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Numero do processo: 11080.918344/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 44 /2 01 2- 92 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918344/201292 Acórdão n.º 3801003.491 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720569/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A Área de Preservação Permanente deve ser comprovada por meio de Ato Declaratório Ambiental tempestivo.
ITR. RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA VEGETAL. AVERBAÇÃO.
O Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal averbado no Registro de Imóveis é prova suficiente para comprovar a área de Reserva Legal.
VALOR DA TERRA NUA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE.
A ausência de comprovação pelo contribuinte do VTN reportado em sua DITR por meio de Laudo Técnico com a observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT autoriza o arbitramento com base nos valores constantes no SIPT.
ITR. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável em caso de pagamento intempestivo do imposto, enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo, aplica-se a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a ARL - Área de Reserva Legal de 206,18 hectares.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A Área de Preservação Permanente deve ser comprovada por meio de Ato Declaratório Ambiental tempestivo. ITR. RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA VEGETAL. AVERBAÇÃO. O Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal averbado no Registro de Imóveis é prova suficiente para comprovar a área de Reserva Legal. VALOR DA TERRA NUA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE. A ausência de comprovação pelo contribuinte do VTN reportado em sua DITR por meio de Laudo Técnico com a observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT autoriza o arbitramento com base nos valores constantes no SIPT. ITR. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável em caso de pagamento intempestivo do imposto, enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo, aplica-se a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a ARL - Área de Reserva Legal de 206,18 hectares. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.720569/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.323 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria ITR Recorrente ANGELA GONTIJO ASSUNCAO PIMENTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A Área de Preservação Permanente deve ser comprovada por meio de Ato Declaratório Ambiental tempestivo. ITR. RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA VEGETAL. AVERBAÇÃO. O Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal averbado no Registro de Imóveis é prova suficiente para comprovar a área de Reserva Legal. VALOR DA TERRA NUA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE. A ausência de comprovação pelo contribuinte do VTN reportado em sua DITR por meio de Laudo Técnico com a observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653/04 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT autoriza o arbitramento com base nos valores constantes no SIPT. ITR. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável em caso de pagamento intempestivo do imposto, enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo, aplicase a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 69 /2 00 8- 01 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a ARL Área de Reserva Legal de 206,18 hectares. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio de Notificação de Lançamento (fls. 03 a 07) lavrada em 16/06/2008, exigese da contribuinte Angela Gontijo Assunção Pimenta o montante de R$ 29.754,56 de imposto, R$ 5.861,64 de juros de mora e R$ 22.315,92 de multa de ofício, referente ao ITR do exercício de 2006, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Luanda no Município de Conselheiro Lafaiete /MG. Na descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 04) a Autoridade Fiscal relata: · A Contribuinte não comprovou a isenção da Área de Preservação Permanente nem a área de Reserva Legal através de Ato Declaratório Ambiental (ADA). · A Contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel o VTN informado, assim com base no art. 14 da Lei nº 9.393/96, arbitrou o VTN tendo por referência os valores constantes do SIPT. No tocante à área de Reserva Legal, a fiscalização constatou que da área declarada de 306,1 ha, apenas em relação a 206,1 ha houve averbação tempestiva à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis, porém a área total declarada a título de Reserva Legal de 306,1 ha não foi objeto de ADA. Por sua vez, em relação à área de preservação permanente, a área declarada de 96,0 ha também não foi objeto de ADA. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 3 3 Neste contexto a fiscalização glosou integralmente as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, além de alterar, com base no SIPT, o valor da terra nua do imóvel. Às fls. 10 foi anexada tela de consulta do SIPT com os valores para o município de Conselheiro Lafaiete/MG referente ao exercício de 2006, onde consta que para matas o VTN médio/ha é de R$ 1.000,00. Às fls. 26 foi juntado Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas para Fazenda Luanda, firmado pela Contribuinte e uma terceira pessoa, onde ambas declaram perante a autoridade florestal que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 206,18 ha, não inferior a 20% do total da fazenda Luanda fica gravada como utilização limitada. O referido documento foi registrado sob o protocolo 218.706 no 2º Ofício de Imóveis da comarca de Conselheiro Lafaiete/MG em 02/08/2004 (fls. 113 – carimbo). Conforme documento de fls. 67, a Contribuinte foi notificada em 20/06/2008, vindo a apresentar, em 21/07/2008 (fls. 115), Impugnação acostada às fls. 69, aduzindo: · entende que a fiscalização impôs cobrança de ITR tomando como, base de cálculo valores pautados e, ainda, desconsiderando áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente sem qualquer fundamentação, pois a Notificação de Lançamento desconsidera as referidas áreas, sem manifestarse fundamentadamente sobre a glosa, bem como outras áreas que não devem integrar a base de cálculo do imposto. · preliminarmente, considera o arbitramento do VTN equivocado, não apenas pelos vícios materiais, mas também, pelos confusos critérios de apuração do imposto, que não foram descritos pela fiscalização. · entende que o arbitramento é contrário ao texto legal (Lei n° 9393/96). · afirma que o relatório fiscal simplesmente desconsidera o valor venal declarado e arbitra um valor duas vezes maior, sem indicar o critério aplicado, dizendo apenas ter utilizado informações sobre preços de terra do sistema SIPT, que em nenhum momento é colocado ao conhecimento do contribuinte, que fica totalmente desamparado em termo de contraditório. · ressalta que o cerceamento de defesa é evidente e que em suma o arbitramento, considerando um valor de mais de um milhão de reais, sem critério, é agressivo à ampla defesa. · o arbitramento do valor venal do imóvel mostrase contraditório em relação ao descrito no relatório fiscal, que somente faz menção ao arbitramento da terra nua, que é o valor obtido pelo resultado do valor venal do imóvel subtraindose o valor das benfeitorias, não fazendo menção de como foi feito o arbitramento do valor venal, implicando em vício do lançamento e cita e transcreve ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes. · afirma que, mesmo que o lançamento pudesse ser tido como correto, foram desconsideradas áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente, devidamente comprovadas pelos documentos anexos, que totalizam 456,16 ha e que tais áreas devem ser levadas em consideração na apuração da base de cálculo do ITR, uma vez que a lei determina a sua exclusão. · entende que os valores das pastagens de 381,4 ha foram desconsiderados. Registra que o fisco ignorou os preceitos legais, pois o VTN é o valor de mercado do imóvel excluídos os valores Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 relativos a: I — construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III — pastagens cultivadas e melhoradas; IV — florestas plantadas. · considera que além do erro na composição da base de cálculo, há erro no cálculo do ITR, pois o VTN arbitrado desconsiderou o valor das pastagens; que devem seguido mesmo arbitramento, caso não comprovado pelo contribuinte. · salienta que a presunção é a favor do contribuinte, nestes casos, cabendo ao fisco provar a ausência de veracidade das declarações, ou seja, até que o fisco prove o contrário, as áreas de preservação permanente e de reserva legal devem ser excluídas da base de cálculo do imposto, assim como o valor das pastagens. · entende que carece de fundamento legal a glosa da APP e da área de Reserva Legal, motivadas na falta de apresentação do ADA. · considera que a exigência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel como précondição à isenção não encontra amparo legal. · afirma que demonstra a existência das ditas áreas através de "Memorial Descritivo da reserva legal da Fazenda Luanda" e mediante "Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas", ambos firmados por engenheiros florestais e devidamente averbado nos registros imobiliários. · a informação produzida em laudo técnico subscrito por profissional competente para identificar e quantificar a área de preservação permanente termos descritos no art. 2° da Lei n° 4.771/64, tem presunção de validade, assumindo o contribuinte, e também o técnico que subscreveu o laudo, responsabilidade solidária pela informação prestada. · ressalta que trouxe provas aos autos a administração tributária simplesmente se apoia na inexistência do ADA, infringindo os princípios da legalidade e da verdade material. · cita e transcreve Ementas de Acórdão do Conselho de Contribuintes, para referendar seus argumentos. · entende indevida a majoração da alíquota por fundamento exclusivo na inexistência do ADA e ressalta, aliás, que no relatório fiscal inexiste qualquer fundamento acerca da majoração da alíquota, o que, por si só, já infirma o lançamento, lavra o sem fundamentação legal. · requer seja anulado o lançamento, por vício o material, em razão do cerceamento de defesa por falta de publicidade do SIPT, utilizado no arbitramento. · ultrapassada a preliminar, requer seja julgado improcedente, mesmo parcialmente, o lançamento tributário, em razão da desconsideração das áreas de reserva legal, preservação permanente e pastagens, na apuração do Tributo e, consequentemente, se restabeleça a alíquota de 0,85%. A 1ª Turma da DRJ/BSA na sessão de 18/02/2009 julgou procedente o lançamento através do acórdão 03.29.462 (fls. 118 a 132), nos seguintes termos: · Não acolheu a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa vez que a notificação de lançamento contém todos os requisitos legais, tendo identificado as irregularidades de forma motivada, o que possibilitou a contribuinte impugnar as irregularidades de forma clara e precisa. Observou também que desde a intimação para prestar informações, a contribuinte tinha conhecimento de que a falta de apresentação de laudo de avaliação ou sua apresentação em discordância com as regras da ABNT acarretaria o arbitramento do VTN com base no SIPT. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 4 5 · O trabalho de revisão da fiscalização é eminentemente documental cabendo o ônus à contribuinte de manter em guardar e apresentar, quando solicitado, a documentação que comprove as informações prestadas na DITR na forma do art. 40 do Decreto nº 4.382/02. · Quanto à alegada falta de publicidade dos valores constantes do SIPT, cabe ressaltar que o acesso aos sistemas internos da RFB está, de fato, submetido a regras de segurança, contudo, tal restrição não prejudica à publicidade das informações armazenadas no referido sistema, tanto é verdade que a tela do mesmo está anexada aos autos. · Para área de Reserva Legal constatou a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel (02/08/2004) de apenas 206,1 ha dos 306,1 ha declarados. Entretanto por não haver apresentado ADA, mesmo que intempestivo, exigência comum para exclusão das áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal não acolheu a exclusão da base de cálculo dos 402,1 ha declarados como APP e Reserva Legal. · Asseverou ainda que a contribuinte informou na DITR que as áreas ambientais totalizariam 402,1 ha, entretanto, a documentação dos autos “memorial Descritivo da Reserva Legal” fls. 26/27 e “termo de Responsabilidade Preservação ambiental” de fls. 24/25 faziam referência a uma área de apenas 206.1 ha. · Constatou que em princípio, não poderia a autoridade Fiscal deixar de arbitrar novo Valor da Terra Nua, tendo em vista que o VTN declarado, por hectare (R$ 290,84) até prova documental hábil em contrário, está de fato subavaliado, por ser muito inferior não só a todos os VTNs por hectares listados para qualquer aptidão agrícola da terra, correspondendo a 29,1% do menor valor constante no SIPT (R$ 1.000,00/ha – Matas), como também ao VTN médio por hectare de R$ 19.500,10/ha apurado no universo da DITRs do exercício de 2006. · Uma vez que a contribuinte não apresentou Laudo Técnico de Avaliação para justificar o VTN declarado na DITR manteve a tributação do imóvel com base no VTN de R$ 942.100,00 ou 1.000,00 por hectare. A Contribuinte foi notificada da decisão em 07/05/2009 conforme aviso de recebimento de fls. 136, vindo apresentar Recurso Voluntário em 08/06/2009 acostado às fls. 137, aduzindo: · Não há previsão legal para averbação da área de Reserva Legal e APP para gozo da isenção de ITR. Fundamentou que, tendo em vista que é a lei que dá publicidade e eficácia necessária para o cumprimento, por todos, das limitações administrativas, o Poder Público, por sua vez, fiscaliza seu cumprimento em decorrência do poder de polícia que lhe garante os direitos administrativo e constitucional. Assim não é uma simples averbação nos ofícios de Registro Imobiliário que garantirá a devida satisfação de uma determinada limitação administrativa. Logo, uma vez que as leis ambientais são limitações administrativas, as APP e Reserva Legal existem independente do seu registro ou averbação, o proprietário do imóvel deve observálas na forma e nos limites legais. Exigindo, portanto a aplicação do princípio da verdade material e o reconhecimento da área de 456,16 ha correspondente a Reserva Legal e APP. · Ressalta que a DRJ /BSA em momento algum questiona a existência da área de Reserva Legal, pelo contrário, a reconhece, mas cria empecilhos ilegais que afrontam a legislação do ITR junta jurisprudência administrativa. · Quanto ao VTN inicialmente aponta que o art.10 da Lei nº 9.393/96 delimita a base do ITR como sendo aquela correspondente a área total do imóvel, subtraídas as APP, bem como as Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 construções, instalações, benfeitorias, culturas permanentes e temporária, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. · Argumenta que a justificativa do Acórdão de que os valores declarados pela recorrente não seriam idôneos, pois não houve por parte desta apresentação de laudo técnico com avaliação conforme procedimento da ABNT seria risível, pois a declaração da recorrente segue todos os requisitos legais. · Aponta que a Receita Federal, de ofício, não pode utilizar o VTN mínimo, sem a produção de provas cabais que demonstrem inadequadas ou omissas as informações do contribuinte. Sem um laudo técnicopericial hábil o ato administrativo é ilegal, uma vez que somente por meio de sua realização poderseá comprovar cabalmente o argumento legal incluído na notificação. Isto porque não há qualquer disposição legal que obrigue o contribuinte a apresentar laudo de avaliação de imóvel rural seguindo as normas da ABNT. · Insurgese ainda quanto à aplicação da multa de ofício (75%), vez que diante da especialidade da Lei nº 9.393/96 a multa cabível seria a multa prevista no art. 13, I do susomencionado texto normativo, qual seja 20%. É o relatório. Voto Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1. Do Mérito 1.1. Da Área de Preservação Permanente – APP A autoridade lançadora e a DRJ/BSA não reconheceram a área de 96 ha como APP haja vista, que a Contribuinte não apresentou o respectivo Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado junto ao IBAMA conforme determina o art. 17 O, § 1º, à Lei nº 6.938/81: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 5 7 § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000).” (Grifos e Negritos Nossos) Até o exercício de 2000 por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Ocorre que, em 2000, com o advento da Lei nº 10.165/00, que incluiu o art. 17 O, § 1º, à Lei nº 6.938/81, a exigência de apresentação do ADA passou a ter fundamento legal. Em que pese o posicionamento da 1ª Turma da DRJ/BSA compreendo que a apresentação do ADA não é condição para fruição do benefício fiscal, mas sim meio comprobatório da existência da APP, competindo ao contribuinte, diante da ausência de ADA, juntar aos autos outros meios, que comprovem a existência das respectivas áreas. Neste sentido leciona Alexandre Naoki Nixhioka: “Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei nº. 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O § 1º, à Lei nº 6.938/81, para fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo.” (A Prova das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal para efeitos de Redução da Base de Calculo do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, in ANAN JR, Pedro e PEIXOTO, Marcelo Magalhães Coordenadores. Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. São Paulo: MP Editora. 2012, pág. 19). A justificativa se encontra no fato das restrições ao direito de propriedade trazidas pelo direito ambiental (APP) decorrem explicitamente, da ocorrência ou verificação in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. A respeito especificamente da Área de Preservação Permanente (APP), dispunha o Código Florestal (Lei n º 4.771/65) vigente à época do fato gerador o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas:” (Grifos e Negritos Nossos).” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Neste contexto, uma vez que a APP decorre diretamente da Lei, o contribuinte pode fazer a comprovação da existência da referida áreas através de outros meios probatórios além do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Logo, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta nº. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação de uma série de documentos além do ADA: “Ministério do Meio Ambiente INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas Coordenação Geral de Autorização de Uso da Flora e Floresta Coordenação de Monitoramento e Controle dos Recursos Florestais ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) Respostas às Perguntas mais frequentes sobre o ADA 40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? • Ato do Chefe do Poder Executivo declarando as áreas cobertas com florestas ou outras formas de como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o 'Código Florestal' (Lei 12.651/12) em seu artigo 6º; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente OEMA) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; • Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN); • Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo ITR da posse” (http://servicos.ibama.gov.br/phocadownload/manual/perguntas_frequentes_ada_2013.pdf link acessado em 01.08.13) (Grifos e Negritos Nossos). O direito ambiental é o ramo do direito com competência para definir e reconhecer APP, bem como os seus meios de prova. Assim uma vez que o IBAMA reconhece Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 6 9 como meio de prova da APP outros documentos além do ADA, não compete ao direito tributário, direito de sobreposição afastar os demais meios probatórios, sob pena de violar, por via transversa o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN). A exclusão do ITR é sobre as áreas de interesse ambiental e não sobre o formalismo de como se comprova a referida área. Neste sentido, esta corte tem reconhecido outros meios de prova para comprovar a existência de APP: “Considerandose que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denotase que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. (...) VOTO (...) Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo. (...) Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factunz propriwn, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto.” (Processo nº. 10183.005825/200596, Rel. Alexandre Naoki Nishioka, 1ª Câmara/1ª Turma, sessão de 18.08.10). “ITR EXCI,USÃO DA BASE DE CALCULO AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL EXERCICIO POSTERIOR A 2001 EXIGIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n" 10 165, dc 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal Entretanto, aquele documento pode ser substituído por outro de igual valor probante, emitido por órgão ambiental.” (Processo 10950.720115/200713 Rel. Ana Neyle Olímpio Holanda. 1ª Câmera/ 1ª Turma, sessão de 01.12.10.) Não obstante o meu posicionamento pessoal acima, é cediço nessa Turma o entendimento de que o ADA tempestivo, obtido pelo menos antes de iniciada a ação fiscal, é documento imprescindível para comprovar a APP, não sendo admitidos outros meios hábeis de prova para comprovação da APP. Passase a análise dos documentos apresentados pela Contribuinte para comprovar a existência da APP. A Contribuinte declarou, no ano de 2006, área de 96,0 ha correspondente à APP requerendo isenção para toda área. Para fins de comprovação da referida área, a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Contribuinte não colaciona aos autos do presente processo administrativo tributário qualquer documento que comprove a existência da referida área. O parágrafo 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 determina que o contribuinte não está sujeito a comprovação prévia das áreas de preservação permanente e Reserva Legal declaradas na DITR: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” Todavia, isto não significa que a Contribuinte possa se esquivar de comprovar a veracidade de suas declarações na DITR de forma privar a Autoridade Fiscal do seu poder de fiscalização. O art. 47 do Decreto nº 4.382/02 determina que a DITR apresentada pelo contribuinte está sujeita revisão pela Receita Federal, podendo exigir do contribuinte a documentação que comprove as informações prestadas na DITR. O art. 40 do referido dispositivo normativo deixa expresso à harmonização do seu art. 47 com o art. 10 §7º da Lei nº. 9.393/96: “CAPÍTULO III DA REVISÃO DA DECLARAÇÃO Art. 47. A DITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal, que, se for o caso, pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas.” “Documentos Comprobatórios Art. 40. Os documentos que comprovem as informações prestadas na DITR não devem ser anexados à declaração, devendo ser mantidos em boa guarda à disposição da Secretaria da Receita Federal, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, parágrafo único).” Neste sentido, diante da ausência de qualquer documentação que comprove a informação prestada pela Contribuinte na DITR de 2006, quanto à existência da Área de Preservação Permanente, entendo que o lançamento é procedente quanto à exclusão da área de 96 ha reportada como APP. No entendimento dessa Turma, o lançamento também é procedente no tocante à APP, por não ter sido apresentado ADA tempestivo que comprove a APP declarada. 1.2. Da Área de Reserva Legal RL No tocante à área de Reserva Legal, a fiscalização constatou que da área declarada de 306,1 ha, apenas em relação a 206,1 ha houve averbação tempestiva à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis, porém a área total declarada a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 7 11 título de Reserva Legal de 306,1 ha não foi objeto de ADA. Desta feita, a fiscalização desconsiderou a totalidade da área como sendo de Reserva Legal. A Área de Reserva Legal, na forma do Código Florestal abrogado, é uma área legal mínima de vegetação nativa que o proprietário do imóvel deve manter para que possa efetuar a supressão de parte da vegetação de sua propriedade. “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento)” A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da, forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa, Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça„ In: Revista de Direito Ambiental n." 