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Numero do processo: 11610.013599/2002-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento, em virtude de o Fisco não ter reconhecido as compensações declaradas em DCTF entre o FINSOCIAL (apurado ao longo do ano de 1991) e a COFINS (3º e 4º Trimestres de 1997). Reportome ao relatório de fls. 151/152 da Resolução n° 3101000.159, constante do votocondutor por mim proferido cuja diligência determinou as seguintes providências: a) com base nos DARFs de FINSOCIAL acostados aos autos e as informações relativas à receita da Recorrente verificar se há direito creditório em favor da Recorrente e em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 13 59 9/ 20 02 -5 0 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11610.013599/200250 Resolução nº 3101000.352 S3C1T1 Fl. 539 2 que montante; b) certificar se os créditos de FINSOCIAL foram utilizados apenas para compensação da COFINS, conforme as provas juntadas nos autos e os registros de que dispõe a fiscalização; c) verificar a regularidade e legitimidade dos documentos contábeis juntados aos autos e a exata compensação dos créditos de FINSOCIAL com a COFINS, registrada na contabilidade; e, d) intimar a Recorrente a trazer aos autos informações atualizadas dos processos judiciais nºs 92.00004946 e 92.00.004938, o que poderá ser feito espontaneamente pela Recorrente. Manifestouse a recorrente (fls. 157/167), espontaneamente, trazendo informações acerca do processo judicial que guarda referência com as compensações declarados no 4° trimestre de 1997 (DCTFs 34 a 39), qual seja o n° 92.0000494161, nos termos do item “d” da Resolução, esclarencendo, em apertada síntese, que: (i) por meio da referida ação ordinária, em listisconsórcio ativo com outras empresas, pretendia a declaração da ilegalidade da cobrança do FINSOCIAL com a alíquota majorada, sendo que tal pedido foi julgado parcialmente procedente, a fim de eximir as autoras da obrigação de pagar o FINSOCIAL, no que concerne às alterações procedidas pelos atos legislativos posteriores à Constituição de 1988, porém negando a procedência quanto à restituição de indébito, ante a ausência de provas, naquele feito, do pagamento de tais quantias; (ii) em grau recursal, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou provimento às apelações interpostas, sendo que tal decisão transitou em julgado; (iii) informou que obteve êxito em outra ação judicial (n° 91.00396150), ajuizada há 17 anos e que, após longa tramitação, obteve direito à compensação; e (iv) por fim, juntou cópia dos andamentos principais do processo n° 92.00004946 (fls. 181/234). Retornam os autos para julgamento. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Inobstante a louvável iniciativa da Recorrente em anteciparse para fornecer os documentos requeridos pela Resolução n° 3101000.159, entendo ser imprescindível a atividade da fiscalização em promover as verificações requeridas nos itens “a” a “c” da Resolução. Diante disso, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à repartição de origem para que a fiscalização promova a integralidade da diligência levando em consideração o quanto já atendido pela Recorrente. Luiz Roberto Domingo 1 Conforme correção apontada pela recorrente. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000381/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 81 /2 00 9- 01 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2301 03.022, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 18 de setembro de 2012, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, I) Por voto de qualidade: a) negou provimento ao recurso, na questão da comercialização da produção rural, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) deu provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) ; II) Por unanimidade de votos: negou provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Segue abaixo a sua ementa: “CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a comercialização da produção rural. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15889.000381/200901 Acórdão n.º 9202003.164 CSRFT2 Fl. 9 3 lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Afirma a Fazenda Nacional que há divergência entre a decisão recorrida e o paradigma que indica: “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não cm notificação fiscal c lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3 Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora lavrada a Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento, Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 L' do CTN 2Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n' 8.212/91, c/c artigo 457, § da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho. A verba paga pela empresa aos segurados empregados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa INCENTIVE HOUSE é fato gerador de contribuição previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” (AC 240100.120) Explica que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. Considera que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais. Diz que, tratandose de lançamento de oficio, considerandose que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas, nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Entende que não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Afirma que, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Argumenta que a tese encampada pelo acórdão recorrido, no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de oficio, logo, inarredável a aplicação das disposições especificas da legislação previdenciária. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2300062/2013, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarrazões. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15889.000381/200901 Acórdão n.º 9202003.164 CSRFT2 Fl. 10 5 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A, I da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria, também, o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991, in verbis: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 15889.000381/200901 Acórdão n.º 9202003.164 CSRFT2 Fl. 11 7 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo Ou seja, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009). Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor da multa aplicada ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904440/2012-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 40 /2 01 2- 32 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904440/201232 Acórdão n.º 3803004.790 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904440/201232 Acórdão n.º 3803004.790 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904440/201232 Acórdão n.º 3803004.790 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10820.001127/2005-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAOL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. RELATÓRIO Cuida o que ora se aprecia de embargos de declaração interpostos pela Pessoa jurídica acima identificada contra o Acórdão nº 380303.830, de 30 de janeiro de 2013, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65, II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, nos termos da petição anexa. O acórdão embargado tem a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 01 12 7/ 20 05 -6 9 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10820.001127/200569 Resolução nº 3803000.447 S3TE03 Fl. 216 2 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO APENAS QUANDO PRESENTES. Os embargos de declaração possuem função corretiva e integradora, visando à completude, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades à boa compreensão e óbices à eficaz execução do julgado. São cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual deve pronunciarse a turma. A matéria objeto do presente processo diz respeito a Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo à comercialização de jornais, que no entender da Contribuinte sujeitase à incidência de alíquota zero. O motivo apontado em que se sustentam os presentes embargos é a omissão do acórdão nos embargos anteriores de não ter enfrentado a questão quanto a ter havido, desde a decisão da DRF/Araçatuba, modificação do critério jurídico na valoração dos fatos e consequente classificação do produto como NT, nos termos abaixo: Artigo 146 Do Código Tributário Nacional [modificação do critério jurídico na valoração dos fatos e consequente classificação do produto como NT] “No recurso administrativo, a embargante disse: ‘A C. Delegacia de Julgamento não apreciou os argumentos expostos no tópico com mesmo nome deste, contido na impugnação. Com isso, a recorrente requer a nulidade do V. Acórdão.’ [...]No caso de não entender ser nulo o V. Acórdão, pede aos Eméritos Conselheiros que considerem aqueles argumentos da impugnação, decidindo favoravelmente à recorrente ou anulando a decisão recorrida. Houve omissão em relação aos argumentos apresentados no recurso administrativo, que por sua vez remete is alegações expostas na impugnação”. Em análise prévia da admissibilidade dos embargos concluiuse que foram preenchidos os requisitos para a interposição do recurso, tendo sido admitidos os embargos. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Com efeito, os embargos preenchem os requisitos para sua admissibilidade, conforme a análise procedida no exame prévio, portanto deles conheço. Tenhase para apreciação deste processo que: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10820.001127/200569 Resolução nº 3803000.447 S3TE03 Fl. 217 3 a) as defesas manejadas em todos os demais processos desta pessoa jurídica julgados por esta Turma possuem o mesmo teor, ancoradas nos mesmos fundamentos de fato e de direito; b) as cópias de jornais anexadas na manifestação de inconformidade cujo intento da Contribuinte era comprovar a sua sujeição à alíquota zero, em face da publicidade que veiculam e da periodicidade com que são editados , não foram digitalizadas pela Unidade de origem; c) o acórdão no recurso voluntário considerou a preponderância do argumento da Recorrente em torno da imunidade dos jornais, que não se compatibiliza com sujeição à alíquota zero e teve como irrelevante a juntada das ditas cópias; d) mais recentemente, no julgamento de embargos no processo nº 10820.000723/200611 foi garantido o amplo exercício da defesa da Contribuinte, tendo a Turma, por maioria, em composição distinta, considerado que a ausência desses elementos de prova eram prejudiciais à Embargante e que se tornava imprescindível a apreciação da prova consubstanciada nas folhas do jornal. O julgamento foi convertido em diligência para que a DRF/Araçatuba as anexasse; e) sem êxito a primeira diligência, por não terem sido digitalizadas tais cópias, foi o novo julgamento convertido em resolução para que a Unidade de origem elucidasse acerca da formatação dos jornais editados pela Embargante, no que concerne à publicidade; Dada a situação acima descrita, releva dar solução uniforme ao conflito, por ser em todos os elementos de lhe digam respeito idêntico ao que conforma os quatro outros processos, referindose eles a períodos de apuração contíguos. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Araçatuba anexe as cópias de jornais digitais do modo como o procedido no processo nº 10820.000723/200611, preferencialmente as originais, e na hipótese de não sêlo informar se as que forem anexadas são similares às que originalmente foram juntadas na manifestação de inconformidade, no que concerne à forma de apresentação da publicidade. Após a providência, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, conforme art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 2011. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.004028/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araujo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregorio, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araujo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregorio, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004028/200729 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1102000.149 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2013 Assunto IRPJ Omissão de Receitas passivo fictício Recorrente COMÉRCIO DE TECIDOS SILVA SANTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Jose Evande Carvalho Araujo, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Marozzi Gregorio, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP/I contra acórdão assim ementado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 02 8/ 20 07 -2 9 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 3 2 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JUR1DICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. OBEDIÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. Somente serão considerados nulos aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstancias previstas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235/1972; não ocorrendo nenhuma daquelas hipóteses, não há que se falar em nulidade do lançamento. Tendo sido plenamente atendido o principio do devido processo legal e, com este, permitido o exercício dos princípios do contraditório e da ampla defesa, esta por meio de impugnação apresentada, não há que se falar, por igual, em cerceamento ao direito de defesa. Rejeitadas as alegações nesse sentido. PASSIVO FICTÍCIO. CONTAS FORNECEDORES E FINANCIAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO, POR OMISSÃO DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO DO SALDO EXISTENTE AO FINAL DE ANOCALENDÁRIO ANTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO. Caracterizase a ocorrência de omissão de receitas, quando o contribuinte, ainda que insistentemente intimado a tal, se omite em apresentar os documentos que comprovariam os saldos das rubricas Fornecedores e Financiamentos (curto e longo prazo), em 31/12/2002. Não há que se falar na exclusão, do saldo da conta Fornecedores ao fim do período fiscalizado, do saldo da mesma rubrica existente ao final do anocalendário anterior, a não ser que o contribuinte comprove, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, assim como a respectiva escrituração, que a obrigação perdurou desde o final do ano calendário anterior, até o seguinte. O DOCUMENTOS JUNTADOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE SUA ESCRITURAÇÃO. INSUFICIÊNCIA A COMPROVAR OS SALDOS DAS CONTAS DE OBRIGAÇÕES. DILIGÊNCIA PLEITEADA. NÃO ATENDIMENTO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. Cópias de documentos juntados, por si só, são insuficientes a comprovar a efetividade dos saldos das contas de Fornecedores e Financiamentos, desde que não comprovada a sua respectiva escrituração, de maneira a dar suporte aos efetivos saldos contábeis das mencionadas contas. Ainda que tais elementos tenham sido trazidos pela impugnação, o contribuinte, apesar de insistentemente instado a comprovar a escrituração, omitiuse em demonstrar a efetividade da mesma. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram a exigência do IRPJ, igual destino deverão ter as exigências dele reflexas. Lançamento Procedente.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 4 3 “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ (fls. 95) R$ 27.229.650,89 (vinte e sete milhões, duzentos e vinte e nove mil, seiscentos e cinqüenta reais e oitenta e nove centavos); PIS (fls. 100) R$ 1.802.932,70 (um milhão, oitocentos e dois mil, novecentos e trinta e dois reais e setenta centavos); COFINS (fls. 105) R$ 3.278.059,45 (três milhões, duzentos e setenta e oito mil, cinqüenta e nove reais e quarenta e cinco centavos), e; CSLL (fls. 110) R$ 9.809.202,59 (nove milhões, oitocentos e nove mil, duzentos e dois reais e cinqüenta e nove centavos), e; Dessa forma, o valor consolidado dos créditos tributários acima totalizou a importância de R$ 42.119.845,63 (quarenta e dois milhões, cento e dezenove mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e três centavos), ai incluídos os valores do imposto/contribuições, das multas de oficio e dos juros de mora (estes calculados até 31110/2007). Segundo o descrito no "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 90/92), as irregularidades que vieram a motivar mencionados lançamentos consistiram em, verbis: 1. Em 18/05/2006, mediante o Termo de Inicio de Ação Fiscal, o contribuinte foi intimado, na pessoa de seu representante legal (instrumento de procuração juntado ao processo), a apresentar os livros e documentos relativos ao ano calendário 2002, conforme solicitado em intimação. 2. 0 contribuinte apresentou apenas unia parte da documentação solicitada. 3. Intimamos o contribuinte em 29/08/2006 para preencher o demonstrativo entregue, um para cada conta, detalhando a composição dos saldos das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores; Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos a Longo Prazo e apresentar a documentação comprobatária que justifique os saldos das contas. 