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Numero do processo: 10825.901647/2008-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao contribuinte o labor no sentido de provar o indébito que outorgaria lastro ao pleito de compensação, sem prejuízo da atuação administrativa em prestígio à verdade material e à legalidade da tributação. No caso em que nem mesmo um início de prova vem aos autos, pelas mãos de quem postula a repetição, a compensação deve ser indeferida.
Numero da decisão: 1801-002.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ANA DE BARROS WIPPRICH - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO MENDONÇA MARQUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANA DE BARROS WIPPRICH (Presidente), MARIA DE LOURDES RAMIREZ, ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONÇA MARQUES, FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao contribuinte o labor no sentido de provar o indébito que outorgaria lastro ao pleito de compensação, sem prejuízo da atuação administrativa em prestígio à verdade material e à legalidade da tributação. No caso em que nem mesmo um início de prova vem aos autos, pelas mãos de quem postula a repetição, a compensação deve ser indeferida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS WIPPRICH - Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO MENDONÇA MARQUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANA DE BARROS WIPPRICH (Presidente), MARIA DE LOURDES RAMIREZ, ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONÇA MARQUES, FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao contribuinte o labor no sentido de provar o indébito que outorgaria lastro ao pleito de compensação, sem prejuízo da atuação administrativa em prestígio à verdade material e à legalidade da tributação. No caso em que nem mesmo um início de prova vem aos autos, pelas mãos de quem postula a repetição, a compensação deve ser indeferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS WIPPRICH Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO MENDONÇA MARQUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANA DE BARROS WIPPRICH (Presidente), MARIA DE LOURDES RAMIREZ, ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONÇA MARQUES, FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 16 47 /2 00 8- 76 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 05/03 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Relatório A presente lide foi estabelecida pela insurgência da pessoa jurídica contribuinte, contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada com base em suposto crédito relativo ao 3º trimestre de 2005. O sujeito passivo foi previamente intimado pela autoridade fiscal, que apontou incongruências nos dados constantes da DIPJ do período de origem do suposto crédito, solicitando sua retificação. O resultado da apuração decorrente dos dados da DIPJ era de débito a pagar e não saldo negativo. Não houve resposta a tal intimação. Em manifestação de inconformidade a empresa admite as inexatidões no preenchimento da DIPJ, e que teria deixado de informar as retenções na fonte sofridas em 2005. E que tais retenções foram informadas em DIPJ retificadora (de agosto de 2008, sendo que o despacho decisório é de outubro de 2008) e na PERDCOMP. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Após alguns apontamentos quanto à sistemática das compensações dos tributos federais, ao ônus da prova e à tributação pelo lucro real trimestral, partindo do CTN e passando pelas normas específicas, afirmou que a retificação da DIPJ não é suficiente, pois a prova do indébito depende de várias outras comprovações contábeis e documentais. E concluiu, dizendo que a contribuinte, no presente caso, “não apresentou os referidos documentos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de declarações prestadas à RFB juntadas aos autos, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória do pedido em exame.” Em recurso voluntário a empresa aduziu: admissibilidade do recurso voluntário; discorre sobre a “função da conta”, referindo as contas contábeis caixa, banco, clientes, etc... reitera a validade da DIPJ retificada para lastrear a comprovação do crédito, trazendo jurisprudência que seria pertinente, sobre a juntada posterior de provas; requer a reforma da decisão da DRJ para que seja reconhecido o crédito e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 05/03 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10825.901647/200876 Acórdão n.º 1801002.120 S1TE01 Fl. 127 3 A conclusão alcançada pela decisão recorrida, ao manter o despacho decisório, não merece reparos. O despacho decisório indeferiu o pleito, por falta de elementos que demonstrassem, ou ao menos tangenciassem a demonstração de que haveria indébito no período invocado pela ora recorrente. A DRJ manteve o entendimento da origem, mesmo após a retificação (da DIPJ), porque efetivamente essas alterações, por si só, não comprovam o indébito. A decisão ora recorrida advertiu sobre a ausência dos elementos necessários para a demonstração do saldo negativo composto por retenções, nos termos abaixo: “Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos das retenções na fonte; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a eventual apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e; 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc.. e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo.” Mesmo tendo ciência dos termos da decisão a quo, que foi bastante didática no apontamento de quais seriam os elementos de prova necessários para confirmar a existência do direito à compensação, a ora recorrente não juntou qualquer documento comprobatório. A orientação deste Colegiado de 2ª Instância tem sido no sentido de prestigiar a busca da verdade material, aceitando eventualmente a juntada de documentos com o recurso (quando a necessidade dos mesmos não fora explicitada no despacho decisório eletrônico, sendo questionada na DRJ), ou convertendo o julgamento em diligência, quando nas etapas processuais anteriores esse “alerta” quanto às provas faltantes não tenha sido exposto. Sobre o ônus da prova em processo de declaração de compensação, válida a colação de enunciado inscrito no Acórdão 1103.00.371, de lavra do i. Conselheiro Marcos Shigueo Takata: COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – VERDADE MATERIAL Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à contribuinte, não é cabível convolar este juízo em fase Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 05/03 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 4 de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. O princípio da verdade material não é absoluto. Ademais, não é a DIPJ que define o regime de apuração do lucro – real, presumido ou arbitrado. A recorrente, que formalizou o pleito de compensação, não produziu sequer início de prova do indébito, sendo acertado o entendimento exarado na r. decisão sob exame. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 05/03 /2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.004358/2010-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DESNECESSIDADE DE ALARGAMENTO DA DILAÇÃO PROBATÓRIA.
A regra acerca da produção de provas pelo contribuinte é ditada pelo art. 16, do Decreto nº 70.235/72, que ao impõe ao autuado o dever de demonstrar os fatos constitutivos do direito que alega. É cabível, no entanto, a aplicação do princípio da verdade material nas hipóteses em que, no curso do processo, se julga pela necessidade de alargamento da dilação probatória, com a finalidade de se apurar a ocorrência do fato gerador e a sua extensão. Não é o caso de aplicação do princípio quando não constatada a implementação da condição.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E JUROS DE MORA.
Não se verifica a hipótese da denúncia espontânea, se não há prova nos autos da satisfação das condições impostas pelo art. 138, CTN.
MULTA QUALIFICADA. EMPRESAS FICTÍCIAS.
A utilização de empresas fictícias, com a finalidade de evitar a incidência da carga tributária, importa na aplicação do art. 72, da Lei nº 4.502/64, c.c. art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96.
PAGAMENTO SEM CAUSA. EMPRESAS FICTÍCIAS.
Caracteriza pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR, os valores depositados em favor de empresas fictícias.
TAXA SELIC. O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic.
ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62-A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa).
Numero da decisão: 1103-001.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata apenas acerca da qualificação da multa sobre o IRRF.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DESNECESSIDADE DE ALARGAMENTO DA DILAÇÃO PROBATÓRIA. A regra acerca da produção de provas pelo contribuinte é ditada pelo art. 16, do Decreto nº 70.235/72, que ao impõe ao autuado o dever de demonstrar os fatos constitutivos do direito que alega. É cabível, no entanto, a aplicação do princípio da verdade material nas hipóteses em que, no curso do processo, se julga pela necessidade de alargamento da dilação probatória, com a finalidade de se apurar a ocorrência do fato gerador e a sua extensão. Não é o caso de aplicação do princípio quando não constatada a implementação da condição. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E JUROS DE MORA. Não se verifica a hipótese da denúncia espontânea, se não há prova nos autos da satisfação das condições impostas pelo art. 138, CTN. MULTA QUALIFICADA. EMPRESAS FICTÍCIAS. A utilização de empresas fictícias, com a finalidade de evitar a incidência da carga tributária, importa na aplicação do art. 72, da Lei nº 4.502/64, c.c. art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. EMPRESAS FICTÍCIAS. Caracteriza pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR, os valores depositados em favor de empresas fictícias. TAXA SELIC. O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic. ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62-A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2 1 1 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.004358/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.078 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF Recorrente GERALDO J. COAN & CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DESNECESSIDADE DE ALARGAMENTO DA DILAÇÃO PROBATÓRIA. A regra acerca da produção de provas pelo contribuinte é ditada pelo art. 16, do Decreto nº 70.235/72, que ao impõe ao autuado o dever de demonstrar os fatos constitutivos do direito que alega. É cabível, no entanto, a aplicação do princípio da verdade material nas hipóteses em que, no curso do processo, se julga pela necessidade de alargamento da dilação probatória, com a finalidade de se apurar a ocorrência do fato gerador e a sua extensão. Não é o caso de aplicação do princípio quando não constatada a implementação da condição. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E JUROS DE MORA. Não se verifica a hipótese da denúncia espontânea, se não há prova nos autos da satisfação das condições impostas pelo art. 138, CTN. MULTA QUALIFICADA. EMPRESAS FICTÍCIAS. A utilização de empresas fictícias, com a finalidade de evitar a incidência da carga tributária, importa na aplicação do art. 72, da Lei nº 4.502/64, c.c. art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96. PAGAMENTO SEM CAUSA. EMPRESAS FICTÍCIAS. Caracteriza pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR, os valores depositados em favor de empresas fictícias. TAXA SELIC. O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic. ARGUMENTO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 43 58 /2 01 0- 03 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 3 2 sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto quando tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal ou na hipóteses de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (arts. 62 e 62A, Anexo II, do Regimento Interno desta Casa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata apenas acerca da qualificação da multa sobre o IRRF. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Em 08 de junho de 2009, a recorrente, escorada no art. 138, CTN, protocolou, na Delegacia da Receita Federal de Piracicaba, requerimento de denúncia espontânea (fls. 04/05). As obrigações tributárias teriam origem na relação jurídica que manteve com as empresas fictícias Carsena Representação Comercial Ltda., CNPJ nº 08.423.418/000113, e CJM Representação Comercial de Gêneros Alimentícios e Refeições Prontas Ltda., CNPJ nº 08.323.147/000124. Assim, tendo em vista que as aludidas empresas haviam optado pela tributação pelo sistema do Lucro Presumido, as notas fiscais emitidas pelas empresas fictícias Fl. 826DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 4 3 eram utilizadas como “despesas” pela recorrente, de modo a diminuir a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Disse ainda a recorrente, no aludido documento, que as obrigações instrumentais seriam retificadas, de maneira a que fossem apurados devidamente os tributos devidos, com a finalidade de inclusão do crédito tributário nos benefícios instituídos pela Lei nº 10.941/09. Em decorrência da petição protocolada, foi instaurado procedimento de fiscalização, que resultou na apuração das seguintes infrações, consoante “Termo de Verificação Fiscal nº 001”, (fls. 359/361), as seguintes razões: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, constatei as infrações abaixo descritas: PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO: DESPESAS OPERACIONAIS NÃO USUAIS OU NORMAIS NO TIPO DE TRANSAÇÕES. OPERAÇÕES OU ATIVIDADES DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DAS INFRAÇÕES: A presente fiscalização foi iniciada em 23/06/2009, em razão da empresa ter protocolado correspondência, onde, alegando amparo no art. 138 do CTN, denunciou espontaneamente que se utilizou de empresas fictícias de representação comercial para promover a redução das bases de cálculo de tributos federais e aduziu que os valores envolvidos foram efetivamente usados para o pagamento de outros fornecedores de forma geral. As empresas denunciadas foram: CARSENA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA CNPJ 08.423.418/000113 e CJM REPRESENTAÇÃO COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS E REFEIÇÕES PRONTAS LTDA CNPJ 08.323.147Q000124. Em correspondência posterior, protocolada em 04/09/2009, a empresa formalmente declara que os responsáveis legais pelas empresas denunciadas simplesmente emprestavam seus nomes e que desconheciam as operações das empresas "fantasmas" a quais, na verdade, eram geridas por Geraldo J. Coan & Cia Ltda. Em 25/06/06/2009, no atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o contribuinte apresentou os originais e cópias das notas fiscais emitidas pelas empresas fictícias, quando constatamos que no período fiscalizado foram faturados R$ 30.064.987,11, por intermédio de nota fiscais inidôneas. PAGAMENTOS A CARSENA E CJM Em 27/08/2009, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal N° 0922/1, intimando o contribuinte para apresentar cópia frente e verso dos cheques utilizados para liquidação dos valores Fl. 827DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 5 4 escriturados como pagos às empresas CARSENA, CJM e outros fornecedores selecionados por amostragem. Considerando, o atendimento parcial desta intimação, em 05/07/2010, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal N° 0922/2, quando, em 07/072010, o contribuinte apresentou relação definitiva, onde reconhece e relaciona todos os pagamentos referentes às notas fiscais emitidas pelas empresas CJM Representação Comercial e CARSENA Representação Comercial, anexo 1. PAGAMENTOS A RODRIGUES GARCIA & MIRANDA FILHO ADVOGADOS Da análise dos elementos fornecidos pelo contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal N° 0922/1, de 27/08/2009, verificamos que 60 cheques contabilizados como utilizados para liquidar duplicatas por serviços prestados pelo fornecedor Rodrigues Garcia & Miranda Advogados foram, de fato, depositados em contas correntes mantidas no Banco Nossa Caixa Nosso Banco pelas empresas fictícias denunciadas, conforme consta do verso dos respectivos cheques a seguir: (...) PAGAMENTO A PROFORMA CONSTRUÇÕES LTDA Durante o ano calendário de 2008, o contribuinte contabilizou como custos incorridos valores pagos por serviços prestados pela empresa Proforma Construções Ltda CNPJ 36.293.652/000109. Verificase, contudo, que o serviços prestados, conforme discriminado nas notas fiscais, abaixo mencionadas, referemse a execução de serviços de reforma em diversas escolas do município de Macaé, portanto não usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. (...)” Escorados nos fatos tributários apurados pela fiscalização, a recorrente foi autuada no montante de R$ 59.396.000,24, assim distribuídos: a) Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 378 a 385: Imposto: R$ 7.754.977,43 Juros de mora: R$ 1.820.745,93 Multa Proporcional: R$ 11.315.989,39 Total: R$ 20.981.712,75 (Enquadramento legal do imposto: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 249, I, 251, parágrafo único, 289, 290, I, 292, 299 e 300.) b) Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 386 a 393: Fl. 828DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 6 5 Contribuição: R$ 2.817.711,87 Juros de mora: R$ 661.997,77 Multa Proporcional: R$ 4.112.636,17 Total: R$ 7.592.345,81 (Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 9.316, de 1996, art. 1°; Lei n° 9.430, de 1996, art. 28; Lei n° 10.637, de 2002, art. 37.) c) Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) fls. 394 a 403: Imposto: R$ 11.066.154,87 Juros de mora: R$ 3.246.554,56 Multa Proporcional: R$ 16.599.232,25 Total: R$ 30.911.941,68 (Enquadramento legal do imposto: RIR, de 1999, art. 674). Quanto a este último item, foi lavrado auto de infração complementar (fls. 18/28), Processo n° 13888.723869/201109, apenso a estes autos (fls.694), visto que o auditor autuante ao apurar a base de cálculo do IRRF aplicou a alíquota de 1,5%, quanto o correto é 35%. Exigiuse, assim, os seguintes valores no auto de infração complementar: 1 Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF): Imposto: R$ 5.703.326,03 Juros de mora: R$ 2.342.794,72 Multa Proporcional: R$ 8.554.988,98 Total: R$ 16.601.109,73 (Enquadramento legal do imposto: RIR, de 1999, art. 674). A recorrente ofertou Impugnação, julgada improcedente, mantendose o lançamento de ofício (fls.543/579). Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese: a) Anulação do lançamento fiscal, em face da violação aos princípios do contraditório, ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) e verdade material, diante da inércia da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão PretoSP em acatar o pedido de produção de reforço de prova documental, objetivando a certificação da inexistência dos fundamentos fáticos corroboradores da constituição das exigências fiscais. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 7 6 b) Falta de motivação do ato administrativo. c) Anulação do lançamento de ofício complementar. Não é permitida pela legislação vigente a revisão do lançamento fiscal quando o vício que deu azo ao ato administrativo tem natureza de erro de direito (art. 149, CTN). d) É ilegal a exigência da multa qualificada, prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/96, sem a prova do cometimento das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº. 4.502/64. e) A aplicação da multa qualificada fere o princípio da razoabilidade, previsto no art. 2º, Lei nº 9.784/99, posto que a recorrente, em razão da sua boafé, ao denunciar, espontaneamente (art. 138, CTN), os fatos ilegais praticados com a finalidade de diminuir a incidência tributária, e incluir os tributos decorrentes desses fatos no programa de parcelamento da Lei nº 11.941/09, apensas poderia ser apenada ao pagamento da multa moratória, ou, em última análise, da multa de ofício. f) Inexistência de prova acerca da existência de pagamentos feitos a beneficiários não identificados, a justificar a exigência do IRFonte nos termos do artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº. 3.000/1999. g) Ilegalidade da Taxa Selic. A recorrente, nos termos do art. 13, §§ 4º e 5º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009, desistiu parcialmente da impugnação para fins de adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, questionando o lançamento do IRRF e a multa de 150%. Em razão desse fato, determinouse a instauração de processo, para a transferência do crédito não objeto de contestação pela recorrente (fls. 648). Portanto, discutese, apenas, nestes autos, a penalidade qualificada de 150% e o IRRF (fls. 647/654). É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Aduz a recorrente, que caberia à recorrida, promover diligência, para obtenção de novas provas, em homenagem ao princípio da verdade material. A regra acerca da produção de provas pelo contribuinte é ditada pelo art. 16, do Decreto nº 70.235/72, que ao impõe ao autuado o dever de demonstrar os fatos constitutivos do direito que alega. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 8 7 É cabível, no entanto, a aplicação do princípio da verdade material nas hipóteses em que, no curso do processo, se julga pela necessidade de alargamento da dilação probatória, com a finalidade de se apurar a ocorrência do fato gerador e a sua extensão. Não é o caso de aplicação do princípio quando não constatada a implementação da condição, sobretudo quando o fato tributário é confessado pela recorrente. Dessa forma, afasto a nulidade alegada pela recorrente. II. DA MULTA QUALIFICADA II.I DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente defende que realizou denúncia espontânea, na moldura do art. 138, CTN, tendo direito ao pagamento do tributo, sem o pagamento da multa. Conforme se lê do texto do art. 138, CTN, a denúncia espontânea se aperfeiçoa se realizada antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização e acompanhada do pagamento dos tributos e juros de mora. A recorrente cumpriu uma das condições impostas pelo art. 138, CTN, pois confessou as infrações tributárias, antes da instauração de medida ou procedimento de fiscalização. Porém, o ato não veio acompanhado do pagamento dos tributos confessados, bem como seus consectários legais. Acrescentase que a adesão a parcelamento não tem o condão de satisfazer a exigência do art. 138, pois, nessa modalidade de satisfação do crédito tributário, o pagamento não se dá de maneira integral. A matéria não importa maiores digressões, pois o STJ, no REsp 1.102.577/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 18/05/2009, adjetivado com os efeitos do art. 543C do CPC, decidiu nesse sentido, fato que vincula este Órgão de Julgamento, nos termos do art. 62A, Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Daí porque afasto a espontaneidade regrada no art. 138, CTN. II.II QUALIFICAÇÃO DA MULTA Nos termos do art. 44, da Lei nº 9.430/96, a regra é aplicação da pena de 75%, em caso de cometimento de infração tributária, que deve ser qualificada, nas hipóteses de sonegação fiscal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 831DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 9 8 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A recorrente confessou ter se utilizado de empresas fictícias, com a finalidade de deixar de pagar tributos, fato que se encaixa nas hipóteses previstas no art. 72, da Lei nº 4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Por outro lado, a recorrente se defende com a alegação de ter agido de boafé, pela realização da denúncia espontânea, sendo não razoável a exigência da penalidade nesse patamar (art. 2º, Lei nº 9.784/99). Observo que o instituto da denúncia espontânea não guarda relação com atos de boafé. Buscou o legislador conceder ao contribuinte faltoso a possibilidade de correção da sua falha, independentemente de boafé, sendo, por isso, premiado com a dispensa do pagamento da penalidade. Portanto, o exercício ao direito da denúncia espontânea não revela boafé da recorrente. Como consequência, mantenho a penalidade aplicada. III. IRRF – PAGAMENTO SEM CAUSA No que tange à exigência do IRFonte do pagamento sem causa ou a destinatários não identificados, o art. 674, do RIR vigente, determina que: Fl. 832DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 10 9 “Art.674 Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). §3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º).” Verificase nestes autos, “Relatório Fiscal a Agravo de Exigência”, fls. 12/17, Proc. nº 13888.723869/201109, a exigência do tributo, por pagamento a beneficiário não identificado, tem por motivação administrativa: PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Conforme declaração da própria empresa, o modus operandi utilizado foi a criação das empresas laranjas, Carsena e CJM, cujo objetivo era a emissão de notas fiscais frias, para com isso majorar seus custos e consequentemente reduzir seu lucro. Por outro lado, com a simulação dos pagamentos, através de saques em dinheiro na boca do caixa, tinha o caminho livre para desviar recursos da empresa, sabese lá para onde ou para quem. Certo, neste caso, é que está perfeitamente caracterizado o pagamento sem causa desde que a operação não existiu , bem como o pagamento a beneficiário não identificado. (...) Estando confessado, pela recorrente, de que as empresas as quais os pagamentos foram realizados, gerando despesas artificiais, são fictícias, os pagamentos realizados não possuem motivação mercantil. Nesse passo, fica caracterizado o pagamento sem causa, previsto no art. 674, §1º, do RIR. Portanto, o ato administrativo de lançamento de ofício foi corretamente motivado é deve ser mantido. IV. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS Quanto à ilegalidade da Taxa Selic e outros questionamentos de cunho inconstitucional, em razão do art. 62, do Regimento Interno deste Tribunal, Anexo, II, esta Corte Julgado é incompetente para afastála. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.004358/201003 Acórdão n.º 1103001.078 S1C1T3 Fl. 11 10 V. CONCLUSÃO Diante do exposto, RECEBO o recurso interposto pela recorrente para NEGARLHE PROVIMENTO. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 834DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/201 5 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10805.003549/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
MULTA LANÇADA A MENOR. IMPOSSIBILIDADE DO SISTEMA DE LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INVIABILIDADE.
Não se justifica a declaração de nulidade do lançamento em razão de suposta impossibilidade técnica para a confecção de lançamento suplementar da parte da multa não lançada originalmente.
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 2401-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade decretada, devendo o processo retornar a DRJ para que sejam apreciadas as demais questões suscitadas.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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IMPOSSIBILIDADE DO SISTEMA DE LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INVIABILIDADE. Não se justifica a declaração de nulidade do lançamento em razão de suposta impossibilidade técnica para a confecção de lançamento suplementar da parte da multa não lançada originalmente. Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade decretada, devendo o processo retornar a DRJ para que sejam apreciadas as demais questões suscitadas. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 35 49 /2 00 7- 29 Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campinas (SP) do seu Acórdão n.º 0521 460, que declarou nulo a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.017.201 9, consolidado em 18/10/2007, no valor de R$ 1.405.862,51. O crédito sob discussão referese a lançamento para exigência da contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais à título de campanha de incentivo para aumento de vendas. As remunerações contempladas no lançamento não foram incluídas na GFIP. A ementa da decisão recorrida mostra que a causa da declaração de nulidade foi a incorreta aplicação da multa que foi lançada em valor menor que o devido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE PAGAMENTOS REALIZADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CAMPANHA DE INCENTIVO AS VENDAS ("MARKETING DE INCENTIVO"). Nulidade. Levantamento fiscal equivocadamente enquadrado como "declarado em GFIP" gera indevida redução da multa (§ 4° do art. 35 da Lei n°. 8.212/1991 e no § 11 do art. 239 do Decreto n. 3.048/1999), o que não pode ser corrigido por lançamento complementar, em face de limitações do sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, restando, portanto, apenas a alternativa da declaração de nulidade do lançamento. O sujeito passivo não se pronunciou contra a decisão em tela. É o relatório. Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 10805.003549/200729 Acórdão n.º 2401003.844 S2C4T1 Fl. 2.064 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado está acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. A meu ver o fato da multa ter sido lançada a menor não justifica a anulação do lançamento, a menos que se tivesse notícia da lavratura de lançamento substitutivo, o que não é o caso. A causa apontada pela DRJ, impossibilidade operacional de se fazer o lançamento complementar, deveria ter sido resolvida mediante solução a ser encontrada dentro do próprio sistema informatizado que se utiliza para a confecção dos lançamentos fiscais. Lembrome que num passado não tão remoto era comum se alegar impossibilidade de sistema para se promover exclusão de acréscimos legais dos créditos tributários, hoje, todavia, temos corriqueiramente determinado a exclusão principalmente da multa, a exemplo dos casos de lançamentos efetuados para prevenir a decadência. Nesse sentido, as decisões dos órgãos de julgamento não devem ficar balizadas pelas limitações técnicas dos sistemas da RFB, ao revés, estes é que tem que ser ajustados para permitir que as decisões administrativas e judiciais possam ser integralmente cumpridas. Assim, na presente situação, entendo que caberia a emissão de lançamento suplementar para exigência da parte da multa que foi suprimida do presente crédito em razão de equívoco da autoridade lançadora ao fazer a especificação do levantamento MKT MARKETING DE INCENTIVO. Diante do exposto, por não vislumbrar no presente lançamento qualquer causa de nulidade, encaminho por dar provimento ao recurso necessário. Considerando que na decisão recorrida não houve o enfrentamento das teses recursais, devem os autos retornar à DRJ para que se emita nova decisão, desta feita com apreciação de todas as questões veiculadas no recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726151/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. AQUISIÇÃO DE AÇÕES PELA PRÓPRIA COMPANHIA. A aquisição de ações pela própria Companhia não pode ser equiparada à operação de reembolso de que trata o art. 45 da Lei das S.A. (pagamento feito a acionistas dissidentes de deliberação de assembléia especial). O artigo 442 do RIR/99 dispõe que não será computado na determinação do lucro real eventual lucro na venda de ações em tesouraria.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que comprovados dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte, o prazo decadencial rege-se pelo disposto no art. 173, I do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE TERCEIRO DE BOA-FÉ. A discussão sobre responsabilidade tributária é impertinente ao caso. O caso não versa sobre imputação de responsabilidade tributária, sucessão societária ou aplicação dos artigos 132 a 135 do CTN. Os lançamentos versam sobre glosa de despesas e custos apropriados pela Contribuinte e que a beneficiaram diretamente para reduzir seu (da Contribuinte) resultado tributável. Se inexistentes ou indedutíveis tais despesas/custos, as conseqüências dessa inexistência ou indedutibilidade afetam diretamente a Contribuinte, na condição de contribuinte, exclusivamente, e não na condição de responsável tributário.
IRPJ E REFLEXOS. GLOSA DE CUSTOS E OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA FÁTICA. Não ilididos pela Contribuinte os elementos de fato que justificaram a acusação de omissão de receita e a glosa de custos e despesas, impõe-se a manutenção dos lançamentos tributários.
MULTA QUALIFICADA. Demonstrada de forma suficiente pela Fiscalização a prática de atos simulados pela Contribuinte e empresas com as quais firmou os negócios jurídicos relacionados nesse processo, mantém-se a penalidade de ofício em seu percentual majorado.
CSLL. BASE DE CÁLCULO. DISTINÇÃO DO LUCRO REAL (IRPJ). Embora sejam distintas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não podem ser deduzidas despesas inexistentes do lucro líquido contábil.
Recurso de Ofício e Voluntário negados.
Numero da decisão: 1102-001.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos: (i) o conselheiro Marcelo de Assis Guerra, que dava parcial provimento ao recurso, para cancelar a glosa de aluguéis de máquinas e equipamentos (Vila Rica); (ii) o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, que dava parcial provimento ao recurso em maior extensão, para manter apenas a glosa relativa ao item 3B da autuação (ágio – despesas decorrentes de operações societárias praticadas pelo Contribuinte com as empresas do Grupo CEC), exclusivamente com relação ao IRPJ decorrente desta glosa. Os conselheiros Marcelo de Assis Guerra e João Carlos de Figueiredo Neto também desqualificavam a multa de ofício e, nesta conformidade, reconheciam a decadência com relação a todos os fatos geradores ocorridos até novembro de 2005, inclusive. O conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto apresentou declaração de voto. O conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou o relator pelas conclusões com relação à CSLL. Declarou-se impedido o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. AQUISIÇÃO DE AÇÕES PELA PRÓPRIA COMPANHIA. A aquisição de ações pela própria Companhia não pode ser equiparada à operação de reembolso de que trata o art. 45 da Lei das S.A. (pagamento feito a acionistas dissidentes de deliberação de assembléia especial). O artigo 442 do RIR/99 dispõe que não será computado na determinação do lucro real eventual lucro na venda de ações em tesouraria. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que comprovados dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte, o prazo decadencial rege-se pelo disposto no art. 173, I do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE TERCEIRO DE BOA-FÉ. A discussão sobre responsabilidade tributária é impertinente ao caso. O caso não versa sobre imputação de responsabilidade tributária, sucessão societária ou aplicação dos artigos 132 a 135 do CTN. Os lançamentos versam sobre glosa de despesas e custos apropriados pela Contribuinte e que a beneficiaram diretamente para reduzir seu (da Contribuinte) resultado tributável. Se inexistentes ou indedutíveis tais despesas/custos, as conseqüências dessa inexistência ou indedutibilidade afetam diretamente a Contribuinte, na condição de contribuinte, exclusivamente, e não na condição de responsável tributário. IRPJ E REFLEXOS. GLOSA DE CUSTOS E OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA FÁTICA. Não ilididos pela Contribuinte os elementos de fato que justificaram a acusação de omissão de receita e a glosa de custos e despesas, impõe-se a manutenção dos lançamentos tributários. MULTA QUALIFICADA. Demonstrada de forma suficiente pela Fiscalização a prática de atos simulados pela Contribuinte e empresas com as quais firmou os negócios jurídicos relacionados nesse processo, mantém-se a penalidade de ofício em seu percentual majorado. CSLL. BASE DE CÁLCULO. DISTINÇÃO DO LUCRO REAL (IRPJ). Embora sejam distintas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não podem ser deduzidas despesas inexistentes do lucro líquido contábil. Recurso de Ofício e Voluntário negados.
