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4686508 #
Numero do processo: 10925.001199/97-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Ementa: ITR - NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. A Notificação de Lançamento sem o nome do Órgão que a expediu, identificação do Chefe desse Órgão ou de outro Servidor autorizado, indicação do cargo correspondente ou função e também o número da matrícula funcional ou qualquer outro requisito exigido pelo artigo 11, do Decreto nº 70.235/72, é nula por vício formal.
Numero da decisão: 301-30.404
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da Notificação de Lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO

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ementa_s : ITR - NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. A Notificação de Lançamento sem o nome do Órgão que a expediu, identificação do Chefe desse Órgão ou de outro Servidor autorizado, indicação do cargo correspondente ou função e também o número da matrícula funcional ou qualquer outro requisito exigido pelo artigo 11, do Decreto nº 70.235/72, é nula por vício formal.

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NULIDADE. A Notificação de Lançamento sem o nome do Órgão que a expediu, identificação do Chefe desse órgão ou de outro Servidor autorizado, indicação do cargo correspondente ou função e também o número da matricula funcional ou qualquer outro requisito exigido pelo artigo 11, do Derreto n° 70.235/72, é nula por vicio formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da Notificação de Lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 17 de outubro de 2002 MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente • 1,1*TrrsMal:1). C 111:` 'dere: • ILHO 1 1 DEZ.2.002. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES, JOSÉ LENCE CARLUCI, LISA MARIN' VIEIRA FERREIRA (Suplente) e MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR (Suplente). Ausentes os Conselheiros ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, FRANCISCO JOSÉ PINTO DE BARROS e MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ. tate MINISTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.422 ACÓRDÃO N° : 301-30.404 RECORRENTE : NELSI THEREZINHA RÜDIGER RECORRIDA : DREFLORIANÓPOLIS/SP RELATOR(A) : CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO RELATÓRIO O interessado contesta tempestivamente o lançamento do ITR196, sobre e imóvel rural de sua propriedade localizado no Município de São Félix do Xingu-PA por entender que os valores que serviram de base de cálculo estão • incorretos gerando quantia superestimada na notificação (fls.). A Autoridade Monocrática recebe a impugnação que, à vista dos elementos que compõem os autos, verificou-se a improcedência da solicitação, afirmando que o lançamento foi efetuado com base nos elementos declarados considerando o VTNm do município. Desta forma, por considerar que o processo está revestido das formalidades legais e que os lançamentos foram de acordo com a legislação pertinente à matéria, não acata a Impugnação do Contribuinte. O Interessado recorre tempestivamente a este Egrégio Conselho de Contribuintes, não concordando com o valor a ser pago e solicitando que seja acatado o seu pedido de impugnação. Pede, o Recorrente, que se proceda à alteração do lançamento do ITR referente ao exercício de 1996 acatando como base de cálculo do tributo o Valor da Terra Nua oferecido pelo Contribuinte no Laudo Técnico apresentado. • É o relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.422 ACÓRDÃO N° : 301-30.404 VOTO O VINm pode ser revisto pela Autoridade Administrativa quando questionado pelo Contribuinte, mediante apresentação de Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel emitido por autoridade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, elaborado nos moldes da NBR 8.799 da ABNT e acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA da região e subordinado às normas prescritas na NBR supramencionada, sendo o mencionado documento, prova hábil para suscitar a revisão do VTN utilizado no • lançamento do ITR. Entretanto, o Laudo Técnico apresentado pelo Interessado não foi elaborado dentro das normas exigidas pela mencionada ABNT, não demonstrando métodos e níveis de avaliação, não anexando fontes de pesquisa utilizadas, nem documentos essenciais tais como: plantas, documentação fotográfica, publicação em jornais e outros. A falta destes é suficiente para, a princípio, negar provimento ao recurso. Entretanto, mister se faz observar o aspecto que envolve a nulidade da "Notificação de Lançamento" segundo preconiza o art. 11, do Decreto n° 70.235/72. O documento em questão não contém os requisites exigidos pelo referido dispositivo legal, tais como: o nome do Órgão que o expediu, identificação do Chefe desse Órgão, ou de outro Servidor Autorizado, e em consequência não • contém a identificação do correspondente cargo ou função e também o número da matricula funcional, tomando-o nulo por vicio formal. Assim sendo, reconhecendo a nulidade da "Notificação de Lançamento", voto pela nulidade do presente processo. E como voto. Sala das Sessões, em - ; . • • de 2002 0~11~ C • •s.::---=-1 '4 • • ILHO - Relator 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°: 10925.001199/97-11 Recurso n°: 124.422 O TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n°: 301-30.404. Brasília-DF, 02 de dezembro de 2002. Atenciosamente, o • oacyr Eloy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara Cient m: I I - / ,,,, ft 1 Esootâilag Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1

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Numero do processo: 16327.903462/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. DOCUMENTOS JUNTADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. VERDADE MATERIAL. ACEITABILIDADE DESDE QUE CUMPRAM O ÔNUS DA PROVA. A DRJ não reconheceu o direito creditório, após análise percuciente dos documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade, porque eles não demonstraram o fluxo de liquidação dos contratos de ‘swap’, onde deveriam estabelecer uma relação entre os contratos de swap e os valores excluídos da base de cálculo; que o fluxo “de caixa” (liquidação dos contratos) dos títulos de swap seja contraposto ao fluxo do regime de competência dos mesmos títulos, provando que no mês de abril/2005 a alternância entre a “Receita de SWAP” e a “Receita de SWAP – Liquidados” provocou a redução na base de cálculo de Cofins, nos termos como informado no Dacon retificador. Os documentos que acompanharam a peça recursiva não acodem as exigências para suprir a demonstração de redução na base de cálculo de COFINS, razão pela qual há imperioso reconhecimento de sua imprestabilidade para o que se deseja comprovar.
Numero da decisão: 3102-003.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).

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INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. DOCUMENTOS JUNTADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. VERDADE MATERIAL. ACEITABILIDADE DESDE QUE CUMPRAM O ÔNUS DA PROVA. A DRJ não reconheceu o direito creditório, após análise percuciente dos documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade, porque eles não demonstraram o fluxo de liquidação dos contratos de ‘swap’, onde deveriam estabelecer uma relação entre os contratos de swap e os valores excluídos da base de cálculo; que o fluxo “de caixa” (liquidação dos contratos) dos títulos de swap seja contraposto ao fluxo do regime de competência dos mesmos títulos, provando que no mês de abril/2005 a alternância entre a “Receita de SWAP” e a “Receita de SWAP – Liquidados” provocou a redução na base de cálculo de Cofins, nos termos como informado no Dacon retificador. Os documentos que acompanharam a peça recursiva não acodem as exigências para suprir a demonstração de redução na base de cálculo de COFINS, razão pela qual há imperioso reconhecimento de sua imprestabilidade para o que se deseja comprovar. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.457 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.903462/2010-18 2 Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatado adoto o Relatório elaborado pela DRJ de origem, eis que objetivo, suscinto e esclarecedor, até seu julgamento, onde nos informa: Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 880569104) emitido pela Deinf São Paulo, datado de 06/09/2010, que não homologou as compensações declaradas na Dcomp nº 06649.34574.120406.1.3.04-0600. O crédito informado na Dcomp tem como origem o pagamento de Cofins (código 7987) de R$ 1.278.646,44, efetuado em 13/05/2005, do período de apuração encerrado em 30/04/2005. Nas Informações Complementares da Análise de Crédito, consta a fundamentação do indeferimento do crédito pleiteado e, consequentemente, da não homologação das compensações, que aqui se copia: Cientificada do indeferimento do pleito em 16/09/2010, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, em 18/10/2010, argumentando que a não homologação da compensação ocorreu devido à suposta não comprovação contábil da alteração da base de cálculo da Cofins. Alega que, nos termos do art. 32 da Lei nº 11.051, de 2005, e art. 1º da IN SRF nº 575, de 2005, passou a tributar os seus resultados positivos e negativos auferidos em operações realizadas em mercado de liquidação futura pelo ‘regime de caixa’, acarretando o recálculo do tributo e, consequentemente, o crédito pretendido. Relata que a apuração com Fl. 476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.457 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.903462/2010-18 3 base nos citados dispositivos, em relação à Cofins, foi iniciada em 1º de abril de 2005 e que, por isso, apurou base de cálculo negativa de R$ 1.049.186,31, mas que houve o recolhimento indevido do tributo no valor de R$ 1.278.646,44. Informa que apresentou Dacon retificador contemplando a alteração no critério de apuração, nos termos da IN nº 575/2005. Ressalta que todos os valores alterados estão embasados em documentos contábeis que relaciona. Narra que, no recálculo do tributo, “foi efetuado o reconhecimento da receita (conta devedora nº 7261.020.000.000-7 “Swap – Itaú Liquidados”) no valor de (-) 34.256.451,98, resultado líquido negativo deduzido da Base de Cálculo da Cofins de (-) 33.659.919,76, conta nº 7.15.80.11-9/0401 “Receita de Swap”, conforme consta do relatório de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins (doc. 07)”. Complementa que “ocorreu também um reconhecimento de Despesa (conta – credora - nº 8.1.5.50.11-5 - “Despesas Swap”) no valor liquido computado na base de cálculo de R$ 848.405,61. O efeito contábil desses lançamentos, somadas às exclusões indicadas na planilha acima, resultou na base de cálculo negativa para Cofins de (-) R$ 1.049.186,31, desta forma, o valor de R$ 1.278.646,44, recolhido pela Manifestante referente à Cofins do mês de abril de 2005, resulta em pagamento indevido, não havendo óbice para a compensação desses valores”. Informa que o crédito tributário ora discutido “compõe o seu ativo circulante, conta COSIF nº 1.8.8.45.00.6 – “imposto e contribuições a compensar”, consoante se infere da anexa folha do Razão Contábil respectivo (fl. 13), o que denota a inconteste presença dos elementos autorizadores do expediente creditório”. Ao final, solicita o acatamento de suas razões, o cancelamento da cobrança noticiada e o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado. Encaminhado para julgamento, o processo foi devolvido, em diligência, em 22/04/2015, para que a DRF de origem examinasse a documentação contábil apresentada em sede de manifestação de inconformidade para fins de apuração do direito creditório porventura existente. Em 29/10/2020, o processo retornou à DRJ de Curitiba. No relatório de Diligência Fiscal ficou consignado que “as provas juntadas aos autos não são suficientes para demonstrar que no mês de abril/2005 a alternância entre a ‘Receita de SWAP (regime de competência)’ e a ‘Receita de SWAP – Liquidados’ (regime de caixa) tenha provocado diminuição na base de cálculo de Cofins”. Devidamente cientificada, a Manifestante apresentou tempestivamente razões adicionais de inconformidade, com vistas a demonstrar a procedência do crédito pleiteado e que, como consequência, as compensações declaradas deveriam ser totalmente homologadas. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.457 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.903462/2010-18 4 Em sessão realizada no dia 29 de março de 2021 foi exarado o Acórdão sob nº 109- 005.193 pela 3ª Turma da DRJ/09, onde, por unanimidade de votos julgou improcedentes a manifestação de inconformidade. Por meio do TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM a Recorrente teve ciência do acórdão supra por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada por seu procurador 266.975.128-81 - EVA XAVIER, na data de 08/04/2021, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. No dia 07 de maio de 2021 aviou o presente remédio recursivo, com suas razões. Eis, em síntese o relato dos fatos. Passo ao voto. VOTO Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 3. Direito Em sua peça recursiva alega que a decisão anatematizada não reconheceu o seu pedido de compensação transmitido através do PER/DCOMP n.º 06649.34574.120406.1.3.04- 06002, oriundo de crédito de COFINS do período de abril/2005, com débito de COFINS de março/2006, no valor original de R$ 249.718,57, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Diz que no DACON original, perfaziam o montante de R$ 33.311.537,49 e na retificadora foram reduzidas para (R$ 54.382,27), ou seja, houve uma redução de R$ 33.365.919,76, que ocasionou a alteração na base de cálculo e zerou a COFINS a pagar no mês. Aduz que seu direito assenta no artigo 32, da Lei nº 11.051/05 e artigo 1º da IN 575/05, onde, a partir da publicação da Lei e da Instrução Normativa, a Recorrente passou tributar os seus resultados positivos e negativos auferidos e incorridos em operações realizadas em Fl. 478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.457 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.903462/2010-18 5 mercado de liquidação futura, pelo “regime de caixa”, ressaltando que, com relação a COFINS esta forma de apuração teria início em 1º de abril de 2005. Que, ao recalcular a COFINS a partir de abril de 2005, apurou base de cálculo negativa para este período, no valor de R$ 1.049.186,31, porém, já havia efetuado o recolhimento de DARF a este título, no importe de R$ 1.278.646,44 Desta feita, conforme orientado pela IN 575/2005, para a apuração da base de cálculo negativa da COFINS, foi efetuado o recálculo abaixo Diante dos novos cálculos, prossegue, a Recorrente apresentou DACON retificadora, completando o valor da base de cálculo negativa no importe de R$ 1.049.186,31, onde todos os valores apontados na planilha têm comprovação contábil suficiente para demonstrar seu crédito, sendo eles: - Balancete Completo do mês de abril de 2005 (doc.06 da Manifestação de Inconformidade); Fl. 479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.457 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.903462/2010-18 6 - Relatório de apuração da Base de Cálculo do PIS/PASEP e COFINS (IN 247/02), mês de abril de 2005 (doc.07 da Manifestação de Inconformidade); - Demonstração do Resultado Analítico com Gerencial do Exercício de 2005 (doc.08 da Manifestação de Inconformidade); - Demonstração do Resultado Analítico das Contas 7.15.80.11-9 “Receita de Swap” e 8.15.50.11-5 “Despesas de Swap” (doc.09 de Manifestação de Inconformidade); - Relatório Controle Reprocessamento do ano de 2005 (doc.10 da Manifestação de Inconformidade); - Razão de Lançamento do período de 01/04/05 a 30/04/05 (doc. 11 da Manifestação de Inconformidade). Argumenta ainda: 13. Da análise de toda a documentação contábil acima listada, conclui-se que, a Recorrente, ao efetuar o recálculo do imposto ora analisado, ocorrido pelo “regime de caixa”, reconheceu a receita (conta Devedora nº 7261.020.000.000-7 “Swap- Itaú Liquidados”) no valor de (-) 34.256.451,98, resultado líquido negativo deduzido da Base de Cálculo da COFINS de (-) 33.365.919,76, conta nº 7.15.80.11- 9/0401 “Receita de Swap”, conforme consta do Relatório de apuração da Base de Cálculo do PIS/PASEP e COFINS (doc.07 da Manifestação de Inconformidade). 14. No mais, deve ser ressaltado ainda que, conforme determinado pelo Presidente da 3ª Turma de Julgamento DRJ/Curitiba, na sessão de julgamento realizada em 22 de abril de 2015 (fls. 125 do e-processo), o “Relatório de Diligência – Informação Fiscal”, de fls. 263 a 279 do e-processo, realizou a análise do PERDCOMP de nº 06649.34574.120406.1.3.04-06003 oriundo de crédito de COFINS do período de abril/2005, com débito de COFINS de março/2006, no valor original de R$ 249.718,57, quanto a alteração na base de cálculo da contribuição. 15. Após análise dos esclarecimentos e documentos acostados pelo Recorrente, a conclusão final da diligência foi proferida nos seguintes termos: “as provas juntadas aos autos não são suficientes para demonstrar que no mês de abril/2005 a alternância entre a “Receita de SWAP (regime de competência)“ e a “Receita de SWAP – Liquidados“ (regime de caixa) tenha provocado diminuição na base de cálculo de Cofins.”, e nele, equivocadamente, com o devido respeito e acatamento, a DRJ se baseou para julgamento do crédito pleiteado, todavia, tais assertivas não merecem prosperar, na medida em que não foram analisados os esclarecimentos trazidos pela Recorrente na Manifestação ao referido Relatório, senão vejamos. 16. Repisa-se, a BFB Leasing S.A4 passou a tributar seus resultados positivos e negativos auferidos em operações realizadas em mercado de liquidação futura, pelo ‘regime de caixa’, nos termos dispostos no artigo 32 da Lei 11.051/04, a partir de 1º de abril de 2005. Fl. 480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.457 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.903462/2010-18 7 17. Assim, no final do exercício, apurou Base de Cálculo Negativa de (R$ 1.049.186,31), no entanto, já havia efetuado o recolhimento de R$ 1.278.646,44 para o período de abril/2005, o qual foi considerado pagamento indevido a maior. 18. Importante esclarecer que desse recolhimento, via DARF, parte do valor foi utilizado para compensar o débito de COFINS do período de março/2006, transmitido na DCOMP nº 06649.34574.120408.1.3.04-0600, ora analisado. 19. Ainda, em que pese o acórdão recorrido afirmar que os documentos apresentados não têm o condão de provar as alegações da Recorrente, cabe destacar a este E. CARF que na resposta ao Relatório de Diligência, foram encaminhados o razão das contas do ativo e resultado, onde é possível identificar os contratos liquidados em 01.04.2005. 20. Nesse passo, quanto a comprovação do fluxo de liquidação dos contratos de “swap” abordado no acórdão ora analisado, necessário se faz repisar os esclarecimentos prestados quanto as contas COSIF, uma vez que neles resta nítido a liquidação dos contratos: (...) 37.Por fim, para demonstrar o fluxo de liquidação dos contratos de “swap”, por meio de suas contas patrimoniais que espelham transferência de moeda/crédito, o Recorrente acostou aos autos o razão das contas do ativo que demonstram o reconhecimento no caixa (COSIF: 1.1.2.80.00-8 Banco Privados) e da liquidação dos contratos em abril/2005 (COSIF: 1.3.3.15.10-8 Diferencial a Receber) (doc.02 da Manifestação da Diligência). 38. Ocorreu também um reconhecimento da Despesa (conta – Credora – nº 8.1.5.50.11-5 - “Despesas SWAP”) no valor líquido computado na base de cálculo de R$ 848.405,61. O efeito contábil desses lançamentos, somadas as exclusões indicadas, resultou na base de cálculo negativa para COFINS de (-) R$ 1.049.186,31, desta forma, o valor de R$ 1.278.646,44, recolhido pelo Recorrente referente à COFINS do mês de abril de 2005, resulta em pagamento indevido, não havendo óbice para a compensação desses valores. 39. Portanto, o procedimento adotado resultou em crédito suficiente para efetivação da compensação realizada por meio do PERDCOMP nº 06649.34574.120406.1.3.04-0600, importando assim na reforma do acórdão recorrido. 40. Assim, dado que a autoridade Fiscal após as intimações e esclarecimentos prestados pela Recorrente concluiu que não foram comprovados os lançamentos que originaram o crédito pleiteado e o fluxo de liquidação dos contratos de “swap”, o presente recurso é interposto como forma de esclarecer os fatos e comprovar o quanto alegado. Diz que, com os esclarecimentos e novos documentos juntados com o presente remédio recursivo, apto está pedido de compensação transmitido através do PER/DCOMP n.º Fl. 481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.457 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.903462/2010-18 8 06649.34574.120406.1.3.04-06002, oriundo de crédito de COFINS do período de abril/2005, com débito de COFINS de março/2006, no valor original de R$ 249.718,57. Não tem razão a Recorrente. Eis que os documentos juntados (fls. 408 – 420) com o presente remédio recursivo não têm a fidedignidade necessária para comprovar o pleito, mormente porque é um documento elaborado pela própria Recorrente e, ainda que fossem aceitados não têm o condão suficiente para demonstrar tal direito, uma vez que o direito só seria provido se, como concluiu a DRJ, necessariamente a Recorrente demonstrasse o fluxo de liquidação dos contratos de swap; que estabeleça uma relação entre os contratos de swap e os valores excluídos da base de cálculo; que o fluxo “de caixa” (liquidação dos contratos) dos títulos de swap seja contraposto ao fluxo do regime de competência dos mesmos títulos, provando que no mês de abril/2005 a alternância entre a “Receita de SWAP” e a “Receita de SWAP – Liquidados” provocou a redução na base de cálculo de Cofins, nos termos como informado no Dacon retificador. Conclusão Diante do exposto, conheço do remédio recursivo e nego-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 482DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4686509 #
Numero do processo: 10925.001199/97-11
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROCESSUAL. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto nº 70.235/72. Nulidade que se declara inclusive de ofício (Ex.vi Ato Declaratório COSIT n° 002, de 03/02/1999 e IN SRF n° 094, de 24/12/1997). Precedentes da Terceira Turma e do Conselho Pleno, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/03-04.110
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda que deu provimento ao recurso.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES

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LANÇAMENTO. VICIO FORMAL. NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto n° 70.235/72. Nulidade que se declara inclusive de ofício (Ex.vi Ato Declaratório COSIT n° 002, de 03/02/1999 e IN SRF n° 094, de 24/12/1997). Precedentes da Terceira Turma e do Conselho Pleno, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda que deu provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE PAULO RO: - CUCCO ANTUNES RELATO - FORMALIZADO EM: 17 NOV 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, JOÃO HOLANDA COSTA, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. ecmh Processo n° :10925.0001199/97-11 Acórdão n° : CSRF/03-04.110 Recurso n° : 301-124422 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : NELSI THERIZINHA RÜDIGER RELATÓRIO A Colenda Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, em sessão realizada no dia 17/10/2002, decidiu pela nulidade do lançamento que se discute no presente processo, conforme Acórdão n° 301-30.404, cuja Ementa sintetiza: "ITR — NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO — NULIDADE. A Notificação de Lançamento sem o nome do órgão que a expediu, identificação do Chefe desse Órgão ou de outro Servidor autorizado, indicação do cargo correspondente ou função e também o número da matrícula funcional ou qualquer outro requisito exigido pelo artigo 11, do Decreto n° 70.235/72, é nula por vício formar A Fazenda Nacional, por sua D. Procuradoria, contrapondo-se a tal Decisão apresentou Recurso Especial, com fulcro no art. 5°, inciso II, do Regimento Interno desta Câmara Superior de Recurso Fiscais (Recurso de Divergência), trazendo como paradigma cópia do inteiro teor do Acórdão n° 302-34.831, da C. Segunda Câmara do mesmo Conselho, cuja Ementa diz o seguinte: "O Auto de Infração ou a Notificação de Lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é instrumento hábil para exigência de crédito tributário (CTN e Processo Administrativo Fiscal assim o estabelecem) e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação de regência. É um instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a argüição de nulidade, prevista no art. 59, do Decreto 70.235/72. REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO? Às fls. 102 encontra-se Despacho lavrado pelo Sr. Presidente da C. Câmara recorrida, que atesta a presença dos pressupostos de admissibilidade do 2 4/11?i" Processo n° :10925.0001199/97-11 Acórdão n° : CSRF/03-04.110 Recurso, ou seja, tanto no que diz respeito à observância do prazo quanto à comprovação da jurisprudência conflitante. Regularmente cientificado (fls. 106/207) o Contribuinte não apresentou contra-razões ao Recurso Especial interposto. Subiram os autos a esta instância, tendo sido distribuídos a este Relator, por sorteio, em sessão realizada no dia 15/03/2004, conforme noticia o documento de fls. 112, último do processo. É o Relatório./p 0, of 3 . Processo n° :10925.0001199/97-11 Acórdão n° : CSRF/03-04.110 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, Relator Inicialmente, endosso as informações prestadas nos autos, no que diz respeito à tempestividade do Recurso Especial e à comprovação da divergência jurisprudencial, atendendo às exigências regimentais de admissibilidade. O Recurso deve ser conhecido. Quanto ao mérito, que se resume à preliminar de nulidade acolhida pela C. Câmara °a quon, trata-se de matéria já por demais conhecida nesta Terceira Turma, não se tomando necessárias - entende este Relator - grandes delongas a respeito do assunto. Como já visto em outros julgados, também neste caso o lançamento do crédito tributário que aqui se discute, constituído pela Notificação de Lançamento de fls. 06, está inquinado pela nulidade, uma vez que a referida Notificação foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome e/ou número de matrícula do chefe do órgão expedidor, tampouco de outro servidor autorizado a emitir tal documento. Com efeito, o Decreto n° 70.237/72, com suas posteriores alterações, dispõe: 'Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV — a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou e).9,função e o número de matricula. 10 4 . Processo n° :10925.0001199/97-11 Acórdão n° : CSRF/03-04.110 Parágrafo único — Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." Percebe-se, portanto, que embora o parágrafo único do mencionado dispositivo legal dispense a assinatura da notificação de lançamento, quando emitida por processo eletrônico, é certo que não dispensa a identificação do chefe do órgão ou do servidor autorizado, nem a indicação de seu cargo ou função e o número da respectiva matrícula. Desta forma, o lançamento tributário cuja notificação que o constituiu não guardar observância ao disposto no mencionado art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 é nulo de pleno direito, devendo assim ser declarado, inclusive de ofício, pela autoridade competente ou pelo julgador administrativo, conforme o caso. Sobre tal matéria já tive oportunidade de extemar meu entendimento em diversos outros julgados, como se pode observar de recentes decisões desta Terceira Turma. É copiosa a jurisprudência deste Colegiado em relação ao assunto, podendo-se citar, apenas como exemplos, os Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. Igualmente decidiu o PLENO desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão inédita realizada no dia 11/12/2001, quando em julgamento do Recurso RD/102-0.804 (PLENO), proferiu o Acórdão n° CSRF/PLEN0-00.002, assim ementado: "IRPF — NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO — AUSÊNCIA DE REQUISITOS — NULIDADE — VICIO FORMAL — A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do 1 ato. Lançamento anulado por vício formal." O i Ide 5 7 Processo n° : 10925.0001199/97-11 Acórdão n° : CSRF/03-04.110 Para finalizar, é certo que o entendimento acima se coaduna com ai determinações da própria Administração, como se depreende do Ato Declaratório COSIT n° 002, de 03/02/1999 e da IN SRF n°094, de 24/1211997. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, não merecendo reparos o Acórdão recorrido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial aqui em exame. Sala das Sessões-DF, em 06 de julho de 2004. -~spener- -111" PAULO R': CUCCO ANTUNES Relator 6 Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10813.720306/2011-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 14/08/2007 a 29/04/2011 DIREITO TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO. DESEMBARAÇO DE MERCADORIAS. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. REVISÃO ADUANEIRA. CRITÉRIO JURÍDICO. O desembaraço aduaneiro não se confunde com o lançamento tributário definitivo, tampouco implica a homologação do lançamento efetuado pelo importador. A homologação expressa dos tributos aduaneiros se concretiza com a Revisão Aduaneira, sendo tácita na ausência desta dentro do prazo decadencial. Independentemente do canal de conferência atribuído à declaração de importação, o resultado da revisão aduaneira subsequente não constitui mudança de critério jurídico por parte da autoridade administrativa. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 14/08/2007 a 29/04/2011 EQUIPAMENTO PARA VIDEOCONFERÊNCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Equipamento de videoconferência, cuja função principal é prover a interação remota entre pessoas em diferentes locais, pela transmissão e recepção de imagens, sons e outros dados, utilizando-se de protocolo IP (internet protocol), classifica-se no código da NCM 8517.62.59. Dispositivos Legais: RGI-1, Nota 4 da Seção XVI, RGI-6 e RGC-1, e subsídios extraídos das Nesh. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de pagamento de tributos na importação, em decorrência de erro de classificação fiscal da mercadoria, enseja o lançamento das diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REVOGAÇÃO. LC 227/2026. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. Operada a revogação do dispositivo que tipificava a infração (art. 84 da MP 2.158-35/01) e tratando-se de processo administrativo pendente de julgamento definitivo, aplica-se o princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, a, CTN), resultando na exclusão da penalidade por perda de fundamento legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 14/08/2007 a 29/04/2011 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTAS. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. OMISSÃO DE RECOLHIMENTO TRIBUTÁRIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE BIS IN IDEM. Não há bis in idem na aplicação de multas que punem fatos geradores distintos com bases de cálculo diversas. As sanções estão amparadas em lei e decorrem de pressupostos fáticos individualizados.
