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Numero do processo: 19515.720332/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado.
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INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 32 /2 01 2- 84 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 415426 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, às fls. 400411, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.350.8522, por meio do qual é exigida multa prevista no art.284, inciso II, do RPS e art. 32, inciso IV, § 5º da lei 8212/91, no montante de R$ 323.484,00, por ter o Recorrente deixado de informar em GFIP a remuneração paga a todos os segurados a título de “Prêmio de Produtividade”, nas competências de Janeiro a Outubro de 2008. Também era objeto do presente processo o Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.342.9975, que teve por finalidade exigir do Recorrente as contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa sobre a verba distribuída como “Prêmio de Produtividade”, inclusive ao SAT/RAT. No entanto, conforme descrito no acórdão proferido pela DRJ/SP, os valores exigidos no referido Auto de Infração já foram integralmente quitados, de modo que esse lançamento não se encontra mais em discussão. Em relação ao Auto de Infração nº 37.350.8522, segundo consta no Relatório Fiscal de fls. 41 a 62, a Autoridade Fiscal constatou que o Recorrente deixou de informar em GFIP a remuneração paga a todos os segurados, referente ao Prêmio de Produtividade, nas competências de 01/2008 a 10/2008, bem como as contribuições previdenciárias devidas sobre tal verba remuneratória. Para efetuar o lançamento das multas, o Fiscal autuante, diante das alterações promovidas pela MP 449/2008 e Lei n. 11.941/2009 na aplicação de multas prevista na Lei n. 8.212/1991, elaborou a “PLANILHA DEMONSTRATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA”, constante à fl. 387, efetuando o comparativo das multas para que fosse aplicada a penalidade que, no seu entender, é menos severa ao contribuinte. Sendo assim, o Fiscal procedeu ao cotejo dos valores alcançados a partir do somatório das multas previstas na legislação antiga – multa moratória de 24% (art. 35, II da Lei 8.212/91) e multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 68 (art. 32, §5º do mesmo diploma legal) com as penalidades previstas na legislação atual – multa de ofício de 75% e multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 78. Como resultado desse confronto, a Fiscalização constatou que a aplicação da legislação antiga seria mais benéfica e efetuou o lançamento do DEBCAD nº 37.350.8522. Em 02/03/2012, o Recorrente tomou ciência da autuação e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 378/387), aduzindo apenas, em relação ao DEBCAD nº 37.350.8522, que não havia recolhido as contribuições previdenciárias incidentes sobre o Prêmio de Produtividade pago a seus servidores em cumprimento ao comando expresso no art. 9º do Decreto Estadual nº 45.412/00, motivo pelo qual tal conduta não constitui justa causa para a autuação e imposição de multa no valor de R$ 323.484,00. A DRJ/SP, através do acórdão nº 0645.503 (fls. 400 a 411), manteve, de forma integral, o crédito tributário constituído pelo agente fiscal relativo ao DEBCAD nº 37.350.8522, afirmando, sinteticamente, que o Recorrente não apresentou provas e argumentos que derrubassem o lançamento, tendo infringindo os ditames da lei 8.212/91. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.720332/201284 Acórdão n.º 2401003.244 S2C4T1 Fl. 433 3 Inconformada com a decisão proferida pela DRJ, o Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 415 a 423), utilizando argumentos aduzidos na impugnação. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgalo. De início, é válido lembrar que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas, como é o caso do Recorrente, que é uma entidade da administração indireta do Estado de São Paulo/SP, são considerados empresas para fins previdenciários, conforme dispõe o art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; [...]. Desse modo, e considerando que os segurados que lhes prestam serviço não estavam amparados por Regime Próprio da Previdência Social, o Recorrente é considerado empresa perante a previdência social e, por conta disso, está sujeito às obrigações principais e acessórias prescritas na Lei nº 8.212/91, conforme bem esclarecido pelo Auditor Fiscal autuante na passagem abaixo reproduzida do Relatório Fiscal (fls. 5455): Os órgãos e entidades da administração pública direta, como neste caso as autarquias, são considerados consoante o disposto no art. 15 da Lei nº 8.212/91 – empresa e, em relação aos segurados que lhes prestem serviços, quando não amparados por Regime Próprio da Previdência Social (RPPS), ficam sujeitos ao cumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. As autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público interno e respondem diretamente pelas obrigações previdenciárias. Portanto, pelo fato de encontrarse submetido aos ditames da Lei nº 8.212/91, não merece qualquer acolhida o argumento levantado pelo Recorrente no recurso de que a multa sancionatória aplicada por meio do AI DEBCAD 37.350.8522, é descabida na medida em que a conduta imputada à Autarquia, como infratora da Lei nº 8.212/91 não decorreu de ato discricionário da Autarquia, mas sim do comando expresso do Decreto Estadual nº 45.412/00. Em razão de ter descumprido a legislação previdenciária, ao não informar em GFIP a remuneração paga aos segurados a título de Prêmio de Produtividade, bem como as contribuições previdenciárias devidas sobre tal verba remuneratória, o Recorrente está, de fato, sujeito às penalidades previstas na Lei nº 8.212/91. Cumpre ressaltar que não está mais em discussão a procedência da cobrança da obrigação principal, que diz respeito às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de “Prêmio de Produtividade”, que a Fiscalização demonstrou não ter sido pago em caráter eventual. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.720332/201284 Acórdão n.º 2401003.244 S2C4T1 Fl. 434 5 De fato, além de ter quitado os valores exigidos no Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.342.9975, no Recurso Voluntário ora apreciado o Recorrente não contestou o lançamento da obrigação principal, razão pela qual não cabe aqui adentrar no mérito dessa cobrança. Portanto, diante do exposto acima, ao deixar de informar em GFIP a remuneração total paga aos segurados e as respectivas contribuições previdenciárias incidentes sobre a verba remuneratória apurada pela Fiscalização, o Recorrente infringiu obrigação acessória prevista na legislação previdenciária e está submetido às penalidades cabíveis. Por fim, quanto ao procedimento de cálculo da penalidade aplicada, consubstanciado na “PLANILHA DEMONSTRATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA”, constante à fl. 387, não houve qualquer contestação do Recorrente, de modo que a multa aplicada deve ser mantida na forma em que foi lançada. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração nº 37.350.852 2. É o voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13854.000317/98-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA
Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 17 /9 8- 33 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Cargill Agrícola S/A (fls. 563 a 596) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 540 a 552), que deu provimento parcial ao recurso voluntário, mas que, pelo voto de qualidade, e no que interessa ao presente julgamento, negou provimento (i) quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de insumos de pessoas físicas Fl. 674DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 655 3 e (ii) dos produtos transferidos e exportados por estabelecimento diverso, e (iii) da correção do ressarcimento pela taxa SELIC. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 RESARCIMENTO. LEI Nº 9.363/96. INFLUÊNCIA DA METODOLOGIA DE APURAÇÃO EM PERÍODOS FUTUROS. Em face da sistemática legal de apuração do credito presumido de IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é patente a dependência dos valores apurados nestes autos daquele apurado no processo relativo ao último trimestre do ano anterior. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtor exportador. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. A energia elétrica e os combustíveis, por não serem consumidos em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, não se enquadram no conceito de produto intermediário, não dando direito ao crédito presumido de IPI instituído pela Lei n2 9.363/96. IPI. DOCUMENTOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL NA EMISSÃO. Comprovada a existência de erro material na emissão das notas fiscais de aquisição de insumos, bem como os registros das mesmas nos livros fiscais da peticionária e, ainda, a efetividade do ingresso dos insumos e sua utilização no processo produtivo do estabelecimento, devem tais documentos ser incluídos no cálculo do beneficio no período correspondente. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR OUTRO ESTABELECIMENTO. No regime de apuração descentralizada do credito presumido, não integra a receita de exportação do estabelecimento o valor das transferências de produtos Fl. 675DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 industrializados que faz para outro estabelecimento da mesma empresa. Se este ultimo exportar os referidos produtos, o resultado desta venda comporá a sua receita de exportação para efeito de determinação do índice de que trata o art. 22 da Lei nº 9.363/96. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. A taxa Selic é imprestável corno instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. Recurso provido em parte. (grifos nossos) O recurso especial do contribuinte, na sua integralidade, foi admitido através do r. despacho de fls. 632 a 633. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 636 a 646 em que se refutou, apenas, a questão referente às aquisições de pessoas físicas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Quanto ao mérito, da mesma forma, o recurso especial do contribuinte deve ser acolhido. Deveras, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial do contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 656 5 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas, também objeto do presente processo. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para corroborar o meu entendimento quanto à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao qual me filio: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 657 7 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) De se destacar, por último, quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos produtos transferidos e exportados por estabelecimento diverso, que em julgado análogo ao presente, em que também figurou como recorrente o mesmo contribuinte, decidiuse pela sua possibilidade (Processo nº 13854.000707/9604, Acórdão 20306.483). Esse é o entendimento que, em minha opinião, deve prevalecer. De se destacar, a propósito, o seguinte excerto do r. julgado acima aludido, verbis: (...) O recurso voluntário trata de duas questões especificas. Primeiramente, a possibilidade de incluir, no cálculo do incentivo, as exportações realizadas por intermédio do estabelecimento localizado em Santos — SP. E, também, a possibilidade de inclusão, na base de cálculo do mesmo incentivo, das aquisições de laranjas de pessoas fisicas, não contribuintes das contribuições para o PIS e da COF1NS. Com relação á. possibilidade de requerimento de forma centralizada, a simples leitura do artigo primeiro da Medida Provisória demonstra que o pedido deve ser feito pela empresa Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 exportadora, sem qualquer menção a estabelecimento. Assim prescreve a norma: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 07, de 07 de setembro de 1970, 08, de 03 de dezembro de 1970, e 70 de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." Alias, na mencionada medida provisória não consta a palavra estabelecimento, que somente foi utilizada em normas de hierarquia inferior, normas essas que extrapolaram sua função regulamentar para, inovando no ordenamento jurídico o que lhes é vedado , restringir o beneficio fiscal. Verificase que a empresa somente requereu o ressarcimento através do seu estabelecimento matriz, e não há noticia nos autos de que o estabelecimento localizado em Santos — SP tenha formulado qualquer pedido de ressarcimento relativamente ao incentivo em tela. Incabível a glosa feita pela fiscalização, porquanto não havia, na lei, qualquer restrição à apuração do incentivo de forma centralizada, possibilidade essa, alias, expressamente contemplada pela legislação superveniente. (grifos e destaques nossos) Esse entendimento também é corroborado pela jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA 282/STF. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MP 948/95. EXTENSÃO À FILIAL DE EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. POSSIBILIDADE. 