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. AQUISIÇÃO DE AÇÕES PELA PRÓPRIA COMPANHIA. A aquisição de ações pela própria Companhia não pode ser equiparada à operação de reembolso de que trata o art. 45 da Lei das S.A. (pagamento feito a acionistas dissidentes de deliberação de assembléia especial). O artigo 442 do RIR/99 dispõe que não será computado na determinação do lucro real eventual lucro na venda de ações em tesouraria. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que comprovados dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte, o prazo decadencial rege-se pelo disposto no art. 173, I do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE TERCEIRO DE BOA-FÉ. A discussão sobre responsabilidade tributária é impertinente ao caso. O caso não versa sobre imputação de responsabilidade tributária, sucessão societária ou aplicação dos artigos 132 a 135 do CTN. Os lançamentos versam sobre glosa de despesas e custos apropriados pela Contribuinte e que a beneficiaram diretamente para reduzir seu (da Contribuinte) resultado tributável. Se inexistentes ou indedutíveis tais despesas/custos, as conseqüências dessa inexistência ou indedutibilidade afetam diretamente a Contribuinte, na condição de contribuinte, exclusivamente, e não na condição de responsável tributário. IRPJ E REFLEXOS. GLOSA DE CUSTOS E OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA FÁTICA. Não ilididos pela Contribuinte os elementos de fato que justificaram a acusação de omissão de receita e a glosa de custos e despesas, impõe-se a manutenção dos lançamentos tributários. MULTA QUALIFICADA. Demonstrada de forma suficiente pela Fiscalização a prática de atos simulados pela Contribuinte e empresas com as Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 quais firmou os negócios jurídicos relacionados nesse processo, mantém-se a penalidade de ofício em seu percentual majorado. CSLL. BASE DE CÁLCULO. DISTINÇÃO DO LUCRO REAL (IRPJ). Embora sejam distintas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, não podem ser deduzidas despesas inexistentes do lucro líquido contábil. Recurso de Ofício e Voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos: (i) o conselheiro Marcelo de Assis Guerra, que dava parcial provimento ao recurso, para cancelar a glosa de aluguéis de máquinas e equipamentos (Vila Rica); (ii) o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, que dava parcial provimento ao recurso em maior extensão, para manter apenas a glosa relativa ao item 3B da autuação (ágio – despesas decorrentes de operações societárias praticadas pelo Contribuinte com as empresas do Grupo CEC), exclusivamente com relação ao IRPJ decorrente desta glosa. Os conselheiros Marcelo de Assis Guerra e João Carlos de Figueiredo Neto também desqualificavam a multa de ofício e, nesta conformidade, reconheciam a decadência com relação a todos os fatos geradores ocorridos até novembro de 2005, inclusive. O conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto apresentou declaração de voto. O conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou o relator pelas conclusões com relação à CSLL. Declarou-se impedido o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcelo de Assis Guerra. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, MARCELO DE ASSIS GUERRA, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Declarou-se impedido o Conselheiro FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES. Relatório Tratam-se de recursos voluntário e de ofício interpostos contra acórdão proferido pela Terceira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano- calendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 2 3 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE. OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS DE CUSTOS E/OU DESPESAS. Tratando-se de glosas de despesas e/ou de custos, efetuadas em razão da comprovação da não efetividade das operações desconsideradas pela autoridade fiscal, não há que se cogitar de exonerar do pólo passivo da relação jurídico- tributária quem do procedimento simulatório se beneficiou. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional (CTN), restando configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS JURÍDICOS. TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Evidencia a prática de ato simulado a ausência de propósito negocial válido e justificável nas operações engendradas pelo sujeito passivo. Resultando das operações tão somente a indevida mitigação da carga tributária, cabíveis a desconsideração dos negócios jurídicos, posto que desprovidos de efetividade, e a tributação deste ato decorrente. RESGATE DE AÇÕES DE SÓCIO DOMICILIADO NO EXTERIOR PELO VALOR DE CUSTO. RECEITA DE DESÁGIO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Restando evidenciado nos autos o mesmo modus operandi observado em relação às demais operações praticadas pelo sujeito passivo (desconsideradas pela autoridade lançadora, com a consequente tributação dos custos e despesas a elas inerentes), no que tange às transações tidas por praticadas com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, tais operações também devem ser entendidas como viciadas pela simulação, fato a implicar na impossibilidade da tributação do deságio posto que a operação da aquisição das ações, assim como as demais, também apresenta uma série de indícios consistentes e convergentes, a sinalizar que de operação simulada se trata. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. POSSIBILIDADE O simples fato de o prejuízo fiscal se encontrar registrado no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), por si só, não elide a tributação a este título manejada. Tendo a fiscalização efetuado a glosa de determinados custos/despesas, em razão da desconsideração dos negócios jurídicos tidos como praticados, na realidade simulados, procedimento parcialmente mantido no presente julgado, legítima será a tributação, desde que observados os ajustes necessários, decorrentes da parcela do lançamento exonerada. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), visto que ambos os lançamentos decorrem dos mesmos fatos e de idênticos elementos de prova. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 É legítima a prova indiciária, também chamada de presuntiva, quando se mostrar comprovado nos autos, através de indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que os negócios jurídicos desconstituídos pelo agente do fisco não tiveram lugar no mundo fático. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUTORIZAÇÃO LEGAL. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Demonstrada a prática simulatória, decorrente da atuação do sujeito passivo em conluio e/ou fraude com outras pessoas jurídica, levada a efeito com o objetivo exclusivo de auferir de vantagem fiscal ilícita, caracterizada estará a ação dolosa da praticante sendo devida, por expressa disposição legal, a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento).” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata-se de ação fiscal contendo no polo passivo da relação jurídico- tributária a pessoa jurídica CONSTRUTORA MARQUISE S/A, ao final do qual foi constituído o crédito tributário a seguir discriminado: Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 16.538.138,15 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 6.536.354,55 ====> Total do Crédito Tributário R$ 23.074.492,70 A auditoria-fiscal, relativa aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006, foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0310100/0109810, tendo se iniciado em 17/12/2009, mediante a apresentação de termo próprio, fls. 180/187, com determinação para a apresentação, no prazo de 20 (vinte) dias, dos livros contábeis e fiscais, assim como dos demais documentos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos. Em documento datado de 07/01/2010, fl. 190, tendo em vista um série de dificuldades elencadas, a pessoa jurídica solicitou a prorrogação do prazo que lhe fora determinado, do dia 07/01/2010 para o dia 26/01/2010. Novos pedidos de dilatação de prazo foram formalizadas até que no dia 22/02/2010 a demanda fiscal foi atendida, fl. 193. Dando prosseguimento aos trabalhos, em 17/06/2010 foi apresentado ao sujeito passivo o Termo de Intimação Fiscal de fls. 197/199, através do qual foi requerida a apresentação de novos documentos. Tendo em vista o não atendimento da demanda, em 30/07/2010 foi editado novo Termo de Intimação Fiscal, fl. 202, reiterando o que fora solicitado no anterior e, adicionalmente, determinando a apresentação de outros documentos. Novos Termos de Intimação Fiscal foram apresentados ao representante do sujeito passivo nos dias 21/09/2010, fl. 203, e 22/09/2010, fl. 204. O atendimento parcial das demandas deu-se no dia 19/10/2010, fl. 205. Concluída a auditoria-fiscal, no dia 14/12/2010 deu-se a ciência do lançamento, fls. 2/26, tendo sido imputada ao sujeito passivo a prática das seguintes infrações: 001 – CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS – GLOSAS DE CUSTOS A) Glosa de custos no valor de R$ 696.000,00, no ano-calendário de 2004, cuja origem é a locação de máquinas e equipamentos da empresa VILA RICA Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 3 5 CONSTRUÇÕES LTDA, que não tinha capacidade para atuar no ramo da construção civil, nem estava habilitada a emitir notas fiscais de serviços, conforme detalhado no TOMO VI, do Termo de Verificação Fiscal, anexo como parte integrante deste Auto. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 696.000,00 150,00 B) Glosa de custos de imóveis vendidos caracterizada por simulação de operações inexistentes, conforme descrito no TOMO II e seus capítulos, estando detalhadamente resumida no CAPÍTULO IX, ITEM IV, cujo montante de R$ 1.499.4 64,15 foi assim apurado: B.1) R$ 1.247.250,58, lançado na conta 9122 – CUSTO DO IMOBILIZADO, referente à aquisição de terreno em Messejana (Sitio Mulungu); B.2) R$ 200.000,00 e R$ 52.213,57 lançados na conta 512101 – CUSTO DOS IMÓVEIS VENDIDOS, referentes ao Apto 601 do ED. PLANCTON, e ao Apto 903 do ED. SCALA RESIDENCE. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 1.499.464,15 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do RIR/99 002 – OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS – RECEITA DE DESÁGIO DE AÇÕES Omissão de receita operacional caracterizada pela aquisição de ativo (ações em tesouraria), por valor notoriamente inferior ao que valia ao tempo de sua aquisição, em 03/10/2005, conforme detalhadamente descrito em suas circunstâncias e nuances por todo o TOMO IV. Considerando a ocorrência do deságio na compra e venda das ações da BRAWEL, fato jurídico tributário que agrega vantagens financeiras para a CONSTRUTORA MARQUISE, deve o fisco considerar, o valor de R$ 13.285.714,23, apurado na forma do ITEM 3, CAPÍTULO III, do TOMO IV, como receita de deságio, não reconhecida no resultado do exercício do ano-calendário de 2005. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 13.285.714,23 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 288 e 373, do RIR/99. 003 – GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS – GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS COM VARIAÇÃO MONETÁRIA, JUROS, MULTA, E ÁGIO A) GLOSA DE DESPESAS COM VARIAÇÃO MONETÁRIA, JUROS, MULTA E ÁGIO Glosa de despesas com variação monetária, juros, multa e ágio todos originados de simulação de dívidas junto à RCE e AGROPECUÁRIA PARENTE, Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 cujos valores foram levados a débito do resultado do exercício, conforme abaixo relacionado: A.1) em 2005, VARIAÇÃO MONETÁRIA de R$ 13.288,31, JUROS DE MORA de R$ 22.751,83, e MULTA FINANCEIRA de R$ 284.751,05, escriturados na conta 214135, conforme detalhadamente descrito no TOMO II e seus capítulos, estando resumido no CAPÍTULO IX, ITEM II. A.2) em 2004, ÁGIO de R$ 276.503,00, decorrente da incorporação da empresa CONCE, escriturado na conta 8231 – 0UTRAS DESPESAS / REALIZAÇÃO DE ÁGIO, conforme detalhadamente descrito no TOMO II e seus capítulos, estando resumidos no CAPÍTULO IX, ITEM III. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 13.288,31 150,00 31/12/2005 R$ 276.503,00 150,00 31/12/2005 R$ 284.751,05 150,00 31/12/2005 R$ 22.751,83 150,00 B) GLOSA DE DESPESAS DE JUROS Glosa de despesas de juros, lançadas na conta 711307 – DESPESAS FINANCEIRAS / JUROS PAGOS OU INCORRIDOS/JUROS S/ FORNECEDORES, caracterizada por simulação de operações inexistentes, celebradas com empresas parceiras (XINGU e MARE), ambas pertencentes ao grupo CEC, conforme detalhadamente descrito no TOMO III e seus capítulos, estando resumidos no CAPÍTULO VII, nos seguintes valores: A) R$ 1.702.594,06, em 2004; B) R$ 2.201.643,70, em 2005; C) R$ 1.961.800,64, em 2006. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 1.702.594,06 150,00 31/12/2005 R$ 2.201.643,70 150,00 31/12/2006 R$ 1.961.800,64 150,00 GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS – PERDAS FINANCEIRAS COM AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS INEXISTENTES C) GLOSA DE PERDAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE CONTRATO PARTICULAR DE AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS FISCAIS C1) glosa de despesa financeira de R$ 1.181.158, 85, referente a aquisição de créditos fiscais inexistentes, junto à empresa RODOLFO G. MORAES E CIA LTDA, conforme detalhadamente descrito no CAPÍTULO I, do TOMO V. C.2) glosa de despesa financeira de R$ 1.512.720,97, referente a aquisição de créditos fiscais inexistentes, junto à empresa CEC INTERNACIONAL S/A, conforme detalhadamente descrito no CAPÍTULO II, do TOMO V. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 4 7 31/12/2006 R$ 1.512.720,97 150,00 31/12/2006 R$ 1.181.158,85 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 251, e parágrafo único, 299 e §§ 1o e 2o, e 374, inciso I, do RIR/99. 004 – GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS GLOSA DE DESPESA COM VARIAÇÃO MONETÁRIA Glosa de despesas de variação monetária passiva, lançadas na conta 711203 DESPESAS FINANCEIRAS/VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA, caracterizada por simulação de operações inexistentes, celebradas com empresas parceiras (XINGU e MARE) ambas do grupo CEC, conforme detalhadamente descrito no TOMO III e seus capítulos, estando resumido no CAPÍTULO VII, nos seguintes valores: A) R$ 1.660.848,59, em 2004; B) R$ 622.113,00, em 2005; C) R$ 645.034,62, em 2006. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 1.660.848,59 150,00 31/12/2005 R$ 622.113,00 150,00 31/12/2006 R$ 645.034,62 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 8º da Lei n° 9.249/95; Arts. 251 e parágrafo único, 299 e §§ 1º e 2º, 375 e 377, do RIR/99. 005 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo fiscal, no ano-calendário de 2006, em razão de compensações e reversões de prejuízos, realizadas no momento do lançamento das presentes infrações constatadas nos anos-calendário de 2004 e 2005, que extinguiram totalmente saldos de prejuízos anteriores, conforme detalhado no ‘DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS’, anexo e integrante deste auto. Nestas condições, procedeu-se a glosa da compensação realizada no ano- calendário de 2006, como lançado na DIPJ daquele ano. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2006 R$ 1.592.165,31 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. Para a melhor compreensão do contexto em que se encontra inserido o lançamento posto em discussão, relevante se mostra a reprodução da parte introdutória do Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 209/212: Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 O presente Termo de Verificação objetiva a descrição minuciosa dos procedimentos de Auditoria que se desenvolveram em meio à proficiente análise dos diversos negócios jurídicos e das várias transações comerciais/financeiras em que se envolveram as empresas vinculadas ao Grupo Empresarial capitaneado pela pessoa jurídica CEC INTERNACIONAL S/A (aqui simplesmente denominado ‘Grupo CEC’) tidas com a qualificação de ‘PARCEIRAS' nas operações múltiplas aqui analisadas e as empresas vinculadas ao Grupo Empresarial capitaneado pela CONSTRUTORA MARQUISE S/A (aqui simplesmente denominado ‘Grupo Marquise’). Mais minudentemente, o fulcro central da Auditoria é o mergulho na substância e essência das condutas praticadas pelos agentes (tidos como ‘parceiros’) de ambos aqueles Grupos de Empresas, buscando a caracterização da presença de fraude, simulação e/ou conluio nos negócios celebrados entre essas empresas, tudo com o fim de detectar o auferimento de vantagens fiscais ilícitas (de variadas espécies) para o Grupo Marquise, em cristalino prejuízo da Fazenda Nacional. Evidentemente que, para tal mister, o recurso legal e legítimo à técnica da chamada ‘auditoria cruzada’, intergrupos empresariais, mediante procedimento administrativo-fiscal regularmente instaurados, constituiu ferramenta de preciosa valia para a constatação dos ilícitos fiscais qualificados. Por lógica, as transações foram dissecadas e rastreadas abrangendo todos os envolvidos nosnegócios celebrados, resultando em aberturas regulares (concomitantes e/ou sucessivas) de ações fiscais, conforme fosse necessário ao Fisco, para o acompanhamento do fluxo real (iter negocium) do negócio jurídico posto para análise. Diante disso, o presente Termo contém em si as provas documentais relativas ao quantum subjetivo e objetivo da participação de pessoas físicas e/ou jurídicas, em cada uma das etapas componentes do Planejamento Fiscal de natureza evasiva que restou, ao final, constatado por este Fisco. Assim, numa breve síntese, podemos enumerar que se investigou nesta ‘auditoria cruzada’, a origem primeira de todos os negócios acontecidos entre as empresas do Grupo Marquise e as do Grupo CEC, com descenso às seguintes fases enumerativas: i) estruturação das avenças fictícias de Promessas de Compra e Venda de imóveis; ii) modo de geração de créditos inexistentes de fato de tributos federais; iii) Engenharia usada para a efetiva transferência desses créditos fiscais para as empresas do Grupo Marquise, mediante a técnica eficacial do uso dos institutos de sucessão de empresas (cisões e incorporações) e mediante a constituição de obrigações inexistentes de fato para o Grupo Marquise; iv) minucioso estudo dos Contratos de Cessão de Créditos de Faturas feita pelas empresas do Grupo Marquise às do Grupo CEC, abordando seus efeitos fiscais, sua legitimidade e consistência nos planos jurídicos da existência, da validade e da eficácia. Um último ponto foi objeto dessa investigação global. Por ter apresentado ligação direta com as operações envolvendo imóveis pertencentes ao Grupo CEC os quais, de modo efêmero e inusitado, ingressam (em momento propício) e saem (logo após, quando conveniente e cumprido seu desígnio no planejamento tributário) das escriturações contábeis das empresas do Grupo Marquise, também o Fisco enveredou pelos detalhes da transação que envolveu a transferência indireta das ações tituladas pelo investidor uruguaio (acionista estrangeiro no Capital da Construtora Marquise S/A) BRAWEL INTERNATIONAL S/A, para as pessoas físicas dos acionistas controladores da Construtora Marquise S/A. Os procedimentos de auditoria alcançaram os anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Coincidentemente, este período foi tido pelo Grupo Marquise como os anos da reestruturação de suas empresas componentes. Com a recém criada empresa Fl. 3094DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 5 9 controlada ECOFOR AMBIENTAL S/A, a Construtora Marquise S/A antes detentora de seu exercício exclusivo transfere-lhe a atividade de Prestação de Serviços de Limpeza Urbana na cidade de Fortaleza (CE). Os negócios com o Grupo CEC surgem exatamente no contexto deste processo de reestruturação. Outro fato de realce neste período, foi a efetivação da retirada do acionista uruguaio Brawel International S/A, da titularidade de ações da companhia, o qual, até 2005, dividia o controle acionário da Construtora Marquise S/A, juntamente com os Srs. José Carlos Valente Pontes e José Erivaldo Arraes. Dessa forma fica, explicitada a descrição preliminar da Auditoria. Por fim, necessita-se esclarecer que, dada a complexidade da descrição dos fatos e da construção probatória das respectivas infrações à legislação tributária constatadas neste lançamento de ofício, o presente Termo de Verificação será subdividido em TOMOS e CAPÍTULOS para melhor compreensão de todo o Planejamento Tributário demolido detalhadamente pela Fiscalização da DRF Fortaleza. O TOMO I faz um apanhado geral das questões que envolveram os negócios entre os dois Grupos de Empresas, com exposição que tem a pretensão de colocar os interessados neste Termo de Verificação (contribuinte, instâncias posteriores) em contato com as entranhas das operações pactuadas entre as empresas do Grupo Marquise e as do Grupo CEC. O TOMO I compreende 14 (quatorze) CAPÍTULOS. Nestes Capítulos se descreverão os contratos celebrados, as razões (aparentes e dissimuladas) desses pactos, os vícios detectados, além de se demonstrar que a conduta observada nesses negócios tinha fundamento em motivos préordenados entre os dois Grupos de Empresas, tudo numa cumplicidade presente desde o nascimento dos negócios até a exaustão de seus efeitos. O TOMO II trata da dissecação de todas as nuanças que envolveram o Contrato celebrado entre a Construtora e a RCA International Commodities S/A, na data de 13.01.2003. Este Contrato tem importância ímpar no planejamento tributário porque surge quando as transferências diretas de créditos fiscais de terceiros restou vedada pela legislação. Assim, o TOMO II explica todas essas questões em 09 (nove) CAPÍTULOS. O TOMO III se preocupa em seus 07 (sete) CAPÍTULOS em descrever todas as questões que envolveram a aquisição simulada pela Construtora Marquise de três imóveis das empresas do Grupo CEC. Assim, ao dissecar as razões verdadeiras da Cisão Parcial da Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, expõe os motivos reais porque esses imóveis foram aparentemente introduzidos nas escriturações das empresas do Grupo Marquise para, depois, serem literalmente ‘cuspidos’ em outra transação tributariamente vantajosa para o Grupo. O TOMO IV é um tomo especial. Em seus 04 (quatro) CAPÍTULOS, o Fisco procura detalhar totalmente a conduta do Grupo Marquise que resultou na transferência das ações de emissão da Construtora, tituladas pelo investidor BRAWEL INTERNATIONAL, para o patrimônio das pessoas físicas de cada um de seus acionistas majoritários. Novamente aqui, o planejamento tributário se socorreu dos negócios com as empresas do Grupo CEC de modo a promover o ‘fechamento’ aparentemente regular de todo o negócio. Fl. 3095DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 10 O TOMO V, em seus 02 (dois) CAPÍTULOS, detalha as Perdas Financeiras levadas contra Resultado do Exercício, a partir de Contratos de ‘venda’ de créditos presumidos de IPI, adquiridos pela Construtora junto às empresas Rodolfo G. Moraes & Cia Ltda e CEC Internacional S/A. Esses contratos datam de 2002 e se constituem em predecessores dos demais contratos simulados que advieram com as empresas do Grupo CEC. Por fim, o TOMO VI, com CAPÍTULO ÚNICO, se preocupa com os Custos Indevidos decorrentes de locação contratada junto à empresa Vila Rica Construções Ltda. (destaques pertencem ao original) Como observado, pugna a Administração Pública pela existência de um planejamento tributário fraudulento, praticado entre empresas integrantes do GRUPO CEC (Sul Diesel S/A, Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda, Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP, Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, Xingu Administração e Participação S/A, RCA International Commodities S/A, BEX Internacional S/A, Locamar Locadora de Veículos Ltda e Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A) e pessoas jurídica componentes do GRUPO MARQUISE (Capitalize Fomento Comercial Ltda, CONSTRUTORA MARQUISE S/A e Ecofor Ambiental S/A). Ressalte-se o fato de a DRF Fortaleza haver recebido denúncia noticiando a prática evasiva viabilizada entre as empresas do GRUPO MARQUISE e as do GRUPO CEC. A CONSTRUTORA MARQUISE S/A utilizar-se-ia de contratos fictícios com empresas-laranja (algumas tiveram seus nomes citados), para que as mesmas sacassem, em seus nomes, vultosos valores. Em momento posterior os recursos retornariam para a CONSTRUTORA MARQUISE S/A, que remuneraria os proprietários daquelas empresas com uma porcentagem dos valores sacados. Nesse contexto é que foram instaurados diversos procedimentos fiscalizatórios direcionados às empresas do GRUPO MARQUISE, que teriam se favorecido da prática evasiva, com a diminuição indevida de suas obrigações tributárias. Dentre os procedimentos fiscais levados a efeito, tem-se aquele impetrado na CONSTRUTORA MARQUISE S/A, em relação a quem foram glosados os custos decorrentes de operações com a pessoa jurídica Vila Rica Construções Ltda e custos de imóveis vendidos (infração 01), foi tributada omissão de receita financeira decorrente de receita de deságio decorrente da aquisição de ações (infração 02), foram glosadas despesas financeiras e variações monetárias passivas decorrentes de contratos tidos como simulados, celebrados com empresas do GRUPO CEC (infrações 03 e 04), e, por fim, foi estornado o prejuízo fiscal originariamente considerado pelo sujeito passivo na apuração do resultado do ano-calendário 2005 (infração 05), tudo conforme discorrido pela autoridade lançadora na descrição dos fatos, informação complementada pelo Termo de Verificação Fiscal e seus anexos. A notificação do lançamento deu-se em 14/12/2010. Inconformada com o feito, em 13/01/2011 a pessoa jurídica impugnou o lançamento, fls. 2847/2901, sob os argumentos a seguir reproduzidos: [...] II – DAS PRELIMINARES 2.1 – Da Contextualização do Grupo Marquise Fl. 3096DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 6 11 O GRUPO MARQUISE é composto de 24 (vinte e quatro) empresas controladas direta ou indiretamente pela empresa Construtora Marquise S/A, assim como mantém participações estratégicas com outras sociedades ligadas. Referido Grupo mantém 5.319 (cinco mil, trezentos e dezenove) empregos diretos e indiretos e atua nos seguintes ramos de negócios: • Construção civil; • Incorporação imobiliária; • Ambiental (limpeza urbana e água e esgoto); • Hotelaria; • Finanças; • Comunicação. [...] Gerir um Grupo desse tamanho, com tal complexidade, exige tomada de decisões estruturadas que visem reduzir os custos e despesas em todas as áreas das companhias, sob pena de sucumbir frente a enorme concorrência nacional e internacional. Comprar e vender imóveis, comprar e vender ações de companhias, transferir recursos intercompanhias (gestão de mútuos), desmobilizar, locar e tantos outros procedimentos, fazem parte do dia a dia de organizações do porte do Grupo Marquise. Nada há de estranho nesses procedimentos, apesar de complexos. 2.2. Da Origem do Auto de Infração. Irresponsabilidade do Grupo Marquise Os d. Fiscais afirmaram várias vezes no auto de infração e no relatório que o acompanha, que o Grupo CEC ‘objetivou, precipuamente, captura de créditos fiscais fictícios’. Foram tantas as vezes que os AFRFB fizeram essa afirmação, que não resta nenhuma dúvida sobre a quem deve recair as responsabilidades tributárias, se houver. Depreende-se do relatório em tela que as empresas do Grupo CEC eram e continuam sendo empresas ativas do ponto de vista operacional e fiscal. Nessa mesma linha, o Fisco descreve operações realizadas pelo Grupo CEC, Pré-cisão. Na descrição dos fatos e no relatório que acompanha os autos de infração, é recorrente a afirmação de que: ‘operações realizadas pelo Grupo CEC, pré-cisão’. Apesar dessas afirmações, insistem os d. Fiscais que as empresas do Grupo Marquise são sucessoras das empresas, que continuaram existindo, pertencentes ao Grupo CEC. No tocante à sucessão societária, dispõe o art. 132 do CTN, ‘in verbis’: [...] A sucessão comercial está prevista no artigo 133 do CTN, que dispõe: [...] Fl. 3097DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 12 Assim, estabelece a lei duas situações distintas: se o alienante cessar a exploração, a responsabilidade será integralmente do adquirente (entretanto, não se trata de responsabilidade exclusiva, segundo a doutrina majoritária, mas sim de responsabilidade solidária); já se o alienante prosseguir na exploração ou iniciar nova atividade comercial dentro de seis meses a contar da data da alienação, a responsabilidade do adquirente será meramente subsidiária (ou seja, a obrigação será exigida, primeiramente, do alienante). A responsabilidade tributária por imputação legal também chamada de responsabilidade de terceiros divide-se em responsabilidade solidária e responsabilidade pessoal. Responsabilidade solidária A responsabilidade solidária fundamenta-se na culpa in vigilando e está prevista no artigo 134 do CTN, que dispõe, ‘in verbis’: [...] Entende-se que os terceiros só responderão pelos tributos devidos pelos contribuintes nos casos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis. Responsabilidade pessoal A responsabilidade pessoal é comumente conhecida como ‘transferência por substituição’ ou ‘responsabilidade substitutiva’. Ela encontra embasamento legal no controverso artigo 135 do CTN, que reza: [...] A responsabilidade, neste auto de infração ora impugnado, é exclusiva das empresas do Grupo CEC, ou de seus diretores, gerentes ou representantes legais, na qualidade de responsáveis solidários, na forma do inciso III do art. 135 do CTN. Jamais as responsabilidades desse auto de infração podem ser transferidas para as empresa do Grupo Marquise. Não é demais lembrar que as empresas que nascem de um processo de Cisão Parcial não são sucessoras tributárias de atos praticados pela empresa cindida que continua existindo. Em 29/11/2010, foi publicada a Portaria RFB n° 2.284, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando verificadas obrigações tributarias cuja imputação seja possível a mais de um devedor. Este é o caso do presente processo, onde os d. Fiscais declaram, enfaticamente, que a origem dos créditos ‘indevidos’ se deu nas empresas do Grupo CEC, dentre outras irregularidades identificadas naquele grupo. A partir desta Portaria, os Auditores Fiscais tem o dever de, identificadas hipóteses de pluralidade de devedores, reunir provas necessárias à caracterização da responsabilidade de cada um, procedendo quando da autuação a descrição dos fatos e enquadramento legal das condutas autuadas. Todos os autuados devem ser cientificados do auto de infração, sendo concedido a cada um de forma individual prazo para impugnação. Esta Portaria RFB n° 2.284 traz ainda normas sobre aproveitamento de pagamento e compensação por um dos autuados em favor dos demais, a saber: ‘Art. 4º O pagamento efetuado por um dos autuados aproveita aos demais’. O presente auto de infração não indica se houve pagamento de tributos por parte do Grupo CEC em decorrência das operações auditadas na Impugnante e no referido Grupo CEC. Fl. 3098DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 7 13 2.3 – Da Preliminar de decadência. Lançamento por homologação. Data do fato gerador como termo inicial do prazo decadencial. [...] A autoridade fiscalizadora enfoca a existência, entre outros, de custos e despesas não necessárias ou não comprovadas, ocorridas nos anos-calendários de 2004, 2005 e 2006, que ensejaram lançamentos de ofício dos tributos relativos ao IRPJ e à CSLL. Entretanto, a notificação à Impugnante só ocorreu em 14/12/2010, ou seja, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2004, fora do prazo que a Fazenda Pública dispõe para lavrar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. O artigo 150 do Código Tributário Nacional, enquadramento legal devido para se confirmar a ocorrência da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário, em relação aos tributos cujos lançamentos são por homologação, possui a seguinte redação: [...] O presente caso se enquadra perfeitamente no ‘caput’ e parágrafo quarto do artigo acima citado, pois houve o pagamento antecipado dos tributos e contribuições por parte da Impugnante. Logo o prazo decadencial, contado do fato gerador (aplicável quando houver a ‘antecipação’ do pagamento do tributo), é prazo para, no silêncio do Fisco, dar-se a homologação tácita. [...] Tenta a autoridade fiscalizadora, como forma de dirimir a sua falta, impor à Impugnante, através de meras presunções, que em relação aos custos e às despesas glosadas, a intenção de fraudar o fisco. Consta do referido auto de infração, como penalidade, multa de 150%, aplicáveis nos casos de fraude, dolo ou simulação. Ou seja, a autoridade tenta com isso, transferir o prazo definido no artigo 150, § 4º do CTN, para o prazo estabelecido no artigo 173, I, do mesmo código, com a alegação de que a Impugnante agira com dolo, simulação ou fraude, o que não é verdade, como se demonstrará no tópico sobre a multa qualificada desta peça impugnatória. Com base no entendimento da melhor doutrina é de se observar que o Fisco não pode desviar o prazo de decadência do artigo 150 para o 173, ambos do CTN, sem que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação tenha sido devidamente comprovada pela Fazenda Pública, não sendo aceitas meras suposições. O Auto de Infração baseia-se apenas em presunções para caracterizar o dolo e, segundo o entendimento do ilustre doutrinador e mestre Sacha Calmon Navarro Coelho [...] A Impugnante agiu rigorosamente dentro da lei, pagando devidamente em dia suas obrigações tributárias, não se justificando a ação da Fazenda Pública. Além do mais, se houve erro por parte da Impugnante, o que não se admite, tal fato não descaracteriza a sua boa-fé, não podendo a contribuinte arcar com a dormência da administração em cobrar o crédito que diz possuir, como bem entende o grande tributarista Sacha Calmon Navarro Coelho, em sua obra anteriormente indicada, cujo teor segue abaixo: [...] Fl. 3099DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 14 Logo, depois de todo o exposto, não restam dúvidas de que se aplica ao presente caso o artigo 150 do Código Tributário Nacional. Tal dispositivo prevê de maneira expressa e índene de qualquer dúvida que o prazo conferido à Fazenda para a constituição do crédito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. III – DO MÉRITO 3.1. Não Ocorrência de Simulação. Insuficiência Probatória. Eficácia dos Atos Praticados Pela Impugnante. A administração fiscal, incansavelmente, tenta demonstrar que todas as operações realizadas entre o GRUPO MARQUISE e o GRUPO CEC teriam a única e exclusiva finalidade de fraudar o Fisco, ou seja, buscavam gerar algum beneficio fiscal para aquele grupo, seja pela aquisição indireta de créditos de IRRF/PIS/COFINS de terceiros, seja pela suposta diminuição dos resultados positivos obtidos pelas empresas do grupo nos exercícios de 2004, 2005 e 2006. Todavia, uma análise mais acurada das circunstâncias nas quais se inseriram as operações relatadas, abstraindo-se da visão erroneamente pejorativa que se tem dos contribuintes, e tendo em mente os princípios constitucionais norteadores da atividade empresarial, verificar-se-á a absoluta ausência de qualquer legitimidade na cobrança ora efetuada. Nesse diapasão, a concepção de uma gestão empresarial séria, voltada para a evolução da empresa, elide qualquer argumento de existência de simulação nas operações relatadas. Ainda que assim não o fosse, considerando-se a sua real ocorrência, tem-se que a sua prova se torna indispensável para a atribuição de qualquer responsabilidade aos supostos infratores, o que não é o caso deste Auto. Ainda que se admita a eventual existência de algum ato simulado devidamente comprovado, não se pode negar a evidente falta de conduta por parte da impugnante, tendo em vista que todas as operações se deram no seio de outro grupo empresarial, do qual ela não faz parte. Por último, em não se admitindo nenhum fundamento invocado nesta Impugnação, não se pode esquecer da inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. 