Numero da decisão: 3002-004.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos de ofensa aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, bem como do pleito de ajuste da base de cálculo das contribuições Pis/Pasep e Cofins-Importação em função do entendimento do STF no julgamento vinculante objeto do RE nº 559.937/RS, pois não há interesse recursal no tocante a essa matéria e, na parte conhecida,por indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento para afastar a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, ante a revogação expressa do dispositivo legal que amparava sua exigência, nos termos do art. 181 da LC nº 227/2026 c/c art. 106, II, a, do CTN. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Relatora Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente)
Nome do relator: RENATA CASORLA MASCARENAS

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DESEMBARAÇO DE MERCADORIAS. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. REVISÃO ADUANEIRA. CRITÉRIO JURÍDICO. O desembaraço aduaneiro não se confunde com o lançamento tributário definitivo, tampouco implica a homologação do lançamento efetuado pelo importador. A homologação expressa dos tributos aduaneiros se concretiza com a Revisão Aduaneira, sendo tácita na ausência desta dentro do prazo decadencial. Independentemente do canal de conferência atribuído à declaração de importação, o resultado da revisão aduaneira subsequente não constitui mudança de critério jurídico por parte da autoridade administrativa. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 14/08/2007 a 29/04/2011 EQUIPAMENTO PARA VIDEOCONFERÊNCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Equipamento de videoconferência, cuja função principal é prover a interação remota entre pessoas em diferentes locais, pela transmissão e recepção de imagens, sons e outros dados, utilizando-se de protocolo IP (internet protocol), classifica-se no código da NCM 8517.62.59. Dispositivos Legais: RGI-1, Nota 4 da Seção XVI, RGI-6 e RGC-1, e subsídios extraídos das Nesh. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de pagamento de tributos na importação, em decorrência de erro de classificação fiscal da mercadoria, enseja o lançamento das Fl. 843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 2 diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REVOGAÇÃO. LC 227/2026. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. Operada a revogação do dispositivo que tipificava a infração (art. 84 da MP 2.158-35/01) e tratando-se de processo administrativo pendente de julgamento definitivo, aplica-se o princípio da retroatividade benigna (art. 106, II, "a", CTN), resultando na exclusão da penalidade por perda de fundamento legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 14/08/2007 a 29/04/2011 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTAS. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. OMISSÃO DE RECOLHIMENTO TRIBUTÁRIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE BIS IN IDEM. Não há bis in idem na aplicação de multas que punem fatos geradores distintos com bases de cálculo diversas. As sanções estão amparadas em lei e decorrem de pressupostos fáticos individualizados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos de ofensa aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, bem como do pleito de ajuste da base de cálculo das contribuições Pis/Pasep e Cofins-Importação em função do entendimento do STF no julgamento vinculante objeto do RE nº 559.937/RS, pois não há interesse recursal no tocante a essa matéria e, na parte conhecida, por indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento para afastar a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, ante a revogação expressa do dispositivo legal que amparava sua exigência, nos termos do art. 181 da LC nº 227/2026 c/c art. 106, II, 'a', do CTN. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Relatora Fl. 844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 3 Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário, fls. 767-806, contra o Acórdão nº 16-86.770 da 12ª Turma da DRJ/SPO, exarado em sessão realizada aos 28/03/2019, que julgou a impugnação procedente em parte. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos: “Trata-se de auto de infração contestado pelo sujeito passivo referente aos tributos incidentes na importação (II, IPI, PIS e Cofins) e multa administrativa, exigidos em decorrência de a fiscalização ter apurado erro na classificação fiscal de mercadorias importadas. O lançamento totalizou R$ 559.761,25 à época de sua formalização. Consta no Relatório Fiscal Parte Integrante do Auto de Infração fls. 636 e ss. que a empresa autuada foi submetida a fiscalização abrangendo o período de agosto/2007 a abril/2011, tendo sido constatado erro na classificação fiscal de mercadorias importadas, relacionadas às fls. 638/640 que tratam-se basicamente de equipamentos de videoconferência, classificados nas posições 8543.70.99, 8543.70.39, quando o correto seria 8517.62.59. Cientificada da autuação em 29/11/2011 (fls. 652), apresentou impugnação tempestiva em fls. 656 e ss, alegando em síntese: a) impossibilidade de revisão de lançamento por erro de direito. A conferência das mercadorias no ato do desembaraço aduaneiro com posterior entrega das mercadorias ao importador, subsume-se ao conceito de homologação por autolançamento. Precluso portanto o direito de o Fisco. b) ônus da prova do fisco. Caso concreto. Exigência de laudo técnico apresentado pela impugnante. improcedência da reclassificação sem laudo técnico impugnando aquele apresentado. c) impossibilidade de mera presunção. necessidade de laudo técnico. d) alega boa-fé da impugnante. Fl. 845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 4 e) no mérito alega como correta a classificação adotada, uma vez que lastrada em laudo técnico. f) ressalta que a base de cálculo das contribuições PIS/COFINS é o valor aduaneiro. g) alega que o lançamento da multa por classificação equivocada caracteriza dupla penalização. Também que seu valor fere os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. h) reclama da impossibilidade de exigência de juros sobre a multa. i) afirma que a multa de 75% fere os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco. Ao final requer a improcedência do lançamento, ou ao menos a exclusão da multa de ofício ou ao menos a redução para patamar inferior a 1% como medida de constitucionalidade, legalidade e justiça. É o relatório.” A DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, apenas para adequar o valor lançado de Pis/Pasep e Cofins-Importação ao julgado do STF em sede de repercussão geral objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937/RS, mantendo as demais exigências. O Acórdão nº 16-86.770 - 12ª Turma da DRJ/SPO está assim ementado: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 14/08/2007 a 29/04/2011 EQUIPAMENTO PARA VIDEOCONFERÊNCIA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Equipamento de videoconferência, cuja função principal é prover a interação remota entre pessoas em diferentes locais, pela transmissão e recepção de imagens, sons e outros dados, utilizando-se de protocolo IP (internet protocol), classifica-se no código da NCM 8517.62.59. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de pagamento de tributos e contribuições incidentes na importação, em decorrência de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento das diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA. MULTA. A classificação incorreta de mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é punível com multa específica correspondente a 1% (um por cento) do seu valor aduaneiro. PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Declarada a inconstitucionalidade do art. 7º, I, da Lei 10.865/2004, na parte em que acrescenta à base de cálculo do PIS e COFINS-Importação, o valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro, bem como o valor referente a essas próprias contribuições; a exigência dessas contribuições deve ser feita nos moldes Fl. 846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 5 delimitados pela decisão judicial definitiva, que foi objeto da Nota PGFN 1.254/2014. Impugnação Procedente em Parte” Intimada da decisão de julgamento (fls. 763-764), a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 767-806), entabulando os mesmos argumentos da impugnação, inclusive na parte à qual a DRJ/SPO deu provimento, relativa à base de cálculo das contribuições Pis/Pasep e Cofins- Importação, e acrescentou pedido de conversão do feito em diligência, para se aferir qual a correta classificação fiscal a ser adotada no caso. É o relatório. VOTO Conselheira Renata Casorla Mascareñas, Relatora Da Competência para Julgamento do Feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no art. 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Da Admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Não obstante, o argumento de ofensa aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV, CF/88) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV, CF/88) não podem ser conhecidos, uma vez que se trata de matéria estranha à competência deste Colegiado, tendo em vista que, para tanto, estar-se-ia realizando controle de constitucionalidade das leis que estabelecem a incidência de juros Selic e a imposição de multa de ofício, o que é de competência exclusiva do Poder Judiciário (Súmula CARF nº 2). Também não se conhece o recurso voluntário na parte relativa ao ajuste da base de cálculo das contribuições Pis/Pasep e Cofins-Importação em função do entendimento do STF no julgamento vinculante objeto do RE nº 559.937/RS, pois a instância anterior já deu provimento parcial à impugnação, não havendo interesse recursal no tocante a essa matéria. Desse modo, conheço parcialmente do recuso voluntário. Fl. 847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 6 Do mérito Da alegada impossibilidade de revisão do lançamento A Recorrente argumenta que a revisão aduaneira só tem cabimento quando se comprove a existência de erro de fato nas declarações prestadas pelo contribuinte, e nunca diante de erros de direito ou mudança de critérios jurídicos. Pondera que, tendo as autoridades aduaneiras concordado com a classificação fiscal adotada nas declarações de importação desembaraçadas, a alteração da classificação fiscal em procedimento de revisão aduaneira fere o princípio da segurança jurídica, que orienta o processo administrativo fiscal. Não assiste razão à Recorrente. É justamente em função da impossibilidade de se constatar todas as situações e fatos relacionados às importações no prazo normal do trâmite do desembaraço aduaneiro que a legislação contempla a possibilidade do procedimento de revisão aduaneira. Nos termos do acórdão recorrido: “a conferência realizada no curso do despacho não vai além de uma verificação preliminar e perfunctória (...) os exames aprofundados e as diligências minuciosas não se compadecem com a celeridade que se deve imprimir ao despacho aduaneiro, só sendo admissíveis nas hipóteses de irregularidades ostensivas. Assim reclamam as rotinas do comércio internacional, sempre a exigir presteza das repartições alfandegárias (...)” A revisão aduaneira está prevista no art. 54 do Decreto-lei nº 37/1966, regulamentado pelo art. 638 do Decreto nº 6.759/2009: DA REVISÃO ADUANEIRA Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei no 2.472, de 1988, art. 2º; e Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 1988, art. 2º); e II - do registro de exportação. § 3º Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Fl. 848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 7 Como se vê, a legislação não distinguiu, para fins de revisão aduaneira, as declarações de importação objeto de conferência aduaneira previamente ao desembaraço daquelas que são desembaraçadas automaticamente sem qualquer verificação. A limitação ao procedimento de revisão aduaneira é temporal, pois a extinção do direito da Fazenda Pública opera-se pelo decurso do prazo decadencial de cinco anos. O desembaraço aduaneiro é o ato que libera a mercadoria na importação, e não representa nem um lançamento fiscal definitivo, nem uma homologação de lançamento “efetuado pelo importador”. A homologação do lançamento dos tributos na importação ocorre somente com a revisão aduaneira (homologação expressa) ou com o fim do prazo legal para realizar essa revisão (homologação tácita), pois na importação o contribuinte antecipa o pagamento dos tributos sem prévio exame da autoridade administrativa (art. 150, CTN). Assim, o desembaraço aduaneiro de mercadoria em determinada classificação fiscal não pode ser considerado como decorrente do entendimento da autoridade aduaneira, e, portanto, não caracteriza “fixação de critério jurídico” em relação à classificação fiscal adotada pelo importador. Para que se caracterize a mudança de critério jurídico conforme arguido pela Recorrente, faz-se necessário que haja um pronunciamento expresso que lhe dê os contornos de manifestação oficial para que seja possível a apreciação da divergência de entendimento interpretativo. E a rigor o critério jurídico adotado à época em que as operações objeto de revisão aduaneira foram despachadas e à época do lançamento combatido permanece o mesmo: as regras de interpretação do Sistema Harmonizado. Também não se cogita que a alegada mudança de critério jurídico seja decorrente de entendimento firmado em processo de consulta sobre a classificação fiscal dos sistemas de videoconferência, que tenha extraído entendimento divergente das mesmas regras de interpretação do Sistema Harmonizado. A Recorrente nada menciona nesse sentido. Da alegada nulidade por ausência de laudo técnico para embasar o lançamento. Do pedido de diligência. A Recorrente alega a nulidade do auto de infração sob o argumento de que o lançamento, decorrente de reclassificação fiscal das mercadorias, deveria estar acompanhado de laudo técnico pericial. Entretanto, a jurisprudência administrativa fiscal é no sentido de que a realização de perícia técnica não é um requisito de validade do lançamento tributário, mesmo nos casos de reclassificação fiscal de mercadorias. Adicionalmente, observa-se que a revisão aduaneira que resultou na reclassificação dos sistemas de videoconferência utilizou como fundamento o próprio material técnico fornecido pela interessada, ora Recorrente, e informações obtidas dos próprios fabricantes veiculadas nos respectivos sítios eletrônicos na internet. Portanto, não se sustenta o pedido de anulação do lançamento pela ausência de solicitação de perícia técnica pela autoridade administrativa. Fl. 849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 8 A Recorrente requereu a conversão do feito em diligência, para se aferir qual a correta classificação fiscal a ser adotada no caso. Pondera-se que, embora seja desejável que o lançamento seja instruído com laudo técnico referente a mercadoria cuja perfeita identificação envolva conhecimento técnico específico, a diligência é prescindível no caso, tendo em vista as recentes decisões administrativas relativas à classificação fiscal de sistemas de videoconferência, as quais são suficientes para o deslinde da questão, e corroboram o entendimento da autoridade administrativa na aplicação das regras de interpretação do Sistema Harmonizado. O Decreto nº 70.235/1972 autoriza em seu art. 18 o indeferimento, pela autoridade julgadora, de diligências que considerar prescindíveis. É o caso. Outrossim, a se considerar o requerimento de “conversão do feito em diligência, para se aferir qual a correta classificação fiscal a ser adotada” como um pedido de perícia, este não preenche os requisitos que constam do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 e deve ser igualmente rejeitado. Como a classificação fiscal não foi objeto de questionamento no âmbito do despacho aduaneiro e sim em ato de revisão aduaneira, não se tem notícia da segregação de amostras das mercadorias importadas para fins de exame. Nesse caso, considerando-se que as operações objeto da autuação ocorreram entre os anos de 2007 e 2011, é improvável que a própria Recorrente ainda disponha de amostras das mercadorias que importou. Sendo assim, indefiro o pedido para realização de diligência/ perícia. Do erro de classificação fiscal. Das penalidades. A questão da classificação fiscal dos sistemas de videoconferência foi objeto de recentes Soluções de Consulta da Cosit: Solução de Consulta Cosit nº 98.229, de 28 de setembro de 2023 Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 8517.62.59 Mercadoria: Sistema de videoconferência, composto de uma unidade de processamento, um microfone, um painel de controle com tela sensível ao toque e um módulo de câmera de vídeo, com conexão por fio. Dispositivos Legais: RGI 1, Nota 4 da Seção XVI, RGI 6 e RGC 1, constantes da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022; e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB nº 1.788, de 2018 e nº 2.052, de 2021, e alterações posteriores. Fl. 850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 9 Solução de Consulta Cosit nº 98.148, de 29 de junho de 2023 Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM 8517.62.59 Mercadoria: Unidade compacta de vídeo para comunicação visual entre dois ou mais usuários em reuniões empresariais, com conexão por fio e por tecnologia sem fio (WiFi e Bluetooth), contendo portas Ethernet, USB e HDMI, câmera UHD, microfone e alto-falante. Apresentado com tela sensível ao toque, de 8 polegadas, para acesso as reuniões e funcionalidades do sistema de videoconferência. Dispositivos Legais: RGI 1, RGI 6 e RGC 1 da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022; e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e pelas IN RFB nº 1.788, de 2018 e nº 2.052, de 2021, e alterações posteriores. Solução de Consulta Cosit nº 98.147, de 29 de junho de 2023 Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM 8517.62.59 Mercadoria: Unidade compacta de vídeo para comunicação visual entre dois ou mais usuários em reuniões empresariais, com conexão por fio e por tecnologia sem fio (WiFi e Bluetooth), contendo portas Ethernet, USB e HDMI, câmera UHD, microfone e alto-falante, denominada “sistema de videoconferência”. Dispositivos Legais: RGI 1, RGI 6 e RGC 1 da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022; e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e pelas IN RFB nº 1.788, de 2018 e nº 2.052, de 2021, e alterações posteriores. Solução de Consulta Cosit nº 98.136, de 23 de junho de 2023 Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM 8517.62.59 Mercadoria: Aparelho de videoconferência, dotado de tela de visualização sensível ao toque de oito polegadas, para comunicação audiovisual entre dois ou mais usuários e navegação exclusiva ao próprio sistema, com conexão por fio (Ethernet), com dimensões de 205 x 123 x 79 mm e peso de 812 g. Dispositivos Legais: RGI 1, RGI 6 e RGC 1 da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022; e em subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB nº 1.788, de 2018 e nº 2.052, de 2021, e alterações posteriores. Fl. 851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 10 Como se verifica, o entendimento da Cosit quanto à classificação fiscal dos sistemas de videoconferência é convergente com a conclusão da autoridade fiscal responsável pela revisão aduaneira das declarações de importação da autuada que ampararam artigos dessa mesma tipologia. A classificação das mercadorias é regida por 6 (seis) Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) além das Regras Gerais Complementares (RGC). As regras têm predominância umas sobre as outras de forma que o classificador só utilizará a regra seguinte caso a anterior não lhe permita classificar o seu produto. Assim, só será utilizada a RGI-2 caso a RGI-1 não permitir classificar a mercadoria e assim sucessivamente. As regras gerais devem ser empregadas em ordem sequencial, utilizando-se, primeiramente, a RGI-1 e, se esta não for suficiente, passa-se à regra seguinte, e assim sucessivamente. A RGI-1 nos ensina que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (RGI-2 a 5). A RGI-6, por sua vez, dispõe que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para os efeitos legais, pelos textos dessas subposições, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Essas mesmas regras aplicam-se, mutatis mutandis, para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar nº 1 – RGC-1). Portanto, consoante a RGI-1, os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo, ou seja, não possuem força legal, e a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. O Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), em seu artigo 94, parágrafo único, estabelece que, para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul deve ser feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), da Organização Mundial das Aduanas (Decreto-lei nº 1.154/1971, art. 3º, caput). A controvérsia sobre a classificação fiscal está adstrita ao texto das Posições NCM/SH 85.17 e 85.43 adotadas, respectivamente, pela fiscalização e pela Recorrente. 85.17 - Aparelhos telefônicos, incluindo os telefones inteligentes (smartphones) e outros telefones para redes celulares ou para outras redes sem fio; outros aparelhos para a transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio (tal como uma rede local (LAN) ou uma rede de área estendida (longa distância) (WAN)), exceto os aparelhos das posições 84.43, 85.25, 85.27 ou 85.28. Fl. 852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 11 85.43 - Máquinas e aparelhos elétricos com função própria, não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo. A Recorrente extrai do Parecer Técnico do Engenheiro Eletricista Guianluca Fedele por ela apresentado (fls. 39-43) que “um ponto relevante para se tipificar em referida classificação fiscal é a sua característica ou funcionalidade de codificação e decodificação. Esta funcionalidade atrai a classificação para a posição 43 do capítulo 85, inclusive pela aplicação do critério da especialidade, em detrimento da classificação 8517”. O argumento não procede, pois o texto da Posição NCM/SH 85.43 já revela que esta abarca apenas “Máquinas e aparelhos elétricos com função própria, não especificados nem compreendidos noutras posições” do Capítulo 85. Ou seja, o importador não se atentou para o fato de que suas mercadorias só poderiam ser classificadas nessa posição se não pudessem ser enquadradas prioritariamente noutras posições do mesmo capítulo. Neste caso concreto, só poderiam enquadrar-se na Posição NCM/SH 85.43 se não pudessem se enquadrar na Posição NCM/SH 85.17. A Posição NCM/SH 85.43 é residual, e não “mais específica”. O Parecer Técnico em questão informa que os equipamentos de videoconferência codificam e decodificam sinais de áudio e vídeo simultaneamente, e que os desdobramentos da Posição NCM/SH 85.17 não especificam equipamentos com ambas as funções. No contexto do Sistema Harmonizado (SH) de classificação de mercadorias, a identificação correta da subposição (nível de detalhe mais específico) depende, obrigatoriamente, da prévia e correta identificação da respectiva posição (nível mais genérico) de enquadramento. É mandatório evitar a classificação direta em uma subposição que pareça plausível, sem antes confirmar se a posição inicial está correta. A inobservância desta metodologia hierárquica leva, de forma frequente, a uma classificação incorreta e incompatível com as regras intrínsecas e internacionais do Sistema Harmonizado. É o equívoco que se verifica no Parecer Técnico de fls. 39- 43, cujo autor empregou a metodologia de analisar o texto de subposições para justificar a exclusão da Posição NCM/SH 85.17. A função dos equipamentos objeto da reclassificação fiscal é a de realizar videoconferência, ou seja, simular a reunião presencial de vários participantes por meio do recebimento e transmissão de pacotes de informação digitais de imagens, sons e dados utilizando- se protocolo IP (“Internet Protocol”). Por meio do sistema de videoconferência, um grupo de pessoas presentes em uma sala de reuniões pode se comunicar com outro grupo de pessoas que utilizam o mesmo equipamento (ou compatível), presente em qualquer outra localidade. Basta que ambos possuam conexão com a Internet via protocolo IP. Conforme consta no auto de infração, o princípio de funcionamento dos equipamentos é a transmissão e recepção de pacotes por meio de redes de alta velocidade que operam com o protocolo IP. De uma forma resumida, quando instalado e ligado à rede local, que possui conexão com a internet, todos os sons captados através dos microfones, todas as imagens captadas através das câmeras e todos os dados inseridos no "software" de gerenciamento que Fl. 853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 12 está sendo executado na unidade central de processamento são transformados em pacotes de informações que são enviados pela internet até o equipamento do destinatário, que exibirá as informações em monitores de TV (imagens de vídeo e dados de aplicativos) e alto-falantes (sons). Em contrapartida, o mesmo equipamento recebe pacotes de informações provenientes de outro participante da conferência e exibe estas informações para os presentes. Ou seja, opera como um equipamento de telecomunicação digital para áudio, vídeo e dados. O “Codec” mencionado no Parecer Técnico de fls. 39-43, segundo o manual de fl. 433, é o componente que tem a tarefa de compressão do áudio, vídeo e dados na transmissão de saída para um “site” remoto e a descompressão desses dados na chegada da informação para o equipamento. E o texto da Posição NCM/SH 85.17 abrange “outros aparelhos para a transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio”. Por aplicação da RGI-1, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo. A Nota 4 da Seção XVI (que inclui o Capítulo 85) dispõem: 4.- Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classifica-se na posição correspondente à função que desempenha. (destaquei) Pelos textos das posições em análise não há margem para adoção da Posição NCM/SH 85.43 defendida pela Recorrente, pois ali só podem ser abarcados aparelhos elétricos com função própria que não sejam especificados nem compreendidos noutras posições do Capítulo 85. A posição correta é a que diz respeito à função de realizar a videoconferência, e a Posição NCM/SH 85.17 abrange “outros aparelhos para a transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio”. A corroborar o acerto da Posição NCM/SH 85.17, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), ao tratar da abrangência da posição relativamente a “outros aparelhos para a transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio”, esclarecem: Esta posição abrange os aparelhos de comunicação para emissão, transmissão ou recepção de falas ou de outros sons, de imagens ou de outros dados, entre dois pontos, por modulação de uma corrente elétrica ou de uma onda óptica circulando num suporte formado por fios ou por ondas eletromagnéticas numa rede sem fios. O sinal pode ser analógico ou digital. Dentre tais redes, que podem Fl. 854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 13 ser interligadas, podem-se citar a telefonia, a telegrafia, a radiotelefonia, a radiotelegrafia, as redes locais e as redes estendidas. (...) II.- OUTROS APARELHOS PARA A TRANSMISSÃO OU RECEPÇÃO DE VOZ, IMAGENS OU OUTROS DADOS, INCLUINDO OS APARELHOS PARA COMUNICAÇÃO EM REDES POR FIO OU REDES SEM FIO (TAL COMO UMA REDE LOCAL OU UMA REDE DE ÁREA ESTENDIDA (LONGA DISTÂNCIA)) (...) G) Os outros equipamentos de comunicação. Este grupo compreende os aparelhos para comunicação numa rede mesmo com fio (tal como uma rede local ou estendida) ou para a emissão, transmissão ou recepção de falas ou de outros sons, de imagens ou de outros dados em tais redes. As redes de comunicação compreendem, entre outros, os sistemas para telecomunicação por corrente portadora ou para telecomunicação digital e suas combinações. Tais aparelhos podem ser configurados na forma de uma rede telefônica pública com comutação, de uma rede local (LAN), de uma "Metropolitan Area Networks" (MAN), ou de uma rede estendida (longa distância) (WAN), por exemplo, seja numa arquitetura proprietária, seja numa arquitetura aberta. Este grupo compreende: 1) As placas de interface de rede (placas de interface de rede Ethernet, por exemplo). 2) Os aparelhos moduladores-demoduladores (modems). 3) Os roteadores, as pontes (bridges), os nós (hubs), os repetidores, os adaptadores de canal a canal. 4) Os multiplexadores, bem como os equipamentos de linha a eles relacionados (por exemplo, transmissores, receptores ou conversores eletro-ópticos). 5) Os compressores/decompressores de dados (codecs) tendo a capacidade de transmitir e de receber informações digitais. 6) Os conversores pulso/tonalidade, que transformam sinais por impulsos em sinais por tonalidade. (destaquei) A classificação fiscal de qualquer mercadoria no nível da subposição só pode ser alcançada depois de haver sido previamente identificada a respectiva posição de enquadramento, no caso, a NCM/SH 85.17, valendo-se da RGI-6. As subposições foram divididas em 03 espécies de primeiro nível: Fl. 855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 14 8517.1 - Aparelhos telefônicos, incluindo os telefones inteligentes (smartphones) e outros telefones para redes celulares ou para outras redes sem fio: 8517.6 - Outros aparelhos para a transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio (tal como uma rede local (LAN) ou uma rede de área estendida (longa distância) (WAN)): 8517.7 - Partes: Como as mercadorias não são aparelhos telefônicos, tampouco partes, resta como única subposição aquela que faz referência a outros aparelhos para emissão, transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio, ou seja, a 8517.6. Há três subposições de segundo nível. Conforme RGI-6, a mercadoria atende ao texto da subposição NCM/SH 8517.62: 8517.61 – – Estações-base 8517.62 – – Aparelhos para recepção, conversão, emissão e transmissão ou regeneração de voz, imagens ou outros dados, incluindo os aparelhos de comutação e roteamento 8517.69 – – Outros Com relação aos desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul, consoante RGC-1, a mercadoria encontra seu correto enquadramento na 8517.62.5, pois para realizar videoconferência é necessário que transmita e/ou receba voz e imagens nos termos do item 8517.62.5: 8517.62.1 – Multiplexadores e concentradores 8517.62.2 – Aparelhos para comutação de linhas telefônicas 8517.62.3 – Outros aparelhos para comutação 8517.62.4 – Roteadores digitais, em redes com ou sem fio 8517.62.5 – Aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagem ou outros dados em rede com fio 8517.62.6 – Aparelhos emissores com receptor incorporado de sistema troncalizado (trunking), de tecnologia celular, ou por satélite 8517.62.7 – Outros aparelhos emissores com receptor incorporado, digitais 8517.62.9 – Outros Por fim, o item 8517.62.5 desdobra-se nos seguintes subitens: 8517.62.51 – Terminais ou repetidores sobre linhas metálicas Fl. 856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 15 8517.62.52 – Terminais sobre linhas de fibras ópticas, com velocidade de transmissão superior a 2,5 Gs/s 8517.62.53 – Terminais de texto que operem com código de transmissão Baudot, providos de teclado alfanumérico e visor, mesmo com telefone incorporado 8517.62.54 – Distribuidores de conexões para redes (hubs) 8517.62.55 – Moduladores/demoduladores (modems) 8517.62.59 – Outros Inexistindo, dentro desse item, subitem específico adequado, os produtos encontram-se englobados pela classificação residual NCM 8517.62.59. Em decorrência do erro na classificação fiscal adotada pelo importador, é devido o lançamento de ofício das diferenças de tributos e contribuições, seus correspondentes consectários legais, além das penalidades previstas. O erro de classificação fiscal foi punido com multa administrativa equivalente a 1% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, ao amparo do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, e sua aplicação não prejudica a exigência dos impostos, de outras penalidades administrativas, e acréscimos legais cabíveis: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II - quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Não procede a alegação de “dupla penalidade” pelo mesmo fato. A multa de ofício no patamar de 75% incidiu sobre o fato “pagamento de tributos a menor” e a multa isolada de 1% incidiu sobre o valor aduaneiro da mercadoria, base de cálculo distinta daquela sobre a qual incidiu a multa de ofício, e sua inflicção puniu o fato jurídico “erro de classificação fiscal da mercadoria”. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária e aduaneira vigente no País, restringindo-se a instância administrativa de julgamento ao exame da validade jurídica dos atos por elas praticados. As multas infligidas, as respectivas bases Fl. 857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 16 de cálculo e alíquotas são aquelas estabelecidas em lei, e verifica-se no caso que estão presentes os pressupostos de fato para suas incidências. Como se vê, no auto de infração foram aplicadas duas multas distintas, as quais puniram dois fatos distintos e que incidiram sobre bases de cálculo distintas, não havendo que se falar em dupla punição pelo mesmo fato. Todavia, não obstante a correta imposição da multa decorrente do erro de classificação fiscal, em virtude da superveniência da Lei Complementar nº 227, de 13 de janeiro de 2026, que revogou o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e o art. 69 da Lei nº 10.833/2003, cabe aqui a aplicação da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN, para fins de exoneração da referida penalidade. Lei Complementar nº 227, de 13 de janeiro de 2026 art. 181. Revogam-se: (...) II - o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001; III - o art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Quanto às alegações relativas aos juros de mora, a aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora é devida em vista do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional — “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. As Súmulas CARF nºs 4 e 108, que são vinculantes, preveem a regularidade da utilização da taxa referencial Taxa Selic, bem como dos juros sobre a multa aplicada, conforme abaixo transcrito: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Da alegada boa-fé e ausência de prejuízo ao Fisco De acordo com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, pelo que independe da caracterização de dolo ou culpa por parte do infrator, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da falta. Assim, em nada aproveita ao Fl. 858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.200 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10813.720306/2011-36 17 contribuinte sua alegação de que agiu de boa-fé, e de que sua conduta não causou prejuízo ao Fisco. Uma vez caracterizada a subsunção dos fatos à hipótese sancionatória, a aplicação da multa é legítima. Também deve ser indeferido o pleito pela redução da penalidade. A par de os argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade nem poderem ser conhecidos em recurso voluntário, cabe registrar que a multa de ofício foi aplicada em seu percentual mínimo, e que a autuada ora Recorrente teve a possibilidade de recolhimento com redução de 50% do valor da multa, no prazo de 30 dias da ciência da autuação/notificação (conforme consta no campo de intimação do auto de infração), declinando da faculdade. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, não conhecendo os argumentos de ofensa aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, bem como o pleito de ajuste da base de cálculo das contribuições Pis/Pasep e Cofins-Importação em função do entendimento do STF no julgamento vinculante objeto do RE nº 559.937/RS, pois não há interesse recursal no tocante a essa matéria, por indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, dar parcial provimento tão-somente para exonerar a multa por erro de classificação fiscal, nos termos da Lei Complementar nº 227/2026, conforme o art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas Fl. 859DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 12448.730154/2015-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS E COFINS. COOPERATIVA DE SAÚDE. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS E OPERAÇÕES COM TERCEIROS. RATEIO DE CUSTOS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA. Cooperativa que aufere receitas decorrentes de atos cooperativos com associados e de operações realizadas com terceiros não associados. As receitas provenientes de operações com terceiros submetem-se, em regra, à incidência do PIS e da COFINS, observadas as deduções legalmente previstas. Valores registrados a título de rateio de custos, quando caracterizados como mero reembolso de despesas comuns previamente suportadas, sem margem, remuneração ou acréscimo patrimonial, não se qualificam como receita para fins de incidência das contribuições. Ingressos que não se incorporam de forma definitiva ao patrimônio da pessoa jurídica não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 QUESTÃO DE INSURGÊNCIA. SÚMULA DA CORTE. EFEITO VINCULANTE. Súmula CARF nº 110 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) INTIMAÇÃO PARA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. No caso em tela o processo encontra-se com todos os documentos necessários para seu julgamento. Sem o formalismo exagerado, mas o Decreto 70.235/72 regula a apresentação de documentos defensivos, cujo prazo poderá ser estender a outras fases, desde que demonstrada a sua relevância e as razões pelas quais não foram arroladas em momento determinado pela lei de regência.
Numero da decisão: 3102-003.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar da base de cálculo do PIS e da COFINS as parcelas relativas ao rateio de custos com as federadas. Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PIS E COFINS. COOPERATIVA DE SAÚDE. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS E OPERAÇÕES COM TERCEIROS. RATEIO DE CUSTOS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA. Cooperativa que aufere receitas decorrentes de atos cooperativos com associados e de operações realizadas com terceiros não associados. As receitas provenientes de operações com terceiros submetem-se, em regra, à incidência do PIS e da COFINS, observadas as deduções legalmente previstas. Valores registrados a título de rateio de custos, quando caracterizados como mero reembolso de despesas comuns previamente suportadas, sem margem, remuneração ou acréscimo patrimonial, não se qualificam como receita para fins de incidência das contribuições. Ingressos que não se incorporam de forma definitiva ao patrimônio da pessoa jurídica não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 QUESTÃO DE INSURGÊNCIA. SÚMULA DA CORTE. EFEITO VINCULANTE. Súmula CARF nº 110 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) INTIMAÇÃO PARA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. No caso em tela o processo encontra-se com todos os documentos necessários para seu julgamento. Sem o formalismo exagerado, mas o Decreto 70.235/72 regula a apresentação de documentos defensivos, cujo prazo poderá ser estender a outras fases, desde que demonstrada a sua relevância e as razões pelas quais não foram arroladas em momento determinado pela lei de regência.