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p, 120). Neste contexto, uma vez que a Reserva Legal decorre diretamente da lei, o contribuinte pode fazer a comprovação da existência da referida áreas através de outros meios probatórios além do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Assim, nos mesmos moldes que o APP, a área de Reserva Legal pode ser comprovada por outros meios que não o ADA. Com base na premissa acima, passase a análise dos documentos apresentados pela Contribuinte para comprovar a existência da área de Reserva Legal. A Contribuinte, às fls. 26, juntou Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas para Fazenda Luanda, onde declara perante a autoridade florestal que a floresta ou forma de vegetação existente, com área de 206,18 ha, não inferior a 20% do total da fazenda Luanda fica gravada como utilização limitada. O referido documento foi registrado sob o protocolo 218.706 no 2º Ofício de Imóveis da comarca de Conselheiro Lafaiete/MG em 02/08/2004 (fls. 113 – carimbo), portanto antes da ocorrência do fato gerador. Conforme já ventilado, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta nº. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação de uma série de documentos dentre eles o TRARL – Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal, juntado pela Contribuinte às fls. 26. O TRARL abrange uma área de 206,18 ha e memorial descritivo de Reserva Legal da Fazenda Luanda que acompanha o TRARL de fls. 30 relata de forma detalhada a localização da área de Reserva Legal na Fazenda: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 “LIMITES E CONFRONTA OES: Partindo da margem direita do Rio Paraopeba do Marco 01 de coordenadas UTM, Este 612316.6144, doravante denominadas X, e Norte 7715748.196, doravante denominadas Y, confrontando ao sul com as terras da Companhia Siderúrgica Nacional, e a oeste, pela margem esquerda do Rio Paraópeba, com as terras do Sr Neef, segue por 1067.34 metros, rumo nordeste; confrontando com a área denominada Mãe Rita de Cima ate o Marco ROI de coordenadas X = 612527.8283 Y = 7716807.0556, deste deflete a direita, rumo nordeste, por 807,26 metros , confrontando com as terras da fazenda Luanda ate o Marco R02, de coordenadas X = 613287.0201 Y = 7717171.1618, deste deflete a direita rumo sudeste, confrontando com as terras da fazenda Luanda e segue por 2153,98 metros ate o Marco R03 .de ,coordenadas X = 613676.4487,. Y = 7715091.4472, deste deflete a direita rumo sudoeste, e segue por; 760.63 metros confrontando com as terras do Sr Jairo ate o, Marco, 13, de coordenadas coordenadas X =613133.8660 Y = 7714615.0645, deste segue, por 2000. metros, confrontando com terras da Companhia Siderúrgica Nacional, ate a margem direita do Rio Paraopeba, no Marco 01, de coordenadas X= 612316.6144 Y 48.196, onde teve inicio esta descrição.” Embora a Contribuinte venha pleiteando o reconhecimento de 306,1 ha de área de Reserva Legal somente 206,18 ha restaram comprovados pelos documentos acostados aos autos. Desta feita, diante da comprovação da averbação de 206,1 ha de área de Reserva Legal e do TRARL de fls. 26 que demonstra de forma precisa a localização da Área de Reserva Legal de 206,18 ha dentro da Fazenda Luanda, compreendese restar comprovada para fins de aplicação do inciso II do art. 2º da Lei nº. 9.393/96 a área de Reserva Legal de 206,18 ha. 1.3. Do Valor da Terra Nua A Autoridade Lançadora aponta que a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT o Valor da Terra Nua, havendo assim arbitrado o VTN com base nos valores constantes do SIPT para município de Itabirito/MG. Embora a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que acompanha o Auto de Infração tenha feito referência ao SIPT de Itabirito/MG, o documento de fls. 10 refere se à cópia da tela do SIPT para o Município de Conselheiro Lafaiete, municipalidade onde se localiza o imóvel. Na forma do art. 14 da Lei nº 9.393/96 na hipótese de subavaliação, informação incorreta, inexata ou fraudulenta a autoridade fiscal pode arbitrar o Valor da Terra Nua: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Neste contexto se insurge a Contribuinte alegando que a Receita Federal, de ofício, não poderia arbitrar o VTN com base no SIPT sem a produção de provas cabais que demonstrem inadequadas ou omissas as informações do contribuinte, levando inclusive a Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.720569/200801 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 8 13 ilegalidade do ato administrativo de arbitramento. Abrigase ainda na argumentação de que não há necessidade de comprovação prévia dos valores reportados na DITR. Pois bem. De fato não há necessidade de comprovação prévia dos valores reportados na DITR, porém, quando da fiscalização, cabe ao contribuinte comprovar os valores declarados e, caso não consiga comproválos, no caso do VTN com base em Laudo Técnico de Avaliação, a autoridade tributária poderá arbitrar o VTN com base no SIPT. Logo, tendo em vista que a Contribuinte não apresentou Laudo Técnico de Avaliação, nos moldes da estabelecidos pela NBR 14.6533 da ABNT, seja para comprovar o VTN informado na DITR, seja para contestar o valor arbitrado, entendo procedente o arbitramento do VTN com base no SIPT. 2.4. Da Multa de Oficio A Contribuinte invoca o principio da especialidade para afastar a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, requerendo a aplicação da multa prevista no art. 13, I da Lei nº 9.393/96 de 20 %. Confirase: “Art. 13. O pagamento do imposto fora dos prazos previstos nesta Lei será acrescido de: I multa de mora calculada à taxa de 0,33% (zero vírgula trinta e três por cento), por dia de atraso, não podendo ultrapassar 20% (vinte por cento), calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento;” Improcedente a argumentação da Contribuinte por se tratarem de multas distintas não havendo conflito entre o art. 13 da Lei nº 9.393/96 e o art. 44 da Lei nº 9.430/96 para ensejar a aplicação de um dos métodos de solução de conflito aparente de normas. A multa prevista no art. 13 da Lei nº 9.393/96 é aplicável quando do pagamento do imposto fora do prazo legal é prevista para ser aplicável enquanto não iniciado o procedimento administrativo. Uma vez iniciado o procedimento administrativo a multa decorrente da falta de pagamento ou recolhimento ou da falta de declaração ou na hipótese de declaração inexata é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº. 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007).” Logo, correta a aplicação da multa de ofício de 75% no caso sob análise. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de 206,18 ha a título de Reserva Legal. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15563.720311/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.391
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Fez sustentação oral: Alessandro Barreto Borges - OAB/SP 196.401
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Alessandro Barreto Borges - OAB/SP 196.401 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Alessandro Barreto Borges OAB/SP 196.401 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 31 1/ 20 11 -5 1 Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.992 ___________ RELATÓRIO Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora: Trata o presente processo de crédito tributário exigido por meio de auto de infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe às fls. 2743/2753, com demonstrativos de fls. 2711/2742 e termo de verificação fiscal de fls. 2619/2626, referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI) no montante de R$ 52.268.876,52, acrescido de multa de ofício proporcional, passível de redução, no valor de R$ 39.201.657,24 e de juros de mora que, até a data de 31/01/2012, perfaziam R$ 19.397.283,28. A descrição dos fatos e enquadramento legal consta de fls. 2745/2753, tendo a Fiscalização fundamentado a lavratura do auto de infração nos seguintes itens: “001 – CRÉDITOS INDEVIDOS GLOSA DE CRÉDITOS POR FALTA DE REQUISITOS LEGAIS Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal” Enquadramento legal: “Arts. 122, 127, 175, 195, 196, 199 e parágrafo único, 200, inciso IV e 202, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)”. “002 – IPI NÃO LANÇADO – BEBIDAS DO DECRETO nº 97.976/89 SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI EM VENDAS PARA LEYROZ Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal” Enquadramento legal: “Arts. 24, ( ) inciso II,( ) inciso III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea “b” e inciso II, alínea “c”, 127, 139, 143, 149, 150, ( )199,( )199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso II e 448 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)”. No termo de verificação fiscal de fls. 2619/2626, foram detalhados os procedimentos, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação, assim sintetizados: “O primeiro o fato que a fiscalizada foi extinta por incorporação à Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ: 73.410.326/000160, ao final de 2009, conforme Distrato da Cervejaria Petrópolis Ltda, CNPJ: 04.469.628/000191, de 31/12/2009, registrado na Jucerja em 28/01/2010 e Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 31/12/2009 da Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ: 73.410.326/000160, registrada na Jucerja em 28/01/2010. Após a incorporação o estabelecimento da incorporada, segundo item 4.9 da Ata da Assembléia, se transformou na filial de CNPJ: 73.410.326/000918, e, portanto, sucessora dos fatos geradores ora constituídos. O segundo aspecto é que a Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ 73.410.326/000160 é detentora de decisão favorável em processo de consulta em que a Cervejaria Petrópolis S/A (consulente) estaria a princípio resguardada em casos em que distribuidores seus, questionem judicialmente a validade do regime de tributação imposta pela legislação (no presente caso, pauta fiscal), e tenham deferida a antecipação de tutela no sentida de impedir a indústria de promover o destaque e o Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.993 3 recolhimento de IPI. Segundo a decisão em processo de consulta, o eventual insucesso da ação de seus distribuidores devem ser por estes suportados, sendolhes exigíveis os valores devidos e consectarios moratórios ou punitivos. (...) Analisando o inteiro teor do Processo de Consulta de n° 13748.000523/200587 (anexo ao presente processo) se verifica que o consulente só menciona a ação judicial movida por um de seus clientes, JM INDÚSTRIA COMÉRCIO E LOGÍSTICA LTDA, CNPJ: 04.660.550/000198. O processo é fartamente documentado (mais de 200 folhas), culminando na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n° 60, de 17 de fevereiro de 2006. Em momento algum, é feita qualquer menção a LEYROZ DE CAXIAS, outro distribuidor detentor de medida judicial. (...) Ao tempo da formulação da consulta já se tinha conhecimento do efeito multiplicador de diversas ações judiciais da mesma natureza interpostas por contribuintes de todo o País questionando a cobrança do IPI com base em pautas fiscais. Dada a inovação de tal sistemática, muitas liminares eram concedidas, para pouco tempo depois terem seus efeitos cassados. Não havia um padrão de comportamento, "cada história é uma história". Sendo assim, a consulente já poderia àquela época ter informado o órgão consultivo da existência de outros processos judiciais de seus clientes que estivessem sendo beneficiados por decisões judiciais similares. Mais especificamente, o da LEYROZ DE CAXIAS, a que veio dar saída sem destaque de IPI em "cumprimento a ordem judicial". Ao não informar ao órgão consultivo da existência de outro processo judicial, assumiu o risco de dar saída a produtos de sua fabricação para terceiros, sem que estivesse coberto pelos efeitos da consulta. (...) Assim, por todo o exposto, a decisão favorável em processo de consulta não faria seus efeitos nas saídas para a LEYROZ DE CAXIAS mesmo que fossem efetuadas por filial da Cervejaria Petrópolis S/A, CNPJ: 73.410.326/000160. Sendo as saídas sem destaque de IPI feitas pelo CNPJ: 04.469.628/000191 da Cervejaria Petrópolis Ltda, e portanto de outro contribuinte, de qualquer forma a consulta não faria seus efeitos. O art. 14, § 2°, da IN SRF n. 740/2007 dispõe que: "os efeitos da consulta que se reportar a situação não ocorrida somente se aperfeiçoarão se o fato concretizado for aquele sobre o qual versou a consulta previamente". Por essa razão, o contribuinte não poderia socorrerse da Solução de Consulta para afastar sua condição responsável da obrigação tributária do IPI, uma vez que seu efeito vinculante somente abrange os fatos sobre os quais ela versou previamente, o que não é o caso da ação judicial interposta por distribuidora distinta de seus produtos (LEYROZ DE CAXIAS). Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.994 4 Analisando as notas fiscais de compra, que deram origem aos créditos presumidos, verificamos que em todas as notas fiscais a base legal da isenção foi o inciso II do artigo 69 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002. A descrição do produto da nota fiscal de produto adquirido da ÓTIMO foi "OTIMAZON CONCENTRADO P/ BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS", classificação fiscal 21069010 Ex01, e o da CONCENTRE foi "PLANA PREPARADO LÍQUIDO DA AMAZÔNIA NÃO ALC", classificação fiscal 21069010Ex01. A classificação fiscal 21069010Ex01 tem alíquota de 27%: (...) Como visto no item 8, em todas as notas fiscais de compra que dariam origem aos pretensos créditos presumidos, a base legal da isenção foi o inciso II do artigo 69 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002. Assim, está descumprida a condição para gozo do benefício fiscal que seria que o produto adquirido o fosse com a isenção do inciso III do artigo 82 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002. Devem, portanto, ser glosados os créditos escriturados a título de "outros créditos", por descumprimento das condições previstas. Base legal: art. 175, 195 e 196 do Decreto n° 4.544 de 26/12/2002 (Regulamento do imposto sobre Produtos Industrializados) (negritos no original)” Cientificado da autuação em 15/02/2012, (fl. 2744), a autuada apresentou sua impugnação (fls. 2807/2837) cujas razões podem ser sintetizadas pelos trechos abaixo transcritos: “Com isso, subordina a aquisição de direitos à mera questão formal de preenchimento de informações complementares na nota fiscal (documentos normalmente elaborado por leigos), elevando a mera forma a uma atitude que suplanta o conteúdo, isto é, a forma é mais do que a substância e as vestes mais do que o corpo. Mais: o erro do fornecedor faria perecer o direito do adquirente? (...) Importante salientar que nas notas fiscais apresentadas à fiscalização às fls. 2.142/2.233, referentes às saídas isentas do referido insumo das empresas Ótimo e Concentre, consta expressamente a matriz legal que concede a isenção do imposto, ou seja, o artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75. Sendo assim, o direito ao crédito pela impugnante se dá por aplicação do §1º deste artigo. Não há como impedir o aproveitamento do crédito nos termos do art. 6º, § 1º, do mencionado decreto, simplesmente porque o remetente dos produtos mencionou também o art. 69, II, do Decreto nº 4.544/02 nas Notas Fiscais, haja vista que direito ao crédito está expresso em lei. (...) Por isso, como se verifica acima, o RIPI/02 apenas reproduz o disposto no DecretoLei nº 1.435/75,. não há distinção entre eles, não impondo Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.995 5 nenhum requisito adicional (nem poderia fazêlo), para aproveitamento dos créditos além dos que já constam do DecretoLei mencionado. (...) Embora o direito ao crédito de IPI no presente caso se dê por expressa previsão legal, no artigo 6º, do DecretoLei nº 1.435/75, no que concerne ao tema central da glosa do crédito, o produto adquirido com isenção gera direito ao crédito nos moldes da sedimentada jurisprudência brasileira, observandose para tanto que há regime especial a ser adotado, no caso em que o produto elaborado na Amazônia Ocidental seja empregado como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, pelas indústrias estabelecidas em todo o território nacional, em vista do princípio da nãocumulatividade... (...) Logo, sua situação é apenas de terceira que esteve sujeita à determinação judicial que recebeu e que deveria dar cumprimento, sob pena de responder por crime de desobediência (artigo 330 CP)". (...) Portanto, durante todo o período objeto da presente autuação, de 06/2007 a 12/2008. a determinação judicial direcionada à impugnante estava vigente e eficaz para produzir seus regulares efeitos de direito. (...) Assim, não sendo parte do processo, imperioso lembrar do disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil, pelo qual, a decisão judicial não pode atingir terceiros... (...) Em harmonia com essa regra, o disposto no artigo 811 do mesmo CPC ressalta que a repercussão de decisão em sede de medida liminar/antecipação de tutela não pode recair sobre terceiro que não tenha participado da ação. (...) Desta forma, por observância dos artigos 472 e 811 do CPC, não responde a impugnante pelo insucesso da empresa Leyroz (contribuinte de fato), em relação ao objeto nesta discutido, ou seja, débitos de IPI referentes às saídas destinadas a autora, haja vista que a impugnante não foi parte no processo. (...) Importante destacar, que a consulta formulada pela impugnante versou sobre fato concreto ocorrido à época da sua apresentação na Receita Federal, buscando a segurança jurídica em relação às operações descritas na formulação da consulta. ... Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.996 6 Emitida a solução de consulta a Administração Pública fica a esta vinculada, haja vista que este é justamente o efeito almejado pelo consulente, e o fundamento para a existência deste procedimento, ou seja, a segurança jurídica. ... Como é cediço, a empresa incorporadora, Cervejaria Petrópolis S/A, assume a empresa incorporada passando a prevalecer como entidade jurídica em todos os seus aspectos, razão social, CNPJ e os direitos, tal como o direito adquirido com a solução de consulta de não ser responsabilizada por insucesso da autora da ação judicial contribuinte de fato do IPI (Leyroz). o que restou expresso na Solução nº 60/2006. Assim, não merece prosperar o argumento de que a empresa que deu as saídas de produtos sem o destaque do IPI, por determinação judicial. Cervejaria Petrópolis Ltda., CNPJ nº 04.469.628/000191, não estaria "coberta" pela consulta. ... Tais dispositivos estabelecem que haverá apenas uma consulta e uma resposta sobre determinado assunto, evitandose a repetição da consulta e da resposta sobre o mesmo tema. ... Ocorre que a situação jurídica existente em ambos os processos judiciais tanto no processo como na conseqüência jurídica em relação à impugnante é exatamente a mesma. .. De qualquer forma, o que dá identidade ao objeto da ação é o pedido formulado pelas partes, nos termos do artigo 301, §2º, do CPC... Assim, os fundamentos de fato, aquisição pelas autoras das ações, de produtos sujeitos à incidência do IPI cuja a base de cálculo era obtida através de pauta fiscal, e os fundamentos de direito, ilegalidade e inconstitucionalidade da fixação da base de cálculo através de pauta fiscal ou pauta de valores são idênticos nas duas ações. ... Como se verificou, as situações são idênticas juridicamente, portanto, se sujeitam as mesmas regras, aplicandose integralmente a Solução de Consulta para ambos os casos. ... Além da Solução de Consulta emitida em favor da impugnante nº 60/2006, ainda emanam no mesmo sentido favorável, diversos outros atos normativos/decisões administrativas da Receita Federal... Como é possível averiguar, a Administração Pública Federal, por diversas vezes emitiu atos e julgou processos favoravelmente ao entendimento de que a responsabilidade tributária, como na hipótese Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.997 7 dos autos, deverá ser imposta e exclusivamente ao contribuinte de fato, ou seja, à distribuidora, autora da ação. ... Há de se levar em consideração, ainda, que a. solução de consulta fiscal integra o conceito de legislação tributária, previsto no artigo 100 do CTN e. nesse sentido, tratase de lei em sentido amplo, apto a afastar ou determinar a responsabilidade tributária de contribuinte de fato do IPI, conforme expresso na solução de consulta nº 60/2006, ato normativo da Receita Federal, plenamente válido e eficaz, que está a produzir seus efeitos até o presente momento. ... Não pode a autoridade responsável pelo auto de infração atribuir efeito não previsto em lei à solução de consulta perfeita e vigente, visando apenas não aplicar a decisão da própria Receita Federal, invocando requisitos criados para a formulação da consulta e não para a interpretação desta após já ter sido respondida. Concluise que o disposto no art. 3, III, da IN nº 740 é destinado à autoridade competente para a emitir a solução de consulta e não para interpretação de seu alcance após ter sido validamente emitida. ... Quanto ao artigo 14, §2º da IN nº 740/07, este se refere a situação em que, embora previamente informada na formulação de consulta, não ocorresse na prática... ... No entanto, tal dispositivo não se aplica ao caso destes autos, já que a situação mencionada na formulação de consulta ocorreu efetivamente na prática e, inclusive, mais de uma vez, de forma idêntica em ambos os casos, como já demonstrado supra. ... Ocorre que não houve no caso dos autos qualquer convenção entre particulares, mas sim decisão judicial e solução à consulta emanadas do próprio Poder Público (Judiciárío e Executivo), com o que se torna inaplicável o disposto no artigo 123, do CTN, invocado no auto de infração como regente dos fatos.” No decorrer de sua impugnação fez diversas citações a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais que entendia serem capazes de corroborar sua alegações. Ao final veio requerer o reconhecimento do seu direito aos créditos por terem sido erroneamente glosados e que seja aplicada ao caso a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 60/2006, devendo o lançamento ser julgado totalmente improcedente. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgala improcedente, em decisão que assim ficou ementada: Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.998 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008 INSUMO DESONERADO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as entradas isentas que se derem com fundamento no inciso III, do art. 82, do Decreto nº 4.544/02, irão garantir o direito ao crédito incentivado instituído pelo Decreto Lei nº 1.435/75, conforme disposição expressa do art. 175, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI 2002). INSUMO DESONERADO. DIREITO AO CRÉDITO. Não existe direito ao crédito na aquisição de insumo que não seja onerado pelo imposto, exceção feita aos casos em que a própria legislação do imposto prevê a possibilidade de créditos incentivados. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. A consulta deve circunscreverse a fato determinado, aplicandose a sua solução a situação não ocorrida somente se o fato concretizado for aquele sobre o qual versou a consulta previamente formulada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008 ELEMENTOS DE PROVA. Os elementos de prova no processo administrativo são, quando não mais é possível comprovar, in loco, a situação descrita pelo contribuinte, a sua escrituração fiscal regulamente realizada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se pode verificar do relatório acima transcrito, o auto de infração sob análise esta calcado em dois pontos distintos, um relativo a créditos decorrentes de aquisições da Amazônia Ocidental e o outro relacionado às saídas promovidas pela Recorrente sem tributação pelo IPI em decorrência de obrigação decorrente de decisões judiciais em favor de seus clientes. A controvérsia dos autos em relação ao primeiro item da fiscalização (001 – CRÉDITOS INDEVIDOS GLOSA DE CRÉDITOS POR FALTA DE REQUISITOS LEGAIS), diz respeito a aplicação do benefício instituído pelo Decreto Lei nº 1.475/75, com a redação dada pelo Decreto Lei nº 1.593/77, que assim determinava: "Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 2.999 9 estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA." (grifos nossos) Referido tratamento diferenciado restou regulamentado, à época dos fatos, pelo Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544/02, nos seguintes termos: Aquisição da Amazônia Ocidental Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto.(Decreto lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º)(grifos nossos) O art. 82, inciso III do RIPI/02 assim prescreve: Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). Assim, a Recorrente adquiriu produtos isentos, por força do art. 82, III do RIPI/02, de empresa situada na Amazônia Ocidental e creditouse do Imposto, como se devido fosse, com base no disposto no art. 175 do mesmo Regulamento. A autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos por entender que a Recorrente não cumpriu os requisitos para fazer jus ao credito presumido estabelecido na legislação acima transcrita. Para tanto analisou as notas fiscais de aquisição que davam conta que as mercadorias teriam sido compradas para comercialização e não como matéria prima a ser utilizada em seu processo de industrialização. Tal conclusão seria decorrente do fato de os fornecedores da Recorrente terem incluído nas notas fiscais de venda, mais especificamente no campo de observações complementares a informação de que o fundamento para a saída isente seria o disposto no art. 69, inciso II, do Decreto nº 4.455/02 que assim normatiza: Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 3.000 10 Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; e Tal informação confirmaria, no entender da fiscalização, que os produtos foram adiquiridos para comercialização, descarcterizandose assim a aquisição de matéria prima para industrualização. Vale destacar que os produtos que foram adquiridos são: a) da empresa ÓTIMO "OTIMAZON CONCENTRADO P/ BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS", classificação fiscal 21069010 Ex01; e, b) CONCENTRE foi "PLANA PREPARADO LÍQUIDO DA AMAZÔNIA NÃO ALC", classificação fiscal 21069010Ex01. Buscamos na Tabela TIPI que os produtos classificados no código 21069010Ex01 são “preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebidas da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado.” A Recorrente, por sua vez, aduziu, que o fato de as notas fiscais de aquisição informarem que o motivo da isenção ser o art. 69, II do RIPI/02, por erro de seus fornecedores, não desvirtua a natureza da operação efetuada (compras para industrialização) e que as mesmas notas fiscais citam o disposto no art. 6º do Decreto Lei . 1.435/75. Entendo que assiste razão em parte à Recorrente. A glosa dos créditos efetuada pela autoridade fiscal se fundamentou exclusivamente na informação existente no campo de informações complementares das notas fiscais de aquisição (art. 69), e a partir disto concluiu que os produtos adquiridos teriam a natureza de compras para comercialização. Não há nos autos nenhum outro indicio ou prova de que a Recorrente de fato revendeu tais mercadorias. Analisandose a descrição das mercadorias temse que, aparentemente, tratase efetivamente de matérias primas para a produção de bebidas não alcoólicas que foram registradas nos livros fiscais da Recorrente nos códigos CFOP 2.101 e 2.122 (ambos relacionados a compras para industrialização) É evidente que estas informações não são suficientes para garantir o direito ao crédito pela Recorrente, mas são suficientes para que este relator fique em duvida sobre os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal que acompanhou o Auto de Infração. Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 3.001 11 A Recorrente, de fato poderia ter trazido aos autos prova de que as mercadorias são utilizadas em seu processo produtivo, mas não o fez. Da mesma forma, a autoridade fiscal poderia ter aprofundado mais sua análise no sentido de aprofundarse no processo produtivo e no destino dos produtos adquiridos. O que importa saber é se as mercadorias foram adquiridas para revenda ou pra utilização em seu processo produtivo. Entendo ser necessária a apuração mais detalhada das atividades desenvolvidas pela Recorrente, para então se poder verificar se de fato as mercadorias foram adquiridas para industrialização ou para comercialização. Já em relação ao segundo item do auto de infração (IPI NÃO LANÇADO – BEBIDAS DO DECRETO nº 97.976/89 SAÍDAS SEM DESTAQUE DO IPI EM VENDAS PARA LEYROZ), me parece correta afirmação da decisão recorrida de que a matéria em discussão no processo é eminentemente de direito e diz respeito aos efeitos da consulta formulada em outra ocasião pela Recorrente. Tendo em vista a necessidade de maiores esclarecimentos em relação aos fatos descritos no item 1 do auto de infração, analisarei os argumentos aduzidos em relação ao item 2, após o retorno do presente processo da diligencia que passo a propor. Por todo o exposto acima, entendo por bem baixar o presente processo em diligência, para que a autoridade fiscal informe: a) junte ao processo as planilhas elaboradas pela Recorrente e que foram juntadas com a petição de fls 2.138; b) se os produtos "OTIMAZON CONCENTRADO P/ BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS" e "PLANA PREPARADO LÍQUIDO DA AMAZÔNIA NÃO ALC", ambos com classificação fiscal 21069010 Ex01, foram beneficiados e posteriormente comercializados, e quais insumos fora utilizados no processo; c) se as empresas fornecedoras estão situadas na ZFM ou na Amazônia Ocidental; e, Em relação ao segundo ponto, diante da ausência de informações contundentes sobre as decisões proferidas no processo envolvendo a empresa Leyroz, entendo por bem baixar o processo em diligência para solicitar à autoridade preparadora que solicite, a Recorrente e PGFN, informações sobre o andamento do processo judicial nº 2004.51.10.0064842, bem como cópia das principais peças deste. Caso não seja possível obter cópia das decisões judiciais proferidas diante de eventual segredo de justiça, determino que a DRF aguarde o trânsito em julgado do processo judicial, providenciando, em seguida, cópia de suas principais peças para que seja dada continuidade ao presente julgamento. Cumprida a diligência deve ser o Recorrente intimado para se manifestar a cerca do seu resultado. Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15563.720311/201151 Resolução nº 3303000.391 S3C3T3 Fl. 3.002 12 É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721684/2011-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 16 84 /2 01 1- 91 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 12.99.23.14.92.2240, no valor de R$ 59029,41, lavrada em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do segundo semestre de 2009. A interessada foi cientificada da exigência fiscal em 18/06/2011 e apresentou, em 04/07/2011, impugnação cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada alega nulidade da exigência por ter havido cerceamento de direito de defesa. Diz que o auto de infração não foi devidamente instruído com os documentos que o motivaram e nem mesmo com a DCTF que originou o ilícito tributário. Alega que sem o documento fiscal que motivou a presente multa não pode se defender da autuação. Argumenta que houve cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela anulação da multa aplicada. No mérito reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66). Sustenta que apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano de 2007 e que recolheu todos os tributos devidos que foram declarados na DCTF. No tópico seguinte a contribuinte sustenta a ilegalidade da multa por atraso da DCTF. Diz que somente a Lei pode criar obrigações acessórias e que a exigência de apresentação da DCTF, bem como a imposição de multas, não têm fundamento em lei. Na seqüência a interessada discursa sobre a natureza jurídica das obrigações acessórias, combate a delegação de competência procedida por meio do DecretoLei nº 2.124/84, dizendo que a mesma afronta os princípios da legalidade, da separação dos poderes e da indelegabilidade da competência tributária, e sustenta que as Instruções Normativas que instituem e obrigam a apresentação da DCTF não encontram amparo no ordenamento jurídico. Por fim, no último tópico, a interessada transcreve jurisprudências que, em seu entendimento, sustentam os posicionamentos por ela defendidos. Diante do exposto requer o acolhimento da impugnação, o reconhecimento da nulidade do lançamento e a suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do inciso III, art. 151. do CTN.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a denúncia espontânea, a teor do artigo 138 do CTN, não se presta ao afastamento de multa decorrente de não cumprimento ou cumprimento em atraso de obrigação acessória. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10850.721684/201191 Acórdão n.º 1801001.575 S1TE01 Fl. 3 3 Regularmente intimada a Recorrente apresenta Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos lançados em sua impugnação, requerendo ainda subsidiariamente a aplicação de penalidade mínima por não haver imposto a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Afasto a preliminar de nulidade por suposto cerceamento de defesa. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tendo possibilitado à Recorrente o oferecimento de ampla defesa. O fato de a DCTF apresentada em atraso, objeto da multa, não ter sido anexada ao auto de infração não compromete em nada a defesa da Recorrente, por tratarse de documento do qual possui pleno conhecimento. No mérito a matéria tratada nos autos já foi pacificada nesta turma, assim como sumulada nesta 1º seção, conforme transcrição do voto da Ilustre Relatora, Ana de Barros Fernandes, lançado no acórdão 1801001.523. “O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade de multa, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. “ Quanto à aplicação da penalidade mínima por suposta ausência de valor a pagar na DCTF observase que a multa foi corretamente aplicada tendo por base o valor declarado na respectiva declaração, ainda que integralmente pago. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Este é o disposto no artigo 10 da IN 695/2006: Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I – de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 º ; . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721815/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO
O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 1.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários.
A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35A da Lei 8.212/91.TAXA SELIC.
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91,
É nulo o lançamento quando se verifica vício formal de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada.
Numero da decisão: 2301-003.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que tange ao prazo decadencial, pelo uso da regra expressa no Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela utilização da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações principais, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; c) em dar provimento parcial ao Recurso, para determinar que a multa, no processo debcad 37.326.780-0, seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; d) em dar provimento ao recurso, na autuação por descumprimento de obrigação acessória (debcad 37.341.506-0), nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Luciana de Souza Espindola Reis, que votaram em anular a autuação pela existência de vício formal; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Adriano Gonzáles Silvério - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO - DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 1.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35A da Lei 8.212/91.TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, É nulo o lançamento quando se verifica vício formal de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que tange ao prazo decadencial, pelo uso da regra expressa no Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela utilização da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações principais, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; c) em dar provimento parcial ao Recurso, para determinar que a multa, no processo debcad 37.326.780-0, seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; d) em dar provimento ao recurso, na autuação por descumprimento de obrigação acessória (debcad 37.341.506-0), nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Luciana de Souza Espindola Reis, que votaram em anular a autuação pela existência de vício formal; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Adriano Gonzáles Silvério - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. PARCELAMENTO DE PARTE DO DÉBITO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO O pedido de desistência formulado pelo contribuinte é direito potestativo, contra o qual não cabe oposição pelo julgador, sobretudo quando é condição imposta pela Lei 1.941/2009 para adesão ao parcelamento dos créditos tributários. A renúncia à utilização da via administrativa por desistência, para inclusão de parte do débito lançado em parcelamento, é razão para não conhecimento do recurso interposto relativamente à essa parte, objeto da desistência. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 18 15 /2 01 1- 78 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35A da Lei 8.212/91.TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, É nulo o lançamento quando se verifica vício formal de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que tange ao prazo decadencial, pelo uso da regra expressa no Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela utilização da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, nas autuações por descumprimento de obrigações principais, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; c) em dar provimento parcial ao Recurso, para determinar que a multa, no processo debcad 37.326.7800, seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente; d) em dar provimento ao recurso, na autuação por descumprimento de obrigação acessória (debcad 37.341.5060), nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Luciana de Souza Espindola Reis, que votaram em anular a autuação pela existência de vício formal; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10830.721815/201178 Acórdão n.º 2301003.901 S2C3T1 Fl. 717 3 Adriano Gonzáles Silvério Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Luciana De Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério Fl. 718DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Relatório Tratase de Autos de Infração – AIOPs e AIOAs, lavrados contra o sujeito passivo em referência, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: AIOP DEBCAD nº 37.341.5036, contribuição da empresa + RAT, referente à retenção de que trata a Lei 9.711/98, presumidas como retidas pela Autuada na qualidade de tomadora de serviços prestados com cessão de mão de obra; AIOP DEBCAD nº 37.341.4994, contribuição da empresa + RAT, referente à retenção de que trata a Lei 9.711/98, retidas pela Autuada e não recolhidas Apr. Ind.; AIOP DEBCAD nº 37.341.5028, contribuição da empresa + RAT, relativa à glosa de compensação indevida, e a incidente sobre a remuneração de segurado empregado e contribuinte individual, não declarados em GFIP; AIOP DEBCAD nº 37.341.5010, contribuição dos segurados, não declarado em GFIP; AIOP DEBCAD nº 37.326.7819, contribuição dos segurados empregados, retida e não recolhida, referente à competência 13 de 2006 – Ap. Ind.; AIOP DEBCAD nº 37.341.5001, contribuição aos Terceiros AIOA DEBCAD 37.341.5044, CFL 30, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso I, combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso I, parágrafo 9o; AIOP DEBCAD nº 37.326.7789, CFL 34, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso II, combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso II, §§ 13 a 17; AIOP DEBCAD nº 37.326.7797, CFL 35, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida no art. 32, III, e § 11o, da Lei 8.212/91, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. AIOP DEBCAD nº 37.326.7770, CFL 38, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212/1991, artigo 33, §§ 2 e 3, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999; AIOP DEBCAD nº 37.326.7800, CFL 68, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212/1991, inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10830.721815/201178 Acórdão n.º 2301003.901 S2C3T1 Fl. 718 5 AIOP DEBCAD nº 37.341.5052, CFL 59, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 30, inciso I, alínea “a”, e/ou dos segurados contribuintes individuais conforme disposto na Lei 10.666/03, art. 4, caput, e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 216, inciso I, alínea “a”. AIOP DEBCAD nº 37.341.5060, CFL 22, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.218, de 29/8/1991, artigo 11, §§ 3º e 4. Segundo Relatório Fiscal (fls.120), é fato gerador da contribuição lançada, o pagamento de remuneração da empregada Miramar Correa de Oliveira, declarada nas GFIPs com o código de categoria do trabalhador 03, quando o correto seria “Categoria 01 empregado”, e as remunerações pagas aos contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa. A autoridade lançadora informa que a empresa não declarou na GFIP e nem recolheu as contribuições incidentes sobre o 13o salário de 2006, e que foram glosadas compensações de créditos inexistentes, pois, apesar de intimada por meio de TIF, a autuada não apresentou documentos comprobatórios ou esclarecimentos sobre a origem das compensações efetuadas. Relata ainda que a autuada foi tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra e reteve 11% sobre os valores das notas fiscais emitidas pelos prestadores listados no Relatório Fiscal, conforme registrado na conta contábil “INSS RETIDO S/ NFS A RECOLHER, e não recolheu a contribuição retida, bem como foi contratante da empresa PENSKE LOGISTCS, e deixou de reter e recolher a contribuição devida. Com relação aos descumprimento das obrigações acessórias, a autoridade lançadora esclarece, para cada AIOA, o que se segue: AIOA de CFL 30: a empresa deixou de discriminar todas as remunerações pagas aos trabalhadores contribuintes individuais em folhas de pagamento. AIOA de CFL 34: a empresa sistematicamente não registra, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, os lançamentos que são fatos geradores e os que não são; AIOA de CFL 35: a empresa deixou de apresentar, apesar de reiteradas intimações e do extenso prazo concedido, diversas informações e documentos, ali listados, o que, segundo o agente autuante, dificultou o trabalho da fiscalização; AIOA de CFL 68: a empresa deixou de informar, por meio de GFIP, parte da remuneração dos trabalhadores contribuintes individuais a seu serviço e de segurada empregada, bem como glosa de compensação indevida. A fiscalização esclarece que foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades menos severa para o contribuinte, sendo que, para as competências 01/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 11/2007, foi aplicada a multa anterior, por ser menos severa, e para as competências 12 e 13 de 2007, foi aplicada multa do Fl. 720DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 art. 35A, da Lei 8.212/91, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, em atenção ao disposto no art. 106, II, c, do CTN. AIOA de CFL 38: a empresa deixou de apresentar, apesar de reiteradas intimações e da concessão de prazo extenso, diversos documentos comprobatórios, como notas fiscais de empresas prestadoras; AIOA de CFL 59: a empresa deixou de arrecadar a contribuição previdenciária de alguns dos segurados empregados e contribuintes individuais, listados no anexo V; AIOA de CFL 22: a empresa deixou de apresentar, apesar de reiteradas intimações e da concessão de prazo extenso, o arquivo digital relativo às notas fiscais de serviços emitidas por terceiros prestadores de serviços, não sujeitas ao ICMS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05036.974, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 639), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 337), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2006 a 06/2006, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, uma vez que a ciência do auto se deu em 14/06/2011. No mérito, sustenta que o auto de infração deve ser cancelado tendo em vista a infringência do art. 142, do CTN. Reafirma que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, com a indicação de inclusão de todos os débitos, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 03, e transcreve resposta de consulta feita no sítio eletrônico da RFB, no sentido de que a recorrente poderia, sim, se beneficiar com a referida Lei. Insurgese contra a multa aplicada, argumentando inobservância do critério da razoabilidade e da proporcionalidade e que foi desconsiderada a capacidade contributiva do sujeito passivo. Entende que é ilegal a majoração em 50% da multa d ofício aplicada, como também a própria multa de 75%, aplicada no auto de infração em lide, por ter caráter confiscatório e malferir o disposto no inciso IV, do art. 150, da CF, como também é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para o cálculo de juros moratórios. Finaliza requerendo que seja considerada totalmente improcedente o crédito tributário lançado. Por meio da Resolução nº 2301000.367 (fls. 700), esta Turma decidiu, por maioria, converter o julgamento em diligência, tendo em vista a alegação da recorrente de que havia aderido ao Parcelamento. Em cumprimento à Decisão do CARF, a SRFB informou, por meio de Despacho de Encaminhamento, que os débitos lançados por meio dos AIs objeto do presente processo administrativo fiscal não foram incluídos em parcelamento, como também não consta apresentação de desistência do contencioso administrativo. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10830.721815/201178 Acórdão n.º 2301003.901 S2C3T1 Fl. 719 7 Cientificada do resultado da diligência, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega decadência de parte do débito Observase que o STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Todavia, no caso em tela, entendo que aplicase a regra contida no art. 173, do CTN, uma vez que, conforme telas extraídas dos sistemas informatizados da RFB, juntadas aos autos pela autoridade julgadora de primeira instância (fls. 634 a 638), verificase que não houve qualquer recolhimento nas competências 01/2006 a 06/2006, e os recolhimentos efetuados em 04/2006 a 06/2006 referemse a reclamatórias trabalhistas, não guardando qualquer relação com as contribuições ora lançadas, discutidas por meio do presente processo. Portanto, não houve adiantamento do tributo para os fatos geradores objeto dos AIs em tela, tratandose, dessa forma, de lançamento de ofício. O art. 173 citado estabelece que: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O lançamento se refere ao período de 01/2006 a 12/2007 e a sua ciência pelo sujeito passivo se deu em 14/06/11. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito lançado, já que para a competência 01/2006, iniciase a contagem em 01/01/2007, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do art. 173, I, transcrito acima. Portanto, o Fisco se encontra ainda no direito de cobrar as contribuições lançadas por meio dos AIs em tela. Assim, rejeito a preliminar de decadência. No mérito, constatase que a recorrente não nega a ocorrência dos fatos geradores ou as infrações cometidas, apontados pela fiscalização, como também não contesta as bases de cálculo apuradas ou as alíquotas aplicadas no cálculo das contribuições devidas, em seus valores originários. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10830.721815/201178 Acórdão n.º 2301003.901 S2C3T1 Fl. 720 9 Pelo contrário, ela confirma a correção do labor fiscal ao afirmar que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, com a indicação de inclusão de todos os débitos. Contudo, tenta demonstrar que o auto de infração deve ser cancelado tendo em vista a infringência do art. 142, do CTN, e alega ilegalidade da multa e juros aplicados. Entretanto, a recorrente apenas alega infringência , sem apontar em que os autos lavrados contrariam o art. 142, do CTN. Porém, da análise dos autos, constatase que o Relatório está claro e preciso, e os demais relatórios que integram os lançamentos trazem todas as informações necessárias para que a empresa exercite seu direito à ampla defesa e ao contraditório. As bases de cálculo e as alíquotas aplicadas encontramse discriminadas no relatório Discriminativo do Débito DD, por competência e por estabelecimento, e todos os valores recolhidos constam dos anexos dos AIs. Assim, não há que se falar em cancelamento dos AIOAs e AIOPs, já que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. A autoridade lançadora aponta, nos relatórios que integram os AIs, quais os fatos geradores que ensejaram a lavratura dos AIOPs, bem como relaciona, de forma discriminada, as obrigações acessórias descumpridas e os dispositivos legais infringidos, que deram origem aos AIOAs. Portanto, a motivação dos lançamentos discutidos é a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e do descumprimento de obrigações acessórias, o que restou comprovado no presente caso, mesmo porque a recorrente, em nenhum momento de seu recurso, negou tais ocorrências. Assim, verificase que os lançamentos estão devidamente precedidos de MPF válido, e os Autos foram lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que o integram, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura dos AIs e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Quanto à afirmação de que teria aderido ao parcelamento dos valores lançados, mais uma vez a recorrente apenas alega, mas não prova suas afirmações. Não consta, dos autos, elementos de que houve realmente a adesão alegada. A autuada reproduz resposta à consulta por ela realizada no sítio eletrônico da RFB, por meio da qual é informada de que ela poderá gozar dos benefícios da Lei 11.941/09. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Entretanto, ao contrário do que quer fazer crer a recorrente, o parcelamento não é automático. Ele deve ser requerido junto à unidade competente da RFB, na forma e condições de que tratam os arts. 1o, 2o e 3o da referida Lei, conforme estabelecido no caput do seu art. 11. O fato de a resposta obtida no site da RFB ser no sentido de ela poder aderir ao parcelamento não significa que ela aderiu, pois, para isso, ela deverá requerer sua adesão ao parcelamento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº6, de 22 de julho de 2009, que dispõe sobre pagamento e parcelamento de débitos junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, estabelece, em seu art. 15, que: Art. 15. Após a formalização do requerimento de adesão aos parcelamentos, será divulgado, por meio de ato conjunto e nos sítios da PGFN e da RFB na Internet, o prazo para que o sujeito passivo apresente as informações necessárias à consolidação do parcelamento. Dessa forma, não consta dos autos que a empresa autuada tenha formalizado o requerimento de adesão ao parcelamento. O documento intitulado “Recibo da Declaração de Inclusão da Totalidade dos Débitos no Parcelamento da Lei 11.941/2009”, juntado à impugnação, às fls. 528, foi apresentado em 01/06/2010, conforme protocolo, e os débitos discutidos nos presentes autos foram lavrados em 06/2011. Portanto, a recorrente alega, mas não prova, que os valores lançados são os mesmos que foram incluídos no parcelamento. Ademais, é oportuno esclarecer que, se ficasse evidenciado que os valores ora lançados foram incluídos em parcelamento, o recurso interposto pela recorrente não seria conhecido, pois, para viabilizar o parcelamento do valor devido, a recorrente deveria renunciar a quaisquer alegações de fato ou de direito sobre as quais se fundamenta o recurso. E, nos termos do art. 78, da Portaria 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, a renúncia à utilização da via administrativa por desistência é motivo para o não conhecimento do recurso. Todavia, em resposta à diligência determinada por essa Turma de Julgamento, a SRFB informou que não consta qualquer parcelamento do débito ora discutido, como também não consta renuncia ao contencioso administrativo. Portanto, passo à analise das demais alegações trazidas pela recorrente. A recorrente insurgese contra a multa e juros aplicados, alegando ilegalidade e inconstitucionalidade. Porém, sendo o lançamento um ato vinculado, o agente fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o descumprimento das obrigações acessórias, lavrou corretamente os AIOPs e AIOAs, respectivamente, em observância aos normativos legais que regem a matéria. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10830.721815/201178 Acórdão n.º 2301003.901 S2C3T1 Fl. 721 11 E o valor da contribuição foi acrescida de juros e multa, nos termos da legislação vigente à época do lançamento. A cobrança da multa moratória, de caráter irrelevável, é de natureza objetiva, isto é, não sendo recolhido no vencimento, incidirá multa, independente da intenção do agente. Conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, com a redação vigente à época, não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Neste sentido, o legislador, no exercício de seu poder político, entendeu razoável a gradação da multa moratória como forma de coibir a utilização indevida dos prazos processuais no âmbito do procedimento administrativo fiscal, razão pela qual a utilização dos percentuais determinados pelo art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, são perfeitamente aceitáveis, sendo certo que estes indicadores foram aplicados na presente autuação, observando, repitase, a legislação vigente. No que concerne à aplicação da SELIC, há que se cumprir a determinação do art. 34 da Lei n°8.212/91 cuja regulamentação está no art. 239, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, os juros e multa aplicados encontram fundamentos nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem os Auto de Infração, não podendo ser atenuados ou relevados. Como bem ressaltado pelo Relator do Acórdão combatido, vale reiterar que não houve, em qualquer dos autos de infração, a alegada “majoração em 50% da multa de ofício aplicada”, conforme insiste em afirmar a recorrente, mas apenas a imposição, em alguns deles, da multa moratória prevista na alínea “a” do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior ao advento da Medida Provisória nº 449/2008, enquanto, em outros, da multa de 75% a que alude o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 Quanto às alegações de inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC ,cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Salientese que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 E o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido, não há que se falar em ilegalidade ou inconstitucionalidade dos juros e multas aplicadas. Contudo, em relação ao AIOP DEBCAD nº 37.341.5060, CFL 22, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.218, de 29/8/1991, artigo 11, §§ 3º e 4, entendo que assiste razão ao recorrente com relação ao valor da penalidade imposta. Da análise dos autos, verificase que o referido AI foi lavrado por ter a empresa deixado de apresentar arquivo digital relativo às notas fiscais de serviços emitidas por terceiros prestadores de serviços, não sujeitas ao ICMS. Pelo descumprimento da obrigação acessória descrita, a autoridade autuante aplicou penalidade com fundamento no art.12, inciso II e parágrafo único, da Lei 8.218/91. Porém, verificase que, no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas, ou que contenham incorreções ou omissões. De fato, a Lei 8.212/91, que é a lei específica que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio, estabelece, em seu art. 32, inciso III, que: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na Fl. 727DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10830.721815/201178 Acórdão n.º 2301003.901 S2C3T1 Fl. 722 13 forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” E, nos termos do art. 92 do mesmo diploma legal, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Cumprindo seu papel regulamentador, o Decreto 3.048/99, em seu art. 283, inc. II, alínea “j”, veio dispor que: “Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira”;(grifei) Assim, entendo que, em se tratando de contribuições previdenciárias, não há qualquer razão para se aplicar a penalidade prevista na Lei 8.218/91, uma vez que existe legislação específica que trata da matéria. Ademais, o art. 112, do CTN, determina que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Dessa forma, entendo que, no caso do Auto de Infração ora discutido, deveria ter sido observado o disposto na Lei 8.212/91, c/c art. 282, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por se tratarem de normas legais específicas para as contribuições previdenciárias. Portanto, há de ser julgado NULO o Auto de Infração DEBCAD nº 37.341.5060, em virtude de ocorrência de VÍCIO de natureza formal e de caráter insanável, sem prejuízo da aplicação da penalidade administrativa de forma correta, caso a fiscalização entenda cabível. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por nulidade, o AIOA DEBCAD nº 37.341.5060, por vício formal. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Redator Designado Ouso discordar da conclusão da Conselheira Relatora em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.341.5060, pois não vislumbro a ocorrência de mero equívoco formal, a permitir que a autoridade administrativa aproveite o mesmo ato adequandoo à legislação de regência da multa, conforme a Lei 8.212/91. Como visto, o bem colocado no voto da Conselheira Relatora, a regra jurídica aplicável ao caso não é outra senão a do artigo 32, inciso III, da Lei nº 8.212/91. Houve, portanto, equívoco quanto a aplicação da lei ao caso concreto, o que põe em xeque os requisitos básicos do ato administrativo de lançamento, tais como motivação, fundamentação legal, etc. Demonstrado, no curso do processo administrativo, que a motivação e a fundamentação legal do auto de infração não subsiste no plano fático, não é possível manter a exigência fiscal que lhe é subjacente. Essa deficiência impede a manutenção do auto de infração, já está maculado nos seus pressupostos válidos de existência no ordenamento jurídico, conforme doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santi, em sua obra, Lançamento Tributário, 2ª Ed. Max Limonad, página 109: “A motivação é o antecedente suficiente do conseqüente do ato norma administrativo. Funciona como descritor do motivo do ato que é fato jurídico. Implica declarar, além do (i) motivo do ato [fato jurídico], o (ii) fundamento legal (motivo legal) que o torna fato jurídico, bem como, especialmente nos atos discricionários, (iii) as circunstâncias objetivas e subjetivas que permitam a subsunção do motivo do ato ao motivo legal.” Fl. 729DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10830.721815/201178 Acórdão n.º 2301003.901 S2C3T1 Fl. 723 15 O preclaro autor vai adiante e assinala que se a motivação não for adequada à realidade do fato então o ato administrativo não é passível de validação (pág. 110); “Porém, se faltar a motivação, ou se esta for falsa, i.é., não corresponder à realidade do motivo do ato, ou dela não decorrer nexo de causalidade jurídica com a prescrição do atonorma (conteúdo), então, por ausência de antecedente normativo, o ato norma é invalidável.” Nesse sentido, VOTO no sentido conhecer o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO em relação ao Auto de Infração DEBCAD nº37.341.5060. Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Fl. 730DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 28/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10510.900494/2012-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 94 /2 01 2- 70 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 30/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 08/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 30/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900494/201270 Acórdão n.º 3803006.193 S3TE03 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11128.003933/2004-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/06/2003
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURADO O CONTRADITÓRIO E O EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, a quem foi oportunizado o contraditório e o pleno exercício do direito defesa, na forma da legislação vigente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/06/2003 TRÂNSITO ADUANEIRO. MERCADORIA EXTRAVIADA. APLICAÇÃO DE MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é passível de aplicação ao transportador a multa por falta de licença de importação de mercadorias extraviadas, submetidas ao regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/06/2003 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. COBRANÇA DE TRIBUTO SEM MULTA DE MORA. REVOGAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS QUE TIPIFICAVAM A INFRAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. 1. Se o fundamento da aplicação da multa de ofício isolada foi a cobrança dos impostos devidos sem a multa de mora, infração tipificada no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1986, e no art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 1964, uma vez revogados tais dispositivos, por força do princípio da retroatividade benigna, deixa de existir o fundamento legal que amparava a cobrança da referida multa. 2. Em relação ao ato não definitivamente julgado, aplicase retroativamente a lei que deixe definir o fato como infração (art. 106, II, “a” do CTN). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/06/2003 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURADO O CONTRADITÓRIO E O EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 39 33 /2 00 4- 71 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Não é passível de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, a quem foi oportunizado o contraditório e o pleno exercício do direito defesa, na forma da legislação vigente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatória integrante do acórdão de primeiro grau, a seguir transcrito: Contra o interessado acima identificado foram lançadas as multas de ofício relativas ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados, além da multa pela falta de guia de importação, todas relativas ao trânsito aduaneiro não concluído DTA nº 03/01555966 de 27/06/2003. Segundo consignado na descrição dos fatos e documentos que instruem o presente processo, a operação de trânsito aduaneiro, iniciada na EADI/DEICMAR de Santos e tendo como destino a EADI/AURORA de Sorocaba, não foi concluída. A transportadora alegou que as mercadorias foram roubadas. Intimada em 07/02/2006, a interessada apresentou impugnação e documentos em 09/03/06, juntados às fls. 17 e seguintes, alegando, em síntese: 1. Alega preliminarmente que as multas ora exigidas já foram objeto de cobrança através da Intimação nº 003/2004, expedida nos autos do processo administrativo nº 11128.004582/200334, pelo que, pede a nulidade da autuação. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.003933/200471 Acórdão n.º 3102002.201 S3C1T2 Fl. 101 3 2. Ainda em preliminares, alega a nulidade processual pela ilegitimidade da parte passiva no lançamento. Afirma que também deveria integrar a lide a responsável solidária FLEXTRONICS INTERNATIONAL TECNOLOGIA LTDA, empresa importadora. Cita doutrina sobre o tema. 3. Não concluiu a operação de trânsito por motivos alheios a sua vontade. Ocorreu roubo das mercadorias, conforme cópia de boletins de ocorrência, fls. 97 a 105. Alega que logo após o fato, comunicou o ocorrido à repartição fiscal de destino, demonstrando inequívoco interesse na solução dos fatos. 4. Argumenta que o roubo torna impossível a conclusão da operação de trânsito, caracterizando caso fortuito ou força maior nos termos do art. 595 do atual Regulamento Aduaneiro, sendo portanto fato excludente de responsabilidade. Cita doutrina e jurisprudência judicial sobre o tema. 5. Alega que não é contribuinte do II e do IPI. 6. Alega que não ocorreu o fato gerador do IPI, qual seja, o desembaraço aduaneiro, pelo qual entende que não há fato gerador para a multa do IPI. 7. Alega que segundo o art. 645 do RA, as multas referentes ao II/IPI somente são devidas nos casos de lançamento de ofício. Alega que o presente caso não se encaixa nessa hipótese. Cita jurisprudência administrativa. 8. Alega incabível a multa do art. 633, II, “a” do RA pois, não figura a impugnante como importadora. Alega que as mercadorias em trânsito estão sujeitas a licenciamento automático, sendo indevida portanto a multa pela falta de licenciamento. Alega violação do Princípio da Legalidade. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. 9. Alega a ilegalidade e a inconstitucionalidade da taxa SELIC. Cita jurisprudência judicial. 10. Requer a realização das diligências elencadas às folhas 33 e 34. 11. Requer a realização de prova pericial com a posterior apresentação dos quesitos. 12. Tece considerações sobre a ampla defesa. 13. Requer por fim que seja considerado improcedente o presente auto de infração. Sobreveio a decisão primeira instância (fls. 545/565), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente e o crédito tributário mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Fl. 874DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Data do fato gerador: 27/06/2003 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. NÃO CONCLUSÃO. 1. A responsabilidade aduaneira pelas obrigações fiscais assumidas em termo de responsabilidade é objetiva. 2. O boletim de ocorrência não prova o crime. Constitui prova, apenas, de comunicação à autoridade policial. Falta prova de que o transportador adotou as cautelas necessárias e não agiu culposamente. 3. Ocorre o fato gerador do IPI com o desembaraço para trânsito e o imposto tornase exigível com a apuração do extravio da mercadoria. Inconformada com a referida decisão, em 15/7/2008, a autuada apresentou o recurso voluntário de fls. 609/699, em que reafirmou as razões aduzidas na fase impugnatória. Em aditamento, em síntese, alegou nulidade do auto de infração por: a) vício formal insanável, porque não fora intimada a se manifestar sobre resultado da diligência que culminou com a juntada aos autos do processo nº 1128004582/200334; e b) cerceamento do direito de defesa, porque não fora realizada a vistoria aduaneira oficial. Na Sessão de 03 de fevereiro de 2010, por meio da Resolução nº 3102 00.102, o julgamento foi convertido em diligência, para que fosse solicitado esclarecimentos da autoridade policial e da companhia seguradora da carga. Do primeiro, se a comunicação de delito gerou a instauração de inquérito policial e, em caso afirmativo, quais foram as conclusões do referido inquérito, bem assim se, em tais investigações, foram coletados indícios que ponham em dúvida a veracidade das declarações prestadas pela vitima. Do segundo, a apresentação de cópia da apólice de seguro e da solicitação de indenização relativa ao pré falado sinistro e, de posse dessas informações, fosse solicitado diretamente a companhia seguradora que informasse se a referida indenização fora paga e, em caso negativo, qual seria o motivo da negativa. Concluídas tais providencias, fosse elaborado parecer circunstanciado e concedida oportunidade ao sujeito passivo para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Findo tal prazo, independentemente de manifestação, os autos deviam retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento a referida diligênica, foram expedidos ofícios (fls. 733/737) à Delegacia de Polícia de São Roque (SP), local de ocorrência do noticiado roubo, e à 91ª Delegacia de Polícia de São Paulo (SP), local de lavratura do Boletim de Ocorrência nº 002885/2003, com o mencionada questionamento sobre o inquérito policial. Não houve resposta. Regularmente intimada (fl. 729/730), instruindo a petição de fls. 741/751, a autuada trouxe aos autos os seguintes documentos: a) Cópia autenticada do Termo de Compromisso firmado pela empresa Flextronics Intl. Tecnologia Ltda. (fl. 781), solicitando a fumigação das embalagens, bem como o Termo de Responsabilidade com a solicitação de autorização para remoção dos contêineres sob regime de trânsito aduaneiro com destino ao Eadi Aurora Terminais (fl. 783); b) Cópia autenticada do Boletim de Ocorrência n° 2885/2003 emitido em 12.07.2003 pela 91ª Delegacia de Policia que descreve a ocorrência do roubo das mercadorias Fl. 875DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.003933/200471 Acórdão n.