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Numero do processo: 15983.000010/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000010/201086 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.322 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de setembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 00 01 0/ 20 10 -8 6 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.211 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes, fl. 622 a 633. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. O INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA ISESC, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.258.5540, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 12/2000 a 11/2003, conforme Relatório Fiscal, às fls. 20/29. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 20/01/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 30.373.908,73 (Trinta milhões, trezentos e setenta e três mil, novecentos e oito reais e setenta e três centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, em 01/06/2006, fora expedido Mandado de Procedimento Fiscal, com ciência em 06/06/2006, dando início à fiscalização na entidade, com o requerimento de documentos e esclarecimentos pertinentes às contribuições previdenciárias relativamente ao período de 05/2000 a 05/2006. Informa, ainda, o fiscal autuante que naquela oportunidade constatouse haver óbice judicial à constituição do crédito previdenciário, em face de provimento judicial em sede de antecipação de tutela concedida pela 2a Vara Federal de Santos, às fls. 52/54, nos autos do processo n° 99.61.04.0052998, onde a autora pleiteia à imunidade contemplada no artigo 7° do artigo 195 da Constituição Federal, razão pela qual efetuouse o lançamento provisório relacionado àquele período, cientificandose o contribuinte em 27/09/2006 dos valores apurados pelo Fisco, consoante Informação Fiscal de fl. 32. Ato contínuo, confirmando que a Instituição não observa os requisitos que garantem o status de entidade acobertada pela imunidade tributária conforme previsto no art. 14 do Código Tributário Nacional, não sendo portanto imune à exação tributária, foi o procedimento fiscalizatório reaberto com vistas a se consumar o lançamento já iniciado, a teor do que determina o parágrafo único do art. 142 da norma geral tributária citada, como se verifica do Mandado de Procedimento Fiscal datado de 12/02/2008, às fls. 570/572. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 8ª Turma da DRJ em Campinas/SP, Fl. 710DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 4 3 achou por bem julgar improcedente o lançamento, acolhendo a decadência total do crédito, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0531.536/ 2010, às fls. 579/586, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. Aplicase o prazo decadencial do Código Tributário Nacional para os créditos em que não houve constituição definitiva, quanto aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos do efetivo lançamento do crédito. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” Em observância ao disposto no artigo 25, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Retornam os autos após cumprimento da diligência requerida junto ao sindicato. Tratase Lançamento Fiscal (DEBCAD nº37.258.5540) onde estão sendo cobradas contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas em razão de suposta imunidade conferida ao contribuinte. Após julgamento em primeira instância administrativa os autos foram enviados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para que fosse proferida decisão. Em 17.04.2012 o CARF emitiu a resolução nº2401000.211 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, baixando aos autos em diligência. Efetuei pesquisa nos sítios da Justiça Federal e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, onde constatei que na Ação Declaratória nº1999.61.04.0052998 o contribuinte pediu o reconhecimento de sua alegada isenção das contribuições previdenciárias. Nessa pesquisa pude verificar que foi concedida a tutela antecipada, porém não pude ter acesso às decisões judiciais que conferiram a antecipação da tutela. Dessa forma, compareci pessoalmente à 2ª Vara da Justiça Federal em Santos, onde tirei cópia das decisões judiciais que não estavam disponíveis na internet. Juntados referidos documentos aos autos do presente processo, pude constatar que em 30.07.1999 foi proferida decisão liminar concedendo a antecipação da tutela, afastando a exigência da contribuição previdenciária do art. 194, I, da CF. Logo após, em 27.09.1999, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferiu decisão monocrática em sede de agravo de instrumento interposto pelo INSS, concedendo a suspensão dos efeitos da decisão anteriormente referida. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 5 4 Posteriormente, em decisão de 27.08.2001, publicada em 12.12.2001, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reconsiderou a decisão que suspendeu os efeitos da tutela, revigorando seu efeito; ou seja, voltou a ser afastada a exigência da contribuição. Entretanto, em 09.06.2003 foi proferida decisão judicial nos autos da Ação Declaratória nº1999.61.04.0052998 indeferindo pedido de anulação do presente lançamento fiscal, ao ficar constatado que não houve desrespeito à decisão judicial de antecipação da tutela. Em 25.11.2010 o Tribunal Regional Federal da 3ª Região julgou agravo de instrumento interposto pelo INSS contra a decisão que revigorou os efeitos da tutela antecipada, tendo sido negado provimento ao agravo. Por fim, em 08.02.2013, foi proferida sentença de primeira instância, tendo sido julgado improcedente o pedido do contribuinte de reconhecimento da imunidade. Ainda não ocorreu o trânsito em julgado da ação, não tendo sido até o presente momento sido apresentado recurso contra a sentença. Ante o exposto, proponho a devolução do presente processo à egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1271. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Antes de adentrarmos a seara, das informações prestadas acerca da ação judicial, que supostamente iria interferir, na presente autuação, identifiquei um erro no presente processo, que merece ser sanado. Após o cumprimento da diligência, procedeu a autoridade fiscal o encaminhamento do processo ao CARF, sem que tenha sido o recorrente cientificado dos termos da referida informação, para em querendo manifestarse. Assim, converto novamente o processo em diligência, todavia, agora, com o intuito de cientificar o recorrente dos termos da decisão proferida. CONCLUSÃO Face o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que seja o recorrente cientificado dos termos da informação fiscal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 713DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.900756/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
SALDO NEGATIVO DO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. DOCUMENTO HÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO.
A dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Não apresentadas provas do cumprimento dessas exigências, o IRRF informado na declaração DIPJ não pode ser considerado e deduzido do IRPJ devido.
DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DOS ENCARGOS MORATÓRIOS.
Por expressa previsão legal, aos tributos não recolhidos/compensados no prazo de vencimento, incidem os acréscimos de juros e multa de mora.
Numero da decisão: 1202-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 SALDO NEGATIVO DO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. DOCUMENTO HÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Não apresentadas provas do cumprimento dessas exigências, o IRRF informado na declaração DIPJ não pode ser considerado e deduzido do IRPJ devido. DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DOS ENCARGOS MORATÓRIOS. Por expressa previsão legal, aos tributos não recolhidos/compensados no prazo de vencimento, incidem os acréscimos de juros e multa de mora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1977; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 266 1 265 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.900756/201174 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.178 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MAGNESITA REFRATÁRIOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. DOCUMENTO HÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Não apresentadas provas do cumprimento dessas exigências, o IRRF informado na declaração DIPJ não pode ser considerado e deduzido do IRPJ devido. DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DOS ENCARGOS MORATÓRIOS. Por expressa previsão legal, aos tributos não recolhidos/compensados no prazo de vencimento, incidem os acréscimos de juros e multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 07 56 /2 01 1- 74 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 267 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de examinar pedido de restituição/compensação PER/DCOMP, com crédito originado do saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ ao final do ano calendário de 2007, no valor original de R$ 2.058.092,83, conforme PER/DCOMP das fls.02 à 06. O Despacho Decisório eletrônico da DRF/Contagem/MG deferiu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 770.848,47 e homologou a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido, fls. 07 a 10. O motivo do deferimento parcial foi a falta de comprovação de retenção do IRRF no valor de R$ 1.287.244,37, informado na DIPJ e originado da fonte pagadora com o CNPJ 00.085.507/000195 (fls. 169). Na seqüência, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever o relatório do Acórdão da DRJ/BHE nº 0245.028, de fls. 187 à 194: “Manifestação de Inconformidade 4 O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/04/2011, conforme documento à fl. 11. Irresignado, apresenta em 12/05/2011, via postal (fl. 13), a manifestação de inconformidade anexada à fls. 12 a 19, onde, em síntese, argumenta: 4.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 4.2 A DCOMP nº 26055.06337.140708.1.3.029432 foi apresentada em 14/07/2008 com a pretensão de extinguir débito de IPI mediante a utilização de crédito de IRRF – Juros Sobre Capital Próprio retidos em nome de suas empresas incorporadas pela requerente. Intimada a apresentar os comprovantes de retenção, apresentou os comprovantes de rendimentos e IRF fornecidos pelas fontes pagadoras; ainda assim a RFB reconheceu apenas parte do crédito utilizado, sem fundamentar a motivação para a glosa. 4.2.1 Argumenta que o Despacho Decisório é Nulo uma vez que, sem fundamentação, desconsiderou o crédito advindo da PARTIMAG, incorporada pela requerente. Aduz que os créditos da incorporada são transferidos à incorporadora que tem o direito de utilizálos em compensações. 4.2.2 Afirma que é nulo o Despacho Decisório despido de fundamentação e motivação, pois impede a plena ciência, pela requerente, das razões pelas quais seu direito foi negado, cerceando sua defesa em ofensa ao devido processo legal. 4.3 A seguir, tece diversas considerações acerca da incorporação, esclarecendo que a incorporação da PARTIMAG ocorreu na Assembléia de 21/02/2008. Menciona a anexação dos documentos comprobatórios. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 268 3 4.4 Insurgese quanto à multa e os juros de mora, argumentando que a compensação é hipótese de extinção do crédito tributário e que não existe mora ou descumprimento de qualquer dever legal até o momento da ciência do Despacho Decisório que não homologa o pagamento realizado. 4.5 Por fim, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade, com a homologação da compensação declarada; requer ainda a exclusão da multa e dos juros resultantes da compensação não homologada, no período entre a DCOMP e a apreciação definitiva da manifestação de inconformidade.” Examinada a manifestação de inconformidade, a DRJ/BHE emitiu o Acórdão nº 1642.775, de fls. 187 à 194, julgando improcedente a manifestação, com o seguinte ementário: MULTA E JUROS Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência dos encargos moratórios previstos em lei desde o seu vencimento até a sua efetiva extinção. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este colegiado, de fls. 249 à 258, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade. Reforça que inexistiria aproveitamento em duplicidade do IRRFJCP como abordado no acórdão recorrido, isso porque cópia da ficha 12A da declaração DIPJ da empresa Partimag SA, CNPJ 00.085.507/000185, demonstra que o IRRF encontrase zerado, fls. 253. Alega que seria inverídico o fundamento utilizado no acórdão recorrido de que o IRRF sobre os JCP do ano de 2007 teria sido aproveitado triplamente, em outro PER/DCOMP, de nº 42358.56727.090407.1.7.063213, uma vez que o IRRFJCP desse último PER/DCOMP se refere ao ano de 2006, não se confundindo com o presente PER/DCOMP, que se refere ao ano de 2007. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 269 4 O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa. Compulsando os autos, verificase que o despacho decisório contém motivação clara sobre o reconhecimento parcial do direito creditório, ao mencionar nas fls, 08 à 10 que parte do IRRF, no valor de R$ 1.287.244,37, levado em dedução na apuração do IRPJ, na declaração DIPJ, não teria a sua retenção comprovada. Da mesma forma, o acórdão recorrido também fundamentou adequadamente a sua decisão, não se vislumbrando qualquer prejuízo para a recorrente. A análise dos autos mostra que o contribuinte vem apresentando a sua defesa em todas as fases processuais, demonstrando estar plenamente ciente da glosa de parte do direito creditório informado em seu PER/DCOMP, sem que haja cerceamento no seu direito de defesa. Por fim, registrese que a nulidade dos atos administrativos ocorrem nas hipóteses de serem lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações, hipóteses que, definitivamente não se encontram no presente processo: “Art. 59 – São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Em razão do exposto, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Conforme relatado, o contribuinte transmitiu pedido de restituição/compensação PER/DCOMP trazendo como crédito o saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ ao final do anocalendário de 2007, no valor original de R$ 2.058.092,83, fls.02 à 06. A ficha 12A da declaração DIPJ do contribuinte indica que o valor do saldo negativo do IRPJ é composto integralmente do IRRF, uma vez que nesse ano de 2007 não houve apuração de IRPJ sobre o lucro real, fls. 156. Já a ficha 54 – Demonstrativo do IRRF do contribuinte, informa que o IRRF, no total de R$ 2.058.092,83, é composto de R$ 1.287.244,37, retido por PARTIMAG SA CNPJ 00.085.507/000195, e de R$ 770.848,47, retido por MAGNESITA SA CNPJ 19.791.268/000117. Somente o valor de R$ 1.287.244,37 encontrase na situação “retenção na fonte não comprovada”. Por seu turno, a defesa, para comprovar a alegação de que teria direito a deduzir do IRPJ na declaração o valor integral do IRRF, de R$ 2.058.092,83, trouxe em sua manifestação de inconformidade o “comprovante anual de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte – pessoa jurídica”, fls. 86. O comprovante informa que a empresa Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 270 5 MAGNESITA SA reteve o imposto de renda na fonte de PARTIMAG SA, no ano de 2007, no valor de R$ 1.374.808,73, a título de pagamento dos Juros sobre o Capital Próprio. Ao contrário do mencionado no acórdão recorrido, alega a interessada que a empresa PARTIMAG SA, no ano de 2007, não teria se utilizado do IRRF sobre os juros sobre o capital próprio na dedução do IRPJ e, portanto, não haveria duplicidade de aproveitamento do IRRF (na interessada e na Partimag), trazendo cópia de parte da declaração DIPJ para essa comprovação, fls. 263. Examinandose os documentos do processo, verificase que não tem razão a defesa. Em primeiro lugar, a recorrente não trouxe aos autos os “comprovantes anuais de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte – pessoa jurídica” para justificar o IRRF de R$ 2.058.092,83 deduzido em sua declaração DIPJ e que originou o saldo negativo do IRPJ levado em compensação no PER/DCOMP em análise. O comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, onde consta o respectivo IRRF a ser utilizado na declaração DIPJ, é documento obrigatório exigido por lei, a teor do art. 55 da Lei nº 7.450, de 1995, uma vez que o que se está restituindo não é o IRRF, mas sim o próprio IRPJ apurado nessa declaração: Art. 55. 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa fisica ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (grifei) Ademais, a apresentação do comprovante emitido pela fonte pagadora é fundamental para suportar os fatos que a recorrente alega ter ocorrido. Sem esse, não há como certificarse de que o pagamento dos Juros sobre o Capital PróprioJCP efetivamente ocorreu, bem como se foi efetivada a correta retenção do imposto na fonte IRRF. Como já mencionado neste voto, a defesa trouxe apenas um “comprovante de rendimentos e retenção na fonte”, de fls. 86, da qual a interessada não faz parte. Portanto, a primeira conclusão a que se chega é que o comprovante apresentado não se presta para comprovar o IRRF de R$ 1.287.244,37 utilizado/deduzido do IRPJ na DIPJ da interessada e, portanto, o despacho decisório das fls. 07 a 09 encontrase correto. Já a alegação de que a PARTIMAG SA teria sido incorporada pela interessada e, dessa forma, esta faria jus ao aproveitamento do IRRF daquela, também não se sustenta. Isso porque a incorporação da PARTIMAG SA ocorreu em 21/02/2008, fls. 88, portanto, após o encerramento do período de apuração do saldo negativo do IRPJ ora examinado, ocorrido em 31/12/2007. Por decorrência lógica da cronologia dos fatos, algum IRRF porventura aproveitável da incorporada PARTIMAG SA somente poderia ocorrer a partir do ano de 2008 e não no ano de 2007, como pretende a defesa. Um dos fundamentos utilizados no acórdão recorrido foi o de que teria havido aproveitamento em duplicidade do IRRF, na PARTIMAG SA e na interessada. Entretanto, registrese que nem mesmo o fato de divergência de informações existente na Ficha 12A da declaração da PARTIMAG SA trazida pelo recorrente com o IRRF “zerado”, fls. 263, contraposto com a mesma Ficha 12A da declaração da PARTIMAG SA trazida pela DRJ, com Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 271 6 o IRRF aproveitado de R$ 1.504.497,66, fls. 126, não prejudicam os fundamentos deste voto. Isso porque o decisivo é que a defesa deixou de comprovar a integralidade do IRRF a que tem direito para compor o saldo negativo do IRPJ na sua declaração DIPJ. Vale dizer, inexiste nos autos “comprovante de rendimentos e retenção na fonte”, cuja beneficiária seja a interessada, Magnesita Refratários SA – CNPJ 08.684.547/000165, para comprovar o IRRF de R$ 1.287.244,37 utilizado/deduzido do IRPJ na DIPJ para compor o saldo negativo deste último. Salientese que a demonstração da efetividade do direito que a interessada aduz possuir é uma obrigação da recorrente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. (grifos meus) Assim, de todos os ângulos que se examina a matéria, verificase que o despacho decisório encontrase correto e a defesa não conseguiu comprovar, com a documentação exigida por lei, a retenção do IRRF, no valor de R$ 1.287.244,37, para compor o saldo negativo do IRPJ pleiteado. Esclareçase à recorrente que, para aproveitamento do IRRF, é necessário também que as correspondentes receitas auferidas a título de Juros sobre o Capital PróprioJCP sejam oferecidas à tributação na mesma declaração, nos termos do estabelecido em lei e no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), conforme art. 231, inciso III: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n° 9.430, de 1996, art. 2°, § 4°): [...] III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Por fim, quanto à incidência dos encargos moratórios pela não compensação dos tributos informados no PER/DCOMP, cabe dizer que se trata de exigência expressamente prevista em lei, contida no art. 61 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996, dela não podendo se eximir, matéria que foi muito bem abordada no acórdão recorrido, cujas razões de decidir passo a transcrever e também adotar: “23. O manifestante contesta a aplicação da multa e dos juros de mora aos débitos indevidamente compensados, propugnando pela exclusão da multa e dos juros no período entre a apresentação da DCOMP e a apreciação definitiva da manifestação de inconformidade. Acerca dos acréscimos legais, a Lei nº 9.430, de 1996 assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 272 7 a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Os grifos não são do original) 23.1 O dispositivo acima transcrito esclarece quanto aos acréscimos legais aplicáveis aos créditos tributários extintos a destempo. Percebese que a imputação da multa de mora aos débitos extintos a destempo não é uma opção do contribuinte, mas uma obrigação expressamente prevista em lei, e não pode ser desconsiderada pelo agente público. Cabe ressaltar ainda que, ao apresentar a DCOMP, o sujeito passivo, ciente das condições impostas pelo legislador à execução da compensação tributária, a elas se submete, independentemente de qualquer ato ou esclarecimento da administração pública. 23.2 A extinção do crédito tributário através da DCOMP ocorre sob condição resolutória de ulterior homologação. Não confirmado o procedimento executado pelo contribuinte, a operação é desfeita e o débito passa a não extinto, submetendo se às regras determinadas pela legislação vigente para a sua efetiva extinção. Ao apresentar a DCOMP o sujeito passivo declarou a compensação de seus débitos moldes do lançamento por homologação. Não respeitados os requisitos previstos na legislação tributária, sujeitouse à invalidação do procedimento e à aplicação dos encargos moratórios previstos em lei, tal como no caso em questão. 24. Como se vê, o pleito do contribuinte não encontra amparo na legislação tributária vigente e não pode ser acatada.” Em face do exposto, voto para que seja rejeitada a preliminar suscitada e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 273 8 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11077.000090/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007
PIS IMPORTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PIS FATURAMENTO. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
O fato da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação não gerar crédito no regime da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep antes do seu efetivo recolhimento não representa duplicidade na exigência fiscal.
