Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,301)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,524)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13116.900751/2015-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. RETENÇÕES NA FONTE. RETORNO DE DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO.
Com o retorno de diligência, com a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório em discussão, deve haver o reconhecimento do valor devidamente comprovado, nos termos do art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1001-004.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório remanescente no valor de R$ 136.551,74 e homologar as compensações até o limite reconhecido.
Assinado Digitalmente
Gustavo de Oliveira Machado – Relator
Assinado Digitalmente
Carmen Ferreira Saraiva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecília Lustosa da Cruz, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 PER/DCOMP. RETENÇÕES NA FONTE. RETORNO DE DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Com o retorno de diligência, com a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório em discussão, deve haver o reconhecimento do valor devidamente comprovado, nos termos do art. 170 do CTN.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 13116.900751/2015-67
anomes_publicacao_s : 202603
conteudo_id_s : 7353865
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 1001-004.212
nome_arquivo_s : Decisao_13116900751201567.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13116900751201567_7353865.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório remanescente no valor de R$ 136.551,74 e homologar as compensações até o limite reconhecido. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecília Lustosa da Cruz, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
id : 11283306
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:01 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862166636619890688
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-28T21:11:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-28T21:11:19Z; Last-Modified: 2026-03-28T21:11:19Z; dcterms:modified: 2026-03-28T21:11:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-28T21:11:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-28T21:11:19Z; meta:save-date: 2026-03-28T21:11:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-28T21:11:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-28T21:11:19Z; created: 2026-03-28T21:11:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-03-28T21:11:19Z; pdf:charsPerPage: 1288; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-28T21:11:19Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13116.900751/2015-67 ACÓRDÃO 1001-004.212 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 4 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SAO MATEUS AGROPECUARIA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 PER/DCOMP. RETENÇÕES NA FONTE. RETORNO DE DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Com o retorno de diligência, com a comprovação da liquidez e certeza do direito creditório em discussão, deve haver o reconhecimento do valor devidamente comprovado, nos termos do art. 170 do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório remanescente no valor de R$ 136.551,74 e homologar as compensações até o limite reconhecido. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Cecília Lustosa da Cruz, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Paulo Elias da Silva Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Fl. 231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.212 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13116.900751/2015-67 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 110-004.755 (e-fls. 116/175), proferido pela 5ª Turma da DRJ/10 que por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Recorrente, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado. A Contribuinte afirmou que transmitiu o PER/DCOMP n°. 36088.99214.160315.1.7.02-6432 com a utilização do Saldo Negativo de IRPJ no ano calendário de 2013, no valor total de R$ 215.779,43. Após a análise dos documentos apresentados pela Recorrente, a DRF não confirmou as parcelas de retenções na fonte no ano calendário de 2013. A autoridade julgadora de 1ª Instância analisou a manifestação de inconformidade, julgando-a procedente em parte, cujo teor segue abaixo em síntese: “(...) CONCLUSÃO Portanto, considerando-se que não havia IRPJ devido no ano-calendário em questão e o IRRF apto a integrar as parcelas de composição de crédito é de R$ 79.227,69, voto por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer direito creditório referente a Saldo Negativo IRPJ do ano-calendário 2013, no valor de R$ 79.227,69; • homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido. (...)”. Inconformada com a decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 116/175) alegando que “houve a adoção de um critério de reconhecimento e tributação das receitas da operação de swap distinto entre DIPJ (competência) e DIRF (caixa/resgate), que, ao longo do período, não trouxe nenhum prejuízo aos cofres públicos, que ao contrário, houve uma antecipação de receitas e tributos”. DA RESOLUÇÃO CARF Nº. 1001-000.478 No dia 02 de Abril de 2024, a 1ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamento resolveu converter por unanimidade de votos, o julgamento em diligência a Unidade de Origem através da Resolução nº. 1001-000.478 (e-fls. 178/182), a fim de que fossem adotas as seguintes providências: “(...) Fl. 232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.212 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13116.900751/2015-67 3 Consequentemente, converto o julgamento em diligência a Unidade de Origem, para que esta ateste a idoneidade da documentação anexada, intime a recorrente, se for o caso, a apresentar outras provas, se entender necessárias, de documentos contábeis e fiscais para confirmar a existência do crédito, devendo indicar claramente a comprovação e contabilização dos valores em discussão. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo sobre a existência (ou não) do crédito; e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. (...)”. Informação RENDA-EQAUD/DEVAT06-VR Nº 3648/2024 A Autoridade fiscal, em atenção a Resolução CARF nº. 1001-000.478, proferiu a Informação Renda nº. 3648/2024 (e-fls. 220/224), cujo teor segue em síntese abaixo: “(...) No ano-calendário de 2013, conforme informação do contribuinte, a empresa passou a registrar os ganhos da operação de swap juntamente às demais receitas financeiras, na linha 23 da Ficha 06A da DIPJ. De 2009 a 2013 constam em DIRF rendimentos de receitas financeiras no montante de R$4.296.573,62. No mesmo período constam receitas financeiras oferecidas à tributação no montante de R$21.819,635,00 (R$3.214.952,30 + R$501.447,45 + R$18.103.235,25). Considerando apenas o código de receita 5273: constam em DIRF (2009 a 2013) rendimentos tributáveis de R$3.962.862,01. Na contabilidade e na DIPJ constam receitas oferecidas à tributação no valor total de R$4.037.850,51. Pelos valores acima, fica evidente que ampliando o período de avaliação quanto à tributação das receitas financeiras, não se confirma a conclusão anterior de que as receitas financeiras objeto de retenções na fonte no ano-calendário de 2013 não teriam sido incluídas em sua totalidade na base de cálculo do imposto. Diante do acima exposto, deve-se confirmar a integralidade das retenções financeiras constantes no Per/Dcomp n£' 36088.99214.160315.1.7.02-6432, no montante de R$215.779,43. O quadro abaixo detalha o crédito remanescente apurado: (...) Logo, há um crédito remanescente no valor de R$136.551,74. (...)”. Fl. 233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.212 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13116.900751/2015-67 4 INTIMAÇÃO A autoridade fiscal intimou a contribuinte, concedendo o prazo de 30 (trinta) dias, para a manifestação sobre o despacho de diligência, quedando a mesma silente. DO JULGAMENTO Insta destacar, que após o retorno da diligência, o processo retornou a minha relatoria para a continuidade do julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Delimitação da lide O exame do mérito dos pedidos postulados delimitados em sede recursal fica restritos a argumentos em face do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2013 no valor de R$ 136.551,74, que, conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita (art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplicam subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Da Análise do Direito Creditório- Retorno de Diligência Fl. 234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.212 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13116.900751/2015-67 5 Conforme já relatado, a Contribuinte pleiteou a compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano- calendário de 2013 através do PER/DCOMP de n°. 36088.99214.160315.1.7.02-6432, no valor total de R$ 215.779,43. A DRF de Anápolis-GO não homologou a compensação declarada sob o fundamento que “não houve apuração de crédito na DIPJ correspondente ao período de apuração do Saldo Negativo informado”. A DRJ/10 julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, assim, a Recorrente interpôs recurso voluntário ratificando as razões anteriores e buscando a reforma do acórdão recorrido. No dia 02 de Abril de 2024, a 1ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamento resolveu converter por unanimidade de votos o julgamento em diligência a Unidade de Origem através da Resolução nº. 1001-000.478 (e-fls. 178/182). Assim, a Autoridade Administrativa em cumprimento a resolução, elaborou o Informativo Fiscal nº 3648/2024 (e-fls. 220/224), cujo teor segue em síntese abaixo: “(...) Considerando apenas o código de receita 5273: constam em DIRF (2009 a 2013) rendimentos tributáveis de R$3.962.862,01. Na contabilidade e na DIPJ constam receitas oferecidas à tributação no valor total de R$4.037.850,51. Pelos valores acima, fica evidente que ampliando o período de avaliação quanto à tributação das receitas financeiras, não se confirma a conclusão anterior de que as receitas financeiras objeto de retenções na fonte no ano-calendário de 2013 não teriam sido incluídas em sua totalidade na base de cálculo do imposto. Diante do acima exposto, deve-se confirmar a integralidade das retenções financeiras constantes no Per/Dcomp n°. 36088.99214.160315.1.7.02-6432, no montante de R$215.779,43. O quadro abaixo detalha o crédito remanescente apurado: (...) Logo, há um crédito remanescente no valor de R$136.551,74”. A autoridade fiscal intimou a contribuinte, concedendo o prazo de 30 (trinta) dias, para a manifestação sobre o despacho de diligência, quedando a mesma silente. Desta feita, após a análise do processo, bem como o exame de toda a documentação colacionada, manifesto minha concordância com a Diligência realizada pela autoridade fiscal de e-fls. 220/224 para reconhecer o direito creditório pleiteado no valor de R$ 136.551,74. Dispositivo Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.212 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13116.900751/2015-67 6 Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório remanescente no valor de R$ 136.551,74 e homologar as compensações até o limite reconhecido. Assinado Digitalmente Gustavo de Oliveira Machado – Relator Fl. 236DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 12448.904799/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS. RESSARCIMENTO. PER/DCOMP. NULIDADE DA DECISÃO. OMISSÃO NO ENFRENTAMENTO DE TESE. ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL. INEXIGIBILIDADE APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. ART. 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972.
É nula a decisão administrativa que, ao se declarar incompetente para apreciar pedido de cancelamento de DCOMP, deixa de enfrentar tese jurídica autônoma e relevante deduzida na manifestação de inconformidade, apta, em tese, a afastar a exigibilidade dos débitos discutidos. A ausência de apreciação da alegação de inexigibilidade das estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do ano-calendário configura vício de fundamentação e preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972.
Nulidade declarada, com retorno dos autos à unidade de origem.
Numero da decisão: 3102-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de origem, a fim de que seja proferida nova decisão, com o enfrentamento expresso e motivado da tese relativa à inexigibilidade das estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do ano calendário.
Assinado Digitalmente
Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. RESSARCIMENTO. PER/DCOMP. NULIDADE DA DECISÃO. OMISSÃO NO ENFRENTAMENTO DE TESE. ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL. INEXIGIBILIDADE APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. ART. 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972. É nula a decisão administrativa que, ao se declarar incompetente para apreciar pedido de cancelamento de DCOMP, deixa de enfrentar tese jurídica autônoma e relevante deduzida na manifestação de inconformidade, apta, em tese, a afastar a exigibilidade dos débitos discutidos. A ausência de apreciação da alegação de inexigibilidade das estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do ano-calendário configura vício de fundamentação e preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Nulidade declarada, com retorno dos autos à unidade de origem.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 12448.904799/2013-68
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7355817
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3102-003.449
nome_arquivo_s : Decisao_12448904799201368.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : SABRINA COUTINHO BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 12448904799201368_7355817.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de origem, a fim de que seja proferida nova decisão, com o enfrentamento expresso e motivado da tese relativa à inexigibilidade das estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do ano calendário. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
id : 11290067
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:15 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862166636723699712
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-02T14:35:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-02T14:35:27Z; Last-Modified: 2026-04-02T14:35:27Z; dcterms:modified: 2026-04-02T14:35:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-02T14:35:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-02T14:35:27Z; meta:save-date: 2026-04-02T14:35:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-02T14:35:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-02T14:35:27Z; created: 2026-04-02T14:35:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-04-02T14:35:27Z; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-02T14:35:27Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 12448.904799/2013-68 ACÓRDÃO 3102-003.449 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 27 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE E D & F MAN BRASIL S/A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. RESSARCIMENTO. PER/DCOMP. NULIDADE DA DECISÃO. OMISSÃO NO ENFRENTAMENTO DE TESE. ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL. INEXIGIBILIDADE APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. ART. 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972. É nula a decisão administrativa que, ao se declarar incompetente para apreciar pedido de cancelamento de DCOMP, deixa de enfrentar tese jurídica autônoma e relevante deduzida na manifestação de inconformidade, apta, em tese, a afastar a exigibilidade dos débitos discutidos. A ausência de apreciação da alegação de inexigibilidade das estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do ano-calendário configura vício de fundamentação e preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Nulidade declarada, com retorno dos autos à unidade de origem. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de origem, a fim de que seja proferida nova decisão, com o enfrentamento expresso e motivado da tese relativa à inexigibilidade das estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do ano calendário. Assinado Digitalmente Fl. 187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.449 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.904799/2013-68 2 Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Adoto como meu relatório o exposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que descreve de forma sucinta e adequada os fatos constantes dos presentes autos até a presente fase processual: 1. DRJ/SPO Fls. 2 E D & F MAN BRASIL S/A. apresentou o Pedido de Ressarcimento nº 04686.85642.180211.1.5.09-4787, referente a créditos na apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins no regime não cumulativo mercado externo, relativo ao 2º trimestre de 2006, no valor de R$ 227.968,27 (fls. 4/6). A esse crédito o contribuinte vinculou Declarações de Compensação. 2. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório deferindo parcialmente o Pedido de Ressarcimento. Tendo em vista que o direito creditório reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 06433.46641.210311.1.3.09-1676 e não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 37107.50308.050511.1.3.09-3506. A compensação declarada no PER/DCOMP 27651.53599.290906.1.3.09-0759, também vinculada ao crédito, foi integramente homologada (fls. 7/12). 3. Cientificado do despacho decisório em 13/05/2013 (fls. 88/90), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 11/06/2013 (fl. 13/31), na qual alega o seguinte: DCOMP n° 27651.53599.290906.1.3.09-0759, vinculada ao crédito, a integralidade dos débitos de IRPJ e de CSLL do período de apuração de 08/2006, nos valores de R$ 122.368,90 e R$ 44.772,81, respectivamente. pelas DCOMP e DCTF que apresenta, o referido débito de IRPJ do período de apuração de 08/2006, no valor de R$ Fl. 188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.449 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.904799/2013-68 3 122.368,90, foi liquidado por compensação com os PER/DCOMP nº 05771.54283.170311.1.3.08-6949 e nº 02933.26885.010411.1.3.09-3270. O débito de CSLL, de R$ 44.772,81, foi liquidado com os PER/DCOMP nº 28859.25002.050511.1.3.08-3076 e 3710730308.050511.1.3.09-3506. o crédito da COFINS não cumulativa do 2º trimestre de 2006, definitivamente reconhecido nos presentes autos, foi alocado indevidamente para liquidação integral dos débitos de IRPJ e de CSLL do período de apuração de 08/2006, nos valores de R$ 122.368,90 e R$ 44.772,81 (DCOMP n° 27651.53599.290906.1.3.09-0759), não remanescendo crédito para homologação das demais DCOMP, n°s 06433.46641.210311.1.3.09-1676 e 37107.50308.050511.13.09-3506, efetivamente vinculadas ao crédito reconhecido. Está comprovado o erro de fato na transmissão eletrônica de dcomps e a indevida compensação de débitos em duplicidade. Cita jurisprudência administrativa relativa a erro de fato e conclui que, em homenagem aos princípios da legalidade, da verdade material e do formalismo moderado, deve ser reconhecida a existência do erro de fato na transmissão eletrônica de DCOMP e a indevida compensação em duplicidade, como forma de refletir as informações declaradas em DCTF e DIPJ, determinando-se: (I) o cancelamento da DCOMP nº 27651.53599.290906.1.3.09-0759, por inexistir o débito; das (II) nova operacionalização do crédito já definitivamente reconhecido, com a homologação DCOMPs n°s 06433.46641.210311.1.3.09-1676 e 37107.50308.050511.1.3.09-3506; e (III) o cancelamento dos "débitos" controlados nos autos dos Processos Administrativos 12448.904799/2013-68 e 12448.904800/2013-54. sibilidade de reconhecimento do erro de fato na transmissão eletrônica de DCOMPs e da indevida compensação de débitos em duplicidade, não pode prosperar a exigências de débitos de "estimativa" de IRPJ e CSLL 430/96, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados, há de se ter presente que as "estimativas" de IRPJ e CSLL, após o encerramento do ano-calendário, deixam de existir, passando a ter lugar a apuração do tributo com base no critério anual, descabendo a cobrança destas mesmas antecipações ("estimativas"). ser observado no caso de inadimplência de "estimativas" de IRPJ/CSLL. Não prospera o argumento de que apenas a constituição do crédito pelo lançamento de oficio estaria interditada, uma vez que a inexigibilidade da "estimativa" após o encerramento do anº calendário não está vinculada à forma ou ao mecanismo Fl. 189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.449 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.904799/2013-68 4 adotado para a constituição do crédito, mas sim à própria sistemática de apuração do tributo disciplinada pela legislação tributária. de não permitir ao contribuinte que confesse débitos de estimativa após o encerramento do ano-calendário. É o relatório A DRJ concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, por entender que tal instrumento não é hábil para o cancelamento ou a retificação de DCOMP, uma vez que a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento limita-se à apreciação da inconformidade apresentada contra decisões administrativas, não abrangendo pedidos de cancelamento de declarações nem a cobrança de débitos. Intimada, a recorrente interpôs recurso voluntário, requerendo o seu provimento. Para tanto, em sede preliminar, sustenta a nulidade da decisão da DRJ, ao argumento de que o órgão julgador teria indevidamente se declarado incompetente para apreciar o pedido de cancelamento de DCOMP e, por essa razão, deixado de enfrentar os fundamentos apresentados na manifestação de inconformidade. No mérito, reitera os argumentos anteriormente deduzidos, sustentando que demonstrou ter, por erro, informado em DCOMP a liquidação de débitos de IRPJ e de CSLL referentes ao período de apuração de 08/2006, os quais já se encontravam integral e definitivamente extintos, em razão de compensações anteriormente homologadas. Sustenta, ainda, que, ainda que não se admita a correção das DCOMPs, seria indevida a cobrança das “estimativas” de IRPJ e CSLL, uma vez que tais valores se exaurem no encontro de contas anual, não podendo ser exigidos como débitos autônomos. É o relatório. VOTO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual o admito. Sem maiores delongas, o cerne do debate consiste em verificar se a redução do crédito de COFINS não cumulativa, relativa ao 2º trimestre de 2006, decorreu de mero erro de fato no preenchimento do Pedido de Ressarcimento, passível de correção, ou se configuraria tentativa de retificação indevida do pedido após a prolação da decisão administrativa, conforme entendeu a DRJ. O recurso voluntário interposto pela recorrente sustenta-se em três pilares: Fl. 190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.449 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.904799/2013-68 5 (i) nulidade da decisão, ao argumento de que a DRJ teria indevidamente se declarado incompetente para apreciar o pedido de cancelamento de DCOMP, deixando de enfrentar os fundamentos deduzidos na manifestação de inconformidade, em violação à legislação do processo administrativo fiscal e aos princípios da legalidade, da verdade material e do formalismo moderado; (ii) erro de fato na DCOMP, consubstanciado na transmissão equivocada de declaração de compensação que resultou em compensação em duplicidade de débitos de IRPJ e CSLL já integralmente liquidados, devendo ser cancelada a DCOMP indevida e realocado o crédito às DCOMPs válidas; e (iii) inexigibilidade das estimativas, sob o fundamento de que, após o encerramento do ano-calendário, as estimativas de IRPJ e CSLL são absorvidas no ajuste anual, não podendo ser exigidas como débitos autônomos, ainda que não se reconheça a correção das DCOMPs. No que se refere ao argumento de nulidade da decisão, entendo que assiste razão à recorrente. A DRJ, ao afirmar sua incompetência para apreciar o pedido de cancelamento de DCOMP, deixou de se manifestar sobre fundamentos autônomos deduzidos na manifestação de inconformidade, notadamente aqueles constantes do Tópico III.3 – Da Impossibilidade de Cobrança dos Débitos de “Estimativa” de IRPJ e CSLL. Com efeito, ainda que se entendesse pela impossibilidade de cancelamento da DCOMP no âmbito do julgamento administrativo, tal circunstância não eximiria o órgão julgador do dever de apreciar a alegação de que os recolhimentos mensais por estimativa perdem autonomia jurídica após o ajuste anual, sendo absorvidos na apuração definitiva do IRPJ e da CSLL, nos termos da Lei nº 9.430/1996. Trata-se de matéria de direito autônoma, que independe da análise do cancelamento da DCOMP e que poderia, por si só, afastar a exigibilidade dos débitos discutidos. A recorrente sustenta, com base nessa sistemática, que, mesmo na ausência de correção das DCOMPs, seria indevida a cobrança das “estimativas”, porquanto tais valores se exaurem no encontro de contas anual, não podendo ser exigidos como débitos autônomos. Defende, assim, que a interpretação do art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996 não pode subverter o regime legal de apuração anual dos tributos, sob pena de se exigir obrigação já extinta. A omissão no exame dessa tese configura vício de fundamentação, porquanto implica ausência de apreciação de argumento capaz de, em tese, alterar o resultado do julgamento, caracterizando hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, segundo o qual são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de origem, a fim de que seja proferida nova decisão, com o enfrentamento expresso e motivado da tese relativa à inexigibilidade das estimativas de IRPJ e CSLL após o encerramento do ano-calendário. Fl. 191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.449 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.904799/2013-68 6 É o voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa Fl. 192DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721586/2017-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015
SOCIEDADES COOPERATIVAS. SAÍDAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO TÍPICO. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. CRÉDITOS VINCULADOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Como decorrência do art. 79 da Lei nº 5.764/71, as receitas decorrentes das vendas das sociedades cooperativas para seus cooperados, por se caracterizarem como atos cooperativos típicos, estão excluídas da incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Tratando-se de não incidência, os créditos vinculados a essas vendas podem ser ressarcidos ou compensados com base nos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.116/2005.
RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA. VENDAS. MERCADO INTERNO. COEFICIENTE. CRÉDITOS. APURAÇÃO. RECEITA DE ATOS COOPERATIVOS.
No cálculo do rateio proporcional da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, para a determinação dos créditos descontados de insumos utilizados na produção dos bens vendidos no mercado interno, cujas vendas, parte está sujeita ao pagamento das contribuições pelo regime não cumulativo e parte à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, a receita decorrente de atos cooperativos deve ser incluída no total da receita bruta, inexistindo amparo legal para sua exclusão.
Numero da decisão: 3202-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de i) despesas com embalagens e materiais secundários utilizados na indústria de laticínios, ii) despesas com serviço de industrialização para envase do leite como as despesas com frete de leite in natura e iii) reverter a glosa de créditos decorrente do rateio utilizado pela Fiscalização. Vencidas as Conselheiras Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Aline Cardoso de Faria e o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Luiz Bueno da Cunha.
Assinado Digitalmente
Juciléia de Souza Lima – Relatora
Assinado Digitalmente
Rafael Luiz Bueno da Cunha – Redator
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 SOCIEDADES COOPERATIVAS. SAÍDAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO TÍPICO. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. CRÉDITOS VINCULADOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Como decorrência do art. 79 da Lei nº 5.764/71, as receitas decorrentes das vendas das sociedades cooperativas para seus cooperados, por se caracterizarem como atos cooperativos típicos, estão excluídas da incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Tratando-se de não incidência, os créditos vinculados a essas vendas podem ser ressarcidos ou compensados com base nos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.116/2005. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA. VENDAS. MERCADO INTERNO. COEFICIENTE. CRÉDITOS. APURAÇÃO. RECEITA DE ATOS COOPERATIVOS. No cálculo do rateio proporcional da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, para a determinação dos créditos descontados de insumos utilizados na produção dos bens vendidos no mercado interno, cujas vendas, parte está sujeita ao pagamento das contribuições pelo regime não cumulativo e parte à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, a receita decorrente de atos cooperativos deve ser incluída no total da receita bruta, inexistindo amparo legal para sua exclusão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10183.721586/2017-59
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7355216
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 3202-003.247
nome_arquivo_s : Decisao_10183721586201759.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : JUCILEIA DE SOUZA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10183721586201759_7355216.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de i) despesas com embalagens e materiais secundários utilizados na indústria de laticínios, ii) despesas com serviço de industrialização para envase do leite como as despesas com frete de leite in natura e iii) reverter a glosa de créditos decorrente do rateio utilizado pela Fiscalização. Vencidas as Conselheiras Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Aline Cardoso de Faria e o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Luiz Bueno da Cunha. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Redator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
id : 11286825
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:12 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862166637200801792
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-01T12:46:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-01T12:46:33Z; Last-Modified: 2026-04-01T12:46:33Z; dcterms:modified: 2026-04-01T12:46:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-01T12:46:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-01T12:46:33Z; meta:save-date: 2026-04-01T12:46:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-01T12:46:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-01T12:46:33Z; created: 2026-04-01T12:46:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; Creation-Date: 2026-04-01T12:46:33Z; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-01T12:46:33Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10183.721586/2017-59 ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 23 de janeiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COOPNOROESTE - COOPERATIVA AGROPECUARIA DO OESTE DE MATO GROSSO LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 SOCIEDADES COOPERATIVAS. SAÍDAS PARA COOPERADOS. ATO COOPERATIVO TÍPICO. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. CRÉDITOS VINCULADOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Como decorrência do art. 79 da Lei nº 5.764/71, as receitas decorrentes das vendas das sociedades cooperativas para seus cooperados, por se caracterizarem como atos cooperativos típicos, estão excluídas da incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Tratando-se de não incidência, os créditos vinculados a essas vendas podem ser ressarcidos ou compensados com base nos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.116/2005. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA. VENDAS. MERCADO INTERNO. COEFICIENTE. CRÉDITOS. APURAÇÃO. RECEITA DE ATOS COOPERATIVOS. No cálculo do rateio proporcional da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, para a determinação dos créditos descontados de insumos utilizados na produção dos bens vendidos no mercado interno, cujas vendas, parte está sujeita ao pagamento das contribuições pelo regime não cumulativo e parte à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, a receita decorrente de atos cooperativos deve ser incluída no total da receita bruta, inexistindo amparo legal para sua exclusão. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de i) despesas com embalagens e materiais Fl. 7177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 2 secundários utilizados na indústria de laticínios, ii) despesas com serviço de industrialização para envase do leite como as despesas com frete de leite in natura e iii) reverter a glosa de créditos decorrente do rateio utilizado pela Fiscalização. Vencidas as Conselheiras Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Aline Cardoso de Faria e o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Luiz Bueno da Cunha. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Redator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário contra indeferimento de Pedido de Ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP nº 34324.97398.220316.1.5.19-8133, relativo ao ressarcimento de COFINS não cumulativo do 4° trimestre de 2015 – 01/10/2015 a 31/12/2015, valor pedido de R$ 1.241.412,13, o qual foi deferido parcialmente no valor reconhecido de R$ 7.254,84. De acordo com a Informação Fiscal, foram glosados os créditos correspondentes às aquisições de lenha para caldeira (não se trata de insumo), óleo diesel (não se trata de insumo e não incide PIS/Pasep e COFINS - alíquota zero), matéria prima e embalagens utilizados na indústria de ração (créditos não vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), embalagens/material secundário utilizados na indústria de laticínios e serviços de industrialização - envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura (os créditos de insumos vinculados aos produtos de laticínios não podem ser descontados porque constituem ato cooperado), frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa (não se caracteriza como venda, de modo que não dá direito ao Fl. 7178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 3 crédito do PIS/Pasep e Cofins), armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, energia elétrica (valor correspondente à energia não consumida), máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Foi também glosado o valor dos bens utilizados como insumos relativos ao crédito presumido por falta de apresentação das correspondentes documentos fiscais e por falta de habilitação no “Programa Leite Mais Saudável”. Cientificada, a Recorrente apresentou defesa administrativa perante a 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campo Grande/MS, formalizada através do acórdão 04- 48.316, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2015 a 31/12/2015 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Dão origem a crédito na apuração não cumulativa os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos do Parecer Normativo COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, que consolidou a interpretação da Receita Federal sobre o tema com base nos entendimentos contidos no Acórdão do REsp 1.221.170/PR e na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. LENHA PARA CALDEIRA E ÓLEO DIESEL. São considerados insumos geradores de créditos das contribuições os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não há possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos e na modalidade frete na operação de venda, em relação aos dispêndios com serviços de transporte suportados pela pessoa jurídica no deslocamento de produtos acabados entre os seus diferentes estabelecimentos. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. ENERGIA ELÉTRICA. Fl. 7179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 4 Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito o valor incluído na fatura correspondente à contribuição para o custeio da iluminação pública, os encargos financeiros cobrados na fatura de energia elétrica a título de demanda contratada, contribuição de iluminação pública, juros e multa por atraso no pagamento da fatura. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. EDIFICAÇÕES. É reconhecido o direito ao desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação às edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, devidamente comprovadas por meio de notas fiscais. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE BENEFICIAMENTO, ARMAZENAMENTO E INDUSTRIALIZAÇÃO DO PRODUTO DO ASSOCIADO (EMBALAGEM, MATERIAL SECUNDÁRIO UTILIZADO NA INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS, ENVASE DE LEITE UHT, FRETE DE LEITE IN NATURA). COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A exclusão, da base de cálculo, das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não correspondem à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não são passíveis de compensação com outros tributos ou de ressarcimento, exceto em caso de previsão legal específica. Inteligência da Solução de Divergência nº 1 - COSIT, de 21 de janeiro de 2019. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS. RATEIO DA RECEITA AUFERIDA. Para fins de determinação dos créditos, não são computadas, no rateio da receita auferida, as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado, uma vez que não correspondem à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência. Inteligência da Solução de Divergência nº 1 - COSIT, de 21 de janeiro de 2019. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PROGRAMA MAIS LEITE SAUDÁVEL. Fl. 7180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 5 Ficou comprovada a habilitação da interessada no Programa Mais Leite Saudável, o que propicia o ressarcimento do crédito presumido relativo às aquisições de leite in natura devidamente comprovadas. A comprovação da aquisição do leite in natura das pessoas físicas se faz mediante apresentação do documento legalmente exigido para produtores rurais pessoas físicas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. A prova documental referente a direito creditório alegado em pedido de ressarcimento deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, para fins de seu eventual deferimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Sendo assim, o julgador “a quo”, ratificando o despacho decisório manteve as seguintes glosas: (i) embalagens/material secundário utilizados na indústria de laticínios; (ii) despesas com serviços de industrialização - envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura (os créditos de insumos vinculados aos produtos de laticínios não podem ser descontados porque constituem ato cooperado); (iii) Despesas com armazenagem de mercadorias e fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa; (iv) despesas com energia elétrica; (v) máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de aquisição); (vi) Créditos Presumidos decorrentes da aquisição de insumos de origem animal (Programa Leite Mais Saudável; e (vii) rateio da receita auferida. Inconformada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF, pugnando pela reversão integral de todas as glosas. Fl. 7181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 6 É o que havia a ser relatado. VOTO VENCIDO Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo a análise do mérito. I- DO MÉRITO Do conceito de insumo e o RESP 1.221.170/PR Para interpretar o conceito de insumo, entendo por bem registrar que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS deve tomar como base a decisão proferida no RESP 1.221.170. É sabido que em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do Fl. 7182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 7 PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade Fl. 7183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 8 ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete que o “teste de subtração” deve ser utilizado para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização Fl. 7184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 9 da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Com efeito, o conceito de insumo a ser utilizado nesse voto será a sua relação direta com o processo produtivo. Feitos os devidos comentários, passemos à análise do presente do caso. 1.1- DAS GLOSAS Segundo a fiscalização, com base na descrição da mercadoria adquirida, excluiu-se diversas aquisições da base de cálculo do crédito, por entender a Fiscalização que não correspondem ao conceito de insumo. Tratam-se das seguintes glosas: (i) embalagens/material secundário utilizados na indústria de laticínios; (ii) despesas com serviços de industrialização - envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura (os créditos de insumos vinculados aos produtos de laticínios não podem ser descontados porque constituem ato cooperado); (iii) Despesas com armazenagem de mercadorias e fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa; (iv) despesas com energia elétrica; (v) máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de aquisição); (vi) Créditos Presumidos decorrentes da aquisição de insumos de origem animal (Programa Leite Mais Saudável; e (vii) rateio da receita auferida. Passemos à análise de cada uma das glosas. (i) Embalagens/Material Secundário utilizados na indústria de laticínios (bens utilizados como insumos) A Autoridade Fiscal glosou os valores correspondentes a embalagens e materiais secundários utilizados na indústria de laticínios, por entender que as vendas de produtos derivados dessa atividade são atos cooperativos, o que não implica em suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência de contribuições. Neste ponto, alega a fiscalização que todas as vendas de produtos derivados da atividade de laticínios, mesmo que efetuadas a não associados foram consideradas como ato cooperativo- leite recebido de cooperados para industrialização. Fl. 7185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 10 Dessa forma, segundo a fiscalização, não se poderia apurar os créditos como empresa comercial e apurar os débitos como cooperativa, por não se tratar de ato mercantil e sim ato cooperado, sendo indevidos os créditos pleiteados de bens utilizados como insumos relativos a produtos de laticínios. A Recorrente, por sua vez, alega que se tratando de atos cooperados, por não implicar operação de mercado, não existiria receita bruta, consequentemente seria caso de não incidência das contribuições para o PIS e a Cofins e não caso de exclusão da base de cálculo. Nesse caso, não caberiam as glosas efetuadas, restando enquadrado na hipótese prevista no citado art. 17 da Lei 11.033/2004. De fato, a questão precisa ser enfrentada sob dois aspectos. Primeiro, as exclusões da base de cálculo das cooperativas podem ser comparadas a isenção ou a outra forma de não tributação favorecida pelo art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, de modo a permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados a essas receitas. E segundo, se as exclusões da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas para as sociedades cooperativas de produção agropecuária, impedem a apuração e também a manutenção de créditos calculados em relação às despesas que integrarão as respectivas receitas excluídas. Para o deslinde da questão, exige analisar a natureza jurídica dessas exclusões da base de cálculo das contribuições. Pois bem. A questão que exsurge é se as exclusões da base de cálculo das cooperativas podem ser comparadas à isenção, alíquota zero ou a outra forma de não tributação favorecida pelo art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, de modo a permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados a essas receitas. A meu entender, as exclusões de base de cálculo realizadas pelas cooperativas não correspondem a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou de ressarcimento. A exceção a essa regra seriam os créditos vinculados a receitas de exportação, as receitas decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ou a outras receitas a que a legislação especificamente autorize a compensação e o ressarcimento. A meu ver, tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de ser tributada. Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, na verdade, está na categoria de despesas, existem exclusões da base de cálculo das contribuições, as quais, todavia, não se transformam em isenção, suspensão e/ou alíquota zero. Fl. 7186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 11 Como se sabe, a não-incidência configura-se em face da própria norma de tributação, ou norma descritora da hipótese de incidência do tributo. Esta norma descreve a situação de fato que, se e quando realizada, faz nascer o dever jurídico de pagar o tributo. Tudo o que não esteja abrangido por tal descrição constitui hipótese de não incidência tributária. Em outras palavras, tudo que não é hipótese de incidência tributária é, naturalmente, hipótese de não incidência tributária pura ou simples. Há também as situações em que o legislador, por pura opção, expressamente se manifesta para afirmar que não há incidência em determinada situação fática, situação conhecida como não incidência juridicamente qualificada. A exclusão da base de cálculo, por seu turno, se configura como a hipótese prevista em lei na qual, embora existente a situação fática que faz nascer o dever jurídico de pagar o tributo - hipótese de incidência, por opção do legislador, autoriza-se, no momento da apuração, a exclusão de valores da base de cálculo tributável. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do “quantum debeatur” do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005. Esclareça-se, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a essas vendas, para fins de compensação ou ressarcimento. Outrossim, é mister registrar que o art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 e o art. 17 da Lei n° 10.684/03, ao listar as exclusões permitidas na base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS das sociedades cooperativas, não faz qualquer referência à natureza dos atos praticados como atos cooperativos ou não cooperativos, mas refere-se às operações realizadas com o associado. As exclusões de base de cálculo nada mais são do que o reconhecimento da não incidência tributária sobre as operações realizadas com o associado-cooperado com o objetivo de dar às cooperativas o adequado tratamento tributário previsto na Constituição Federal. Ao contrário do que defende a Recorrente, o fato é que as exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas conforme autorização legal inscrita no art 15 da MP n° 2.158-35, de 2001 e no art. 17 da Lei n° 10.684/03, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero, situações cujos créditos correspondentes podem ser aproveitados por ressarcimento ou compensação. Fl. 7187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 12 A meu entender, tratam-se de receitas normalmente tributadas e que têm a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo exclusivamente por força da condição particular relacionada à natureza jurídica do vendedor que no caso é sociedade cooperativa. Neste sentido, temos a Solução de Consulta Cosit n° 65, de 2014: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep. EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. (...) 4. A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 5. Inicialmente esclareça-se que o cálculo e o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa está limitado às situações e condições previstas na legislação, especialmente no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003. Não há na legislação vedação ao aproveitamento de créditos pelo simples fato de o produto ou serviço ser adquirido de cooperativa. 6. De acordo com o art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito a crédito. [...] 7. As receitas das cooperativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na de salários relativamente às operações referidas na MP n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. [negritos acrescidos] 8. [...] 9. Assim, para aproveitamento de créditos nas aquisições junto a cooperativas, deve-se observar as mesmas normas vigentes para a apuração de créditos em relação a aquisições tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na Fl. 7188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 13 consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. [...] Pelo exposto, conclui-se que: 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. Nesse mesmo sentido Solução de Consulta Cosit n° 383, de 2017: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. Contudo, podem ser compensados e ressarcidos os mesmos créditos vinculados a vendas feitas por cooperativas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Dispositivos Legais: Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, art. 15; Lei n° 10.676, de 2003, art. 1°; Lei n° 10.684, de 2003, art. 17; Lei n° 11.033, de 2004, art. 17; e IN RFB n° 635, de 2006, art. 15. Entendo que assiste razão a recorrente, ao defender que os créditos que contribuíram para receitas da cooperativa em transações com os seus cooperados podem ser mantidos pela Recorrente, por força da aplicação do art. 17, da Lei nº 11.033/2004. Entretanto, a possibilidade de serem excluídas da base cálculo em razão da situação particular da vendedora, não tira o caráter de receitas tributáveis ao produto das vendas das cooperativas. Portanto, não se confundindo com não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Não havendo direito ao aproveitamento do crédito na forma de ressarcimento ou compensação, e por isso, nego provimento ao tópico recursal. Fl. 7189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 14 (ii) despesas com serviços de industrialização - envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura Tratam-se de despesas com serviços de industrialização- envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura- (créditos na aquisição de insumos vinculados a ato cooperado). Neste ponto, alega a recorrente que os produtos lácteos são tributados pela alíquota zero. Entretanto, ratificando o entendimento da fiscalização, entendo que deve ser adotado o mesmo entendimento utilizado para bens utilizados como insumos, pois se as operações de saídas efetuadas pela cooperativa não implicam em ato mercantil e sim ato cooperado, logo, são indevidos os créditos pleiteados de serviços utilizados como insumos relativos a produtos de laticínios. Por isso, pelas razões acima expostas, também nego provimento ao tópico recursal. (iii) Despesas com armazenagem de mercadorias e fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa A fiscalização constatou que o contribuinte tomou créditos em relação a fretes entre estabelecimentos da própria recorrente (onde ele era a remetente e a própria destinatária). Aqui, defende a fiscalização inexistir previsão da concessão do crédito vindicado. Por sua vez, alega a recorrente que a operação de venda inicia-se com a transferência do produto ao centro de distribuição. A única diferença é de logística. Grandes cargas são redistribuídas para pequenos veículos possibilitando a entrega nos mais diversos centros de consumo (e-fls. 7166), defendendo ainda, não ser “lógico” fazer acepção entre frete interno x frete na operação de venda. Todavia, o tema não merece maiores digressões ante o entendimento sumulado deste Conselho na Súmula 217: “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas”. Por isso, nego provimento ao tópico recursal. (iv) despesas com energia elétrica A Autoridade Fiscal procedeu à glosa parcial dos valores pleiteados, excluindo os valores contidos na fatura de energia elétrica que não se referem à energia consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, ou seja, os valores correspondentes à taxa de iluminação pública, demanda contratada, juros, multa e outros, bem como os valores que deixaram de ser comprovados mediante apresentação das notas fiscais. Fl. 7190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 15 Entretanto, o procedimento fiscal não merece reparos, merecendo ser aplicada a Súmula 224: Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. (v) máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado A autoridade fiscal realizou glosas das despesas com máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, com base nos seguintes fundamentos: 98. Na planilha apresentada pelo contribuinte de créditos calculados sobre "Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (crédito com base no valor de aquisição)" constam apenas 4 (quatro) aquisições de máquinas e equipamentos. 99. Verificou-se que na nota fiscal nº 65, de 21/07/2015, de R$ 2.700,00, consta o CST 99 - Outras Operações. Segundo o parágrafo 2º do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não existe direito a crédito referente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de PIS e COFINS. Logo esta nota não dá direito ao crédito. Em sede de defesa, a recorrente apresentou na DRJ, apresentou planilha discriminativa das notas fiscais geradores de créditos no ano de 2015. Em relação ao período analisado, o julgador “a quo”, considerou os materiais e serviços relativos à edificação incorporada ao ativo imobilizado no mês de fevereiro de 2015, na conta edifícios, comprovados por meio das notas fiscais, no valor total de R$ 85.015,41, no mês de outubro de 2015, na conta instalações, comprovados por meio das notas fiscais, no valor total de R$ 22.041,50, e no mês de dezembro de 2015, nas contas edificações e instalações, no valor total de R$ 529.000,00, perfazendo o total de R$ 636.056,91. O crédito, no período de outubro/2015 a dezembro/2015, corresponde ao valor comprovado de R$ 636.056,91, dividido por 24 meses, nos termos do art. 6º da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, o que perfaz o valor mensal de R$ 26.502,37, e sobre este valor incide o percentual de rateio e a alíquota do tributo. Neste ponto, a recorrente requer que o período seja reanalisado, todavia, não refuta e nem traz argumentos passíveis de serem analisados para reversão a totalidade das glosas. Sendo assim, por ausência impugnação específica, o acórdão recorrido não merece reparo no que Fl. 7191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 16 ao tópico recursal- despesas com aquisição de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado. (vi) Créditos Presumidos decorrentes da aquisição de insumos de origem animal (Programa Leite Mais Saudável) A recorrente deixou de apresentar as notas fiscais de produtor rural correspondentes às notas fiscais de entrada de leite in natura, sob a justificativa de que, por serem preenchidos com papel carbono. Alega a recorrente falta de legibilidade para apresentação dos documentos fiscais comprobatórios das aquisições de leitura in natura. Entretanto, por ausência de certeza e liquidez do direito vindicado, mantenho as glosas. (vii) Do rateio da receita auferida E no que se refere a alegação da recorrente que não existe amparo legal para se excluir as receitas auferidas à alíquota zero do cálculo do rateio proporcional dos créditos comuns. De fato, não assiste razão a recorrente, pois as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não correspondem à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima VOTO VENCEDOR Conselheiro Rafael Luiz Bueno da Cunha, redator designado Fl. 7192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 17 Em que pese o costumeiro bem fundamentado voto da i. Relatora, ouso divergir em relação às seguintes matérias: i) Embalagens/Material Secundário utilizados na indústria de laticínios (bens utilizados como insumos), ii) despesas com serviços de industrialização - envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura e iii) método de determinação dos créditos – rateio da receita bruta auferida. Vejamos. I. Embalagens/Material Secundário utilizados na indústria de laticínios (bens utilizados como insumos) As glosas de despesas com embalagens/material secundário utilizados na indústria de laticínios assentaram-se no fato de a autoridade fiscal ter constatado que todas as receitas às quais esses insumos estão vinculados (vendas de laticínios) decorrem de atos cooperativos típicos, de maneira que, em seu entendimento, não se trataria dos casos disciplinados pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004 (suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência de contribuições). É o que se depreende do trecho a seguir da Informação Fiscal de fls. 6289-6320: 60. No entanto, somente podem ser objeto de ressarcimento créditos vinculados a receitas decorrentes de vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, conforme previsto no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004 c/c artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. 61. Deve-se observar que as operações de vendas realizadas pela cooperativa relativas aos produtos de laticínio não se enquadram às disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, mas sim ao conceito de atos cooperativos disposto no art. 79 da Lei nº 5.764/1971. Por sua vez, para fundamentar sua posição de que as vendas de laticínios da recorrente são atos cooperativos, a autoridade fiscal baseou-se em resposta apresentada pela própria recorrente: 63. Tal entendimento se confirma ao verificar as operações de saída da COOPNOROESTE. A cooperativa foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 713/2015 (fl. 449 a 451), a identificar se as operações de saídas se referem a ato cooperado ou não. A seguinte resposta foi apresentada (fls. 468/469): “Laticínios: na atividade laticínios, o critério de segregação do ato cooperativo é conforme a aquisição do leite para industrialização. Por isso, não é levado em consideração a condição do adquirente dos produtos lácteos, se cooperado ou não, mas sim a origem do leite recebido para industrialização. Por isso, todas as receitas da atividade Laticínios estão informadas na coluna de atos cooperativos.“ (Grifei) 64. Isto posto, todas as vendas de produtos derivados da atividade de laticínios, mesmo que efetuadas a não associados foram consideradas como ato Fl. 7193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 18 cooperativo, por serem, segundo a COOPNOROESTE, de origem do leite recebido para industrialização. Opondo-se ao entendimento, em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente sustenta que: É bem verdade que ao vender os produtos recebidos de seus cooperados a cooperativa está praticando o ato cooperativo, está agindo como a longa manus de seus cooperados. ENTRETANTO, o que fora desconsiderado é que esse fato não retira da operação, ou melhor, dos produtos lácteos a característica de serem tributados pela alíquota zero! [...] [...] Então, o indeferimento do direito creditório não se mostra razoável e nem mesmo legal, devendo ser revertido através do presente recurso gerando o direito creditório e o direito ao ressarcimento, nos termos do que fora consignado na descrição dos créditos, ou seja, nos artigos 16 da Lei 11.116/2005 e 17 da Lei 11.033/2004. Portanto, a recorrente não contesta o fato de que as vendas de laticínios se enquadram no conceito de ato cooperativo típico, limitando-se a alegar que, a despeito disso, os produtos objeto desses negócios jurídicos são tributados pela alíquota zero, do que decorreria seu direito de manter e aproveitar os créditos com base nos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.196/2005. O acórdão recorrido manteve as glosas em questão com base na Solução de Divergência COSIT nº 1/2019, que concluiu que “as exclusões de base de cálculo realizadas pelas cooperativas não correspondem a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou de ressarcimento”. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente alega que: [...] a própria IN 635/06 da Receita Federal garante às cooperativas o crédito apurado sobre bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda. A contribuinte enquadra-se perfeitamente nessa condição, pois adquiriu embalagens e demais insumos de fornecedores diversos para produção de leite UHT, queijos, bebidas lácteas e outros derivados. Sustenta também que “o indeferimento do direito creditório não se mostra razoável e nem mesmo legal, devendo ser revertido através do presente recurso gerando o direito creditório e o direito ao ressarcimento, nos termos do que fora consignado na descrição dos créditos, ou seja, nos artigos 16 da Lei 11.116/2005 e 17 da Lei 11.033/2004” e que “só se poderia falar em exclusões se falássemos de produtos tributados, o que não é caso, pois como, inclusive exaustivamente se repete, tratam-se de produtos alíquota zero”. Fl. 7194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 19 Entendo que a análise do mérito passa, primeiro, pelo adequada qualificação jurídica dos negócios (vendas de laticínios) aos quais se vinculam as glosas sob análise. Nesse sentido, em que pese a recorrente alegue em seu recurso voluntário que “a discussão não está, nem de perto, sendo travada pelo ponto de vista do ato cooperativo. Claramente, se trata de ato não cooperativo [...]”, entendo que a autoridade fiscal acertou ao considerar as vendas de laticínios como sendo atos cooperativos, pois foi assim que a própria recorrente os qualificou na documentação apresentada à fiscalização. Mais do que isso, a recorrente não contestou essa qualificação em sua manifestação de inconformidade. Superado esse ponto, deve-se partir para o cerne da discussão, qual seja, se as receitas de vendas qualificadas como atos cooperativos se enquadram ou não em alguma das hipóteses previstas no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 (suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência de contribuições). A autoridade fiscal entendeu que não, e o acórdão recorrido, com base na Solução de Divergência COSIT nº 1/2019, ratificou a decisão. Entendo que essa não é a melhor interpretação. Explico. A mencionada Solução de Divergência que embasou o acórdão recorrido possui os seguintes fundamentos: 21. A questão que exsurge é se as exclusões da base de cálculo das cooperativas podem ser comparadas a isenção ou a outra forma de não tributação favorecida pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, de modo a permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados a essas receitas. 22. Tal questão foi pormenorizadamente examinada na Solução de Consulta Cosit nº 383, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017 (disponível na íntegra no sítio eletrônico da RFB <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), o que vincula, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, o entendimento da RFB acerca da matéria. 23. A seguir, transcrevem-se os trechos da Solução de Consulta Cosit nº 383, de 2017, na parte pertinente à questão: 12. Em suma, a cooperativa, ao efetuar a venda de produtos a terceiros, aufere receita que compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No entanto, essa base de cálculo é ajustada mediante as exclusões previstas em lei. Em razão disso, exsurge a dúvida se tais exclusões permitem a manutenção, o ressarcimento e a compensação dos créditos apurados com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, vinculados a tais operações. 13. Para o deslinde da questão, releva entender a natureza jurídica dessas exclusões da base de cálculo. Note-se que tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de Fl. 7195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 20 ser tributada. Na verdade, as referidas exclusões não correspondem a parte das receitas das cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de venda das mercadorias pela cooperativa; corresponde sim ao valor de aquisição dessas mercadorias (valor que o associado recebe). Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, na verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado ao associado. 14. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do quantum debeatur do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência. 15. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. 16. Esclareça-se, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, vinculados a essas vendas, para fins de compensação ou ressarcimento. [sem grifo no original] 24. Resta, portanto, claro que as exclusões de base de cálculo realizadas pelas cooperativas não correspondem a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou de ressarcimento. A exceção a essa regra seriam os créditos vinculados a receitas de exportação, a receitas decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ou a outras receitas a que a legislação especificamente autorize a compensação e o ressarcimento. O que se nota é que a Solução de Divergência COSIT nº 1/2019 se fundamenta na Solução de Consulta COSIT nº 383/2017, segundo a qual, nos atos cooperados, “não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência.” e “toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do quantum debeatur do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência”. Ocorre que, no âmbito do Tema Repetitivo nº 363 (julgamento dos REsp nº 1.164.716/MG e nº 1.141.667/RS, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou a seguinte tese: Fl. 7196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 21 Não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Oportuno trazer trecho do voto do Ministro Napoleão Nunes Maia, relator dos REsp mencionados: 3. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 4. Dito isso, entende-se que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária, tendo em vista a mensagem que veicula, mesmo sem empregar termos diretos ou específicos, por isso que se obtém esse resultado interpretativo a partir da análise de seu conteúdo. (grifo nosso) Ainda no REsp nº 1.164.716/MG, a Ministra Assusete Magalhães consignou em seu voto que: Explica-se: se tais atos não implicam operação de mercado, ou contrato de compra e venda, não geram receita ou lucro, situação que impossibilita a incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Quanto ao tema, é certo que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que sobre atos cooperativos típicos não incidem as contribuições ao PIS e COFINS Não obstante a discussão esteja em curso no Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 672.215, com repercussão geral reconhecida (Tema nº 536), o Ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, já votou e propôs tese que menciona “as hipóteses legais de não incidência, exclusão e dedução tributária, como expressão do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo”, o que, no meu sentir, expõe entendimento que se coaduna com a possibilidade de não incidência legalmente estabelecida. Assim sendo, entendo que as receitas decorrente de vendas de produtos por cooperativas que se enquadram como atos cooperativos típicos não estão no campo da materialidade da Contribuição para o PIS e da Cofins, ou seja, trata-se de hipótese de não incidência, portanto abrangida pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Nesse sentido: Acórdão 3401-008.505, de 18/11/2020, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araujo Branco ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2009 A 30/06/2009 ATOS COOPERADOS. RECURSO REPETITIVO. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 7197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 22 Conforme decidido pelo STJ ao julgar o REsp 1.141.667/RS sob o rito dos Recursos Repetitivos, o art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Dito isso, entende-se que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária. Tratando-se de vendas que se amoldam às hipóteses do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, por conseguinte, os créditos vinculados a essas vendas podem ser ressarcidos ou compensados com base no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Assim, voto no sentido de reverter as glosas de despesas com embalagens e materiais secundários utilizados na indústria de laticínios. II. Despesas com serviços de industrialização - envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura A autoridade fiscal também glosou despesas com serviço de industrialização para envase do leite como as despesas com frete de leite in natura, utilizando os mesmos fundamentos das glosas de embalagens/material secundário. Veja-se: 72.Percebe-se que tanto o serviço de industrialização para envase do leite como as despesas com frete de leite in natura estão relacionados aos produtos da indústria de laticínios. 73. Portanto, deve ser adotado o mesmo entendimento que o utilizado para bens utilizados como insumos, pois se as operações de saídas efetuadas pela cooperativa não implicam em ato mercantil e sim ato cooperado, logo, são indevidos os créditos pleiteados de serviços utilizados como insumos relativos a produtos de laticínios. A recorrente também contesta tais glosas em sua peça de defesa. Dessa forma, evitando-se repetição desnecessária, com base nos mesmos fundamentos jurídicos expostos anteriormente, voto para que as glosas de despesas com serviço de industrialização para envase do leite como as despesas com frete de leite in natura vinculados aos produtos da indústria de laticínios (portanto, vinculados a receitas decorrentes de atos cooperados) devem ser revertidas. III. Método de Determinação dos Créditos – Rateio da Receita Bruta Auferida Consta do Relatório Fiscal que “de acordo com as EFD Contribuições entregues, o contribuinte optou pelo Método de Determinação dos Créditos com base na Proporção da Receita Bruta Auferida no Mercado Interno”. Ocorre que a autoridade fiscal adotou um método de cálculo do rateio que desconsiderou a receita decorrente de atos cooperativos. Em suas palavras: Fl. 7198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 23 [...] as operações relativas a atos cooperados, por não se enquadrarem às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, conforme disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, não podem ser computadas para fins de rateio. A recorrente se insurge contra o método, sustentando que: Essencialmente, por entender que todos os atos praticados pela cooperativa são atos cooperativos, e desconsiderar o sistema de tributação pela alíquota zero, a fiscalização retirou do cálculo todas as operações de vendas, conforme descrito no parágrafo no Relatório Fiscal. Não há, entretanto, base legal ou fática, para o recálculo apresentado, pois se trata de operação de venda com alíquota zero, não podendo, portanto, ser desconsiderada para fins de rateio. A matéria já foi apreciada por este colegiado no processo nº 10183.721567/2017- 22, da mesma recorrente, ocasião em que prevaleceu entendimento favorável à recorrente. O Acórdão nº 3301-012.642, de relatoria do i. Conselheiro José Adão Vitorino De Morais), foi assim ementado na parte que nos interessa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA. VENDAS. MERCADO INTERNO. COEFICIENTE. CRÉDITOS. APURAÇÃO. RECEITA DE ATOS COOPERATIVOS. No cálculo do rateio proporcional da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, para a determinação dos créditos descontados de insumos utilizados na produção dos bens vendidos no mercado interno, cujas vendas, parte está sujeita ao pagamento das contribuições pelo regime não cumulativo e parte à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, a receita decorrente de atos cooperativos deve ser incluída no total da receita bruta, inexistindo amparo legal para sua exclusão. Reputo oportuno transcrever o voto do i. Conselheiro José Adão Vitorino de Morais sobre o tema. A Fiscalização utilizou esse mesmo método, contudo, no cálculo do coeficiente excluiu da receita bruta o valor das receitas decorrentes de atos cooperativos, ou seja, da venda de bens resultantes do beneficiamento/industrialização do leite in natura recebido dos produtores rurais cooperados. A recorrente discordou dessa forma de cálculo, sob o fundamento de que inexiste amparo legal para a exclusão das receitas decorrentes de atos cooperados da receita bruta para a determinação dos créditos descontados. O método de rateio da receita bruta para determinação dos créditos descontáveis dos custos/despesas com insumos e serviços utilizados como insumos, para os casos em que os contribuintes têm parte da receita tributada sob o regime da Fl. 7199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 24 cumulatividade e parte não tributada, está previsto nos §§ 7º, 8º, e 9º do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. A IN RFB nº 1.911/2019, assim dispõe sobre o rateio Art. 226. Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação a apenas parte de suas receitas, o crédito deve ser calculado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 7º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 7º; e Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 1º Para efeito do disposto neste artigo, a pessoa jurídica deve registrar, a cada mês, destacadamente para a modalidade de incidência referida no caput e para aquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, as parcelas: I - dos custos, das despesas e dos encargos de que tratam os arts. 171, 173 e 181, observado o disposto no art. 164; e II - do custo de aquisição dos bens e serviços de que trata o art. 171 adquiridos de pessoas físicas, observado o disposto nos arts. 504 a 530. § 2º Para efeito do disposto neste artigo, o valor a ser registrado deve ser determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º, incisos I e II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, incisos I e II): I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns à relação percentual existente entre a receita bruta sujeita ao regime de apuração não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 3º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso I do § 2º, devem ser aplicados sobre o valor de aquisição de insumos, dos custos e das despesas, referentes ao mês de apuração, critérios de apropriação por rateio que confiram adequada distribuição entre os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa e os encargos vinculados às receitas submetidas ao regime de apuração cumulativa. § 4º Para apuração do crédito decorrente de encargos comuns, na hipótese do inciso II do § 1º, a receita bruta total objeto do rateio proporcional corresponderá à soma das receitas de venda de bens e serviços auferidas pela pessoa jurídica nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 1º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 1º). Fl. 7200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 25 § 5º O método eleito pela pessoa jurídica, referido no § 2º, deve ser aplicado consistentemente por todo o ano-calendário, tendo de ser o mesmo para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 9º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 9º). § 6º As disposições deste artigo aplicam-se independentemente de os créditos serem decorrentes de operações relativas ao mercado interno ou do pagamento das contribuições incidentes na importação (Lei nº 10.865, de 2004, art. 15, § 5º). § 7º O disposto neste artigo aplica-se também para apuração dos créditos vinculados às receitas de exportação e às receitas sujeitas a suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 8º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 8º, e art. 6º, § 3º; e Lei nº 11.033, de 2004, art. 17). (destaque não original) Conforme disposto no § 4º do art. 226 da referida IN, citado e transcrito acima, para apuração dos créditos das contribuições decorrentes dos encargos comum, a receita bruta total objeto do rateio proporcional corresponderá à soma das receitas de venda de bens e serviços auferidas pela pessoa jurídica nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 1º; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 1º). Já o § 7º determina que o disposto naquele artigo aplica-se também às receitas sujeitas à suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das contribuições. Assim, o rateio proporcional para a apuração dos créditos deve ser feito incluindo na receita bruta total, o total das receitas auferidas pela recorrente, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Portanto, a glosa de créditos decorrente do rateio utilizado pela Fiscalização deve ser revertida. Estando o voto acima em consonância com o entendimento deste Relator, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/1999, adoto seus fundamentos, que passam a ser parte integrante deste voto. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso nesse ponto, a fim de reverter a glosa de créditos decorrente do rateio utilizado pela Fiscalização. Dispositivo Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de i) despesas com embalagens e materiais secundários utilizados na indústria de laticínios, ii) despesas com serviço de industrialização para envase do leite como as despesas com frete de leite in natura e iii) reverter a glosa de créditos decorrente do rateio utilizado pela Fiscalização. Fl. 7201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.247 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.721586/2017-59 26 É como voto. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha Fl. 7202DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor I. Embalagens/Material Secundário utilizados na indústria de laticínios (bens utilizados como insumos) II. Despesas com serviços de industrialização - envase de leite UHT e despesas com frete de leite in natura III. Método de Determinação dos Créditos – Rateio da Receita Bruta Auferida Dispositivo
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722044/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. Verificado que o valor exonerado é inferior ao limite de alçada atualmente previsto para a remessa necessária, não se conhece do recurso de ofício.