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COOPERATIVA DE SAÚDE. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS E OPERAÇÕES COM TERCEIROS. RATEIO DE CUSTOS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA. Cooperativa que aufere receitas decorrentes de atos cooperativos com associados e de operações realizadas com terceiros não associados. As receitas provenientes de operações com terceiros submetem-se, em regra, à incidência do PIS e da COFINS, observadas as deduções legalmente previstas. Valores registrados a título de rateio de custos, quando caracterizados como mero reembolso de despesas comuns previamente suportadas, sem margem, remuneração ou acréscimo patrimonial, não se qualificam como receita para fins de incidência das contribuições. Ingressos que não se incorporam de forma definitiva ao patrimônio da pessoa jurídica não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 QUESTÃO DE INSURGÊNCIA. SÚMULA DA CORTE. EFEITO VINCULANTE. Súmula CARF nº 110 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) Fl. 1020DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 2 INTIMAÇÃO PARA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS EM FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. No caso em tela o processo encontra-se com todos os documentos necessários para seu julgamento. Sem o formalismo exagerado, mas o Decreto 70.235/72 regula a apresentação de documentos defensivos, cujo prazo poderá ser estender a outras fases, desde que demonstrada a sua relevância e as razões pelas quais não foram arroladas em momento determinado pela lei de regência. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar da base de cálculo do PIS e da COFINS as parcelas relativas ao rateio de custos com as federadas. Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatado adoto o Relatório elaborado pela DRJ de origem, eis que objetivo, suscinto e esclarecedor, até seu julgamento, onde nos informa: Relatório O contribuinte foi alvo de fiscalização, tendo a mesmo resultado num lançamento de ofício no montante de R$ 2.175.539,15 com multa e juros (R$ 387.424,74 a título de PIS e R$ 1.788.114,41 a título de Cofins). Os Autos de Infração se encontram às fls. 397 a 4121. Fl. 1021DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 3 O contribuinte foi intimado a apresentar sua documentação contábil e fiscal, assim como demais esclarecimentos, a saber: LALUR; estatuto ou contrato social e alterações; balancete analítico; composição dos saldos trimestrais das DIPJs; arquivos digitais da folha de pagamentos; comprovante da Escrituração Contábil Digital; memórias de cálculos dos resultados dos atos cooperativos e tributáveis; documentação comprobatória de diversas rubricas; explicar diferenças constadas nos valores declarados em DIPJ, DACON e na escrituração; entre outros. Estão juntados aos autos os seguintes elementos probatórios: resumo e extratos das DCTFs (fls. 2 a 204); DACON (fls. 429 a 500); Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (fls. 501 a 584); extratos de consulta sistema CNPJ (fls. 585 a 588); estatuto social e alterações (fls. 590 a 654); balancetes contábeis (fls. 655 a 708); extratos Razão com contrapartidas (fls. 709 a 799); entre outros. Constam ainda nesse processo os seguintes arquivos não pagináveis com dados contábeis digitais e o plano de contas. Com base nos elementos juntados aos autos, assim como nos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, foi formalizado o Termo Constatação Fiscal integrante aos Autos de Infração nas fls. 366 a 395. Constatou a fiscalização que existiam inconsistências por parte do contribuinte, uma vez que foram identificadas diferenças entre os valores declarados em DIPJ, no DACON e na escrituração apresentada (ver tabelas das fls. 368 e 369). Além do mais, apurou que dos valores devidos das contribuições ocorreram infrações pela falta de declaração dos mesmos ou pela insuficiência dos recolhimentos. A ciência dos Autos de Infração foi dada em 29/12/2015 (fl. 934), e o contribuinte apresentou impugnação em 28/01/2016, de acordo com o Termo de Solicitação de Juntada da fl. 806 (peça de defesa se encontra às fls. 807 a 845). O interessado faz, em síntese, as seguintes alegações: - QUE subsidia suas entidades federadas com o objetivo de fortalecer o diálogo entre elas, trocar experiências e compartilhar modelos de negócios que contribuam para melhorias no atendimento de suas demandas, além de atuar como interface entre a ANS e o Sistema UNIMED fluminense. - QUE discorrendo sobre sociedades cooperativas, assim como a estrutura e atividades dos atos cooperativos e atos não cooperativos, cita a Lei nº 5.764/1971, e que não haveria objetivo de lucro em sua atividade. Comenta sobre os objetivos sociais de uma cooperativa e sobre a ocorrência do chamado ato cooperativo. - QUE dentro do Sistema UNIMED, o papel desenvolvido pelo impugnante seria de criar mecanismos para facilitar e fomentar o exercício das atividades operacionais e comerciais de suas federadas, envolvendo serviços de tecnologia, marketing, telecomunicação e manutenção. Também organizaria simpósios, palestras e feiras. Tais custos seriam ressarcidos pelas federadas usuárias, através da sistemática de rateio de despesas, tendo como instrumento uma “câmara de compensação”. Fl. 1022DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 4 Aponta que foram consideradas indevidamente como receitas tributáveis a rubrica “resultado do ato cooperativo”. - QUE ao fazer um detalhamento de suas contas e dos atos cooperativos, conceitua esses como aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Tais atos estariam representados na rubrica 2.5.4.2.1.9.0.0.0.0.01 a 12, passando a detalhar os numerários constantes nessa rubrica: a) Contribuição Social; b) Adicional de Contribuição Social – Câmara de Compensação; c) Câmara de Compensação; d) Procedimentos de Alto Custo – PAC Cardiologia e PAC Oncologia; e) PAAS – Programa de Amparo a Altos Sinistros; f) Transporte Aeromédico; g) PARJ – Plano Assistencial do Rio de Janeiro; h) Repasse PEA – Unimed do Brasil; i) Rede VPN VIP MPLS, Cartão Magnético, novos Pos-Conexão; Novos Pos-Manutenção, Reembolso Sistema TOTVS e Pulsos Embratel; j) Banco de Dados Federativo; k) Reembolso Custos – Central de Atendimento 0800; l) Pós Venda Central 0800; m) Rede VPN VIP MPLS; n) Cartão Magnético; o) Novo POS; p) Conexão POS – IP Discado; q) Reembolso Sistema TOTVS; r) Serviços de Malotes; s) Reembolso Contribuição Fundação UNIMED; t) Reembolso de Despesas SUERJ; u) Reembolso de Despesas com Viagens – Serviços Federativos; v) Reembolsos de Despesas com Eventos Federativos; w) Reembolso de Despesas – Serviços Federativos Diversos. - QUE não haveria incidência de contribuição ao PIS e à Cofins sobre ingressos decorrentes de atos cooperativos. Novamente cita a Lei nº 5.764/71. Coloca que em se tratando de cooperativas regularmente constituídas, somente os resultados de operações com terceiros (atos não cooperativos) estariam sujeitos à incidência de tributos. Menciona a Instrução Normativa da Receita Federal de nº 971/2009, apontando que não incidiria contribuição previdenciária nas operações de intercâmbio entre cooperativas de trabalho, entendendo que deveria ser estendido ao PIS e à Cofins. Cita, ainda, a Resolução Normativa nº 290/2012 da ANS e jurisprudências. Coloca que os numerários decorrentes de atos praticados com entidades federadas não podem ser caracterizados como receitas tributáveis. - QUE não haveria incidência do PIS e da Cofins sobre meros ingressos de caixa, sendo necessária a diferenciação entre entradas/ingressos de receitas. Repisa que tais valores não seriam receitas, mas meros ingressos de caixa. Reproduz o art. 195 da Constituição Federal, no sentido de que a base de cálculo das contribuições seria a receita ou o faturamento apurado. Reproduz partes de trechos de doutrinadores. Comenta a alteração feita pela Lei nº 12.973/2014, no art. 3º da Lei nº 9.718/98, limitando a incidência do PIS e da Cofins às receitas efetivas do contribuinte. Cita julgado do CARF. Reconhece que a Medida Provisória nº 2.135-35/2001 estabeleceu a exigência de recolhimento do PIS com base na folha de salários e a limitação da isenção da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. - QUE há a necessidade da dedução dos valores pagos a título de PIS no ano calendário de 2011, pois teria ocorrido a dedução apenas dos valores recolhidos Fl. 1023DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 5 com Código de Receita 8109 (PIS sobre Faturamento – Regime Cumulativo), deixando de considerar os valores recolhidos com Código de Receita 8301 (PIS sobre Folha de Pagamento). Entende que o recolhimento feito com código diverso não dá o direito de os mesmos serem desconsiderados, sob pena de ensejar enriquecimento ilícito do Estado. Aponta que o montante recolhido para esse período seria de R$ 50.835,11. - QUE há necessidade de perícia técnica, apresentando os sete quesitos da fl. 835, e nomeando assistente técnico quando do deferimento da realização da perícia. - QUE se verifica o caráter confiscatório da multa de ofício no percentual de 75 %, havendo violação ao direito da propriedade e aos princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e capacidade contributiva. Discorre sobre tais princípios. - QUE requer intimação para sua participação na sessão de julgamento do processo administrativo em 1ª instância. Defende que o Decreto nº 70.235/72, a Lei nº 9.784/99 e o Decreto nº 7.574/2011, juntamente com o art. 5º da Constituição Federal, garantem ao contribuinte o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Além do mais, a Lei nº 8.906/94, disporia como direito do advogado o livre ingresso no serviço público para o exercício de sua atividade profissional. Cita jurisprudência. POR FIM, requer que: a) seja intimado a participar da sessão de julgamento do presente processo administrativo em 1ª instância, permitindo-lhe a apresentação de memoriais e a realização de sustentação oral; b) sejam julgados improcedentes os Autos de Infração lavrados no bojo do presente processo administrativo, tendo em vista que os ingressos de valores decorrentes de rateio de despesas e atos cooperativos não configuram base de cálculo do PIS e da Cofins; c) a retificação do Auto de Infração lavrado para constituição e exigência de diferença de créditos tributários de PIS, para dedução ou compensação de ofício dos valores recolhidos pelo impugnante sob o Código de Receita 8301 (PIS sobre Folha de Pagamentos), no montante de R$ 50.835,11; d) seja garantido o direito do impugnante ser restituído dos valores ora apontados, sob pena, como já mencionado, de ensejar o enriquecimento ilícito do Estado, assim como a indevida bi-tributação; e) na remota hipótese de não ser reconhecida a improcedência dos Autos de Infração, em razão do princípio da eventualidade, que sejam as multas de ofício aplicadas canceladas ou, ao menos, reduzidas ao percentual de 30 %. Solicita, ainda, que quaisquer intimações referentes ao presente processo administrativo sejam dirigidas aos seus advogados. É o relatório. Em sessão realizada no dia 12 de março de 2021 foi exarado o Acórdão sob nº110- 003.606, pela 2ª Turma da DRJ/POA, onde, por unanimidade de votos julgou improcedentes a impugnação, mantendo o crédito tributário. Fl. 1024DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 6 Por TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM a Recorrente teve ciência do Acórdão supramencionado por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 15/04/2021, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. No dia 14/05/2021 aviou o presente remédio recursivo, com suas razões. Eis, em síntese o relato dos fatos. Passo ao voto. VOTO Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DIREITO Aduz a Recorrente:  Que é uma sociedade cooperativa vinculada ao “Sistema Unimed”, que, de acordo com o art. 2º do seu estatuto social, tem por objetivos sociais, dentre outros: “(i) integrar e representar o Sistema Unimed, no Estado do Rio de Janeiro; e (ii) a promoção do uso de informações, tecnologia, produtos, insumos e serviços, reciprocamente, entre as suas Federadas e outras empresas, singulares ou não do Sistema Nacional Unimed;  Que de acordo com o art. 3º do seu estatuto social, para a consecução de seu objetivo social, a RECORRENTE poderá, dentre outras atividades, (i) instituir ou contratar serviços de assessoramento para a integração e orientação das atividades das Cooperativas Singulares Federadas1; (ii) criar serviços de apoio às atividades das Federadas, podendo oferecê-los, a qualquer tempo, a outras empresas, singulares ou não do Sistema Nacional Unimed; (iii) fornecer, direta ou indiretamente, às suas Federadas, outras singulares e empresas não integrantes do Sistema Nacional Unimed, os insumos de uso e consumo imprescindíveis à prática dos serviços de Fl. 1025DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 7 assistência médica e prevenção de doenças; (iv) importar ou exportar tecnologia e conhecimento;  Que desconsiderando tudo isso a autoridade fiscal efetuou lançamento por supostas diferenças de PIS e COFINS, onde considerou-se como receitas tributáveis os ingresso de numerários provenientes tanto de atos cooperativos como não cooperativos;  Que o lançamento é improcedente visto que a apuração e os recolhimentos de PIS e COFINS realizados no decorrer do ano-calendário de 2011 estão em estrita consonância com a legislação tributária e cooperativista, merecendo ser reformada a decisão de primeira instância administrativa, a fim de serem ser extintos os créditos tributários discutidos neste processo.  Que as sociedades cooperativas são reguladas pela Lei nº 5.764/1971, e que o artigo 3º da mencionada lei ao definir a natureza jurídica das cooperativas, preceitua que “celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro”; Já o artigo 6º da Lei nº 5.764/1971, tratou de classificar as sociedades cooperativas em: (i) cooperativas de primeiro grau - singulares, constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas; (ii) cooperativas de segundo grau - cooperativas centrais ou federações de cooperativas, constituídas de, no mínimo, 3 (três) singulares; e (iii) cooperativas de terceiro grau - confederações de cooperativas, constituídas, pelo menos, de 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes modalidades.  Sintetiza dizendo que dos dispositivos citados é que através do sistema cooperativo, diversas pessoas que compartilham um objetivo social podem se associar para desenvolver suas atividades e fomentar o crescimento econômico, assim como diversas cooperativas podem associar-se, formando um sistema cooperativista (como é o Sistema Unimed!). Para tanto, devem ser respeitadas as características básicas elencadas no art. 4º da Lei nº 5.764/1971;  Que a Lei nº 5.764/1971 tratou também de disciplinar os atos praticados entre as cooperativas e cooperados e entre as cooperativas de primeiro, segundo e terceiro grau, na execução de suas atividades. São os chamados “atos cooperativos”, OS QUAIS, DE ACORDO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 79 DA REFERIDA LEI, NÃO SE REVESTEM DE CARÁTER MERCANTIL, uma vez que não implicam venda de mercadorias ou prestação de serviços; Fl. 1026DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 8  Conclui que cooperativa desenvolve atividades em favor de seus cooperados ou mesmo de outras cooperativas, verifica-se a ocorrência do chamado ato cooperativo, não sujeito à incidência do PIS e da COFINS. Para a DRJ, referente ao tema, o art. 146, inc. III, alínea "c" da Constituição Federal pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional não garante ao ato cooperativo imunidade ou não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. A Decisão recorrida também fez um histórico legislativo que determina a cobrança do PIS/COFINS, realizado pela DRJ: O contribuinte não pode ignorar a legislação posterior a 1971. No caso do PIS e da COFINS, com a Medida Provisória n° 1.858-6, de 1999, sucessivamente reeditada, e que deu base à Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, as sociedades cooperativas passaram a se submeter à incidência dessas contribuições como as pessoas jurídicas em geral, isto é, sobre o faturamento. A partir de 01/02/1999, a base de cálculo da COFINS e do PIS passou a ser regida pela Lei nº 9.718/98 (conversão da Medida Provisória n° 1.724, de 29/10/98). A isenção que era prevista no inciso I, do art. 6º, da Lei Complementar nº 70, foi, portanto, revogada pelo inciso II, do art. 23, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29/06/1999, posteriormente resultante na Medida Provisória nº 2.158-35, de 24/08/2001. Deve ser aqui levado em conta o disposto nos arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98. O primeiro artigo determinando que as contribuições serão apuradas com base no seu faturamento: (...) A base de cálculo desse faturamento é definida no art. 3º: (...) O Ato Declaratório SRF nº 88, de 17/11/1999, com a revogação contemplada pela já citada Medida Provisória nº 1.858-6/99, determinou a aplicação para os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1999: (...) De acordo com as já citadas leis, cabe mencionar a Instrução Normativa nº 635/2006, válida à época dos fatos, dispondo sobre a tributação do PIS e da Cofins para sociedades cooperativas em geral: (...) Sobre o entendimento do interessado de estar amparado pelos arts. 13 e 14 da Media Provisória nº 2.158-35, deve-se dizer que como sociedade cooperativa também não poderia se enquadrar nas entidades dispostas no inciso V, do art. 13, Fl. 1027DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 9 e no inciso X, do art. 14, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. Essa alegação foi objeto do relatório fiscal: Com relação as contas da Recorrente – atos cooperados, alega a ela que:  caracteriza-se como ato cooperativo todo aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.  Que para a consecução dos seus objetivos sociais, nenhum deles com finalidade de lucro, a RECORRENTE realiza inúmeros atos cooperativos, sendo certo que os valores respectivos são contabilizados como resultado de ato cooperativo; E assim, no afã de demonstrar a Recorrente o seu direito discorre sobre os valores contabilizados em seus livros, demonstrando a origem dos numerários escriturados, como resultado cooperado, e ai trás, explicação sobre: a) contribuição social; b) adicional contribuição social – câmara de compensação; c) câmara de compensação; d) procedimentos de alto custo – Pac cardiologia e pac oncologia; e) PAAS – Programa de Ampara a Altos Sinistros; f) Transporte aeromédico; g) Parj - plano assistencial do rio de janeiro; h) repasse pea - unimed do brasil, i) rede vpn vip mpls, cartão magnético, novos pos – conexão, novos pos – manutenção, reembolso sistema totvs, pulsos Embratel; j) banco de dados federativo; k) reembolso custos - central de atendimento 0800....w) reembolso de despesas - serviços federativos diversos. Todavia a Decisão anatematizada sustenta: Nos casos de atividades relacionadas a operadoras de saúde é de se comentar os reflexos que advieram da edição da Lei nº 12.873, de 25/10/2013, ocorreu alteração na matriz de custos assistenciais despendida no atendimento de seus próprios conveniados ou de outras operadoras atendidos no regime de responsabilidade assumida, podendo tais custos ser deduzidos da receita bruta das operadoras para fins de determinação da base de cálculo das contribuições. No entanto, observa-se que no caso da Unimed Rio de Janeiro, cooperativa de segundo grau como a mesma define em sua contestação, os serviços prestados não eram assim caracterizados. Isso pode ser constatado do disposto na própria peça de defesa pelo contribuinte, onde discrimina o seu objeto social (ver fl. 808 dos autos): “Nos termos do art. 3º do seu estatuto, para consecução de seu objetivo social, a IMPUGNANTE poderá, dentre outras atividades: (i) instituir ou contratar serviços de assessoramento para a integração e orientação das atividades das Federadas; (ii) criar serviços de apoio às atividades das Federadas, podendo oferecê-los, a qualquer tempo, a outras empresas, singulares ou não do Sistema Nacional Unimed; (iii) fornecer, direta ou Fl. 1028DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 10 indiretamente, as suas Federadas, outras singulares e empresas não integrantes do Sistema Nacional Unimed, os insumos de uso e consumo imprescindíveis a prática dos serviços de assistência médica e prevenção de doenças; (iv) importar ou exportar tecnologia e conhecimento.”. Na verdade as atividades do impugnante envolviam serviços de tecnologia, marketing, telecomunicação e manutenção, assim como organização de simpósios, palestras e feiras para as suas entidades federadas: “... a impugnante, pode, eventualmente, instituir ou contratar em favor de suas Federadas diversos serviços, tais como, tecnologia, marketing, telecomunicação e manutenção. Pode também organizar eventos como simpósios, palestras e feiras de negócios, fornecer insumos de uso e consumo imprescindíveis à prática das atividades das Federadas ou mesmo criar fundos de reservas com fins específicos”. (fls 815 a 816). Dessa forma, as rubricas mencionadas não se enquadram nas deduções previstas na legislação, devendo os ingressos qualificados no entender do contribuinte como resultados do ato cooperativo (rubrica nº 2.5.4.2.1.9.0.0.0.0.01 a 12) comporem a base de cálculo das contribuições: Primeiramente, no quadro abaixo, apuramos as bases de cálculo mensais destas contribuições, devendo ser destacado os seguintes pontos: (1) foram consideradas as receitas – ou ingressos de numerários – provenientes de atos cooperativos (Resultado do Ato Cooperativo – contas nº 2.5.4.2.1.9.0.0.0.0.01 a 12) e não cooperativos (Resultado Tributável – contas nº 2.5.4.2.2.9.0.0.0.0.01 a 12). (fl. 393, correspondente ao relatório fiscal) (gn) De outro lado, foram excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins as receitas que se encontravam abrangidas pela legislação de regência: Outra questão recursiva é que, para Recorrente não há incidência dos tributos em testilha em razão de meros ingressos de caixa, sendo necessário diferenciar entradas de ingresso de receitas. Mas, a DRJ considerou o que consta nos autos no Termo de Constatação Fiscal, ‘os meros ingressos numerários são receitas do contribuinte recebidos pelos serviços prestados. Confira o comentário da Recorrente durante a ação fiscal: “As irregularidades apuradas implicaram no lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), do PIS e da COFINS, calculados com base no regime cumulativo e nas receitas – ou ingresso de numerários – mensais referentes aos atos cooperativos e não cooperativos, cujos valores foram informados pelo próprio contribuinte, através da apresentação de demonstrativos devidamente assinados, e confirmados através dos assentamentos contábeis apresentados pelo mesmo, por meio de arquivos digitais ...”. (fl. 395) Fl. 1029DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 11 A DRJ, referente a outras questões se posicionou nas seguintes razões: O quinto tópico trata do fato de que o impugnante reclama da dedução de valores pagos a título de PIS no ano calendário de 2011, pois teria ocorrido a dedução apenas dos valores recolhidos com Código de Receita 8109 (PIS sobre Faturamento – Regime Cumulativo), deixando de considerar os valores recolhidos com Código de Receita 8301 (PIS sobre Folha de Pagamento). Entende que o recolhimento feito com código diverso não dá o direito de os mesmos serem desconsiderados, sob pena de ensejar enriquecimento ilícito do Estado. Aponta que o montante recolhido para esse período seria de R$ 50.835,11. Temos que nos ater ao que consta nos Autos de Infração em litígio. Tributos como o PIS e a Cofins possuem diversos formas de recolhimento, cada uma tendo um Código de Receita específico, com fato gerador, base de cálculo, alíquota e vencimento diferentes. Temos, por exemplo, incidências do regime cumulativo, que não podem ser confundidas com as do regime não cumulativo. Da mesma forma, temos situações que tem como ocorrência fatos geradores que tem sua aplicação com base na folha de pagamento. Elas distam totalmente das ocorrências que tratam do regime cumulativo, sendo que esse último é o que se aplica ao contribuinte nesse processo. Podemos ver, por exemplo, no corpo do Auto de Infração do PIS à fl. 398, que os lançamentos se referem a incidência cumulativa (o mesmo vale para o demonstrativo de apuração). Os enquadramentos legais que dão suporte ao lançamento versam sobre esse tipo de regime. O Código de Receita que consta nos lançamentos se refere ao PIS sobre Faturamento no Regime Cumulativo, sendo identificado pelo CR 8301. O procedimento fiscal não analisou os valores devidos ou que deveriam ser recolhidos com base no PIS sobre a Folha de Pagamento, correspondente ao Código de Receita 8301. Dessa forma, não se pode dar guarida a pretensão do contribuinte, pois se tratam, como já dito, de fatos geradores diferentes. No caso de o contribuinte ter identificado um recolhimento a maior relativamente ao Código de Receita 8301, deve se utilizar dos mecanismos legais para reaver tais valores, ou seja, pedidos de restituição/ressarcimento ou declarações de compensação, mas não querer que tais valores sejam abatidos de uma situação totalmente diferente como a aqui tratada nesses autos. O sexto aspecto levantado na peça de defesa requer a realização de perícia técnica, apresentando os quesitos da fl. 835 dos autos. Não se vê motivos para a realização de perícia técnica. Os serviços prestados pelo impugnante estão bem claros nesse processo. A legislação que se aplica para as sociedades cooperativas está toda discriminada no Termo de Constatação Fiscal. Fl. 1030DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 12 Já vimos que essa mesma legislação revogou a isenção que havia para as sociedades cooperativas. Os quesitos comentados pelo impugnante poderiam estar discorridos em sua contestação, sem necessidade de perícia técnica, não se observando motivos para o deferimento de tal pedido. Além do mais, os elementos probatórios se encontram todos em posse do contribuinte, sendo dispensável outro procedimento para que esse traga tais elementos ao processo, não sendo admissível qualquer alegação de dificuldade de acesso na busca dessas informações ou dos respectivos documentos comprobatórios. O processo se encontra devidamente instruído com todos os elementos de prova necessários à formação de convicção desta autoridade julgadora, lembrando-se o que dispõe o artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Indefere-se, portanto, o pedido de perícia. Desta forma, tem-se que a testilha cinge-se em cooperativa cuja autuação alcançou receitas decorrentes de atividades reputadas típicas e atípicas do ato cooperado. A controvérsia central reside em definir quais dessas atividades se encontram fora do campo de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, notadamente no que se refere aos valores registrados a título de reembolso de custos (rateio), objeto específico da insurgência recursal. No curso da fiscalização, a Recorrente indicou determinadas contas contábeis à autoridade fiscal (e-fl. 373): Ao final dos trabalhos, foram objeto de autuação conforme consignado às e-fls. 392/392: Fl. 1031DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 13 Conforme seu estatuto social, a Recorrente atua no ramo de saúde e, além de operar com seus cooperados, fornece insumos de uso e consumo a terceiros não integrantes do Sistema Nacional Unimed. Sustenta que valores transitados em suas contas, a título de rateio de custos com federadas, não configurariam receita própria, razão pela qual não se sujeitariam à incidência das contribuições. Depreende-se dos autos que a Recorrente pratica atos cooperados com associados (atos típicos) e com não associados (atos atípicos). No que concerne aos atos cooperativos típicos, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.141.667/RS, sob o rito dos recursos repetitivos, firmou entendimento no sentido de que não incide PIS/COFINS sobre tais atos. Todavia, a matéria também é objeto do Tema 536 do Supremo Tribunal Federal, no qual se discute a incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo, encontrando-se a controvérsia submetida à sistemática da repercussão geral. Fato é que ambas as discussões circundam a relação com terceiro não associado. A princípio, o posicionamento vem sendo favorável à incidência do PIS e da COFINS, excluídas as deduções legais (Lei nº 9.718/98). Assim, os atos realizados com terceiros, salvo melhor juízo, devem sofrer a incidência das contribuições, observadas as deduções legais. Quanto aos atos tidos por típicos, a controvérsia específica devolvida a esta instância refere-se aos valores registrados como rateio de custos. Sustenta a Recorrente que tais ingressos não configuram receita, mas mero trânsito contábil destinado ao reembolso de despesas comuns, razão pela qual não poderiam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme argumentado na defesa: 18. Com efeito, os valores ingressados nas contas da RECORRENTE, mormente quando a título de rateio de despesas, não podem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, vez que a base de cálculo dessas contribuições extravasar deve necessariamente se coadunar com o comando estampado na alínea “b”, inciso I, do art. 195 da CF/88. Fl. 1032DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 14 Por sua própria natureza, o rateio não configura receita. Com efeito, para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, a base de cálculo corresponde à receita auferida pela pessoa jurídica, entendida como ingresso que represente acréscimo patrimonial e se incorpore de forma definitiva ao seu patrimônio, independentemente da classificação contábil adotada. Nesse contexto, valores que apenas transitam pela contabilidade da entidade, sem representar ingresso novo ou riqueza própria, não se amoldam ao conceito jurídico-tributário de receita. Se os montantes classificados como rateio de custos constituírem simples recomposição de despesas anteriormente suportadas, sem margem, remuneração ou conteúdo econômico autônomo, não haverá fato gerador das contribuições, mas mero reembolso destinado a neutralizar dispêndio previamente realizado. Por outro lado, caso se verifique que tais valores extrapolam a estrita recomposição de custos, representando ingresso com conteúdo econômico próprio ou vinculado à prestação de serviços a terceiros, estará configurada receita sujeita à incidência do PIS e da COFINS. À vista disso, afastando-se a mera nomenclatura contábil e examinando-se a natureza efetiva dos valores autuados à luz de sua materialidade econômica, conclui-se que os valores relativos ao rateio de custos com as federadas, quando não configurarem ingresso definitivo nem acréscimo patrimonial, mas simples trânsito contábil, não constituem fato gerador das contribuições. Quanto a juntada posterior de documentos, há de se analisar sem a rigorosidade do formalismo, mas indefere-se, a uma porque o que se tem nos autos são suficientes para ter a causa como madura para seu julgamento e, a duas porque se em sede recursal a Recorrente não visualizou os documentos necessários para sua defesa, não será com novo prazo que isso ocorrerá. Quanto ao endereçamento das intimações aos patronos da Recorrente, outro pedido contido ao cabo da peça recursal é a intimação do contribuinte, na pessoa dos seus advogados. Em relação a esse tipo de requerimento, eis o entendimento consolidado no enunciado nº 110 da súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 110 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Sendo a súmula posicionamento do colegiado com efeito vinculante, cabe aos seus membros tão somente segui-la, o que se faz nesse ato. Fl. 1033DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.460 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.730154/2015-44 15 Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário aviado e dou-lhe parcial provimento para afastar da base de cálculo do PIS e da COFINS as parcelas relativas ao rateio de custos com as federadas. É como voto. Assinado Digitalmente Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 1034DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11080.724637/2016-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir as multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de Leis, conforme inteligência da Súmula CARF nº 2. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DECORRÊNCIA. A pessoa jurídica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo obrigada a recolher, em decorrência, as contribuições previdenciárias patronais, inclusive, as destinadas a terceiros, incidentes sobre os valores pagos a segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I, DO CTN. FRAUDE COMPROVADA EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PARTICIPAÇÃO NA REALIZAÇÃO DO FATO GERADOR OU NA FRAUDE. COMPROVAÇÃO. SOLIDARIEDADE CARACTERIZADA. A solidariedade de fato, prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, atinge a pessoa física ou jurídica que tenha interesse comum na situação que dá origem à obrigação tributária, sendo necessário, no entanto, que a fiscalização comprove, como no caso em análise, além do interesse econômico, a participação da pessoa a ser responsabilizada na realização do fato gerador ou em ilícito relacionado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. ARTIGO 135, INCISO III, DO CTN. MANUTENÇÃO. A imputação da responsabilidade tributária impõe a autoridade tributária a obrigação de efetuar a subsunção do plano fático ao plano jurídico ao responsabilizar o sócio administrador, demonstrando e comprovando quais os atos foram por esse praticados com excesso de poderes e/ou infração de lei, contrato social ou estatuto, relacionando referido(s) ato(s) a lei e/ou dispositivo do contrato social ou estatuto violados, devendo ser mantida a sujeição passiva quando a Autoridade Fiscal descreve pormenorizadamente os atos praticados com excesso de poder e contrário à lei pela pessoa física, de forma isolada da contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MOTIVOS APURADOS E DEMONSTRADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. No caso em análise restou devidamente comprovada. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C”, DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR DE 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte.
Numero da decisão: 1402-007.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negar provimento, a fim de manter integralmente os lançamentos; manter a multa de ofício qualificada aplicada, porém reduzindo seu percentual para 100% em obediência à retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN e manter a sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídicas constantes do processo, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Alessandro Bruno Macêdo Pinto - Relator. (documento assinado digitalmente) Sandro de Vargas Serpa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alessandro Bruno Macêdo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni e Sandro de Vargas Serpa (Presidente).