4. Foram apresentados pelo contribuinte apenas os documentos representativos de empréstimos bancários efetuados pelo contribuinte junto a instituição financeira, os quais totalizam valores contratados de R$ 3.280.443,00, todos anexados ao processo administrativo fiscal. 5. Em 17/11/2006, intimamos novamente o contribuinte para elaborar demonstrativo, um para cada conta, detalhando a composição dos saldos das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores; Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos e Longo Prazo; apresentar a documentação comprobatória que Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 5 4 justifique os saldos das contas elencadas no item anterior e apresentar toda a documentação que dá suporte à escrituração dos livros fiscais e comerciais do período fiscalizado. 6. A intimação foi enviada juntamente com o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar por via postal com aviso de recebimento — AR, anexado ao processo. 7. Foram entregues apenas alguns livros contendo notas fiscais de saídas, Registro de Apuração do ICMS na 015 e Diário Geral e 37 e 38 relativo ao ano calendário de 2002. 8. Reintimamos outra vez o contribuinte em 02/03/2007 para apresentação dos livros, documentos e esclarecimentos solicitados na intimação anterior. 9. Reintimação enviada por via postal com aviso de recebimento — AR anexado ao processo, onde consta sua recepção em 08/03/2007. 10. Entregues parceladamente até novembro de 2007 alguns documentos: livro de notas fiscais de saída, algumas notas fiscais de compras, Razão Analítico de 2002, Diário Geral e 35 e 36 e Razão Analítico de 2001. 11. Nenhum outro documento, livro ou esclarecimento foi apresentado a essa fiscalização. 12. Esgotados todos os prazos regulamentares sem qualquer outra manifestação do contribuinte. 13. Apuramos o montante das omissões de receitas correspondentes à manutenção no passivo de valores não comprovados pelo contribuinte, que devidamente intimado e reintimado, diversas vezes, não apresentou qualquer documentação comprobatõria da veracidade dos valores registrados em contas do passivo, conforme demonstrativo a seguir: Conta do Passivo FornecedoresFinanciamentos Financiamentos Total a curto prazoa longo prazo (A) Escriturado e30.101.783,0916.441.305,53341.907,1946.884.995,81 declarado (B) Comprovado0,003.280.443,000,003.280.443,00 (A) — (B) Omissão de30.101.783,09 13.160.862,53341.907,1943.604,552,81 Receita 14. Exceção feita ao valor de R$ 3.280.443,00 relativo a financiamentos de curto prazo contratados com o Bank Boston S/A, aceitos por essa fiscalização com base nos contratos de empréstimo e abertura de crédito e nos extratos bancários apresentados e anexados ao processo. 15. Os valores escriturados e declarados foram obtidos do Balancete de Verificação constante no livro Diário Geral n. 38 (fls. 509 e 510) e da DIPJ Ano Calendário 2002 ND 0065574, anexados ao processo. 16. Procedemos ao lançamento de ofício do crédito tributário apurado no valor de R$ relativo d manutenção em contas do passivo de valores para os quais o contribuinte, devidamente Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 6 5 intimado, não comprovou com documentação idônea a sua existência, ficando caracterizada a omissão de receita, nos termos do art. 40 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 17. (...)18. Fica o contribuinte intimado a corrigir o valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da contribuição social controlados no LALUR. 19. (...)20. A presente ação fiscal restringiuse d verificação da existência de passivo fictício (não comprovado) anocalendário de 2002 mediante as informações disponíveis e os livros, documentos e esclarecimentos prestados pelo contribuinte, ficando, desde já, ressalvado o direito da Fazenda Pública efetuar novas verificações no mesmo período, se novos fatos vierem a ser conhecidos, enquanto não transcorrido o prazo decadencial. 21. (...)Pela prática das irregularidades acima descritas, foram dados por infringidos os seguintes dispositivos legais: IRPI art. 24 da Lei no 9.249/1995; art. 40 da Lei n° 9.430/1996; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso III e 288, do RIR11999 (fls. 97); PIS arts. 10, 3° e 3°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 102); COFINS arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002 (fls. 107), e; CSLL art. 2° e 44, da Lei n° 7.689/1988; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/1995; art. 1°, da Lei n 9.316/1996; art. 28, da Lei n° 9.430/1996; art. 6° da MP ri° 1.858/1999 e reedições (fls. 112). 0 contribuinte, por sua Diretora, foi cientificado dos teores dos referidos Autos de Infração em 07/12/2007 e, com os mesmos não se conformando, em 08/01/2008, por seu representante legal (fls. 147), impugnouos (fls. 126/853), alegando, em síntese, que: • os Autos de Infração foram lavrados sob a alegação de que, supostamente, o contribuinte teria omitido receitas, em razão da manutenção, no passivo, de valores não comprovados, apesar de intimado e reintimado, por diversas vezes, a tal; • isso, inobstante a apresentação das notas fiscais que deram origem aos valores registrados nas contas de passivo, o que e confirmado pela própria autoridade fiscal nos itens 7 e 10 do Termo de Verificação Fiscal, tais como...., além de outros elementos não mencionados pela citada peça, a fiscalização lavrou os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por presunção, desconsiderando as provas apresentadas pelo contribuinte; • assim, a autuação não foi motivada, implicando na nulidade do lançamento, pois a fiscalização limitouse a afirmar que a empresa teria omitido receita, sem maiores considerações, em flagrante cerceamento ao direito de defesa da Autuada. Ainda que assim não fosse, a análise do mérito levará a conclusão de que o crédito reclamado não é devido, visto não haver sido cometida a infração apontada; Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 7 6 • preliminarmente, a exigência, por força do principio da legalidade, depende da ocorrência de fatos que se subsumam as hipóteses de incidência descritas pelas normas jurídicas. Impõese, portanto, exaustiva e imparcial verificação de tais eventos, de forma a submeteremse ao trazido pelas normas legais, dada a estrita vinculação a que se sujeita o agente público, além de se subordinar, o processo administrativo, dentre outros, aos princípios da tipicidade cerrada e da verdade material; • deve obediência, ainda, ao principio da verdade material, que orienta a atividade administrativa concernente à fiscalização e controle do cumprimento das obrigações tributarias e deveres instrumentais correi atos, vinculado que é, ao já referido principio da legalidade, que se tornaria inócuo se não considerada a verdade material. Traz jurisprudência; • há que ser assegurado, ao contribuinte, recorrer a todos os meios de provas a comprovar os fatos relativos as obrigações tributárias, sejam elas principais ou acessórias, a ele imputados, de forma a serem atendidos os princípios da ampla defesa e do contraditório, implementados por meio do devido processo legal; • assim, houvesse sido, o levantamento fiscal, elaborado corretamente, concluirseia de forma inexorável pela extinção do credito tributário e a ausência de motivação fdtica para a lavratura do auto de infração ora impugnado. Deveriam ser aprofundadas as investigações, de forma a confirmar (ou não) a presunção imaginada, permitindose inclusive a colaboração do particular interessado, ainda que o ônus da prova seja da própria Administração, Cita doutrina, a embasar tal entendimento; • e, dada a ansiedade arrecadatória, deixaram de ser apreciadas, pela ação fiscal, as provas apresentadas pela fiscalizada, de maneira a resultar em autuação contra o contribuinte, tendo a mesma presumido que os valores componentes dos saldos das contas "Fornecedores" e "Financiamentos" (a curto e longo prazo), em 31/12/2002, constituíssem omissão de receitas; • não foi, sequer, considerado o saldo existente em 31/12/2001, na conta "Fornecedores", no valor de R$ 18.410.267,19, ao passo que foi utilizado para fins da exigência, apenas, o saldo da mencionada rubrica em 31/12/2002, como se o valor de 2002 não tivesse um ponto de partida em 2001. Essa presunção que se quer combater, já que desconsideradas as provas apresentadas, ou seja, que a Autuada mantém passivos fictícios no montante equivalente à integralidade dos valores das contas "Fornecedores" e "Financiamentos a longo prazo" e praticamente a totalidade da conta "Financiamentos a curto prazo" referentes a 31/12/2002; • e a autuação se