Numero da decisão: 1102-001.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
Assinado Digitalmente
Gabriel Campelo de Carvalho – Relator
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: GABRIEL CAMPELO DE CARVALHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. Verificado que o valor exonerado é inferior ao limite de alçada atualmente previsto para a remessa necessária, não se conhece do recurso de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10920.722044/2014-70
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7355183
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 1102-001.939
nome_arquivo_s : Decisao_10920722044201470.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : GABRIEL CAMPELO DE CARVALHO
nome_arquivo_pdf_s : 10920722044201470_7355183.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Assinado Digitalmente Gabriel Campelo de Carvalho – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
id : 11285568
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:11 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862166637315096576
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-01T00:29:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-01T00:29:33Z; Last-Modified: 2026-04-01T00:29:33Z; dcterms:modified: 2026-04-01T00:29:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-01T00:29:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-01T00:29:33Z; meta:save-date: 2026-04-01T00:29:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-01T00:29:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-01T00:29:33Z; created: 2026-04-01T00:29:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-04-01T00:29:33Z; pdf:charsPerPage: 1211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-01T00:29:33Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10920.722044/2014-70 ACÓRDÃO 1102-001.939 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 27 de fevereiro de 2026 RECURSO DE OFÍCIO RECORRENTE FAZENDA NACIONAL INTERESSADO COMPANHIA FABRIL LEPPER Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Súmula CARF nº 103. Verificado que o valor exonerado é inferior ao limite de alçada atualmente previsto para a remessa necessária, não se conhece do recurso de ofício. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Assinado Digitalmente Gabriel Campelo de Carvalho – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Fl. 4914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.939 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.722044/2014-70 2 RELATÓRIO Trata-se de processo administrativo fiscal instaurado em face de Companhia Fabril Lepper, inscrita no CNPJ 84.683.8870001-50, relativo aos anos-calendário de 2009 e 2010, em que foram lavrados autos de infração exigindo IRPJ, CSLL e IRRF, acrescidos de multa de ofício, juros de mora e, no caso do IRPJ, multa exigida isoladamente, conforme demonstrativos integrantes das peças de lançamento. Os autos lavrados totalizam, conforme o demonstrativo consolidado constante do Termo de Verificação Fiscal, o valor de R$ 7.866.076,82, sendo R$ 5.560.155,39 relativos ao IRPJ, R$ 1.972.648,84 relativos à CSLL e R$ 333.272,59 relativos ao IRRF, valores compostos por principal, multas e juros calculados até a data indicada nas peças fiscais. Conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal, a ação fiscal foi direcionada à análise de pagamentos efetuados pela interessada a título de royalties, vinculados ao licenciamento para utilização comercial de personagens, títulos, sinais distintivos e outros elementos relacionados a propriedades intelectuais exploradas em produtos comercializados no Brasil. A fiscalização partiu das informações prestadas em declarações e da documentação obtida no curso do procedimento para sustentar que, em parte relevante, os dispêndios classificados como royalties estariam associados a hipóteses submetidas ao regime típico da propriedade industrial, especialmente no que se refere ao uso de marca e elementos correlatos, o que atrairia formalidades como registro ou averbação de contratos perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial e, no caso de beneficiários no exterior, cuidados adicionais relacionados às remessas e à documentação que lastreia a operação. A narrativa fiscal indica que foram expedidas intimações com solicitação de contratos, comprovantes de pagamento, demonstrativos de cálculo, registros e averbações, bem como esclarecimentos acerca da natureza dos direitos licenciados e da forma de remuneração, tendo sido analisadas as respostas apresentadas pela interessada. No núcleo do IRPJ e da CSLL, a fiscalização registrou que a interessada deduziu, na apuração do lucro real, despesas contabilizadas como royalties, as quais foram declaradas na DIPJ como exploração econômica de direitos patrimoniais, tendo a autoridade fiscal entendido que os pagamentos estavam relacionados ao licenciamento de direitos associados a marcas e sinais distintivos, de modo que a dedutibilidade estaria condicionada ao atendimento de requisitos formais previstos na legislação infralegal aplicável, notadamente a averbação do contrato no órgão competente. Consta do relato fiscal que, diante de questionamentos sobre a existência de averbações e registros, a interessada informou não ter promovido registro ou averbação dos contratos perante o INPI, circunstância que foi tratada como elemento central para a glosa. No desenvolvimento da análise, a fiscalização também consignou ter realizado consultas relacionadas ao INPI e à natureza dos contratos, além de discutir, com base em sua leitura, a distinção entre contratos de transferência de tecnologia e contratos de licenciamento de direito de uso, concluindo que, para fins tributários, o conjunto de elementos indicaria enquadramento no regime de royalties de propriedade industrial, com repercussão direta na possibilidade de dedução. Fl. 4915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.939 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.722044/2014-70 3 No núcleo do IRRF, o Termo de Verificação Fiscal descreveu que a fiscalização identificou pagamentos vinculados a royalties remetidos ao exterior e estruturados, em parte, por meio de agente ou intermediário no Brasil. A autoridade fiscal qualificou determinados pagamentos como realizados a agente nacional por conta e ordem de beneficiários no exterior e concluiu, com base nessa cadeia operacional, que teria ocorrido falta de retenção e recolhimento do imposto na fonte devido sobre royalties, lançando o tributo com multa proporcional e juros de mora. A fiscalização consignou, ainda, que o recolhimento do imposto, quando devido, deveria estar adequadamente vinculado ao sujeito passivo indicado como responsável, com identificação correspondente, afirmando inexistir comprovação suficiente de retenção e recolhimento regular, na forma por ela exigida. A partir dessas premissas, foram formalizados os autos de infração. Em relação ao IRPJ, o lançamento foi constituído mediante glosa de despesas com royalties consideradas indedutíveis pela ausência das formalidades apontadas, com reflexos na base de cálculo do imposto e exigência de principal, multa de ofício e juros de mora, além de multa exigida isoladamente associada à sistemática de apuração e recolhimentos no período. Em relação à CSLL, foi efetuado lançamento reflexo, com adoção dos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos do IRPJ, ajustando-se a base de cálculo e exigindo-se o tributo com multa e juros. Em relação ao IRRF, a exigência recaiu sobre fatos geradores identificados ao longo do período, consistentes em pagamentos e remessas a título de royalties ao exterior, com indicação de valores apurados, aplicação de multa proporcional e incidência de juros de mora. Não consta do lançamento a indicação de corresponsáveis, tampouco se verifica, nos elementos destacados, imputação de solidariedade ou responsabilização de terceiros com base nos artigos 124, 133 ou 135 do Código Tributário Nacional. O sujeito passivo indicado nas peças é a própria Companhia Fabril Lepper. A interessada apresentou impugnação em 28 de outubro de 2014, na qual, em preliminar, sustentou a nulidade do lançamento, alegando deficiência de motivação e inconsistências na qualificação jurídica dos fatos, ao afirmar que a autoridade fiscal teria construído a autuação a partir de premissa equivocada ao tratar os pagamentos como royalties por uso de marca e propriedade industrial, quando, segundo a contribuinte, a realidade contratual e econômica revelaria licenciamento e exploração de direitos autorais e correlatos. A impugnante sustentou que o auto não teria estabelecido, de forma adequada, o nexo lógico entre os fatos e a conclusão fiscal, afirmando haver confusão conceitual entre direitos autorais e propriedade industrial, o que comprometeria a validade do lançamento. A impugnação também requereu, conforme consta do processo, providências instrutórias, inclusive diligência, com o propósito de reforçar o exame do conjunto contratual e documental. No mérito do IRPJ e da CSLL, a impugnante defendeu que os contratos celebrados teriam por objeto a utilização comercial de personagens e elementos vinculados a obras artísticas, invocando a disciplina dos direitos autorais para sustentar que a proteção jurídica de tais obras independe de registro, de modo que não seria legítimo condicionar a dedutibilidade das despesas Fl. 4916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.939 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.722044/2014-70 4 ao registro ou averbação no INPI, cuja competência se relaciona à propriedade industrial. Argumentou que, em sua compreensão, o pagamento de royalties para utilização de personagens e desenhos em produtos não se confunde com licença de uso de marca e, portanto, não se submete às exigências formais invocadas pela fiscalização. Afirmou que os dispêndios seriam necessários e usuais à atividade empresarial e que foram efetivamente incorridos, contabilizados e pagos, tendo apresentado documentação para demonstrar a realização dos pagamentos, a vinculação dos valores às operações e o registro contábil correspondente. Sustentou, ainda, que a glosa estaria baseada em formalidade indevida e que, ausente contestação quanto à existência da operação, à efetividade dos pagamentos ou à idoneidade dos documentos, não haveria base para afastar a dedução no lucro real. No capítulo do IRRF, a impugnante sustentou, em síntese, que os pagamentos foram realizados a agentes e representantes no Brasil em razão de estrutura contratual estabelecida pelo licenciante estrangeiro, afirmando que os repasses ao exterior e a retenção do imposto ocorreriam no fluxo operacional conduzido pelo intermediário. Alegou ter havido recolhimento do tributo, apresentando documentos e planilhas destinados a demonstrar que o imposto foi recolhido, ainda que em nome do intermediário, e sustentou que a cobrança, tal como formalizada, conduziria a exigência indevida em cenário de imposto já recolhido ou imputação de responsabilidade dissociada da forma efetiva de remessa. A impugnação também questionou a incidência de acréscimos, arguindo, conforme consta das peças, impropriedades na aplicação de multas e juros na extensão em que dependentes do lançamento principal. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro proferiu decisão por meio do Acórdão número 12-94.747, da 15ª Turma, em sessão de 27 de dezembro de 2017, concluindo, por maioria, pela procedência da impugnação e pelo cancelamento integral dos lançamentos de IRPJ, CSLL e IRRF, com exoneração do crédito tributário. A decisão registrou, em primeiro lugar, o afastamento da preliminar de nulidade, ao consignar que a alegação de erro na valoração jurídica dos fatos não conduz à nulidade do lançamento, constituindo matéria a ser enfrentada no exame do mérito, com possibilidade de cancelamento por improcedência, mas não por vício formal. A DRJ também indeferiu o pedido de diligência, registrando que os elementos constantes dos autos seriam suficientes para formação da convicção do julgador, razão pela qual não se justificaria a adoção de providência instrutória adicional. No mérito do IRPJ, a decisão de primeira instância registrou, em linhas gerais, que a controvérsia residia na natureza jurídica dos pagamentos efetuados para utilização de personagens e elementos associados a obras artísticas, concluindo que tais pagamentos se relacionariam à exploração econômica de desenhos e personagens de obras protegidas pelo direito autoral. A DRJ consignou que o direito autoral, na forma da legislação aplicável, prescinde de registro no INPI como condição de proteção jurídica, de modo que não se poderia exigir tal formalidade como pressuposto para dedutibilidade da despesa, desde que comprovado o pagamento e atendidas as demais regras da legislação do imposto de renda. A decisão destacou, ainda, que a glosa realizada não se fundou em acusação de fraude, ausência de comprovação ou Fl. 4917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.939 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.722044/2014-70 5 inidoneidade documental, mas em requalificação jurídica e exigência formal, concluindo, a partir do exame do conjunto probatório, pela improcedência da glosa e pelo cancelamento do lançamento do IRPJ. Em consequência, a DRJ estendeu o mesmo desfecho ao lançamento reflexo de CSLL, por identidade de fundamentos e dependência do ajuste efetuado no IRPJ. No mérito do IRRF, a decisão de primeira instância consignou que o responsável tributário pela retenção e recolhimento do imposto sobre royalties ao exterior é quem realiza o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa para o exterior, e registrou, conforme consta do julgado, que a análise do caso concreto conduziu ao cancelamento do lançamento. A decisão também consignou a existência de voto vencido quanto ao IRRF, nos termos registrados na própria conclusão do acórdão de primeira instância. Em razão do valor do crédito tributário exonerado, foi formalizado recurso de ofício, nos termos do Decreto número 70.235 de 1972, conforme consignado na decisão recorrida, com referência ao limite de alçada indicado na origem. “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009, 2010 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA VALORAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento tributário não é passível de nulidade em decorrência de erro na valoração jurídica dos fatos por parte da autoridade fiscal. Tal situação configura a improcedência da autuação, acarretando o cancelamento do Auto de Infração pela análise de mérito. DILIGÊNCIAS Indefere-se o pedido de diligência quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ROYALTIES. UTILIZAÇÃO DE PERSONAGENS FICCIONAIS EM PRODUTOS NO BRASIL. DIREITO AUTORAL. DEDUTIBILIDADE. O valor pago pela utilização comercial de desenhos e personagens de obras artísticas é objeto de proteção pelo direito autoral, independentemente de registro no INPI, podendo ser deduzido desde que comprovado o pagamento e respeitadas as demais regras da legislação do Imposto de Renda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2009, 2010 IRRF/ROYALTIES/EXTERIOR. SUJEITO PASSIVO. RESPONSÁVEL. O responsável tributário pela retenção e recolhimento do IRRF/Royalties/Exterior é quem realiza o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa para o exterior a título de royalties de qualquer natureza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado para o lançamento principal do IRPJ estende- se, no que couber, à CSLL. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Após a decisão da DRJ, não foi identificado no processo, a interposição de recurso voluntário pela interessada, que foi vencedora em primeira instância. O feito ascende à apreciação deste Conselho em razão do recurso de ofício interposto na origem, em razão do montante do Fl. 4918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.939 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.722044/2014-70 6 crédito tributário exonerado, permanecendo controvertidos, na forma delimitada pelo lançamento e pelas razões da impugnação, os fundamentos que embasaram a glosa das despesas com royalties para fins de IRPJ e CSLL, bem como a exigência de IRRF sobre pagamentos e remessas ao exterior estruturadas com utilização de agente no Brasil. É o relatório. VOTO Conselheiro Gabriel Campelo de Carvalho, Relator Admissibilidade Cuida-se de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF nº 103, aplica-se ao conhecimento do recurso de ofício o limite de alçada vigente na data do julgamento em segunda instância. A Portaria MF nº 2/2023 fixou esse limite em R$ 15.000.000,00. No caso, o valor exonerado totaliza R$ 6.817.947,78, portanto inferior ao limite estabelecido. Por essa razão, não conheço do recurso de ofício. É como voto. Assinado Digitalmente Gabriel Campelo de Carvalho Fl. 4919DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001076/2002-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 203-00.756
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 200608
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10882.001076/2002-06
conteudo_id_s : 7355484
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 203-00.756
nome_arquivo_s : Decisao_10882001076200206.pdf
nome_relator_s : ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10882001076200206_7355484.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
id : 11289143
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:13 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862166637425197056
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-05-05T11:59:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 2; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-05-05T11:59:33Z; Last-Modified: 2014-05-05T11:59:33Z; dcterms:modified: 2014-05-05T11:59:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:da6a450b-2a13-4b10-bf30-7483f2446079; Last-Save-Date: 2014-05-05T11:59:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-05-05T11:59:33Z; meta:save-date: 2014-05-05T11:59:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-05-05T11:59:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-05-05T11:59:33Z; created: 2014-05-05T11:59:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2014-05-05T11:59:33Z; pdf:charsPerPage: 961; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-05-05T11:59:33Z | Conteúdo => Processo n° Recurso n° Recorrente Recorrida Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10882.001076/2002-06 : 126.668 / M ..row ernswaxe•wave.NaMMAVVIROM MIIMI..... , FAZENDA - CC O CC-MF FL : SELTE SERVIÇOS ELÉTRICOS TELEFÔNICOS LTDA. : DR,' em Ribeirão Preto - SP RESOLUÇÃO N° 203-00. 756 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SELTE SERVIÇOS ELÉTRICOS TELEFÔNICOS LTDA. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 2006. --CA/ - Antonio Berra Neto Presidente ric Moraes de Castro e Si va Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Cesar Piantavigna, Silvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig, Odassi Guerzoni Filho e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Eaal/inp 1 Processo n° Recurso n° Recorrente Ministerio da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10882.001076/2002-06 : 126.668 MIN. aft FAZETITIA - . 2 ......... • • ts .... COM ....Q6 . CC-MF Fl : SELTE SERVIÇOS ELETRÔNICOS TELEFÔNICOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão n. 4938, de 26.01.04, da DRJ em Ribeirao Preto (fls. 94/100) o qual decidiu pela procedência do lançamento realizado em Auto de Infração referente ao não recolhimento do PIS nos períodos de janeiro a dezembro de 2001 e janeiro a fevereiro de 2002, mas manteve a exigibilidade do referido crédito tributário "suspensa até a decisão definitiva da instância administrativa do pedido de restituição/compensação tratado no processo n. 10882.001431/2001-58, observando-se na liquidação do crédito tributário mantido o decidido naquele processo" (fl. 100). Inconformado, vem o Contribuinte aduzir nas suas razões recursais que o referido Auto de Infração é nulo, já que a exigibilidade do PIS ali cobrado estaria, nos termos do art. 151, III do CTN, suspensa em face da Manifestação de Inconformidade por ele oposta no processo administrativo que não reconheceu o indébito do Imposto de Renda. Com tal consideração, puma pela "anulação plena do Auto de Infração urna vez que o crédito tributário encontra-se suspenso, em virtude de a discussão ainda tramitar na esfera administrativa, ern grau de recurso" (fl. 115). E o relatório. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10882.001076/2002-06 Recurso n° : 126.668 CC-MF FL ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ERIC MORAES DE CASTRO E SILVA 0 deslinde da pretensão aqui posta está vinculado A decisão do Processo Administrativo no 10882.001431/2001-58, onde se apura supostos créditos do contribuinte referente a Imposto de Renda. Portanto, pelos fatos expostos, voto no sentido de converter o presente processo em diligência à repartição de origem, a fim de que a mesma, aguarde ao julgamento final do processo administrativo aqui mencionado (retorno, em sendo o caso, do julgamento proferido pelos Conselhos de Contribuintes), para somente após subirem os autos a este Colegiado devidamente instruido para o devido julgamento, juntamente com o respectivo processo apensado. Logo após a conclusão definitiva do Processo n° 10882.001431/2001-58, em havendo créditos, deverão ser elaborados os demonstrativos de imputação, com observância as normas de regência, ajustados aos valores dos créditos afinal decididos, dando-se ciência ao contribuinte, para que se assim o quiser, manifeste-se sobre as conclusões da diligência, no prazo de 30 dias. COMO voto. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 2006. 3
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720130/2013-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2015, 2016, 2017
PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO VERIFICADO.
A declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief.
PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento.
Numero da decisão: 1001-004.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora
Assinado Digitalmente
Carmen Ferreira Saraiva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado e Paulo Elias da Silva Filho.
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 11 09:00:00 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202603
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015, 2016, 2017 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO VERIFICADO. A declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief. PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10280.720130/2013-40
anomes_publicacao_s : 202603
conteudo_id_s : 7354518
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 1001-004.267
nome_arquivo_s : Decisao_10280720130201340.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10280720130201340_7354518.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado e Paulo Elias da Silva Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2026
id : 11285410
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 11 09:41:11 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862166637672660992
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-03-31T21:35:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-03-31T21:35:01Z; Last-Modified: 2026-03-31T21:35:01Z; dcterms:modified: 2026-03-31T21:35:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-03-31T21:35:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-03-31T21:35:01Z; meta:save-date: 2026-03-31T21:35:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-03-31T21:35:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-03-31T21:35:01Z; created: 2026-03-31T21:35:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2026-03-31T21:35:01Z; pdf:charsPerPage: 1368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-03-31T21:35:01Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10280.720130/2013-40 ACÓRDÃO 1001-004.267 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 6 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SERTOPLAN SERVICOS TOPOGRAFICOS E PLANEJAMENTO EIRELI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015, 2016, 2017 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO VERIFICADO. A declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief. PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.267 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.720130/2013-40 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado e Paulo Elias da Silva Filho. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão nº 11-64.563 (fls. 297 a 305) que julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito lançado por meio dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, no regime do Lucro Presumido, relativo aos fatos geradores ocorridos no ano- calendário de 2009, por falta de recolhimento/declaração dos mencionados tributos. Através da revisão interna da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano-calendário (AC) de 2009, a Fiscalização apurou divergências entre os valores declarados de IRPJ A PAGAR e CSLL A PAGAR, declarados na DIPJ, com os valores declarados em DCTF e/ou recolhidos, e realizou a devida intimação do contribuinte para prestar os esclarecimentos. O contribuinte não atendeu à intimação e foi lavrado Termo de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal, recebido em 18/12/2012, com as divergências apuradas para que ele apresentasse sua justificativa e/ou recolhimento das diferenças constatadas. Em resposta, o contribuinte informou que entrou com pedido de parcelamento e anexou os respectivos formulários. Os valores parcelados foram os constantes das DCTF, que eram inferiores aos informados na DIPJ. Assim, a Fiscalização concluiu pela lavratura dos AI para constituição dos créditos tributários correspondentes às diferenças entre os valores constantes da DIPJ AC2009 e os declarados em DCTF. A decisão recorrida recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 REVISÃO DE DECLARAÇÕES. REGISTRO DE PROCEDIMENTO FISCAL. No procedimento de revisão interna de declarações, o Registro de Procedimento Fiscal (RPF) é um instrumento de controle interno que não tem a mesma natureza do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), cuja emissão é desnecessária para a execução dos trabalhos da espécie. Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.267 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.720130/2013-40 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não surtindo qualquer efeito sobre o lançamento a DIPJ retificadora ou a DCTF retificadora entregue durante ação fiscal ou após a ciência da autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado em 08/10/2019 (fls. 328) e apresentou recurso voluntário em 08/11/2019 (fls. 322 a 326) sustentando, em síntese, a nulidade por ausência de tempo de duração do procedimento de fiscalização. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Assim, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, mantem-se a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Das alegações recursais 1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O recorrente sustenta a nulidade do auto de infração, diante da impossibilidade da Fiscalização exigir, sem novo e prévio termo de início de procedimento fiscal com abrangência mais ampla, informações e esclarecimentos sobre tributos e períodos não abrangidos pelo Termo de Início de Fiscalização. Dispõe, ainda, que, “no presente caso, o Termo de Início de Fiscalização de Malha não contém o tempo de duração do procedimento de fiscalização, desrespeitando, assim, o estabelecido em lei. A ausência de determinando requisito no Termo de Fiscalização prejudica o sujeito passivo, ou seja, os limites de sua obrigação de tolerar a fiscalização a qual será submetido” (fls. 325). É dever da autoridade fiscal, ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento dos tributos, investigar a devida ocorrência do fato gerador e a obrigação dali Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.267 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.720130/2013-40 4 decorrente. Caso constate erros, equívocos ou omissões, deve proceder à autuação do fiscalizado, de forma clara, precisa e com base em provas, já que não é válido o lançamento que se baseia em indícios ou presunções. Nesse sentido, o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, dispõe que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O dispositivo acompanha o vetor axiológico desenhado pela Lei nº 9.784/99, que determina a obediência da Administração Pública, dentre outros, aos princípios da legalidade, motivação, ampla defesa e contraditório, cabendo ao processo administrativo o dever de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a decisão e a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados – arts. 2º, caput, e parágrafo único, incisos VII e VIII, e 50 da Lei nº 9.784/99. Ao tratar do ônus probatório do contribuinte, o Decreto nº 70.235/72 informa que a prova documental deve ser apresentada junto à impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo se: a) demonstrar a impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) referir-se a fato ou a direito superveniente; c) destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos – art. 16, § 4º. Ao lado deste mandamento, entre os princípios que regem o processo administrativo fiscal, encontra-se o da verdade material, que decorre do princípio da legalidade e impõe a apuração da devida ocorrência do fato gerador, podendo o julgador, inclusive de ofício, realizar diligências para verificar os fatos ocorridos. No processo administrativo fiscal, são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72), consubstanciado no princípio do contraditório e da ampla defesa que se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. O MPF consiste em instrumento utilizado para instaurar procedimento fiscal relativo a tributos e contribuições. Nele, deve constar o seu prazo máximo de validade, podendo ser prorrogado pela autoridade outorgante quantas vezes necessário, conforme dispõe os arts. 11 e 12 das Portarias RFB nº 11.371, de 12/12/2007. Trata-se de ferramenta interna de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, de modo que eventuais irregularidades verificadas na emissão ou prorrogação do mandado de procedimento fiscal não invalida o auto de infração, pois não elidi a atividade de lançamento prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN. O lançamento realizado com base em MPF que não obedece ao prazo de validade estipulado, ou que contenha outro vício, não gera a nulidade do lançamento, que consistente em atividade vinculada e obrigatória. Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.267 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.720130/2013-40 5 Portanto, irregularidades na emissão ou prorrogação do mandado de procedimento fiscal não ensejam a nulidade da ação fiscal ou do lançamento decorrente. Cabe ressaltar que o presente lançamento foi regularmente constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados no auto de infração, não havendo vício que enseje a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é firme no sentido que eventual falha no MPF não enseja, por si só, a nulidade do lançamento. Nesse sentido é a disposição vinculante do Enunciado nº 171 do CARF. Confira-se: SÚMULA CARF Nº 171 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Ainda nesse sentido: PROCESSUAL ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINARES. REJEIÇÃO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO TEMPESTIVA DE PROCEDIMENTO FISCAL. A irregularidade na prorrogação do procedimento fiscal não acarreta a nulidade do lançamento, conforme Súmula CARF nº 171, especialmente quando ausente a demonstração de prejuízo. NULIDADE. FALTA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR DE CONTA BANCÁRIA. COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO DO CONTRIBUINTE (NULIDADE DE ALGIBEIRA). INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 29. Não se aplica a Súmula CARF nº 29 quando a autuação fiscal decorre de constatação fática de omissão de rendimentos e não de presunção legal. Adicionalmente, a nulidade não se atribui quando a falta de intimação decorre do comportamento contraditório do próprio contribuinte, que, ao ser instado, omitiu a co-titularidade da conta, buscando a nulidade posteriormente. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO INTIMAÇÃO SOBRE DEPÓSITOS INDIVIDUALIZADOS. Não se configura cerceamento de defesa a alegação de falta de intimação sobre depósitos específicos quando a fiscalização comprovadamente requereu do contribuinte a comprovação da origem dos recursos, e este não o fez. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCESSO DE AUTUAÇÃO. FALTA DE PROVA E CORRELAÇÃO. Fl. 335DF CARF MF Original https://www.gov.br/carf/pt-br/jurisprudencia/sumulas-carf/sumulas-consolidadas-arquivos/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante-1.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.267 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.720130/2013-40 6 Não se acolhe a alegação de excesso de autuação para a aplicação de alíquotas diferenciadas quando o contribuinte aduz argumentos genéricos, sem especificar os valores e sem correlacionar as provas apresentadas com a natureza dos rendimentos supostamente distintos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUZIDA A 100%. As multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica. (Acórdão nº 2102-003.847, Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, publicado em 12/01/2026) INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Durante o procedimento administrativo o contribuinte foi intimado para apresentação de documentos relacionados pelo fisco e não cumpriu a intimação. O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento, não ensejando qualquer nulidade por cerceamento de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE. IRREGULARIDADE NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, especialmente no que diz respeito à competência do Auditor Fiscal para efetuar a apuração do tributo devido, e objetiva principalmente propiciar à Administração Fiscal Federal o planejamento, o controle e a gerência das atividades de fiscalização. A existência de eventuais falhas não acarreta a nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 171: “irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento”. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL. Caberá o arbitramento do lucro quando o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, resultando em real incapacidade de aferição e determinação de bases de cálculo do lucro real em face da inexistência da escrituração, o que foi verificado pela fiscalização pela não entrega dos documentos em face da sua inexistência. Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.267 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.720130/2013-40 7 (...) (Acórdão 1002-004.058, Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção, publicado em 31/12/2025) Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. A declaração de nulidade de qualquer ato do procedimento administrativo depende da efetiva demonstração de prejuízo à defesa do contribuinte, o que, no presente caso, verifica-se não ter ocorrido, atraindo a incidência do princípio pas de nullité sans grief. Do exposto, a pretensão recursal não merece prosperar. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 337DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724593/2018-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
IRPJ. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE.SUMULA CARF Nº 14.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/96 (com redação da Lei nº 14.689/2023, c/c Súmula nº 14 do CARF), a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 100% (cento por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, sobretudo considerando a apuração de simples omissão de receitas.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a comprovação da ocorrência de recolhimentos antecipados e afastando-se a imputação da multa qualificada, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, sobretudo na esteira dos preceitos contidos no artigo 98, inciso II, alínea “b”, do Regimento Interno do CARF, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
NULIDADE. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1101-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em afastar a multa qualificada e, por decorrência, acolher a decadência parcial da exigência fiscal em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 21/09/2013.
Assinado Digitalmente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Junior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 IRPJ. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE.SUMULA CARF Nº 14. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/96 (com redação da Lei nº 14.689/2023, c/c Súmula nº 14 do CARF), a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 100% (cento por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, sobretudo considerando a apuração de simples omissão de receitas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a comprovação da ocorrência de recolhimentos antecipados e afastando-se a imputação da multa qualificada, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, sobretudo na esteira dos preceitos contidos no artigo 98, inciso II, alínea “b”, do Regimento Interno do CARF, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 NULIDADE. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10980.724593/2018-06
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7356480
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 1101-002.084
nome_arquivo_s : Decisao_10980724593201806.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980724593201806_7356480.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em afastar a multa qualificada e, por decorrência, acolher a decadência parcial da exigência fiscal em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 21/09/2013. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
id : 11291799
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:35 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862800859496185856
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-06T14:02:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-06T14:02:29Z; Last-Modified: 2026-04-06T14:02:29Z; dcterms:modified: 2026-04-06T14:02:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-06T14:02:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-06T14:02:29Z; meta:save-date: 2026-04-06T14:02:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-06T14:02:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-06T14:02:29Z; created: 2026-04-06T14:02:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2026-04-06T14:02:29Z; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-06T14:02:29Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10980.724593/2018-06 ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 26 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE NOVA GUAÍRA TRANSPORTES LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 IRPJ. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU CONLUIO. NÃO COMPROVAÇÃO. INAPLICABILIDADE.SUMULA CARF Nº 14. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/96 (com redação da Lei nº 14.689/2023, c/c Súmula nº 14 do CARF), a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 100% (cento por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude, dolo ou simulação do contribuinte, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, sobretudo considerando a apuração de simples omissão de receitas. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a comprovação da ocorrência de recolhimentos antecipados e afastando-se a imputação da multa qualificada, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, sobretudo na esteira dos preceitos contidos no artigo 98, inciso II, alínea “b”, do Regimento Interno do CARF, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 Fl. 271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 2 NULIDADE. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em afastar a multa qualificada e, por decorrência, acolher a decadência parcial da exigência fiscal em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 21/09/2013. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior – Presidente Fl. 272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente). RELATÓRIO NOVA GUAÍRA TRANSPORTES LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrados Autos de Infração, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, decorrentes da constatação das infrações abaixo elencadas, com aplicação de multa qualificada de 150%, em relação aos anos-calendário 2013, 2014 e 2015, conforme peça inaugural do feito, às e-fls. 02/38, Relatório Fiscal, de e-fls. 40/50, e demais documentos que instruem o processo, como segue: De conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, no decorrer da ação fiscal foram constatadas as seguintes irregularidades, que ensejaram a constituição do crédito tributário objeto de contestação pela contribuinte, com aplicação da multa de ofício qualificada ao patamar de 150%: “[...] DOS FATOS 6. A fiscalização constatou a prática de fraude pela empresa ao se utilizar de créditos indevidos para não declarar ou informar em valores menores em suas DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – impostos e Fl. 273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 4 contribuições, no período de 01/2013 a 04/2015. Dentre os impostos e contribuições não declarados ou informados a menor, estão os que foram destacados no item 4 deste relatório. 7. Ainda na fase de diligência fiscal, através do TIDF de 11/01/2017, item 4, a fiscalização solicitou esclarecimentos quanto a compensações da empresa, oriundas da utilização de possíveis créditos, tendo em vista que em verificação preliminar de suas DCTF mensais, constatou-se que várias estavam sem valores de tributos, ou estavam com valores muito baixos, mesmo tendo a empresa informado movimento e faturamento em sua DIPJ – Declaração de Informações Econômico-Fiscais de Pessoa Jurídica referente a 2013. Parte destas DCTF, inicialmente contendo os valores dos impostos e contribuições, foram retificadas para valores nulos ou menores e em nenhuma delas havia registro de algum crédito a favor da empresa. Em anexo, extrato dos sistemas da RFB em que se verifica a retificação de várias das DCTF. Como resposta, através de sua carta de 03/02/2017, cópia em anexo, a empresa atestou que se tornou cessionária de crédito financeiro, oriundo de procedimento administrativo junto à Secretaria do Tesouro Nacional, com o objetivo de resgate de título da dívida pública externa. No entanto, não especificou quais eram os títulos, nem fez referência a qualquer valor e prazo dos mesmos. 8. Também na fase de diligência fiscal, pelo Termo de Intimação Fiscal de 23/03/2017, item 1, cópia em anexo, a fiscalização solicitou a especificação de quais foram os títulos da dívida pública, cujos créditos a empresa se utilizou para não declarar os impostos e contribuições em DCTF, com detalhamento do número dos documentos, valor, prazo. Em resposta ao TIF, pela carta de 04/04/2017, a empresa novamente não especificou qualquer título do qual possuísse algum direito de crédito. Apenas atestou que os referidos créditos estavam alocados junto ao Ministério da Fazenda, em dívidas agrupadas em operações especiais, Unidade Orçamentária nº 71.101 – recurso sob supervisão do Ministério da Fazenda, Número de Obrigação SIAFI 001418, Operação Especial 0409, IDOC 2754. Atestou que abriu o Protocolo 011.79446.000257.2013.000.000 junto ao STN para quitação de débitos fazendários com títulos da dívida pública. Mencionou também a existência do Processo nº 13811.726.457/2012-97 junto à RFB, em que confessou seus débitos e seu pagamento com tais créditos. Afirmou ainda que tal procedimento estaria amparado pela Portaria da SRF nº 913, de 25/07/2002. Em anexo, cópia desta carta da empresa. 9. Em que pese a possível existência de algum crédito da dívida pública em favor da empresa, cujos títulos não foram identificados e detalhados pela mesma, conforme solicitação da fiscalização, mas, nos termos da legislação vigente – Lei nº 9430 de 27/12/1996, Artigo 74, é vedada a compensação de impostos e contribuições administrados pela RFB, com crédito que não esteja relacionado aos mesmos. Também nos termos do Parágrafo 1º do mesmo artigo da mesma lei, a compensação de tributos precisa ser declarada à RFB, com indicação dos créditos, em declarações instituídas pela RFB. A empresa, no entanto, não declarou as Fl. 274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 5 compensações, simplesmente deixou de declarar os valores dos impostos e contribuições ou os declarou com valores bem menores do que os realmente devidos. 10. Já na fase de fiscalização de rotina, através do TIPF – Termo de Início de Procedimento Fiscal, itens 3 e 4, e do TIF de 16/04/2018, item 2, cópia em anexo, a empresa foi intimada a apresentar documentos com as memórias de cálculo dos tributos de interesse da fiscalização. A empresa atendeu as intimações, mas atestou primeiramente em sua carta de 25/10/2017, que não possuía ainda as informações e documentos solicitados, e na carta de 11/05/2018, além de relatar que não possuía mais as informações, fez referência ao Boletim de Ocorrência nº 2017/773555 de 05/07/2017, do Núcleo de Combate aos Cibercrimes, do Departamento da Polícia Civil do Paraná, juntando cópia do mesmo. Neste BO que possuiu como noticiante, o profissional do escritório de contabilidade responsável pelo armazenamento das informações contábeis da empresa, houve o registro de que o banco de dados do escritório foi invadido através da Internet e que até aquela data, não havia sido possível a recuperação das informações. Cópias das cartas empresa e do BO estão em anexo. Assim, para apuração dos valores devidos dos impostos e contribuições, a fiscalização buscou informações nos registros contábeis da empresa, referentes ao período fiscalizado. 10.1. A falta dos documentos com as memórias de cálculo dos tributos devidos pela empresa, prejudicou principalmente o cálculo pela fiscalização, dos valores devidos da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, em relação ao período de 01/2013 a 12/2014, quando a empresa ainda estava enquadrada no regime de apuração do IPRJ pelo Lucro Real e apurava as referidas contribuições pelo regime não-cumulativo de tributação. Nos termos da Lei nº 10632 de 30/12/2002, artigos 1º e 8º e da Lei nº 10833 de 29/12/20003, artigos 1º e 10, empresas que apuram o IR – Imposto sobre a Renda - pelo Lucro Real, que é o caso da empresa no período em questão, estão sujeitas ao regime não-cumulativo de cobrança das referidas contribuições. Em anexo, extrato da DIPJ referente ao ano 2013 em que se constata o enquadramento da empresa na sistemática do Lucro Real, e extrato da ECF de 2015, com informações do enquadramento da mesma já pela apuração do IR pelo Lucro Presumido. 10.2. Pelo regime não-cumulativo de tributação, a empresa, em tese, possuiria créditos da Contribuição ao PIS/PASEP e CONFINS quando adquiriu bens e serviços também sujeitos à incidência das mesmas no período de 01/2013 a 12/2014. No entanto, na verificação das informações contábeis da empresa relativas a 2013, não se constatou uma conta específica que registrasse os créditos das referidas contribuições. Os valores das mesmas registrados contabilmente como devidos, já estavam líquidos, após dedução de eventuais créditos. Com relação aos registros contábeis de 2014, existiam as contas do Grupo Ativo Circulante denominadas “01.1.2.13.006 – PIS A COMPENSAR” e “01.1.2.13.007 – COFINS A COMPENSAR”, mas os registros nestas contas ocorreram já pelos valores inteiros dos créditos em cada mês, e as contrapartidas Fl. 275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 6 dos lançamentos não permitiram identificar de quais centros de custos os créditos se originaram, ou seja, não foi possível identificar quais operações de aquisições deram origem aos créditos. Esta foi uma das razões da solicitação pela fiscalização, das memórias de cálculo dos valores dos tributos que a empresa entendeu como devidos. 10.3. Ainda com relação à Contribuição ao PIS/PASEP e à COFINS, as empresas contribuintes são obrigadas a informar a apuração das mesmas nas ECD Contribuições - Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre Receita - conforme estabelece a Instrução Normativa RFB nº 1252 de 01/03/2012, e enviá-las ao SPED. No caso de empresas que apuram as contribuições pelo regime não-cumulativo, há necessidade de indicação não somente das contribuições devidas, mas, também, dos créditos das mesmas em operações de aquisição de bens e serviços. A empresa enviou as EFD Contribuições ao SPED, mas com omissão das informações relativas ao cálculo das contribuições. Tal conduta ocasionou a lavratura por esta fiscalização, do auto de infração integrante do Processo nº 10980-724.978/2018-65. Assim, não foi possível pela fiscalização, o aproveitamento de algum crédito na apuração das referidas contribuições que são objeto de autos de infração deste processo. 11. Pela análise dos registros contábeis da empresa constatou-se que em apenas parte do período fiscalizado, houve contabilização dos tributos que empresa apurou como devidos. No entanto, apesar da contabilização, os valores não foram declarados em DCTF ou o foram, mas em valores bem menores do que aqueles que foram contabilizados. 12. Diante do até aqui exposto, coube à fiscalização a lavratura de autos de infração para cobrança dos tributos ou parte dos mesmos, que deixaram de ser declarados pela empresa em suas DCTF e por consequência, recolhidos aos cofres da União. Estes tributos, além dos que são objeto dos autos de infração do presente processo, abrangem também, a CPRB – Contribuição Previdenciária sobre Receita Bruta – que, por questões operacionais da RFB, é objeto de auto de infração integrante de outro Processo, o de nº 10980-724.594/2018-42. [...]” Após regular processamento, a contribuinte foi cientificada dos Autos de Infração em 21/09/2018 (Termo de Encerramento, e-fl. 145) e apresentou impugnação, de e-fls. 151/169, a qual fora julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 15-45.735, de 16 de janeiro de 2019, de e-fls. 206/232, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2015 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 7 Não é nula a decisão devidamente motivada, lavrada por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual o contribuinte foi regularmente cientificado, sendo-lhe possibilitada a apresentação de defesa contra a decisão proferida. PERDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. A alegação de perda de documentos contábeis e fiscais da empresa por ocorrência de sinistro, ainda que documentada por Boletim de Ocorrência, não exime a contribuinte de providenciar a regularização de sua escrituração mediante a obtenção de suporte documental. RECEITAS NÃO DECLARADAS. Correto o lançamento em razão da falta ou insuficiência de recolhimento sobre receita da atividade escriturada e não declarada em DCTF. QUITAÇÃO DE TRIBUTOS POR MEIO DE COMPENSAÇÃO UTILIZANDO-SE DE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA DE PROPRIEDADE DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal que autorize a quitação dos débitos tributários por meio de operação realizada com terceiro que alega ser titular de créditos tributários relativos a títulos de dívida pública externa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, segundo definição dada pela legislação específica. CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS PIS. COFINS. DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo decadencial quinquenal, tendo ocorrido fraude, aplica-se a regra do art. 173, I do CTN. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 8 Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, de e-fls. 241/261, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Preliminarmente, pugna pelo reconhecimento da decadência parcial da exigência fiscal, em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 21/09/2013, admitindo-se que a ciência do lançamento ocorrera somente em 21/09/2018, tendo em vista que, tratando-se de tributos sujeito ao lançamento por homologação, impõe-se adotar o disposto no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Ainda em sede de preliminar, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito tributário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando os lançamentos em meras presunções. Em defesa de sua pretensão, assevera que a autoridade lançadora não levou em consideração a informação de que o computador do profissional de contabilidade responsável pelo armazenamento dos documentos a serem apresentados foi alvo de invasão através da Internet e que até aquela data, não havia sido possível a recuperação das informações, juntando inclusive a cópia do Boletim de Ocorrência. No que tange à multa qualificada aplicada, defende que a Fiscalização não se deu ao trabalho de identificar, taxativamente, além de comprovar, a conduta da Recorrente nas situações descritas pelos dispositivos legais utilizados para fundamentação do Auto de Infração, não havendo se falar em aludida penalidade, mesmo porque não se comprovou o evidente intuito doloso ou mesmo a ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio por parte da autuada, capaz de justificar referida imputação, ao contrário do assentado no Relatório Fiscal, na esteira da jurisprudência transcrita na peça recursal, mormente considerando a constatação de simples omissão de receitas. Acrescenta que o dolo não está presente no caso em tela, tanto é assim que a multa foi reduzida e o próprio Acórdão consignou: “Dessa forma, diante da não comprovação da prática dolosa por parte do contribuinte.” Reitera que, de qualquer forma, em caso de dúvida quanto ao cometimento do crime, impõe-se afastá-lo, diante do princípio do in dubio pro contribuinte. Pretende seja oportunizado à contribuinte a produção de provas, o que não fora observado pela autoridade julgadora de primeira instância, a pretexto da preclusão consumativa, o que malfere o princípio da verdade material. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados, rechaçando totalmente a exigência fiscal. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 9 VOTO Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva dos autos, em face da contribuinte fora lavrado o presente lançamento, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, decorrentes da constatação das infrações abaixo elencadas, com aplicação de multa qualificada de 150%, em relação aos anos-calendário 2013, 2014 e 2015, conforme peça inaugural do feito, às e-fls. 02/38, Relatório Fiscal, de e-fls. 40/50, e demais documentos que instruem o processo, como segue: Inconformada com a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a contribuinte interpôs impugnação, a qual fora julgada improcedente pelo Acórdão recorrido, e, posteriormente, recurso voluntário a este Tribunal, escorando sua pretensão nas razões de fato e de direito que passamos a contemplar. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito tributário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando os lançamentos em meras presunções. Fl. 279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 10 Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, em sua formalidade, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhes deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportou, ou melhor, os fatos geradores dos tributos ora lançados e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas fazendários, bem como dos demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte em seu recurso voluntário não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o lançamento encontra-se maculado por vício em sua formalidade e/ou materialidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Igualmente, não merece guarida o argumento da recorrente no sentido de que a autoridade lançadora não teria levado em consideração a informação de que o computador do profissional de contabilidade responsável pelo armazenamento dos documentos a serem apresentados foi alvo de invasão através da Internet e que até aquela data, não havia sido possível a recuperação das informações, juntando inclusive a cópia do Boletim de Ocorrência. Destarte, o julgador recorrido analisou com muita propriedade aludida alegação, razão pela qual pedimos vênia para transcrever excerto do decisório combatido e adotar como fundamentos de decidir, sobretudo considerando tratar-se de mera repetição da defesa inaugural, senão vejamos: “[...] Perda da base de dados por cibercrime Fl. 280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 11 No tocante à alegação do contribuinte de que, em virtude de perda da base de dados em razão da ocorrência de cibercrime, teria ficado impossibilitada a apresentação do arquivo digital com informações da contabilidade quando requerido pela fiscalização, verifica se que esta alegação não se sustenta. Observe-se que a legislação tributária impõe obrigações tributárias aos contribuintes de tributos federais, sendo a principal a de recolher os tributos devidos sobre as receitas e lucros auferidos no desenvolvimento de suas atividades econômicas, e dentre as várias obrigações tributárias acessórias, constitui também dever dos contribuintes manter em ordem os livros e documentação contábil/fiscal vinculados ao desenvolvimento de suas atividades econômicas e situação patrimonial da sociedade. A legislação tributária estabelece também que a escrituração contábil/fiscal das pessoas jurídicas, além de ser mantida regularmente em dia, deve ser disponibilizada ao Fisco, assim que solicitado, conforme dispõe o Decreto-Lei 486/1969, que dispõe sobre a escrituração de livros mercantis, em seu art. 10, in verbis: [...] Verifica-se que a norma aplicável na ocorrência de extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos fiscais é enumerativa, indicando as providências cabíveis, uma a uma, e estabelecendo a forma e o tempo que devem pautar o procedimento. Constituem tais providências os meios eleitos para atestar a veracidade de evento, sendo imprescindíveis para que se resguarde direitos. Portanto, no caso de extravio da documentação torna-se inconsistente a simples afirmação de perda de documentos, visando exonerar-se das conseqüências dos fatos ocorridos no referido período, visto encontrar-se devidamente prevista a obrigação da contribuinte de, além de publicar o fato em jornal de grande circulação, informar o ocorrido ao Registro de Comércio, bem como à unidade de jurisdição de seu domicílio tributário da RFB, ser ainda necessário providenciar a reconstituição de sua escrituração, dentro de um prazo razoável, para a regular apuração dos tributos devidos à Fazenda Pública no período. A impugnante informou em documento datado de 31/10/2017 (fls. 86/90) que não havia localizado a escrituração contábil. Posteriormente, em resposta às intimações fiscais lavradas em 16/04/2018 e 09/05/2018, respondeu, em 11/05/2018, que não possuía a documentação, anexando boletim de comunicação de ocorrência, de 05/07/2017 (fls. 91/95), em que o contador ALBINO VIEIRA DE OLIVEIRA comunica que o banco de dados de sua empresa, Hag Assessoria/Quinto Processamento de Dados Ltda-MR, foi invadido em 26/06/2017, e que não conseguiu recuperar as informações de seus clientes. Em razão de não apresentar os arquivos digitais, o contribuinte posteriormente foi intimado a apresentar o Livro Diário e o Livro Razão em meio físico. Fl. 281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 12 A mera alegação de que não possuí acesso aos dados por caso fortuito, por ocorrência de cibercrime, com autodeclaração perante a polícia civil mediante boletim de ocorrência não é suficiente para retirar a obrigação do impugnante de cumprir a legislação acima indicada. Conclui-se que o autuado deveria ter tomado, de imediato, todas as providências legalmente previstas. Assim, estaria resguardado de todas as implicações que poderiam advir desse fato, e afastar qualquer dúvida que pairasse sobre a efetiva perda dos documentos contábeis. Assim, ainda que as providências previstas no § 1º do art. 264 do RIR/99 tivessem sido devidamente tomadas, não estaria o contribuinte eximido da obrigação de reconstituir a sua escrita contábil e, quando intimado, comprovar documentalmente suas operações, conforme se conclui das disposições do § 2º do dispositivo transcrito, que prevê a reconstituição dos livros fiscais. Somente a comprovação do atendimento das providências legalmente exigidas se constitui em prova hábil a justificar a não apresentação dos referidos documentos à Fiscalização através de Termos de Intimação específicos, ou mesmo em sede de impugnação, não tendo respaldo legal qualquer alegação desacompanhada das provas dessas providências exigidas por lei. [...]” (grifamos) Partindo-se dessas premissas, constata-se que o presente lançamento encontra amparo nos dispositivos legais que regulam a matéria, não havendo se falar em qualquer irregularidade procedida pela fiscalização, ao contrário do que alega a contribuinte. DA MULTA QUALIFICADA No que tange à multa qualificada aplicada, defende que a Fiscalização não se deu ao trabalho de identificar, taxativamente, além de comprovar, a conduta da Recorrente nas situações descritas pelos dispositivos legais utilizados para fundamentação do Auto de Infração, não havendo se falar em aludida penalidade, mesmo porque não se comprovou o evidente intuito doloso ou mesmo a ocorrência simultânea de sonegação, fraude e conluio por parte da autuada, capaz de justificar referida imputação, ao contrário do assentado no Relatório Fiscal, na esteira da jurisprudência transcrita na peça recursal, mormente considerando a constatação de simples omissão de receitas. Inobstante os substanciosos fundamentos de fato de direito lançados pela autoridade fiscal, corroborados pelo Acórdão recorrido, o inconformismo da contribuinte, contudo, tem o condão de prosperar. Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 13 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõe-se à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada (in casu, exclusivamente do crime), que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré-determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontra-se sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: Fl. 283DF CARF MF Original http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1964/4502.htm http://www81.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1964/4502.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 14 “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108-07.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 102-45.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendo-se a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 108-07.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Em decorrência da jurisprudência uníssona nesse sentido, o então 1º Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Assim, impende analisar os autos detidamente de maneira a elucidar se o fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou simular a hipótese de incidência da obrigação tributária. Com efeito, cabe à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada. Na hipótese vertente, o ilustre fiscal autuante escorou a aplicação da multa qualificada nos seguintes termos constantes do Relatório Fiscal, itens 6, 9 e 15.2, in verbis: “[...] DOS FATOS 6. A fiscalização constatou a prática de fraude pela empresa ao se utilizar de créditos indevidos para não declarar ou informar em valores menores em suas DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – impostos e contribuições, no período de 01/2013 a 04/2015. Dentre os impostos e contribuições não declarados ou informados a menor, estão os que foram destacados no item 4 deste relatório. [...] Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 15 9. Em que pese a possível existência de algum crédito da dívida pública em favor da empresa, cujos títulos não foram identificados e detalhados pela mesma, conforme solicitação da fiscalização, mas, nos termos da legislação vigente – Lei nº 9430 de 27/12/1996, Artigo 74, é vedada a compensação de impostos e contribuições administrados pela RFB, com crédito que não esteja relacionado aos mesmos. Também nos termos do Parágrafo 1º do mesmo artigo da mesma lei, a compensação de tributos precisa ser declarada à RFB, com indicação dos créditos, em declarações instituídas pela RFB. A empresa, no entanto, não declarou as compensações, simplesmente deixou de declarar os valores dos impostos e contribuições ou os declarou com valores bem menores do que os realmente devidos. [...] 15.2. Multa de ofício qualificada correspondente à alíquota de 150%, decorrente da prática de fraude pela empresa, conforme relatado nos itens 6 a 9 do presente relatório – multa prevista no Artigo 44, Inciso I, e Parágrafo 1º da Lei nº 9.430 de 27/12/1996, com redação dada pelo Artigo 14 da Lei n° 11.488 de 15/06/2007. [...]” No caso dos autos, em que pese o esforço do fiscal autuante, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos. Com efeito, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela contribuinte tendente a sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150% (atualmente 100%), não se prestando à sua aplicabilidade a simples imputação de adoção de procedimento de compensação não contemplado na legislação de regência, ou mesmo o fato de declarar a menor ou zerado o tributo devido, ao contrário do que pretende fazer crer a fiscalização. Destarte, consoante demonstrado no excerto do Relatório Fiscal acima transcrito, o fundamento fulcral da fiscalização ao aplicar a multa qualificada de 150% se fixa no fato de a contribuinte haver promovido a compensação de tributos com títulos da dívida pública em favor da empresa, bem como não ter declarado ou o feito em valores menores parte dos tributos lançados, o que, em verdade, se apresenta como fundamento da própria autuação, como omissão de receitas, não se prestando, isoladamente, a justificar a qualificação da multa. Como se observa, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada. No caso vertente, em que pese os argumentos da fiscalização, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter a contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mesmo porque o fiscal autuante arrimou sua tese simplesmente nos fatos retromencionados, fundamentos insuficientes para a qualificação da multa, como acima delineado. Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 16 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Não obstante tratar-se preliminar e, portanto, como regra, contemplada anteriormente às questões de mérito, como a decadência guarda vinculação à imputação da qualificação da multa, neste caso, impõe-se a sua análise posteriormente às demais matérias. Mesmo porque, a fiscalização rechaçou a decadência parcial da exigência fiscal, afirmando explicitamente que a adoção do artigo 173, inciso I, do CTN, encontrava lastro na imputação de crime, como segue: “[...] 5. Quanto ao prazo decadencial em relação ao lançamento das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS, relativas ao período de 01/2013 a 08/2013, observou-se o Artigo 173, Inciso I da Lei nº 5172 de 25/10/1966 – Código Tributário Nacional – ou seja, foi observado o prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do ano seguinte – 2014 - àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado – 2013. Como houve prática de fraude pela empresa, conforme exposições dos itens 6 a 9 deste relatório, adiante, observou-se também o contido no Parágrafo 4º do Artigo 150 do mesmo ato legal. [...]” Assim, afastando-se a multa qualificada, pugna a contribuinte pelo reconhecimento da decadência parcial da exigência fiscal, em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 21/09/2013, admitindo-se que a ciência do lançamento ocorrera somente em 21/09/2018, tendo em vista que, tratando-se de tributos sujeito ao lançamento por homologação, impõe-se adotar o disposto no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Com razão a contribuinte! De fato, uma vez afastada a multa qualificada e, portanto, a imputação de crime, na forma acima explicitada, ou seja, transposta a barreira adotada pelo agente lançador para não adotar os preceitos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, impõe-se acolher o pleito da contribuinte. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 17 Dessa forma, estando os tributos lançados, ora objeto de discussão, sujeitos ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 18 Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar- se-ia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente à apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que os tributos lançados devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que nos termos do Regimento Interno do CARF (artigo 98, inciso II, alínea “b”), aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas em sede de recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 19 lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu- se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação à antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontra-se distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nos tributos exigidos, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 20 uma vez constar do próprio Relatório Fiscal que a adoção do artigo 173, inciso I, do CTN, se deu em razão exclusiva da já afastada imputação de crime, além de elencar planilhas (PIS e COFINS), constando os recolhimentos a menor (itens 14.1.1 e 14.2.1), informações que devem ser consideradas para efeito de aplicação do prazo decadencial. Na esteira dessas considerações, vislumbrando-se a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento -, fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 21/09/2018, com a devida ciência do contribuinte (Termo de Ciência e Encerramento do Procedimento Fiscal, e-fl. 144/145), a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 21/09/2013, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja reconhecida a improcedência parcial do feito. DA ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Destarte, relativamente às questões de inconstitucionalidades/ilegalidades arguidas pelo contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa e juros ora exigidos encontrarem respaldo na legislação de regência, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 1.634/2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 21 b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 123, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho.” Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Neste sentido, no mérito, não se cogita em improcedência do procedimento fiscal, tendo em vista que as autoridades fazendárias pretéritas agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.084 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.724593/2018-06 22 Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, no mérito, escorreita a decisão recorrida devendo/ nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito tributário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a multa qualificada e, por decorrência, acolher a decadência parcial da exigência fiscal em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 21/09/2013, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 292DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722816/2010-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/06/2010
NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 1972 e comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo e tampouco cerceamento de defesa.
Não há cerceamento de defesa quando o fiscal autuante demonstra de forma clara e precisa os fatos que suportam o lançamento, quando o auto de infração (AI´s) e seus anexos são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhes concedido prazo para sua manifestação, e, quando nestes estejam discriminados a situação fática constatada e os dispositivos legais que ampararam as autuações, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARO/DISO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Atendidos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não se configura nulidade do lançamento por alegada falta de clareza na fundamentação legal.
Na ausência de comprovação regular dos valores pagos a título de remuneração na execução de obra, é legítima a apuração das contribuições mediante aferição indireta com base em ARO/DISO, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
Parcelamento não comprovado. Exigibilidade não suspensa
Numero da decisão: 2002-010.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento.
Assinado Digitalmente
Luciana Costa Loureiro Solar – Relatora
Assinado digitalmente
Marcelo de Sousa Sateles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conseheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente)
Nome do relator: LUCIANA COSTA LOUREIRO SOLAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/06/2010 NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 1972 e comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo e tampouco cerceamento de defesa. Não há cerceamento de defesa quando o fiscal autuante demonstra de forma clara e precisa os fatos que suportam o lançamento, quando o auto de infração (AI´s) e seus anexos são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhes concedido prazo para sua manifestação, e, quando nestes estejam discriminados a situação fática constatada e os dispositivos legais que ampararam as autuações, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARO/DISO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Atendidos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não se configura nulidade do lançamento por alegada falta de clareza na fundamentação legal. Na ausência de comprovação regular dos valores pagos a título de remuneração na execução de obra, é legítima a apuração das contribuições mediante aferição indireta com base em ARO/DISO, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Parcelamento não comprovado. Exigibilidade não suspensa
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10380.722816/2010-02
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7357140
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 2002-010.131
nome_arquivo_s : Decisao_10380722816201002.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : LUCIANA COSTA LOUREIRO SOLAR
nome_arquivo_pdf_s : 10380722816201002_7357140.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento. Assinado Digitalmente Luciana Costa Loureiro Solar – Relatora Assinado digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conseheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2026
id : 11293639
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:36 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862800859666055168
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-07T00:11:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-07T00:11:57Z; Last-Modified: 2026-04-07T00:11:57Z; dcterms:modified: 2026-04-07T00:11:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-07T00:11:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-07T00:11:57Z; meta:save-date: 2026-04-07T00:11:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-07T00:11:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-07T00:11:57Z; created: 2026-04-07T00:11:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2026-04-07T00:11:57Z; pdf:charsPerPage: 1893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-07T00:11:57Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10380.722816/2010-02 ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ISLA VERDE CONDOMINIO LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/06/2010 NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 1972 e comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo e tampouco cerceamento de defesa. Não há cerceamento de defesa quando o fiscal autuante demonstra de forma clara e precisa os fatos que suportam o lançamento, quando o auto de infração (AI´s) e seus anexos são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhes concedido prazo para sua manifestação, e, quando nestes estejam discriminados a situação fática constatada e os dispositivos legais que ampararam as autuações, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARO/DISO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Atendidos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não se configura nulidade do lançamento por alegada falta de clareza na fundamentação legal. Na ausência de comprovação regular dos valores pagos a título de remuneração na execução de obra, é legítima a apuração das contribuições mediante aferição indireta com base em ARO/DISO, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Parcelamento não comprovado. Exigibilidade não suspensa Fl. 115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento. Assinado Digitalmente Luciana Costa Loureiro Solar – Relatora Assinado digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conseheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado contra contribuinte acima identificado, relativo às Contribuições Previdenciárias, decorrente dos fatos geradores descritos abaixo. Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo em parte o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de Auto de Infração para a cobrança de obrigação principal– AIOP lavrado sob DEBCAD 37.213.554-4, consolidado em 23/07/2010, no valor de R$178.711,42, relativo à competência 06/2010, contendo a cobrança de contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o valor da mão-de-obra utilizada em obra de construção civil. A ciência do sujeito passivo deu-se em 29/07/2010 mediante o recebimento por via postal, conforme Aviso de Recebimento - AR acostado às fls. 21 dos autos. Nos termos do ARO – Aviso de Regularização de Obra acostado às fls. Fl. 116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 3 19/20 o fato gerador das contribuições previdenciárias exigidas foi a construção de 12 casas residenciais de 2 pavimentos, com área de 3.315,35m², matriculada no Instituto Nacional do Seguro Social - INSS sob o Cadastro Específico do INSS – CEI n° 51.136.65020/71, cujo levantamento foi identificado como AF- AFERIÇÃO INDIRETA ARO. Consoante o relatório fiscal de fls. 10/12, a empresa apresentou os Livros de Registros de Empregados e as folhas de pagamento contendo outro número de matrícula. Todavia o número de matrícula considerado correto é o nº. 51.136.65020/71. O auditor informa que a empresa não apresentou o Livro Diário, Razão alegando extravio atestado em Boletim de Ocorrência. Também não apresentou o Livro Caixa que seria o Livro obrigatório em face do seu regime tributário ser o Lucro Presumido. Diante da falta de escrituração contábil, explica o auditor “que os fatos geradores foram obtidos por aferição indireta pelo programa interno da Receita Federal do Brasil-RFB, denominado DISO WEB que pela área, tipo e número de unidades, emitiu um relatório créditoança ARO -Aviso de Regularização de Obra (em anexo), com dedução da mão de obra declarada em GFIP-Guias de recolhimento do FGTS e Informações a RFB, referente a data de emissão do ARO, no caso, 30 de junho de 2010, sem acréscimos legais, os quais são cobrados no credito previdenciário”. Na oportunidade, destaca que as contribuições declaradas em GFIP e não recolhidas à época, foram objeto de cobrança do serviço interno da Receita Federal do Brasil. Ressalta, ainda, que os valores já declarados foram deduzidos conforme se pode constatar, às fls. 20 dos autos, tendo sido considerando com área já regularizada. Cientificado do lançamento, o condomínio ofereceu em 27/08/2010 a impugnação de fls. 22/33, onde apresentou as razões de defesa que se seguem. Como preliminar pede a nulidade do lançamento, em face da imprecisão e da generalidade dos fundamentos legais do débito, pois o anexo FLD – Fundamento Legal do Débito contem citações sem clareza, que dificultam a identificação do dispositivo legal aplicado, inviabilizando uma defesa mais clara e precisa por parte do contribuinte. Aduz, que na forma apresentada, causa preterição do direito de defesa e deixa de atender aos requisitos essenciais do auto de infração. Sustentando suas alegações transcreve várias decisões do CARF. Ainda sobre a falta de clareza na indicação dos fundamentos legais transcreve doutrina, cita o art. 5º incisos LIV e LV da Constituição Federal, o art. 2º da Lei 9784/1999 que dispões sobre o processo administrativo no âmbito federal e o art. 144 do CTN. Fl. 117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 4 No mérito, alega que também não existiu clareza no arbitramento da base de cálculo isto porque “ao realizar o levantamento fiscal, o Agente Fiscal deveria ter se cercado de todas as informações relativamente a atividade econômica do contribuinte, bem como dos documentos essenciais à aferição de uma base de cálculo que refletisse a realidade para a imposição da contribuição aplicável, levando em consideração o tipo de atividade que a empresa exerce, o tipo de equipamento utilizado na obra e qual a capacidade de produção por m2, a fim de certificar se realmente ocorreu a infração ora imputada, principalmente em virtude da verdade material, princípio basilar do processo administrativo que deve ser sempre almejada no âmbito do processo administrativo”. Assevera que existe contradição entre o Relatório Fiscal e o Discriminativo do Débito, porque o auditor registra que a fiscalização abrangeu o período de 11/2007 a 06/2010 e no discriminativo está consignado: Período de Apuração: 11/2007 a 12/2008; 06/2010 a 06/2010, Período de Débito: 06/2010 a 06/2010. Conclui pela ausência de requisito essencial do auto de infração . Corroborando com seu entendimento transcreve Acórdãos do CARF. Por fim alega o sujeito passivo que “optou pelo parcelamento da Lei 11.941/2009, estando com alguns débitos anteriores à publicação dessa norma com a exigibilidade suspensa”. Pede que seja analisado se foram incluídos no parcelamento os débitos apurados no período de 11/2007 a 06/2010, em relação à obra, e se positivo que sejam excluídos. Registre-se, que em cumprimento da Portaria Sutri nº 3776, de 20 de dezembro de 2011, D.O.U em 22 de dezembro de 2011, que versa sobre a transferência de competência para julgamento de processos entre Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Após apresentação da impugnação, foi proferido Acórdão pela 5ª Turma da DRJ/JFA, o qual julgou improcedente a impugnação em Acórdão, manteve integralmente o crédito tributário, com a seguinte ementa: CONSTRUÇÃO CIVIL. MÃO DE OBRA. AFERIÇÃO. A apuração da remuneração da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil obedecerá aos procedimentos estabelecidos para regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 15/05/2014, o sujeito passivo interpôs, em 30/05/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, e pedindo o que se segue: 1.Nulidade da ação fiscal – Imprecisão e Generalidade dos Fundamentos legais do Débito – Falta de clareza na indicação da base de cálculo; Fl. 118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 5 2. Suspensão da Exigibilidade pelo parcelamento; 3.Caso não seja acatada a nulidade, seja declarado improcedente o julgamento, com base nos documentos apresentados. É o relatório VOTO Conselheiro Luciana Costa Loureiro Solar, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, atende os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio versa sobre contribuições previdenciárias patronais e para o SAT/GILRAT incidentes sobre a base de cálculo de remuneração desses mesmos segurados empregados, apuradas por aferição indireta - AFERIÇÃO INDIRETA ARO (aviso de regularização de obra). O Recorrente requer: 1.Nulidade da ação fiscal – Imprecisão e Generalidade dos Fundamentos legais do Débito – Falta de clareza na indicação da base de cálculo; 2. Suspensão da Exigibilidade pelo parcelamento; 3.Caso não seja acatada a nulidade, seja declarado improcedente o julgamento, com base nos documentos apresentados. NULIDADE – FALTA DE CLAREZA NA INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Em sede de preliminar, aduz o recorrente que o procedimento seria nulo por: “DA NULIDADE DA AÇÃO FISCAL” O presente lançamento foi perfectibilizado com base nos fundamentos legais anexos ao Auto de Infração, conforme se destaca o item 6 do Relatório do Auto de Infração que aduz o seguinte: “6 – DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Toda fundamentação legal está inclusa no documento FLD em anexo” Dessa forma o lançamento ocorreu na imprecisão e na falta de clareza com relação aos fundamentos legais do Débito. Observa-se que FLD – Fundamentos Legais do Débito anexo ao presente Auto, traz uma fundamentação genérica e imprecisa, sem identificar de forma clara as normas aplicadas ao caso concreto. Sendo assim, a falta de clareza e a dificuldade quanto a identificação do dispositivo legal aplicado, tem como consequência a impossibilidade de se Fl. 119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 6 proceder a uma defesa mais clara e precisa por parte do contribuinte, restando assim demonstrado a imputação imprecisa da pretensão.” O Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, mais precisamente em seu art. 10, informa os requisitos que um auto de infração deve conter. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Por sua vez, no mesmo diploma legal, especificamente no art. 59, estão previstos os casos de nulidade. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Percorrendo os autos, em especial o auto de infração e os documentos que o precederam, verifico que os requisitos legais foram devidamente preenchidos e que, consequentemente, não houve o suporte fático para as hipóteses de nulidade. O Relatório FLD – fundamentos legais do débito - atende aos requisitos exigidos em lei e está em acordo com o Auto de Infração constante do presente processo administrativo fiscal. O DISO – ARO também está de acordo com as exigências legais e regulamentação. Nesse sentido temos alguns Acórdãos do CARF, dentre eles, o Acórdão 2202-009.119 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, com os devidos acréscimos legais. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. Fl. 120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 7 AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Constatada a não apresentação pela contribuinte de escrituração contábil que reflita a real situação, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal lançadora ao proceder ao lançamento das contribuições mediante aferição indireta. Na falta de prova dos valores pagos pela execução de obra de construção civil, esses serão obtidos mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Lançamento fiscal regularmente constituído, apurado por aferição indireta, por meio de Aviso para Regularização de Obra (ARO). Temos ainda o Acórdão 2301-011.284 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. REMUNERAÇÃO PAGA. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao dono da obra o ônus da prova em contrário. Alega cerceamento de defesa, dizendo que há flagrante contradição entre o Relatório Fiscal e o Discriminativo do Débito. Aduz que o auditor consigna que a fiscalização compreendeu o período de 11/2007 a 06/2010 e que o Discriminativo do Débito apresenta as informações que o período do Débito compreende 06/2010 a 06/2010. Não há contradição nesse ponto, tendo em vista que caso não tivesse sido apurado o débito por aferição no formato DISO, os fatos geradores seriam considerados para todo o período fiscalizado. Como foi lançado o crédito por aferição, a fiscalização utilizou corretamente, a competência mais recente, qual seja, 06/2010, para apurar o salário de contribuição com base no metro quadrado da área construída. O ARO encontra-se corretamente acostado aos autos, explanando a forma de se chegar a base de cálculo apurada por metro quadrado construído. Tampouco há que se falar em obscuridade e em inobservância aos princípios Constitucionais. Nesse ponto cumpre esclarecer ainda, com a Súmula CARF no. 02, aprovada pelo Pleno em 2006, e descrita a seguir: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Fl. 121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 8 Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005 Portanto, não assiste razão ao recorrente. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – PARCELAMENTO O recorrente alega ainda a existência de um parcelamento e que, portanto, estaria suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Aduz que fez o parcelamento da Lei 9.411/2009, estando alguns débitos anteriores à publicação dessa norma com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, VI, do CTN. No entanto, não esclareceu especificamente quais valores foram parcelados e tampouco comprovou se estes consistem nos mesmos débitos lançados no auto de infração aqui em questão. Não fez prova de que os valores da Aferição da Mão de obra apurada pelo ARO-DISO estão inclusos no referido parcelamento. Ademais, os valores de salário de contribuição, conforme bem esclarecido no Relatório fiscal, e constante do ARO anexado aos autos, foram abatidos das bases de cálculo aferidas e lançadas no crédito tributário constante do presente processo administrativo. Nesse sentido, cabe trazer aqui a parte da Decisão de Piso referente ao parcelamento, com fundamento no artigo 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), com a qual concordo: No tocante, ao pedido da impugnante de exclusão de débitos apurados no período de 11/2007 a 06/2010, parcelados na forma da Lei nº11.941/2009, cumpre informar que, conforme bem esclarecido no relatório fiscal e comprovado no ARO às fls. 20, os valores declarados em GFIP referente a matricula 51.136.65020/71, foram devidamente considerados no cálculo, no item “Apuração da área Regularizada pela Remuneração contida em GFIP”. Conforme já diz o título o valor declarado em GFIP, mesmo ainda não recolhido, foi convertido em área já regularizada. A Cobrança das contribuições declaradas e não recolhidas foram feitas mediante o lançamento do DCGO, ou seja, do Documento de Cobrança decorrente da declaração em GFIP. Na oportunidade, esclareço que pesquisando os sistemas informatizados da RFB, verifiquei que os valores declarados em GFIP, nas competências 11/2007, 05/2008 a 09/2008 foram alocados nos processos PROCESSO 36.709.053-8 DCGO e PROCESSO –36.709.054- 6 DCGO , registrados como último evento: INCLUSÃO PARC. ESP/ORD /SIMPLIF em 20/08/2009 e situação INCLUÍD PARC. ESP/ ORD /SIMPLIF em 15/07/2011. Fl. 122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.131 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.722816/2010-02 9 Assim, como o presente Auto de Infração encontra-se revestido das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto e a impugnante não logrou trazer aos autos argumentos ou documentos que pudessem comprovar a improcedência da autuação, tem-se, portanto, como regular a conduta da fiscalização. Resta concluir-se que, por tais razões, não merece reparo o acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento formalizado nos presente autos. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar suscitada, e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Luciana Costa Loureiro Solar Fl. 123DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15746.722252/2021-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL FRUSTRADA. CORRESPONDÊNCIA POSTAL ENVIADA PARA ENDEREÇO ANTIGO. INTIMAÇÃO REALIZADA POR EDITAL. ALEGADA ATUALIZAÇÃO VIA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA – DIRPF. APARENTE FALTA DE AUTUALIZAÇÃO DOS CADASTROS EM RAZÃO DA FALTA DE MARCAÇÃO DA CAIXA DE VERIFICAÇÃO ACERCA DA ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO DO CONTRIBUINTE. DEFICIÊNCIA TÉCNICA DO SISTEMA QUE NÃO PODE SER IMPUTADA AO IMPUGNANTE. PREJUÍZO AO SUJEITO PASSIVO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA, E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO (ART. 59, II DO DECRETO 70.235/1972).
I. CASO EM EXAME
I.1. Recurso de ofício e recursos voluntários interpostos em processo de exigência de contribuições sociais previdenciárias. O crédito tributário foi constituído em razão de divergência de contribuição da empresa sobre bases declaradas de empregado, com descaracterização de entidade alegadamente imune. O período de apuração abrange fatos geradores ocorridos entre 01/01/2017 e 31/12/2018. A autuação envolve Contribuição Previdenciária Patronal (cód. DARF 2141) e GILRAT/RAT (cód. DARF 2158), com fundamento, entre outros, em dispositivos da Lei nº 8.212/1991, do Decreto nº 3.048/1999 e da Lei nº 12.101/2009, combinada com o art. 14 do CTN.
I.2. Foram apresentados recursos voluntários pelo contribuinte e por diversos responsáveis tributários arrolados na autuação. Consta, ainda, a interposição de recurso por responsável solidário cuja impugnação não foi conhecida em primeira instância.
I.3. No voto, consignou-se a existência de acórdão anterior do CARF que apreciou recurso de ofício contra o primeiro julgamento de primeira instância, anulando-o e determinando o retorno dos autos à origem para novo julgamento.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
II.1. A questão de fundo consiste em se decidir se a circunstância de o cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil não ter atualizado a informação sobre o endereço do impugnante, por aparente ausência de marcação de caixa de controle, apesar da suposta inserção e aceitação desse dado no correspondente campo textual por extenso, de modo conduzir à intimação por edital, causou prejuízo ao contribuinte.