Nome do relator: ALESSANDRO BRUNO MACEDO PINTO

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir as multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de Leis, conforme inteligência da Súmula CARF nº 2. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DECORRÊNCIA. A pessoa jurídica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo obrigada a recolher, em decorrência, as contribuições previdenciárias patronais, inclusive, as destinadas a terceiros, incidentes sobre os valores pagos a segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I, DO CTN. FRAUDE COMPROVADA EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PARTICIPAÇÃO NA REALIZAÇÃO DO FATO GERADOR OU NA FRAUDE. COMPROVAÇÃO. SOLIDARIEDADE CARACTERIZADA. A solidariedade de fato, prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, atinge a pessoa física ou jurídica que tenha interesse comum na situação que dá origem à obrigação tributária, sendo necessário, no entanto, que a fiscalização comprove, como no caso em análise, além do interesse econômico, a participação da pessoa a ser responsabilizada na realização do fato gerador ou em ilícito relacionado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. ARTIGO 135, INCISO III, DO CTN. MANUTENÇÃO. A imputação da responsabilidade tributária impõe a autoridade tributária a obrigação de efetuar a subsunção do plano fático ao plano jurídico ao responsabilizar o sócio administrador, demonstrando e comprovando quais os atos foram por esse praticados com excesso de poderes e/ou infração de lei, contrato social ou estatuto, relacionando referido(s) ato(s) a lei e/ou dispositivo do contrato social ou estatuto violados, devendo ser mantida a sujeição passiva quando a Autoridade Fiscal descreve pormenorizadamente os atos praticados com excesso de poder e contrário à lei pela pessoa física, de forma isolada da contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MOTIVOS APURADOS E DEMONSTRADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. No caso em análise restou devidamente comprovada. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C”, DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR DE 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte.

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O emprego dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade não autoriza o julgador administrativo a dispensar ou reduzir as multas expressas na lei, não havendo desrespeito a estes princípios quando a autuação se pauta pelo princípio da legalidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de Leis, conforme inteligência da Súmula CARF nº 2. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DECORRÊNCIA. A pessoa jurídica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo obrigada a recolher, em decorrência, as contribuições previdenciárias patronais, inclusive, as destinadas a terceiros, incidentes sobre os valores pagos a segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. Fl. 5664DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 2 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I, DO CTN. FRAUDE COMPROVADA EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PARTICIPAÇÃO NA REALIZAÇÃO DO FATO GERADOR OU NA FRAUDE. COMPROVAÇÃO. SOLIDARIEDADE CARACTERIZADA. A solidariedade de fato, prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, atinge a pessoa física ou jurídica que tenha interesse comum na situação que dá origem à obrigação tributária, sendo necessário, no entanto, que a fiscalização comprove, como no caso em análise, além do interesse econômico, a participação da pessoa a ser responsabilizada na realização do fato gerador ou em ilícito relacionado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. ARTIGO 135, INCISO III, DO CTN. MANUTENÇÃO. A imputação da responsabilidade tributária impõe a autoridade tributária a obrigação de efetuar a subsunção do plano fático ao plano jurídico ao responsabilizar o sócio administrador, demonstrando e comprovando quais os atos foram por esse praticados com excesso de poderes e/ou infração de lei, contrato social ou estatuto, relacionando referido(s) ato(s) a lei e/ou dispositivo do contrato social ou estatuto violados, devendo ser mantida a sujeição passiva quando a Autoridade Fiscal descreve pormenorizadamente os atos praticados com excesso de poder e contrário à lei pela pessoa física, de forma isolada da contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MOTIVOS APURADOS E DEMONSTRADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. No caso em análise restou devidamente comprovada. Fl. 5665DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 3 APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C”, DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR DE 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negar provimento, a fim de manter integralmente os lançamentos; manter a multa de ofício qualificada aplicada, porém reduzindo seu percentual para 100% em obediência à retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN e manter a sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídicas constantes do processo, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Alessandro Bruno Macêdo Pinto - Relator. (documento assinado digitalmente) Sandro de Vargas Serpa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alessandro Bruno Macêdo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni e Sandro de Vargas Serpa (Presidente). Fl. 5666DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 4 RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ04) que decidiu manter os Autos de Infração para exigência das contribuições da empresa e do empregador, para outras entidades e fundos, bem assim multa previdenciária pela não exibição de documento ou livro, acrescidos da multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora, no valor total de R$ 868.206,14, apuradas no período de 04/2012 a 12/2013. 2. Ademais disso, houve a responsabilização solidária das empresas DEFESA PATRIMONIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA, LUZ & OLIVEIRA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA – EPP e JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA SERVIÇOS - EPP, nos termos do artigo 124, inciso II, do Código Tributário Nacional-CTN. 3. Bem assim, da senhora ÂNGELA FAGUNDES DA LUZ OLIVEIRA e do senhor JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA, com base no artigo 135, inciso III, do CTN. 4. Os Autos de Infração foram fundamentados nos seguintes termos: Fl. 5667DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 5 Fl. 5668DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 6 Fl. 5669DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 7 5. Para evitar repetições, colaciono o relatório do v. acórdão recorrido: [...] Relatório Tem-se em pauta impugnações dos sujeitos passivos contra autos de infração (AI), relativos às competências 04/2012 a 13/2013, para a exigência dos seguintes tributos:  AI de contribuição da empresa e do empregador (fls. 2/18), incluindo riscos ambientais, no valor de R$ 677.824,12;  AI de contribuição para outras entidades e fundos (fls. 19/41), no valor total de 168.951,91;  AI de multas previdenciárias: multa regulamentar pela não exibição de documento ou livro (fls. 42/48), valor R$ 21.430,11. Nos dois primeiros autos de infração, foram apuradas as seguintes infrações:  Valores pagos ou creditados a contribuintes individuais não oferecidos à tributação;  Rubricas a segurados empregados não oferecidas a tributação;  GILRAT sobre rubricas de empregados não oferecidas a tributação. Fl. 5670DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 8 No relatório fiscal do processo (fls. 49/70), a auditoria relata que o contribuinte autuado foi excluído do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/04/2012. Informa que, no cadastro da Receita Federal, a empresa está enquadrada nas seguintes atividades (CNAE FISCAL): • Atividade principal: 9512-6-00 - Reparação e manutenção de equipamentos de comunicação; • Atividades secundárias: • 6209-1-00 - Suporte técnico e manutenção de serviços de tecnologia da informação • 8011-1-01 - Empresa de segurança e vigilância Analisando as notas fiscais de serviços emitidas pela empresa, a Fiscalização observou que os serviços prestados em 2012 e 2013 são de portaria, limpeza, zeladoria e serviços gerais, conforme "planilha 4 - relação de notas fiscais de prestação de serviços". Nas GFIP enviadas antes do início da ação fiscal, constatou que o maior número de segurados é porteiro conforme Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), demonstrado na planilha 3 (fls. 792/836). A auditoria afirma que o enquadramento correto no CNAE é 81.11-7/00 - Serviços combinados para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais. As remunerações dos segurados foram apuradas nas GFIP, nas folhas de pagamentos e na contabilidade, e estão discriminadas na planilha 1 (fls. 790). As remunerações dos contribuintes individuais foram obtidas nas GFIP e estão listadas na planilha 6 (fl. 857). O fator acidentário de prevenção (FAP), multiplicador da alíquota RAT, disponibilizado pelo Ministério da Previdência Social, foi aplicado na razão de 1,0000 para todo o período. Foi aplicada multa por descumprimento de obrigação acessória por ter o contribuinte apresentado livros Diário, de 01/2012 a 12/2013, com informação diversa da realidade e também omitindo informações. Da auditoria dos referidos livros observou-se que: • Não existem lançamentos contábeis referentes à manutenção da sede, tais como: aluguéis, condomínio, IPTU, luz. Em 2012, não existem lançamentos em contas de "banco contas movimento", e em 2013, há somente um único lançamento; • A receita bruta identificada nas notas fiscais de prestação de serviços totalizavam, em 2012, R$ 559.479,91 e, em 2013, R$ 1.958.359,18. No entanto, na conta contábil "4.1.1.02.001 - serviços prestados" foram registradas as receitas de R$ 397.015,08, em 2012 e, R$ 1.380.693,03, em 2013. A empresa deixou de lançar como receitas, valores de vale transporte, vale refeição e material utilizado na portaria, constantes das notas fiscais. Portanto, foram omitidas receitas na contabilidade; • Não existem lançamentos contábeis das retenções para a Previdência Social efetuadas nas notas fiscais. A auditoria arrolou como responsáveis solidárias de direito, com fundamento no art. 124, inciso II, do CTN, as seguintes empresas: • Defesa Patrimonial Prestação de Servicos LTDA, CNPJ 00.351.640/0001-46; • Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda - EPP , CNPJ 05.418.201/0001-27; • José Luiz Santos de Oliveira Serviços - EPP, CNPJ 11.072.435/0001-68. Fl. 5671DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 9 Para a auditoria, as empresas integram grupo econômico juntamente com a empresa Autuada. Informa que as empresas possuem os mesmos sócios, possuem mesma direção, sede no mesmo endereço, mesmo nome de fantasia "Defesa Patrimonial" e as atividades exercidas são as mesmas: portaria, limpeza e serviços gerais. Diz ainda que, nas notas fiscais das quatro empresas, o logotipo é o idêntico "Defesa Patrimonial". Além disso, o email e telefones constantes das notas são os iguais. No cadastro do CNPJ, o nome fantasia é o identico "Defesa Patrimonial". As quatro empresas utilizam o igual sistema de folha de pagamentos e contabilidade, licenciado para a empresa Defesa Patrimonial, conforme consta no cabeçalho. A única contadora assina os livros Diário de 2012 das quatro empresas. Da análise do faturamento das quatro empresas, a auditoria constatou que o faturamento declarado era inferior ao apurado nas notas fiscais de serviços. Das quatro empresas, três eram optantes pelo simples (Luz & Oliveira, José Luiz EPP e Ângela Fagundes EPP). Mais: que as empresas são impedidas de optar pelo simples conforme art. 3.º, §4.º, incisos III, IV e V, da LC n.º 123/2006. Além disso, a soma do faturamento do grupo de empresas ultrapassa o limite para opção pelo Simples. A auditoria conclui que a empresa fiscalizada não poderia optar pelo SIMPLES por ter um faturamento global superior ao máximo permitido por lei. Tal subterfúgio visou diminuir as contribuições previdenciárias devidas, declarando em GFIP opção pelo Simples. Para o Fisco, tais fatos caracterizam a conduta dolosa do contribuinte. Também foi atribuída responsabilidade solidária para a sra. Ângela Fagundes da Luz Oliveira, por ser empresária individual e ao sr. José Luiz Santos de Oliveira, que possui procuração com amplos poderes para administrar a empresa individual Ângela Fagundes da Luz Oliveira EPP. A estas pessoas foi atribuída responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, com fundamento no art. 135 do CTN. Em razão da atitude dolosa narrada, a multa de ofício foi qualificada e aplicada em dobro (150%), nos termos do art. 44, §1.º da Lei n.º 9.430/1996. A Fiscalização instruiu o feito com cópias dos seguintes documentos: notas fiscais (fls. 90/501); Contabilidade (fls. 502/675); GFIP (fls. 676/730); folhas de pagamentos (fls. 731/780); declaração Simples (fls. 781/788); ato exclusão simples (fl. 789); remuneração empregados GFIP (fls. 790); dados GFIP (fl. 791); segurados em GFIP e CBO (fls. 792/836); relação notas fiscais (fls. 837/855); resumo notas (fl. 856); remuneração CI GFIP (fl. 857); procuração (fls. 858/859); doc. Defesa Patrimonial (fls. 860/1684); doc. José Luiz EPP (fls. 1685/3201); doc. Luz & Oliveira (fls. 3202/4567). O contribuinte Ângela Fagundes da Luz Oliveira EPP teve ciência do lançamento em 06/07/2016 (fl. 4571). Os responsáveis solidários foram cientificados do lançamento nas seguintes datas: Defesa Patrimonial Prestação de Servicos LTDA, CNPJ 00.351.640/0001-46, em 06/07/2016 (fl. 4578); Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda - EPP , CNPJ 05.418.201/0001-27, em 06/07/2016 (fl. 4585); José Luiz Santos de Oliveira Serviços - EPP, CNPJ 11.072.435/0001-68, em 06/07/2016 (fl. 4592); Angela Fagundes da Luz Oliveira, CPF 914.484.920-68, em 07/07/2016 (fl. 4599); Jose Luiz Santos de Oliveira, CPF 919.051.920-53, em 07/07/2016 (fl. 4606). Em 02/08/2016, Defesa Patrimonial Prestação de Serviços Ltda; Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda - Epp e José Luiz Santos de Oliveira Serviços apresentaram impugnação conjunta (fls. 4614/4631), em face dos autos de contribuições patronais, argumentando que: 1. preliminarmente, a inexistência de responsabilidade solidária - grupo econômico: Fl. 5672DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 10 1.1. as empresas impugnantes não compõem grupo econômico com o sujeito passivo, cada uma das empresas tem suas direções, clientes, receitas, despesas e quadro de funcionários; 1.2. a responsabilidade solidária não pode se presumir e mesmo quando pertencem ao mesmo grupo econômico inexiste a solidariedade passiva se não provado o "interesse comum"; 2. Suspensão da exigibilidade do crédito; 3. Nulidade da notificação fiscal por cerceamento de defesa: 3.1. o AI não contém todas as informações necessárias ao perfeito conhecimento do débito e sua apuração; 3.2. a auditora baseou-se em meras alegações para responsabilizar a reclamante; 3.3. diante da inexistência de resistência da empresa em fornecer as informações e documentos requeridos pelo auditor, infundada a origem do débito; 4. Nulidade da notificação fiscal por não preenchimento dos requisitos para sua lavratura e pela falta de provas. Ausente a descrição da falta imputada ao contribuinte e da situação fática. Violação ao art. 142 do CTN. Nulidade por cerceamento de defesa (art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72); 5. violação dos princípios da legalidade e da motivação; 6. Não ocorrência de grupo econômico: cada uma das empresas tem suas direções, clientes, receitas, despesas e quadro de funcionários; 7. não inclusão dos valores a título de vale alimentação e vale transporte na base de cálculo. A empresa é participante do PAT e assim os valores pagos a título de reembolso alimentação não integram a base de cálculo; 8. inexistência de dívida da cota patronal incidente sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais; 9. Da alíquota RAT: 9.1. a empresa está corretamente enquadrada no CNAE-FISCAL, de acordo com sua atividade principal (tem outras secundárias). Tratando-se de prestação de serviços variados, deve-se levar em conta a sazonalidade, não podendo basear-se em curto espaço de tempo que é uma fiscalização; 9.2. o auto não preencheu os requisitos para o reenquadramento das atividades da empresa; 9.3. a edição do Decreto n.º 6957/2009 se deu de forma imotivada, incoerente e abusiva; 9.4. o FAP utilizado nas declarações está correto, não devendo ser objeto de alteração; 10. Da não omissão de receitas: 10.1. a empresa não omitiu receitas. Apenas não contabilizou o que não lhe pertence haja vista que os valores recebidos como reembolso de vale transporte e vale alimentação não são receitas, mas sim repasse aos seus funcionários; 10.2. são benefícios previstos em convenção coletiva e não integram a base de cálculo; Fl. 5673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 11 10.3. o pagamento dos benefícios se dá por meio eletrônico 11. Inaplicabilidade de juros moratórios pela SELIC; 12. a multa aplicada contraria os arts. 150, IV e 5.º, XXII da Carta Política. A multa de mora deve ser limitada a 20%, conforme art. 35 da Lei n.º 8.212/1991. Ao final, requer a suspensão da exigibilidade do crédito, abstendo-se assim este órgão administrativo de incluir a empresa impugnante no CADIN, bem como a de emitir certidão positiva contra a impugnante, até ser exaurida a discussão desta impugnação. Requer, ainda que seja reconhecida a inocorrência de responsabilidade solidária e julgada improcedente a impugnação. Com a impugnação, trouxe cópias dos seguintes documentos: procuração e identificação (fls. 4632/4646); auto de infração (fls. 4647/4698). Na mesma data (02/08/2017), Defesa Patrimonial Prestação de Serviços Ltda; Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda - Epp e José Luiz Santos de Oliveira Serviços apresentaram segunda impugnação conjunta (fls. 4701/4715), contestando a responsabilidade solidária relativa ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Traz as mesmas preliminares já veiculadas na primeira impugnação e, no mérito, alega que: 13. em que pese ter apresentado toda a documentação requerida, a autoridade considerou deficiente os livros Diário n.º 01 e 02. Argumenta que o legislador dispôs sobre a recusa ou sonegação de exibição de documentos ou livros, nada referindo sobre informações diversas, tão somente autorizando a SRF a lançar o tributo de ofício, por meio de aferição indireta; 14. os livros contábeis foram adequadamente apresentados à auditoria, não caracterizando a infração, e examinados sem prejuízo do procedimento fiscal; 15. para efeitos fiscalizatórios, é irrelevante a data em que os livros Diário foram registrados e autenticados, desde que exibidos a tempo; 16. subsidiariamente, requer a redução da penalidade, visto que imputada sem observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Com a impugnação, trouxe cópias dos seguintes documentos: procuração e identificação (fls. 4716/4730); auto de infração (fls. 4731/4768). Também em 02/08/2016, o contribuinte Angela Fagundes da Luz Oliveira EPP apresentou impugnação (fls. 4771/4784), contestando a infração da obrigação acessória, de conteúdo idêntico ao da impugnação apresentada pela empresa Defesa Patrimonial. Em 02/08/2016, Defesa Patrimonial Prestação de Serviços Ltda; Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda - Epp e José Luiz Santos de Oliveira Serviços apresentaram impugnação conjunta (fls. 4822/4838), em face do AI relativo a contribuições de terceiros, veiculando os mesmos argumentos já argüidos nas demais impugnações e acrescentando que: 17. inexigibilidade do salário-educação: a educação é um dever do Estado, que não pode repassar o ônus aos empresários. Contribuição inconstitucional. Além disso, tem a mesma base de cálculo de outra contribuição, contrariando a constituição e a competência tributária, sendo caso de bis in idem; 18. INCRA: trata-se de empresa urbana, que não pode ser tributada por não haver nexo causal; 19. SESC e SENAC: foram criados para auxiliar aqueles que trabalham no comércio, não se admitindo a imposição da contribuição aos que não estão diretamente ligados ao comércio; Fl. 5674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 12 20. SEBRAE: sua base de cálculo é inconstitucional pois, com a EC 33/2001, não há permissão para a alíquota incidir sobre a folha de pagamentos. Na mesma data 02/08/2016, Angela Fagundes da Luz Oliveira EPP juntou impugnações contestando as contribuições para terceiros (4914/4930) e as contribuições patronais (fls. 4988/5004), de conteúdo idêntico às impugnações apresentadas pela empresa Defesa Patrimonial. Em, 02/08/2016, Ângela Fagundes da Luz Oliveira e José Luiz Santos de Oliveira apresentaram impugnações conjuntas, contestando a responsabilidade passiva solidária pelas contribuições para terceiros (fls. 5056/5072); pela multa por não exibição de livros e documentos (fls. 5137/5150); as contribuições patronais (fls. 5195/5267). Apresentam as mesmas razões contidas nas impugnações da empresa Defesa Patrimonial, aduzindo adicionalmente: 21. Preliminar de nulidade do lançamento por inexistência de responsabilidade solidária: a auditora não especifica em qual afronta a lei ou estatuto social incorreram os impugnantes nem comprova o dolo ou infração a lei. Com a impugnação, trouxe cópias dos seguintes documentos: procuração e identificação (fls. 5212/5218); auto de infração (fls. 5219/5263); inscrição no PAT (fls. 5264/5267). [...] (grifos nossos) 6. A DRJ/REC (DRJ04) proferiu o v. acórdão recorrido de fls. 5291/5318, julgando parcialmente procedente a Impugnação, a fim de afastar a responsabilidade das pessoas jurídicas apontadas como solidárias pelo AI de contribuição para outras entidades e fundos, mantendo a responsabilidade em relação aos demais Autos de Infração; manter a responsabilidade das pessoas físicas apontadas como solidárias por todos os Autos de Infração; e manter integralmente o crédito tributário lançado, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DECORRÊNCIA. A pessoa jurídica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo obrigada a recolher, em decorrência, as contribuições previdenciárias patronais, inclusive as destinadas a terceiros, incidentes sobre os valores pagos a segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Tem expressa previsão legal a aplicação da taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2012 SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITO SUSPENSIVO. INOCORRÊNCIA. Fl. 5675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 13 No âmbito do processo administrativo, o efeito suspensivo deve estar expresso em lei. Não existe previsão legal para a suspensão dos efeitos da exclusão do Simples Nacional por meio de Ato Declaratório. O CTN, art. 151, inciso III somente determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ATO ADMINISTRATIVO REGULARMENTE EMITIDO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O ato administrativo de exclusão do Simples Nacional que obedece a todos os requisitos essenciais de validade legal, expondo de forma clara e precisa o motivo da exclusão a que se refere, permite o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao interessado e atende aos princípios constitucionais. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a manifestação de inconformidade ao ato administrativo de exclusão, momento em que poderá ser exercido plenamente o direito de defesa, no qual serão considerados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as provas apresentadas. Constatado que o procedimento fiscal cumpre os requisitos da legislação de regência, proporcionando a ampla oportunidade de defesa, resta insubsistente a preliminar de nulidade suscitada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 INFRAÇÃO À LEI. ADMINISTRADORES. MANDATÁRIOS. RESPONSABILIDADE. Os administradores (diretores ou gerentes) e os mandatários (procuradores) são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CTN. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. A suspensão da exigibilidade do crédito, nos termos do art. 151, III do CTN é inerente à apresentação de impugnação ou manifestação de inconformidade contra a imputação fiscal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU INFORMAÇÕES DEFICIENTES. INFRAÇÃO. MULTA. Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e/ou livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização, ou apresentar livro ou documento de forma deficiente (que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA. Fl. 5676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 14 Não há solidariedade das empresas integrantes de grupo econômico com relação as obrigações tributárias relativas a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), por falta de disposição legal nesse sentido. 7. Inconformados com o v. acórdão a quo, a contribuinte e todos os responsáveis solidários interpuseram recurso. 8. A contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 5411/5435, já os responsáveis solidários: DEFESA PATRIMONIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA., JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA SERVIÇOS -EPP, LUZ & OLIVEIRA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA – EPP, ÂNGELA FAGUNDES DA LUZ OLIVEIRA e JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA, anexaram defesa às fls. 5457/5481, fls. 5501/5525, fls. 5546/5570 e fls. 5598/5622, respectivamente. 9. Como trata-se de recursos idênticos, elaborados pelo mesmo patrono, com os mesmos argumentos trazido nas Impugnações de fls. 4614/4631, 4701/4715, 4771/4784, 4822/4838, 4914/4929, 4988/5004, 5056/5072, 5137/5150 e 5195/5211, serão analisados como se um só fossem. As alegações, em síntese, foram as seguintes: i. Preliminares: i.i “SUSPENSÃO DA EXEGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”, afirma que: “(...) Uma das formas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário diz respeito aos recursos voluntários. Durante o processo administrativo tributário, o contribuinte não seja obrigado a pagar a exigência fiscal enquanto estiver discutindo a exigibilidade do débito. Este raciocínio encontra seu alicerce Constitucional no art. 59, XXXIV, "a" da CFB/88 in verbis: (...)”; “(...) Os princípios elencados a seguir, representam, em seu conjunto, verdadeira conditio sine qua non da validade constitucional do processo administrativo tributário brasileiro, justamente por encontrarem fulcro constitucional no art. 52, incisos LIII, LIV e LV, da CF/88: a) direito de impugnação administrativa à pretensão fiscal (art. 59, LIV); b) direito a autoridade julgadora competente (art. 59, LIII); c) direito ao contraditório (art. 52, LV); d) direito à cognição formal e material ampla (art. 59, LV); e) direito à produção de provas (art. 52, LV); f) direito a recurso hierárquico (art. 52, LV). Durante a discussão administrativa do tributo, o contribuinte terá a seu favor a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (...)”; “(...) As impugnações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário conforme disposto no art. 151, III do CTN: (...)”; “(...) Vale lembrar que a constituição do crédito tributário, só será definitiva quando a decisão do processo administrativo estiver finalizada. Porem, conforme o art. 156, IX do CTN, in verbis, for favorável ao contribuinte, o crédito tributário será extinto: (...)”; Fl. 5677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 15 “(...) Vale destacar que o STJ pacificou a matéria editando a súmula nº 373: "É ilegítimo a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo." Portanto, o presente recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III do CTN e princípios constitucionais (...)”; i.ii “NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL POR CERCEAMENTO DE DEFESA”, afirma que: “(...) O Auto de Infração não contém todas as informações necessárias ao perfeito conhecimento do ato, bem como não preenche os requisitos elencados na legislação própria, não merecendo, portanto, prosperar. Assim, está inserido em total nulidade o documento ora recorrido (...)”; “(...) Com efeito, a defesa da empresa foi obstaculizada, pois não são oferecidos elementos suficientes que possam permitir a realização do contraditório e da ampla defesa, uma vez que nem ao menos lhe foi oportunizado depoimento junto a Gerência Regional de Porto Alegre (...)”; “(...) Ora, fica evidente o equívoco por parte da autoridade reclamada em basear-se em meras alegações para responsabilizar a empresa e autuá-la para pagar um débito que não gerou e de que não tem responsabilidade. Conforme já referido, a empresa encontra-se em situação regular perante o fisco e vem cumprindo com sua obrigação tributária (...)”; “(...) O presente ato declaratório executivo encontra-se eivado de nulidade, pois não demonstra com clareza a sua idoneidade diante da situação em que foi gerado, eivado, portando de pontos duvidosos (...)”; “(...) O agente fiscal responsável por formalizar a representação fiscal com fins de exclusão do regime simplificado de tributação deveria ter oportunizado e esclarecido as questões sobre a sociedade empresária manifestante, já que durante a fiscalização não esboçou ter concluído qualquer situação que a levasse a requisitar a exclusão da empresa do regime simplificado de tributação. A empresa somente ficou ciente de tal situação após a publicação do ato (...)”; “(...) É notário que, para possibilitar a ampla defesa do contribuinte, faz-se necessária a discriminação pormenorizada da origem e natureza dos débitos, pois somente assim a recorrente terá possibilidade de se defender plenamente (...)”; “(...) Por se tratar o ato administrativo, portanto vinculado, pois a lei estabelece requisitos para o alcance de sua validade, a imprecisão, a falta de clareza e os erros existentes, já identificados, nulificam todo o procedimento. Se a lei fala em obrigatoriedade dos requisitos não poderá a autoridade administrativa, compulsoriamente e sem poderes para tanto, se desvirtuar de tal comando legal (...)”; “(...) Neste sentido é a doutrina pátria, conforme se depreende da lição do mestre HELY LOPES MEIRELLES, quando trata dos atos vinculados (...)”; Fl. 5678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 16 “(...) Acrescenta também, EDUARDO MARCIAL FERREIRA JARDIM, na obra Dicionário Jurídico Tributário, pg. 114, quando discorre acerca da nulidade do ato administrativo, in verbis: (...)”; “(...) Diante da inexistência de resistência da empresa em fornecer as informações e documentos requeridos pela Auditora-fiscal da Receita, infundada a conclusão pela exclusão do regime simplificado e consequente expedição do ato administrativo, por não ter o procedimento fiscal respeitado a legislação pertinente, como que também o direito de defesa da recorrente ficou totalmente obstaculizado, ferindo os direitos constitucionais assegurados pela Carta Maior de nosso país, do contraditório e da ampla defesa (...)”; “(...) A Constituição Federal existe para ser cumprida por todos, razão pela qual o impugnado deve obedecer os princípios nela insculpidos. Neste sentido, leciona Celso Antônio Bandeira de Mello, na Revista Ajuris (...)”; “(...) O cerceamento de defesa efetuado é prejudicial, pois a empresa não consegue evidenciar de forma clara e precisa modo de apuração dos valores apontados no procedimento fiscal que concluiu pela sua exclusão do Simples Nacional. O ato lavrado foi completamente de contrário ao que dispõe a Constituição Federal em seu art. 59, LV (...)”; “(...) Claramente se percebe que a legislação constitucional veio assegurar a todos o direito de exercer a ampla defesa e o contraditório. Porém, não foi o que aconteceu no caso em tela. Destarte, merece reforma o acórdão da Delegacia que já que nulo é o ato declaratório executivo emanado contra a empresa manifestante, pois não se coaduna com as normas emanadas na Constituição Federal de 1988 (...)”; i.iii “NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL POR NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA SUA LAVRATURA”, afirma que: “(...) Constitui requisito essencial do Auto de Infração/ato administrativo, peça básica do contencioso tributário, a exata descrição da falta imputada ao contribuinte, bem como descrição minuciosa e extreme de dúvidas da situação fática imputada ao autuado. Quando a descrição do fato infringente se apresenta de modo distorcido ou impreciso, compromete o ajustamento do fato concreto à Lei e, por via de consequência, invalida o lançamento de ofício contido no referido Auto de Infração (...)”; “(...) Como já exposto, foram atribuídos à recorrente, fatos inverídicos. A autuada não contrariou e nem violou os dispositivos legais dados como infringidos, portanto, espera pela anulação o presente auto de lançamento, que se encontra totalmente ao contrário a legislação tributária. O entendimento esposado encontra respaldo no art. 142 do Código Tributário Nacional, ao qual o nosso Regulamento deve total obediência, in verbis transcrito (...)”; “(...) A presente notificação fiscal deve ser considerada nula pela falta de provas que embasassem o lançamento efetuado (...)”; “(...) Na tessitura do presente contencioso, verifica-se que os fiscais que realizaram a autuação, ao formalizarem a ação fiscal, incorreram em falta que Fl. 5679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 17 viciou todo o processo, qual seja, a equivocada identificação do fato infringente, comprometendo a exigibilidade do ato administrativo, face não se perfilarem elementos capazes de que se pudesse proceder com segurança e certeza, a ocorrência da hipótese de incidência como descrito na legislação. Merecendo ser reformado o acórdão neste ponto, julgando pela anulação da notificação fiscal aqui discutida, por não ter qualquer respaldo (...)”; i.iv “VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA MOTIVAÇÃO”, afirma que: “(...) O caput, do artigo 37 da Constituição Federal de 1988, determina como um dos princípios da administração pública e atributo necessário do ato administrativo o respeito ao Princípio da Legalidade (...)”; “(...) Além disto, a Lei Maior e o próprio CTN estabelecem que os tributos devem ser exigidos na forma da lei, sem a qual será inconstitucional e ilegal a sua cobrança, assim como ser a atividade administrativa do Lançamento vinculada as previsões legais, nos termos do inciso II, do artigo 5º e inciso I do artigo 150, ambos da CF/88, e inciso I do artigo 97 e parágrafo único do artigo 142 do CTN (...)”; “(...) Tais exigências têm por objetivo garantir ao administrado que anteveja a adequação do Lançamento realizado as normas jurídicas vigentes no ordenamento, principalmente quanto à procedência da exigência do tributo objeto da autuação lavrada, a sua responsabilidade e etc (...)”; “(...) O resultado dessa assertiva é a nulidade das autuações lavradas contra as empresas Substituídas, por terem sido praticadas sem o arcabouço da legalidade em vista do Erro de Direito cometido. Sobre este aspecto são as considerações