Numero da decisão: 3201-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007 COFINS IMPORTAÇÃO. COFINS FATURAMENTO. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O fato da CofinsImportação não gerar crédito no regime da não cumulatividade da Cofins antes do seu efetivo recolhimento não representa duplicidade na exigência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007 PIS IMPORTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PIS FATURAMENTO. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O fato da Contribuição para o PIS/PasepImportação não gerar crédito no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep antes do seu efetivo recolhimento não representa duplicidade na exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 7. 00 00 90 /2 00 8- 27 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 715 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o processo dos autos de infração lavrados para a constituição das contribuições COFINS Importação e PIS/PASEP Importação, acrescidas dos juros de mora, incidentes nas importações das mercadorias submetidas a despacho pelas Declarações de Importação listadas às fls. 03/04 e 13/14, totalizando num crédito tributário exigido de R$ 68.277,01 (fls. 01 a 29). Esclarece o Fisco que em decorrência do deferimento do pedido de antecipação dos efeitos da tutela pleiteado na ação judicial demandada junto à 13a Vara Federal de São Paulo (processo n° 2004.61.00.0332672), em que se discute a exigibilidade da Cofins e do Pis/Pasep incidente na importação da forma como estatuída na Lei n° 10.865/04, a autuada não efetuou o recolhimento dos respectivos valores, razão pela qual, com arrimo no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, por se tratar de decisão ainda não transitada em julgado, lavrou os autos de infração em comento com o objetivo de prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência. Intimada da exação em tela, a autuada apresentou impugnação de fls. 138 a 141, instruída com os documentos de fls. 142 a 253, para aduzir que as mercadorias importadas foram desembaraçadas sem o recolhimento do Pis/Pasep e da Cofins tendo em vista a suspensão de sua exigibilidade concedida nos autos da ação ordinária ajuizada pela interessada. Salienta a impugnante que referida ação foi julgada procedente pelo Juizo a quo que declarou a inexistência da relação jurídica que a obrigue ao recolhimento das referidas contribuições, na medida em que referido Juizo negou a aplicação da sua norma instituidora (Lei n° 10.865/04). Discorre sobre a sistemática da nãocumulatividade estatuída pelo artigo 15 da referida lei para afirmar que os valores acaso despendidos pelo importador com o Pis e Cofins seriam obrigatoriamente descontados do montante posteriormente recolhido a titulo de Pis e Cofins faturamento, como resultado do confronto do saldo devedor e/ou credor de conta gráfica da escritura contábilfiscal. Concluindo, entende que por haver recolhido integralmente as citadas contribuições na operação comercial subseqüente saída dos produtos importados depois de nacionalizados para venda aos seus clientes no mercado interno, sua exigência representa Fl. 715DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 716 3 pagamento em duplicidade, na medida que não utilizou os créditos que por ventura teria direito. Razão pela qual requer a nulidade dos autos de infração impugnados. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO. REPERCUSSÃO DIRETA E DEPENDENTE. FATO SUPERVENIENTE. Em face do principio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de impugnação em que se discute matéria cujo objeto, além de idêntico, tem repercussão direta no resultado da ação judicial movida pela impugnante importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. A alegação embasada em suposta circunstância ou evento superveniente e incerto, em face de decisão judicial não transitada em julgado, não tem o condão de instaurar o litígio administrativo. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Questiona, ainda, a decisão recorrida afirmando que a discussão contida na ação judicial proposta pela empresa não possui o mesmo objeto da discussão levada pela empresa em impugnação. A ação judicial discutiria acerca da inexigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação, em vista da alegada inconstitucionalidade da Lei 10.865/2004. Já na impugnação ao auto de infração a empresa questionaria a exigibilidade do Pis Cofins importação, considerando o recolhimento integral de PIS e Cofins "faturamento" quando da saída das mercadorias, sem o abatimento do crédito gerado na importação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 716DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 717 4 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No tocante à alegação de que a discussão contida na ação judicial proposta pela empresa não possuiria o mesmo objeto da discussão levada pela empresa em impugnação, mostrase com razão a recorrente. A ação judicial teve como objeto o afastamento da exigência tributária decorrente da Lei nº 10.865/2004, que disciplinou a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) e da Cofins sobre a importação de bens e serviços, sendo alegado: (a) a necessidade de lei complementar para a instituição do tributo, ex vi art. 149, 146 e 195, de Constituição Federal; (b) vicio na definição da base de cálculo do tributo, que estaria a contrariar o que dispõe o artigo 149, inciso III, alínea “a” da Constituição Federal e ainda o Decreto n.° 1.355/ 1.994, o Acordo Constitutivo da Organização Mundial de Comércio (OMC) e o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras (GATT), bem como o CTN em seus artigos 98 e 110; c) violação do principio da isonomia em razão da definição da base de cálculo com a inclusão dos outros tributos em sua composição, que resulta para o Importador em alíquota maior que a suportada pelo comerciante nacional. A impugnação, por sua vez, defende que o lançamento estaria exigindo a contribuição em duplicidade, tendo em vista que, utilizandose da suspensão da exigibilidade do PIS e da CofinsImportação, por meio da ação judicial, a empresa deixou de recolher referidas contribuições; por outro lado, deixou de utilizar do crédito decorrente destas previsto no art. 15 da Lei 10.865/2004, quando do pagamento do PIS e da Cofins faturamento, pois as recolheu integralmente na operação comercial subseqüente saída dos produtos importados depois de nacionalizados para venda a seus clientes no mercado interno. Observase, contudo, que a decisão recorrida enfrentou as questões postas pela recorrente, apenas deixando de ser apreciadas as questões objeto da ação judicial, como demonstra os trechos desta decisão abaixo transcritos: [...] De plano, cumpre salientar a procedência do lançamento do crédito tributário com o objetivo de prevenilo dos efeitos da decadência (artigo 63 da Lei n° 9.430/96), cujo tema já se encontra pacificado na jurisprudência do STJ, a exemplo da Decisão proferida, em 25.02.2003, no Acórdão do RESP 75075/RJ (Recurso Especial 1995/00484110), de autoria do eminente relator, Ministro Francisco Peçanha Martins. [...] De outra parte, a situação representada na autuação em tela e aqui destacada tem mesmo objeto da lide judicial, a discussão acerca da aplicabilidade ou não da Lei n° 10.865/04. [...] Por fim, alega a impugnante que eventualmente manutenção do lançamento em apreço constituirá cobrança em duplicidade das contribuições, sob o fundamento de que na etapa posterior recolheuas integralmente (modalidade faturamento), uma vez Fl. 717DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 718 5 que não efetuou o "desconto" autorizado pelo o artigo 15 da Lei n° 10.865/04. Quanto ao mencionado argumento de defesa convém salientar que não cabe à autoridade lançadora nem ao julgador administrativo perquirir quanto ao resultado de evento futuro e incerto, dependente do trânsito em julgado da ação judicial na qual a reclamante objetiva a inaplicabilidade dos efeitos da Lei n° 10.865/04, como é o caso, bem como não pode o aplicador negar vigência a uma norma legal regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ademais, acaso se confirme, na via judicial intentada, a improcedência da exação em tela, confirmando a inexigibilidade do presente crédito tributário nada há que se devolver à autuada, pois não efetuou qualquer recolhimento a titulo de Pis/Pasep e Cofins incidentes nas operações de importação em trato. Do contrário, caso seja reformada a decisão a quo declaratória da inexistência da relação jurídica que a obrigasse ao recolhimento das referidas contribuições, ensejando o direito de o Fisco exigilas, poderá a contribuinte, após seu efetivo recolhimento, compensar respectivos créditos com os débitos decorrentes das operações, por ventura, realizadas no respectivo período de apuração das referidas contribuições, em conformidade com a sistemática da nãocumulatividade prevista no artigo 15 da Lei n° 10.865/04. Desta forma, não se verifica presente o alegado vício no acórdão recorrido. No tocante a alegada duplicidade de exigência, decorrente do recolhimento integral das citadas contribuições na operação subsequente, qual seja a saída do produto (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre faturamento), sem abatimento dos créditos do PIS/CofinsImportação, mostramse necessários alguns esclarecimentos. Tratamse, claramente, de duas hipóteses de incidência distintas. Nestes Autos de Infração foram constituídos os créditos tributários referentes a Cofins Importação e a Contribuição para o PIS/Pasep – Importação, que tem por fato gerador a entrada de bens estrangeiros no território nacional ou o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado, conforme estabelecido pelo art. 3º da Lei 10.865/04. A contrário, não estão sendo exigidas a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep no Regime da NãoCumulatividade, que incidem sobre o total de receitas auferidas pela pessoa jurídico (art. 1º das Leis 10.637/02 e 10.833/03). Os créditos gerados com o recolhimento dos tributos ora exigidos, de fato, podem modificar o valor devido a título de PIS e Cofins no regime nãocumulativo, mas esta característica do regime de apuração não representa, de forma alguma, duplicidade de exigência, pois, como já explicitado, a lei elenca dois fatos geradores distintos. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 719 6 Desta forma, como as alegações não tem o condão de modificar a exigência formalizada neste processo, não merecem acolhida. Diante do exposto, voto por negar seguimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 719DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 15504.004884/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/03/2005
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.551