º 3102002.201 S3C1T2 Fl. 102 5 submetidas ao Regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA n° 03/01555966 (fls. 785 a 789); c) Cópia autenticada da Apólice se Seguro n° 1020004754 emitida pelo Unibanco AIG, tendo como objeto as mercadorias pertencentes a terceiros entregues para a autuada efetuar o transporte rodoviário, dentro do período de 24 horas do dia 30.06.2003 até as 24 horas do dia 30.06.2004 (791 a 805); d) Cópia autenticada da Apólice se Seguro n° 1020009220 emitida pelo Unibanco AIG, tendo como objeto as mercadorias pertencentes à terceiros entregues para a autuada efetuar o transporte rodoviário, dentro do período de 24 horas do dia30.06.2003 até as 24 horas do dia 30.06.2004, garantindo eventuais perdas e danos às mercadorias transportadas (fls. 807 a 817); e) Cópia autenticada do “Relatório de Sindicância” emitido pela Buonny Gerenciamento de Riscos SC Ltda., relatando a confirmação do roubo das mercadorias transportadas sob regime de trânsito aduaneiro pela autuada (fls. 819 a 829); f) Cópia autenticada do “Recibo de Quitação Geral de Sinistro”, pelo qual a empresa Flextronics Intl. Tecnologia Ltda. declara receber da autuada a importância total de R$ 152.933,34, referente à indenização total dos prejuízos apurados no sinistro ocorrido em 11/07/2003 (fls. 831 a 833). Na citada petição, a autuada ainda esclareceu que os citados documentos: a) eram válidos quando da ocasião do roubo, sendo que a carga transportada era objeto do seguro firmado pela autuada com o “UNIBANCO AIG SEGUROS”; b) demonstravam que a recorrente indenizara a importadora (FLEXITRONICS INTERNACIONAL TECNOLOGIA), em decorrência do extravio/roubo das mercadorias; c) comprovavam que o extravio/roubo das mercadorias deuse por razões alheias a sua vontade, ou seja, pela ocorrência de caso fortuito ou de força maior, que caracterizava excludente responsabilidade, nos termos do art. 595 do RA/2002. Por meio do Parecer Circunstanciado de fls. 836/841, a autoridade fiscal diligenciante prestou os seguintes esclarecimentos relevantes: a) as apólices dos seguros relativos à carga e aos veículos de placas BQD2114 e BSG1080, cobrindo o dia do roubo (11/07/2003), foram apresentados (fls. 791/817); b) a autuada apresentara apenas prova de que ela própria indenizara o seu cliente, a Flextronics Intl. Tecnologia Ltda. (fls. 831/833), mas não apresentara a prova a solicitação de indenização à UnibancoAIG para o recebimento da indenização decorrente dos prejuízos advindos do noticiado sinistro, que lhe fora solicitada; c) a conclusão apresentada pela Buonny Gerenciamento de Riscos SC Ltda., no “Relatório de Sindicância” de fls. 819/829, devia ser visto com as necessárias reservas, pois a emitente fora contratada pela autuada, não coletou evidência alguma sobre o noticiado roubo e assentara sua conclusão no Boletim de Ocorrência Policial registrado pelo motorista da autuada; e d) esse tipo de ocorrência integrava o risco da atividade empresarial abraçada pela autuada (“caso fortuito interno”) e não devia ser transferido para a sociedade sob a forma de não pagamento do tributo devido. Em 1/4/2013 (fls. 843/844), a recorrente foi intimada a, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestarse sobre o citado Parecer. Em resposta, por meio da petição de fls. 845/854, em síntese, a recorrente alegou que: a) não poderlheia imputar o ônus probatório de questões relativas à veracidade do alegado anteriormente; b) se havia dúvida sobre à Fl. 876DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 legitimidade das alegações por ela anteriormente apresentadas, cabia à fiscalização, integral e exclusivamente, produzir e colher todo o material probatório que entendesse necessário ao deslinde do fato duvidoso; c) a documentação apresentada era suficiente para elucidação dos fatos; d) era ciente do risco da atividade empresarial, mas isso nada tinha a ver com o caso fortuito interno, sob pena do instituto das excludentes da responsabilidade jamais ser aplicado; e) um roubo não configurava hipótese de risco assumido com atividade empresarial, tampouco prejuízo ao erário e à sociedade; f) fora vítima de roubo, em razão da ausência de policiamento nas rodovias; g) ante inação estatal, não era razoável recolher imposto sobre o que foi objeto de roubo; e h) citou jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região que confirmava a sua tese de excludente de responsabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme delineado no relatório precedente, a controvérsia envolve questões preliminares e de mérito. I Da Análise das Questões Prelimares Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade da autuação por (i) não ter sido intimada do resultado da diligência realizada por determinação da autoridade julgadora de primeira instância, (ii) ilegitimidade passiva, (iii) indeferimento parcial das diligências pleiteadas, (iv) não realização de vistoria aduaneira oficial e (v) e reiterou os pedidos de realização de diligência e perícia. Das preliminares de nulidade. As três primeiras, já foram analisadas por este Colegiado, na assentada de 3 de fevereiro de 2010, quando, por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 3102 00.102, o julgamento foi convertido em diligência, para fim de complementação da instrução probatória, especificamente, para apresentação de documentos e esclarecimentos da autoridade policial e da companhia de seguros, que corroborassem os elementos de prova coligidos aos autos pela recorrente na fase impugnatório. Por ter participado da referida Sessão de julgamento e por estar em consonância com o entendimento deste Relator, aqui adotase, como razão de decidir, os fundamentos exarados, com esmero, nos excertos do voto condutor do citado julgado, da lavra do i. ExConselheiro e digníssimo ExPresidente desta Turma Ordinária, Luis Marcelo Guerra de Castro, a seguir transcritos: Antes de adentrar no mérito, há que se enfrentar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido que, a meu ver, devem ser afastadas. Com efeito, apesar da recorrente não ter sido intimada da juntada do processo 11128.004582/200434 não vejo Fl. 877DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.003933/200471 Acórdão n.º 3102002.201 S3C1T2 Fl. 103 7 materializada violação à regra insculpida no § 3°1 do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972 3. A uma porque o processo em questão diz respeito a cobrança movida contra a própria recorrente, de modo que não foram juntados fatos que não fossem do seu conhecimento. A duas, e mais importante, tal juntada foi requerida pela própria recorrente, afastando a alegação de complementação do lançamento. Não vejo, ainda, nulidade atrelada ao indeferimento parcial das diligências pleiteadas pelo sujeito passivo, devidamente fundamentado na convicção do julgador de primeira instância acerca da sua desnecessidade, bem assim no descumprimento das exigências fixadas no inciso IV do art. 162 do Decreto n° 70.235, de 1972, fato capaz de conduzir aplicação do § 1° do mesmo artigo3. Obviamente, isso não significa que o órgão julgador ad quem, vendo presente a necessidade de aprofundar a investigação, faça uso da faculdade gizada no art. 29 do mesmo Decreto n° 70.2354. Não vejo, ademais, erro na eleição do sujeito passivo. O transportador é, efetivamente, responsável solidário pelo recolhimento dos tributos e acréscimos decorrentes do extravio de mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de trânsito aduaneiro. Nesse particular, a redação do art. 32, I do Decretolei n° 37, de 1966, após alteração promovida pelo Decretolei n° 2.472, de 1988, é clara: Art. 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno;[...] A responsabilidade aí consignada não se confunde com a modalidade “solidária”, enumerada nos incisos do parágrafo único do mesmo art. 32, quis o legislador que, na hipótese, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos recaísse exclusivamente sobre o transportador. 1 §3°. Quando, em exames posteriores, diligencias ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, sera lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Parágrafo acrescido pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) 2 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. 3 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligencia ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. 4 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligencias que entender necessárias. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Resta analisar ainda a alegação de nulidade do Auto de Infração, por falta de realização de vistoria aduaneira. Segundo a recorrente, no caso em tela, em que houve roubo de mercadorias importadas, submetidas ao regime especial de transito aduaneiro, era imprescindível a realização da vistoria aduaneira oficial, sob pena de nulidade processual, por cerceamento ao direito de defesa, na medida não fora oportunizada a manifestação do responsável, inclusive em relação às cláusulas excludentes da responsabilidade pela indenização do prejuízo à Fazenda Nacional, conforme previsão legal contida no artigo 595 do RA/2002. O procedimento de vistoria aduaneira, no período em que realizado o procedimento fiscal, encontravase previsto no art. 581 do Regulamento Aduaneiro de 20025 (RA/2002), a seguir transcrito: Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível (Decretolei no37, de 1966, art. 60, parágrafo único). § 1º A vistoria será realizada a pedido, ou de ofício, sempre que a autoridade aduaneira tiver conhecimento de fato que a justifique, devendo seu resultado ser consubstanciado em termo próprio. § 2º No caso de remessa postal internacional, a vistoria atenderá ainda às normas da legislação específica. § 3º Não será efetuada vistoria após a saída da mercadoria do recinto de despacho. (grifos não originais) Da simples leitura do § 3º em destaque, extraise que o procedimento de vistoria aduaneira não será efetuado após a saída da mercadoria do recinto alfandegado onde realizado o despacho, no caso, o despacho para trânsito aduaneiro. Foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, haja vista que, conforme Boletim de Ocorrência de fls. 197/201 e Declaração de Trânsito Aduaneiro de fls. 215/217, o suposto roubo ocorreu após a saída da carga do recinto alfandegado da jurisdição da Alfândega do Porto de Santos. Dessa forma, no caso em comento, ao contrário do que alegou à recorrente, é vedada a realização do procedimento de vistoria aduaneira. Logo, fica demonstrada a improcedência da alegação recorrente no sentido de que era imprescindível a realização da vistoria aduaneira no caso em apreço. Com base nas razões anteriormente aduzidas, rejeitase todas as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Dos pedidos de realização de diligência e perícia. No pedido de diligência reiterado no recurso em apreço, a recorrente pleiteou que fosse: a) expedido ofício a autoridade policial, para fim de comprovação do assalto a mão armado de que fora vítima; b) apensado aos autos o processo nº 11128.004582/200334; e c) intimada à DRF/Sorocaba, para prestar esclarecimentos sobre o extravio das mercadorias e enviar o Processo n° 19675.000380/200329, em tramitação naquele Órgão e que tratava da mesma questão, para apensação aos autos. 5 Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, com as alterações do Decreto nº 4.765, de 24 de junho de 2005. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.003933/200471 Acórdão n.º 3102002.201 S3C1T2 Fl. 104 9 Todas as solicitações foram atendidas. Com efeito, em atenção ao despacho fls. 175/177, antes da decisão de primeiro grau, foram colacionadas aos autos (fls. 193/537) as cópias das partes relevantes do processo nº 19675.000380/200329 (fls. 353/355) e integral do processo nº 11128.004582/200334(fls. 193/537). E em atenção a diligência determinada por este Colegiado, foram expedidos os ofícios de fls. 733/737, endereçados à Delegacia de Polícia de São Roque (SP), local de ocorrência do noticiado roubo, e à 91ª Delegacia de Polícia de São Paulo (SP), local de lavratura do Boletim de Ocorrência nº 002885/2003, porém, sem qualquer resposta. No que tange ao pedido de perícia formulado, além de prescindível, ele é inefica, pois não atende aos requisitos fixados no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, doravante denominado de PAF, e nesta condição, em conformidade com disposto no § 1º do mesmo art. 16, o citado é considerado não formulado. Por todas essas razões, rejeitase o pedido de perícia e considerase superado o pedido de diligência formulado, uma vez que atendidas todas as providências nele consignadas. II Da Análise das Questões de Mérito. No mérito, a recorrente alegou a insubsistência das autuações com base no argumento de que (i) estava caracterizada a excludente de resposabilidade pela ocorrência de caso fortuito ou de força maior, (ii) não houve dano à Fazenda Nacional, (iii) não ocorreu o fato gerador do IPI, (iv) incabível a exigência de multa de ofício calculada sobre o II e IPI devidos se não ocorreu qualquer fato tipificado como declaração inexata, (v) era indevida a aplicação da multa por falta de licenciamento da importação, pois não era importador e não havia promovido a importação de quaisquer mercadorias e (vi) ilegalidade da cobrança dos juros com base na taxa Selic, cuja inconstitucionalidade fora reconhecida pelo STJ. Previamente à análise da excludente de responsabilidade, é oportuno analisar a legalidade da cobrança das referidas multas, pois se estas forem indevidas, consequentemente, tornase despicienda a apreciação da citada eximente de responsabilidade. Da legalidade da cobrança das multas de ofício isoladas. No recurso em apreço, a recorrente alegou que era incabível a exigência das multas de ofício aplicadas, em face da não ocorrência de qualquer fato que pudesse ser tipificado como declaração inexata. O motivo da cobrança das referidas multas de ofício não foi a falta de apresentação de declaração inexata, como alegou a recorrente, mas a cobrança do II e do IPI sem o acréscimo da multa de mora, conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que integram os Autos de Infração de fls. 5/21, que seguem transcritos: MULTA DE OFÍCIO DO II Motivação: As mercadorias ingressaram em território nacional e foram objeto de operação de trânsito não concluída, sendo devidos, porisso, o imposto de importação II, o imposto sobre produtos industrializados IPI, e as multas correspondentes. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 O II (imposto de importagio) e o IPI (imposto sobre produtos industrializados) estão sendo exigidos através do Processo n ° 11128.004582/200334. Enquadramento Legal: Arts. 43 e 44, Inciso I [II] e § 1°, Inciso I, da Lei 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO DO IPI Motivação: As mercadorias ingressaram em território nacional e foram objeto de operação de trânsito não concluída. Sendo assim os tributos devidos são do imposto de importação II e o imposto sobre produtos industrializados IPI, bem como os acréscimos legais. Obs: O II (imposto de importação) e o IPI (imposto sobre produtos industrizalizados) estão sendo exigidos através do processo n° 11128.004582/200334. Enquadramento Legal: Arts. 43 e 44, Inciso I e § 1°, Inciso II, e art. 45, da Lei 9.430/96. Na data da lavratura dos referidos Autos de Infração (6/7/2004), os preceitos legais que embasaram a aplicação das questinadas multas de ofício tinham a seguinte redação: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafoúnico. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; [...] Fl. 881DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.003933/200471 Acórdão n.º 3102002.201 S3C1T2 Fl. 105 11 Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: (Revogado pela Lei nº 11.488, de 2007) "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. ...................................................................................." (grifos não originais) Em seguida, a Lei nº 11.488, de 2007, revogou o art. 45 e deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e ao art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, que seguem transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado);(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. I (revogado); [...] (grifos não originais) Por sua vez, com base nos Termos de Inscrição de Dívida Ativa colacionado aos autos (fls. 533/537), verificase que a cobrança do II e do IPI foi feita sem a multa de mora, Fl. 882DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 portanto, em consonância com disposto no art. 44, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 1964, que foram revogados pela Lei nº 11.488, de 2007. Assim, com a revogação dos referidos preceitos legais, que respaldavam a cobrança da multa de ofício isolada de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de pagamento do tributo sem o recolhimento da multa de mora, certamente, deixou de existir a previsão legal da referida infração. Por conseguinte, como se trata de ato não definitivamente julgado, ao caso em tela, deve ser aplicado o benefício da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, “a”, do CTN, e cancelada a cobrança das referidas multas por falta de amparo legal. Da multa por falta de licenciamento na importação. A recorrente alegou que era indevida a aplicação da multa por falta de licenciamento da importação, prevista no art. 633, II, do RA/2002, pois não era importadora e tampouco havia realizado a importação de quaisquer mercadorias. Ademais, as mercadorias importadas e extraviadas, submetidas ao regime de trânsito aduaneiro, ao amparo da DTA nº 03/01555963, estavam sujeitas a licenciamento automático, razão pela qual tornavase indevida a exigência da penalidade de multa por falta de LI. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que integram os Autos de Infração de fls. 5/21, consta a seguinte descrição e enquadramento legal para a referida multa por falta de LI, in verbis: Motivação: Mercadoria importada ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente, pois adentrou no territorio nacional sem a devida autorização, infringindo o controle administrativo das importações. Com o advento do SISCOMEX, o licenciamento de importação substituiu a guia de importação. O beneficiário/transportador responsabilizouse pelo crédito tributário sobre ela incidente e o § 3º do artigo 74 do Decreto Lei nº 37/66, faculta à autoridade aduaneira exigir que o despacho aduaneiro de trânsito seja efetuado cam os requisitos exigidos no despacho de importação para consumo. Enquadramento Legal: Art. 490 do Decreto n° 4.543/02. Antes de analisar os argumentos suscitados pela recorrente, é pertinente trazer a lume preceitos legais que amparam a aplicação da multa em questão, ou seja, os art. 490, combinado com o art. 633, II, “a”, do RA/2002, e art. 74, § 3º, do Decretolei nº 37, de 1966, que seguem transcritos: RA/2002 Art. 490. A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex. § 1º A manifestação de outros órgãos, cujo controle a mercadoria importada estiver sujeita, também ocorrerá por meio do Siscomex. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.003933/200471 Acórdão n.º 3102002.201 S3C1T2 Fl. 106 13 § 2º No caso de despacho de importação realizado sem registro de declaração no Siscomex, a manifestação dos órgãos anuentes ocorrerá em campo específico da declaração ou em documento próprio. § 3º Os Ministros de Estado da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior determinarão, de forma conjunta, as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento. [...] Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): [...] II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e [...] (grifos não originais) Decretolei nº 37, de 1966 Art. 74 O termo de responsabilidade para garantia de transporte de mercadoria conterá os registros necessários a assegurar a eventual liquidação e cobrança de tributos e gravames cambiais. § 1º A mercadoria cuja chegada ao destino não for comprovada ficará sujeita aos tributos vigorantes na data da assinatura do termo de responsabilidade. § 2º Considerada a natureza do meio de transporte utilizado, o regulamento poderá estabelecer outras medidas de segurança julgadas úteis a permitir, no ponto de destino ou de saída do território aduaneiro, a identificação da mercadoria. § 3º É facultado à autoridade aduaneira exigir que o despacho de trânsito seja efetuado com os requisitos exigidos no despacho de importação para consumo. (grifos não originais) O referido art. 74 foi regulamentado pelo art. 290 do RA/2002, que tem a seguinte a redação: Art. 292. O transportador deverá apresentar a mercadoria submetida ao regime de trânsito aduaneiro na unidade de Fl. 884DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 destino, dentro do prazo fixado, na forma estabelecida na Subseção II da Seção VI deste Capítulo. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) § 1o O transportador que não apresentar a mercadoria no local de destino, na forma e no prazo referidos no caput, ficará sujeito ao cumprimento das obrigações assumidas no termo de responsabilidade, sem prejuízo das penalidades cabíveis (Decretolei no 37, de 1966, art. 74, § 1o). § 2o Na hipótese do § 1o, os tributos serão os vigentes à data da assinatura do termo de responsabilidade, acrescidos dos encargos legais (Decretolei no 37, de 1966, art. 74, § 1o). Da leitura combinada dos art. 74 e art. 290, extraise que são exigidos do ingitado responsável apenas os tributos devidos, vigentes na data da assinatura do termo de responsabilidade, acrescido apenas dos encargos legais, ou seja, da multa de mora e dos juros moratórios, que são os encargos decorrentes da mora no pagamento dos tributos na data do vencimento. Ademais, as penalidades cabíveis de que trata a parte final do § 1º do art. 290, certamente, são as penalidades de natureza administrativa (sanções administrativas), previstas no art. 746 da Instrução Normativa SRF nº 248, de 25 denovembro de 2002. Da simples leitura do texto extraído da Descrição dos Fatos, anteriormente transcrito, verificase que, para fim de aplicação da multa por falta LI, a autoridade fiscal, com respaldo no art. 74, § 3º, do Decretolei nº 37, de 1966, equiparou a operação de trânsito aduaneiro à operação de importação. Essa equiparação, evidentemente, não tem suporte no citado art. 74, § 3º, do Decretolei nº 37, de 1966. A uma, porque o dito preceito legal trata dos requisitos do termo de responsabilidade que, expressamente, assegura apenas a cobrança de tributos, acrescido dos encargos legais, por conseguinte, excluída qualquer autorização para cobrança de penalidade pecuniária de natureza diversa da multa de mora. A duas, porque, em face do teor do caput, os requisitos de que trata referenciado § 3º são, induvidosamente, os requisitos formais do despacho aduaneiro de importação, o que exclui qualquer possibilidade de aplicação analógica do referido preceito legal, com vistas a cobrança de multa por infração administrativa ao controle das importações. Dessa forma, se a equiparação feita fiscalização não encotra guarida no citado preceito legal, ela contraria o disposto no art. 97, V, do CTN, que assegura que somente a lei pode estabelecer “cominaçaõ de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela defidas.” Tratase da aplicação do princípio da legalidade no âmbito das infrações e penalidades tributárias. 6 Art. 74. Sem prejuízo de outras responsabilidades ou penalidades, as ocorrências definidas no art. 72 serão punidas com as seguintes sanções: I advertência, quando atingidos ou ultrapassados vinte pontos; e II suspensão da habilitação, quando atingidos ou ultrapassados quarenta pontos. § 1º A penalidade de suspensão será aplicada quando o sistema indicar que foram atingidos ou ultrapassados os pontos estabelecidos neste artigo, reiniciandose sua contagem a partir da aplicação de suspensão anterior, se for o caso. § 2º Para determinar o prazo da suspensão, serão computados tantos dias quantos forem os pontos acumulados nos últimos vinte e quatro meses, independentemente de aplicação de sanção nesse período. § 3º A habilitação também será suspensa na hipótese de descumprimento do disposto no § 2º do art. 10, até a regularização da pendência. ( Incluído pela IN SRF 262, de 20/12/2002 )" Fl. 885DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 11128.003933/200471 Acórdão n.º 3102002.201 S3C1T2 Fl. 107 15 Além disso, nos termos do art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, nos casos de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à sua natureza ou circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Tratase do príncípio do in dubio pro reo, que, na dúvida quanto a aplicação da penalidade, assegura que a interpretação deve ser favorável ao acusado. Portanto, se para fim de aplicação da multa por falta de LI, capitulada no art. 633, II, “a”, do RA/2002, não havia preceito legal que amparasse a equiparação da operação de importação à operação de trânsito aduaneiro, certamente, a autoridade fiscal não podia fazêlo, sob pena grave transgressão ao primado da legalidade e ao princípio do in dubio pro reo, respectivamente, previstos nos arts. 97, V, e art. 112 do CTN. Por todas essas razões, fica evidenciado que a conduta praticada pela recorrente não se subsume ao tipo da infração administrativa ao controle das importações, consistente na importação de mercadoria sem licença de importação, descrito no art. 633, II, “a”, do RA/2002, logo, por falta de tipicidade, deve ser cancelada a cobrança da respectiva multa. III Da Conclusão Por todo o exposto, votase por (i) rejeitar as preliminares nulidades suscitadas e indeferir o pedido de diligência e perícia formulados e, no mérito, (ii) DAR PROVIMENTO ao recurso, para que seja cancelada a cobrança das multas aplicadas. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 886DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 16327.000911/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 91 1/ 20 07 -7 9 Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.519 2 RELATÓRIO Tratase de analisar recursos voluntário contra o Acórdão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP que manteve o lançamento. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: DA AUTUAÇÃO Conforme os Termos de Verificação de Infração n° 01 (fls. 17/22) e n° 02 (fls.23/31), em fiscalização empreendida junto à instituição financeira supramencionada, o autuante verificou em síntese que: 1. Na linha 30 da Ficha 05b outras despesas operacionais da DIPJ/2005, a instituição fiscalizada registrou a parcela de R$7.563.347,98 (fls.09). Esta rubrica incluiu a conta 8.1.9.50.00, denominada "despesas de cessão de créditos" com saldo acumulado, em 31/12/2004, no valor de R$6.212.802,30 (fls.63 do Anexo I). 1.1. Em relação à operação de cessão de créditos, a contribuinte apresentou, juntamente com a resposta (fls.87/95 do Anexo I) ao Termo de Intimação Fiscal n° 18 (fls.74/76 do Anexo I), os "documentos de liquidação financeira das operações" de fls.78/86 do Anexo I, num total de R$1.757.251,06, conforme apurado na primeira planilha de fls. 18. 1.2. Conhecendose o valor líquido da carteira de créditos e o produto da venda, é possível se deduzir o valor de custo adotado para as operações, pela equação: custo dos créditos cedidos = valor líquido da carteira + produto da venda, ou seja, R$7.970.053,36 (=R$6.212.802,30 + R$1.757.251,06). 