III. RAZÕES DE DECIDIR
III.1. Deficiência técnica de sistema informacional consistente na possibilidade de inclusão de novo e atual endereço no campo cadastral da DIRPF, concomitantemente à falta de atualização do banco de dados, sem aviso ostensivo e eficaz de rejeição, não pode ser imputada ao contribuinte.
III.2. Desse modo, a intimação por edital, a partir de informação obsoleta, é inválida, por implicar o não conhecimento da impugnação, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/1972.
III.3. Prejudicadas as demais questões de todos os recursos voluntários e de ofício pendentes, na medida em que é impossível, sem supressão de instância, dar-se integral provimento ao recurso voluntário do responsável tributário prejudicado; faz-se necessário reformar o acórdão-recorrido tão-somente quanto ao reconhecimento da intempestividade desse recorrente, para que o órgão julgador competente possa analisar as questões até então prejudicadas, como entender de direito (art. 59, § 3º do Decreto 70.235/1972).
Numero da decisão: 2202-011.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Marco Antônio da Silva Filho, e, por maioria de votos, dar-lhe parcial provimento para reformar em parte a decisão de primeira instância, de modo a reconhecer como tempestiva a impugnação desse responsável, devendo os autos retornarem à DRJ para prolação de nova decisão analisando as demais razões constantes da peça impugnatória do responsável em questão, ficando prejudicado o exame dos demais recursos voluntários, bem como do recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva e Ronnie Soares Anderson, que votaram pela intempestividade da impugnação do responsável.
Assinado Digitalmente
Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator
Assinado Digitalmente
Ronnie Soares Anderson – Presidente
Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL FRUSTRADA. CORRESPONDÊNCIA POSTAL ENVIADA PARA ENDEREÇO ANTIGO. INTIMAÇÃO REALIZADA POR EDITAL. ALEGADA ATUALIZAÇÃO VIA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA – DIRPF. APARENTE FALTA DE AUTUALIZAÇÃO DOS CADASTROS EM RAZÃO DA FALTA DE MARCAÇÃO DA CAIXA DE VERIFICAÇÃO ACERCA DA ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO DO CONTRIBUINTE. DEFICIÊNCIA TÉCNICA DO SISTEMA QUE NÃO PODE SER IMPUTADA AO IMPUGNANTE. PREJUÍZO AO SUJEITO PASSIVO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA, E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO (ART. 59, II DO DECRETO 70.235/1972). I. CASO EM EXAME I.1. Recurso de ofício e recursos voluntários interpostos em processo de exigência de contribuições sociais previdenciárias. O crédito tributário foi constituído em razão de divergência de contribuição da empresa sobre bases declaradas de empregado, com descaracterização de entidade alegadamente imune. O período de apuração abrange fatos geradores ocorridos entre 01/01/2017 e 31/12/2018. A autuação envolve Contribuição Previdenciária Patronal (cód. DARF 2141) e GILRAT/RAT (cód. DARF 2158), com fundamento, entre outros, em dispositivos da Lei nº 8.212/1991, do Decreto nº 3.048/1999 e da Lei nº 12.101/2009, combinada com o art. 14 do CTN. I.2. Foram apresentados recursos voluntários pelo contribuinte e por diversos responsáveis tributários arrolados na autuação. Consta, ainda, a interposição de recurso por responsável solidário cuja impugnação não foi conhecida em primeira instância. I.3. No voto, consignou-se a existência de acórdão anterior do CARF que apreciou recurso de ofício contra o primeiro julgamento de primeira instância, anulando-o e determinando o retorno dos autos à origem para novo julgamento. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO II.1. A questão de fundo consiste em se decidir se a circunstância de o cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil não ter atualizado a informação sobre o endereço do impugnante, por aparente ausência de marcação de caixa de controle, apesar da suposta inserção e aceitação desse dado no correspondente campo textual por extenso, de modo conduzir à intimação por edital, causou prejuízo ao contribuinte. III. RAZÕES DE DECIDIR III.1. Deficiência técnica de sistema informacional consistente na possibilidade de inclusão de novo e atual endereço no campo cadastral da DIRPF, concomitantemente à falta de atualização do banco de dados, sem aviso ostensivo e eficaz de rejeição, não pode ser imputada ao contribuinte. III.2. Desse modo, a intimação por edital, a partir de informação obsoleta, é inválida, por implicar o não conhecimento da impugnação, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. III.3. Prejudicadas as demais questões de todos os recursos voluntários e de ofício pendentes, na medida em que é impossível, sem supressão de instância, dar-se integral provimento ao recurso voluntário do responsável tributário prejudicado; faz-se necessário reformar o acórdão-recorrido tão-somente quanto ao reconhecimento da intempestividade desse recorrente, para que o órgão julgador competente possa analisar as questões até então prejudicadas, como entender de direito (art. 59, § 3º do Decreto 70.235/1972).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 15746.722252/2021-80
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7357661
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 2202-011.798
nome_arquivo_s : Decisao_15746722252202180.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
nome_arquivo_pdf_s : 15746722252202180_7357661.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Marco Antônio da Silva Filho, e, por maioria de votos, dar-lhe parcial provimento para reformar em parte a decisão de primeira instância, de modo a reconhecer como tempestiva a impugnação desse responsável, devendo os autos retornarem à DRJ para prolação de nova decisão analisando as demais razões constantes da peça impugnatória do responsável em questão, ficando prejudicado o exame dos demais recursos voluntários, bem como do recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva e Ronnie Soares Anderson, que votaram pela intempestividade da impugnação do responsável. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2026
id : 11295294
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:43 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862800860015230976
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-07T21:15:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-07T21:15:32Z; Last-Modified: 2026-04-07T21:15:32Z; dcterms:modified: 2026-04-07T21:15:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-07T21:15:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-07T21:15:32Z; meta:save-date: 2026-04-07T21:15:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-07T21:15:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-07T21:15:32Z; created: 2026-04-07T21:15:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 164; Creation-Date: 2026-04-07T21:15:32Z; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-07T21:15:32Z | Conteúdo => D O C U M E N TO V A LI D A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15746.722252/2021-80 ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 3 de fevereiro de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES INSAUDE - INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTAO EM SAUDE FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. INTIMAÇÃO POSTAL FRUSTRADA. CORRESPONDÊNCIA POSTAL ENVIADA PARA ENDEREÇO ANTIGO. INTIMAÇÃO REALIZADA POR EDITAL. ALEGADA ATUALIZAÇÃO VIA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA – DIRPF. APARENTE FALTA DE AUTUALIZAÇÃO DOS CADASTROS EM RAZÃO DA FALTA DE MARCAÇÃO DA CAIXA DE VERIFICAÇÃO ACERCA DA ALTERAÇÃO DO ENDEREÇO DO CONTRIBUINTE. DEFICIÊNCIA TÉCNICA DO SISTEMA QUE NÃO PODE SER IMPUTADA AO IMPUGNANTE. PREJUÍZO AO SUJEITO PASSIVO. VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA, E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO (ART. 59, II DO DECRETO 70.235/1972). I. CASO EM EXAME I.1. Recurso de ofício e recursos voluntários interpostos em processo de exigência de contribuições sociais previdenciárias. O crédito tributário foi constituído em razão de divergência de contribuição da empresa sobre bases declaradas de empregado, com descaracterização de entidade alegadamente imune. O período de apuração abrange fatos geradores ocorridos entre 01/01/2017 e 31/12/2018. A autuação envolve Contribuição Previdenciária Patronal (cód. DARF 2141) e GILRAT/RAT (cód. DARF 2158), com fundamento, entre outros, em dispositivos da Lei nº 8.212/1991, do Decreto nº 3.048/1999 e da Lei nº 12.101/2009, combinada com o art. 14 do CTN. I.2. Foram apresentados recursos voluntários pelo contribuinte e por diversos responsáveis tributários arrolados na autuação. Consta, ainda, a Fl. 51576DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 2 interposição de recurso por responsável solidário cuja impugnação não foi conhecida em primeira instância. I.3. No voto, consignou-se a existência de acórdão anterior do CARF que apreciou recurso de ofício contra o primeiro julgamento de primeira instância, anulando-o e determinando o retorno dos autos à origem para novo julgamento. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO II.1. A questão de fundo consiste em se decidir se a circunstância de o cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil não ter atualizado a informação sobre o endereço do impugnante, por aparente ausência de marcação de caixa de controle, apesar da suposta inserção e aceitação desse dado no correspondente campo textual por extenso, de modo conduzir à intimação por edital, causou prejuízo ao contribuinte. III. RAZÕES DE DECIDIR III.1. Deficiência técnica de sistema informacional consistente na possibilidade de inclusão de novo e atual endereço no campo cadastral da DIRPF, concomitantemente à falta de atualização do banco de dados, sem aviso ostensivo e eficaz de rejeição, não pode ser imputada ao contribuinte. III.2. Desse modo, a intimação por edital, a partir de informação obsoleta, é inválida, por implicar o não conhecimento da impugnação, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. III.3. Prejudicadas as demais questões de todos os recursos voluntários e de ofício pendentes, na medida em que é impossível, sem supressão de instância, dar-se integral provimento ao recurso voluntário do responsável tributário prejudicado; faz-se necessário reformar o acórdão-recorrido tão- somente quanto ao reconhecimento da intempestividade desse recorrente, para que o órgão julgador competente possa analisar as questões até então prejudicadas, como entender de direito (art. 59, § 3º do Decreto 70.235/1972). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário do responsável solidário Marco Antônio da Silva Filho, e, por maioria de votos, dar-lhe parcial provimento para reformar em parte a decisão de primeira instância, de modo a Fl. 51577DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 3 reconhecer como tempestiva a impugnação desse responsável, devendo os autos retornarem à DRJ para prolação de nova decisão analisando as demais razões constantes da peça impugnatória do responsável em questão, ficando prejudicado o exame dos demais recursos voluntários, bem como do recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva e Ronnie Soares Anderson, que votaram pela intempestividade da impugnação do responsável. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Por brevidade, transcrevo o relatório elaborado pelo órgão julgador de origem, 15ª Turma da DRJ06, de lavra da Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil Maria Isabel Steinherz Hippert (Acórdão 106-047.157): Trata-se de Autos de Infração de contribuições previdenciárias patronais, incluindo aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), no valor total de R$68.858.231,18 (fls. 47082) e de contribuições devidas a outras entidades e fundos (SENAC, SESC, INCRA, Salário- Educação, SEBRAE), no valor total de R$17.994.451,97 (fls. 47128), ambos com multa qualificada de 150% e juros, que somam R$86.852.683,15, lavrados para o período de 01/2017 a 13/2018, contra o contribuinte INSAUDE - INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTÃO EM SAÚDE e os sujeitos passivos solidários listados abaixo: 1) ANIS GHATTAS MITRI FILHO, CPF 330.693.348-14; 2) CARLOS JOSÉ MASSARENTI, CPF 000.855.948-14; 3) DANIEL AUGUSTO GONSALES CAMARA, CPF 219.022.628-75; 4) ENYLO VINICIUS FARIA, CPF 977.732.476-68; Fl. 51578DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 4 5) FERNANDO DOS SANTOS SILVA, CPF 311.838.448-40; 6) LUCIANO BOLONHA GONSALVES, CPF 778.906.201-87; 7) MARCELO GURJAO SILVEIRA AITH, CPF 195.378.048-28; 8) MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO, CPF 363.082.738-13; 9) MARCUS VINÍCIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES, CPF 306.866.388-16; 10) NELSON ALVES LIMA, CPF 695.213.958-34; 11) PAULO ROBERTO SEGATELLI CAMARA, CPF 921.448.708-10; 12) RONALDO PASQUARELLI, CPF 072.564.988-70; 13) SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI, CPF 712.666.239-49; 14) WALDOMIRO MONFORTE PAZIN, CPF 023.574.198-14; e 15) WALTER SOUZA PINTO, CPF 753.244.588-72; O Relatório Fiscal consta dos autos às fls. 47754. Dele se extraem as informações abaixo copiadas: 1. CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 1.2 A ação fiscal envolve a verificação formal e material de regularidade no cumprimento dos requisitos para gozo da imunidade das contribuições previdenciárias e dos requisitos para obtenção e manutenção do CEBAS. 2. CAPÍTULO 2 - DO SUJEITO PASSIVO E CONTRIBUINTE 2.1 Trata-se de ASSOCIAÇÃO CIVIL DE DIREITO PRIVADO com os seguintes dados gerais: Estatuto CAPÍTULO I Denominação, Sede, Foro Jurídico, Duração e Finalidades Art 1o. O INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTÃO EM SAÚDE - INSAÚDE, identificado de entidade daqui por diante, atua! denominação do HOSPTAL DA SANTA CASA JESUS MARIA JOSE, fundado em 01 06.1946, inscrito no CNPJ/MF 44.563.716/0001-72, é associação civil de direito pavaco. sem fina lucrativos, filantrópico, com sede social em Bernardino de Campos/SP. nr Avenida Gufherme de Arruda Castanho. 496, Centro. CEP "8.960000, onoe mantém seu foro jurdico 2.2 O sujeito passivo é pessoa jurídica constituída formalmente sob a natureza de associação privada sem fins lucrativos (Código de Natureza Jurídica 399-9 Assoaacno Privada e Cadastro Nacional de Atividade Econômica - CNAE 86.10- 1¬01- Atividades de atendimento hospitalar, exceto pronto-socorro e unidades para atendimento a urgências). 2.3 De acordo com seu Estatuto, a INSAÚDE tem as seguintes finalidades: Art 5", A entufada possui as seguintes finalidades Fl. 51579DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 5 I- prestar assistência ã saúde em todc-a os seus níveis e serviços médicc- hcspitafares a quantos procurarem seus serviços, sem distinção rja nacionalidade, raça, credo religioso, opinião poirtica ou qualquer outra condição, tanto em regime de Internação quanto ambulatorial; II- desenvolver a peequàsa. na área dg administração hospitalar e na gestão da saúde para favorecer o aperfeiçoamento das atividades intrínsecas a ela; III- promover atividades ligadas ao desenvolvimento do ser humano e sua Integração social: IV- desenvolver, manter e incrementar atividades a projetos nas áreas da assistência social, saúde e educação; V- promover o desenvolvimento sócio-educacional da individua por meio de sua atuação na área da educação, especialmente a educação infantil, do adolescente e do jovemH atém de criar, manter e incrementar atividade; e projetos em, tal área. inclusive cr^chei/CEI educação infantil e estabel^cimentcs educacionais. 2.4 Para o período sob fiscalização, possui CEBAS com validade até 12/2020. 2.5 A entidade se declara no gozo de imunidade CPP (Contribuição Previdenciária Patronal), uma vez que declara em GFIP o FPAS 639 (fonte: Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência - GFIP). No Capítulo 3, o Relatório Fiscal informa as bases de cálculo consideradas pela Auditoria e, no Capítulo 4, apresenta os termos de intimação emitidos na ação fiscal, todos respondidos pelo contribuinte. No Capítulo 5, a Auditoria faz uma análise do Terceiro Setor e explica que o estado gerencial brasileiro é formado por três setores, quais sejam, o Estado (primeiro setor), o Mercado (segundo setor), e o terceiro setor, composto pelas sociedades civis sem fins lucrativos, como as Organizações Sociais (OS), regidas pela Lei n° 9.637, de 1998, e as Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), regidas pela Lei n° 9.790, de 1999, as quais estabelecem parcerias de fomento e incentivo com o poder público. Apresenta elementos comparativos entre OS e OSCIP e afirma que o INSAUDE é da espécie OS, a qual está mais sujeita a influências políticas. Diz que, nesse sentido, a Lei n° 13.019, de 2014, estabelece um chamamento público, a fim de selecionar as entidades a serem qualificadas. Destaca publicação acerca desse tipo de entidade, que em regra usufrui da imunidade ou isenção, mas não é constituída para o desempenho das atividades beneficentes, prestando serviços de gestão e colocação de mão de obra nas Fl. 51580DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 6 unidades que prestam serviços de saúde e educação. Pontua que essas atividades são, nessa sistemática, prestadas pelo Poder Público, que contrata a OS/OSCIP para locação de mão de obra e sua gestão. Faz considerações sobre a Lei n° 9.637, de 1998 (Lei das OS), a Lei n° 8.080, de 1990 (Lei Orgânica da Saúde), e a Lei n° 12.101, de 2009, e constata que o INSAUDE realiza serviços de administração de hospital que atende pelo SUS ou de unidade de ensino público. Destaca que a entidade não possui majoritariamente unidades próprias, nas quais 60% (sessenta por cento) do atendimento é feito pelo SUS, conforme requisito legal, mas simplesmente administra unidades públicas de saúde, serviço pelo qual é remunerada, sendo que o déficit gerado pelo custo do atendimento e a remuneração pela tabela SUS não é bancado pela entidade particular, mas pelo ente público titular do serviço. Conclui não ser o INSAÚDE quem atende pelo SUS, visto que a entidade apenas administra quem de fato atende pelo SUS, que é o próprio ente governamental. Cita decisão do TRF4, proferida em processo de entidade similar, a PRO-SAUDE - Associação Beneficente de Assistência Social1, que traz fundamentação abrangente a respeito do tema (Agravo de Instrumento n° 5000097- 43.2012.404.0000/RS). A Pró-Saúde é uma das maiores entidades de gestão de serviços de saúde e administração hospitalar do País. Tem sob sua responsabilidade mais de 2.068 leitos e o trabalho de cerca de 16 mil profissionais, sendo 2,9 mil médicos, contribuindo para a humanização do atendimento hospitalar, em especial do SUS. Com excelência técnica e credibilidade nacional, é uma Organização Social de Saúde (OSS) que oferece uma gama de serviços em benefício da vida. A atuação na área de administração hospitalar tornou a entidade amplamente reconhecida no setor e permite que a Pró-Saúde ofereça a mesma qualidade em assessoria e consultoria, planejamento estratégico, capacitação profissional, diagnósticos hospitalares e de saúde pública, gestão de serviços de ensino e muitos outros. A Auditoria destaca que, para além da questão do objeto social da entidade, que por si só já afastaria a INSAUDE dos dispositivos constitucionais relacionados à imunidade tributária (art. 150, VI, c, e art. 195, §7°, da CR/88), há demonstração de simulação, fraude e conluio que fulminam os requisitos da imunidade. No Capítulo 6, o Relatório Fiscal discorre acerca da tributação do Terceiro Setor no Brasil. Citando o art. 195, §7°, e o art. 150, VI, c, da Constituição de 1988 (CR/88), afirma que, em se tratando de imunidade tributária, somente a lei complementar pode estabelecer requisitos para sua fruição, mas que a lei ordinária pode tratar de questões procedimentais, conforme doutrina e jurisprudência dos tribunais superiores. No Capítulo 7, a Auditoria apresenta os objetivos e as constatações da Fiscalização: Fl. 51581DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 7 7. CAPÍTULO 7 - DOS OBJETIVOS E CONSTATAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO 7.1 O procedimento fiscal teve por objetivo verificar se o contribuinte atende aos pressupostos e requisitos materiais e se efetivamente faz jus ao benefício fiscal consoante a legislação pertinente: 7.1.1 Imunidade tributária da CPP - Contribuição Previdenciária Patronal, RAT e Terceiros - CF/1988, artigo 195, §7°. 7.2 Foi constatado que o sujeito passivo não cumpre os pressupostos e requisitos estabelecidos pela legislação tributária para gozo de imunidade de Contribuições Previdenciárias. 7.3 Para além do mero descumprimento de obrigações constitucionais, legais e regulamentares, o contribuinte empreende, na figura de seus presentantes (diretores, administradores e conselheiros), diversos estratagemas com o único propósito de enriquecimento particular dos presentantes pessoas físicas por meio de desvios de recursos da entidade INSAÚDE. 7.4 Há também circunstâncias indiciárias caracterizadas pela não comprovação de prestação de serviços, aliada à contratação de pessoas jurídicas sediadas em endereços residenciais e com ínfimo capital social, além da ausência de segurados empregados ou contribuintes individuais que permitem estabelecer a simulação de prestação de serviços e o esvaziamento do patrimônio da INSAÚDE. 7.5 Ademais, a própria atividade empresária desenvolvida pela INSAÚDE a coloca como legítima representante do 2° setor (iniciativa privada do desempenho de atividade econômica), sendo impossível o gozo de imunidade constitucional como se o 3° setor integrasse. A atuação da Pró-Saúde, entidade sem fins lucrativos, se alinha aos esforços da sociedade para o aperfeiçoamento dos serviços públicos de saúde. Como organização alicerçada na ética cristã e na vasta experiência católica de trabalho social, voltada aos mais diversos públicos, nas mais distintas realidades, a Pró- Saúde prima pela valorização da vida e pela defesa das condições essenciais para o desenvolvimento das pessoas. Nos hospitais, nas unidades de saúde, nas UPAs, no Samu, nas creches, no atendimento a idosos, em todos os ambientes em que atua, promove o bem público e fortalece a dimensão humana dos serviços. Disponível em: http://www.prosaude.org.br/inst.aspyi. Acesso em 05/12/2017 - copiado do Relatório Fiscal. 7.6 Como restará demonstrado cabalmente, tais apontamentos serão corroboradas, comprovadas e demonstrados em cada passagem da instrução probatória do procedimento fiscal. Fl. 51582DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 8 7.7 Em apertada síntese temos que, quanto à Imunidade tributária da CPP, RAT e Terceiros - CF/1998, artigo 195, §7°: 7.7.1 A INSAÚDE desenvolve atividade empresária que a coloca como integrante do 2° setor e não do 3° setor. Incabível o enquadramento como entidade imune por ofensa ao art. 2°, inciso I, alínea "b" da lei 9.637/1998.2 7.7.2 A INSAÚDE, ao remunerar membros da diretoria executiva na forma de pessoa jurídica, incorreu em ofensa ao CTN, art. 14, inciso III e Lei 12.101/09, artigo 29, incisos IV e VII. 7.7.3 A INSAÚDE, ao remunerar de forma oblíqua membros da diretoria, administração e conselheiros, distribuiu (fraudulentamente) patrimônio a seus presentantes, vulnerando o CTN, art. 14, inciso I, e Lei 12.101/09, artigo 29, incisos I e V. 7.7.4 A INSAÚDE utilizou de fraude e simulação em contratações para consumir o patrimônio da entidade em benefício de pessoas físicas e jurídicas, atacando frontalmente o CTN, art. 14, artigos. I e III e Lei 12.101/09, artigo 29, incisos IV, V e VII. 7.7.5 A entidade não apresentou, em sua completude, documentação que comprove suas receitas e despesas, afronta ao CTN, art. 14, inciso III e Lei 12.101/09, artigo 29, incisos IV e VI. No Capítulo 8 do Relatório Fiscal são apresentadas as ressalvas da auditoria independente e as considerações fiscais: 8. CAPÍTULO 8 - DAS RESSALVAS DA AUDITORIA INDEPENDENTE 8.1 Em consulta aos relatórios dos auditores independentes sobre as demonstrações contábeis publicadas no Diário Oficial Empresarial de 09/06/2018, há revelação comprometedora em relação à higidez contábil e a conservação de documentos que lastreiam os registros contábeis. 2 Art. 2o São requisitos específicos para que as entidades privadas referidas no artigo anterior habilitem-se à qualificação como organização social: I - comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo sobre: a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva área de atuação; b) finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de investimento de seus excedentes financeiros no desenvolvimento das próprias atividades; Relatório dos auditores independentes sobre as demonstrações contábeis Aos Diretores e membros do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - Insaude. Opinião com ressalva: Examinamos as Fl. 51583DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 9 demonstrações contábeis do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde- lnsaúde (lnstituição)que compreendem o balanço patrimonial em 31/12/2017 e as respectivas demonstrações do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis, Em nossa opinião, exceto pelos efeitos do assuntos descritos na seção a seguir, intitulada Base para opinião com ressalva", as demonstrações contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - Insaude em 31/12/2017, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil aplicáveis ás pequenas e médias empresas (NBCTG 1000 - R1) e interpretação técnica para entidades sem finalidade de lucros (ITG 2002 - R1). Base para opinião com ressalva: 1) Conforme divulgado em Nota 10 às demonstrações contábeis, existem saldos no montante de R$ 661.227 relacionados a "subvenção a realizar", correspondente a valores pactuados de investimentos em contrato de gestão, no entanto, a inexistência de controles propícios, bem como a falta de apresentação de documentos comprobatórios, toma impraticável a revisão quanto a adequação de tais valores. 2) Em relação ao saldo de R$ 3.873.301 de fornecedores divulgado em Nota 8 às demonstrações contábeis, houve limitação de analise devido inexistência de controles adequados, bem como a falta de apresentação de documentos comprobatórios, tomando impraticável a revisão quanto à adequação de tais valores. Nossa auditoria foi conduzida de acordo com as normas brasileiras e internacionais de auditoria. Nossas responsabilidades, em conformidade com tais normas, estão descritas na seção a seguir intitulada "Responsabilidade do auditor pela auditoria das demonstrações contábeis". Somos independentes em relação a Instituição de acordo com os princípios éticos relevantes previstos no Código de Ética Profissional do Contador e nas normas profissionais emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade e cumprimos com as demais responsabilidades éticas de acordo com essas normas. Acreditamos que a evidência de auditoria obtida è suficiente e apropriada para fundamentar nossa opinião. Ênfase: Chamamos a atenção à remuneração do diretor descrita na Nota Explicativa 16 às demonstrações contábeis, cujos pagamentos se deram por meio de pessoa jurídica Tal prática pode ocasionar eventuais questionamentos por parte das autoridades administrativas, podendo incorrer em riscos relacionados à imunidade tributária. Nossa opinião não contém ressalva relacionada a esse assunto. Outros assuntos: Auditoria dos valores correspondentes ao exercício anterior. Os valores correspondentes ao exercício findo em 31/12/2016, apresentados para fins de comparação, foram anteriormente auditados por outros auditores independentes que emitiram relatório datado em 20/04/2017, que conteve as seguintes modificações na opinião; "Base para opinião com ressalva". "Em 31/12/2016, o controle individualizado do custo do ativo imobilizado da entidade, validado por Fl. 51584DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 10 nós, monta a R$ 1.549.806, enquanto que os saldos contábeis estão registrados por R$ 1.928.286, apresentando uma diferença de R$ 378,480." Responsabilidade da administração sobre as demonstrações contábeis: A administração da Instituição é responsável pela elabora- Figura 8-1: Publicação das Demonstrações Financeiras Empresarial em 09/06/2018. Período 2016 e 2017. Relatório dos auditores independentes sobre as demonstrações contábeis Aos Diretores e membros do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - INSAÚDE Opinião com ressalva: Examinamos as demonstrações contábeis do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - INSAÚDE (Instituição) que compreendem o balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2018 e as respectivas demonstrações do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, bem como as correspondentes notas explicativas, incluindo o resumo das principais políticas contábeis. Em nossa opinião, exceto pelos efeitos do assuntos descritos na seção a seguir, intitulada "Base para opinião com ressalva", as demonstrações contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - INSAÚDE em 31 de dezembro de 2016, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil aplicáveis às pequenas e médias empresas (NBC TG 1000- R1)e interpretação técnica para entidades sem finalidade de lucros (ITG 2002 -R1). Base para opinião com ressalva: Conforme divulgado em Nota 16 às demonstrações contábeis, existe o montante de R$1.867.716 de* Receitas com subvenções - custeio" reconhecida no exercício de 201 8 sem respectiva previsão contratual para realização, sendo assim, as "Receita líquida dos serviços prestados", o "Contas a receber" e o "Patrimônio liquido" estão demonstrados a maior por esse montante. Nossa auditoria foi conduzida de 90 dias, relacionados a contratos encerrados e ativos, cuja administração a Instituição está discutindo extrajudicialmente com seus contratantes, porém não foi constituído qualquer estimativa de perda para fazer face ao eventual não recebimento desses valores. Conforme descrito em Nota 8 às demonstrações contábeis, chamamos atenção para a pendência relacionada a formalização da transferência por doação, através de escritura pública do imóvel hospitalar recebido em doação no exercício de2018, no montante de R$2.335.690, tendo em vista o prazo de validade de 1 &0 dias do alvará judicial que autoriza a respectiva transferência por doação, emitido em 26 de outubro de 2018. Nossa opinião não contém ressalva relacionada a esse assunto. Responsabilidade da administração sobre as demonstrações Fl. 51585DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 11 8.2 Primeiramente, a "inexistência de controles adequados" e a "falta de apresentação de documentos comprobatórios" são ressalvas que vulneram os pressupostos e requisitos de gozo e fruição de imunidades. Os valores apontados somam R$ 4.534.528,00 em subvenções a realizar (investimentos em contratos de gestão) e fornecedores. Ou seja, despesas incorridas e não comprovadas, além de não controladas. 8.3 Outro aspecto que causa espanto é a remuneração de diretores em conta de pessoas jurídicas em flagrante fraude, conluio e sonegação previdenciária. Como bem sedimentado, diretores são pessoas físicas que desempenham com pessoalidade as suas funções profissionais, sendo enquadrados como segurados empregados ou contribuintes individuais de acordo com as circunstâncias fáticas. Ao efetuar os pagamentos por meio de contas de pessoas jurídicas a INSAÚDE sonega contribuição previdenciária descontada de segurado, imposto de renda retido na fonte, incorre em falsidade em declarações diversas tais como GFIP e DIRF além de falsear os registros contábeis envolvidos. Explícita também a confusão patrimonial estabelecida entre pessoa jurídica e pessoa física. Sobre esse tema específico, a fiscalização abordará adiante de forma mais analítica e detalhada. 8.4 A auditoria independente também constatou inconsistência no controle individualizado do custo do ativo imobilizado em diferença de R$ 378.480,00. 8.5 Já quanto ao ano de 2018, a auditoria independente destaca a existência de "Receitas com subvenções - Custeio" contabilizadas sem o respectivo contrato de realização ou previsão contratual. Dessa forma, "Receita Líquida dos serviços prestados", "Contas a receber" e "Patrimônio Líquido" se encontram superdimensionados (valores estimados de R$ 1.867.716,00). 8.6 Outro aspecto apontado refere-se à pendência de formalização de transferência por doação de imóvel hospitalar recebido em 2018 no montante de R$ 2.385.690,00. Esse aspecto revela, no mínimo, descaso com a gestão patrimonial já que a transmissão de bens imóveis se dá com o registro competente e não com a escritura, alvará judicial ou documento similar. Uma vez negligenciando nesse quesito, a INSAÚDE sujeita-se à insegurança jurídica caso o imóvel venha a responder futuramente por dívidas de terceiros nas relações anteriores da cadeia dominial. Além de que, a própria INSAÚDE, ao ignorar o registro, acaba por ocultar patrimônio que eventualmente possa a responder nas crises de satisfação jurídica. 8.7 Dessa forma, com a simples leitura das demonstrações contábeis e financeiras de 2017 e 2018 e das ressalvas da auditoria independente é possível verificar o descumprimento das seguintes disposições legais condicionantes do gozo e fruição da imunidade: Fl. 51586DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 12 CTN. Art. 14, O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: (...) III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Lei 12.101/2009. Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (Vide ADIN 4480) I - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos, exceto no caso de associações assistenciais ou fundações, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei n° 13.151, de 2015) (...) IV - mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; (...) VI - conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; (... ) VII - cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; No Capítulo 9, o Relatório Fiscal trata do pagamento de remuneração aos dirigentes, por meio das pessoas jurídicas de suas titularidades: 9. CAPÍTULO 9 - DOS PAGAMENTOS DE REMUNERAÇÃO AOS DIRIGENTES ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE SUAS TITULARIDADES 9.3 Conforme expressamente declara a INSAÚDE, receberam a remuneração de diretor executivo em contas e contratos de pessoas jurídicas, os seguintes diretores: 9.1 Conforme já salientado pela leitura dos relatórios dos auditores independentes sobre as demonstrações contábeis 2016 e 2017, houve ênfase Fl. 51587DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 13 para remuneração de diretores pagas por meio de pessoa jurídica, inclusive chamando a atenção para riscos relacionados à imunidade tributária. 9.2 Pois bem, apesar dos alertas veementes da auditoria independente, a INSAÚDE continuou a praticar tais pagamentos de forma fraudulenta e sonegadora conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal - TIF01: (...) 9.3.1 ANIS GHATTAS MITRI FILHO recebeu a remuneração de diretor executivo (diretoria técnica) em pagamentos para a empresa Dermacor Serviços Médicos Ltda (CNPJ: 20.226.804/0001-10). 9.3.2 LUCIANO BOLONHA GONSALVES recebeu a remuneração de diretor executivo (diretoria jurídica) em pagamentos para Bolonha Sociedade Individual de Advocacia (CNPJ: 27.916.716/0001-43). Pagamentos a partir de 03/01/2019 totalizaram R$ 276.419,35, enfatiza a INSAÚDE com emissão de nota fiscal. 9.3.3 MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH recebeu a remuneração de diretor executivo (diretoria jurídica) em pagamentos para Sociedade Individual de Advocacia (CNPJ: 19.541.342/0001-47). 9.4 Como bem sedimentado, diretores são pessoas físicas que desempenham com pessoalidade as suas funções, sendo enquadrados como segurados empregados ou contribuintes individuais de acordo com as circunstâncias fático- jurídicas. Ao efetuar os pagamentos por meio de contas de pessoas jurídicas, a INSAÚDE sonega contribuição previdenciária descontada de segurado, imposto de renda retido na fonte, incorre em falsidade em declarações diversas tais como GFIP e DIRF além de falsear os registros contábeis relacionados. Explícita também a confusão patrimonial estabelecida entre pessoa jurídica e pessoa física nos casos relatados. 9.5 Ainda que a INSAÚDE vislumbrasse em boa-fé contratar a pessoa jurídica para o "cargo" de diretoria executiva, esbarraria na impossibilidade jurídica. A legislação civilista é enfática em estabelecer, em diversas passagens, a título de regras gerais aplicáveis a todas as pessoas jurídicas, que somente a pessoa física pode exercer a administração (diretoria executiva). CC, art. 997, VI (... ) CC, art. 1.011 (... ) 9.6 Adicionalmente, o fato de 2 diretores jurídicos (Luciano Bolonha Gonsalves e Marcelo Gurjão Silveira Aith) atuarem na simulação de pagamentos a pessoas jurídicas para receber suas remunerações atenta frontalmente contra os deveres gerais do administrador: cuidado e diligência no cumprimento da legislação. 9.7 Dessa forma, com a simples leitura das demonstrações contábeis e financeiras de 2017 e 2018 e das ressalvas da auditoria independente e declarações da INSAÚDE, é possível verificar o descumprimento das seguintes disposições legais condicionantes do gozo e fruição da imunidade: CTN, art. 14, III (...) Fl. 51588DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 14 Lei 12.101/2009, art. 29, I, IV, VII (...) No Capítulo 10, o Relatório Fiscal discorre acerca da contratação de empresas pertencentes aos diretores, administradores e conselheiros da INSAUDE: 10. CAPÍTULO 10 - DA CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS PERTENCENTES AOS DIRETORES, ADMINISTRADORES E CONSELHEIROS DA INSAÚDE 10.1 A finalidade deste CAPITULO é consolidar o entendimento de que os diretores já identificados e qualificados da INSAÚDE não pouparam esforços para, sempre que possível, drenar recursos preciosos da entidade filantrópica, seja por meio de salários inflados se comparados com grandes empresas privadas nacionais e multinacionais, ou ainda constituindo pessoas jurídicas prestadoras de serviços à INSAÚDE. Serviços estes muitas vezes não comprovados, ou ainda serviços insuscetíveis de serem desempenhados por pessoa jurídica, tais como: direção, gestão, administração. 10.2 Já decidiu o STF que a questão da moralidade e probidade administrativa, de estatura constitucional, independe de intermediação normativa para se impor em sua obrigatoriedade, haja vista a aplicabilidade direta e imediata da SV133. 10.3 Não há fundamento que justifique o fato de uma entidade de direito privado, na fruição de imunidade, já que imbuída em funções de estatura pública do 2° setor esteja dispensada de cumprir com os princípios da administração pública, mormente a probidade. 10.4 O conflito de interesses é matéria típica do direito administrativo, pois invoca a proteção direta da probidade e honestidade dos exercentes de funções públicas. Nesse sentido, a título de exemplo, a Lei 12.813/2013 estabelece "quarentena" aos exercentes de cargos ou empregos públicos no poder executivo federal: Art. 6° Configura conflito de interesses após o exercício de cargo ou emprego no âmbito do Poder Executivo federal: (...) II - no período de 6 (seis) meses, contado da data da dispensa, exoneração, destituição, demissão ou aposentadoria, salvo quando expressamente autorizado, conforme o caso, pela Comissão de Ética Pública ou pela Controladoria-Geral da União: (... ) c) celebrar com órgãos ou entidades do Poder Executivo federal contratos de serviço, consultoria, assessoramento ou atividades similares, vinculados, ainda que indiretamente, ao órgão ou entidade em que tenha ocupado o cargo ou emprego; ou (...) 10.5 Nessa senda, membros da cúpula administrativa da INSAÚDE (diretoria, conselho de administração e conselho fiscal) também nutriam contratos com pessoas jurídicas de sua titularidade, embora, estatutariamente, os Conselhos de Fl. 51589DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 15 Administração e Fiscal não possam ser remunerados pelos membros. Ou seja, uma Súmula Vinculante 13 A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. relação de compadrio e nepotismo no qual o patrimônio da INSAÚDE, sociedade e Poder Público eram os verdadeiros onerados. A seguir, vem a relação de empresas contratadas pelo INSAUDE, de titularidade dos seus diretores ou conselheiros: 10.6 DIRETRIZ ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA HOSPITALAR (CNPJ 01.505.487/0001-27) 10.6.1 A DIRETRIZ ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA HOSPITALAR está sediada em um endereço residencial, tendo funcionado, anteriormente, em outro endereço residencial. O endereço corresponde à residência atual dos únicos sócios RONALDO PASQUARELLI e SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI consoante consulta aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil. (...) 10.6.2 O endereço anterior, constante no cadastro na RFB também é um endereço residencial. (... ) 10.6.3 Não constam empregados declarados em GFIP nas competências dos anos de 2017 e 2018 (sem movimento a partir de 03/2018). Os únicos segurados declarados em GFIP são os sócios administradores: (...) 10.6.4 RONALDO PASQUARELLI e SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI são conhecidos integrantes do Conselho de Administração Geral da INSAÚDE e do Conselho de Administração específico com atuação no município de São Paulo da INSAÚDE. Destaque para a informação declarada pela INSAÚDE de que tais conselheiros não são remunerados pela função que desempenham. Ou seja, na prática, são remunerados de forma oblíqua através da contratação de pessoa jurídica da qual são os únicos sócios. (... ) 10.6.5 Em consulta às declarações DIRF nos anos 2017 e 2018, fica evidente que, em 2017, a contratação pela INSAÚDE correspondeu à aproximadamente 55% do faturamento da DIRETRIZ. (... ) 10.6.6 A contratação da empresa DIRETRIZ também pode ser verificada na contabilização da INSAÚDE. (...) 10.6.7 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização, seja física, seja digital, possivelmente em Fl. 51590DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 16 função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde"4: A "Operação Ouro Verde" foi deflagada em novembro de 2017 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com objetivo de investigar desvios no Hospital Municipal de Campinas, referente ao período em que o mesmo foi administrado pela Organização Social Vitale. Disponível em: https://www.acidadeon.com/campinas/ cotidiano/cidades/NOT,0,0,1631310,seis- pessoas-sao-condenadas-na-1-faseda-operacao-ouro-verde-de-campinas. aspx. Acesso em 29/10/2021. Copiado do Relatório Fiscal. A entidade foi alvo de busca e apreensão, no âmbito do Processo processo cautelar n" 0009976-67.2017,8.26,0114, vinculado à Ia Fase da intitulada 'Operação Oura Verde". Ressalte-se que na oportunidade foram apreendidas todas as documentações contábeis, fiscais e financeiras da entidade. Figura 10-6: Resposta da INSAÚDE a justificar o motivo da não apresentação (...) Figura 10-7: A INSAÚDE declara que, para serviços de assessoria e consultoria, dispensa qualquer tipo de chamamento público ou procedimento de escolha público (...) Figura 10-8: Contrato da DIRETRIZ não localizado (...) Figura 10-9: Relatórios e comprovação de execução de serviços da DIRETRIZ não localizados (... ) Figura 10-10: Pessoa física executora da prestação de serviços da DIRETRIZ é o sócio RONALDO PASQUARELLI. 10.6.8 Ou seja, não há qualquer chamamento público ou procedimento objetivo de escolha para a contratação de empresas de consultoria em gestão, não foram apresentados contratos e comprovantes de execução de serviços. 10.6.9 Dessa forma, diante da inexistência de qualquer documentação relacionada com a prestação de serviços da DIRETRIZ à INSAÚDE, a utilização do instituto da prova emprestada5 no âmbito do processo administrativo é salutar e necessária para a perfeita caracterização da verdade dos fatos. 10.6.10 As situações fáticas são similares ao extremo, pois no caso da entidade PRÓ SAÚDE, RONALDO PASQUARELLI também integrava o corpo diretivo da PRÓ SAÚDE (administradores, diretores e conselheiros) coincidente com o lapso temporal de contratação da DIRETRIZ pela PRO SAÚDE. 10.6.11 Ademais, uma breve verificação nas declarações em DIRF 2016/2017 permite afirmar que a INSAÚDE "sucedeu" a PRÓ SAÚDE na contratação da DIRETRIZ, inclusive compondo majoritariamente o faturamento da prestadora. Fl. 51591DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 17 10.6.12 Segundo o contrato com a PRÓ SAÚDE (Anexo 110 - "Contrato Diretriz e PS"), a exemplo do que foi constatado nas outras pessoas jurídicas dos demais diretores da INSAÚDE, a DIRETRIZ foi remunerada em diversos contratos para tarefas genéricas e típicas de um administrador, pessoa física (diretores, administradores e conselheiros): Enunciado 20 da CGU: ADMISSIBILIDADE DO COMPARTILHAMENTO DE PROVAS ENTRE PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS. "O compartilhamento de provas entre procedimentos administrativos é admitido, independentemente de apurarem fatos imputados a pessoa física ou a pessoa jurídica, ressalvadas as hipóteses legais de sigilo e de segredo de justiça". Disponível em: https://repositorio.cgu.gov.br/handle/1/44228. Acesso em 10/09/2021. - Copiado do Relatório Fiscal. OBJETO 3. Pelo presente instrumento, a CONTRATADA assume a obrigação de prestar à CONTRATANTE serviços de consultoria e projetos em administração hospitalar. 4, Os serviços aqui contratados serão prestados através de profissionais pertencentes ao próprio quadro efe pessoal ou prepostos designados pela CONTRATADA, que desde já declara assumir inteira responsabilidade pelos mesmos, em todos os seus aspectos. Parágrafo único. A pessoa designada para a prestação de serviços aqui pactuada deverá ser profissional e juridicamente hábil a fazê-lo, de acordo com critério exclusivo da CONTRATANTE. Figura 10-11: O objeto do contrato com a DIRETRIZ é exatamente a função de um diretor, administrador ou conselheiro. 10.6.13 Em resposta à fiscalização na PRO SAÚDE, a DIRETRIZ afirma que seus serviços são prestados direta e exclusivamente pelos seus sócios (... ) 10.6.14 Complementarmente, apresentou uma "linha do tempo" que facilitou a visualização do vínculo de Ronaldo Pasquarelli e esposa com a entidade ao longo dos anos. Note-se, nas "observações", a descrição das atividades exercidas por ambos, tipicamente de administradores: Contexto Geral: Fl. 51592DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 18 A relação entre a Pró-Saúde - ABASH e a Diretriz decorre exclusivamente da prestação de serviços profissionais dos seus sócios, cujo vínculo inicial data do ano efe 1999, conforme linha do tempo: Linha do Tempo X Pró-Saúde Sócia Profissional Vínculo Admissão Demissão Função Obs. Silvaria A. G. Pasquarelli Vide cuniçulam em Anexo IV CLT 01.09.1999 30.08 2001 Gerente Administrativa Atividade gerenciai, exercida em período integral, de segunda a sexta feira, de 6 às 18h, na Sede Administrativa da Pró-Saúde PJ - Diretriz 01.09 2001 31.082013 Gerente de Operações CLT 02.09.2013 15 10.2014 Gerente de Operações Linha do Tempo X Pró-Saúde Sócio ,. Profissional Vinculo Admissão Demissão Função Obs, Ronaido Pasquarelli Vide curricuíum em Anexo IV CLT 01,09.1999 30.08.2001 Diretor Geral - Atividade executiva, exercida em período PJ - Diretriz 01.09.2001 31.01.2013 Diretor de Operações integral, de segunda a sexta feira, de 8 às 18h, na Sede Administrativa da Pró-Saúde. CLT 01.02.2013 19.07.2014 Diretor de Operações, e Diretor Geral Ronaido Pasquarelli: executivo com atuação em âmbito nacional, responsável pela implantação (planejamento, operação e desempenho) da gestão de hospitais e serviços de saúde, públicos e privados, dos mais variados portes (pequeno, médio e grande) e de complexidades distintas (baixa, média e alta), com serviços ambulatoriais, de urgência e emergência, eletivos, com diversos serviços de diagnóstico e tratamento (laboratório de análises clínicas e patológicas, serviços de imagem em geral ~ raios x, tomografia, ultrassonografía, ressonância magnética- hemodiálise, hemodinêmica, fisioterapia, fonoaudiologia etc), e diversas especialidades médicas (oncologia, ortopedia, medicina intensiva-adulto, infantil e neonatal - neurologia, pediatria, ginecologia, obstetrícia, clínica médica, queimados, clínicas cirúrgicas diversas etc. Anexo procurações anuais da Pró-Saúde nomeando Ronaldo Pasquarelli seu procurador. Fl. 51593DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 19 Diretriz Saúde Silvana A. G. Pasquarelii: gerente com atuação em âmbito nacional, prestando serviços em instituições públicas e privadas (Hospitais, UPAs, SAMUs, ESFs), exercendo atividades de estruturação e acompanhamento de projetos de saúde, desempenhando as seguintes atividades; Figura 10-13: Desempenho dos sócios da DIRETRIZ é exatamente o desempenho da pessoa física diretora, administradora ou conselheira da Organização Social. 10.6.15 Verificou-se que as notas fiscais de pagamento à PJ eram emitidas de modo individualizado para cada sócio da DIRETRIZ, como se fosse a remuneração a pessoa física. Tanto é assim que os pagamentos foram feitos de maneira individualizada também. Isto demonstra a ocorrência de constituição fraudulenta da PJ, somente para simular a contratação de consultoria ou algo do gênero (para pagamento simulado às pessoas físicas), uma vez que os recursos eram direcionados para ex-diretores da PRÓ SAÚDE, os quais, após o "afastamento" retornaram à entidade. 7.6. Notas fiscais emitidas pelo Diligenciado, com respectivos comprovantes de pagamentos (extratos bancários). • Resposta: As notas fiscais foram emitidas individualmente, com base na remuneração (salário) de cada sócio. A Pró-Saúde efetuava o pagamento também de forma individualizada, conforme a nota fiscal (salário) de cada sócio. As notas fiscais estão em anexo, agrupadas por sócio. Anexo também estão os comprovantes de pagamento que ocorreram da seguinte forma: Comprovantes de Pagamentos da Pró-Saúde Sócio Profissional Crédito efetuado na conta . ■ Pessoa Física ■ ,;' Crédito efetuado na conta Pessoa Jurídica - Diretriz Silvana A Q Pasquarelii Janeiro.2011 a Abril 2011 *Maio.2011 a Setembro.2013 Nota: Outubro 2013 passou a ser CLT Sócio Profissional Crédito efetuado na conta ■ ■: Pessoa Física 1 * Crédito efetuado na conta Pessoa Jurídica - Diretriz Ronaldo Pasquarelli De Janeiro.2011 a Abril,2011 *Maio.2011 a Fevereiro.2013 Nota: Em Fevereiro. 2013 passoL a ser CLT. Julho 2014 a Dezembro.2015 (Crédito referente Termo de Distraio") Figura 10-14: Pagamentos na forma de salários, mas falseados na forma de contratação da empresa DIRETRIZ. Fl. 51594DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 20 7.7 Apresentar a comprovação material dos serviços prestados. A título de exemplo: relatórios de consultoria, implantação de projetos em descritivos detalhados, compra de materiais associados, pessoas deslocadas para prestar o serviço no local (identificação da pessoa com nome e qualificação). • Resposta: As atividades desenvolvidas pelos sócios administradores da Diretriz eram exercidas no âmbito executivo, diariamente, em período integral, conforme esclarecimentos já realizados no item 7.4. 7.7.1 Especificamente em relação ao contribuinte em questão, atentar para os seguintes aspectos contratuais a serem comprovados: 7.7.1.1 Qual a expertise do Diligenciado? Apresentar contratos e notas fiscais de ao menos 5 clientes em ordem de faturamento. Organizar as informações em planilha. 7.7.1.2 Apresentar os relatórios detalhados com os serviços de consultoria 6 projetos em administração hospitalar. • Resposta: A expertise da Diretriz encontra-se representada pela qualificação e experiência dos seus sócios, na área de gestão de serviços de saúde, acumulada ao longo de 25 anos de atuação, dos quais os últimos 15 anos, ininterruptos, foram de prestação de serviços à Pró-Saúde. Através dos esclarecimentos contidos nos /feris 7,4 e 7.5, bem como dos documentos anexados, a Diretriz entende cumprido o solicitado nos itens 7.7.1.1 e 7.7.1.2, Figura 10-15: Trabalho com pessoalidade e subordinação disfarçado sob as vestes da empresa DIRETRIZ. 10.6.16 Há, inclusive, procuração da PRÓ SAÚDE outorgando poderes de direção à Ronaldo Pasquarelli (sócio da CONPLASA e DIRETRIZ), diretor desde os primórdios da própria PRÓ SAÚDE (... ) 10.6.17 Para corroborar o exposto até aqui, note-se que o Distrato entre DIRETRIZ e PRÓ SAÚDE traz a composição dos montantes de rescisão contratual, evidenciando que o parâmetro para pagamento era o salário de Ronaldo Pasquarelli conforme se extrai abaixo: TERMO DE DISTRATO cie ACORDO IRRETRATÁVEL DE VONTADES c/c TERMO DE CONFIDENCIALIDADE E OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER C/c QUITAÇÃO GERAL Pelo presente instrumento particular de distrato e na melhor forma de direito, as partes, de um lado, Fl. 51595DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 21 ASSOCIAÇÃO BENEF1C1ENTF DE ASSISTÉNCJA_S0G1AL E HOSPITALAR -PRÓ- SAÚDE com sede localizada na Rua Guaicurus. n a 563 - Bairro Lapa, na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ sob o rf 24.232.886/0020-20, neste ato representado na forma de seus atos constitutivos, doravante simplesmente denominado PRÓ-SAÚDE; de outro lado, DIRETRIZ ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA HOSPITALAR LTDA.. pessoa jurídica, inscrita no CNPJ n.° 01.505.487/0001-27, com sede na Rua Tu cima. ri.0 270, ap. 73, São Paulo/SP, representada, neste ato, por seus sócios Ronaldo PasquareUi, portador do RG 5.883.915SSP/SP e CPF 072.564.9B8-70; e Silvana Aparecida Grando PasquareUi, portadora do RG 1.711.021 SSP/SP e CPF 712.666.239-49, denominado, simplesmente, DIRETRIZ; e, também, RONALDO PASQUARELLl. pessoa física, portador do RG 15.838.915SSP/SP e CPF 072,564.988-70, residente e domiciliado na Rua Dr Augusto de Miranda, 907, apto. 113, ViJa Pompeia, na cidade de Sao Paulo/SP, CEP 05026-000. I. DA RESCISÃO DEFINITIVA E VALOR Cláusula 1.': Estão definitivamente rescindidas todas e quaisquer relações jurídicas havidas entre a DIRETRIZ e a PRÓ-SAÚDE a partir da data de assinatura deste Termo. Cláusula 2.": Em razão da presente rescisão, a PRÓ-SAÚDE pagará ã DIRETRIZ, observadas as condições estabelecidas no presente Distrato, o valor total de R£ 5.000.000.00 (cinco milhões de reais}, da seguinte forma: (a) R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil Reais) deverão ser pagos até 09 de julho de 2014, em moeda coTente nacional; e (b)R$ 2.500.000,00 {dois milhões e quinhentos reais), deverão ser pagos em 25 (vinle e cinco) parcelas mensais, iguais e consecutivas de RS 100.000,00 (cem i nfiHjeals) cada uma. sendo a primeira devida no dia 09 d* agasto de 2014, e as / demais no mesmo dia dos meses subsequentes Fl. 51596DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 22 II. DA QUITAÇÃO GERAL PARA TODOS OS FINS DE DIREITO Cláusula 3.a: Efetuado o pagamento previsto na cláusula 2.", a DIRETRIZ, por si, seus sucessores e sócios, outorgarão à PRÓ-SÁUDE plena, geral e irrevogável quitação qjanto a todo o período em que prestanam seus serviços á PRÓ-SAÚDE, para nada mais reclamarem, seja a que título for, em tempo aJgum, Parágrafo primeiro; Em que pese as partes reconhecerem que durante lodo período em que houve a prestação dos serviços (2001 a 2014), os mesmos foram executados com absoluta autonomia, sem subordinação de qualquer natureza, optando as partes pelo regime da contratação direta por pessoa jurídica tal como faculta a lei, certo é que, para efeito dos cálculos da presente rescisão, foram consideradas as seguintes verbas: a) Aviso prévio RJ 64.000,00 f& V^V* éf€o^ b) FGTS RS 798.720,00; c) 40% FGTS RS 319.486,00 d) Férias 2013/2014 + 1/3 R$85.333,33; e) Férias+ 1K3 2012/2013 (dobra) R$ 170.666,66 f) Férias + 1/3 2011/2012 (dobra) R$ 170.666,66 g) Férias + 1/3 2010/2011 (dobra) R$ 170.666,66 h) Férias + 1/3 2009/2010 (dobra) R$ 170.666,66 i) 13." salário 2014 R$37.333,33 j) 13."salário 2013 R$64.000,00 k) 13° salário 2012 R$64.000,00 I) 13.° salário 2011 R$ 64.000,00 Figura 10-17: Parâmetros para rescisão contratual de pessoa jurídica: salário de um diretor da PRÓ SAÚDE, atividade que o sócio da DIRETRIZ nunca deixou de desempenhar, não obstante a roupagem jurídica de PJ. 10.6.18 Chama a atenção o fato de, em um distrato entre pessoas jurídicas, encontrarmos rubricas que remontam a verbas rescisórias de um empregado. Firmada a convicção, assim, de que os serviços realizados pelos sócios da DIRETRIZ Fl. 51597DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 23 na PRÓ SAÚDE eram típicos de "administrador", pessoa física, mas que foi constituída fraudulentamente uma pessoa jurídica na qual foram canalizadas as remunerações dissimuladas na figura de pagamentos a pessoa jurídica como evento ostensivo. 10.6.19 Ou seja, há indícios veementes de que a contratação da DIRETRIZ pela INSAÚDE é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores e administradores da INSAÚDE (gestão e administração hospitalar); efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) aos conselheiros da INSAÚDE (formalmente não remunerados) RONALDO PASQUARELLI e SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI; falseando os lançamentos contábeis e vulnerando o patrimônio da instituição. (CTN, art. 14, incisos; Lei n° 12101/2009, art. 29, incisos) 10.7 CÂMARA GESTÃO EM SAÚDE EIRELI (CNPJ 26.928.487/0001-60) 10.7.1 A CÂMARA GESTÃO EM SAÚDE EIRELI está sediada em um endereço residencial. O endereço corresponde à residência atual do único sócio PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA consoante consulta aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil. (...) 10.7.2 Não constam empregados ou sócios declarados em GFIP nas competências dos anos de 2017 e 2018 (sem movimento em 01/2017, sem entrega de 02/2017 a 12/2017 e sem movimento em 13/2017; sem movimento em 01/2018, sem entrega de 02/2018 a 12/2018 e sem movimento em 13/2018) 10.7.3 PAULO ROBERTO SEGATLLI CÂMARA, assim como RONALDO PASQUARELLI e SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI é integrante do Conselho de Administração Geral da INSAÚDE e do Conselho de Administração específico com atuação no município de São Paulo da INSAÚDE. Destaque para a informação declarada pela INSAÚDE de que tais conselheiros não são remunerados pela função que desempenham. Ou seja, na prática, são remunerados de forma oblíqua através da contratação de pessoa jurídica da qual é o único sócio. 10.7.4 Em consulta às declarações DIRF nos anos 2017 e 2018, fica evidente que, em 2017, a contratação pela INSAÚDE correspondeu à aproximadamente 75% do faturamento da empresa CÂMARA 10.7.5 A contratação da empresa CÂMARA também pode ser verificada na contabilização da INSAÚDE. 10.7.6 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde". (...) 10.7.7 Dessa forma, diante da inexistência de qualquer documentação relacionada com a prestação de serviços da CÂMARA à INSAÚDE, a utilização do instituto da Fl. 51598DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 24 prova emprestada no âmbito do processo administrativo é salutar e necessária para a perfeita caracterização da verdade dos fatos. 10.7.8 As situações fáticas são similares ao extremo, pois no caso da entidade fiscalizada PRÓ SAÚDE, PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA também integrava o corpo diretivo da PRÓSAÚDE (administradores, diretores e conselheiros) coincidente com o lapso temporal de contratação de diversas empresas de titularidade de PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA pela PRO SAÚDE. 10.7.9 Conforme consulta aos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, Paulo Roberto Segatelli Câmara foi sócio/administrador das seguintes empresas, todas elas prestadoras de serviços de ordem gerencial à PRÓ SAÚDE à época, sem conformação material dos serviços prestados (... ) 10.7.10 Embora a empresa CÂMARA GESTÃO não integre o grupo fraudatório acima relacionado, trata-se de prova emprestada indiciária de que o modus operandi tenha sido exatamente o mesmo: serviços de ordem gerencial simulados em pagamentos às pessoas físicas de titularidade dos administradores, ausentes quaisquer comprovações materiais de execução e relacionadas a atividades típicas de gestores que devem cumpri-las a título personalíssimo. 10.7.11 Ou seja, há indícios veementes de que a contratação da CÂMARA, assim como a DIRETRIZ é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores e administradores da INSAÚDE (gestão e administração hospitalar); efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) ao conselheiro da INSAÚDE (formalmente não remunerados) PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA. (CTN, art. 14, incisos; Lei n° 12101/2009, art. 29, incisos) 10.8 WMP CONSULTEIRELI (CNPJ 27.053.405/0001-44) 10.8.1 A WMP CONSULT EIRELI está sediada em um endereço residencial. O endereço corresponde à residência atual do único sócio WALDOMIRO MONFORTE PAZIM consoante consulta aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil. (...) 10.8.2 Não constam empregados ou sócios declarados em GFIP nas competências dos anos de 2017 e 2018 (sem movimento em 02/2017, sem entrega de 01/2017 a 13/2017; sem entrega em 01/2018, sem movimento em 02/2018 e sem entrega de 03/2018 a 13/2018. (...) 10.8.3 WALDOMIRO MONFORTE PAZIM, assim como PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA, RONALDO PASQUARELLI e SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI é integrante do Conselho de Administração Geral da INSAÚDE e do Conselho de Administração específico com atuação no município de São Paulo da INSAÚDE. Destaque para a informação declarada pela INSAÚDE de que tais conselheiros não são remunerados pela função que desempenham. Ou seja, na prática, são remunerados de forma oblíqua através da contratação de pessoa jurídica da qual é sócio. (... ) Fl. 51599DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 25 10.8.4 Em consulta às declarações DIRF nos anos 2017 e 2018, fica evidente que, em 2017, a contratação pela INSAÚDE correspondeu à aproximadamente 95% do faturamento da WMP. (...) 10.8.5 A contratação da empresa WMP também pode ser verificada na contabilização da INSAÚDE. (... ) 10.8.6 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde", exceto pelo contrato. (...) 10.8.7 Ou seja, há indícios veementes de que a contratação da WMP, assim como a DIRETRIZ e CÂMARA é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores, administradores e conselheiros da INSAÚDE (gestão e administração hospitalar, além de estudos estratégicos); efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) ao conselheiro da INSAÚDE (formalmente não remunerados) WALDOMIRO MONFORTE PAZIM. (CTN, art. 14, incisos; Lei n° 12101/2009, art. 29, incisos). 10.9 ID VIDA IDENTIFICAÇÃO, INFORMAÇÃO E MONITORAMENTO LTDA (CNPJ 73.441.818/0001-13) 10.9.1 A empresa ID VIDA IDENTIFICAÇÃO, INFORMAÇÃO E MONITORAMENTO LTDA (ID VIDA) possui uma relação mais intrincada com a INSAÚDE e a CIRÚRGICA FERNANDES COM MAT CIR HOSP LTDA (prestadora de serviços da INSAÚDE), pois os indícios de fraude em contratações não são diretos. 10.9.2 WALDOMIRO MONFORTE PAZIM integrou o quadro societário da ID VIDA no período de 20/12/2005 a 03/03/2015. 10.9.3 WALDOMIRO MONFORTE PAZIM, assim como PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA, RONALDO PASQUARELLI e SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI foi integrante do Conselho de Administração Geral da INSAÚDE e do Conselho de Administração específico com atuação no município de São Paulo da INSAÚDE no período de 28/06/2016 a 02/08/2016 (aproximadamente 1 mês). 10.9.4 Justamente no ano de 2016 e 2017, a ID VIDA prestou serviços à INSAÚDE e à CIRÚRGICA FERNANDES COM MAT CIR HOSP LTDA (também prestadora de serviços da INSAÚDE). 10.9.5 O objeto social da ID VIDA é bastante variável no decorrer do tempo de tal forma que permite inferir que busca a se adaptar aos contratos celebrados. (... ) 10.9.6 Não constam segurados declarados em GFIP nas competências dos anos de 2017 e 2018, exceto os sócios administradores abaixo destacados. 10.9.7 WALDOMIRO MONFORTE PAZIM, assim como PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA, RONALDO PASQUARELLI e SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI Fl. 51600DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 26 é integrante do Conselho de Administração Geral da INSAÚDE e do Conselho de Administração específico com atuação no município de São Paulo da INSAÚDE. Destaque para a informação declarada pela INSAÚDE de que tais conselheiros não são remunerados pela função que desempenham. (...) 10.9.8 Em consulta às declarações DIRF nos anos 2016 e 2017, fica evidente a participação relevante da INSAÚDE e CIRÚRGICA FERNANDES COM MAT CIR HOSP LTDA (prestadora de serviços da INSAÚDE) no faturamento da ID VIDA. (... ) 10.9.9 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde". (...) 10.9.10 Ou seja, há indícios veementes de que a contratação da ID VIDA, assim como a DIRETRIZ, CÂMARA e WMP é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores, administradores e conselheiros da INSAÚDE (gestão e administração hospitalar, além de estudos estratégicos); efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) ao conselheiro da INSAÚDE (formalmente não remunerados) WALDOMIRO MONFORTE PAZIM. 10.10 DERMACOR SAUDE MEDICINA HOSPITALAR LTDA (CNPJ 20.226.804/0001¬10) 10.10.1 A DERMACOR SAUDE MEDICINA HOSPITALAR LTDA (DERMACOR) é empresa com único sócio ANIS GHATTAS MITRI FILHO, com amplo espectro de atuação. (... ) 10.10.2 Apesar do amplo espectro de atuação, não constam segurados declarados em GFIP nas competências dos anos de 2017 e 2018 (sem movimento em 01/2017 a 13/2017); sem movimento em 01/2018 e 02/2018, de 03/2018 a 13/2018 constando o único socio ANIS GHATTAS MITRI FILHO e sem movimento em 13/2018. O ano de 2019 também não constam segurados declarados exceto o único socio ANIS GHATTAS MITRI FILHO. 10.10.3 Conforme expressamente declarou a INSAÚDE, ANIS GHATTAS MITRI FILHO recebeu a remuneração de diretor executivo (diretoria técnica) em pagamentos para a sua empresa DERMACOR SERVIÇOS MÉDICOS LTDA (CNPJ: 20.226.804/0001-10) nos valores de R$ 150.000,00 em 2018 e R$ 180.000,00 em 2019. Ou seja, simulação de contratação de pessoa jurídica e dissimulação de remuneração a pessoa física. 10.10.4 Como bem sedimentado, diretores são pessoas físicas que desempenham com pessoalidade as suas funções profissionais, sendo enquadrados como segurados empregados ou contribuintes individuais de acordo com as circunstâncias fáticas. Ao efetuar os pagamentos por meio de contas de pessoas jurídicas a INSAÚDE sonega contribuição previdenciária descontada de segurado, imposto de renda retido na fonte, incorre em falsidade em declarações Fl. 51601DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 27 diversas tais como GFIP e DIRF além de falsear os registros contábeis envolvidos. Explícita também a confusão patrimonial estabelecida entre pessoa jurídica e pessoa física. 10.10.5 Tais práticas (remunerar diretores em contas de pessoas jurídicas das quais eram sócios) já haviam sido ressalvadas e alertadas pelos relatórios de auditoria independente consoante já destacado nesse relatório. 10.10.6 Entretanto, conquanto tais pagamentos a pessoas físicas dissimulados por pagamentos a pessoa jurídica constituam ilícito contundente, há indícios que ANIS GHATTAS MITRI FILHO efetivamente não tenha prestado labor como diretor técnico. 10.10.7 Como as declarações em GFIP 2017, 2018 e 2019 da DERMACOR não contêm outros segurados que não o próprio sócio ANIS GHATTAS MITRI FILHO, revela-se logicamente impossível a prestação de serviço a tantos tomadores simultâneos conforme os pagamentos declarados em DIRF revelam: (... ) 10.10.8 A empresa GLOBAL GESTÃO EM MEDICINA E SAÚDE é prestadora de serviços da INSAÚDE em valores elevados nos anos fiscalizados de 2017 e 2018. (... ) 10.10.9 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde". (...) 10.10.10 Ou seja, somente o fato de a INSAÚDE declarar que a remuneração do diretor técnico ANIS GHATTAS MITRI FILHO era efetivada e formalizada na forma de contratação de pessoa jurídica constitui grave ilícito, inclusive penal. Para além disso, há indícios veementes de que a contratação da DERMACOR é simulacro para: falsear a contratação de um serviço, em tese, já suportado pelos diretores, administradores e conselheiros da INSAÚDE (gestão e administração hospitalar); efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) ao diretor técnico da INSAÚDE ANIS GHATTAS MITRI FILHO uma vez que na ausência de demais segurados em GFIP, constatou-se impossível que uma única pessoa prestasse serviços a tantos tomadores conforme os pagamentos em DIRF apontam. 10.11 LUCIANO BOLONHA SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA (CNPJ 27.916.112/0001-43) 10.11.1 A LUCIANO BOLONHA SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA (LUCIANO BOLONHA ADV.) é sociedade de advocacia de LUCIANO BOLONHA GONSALVES, Fl. 51602DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 28 diretor jurídico da INSAÚDE no período 01/01/2018 a 02/01/2019. 10.11.2 Segundo declarações da INSAÚDE, LUCIANO BOLONHA GONSALVES recebeu a remuneração de diretor jurídico da INSAÚDE como empregado celetista em 2018 (valor total de R$ 523.026,42) e passou a receber a remuneração de diretor jurídico como pessoa jurídica (pelo escritório de advocacia) em 2019, totalizando R$ 314.419,35 no ano. 10.11.3 Como bem sedimentado, diretores são pessoas físicas que desempenham com pessoalidade as suas funções profissionais, sendo enquadrados como segurados empregados ou contribuintes individuais de acordo com as circunstâncias fáticas. Ao efetuar os pagamentos por meio de contas de pessoas jurídicas a INSAÚDE sonega contribuição previdenciária descontada de segurado, imposto de renda retido na fonte, incorre em falsidade em declarações diversas tais como GFIP e DIRF além de falsear os registros contábeis envolvidos. Explícita também a confusão patrimonial estabelecida entre pessoa jurídica e pessoa física pelo conluio entre INSAÚDE e diretores. 10.11.4 Tais práticas (remunerar diretores em contas de pessoas jurídicas das quais eram sócios) já haviam sido ressalvadas e alertadas pelos relatórios de auditoria independente consoante já destacado nesse relatório. 10.11.5 Atualmente, a situação cadastral da LUCIANO BOLONHA SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA é de INAPTIDÃO por OMISSÃO DE DECLARAÇÕES (...) 