Alcatel Submarine Networks Ltd."; 2 todas faturas e notas fiscais de prestação de serviços emitidos para a "Alcatel Submarine Networks Ltd."; Fl. 11676DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.571 11 3 todas as notas de débito emitidas contra a "Alcatel Submarine Networks Ltd."; 4 plano de contas; 5 Diário e Razão das contas Bancos (Banco do Brasil), Adiantamentos de Clientes ("Alcatel Submarine Networks Ltd.") e Receita de Prestação de Serviços ("Alcatel Submarine Networks Ltd."), de forma a comprovar a alegada escrituração comercial de todos os valores envolvidos; 6 comprovantes de pagamento de todos os débitos efetuados na conta do Banco do Brasil; 7 explicações consistentes e abrangentes, acompanhadas de provas sobre: a) o preço dos serviços prestados à "Alcatel Submarine Networks Ltd.", a forma do seu pagamento e a forma de sua contabilização; b) o tratamento contábil dado às variações cambiais dos adiantamentos e das receitas. (...) encaminhar o processo (...) para que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar as provas ora exigidas e outras que julgar necessárias (fornecendolhe, se necessário, as datas e os valores dos débitos nas contas ou subcontas objeto desta autuação) apreciandoas em relatório conclusivo (...)". A empresa autuada, então, em atendimento aos termos da diligência, apresentou extensa documentação, a qual foi reunida em 52 volumes numerados de fls. 773 a 11112, acompanhada das seguintes informações (fls. 11079 a 11081): 1. Primeiramente, o contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal todos os avisos de crédito decorrentes dos depósitos bancários efetuados por seu cliente ALCATEL SUBMARINE LTD. nas duas contas correntes abertas pelo contribuinte nos bancos BNP Agência Miami USA e Bank of Ireland Agência Old Brompton Road, London UK, para consecução do projeto logístico e aduaneiro de importação de mercadorias a serem utilizadas pelo grupo ALCATEL para efetuar o projeto de substituição de cabos marítimos de comunicação para fins de prestação de serviços de telecomunicação. 2. Juntamente com referidos avisos de crédito, o contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal as respectivas faturas emitidas pelo contribuinte, através das quais solicitava à ALCATEL SUBMARINE as verbas necessárias para a realização do desembaraço aduaneiro das mercadorias e equipamentos importados. 3. O contribuinte está impossibilitado de disponibilizar os extratos bancários das contas correntes mencionadas haja vista que já não mantém contas em referidos bancos e não possui extratos da época em que manteve referidas contas exclusivamente para a consecução do projeto aduaneiro e logístico da ALCATEL. 4. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal os extratos bancários do Banco do Brasil, conta 20000, da agência Parque Thomas Edson. 5. O contribuinte disponibiliza a relação das cotações do dólar, no período de 2000 a 2004, conforme publicação oficial do Banco Central do Brasil. Fl. 11677DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.572 12 6. O contribuinte apresenta ao Sr. AuditorFiscal arquivo eletrônico no qual descreve, em forma de planilha, em relação ao período de 2000 a 2004, com somatória anual e mensal: (i) os valores recebidos da ALCATEL SUBMARINE nas duas contas correntes mantidas pelo contribuinte no Banco BNP e Bank of Ireland, para consecução do projeto; (ii) os valores transferidos de referidas contas correntes, visando a internalização dos recursos; e (iii) os valores em Reais (de acordo com a taxa de conversão efetivamente utilizada à época) recebidos no Banco do Brasil em conta corrente aberta para atender aos compromissos aduaneiros da ALCATEL (pagamento das despesas e tributos decorrentes da importação de mercadorias e equipamentos pelas empresas do grupo ALCATEL). 7. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal a declaração da ALCATEL SUBMARINE (tradução juramentada) no sentido de que esta empresa efetuou diversos pagamentos no período de 2000 a 2004 em favor do contribuinte, todos os pagamentos com o objetivo de fazer face às despesas e tributos relacionados à importação de equipamentos e materiais pelas empresas brasileiras do grupo ALCATEL, o que comprova a contratação dos serviços do contribuinte. 8. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal todas as faturas que emitiu para a ALCATEL com os valores das despesas decorrentes das importações, inclusive os tributos incidentes nas importações e a CPMF debitada na conta do contribuinte em virtude da saída do numerário para o pagamento das despesas e tributos, bem como as notas fiscais dos serviços prestados. 9. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal o plano de contas relacionados ao projeto da ALCATEL. 10. O contribuinte disponibiliza os Livros Diário e Razão das contas Banco do Brasil (conta 20000), Adiantamentos do cliente ALCATEL, Receitas de Prestação de Serviços para o cliente ALCATEL, o que comprova ter o contribuinte escriturado devidamente todos os valores envolvidos no projeto. 11. O contribuinte disponibiliza ao Sr. AuditorFiscal, juntamente com as faturas emitidas à ALCATEL, todos os comprovantes das despesas aduaneiras e dos pagamentos dos impostos incidentes nas importações efetuadas, relativas ao projeto. 12. Finalmente, esclarece o contribuinte que, conforme demonstrado através dos documentos que está disponibilizando ao Sr. AuditorFiscal, para cada processo de importação, o contribuinte emitia duas faturas: (i) a fatura referente ao desembaraço, na qual constava o percentual de 12,5% sobre o valor do desembolso na importação além de US$ 350.00; e (ii) a fatura com a cobrança dos impostos incidentes na importação. O pagamento pela ALCATEL SUBMARINE era feito abatendose o valor das faturas dos valores por ela adiantados para cada processo. Todas as receitas auferidas pelo contribuinte pela prestação dos serviços era devidamente contabilizada, no último dia útil de cada mês, pelo total dos processos encerrados e faturados de acordo com a emissão das notas fiscais de serviço, conforme listagem anexa. A Variação Cambial foi apurada ao final dos anos de 2002 e 2003 e registrada contabilmente pela emissão das seguintes notas fiscais complementares anexas: NF 019463 de 31/12/2002 R$ 466.954,96 NF 019464 de 31/12/2002 R$ 543.674,17 NF 022120 de 31/12/2003 R$ 800.000,00 Fl. 11678DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.573 13 Desta forma, tendo apresentado as informações acima e disponibilizado todos os documentos citados, requer o contribuinte sejam analisados e considerados para a realização da diligência, eis que comprovam claramente que (i) os valores levantados pela Fiscalização e movimentados no exterior têm origem na empresa ALCATEL SUBMARINE; (ii) os valores foram aplicados no pagamento de despesas e tributos relacionados com a importação de materiais e equipamentos feitos por empresas do grupo ALCATEL no Brasil; (iii) os valores não têm a natureza de receitas, mas sim de recebimentos e pagamentos por conta e ordem das empresas do grupo ALCATEL; e (iv) não houve pagamentos sem causa aptos a justificar a exigência do IRRF. Ao analisar a documentação recebida, a autoridade fiscal encarregada da diligência (a mesma que efetuou a autuação) enunciou a seguinte e singela conclusão (fls. 11133): (...) Entretanto o fato de não terem sido fornecidos os extratos das instituições financeiras solicitados no item 3, a saber: a) BNP Agência Miami USA b) Bank of Ireland Agência Old Brompton road London UK c) Merchants Bank (contas administradas por Maria Carolina Nolasco), Hudson United Bank, Lespan Account e Lespan TBL. continuam a não solucionar uma questão fundamental, que é a não explicação da movimentação financeira efetuada pela empresa em tela, em instituições financeiras no exterior. No nosso entender, em virtude do que pudemos diligenciar, os autos de infração lavrados, são revestidos de legitimidade e como tal devem ser mantidos em seus atos e formas processuais. A empresa autuada replicou a diligência nos termos assim resumidos pela decisão recorrida: A impugnante manifestouse ao final da diligência, em 13/10/2008 (fls. 11.135 a 11.144), discordando da conclusão da fiscalização, da seguinte forma, em resumo: 1 já havia informado ao fiscal que estava impossibilitado de disponibilizar os extratos bancários das contas correntes mencionadas; 2 em razão dessa impossibilidade é que foi requerida a diligência, pois possui outros documentos capazes de justificar a movimentação financeira dessas contas bancárias e, assim, demonstrar a origem e destinação dos recursos objeto da autuação fiscal; 3 não foram citados os motivos pelos quais a vasta documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a licitude da operação; Fl. 11679DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.574 14 4 ao alegar que os autos de infração lavrados seriam revestidos de legitimidade, por não terem sido apresentados os extratos bancários, o AFRFB, além de não observar o principio da verdade material, feriu também o principio da ampla defesa; 5 a análise da planilha apresentada permite confrontar os valores recebidos da ALCATEL com os valores efetivamente transferidos das contas correntes no exterior à conta do contribuinte no Banco do Brasil, disponibilizada; 6 os documentos apresentados são capazes de demonstrar que os valores movimentados no exterior tinham origem na empresa ALCATEL e foram aplicados no pagamento de despesas e tributos relacionados com a importação por empresas do grupo no Brasil; 7 o relatório de conclusão de diligência resumese a uma cópia literal da descrição dos documentos requisitados pela autoridade fiscal e das respostas apresentadas, sem qualquer menção ou consideração a respeito dos demais documentos; 8 é inadmissível que após mais de 1 ano analisando toda a documentação apresentada, o AFRFB conclua que em razão da ausência dos extratos bancários das contas no exterior, não há como explicar a movimentação financeira no exterior, pois foram disponibilizados outros meios para justificar tais movimentações; se tal documentação tivesse sido analisada, no mínimo, teriam sido feitos comentários a seu respeito no relatório, o que não ocorreu; 9 o AFRFB ao copiar em seu relatório de diligencia os documentos solicitados e as respostas do contribuinte demonstra que a diligência foi "formal", ou seja, sem empenho de buscar a verdade material; 10 ao ignorar a vasta documentação apresentada livros fiscais, declarações de pagamentos, planilhas conciliando remessas e recebimentos de valores, dentre outros o AFRFB violou os princípios da ampla defesa, do contraditório, da legalidade, e da busca pela verdade material, o que torna nula a "diligência", que deve ser realizada novamente, desta vez sob o enfoque de efetivamente analisar toda a documentação já apresentada e planilhas, que conciliam todas as movimentações financeiras questionadas, e na hipótese de o AFRFB julgar insuficiente, que apresente as justificativas em respeito ao principio da ampla defesa, de forma que o contribuinte possa se defender e apresentar toda informação suplementar necessária a fim de elucidar o ocorrido. Da decisão recorrida: A já mencionada 4ª Turma da DRJ/São Paulo, ao apreciar a impugnação interposta e o resultado da diligência efetuada, proferiu o Acórdão nº 1621.493, de 21 de maio de 2009, por meio do qual decidiu pela integral procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 11680DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.575 15 Diligência não é ato de julgamento e não vincula os julgadores, de forma que a alegação de nulidade da diligência realizada e o pleito para realização de nova diligência são indeferidos. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DECISÃO JUDICIAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO NO EXTERIOR. DOLO. RECURSOS NÃO CONTABILIZADOS E NÃO DECLARADOS MOVIMENTADOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR. Movimentar no exterior, ilegalmente, recursos não contabilizados e não declarados configura procedimento doloso com evidente intuito de fraude, o que afasta a caracterização do lançamento como sendo por homologação, de forma que o prazo de decadência é contado a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que, neste caso, não poderia ter ocorrido antes de o Poder Judiciário autorizar o compartilhamento das informações bancárias do exterior com a RFB, ou seja, antes de 2004, de forma que o prazo de 5 anos para lançar iniciou se em 01/01/2005. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MANTIDOS ILEGALMENTE NO EXTERIOR. A presunção legal não foi suplantada por provas diretas ou indiretas. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. IRRF. A decisão de mérito da omissão de receitas repercute na tributação reflexa. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de manter ilegalmente no exterior recursos não declarados e não contabilizados, bem como efetuar operações de câmbio à margem do Sistema Financeiro Nacional, visa ocultar a ocorrência do fato gerador e configura sonegação, evidente intuito de fraude e conluio, que justificam a aplicação da multa qualificada de 150%. O voto condutor da decisão recorrida (fls. 11412 e 11413) argumenta que a tese da defesa pressupõe que as infrações poderiam ser afastadas pela comprovação (mediante avisos de créditos) de que recursos foram recebidos em suas contas (mantidas no BNP e no Bank of Ireland) por conta e ordem da empresa ALCATEL e que tais valores foram transferidos (mediante avisos de débitos) para as contas nas quais a autuação foi baseada (Merchants Bank, MTB Hudson Bank, Lespan Account e Lespan TBL). E que, com isso, seria possível estabelecer uma associação de datas e valores autuados e datas e valores dos depósitos no Banco do Brasil, os quais estariam devidamente escriturados. No entanto, segundo aquele voto, a falta de apresentação dos extratos das contas mantidas no BNP e no Bank of Ireland não permitiria afirmar com certeza que todos os avisos de crédito e débito nessas contas foram apresentados. Com isso, não seria possível afirmar que as transferências efetuadas para as contas nas quais a autuação foi baseada são de valores provenientes da ALCATEL, bem como não seria possível afirmar que as internações de recursos são todas provenientes da ALCATEL. Fl. 11681DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.576 16 Ademais, a autoridade julgadora de primeira instância aponta algumas inconsistências (fls. 11413 a 11416): avisos de débito que indicam transferência de valores para contas que não são objeto da autuação; ausência de explicações sobre a origem de alguns recursos transferidos; discrepâncias de datas e valores; ausência de destaques dos depósitos efetuados no extrato da conta do Banco do Brasil; falta de detalhes na tradução juramentada do documento expedido pela ALCATEL dando conta de que pagou valores à FIGWAL no período autuado; planilhas com falta de vinculação entre bancos, datas e valores, tal com pedido na diligência; planilhas que revelam um total de recebimentos da ALCATEL um pouco inferior ao total das transferências que teriam sido efetuadas para as contas nas quais a autuação foi baseada; e planilha que evidencia, por amostragem, mais de US$ 2,35 milhões em transferências inconsistentes com os valores autuados). Por tais motivos, conclui que: Em resumo: não faz sentido tentar provar a origem dos recursos autuados no exterior, sua internação e escrituração, nos moldes da defesa da impugnante, trazendo apenas prova direta (I) dos gastos efetuados no Brasil por conta e ordem da ALCATEL, escriturados, e (II) do recebimento de recursos da mesma, no BNP e no Bank of Ireland, sem apresentar (I) os extratos dessas contas e (II) uma planilha que atenda as exigências lógicas de um resultado provável de internação desses recursos e sua escrituração. Cumpre esclarecer, também, que a instância a quo havia anteriormente proferido uma outra decisão (fls. 11338 a 11377), a qual foi cancelada, que reconhecia a decadência para o IRPJ e a CSLL do anocalendário de 2000 e para o PIS, a COFINS e o IRRF dos anos calendário de 2000 e 2001 (exceto, para este último, o mês de dezembro). Do recurso voluntário: Além de repetir muito do que foi alegado na impugnação, a empresa autuada adicionou em seu recurso voluntário novos argumentos motivados pelas razões de decidir do voto condutor do acórdão recorrido. Nesse sentido, essencialmente, acrescentou que: 1. Havia requerido a realização de perícia contábil, no entanto, a DRJ deferiu a realização de diligência. Essa decisão dificultou imensamente sua defesa porque a perícia permitiria Fl. 11682DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.577 17 a participação de um assistente e possuiria maior valor explanatório, dado o contraditório. 2. Para sua surpresa, o agente fiscal responsável pela diligência, talvez assustado com o volume de documentos apresentados, alegou que a recorrente não conseguiu apresentar as informações necessárias para explicar a movimentação financeira. Para ele, seriam necessários os extratos das contas. Entretanto, há comprovantes de crédito e débito que suprem a necessidade dos extratos. 3. Inconformada, solicitou a realização de nova diligência ou mesmo de uma perícia para a análise dos 58 volumes de documentos do presente processo. Porém, a DRJ, que havia reconhecido a necessidade de maior análise dos fatos (pois tinha determinado a diligência), contentouse com a diligência realizada e decidiu que a recorrente não fez prova da origem e aplicação dos recursos. 4. Todos os valores identificados pela fiscalização foram depositados pela empresa ALCATEL nas suas contas mantidas nos bancos BNP e Bank of Ireland. Na verdade, a fiscalização nem identificou todos os valores. Só no ano de 2000, a fiscalização identificou aproximadamente US$ 21,3 milhões enquanto que a recorrente apresentou comprovantes de depósito em valores que aproximam de US$ 27 milhões. Nos demais anos a situação é a mesma. 5. A título de exemplo, detalha o caso de algumas das transações identificadas pela fiscalização e procura fazer uma associação com os depósitos feitos pela ALCATEL em suas contas nos referidos bancos. Relata, inclusive, que a fiscalização traduziu equivocadamente algumas datas por causa da inversão de ordem na informação do dia pelo mês, característica da língua inglesa. Portanto, haveria sólidas explicações para eventuais diferenças de datas e valores, sendo importante mencionar que na maioria absoluta dos casos as datas e valores são equivalente e que os valores totais são consistentes. 6. O extrato da conta no Banco do Brasil comprova a correlação dos valores retirados das contas mantidas nos bancos BNP e Bank of Ireland com os valores depositados naquela conta. A título de exemplo, detalha o caso de algumas identificadas pela fiscalização e procura fazer uma associação com os valores recebidos na conta do Banco do Brasil. Assim, haveria clara relação entre os volumes de transferências identificadas pela fiscalização e os valores recebidos na conta do Banco do Brasil. As pequenas diferenças entre datas e valores decorreriam do próprio mecanismo utilizado para a transferência dos recursos para o Brasil. 7. Se alguma ilegalidade foi cometida esta não foi a evasão de tributos. Não pode a Receita Federal pretender punir uma suposta infração cambial mediante a cobrança de tributos. Todos os recursos recebidos na conta do Banco do Brasil foram devidamente contabilizados. 8. Existe farta documentação que comprova a aplicação dos recursos recebidos no Banco do Brasil em favor do grupo ALCATEL. Vale ressaltar que a planilha que demonstrava essa comprovação foi aperfeiçoada e sua nova versão foi juntada com o recurso (fls. 11499 a 11518). Aduz, também, que na atividade de assessoria em importações, os despachantes aduaneiros e demais profissionais que atuam no ramo incorrem em despesas em nome dos contratantes dos serviços e posteriormente são reembolsados. Agem como Fl. 11683DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.578 18 mandatários e pagam as despesas de importação por conta e ordem do contratante dos serviços. 9. Reitera o pedido de perícia, preferencialmente ao de nova diligência, nos mesmos termos anteriormente invocados, bem como o afastamento da multa qualificada e o reconhecimento da decadência. Relativamente a esta última, argumenta que, ainda que se considere aplicável ao caso os mandamentos do artigo 173, I, do CTN, não há embasamento legal para sustentar que, devido ao suposto fato de o Fisco não ter tido acesso aos documentos necessários para o lançamento, o início da contagem do prazo decadencial só teria início quando o acesso tenha sido autorizado. Ao final, requer o cancelamento do crédito tributário, bem como do termo de arrolamento e da representação fiscal para fins penais. Ademais, cumpre ressaltar que, depois do recurso voluntário, a recorrente apresentou um parecer expedido por empresa de auditoria contábil (11521 a 11559), o qual analisou os documentos contidos no presente processo e, segundo a recorrente, chegou aos seguintes resultados: Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Recebimentos com os valores apresentados nas contascorrentes da Recorrente no exterior (BNP Paribas e Bank of Ireland) valores transferidos para as contascorrentes mantidas nos bancos intermediários das operações e os valores depositados na contacorrente no Banco do Brasil, foram validadas 96,1% das movimentações; Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Pagamentos versus documentação suporte (notasfiscais, notas de débito, recibos, entre outros), foram validadas 99% das movimentações; Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Pagamentos com o razão contábil da conta do Banco do Brasil, foram validados 98% dos pagamentos efetuados; Do confronto dos valores apresentados nos Controles de Pagamentos com os extratos bancários, foram validados 99% dos pagamentos efetuados; e Do confronto dos valores apresentados no Controle de Recebimento com o razão contábil, foram validados 97% dos recebimentos. A recorrente, alega que este parecer tem a finalidade de contrapor o posicionamento do Fisco que foi conhecido após a decisão da DRJ e que não foi apresentado juntamente com o recurso voluntário porque o minucioso trabalho elaborado pelos auditores independentes levou um certo tempo para ser concluído. É o relatório. Fl. 11684DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.579 19 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Como pode ser constatado pelo relato do caso, a instância a quo havia convertido o julgamento em diligência, no entanto, ao invés de delimitar as questões que deveriam ser esclarecidas pelo procedimento fiscal, resolveu listar um considerável conjunto de elementos probatórios que julgava serem necessários para a apreciação conclusiva da fiscalização. Dentre esses, figurava a exigência de que fossem apresentados todos os extratos bancários, do período entre 2000 e 2004, das contas ou subcontas mantidas nos bancos BNP, Bank of Ireland e do Brasil, bem como nas demais contas nas quais a autuação foi baseada (Merchants Bank e outros). Seguindo essa determinação, a autoridade fiscal (a mesma que efetuou a lavratura dos autos de infração) repetiu em sua intimação idêntica lista de elementos probatórios. A empresa autuada, como resposta, apresentou uma extensa documentação que foi reunida em 52 volumes neste processo. Relativamente aos extratos bancários, só apresentou o do Banco do Brasil. Diante disso, a fiscalização, efetivamente, limitouse a concluir que o fato de não terem sido fornecidos os extratos das instituições financeiras no exterior não solucionaria a questão fundamental da movimentação financeira efetuada. A empresa autuada protestou afirmando que os documentos apresentados seriam capazes de demonstrar que os valores movimentados no exterior teriam origem na empresa ALCATEL e que teriam sido aplicados no pagamento de despesas e tributos relacionados com a importação do grupo no Brasil. A decisão recorrida, todavia, confirmou o entendimento segundo o qual a ausência daqueles extratos seria um motivo determinante para afastar a alegação de que os valores (pagamentos) nos quais a autuação foi fundamentada foram, de fato, provenientes da ALCATEL e aplicados conforme mencionado pela defesa. Além disso, apontou algumas inconsistências na documentação apresentada. Sem embargo, diante das circunstâncias expostas, entendo que os fatos alegados pela recorrente apresentam uma verossimilhança que não pode ser singelamente refutada pelas razões invocadas pela decisão recorrida. Ademais, a extensa documentação apresentada não foi devidamente analisada pela fiscalização no sentido proposto pela recorrente, ou seja, no sentido de saber se os valores (pagamentos) nos quais a autuação foi fundamentada corresponderiam aos recursos que foram utilizados para o pagamento de despesas de importação por conta e ordem da ALCATEL. Fl. 11685DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.580 20 Por outro lado, a recorrente apresenta, ainda que de forma extemporânea, um parecer elaborado por empresa de auditoria contábil no qual são firmadas conclusões que lhe são favoráveis. Contudo, tal parecer carece também de maiores detalhes sobre como se chegou às referidas conclusões. Noutro giro, constato que a fiscalização considerou como base dos lançamentos, quais sejam, os pagamentos não escriturados e sem causa, a totalidade dos valores indicados nos demonstrativos e resumos acostados de fls. 49 a 122. Entretanto, os Termos de Verificação Fiscal, conforme relatado, fazem referência a planilhas eletrônicas cujos campos teriam denominação um pouco distintas daqueles demonstrativos e resumos. Salvo melhor juízo, os extratos dessas planilhas eletrônicas não foram juntados aos autos, mas nelas seria mais fácil identificar as informações relativas aos remetentes, ordenantes, destinatários e beneficiários dos recursos. Como tais informações não estão claras nos citados demonstrativos e resumos, penso que o exame daquelas planilhas eletrônicas seria de grande valia para uma análise mais apurada da correspondência dos valores autuados com os valores refletidos na documentação juntada pela recorrente. Nada obstante, o pedido de perícia sugerido pela recorrente me parece desnecessário. Como ensina o Professor Humberto Theodoro Júnior (Cf. Curso de Direito Processual Civil, 1 v., 38ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 191.), o perito é um auxiliar eventual do juízo, que assiste o juiz quando a prova do fato litigioso depender de conhecimento técnico ou científico. Tratase, geralmente, de pessoa estranha aos quadros de funcionários permanentes da Justiça. No caso do processo administrativo fiscal, o auditorfiscal já é um especialista na matéria contábilfiscal. É por isso que o artigo 20 do Decreto nº 70.235/72 assim se manifesta: Art. 20. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, a designação de servidor para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre AuditorFiscal do Tesouro Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Portanto, tanto a diligência como a perícia, se tratar de matérias atinentes ao âmbito de conhecimento da Receita Federal, será executada por profissional do mesmo perfil, qual seja, o auditorfiscal. Somente na hipótese de serem necessários conhecimentos estranhos a este especialista, como, por exemplo, no caso de análises grafotécnicas ou análises químicas, é que será demandada a participação de um profissional estranho aos quadros daquele órgão. Assim, para o presente caso, não haverá prejuízo em se determinar uma diligência. No entanto, em consonância com a demanda da recorrente de que se estabeleça um maior nível de contraditório no procedimento, no sentido de que seu assistente técnico possa apresentar sua versão dos fatos, sugerese que a empresa autuada dê conhecimento a este profissional sobre o resultado da diligência. Assim, este, querendo, poderá apresentar tal versão. Pelo exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade administrativa promova a efetiva verificação da extensa documentação apresentada pela recorrente, especialmente: da documentação acostada com a impugnação (fls. 659 a 715); Fl. 11686DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.001309/200720 Resolução nº 1102000.242 S1C1T2 Fl. 11.581 21 da documentação apresentada em resposta à intimação promovida na diligência anteriormente efetuada (fls. 773 a 11112); da nova planilha, apresentada com o recurso voluntário, que trata da aplicação dos recursos recebidos no Banco do Brasil (fls. 11490 a 11518); do parecer emitido pela empresa de auditoria contábil (fls. 11521 a 11559), especialmente dos papéis de trabalho que o fundamentaram, sendo que estes últimos devem ser solicitados à recorrente para que a fiscalização confirme ou infirme os resultados apontados no citado parecer; de outros elementos que julgar necessários. Ademais, a autoridade administrativa poderá confrontar sua verificação com as inconsistências apontadas pela autoridade julgadora da primeira instância (fls. 11413 a 11416), bem como, com as informações relativas aos remetentes, ordenantes, destinatários e beneficiários dos recursos que, salvo melhor juízo, estão mais facilmente identificadas nas planilhas eletrônicas referidas nos Termos de Verificação Fiscal. É recomendável que eventuais dúvidas sejam esclarecidas com o assistente técnico indicado pela empresa autuada. No desfecho da diligência, a autoridade administrativa deverá produzir um relatório preliminar que ateste de forma conclusiva se existem (e em que medida) valores (pagamentos) nos quais a autuação foi fundamentada que correspondem aos recursos que foram utilizados para o pagamento de despesas de importação por conta e ordem da ALCATEL. Devese promover ciência à empresa acerca do mencionado relatório e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. A fiscalização poderá, então, apresentar sua réplica na forma de um relatório final e a recorrente, sua tréplica em novo prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 11687DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 15586.000939/2008-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/11/2004
PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA
Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea a da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 30/11/2004 PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea a da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 39 /2 00 8- 73 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000939/200873 Acórdão n.º 2403002.618 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – DEBCAD 37.156.0632, cuja notificação ocorreu em 02/07/2008, fl. 03, lavrado em face de PRORIBEIRO ADMINISTRAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DE COMERCIO LTDA, no valor de R$ 9.916,09 (nove mil novecentos e dezesseis reais e nove centavos). Nos termos do relatório fiscal de fls. 39/48, estáse lançado a contribuição devida à Terceiros, não recolhida no prazo legal, incidente sobre a remuneração percebidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, tendo como base de cálculo os valores pagos a título de premiação (INCENTIVE HOUSE – FLEX CARD), durante o período de 05/2004 a 11/2004, conforme contrato e notas fiscais nas fls. 199 a 231. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 239/245. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, em análise à impugnação ofertada, prolatou o Acórdão de fls. 253/264, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/11/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DAS PARCELAS. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A competência da Justiça do Trabalho, quanto à execução das contribuições previdenciárias, limitase às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o saláriodecontribuição, não englobando os casos extrajudiciais, em que se afigura indiscutível a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FLEXCARD. Pagamento realizado a Segurados empregados e contribuintes individuais em contraprestação a serviços prestados, por intermédio de cartão eletrônico, é fato gerador de contribuição previdenciária. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 267/285, requerendo a reforma do acórdão e a nulidade do DEBCAD em discussão, afirmando para tanto que compete à Justiça do Trabalho definir como remuneratória ou não a premiação, reiterando em sede de mérito a natureza indenizatória da verba. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000939/200873 Acórdão n.º 2403002.618 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl.267, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA COMPETÊNCIA DA RFB Primeiramente cumpre salientar que a competência da Justiça do Trabalho, definida no art. 114 da Constituição Federal é voltada para os dissídios decorrentes das relações de trabalho não sendo competente para realizar o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias extrajudicialmente, conforme se extrai da súmula n. 386 do TST. Os artigos 2º e 3º da Lei n. 11.457/2007 determinam a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a qual ampara o exercício da autoridade fiscal autuante do procedimento em questão nos presentes autos, não havendo que se falar em ato eivado de vício de competência. DO PRÊMIO DE INCENTIVO A base de cálculo das contribuições previdenciárias está contida no art. 28, da Lei n. 8.212/91, ou seja, o salário de contribuição, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Observase que a definição de salário de contribuição tanto para o empregado quanto para o contribuinte individual é ampla, não importando, via de regra, a forma e a que título foi paga, devida ou creditada, se de maneira direta ou indireta, pelo empregador ou terceiro interessado no pagamento ou não, a titulo de premiação/bonificação ou não. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 No entanto há exceções contidas no §9, do mesmo artigo. Elas compreendem quatro grupos principais: a) pagamentos com caráter indenizatório; b) ressarcimentos de despesas; c) ferramentas de trabalho; e d) retribuições provenientes de terceiros. A parcela a título de prêmio, da forma pela qual foi paga in casu, não se encaixa em qualquer das modalidades de exceção elencadas na norma supracitada. Afora isso, a matéria já foi objeto de diversos julgamentos anteriores por este conselho, conforme se verifica dos acórdãos: 230101.625 — 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, 19 de agosto de 2010, 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010, 230101.878 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, 2401001.796 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 14 de abril de 2011 e 230102.065 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 12 de maio de 2011. Segue abaixo um dos arestos informados para ilustrar o entendimento do colegiado: REMUNERAÇÃO INDIRETA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÃO PRÊMIO. Valores pagos indiretamente a empregados e contribuintes individuais por intermédio de prêmio/plano de incentivo são considerados salários de contribuições para a Previdência Social, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n " 8,212/91. O pagamento de prêmio/plano de incentivo ao empregado por empresas que não se revistam da qualidade de empregador, mas com o consentimento deste, aproveitando a relação de emprego e as oportunidades dai advindas, integra o salário de contribuição. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN. Crédito tributário deve estar revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CIN. A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. (Acórdão 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010) Quanto à alegação de que a parcela não é destinada à contraprestação ao trabalho, também não merece guarida uma vez que se trata de remuneração indireta pois sabendo o funcionário de que caso alcance aquela meta que faz parte de suas atividades laborativas, será credor daquela parcela. O objeto já foi discutido inclusive pelo Superior Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000939/200873 Acórdão n.º 2403002.618 S2C4T3 Fl. 5 7 Tribunal de Justiça, conforme: PET 6243/SP, Eliana Calmon, REsp 863.244/SP, Min Luiz Fux e REsp 735.866/PE, Min. Teori Albino Zavascki. Por tal razão, improcedentes as alegações do contribuinte. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15586.000939/200873 Acórdão n.º 2403002.618 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904442/2012-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 42 /2 01 2- 21 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904442/201221 Acórdão n.º 3803004.792 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904442/201221 Acórdão n.º 3803004.792 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904442/201221 Acórdão n.º 3803004.792 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10725.903240/2009-92