1. Primeiramente, reafirmo a decisão agravada de que o art. 111 do CTN não foi prequestionado. Aplicação, por analogia, da Súmula 282/STF:"É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada." 2. Ademais, a questão a ser tratada não é a do limite temporal da aplicação da MP n. 948/95, que entende o recorrente, ser contrária à pretensão do contribuinte, pois a decisão agravada proferiu entendimento de serem os arts. 1º e 3º da medida provisória favoráveis ao contribuinte. 3. Por fim, mantenho a mesma posição adotada pela decisão agravada de que o benefício concedido pela MP nº 948/95, convertida na Lei nº 9.363/96, diz respeito às empresas produtoras e exportadoras, devendo, nesse contexto, ser da mesma forma consideradas as suas filiais, sob pena de inviabilização dos efeitos pretendidos pelo referido benefício, Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 658 9 na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja também responsável na referida operação. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 698.756/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MP 948/95. LEI 9.363/96. I O legislador não distinguiu que a operação de exportação das mercadorias industrializadas devesse ser unicamente realizada pela empresa diretamente responsável pela produção da mercadoria, até mesmo porque a contabilidade referente ao balanço anual da empresa envolve a verificação de todas as suas filiais. II Nesse sentido, o benefício outorgado pela Medida Provisória 948/95, e atualmente pela Lei 9.363/96, atinge diretamente as empresas produtoras e exportadoras, consideradas dentro desse contexto também as suas filiais, sob pena de inviabilizar os efeitos pretendidos pelo aludido benefício, na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja igualmente responsável na referida operação. III A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, na esteira dos precedentes do Pretório Excelso, vem decidindo pela impossibilidade de correção monetária sobre créditos escriturais, por ausência de previsão legal. IV Impossibilidade de majoração da verba honorária visto envolver o reexame dos elementos que formaram a convicção do Julgador a quo. Aplicação da Súmula 07/STJ. V Recurso especial da FAZENDA NACIONAL e de MUSA CALÇADOS LTDA improvidos. (REsp 499.935/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2005, DJ 28/03/2005, p. 188) (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Fui designado pela Presidência para redigir o acórdão na parte em que o ilustrado voto do e. relator não foi acolhido pela maioria, especificamente a matéria atinente à exportação realizada por intermédio da filial situada no Porto de Santos. Quanto ao ponto insta começar enfatizando que o recurso interposto pela empresa não pugna pela aplicação da apuração centralizada do incentivo fiscal. Pelo contrário, com a lisura que caracteriza os representantes signatários, ali é dito com todas as letras que: Para que não reste dúvida acerca da divergência existente entre essa decisão e o acórdão recorrido, esclareçase que apesar o aresto paradigma ter feito menção à apuração centralizada e ao estabelecimento matriz, tais expressões foram indevidamente empregadas, visto que (i) não se discutia a possibilidade de o pedido de ressarcimento ser feito de forma centralizada ou descentralizada pelo estabelecimento matriz; e (ii) o estabelecimento que requereu o ressarcimento do incentivo naquele processo foi o mesmo que o pleiteou nesta ocasião (CNPJ n. 52.421.294/000200), e que foi sucedido, por incorporação, pela recorrente. Não se trata, pois, de afastar exigência de apuração descentralizada supostamente contrária à lei, como dito no acórdão paradigma. A própria empresa assume que fez uso da opção prevista na norma que regulava o incentivo à época –1998 de apurálo por estabelecimento produtor e exportador. Acrescento que em tais normas – Portaria MF 38/97 e IN SRF 23/97 – nenhuma exigência havia de que o crédito fosse apurado de forma descentralizada; ao contrário, ali se diz (Art. 3º do primeiro ato normativo mencionado, reproduzido ipsis litteris no segundo): (...) § 9º A empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador poderá apurar o crédito presumido de forma centralizada, na matriz. § 10. A opção pela apuração centralizada de que trata o parágrafo anterior aplicarseá até o final do anocalendário em que exercida. § 11. No caso de apuração descentralizada, o estabelecimento produtor exportador que não efetuar a compra de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem poderá calcular o crédito presumido sobre o valor desses insumos, utilizados na produção das mercadorias exportadas, que houverem sido recebidos por transferência de outro estabelecimento da mesma empresa. § 12. Na hipótese do parágrafo anterior, a transferência deverá ser efetuada pelo exato custo de aquisição constante do Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 659 11 documento fiscal, emitido pelo fornecedor, na venda para o estabelecimento que houver efetuado a compra. § 13. O estabelecimento que transferir para outro, matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem deverá excluir o valor desses insumos no cálculo de seu próprio crédito presumido. Tratase, como claramente se vê, de uma escolha que a empresa fazia no momento da apuração do incentivo: ou apurava por estabelecimento ou centralizadamente na matriz. Neste último caso, podia considerar as exportações efetuadas por todos os estabelecimentos, assim como devia considerar toda a receita bruta da empresa. Essas considerações iniciais se fazem relevantes para deixar claro que não se está discutindo, como pareceu à primeira vista, a necessidade de incluir a receita de toda a empresa no cálculo do percentual a incidir sobre as aquisições quando a apuração era descentralizada, matéria que ainda suscita debates neste Colegiado. O que se está discutindo neste processo – e deveria ter sido no aceito como paradigma – é, pois, se, na apuração descentralizada, o estabelecimento produtor remeter o produto a um estabelecimento supostamente apenas depósito fechado (alfandegado) e daí este produto for remetido ao exterior, isto é, se a venda para o exterior realmente se der em nome do estabelecimento postulante ao incentivo embora a efetiva saída para o exterior se der por outro estabelecimento, se a receita decorrente dessa operação pode ser computada no cálculo do percentual. Esses foram os fatos narrados no recurso e repisados em sustentação oral. Ocorre que em exame dos autos constatei que também não são eles exatamente os fatos do processo. Isso porque a venda não foi feita em nome do estabelecimento que remeteu os produtos mas sim em nome do que os recebeu em Santos, o que contraria a afirmação de que este último apenas seria um depósito fechado impedido´, portanto, de realizar vendas. É o que se constata do exame dos documentos fiscais relativos à operação constantes dos autos. Com efeito, a nota fiscal 34.430 (fls. 58) indica a saída, a título de “transferência equiparada a exportação”, CFOP 5.25, do estabelecimento postulante ao crédito para a filial situada em Santos. Nesta nota fiscal realmente consta a informação de que a mercadoria será exportada pela filial destinatária. Mas na nota fiscal desta última (nº 050, fls. 59) não há qualquer referência à nota anterior que permita vincular a exportação daí realizada à primeira saída Ademais, em qualquer dos documentos há a indicação de que o destinatário é um mero depósito fechado inabilitado a realizar vendas. O que sobressai do documento emitido por ele, aliás, denota o contrário, pois além de não fazer referência ao recebimento prévio das mercadorias, o CFOP indicado (7.11) iniludivelmente corresponde à venda para o mercado externo (e venda de produção própria, digase). Destarte, por falta da prova que lhe competia fazer nos exatos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, nem mesmo se chega à discussão proposta no recurso, ou seja, de que haveria o direito de acrescer à receita de exportação correspondente às operações realizadas pelo estabelecimento postulante ao benefício aquela decorrente da exportação Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 realizada por outro estabelecimento que recebera do primeiro as mercadorias exportadas. E esse foi o fundamento para que a maioria a ele negasse provimento. Deixo registrado ao final que, em minha opinião, ainda que se superasse a dificuldade acima, também não lhe caberia prover, pois partilho as conclusões a que chegou o i. Conselheiro Zomer: se a norma legal exigia a produção e exportação, e quanto a isso não há dúvida, não realizada uma delas descabe o incentivo. A única operação equiparada a exportação que o incentivo contemplou foi a venda a comercial exportadora, o que, no caso, assumidamente tampouco ocorreu. Esse é o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11610.004185/2010-40
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM
sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 13/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório e Voto Tratase de Recurso Voluntário interposto, em 30/05/2011, contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa DRJ SPOII/ 8ª Turma , cientificado em 18/05/2011, que considerou a impugnação procedente em parte. O recorrente, em seu recurso, reconhecendo a omissão de rendimentos lançada recebida do INSS, mas resultante de ação judicial, alega que tais valores deveriam ter sido pagos mensalmente, o que não resultaria em tão elevada retenção do imposto de renda, assim contesta a forma de tributação, tudo com base em decisões tanto proferidas pelo STJ, como, por normas infralegais editadas ou mesmo pareceres da PGFN sobre rendimentos pagos acumuladamente, requer o cancelamento do feito. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.004185/201040 Resolução n.º 2802000.077 S2TE02 Fl. 57 2 Verificase, portanto, que uma das matérias a ser decidida é a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (p. ex: fundamentação do acórdão recorrido fls. 26 e argumentação recursal de fls. 40 e seguintes), in casu são valores recebidos em ação judicial. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10166.011255/2010-49
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BSB/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 32/42), referente ao exercício 2008, anocalendário 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 32): 1 Imposto a Restituir Apurado na Declaração após a Revisão 9.937,28 2 – Imposto já Restituído 4.201,57 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 11 25 5/ 20 10 -4 9 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.011255/201049 Resolução nº 2801000.206 S2TE01 Fl. 93 2 3 – Saldo do Imposto a Restituir Ajustado (12) 5.735,71 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista. Constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, no valor de R$194.733,10, em virtude de processo judicial trabalhista, Precatório nº 449/1994, impetrado contra a FHDF, CNPJ nº 00.394.68400153. Enquadramento legal e detalhamento da infração nos autos (fl. 34). Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – Glosado o valor de R$365,70, indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Enquadramento legal nos autos (fl. 38). • Distrito Federal – Secretaria de Saúde – CNPJ 00.394.700/000108. A contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/02), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Os rendimentos são isentos de tributação pelo imposto de renda. Foi tido como omitido o valor de R$197.559,58, que se considerou não se tratar de herança, mas sim de rendimentos do espólio. A Sra. Kátia faleceu em 2000. Nos termos do art. 1.784 do CC, “aberta a sucessão, a herança transmitese, desde logo, aos herdeiros e testamentários”. Ademais, o Presidente do TRT da 10ª Região, considerando que os valores recebidos a título do Prec. 449/94, pelos herdeiros, proferiu decisão determinando a não incidência de IR sobre tais valores e que não houvesse dedução do imposto nas parcelas vincendas. A decisão judicial não admite interpretação diversa, pois se fundamenta expressamente no art. 6º, XVI, da Lei 7.713/88. Concorda com a infração de compensação indevida de IRRF.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 56/61, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 10/01/2010 (AR fl. 53), o espólio de Kátia Henriques Jácomo, por intermédio do representante legal (fls. 83/86), interpôs o recurso de fls. 68/81, em 09/02/2012. Em sua defesa, alega que a decisão recorrida procedeu Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.011255/201049 Resolução nº 2801000.206 S2TE01 Fl. 94 3 uma leitura equivocada da sentença e, por conseguinte, vem resistindo ao seu integral cumprimento. Aduz que o próprio credor Distrito Federal concorda com a isenção, não podendo a Secretaria da Receita Federal recusar a referida informação e cobrar o tributo novamente, sob pena de descumprimento de ordem judicial com expressa anuência do ente federativo titular da referida verba. Também argumenta que a Lei n°. 7.713, de 1988, autoriza a dedução das despesas com honorários advocatícios e periciais quando da declaração do ajuste sem fixação de limites. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10166.011255/201049 Resolução nº 2801000.206 S2TE01 Fl. 95 4 respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/04/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11080.009419/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26.
O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF Nº 2 e 4.