3.1.1. – Dos princípios constitucionais norteadores da gestão empresarial. Desconfiguração dos supostos atos simulados. Inicialmente, cumpre destacar o crescente intervencionismo constitucional em matérias de Direito Privado. Em outras palavras, desde a Constituição de 1934, vem-se buscando inserir nos textos constitucionais normas que, tradicionalmente, eram veiculadas por diplomas infraconstitucionais, já que não tratavam de questões referentes à organização e estrutura do Estado e a direitos civis e políticos, assuntos genuinamente constitucionais. Essa constitucionalização do Direito Privado logrou alçar ao ápice do ordenamento jurídico pátrio normas que se irradiam por todos os ramos do Direito, servindo como verdadeiros princípios norteadores tanto para a elaboração de novas leis, como para a aplicação das já existentes. A Constituição Federal de 1988 não quebrou essa tendência, já que, ao consagrar a liberdade (art. 5º, caput) como um dos direitos fundamentais assegurados pelo Estado, erigiu a liberdade econômica a um dos fundamentos da República, como se pode verificar nos seguintes dispositivos: Fl. 3100DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 8 15 [...] A Ordem Econômica, portanto, expressamente alberga os consectarios da liberdade econômica em sentido estrito (atividade lucrativa, preferencialmente deferida aos particulares), quais sejam: a livre iniciativa, a liberdade de trabalho, a liberdade de associação e a livre concorrência. Não se pode negar que ao Estado incumbe regular e fiscalizar essa atividade econômica desempenhada pela iniciativa privada. Entretanto, tal regulamentação não deve chegar ao ponto de ofuscar o direito fundamental ao livre exercício das atividades econômicas. Essa atuação estatal, tem a finalidade apenas de evitar que os abusos cometidos durante o liberalismo econômico, em detrimento dos direitos sociais das classes mais carentes, sejam novamente cometidos. Não pode ela, de forma alguma, interferir no modo de desempenho das atividades empresariais, as quais visam não apenas ao lucro. Na verdade, as empresas possuem uma série de objetivos que devem ser levados em conta quando da análise de sua atividade: [...] Nesse sentido, a livre iniciativa, princípio que regula toda a atuação empresarial, resta devidamente observada quando a sociedade empresária se planeja para o alcance de todos esses objetivos. Não é outro o entendimento de José Afonso da Silva : [...] Não há como negar, então, que a liberdade da atividade econômica pelos particulares reclama uma gestão perfeitamente articulada, com o escopo precípuo de propiciar o desenvolvimento da empresa e a justiça social. É com esse objetivo que várias relações jurídicas são travadas com outras sociedades empresárias, ou até mesmo com pessoas físicas. A doutrina de Arnold Wald reconhece que a gestão empresarial consiste exatamente em uma estratégia de administração, escolhendo os melhores caminhos a serem perseguidos pela empresa, projetando uma otimização de sua atividade: [...] Não se pode olvidar, também, da complexa estrutura que compõe o GRUPO MARQUISE, onde se encontram diversas empresas, atuantes em várias áreas de mercado, configurando uma teia altamente densa de relações jurídicas, todas voltadas para um melhor desempenho da atividade empresarial. Essa digressão doutrinária tem a finalidade de deixar claro que todas as atividades da autuada se enquadram justamente neste conceito de gestão empresarial. Dito de outra forma, as operações relatadas no Termo de Verificação Fiscal configuram ações destinadas a um melhor desempenho empresarial, nada tendo a ver com condutas fraudulentas, destinadas a obter benefícios fiscais escusos, conforme quer fazer crer a administração fiscal. Fl. 3101DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 16 É importante não perder de foco o cerne da questão. Não se está a discutir a existência ou não das operações relatadas, mas apenas a sua natureza: lícita (atos de gestão empresarial) ou ilícita (atos fraudulentos e/ou simulados). Para atestar os motivos que imbuíram a impugnante a realizar as referidas operações, evidenciando a completa ausência de qualquer intento fraudulento, pode- se tomar como exemplo a relação firmada entre a CONTRUTORA MARQUISE e a RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A. Nesta operação, a MARQUISE vende direitos creditórios perante o município de Fortaleza, pelos quais a RCA dá como pagamento créditos de tributos federais e o terreno Sítio Mulungu, em Messejana. Nesse contexto, o Fisco, buscando alguma irregularidade no contrato, procura fazer crer que, pelo simples fato de a MARQUISE necessitar de um terreno para construção de aterro sanitário (exigência do Edital 001/2002 para prestação de serviço de limpeza urbana), estaria aquela empresa tentando realizar manobras ilegítimas para obter algum tipo de benefício. Ora, se uma empresa está impedida de realizar um negócio válido, do qual, em sua análise, acarretará algum tipo de proveito também legítimo, indaga-se: onde está a liberdade de atividade empresarial consagrada na Constituição com status de direito fundamental? Dessa forma, são de um despautério evidente as conclusões a que se chegou a fiscalização realizada, não observando os conceitos mínimos de direito empresarial, buscando a todo custo desconsiderar operações consolidadas no tempo, nas quais não se verificou qualquer resquício de irregularidade. Retroagindo no tempo, a administração fiscal buscou efetuar ligações entre os negócios realizados pelo GRUPO MARQUISE e GRUPO CEC com o intuito de encontrar qualquer elemento que evidenciasse alguma irregularidade, desconsiderando os efetivos atos de gestão empresarial ocorridos. Não é demais frisar que interferência desse jaez (desconsideração de atos de gestão empresarial) configura atuação estatal que exorbita os limites impostos pela Constituição Federal, que, no que tange à ingerência na ordem econômica, apenas permitiu, como regra, a prática de atos de fiscalização e regulamentação. Por outro lado, para que se pudessem taxar as operações descritas no Termo de Verificação fiscal como fraudulentas ou simuladas, seria imprescindível que tais circunstâncias estivessem devidamente comprovadas nos autos, o que não é o presente caso, conforme se demonstra no tópico a seguir. 3.1.2 Da ausência da comprovação da fraude ou simulação. Superados os argumentos anteriores, o que se admite somente a título de argumentação, cumpre destacar que, ainda que não se considerem as operações realizadas como atos de mera gestão (incólumes a qualquer irregularidade), a administração fiscal não se desincumbiu do ônus de provar a fraude ou simulação. Com efeito, a administração fiscal invocou os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 para a realização da autuação em comento. Assim rezam esses dispositivos: [...] Baseia-se, então, na análise das operações realizadas para, ao final, concluir, de uma forma um tanto temerária e completamente descabida, que os negócios foram realizados com o intuito de prejudicar o Fisco. Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 9 17 Como expressamente reconhecido no Termo de Verificação Fiscal, de fato, a prova da ocorrência das simulações alegadas pela administração fiscal se dá em virtude da análise das circunstâncias objetivas em que se deram as operações. Dito de outra forma, como a prova do elemento subjetivo do ‘infrator’ em agir deliberadamente para prejudicar o Fisco é extremamente difícil, é o contexto em que se insere essa ação que indicará a prática da simulação. Assim a prova indiciária ganha relevo, como leciona Silvio Venosa: ‘O intuito da prova da simulação em juízo é demonstrar que há ato aparente a esconder ou não outro. Raras vezes, haverá possibilidade da prova direta. Os indícios avultam de importância. Indício é rastro, vestígio, circunstância suscetível de nos levar, por via de inferência, ao conhecimento de outros fatos desconhecidos.’ [...] O cerne da questão, então, cinge-se em saber se estão presentes esses fortes indícios de ocorrência de simulação no presente caso, ou seja, se todo o trabalho de fiscalização realizado teve o condão de apurar os indícios necessários para a comprovação das simulações relatadas. Verificada a eventual existência dos indícios, parte-se para análise das demais provas, que, juntamente com os primeiros, poderão legitimar a realização do lançamento tributário e a aplicação da sanção. Este é o entendimento que prevalece na doutrina, tendo como exemplo Roque Antônio Carrazza: ‘É que os indícios possuem valor probatório mínimo, não podendo ser utilizados isoladamente. Pelo contrário, são sinais que devem ser reforçados por outras provas coligidas pelo Fisco. Sem tal corroboração não se mostram prestáveis para lançar um tributo ou impor uma penalidade fiscal.’ Nesse ponto, não se pode negar que todas as transações historiadas no Auto ora impugnado, por si só, não têm o condão de configurar a prova cabal necessária para atestar o intuito de realizar operações fraudulentas. Ao revés, em virtude de todas as operações estarem minuciosamente registradas, o que possibilitou, inclusive, o seu rastreamento pela administração fiscal, deduz-se que não houve qualquer intento em cometer algum ato ilícito. [...] Em que pesa as distinções doutrinárias em relação aos conceitos de presunções, ficções e indícios, resta evidente que nenhum deles é capaz de autorizar as imputações ora feitas à impugnante. No presente caso, têm-se o relato de várias operações de compra e venda de imóveis, cessão de direitos creditícios, compra e venda de veículos, incorporações empresariais, as quais beneficiariam tributariamente a Autuada. Acontece que cada operação dessa foi devidamente contabilizada e registrada, demonstrando a boa-fé com que agiram as partes envolvidas. Ainda que assim não se entenda, cada transação poderia configurar, no máximo, um mero indício, ou seja, não certifica as supostas pretensões fraudulentas narradas no Termo de Verificação Fiscal. Isso sem levar em consideração os argumentos anteriormente levantados, no sentido de que consistem em atos de Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 18 gestão empresarial, todos devidamente contabilizados, conforme o próprio Fisco constatou em sua fiscalização. Nessa linha, é de aceitação unânime na doutrina o fato de que o somatório de vários indícios não forma uma prova plena. Como exemplo, podem-se citar as lições do ilustre mestre acima citado: ‘Sobremais, é regra clássica e universal que, quando vários indícios referem- se a um só e quando os argumentos sobre um fato dependem de um único argumento, a soma deles, por numerosos que sejam, não formam prova plena. Todos junto não constituem mais do que um só indício.’ (destacou-se). Ora, todas as operações realizadas entre as empresas do GRUPO CEC, antes mesmo da participação de qualquer entidade do GRUPO MARQUISE, desde que se considerasse afastada sua natureza de gestão empresarial, somente poderiam configurar meros indícios, os quais não podem ser somados para a constituição de uma prova cabal de simulação por parte deste grupo. Para que se pudesse cogitar de uma efetiva comprovação de atos fraudulentos, seria necessária a presença de outros elementos além dos citados indícios, já que estes possuem um reduzidíssimo valor probando. A exigência da presença dessas provas cabais está em sintonia com o princípio da presunção de inocência, que não se restringe ao âmbito penal, mas ilumina todo e qualquer procedimento em que haja um acusado. É o que se verifica no seguinte julgado: [...] Mais uma vez, irrefutáveis são as palavras de Roque Carrazza: ‘Os tipos tributários como que fecham a realidade tributária, não podendo ser alargados por meio de presunções, ficções ou meros indícios. E inadmissível que o agente fiscal abra aquilo que o legislador, atento aos ditames constitucionais, cuidadosamente fechou. O afã de evitar que os mais espertos se furtem ao pagamento dos tributos absolutamente não autoriza a utilização do arbítrio. Em suma, a busca da justiça não prevalece sobre a segurança jurídica, que o princípio da tipicidade fechada confere aos contribuintes.’ (destaques do original). Dessa forma, as supostas simulações relatadas no Auto de Infração ora impugnado não restaram devidamente comprovadas, seja porque as circunstâncias fáticas (minuciosa contabilização das operações) indicam conclusão diametralmente oposta a que se chegou a fiscalização (afasta o pretenso intuito de praticar atos simulados); seja pela falta de indícios (em razão da natureza de gestão empresarial das operações historiadas); seja ainda, pela falta de outras provas que se somem aos eventuais indícios que se considerem existentes. [...] Por outro lado, e confirmando que se está diante de meras suposições, é com extremo espanto que se possa cogitar que a administração fiscal, sem a realização de uma prova técnica pericial, possa constatar tal circunstância. Para que restasse comprovada a elaboração de algum instrumento antedatado, o meio de prova adequado seria a prova pericial, a qual analisaria a higidez da elaboração do documento. Fora essa hipótese, não há que se admitir qualquer imputação de irregularidade, em face da presunção de veracidade dos referidos instrumentos. Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 10 19 Mais uma vez, não se pode negar que fazendo uma análise mais detida das operações, a outra conclusão não se pode chegar que não a sua absoluta contabilização por parte das empresas envolvidas, diversamente do que quer fazer crer o Fisco, não se verificando qualquer irregularidade. 3.2. Das Glosas [...] A glosa descrita na alínea ‘A’, do item 001, da descrição dos fatos, do auto de infração em comento, relativa aos custos de locação de máquinas e equipamentos da empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA., não está suportada por nenhuma das condições formais e materiais, indispensáveis para tal desqualificação, senão vejamos: a. O fisco não comprovou que a empresa não possuía as máquinas e equipamentos alugados; b. O fisco não possui qualificação técnica para mensurar se uma empresa construtora, com CNAE de empresa construtora, tem ou não capacidade técnica para atuar no ramo de construção civil. Quais critérios foram utilizados pelos auditores fiscais para concluírem pela desqualificação técnica da VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA.? c. Os aluguéis glosados pelo fisco ocorreram ao longo do ano de 2004, enquanto que a ação fiscal foi executada no período de 16/12/2009 a 14/12/2010. Portanto, os doutos auditores fiscais não poderiam retroagir no tempo para saber se em 2004 a empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA. tinha ou não qualificação técnica para prestação dos serviços contratados pela Construtora Marquise S/A. d. Não há no processo qualquer indicação de ter havido procedimento fiscalizatório na VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA, relativamente ao ano de 2004. Os argumentos dos d. Fiscais, para justificar a pretensa glosa, são de uma tibieza ímpar. Vejamos o que afirmaram em seu relatório, às fls. 2.825 deste PAF: [...] Se verificarmos todo o conteúdo dos autos, não encontraremos um único documento que venha a comprovar a dita avaliação das condições técnicas, materiais e operacionais da empresa Vila Rica Construções, conforme afirmam os d. Fiscais. A dita avaliação consistiu em quê? Em um laudo elaborado por algum instituto de tecnologia? Ou no feeling dos d. Fiscais? Nos autos sequer temos cópia de um MPF que viesse a comprovar qualquer diligência fiscal naquela empresa. Se houve pesquisas de praxe em órgãos públicos competentes, como afirmam os AFRFB, estas não foram juntadas ao presente processo. O que se tem no presente PAF é apenas um ofício da Prefeitura Municipal de Fortaleza PMF (fls. 2838), que ora transcrevemos: [...] Senhores Julgadores, esse ofício da PMF, nada diz! Nem mesmo o nome do contribuinte a que se refere tal ofício ali está mencionado. Mesmo que se admita que as informações prestadas pela PMF digam respeito à empresa Vila Rica Construções e Prestação de Serviços Ltda., a locação em questão não faz parte dos serviços Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 20 listados na Lei Complementar 116/03. Portanto, as receitas decorrentes de locação não estão sujeitas aos tributos administrados por aquela Prefeitura, o que nos leva a crer que a PMF nada poderia informar sobre o faturamento daquela empresa. E mais, se de fato foram feitas as pesquisas como afirmam os d. Fiscais, a pergunta que se faz é: como retroagiram no tempo para saber se, na época das operações, tinha ou não a empresa condições técnicas para tal mister? Baseado em quê a fiscalização pôde concluir que a empresa não dispõe de máquinas e equipamentos para locação? Mesmo que se admita que em 2010, ano do presente auto, a Vila Rica não dispunha de tais equipamentos, será que nos anos de 2004,2005 e 2006, ela, também, não estava em condições de locar as ditas máquinas e equipamentos? Onde está a prova de tal fato? Se essa avaliação é a única razão para a pretensa glosa, e, ainda mais, para a qualificação da multa de ofício, nada mais nos resta senão rasgarmos o CTN e a CF. Este procedimento da fiscalização é um evidente abuso de poder! [...] A locação ocorreu. Os serviços estão suportados por documentos legais e idôneos. Os pagamentos pelos serviços foram devidamente comprovados e registrados na contabilidade da Impugnante. Os serviços foram necessários à atividade da Impugnante. Portanto, inadmissível a pretensa glosa. [...] 3.2.2. Das Glosas de Custos de Imóveis Vendidos A glosa de custos de imóveis vendidos, descrita na alínea ‘B’, do item 001, da descrição dos fatos, do auto de infração em comento, no valor de R$ 1.499.464,15, está em linha com o mesmo critério observado no tópico anterior (3.2.1.). As afirmações do fisco são vazias de prova e se baseiam apenas em suposições. Desconhecem os doutos fiscais que a tradição de um imóvel pode ser feita através de instrumentos particulares de compra e venda, o qual, não precisa, necessariamente, ser registrado no cartório de registro de imóveis. Numa empresa construtora, cujo objeto social é a atividade imobiliária, não há nada de estranho nas operações de compra e venda através de instrumentos particulares. Tal prática é muito comum. O fato dos imóveis comercializados não terem tido anotações em suas matrículas no cartório de registro de imóveis, não dá o direito de o fisco considerar tais operações como simuladas. Os doutos auditores insistem em querer entender mais das atividades operacionais da Impugnante do que os seus próprios gestores. Com qual autoridade técnica pode os ditos auditores afirmarem que tais operações imobiliárias não são prescindíveis à operacionalidade da Construtora Marquise? Baseados em quais premissas os ditos auditores chegaram a essa conclusão? O próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem decidindo que a falta de registro no cartório de imóveis, não é suficiente para afirmar a inocorrência da aquisição de imóveis, como se verifica no acórdão abaixo: [...] Os registros contábeis de compra e venda de imóveis devem obedecer o que determina a ciência contábil, ou seja, os registros devem ser feitos no momento da operação, independentemente da sua formalização, pois há de se privilegiar a essência econômicas sobre a forma jurídica. Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 11 21 Portanto, descabida essa autuação por absoluta falta de prova e desobediência à ciência contábil. 3.3. Omissão de Receitas Financeiras/Receita de Deságio de Ações No item 002 da descrição dos fatos do auto aqui guerreado, os AFRFB destacam que a Construtora Marquise promoveu aquisição de suas próprias ações (ações em tesouraria) por valor notoriamente inferior ao que valia ao tempo dessa aquisição. A referida aquisição foi aprovada em Assembleia Geral da sociedade, em 03/10/2005 e devidamente escriturada no Registro de Ações Nominativas da Impugnante, conforme se confirma com as cópias dos referidos documentos (ANEXO I) A Lei n° 6.404/76, em seu artigo 30, trata da negociação com as próprias ações. Diz o artigo 30, in verbis: [...] Os doutos auditores fiscais sequer mencionaram o art. 30 da Lei n° 6.404/76, acima transcrito. Basearam suas alegações nos artigos 45 e 137 dessa mesma lei, artigos esses que não se referem ao caso concreto. A aquisição de ações de emissão da própria companhia, definida na lei das sociedades por ações como ‘AÇÕES EM TESOURARIA’ não se confundem com reembolso do valor das ações previsto no art. 45 e, menos ainda, com o direito de retirada do acionista dissidente, prevista nos art. 136 e 137, da Lei n° 6.404/76. Os senhores auditores fiscais, mais uma vez não conseguiram entender o que efetivamente aconteceu, o que, a princípio, é compreensivo por se tratar de matéria de direito societário. Operação de compra e venda de ações para tesouraria deve obedecer os ditames do artigo 30, da Lei 6.404/76, seja para companhias fechadas, tanto quanto para as companhias abertas. A afirmação dos AFRFB, à pag. 1, CAPÍTULO III, TOMO IV de que o reembolso do acionista retirante teria de se dar tal como provê o artigo 45 e seus parágrafos, demonstra total desconhecimento do que seja aquisição de ações para tesouraria. Quando se adquire ações para tesouraria o rito é próprio e não há que se falar em reembolso, mas sim em compra e venda, preservando-se o capital social. A lei que rege as sociedades por ações é muito clara e não admite que a negociação da companhia com suas próprias ações se faça em prejuízo do capital social. Seguindo o caminho inaugurado pela Lei n° 4.728/65, a Lei n° 6.404/76 estabelece a faculdade de a companhia negociar com suas próprias ações, independentemente de decisão da assembleia geral e sem que isto implique redução do capital social, quando tiver por finalidade mantê-las em tesouraria para futura venda ou então para cancelá-las. Impor a companhia como deve ser feita a compra, e como deve ser estabelecido o valor da negociação de ações para tesouraria em uma sociedade anônima fechada é, no mínimo, uma intromissão descabida. Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 22 3.4. Da Glosas de Despesas Financeiras No subitem ‘A.l’, do item 003, do auto de infração aqui guerreado, os AFRFB glosaram as despesas de variação monetária, pelo fato de que as dívidas foram originadas pela compra de empresas nascidas da cisão parcial da RCA e, que ao final, foram incorporadas pelo Grupo Marquise. Entende o fisco que a compra de tais ações foi feita de forma simulada, pois o que de fato ocorreu foi a compra dos créditos existente na empresa cujas ações foram adquiridas. As ações adquiridas eram de emissão da companhia que nasceu do processo de cisão parcial da RCA, permanecendo esta RCA existindo e em pleno funcionamento. Considerando que a cisão na RCA ocorreu de forma parcial, esta empresa permanece como responsável por seus atos e, portanto, é esta empresa sujeito passivo de possível crédito tributário e jamais a companhia que nasceu desse processo de cisão. Para este processo em particular, o que interessa é se houve a compra das ações ou não. Se houve o pagamento ou não, e de que forma. Se a compra for a prazo e quais as condições de encargos contratadas. É isto que interessa, o resto é para ser discutido com a RCA. No subitem ‘A.2’, do mesmo item 003, os AFRFB, simploriamente, informam (pag.3, CAPITULO IX, TOMO II): ‘no caso da ‘aquisição’ das ações da CONCE, há de ser glosada a despesa financeira corresponde ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 276.503,00, conforme escriturado em 16.09.2004, conta 8231 OUTRAS DESPESAS/REALIZAÇÃO DE ÁGIO ‘. Percebe-se claramente que não há qualquer embasamento técnico contábil ou mesmo fiscal que suporte a pretensa glosa do ágio decorrente da aquisição de ações de emissão da empresa CONCE CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A. Em data de 16/09/2004, a Impugnante adquiriu 2.023.497 (dois milhões, vinte e três mil, quatrocentas e noventa e sete) ações de emissão da CONCE pertencente ao Sr. Sebastião Oliveira Souza, pelo valor de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), conforme se confirma com a cópia do instrumento de compra e venda às fls. 941/943 deste PAF. Em conformidade com o art. 248, da Lei n° 6.404/76, os investimentos realizados em sociedades controladas ou coligadas devem ser contabilizados com base no Método de Equivalência Patrimonial, ou seja, no ativo da investidora deverá estar indicado o exato valor desse investimento mensurado com base no valor patrimonial da investida. Por essa razão, para efeito de contabilização o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desmembramento contabilizados em subcontas separadas. Essas subcontas expressarão o valor do investimento na investida com base na equivalência patrimonial e o ágio ou deságio. O ágio ou deságio na aquisição representa a diferença entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. Exatamente assim procedeu a Impugnante. As fls. 935 deste PAF encontramos o registro contábil efetuado pela empresa, a saber: D – Investimento (valor equivalência patrimonial) R$ 2.023.497,00 D – Ágio (investimento) R$ 276.503,00 Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 12 23 C – Sebastião Oliveira Souza R$ 2.300.000,00 Ocorre que em data de 29/11/2004, a empresa CONCE foi incorporada pela MÚLTIPLA COMERCIAL EXPORTADORA S/A (MÚLTIPLA), conforme Ata às fls. 1028/1030, deste PAF. Em decorrência dessa incorporação, a CONSTRUTORA MARQUISE (Impugnante), recebeu da MÚLTIPLA, ações representativas do Patrimônio Líquido que lhe pertencia junto a CONCE. Tal fato, por si só, determina que o ágio da aquisição seja imediatamente baixado, ou seja, amortizado. Não há que se falar em simulação em uma operação dessa natureza, menos ainda, considerar indedutível referida amortização do ágio. Nesses casos o processo de incorporação se assemelha a venda da participação societária. Assim sendo, o valor das ações do novo investimento (MÚLTIPLA) deve ser registrado contabilmente em função da nova situação patrimonial. Obviamente, por ser uma nova operação, o ágio decorrente da aquisição original precisa ser amortizado. Os efeitos de ganhos ou perdas desse novo investimento (MÚLTIPLA) foram promovidos através do Método de Equivalência Patrimonial, no encerramento de cada exercício. Na alínea ‘B’, do referido item 003, a glosa de despesas de juros incorridos sobre passivos da companhia teve como fundamento ‘dívidas de natureza simulada’ porque todas elas centradas no ponto cardeal de captura de créditos fiscais fictícios que resultaram das cisões do Grupo CEC. Nunca é demais registrar que as cisões parciais das empresas do Grupo CEC não tiveram nenhuma participação do Grupo Marquise. Referidas empresas, do Grupo CEC, foram devidamente fiscalizadas por AFRFB. Não há nenhuma informação nos autos do processo e tampouco a Impugnante tem conhecimento de nenhuma autuação naquelas empresas do Grupo CEC. Na alínea ‘C’, do mesmo item, entendeu o fisco que os registros das perdas decorrentes dos créditos provenientes da compra de créditos fiscais, devidamente contratados e registrados contabilmente, deveriam ser tratados como despesas indedutíveis. Diz o fisco que: ‘para efeito de legislação tributária, a dedutibilidade de despesas, custos e perdas, se prende à análise da presença conjunto do triplo requisito da necessidade, usualidade e normalidade.’ Ocorre que os valores contabilizados decorreram de créditos incobráveis e para tanto deve ser observado o que dispõe o art. 9o, da Lei n° 9.430/96 e a INSRF n° 93/97. Nesses dispositivos legais é disciplinado em quais condições um crédito incobrável deve ser contabilizado como perda dedutível. A contabilização como perda dos créditos nos valores de R$ 1.512.720,97 (um milhão, quinhentos e doze mil, setecentos e vinte reais e noventa e sete centavos) e R$ 1.181.158,85 (um milhão, cento e oitenta e um mil, cento e cinquenta e oito reais e oitenta e cinco centavos) obedeceu ao normativo vigente à época e, portanto, ditas perdas são legitimamente dedutíveis. Os créditos contabilizados como incobráveis decorreram de operação normal da companhia, vinculado, portanto, à gestão de seus negócios. Quando da compra dos créditos fiscais com deságio, a Impugnante registrou como receita tributável o Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 24 referido deságio. Nesse aspecto o fisco não se manifestou, porque restou maior pagamento de tributos pela impugnante. Em relação à glosa descrita no item 004, do auto de infração, os argumentos da Impugnante são os mesmos apresentados acima, em relação à alínea ‘B’, do item 003, cuja base da autuação está no CAPITULO VII, TOMO III. 3.5. Da Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente O prejuízo utilizado na DIPJ do ano-calendário de 2006 estão rigorosamente registrados no LALUR daquele ano. Portanto, dito prejuízo fiscal somente poderá ser desconsiderado após ajustes do Lucro Real decorrente do auto de infração em função do julgamento definitivo em sede administrativa. 