1.3. Há que se observar que a escrituração fiscal da contribuinte apontou na Parte B, do LALUR n° 13, às fls. 11, o valor de R$5.472.285,44, como saldo de abertura do período de apuração iniciado em 01/01/2004 para a conta fiscal Provisão para Devedores Duvidosos PDD (fls.65/67 do Anexo I). 1.4. Na mesma folha do LALUR consta que a contribuinte contabilizou, a título de reversão de PDD, a importância de R$8.570.857,36. Esta importância compôs o lucro líquido do exercício (fls. 10 linha 42, da ficha 06b, da DIPJ/2005) e também foi objeto de exclusão do lucro líquido para fins de apuração do lucro real (fls. 11 linha 22, da ficha 09b, da DIPJ/2005). 1.4.1. Ressaltese que o valor de reversão de PDD em comento superou o valor total da apropriação contábil como custos das cessões de créditos em questão, que foi de R$7.970.053,56. Nestas circunstâncias presumese que as cessões de créditos foram consideradas nesta reversão, à falta de elementos de prova individualizados. Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.520 3 1.5. Pelos elementos e esclarecimentos apresentados ao Fisco, todos os créditos estavam provisionados em nível de 100% do valor presente, ou financeiro, do crédito (base de custo da cessão). 1.5.1. Tendo em vista que os créditos já estavam provisionados em nível de 100%, tais valores de provisão constariam da escrituração fiscal da Parte B do LALUR na conta própria de PDD, como resultado de adições feitas em períodos anteriores a 2004. 1.5.2. Caso houvesse simetria pura entre estes valores, o saldo da conta própria de PDD seria maior ou igual ao valor ativo total dos créditos" Entretanto isso não aconteceu em 2004, pois o saldo de abertura da conta fiscal da PDD era R$5.472.285,44. Este valor representa não um direito líquido e certo da contribuinte, mas um valor potencial de direitos, cuja realização depende de eventos futuros. Assim, nem toda adição assegura futura exclusão. À conta fiscal de PDD devem também ser imputadas as baixas que não geram direito à exclusão do lucro líquido na parte A do LALUR. Em suma, o citado valor é o limite do direito a ser exercido. 1.6. A cessão de um conjunto de créditos, provisionados em períodos de apuração anteriores, é fato que enseja a redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL até o valor exato do que fora provisionado na escrituração comercial e também adicionado e mantido na escrituração fiscal. Não há a possibilidade legal de a redução ser superior ao saldo de abertura da conta fiscal correspondente. 1.7. No caso em tela, houve um excesso de redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no montante de R$2.497.767,92, conforme o demonstrativo de fls.22. 2. Na DIPJ/2005, ficha 09b linha 33 outras exclusões, constatouse o registro da importância de R$2.245.573,18 (fls.ll), composta de uma parcela de perdas em créditos Lei n° 9.430/96, no montante de R$1:810.249,02 (fls.72 do Anexo II). 2.1. Ao verificar as perdas no recebimento de crédito supramencionadas, o Fisco apurou ilicitudes, que foram consolidadas por meio das três tabelas de fls.30/31, da seguinte forma: a) Primeira tabela (créditos informados na lista classificada como varejo): nesta situação a norma exige procedimento judicial instaurado conforme a letra 'c', do inciso II, do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96, ainda que o crédito consignado fosse tomado como crédito não garantido. b) Segunda tabela (créditos sem garantia real valores superiores a R$5.000,00 e inferiores a R$30.000,00 créditos informados na lista classificada como varejo): estes créditos só poderiam ser marcados depois de transcorrido um ano do prazo de vencimento, ainda que se presuma que todas as marcações ocorreram em dezembro de 2004, conforme estabelece a letra 'b', do inciso II, do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96. c) Terceira tabela (créditos com garantia real alienação fiduciária): o Fisco impugnou informações referentes a duas ações judiciais: cl) Contrato n° 15059/01: houve substituição do devedor original por uma segunda pessoa, chamada de financiado cessionário, num contrato celebrado em 2003, tendo por garantia a alienação fiduciária de um caminhão. Esta nova relação jurídica se iniciou, Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.521 4 portanto, em 2003. A instituição menciona ação ajuizada em 2001. Independente da ação judicial, não houve o interregno temporal de dois anos. c.2) Contrato n° 15227/03: não houve observação quanto ao transcurso de dois anos a contar da data do vencimento, visto que o próprio contrato foi celebrado em outubro de 2003, enquanto que as perdas foram marcadas em 2004. 2.2. Constatase, assim, que nas situações precedentes houve inobservância estrita das condições estabelecidas em lei para marcação dos créditos como perda presumida, nos termos do que consta do art.9°, da Lei n° 9.430/96. A totalização destas infrações atinge a importância de R$343.467,05, que se toma por valor tributável. Em decorrência das constatações feitas pela Fiscalização, em 19/06/2007 foram lavrados os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de fls.32/37 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de fls.38/43, com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto Arte. 9o e 10, da Lei n° 9.430/96; arte. 249,1, 250, II, 251 e parágrafo único, 255, 264, 269, e 340, do RIR/99; PN CST 347/70. 97.216,12 Juros de Mora (calculados até 31/05/2007) Ait. 6o, §2°, da Lei n° 9.430/96. 75.417,84 Multa de Ofício (75%) Ait. 44,1, da Lei n° 9.430/96. 72.912,08 TOTAL .045.546,04 Demonstrativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Ait. 2° e §§, da Lei n°. 7.689/88; ait. 1° da Lei n° 9.316/96 e ait. 28 da Lei n° 9.430/96; ait.37, da Lei n° 10.637/02. 78.997,80 Juros de Mora (calculados até 31/05/2007) Ait. 28 c/c 6o, §2°, da Lei n° 9.430/96. 3.150,42 Multa de Ofício (75%) Ait. 44,1, da Lei n° 9.430/96. 34.248,35 TOTAL 76.396,57 Da impugnação A contribuinte apresentou a impugnação de fls.50/76, protocolizada em 19/07/2007 e acompanhada dos documentos de fls.77/427, alegando em síntese que: Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.522 5 1. Os créditos cedidos não estão, necessariamente, provisionados a 100% de seu valor, isto porque, em algumas situações, eles estão provisionados a alíquotas diferentes, em razão da classificação imposta ao crédito pelas normas do Banco Central do Brasil, tendo a provisão contabilizada variado entre 50% a 100% para os créditos cedidos a terceiros. 1.1. Às fls. 162 e 163 constam laudos de avaliação de créditos cedidos, em que os mesmos têm classificação "H", cuja provisão é 100%, e "F", cuja provisão é de 50%. 2. Os valores das reversões e constituições das provisões para crédito de liquidação duvidosa levadas a efeito na contabilidade da impugnante neste período, conforme demonstrativo abaixo, forma constituições de provisões consideradas como não dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e reversões destes saldos, considerado como não tributáveis nos montantes apresentados na primeira planilha de fls. 5 7, a saber: a) Constituição de provisões: R$7.946.890,01 (1º semestre)| R$734.098,86 (2o semestre), num total do ano de R$8.680.988,87. Às fls.l19/123 consta o valor do razão da respectiva conta, que demonstra a constituição das respectivas provisões. b) Reversão de Provisões: R$6.334.495,36 (Io semestre) e R$2.236.362,00 (2o semestre), num total do ano de R$8.570.857,36. Às fls.124/125 consta a conta do razão da respectiva conta, que demonstra a reversão dos respectivos saldos. 2.1. O valor revertido no primeiro semestre, no montante de R$6.334.495,36, é o saldo que consta no balanço da impugnante de 31/12/2003 na Provisão para Devedores Duvidosos (rubricas 1.6.9; 1.7.9; 1.8.9), conta redutora do ativo circulante, conforme a DIPJ/2004 de fls. 160/161. 2.2. O procedimento adotado pela impugnante é de se reverter o saldo da provisão existente no ano anterior em janeiro do ano seguinte, e fazer os respectivos ajustes de constituições de provisões e reversões durante o período base. 2.3. Às fls.57/59 da impugnação, a contribuinte reproduz informações de saldos em 31/12/2003 e 31/12/2004, extraídas dos registros contábeis do livro razão das seguintes contas: 1.6.9 (cópias do razão de fls. 127/147); 1.7.9 (cópias do razão de fls. 148/153); e 1.8.9 (cópias do razão de fls. 154/158). 2.4. A somatória das contas supracitadas resulta em R$6.334.495,36, que é exatamente o saldo das contas que foram revertidas em janeiro de 2004 e excluídas da tributação no Io semestre deste ano. 2.5. Ocorre que o total de reversões de provisão do ano de 2004, conforme atesta o agente fiscal, foi de R$8.570.857,36, ou seja, foram revertidos saldos de provisões constituídos no próprio ano de 2004 num montante de R$2.236.362,00. 2.6. Conforme atestam as contas de razão em setembro de 2004 (fls. 124), por ocasião da venda de créditos em setembro de 2004 é que foi revertida a maior parcela deste saldo, qual seja, o montante de R$2.199.859,33, fato a demonstrar que houve reversão de saldo constituído no próprio ano, que ainda não consta do LALUR do ano anterior. 2.7. Portanto, a alegação constante do Termo de Verificação n° 1, segundo a qual somente poderia ser excluído da tributação o valor do saldo do LALUR em 31/12/2003, Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.523 6 não observou que tal saldo é estático, enquanto que a contabilidade do período foi ajustada por provisões e reversões. Logo, a conclusão do Fisco é equivocada, devendo ser levada em consideração, para fins tributários, a reversão de provisão do próprio ano, sob pena de se tributar algo que não representa renda ou lucro. 2.8. Na parte B do LALUR da impugnante falta a inclusão do valor das provisões de crédito de liquidação duvidosa que foram objeto de transferência via incorporação da empresa do grupo, Industrial do Brasil Arrendamento Mercantil S/A, ocorrida em 01/10/2003, conforme consta do ato societário de incorporação de fls. 106/118. O saldo da parte B do LALUR da Industrial do Brasil Arrendamento Mercantil S/A, em 21/12/2003 é no montante de R$213.680,25 (fls. 159). 2.9. Logo, o saldo de PDD do LALUR não é o mesmo da contóbilidalde\ em função de não ser computado o saldo da PDD da empresa incorporada. O saldo da provisão, contábil em 31/12/2003 que deve ser considerado é o valor de R$6.334.495,36. 3. Não há que se fazer relação entre o saldo do LALUR de R$5.472.285,44 e o saldo da baixa pela venda dos créditos a terceiros, que são valores distintos entre si. 3.1. Tal saldo do LALUR é relativo ao anocalendário de 2003, enquanto que, na reversão dos saldos de provisões de 2004, a impugnante reverteu valores relativos ao próprio ano de 2004, ou seja, houve reversão de saldo de provisão do próprio anocalendário, no montante de R$2.236.362,00. 3.2. O valor do custo dos créditos baixados pela venda à empresa securitizadora foi de R$7.970.053,36 [R$6.212.802,30 (saldo das despesas) + R$1.757.251,06 (valor recebido)]. 3.3. Na venda de créditos, em que consta a Provisão para Devedores Duvidosos, a impugnante adotou o seguinte procedimento: debitou a conta que registra a provisão de devedores duvidosos, que pode estar registrada nas contas 1.6.9, 1.7.9 ou 1.8.9, contra a conta de reversão de provisões, referentes às rubricas da conta 7.1.9.90. A baixa da carteira é efetuada contra a despesa de cessão 8.1.9.50 para se apurar o ganho ou prejuízo na venda dos créditos. 3.4. Portanto, as contas de provisão não se misturam às contas de apuração de resultados financeiros na venda de créditos, já que possuem tratamentos fiscais distintos. 4. O cálculo de excesso de redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL efetuado pelo Fisco está equivocado, na medida em que o valor dos créditos vendidos, e o respectivo prejuízo apurado, nada tem a ver com o saldo do LALUR. 5. O Fisco glosou o valor de R$343.467,05, correspondente à soma de diversos contratos, cujas deduções de seus respectivos saldos devedores não teriam respeitado os termos do art.9°, da Lei n° 9.430/96, relacionados em três grupos no Termo de Verificação Fiscal n° 02 (fls.30/31). 5.1. Em relação ao Grupo 2 do Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte apresentou a planilha de fls.68/69, na qual inseriu a coluna "data da inadimplência vencimento antecipado", por meio da qual verificase que todos os contratos glosados pelo Fisco venceram Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.524 7 há, no mínimo, um ano antes das deduções dos respectivos créditos, conforme se comprova pelos "relatórios de detalhes de cobrança de crédito" de fls. 172/401. 5.2. Em relação ao Grupo 1 (contrato n° 4603240) e aos contratos de n° de ordem de 1 a 7 do Grupo 3 (fls.70), o montante a ser recebido não justifica o valor gasto para se obter tal recebimento. 5.2.1. Nos casos específicos dos presentes autos, verificase que os respectivos devedores são pequenos produtores rurais, cujos endereços são de dificílimo acesso, localizados em cidades do interior de outros Estados (contrato n° 4603240 fls. 164/171; e contratos de n° de ordem 1,2,4, 5 e 6 fis.404/427). 5.2.2. Não é financeiramente compensador o ajuizamento de ação em comarca distante para a tentativa do recebimento de valores de pequeno montante em endereços ermos, pois, nestes casos, é certo que os custos dos procedimentos de recebimentos: superariam o valor dos créditos. 5.3. Relativamente aos contratos de n° de ordem 9 e 15 do Grupo 3 (contratos de n° 15059/01 e 15227/03), mesmo admitindo que os créditos não pudessem ser baixados no ano de 2004, deveria admitirse a possibilidade de sua baixa em 2005, pois a condição de dedutibilidade relativa ao ajuizamento da ação fora cumprida. 5.3.1. O Fisco deveria ter conferido a tais créditos o tratamento de postergação, já que foi apurado menos tributos no ano de 2004 e, em compensação, foram apurados mais tributos nos anos subsequentes, ao não se apropriar os créditos referentes aos contratos de n° 15059/01 e 15227/03 e glosados pelo lançamento de ofício, os quais seriam dedutíveis em 2005. Verificado o recolhimento de tributos nos períodos posteriores fica configurado o recolhimento do tributo que se deixou de recolher anteriormente, ocorrendo a postergação do recolhimento, conforme o disposto no item 6 do Parecer Normativo COSIT n 0 2, de 28/08/96. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. PERCENTUAIS DE CONSTITUIÇÃO. REGRAS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL. A constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa é regida de acordo com as normas do Banco Central do Brasil, que estabelecem percentuais mínimos de constituição em função dos níveis de risco das operações de crédito. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.525 8 As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase apenas quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, fato que deve ser comprovado, e não apenas alegado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A procedência do lançamento de IRPJ, relativo a receitas que deixaram de ser oferecidas à tributação, implica a manutenção da exigência fiscal de CSLL decorrente dos mesmos fatos. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 463 a 493) , repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, bem assim contestando os novos argumentos trazidos pela DRJ como será melhor delineado no voto e trazendo aos autos como refutação novas provas. É o relatório Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.526 9 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente foi autuada por cometido 02 (duas) infrações legais: (1) indedutibilidade das despesas relacionadas as perdas na realização de cessão de créditos na apuração do lucro real por não terem sido comprovadas. (2) indedutibilidade das despesas relacionadas aos créditos com perdas presumidas por não ter sido atendidos os requisitos do art. 9º da Lei n. 9430/96, conforme as três tabelas discriminadas no TVF (Fls..30/31): 2a) Primeira tabela (créditos informados na lista classificada como varejo): nesta situação a norma exige procedimento judicial instaurado conforme a letra 'c', do inciso II, do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96, ainda que o crédito consignado fosse tomado como crédito não garantido. 2b) Segunda tabela (créditos sem garantia real valores superiores a R$5.000,00 e inferiores a R$30.000,00 créditos informados na lista classificada como varejo): estes créditos só poderiam ser marcados depois de transcorrido um ano do prazo de vencimento, ainda que se presuma que todas as marcações ocorreram em dezembro de 2004, conforme estabelece a letra 'b', do inciso II, do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96. 2c) Terceira tabela (créditos com garantia real alienação fiduciária): o Fisco impugnou informações referentes a duas ações judiciais: (...) 2cl) Contrato n° 15059/01: houve substituição do devedor original por uma segunda pessoa, chamada de financiado cessionário, num contrato celebrado em 2003, tendo por garantia a alienação fiduciária de um caminhão. Esta nova relação jurídica se iniciou, portanto, em 2003. A instituição menciona ação ajuizada em 2001. Independente da ação judicial, não houve o interregno temporal de dois anos. 2c.2) Contrato n° 15227/03: não houve observação quanto ao transcurso de dois anos a contar da data do vencimento, visto que o próprio contrato foi celebrado em outubro de 2003, enquanto que as perdas foram marcadas em 2004. (...) Na peça impugnatória a Recorrente tenta sanar tais dúvidas e inconsistências levantadas pelo fiscal autuante, explicando melhor a metodologia adotada para a apuração de suas perdas no recebimento de créditos, bem assim detalhando melhor algumas informações. A DRJ, por sua vez, aprofunda a investigação a partir dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, mas mantém a glosa em função de não se dar por satisfeita com as provas trazidas aos autos, aduzindo em síntese o seguinte: a) não teria sido comprovado a contabilização de provisões em percentuais inferiores a 100% do valor dos respectivos créditos em questão, já que não teria especificado, de forma pormenorizada e individual, quais seriam os créditos envolvidos nas operações a que se refere; b) como a fiscalização teria se limitado ao período de 2004, seriam válidos os pressupostos utilizados de que o saldo da conta PDD no início do período foi de R$ 5.472.285,44 e, além disso, a falta de inclusão do saldo de PDD da empresa incorporada Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.527 10 deveria ser comprovado com cópias do LALUR do anocalendário anterior à autuação (2003) da Recorrente, o que não foi feito; c) ao contestar o saldo inicial da conta PDD, a Recorrente teria: incorrido em equívoco, pois afirmou que a conta de PDD apurada no valor do Balanço Patrimonial deveria ter o mesmo valor de controle da conta de PDD do LALUR, o que não seria correto, uma vez que os valores controlados na parte B do LALUR não correspondem ao valor das contas de patrimônio apuradas por ocasião do levantamento do Balanço Patrimonial; d) não teria sido comprovado também a reversão das provisões no valor de R$ 2.199.859,33, uma vez que o registro no Livro Razão apresentado, embora constem dois lançamentos que totalizam esse valor, não aparecem as contrapartidas, pois os registros apresentados foram sintéticos e não analíticos; e e) o questionamento da Recorrente de que o critério utilizado pela fiscalização para a determinação do excesso tributável de IRPJ e CSLL seria improcedente, uma vez que a Recorrente teria apresentado apenas urna documentação genérica e não detalhada que comprovasse o seu direito. Como se vê, as razões apresentadas pela DRJ se calcam em questionamento eminentemente probatório que a meu ver precisa de uma melhor investigação. Embora a Recorrente não tenha prestado os esclarecimentos e detalhamentos necessários quando da autuação, trouxe à colação na fase impugnatória e recursal indícios de provas que a meu ver precisariam de uma resposta mais satisfatória do que a que foi dado pela decisão de piso. Concordo com a DRJ que a situação que se apresenta, os esclarecimentos prestados e detalhamentos feitos até então não são suficientes para se atestar a veracidade dos fatos alegados pela Recorrente, mas discordo da conclusão de que isso conduziria necessariamente à manutenção da glosa.. Ademais, com os novos elementos trazidos aos autos na fase recursal a situação é de indeterminação e não de certeza de algo nem para um lado nem para o outro, merecendo no caso a investigação ser aprofundada, mormente diante da grande quantidade de documentos que seriam necessários ser colacionados aos autos para a comprovação que se faz necessária, no caso por exemplo, da segunda infração. Por outro lado, tal investigação na se trata de inovação do lançamento. Tenho pautado os meus votos em relação a esse aspecto em algumas premissas de forma a dar coerência nas situações que enfrento no sentido de saber se uma determinada situação conduziria ou não à inovação do lançamento. O que segue a baixo é muito mais no intuito de subsidiar os debates com os demais Conselheiros. A primeira situação é aquela em que a decisão de piso se utiliza de argumento subsidiário a fim de corroborar ainda mais o fundamento de determinado auto de infração , ou seja, quando se trata de um argumento que não é independente, que por si só não sustentaria o auto de infração. Nessa situação, se a DRJ estiver correta, esse argumento subsidiário ao principal apenas dota este último de maior robustez, caso contrário, a manutenção do lançamento dependerá apenas da validez do argumento original que fundamentou o auto de infração. Vale salientar que esse não é o caso concreto. Outra situação é quando as condições para se provar uma determinada situação de fato ou de direito são independentes uma da outra e cumulativas, mas tanto uma quanto a outra condição se apresenta factível de investigação ao mesmo tempo, sem necessariamente uma condição servir de prejudicial ao aparecimento da outra condição. Tal caso, é mais Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.528 11 complexo e irá depender do contexto. Pois o autuante, pela lógica, poderia apenas dar por satisfeito para autuação quando qualquer uma das duas condições se mostrar não satisfeita. Isso não quer dizer que o contribuinte para provar a veracidade de uma situação jurídica bastasse comprovar a condição não satisfeita. A última situação, que espelha o caso concreto, é um pouco diferente e mais clara quanto ao seu desfecho. É aquela situação em que também existem várias condições para o aproveitamento de uma determinada prerrogativa ou para que uma situação jurídica se apresente como provada. Essas condições se mostram também cumulativas, mas diferente da situação anterior, uma determinada condição só se abre, ou seja, só tem razão de ser ou de se investigar quando satisfeita a condição anterior. É a típica situação de a primeira situação ser chamada por isso de “prejudicial”. Nessa situação específica quando o contribuinte consegue provar a prejudicial (primeira condição), por óbvio que isso por si só não pode ser suficiente. Se essa prova for fácil, o que se espera que o contribuinte já em fase impugnatória ou recursal já logre êxito em tomar a iniciativa e fazer essa prova. Dou alguns exemplos, se o contribuinte, em uma prejudicial, não consegue nem provar que pagou IR no exterior, não haveria porque o fiscal avançar e perquirir a respeito do oferecimento à tributação do rendimento que deu origem àquele recolhimento. Da mesma forma, se em sede de pedido de restituição, o contribuinte não consegue provar a retenção, não há porque o despacho denegatório investigar se a receita foi ou não oferecida à tributação. A situação do caso concreto a meu ver se enquadra justamente nessa última hipótese. O autuante ao não dar por satisfeito a composição de uma determinada rubrica, seja por inconsistências apresentadas, seja por falta de detalhamento que lhe permitiria aprofundar a investigação, glosou a despesa por essa situação de fato que se lhe apresentou. Nesse momento, ontologicamente, não se abria a hipótese levantada pela DRJ de verificação da comprovação documental de determinada conta contábil que só se apresentou após o detalhamento feito pelo contribuinte em sede impugnatória. Da mesma forma, na medida em que tal situação não configura inovação, também não pode ser considerada não comprovada pela DRJ na medida em que o contribuinte por si só não trouxe aos autos o que em uma situação normal a investigação seria levada a cabo pelo fiscal autuante, mormente quando tal tarefa implique em uma quantidade grande de provas a serem colhidas e demonstradas como é o caso. Dou como exemplo, a falta do livro LALUR de 2003 para provar o saldo de abertura da conta PDD DE 2004, bem assim o fato de não ter sido comprovado também a reversão das provisões no valor de R$ 2.199.859,33, “uma vez que o registro no Livro Razão apresentado, embora constem dois lançamentos que totalizam esse valor, não aparecem as contrapartidas, pois os registros apresentados foram sintéticos e não analíticos”. Em sede recursal, a Recorrente apresenta laudos individualizados dos créditos cedidos, a partir dos quais, segundo ela, pode ser constatado que a alegação de que todos os créditos cedidos estariam 100% provisionados seria equivocada. Em relação ao PDD que foi objeto de transferência via incorporação, como já se disse, a DRJ alegou também a falta do Lalur da empresa incorporadora no anocalendário de 2003. A Recorrente juntou cópias do respectivo Livro LALUR de 31/12/2003, 31/12/2002, 31/12/2001 e 31/12/2000. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e diante da apresentação de novas provas que foram reclamadas pela DRJ e que a falta da análise dela poderia comprometer o lançamento, por Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000911/200779 Resolução nº 1401000.292 S1C4T1 Fl. 2.529 12 precaução, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Em relação à primeira infração,intimar novamente a recorrente e levar a cabo a investigação iniciada pela DRJ/Recife e contestada em Recurso Voluntário, dessa feita levando em consideração também as novas provas trazidas aos autos tanto em sede impugnatória quanto recursal, ressalvado o fornecimento de informações e documentos adicionais que entender necessários. Em relação à segunda infração, especificamente em relação a Tabela 2,segundo a Recorrente todos os contratos relativos a esse tipo de crédito haviam vencido, no mínimo há um ano, sendo que a data de vencimento do contrato é aquela em que o devedor se torna inadimplente, em razão da cláusula de vencimento antecipado. Investigar se essa informação é verdadeira e se for o caso extrair as conseqüências devidas dela. Em relação à segunda infração, especificamente em relação a Tabela 3, alega a Recorrente a ocorrência de postergação “uma vez que em não sendo possível se baixar a perda em 2004, forçosamente o seriam em 2005, nos moldes do Parecer Normativo CST 2/96. A DRJ afirmou que o contribuinte não trouxe a prova dessa postergação. Uma vez que o processo foi baixado em diligência por conta dos outros tópicos, em nome da verdade material, oportunizar à Recorrente a prova dessa alegação. Se for o caso, refazer a base de cálculo de apuração do IRPJ e CSLL. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 14751.720223/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. MÚLTIPLOS VÍNCULOS. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP.