A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF Nº 2 e 4. A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
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AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. SÚMULA CARF Nº 26. O extrato bancário é prova suficiente para a fiscalização efetuar lançamento com base em omissão de rendimentos. O ônus da prova cabe ao contribuinte que deve justificar e comprovar a causa dos depósitos em conta bancária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULAS CARF Nº 2 e 4. A taxa SELIC é o índice utilizado para cálculo dos juros de mora dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal vencidos e não pagos. Não compete ao CARF se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 94 19 /2 00 3- 51 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA, WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 03 a 06, lavrado em 24/09/2003, exigese do contribuinte Rogério Brum Azeredo, o montante de R$ 5.461.792,31 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 5.732.151,02 de juros de mora e R$ 8.192.688,46 de multa de ofício qualificada (150%), totalizando R$ 19.386.631,19 (atualizados até a data da autuação) referente ao anocalendário de 1997. O lançamento fundamentase na omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o Relatório de Ação Fiscalização (fls. 7 a 16), a fiscalização teve início em razão de representação do MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL, contida em Ofício da 2ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL EM CASCAVEL/PR, referente ao Processo nº 2000.70.05.0042260, encaminhada ao Delegado da Receita da Federal em Porto Alegre, visando apurar a regularidade dos depósitos efetivados pelo Contribuinte nas contas bancárias de Afonso Antunes dos Santos, e Marcos Antônio Irineu de Souza, do Banco Meridional do Brasil SA, agência Cascavel PR e Banco do Estado do Paraná SA Banestado, agência Foz do Iguaçu PR. Em outra Representação Fiscal do Grupo Especial de Fiscalização em Foz do Iguaçu, consta o Contribuinte como depositante na conta corrente nº 32.9601, do Banco do Estado do Paraná SA, agência de Foz do Iguaçu (025) e de Adenildo do Nascimento, CPF 459.532.01915. A denúncia consta no Inquérito nº 98.10126301 da Delegacia da Policia Federal em Foz do Iguaçu/PR, que trata sobre evasão de divisas. O Contribuinte ao ser solicitado a apresentar os extratos bancários, negou sob a alegação de sigilo. De toda sorte, a quebra do sigilo bancário do Contribuinte foi estendido à Receita Federal, conforme decisão do Juiz Jorge Luiz Ledur Brito, da 2 0 Vara da Justiça Federal em Cascavel/PR, conforme consta no Ofício n0 2631102 de 22/11/2002. As informações bancárias do Contribuinte também foram obtidas através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF nº 2003000156, emitida pelo Delegado da Receita Federal em 11/04/2003, a documentação bancária para o BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL SA (cadastro, extratos bancários e documentos de débitos e Fl. 638DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 3 3 créditos superiores a R$ 50.000,00), referente ao ano de 1997. A documentação foi apresentada pelo banco em 06/05/2003. Com base nas informações bancárias, a Fiscalização solicitou que o Contribuinte justificasse a sua movimentação financeira no valor de R$ 22.001.075,25, especialmente pelo fato que no anocalendário de 1997, o mesmo apresentou Declaração de Isento. O Contribuinte respondeu à notificação sem apresentar documentação que justificasse os créditos em sua conta bancária. Argumentou que no ano de 1997 realizava cobranças de títulos, aplicações para clientes no mercado de câmbio, entre outras atividades e os depósitos na sua contacorrente eram referentes aos valores recebidos de cobranças realizadas, que posteriormente eram entregues aos clientes, descontando apenas a comissão ou recebidos para compra de moeda estrangeira, que após a compra os valores eram também entregues aos clientes. Complementou que em face do decurso de seis anos das operações realizadas, não tem conhecimento imediato das operações a que se referem os lançamentos em sua contacorrente, quem depositou, ou para quem teve de pagar; que buscará informações junto ao banco, bem como a documentação que possa encontrar possíveis arquivos antigos. Tendo em vista a ausência de justificativa do Contribuinte acerca dos créditos em sua conta bancária, a Fiscalização lançou o tributo com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ainda qualificou a multa de ofício, por entender que o Contribuinte ao apresentar a Declaração de Isento no respectivo anocalendário, bem como ter a maioria dos depósitos sem identificação do depositante ou o beneficiário sendo o próprio Contribuinte, acabam por configurar condutas dolosas com intuito de sonegar informação para não pagamento de IRPF. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 02/10/2003 (fls. 447) e apresentou Impugnação (fls. 448 a 457) tempestiva em 03/11/2003, alegando, em suma: · Decadência do lançamento tributário. Defende que o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN) e, portanto, quando do lançamento tributário o crédito já se encontrava decaído (desde 2002). · Nulidade do auto de infração pelo o mesmo não demonstrar a forma de atualização do crédito tributário, violando o disposto no art. 11 do Decreto nº 70.235/72. Acrescenta que o valor do lançamento tem efeitos de confisco. · Improcedência do auto de infração por não haver provas no processo que os créditos em sua contacorrente representam acréscimo patrimonial do Contribuinte. · Improcedência do auto de infração, pois o mesmo foi fundamentado apenas em extratos bancários do Contribuinte. Alega aplicação da Súmula nº 182 do TFR e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. · Improcedência do auto de infração sob o argumento que o ônus da prova é do Fisco e esse não conseguiu provar o acréscimo patrimonial do Contribuinte. Efetuou o lançamento com base nos extratos bancários obtidos. · Nulidade do auto de infração pelo mesmo ter se valido de dados bancários e da CPMF para consubstanciar o lançamento. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Improcedência da qualificação da multa, pois a mesma só pode ser aplicada em casos de fraude, sonegação de informações e conluio e a fiscalização não comprovou tal conduta dolosa do Contribuinte. · Improcedência da atualização dos juros de mora com base na SELIC por ser essa uma taxa que fica na dependência de uma fixação unilateral do Governo. Fere os princípios constitucionais da Legalidade, Anterioridade, Indelegabilidade da Competência Tributária e Segurança Jurídica. A 4ª Turma da DRJ/POA, em 17/06/2004, em decisão de fls. 488 a 509 manteve o lançamento em parte afastando a qualificação da multa de ofício, restituindoa ao percentual de 75%. Conforme ementa do referido acórdão: DECADÊNCIA O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício o prazo de 5 anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE — Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SIGILO BANCÁRIO E IRRETROATIVIDADE — Tendo o procedimento iniciado por representação do Ministério Público Federal, com a determinação de quebra do sigilo bancário pela Justiça Federal, não há que se falar em sigilo ou em aplicação retroativa da Lei Complementar nº 105/2001. PERÍCIA Não tendo sido formulado o pedido de perícia dentro do exigido pela legislação, considerase indeferido tal pleito. OMISSÃO DE RENDIRENTOS — LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996 — Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA — Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, aplicase a multa de ofício de 75%. TAXA SELIC APLICABILIDADE Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de abril de 1995, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC para títulos federais. O Contribuinte foi notificado da decisão em 24/09/2004 (fls. 548), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 18/10/2004 (fls. 521) requerendo, em síntese, os mesmos pleitos apresentados na Impugnação. Em razão da parcela de crédito tributário exonerada, há encaminhamento de recurso necessário. Os Recursos Voluntário e de Ofício foram julgados pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em sessão de 06 de julho de 2005, sendo o Recurso de Fl. 640DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 4 5 Ofício negado e o Recurso Voluntário provido na sua integralidade em face de ter sido reconhecido decaído o lançamento tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN (fls. 560 a 573). Em 26/10/2005, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 576 a 580) à Câmara Superior de Recursos Fiscais contra o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sob o argumento de que o crédito tributário não se encontra decaído, pois como não houve antecipação de imposto, a norma aplicável é o art. 173, I do CTN que determina como termo inicial para contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser. Assim, defende a Fazenda, se o fato gerador ocorreu em 31/12/97, então o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01 de janeiro de 1998. Logo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser efetuado é 01 de janeiro de 1999, consequentemente, o termo final da decadência somente ocorreria em 31 de dezembro de 2003. A ciência do lançamento ocorreu em 02/10/2003, portanto ainda dentro do prazo. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional não se insurge em face da desqualificação da multa de ofício, objeto do recurso necessário. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes efetuou o juízo de admissibilidade e conheceu do Recurso Especial da Fazenda (fls. 582 a 584) encaminhando para julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não se logrou êxito em intimar o Contribuinte por via postal (fls. 586 e 599), sendo o mesmo intimado por via editalícia em 20/11/2006 (fls. 592). O Contribuinte não apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em sessão de 03/03/2008 foi proferida decisão da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 595 a 605) negando provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, conforme a seguinte ementa: DECADÊNCIA — IMPOSTO DE RENDA — EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendárío. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN). A Fazenda Nacional tomou ciência da decisão supra em 27/08/2008 (fls. 606). Em 28/08/2008 apresentou Recurso Extraordinário (fls. 608 a 616) para o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando em síntese os mesmos argumentos apresentados no Recurso Especial no tocante à decadência do crédito tributário em questão. O exame de admissibilidade foi efetuado pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 620 a 622) e encaminhado ao Pleno. Por mais uma oportunidade tentouse intimação postal do Contribuinte (fls. 623) que não sendo bem Fl. 641DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 sucedida, restou a intimação editalícia (fls. 625) para apresentação de contrarrazões ao Recurso Extraordinário da Fazenda. O Contribuinte não apresentou as referidas contrarrazões. Na sessão de 07/12/2011, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional (fls. 628 a 633) e determinou que o processo retornasse à Segunda Seção do CARF para que novo julgamento em segunda instância aprecie as demais matérias em litigo, consoante recurso voluntário. Conforme ementa: ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Constatada a inexistência de pagamento antecipado no caso dos autos, observase o prazo de decadência previsto no art. 173, inciso I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. No tocante à preliminar de decadência arguida em sede de Recurso Voluntário, não cabe mais sua apreciação por força do acórdão proferido pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que não conheceu da decadência do lançamento tributário. Em relação à desqualificação da multa de ofício, a matéria resta preclusa, tendo em vista que foi objeto de recurso necessário, cujo provimento foi negado em decisão da Quarta Turma do Primeiro Conselho de Contribuintes, sem haver propositura de Recurso Especial no tocante a essa matéria. I. Das Preliminares I.1. Demonstração da Forma de Atualização do Crédito Tributário O Contribuinte pleiteia a nulidade do auto de infração sob o argumento de o mesmo não demonstrar a forma de atualização do crédito tributário, violando o disposto no art. 11 do Decreto nº 70.235/72. O pleito de nulidade com base na ausência de demonstração da forma de atualização do crédito tributário no auto de infração não deve prosperar, pois conforme se verifica o Auto de Infração (fls. 03,04 e 26) apresenta o dispositivo legal que disciplina a forma de atualização (art. 61, § 3º da Lei n° 9.430/96). Fl. 642DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 5 7 Portanto, rejeito a preliminar de nulidade por entender que no Auto de Infração resta expressamente demonstrada a forma de atualização do crédito tributário. I.2. Sigilo Bancário O Contribuinte pugna pela nulidade do auto de infração pelo mesmo ter se valido de dados bancários e da CPMF para consubstanciar o lançamento. O referido processo administrativo fiscal teve como origem representação do MINISTERIO PUBLICO FEDERAL, contida em Ofício da 2ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL EM CASCAVEL/PR, referente ao Processo nº 2000.70.05.0042260, encaminhada ao Delegado da Receita da Federal em Porto Alegre. A quebra do sigilo bancário do Contribuinte foi estendido à Receita Federal, conforme decisão do Juiz Jorge Luiz Ledur Brito, da 2 0 Vara da Justiça Federal em Cascavel/PR, conforme consta no Ofício nº 2631102 de 22/11/2002. Desta feita, rejeito a preliminar de quebra de sigilo bancário, pois há decisão judicial que autorizou a referida quebra. II. Do Mérito II.1. Ausência de Provas e Ônus da Prova O Contribuinte alega a improcedência do auto de infração por não haver provas no processo que os créditos em sua contacorrente representam acréscimo patrimonial do Contribuinte, bem como defende que o mesmo foi fundamentado apenas em extratos bancários. Em complemento, alega aplicação da Súmula nº 182 do TFR e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Inicialmente, cabe pontuar que a Súmula nº 182 do TFR, bem como as jurisprudências colacionadas pelo Contribuinte na sua peça recursal não são aplicáveis ao caso em questão, pois tiveram suas razões pautadas em outro arcabouço jurídico que não esse aplicável ao caso ora em análise. Os referidos precedentes têm como fundamento o art. § 5° do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, cujo teor foi revogado pelo artigo 88, inciso XVIII, da Lei n° 9.430/96. Portanto, não são aplicáveis ao caso em questão os precedentes ora mencionados. Em substituição ao referido dispositivo legal, foi inserido no ordenamento jurídico o art. 42 da Lei nº 9.430/96 que dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000, 00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Pela inteligência desse dispositivo legal, verificase que a autoridade fiscal pode efetuar lançamento tributário por omissão de rendimentos com base em extratos bancários, desde que devidamente intimado, o contribuinte não apresente justificativa da natureza dos respectivos valores. Notese que nesse caso há uma inversão do ônus da prova. Esse não mais cabe à fiscalização, mas sim ao contribuinte (presunção relativa). Assim, como o Contribuinte não produziu documentação hábil a justificar a natureza dos depósitos em sua conta bancária, presumese que os mesmos são rendimentos (omitidos) e, portanto, sujeitos à tributação com base na tabela progressiva. Ademais, a Súmula CARF nº 26 já dispensa a autoridade fiscal de comprovar o consumo da renda. Confirase: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, não merece amparo a alegação do Contribuinte de que extratos bancários não constituem provas para fins de lançamento tributário, bem como que cabe o ônus da prova à autoridade tributária, pois em caso de omissão de rendimento por depósito bancário, o extrato é meio válido de prova e o ônus de desconstituílo cabe ao contribuinte. II.2. Atualização Juros de Mora – Taxa SELIC O Contribuinte pugna pela improcedência da atualização dos juros de mora com base na SELIC por ser essa uma taxa que fica na dependência de uma fixação unilateral do Governo. E, acaba por ferir os princípios constitucionais da Legalidade, Anterioridade, Indelegabilidade da Competência Tributária e Segurança Jurídica. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.009419/200351 Acórdão n.º 2201002.335 S2C2T1 Fl. 6 9 Os arts. 5º § 3º e 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe que a taxa SELIC será utilizada para fins de cálculo de juros de mora dos créditos tributários vencidos e não pagos. Logo, há expressa disposição legal acerca da utilização da taxa SELIC para os devidos fins que deve ser observada por esse órgão. Quanto à constitucionalidade da lei que instituiu a aplicação da taxa SELIC para atualização dos créditos tributários, não compete ao CARF sobre a mesma se pronunciar, conforme disposto na Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, quanto à aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, há a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 645DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/04/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13502.001268/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/07/2008
AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata.