do saudoso Gilberto de Ulhôa Canto: (...)”; “(...) No mesmo sentido, são as seguintes ementas de decisões administrativas do Egrégio Conselho de Contribuintes (...)”; “(...) Importante referir também que um dos elementos necessários do ato administrativo é a motivação pela descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que lhe serviram de fundamento, a falta desses motivos resulta a prática de ato administrativo imotivado e, consequentemente, sem motivação, acarretando a sua nulidade insanável (...)”; “(...) Sob este prisma, do Erro de Direito ocorrido nas autuações fiscais lavradas na situação exposta neste trabalho, resulta a nulidade deste ato administrativo por falta de motivação. Sobre este fato são as palavras de ilustres juristas (...)”; “(...) O Superior Tribunal de Justiça confirma o entendimento de que a falta de motivos - motivação - é razão da nulidade do ato administrativo, conforme comprova a seguinte transcrição (...)”; “(...) Desse modo cabe reforma do acórdão já que não há como levar adiante este a conclusão da auditora na representação fiscal (...)”; ii. Mérito: Fl. 5680DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 18 ii.i “DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - GRUPO ECONÔMICO”, afirma que: “(...) Não merece prosperar a aplicação de existência de grupo econômico, pois as empresas ali citadas, não compõem grupo econômico com a ora recorrente, cada uma tem suas respectivas direções, bem como seus clientes, receitas e despesas e quadro de empregados (...)”; “(...) Logo cada uma das empresas ali elencadas arca com as suas obrigações financeiras e tributárias de maneira separada, não sendo misturadas, logo não pode uma ser responsável por suposta infração da outra (...)”; “(...) A conclusão exposta pela auditora fiscal é um equívoco causado apenas pelas empresas estarem localizadas no mesmo endereço (...)”; “(...) Entretanto, cada uma delas, tem sua direção e estrutura organizacional. Não se pode nem concluir serem elas coligadas ou controladas, pois uma não faz parte do quadro societário da outra (...)”; “(...) Ademais a empresa recorrente, tem suas receitas e quadro de pessoal próprio, tanto que ao que tudo indica pela fundamentação da auditora fiscal ela não vislumbrou qualquer dificuldade para fiscalizar a empresa em questão (...)”; “(...) Assim, na representação fiscal lavrada e que agora se recorre decorre apenas de uma tese para tentar compelir tanto a autuada como as demais empresas ao pagamento de seu lançamento equivocado, conforme será fundamentado abaixo (...)”; ii.ii “DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DAS PESSOAS FISICAS POR AFRONTA A LEI OU ESTATUTO SOCIAL”, afirma que: “(...) Não merece prosperar a aplicação de afronta a lei ou estatuto social, no relatório fiscal a auditora da Receita não especifica qual afronta a lei ou estatuto social incorreu as impugnantes para que serem elencadas como responsáveis solidários com o sujeito passivo elencado no auto de infração (...)”; “(...) Imperioso salientar que é obrigação do ente tributante ser claro e específico, ademais nessa situação que é uma exceção no ordenamento tributário e exige o preenchimento de todos os requisitos constantes no artigo 135, III do Código Tributário Nacional, esses que a auditora fiscal não conseguiu qualificar terem sido preenchidos. A conclusão exposta pela auditora fiscal é um equívoco causado apenas por serem os impugnantes sócios da empresa autuada (...)”; “(...) Entretanto, não é por ser sócio ou administrador de uma empresa autuada que se pode elencar as pessoas físicas dos sócios como responsáveis solidários no pagamento do tributo lançado, ainda mais quando o sujeito passivo se mantém plenamente ativo. A empresa que é o sujeito passivo da autuação tem Fl. 5681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 19 suas receitas e quadro de pessoal próprio, sendo esse administrado pelos sócios aqui impugnantes, tanto que ao que tudo indica pela fundamentação da auditora fiscal ela não vislumbrou qualquer dificuldade para fiscalizar a empresa em questão (...)”; “(...) Cabe ainda salientar não ter a auditora fiscal comprovado o dolo, ou infração a lei por parte dos aqui impugnantes, que os fizessem ser elencados como responsáveis solidários, o que transparece é ter a representante estatal não ter encontrado qualquer óbice a fiscalização e mesmo assim perquirir erroneamente a pessoa física dos sócios. Assim, a auditora sustenta no auto de infração que lavrou e que agora se questiona apenas uma tese para tentar compelir tanto a autuada como JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA e ANGELA FAGUNDES DE OLIVEIRA ao pagamento de seu lançamento equivocado, conforme será fundamentado abaixo (...)”; ii.iii “DA NÃO OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO”, afirma que: “(...) Mesmo considerando certo o acolhimento da preliminar já suscitada, por garantia, repte aqui a recorrente em sua defesa que não deve prosperar a aplicação de existência de grupo econômico, pois as empresas ali citadas, não compõem grupo econômico com a ora impugnante, cada uma tem suas respectivas direções, bem como seus clientes, receitas e despesas e quadro de empregados. Assim, deve ser reformado o acórdão neste ponto (...)”; ii.iv “DA INEXISTÊNCIA DE DIVIDA DA COTA PATRONAL SOBRE AS REMUNERAÇÕES DOS EMPREGADOS”, afirma que: “(...) Equivoca-se a decisão que julgou a impugnação, sobre a existência de débito de cota patronal, sobre os valores lançados, pois conforme toda a documentação anexada ao termo de fiscalização (notas, guias de pagamento de impostos, livro diário entre outros), resta claramente comprovado que a empresa recorrente quitou todas suas obrigações tributárias! A referida quitação se dá tanto referente aos valores devidos das contribuições previdenciárias da "cota" dos empregados, ao qual apenas cabe reter e repassar a autarquia previdenciária, bem como as contribuições que se refere a "cota" patronal ou empregador, que se calcula sobre as remunerações, subtraídos os descontos legais existentes (...)”; “(...) Desse modo, não há valores pendentes de pagamento como sustenta equivocadamente o auto de infração aqui recorrido. Como se verifica na documentação anexa, a empresa sempre prezou pelo pagamento dos valores incidentes (...)”; “(...) Desse modo, resta impugnado a suposta pendência previdenciária arguida pela auditora fiscal, por estarem devidamente contabilizadas e pagas às Fl. 5682DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 20 contribuições previdenciárias "cota" patronal sobre as remunerações dos empregados, como declarado em GFIP. Devendo assim, ser modificada a decisão exaurida pela Delegacia que confirmou o auto no ponto recorrido (...)”; ii.v “DA INEXISTÊNCIA DE DIVIDA DA COTA PATRONAL SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADO INDIVIDUAL”, afirma que: “(...) Diferentemente do sustentado do auto de infração, a empresa recorrente sempre efetuou a declaração do "pró-labore" e assim realizava o recolhimento tanto do valor retido da remuneração paga, assim como da parcela que lhe competia integralizar ao sistema de custeio da seguridade social, como previsto na carta Magna e legislação pertinente que a regula (...)”; “(...) Portanto, exigir o que já fora pago é claramente um bis in idem, ou seja, flagrante ataque aos preceitos tributários, restando equivocado o auto de infração em sua totalidade, ainda mais neste ponto. Não pode o contribuinte injustificadamente, pois já fundamentada nulidades no auto de infração, ser compelido a pagar por algo que considera estar quitado (...)”; “(...) A fiscalização ocorrida se julga plena, entretanto caso esteja certa, também não demonstra o suposto equivoco ao contribuinte, como modo de fazer com que este não erre mais. Assim, cabe provimento ao presente recurso neste ponto (...)”; ii.vi “DA INEXISTÊNCIA DE DIVIDA DA COTA PATRONAL SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADO INDIVIDUAL NÃO DECLARADO EM GFIP”, afirma que: “(...) Como já mencionado no tópico acima a impugnante sempre efetuou a declaração do "pró-labore" e assim realizava o recolhimento tanto do valor retido da remuneração paga, assim como da parcela que lhe competia integralizar ao sistema de custeio da seguridade social. Desse modo, evitando a ocorrência de tautologia, apenas remete ao tópico anterior, com a finalidade de impugnar o valor lançado pela auditora fiscal referente a ao período de 01/04/2012 e 31/12/2013. Cabendo ser reformada a decisão de primeiro grau administrativo (...)”; ii.vii “DO NECESSÁRIO ABATIMENTO/COMPENSAÇÃO DOS VALORES DEVIDAMENTE RETIDOS PELOS TOMADORES DE SERVIÇO E DESTACADOS EM NOTA FISCAL”, afirma que: “(...) A auditora fiscal que autuou a empresa recorrente demonstrou tamanha voracidade em fazer lançamento tributário, que mesmo que predomine o entendimento de que deva ser mantido o auto de lançamento, deve também ser feito o abatimento de todos os valores que a empresa teve retido pelos seus Fl. 5683DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 21 tomadores de sérvio e que conforme notas fiscais de fls. 90 a 501 dos autos deste processo, foram devidamente destacadas as suas retenções (...)”; “(...) A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja: li - destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor (...)”; “(...) Não fazer o abatimento é causar um "bis in idem", haja vista que a fiscal apenas fez o lançamento exatamente sobre as notas fiscais apresentadas, mas estranhamente se omitiu sobre os valores retidos em nota fiscal. Visando buscar a compensação desses valores, que como previsto em legislação o tomador de serviço retém, vem a recorrente anexar planilha onde demonstra os valores mensalmente, feito isso sobre as notas fiscais. (...)”; “(...) Contabilizando-se o montante a ser abatido de R$ 112,491,61 (cento e doze mil, quatrocentos e noventa e um reais e sessenta e um centavos). Assim, requer seja ordenada a correção do auto de lançamento com o correto abatimento das retenções demonstradas em notas fiscais, para garantir o não "bis in idem" (...)”; ii.viii “DA NÃO INCLUSÃO DOS VALORES A TITULO DE VALE ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE NA BASE DE CALCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS”, afirma que: “(...) A empresa autuada é participante do Programa de Alimentação do Trabalhador -PAT, conforme documento anexo, desse modo os valores recebidos a título de reembolso de vale alimentação, não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois não representam receita, mas sim a compensação de valores pelo tomador de serviço de valores já desembolsados pela empregadora e prestadora de serviço com o pagamento do mês corrente ao trabalhador do vale alimentação e vale transporte (...)”; “(...) Como demonstrado, os valores intitulados reembolso de vale alimentação e vale transporte não são receita para a empresa autuada, muito menos integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois NÃO são parte da remuneração dos empregados! (...)”; “(...) Sobre o vale alimentação, a empresa integra o PAT, sendo assim isenta de contribuições previdenciárias quanto a esse valor pago ao empregado. Quanto ao vale transporte, esse é regulado em legislação própria e jamais teve caráter Fl. 5684DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 22 remuneratório, pois desde a sua concepção ele tem caráter indenizatório, nunca sendo discutido um possível caráter remuneratório (...)”; “(...) Diferentemente do que diz o acórdão que julgou a impugnação, RESTA PLENAMENTE COMPROVADO NO PROCESSO OS PAGAMENTOS RELATIVOS A VALE ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE NAS FLS., sendo esses os comprovantes de pagamento juntados ao presente processo administrativo (...)”; “(...) Imperioso mencionar que o processo tem uma característica una, ou seja eles devem ser compreendido como um todo, referidos documentos por já terem sidos entregues durante a auditoria e estarem anexados ao processos, não carece a tautologia de anexa-los novamente. Portanto os valores pagos a esses títulos não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, devendo ser reformada a decisão a quo (...)”; ii.ix “DA NÃO OMISSÃO DE RECEITAS”, afirma que: “(...) Não merece prosperar a tese da auditora fiscal, quanto a omissão de receitas, pois a empresa não omitiu receitas, ela apenas não contabilizou o que não lhe pertence, haja vista que valores recebidos como reembolso de vale transporte e vale alimentação, não são receitas, mas sim repasse aos funcionários (...)”; “(...) Esse mecanismo se faz necessário, pois quando uma empresa contrata a manifestante, essa contrata funcionários para suprirem a necessidade do cliente e desde a sua contratação o funcionário faz jus ao recebimento do vale alimentação e vale transporte, entretanto a empresa somente será paga pelo cliente desse valor já despendido no momento que o cliente pagar pelos serviços prestados (...)”; “(...) Assim, não se pode considerar receita aquilo que não entra com a finalidade de pagamento pelos serviços prestados. Como bem mencionado nos documentos fiscais, esses valores dizem respeito ao reembolso de valores já desembolsados e de direito dos empregados (...)”; “(...) Necessário, mencionar que são benefícios previstos em convenção coletiva e que já foram objeto de análise dos tribunais superiores e do próprio CARF, onde é predominante o entendimento que esses valores não são receitas da empresa, bem como não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias conforme já mencionado acima (...)”; “(...) Imperioso ainda que o pagamento desses de benefícios se dá por meios eletrônicos, ou seja, o valor do vale transporte é creditado via sistema TRI da Prefeitura de Porto Alegre, onde o funcionário recebe o crédito em um cartão Fl. 5685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 23 exclusivo recebido única e exclusivamente para uso como vale transporte. O vale alimentação ocorre por meio de crédito através da empresa Green card S/A, e ele deve ser usado único e exclusivamente para aquisição de alimentos como preceitua a Lei 6.321/76 que regulamenta o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT, esse que já prevê benefícios fiscais as empresas que o aderirem como é caso (comprovante em anexo) (...)”; ii.x “DO ENQUADRAMENTO DA EMPRESA NO CNAE FISCAL”, afirma que: “(...) A auditora fiscal no auto de infração, até mesmo o enquadramento da recorrente no Código Nacional de Atividade Econômica - CNAE FISCAL tenta imputar a empresa uma suposta intenção desta de se enquadrar de maneira diversa. Entretanto, ocorre que a empresa está corretamente enquadrada na sua atividade principal, tendo ainda outras atividades como secundárias (...)”; “(...) É sabido, que uma empresa no decorrer de suas atividades pode acabar tendo mais êxito em uma de suas atividades, mais do que em outras atividades registradas. Além do mais, tratando-se de prestação de serviços variados, deve se levar em consideração a necessidade momentânea do mercado, a sazonalidade, não podendo basear-se em curto espaço de tempo que é o período de uma fiscalização. Dessa maneira, não procede o auto de infração em questionar o correto enquadramento no CNAE-FISCAL (...)”; ii.xi “DA INCOERÊNCIA DO REENQUADRAMENTO E AINDA AUMENTO DA ALIQUOTA DA RAT”, afirma que: “(...) Em decorrência à inobservância de parâmetros a auditora fiscal acabou por alterar o CNAE classificando como sendo de risco grave, ou seja, tributadas pela alíquota de 3%, devido às alterações promovidas pelo art. 20 do Decreto n.° 6.957/2009, que modificou o anexo V do Regulamento da Previdência Social. Tal auto de infração não preencheu os requisitos para que o reenquadramento das atividades classificadas na CNAE fosse realizado, e por consequência, as alíquotas majoradas (...)”; “(...) Por tais razões, não há como não concluir que a edição de tal Decreto se deu de forma totalmente imotivada, incoerente e abusiva, com o objetivo de, salvo melhor juízo, aumentar a arrecadação, além de desvirtuar a tributação e ensejar em desvio de poder/finalidade tendo a alíquota do RAT da recorrente aumentada de 2% para 3% (...)”; “(...) Do exame da fundamentação do auto de infração, bem como da regulamentação da referida contribuição não é possível compreender porque uma determinada atividade está classificada em um grau de risco e não em outro, ou porque atividades similares possuem RAT distintos. Nesse sentido, para melhor comprovar a falta de critério da nova classificação das atividades Fl. 5686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 24 das subclasses do CNAE promovidas Regulamento da Previdência Social, a recorrente deve recolher a alíquota de 2% como diz sua classificação no CNAE (...)”; “(...) Portanto, incorreta a mudança de classificação da recorrente no CNAE e consequentemente a alteração da alíquota do RAT efetuada no auto de infração, cabendo a esse conselho reformar a decisão da Delegacia de Julgamento (...)”; ii.xii “DO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO - FAP”, afirma que: “(...) Nesse contexto, aqui mais uma vez estamos discutindo uma flagrante ilegalidade, haja vista que como já argumentado no item sobre a RAT, o enquadramento no CNAE principal deve se manter o atual, logo o fator acidentário está correto o utilizado pela empresa em suas declarações, não devendo ser objeto de alteração, cabendo a esse conselho reformar a decisão da Delegacia de Julgamento (...)”; ii.xiii “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA EM RELAÇÃO AS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTROS FUNDOS E ENTIDADES”, afirma que: “(...) Por plena falta de previsão legal e até mesmo pela exclusão da responsabilidade solidária quanto as contribuições destinadas a outras entidades e fundos, merece ser dado provimento ao presente recurso para excluir a responsabilidade solidária quanto aos débitos dessa natureza. Para esclarecer o assunto, cumpre colacionar o previsto no artigo 151, §29, I da Instrução Normativa nº 971 de 13 de novembro de 2009: (...)”; “(...) Desse modo, requer a recorrente, sejam excluídos os valores referentes as aludidas contribuições a outras entidades ou fundos de responsabilização solidária aos demais interessados autuados no presente auto de infração, com vista a restrita legalidade. (...)”; ii.xiv “DA INEGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS - FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - SALÁRIO EDUCAÇÃO”, afirma que: “(...) Não se pode autuar a empresa por uma contribuição flagrantemente inconstitucional! Com o advento da Constituição de 1988, a educação passou a ser um direito de todos os cidadãos e um dever do Estado, não pode o Estado Brasileiro querer repassar esse ônus ao já excedentemente tributados empresários e empresas. Já existem inúmeros impostos para que se possa arcar com os custos do Estado, incluindo aí os valores necessários para a educação (...)”; Fl. 5687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 25 “(...) Se não estamos aqui tratando de garantir com o chapéu alheio, onde se garante um direito e o dever é repassado à terceiro. Ademais estamos aqui falando se uma contribuição que se utiliza da mesma base de cálculo de outra, mais uma vez contrariando a constituição e a competência tributária, podendo ser considerado um caso clássico de bis in idem (...)”; “(...) Desse modo, resta demonstrado a ilegalidade/inconstitucionalidade sobre a cobrança bem como sobre a autuação efetuada referente a presente contribuição/salário educação, sendo assim indevida a cobrança do mesmo. Portanto deve ser provido o recurso no ponto ora recorrido (...)”; ii.xv “DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES - INCRA”, afirma que: “(...) Nesse contexto, aqui mais uma vez estamos discutindo um flagrante constitucional, haja vista que estamos tratando de uma empresa urbana e que em nada se envolve com atividades rurais, assim não se pode tributar terceiro que nada tem com a relação tributária. Pois se não estamos correndo o risco de beirarmos o confisco estatal, pois se aceitarmos que pode uma empresa urbana ser tributada sobre matéria peculiar a uma questão rural, logo estaremos ao bel prazer do Estado para tributar de maneira como bem entender qualquer situação fática tenha ela relação ou não entre o contribuinte e o destino (...)”; “(...) Claro que sabemos que existem tributos aos quais não estão vinculados a uma finalidade específica, mas em tese pelo menos, eles tem uma relação, seja pela receita ou propriedade, por exemplo no momento de declarar e pagar imposto de renda, o cidadão declara e paga o seu imposto de renda, sua renda auferida. No IPVA e IPTU é necessário a propriedade de imóvel ou veículo para cobra-los (...)”; “(...) E agora, sobre a presente contribuição devido ao INCRA por empresas urbanas? Qual o nexo causal existente? Tenta-se argumentar em posicionamentos recentes que seria um custo a toda a coletividade, mas não merece prosperar esta tese, pois se não sempre se encontraria argumentos para jogar a coletividade os ônus que são incumbência do próprio Estado (...)”; “(...) Ainda, mesmo que se considere uma contribuição de intervenção no domínio econômico ela precisa obrigatoriamente ser utilizada para a sua finalidade, o que não se pode cogitar que uma empresa urbana, acabe por pagar pela contribuição ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Assim, indevido auto de infração quando a contribuição a terceiros INCRA por ser essa inexigível de empresas como a ora recorrente. Portanto deve ser provido o recurso no ponto ora recorrido (...)”; ii.xvi “DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES - SESC e SENAC”, afirma que: Fl. 5688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 26 “(...) No que tange as contribuições a terceiros SESC e SENAC exigidas no presente auto de infração, constata-se que as mesmas também são indevidas, consoante será exposto. O Decreto-Lei n2 9.853 em seu artigo 12 atribui competência a Confederação Nacional do Comércio, para a criação do Serviço Social do Comércio - SESC, com fundamento de melhorar o padrão de vida e o bem estar dos comerciários (...)”; “(...) Dispôs ainda o citado decreto, que as despesas do SESC seriam custeadas pela arrecadação de contribuição imposta as empresas vinculadas ao COMÉRCIO à uma alíquota de 2,0% (dois por cento), incidente sobre a remuneração paga aos empregados. A arrecadação da citada contribuição seria feita pelo INSS, que reteria 1% a título de indenização pelas despesas ocorrentes durante o processo arrecadatório (...)”; “(...) O SESC foi criado e seria custeado por uma contribuição mensal dos estabelecimentos comerciais, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC, por sua vez, segue o mesmo "rito" adotado para a instituição do SESC. Perceba-se que tanto SESC quanto o SENAC, foram criados para auxiliar aqueles que trabalham no comércio ou necessitam de mão de obra capacitada para exercer as funções deste (...)”; “(...) Tais são os contribuintes e os beneficiários do órgão, não se admitindo, portanto, falar-se na imposição da contribuição aos que não estão diretamente ligados ao comércio. Assim, sendo, as prestadoras de serviço, não podem ser obrigadas a contribuir ao SESC e SENAC e ainda pagar pela formação dos profissionais que necessita, pois, seus funcionários não se enquadra como comerciantes, se pensar o contrário estarão as prestadoras de serviço sendo duplamente oneradas, o que definitivamente não é de se admitir. Este é o entendimento firmado pelo extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR, veja-se: (...)”; “(...) Assim, tendo em vista a fundamentação supra e por ser a empresa recorrente uma prestadora de serviço é evidente ser a mesma indevida (...)”; ii.xvii “DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES - SEBRAE”, afirma que: “(...) Mesmo que em recente posicionamento do Supremo Tribunal Federal, a presente contribuição tenha sido julgada constitucional e recebido característica de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE, a sua base de calculo é inconstitucional, pois com o advento da Emenda Constitucional 33/01, as contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais, das quais trata o art. 149 da CF/88, poderão ter alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada (...)”; Fl. 5689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 27 “(...) Sendo assim, não mais há permissão para que tais contribuições tenham alíquotas a incidir sobre a folha de pagamento dos empregados ou trabalhadores. Por conseguinte, os dispositivos da lei 8.029 que, na sua origem, em 1990, eram constitucionais, resultaram revogados ou inquinados de inconstitucionalidade superveniente, em face da Emenda Constitucional de 2001. Logo são indevidos e inconstitucionais os valores referentes à contribuição ao SEBRAE, merecendo ser a decisão de primeiro grau administrativo ser reformada (...)”; ii.xviii “JUROS MORATÓRIOS - SELIC”, afirma que: “(...) art. 13 da Lei nº 9.065/95, um dos fundamentos legais citados para aplicação dos juros de mora, estipula a aplicação da taxa de juros SELIC. Ocorre que tais juros, ditos moratórios, são inaplicáveis, se considerado o ordenamento jurídico-tributário vigente (...)”; “(...) Como é do conhecimento a SELIC é divulgada unilateralmente pelo Banco Central do Brasil, órgão que ainda a manipula, pois ela representa a "variação de rendimento" do valor de mercado de diversos títulos públicos. Além do mais, a taxa SELIC não pode ser usada para cálculo de juros moratórios, pois consiste numa forma de juros remuneratórios. E, no caso dos tributos, são devidos apenas juros de mora, ou seja, em decorrência do pagamento tardio de obrigação tributária, servindo como complemento indenizatório da obrigação principal (...)”; “(...) E, conforme o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, apenas com expressa disposição de lei ordinária, acerca do cálculo dos juros moratórios incidentes nas obrigações tributárias, essa taxa poderá ser superior a 1% ao mês. E a Lei nº 9.065/95 (instituidora da SELIC) não estabeleceu uma nova forma de fixação de juros moratórios, porque optou por uma taxa claramente remuneratória, variável e incerta, que pode, inclusive, ser manipulada pelo Banco Central do Brasil (uma vez que representa a "variação do rendimento" do valor de mercado de diversos títulos públicos). Logo, impossível pretender aplicar a taxa SELIC como juros moratórios quando esta for superior a 1% (...)”; ii.xix “DA MULTA”, afirma que: “(...) A empresa recorre da elevada quantia fixada a título de multa no auto de infração (150%), que, principalmente se agregada aos juros, contraria os arts. 150, IV e 52, XXII, da Carta Política. Ocorre que o quantum relativo à multa deve ser proporcional ao valor do tributo, de modo que não permita ao Estado, no exercício do poder de tributar, destruir o patrimônio do contribuinte. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 18.331, relator o Eminente Ministro Orozimbo Nonato, consignou que: (...)”; Fl. 5690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 28 “(...) Assim, torna-se inconcebível concordar com a imposição da multa nos patamares exigidos pelo Fisco, eis que desproporcional à infração cometida. A falta de proporcionalidade reside na circunstância de que tal exigência sequer leva em consideração a finalidade primordial da sanção. Ao contrário, revela seu caráter eminentemente destrutivo, acarretando ao contribuinte graves consequências econômicas (...)”; “(...) Aplicável ao caso também a seguinte decisão do STF, proferida pelo eminente Ministro Marco Aurélio, verbis: (...) Entendimento semelhante foi manifestado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento de pedido de medida cautelar na ADIn nº 1075, ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio contra a Lei Federal nº 8.846/94 (...)”; “(...) Finalmente, cumpre registrar que a multa cominada não se aplica à infração supostamente cometida pela Recorrente. O art. 44 da Lei nº 9.430/96 comina a multa de 150% no caso de falta de pagamento de tributo devido, e ainda agravada. Ocorre, todavia, que o contribuinte não deixou de pagar tributo e também não faz jus a multa majorada (...)”; “(...) Ainda conforme alteração introduzida pela Lei 11.941/2009 nos artigos 35 da Lei 8212/91 combinado com o artigo 61, § 22 da Lei 9430/96, a multa de mora deverá ficar limitada a 20%. Portanto deve ser provido o recurso no ponto ora recorrido (...)”; e, ii.xx “DA INDEVIDA IMPOSIÇÃO DE MULTA POR NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO”, afirma que: “(...) Devidamente cientificada a empresa, desde já se colocou à disposição para colaborar com a fiscalização, apresentando a documentação requerida, bem como prestando esclarecimentos e solicitações complementares. Em que pese tenha sido apresentada toda a documentação solicitada, a autoridade fiscalizadora a considerou deficiente, pois, consoante consignado no relatório fiscal do auto de infração anexo (...)”; “(...) Contudo, ao contrário do parecer da autoridade fiscalizadora, a exibição de livros como preceitua a Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, "in verbis": (...)”; “(...) Da redação dos dispositivos legais constata-se que a infração do contribuinte decorre da não exibição de documentos e livros relacionados às contribuições previdenciárias; sendo que, a não exibição dos documentos e livros ou a sua apresentação deficiente confere à SRF o direito de lançar o tributo de ofício. Nota-se que o legislador ao descrever o conteúdo infracional da norma dispôs essencialmente sobre a recusa ou sonegação da exibição de documentos e livros por parte do contribuinte, nada referindo sobre Fl. 5691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 29 informações diversas, mas, tão somente autorizando à SRF lançar e cobrar o tributo, por meio de aferição indireta, no caso de o contribuinte se recusar a franquear os livros e documentos necessários à fiscalização (...)”; “(...) Corolário disso tem-se por definitivo que os livros contábeis foram adequadamente apresentados à auditora fiscal no procedimento fiscal, não caracterizando infração prevista na Lei nº 8.212/91, combinados com os artigos 283, inciso II, alínea 'j', artigo 292, incisos II, III e IV e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo decreto nº 3.048/99. Destaca-se que os livros diários apresentados puderam ser adequadamente examinados, sem prejuízo para o procedimento fiscal. Em vista disso, a documentação apresentada é idônea, constituindo o auto de infração em excesso de poder da autoridade fiscal (...)”; “(...) Frisa-se que para efeitos fiscalizatórios é irrelevante a data em que os livros diários foram registrados e autenticados, desde que exibidos tempestivamente e atendendo às formalidades legais, o que é perfeitamente observado no presente caso. Desta feita, da narrativa exposta conclui-se que a recorrente apresentou os livros contábeis, inexistindo infração sujeita à aplicação de pena de multa (...)”; “(...) Em sendo assim, não se pode entender que os documentos apresentados não atendiam as formalidades legais exigidas; cabendo, daí a procedência da presente impugnação para reconhecer e declarar ineficaz o auto de infração lavrado, bem como, ineficaz e indevida a pena pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória (...)”; “(...) Por consequência de tudo quanto aqui foi exposto, pugna-se pelo provimento do presente recurso. Todavia, se esse não for o entendimento de V. Exa., o que não se espera, nem se acredita, requer a recorrente a redução da pena aplicada eis que revertida de caráter excessivo e imputada sem observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, na medida em que a Impugnante não possui procedimentos fiscais anteriores que justifique o valor da multa imposta, tampouco, a infração caracteriza-se como sendo de natureza grave. Dão guarida à pretensão da Impugnante diversos julgados, oriundas das mais diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil, e seguir colacionadas (...)”; “(...) Assim, e imperioso, após toda a fundamento aqui exposta, seja provido o presente recurso e anulado o auto de infração, ou ainda, caso mantido, seja reduzido o valor da multa imposta (...)”. 10. Por fim, requereu: Fl. 5692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 30 “a) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constante no auto de infração, haja vista a discussão da legalidade e exigibilidade do mesmo, se abstendo assim este órgão administrativo de incluir a empresa recorrente no CADIN, bem como a de emitir certidão positiva contra a recorrente, até ser exaurida a discussão deste recurso; b) seja acolhida a preliminar de inocorrência de responsabilidade solidária e consequentemente declarada a não existência de grupo econômico entre a empresa recorrente e as demais elencadas no auto de infração, que ora recorre; c) seja acolhida a preliminar de inocorrência de responsabilidade solidária e consequentemente declarada a não existência de infração a lei ou estatuto social pela pessoa física dos sócios da empresa sujeito passivo elencada no auto de infração, que ora se recorre; d) seja dado PROVIMENTO ao presente recurso com a consequente anulação do auto de infração, por eivado de nulidades, isentando assim a empresa recorrente da obrigação do pagamento relativo a contribuições previdenciárias da empresa sobre a remuneração de empregados; contribuição da empresa sobre remunerações pagas distribuídas ou creditadas a autônomos, avulsos, e demais pessoas físicas e dos cooperados e contribuintes individuais; contribuição das empresas para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa; contribuições previdenciárias devidas a terceiros: SALARIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE; solidariedade das obrigações; consequentes acréscimos legais, multa e juros aplicada sobre supostamente ter a empresa não pago o valor das contribuições mencionadas no período de 01/04/2012 a 31/12/2013; e multa aplicada sobre supostamente não ter a empresa exibido documento ou livro relacionados com as com as contribuições previstas na Lei n2 8212/91 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas indevidamente aplicados conforme fundamentação supra; e) alternativamente, caso mantido o auto de lançamento, requer seja efetuado o abatimento/compensação dos valores retidos pelos tomadores de serviço e destacados em nota fiscal (notas anexas ao auto de infração fls. 90/501), sob pena de estar esse órgão legalizando o "bis in idem", pois a retenção é uma antecipação do futuro tributo a ser pago, seja ele a complementar ou a restituir; e.1) em caso de manutenção do auto de infração, requer a exclusão da responsabilização solidaria as demais pessoas jurídicas e físicas em relação as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, por ser expressamente vetada pela IN da RFB 971/2009; e.2) caso mantido o auto de lançamento, deve ser determinado a exclusão da base de cálculo dos valores pagos a título de vale transporte e vale alimentação comprovados nas fls. dos autos, por terem esses pagamentos característica indenizatória e não remuneratória; e.3) Na hipótese de ser mantida a multa acessória, o que não se acredita, requer a recorrente que seja reduzido o valor da multa, a fim de que está se amolde aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco, pois, não tem a infração natureza grave e trata-se à empresa de infratora primária; f) seja julgado indevido o uso da taxa SELIC para correção monetária e juros por flagrante abusividade e ilegalidade; Fl. 5693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 31 g) caso mantida em sua totalidade ou em parte o auto de infração aqui contestado, requer seja diminuída a multa para no máximo 20% do crédito tributário, conforme preceitua a Lei 11.941/2009; e h) seja a empresa recorrente notificada via carta AR no endereço citado na prefaciai do presente recurso, da decisão a ser proferida, que julgar o presente recurso, sob pena de nulidade;”. É o relatório. Fl. 5694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 32 VOTO Conselheiro Alessandro Bruno Macêdo Pinto – Relator 11. Os Recursos Voluntários são tempestivos, conforme despacho de fl. 5661, bem assim preenchem os pressupostos de admissibilidade, nos termos do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), razão pela qual deles conheço. 