10.11.6 O primeiro aspecto é a remuneração de LUCIANO BOLONHA GONSALVES (ano de 2018) como diretor jurídico (R$ 523.026,42, o que equivale a um salário anual de 13 meses de R$ 40.232,00) em valores muito acima da média do mercado. A conceituada consultoria Michael Page, em relatório anual de 2019, informa sobre as médias salariais de diversos ramos econômicos e cargos específicos: (... ) 10.11.7 As informações declaradas em DIRF 2017 apresentam divergência em relação aos registros contábeis da INSAÚDE (... ) 10.11.8 As informações declaradas em DIRF 2019 apresentam divergência em relação à declaração da INSAÚDE (... ) 10.11.9 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização de muitos contratos, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde" (... ) 10.11.10 Ou seja, somente o fato de a INSAÚDE declarar que a remuneração do diretor técnico LUCIANO BOLONHA GONSALVES era efetivada e formalizada na Fl. 51603DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 29 forma de contratação de pessoa jurídica constitui grave ilícito, inclusive penal. Para além disso, há indícios veementes de que a contratação da LUCIANO BOLONHA SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores, administradores e conselheiros da INSAÚDE (aspectos jurídicos da gestão e administração hospitalar); efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) ao diretor jurídico da INSAÚDE LUCIANO BOLONHA SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA 10.12 MARCELO AITH SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA (CNPJ 19.541.342/0001-47). 10.12.1 A MARCELO AITH SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA (MARCELO AITH ADV.) é sociedade de advocacia de MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH, diretor jurídico da INSAÚDE desde 15/04/2019 e vigente. 10.12.2 Segundo declarações da INSAÚDE, MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH recebeu a remuneração de diretor jurídico da INSAÚDE em 2019 (valor total de R$ 130.000,00) em forma de contratos e pagamento a pessoa jurídica, ou seja, a seu escritório de advocacia. 10.12.3 Como bem sedimentado, diretores são pessoas físicas que desempenham com pessoalidade as suas funções profissionais, sendo enquadrados como segurados empregados ou contribuintes individuais de acordo com as circunstâncias fáticas. Ao efetuar os pagamentos por meio de contas de pessoas jurídicas a INSAÚDE sonega contribuição previdenciária descontada de segurado, imposto de renda retido na fonte, incorre em falsidade em declarações diversas tais como GFIP e DIRF além de falsear os registros contábeis envolvidos. Explícita também a confusão patrimonial estabelecida entre pessoa jurídica e pessoa física pelo conluio entre INSAÚDE e diretores. 10.12.4 Tais práticas (remunerar diretores em contas de pessoas jurídicas das quais eram sócios) já haviam sido ressalvadas e alertadas pelos relatórios de auditoria independente consoante já destacado nesse relatório. (... ) 10.12.5 As informações declaradas em DIRF 2019 não constam recebimentos da MARCELO AITH SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA. Aliás, não constam elementos na DIRF nos anos de 2016 a 2020. 10.12.6 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização de muitos contratos, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde". (...) Fl. 51604DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 30 10.12.7 Ou seja, somente o fato de a INSAÚDE declarar que a remuneração do diretor técnico MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH era efetivada e formalizada na forma de contratação de pessoa jurídica constitui ilícito tributário, inclusive penal. Para além disso, há indícios veementes de que a contratação da MARCELO AITH SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores, administradores e conselheiros da INSAÚDE (aspectos jurídicos da gestão e administração hospitalar); ou efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) ao diretor jurídico da INSAÚDE MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH. O Capítulo 11 do Relatório Fiscal discorre acerca da contratação de empresas de gestão e administração sem comprovação: 11. CAPÍTULO 11 - DA CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO 11.1 A fiscalização constatou a existência de contratações e pagamentos pela INSAÚDE de empresas sediadas em endereços residenciais, sem declaração de GFIP, sem dados em DIRF, com objetos sociais genéricos tais como desenvolvimento profissional e gerencial ou consultoria administrativa e serviços, para as quais a INSAÚDE não apresentou sequer contratos e comprovação de execução de serviços relacionados. A INSAÚDE afirma também que não promoveu procedimento de escolha, chamamento público ou procedimento similar para justificar as contratações. 11.2 AGVD RECURSOS HUMANOS LTDA (CNPJ 16.604.028/0001-78) 11.2.1 A AGVD RECURSOS HUMANOS LTDA (AGVD) está sediada em um endereço residencial correspondente à residência de uma das socias consoante consulta aos sistemas internos da Receita Federal do Brasil. (... ) 11.2.2 Não constam GFIP entregues nos anos de 2017 e 2018. (... ) 11.2.3 Não constam dados em DIRFpara os anos de 2017 e 2018. (...) 11.2.4 A contratação da empresa AGVD pode ser verificada na contabilização da INSAÚDE. (... ) 11.2.5 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde" (...). 11.2.6 Ou seja, há indícios veementes de que a contratação e pagamentos à AGVD é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores e administradores da INSAÚDE (gestão e administração hospitalar); ou efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros). Fl. 51605DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 31 11.3 FUNF R CONSULTORIA FINANCEIRA ADMINISTRATIVA E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 13.459.973/001-35) 11.3.1 A FUNF R CONSULTORIA FINANCEIRA ADMINISTRATIVA E SERVIÇOS LTDA (FUNF R) está sediada, coincidentemente, no mesmo endereço na empresa DERMACOR SERVIÇOS MÉDICOS LTDA (CNPJ: 20.226.804/0001-10), embora em conjuntos diferentes. 11.3.2 A situação cadastral é INAPTA pelo motivo de localização desconhecida. (...) 11.3.3 Destaque para o objeto social registrado na JUCESP totalmente alheio às atividades da INSAÚDE: representantes comerciais de produtos alimentícios, bebida e fumo, atividades de cobrança e comercio de mercadorias em geral (... ) 11.3.4 Nas GFIP dos anos de 2017 e 2018 não constam segurados, exceto o socio WERNER JOSE REUTER. 11.3.5 Constam dados em DIRF para o ano de 2017 com pagamentos da INSAÚDE. (... ) 11.3.6 A contratação da empresa FUNF R pode ser verificada na contabilização da INSAÚDE (... ) 11.3.7 Intimado a apresentar documentação básica da contratação, o contribuinte INSAÚDE alegou a não localização, seja física, seja digital, possivelmente em função da operação de busca e apreensão perpetrada em 2017 na "Operação Ouro Verde" (...) 11.3.8 Ou seja, há indícios veementes de que a contratação da FUNF R é simulacro para: falsear a contratação de um serviço já suportado pelos diretores e administradores da INSAÚDE (gestão e administração hospitalar); ou efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros). No Capítulo 12, a Auditoria explicita que o INSAUDE se dedica à atividade empresária: 12. CAPÍTULO 12 - A INSAÚDE DEDICA-SE À ATIVIDADE EMPRESÁRIA 12.1 Em breve retrospectiva dos capítulos anteriores, restou comprovado que a INSAÚDE efetua pagamentos a diretores executivos empregados em contas de pessoas jurídicas de titularidade dos diretores, simulando contratações, basicamente falseando declarações, lançamentos contábeis e incorrendo em sonegação fiscal. 12.2 O capítulo anterior também evidenciou que a INSAÚDE celebra contratos com o poder público para gerenciar unidades de saúde e educação Fl. 51606DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 32 (supostamente, a INSAÚDE é detentora de expertise para tal), mas na realidade "terceiriza" a atividade fim para empresas pertencentes a membros da diretoria, conselho e administração para a execução da função de gestão, administração e desenvolvimento das unidades públicas de saúde e educação. Logicamente, remunera pontualmente e substancialmente tais empresas, mas não apresentou contratos, comprovação de execução de serviços e alega não dispor de nenhum tipo de procedimento de escolha com critérios objetivos para contratação de serviços de gestão, consultoria e afins. Ou seja, o poder púbico paga em dobro: pela gestão da INSAÚDE (remunerando gestores pessoas físicas) e pela gestão das empresas terceirizadas pela INSAÚDE (titularizadas pelos diretores, conselheiros e administradores da INSAÚDE). 12.3 Não obstante, também foram caracterizadas contratações de empresas de serviços genéricos tais como consultoria e gestão, sem vínculos diretos com a alta administração, mas sem procedimento de escolha objetivo, sem apresentação de contratos ou demonstrações de medição e execução. 12.4 Mas as irregularidades não se esgotam nessas graves constatações. A INSAÚDE não é efetivamente uma entidade beneficente que faça jus à imunidade constitucional, mas empresa com o fito de lucro e conquista de mercado, ou seja, integrante do 2° setor e não do 3° setor. 12.5 Outro contrato de prestação de serviços celebrado pela INSAÚDE (tomadora) é bastante elucidativo. Trata-se da empresa DIMPI - GESTÃO EM SAÚDE. Novamente, notória a incongruência: se a INSAÚDE recebe a concessão do poder público para gerir unidades de saúde e educação em virtude da sua competência, preparo e histórico comprovado para tal, por que o motivo a INSAÚDE subcontrata empresas no mercado especializadas em gestão e negócios? (...) 12.6 Não obstante a DIMPI somente anunciar em seu site a prestação de serviços técnicos, estranhamente, o contrato com a INSAÚDE tem como escopo serviços de ordem gerencial e de expansão de mercado. (... ) 12.7 Dentre as tarefas contratadas pela INSAÚDE e prestadas pela DIMPI em destaque acima: conquista de mercado e prospecção de novos clientes. De outra forma, a INSAÚDE desempenha atividade tipicamente empresária e bastante distante das atividades beneficentes de saúde, educação e assistência social. A conquista de mercado e a prospecção de novos clientes não são atividades concernentes às entidades filantrópicas, mas à atividade empresária. 12.8 Os próximos capítulos estão voltados para a caracterização inequívoca da atividade empresária da INSAÚDE e as correspondentes comprovações de ordem fático-jurídica. No Capítulo 13, a Auditoria explicita que o INSAUDE é empresa de cessão de mão de obra e consultoria: Fl. 51607DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 33 13. CAPÍTULO 13 - INSAÚDE É EMPRESA DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA E CONSULTORIA CONFORME ELA PRÓPRIA ANUNCIA 13.1 Conforme sedimentada e remansosa jurisprudência, inclusive capitaneada pela Corte Suprema (STF), as entidades sem fins lucrativos que gozam de imunidade/isenção tributárias não estão impedidas da prática de atividade empresária, contanto que conservem o caráter excepcional e todo o resultado seja revertido para a atividade precípua, qual seja, as ações de gratuidade. 13.2 O estudo mais minucioso sobre as reais atividades desenvolvidas pela INSAÚDE revelam não só o caráter predominantemente empresarial, mas também o franco intuito de dominação de mercado. 13.3 Este capítulo é dedicado exclusivamente às informações contidas no site da INSAÚDE e documentos lá disponíveis ao público em geral. 13.4 Mesmo antes do exame minudente dos contratos da INSAÚDE com os entes públicos para a gestão de hospitais e unidades de ensino, é possível verificar no próprio site da INSAÚDE que o fiscalizado desenvolve atividades econômicas típicas de empresas prestadoras de serviços, principalmente de cessão de mão de obra. 13.5 O primeiro aspecto que se destaca são os anúncios diversos sobre processo seletivo para profissionais das áreas de atividade da INSAÚDE com a finalidade de contratação de profissionais para prestarem serviços nas unidades de saúde ou educação cuja "gestão" foi concedida à INSAÚDE. (...) 13.6 Aliás, é possível selecionar a unidade de interesse e acessar diversos "editais" de processos seletivos para as vagas abertas ou cadastro de reserva. (... ) 13.7 Os editais revelam detalhes do processo seletivo que caracterizam as empresas de cessão de mão de obra. No caso específico selecionado aleatoriamente, trata-se de contratações para suprir profissionais de unidade de ensino, muito distante da "especialidade" original da INSAÚDE que é a prestação de serviço hospitalar. Fica evidente também que os profissionais procurados são aqueles que desempenham atividades meio para o funcionamento de uma unidade de ensino. (... ) 13.8 Outro processo seletivo, esse na área de saúde, também deixa claro as características de processo seletivo de empresas de cessão de mão de obra. (... ) 13.9 O portfólio da INSAÚDE oferece serviços de consultorias e assessorias em gestão e creditação, além de logística, implantação de projetos, assessoria jurídica especializada entre outros. Nitidamente, a fiscalizada promove atividade empresária com o fito de lucro muito além da prestação de serviços em caráter benemerente. Ou seja, é verdadeira empresa de consultoria, arquitetura de soluções e cessão de mão de obra.(... ) Fl. 51608DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 34 13.10 É preciso diferenciar a entidade privada que pratica atividade fim (principal) imune/isenta tais como: atendimento hospitalar, promoção de educação e ensino ou promoção de assistência social e acolhimento; em oposição às prestadoras de serviço de gestão e fornecimento de mão de obra especializada. Essas últimas não gozam da prerrogativa de imunidade somente em função de viabilizar (como atividade meio) a atividade verdadeiramente visada pela legislação de imunização. E a INSAÚDE insere-se justamente no último caso, ou seja, fornece meios para o desenvolvimento de atividade titularizada por outro ente, essa sim abarcada pela legislação benéfica tributária (que é o ente federativo). Nesse ensejo, uma empresa de cessão de mão de obra contratada pelo ente federativo não se transmuta a entidade imune ou isenta só pelo fato de prestar mão de obra, seja para a atividade meio, seja para a atividade fim. (... ) No Capítulo 14, o Relatório Fiscal considera que o INSAUDE é empresa de cessão de mão de obra também em razão dos contratos que celebra: 14. CAPÍTULO 14 - INSAÚDE É EMPRESA DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA EM RAZÃO DOS CONTRATOS QUE CELEBRA 14.1 A verificação preliminar no site da INSAÚDE revela que as unidades de saúde e educação cedidas pelos entes públicos para a "gestão" da fiscalizada constituem "projetos" a serem geridos, verdadeira atividade empresária de prestações de serviços de cessão e gestão de mão de obra como atividade meio para o desempenho final de serviços públicos de saúde e educação (titularizados pelo ente público). 14.2 Passando à análise detalhada dos contratos celebrados entre a INSAÚDE e os entes públicos (principalmente municípios de pequeno porte), o prospecto do parágrafo anterior se confirma de forma cristalina e inafastável. 14.3 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE SÃO GONÇALO (RJ) - UPA 24HNOVA CIDADE-PORTEII. (...) 14.3.1 A análise mais detida do contrato da INSAÚDE com o município de São Gonçalo - RJ permite afirmar que, verdadeiramente, a INSAÚDE efetua a cessão de mão de obra para que a unidade de saúde opere de acordo com os parâmetros desejados. 14.3.2 A enumeração das obrigações da INSAÚDE nos subitens do item 3.1 trazem, exceto pela alocação de pessoal adequado e capacitado, instruções genéricas tais como cumprir o avençado e se responsabilizar pela prestação do serviço hospitalar. CLÁUSULA PRIMEIRA - OBJETO 1.1 O presente CONTRATO DE GESTÃO tem por objeto a gestão, gerenciamento, operacionalização e execução dos serviços de saúde, bem como a administração de todo infraestrutura hospitalar, inclusive sua manutenção, exceto as despesas Fl. 51609DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 35 com luz, água/esgoto, coleta de lixo e segurança, a serem prestados pela CONTRATADA na Unidade Municipal de Pronto Atendimento - UPA 24h Nova Cidade - Porte II, localizada à Rua Vicente de Lima Cleto s/n°, Nova Cidade - São Gonçalo/RJ, CNES 2082497, em tempo integral, que assegure assistência universal e gratuita à população; CLÁUSULA SEGUNDA - DA PERMISSÃO DE USO DOS BENS 2.1 Conforme Termo de Permissão de Uso (Anexo VI), o imóvel de propriedade do Município de São Gonçalo/RJ referente à Unidade Municipal de Pronto Atendimento - UPA 24h Nova Cidade - Porte II e os bens móveis têm o seu uso permitido pela CONTRATADA durante a vigência do presente CONTRATO DE GESTÃO, nos termos da Lei municipal n.° 370/2011, regulamentada pelo Decreto municipal n.° 232, de 28 de outubro de 2015, no que couber. 3.1 Compromete-se a CONTRATADA a: 3.1.1 Prover os serviços ora contratados, com pessoal adequado e capacitado em todos os níveis de trabalho; 3.1.2 Comunicar à fiscalização do CONTRATO DE GESTÃO, por escrito e tão logo constatado problema ou a impossibilidade de execução de quaíquer obrigação contratual, para a adoção das providências cabíveis; 3.1.3 Responder pelos serviços que executar, na forma do ato convocatório e da legislação aplicãvei; 3.1.4 Reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, no todo ou em parte e às suas expensas, bens ou prestações objeto do contrato em que se verificarem vicios, defeitos ou incorreções resultantes de execução irregular ou do emprego ou fornecimento de materiais inadequados ou desconformes com as especificações; 3.1.5 Manter em estoque um mínimo de materiais, peças e componentes de reposição regular e necessários à execução do objeto do contrato; 3.1.6 Manter, durante toda a duração deste contrato, em compatibilidade com as obrigações assumidas, as condições de habilitação e qualificação exigidas para participação na seleção pública; 3.1.7 Assegurar a organização, administração e gerenciamento da Unidade Municipal de Pronto Atendimento - UPA 24h Nova Cidade -Porte II, objeto do presente CONTRATO DE GESTÃO, através de técnicas adequadas que permitam o desenvolvimento da estrutura funcional e a manutenção física da referida unidade e de seus equipamentos, além do provimento dos insumos (materiais) e medicamentos necessários à garantia do seu pleno funcionamento; Fl. 51610DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 36 3.1.8 Prestar os serviços de saúde que estão especificados nos Anexo I do Edital, de acordo com o estabelecido neste CONTRATO DE GESTÃO e nos exatos termos da legislação pertinente ao SUS -Sistema Único de Saúde, especialmente o disposto na Lei n.° 8.080, de 19 de setembro de 1990, com observância dos princípios veiculados pela legislação, e em especial: Figura 14-2: Detalhes contratuais. 14.3.3 Em resposta ao TIF01, a INSAÚDE listou os seus profissionais alocados na UPA gerida. (... ) 14.4 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE JARACEÍ(SP) (...) 14.5 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE UBATUBA (SP) (...) 14.6 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE SANTANA DO IPANEMA (AL) (...) 14.7 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE MIRASSOL (SP) (...) 14.8 CONTRATO DE GESTÃO: ESTADO DA PARAÍBA (PB) (...) 14.9 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE SANTA BRANCA (SP) (...) 14.10 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE ARUJÁ (SP) (...) 14.11 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE ITAÍ(SP) (...) 14.12 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE MOCOCA (SP) (...) 14.13 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE FEIRA DE SANTANA (BA) (...) 14.14 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE CAJAMAR (SP) (...) 14.15 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE BERNARDINO DE CAMPOS (SP) (...) 14.16 CONTRATO DE GESTÃO: MUNICÍPIO DE TIMBURI (SP) (...) No Capítulo 15, o Relatório Fiscal discorre acerca da isenção e imunidade de entidades que promovem cessão de mão de obra, apontando a impossibilidade de essas entidades gozarem de benefícios tributários, por não serem beneficentes. Destaca que o INSAÚDE exerce de forma ostensiva a atividade empresária de consultoria, gestão e cessão de mão de obra em unidades públicas concedidas de ensino e de saúde, pelo que não faz jus à isenção ou imunidade das contribuições sociais. Com base no Parecer MPAS CJ n° 3272/2004, de caráter vinculante, conclui pela impossibilidade fático-jurídica do gozo da imunidade pela INSAUDE nos moldes da legislação de regência. Cita o PARECER/CGMT/DCMT n° 18/2003, que definiu que a imunidade de contribuições previdenciárias abriga somente os segurados remunerados pela entidade e no desempenho das atividades que lhes são próprias, de modo que, se há predominantemente prestação de serviço de cessão de mão de obra em locais Fl. 51611DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 37 diversos, não há ampliação da imunidade que abarque todos os segurados cedidos. Constata haver, no caso, uma inversão de valores, afirmando que, se o intuito do legislador constitucional foi proteger a atividade fim com a imunidade, ainda que haja excepcionalmente atividade meio de cunho empresário para financiamento da atividade fim, o INSAÚDE viabiliza a atividade fim (cessão de mão de obra), valendo-se da imunidade como meio de vida e financiadora do negócio principal. Destaca então o seguinte: 15.12 Conforme restou comprovado pelos contratos e listagem de segurados cedidos às localidades contratadas, cada concessão firmada pela INSAÚDE (de hospitais, escolas, unidades de saúde e educação) constituía um projeto a ser gerenciado, em todos os casos, sem exceção, com alocação de mão de obra apropriada (preponderante) e respectiva gestão incluindo uniformes, controle de identificação e de horário (... ) 15.13 A fim de atender à demanda "mercadológica", a INSAÚDE promove constantes e sucessivos processos seletivos para amealhar mão de obra para alocação em "seus" projetos. Eis o verdadeiro mercado no qual a INSAÚDE desenvolve sua expertise. E conclui: 15.15 Em suma, especificamente em relação aos fatos e condutas perpetradas pelos diretores/administradores/conselheiros da INSAÚDE, todas pormenorizadamente descritas especialmente nos CAPÍTULOS 8, 9, 10 e 11 (condutas); 12, 13 e 14 (aspectos fáticos da atividade), revelam em apertada síntese que houve: • Dilapidação de parcela do patrimônio ou de suas rendas por meio de sonegação, fraude e conluio ao remunerar diretores/administradores/conselheiros em patamares desproporcionais até mesmo se comparados a executivos da iniciativa privada de gigantes multinacionais. • Dilapidação de parcela do patrimônio ou de suas rendas por meio de sonegação, fraude e conluio ao efetuar a contratação de pessoas jurídicas titularizadas pelos gestores para prestar serviços típicos e personalíssimos dos próprios diretores/administradores/conselheiros. • Dilapidação de parcela do patrimônio ou de suas rendas por meio de administração fraudulenta, irresponsável e temerária ao efetuar a contratação de pessoas jurídicas e pagamentos por serviços não comprovados materialmente, supostamente inexistentes e sem nenhum tipo de procedimento de escolha objetivo com justificativas e fundamentação. • Sonegação previdenciária e falseamento de declarações ao efetuar o pagamento de remuneração a diretores executivos em contas de pessoas jurídicas Fl. 51612DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 38 de suas titularidades simulando contratações de serviços. Fraude em declarações tais como GFIP, DIRF e lançamentos contábeis. • Manutenção de escrituração contábil dissonante dos documentos comprobatórios, ou sem os documentos idôneos a comprovar a materialidade dos eventos que resultaram em diversos pagamentos pela entidade. • Exercício dissimulado de atividade empresária (prestação de serviço de cessão de mão de obra para atividades meio e fim) em detrimento de ostentar (simular) atividade supostamente filantrópica formalmente apta a garantir o gozo de imunidade No Capítulo 16, o Relatório Fiscal explicita os fatos geradores e as bases de cálculo do lançamento, apuradas a partir dos valores declarados em GFIP, considerando a inexistência de imunidade da entidade em relação às contribuições previdenciárias e a outras entidades e fundos. Foi observado o rito previsto no art. 32 da Lei n° 12.101/2009: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1° Considerar-se-á automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2° O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. O Capítulo 17 do Relatório Fiscal trata da qualificação da multa aplicada em 150% (cento e cinquenta por cento) e da incidência de juros Selic: 17.CAPÍTULO 17 - DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA E INCIDÊNCIA DE JUROS (... ) 17.2 Dispõe o art. 9° da lei N 10.426/2002, combinado com o art. 44 da lei NQ9.430/1996, com grifos nossos: (...) 17.3 Dispõe os artigos 71, 72 e 73 da lei N 4.502/1964 (...) 17.4.4 O parágrafo 1° do art. 44 duplica o percentual de 75% para 150% nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. 17.4.4.1 A essência da sonegação é a tentativa de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador por parte do fisco, seja de alguns dos seus elementos objetivos ou da condição pessoal do contribuinte que os afetem. Nesta senda, tal comportamento é concomitante ou posterior à realização do fato Fl. 51613DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 39 gerador. Este foi também o caso constatado. A condição pessoal do contribuinte é condição sine qua non para a fruição da imunidade/isenção. Ora, é determinante que a entidade desempenhe estritamente as exigências do art. 9°, IV, "c" e art. 14 do CTN, além da Lei 12.101/2009, art. 29 e outros, a fim do gozo da imunidade/isenção. Uma vez que os diretores, administradores e conselheiros da entidade agiram em conluio para omitir os atos comissivos de fraude relacionadas à remuneração paga a pessoa física em conta de pessoa jurídica por elas titularizadas, remuneração simulada por meio de pessoas jurídicas prestadoras de serviços (cujos sócios eram diretores/administradores/membros de conselho), contratações de prestadores de serviços não comprovadas (mas contabilizadas) e exercício de atividade empresária de cessão de mão de obra de forma dissimulada enquanto ostensivamente declarava atividade beneficente apta a gozar de imunidades constitucionais. 17.4.4.2 A fraude é a inserção de elementos inexatos ou omissão de operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal. A fraude é a documentação da sonegação. Este foi também o caso constatado. - Despesa contabilizada sem comprovação material da contrapartida de serviços prestados - despesas fictícias. - Despesa contabilizada como pagamento a pessoa jurídica, enquanto consistia em remuneração a pessoa física diretor empregado. - Despesa contabilizada relacionada a pagamentos a pessoas jurídicas fraudados já que os serviços, além de não serem passiveis de terceirização (direção e administração são personalíssimas), foram comprovadamente prestadas pelos diretores e administradores da INSAÚDE, no local da entidade filantrópica, utilizando-se de recursos da entidade tais como infraestrutura e mão de obra, além de não gerarem nenhum documento externo à INSAÚDE- despesas fictícias. 17.4.4.3 Por fim, o art. 73 trata do conluio, que nada mais é que o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Este foi também o caso constatado. Este Relatório Fiscal demonstrou de forma exaustiva o conluio entre a cúpula diretiva da INSAÚDE. Com a constituição de diversas pessoas jurídicas pelos que já ocuparam cargos de "altos executivos" na INSAÚDE para a prestação de diversos serviços genéricos e abstratos à entidade, tais como consultoria de novos negócios, gestão administrativa, planejamento estratégico (para desempenho de função personalíssima de direção e comando), houve, em contrapartida, a aprovação da contratação na diretoria da INSAÚDE com a evidente intuito de dilapidação Fl. 51614DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 40 patrimonial da entidade por meio dos pagamentos de forma obliqua, distribuindo resultados e promovendo o enriquecimento sem causa dos ímprobos. Ademais, toda a cúpula diretiva tinha conhecimento da verdadeira atividade desempenhada pela INSAÚDE (empresa de cessão de mão de obra) e dos pagamentos depositados em contas de pessoas jurídicas dos gestores e em pessoas jurídicas de suas titularidades. O Capítulo 18, por sua vez, trata da sujeição passiva solidária, nos termos abaixo copiados: 18. CAPÍTULO 18 - DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 18.1 Uma vez definidos inequivocamente os diretores/administradores/ conselheiros que perpetraram as condutas descritas em detalhes nos CAPÍTULOS anteriores, este CAPÍTULO será dedicado à demonstração da incursão dos diretores/administradores/ conselheiros no art. 135 do CTN, inciso III, de forma livre e consciente e voltada a perpetrar graves ilícitos que trazem consequência na ordem do direito tributário penal e direito penal tributário. 18.2 Antes mesmo de adentrar na temática da responsabilidade tributária de terceiros, é prudente referendar a percuciente Nota Técnica GT Responsabilidade Tributária n° 01, de 17/12/2010, ao citar o Parecer PGFN CRJ/CAT n° 55/2009, enfatizando que a disposição do art. 135 do CTN tem natureza de responsabilidade solidária e não subsidiária. 18.3 Selecionados os DIRETORES ESTATUTÁRIOS em exercício durante parte ou a totalidade do período fiscalizado (2017 e 2018) por prática de excesso de poderes ou infração à lei, contratos sociais ou estatutos. ESTATUTARIOS NOME CPF DATA DE INCLUSÃO ATODE REGISTRO DATA DE EXCLUSÃO ATODE REGISTRO Presidente Walter Souza Pinto 753.244.588-72 10/07/2015 30/07/2015 01/02/2018 16/02/2018 Tesoureiro Daniel Augusto Gonsales Câmara 219.022.628-75 10/07/2015 30/07/2015 21/12/2017 25/01/2018 Vice-Presidente Carlos Jose Massarenti 000.855.948-14 05/04/2016 23/05/2016 28/02/2018 17/04/2018 Diretor Executivo Marcus Vinícius Alves da Silva Rodrigues 306.866.388-16 01/02/2018 16/02/2018 Vigente 03/05/2018 Presidente Nelson Alves Lima 695.213.958-34 15/03/2018 03/05/2018 15/03/2020 10/03/2020 Vice-Presidente Fernando dos Santos Silva 311.838.448-20 15/03/2018 03/05/2018 15/03/2020 10/03/2020 Fl. 51615DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 41 18.4 Selecionados os DIRETORES EXECUTIVOS em exercício durante parte ou a totalidade do período fiscalizado (2017 e 2018) por prática de excesso de poderes ou infração à lei, contratos sociais ou estatutos. CARGO NOME NOTAS45 CPF DATADE INCLUSÃO ATO DE REGISTRO DATA DE EXCLUSA ATO DE REGISTRO Diretor Técnico Anis Ghattas Mitri Filho 1 330.693.348-14 06/02/2018 (PJ) 06/02/2018 05/08/2020 05/08/ 2020 Diretor de Operações Enylo Vinícius de Faria 977.732.476-68 08/10/2018 (CLD 08/10/2018 vigente Diretor Jurídico Luciano Bolonha Gonsalves 2 778.906.201-87 01/01/2018 (CLTe PJ) 01/01/2018 02/01/2019 02/01/ 2019 Diretor Jurídico Marcelo Gurjao Silveira Aith 3 195.378.048-28 15/04/2019 (PJ) 15/04/2019 vigente Diretor de Operações Marco Antonio da Silva Filho 363.082.738-13 28/08/2017 (CLD 28/08/2017 28/09/2018 28/09/2018 Diretor Executivo Marcus Vinícius Alves da Silva Rodrigues 306.866.388-16 01/0 1/ 2018 (CLD 01/01/ 2018 vigente Diretor Geral Walter Souza Pinto 753.244.588-72 15/03/2018 (CLD 15/03/2018 vigente 18.5 Selecionados os MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO em exercício durante parte ou a totalidade do período fiscalizado (2017 e 2018) por prática de excesso de poderes ou infração à lei, contratos sociais ou estatutos, especialmente por exercerem atividade supostamente não remunerada (conforme estabelece o estatuto), mas receberem de forma oblíqua através de empresas de suas titularidades prestadoras de serviços à INSAÚDE sem nenhum processo de escolha. Cumpre destacar que os serviços contratados são aqueles relacionados com administração, gestão, planejamento e similares cujos contratos e documentos comprobatórios de prestação não foram apresentados. Cargo Nome CPF Data da inclusão Ato de registro Data de exclusão Ato do registro membro representante dos associados PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA 921.448.708-10 22/09/2015 26/10/2015 09/05/2017 14/07/2017 membro eleito pelo Conselho SILVANA APARECIDA G RANDO PASQUARELLI 712.666.239-49 22/09/2015 26/10/2015 22/09/2017 Fl. 51616DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 42 membro representante dos associados WALDOMIRO MONFORTE PAZIN 023.574.198-14 28/06/2016 26/08/2016 02/08/ 2016 26/08/2016 membro representante dos associados RONALDO PASQUARELLI 072.564.988-70 02/08/2016 26/08/2016 09/05/2017 14/07/2017 • DIRETRIZ ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA HOSPITALAR (CNPJ 01.505.487/0001-27): Empresa pertencente a SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI e RONALDO PASQUARELLI. • CÂMARA GESTÃO EM SAÚDE EIRELI (CNPJ 26.928.487/0001-60: Empresa pertencente a PAULO ROBERTO SEGATELLI CÂMARA. • WMP CONSULT EIRELI (CNPJ 27.053.405/0001-44). Empresa pertencente a WALDOMIRO MONFORTE PAZIM. • DERMACOR SAUDE MEDICINA HOSPITALAR LTDA (CNPJ 20.226.804/0001- 10). Empresa pertencente a ANIS GHATAS MITRI FILHO (diretor técnico da diretoria executiva). 18.6 A conduta dolosa (consciência e vontade de praticar o ilícito sancionado pelo direito tributário penal) dos diretores/presidentes/vice-presidentes/ administradores/ conselheiros das planilhas acima fica evidenciada nos descritivos já delineados no Relatório Fiscal e sumarizados a seguir: (...) 18.6.4 E aqui, vale a ressalva de que, sempre que tratamos de dispositivos atinentes ao zelo e cuidado do administrador, por se tratar de norma geral de direito voltada a conduta de boa fé e atendo à função social da pessoa jurídica, os termos, ainda que empregados em algumas situações no contexto dempresa, não se restringem a ela, perpassando todas as formas de organização personificadas, ou não, ainda que irregulares. (... ) 18.7 Quanto ao excesso de poderes, os diretores, administradores e conselheiros atuam livres e desimpedidos, para além dos poderes que a norma legal, contratual, ou estatutária lhe conferem, isto é, subvertendo as atribuições que lhe foram outorgadas. Trata-se de nítido comportamento comissivo, ao contrário do estabelecido no art. 134 do mesmo CTN. Os diretores, administradores e conselheiros citados simplesmente exerciam um poder para além do excesso, com desvio de finalidade, já que tinham conhecimento dos pagamentos da própria diretoria executiva na forma de pessoas jurídicas titularizadas pelos diretores, contratações de pessoa jurídica dos dirigentes para prestarem serviços precípuos das pessoas físicas administradoras, pagamentos de demais serviços contratados e não comprovados designados genericamente como consultoria em gestão e negócios e afins e o verdadeiro objeto social da INSAÚDE: exercício de atividade empresaria de cessão e gestão de mão de obra. (... ) Fl. 51617DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 43 18.9 Ao voltarmos as atenções para o fato de que a INSAÚDE não é uma empresa na terminologia técnico jurídica, mas uma associação privada (Organização Social) do Terceiro Setor, integrante da iniciativa privada vocacionada ao exercício da democracia social e faz uso (de forma garantida pela constituição, diga-se de passagem) das imunidades e isenções para desempenhar o difícil papel de protagonizar projetos na área da saúde e educação sem fonte de renda estáveis (como as empresas stricto sensu), com mais razão, a administração deve ser mais cuidadosa, meticulosa, prudencial, ciente da preciosidade dos parcos recursos e da infinidade de demandas urgentes. 18.10 Se é verdade que o standard de conduta de um administrador probo é mais exigente que de uma pessoa normal (comum) quanto à perspicácia e técnica administrativa, também é verdadeiro que o standard de um diretor, administrador, ou conselheiro de uma entidade do Terceiro Setor deve ser de ainda mais acurácia, probidade e honestidade, já que lida como recursos públicos e com direitos sociais. 18.11 Pois bem, o gestor/administrador das entidades do Terceiro Setor, para além da gestão percuciente, devem, justamente por receberem o selo da imunidade / isenção tributárias, em exemplo raro de acesso aos recursos públicos antes mesmo de entrarem nos cofres, garantir a total transparência dos recursos e do emprego dos mesmos, além de acesso irrestrito aos órgãos de controle e fiscalização, Tribunal de Contas e Receita Federal, a título de exemplo. É inadmissível, portanto, contratações e pagamentos de empresas pertencentes aos gestores e pagamentos sem comprovação de prestação material dos serviços, ou a contratação e pagamento de serviços genéricos tais como consultoria e gestão sem comprovação de execução. 18.12 Ainda no quesito zelo na administração, há violação explícita de dispositivos legais neste tema, forte nos artigos 1011 do Código Civil, os quais determinam que o administrador da sociedade deve ter, no exercício das suas funções, o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus negócios, o que inclui o respeito às obrigações de fazer (acessórias, tais como declarar corretamente, apresentar os livros obrigatórios à fiscalização tributária) e não fazer (sonegação, fraude). 18.13 O tópico não é tão simples quanto possa parecer, ou seja, não é somente a constatação de que o diretor/administrador tem liberdade de agir (autonomia privada) conforme os limites do estatuto social. O administrador tem liberdade de agir desde que seu comportamento seja no sentido de viabilizar o exercício das funções da pessoa jurídica (função, inclusive social). É justamente pelo conteúdo de princípio e não de norma-regra que a doutrina entende aplicável inteiramente os dispositivos dos artigos 153 a 160 da Lei 6.404/1976. Passemos a uma breve recordação. Fl. 51618DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 44 18.13.1 DEVER DE DILIGÊNCIA (art. 153): (...) 18.13.2 DEVER DE DAR CUMPRIMENTO ÀS FINALIDADES DAS ATRIBUIÇÕES DO CARGO (art. 154): (... ) 18.13.3 DEVER DE AUTONOMIA (art. 139): (...) 18.13.4 DEVER DE LEALDADE (art. 155): (...) 18.13.5 DEVER DE EVITAR O CONFLITO DE INTERESSES (art. 156): (...) 18.13.6 OUTROS DEVERES: (...) 18.14 Quanto à infração à lei, contrato social ou estatutos, o dolo dos sócios administradores restou cabalmente comprovado pelas seguintes condutas: • Dilapidação de parcela do patrimônio ou de suas rendas por meio de sonegação, fraude e conluio ao remunerar diretores/administradores/conselheiros em patamares desproporcionais até mesmo se comparados a executivos da iniciativa privada de gigantes multinacionais. • Dilapidação de parcela do patrimônio ou de suas rendas por meio de sonegação, fraude e conluio ao efetuar a contratação de pessoas jurídicas titularizadas pelos gestores para prestar serviços típicos dos próprios diretores/administradores/ conselheiros. • Dilapidação de parcela do patrimônio ou de suas rendas por meio de administração fraudulenta, irresponsável e temerária ao efetuar a contratação de pessoas jurídicas e pagamentos por serviços não comprovados materialmente, supostamente inexistentes. • Sonegação previdenciária e falseamento de declarações ao efetuar o pagamento de remuneração a diretores executivos em contas de pessoas jurídicas de suas titularidades simulando contratações de serviços. • Manutenção de escrituração contábil dissonante dos documentos comprobatórios, ou sem os documentos idôneos a comprovar a materialidade dos eventos que resultaram em diversos pagamentos pela entidade. • O contribuinte, na figura de seus diretores/administradores/conselheiros ao proceder conforme os tópicos acima, vulnera os comandos do CTN, das leis esparsas regulamentadoras de tais entidades. • O contribuinte, na figura de seus diretores/administradores/conselheiros, ao proceder conforme os tópicos acima, afronta os princípios da administração pública delineados no art.37 da Carta Magna, mormente o parágrafo 4°. Fl. 51619DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 45 • O contribuinte, na figura de seus diretores/administradores/conselheiros, incorre nas hipóteses da Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade), arts. 9°, 10 e 11 justamente em virtude do desrespeito às disposições legais e constitucionais. No Capítulo 19, o Relatório Fiscal indica quais foram os elementos examinados; no Capítulo 20, a base legal e a legislação pertinente; no Capítulo 21, a relação de corresponsáveis da atual administração, procuradores e representantes, e, no Capítulo 22, apresenta um breve escorço da improbidade administrativa e suas principais características, as quais afirma terem sido melhor delineadas na Representação de Improbidade Administrativa elaborada. O Capítulo 23 trata da Representação Fiscal para Fins Penais formalizada, por ter sido verificada a ocorrência de crime contra a ordem tributária (Lei n° 8.137, de 1990) no período de apuração fiscal (2017 e 2018). 2. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência do lançamento e a apresentação de impugnação pelos sujeitos passivos se deram conforme discriminado no Quadro 1R abaixo: Quadro 1R SUJEITO PASSIVO CIÊNCIA VIA FLS IMPUG FLS INSAUDE 03/11/2021 DTE 47127 29/11/2021 48322 ANIS GHATTAS MITRI FILHO 10/11/2021 AR 48313 16/12/2021 50043 CARLOS JOSE MASSARENTI 23/02/2022 AR 49721 06/12/2021 49090 DANIEL AUGUSTO GONSALES CAMARA (1) 02/12/2021 EDI 49727 - - ENYLO VINICIUS FARIA 24/02/2022 AR 49723 29/11/2021 48322 FERNANDO DOS SANTOS SILVA 10/11/2021 AR 48316 14/12/2021 49324 LUCIANO BOLONHA GONSALES 10/11/2021 AR 48315 - - MARCELO GURJAO SILVEIRA AITH 10/11/2021 AR 48317 29/11/2021 48322 MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO (2) 02/12/2021 EDI 49728 01/02/2022 49581 Fl. 51620DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 46 MARCUS VINICIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES 10/11/2021 AR 48314 29/11/2021 48322 NELSON ALVES LIMA 10/11/2021 AR 48318 29/11/2021 48322 PAULO ROBERTO SEGATELLI CAMARA 10/11/2021 AR 48319 - - As impugnações seguem abaixo relatadas, em síntese. 3. DAS IMPUGNAÇÕES 3.1. DAS IMPUGNAÇÕES CONJUNTAS DE INSAÚDE, NELSON ALVES LIMA, MARCUS VINÍCIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES, ENYLO VINICIUS FARIA e MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH Conforme consta do Quadro 1R acima, o INSAUDE foi cientificado do lançamento em 03/11/2021, fls. 47127; NELSON ALVES LIMA em 10/11/2021, fls. 48318; MARCUS VINÍCIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES em 10/11/2021, fls. 48314; ENYLO VINICIUS FARIA em 24/02/2022, fls. 49723; e MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH em 10/11/2021, fls. 48317. O INSAUDE e os sujeitos passivos citados apresentaram duas peças de defesa, uma contra o Auto de Infração de contribuições previdenciárias patronais e outra contra o Auto de Infração de contribuições devidas a outras entidades e fundos. A impugnação relativa às contribuições previdenciárias foi apresentada em 29/11/2021 e juntada às fls. 48322, sendo novamente copiada às fls. 49234 dos autos, em 13/12/2021. Da mesma forma, a impugnação relativa às contribuições devidas a terceiros foi apresentada em 29/11/2021 e juntada às fls. 48395, sendo novamente copiada às fls. 49161 dos autos, em 13/12/2021. A impugnação é extensa e apresenta um sumário com a lista dos itens de que vai tratar. Inicialmente, o Impugnante alega que os argumentos da RFB para fundamentar o lançamento não merecem prosperar. A partir daí, alega a impertinência, ilegalidade e fragilidade do Relatório Fiscal. Nesse sentido, argui serem incabíveis as alegações fiscais e as autuações, considerando a legalidade da atuação dos impugnantes na atividade desenvolvida pelo INSAUDE e a inexistência de motivação e comprovação suficiente das infrações apontadas. Em seguida, apresenta preliminares: 3. P R E L IMIN A R E S 3.1. Competência temporal do auto de infração: análise de dados e informações que ultrapassam o período fixado no procedimento fiscal 6. O procedimento fiscal teve como objeto a apuração de supostas irregularidades no recolhimento de tributos pela entidade impugnante no período de 01.01.2017 a 31.12.2018. (...) Fl. 51621DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 47 8. Em que pese a limitação temporal expressa, a autoridade fiscal pautou-se em documentos e informações referentes a períodos diversos do período de competência do auto de infração para fundamentar o suposto descumprimento de obrigações tributárias pelos impugnantes. 9. Não bastasse isso, a autoridade fiscal ainda concluiu pela suposta responsabilidade solidária de integrantes do corpo diretivo do Insaúde que sequer exerciam suas atividades à entidade no referido período. 10. Trata-se da responsabilidade solidária imputada de forma equivocada aos ora impugnantes Marcelo Gurjão Silveira Aith, ao ex-Diretor Jurídico Luciano Bolonha Gonsalves e ao Conselheiro Waldomiro Monforte Pazin. 11. O aqui impugnante Marcelo Gurjão Silveira Aith iniciou a prestação de serviços jurídicos ao Insaúde em 15.04.2019 (fl. 839 do processo administrativo): (...) 12. Considerando que o período objeto de averiguação no procedimento fiscal correspondia apenas aos anos de 2017 e 2018, o impugnante sequer havia iniciado a prestação de seus serviços ao Insaúde, não possuindo nenhuma relação com a entidade antes de 15.04.2019. 13. Por sua vez, o contrato celebrado com a pessoa jurídica Luciano Bolonha Sociedade Individual de Advocacia, utilizado como fundamento do suposto desvio de recursos da entidade, teve sua vigência iniciada em 03.01.2019 (fls. 970 a 974 do processo administrativo). 14. No que se refere ao indicado como responsável solidário Waldomiro Monforte Pazin, este compôs o Conselho de Administração do Insaúde e o Conselho de Administração da entidade no Município de São Paulo no período de 28.06.2016 a 02.08.2016 (fls. 840 e 842 do processo administrativo). 15. Sua atuação enquanto Conselheiro encerrou-se ANTES do período sobre o qual recaiu as investigações da autoridade fiscal. 16. Nesse contexto, é inadmissível a utilização de tais documentos para fundamentar a autuação fiscal dos aqui impugnantes. 17. Veja-se a previsão da Portaria n. 6.478/17, da Receita Federal, acerca da limitação imposta ao auditor fiscal acerca dos documentos solicitados no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal: Art. 5°. §3° (...) 18. Referido dispositivo normativo é expresso ao admitir a utilização de documentos referentes a períodos NÃO consignados no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal apenas quando necessário para verificar os fatos que deram origem do tributo em exame. 19. A previsão afasta de plano a possibilidade de utilização dos documentos relacionados ao aqui impugnante Marcelo Gurjão Silveira Aith. Fl. 51622DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 48 20. Isso porque refere-se a situação posterior ao período definido no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal, de modo que o vínculo do impugnante Marcelo com o Insaúde NÃO pode ter originado os tributos objeto do auto de infração decorrente do procedimento fiscal. 21. A hipótese na qual é admitida a utilização de documentos referentes a período diverso do definido no TDPF não se aplica ao caso em apreço. 22. Requer-se: 22.1. o desentranhamento do procedimento fiscal de todos aqueles documentos relacionados a período diverso da competência do auto de infração e 22.2. o afastamento da responsabilidade solidária imputada ao aqui impugnante Marcelo Gurjão Silveira Aith, que sequer possuía relação com a entidade cujas obrigações tributárias do período de 2017 a 2018 foram tidas como irregulares pela autoridade fiscal. 3.2. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA. 23. A autoridade fiscal utilizou documentos relacionados a procedimento fiscal ALHEIO às autuações dos impugnantes os quais, além de não terem sido anexados ao Relatório Fiscal, sequer possuem relação com a entidade impugnante e seus integrantes. 24. Trata-se das informações relacionadas à entidade Pró-Saúde, autuada em procedimento fiscal completamente ALHEIO a esta autuação e que NÃO possui qualquer vínculo com o Insaúde. 25. A primeira menção à Pró-Saúde no Relatório Fiscal ocorre na fl. 20, na nota de rodapé n. 4 (quatro). A referida menção NÃO possui qualquer relação com o Insaúde. 26. A segunda menção refere-se à decisão proferida pelo TRF 4$ R. no Agravo de Instrumento n. 5000097-43.2012.4.04.0000 (fls. 26 a 30 do Relatório Fiscal). 27. Trata-se de ação judicial na qual figura como parte a Pró-Saúde que NÃO possui qualquer relação com o Insaúde, tampouco com o presente procedimento fiscal. 28. Não bastasse, a autoridade fiscal alega suposto "falseamento" e "desvio de recursos" decorrentes da contratação de serviços de duas empresas pelo Insaúde pautando-se única e exclusivamente em documentos de outro procedimento fiscal relacionado à Pró-Saúde. 29. Às fls. 66 a 79 do Relatório Fiscal, a autoridade utiliza o contrato celebrado entre a pessoa jurídica Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar e a Pró- Saúde para fundamentar supostos "indícios" de irregularidades na contratação daquela empresa pelo Insaúde. Fl. 51623DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 49 30. Além disso, às fls. 93 a 95 do Relatório Fiscal, a mesma hipótese de "prova emprestada" é utilizada para fundamentar supostos "indícios" de irregularidades na contratação da pessoa jurídica Câmara Gestão em Saúde EIRELI, qual seja, o contrato celebrado entre a empresa e a Pró-Saúde. 31. NÃO há o mínimo de amparo fático e jurídico para manutenção da autuação dos impugnantes com base em tais documentos. 32. O instituto da prova emprestada é admitido no âmbito de processos administrativos fiscais em especial por força do artigo 199, CTN. 33. No entanto, para sua utilização é essencial que se observe o contraditório e a ampla defesa. 34. Veja-se entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF-nesse sentido: (... ) 35. A superveniência do auto de infração baseado no Relatório Fiscal que utilizou provas as quais sequer foram juntadas no âmbito do procedimento fiscal configura grave lesão ao contraditório e à ampla defesa e, além disso, trata-se de hipótese de decisão surpresa. 36. Mas, além disso, ainda que se admita a utilização de prova emprestada no presente caso, tais provas devem ter o mínimo de relação com o objeto da demanda fiscal. Caso contrário, não terá condições de comprovar quaisquer fatos relacionados ao contribuinte. Veja-se entendimento do CARF nesse sentido: (... ) 37. No caso em debate, os documentos utilizados a título de "prova emprestada" pela autoridade fiscal NÃO possuem qualquer relação com o Insaúde. 38. Referem-se a relações contratuais da entidade Pró-Saúde, que NÃO possui qualquer vínculo com os ora impugnantes. 39. O objeto do procedimento fiscal é a autuação em face do Insaúde, que figura como suposto devedor dos tributos indicados pela autoridade fiscal. Documentos relacionados à entidade ALHEIA ao objeto do procedimento fiscal NÃO comprovam eventual descumprimento de obrigações tributárias pelo Insaúde, até mesmo porque tal descumprimento sequer existiu. 40. O auto de infração merece ser julgado IMPROCEDENTE, vez que lavrado com base em Relatório Fiscal NULO em razão da utilização de prova emprestada cujo conteúdo NÃO possui qualquer relação com a presente ação fiscal e os impugnantes. 4. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES 4.1. Esclarecimentos iniciais: o ordenamento jurídico e a remuneração de dirigentes de entidades do terceiro setor Fl. 51624DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 50 41. A remuneração de dirigentes de entidades do terceiro setor é ponto de constante debate na doutrina, na jurisprudência e na prática forense, seja no âmbito judicial ou no âmbito administrativo. 42. Diante do cenário de controvérsias a respeito do tema, bem como das interpretações equivocadas elencadas no Relatório Fiscal, faz-se necessário esclarecer pontos relevantes acerca da remuneração de diretores e do pagamento de prestadores de serviços de entidades sem fins lucrativos atuantes na área de assistência social, saúde, educação e outros. 43. O primeiro ponto a que se destaca é a distinção entre diretores estatutários e diretores não estatutários de tais entidades. 44. Os diretores estatutários são eleitos por Assembleia Geral e possuem função e atribuições definidas no estatuto da entidade. No caso do Insaúde, trata- se das posições ocupadas pelo Presidente e pelo Vice-Presidente, cujas atribuições estão definidas no artigo 23 do estatuto (fls. 23 a 34 do processo administrativo): (...) 45. No que toca à remuneração, diretores estatutários podem ou não receber remuneração pelo exercício das atribuições definidas no estatuto, desde que previsto de forma expressa no próprio estatuto e desde que observados os limites legais. 46. No caso do Insaúde, o estatuto admite a remuneração da diretoria estatutária, desde que os membros atuem efetivamente na gestão da entidade: Art. 32 (... ) 47. De todo o modo, diretores estatutários agem com independência e discricionariedade, gerindo os negócios da entidade e representando-a em suas relações externas, mediante prestação de contas à Assembleia Geral e aos órgãos fiscal e administrativo. 48. Por outro lado, é possível que a diretoria estatutária contrate terceiros para operacionalização da entidade. Tal contratação pode ocorrer via contrato de trabalho com anotação na CTPS ou serviços profissionais de pessoas jurídicas para prestação de serviços especializados diretamente relacionados com a gestão da instituição. 49. Os diretores não estatutários, por sua vez, possuem vínculo com entidades do terceiro setor, mas tal vínculo não decorre de previsão do estatuto ou de eleição em Assembleia Geral. 50. Por vezes, são denominados "diretores" os profissionais contratados pela diretoria estatutária para prestação dos serviços de operacionalização mencionados anteriormente. 51. No entanto, ainda que se possa concluir que tais "diretores" integram a diretoria não estatutária, os ocupantes de tais posições não possuem qualquer autonomia ou poder decisório em relação à entidade. Fl. 51625DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 51 52. Dessa forma, as atividades desempenhadas pela diretoria não estatutária, quando assim definidas, são mais restritas do que aquelas desempenhadas por pessoas jurídicas cujos integrantes são apenas denominados "diretores". 53. Trata-se do caso em apreço. Conforme restará comprovado nos tópicos seguintes acerca de cada pessoa jurídica, cuja contratação foi impugnada pela autoridade fiscal, as atividades desempenhadas pelas pessoas jurídicas cujos sócios integram a diretoria não estatutária do Insaúde são específicas e especializadas, relacionadas a parcelas da operacionalização da entidade. 54. Além disso, diferentemente do que ocorre com os diretores estatutários, inexistem quaisquer óbices legais para a remuneração de diretores não estatutários que atuem em entidades do terceiro setor, tampouco acerca da natureza da contratação de tais diretores. 55. Ao contrário do que leva a crer a autoridade fiscal, tanto a remuneração de diretores estatutários como de diretores não estatutários é admitida pela Lei n. 12.101/09: Art. 29 (...) 56. Interpretando o referido dispositivo, tem-se que: 56.1. a remuneração de diretores não estatutários pelo exercício dessa atribuição pode ocorrer e quando assim for deve respeito apenas a valores de mercado, podendo ou não decorrer de vínculo empregatício (inciso I do caput e inciso I do § 1°). 56.2. a remuneração de diretores estatutários por essa atribuição é admitida e deve ter como limite tanto o valor de mercado quanto o teto do funcionalismo público (inciso II do caput, inciso II do § 1° e § 2°). 56.3. em qualquer caso, a regra contida no § 3° prevê a possibilidade de remuneração de diretores estatutários e não estatutários pela prestação de outros serviços à entidade, desde que haja compatibilidade de horário, sem vedação à prestação de tais serviços via pessoa jurídica. 57. Aplicar aos diretores não estatutários limitação legal referente aos diretores estatutários corresponde a evidente violação da legalidade estrita tributária e do princípio da igualdade tributária, previstas nos incisos I e II do art. 150, CF, respectivamente. 58. Para fins tributários sequer é possível a aplicação de normas por analogia, de modo que o regime jurídico aplicável aos diretores estatutários não deve e não pode ser aplicada aos diretores não estatutários, especialmente no que se refere ao Relatório Fiscal aqui combatido. 59. Assim, exigir respeito ao teto do funcionalismo e contratação pela CLT dos diretores não estatutários configuraria intepretação ampliativa, ilegal e odiosa - incapaz de fundamentar a presente autuação fiscal. 60. Como se não bastasse, no caso dos autos o pagamento pela prestação de serviços de empresas vinculadas a não estatutários deu-se pela execução de Fl. 51626DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 52 atividades que extravasam aquelas próprias da Diretoria não estatutária correspondente. 61. Sob qualquer ângulo que se analise a questão, para o que interessa ao auto de infração, não houve percepção por qualquer diretor, de remuneração, vantagem ou benefício, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades atribuídas pelos respectivos atos constitutivos. 62. Afinal, os Diretores não estatutários não possuem sequer referência nos atos constitutivos do Insaúde. 4.2. PAGAMENTOS ÀS PESSOAS JURÍDICAS 63. Insurge-se a autoridade fiscal contra os pagamentos realizados às pessoas jurídicas abaixo em razão dos serviços prestados ao Insaúde: 63.1. Marcelo Aith Sociedade Individual de Advocacia 63.2. Dermacor Saúde e Medicina Hospitalar Ltda. e 63.3. Luciano Bolonha Sociedade Individual de Advocacia. 64. Alega a autoridade fiscal que a contratação de tais pessoas jurídicas seria supostamente fraudulenta e objetivaria a remuneração oblíqua de diretores da entidade, desvio de recursos e sonegação fiscal. Isso porque os sócios das pessoas jurídicas em referência integram a Diretoria não estatutária do Insaúde. 65. Não obstante, equivoca-se a autoridade fiscal em relação às premissas estabelecidas. 66. Destacam-se duas questões essenciais para tal compreensão: 66.1. A pessoa física Marcelo Gurjão Silveira Aith, sócio da pessoa jurídica Marcelo Aith Sociedade Individual de Advocacia, iniciou suas atividades no Insaúde como "diretor jurídico" em 15.04.2019. No mesmo ano iniciou-se a vigência do contrato da pessoa jurídica. O período NÃO se encontra abarcado pela competência do auto de infração impugnado. 66.2. As pessoas físicas Marcelo Gurjão Silveira Aith, Anis Ghattas Mitri Filho e Luciano Bolonha Gonsalves, sócios das empresas Marcelo Aith Sociedade Individual de Advocacia, Dermacor Saúde e Medicina Hospitalar Ltda. e Luciano Bolonha Sociedade Individual de Advocacia, respectivamente, atuam/atuaram no Insaúde como NÃO estatutários. 67. As pessoas jurídicas das quais as pessoas físicas supramencionadas são sócias foram contratadas pelo Insaúde para prestação de serviços diversos daqueles exercidos diretamente à entidade enquanto integrantes da Diretoria não estatutária. 68. Ocorre que a Lei n. 12.101/09 permite que diretores não estatutários prestem serviços à entidade beneficente da qual fazem parte, desde que tais Fl. 51627DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 53 serviços não coincidam com suas atribuições estatutárias e desde que haja compatibilidade de horários. 69. Tais restrições foram plenamente observadas nas relações jurídicas firmadas entre as empresas vinculadas aos diretores do Insaúde e a entidade. 70. A conclusão inequívoca é que o pagamento às pessoas jurídicas decorreu da prestação de serviços que não se confundem integralmente com as atividades desempenhadas pelas pessoas físicas ocupantes de cargos da Diretoria não estatutária. 71. Apesar de não existirem, por exemplo, relatórios de atividades na prestação de serviços, eles foram efetivamente prestados cotidianamente à entidade, possibilitando a tomada de decisões corretas e aumentando a efetividade dos serviços prestados no âmbito dos contratos de gestão celebrados com o Poder Público. 72. Salta aos olhos a alegação genérica da autoridade fiscal a respeito da prestação de serviços pelas pessoas jurídicas, os quais já seriam executados pelos Diretores não estatutários da entidade. 73. De tal afirmação, extraem-se duas premissas 73.1. o próprio Relatório Fiscal reconhece que os serviços foram efetivamente prestados pelas pessoas jurídicas; 73.2. não há o mínimo de comprovação que ampare a alegação de que os serviços prestados pelas pessoas jurídicas eram integralmente os mesmos que aqueles atribuídos aos diretores da entidade. 74. Isso sem mencionar a autorização legal de prestação de serviços de natureza pessoal por meio de pessoas jurídicas. 75. A autoridade fiscal, em diversas oportunidades, na tentativa de fundamentar suposta ocorrência de fraude, simulação e dissimulação na contratação de pessoas jurídicas pelo Insaúde, afirma que os serviços contratados pela via da pessoa jurídica foram prestados por seus sócios. 76. Tal afirmação, além de desacompanhada de qualquer fundamentação e de não configurar mínimo indício relevante para caracterização de infrações tributárias, causam arrepio à legislação e a à jurisprudência. 77. O artigo 980-A do Código Civil é expresso ao admitir a possibilidade de prestação de serviços de natureza pessoal por EIRELIs, da mesma forma que o artigo 129 da Lei n. 11.196/05, aplicável a todas as sociedades prestadoras de serviços, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade n. 66. 78. Nos tópicos seguintes serão abordados de forma específica a contratação de cada pessoa jurídica mencionada no Relatório Fiscal como supostamente Fl. 51628DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 54 fraudulenta e restará devidamente comprovado que os serviços prestados pelas pessoas jurídicas são diversos das atividades de gestão atribuídas à entidade. 79. Há que se fazer observação imprescindível para o caso em tela: não há qualquer questionamento no auto de infração acerca de eventual pagamento em duplicidade de membros da Diretoria (estatutária ou não estatutária), mas apenas o questionamento acerca do pagamento de três dos Diretores não estatutários por meio de pessoas jurídicas. 80. Além de não haver qualquer irregularidade tributária em tal opção, a contratação de pessoas jurídicas não coincide material e temporalmente com as atribuições dos respectivos Diretores não estatutários. 81. Todas as contratações ocorreram de modo claro, objetivo, transparente, legal e legítimo, conforme adiante sintetizado 4.2.1. MARCELO AITH SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA 82. A pessoa física Marcelo Gurjão Silveira Aith figura como sócio da pessoa jurídica Marcelo Aith Sociedade Individual de Advocacia, contratada pelo Insaúde para prestação de serviços jurídicos a partir de 15.04.2019. 83. Tanto isso é verdade que o exercício, pela pessoa física Marcelo Gurjão Silveira Aith, da função de Diretor Jurídico não estatutário da entidade iniciou-se apenas em agosto de 2019, ou seja, cerca de 7 (sete) meses após o início da prestação de serviços pela pessoa jurídica. 84. A relação jurídica estabelecida entre tal escritório de advocacia e o Insaúde teve início em data posterior ao período de competência do auto de infração e do período de apuração administrativa delimitado no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal e no Relatório Fiscal. 85. O fato, por si só, é suficiente para afastar todo e qualquer fundamento relacionado a tais pessoas (física e jurídica). 86. No entanto, a fim de restarem impugnados todos os fundamentos elencados no Relatório Fiscal, passa-se a analisar o mérito da contratação realizada pelo Insaúde. 87. Os serviços contratados pelo Insaúde e prestados pela pessoa jurídica Marcelo Aith Sociedade Individual de Advocacia são estritos de advocacia, de natureza técnica e singular, conforme consta do instrumento jurídico: (...) 88. Os serviços prestados pela pessoa jurídica no âmbito do contrato celebrado com o Insaúde divergem dos serviços gerais de gestão e operacionalização da entidade executados pela Diretoria Jurídica não estatutária. 89. Tanto é verdade que foi celebrado termo aditivo ao contrato celebrado com a pessoa jurídica apenas e tão somente para assunção posterior, pelo representante da pessoa jurídica, da função de Diretor Jurídico não estatutário. Fl. 51629DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 55 90. Os pagamentos realizados à pessoa jurídica ocorreram em razão dos serviços prestados pela empresa, que NÃO se restringem às atividades desempenhadas pela Diretoria Jurídica não estatutária do Insaúde. 91. NÃO há qualquer impedimento legal para a contratação de serviços técnicos profissionais prestados por pessoas jurídicas nas quais figuram como sócios integrantes da Diretoria não estatutária da entidade. Tais contratações não violam a Lei n. 12.101/09, tampouco o artigo 14 do CTN. 92. O contrato social da pessoa jurídica corrobora o fato de que os serviços prestados são estritos de advocacia e NÃO possuem relação com aqueles desempenhados na função de Diretor Jurídico não estatutário (fls. 18.502 a 18.509 do processo de 2021). 93. Sequer há fundamentação suficiente no auto de infração e no Relatório Fiscal relacionada à atuação da pessoa jurídica que justifique a aplicação das sanções tributárias, tampouco fundamento de ampare a autuação solidária da pessoa física atuante como Diretor não estatutário do Insaúde. 94. Os serviços prestados pelo escritório de advocacia são lícitos e, ao contrário do alegado pelo Relatório Fiscal, NÃO há falar-se em fraude, desvio de recursos ou prestação de serviços já executados por integrantes da diretoria do Insaúde. 95. Requer-se a desconstituição do auto de infração, tendo em vista que: 95.1. a contratação da pessoa jurídica Marcelo Aith Sociedade Individual de Advocacia ocorreu em posterior à competência temporal do procedimento fiscal; 95.2. os serviços prestados pela pessoa jurídica não coincidem com os serviços de gestão executados no âmbito da Diretoria Jurídica não estatutária; 95.3. não há o mínimo de amparo fático-probatório que justifique as alegações da autoridade fiscal. 4.2.2. DERMACOR SAÚDE E MEDICINA HOSPITALAR LTDA. 96. O Diretor Técnico não estatutário Anis Ghattas Mitri Filho figura como sócio administrador da empresa Dermacor Saúde e Medicina Hospitalar Ltda. 97. Referida empresa foi contratada pelo Insaúde para prestação de serviços de Consultoria Médica, nos termos do contrato celebrado com a entidade (fls. 959 a 963 do processo administrativo): (... ) 98. Os serviços objeto do contrato celebrado com a pessoa jurídica são distintos e extravasam aqueles executados pela pessoa física no âmbito da Diretoria Técnica não estatutária da entidade. 99. Ao contrário do alegado no Relatório Fiscal, os pagamentos realizados à pessoa jurídica ocorreram em razão dos serviços prestados pela empresa, que NÃO se confundem com as atividades desempenhadas pelo sócio na qualidade de Diretor Técnico não estatutário do Insaúde. Fl. 51630DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 56 100. NÃO há qualquer impedimento legal para a contratação de serviços técnicos profissionais prestados por pessoas jurídicas nas quais figuram como sócios integrantes da Diretoria não estatutária da entidade. 101. O contrato social da pessoa jurídica corrobora o fato de que os serviços prestados NÃO se limitam àqueles desempenhados no cargo de Diretor Técnico não estatutário (fls. 18.487 a 18.495 do processo administrativo) (...) 102. É lícita a contratação da empresa Dermacor Saúde e Medicina Hospitalar, assim como inexistem irregularidades na prestação dos serviços pela pessoa jurídica. 103. Sequer há fundamentação suficiente no auto de infração e no Relatório Fiscal relacionada à atuação da pessoa jurídica que justifique a aplicação das sanções tributárias. 104. A autoridade fiscal insinua que teria havido suposta dissimulação nos pagamentos efetuados à pessoa jurídica, tendo em vista que a empresa presta serviços a diversos tomadores de serviços simultaneamente. 105. No entanto, a existência de diversos contratos simultâneos celebrados entre a empresa e entidades distintas apenas comprova o fato de que o prestador de serviços tem alta demanda, não sendo minimamente suficiente para comprovar a suposta dissimulação alegada no Relatório Fiscal. 106. Não há falar-se em quaisquer vícios da contratação da pessoa jurídica Dermacor, razão pela qual requer-se a desconstituição do auto de infração impugnado. 4.2.3. LUCIANO BOLONHA SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA 107. Os serviços jurídicos prestados pela pessoa jurídica Luciano Bolonha Sociedade Individual de Advocacia são distintos daqueles prestados no âmbito da Diretoria Jurídica da entidade. 108. Tanto é verdade que o período de vigência do contrato celebrado com a pessoa jurídica sequer coincide com o período no qual a pessoa física ocupou a posição de Diretor Jurídico do Insaúde. 109. A vigência do primeiro contrato da pessoa jurídica se deu no período de 02.05.2017 até o encerramento do contrato de gestão do município de São Gonçalo e o segundo contrato no período 03.01.2019 a 14.08.2019 (fls. 970 a 974 do processo administrativo). Enquanto isso, a atuação da pessoa física enquanto Diretor Jurídico não estatutário encerrou em 02.01.2019. 110. Ou seja, além de o segundo contrato não estar inserido na competência temporal do auto de infração, os serviços prestados pela pessoa jurídica não coincidem com as atividades desempenhadas pela Diretoria Jurídica não estatutária. Fl. 51631DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 57 111. Veja-se o objeto do contrato celebrado entre a pessoa jurídica e o Insaúde (fls. 970 a 974 do processo administrativo): (... ) 112. Além do período de vigência, os serviços objeto do contrato celebrado com a pessoa jurídica são distintos e mais amplos do que aqueles executados pela pessoa física no âmbito da Diretoria Jurídica não estatutária da entidade. 113. O fato de o contrato prever, no item 2 da cláusula 5^ (quinta), que o representante da sociedade de advogados também responderá pela Diretoria Jurídica não estatutária do Insaúde comprova que o objeto do contrato é muito mais amplo que o exercício da Diretoria Jurídica não estatutária. 114. Ao contrário do alegado no Relatório Fiscal, os pagamentos realizados à pessoa jurídica ocorreram em razão dos serviços prestados pela empresa, que NÃO se limitam às atividades desempenhadas pelo Diretor Jurídico não estatutário. 115. NÃO há qualquer impedimento legal para a contratação de serviços técnicos profissionais prestados por pessoas jurídicas nas quais figuram como sócios integrantes da Diretoria não estatutária da entidade. 