3.6. Da eficácia das operações perante o GRUPO MARQUISE. Terceiro de boa-fé. Em que pese todos os fundamentos já expostos, incontestavelmente aptos a desconstituir o presente Auto de Infração, deve-se ter em mente que, caso ainda assim se considere que as operações relatadas pela administração fiscal foram objeto de simulação, não se poderá negar que as empresas do GRUPO MARQUISE, notadamente a Autuada, não tiveram a menor participação nas referidas operações, conforme já exposto. Inicialmente, vale frisar que a própria administração fiscal, em várias partes do Termo de Verificação, deixa bem claro que todas as operações tidas por simuladas se deram no seio das empresas do GRUPO CEC. Para ilustrar, citam-se as seguintes passagens: ‘no interior do grupo CEC’ (pag. 01, Tomo I, Cap. VIII); ‘operações intra CEC’ (pág.l, Tomo I, CAP. XIII) etc. Nesse diapasão, caso tenha ocorrido alguma operação fraudulenta, em desfavor do Fisco, tal ocorrido se deu nas negociações perpetradas pelo GRUPO CEC, sendo a impugnante um terceiro de boa-fé, que não pode ser atingindo pelas eventuais irregularidades encontradas nos contratos e operações da qual não fez parte. Para uma melhor explicação, tome-se como exemplo a venda da gleba Caraíba pela IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA para RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A (Tomo I, Cap. X). O Fisco, ao se debruçar sobre as vicissitudes do contrato, acaba por encontrar algumas supostas irregularidades. Por conta disso, desconsidera a realização do referido contrato, desconstituindo todos os efeitos posteriores que dele decorreram, inclusive os créditos de IRRF e de PIS/COFINS oriundos dele. Acontece que referidos créditos foram legitimamente repassados para a impugnante por meio de incorporação empresarial. Este último evento não pode sofrer qualquer invalidação em virtude da suposta simulação perpetrada na operação anterior, em face da boa-fé da impugnante. É o que dispõe o já citado art. 167 do CC/02, em seu § 2º: [...] Não há como imputar à impugnante a ciência dos supostos vícios contidos nos atos praticados por pessoas jurídicas distintas da dela. Conforme já muito bem ventilado alhures, não há qualquer indício sequer de irregularidade nas operações realizadas pela Autuada. Ainda que existissem alguns indícios, eles, por si só, não são capazes de comprovar a existência da simulação. Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 13 25 Esta, se existe, encontra-se nas operações das quais não é parte, não podendo ser a ela imputada. Por conta disso, é de uma leviandade sem precedentes afirmar que as incorporações empresariais efetuadas pela impugnante, no que se refere ao exemplo dado, foram premeditadas para a aquisição de créditos fiscais sabidamente fictícios. A jurisprudência não destoa do entendimento aqui perfilhado, segundo o qual a simulação eventualmente ocorrida não surte efeitos em contrato firmado com terceiros em momento posterior: [...] Ora, quaisquer eventuais irregularidades na constituição de tais créditos devem ser imputadas àquelas pessoas que os originaram, quais sejam, a empresas do GRUPO CEC envolvidas nas negociações dita simuladas, bem como os seus dirigentes, na forma do já citado art. 135, II, do CTN, não devendo sair prejudicado o terceiro de boa-fé. Assim, em havendo algum ato praticado com infração à lei, como os supostos atos simulados praticados nas entranhas das empresas do GRUPO CEC, a respectiva responsabilidade somente pode recair sobre aqueles que tinham poderes de gestão nessas empresas à época dos fatos geradores. 3.7. Do não cabimento da multa qualificada. A mansa e pacífica jurisprudência do tribunal administrativo federal tem sido no sentido de que não se presume o dolo, a fraude ou a simulação, mas que estas devem estar cabalmente provadas na peça acusatória, ou seja, no auto de infração. Vejamos, a título de exemplo, alguns julgados do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: [...] O Auto de Infração baseia-se apenas, como visto acima, em presunções para caracterizar o dolo. Todavia, fraude ou simulação devem estar devidamente comprovadas pelo Fisco, o que não se viu no presente caso, notadamente quanto à alegação de que os valores pagos pela Impugnante, relativos às obrigações e despesas vistas neste processo, retornaram ao patrimônio da empresa. Sobre tal assunto só se viu palavras da fiscalização, não há um só documento comprovando tais fatos. A Impugnante agiu rigorosamente dentro da lei, se houve erro, o que se admite apenas para fins de argumentação, tal fato não descaracteriza a sua boa-fé nos atos acima relatados. Portanto inadmissível a pretensa majoração da multa de ofício. 3.8. Dos reflexos na CSLL Os argumentos da Impugnante em relação ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL são os mesmos apresentados nos itens anteriores, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, por tratar-se de mesma matéria fática e de direito. Mesmo que sejam mantidas as alegações da fiscalização para os lançamentos do IRPJ, o que se admite apenas por amor à discussão, as alegações em relação às Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 26 glosas trazidas na alínea ‘C’, do item 001, do auto de infração, não podem ser admitidas para fins de lançamento para a CSLL. Na referida alínea ‘C’, entendeu o Fisco que os registros das perdas decorrentes dos créditos provenientes da compra de créditos fiscais, devidamente contratados e registrados contabilmente, deveriam ser tratados como despesas indedutíveis. Diz o Fisco que: ‘para efeito de legislação tributária, a dedutibilidade de despesas, custos e perdas, se prende à análise da presença conjunto do triplo requisito da necessidade, usualidade e normalidade ‘ O referido ‘triplo requisito’ só é previsto para fins de Imposto de Renda, jamais para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Afinal, somente a lei pode fixar a base de cálculo de tributo, não se admitindo que valores indedutíveis para efeito de IRPJ sejam adicionados às bases de cálculo de outros tributos sem expressa determinação legal. Este inclusive é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se verifica nos acórdãos abaixo: [...] Não se pode vislumbrar, portanto, qualquer fundamento fático ou jurídico que ampare o auto de infração ora impugnado, razão pela qual deve ser julgado totalmente improcedente, desconstituindo-se os lançamentos de ofício nele consubstanciados, já que não subsistem aos argumentos aqui defendidos. IV – DO PEDIDO POR TODO O EXPOSTO, a Impugnante requer: (i) que seja desconsiderada a qualificação da multa de ofício; (ii) que seja reconhecida a decadência do direito do Fisco lançar o IRF sobre os pagamentos realizados em datas anteriores a 01/01/2005; (iii) que seja o auto de infração considerado totalmente improcedente, tendo em vista a completa ausência de atos simulados, seja pela configuração dos atos de gestão, seja pela absoluta falta de comprovação do elemento subjetivo de fraudar o Fisco; (iv) em assim não sendo, seja reconhecida a irresponsabilidade da Impugnante, tendo em vista que as supostas irregularidades foram praticadas por pessoa jurídica diversa, sendo ela terceiro de boa-fé; ou, ainda, pela fato de as reais responsáveis serem as pessoas jurídicas remanescentes das cisões parciais (conforme relatado nos autos). É o que se tem a relatar.” O acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação para cancelar o lançamento referente à omissão de receita com deságio na aquisição de ações próprias no ano-calendário de 2005, por entender se tratar também de uma operação fraudulenta, portanto, inexistente. Em relação aos demais itens, o lançamento foi julgado procedente, sob o fundamento de que (i) as glosas de custos e/ou despesas devem ser mantidas, em virtude da verificação de operações simuladas; (ii) no caso de simulação, o prazo decadencial é contado no forma prescrita pelo art. 173, I do CTN; (iii) em relação à CSLL, aplicam-se as mesmas regras do IRPJ; (iv) é possível a utilização de prova indireta; e (v) a qualificação da multa é legítima em virtude da existência de operações simuladas. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada, previsto na Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, o Colegiado a quo suscitou de ofício o reexame da matéria a este Tribunal Administrativo. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência dos lançamentos pela: (i) Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 14 27 decadência, cujo termo a quo deveria ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; (ii) ausência de atos simulados e falta de comprovação do elemento subjetivo dolo pela Fiscalização; (iii) ausência de responsabilidade da Contribuinte pelas infrações apontadas, por ser terceira de boa-fé; (iv) impossibilidade de se aplicar à CSLL as regras de dedutibilidade de despesas previstas para o IRPJ; e (v) a desqualificação da multa de ofício qualificada, por força da inexistência de sonegação e simulação no caso. A Fazenda Nacional apresentou contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário e de ofício atendem aos requisitos de admissibilidade pelo que deles tomo conhecimento. (i) Recurso de Ofício Cinge-se a discussão à procedência (ou não) do cancelamento da exigência de IRPJ e reflexos decorrente de alegada omissão de receitas por força da pretenso ganho da Contribuinte na compra de suas próprias ações com deságio perante a empresa uruguaia BRAWEL permanência em tesouraria e posterior alienação às pessoas físicas dos sócios. Entendeu o acórdão recorrido que as operações realizadas em seqüência pela Contribuinte seriam simuladas e teriam por finalidade apenas transferir as ações da BRAWEL para a pessoa física dos sócios, como também solucionar passivo mantido com a empresa Marquise Empreendimentos Hoteleiros desde 30.11.1998. Sustentou, ainda, que mesmo se não houvesse simulação e, portanto, ineficácia dos atos praticados, os ganhos e perdas em negociações com ações próprias não afetariam o resultado da Contribuinte, pois são contabilizadas diretamente em conta do patrimônio líquido. Verbis: afetar o resultado da empresa, devendo ser contabilizadas diretamente em conta do patrimônio líquido. “O deslinde da situação posta em discussão passa pela análise de um antecedente lógico, consistente em se estabelecer se toda essa cadeia de operações desenvolvidas a partir de 30/11/1998 (data em que a CONSTRUTORA MARQUISE tornou-se devedora da Marquise Empreendimentos Hoteleiros da quantia de R$ 15,65 milhões), até o dia 03/10/2005 (dia em que foi registrado o resgate, a preço de custo, por parte da CONSTRUTORA MARQUISE, das ações então tituladas pela Brawel, o que deu azo à tributação em debate), corresponde a atos jurídicos perfeitos, nos quais o que se encontra registrado nos contratos, recibos e demais documentos representa o efetivamente praticado no mundo fenomênico, ou, ao contrário, se dizem respeito a meras simulações, levadas a efeito com o fim exclusivo de reduzir de forma artificial a carga tributária da pessoa jurídica. Nos itens precedentes, por entender de atos simulados se tratar, a autoridade lançadora desconsiderou as operações. Entretanto, diferente foi o seu procedimento no item ora tratado. Teve por efetivas as operações praticadas e, ao observar que a Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 28 CONSTRUTORA MARQUISE houvera resgatado pelo preço de custo as ações então tituladas pela pessoa jurídica Brawel, tributou a parcela excedente a esse valor, inerente ao valor patrimonial da ação. A adoção dessa linha de raciocínio, contudo, revela-se despojada de coerência. Com efeito, as operações neste item tratadas apresentam as mesmas características observadas nos itens precedentes, o que nos leva a concluir que, analogamente àquelas, de operações simuladas também se trata. A propósito, observe-se o que foi discorrido pela autoridade lançadora no que concerne à quitação da dívida da CONSTRUTORA MARQUISE junto à sua coligada Marquise Empreendimentos Hoteleiros, empresa intitulada de HOTEL pelo agente tributante, fl. 2378: (...) Os imóveis citados já foram apreciados no presente julgado, ocasião em que restou demonstrado que as operações a eles relativas se mostraram viciadas pela prática simulatória, despidas de qualquer efetividade, praticadas somente no papel. Assim também se entendeu quando da apreciação dessas operações envolvendo a Ecofor Ambiental S/A (empresa do GRUPO MARQUISE) acima referenciadas, matéria deliberada através dos Acórdãos números 0823.973 e 0823.974, datados de 13/09/2012, ocasião em que esta 3ª Turma de Julgamento da DRJ Fortaleza entendeu haver restado devidamente demonstrada a simulação, mantendo os lançamentos em sua integralidade. Nesse tom, tendo presente a indispensável coerência a ser observada com o que tem sido decidido no âmbito deste órgão julgador, deve-se considerar que as operações neste específico item tratadas também se mostram contaminadas pela simulação, o que inviabiliza a tributação em debate, formalizada a título de omissão de receitas financeiras decorrente de receita de deságio não contabilizadas por ocasião da operação praticada com a Brawel, pessoa jurídica domiciliada no Uruguai. Em verdade, ao serem desconsideradas as operações praticadas, exsurge no patrimônio da CONSTRUTORA MARQUISE, na data de 30/11/1998, um ingresso de recurso no valor de R$ 15,65 milhões com origem não comprovada, que poderia ser objeto de lançamento sob o fundamento de omissão de receita. Trata-se do mútuo passivo “celebrado” entre a impugnante e a sua controlada Marquise Empreendimentos Hoteleiros, ressaltando-se que naquela mesma data a Marquise Empreendimentos Hoteleiros teria praticado um contrato de cessão de crédito com a pessoa jurídica Fildown, domiciliada na Nova Zelândia, situação em que a CONSTRUTORA MARQUISE teria passado a ser devedora não mais de sua controlada, mas da apontada empresa com sede no exterior. Posteriormente diversas operações foram entabuladas, chegando-se ao resgate das ações então tituladas pela Brawel, em relação à qual foi considerado ocorrido o deságio levado à tributação pela autoridade fiscal. Ocorre que o lançamento da omissão de receita diria respeito ao ano- calendário 1998, crédito inexoravelmente decaído por ocasião da auditoria fiscal. Não mais sendo possível a tributação decorrente da desconsideração das operações simuladas, restou à autoridade lançadora aceitar como efetivos os atos tidos como praticados e a constituir o crédito tributário relativo ao deságio no resgate das ações tituladas pela Brawel. Entretanto, como cabalmente demonstrado, o modus operandi observado no presente item em nada difere daquele praticado nos itens anteriores, o que nos leva a inferir pela presença da simulação nas operações levadas a efeito com as pessoas jurídicas Marquise Empreendimentos Hoteleiros S/A, Fildown Corporation S/A e Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 15 29 com a Brawel Corporation S/A, e pela improcedência da parcela do lançamento ora analisada. Ainda que se descartasse a presença da prática simulatória, melhor sorte não teria a parcela do crédito tributário em apreciação. É que o resgate de ações para permanência em tesouraria diz respeito a uma operação societária em cuja contabilização deve ser debitada conta do patrimônio líquido (Ações em Tesouraria, redutora do PL) e creditada conta do ativo (Caixa, ou Banco – Conta Movimento, por exemplo), lançamento sem qualquer repercussão no resultado do exercício.” O acórdão recorrido não merece reparos. Mesmo que os atos praticados pela Contribuinte tivessem a eficácia pretendida pela Fiscalização, o que foi negado pela decisão ora sob exame, diga-se que (a) a operação realizada pela Contribuinte não poderia ser enquadrada entre aquelas relacionadas no art. 45 da Lei n. 4.504/64 (reembolso – pagamento feito a acionistas dissidentes de deliberação de assembléia especial), tal como afirmado pela Fiscalização como fundamento da acusação fiscal; e (b) a aquisição de ações pela própria Companhia não deve impactar o resultado da pessoa jurídica no respectivo período, razão pela qual o art. 442 do RIR/99 dispõe que não será computado na determinação do lucro real eventual lucro na venda de ações em tesouraria. Por tais fundamentos, rejeita-se o recurso de ofício. (ii) Recurso Voluntário a. Da preliminar de decadência A preliminar de decadência será tratada ao final desse voto, após o exame do mérito do recurso, pelo fato de que sua solução pressupõe o reconhecimento (ou não) da prática de atos com simulação, dolo ou fraude pela Contribuinte no caso. b. Do mérito: alegada ausência de atos simulados e falta comprovação do elemento subjetivo; Nesse capítulo , alega a Contribuinte a ausência de atos simulados e a falta de comprovação do dolo da Contribuinte por parte da Fiscalização, o que seria indispensável para manutenção dos lançamentos. É incontroverso nos autos o fato de que a Contribuinte se valeu de diversos custos e despesas gerados em operações com empresas do grupo CEC (Sul Diesel S/A, Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda, Maximar Fomento Mercantil, Ltda EPP, Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, Xingu Administração e Participação S/A, RCA International Commodities S/A, BEX Internacional S/A, Locamar Locadora de Veículos Ltda e Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A). A análise sobre a artificialidade (ou não) dessas operações será abaixo tratada quando for examinada a procedência (ou não) de cada uma das glosas de despesas/custos procedida pela Fiscalização. Por relevante, impõe ressaltar desde já ser improcedente a alegação da Contribuinte de que a simulação ou o dolo alegados pela Fiscalização apenas poderiam ser Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 30 comprovados por meio de prova direta da fraude respectiva, e não por meio de um conjunto de indícios convergentes à situação afirmada no processo. Em matéria relativa à fraude ou simulação, a prova indiciária é extremamente relevante, pois, como se sabe, é improvável que a Fiscalização, por seus meios, obtenha confissão do agente ou comprovação documental do pacto simulatório. Por bem sintetizar o entendimento supra, pede-se vênia para transcrever trecho da petição de contra-razões da Fazenda Nacional sobre o tema, verbis: “A questão da prova indiciária ganha importância quando se trata de casos de simulação, tendo em vista que, nessas situações, existe a tentativa de mascarar ou modificar a percepção sobre o que realmente aconteceu. Se o negócio é inexistente – simulação absoluta – ou existe um negócio aparente e um dissimulado – simulação relativa – essas características poderão ser atestadas por diversos meios de prova. Entretanto, tratando-se de simulação, importante notar que dificilmente aparecerá um documento, emitido pelo particular, no qual esteja previsto o verdadeiro objeto do negócio realizado. Significa dizer que a qualificação de um negócio como simulado ou dissimulado, geralmente, lastreia-se em provas indiciárias – que apontam a falta de substância econômica, de propósito negocial, entre outros fatores que sinalizam a presença de artificialidade ou vício no negócio jurídico. (...) Por um lado, reconhece-se que é legítima a exigência dos contribuintes de que seja demonstrada a ocorrência da infração. Aliás, cabe ressaltar que isso é plenamente compatível com as atribuições das autoridades administrativas, que tem a incumbência de averiguar elementos fáticos e relatar o que aconteceu. Todavia, isso não permite que se estabeleça – como requisito de validade do auto de infração – a produção de provas na mesma linha dos exemplos citados acima. Para chegar a uma conclusão sobre a idoneidade do negócio analisado, a autoridade administrativa não precisa extrair uma confissão ou encontrar um “pacto simulatório”. Além disso, cumpre registrar que a “prova cabal”, nesses moldes, demandaria da autoridade administrativa exercer ou praticar atos fora do seu alcance como agente administrativo. Diante disso, mostra-se completamente sem fundamento pretender que a autoridade obtenha uma confissão ou o “pacto simulatório”, simplesmente para atender aos anseios de “prova cabal” da recorrente. Por sua vez, a contribuinte ainda sustenta que cada operação “foi devidamente contabilizada e registrada, demonstrando a boa-fé com que agiram as partes envolvidas.”. Ademais, argumenta que “cada transação poderia configurar, no máximo, um mero indício, ou seja, não certifica as supostas pretensões fraudulentas narradas no Termo de Verificação Fiscal.”(destaques conforme o original). Portanto, segundo a recorrente, o fato de as operações terem sido registradas e contabilizadas serviria como prova de boa-fé. Contudo, é preciso ficar claro que não basta registrar uma operação em documentos contábeis e fiscais para afastar a ilicitude. Significa dizer que a mera escrituração contábil não torna lícita uma operação simulada. Além disso, não pode ser aceita como válida a premissa de que a prova da licitude se esgota na escrituração contábil e fiscal. É preciso demonstrar que as operações efetivamente ocorreram, com respaldo em justificativas Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 16 31 econômicas, propósito negocial. Isso para que fique demonstrada a materialidade dos negócios realizados.” c. Ausência de responsabilidade por ser terceira de boa-fé Aduz a Contribuinte que não poderia ter sido responsabilizada por infrações cometidas pelas empresas do grupo CEC, por ter agido de boa-fé. A discussão sobre responsabilidade tributária é impertinente ao caso. O caso não versa sobre imputação de responsabilidade tributária, sucessão societária ou aplicação dos artigos 132 a 135 do CTN. Os lançamentos versam sobre glosa de despesas e custos apropriados pela Contribuinte e que a beneficiaram diretamente para reduzir seu (da Contribuinte) resultado tributável. Assim, se inexistentes ou indedutíveis tais despesas/custos, as conseqüências dessa inexistência ou indedutibilidade afetam diretamente a Contribuinte, na condição de contribuinte, exclusivamente, e não na condição de responsável tributário. Rejeitam-se, pois, os argumentos da Contribuinte nesse particular. d. Das glosas de despesas e custos procedidas pela Fiscalização d.1. Glosa de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos – Vila Rica Citada acusação encontra-se relatada no Tomo VI do TVF (fls. 2824/2839). Em síntese, alega a Fiscalização que: “Ao longo do ano de 2004 a Construtora Marquise registrou na escrituração diversos pagamentos para a empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA, todos a título de Aluguéis de Equipamentos [...]”; “O montante global levado contra Resultado do Exercício chegou em 2004 a R$ 696.000,00.”; [...]”; “Feita a avaliação das condições técnicas, materiais e operacionais com que a empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA se apresentava no mercado, com pesquisas de praxe nos órgãos públicos competentes, viu-se da impossibilidade efetiva de que aquela pessoa jurídica tenha, de fato, alugado Máquinas e Equipamentos para empresas do ramo da indústria da construção civil, como é a Construtora Marquise”; e “Por essas razões, não há como conceber a dedutibilidade dos valores levados a débito da Conta 621402, atribuídos a empresa que não dispõe de Máquinas e Equipamentos para Locação. Por isso, o Fisco promove a Glosa dos valores, com aplicação de multa qualificada, dada a evidente intenção do contribuinte de promover reduções indevidas do seu lucro líquido, a partir de contratos fictícios com empresas sem capacidade de operação para prestar o serviço de que contrata.”. Em sua defesa, a Contribuinte apresenta comprovantes da contratação dos serviços e dos pagamentos pelos serviços (aluguéis) contratados, acompanhados dos respectivos registros contábeis. Em que pese a regularidade formal das operações sob exame, os elementos dos autos colhidos pela Fiscalização são suficientes para comprovar que os serviços/aluguéis Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 32 não foram tomados pela Contribuinte, por absoluta incapacidade da empresa contraparte (contratada) de prestá-los. A par do fato de não ter trazido as notas fiscais que teriam sido emitidas pela empresa contratada por força da prestação de serviços e dos valores pretensamente recebidos em contrapartida, a Fiscalização demonstrou que a empresa contratada (a) não possuía os equipamentos que em tese teriam sido locados à Contribuinte, já que não havia registro de nenhum veículo de sua propriedade no Cadastro Renavam; (b) jamais imprimiu blocos de notas fiscais; (c) jamais apresentou declaração de prestação de serviços à Municipalidade de Fortaleza; (d) jamais efetuou recolhimento de tributos federais e, nos anos fiscalizados, sequer entregou declaração de rendimentos à RFB; e (e) declarou-se formalmente inativa a partir de 2007. O conjunto de indícios acima é suficiente para comprovar a artificialidade da despesa ora em exame e, por conseguinte, dos registros contábeis respectivos da Contribuinte. d.2. Glosa de Custos dos Imóveis Vendidos A infração em referência está relatada no Tomo II e Capítulos do TVF e refere-se à pretensa aquisição dos seguintes imóveis: (a) Terreno de Messajana – Sítio Molungu (R$ 1.499.464,15); (b) apartamento 601 do Edifício Plancton (R$200.000,00); e (c) apartamento 903 do Edifício Scala Residence (R$ 52.213,57). O custo dos 2 (dois) últimos imóveis foi glosado pelo fato de estes (imóveis) não terem sido vendidos pela Contribuinte antes da apropriação (do custo) respectiva, ocorrida em 31.12.2004. Por sua vez, em relação ao Terreno em Messejana, cite-se abaixo trecho do relato do acórdão recorrido que trata sobre os fatos relevantes aduzidos pela Fiscalização: “em 13/01/2003 foi observada a celebração de um contrato entre a CONSTRUTORA MARQUISE S/A (chamada abreviadamente no TVF apenas de “Construtora”) e a RCA International Commodities S/A (intitulada no TVF tão somente de “RCA”), denominado Instrumento Particular de Fomento Mercantil com Dação em Pagamento – Venda e Compra de Direitos Creditórios, efetivado nos termos que se seguem; a Construtora cedeu para a RCA direitos creditórios de sua titularidade, no montante de R$ 6.438.323,57, decorrentes de faturas emitidas em função dos serviços de limpeza urbana prestados para a Prefeitura Municipal de Fortaleza/CE, valor que deveria ser repassado pela cedente (Construtora) à cessionária (RCA) até o dia 31/05/2004; em contrapartida, no mesmo período de 13/01/2003 (data da celebração da avença) a 31/05/2004, a cessionária RCA deveria pagar à cedente a quantia de R$ 3.547.250,58 mediante a dação em pagamento dos seguintes bens: o créditos de tributos federais (de IRRF, mais especificadamente), referentes aos anos-calendário 1999 e 2000, no valor de R$ 2.300.000,00; e um terreno situado no lugar denominado Sítio Mulungu, distrito de Messejana, em Fortaleza, no valor de R$ 1.247.250,58 e com área de 144.355,00 m2, imóvel que deveria se encontrar livre e desembaraçado de quaisquer ônus, conforme cláusula contratual; em resumo, entre os dias 13/01/2003 (data de sua celebração) e 31/05/2004, em razão da cessão de faturas de crédito no valor global de R$ 6.438.323,57, a MARQUISE receberia créditos de tributos federais de R$ 2.300.000,00 mais o Terreno em Messejana (Sítio Mulungu) pelo valor de R$ 1.247.250,58, totalizando a quantia de R$ 3.547.250,58; Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 17 33 nos termos pactuados, a operação implicaria no deságio para a MARQUISE de R$ 2.891.072,99 (R$ 6.438.323,57 – R$ 3.547.250,58); foi destacado pela autoridade lançadora constar da Cláusula Sétima do contrato que a MARQUISE obrigou-se a repassar à RCA os valores efetivamente recebidos da PMF, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após o efetivo crédito, mas que tal repasse estaria condicionado ao registro do Terreno em Messejana (Sítio Mulungu) no Cartório de Registro de Imóveis competente; segundo discorrido pela autoridade lançadora: “Numa época de inflação ínfima haveria o Fisco de cogitar da artificialidade desse deságio, mormente quando havia a certeza do recebimento das Faturas, diante da natureza do devedor (o Município de Fortaleza). Como trata-se do ano de 2003, já decaído, ainda que não haja nada a fazer, resta o registro do fato para a perfeita compreensão do Contrato em seus efeitos futuros”; “Evidentemente que a RCA somente poderia dar o Sítio Mulungu em dação em pagamento para a Construtora se titular pleno (posse e propriedade) fosse do imóvel. E assim ocorria juridicamente? Nos Capítulos subseqüentes demonstraremos que as respostas a estas indagações excluem a lisura do Contrato como um todo.”; as operações imobiliárias com o Sítio Mulungu foram minudentemente tratadas no Capítulo III do Tomo II, fls. 619/622, conforme a seguir reproduzido: “Vimos que, pelo Contrato de 13.01.2003, a RCA dá em dação de pagamento à Construtora o Terreno em Messejana (Sítio Mulungu), repassando-o pelo valor de R$ 1.247.250,58. Vimos que este pendia de registro no CRI para o nome da Construtora, sendo esta pendência apenas no Contrato condição para os repasses do numerário recebido da Prefeitura de Fortaleza. Vimos também que a Construtora utilizou essa compra simulada para resolver questões com o Edital de Concorrência nº 001/2002, da qual consagrou-se vencedora, transferindo a execução dos serviços para a ECOFOR (sua controlada).”; “Mas este imóvel é objeto de várias manipulações fictícias de operações de Compra e Venda, tendo, cada uma delas, uma funcionalidade própria em todo este planejamento tributário ora desmantelado pelo Fisco. Com a certeza prévia de que o imóvel pertence de direito e de fato à empresa JSM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ Nº 00.430.365/000156, adquirido efetivamente junto à SUL DIESEL S/A, conforme Certidão do CRI competente, vejamos, passo a passo, as manipulações com o imóvel Terreno em Messejana (Sítio Mulungu):” § “Em 02.01.2003, na escrituração da SUL DIESEL, esta empresa registra a venda do imóvel para a empresa JSM PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ Nº 00.430.365/000156, pelo valor de R$ 180.000,00, a prazo. O crédito a receber da JSM permanece na escrituração da SUL DIESEL, até sua incorporação pela empresa MAXIMAR, em 30.11.2004. Na contabilidade da MAXIMAR, esse crédito junto à JSM, permanece ainda em aberto, conforme saldo da Conta 11301.0001”; Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 34 § “Em 13.01.2003, a RCA transfere por dação em pagamento, pelo valor de R$ 1.247.250,58, o imóvel para a Construtora Marquise, em contrapartida à aquisição das Faturas de Serviço emitidas pela Construtora, sacada contra o Município de Fortaleza, tal como já expusemos no Capítulo I deste TOMO. Não obstante, não há qualquer negócio jurídico prévio, ou com a SUL DIESEL ou com a JSM, que comprove a titularidade do imóvel dado em dação pela RCA (Sítio Mulungu), como sendo componente de seu próprio (da RCA) patrimônio imobiliário. Não há dados na contabilidade informando a transferência do imóvel da JSM para a RCA. A conclusão é inexorável: a RCA não poderia dar o Sítio Mulungu em dação de pagamento para a Construtora Marquise, simplesmente porque não era titular do bem”; § “Em 15.04.2004, a Construtora Marquise vende o Sítio Mulungu para a SUL DIESEL pelo valor de R$ 1.100.000,00, a prazo.”; como ressaltado, em 02/01/2003 a Sul Diesel registrou a venda do imóvel para a JSM Participações Empreendimentos Ltda por R$ 180.000,00; todavia, o mesmo imóvel teria sido readquirido pela própria Sul Diesel no dia 15/04/2004 pela quantia de R$ 1.100.000,00, o que não se mostra plausível, factível, ou consonante com os fatos efetivamente praticados no mundo real dos negócios; não bastasse esse fato, a sequência de operações imobiliárias envolvendo o Sítio Mulungu não parou nesta última operação; ao contrário, percorreu uma longa cadeia de eventos sucessórios sem qualquer substância, conforme a seguir discorrido: - em 16/04/2004 a Bex Internacional S/A adquire o imóvel da Maximar (sucessora da Sul Diesel) pela quantia de R$ 1.870.000,00; - em 19/04/2004 a Bex Internacional S/A vende o imóvel para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda por R$ 3.110.942,49; - em 03/05/2004 a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda aliena o imóvel para a Construtora Marquise por R$ 3.619.052,02; - em 31/10/2005 a Construtora Marquise vende o imóvel para Marquise Empreendimentos S/A por R$ 3.619.052,02; - em 02/01/2006 a Marquise Empreendimentos S/A aliena o imóvel para a Ecofor Ambiental S/A pelo valor de R$ 3.619.052,02; e - em 31/01/2006 a Ecofor Ambiental S/A vende o imóvel para a Ortecal Ltda. por R$ 2.882.756,37. Nesses moldes, um imóvel que tem como sua legítima proprietária a pessoa jurídica JSM Participações e Empreendimentos Ltda, conforme consta do Cartório de Registro de Imóveis, no período de 02/01/2003 a 31/01/2006 (aproximadamente três anos) foi objeto de 9 (nove) operações “de gaveta”, não levadas a registro público, celebradas entre empresas pertencentes aos GRUPOS CEC e MARQUISE, ressaltando-se constar, dentre tais operações, aquela datada de 02/01/2003 em que o terreno fora vendido pela Sul Diesel para a JSM por R$ 180.000,00 e no ano seguinte, no dia 15/04/2004, retornaria ao imobilizado da Sul Diesel pela quantia de R$ 1.100.000,00, adquirido que fora da CONSTRUTORA MARQUISE. Pouco tempo depois, entretanto, no dia 03/05/2004 o imóvel voltaria ao acervo imobiliário da CONSTRUTORA MARQUISE por R$ 3.619.052,02, ou seja, a CONSTRUTORA MARQUISE o teria vendido por R$ 1,1 milhão e, na sequência, o teria adquirido de volta por R$ 3,6 milhões. Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 18 35 Por entender que ditas operações ocorreram somente “no papel”, tratando-se de meras simulações concebidas no bojo do planejamento tributário evasivo perpetrado entre as empresas dos GRUPOS CEC e MARQUISE, em proveito tributário exclusivo das pessoas jurídicas deste último conglomerado empresarial, a autoridade fiscal desconsiderou as operações e efetuou as glosas neste item tratadas.” Embora não se negue que a tradição de um imóvel pode ser feita por meio de instrumentos particulares de compra e venda celebrados em caráter irrevogável e irretratável, os quais, no caso, também tiveram sua autenticidade contestada pela Fiscalização por não ter sido comprovada sua contemporaneidade aos respectivos fatos, diga-se que a sucessão de operações como o mesmo imóvel entre as mesmas empresas em espaço relativamente curto de tempo, sem o respectivo registro no cartório de imóveis e sem a comprovação do pagamento efetivo, evidencia que estas (empresas) não pretendiam comprar e vender citado imóvel para seu aproveitamento, mas, ao contrário, o utilizaram para geração de custos recíprocos dedutíveis dos tributos incidentes sobre a renda. No que se refere às glosas relativas aos outros 2 (dois) imóveis (apartamento 601 do Edifício Plancton e apartamento 903 do Edifício Scala Residence), diga-se que, a par de ter sido considerada matéria não impugnada em primeira instância, tais imóveis não teriam sido vendidos pela Contribuinte em data anterior à apropriação do respectivo custo, o que, de per si, já vedaria a dedutibilidade pretendida. d.3. Glosa de Despesas Financeiras com Variações Monetárias, Juros, Multa e Ágio Conforme sintetizado pelo acórdão recorrido, a Fiscalização procedeu glosas relativas a despesas financeiras, juros e multas, cujos valores decorreram de negócios jurídicos celebrados com as pessoas jurídicas RCA, Agropecuária Parente e Conce (item 3A do lançamento), Xingu e Mare (item 3B da autuação) e Rodolfo G. Moraes e Cia. Ltda (item 3C do auto de infração). Referidas operações foram desconsideradas pela autoridade fiscal que as teve por simuladas e tributou os valores levados em consideração pelo sujeito passivo na apuração do resultado contábil dos anos-calendário 2004, 2005 e 2006. No tocante ao item 3A do lançamento, relativo a despesas geradas em decorrência de operações realizadas entre a Contribuinte e as pessoas jurídicas RCA International Commodities S/A, Agropecuária e Reflorestamento Parente S/A (sucessora da RCA) e Conce – Construtora Nacional Cearense S/A, a infração encontra-se relatada no Tomo II do TVF (fls. 391/1371). Segundo a Fiscalização, as operações realizadas pela Contribuinte com empresas RCA Internacional Commodities S.A. e Agropecuária e Reflorestamento Parente S.A., não tinham causa jurídica, razão pela qual foi procedida a glosa das despesas financeiras respectivas (variação monetária de R$13.288,31, juros de mora de R$ 22.751,83 e multa financeira de R$284.751,05) e lavrado lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), objeto do processo nº 10380.728153/201097. Por sua vez, quanto à Conce - Construtora Nacional Cearense S/A, foi glosada despesa relativa à amortização de ágio na aquisição da respectiva participação societária no valor de R$ 276.503,00. Cite-se, por sintetizar bem a questão, trecho do relatório do acórdão recorrido a respeito dos fatos, verbis: Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 36 • no que diz respeito às glosas efetivadas nas operações com a RCA, originaram-se do contrato celebrado entre esta pessoa jurídica e a CONSTRUTORA MARQUISE, datado de 13/01/2003, pelo qual a ora impugnante promoveu a cessão da fatura de créditos por ela tituladas perante a Prefeitura Municipal de Fortaleza e, em troca, recebeu crédito de IRRF e, por dação em pagamento, o Terreno em Messejana (Sítio Mulungu), como já registrado em item anterior; • a melhor compreensão das operações com as pessoas jurídicas Agropecuária Parente e Conce, contudo, exige a leitura atenta do Capítulo V do Tomo II do TVF, fls. 691/692; - por meio de evento datado de 31/07/2004, documento às fls. 693/695, tem-se a cisão parcial da RCA, surgindo as seguintes pessoas jurídicas: § a Conce – Construtora Nacional Cearense S/A, que recebe da RCA “direitos creditórios” no montante de R$ 2.023.699,00 (R$ 347.822,00 do PIS NãoCumulativo e R$ 1.675.877,00 de Cofins NãoCumulativo); § a Fibra Construções e Edificações Ltda, que herda da RCA “direito creditório” referente ao IRRF no valor de R$ 2.300.000,00; e § a Forte Factoring Fomento Mercantil Ltda, que é destinatária de crédito ficto de IRRF no montante de R$ 2.128.642,00; - segundo manifestado pela fiscalização, o objetivo desse evento foi segregar os créditos fiscais que a RCA alegava possuir de modo que, ao final de uma série de eventos sucessórios, favorecessem as empresas do GRUPO MARQUISE através da utilização dos créditos em compensações de obrigações correntes das pessoas jurídicas pertencentes a este grupo econômico; - trinta dias após a cisão parcial, mais precisamente no dia 30/08/2004 (documento à fl. 700), a RCA foi incorporada pela Agropecuária Parente, data a partir da qual deixou de existir; • em razão da incorporação, os créditos que a RCA detinha perante a CONSTRUTORA MARQUISE, decorrentes da cessão das faturas de serviço de limpeza pública, consoante contrato datado de 13/01/2003, revestiram-se em direitos da Agropecuária Parente; • registre-se que além do contrato de 13/01/2003, celebrado entre a RCA e a CONSTRUTORA MARQUISE, dois aditivos contratuais foram entabulados; - conforme relatado no Capítulo IV, fls. 684/685, o 1º (primeiro) aditivo contratual, de 15/03/2004, transmuda a transferência pura e simples do crédito de IRRF de R$ 2,3 milhões para obrigação de a RCA de pagar esta mesma quantia para a MARQUISE; - a alteração contratual ocorreu, no entender das autoridades lançadoras, em razão da existência de disposição legal vedando transferência pura e simples do direito creditório para terceiro (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 19 37 e alterações posteriores), o que teria implicado na mudança da estratégia para aproveitamento dos “créditos”; - assim é que em 15/09/2004 deu-se a incorporação da Fibra e em 16/09/2004 da Conce, sendo que em ambos os eventos a incorporadora foi a CONSTRUTORA MARQUISE, que passou a titular ditos “créditos” fictos; quanto à Forte Factoring, foi incorporada pela pessoa jurídica Capitalize Fomento Comercial Ltda, empresa pertencente ao GRUPO MARQUISE; - consta ainda do Capítulo VI, fls. 705/706, a celebração do 2º (segundo) aditivo contratual, de 01/11/2004, pelo qual “a Construtora desconta do valor total (R$ 6.438.323,57) de Fatura de Serviços ‘cedidos’, os pagamentos parciais fragmentados que ela houvera ‘feito’ até 31.10.2004 diretamente para a RCA, deixando consignado um saldo devedor, em 01.11.2004, de R$ 771.190,57, a serem ‘pagos’ à Agropecuária Parente, como sucessora da RCA”; - “A liquidação deste restante deveria ser feita: a) parte em imóveis (discriminados conforme Cláusula SEGUNDA do Termo do 2º Aditivo), por dação em pagamento, num montante de R$ 459.135,00; parte em espécie (R$ 312.055,57), até 31.12.2004”; Ante esses fatos, por entender se tratar de operações viciadas pela simulação, a fiscalização glosou as despesas financeiras contabilizadas pela autuada, decorrentes dos negócios jurídicos desconsiderados pela autoridade fiscal.” Novamente nessa parte a Contribuinte socorre-se de argumentos de forma, sobre a regularidade documental das operações, e imputa à RCA a responsabilidade por eventuais fraudes cometidas na geração dos créditos tributários adquiridos por meio da incorporação das empresas originadas da pessoa jurídica RCA. Com razão o acórdão recorrido. Cite-se, por relevante, resumo da prática simulatória da Contribuinte no caso, verbis: • em 13/01/2003 a CONSTRUTORA MARQUISE e a RCA celebram contrato em que a primeira transfere direitos oriundos das faturas da Prefeitura de Fortaleza, pela prestação dos serviços de coleta domiciliar de resíduos sólidos, no valor de R$ 6,4 milhões, em troca de crédito de IRRF no valor de R$ 2,3 milhões e da dação em pagamento do Terreno em Messejana (Sítio Mulungu) pelo valor de R$ 1.247.250,58; • não bastasse o despropositado deságio (não levado em consideração no lançamento em razão da decadência), no que se refere ao Sítio Mulungu, referida operação já foi dissecada no presente julgado quando da apreciação das glosas processadas a título de custo dos imóveis vendidos onde foi comprovado, de forma insofismável, de operação simulada se tratar, o que já seria suficiente para demonstrar que os negócios jurídicos entabulados com a RCA estão indelevelmente viciados desde a sua origem, contaminando toda a longa cadeia de eventos deles decorrentes; • a fiscalização, contudo, não se limitou a este aspecto; ao contrário, demonstrou que em 31/07/2004 a RCA passou por uma cisão parcial da qual nasceram as pessoas jurídicas Conce, Fibra e Forte Factoring, todas recheadas de Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 38 créditos fictos; registre-se, por relevante, que mencionados “créditos” se constituíam nos únicos ativos dos Balanços Patrimoniais das nascentes empresas; • um mês depois da cisão parcial, mais precisamente no dia 30/08/2004, a RCA é incorporada pela Agropecuária Parente S/A, que a substitui nos direitos e nas obrigações perante a CONSTRUTORA MARQUISE; • não muito depois, nos dias 15/09/2004 e 16/09/2004 respectivamente, a CONSTRUTORA MARQUISE incorpora a Fibra e a Conce; quanto à Forte Factoring é incorporada pela Capitalize Fomento Comercial Ltda, empresa do GRUPO MARQUISE; • assim procedendo, a CONSTRUTORA MARQUISE e a Capitalize Fomento Comercial Ltda adquirem a titularidade dos malfadados créditos fictos, utilizados em compensações de obrigações tributárias correntes de suas responsabilidades; • a propósito, as compensações efetivadas pela CONSTRUTORA MARQUISE com a utilização dos créditos originários da Conce e da Fibra (dentre outras origens), foram apreciadas por esta DRJ Fortaleza que, por meio dos Acórdãos de números 21.990, 21.991, 22.076 e 22.271 considerou tais compensações indevidas; • conforme ementado naqueles processos, “Age com dolo no mínimo, eventual a pessoa jurídica que transmite DCOMP para extinguir débitos próprios, a despeito dos indícios graves, precisos e concordantes que apontam para a inexistência do direito creditório reclamado, havido por sucessão empresarial”. A par dos fatos acima narrados, é relevante também a circunstância de que a Fiscalização fez prova de que o contrato firmado pela Contribuinte com a RCA e seus aditamentos sequer foi cumprido pelas partes, sem qualquer reivindicação de lado a lado. A RCA jamais se beneficiou dos valores a que faria jus no respectivo contrato, ante a comprovação de saída fictícia de recursos da Contribuinte e do retorno ao seu caixa. Tal contrato foi utilizado apenas no contexto da geração e utilização de créditos fiscais fictícios, conforme narrado exaustivamente no Tomo I, Capítulos V, VI, IX e X 1 e Tomo II, Capítulos 1, 1 No TOMO I do Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização narra diversas operações de compra e venda de imóveis fictas entre empresas do grupo CEC, formalizadas mediante instrumentos particulares de “Promessa de Compra e Venda de Imóveis”, em que, em todos os casos apontados, o alienante foi obrigado a pagar multas elevadas por descumprimento contratual, as quais, por vezes, superavam o valor do próprio imóvel vendido. Desta forma, a compra e venda do imóvel se aperfeiçoava pela compensação entre o valor devido pelo comprador com o montante da multa que deveria ser paga pelo alienante. Para ilustrar o caso, pede-se vênia para reproduzir a cláusula que constava no Instrumento de Promessa de Compra e Venda de fls. 246 e 247: “PRIMEIRA: Tal como o possui, ou seja, a Outorgante Promitente Vendedora promete vender à Outorgante Promitente Compradora o imóvel antes descrito, fazendo-o pelo preço justo e acertado de R$ 8.800.000,00 (oito milhões e oitocentos mil reais), da seguinte forma: (...) SEGUNDA: Fica expressamente obrigada a Outorgante Promitente Vendedora a transferir a posse e propriedade do imóvel desembaraçado de quaisquer ônus para o Outorgante Promitente Compradora, fazendo-o no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data deste Compromisso Particular de Compra e Venda. Parágrafo primeiro: Em caso de descumprimento desta, a Outorgante Promitente Vendedora pagará sobre o valor do preço de venda, semestralmente, a Outorgante Promitente Compradora, 20% de multa em 1999, 15% em 2000, 25% em 2001 e 20% em 2002, valores estes acrescidos ainda, de 1% por mês de juros moratórios.” Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 20 39 2 e 3 do TVF. Note-se, ainda nesse particular, que as empresas resultantes da cisão da RCA, nada obstante a precária situação financeira da empresa cindida, não receberam qualquer passivo, mas tão-somente os pretensos créditos fiscais absorvidos pelas operações societárias (incorporações) posteriores. Nesses termos, sejam as despesas financeiras decorrentes do relacionamento comercial entre a Contribuinte e RCA, sejam aquelas decorrentes das operações societárias subseqüentes, inclusive o ágio gerado na pretensa aquisição da Conce, devem ser desconsideradas para fins de dedutibilidade, porquanto decorrem de atos simulados e que não tiveram por fundamento a efetiva aquisição de participação societária, mas tão somente de créditos tributários irregularmente gerados nas citadas pessoas jurídicas. O mesmo ocorre com as despesas financeiras decorrentes das operações societárias praticadas pela Contribuinte com as empresas do Grupo CEC, relativas ao item 3B do lançamento, porquanto realizadas com a mesma finalidade e os mesmos vícios daquelas realizadas com as empresas do Grupo RCA. Sobre tais despesas, a Contribuinte restringe-se a afirmar que é terceira de boa-fé e que, se alguma responsabilidade tributária há, tal responsabilidade seria das empresas do Grupo CEC, pois teriam sido essas empresas as responsáveis pela prática de atos irregulares. Tal alegação é improcedente pois, a uma, como se disse, o caso não versa sobre responsabilidade tributária, mas glosa de despesas da Contribuinte na apuração de seus tributos; e, a duas, pois a Fiscalização comprovou o interesse, conivência e participação da Contribuinte na sistemática de geração e utilização dos créditos tributários artificialmente criados. A infração referida no item 3C do lançamento está narrada no Tomo V do TVF, às fls. 2762/2823. Analisando uma das operações de compra e venda de créditos de IPI, a Fiscalização conclui que (fls. 2.763): “Em 22.11.2006, na escrituração da Construtora Marquise, a Conta 613401 PERDAS POR CRÉDITOS é debitada pelo valor de R$ 1.181.158,85, sendo depois encerrada contra Resultado do Exercício de 2006. Analisando-se tais contratos, a Fiscalização conclui que: “as declarações de vontade apostas nos instrumentos contratuais são todas relativas a negócios inexistentes de fato e simulados quanto ao objeto e a causa. A inconsistência dos termos do Contrato chega ao ponto, de se exigir a transferência (no Cartório de Registro de Imóveis) de titularidade do imóvel para o adquirente, quando este, sequer, houvera pago a entrada a que seria obrigado desde logo. Mas o maior absurdo dos Contratos é a cláusula previsora de MULTAS impostas, desde logo, ao alienante em benefício do adquirente, se aquele não cumprisse a obrigação de transferência do imóvel, não obstante a pendência do pagamento do preço. E note que estas ‘MULTAS’ variam entre o patamar de mais de 100% (cem por cento) e pouco menos de 100% (cem por cento) do valor da venda.Como dissemos, dois pontos são sintomáticos nos Contratos de Promessa de Compra e Venda de Imóveis: a incidência de MULTAS e sua entabulação a Prazo, sem qualquer pagamento em tempo algum”. Em adição a tais contratos, o alienante sujeito ao pagamento da referida multa, apresentou DIRF, muitas vezes a destempo, a fim de demonstrar valor a título de IRRF sobre os valores das multas.Tal IRRF sequer era recolhido ao Erário federal. As empreses beneficiárias das multas, por sua vez, se apropriavam dos créditos de IRRF e eram sujeitas a cisões seguidas de incorporações, tendo como parcela cindida, justamente, os créditos tributários. Tal parcela cindida era incorporada pela CONSTRUTORA MARQUISE e outras empresas do Grupo MARQUISE. Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 40 Sendo diligente, ao Fisco cumpriu requisitar ao contribuinte a documentação de respaldo das referidas perdas financeiras. O contribuinte responde com a anexação de diversos Instrumentos Contratuais, denominados ‘Contrato Particular de Cessão de Créditos Tributários Federais’, celebrados junto à empresa RODOLFO G MORAES & CIA LTDA, todos entre os meses de junho a novembro de 2002. A análise do objeto dos Contratos revelou a negociação privada envolvendo supostos ‘Créditos Presumidos de IPI’, pelos quais a empresa RODOLFO G MORAES & CIA LTDA, arvorando-se detentora de créditos fiscais daquela natureza, simplesmente os ‘vende’ à Construtora Marquise, que os ‘teria comprado’ pelo valor de face do crédito, com a aplicação de um deságio de 10% (dez por cento). Ou seja, do valor do crédito presumido de IPI, pelo qual a empresa RODOLFO G MORAES & CIA LTDA, alegava ser detentor, a Construtora negociara a aquisição e ‘teria pago’ àquela empresa, 90% do total do crédito presumido de IPI que ela alegava possuir. Mas, uma vez indeferida pela DRF/FOR a alegação da existência de créditos presumidos de IPI, então mantidos pela empresa RODOLFO G MORAES & CIA LTDA. voltava-se a Construtora Marquise contra o Fisco, imputando-lhe o gravame da dedutibilidade do negócio mal gerenciado com a empresa ‘vendedora’ de créditos fiscais de IPI. Também a impossibilidade legal de que débitos próprios pudessem ser compensados, de forma direta e imediata, com créditos de terceiros constituiu motivo para que os contratos particulares com a empresa RODOLFO G MORAES & CIA LTDA não tivesse êxito. É nesse contexto circunstancial e legal que o Fisco deve enfrentar a conduta do contribuinte que levou a débito de Resultado do Exercício os valores ‘supostamente’ entregues ao cedente (a empresa RODOLFO G MORAES & CIA LTDA) pela aquisição lograda dos créditos fiscais presumidos de IPI. De pronto se observa a natureza indedutível destas supostas ‘Perdas Financeiras’, sendo indiferente se houve ou não, ingresso em juízo para recuperá- las.” Contra a acusação fiscal a Contribuinte alega que as despesas em referência seriam dedutíveis, a teor do art. 9 o da Lei n. 9.430/96, pois decorreriam de “operação normal da Companhia” e teriam sido observados os requisitos estabelecidos na IN n. 93/97 para tal finalidade. Aqui também não procede a defesa da Contribuinte. A uma, pois conforme o disposto no art. 74 da Lei n. 9430/96, a compensação de tributos federais apenas pode ser realizada mediante encontro entre créditos e débitos tributários do mesmo contribuinte, não sendo admitida a compensação de débitos próprios com créditos admitidos de terceiros. Tal circunstância retira, de per si, a natureza “operacional” da respectiva despesa, pois, a par de não poder ser utilizado para compensação tributária, a Contribuinte não tem por objeto social a administração de recebíveis próprios e adquiridos de terceiros. O art. 9 o da Lei n. 9430/96, por sua vez, admite apenas a dedutibilidade da perda no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica. A duas, pois se constata do teor da acusação fiscal que não haveria prova sequer que tais créditos tenham sido pagos pela Contribuinte aos respectivos beneficiários. Note-se, no particular, que a Fiscalização insere sempre “entre aspas” expressões que se Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 21 41 referem ao pretenso pagamento do crédito adquirido pela Contribuinte para as pessoas jurídicas pessoas jurídicas Rodolfo G. Moraes & Cia Ltda. e CEC Internacional S/A. d.4. Glosas de Despesas com Variações Monetárias Passivas (Item 04 do AI) A infração relativa à glosa de despesas com variações monetárias passivas decorrentes de operações de aquisição dos imóveis Terreno no Distrito Industrial, Terreno em Massejana (Sítio Mulungo) e Loja 106 Avenida Shopping encontra-se narrada no Tomo III do TVF, fls. 1372/1935. Tais operações, a par de viabilizarem a criação de créditos de IRRF passíveis de compensação, também ocasionaram o registro no resultado da Contribuinte de despesas com variações monetárias e juros. Neste ponto, cite-se trecho do TVF, verbis: “Também no grupo desta primeira infração (Pagamento Sem Causa ou a Beneficiário Não-Identificado), devem ser incluídos os 03 (três) valores dos lançamentos a débito na conta 2141149 PC/OUTRA CONTAS A PAGAR – XINGU ADM E PART S/A, listados na Planilha Anexa respectiva, por terem a mesma natureza. Esses valores são: em 02.02.2006. – R$ 75.000,00; em 16.02.2006 – R$ 93.122,36; e em 21.02.2006 – R$ 48.350,98. Já quanto à segunda infração, concernentes à Glosa dos Encargos Financeiros que incidiram sobre as dívidas de natureza simulada – porque todas elas centradas no ponto cardeal da captura de créditos fiscais fictícios que resultaram em cisões das empresas do Grupo CEC, a partir de Contratos simulados com imóveis – apresentamos as Planilhas anexas resumidas das Contas 711203 DESPESAS FINANCEIRAS/ VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA e 711307 DESPESAS FINANCEIRAS/JUROS PAGOS OU INCORRIDOS/JUROS SOBRE FORNECEDORES, nas quais tomamos os somatórios de encargos levados contra Resultado do Exercício dos anos-calendário 2004, 2005 e 2006.” Referidas operações foram tidas por simuladas pela Fiscalização pelo fato de apresentarem as mesmas características das operações imobiliárias acima tratadas, quais sejam: “operações a prazo, sem qualquer fluxo de numerário, alcançando bens recém-vendidos em operações anteriores, mas sempre com o detalhe que não poderia faltar, que era a fertilidade para gerar créditos fictícios de tributos federais” (fls. 1373). Em consequência da artificialidade das operações que as originaram, as variações monetárias passivas foram objeto de glosa pela Fiscalização. Em sua defesa, a Contribuinte reitera linha de argumentação no sentido de que, se fraude houve, teria sido praticada pelas empresas do Grupo CEC, razão da impossibilidade de serem glosadas as despesas correspondentes. Em que pesem seus argumentos, o recurso também não merece provimento nessa parte. Conforme se depreende do exame dos autos, as diversas operações relativas a aquisições de imóveis entre empresas do grupo CEC, como se verifica às fls. 239 a 241, “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel” entre a Empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. e a RCA INTERNATIONAL, resultaram em créditos de IRRF e PIS/COFINS para esta última empresa. Após tais operações, a RCA INTERNATIONAL foi cindida, tendo os referidos créditos tributos sido incorporados por empresa do Grupo MARQUISE. Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 42 O mesmo aconteceu com contratos particulares firmados entre as empresas BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS e a CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO S.A. (fls. 246 a 248); e CEC INTERNATIONAL e XINGU COM. ATAC. E VAREJISTA (fls. 253 a 256). Conforme fluxogramas constantes nas fls. 269 a 271, a CONSTRUTORA MARQUISE, a CAPITALIZE e a ECOFOR (todas empresas do Grupo MARQUISE) incorporaram empresas originadas de cisões das empresas RCA INTERNACIONAL, CANAVIEIRA/ PANAGRA E XINGU EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, passando a deter os créditos tributários de PIS/COFINS e IRRF que eram de titularidade das empresas incorporadas. Verifica-se, ainda, a apresentação de DIRFs para a formalização de créditos de IRRF após anos da ocorrência do fato gerador, como por exemplo, a DIRF apresentada em 30/09/2003 (fls. 249), pela empresa BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS, referente a retenções de IRRF, em virtude do pagamento de supostas multas à PANAGRA (sucessora da CANAVIEIRA), ocorridas no ano-calendário de 1999. No mesmo ano da apresentação da DIRF, a PANAGRA foi cindida e os créditos fiscais de IRRF (parcela cindida) foram incorporados à CONSTRUTORA MARQUISE (fls. 270). Em suma, conforme comprovado pela Fiscalização nos diversos Tomos que compõem o Termo de Verificação Fiscal, as operações imobiliárias em referência não tinham efetiva substância econômica e foram realizadas exclusivamente para geração de créditos compensáveis. Tais operações envolviam bens recém adquiridos em operações circulares entre as empresas dos Grupos Econômicos citados, realizadas sem fluxo de numerário, a prazo determinado, ordinariamente descumprido para a geração das multas contratuais sujeitas ao IRRF, que sistematicamente também não era pago pela respectiva fonte pagadora, apesar de informado em DIRF. Não se trata de negócio jurídico isolado entre empresas do Grupo MARQUISE e Grupo CEC, mas de diversas operações imobiliárias, com as mesmas características, que culminaram na incorporação das empresas dos Grupos RCA e CEC para a apropriação de créditos fiscais pelas empresas do Grupo Marquise. Diante de todos os fatos acima narrados, é improcedente a alegação de que a Contribuinte não tenha participação efetiva nas operações imobiliárias citadas, já que essas, indubitavelmente, lhe beneficiaram diretamente pela criação de créditos fiscais pretensamente compensáveis e despesas que reduziram indevidamente o seu lucro real. Por tais fundamentos, mantém-se as glosas apontadas pela Fiscalização para fins de dedutibilidade do IRPJ. e. Lançamento Reflexo CSLL Sustenta a Contribuinte que, mesmo se superados seus argumentos sobre a dedutibilidade das despesas acima para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, ainda assim o lançamento de CSLL seria improcedente, pois não poderia ser aplicada à CSLL a mesma fundamentação legal aplicada ao IRPJ em relação à verificação da necessidade e usualidade das despesas para fins de dedução, conforme dispõe o art. 299 do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei nº 4.506/64. Nesse ponto, o acórdão recorrido manteve o lançamento da CSLL sob o fundamento de que o art. 13 da Lei nº 9.249/95, ao fazer referência ao art. 47 da Lei nº 4.506, Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 22 43 teria estendido à CSLL a regra de verificação da necessidade e usualidade da despesa. Confira- se: “Ressalte-se que no âmbito do então 1º Conselho de Contribuintes a decisão deu-se por maioria, vencido o Relator originário do processo que entendera pela indedutibilidade da despesa, considerada desnecessária, tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL. Para a melhor compreensão do decisum, transcreve-se parte do voto vencido: A alegação de que a empresa estaria impedida de prosseguir em suas atividades — de prestadora de serviços a órgãos públicos caso não assumisse as dívidas dos sócios majoritários, o que lhe traria restrições cadastrais no Cadin e no Cadastro do Bacen, entre outros, pode até justificar a ação da recorrente, mas de forma alguma confere à despesa as características exigidas pela lei fiscal para a sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Não se trata, definitivamente, de despesa usual e normal na espécie de negócio desenvolvido pela empresa, nem está relacionada com as receitas submetidas à tributação. (destaques de nossa autoria) A situação àquela ocasião enfrentada em tudo se assemelhava à ora discutida. Em ambas, resta patente não se tratar de despesa usual e normal para a atividade operacional da impugnante, dessa motivação advindo a glosa da fiscalização, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, procedimento entendido como correto para autoridade julgadora de primeira instância e pelo Relator originário que, como visto, foi vencido por maioria, restando consignado no voto vencedor a ementa trazida aos autos pela impugnante. Prevaleceu entendimento segundo o qual ‘a base de cálculo da contribuição, segundo o § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689/88, é o lucro líquido do exercício, com os ajustes previstos na letra ‘c’ do citado parágrafo, ajustes estes que não têm aplicação no caso concreto’. Ocorre que a decisão foi objeto de recurso da Fazenda Nacional e, ao ser apreciado na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), mais uma vez foi decidido por maioria, tendo o voto vencedor, proferido pelo eminente Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sido ementado nos seguintes termos: Acórdão nº 9101001.312, de 25/04/2012 – CSRF CSSL. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. NÃO DEDUTIBILIDADE. Se fosse paramanter o art. 47 da Lei nº 4.506/64 aplicável apenas para o IRPJ, não necessitava o legislador fazer referência a ele no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95, mesmo porque, ao vedar a dedutibilidade de algumas despesas, não estaria a regra do art. 13 derrogando a norma de caráter principiológico do art. 47. Fica, clara, a intenção do legislador de submeter a CSLL às disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64. Como observado, prevaleceu entendimento segundo o qual as despesas consideradas desnecessárias não devem reduzir o resultado da CSLL. Na fundamentação do voto vencedor foi trazido à baila o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, litteris: [...] No entendimento do Relator do voto vencedor, além das vedações expressamente consignadas pelo art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, aplica-se à CSLL o disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, que corresponde exatamente à matriz Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 44 legal do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda, a estabelecer que somente poderão se consideradas como necessárias ‘as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa’” Com a devida vênia do entendimento em sentido contrário, o fundamento adotado pelo acórdão recorrido não merece prevalecer, pois o art. 13 da Lei nº 9.249/95 é específico às despesas nele arroladas e não impõe equiparação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Verbis: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I - de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II - das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III - de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV - das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V - das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI - das doações, exceto as referidas no § 2º; VII - das despesas com brindes.” Segundo os expressos termos do art. 13 da Lei n. 9.249 acima citado, o legislador pretendeu evidenciar que, independentemente de serem despesas necessárias e usuais às atividades da empresa, os gastos com brindes, despesas de alimentações dos sócios etc. não seriam dedutíveis da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o que não quer dizer que a regra de necessidade e usualidade prevista no art. 47 da Lei nº 4.506/64 deve ser estendida para todas as despesas dedutíveis da CSLL. Como se sabe, o IRPJ encontra respaldo constitucional no art. 153, III da Constituição Federal, enquanto que a CSLL tem previsão constitucional no art. 195, alínea “c” da Carta Magna. A base de cálculo do IRPJ é a renda, o que, no caso das pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, é calculada a partir do lucro líquido contábil, acrescida ou diminuída das adições e exclusões prescritas em lei própria e específica do IRPJ. Por sua vez, a CSLL tem Fl. 3130DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10380.726151/2010-06 Acórdão n.º 1102-001.219 S1-C1T2 Fl. 23 45 como base de cálculo o lucro líquido, também ajustado mediante adições e exclusões prescritas na lei específica, de regência da CSLL. Apesar da similaridade das bases de cálculo, em observância ao princípio da estrita legalidade, é vedada a determinação da base de cálculo de um determinado tributo com base na legislação de outro. Não é possível aplicar as regras de determinação da base de cálculo (aspecto quantitativo do fato gerador) do IRPJ à CSLL, salvo se houvesse lei em sentido estrito que determinasse o ajuste na base de cálculo respectiva. Note-se, no ponto, que a própria COSIT ressaltou a diferença entre as bases de cálculo dos tributos lançados, conforme recente Solução de Divergência n. 39, de 30.12.2013, verbis: “O art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, que determina a aplicação à CSLL das ‘mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas’ é indicado para o contribuinte das duas espécies tributárias. No intuito de racionalizar procedimentos, o art. 57 estabelece critérios comuns de apuração do IRPJ e da CSLL. Isso é válido para critérios operacionais de apuração, mas não para definir regras de incidência. Embora espécies distintas, com fatos geradores distintos (o da CSLL é o lucro e o do IRPJ é a renda), o contribuinte do IRPJ é, em regra, contribuinte da CSLL. Porém, o inverso não acontece: as entidades a que se referem as alíneas b e c do inciso VI do art. 150 da Constituição são imunes do pagamento do IRPJ, mas não da CSLL.” (grifou-se) Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência desse Tribunal Administrativo, conforme precedente abaixo de relatoria deste Relator, verbis: “CSLL. DEDUÇÃO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL consideradas indedutíveis pela legislação do IRPJ. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 dispõe, apenas para a determinação do lucro real, que as despesas cuja dedução é admitida sejam aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora do sujeito passivo. O art. 57 da Lei n 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, inexistindo, portanto, identidade entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. (Acórdão nº 1201000.285)” A fundamentação supra, contudo, não socorre a Contribuinte. Tal assertiva decorre do fato de que as despesas ora glosadas tiveram sua dedutibilidade negada para fins de IRPJ não apenas por força de alegada desnecessidade ou não usualidade, na forma do art. 299 do RIR/99. Tais despesas, em verdade, foram glosadas também pelo fato de serem consideradas inexistentes pela Fiscalização e por este Relator, considerando-se que as operações que as originaram não ocorreram de fato e/ou na tiveram mínima fundamentação ou propósito econômico e, especialmente, não foram acompanhadas da comprovação do efetivo fluxo financeiro de recursos entre as partes contratantes. Considerando que o ponto de partida para o cálculo da CSLL é o lucro líquido contábil, a glosa deve ser mantida, não em virtude de serem despesas não necessárias, mas sim, como fartamente demonstrado pela Fiscalização, em função de serem despesas inexistentes. Rejeita-se, pois, o recurso voluntário também nesse particular. f. Da preliminar de decadência e da penalidade qualificada Fl. 3131DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 46 Argui a Contribuinte que parte dos créditos tributários lançados estariam decaídos, em vista do quanto disposto no art. 150, § 4 o do CTN, segundo o qual, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito do Fisco de constituir créditos extingue-se em 5 (cinco) anos contados da data do respectivo fato gerador. O acórdão recorrido rejeitou a preliminar suscitada pela Contribuinte, sob o fundamento de que o art. 150, § 4 o do CTN não se aplica às hipóteses em que (a) não tenha havido recolhimento antecipado do tributo ou (b) tenha sido comprovada pela Fiscalização a ocorrência de simulação, dolo ou fraude pelo contribuinte, situação essa verificada no caso. No caso, conforme reconhecido linhas acima, a Fiscalização demonstrou de forma suficiente a prática de atos simulados pela Contribuinte e empresas com as quais firmou os negócios jurídicos relacionados nesse processo. Tais atos tiveram por finalidade precípua, senão única, de permitir à Contribuinte utilizar-se (indevidamente) de créditos fiscais e reduzir (ilegitimamente) a base de cálculo de seus tributos pela apropriação de custos e/ou despesas inexistentes. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, “tem-se que os fatos antes coligidos revestem-se da categoria de indícios graves, precisos e convergentes no sentido de provar que as operações desconsideradas pela fiscalização não se mostraram revestidas de substância, de materialidade, tratando-se de atos simulados, pelo que andou bem o agente do fisco ao promover as glosas dos valores indevidamente deduzidos do resultado da pessoa jurídica”. Em situações de simulação, (a) aplica-se o art. 173, I do CTN para verificação do decurso do prazo decadencial dos lançamentos. Subsumido o caso concreto à norma, não há em decadência dos tributos lançados; e (b) impõe-se a aplicação da multa de ofício em seu percentual majorado, nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Por tais fundamentos, rejeita-se a preliminar de decadência e os argumentos aduzidos pela Contribuinte contra a imposição de penalidade de ofício qualificada, na forma do art. 44 da Lei n. 9.430/96. (iii) Conclusões Por todo o exposto, orienta-se voto no sentido de (a) conhecer do recurso de ofício para negar-lhe provimento e (b) conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 3132DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908563/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2001
DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO
É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 63 /2 01 1- 51 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908563/201151 Acórdão n.º 3301002.584 S3C3T1 Fl. 182 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 2.454,67 Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/01/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2001 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908563/201151 Acórdão n.º 3301002.584 S3C3T1 Fl. 183 3 Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. A 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência que a Delegacia de origem: a) Examinasse os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificasse a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornasse o processo a este CARF para julgamento. Tomadas as providências requeridas o processo retornou a esse Conselho para decidirmos. É o que importa relatar. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908563/201151 Acórdão n.º 3301002.584 S3C3T1 Fl. 184 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. Após a devida análise o relatório da diligência chegou à seguinte conclusão: Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER nº 13614.36433.231205.1.2.041003, transmitido em 23/12/2005, no valor de R$2.454,67 (fls. 02/04). Esse é exatamente o montante pleiteado pela Recorrente. Reconhecido o pedido em diligência nada mais há a fazer senão homologálo. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10805.908202/2011-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.500
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Ferreira Castellani - Relator
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 02 /2 01 1- 51Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 152 2 Carmen Ferreira Saraiva –Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 19335.23210.190106.1.2.046153, em 19.01.2006, fls. 0208, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$ 12.054,25, contido no DARF de valor total de R$ 11.934,90, recolhido em 28.11.2002, referente ao período de apuração de setembro de 2002, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 03/01/2012, fls. 11, consta: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 12.054,25 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Pelo entendimento exarado no despacho decisório, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1623. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividade de análise clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica.” Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 153 3 Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 154 4 Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.209, de 22/08/2013, fls. 5461, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 155 5 líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 19335.23210.190106.1.2.046153, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 30/09/2002, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 156 6 Notificada em 04.11.2013, fl. 63, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013, fls. 6569. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito as regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Ferreira Castellani, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação, assim, o conheço. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 157 7 IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 158 8 A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 159 9 Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 160 10 proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 161 11 estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 162 12 O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA Processo nº 10805.908202/201151 Acórdão n.º 1803002.500 S1TE03 Fl. 163 13 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por CARMEN FERREIRA S ARAIVA
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Numero do processo: 10074.001049/2001-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INTERPOSIÇÃO DE EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA.
Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática reiterada do contribuinte em manter interposição de empresas inexistentes de fato para majoração artificial de custos, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.859
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado).
(Assinado digitalmente
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(Assinado digitalmente
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausentes, Justificadamente, Os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INTERPOSIÇÃO DE EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática reiterada do contribuinte em manter interposição de empresas inexistentes de fato para majoração artificial de custos, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrairse à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, sendo substituído pelo Conselheiro Plínio Rodrigues Lima (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 10 49 /2 00 1- 69 Fl. 9541DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (Assinado digitalmente Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, e Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Ausentes, Justificadamente, Os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 19/09/2008 (fl. 3123), a Fazenda Nacional, em 19/09/2008, interpõe Recurso Especial (fls. 3126/3142), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.626, de 29/05/2008 (fls. 3107/3121) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte MDC Comércio e Representações LTDA. (fls. 2582/2670). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra o contribuinte, MDC Comércio e Representações Ltda., foi lavrado, em 17/12/2001, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio de Janeiro RJ, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e outros (fls. 02/43), com ciência pessoal, em 28/12/2001 (fl.02) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total equivalente a R$ 22.855.403,75 a título de tributos e contribuições, acrescidos da multa de qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos, referente aos exercícios de 1999 a 2001, correspondentes aos anoscalendário de 1998 a 2000, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de receita, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada conforme descrito em "Termo de Constatação Anexo ao Auto de Infração” e Glosas de Custos. Infrações capituladas nos arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 225, 226, e 227, do RIR/94; art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 249, Fl. 9542DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 4 3 inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279,280, e 288, do RIR/99; arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 231, 232, inciso I, 234 e 247, do RIR/94; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, e 304, do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o conteúdo do Auto de Infração através do Termo de Constatação Fiscal, datado de 28/12/2001 (fls.44/197). Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 20/03/2002 (fls. 1651/1720), instruído pelos documentos de (fls. 1721/1802) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro, em 10/09/2004, decide julgar procedente o lançamento, (fls. 2548/2562), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: afasto a alegação de nulidade, visto que a reabertura do prazo de defesa possibilitou à interessada consultar todas as peças dos autos e sobre elas se manifestar, sanando eventual cerceamento ao direito de ampla defesa; que, assim, foi por mim adotada a seguinte solução: (1) Somente serão considerados neste julgamento os documentos efetivamente juntados aos autos. (2) Documentos não encontrados nos autos serão considerados como inexistentes neste julgamento, ainda que tenham sido mencionados pelos autuantes; que relativamente às testemunhas indicadas à folha 1720, a interessada acostou interrogatórios ou depoimentos judiciais de todas, com exceção do Sr. Edgar de Freitas. Desse modo, cabe apenas analisar se a ausência do testemunho desta única pessoa prejudica a defesa da interessada; que a interessada, por sua própria iniciativa, optou por juntar aos autos os interrogatórios e depoimentos colhidos na Justiça Federal, ao invés de providenciar por si as declarações. O depoimento judicial, ainda que recomendável, não era absolutamente imprescindível, pois foi autorizada expressamente a juntada de declaração. Desde já, esclareço que a referida ação penal (processo n° 2003.51015057871 Justiça Federal Seção Judiciária do Rio de Janeiro) corre em segredo de justiça, não tendo este colegiado acesso àqueles autos; que, conforme o item 11.23 da impugnação (folha 1686), a interessada afirma que o Sr. Edgar de Freitas seria seu contato nas empresas Firat e Fray, indicando o seu endereço e telefone. Pois bem, independentemente de qualquer circunstância relativa à ação penal, nada impedia a interessada de providenciar declaração nos moldes deferidos no despacho de folhas 2318/2319, ainda mais porque a ciência do despacho ocorreu em 19/09/2003, configurando, até a presente data, prazo mais do que suficiente para a obtenção de simples declaração de pessoa conhecida. Somese a isso o fato de que a interessada não demonstra ter sequer tentado obter declaração formal da testemunha por ela indicada, limitandose a argumentar que aguarda a pronunciamento do Ministério Público; que nas diligências relatadas no Termo de Constatação os autuantes apuraram que as pessoas que figuram como sócios destas empresas desconheciam a existência das mesmas; que os supostos sócios eram, em geral, pessoas de poucos recursos financeiros, sem qualquer experiência empresarial e cujas profissões não exigiam grau elevado Fl. 9543DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 5 4 de escolaridade. Alguns dos supostos sócios sequer foram encontrados, pois seus nomes não constavam nos cadastros do Fisco e nos endereços indicados nos instrumentos de constituição das empresas tais pessoas eram totalmente desconhecidas; que dentre os elementos que demonstram as fraudes há que se destacar o caso de empresa constituída por pessoa já falecida (conforme relatado à folha 74). O contrato social da empresa Fray Distribuidora de Bijuterias Ltda (CNPJ 02.062.746/000155) teria sido firmado em 05/08/1997, dele constando a assinatura de Luiz Carlos Raimundo da Silva, CPF 940.531.46704 (folhas 233/234 do Anexo 17). Todavia, a certidão de óbito acostada à folha 253 do Anexo 17 comprova que esta pessoa já havia falecido em 22/09/1993; que, assim, de acordo com os elementos dos autos fica evidente que as empresas Check Point Importação e Exportação Ltda, Silver Cloud Distribuição de Gêneros Ltda, Firat Comercial de Presentes Finos Ltda, Fray Distribuidora de Bijuterias Ltda, Acquaverde / Comércio Ltda, Trinidad Comercial Ltda, Empros Comércio e Distribuição Ltda, Caleche Importação e Exportação Ltda e Highway Comércio e Serviços Ltda não funcionavam de fato, tendo sido constituídas para possibilitar que operações de outras pessoas jurídicas aparentassem ter sido realizadas por elas; que não há sentido lógico em terceirizar operações e simultaneamente colocar funcionários próprios para executar serviços que deveriam ser feitos pelos empregados das / empresas terceirizadas. Ora, se os executantes dos serviços são seus próprios funcionários, por que terceirizar?; que seria pouco crível que a interessada não soubesse as condições de funcionamento das firmas escolhidas para terceirização de suas operações. É verdade que não há exigência legal de se conhecer pessoalmente os sócios dos parceiros comerciais, mas foge ao razoável acreditar que seja apenas coincidência que a totalidade ou quase totalidade das compras de mercadorias importadas se dê por meio de empresas irregularmente constituídas, com funcionários, estrutura e instalações incompatíveis com o fluxo das importações; que o esquema descrito só faz sentido se for entendido como um meio de fugir à tributação. Inicialmente foram criadas empresas fictícias. As operações de importação foram, então, transferidas a estas empresas fictícias, que vendiam as mercadorias importadas aos comerciantes varejistas. Isso possibilitou que a receita da venda de mercadorias (mercadorias essas que eram de fato da MCD, mas que documentalmente aparentavam ser das empresas fictícias) se incorporasse ao resultado das empresas fictícias, ao invés de se incorporarem ao resultado da MCD. Assim, a MCD transferiu receitas próprias para as empresas fictícias. A outra etapa do esquema era forjar a aquisição, a preços majorados, de mercadorias em nome as empresas fictícias, ocasionando o aumento indevido dos custos da MCD, o que, consequentemente, reduziu ainda mais seu lucro tributável; que tendo sido demonstrado que a interessada interpôs indevidamente outras empresas em suas operações e que essas empresas interpostas não existiam de fato, tendo sido criadas apenas para evasão de tributos, incumbelhe a responsabilidade pelos tributos que deixaram de ser recolhidos; que a interessada afirma que os autuantes teriam errado ao qualificar as mercadorias negociadas como sofisticadas. No presente caso pouco importa que as mercadorias sejam sofisticadas ou não já que a procedência ou improcedência da autuação prendese à Fl. 9544DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 6 5 responsabilidade da interessada pelos tributos incidentes sobre as mercadorias e isto em nada depende de como estas são qualificadas; que quanto aos argumentos de defesa acerca da representação comercial, pouco importa que haja, ou não, contrato escrito, pois o que ficou evidente que os negócios das empresas interpostas e os negócios da interessada se confundiam, visto que o real responsável por ambos era a MCD; que entendo que os autuantes desincumbiramse suficientemente de seu ônus de provar o aumento indevido dos custos e que caberia a interessada desconstituir as provas apresentadas na autuação. A mera alegação, desacompanhada de provas efetivas, não é suficiente para desqualificar a autuação; que além do mais, a amostragem objetivava apenas exemplificar a majoração dos custos. A quantificação do valor glosado em nada depende da amostragem ou da dimensão do universo amostral; que a interessada não se insurge em relação à quantificação da receita omitida. Assim, inexistindo controvérsia de valores, devem ser estes mantidos inalterados; que a multa de 150 % deve ser mantida, eis que restou caracterizado o evidente intuito de fraude, pela utilização de empresas interpostas e negócios simulados com o intuito de omitir receitas e majorar indevidamente os custos. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 14/01/2005, conforme Termo constante à fl. 2580, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente (em 15/02/2005), Recurso Voluntário às fls. 2582/2670, instruído pelos documentos de fls. 2671/3106. Ao apreciar o Voluntário interposto, a então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.626, de 29/05/2008 (fls. 3107/3121), cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial a decisão, conforme se verifica de sua ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R P J Exercício: 1998, 2001 INTERPOSIÇÃO DE EMPRESAS INEXISTENTES DE FATO. QUALIFICADA Comprovado que o contribuinte em seus documentos de compras de importação utilizouse de empresas regularmente constituídas, que majoraram artificialmente seus custos. incumbelhe a responsabilidade pelos tributos indevidamente reduzidos. Contudo, carecendo de prova sobre o nexo causal e direto, subjetivo dessa majoração artificial dos custos, é de se desqualificar a multa, sem prejuízo do mérito que ficou caracterizado como custos majorados e aproveitados, indevidamente, pelo sujeito passivo. Assunto: Outros Tributos e Contribuições Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 Fl. 9545DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 7 6 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSSL. Inexistindo novos fatos ou argumentos a considerar, aplicase aos lançamentos reflexos o já decidido em relação ao lançamento matriz de IRPJ. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MCD COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a multa qualificada, reduzindoa para o percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada) e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 19/09/2008, conforme Termo constante à fl. 3123, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (19/09/2008), o Recurso Especial de fls. 3126/3142, com amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria MF nº 147, de 2007, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que o v. acórdão ora recorrido, proferido pela colenda Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, desqualificou a multa de ofício, o que resultou na negativa de vigência do artigo 44, inciso II, da Lei n°. 9.430/1996 (atual art. 44 , I , c/c § I , da Lei n.° 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.° 351/2007); que no caso concreto, fazse mister examinar se a materialidade da conduta se ajusta à norma inserida nos artigos da Lei n° 4.502/66 a que remete a Lei n° 9.430/96 em seu artigo 44, inciso II (atual art. 44,1, c/c § I o , da Lei n.° 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.° 351/2007); que analisando detidamente os autos, a DRJ de origem (fls. 2548/2561) entendeu pela manutenção da qualificação da multa, posto ter restado perfeitamente caracterizado o intuito de fraude, em decorrência da utilização de empresas interpostas e negócios simulados, com o objetivo de omissão de receitas e majoração indevida de custos; que destarte, conforme provam os documentos constantes dos autos, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme e abusiva, demonstrou conduta consciente que procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa; que, com efeito, não há dúvidas a respeito da caracterização de simulação de negócios por meio de empresas interpostas (inexistentes de fato), para a realização de operações fraudulentas consistentes em vendas próprias mediante a utilização de notas fiscais Fl. 9546DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 8 7 daquelas empresas, bem como da majoração de custos com o objetivo de redução da base de cálculo dos tributos; que por todos os motivos expostos, uma vez demonstrado o evidente intuito de fraude, em decorrência da utilização de empresas interpostas e negócios simulados, objetivando a omissão de receitas e a majoração indevida de custos, com consequente redução da base de cálculo dos tributos, deve ser mantida a qualificação da multa, amparada que está nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarou o Despacho nº 108 3272008, de 03/12/2008 (fl.3144), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer os pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 12/12/2008 (fl. 3145), o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 29/12/2008, as contrarrazões de fls. 3163/3169, sem instrução de documentos adicionais, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que conforme mencionado acima, o fiscal autuante conduta dolosa à RECORRIDA em face da suposta majoração indevida de custos na importação de bens e mercadorias, o que ensejou a glosa de custos e a aplicação de multa qualificada; que ocorre que, conforme fora brilhantemente mencionado no Acórdão de segunda instância, não se pode cogitar de "intuito doloso de prática de fraude como pretende a autoridade autuante, faltando o nexo necessário de vontade" (fls. 3120); que isso porque, para que seja aplicada a multa qualificada é imprescindível por parte da fiscalização a produção de prova cabal da ocorrência de fraude, o que não ocorreu no presente caso; que a mera evidência descritiva não é suficiente para caracterizar uma conduta considerada delituosa e sujeita à qualificação da multa. Para tanto, seria necessária a evidência comprovada, robusta, substancialmente conclusiva, enfim, incontestável; que no caso presente, embora a fiscalização tenha levantado algumas suspeitas durante as suas diligências, nunca logrou comproválas, eis que não exauriu as suas investigações a fim de produzir a prova cabal e irrefutável de que a RECORRIDA teria praticado conduta dolosa; que ocorre que os trechos mencionados da decisão de primeira instância e as afirmações da RECORRENTE nada mais representam do que presunções da fiscalização, as quais não têm força suficiente para suportar a multa qualificada; que A RECORRIDA não pode concordar com a qualificação da multa, eis que o Fisco precisa PROVAR de forma contundente e direta a eventual conduta dolosa por força do principio da legalidade estrita que preside todo o direito tributário (art. 150, I da CF,: é. art.97 do CTN). É o relatório. Fl. 9547DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 19/09/2008 (fls. 3123) e protocolizado o presente apelo em 03/12/2008 (fls. 3144), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase que o presidente da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou o Despacho nº 108327/2008, de 12/12/2008 (fls. 3145), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer os pressupostos regimentais. De fato, constatase que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial da Divergência, já que demonstrou que a decisão foi proferida por maioria de votos e demonstrou, em tese, que a mesma seria contrária à lei tributária. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto no relatório, tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 10809.626 (fls. 3107/3121), de 29/05/2008, o qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Como visto, a recorrente (Fazenda Nacional) se insurge contra a desqualificação da multa aplicada por entender que no caso ficou caracterizado o evidente intuito de fraude. A decisão recorrida entendeu que à luz da legislação tributária, o presente caso não constitui hipótese de qualificação da multa de oficio, consistente na prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964. Somente a constatação pela Fiscalização de qualquer uma dessas hipóteses legais é que seria suficiente para justificar a imposição de penalidade fiscal qualificada. Entendeu, ainda, que as práticas definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, tratam de infrações em cuja definição seja elementar o "dolo especifico" do agente, ou seja, infrações nas quais o "executor" do ato tenha em mente a obtenção de um Fl. 9548DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 10 9 determinado resultado preciso, portanto, que fique evidenciada não apenas a intencionalidade do agente, mas seu objetivo de atingir determinado resultado e que no presente caso isto não ocorreu, razão pela qual deveria ser desqualificado a multa de ofício. Evidentemente que não há como compartilhar do entendimento utilizado pela decisão recorrida, pois no presente caso estão presentes os elementos demandados para a qualificação da multa. As provas residem nos autos e elencadas no Termo de Constatação Fiscal, que acompanha os autos de infração. Consoante o descrito no "Termo de Constatação Fiscal", verificouse, ademais, que, com o fim de ocultar suas operações, o contribuinte utilizou interposição de empresas inexistentes com o objetivo de majorar os seus custos. A intenção de fraudar ficou demonstrada não apenas pelos fatos já narrados, mas também pelo fato de que os custos são inexistentes. Todos os fatos acima descritos corroboram a conclusão a que se chega pela caracterização do evidente intuito de fraude. Este não é um simples dado imposto pela lei, mas uma regra de experiência colhida pelo legislador. Ao lado disso, outros elementos de prova já mencionados foram coletados para demonstrar que os custos apresentados são inexistentes, o que demonstra o claro intuito de não pagar os tributos e contribuições devidos. Assim sendo, entendo que neste processo está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, cujo diploma legal é o artigo 44, § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se vê nos autos, a contribuinte foi autuada sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização de interposição de empresas inexistentes de fato, com o claro objetivo de tentar dissimular as receitas auferidas e que no entender da autoridade fiscal lançadora e da decisão recorrida caracteriza evidente intuito de fraude nos termos do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda. Só posso concordar com esta decisão, já que, no meu entendimento, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude, já que sonegação, no sentido da legislação tributária reguladora do Imposto de Renda, o conceito integra, juntamente com o de fraude e conluio, o de “evidente intuito de fraude”. Como se vê o inciso II do artigo 957, do RIR/99, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultála. Resta, pois, para o deslinde da controvérsia, saber se os atos praticados pelo sujeito passivo configuraram ou não a fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo 72 da Lei n.º 4.502/64, verbis: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as Fl. 9549DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 11 10 suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Entendo que, para aplicação da multa qualificada, deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraude e este está devidamente demonstrado nos autos, através da utilização de interposição de empresas inexistentes de fato, provocando a escrituração na contabilidade da empresa de custos inexistentes com o evidente intuito de reduzir a carga tributária. Existe nos autos a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Decisão, por si só suficiente para uma análise preambular da matéria sob exame. Não se faz necessário se referir às decisões administrativas na medida em que é princípio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais devem estar lisamente comprovadas. Tratase de aplicar uma sanção e neste caso o direito faz com cautelas para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Tirando toda a subjetividade dos argumentos apontados, resta apenas de concreto a falta de recolhimento do imposto de renda. Da análise dos documentos constantes dos autos e das suposições da autoridade lançadora se pode dizer que houve o “evidente intuito de fraude” que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Como se vê nos autos, o contribuinte foi autuada sob a acusação de majoração indevida de custos e para dissimular as reais operações o contribuinte utilizouse de interposição de empresas inexistentes de fato. Sendo que a autuada não apresentou qualquer documento que lhe fosse favorável no sentido de descaracterizar a infração ou atenuar a imputação que lhe é dirigida de ação dolosa e fraudulenta. Assim, entendo que neste processo, está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, do artigo 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/96, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na Lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, nestes termos: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44) (...). Fl. 9550DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10074.001049/200169 Acórdão n.º 9101001.859 CSRFT1 Fl. 12 11 II – de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Quando a lei se reporta ao termo de evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, conta bancária em nome de terceiros, sem a devida escrituração, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar a multa qualificada. Deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Enfim, há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Feitas tais considerações, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de darlhe integral provimento, para reconhecer a ocorrencia de fraude no presente caso, aplicando ao contribuinte, por conseguinte, a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/96. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Fl. 9551DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10380.721531/2011-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. CREDITO. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Entende este Conselho que não é qualquer aquisição de bens e serviços que autoriza o crédito de PIS/Cofins não-cumulativo, mas apenas quando se comprove terem sido aplicados na atividade produtiva.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. CREDITO. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 01/05/2004. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 2.
Vedação do direito de crédito estabelecida textualmente pelo art. 31 da Lei nº 10.865/2004 que se pretende afastar ao argumento de inconstitucionalidade da lei. Matéria que extrapola o âmbito da competência deste Conselho, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 2.
PIS/COFINS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CONSÓRCIO.