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO
A partir da introdução do artigo 170-A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação somente é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo
DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário
MULTA DE OFÍCIO - INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA
A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa.
JUROS DE MORA - SELIC
Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/07/2008 AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A partir da introdução do artigo 170-A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação somente é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário MULTA DE OFÍCIO - INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA - SELIC Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém a fundamentação legal correlata. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A partir da introdução do artigo 170A ao CTN, pela Lei Complementar nº 104/2001, a compensação somente é permitida após o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito do contribuinte. Vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário MULTA DE OFÍCIO INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 68 /2 01 0- 30 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do acórdão recorrido. Tratase de Auto de Infração (fls. 02/05) e Demonstrativos (fls.06/12), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI pertinente ao período compreendido entre janeiro de 2008 e julho de 2009. O autuante informa no Termo de Verificação Fiscal (fls.15/20) que a contribuinte apropriou no Livro de Registro de Apuração do IPI — RAIPI, como esclarece na petição de fls.41/44, a titulo de "outros créditos", valores de crédito presumido do IPI, energia elétrica e crédito extemporâneo decorrentes da antecipação de tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n° 2001.61.00.027884 6 (petição inicial As folhas 45/52), distribuída em 06 de novembro de 2001. Intimado a esclarecer a origem dos valores, respondeu serem decorrentes da antecipação de tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n° 2001.61.00.027884 6, obtida em 27/11/2001, que autorizou a escrituração dos créditos e a compensação com o IPI vincendo. Segundo o autuante, foi publicado no Diário Oficial da União em 14/12/2006, Acórdão da Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, dando provimento, por unanimidade, à Apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial, negando, por outro lado, provimento ao recurso interposto pela empresa, contra a qual a interessada interpôs Recurso Especial e Extraordinário, não admitidos, este que aguarda julgamento em fase de agravo de despacho denegatório do recurso extraordinário. Desta forma, ao apurar os referidos créditos e compensálos com débitos do IPI, a autuada teria contrariado o Regulamento do IPI e o principio constitucional da não cumulatividade, não estando pois A. época em que assim procedeu, autorizado por decisão judicial. Ademais, segundo o autuante, a autuada efetuou a compensação Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 4 3 antes do seu trânsito em julgado, contrariando o art. 170A do Código Tributário Nacional — CTN. O escopo desta ação fiscal ficou restrita ao exame e glosa de eventuais lançamentos contábeis referentes a créditos oriundos da aquisição de insumos não tributados pelo IPI ou tributados à aliquota zero, com base em decisões judiciais, conforme relatório, fl.19. Ao presente processo foram, ainda, anexados os seguintes documentos: Mandados de Procedimento Fiscal (f1.22); Termo de Inicio, outros termos lavrados pela fiscalização (fls.15/20, 23/24, 39/40) e informações prestadas pela contribuinte (f1.41/44); certidão referente à ação judicial (fl.27, 38); Atas de Assembléias (fls.28/29, 30),Instrumento de Procuração e documentos pessoais (fls.31136), cópias da Ação Judicial (fls.45/74), fotocópias do Livro Registro de Apuração do IPI e recibo de entrega de escrituração fiscal digital (fls.76/145). A contribuinte foi cientificada do lançamento em 27/09/2010 (fl. 03) e apresenta em 27/10/2010, fl.147, a impugnação de folhas 147/179, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Preliminarmente, o instrumento de lançamento fiscal padece de vícios formais e equívocos materiais, além de conter ilegalidades pontuais, que serão exaustivamente demonstrados; • O auto de infração padece de nulidade absoluta por ter origem em procedimento que cerceou o direito de defesa da impugnante, tendo o inicio da fiscalização se dado em desacordo ao art.844 do Regulamento do Imposto de Renda, que dispõe sobre prévia intimação ao contribuinte para prestação de esclarecimentos em 20 dias, notificandoo para pagamento do débito com incidência da multa moratória, implicando na violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório, o que feriu o primado do devido processo legal; • O Auto de Infração também é nulo em razão da falta de verificação concreta dos fatos, uma vez que o auditor baseouse tãosomente em informações prestadas pela própria contribuinte, supostamente corroboradas em análise dos livros do IPI, sem sequer analisar as notas fiscais que originaram os créditos, não havendo, portanto, prova de que o valor glosado é o correto; • Igualmente, o Auto de Infração é nulo em face do cerceamento do direito de defesa, pois as glosas efetuadas pela fiscalização estão demonstradas apenas de maneira global, não havendo individualização e tampouco verificação de cada um dos créditos apropriados, informação vital para o confronto entre os valores glosados e as notas fiscais que lastrearam o creditamento; • A impugnante transcreve doutrina e julgados do Conselho de Contribuintes que entende corroborar seus argumentos acerca da nulidade do Auto de Infração; • Quanto ao mérito, alega que as compensações em comento foram absolutamente regulares, uma vez que efetuadas mediante autorização judicial válida e eficaz à época dos fatos, expressamente dirigida à União Federal e que deveria ser respeitada e cumprida, destacando que a decisão da 6a Turma do TRF da 3a Região, que deu provimento ao recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional, foi objeto de recursos especial e extraordinário, que ainda aguardam julgamento; • Desta forma, a decisão judicial que reformou a decisão anterior ainda não é definitiva, e não esta irradiando plenamente os seus efeitos, pois poderá ser modificada pelo STJ e pelo STF; • Não tem cabimento, pela falta de previsão legal, o argumento utilizado pelo fiscal para glosa da compensação, nas disposições do art.170A do CTN, que prevê a compensação somente após o transito em julgado da decisão judicial, uma vez que a Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 5 4 discussão do direito da Impugnante ao crédito é determinado na própria ação judicial, sendo evidentemente irregular a lavratura do presente auto de infração em substituição do recurso judicial cabível; • Também não pode ser admitido o argumento da fiscalização quanto vedação prevista no art. 170A do CTN, pois é norma geral e abstrata que não pode ser oposta contra norma jurídica individual e concreta criada pela decisão judicial, e, ainda que haja lei impedindo a compensação antes do transito em julgado, se o juiz da causa decidiu de maneira contrária, prevalece a sua decisão, que deve ser cumprida, inclusive sob pena de desobediência; • A vedação ao creditamento do IPI na aquisição de insumos, matérias primas e materiais de embalagem imunes, isentos ou tributados aliquota zero, contraria o principio da nãocumulatividade previsto no inciso II do § 3° do art. 153 da Constituição Federal e no art.49 do CTN; • A restrição ao creditamento existe somente no caso de haver isenção no meio da cadeia produtiva, no caso do ICMS, conforme art.155, §2°, inciso II, "a" e "b", nada falando quanto ao IPI, conforme doutrina e jurisprudência do STJ e dos TRF, que transcreve; • A multa de oficio aplicada no Auto de Infração restringese aos casos em que o contribuinte se evade do dever de declarar a ocorrência do fato previsto na hipótese da regra matriz de incidência tributária, e no caso em tela não houve sonegação ou evasão fiscal, tendo a contribuinte apresentado regularmente seus livros e escriturado os montantes corretamente, tratando a autuação apenas de glosa de compensação cuja base de cálculo já havia sido declarada A. Receita Federal; • Não houve falta dolosa de recolhimento, mas, ao contrário, a contribuinte quitou o débito por meio de compensação, em legitimo cumprimento de ordem judicial, e, quando muito, deve ser aplicada a multa moratória no percentual de 20% prevista no art. 61, § 20 da Lei n° 9.430, de 1996; • Por fim, alega ser ilegal a aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário, por ferir frontalmente a Constituição Federal; • Requer juntada de novos documentos e declarações não colacionados nesta oportunidade, em função da exiguidade do tempo e do volume envolvido, produção de outras provas, coma perícia, ofícios, declarações, constatações e diligências, tudo em atendimento ao principio da verdade material que rege o processo administrativo. Os membros da Quarta Turma da DRJ, por unanimidade de votos, decidiram rejeitar a preliminar de nulidade e julgar procedente o lançamento, nos termos do relatório e do voto. Intimada do acórdão supra em 24/01/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22/02/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 6 5 O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Auto de infração contendo a identificação da matéria tributada. Inexistência de cerceamento do direito de defesa De início rejeito a alegação de nulidade do lançamento porque o auto de infração atende plenamente ao disposto nos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72 e inexistem dúvidas quantos aos critérios e fundamentação empregados nas autuações. Código Tributário Nacional “Art. 142 – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Decreto 70.235/72 Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O Auto, lavrado por servidor competente, possui todos os elementos exigidos, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato. Nele se vê que as bases de cálculo, alíquota e montantes devidos do imposto estão bem demonstrados. Dessarte inexistiu qualquer preterição do direito de defesa ou ofensa ao contraditório. Assim, não há que se reformar a decisão ora recorrida, que deverá prevalecer pelos seus próprios fundamentos. Ação judicial. Da compensação O trânsito em julgado torna definitiva a decisão tomada pelo juiz, que reconhece a ilegalidade ou inconstitucionalidade do tributo e, consequentemente, a inexistência da relação jurídica tributária, traduzindose na existência de créditos a serem recuperados pelo contribuinte. A compensação é uma prerrogativa do Recorrente que deve respeitar o que determina a lei. Neste caso a compensação é admitida sob o regime da estrita legalidade, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 7 6 Nos termos o artigo 170A do Código Tributário Nacional “ é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Em se tratando de pretensão à compensação de crédito contra a Fazenda Nacional objeto de controvérsia judicial, o requisito trazido pelo artigo 170A do CTN (trânsito em julgado em sentença que afirma a existência do crédito em favor do contribuinte) aplicase, também aos indébitos tributários decorrentes de vício de inconstitucionalidade. Neste sentido o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já decidiu: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ – RESP nº 1.167.039. Rel. Min. Teori Albino Zavascki) Assim, tendo em vista que a ação judicial não havia transitado em julgado, quando o Recorrente procedeu à compensação, não há que se falar compensação por inexistência de direito líquido e certo, além do que a ação judicial fora distribuída apenas em 06 de Novembro de 2011, posteriormente à vigência da Lei Complementar no. 104. Por mais esse argumento, nego provimento ao Recurso Voluntário Da alegação de inconstitucionalidade O julgamento administrativo é pautado pela legalidade, de forma que cabe ao julgador administrativo zelar pela aplicação da lei, sendolhe vedado afastar sua aplicação ainda que sob o argumento de fazer justiça ou de inconstitucionalidade. Assim, não compete à Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal (art. 102), em caráter privativo, ao Poder Judiciário A Súmula 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais prescreve: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse sentido, nego provimento ao recurso voluntário. Incompetência do Conselho para afastar aplicação da multa de ofício A Recorrente alega que a multa de ofício não poderia ser aplicada ao presente caso. Primeiramente, há de se salientar que multa não é tributo. É penalidade, ainda que esse valor integre o crédito tributário em sentido lato. Não existe vedação constitucional ao Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13502.001268/201030 Acórdão n.º 3302001.786 S3C3T2 Fl. 8 7 confisco do produto de atividade contrária à lei, como se vê ao ler o artigo 243 da Constituição Federal em vigor. Desta forma, a aplicação de multa ao autor do ilícito fiscal é lícita, pois a lei destinase a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. Outrossim, não é de competência desta Quarta Turma de Julgamento afastar aplicação de multa isolada. Neste sentido o Conselheiro José Henrique Longo reconheceu, no Acórdão nº 10806.571, da Oitava Câmara, a incompetência desta Câmara para afastar a aplicação da multa isolada, nos seguintes termos: “Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no sistema jurídico de modo válido. Desse modo nego seguimento ao recurso.” Nesse sentido, por mais esse argumento, nego provimento ao presente recurso. Juros de Mora – SELIC Por fim, no que tange a aplicação da Taxa Selic, também não assiste razão à Recorrente, na medida em que a partir de 01 de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial SELIC. Por todo exposto, conheço do presente recurso voluntário, para ao fim negar lhe provimento. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 19647.011180/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA PARA COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INAPLICÁVEL
A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização.