116. O contrato da pessoa jurídica corrobora o fato de que os serviços prestados NÃO possuem relação com aqueles desempenhados no cargo de Diretor Jurídico não estatutário, vez que, como visto, Diretores não estatutários desempenham atividades de gestão e não serviços estritos da carreira de advogado. 117. Desse modo, é lícita a contratação da empresa Luciano Bolonha Sociedade Individual de Advocacia, assim como inexistem irregularidades na prestação dos serviços pela pessoa jurídica. 118. Não há fundamentação suficiente no auto de infração e no Relatório Fiscal relacionada à atuação da pessoa jurídica que justifique a aplicação das sanções tributárias. 119. Acerca das divergências de declarações fiscais apontadas pelo Relatório Fiscal, ressalte-se que o Insaúde declarou valor superior àqueles declarados pela pessoa jurídica. 120. O pagamento dos tributos se deu no valor correto ou superior, descaracterizando o elemento necessário para a subsunção do ilícito tributário: o dolo. 121. Portanto, também não há falar-se em irregularidades na contratação da pessoa jurídica Luciano Bolonha Sociedade Individual de Advocacia, razão pela qual requer-se a desconstituição do auto de infração impugnado. O Impugnante afirma a regularidade da contratação de outras pessoas jurídicas: 5. CONTRATAÇÃO DE OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS 5.1. Inaplicabilidade dos fundamentos jurídicos mencionados no Relatório Fiscal. Fl. 51632DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 58 122. O Relatório Fiscal defende a suposta ilegalidade na contratação de empresas cujos sócios atuem no Conselho de Administração da entidade impugnante com base, dentre outros fundamentos, no entendimento sumulado e legislação federal INAPLICÁVEIS ao caso em apreço. 123. O entendimento sumulado mencionado no Relatório Fiscal no item 10.2 refere-se à Súmula Vinculante n. 13 do Supremo Tribunal Federal (... ) 124. A referida súmula dispõe acerca da inconstitucionalidade da nomeação de pessoas com vínculo de parentesco com a autoridade nomeante ou servidores da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, prática esta denominada de nepotismo NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. 125. NÃO se trata do caso em apreço. 126. O regime de nomeação de servidores públicos NÃO se aplica às entidades do terceiro setor e NÃO há sequer debates a respeito disso. 127. NÃO há dúvidas acerca da INAPLICABILIDADE da Súmula Vinculante n. 13 do STF ao caso, restando impugnado o fundamento mencionado no Relatório Fiscal. 128. Além disso, a legislação destacada pela autoridade fiscal refere-se à Lei n.12.813/13, a qual dispõe sobre o conflito de interesses no exercício de cargo ou emprego do Poder Executivo federal e sobre impedimentos posteriores ao exercício do cargo ou emprego. 129. O Relatório Fiscal destaca a previsão contida no artigo 6°, alínea c da referida lei, que define a seguinte hipótese de conflito de interesses: (...) 130. Verifica-se a INAPLICABILIDADE do referido artigo ao caso, que sequer é aplicável a Estados e Municípios - quanto menos a entidades do terceiro setor. 131. NÃO se discute nesta ação fiscal hipótese de contratação, pela Administração Pública Federal, de ex-servidor público para prestação de serviços de consultoria, assessoramento ou atividades similares. 132. Restam impugnados os fundamentos mencionados no Relatório Fiscal, ALHEIOS à relação jurídica discutida na demanda. 5.2. Pessoas jurídicas cujos sócios integram o Conselho de Administração do Insaúde: prestação de serviços não relacionados às atividades desempenhadas pelo Conselho. 133. Alega a autoridade fiscal a ilegalidade da contratação de empresas prestadoras de serviço nas quais figuram como sócios integrantes do Conselho de Administração da entidade. 134. A autoridade fiscal NÃO indica qualquer fundamento legal para a tese defendida no Relatório Fiscal. 135. Isso porque tal fundamento NÃO existe. 5.2.1. DIRETRIZ ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA HOSPITALAR Fl. 51633DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 59 136. Figuram como sócios desta empresa as pessoas físicas Ronaldo Pasquarelli e Silvana Aparecida Pasquarelli. 137. Ronaldo integrou o Conselho de Administração Geral do Insaúde no período de 02.08.2016 a 09.05.2017 e o Conselho de Administração específico do Município de São Paulo no mesmo período (fls. 840 e 842 do processo administrativo). 138. Silvana integrou o Conselho de Administração Geral do Insaúde no período de 22.09.2015 a 22.09.2017 e o Conselho de Administração específico do Município de São Paulo no período de 30.11.2015 a 30.11.2017 (fls. 840 e 842 do processo administrativo). (...) 140. Em razão das atividades desempenhadas enquanto conselheiros, as pessoas físicas nunca receberam remuneração, em observância à vedação expressa do estatuto da entidade: Art. 19, V (...) 141. Não obstante, a referida vedação NÃO impede que pessoas jurídicas das quais os conselheiros façam parte sejam contratadas para desempenho de atividades que não se confundem com aquelas desempenhadas pelo Conselho de Administração. 142. Inexiste qualquer vedação nesse sentido. 143. No caso, é evidente a distinção entre os serviços prestados pela Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar Ltda. e as atribuições do Conselho de Administração previstas no estatuto da entidade. (... ) 144. Conforme prevê o estatuto do Insaúde vigente na data de nomeação de ambos os conselheiros, as atribuições dos membros do Conselho de Administração são as seguintes (fls. 94 a 102 do processo administrativo) (... ) 145. De outro lado, veja-se a descrição das atividades econômicas prestadas pela empresa Diretriz, trazidas ao procedimento administrativo pelo próprio Relatório Fiscal: (...) 146. A pessoa jurídica prestava efetivos serviços de assessoria e consultoria ao Insaúde, que NÃO se confundem com as atribuições dos Conselheiros. 147. Não há falar-se em "remuneração oblíqua" dos integrantes do Conselho de Administração, tampouco de dilapidação do patrimônio da entidade. 148. Os fatos indicados pela autoridade fiscal para chegar a tais conclusões NÃO são suficientes para fundamentar tão grave imposição tributária como o afastamento de imunidade da entidade. 149. Incorreu o Relatório Fiscal em clara violação dos deveres de fundamentação e motivação dos atos administrativos, previstos no artigo 50 da Lei 9.784/99: (...) 150. O mesmo dever é previsto, especificamente, em relação a lançamentos tributários, no artigo 9° do Decreto n. 70.235/72: (...) Fl. 51634DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 60 151. Tamanha é a fragilidade argumentativa do Relatório Fiscal que leva a autoridade fiscal a utilizar documentos sem qualquer conexão com o auto de infração como suposta prova da "remuneração oblíqua" dos Conselheiros: documentos relacionados à entidade Pró-Saúde. 152. Tais documentos foram utilizados a título de prova emprestada oriunda de outro procedimento fiscal do qual os impugnantes não fazem parte. 153. Além da ilegalidade das provas emprestadas, na forma como impugnado acima, a autoridade fiscal sequer considerou a flagrante distinção entre a relação jurídica estabelecida entre a Pró-Saúde e a Diretriz daquela estabelecida entre a pessoa jurídica o Insaúde. 154. A primeira divergência consiste na inexistência de análise do contrato celebrado entre o Insaúde e a Diretriz, visto que tais contratos não foram apresentados por força da Operação Ouro Verde. 155. Ora, a inexistência de análise de documentos por parte da autoridade fiscal não implica existência de irregularidades no contrato celebrado entre a empresa e o Insaúde. 156. Além disso, a existência de eventuais irregularidades em outros contratos celebrados pela mesma empresa também não implica suposta ilegalidade na contratação realizada pelo Insaúde, que não possui qualquer vínculo com a Pró- Saúde. 157. A conclusão da autoridade fiscal é desprovida de qualquer comprovação, de fundamentos e de motivação. 158. A segunda divergência consiste na forma de pagamento da pessoa jurídica contratada. 159. O Relatório Fiscal ressalta que a Pró-Saúde efetuava os pagamentos dos serviços prestados pela contratada na pessoa de seus sócios. 160. No entanto, no âmbito do contrato celebrado entre a contratada e o Insaúde, todas as notas fiscais foram emitidas em nome da pessoa jurídica (notas fiscais anexas às fls. 1.326 a 1.345 do processo administrativo). 161. A terceira divergência consiste na suposta relação de subordinação e pessoalidade dos Conselheiros "sob as vestes da empresa Diretriz" 162. A referida alegação sequer comprova suposta relação de trabalho entre os Conselheiros e a Pró-Saúde, de modo que é impossível que comprove suposto vínculo entre os Conselheiros e o Insaúde. 163. A quarta divergência consiste na outorga de poderes, via procuração, pela Pró-Saúde à pessoa jurídica contratada. 164. No caso em apreço, inexiste procuração do Insaúde para os sócios da contratada, o que afasta por completo qualquer relação entre o presente procedimento fiscal e aquele em que figura como parte a Pró-Saúde. Fl. 51635DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 61 165. Além de tudo isso, ressalte-se que, nos termos do estatuto, não integra o rol de competências do Conselho de Administração a contratação de terceiros. 166. Portanto, além da nulidade na utilização de tais provas, houve tentativa pela autoridade fiscal de subsunção de fatos inexistentes e desconexos do presente caso, de modo que as alegações da autoridade fiscal são infundadas e descabidas. 167. Além disso, irrelevante é o fato de que a sede da empresa é em endereço residencial, fato alocado no Relatório Fiscal sem qualquer fundamentação. 168. Ao contrário do que alega a autoridade fiscal, NÃO existem "indícios veementes" que comprovem suposto falseamento na contratação da pessoa jurídica Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar, tampouco que os pagamentos efetuados à contratada configuram supostos desvios financeiros do patrimônio da entidade. 5.2.2. CÂMARA GESTÃO EM SAÚDE EIRELI 169. Figura como sócio da empresa Câmara Gestão em Saúde EIRELI a pessoa física Paulo Roberto Segatelli Câmara. 170. O sócio integrou o Conselho de Administração Geral do Insaúde no período de 22.09.2015 a 09.05.2017 e o Conselho de Administração específico do Município de São Paulo no mesmo período (fls. 840 e 842 do processo administrativo). 171. A pessoa física nunca foi remunerada pelas atividades desempenhadas no âmbito do Conselho de Administração, em observância ao artigo 19, V, do estatuto. 172. Não obstante, a referida vedação não impede que pessoas jurídicas das quais os conselheiros façam parte sejam contratadas para desempenho de atividades que não se confundem com aquelas desempenhadas pelo Conselho de Administração. 173. Inexiste qualquer vedação nesse sentido. 174. No caso, é evidente a distinção entre os serviços prestados pela Câmara Gestão em Saúde EIRELI e as atribuições do Conselho de Administração previstas no estatuto da entidade. 175. As atribuições dos membros do Conselho de Administração foram mencionadas no item anterior e constam às fls. 94 a 102 do processo administrativo. 176. As atividades econômicas executadas pela pessoa jurídica, por sua vez, são: (... ) Fl. 51636DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 62 177. Na mesma linha argumentativa apresentada em relação à pessoa jurídica Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar, NÃO assiste razão à autoridade fiscal ao alegar suposta dilapidação do patrimônio da entidade impugnante. 178. Além disso, ressalta-se novamente que a não apresentação de documentos por força da Operação Ouro Verde não implica irregularidade na contratação da pessoa jurídica, tampouco na prestação dos serviços contratados. 179. Reitere-se a já alegada NULIDADE da prova emprestada utilizada pela autoridade fiscal para fundamentar a suposta irregularidade na contratação dos serviços prestados pela Câmara Gestão em Saúde EIRELI. 180. Os documentos mencionados no Relatório Fiscal correspondem tão somente à entidade Pró-Saúde, ALHEIA a esta ação fiscal e sem qualquer vínculo com os ora impugnantes. 181. Além disso, irrelevante é o fato de que a sede da empresa é em endereço residencial, fato alocado no Relatório Fiscal sem qualquer fundamentação. 182. NÃO há no Relatório Fiscal qualquer fundamentação suficiente para aplicação de sanções tributárias aos impugnantes em decorrência da contratação da pessoa jurídica Câmara Gestão em Saúde EIRELI para prestação de serviços de consultoria e assessoria, tampouco dos pagamentos a ela realizados. 5.2.3. WMP CONSULTEIRELI 183. A terceira empresa cuja contratação foi objeto de impugnação no Relatório Fiscal sob o fundamento de que seu sócio integra o Conselho de Administração da entidade impugnante é a WMP Consult EIRELI, na qual figura como sócio Waldomiro Monforte Pazim. 184. Alega a autoridade fiscal suposta dilapidação do patrimônio da entidade impugnante, vez que os integrantes do Conselho de Administração não devem receber remuneração pelos serviços prestados. 185. Ocorre que o contrato celebrado entre a entidade impugnante e a WMP Consult EIRELI estava vigente em período distinto do qual o sócio integrou os Conselhos de Administração do Insaúde. 186. Waldomiro Monforte Pazim integrou o Conselho de Administração Geral da entidade no período de 28.06.2016 a 02.08.2016 (fl. 840 do processo administrativo). 187. No mesmo período, integrou o Conselho de Administração específico do Município de São Paulo (fl. 842 do processo administrativo). 188. Por sua vez, o contrato celebrado entre a entidade impugnante e a WMP Consult EIRELI foi assinado em 10.02.2017, dando início à sua vigência a qual foi encerrada em 15.12.2017 (fls. 949 a 957 do processo administrativo). Fl. 51637DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 63 189. Significa dizer que a pessoa jurídica WMP Consult EIRELI iniciou a prestação dos serviços ao Insaúde cerca de 6 (seis) meses APÓS a saída de Waldomiro dos Conselhos de Administração. 190. É dizer: restou comprovado nos autos que, durante o exercício das atividades de Conselheiro Administrativo, os serviços prestados pela pessoa jurídica WMP Consult EIRELI sequer eram vigentes. 191. Assim, as alegações trazidas em sede de Relatório Fiscal NÃO possuem amparo fático e nem jurídico. 192. Além disso, às entidades qualificadas como Organizações Sociais é permitida a contratação de prestadores de serviços necessários para a gestão da unidade gerenciada. 193. Mesmo que os serviços fossem prestados pela pessoa jurídica à época em que Waldomiro integrava o Conselho de Administração do Insaúde seria possível a remuneração pela prestação de tais serviços. 194. Isso porque inexiste vedação à contratação de serviços prestados por pessoa jurídica da qual faça parte dirigentes ou conselheiros de entidades do terceiro setor. 195. São irrelevantes as alegações da autoridade fiscal de que não constam empregados declarados na GFIP da empresa no período de 2017/2018. 196. Trata-se de Empresa Individual de Responsabilidade Limitada e a inexistência de empregados apenas representa a realidade fática de empresas de tal natureza. 197. Igualmente irrelevante é o fato de que a sede da empresa é em endereço residencial, fato alocado no Relatório Fiscal pela autoridade sem qualquer fundamentação. 198. NÃO merecem prosperar as alegações do Relatório Fiscal relacionada à suposta dilapidação do patrimônio do Insaúde e fraude na contratação da empresa WMP Consult, razão pela qual merece reforma o entendimento da autoridade fiscal. 5.2.4. ID VIDA IDENTIFICAÇÃO, INFORMAÇÃO E MONITORAMENTO S/A 199. Em relação à empresa ID Vida Identificação, Informação e Monitoramento S/A há evidente confusão de informações pela autoridade fiscal, que declara suposta relação "indireta" entre o Insaúde e a referida empresa. 200. Waldomiro Monteforte Pazim, integrou o Conselho de Administração Geral do Insaúde e do Conselho de Administração específico do município de São Paulo no período de 28.06.2016 a 02.08.2016 (fls. 840 e 842 do processo administrativo), e integrou o quadro societário da pessoa jurídica ID Vida no período de 20.12.2005 e 03.03.2015. Fl. 51638DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 64 201. O conselheiro sequer possuía vínculo com a entidade impugnante à época em que foi sócio da pessoa jurídica. 202. Tal fato é suficiente para afastar as alegações da autoridade fiscal de suposta ocorrência de fraude, simulação, conluio ou sonegação de contribuições previdenciárias ou de terceiros. 203. Mas, para além disso, a relação contratual estabelecida entre a empresa e o Insaúde também ocorreu em período diverso daquele em que o ex-sócio figurou como conselheiro da entidade. 204. Conforme se depreende das notas fiscais anexas às fls. 1.323 e 1.324 do processo administrativo, a ID Vida prestou serviços ao Insaúde nos meses de dezembro de 2016 e janeiro de 2017, época na qual o ex-sócio Waldomiro Montefor Pazim não fazia parte do Conselho de Administração do Insaúde. (... ) 205. NÃO merecem prosperar as alegações do Relatório Fiscal relacionadas à suposta dilapidação do patrimônio do Insaúde e fraude com relação à empresa ID O Impugnante aponta a não consideração, pela Auditoria, dos efeitos da Operação Ouro Verde sobre seu direito ao contraditório e à ampla defesa: 5.3. OPERAÇÃO OURO VERDE. Possibilidade de contratação direta de serviços especializados. 206. A autoridade fiscal, em todas as oportunidades que pôde, ressaltou a não apresentação de documentos pelo Insaúde na tentativa de fundamentar suposta fraude nas contratações de prestadores de serviços realizadas pela entidade. 207. A autoridade dedicou a íntegra do Capítulo 11 do Relatório Fiscal à alegação de suposta fraude e dilapidação do patrimônio da entidade em razão da contratação de dois prestadores de serviços "sem comprovação": AGVD Recursos Humanos Ltda. e FUNF R Consultoria Financeira e Administrativa e Serviços Ltda. 208. Ocorre que a autoridade fiscal deixou de considerar questão essencial para o deslinde da problemática: a Operação Ouro Verde. 209. Embora mencionada em diversas passagens do Relatório Fiscal, a autoridade fiscal deixou de considerar os efeitos de tal Operação sobre o contraditório e ampla defesa dos impugnantes e, ainda assim, conclui pela autuação da entidade e dos supostos responsáveis solidários. 210. A Operação Ouro Verde foi instaurada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e tem por objetivo a apuração e investigação do Chamamento Público promovido pela Prefeitura de Campinas para celebração de contrato de gestão com Organização Social para gerenciamento do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi (Hospital Ouro Verde). 211. Os impugnantes NÃO são parte da referida investigação. Fl. 51639DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 65 212. No entanto, em razão de prestadores de serviços em comum com uma das entidades investigadas na Operação, o Ministério Público requereu a busca e apreensão dos documentos do Insaúde, pedido que foi deferido pelo Judiciário. 213. Na referida busca e apreensão, a maior parte dos documentos do Insaúde foram apreendidos e encontram-se em poder do parquet. 214. Tais fatos foram comprovados nos autos administrativos (fls. 46.836 a 47.015 do processo administrativo). 215. Além de evidente inexistência de má-fé dos impugnantes pela não apresentação dos documentos, a inexistência de tais documentos no procedimento fiscal implica impossibilidade de autuação dos impugnantes. 216. Isso porque NÃO pode a autoridade fiscal valer-se de SUPOSIÇÕES não comprovadas para autuação de pessoas físicas e jurídicas, sob pena de violação ao contraditório e à ampla defesa. 217. No que se refere à afirmação de suposta irregularidade na contratação por ausência de chamamento público, o fundamento é ilógico no que se refere à contratação de pessoas, bens e serviços por Organizações Sociais e contrário à lei e à jurisprudência. m so 218. A legislação das Organizações Sociais exige que a contratação de terceiros ocorra com observância aos princípios da Administração Pública. 219. A possibilidade de contratação direta de serviços técnicos especializados é prevista pela própria Lei de Licitações (8.666/93) e também pela Nova Lei de Licitações, (14.133/21), que assim prevê: (... ) 220. Ou seja, ainda que não tenha sido realizado o processo de seleção de prestador de serviços técnicos especializados com notória especialização, tal contração é legal no âmbito do Insaúde, que selecionou empresas cujo trabalho era essencial e reconhecidamente adequado à plena satisfação do objeto do contrato. 221. Assim, sob qualquer ângulo que se analise a questão, para o que interessa ao presente auto de infração, não houve percepção por qualquer conselheiro, de Fl. 51640DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 66 remuneração, vantagem ou benefício, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades atribuídas pelos respectivos atos constitutivos. 222. As contratações das pessoas jurídicas sobre as quais a autoridade fiscal discorre no Capítulo 11 do Relatório Fiscal não possuem qualquer relação com a regularidade tributária do Insaúde. 223. Ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, trata-se de informações e documentos que não possuem o condão de afastar a imunidade tributária garantida pela Constituição Federal a entidades de natureza como a do Insaúde. 224. São descabidas as conclusões de que os serviços não foram prestados, tampouco de que os pagamentos realizados às pessoas jurídicas seriam indevidos ou que os processos de contratação foram irregulares, razão pela qual requer seja desconstituído o auto de infração. Em seguida, o Impugnante alega a inexistência de responsabilidade solidária dos diretores e conselheiros: 6. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRETORES E CONSELHEIROS 225. No auto de infração foram incluídos no rol de responsabilidade solidária 13 (treze) diretores e conselheiros do Insaúde, sob o fundamento de que as pessoas físicas autuadas supostamente se enquadram na hipótese do artigo 135 da Lei n. 5.172/66. O referido artigo assim dispõe: (... ) 226. Referido artigo pressupõe que, para caracterização do responsável tributário solidário, é necessário que este tenha agido em omissão ou intervenção, ou mesmo com excesso de poderes ou desrespeito a preceito estatutário. 227. De acordo com o Relatório Fiscal, o suposto fundamento para inclusão dos responsáveis solidários foi: (... ) 228. A conclusão do Relatório Fiscal pela inclusão de responsáveis solidários é equivocada e não deve ser mantida, considerando que os indicados no auto de infração não agiram da forma que lhes foi indevidamente imputada. 229. A responsabilidade solidária não é automática. 230. De acordo com a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: (...) 231. A doutrina prescreve que somente aqueles cuja responsabilidade é prevista em Lei Complementar podem ser enquadrados como solidários e, para isso, é necessária a comprovação de descumprimento das obrigações que o foram imputadas. Fl. 51641DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 67 232. Para que a aplicação das penalidades tributárias recaia sobre pessoas físicas com vínculo à pessoa jurídica contribuinte é imprescindível que haja vinculação comprovada de atos específicos praticados pelas pessoas físicas. 233. Veja-se entendimento do Superior Tribunal de Justiça:(... ) 234. NÃO há o mínimo de comprovação da prática de atos dessa natureza pelos indicados responsáveis solidários. 235. Pelo contrário. 236. As pessoas físicas incluídas como responsáveis solidários no auto exercem suas atividades diariamente para manter a continuidade dos serviços prestados pela entidade, com dedicação cotidiana e SEM qualquer conduta dolosa ou fraudulenta. 237. Os requisitos para caracterização da hipótese de responsabilidade solidária não foram preenchidos. 238. Destaca-se entendimento do Supremo Tribunal Federal acerca da responsabilidade solidária:(... ) 239. É necessário que a autoridade fiscal deve não apenas comprovar o dolo dos responsáveis solidários, mas também indicar a regra matriz de incidência sobre a responsabilidade tributária e individualizar a conduta de cada autuado. 240. Da simples leitura do auto de infração verifica-se que a individualização NÃO ocorreu, tendo em vista que os 13 (treze) autuados foram indicados como responsáveis solidários em razão das mesmas supostas infrações. 241. A conduta adotada no Relatório Fiscal de imputação de responsabilidade solidária a terceiros sem o menor indício de dolo das pessoas físicas configura evidente hipótese de abuso de poder tipificada na Lei n. 13.869/19: (...) 242. Trata-se da lei que define os crimes de abuso de autoridade cometidos por agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. 243. No caso, a imputação de responsabilidade solidária a pessoas físicas sem qualquer comprovação de dolo quanto à suposta irregularidade no recolhimento de tributos configura hipótese de persecução administrativa sem justa causa fundamentada. O Impugnante passa a expor os fundamentos específicos que amparam, além dos já mencionados, o afastamento da responsabilidade solidária das pessoas físicas, ante a inexistência de prática de atos com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto: 6.1. NELSON ALVES DE LIMA Fl. 51642DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 68 245. O impugnante Nelson Alves de Lima atuou como Presidente da Diretoria Estatutária do Insaúde no período de 15.03.2018 a 15.03.2020. 246. De plano afasta-se a responsabilidade solidária do impugnante em relação aos fatos geradores anteriores a 15.03.2018, considerando que à época deles o impugnante NÃO possuía qualquer vínculo com a entidade. 247. Além disso, restou comprovada a legalidade da atuação do Insaúde, em especial no que se refere à contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, o que demonstra a boa-fé na atuação do impugnante perante o Insaúde e a inexistência de prática de conduta dolosa. 248. O impugnante sequer é mencionado na fundamentação de mérito do Relatório Fiscal. 249. Para fins de fundamentação, ressalta-se trecho do relatório da Auditoria Independente que reafirma a manutenção, pelo Insaúde, de escrituração contábil hábil e idônea, de modo que NÃO há que falar-se em suposta responsabilidade solidária por manutenção de escrituração contábil dissonante dos documentos comprobatórios (fl. 276 do processo administrativo): contábeis. Em nossa opinião, exceto pelos efeitos do assuntos descritos na seção a seguir, intitulada "Base para opinião com ressalva", as demonstra¬ções contábeis acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - INSAÚDE em 31 de dezembro de 2018 o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exer¬cício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no ñrñsil ñnlinávfíis às pfíniífínñs p, mórlias fímnrfífiñií (NRfi Tfi Iflflfl - R1) R interpretação técnica para entidades sem finalidade de lucros (ITG 2002 -R1). Base para opinião com ressalva: Conforme divulgado em Nota 16 às 250. Na mesma linha, destaca-se entendimento do CARF no sentido de que não há falarse em responsabilidade solidária diante da inexistência de provas: (... ) 252. É evidente a inexistência de fundamentos que justifiquem a responsabilidade solidária do impugnante Nelson Alves Lima, razão pela qual requer-se sua exclusão do polo passivo da presente ação fiscal. 6.2. MARCUS VINICIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES 253. Este impugnante atua como Diretor Executivo não estatutário do Insaúde desde 01.02.2018 Fl. 51643DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 69 254. Afasta-se a responsabilidade solidária do impugnante em relação aos fatos geradores anteriores a 01.02.2018, considerando que à época de tais fatos o impugnante NÃO possuía qualquer vínculo com a entidade. 255. Além disso, restou comprovada a legalidade da atuação do Insaúde, em especial no que se refere à contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, o que demonstra a boa-fé na atuação do impugnante perante o Insaúde. 256. O impugnante sequer ocupa posição de diretor estatutário da entidade, razão pela qual é afastada a aplicação do artigo 135, III, CTN. 257. O impugnante sequer é mencionado na fundamentação de mérito do Relatório Fiscal. 258. É evidente a inexistência de fundamentos que justifiquem a responsabilidade solidária do impugnante Marcus Vinicius Alves da Silva Rodrigues, razão pela qual requer-se sua exclusão do polo passivo da ação fiscal. 6.3. ÊNYLO VINÍCIUS DE FARIA 259. Este impugnante atua como Diretor de Operações não estatutário do Insaúde desde 08.10.2018. 260. Afasta-se a responsabilidade solidária do impugnante em relação aos fatos geradores anteriores a 08.10.2018, considerando que à época de tais fatos o impugnante NÃO possuía qualquer vínculo com a entidade 261. Restou comprovada a legalidade da atuação do Insaúde, em especial no que se refere à contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, o que demonstra a boa-fé na atuação do impugnante perante o Insaúde. 262. O impugnante sequer ocupa posição de diretor estatutário da entidade, razão pela qual é afastada a aplicação do artigo 135, III, CTN. 263. O impugnante sequer é mencionado na fundamentação de mérito do Relatório Fiscal. 264. É evidente a inexistência de fundamentos que justifiquem a responsabilidade solidária deste impugnante, razão pela qual requer-se sua exclusão do polo passivo. 6.4. MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH 265. Este impugnante atua como Diretor Jurídico não estatutário do Insaúde desde 15.04.2019. 266. Afasta-se a responsabilidade solidária do impugnante, tendo em vista que passou a atuar na entidade em data posterior ao período objeto de apuração no procedimento fiscal. Fl. 51644DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 70 267. Restou comprovada a legalidade da atuação do Insaúde, em especial no que se refere à contratação da pessoa jurídica vinculada ao impugnante, o que demonstra a boa-fé na atuação do impugnante perante o Insaúde. 268. O impugnante sequer ocupa posição de diretor estatutário da entidade, razão pela qual é afastada a aplicação do artigo 135, III, CTN. 269. É evidente a inexistência de fundamentos que justifiquem a responsabilidade solidária deste impugnante, razão pela qual requer-se sua exclusão do polo passivo da presente ação fiscal. O Impugnante passa a discorrer sobre a atuação do Terceiro Setor no Brasil, em especial, o modelo de gestão de unidades públicas por Organizações Sociais, por meio de contratos de gestão, estabelecido na Lei n° 9.637, de 1998. Explica que, no Brasil, o terceiro setor é formado por entidades privadas sem fins lucrativos, com as quais o Poder Público celebra parcerias, visando à consecução do interesse público. Aponta que, para fins da ação fiscal, é irrelevante a distinção entre Organizações Sociais (OS) e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), apresentada no Relatório Fiscal, tendo em vista que o INSAUDE atua apenas como Organização Social e não possui qualificação como OSCIP. Diz que as premissas a serem estabelecidas nessa defesa correspondem à celebração de contratos de gestão com entidades qualificadas como Organizações Sociais, na forma disciplinada pela Lei n. 9.637, de 1998, e leis estaduais e municipais que disciplinam o tema nos respectivos entes federativos. Destaca que a referida lei, no seu artigo 5°, define contrato de gestão como o instrumento firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como Organização Social, com vistas à formação de parceria entre as partes para fomento e execução de atividades relativas às áreas de ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, proteção e preservação do meio ambiente, cultura e saúde. Aduz que, em que pese o Relatório Fiscal, no item 5.14, destacar trabalho científico que aponta suposta violação às premissas constitucionais pelo modelo de gestão de unidades públicas por Organizações Sociais, a questão restou superada com o Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n° 1.923, do Supremo Tribunal Federal, que firmou interpretação conforme a Constituição. Afirma que, a despeito do afirmado no item 5.11 do Relatório Fiscal, a qualificação de entidades sem fins lucrativos como Organizações Sociais não configura ato puramente discricionário, tendo em vista que depende da comprovação de uma série de requisitos. Fl. 51645DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 71 Diz que a atuação do Impugnante enquanto Organização Social se dá de acordo com as premissas estabelecidas na lei e na jurisprudência, ao contrário do entendimento fiscal. Argui que as críticas da Auditoria aos contratos de gestão celebrados pelo INSAUDE apenas demonstram seu desconhecimento dos modelos de gestão da saúde pública adotados no Brasil e no mundo. Discorre, em seguida, acerca da imunidade tributária e o terceiro setor e destaca algumas considerações do Relatório Fiscal. Alega que o Impugnante goza de imunidade sobre tributos incidentes sobre patrimônio, renda ou serviço e sobre contribuições sociais. Aduz que, de acordo com a doutrina, eventual cobrança de tais tributos acarretaria a supressão de recursos que, originariamente, seriam aplicados no âmbito social para satisfazer a demanda de assistência social. Diz que a natureza das atividades desempenhadas pela entidade permite a fruição da imunidade tributária prevista na Constituição para entidades de assistência social e saúde e que inexistem fundamentos que amparem o afastamento da aplicabilidade dessa previsão ao INSAUDE. Alega que, para manutenção da imunidade, devem ser atendidos os requisitos do art. 14 do CTN, os quais foram devidamente observados pela entidade, não tendo havido ofensa nem a esse dispositivo nem ao art. 29 da Lei n° 12.101, de 2009: 308. Em relação à suposta distribuição do patrimônio do Insaúde, a autoridade fiscal alega que a entidade teria distribuído seu patrimônio de forma fraudulenta, mediante a contratação simulada de pessoas jurídicas relacionadas a integrantes da entidade. 309. Ocorre que o inciso I do artigo 14 do CTN não veda o pagamento de diretores ou conselheiros pela prestação de serviços diversos daqueles desempenhados na função de diretores e conselheiros. 310. A vedação contida no referido inciso refere-se tão somente a distribuição de lucros ou patrimônio que desvirtue a finalidade da entidade, o que NÃO ocorreu no caso. 311. A segunda alegação da autoridade fiscal refere-se à pretensa violação, pelo Insaúde, do inciso III do artigo 14 do CTN, em razão da não apresentação da íntegra da documentação que comprove suas receitas e despesas. 312. No entanto, deve-se ter em mente que a disciplina do referido inciso impõe que escrituração contábil da entidade deve estar disponível para que se possa aferir seu conteúdo e adequação. 313. No caso, foram apresentados os documentos que se encontram em posse da entidade impugnante, quais sejam: (... ) Fl. 51646DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 72 313.1. plano de contas; 313.2. documentação da Auditoria Independente e 313.3. balancetes de verificação (... ) 314. Trata-se de documentação suficiente para verificar a regularidade contábil da entidade e, portanto, não há falar-se em descumprimento dos requisitos previstos no artigo 14 do CTN. 315. Além disso, também não há falar-se em suposto descumprimento do artigo 29 da Lei n. 12.101/09. 316. Isso sem mencionar que, no que se refere à alegação da autoridade fiscal contida no item 7.7.5 de suposta violação ao artigo 29, VI, da Lei 12.101/09, o texto normativo extrapola o inciso III do artigo 14, do CTN e, por isso foi declarado inconstitucional no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 4480 do Supremo Tribunal Federal. 317. Veja-se: (...) 321. Veja-se julgamento do Tema 32 de Repercussão Geral do STF: (...) O Impugnante conclui não haver amparo fático ou jurídico para a alegação de suposta violação, pela entidade, dos requisitos legais no art. 14 do CTN ou da Lei n° 12.101, de 2009. Passa a discorrer sobre os apontamentos da auditoria independente: 7.3. APONTAMENTOS DA AUDITORIA INDEPENDENTE (...) 327. As ressalvas consideradas pela autoridade fiscal como "irregularidades" apontadas pela Auditoria Independente referem-se à subvenção de investimento e ao saldo de fornecedores e controle de custo do ativo imobilizado. 328. No entanto, os próprios auditores destacam que, no que tange à subvenção de investimento e saldo de fornecedores, não foi possível a verificação de tais valores. 329. Tal afirmação não implica, de forma automática, conclusão pela irregularidade das escriturações contábeis. 330. Em relação à inconsistência no controle individualizado do custo do ativo imobilizado mencionada no item 8.4 do Relatório Fiscal, a autoridade fiscal se ateve, mais uma vez, a fundamentos relacionados a ocorrências de períodos distintos da competência temporal do auto de infração. 331. Isso porque a diferença corresponde ao exercício de 2016. 332. Além disso, as ressalvas apontadas pela Auditoria Independente, uma vez se tratando de pontos excepcionais relacionados aos documentos contábeis do Insaúde, NÃO são suficientes para afastar a imunidade tributária da entidade. 333. Ao contrário do procedimento adotado pelo Relatório Fiscal, o parecer dos Auditores Independentes deve ser analisado na íntegra, de modo que o conjunto Fl. 51647DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 73 de informações nele contidas seja considerado para análise do cumprimento dos requisitos de imunidade tributária pelo Insaúde (...). 334. Da análise completa do parecer é possível extrair segurança das demonstrações contábeis verificadas pela Auditoria Independente a partir de análise conjunta dos documentos do Insaúde. 335. As ressalvas apontadas NÃO são suficientes para comprometer a qualidade das escriturações. 336. No item 2 do parecer, denominado "Resumo das principais políticas contábeis", destacaram os auditores: O Insaúde mantém um sistema de escrituração uniforme dos seus atos e fatos administrativos por meio de processo eletrônico, considerando os aspectos de controle necessários à evidenciação e arquivo. 337. Além disso, a fim de contextualizar a base de opiniões dos auditores independentes, o parecer assim destaca: Em nossa opinião, exceto pelos efeitos do assuntos descritos na seção a seguir, intitulada "Base para opinião com ressalva", AS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ACIMA REFERIDAS APRESENTAM ADEQUADAMENTE, EM TODOS OS ASPECTOS RELEVANTES, a posição patrimonial e financeira do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - Insaúde em 31/12/2017, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo nessa data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil aplicáveis às pequenas e médias empresas (NBC TG 1000 - R1) e interpretação técnica para entidades sem finalidade de lucros (ITG 2002 - R1). 338. Tais trechos são essenciais para interpretação do parecer da Auditoria Independente, de acordo com o qual NÃO foram constatadas irregularidades relevantes nas escriturações contábeis, inclusive no que tange às receitas e despesas referida no artigo 14 do CTN, e consonantes com os incisos pertinentes às obrigações acessórias previstas no artigo 29 da Lei n. 12.101. 339. Irregularidades não relevantes não são suficientes para afastar a imunidade tributária da entidade, em especial quando suas receitas e despesas atendem critérios e formalidades capazes de assegurar sua exatidão. 340. Esse é o entendimento jurisprudencial do CARF: (... ) 341. Considerando que o parecer da Auditoria Independente aponta meras ressalvas quanto aos documentos contábeis do Insaúde e que afirma de forma expressa que a entidade atende, de forma adequada, todos os aspectos contábeis relevantes, não restam dúvidas de que o Insaúde cumpre as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária. 342. Ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, inexistem motivos e fundamentos suficientes para concluir suposta violação ao artigo 14, III, CTN, Fl. 51648DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 74 tampouco ao artigo 29 da Lei n. 12.101/09, razão pela qual restam impugnados o auto de infração e os fundamentos do Relatório Fiscal no que se refere às ressalvas da Auditoria Independente. O Impugnante afirma, em tópico seguinte, não executar atividade empresária e discorre sobre o modelo de gestão das Organizações Sociais: 7.4. NÃO EXECUÇÃO DE ATIVIDADES EMPRESÁRIAS. ADEQUADA COMPREENSÃO DO MODELO DE GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES SOCIAIS. 343. Às fls. 178 a 182 do Relatório Fiscal a autoridade fiscal defende a suposta execução de atividade empresária pelo Insaúde em virtude da contratação de prestador de serviços de gestão e negócios, qual seja, a pessoa jurídica DIMPI - Gestão em Saúde. 344. No entanto, deixou a autoridade fiscal de se manifestar sobre ponto crucial do objeto do contrato celebrado entre o Insaúde e a referida empresa (fls. 981 a 984 do processo administrativo). 345. O objeto do contrato é previsto nos seguintes termos: CLÁUSULA PRIMEIRA: DO OBJETO 1.1. O objeto do presente é a prestação, pela CONTRATADA de Serviços de Assessoria em Qualidade e Saúde, contemplando elaboração de Projetos e Planilhas e busca de novos processos onde a contratante se enquadre e possa atuar na Área da Saúde. CLÁUSULA SEGUNDA: DO ESCOPO Serviços de Assessoria em Qualidade e Saúde: i. Elaboração de Planejamento Comercial com o objetivo de organizar e implantar as ações de conquista de mercado para os serviços da CONTRATANTE; ii. Apoio em implantações de Projetos; iii. Elaboração e acompanhamento de indicadores de qualidade para as unidades previamente acordadas; iv. Elaboração de planos de ação de qualidade para melhoria dos indicadores utilizados; v. Elaboração de planilhas de viabilidade para serviços previamente acorados; vi. Apoio em cotações de Serviços e Materiais para Planilha de Viabilidade; vii. Dimensionamento e planilhamento de equipes de saúde para os serviços previamente acordados; viii. Apoio em Manutenção e equilíbrio dos contratos; ix. Vistoria Técnica em novos contratos; x. Prospecção de novos clientes 346. A cláusula segunda, mencionada no Relatório Fiscal para defender a tese da autoridade fiscal de suposto exercício de atividade empresária pelo Insaúde, corresponde à descrição dos serviços de Assessoria em Qualidade e Saúde mencionados na cláusula primeira. 347. Referida cláusula deve ser interpretada à luz da cláusula primeira, que dispõe sobre o objeto do contrato. Fl. 51649DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 75 348. Na cláusula primeira, por sua vez, a delimitação do objeto é expressa quanto aos processos nos quais o Insaúde se enquadre e possa atuar. 349. A atuação da pessoa jurídica contratada se limita às atividades em relação as quais a natureza jurídica do Insaúde de entidade sem fins lucrativos qualificada como Organização Social se enquadre. 350. Trata-se de previsão contratual crucial para entendimento da relação jurídica estabelecida entre a pessoa jurídica e o Insaúde, omitida pelo Relatório Fiscal. 351. O fundamento do Relatório Fiscal quanto à suposta execução de atividade empresária pelo Insaúde e o auto de infração NÃO merecem prosperar Argui então a inexistência de cessão de mão de obra: 7.5. INEXISTÊNCIA DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ENTIDADE REPRESENTANTE DO TERCEIRO SETOR 352. Alega a autoridade fiscal que os contratos de gestão celebrados entre o Insaúde e o Poder Público, assim como a realização de processo seletivo, pela entidade, para contratação de colaboradores, leva à conclusão de que as atividades desempenhadas pelo Insaúde supostamente caracterizam-se como cessão de mão de obra. Assim, a entidade não integraria o terceiro setor, mas sim o segundo setor. 353. Isso porque estaria a entidade supostamente fornecendo meios para o desenvolvimento de atividade de titularidade do ente público. 354. A conclusão do Relatório Fiscal desvirtua por completo a lógica dos contratos de gestão e da atuação de Organizações Sociais no gerenciamento de unidades públicas, modelo este declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 355. O contrato de gestão é o instrumento formal que atribui a uma Organização Social uma atividade de titularidade compartilhada para que a entidade a exerça nos termos da mesma regulamentação incidente sobre a atividade quando prestada pelo Poder Público. 356. As Organizações Sociais utilizam estruturas do próprio Poder Público, executando toda a gestão de tal estrutura. 357. Para desempenho de tais atividades, as entidades qualificadas como Organizações Sociais contratam pessoas, bens e serviços para prestação de serviços, execução de obras e fornecimento de produtos necessários para a execução do objeto do contrato de gestão. 358. A exemplo da Lei n. 9.637/98, há previsão expressa acerca do dever de a Organização Social publicar regulamento próprio para tanto: Fl. 51650DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 76 Art. 17. A organização social fará publicar, no prazo máximo de noventa dias contado da assinatura do contrato de gestão, regulamento próprio contendo os procedimentos que adotará para a contratação de obras e serviços, bem como para compras com emprego de recursos provenientes do Poder Público. 359. É notória a possibilidade de contratação de pessoas, bens e serviços pela Organização Social para dar cumprimento ao contrato de gestão. 360. Ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, a contratação realizada pelas Organizações Sociais não se confunde, em hipótese alguma, com cessão de mão de obra. 361. A cessão de mão-de-obra caracteriza-se pela disposição, à contratante, de trabalhadores do contratado para que realizem serviços relacionados ou não com sua atividade fim. 362. Na hipótese criada pela autoridade fiscal, o Poder Público estaria contratando o Insaúde por meio de contrato de gestão para que a entidade dispusesse à Administração Pública trabalhadores para prestação de serviços. 363. Trata-se de hipótese ilógica que não corresponde à realidade dos contratos de gestão. 364. A relação jurídica estabelecida entre o Poder Público e o Insaúde implica a atribuição à entidade da atividade de gestão de unidades públicas para consecução do interesse público e dos interesses sociais. 365. Para tanto, o próprio Insaúde realiza contratação de pessoas e serviços necessários para a gestão de tais unidades públicas. 366. Significa dizer que tais pessoas prestam serviços ao Insaúde e não ao Poder Público. 367. Não há falar-se em cessão-de-mão de obra. 368. Tampouco há falar-se em suposta finalidade lucrativa na relação estabelecida entre o Poder Público e entidades qualificadas como Organizações Sociais. 369. A uma, porque, para qualificação das entidades, é necessário que estas não possuam finalidade lucrativa. 370. A duas, porque Organizações Sociais prestam serviços sociais para a população. 371. Veja-se trecho do voto do Min. Luiz Fux no julgamento da ADI n. 1.923: É que não ocorre, em tal hipótese, a contraposição de interesses, com feição comutativa e com intuito lucrativo, que consiste no núcleo conceitual da figura do contrato administrativo, conforme aponta a doutrina e conforme já ressaltado pelo voto do ilustre Min. Relator. Fl. 51651DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 77 Ao contrário, a qualificação consiste em uma etapa inicial, embrionária, pelo deferimento do título jurídico de "organização social", para que Poder Público e particular colaborem na realização de um interesse comum, que consiste na prestação de serviços sociais para a população. 372. É livre de dúvidas que a relação jurídica estabelecida entre o Poder Público e o Insaúde não configura cessão de mão-de-obra, tampouco a contratação de colaboradores e prestadores de serviços, pelo Insaúde, para concretizar a execução do objeto do contrato de gestão. 373. Não há falar-se em suposta execução de atividade empresária pelo Insaúde. m 7I 374. Ao contrário da conclusão da autoridade fiscal, a entidade integra o terceiro setor e a imunidade tributária a que faz jus não deve ser afastada. O Impugnante alega, em seguida, o cumprimento dos requisitos para obtenção do CEBAS - Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social: 8. CERTIFICADO DE ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS: CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PELO INSAÚDE. 375. Ao contrário do alegado no Relatório Fiscal, a entidade impugnante cumpriu todos os requisitos necessários para obtenção do CEBAS, nos termos da Lei n. 12.101/09. 376. Antes de entrar no mérito acerca do cumprimento dos requisitos pela entidade impugnante há de se destacar que a autoridade fiscal sequer possui legitimidade para verificar tal cumprimento. 377. O item 1.2 do Relatório Fiscal aponta como objeto da ação fiscal "a verificação formal e material de regularidade no cumprimento dos requisitos para gozo da imunidade das contribuições previdenciárias e dos requisitos para obtenção e manutenção do CEBAS". Fl. 51652DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 78 378. Ocorre que, de acordo com a Lei n. 12.101/09, a competência para analisar eventual cumprimento, por entidade filantrópica, dos requisitos para obtenção do certificado no âmbito da saúde é do MINISTÉRIO DA SAÚDE. 379. A verificação ocorre por meio de procedimento específico disciplinado pela lei. 380. Considerando que o Ministério da Saúde houve por bem deferir o certificado à entidade impugnante, não há dúvidas de que a entidade cumpre os tais requisitos. 381. Ainda que a entidade não cumpra tais requisitos, cabe ao Ministério da Saúde a revisão de seu entendimento. 382. A Lei n. 12.101/09 prevê como requisitos necessários para concessão do CEBAS a entidades de saúde: Art. 4°, I (...), II (...), III (...) 383. A entidade impugnante cumpriu tais requisitos e, ao contrário do afirmado no item 5.20 do Relatório Fiscal, a entidade possui unidade própria na qual 60% (sessenta por cento) dos atendimentos realizados ocorrem pelo SUS. 384. É INAPLICÁVEL a esta ação fiscal a jurisprudência do TRF 4* R. citada no Relatório Fiscal para fundamentar a alegação de suposto descumprimento, pela entidade impugnante, dos requisitos necessários para concessão do CEBAS. 385. Em primeiro lugar, trata-se de ação judicial que discute o preenchimento dos requisitos necessários para obtenção do CEBAS por entidade ALHEIA a esta ação fiscal, qual seja, a Pró-Saúde (exaustivamente mencionada pelo Relatório Fiscal). 386. Trata-se de entidade sem fins lucrativos que não possui qualquer relação com a entidade impugnante, de modo que qualquer decisão relacionada às atividades desempenhadas pela Pró-Saúde não possuem o condão de fundamentar decisões relacionadas à entidade impugnante. 387. Em segundo lugar, a decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento n.5000097-43.2012.4.04.0000/RS sequer é vigente. 388. Após prolatado o acórdão mencionado no Relatório Fiscal foram interpostos recursos em face da decisão e, ao final, o agravo de instrumento restou prejudicado por perda superveniente do objeto, vez que foi proferida sentença nos autos originários. 389. Embora a sentença tenha julgado procedente a ação popular para anular o CEBAS da entidade que figura como réu nos autos judiciais foi interposto recurso de apelação em face da decisão. 390. O TRF4 anulou a sentença de procedência, determinando o retorno dos autos ao primeiro grau para realização de instrução probatória a fim de verificar se os requisitos para obtenção do CEBAS foram ou não cumpridos pela entidade. Fl. 51653DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 79 391. Foi realizada a dilação probatória e o feito encontra-se pendente de novo julgamento no primeiro grau. 392. Significa dizer que o fiscal citou decisão relacionada a outra entidade que nada tem a ver com o caso concreto e que sequer foi mantida pelo Poder Judiciário, tendo perdido efeito há muito tempo. 393. Não há dúvidas acerca da IMPRESTABILIDADE da decisão judicial ao caso em apreço, vez que, além de se tratar de entidade alheia à entidade impugnante, sequer existe no mundo jurídico. O Impugnante passa a alegar o caráter confiscatório da multa aplicada. Sobre o tema, repisa que as exações e as respectivas multas aplicadas não são devidas, em razão de a entidade fazer jus à imunidade das contribuições sociais, nos termos do art. 195, §7°, da CF/88. Depois, subsidiariamente, alega a inaplicabilidade da multa qualificada de 150%, que considera confiscatória e desproporcional, e afirma a inexistência de dolo, fraude, sonegação ou conluio. Aduz que não foi comprovada autoria e prática dos referidos tipos penais. Assevera que a sonegação se caracteriza pela omissão de informações e que, no caso, todas as informações foram disponibilizadas às autoridades fiscais. Argui que a fraude prevista no art. 72 da Lei 4.502, de 1964, citado no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, se refere à fraude penal e que, no caso, não foi identificado ou individualizado indício de materialidade ou autoria da entidade para enquadramento nesse tipo. Pontua que a fraude fiscal consiste em ardil, artifício, embuste praticado pelo sujeito passivo de má-fé, com a finalidade de enganar a Administração Fiscal e, com isso, deixar de recolher o tributo devido, abrangendo ainda a falsificação e a simulação, para esconder a realidade. Alega não haver que se falar em má-fé dos sujeitos passivos, requisito essencial para configuração de dolo. Pontua que a entidade não agiu com intuito de "enganar" a Administração Fiscal, sendo prova disso que toda a documentação foi fornecida, a qual é idônea e corresponde à realidade fática. Em relação ao conluio, argui não restar comprovada a união de pessoas físicas ou jurídicas para obtenção de benefícios, sob cometimento de fraude ou sonegação, as quais não ocorreram. Alega ser a multa qualificada de 150% excepcional, mas ter sido aplicada como regra pela autoridade fiscal, sem a devida fundamentação. Afirma não ter condições de arcar com o valor lançado, sem comprometer a própria subsistência e dos demais sujeitos passivos. Reitera que a multa aplicada possui efeito confiscatório e requer seu afastamento Fl. 51654DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 80 ou redução. Em tópico seguinte, afirma a inocorrência de prática de ato de improbidade administrativa, afirmando que eventual representação nesse sentido não merece prosperar, em razão de as alegações fiscais serem desprovidas de fundamentação relacionada ao caso concreto. Ao fim, apresenta seus pedidos, nos termos abaixo: 11. PEDIDOS 439. Requerem os impugnantes: 439.1. Preliminarmente: 439.1.1. seja declarada a nulidade do auto de infração no que diz respeito aos fatos ocorridos em períodos diversos daquele de competência do auto de infração, ante limitação temporal do procedimento fiscal, em especial quanto à responsabilização do impugnante Marcelo Gurjão Silveira Aith, que iniciou suas atividades no Insaúde apenas em 2019. 439.1.2. seja declarada a nulidade do auto de infração ante a utilização de prova emprestada sem qualquer relação com o procedimento fiscal e os autuados e, ainda, sem a observância do contraditório e da ampla defesa. 439.2. Na remota hipótese de superação das preliminares, que o auto de infração seja julgado improcedente dada a legalidade da contratação de pessoas jurídicas nas quais figuram como sócios diretores e conselheiros pelo Insaúde, nos termos da lei, da fundamentação desta defesa e dos documentos comprobatórios. 439.3. Seja afastada a responsabilidade solidária das pessoas físicas impugnantes, ante a inexistência de qualquer prova que justifique a responsabilização nos termos do artigo 135, CTN. 439.4. Seja reconhecida a legalidade do modelo de atuação do Insaúde, entidade qualificada como Organização Social que celebra contratos de gestão com o Poder Público para gerenciamento de unidades públicas e, consequentemente, seja reconhecida: 439.4.1. A inexistência de prestação de serviços de cessão de mão de obra pela entidade impugnante, tampouco de execução de atividade empresária. 439.4.2. O direito da entidade impugnante em gozar da imunidade tributária e a ser portador do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social - CEBAS/Saúde. 439.5. Subsidiariamente, na remota hipótese de manutenção do auto de infração, seja reconhecido o caráter confiscatório da multa arbitrada, de modo que sua aplicação seja afastada ou, também em caráter subsidiário, reduzida. Fl. 51655DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 81 439.6. Seja reconhecida a inocorrência de ato de improbidade administrativa, tampouco de conduta tipificada pela lei penal. 440. Os impugnantes provarão o alegado por todos os meios em Direito permitidos. Na impugnação ao Auto de Infração de contribuições devidas a outras entidades e fundos, o Impugnante apresenta as mesmas alegações e pedidos, reiterando não serem devidas as contribuições lançadas nem a responsabilidade solidária atribuída aos sujeitos passivos, destacando a legalidade da atuação da entidade. 3.2. IMPUGNAÇÃO DE RONALDO PASQUARELLI Às fls. 49489, foi juntada uma peça de RONALDO PASQUARELLI, em 28/12/2021, que se refere a "Recurso" relativo ao processo 19515.721327/2017-01, o qual trata de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Além dessa peça, duas impugnações foram juntadas aos autos, com as mesmas alegações, ambas em 06/12/2021, a primeira às fls. 48485, e a segunda, às fls. 49737. Inicialmente, o Impugnante argui a tempestividade de sua manifestação, juntada em 06/12/2021, considerando a ciência da autuação em 10/11/2021. Em seguida, após relatar os termos do relatório fiscal acerca da responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, apresenta preliminares, conforme abaixo descrito. C - PRELIMINARES I) AUSÊNCIA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA O Impugnante afirma não ter sido cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária das Contribuições para Outras Entidades e Fundos e requer a nulidade da autuação, por ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, previstos no art. 5°, LIV e LV da CF/88, com base no art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Cita julgado. II) AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO (AI) O Impugnante alega não saber se o contribuinte INSAUDE recebeu a notificação fiscal exigida no art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996. Entende que, diante de sua responsabilização solidária, deveria também ter sido notificado antes da autuação, para preservar seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Argui serem duas as oportunidades legais que não lhe foram concedidas para contestação, quais sejam, no início da apuração fiscal, para se defender e apresentar provas, e no momento da suspensão da imunidade tributária do INSAUDE, mediante a emissão de ato declaratório, o que caracteriza violação à Fl. 51656DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 82 Constituição da República, tanto em relação ao seu direito de defesa quanto em relação aos deveres da Administração Pública, relativos à legalidade, impessoalidade e responsabilidade, previstos no art. 37 da Carta Magna e na Lei n° 9.784, de 1999. Requer a nulidade da autuação. III) AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA O Impugnante aduz não constar do processo administrativo o ato declaratório suspensivo dos benefícios fiscais da INSAUDE, a prova da ciência do referido ato pela INSAUDE e a informação e juntada de eventual contestação apresentada pela entidade. Argui que tal omissão ofende o princípio da publicidade dos atos da Administração, além dos princípios do contraditório e da ampla defesa, o que invalida a autuação. Defende que, sem o ato declaratório de suspensão da imunidade, não há como constituir o crédito tributário, por força do disposto no art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, e que, em sendo lavrado Auto de Infração, as impugnações apresentadas contra o ato declaratório devem estar reunidas no mesmo processo administrativo para julgamento conjunto, conforme disposto no §9° do mesmo art. 32, o que não ocorreu. Pede a nulidade da autuação por falta de juntada de documentos essenciais. IV) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ENQUADRAMENTO LEGAL DIVERSO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INDICADA O Impugnante diz que, no Auto de Infração, foi indicado como fundamento para a responsabilidade solidária o art. 135 do CTN, sem referência a nenhum de seus incisos, enquanto, no Relatório Fiscal, há indicação do art. 124, II, do CTN. Aponta, em razão disso, a existência de imprecisão e divergência de fundamentos, o que prejudica o seu direito de defesa. V) ILEGITIMIDADE ATIVA - INCOMPETÊNCIA DOS FISCAIS PARA DISCUSSÃO DO DIREITO AO CEBAS O Impugnante alega falta de legitimidade da RFB para verificação dos requisitos de concessão e renovação do CEBAS, tendo em vista que o órgão não consta do rol taxativo previsto na Lei n° 12.101, de 2009 (artigos 21 e 24). Destaca a existência de ofensa a garantias fundamentais, previstas no art. 5°, II e LIII da CF/88. Argui que eventual autuação da INSAÚDE e demais responsáveis tributários só poderia ser feita "a posteriori" ou, se feita, teria que ser suspensa até sobrevir o resultado de representação feita ao Ministério correspondente. Alega que à RFB caberia representar a entidade ao Ministério que concedeu ou renovou o CEBAS, em caso de constatação de irregularidades, e somente após Fl. 51657DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 83 decisão por ele exarada, poderia efetuar o lançamento, conforme disposto no §4° do art. 26 da Lei n° 12.101, de 2009. Destaca que a própria RFB, através da Solução de Consulta Interna n° 10 da COSIT, emitida após o advento da Lei n° 12.101, de 2009, estabeleceu, no item 15, que "O que a Lei não permite à fiscalização é, de imediato, lavrar o auto de infração com base em ausência de requisito de certificação". Insiste que a verificação dos requisitos para a obtenção e manutenção do CEBAS não cabe à RFB, a qual também não tem competência para autuar e processar o Impugnante em relação à certificação, pelo que deve ser declarada a sua ilegitimidade e incompetência, bem como a nulidade do AI. Conclui ser incabível a discussão acerca da anulação do CEBAS da entidade, sendo pertinente apenas a emissão de representação ao Ministério certificador para requerer providências, quando é o caso. VI) VIOLAÇÃO DE JULGADO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL - EFEITO VINCULANTE - NULIDADE DO AI - TRIBUTAÇÃO NO TERCEIRO SETOR O Impugnante alega violação a julgado de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal no RE 566.622/RS, que, no Tema 32, estabeleceu a reserva de lei complementar para instituir requisitos à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. Argui que, de acordo com os fundamentos considerados também pela autoridade fiscal, o art. 195, §7°, e art. 150, VI, c, ambos da Constituição da República, e a citada decisão vinculante do STF, no tocante aos requisitos para o gozo da imunidade, devem ser observados os artigos 9° e 14 do CTN, de modo que os requisitos estabelecidos no art. 29, da Lei n° 12.101, de 2009, na Lei n° 9.532, de 1999, e no RIR não se aplicam ao INSAÚDE e nem a qualquer outra entidade assistencial. Aduz ser inegável a nulidade da autuação, que tem como fundamento as leis citadas e o RIR, uma vez que foi lavrada em outubro de 2021, após a citada decisão vinculante no RE 566.622, que estabelece a necessária observância apenas do art. 14 do CTN para fruição da imunidade pelo Terceiro Setor. Cita julgado proferido em juízo de retratação. O Impugnante passa a discorrer acerca da administração da entidade, conforme tópicos abaixo copiados: VII) ADMINISTRAÇÃO DA ENTIDADE DIFERENÇA ENTRE DIRETOR ESTATUTÁRIO E DIRETOR EXECUTIVO: EMPREGADO OU AUTÔNOMO - FALTA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DO DIRETOR EXECUTIVO EMPREGADO OU AUTÔNOMO E DE OUTROS PRESTADORES DE SERVIÇOS - ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPUGNANTE Fl. 51658DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 84 56. O impugnante é parte ilegítima para compor o polo passivo e responder solidariamente por eventuais créditos tributários lançados nos autos de infração, conforme será visto nos itens a seguir. 57. O INSAÚDE é administrado pelos órgãos referidos no art. 13, do seu Estatuto Social vigente no período fiscalizado (2017 e 2018), bem como no art. 23 do mesmo documento, de acordo com as atribuições delimitadas no próprio documento estatutário. 58. Em nenhum momento dispõe o estatuto social que diretor executivo contratado (que não foi estatutário) tenha essa responsabilidade, muito menos prestador de serviços cuja relação jurídica foi estabelecida por intermédio de pessoa jurídica, que é o caso do impugnante por sua empresa Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar, cabendo aos últimos cumprirem as determinações exaradas pelos órgãos e diretoria estatutária, motivo pelo qual o impugnante é parte ilegítima para integrar o auto de infração. VII.1. DIRETOR ESTATUTÁRIO - CONTRATAÇÃO DE DIRETOR EXECUTIVO: EMPREGADO OU AUTÔNOMO DISTINÇÃO ENTRE DIRETOR ESTATUTÁRIO E DIRETOR CONTRATADO EQUIPE TÉCNICA - ILEGITIMIDADE PASSIVA 59. Conforme previsto no Estatuto (artigo 18, inciso I), a Diretoria Estatutária é eleita pela Assembleia Geral e seus poderes são regulados pelo mesmo instrumento e leis relacionadas à atuação da associação. Gere os negócios da Associação e a representa em suas relações externas, sempre de acordo com as atribuições especificadas no estatuto social. 60. Por outro lado, de acordo com o estatuto social, o Presidente (autoridade máxima da diretoria) pode nomear pessoas por procuração. 61. Neste caso, a entidade opta pela contratação por meio de contrato de trabalho, seja este de emprego, com anotação na CLT, ou de relação civil por intermédio dos serviços de profissionais estabelecidos em empresas que executam a atividade necessitada pela contratante. Não há lei que proíba a contratação via pessoa jurídica e nem que isso viola algum requisito para renovação do CEBAS e gozo da imunidade tributária. 62. Na contratação via CLT se observa a figura do diretor empregado com a presença dos requisitos legais: pessoalidade, subordinação, remuneração e habitualidade, com este fazendo jus a todos os direitos trabalhistas previstos na legislação, fato este que não ocorre em relação ao Diretor Estatutário e nem em face daquele contratado de forma autônoma, por meio de contrato com uma pessoa jurídica que detém em seus quadros profissionais especializados, figura esta conhecida como trabalhador autônomo exclusivo, com vínculo de natureza civil. 63. Consta no relatório fiscal que não pode o diretor executivo ser contratado como pessoa jurídica e apresenta base legal para SOCIEDADE, olvidando os Fl. 51659DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 85 subscritores que o INSAÚDE tem natureza jurídica DIVERSA, pois não é SOCIEDADE e sim ASSOCIAÇÃO, logo, tais dispositivos não se aplicam para ele. 64. O diretor estatutário, embora subordinado a outros órgãos estatutários, mantem relação de subordinação societária com estes, de órgão para órgão, e não pessoal, sem qualquer relação de emprego ou contratação civil. 65. Assim é que se difere do Diretor Empregado ou Diretor Autônomo, vez que estes estão subordinados aos comandos dos superiores hierárquicos, como por exemplo, ao comando do Presidente da empresa ou entidade. 66. Nestes termos o teor da súmula 269 do C. Tribunal Superior do Trabalho: "O empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego." 67. Portanto, as três figuras são absolutamente distintas e nossos Tribunais reconhecem esta diferenciação, pois o Diretor Estatutário goza de autonomia na condução dos negócios da companhia, empresa ou associação, em nítida oposição ao Diretor Empregado ou Diretor Autônomo, não eleito, que é subordinado ao seu superior e, no máximo, age em nome deste por meio de procuração ou mandato, jamais em nome próprio. 68. Neste sentido: (... ) 69. Logo, diversos os tipos de contratação, do mesmo modo, diversos os tipos de responsabilidade de cada um. 70. Os Diretores Estatutários têm sua responsabilidade prevista tanto na Lei n° 6.404/76, a denominada "Lei das S.A" (aplicado por analogia), quanto no Código Tributário Nacional. 71. O artigo 158 da Lei n° 6.404/76 dispõe: (...) 72. Conforme pode ser visto, o diretor estatutário não é responsável pelas obrigações que contrair em nome da Sociedade e em virtude de ato regular de sua gestão e somente responde, civilmente, pelos prejuízos que causar se agir com culpa ou dolo para causar o prejuízo. 73. Efetivamente haverá que se comprovar a existência do prejuízo, da culpa ou do dolo, bem como, o nexo causal para que se possa responsabilizar o Diretor Estatutário. 74. Já no inciso II, deverá ser comprovado que o Diretor agiu desrespeitando a lei ou o estatuto social e a este caberá demonstrar não ter havido prejuízo ou nexo causal, independentemente da existência de culpa ou dolo. 75. No tocante à solidariedade, o legislador dispõe que cada Diretor responde pelos seus atos, a menos que este se enquadre em alguma das exceções legais: (i) quando o administrador for conivente com os atos ilícitos de outros Fl. 51660DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 86 administradores; (ii) quando, por negligência, deixar de descobrir atos ilícitos praticados por outros administradores, e; (iii) tendo conhecimento de atos ilícitos de outros administradores, deixar de tomar providências para tentar impedir a sua prática. 76. O Código Tributário segue a mesma linha de raciocínio, conforme disciplinado no artigo 135, inciso III, que prevê a responsabilidade dos Diretores, gerentes ou representantes da companhia por créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto social. 77. Vale dizer que a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça não tem aceitado como "infração de lei" a falta de recolhimento de impostos. O entendimento dominante é de que o não-pagamento do tributo não é suficiente para transferir a responsabilidade ao Diretor ou dirigente, exceto no caso de dolo. 78. Ou seja, se o Diretor ou Dirigente Estatutário agiu dentro dos limites legais, com toda a diligência possível, não é responsável pelos passivos e obrigações da companhia. 79. Neste sentido: (... ) 80. Diametralmente oposta vem a ser a responsabilidade do Diretor Empregado ou Autônomo e membros da equipe técnica. 