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 48 84 /2 00 9- 14 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004884/200914 Acórdão n.º 2403002.551 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.178 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO. Constitui infração a legislação previdencidria, deixar o contribuinte de exibir a fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, quando solicitados. MULTA. MANUTENÇÃO. Numa autuação lavrada por ocorrência de várias infrações, somente será afastada a multa lançada se ficar caracterizada a improcedência para TODOS os fatos que ensejaram o auto de infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infringência ao disposto no artigo 33, § 2°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, por ter deixado a empresa de apresentar os livros diários do período de 01/2004 a 03/2005. Relata a fiscalização às fls. 16: 2 no decorrer da ação fiscal a empresa apresentou o Livro Diário n° 39, referente ao período de 01/2004 a 12/2004, registrado na JUCEMG sob o n°00.860.989 em 09/05/2005 e o Livro 41, de 01/2005 a 12/2005, registrado na JUCEMG sob o n° 00.891.149 em 03/05/2006. Ao analisarmos os lançamentos contábeis do Livro Diário n° 39 verificamos que as folhas 769 a 771 referentes ao Balanço Geral da empresa foram substituidas por outras após a encadernação e registro na JUCEMG. 3 — Através do TIF — 02 de 19/12/2008 e TIF — 03 de 21/01/2009 solicitamos a apresentação dos Livros Diários referentes ao período fiscalizado. Fomos informados que a empresa não possuía mais os arquivos dos lançamentos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 contábeis em seu banco de dados e que não poderia gerar os Livros Diários do período solicitado. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2008.01990, Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, fls. 06/07, Termos de Intimação Fiscal, fls. 08 a 13, tendo sido encerrada em 31/08/2009, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, fls. 14/15. Como informado no item 4 do Relatório Fiscal da Infração, fls. 16, a empresa não possui registro de autos de infração anteriores, sendo, portanto primária. De acordo com o Relatório de Aplicação da Multa, fls. 17, em decorrência da infração, foi aplicada a penalidade prevista nos artigos 283, inciso II, alínea "j", e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048, de 1999, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). A empresa teve ciência da autuação, em 08/09/2009, fls. 24, e apresentou impugnação em 08/10/2009, fls. 27 a 32, com as seguintes alegações: A própria fiscalização se contradiz, pois, ao mesmo tempo em que diz que a impugnante deixou de exibir os livros diários de 01/2004 a 03/2005, também diz que a empresa apresentou o Livro Diário 39 referente ao período de 01/2004 a 12/2004, e o livro 41, de 01/2005 a 03/2005; Se a impugnante apresentou os Livros Diários de 01/2004 a 03/2005, não há que se falar em infração cometida, sendo nulo o auto de infração ora impugnado; O lançamento fiscal não guarda qualquer relação com a realidade dos fatos, restando insubsistente. Requer seja provida a defesa apresentada e declarada nula a multa aplicada. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Tempestividade do recurso. Intimação ocorreu em 02/03/2011. · Inexistência da multa. · Contradição da fiscalização. · Falta de motivação. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004884/200914 Acórdão n.º 2403002.551 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 25 de fevereiro de 2011 (sextafeira) e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 29 de março de 2011 (terçafeira). O notificado interpôs o recurso no dia 1º de abril de 2011 (sextafeira), portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. É como voto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001397/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
RECOLHIMENTO DO IR-FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 13 97 /2 00 5- 59 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.001397/200559 Acórdão n.º 2102002.324 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 40 a 42: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls.7 a 10, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2001, ano calendário 2000, para formalização de imposto a restituir no valor de zero. De acordo com a descrição dos fatos de fl.9 foi apurada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$3035,62. O impugnante alega que o recurso é tempestivo uma vez que o auto de infração foi enviado ao endereço antigo.Conforme informado em sua DIRPF o endereço correto seria Rua D. Pedro II, Chácara 10 CentroDomingos Martins ES. Com relação ao mérito não concorda com o lançamento uma vez que é portador de moléstia grave e solicita os valores descontados de imposto de renda retido na fonte.Solicita ainda que sejam analisadas as declarações dos exercícios de 2001 a 2005. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o contribuinte apresenta o documento de fl.14 para comprovar o imposto de renda retido na fonte. Da leitura do citado documento verificase que no campo do CPF consta outro número que não o mencionado no auto de infração. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 46 a 50, alegando em síntese que: A contribuinte/Recorrente, não pode ser penalizada, com a glosa do IRRF que pagou sobre os rendimentos da PENSÃO, para novamente serlhe imposta nova tributação, decorrente de erro cometido exclusivamente pela Fonte Pagadora, órgão da própria UNIÃO FEDERAL. Registrese, por oportuno, que se o comprovante de rendimentos emitido pelo Ministério da Defesa Exército Brasileiro, serviu para lançar o rendimento A tributação, mesmo com o CPF de outrem, deve servir também, para lançar o IRRF, efetivamente retido pela fonte pagadora e, esperase, tenha sido recolhido aos cofres da UNIÃO FEDERAL, prova que a contribuinte não pode produzir mas que pode ser aferida pelo órgão fiscal fazendário federal, através da DIRF anual, do to órgão governamental pagador. Isto posto, REQUER seja recebido, conhecido e provido este RECURSO e conseqüentemente REFORMADO o ACÓRDÃO n ° 1320511 2' Turma da DRJ/RJO II, lançandose a crédito da contribuinte/Recorrente, o IRRF, pelo Ministério da Defesa Exercito Brasileiro, no valor originário de R$ 3.035,62, ano calendário 2000, exercício 2001.Isto posto, REQUER seja recebido, conhecido e provido este RECURSO e conseqüentemente REFORMADO o ACÓRDÃO n ° 13 20511 2' Turma da DRJ/RJO II, lançandose a crédito da contribuinte/Recorrente, o IRRF, pelo Ministério da Defesa Exercito Brasileiro, no valor originário de R$ 3.035,62, ano calendário 2000, exercício 2001. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.001397/200559 Acórdão n.º 2102002.324 S2C1T2 Fl. 4 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. O presente processo trata de glosa de IRRF no valor de R$ 3.035,62, conforme indicado Comprovante de Rendimentos emitido pelo Ministério da Defesa, fl. 14. Ocorre que conforme identificou a autoridade recorrida, o CPF indicado nesse comprovante não é o da contribuinte, embora o nome constante nesse formulário seja o dela. Em sede de recurso, fls. 46 a 51, a contribuinte diz que essa inconsistência no número do CPF foi um erro da fonte pagadora que incluiu equivocadamente o CPF do seu genro sem que ela possa imaginar a razão desse erro. Ainda, a recorrente apresenta Requerimento ao Ministério da Defesa – Exercito Brasileiro, solicitando a devida retificação do Comprovante de Rendimentos, fl. 52. Diante desse contexto, especialmente considerando que nos Comprovantes de Rendimentos da mesma pensão dos anos posteriores essa inconsistência do CPF da recorrente foi corrigida pelo Ministério da Defesa, fls. 54 a 56, concluo que o conjunto das provas apresentadas, representada pelos documentos supracitados são o suficiente para que se forme convicção que a retenção do IRF debatido foi mesmo retido em nome da interessada, na forma indicada no Comprovante de Rendimentos emitido pelo Ministério da Defesa, fl. 14. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo PROVIMENTO do Recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.001397/200559 Acórdão n.º 2102002.324 S2C1T2 Fl. 5 4 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013484/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. VALORES JÁ CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Já considerados os valores do imposto retido na fonte, bem como a dedução de previdência privada, o recurso deve ser negado.
IRPF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PERÍCIA EM AÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE.
Para efeitos de dedução da base de cálculo do imposto, os valores pagos a título de perícia devem ser comprovados.
MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. APLICABILIDADE.
A multa de ofício decorre de lei, motivo pelo qual deve ser aplicada, sob pena de violação à Súmula CARF 2.
LEI 12.350/2010. APLICAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do artigo 144 do CTN, a Lei 12.350/2010 não pode ser aplicada imediatamente.
JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. POSSIBILIDADE. ART. 62-A DO RICARF.
Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da base de cálculo os juros de mora conforme jurisprudência do STJ. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins (Presidente Substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Eduardo de Souza Leão.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. VALORES JÁ CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Já considerados os valores do imposto retido na fonte, bem como a dedução de previdência privada, o recurso deve ser negado. IRPF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PERÍCIA EM AÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE. Para efeitos de dedução da base de cálculo do imposto, os valores pagos a título de perícia devem ser comprovados. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. APLICABILIDADE. A multa de ofício decorre de lei, motivo pelo qual deve ser aplicada, sob pena de violação à Súmula CARF 2. LEI 12.350/2010. APLICAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 144 do CTN, a Lei 12.350/2010 não pode ser aplicada imediatamente. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. POSSIBILIDADE. ART. 62-A DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido em parte.
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. VALORES JÁ CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Já considerados os valores do imposto retido na fonte, bem como a dedução de previdência privada, o recurso deve ser negado. IRPF. VALORES PAGOS A TÍTULO DE PERÍCIA EM AÇÃO TRABALHISTA. DEDUTIBILIDADE. Para efeitos de dedução da base de cálculo do imposto, os valores pagos a título de perícia devem ser comprovados. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9.430/96, ART. 44. APLICABILIDADE. A multa de ofício decorre de lei, motivo pelo qual deve ser aplicada, sob pena de violação à Súmula CARF 2. LEI 12.350/2010. APLICAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 144 do CTN, a Lei 12.350/2010 não pode ser aplicada imediatamente. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO DO STJ, SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. RECONHECIMENTO EX OFFICIO. POSSIBILIDADE. ART. 62A DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre juros de mora. Esta é a orientação do STJ, consagrada sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que deve ser observada por este Tribunal, à luz do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 34 84 /2 00 8- 80 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos da base de cálculo os juros de mora conforme jurisprudência do STJ. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins (Presidente Substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Eduardo de Souza Leão. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 76/83) interposto em 30 de dezembro de 2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 65/70), do qual o Recorrente teve ciência em 06 de dezembro de 2010 (fl. 73), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 22/24, lavrada em 11 de agosto de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. APURAÇÃO. Na apuração dos rendimentos tributáveis a serem informados na declaração de ajuste anual, descabe proceder à prévia dedução de valores que a norma legal faculta serem considerados, na própria declaração, para fins de quantificação da base de cálculo tributável. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.013484/200880 Acórdão n.º 2101002.454 S2C1T1 Fl. 140 3 AÇÃO TRABALHISTA. JUROS DE MORA RECEBIDOS. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. Inexiste previsão legal que reconheça direito de isenção em relação a juros de mora recebidos em face de ação trabalhista. DESPESAS COM AÇÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Eventuais despesas com ação judicial necessárias ao recebimentos dos rendimentos auferidos, para serem acolhidas, devem vir acompanhadas da respectiva prova. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. PERCENTUAIS. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 65). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 76/83, suscitando, preliminarmente, a nulidade do ato administrativo por falta de motivação, uma vez que não houve omissão de rendimentos e, no mérito,: i) ter informado na sua declaração o total do valor recebido em ação trabalhista; ii) a possibilidade de dedução do IRRF do imposto apurado na declaração de ajuste anual; iii) a isenção tributária dos valores recebidos a título de juros de mora em ação trabalhista; iv) a dedutibilidade dos valores pagos devido à perícia contábil realizada na ação trabalhista; v) a dedutibilidade de 12% sobre os rendimentos tributáveis a título de despesas com previdência privada, e por fim; vi) o descabimento da aplicação da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em face do contribuinte, em virtude de ter sido verificada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, verificada no anocalendário de 2004 Em se tratando de recurso que versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, houve resolução deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de determinar o sobrestamento de seu julgamento, até o trânsito em julgado de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelo art. 62A, §§ 1º e 2º, do RICARF. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Cumpre salientar, todavia, que, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria MF n.º 545, que alterou o Regimento Interno do CARF, revogando os parágrafos primeiro e segundo do supracitado art. 62A, razão pela qual retornam os autos para julgamento. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que a preliminar se confunde com o mérito, motivo pelo qual serão analisados conjuntamente. Na realidade, todas as alegações do contribuinte têm de ser rejeitadas, com exceção daquela relativa aos juros de mora. De fato, conforme constou da decisão da DRJ,. Não obstante, quanto aos juros de mora, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante a previsão constante do art. 62A do seu regimento interno, está obrigado a observar, em suas decisões, as matérias que já foram alvo de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), exatamente como sói ocorrer no caso dos juros de mora, sobre os quais não incide imposto de renda, segundo acórdão de lavra do Ministro Teori Zavascki: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido.” (STJ, Primeira Turma, REsp n.º 1.227.133, Relator Ministro Teori Zavascki, DJe de 19/10/2011) A análise do acórdão proferido pelo STJ em sede de embargos de declaração no bojo do Recurso Especial nº 1.227.133/RS, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, deve ser realizada com cautela. Com efeito, por ocasião do julgamento do recurso especial, a Primeira Turma do STJ, sob relatoria do Ministro Teori Zavascki, houve por bem negarlhe provimento, afirmando a não incidência de imposto de renda sobre juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla, o que motivou a oposição de embargos de declaração pela União. Ato contínuo, é sobre o acórdão relatado pelo Ministro Cesar Asfor Rocha, que recebeu parcialmente os aludidos embargos para tão somente modificar a ementa do julgado, sem, contudo, alterarlhe o resultado, que a análise deve ser empreendida, de maneira a determinar seu real e efetivo alcance. Senão vejamos. O Ministro Relator dos embargos procedeu a acurada análise dos sete votos proferidos no acórdão embargado, tendo havido três vencidos e quatro vencedores, a saber: a) Votos vencidos: a.1) Ministro Teori Zavascki: dada a natureza indenizatória dos juros moratórios, considera que há acréscimo patrimonial ao credor, tipificando o fato imponível do art. 43 do CTN. Afirma a existência no sistema de uma isenção indireta, de modo que deu parcial provimento ao recurso especial por entender que há, no caso concreto, isenção apenas quanto aos juros de mora incidentes sobre o valor do auxílioalimentação e sobre o Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10980.013484/200880 Acórdão n.º 2101002.454 S2C1T1 Fl. 141 5 valor das diferenças de FGTS, tendo em vista que essas parcelas estão contempladas por isenção, nos termos dos artigos 6º, incisos I e V, da Lei n. 7.713/1988, e do art. 39, incisos IV e XX, do Decreto n. 3.000/1999 (RIR/99); a.2) Ministro Herman Benjamin: acompanhou o Ministro Teori; a.3) Ministro Benedito Gonçalves: também acompanhou o Relator; b) Votos vencedores: b.1) Ministro Cesar Asfor Rocha: afastou a incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais, em qualquer hipótese, diante da sua natureza e função indenizatória ampla; b.2) Ministro Humberto Martins: acompanhou o Ministro Cesar Asfor Rocha; b.3) Ministro Mauro Campbell Marques: negou provimento ao recurso especial por fundamentos diversos dos utilizados pelo Ministro Cesar Asfor Rocha. Entendeu que a regra geral é a incidência do IR sobre os juros de mora a teor da legislação até então vigente, mas que o art. 6º, inciso V, da Lei 7.713/88 trouxe regra especial ao estabelecer a isenção do IR sobre as verbas indenizatórias pagas por ocasião da despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Com base nesse referido dispositivo legal, então, reconheceu a isenção, especificamente, no caso em debate; b.4) Ministro Arnaldo Esteves Lima: restringiu a discussão aos juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, adotando fundamentos semelhantes aos do Ministro Mauro Campbell para configurar a aplicação de isenção à situação. Ante o exposto, os quatro votos vencedores podem ser divididos em duas correntes, ou seja, (i) a da não incidência de IR sobre juros moratórios em qualquer hipótese (Ministros Cesar Asfor e Humberto Martins), e (ii) aquela que afirma haver norma isentiva (art. 6º, V, da Lei 7.713/88), limitandose a afastar a incidência do imposto de renda nas hipóteses semelhantes ao caso em debate (Ministros Mauro Campbell e Arnaldo Esteves Lima). A conclusão alcançada pelo Ministro relator do acórdão dos embargos foi, ipsis litteris, esta: “A melhor redação da ementa, portanto, considerando o objeto destes autos, é a seguinte: ‘RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido.’ Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Embargos de declaração acolhidos parcialmente.” [grifos nossos] Desta feita, percebese que os embargos de declaração foram acolhidos única e tãosomente para alterar o texto da ementa do julgado, tendo sido negado provimento ao recurso especial sob fundamentos distintos, mas a restrição do alcance da ementa, dela passando a constar a não incidência de IR sobre juros moratórios decorrentes de verba trabalhista percebida por meio de decisão judicial, foi proposital. Caso contrário, isto é, caso o fundamento adotado fosse mais restrito a ponto de considerar a isenção no contexto de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, os novos embargos manejados pela União teriam sido providos, e não rejeitados, tendo transitado em julgado o acórdão em epígrafe em março do corrente ano. Disso decorre, inexoravelmente, que este CARF está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos termos do art. 62A do Regimento Interno, nos exatos moldes em que proferidas, sem tentar alargarlhes o alcance e/ou conteúdo. Considerando, destarte, que no presente caso é incontestável que as verbas trabalhistas foram recebidas por força de decisão judicial, outra não pode ser a conclusão senão afirmar a não incidência de IR sobre os juros de mora, subsumindose, precisamente, ao julgado representativo da controvérsia do STJ. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto os juros de mora incidentes sobre as verbas trabalhistas. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 13827.000923/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 09 23 /2 00 9- 36 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 220200.434, proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, fls. 71 a 78, que reproduzo a seguir: “ANTONIO BASÍLIO, contribuinte inscrito no CPF/MF (...), inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 33/37, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fl. 41. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP, em 08/09/2009, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/07), com ciência através de AR, em 16/09/2009 (fl. 28), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 6.574,66 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, (...). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2006 onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.792,12, recebidos pelo titular. Omissão de rendimentos decorrentes da decisão da Justiça Federal, referente honorários advocatícios R$12.197,27, recibo PREV AS E SERV S/C LTDA. CNPJ 49.902.711/000140, (empresa não comprovou ter inscrição na OAB/SP, como sociedade de advogados),e IRRF= R$ 1.594,85 deduzido dos rendimentos. (Rendimentos declarados no CNPJ:29.979.036/000140 (INSS) e não da Caixa Econômica Federal. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; e arts. 43 e 45, do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Em sua peça impugnatória de fls. 01/02, apresentada, tempestivamente, em 14/10/2009, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, solicitação de retificação de lançamento acima referida, foi deferida parcialmente, mas na nova notificação foram colocados os itens de omissão de renda dos honorários advocatícios e omissão de fonte pagadora; que, a fonte pagadora já foi corrigida na SRL anterior e os honorários advocatícios da PrevAssessoria e Serviços S/C Ltda., foram colocadas como abatimento de acordo com a legislação do Imposto de Renda, sendo assim as razões para modificar, inclusive anular o lançamento efetuado, conforme o contribuinte tem por lei através da Constituição da República Federativa do Brasil, de 05/10/1988, artigo 5 ° . Inciso LV Principio do Contraditória e Ampla Defesa; que, em questão aos honorários advocatícios referente a PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., a empresa acima fez a Declaração Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 80 3 comprovando os valores recebidos do Sr. Antonio Basílio, bem como consta o CNPJ da empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., que no seu código de atividade econômica consta o código 69.11701 Serviços Advocatícios. Com base na Legislação do Imposto de Renda, no que consta no item 3, conforme documento em anexo, os valores recebidos acumuladamente; que, o rendimento tributável corresponde ao total recebido no mês, inclusive correção monetária e juros, excluídas apenas as despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive com Advogados, quando, pagas pelo contribuinte e não indenizadas. A qual é informada na Relação de Pagamentos e Doações efetuados, constando o nome, número de inscrição no CPF ou no CNPJ do beneficiário e o valor relativo as despesas com ação judicial; que, quanto a omissão da fonte pagadora, neste caso não existe omissão pois houve erro na informação da fonte pagadora, mas corrigido logo em seguida com a Solicitação de Retificação de Lançamento, conforme informe de rendimento em anexo da Caixa Econômica Federal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, a impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972 e suas alterações posteriores. Portanto, dela se toma conhecimento; que o contribuinte informou na declaração de ajuste anual, como recebido do Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ n° 29.979.036/000140, no anocalendário de 2006, o montante de R$ 46.094,21 (fl. 14); que, nesse valor estão incluídos os rendimentos de aposentadoria auferidos de janeiro a dezembro de 2006 (R$ 11.737,76, fl. 32) e a parte do valor pago pela Caixa Econômica Federal, em decorrência de decisão da Justiça Federal, que o contribuinte entendeu ser tributável (R$ 34.356,45); que de acordo com o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte de fl. 06, foi levantado pelo contribuinte, em março de 2006, o valor bruto de R$ 53.161,69, tendo sido retido na fonte o imposto de R$ 1.594,85; que, a fiscalização verificou que o contribuinte deduziu do valor tributável o imposto retido na fonte e ainda o compensou na apuração do saldo do imposto a pagar. Mantevese a compensação, porém, acresceuse o valor indevidamente deduzido do valor tributável; que, o interessado deduziu, ainda, do valor bruto percebido em virtude de ação judicial, o valor de R$ 5.013,12, correspondente a honorários advocatícios pagos à pessoa jurídica Belotto e Falcão Advogados Associados, CNPJ n° 03.418.996/000148, e o valor de R$ 12.197,27, pago à empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., CNPJ n° 49.902.711/000140 (documentos de fls. 08 a 10); que o Fisco acatou a dedução do valor de R$ 5.013,12, a titulo de honorários advocatícios, apurando o valor tributável de R$ 59.886,33 (= R$ 11.737,76 + R$ Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 53.161,69 — R$ 5.013,12) e, consequentemente, a omissão de R$ 13.792,12 (= R$ 59.886,33 — R$ 46.094,21); que, não foi aceita a dedução do valor pago à empresa PREV – ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., em razão da falta de comprovação de sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como sociedade de advogados; que cingese o litígio ao pleito para que seja admitida tal dedução, uma vez que a referida empresa teria por atividade econômica a prestação de serviços advocatícios (código 69117/01); que observase que parte das atividades compreendidas no código "69117/01 Serviços Advocatícios" não é privativa de advogado; que, desse modo, sem a comprovação de que a empresa PREV ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA. é inscrita como sociedade de advogados e de que um de seus sócios atuou na ação judicial como patrono do contribuinte, não pode a importância paga a essa pessoa jurídica ser deduzida do valor tributável, por não restar caracterizada a necessidade despesa para a percepção dos rendimentos. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não pode ser deduzida do valor auferido em decorrência de ação judicial a importância paga a pessoa jurídica, a titulo de honorários advocatícios, sem a comprovação de que a empresa é inscrita como sociedade de advogados e de que um dos sócios atuou em juízo como patrono do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/04/2010, conforme Termo constante à fl. 40, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (29/04/2010), o recurso voluntário de fls. 41, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, sou uma pessoa leiga e não entendo de imposto de renda e nem mesmo o que pode ou não ser descontado, fiz minha declaração pessoa física exercício 2007 ano base 2006 e agora recebi o comunicado da receita federal que não poderia descontar o valor do recibo do advogado porque eu não tinha comprovante; que fiz o pagamento para a empresa: PREV. ASSESSORIA E SERVIÇOS LTDA. com CNPJ:49.902.711/000140 no valor de R$16.710,39 conforme declaração da mesma em anexo; que estou anexando o cartão do CNPJ da empresa onde explica que o ramo da atividade é serviços advocatícios; venho explicar que o valor que recebi referente verbas acumulativas, se fosse pago mensalmente não teria esse imposto; o advogado me informou que não é devido imposto nesse valor. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, tendo a 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2202 00.434, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 81 5 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 71 a 78. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tratase de lançamento em razão da constatação de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, decorrentes de decisão da Justiça Federal, no valor de R$ 13.792,12, recebidos pelo titular. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 8 do processo digital, esse valor corresponde ao somatório das seguintes importâncias: a) R$12.197,27, referente à participação nos honorários, pagos pelo contribuinte à empresa PREV ASSESSORIA E SERVIÇOS S/C LTDA., conforme recibo de fls. 13, e conforme declaração firmada em conjunto com BELOTTO E FALCÃO ADVOGADOS ASSOCIADOS, fls. 14, atestando o pagamento dos “serviços prestados no ajuizamento e desenvolvimento de ação judicial, elaboração de cálculos, consultoria previdenciária e demais serviços indispensáveis para o sucesso da causa, tudo referente ao processo número 1999.61.17.0032604 17ª vara da Justiça Federal de JaúSP”; b) R$ 1.594,85, correspondente ao do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF deduzido dos rendimentos pagos em cumprimento da decisão judicial. O motivo que ensejou a fiscalização a não aceitar o recibo e a declaração acima mencionada residiu no fato de que “empresa não comprovou ter inscrição na OAB/SP, como sociedade de advogados”. Em relação ao assunto, convém que seja examinado o teor do art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001: “Art. 19. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial deve ser retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento no Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1º As importâncias descontadas em folha a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, não estão sujeitas à retenção na fonte, devendo o beneficiário da pensão efetuar o recolhimento mensal (carnêleão), se for o caso. § 2º Para fins da retenção do imposto, fica dispensada a soma dos rendimentos nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial, tais como serviços de engenheiro, médico, contabilista, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. Portanto, ao contrário do que entendeu o julgador de primeira instância a remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial não se restringe apenas a “custas ou honorários periciais, ou relativas a honorários advocatícios”. Nesse sentido, observase do recibo e da declaração emitidos pela empresa citada que ficou atestado que o recebimento do valor de R$12.197,27 aconteceu em virtude dos serviços prestados no curso do processo judicial, dentre os quais destacouse “serviços prestados no ajuizamento e desenvolvimento de ação judicial, elaboração de cálculos, consultoria previdenciária e demais serviços indispensáveis para o sucesso da causa, tudo referente ao processo número 1999.61.17.0032604 17 0 vara da Justiça Federal de JaúSP” Uma vez conformarse à remuneração descrita no incido III, do art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, anteriormente transcrita, deverá ser o valor R$12.197,27 ser excluído da base tributável a titulo de omissão de rendimentos. Conforme mencionado, o contribuinte também deduziu dos rendimentos recebidos em cumprimento à decisão judicial o valor de R$1.594,85, correspondente ao IRRF descontado na liquidação da ação judicial. A esse respeito, contudo, nenhuma contestação específica foi apresentada pelo recorrente, razão pela qual deverá ser mantido o lançamento nesta parte. A título de observação, convém ressaltar que a matéria tratada nos presentes autos não pode ser atribuída a eventual rendimento recebido acumuladamente, diante da falta de indicação expressa dessa característica no corpo da Notificação de Lançamento. Além do mais, o recorrente não contestou a forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente; sequer instruiu os autos com elementos com a discriminação da natureza e dos períodos a que se referem as verbas que compuseram o rendimento bruto recebido, ônus que lhe competiria e de cujo não cumprimento decorre a preclusão. Concluise, pois, que diante situação fática dos autos torna inaplicável o entendimento expresso no Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em exame do recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13827.000923/200936 Acórdão n.º 2802002.871 S2TE02 Fl. 82 7 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributada a título de omissão de rendimentos o valor de R$12.197,27 (doze mil, cento e noventa e sete reais e vinte e sete centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10735.901072/2011-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2006
COFINS. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA.
A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime não-cumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 72 /2 01 1- 04 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação que indica como crédito recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins realizado em 15/03/2006. Foi negada homologação à compensação por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), cuja motivação consiste no texto padronizado que informa que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.2/4) esclarecendo que havia transmitido a Declaração de Compensação sem, no entanto, retificar o DACON e a DCTF, mas que após ter recebido o despacho promoveu a retificação de ambas as declarações, nas quais, então, teria passado a constar o valor correto da base de cálculo e do tributo efetivamente devido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/II (DRJ), por meio do Acórdão nº 1337.992, de 27 de outubro de 2011 (fls. 30/32), concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade por não ter havido a apresentação da prova do direito creditório, resumindo tal entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Data do fato gerador: 15/03/2006 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 35/90) explicando que o direito de indébito decorreu de não ter apropriado os créditos de PIS/Cofins nãocumulativo correspondentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano). Apresenta os valores por meio de tabelas, no corpo do recurso, e junta as cópias do DACON e da DCTF já retificados, bem como apresenta cópias de trechos do livro razão. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901072/201104 Acórdão n.º 3403003.130 S3C4T3 Fl. 99 3 É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 03/01/2012 (fl. 40), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 06/12/2011 (fl. 34). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Tratase de mais um dos cada vez mais numerosos casos de Despacho Decisório Eletrônico – DDE. O DDE nega homologação à compensação motivado no fato de não existir na DCTF diferença de valores entre (a) o montante do tributo declarado como devido e (b) o montante recolhido em DARF. O sistema informatizado, portanto, interpreta o fato de não haver tal diferença, entre o valor do DARF e o valor do tributo declarado na DCTF, como prova de que não existiria indébito, ou seja, que não existe o direito de crédito alegado na DCOMP. Ocorreu que na Manifestação de Inconformidade não foi informada a razão, nem apresentados os documentos necessários para a prova do indébito, o que aconteceu apenas no Recurso Voluntário, quando o contribuinte apresentou planilhas resumindo a apuração da contribuição e cópias de trechos do livro razão. Apenas se poderia acatar as provas produzidas diretamente em Recurso Voluntário se fossem elas cabais e suficientes do indébito. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, faltou a prova circunstanciada do enquadramento dos pagamentos nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Por esta razão – e ressalvado o entendimento pessoal do Relator em sentido contrário , esta Turma vem entendendo por negar provimento ao recurso voluntário. Foi isso, aliás, o que decidiu esta mesma Turma em casos idênticos, do mesmo contribuinte: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado sua declaração anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF/DACON, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF/DACON) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901072/201104 Acórdão n.º 3403003.130 S3C4T3 Fl. 100 5 dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância defronta se com a ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegando à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, nega o direito à compensação. (Acórdão 3403002.354, PA 10735.901057/201158, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j. 23/07/2013) Pelas mesmas razões no presente caso, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10140.722283/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTOS INFORMADOS EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTOS EM ATRASO FEITOS ACUMULADAMENTE EM MESES POSTERIORES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Não tendo a recorrente logrado êxito em produzir a prova de que os pagamentos por ela informados em GFIP e que foram utilizados pela autoridade lançadora na apuração do valor do direito creditório, não incluem outros pagamentos em atraso feitos acumuladamente em meses posteriores, não merece reparo aquilo o que decidido pelo v. acórdão de primeira instância.