concretizou, visto que o agente fiscal não se deu ao trabalho de analisar os documentos da empresa, que estavam em seu poder ate 27 de dezembro de 2007, como pode ser comprovado pelo anexo "Termo de Devolução de Livros e Documentos" (doc. 02), tendo considerado como omissão de receitas os saldos das contas acima citadas. Não necessita a Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 8 7 Autuada tecer maiores considerações para demonstrar o quão incabível é a dita presunção do agente fiscal.; • todo ato administrativo, para ser válido, deve estar apoiado em dois fatores: (1) existência de lei a autorizálo e (2) ocorrência de situação fática a enquadrarse no previsto por aquela. A ausência de quaisquer deles faz com que o ato venha a padecer de vicio; deve ser, portanto, motivado, em decorrência dos princípios da legalidade e moralidade. Cita doutrina, concluindo por dizer que os autos de infração são nulos, em razão da ausência de motivação fática e, quiçá, legal, de forma a justificar suas manutenções, visto que o autuante não agiu com a diligência, prudência e profundidade que deveriam nortear sua atuação, valendose de presunção em ofensa ao principio da legalidade, para concluir equivocadamente que a empresa teria deixado de pagar os tributos devidos, em manifesta afronta d busca da verdade material. E mais; • ao presumir a ocorrência de omissão de receitas, a autoridade fiscal (1) não considerou os documentos apresentados pelo contribuinte, sem qualquer motivação a tal; (2) não levou em conta o saldo da rubrica "Fornecedores", existente em 31/12/2001 e; (3) entendeu corresponder a receitas omitidas, o saldo da mencionada conta, como se fosse possível d Autuada, realizar vendas sem custo. Violou, assim, os princípios da estrita legalidade, da tipicidade e da capacidade contributiva, em que a obrigação de pagar tributo instalase apenas quando verificada a ocorrência do fato gerador previsto na hipótese da norma geral abstrata, calculandose a exação com base na medida monetária desse fato, que deve ser comprovado por documentos; • dessa forma, a autuação, da maneira como formulada, não pode prosperar, em razão de haver violado os princípios da legalidade e da ampla defesa; • objetivando comprovar a atitude abusiva e ilegal do autuante, junta contratos mantidos junto a instituições financeiras, justificando a integralidade dos saldos declarados nas contas de Financiamentos....(doc. 05).; • já em relação à conta "Fornecedores", ao se presumir que seu saldo, em 31/12/2002, corresponde a omissão de receitas, antes mesmo de qualquer análise documental, e pressupor que a venda de mercadorias não possui custo e que a movimentação de estoque não teve um ponto de partida em 01 de janeiro de 2002, como saldo de 31 de dezembro de 2001, o que é inadmissível. Traz jurisprudência, concluindo por dizer — com base no voto do relator do reproduzido Acórdão que toda venda pressupõe custo (especificamente no caso da Autuada, sociedade empresarial voltada ao comércio) e que, a ansiedade de se proceder ao lançamento, em razão da proximidade do prazo de decadência de lançar se esvair, não pode justificar tamanha arbitrariedade, de considerar a integralidade do saldo da conta "Fornecedores", receita omitida. Reproduz mais jurisprudência Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 9 8 (fls. 138), dizendo que o Conselho de Contribuinte não admite a presunção fiscal como faro gerador de tributos....; • assim, todos os elementos disponibilizados pela interessada, no decorrer da ação fiscal, e que não foram por esta reconhecidos, impedem que a fiscalização presuma que o saldo da conta "Fornecedores" de 31 de dezembro de 2002 representa omissão de receita e assim e receita tributável pelo IRPJ, CSL, PIS e COFINS, como procedido pelo i. fiscal. 0 livro Razão e o balanço da empresa apontavam que o saldo da citada rubrica correspondia, em 31/12/2001, a R$ 18.410.266,00, importância essa que deveria, de plano, ser excluída da ilegal presunção de omissão de receita, o que revela a baixa qualidade do trabalho fiscal e a nulidade da autuação; • assim, somente o movimento do anocalendário de 2002 é que deveria ser objeto da ação fiscal, visto que as operações realizadas antes de 2001, as quais compõem o saldo de inicio do ano de 2002 devem ser excluídas haja vista que decaiu o direito da fazenda de realizar fiscalizações e lançamentos sobre valores anteriores a 2001. Dessa forma, cabe deduzir, de pronto, o saldo existente em 31/12/2001, passando o valor da conta "Fornecedores", em 31/12/2002, a R$ 11691.515,90, mesmo sem terem 'do levados em conta os documentos apresentados por esta defesa (doc. 03), comprobatórios de tal saldo, de forma a contestar a espúria e ilegal presunção formulada pela autoridade fiscal; • devem, ainda, ser considerados os valores devidamente comprovados, relativos a operações com fornecedores internacionais (doc. 04), assim como dos contratos mantidos com instituições financeiras (doc. 05), de forma a se constatar que a presunção de omissão de receita é manifestamente indevida e ilegal, o que revela a nulidade do presente auto de infração por f alta de motivação. E, diante do já posto, ainda que não venha a ser caracterizado como nulo o lançamento, a análise do mérito (a seguir) concluirá pela sua improcedência; • a presunção é manifestamente indevida, visto que a Autuada comprova, por documentos idôneos, que a conta "Fornecedores" teve movimento adequado e é devidamente suportada por aqueles, ainda que não considerados pela fiscalização, deixando esta de verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, na forma do art. 142 do CTN, para simples e ilegalmente presumir omissão de receita o saldo integral da mencionada rubrica. Junta cópias de documentos referentes a fornecedores nacionais (doc. 03), que comprovam as emissões e pagamentos, inclusive com prova em extratos bancários o valor de aproximadamente sete milhões de reais; • somase, ainda, a esse valor, algo em torno de cinco milhões de reais, devidamente documentada e referente a fornecedores internacionais (doc. 04), que compõem o valor contábil da conta fornecedores e que indevidamente foi presumida como receita omitida pela fiscalização federal.; Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 10 9 • repisa, dizendo que não restam dúvidas de que o movimento da conta "Fornecedores" da Autuada, durante o ano de 2002, foi de apenas R$ 11.691.515,90, sendo a presunção de omissão de receita, no valor de R$ 30.101.78309, sem qualquer base fática e, assim, manifestamente abusiva e ilegal. Aquele primeiro valor, portanto, é que deveria ser objeto de fiscalização e autuação; a somatória dos documentos (docs. 03 e 04) ora juntados — continuam as buscas, objetivando encontrar a sua totalidade — praticamente comprova a totalidade dos valores que deveriam ser objeto de fiscalização, ou seja, dos R$ 11.691.515,90 (movimento de 2002), a Autuada traz documentos que totalizam R$ 11.582.016,09; • fica, portanto, evidenciado que o lançamento, tendo considerado como omissão de receita o saldo integral da mencionada rubrica, não tem respaldo fatico ou legal, constituindo verdadeira arbitrariedade da fiscalização que, premida pelo prazo decadencial simplesmente abriu mão de realizar o trabalho de fiscalização para apenas e tão somente desconsiderar os documentos mantidos pela empresa. Dessa forma, a presunção de omissão de receita deve ser afastada, pois não houve falta de escrituração e tampouco a manutenção de obrigação sem exigibilidade comprovada.; • de maneira semelhante deuse em relação as contas de "Financiamentos" (a curto e longo prazos), consideradas, em quase sua totalidade, como receita omitidas, apesar de verdadeiras. Junta, a comproválas, cópias de contratos de financiamento, empréstimos e abertura de créditos referentes a 2002 (doc. 05), que compõem os saldos contábeis das contas de financiamento, alem de alguns extratos bancários. Não conseguiu a juntada integral dos documentos, dada a mudança de seus arquivos, porém protesta pela juntada posterior de outros elementos, requisitados junto as instituições financeiras (doc. 06); • comprovada, então, a inexistência de omissão de receitas, inaplicáveis os dispositivos legais apontados como ofendidos, razão pela qual a autuação de IRPJ, no valor de R$ 27.229.650,89 e de CSLL, no valor de R$ 9.809.202,59, não podem prosperar. Da mesma forma, as exigências relativas ao PIS e a COFINS, são manifestamente indevidas. • pede, ao final, diante de todo o exposto, seja acolhida a impugnação e, pelos argumentos ali