81. Diante da falta de autonomia na condução dos negócios, uma vez que deve seguir as diretrizes fixadas por seus superiores e órgãos estatutários, notadamente a Diretoria Estatutária e o Presidente da Companhia ou Associação, não há se falar em responsabilidade por débitos de quaisquer tipos. 82. Portanto, resta claro e patente que a administração da entidade é feita pelos órgãos identificados nos art. 13 e art. 23, na medida de cada atribuição prevista no mesmo Estatuto Social, sendo que o Presidente da entidade sempre foi ativo, atuante e comparecia diariamente no INSAÚDE. 83. Veja-se que tanto o artigo 124, II, quanto o artigo 135, III, ambos do CTN responsabilizam "pessoas expressamente designadas por lei" e os terceiros que responderão solidariamente, desde que os créditos correspondentes à obrigação tributária sejam resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatuto. 84. A empresa Diretriz prestou serviços para o INSAÚDE por intermédio do impugnante que nunca ditou os caminhos e diretrizes a serem adotados pela entidade, nunca deliberou sobre os seus rumos, competências da presidência dela (instituição), logo, nunca agiu com excesso de poderes, infração de lei ou estatuto social. Fl. 51661DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 87 85. O impugnante nunca teve procuração do INSAÚDE e não assinava contratos, tudo a demonstrar que não tem o menor cabimento a sua inclusão como devedor passivo solidário. 86. Ou seja, o impugnante somente era responsável, como prestador de serviços, por parte das atividades operacionais do INSAÚDE, fato este que não implica em responsabilização tributária. 87. E mais, r. Julgador, não há individualização da conduta do impugnante que leve ao excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatuto. 88. Leia-se jurisprudência do CARF: (...) 89. Leia-se o entendimento do STJ quanto a responsabilidade do diretor empregado, ora utilizado por analogia ao diretor pessoa jurídica para robustecer a tese acima: (... ) 90. Pelo exposto, o impugnante não é legítimo para responder de forma solidária com o INSAÚDE perante a Receita Federal e a sua exclusão é medida de Direito e de Justiça, pelo que, requer-se seja o mesmo retirado do polo passivo da autuação. Ainda em sede preliminar, o Impugnante alega ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, em razão da juntada incompleta de documentos essenciais, conforme abaixo copiado: VIII - DA JUNTADA INCOMPLETA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS - DESRESPEITO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL E À AMPLA DEFESA PELA SRF 91. Compulsando-se o relatório fiscal vê-se que um dos motivos para a constatação de que a entidade não mereceria a imunidade constitucional é o fato de constar no relatório dos auditores independentes acerca das demonstrações contábeis a alegada remuneração do diretor que estaria descrita na Nota Explicativa 16, cujos pagamentos se deram por meio de pessoa jurídica, mas os referidos auditores deixaram claro que "Nossa opinião não contém ressalva relacionada a esse assunto." 92. Ocorre que o fiscal da RF não apresentou a Nota Explicativa 16, não especificou qual diretor e qual pessoa jurídica teria recebido remuneração, ou seja, nenhuma informação e nem acesso ao documento foi dado ao impugnante. NÃO há como se defender plenamente sem que tenha ciência de todos os dados e documentos. Ainda mais quando se trata de documentos essenciais que foram utilizados pela fiscalização para fundamentar o não cumprimento da lei para o gozo da imunidade e consequente lavratura da autuação, cuja consequência recai sobre o peticionário. 93. Mais uma vez o auto de infração está eivado de nulidade diante do fato de que os fiscais NÃO observaram o devido processo legal, porque NÃO foi respeitado o princípio constitucional da ampla defesa pela falta de ciência de Fl. 51662DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 88 documento essencial utilizado pela fiscalização em detrimento do impugnante, em face da NÃO juntada da documentação completa no relatório fiscal. O Impugnante cita doutrina e requer a nulidade da autuação. Em seguida, passa ao mérito: D - DO MÉRITO (...) X) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA REQUISITOS EXCLUSIVOS: ARTS. 9° E 14 DO CTN - ATENDIMENTO O Impugnante afirma terem sido atendidos os requisitos previstos nos artigos 9° e 14 do CTN, para o gozo da imunidade tributária, conforme o quadro a seguir: 9° - É vedado â União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV - cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capitulo 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I - não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; Estatuto social de 13.03.2017 (anexo) Art 1°. O INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTÃO EM SAÚDE - INSAÚDE, identificado de entidade daqui por diante, atual denominação do Hospital da Santa Casa Jesus Maria Jose ..é associação civil de direito privado, sem fins lucrativos com sedesocial Relatório fiscal, pág. 12: Para o período sob fiscalização, possui CEBAS com validade até 12/2020. Estatuto social de 13.03.2017 Fl. 51663DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 89 Ari. 34. É proibida a remuneração dos membros da Diretoria Estatutária e do Conselho Fiscal e a distribuição direta ou indireta de lucros, dividendos, bonificações, resultados, vantagens, divisão de parcelas do patrimônio ou qualquer outra vantagem, em qualqer hipótese, inclusive em razão de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou membro da entidade, a quem quer que seja. Relatório fiscal, pág. 12: Para o período sob fiscalização, possui CEBAS com validade até 12/2020- Cita julgados relativos à demonstração do atendimento dos requisitos legais e conclui que as afirmações fiscais não se sustentam. Alega em seguida que as Organizações Sociais não se caracterizam como explicitado no Relatório Fiscal e que a entidade alcançou o percentual de atendimento ao SUS, para concessão do CEBAS: XI) TERCEIRO SETOR - SAÚDE - DISTORÇÃO SOBRE ORGANIZAÇÃO SOCIAL E CÔMPUTO DO ATENDIMENTO NO PERCENTUAL SUS PARA O CEBAS 105. Organização Social não é exatamente o que consta no relatório fiscal. (... ) 111. Feitos os esclarecimentos, argumente-se que qualquer menção à inconstitucionalidade da lei federal 9.637/98 (lei das Organizações Sociais) está superada e não merece maiores comentários, porque o STF já reconheceu a sua constitucionalidade no julgamento da ADI 1923/2015 e conferiu interpretação conforme a Constituição Federal. 112. Os fiscais referem que o art. 18, lei 9.637/98 é o típico caso no qual não pode prejudicar a OS, sem qualquer relação com o que escrevia antes e o que escreveu depois, ou seja, está inserido sem qualquer contexto que justifique, pois, o artigo 18 em questão trata exclusivamente da hipótese de absorção pela OS de atividade de entidade federal da saúde extinta e cujo contrato de gestão deve considerar os princípios do SUS. 113. Afirmam que o INSAÚDE não possui majoritariamente unidades próprias, mas que administra unidades públicas de saúde, que por isso é remunerada e, segundo a ótica deles, não é a entidade "quem está atendendo pelo SUS". 114. Não há o menor cabimento em nenhuma das afirmações, com a devida vênia. 115. O contrato de gestão é firmado entre o Poder Público e a entidade qualificada como organização social (art. 5°, lei 9.637/98), logo, ainda que exista "uma unidade sob contrato de gestão" (utilizando-se do termo empregado pelos fiscais), é porque esta unidade é, no aspecto físico e patrimonial, do Poder Público. 116. Os leitos do SUS oriundos do contrato de gestão podem ser incorporados, no limite 10% - art. 22, parágrafo único, Decreto 8.242/14 -, na contagem para o Fl. 51664DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 90 alcance do percentual mínimo estabelecido na lei (60%), por força do art. 4*, § 2°, da lei 12.101/09, justamente porque não são internações e atendimentos ambulatoriais oriundos de unidade de saúde da "própria" OS (no aspecto físico e patrimonial). Ou seja, não pode o INSAÚDE (e nenhuma entidade no país) computar todos os leitos SUS oriundos dos contratos de gestão que seja signatário para efeitos de preenchimento do requisito de 60% de oferta de prestação do SUS (como quer fazer crer o fiscal). Está esclarecido, portanto, o grande equívoco da fiscalização. 117. E tem mais, r. Julgador. NÃO EXISTIU E NÃO EXISTE PAGAMENTO ao INSAÚDE ou a qualquer outra entidade, pois não há prestação de serviços com a contraprestação por ele (remuneração), há sim parceria estabelecida mediante o contrato de gestão, oriundo da sua qualificação como organização social. 118. A lei 9.637/98, que é modelo da legislação estadual e municipal pelo país afora, dispõe sobre o fomento (e não pagamento) da seguinte forma: (... ) 119. A lei dispõe claramente sobre a natureza jurídica da verba pública que será repassada: fomento. 120. Salta aos olhos que os repasses financeiros oriundos do contrato de gestão têm natureza jurídica de fomento, de custeio das unidades de saúde. E, novamente, cita-se o r. Min. Luiz Fux sobre este tema na obra já referida: A finalidade de fomento, no caso das organizações sociais, é posta em prática pela cessão de recursos, bens e pessoal da Administração Pública para as entidades privadas, após a celebração de contrato de gestão. Este mesmo contrato de gestão, por outro lado, será o instrumento consensual que viabilizará o direcionamento, pelo Poder Público, da atuação do particular em consonância com o interesse público, através da inserção de metas e de resultados a serem alcançados, em uma versão branda da conhecida regulação, temperada pelo princípio da consensualidade e pela participação dos administrados. 121. Observe-se, r. Julgador, que, a unidade de saúde é pública e o ente público signatário do contrato de gestão tem a obrigação constitucional de prover e de custear o funcionamento delas com base nas diretrizes (carta de serviços/perfil assistencial) que ele estabelece e que está desenhado no Plano de Trabalho e no próprio contrato de gestão. 122. O professor Paulo Modesto define que:(... ) 123. Desta forma, não são todos os atendimentos do SUS oriundos dos contratos de gestão que podem e são computados para o alcance dos 60% para a renovação do CEBAS, apenas mínima parte, pois a maior parte é da própria entidade fiscalizada. E não há pagamento à OS. 124. A gestão objeto do contrato a ser firmado com o Poder Público permitirá que a OS, conforme a sua missão específica (saúde, educação, pesquisa científica etc.) traga o seu know-how para a parceira que será estabelecida. Fl. 51665DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 91 125. Consta no relatório fiscal decisão em agravo de instrumento n. 5000097- 43.2012.404.0000/RS) antiga, desatualizada (de 2012), que versava apenas sobre a concessão de tutela antecipada, portanto, não era sentença, não era acórdão, não há informação de trânsito em julgado e que é imprestável para o fim que se pretende dar, sem se olvidar que decisão no RE 566.662 (já abordada nesta peça) se sobrepõe à decisão indicada pela fiscalização. 126. Outro equívoco em relação aos contratos de gestão (instrumento jurídico firmado entre a OS e o ente público) diz respeito à afirmação de que o INSAÚDE é "empresa de cessão de mão de obra" e apresentou-se para tentar subsidiar a equivocada afirmação alguns processos seletivos abertos (págs. 184 a 186 do relatório fiscal) disponibilizados no site da entidade. 127. Para cada contrato de gestão a OS (qualquer OS no país, não apenas o INSAÚDE) tem que contratar recursos humanos para a unidade que gerirá e, obviamente, para tanto, tem que dar publicidade ao processo seletivo e uma das formas para isso se concretizar é a publicação no site dele. Esses profissionais serão seus empregados, serão por ele dirigidos e assalariados. E, evidentemente, não guarda nenhuma relação ou similaridade com empresa de cessão de mão de obra que não é nem nunca foi a atividade fim do INSAÚDE, conforme se lê no estatuto social. O Impugnante argui, em seguida, a inexistência das infrações relatadas: XII) DA INEXISTÊNCIA DAS INFRAÇÕES RELATADAS Alega nunca ter sido remunerado por ser membro do Conselho de Administração, destacando ser o ônus da prova, no caso, da Fiscalização, que dele não se desincumbiu. Cita doutrina. Discorre acerca da imputação que lhe foi feita, conforme trechos abaixo copiados: XIII) DA IMPUTAÇÃO FEITA EM FACE DO IMPUGNANTE 134. Consta no relatório fiscal (p. 52 e 58) específico aos diretores no item 10.1: (... ) 135. O impugnante nunca foi diretor do INSAÚDE, muito menos a sua sócia Silvana Aparecida Grando Pasquarelli. Acerca das diretorias estatutária e executiva há tabelas nas págs. 48, 310 e 311 do relatório fiscal. Portanto, ao impugnante não se aplica tal item. 136. Nada obstante, é imperioso registrar no que toca ao "salário inflado" que teria havido, não indicaram os fiscais qual seria e o motivo de tal afirmação. Ou seja, sem qualquer especificidade (salário de quem) e muito menos embasamento (qual pesquisa séria de mercado). 137. Ao constar no combatido item do relatório fiscal que "Serviços estes muitas vezes não comprovados", é porque outros tantos serviços ERAM comprovados. Fl. 51666DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 92 Quais serviços e de quem foram comprovados e não comprovados? Qual o critério utilizado para se concluir que uns serviços foram comprovados e outros não foram? Isso não consta no relatório fiscal! 138. Ora, r. Julgador, tudo isso influi de maneira crucial na defesa do impugnante, pois diante das acusações genéricas, imprecisas e lacônicas há claro impedimento do exercício da ampla defesa e do contraditório! 139. Crível dizer que o direito de liberdade profissional garante a qualquer profissional habilitado o exercício da profissão com direito a receber a justa retribuição e firmar com o seu contratante vínculo jurídico que melhor aprouver a ambos. 140. Veja-se que até mesmo o dirigente estatutário não está impedido de receber remuneração, desde que seja por serviço profissional prestado distinto do exercício do cargo que ocupa, conforme permite a lei 12.868/18 (ART. 23-A) 141. Ou seja, desde que receba remuneração pelo serviço prestado e não pela função exercida como diretor estatutário. 142. Essa é a interpretação conferida pelo próprio Ministério da Previdência e Assistência Social ao art. 55, IV da Lei n° 8.212/91, como se depreende do Parecer CJ n° 639/96, da Consultoria daquele órgão, segundo o qual "não implica desatenção ao art. 14 do CTN o fato de serem remunerados professores da entidade pelo exercício das funções de magistério - observados os critérios de tempo de serviço, habilitação e especialização de cada um -, ainda que integrem a diretoria, não percebendo, como diretores, qualquer remuneração, sob pena de afronta ao princípio da liberdade constitucional de profissão". 143. E também em outras decisões ora invocadas por analogia: (... ) 144. Especificamente em relação ao impugnante, consta no documento fiscal que há responsabilidade solidária porque: (... ) 145. São situações jurídicas absolutamente distintas, uma é a prestação de serviços da Diretriz ao INSAÚDE e a outra é o período em que o impugnante foi membro do Conselho de Administração, inclusive com atividades distintas. 146. A empresa Diretriz é especializada nos serviços de administração, de operação, entre outros, voltados à área da saúde e terceiro setor, tendo em vista, especialmente, a expertise do seu sócio, ora impugnante, motivo pelo qual foi contratada pelo INSAÚDE. 147. Foi desenvolvido importante trabalho pela Diretriz, por intermédio do ora impugnante, na área operacional, como: (i) estruturação do roteiro e base de informações necessárias para elaboração dos projetos técnicos que seriam apresentados nos chamamentos públicos, (ii) avaliação de projetos técnicos e Fl. 51667DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 93 ajustes à realidade local, (iii) implantação do projeto técnico, de estruturação dos processos que seriam utilizados na gestão das UPA's, hospitais, ambulatórios, dentre outras unidades de saúde, como: orçamento-programa, plano de ação conforme responsabilidades do contrato de gestão, controles de metas qualitativas e quantitativas do contrato de gestão, perfil dos executivos, pesquisa de satisfação dos usuários, plano de contas contábil ajustado às rubricas dos contratos de gestão, (iv) participação na seleção dos diretores das unidades de saúde, (v) orientação as principais diretrizes contratuais (relação jurídica INSAÚDE e seu contratante), (vi) supervisionar o desempenho do contrato de gestão no que toca à equipe de gestão e (vii) propositura de mudanças na equipe de gestão na hipótese de o desempenho não estiver a contento; (viii) promover a maximização dos resultados e a melhoria contínua da gestão e da assistência ao paciente; (ix) coordenação da preparação de relatórios de análise de desempenho: orçamento, relatório de atividades e cumprimento de metas; (x) coordenação para elaboração e a gestão do plano estratégico e programa de qualidade de cada contrato, garantindo o atingimento de metas; (xii) orientação no cumprimento das instruções e normas institucionais; (xiii) indicar as estratégias de gestão e desenvolvimento na área de operações; (xiv) coordenação da operacionalização de todas as ações necessárias ao encerramento dos contratos, transferindo formalmente às diversas áreas da sede do INSAÚDE as atividades remanescentes; (xv) orientação aos diretores das unidades de saúde; (xvi) participação na elaboração de diversos processos de qualificação do INSAÚDE como Organização Social de Saúde para Estados e Municípios, o que resultou em aproximadamente 35 títulos em âmbito nacional. 148. Junta-se com esta peça inúmeros e-mails que comprovam as atividades rotineiras, diárias, dos serviços prestados pela empresa Diretriz na operação dos contratos de gestão e apoio às diretorias e à presidência e que não guardam nenhuma relação com as atribuições como membro do Conselho de Administração. Repita-se: nenhuma! 149. Pelas diversas atividades desenvolvidas pela Diretriz, por intermédio da pessoa do impugnante, é que foi devidamente remunerada. 150. As robustas provas documentais da prestação dos serviços que são ora apresentadas não são as únicas, pois há provas testemunhais à medida em que a execução dos serviços também se dava por rotineiras ligações telefônicas para os diretores das unidades geridas e mensagens por WhatsApp, além do comparecimento diário do impugnante no INSAÚDE, como também há relatórios de viagens para visitas nas unidades administradas para reuniões com os gestores e análise da prestação de serviços (estes últimos em poder da entidade). 151. E tem mais, r. Julgador. O período que o impugnante compôs os Conselhos de Administração da entidade e do específico para o município de São Paulo É INFERIOR AO PERÍODO DOS TRIBUTOS COBRADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 51668DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 94 152. A seguir o período que ele compôs o Conselho de Administração da entidade, extraído do relatório fiscal, p. 59, qual seja, de 02.08.2016 a 09.05.2017: (...) 153. E o período que compôs o Conselho de Administração para o município de São Paulo, extraído do relatório fiscal, p. 60, qual seja, de 02.08.2016 a 09.05.2017: (... ) 154. Para ficar bem claro o descompasso dos períodos em que a fiscalização impôs responsabilidade solidária ao impugnante (2017 e 2018) e o período em que ele fez parte dos Conselhos de Administração (4 meses e 8 dias em 2017), apresenta-se a seguinte tabela: (... ) 155. Em 2017 o impugnante compôs os Conselhos de Administração do INSAÚDE por apenas 4 meses e 8 dias e pela concomitância da prestação de serviços da empresa Diretriz no mesmo período, a fiscalização impôs o pagamento de TODOS OS TRIBUTOS DOS ANOS INTEIROS DE 2017 E DE 2018! Conduta ilegal e inconstitucional que fica veementemente rechaçada. 156. E sobre o Conselho de Administração para o município de São Paulo, esclareça-se que ele foi criado para atender as exigências do ente público para qualificar o INSAÚDE como Organização Social da Saúde (OSS) e, assim, viabilizar a participação em chamamento público quando houver. 157. Pois bem, o impugnante passou a integrar o Conselho em 02.08.2016, mas a qualificação do INSAÚDE como OSS ocorreu somente em 03.06.2017, quando o impugnante já não era mais membro do referido Conselho porque dele se desligou em 09.05.2017, como consta no relatório fiscal na p. 60. 158. Leia-se no site do município de São Paulo os dados da qualificação do INSAÚDE como OSS (https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/governo/gestao/ coordenacao_de_parcerias_com_o_terceiro_setor__copats/cents/index.php?p=1 3 87 7). (...) Data da Qualificação: 03/06/2017 159. Significa dizer, r. Julgador, que o Conselho de Administração para o município de São Paulo existiu apenas formalmente durante o período em que o impugnante foi seu membro, com vistas à qualificação do INSAÚDE como OSS, tanto é que a qualificação só aconteceu após a saída do impugnante do referido Conselho, de modo que NUNCA EXERCEU NENHUMA ATIVIDADE NESTE CONSELHO. 160. Portanto, uma vez que o impugnante prestava serviços ao INSAÚDE por intermédio da sua empresa Diretriz, não é admissível que ela (Diretriz) deixasse de Fl. 51669DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 95 receber remuneração, pelo que, resta impugnada a motivação da fiscalização porque o valor recebido foi em virtude do serviço prestado que não tem nenhuma relação com as atividades específicas de membro do Conselho de Administração. 161. As demais empresas referidas na fiscalização não dizem respeito ao impugnante, pelo que, não tem condições nenhuma de abordá-las. 162. Por fim, constata-se que os fiscais DESVIARAM totalmente o foco da fiscalização, que é a prestação de serviços regulares do impugante, por sua empresa Diretriz, para o INSAÚDE, e trouxeram fatos ESTRANHOS relacionados à prestação de serviços da Diretriz e do impugnante à outra entidade, a Pró-Saúde. Isso nada mais é do que a prova de que os fiscais não tinham o que atacar, não tinham o que alegar ou apontar e foram buscar outra relação jurídica para trazer para esta autuação para acrescentar mais páginas ao extenso relatório fiscal sem o menor nexo de causalidade. 163. Nada mais violador do princípio e garantia do devido processo legal assegurados na Constituição Federal! Os fiscais apresentaram das págs. 68 a 79 do relatório fiscal, documentos da relação havida entre a Diretriz e a Pró-Saúde como se fossem da relação jurídica havida entre a Diretriz e o INSAÚDE. Que conduta desesperada da fiscalização e que fica veementemente rechaçada! 164. Aqui o processo é do INSAÚDE do qual o impugnante é apontado como solidário e não da Pró-Saúde que tem o processo fiscal específico. 165. Portanto, os fatos descritos neste capítulo não revertem em nenhuma conduta ilegal que afete o impugnante, pelo que, não houve falseamento de contratação de serviços, não houve pagamento sem causa e, por consequência, não houve falseamento de lançamentos contábeis e muito menos vulnerabilidade do patrimônio da instituição. O Impugnante alega então não ser sujeito passivo do lançamento: XIV) O IMPUGNANTE NÃO É SUJEITO PASSIVO Discorre acerca dos institutos da responsabilidade e da solidariedade, afirmando sua diferença e citando doutrina. Alega que nunca esteve vinculado ao fato gerador das contribuições lançadas, uma vez que este é a remuneração paga a empregados e contribuintes individuais, os quais nunca foram por ele contratados. Conclui que, considerando a inexistência de vínculo ao fato gerador das exações, não lhe cabe nenhuma responsabilidade tributária, porque não é sujeito passivo nem por solidariedade. Afirma, sem seguida, a impossibilidade da solidariedade prevista no art. 124, II, e 135, III, ambos do CTN: XV) DA IMPOSSIBILIDADE DA SOLIDARIEDADE - ARTS. 124, II e 135, III, CTN Fl. 51670DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 96 Destaca, neste ponto, que a solidariedade prevista no art. 124, II, do CTN decorre de lei, mas que, além dela, deve haver vinculação ao fato gerador, nos termos do art. 128 do CTN. Afirma não possuir nenhuma vinculação aos fatos geradores das exações constantes dos AI. Entende que caberia à Fiscalização indicar a lei que impõe a sujeição passiva dos sócios de pessoas jurídicas prestadoras de serviços à entidade, o que não fez. Considera haver por isso cerceamento de defesa e improcedência do AI. Lembra que a Lei n° 8.620, de 1993, que impunha a responsabilidade solidária dos sócios da sociedade limitada por débitos previdenciários foi declarada inconstitucional pelo STF. Atesta que, de outro lado, o art. 135, III, CTN, também não tem aplicação ao caso concreto. Cita doutrina e destaca que a regra é a não responsabilização, premissa que deve ser observada. Alega que, para haver a responsabilização dos indicados pelo dispositivo legal, é necessário a prática de atos de gestão junto ao INSAUDE, os quais nunca foram praticados pelo Impugnante, ainda menos com infração à lei ou ao estatuto, com dolo ou fraude. Aduz que os fiscais não apresentaram a subsunção dos fatos à norma no que tange ao excesso de poder, à infração de lei ou estatuto nem o permissivo legal para que um infrator responda por ato de outro infrator. Diz que vê uma autuação com valor expressivo, sem sequer haver inadimplência do INSAÚDE e que, ainda que fosse esse o caso, não seria possível a responsabilização solidária do Impugnante. Conclui ser incabível o enquadramento no art. 135, I e II do CTN; que o Impugnante não se adequa a nenhum dos incisos do art. 134 do CTN; e que nunca foi mandatário, preposto ou empregado do INSAÚDE. No tópico seguinte "XVI) DA REPRESENTAÇÃO POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA", o Impugnante contesta a Representação emitida e destaca o disposto no art. 19 da LIA (Lei de Improbidade Administrativa), que define como crime a representação por ato de improbidade contra agente público ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente. Passa a contestar a Representação Fiscal para Fins Penais emitida, sob o título "XVII) DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS", e afirma que o Impugnante não praticou nenhum ato ilegal ou criminoso. Impugna a multa qualificada, sob o título "XVIII) MULTA QUALIFICADA", alegando não haver que se falar em multa duplicada, por não restarem configurados os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Reforça não haver demonstração da Fl. 51671DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 97 intenção de não recolhimento de tributos, os quais não foram adimplidos porque o INSAÚDE é entidade imune. Requer por isso a redução da multa, caso seja mantida a autuação. Ao fim, afirma que provará o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos e pede a nulidade ou a improcedência dos Autos de Infração. 3.3. IMPUGNAÇÃO DE SILVANA PASQUARELLI Às fls. 49568 foi juntada a peça de SILVANA PASQUARELLI, que se refere a "Recurso" relativo ao processo 15746.722390/2021-69, o qual trata de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. SILVANA PASQUARELLI foi cientificada do lançamento em 11/11/2021 (AR, fls. 49724) e apresentou a impugnação de fls. 48795, juntada em 06/12/2021, arguindo sua tempestividade, considerando a ciência da autuação em 10/11/2021. Inicialmente, a Impugnante ressalta o teor do lançamento fiscal e afirma serem distintas as imputações contidas no Termo de Sujeição Passiva Solidária e no Demonstrativo de Responsáveis Tributários do Auto de Infração. Rechaça todas as alegações contidas nos Autos de Infração, Relatório Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária. Em seguida, apresenta preliminares, arguindo a nulidade da autuação, nos mesmos termos da impugnação de RONALDO PASQUARELLI, conforme subtítulos a seguir: I) AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO FISCAL; II) AUSÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA; III) ENQUADRAMENTO LEGAL DIVERSO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INDICADA; IV) ILEGITIMIDADE ATIVA - INCOMPETÊNCIA DOS FISCAIS PARA DISCUSSÃO DO DIREITO AO CEBAS; V) VIOLAÇÃO DE JULGADO DO STF COM REPERCUSSÃO GERAL e VII) JUNTADA INCOMPLETA DE DOCUMENTOS ESSENCIAIS. Alega ainda a ilegitimidade passiva da Impugnante e discorre sobre a administração da entidade, nos termos abaixo copiados: VI) ADMINISTRAÇÃO DA ENTIDADE - FALTA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS - ILEGITIMIDADE PASSIVA DA IMPUGNANTE 55. A impugnante é parte ilegítima para compor o polo passivo e responder solidariamente por eventuais créditos tributários lançados nos autos de infração, conforme será visto nos itens a seguir. 56. O INSAÚDE é administrado pelos órgãos referidos no art. 13, do seu Estatuto Social vigente no período fiscalizado (2017 e 2018), bem como no art. 23 do mesmo documento, de acordo com as atribuições delimitadas no próprio documento estatutário. Fl. 51672DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 98 57. Em nenhum momento dispõe o estatuto social que prestador de serviços cuja relação jurídica foi estabelecida por intermédio da pessoa jurídica Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar, na qual a impugnante é sócia com Ronaldo Pasquarelli, deva responder pela entidade. 58. A impugnante, apesar de ser sócia da empresa Diretriz, não prestou serviços ao INSAÚDE por intermédio da referida empresa, vez que eles foram prestados exclusivamente pelo sócio Ronaldo Pasquarelli, na área operacional. 59. Ronaldo Pasquarelli, inclusive, é também responsável solidário nesta autuação e se defenderá. 60. Assim é que todos os pagamentos feitos pelo INSAÚDE à Diretriz decorreram das atividades desenvolvidas pelo sócio Ronaldo Pasquarelli que comparecia diariamente na entidade. Tais atividades desenvolvidas por ele não tinham nenhuma relação com as atividades específicas do Conselho de Administração. 61. A pessoa jurídica DIRETRIZ ADMINISTRAÇÃO E CONSULTORIA HOSPITALAR não se confunde com a pessoa física da sua sócia, ora impugnante. 62. Os fiscais incluíram a impugnante como responsável solidário pelo simples fato de que é sócia de uma empresa que prestou serviços ao INSAÚDE concomitantemente a parte do período em que foi membro do Conselho de Administração no ano de 2017. 63. A impugnante NUNCA recebeu nenhum valor por intermédio da empresa que é sócia, Diretriz, por ter sido membro do Conselho de Administração. Nunca! 64. Pelo exposto, a impugnante não é legítima para responder de forma solidária com o INSAÚDE perante a Receita Federal e a sua exclusão é medida de Direito e de Justiça, pelo que, requer-se seja a mesma retirada do polo passivo da autuação. A Impugnante passa ao mérito e segue com as mesmas alegações da impugnação de RONALDO PASQUARELLI, conforme subtítulos a seguir: VIII) OBJETIVO DA FISCALIZAÇÃO; IX) IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - REQUISITOS EXCLUSIVOS: ART. 9° E 14 DO CTN - ATENDIMENTO; X) TERCEIRO SETOR - SAÚDE - DISTORÇÃO SOBRE ORGANIZAÇÃO SOCIAL E CÔMPUTO DO ATENDIMENTO SUS PARA O CEBAS; XI) DA INEXISTÊNCIA DAS INFRAÇÕES RELATADAS. Insurge-se contra a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, nos subtítulos a seguir: XII) DA IMPUTAÇÃO FEITA EM FACE DO IMPUGNANTE; XIII) A IMPUGNANTE NÃO É SUJEITO PASSIVO, E XIV) A IMPOSSIBILIDADE DE SOLIDARIEDADE. Além de apresentar as mesmas alegações da impugnação de RONALDO PASQUARELLI, a Impugnante repisa serem distintas as situações jurídicas de prestação de serviços ao INSAUDE pela DIRETRIZ Fl. 51673DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 99 e pelo sócio RONALDO PASQUARELLI, e as atribuições da Impugnante no período em que foi membro do Conselho de Administração. Nesse sentido, aduz que compôs o Conselho de Administração da entidade em período inferior ao período dos tributos cobrados no Auto de Infração, isto é, fez parte do Conselho Geral até 22/09/2017 e do Conselho do Município de São Paulo Geral até 30/11/2017. Explica que o Conselho do Município de São Paulo existiu apenas formalmente durante o período em que a Impugnante foi seu membro, com vistas à qualificação do INSAÚDE como OSS, e que nunca exerceu nenhuma atividade neste conselho. Contesta, com as mesmas alegações da impugnação de RONALDO PASQUARELLI, a utilização de prova emprestada e conclui que os fatos descritos no Relatório Fiscal não caracterizam conduta ilegal que afete a Impugnante, não tendo havido falseamento de contratação de serviços, pagamento sem causa, nem falseamento de lançamentos contábeis ou vulnerabilidade do patrimônio da instituição. Insurge-se contra a Representação por Improbidade Administrativa e a Representação Fiscal para Fins Penais, mencionadas no Relatório Fiscal. Contesta a multa qualificada. Por fim, apresenta seus pedidos, requerendo a produção de todos os meios de prova, o reconhecimento das nulidades do Auto de Infração ou, se superadas, a improcedência do lançamento. 3.4. IMPUGNAÇÃO DE CARLOS JOSÉ MASSARENTI CARLOS JOSÉ MASSARENTI foi cientificado do lançamento em 23/02/2022 (AR, fls. 49721). Esse sujeito passivo apresentou a peça de defesa de fls. 49094, em 06/12/2021, relativa às contribuições previdenciárias. Inicialmente, argui a tempestividade da impugnação, considerando a ciência da autuação em 10/11/2021. Apresenta, em síntese, as mesmas alegações das impugnações de RONALDO PASQUARELLI E SILVANA PASQUARELLI quanto a preliminares, ao mérito, à Representação por Improbidade Administrativa e à Representação Fiscal para Fins Penais. Repisa serem distintos os termos da responsabilidade tributária que lhe foi atribuída no Termo de Sujeição Passiva Solidária e no Demonstrativo de Responsáveis Tributários e rechaça todas as alegações contidas nos Autos de Infração, Relatório Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária. Apresenta preliminares, nos mesmos termos já relatados. Alega que as condutas indicadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária, no seu "contexto" são diferentes das indicadas no Auto de Infração Contribuição Fl. 51674DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 100 Previdenciária Patronal, no tópico "Motivação", o que prejudica seu direito de defesa e enseja a nulidade da autuação. Aduz ser parte ilegítima para compor o polo passivo e responder solidariamente pelos créditos lançados. Afirma ter sido vice-presidente da entidade em parte do período fiscalizado, visto seu desligamento do quadro de associados em 29/01/2018, conforme documento que junta, de modo que a data constante da p. 310 do Relatório Fiscal, de 28/02/2018, está equivocada. Explica que o INSAÚDE é administrado pelos órgãos referidos no art. 13 do estatuto social vigente no período fiscalizado (2017 e 2018), sendo que a vice- presidência compõe a diretoria, que é um desses órgãos. Alerta que as atribuições do vice-presidente estão delimitadas no parágrafo único do art. 24 do referido estatuto social e que o Impugnante nunca substituiu o Presidente nem o auxiliou no desempenho de suas tarefas, por não ter sido requisitado. Argui que, mesmo que tivesse executado alguma atividade, seria necessário mais para poder justificar a sua inclusão no polo passivo da autuação. Discorre acerca dos diretores estatutários, que têm sua responsabilidade prevista na Lei n° 6.404, de 1976 e no CTN. Cita o art. 158 da Lei n° 6.404, de 1976, e diz que o diretor estatutário não é responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de sua gestão, e que somente responde civilmente pelos prejuízos que causar se agir com culpa ou dolo. Aponta que, na mesma linha, o art. 135, III, do CTN, prevê a responsabilidade dos diretores, gerentes ou representantes da companhia por créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto social. Destaca que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) não tem aceitado como "infração de lei" a falta de recolhimento de impostos. Aduz que, se o diretor ou dirigente Estatutário agiu dentro dos limites legais, com toda a diligência possível, não é responsável pelos passivos e obrigações da companhia, e que essa é a hipótese do caso concreto. Cita julgados do CARF. Conclui não ter legitimidade para responder de forma solidária com o INSAÚDE perante a Receita Federal e requer a sua exclusão do polo passivo da autuação. Aduz que, em relação a si, consta no documento fiscal que há responsabilidade solidária porque: 18.3 Selecionados os DIRETORES ESTATUTÁRIOS em exercício durante parte ou a totalidade do Fl. 51675DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 101 período fiscalizado (2017 e 2018) por prática de excesso de poderes ou infração à lei, contratos sociais ou estatutos. Destaca que a atuação do vice-presidente, conforme determina o estatuto social, somente se daria no caso de substituição do Presidente e ou auxílio no desempenho de suas tarefas, o que não ocorreu. Aduz que a Fiscalização não trouxe, no relatório fiscal, nenhuma conduta ou fato sobre a atuação do Impugnante nessas hipóteses. Repisa que a Fiscalização não indicou de forma individualizada qual conduta prevista no estatuto social o Impugnante, no exercício do cargo de Vice- Presidente, substituindo ou auxiliando o Presidente, teria caracterizado excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatuto social. Destaca que não contratou nem participou da contratação de nenhuma das empresas referidas no Relatório Fiscal. Destaca ainda que o período em que o Impugnante foi vice-presidente é inferior ao período dos tributos cobrados na autuação, uma vez que deixou o cargo em 29/01/2018, pelo que não pode responder por todo o período de apuração. Ao fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova, requer o reconhecimento das nulidades apontadas ou, alternativamente, a improcedência da autuação. Em 15/03/2022, CARLOS JOSE MASSARENTI apresentou a petição de fls. 49709, afirmando ter apresentado impugnação ao lançamento em 03/12/2021 e, não obstante, ter recebido da RFB, em 23/02/2022, o Termo de Sujeição Passiva Solidária somente em relação às contribuições previdenciárias patronais (que já havia sido enviado com as autuações), além de "pen drive" com cópia do processo, anterior às impugnações apresentadas. Argui que esses documentos deveriam ter sido disponibilizados anteriormente, a fim de permitir sua ampla defesa e o contraditório, já que o interessado não teve acesso ao processo. Afirma não ter sido encaminhado junto a esses documentos nenhum ofício explicativo nem notificação de ciência. Registra o ocorrido, ratifica as impugnações e requer cópia do processo. 3.5. IMPUGNAÇÃO DE FERNANDO DOS SANTOS SILVA Às fls. 49326, foi juntada a impugnação de FERNANDO DOS SANTOS SILVA, de 14/12/2021, contra o lançamento de contrições previdenciárias patronais. A ciência do lançamento se deu por via postal em 10/11/2021 (fls. 48316). A peça contestatória apresenta os mesmos termos da impugnação apresentada por INSAUDE e outros sujeitos passivos, já relatados no item 3.1 acima. 3.6 IMPUGNAÇÃO DE WALTER SOUZA PINTO Fl. 51676DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 102 Às fls. 49407, foi juntada a impugnação de WALTER SOUZA PINTO, com solicitação de juntada de 15/12/2021, contra o lançamento de contrições previdenciárias patronais. A ciência do lançamento se deu por via postal em 23/02/2022 (fls. 49720). A peça contestatória apresenta os mesmos termos da impugnação apresentada por INSAUDE e outros sujeitos passivos, já relatados no item 3.1 acima. 3.7 IMPUGNAÇÃO DE MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO foi cientificado do lançamento por edital em 02/12/2021 (fls. 49728), após devolução da correspondência enviada em 09/11/2021 (fls. 48320). Em 01/02/2022, foi solicitada a juntada da impugnação desse sujeito passivo, fls. 49587. Ao relatar os fatos, o Impugnante diz ter sido incluído indevidamente no polo passivo do lançamento, visto que, à época da apuração fiscal, era empregado celetista da organização social e atuava unicamente como gestor hospitalar, um cargo essencialmente técnico, sem participar da gestão administrativa, financeira ou fiscal da INSAÚDE. Diz que foi a ele atribuída responsabilidade pessoal (e não solidária) pelo crédito apurado, já que o fundamento é o art. 135 do CTN. Assevera que a autoridade fiscal não especificou as condutas delituosas que teriam sido por ele praticadas, caracterizadas como prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei. Destaca que, além de não haver comprovação da prática de qualquer tipo de infração tributária, o Impugnante não faz parte do rol de acusados de recebimento de vantagens indevidas, não incidindo nas infrações ao artigo 14, inciso I, do CTN, ou ao artigo 29, incisos I e V, da Lei 12.101, de 2009, vigente à época dos fatos. Diante disso, argui que, independentemente do desfecho da autuação em relação ao mérito, as cobranças devem ser anuladas e canceladas em relação ao Impugnante, tendo em vista que a sua condição de suposto responsável tributário não se justifica. Em seguida, como preliminar, alega a nulidade da intimação por edital e o cerceamento de defesa, citando jurisprudência do CARF: DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO POR EDITAL E O CERCEAMENTO DE DEFESA - JURISPRUDÊNCIA CARF Inicialmente cumpre esclarecer que o Impugnante teve conhecimento da lavratura dos autos de infração, assim como sobre a sua responsabilização Fl. 51677DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 103 passiva, no dia 28/12/2021, ao acessar a sua Caixa Postal do e-CAC da RFB (Doc. 01). Na ocasião, a Caixa Postal continha uma mensagem pendente de leitura, enviada no dia 17/11/2021, que tinha por objetivo avisar o Impugnante a respeito da publicação de edital eletrônico, o Edital n° 011528024, com instruções para acesso em página própria da RFB: (...) Como o acesso e leitura da referida mensagem ficam registrados, é possível visualizar que a primeira leitura [da mensagem enviada em 17/11/2021] foi efetuada apenas em 28/12/2021, conforme abaixo: (... ) Para a sua surpresa, ao acessar o aludido edital (Doc. 02) o Impugnante tomou conhecimento do encerramento de ação fiscal, assim como da lavratura de autos de infração no bojo do processo administrativo n° 15746-722.252/2021-80: (...) Como o edital foi publicado em 17/11/2021, constou do documento que a ciência tácita do Impugnante ocorreria em 15 (quinze) dias, precisamente no dia 02/12/2021. Ocorre que referida intimação por edital se deu de forma indevida, contrariando a legislação processual, visto que não houve a diligência necessária para o correto cumprimento do procedimento de intimação, na forma estabelecida no artigo 23 do Decreto 70.235/1972. (... ) O Impugnante é pessoa física que sempre transmitiu, regular e tempestivamente, as respectivas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF), informando o endereço de sua residência, que há anos permanece o mesmo: Rua Vicente Lazzari, 77, Bairro Jardim Princesa, CEP 02856-000, São Paulo/SP. Isso se confirma pela informação constante de suas declarações de ajuste apresentadas desde o ano-calendário de 2011, disponíveis para consulta no e-CAC da RFB (Docs. 03 a 12). Não obstante o seu endereço seja certo, o Impugnante não tem conhecimento de que a RFB tenha tentado efetuar a sua intimação postal, tampouco se escusou de receber quaisquer correspondências oficiais em sua residência. Aliás, o Impugnante não tinha sequer conhecimento do processo investigativo, já que não trabalhava mais na INSAÚDE desde o 2018 e, conforme será abordado oportunamente, nunca foi chamado a participar do processo administrativo, como parte ou interessado. (... ) Como não poderia deixar de ser, a jurisprudência do CARF é firme no sentido de que a intimação por edital é nula quando não comprovado motivo justo para adoção desta hipótese residual, sendo que a mera devolução do AR, quando negativo, não se mostra como motivação suficiente, mas mero indício de irregularidade: (... ) Fl. 51678DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 104 Dessa forma, considerando que o Impugnante foi efetivamente intimado da lavratura dos Auto de Infração - por meio eletrônico, ao acessar a sua Caixa Postal do eCAC da RFB - no dia 28/12/2021 (terça-feira), o termo inicial para contagem do prazo se deu no primeiro dia útil subsequente, em 29/12/2021 (quarta-feira), de maneira que o prazo final para apresentação da sua defesa corresponde ao dia 27/01/2022 (quinta-feira), o que releva a sua tempestividade. Considerando a data da ciência em 28/12/2021, alega a tempestividade da impugnação apresentada. Afirma, em seguida, a sua legitimidade para apresentação da impugnação, por ter sido contra si lavrado Termo de Responsabilidade Solidária, com base nos artigos 9°, II, e 58, II, da Lei 9.784, de 1999, bem como em atendimento à Súmula 71 do CARF. Ainda em sede de preliminar, assinala que sua defesa visa apenas questionar a legalidade e legitimidade da imputação de responsabilidade pessoal ao Impugnante pelos débitos do INSAUDE, associação da qual foi empregado entre agosto/2017 e setembro/2018, e não discutir o mérito das autuações fiscais, nem se o INSAUDE faz jus ou não à imunidade das contribuições previdenciárias ou à renovação e manutenção do CEBAS. Sob o tópico "Do Direito", argui a nulidade dos autos de infração por falta de intimação do Impugnante no curso da fiscalização. Discorre acerca da responsabilidade tributária e apresenta considerações sobre a responsabilidade de terceiros. Contesta a responsabilidade tributária pessoal a ele atribuída e discorre sobre a acusação de excesso de poderes. Afirma ter sido contratado pelo INSAUDE como empregado, gestor hospitalar, no período de 28/08/2017 a 28/09/2018, e que, como tal, tinha as seguintes atribuições, todos essencialmente técnicas: - visitas às unidades de saúde, acompanhando os projetos administrados pela INSAÚDE; - coleta de dados das unidades de saúde para reporte ao seu superior imediato, o Diretor de Operações, com informações sobre quantidade e tipo de atendimentos; plantões médicos; materiais e medicamentos utilizados; equipamentos etc.; . - elaboração de relatórios administrativos com os dados coletados, reportando os resultados ao Diretor de Operações Alega que, apesar de responsável por parte importante da administração hospitalar, jamais gozou de poderes de gestão ou administração na INSAÚDE, atendo-se unicamente a atividades operacionais. Fl. 51679DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 105 Aduz que não participou da gestão administrativa ou financeira da INSAÚDE nem quando era contratado como administrador hospitalar, durante o período de agosto a dezembro de 2017, nem durante os meses de janeiro a setembro de 2018, enquanto exerceu o encargo para o qual foi convidado e promovido de Diretor de Operações. Argui que, no período em que permaneceu contratado como Diretor de Operações da INSAÚDE, suas atribuições eram as seguintes: - análise dos relatórios assistenciais elaborados pelos diretores das unidades de saúde, de modo verificar se as metas de atendimento estavam sendo devidamente cumpridas; - visitas às unidades de saúde, com o intuito de supervisionar as estruturas físicas, os protocolos de atendimentos assistenciais, os controles de estoques e demais procedimentos administrativos pertinentes; - suporte aos diretores e gerentes das unidades de saúde, no caso de qualquer eventualidade relacionada à rotina da administração hospitalar. Assevera que a base do trabalho fiscal é a acusação de pagamentos da INSAÚDE para a própria diretoria executiva, na forma de pessoas jurídicas titularizadas pelos diretores, pagamentos de serviços contratados e não comprovados, as quais não alcançam o Impugnante. Destaca que a Autoridade Fiscal se baseou em presunções, estabelecidas unicamente a partir de uma prova indiciária, que é o nome do cargo desempenhado pelo Impugnante durante parte do ano de 2018 (Diretor de Operações), o que não comprova a acusação fiscal. Afirma que admitir a utilização isolada de indícios, sem provas, é um atentado à segurança jurídica e ao art. 142 do CTN, visto que o lançamento fiscal goza de presunção de legitimidade, mas isso não dispensa o fisco do dever legal de fazer prova da sua materialidade. Pontua que a ausência de provas para demonstrar as alegações de fraude e conluio maculam o lançamento, que carece de motivação justa. Argui que, em se tratando de processo administrativo tributário, que deve obediência à verdade material dos fatos, indícios não são autossuficientes e que, embora seja possível realizar lançamentos tributários com base em provas indiciárias, o procedimento somente pode ser utilizado excepcionalmente, limitando a presunção de certeza do lançamento. Alega que o lançamento com base em meros indícios inverte o ônus da prova contra contribuinte, o qual pode então retirar sua força acusatória. O Impugnante diz que muito já se discutiu a respeito da utilização de provas indiciárias em matéria tributária e que o CARF já definiu que a prova indiciária Fl. 51680DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 106 deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, conforme julgados que cita. Afirma que não bastam suspeitas ou fatos isolados que revelem "indícios", cabendo ao Fisco provar a ocorrência do fato indiciário, o que não ocorreu no presente caso. Reitera que, em sua atuação na entidade, sempre trabalhou sob o regime celetista, inclusive com subordinação, recebendo salários fixos, o que foge ao fundamento principal da autuação (contratações e pagamentos indevidos a pessoas jurídicas). Assevera que, não tendo sido apontada qualquer conduta do Impugnante que, durante os anos de 2017 e 2018, pudessem representar ou configurar excesso de poderes, não há fundamento para a atribuição de responsabilidade solidária. Tudo isso, portanto, desautoriza a acusação da prática de atos com excesso de poderes, o que invalida, sob este prisma, a autuação com relação ao Impugnante. O Impugnante discorre em seguida acerca da acusação de infração à lei. Nesse sentido, alega que as ilicitudes identificadas em relação às pessoas físicas arroladas como responsáveis, incluindo o Impugnante, foram tipificadas como improbidade administrativa e crimes de sonegação, apropriação indébita e fraude fiscal e que, adicionalmente, a Fiscalização também apontou infringência a dispositivos legais que estabelecem requisitos para fruição de incentivos fiscais por Organizações Sociais. Argui que, ao assim proceder, a autoridade fiscal encerrou mais uma causa de nulidade da autuação, na medida em que não é possível estabelecer, ao menos em relação ao Impugnante, uma suposta infração à lei como causa de responsabilidade pessoal tributária. Isso porque as normas penais tidas como violadas não atraem a aplicação do artigo 135 do CTN, uma vez que o dispositivo se refere apenas à legislação societária, civil e comercial, conforme doutrina que cita. Argui que, ainda que fosse possível admitir a infração à legislação penal como justificativa para suposta "infração de lei" do art. 135 do CTN, de forma a atrair a responsabilidade pessoal prevista no artigo 135 do CTN, seria imperiosa a constituição definitiva do crédito tributário, a teor da Súmula Vinculante n° 24 do STF. A respeito do assunto, aduz o seguinte: A autoridade fiscal até poderia, em tese, acusar o Impugnante da prática de um crime contra a ordem tributária; no entanto, jamais poderia utilizar esta acusação - enquanto não confirmado o lançamento tributário - para fundamentar a sua responsabilização pessoal por suposta "infração de lei". Os verbos da sentença anterior estão flexionados no futuro do pretérito porque, primeiro, não compete à autoridade fiscal a acusação da prática de crimes, e sim Fl. 51681DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 107 às autoridades policiais e ao Ministério Público. Em segundo lugar, por completa ausência do elemento objetivo do tipo penal para caracterização da suposta infração penal. No crime de sonegação fiscal, o elemento objetivo do tipo penal consiste em prestar declarações falsas ou omitir, total ou parcialmente, informações com a intenção de eximir-se do pagamento de tributos; inserir elementos inexatos ou omitir rendimentos ou operações, com a intenção de exonerar-se do pagamento de tributos; alterar documentos comerciais ou fiscais; dentre outros. No crime de fraude, o elemento objetivo do tipo penal consiste na fraude por conta da inserção de elementos inexatos ou omissão de operações em documentos fiscais. Da análise dos autos de infração, no entanto, não se identifica que qualquer desses atos possa ter sido praticado pessoalmente pelo Impugnante ou a seu mando. Os tribunais são unânimes em decidir que as infrações à legislação tributária nem sempre estão associadas à infração à lei penal. Os contribuintes podem cometer erros. Nem sempre toda a supressão de tributo é dolosa ou criminosa19. O objetivo desse argumento não é direcionar holofotes aos demais membros da Diretoria, ou mesmo do Conselho de Administração da época, diluindo ou pulverizando responsabilidades (papel que caberia à Fiscalização, mas não foi desempenhado adequadamente), e sim demonstrar que o Impugnante, exercendo as funções de administrador hospitalar, mesmo que sob a designação de Diretor de Operações em determinado período, não percebeu - nem era capaz de influenciar - quaisquer das vantagens financeiras apontadas no relatório fiscal. Frise-se ainda que todas as irregularidades ora apontadas em relação ao lançamento decorrem, em maior ou menor grau, tanto da ausência de individualização das condutas que teriam sido praticadas pelo Impugnante, como da falta de apresentação de qualquer prova concreta, além de meros indíciosfirmados em razão do cargo que ocupava, de ação ou omissão dolosa que pudesse implicar a prática de fraudes tributárias Ao agir dessa forma, a Fiscalização também ofendeu a regra contida no artigo 128 do CTN, segundo a qual a transferência de responsabilidade a terceiros depende da vinculação destes com o fato gerador da respectiva obrigação. Pelos mesmos motivos, a D. Autoridade Fiscal também contrariou a orientação do Parecer Normativo COSIT n° 4/2018, que estabelece que a imputação de responsabilidade a terceiros necessita da comprovação de um ato doloso, ativo e consciente, com o intuito de cometer o ato ilícito, não sendo cabível a responsabilização em face de conduta omissiva ou não comprovada. O Impugnante conclui este ponto, afirmando que a atribuição da responsabilidade pessoal calcada na acusação de cometimento de atos com excesso de poderes, ou atos de infração à lei, cujas condutas não foram discriminadas nem comprovadas, carece de validade por todos os argumentos apresentados. Fl. 51682DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 108 Considera por isso ser ilegal a imputação de responsabilidade pessoal ao Impugnante pelos créditos lançados. Em tópico seguinte, o Impugnante destaca o julgamento do REsp n° 1101728, recurso repetitivo, e o disposto na Súmula 430 do STJ, segundo a qual o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Destaca ainda a Lei n° 13.874, de 2019, nomeada de "Declaração de Direitos de Liberdade Econômica" e afirma que essa lei veio ressaltar que a má-fé das pessoas físicas deve ser comprovada, para fins de responsabilização solidária, o que não ocorreu no presente caso. Ao fim, apresenta seus pedidos: requer a nulidade da intimação realizada por edital; o reconhecimento da tempestividade da impugnação; a nulidade do termo de responsabilização do Impugnante e a nulidade dos Autos de Infração ou, alternativamente, a improcedência do lançamento, especialmente em relação ao Impugnante. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em particular, pela juntada de novos documentos e pela conversão do julgamento em diligência. 3.8. IMPUGNAÇÃO DE ANIS GHATTAS MITRI FILHO ANIS GHATTAS MITRI FILHO foi cientificado do lançamento em 10/11/2021 (AR, fls. 48313). Às fls. 50043 foi juntada a impugnação de ANIS GHATTAS MITRI FILHO. Conforme informação do sistema e-processo, o documento foi juntado originalmente em outro processo em 16/12/2021, e copiado a esses autos em 07/04/2022. Inicialmente, o Impugnante alega a tempestividade da impugnação. Nesse sentido, alega ter sido cientificado do TSPS em 10/11/2021 e protocolizado sua defesa em 09/12/2021, dentro do prazo previsto no art. 5° do Decreto n° 70.235, de 1972. Descreve uma "Síntese do Termo" e diz que as razões fiscais não merecem acolhida, por serem desprovidas de legalidade e fundamentos fáticos e ou jurídicos. Apresenta as seguintes alegações preliminares: ALEGAÇÕES PRELIMINARES 1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO CERCEAMENTO DE DEFESA De início, alega a nulidade do Auto de Infração e do TSPS, pois lastreados em procedimento de fiscalização realizado contra o INSAUDE. Fl. 51683DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 109 Cita o art. 5°, LV, da CR/88 e diz que a Autoridade Fiscal não intimou o Impugnante a prestar esclarecimentos, justificar suas condutas e apresentar documentos no curso do procedimento fiscal, o que cerceou seu direito à ampla defesa. Alega que a Autoridade Fiscal utilizou documentos relacionados a procedimentos fiscais e processos judiciais cautelares, ainda em trâmite em primeira instância e sem decisão, e relatórios de auditoria com ressalva, emitidos em períodos em que o Impugnante não prestava serviços ao INSAUDE, pelo que são por ele desconhecidos, os quais, além disso, não foram anexados ao Relatório Fiscal e não possuem relação com o Impugnante. Aduz que a prova emprestada só é válida se for integralmente disponibilizada e se houver pertinência temática com o procedimento de fiscalização, desde que garantido o direito de defesa. Cita julgado do CARF. Repisa que a nulidade do Auto de Infração reside no fato de que tais documentos deveriam ter sido juntados em sua integralidade ao Relatório Fiscal e que o interessado deveria ter sido intimado a sobre eles se manifestar, o que não ocorreu. Cita outro julgado do CARF e apresenta exemplos de nulidade da autuação: o processo cautelar mencionado pela Autoridade Administrativa que tramita em segredo de justiça e do qual o Impugnante não tem conhecimento; as informações de processos movidos em face da Pro-Saúde, com a qual o Impugnante nunca teve relação; a decisão proferida pelo TRF4 no Agravo de Instrumento n° 5000097-43.2012.4.04.0000, da qual é parte a Pro-Saúde; alegações de fraude pautadas em procedimentos fiscais de terceiros, alheios e estranhos ao procedimento junto ao INSAUDE, dos quais o Impugnante não tem conhecimento; opinião do Ministério Público Federal no sentido do afastamento da imunidade, sem menção à fonte processual e à circunstância em que a opinião foi emitida; trechos de relatórios de auditoria independente, aos quais o Impugnante não teve acesso e relativos a períodos anteriores ao seu período de atuação junto à entidade. Destaca que a Auditoria se limita a mencionar somente trechos das provas emprestadas que davam suporte ao seu entendimento, o que fere o princípio da moralidade administrativa e a imparcialidade na apuração dos fatos. Afirma que, em razão da nulidade do TDPF (relatório fiscal), não há base para a lavratura do Auto de Infração ou do Termo de Sujeição Passiva, ante a ausência de clareza do conjunto probatório, pelo que deve ser reconhecida a nulidade desses atos. E continua a impugnação, sob o título abaixo: 2. AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE PARA FIGURAR COMO PARTE NO PROCESSO Fl. 51684DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 110 Neste ponto, o Impugnante diz que foi considerado responsável solidário do INSAUDE sob a justificativa de que permaneceu como Diretor Técnico no período de apuração fiscal, de 2017 a 2018, o que não ocorreu, visto que sua contratação se deu somente em 06/02/2018, conforme documento que anexa (Doc.4 - contrato). Aduz que o Diretor Técnico Médico não deve ser confundido com o Diretor Executivo, cujas atribuições estão estabelecidas no estatuto social (Doc. 07), como fez a Autoridade Fiscal no item 10.10.3 do Relatório Fiscal. Destaca que a própria lei define o que se deve entender por diretor técnico, não sendo cabível a confusão fiscal. Esclarece que o Diretor Técnico é um médico contratado pela Direção Geral da instituição e por ela remunerado, para assessorá-la em assuntos técnicos, sendo responsável pelo exercício ético da medicina no estabelecimento, tanto perante o Conselho quando perante a Lei. Diz que o Diretor Técnico tem como incumbência, além de assegurar condições adequadas de trabalho e os meios para uma boa prática médica, supervisionar e coordenar os serviços técnicos desenvolvidos no estabelecimento de saúde, além de observar o cumprimento das normas em vigor, devendo, ainda, assegurar o funcionamento pleno e autônomo das Comissões de Ética Médica da instituição. Ressalta que, nos termos do artigo 28 do Decreto n° 20.931, de 1932, a existência do cargo de diretor técnico é obrigatória em qualquer organização hospitalar ou de assistência médica, sendo ele o principal responsável pelo funcionamento da instituição, nos termos do artigo 11 da Resolução CFM n° 997/80. Aduz ser cristalina a diferença entre diretoria executiva e diretor técnico, que não podem ser confundidos, como fez a Auditoria. Afirma juntar cópia do CRM do Impugnante, bem como o termo de responsabilidade técnica, expedido pelo CREMESP (Doc. 05 - Termo de Responsabilidade Técnica). Frisa não haver ingerência sobre o INSAUDE, pelo que não pode ser responsabilizado pelas decisões tomadas em períodos anteriores à sua contratação, nem após a sua contratação, visto que o exercício pessoal de diretoria técnica não se confunde com as atribuições dos cargos de dirigentes do INSAÚDE. Entende que manter o Impugnante no polo passivo do lançamento é exigir que ele responda com seu patrimônio, antes do lançamento definitivo, declarando a efetiva existência dos débitos fiscais do INSAÚDE, decorrentes da cassação da imunidade tributária da entidade, por uma suposta infração à lei dos efetivos gestores. Cita julgado. Fl. 51685DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 111 Diz que o posicionamento do STJ é pacífico no sentido de que, para redirecionamento da responsabilidade tributária, é necessária a prática de atos de gestão na época dos fatos geradores. Repisa que, no caso, o Impugnante não praticou qualquer ato de gestão administrativa, quanto mais com excesso de poder ou infração à lei, pois não possuía tais poderes, especialmente no período de apuração (2017 e 2018) e nunca participou como Diretor, Sócio, Conselheiro, ou de qualquer outra forma, dos quadros da entidade, além de ter sido contratado apenas em 06/02/2018. Conclui que deve ser reconhecida a sua ilegitimidade para figurar no polo passivo do processo administrativo, vez que no período compreendido, o Impugnante figurou apenas como diretor técnico, e nunca figurou como diretor estatutário e não-estatutário da entidade, assim entendido, diretor, sócio, conselheiro, instituidor ou benfeitor. Acresce que a Autoridade Fiscal não se desincumbiu do ônus de provar que o Impugnante agiu com excesso de poderes, infração a lei, estatuto ou contrato, pois não comprovou que ele, ainda que fora do período de apuração, fazia parte dos quadros de gestão, possuía poderes de administração da entidade, ou mesmo uma procuração. No Mérito, afirma o que vem abaixo: DO MÉRITO (... ) Situação 1) IMPUGNANTE na qualidade de ÚNICO SÓCIO da empresa DERMACOR SAÚDE E MEDICINA HOSPITALAR LTDA, inscrita no Ministério da Fazenda sob o CNPJ 20.226.804/0001-10 (Item 10.10.1 e subitens correlatos seguintes páginas 120 - do Relatório Fiscal - TPDF). No que se refere a alegação do Auditor-Fiscal que o IMPUGNANTE é ÚNICO sócio da empresa DERMACOR, não assiste qualquer razão ao fisco nesse ponto. Desde a sua constituição, no ano de 2014, a empresa possui como sócios o Impugnante e a sócia ANA CAROLINA DE OLIVEIRA, conforme se depreende da Certidão da JUCESP (Doc. 6 - Certidão da JUCESP). Se não bastasse isso, para justificar a vinculação do IMPUGNANTE nos enquadramentos estampados no Auto de Infração, o Auditor Fiscal cria uma teoria por evidente absurda, para não dizer fantasiosa acerca do amplo espectro de atuação da DERMACOR. Senão vejamos. A empresa possui amplo espectro de atuação, pois possui objetivos sociais correlatos e relacionados a fim de cumprir seus objetivos sociais, o que se torna irrelevante para fins de fiscalização e do próprio Auto de Infração. Irrelevante, ainda, dentro do conjunto probatório. Fl. 51686DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 112 Não se pode olvidar que o Fisco venha a tecer esse julgamento antecipado, ante a uma apuração unilateral, a partir de documentos inseridos em TDPF, do qual o IMPUGNANTE nem sequer participou e teve seu direito de defesa garantido, para esclarecer e elucidar suas razões. Estamos diante de uma presunção de que o Auditor Fiscal entende a fundo o dia a dia da DERMACOR. Não menos importante e no mesmo sentido, é a alegação fiscal, constante do subitem 10.10.7 - página 124 - do TDPF, que assim menciona: 10.10.7 Como as declarações em GFIP 2017, 2018 e 2019 da DERMACOR não contêm outros segurados que não o próprio sócio ANIS GHATTAS MITRI FILHO, revela-se logicamente impossível a prestação de serviço a tantos tomadores simultâneos conforme os pagamentos declarados em DIRF revelam: De imediato, lançamos mão da máxima que a competência e o poder de tributar, aliados aos princípios constitucionais que regem os atos administrativos, em especial a legalidade (ampla e estrita), impessoalidade e a razoabilidade, NÃO PERMITEM À AUTORIDADE ADMINISTRATIVA TAL JUÍZO SUBJETIVO DE VALOR DIANTE DA SUA ATUAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA, e sem ao menos realizar sequer uma diligência para entender a estrutura operacional da empresa. Por outro giro, presume fatos que desconhece em alegações, que com o devido respeito, são falaciosas e presunçosas, pelos simples fatos que verificou que a GFIP dos anos: 2017, 2018 e 2019, não contém outros segurados, revelando que ao IMPUGNANTE e sua sócia seria impossível a prestação dos serviços. Tais presunções e alegações devem ser afastadas de imediato, uma vez que extrapolam os limites da legalidade, moralidade, da competência, ou seja, o fisco, nesse caso específico, agiu com total abuso de poder. Não corroboram e não coadunam com o Auto de Infração de responsabilidade solidária, uma vez que não comprovam a prática de atos de gestão executiva frente ao INSAÚDE, a prática de atos em nome do INSAÚDE na qualidade de diretor, sócio, benfeitor ou Instituidor, nem mesmo o interesse jurídico no fato gerador. Pelo contrário, comprovam que o IMPUGNANTE, como diretor técnico médico, é completamente desvinculado da administração do INSAÚDE, sem explicitar qualquer confusão patrimonial. Evidenciado pela própria Autoridade Fiscal, que ao analisar a DIRF da DERMACOR, demonstrou que a empresa presta serviços a outras entidades, basta a verificação de documentos juntados as fls. 125 a 129, Notas Fiscais e Relatórios de serviços prestados a Laboratórios. 