As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização por falta ou não atendimento aos pedidos de diligência.
DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos.
Numero da decisão: 2201-002.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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INCABÍVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INAPLICÁVEL A realização do pedido de diligência e perícia, conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova para interesse único da defesa do contribuinte. Constando nos autos elementos suficientes à solução da lide, é desnecessária a sua realização. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização por falta ou não atendimento aos pedidos de diligência. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 11 80 /2 00 6- 81 Fl. 832DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte qualificado neste processo, foi lavrado o auto de infração de IRPF, exercício 2002, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme detalhado no Relatório da Ação Fiscal (fls. 507/523), o contribuinte apresentou em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF), relativo ao exercício 2002, anocalendário 2001 (fls. 12/13), o rendimento tributável de R$ 16.250,00, tendo movimentado R$ 2.892.397,26 no banco Bradesco S/A. E, intimado por diversas vezes para comprovar a origem dos recursos, apesar das solicitações de prorrogação de prazo, teria limitadose a apresentar os extratos bancários e fichas cadastrais. A auditora informa ainda que foram realizadas diligências para identificar as atividades negociais ou profissional de diversas pessoas físicas e jurídicas que ensejaram créditos na conta corrente do contribuinte, sem, entretanto, resultados efetivos. A ação fiscal foi originada com o Termo de Inicio de Fiscalização recebido em 1º de fevereiro de 2005 (fl. 16) e encerramento com Edital da DRF Recife/PE nº 152/2006 de em 14 de dezembro de 2006 (fl. 528), fixado nesse dia com prazo estipulado para o período de 14 a 29 de dezembro de 2006. Portanto, considerase como ciência o 16º dia, 29 de dezembro de 2006. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 532/599), assim descrita pela relatoria do acórdão nº 1127.168, da DRJ Recife: 4.1. A impugnação é tempestiva porque a apresentou em 11/01/2007, tendo sido cientificado por edital em 02/01/2007, quando começou a correr o prazo de 30 dias para defesa. 4.2. A "(...) auditora fiscal, após constatar que não foi possível a ciência pessoal do impugnante, pois o AR tinha sido entregue a terceiro estranho, optou por mandar expedir edital para intimação da lavratura do auto de infração ora impugnado." No edital, com autorização para afixação em 14/12/2006, "(...) ficou determinado que a intimação do impugnante e o início do prazo para interposição de impugnação se daria (sic) 30 (trinta) dias após o 16° (décimo sexto) dia da afixação do edital. De acordo (sic) o Decreto n° 70.235/72 os prazos só se iniciam ou terminam em dia útil e de expediente normal na repartição, exatamente em prestígio ao contraditório e ao amplo direito de defesa (...)." Assim, com o edital afixado em 14/12/2006, iniciandose a contagem no dia seguinte, concluise que o prazo de dezesseis dias encerrouse em 30/12, um sábado. "Como os prazos só se iniciam ou terminam em dia útil e de expediente normal na repartição, por conseguinte, temse que a INTIMAÇÃO SOMENTE OCORREU NO DIA 02.01.2007. (grifos do original) 4.3. "(...) a intimação se deu por edital tendo em vista a pressa da auditora de tentar 'driblar' a ocorrência da decadência o que efetivamente já ocorreu uma vez que quando o impugnante foi intimado já se encontrava extinto o direito da Fazenda Pública de agir (...). Cumpre observar que a pressa da intimação por edital, no mínimo ensejaria a respectiva nulidade." Transcreve doutrina acerca do tema. 4.4. "Ao ser intimado, forneceu as informações que (sic) dispunha, as quais demonstraram que os valores que transitaram em sua conta bancária na verdade não lhe pertenciam, pois se dedicava – e ainda se dedica – a atividade autônoma de agenciamento de veículos, fazendo a "ponte" entre o vendedor e o comprador. Dessa Fl. 834DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 forma, apenas a sua comissão (que varia de 1% a 5% dependendo da situação) era realmente a sua renda para fins de incidência do IRPF." (grifos do original) Tomou empréstimos no Banco Bradesco, onde mantinha a conta objeto de fiscalização, que também nela transitaram, não sendo renda, nos termos do art. 43 do CTN. 4.5. Embora não se tendo recusado a atender as solicitações da fiscalização, ficou impossibilitado de dar maiores detalhes sobre as pessoas de quem recebia créditos, tendo sido informado que as instituições financeiras não poderiam quebrar o sigilo bancário de outros correntistas. Diante da informalidade da atividade exercida, sem controle contábil eficiente, é complicado precisar todas as operações realizadas em 2001. 4.6. A autoridade fiscal tratou a situação como omissão de rendimentos de pessoa física e não como operações de agenciamento de veículos, tendo ignorado que a presunção deve ser afastada quando os elementos de prova ou os indícios existentes apontam para situação diversa. 4.7. Independentemente da improcedência, o período de janeiro a novembro de 2001 foi atingido pela decadência, haja vista que, a partir da Lei n° 7.713/88, o imposto de renda das pessoas passou a ser devido mensalmente. Citou também as Leis nºs 8.134/90 e 8.383/91, em apoio a sua tese. Como o IRPF é tributo sujeito à homologação, na forma do art. 150 do CTN, a declaração de ajuste anual é simples instrumento de acerto de contas, para apurar eventuais saldos de imposto a pagar ou valores a restituir, não podendo ser usado como base para o lançamento pelo regime de declaração do art. 147 do CTN. As normas citadas não tratam da antecipação do pagamento do imposto, como poderia ser levantado pelos que defendem que o IRPF incide em 31 de dezembro, o que afronta o princípio da legalidade, ao contrariar os comandos da Lei n° 9.430/96. "Como a periodicidade do lRPF é mensal, no caso concreto apenas os rendimentos auferidos no mês de dezembro de 2001 não teria sido alcançado pela decadência." Não ocorreu a previsão do art. 902 do Regulamento do Imposto de Renda, pois não ficou caracterizada pelo Fisco situação de dolo, fraude ou simulação, tanto que a multa é de 75%. 4.8. Sendo o IRPF tributo lançado por homologação, com incidência mensal, "(...) o prazo prescricional (sic) deve ser o do § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador." Por essa razão, o nãorecolhimento do tributo deve reportarse à ocorrência do fato gerador, como dispõe o art. 144 do CTN. Transcreve, em apoio ao seu entendimento, diversos acórdãos do então denominado Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Assim, requer sejam considerado decadente o lançamento no que concerne aos rendimentos supostamente auferidos entre janeiro e novembro de 2001, pois "(...) apenas a quantia apurada no mês de dezembro de 2001 poderia ser alvo do lançamento, tendo em vista a sua ciência apenas em 12/12/2006." (grifos do original) 4.9. Aduz que os valores movimentados na sua conta bancária são muito superiores à rua renda, pois não lhe pertenciam, eram decorrentes de operações de agenciamento de veículos. Não obteve renda naquele montante, tanto que a autoridade fiscal silenciou quanto a sinais exteriores de riqueza. "Simplesmente presumiu que os R$ 2.046.584,48 que circularam em sua conta corrente retratavam o rendimento auferido em 2001". (grifos do original) Como só existe imposto sobre a renda se houver renda, auferida pelo seu verdadeiro titular, que é o beneficiário, a cobrança o imposto de quem ficou com ínfima parcela do que foi movimentado afrontaria a legalidade, a moralidade e a verdade material. 4.10. Discorda do fato de o IRPF incidir sobre toda a receita auferida, diferentemente do imposto de renda pessoa jurídica, que apura o lucro real, presumido ou arbitrado. "(...) se os ingressos na sua conta corrente fosse (sic) o lucro de uma atividade empresarial, seria um negócio com bom rendimento e que certamente seria descoberto por uma fiscalização que durou mais de um ano." 4.11. "A (sic) Impugnante apresentará indícios, mas também provas, que levam a (sic) conclusão que (sic) a fiscalização considerou como renda, o que era em sua maioria receita de terceiros." Dentre os equívocos do lançamento, encontrase, primeiramente, o fato de ter considerado todas as receitas, sem excluir os empréstimos tomados da instituição financeira onde mantinha a conta, consoante planilha que elaborou e que pode ser comprovada pela leitura dos extratos (...). Ora, o empréstimo bancário não Fl. 835DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 4 5 pode ser considerado renda de pessoa física! “Caso paire alguma dúvida acerca desse fato, o Impugnante desde logo requer a intimação do BANCO BRADESCO S.A para comprovar o aqui alegado.” 4.12. "(...) uma mera análise do saldo bancário do Impugnante demonstra, claramente, ser faticamente improvável se estar diante de rendimentos de uma pessoa física." Apresenta relação dos saldos finais, em cada mês, para concluir: "Ora uma pessoa física que auferisse rendimentos de mais de dois milhões de reais em apenas um ano, não teria um saldo bancário negativo por vários meses para, ao final, lhe restar apenas um pouco mais de dez mil reais. Muito menos se pagaria juros de cheque especial." 4.13. Foi constatado pela AuditoraFiscal que a maior parte dos depósitos e saídas ocorridos na conta corrente teve origem no negócio de compra e venda de veículos, conforme informações que de outras pessoas que relaciona (fls.542/544). 4.14. "(...) não possui bens que corresponda (sic) a riqueza presumida pela Auditora Fiscal da Receita Federal. Podendo ser facilmente comprovado pelas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF, dos exercícios fiscais 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 (documentos anexos), como também certidões dos cartórios de Imóveis da Comarca do Recife, em seu nome, de sua mulher e de seus filhos, além da certidão do DETRAN/PE (documentos em anexo)." 4.15. Se a ação fiscal valeuse da amostragem e identificou situações de compra e venda de veículos, deveria ter considerado que assim ocorrera com o restante da movimentação, dando por provado que aquelas pessoas físicas e jurídicas eram os verdadeiros proprietários da esmagadora maioria dos recursos. Apenas parte dos recursos lhe pertencia – a comissão –, pois nas operações de agenciamento de veículos o comprador deposita na conta do agenciador a quantia necessária ao pagamento do veículo e, às vezes, valores relativos a IPVA em atraso, a troca de pneus, revisão. 4.16."Apesar de a suposta infração tratar de presunção legal, em que poderia se alegar a inversão do ônus da prova, a autoridade fiscal não está dispensada de diligenciar e provar a efetiva ocorrência do indicio (sic) colocado na lei, cuja ocorrência (sic) autoria autoriza a presunção. Entendimento em contrário além de violar o contraditório e a ampla defesa configura um grave atentado ao devido processo, à legalidade e à segurança jurídica." (grifo do original) 4.17. "Se as respostas obtidas pela fiscalização, em decorrência da verificação por amostragem, sinalizaram em uma direção, a de que a Movimentação ao menos em parte se relacionava ao agenciamento de veículo, isso não poderia ser ignorado. Nessa hipótese, não são cabíveis as acusações de que o contribuinte é que deixou de apresentar as informações das instituições financeiras, uma vez que essas se recusaram a entregar espontaneamente a ele o detalhamento dos depositantes, para que pudesse ser exercido o seu inalienável direito à ampla defesa. Estando o contribuinte impedido de produzir as provas necessárias a comprovar os fatos aos quais a autoridade fiscal teve acesso mediante as informações obtidas nos bancos, deveriam ter sido adotadas providências no sentido de serem procedidas mais diligências para verificação e comprovação dos fatos efetivamente ocorridos. Todavia, a opção foi pelo atalho de prematuramente logo (sic) imputar uma presunção legal que àquela altura já não mais sobrevivia, na tentativa de inverter o ônus da prova para o contribuinte." 4.18. A amostragem apontava numa direção e a autoridade fiscal produziu uma auto de infração em outra. Até nos casos dos intimados que não responderam, as próprias denominações indicavam o negócio entabulado, propiciando "(...) um indício veemente da origem dos recursos (...)." "(...) a fiscalização foi encerrada sem serem concluídas sequer as tímidas diligências deflagradas, o que somente confirma os equívocos da autuação e demonstra a afronta ao contraditório e direito de defesa do contribuinte. (...) A SRF tem o dever de analisar os dados bancários dos depositantes daquela conta, caracterizandose cerceamento de direito de defesa a fiscalização ter parado (...). E mais, ofende à moralidade, eficiência e à verdade material a timidez na busca de provas inequívocas de quem era o legítimo beneficiário da renda e valores constantes nas contas bancárias, inclusive pessoas jurídicas. (...) o enquadramento dos valores como omissão do contribuinte resvala em inconstitucionalidade, pois macula o devido Fl. 836DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 processo legal (CF, art. 50 LIV), ao meramente ensaiar um contraditório e ampla defesa, já que só a SRF está dotada, neste específico caso, dos meios e recursos de prova (CF, art.5°, LV)." 