O segurado obrigatório do RGPS que vier a exercer suas atividades profissionais, nessa condição, em mais de uma empresa, deverá informar ao seu empregador que atingiu o teto do salário-de-contribuição. Cabe à Empresa declarar a existência de múltiplos vínculos de segurados nas GFIP correspondentes, devendo manter arquivadas cópias dos comprovantes de pagamento ou a declaração apresentada pelos segurados, para fins de apresentação a RFB, enquanto não prescrever/decair o direito de o Fisco cobrar/lançar o tributo.
LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. COMPROVAÇÃO.
É do segurado contribuinte individual o ônus de informar e comprovar à empresa contratante a condição de prestar serviços a mais de uma empresa, com vistas a não sofrer desconto da contribuição previdenciária a seu cargo acima do limite máximo do Salário de Contribuição, e da empresa, o dever de guarda da documentação comprobatória de tal condição.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS.
Os transportadores autônomos que exercem, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, ou que prestam serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, são qualificados, para fins previdenciários, como segurados contribuintes individuais, nos termos das alíneas g e h do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa como aplicada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Léo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96).
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. MÚLTIPLOS VÍNCULOS. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP. O segurado obrigatório do RGPS que vier a exercer suas atividades profissionais, nessa condição, em mais de uma empresa, deverá informar ao seu empregador que atingiu o teto do salário-de-contribuição. Cabe à Empresa declarar a existência de múltiplos vínculos de segurados nas GFIP correspondentes, devendo manter arquivadas cópias dos comprovantes de pagamento ou a declaração apresentada pelos segurados, para fins de apresentação a RFB, enquanto não prescrever/decair o direito de o Fisco cobrar/lançar o tributo. LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. COMPROVAÇÃO. É do segurado contribuinte individual o ônus de informar e comprovar à empresa contratante a condição de prestar serviços a mais de uma empresa, com vistas a não sofrer desconto da contribuição previdenciária a seu cargo acima do limite máximo do Salário de Contribuição, e da empresa, o dever de guarda da documentação comprobatória de tal condição. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. Os transportadores autônomos que exercem, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, ou que prestam serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, são qualificados, para fins previdenciários, como segurados contribuintes individuais, nos termos das alíneas g e h do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa como aplicada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Léo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. MÚLTIPLOS VÍNCULOS. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP. O segurado obrigatório do RGPS que vier a exercer suas atividades profissionais, nessa condição, em mais de uma empresa, deverá informar ao seu empregador que atingiu o teto do saláriodecontribuição. Cabe à Empresa declarar a existência de múltiplos vínculos de segurados nas GFIP correspondentes, devendo manter arquivadas cópias dos comprovantes de pagamento ou a declaração apresentada pelos segurados, para fins de apresentação a RFB, enquanto não prescrever/decair o direito de o Fisco cobrar/lançar o tributo. LIMITE MÁXIMO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. COMPROVAÇÃO. É do segurado contribuinte individual o ônus de informar e comprovar à empresa contratante a condição de prestar serviços a mais de uma empresa, com vistas a não sofrer desconto da contribuição previdenciária a seu cargo acima do limite máximo do Salário de Contribuição, e da empresa, o dever de guarda da documentação comprobatória de tal condição. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 02 23 /2 01 1- 70 Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. Os transportadores autônomos que exercem, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, ou que prestam serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, são qualificados, para fins previdenciários, como segurados contribuintes individuais, nos termos das alíneas ‘g’ e ‘h’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa como aplicada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Léo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deveria ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.645 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008. Data da lavratura dos Autos de Infração: 28/11/2011. Data da Ciência dos Autos de Infração: 28/11/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Recife/PE que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 37.327.4297 e 37.327.4305, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, bem como a contribuição previdenciária a cargo dos segurados, incidente sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 49/67. De acordo com o Relatório Fiscal, são fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados não amparados por regime próprio de previdência social (detentores de cargos eletivos, contratados por prazo determinado, comissionados), apuradas conforme levantamentos EE, EE2; SE e SE2, obtidas das diferenças entre folhas de pagamento e correspondentes GFIP, bem como a remuneração de segurados contribuintes individuais, apuradas conforme levantamentos EC; TR; TR1, SC, UN e UN2. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 4372/4380 e 4402/4410. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 4437/4438. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 4442/4445. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal antes mencionada, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a fls. 4549/4558. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1040.226 – 7ª Turma da DRJ/REC, a fls. 4560/4565, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 4567. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 4569/4604, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Invalidade do Auto de Infração, em razão da ocorrência de bis in idem; · Que a Fiscalização não levou em consideração a situação dos servidores que possuem múltiplos vínculos e não recolhem sua contribuição previdenciária pela prefeitura municipal; · Que a Fiscalização não levou em consideração a situação dos terceirizados que, por sua natureza, efetuam contribuição previdenciária por seu vínculo com a empresa terceirizada; · Que os transportadores autônomos, pela peculiaridade dos serviços prestados (terceirização), não são declarados nas GFIP; · Que a multa de ofício de 75% tem natureza confiscatória, violando a vedação contida no art. 150 da CF/88, bem como os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Ao fim, requer a invalidação dos Autos de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.646 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 13/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário postado no correio no dia 15 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA ALEGADA INVALIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Alega o Recorrente a invalidade do Auto de Infração, em razão da ocorrência de bis in idem. Aduz que a Secretaria da Receita Federal do Brasil já havia, no final do ano de 2008, iniciado Fiscalização com o mesmo propósito, que culminou na constituição de diversos débitos cadastrais, inseridos posteriormente no parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.960/2009. Razão não lhe assiste. Cumpre, de plano, ressaltar que a Administração Tributária possui discricionariedade e competência para ordenar múltiplas ações fiscais em uma mesma empresa, cobrindo um mesmo período de apuração e constituir variados créditos tributários, desde que, obviamente, os Fatos Jurígenos Tributários sejam distintos. O Recorrente argumenta que “A planilha anexa ao detalha minuciosamente a constituição dos referidos débitos, por competência”. Esqueceu, todavia, de anexar ao Recurso Voluntário a tal “planilha”. As questões de fato e de Direito ora em apreciação foram levadas à manifestação da Autoridade Lançadora, que se pronunciou a respeito, formalmente, na Informação Fiscal a fls. 4442/4445, demonstrando que na presente autuação não estão contidos qualquer dos fatos geradores de contribuições previdenciárias apurados nos Autos de Infração nº 36.545.7566, 36.552.2180 e 37.247.2168. Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Em relação aos Autos de Infração nº 36.545.7566 e 36.552.2180, os créditos tributários nele aviados decorrem de fatos geradores declarados pelo Autuado nas suas GFIP, não oriundos de ações fiscais anteriores (DCG – Débito Confessado em GFIP), mas, sim, cobrança automática, eis que já se encontram plenamente constituídos mediante a mera entrega formal das referidas GFIP ao Fisco Federal, conforme extratos a fls. 4446/4497. Em relação ao Auto de Infração nº 37.247.2168, tratase de autuação cujos fatos geradores apurados e incluídos no débito ocorreram no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, ou seja, referemse a período de apuração anterior ao sindicado na ação fiscal que resultou nos Autos de Infração ora em julgamento (01/01/2007 a 31/12/2008), conforme demonstrado a fls. 4498/4514, e as informações pertinentes ao levantamento Diferenças de Acréscimos Legais – DAL consignadas na Informação Fiscal a fl. 4444. Considerese, nesse mister, que as obrigações tributárias que compõem os Autos de Infração ora em julgamento decorrem de Fatos Jurígenos Tributários que não foram declarados pela Autuada nas correspondentes GFIP, e referemse a diferenças apuradas pelo Fisco, durante inspeção realizada perante a Municipalidade. Das considerações aviadas na Informação Fiscal a fls. 4442/4445, analisadas em conjunto com os elementos de prova acostados pela Fiscalização a fls. 4446/4539, avulta com clareza solar que inexiste na apuração ora em debate qualquer cobrança em duplicidade, ou bis in idem, em razão de os fatos geradores in concreto objeto dos Autos de Infração ora em litígio não terem sido incluídos nos parcelamentos, tampouco nos Auto de Infração apontados pelo Sujeito Passivo em sua impugnação administrativa. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de invalidade dos Autos de Infração. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DAS BASES DE CÁLCULO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Conforme descrito no item 4. do Relatório Fiscal, a fls. 50/51: Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.647 7 4. Constituem fatos geradores/bases de cálculo das contribuições lançadas: 4.1. Remunerações auferidas pelos segurados empregados vinculados à entidade e não declarados em GFIP. 4.2. Remunerações pagas aos Contribuintes Individuais, pessoas físicas: Pelo pagamento aos “autônomos” e/ou prestadores de serviços pessoa física, pagos por intermédio de Empenhos de Despesas. 4.3. Os valores pagos à UNIDENTIS, pelo serviço odontológico prestado, conforme verificado através dos registros em folha de pagamento e apurado a partir dos registros contábeis”. Os itens 5 a 8 do Relatório Fiscal, a fls. 51/55, descrevem, com detalhes, os créditos apurados pela Fiscalização, seus respectivos fatos geradores e os correspondentes levantamentos. As planilhas 01A.1 a 01A.4, a fls. 391 a 3818, extraídas do CNIS / GFIP WEB / ContAgil, apresenta a remuneração e a contribuição previdenciária de cada um dos segurados empregados da Autuada, arrolados nominalmente e por matrícula em cada competência. A planilha 02A, a fls. 3819/3820, retrata o resumo da folha de pagamento, incluindo férias e rescisões, da Prefeitura municipal de João Pessoa, sendo que: 1) Os valores, relativos aos segurados empregados, constantes na planilha acima "Folha de Pagamento", são oriundos da "Planilha 02.e", a fl. 3826, que expõe o Demonstrativo da totalização da folha de pagamento da Administração de Saúde. 2) Os valores constantes na coluna: "Contribuintes Individuais (empenhos) são constituídos pelo somatório dos valores expressos na Planilha 07.a , a fls. 3827/4266, com os valores constantes na planilha 07.c., a fls. 4270/4273. Ex.: Comp. 200702 => 607.343,89 (Plan 07.a) + 750,00 (Plan 07.c) = 608.093,89. 3) Os valores constantes na coluna: "Contribuintes Individuais (empenhos FRETE) encontramse discriminados na Planilhas 07.b, a fls. 4267/4269, cuja basedecálculo é obtida aplicandose a alíquota de 20%, conforme citado no Relatório Fiscal. 4) Os valores constantes na coluna: "CS INSS (empregados)" são oriundos da "Planilha 02.e" a fl. 3826. 5) Os valores constantes na coluna: "CS INSS (Contrib. Individ.)" foram calculados, aplicando o percentual de 11% sobre o valor indicado na coluna "Contribuintes Individuais ("empenhos")", conforme citado no Relatório Fiscal. Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 6) Para a apuração dos valores relativos aos contribuintes individuais foram utilizados os dados obtidos através do exame dos Empenhos de despesas da prefeitura e que não constavam na folha de pagamento da Recorrente, tampouco haviam sido declarados em suas GFIP, devendo ser ressaltado que se houve por aplicado, em cada empenho, o limite do Salário de Contribuição de que trata o §5º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Dessa forma, procedeuse ao batimento dos montantes dos valores efetivamente pagos, creditados ou devidos a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, apurados na forma acima descrita, e consolidados na Planilha 02.e, a fl. 3828, com os valores declarados pelo Município Autuado em suas correspondentes GFIP, conforme resumido na planilha a fl. 3821, apurandose as eventuais diferenças encontradas, conforme ilustrado na Planilha intitula “Diferença: FolhaGFIP”, a fl. 3823. Todos os valores apurados pela Fiscalização encontramse analiticamente discriminados nas planilhas acima referidas, de maneira que a correcção e consistência de tais valores podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo, que dispõe de todos os documentos necessários para demonstrar em sentido contrário, na eventualidade de qualquer incorreção estar presente nos valores apresentados pela Fiscalização. Mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.648 9 Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Registrese que, de acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em foco, encontrase o direito creditório do fisco plenamente consignado, com todos os seus elementos, no Relatório Fiscal do Auto de Infração e nos demais documentos que integram o lançamento em pauta. A fiscalização apurou, pelo exame da documentação do Sujeito Passivo, elaborada sob sua responsabilidade, comando e domínio, a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias que não haviam sido oferecidos à tributação, eis que não declarados nas respectivas GFIP, tampouco, em alguns casos, registrados nas folhas de pagamento do Município, e ato contínuo lavrou os presentes autos de infração constituindo o crédito tributário decorrente de tais Fatos Jurígenos Tributários, os quais se encontram, agora, sob julgamento. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no lançamento como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado pela fiscalização, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Ostentando, todavia, a presunção de veracidade dos Atos Administrativos eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não Fl. 4653DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.649 11 adimplido pelo Autuado, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo dos Autos de Infração em debate. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. Fl. 4654DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 3.2. DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Alega o Recorrente que a Fiscalização não levou em consideração a situação dos servidores que possuem múltiplos vínculos e não recolhem sua contribuição previdenciária pela prefeitura municipal. Aduz que a Fiscalização não levou em consideração a situação dos terceirizados que, por sua natureza, efetuam contribuição previdenciária por seu vínculo com a empresa terceirizada. Em ádito, pondera o Autuado que os transportadores autônomos, pela peculiaridade dos serviços prestados (terceirização), não são declarados nas GFIP; Quanto à alegação de que “a Fiscalização não levou em consideração a situação dos servidores que possuem múltiplos vínculos e não recolhem sua contribuição previdenciária pela prefeitura municipal”, há que se considerar que o ônus de informar ao contratante de segurado contribuinte individual, in casu, o Município autuado, a condição de prestar serviços a mais de uma empresa, com vistas a não sofrer desconto da contribuição previdenciária a seu cargo acima do limite máximo do Salário de Contribuição, é do próprio segurado contribuinte individual, cabendo à empresa manter sob sua guarda a documentação comprobatória de tal condição fornecida pelo segurado em tela. Mostrase pertinente salientar que o teto máximo do Salário de Contribuição apenas é levado em consideração na determinação da base de cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais, nos termos do art. 28, III e §5º da Lei nº 8.212/91, não havendo qualquer influência sobre a base de incidência das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, haja vista que, para estas, não impera qualquer limite em relação à base de cálculo. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) §5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Portanto, em relação à contribuição previdenciária a cargo da empresa incidente sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados contribuintes individuais, nos termos dos incisos I e III do art. Art. 22 da Lei nº 8.212/91, respectivamente, é irrelevante a determinação do teto máximo do Salário de Contribuição de cada segurado. No que pertine à contribuição previdenciária a cargo do segurado contribuinte individual, dita o inciso II do art. 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Fl. 4655DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.650 13 Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, com a redação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, que os segurados integrantes dessa categoria são obrigados a recolher sua contribuição, por iniciativa própria, até o dia quinze do mês seguinte àquele a que as contribuições se referirem, prorrogandose o vencimento para o dia útil subsequente quando não houver expediente bancário no dia quinze. Ou seja, no caso da contribuição dessa classe de segurados a eles compete a determinação do seu Salário de Contribuição, a observância do limite máximo, o cálculo e o recolhimento do tributo devido. Neste caso, igualmente, mostrase também irrelevante a indicação, por parte da fiscalização, do teto máximo do Salário de Contribuição de cada segurado contribuinte individual. Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: II Os segurados contribuinte individual e facultativo estão obrigados a recolher sua contribuição, por iniciativa própria, até o dia quinze do mês seguinte àquele a que as contribuições se referirem, prorrogandose o vencimento para o dia útil subsequente quando não houver expediente bancário no dia quinze, facultada a opção prevista no §15; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99) Quanto à contribuição previdenciária a cargo do segurado contribuinte individual, relativa aos fatos geradores ocorridos a partir da vigência do art. 4º da Lei nº 10.666/2003, o §28 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social é taxativo ao impor ao próprio contribuinte individual que prestar serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do saláriodecontribuição, o dever de informar e comprovar tal situação fática, indicando o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de modo que as empresa que sucederem à primeira possam observar o limite máximo do saláriodecontribuição na ocasião em que forem promover a arrecadação da contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, mediante o desconto de sua respectiva remuneração. Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: (...) §27. O contribuinte individual contratado por pessoa jurídica obrigada a proceder à arrecadação e ao recolhimento da Fl. 4656DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 contribuição por ele devida, cuja remuneração recebida ou creditada no mês, por serviços prestados a ela, for inferior ao limite mínimo do saláriodecontribuição, é obrigado a complementar sua contribuição mensal, diretamente, mediante a aplicação da alíquota estabelecida no art. 199 sobre o valor resultante da subtração do valor das remunerações recebidas das pessoas jurídicas do valor mínimo do saláriode contribuição mensal. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) §28. Cabe ao próprio contribuinte individual que prestar serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do saláriode contribuição, comprovar às que sucederem à primeira o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de forma a se observar o limite máximo do salário decontribuição. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) §29. Na hipótese do §28, o Instituto Nacional do Seguro Social poderá facultar ao contribuinte individual que prestar, regularmente, serviços a uma ou mais empresas, cuja soma das remunerações seja igual ou superior ao limite mensal do salário decontribuição, indicar qual ou quais empresas e sobre qual valor deverá proceder o desconto da contribuição, de forma a respeitar o limite máximo, e dispensar as demais dessa providência, bem como atribuir ao próprio contribuinte individual a responsabilidade de complementar a respectiva contribuição até o limite máximo, na hipótese de, por qualquer razão, deixar de receber remuneração Lei nº 10.666, de 08 de maio de 2003. Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. À empresa contratante de serviços de segurados contribuintes individuais, aqui incluídos os órgãos públicos, a lei impõe o dever instrumental de manter a guarda dos documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações tributárias previdenciárias, os quais devem ficar arquivados na empresa à disposição da Fiscalização, até que se opere a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir os créditos tributários a eles relativos e a até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Com efeito, determina o §2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 que a empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesse mesmo diploma normativo, os quais devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Código Tributário Nacional Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Fl. 4657DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.651 15 Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da Lei nº 9.430/96 e no §11 do art. 32 da Lei nº 8.212/91, que rezam que os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações tributárias devem ficar arquivados na empresa até que se opere a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir os créditos tributários a eles relativos. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Outra não é a determinação contida no art. 4º do DecretoLei nº 486/69, que dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis: DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No mesmo norte também apontam as diretrizes fixadas no art. 126, II da Lei Complementar nº 123/2006, que Instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: (...) II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não Fl. 4658DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Os preceptivos acima destacados não se atritam com as disposições encartadas no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Dec. 3000/99. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Da leitura de tais comandos legais, constatase que a legislação que disciplina a matéria ora discutida impõe ao segurado contribuinte individual o dever de informar e comprovar à empresa contratante de seu labor profissional a condição de prestar serviços a mais de uma empresa e a circunstância de ter atingido o limite superior do Salário de Contribuição. Aos Auditores Fiscais cabe apenas tomar em consideração tal condição fática na ocasião da apuração dos fatos geradores e da determinação do quantum eventualmente devido, DESDE QUE tal circunstância e condição sejam devidamente informadas e comprovadas pela empresa fiscalizada, mediante a apresentação da documentação idônea adrede. Nessa perspectiva, nas hipóteses em que os segurados contribuintes individuais que prestarem serviços, no mesmo mês, a mais de uma empresa, e cuja soma das remunerações superar o limite mensal do saláriodecontribuição, não demonstrarem e comprovarem às que sucederem à primeira, mediante documentos idôneos, o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de forma a se observar o limite máximo do saláriodecontribuição, ficam as empresas obrigadas a efetuar a retenção a que se refere o art. 4º da Lei nº 10.666/2003 sobre toda a remuneração paga, creditada ou devida a tais segurados, até o limite previsto no §5º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Fl. 4659DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.652 17 No caso presente, o Recorrente não honrou acostar aos autos qualquer documento ou demonstração de que segurados contribuintes individuais abrangidos pelo vertente lançamento já contribuíam pelo teto do Salário de Contribuição de que trata o §5º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Diante de tal quadro, deveria a Autuada proceder à arrecadação integral das contribuições previdenciárias de que trata o art. 21 da Lei de Custeio da Seguridade Social, nas condições fixadas no art. 4º da Lei nº 10.666/2003 c.c. art. 28, §5º, da Lei nº 8.212/91, sendo certo que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a Lei, a teor do §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Não procede, igualmente, a alegação de que os transportadores autônomos, pela peculiaridade dos serviços prestados (terceirização), não são declarados nas GFIP. No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Fl. 4660DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, os artigos 32 e 33 da citada lei de custeio da Seguridade Social estabeleceram uma série de obrigações instrumentais a serem observadas pela empresa, dentre elas, o dever positivo de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, bem como a obrigação instrumental positiva de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, além do dever jurídico de exibir ao Fisco todos os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, bem como o de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de Fl. 4661DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.653 19 interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Outro não é o Direito positivado no art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ao estatuir a obrigação da empresa de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos, e de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da GFIP, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I Preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) §5º A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo, observados o disposto no § 22 e as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) (...) §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (...) Fl. 4662DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. (...) §22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729/2003) Não se mostra demasiado enaltecer que o registro nas folhas de pagamento de todas as rubricas auferidas pelos segurados, sejam elas integrantes ou não do Salário de Contribuição, e o dever de declarar à RFB, mensalmente, todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, bases de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, não se revelam como faculdades da empresa, mas, sim, obrigações tributárias a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento e as GFIP equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no Decreto Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência Fl. 4663DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.654 21 social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Merece ser citado que das disposições insculpidas no §3º do art. 113 do codex tributário emerge a natureza objetiva do Auto de Infração de Obrigação Acessória, na medida em que o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Tal compreensão caminha no mesmo compasso das disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. No caso em apreciação, a Autuada efetuou diversos pagamentos a transportadores autônomos, os quais são qualificados pela Lei de Custeio da Seguridade Social como segurados contribuintes individuais, nos termos das alíneas ‘g’ e ‘h’ do inciso V do seu art. 12. Fl. 4664DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; (Incluído pela Lei nº 9.87/99). A remuneração paga, creditada ou devida, a qualquer título, pela empresa a segurado contribuinte individual, pelos serviços que lhe foram prestados no mês, sem vínculo empregatício, configurase fato gerador da contribuição previdenciária prevista no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Nessa prumada, o inciso I do art. 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, com fundamento no inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212/91 e art. 4º da Lei nº 10.666/2003, determina que a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o valor assim arrecadado na forma e nos prazos previstos na legislação de regência. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: Fl. 4665DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.655 23 a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea "a" e as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, inclusive adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, acordo ou convenção coletiva, aos segurados empregado, contribuinte individual e trabalhador avulso a seu serviço, e sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviço, relativo a serviços que lhe tenham sido prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, até o dia vinte do mês seguinte àquele a que se referirem as remunerações, bem como as importâncias retidas na forma do art. 219, até o dia vinte do mês seguinte àquele da emissão da nota fiscal ou fatura, antecipandose o vencimento para o dia útil imediatamente anterior quando não houver expediente bancário no dia vinte; (Incluído pelo Decreto nº 6.722/2008) Na mesma esteira, os incisos I e IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 determinam que a empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos, bem como a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esse órgão, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Diante de tal panorama, sendo os condutores autônomos segurados obrigatórios do RGPS, e se configurando as remunerações a eles pagas, devidas ou creditadas pelo Recorrente fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais segurados e suas respectivas remunerações e contribuições deveriam ter sido, NECESSARIAMENTE, informadas nas folhas de pagamento, bem como declaradas nas GFIP correspondentes. No caso em exame, exsurge das provas e circunstâncias descritas nos autos que a empresa autuada deixou de informar em suas folhas de pagamento e deixou de declarar nas respectivas GFIP as importâncias pagas, creditadas ou devidas a transportadores autônomos a seu serviço segurados contribuintes individuais, violando as obrigações tributárias acessórias fixadas nos incisos I e IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. O Recorrente alega que a Fiscalização não levou em consideração a situação dos terceirizados que, por sua natureza, efetuam contribuição previdenciária por seu vínculo com a empresa terceirizada. Tal alegação é impertinente no presente caso, pois no presente lançamento não há qualquer levantamento que tenha por fato gerador a remuneração de trabalhadores terceirizados que tenham vínculo previdenciário de fato com empresas terceirizadas prestadoras de serviços. Fl. 4666DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Conforme destacado no Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias abrangidos pelo presente lançamento consistem em: · Remunerações de segurados empregados não amparados por regime próprio de previdência social (detentores de cargos eletivos, contratados por prazo determinado, comissionados – levantamento EE, EE2; SE e SE2), obtidas das diferenças entre folhas de pagamento e correspondentes Guias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP; · Remunerações de segurados contribuintes individuais, consoante empenhos (levantamentos EC; TR; TR1 e SC), elencados na planilha de fls. 3.827/4.273; · Valores pagos à Cooperativa de Trabalho UNIDENTIS por serviços odontológicos (levantamentos UN e UN2), segundo planilhas fls. 4.325/4326, obtidos das folhas de pagamento, sobre os quais a Fiscalização fez incidir o percentual mínimo de 60% (sessenta por cento) para obtenção das bases de cálculo lançadas, em conformidade com o art. 292 da IN MPS/SRP nº 3/2005. · Ainda, em relação aos trabalhadores contratados por prazo determinado, tidos pela municipalidade como contribuintes individuais, foram enquadrados pela fiscalização como segurados empregados, pelas razões e fundamentos elencados no relatório fiscal a fls. 49/67. Inexiste, portanto, qualquer levantamento que tenha por fato gerador a remuneração de trabalhadores terceirizados que tenham vínculo previdenciário de fato com empresas terceirizadas prestadoras de serviços. 3.3. DA VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Pondera o Recorrente que a multa de ofício de 75% tem natureza confiscatória, violando a vedação contida no art. 150 da CF/88, bem como os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo, em geral, do Poder Legislativo, ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em Fl. 4667DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.656 25 reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Repisese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. Fl. 4668DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa, seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Fl. 4669DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.720223/201170 Acórdão n.º 2302003.161 S2C3T2 Fl. 4.657 27 Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 4670DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10640.001765/2002-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 5, integrado pelos demonstrativos de fls. 6 e 7, pelo qual se exige a importância de R$215.752,44, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 1998. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 474 a 484, instruída com os documentos de fls. 485 a 487, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 513 e 514): Às fls.474/484, o contribuinte insurge-se contra o lançamento efetuado, alegando, inicialmente, que o fiscal autuante "não me deu o devido direito de defesa", e, a seguir, contesta o trabalho fiscal, argumentando, em síntese, que: I — Termo de Verificação Fiscal: 1) Após alguns anos deixou de apresentar à SRF declaração de rendimentos IRPF uma vez que, pela legislação tributária, ficou isento; 2) Não existia bens em seu nome até a morte de sua genitora, sendo que "tais bens herdados e declarados nas minhas DIRPF se encontram ainda no nascedouro"; 3) A conta bancária no BRADESCO S/A, desconsiderada pelo Fisco, efetivamente não era sua, pertencia à seu filho; 4) A retificação de dados efetuada pelo Banco ITAÚ "por si só já bastava para que se paralizassem os trabalhos investigatórios" pois a Lei Complementar n° 105 "autorizava a quebra de sigilo bancário em valores maiores ao que foi na minha conta corrente encontrado"; 5) A Justiça impede retroagir quebra de sigilo bancário, o que lhe leva a crer que "se tudo está sendo discutido no STF, tudo até agora feito contra minha pessoa é ato nulo, sem nenhum valor legal"; 6) Ao comentar o valor dos bens constantes de sua declaração de rendimentos, a autoridade fiscal não menciona a totalidade dos referidos bens nem esclarece que sua herança é, na maioria, composta de papéis antigos, datados de 1869 para cá, que tiveram seus valores atualizados pela tabela da Fundação Getúlio Vargas, sendo que "estes documentos herdados são o início de prova de meus direitos hereditários, os quais servirão de prova documental nas várias ações judiciais que ainda serão propostas no futuro". II — Títulos da Dívida Pública "Roubados mas Vendidos": 1) São verdadeiros os fatos narrados ao fiscal autuante, foi efetivamente procurador do Sr. Júlio Nestor Rossel Silveira, conforme documentação anexa aos autos, não podendo se responsabilizar pelo fato da autoridade fiscal não tê-lo localizado; 2) O documento de fls.156, procuração dada pelo referido senhor ao principal comprador dos títulos roubados em Brasília, "prova que não fui o seu único procurador" e "tal documento vem me salvar na hora certa pois é prova que houve tal roubo, além do que prova não ser eu o único comprador de tais títulos roubados"; 3) Não apresentou cópia do Boletim de Ocorrência porque "tal documento quem o possui é a vítima e não eu", 4) Reafirma que comprou sim os títulos roubados, "porém por procuração", sendo verdadeiras suas afirmativas sobre a venda destes títulos roubados em Brasília/DF e dos títulos vendidos do Espólio de sua genitora; 5) Suas afirmativas de que está tomando providências para atualização dos valores de suas ações são verdadeiras, conforme documentação ora anexada ao processo; 6) Considera impossível lembrar-se de cada depósito em sua conta bancária, nem os bancos envolvidos nas transações, em sua maioria, têm como informar. III —Dos Lançamentos a Crédito: 1) O Sr. Júlio Nestor providenciava "os depósitos em minha conta bancária, quer em dinheiro, quer em cheques" e só tomava Fl. 613DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 3 3 conhecimento do valor dos depósitos, sem saber dos nomes dos depositantes; 2) A Sra. Márcia Barreto e o Sr. Gil Rodrigues Júnior são realmente compradores de títulos, conforme faz prova documentação ora anexada; 3) Muitas vezes os saques efetuados diretamente pelo autuado foram para pagamentos ao Sr. Júlio Nestor "pois assim os exigia que fossem pagos a ele". Finaliza a peça impugnatória, argumentando que: 1) "Os depósitos encontrados pelo Sr. AFRF totaliza a importância líquida de R$ 800.263,42, se não for levado em conta o cheque por mim sustado, no valor de R$ 45.000,00"; 2) "Conforme declarado na DIRPF, existem em poder deste contribuinte R$ 336.922,31 no ano de 1997" e, no ano-calendário de 1998, houve venda de títulos herdados do Espólio de sua mãe, no valor total de R$ 465.000,00, sendo que R$ 15.000,00 ele está sem receber até hoje; 3) Portanto, considerando ainda que declarou um ganho no valor de R$ 13.200,00 e que, conforme DIRPJ, sua empresa Casa do Colecionador Ltda — ME movimentou em 1998 um volume financeiro de R$ 67.503,00, dinheiro este depositado em sua conta bancária, toda a origem do dinheiro depositado em sua conta corrente está comprovada. Anexa aos autos, para apoiar sua defesa, os elementos de fls.485/487. Às fls.489/492, o autuado apresenta o Primeiro Adendo, com juntada dos elementos de fls.493/494, no qual discorre sucintamente sobre os documentos constantes do Anexo I deste processo administrativo fiscal, concluindo que "acima estão as devidas explicações de todas as movimentações bancárias ocorridas no ano de 1998 junto ao Banco Itaú S/A". Às fls.496, apresenta o Segundo Adendo, no qual participa o envio, para apreciação da autoridade julgadora, do Ofício GS n° 899/2002 emitido pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, cópia apensada à fls.499. Às fls.501/502, apresenta o Terceiro Adendo, no qual expressa seu entendimento, com base em texto da lavra do ilustre tributarista Ives Granda da Silva Martins, apensado à fls.503, de que houve quebra indevida do seu sigilo bancário, solicitando "mais uma vez a anulação deste processo, uma vez que tudo até agora apurado pelo Sr. AFRF juridicamente é ato nulo". À fls.504, apresenta o Quarto Adendo, no qual informa a autoridade julgadora sobre a sentença proferida na Ação de Prestação de Contas (Processo Judicial n° 145.93.009164-3), cópia apensada às fls.505/509. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 6.571 (fls. 511 a 526), de 12/03/2004, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos Fl. 614DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 4 4 quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazê-lo em outro momento processual. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 26/03/2004 (vide AR de fl. 530), o contribuinte interpôs, em 26/04/2004, tempestivamente, o recurso de fls. 531 a 533, expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 08, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 29/11/2010, veio numerado até à fl. 571 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão prejudicial, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no ano-calendário 1998 (vide Auto de Infração de fls. 3 a 5). Numa análise preliminar dos autos, observa-se que parte dos extratos bancários que compõe o presente processo foi fornecida pelo próprio contribuinte e outra parte entregue diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 8 a 19, do qual se extrai o seguinte excerto: Primeiramente, em vista da negativa do fiscalizado ao não assumir a totalidade de movimentação financeira originalmente apresentada pelo banco ITAÚ de R$4.146.196,30 (valor posteriormente retificado por aquele banco), e também da negativa em comprovar a origem da movimentação bancária, restou ao fisco usar da faculdade prevista no Decreto 3.724/2001, requisitando as informações diretamente àquela instituição financeira, o que foi feito através da Requisição de Informações sobre Fl. 616DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 6 6 Movimentação Financeira - RMF de n° 0610400-2001-00010-3, expedida em 29/06/2001 (Anexo fls. 02/05). Conforme já exposto inicialmente, os documentos da movimentação financeira do fiscalizado, requisitada aos bancos, estão constante do Anexo ao presente PAF. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, o julgamento do mesmo deve ser sobrestado, nos termos do art. 62, §1o, do RICARF. Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Convém ressaltar que o RE no 389.808 trata-se de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se que busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que Fl. 617DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 7 7 versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS [...] II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideram-se não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§ 2º do art. 543-B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguarda-se a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestando-se recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideram-se prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543-B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha- se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543-B do CPC). Ressalte-se que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citando-se como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Conclui-se, assim, que o no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo - acessado em 13/08/2012 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 8 8 do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica-se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique-se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje-213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM Fl. 619DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 9 9 (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute-se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064-AgR-AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626Ag-R-AgR, 811.626-AgR-AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543-B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique-se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje-158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe-se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publique-se. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje-100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Fl. 620DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10640.001765/2002-55 Resolução n.º 2202-00.285 S2-C2T2 Fl. 10 10 Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 621DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 24/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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