2$ Situação) Pagamentos feitos a pessoa física dissimulados por Pessoa Jurídica (subitens 10.10.4 a 10.106. - página 124 - TDPF): De início, não se tem a compreensão correta da alegação do Auditor Fiscal, pois confusa em sua materialidade. Senão vejamos. Fl. 51687DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 113 10.10.4 Como bem sedimentado, diretores são pessoas físicas que desempenham com pessoalidade as suas funções profissionais, sendo enquadrados como segurados empregados ou contribuintes individuais de acordo com as circunstâncias fáticas. Ao efetuar os pagamentos por meio de contas de pessoas jurídicas a INSAÚDE sonega contribuição previdenciária descontada de segurado, imposto de renda retido na fonte, incorre em falsidade em declarações diversas tais como GFIP e DIRF além de falsear os registros contábeis envolvidos. Explícita também a confusão patrimonial estabelecida entre pessoa jurídica e pessoa física. Não se consegue saber se a alegação se refere aos dirigentes executivos do INSAÚDE ou à contratação do Diretor Técnico Médico. Trataremos ambos os temas. No caso em tela, a contratação do IMPUGNANTE ocorreu por intermédio da empresa DERMACOR, para realização de serviços especializados em consultoria médica, inclusive para fins de designar o sócio para ser o Diretor Técnico Médico - Responsável Técnico junto ao CREMESP. Tal contratação não representa sonegação, já que se trata de trabalho intelectual. O trabalho intelectual, diferente do trabalho braçal, é aquele em que a pessoa tem um conhecimento diferenciado, dotado de cultura científica ou artística, e que, por meio de uma técnica ou ciência, emprega conhecimentos específicos para a realização de uma determinada atividade. No presente caso, o IMPUGNANTE, desempenhava a função de Diretor Técnico Médico, ou seja, era o responsável pelo funcionamento dos estabelecimentos de saúde, bem como a supervisão e coordenação de todos os serviços técnicos do estabelecimento, que a ele ficam subordinados hierarquicamente. A Resolução CFM n° 2.147/2016 estabelece normas sobre a responsabilidade, atribuições e direitos de Diretores Técnicos, e o §3° do art. 2° da mesma Resolução (n°2.147/2016), disciplina os deveres do diretor técnico, senão vejamos: (...) Desta forma, é nítido a prestação de serviço de caráter intelectual, e com isso, não há que se falar em pagamento feito a pessoa física dissimulado a pessoa jurídica, já que é habitual esta contratação e inclusive aceita pelo CRM, sem qualquer pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e/ou subordinação, sendo exigido nestes casos que os profissionais estejam obrigatoriamente inscritos no CRM, sendo que no caso do responsável técnico da Instituição, este responde pela legalidade da execução dos serviços e regula a atividade médica naquele local, sendo que nenhum dos serviços prestados se equiparam a gestão da Entidade INSAÚDE. Nesse sentido o artigo 129 da Lei n. 11.196/2005 estabelece que: (...) Fl. 51688DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 114 Além disso, o STF, em julgamento virtual iniciado no dia 19/06/20 e finalizado em 21/12/2020, no âmbito da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) 66, declarou que é constitucional a possibilidade de serviços de natureza intelectual, seja em caráter personalíssimo ou não, se darem mediante a constituição de uma PJ pelo trabalhador, já que não se trata de precarização ou "pejotização" das relações de trabalho, mas de respeitar o direito do prestador de serviço de optar pelo regime tributário e previdenciário que melhor lhe convier. Por fim, ressalta-se que apenas a justiça do trabalho pode decidir se houve ou não vínculo empregatício no presente caso, onde avaliariam-se os requisitos que caracterizam a relação de emprego. Ademais, não há na legislação penal qualquer óbice a contratação de Responsabilidade técnica através de pessoa jurídica. No caso em tela, a DERMACOR para cumprimento de seus objetivos deve possuir como atividade a responsabilidade técnica para prestar o serviço de PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECÍFICOS DE DIRETORIA TÉCNICA MÉDICA E SERVIÇOS (A PARTIR DE 06/02/2018) TÉCNICOS ESPECIALIZADOS DE CONSULTORIA MÉDICA, ESPECIFICAÇÃO E ADEQUAÇÃO DOS PROTOCOLOS MÉDICOS NOS PROJETOS DO CONTRIBUINTE - INSAÚDE. Repisamos, para emissão do certificado do CREMESP foi apresentado o contrato social da DERMACOR e referido certificado foi devidamente expedido, conforme já mencionado em parágrafos anteriores. Por fim, não menos importante, o Auditor Fiscal menciona o processo cautelar de busca e apreensão de documentos n° 0009976-87.2017.8.26.0114, determinado para cumprimento no INSAÚDE, o qual não foi anexado ao relatório fiscal e TDPF, e não foi disponibilizado ao IMPUGNANTE, nem comprovado pela autoridade fiscal a vinculação através dos documentos apreendidos ou seja, estranhos ao IMPUGNANTE e por ele desconhecido, e dos quais, além de não terem sido anexados ao Relatório Fiscal, não possuem qualquer relação com o IMPUGNANTE, uma vez que não faz e nunca fez parte dos quadros de gestão executiva do INSAÚDE. Vale repisar novamente, tal prova, ainda que houvesse, não foi objeto do contraditório e ampla defesa em sua fase de apuração no TDPF, sendo assim, nula de pleno direito, conforme já demonstramos exaustivamente. Protestamos pelo não-acolhimento da tese fazendária, requerendo que seja a presente impugnação acolhida, pois o IMPUGNANTE não dilapidou o patrimônio da entidade INSAÚDE, não sonegou, não falseou, ou praticou qualquer ato que visasse lesão a entidade e/ou ao poder público, como pretende fazer crer o Auditor Fiscal. Dito isto, atacaremos algumas questões de natureza estritamente jurídicas. Fl. 51689DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 115 No que tange a responsabilidade tributária solidária de terceiros, já tratada por nós por ocasião do tópico da ilegitimidade de parte do IMPUGNANTE. Assim, trataremos especificamente da solidariedade em matéria tributária, a qual não deve ser confundida com a responsabilidade de terceiros do artigo 135, do CTN, com a respectiva pertinência ao tema aqui tratado. Situação 4) Da Responsabilidade Solidária (art. 124. do CTN): (...) No caso em tela, pretende forçadamente o auditor fiscal, fazer crer que o IMPUGNANTE atuou diretamente na situação que constitui o fato gerador, pelo descumprimento dos requisitos estabelecidos no artigo 29, da lei 12.101/2009, e por conseguinte levou a cassação da imunidade tributária, fato este que não ocorreu, pois tão somente atuou como Diretor Técnico Médico, prestando serviços (a partir de 06/02/2018) técnicos especializados de consultoria médica, especificação e adequação dos protocolos médicos nos projetos do Contribuinte - INSAÚDE. Esclarece-se que, o IMPUGNANTE nunca fez parte da administração propriamente dita da entidade INSAÚDE, seja como diretor, conselheiro, sócio, instituidor ou benfeitor, e sua contratação ocorreu em 06/02/201 8, sendo que o período de apuração tributária, conforme o TDPF compreendeu os anos-calendário de 201 7 e 201 8, ou seja, não há como atrelar ao IMPUGNANTE à situação comum que constitui o fato gerador, visto que: 1o) NO PERÍODO DE 01/01/2017 A 01/02/2018, NÃO POSSUÍA QUALQUER VÍNCULO COM A ENTIDADE; 2°) A CONTRATAÇÃO DA EMPRESA DERMACOR, FOI REALIZADA DE FORMA LÍCITA, PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECÍFICOS DE DIRETORIA TÉCNICA MÉDICA E SERVIÇOS (A PARTIR DE 06/02/2018) TÉCNICOS ESPECIALIZADOS DE CONSULTORIA MÉDICA, ESPECIFICAÇÃO E ADEQUAÇÃO DOS PROTOCOLOS MÉDICOS NOS PROJETOS DO CONTRIBUINTE - INSAÚDE Assim, não possui, como de fato nunca possuiu, qualquer ingerência de gestão na entidade INSAÚDE ou dela participou. O interesse comum é o jurídico, que o IMPUGNANTE não possuía, visto que não estava nos quadros de dirigente ou conselho da entidade, assim não há falar em pagamento de remuneração simulado ou em fraude, ou excesso de poder, ou infração a lei, estatuto ou contrato. O inciso I do artigo 29, da lei 12.101/2009, é expresso em fixar que para entidades filantrópicas, como é o caso do INSAÚDE, os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, ou sejam, seus dirigentes podem ser remunerados, desde que: -atuem efetivamente na gestão executiva; -estabeleça os limites máximos pelos valores de mercado; -e que sejam fixados pelo órgão de deliberação superior da entidade. Fl. 51690DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 116 O IMPUGNANTE não pode ser responsabilizado (interesse comum) e ter para si transferida a responsabilidade pelo cumprimento dos requisitos legais para imunidade, se não participava da gestão da entidade. Pretender de outra forma, é entender e interpretar o inciso I, do artigo 124, de forma irrestrita e ilimitada, o que compromete a segurança jurídica, extrapolando o poder de tributar, limitado por cláusulas constitucionais pétreas. Sem prejuízo, a expressão, como já dito, "interesse comum" é, em si, vaga (e, por conseguinte, abrangente). Para tanto, o Auditor Fiscal deveria interpretá-la a luz de outros comandos normativos: a) o art. 50, do Código Civil, que trata dos requisitos para desconsideração da personalidade jurídica; Aparentemente, no caso em tela, é pertinente afirmar que estamos diante de uma desconsideração da personalidade jurídica da entidade INSAÚDE, o que não se pode olvidar. Segundo o entendimento do Auditor Fiscal, a entidade INSAÚDE, seus empregados, prepostos, e prestadores de serviços geraram confusão patrimonial a partir de um suposto pagamento de remuneração e distribuição de renda a dirigentes, por intermédio de pessoas jurídica, as quais algumas delas tinham como sócios pessoas ligadas a gestão da entidade. Tal confusão alçou voo indistinto nas atribuições e individualidade de personalidade jurídicas de entidades devidamente constituídas e com objetos estritamente delimitados, açabarcando, em entendimento equivocado da Autoridade Administrativa, a compreensão dos conceitos do que é o responsável técnico (diretor técnico) e o conceito de diretor executivo, na qualidade de representante e administrador da entidade. O IMPUGNANTE foi contratado para desenvolver os trabalhos de responsabilidade técnica, bem como, serviços (a partir de 06/02/2018) técnicos especializados de consultoria médica, especificação e adequação dos protocolos médicos nos projetos do contribuinte - INSAÚDE. Assim, não deve ser qualquer interesse comum que esteja apto a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. Nessa mesma linha, o mero interesse econômico, SEM COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO COM O FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária. Nesse sentido, o CARF (... ) A fundamentação cristalina do acórdão, VAI DE ENCONTRO EXATAMENTE AO ALEGADO PELO IMPUGNANTE, AO QUE VEM DEFENDENDO NESTE PETITÓRIO, VEZ QUE A AUTORIDADE FISCAL NÃO COMPROVA DE FORMA CABAL SUA RELAÇÃO E Fl. 51691DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 117 INTERESSE JURÍDICO DIRETA E PESSOAL, pois não contribuiu para o suposto descumprimento dos requisitos constitucionais e legais para gozo e fruição da imunidade, acarretando sua cassação, tampouco, participou ou contribuiu para falsear ou simular atos, a fim de dilapidar o patrimônio da entidade INSAÜDE, em fraude a lei, estatuto ou contrato, bem como agiu com excesso de poderes, uma vez que, por não ser dirigente da entidade INSAÚDE (na qualidade de diretor, sócio, conselheiro, instituidor ou benfeitor), não os tinha para fins de praticar qualquer ato em nome do INSAÚDE, e pretender que sua atuação como Diretor Técnico Médico o faça, é por evidente absurdo, como já exaustivamente esclarecemos. Diante disso, resulta comprovada a ausência de responsabilidade solidária, seja direta por práticas de atos em fraude a lei, estatuto ou contrato, ou com excesso de poderes, seja de forma indireta, como prestador de serviços, ante a ausência do cometimento de atos lícito ou ilícitos como demonstramos, ante a confusão de conceitos perpetrada pelo Auditor Fiscal Ao fim, requer a desconstituição do Auto de Infração em relação ao Impugnante, em razão das nulidades ou da improcedência apontadas. 3.9. IMPUGNAÇÃO DE WALDOMIRO MONFORTE PAZIM WALDOMIRO MONFORTE PAZIM foi cientificado do lançamento em 10/11/2021 (AR, fls. 48321) e apresentou a impugnação de fls. 50106 em 10/12/2021. O Impugnante afirma a tempestividade de sua defesa, considerando ter sido protocolizada em 09/12/2021 e a ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 10/11/2021. Descreve uma "Síntese do Termo" e diz que as razões fiscais não merecem acolhida, por serem desprovidas de legalidade e fundamentos fáticos e ou jurídicos. A impugnação contém várias alegações comuns à impugnação de ANIS GHATTAS MITRI FILHO. Como preliminar, alega nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa e a ilegitimidade passiva do Impugnante. Os argumentos relativos ao cerceamento de defesa são os mesmos da impugnação de ANIS GHATTAS MITRI FILHO, relatados no item 3.8 acima. Da mesma forma, alguns dos argumentos relativos à ilegitimidade passiva do Impugnante também estão presentes na impugnação de ANIS GHATTAS MITRI FILHO. Fl. 51692DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 118 Além desses, o Impugnante alega que a Autoridade Fiscal pretende lhe imputar responsabilidade solidária, sob a justificativa de que ele teria permanecido como membro do Conselho de Administração no período do lançamento, o que não ocorreu, visto que o Impugnante permaneceu nesse Conselho apenas de 28/06/2018 a 02/08/2016, como atestado pela própria Auditoria, no item 10.9.3 do Relatório Fiscal. No mérito, o Impugnante argui que, de acordo com o Relatório Fiscal, no período de apuração, o Impugnante teria recebido pagamentos na qualidade de Diretor da INSAUDE, através de duas empresas interpostas, quais sejam, ID Vida Identificação Informação e Monitoramento Ltda e a WMP Consult EIRELI, o que configuraria a responsabilidade tributária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto. No mérito, aduz o que vem abaixo: DO MÉRITO (...) Posto isso, dividiremos o mérito por pontos para melhor compreensão do tema, nos moldes adotados pelo Auditor Fiscal responsável pelo procedimento, porém em uma ordem cronológica. Situação 1) IMPUGNANTE na qualidade de Sócio da empresa ID Vida identificação, Informação e Monitoramento Ltda - CNPJ n° 7.441.818/0001-13 (Item 10.9.1 ao Item 10.9.6 - páginas 107 a 112 do Relatório Fiscal - TPDF): No que se refere a alegação do Auditor-Fiscal que o IMPUGNANTE foi sócio da empresa ID Vida, resultou claro sua comprovação. O IMPUGNANTE integrou os quadros societários da empresa ID Vida no período de 20/12/2005 a 03/03/2015. Retirou-se da sociedade ID Vida na data mencionada (03/03/2015) uma vez que, conforme acordo entre o IMPUGNANTE e o seu sócio na época, decidiram conjuntamente a não mais prestar serviços de consultoria em gestão e administração hospitalar. Assim, o ID Vida, a partir da saída do sócio Waldomiro, ora IMPUGNANTE, e por decisão de seus novos gestores-sócios, decidiram somente prestar serviços de tecnologia de desenvolvimento e licenciamento de programas de computador não-customizáveis e serviços correlatos que compõe os objetos sociais da empresa, dos quais o IMPUGNANTE não possuía expertise. Assim, retirou-se da sociedade. Ocorre, todavia, que para justificar a vinculação do IMPUGNANTE como Membro do Conselho de Administração e da empresa ID Vida, o Auditor Fiscal cria uma teoria por evidente absurda, para não dizer fantasiosa. Senão vejamos. Fl. 51693DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 119 Alega que, a empresa ID Vida prestou serviços a empresa terceira Cirúrgica Fernandes, estranha a relação com Waldomiro, o qual o próprio IMPUGNANTE desconhecia tal relação comercial, eis que havia se retirado da sociedade. A empresa Cirúrgica Fernandes, conforme consulta em sua página web e consulta ao Cartão do CNPJ, presta serviços a milhares de hospitais, clínicas e laboratórios, pois é fornecedora de materiais médico-hospitalares, o que é perfeitamente normal para o presente caso. Ademais, não há como afirmar quais serviços foram prestados pelo ID Vida à Cirúrgica Fernandes, pois o IMPUGNANTE, como dito, desconhecia a relação comercial entre as empresas, uma vez que já havia se retirado dos quadros sociais e não participava mais da gestão do ID Vida, há mais de 2 anos. Assim, a autoridade fiscal deveria se ater a provar que a empresa ID Vida repassou valores ao IMPUGNANTE, que de fato representassem valores referentes ao exercício do trabalho de gestão, enquanto compôs os Quadros Sociais como Membro do Conselho de Administração, por aproximadamente 1 mês (26/06/2016 a 02/08/2016), o qual não ocorreu. O Auditor Fiscal tão somente juntou Notas Fiscais emitidas pelo ID Vida ao INSAUDE, mencionando que tais documentos fiscais foram emitidos nos anos de 2016 e 2017, porém, não certifica a data exata dos documentos fiscais. Não bastasse isso, a Autoridade Fiscal, ainda, alude a seis alterações no objeto social da empresa ID Vida, e assim tece a seguinte afirmação por ocasião da juntada da figura 10-42 - página 109 do relatório e TDPF, conforme print abaixo: (... ) Nota-se que, a afirmação do Auditor Fiscal é contundente no sentido que a alteração do objeto social foi realizada em 18/01/2016, período que o ID Vida prestou serviços ao INSAUDE, ou seja, seis meses antes do IMPUGNANTE compor por aproximadamente 1 mês o Conselho de Administração. Por fim, vale destacar que, em consulta a página web do ID Vida, o IMPUGNANTE pode notar que a empresa ID VIDA continua a atuar com monitoramento e sensoriamento (tecnologia em desenvolvimento e licenciamento de computadores não customizáveis) para o setor de saúde, entre outros, e que não é incomum essa empresa prestar serviços ao INSAUDE e a Cirúrgica Fernandes, entre outras. Diante disso, não merece acolhimento a teoria fazendária de que a ID Vida serviu de simulacro para falsear ou desviar dinheiro, pelo simples fato IMPUGNANTE ter sido sócio da sociedade empresária no período de 2005 a 2015. Situação 2) indícios veementes de que a contratação do ID VIDA serviu para falsear e realizar desvios financeiros ao IMPUGNANTE (Item 10.9.1 ao Item 10.9.6 - páginas 107 a 120 do Relatório Fiscal - TPDF). Fl. 51694DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 120 Aduz a Autoridade Fiscal que existe indícios veementes de que a contratação do ID VIDA é simulacro para: a) falsear a contratação de um serviço já suportado pelos Diretores, Administradores e Conselheiros da INSAUDE; b) efetuar pagamentos sem causa (desvios financeiros) ao conselheiro da INSAUDE, no caso o ora IMPUGNANTE. Ato contínuo, junta emissão de dois documentos fiscais em valores de R$75.565,00 emitida em janeiro de 2016, como já mencionado e comprovado no ponto de esclarecimento anterior, e R$53.329,00 emitida em 2017. Aduz, ainda, que as notas fiscais, nos valores elucidados no parágrafo anterior, emitidas para o INSAUDE e Cirúrgica Fernandes representam 61% do faturamento da empresa ID Vida, sendo, tal apuração, irrelevante para o presente processo administrativo, pois, a primeira foi emitida meses antes do ingresso do IMPUGNANTE nos quadros do Conselho de Administração do INSAUDE e a segunda, por falta de precisão de data, pode ter sido emitida mais de um ano depois. O fato é que a ID Vida é uma empresa independente, que após a saída do ex-sócio Waldomiro Pazin, ora IMPUGNANTE, não guarda qualquer relação negocial ou pessoal dos sócios entre eles. Por fim, não menos importante, o Auditor Fiscal menciona o processo cautelar de busca e apreensão de documentos n° 0009976-87.2017.8.26.0114, determinado para cumprimento no INSAUDE, o qual não foi anexado ao relatório fiscal e TDPF, nem disponibilizado ao IMPUGNANTE, nem comprovado pela autoridade fiscal a vinculação através dos documentos apreendidos e que constam do relatório, a vinculação entre o recebimento de valores de Notas Fiscais e a gestão de aproximadamente um mês do IMPUGNANTE no Conselho de Administração do INSAUDE, através dos documentos apreendidos. Vale repisar novamente, tal prova, ainda que houvesse, não foi objeto do contraditório e ampla defesa em sua fase de apuração no TDPF, sendo assim, nula de pleno direito, conforme já demonstramos exaustivamente. Novamente, protestamos pelo não-acolhimento da tese fazendária. Situação 3) Alegação de que a empresa WMP Consult Eireli está sediada em endereço residencial (Item 10.8.1 - Página 96 - TDPF - Relatório Fiscal): No que se refere à alegação da autoridade Fiscal quanto a localização da empresa WMP, estar localizada no endereço residencial de seu Sócio, não merece qualquer acolhimento. Trata-se de empresa individual de responsabilidade limitada, que tem desde sua constituição, o objetivo social de consultoria em gestão e negócios no setor de saúde. Note que o IMPUGNANTE trabalha, como de fato trabalhou, como gestor e administrador hospitalar durante toda sua carreira profissional. Fl. 51695DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 121 Sua expertise na área é reconhecida em várias regiões brasileiras, em especial na cidade de São Paulo. Mais uma vez, menciona-se, ingressou como membro do INSAUDE no final de junho de 2016, em razão de convite de alguns membros, vindo a se retirar em agosto de 2016, aproximadamente 1 mês depois, por razões de ordem pessoal. Após tratativas no início do ano de 2017, concordou em prestar serviços de consultoria e assessoria, compreendidos na elaboração de pareceres, estudos, relatórios, diagnósticos na área da saúde (Doc.5 - Contrato de Consultoria e respectivo Distrato), NO PERÍODO DE 10/02/2017 A 15/12/2017. Denota-se daquele instrumento, ainda, que o contrato foi firmado e seria remunerado em razão da apresentação de estudo de viabilidade técnica na área da saúde (FIs. 17 - Doc.5). Vale frisar que, referido contrato foi firmado após quase 7 meses de sua renúncia do Conselho de Administração, com uma empresa devidamente constituída para esse FIM, COM ATRIBUIÇÕES COMPLETAMENTE DISTINTAS DAS ATRIBUIÇÕES QUE POSSUÍA COMO MEMBRO DO CONSELHO, conforme se depreende do parágrafo terceiro, do artigo 28, do Estatuto Social do INSAÚDE, vigente em 2016 (Doc. 6 - Estatuto Social INSAÚDE 2016). (... ) Ora, não há como confundir e vincular as atribuições, seja pelo aspecto temporal, cuja contratação ocorreu em fevereiro de 2017 e terminou em dezembro de 2017, com as atribuições como membro do conselho de administração, exercida por aproximadamente 1 mês em 2016, e pelo aspecto material que determina as condições para ser Diretor Estatutário ou não estatutário, diretor executivo, membro do conselho, e ter algum poder diretivo, de gestão dentro da instituição, por lei ou estatuto, é mandatório que seja associado da entidade, e que seja assim eleito ao cargo. Fato este que não ocorreu. Não há falar que o IMPUGNANTE exercia e recebia pagamentos como se corpo de Administração fosse, não há no relatório fiscal (TDPF), no auto de infração e termo de responsabilidade passiva solidária, um documento sequer que comprove os poderes de direção ou gestão do IMPUGNANTE. Não há procuração, não há atas de assembleias assinadas, validando quaisquer das atribuições constantes, ou qualquer documento apto a comprovar a prática de atos jurídicos (ou fatos), que comprovem o excesso ou abuso de poder, infração a lei, contrato ou estatuto. Dentre todas as atribuições dos cargos diretivos, em especial do conselho de administração do qual o IMPUGNANTE fez parte, não existe atribuição ali que se confunda com o objeto do contrato com a WMP. Fl. 51696DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 122 Mais uma vez, resta completamente demonstrado que o IMPUGNANTE não praticou qualquer ato alegado pela autoridade fazendária. Diante do exposto, requer que seja a presente impugnação acolhida, pois o IMPUGNANTE não dilapidou o patrimônio da entidade INSAUDE, não sonegou, não falseou, ou praticou qualquer ato que visasse lesão a entidade e/ou ao poder público, como pretende fazer crer o Auditor Fiscal. Dito isto, atacaremos algumas questões de natureza estritamente jurídicas. O Impugnante passa a discorrer sobre a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN, e suas implicações ao caso, nos mesmos termos da impugnação de ANIS GHATTAS MITRI FILHO, tem 3.8 acima. Conclui restar comprovada a ausência de responsabilidade solidária, seja direta, por práticas de atos como membro do conselho, em que permaneceu por aproximadamente um mês, seja de forma indireta, como prestador de serviços, ante a ausência do cometimento de atos lícitos ou ilícitos, pois se trata de pessoas jurídicas distintas, a WMP e o INSAUDE. Requer ao fim a declaração de nulidade ou improcedência do lançamento e o afastamento de sua responsabilização solidária. 4. DOS TERMOS CONSTANTES DOS AUTOS Após a juntada das impugnações, foram emitidos e juntados aos autos Termos de Revelia e Comunicados de Intempestividade relativos a alguns sujeitos passivos, às fls. 50157¬10171. 5. DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO Em 8/12/2022, foi emitido o Acórdão n° 106-030.464, de fls. 50184, por meio do qual a 155. Turma de Julgamento da DRJ06, por unanimidade de votos, decidiu cancelar o crédito tributário em litígio, nos termos do relatório e voto, o qual, ao final, assim dispôs: Pelo exposto, voto da seguinte forma: 1. Declarar a revelia dos sujeitos passivos DANIEL AUGUSTO GONSALES CAMARA, LUCIANO BOLONHA GONSALES e PAULO ROBERTO SEGATELLI CAMARA, contra quem já foram emitidos os Termos de Revelia constantes às fls. 50157, 50158 e 50159; 2. Conhecer parcialmente a impugnação de ANIS GHATTAS MITRI FILHO, no tocante à arguição de sua tempestividade, e votar pela sua improcedência; Fl. 51697DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 123 3. Não conhecer a impugnação apresentada por FERNANDO DOS SANTOS SILVA; 4. Conhecer parcialmente a impugnação de MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO, no tocante à arguição de sua tempestividade, e votar pela sua improcedência; 5. Conhecer as demais impugnações apresentadas e votar pela sua procedência, extinguindo o crédito tributário lançado. A ementa do Acórdão de Impugnação segue abaixo copiada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 ENTIDADES BENEFICENTES. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E SOCIAIS. O art. 41 da Lei Complementar 187/2021 determinou a extinção dos créditos decorrentes de contribuições sociais lançados contra instituições sem fins lucrativos que atuam nas áreas de saúde, de educação ou de assistência social, motivados por decisões derivadas de processos administrativos, com base em dispositivos da legislação ordinária declarados inconstitucionais, em razão dos efeitos da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade n°s 2028 e 4480 A decisão foi submetida à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por força de recurso necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, e Portaria MF n° 63, de 2017, restando explicitado que a exoneração do crédito só seria definitiva após o julgamento em segunda instância. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu nas seguintes datas: QUADRO 3R: CIÊNCIA DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO SUJEITO PASSIVO DATA CIENCIA FLS INSAUDE 08/03/2023 50333 ANIS GHATTAS MITRI FILHO 15/03/2023 50336 CARLOS JOSE MASSARENTI 16/03/2023 50338 ENYLO VINICIUS FARIA 21/03/2023 50345 FERNANDO DOS SANTOS SILVA - 50340 MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH 17/03/2023 50342 MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO 17/03/2023 50344 MARCUS VINICIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES 17/03/2023 50341 NELSON ALVES LIMA 16/03/2023 50339 Fl. 51698DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 124 RONALDO PASQUARELLI 15/03/2023 50334 SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI 15/03/2023 50337 WALDOMIRO MONFORTE PAZIN 17/03/2023 50343 WALTER SOUZA PINTO 15/03/2023 50335 6. DO ACÓRDÃO DO RECURSO DE OFÍCIO Em 05/10/2023, foi emitido o Acórdão de Recurso de Ofício n° 2202-010.400 da 25. Seção de Julgamento/25. Câmara/25.Turma Ordinária do CARF, fls. 50348, pelo qual os Conselheiros, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso de ofício e anularam a decisão proferida pela DRJ, determinando o retorno dos autos à 15. instância para exame de todas as questões trazidas em sede de impugnação. A ciência do Acórdão de Recurso de Ofício ocorreu nas seguintes datas: WALDOMIRO MONFORTE PAZIN 18/01/2024 50395 WALTER SOUZA PINTO 19/01/2024 50404 Conforme despacho de fls. 50405, não houve manifestação dos interessados, após a ciência da decisão de nulidade, sendo então os autos devolvidos para a Delegacia de Julgamento. Nesse despacho, ressalta-se a Nota de E-processo de 16/11/2023 (Impugnação do Solidário Anis Gattas Filho - Tempestiva). Referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO. Não faz jus à imunidade das contribuições sociais a entidade que não cumpre todos os requisitos condicionantes para a fruição do benefício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES, GERENTES E REPRESENTANTES DE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 51699DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 125 MULTA MAIS BENÉFICA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. Havendo a edição de legislação superveniente acerca da multa cabível, deve ser aplicada aquela mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os sujeitos passivos foram cientificados do resultado de julgamento nas seguintes datas: Sujeito Passivo Forma de Intimação Data (Ciência) Fls. Dia da semana INSAUDE - INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTAO EM SAUDE Eletrônica (DTE) 31/07/2024 50867 Quarta-feira MARCUS VINICIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES Postal (AR) Não efetivada 50869 - CARLOS JOSE MASSARENTI Postal (AR) 05/08/2024 50870 Segunda- feira ANIS GHATTAS MITRI FILHO Postal (AR) Não efetivada 50871 - WALDOMIRO MONFORTE PAZIN Postal (AR) 07/08/2024 50872 Quarta-feira RONALDO PASQUARELLI Postal (AR) 02/08/2024 50873 Sexta-feira DANIEL AUGUSTO GONSALES CAMARA Postal (AR) 02/08/2024 50874 Sexta-feira SILVANA APARECIDA GRANDO PASQUARELLI Postal (AR) 02/08/2024 50875 Sexta-feira MARCELO GURJAO SILVEIRA AITH Postal (AR) Não efetivada 50883 - LUCIANO BOLONHA GONSALVES Postal (AR) 05/08/2024 50884 Segunda- feira NELSON ALVES LIMA Postal (AR) 06/08/2024 50885 Terça-feira WALTER SOUZA PINTO Postal (AR) 05/08/2024 50887 Segunda- feira FERNANDO DOS SANTOS SILVA Postal (AR) 07/08/2024 50889 Quarta-feira Fl. 51700DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 126 Sujeito Passivo Forma de Intimação Data (Ciência) Fls. Dia da semana ENYLO VINICIUS FARIA Postal (AR) 05/08/2024 50890 Segunda- feira PAULO ROBERTO SEGATELLI CAMARA Edital (Intimação) 19/09/2024 51545 Quinta- feira PAULO ROBERTO SEGATELLI CAMARA Edital (Comunicado) 19/09/2024 51547 Quinta- feira MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO Edital (Comunicado) 19/09/2024 51546 Quinta- feira Sinteticamente, sustentam e pedem os recorrentes: RV de MARCO ANTÔNIO DA SILVA FILHO Argumentos a) O reconhecimento da intempestividade da impugnação viola o artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que a intimação por edital somente é válida quando esgotados os meios ordinários de intimação, o que não ocorreu no caso concreto. b) A intimação por edital ofende o artigo 256 do Código de Processo Civil, pois o recorrente possuía domicílio certo e conhecido da Administração Tributária, informado reiteradamente em suas DIRPFs. c) A intimação realizada em endereço incorreto fere o devido processo legal, na medida em que a Receita Federal encaminhou correspondência para endereço inexistente, impossibilitando a ciência válida do recorrente. d) A adoção da intimação editalícia sem nova tentativa postal contraria o princípio da razoabilidade, pois não houve diligência mínima para correção do endereço antes da utilização do meio excepcional. e) O termo de intempestividade viola o artigo 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal, pois suprimiu o direito ao contraditório e à ampla defesa mediante intimação inválida. f) A negativa de conhecimento integral da impugnação fere o artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, na medida em que desconsidera os princípios da legalidade, motivação e verdade material. Fl. 51701DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 127 g) A responsabilização pessoal do recorrente viola o artigo 135 do CTN, pois não houve individualização de conduta nem demonstração de ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei. h) A imputação de responsabilidade tributária contraria o artigo 128 do CTN, dado que inexiste vínculo direto entre o recorrente e o fato gerador das obrigações tributárias lançadas. i) A responsabilização do recorrente como diretor fere o conceito legal de responsabilidade pessoal, pois o cargo exercido era de natureza técnica e operacional, sem poderes de gestão administrativa, financeira ou fiscal. j) A ausência de intimação do recorrente durante a fiscalização viola os artigos 9º, 26 e 28 da Lei nº 9.784/1999, na medida em que lhe foi negada participação em procedimento que resultou em imposição de ônus e sanções. k) O lançamento tributário em relação ao recorrente contraria o devido processo legal, pois foi formalizado sem sua ciência prévia e sem possibilidade de produção de provas. l) A imputação de infração à lei baseada em crimes tributários viola o artigo 135 do CTN, pois a expressão “infração de lei” refere-se à legislação societária, e não à legislação penal. m) A responsabilização por supostos crimes tributários ofende a Súmula Vinculante nº 24 do STF, na medida em que não havia crédito tributário definitivamente constituído. n) A acusação de infração penal fere o princípio da presunção de inocência, pois inexiste condenação criminal transitada em julgado contra o recorrente. o) A imputação de responsabilidade com base em indícios genéricos viola o artigo 142 do CTN, pois o lançamento tributário exige prova da materialidade e não pode se sustentar apenas em presunções. p) A ausência de motivação específica do auto de infração contraria o artigo 10, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que não descreve fatos individualizados atribuíveis ao recorrente. q) O erro de capitulação legal da responsabilidade fere o artigo 50 da Lei nº 9.784/1999, pois a motivação do ato administrativo não é clara, explícita e congruente. r) A responsabilização pessoal simultânea da pessoa jurídica e do recorrente contraria o regime jurídico do artigo 135 do CTN, que pressupõe exclusão do contribuinte originário do polo passivo. Fl. 51702DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 128 s) A imputação de responsabilidade pelo mero inadimplemento tributário viola a Súmula 430 do STJ, na medida em que o não pagamento de tributo pela pessoa jurídica não gera, por si só, responsabilidade do gestor. t) A atribuição de responsabilidade sem demonstração de dolo fere o Parecer Normativo COSIT nº 4/2018, pois não houve comprovação de ato consciente, doloso e vinculado ao fato gerador. u) A desconsideração da autonomia patrimonial da pessoa jurídica contraria os princípios da Lei nº 13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica), na medida em que não foram demonstrados desvio de finalidade ou confusão patrimonial. v) A imputação de má-fé ao recorrente fere o princípio da boa-fé objetiva, pois não há prova de benefício pessoal, fraude ou enriquecimento indevido. w) A manutenção do lançamento contra o recorrente viola a segurança jurídica, pois se apoia em fundamentos genéricos, sem prova concreta e sem individualização de conduta. x) A ausência de conversão do julgamento em diligência contraria o direito à ampla defesa, pois impede a produção de provas aptas a demonstrar a improcedência da responsabilização pessoal. Diante do exposto, pede-se, textualmente: a. “Diante do exposto, é a presente para pugnar, respeitosamente, pelo provimento deste apelo voluntário, a fim de que, preliminarmente, seja anulado o v. Acórdão recorrido, tendo em vista nulidade da intimação realizada por meio de edital e, por decorrência, seja determinada à remessa dos autos à DRJ para que nova decisão seja proferida, avaliando-se o mérito da defesa acerca da indevida responsabilização do recorrente quanto aos débitos da INSAÚDE. i. Alternativamente, caso essa c. Turma repute que a demanda está apta para avaliação do mérito, seja os autos de infração decretados nulos ou integralmente cancelados, tendo em vista a demonstração da impossibilidade de sua responsabilização pessoal, mormente com base no artigo 135 do ctn, reconhecendo-se, incidentalmente, a improcedência da acusação fiscal em relação ao recorrente. Fl. 51703DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 129 ii. Na eventualidade de compreender-se pela necessidade da produção de provas, é a presente para requerer a conversão do julgamento em diligência, protestando igualmente pela oportunidade e intimação para a realização de sustentação oral, nos termos do regimento interno do a. Carf.” Recurso de FERNANDO DOS SANTOS SILVA Argumentos a) A lavratura do auto de infração sem observância dos procedimentos previstos no art. 38 da Lei Complementar nº 187/2021 viola o devido processo legal, pois a desconstituição da imunidade depende de representação à autoridade certificadora, suspensão da exigibilidade do crédito e prévio encerramento do processo administrativo de certificação. b) A inobservância do art. 38 da Lei Complementar nº 187/2021 fere o direito de defesa, na medida em que a autoridade fiscal promoveu o lançamento sem cumprir o rito legal específico para entidades detentoras de CEBAS. c) A manutenção do lançamento sem observância do procedimento legal contraria o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, pois decisões proferidas com preterição do direito de defesa são nulas. d) A anulação do primeiro acórdão da DRJ pelo CARF sem enfrentamento do fundamento baseado no art. 38 da LC nº 187/2021 viola o dever de motivação dos atos administrativos, pois deixou de apreciar argumento apto a extinguir o crédito tributário. e) A utilização de elementos e documentos relativos a períodos diversos daqueles delimitados no Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal contraria a competência temporal do lançamento, pois o procedimento fiscal estava restrito aos exercícios de 2017 e 2018. f) A imputação de responsabilidade solidária ao recorrente ofende o art. 135 do CTN, pois ele somente iniciou suas atividades como Vice-Presidente em 15/03/2018, não podendo responder por fatos anteriores. g) A responsabilização solidária do recorrente fere o princípio da pessoalidade da responsabilidade tributária, na medida em que não houve individualização de conduta dolosa, fraudulenta ou com excesso de poderes. h) A atribuição de responsabilidade solidária sem prova de dolo ou infração legal contraria a jurisprudência do STJ e do STF sobre o art. 135 do CTN, pois Fl. 51704DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 130 a simples condição de dirigente não autoriza o redirecionamento da cobrança. i) A equiparação da recorrente à entidade Pró-Saúde ofende o princípio da legalidade, pois inexiste nexo causal entre os fatos apurados na Operação Ouro Verde e a atuação da entidade recorrente. j) A utilização de prova emprestada sem juntada integral dos autos de outro procedimento e sem correlação fática viola o contraditório e a ampla defesa, pois impede a impugnação efetiva das supostas irregularidades. k) A afirmação de que a entidade não possui unidades próprias fere o conceito legal de entidade beneficente, pois a recorrente é proprietária do imóvel onde funciona o Hospital Santa Casa Jesus Maria José. l) A alegação de descumprimento do percentual mínimo de atendimento ao SUS contraria os requisitos legais da imunidade, pois há comprovação de atendimento superior a 60%, inclusive com certificação administrativa. m) A conclusão de que houve desvio de recursos e remuneração oblíqua de dirigentes viola o art. 14 do CTN e o art. 29 da Lei nº 12.101/2009, pois a legislação admite a remuneração de dirigentes estatutários e não estatutários dentro dos limites legais. n) A vedação genérica à contratação de pessoas jurídicas vinculadas a diretores não estatutários fere o princípio da legalidade estrita tributária, pois não existe norma que proíba tais contratações. o) A aplicação analógica de limitações próprias de diretores estatutários a diretores não estatutários contraria a legalidade tributária, pois amplia indevidamente restrições não previstas em lei. p) A desconsideração da efetiva prestação de serviços pelas pessoas jurídicas contratadas ofende o dever de motivação, pois a autoridade fiscal não demonstrou identidade entre os serviços contratados e as atribuições estatutárias dos dirigentes. q) A imputação de irregularidade na contratação de empresas cujos sócios integravam conselhos de administração viola o estatuto da entidade, pois o conselho não exerce funções executivas nem recebe remuneração. r) A aplicação da Súmula Vinculante nº 13 do STF ao caso concreto fere o princípio da legalidade, pois o enunciado refere-se exclusivamente à Administração Pública direta e indireta, não às entidades do terceiro setor. Fl. 51705DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 131 s) A invocação da Lei nº 12.813/2013 é indevida e contraria o âmbito de incidência da norma, pois trata de conflito de interesses no Poder Executivo federal, inaplicável às organizações sociais. t) A afirmação de dilapidação patrimonial sem demonstração de prejuízo concreto ofende o dever de prova do ilícito tributário, pois se baseia em presunções e ilações. u) A conclusão de fraude e simulação na contratação de prestadores de serviços contraria o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 e o art. 980-A do Código Civil, pois o ordenamento admite a prestação de serviços pessoais por pessoas jurídicas. v) A desconsideração dos efeitos da Operação Ouro Verde sobre a apreensão de documentos viola o contraditório, pois a ausência documental decorreu de ordem judicial, e não de má-fé da recorrente. w) A exigência de procedimento licitatório para contratação de serviços técnicos especializados contraria a legislação aplicável às organizações sociais, que admite contratação direta por notória especialização. x) A imputação genérica de responsabilidade solidária a diversos dirigentes viola o princípio da individualização da conduta, pois não houve descrição específica dos atos atribuídos a cada pessoa física. y) A responsabilização do recorrente sem qualquer menção à sua conduta no mérito do relatório fiscal fere o devido processo legal, pois inexiste imputação concreta de ato ilícito. z) A manutenção da responsabilidade solidária do recorrente viola a boa-fé objetiva, pois sua atuação ocorreu em contexto de regularidade contábil e cumprimento dos requisitos legais da imunidade. Diante do exposto, pede-se, textualmente: “13. PEDIDOS 441. Requerem os recorrentes: 442.1. Preliminarmente: 442.1.1. seja declarada a nulidade do auto de infração no que diz respeito aos fatos ocorridos em períodos diversos daquele de competência do auto de infração, ante limitação temporal do procedimento fiscal, em especial quanto à responsabilização do recorrente Marcelo Gurjão Silveira Aith, que iniciou suas atividades no Insaúde apenas em 2019. Fl. 51706DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 132 442.1.2. seja declarada a nulidade do auto de infração ante a utilização de prova emprestada sem qualquer relação com o procedimento fiscal e os autuados e, ainda, sem a observância do contraditório e da ampla defesa. 442.2. Na remota hipótese de superação das preliminares, que o auto de infração seja julgado improcedente dada a legalidade da contratação de pessoas jurídicas nas quais figuram como sócios diretores e conselheiros pelo Insaúde, nos termos da lei, da fundamentação desta defesa e dos documentos comprobatórios. 442.3. Seja afastada a responsabilidade solidária das pessoas físicas recorrentes, ante a inexistência de qualquer prova que justifique a responsabilização nos termos do artigo 135, CTN. 442.4. Seja reconhecida a legalidade do modelo de atuação do Insaúde, entidade qualificada como Organização Social que celebra contratos de gestão com o Poder Público para gerenciamento de unidades públicas e, consequentemente, seja reconhecida: 442.4.1. A inexistência de prestação de serviços de cessão de mão de obra pela entidade recorrente, tampouco de execução de atividade empresária. 442.4.2. O direito da entidade recorrente em gozar da imunidade tributária e a ser portador do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social – CEBAS/Saúde. 442.5. Subsidiariamente, na remota hipótese de manutenção do auto de infração, seja reconhecido o caráter confiscatório da multa arbitrada, de modo que sua aplicação seja afastada ou, também em caráter subsidiário, reduzida. 442.6. Seja reconhecida a inocorrência de ato de improbidade administrativa, tampouco de conduta tipificada pela lei penal. 443. Os recorrentes provarão o alegado por todos os meios em Direito permitidos. Nestes termos. Pede deferimento.” Recurso de ANIS GHATTÁS MITRI FILHO Argumentos a) A inclusão do recorrente no polo passivo do auto de infração viola o contraditório e a ampla defesa, na medida em que o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) foi instaurado exclusivamente em face do INSAÚDE, sem qualquer intimação do recorrente para prestar esclarecimentos ou apresentar defesa antes da lavratura do lançamento. Fl. 51707DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 133 b) A imputação de responsabilidade tributária solidária fere o art. 5º, LV, da Constituição Federal, pois o recorrente somente tomou conhecimento das acusações após a lavratura do auto de infração, sem ter tido oportunidade de influenciar a formação da convicção da autoridade fiscal. c) A utilização de provas emprestadas ofende o direito de defesa e o contraditório, dado que documentos oriundos de outros procedimentos fiscais e processos judiciais foram utilizados sem juntada integral aos autos e sem possibilidade de manifestação prévia do recorrente. d) O uso seletivo de trechos de relatórios de auditoria e de procedimentos de terceiros viola os princípios da legalidade, da moralidade administrativa e da imparcialidade, na medida em que a autoridade fiscal utilizou apenas excertos que corroboravam seu entendimento, sem permitir o acesso completo aos documentos. e) A responsabilização do recorrente contraria o art. 135, III, do CTN, pois não houve demonstração de prática de atos com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto, requisitos indispensáveis para a responsabilização pessoal de diretores. f) A equiparação do diretor técnico médico a diretor executivo fere o conceito legal e regulamentar do cargo, na medida em que o recorrente exercia função exclusivamente técnica, sem qualquer poder de gestão administrativa ou financeira. g) A imputação de interesse comum contraria o art. 124 do CTN, pois o interesse jurídico exigido para a solidariedade não se confunde com mero interesse econômico, inexistindo vínculo direto do recorrente com o fato jurídico tributário. h) A manutenção do recorrente no polo passivo viola o princípio da legalidade tributária, uma vez que lhe transfere responsabilidade por suposto descumprimento de requisitos de imunidade tributária por entidade da qual não participava da administração. i) A caracterização de remuneração indireta por meio de pessoa jurídica ofende o art. 129 da Lei nº 11.196/2005, pois a legislação autoriza expressamente a prestação de serviços intelectuais por intermédio de pessoa jurídica, sujeitando-os exclusivamente ao regime aplicável às pessoas jurídicas. j) A autuação presume fraude e simulação sem base probatória idônea, na medida em que conclui, de forma abstrata, ser “logicamente impossível” a Fl. 51708DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 134 prestação de serviços a diversos tomadores por pessoa jurídica com poucos sócios. k) A vinculação de valores recebidos pela DERMACOR de terceiros, como a empresa GLOBAL, ao INSAÚDE fere o nexo causal exigido para a responsabilização tributária, dado que tais receitas decorrem de contratos e períodos alheios à atuação do recorrente junto ao INSAÚDE. l) A tentativa de desconsideração da personalidade jurídica da DERMACOR ofende a reserva de jurisdição e o art. 50 do Código Civil, pois tal medida somente pode ser adotada pelo Poder Judiciário, e não pela autoridade fiscal. m) A autuação contraria o princípio da segurança jurídica, na medida em que a própria Receita Federal reconheceu a regularidade da pessoa jurídica ao conceder CNPJ e certidões, para posteriormente desqualificá-la e penalizar terceiros que com ela contrataram. n) A imputação de responsabilidade integral pelo crédito tributário fere a proporcionalidade, pois, ainda que se admitisse irregularidade, a responsabilidade do recorrente deveria ser limitada aos valores por ele diretamente recebidos. Pedido Diante do exposto, pede-se, textualmente: “(a) seja anulado o presente lançamento em razão do acolhimento das preliminares acima arguidas, haja vista a ofensa ao contraditório, à ampla defesa e o uso indevido de provas emprestadas, bem assim a flagrante ilegitimidade passiva do ora Recorrente; (b) no mérito, seja o ora Recorrente excluído do auto de infração em virtude de que, como diretor técnico, não praticou qualquer ato contrário à lei, ao contrato social ou ao estatuto da entidade; (c) caso não seja esse o entendimento de Vossas Senhorias, requer-se a redução da base de cálculo da contribuição previdenciária em relação ao ora Recorrente, a fim de que seja ela fixada apenas sobre as remunerações por ele recebidas e citadas pelo acórdão, relativas ao período de 6 de fevereiro de 2018 a 31 de dezembro daquele ano.” Fl. 51709DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 135 Recurso de INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTÃO EM SAÚDE – INSAÚDE; NELSON ALVES LIMA; MARCUS VINICIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES; E MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH Argumentos a) A lavratura do auto de infração e a manutenção do lançamento violam o art. 38 da Lei Complementar nº 187/2021, na medida em que a autoridade fiscal não observou o procedimento legal específico para a desconstituição da imunidade tributária, consistente no encaminhamento do auto à autoridade certificadora, na suspensão da exigibilidade do crédito e no aguardo do processo administrativo próprio de cancelamento da certificação. b) A inobservância do art. 38 da Lei Complementar nº 187/2021 ofende o devido processo legal e o direito de defesa, pois a exigência do crédito foi realizada sem o cumprimento das etapas procedimentais legalmente impostas antes do lançamento de ofício. c) A decisão recorrida e os acórdãos anteriores são nulos, na forma do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, por preterição do direito de defesa, dado que deixaram de apreciar dispositivo normativo expresso e aplicável ao caso concreto. d) A utilização de fundamentos e documentos relacionados à Operação Ouro Verde viola o contraditório e a ampla defesa, na medida em que inexiste nexo causal entre o INSAÚDE e o Agravo de Instrumento nº 5000097- 43.2012.404.0000/RS/TRF4, bem como porque tais elementos dizem respeito a terceiros estranhos à lide administrativa fiscal. e) A comparação do modelo operacional do INSAÚDE com o da entidade Pró- Saúde contraria os arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, pois carece de descrição pormenorizada dos fatos e de prova concreta apta a demonstrar identidade de condutas ou irregularidades. f) A utilização de prova emprestada sem pertinência fática e sem individualização viola os deveres de motivação e fundamentação dos atos administrativos, previstos no art. 50 da Lei nº 9.784/99. g) A fiscalização extrapolou a competência temporal do lançamento, pois utilizou documentos e fatos relativos a períodos distintos daqueles delimitados no Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (2017 e 2018), contrariando a Portaria RFB nº 6.478/2017. h) A imputação de responsabilidade solidária a dirigentes e conselheiros que não atuavam no período fiscalizado fere o princípio da legalidade e o art. 124 c/c art. 135 do CTN, dado que inexiste vínculo temporal entre a atuação dessas pessoas e os fatos geradores. Fl. 51710DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 136 i) A manutenção da responsabilidade solidária sem individualização das condutas ofende o art. 135, III, do CTN, pois não houve demonstração de atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto. j) A atribuição genérica de responsabilidade solidária viola o princípio da pessoalidade da responsabilidade tributária, conforme entendimento vinculante do STF e jurisprudência consolidada do CARF e do STJ. k) O afastamento da imunidade tributária contraria o art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, o art. 14 do CTN e a Lei nº 12.101/2009 (atual LC nº 187/2021), uma vez que o INSAÚDE cumpriu reiteradamente todos os requisitos legais para a fruição da imunidade e manutenção do CEBAS. l) A alegação de que a entidade não atua com unidades próprias e não cumpre o percentual mínimo de atendimento ao SUS fere a realidade fática comprovada nos autos, pois há certificação administrativa reconhecendo percentual superior a 60% de atendimento ao SUS e propriedade do imóvel hospitalar. m) A contratação de pessoas jurídicas vinculadas a diretores não estatutários não viola a Lei nº 12.101/2009, pois a remuneração de diretores não estatutários e a contratação de serviços técnicos especializados são expressamente admitidas pelo ordenamento jurídico. n) A interpretação fiscal que equipara diretores estatutários e não estatutários viola a legalidade estrita tributária e o princípio da igualdade, ao aplicar restrições legais inexistentes para diretores não estatutários. o) A contratação de escritórios de advocacia e empresas de consultoria médica não configura fraude, desvio de recursos ou remuneração oblíqua, pois os serviços prestados são distintos das atribuições estatutárias e foram efetivamente executados. p) A inexistência de pagamento em duplicidade, a prestação efetiva dos serviços e a ausência de dolo afastam qualquer caracterização de ilícito tributário ou de sonegação. q) A aplicação da Súmula Vinculante nº 13 do STF e da Lei nº 12.813/2013 é indevida, pois tais normas são inaplicáveis às entidades do terceiro setor e não se referem às relações jurídicas em exame. r) A imputação de dilapidação do patrimônio carece de prova concreta e viola o dever de motivação, uma vez que se baseia em presunções genéricas e documentos alheios ao caso. s) A manutenção da sujeição passiva solidária sem comprovação de conduta dolosa ou fraudulenta contraria a Súmula nº 430 do STJ, segundo a qual o mero inadimplemento não gera responsabilidade do sócio ou dirigente. t) A inexistência de menção específica a determinados recorrentes na fundamentação do Relatório Fiscal demonstra a ausência de elementos mínimos para sua responsabilização solidária. Fl. 51711DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 137 Pedido Diante do exposto, pede-se, textualmente: “Diante de todo o exposto e fundamentado, com base no Art. 59 do Decreto 70.235/72, preliminarmente requer o reconhecimento da nulidade do lançamento, a nulidade do Acórdão recorrido n.º 106-047.157 – 15ª TURMA/DRJ06 (fls. 50.569) e do Acórdão CARF n.º 2202-010.400 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª TO, de 05/10/2023 (fls. 50348) e, caso a nulidade seja superada em favor da recorrente, o julgamento de mérito sobre a necessidade de observação, por parte da autoridade fiscal lançadora, dos procedimentos exigidos no Art. 38 da LC n.º 187/2021.” “Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 142 do CTN e Art. 10 do Decreto 70.235/72, requer a nulidade do lançamento e o consequente reconhecimento da total ausência de nexo causal entre a recorrente e o mencionado Agravo de Instrumento n.º 5000097-43.2012.404.0000/RS/TRF4, assim como requer a imprestabilidade de qualquer comparação entre o modelo operacional da recorrente e o modelo operacional da acusada no mencionado processo (Pró Saúde).” “Diante de todo o exposto, requer o desentranhamento e a imprestabilidade do procedimento fiscal de todos aqueles documentos relacionados a período diverso da competência do auto de infração e o afastamento de todas as responsabilidades solidárias imputadas.” “Diante de todo o exposto e fundamentado, requer o cancelamento do Auto de Infração.” “Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 113, 142 do CTN e nos princípios da legalidade e da individualização da pena, requer a exclusão da responsabilidade de todas as pessoas físicas arroladas como responsáveis solidários.” Recurso de RONALDO PASQUARELLI Argumentos a) A lavratura do auto de infração com inclusão dos anos-calendário integrais de 2017 e 2018 viola o art. 142 do CTN, na medida em que o próprio acórdão reconhece que a responsabilidade solidária do recorrente se encerrou antes do término de 2017, o que implica erro material insanável quanto ao período e ao valor do lançamento. b) A manutenção da responsabilidade solidária com base em período posterior ao efetivo desligamento do recorrente do Conselho de Administração contraria o Fl. 51712DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 138 princípio da legalidade e o art. 142 do CTN, pois o lançamento desconsidera a delimitação temporal correta da atuação do recorrente. c) A imputação de responsabilidade solidária ao recorrente ofende os arts. 124, II, e 135 do CTN, na medida em que não houve comprovação de excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto, ônus probatório que competia à fiscalização. d) A atribuição de atos de gestão e administração ao recorrente viola o estatuto social da entidade, pois as atividades imputadas não integram as atribuições do Conselho de Administração, inexistindo base estatutária para caracterizar gestão ou administração operacional. e) A equiparação das atividades exercidas pelo recorrente como prestador de serviços às funções de conselheiro contraria o conceito legal de responsabilidade tributária, dado que a atuação operacional decorreu de contrato firmado por pessoa jurídica distinta e não do exercício de cargo estatutário. f) A ausência de individualização de condutas atribuídas ao recorrente fere o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, na medida em que não foram especificados atos concretos que configurassem excesso de poder ou infração legal. g) A utilização de provas indiciárias e emprestadas, sem demonstração de vínculo direto com a conduta do recorrente, viola o dever de fundamentação e o ônus da prova da fiscalização. h) A extensão do período de responsabilidade solidária até data posterior à indicada no relatório fiscal contraria o princípio da non reformatio in pejus, pois agravou a situação do recorrente em sede recursal administrativa. i) A divergência entre o enquadramento legal indicado no auto de infração, no termo de sujeição passiva solidária e no relatório fiscal viola o direito de defesa, por gerar incoerência entre fundamento jurídico, contexto e motivação do lançamento. j) A não apreciação, pelo acórdão recorrido, de teses defensivas apresentadas na impugnação ofende o dever de motivação das decisões administrativas e o devido processo legal. k) A imputação de responsabilidade solidáriaia pelos valores integrais dos exercícios de 2017 e 2018 viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, na medida em que o recorrente não participou de todos os atos tidos como ilegais nem durante todo o período das autuações. Pedido Diante do exposto, pede-se, textualmente: Fl. 51713DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 139 “Requer o recorrente seja dado PROVIMENTO ao recurso para: a) Reconhecer as nulidades apresentadas nas preliminares com a declaração de nulidade do auto de infração e do acórdão; b) E, se superadas, que no mérito a decisão da DRJ seja REFORMADA para julgar improcedentes os AIs em face dele com a sua exclusão do polo passivo. c) Que haja julgamento de cada tese e pedido apresentados.” Recurso de SILVANA APARECIDA GRANDE PASQUARELLI Argumentos a) A lavratura do auto de infração com imputação de responsabilidade solidária pelos anos-calendário de 2017 e 2018 viola o art. 142 do CTN, na medida em que o próprio acórdão recorrido reconheceu que a responsabilidade da recorrente cessou em 22.09.2017 e, no máximo, em 30.11.2017, o que demonstra erro material insanável quanto ao período e, por consequência, quanto ao valor do crédito lançado. b) A manutenção do lançamento com período e base de cálculo incorretos fere as normas gerais de direito tributário e o princípio da legalidade, pois o erro de quantificação do crédito exigido constitui vício material que compromete a validade jurídica do auto de infração. c) A não apreciação, pelo acórdão recorrido, das teses relativas à Representação de Improbidade Administrativa e à Representação Fiscal para Fins Penais ofende o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, na medida em que tais matérias constam de capítulos específicos do relatório fiscal e foram expressamente impugnadas, impondo-se à autoridade julgadora o dever de enfrentá-las de forma fundamentada. d) A omissão no julgamento das teses defensivas relativas à organização social, à distinção entre cessão de mão de obra e prestação de serviços e ao cômputo do atendimento no percentual SUS para fins de CEBAS viola os arts. 48 e 50 da Lei nº 9.784/1999, pois a Administração deixou de motivar adequadamente a decisão e de apreciar argumentos relevantes deduzidos pela recorrente. e) A imputação de responsabilidade solidária contraria os arts. 124, II, e 135, III, do CTN, na medida em que não foi demonstrada, de forma individualizada e fundamentada, a prática de ato com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto social por parte da recorrente, sendo indevidamente invertido o ônus da prova que compete ao Fisco. f) A inclusão da recorrente no polo passivo fere o conceito legal de responsabilidade tributária, pois ela jamais exerceu funções de gerente ou dirigente da entidade, não integrou a diretoria estatutária e não desempenhou atividades operacionais como membro do Conselho de Administração, inexistindo Fl. 51714DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 140 prova de remuneração ou de atuação enquadrável nas atribuições estatutárias desse órgão. g) A confusão feita no acórdão entre diretoria estatutária, diretoria executiva e prestação de serviços por pessoa jurídica ofende o princípio da tipicidade e da segurança jurídica, dado que não há vedação legal à contratação de diretor executivo por meio de pessoa jurídica nem tal forma de contratação implica, por si só, perda de imunidade ou responsabilidade pessoal. h) A divergência entre os documentos fiscais quanto ao enquadramento legal e à descrição das condutas atribuídas à recorrente viola o direito de defesa, pois impede a clara identificação da imputação jurídica e compromete a coerência do lançamento e do termo de sujeição passiva solidária. i) A ausência de notificação fiscal prévia e a inobservância das formalidades essenciais do procedimento administrativo tributário ferem o Decreto nº 70.235/1972 e as garantias constitucionais do devido processo legal, tornando nulos o auto de infração e o acórdão recorrido. j) A imputação de atos de improbidade administrativa sem indicação do tipo legal, do elemento subjetivo doloso e do nexo causal ofende a Lei nº 8.429/1992, na redação vigente, e o devido processo legal, pois inviabiliza o exercício efetivo do contraditório e da ampla defesa. Pedido Diante do exposto, pede-se, textualmente: “IV. PEDIDOS 173. Requer a recorrente seja dado PROVIMENTO ao recurso para: a) Reconhecer as nulidades apresentadas nas preliminares com a declaração de nulidade do auto de infração e do acórdão; b) E, se superadas, que no mérito a decisão da DRJ seja REFORMADA para julgar improcedentes os AIs em face dela com a sua exclusão do polo passivo. c) Que haja julgamento de cada tese e pedido apresentados.” Em 20/09/2024, a autoridade fiscal promoveu o seguinte despacho de encaminhamento: Os interessados apresentaram Recurso Voluntário, conforme documentos anexados ao processo, contra Acórdão de Impugnação de folhas 50.569 a Fl. 51715DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 141 50.745.O Recursos são considerados TEMPESTIVOS, em função de estarem dentro do prazo de 30 dias da data da ciência da Intimação do Resultado do Julgamento. Além do Recurso Voluntário tempestivo apresentado pelo contribuinte principal INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTAO EM SAUDE - INSAUDE (juntamente com os solidários Nelson, Marcus Vinícius, Ênylo e Marcelo), foram apresentados os Recursos Voluntários tempestivos dos solidários Silvana, Ronaldo, Carlos, Anis e Marco Antônio. O solidário Fernando também apresentou recurso, mas teve a impugnação não conhecida pela DRJ. Atualizado no sistema SIEF/PROCESSOS, conforme folhas 51.548/51.572, encaminho o presente processo ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, para prosseguimento quanto ao julgamento dos Recursos Voluntários e do Recurso de ofício. Lembro que o acórdão-recorrido deriva de novo julgamento das impugnações, em virtude da reforma do acórdão-originário da DRJ, por esta Turma, na sessão de 05/10/2023. Apenas para fins de registro, transcrevo as ementas dos referidos julgamentos originários. DRJ Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 ENTIDADES BENEFICENTES. PREVIDENCIÁRIAS E SOCIAIS. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. O art. 41 da Lei Complementar 187/2021 determinou a extinção dos créditos decorrentes de contribuições sociais lançados contra instituições sem fins lucrativos que atuam nas áreas de saúde, de educação ou de assistência social, motivados por decisões derivadas de processos administrativos, com base em dispositivos da legislação ordinária declarados inconstitucionais, em razão dos efeitos da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nºs 2028 e 4480 Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado 2ª TURMA, DA 2ª CÂMARA, DA 2ª SEÇÃO DO CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2017, 2018 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ADI 4480 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Fl. 51716DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 142 O Supremo tribunal federal não declarou a inconstitucionalidade do caput do artigo 32, Lei 12.101/2009. bem como do artigo 29 e incisos I, II, III, IV, V, VII e VIII, quando do julgamento da ADI 4480. Sendo considerados, na oportunidade, constitucionais por estabelecerem condições previstas expressamente pela legislação complementar, no caso, o art. 14 do Código Tributário Nacional. Assim, tais dispositivos podem embasar lançamentos tributários não havendo que se falar em inconstitucionalidade. ARTIGO 41 DA LEI COMPLEMENTAR Nº 187/2021. APLICAÇÃO. O art. n. 41 da Lei Complementar n. 187/2021 aplica-se apenas para créditos decorrentes de contribuições sociais lançados contra instituições sem fins lucrativos que atuam nas áreas de saúde, de educação ou de assistência social, expressamente motivados por decisões derivadas de processos administrativos ou judiciais com base em dispositivos da legislação ordinária declarados inconstitucionais. Dada a circunstância de o relator originário não mais integrar este Conselho, os autos foram redistribuídos à minha relatoria (fls. 51.575). O sistema eletrônico no e-processo registra a apresentação de memoriais, pelos recorrentes InSaúde, Nelson, Marcus Vinícius, Enylo e Marcelo Aith. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino, Relator 1 CONHECIMENTO DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Em relação ao recurso voluntário de Marco Antônio da Silva Filho, conheço-o tão- somente na extensão da preliminar de tempestividade da impugnação. 