4.19. "(...) a base de cálculo utilizada no auto de infração está inquinada de vicio que contamina todo o lançamento pelas seguintes razões: (i) foi atribuída a titular errado – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO; (ii) ou, no mínimo, composta por valores ilegítimos, irreais com a condição do sujeito passivo autuado. (...) Assim, o impugnante defende a nulidade do lançamento, pois errou na identificação do sujeito passivo e sobretudo na qualificação da receita de terceiros como renda do Impugnante, ou seja, interpretou os elementos encontrados (movimentação bancária) como renda da (sic) Impugnante e não como patrimônio de terceiros. Tal situação é típica hipótese de erro de fato, o que leva a nulidade do atonorma criado pela administração pública, no caso o Auto de Infração. Tal situação acaba por falsear o motivo (suposta existência de renda) que levou a Ilma. Auditora a realizar o lançamento. Dessa forma, o ato administrativo combatido tem motivação legal inexistente, visto que não condiz com a realidade fática, o que não pode ser admitido. A Lei Federal n° 9.784/99 exige. [reproduz o art. 50 do referido diploma legal]." (grifos do original) Transcreve decisão do STJ e doutrina acerca da necessidade de motivação do ato administrativo. 4.20. Por fim, requer: i) preliminarmente, a declaração de decadência dos créditos tributários relativos aos meses de janeiro a novembro de 2001; a declaração de improcedência, por não ter sido demonstrada a real ocorrência de renda, para o crédito tributário referente ao mês de dezembro de 2001, ou para todo o período, caso não se declare a decadência; e seja julgado improcedente o lançamento, caso não se declare a nulidade, em razão de não ter sido aplicada corretamente a hipótese do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O contribuinte anexou à impugnação diversas certidões cartoriais informando que não constam bens em seu nome e de seus familiares e declarações de pessoas físicas e jurídicas informando de sua idoneidade, algumas informando que o recorrente faria intermediação na compra de venda de veículos. Entretanto, nenhuma delas comprova qualquer uma das supostas operações realizadas. Os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ Recife (PE), por unanimidade de votos, consideraram improcedente a impugnação. O contribuinte, intimado em 12 de setembro de 2009 (fl. 653), interpôs recurso voluntário no dia 9 do mês subsequente (fls. 655/672), no qual são repetidos os argumentos da impugnação, quais sejam: a) Nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo e na quantificação do patrimônio. Seria ilegal a motivação do lançamento por não condizer com a realidade; b) Necessidade de realização de diligência e violação ao direito do contraditório e ampla defesa. Argui que, apesar de a suposta infração tratar de presunção legal em que poderia se alegar a inversão do ônus da prova, a autoridade fiscal não estaria dispensada de diligenciar e provar a efetiva ocorrência do indício posto na lei, cuja ocorrência autoriza a presunção. Entendimento em contrario, além de violar o contraditório e a ampla defesa, configuraria um grave atentado ao devido processo, à legalidade e à segurança jurídica; e que estando o contribuinte impedido de produzir as provas necessárias a comprovar os fatos aos quais a autoridade fiscal teve acesso mediante as informações obtidas nos bancos, deveriam ter sido adotadas providencias no sentido de serem procedidas mais diligencias para verificação e comprovação dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 5 7 c) Decadência com base na apuração mensal. Diz que a apuração do imposto de renda pessoa física teria com base o mês do rendimento, sendo o prazo de decadência de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Assim, não poderia a autoridade fiscal, no dia 12 de dezembro de 2006, referirse ao lançamento do tributo como se ele houvesse ocorrido somente em 31 de dezembro de 2006, englobando toda a movimentação do ano de 2001. Isto se constituiria em uma clara violação ao princípio da legalidade, uma vez que a fiscalização não teria atentado para a regra do § 4° do art. 150, CTN. Assim, no caso concreto, apenas os rendimentos auferidos no mês de dezembro de 2001 não teriam sido alcançados pela decadência quinquenal. Ainda, se considerada a ciência em 2 de janeiro de 2007, dia que de fato tomou conhecimento do Edital, seria possível admitir que os rendimentos do mês de dezembro também estariam incluídos na decadência. d) Inexistência de renda obtida por presunção. Alega que não teria validade a presunção, pois só existe imposto sobre a renda se esta for auferida por quem é o verdadeiro titular da riqueza, realizando o respectivo fato gerador; que a autoridade administrativa considerou todas as receitas e não exclui os empréstimos tomados, claramente demonstrados nos extratos da instituição financeira onde mantinha conta bancaria; que uma mera análise do saldo bancário demonstra, faticamente, ser improvável tratarse dos rendimentos de pessoa física, pois uma pessoa que auferiu mais de dois milhões de reais não teria saldo negativo na conta bancária por vários meses, restandolhe, no final do ano, apenas dez mil reais; que os valores transitados por conta bancária, muito superior à sua renda, representavam, em sua enorme maioria, as operações de agenciamento de veículos, e que, diante das circunstâncias, deveria a autoridade fiscal ter observado que as respostas das diligencias mencionavam pagamentos de transações de aquisição de veículos agenciados, onde o percentual do agenciador dificilmente chega a 5% do valor do negócio; que a fiscalização deveria ter respeitado a amostragem e não adotado uma posição diferente da apurada; que além dos recursos para o pagamento do veículo, muitas vezes o agenciado fica responsável pelo pagamento das taxas, IPVA, revisão etc. Em 19 de setembro de 2012, por determinação do presidente da 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, foi sobrestado o julgamento até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Entretanto, com a edição da Portaria nº 545 do Ministério da Fazenda, de 18 de novembro de 2013, os dispositivos supracitado foram revogados, retornaram os autos para julgamento por este Colegiado. É o relatório. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e analiso as matérias, conforme detalhado nos tópicos seguintes. Nulidade do lançamento O contribuinte alega erro na identificação do sujeito passivo, pois o seu patrimônio seria incompatível com o valor apurado no lançamento, cuja motivação seria ilegal por não condizer com a realidade. Entretanto, não se vislumbra no lançamento as hipóteses de nulidade elencada no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, ou de erro na identificação do sujeito passivo, estando o lançamento em total consonância com o disposto no art. 10 do mesmo decreto, que define os requisitos obrigatórios do auto de infração, e das disposições contidas no art. 142, do CTN. Assim, não se verificando nenhum vício prejudicial no instrumento de autuação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Diligência e violação ao direito do contraditório e ampla defesa. Não cabe ao Fisco adotar providências para produção de provas para os valores depositados na conta corrente do contribuinte para fins de apurar o imposto de renda pessoa física. A norma legal transfere ao sujeito passivo o dever de comprovar a origem dos depósitos e justificálos. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. A realização de diligências e perícias somente se aplica quando há necessidade de formação de convicção por parte da autoridade lançadora ou do julgador, conforme dispõe os art. 16, 18, 29 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, que não é o caso. Vale salientar que a auditora fiscal, nos quase 24 meses em que aguardava as respostas do contribuinte, intimado por diversas vezes, até que buscou, improficuamente, identificar a origem dos rendimentos a partir dos depósitos e pagamentos efetuados. É o que se vê nas diligências realizadas, cujo resumo encontrase no Relatório de Ação Fiscal (507/523): Dos documentos fornecidos pela instituição financeira, relativos à amostra de 69 lançamentos a crédito em conta bancária mantida sob a titularidade do contribuinte, 16(dezesseis) comprovantes não foram fornecidos e que 7 (sete) dos comprovantes fornecidos pela referida instituição financeira constava a identificação dos remetentes/depositantes, sendo excluídos 2 (dois) que constava o nome do próprio contribuinte como remetente/depositante, conforme Anexo A (fls. 124 e 125), restando apenas 5 (cinco) comprovantes com identificação do remetente/depositante, duas pessoas físicas e duas pessoas jurídicas, porém, uma das pessoas físicas não foi localizada no cadastro da RFB, conforme Anexo A (fls. 124 e 125); Dos documentos solicitados a esta Repartição pela instituição financeira acima citada, relativos à amostra de 66 lançamentos a débito em conta bancária mantida sob a titularidade do contribuinte, 11(onze) comprovantes não foram fornecidos. Tendo em vista que em alguns dos documentos encaminhados a esta Repartição pela instituição financeira acima citada, relativos à amostra de lançamentos a débito em conta bancária mantida sob a titularidade do Fl. 839DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 6 9 contribuinte, o nome/razão social dos favorecidos de cheques emitidos por meio da referida conta bancária, estava parcialmente legível, 4 (quatro) nomes/razão social não foram identificados nos referidos documentos. Também não foram localizados no cadastro de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas desta Repartição, 9 (nove) nomes/razão social que constavam de documentos encaminhados a esta Repartição pelo Banco Bradesco S/A, conforme Anexo B (fls. 126 e 127). A auditoria informa ainda que foi diligenciado o Instituto de Identificação Tavares Buril, do Estado de Pernambuco, sendo identificadas, a partir da resposta daquele órgão, mais três pessoas físicas, porém sem resultado: Apesar de ser obrigação do contribuinte comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos efetuados em conta bancária mantida sob sua titularidade no anocalendário 2001, o mesmo não apresentou a referida documentação. Assim, na tentativa de obter documentos que comprovassem a origem dos recursos depositados na conta n° 23191, agência 3453 do Banco Bradesco S/A, mantida sob a titularidade do contribuinte no anocalendário 2001, os quais seriam decorrentes de atos negociais e ou atividades profissionais, porventura realizados pelo mesmo naquele anocalendário, esta Repartição procedeu a diversas diligências, com base em uma amostra da movimentação financeira efetuada na conta bancária acima citada, porém os documentos fornecidos pelas pessoas físicas e jurídicas intimadas não comprovam a origem de qualquer depósito efetuado na conta n° 23191, agência 3453 do Banco Bradesco S/A (item IV — fls. 512 a 522). (grifos nossos). Portanto, apesar não ser obrigação da autoridade lançadora, observase que foram realizadas diligências, no transcurso de aproximadamente 24 meses, com o fito de verificar uma possível origem dos recursos movimentados. O contribuinte, por sua vez, não apresentou qualquer prova da origem dos recursos depositados em conta bancária mantida sob sua titularidade. Quanto à alegação de violação ao direito do contraditório e da ampla defesa, essa não se sustenta, já que foi possibilitado ao contribuinte, amplamente, todos os meios de apresentação das provas necessárias à sua defesa. Decadência com base na apuração mensal. Não procedem os argumentos em relação à decadência, pois o imposto de renda das pessoas físicas é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de complexivo, apurado no ajuste anual. Ou seja, aquele que o fato gerador se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade de gerar a obrigação tributária exigível. Assim, embora apurado mensalmente, o IRPF se sujeita ao ajuste anual, apurandose o montante devido ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. A base de cálculo da declaração abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário, diminuídos das deduções pleiteadas. Para isso, há a declaração de ajuste, conforme trata o artigo 85 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 No caso em análise, a ciência se deu por meio de Edital em 29 de dezembro de 2006. Como o anocalendário fiscalizado é o de 2001, adotandose a contagem do prazo decadencial nos termos dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, o prazo decadencial somente se iniciaria em 2007. Essa polêmica foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 38, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 08 de dezembro de 2009: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do RICARF, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Portanto, está superada a questão sobre a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual. Inexistência de renda obtida por presunção. O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Relatório de Ação Fiscal, caracterizando, assim, correto lançamento com base na omissão de rendimentos como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Assim sendo, descabe a tese da não disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19647.011180/200681 Acórdão n.º 2201002.425 S2C2T1 Fl. 7 11 Também não procede a alegação de que foram computados no levantamento os valores de cheques devolvidos e empréstimos, pois, conforme relatou a auditora fiscal responsável pelo lançamento no demonstrativo "Depósitos Bancários a Comprovar a Origem" (fls. 88 a 92), dos valores apurados foram subtraídos dos respectivos créditos os valores relativos a cheques devolvidos, lançados a débito na conta bancária analisada, bem como não foram incluídos os valores lançados a crédito decorrentes de estorno de débitos e resgates de aplicações financeiras. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 842DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10580.720669/2009-38