expendidos, seja reconhecida a improcedência dos lançamentos. Face, então, a impugnação apresentada, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/SPO 1, conforme despacho de 12/02/2008 (fls. 861), tendo sido, posteriormente, distribuído a 4a Turma de Julgamento, para que fosse apreciada a lide posta. Diante dos elementos apresentados até então pelos autos, seja no tocante as acusações que foram formuladas contra o contribuinte, que culminaram nos lançamentos objeto do presente, seja em relação aos argumentos e elementos trazidos pela defesa, entendeu Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 11 10 por bem, isto em 06/06/2008, o Presidente (e Relator do presente) da mencionada Turma de Julgamento, fosse o processo baixado para a realização de diligências (fls. 862/863), a ser cumprida pela DEFIS/SPO/DIFIS/COMERCIO, objetivando sanar eventuais dúvidas e, com os esclarecimentos a elas atinentes, buscar condições de forma a propiciar ser proferido o devido Acórdão. Dessa forma, diante dos elementos apresentados pela mencionada defesa, concluiu, então, pela formulação dos quesitos abaixo, de forma a que, desde que devidamente atendidos, dirimissem as dúvidas existentes e permitissem a pronta apreciação da lide posta. Foram eles (fls. 863), verbis: • Quais deles integraram, efetivamente, os saldos das rubricas "Fornecedores", "Financiamentos a Curto Prazo" e "Financiamentos a Longo Prazo", em 31/12/2002? • Na hipótese de terem integrado tais saldos, qual a sua influência em relação aos lançamentos efetuados? • Quando teriam ocorrido suas quitações? • Foram devidamente escriturados (fato este a ser observado tanto na realização das operações aquisições/financiamentos — como por ocasião de suas quitações)? Em 29/08/2008, o diligenciante (o próprio autuante) lavrou "Termo de Inicio de Procedimento Fiscal" (fls. 865/866), intimando a interessada a apresentar, no prazo de 20 dias, dentre outros: (1) Demonstrativo conforme modelo anexo, uma para cada conta, detalhando a composição das seguintes contas em 31/12/2002: Fornecedores, Financiamentos a Curto Prazo, Financiamentos e Longo Prazo, de acordo com os valores declarados em sua DIP J/2003,....; (2) Apresentar a documentação comprobatória que justifique os saldos das contas elencadas no item anterior; (3) Livro Diário onde sem encontrem contabilizados os lançamentos correspondentes; De tal determinação o contribuinte foi cientificado, via postal, em 28/08/2008, conforme comprova o respectivo Aviso de Recebimento — AR — (fls. 867). Em 03/10/2008, face ao não atendimento da Intimação acima, foi lavrado "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 868), de semelhante teor ao acima (desta vez reintimando a interessada ao atendimento, no prazo de 05 dias úteis), do qual, naquela mesma data, o contribuinte tomou conhecimento, também via postal, conforme atesta o respectivo AR (fls. 870). Diante, ainda, de nova omissão da parte do contribuinte, lavrouse, em 20/10/2008, novo "Termo de Intimação Fiscal" (fls. 872), também de semelhante teor, reintimandoo, mais uma vez, a cumprir o determinado, em igual prazo aquele concedido no procedimento anterior. Deste o contribuinte foi cientificado na mesma data, conforme AR de fls. 874. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 12 11 Em 10/11/2008 (cuja recepção deuse em 19/11/2008), o contribuinte manifestouse, por meio de missiva (fls. 876) e respectivos anexos (fls. 878/929), do qual destaco os seguintes excertos, verbis: " vem, respeitosamente, d presença de 'V.Sa., em face do Termo de Intimação Fiscal, informar que os documentos requeridos já se encontram em poder da D. Fiscalização desde 2006, quando iniciouse o MPF 08.1.90.002006011470 (Doc.02), o qual teve por objeto o mesmo período (2002). Em decorrência de tal MPF, foi lavrado o respectivo Auto de Infração (doc.03), o qual foi devidamente impugnado e aguarda julgamento (Doc.04). Dessa forma, não há que se falar em apresentacdo de documentos já em poder da Fiscaliza cão, de modo que não pode ser caracterizado o não atendimento da intimação pela contribuinte." (grifos meus). Também em 19/11/2008, foi lavrado "Termo de Intimação e Encerramento de Procedimento Fiscal" (fls. 930), levado a conhecimento, via postal, do contribuinte naquela mesma data (vide AR, de fls. 931), por meio do qual este veio a ser intimado a, diante do encerramento do procedimento fiscal de diligência, manifestarse sobre o resultado da mesma, no prazo máximo de 10 dias, na forma do art. 44 da Lei n° 9.784/1999, dispositivo este combinado com outros, também citados, integrantes do RIR/1999. Do "Relatório Fiscal" (fls. 933/935), datado de 18/11/2008, de lavra do diligenciante — sobre o qual caberia a manifestação acima — reproduzo os seguintes itens, verbis: "( ) 5. Decorridos mais de 80 dias, o sujeito passivo ainda não se manifestou, apesar de diversas vezes intimado. 6. Fica evidente que o sujeito passivo não deseja colaborar para o esclarecimento do alegado em sua impugnação, obstando qualquer possibilidade nesse sentido. 7. Dessa forma, relata essa fiscalização apenas as suas considerações sobre as alegações formuladas na impugnação. 9. Alega que não existe motivação fcitica para o lançamento de oficio, que deveria a fiscalização aprofundar a investigação e permitir inclusive a colaboração do particular interessado para apuração dos faros. 11. Vejamos, o sujeito passivo foi cientificado do inicio do procedimento fiscal em 18/05/2006, que culminou no lançamento de oficio para constituição do crédito tributário apurado cm 07/12/2007. 12. A fiscalização intimou e reintimou o sujeito passivo para demonstrar a composição dos saldos das contas auditadas, Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 13 12 aguardando por um período de um ano e quatro meses, sem que lhe fossem apresentados os documentos solicitados, prazo esse ate exagerado, demonstrando que a fiscalização concedeu todas as oportunidades para que o fiscalizado exercesse amplamente seus direitos. 13. A qual falta de oportunidade de colaboração com a fiscalização se referiria o patrono da causa? A qual falta de aprofundamento da investigação teria deixado de tentar a fiscalização? Não existiria motivação fática então? 14. A fundamentação de fato e jurídica da autuação e clara, a manutenção em contas do passivo de valores para os quais o sujeito passivo, devidamente intimado, não comprovou com documentação idônea a sua existência. 15. Alega no item 3 da impugnação que apresentou as notas fiscais que deram origem aos valores registrados nas contas de passivo, o que seria confirmado pelo auditor fiscal no itens 7 e 10 do Termo de Verificação Fiscal. 16. Distorce os faros o impugnante, o que foi registrado nesses itens é que foram entregues algumas notas fiscais de compras, não relacionadas com fornecedores, sendo de pagamento d vista (materiais para consumo, despesas, etc), portanto impertinentes à análise. 17. Falta com a verdade ao afirmar no item 18 da impugnação que foram entregues duplicatas e contratos com fornecedores que não teriam sido analisados. Teria a fiscalização registrado indevidamente um fato inexistente? Seria de bom alvitre que a impugnante demonstrasse onde consta a consignação desse fato, que lhe permite tal afirmação. (...)22.0 sujeito passivo apresentou apenas documentos que não demonstram a procedência de suas alegações. 23. Diante dos fatos narrados, e visto que o sujeito passivo deixou de apresentar qualquer documentação ou sua escrituração, essa fiscalização tem a relatar o que segue. 24. Não há como informar se alguns dos documentos apresentados efetivamente integraram o saldo das rubricas citadas em 31/12/2002 e sua influência nos lançamentos efetuados. 25. Não há como determinar quando ocorreram as quitações dos títulos representativos das obrigações. 26. Não há como verificar a correta escrituração dos documentos representativos dessas operações assim como as suas respectivas quitações. 27. Todo o procedimento de fiscalização realizado como o de diligência demonstram claramente o intuito do sujeito passivo de se omitir em prestar informações ou apresentar documentos relacionados à comprovação dos fatos alegados. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 14 13 28. Dessa forma, restaram na impugnação simples alegações não comprovadas. 29. Em tempo, entregue em 19/11/2008 resposta do sujeito passivo alegando que não se configura o não atendimento da intimação pelo fato de que a fiscalização esta com os documentos requeridos desde 2006. 