2 QUADRO FÁTICO-JURÍDICO Para boa compreensão da matéria, revisito brevemente o quadro fático-jurídico em exame nestes autos. Originariamente, a autoridade lançadora constituiu crédito tributário relativo às contribuições sociais destinadas à Previdência Social, a saber: (i) Contribuição Previdenciária Patronal – contribuição da empresa/empregador (cód. DARF 2141) e (ii) Contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Fl. 51717DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 143 laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/RAT) – contribuições a riscos ambientais/aposentadoria especial (cód. DARF 2158), por ter identificado os seguintes fatos jurídicos tributários e as seguintes infrações: Contribuição Previdenciária Patronal (cód. 2141) o Infração: “Divergência de contribuição da empresa sobre bases declaradas de empregado – descaracterização de entidades isentas” (FPAS 5150). Período: fatos geradores ocorridos entre 01/01/2017 e 31/12/2018. Fundamentação indicada no auto: arts. 22, I, 32, IV, 33, caput e § 7º, da Lei nº 8.212/1991; dispositivos do Decreto nº 3.048/1999 (incluindo, entre outros, arts. 12, I e parágrafo único; 201, I e § 1º; 216, I, “b”; 225, IV e §§ 1º a 4º; 245, caput e § 1º); Lei nº 12.101/2009 (arts. 1º, 2º, 29, incisos I a V, VII, VIII, §§ 1º a 3º, e art. 32, caput e § 2º) combinada com o art. 14 do CTN; Decreto nº 8.242/2014 (arts. 1º, 2º, 46, incisos I a V, VII, VIII, e art. 48, §§ 2º e 3º). Valores (principal): R$ 23.374.851,20. o Infração: “Divergência de contribuição da empresa sobre bases declaradas de contribuinte individual – descaracterização de entidades isentas” (FPAS 5150). Período: fatos geradores ocorridos entre 01/01/2017 e 31/12/2018. Fundamentação indicada no auto: dispositivos da Lei nº 8.212/1991 (incluindo, entre outros, arts. 22, III, 32, IV, 33, § 1º e § 7º); dispositivos do Decreto nº 3.048/1999 (incluindo, entre outros, art. 12, I e parágrafo único; 201, II e §§ 1º a 5º e § 8º; 216, I, “b”; 225, III e §§ 3º e 4º; 245, caput e § 1º); Lei nº 12.101/2009 combinada com o art. 14 do CTN; Decreto nº 7.574/2011 (art. 125, caput e § 2º); Decreto nº 8.242/2014. Valores (principal): R$ 259.564,20. o Consolidação do código 2141 no demonstrativo do crédito tributário: principal R$ 23.634.415,40, com juros de mora (calculados até 10/2021) de R$ 3.657.143,99 e multa proporcional (passível de redução) de R$ 35.451.622,99. GILRAT/RAT – Riscos Ambientais/Aposentadoria Especial (cód. 2158) o Infração: “Divergência de GILRAT sobre bases declaradas de empregado – descaracterização de entidades isentas” (FPAS 5150). Período: fatos geradores ocorridos entre 01/01/2017 e 31/12/2018. Fundamentação indicada no auto: Lei nº 12.101/2009 combinada com o art. 14 do CTN; Lei nº 8.212/1991 (arts. 22, II, 32, IV, 33, caput e § 7º); Decreto Fl. 51718DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 144 nº 6.957/2009 (arts. 2º e 4º); Lei nº 10.666/2003 (art. 10); dispositivos do Decreto nº 3.048/1999 (incluindo, entre outros, art. 12, I e parágrafo único; 202, I a III e §§ 1º a 6º; 202-A; 225, IV e §§ 1º a 4º; 245, caput e § 1º); Decreto nº 8.242/2014. Valores (principal): R$ 2.303.550,28. o Consolidação do código 2158 no demonstrativo do crédito tributário: principal R$ 2.303.550,28, com juros de mora (calculados até 10/2021) de R$ 356.173,61 e multa proporcional (passível de redução) de R$ 3.455.324,91. Valor total do crédito tributário lançado (conforme demonstrativo): R$ 68.858.231,18. Conforme exposto no Relatório Fiscal produzido no âmbito do TDPF nº 08.1.90.00- 2020-00691-7, a autoridade fiscal consignou que o documento foi elaborado para prestar informações complementares acerca dos autos de infração lavrados em decorrência da ação fiscal desenvolvida perante a INSAÚDE – Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde, relativamente a débitos dos períodos de 2017 e 2018. Assinalou, ainda, que a ação fiscal teve por objeto a verificação formal e material da regularidade do cumprimento dos requisitos para o gozo da imunidade das contribuições previdenciárias e dos requisitos para obtenção e manutenção do CEBAS. No relatório, a fiscalização registrou que os autos integrantes do processo compreendiam lançamento de contribuição previdenciária (contribuição da empresa e GILRAT), no valor consolidado de R$ 68.858.231,18, além de lançamento relativo a contribuição para outras entidades e fundos (terceiros), no valor de R$ 17.994.451,97, ambos com consolidação em 25/10/2021. Ao delinear o sujeito passivo, a autoridade fiscal qualificou a parte fiscalizada como associação privada sem fins lucrativos, apontando CNAE principal 86.10-1-01 (atividades de atendimento hospitalar, exceto pronto-socorro e unidades para atendimento a urgências), bem como registrou que, para o período sob fiscalização, a entidade possuía CEBAS com validade até 12/2020. Também consignou que a entidade se declarava no gozo de imunidade da CPP, por declarar em GFIP o FPAS 6391, associado à condição de “entidade beneficente de assistência social”. No desenvolvimento do relatório, a fiscalização descreveu a tramitação do procedimento, indicando o início do RPF em 11/11/2020 e listando os termos de intimação e despachos expedidos no curso da ação fiscal, com registro de que teriam sido recebidos e respondidos tempestivamente. Quanto à motivação de fundo, o relatório apresentou uma análise voltada ao enquadramento da entidade no contexto do terceiro setor e, a partir daí, expôs a compreensão fiscal de que, embora seja juridicamente possível a participação de entidades privadas na Fl. 51719DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 145 execução de serviços públicos de saúde, a atuação descrita para a INSAÚDE consistiria, em síntese, na administração de unidades públicas e na colocação/gestão de mão de obra nas unidades concedidas, com remuneração pela administração, de modo que o ônus econômico do atendimento não seria suportado pela entidade, mas pelo ente público titular do serviço. Com base nessa leitura, a fiscalização afirmou que a INSAÚDE “não estaria atendendo pelo SUS”, mas “apenas administrando” unidades públicas que atendem pelo SUS, concluindo, no relatório, que tal constatação, por si, afastaria a entidade dos dispositivos constitucionais relacionados à imunidade, e acrescentando que haveria “motivos adicionais” que conduziriam ao reconhecimento de descumprimento dos pressupostos e requisitos, com menções a “simulação, fraude e conluio” no contexto analisado. O relatório também indicou, pelo seu sumário, que a fiscalização organizou suas constatações em capítulos temáticos, incluindo, entre outros, apontamentos acerca de: ressalvas de auditoria independente; pagamentos de remuneração a dirigentes por meio de pessoas jurídicas; contratação de empresas pertencentes a diretores, administradores e conselheiros; contratação de empresas de gestão e administração sem comprovação; caracterização de que a entidade se dedicaria à atividade empresária, bem como referências à entidade como prestadora de cessão de mão de obra e consultoria; além de capítulos destinados à exposição dos fatos geradores, bases de cálculo e lançamento, e à qualificação da multa e incidência de juros, dentre outros tópicos. O contribuinte impugnou esse ato de constituição do crédito tributário, ao narrar que o INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISA E GESTÃO EM SAÚDE – INSAÚDE, em conjunto com NELSON ALVES LIMA, MARCUS VINICIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES, ÊNYLO VINICIUS FARIA e MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH, apresentou impugnação contra auto de infração relativo à contribuição previdenciária da empresa e do empregador – CP Patronal e GILRAT, no valor de R$ 68.858.231,18, datado de 29/10/2021, lavrado no âmbito do Processo nº 15746-722.252/2021-80 e do TDPF nº 0819000.2020.00691. No desenvolvimento da peça, a parte-recorrente afirmou que o procedimento fiscal tinha recorte temporal definido (01/01/2017 a 31/12/2018) e sustentou que a fiscalização teria se valido de elementos e informações fora desse período, inclusive para fundamentar imputações de responsabilidade solidária a integrante que, segundo a narrativa defensiva, teria iniciado atuação no INSAÚDE apenas em 2019. A partir dessa premissa, a parte-recorrente pediu, em caráter preliminar, providências voltadas ao desentranhamento de documentos relativos a período diverso e ao afastamento da responsabilidade solidária atribuída a Marcelo Gurjão Silveira Aith. Ainda em preliminar, a parte-recorrente alegou nulidade do auto por utilização de “prova emprestada”: sustentou que teriam sido utilizados documentos de procedimento fiscal alheio, relacionados à entidade “Pró-Saúde”, sem vínculo com o INSAÚDE e sem observância do contraditório e da ampla defesa, além de afirmar que tais elementos sequer teriam sido anexados ao relatório fiscal. Ao mesmo tempo, descreveu que o relatório fiscal teria imputado ao INSAÚDE, Fl. 51720DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 146 entre outros pontos, (i) contratação e pagamento a pessoas jurídicas por serviços supostamente não comprovados, (ii) execução de atividade empresária por meio de prestadores de serviços de gestão e negócios, (iii) cessão de mão de obra ao Poder Público e processos seletivos, e (iv) descumprimento de requisitos de imunidade e de CEBAS, com consequente fruição indevida de benefícios, bem como teria atribuído responsabilidade solidária às pessoas físicas por suposto excesso de poderes e infração à lei/estatuto. No mérito, a parte-recorrente sustentou a legalidade do modelo de atuação do INSAÚDE como Organização Social e, ao enfrentar a tese fiscal de cessão de mão de obra, argumentou que a conclusão do relatório fiscal desvirtuaria a lógica dos contratos de gestão e da atuação de Organizações Sociais, defendendo que a contratação de pessoas, bens e serviços para execução do contrato de gestão não se confundiria com cessão de mão de obra, pois os trabalhadores prestariam serviços à própria entidade e não ao Poder Público. Também desenvolveu argumentação quanto a contratações específicas e apontamentos do relatório fiscal (inclusive sobre alegações de fraude e dilapidação patrimonial em determinadas contratações), afirmando que a fiscalização teria desconsiderado os efeitos da denominada “Operação Ouro Verde” sobre a disponibilidade documental e sobre o exercício do contraditório; nessa linha, narrou que documentos do INSAÚDE teriam sido objeto de busca e apreensão, permanecendo em poder do Ministério Público, e defendeu que a ausência de documentos no procedimento fiscal não autorizaria autuação fundada em suposições. Quanto às penalidades, a parte-recorrente impugnou a aplicação de multa qualificada de 150%, sob o argumento de inexistirem elementos de dolo, fraude, sonegação ou conluio e, ainda, sustentou a natureza confiscatória/desproporcional da sanção. Ao final, a parte-recorrente pediu: (i) o reconhecimento de nulidades ligadas à limitação temporal do procedimento fiscal e à utilização de prova emprestada; (ii) superadas as preliminares, o julgamento de improcedência do auto, com afirmação da legalidade das contratações realizadas; (iii) o afastamento da responsabilidade solidária das pessoas físicas; (iv) o reconhecimento da legalidade do modelo de atuação do INSAÚDE, com declaração de inexistência de cessão de mão de obra e de execução de atividade empresária, além do reconhecimento do direito à imunidade e ao CEBAS/Saúde; e (v) subsidiariamente, o afastamento ou redução da multa, por alegado caráter confiscatório. Ronaldo Pasquarelli impugnou esse ato de constituição do crédito tributário. No introito, a parte-recorrente sustentou a tempestividade da impugnação, por ter sido notificada via postal em 10/11/2021, com prazo de 30 dias contado do dia subsequente. Ao expor o teor do lançamento no que lhe dizia respeito, a parte-recorrente afirmou que sua inclusão no polo passivo decorreu de imputações descritas no relatório fiscal, atribuídas a diretores/administradores/conselheiros do INSAÚDE, como alegada dilapidação patrimonial, sonegação, fraude e conluio, pagamentos e contratações por meio de pessoas Fl. 51721DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 147 jurídicas, escrituração contábil reputada dissonante e outras condutas, com enquadramento legal referido no auto, segundo a peça, no art. 135 do CTN. Em sede de preliminares, a parte-recorrente alegou, em síntese: a) Nulidade por ausência de Termo de Sujeição Passiva Solidária, afirmando não ter sido cientificada de documento específico que formalizasse sua sujeição solidária, com violação ao devido processo legal e à ampla defesa. b) Nulidade por ausência de notificação fiscal (art. 32 da Lei nº 9.430/1996), argumentando que, antes da autuação, deveria ter sido oportunizada manifestação quanto às supostas irregularidades que fundamentariam a desconstituição do benefício usufruído pelo INSAÚDE, e que a falta desse rito teria contaminado o lançamento e sua inclusão como solidário. c) Nulidade por ausência de ato declaratório de suspensão da imunidade/isenção, sustentando que não constariam nos autos o ato declaratório suspensivo e as respectivas ciências/impugnações correlatas, defendendo ser esse conjunto documental essencial à validade do lançamento. d) Nulidade por enquadramento legal impreciso/divergente, afirmando haver incerteza sobre a base jurídica da responsabilização (com menção, na peça, a referência no relatório fiscal também ao art. 124, II, do CTN), além de apontar que o art. 135 do CTN teria sido indicado sem especificação do inciso, o que, segundo a narrativa, dificultaria o exercício pleno da defesa. e) Ilegitimidade/incompetência da RFB para discussão do CEBAS, defendendo que a verificação de requisitos de concessão/renovação do certificado seria atribuída, por lei, aos Ministérios competentes, e que à fiscalização caberia, quando muito, representação ao órgão certificador, não a lavratura imediata de auto com fundamento em ausência de requisito de certificação. f) Violação de decisão do STF com repercussão geral (RE 566.622), ao sustentar que requisitos para fruição da imunidade deveriam estar em lei complementar, e que exigências de leis ordinárias (mencionadas na peça) não poderiam embasar o lançamento como estruturado. g) Ilegitimidade passiva do impugnante, ao diferenciar, na peça, diretor estatutário de diretor empregado/autônomo, alegando que sua relação com o INSAÚDE teria ocorrido como prestador de serviços por pessoa jurídica (Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar), sem poderes de gestão estatutária e sem conduta individualizada que justificasse responsabilização por excesso de poderes ou infração de lei/estatuto. Fl. 51722DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 148 h) Nulidade por juntada incompleta de documentos essenciais, ao afirmar que a fiscalização teria mencionado informação constante de nota explicativa de demonstrações contábeis (citada na peça como “Nota Explicativa 16”), sem disponibilizá-la, o que teria causado prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, caso superadas as preliminares, a parte-recorrente afirmou que a ação fiscal tinha por objetivo a verificação do cumprimento dos requisitos de imunidade das contribuições previdenciárias, bem como de obtenção/manutenção do CEBAS, destacando, segundo sua narrativa, que o INSAÚDE teria certificado válido no período fiscalizado. Em seguida, sustentou que os requisitos aplicáveis à imunidade seriam os dos arts. 9º e 14 do CTN, os quais, segundo a peça, estariam atendidos por disposições estatutárias e pela própria existência do CEBAS mencionado no relatório fiscal. Ainda no mérito, a parte-recorrente contestou a leitura fiscal acerca de organizações sociais e contratos de gestão na área de saúde, defendendo que a atuação do INSAÚDE no modelo de parceria não se confundiria com “empresa de cessão de mão de obra” e que os repasses associados ao contrato de gestão teriam natureza jurídica de fomento/custeio, conforme os dispositivos legais transcritos e a argumentação desenvolvida na peça. No tocante à imputação pessoal, a parte-recorrente afirmou que (i) não teria sido diretor do INSAÚDE, (ii) as acusações constantes do relatório fiscal seriam genéricas e sem individualização suficiente, e (iii) a Diretriz teria prestado serviços operacionais e de apoio à gestão, descrevendo um conjunto de atividades que, na sua narrativa, explicaria a remuneração recebida por sua empresa, com indicação de que haveria documentação comprobatória (incluindo e-mails) anexada à impugnação. Também sustentou haver descompasso temporal entre (a) o período fiscalizado e o período em que teria integrado conselhos do INSAÚDE (apontado na peça como 02/08/2016 a 09/05/2017) e (b) o período de prestação de serviços da Diretriz (apontado como jan. a nov./2017, com cessação a partir de dez./2017, e sem prestação em 2018), para criticar a extensão da responsabilidade solidária atribuída. Ao longo da peça, a parte-recorrente também impugnou a multa qualificada, na linha de que não estariam presentes os pressupostos fáticos e jurídicos para sua aplicação, conforme desenvolvido no arrazoado. Silvana Aparecida Grando Pasquarelli impugnou esse ato de constituição do crédito tributário. De início, a parte-recorrente sustentou a tempestividade da impugnação, ao afirmar que foi notificada via postal em 10/11/2021 e que o prazo de 30 dias iniciou em 11/11/2021 e se encerraria em 10/12/2021. Fl. 51723DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 149 Ao expor o teor do lançamento no que lhe dizia respeito, a parte-recorrente afirmou que sua sujeição solidária teria sido formalizada em Termo de Sujeição Passiva Solidária, no qual se indicaram, em síntese, condutas imputadas a diretores/administradores/conselheiros, como: alegada dilapidação patrimonial por sonegação, fraude e conluio, contratação de pessoas jurídicas titularizadas por gestores para serviços reputados típicos/personalíssimos, pagamentos por serviços supostamente inexistentes, falseamento de declarações (GFIP, DIRF e registros contábeis), manutenção de escrituração contábil sem suporte idôneo, exercício dissimulado de atividade empresária (cessão de mão de obra) e descumprimento reiterado de requisitos de imunidade/isenção, com enquadramento referido no termo como arts. 124, II, e 135, III, do CTN. Acrescentou que, no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, constaria motivação em termos semelhantes, porém com enquadramento legal diverso, pois ali se indicaria art. 135 do CTN (com referência “a partir de 01/01/2020”), o que, segundo a impugnação, evidenciaria divergências entre documentos e prejuízo ao exercício da defesa. Em sede de preliminares, a parte-recorrente alegou, em síntese: 1. Nulidade por ausência de notificação fiscal (art. 32 da Lei nº 9.430/1996), ao argumentar que deveria ter sido oportunizado contraditório e ampla defesa antes da autuação, inclusive porque a suspensão pretendida da imunidade/isenção afetaria diretamente seu interesse, dada sua inclusão como solidária. 2. Nulidade por ausência de ato declaratório de suspensão da imunidade tributária e da isenção, sustentando não constar do processo o ato suspensivo, a prova de ciência ao INSAÚDE, eventual impugnação correlata e a reunião dessas peças no mesmo processo para julgamento conjunto, como defendido à luz do art. 32 da Lei nº 9.430/1996. 3. Nulidade por enquadramento legal impreciso/divergente, ao sustentar que, no auto, teria sido indicado o art. 135 do CTN sem apontar o inciso, que o termo mencionaria também o art. 124, II, do CTN, e que haveria ainda divergência entre “contexto” e “motivação”, tudo a dificultar a delimitação das condutas a serem enfrentadas. 4. Ilegitimidade ativa/incompetência da fiscalização para discutir CEBAS, ao defender que a verificação de requisitos de concessão/renovação competiria aos Ministérios previstos na Lei nº 12.101/2009, cabendo à RFB, quando muito, representação ao órgão certificador, e não a lavratura imediata do auto com base em ausência de requisito de certificação. 5. Violação de julgado do STF com repercussão geral (RE 566.622), ao sustentar que requisitos para fruição da imunidade deveriam estar em lei complementar (arts. 9º e 14 do CTN), de modo que exigências veiculadas por leis ordinárias mencionadas pela fiscalização não poderiam embasar o lançamento como estruturado. 6. Ilegitimidade passiva, ao alegar que não integraria a administração estatutária do INSAÚDE; que, por ser sócia da empresa Diretriz Administração e Consultoria Hospitalar, não responderia por atos da entidade; e que os serviços ao INSAÚDE teriam sido prestados exclusivamente pelo sócio Ronaldo Pasquarelli, sem relação com atribuições de conselho. Fl. 51724DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 150 7. Nulidade por juntada incompleta de documentos essenciais, ao alegar que a fiscalização teria mencionado nota explicativa de demonstrações contábeis (“Nota Explicativa 16”) sem apresentá-la, o que teria prejudicado a ampla defesa. No mérito, caso superadas as preliminares, a parte-recorrente afirmou que a fiscalização teria por objetivo aferir requisitos de imunidade das contribuições previdenciárias e de obtenção/manutenção do CEBAS, destacando que, no período fiscalizado, o INSAÚDE estaria com CEBAS regular, conforme indicado na própria narrativa defensiva. Sustentou que os requisitos para fruição da imunidade seriam os dos arts. 9º e 14 do CTN, os quais, segundo a peça, estariam atendidos por previsões estatutárias e pela existência do CEBAS apontado. Em tópico próprio, contestou a leitura fiscal sobre organizações sociais e contratos de gestão na área de saúde, defendendo que haveria distorção quanto ao cômputo de atendimentos SUS para fins de CEBAS e que os repasses oriundos do contrato de gestão teriam natureza de fomento/custeio, não caracterizando “pagamento” por prestação de serviços, na forma exposta com transcrição de dispositivos da Lei nº 9.637/1998 e argumentação correlata. No que dizia respeito à responsabilização pessoal, a parte-recorrente afirmou, de modo reiterado, que não prestou serviços ao INSAÚDE por meio da Diretriz, atribuindo a prestação ao sócio Ronaldo Pasquarelli, e sustentou que não recebeu valores por integrar conselho, além de apontar descompasso temporal entre (i) o período fiscalizado/da responsabilidade solidária (2017 e 2018) e (ii) os períodos em que teria integrado conselhos e em que teria havido prestação de serviços da Diretriz, tal como apresentados na peça, para impugnar a extensão da solidariedade. Também alegou que a fiscalização teria inserido fatos estranhos (referência a relação da Diretriz com “Pró-Saúde”) e que isso não guardaria nexo com o processo do INSAÚDE. Ainda, a parte-recorrente desenvolveu argumentação sobre distinção entre responsabilidade e solidariedade, sustentando ausência de vinculação ao fato gerador e inaplicabilidade, ao caso, dos arts. 124 e 135 do CTN, além de impugnar capítulos do relatório fiscal que tratariam de representação por improbidade e para fins penais por falta de individualização de condutas, bem como impugnou a multa qualificada (150%), afirmando inexistirem pressupostos para sua aplicação. Ao final, a parte-recorrente pediu: (a) o reconhecimento das nulidades do auto de infração e do processo fiscal, conforme preliminares; e (b) superadas as preliminares, o julgamento de improcedência do auto de infração. Carlos José Massarenti impugnou esse ato de constituição do crédito tributário. De início, a parte-recorrente sustentou a tempestividade da impugnação, ao afirmar ter sido notificada via postal em 10/11/2021, com prazo de 30 dias iniciado em 11/11/2021 e com término em 10/12/2021. Fl. 51725DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 151 Ao expor o teor do lançamento no que lhe dizia respeito, a parte-recorrente afirmou que sua inclusão como solidário decorreu de imputações constantes do Termo de Sujeição Passiva Solidária, o qual teria consignado, como “contexto”, a atribuição a diretores/administradores/conselheiros de condutas como: (i) dilapidação patrimonial mediante “sonegação, fraude e conluio”, inclusive por remuneração desproporcional; (ii) contratação de pessoas jurídicas titularizadas por gestores para serviços reputados típicos/personalíssimos; (iii) contratações e pagamentos por serviços supostamente não comprovados; (iv) “sonegação previdenciária e falseamento de declarações” (GFIP, DIRF e lançamentos contábeis), por pagamentos em contas de pessoas jurídicas; (v) manutenção de escrituração contábil reputada dissonante ou sem documentos idôneos; (vi) exercício dissimulado de atividade empresária (prestação de serviços de cessão de mão de obra); e (vii) descumprimento reiterado de pressupostos e requisitos de imunidade/isenção, com enquadramento, no termo, nos arts. 124, II, e 135, III, do CTN. Em seguida, apontou que, no Demonstrativo de Responsáveis Tributários do auto, a motivação teria sido descrita de modo diverso (com remissão a capítulos específicos do relatório fiscal) e com enquadramento indicado como art. 135 do CTN, “a partir de 01/01/2020”, o que sustentou gerar divergência e incerteza quanto ao fundamento e às condutas imputadas. Em sede de preliminares, a parte-recorrente alegou, em síntese: 1. Ausência de notificação fiscal prevista no art. 32 da Lei nº 9.430/1996, sustentando que deveria ter sido oportunizada manifestação prévia, inclusive porque a suspensão pretendida da imunidade/isenção impactaria diretamente o seu interesse, dada a sujeição solidária atribuída. 2. Ausência de ato declaratório de suspensão da imunidade tributária e da isenção, bem como falta de prova de ciência ao INSAÚDE e de eventual impugnação, com menção ao § 9º do art. 32 da Lei nº 9.430/1996 para sustentar que tais peças deveriam estar reunidas no mesmo processo para julgamento conjunto. 3. Nulidade por enquadramento legal diverso/impreciso e por divergência entre “contexto” e “motivação”, ao sustentar incerteza se a imputação se daria pelo art. 124, II c/c art. 135, III, do CTN ou apenas pelo art. 135, sem indicação do inciso, e que haveria, ainda, divergência interna entre documentos quanto às condutas descritas. 4. Ilegitimidade ativa/incompetência da fiscalização para discussão do CEBAS, defendendo que a análise e decisão de concessão/renovação do certificado seria atribuída aos Ministérios previstos na Lei nº 12.101/2009 (com transcrição de arts. 21 e 24), cabendo à RFB, quando muito, representação ao órgão certificador; e sustentou que a lavratura imediata do auto, com desconstituição do CEBAS, seria ilegítima. 5. Violação de julgado do STF com repercussão geral (RE 566.622), ao sustentar a reserva de lei complementar para requisitos de imunidade e defender que exigências de leis ordinárias (mencionadas na peça) não seriam aplicáveis ao INSAÚDE, pleiteando, por isso, a nulidade do auto. Fl. 51726DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 152 6. Ilegitimidade passiva, ao alegar que teria sido vice-presidente apenas em parte do período fiscalizado e que teria se desligado do quadro de associados em 29/01/2018, afirmando que informação diversa no relatório fiscal estaria equivocada, além de sustentar inexistência de atuação concreta que caracterizasse excesso de poderes ou infração à lei/estatuto. 7. Juntada incompleta de documentos essenciais, ao afirmar que a fiscalização teria utilizado referência a “Nota Explicativa 16” sem anexá-la nem detalhar os dados correspondentes, o que, segundo a impugnação, teria prejudicado o contraditório e a ampla defesa. No mérito, caso superadas as preliminares, a parte-recorrente afirmou que a fiscalização visaria verificar o cumprimento de requisitos para o gozo da imunidade das contribuições previdenciárias e a obtenção/manutenção do CEBAS, destacando que, para o período fiscalizado, o INSAÚDE teria CEBAS regular (com menção, na peça, à Portaria 1.680/2017, referida no relatório fiscal). Sustentou que os requisitos aplicáveis à imunidade seriam os dos arts. 9º e 14 do CTN, e buscou demonstrar o atendimento por previsões estatutárias e pela existência do certificado, conforme argumentação desenvolvida na impugnação. A parte-recorrente também contestou a leitura fiscal sobre organizações sociais e contratos de gestão na saúde, defendendo que haveria distorção quanto ao modelo e quanto ao cômputo de atendimentos SUS para fins de CEBAS, e sustentando que repasses do contrato de gestão teriam natureza de fomento/custeio, não de pagamento por prestação de serviços, com transcrição de dispositivos da Lei nº 9.637/1998 e argumentação correlata. No ponto relativo à sua imputação pessoal, a parte-recorrente afirmou, em síntese, ausência de individualização de condutas no relatório fiscal e sustentou que não teria contratado nem participado da contratação de empresas mencionadas, além de reiterar que seu período como vice-presidente seria inferior ao lapso integral dos tributos exigidos, criticando a extensão temporal da sujeição solidária tal como aplicada. Desenvolveu, ainda, argumentação para sustentar que não seria sujeito passivo nem teria vinculação com o fato gerador das exações, e, por consequência, defendeu a inaplicabilidade, ao caso, dos arts. 124 e 135 do CTN, nos termos expostos na peça. Além disso, impugnou os capítulos do relatório fiscal sobre representação por improbidade administrativa e representação fiscal para fins penais, afirmando ausência de individualização de conduta e de elementos mínimos que permitissem contraditório, e, por fim, contestou a multa qualificada (150%), defendendo inexistência dos pressupostos para sua aplicação e pleiteando redução caso mantido o lançamento. Ao final, a parte-recorrente pediu: (a) o reconhecimento das nulidades do auto de infração e do processo fiscal suscitadas em preliminar; e (b) superadas as preliminares, o julgamento de improcedência do auto de infração. Fernando dos Santos Silva impugnou esse ato de constituição do crédito tributário. Fl. 51727DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 153 Na exposição inicial, a parte-recorrente afirmou tratar-se de autuação fundada em suposto descumprimento de requisitos legais para fruição de imunidade às contribuições sociais destinadas à Previdência Social, sustentando que os fundamentos invocados pela fiscalização não deveriam prevalecer. Descreveu que o Relatório Fiscal teria atribuído aos impugnantes, entre outras condutas,: (i) dilapidação patrimonial mediante “sonegação, fraude e conluio” (com referência a remuneração de dirigentes, contratações de pessoas jurídicas vinculadas a gestores e pagamentos por serviços reputados não comprovados), (ii) execução de atividade empresária por contratação de prestadores de serviços de gestão e negócios, (iii) cessão de mão de obra ao Poder Público e realização de processos seletivos, (iv) descumprimento de requisitos de imununidade em razão de ressalvas de auditoria independente e (v) descumprimento de requisitos de CEBAS, com fruição indevida de benefícios; quanto às pessoas físicas, afirmou que o Relatório teria concluído, sem lastro fático, por responsabilidade solidária por suposto excesso de poderes e infração à lei/estatuto. Em preliminar, a parte-recorrente sustentou, primeiro, que o procedimento fiscal delimitara o período de 01/01/2017 a 31/12/2018, mas que a autoridade fiscal teria se baseado em documentos e informações de períodos diversos, sem que se tratasse de hipótese que justificasse o exame de períodos não consignados no TDPF; por isso, pediu o desentranhamento de documentos relativos a período estranho à competência do auto. Ainda em preliminar, a parte-recorrente alegou nulidade pela utilização de prova emprestada, afirmando que a fiscalização teria empregado documentos e informações de procedimento fiscal alheio, envolvendo a entidade Pró-Saúde, sem vínculo com o INSAÚDE e sem adequada viabilização do contraditório, inclusive porque tais elementos não teriam sido juntados no procedimento. Defendeu, assim, que a autuação estaria baseada em Relatório Fiscal reputado nulo, por uso de provas sem pertinência com o caso, e pediu o reconhecimento da nulidade e, por consequência, a improcedência do lançamento. No mérito, a parte-recorrente desenvolveu argumentação, em linhas gerais, para sustentar a regularidade de pagamentos a dirigentes e a pessoas jurídicas. Afirmou existir distinção entre diretores estatutários (com disciplina estatutária própria, inclusive sobre remuneração) e diretores não estatutários, e sustentou que a legislação invocada na peça admitiria remuneração em diferentes hipóteses, defendendo ser indevida a leitura fiscal que equipararia regimes e imporia limitações não previstas para diretores não estatutários. A partir dessas premissas, contestou a conclusão fiscal de que contratações de pessoas jurídicas vinculadas a diretores não estatutários traduziriam remuneração oblíqua, fraude ou desvio, sustentando que os serviços contratados seriam específicos e distintos das atribuições de gestão. De modo segmentado, a parte-recorrente também enfrentou contratações citadas no Relatório Fiscal como supostamente irregulares, sustentando, entre outros pontos, que determinadas relações contratuais não estariam sequer abrangidas pelo período fiscalizado, e que, quando existentes, teriam objeto próprio e lícito (com referência, na peça, a contratos de prestação de serviços advocatícios e de consultoria médica, além de outras contratações). Ainda, Fl. 51728DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 154 impugnou fundamentos do Relatório Fiscal que, segundo a narrativa defensiva, teriam invocado normas e entendimentos que a parte-recorrente considerou inaplicáveis à entidade e ao modelo de atuação (inclusive menção a enunciado vinculante e a lei voltada a conflito de interesses no Poder Executivo federal). A parte-recorrente afirmou, ademais, que a fiscalização teria atribuído irregularidades pela não apresentação de documentos, sem considerar adequadamente os efeitos da denominada Operação Ouro Verde, narrando que documentos teriam sido objeto de busca e apreensão e estariam em poder do Ministério Público, de modo que a ausência documental no procedimento não autorizaria conclusões por suposição; no mesmo contexto, sustentou ser juridicamente possível a contratação direta de serviços técnicos especializados, conforme argumentação constante da peça. Quanto à responsabilidade solidária, a parte-recorrente sustentou que a inclusão de pessoas físicas como solidárias, com fundamento no art. 135 do CTN, exigiria individualização de condutas e comprovação de atos com excesso de poderes ou infração à lei/estatuto, o que, segundo afirmou, não teria ocorrido, pois os responsáveis teriam sido indicados de modo genérico, sob as mesmas imputações, sem demonstração de dolo ou fraude. Nessa linha, pediu o afastamento da responsabilidade solidária atribuída. No tocante ao terceiro setor e ao modelo de organizações sociais, a parte- recorrente sustentou que a atuação do INSAÚDE, por meio de contratos de gestão com o Poder Público, seria compatível com o regime jurídico aplicável e não caracterizaria cessão de mão de obra; argumentou que trabalhadores e prestadores seriam contratados para execução do objeto sob gestão da própria entidade, e não para mera colocação de mão de obra à Administração. Também defendeu a subsistência da imunidade e a inexistência de violação aos requisitos do art. 14 do CTN, além de impugnar a leitura fiscal de ressalvas de auditoria independente como suficientes para afastar o benefício. Ao final, a parte-recorrente pediu, em síntese, o acolhimento das preliminares (com desentranhamento por extrapolação temporal e reconhecimento de nulidade por prova emprestada) e, no mérito, o julgamento de improcedência do auto de infração, com afastamento das conclusões fiscais sobre irregularidade das contratações, descaracterização de atividade empresária/cessão de mão de obra, manutenção da imunidade e afastamento da responsabilidade solidária das pessoas físicas indicadas. Walter Souza Pinto impugnou esse ato de constituição do crédito tributário. Na exposição inicial, a parte-recorrente afirmou que o Relatório Fiscal teria se apoiado em interpretações jurídicas tidas por equivocadas e em suposições, concluindo pela violação de comandos tributários em razão, em síntese, de supostas condutas como: (i) dilapidação de patrimônio/rendas mediante sonegação, fraude e conluio, inclusive por remuneração de “diretores, administradores e conselheiros” em patamares reputados desproporcionais e por meio de pessoas jurídicas, contratação de pessoas jurídicas vinculadas a Fl. 51729DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 155 gestores para serviços tidos por típicos da administração, e pagamentos por serviços considerados não comprovados; (ii) execução de atividade empresária mediante contratação de prestadores de serviços de gestão e negócios; (iii) cessão de mão de obra ao Poder Público e realização de processos seletivos; (iv) descumprimento de requisitos de imunidade em razão de ressalvas de auditoria independente; e (v) descumprimento de requisitos para obtenção/manutenção de CEBAS, com fruição indevida de benefícios fiscais. Acrescentou que, no que lhe dizia respeito, o Relatório teria concluído, sem amparo fático suficiente, por responsabilidade solidária por suposto excesso de poderes e infração à lei/estatuto. Em preliminar, a parte-recorrente sustentou que o procedimento fiscal delimitara o período de 01/01/2017 a 31/12/2018, mas que a fiscalização teria utilizado documentos e informações de outros períodos para embasar o lançamento; com isso, a parte-recorrente pediu o reconhecimento de nulidade quanto ao que extrapolasse a competência temporal e o desentranhamento do que fosse estranho ao período fiscalizado. Ainda em preliminar, alegou nulidade pela utilização de prova emprestada, afirmando que a autoridade fiscal teria usado elementos ligados à entidade Pró-Saúde, estranha ao procedimento e sem vínculo com o INSAÚDE, inclusive sem juntada integral desses elementos e sem viabilização do contraditório; por isso, a parte-recorrente sustentou que o lançamento teria derivado de Relatório Fiscal reputado nulo, e pediu o reconhecimento dessa nulidade. No mérito, a parte-recorrente desenvolveu argumentação sobre remuneração de dirigentes, distinguindo entre diretores estatutários e diretores não estatutários, para afirmar que o regime jurídico permitiria remuneração em hipóteses específicas e que não seria lícito aplicar, por equiparação, limitações próprias de dirigentes estatutários a diretores não estatutários. A partir dessa premissa, sustentou a regularidade de contratações e pagamentos a pessoas jurídicas cujos sócios seriam diretores não estatutários, afirmando que tais serviços seriam específicos, lícitos e não se confundiriam com atribuições de gestão. A parte-recorrente também enfrentou, de modo segmentado, contratações reputadas problemáticas pela fiscalização, defendendo a licitude e a distinção entre as atividades contratadas e as funções diretivas; apontou, ainda, suposta inaplicabilidade de fundamentos invocados no Relatório Fiscal (por exemplo, referências a entendimento sumulado sobre nepotismo e a norma sobre conflito de interesses no Poder Executivo federal) ao contexto das entidades do terceiro setor. Em reforço, narrou que a fiscalização teria imputado irregularidades com base em ausência de documentos, sem considerar os efeitos da denominada Operação Ouro Verde, que teria ocasionado busca e apreensão de documentos e sua permanência com o Ministério Público; por isso, afirmou que não se poderia concluir por fraude a partir de suposições e defendeu a possibilidade de contratação direta de serviços especializados nos termos sustentados na peça. Quanto à responsabilidade solidária, a parte-recorrente sustentou que sua imputação exigiria comprovação e individualização de condutas e dos pressupostos do art. 135 do Fl. 51730DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 156 CTN, o que não teria ocorrido; por essa razão, pediu o afastamento da responsabilidade solidária atribuída às pessoas físicas. No tópico relativo ao terceiro setor e ao modelo de Organizações Sociais, a parte- recorrente afirmou que a atuação do INSAÚDE, por meio de contratos de gestão com o Poder Público, não configuraria cessão de mão de obra nem atividade empresária, mas execução de parceria para prestação de serviços sociais; nessa linha, defendeu o direito à imunidade tributária e a regularidade do CEBAS/Saúde, além de contestar o uso das ressalvas da auditoria independente como motivo bastante para afastamento do benefício. Ao final, a parte-recorrente pediu, em síntese: (i) preliminarmente, a declaração de nulidade do auto de infração quanto a fatos de períodos diversos do período fiscalizado e a declaração de nulidade por prova emprestada sem relação com o procedimento e sem contraditório; (ii) superadas as preliminares, o julgamento de improcedência do auto, reconhecendo a legalidade das contratações questionadas; (iii) o afastamento da responsabilidade solidária das pessoas físicas; (iv) o reconhecimento da legalidade do modelo de atuação do INSAÚDE como Organização Social, com declaração de inexistência de cessão de mão de obra e de atividade empresária, e reconhecimento do direito à imunidade e ao CEBAS/Saúde; (v) subsidiariamente, o afastamento ou redução de multa tida por confiscatória; e (vi) o reconhecimento de inexistência de ato de improbidade administrativa ou conduta penal imputável. O contribuinte impugnou esse ato de constituição do crédito tributário, ao narrar que Marco Antonio da Silva Filho apresentou impugnação administrativa, no Processo nº 15746- 722.252/2021-80, contra autos de infração lavrados em face da INSAÚDE – Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde, relativamente aos quais teria sido responsabilizado por solidariedade. Na narrativa dos fatos, a parte-recorrente afirmou tratar-se de autuações referentes ao lançamento de ofício de débitos de Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e GILRAT (com variações por FAP), além de Contribuições de Terceiros (indicando, na peça, salário- educação/FNDE, INCRA, SEBRAE, SENAC e SESC), atinentes ao período de 2017 a 2018, acrescidos de multa qualificada e juros, totalizando, segundo a impugnação, R$ 86.852.683,15. Sustentou que as autuações se lastrearam no TDPF nº 08.1.90.00-2020-00691-7, por meio do qual a fiscalização teria apurado irregularidades no cumprimento de requisitos para o gozo da imunidade das contribuições previdenciárias e de requisitos para obtenção e manutenção do CEBAS, afirmando, ainda, que o trabalho fiscal teria imputado à INSAÚDE a adoção de “estratagemas” para enriquecimento indevido de terceiros, inclusive por remuneração “oblíqua” de membros da diretoria/administração e conselheiros. Em sequência, a parte-recorrente afirmou que sua inclusão no polo passivo teria sido indevida, porquanto teria atuado como empregado celetista, em funções essencialmente técnicas (gestor/administrador hospitalar), sem participação na gestão administrativa, financeira Fl. 51731DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 157 ou fiscal da entidade; e aduziu que, embora o lançamento o tratasse como corresponsável, o fundamento apontado seria o art. 135 do CTN, que, segundo a impugnação, veicula hipótese de responsabilidade pessoal de terceiros, exigente de individualização de condutas e de demonstração de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Sustentou, assim, inexistir individualização de conduta e inexistirem indícios de atos irregulares/criminosos praticados por si, além de afirmar não integrar o rol de acusados de recebimento de vantagens indevidas, concluindo que as cobranças deveriam ser canceladas em relação a ele, independentemente do desfecho do mérito quanto à INSAÚDE. Em preliminar, a parte-recorrente alegou nulidade da intimação por edital eletrônico e consequente cerceamento de defesa. Narrou que somente tomou conhecimento dos autos em 28/12/2021, ao acessar a caixa postal do e-CAC, ocasião em que teria identificado mensagem de 17/11/2021 sobre a publicação de edital eletrônico (Edital nº 011528024), defendendo que a intimação por edital seria medida residual, condicionada à demonstração de insucesso de formas ordinárias de intimação, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, e invocou também regras do CPC/2015 sobre citação por edital para sustentar a excepcionalidade do meio. Sustentou que seu endereço seria certo e reiteradamente informado em DIRPF, e que não teria havido diligência suficiente para justificar a intimação editalícia, indicando entendimento jurisprudencial do CARF sobre nulidade de intimação por edital quando não demonstrada tentativa efetiva de intimação ordinária. Nessa linha, defendeu a tempestividade da impugnação, com termo inicial em 29/12/2021 e termo final em 27/01/2022. Ainda em preliminar, a parte-recorrente sustentou sua legitimidade para impugnar, por constar termo de responsabilidade em seu desfavor, e delimitou que a sua defesa se voltaria exclusivamente à legalidade/legitimidade de sua responsabilização, e não ao mérito da imunidade/CEBAS da INSAÚDE. No mérito da controvérsia por ele delimitada (responsabilização), a parte- recorrente alegou: (i) nulidade do lançamento em relação a si por ausência de intimação no curso da fiscalização para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, invocando dispositivos da Lei nº 9.784/1999 sobre intimação de interessados e alegando cerceamento de defesa; (ii) erro no fundamento jurídico, por entender incompatível a utilização do art. 135 do CTN para responsabilização “solidária” concomitante à manutenção da INSAÚDE no polo passivo; (iii) impossibilidade de fundamentar responsabilização com base em imputações de ilícitos penais/improbidade antes da constituição definitiva do crédito tributário; (iv) ausência de prova e de individualização de conduta; e (v) impossibilidade de responsabilização por mero inadimplemento, com referência à orientação jurisprudencial que a impugnação associou à Súmula 430 do STJ e a disposições da Lei nº 13.874/2019. Ao descrever suas atribuições, a parte- recorrente afirmou ter trabalhado na INSAÚDE de 28/08/2017 a 28/09/2018, inicialmente como administrador hospitalar e, em 2018, como “Diretor de Operações”, mantendo condição de empregado e atribuições técnicas/operacionais, sem poderes de gestão administrativa ou financeira e sem participação em temas fiscais ou de incentivos. Reiterou que as acusações do Fl. 51732DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 158 relatório fiscal (pagamentos a pessoas jurídicas, serviços não comprovados e afins) não o alcançariam e que o lançamento teria se apoiado em presunções derivadas do nome do cargo, sem prova concreta. Ao final, a parte-recorrente pediu: (i) preliminarmente, o reconhecimento da nulidade da intimação por edital; (ii) sucessivamente, o reconhecimento da tempestividade e o regular processamento da impugnação, com suspensão da exigibilidade do crédito em relação ao impugnante; (iii) ainda em preliminar, a declaração de nulidade dos autos de infração, especialmente quanto ao termo de responsabilização, por ausência de sua intimação durante a fiscalização; (iv) alternativamente, caso afastada a preliminar anterior, o cancelamento integral dos autos em relação a si, por impossibilidade de responsabilização pessoal, notadamente com base no art. 135 do CTN; e (v) a produção de provas e a eventual conversão do julgamento em diligência. Anis Ghattás Mitri Filho impugnou esse ato de constituição do crédito tributário. De início, a parte-recorrente sustentou a tempestividade da impugnação, ao afirmar ter sido intimada em 10/11/2021 acerca do termo de sujeição passiva solidária e que o prazo final ocorreria em 10/12/2021, tendo protocolizado a peça em 09/12/2021. Na síntese do termo, a parte-recorrente afirmou tratar-se de auto/termo lavrado contra si relativamente à Contribuição Previdenciária Patronal e Contribuições de Terceiros, sob a premissa de violação de requisitos legais para fruição da imunidade tida como aplicável ao INSAÚDE, e que essa premissa teria sido utilizada para construir uma “pretensa e equivocada” responsabilidade tributária solidária da pessoa física, com base no TDPF/Relatório Fiscal produzido em face da entidade. Indicou, ainda, que o lançamento teria sido quantificado, na consolidação de novembro/2021, em R$ 86.852.683,15, correspondente à soma de R$ 68.858.231,18 (Contribuições Previdenciárias da Empresa e do Empregador) e R$ 17.994.451,97 (Contribuições para Outras Entidades e Fundos). A parte-recorrente transcreveu que o Relatório Fiscal teria atribuído a diretores/administradores/conselheiros condutas como: (i) dilapidação de patrimônio/rendas mediante “sonegação, fraude e conluio” (inclusive por remuneração desproporcional e contratações de pessoas jurídicas de gestores), (ii) sonegação previdenciária e falseamento de declarações (GFIP, DIRF e lançamentos contábeis) por pagamentos a pessoas jurídicas, (iii) manutenção de escrituração contábil reputada dissonante/sem lastro idôneo, (iv) exercício dissimulado de atividade empresária (cessão de mão de obra), e (v) descumprimento reiterado de requisitos de imunidade/isenção; e afirmou que, no seu caso, a fiscalização teria sustentado pagamento “de forma oblíqua” por meio da empresa Dermacor Saúde e Medicina Hospitalar Ltda. (CNPJ 20.226.804/0001-10), associando isso à sua atuação como Diretor Técnico em parte de 2018. Em preliminares, a parte-recorrente alegou nulidade do auto/termo e cerceamento de defesa, por afirmar que o TDPF foi instaurado em face do INSAÚDE e que ela não teria sido Fl. 51733DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 159 intimada, ao longo da fiscalização, para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, tendo tomado ciência apenas com o recebimento do auto em novembro/2021; sustentou, assim, que a autoridade fiscal teria atribuído má-fé e conclusões desfavoráveis sem oportunizar contraditório específico à pessoa física incluída como solidária. Ainda em preliminar, alegou nulidade por uso de documentos de outros procedimentos/processos e por possível prova emprestada sem juntada integral e sem contraditório, mencionando, como exemplos, referências a processos/provas envolvendo a Pró-Saúde, a processo cautelar sob segredo de justiça e a trechos de auditoria independente, em períodos que afirmou não abrangerem sua atuação, e defendeu o desentranhamento/invalidade do conjunto probatório, por falta de disponibilização integral e de intimação para manifestação. Ainda em preliminar, a parte-recorrente alegou ilegitimidade para figurar no polo passivo, ao sustentar que: (i) não teria praticado atos de gestão administrativa; (ii) sua contratação teria ocorrido apenas em 06/02/2018; e (iii) a fiscalização teria confundido Diretor Técnico (médico responsável técnico) com Diretor Executivo, afirmando que o cargo de diretor técnico seria obrigatório em organizações hospitalares e teria atribuições técnicas e éticas perante o Conselho de Medicina, sem se confundir com direção estatutária/gestão da entidade. No mérito, a parte-recorrente enfrentou, ponto a ponto, imputações do Relatório Fiscal associadas à empresa Dermacor, afirmando, por exemplo, que não seria “único sócio” e que a fiscalização teria feito ilações com base em GFIP e DIRF para sustentar impossibilidade de prestação de serviços; também alegou que a contratação por pessoa jurídica se referiria a serviços técnicos especializados de consultoria médica e de diretoria técnica médica, defendendo tratar-se de prestação de natureza intelectual e invocando, na argumentação, dispositivos legais e referências jurisprudenciais transcritas na peça para sustentar a licitude do arranjo (inclusive menção ao art. 129 da Lei nº 11.196/2005 e a julgamento em ADC 66). Afirmou, ademais, que a fiscalização teria mencionado busca e apreensão de documentos sem anexar os elementos correspondentes ao TDPF, reiterando a crítica de ausência de contraditório específico e de lastro probatório acessível. Em tópico próprio, a parte-recorrente distinguiu solidariedade tributária (art. 124 do CTN) de responsabilidade de terceiros (art. 135 do CTN), sustentando que o “interesse comum” do art. 124, I, seria interesse jurídico, não mero interesse econômico, e que, por atuar como diretor técnico, não teria vínculo jurídico com o fato gerador nem teria participado da gestão apta a ensejar a transferência pretendida; nessa linha, desenvolveu argumentação doutrinária e mencionou precedente administrativo transcrito na peça sobre a exigência de comprovação de interesse jurídico direto e pessoal para a solidariedade. Ao final, a parte-recorrente pediu o acolhimento da impugnação, com a desconstituição do auto/termo em relação à pessoa física, seja pelo acolhimento das nulidades arguidas, seja pelo mérito, ao reiterar que não teria integrado quadros estatutários ou de conselho, que teria prestado serviços apenas em parte de 2018 como Diretor Técnico Médico (não confundível com diretor executivo) e que inexistiriam pressupostos para responsabilização Fl. 51734DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 160 solidária por ausência de poder de gestão e de prática de atos com excesso de poderes ou infração a lei/estatuto. Waldomiro Monforte Pazin impugnou esse ato de constituição do crédito tributário. De início, a parte-recorrente sustentou a tempestividade: afirmou ter sido intimada em 10/11/2021, apontou termo final em 10/12/2021 e consignou que protocolizou a peça em 09/12/2021. Na síntese do termo, a parte-recorrente descreveu que o auto/termo teria sido lavrado contra si relativamente à Contribuição Previdenciária Patronal e contribuições de terceiros, fundado em suposta violação de requisitos legais para fruição da imunidade atribuída ao INSAÚDE, e que tal premissa teria sido utilizada para construir uma “pretensa” responsabilidade tributária solidária da pessoa física do impugnante, com base no TDPF/Relatório Fiscal produzido contra a entidade. Indicou que o lançamento teria sido quantificado, na consolidação de novembro/2021, em R$ 86.852.683,15, correspondente à soma de R$ 68.858.231,18 (contribuições previdenciárias da empresa e do empregador) e R$ 17.994.451,97 (contribuições para outras entidades e fundos). A parte-recorrente transcreveu que o Relatório Fiscal teria atribuído a diretores/administradores/conselheiros condutas como: (i) dilapidação de patrimônio/rendas por “sonegação, fraude e conluio”, incluindo remuneração reputada desproporcional e contratações de pessoas jurídicas de gestores; (ii) falseamento de declarações (GFIP, DIRF e lançamentos contábeis) por pagamentos a pessoas jurídicas; (iii) manutenção de escrituração contábil reputada dissonante/sem lastro; (iv) exercício dissimulado de atividade empresária (cessão de mão de obra); e (v) descumprimento reiterado de requisitos de imunidade/isenção. No que lhe dizia respeito, afirmou que a fiscalização teria associado ao seu nome o recebimento de valores “de forma oblíqua” por meio das empresas ID Vida Identificação, Informação e Monitoramento Ltda. e WMP Consult EIRELI, e vinculou sua atuação, no INSAÚDE, a participação em Conselho de Administração por período aproximado de um mês em 2016, com menção a pedido de renúncia e exclusão do quadro de associados. Em preliminares, a parte-recorrente alegou nulidade do auto/termo e cerceamento de defesa, ao sustentar que o TDPF teria sido instaurado em face do INSAÚDE e que ela não teria participado do procedimento fiscal, nem teria sido intimada, ao longo da fiscalização, para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, tomando ciência apenas com o recebimento do auto, o que, segundo afirmou, teria acarretado violação ao contraditório e à ampla defesa. Ainda, alegou nulidade por possível uso de prova emprestada, ao afirmar que a autoridade fiscal teria utilizado documentos relacionados a outros procedimentos/processos, inclusive processos cautelares sob segredo de justiça, informações e decisões envolvendo a Pró-Saúde, trechos de auditoria independente com ressalvas e manifestações/opiniões mencionadas sem juntada integral; sustentou que tais elementos não teriam sido anexados integralmente ao TDPF, nem Fl. 51735DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 161 teria sido oportunizada manifestação específica, e, por isso, teria havido nulidade por ausência de clareza do conjunto probatório e prejuízo à defesa. Ainda em preliminar, a parte-recorrente alegou ausência de legitimidade para figurar no polo passivo, afirmando que não permaneceu no Conselho de Administração no período de apuração do TDPF (2017 e 2018), mas apenas no período de 28/06/2016 a 02/08/2016; por isso, sustentou que não poderia ser responsabilizada por decisões e fatos posteriores, nem por supostos atos de gestão no lapso fiscalizado, e que não haveria prova de que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei/estatuto/contrato. No mérito, a parte-recorrente organizou a defesa em tópicos. Em relação à empresa ID Vida, afirmou que integrou o quadro societário de 20/12/2005 a 03/03/2015, tendo se retirado antes do período fiscalizado; sustentou desconhecer relações comerciais posteriores da empresa e afirmou que a fiscalização teria construído vinculações indevidas a partir de notas fiscais e alterações de objeto social anteriores à sua participação no Conselho, defendendo inexistir prova de repasses ao impugnante ou de simulação para desvio, apenas pelo fato de ter sido sócio em período pretérito. Quanto à WMP Consult EIRELI, afirmou que se trata de empresa individual voltada à consultoria em gestão e negócios em saúde, e narrou que, após tratativas no início de 2017, teria prestado serviços de consultoria e assessoria ao INSAÚDE de 10/02/2017 a 15/12/2017, mediante contrato e posterior distrato, defendendo que tais atividades seriam diversas das atribuições de conselheiro, além de sustentar que não havia documento no auto/TDPF que comprovasse poderes de direção/gestão, procurações, atas ou atos que indicassem excesso de poder ou infração. Em tópico próprio, a parte-recorrente desenvolveu argumentação acerca de responsabilidade solidária, distinguindo solidariedade (art. 124 do CTN) de responsabilidade de terceiros (art. 135 do CTN), e sustentou que o “interesse comum” do art. 124, I, seria jurídico e demandaria demonstração cabal de relação direta e pessoal com a prática dos atos que deram origem à relação jurídico-tributária; nessa linha, afirmou que, por não integrar a gestão no período fiscalizado, não teria interesse jurídico comum, nem teria contribuído para o suposto descumprimento de requisitos de imunidade, tampouco para simulações/fraudes imputadas. Ao final, a parte-recorrente pediu o acolhimento da impugnação, com a desconstituição do auto/termo em relação à pessoa física, seja pelo acolhimento das nulidades arguidas (cerceamento de defesa e prova emprestada), seja pelo mérito, ao sustentar que não integrava o conselho no período de 2017 e 2018, que prestou serviços apenas em 2017 por pessoa jurídica, e que não haveria pressupostos para responsabilização solidária por ausência de poder de gestão e de atos com excesso de poderes ou infração à lei/estatuto/contrato. Ao apreciar a impugnação, o órgão julgador de origem houve por bem julgá-la parcialmente procedente, mantendo o crédito tributário em parte e preservando a responsabilidade solidária nos limites do período de atuação de cada sujeito passivo, nos termos Fl. 51736DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 162 do voto condutor do Acórdão nº 106-047.157, proferido na 15ª Turma/DRJ06, em sessão de 11/07/2024, no processo 15746.722252/2021-80. No mérito, o acórdão consignou, em ementa, que não faria jus à imunidade das contribuições sociais a entidade que não cumprisse todos os requisitos condicionantes para fruição do benefício, e que diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito privado poderiam ser pessoalmente responsabilizados por obrigações resultantes de atos praticados com infração à lei, além de registrar a incidência de legislação superveniente mais benéfica quanto à multa. Quanto à penalidade, o voto explicitou que a multa fora aplicada com fundamento na legislação de regência (inclusive art. 44 da Lei nº 9.430/1996), destacando que a qualificação se vinculava às hipóteses legais pertinentes, e assentou que, em razão de alteração legislativa superveniente (Lei nº 14.689/2023), deveria ser observada a multa mais benéfica, com redução do percentual para 100%. No tocante à sujeição passiva de terceiros, o acórdão registrou que a responsabilidade solidária atribuída deveria ser mantida nos limites temporais da atuação de cada um, tendo discriminado, ao final, os respectivos períodos. Em relação a situações individuais, o voto reconheceu, por exemplo, a impossibilidade de manutenção de MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH no polo passivo, por início de atuação apenas em 2019, após o período autuado, determinando sua exclusão. Também julgou procedente a impugnação de WALDOMIRO MONFORTE PAZIM para excluí-lo do polo passivo, por não integrar a direção no período de 2017 e 2018. Ao final, o dispositivo do acórdão deliberou, em síntese: (i) procedência parcial das impugnações de INSAUDE e de NELSON ALVES LIMA, MARCUS VINÍCIUS ALVES DA SILVA RODRIGUES, ENYLO VINICIUS FARIA e MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH, para excluir MARCELO GURJÃO SILVEIRA AITH do polo passivo e reduzir a multa para 100%; (ii) procedência parcial, para redução da multa a 100%, das impugnações de RONALDO PASQUARELLI, SILVANA PASQUARELLI, CARLOS JOSE MASSARENTI, WALTER SOUZA PINTO e ANIS GHATTAS MITRI FILHO; (iii) não conhecimento da impugnação de FERNANDO DOS SANTOS SILVA; (iv) conhecimento parcial, apenas quanto à tempestividade, da impugnação de MARCO ANTONIO DA SILVA FILHO, julgando- se improcedente a parte conhecida; e (v) procedência da impugnação de WALDOMIRO MONFORTE PAZIM para sua exclusão do polo passivo. Feita essa síntese, passa-se ao exame das questões de fundo. Fl. 51737DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 163 3 PRELIMINARES 3.1 RV DE MARCO ANTÔNIO DA SILVA FILHO 3.1.1 PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO A fundamentação do acórdão recorrido, ao condicionar a eficácia da informação de endereço constante das DIRPFs à prévia marcação de campo específico de confirmação (“houve alteração de dados cadastrais”), revela-se juridicamente frágil, por assentar-se em uma presunção normativa que não decorre do texto dos decretos citados nem se harmoniza com princípios estruturantes do processo administrativo tributário. Com efeito, a exigência de marcação de um campo de checagem (“tique”) como condição necessária para a atualização cadastral não encontra respaldo explícito no art. 30 do Decreto nº 3.000/1999 nem no art. 28 do Decreto nº 9.580/2018. Ambos os dispositivos se limitam a impor ao contribuinte o dever de comunicar a mudança de endereço, admitindo, inclusive, que essa comunicação seja realizada por ocasião da entrega da declaração de rendimentos, sem qualquer distinção, no plano normativo, entre “campo principal” e “campo acessório” do formulário eletrônico. Não há, portanto, base legal ou regulamentar para concluir que a informação prestada de forma expressa no campo próprio de endereço, por extenso e com numeração específica, seja juridicamente ineficaz apenas pela ausência de marcação de uma caixa de verificação. Mais do que isso, admitir tal interpretação implica transferir ao contribuinte os ônus de uma falha de desenho do próprio mecanismo eletrônico disponibilizado pela Administração. Se o sistema da DIRPF permite a inserção ou modificação de dados sensíveis, como endereço completo, em campo textual ou numérico próprio, sem rejeição automática, sem alerta ostensivo e sem bloqueio do envio da declaração, não é juridicamente sustentável presumir que essa informação seja irrelevante ou inidônea para fins cadastrais. A ausência de qualquer mensagem de erro, advertência clara ou impedimento técnico afasta a possibilidade de imputar ao contribuinte a consciência de que estaria descumprindo um dever formal, sobretudo quando a informação prestada é materialmente completa e reiterada ao longo dos anos. Nesse contexto, eventual orientação infraordinária extraída de manuais, menus de ajuda ou fluxos internos do sistema eletrônico, ainda que existente, mostra-se derrotável diante dos princípios da boa-fé objetiva, da confiança legítima e da imprescindibilidade de efetiva cientificação do sujeito passivo acerca do lançamento, seu conteúdo, características, e direito ao controle administrativo, via impugnação, especialmente quando o próprio comportamento da administração revela a aceitação reiterada das declarações com o endereço informado (i.e., sem a rejeição do campo por extenso, apesar da falta de marcação da caixa de mudança). Não se pode exigir do administrado um grau de tecnicidade superior àquele incorporado pelo próprio sistema oficial, nem converter uma deficiência de arquitetura informacional em fundamento suficiente para validar uma ciência ficta por edital, modalidade sabidamente excepcional. Fl. 51738DF CARF MF Original D O C U M E N TO V A LI D A D O ACÓRDÃO 2202-011.798 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.722252/2021-80 164 Diante do exposto, acolho o argumento. Considerado que o acórdão-recorrido nada disse sobre as questões de mérito, e que é impossível dar integral provimento ao recurso voluntário, por ausência de questões incontroversas, faz-se necessário que os autos retornem à origem, para, especificamente, superar a intempestividade, e examinar as demais questões até então tidas por prejudicadas, como entender de direito. Fica prejudicado o exame das questões restantes, deste e dos demais recursos voluntários e de ofício. 4 DISPOSITIVO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário interposto por Marco Antônio da Silva Filho, e DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, tão-somente para reformar o acórdão-recorrido na parte em que reconheceu a intempestividade da impugnação, para superá-la, de modo a permitir que o órgão competente examine as demais questões presentes nessa específica peça, como entender de direito. É como voto. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 51739DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 CONHECIMENTO DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS 2 QUADRO FÁTICO-JURÍDICO 3 PRELIMINARES 3.1 RV de Marco Antônio da Silva Filho 3.1.1 Preliminar de tempestividade da impugnação 4 DISPOSITIVO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912702/2022-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2017
IRPJ E CSLL. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS EM SEDE DE PARCELAMENTO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE ESPECÍFICA. NECESSIDADE DE DESPACHO COMPLEMENTAR. RETORNO À ORIGEM.
Não examinada a controvérsia sob a perspectiva da formação de saldo negativo decorrente do pagamento de estimativas mensais no âmbito de parcelamento, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com reabertura do prazo para manifestação do contribuinte e regular prosseguimento do feito.
Numero da decisão: 1102-001.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com posterior regular prosseguimento do feito, observados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1102-001.899, de 27 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 13603.904955/2018-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026
anomes_sessao_s : 202602
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 IRPJ E CSLL. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS EM SEDE DE PARCELAMENTO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE ESPECÍFICA. NECESSIDADE DE DESPACHO COMPLEMENTAR. RETORNO À ORIGEM. Não examinada a controvérsia sob a perspectiva da formação de saldo negativo decorrente do pagamento de estimativas mensais no âmbito de parcelamento, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com reabertura do prazo para manifestação do contribuinte e regular prosseguimento do feito.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
numero_processo_s : 10680.912702/2022-01
anomes_publicacao_s : 202604
conteudo_id_s : 7357267
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
numero_decisao_s : 1102-001.912
nome_arquivo_s : Decisao_10680912702202201.PDF
ano_publicacao_s : 2026
nome_relator_s : FERNANDO BELTCHER DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10680912702202201_7357267.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com posterior regular prosseguimento do feito, observados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1102-001.899, de 27 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 13603.904955/2018-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
id : 11294324
ano_sessao_s : 2026
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:40 UTC 2026
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1862800860063465472
conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-07T12:06:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-07T12:06:57Z; Last-Modified: 2026-04-07T12:06:57Z; dcterms:modified: 2026-04-07T12:06:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-07T12:06:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-07T12:06:57Z; meta:save-date: 2026-04-07T12:06:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-07T12:06:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-07T12:06:57Z; created: 2026-04-07T12:06:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2026-04-07T12:06:57Z; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-07T12:06:57Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10680.912702/2022-01 ACÓRDÃO 1102-001.912 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 27 de fevereiro de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE TECIDOS E ARMARINHOS MIGUEL BARTOLOMEU S/A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2017 IRPJ E CSLL. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS EM SEDE DE PARCELAMENTO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE ESPECÍFICA. NECESSIDADE DE DESPACHO COMPLEMENTAR. RETORNO À ORIGEM. Não examinada a controvérsia sob a perspectiva da formação de saldo negativo decorrente do pagamento de estimativas mensais no âmbito de parcelamento, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com reabertura do prazo para manifestação do contribuinte e regular prosseguimento do feito. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com posterior regular prosseguimento do feito, observados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1102- 001.899, de 27 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 13603.904955/2018- 28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Fl. 527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.912 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912702/2022-01 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no bojo de Programa Especial de Parcelamento – Reabertura da Lei 11.941/2009 pela Lei 12.865/2013. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2017 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. FORMALIZAÇÃO POR PER/DCOMP. O sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior em face da legislação tributária aplicável. O requerimento será formalizado por meio do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou por meio do formulário Pedido de Restituição ou de Ressarcimento, caso não seja possível utilizar o programa PER/DCOMP. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. FORMALIZAÇÃO POR PER/DCOMP. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. A declaração de compensação será formalizada por meio do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou mediante o formulário Declaração de Compensação, constante, caso não seja possível utilizar o programa PER/DCOMP. PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/2009. CONFISSÃO IRREVOGÁVEL E IRRETRATÁVEL. A opção pelos parcelamentos de que trata a Lei nº 11.941/2009 importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de Fl. 528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.912 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912702/2022-01 3 contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. O sujeito passivo que possuir ação judicial em curso, na qual requer o restabelecimento de sua opção ou a sua reinclusão em outros parcelamentos, deverá, como condição para valer-se das prerrogativas da Lei nº 11.941/2009, desistir da respectiva ação judicial e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se funda a referida ação, protocolando requerimento de extinção do processo com resolução do mérito até 30 (trinta) dias após a data de ciência do deferimento do requerimento do parcelamento. DEFINITIVIDADE DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS. PAF. São definitivas as decisões: de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; e de instância especial. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, solicitando: seja dado PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para reformar o Acórdão nº 101-026.606 DRJ01, deferindo o direito creditório pleiteado, a ser acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, a contar do pagamento no parcelamento, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que disponibilizado, com a integral homologação da compensação. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Mérito Fl. 529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.912 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912702/2022-01 4 Cuida-se de recurso voluntário interposto em face de despacho decisório que não homologou compensações declaradas em PER/DCOMP, sob o fundamento de inexistência de pagamento indevido ou a maior. Da análise dos autos e dos memoriais apresentados, verifica-se que a controvérsia foi examinada exclusivamente sob a ótica de eventual indébito tributário, isto é, como se o contribuinte estivesse pleiteando restituição de valores pagos indevidamente ou em montante superior ao devido. Entretanto, a tese deduzida pelo contribuinte não se limita à alegação de pagamento indevido. Sustenta-se, em verdade, a existência de saldo negativo de IRPJ/CSLL, materializado pela soma de estimativas mensais recolhidas — inclusive aquelas quitadas no âmbito de parcelamento especial — em confronto com o tributo apurado ao final do período-base. Trata-se, portanto, de fundamento jurídico distinto, que demanda análise própria e específica. A sistemática do saldo negativo não se confunde com a repetição de indébito. Enquanto esta pressupõe pagamento indevido ou a maior em relação a débito certo, aquela decorre da apuração anual do imposto, com confronto entre o montante total recolhido ao longo do período (estimativas) e o tributo efetivamente devido. Constata-se que a unidade de origem não examinou expressamente a questão sob essa perspectiva jurídica — qual seja, a formação de saldo negativo a partir de estimativas mensais pagas em sede de parcelamento — limitando-se à abordagem do indébito o que pode gerar consequências procedimentais próprias. Tal circunstância impõe, assim, o retorno dos autos para complementação da análise, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal administrativo. Neste sentido, entendo que deve ser aplicada a inteligência da Sumula n. 175 deste CARF, que dispõe: É possível a análise de indébito correspondente a tributos incidentes sobre o lucro sob a natureza de saldo negativo se o sujeito passivo demonstrar, mesmo depois do despacho decisório de não homologação, que errou ao preencher a Declaração de Compensação – DCOMP e informou como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa integrante daquele saldo negativo. Diante disso, entendo necessário que o processo retorne à unidade de origem para que: 1. Seja proferido despacho decisório complementar, apreciando especificamente a existência — ou não — de saldo negativo de IRPJ/CSLL, considerando os valores recolhidos a título de estimativas mensais no âmbito do parcelamento; Fl. 530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.912 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.912702/2022-01 5 2. Análise eventual decadência confrontando a data da estimativa e da PER/DCOMP; 3. Seja reaberto o prazo legal para manifestação do contribuinte, com regular intimação; 4. Após, o processo retome seu curso regular, com nova apreciação pelas instâncias competentes. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com posterior regular prosseguimento do feito, observados o contraditório e a ampla defesa. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para emissão de despacho decisório complementar, com posterior regular prosseguimento do feito, observados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do voto. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator Fl. 531DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