12. Cuida-se o feito de Autos de Infração para exigência das contribuições da empresa e do empregador, para outras entidades e fundos, bem assim multa previdenciária pela não exibição de documento ou livro, acrescidos da multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora, no valor total de R$ 868.206,14, apuradas no período de 04/2012 a 12/2013. 13. Ademais disso, houve a responsabilização solidária das empresas DEFESA PATRIMONIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA, LUZ & OLIVEIRA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA – EPP e JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA SERVIÇOS - EPP, nos termos do artigo 124, inciso II, do Código Tributário Nacional-CTN. 14. Bem assim, da senhora ÂNGELA FAGUNDES DA LUZ OLIVEIRA e do senhor JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA, com base no artigo 135, inciso III, do CTN. 15. A DRJ/REC (DRJ04) proferiu o v. acórdão recorrido de fls. 5291/5318, julgando parcialmente procedente a Impugnação, a fim de afastar a responsabilidade das pessoas jurídicas apontadas como solidárias pelo AI de contribuição para outras entidades e fundos, mantendo a responsabilidade em relação aos demais Autos de Infração; manter a responsabilidade das pessoas físicas apontadas como solidárias por todos os Autos de Infração; e manter integralmente o crédito tributário lançado. 16. Inconformados com o v. acórdão a quo, a contribuinte e todos os responsáveis solidários interpuseram recurso. 17. A contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 5411/5435, já os responsáveis solidários: DEFESA PATRIMONIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA., JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA SERVIÇOS -EPP, LUZ & OLIVEIRA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA – EPP, ÂNGELA FAGUNDES DA LUZ OLIVEIRA e JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA, anexaram defesa às fls. 5457/5481, fls. 5501/5525, fls. 5546/5570 e fls. 5598/5622, respectivamente. 18. Como trata-se de recursos idênticos, elaborados pelo mesmo patrono, com os mesmos argumentos trazido nas Impugnações de fls. 4614/4631, 4701/4715, 4771/4784, 4822/4838, 4914/4929, 4988/5004, 5056/5072, 5137/5150 e 5195/5211, serão analisados como se um só fossem. As alegações, em síntese, foram as seguintes: i. Preliminares: i.i “SUSPENSÃO DA EXEGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”, afirma que: “(...) Uma das formas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário diz respeito aos recursos voluntários. Durante o processo administrativo tributário, o contribuinte não seja obrigado a pagar a exigência fiscal enquanto estiver Fl. 5695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 33 discutindo a exigibilidade do débito. Este raciocínio encontra seu alicerce Constitucional no art. 59, XXXIV, "a" da CFB/88 in verbis: (...)”; “(...) Os princípios elencados a seguir, representam, em seu conjunto, verdadeira conditio sine qua non da validade constitucional do processo administrativo tributário brasileiro, justamente por encontrarem fulcro constitucional no art. 52, incisos LIII, LIV e LV, da CF/88: a) direito de impugnação administrativa à pretensão fiscal (art. 59, LIV); b) direito a autoridade julgadora competente (art. 59, LIII); c) direito ao contraditório (art. 52, LV); d) direito à cognição formal e material ampla (art. 59, LV); e) direito à produção de provas (art. 52, LV); f) direito a recurso hierárquico (art. 52, LV). Durante a discussão administrativa do tributo, o contribuinte terá a seu favor a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. (...)”; “(...) As impugnações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário conforme disposto no art. 151, III do CTN: (...)”; “(...) Vale lembrar que a constituição do crédito tributário, só será definitiva quando a decisão do processo administrativo estiver finalizada. Porem, conforme o art. 156, IX do CTN, in verbis, for favorável ao contribuinte, o crédito tributário será extinto: (...)”; “(...) Vale destacar que o STJ pacificou a matéria editando a súmula nº 373: "É ilegítimo a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo." Portanto, o presente recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso III do CTN e princípios constitucionais (...)”; i.ii “NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL POR CERCEAMENTO DE DEFESA”, afirma que: “(...) O Auto de Infração não contém todas as informações necessárias ao perfeito conhecimento do ato, bem como não preenche os requisitos elencados na legislação própria, não merecendo, portanto, prosperar. Assim, está inserido em total nulidade o documento ora recorrido (...)”; “(...) Com efeito, a defesa da empresa foi obstaculizada, pois não são oferecidos elementos suficientes que possam permitir a realização do contraditório e da ampla defesa, uma vez que nem ao menos lhe foi oportunizado depoimento junto a Gerência Regional de Porto Alegre (...)”; “(...) Ora, fica evidente o equívoco por parte da autoridade reclamada em basear-se em meras alegações para responsabilizar a empresa e autuá-la para pagar um débito que não gerou e de que não tem responsabilidade. Conforme já referido, a empresa encontra-se em situação regular perante o fisco e vem cumprindo com sua obrigação tributária (...)”; Fl. 5696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 34 “(...) O presente ato declaratório executivo encontra-se eivado de nulidade, pois não demonstra com clareza a sua idoneidade diante da situação em que foi gerado, eivado, portando de pontos duvidosos (...)”; “(...) O agente fiscal responsável por formalizar a representação fiscal com fins de exclusão do regime simplificado de tributação deveria ter oportunizado e esclarecido as questões sobre a sociedade empresária manifestante, já que durante a fiscalização não esboçou ter concluído qualquer situação que a levasse a requisitar a exclusão da empresa do regime simplificado de tributação. A empresa somente ficou ciente de tal situação após a publicação do ato (...)”; “(...) É notário que, para possibilitar a ampla defesa do contribuinte, faz-se necessária a discriminação pormenorizada da origem e natureza dos débitos, pois somente assim a recorrente terá possibilidade de se defender plenamente (...)”; “(...) Por se tratar o ato administrativo, portanto vinculado, pois a lei estabelece requisitos para o alcance de sua validade, a imprecisão, a falta de clareza e os erros existentes, já identificados, nulificam todo o procedimento. Se a lei fala em obrigatoriedade dos requisitos não poderá a autoridade administrativa, compulsoriamente e sem poderes para tanto, se desvirtuar de tal comando legal (...)”; “(...) Neste sentido é a doutrina pátria, conforme se depreende da lição do mestre HELY LOPES MEIRELLES, quando trata dos atos vinculados (...)”; “(...) Acrescenta também, EDUARDO MARCIAL FERREIRA JARDIM, na obra Dicionário Jurídico Tributário, pg. 114, quando discorre acerca da nulidade do ato administrativo, in verbis: (...)”; “(...) Diante da inexistência de resistência da empresa em fornecer as informações e documentos requeridos pela Auditora-fiscal da Receita, infundada a conclusão pela exclusão do regime simplificado e consequente expedição do ato administrativo, por não ter o procedimento fiscal respeitado a legislação pertinente, como que também o direito de defesa da recorrente ficou totalmente obstaculizado, ferindo os direitos constitucionais assegurados pela Carta Maior de nosso país, do contraditório e da ampla defesa (...)”; “(...) A Constituição Federal existe para ser cumprida por todos, razão pela qual o impugnado deve obedecer os princípios nela insculpidos. Neste sentido, leciona Celso Antônio Bandeira de Mello, na Revista Ajuris (...)”; “(...) O cerceamento de defesa efetuado é prejudicial, pois a empresa não consegue evidenciar de forma clara e precisa modo de apuração dos valores apontados no procedimento fiscal que concluiu pela sua exclusão do Simples Nacional. O ato lavrado foi completamente de contrário ao que dispõe a Constituição Federal em seu art. 59, LV (...)”; “(...) Claramente se percebe que a legislação constitucional veio assegurar a todos o direito de exercer a ampla defesa e o contraditório. Porém, não foi o que aconteceu no caso em tela. Destarte, merece reforma o acórdão da Fl. 5697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 35 Delegacia que já que nulo é o ato declaratório executivo emanado contra a empresa manifestante, pois não se coaduna com as normas emanadas na Constituição Federal de 1988 (...)”; i.iii “NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO FISCAL POR NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA SUA LAVRATURA”, afirma que: “(...) Constitui requisito essencial do Auto de Infração/ato administrativo, peça básica do contencioso tributário, a exata descrição da falta imputada ao contribuinte, bem como descrição minuciosa e extreme de dúvidas da situação fática imputada ao autuado. Quando a descrição do fato infringente se apresenta de modo distorcido ou impreciso, compromete o ajustamento do fato concreto à Lei e, por via de consequência, invalida o lançamento de ofício contido no referido Auto de Infração (...)”; “(...) Como já exposto, foram atribuídos à recorrente, fatos inverídicos. A autuada não contrariou e nem violou os dispositivos legais dados como infringidos, portanto, espera pela anulação o presente auto de lançamento, que se encontra totalmente ao contrário a legislação tributária. O entendimento esposado encontra respaldo no art. 142 do Código Tributário Nacional, ao qual o nosso Regulamento deve total obediência, in verbis transcrito (...)”; “(...) A presente notificação fiscal deve ser considerada nula pela falta de provas que embasassem o lançamento efetuado (...)”; “(...) Na tessitura do presente contencioso, verifica-se que os fiscais que realizaram a autuação, ao formalizarem a ação fiscal, incorreram em falta que viciou todo o processo, qual seja, a equivocada identificação do fato infringente, comprometendo a exigibilidade do ato administrativo, face não se perfilarem elementos capazes de que se pudesse proceder com segurança e certeza, a ocorrência da hipótese de incidência como descrito na legislação. Merecendo ser reformado o acórdão neste ponto, julgando pela anulação da notificação fiscal aqui discutida, por não ter qualquer respaldo (...)”; i.iv “VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA MOTIVAÇÃO”, afirma que: “(...) O caput, do artigo 37 da Constituição Federal de 1988, determina como um dos princípios da administração pública e atributo necessário do ato administrativo o respeito ao Princípio da Legalidade (...)”; “(...) Além disto, a Lei Maior e o próprio CTN estabelecem que os tributos devem ser exigidos na forma da lei, sem a qual será inconstitucional e ilegal a sua cobrança, assim como ser a atividade administrativa do Lançamento vinculada as previsões legais, nos termos do inciso II, do artigo 5º e inciso I do artigo 150, ambos da CF/88, e inciso I do artigo 97 e parágrafo único do artigo 142 do CTN (...)”; “(...) Tais exigências têm por objetivo garantir ao administrado que anteveja a adequação do Lançamento realizado as normas jurídicas vigentes no ordenamento, principalmente quanto à procedência da exigência do tributo objeto da autuação lavrada, a sua responsabilidade e etc (...)”; Fl. 5698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 36 “(...) O resultado dessa assertiva é a nulidade das autuações lavradas contra as empresas Substituídas, por terem sido praticadas sem o arcabouço da legalidade em vista do Erro de Direito cometido. Sobre este aspecto são as considerações do saudoso Gilberto de Ulhôa Canto: (...)”; “(...) No mesmo sentido, são as seguintes ementas de decisões administrativas do Egrégio Conselho de Contribuintes (...)”; “(...) Importante referir também que um dos elementos necessários do ato administrativo é a motivação pela descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que lhe serviram de fundamento, a falta desses motivos resulta a prática de ato administrativo imotivado e, consequentemente, sem motivação, acarretando a sua nulidade insanável (...)”; “(...) Sob este prisma, do Erro de Direito ocorrido nas autuações fiscais lavradas na situação exposta neste trabalho, resulta a nulidade deste ato administrativo por falta de motivação. Sobre este fato são as palavras de ilustres juristas (...)”; “(...) O Superior Tribunal de Justiça confirma o entendimento de que a falta de motivos - motivação - é razão da nulidade do ato administrativo, conforme comprova a seguinte transcrição (...)”; “(...) Desse modo cabe reforma do acórdão já que não há como levar adiante este a conclusão da auditora na representação fiscal (...)”; ii. Mérito: ii.i “DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - GRUPO ECONÔMICO”, afirma que: “(...) Não merece prosperar a aplicação de existência de grupo econômico, pois as empresas ali citadas, não compõem grupo econômico com a ora recorrente, cada uma tem suas respectivas direções, bem como seus clientes, receitas e despesas e quadro de empregados (...)”; “(...) Logo cada uma das empresas ali elencadas arca com as suas obrigações financeiras e tributárias de maneira separada, não sendo misturadas, logo não pode uma ser responsável por suposta infração da outra (...)”; “(...) A conclusão exposta pela auditora fiscal é um equívoco causado apenas pelas empresas estarem localizadas no mesmo endereço (...)”; “(...) Entretanto, cada uma delas, tem sua direção e estrutura organizacional. Não se pode nem concluir serem elas coligadas ou controladas, pois uma não faz parte do quadro societário da outra (...)”; “(...) Ademais a empresa recorrente, tem suas receitas e quadro de pessoal próprio, tanto que ao que tudo indica pela fundamentação da auditora fiscal ela não vislumbrou qualquer dificuldade para fiscalizar a empresa em questão (...)”; “(...) Assim, na representação fiscal lavrada e que agora se recorre decorre apenas de uma tese para tentar compelir tanto a autuada como as demais Fl. 5699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 37 empresas ao pagamento de seu lançamento equivocado, conforme será fundamentado abaixo (...)”; ii.ii “DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DAS PESSOAS FISICAS POR AFRONTA A LEI OU ESTATUTO SOCIAL”, afirma que: “(...) Não merece prosperar a aplicação de afronta a lei ou estatuto social, no relatório fiscal a auditora da Receita não especifica qual afronta a lei ou estatuto social incorreu as impugnantes para que serem elencadas como responsáveis solidários com o sujeito passivo elencado no auto de infração (...)”; “(...) Imperioso salientar que é obrigação do ente tributante ser claro e específico, ademais nessa situação que é uma exceção no ordenamento tributário e exige o preenchimento de todos os requisitos constantes no artigo 135, III do Código Tributário Nacional, esses que a auditora fiscal não conseguiu qualificar terem sido preenchidos. A conclusão exposta pela auditora fiscal é um equívoco causado apenas por serem os impugnantes sócios da empresa autuada (...)”; “(...) Entretanto, não é por ser sócio ou administrador de uma empresa autuada que se pode elencar as pessoas físicas dos sócios como responsáveis solidários no pagamento do tributo lançado, ainda mais quando o sujeito passivo se mantém plenamente ativo. A empresa que é o sujeito passivo da autuação tem suas receitas e quadro de pessoal próprio, sendo esse administrado pelos sócios aqui impugnantes, tanto que ao que tudo indica pela fundamentação da auditora fiscal ela não vislumbrou qualquer dificuldade para fiscalizar a empresa em questão (...)”; “(...) Cabe ainda salientar não ter a auditora fiscal comprovado o dolo, ou infração a lei por parte dos aqui impugnantes, que os fizessem ser elencados como responsáveis solidários, o que transparece é ter a representante estatal não ter encontrado qualquer óbice a fiscalização e mesmo assim perquirir erroneamente a pessoa física dos sócios. Assim, a auditora sustenta no auto de infração que lavrou e que agora se questiona apenas uma tese para tentar compelir tanto a autuada como JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA e ANGELA FAGUNDES DE OLIVEIRA ao pagamento de seu lançamento equivocado, conforme será fundamentado abaixo (...)”; ii.iii “DA NÃO OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO”, afirma que: “(...) Mesmo considerando certo o acolhimento da preliminar já suscitada, por garantia, repte aqui a recorrente em sua defesa que não deve prosperar a aplicação de existência de grupo econômico, pois as empresas ali citadas, não compõem grupo econômico com a ora impugnante, cada uma tem suas Fl. 5700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 38 respectivas direções, bem como seus clientes, receitas e despesas e quadro de empregados. Assim, deve ser reformado o acórdão neste ponto (...)”; ii.iv “DA INEXISTÊNCIA DE DIVIDA DA COTA PATRONAL SOBRE AS REMUNERAÇÕES DOS EMPREGADOS”, afirma que: “(...) Equivoca-se a decisão que julgou a impugnação, sobre a existência de débito de cota patronal, sobre os valores lançados, pois conforme toda a documentação anexada ao termo de fiscalização (notas, guias de pagamento de impostos, livro diário entre outros), resta claramente comprovado que a empresa recorrente quitou todas suas obrigações tributárias! A referida quitação se dá tanto referente aos valores devidos das contribuições previdenciárias da "cota" dos empregados, ao qual apenas cabe reter e repassar a autarquia previdenciária, bem como as contribuições que se refere a "cota" patronal ou empregador, que se calcula sobre as remunerações, subtraídos os descontos legais existentes (...)”; “(...) Desse modo, não há valores pendentes de pagamento como sustenta equivocadamente o auto de infração aqui recorrido. Como se verifica na documentação anexa, a empresa sempre prezou pelo pagamento dos valores incidentes (...)”; “(...) Desse modo, resta impugnado a suposta pendência previdenciária arguida pela auditora fiscal, por estarem devidamente contabilizadas e pagas às contribuições previdenciárias "cota" patronal sobre as remunerações dos empregados, como declarado em GFIP. Devendo assim, ser modificada a decisão exaurida pela Delegacia que confirmou o auto no ponto recorrido (...)”; ii.v “DA INEXISTÊNCIA DE DIVIDA DA COTA PATRONAL SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADO INDIVIDUAL”, afirma que: “(...) Diferentemente do sustentado do auto de infração, a empresa recorrente sempre efetuou a declaração do "pró-labore" e assim realizava o recolhimento tanto do valor retido da remuneração paga, assim como da parcela que lhe competia integralizar ao sistema de custeio da seguridade social, como previsto na carta Magna e legislação pertinente que a regula (...)”; “(...) Portanto, exigir o que já fora pago é claramente um bis in idem, ou seja, flagrante ataque aos preceitos tributários, restando equivocado o auto de infração em sua totalidade, ainda mais neste ponto. Não pode o contribuinte injustificadamente, pois já fundamentada nulidades no auto de infração, ser compelido a pagar por algo que considera estar quitado (...)”; “(...) A fiscalização ocorrida se julga plena, entretanto caso esteja certa, também não demonstra o suposto equivoco ao contribuinte, como modo de Fl. 5701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 39 fazer com que este não erre mais. Assim, cabe provimento ao presente recurso neste ponto (...)”; ii.vi “DA INEXISTÊNCIA DE DIVIDA DA COTA PATRONAL SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADO INDIVIDUAL NÃO DECLARADO EM GFIP”, afirma que: “(...) Como já mencionado no tópico acima a impugnante sempre efetuou a declaração do "pró-labore" e assim realizava o recolhimento tanto do valor retido da remuneração paga, assim como da parcela que lhe competia integralizar ao sistema de custeio da seguridade social. Desse modo, evitando a ocorrência de tautologia, apenas remete ao tópico anterior, com a finalidade de impugnar o valor lançado pela auditora fiscal referente a ao período de 01/04/2012 e 31/12/2013. Cabendo ser reformada a decisão de primeiro grau administrativo (...)”; ii.vii “DO NECESSÁRIO ABATIMENTO/COMPENSAÇÃO DOS VALORES DEVIDAMENTE RETIDOS PELOS TOMADORES DE SERVIÇO E DESTACADOS EM NOTA FISCAL”, afirma que: “(...) A auditora fiscal que autuou a empresa recorrente demonstrou tamanha voracidade em fazer lançamento tributário, que mesmo que predomine o entendimento de que deva ser mantido o auto de lançamento, deve também ser feito o abatimento de todos os valores que a empresa teve retido pelos seus tomadores de sérvio e que conforme notas fiscais de fls. 90 a 501 dos autos deste processo, foram devidamente destacadas as suas retenções (...)”; “(...) A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja: li - destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor (...)”; “(...) Não fazer o abatimento é causar um "bis in idem", haja vista que a fiscal apenas fez o lançamento exatamente sobre as notas fiscais apresentadas, mas estranhamente se omitiu sobre os valores retidos em nota fiscal. Visando buscar a compensação desses valores, que como previsto em legislação o tomador de serviço retém, vem a recorrente anexar planilha onde demonstra os valores mensalmente, feito isso sobre as notas fiscais. (...)”; “(...) Contabilizando-se o montante a ser abatido de R$ 112,491,61 (cento e doze mil, quatrocentos e noventa e um reais e sessenta e um centavos). Assim, requer seja ordenada a correção do auto de lançamento com o correto Fl. 5702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 40 abatimento das retenções demonstradas em notas fiscais, para garantir o não "bis in idem" (...)”; ii.viii “DA NÃO INCLUSÃO DOS VALORES A TITULO DE VALE ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE NA BASE DE CALCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS”, afirma que: “(...) A empresa autuada é participante do Programa de Alimentação do Trabalhador -PAT, conforme documento anexo, desse modo os valores recebidos a título de reembolso de vale alimentação, não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois não representam receita, mas sim a compensação de valores pelo tomador de serviço de valores já desembolsados pela empregadora e prestadora de serviço com o pagamento do mês corrente ao trabalhador do vale alimentação e vale transporte (...)”; “(...) Como demonstrado, os valores intitulados reembolso de vale alimentação e vale transporte não são receita para a empresa autuada, muito menos integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois NÃO são parte da remuneração dos empregados! (...)”; “(...) Sobre o vale alimentação, a empresa integra o PAT, sendo assim isenta de contribuições previdenciárias quanto a esse valor pago ao empregado. Quanto ao vale transporte, esse é regulado em legislação própria e jamais teve caráter remuneratório, pois desde a sua concepção ele tem caráter indenizatório, nunca sendo discutido um possível caráter remuneratório (...)”; “(...) Diferentemente do que diz o acórdão que julgou a impugnação, RESTA PLENAMENTE COMPROVADO NO PROCESSO OS PAGAMENTOS RELATIVOS A VALE ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE NAS FLS., sendo esses os comprovantes de pagamento juntados ao presente processo administrativo (...)”; “(...) Imperioso mencionar que o processo tem uma característica una, ou seja eles devem ser compreendido como um todo, referidos documentos por já terem sidos entregues durante a auditoria e estarem anexados ao processos, não carece a tautologia de anexa-los novamente. Portanto os valores pagos a esses títulos não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, devendo ser reformada a decisão a quo (...)”; ii.ix “DA NÃO OMISSÃO DE RECEITAS”, afirma que: “(...) Não merece prosperar a tese da auditora fiscal, quanto a omissão de receitas, pois a empresa não omitiu receitas, ela apenas não contabilizou o que não lhe pertence, haja vista que valores recebidos como reembolso de vale Fl. 5703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 41 transporte e vale alimentação, não são receitas, mas sim repasse aos funcionários (...)”; “(...) Esse mecanismo se faz necessário, pois quando uma empresa contrata a manifestante, essa contrata funcionários para suprirem a necessidade do cliente e desde a sua contratação o funcionário faz jus ao recebimento do vale alimentação e vale transporte, entretanto a empresa somente será paga pelo cliente desse valor já despendido no momento que o cliente pagar pelos serviços prestados (...)”; “(...) Assim, não se pode considerar receita aquilo que não entra com a finalidade de pagamento pelos serviços prestados. Como bem mencionado nos documentos fiscais, esses valores dizem respeito ao reembolso de valores já desembolsados e de direito dos empregados (...)”; “(...) Necessário, mencionar que são benefícios previstos em convenção coletiva e que já foram objeto de análise dos tribunais superiores e do próprio CARF, onde é predominante o entendimento que esses valores não são receitas da empresa, bem como não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias conforme já mencionado acima (...)”; “(...) Imperioso ainda que o pagamento desses de benefícios se dá por meios eletrônicos, ou seja, o valor do vale transporte é creditado via sistema TRI da Prefeitura de Porto Alegre, onde o funcionário recebe o crédito em um cartão exclusivo recebido única e exclusivamente para uso como vale transporte. O vale alimentação ocorre por meio de crédito através da empresa Green card S/A, e ele deve ser usado único e exclusivamente para aquisição de alimentos como preceitua a Lei 6.321/76 que regulamenta o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT, esse que já prevê benefícios fiscais as empresas que o aderirem como é caso (comprovante em anexo) (...)”; ii.x “DO ENQUADRAMENTO DA EMPRESA NO CNAE FISCAL”, afirma que: “(...) A auditora fiscal no auto de infração, até mesmo o enquadramento da recorrente no Código Nacional de Atividade Econômica - CNAE FISCAL tenta imputar a empresa uma suposta intenção desta de se enquadrar de maneira diversa. Entretanto, ocorre que a empresa está corretamente enquadrada na sua atividade principal, tendo ainda outras atividades como secundárias (...)”; “(...) É sabido, que uma empresa no decorrer de suas atividades pode acabar tendo mais êxito em uma de suas atividades, mais do que em outras atividades registradas. Além do mais, tratando-se de prestação de serviços variados, deve se levar em consideração a necessidade momentânea do mercado, a sazonalidade, não podendo basear-se em curto espaço de tempo que é o Fl. 5704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 42 período de uma fiscalização. Dessa maneira, não procede o auto de infração em questionar o correto enquadramento no CNAE-FISCAL (...)”; ii.xi “DA INCOERÊNCIA DO REENQUADRAMENTO E AINDA AUMENTO DA ALIQUOTA DA RAT”, afirma que: “(...) Em decorrência à inobservância de parâmetros a auditora fiscal acabou por alterar o CNAE classificando como sendo de risco grave, ou seja, tributadas pela alíquota de 3%, devido às alterações promovidas pelo art. 20 do Decreto n.° 6.957/2009, que modificou o anexo V do Regulamento da Previdência Social. Tal auto de infração não preencheu os requisitos para que o reenquadramento das atividades classificadas na CNAE fosse realizado, e por consequência, as alíquotas majoradas (...)”; “(...) Por tais razões, não há como não concluir que a edição de tal Decreto se deu de forma totalmente imotivada, incoerente e abusiva, com o objetivo de, salvo melhor juízo, aumentar a arrecadação, além de desvirtuar a tributação e ensejar em desvio de poder/finalidade tendo a alíquota do RAT da recorrente aumentada de 2% para 3% (...)”; “(...) Do exame da fundamentação do auto de infração, bem como da regulamentação da referida contribuição não é possível compreender porque uma determinada atividade está classificada em um grau de risco e não em outro, ou porque atividades similares possuem RAT distintos. Nesse sentido, para melhor comprovar a falta de critério da nova classificação das atividades das subclasses do CNAE promovidas Regulamento da Previdência Social, a recorrente deve recolher a alíquota de 2% como diz sua classificação no CNAE (...)”; “(...) Portanto, incorreta a mudança de classificação da recorrente no CNAE e consequentemente a alteração da alíquota do RAT efetuada no auto de infração, cabendo a esse conselho reformar a decisão da Delegacia de Julgamento (...)”; ii.xii “DO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO - FAP”, afirma que: “(...) Nesse contexto, aqui mais uma vez estamos discutindo uma flagrante ilegalidade, haja vista que como já argumentado no item sobre a RAT, o enquadramento no CNAE principal deve se manter o atual, logo o fator acidentário está correto o utilizado pela empresa em suas declarações, não devendo ser objeto de alteração, cabendo a esse conselho reformar a decisão da Delegacia de Julgamento (...)”; ii.xiii “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA EM RELAÇÃO AS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTROS FUNDOS E ENTIDADES”, afirma que: Fl. 5705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 43 “(...) Por plena falta de previsão legal e até mesmo pela exclusão da responsabilidade solidária quanto as contribuições destinadas a outras entidades e fundos, merece ser dado provimento ao presente recurso para excluir a responsabilidade solidária quanto aos débitos dessa natureza. Para esclarecer o assunto, cumpre colacionar o previsto no artigo 151, §29, I da Instrução Normativa nº 971 de 13 de novembro de 2009: (...)”; “(...) Desse modo, requer a recorrente, sejam excluídos os valores referentes as aludidas contribuições a outras entidades ou fundos de responsabilização solidária aos demais interessados autuados no presente auto de infração, com vista a restrita legalidade. (...)”; ii.xiv “DA INEGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS - FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO - SALÁRIO EDUCAÇÃO”, afirma que: “(...) Não se pode autuar a empresa por uma contribuição flagrantemente inconstitucional! Com o advento da Constituição de 1988, a educação passou a ser um direito de todos os cidadãos e um dever do Estado, não pode o Estado Brasileiro querer repassar esse ônus ao já excedentemente tributados empresários e empresas. Já existem inúmeros impostos para que se possa arcar com os custos do Estado, incluindo aí os valores necessários para a educação (...)”; “(...) Se não estamos aqui tratando de garantir com o chapéu alheio, onde se garante um direito e o dever é repassado à terceiro. Ademais estamos aqui falando se uma contribuição que se utiliza da mesma base de cálculo de outra, mais uma vez contrariando a constituição e a competência tributária, podendo ser considerado um caso clássico de bis in idem (...)”; “(...) Desse modo, resta demonstrado a ilegalidade/inconstitucionalidade sobre a cobrança bem como sobre a autuação efetuada referente a presente contribuição/salário educação, sendo assim indevida a cobrança do mesmo. Portanto deve ser provido o recurso no ponto ora recorrido (...)”; ii.xv “DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES - INCRA”, afirma que: “(...) Nesse contexto, aqui mais uma vez estamos discutindo um flagrante constitucional, haja vista que estamos tratando de uma empresa urbana e que em nada se envolve com atividades rurais, assim não se pode tributar terceiro que nada tem com a relação tributária. Pois se não estamos correndo o risco de beirarmos o confisco estatal, pois se aceitarmos que pode uma empresa urbana ser tributada sobre matéria peculiar a uma questão rural, logo estaremos ao bel prazer do Estado para tributar de maneira como bem entender qualquer situação fática tenha ela relação ou não entre o contribuinte e o destino (...)”; Fl. 5706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 44 “(...) Claro que sabemos que existem tributos aos quais não estão vinculados a uma finalidade específica, mas em tese pelo menos, eles tem uma relação, seja pela receita ou propriedade, por exemplo no momento de declarar e pagar imposto de renda, o cidadão declara e paga o seu imposto de renda, sua renda auferida. No IPVA e IPTU é necessário a propriedade de imóvel ou veículo para cobra-los (...)”; “(...) E agora, sobre a presente contribuição devido ao INCRA por empresas urbanas? Qual o nexo causal existente? Tenta-se argumentar em posicionamentos recentes que seria um custo a toda a coletividade, mas não merece prosperar esta tese, pois se não sempre se encontraria argumentos para jogar a coletividade os ônus que são incumbência do próprio Estado (...)”; “(...) Ainda, mesmo que se considere uma contribuição de intervenção no domínio econômico ela precisa obrigatoriamente ser utilizada para a sua finalidade, o que não se pode cogitar que uma empresa urbana, acabe por pagar pela contribuição ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Assim, indevido auto de infração quando a contribuição a terceiros INCRA por ser essa inexigível de empresas como a ora recorrente. Portanto deve ser provido o recurso no ponto ora recorrido (...)”; ii.xvi “DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES - SESC e SENAC”, afirma que: “(...) No que tange as contribuições a terceiros SESC e SENAC exigidas no presente auto de infração, constata-se que as mesmas também são indevidas, consoante será exposto. O Decreto-Lei n2 9.853 em seu artigo 12 atribui competência a Confederação Nacional do Comércio, para a criação do Serviço Social do Comércio - SESC, com fundamento de melhorar o padrão de vida e o bem estar dos comerciários (...)”; “(...) Dispôs ainda o citado decreto, que as despesas do SESC seriam custeadas pela arrecadação de contribuição imposta as empresas vinculadas ao COMÉRCIO à uma alíquota de 2,0% (dois por cento), incidente sobre a remuneração paga aos empregados. A arrecadação da citada contribuição seria feita pelo INSS, que reteria 1% a título de indenização pelas despesas ocorrentes durante o processo arrecadatório (...)”; “(...) O SESC foi criado e seria custeado por uma contribuição mensal dos estabelecimentos comerciais, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC, por sua vez, segue o mesmo "rito" adotado para a instituição do SESC. Perceba-se que tanto SESC quanto o SENAC, foram criados para auxiliar aqueles que trabalham no comércio ou necessitam de mão de obra capacitada para exercer as funções deste (...)”; Fl. 5707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 45 “(...) Tais são os contribuintes e os beneficiários do órgão, não se admitindo, portanto, falar-se na imposição da contribuição aos que não estão diretamente ligados ao comércio. Assim, sendo, as prestadoras de serviço, não podem ser obrigadas a contribuir ao SESC e SENAC e ainda pagar pela formação dos profissionais que necessita, pois, seus funcionários não se enquadra como comerciantes, se pensar o contrário estarão as prestadoras de serviço sendo duplamente oneradas, o que definitivamente não é de se admitir. Este é o entendimento firmado pelo extinto Tribunal Federal de Recursos - TFR, veja-se: (...)”; “(...) Assim, tendo em vista a fundamentação supra e por ser a empresa recorrente uma prestadora de serviço é evidente ser a mesma indevida (...)”; ii.xvii “DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES - SEBRAE”, afirma que: “(...) Mesmo que em recente posicionamento do Supremo Tribunal Federal, a presente contribuição tenha sido julgada constitucional e recebido característica de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE, a sua base de calculo é inconstitucional, pois com o advento da Emenda Constitucional 33/01, as contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais, das quais trata o art. 149 da CF/88, poderão ter alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada (...)”; “(...) Sendo assim, não mais há permissão para que tais contribuições tenham alíquotas a incidir sobre a folha de pagamento dos empregados ou trabalhadores. Por conseguinte, os dispositivos da lei 8.029 que, na sua origem, em 1990, eram constitucionais, resultaram revogados ou inquinados de inconstitucionalidade superveniente, em face da Emenda Constitucional de 2001. Logo são indevidos e inconstitucionais os valores referentes à contribuição ao SEBRAE, merecendo ser a decisão de primeiro grau administrativo ser reformada (...)”; ii.xviii “JUROS MORATÓRIOS - SELIC”, afirma que: “(...) art. 13 da Lei nº 9.065/95, um dos fundamentos legais citados para aplicação dos juros de mora, estipula a aplicação da taxa de juros SELIC. Ocorre que tais juros, ditos moratórios, são inaplicáveis, se considerado o ordenamento jurídico-tributário vigente (...)”; “(...) Como é do conhecimento a SELIC é divulgada unilateralmente pelo Banco Central do Brasil, órgão que ainda a manipula, pois ela representa a "variação de rendimento" do valor de mercado de diversos títulos públicos. Além do mais, a taxa SELIC não pode ser usada para cálculo de juros moratórios, pois consiste Fl. 5708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 46 numa forma de juros remuneratórios. E, no caso dos tributos, são devidos apenas juros de mora, ou seja, em decorrência do pagamento tardio de obrigação tributária, servindo como complemento indenizatório da obrigação principal (...)”; “(...) E, conforme o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, apenas com expressa disposição de lei ordinária, acerca do cálculo dos juros moratórios incidentes nas obrigações tributárias, essa taxa poderá ser superior a 1% ao mês. E a Lei nº 9.065/95 (instituidora da SELIC) não estabeleceu uma nova forma de fixação de juros moratórios, porque optou por uma taxa claramente remuneratória, variável e incerta, que pode, inclusive, ser manipulada pelo Banco Central do Brasil (uma vez que representa a "variação do rendimento" do valor de mercado de diversos títulos públicos). Logo, impossível pretender aplicar a taxa SELIC como juros moratórios quando esta for superior a 1% (...)”; ii.xix “DA MULTA”, afirma que: “(...) A empresa recorre da elevada quantia fixada a título de multa no auto de infração (150%), que, principalmente se agregada aos juros, contraria os arts. 150, IV e 52, XXII, da Carta Política. Ocorre que o quantum relativo à multa deve ser proporcional ao valor do tributo, de modo que não permita ao Estado, no exercício do poder de tributar, destruir o patrimônio do contribuinte. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 18.331, relator o Eminente Ministro Orozimbo Nonato, consignou que: (...)”; “(...) Assim, torna-se inconcebível concordar com a imposição da multa nos patamares exigidos pelo Fisco, eis que desproporcional à infração cometida. A falta de proporcionalidade reside na circunstância de que tal exigência sequer leva em consideração a finalidade primordial da sanção. Ao contrário, revela seu caráter eminentemente destrutivo, acarretando ao contribuinte graves consequências econômicas (...)”; “(...) Aplicável ao caso também a seguinte decisão do STF, proferida pelo eminente Ministro Marco Aurélio, verbis: (...) Entendimento semelhante foi manifestado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento de pedido de medida cautelar na ADIn nº 1075, ajuizada pela Confederação Nacional do Comércio contra a Lei Federal nº 8.846/94 (...)”; “(...) Finalmente, cumpre registrar que a multa cominada não se aplica à infração supostamente cometida pela Recorrente. O art. 44 da Lei nº 9.430/96 comina a multa de 150% no caso de falta de pagamento de tributo devido, e ainda agravada. Ocorre, todavia, que o contribuinte não deixou de pagar tributo e também não faz jus a multa majorada (...)”; Fl. 5709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 47 “(...) Ainda conforme alteração introduzida pela Lei 11.941/2009 nos artigos 35 da Lei 8212/91 combinado com o artigo 61, § 22 da Lei 9430/96, a multa de mora deverá ficar limitada a 20%. Portanto deve ser provido o recurso no ponto ora recorrido (...)”; e, ii.xx “DA INDEVIDA IMPOSIÇÃO DE MULTA POR NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO”, afirma que: “(...) Devidamente cientificada a empresa, desde já se colocou à disposição para colaborar com a fiscalização, apresentando a documentação requerida, bem como prestando esclarecimentos e solicitações complementares. Em que pese tenha sido apresentada toda a documentação solicitada, a autoridade fiscalizadora a considerou deficiente, pois, consoante consignado no relatório fiscal do auto de infração anexo (...)”; “(...) Contudo, ao contrário do parecer da autoridade fiscalizadora, a exibição de livros como preceitua a Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009, "in verbis": (...)”; “(...) Da redação dos dispositivos legais constata-se que a infração do contribuinte decorre da não exibição de documentos e livros relacionados às contribuições previdenciárias; sendo que, a não exibição dos documentos e livros ou a sua apresentação deficiente confere à SRF o direito de lançar o tributo de ofício. Nota-se que o legislador ao descrever o conteúdo infracional da norma dispôs essencialmente sobre a recusa ou sonegação da exibição de documentos e livros por parte do contribuinte, nada referindo sobre informações diversas, mas, tão somente autorizando à SRF lançar e cobrar o tributo, por meio de aferição indireta, no caso de o contribuinte se recusar a franquear os livros e documentos necessários à fiscalização (...)”; “(...) Corolário disso tem-se por definitivo que os livros contábeis foram adequadamente apresentados à auditora fiscal no procedimento fiscal, não caracterizando infração prevista na Lei nº 8.212/91, combinados com os artigos 283, inciso II, alínea 'j', artigo 292, incisos II, III e IV e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo decreto nº 3.048/99. Destaca-se que os livros diários apresentados puderam ser adequadamente examinados, sem prejuízo para o procedimento fiscal. Em vista disso, a documentação apresentada é idônea, constituindo o auto de infração em excesso de poder da autoridade fiscal (...)”; “(...) Frisa-se que para efeitos fiscalizatórios é irrelevante a data em que os livros diários foram registrados e autenticados, desde que exibidos tempestivamente e atendendo às formalidades legais, o que é perfeitamente observado no presente caso. Desta feita, da narrativa exposta conclui-se que a Fl. 5710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 48 recorrente apresentou os livros contábeis, inexistindo infração sujeita à aplicação de pena de multa (...)”; “(...) Em sendo assim, não se pode entender que os documentos apresentados não atendiam as formalidades legais exigidas; cabendo, daí a procedência da presente impugnação para reconhecer e declarar ineficaz o auto de infração lavrado, bem como, ineficaz e indevida a pena pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória (...)”; “(...) Por consequência de tudo quanto aqui foi exposto, pugna-se pelo provimento do presente recurso. Todavia, se esse não for o entendimento de V. Exa., o que não se espera, nem se acredita, requer a recorrente a redução da pena aplicada eis que revertida de caráter excessivo e imputada sem observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, na medida em que a Impugnante não possui procedimentos fiscais anteriores que justifique o valor da multa imposta, tampouco, a infração caracteriza-se como sendo de natureza grave. Dão guarida à pretensão da Impugnante diversos julgados, oriundas das mais diversas Delegacias da Receita Federal do Brasil, e seguir colacionadas (...)”; “(...) Assim, e imperioso, após toda a fundamento aqui exposta, seja provido o presente recurso e anulado o auto de infração, ou ainda, caso mantido, seja reduzido o valor da multa imposta (...)”. 19. Por fim, requereu: “a) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constante no auto de infração, haja vista a discussão da legalidade e exigibilidade do mesmo, se abstendo assim este órgão administrativo de incluir a empresa recorrente no CADIN, bem como a de emitir certidão positiva contra a recorrente, até ser exaurida a discussão deste recurso; b) seja acolhida a preliminar de inocorrência de responsabilidade solidária e consequentemente declarada a não existência de grupo econômico entre a empresa recorrente e as demais elencadas no auto de infração, que ora recorre; c) seja acolhida a preliminar de inocorrência de responsabilidade solidária e consequentemente declarada a não existência de infração a lei ou estatuto social pela pessoa física dos sócios da empresa sujeito passivo elencada no auto de infração, que ora se recorre; d) seja dado PROVIMENTO ao presente recurso com a consequente anulação do auto de infração, por eivado de nulidades, isentando assim a empresa recorrente da obrigação do pagamento relativo a contribuições previdenciárias da empresa sobre a remuneração de empregados; contribuição da empresa sobre remunerações pagas distribuídas ou creditadas a autônomos, avulsos, e demais pessoas físicas e dos cooperados e contribuintes individuais; contribuição das empresas para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa; contribuições previdenciárias devidas a terceiros: SALARIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE; solidariedade das obrigações; consequentes acréscimos legais, multa e juros aplicada sobre supostamente ter a empresa não pago o valor das contribuições Fl. 5711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 49 mencionadas no período de 01/04/2012 a 31/12/2013; e multa aplicada sobre supostamente não ter a empresa exibido documento ou livro relacionados com as com as contribuições previstas na Lei n2 8212/91 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas indevidamente aplicados conforme fundamentação supra; e) alternativamente, caso mantido o auto de lançamento, requer seja efetuado o abatimento/compensação dos valores retidos pelos tomadores de serviço e destacados em nota fiscal (notas anexas ao auto de infração fls. 90/501), sob pena de estar esse órgão legalizando o "bis in idem", pois a retenção é uma antecipação do futuro tributo a ser pago, seja ele a complementar ou a restituir; e.1) em caso de manutenção do auto de infração, requer a exclusão da responsabilização solidaria as demais pessoas jurídicas e físicas em relação as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, por ser expressamente vetada pela IN da RFB 971/2009; e.2) caso mantido o auto de lançamento, deve ser determinado a exclusão da base de cálculo dos valores pagos a título de vale transporte e vale alimentação comprovados nas fls. dos autos, por terem esses pagamentos característica indenizatória e não remuneratória; e.3) Na hipótese de ser mantida a multa acessória, o que não se acredita, requer a recorrente que seja reduzido o valor da multa, a fim de que está se amolde aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco, pois, não tem a infração natureza grave e trata-se à empresa de infratora primária; f) seja julgado indevido o uso da taxa SELIC para correção monetária e juros por flagrante abusividade e ilegalidade; g) caso mantida em sua totalidade ou em parte o auto de infração aqui contestado, requer seja diminuída a multa para no máximo 20% do crédito tributário, conforme preceitua a Lei 11.941/2009; e h) seja a empresa recorrente notificada via carta AR no endereço citado na prefaciai do presente recurso, da decisão a ser proferida, que julgar o presente recurso, sob pena de nulidade;”. 20. Pois bem. 21. Como os sujeitos passivos não trouxeram aos autos qualquer elemento novo ou apresentaram quaisquer documentos que comprovassem suas alegações, bem assim como todas as matérias de mérito já foram devidamente e exaustivamente enfrentadas pela DRJ/REC (DRJ04), que proferiu decisão bem fundamentada, tendo apreciado com precisão e esmero as questões de fato e de direto apresentadas pelos Recorrentes, tendo se pronunciado sobre todos os argumentos apontados pelos Recorrentes nas Impugnações (e que foram os mesmos trazidos nos Recursos Voluntários), adoto como razões de decidir as externadas pela decisão recorrida (Acórdão nº 11-57.242, 7ª Turma da DRJ/REC, sessão de 17 de agosto de 2017, de relatoria do Julgador Túlio Teotônio de Melo Pereira), tal como abaixo descritas, que ora ficam confirmadas, nos termos do artigo 50, inciso V e § 1º, da Lei nº 9.784/19991 c/c artigo 114, § 12, inciso I, do 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] V - decidam recursos administrativos; Fl. 5712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 50 Novo Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 20232: [...] Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre, ex lege, da apresentação da impugnação pelo Autuado. É nesse sentido o art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966. Vejamos: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – [...] [...] III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Desse modo, enquanto não houver decisão administrativa definitiva, o presente crédito tributário permanecerá com a exigibilidade suspensa. Da inscrição da empresa no CADIN e da emissão de Certidão Positiva O pedido aqui formulado pela defesa é no sentido de que o Órgão se abstenha de incluir o nome dos impugnantes no CADIN, bem como de emitir certidão positiva contra eles. Primeiramente, é certo que nenhuma dessas providências foi até o momento adotada como conseqüência dos autos de infração que estamos a examinar, até porque a exigibilidade do crédito por meio deles constituídos encontra-se suspensa por força da impugnação apresentada, o que, naturalmente, obsta a inclusão do nome da empresa no mencionado cadastro informativo. Em segundo lugar, nenhuma das medidas que a empresa busca evitar se põe no âmbito da controvérsia que cabe a esta DRJ dirimir, seja porque, como já dito, nenhuma delas foi ainda implementada - e, neste sentido, o pedido articulado pela defesa se revela de caráter meramente preventivo -, seja porque, se e quando o forem, constituir-se-ão atos não submetidos às normas do Decreto n° 70.235/72, em especial a que reproduzimos a seguir: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I - em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; Veja-se que a competência das Delegacias mencionadas no inciso I, restringe-se ao julgamento "do processo de exigência de tributos ou contribuições" administrados pela RFB, o que exclui a sua [...] § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 2 Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. [...] § 12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida. Fl. 5713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 51 aptidão jurídica tanto para decidir acerca da inclusão do nome do sujeito passivo no CADIN, como para emissão de certidões. Por tais motivos, abstém-se de enfrentar o mérito da pretensão aqui deduzida pelos impugnantes. Das alegações de nulidade De forma reiterada, os impugnantes alegam que o presente auto de infração encontra-se eivado de nulidades, sob os argumentos de que lhe foi obstaculizado o seu direito de defesa e do contraditório. Entende que na sua lavratura não foram preenchidos os requisitos legais e que houve afronta aos princípios da legalidade e da motivação, pela inexistência de fundamento jurídico necessário para dar-lhe o devido embasamento legal. Sem razão a impugnação na matéria, como se verá. O relatório fiscal relaciona, ordenadamente, as circunstâncias fáticas e respectivos pressupostos legais para a exigência fiscal, seja em relação à competência para fiscalizar os tributos e aos procedimentos adotados pela auditoria fiscal, seja em relação às rubricas ou infrações apuradas. Foram descritos os fatos ocorridos, as bases de cálculo apuradas, os documentos examinados, tais como contabilidade, as folhas de pagamento e GFIP, com as omissões descritas, culminando na elaboração de planilhas demonstrativas e de cálculo da multa, além de fazer menção expressa aos dispositivos legais pertinentes. O auto de infração trouxe extenso cabedal probatório (fls. 90/4167), suportado pelos documentos apresentados pelo contribuinte, e não se baseou em meras alegações, como pretende a impugnação. Assim, o AI contém todas as informações necessárias ao conhecimento do débito, possibilitando a adequada defesa do sujeito passivo. Constata-se, portanto, que o auto de infração atende aos requisitos essenciais exigidos pelo art. 142 do CTN e pelo art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972, não se verificando qualquer mácula que pudesse conduzir à sua nulidade. Esclareça-se que a empresa tem obrigação de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, por força do disposto no art. 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/1991. Por outro lado, o simples fato de apresentar os documentos para a inspeção fiscal não afasta a exigência do tributo que deixou de ser recolhido. A lavratura deste AI deu-se a partir de um procedimento fiscalizatório, com intimações regulares e concessão de prazos legais. Logo, foi permitido aos impugnantes tomarem conhecimento da íntegra do lançamento e da infração que lhe foi imputada, bem como apresentar defesa, de modo a contraditá-los, cumprindo-se as disposições pertinentes do Decreto n.° 70.235/72, notadamente os artigos 10 e 16. Diante do exposto, não merece acolhida a pretensão dos impugnantes, relativa às nulidades suscitadas, dado que não há indicação de ter havido qualquer violação, no presente caso, dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, nem mesmo obscuridade ou falta de motivação e nem afronta à legalidade. Incabível, assim, aceitar-se o pedido de nulidade da presente autuação. Do grupo econômico Fl. 5714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 52 Os impugnantes insurgem-se contra a caracterização de grupo econômico de fato e contra a responsabilização solidária das empresas que o integram, apontadas no relatório fiscal. Argumentam, em suma, as impugnantes, que não lhes cabe, a aplicação de existência de grupo econômico, em relação ao contribuinte indicado no auto de infração, pois, cada uma tem suas respectivas direções, bem como seus clientes, despesas e quadro de receitas e empregados, arcando com as suas obrigações financeiras e as tributárias de maneira separada, não sendo misturadas, logo não pode uma ser responsável por suposta infração da outra. No presente caso, constata-se que foi estendida pela autoridade fiscal, a sujeição passiva às empresas Defesa Patrimonial Prestação de Serviços Ltda, Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda - Epp e Jose Luiz Santos de Oliveira Serviços- EPP, em razão da solidariedade pela configuração de grupo econômico. A realidade fática apurada pelo fisco e demonstrada nos autos é a de que as empresas citadas no Relatório Fiscal formam um grupo econômico de fato. Senão vejamos: • Na empresa autuada Angela Fagundes da Luz Oliveira EPP, a sra. Angela Fagundes da Luz Oliveira é empresária individual. O sr. Jose Luiz Santos de Oliveira tem procuração com amplos poderes para a administração; • Na empresa Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda-EPP, são sócios administradores a Sra. Angela Fagundes da Luz Oliveira e Sr. Jose Luiz Santos de Oliveira, conforme consta na alteração contratual registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 02/06/2011; • Na empresa Defesa Patrimonial Prestação de Serviços Ltda a Sra. Angela Fagundes da Luz Oliveira é sócia administradora conforme consta na alteração contratual registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 09/08/2000 e o Sr. Jose Luiz Santos de Oliveira torna-se sócio cotista, conforme consta na alteração contratual registrada na Junta Comercial do Rio Grande do Sul em 02/06/2011. Foi constatado que Sr José Luiz Santos de Oliveira recebeu pró-labore enquanto era sócio cotista conforme GFIP's enviadas. A partir de 16/01/2014 passa a ser sócio administrador, conforme 9a alteração contratual; • Na empresa José Luiz Santos de Oliveira Serviços EPP, o sr. José Luiz Santos de Oliveira é empresário individual; • Nas notas fiscais das quatro empresas o logotipo é o mesmo: "DEFESA PATRIMONIAL", estando logo abaixo descrito a razão social. O e-mail constante das notas fiscais das quatro empresas é identico: defesaprestserv@,terra.com.br. Os telefones da Central de Atendimento constante das notas fiscais das quatro empresas são os mesmos: 3315-5353 e 3315-54 24; • Na procuração pública do 10° Tabelionado de Notas de Porto Alegre, n° 51.977, de 18/04/2012, da empresa Angela Fagundes da Luz Oliveira- EPP, para o Sr. Jose Luiz Santos de Oliveira, na identificação da empresa, consta que opera com o nome fantasia: "Defesa Patrimonial Prestação de Serviços"; • todas as empresas possuem a mesma direção, com sede no mesmo endereço (Av Teresópolis n° 3129, sala 202, Porto Alegre), mesmo nome fantasia: "Defesa Patrimonial" e as atividades exercidas são as mesmas: portaria, limpeza e serviços gerais. Ficou patente no caso em lide, que há uma administração em comum das empresas envolvidas, pelos sócios Angela Fagundes de Oliveira e José Luiz Santos Oliveira, inclusive com retirada de pró- labore. As empresas atuam nas mesmas atividades e se apresentam externamente como pertencentes ao grupo "Defesa Patrimonial", conforme consta das notas fiscais, mesmo endereço e telefone. Fl. 5715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 53 Desse modo, tem-se que foram descritas detalhadamente, pela fiscalização, as circunstâncias que ensejaram a caracterização do grupo econômico. A fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária no inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91: Art. 30.... IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91. Observe-se que não houve presunção, mas disposição legal expressa. Ademais, o fato de supostamente as empresas terem clientes, receitas, despesas e funcionários distintos não afasta a ocorrência do grupo econômico. A norma legal tem esteio no art. 124, inciso II, da Lei n.º 5.172/1966, denominado Código Tributário Nacional (CTN): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. De notar-se que o inciso II trata da chamada solidariedade legal, para a qual a lei estabelece uma hipótese suficiente para a caracterização da solidariedade, sem que seja necessária prova do interesse comum, exigível somente na solidariedade de fato, hipótese do inciso I. Dessa maneira, provada a existência de um grupo econômico, exsurge a responsabilidade solidária, nos termos do inciso IX, art. 30, da Lei n.º 8.212/1991. Cabe realçar, entretanto, que não há solidariedade com relação as obrigações destinadas a outras entidades e fundos, visto não haver previsão na Lei n° 8.212/91 de responsabilidade solidária por créditos dessa natureza, nem nas leis esparsas específicas que tratam dos valores destinados aos diversos terceiros. Nesse sentido, o §2.º do art. 151 da Instrução Normativa (IN) RFB N.º 971/2009: Art. 151. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. § 1ºA solidariedade prevista no caput não comporta benefício de ordem. § 2º Excluem-se da responsabilidade solidária: I - as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; (...) Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº8.212, de 1991; (...) § 5º A solidariedade estabelecida no caput, relativamente aos incisos I, II e III, aplica-se também à multa decorrente do descumprimento das obrigações acessórias, que se convertem em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 5716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 54 (grifou-se) Pelo exposto, mantém-se a responsabilidade solidária das empresas Defesa Patrimonial Prestação de Serviços Ltda; Luz & Oliveira Prestação de Serviços Ltda - Epp e José Luiz Santos de Oliveira Serviços - EPP, pelo auto de infração relativo a contribuição da empresa e do empregador (fls. 2/18) e para aplicação de multa regulamentar por exibição deficiente de documento ou livro (fls. 42/48). Deve ser excluída a responsabilidade solidária das mesmas empresas pelo auto de infração relativo a contribuição para outras entidades e fundos (fls. 19/41). Impugnação procedente em parte. Da alimentação e transporte O Impugnante clama pela não inclusão dos valores a título de vale alimentação e vale transporte na base de cálculo. Inicialmente, deve-se dizer que as bases de cálculo apuradas foram aquelas espontaneamente declaradas nas GFIP apresentadas pelo sujeito passivo. Logo, qualquer erro nas bases de cálculo demanda comprovação e deve ser seguido das correções nas declarações, o que não ocorreu na espécie. Note-se que não estão sendo exigidas contribuições sobre os valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços a título de reembolso alimentação e transporte. Assim, no caso em tela, não houve comprovação de incidência de contribuições sobre valores de alimentação e vale transporte. Logo, impossível acolher a impugnação na matéria. Da contribuição da empresa sobre a remuneração dos segurados A empresa alega, de forma genérica, a inexistência de dívida da cota patronal incidente sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais. A Fiscalização, por sua vez, demonstrou as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais apuradas nas declarações da empresa (GFIP e DIRF). Demonstrou, também, que a empresa se declarava como optante pelo Simples nas GFIP, deixando de recolher, por conseqüência, as contribuições patronais incidentes sobre as remunerações dos segurados. Uma vez que a empresa foi excluída do sistema Simples de tributação, com efeitos a partir de 01/04/2012, são devidas as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados. Assim, não merece prosperar a impugnação na matéria. Da contribuição para o SAT/RAT Parte do lançamento ora contestado, constitui o crédito relativo à cobrança da contribuição social correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), ajustada pelo percentual do Fator Acidentário de Prevenção -FAP. A contribuição exigida encontra-se disciplinada pela Lei n.° 8.212/91, no art. 22, inciso II, que, na redação dada pela Lei n.° 9.732/98, determina que o enquadramento seja realizado com base na atividade preponderante da empresa. O Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 202, §3°, dispõe que se considera atividade preponderante a que ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Segundo §4° do mesmo artigo, a atividade econômica preponderante e os respectivos riscos compõem a relação prevista no Anexo V. Além disso, de acordo com o §5° do Fl. 5717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 55 citado artigo, é de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revisá-lo a qualquer tempo. Considerando que o fato gerador da contribuição sob exame é mensal, a verificação da atividade preponderante deve ser feita a cada competência. Dessa forma, o enquadramento da empresa não é imutável e pré-definido, dependendo de uma análise das atividades desempenhadas pelos segurados a ela vinculados. Por sua vez, o Fator Acidentário de Prevenção - FAP é um fator que reduz em até cinquenta por cento ou aumenta em até cem por cento a alíquota do RAT, levando em conta, para o seu cálculo, o histórico dos benefícios previdenciários e dos fatos que denotam danos laborais aos empregados de determinada empresa ou equiparada. Esse fator está previsto no art. 10 da Lei n° 10.666/2003, e é apurado em procedimento previsto em regulamento e em conformidade com os resultados obtidos a partir de índices de frequência, gravidade e custo das doenças e lesões, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. A alteração da alíquota prevista na Lei n° 10.666/2003 foi regulamentada apenas com a inclusão, pelo Decreto n° 6.042/2007, do art. 202-A no Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, passando a existir regras para mensuração do desempenho pelo FAP. Tais regras sofreram alteração pelo Decreto n.º 6.957/2009, com suporte no previsão legal do art. 10 da Lei n.º 10.666/2003, que remete ao regulamento a definição do FAP. Com a regulamentação, foi previsto que o Ministério da Previdência Social publicasse anualmente no Diário Oficial da União os índices de frequência, gravidade e custo, e disponibilizasse na internet o FAP por empresa, com as informações que possibilitassem a esta a verificação da correção dos dados utilizados na apuração do seu desempenho (RPS, art. 202-A, §5°). A competência para atribuição do FAP às empresas ou equiparadas é do Ministério da Previdência Social, conforme definido no art. 202-B do RPS, incluído pelo Decreto n° 7.126/2010, publicado em 04/03/2010. Conforme o mesmo dispositivo, §2°, da decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional caberá recurso, no prazo de trinta dias, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. O Auditor Fiscal utilizou os FAP informados pelo Ministério da Previdência Social e qualquer contestação contra os índices deveriam ter sido dirigidos àquele Ministério, no rito estabelecido em regulamento. Nem o Auditor Fiscal, nem este colegiado tem competência para alterar o FAP estabelecido. Tem-se, portanto, que a edição do Decreto n.º 6957/2009 se deu em decorrência do exercício regular do poder regulamentar, conforme autorização do art. 10 da Lei n.º 10.666/2003. Não demonstrado, portanto, que sua edição tenha sido imotivada, incoerente ou abusiva. O que ocorreu no presente caso foi que a empresa fiscalizada, informou erroneamente em GFIP a alíquota de SAT de 2% e CNAE 9512-6-00 - Reparação e manutenção de equipamentos de comunicação. Conforme termo de verificação, a auditoria apurou, com base nas GFIP, que a maior parte dos segurados da empresa desenvolve a atividade de porteiro. Logo, correto o reenquadramento da empresa no CNAE 81.11-7/00, relativo a "Serviços Combinados para Apoio a Edifícios", para o qual a alíquota RAT é de 3%. Assim, foram demonstrados os requisitos para o reenquadramento efetuado pelo Fisco, não procedendo as razões de defesa na matéria. Quanto ao FAP de 1,0000 é aquele constante do cadastro da empresa, conforme divulgado pelo MPAS, e o mesmo informado nas GFIP pela empresa, não tendo havido reenquadramento, pelo que não tem procedência a argumentação nesse ponto. Fl. 5718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 56 Assim constatado à atividade preponderante da empresa, correspondia a uma alíquota de 3% , a fiscalização procedeu ao lançamento das diferenças, apurando o real valor devido a título de SAT, com base no enquadramento correto da empresa no CNAE, e utilizando a alíquota atribuída à sua classificação. Improcedente a impugnação na matéria. Da omissão de receitas A empresa alega não ter omitido receitas ao deixar de contabilizar os valores recebidos como reembolso de vale transporte e vale alimentação. Em sua defesa, esclarece a situação da seguinte forma (fl. 4475): Se faz necessário mencionar o método da relação: a) a empresa autuada é contratada para prestar serviços ao tomador de serviços; b) a empresa autuada providencia mão de obra para suprir a necessidade do novo cliente/tomador do serviço; c) a empresa autuada antecipa os valores do mês corrente dos valores a título de vale alimentação e vale transporte ao empregado; e d) a empresa autuada recebe o valor do tomador de serviços referente ao serviço contratado, bem como reembolso dos valores despendidos a título antecipado de vale alimentação e vale transporte. Sua argumentação, no entanto, não encontra apoio na legislação. Inicialmente, deve-se dizer que o sujeito passivo sequer comprovou que os valores identificados como "reembolso" foram repassados integralmente aos seus empregados a título de vale-transporte e vale-refeição. Ademais, uma vez que os empregados são registrados pelo sujeito passivo, os valores a eles devidos a título de vale-transporte ou vale-refeição integram as suas despesas operacionais, pouco importando se os custos são repassados aos seus clientes. Por outro lado, o valor total recebido dos clientes pela prestação de serviços integra sua receita bruta, não podendo o sujeito passivo identificar custos nas notas fiscais com a finalidade de excluir tais valores da receita bruta. É assim que, no §1.º do seu art. 3.º, a LC n.