30. Constatase novamente o caráter protelatório adotado pelo sujeito passivo, visto que a documentação alegadamente em poder da fiscalização foi devolvida em 27/12/2007, conforme Termo de Devolução de Livros e Documentos de fls. 857. ( )". (grifei). Por fim, em 01/12/2008, mediante "Termo de Encaminhamento" (fls. 937), o presente processo retornou a esta DRJ/SP 1, mais especificamente a esta 4a Turma de Julgamento, para sua devida apreciação. E o relatório. Passo ao voto.” O acórdão acima ementado julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sob os fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, especialmente no que se refere: (a) à nulidade dos lançamentos por violação aos princípios da verdade material e ampla defesa; (b) à nulidade da diligência realizada, em virtude de defeito de motivação do termo de verificação fiscal que a iniciou; (c) à decadência do direito do Fisco lançar tributos com base nos passivos mantidos pela Contribuinte em sua escrituração em 31.12.2001; (d) à insubsistência dos lançamentos em decorrência do fato de (i) os saldos das contas fornecedores e financiamentos estarem comprovados a partir dos documentos apresentados em impugnação; e (ii) a Fiscalização ter atribuído como receita omitida praticamente a integralidade dos valores mantidos em conta de passivo em sua escrituração (contas fornecedores, financiamentos a curto prazo e financiamento a longo prazo). No ponto, segundo a Contribuinte, ainda que tais valores pudessem ser considerados receita omitida, seria de rigor o arbitramento do lucro no período, o que não ocorreu no caso. Reitera, ao final, requerimento de conversão do julgamento em diligência para exame dos documentos juntados aos autos, sua escrituração e comprovação de suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme salientado no relatório supra, a Contribuinte registrou em 2002 diversos lançamentos em contas de passivo, denominadas “fornecedores”, “financiamentos a Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 15 14 curto prazo” e “financiamentos a longo prazo”, num total a débito de R$46.884.995,81, dos quais, após ter sido regularmente intimada, apenas R$3.280.443,00 foram comprovados. Nesses termos, R$43.604,552,81 serviram de base para lançamento de IRPJ e CSLL pela sistemática do lucro real e demais tributos reflexos, sob acusação de omissão de receitas decorrente de passivo fictício. Em impugnação, a par de impugnar o critério jurídico adotado para os lançamentos de IRPJ e CSLL, a Contribuinte traz documentos à colação que, no seu entender, seriam suficientes para a comprovação dos débitos lançados nas citadas contas de passivo. Diante do volume de documentos juntados pela Contribuinte e da própria proporção das contas de passivo utilizada como base de incidência dos tributos lançados, o Colegiado a quo determinou a realização de diligência para que citados documentos fossem auditados e cotejados com a escrituração da Contribuinte. Citada diligência não foi bem sucedida pois, entre outros motivos, a Contribuinte não atendeu aos requerimentos da Fiscalização para a entrega de documentos necessários à realização da nova auditoria. Diante de tal fato, proferiuse o acórdão recorrido sem que fosse procedido ao exame dos documentos apresentados pela Contribuinte em sede de impugnação. Nada obstante a Contribuinte tenha contribuído significativamente para o insucesso da diligência proposta pelo Colegiado a quo, o caso demanda a realização de nova auditoria nos documentos e na escrituração da Contribuinte, ante (i) a quantidade de documentos juntados aos autos e que não tiveram mínima consideração pela instância anterior; (ii) o regime de apuração do IRPJ e CSLL eleito pela Fiscalização; e (iii) a tributação de praticamente a totalidade das contas “fornecedores” e “financiamentos a curto e longo prazos” sob a presunção legal de omissão de receitas. Por tais fundamentos, sem prejuízo da ulterior análise dos argumentos de direito aduzidos pela Contribuinte e considerados os demais elementos constantes dos autos, oriento voto no sentido de converter o julgamento em diligência para (i) Atestar, de forma conclusiva e justificada, a autenticidade e escrituração dos documentos acostados pela Contribuinte anexos à impugnação, tanto no tocante à realização de operações (aquisições e financiamentos), quanto no que se refere às respectivas quitações; (ii) Cotejar, de forma conclusiva e justificada, as contas de passivo “fornecedores”, “financiamentos a curto prazo” e “financiamentos a longo prazo” conforme encerramento dos anoscalendário de 2001 e 2002, identificando lançamentos que sejam comuns a ambos os exercícios fiscais e indicando os valores respectivos; (iii) Também de forma conclusiva e justificada, atestar quais documentos acostados aos autos pela Contribuinte integraram os saldos das rubricas "Fornecedores", "Financiamentos a Curto Prazo" e "Financiamentos a Longo Prazo", em 31/12/2002. Na hipótese de terem integrado tais saldos, qual a sua influência em relação aos lançamentos efetuados? Quando teriam ocorrido suas quitações? Se necessário, circularizar fornecedores e credores da Contribuinte. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.004028/200729 Resolução nº 1102000.149 S1C1T2 Fl. 16 15 (iv) Das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 10680.012000/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
PEDIDO DE DILIGÊNCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular com a diligência era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2202-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 1.013,75 no ano calendário de 2005, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Dayse Fernandes Leite que proviam em menor extensão, mantendo a multa qualificada.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA - INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular com a diligência era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso provido em parte
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 1.013,75 no ano calendário de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 20 00 /2 00 8- 60 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 2005, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Dayse Fernandes Leite que proviam em menor extensão, mantendo a multa qualificada. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra a contribuinte, NEILA APARECIDA DA SILVA, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 9, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 e 2006, anoscalendário 2004 e 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$313.960,59, acrescido de multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 29/08/2008. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores depositados/creditados em contas bancárias de titularidade da contribuinte, uma vez que a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras (explicações e planilhas As fls. 10 a 23). Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 849 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. Cientificada em 26/09/2008 (Aviso de Recebimento, AR à fl. 143), em 28/10/2008, a contribuinte apresenta a impugnação de fls. 144 a 159, instruída com os documentos de fls. 160 a 163 e fls. 2 a 224 do anexo 2, assim substanciada: conforme já esclarecido a fiscalização, os recursos movimentados nas contas bancárias estão relacionados à atividade profissional de seu cônjuge (representante comercial comprador). Os depósitos foram efetuados por Cláudio Tavares Vianna, sócio da Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda., a titulo de antecipação, para que o Humberto Sandro Albino Teixeira, cônjuge da contribuinte, efetuasse compra de mercadorias para a empresa; não foi possível obter microfilmagem dos cheques depositados, pois os bancos se recusaram a fornecêlos, alegando sigilo bancário; Cláudio Tavares Vianna questionado acerca das transferências bancárias efetuadas para a conta corrente de titularidade da contribuinte e seu cônjuge, limitouse a alegar que se tratavam de empréstimos, sem, no entanto, provar; os valores apurados não são rendimentos auferidos pela contribuinte e seu cônjuge, que não possuem capacidade contributiva e manifestação de riqueza com eles compatíveis. Tratamse de rendimentos dos sócios da empresa Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda. e de seus familiares; requer a realização de diligência, para que os bancos sejam intimados a apresentar as microfilmagens dos cheques depositados em sua conta. A maioria dos cheques era nominal a empresa, a Claudio Tavares Vianna ou a José Lembi