A alegação de atuação por meio de consórcio, atuando a empresa líder apenas como intermediária em nome e em favor da recorrente, depende da prova do repasse dos valores e de que representam efetivo ingresso de divisas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Antonio Carlos Atulim votaram pelas conclusões em relação à exportação de serviços.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CREDITO. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Entende este Conselho que não é qualquer aquisição de bens e serviços que autoriza o crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, mas apenas quando se comprove terem sido aplicados na atividade produtiva. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CREDITO. DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO. BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 01/05/2004. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA CARF Nº 2. Vedação do direito de crédito estabelecida textualmente pelo art. 31 da Lei nº 10.865/2004 que se pretende afastar ao argumento de inconstitucionalidade da lei. Matéria que extrapola o âmbito da competência deste Conselho, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 2. PIS/COFINS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CONSÓRCIO. A alegação de atuação por meio de consórcio, atuando a empresa líder apenas como intermediária em nome e em favor da recorrente, depende da prova do repasse dos valores e de que representam efetivo ingresso de divisas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Antonio Carlos Atulim votaram pelas conclusões em relação à exportação de serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 15 31 /2 01 1- 27 Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 3/20) lavrados para constituir créditos tributários de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), apurados sob o regime não cumulativo das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, em relação a fatos geradores ocorridos entre 09/2006 e 12/2007. A notificação aconteceu em 23/02/2011 (fls. 4 e 13). A motivação do lançamento encontrase em Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 21/28), no qual se detalham as seguintes ocorrências: a) Glosa de créditos de insumos aplicados na prestação de serviço. A Fiscalização entendeu pela glosa de créditos relativos a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na produção, baseandose na existência de divergência entre os valores constantes na contabilidade e aqueles declarados em DACON. A Fiscalização fez prevalecer os dados constantes na contabilidade, segundo relatado no seguinte trecho do Termo (fl. 23): A partir dos lançamentos contábeis apresentados pelo contribuinte em meio magnético, verificamos o demonstrativo apresentado pelo mesmo em 12/11/2010, (composição dos valores informados nas linhas 03Serviços Utilizados como Insumos, das Fichas 06A e 16A , das DACONs do período de 2007). e nele constatamos algumas divergências com a contabilidade apresentada. Em visita a empresa, questionamos, informalmente, ao funcionário Milton da contabilidade, sobre as divergências de valores entre o demonstrativo apresentado e a contabilidade da empresa, no momento, o mesmo informou que o demonstrativo era elaborado mensalmente com base na contabilidade, para preenchimento da DACON, mas que ajustes na contabilidade, posteriores a elaboração do demonstrativo, justificariam tais divergências e que os valores a serem considerados deveriam ser os da contabilidade apresentada, pois o demonstrativo seria um retrato momentâneo da contabilidade, não refletindo seus ajustes posteriores. O Anexo I (fls. 29/127) consolida as glosas subdividindoas sob as contas intituladas na contabilidade como combustíveis, peças, acessórios e Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.721531/201127 Acórdão n.º 3403003.606 S3C4T3 Fl. 1.791 3 lubrificantes, recapagem de pneus, pneus, câmaras e protetores, gerenciamento de riscos, capatazia, serviços prestados – PJ, material de manutenção terceiros. b) Glosa de créditos de depreciação e amortização. A Fiscalização constatou e procedeu da seguinte forma em relação aos créditos relativos aos encargos de depreciação e amortização de bens (fls. 23/24): Analisando os relatórios de depreciação apresentados pelo contribuinte, verificamos que o mesmo está computando créditos de PIS e COFINS de valores de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/200A o que está em desconformidade com o Art. 31 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, que assim dispõe; Art. 31. É vedado a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei. o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10 833. de 29 de dezembro de 2003. relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004." Ainda sobre os relatórios de depreciação, verificamos também que o contribuinte está computando créditos de PIS e COFINS de valores de depreciação relativos a bens não destinados â prestação de serviços, como por exemplo, veículos utilizados pela administração, móveis e equipamentos de escritório, o que está em desconformidade com o Inciso III, do § 1o, do Artigo 3o. da Lei n° 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003: III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI (máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.) e VII do caput, incorridos no mês;". Sublinhamento nosso Assim, ainda no Termo de Intimação n° 003, intimamos o contribuinte a se manifestar sobre os valores de glosas de depreciações para créditos de PIS e COFINS levantados pela fiscalização a partir dos relatórios de depreciação apresentados pelo contribuinte e demonstrados nas planilhas anexas ao Termo: Demonstrativo Sintético de Valores Glosados de Depreciação; Demonstrativo de Valores Glosados de Depreciação de Bens Adquiridos antes de 01/05/2004; Demonstrativo de Valores Glosados de Depreciação de Bens Adquiridos a partir de 01/05/2004, Demonstrativo de Valores Acatados de Depreciação de Bens Adquiridos a partir de 01/05/2004. O Anexo II (fls. 128/143) revela que, em relação aos bens adquiridos a partir de 01/05/2004, o crédito foi admitido em relação às contas “veículos “ e Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 “máquinas e equipamentos”, mas houve a glosa das contas “móveis e utensílios”, “veículos utilitários”, “softwares e aplicativos”, “computadores e periféricos” e “benfeitorias em imóveis de terceiros” (fl. 128). c) Inclusão na base de cálculo de receitas que não se enquadram na isenção destinada à exportação de serviços. A Fiscalização constatou e procedeu da seguinte forma em relação às receitas que o contribuinte entendia tratarse de receitas de exportação (fls. 26/27): Analisando, a luz de seus assentamentos contábeis, os valores declarados pelo contribuinte nas linhas 07Receita Sem Incidência da Contribuição Exportação, das Fichas 07A e 17A das DACONs do período de julho de 2006 a dezembro de 2007, verificamos que estas se compõem e dois tipos de receitas, uma de transporte internacional de cargas e outra de prestação de serviços internacionais. Quanto a esta última, de acordo com Inciso III, do Artigo 14, da MP n° 215835/2001 e o § 1o do mesmo artigo, para que uma receita de prestação seja considerada isenta, duas premissas são necessárias, primeiro, que o serviço seja prestado a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, e segundo, cujo pagamento represente ingresso de divisas De acordo com a documentação apresentada pelo contribuinte, nenhuma dessas condições se verifica. Uma empresa é considerada estrangeira quanto tem sua sede no exterior, podendo ou não ter filial no Brasil, o fato de ter sócios estrangeiros, não faz desta uma empresa estrangeira. De acordo com os lançamentos na conta 6.1.2.2 Receita de Serviços Portuários INT e com as notas fiscais de serviços apresentadas, a receita em questão provém de serviços prestados à empresa nacional CTO Ceará Terminal Operator Ltda, CNPJ n° 05.388.266/000125, naturalmente com sede no Ceará. Quanto a ingresso de divisas, este normalmente é feito por meio do Banco Central através de contrato de câmbio, ou por meio de depósito em conta no exterior, de titularidade do prestador de serviço, usualmente utilizada por questões operacionais de recebimentos e pagamentos no exterior. Outra hipótese é o pagamento em moeda nacional efetuado por agente no Brasil de cliente estrangeiro, que por questões de normas do Banco Central, envia recursos ao seu agente, por meio de contratos de câmbio, e este, por sua vez, paga ao prestador brasileiro de serviço em moeda nacional, funcionando como um intermediador do pagamento. Na situação em análise nenhuma dessas hipóteses se verifica, o serviço é pago em moeda nacional por uma empresa nacional, a CTO. É relevante observar que nas próprias NFS emitidas pelo contribuinte, verificamos o destaque da retenção na fonte de PIS/COFINS/CSLL, conforme previsto nos artigos n° 30 e 31 da lei n° 10.833/2003, o que induz â percepção de que nem mesmo o próprio contribuinte considerou, no momento da emissão das NFS, estas receitas como isentas de PIS e COFINS. Pelas cláusulas do contrato, apresentado em cópia pelo contribuinte, onde o mesmo consta como contratado e a CTO Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.721531/201127 Acórdão n.º 3403003.606 S3C4T3 Fl. 1.792 5 com contratante, a contratada UNILINK comprometese a prestar serviços exclusivamente a contratante CTO. Embora o referido contrato não estabeleça, em suas cláusulas, uma relação de subcontratação da UNILINK pela CTO, e nem o contribuinte tenha apresentado qualquer documento que exponha essa relação, pelo conhecimento geral da dinâmica das operações portuárias, o que aparenta realmente é que a CTO seria contratada por clientes, nacionais ou estrangeiros, para serviços como movimentação de "containers" dentro do área portuária, carga e descarga de navios, e esta, por sua vez, subcontrataria a UNILINK para realizar esses serviços. Ora, mesmo que o cliente seja um armador estrangeiro, a relação de prestação de serviço seria entre este e a CTO e a esta caberia o tratamento de isenção e o direito aos créditos de PIS e COFINS pela utilização dos serviços da UNILINK na prestação de seus serviços. Mas outra constatação relevante é que nem mesmo a própria CTO declara em suas declarações, DIPJ e DACON. qualquer receita de exportação de serviço no período em exame. Assim, a partir dos livros razão de 2006 e 2007, elaboramos o Demonstrativo da Apuração de PIS/COFINS Não Cumulativo sobre receitas não consideradas pela Fiscalização como Exportação de Serviço, anexo IV deste termo. A Fiscalização constatou que parte dos saldos de créditos trazidos de anos anteriores referiamse ao cômputo indevido de tais receitas como se fossem de exportação, promovendo, assim, o correspondente ajuste. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 1800/1971) na qual sustenta o seguinte: a) em relação à glosa de créditos correspondente à aquisição de bens e serviços aplicados na prestação de serviços, pugna pela sua reversão alegando que a abrangência do termo “insumo” é maior do que aquela adotada pela Fiscalização, sendo necessário adotar o seu sentido comum, não cabendo à Administração limitar o seu alcance, sendo, pois, ilegal adotar o mesmo conceito aplicado ao IPI., argumentando, ainda, o seguinte: Sabendose do objeto empresarial da requerente, qualquer material ou serviço utilizado direta ou indiretamente rara a consecução dos transportes de cargas e manejo de contêineres, pelos quais é contratada, deve ser considerado insumo, permitindo que os seus custos sejam abatidos dos valores devidos a titulo de PIS e COFINS. Todos os custos que foram apurados como créditos de PIS/COFINS em favor do contribuinte referemse a insumos utilizados em sua atividade, permitindo a obtenção de receitas (base de cálculo daquelas contribuições sociais) pela Autuada. Tanto combustíveis, peças e acessórios, pneus e recapagens, capatazia, serviços prestados por terceiros (pessoa jurídica), quanto móveis e utensílios, veículos utilitários, softwares e aplicativos, computadores e periféricos, benfeitorias em imóveis Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 de terceiros, são elementos necessários ao cumprimento do objeto social da empresa. Quanto a estes últimos, expressamente glosados no Anexo II do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, tratam de insumos utilizados na área comercial e administrativa da empresa, sem as quais não seria possível a manutenção de uma logística adequada para a captação de clientes e para seu atendimento satisfatório. A falta de uma infraestrutura bem aparelhada reflete diretamente no desempenho global da empresa. Por isso, não adianta investir somente naquilo que está diretamente ligado a sua atividadefim, mas também em todo c aparato necessário para a boa administração da empresa, sem se esquecer da área comercial. Não importa, então, que ocorra desgaste ou transformação do insumo. Basca que seja necessário ao desenvolvimento da atividade empresarial, possibilitando uma maior arrecadação de receitas, otimizando seus resultados financeiros. b) em relação à glosa de créditos decorrentes da depreciação de bens do ativo imobilizado, alega o impugnante que não é legítima a limitação temporal (até 01/05/2004) para a sua apuração, sustentando que o art. 31 da Lei n° 10.865/04 veicula flagrante afronta aos postulados constitucionais do direito adquirido, irretroatividade da lei tributária e segurança jurídica; cita precedente do TRF da 4ª Região; c) quanto à exportação de serviços, defende a configuração da imunidade prevista no art. 149, § 2º da Constituição e no art. 5º, II, da Lei nº 10.865/2004, argumentando que não foi levada em conta a peculiaridade causada pelas normas que regulamentam as operações realizadas no Porto de Pecém, que explicariam a igualmente peculiar estrutura de contratação existente no caso, detalhando o seguinte: Com efeito, a Norma de Exploração do Terminal Portuário do Pecem (doe 02) estabelece os pressupostos necessários ao credenciamento dos interessados na prestação de serviços no Pomo. Ditos serviços são classificados em operacional, de armazenagem, acessório, terceirizados e diversos, cu]OS requisitos para credenciamento são distintos para cada um. A prestação de serviço operacional, para o qual o CONSÓRCIO CTO está credenciado (conforme CARTA PRES. 703/2006 em anexo doc. 03), compreende: a) amarração/desamarração do navio; b) recebimento e entrega da mercadoria, inclusive no "gate"; c) transporte interno das mercadorias com a utilização dos equipamentos adequados a sua natureza e espécie, desde o seu ponto de descarga no cais, junto a embarcação atracada até o local de depósito na instalação de armazenagem, designado pelo depositário ou viceversa; d) embarque da carga ou container para o convés/porão do navio ou em sentido inverso, com a utilização de equipamentos adequados a sua natureza; e) remoções via píer e/ou no convés /porão do navio e/ou pátio; f) transbordo entre navios consecutivos ou com utilização do pátio. (...) Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.721531/201127 Acórdão n.º 3403003.606 S3C4T3 Fl. 1.793 7 Era face do vultoso capital social que deve possuir uma empresa para que se credencie junto à CEARÁPORTOS (sem se esquecer, ainda, de que inúmeros outros requisitos de ordem técnica também devem ser atendidos), esta possibilitou a formação de consórcios de pessoas jurídicas, viabilizando um maior dinamismo na prestação dos serviços essenciais â atividade portuária, como também permitindo ampla participação de postulantes, os quais, sozinhos, estariam impedidos de prestar seus serviços neste no Porto do Pecém. (...) Verificase, portanto, que a CEARÁPORTOS exige que o consórcio credenciado eleja, como líder, uma das empresas que o integram, a qual representará o consórcio em todas as operações realizadas com a própria administradora, bem como com os tomadores do serviço. As demais empresas, portanto, têm uma participação eminentemente operacional (efetiva prestação dos serviços), incumbindo a empresa líder, em nome do consórcio credenciado, figurar nos atos e contratos firmados perante a CEARÁPORTOS e os tomadores dos serviços. (...) Nesse diapasão, a impugnante fez por bem integrar o CONSÓRCIO CTO, cujas características são expostas em tópico próprio, possibilitando a prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, cujas receitas configuram ingresso de divisas, enquadrandose na imunidade tributária prevista na legislação pátria. (...) A empresa CTO, última a integrar o consórcio, foi eleita a empresa líder, conforme exigência expressa da legislação aplicável e da Norma de Exploração editada pela CEARÂPORTOS, passando a representar o consórcio nas operações realizadas com a própria administradora do Terminal Portuário e com os tomadores dos serviços disponibilizados no Porto do Pecém. Cumpre frisar que a empresa CTO possui como quotistas as empresas UNILINK TRANSPORTES INTEGRADOS LTDA e MAERSK BRASIL (BRASMAR) LTDA, as quais firmaram um Acordo de Quotistas (doe. 01), necessário ao desempenho das atividades do consórcio CTO, sempre buscando manter atendidas as exigências da CEARÁPORTOS para o credenciamento. Isso é comprovado, inclusive, no item 03 do referido Acordo, onde a UNILINK coloca á disposição da empresa CTO os equipamentos listados no Anexo 1 deste Instrumento, os quais correspondera àqueles equipamentos operacionais que os credenciados devem possuir em quantidade mínima para a Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 prestação de serviços no Terminal Portuário do Pecém (já expostos no tópico anterior). Nesse diapasão, uma vez realizado o credenciamento do consórcio CTO, ficou este autorizado a prestar os serviços operacionais colocados á disposição dos clientes, muitos deles empresas multinacionais de transporte marítimo. O consórcio CTO, por sua vez, sob a liderança e representação da empresa CTO, encarregou a UNILINK para realizar as operações portuárias de embarque e desembarque em navios de carga em geral, em contêineres ou fora deles. Essa atribuição acometida á Impugnante foi formalizada no Instrumento Particular de Prestação de Serviços {doe. 08), firmado entre ela (contratada) e a empresa líder do consórcio CTO (contratante). Essa designação de competência à UNILINK (impugnante) é expressamente autorizada pelo item 01 do Ato Constitutivo do consórcio, acima transcrito integralmente, segundo o qual a execução do objeto do consórcio poderá ser feita por apenas um dos participantes, na forma entre eles acordada. Tratase de uma efetiva repartição de competências no âmbito interno do consórcio, prática corriqueira e, até mesmo, aconselhável, em busca de uma melhor otimização e organização na prestação do serviço disponibilizado pelo consórcio. Diante disso, acordouse que a prestação dos serviços contratados ao consórcio, por meio de sua empresa líder, seria realizada pela Impugnante. Simplificando o mecanismo da operação, temse a seguinte construção lógica: a empresa de transporte marítimo (nacional ou internacional) contrata os serviços disponibilizados pelo consórcio CTO, negociação esta realizada por meio de sua empresa líder (exigência expressa da lei e da CEARÁPORTOS); o serviço contratado, por sua vez, é realizado pela UNILINK, nos termos do Acordo de Prestação de Serviços firmado entre esta e a líder do consórcio CTO. Notese que a Autuada, por meio do consórcio CTO, PRESTA o serviço ao respectivo tomador (cliente) , porém não pode emitir Nota Fiscal diretamente a ele, uma vez que a CEARÁ PORTOS somente permite que a empresa líder do consórcio figure na» relações travadas entre o consórcio credenciado e 03 tomadora» do serviço, conforme já explicitado anteriormente (v. item 9.2.4.2, a.3 da Norma de Exploração em anexo doc. 02). Em outras palavras, para cumprir a exigência da administração portuária, a empresa CTO, líder e representante do consórcio CTO credenciado, funciona como uma intermediária entre o tomador dos serviços portuários e a UNILINK. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0824.723, de 6 de fevereiro de 2013 (fls. 2541/2578), negou provimento à impugnação, mantendo integralmente o lançamento, pelos seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa: Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.721531/201127 Acórdão n.º 3403003.606 S3C4T3 Fl. 1.794 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS NÃO DESTINADOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos, calculados sobre encargos de depreciação, quando os bens forem adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda ou para a prestação de serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS NÃO DESTINADOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos, calculados sobre encargos de depreciação, quando os bens forem adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda ou para a prestação de serviços. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA. Os órgãos julgadores administrativos são incompetentes para se pronunciarem sobre alegada inconstitucionalidade de lei tributária. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS. CONDICIONANTES. ÔNUS DA PROVA. A não tributação da receita proveniente da exportação de serviços na apuração do PIS/Pasep e da Cofins requer que o tomador dos serviços seja pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o pagamento represente o ingresso de divisas no País, situação em que o ônus da prova, quanto ao atendimento das condicionantes, representa encargo da impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2589/2638), por meio do qual reitera os mesmos fundamentos de defesa contidos em sua impugnação, ao final requerendo a reforma do acórdão da DRJ. Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 09/04/2013 (fl. 2589), dentro do prazo de 30 dias contados da ciência do acórdão da DRJ, que aconteceu no dia 11/03/2013, por meio de TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO (fl. 2586). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. A análise do mérito dividese nos seguintes três tópicos: 1. As glosas de aquisição de insumos e de depreciação de bens. O contribuinte, tanto na impugnação como no recurso voluntário, coloca em um mesmo capítulo de defesa as glosas pelas aquisições de bens e serviços aplicados na produção ou prestação de serviços – hipótese de crédito prevista no inciso II do art. 3ºdas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 – como a glosa da depreciação e amortização de bens aplicados na produção – hipótese prevista no §1º, III, c/c incisos VI, VII e XI do art. 3º das mesmas Leis. Alega que não se pode aplicar os conceitos restritivos da legislação do IPI para a apuração do crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, argumentando que “caso se considere insumos somente aquilo que é incorporado ao produto ou serviço no seu processo de produção, as empresas de prestação de serviços restarão sobremaneira prejudicadas, já que é muito difícil, em sua atividade, ocorrer essa "transformação" do insumo utilizado, impossibilitando a fruição deste mecanismo de concretização da nãocumulatividade previsto no sistema de PIS/COFINS a que se submete a autuada”. No plano teórico, o entendimento deste Conselho é mesmo de que não se deve utilizar os conceitos restritivos da legislação do IPI, visto que pertinentes ao âmbito limitado da industrialização, enquanto o PIS/Cofins nãocumulativo baseiase em um conceito mais amplo, de produção, abrangendo também a prestação de serviço, cujo produto é um bem intangível, não suscetível de aplicação da teoria de contato físico tão característica do IPI.. Assim, o entendimento deste Conselho é de que o conceito de insumo para o efeito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo não se circunscreve aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem tal como delimitados pela legislação do IPI. Ocorre que é necessário e indispensável que o contribuinte especifique e demonstre concretamente a aplicação de cada bem ou serviço adquirido no contexto de seu processo produtivo, o que não ocorreu no presente caso. O recorrente limitase a alegar que “Tanto combustíveis, peças e acessórios, pneus e recapagens, capatazia, serviços prestados por terceiros (pessoa jurídica), quanto móveis e utensílios, veículos utilitários, softwares e aplicativos, computadores e periféricos, benfeitorias em imóveis de terceiro, são elementos necessários ao cumprimento do objeto social da empresa” (fl. 2602) e que estes últimos são utilizados na área comercial e administrativa da empresa e que sem eles “não seria possível a manutenção de uma logística Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.721531/201127 Acórdão n.º 3403003.606 S3C4T3 Fl. 1.795 11 adequada para a captação de clientes e para seu atendimento satisfatório. A falta de uma infraestrutura bem aparelhada reflete diretamente no desempenho global da empresa”. Ao final conclui que “Não restam dúvidas, portanto, de que os valores apurados pelo contribuinte estão corretos, já que todos se referem a insumos utilizados em sua atividade, não devendo ser glosados os créditos decorrentes da depreciação dos móveis e utensílios, veículos utilitários, softwares e aplicativos, computadores e periféricos, benfeitorias em imóveis de terceiros, adquiridos antes ou depois de 01/05/2004” (fl. 2606). O recorrente, portanto, não se desincumbiu de demonstrar a aplicação concreta e específica de cada insumo na produção e prestação de serviços que desenvolve. Em verdade, o recorrente pretende uma interpretação mais ampla do que aquela admitida por este Conselho. O recorrente sugere que qualquer aquisição de bem ou serviço, mesmo que não seja aplicada na produção de bens e na prestação de serviços, bastando que seja destinada à área administrativa ou comercial, autorize o direito de o crédito. Tal interpretação não é admitida por este Conselho, que exige a pertinência direta entre o bem ou serviço adquirido e a atividade produtiva desenvolvida pelo contribuinte. Entendo, por isso, que deve ser negado provimento ao recurso do contribuinte quanto a esta glosa. 2. A vedação do art. 31 da Lei nº 10.865/04 para os créditos de depreciação de bens adquiridos antes de 30/04/2004. A Fiscalização promoveu a glosa dos créditos apurados pelo contribuinte em relação à depreciação e amortização de bens adquiridos antes de 01/05/2004, baseada no texto do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, cujo teor é o seguinte: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. O contribuinte alega que tal vedação viola os princípios constitucionais do direito adquirido, irretroatividade e segurança jurídica. Ocorre que este Tribunal Administrativo não possui competência para afastar a aplicação de lei vigente ao fundamento de inconstitucionalidade. É este o entendimento cristalizado na Súmula CARF nº2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Nego provimento ao recurso também em relação a esta glosa. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 3. A exportação de serviços. A Fiscalização entendeu que deveriam ser submetidas à incidência de PIS/Cofins as receitas que o contribuinte havia classificado como receitas de exportação de serviços, que seriam imunes nos termos do art. 149, § 2º, I, da Constituição e dos arts. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003. A Fiscalização entendeu que não houve a demonstração de que as receitas auferidas pelo contribuinte seriam qualificadas como receitas de exportação de serviços, não se enquadrando na hipótese descrita nos referidos dispositivos. O art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002, cuja redação é idêntica ao do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, tinha a seguinte redação na época dos fatos: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; Este texto foi posteriormente alterado, ganhando a seguinte redação: II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A nova redação dada ao dispositivo torna clara a exigência de que o contribuinte demonstre que a operação implicou em ingresso de divisas. A redação anterior queria traduzir esta mesma exigência, mas adotava como critério a menção de que o pagamento pela prestação de serviço fosse feito em moeda conversível. Por certo que não se poderia exigir que o contribuinte recebesse em pecúnia, em moeda estrangeira conversível. E de outro lado é impossível o depósito em conta bancária brasileira de valor em moeda estrangeira. O que se queria dizer é que o pagamento tem de ser feito pelo estrangeiro com moeda estrangeira conversível, enquanto meio de exigir que houvesse ingresso de divisas no pais. Por isso, seja na redação anterior ou na vigente, o que se reclama é que o contribuinte demonstre que a sua receita tem origem no ingresso de divisas, ou seja, num pagamento com moeda conversível. Não parece, com efeito, que o texto da redação anterior – ao falar “com pagamento em moeda conversível” – pudesse ser interpretado no sentido de exigir que a operação de câmbio deveria representar o pagamento direto entre o estrangeiro, tomador do serviço, e o contribuinte, prestador do serviço. E a redação atual parece deixar isto fora de dúvida, permitindo expressamente a configuração da exportação de serviços quando se demonstre que houve o ingresso de divisas, afastando qualquer possibilidade de interpretação que implique na exigência de pagamento direto entre tomador e prestador em moeda conversível. Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.721531/201127 Acórdão n.º 3403003.606 S3C4T3 Fl. 1.796 13 A lei não exige que o ingresso de divisa seja concomitante, nem que aconteça no exato valor do pagamento. Quando isto ocorrer, por certo, haverá segurança na caracterização do pagamento que representa o ingresso de divisas. Mas não é a única e exclusiva forma admitida para a caracterização da referida hipótese legal. Isto, aliás, é reconhecido pela Administração Tributária nas seguintes Soluções de Consulta: SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/9º RF/DISlT N° 63, de 24 de fevereiro de 2005 Assumo: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: As receitas de prestação de serviços de operação portuária para pessoa física ou jurídica, domiciliada no exterior, cujo pagamento, ainda que ocorrido esse através de agentes do contratante no Brasil, represente ingresso de divisas no País, não são objeto de incidência da Cofins. Dispositivos Legais: Lei n° 10.833, de 2003, art. 6o, II; Lei n° 10.865, de 2004, art. 21; CC Bacen n° 2.297. de 1992. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: As receitas de prestação de serviços de operação portuária para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento, ainda que ocorrido este através de agentes do contratante nu Brasil, represente ingresso de divisas no Pais, não são objeto de incidência da contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Lei n° 10.637, de 2002, art. 5a, II; Lei n" 10.865, de 2004, art. 37; CC Bacen n° 2.297, de 1992. SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/8º RF/DISIT Nº 153, de 3 de julho de 2013 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. HOTELARIA. INGRESSO DE DIVISAS. NÃOINCIDÊNCIA. MODALIDADES DE PAGAMENTO. Não incide a Contribuição para o PIS/Pasep sobre a receita auferida na prestação de serviços de hotelaria a pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, quando o pagamento realizado represente ingresso de divisas no País, como se observa nos pagamentos realizados por tais pessoas com uso de cartão de crédito internacional emitido no exterior e por meio de cheques de viagem (traveller´s checks), ainda que o recebimento do valor destes pelo estabelecimento seja intermediado por instituições financeiras nacionais. Receitas decorrentes de pagamentos por serviço de hotelaria são unicamente as referentes à cobrança de diária pela ocupação de unidade habitacional com as características definidas pelo Ministério do Turismo. Tal conceito abrange o fornecimento de alimentos, desde que incluído na regular diária cobrada e não for objeto de cobrança destacada do valor da diária. (...) (DOU de 28/08/2013 nº 166, Seção 1, pág. 23) Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Não se exige, pois, que o pagamento seja realizado em uma operação de câmbio diretamente realizada entre o estrangeiro, tomador do serviço, e o prestador de serviço. A contratação e o pagamento pode ser feito pelo estrangeiro por meio de representante legal ou mandatário, inclusive em moeda nacional, desde que se comprove de forma categórica que tal pagamento foi realizado com recursos que ingressaram do exterior. Assim, o ato do ingresso de divisas, ordinariamente materializado em um contrato câmbio, pode acontecer no mesmo momento em que ocorre o pagamento pela prestação de serviço – que é a situação ordinária –, mas também pode acontecer em momento anterior – como ocorre no presente caso. Ocorre que tal configuração depende da prova do ingresso de divisas e da contratação pelo estrangeiro, ainda que por meio de mandatário ou intermediário. Ou seja, é preciso demonstrar o encadeamento das operações financeiras que comprovam que o pagamento representa um ingresso concreto de divisas no Pais e que o estrangeiro é o contratante, ainda que por meio de intermediário ou mandatário. Segundo a Fiscalização, nenhum dos requisitos da Lei teria sido atendido, pois o contrato apresentado revela que a Recorrente prestou serviços para uma empresa nacional, denominada CTO – CEARÁ TERMINAL OPERATOR LTDA, e que não houve prova do ingresso de divisas. O recorrente se defende alegando que a CTO – CEARÁ TERMINAL OPERATOR LTDA é a empresa líder de um consórcio de empresas, e que possui como quotistas a própria recorrente e a MAERSK BRASIL (BRASMAR) LTDA., e que esta estrutura jurídica apenas existe por necessidade de atendimento das exigências da CEARAPORTOS. Explica que com o credenciamento do consórcio CTO pela CEARAPORTOS, este consórcio encarregou a UNILINK de realizar as operações portuárias de embarque e desembarque em navios de carga em geral, o que foi formalizado entre os consorciados por meio do Instrumento Particular de Prestação de Serviços de fls. 2116/2133. Baseada neste contexto, a recorrente resume sua situação nos seguintes termos: Simplificando o mecanismo da operação, temse a seguinte construção lógica: a empresa de transporte marítimo (nacional ou internacional) contrata os serviços disponibilizados pelo consórcio CTO, negociação esta realizada por meio de sua empresa líder (exigência expressa da lei e da CEARAPORTOS); o serviço contratado, por sua vez, é realizado pela UNILINK, nos termos do Acordo de Prestação de Serviços firmado entre esta e a líder do consórcio CTO. Notese que a Autuada, por meio do consórcio CTO, PRESTA o serviço ao respectivo tomador (cliente) , porém não pode emitir Nota Fiscal diretamente a ele, uma vez que a CEARÁ PORTOS somente permite que a empresa líder do consórcio figure nas relações travadas entre o consórcio credenciado e 03 tomadora» do serviço, conforme já explicitado anteriormente (v. item 9.2.4.2, a.3 da Norma de Exploração em anexo doc. 02). Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.721531/201127 Acórdão n.º 3403003.606 S3C4T3 Fl. 1.797 15 Em outras palavras, para cumprir a exigência da administração portuária, a empresa CTO, líder e representante do consórcio CTO credenciado, funciona como uma intermediária entre o tomador dos serviços portuários e a UNILINK. Como visto, a Recorrente alega que a sua atividade de prestação de serviço é realizada no contexto de um consórcio de empresas, de maneira que o contrato que firmou com as demais consorciadas e as notas fiscais que emite contra a empresa líder apenas significam que a empresa líder é a sua representante na contratação com o tomador estrangeiro e mera intermediária no repasse dos recursos que, portanto, efetivamente representariam o ingresso de divisas. Embora a argumentação da recorrente seja plausível, não está fundada em provas. Embora não tenha sido juntado aos autos a cópia do ato constitutivo do consórcio, podese admitir como prova de sua existência a Carta da Companhia de Integração Portuária do Ceará (Cearaportos) de fl. 2092 que informa a prorrogação do credenciamento, dando conta de que “as empresas Unilink Transportes, Maersk Brasil, V. Castro e Ceará terminal Operator que constituem o consórcio”. Ocorre que apenas consta dos autos as notas fiscais emitidas pela recorrente contra a TCO (fls. 2158/2484). Há umas poucas notas fiscais emitidas pela CTO contra estrangeiros (fls. 2489/2495), cujos valores e operações não se enquadram em nenhum dos valores ou operações constantes das notas fiscais da recorrente. Ora, a alegação da recorrente teria de ser comprovada pela exit6encia de vinculação entre as notas que a recorrente fatura contra a TCO e as notas que a TCO fatura contra os estrangeiros, para assim caracterizar a alegada condição da TCO de mera intermediária. Mas não foi apresentada a contabilidade da TCO, nem se comprovou o mero repasse por parte da TCO de nenhum modo. E, principalmente: muito menos se demonstrou que o faturamento da TCO (que supostamente seria mero repasse para a Recorrente) repreente efetivo ingresso de divisas. Enfim: é patente a falta de provas que amparem a alegação do recorrente de que a TCO seria mera intermediária, promovendolhe o repasse de valores que significaram o efetivo ingresso de divisas. 4. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729573/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 16561.720093/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. EMPRESA INCORPORADA.