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 69 /2 00 9- 38 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 143 3 Referidos rendimentos correspondem a diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas em 36 meses, de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730/2003 do Estado da Bahia. O caso foi adequadamente relatado em primeira instância da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/N 2.331/2010, de 26 de outubro de 2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A impugnação foi indeferida, em resumo, pelos seguintes fundamentos: a) o pagamento extemporâneo do rendimento não modifica sua natureza tributável, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar, a tributação do principal e dos juros de mora encontram amparo nos art. 55 e 56 do RIR1999; b) dispositivo de Lei Estadual não estabelece efeito tributário de tributo regido por lei federal; c) não se pode estender efeitos da Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais, porque isenção somente se outorga por lei específica e está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN extensão a outras categorias implicaria analogia que não é permitida em matéria de isenção; d) a situação da impugnante é distinta daquela dos membros da magistratura e do MP federais, pois regidos por leis específicas distintas; e) de acordo com Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, a responsabilidade da fonte pagadora não exclui a do contribuinte; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 144 5 f) ainda que o imposto retido, por determinação constitucional pertença ao Estado da Bahia, a retenção, mesmo que houvesse ocorrido, não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; g) a multa exigida (75%) independe da intenção do agente (art. 136 do CTN); h) as respostas a Consultas Administrativas apontadas pelo impugnante não possuem força vinculante, por não ter seguido o rito do processo de consulta (art. 48 da Lei 9.430/1996 e não integrar o conceito de norma complementar do art. 100 do CTN; o mesmo ocorre com: Nota AGU/AV 12/2007, Nota Técnica Cosit 4/2009 e Parecer PGFN/CAT 179/2009; i) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Ciência do acórdão em 09/04/2014. Recurso voluntário interposto no dia 14/04/2011. No recurso voluntário, o recorrente alega: 1. inexistência de conduta hábil à aplicação de multa, pois a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora e atos da Fazenda Nacional reconhecem a inaplicação da multa, os quais tem força vinculante; 2. nulidade do lançamento por apurar inadequadamente a base de cálculo pois deveria ter sido apurada a base de cálculo mês a mês com refazimento das Declarações de Ajuste correspondentes, na esteira do entendimento firmado pelo STJ; se o lançamento houvesse sido feito dessa forma teria sido evidenciado que o valor de URV em cada um dos meses em que era devida estaria dentro da faixa de isenção; 3. não incidência do imposto sobre os juros moratórios; 4. o valor da URV constitui verba de natureza indenizatória, cita precedentes deste Conselho e do Poder Judiciário de Rondônia e Parecer do MP do Estado do Maranhão 5. ilegitimidade ativa da União, pois o imposto retido na fonte, no caso concreto, pertence ao Estado; e 6. violação ao princípio constitucional da isonomia, pois não houve tributação das verbas de mesma natureza pagas ao MP e aos magistrados federais, diante da edição da Resolução 245/2002 do STF, cita o RESP 1187109. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Ao reputar que se discutia a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, a 1ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara sobrestou o julgamento, com base no §1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, por meio da Resolução 2201 000.094, de 18/09/2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado, sendo que a Conselheira Relatora original não mais integra o CARF, o que levou a redistribuição do processo ao presente Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi admitido, passase ao exame das preliminares e do mérito. A alegada nulidade do lançamento apuração inadequada da base de cálculo é matéria a ser apreciada como mérito. O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no RE 684.169 e na Solução de Consulta não tem o efeito almejado pelo recorrente. Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 145 7 b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões. Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 146 9 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no Resp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministro que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, restou prejudicada a análise dos efeitos dos atos citados pelo recorrente, pois se aplica a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720669/200938 Acórdão n.º 2802002.968 S2TE02 Fl. 147 11 Como a verba em discussão está sujeita a tributação no ajuste anual (não se trata de tributação exclusivamente na fonte) e não se aplica a tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP (imposto calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias), rejeitase a alegação de inadequação da forma de apurar a base de calculo como sustentado pelo recorrente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13888.001715/2010-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009
CERCEAMENTO DE DEFESA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada.
Entender que o fato de ser o contribuinte um devedor contumaz de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho.
O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerá-lo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária.
O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada; b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao Aviso Prévio, 13º Salário-reflexo e à aplicação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao Aviso Prévio e 13º Salário-reflexo. Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões quanto ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário-reflexo. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergana Penteado Corrêa, OAB/SP nº 183.738.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 343 1 342 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.001715/201073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.456 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente JCC CONNECT TELECOM COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA QUALIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Entender que o fato de ser o contribuinte um “devedor contumaz” de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 17 15 /2 01 0- 73 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 344 2 Inexiste cerceamento de defesa quando a matéria foi enfrentada pelo sujeito passivo em sua defesa e analisada pela instância a quo, que conheceu da impugnação, ausente, portanto, lesividade na decisão guerreada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada; b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto ao Aviso Prévio, 13º Salárioreflexo e à aplicação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior quanto ao Aviso Prévio e 13º Salárioreflexo. Conselheiro Eduardo de Oliveira votou pelas conclusões quanto ao Aviso Prévio Indenizado e 13º Salárioreflexo. Sustentação oral Advogada Dra Renata Pergana Penteado Corrêa, OAB/SP nº 183.738. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 345 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela JCC CONNECT TELECOM COMERCIO DE EQUIPAMENTOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA. em face do acórdão que julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. 2. A autuação se refere às contribuições previdenciárias relativas à remuneração paga, devida ou creditada pela empresa aos segurados empregados a título de aviso prévio indenizado, os reflexos no 13º salário e vale refeição, bem como as diferenças apuradas na contribuição devida, decorrentes da alteração nas alíquotas aplicadas sobre a remuneração dos segurados, em cada competência. 3. O contribuinte foi cientificado da constituição do credito tributário e, por não se conformar, apresentou impugnação de fls.193/212. 4. O acórdão de primeira instância, que julgou a impugnação apresentada pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa. FOLHA DE PAGAMENTO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. VERBAS INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO E SEUS REFLEXOS NO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Integram o salário de contribuição os valores relativos à alimentação pagos aos segurados empregados em pecúnia. Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e seus reflexos sobre o décimo terceiro salário. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 346 4 AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. ATO DECLARATÓRIO nº 3/2011. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser excluído do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições incidentes sobre as parcelas de auxílio alimentação in natura fornecidas pela empresa aos seus empregados, em decorrência da determinação contida no Ato Declaratório PGFN nº 3/2011. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Cabível a aplicação da multa de ofício no lançamento de contribuição previdenciária não declarada em GFIP, referente a período anterior à vigência da Lei nº 11.941/09, quando demonstrado ser esta mais benéfica ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, da Lei nº 4.502/64. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Intimado da decisão da instância a quo, em. 14/03/2013, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 302, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 304/322, alegando em síntese que: a) preliminarmente, houve nulidade da autuação devido à ocorrência de cerceamento de defesa, decorrente da ausência de notificação ao contribuinte acerca do encerramento da ação fiscal (sendo notificado somente os seus sócios) e por entender que houve existência de confusão e obscuridade do relatório fiscal, o qual teria deixado de demonstrar com clareza e precisão as supostas irregularidades cometidas pelo contribuinte. b) o levantamento FP configura bis in idem, posto que os valores do salário de contribuição constantes em folha de pagamento já haviam sido declarados em GFIP, a qual constitui documento de confissão de débitos. c) em relação às verbas incluídas no levantamento AP (aviso prévio indenizado e o reflexo sobre o 13º salário) aduz encontrarse abrangida pela alínea “m” do inciso V do §9o do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, como ‘outras indenizações’. Além disso, caso se entenda pela incidência da contribuição previdenciária sob a rubrica em comento, entende que a mesma poderia ser cobrada a partir de 05/2009 por se tratar de nova contribuição, devendo respeitar o prazo de 90 dias para sua cobrança. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 347 5 d) o aviso prévio indenizado não decorre do trabalho e, portanto, não representa contraprestação pelo serviço prestado. e) os valores incluídos no levantamento VR referemse à de verba concedida em conformidade com o artigo 28, § 9º, “c” da Lei nº 8.212/91. Que o benefício é concedido através do cartão SODEXO, específico para uso em supermercados, não podendo o valor ser sacado em dinheiro, encontrandose a empresa fornecedora devidamente cadastrada no PAT sob o nº 080029457. f) a ausência de inscrição no PAT não poderia mudar a tipicidade do benefício, mas somente acarretar infração administrativa, sujeita a penalidade por parte do Ministério do Trabalho e Emprego. g) na competência 10/2008 os valores encontravam se lançados em duplicidade, considerando tanto os valores constantes em folha de pagamento quanto os valores do cartão VR disponibilizado, os quais representam a mesma importância. h) no mérito, argumenta que o auditor fiscal informa que pelo menos uma das GFIP’s mensais apresentada pelo contribuinte contém todos os segurados empregados e o salário de contribuição. Que essa GFIP é declaratória dos valores devidos à Previdência Social, devendo, a Receita Federal, proceder à intimação para o contribuinte recolher os valores devidos e confessados. Que não o fazendo, incorreu a Receita Federal em mora. i) as GFIP’s apresentadas posteriormente não são declaratórias para a Previdência Social, referindose a pagamento de depósitos fundiários devidos aos segurados empregados que se afastaram da empresa. j) insurgese contra a aplicação da multa de ofício qualificada, argumentando que não houve tentativa de inibir informações, pelo contrário, inexistiriam as GFIP’s mensais com todos os segurados não podendo rotular o contribuinte de sonegador. l) não se trata a recorrente de devedora contumaz, afirmando ter, livremente, comparecido à Caixa Econômica Federal para ajustar parcelamento de depósitos fundiários em atraso. m) se a negligência não teria ocorrido por parte da Receita Federal do Brasil, ao receber a GFIP do contribuinte com a inclusão de todos os segurados e ter deixado de proceder à sua cobrança. E que o comando contido no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96 exige a demonstração inequívoca do intuito de fraude. n) a aplicação da multa de ofício em relação ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08, por entender que a legislação anterior seria mais benéfica ao contribuinte. Primeiro, porque a multa de ofício de 75% incidiria sobre o valor principal, que é corrigido pela SELIC, sendo, também, corrigida a multa. Segundo, porque o auto de infração com fundamento no Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 348 6 artigo 32, IV, §5o da Lei nº 8.212/91 teria valor fixo não atualizado ao longo do Processo Administrativo Fiscal. o) a nulidade do lançamento deve ser declarada ainda pela ausência dos fundamentos legais do débito relativo ao arbitramento de contribuições previdenciárias, informações do fato gerador de contribuição descontada dos segurados. 