Freitas Vianna, que posteriormente os endossavam. Grande parte dos depósitos foi efetuada na agência do Banco do Brasil no Padre Eustaquio, bairro onde está estabelecida comercialmente a empresa e que é distante da residência dos contribuintes; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 os fatos alegados podem ser comprovados por meio das declarações anexas de testemunhas, pela relação de mercadorias entregues a Claudio Tavares Vianna, prestação de contas dos anos 2004 e 2005, em que consta o controle dos depósitos coincidentes em datas e valores efetuados pelo sócio da empresa, inclusive com sua caligrafia; a contribuinte, servidora pública, não tem nenhuma relação com os valores movimentados na conta bancária da qual o seu cônjuge é cotitular. Toda a movimentação deve ser atribuída a Humberto Sandro Albino Teixeira na condição de prestador de serviço a empresa Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda; requer a juntada posterior de documentos, em especial de relação dos cheques depositados solicitada ao Banco do Brasil por meio de notificação extrajudicial. Requer diligencia para que se correlacionem os dados constantes das prestações de contas apresentadas com os constantes das notas fiscais e pedidos de venda emitidos pela empresa no período fiscalizado; o valor de R$2.027,50 foi transferido para a conta corrente da contribuinte em 20/12/2005 pela Associação Nacional dos Servidores (Pecúlio GEAP); no caso, não pode ser atribuída 6 requerente a responsabilidade prevista no § 6° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que restou evidenciado o envolvimento de terceiro, nos termos do § 5° do mesmo artigo; os valores apurados pelo fisco não correspondem A aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda pela interessada, conforme art. 43 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN; de acordo com o art. 9°, inc. VII, do Decretolei n° 2.471, de 1988, estão cancelados os débitos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em depósitos bancários. Nos termos do art. 6° da Lei n° 8.021, de 1990, no lançamento com base em depósitos bancários é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Por fim, requer: a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do débito; sejam chamados a integrar o pólo passivo: Claudio Tavares Vianna, José Lembi Freitas Vianna e a pessoa jurídica Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda; seja concedida ajuntada posterior de documentos; que a Receita Federal do Brasil espeça oficio aos bancos com o fim de comprovar a movimentação bancária de Claudio Tavares Vianna, José Lembi Freitas Vianna e da pessoa jurídica Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda; que seja excluída a responsabilidade de Neila Aparecida da Silva; que sejam desconstituídos os autos de infração de Neila Aparecida da Silva e Humberto Sandro Albino Teixeira. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 4 5 A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida ao apreciar as razões do recorrente decidiu excluir depósitos bancários que havia lançado: No caso, verificase do exame das peças constituintes dos autos que nem todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da contribuinte foram considerados de origem não comprovada. Conforme Termo de Verificação Fiscal as fls. 15 e 16, apesar das versões conflitantes, foram consideradas como depósitos de origem comprovada as transferências financeiras feitas por Cláudio Tavares Vianna e pela pessoa jurídica Mercado Digital Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda.. Analisandose os documentos de transferências financeiras interbancárias ás fls. 45 a 51 do anexo 2, constatase que os seguintes valores foram excluídos do demonstrativo dos créditos a comprovar e, conseqüentemente, do montante tributado no lançamento: R$6.000,00 em 29/04/2005 (fls. 63 e 125), R$2.000,00 em 25/10/2005 (fls. 64 e 127), R$2.000,00 em 17/10/2005 (fls. 64 e 127), R$1.000,00 em 02/08/2005 (fls. 63 e 127), R$21.000,00 em 05/05/2005 (fls. 63 e 126), R$18.000,00 em 29/04/2005 (fls. 63 e 125). Seguindose o mesmo procedimento adotado pela fiscalização, excluise do montante tributável lançado o valor de R$17.820,00, relativo à transferência interbancária realizada em 05/05/2005 por José Lembi de Freitas para a conta corrente 10.544, Ag. 0033 do Banco do Brasil. Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Do Pedido de Diligência A realização de diligência pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. Outrossim, a diligência não se presta para a produção de provas de encargo do sujeito passivo. Estão presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. É de ser indeferido o pedido de diligência quando a prova que se pretende formular com a diligência era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, como no caso da origem de depósitos bancários. Acrescentese que desde a lavratura do auto de infração a recorrente já poderia ter trazido ao processo as provas alegadas, entretanto não fez isso. Isto posto, indeferese o pedido de realização de diligência quando demonstrado o caráter eminentemente protelatório de sua realização e quando não há dúvida para o julgamento da lide. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito Fl. 583DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 5 7 passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. O recorrente questiona que algum dos depósitos bancários, ou melhor especificando creditos em suas contas seriam de outros titulares. Entretanto o recorrente não traz prova conclusiva desses fatos. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez, sobre os supostos títulos descontados: A contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos recursos financeiros, ou seja, o fato econômico ou jurídico que deu causa aos recebimentos dos valores depositados em suas contas bancárias. Se como alegado, os recursos decorreram do exercício de atividade profissional do cônjuge de intermediação de compra de mercadorias, caberia aos titulares das contas fazer a devida relação de origem e aplicações de recursos coincidentes em datas e valores e apresentar documentação comprobatória da origem dos ingressos, bem como da transferência de numerários de suas contas vinculada a aquisições de mercadorias respaldadas por documentos hábeis em nome da empresa ou em nome do "representante comercial comprador" acompanhados da prova da transferência das mercadorias à empresa. Os documentos apresentados, planilhas às fls. 77 a 136, pedidos ás fls. 142 a 144, e declarações às fls. 156 e 157, todas do anexo 2, não Comprovam a efetivação dos negócios alegados nem a origem dos depósitos bancários considerados no lançamento. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Conforme dito, a tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de rendimentos está amparada pela Lei n° 9.430, de 1996, art. 42. Assim sendo, estéril invocar legislação anterior a 1997, como o Decretolei n° 2.471, de 1988, pois a partir de 1°/01/1997, quando passou a viger o citado artigo 42 é legalmente possível considerar o depósito bancário, receita ou rendimento omitido. No caso, as contas bancarias em que foram efetuados os depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada são de titularidade da contribuinte e de seu cônjuge. Por conseguinte, correto o lançamento de cinqüenta por cento dos valores apurados em nome da contribuinte, nos termos do § 6'do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e alterações. Cumpre lembrar que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Não há, pois, como, cancelar o lançamento que seguiu a estrita legalidade. No que concerne a alegação da precária situação financeira da contribuinte, salientese que o fato de a contribuinte possuir dividas, documentos As fls. 53 a 75 do anexo 2, não tem o condão de eximila da comprovação da origem dos depósitos bancários para elidir o lançamento fundamentado na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996..” Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.012000/200860 Acórdão n.º 2202002.670 S2C2T2 Fl. 6 9 A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da valor de R$ 2.027,50 em 20/12/2005 A contribuinte alega que o valor de R$2.027,50 foi transferido para sua conta corrente em 20/12/2005 pela Associação Nacional dos Servidores (Pecúlio GEAP). Na impugnação, não havia acostado aos autos documentos que comprovassem a alegada transferência. Entretanto com o recurso voluntário apresenta o documento de fls 573, onde deixa claro a origem do referido depósito. Deste modo estaria comprovada essa origem. Como os valores foram divididos, atribuindose a recorrente 50% do referido valor tal como se nota as fls. 518. É de se excluir da base de cálculo da infração o valor de R$1.013,75 no ano calendário de 2005. Da Multa Qualificada No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14 do CARF “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindoa para a multa de ofício de 75%. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da infração o valor de R$ 1.013,75 no ano calendário de 2005, bem como para desqualificar a multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 586DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10882.910074/2011-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. O prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. O prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. O prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 74 /2 01 1- 92 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 34 e ss., reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10882.910074/201192 Acórdão n.º 3802002.412 S3TE02 Fl. 45 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 32), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 34). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13894.720066/2011-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 15), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado foi emitida, em 21/03/2011, a notificação de lançamento de fls. 3/6, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anocalendário de 2007, em que foi constatada omissão de rendimentos do trabalho recebidos da Caixa Econômica Federal, CNPJ nº 00.360.305/000104, com compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 94 .7 20 06 6/ 20 11 -1 3 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13894.720066/201113 Resolução nº 2201000.150 S2C2T1 Fl. 39 2 do IRRF sobre a omissão, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 4. O interessado apresentou a impugnação de fl. 2 em 11/04/2011, na qual alega, em síntese, que os rendimentos foram recebidos acumuladamente em decorrência de ação ordinária de revisão de aposentadoria ajuizada contra o INSS, solicitando aplicar decisão tomada com base no artigo 44 da Lei nº 12350, de 20/12/2010, por lhe ser benéfica.” A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em São Paulo I julgou a impugnação improcedente (fls. 14 a 23), nos termos da ementa reproduzida a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda no mês de seu recebimento, sujeitando se ao ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 28/05/2012 (fls. 27), o Interessado interpôs, em 14/06/2012, o recurso de fls. 29, em que requer a dedução das despesas relativas aos honorários advocatícios pagos, decorrente do recebimento dos rendimentos lançados, juntando como provas os documentos de fls. 30 a 32. Por conseguinte solicita a “apuração do novo valor do débito do IR, para que possa efetuar os pagamentos e regularizar a pendência junto à Receita Federal”. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação ordinária de revisão de renda mensal inicial de aposentadoria, como pode ser constatado pela cópia do Alvará de Levantamento de fls. 8. Tais rendimentos foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos. A constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual Fl. 39DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13894.720066/201113 Resolução nº 2201000.150 S2C2T1 Fl. 40 3 reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13894.720066/201113 Resolução nº 2201000.150 S2C2T1 Fl. 41 4 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante do exposto acima voto por SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902535/2012-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2008
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/06/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 35 /2 01 2- 69 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$21.287,52. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 30/06/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 30/06/2008 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13708.001716/2003-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o Relatório do Acórdão nº 1238.488 da DRJ/RJ1, de fls. 320 a 325, que passo a transcrever: “Tratase de auto de infração decorrente da realização de auditoria interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) no anocalendário de 1998 resultando na constituição do crédito tributário no valor principal de R$ 1.330.088,88 de Imposto acrescido de multa de oficio no percentual de 75%, juros de R$ 1.233.103,61 e multa isolada no valor de R$ 14.119,68. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 01 71 6/ 20 03 -6 0 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13708.001716/200360 Resolução nº 1202000.249 S1C2T2 Fl. 723 2 A contribuinte foi cientificada da autuação em 18/08/2003, conforme cópia do AR As fls. 300. Irresignada, apresentou a impugnação de fls. 1 a 24 em 17/09/2003, aduzindo, em síntese que: a) Todos os créditos tributários foram devidamente recolhidos aos cofres públicos através de Darf; b) a multa de oficio também é indevida, pois não só os tributos foram recolhidos como também declarados em DCTF, ou seja, em momento algum;a impugnante escondeu qualquer fato da Receita Federal; c) ademais, das duas uma, ou o valor declarado em DCTF serve para a inscrição em Divida Ativa e, assim em caso de não pagamento espontâneo caberia a multa de 20%, ou então o valor declarado não serve para tal mister, sendo então devida a multa pelo não pagamento de 75% (traz à colação ensinamentos doutrinários e acórdãos do CC contendo entendimento de que tributos declarados em DCTF não devem ser objeto de lançamento de oficio); d) o auto de infração não foi lavrado com observância do que dispõe o inciso III do artigo 10 do PAF tendo em vista que a terminologia adotada na descrição dos fatos aponta todas as irregularidades possíveis dividindoas com e/ou; (transcreve ementas de acórdãos do CC reforçando sua argumentação); e) o auto de infração na forma como está apresentado, sem que sua descrição dos fatos tenha elementos suficientes que demonstrem a natureza da infração, revestese de nulidade (traz ensinamento de Hely Lopes Meirelles);” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 1238.488 da DRJ/RJ1, de fls. 320 a 325, julgando procedente a impugnação, com o seguinte ementário: FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTOS. Comprovado o pagamento o tributo lançado encontrase extinto. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1998 PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS 0 VENCIMENTO SEM ACRÉSCIMOS LEGAIS. Comprovado que o Documento de arrecadação indica período de apuração e vencimentos compatíveis e que o recolhimento se deu tempestivamente, afastase da tributação os valores apurados por cotejamento eletrônico entre informações dadas naquele documento e na DCTF, por tratarse de evidente equívoco quanto ao período de apuração. Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado A DRJ/RJ1 recorreu de ofício dessa decisão, por ter ultrapassado o seu limite de alçada na exoneração do crédito tributário. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13708.001716/200360 Resolução nº 1202000.249 S1C2T2 Fl. 724 3 O contribuinte não se manifestou a respeito. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Tratase do exame de recurso de ofício no Acórdão nº 1238.488 da DRJ/RJ1, que julgou o lançamento fiscal improcedente. De acordo com o Auto de Infração das fls. 42 e seguintes, o contribuinte sofreu autuação do IRRF do ano de 1998 ao serem constatadas divergências entre os valores desse imposto declarados em DCTF e aqueles recolhidos por DARF Com efeito, a análise da exoneração da exigência do IRRF, objeto do recurso de ofício, é de competência da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, nos termos do art. 3º, inciso II, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – [...] II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); (destaques meus) Em vista do exposto, voto no sentido de que esta turma de julgamento da Primeira Seção decline da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção deste CARF, devendo o processo para lá ser encaminhado, para fins de nova distribuição e prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 726DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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