Em função da ausência de previsão legal em sentido contrário, aplicam-se às empresas incorporadas os dispositivos que estabelecem a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL.
Numero da decisão: 1402-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à realização da reserva de reavaliação e reduzir a multa aplicada ao percentual de 75% para toda a exigência. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento em maior extensão para restabelecer as despesas com amortização de ágio decorrente da aquisição da ND-Par.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. EMPRESA INCORPORADA. Em função da ausência de previsão legal em sentido contrário, aplicam-se às empresas incorporadas os dispositivos que estabelecem a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL.
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EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. EMPRESA INCORPORADA. Em função da ausência de previsão legal em sentido contrário, aplicamse às empresas incorporadas os dispositivos que estabelecem a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à realização da reserva de reavaliação e reduzir a multa aplicada ao percentual de 75% para toda a exigência. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento em maior extensão para restabelecer as despesas com amortização de ágio decorrente da aquisição da NDPar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 93 /2 01 1- 38 Fl. 8148DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 8149DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402001.938 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 19/12/2011, o Auto de Infração de fls. 7.222/7.243, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ no valor de R$ 266.599.216,97 e de CSLL no valor de R$ 97.588.272,02 , incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2011 para os anoscalendário de 2006 e 2007, e, outro, o qual abrange os anoscalendário de 2007 a 2009 (fls. 7.244/7.262) através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ no valor de R$ 26.588.352,70 e de CSLL no valor de R$ 9.571.806,96 , incluídos multa de ofício e juros de mora. Fundamento legal: 1) IRPJ: Arts. 247, 249, incisos I e II, 250, incisos I e III, 251 e parágrafo único, e 300, 434, §3º, 435, inciso II, 509 e 510 do RIR/99; 2) CSLL: Art 2º e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 57 da Lei 8.981/95; Art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96, Arts. 2 e 3° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 58 da Lei n° 8.981/95 e art.16 da Lei n° 9.065/95; Art.37 da Lei n° 10.637/02. O Termo de Verificação fiscal (fls.7.051/7.211) narra os seguintes fatos e infrações: DOS FATOS • A presente fiscalização foi aberta para o período de 2007 visando a verificação das ocorrências de compensação de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativas de CSLL acima do limite de 30% do resultado positivo, da realização da reserva de reavaliação e de amortizações de ágio apuradas em incorporações de outras empresas; • Em 09/08/2011, o período de fiscalização foi ampliado, passando a abranger o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2009, com ciência da fiscalizada em 12/08/2011, através do Termo de Intimação n° 11; • A compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de exercícios anteriores acima do limite de 30% foi efetuada pela empresa USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL, CNPJ 48.661.888/000130, por ocasião da DIPJ de evento especial em fevereiro de 2007, quando de sua incorporação pela fiscalizada; • A USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL, CNPJ 48.661.888/000130 (Usina da Barra 48), apurou, em março de 2006, lucro real e base de cálculo positiva da CSLL após a incorporação de várias empresas, entre elas a FBA FRANCO BRASILEIRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL, CNPJ 00.204.597/000196 (FBA); • Esse processo de incorporações permitiu não só a obtenção de lucros e a consequente oportunidade de compensação dos prejuízos acumulados, como também o aparecimento de despesas pela amortização dos ágios incorridos nessas Fl. 8150DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 operações; • A reserva de reavaliação, como constatado durante a fiscalização, foi estabelecida inicialmente no anocalendário de 1998 na então AÇUCAREIRA CORONA S/A, CNPJ 48.661.888/000130 (Corona); • Até os eventos de incorporação de março de 2006 ,a razão social anterior da Usina da Barra 48 era AÇUCAREIRA CORONA S/A; • Além das empresas já citadas estão estas duas empresas do grupo Cosan: COSAN S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL – CNPJ 08.070.508/000178 (Cosan 08) e COSAN S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO – CNPJ 50.746.577/000115 (Cosan 50); • Dentre todas as operações, destacase as seguintes, as quais foram objeto de análise mais acurada: 1. o registro de ágio na aquisição da NDPar efetuado pela Mandiçununga, 2. o registro de ágio na subscrição de capital da Corona efetuado pela Mandiçununga, 3. a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acima do limite legal quando da incorporação da Usina da Barra 48 pela Danco, e 4. o ágio no aporte de capital da Usina da Barra 44 efetuado pela Cosan 50 e utilizado como parte da subscrição de capital da Corona efetuado pela Mandiçununga. DAS INFRAÇÕES • 001 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS; • 002 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a(s) reversão(ões) do prejuízo(s) após o lançamento da(s) infração(ões) constatada(s) no (s) período(s)base 12/2006 e 02/2007; • 003 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda; • 004 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO Valor(es) não computado(s) na determinação do Lucro Real pertinente(s) a realização da reserva de reavaliação. Cientificada do feito em 20/12/2011 (doc.277), apresenta, em 18/01/2012 e 04/09/2012, impugnações, de fls. 7.289/7.365 e 7.744/7.745, argüindo, em síntese, o seguinte: • A Impugnante, suscita como preliminar, cerceamento do seu direito de defesa, relativamente à questão dos "ágios" e do "prejuízo fiscal", porquanto os preceitos legais tidos como violados e indicados nos autos são suscitados com base (em parte) em fundamentos fáticos que não lhes são pertinentes, os quais, se considerados, levariam à utilização de outros critérios jurídicos na feitura desse lançamento; Fl. 8151DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402001.938 S1C4T2 Fl. 4 5 • Encontrase extinto pela decadência o direito de a Fazenda Nacional exigir o crédito tributário, já que decorridos mais de 5 (cinco) anos entre os lançamentos tributários do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2006 e a data de intimação das autuações em foco (04 de janeiro de 2012); • O ÁGIO DE R$ 133 MILHÕES: 1. A única evidência é que a MANDI pagou pelo ágio de R$ 133 milhões. Se há ou não tributo a pagar por conta de eventual ganho de capital experimentado pelos Vendedores, é deles, e não da Cosan, a responsabilidade pelo pagamento do IR devido; 2. Quanto ao valor de custo da NDPAR e eventual "ganho de capital" é da exclusiva responsabilidade dos ALIENANTES das quotas da NDPAR (pagamento do eventual tributo sobre ele (ganho de capital incidente); 3. Em razão da venda e dos valores que receberam não se vislumbra no Termo nenhuma prova ou afirmação prestimosa a desfavor do "Propósito Negocial" na forma como conceituada à luz dos preceitos do Código Civil e da interpretação de toda a legislação tributária; 4. O ágio não é fruto de laudo, e, sim, da comparação entre o valor pago pelo investimento e o valor do patrimônio líquido da sociedade controlada ou coligada. E nada além ou aquém disso. E isto ficou cristalino com o advento da Lei n. 9.532, em 1997; 5. Hoje, com a edição da Lei n. 9.532, a melhor interpretação do preceito é no sentido de que a elaboração do demonstrativo prestase a fundamentar, para todos os fins, amortização num prazo superior a 60 (sessenta) meses, uma vez que seria inconcebível, sistematicamente, que a amortização contábil se desse em prazo diferente daquela realizada no plano tributário, quando o demonstrativo recomenda prazo de amortização superior a 60 meses; 6. Foi apresentado o LAUDO, elaborado pela Deloitte exatamente o laudo elaborado para fundamentar o preço pago a aquisição das ações da CORONA, o qual revela não só a situação da sociedade num dado momento, como a evolução de seus resultados num lapso de tempo, sendo claro, igualmente, que a avaliação final foi obtida em razão da expectativa de resultados; 7. O patrimônio líquido da CORONA, pelos ajustes efetuados em virtude de critérios discrepantes, passou a apresentarse negativo, conforme pode ser comprovado pelo documento acostado à presente impugnação (doc. anexo 14); 8. O valor do custo do investimento da MANDI na NDPAR–e, posteriormente, o valor do ágio seria exatamente igual, sem nenhum centavo a mais ou a menos, do que aquele que apurado com a operação de permuta. Para dizer em poucas palavras: é irrelevante para a COSAN a forma como a permuta foi implementada. • O ÁGIO DE R$ 480 MILHÕES. 1. Contrariamente a tudo o que vem afirmado no Termo, o qual suscita infundada manobra da Impugnante para auferir suposta vantagem indevida foi exatamente a impossibilidade de o patrimônio da CORONA ser mantido negativo, e a necessidade dele vir a ser acrescido de valores que pudessem satisfazer o limite acima, que o aumento de capital da CORONA foi subscrito e integralizado pela DABARRA (sucessora da MANDI); Fl. 8152DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 2. Dado que a CORONA não reunia condições para dar continuidade as suas atividades, quer porque suas obrigações superavam as forças de seus bens e direitos, quer porque faltavalhe capital de giro para tanto, o Grupo Cosan viuse obrigado a promover sua capitalização, não só para atender a esses requisitos, como para afastar os apontados riscos de uma nova medida cautelar fiscal. Foi em razão disso que se alvitrou a capitalização da CORONA pela DA BARRA (antiga MANDI) com a contribuição de direitos de crédito, investimento e ágio, reduzindose ao mínimo, dessarte, os riscos apontados; 3. Poderseia cogitar para sustentar a tese oposta, como, aliás, vem insinuado igualmente no Termo que a capitalização feita nesses moldes, quando a sociedade investidora mantém prévio controle no capital da investida; 4. Não poderia receber o tratamento previsto no art. 20 do DL 1598/77 acima, uma vez que, em certo sentido, isto poderia configurar um ágio pago para si mesmo, algo que poderia soar como exótica interpretação do preceito transcrito; 5. Essa interpretação, todavia, padece de duas enfermidades insanáveis: a primeira, é que tenta estabelecer um critério especial para aplicação do artigo 20 do Decretolei n. 1.598, de 1977, sem qualquer amparo na lei, i.e., distingue onde a lei não faz nenhuma distinção; e a segunda, advém da obstinada insurgência em negar a aplicação do próprio artigo 385 do RIR/99, estabelecendo certa condição adjeta, marginal para sua aplicação, como se o próprio dispositivo estivesse em julgamento em cada caso particular, ou seja, "julgando a lei" em vez de julgar de acordo com seus termos; 6. Em função disso tudo, é inevitável a conclusão de que a operação da qual resultou o ágio de R$ 480 milhões achase fornida com robusto "Propósito Negocial", na forma como conceituada à luz dos preceitos do Código Civil e da interpretação de toda a legislação tributária • O PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO. 1. A par de que a validade da exigência feita a título de IR e CSLL assentase, por imposição constitucional, no pressuposto de o contribuinte ter experimentado efetivo acréscimo patrimonial que será manifestamente inconstitucional a negação ou o assoreamento à compensação de prejuízos, para fins de apuração dos acréscimos sujeitos ao múnus do IR e da CSLL, sejam eles acumulados ou não. • A REAVALIAÇÃO ESPONTÂNEA 1. A Impugnante demonstra a constituição e movimentação da aludida Reserva de Reavaliação, em consonância com as informações de sua DIPJ de 2007 (doc. anexo 18) evidenciando, inequivocamente, que não houve a realização dela nos valores pretendidos pelos i. Auditores Fiscais, mas sim nos devidos e exatos termos legais, quais sejam, proporcionalmente à depreciação e/ou sua própria realização. Portanto, são manifestamente indevidas as exações de IR, CSLL e encargos; 2. A empresa Agrícola Ponte Alta S/A constitui empresa subsidiária da Impugnante, e os saldos contábeis dos ativos nela registrados e reavaliados encontramse refletidos, por conta da equivalência patrimonial, no patrimônio da Impugnante, registrados em seus investimentos; 3. No tocante às referências às empresas Açucareira Corona S.A., Açucareira Nova Tamoio S.A. e Usina da Barra S.A. Açúcar e Álcool, os ativos nelas registrados foram transferidos para o patrimônio da Impugnante em razão das incorporações havidas, devidamente descritas na linha do tempo anexa a esta Fl. 8153DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402001.938 S1C4T2 Fl. 5 7 impugnação (doc. anexo 04), e permanecem, na sua grande parte, no ativo imobilizado dela até o presente; 4. Tais informações confirma que jamais houve a realização da reserva de R$187.761.369,95, num único momento conforme mencionado no Termo encontramse devidamente provadas não apenas pelos registros contábeis da Impugnante e por sua DIPJ do período base de 2007 (doc. anexo 18), mas, sobretudo, pelo fato de que no mesmo período questionado (01/01/2007 a 28/02/2007) a Impugnante ofereceu à tributação, realizando parcialmente a reserva, no valor de R$2.371.125,94, as depreciações ocorridas nos ativos que permanecem integralmente em seu patrimônio; 5. Por fim, também corroborando a ilegalidade flagrante das exações contidas nas autuações, no que tange a este tema da reserva de reavaliação, registrese: a) que os bens reavaliados permanecem, em sua maior parte e até os dias atuais, registrados no patrimônio da Impugnante, evidenciando uma vez mais que não auferiu ela acréscimo patrimonial algum, inexistindo, o pressuposto constitucional de incidência dos tributos relacionados nas autuações (IR e CSLL); e b) evidenciase que as parcelas de depreciação sobre os bens reavaliados foram sim, ao contrário do insinuado no Termo, devidamente incluídos nas bases de cálculo do IR e da CSLL e regularmente pagos no período de apuração objeto dos lançamentos em foco; 6. Por conta disso tudo, revelase arbitrária e ilegal a presunção utilizada pelos i. Auditores Fiscais nas imputações do IR e da CSLL sobre a reserva de reavaliação, devendo ser canceladas as cobranças, mediante o acolhimento das presentes razões. • INEXIGIBILIDADE DA MULTA AGRAVADA: INEXISTÊNCIA DE FRAUDE: 1. O fato é que não poderia ser exigida a multa imposta, em razão da inexistência de má fé ou fraude por parte da Impugnante, isto porque, está comprovado que os negócios jurídicos que apoiaram as operações societárias realizadas foram notórios e efetivos, e integram contexto muito mais amplo daquele que o distorcido e limitado relato constante no Termo de Fiscalização, além do fato de que a compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulada foi realizada escoltada na jurisprudência pacífica edificada nos tribunais administrativos; 2. Não há nos autos nenhum elemento que pudesse demonstrar ter havido dolo (má fé) por parte da Impugnante. Ao revés, esta demonstrou ter agido em todo o momento com prudência e lisura, não havendo nos autos nenhum elemento que comprove ter ela cometido fraude, capaz de ensejar o arbitramento da multa agravada (de 150%), decorrendo daí a manifesta improcedência da imposição de tal multa, ante a evidente boa fé da Impugnante. • CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS IMPOSTAS. O fato é que as multas de 75% e 150% aplicadas pelos auditores fiscais possuem nítido caráter CONFISCATÓRIO, já que acabam por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. [...] Fl. 8154DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1641.702 negando provimento à impugnação e mantendo integralmente o lançamento. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário a este Colegiado, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 8155DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402001.938 S1C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Em preliminar, a recorrente suscita a nulidade da decisão de primeira instância que não teria apreciado todas as razões de defesa. Pelo exame dos autos não vislumbrei a mácula suscitada. A decisão recorrida, abstraindose da questão meritória, abordou as principais razões de defesa naquilo que poderia ter impacto no julgamento. Percebese que o argumento da reclamante reflete na verdade um inconformismo quanto ao resultado do julgamento proferido pela decisão de primeira instância, o que é obviamente natural mas não justifica alegações de nulidade. Em relação à argüição de decadência, o fato gerador mais antigo objeto da autuação foi 31/12/2006, o que implicaria no termo final do prazo decadencial em 31/12/2011. Como a ciência da autuação ocorreu em data anterior (20/12/2011) não se caracterizou a caducidade. Registrese que os registros constantes dos autos documentam com precisão as tentativas do sujeito passivo em causar embaraço ao procedimento fiscal no que se refere à ciência da autuação, o que justifica o desprezo a qualquer argumento que suscite a ocorrência da intimação em data diversa. No mérito, tem –se: 1) Ágio: No que se refere às despesas com amortização de ágio, as principais operações analisadas e questionadas em relação a essa dedução foram, resumidamente: a Ágio decorrente da aquisição da NDPar efetuado pela Mandiçununga,; No que se refere à aquisição da NDPar, foi decorrente de um procedimento de permuta descrito em detalhes no Termo de Verificação, que teve como objetivo final a aquisição do controle da empresa Corona pela recorrente e neste voto cabe apenas a menção aos pontos principais questionados pela autoridade fiscal. A permuta, nos termos registrados não implicaria na formação de ágio por dois motivos principais Em primeiro lugar não haveria torna e em segundo lugar não foi elaborado qualquer laudo de avaliação da empresa NDPar. De fato, na contabilização inicial da operação pela Mandiçununga, a participação na NDPar (detida por pessoas físicas à época da permuta) foi registrada apenas pelo valor de aquisição (R$ 133.359.504,00) correspondente às duas promissórias utilizadas na integralização de capital na Aguapar (empresa permutada). Fl. 8156DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Entretanto, alguns dias depois foi registrado um ágio informado como decorrente dessa operação e, segundo a interessada, com fundamento no patrimônio líquido negativo da Corona (participação societária adquirida na permuta) e devidamente respaldado em laudo. Ainda segundo a interessada, a aquisição de empresa com patrimônio líquido negativo implicaria em considerar como ágio todo o valor da participação adquirida. O primeiro aspecto a ser analisado é a questão temporal. Após várias etapas preparatórias, a operação de permuta foi registrada em 22/02/2006 sem qualquer ágio o qual apareceu na escrituração em 28/02/2006. O laudo foi elaborado apenas em 16/03/2006. Perguntase: que exercício futurístico permitiria fundamentar economicamente a geração de ágio com base em informações ainda não existentes? O segundo ponto, não menos importante, é o fato das empresas Mandiçununga, NDPar e Aguapar serem sociedades efêmeras, cujo único objeto real foi possibilitar o benefício da amortização do ágio para a recorrente através de sucessivas operações societárias descritas pormenorizadamente no Termo de Verificação. São autênticas empresas veículo. Tal procedimento é fato que isoladamente não seria motivo suficiente para descaracterizar os efeitos da operação. Entretanto, na presente situação entendo que a operação nos moldes realizados teve como escopo o contorno da legislação que trata da matéria no que se refere fundamentalmente às circunstâncias que, em ocorrendo, permitam a amortização do ágio. Pela similitude dos casos, faço minhas a explanações do Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO proferidas no bojo do voto condutor do acórdão 1402001.460: [...] Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas ,segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam,o art.386,III,e seu §6º, II, do RIR/99, [...] Isso, porque, o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento (efetivo o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura) não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja Fl. 8157DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402001.938 S1C4T2 Fl. 7 11 incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). A artificialidade da operação está, justamente, no passo intermediário utilizado pela Recorrente a fim de que o ágio, que deveria compor o custo do investimento, talvez nunca alienado, pudesse ser amortizado: a criação de empresas veículos, a fim de que pudesse ser realizada uma operação de reestruturação com incorporação reversa permitindo, no entender da Recorrente, o início da amortização dos valores de ágio. Não há dúvida que a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra pessoa jurídica que dela detenha participação societária adquirida com ágio, cujo fundamento seja a rentabilidade futura, poderá amortizálo nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, pois assim possibilita o art. 386 do RIR/99. De igual forma, não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar os seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. [...] Do exposto, entendo correta a decisão recorrida quanto a esse item e nego provimento ao recurso. b Ágio decorrente da subscrição de capital da Corona efetuado pela Mandiçununga: Em resumo da operação sob exame, a Cosan 50 aumentou capital na Mandiçununga com utilização de créditos e participações societárias em outra empresas do grupo. Nessa mesma data, a Mandiçununga, sob a nova denominação da Dabarra, subscreveu e integralizou aumento de capital na Corona pelo mesmo valor (R$ 480.365.561,00) Tendo em vista que a Corona tinha patrimônio líquido negativo (R$ 485.291.361,50), essa última operação implicou no registro de um ágio na Dabarra (R$ 485.130.116,16). Importa ressaltar que na operação que gerou o ágio (integralização de capital pela Dabarra na Corona) foram utilizados os mesmos ativos que, naquele mesmo dia, foram utilizados no aumento da capital da agora adquirente. Ocorreu na verdade uma transferência de ativos da Cosan 50 para a Corona, com utilização de empresa veículo onde foi registrado o ágio. Como ressaltado no Termo de Verificação, a passagem dos ativos da Cosan 50 pela Mandiçununga (depois Dabarra) serviram para criar uma situação que a realidade não Fl. 8158DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 indicava, pois Cosan 50 e Corona eram sociedades com existência ativa, implicando na dificuldade da obtenção da situação que permitisse a amortização dos ágios. Mais importante é que no momento da operação o grupo Cosan já detinha o controle societário da Corona. Assim, além de ter sido formalizado com base numa transferência de ativos, o ágio foi gerado internamente. Para caracterização da aquisição da participação societária que gerou o ágio deve ficar claramente identificada a ocorrência do pagamento. Registrese que o cerne da questão é a ocorrência de dispêndio para obter algo de terceiros, que não pertença ao adquirente, de forma a definir a aquisição. É inquestionável que o termo aquisição pode ter uma extensa gama de significados. Existem várias formas através das quais um bem ou direito muda de propriedade, com utilização de diferentes mecanismos voltados ao cumprimento das condições necessárias ao aperfeiçoamento do negócio jurídico. Entretanto, nessas situações sempre ocorre a presença do terceiro como contraparte, circunstância essa inexistente no caso sob exame. As empresas participantes das operações sob exame pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Como aceitar que uma operação societária entre elas possa gerar os mesmos efeitos que aquela efetuada entre terceiros não relacionados? No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que não foram contestados em relação às razões finalísticas apresentadas para a formalização do negócio, mas sim nos aspectos intermediários que implicaram na criação do ágio interno concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. A avaliação “feita por empresa especializada”, é hábil para atestar a rentabilidade que a participação societária poderia apresentar no futuro, mas não se presta a qualificar a diferença entre essa avaliação e o valor patrimonial como ágio. Ou seja, o laudo elaborado exclusivamente no interesse de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico pode embasar a reavaliação da participação societária, mas não a formação do ágio. Assim, entendo que as razões de defesa não são hábeis a contestar o lançamento, motivo pelo qual conduzo meu voto no sentido manter a glosa da dedução das amortizações relativamente aos ágios decorrentes da subscrição de capital da Corona efetuado pela Mandiçununga. c Ágio decorrente do aporte de capital da Usina da Barra 44 efetuado pela Cosan 50 e utilizado como parte da subscrição de capital da Corona efetuado pela Mandiçununga: O ágio no aumento de capital da Usina da Barra 44 foi constituído pela Cosan 50 em 30/04/2004 e repassado sucessivamente para a Mandiçununga e em seguida para a Corona como parte do aumento de capital nesta última, tratado no item anterior. Fl. 8159DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402001.938 S1C4T2 Fl. 8 13 O aumento de capital foi objeto de um “Protocolo de Intenções Visando a Subscrição de Aumento de Capital Social para Integralização com Crédito em Conta Corrente”, firmado entre a Cosan 50 e a Usina da Barra 44. Com base em laudo de avaliação do patrimônio da Usina da Barra 44 foi aprovado aumento de capital com geração de ágio no montante de R$ 35.241.744,24. Foi demonstrado que as duas empresas pertenciam ao mesmo grupo econômico Cosan e o aumento de capital foi efetuado com créditos em conta corrente já contabilizados na Usina da Barra 44. Assim, tratase de ágio que a jurisprudência administrativa caracteriza como intragrupo ou interno, sem geração de novas riquezas no grupo econômico e sem possibilidade de amortização, nos termos já explicitados no item anterior. 2) Realização da reserva de reavaliação: O procedimento fiscal analisou a formação da reserva de reavaliação na escrituração do sujeito passivo, como decorrência de reavaliações nos valores dos bens do ativo permanente. Conforme explicação contida no bojo do voto condutor da decisão recorrida, o trabalho teve como objetivo verificar os controles, métodos e tratamento tributário dispensado pela contribuinte na realização e consequente oferecimento à tributação da receita econômica oriunda das reavaliações de seus ativos e diferida no momento destas avaliações. Ainda nos termos daquela decisão, a reavaliação deveria ser contabilizada mediante um acréscimo ao valor do ativo, correspondente a diferença entre o valor líquido contábil e o valor de mercado, sendo que a contrapartida desse valor é registrada em conta específica de reserva de reavaliação, conta pertencente ao Patrimônio Líquido. Conclui a explicação argumentando que a reavaliação deveria ter por base um laudo elaborado por profissional habilitado ou então por empresa especializada, e quanto à contabilização deveriam ser classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumento de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo pericial. O Termo de Verificação menciona todas as intimações e respostas da interessada, essas na maior parte das vezes insatisfatórias, para que fosse esclarecida a divergência entre os saldos líquidos das reavaliações de bens a valor de mercado e a reserva de reavaliação de bens próprios. Concluiu a Fiscalização que houve a realização dos valores concernentes a diversos bens, sem a correspondente realização da reserva. Na defesa, a interessada apresenta uma tabela onde estaria demonstrada a diferença suscitada pelo Fisco e afirma que os valores ali informados foram extraídos da contabilidade e da DIPJ. No que se refere à escrituração, não constam do autos os registros a que o sujeito passivo se refere. Examinei a DIPJ e também não consegui localizar a origem dos valores informados na tabela apresentada. Registrese que a decisão recorrida já havia se manifestado pela inexistência de elementos comprobatórios das alegações e, ainda assim, a recorrente limitouse a reafirmar o anteriormente alegado, sem provas documentais. Fl. 8160DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Nesse termos, voto por negar provimento ao recurso neste item. 3) Limite à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL: A limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL decorre de expressa disposição legal e o texto da lei não faz distinção em relação à extinção de empresas por incorporação. Na verdade, quando o legislador quis excepcionar a restrição imposta pelo dispositivo o fez expressamente, caso das empresas que exercem atividade rural. Portanto, ao contrário do alegado, seria necessária a previsão expressa de não aplicabilidade dos dispositivos em comento ao caso sob exame, para que a compensação ocorresse sem qualquer restrição. A jurisprudência desta Corte também não lhe socorre. A CSRF assim se manifestou (Acórdão 9101001.337, sessão de 26/04/2012): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa:INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada Recurso improvido nessa questão. 4) Multa Qualificada: A imputação da multa qualificada ocorreu para a infração referente à desobediência à trava na compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL e também no caso da amortização de ágio envolvendo empresas veículos. No entendimento da autoridade lançadora, o procedimento do sujeito passivo visou exclusivamente driblar as restrições legais de amortização do ágio e compensação de prejuízos, caracterizando a conduta fraudulenta. Não concordo com o posicionamento do Fisco. Há que se diferenciar a verificação do cumprimento dos requisitos para que uma operação feita pelo sujeito passivo gere os efeitos a que se destina das situações nas quais a própria existência da operação é questionada. Quanto aos requisitos formais, a utilização de empresas veículo não foi objeto de questionamento. A ausência de propósito negocial impediu que a interessada usufruísse das reduções tributárias daí decorrentes mas, ratificase, as operações não foram tidas como simuladas ou inexistentes. Sob essa ótica não vejo elementos que justifiquem a qualificação da multa. Em relação à aplicação da trava na compensação de prejuízos/base de cálculo negativa da CSLL no caso de empresa incorporada , se as operações não foram tidas como simuladas ou inexistentes, não vejo diferença para outras situações nas quais, pela ausência de Fl. 8161DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 1402001.938 S1C4T2 Fl. 9 15 previsão legal, a compensação integral é rejeitada, com a cobrança do tributo que deixou de ser recolhido mas sem imputação da exasperadora. Para que meu entendimento fique mais claro no que se refere à utilização de empresa veículo em casos como o presente registrese que a meu ver poderia caber, o que não foi suscitado pela Fiscalização, a imputação da multa qualificada na situação do que foi denominado ágio intragrupo ou interno. No presente caso, a rigor sequer caberia a denominação ágio interno pois na verdade NÃO EXISTE O ÁGIO. Temse então um vício de origem que contamina todo o procedimento posterior do sujeito passivo, pois não há que se falar na amortização de um valor inexistente. O fisco conduziu a análise fiscal sob esse termos; entretanto concluiu pela inexistência da conduta fraudulenta. Assim o registro é feito apenas com o intuito de melhor esclarecer meu posicionamento. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso neste item e cancelar a imputação da multa qualificada. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 8162DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 13/03 /2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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