ERRO NA APURAÇÃO DOS JUROS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente apurou os juros incidentes no pedido de compensação formulado em desconformidade com a legislação de regência, mister se faz a manutenção das glosas efetuadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões. Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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APURAÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTOS INFORMADOS EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTOS EM ATRASO FEITOS ACUMULADAMENTE EM MESES POSTERIORES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não tendo a recorrente logrado êxito em produzir a prova de que os pagamentos por ela informados em GFIP e que foram utilizados pela autoridade lançadora na apuração do valor do direito creditório, não incluem outros pagamentos em atraso feitos acumuladamente em meses posteriores, não merece reparo aquilo o que decidido pelo v. acórdão de primeira instância. ERRO NA APURAÇÃO DOS JUROS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente apurou os juros incidentes no pedido de compensação formulado em desconformidade com a legislação de regência, mister se faz a manutenção das glosas efetuadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 22 83 /2 01 2- 45 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões. Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 204 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE ALCINOPOLIS em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 51.008.9844, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao GILRAT. Consta do relatório fiscal que o crédito tributário lançado originase da glosa de compensações efetuadas pela contribuinte no período de 07/2009 a 09/2009, com créditos decorrentes do recolhimento de contribuições incidentes sobre o salário de detentores de cargos eletivos (Prefeito, VicePrefeito e Vereadores), declaradas inconstitucionais pelo Eg. Supremo Tribunal Federal, cujo pagamento indevido deuse durante o período de 02/1998 a 02/2004. Apontou o fiscal que as glosas se justificaram na medida em que (i) aplicou em seu cálculo a capitalização dos juros (juros sobre juros), bem como (ii) apresentou apuração de valores das contribuições indevidamente recolhidas sem que tais valores tivessem correspondência com aqueles informados em GFIP e folhas de pagamento do período do pagamento indevido, havendo, portanto erro na apuração do crédito. O contribuinte fora cientificado em 10/10/2012 (fls. 107). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a autoridade lançadora não demonstrou qual seria o erro na apuração dos juros utilizados na atualização do valor creditório e nem qual seria o mandamento legal que caracterizaria o incorreção desse cálculo 2. conforme consta acertadamente no auto de infração, ao valor pago indevidamente somase 1% (um por cento), após somamse as taxas de juros Selic do período e, por fim, mais 1% (um por cento) referente ao mês da compensação, conforme preceitua o art. 89, § 4º da Lei nº 8.212, de 1991; 3. que recorreu ao Banco Central do Brasil para apurar o quantum devido, o que pode ser facilmente comprovado mediante acesso a sítio da referida instituição bem como a realização do cálculo na calculadora do cidadão, ferramenta desenvolvida para realizar cálculos e dirimir qualquer divergência no que se refere à taxa de juros; 4. no que se refere ao erro na apuração dos valores, aduz que efetivamente em alguns meses tal equívoco pode ter ocorrido, sendo que os recolhimentos não efetuados foram realizados em meses posteriores. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5. que a remuneração do prefeito e viceprefeito são uniformes durante todo o prazo de mandato, de modo que , a remuneração tomada pelo senhor auditor em seus valores é bem superiores a efetiva remuneração dos mesmo, se tratando, portanto, da remuneração de meses acumulados e que não foram desta forma observada. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 205 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente ressalto que as alegações de recurso apresentadas pelo contribuinte são exatamente a reprodução daquelas trazidas a lume em sua impugnação. No que se refere as alegações do contribuinte no sentido de que levou a efeito a aplicação de juros em conformidade com a legislação, tenho que não merecem guarida. Na análise do presente processo, verifico que o v. acórdão de primeira instância foi pontual e por demais enfático em demonstrar que a forma de cálculo adotada pela recorrente, de fato, não possuí previsão na legislação de regência. E, em contrapartida, as alegações objeto de recurso voluntário, ao revés de combaterem os argumentos adotados como fundamento de decidir pelo v.acórdão de primeira instância, apenas reproduziu a irresignação da parte que veio a ser totalmente fulminada quando do julgamento de primeira instância. Sobre o assunto, fazse necessário transcrever aquilo o que restou decidido em primeira instância: ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO POR MEIO DA TAXA SELIC Sustenta o sujeito passivo que procedeu de forma correta à atualização de seu valor creditório por meio da utilização da ferramenta “calculadora do cidadão” disponibilizada no sítio do Banco Central do Brasil. Sustenta, ainda, que a autoridade lançadora não demonstrou qual seria o erro na apuração dos juros utilizados na atualização do valor creditório e nem qual seria o mandamento legal que caracterizaria o incorreção desse cálculo. Antes de adentrar no mérito dessa questão, oportuno relembrar a legislação que trata do assunto (citada pela autoridade lançadora no relatório fiscal, fl.14), Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 especificamente a Lei nº 8.212, de 1991 (os grifos a seguir são meus): Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. ... Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). ... § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). ... Lei nº 9.065, de 1995 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial deLiquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Portanto, a sistemática da atualização dos créditos (pagamentos indevidos feitos pelo sujeito passivo) é a mesma utilizada na cobrança de débitos previdenciários vencidos, a qual deve observar o seguinte: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 206 7 · No mês de vencimento do pagamento a ser compensado e no mês da efetivação da compensação (vencimento do débito a ser compensado) incide a taxa de juros de 1% ao mês; · No período compreendido entre o mês seguinte ao do vencimento do pagamento a ser compensado e o mês anterior ao da efetivação da compensação, incidem juros pela taxa Selic acumulada mensalmente. Compulsandose os autos, notase que a autoridade lançadora trabalhou com esmero, juntando ao auto de infração inúmeros relatórios demonstrando a origem de todos os valores que implicaram a apuração dos créditos previdenciários lançados. Dentre esses relatórios, cabe citar o anexo 04 Detalhamento da taxa de juros utilizada na atualização do valor creditório (fl.74), no qual são discriminados todas as taxas mensais da Selic. Nesse mesmo relatório a autoridade lançadora também exemplifica a forma pela qual obteve a taxa de juros acumulada entre a data do pagamento indevido do crédito previdenciário e a data da efetivação da compensação de quatro períodos de apuração (fl.75). Cabe mencionar, porém, que a autoridade lançadora, nos meses 12/2006, 02/2007, 04/2007, 06/2007 a 09/2007, utilizou uma taxa de juros de 1%, valor maior que as taxas de juros Selic correspondente a cada um desses meses (as planilhas de fl. 164 detalham esses valores). Por conseqüência, a Selic acumulada ao final desses meses ficou superior em 0,52% ao que seria devido, implicando, por conseguinte, um valor creditório maior que o devido, o que favoreceu o sujeito passivo. Por essa razão, a autoridade lançadora deverá ser informada acerca desse fato para as providências que julgar necessárias, conforme previsto no §3º do art. 18 do Decreto nº 70.237, de 1972. O sujeito passivo, por sua vez, apenas alega a correção de seus cálculos que teriam sido feitos com a ajuda de uma ferramenta disponibilizada pelo Banco Central do Brasil em seu sítio na internet. A título de exemplo, podemos verificar abaixo o cálculo feito pelo sujeito passivo referente ao mês de janeiro de 1999 (vide planilha de fl.39): O sujeito passivo informa a incidência de uma taxa de juros de 1% sobre o valor original, provavelmente referente ao mês do vencimento do pagamento indevido, obtendo com isso um montante de R$ 482,45. Informa depois um valor corrigido de R$ 2.039,60 sem detalhar a forma pela qual obteve esse montante. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Se porventura o sujeito passivo tomou como base o valor original de R$ 477,67 haveria um montante de juros acumulados de R$ 1.561,93 (R$ 2.039,60 –R$ 477,67) o que implicaria uma taxa de juros Selic acumulada de 326,99%. Por outro lado, se o sujeito passivo tomou como base o valor original acrescido de 1% haveria um montante de juros acumulados de R$ 1.557,15 (R$ 2.039,60 – R$ 482,45) o que implicaria uma taxa de juros Selic acumulada de 322,76%. Vale ressaltar que em ambos os casos, a taxa de juros acumulada seria muito superior ao que seria correto, conforme visto na planilhas abaixo: (VIDE TABELA EVOLUÇÃO HISTÓRIA DA SELIC 0 JULGAMENTO E FLS. 172) Conforme já foi comentado, a autoridade lançadora, nos meses 12/2006, 02/2007, 04/2007, 06/2007 a 09/2007, utilizou a taxa Selic de 1%, motivo pelo qual o resultado apurado no lançamento implicou uma taxa de juros mais favorável ao sujeito passivo (fl.18), conforme é demonstrado abaixo: (VIDE TABELA EVOLUÇÃO HISTÓRIA DA SELIC – UTILIZADA PELA AUTORIDADE LANÇADORA DE FLS. 172) Por fim, oportuno destacar que nos cálculos do sujeito passivo, houve outro erro em razão de ele ter feito incidir a taxa de juros de 1% (referente ao mês em que se deu a compensação) sobre o montante (já atualizado pela taxa de juros de 1% referente ao mês do pagamento a ser compensado e pela taxa Selic acumulada) de R$ 2.039,60 implicando, um total de R$ 2.060,00. Ou seja, incidiu a taxa de juros sobre montante de juros já acrescido ao principal, o que corresponde a técnica de capitalização por juros compostos. Vale lembrar que tanto na exigência o crédito tributário não pago no vencimento quanto na restituição dele incide a taxa de juros Selic acumulada mensalmente na forma de juros simples, ou seja, a cada mês deve incidir a taxa de juros sobre o valor originário do valor a ser pago ou restituído. No CTN há disposição nesse sentido, conforme transcrito abaixo: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. (destaquei) A jurisprudência administrativa é unânime quanto à acumulação mensal da taxa Selic na forma de juros simples: CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. Os consectários legais encontram respaldo em normas regularmente editadas, eficazes Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722283/201245 Acórdão n.º 2402003.941 S2C4T2 Fl. 207 9 e vigorantes, sendo aplicáveis nos casos de falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido. Os juros de mora calculados com base na taxa SELIC são acumulados (= somados) e não capitalizados (=anatocismo) mensalmente, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.065/95. A multa de ofício e os juros de mora são devidos cumulativamente por força do disposto nos art. 161 do CTN e 44 da Lei nº 9.430/96. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. (Acórdão 20309979, 2° Conselho de Contribuinte, 3ª Câmara, j. 22/02/2005, Relator: Maria Cristina Roza da Costa) JUROS DE MORA SELIC Os juros de mora devem ser calculados por simples acumulação com base na taxa SELIC, como juros simples, ou seja, devem ser somados mensalmente, e não capitalizados, sendo vedado o anatocismo, nos termos do artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/1995. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Acórdão 30239134, 3º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, j. 07/11/2007, Relator: Marcelo Ribeiro Nogueira). Com isso, demonstrase que o sujeito passivo não tem razão em suas alegações quanto à sua atualização do valor do crédito a lhe ser restituído, não merecendo reparo o lançamento nesse quesito. Com relação aos pagamentos acumulados de contribuições dos prefeitos e viceprefeitos de forma acumulada nos meses subseqüentes, fato é que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar nos autos tal situação. Conforme se verifica do relatório fiscal, na realização das glosas, foram consideradas as informações de pagamento constantes na própria escrita fiscal da contribuinte, a saber a folha de pagamentos e a própria GFIP. Ora, dessa forma, deveria a recorrente demonstrar de forma cabal a existência de crédito (pagamentos a maior) em seu favor, que superasse os montantes por ela mesmo informados, o que a toda evidência não fora efetuado. O sujeito passivo limitase a alegar que houve meses em que os pagamentos teriam sido feitos de forma acumulada, correspondendo a mais de um período de apuração. Ademais, mister ressaltar, o sujeito passivo fora intimado em sede de ação fiscal a comprovar os valores de pagamentos informados por ele nas planilhas apresentadas, não tendo atendido a intimação fiscal. (fls.30 a 65) e (fls.93 a 95). Oportuno lembrar que cabe ao sujeito passivo o ônus dessa prova (art. 16, IV e §4º do Decreto nº 70.235, de 1972), motivo pelo qual a ele caberia trazer documentos aos autos para provar que os pagamentos informados em GFIP não seriam corretos. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Logo, não vejo como acolher a pretensão recursal. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 28/07/2 014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007512/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir Doniak Junior, que acolhiam a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 75 12 /2 00 8- 50 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Doniak Junior, que acolhiam a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, EVANDO MACIEL DE LIMA, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, cuja ciência se deu em 20/06/2008. O valor do crédito tributário apurado é de R$2.985.063,87, e está assim constituído em Reais: Imposto de Renda Pessoa Física R$1.377.192,10 Juros de Mora (calculados até 30/05/2008) R$ 574.977,70 Multa Proporcional (Passível de Redução) R$ 1.032.894,07 Total do Crédito Tributário R$ 2.985.063,87 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidas nas Instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Demonstrativos integrantes do Auto de Infração. Enquadramentos legais às fls.175, no Auto de Infração. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 22 de julho de 2008 (f1.285), impugnação ao lançamento, às fls.188/1997 mediante as alegações relatadas a seguir: Explica ser produtor rural, tendo como única atividade, a cria, recria e engorda de animais bovinos para comercialização. Após ter sido notificado do início dos procedimentos fiscais, teria se prontificado a atender a todos os pedidos da fiscalização, buscando providenciar os extratos bancários com os bancos envolvidos, sendo surpreendido, enquanto diligenciava, pela autuação baseada, exclusivamente, em depósitos ocorridos em suas contas bancárias. Argumenta que a falta de escrituração em livro caixa, implica arbitramento de lucro à base de 20% a ser aplicado sobre a receita bruta da atividade rural, e que o simples cotejo dos extratos bancários do contribuinte evidencia a atividade desenvolvida, ou seja, a venda de animais a frigoríficos e particulares, além de venda de bens da atividade rural. Sustenta que o fiscal teria incluído nos depósitos tributados, transferências originadas de outras contas do contribuinte, depósitos de cheques posteriormente devolvidos e estornados pelo banco, desbloqueio de depósitos feitos em cheque, etc. Relaciona os valores que acredita não serem tributáveis como depósitos bancários injustificados, sendo que R$389.690,00, seriam decorrentes de estornos de cheques depositados e devolvidos, transferências do próprio contribuinte, TED devolvida e desbloqueios de depósitos feitos em cheque; e R$4.621.635,82, pelo fato de corresponderem a receitas da atividade rural, alienações de terra nua, empréstimos contraídos e outras vendas não discriminadas. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Reitera que toda sua receita advém da atividade rural e pleiteia o direito de ter os rendimentos tributados como provenientes dessa atividade. Alega que as operações que geraram as receitas da atividade rural ficam, efetivamente, comprovadas por meio de notas fiscais, documentos de operações bancárias, escrituras e recibos colacionados ou que se fará juntar oportunamente. Afirma que as dificuldades vividas pela classe produtiva brasileira são notórias, que não teve acréscimos patrimoniais significativos, tendo, inclusive, vários cheques devolvidos por falta de fundos durante o período fiscalizado. Teria sido obrigado a tomar empréstimos com familiares, como João Rabelo Maciel, Eduardo Luis Rabelo e Eugênio Pereira Lima, que são, respectivamente, seu pai, irmão e tio. Acrescenta que não teve tempo suficiente para reunir a documentação comprobatória da atividade rural, que, inadvertidamente, deixou de arquivar. Acredita que deve ser levado em conta o fato de que os valores apenas circulavam e suas contas correntes, dado que as saídas têm a mesma magnitude das entradas, indicando que não teria havido lucros a tributar. Solicita que o prejuízo acumulado até a declaração do exercício de 2004 seja deduzido do valor tributável, como proveniente da atividade rural, do exercício 2005, e pede a juntada posterior de documentos que se fizerem necessários. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para Os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte A autoridade recorrida entendeu por bem afastar parte do lançamento: Foram excluídos depósitos referentes a cheques devolvidos nos montantes de R$10.000,00, R$10.000,00 e R$10.000,00, em 12/01/04; R$10.000,00, em 15/01/04; R$25.000,00, em 05/03/04; R$50.000,00, em 09/03/04, R$5.000,00 e R$51.000,00, em 10/03/04 e R$50.000,00, em 18/05/04, totalizando R$221.000,00 a serem estornados. Foram excluídas também transferências efetuadas pelo próprio interessado a partir de outras contas. A transferência de R$5.000,00, em11/08/04, será excluída de tributação, uma vez que há uma TED da conta do interessado no HSBC, no mesmo dia e valor (fl.72). Também foi excluído o montante de R$5.000,00, em 17/08/04, referente a uma TED enviada pelo interessado e devolvida em sua conta corrente. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 4 5 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Do valor que foi mantido, há que se deduzir da base de cálculo o valor concernente à Venda de Fazenda Santa Maria, realizada de porteira fechada, aos Sr.VANILDO JOÃO PEDRINI, CPF 673.031.88991 e NORIVAL COMANDOLLI, CPF 019.398.31920, sendo que o negócio foi realizado pelo valor de R$ 1.696.000,00, no entanto, parte desse montante, no valor de R$ 446.000,00 foi destinado ao pagamento dos animais, conforme demonstrado na impugnação, restando dedutível da base de cálculo o valor de R$ 1.250.000,00, referente à venda do imóvel rural denominado Fazenda Santa Maria. Apesar de o negócio ter sido realizado em 2003, a maior parte do pagamento foi realizada em 2004. Do valor há que se deduzir também o valor relativo à venda da Fazenda Felicidade ao Sr. Percival Santos Muniz, CPF 203.770.61115, eis que ainda que não tenha respondido à intimação feita pela Receita Federal, motivo que deu azo à negativa por parte do Julgador Singular, a cópia da escritura de compra e venda que novamente se colaciona, é prova cabal do negócio realizado, devendo ser deduzido o valor de R$ 900.000,00 da base de cálculo que incidirá o imposto. De igual modo, há que se deduzir também o valor de R$ 39.900,00 referente Venda de um trator de esteiras Fiat, Modelo AD 7, ano 1986 para o Senhor EDMAR CARLOS CHAGAS, CPF 433.978.08120, que visando suprir a falta de resposta à intimação feita pela fiscalização, o Recorrente o procurou pessoalmente, de quem obteve a declaração colacionada, confirmando o negócio, motivo pelo qual há que ser deduzido da base de cálculo. No que diz respeito aos empréstimos contraídos com familiares, como anteriormente anotado, tratase de empréstimos emergenciais, cedidos de um a outro, sem maiores formalidades. Visando comprovar efetivamente a ocorrência desses episódios, o Recorrente colaciona declarações firmadas por estes, devendo tais valores serem subtraídos da base de cálculo de seu imposto haja vista não constituíram renda do Recorrente. Quanto às receitas originárias da venda de gado para o Frigorífico FRIGOVILA Ltda, CNPJ 05.436.419/000104 no valor R$ 1.282.642,11 e Frigorífico FRIBOI, CNPJ 02.916.265/000160, estas, adicionadas à venda das benfeitorias dos imóveis acima citados, sim, constituem na base de cálculo do imposto a ser apurado para o contribuinte, tributandoo como produtor da atividade agropecuária. O valor total dos depósitos e transferências ocorridas no ano de 2004 foi de R$ 1.282.642,11 (um milhão, duzentos e oitenta e dois mil, seiscentos e quarenta e dois reais e onze centavos), destinados ao pagamento de animais bovinos adquiridos pelo Frigorífico supra mencionado junto ao Recorrente, constituindose parte de sua receita bruta. Reitera o pedido de que seja arbitrado a base de cálculo em 20% É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. As Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova. Do Mérito O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o Fl. 393DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 6 9 titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação: Desse modo, não basta que se esclareça quem efetuou o depósito, caso não fique clara a origem dos recursos, não são considerados como justificados sequer depósitos efetuado pelo próprio contribuinte. O simples fato de depósitos terem sido efetuados por frigoríficos ou pessoas que exercem atividade rural, não comprovam a atividade rural, mesmo porque, a título exemplificativo, o contribuinte pode ser um mero comerciante de gado, comprando e vendendo os animais. Pode, ainda, intermediar compra e venda de gado de terceiros, ganhando comissão. Nenhuma dessas operações caracteriza atividade rural e deve ser tributada na forma de legislação específica (ganho de capital no primeiro caso e tabela progressiva para as comissões no segundo). Assim, se o contribuinte quer ser tributado como produtor rural, que tem tributação menos onerosa, deve comprovar, por meio de notas fiscais, declarações das empresas, livro caixa, etc., que é, efetivamente, produtor rural, e que os depósitos efetuados na conta são advindos dessa atividade. Pelos mesmos motivos, não há como atender o pleito da defesa no sentido de aceitar os prejuízos acumulados, apurados na atividade rural, Reduzir o montante tributável. Apesar de afirmar, na defesa, que as operações que geraram as receitas da atividade rural ficam, efetivamente, comprovadas por meio de notas fiscais, documentos de operações bancárias, escrituras e recibos colacionados ou que se fará juntar oportunamente, até o momento não foram apresentados quaisquer documentos adicionais para comprovar as alegações. Assim, não há como atender o pedido de que os rendimentos sejam tributados como provenientes da atividade rural. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade de rural, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósitos individualizadamente. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 394DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com o recurso o recorrente traz novos argumento, principalmente de que parte dos depósitos seriam da venda de fazendas. Entendo que inobstante os argumentos não há ainda elemento probante consistente, persiste a dúvida sobre a efetiva origem dos depósitos. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 395DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.007512/200850 Acórdão n.º 2202002.672 S2C2T2 Fl. 7 11 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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