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Gilberto Baptista, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 25 .9 03 24 0/ 20 09 -9 2 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a decisão anterior. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Versa este processo sobre restituição/compensação. A DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 199/2010 (fls. 36/37), não reconheceu o direito creditório pleiteado (por ausência de certeza e liquidez) e, consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. O interessado teve ciência em 30/11/2010 (fl. 46). Em 07/12/2010, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 47/51. Na referida peça, alega, em síntese, que: as compensações declaradas não foram homologadas em razão da suposta omissão de receita apurada no processo n° 15521.000156/200925; ocorre que, no referido processo, apresentou Impugnação e, posteriormente, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual encontrase pendente de julgamento; assim, se por um lado não é possível a homologação da compensação desde logo, tendo em vista a questão prejudicial representada pelo crédito tributário constituído no processo n° 15521.000156/200925, por outro lado e pelo mesmo motivo é certo que a sua exigibilidade está suspensa pelo recurso administrativo apresentado naqueles autos, conforme jurisprudência; com efeito, não se pode atribuir certeza a crédito tributário cuja existência depende do que for decidido em outro processo, no qual ainda não foi proferida decisão administrativa definitiva, o que somente ocorrerá com o julgamento do Recurso Voluntário; em suma, como é evidente que o que for discutido e decidido nos autos do processo administrativo n° 15521.000156/200925 certamente terá reflexo neste processo e encontrandose suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido naqueles autos, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, impõese a suspensão deste processo até que seja proferida decisão final naqueles autos; em caso idêntico ao presente, o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança n° 2010.51.03.0018018, concedeu a Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 4 3 medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário.” A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 03/05/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/05/2012, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua manifestação de inconformidade, e ao fim requer a suspensão do processo até a decisão final do processo nº 15521.000156/200925. Este é o Relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de compensação onde a DRF/Campos, através da Decisão Saort nº 199/2010 (fls. 36/37), não reconheceu o direito creditório pleiteado, fundamentandose na ausência de certeza e liquidez do crédito, e consequentemente, não homologou as declarações de compensação tratadas no presente processo. Constou da decisão que: a) o pleito se encontra consubstanciado na circunstância de o interessado ter apurado, na DIPJ/2006, Saldo Negativo (saldo credor) de IRPJ; b) a análise da Declaração de Compensação implica, entre outros procedimentos, verificar se houve apuração, e de forma correta (conformidade com a legislação), de saldo negativo de IRPJ na correspondente declaração de rendimentos, e que este já não tenha sido objeto de compensação em exercícios futuros; c) constatouse que o interessado fora fiscalizado, no Processo Administrativo 15521.000156/200925, conforme Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos, sendo certo que houve alteração na situação jurídica do mesmo, razão pela qual desconsiderase a apuração efetuada na DIPJ, de saldo negativo de IRPJ. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que não se pode atribuir certeza a crédito tributário cuja existência depende do que for decidido em outro processo, no qual ainda não foi proferida decisão administrativa definitiva. Solicita, então, a suspensão deste processo até que seja proferida decisão final naqueles autos. Alega que, em caso idêntico ao presente, o Poder Judiciário concedeu a medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário. No exame das compensações, a DRF verificou que o Saldo Negativo pleiteado foi revertido em face da ação fiscal objeto do Processo Administrativo 15521.000156/200925, razão pela qual desconsiderou a apuração efetuada na DIPJ, a qual tinha gerado saldo negativo. O processo objeto da ação fiscal que glosou o saldo negativo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara no dia 03 de dezembro de 2013, tendo a decisão sido formalizada em 17 de maio do presente ano, cuja a ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 6 5 OMISSÃO DE RECEITAS. REEMBOLSO DE DESPESAS. CARACTERIZAÇÃO. Em razão de sua inoponibilidade ao Fisco, desconsiderase a existência formal de dois contratos distintos (de afretamento e de prestação de serviços), uma vez caracterizada a falta de propósito negocial naquela forma de contratação, em virtude de diversos elementos fáticos que demonstram a realização de uma única prestação de serviço. A atuação de empresas do mesmo grupo econômico na prestação de serviços a terceiros de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, descaracteriza a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores indevidamente classificados como reembolso de despesas. OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez não se sustentando a acusação de “simulação fraudulenta” que ensejou a qualificação da multa, os documentos apresentados pela Recorrente como justificadores do aumento de capital e reembolso de despesas, não podem ser meramente desconsiderados em sua validade jurídica, a fim de se buscar uma caracterização de suposta receitas omitidas decorrentes de prestação de serviços efetuados no Brasil, ainda que provenientes de recursos ingressados através de remessas recebidas do exterior, regularmente efetuadas através do Banco Central. Assim, é de se aceitar como plenamente válidos os documentos que ensejaram o aumento de capital e o reembolso de despesas. PIS E COFINS. AUMENTO DE CAPITAL. AFASTADA SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS A ESSA REMESSA. Uma vez válida a operação de aumento de capital, por sustentada em documentação hábil e idônea, a justificar tal procedimento, não se pode considerar, a esse título, omissão de receita, que reflete, assim, nas bases de cálculos do PIS e da COFINS, que deve ser expurgada desses valores, por inexistir tal configuração de receita omitida. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CONDUTA DOLOSA. NÃO COMPROVAÇÃO. A contratação de prestação de serviços em condições econômico financeiras desiguais, por si só, não configura simulação, por ausência de comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM. DATA DO FATO GERADOR. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 7 6 A contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação obedece à regra do art. 150, §4º, do CTN, iniciandose a contagem da data do fato gerador, quando não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos da jurisprudência firmada em recurso repetitivo do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, por maioria de votos, em reconhecer a ocorrência da decadência do IRPJ e da CSLL até o terceiro trimestre de 2004 e do PIS e da Cofins até novembro de 2004, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do IRPJ e da CSLL a omissão de receitas originada do aumento de capital, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas originada do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir da tributação do PIS e da Cofins as omissões de receita originadas do aumento de capital e do reembolso de despesas, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto redução da multa de ofício para o percentual de 75%, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Designado para redigir o voto vencedor das matérias em que restou vencida a relatora, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. Inicialmente afasto o pleito de suspensão do presente julgamento, por conta da pendência de julgamento do processo nº 15521.000156/200925, eis que no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, não há qualquer hipótese de suspensão ou sobrestamento por conta dos fatos alegados. No caso em exame o mais correto seria que este, assim como os demais processos de compensação que me foram distribuídos referentes a esse mesmo saldo negativo fossem apensados ao processo nº 15521.000156/200925, para que fossem analisados a partir da decisão final, transitada em julgado, proferida naquele feito. Ocorre que essa possibilidade deve ser descartada, eis que aquele processo já encontrase julgado por este Conselho e, embora estes processos estejam intimamente vinculados àquele, a matéria não é a mesma e a decisão não pode ser estendida. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10725.903240/200992 Resolução nº 1802000.518 S1TE02 Fl. 8 7 Com efeito, este processo parte do saldo que for reconhecido naquele, mas tem matéria distinta, eis que um referese a glosa de saldo negativo de IRPJ, enquanto o outro a compensação decorrente do saldo apurado ao fim do período. Sendo assim a apensação neste momento obrigaria àquela turma a realizar novo julgamento deste processo ou iria suprimir uma instância de julgamento, o que cercearia o direito de defesa do contribuinte. Desse modo, considerando as impossibilidades de suspensão, sobrestamento ou apensação ao processo nº 15521.000156/200925, entendo que deve ser julgado este feito no estado em que se encontra. Pelo julgamento do processo nº 15521.000156/200925, vimos que embora não tenha dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, parte do seu direito foi reconhecido, sendo possível que ainda reste saldo a ser compensado naquele exercício. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que a delegacia de origem informe se após o julgamento do processo nº 15521.000156/200925, existe saldo negativo a ser aproveitado nos presentes autos. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.934631/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.155
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Pagamento indevido a título de estimativa de IRPJ. Recorrente MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébito de estimativa paga a maior, devendo o processo retornar à DRJ para proferir nova decisão, apreciando os demais argumentos de mérito apresentados tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 46 31 /2 00 9- 66 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 392 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Douglas Bernardo Braga, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase recurso voluntário interposto por MARCEP CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela improcedência integral de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 03 a 11 do processo digital) de débitos de tributos federais com o crédito de R$ 9.488.421,61 decorrente de pagamento indevido realizado a título de estimativa de IRPJ em 19/04/2000. A Derat/São Paulo, mediante despacho decisório eletrônico, não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pela não localização do DARF informado na PER/DCOMP. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade na qual informou que houve engano no preenchimento da data do período de apuração no DARF. A mencionada 2ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu, então, o Acórdão nº 1627.896, de 23 de novembro de 2010, por meio do qual manteve o não reconhecimento do direito creditório alegado. Cumpre esclarecer que, por tratarem do mesmo direito creditório, a mesma decisão foi proferida para o julgamento da lide contida neste e em outros vinte processos. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 393 3 As estimativas pagas devem ser levadas ao ajuste anual como dedução do valor devido no ano (§4°, inciso IV do artigo 2° da Lei n° 9.430/96), só então configurandose o saldo a restituir, se for o caso, não cabendo falar em pagamento a maior da própria estimativa. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem com indevidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em que deduz os seguinte argumentos: a) Por equívoco, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior na base de cálculo para a apuração da estimativa de março/2000. No entanto, conforme dispõe o artigo 25 da Lei nº 9.249/95, tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. b) Em decorrência desse equívoco, efetuou a maior o recolhimento da estimativa referente ao período de março de 2000. Recolheu R$ 9.488.442,61, quando o correto seria recolher R$ 291.101,75. Assim, possui um indébito passível de compensação no montante de R$ 9.197.340,86. c) Ao contrário do que alega o acórdão recorrido, tratase de recolhimento a maior e não de estimativa mensal. d) Referido valor não compôs a apuração do ajuste anual, portanto, não se aplica o disposto no §4º, inciso IV, do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. e) O DARF não foi localizado no sistema da Receita Federal por causa do equívoco no período de apuração informado. Ao invés de 19/04/2000, o correto seria 31/03/2000. Tal erro não foi detectado em tempo hábil, razão pela qual não foi possível efetuar o REDARF. f) Os rendimentos auferidos no exterior foram corretamente ofertados à tributação e compuseram o ajuste anual em 31/12/2000. g) O saldo negativo do ano de 2000 não é objeto de discussão no presente processo. O que se pretende é o reconhecimento do crédito referente ao recolhimento indevido ocorrido em março de 2000. h) A veracidade de suas alegações pode ser comprovada através de seus registros contábeis, os quais fazem prova da regular existência do crédito. i) Esclarece que incorreu em erro formal no preenchimento do PER/DCOMP ao não informar que o crédito estava vinculado a IN 27/1997. j) Seu pedido encontra amparo no direito de propriedade, do devido processo legal, na legalidade, na moralidade administrativa e na verdade material. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 394 4 Ao final, requer a homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A DRJ não reconheceu o direito creditório pleiteado porque entendeu que não se pode restituir estimativas pagas, as quais devem ser deduzidas no ajuste anual, em conformidade com o estabelecido no artigo 2º, IV, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Neste sentido, só se pode requerer restituição/compensação de eventual saldo negativo apurado no referido ajuste anual. Tal entendimento, de fato, é o correto e vem sendo seguidamente adotado nos diversos julgamentos proferidos nesta Casa. Nada obstante, verifico que o presente caso não trata da estimativa que deveria ser paga na conformidade do artigo 2º da Lei nº 9.430/96. Isso porque a recorrente agiu de forma equivocada ao calcular a antecipação que seria devida no mês de março de 2000. Com efeito, na apuração desse mês, efetuou a adição de rendimentos auferidos no exterior quando o artigo 25 da Lei nº 9.249/95 dispõe que tais rendimentos só devem ser computados no balanço de 31 de dezembro de cada anocalendário. Por tal motivo, recolheu a título de estimativa do mês de março de 2000, o valor de R$ 9.488.442,61, quando o correto seria recolher R$ 291.101,75. Tanto é assim que foi este último valor que foi incluído na dedução a título de estimativas no ajuste anual. Por outro lado, os rendimentos auferidos no exterior foram corretamente ofertados à tributação e compuseram o ajuste anual em 31/12/2000. Tais fatos estão relatados no recurso apresentado e os documentos juntados aos autos apontam para a verossimilhança dessas alegações. Houve, portanto, pagamento maior que o devido na data do respectivo recolhimento, configurando um indébito passível de restituição/compensação no montante de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 395 5 R$ 9.197.340,86. Isso, a despeito do erro formal no preenchimento da PER/DCOMP, a qual indicava um crédito de R$ 9.488.421,61. A possibilidade de restituição/compensação de pagamentos indevidos a título de estimativa já é matéria consolidada no âmbito do CARF desde a edição da seguinte súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a verificação efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte e documentação juntada aos autos com os sistemas de controle da Receita Federal, pois a autoridade julgadora negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de março de 2000, se o valor pago a maior não foi efetivamente apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à instância a quo para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo recurso, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à DRJ para análise do mérito do pedido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10880.934631/200966 Acórdão n.º 1102001.155 S1C1T2 Fl. 396 6 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10980.013077/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007
INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. LIMITES DA COISA JULGADA.
Não são passíveis de escrituração os créditos oriundos de insumos não tributados, nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado.
CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito.
Recurso Voluntário Provido em Parte
No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura-se devida a atualização monetária. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição e compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 3302-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, quanto ao crédito sobre material de embalagem e produto intermediário, Walber José da Silva, quanto à atualização do crédito, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, quanto aos juros sobre a multa de ofício. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor quanto ao crédito sobre material de embalagem e produtos intermediários.
Fez sustentação oral pela Recorrente em março de 2013 o Dr. Harry Francoia Júnior RG 24766 - RJ.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente e Relator Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas - Redatora-Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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PAINÉIS E SERRADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINARES DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não devem ser acatadas preliminares de nulidade quando as mesmas não se encontrarem tipificadas, provadas nos autos e não ocorrer indeferimento de pedido efetuado com inobservância da forma prescrita em norma e, a critério do julgador a quo, for prescindível para a solução da lide. AÇÃO JUDICIAL. OBEDIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Predominância da interpretação judicial sobre a administrativa. O julgador administrativo é obrigado a seguir a decisão judicial proferida em processo próprio, ainda que extra petita, posto que, transitada em julgado forma lei entre as partes. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura se devida a atualização monetária. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição e compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 30 77 /2 00 7- 91 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. LIMITES DA COISA JULGADA. Não são passíveis de escrituração os créditos oriundos de insumos não tributados, nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, quanto ao crédito sobre material de embalagem e produto intermediário, Walber José da Silva, quanto à atualização do crédito, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, quanto aos juros sobre a multa de ofício. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor quanto ao crédito sobre material de embalagem e produtos intermediários. Fez sustentação oral pela Recorrente em março de 2013 o Dr. Harry Francoia Júnior – RG 24766 RJ. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente e Relator Ad Hoc (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas RedatoraDesignada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 863 3 Relatório Tratase de retorno de diligência, aprovada pela Resolução n. 330200.214, de 22 de março de 2012 (fls. 806 e segs.), cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 668 a 723) apresentado em 07 de outubro de 2011 contra o Acórdão no 1433.866, de 26 de maio de 2011, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 652 a 660), cientificado em 06 de setembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro, agosto de 2005, março de 2006 a março de 2007, considerou improcedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI “Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 “NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. “Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. “PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. “Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. “O direito ao crédito de IPI extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, da data de entrada dos materiais no estabelecimento. “INCONSTITUCIONALIDADE. “A autoridade administrativa é incompetente para examinar aspectos de legalidade e constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. “FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. “A falta de recolhimento do IPI, nos prazos previstos na legislação, enseja a sua exigência, acrescido de juros de mora calculados pela taxa Selic e multa de ofício. “RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. “O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido, quando a decisão judicial a ele se reporta. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 “CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. “Considerando que não existe previsão legal para a correção monetária de créditos extemporâneos de IPI, é indevida a atualização fundada em decisão judicial, se esta não estabelece os índices aplicáveis. “JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “É legal a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic. “Impugnação Improcedente” O auto de infração foi lavrado em 23 de outubro de 2007 de acordo com o termo de fls. 266 a 271. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 278/281, lavrado em 22/10/2007, com ciência da contribuinte em 23/10/2007, totalizando o crédito tributário de R$ 5.806.649,26. “Segundo a descrição dos fatos de fls. 280/281 e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 266/271, a contribuinte deixou de recolher ou recolheu a menor o imposto, no período de janeiro/2005 a março/2007, por se utilizar de créditos indevidos. “A contribuinte obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com acórdão transitado em julgado. No entanto, ao escriturar os créditos, cometeu as seguintes irregularidades: “1. Incluiu os créditos decorrentes das aquisições de produtos intermediários e material de embalagem; formulada consulta a respeito, a Divisão de Tributação – DISIT da 9ª Região Fiscal posicionouse no sentido de que o alcance da decisão restringe se aos termos do pedido, devendo ser acatados somente os créditos relativos às matériasprimas; 2. Incluiu os créditos decorrentes das aquisições de produtos que não se enquadram no conceito de insumos, tais como botijões de gás, óleo diesel, óleo combustível, óleo de xisto e gás butano; 3. Corrigiu os créditos pela taxa Selic, o que não encontra respaldo nem na decisão judicial, que não fixou índices de correção monetária, nem na legislação, que não prevê a correção dos créditos de IPI. “Na apuração dos créditos válidos foi considerado o prazo prescricional de 5 anos. “Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 286/334, alegando, em síntese, que: “1. O auto de infração é nulo porque é baseado em presunções e não foi apresentado o cálculo do crédito glosado; Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 864 5 2. A função da fiscalização era de homologar ou não o crédito utilizado e eventual saldo, mas o que foi feito foi a glosa do débito mensal de IPI; 3. Não há prova material da ocorrência de infração; a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que embasam o lançamento, maculam de nulidade todo o procedimento; “4. Imprescindível a realização de diligências no sentido de estabelecer qual o saldo existente relativamente à decisão judicial; “5. Ao alegar que a fiscalização anterior, constante do PAF 10980.012807/200222, glosou créditos de aquisições ocorridas há mais de cinco anos da data da utilização do crédito, o auditor ocorre em erro uma vez que não houve qualquer manifestação quanto à prescrição ou decadência dos créditos, nas razões expostas pelo fiscal no auto de infração anterior; “6. Não é possível a autoridade lavrar outro auto de infração sob o mesmo fundamento daquele ainda não julgado; a apuração do presente processo depende do anterior; “7. O direito advindo com a decisão judicial decorre de um sistema, pelo qual devem ser consideradas todas as manifestações contidas nos documentos elencados na decisão, tais como relatório, votos e notas taquigráficas; não cabe ao auditor reavaliar o conteúdo das manifestações contidas no sistema, uma vez que a coisa julgada material é imutável; “8. Em que pese a prescrição não ter sido apreciada nesta auto de infração, conforme as manifestações no processo, é pertinente fazer considerações sobre o assunto; o reconhecimento dos créditos de IPI deverá alcançar valores pagos no período de dez anos da data em que houve o protocolo da inicial do Mandado de Segurança. “9. A decisão judicial contempla as mercadorias adquiridas pelo contribuinte, e não faz distinção quanto a sua natureza; o que está sendo discutido é o regime da nãocumulatividade do IPI, e sendo assim, não existe possibilidade de limitar a sua aplicação apenas a uma espécie de mercadoria; “10. Com relação à correção monetária, o fato de não ter sido nominado o índice não prejudica a aplicação da determinação judicial de correção dos créditos; além disso, o contribuinte, de forma conservadora, teria adotado os mesmos índices aplicados pelo fisco na correção de seus créditos. “11. A multa exigida é confiscatória; “12. É descabida a atualização da base de cálculo da multa desde a origem dos fatos tidos como infringentes à lei; “13. A exigência de juros moratórios dimensionados pela taxa Selic é inconstitucional.” Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Por fim, requer que seja reconhecida a nulidade do lançamento, a produção de provas, consubstanciadas em juntada de documentos, laudos técnicos e diligências, e, no mérito, que seja dado provimento à impugnação. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação. Destacou, ainda, as decisões nos processos 10980.012807/200222 e 10980.000022/200398. A diligência foi requerida nos seguintes termos, após apresentar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e do Carf sobre o direito de crédito: Assim, ficou esclarecido que “outros créditos” extrapolariam a decisão judicial, razão pela qual não foram acolhidos os embargos. Entretanto, examinando a relação de fls. 20 e 51 a 57, não se conseguem identificar quais produtos foram empregados na produção. Cabe, assim, a realização de diligência, para que sejam discriminados os insumos que, nos termos dos entendimentos acima reproduzidos, foram aplicados na produção, ainda que não tenham sofrido desgaste em contato direto com o produto fabricado. Após a resolução, a Fiscalização intimou a Interessada (fls. 817 e 818) para apresentar a documentação. Houve pedido de prorrogação de prazo (fl. 837) e, nas fls. 843 a 857, a Interessada apresentou a seguinte justificativa, contestando a conclusão da resolução: No entanto, é de absoluta importância que o julgamento do presente recurso considere as demais matérias que constituem a impugnação pela via do Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quais sejam: a) o prazo alcançado pela decisão transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança nº 98.00209263, que tramitou perante a 2ª Vara Cível Federal de Curitiba; b) o entendimento da Secretaria da Receita Federal é que a prescrição do direito da empresa em se creditar do IPI é de cinco anos contados da data da entrada dos produtos no estabelecimento; c) o pedido do Mandado de Segurança não especificou o prazo, mas citou o período não alcançado pela prescrição, que, conforme atesta a certidão de objeto e pé do processo judicial, é de 10 (dez) anos; d) a pessoa jurídica BERNECK foi a beneficiária da ação judicial e o crédito não deve ser considerado apenas por estabelecimento. Conforme informado ao Auditor Fiscal que elaborou o auto de infração, os créditos utilizados no período compreendido neste processo administrativo foram calculados pelas aquisições Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 865 7 realizadas entre setembro 1988 e setembro de 1993, pelo estabelecimento principal da BERNECK. De fato, a fiscalização, desconsiderando o procedimento adotado pela BERNECK e o prazo prescricional (1988 a 1998), glosou a totalidade dos créditos apropriados, oriundos entre 1993 e 1998, e considerou, para o lançamento, as aquisições realizadas dentro do período fiscalizado, de abril de 2002 a setembro de 2006, e somente pelo estabelecimento com endereço na Rua Pedro Gusso. Não há dúvida de que houve absoluta limitação ao inafastável direito concedido por meio de uma decisão judicial transitada em julgado. A seguir, apresentou os demonstrativos, especificando o uso dos insumos: combustível industrial, material secundário, material de embalagem e matériaprima. É o relatório. Voto Vencido CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA – RELATOR AD HOC O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Necessário esclarecer que o voto a seguir exposto foi proferido na sessão de julgamento pelo então Conselheiro Relator José Antonio Francisco. Inicialmente, quanto às questões de nulidade, há que se considerar que foram em parte superadas pela realização da diligência. No mais, cabe adotar os fundamentos do acórdão de primeira instância, por representarem o entendimento estabelecido do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf. Conforme esclarecido no relatório, o auto de infração foi lavrado em função da glosa de créditos atingidos pelo prazo prescricional de cinco anos, correção monetária não concedida na ação judicial e relativos a produtos que não corresponderiam a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Como a questão dos insumos foi analisada preliminarmente na resolução e o Regimento Interno do Carf prevê que toda matéria decidida na resolução deva ser novamente apreciada no acórdão, adoto os fundamentos da resolução, em relação ao posicionamento geral sobre quais insumos geram crédito, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999. Destaquese a conclusão a que se chegou naquela ocasião: [...] temse que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Portanto, não faz sentido algum interpretar a decisão judicial como se tivesse concedido direito de crédito sobre aquilo que não é empregado na produção. Feitos os esclarecimentos acima, passase à análise da decisão judicial. O auto de infração baseouse no relatório da Disit/SRRF 9ª Região (cópias de fls. 260 e segs.), que concluiu que 26.1 I) A decisão judicial abrange tãosomente as aquisições de matériasprimas; 26.2. II) A decisão judicial abrange as aquisições de matérias primas isentas, nãotributadas e cuja alíquota tenha sido reduzida a zero; 26.3 III) A correção monetária dos créditos não foi tratada pela decisão judicial, logo, o contribuinte não tem direito a tal creditamento. No tocante à primeira conclusão, chegouse a ela por ter a Interessada, na petição inicial, se referido somente a matériasprimas. De fato, o mandado de segurança não questionou o conceito de insumo (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), mas, sim, o direito ao creditamento de matériasprimas (e não de insumos) isentos, não tributados e de alíquota zero (a que se pode chamar, genericamente, de “desonerados” do IPI). A diligência foi efetuada com a intenção de identificar se se tratava de produtos que se poderiam classificar como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, questão que precede àquela objeto do mandado de segurança. Nesse contexto, verificase que os insumos referemse, como já descrito, de acordo com a Interessada, a combustível industrial (maioria), material secundário, material de embalagem e matériaprima. Mas, como o pedido da Interessada referiuse apenas às matériasprimas desoneradas, não se pode admitir que gere creditamento, sem reconhecimento em sentença judicial transitada em julgado, de produtos intermediários e material de embalagem desonerados. Como os conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são bastante precisos, não é possível admitir o argumento de que a ação judicial abrangeu a todos. O combustível industrial não representa produto intermediário, uma vez que não se consome diretamente no processo. Tanto é assim que, relativamente ao crédito presumido de IPI (em que a definição de insumo é a mesma do crédito básico de IPI), o Carf emitiu a Súmula n. 19 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 866 9 produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Em relação às matériasprimas, material secundário e material de embalagem, embora a diligência houvesse requerido a discriminação dos produtos utilizados na produção, o procedimento adotado somente consistiu na intimação para que a Interessada o fizesse. Nesse contexto, tratase de produtos que, em tese, são utilizados na produção, como pedras, etiquetas, lixas, resina etc. O direito de crédito, entretanto, não pode atingir o material secundário, que não é matériaprima, e o material de embalagem. Em sua resposta à intimação, a Interessada ainda requereu a apreciação da questão do prazo, considerado de cinco anos pela Fiscalização. Na petição inicial, a Interessada requereu o direito em relação aos créditos não alcançados pela prescrição, mas não requereu que lhe fosse reconhecido direito algum além dos cinco anos. A ordem concedida no acórdão do Tribunal, portanto, não poderia abranger direito maior do que o requerido. Notese que a Disit/SRRF/9ª Região, na fl. 270 (eprocesso), já notara que a Certidão n. 128/2001, era dissonante do pedido. De fato, a certidão deveria atestar o que consta do processo (“objeto”) e o seu estado (“pé”) e, assim, não pode substituir o que foi efetivamente decidido pelo Judiciário. Por óbvio, não é a certidão que concede o direito, mas a decisão transitada em julgado. Esclareçase que a prescrição regese pela aplicação da disposição do Decreto n. 20.910, de 1932, que instituiu um prazo prescricional de cinco anos, contados a partir da violação do direito, para todas as ações contra os entes estatais. A situação é semelhante à do créditoprêmio de IPI, em relação ao qual o Superior Tribunal de Justiça já formou jurisprudência: TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. PRAZO PRESCRICIONAL. DECRETO Nº 20.910/32. 1. Nas ações em que se busca o aproveitamento de crédito do IPI, o prazo prescricional é de cinco anos, nos termos do Decreto nº 20.910/32, por não se tratar de compensação ou de repetição. 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Segunda Turma, AGA 556896 / SC, relator Min. Castro Meira, DJ 31 mai 2004, p. 276.) Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do prazo de dez anos, por que não há que se falar em lançamento por homologação, já que se trata de ressarcimento de créditos e não de restituição. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Finalmente, em relação à correção monetária, a Interessada a requereu expressamente na petição inicial, mas as decisões judiciais foram em relação a ela omissas. Por esse motivo, não lhe foi reconhecido esse direito. Como se trata de matéria levada ao Judiciário, incide a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula Carf n. 1 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em princípio, a Interessada, no caso, teria que ter resolvido tal questão no âmbito judicial, apresentando embargos declaratórios contra a decisão. A questão específica é polêmica, uma vez que o acórdão é omisso em relação à matéria, mas deu provimento ao recurso da Interessada, ensejando a interpretação de que a prejudicada seria a Fazenda Nacional e não a Impetrante. Tanto é assim que nos processos 10980000022/200398 e 10980.012807/200222, a 3ª Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes decidiu pelo cabimento dos juros Selic. Posteriormente, nos Acórdãos n. 9303001.689 e 930300147, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento aos Recursos de Procurador apresentados pela Fazenda Nacional, pelas seguintes razões: Com efeito, a Ilustre relatora do v. acórdão recorrido, Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, considerando a hipótese especifica dos autos, foi certeira, razão pela qual pede se vênia para transcrever trecho do voto condutor, verbis: (...) “Já quanto à correção monetária, ela está expressamente contida no pedido judicial da recorrente que foi inteiramente provido. Verificase que nos fundamentos da petição inicial a recorrente teceu extenso arrazoado acerca do direito do que denominou correção monetária, sendo mais correta a denominação de atualização monetária, visto a revogação da figura da correção monetária Transitada em julgado a sentença, deve a mesma se cumprida em seus devidos termos. A própria PFN/PR manifestouse no curso da ação fiscal, quanto ao alcance da decisão judicial, conforme consta do relatório efetuado pela Equipe de Informações Judiciais—EQIJU da DRF em Curitiba (fls.122a 124), concluindo que "devem ser aplicados os índices de correção monetária utilizados de praxe nas relações negociais". “Em que pese a infelicidade da orientação, uma vez que inexiste na atividade de tributação, arrecadação e fiscalização de Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 867 11 tributos federais a figura das "relações negociais", deve, não só a determinação judicial quanto a orientação da Procuradoria ser entendida nos exatos termos que a própria Secretaria da Receita Federal trata os direitos creditórios dos contribuintes em geral, ou seja, aplicando os índices estabelecidos na Norma de Execução COSIT/COSARn°08/97, relativos ao período que abrange; a UFIR e os juros moratórios estabelecidos no artigo 161 do Código Tributário Nacional até dezembro de 1995ea partir daí a taxa SELIC, nos termos da norma que a rege.” Aliás, no tocante à correção monetária a ser aplicada ao indébito, mister destacar que a inclusão dos expurgos inflacionários afigurase de vida, independente da decisão judicial não ter sido expressa nesse sentido. Com efeito, face à edição, recentemente, do Ato Declaratório PGFN no 10/20081, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal. Nesse sentido, aliás, é o seguinte precedente, cujo voto condutor é da lavra do Ilustre Conselheiro José Luiz Novo Rossari: “[...]” Ainda se deve esclarecer que o art. 62A do Regimento Interno do Carf, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 2010, estabeleceu a observância obrigatória no âmbito do Carf da jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça no julgamento de recursos repetitivos. Em relação aos créditos de IPI, o STJ decidiu, no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ser cabível a incidência da Selic, conforme ementa abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601 /2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007." Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O entendimento foi consolidado na Súmula STJ nº 411: SÚMULA N. 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. Portanto, o entendimento da CSRF anteriormente expresso, ainda que eventualmente não encontrasse respaldo na decisão judicial, alinhase às hipóteses em que é cabível a incidência de atualização dos créditos de IPI. Finalmente, em relação ao âmbito da aplicação da decisão judicial (limites territoriais), adoto os fundamentos do acórdão citado da 3ª Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuintes, que concluiu o seguinte (no caso, Ac. 20309.990, de 22 de fevereiro de 2005): Também devem ser acatados no presente voto os fundamentos da decisão recorrida relativamente à indevida inclusão de créditos presumidos provenientes de outros estabelecimentos, relativo às aquisições efetuadas por estabelecimentos localizados fora da circunscrição da autoridade impetrada no Mandado cuja segurança foi definitivamente concedida. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 868 13 Além disso, a afirmação da recorrente de estar “vinculada ao regime de centralização do recolhimento do IPI na cidade de Curitiba, não encontra respaldo na legislação do IPI em face da autonomia dos estabelecimentos, como abaixo afirmado. A centralização está adstrita à apuração do crédito presumido e não resta provados nos autos a observância das condições postas no art. 6º da IN SRF 21/95, que aqui, visando facilitar o raciocínio, novamente é reproduzido, litteres: “Art. 6° O crédito presumido deverá ser apurado de forma centralizada, na matriz, sempre que: “I os produtos forem exportados por intermédio de estabelecimento diferente daquele que os produziu; “II o estabelecimento produtor e exportador transferir, para outro estabelecimento, parte de sua produção para comercialização no mercado interno.” Ademais, têmse dentre as regras do IPI o conceito de estabelecimento, contido no art. 51, parágrafo único do CTN, reproduzido pelo artigo 392, inciso III do RIPI/82, cuja situação jurídica no contexto do tributo está firmada no inciso IV, verbis: “Art. 392 (...) “IV são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica.” Com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, adoto também os fundamentos do acórdão de primeira instância em relação a essa matéria, às questões de nulidade e de incidência de multa e juros. Em relação à incidência de juros sobre a multa, a Portaria SRF n. 379, de 23 de dezembro de 1988, que tinha por pressuposto outra legislação, já revogada, determinava a incidência de correção monetária sobre a multa, o que é situação diversa do caso dos juros de mora. O Parecer SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 2 de abril de 1998, estabeleceu o seguinte: 3. Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, desde que estejam associadas a: [...] Inicialmente, no caso da Selic, não havia previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo. O art. 841 da Lei n. 8.981, de 1995, dispunha expressamente que o tributo ou contribuição não pago no vencimento sujeitarseia à incidência dos juros. Ao instituir a Selic, a Medida Provisória n. 947, de 1995, art. 132, reportouse ao referido artigo, não prevendo incidência de juros sobre a multa. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 A Lei n. 9.065, de 1995, convertida da mencionada MP, manteve a disposição do art. 13, da seguinte forma: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Entretanto, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, alterou a disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No caso, resta saber quando ocorreu o fato gerador das multas lançadas. Como se trata de multa por infração à legislação tributária, seu fato gerador ocorreu na data do cometimento da infração, que, no caso, à vista do disposto no art. 44 da Lei n. 9.430, de 1996, na redação vigente à época, é a falta de pagamento, recolhimento ou declaração ou de apresentação de declaração inexata. Ademais, adotamse os seguintes fundamentos do voto vencedor do Acórdão n. 20312.520, que decidiu os embargos de declaração relativos ao acórdão anteriormente citado: Em relação às operações com outras empresas que, de acordo com a recorrente, somente a partir de janeiro de 1997 passaram a ser estabelecimentos da embargante, a peça fiscal assim relata: "levantamento dos créditos de IPI referente a aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, (...) incluiu os estabelecimentos Várzea Grande e Cotriguaçú, localizados no estado do Mato Grosso. O Mandado de Segurança foi impetrado contra o Delegado da Receita Federal em Curitiba Paraná, devendo ser aplicadas as decisões a todos os estabelecimentos da área de circunscrição da autoridade impetrada, (...)". Notese, pois, que se está tratando de créditos decorrentes de aquisições efetuadas por aquelas empresas ou estabelecimentos e não, conforme afirmou nos embargos, de créditos da embargante decorrente de aquisições efetuadas daquelas empresas, em operações normais de comércio. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 869 15 Por fim, registrese que a decisão judicial limitou os créditos às aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo despiciendo alterar a parte final do Acórdão embargado, visto que, na própria ementa, a Relatora deixou explícito que outros créditos extrapolariam a decisão judicial. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para admitir o creditamento em relação aos produtos descritos como matériaprima, nos termos da diligência efetuada, e a atualização monetária nos termos da Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, a partir do final do período de apuração em que se deu a entrada dos produtos no estabelecimento. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Relator Ad Hoc Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, REDATORADESIGNADA Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre as questões fáticas em discussão. Após analisar os autos percebi que o cerne da questão é a interpretação do processo judicial (peças do contribuinte e decisões judiciais) consubstanciado no Mandado de Segurança nº 98.00209263, em que o contribuinte requereu o reconhecimento do direito de aproveitar créditos de IPI decorrentes de entradas desoneradas. Fato é que o pedido do contribuinte referese à matérias primas desoneradas, a saber: PEDIDO DA AÇÃO JUDICIAL Fls.81 “Por todo o exposto, presentes os pressupostos processuais, requer se digne Vossa Excelência, em conceder medida liminar que reconheça a existência de relação jurídica, que assegure à Impetrante o direito de se creditar do IPI, em relação às aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou reduzidas à alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos tributados, com a aplicação das mesmas alíquotas utilizadas nas operações tributadas (8% para o produto aglomerado e 10% para o produto compensado), nas operações pretéritas e futuras, àquelas com obediência ao período não alcançado pela prescrição, obedecida a correção monetária.” – destaquei. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 E que o acórdão do Tribunal Regional da Quarta Região, que foi favorável ao contribuinte após a sentença negativa ter sido proferida, dispor sobre questões distintas daquelas requeridas na exordial, verbis: ACÓRDÃO: Fls. 85: “PI — CREDITAMENTO — MERCADORIAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as duas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade, evitando o fenômeno da superposição tributária.” A simples leitura do voto seguido por unanimidade – que fundamenta o acórdão acostado às fls. 82/85, é suficiente para se constatar que o tribunal limitouse a analisar a tese de creditamento de insumos isentos ou tributados à alíquota zero. Da seguinte forma o Ilustre Desembargador resumiu o litígio na Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.04.01.1049360/PR: TRECHO DO VOTO DO RELATOR Fls. 82 “Preliminarmente, não há a alegada falta de prova pré constituída de que adquiriu os indigitados insumos geradores do direito ao creditamento, porque a matéria é eminentemente de direito. No mérito, embora impressionado pela jurisprudência do STJ, que parece firmada no sentido de que, "na saída com alíquota zero, se não houve recolhimento do IPI na entrada da matéria prima, não há creditamento" (REsp.19.106, I a T., Min. Garcia Vieira), já tenha votado mais de uma vez na linha prestigiada pela adesão do eminente Relator, amadurecendo as minhas reflexões sobre o tema, terminei convencido de que, data venia, nenhuma razão autoriza distinguir entre "isenção" e "alíquota zero" para reconhecer, num caso, e negar, no outro, o direito ao crédito do tributo não recolhido — em ambos.” destaquei Neste sentido, enquanto o contribuinte solicitou o creditamento na compra de matéria prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero; o tribunal concedeu o direito ao creditamento de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero. Por incrível que pareça, não houve Embargos Declaratórios para sanar a omissão e o mencionado acórdão transitou em julgado exatamente da maneira como proferido. As autoridades administrativas, quando analisaram o embróglio causado – fls. 266/270 – optaram por seguir o pedido do contribuinte, utilizando apenas a parte expositiva do acórdão citado, que mencionava o provimento do recurso nos termos requeridos, a saber: Fl. 879DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 870 17 “Nessas condições, dou provimento à apelação para, reformando a sentença, conceder a ordem, nos termos requeridos. Custas pela impetrada, sem honorários advocatícios. É o voto.” destaquei Eis a primeira questão a ser ultrapassada. O que vale no presente caso: O que foi pedido pelo contribuinte – interpretação da fiscalização – ou o concedido pelo Tribunal? Ou seja: (i) o crédito de IPI decorrente de matéria prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero ou (ii) o crédito de IPI decorrente de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero? A diferença é que insumo é mais abrangente que matéria prima, envolvendo além desta os produtos intermediários e material de embalagem. O Ilustre Conselheiro Relator está seguindo o entendimento da fiscalização2 para conceder o crédito decorrente apenas dos insumos “matéria primas”. A despeito de entender e respeitar a posição do Ilustre Colega e da Fiscalização, ouso apresentar outro entendimento. É que apesar de a decisão judicial ser EXTRA PETITA no que se refere à abrangência do que foi pedido (matérias primas x insumos) fato é que ela é válida vigente e eficaz, até porque nenhuma das partes interpôs qualquer espécie de recurso (Embargos de Declaração ou Recurso Especial/Extraordinário). Ademais, consta dos autos registro de transcurso de prazo pra ação rescisória. Neste sentido, a despeito de reconhecer que o I. Relator está com a razão quando diz que a decisão está limitada ao pedido proferido na inicial pelo contribuinte, não posso olvidar que esta limitação deveria ser observada pelos julgadores e pelas partes no âmbito do próprio processo administrativo. A meu sentir, este ajuste não pode ser realizado pela autoridade administrativa, a qual compete apenas a execução do acórdão. Desta forma, meu entendimento é que, no presente caso, o contribuinte tem direito a crédito nos insumos isentos e tributados à alíquota zero. Mais amplo do que o concedido pela fiscalização (no sentido de não estar restrito às matérias primas), todavia mais restrito, posto que não geram créditos os insumos não tributados. Por esta razão, divirjo do 2 Trecho do Termo de Verificação Fiscal Fls. 267 “1.5. A pedido da fiscalização, a Divisão de Tributação DISIT da Superintendência Regional da Receita Federal na 9 a Região Fiscal da SRF efetuou uma análise sobre o alcance da referida decisão judicial, conforme cópia anexa que passa a fazer parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal. 1.5.1. De acordo com a interpretação da DISIT, a decisão judicial concede ao contribuinte o direito de creditarse de um IPI fictício calculado pela aplicação da alíquota incidente na saída dos produtos tributados do estabelecimento, sobre as aquisições de matériasprimas não tributadas, isentas ou alíquotazero, sem incidência de correção monetária. A decisão não abrange as aquisições de outros tipos de insumos, como, por exemplo, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. A decisão também não abrange as aquisições de produtos não considerados insumos pela legislação, como, por exemplo, os combustíveis, lubrificantes e energia elétrica. (...) 