6. Ao final, requer que seja acatado seu pedido de não reconhecimento do lançamento com base nas folhas de pagamento, posto que todos os fatos geradores de contribuições, com salário de contribuição de todos os obreiros, foram declarados em GFIP, de forma que: a) considera espontânea a denúncia apresentada antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, e que as GFIP’S foram entregues nas datas corretas estabelecidas pelo art. 32, IV da lei 8.21/91. b) a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em divida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou notificação ao contribuinte em caso de inadimplemento, c) este auto de infração seja julgado concomitantemente ao auto de infração nº 37.197.3678 devido à conexão entre ambos. 7. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados para apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 349 7 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DA ALEGADA VIOLAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA 2. A discussão cingese sobre a nulidade ou não da intimação feita a recorrente, em procedimento administrativo em que se discutia sonegação fiscal, bem como a nulidade de lançamentos tributários. 3. Verifico que a recorrente deixou de observar o acórdão prolatado pela 9ª Turma da DRJ/RPO, uma vez que se limitou a reproduzir ipsis litteris a impugnação oferecida às fls. 193/212, como pode ser vislumbrado em trecho de seu recurso, contido na fls. 306, in verbis: “Pelo exposto, nos termos do artigo 56 da Lei 9.784 de 29 de janeiro de 199, cabe à autoridade que proferiu a decisão da intempestividade do recurso reconsiderar a decisão e encaminhar a Recurso à delegacia da Receita Federal de Julgamento jurisdicionante, para fins de julgamento. Não o fazendo, deverá encaminhar os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do presente recurso, caso em que, julgada a tempestividade da Impugnação, devolverá os autos à DRJ para julgamento da Impugnação.” 4. Ora, em sede de acórdão, a DRJ já afastou a intempestividade e analisou o mérito recursal da impugnação, conforme pode ser notado em parte do voto, abaixo transcrito: “Considerando os termos do dispositivo acima transcrito, aliado à data em que consta a ciência ao último responsável solidário, ou seja, 31/09/2010, concluise que a impugnação apresentada em 01/07/2010 é tempestiva. Passase, então, à análise dos argumentos apresentados pela defesa.” 5. Tento em vista que o assunto já foi enfrentado pela instância a quo, que conheceu da impugnação, entendo que, no referido ponto, a Recorrente carece de interesse recursal, na medida em que inexiste lesividade na decisão guerreada. 6. A Recorrente, irresignada com o lançamento efetuado, alega a sua nulidade, nos seguintes termos: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 350 8 “O lançamento, em função de não informação de fatos geradores em GFIP é confuso, de vez que o auditor fiscal informa que em todas as competências houve informação através da GFIP com todos os segurados empregados e fatos geradores, que teria sido anulada por outra GFIP enviada posteriormente.” 7. Certamente, ao contrário do arguido, os fatos geradores estão claros e muito bem detalhados no Relatório Fiscal. Sendo assim, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de defesa. DA DECLARAÇÃO EM GFIP 8. Como bem colocou o acórdão recorrido, o auto de infração, que gerou o presente processo, versa sobre as rubricas referentes ao aviso prévio indenizado e vale refeição, nada contendo sobre a folha de pagamento, restando claro o equívoco da recorrente. 9. Tendo em vista que as remunerações constantes da folha de pagamento não foram objeto de autuação, desnecessário o seu enfrentamento em sede de recurso voluntário, por falta de interesse recursal. DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO 10. No que tange à incidência da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, razão assiste à recorrente, sendo imperiosa a reforma do acórdão recorrido. 11. O acórdão guerreado entendeu que “o aviso prévio (seja trabalhado seja indenizado), constitui o mesmo simples prolongamento do contrato de trabalho e, portanto, os pagamentos realizados em sua vigência produzem efeitos trabalhistas e previdenciários.” 12. Na contramão do entendimento posto no acórdão recorrido, que se ampara na tese de que o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 deve ser analisado de forma restritiva, a doutrina e jurisprudência albergam o entendimento majoritário que o aviso prévio indenizado tem natureza jurídica indenizatória e não salarial. 13. O aviso prévio indenizado tem como função reparar o trabalhador por não ter sido alertado de sua dispensa e não de remunerálo pelo tempo que ficou a disposição do empregador, sendo indevida a incidência da contribuição previdenciária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, como pode ser vislumbrado no trecho do julgado abaixo colacionado. "Se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ e de 23.2.2011). 14. Acerca do tema, o STJ prolatou acórdão nos autos do REsp 1.230.957, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, no sentido de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre tal rubrica, conforme trecho da ementa pertinente à matéria: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 351 9 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...). 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, “se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por se ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba” (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma. Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). (...). (STJ. REsp 1.230.957/RS. Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 18.03.2014).” 15.A decisão supramencionada foi proferida em sede de Recurso Repetitivo, sob a sistemática do art. 543C, do CPC, o que enseja, nos termos do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, a sua reprodução obrigatória. 16. Neste diapasão, o afastamento da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado e seus reflexos é medida que se impõe. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 352 10 DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O VALE REFEIÇÃO 17. Ao enfrentar a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre o vale refeição ou alimentação, a decisão a quo reconheceu o caráter de auxílioalimentação in natura para o benefício pago por meio do cartão “Visa Vale”, e, com fulcro no Parecer PGFN/CRJ nº 2117/2011, entendeu pela improcedência do lançamento fiscal, para o período de 03 a 10/2008. 18. Por outro vértice, manteve o lançamento no que diz respeito ao pagamento do auxílioalimentação em pecúnia, com ocorreu a partir do mês 11/2008. 19. Entendo que o acórdão recorrido não merece reforma neste ponto, uma vez que foi prolatado de acordo com o entendimento jurisprudencial dominante, tanto deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quanto do Superior Tribunal de Justiça. 20. Quando o auxílio alimentação é pago, habitualmente, em dinheiro, por meio de depósito na conta do funcionário há descaracterização da natureza in natura, prevalecendo o caráter salarial da verba, sendo irreprochável a incidência da contribuição. 21. Destarte, quando o vale refeição ou alimentação é depositado na conta do funcionário é demasiadamente difícil comprovar a sua natureza, tornandose fácil a dissimulação das verbas salariais, por aqueles que se esquivam das obrigações tributárias. 22. O Superior Tribunal de Justiça por diversas vezes analisou a questão trazida à baila, sendo o seu entendimento dominante representado pela ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. DESNECESSIDADE. SÚMULA 83/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Não incide contribuição previdenciária "em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação" (REsp. 1.196.748/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 28.9.2010). 2. A Súmula 83/STJ aplicase aos recursos especiais interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg no REsp 1426319 / SC, Relator: Humberto Martins, Data do Julgamento: 06/05/2014, 2ª Turma). Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 353 11 23. Irreprochável o acórdão recorrido, mantenho o lançamento em relação à contribuição incidente sobre o auxílio alimentação habitualmente pago em pecúnia. DA MULTA QUALIFICADA 24. Na autuação, a autoridade fazendária entendeu pela caracterização da prática de sonegação fiscal e aplicou multa no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), com fundamento no 44, § 1º, da Lei º 9.430, por ter ocorrido as circunstâncias do art. 71, I, da Lei 4.502/64, todos in verbis: Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Código Tributário Nacional: Lei 4.502/64 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstância material. 25. O texto legal é claro quando exige no tipo acima descrito o elemento volitivo. Destarte, para que fique caracterizada a sonegação é imperioso que a Fazenda Pública faça prova do dolo do agente, uma vez que é impossível a sua presunção. 26. Não vislumbro dos autos subsídios concretos capazes de apontar o elemento subjetivo do contribuinte, no sentido de que tenha desejado o resultado que a lei elencou com como sonegação. 27. Outrossim, entender que o fato de ser o contribuinte um “devedor contumaz” de contribuição previdenciária é motivo plausível para fundamentar a presença da sonegação é violar o Estado Democrático de Direito, o que não pode ser tolerado por este Conselho. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 354 12 28. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim descumprimento da obrigação principal, devendo o Fisco produzir provas capazes de demonstrar inequivocamente a intenção do agente. 29. Por todo exposto, entendo não estar presente os requisitos que autorizam a aplicação da multa qualificada de 150%, devendo ser a mesma decotada do total devido pela contribuinte. DA MULTA DE OFÍCIO 30. No que tange à multa de ofício aplicada, comungo com o acórdão recorrido, no que tange à retroatividade, na medida em que “a aplicação retroativa, pela autoridade, da penalidade que se revele mais benéfica ao contribuinte decorre de expressa previsão legal contida no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional”, não cabendo ao contribuinte a sua escolha. 31. Cumpre ressaltar que, a Lei n.º 11.941/2009 trouxe alterações ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, assim, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao sujeito passivo, o que implica em comparar a legislação vigente na época dos fatos com a posteriormente alterada, relativamente à imputação da penalidade. 32. Assim, entendo que em relação aos fatos geradores ocorridos no período de março a novembro/2008, inclusive, deve ser aplicada à multa prevista no artigo 35, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, devendo esta penalidade ser calculada observandose o limite de 75%, em respeito ao disposto no artigo 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. 33. Do acima apontado, no que diz respeito à multa de ofício aplicada, comungo em parte com o acórdão recorrido, na medida em que “a aplicação retroativa, pela autoridade, da penalidade que se revele mais benéfica ao contribuinte decorre de expressa previsão legal contida no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional”, não cabendo ao contribuinte a sua escolha. 34. Por outro lado, reiterese que os valores constantes do lançamento devem ser recalculados, de forma a observar a limitação de 75% previsto no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009, em relação ao período de março a novembro de 2008. CONCLUSÃO 35. Pelo exposto, conheço do presente recurso voluntário e voto pelo seu provimento parcial para: a) afastar os valores atinentes ao Aviso Prévio Indenizado e o 13º Salário reflexo, inclusive afastar aplicação da multa qualificada. b) que a multa de ofício, relativa ao período de março a novembro/2008, seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, Fl. 364DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13888.001715/201073 Acórdão n.º 2803003.456 S2TE03 Fl. 355 13 na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. É como voto. (Assinatura digital) Natanael Vieira dos Santos Fl. 365DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10183.902415/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 24 15 /2 01 2- 14 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902415/201214 Acórdão n.º 3803006.079 S3TE03 Fl. 66 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902415/201214 Acórdão n.º 3803006.079 S3TE03 Fl. 67 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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