1.5.3. Tendo em vista que a decisão judicial concedeu a ordem, nos termos requeridos, é o pedido que delimita o alcance da decisão. O PEDIDO que consta na inicial é o seguinte: "Por todo o exposto, presentes os pressupostos processuais, requer se digne Vossa Excelência, em conceder medida liminar que reconheça a existência de relação jurídica, que assegure à Impetrante o direito de se creditar do IPI, em relação às aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou reduzidas à alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos tributados, com a aplicação das mesmas alíquotas utilizadas nas operações tributadas (8% para o produto aglomerado e 10% para o produto compensado), nas operações pretéritas e futuras, àquelas com obediência ao período não alcançado pela prescrição, obedecida a correção monetária." Fl. 880DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 ilustre Conselheiro Relator, concedendo crédito para todos os insumos utilizados na produção, exceto aqueles considerados como “não tributados”. Outro ponto questionado referese à pretendida limitação da decisão judicial à jurisdição da Delegacia da Receita Federal onde se encontra o estabelecimento que moveu a ação judicial, entendimento lastreado no princípio de autonomia dos estabelecimentos. Em relação a esta matéria, entendo estar com razão o contribuinte. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Reiterando, ainda, que não consta qualquer restrição ao aproveitamento do crédito nos termos da decisão judicial. No que se refere à aplicação da Taxa Selic sobre o crédito pleiteado e à restrição do crédito a cinco anos da propositura da ação judicial sigo o E. Conselheiro Relator, que, com clareza expôs o entendimento deste colegiado. Em relação à discussão acerca da incidência de Taxa Selic sobre a Multa, discordo do entendimento trazido pelo I. Relator. É que ao meu sentir, inexiste a permissão legal de incidência, pois quando o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que a SELIC incidirá sobre os “os débitos para com a União” não quis dizer tributos + penalidades, mas apenas “tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste sentido, uma vez que multa não é tributo e menos ainda contribuição, por expressa definição do Código Tributário Nacional3, não há meios de se permitir a aplicação de juros (que também possuem natureza punitiva, vez que são compensatórios) sobre as multas. Leiase, novamente, o mencionado § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” No meu entender, sobre as multas seria permitida apenas a incidência de correção monetária, posto que esta não representa acréscimo patrimonial mas apenas manutenção do poder monetário. Os juros, nitidamente punitivos posto que possuem natureza compensatória, por sua vez representam aumento patrimonial e não podem ser considerados quando se trata de multa. 3 Código Tributário Nacional: "Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." Fl. 881DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 3302002.041 S3C3T2 Fl. 871 19 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apresentado para o fim de reconhecer o crédito decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, devidamente acrescidos de SELIC. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Declaração de Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Em relação à discussão acerca da incidência de Taxa Selic sobre a Multa, discordo do entendimento trazido pelo I. Relator. É que ao meu sentir, inexiste a permissão legal de incidência, pois quando o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que a SELIC incidirá sobre os “os débitos para com a União” não quis dizer tributos + penalidades, mas apenas “tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste sentido, uma vez que multa não é tributo e menos ainda contribuição, por expressa definição do Código Tributário Nacional4, não há meios de se permitir a aplicação de juros (que também possuem natureza punitiva, vez que são compensatórios) sobre as multas. Leiase, novamente, o mencionado § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” No meu entender, sobre as multas seria permitida apenas a incidência de correção monetária, posto que esta não representa acréscimo patrimonial mas apenas manutenção do poder monetário. Os juros, nitidamente punitivos posto que possuem natureza compensatória, por sua vez representam aumento patrimonial e não podem ser considerados quando se trata de multa. 4 Código Tributário Nacional: "Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apresentado para, além de reconhecer o crédito decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, devidamente acrescidos de SELIC (conforme esclarecido no voto vencedor) para cancelar a SELIC incidente sobre a multa autuada. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 883DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10983.900038/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior do PIS é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior do PIS é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 00 38 /2 00 8- 87 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório O contribuinte apresentou, em 10/11/2003, o PER/DCOMP nº 13720.37374.101103.1.3.043011, fls. 63/68, para compensação de crédito no valor original de R$ 21.453,92 referente a pagamento a maior do PIS do período de apuração de dezembro/2002 com débitos do PIS correspondente ao fato gerador de agosto/2003. Em 31/08/2006, a DRF/Florianópolis emitiu Termo de Intimação, fl. 05, por meio do qual informa ao contribuinte que o DARF indicado como origem do crédito no citado PER/DCOMP, no valor de R$ 21.453,92, não havia sido localizado nos sistemas de controle da Receita Federal. Ao final intima o contribuinte a sanar as irregularidades apontadas ou por meio da transmissão de PER/DCOMP retificador ou pela apresentação do DARF com comprovação de seu recolhimento. Atendendo à intimação o contribuinte apresentou em 11/09/2006 o PER/DCOMP retificador de nº 30263.48631.110906.1.7.041603, fls. 6/11. Em 14/02/2008 a DRF/Florianópolis emitiu Despacho Decisório indeferindo o direito creditório constante do PER/DCOMP original em razão da não existência do crédito informado, pois o DARF informado no valor de R$ 21.453,92 não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fl. 03, na qual informa que ao saber do preenchimento errado referente ao valor de DARF, providenciou em 11/09/2006, a apresentação do PER/DCOMP nº 30263.48631.110906.1.7.041603, com o valor correto do DARF. Informa ainda que esta retificação não foi permitida por ter informado um valor do débito a ser compensado a maior de R$ 37,57 em relação ao PER/DCOMP original. A 4ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes argumentos, em síntese: que o art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições, estabeleceu que a SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de restituição, de ressarcimento e de compensação; neste sentido, cita os artigos 57, 58, 59 e 73 da IN SRF nº 600/2006, vigente à época do Despacho Decisório, cuja orientação foi mantida pela IN SRF nº 900/2008, os quais estabelecem limites e condições para apresentação de retificação de Declarações de Compensação; que a retificação da DCOMP somente pode ser efetuada pelo contribuinte com o atendimento de determinadas condições, quais sejam, cabe apenas para as declarações pendentes de decisão administrativa, ou seja, aquela Declaração de Compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, e que não tenha por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 12 3 débito compensado. Ainda que cumpridas as duas primeiras condições, a retificação somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais. que a DCOMP retificadora apresentada pelo contribuinte antes da ciência do despacho decisório não foi aceita devido a encontrarse em desacordo com as normas que regem a matéria, não sendo apta a produzir efeitos e que o “erro de preenchimento” suscitado pela requerente somente poderia ter sido sanado até a ciência do despacho decisório. Não concordando com a citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 28/36, no qual faz as seguintes alegações em síntese: que o seu pedido está embasado no art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, que concede aos contribuintes o direito à compensação, por meio de declaração, de quaisquer débitos próprios relativos a tributos ou contribuições devidos à Receita Federal, uma vez apurado crédito passível de restituição ou ressarcimento; que para efetuar a compensação foi enviada DCOMP original com o valor do DARF do crédito em valor equivocado e que antes da ciência do despacho decisório enviou DCOMP retificadora indicando corretamente o valor do DARF que originou o crédito, porém esta retificadora não foi considerada; que a decisão da DRJ, da mesma forma que o despacho decisório da DRF, limitouse a tratar da questão formal, não analisando o mérito que é a existência ou não do direito ao crédito; que recolheu o DARF referente ao recolhimento do PIS do fato gerador de dezembro/2002, no valor de R$ 50.000,00, cujo débito correspondia a R$ 28.546,08, sobrando um saldo de pagamento a maior da diferença que corresponde a R$ 21.453,92, justamente o valor pleiteado em suas DCOMP; que, nas palavras do relatório da Receita Federal (doc. 4), do pagamento realizado a parte correspondente a R$ 28.546,08 foi alocada para pagar o débito do PIS de dezembro/2002, no mesmo valor, restando um saldo, que não possui débito correspondente e não foi “restituído/reservado para restituição”, no valor de R$ 21.453,92; que estão comprovados no presente processo o débito, o pagamento e o crédito remanescente em favor do contribuinte apurado pelo sistema da própria Receita, estando clara a liquidez e a certeza dos valores envolvidos, devendo se proceder à extinção do crédito tributário pela compensação, nos termos do art. 156, inc. II do CTN; que o indeferimento de PER/DCOMP por despacho eletrônico, ocasionado por mero erro de preenchimento verificável de plano, pode sim ser revisto por meio de processo administrativo e cita e transcreve jurisprudência administrativa do CARF a confirmar este entendimento. Posteriormente, analisando o recurso, esta turma do CARF, proferiu a Resolução nº 3301000173 convertendo o julgamento em diligência com o objetivo de que fossem respondidas as seguintes indagações: 1) Quais foram os valores pagos a título de PIS referente ao fato gerador de dezembro/2002? Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 13 4 2) Qual o valor do débito declarado em DCTF do PIS referente ao fato gerador de dezembro/2002? 3) Se há sobra de valor decorrente de pagamento a maior e se é suficiente para a compensação pleiteada no presente processo. Em atendimento à diligência solicitada a autoridade preparadora, proferiu o despacho de encaminhamento de fl. 86, por meio do qual, confirma que houve pagamento a maior no valor de R$ 21.453,92, que está disponível e que é suficiente para amortizar a compensação pleiteada. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.900038/200887 Acórdão n.º 3301002.085 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Com a realização da diligência solicitada está cabalmente demonstrado que houve o pagamento a maior do PIS referente ao fato gerador de dezembro/2002 e que este pagamento a maior é suficiente para a homologação pleiteada no presente processo. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Desta forma dou provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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