º 123/2006 estabelece o considera receita bruta: Art.3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) § 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Fl. 5719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 57 Nos termos legais, receita bruta compreende o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia. A lei somente admite a exclusão das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Logo, todos os valores recebidos pela prestação de serviços, constantes das notas fiscais emitidas, integram a receita bruta. O fato de o sujeito passivo identificá-los como "reembolso" não têm força para modificar sua natureza, visto que estão incluídos no preço dos serviços prestados. Também o aspecto, não comprovado, de supostamente repassar tais valores aos empregados, inclusive por meio eletrônico, não muda o fato de serem recebidos pela prestação de serviços. Também o caso de os valores integrarem ou não a base de cálculo das contribuições previdenciárias não tem efeito no deslinde da questão. Estabelecido o conceito legal de receita bruta, a fiscalização demonstrou que os valores das receitas constantes das notas fiscais de serviços são superiores àqueles contabilizados e aos declarados revelando, portanto, a omissão de receitas. Improcedente, portanto, a impugnação na matéria. Das contribuições para outras entidades e fundos (terceiros) Como já explicado, ao se considerar, indevidamente, como optante pelo Simples Nacional, a empresa deixou de recolher as contribuições patronais, inclusive aquelas destinadas a outras entidades e fundos - terceiros (salário-educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados a seu serviço. As remunerações foram apuradas nas GFIP e estão demonstradas em anexo ao relatório fiscal. Logo, improcedente a alegação genérica de inexistência de dívida da cota patronal incidente sobre a remuneração de empregados. Do salário educação A contribuição destinada ao FNDE (salário educação) é devida com fundamento no artigo 212, §5° da Constituição Federal de 1988, combinado com o artigo 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, assim como no artigo 15 da Lei n° 9.424/96. No que se refere às alegações acerca da exigência da contribuição denominada Salário-Educação, não há como prosperar a tese levantada pela impugnante. Se por um lado a Constituição estabelece que a educação é um dever do Estado, por outro lado, ela também dá fundamento à exigência, sendo que os dispositivos devem ser interpretados em harmonia. No tocante às alegações de inconstitucionalidade, encontra-se pacificada no Supremo Tribunal Federal a legitimidade da cobrança da exação, tanto no período anterior como após a edição da Lei n° 9.424/1996, norma legal que rege a contribuição do Salário-Educação, que, em decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade 03/DF, foi considerada constitucional pelo STF. No julgamento da ADC-03/DF, em 02/12/1999, o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a ação declaratória de constitucionalidade para, com força vinculante, declarar a constitucionalidade do art. 15, § 1º, I e II e § 3º da Lei n° 9.424, de 1996, que dispõe sobre a contribuição social do salário- educação previsto no § 5º do art. 212 da Constituição Federal. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - SALÁRIO-EDUCAÇÃO - LEGITIMIDADE DO INSS - CONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO. Legitimidade do INSS para figurar no pólo passivo da relação processual, dada a responsabilidade pela arrecadação e fiscalização da cobrança da Fl. 5720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 58 contribuição, havendo inclusive previsão normativa de retenção do percentual de 1% do montante recolhido, a título de taxa de administração. Sob a égide da Carta de 1988. o salário-educação passou a ser previsto no art. 212. § 5°. na condição de contribuição social, sendo patente, pois, a sua natureza tributária. Recepção do Decreto-lei n° 1.422/75 e do Decreto n° 87.043/82 pela nova ordem constitucional, mantendo-se a cobrança da exação nos moldes previstos em tais diplomas. Já sob a vigência da Constituição Cidadã, o tributo sofreu alterações por intermédio da Lei n° 9.424/96, estabelecendo nova base de cálculo e fixando a sua alíquota, permanecendo os demais elementos contidos na legislação anterior, o que se observou até a edição da MP 1.565/97. Desnecessidade da questão ser disciplinada em sede de lei complementar, uma vez que a sua fonte de custeio se encontra prevista na Lei Ápice - precedentes da Suprema Corte. Agravo provido, (g.n) - (TRF 5a R. -AGTR 19145 - (98.05.32906-2) - CE-4aT - Rei. Juiz Luiz Alberto Gurgel de Faria - DJU 09.03.2001) [sem grifos no original] A matéria em apreço também encontra-se pacificada através da Súmula STF n.º 732: "E constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96". Processo 11080.721893/2016-70-RJ/BEL. Acórdão n.° 01-33.329 Fls. 5.419 Não procede, assim, a alegação da empresa no sentido de que referida contribuição não encontraria fundamento de validade na Constituição Federal. Portanto, deve ser mantida a exigência da contribuição denominada Salário-Educação como exigência legal e legítima. Da contribuição ao INCRA Com relação à contribuição destinada ao INCRA, é de se registrar, inicialmente, que a base legal para sua cobrança advém da Lei n.° 2.613/55, do Decreto-Lei n.° 1.146/70, e da Lei Complementar n.° 11/71, cabendo salientar que esta contribuição sempre incidiu, desde a sua criação, sobre a folha de salários de todos os empregados. Ressalte-se que a 1.ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o REsp 977.058/RS, na sistemática prevista no art. 543-C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), adotou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta pelas Leis n.° 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, pois a natureza jurídica da exação é de CIDE - contribuição de intervenção no domínio econômico, destinando-se ao custeio dos projetos de reforma agrária e suas atividades complementares. Deste modo, permanece vigente a legislação que a determina a obrigatoriedade do pagamento da contribuição para o INCRA pelas empresas em geral, e à qual a autoridade administrativa se encontra vinculada. Dispondo a lei dessa forma, não há que haver nexo causal entre a contribuição e possíveis benefícios para a empresa. Improcedentes, portanto, os argumentos apresentados. Das contribuições ao SESC e SENAC Não se sustenta a alegação da impugnante de que as contribuições destinadas ao SESC/SENAC são devidas apenas pelas empresas comerciais, não sendo, portanto, devidas pelas empresas prestadoras de serviço. De início, relembre-se que a atividade preponderante da impugnante, constatada pela fiscalização é "prestação de serviços de portaria, ou seja o fornecimento de mão de obra nessa atividade, com enquadramento no CNAE 81.11-7/00, tornando vazio seu argumento. Fl. 5721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 59 Ademais, o Superior Tribunal de Justiça manifestou-se no julgamento do Recurso Especial n° 431.347 - SC, confirmando que as empresas prestadoras de serviços estão incluídas entre aqueles que devem recolher, a título obrigatório, contribuição para o SESC/SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 557, da CLT, conforme elucidativos trechos da ementa do mencionado julgado: 1. As empresas prestadoras de serviços médicos e hospitalares estão incluídas dentre aquelas que devem recolher, a título obrigatório, contribuição para o SESC e para o SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, recepcionados pela Constituição Federal (art. 240) e confirmada pelo seu guardião, o STF, a assimilação no organismo da Carta Maior. [...] 3. As Contribuições referidas visam à concretizar a promessa constitucional insculpida no princípio pétreo da 'valorização do trabalho humano "encartado no artigo 170 da Carta Magna: verbis: "A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativajem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, (...)" [...] 6. As prestadoras de serviços que auferem lucros são, inequivocamente estabelecimentos comerciais, quer por força do seu ato constitutivo, oportunidade em que elegeram o regime jurídico próprio a que pretendiam se submeter, quer em função da novel categorização desses estabelecimentos, à luz do conceito moderno de empresa. 7. O SESC e o SENAC tem como escopo contribuir para o bem estar social do empregado e a melhoria do padrão de vida do mesmo e de sua família, bem como implementar o aprimoramento moral e cívico da sociedade, beneficiando todos os seus associados, independentemente da categoria a que pertençam; [...] 9. Consectariamente, a natureza constitucional e de cunho social e protetivo do empregado, das exações sub judice, implica em que o empregador contribuinte somente se exonere do tributo, quando integrado noutro serviço social, visando a evitar relegar ao desabrigo os trabalhadores do seu segmento, em desigualdade com os demais, gerando situação anti- isonômica e injusta. Com base no julgado do STJ, acima transcrito, o Ministério da Previdência Social adotou o mesmo entendimento no PARECER/CJ N° 2.911/2002, cuja ementa transcreve-se: EMENTA: Direito Tributário. Contribuição para o SESC e SENAC. Empresas prestadoras de serviços enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio consoante classificação do art. 577 da CLT e seu anexo. Exação devida. Orientação do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n° 431.347-SC. Assim, o sujeito passivo é contribuinte e deve contribuir para o SESC/SENAC, por se tratar de empresa prestadora de serviços. Cabe mencionar que a contribuição ao SESC está prevista no artigo 3.º do Decreto-Lei n.° 9.853, de 13/09/1946, a seguir transcrito. Art. 3o Os estabelecimentos comerciais enquadrados nas entidades sindicais subordinadas à Confederação nacional do Comércio (art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho Fl. 5722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 60 aprovada pelo Decreto-Lei n° 5.452 de Io de Maio de 1943), e os demais empregadores que possuam empregados segurados no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social do Comércio, para custeio dos seus encargos. A contribuição ao SENAC, por sua vez, está prevista no artigo 4o do Decreto-Lei n.° 8.621, de 10/01/1946, a seguir transcrito. Art. 4.º Para o custeio dos encargos do "SENAC", os estabelecimentos comerciais cujas atividades, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, estiverem enquadradas nas Federações e Sindicatos coordenados pela Confederação Nacional do Comércio, ficam obrigados ao pagamento mensal de uma, contribuição equivalente a um por cento sobre o montante da remuneração paga à totalidade dos seus empregados. Tem-se dessa forma, que a empresa em tela se caracteriza, sim, como sujeito passivo das contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC, nos termos dos dispositivos normativos mencionados. Da Contribuição Devida a Outras Entidades - SEBRAE No caso do SEBRAE, o raciocínio da peça de defesa, é equivocado. As contribuições questionadas têm finalidades assistenciais, visando patrocinar as iniciativas do Poder Público previstas no artigo 203 da Constituição, e que, por este motivo, são devidas por todas as empresas contribuintes, com base no princípio da solidariedade social (artigo 195, caput, CF/1988). Tal entendimento vem sendo acatado pelo Poder Judiciário, no julgamento do RE 635682, publicado em 24/05/2013, onde resta definido que a contribuição para o SEBRAE é contribuição de intervenção no domínio econômico e encontra seu fundamento de validade no art. 149 da CF, sendo que em decisão de 30.10.2009, o tema teve repercussão geral reconhecida no AI 762202, convertido no citado Recurso Extraordinário. Logo, perfeitamente legal a cobrança do SEBRAE em face da Autuada. Ressalte-se, aqui, ainda, que a autoridade administrativa se encontra vinculada à legislação pertinente, não podendo afastar a sua aplicação, nos termos do artigo 116, inciso III da Lei n.° 8.112, de 11/12/1990. Das alegações de inconstitucionalidade Cabe destacar, também, que a instância administrativa não é o fórum adequado a discussão a respeito da inconstitucionalidade e ilegalidade da referida cobrança, cabendo ao agente público observar a norma instituidora da contribuição em tela, estando ela vigente, não tendo sido ela declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e não havendo decisão judicial, proferida no caso concreto, afastando sua aplicação. Dos juros (taxa SELIC) Pleiteiam os impugnantes o reconhecimento da ilegalidade da incidência de juros. Os juros de mora foram aplicados em conformidade com o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 c/c art. 61 da Lei n.º 9.430/1996: [Lei n.º 8.212/1991] Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e Fl. 5723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 61 fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [Lei n.º 9.430/1996] Art.5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998) Assim, a aplicação da taxa Selic (Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia) como juros de mora é decorrente de disposição normativa vigente e cogente, conforme faculta o art. 161, § 1º, do CTN. Portanto, é legal a sua cobrança. No contencioso administrativo federal, a questão está pacificada, sendo objeto de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade da taxa Selic. Impugnação improcedente. Da multa de ofício na obrigação principal A multa de ofício exigida nos autos de infração de obrigação principal foi aplicada em conformidade com o art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991 c/c art. 44 da Lei n.º 9.430/1996: [Lei n.º 8.212/1991] Fl. 5724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 62 Art. 35-A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [Lei n.º 9.430/1996] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Observa-se que a multa é decorrente de disposição normativa vigente e cogente. Portanto, é legal a sua cobrança. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade das normas. Havendo disposição normativa específica para o lançamento de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), afasta-se a incidência do art. 35 do mesmo diploma legal, pelo que não tem cabimento o pedido de limitação da multa a 20%. Impugnação improcedente. Do descumprimento da obrigação acessória Alegam os defendentes, em suma, que multa exigida no presente auto de infração, não tem como prosperar, na medida em que entende comprovado que cumpriu com a sua obrigação acessória que é de exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212/91, com redação pela Lei n° 11.941/2009. Mostra-se equivocada essa assertiva. O que motivou a presente autuação, foi o fato de ter a autuada exibido à fiscalização livro Diário, compreendendo os lançamentos do período de 01/2012 a 12/2013, com informação diversa da realidade e também omitindo informação verdadeira. Fl. 5725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 63 Importa consignar que o relatório fiscal, que acompanha a presente autuação, em especial a narrativa contida no item 11 - obrigação acessória, traz de forma minuciosa a tipificação da penalidade aplicada, elencando os motivos que lhe deram causa, quais sejam: • não existem lançamentos contábeis referentes à manutenção da sede, tais como: aluguéis, condomínio, IPTU, luz. Em 2012, não existem lançamentos em contas de "banco contas movimento", e em 2013, há somente um único lançamento; • a receita bruta identificada nas notas fiscais de prestação de serviços totalizavam, em 2012, R$ 559.479,91 e, em 2013, R$ 1.958.359,18. No entanto, na conta contábil "4.1.1.02.001 - serviços prestados" as receitas de R$ 397.015,08, em 2012 e, R$ 1.380.693,03, em 2013. A empresa deixou de lançar como receitas, valores de vale transporte, vale refeição e material utilizado na portaria, constante das notas fiscais. Portanto, foram omitidas receitas na contabilidade; • não existem lançamentos contábeis das retenções para a Previdência Social efetuadas nas notas fiscais. A apresentação dos livros contábeis contendo informação diversa da realidade ou omitindo informação verdadeira constitui infração ao 33, §§ 2.º e 3.º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941, de 27/05/2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, abaixo transcrito, o que motivou a lavratura do Auto de Infração em comento. [Lei n.º 8.212/1991] Art. 33. A Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n ° 11.941, de 2009). (...) §2.º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). §3.º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) [Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999] Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifou-se) Fl. 5726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 64 Engana-se o impugnante ao dizer que o legislador somente dispôs sobre a recusa ou sonegação de exibição de documentos ou livros, nada referindo sobre informações diversas. Como visto, também incorre na penalidade quem apresenta documento deficiente, como foi o caso, restando caracterizada a infração. Quanto à alegação de que seria irrelevante a data em que os livros Diário foram registrados e autenticados, trata-se de matéria estranha ao feito, que não será apreciada. O contribuinte pleiteia ainda que seja reduzido o valor da multa, a fim de que esta se amolde aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco, pois, não tem a infração natureza grave e trata-se à empresa de infratora primária. Tal solicitação não merece amparo, pelas razões que se passa a expor. Com relação a alegação de ilegalidade e do não confisco da multa aplicada, como já frisado anteriormente, verifica-se que tal alegação não é passível de apreciação e julgamento por parte da Administração Pública, já que não lhe cabe tal competência e, sim, ao Poder Judiciário. No caso concreto, foi aplicada a multa no valor de R$ 21.430,11 (Vinte e um mil, quatrocentos e trinta reais e onze centavos), atualizado pela Portaria Interministerial MTPS/MF/N° 1, de 08 de janeiro de 2016, publicada no Diário Oficial da União, em 11 de janeiro de 2016. Tal atualização é feita de acordo com o artigo 92 da Lei 8.212/91, que determina multa variável "conforme dispuser o regulamento". O Decreto 3.048/99 (RPS), por sua vez, em seus artigos 283, II, "j" e 373, determinam que a multa é variável e será reajustada "nas mesmas épocas e como os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social": [Lei n° 8.212/91] Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. [Decreto n.º 3.048/99] Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8 213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:(Nova Redação pelo Decreto n° 4.862 de 21/10/2003 - DOU DE 22/10/2003) I - (...) II - a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentá-los sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo Fl. 5727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 65 informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; art. 373 - Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art.288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social." Assim, o valor da multa aplicada está em consonância com a legislação acima transcrita e foi apenas atualizado pela Portaria Interministerial MTPS/MF/N° 1, de 08 de janeiro de 2016, publicada no Diário Oficial da União, em 11 de janeiro de 2016, no valor de R$ 21.430,11 (Vinte e um mil, quatrocentos e trinta reais e onze centavos), razão pela qual a não prospera o pedido de redução do seu valor. Da responsabilidade dos administradores e mandatários No caso sob exame, a fiscalização também arrola como solidários as pessoas físicas Jose Luiz Santos de Oliveira e Angela Fagundes da Luz Oliveira. Consoante demonstrativo de responsáveis tributários (fls. 5/7; 22/24; e 44/46), a ambos foi atribuída a responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, com fundamento no art. 135 do CTN. Vejamos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No relatório fiscal, a auditoria registrou que Angela Fagundes da Luz Oliveira é empresária individual e Jose Luiz Santos de Oliveira procurador com amplos poderes para administrar a empresa. Desse modo, enquadram-se como responsáveis, respectivamente, nas previsões dos incisos III e II do art. 135 do CTN. O Impugnante reclama que a auditora não teria especificado a afronta à lei ou estatuto social em que teriam incorrido. Sem razão sua argumentação nesse ponto. No relatório fiscal, a auditoria descreveu diversas condutas que resultaram em infrações aos seguintes dispositivos legais: • Por incorrer em vedação à opção pelo Simples, infração ao §4.º, incisos III, IV e V, do art. 3.º da LC n.º 123/2006; • Por apresentar livro contábil deficiente, infração ao §2.º, do art. 33, da Lei n.º 8.212/1991; • Por incidir em causa de exclusão do Simples, infração ao art. 29, inciso VIII, da LC n.º 123/2006 (falta na escrituração contábil que não permite identificar a movimentação financeira da empresa). Logo, têm-se demonstradas variadas infrações à lei. Nos demonstrativos de responsáveis tributários (fls. 6/7), o Fisco registrou que os fatos e documentos levantados no curso do procedimento fiscal comprovam que estas infrações ocorreram com o efetivo conhecimento e/ou participação da empresária e do procurador. Não houve impugnação específica quanto a este ponto. Fl. 5728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 66 Assim, a situação fática descrita subsume-se perfeitamente à hipótese legal prevista no art. 135 do CTN, pelo que resta demonstrada a responsabilidade das pessoas físicas arroladas pela auditoria em relação aos créditos tributários lançados. Cabe destacar, neste ponto, que a responsabilidade dos sócios prevista no art. 135 do CTN é geral, abarcando, inclusive os créditos tributários de contribuições destinadas a terceiros e obrigação acessória. Assim, deve ser mantida a responsabilidade das pessoas físicas por todos os autos de infração lavrados. [...] (grifos nossos) 22. Acrescento com relação a multa de ofício qualificada, que no momento deste julgamento a redação do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, naquilo que interessa ao caso discutido, tem outra disposição, trazida pelo artigo 8º, da Lei nº 14.689, de 2023, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) [...] VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) 23. Com efeito, em obediência à retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, o percentual da multa qualificada deve ser reduzido de 150% (cinquenta por cento) para 100% (cem por cento). 24. Por fim, quanto à alegação de violação ao princípio constitucional do não confisco, o enunciado da Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória pela primeira instância, pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento e pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal, assim determina: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 25. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Dispositivo 26. Por todo o exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida NEGO PROVIMENTO, a fim de (i) manter integralmente os lançamentos; (ii) manter a multa de ofício qualificada aplicada, Fl. 5729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1402-007.625 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.724637/2016-34 67 reduzindo seu percentual para 100% (cem por cento), por força da atual redação do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, trazida pelo artigo 8º, da Lei nº 14.689/23 e em obediência à retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN; (iii) manter a sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídicas: ÂNGELA FAGUNDES DA LUZ OLIVEIRA e JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA, com base no artigo 135, inciso III, do CTN; DEFESA PATRIMONIAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA, LUZ & OLIVEIRA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA – EPP e JOSÉ LUIZ SANTOS DE OLIVEIRA SERVIÇOS - EPP, nos termos do artigo 124, inciso II, CTN. 27. NÃO CONHEÇO da alegação relativa ao caráter confiscatório da multa, conforme inteligência da Súmula CARF nº 2. (documento assinado digitalmente) Alessandro Bruno Macêdo Pinto - Relator. Fl. 5730DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10875.003995/2001-14
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a omissão apontada, caracterizada no fato de que o Acórdão deixou de se debruçar sobre a ausência de exame por parte da Unidade de origem quanto à legitimidade de parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, devem ser admitidos os embargos, de modo que o processo retome para o saneamento da falha. Embargos acolhidos
Numero da decisão: 203-13.245
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, dando efeitos modificativos ao Acórdão n° 203-12.690, de modo que seja feita diligência pela Unidade de origem no sentido de verificar a legitimidade dos créditos postulados, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva, que não admitia os Embargos Presente ao julgamento o Dr. Marcos de Carvalho, OAB n° 147.268/SP.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO

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ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a omissão apontada, caracterizada no fato de que o Acórdão deixou de se debruçar sobre a ausência de exame por parte da Unidade de origem quanto à legitimidade de parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, devem ser admitidos os embargos, de modo que o processo retome para o saneamento da falha. •Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, dando efeitos modificativos ao Acórdão n° 203-12.690, de modo que seja feita diligência pela Unidade de origem no sentido de verificar a legitimidade dos créditos• postulados, nos termos to do ator. Vencido o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva, que não admiti o mbargoCPrese e • 4 ulgamento o Dr. Marcos de Carvalho, OAB n° 1472681SP. t e/7 et,„, SO 4.0. DO ROSENBURG FILHO Preside te DASSI GUERZONI FILH R ator MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRI8UiNTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasfi4s,___Q2Ls O 21 OCIe obre 1 kW Sapo 918150 • Processo nó 10875 003995/2001 14 CCO2JCO3 • - Acórdão n.° 203-13.245 Fls t. 172 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos - Dantas de Assis, Jean Ciente- Simões Mendonça, José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Mirartd‘fit -ME-SECUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Marte Cura de OlIveira Mat. Stape 91650 • 2 Processo na 10875.003995/2001 . 14 CCO2/CO3 • Acórdão n.° 203-13.245 Fls. 1.173 - Relatório Trata-se de Embargos de Declaração tempestivamente interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 203-12.690, de minha relatoria, proferido na Sessão de 12/02/2008, sob o argumento de que o mesmo encerraria omissão, esta caracterizada no fato de que a Câmara teria deixado de se pronunciar sobre a certeza e a liquidez dos créditos de IPI relativos ao 2° Trimestre de 2001. Recapitulando, em resumo, a lide surgira por conta do indeferimento total de • Pedido de Ressarcimento, no valor de R$ 3.718.985,41, referente a créditos básicos (art. 5° do DL n° 491/69 e art. 11 da Lei n°9.779, de 19/01/1999) originados durante o 2° Trimestre de 2001, formulado em 31/05/2001, e consequente não homologação das compensações a ele vinculadas. O indeferimento do pedido fora motivado pelo entendimento do fisco de que na formação do saldo credor objeto do pedido estivessem incluídos valores indevidos, valores esses que estariam representados pelo crédito de IPI acumulado em 31/12/1998 que não teria sido esgotado na forma preconizada pelo artigo 5° da N n° 33/99. No entanto, o resultado de diligência anteriormente determinada por esta Câmara retornou a informação de que, de fato, o saldo credor existente em 31/12/1998 era inteiramente originário de insumos aplicados em produtos cuja saída se deu com a imunidade prevista no artigo 153, § 3°, inciso II, da Constituição Federal (exportação), e que, portanto, era perfeitamente passível de manutenção e de utilização, conforme preceitua o artigo 5° do DL n° 491/69. Em outras palavras, não estava o referido saldo sujeito às regras de esgotamento estipuladas pelo citado artigo 5° da IN SRF n° 33/99, conforme, equivocadamente, entendera o Fisco. Assim, na linha, inclusive, do que decidira a Segunda Câmara, ao julgar, na Sessão de 19/09/2007, outros cinco processos da empresa (Acórdãos ifs. 130.019, 130.020, • 130.046, 130.047 e 130.048, relator Conselheiro Antonio Zomer), todos com as mesmas características deste, exceto, claro, quanto ao período de apuração do crédito pleiteado, esta Terceira Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, sem, entretanto, se ater ao fato de que, realmente, não havia sido analisada pela DRF a legitimidade dos créditos alegados pela contribuinte, indicados nas planilhas por ela apresentadas junto ao seu Pedido de Ressarcimento, relativos ao 2° Trimestre de 2001. Conforme bem apontou a Embargante, ocorreu que, como a DRF Guarulhos/SP e a DRJ-Ribeirão Preto/SP haviam indeferido o pedido apenas pelo fato da contribuinte não ter esgotado os créditos existentes em 31/12/1998, as mesmas não chegaram a adentrar no exame da existência, certeza e liquidez dos créditos relativos ao 2° Trimestre de 2001. • É o Relatório. • MF4EGUNO0 CONSELHO DE CONIMBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL esta ^981 ,t2, 3 MSS Ce de Oliveira Met Slope 9161 PIOCCSSO n° I 0875.003995/2001 -I 4 CCO2/CO3 Acórdão o.° 203-13.245 Fls. 1.174 VOtO Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator Os presentes Embargos devem ser admitidos na sua integralidade, visto que, de . fato, restou perfeitamente caracterizada a omissão desta Câmara ao não atentar para o fato de , que o pedido comportava a análise de valores não só referentes a um saldo credor existente em 31/12/1998, para o qual não era exigido o regramento contido no artigo 5° da IN SRF n°33/99 com vista à fruição do beneficio estipulado pelo artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, mas, também, a análise dos créditos formados no 2° Trimestre de 2001. E quanto a isso, a DRF não se manifestou. Voto, portanto, no sentido de acolher os presentes embargos dando efeitos modificativos ao Acórdão no sentido de que o referido julgamento seja convertido em diligência para a que a Unidade de origem verifique a legitimidade (existência, certeza e liquidez) dos c. éditos formados no 2° Trimestre de 2001, exarando novo Despacho Decisório que deverá seguir o rito do Decreto n° 70.235, de 1972. Sala das Sessões, em 04 dsetembro de 2008 GUERZONI FIL • MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL .1 Ona 09g I IV' nY MarlIdeno de Melro Mel. Slot 91650 " 4 Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1

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Numero do processo: 11000.722723/2021-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2020 a 30/06/2020 PER/DCOMP. CONTRIBUIÇÕES. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. PARCIAL PROVIMENTO. No regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o direito ao crédito está condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da essencialidade ou relevância dos bens e serviços utilizados como insumos, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Reconhece-se o direito ao crédito das contribuições relativamente à aquisição de pallets, incluindo pallets de madeira e plástico, bem como os serviços diretamente associados à sua utilização, tais como remessa e retorno, reforma, carga e descarga, triagem e repaletização, nos termos do critério de essencialidade definido pelo STJ (REsp 1.221.170/PR). Igualmente, deve-se reconhecer o incontroverso crédito apurado em diligência pela Unidade de Origem. CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CROSS DOCKING DE PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços movimentação e cross-docking de produtos acabados são executados após o encerramento do processo produtivo, portanto não podem ser considerados insumo, não gerando direito a crédito ao PIS. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES DE DEVOLUÇÃO DE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. Os fretes relativos a devoluções de vendas não se caracterizam como insumos e nem como frete na operação de vendas, não gerando, assim, direito a crédito ao PIS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2020 a 30/06/2020 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não ocorrendo tais circunstâncias, não há o que se falar de nulidade do acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 3102-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar o processo da seguinte forma: i) por maioria, para rejeitar a nulidade do acórdão recorrido. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa que entendia pela nulidade; ii) por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para: a) acolher o resultado da diligência de e-fls. 852/857; e b) restabelecer os créditos referentes à aquisição de pallets, incluindo pallets de madeira e plástico, bem como os serviços diretamente associados à sua utilização, tais como remessa e retorno, reforma, carga e descarga, triagem e repaletização; e iii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre os fretes associados à devolução de vendas de produtos lácteos e aos serviços de movimentação e cross docking. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Sabrina Coutinho Barbosa e Joana Maria de Oliveira Guimarães. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Assinado Digitalmente Fabio Kirzner Ejchel – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2020 a 30/06/2020 PER/DCOMP. CONTRIBUIÇÕES. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. PARCIAL PROVIMENTO. No regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o direito ao crédito está condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da essencialidade ou relevância dos bens e serviços utilizados como insumos, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Reconhece-se o direito ao crédito das contribuições relativamente à aquisição de pallets, incluindo pallets de madeira e plástico, bem como os serviços diretamente associados à sua utilização, tais como remessa e retorno, reforma, carga e descarga, triagem e repaletização, nos termos do critério de essencialidade definido pelo STJ (REsp 1.221.170/PR). Igualmente, deve-se reconhecer o incontroverso crédito apurado em diligência pela Unidade de Origem. CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CROSS DOCKING DE PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços movimentação e cross-docking de produtos acabados são executados após o encerramento do processo produtivo, portanto não podem ser considerados insumo, não gerando direito a crédito ao PIS. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES DE DEVOLUÇÃO DE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. Os fretes relativos a devoluções de vendas não se caracterizam como insumos e nem como frete na operação de vendas, não gerando, assim, direito a crédito ao PIS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2020 a 30/06/2020 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não ocorrendo tais circunstâncias, não há o que se falar de nulidade do acórdão da DRJ.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar o processo da seguinte forma: i) por maioria, para rejeitar a nulidade do acórdão recorrido. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa que entendia pela nulidade; ii) por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para: a) acolher o resultado da diligência de e-fls. 852/857; e b) restabelecer os créditos referentes à aquisição de pallets, incluindo pallets de madeira e plástico, bem como os serviços diretamente associados à sua utilização, tais como remessa e retorno, reforma, carga e descarga, triagem e repaletização; e iii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre os fretes associados à devolução de vendas de produtos lácteos e aos serviços de movimentação e cross docking. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Sabrina Coutinho Barbosa e Joana Maria de Oliveira Guimarães. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Assinado Digitalmente Fabio Kirzner Ejchel – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2020 a 30/06/2020 PER/DCOMP. CONTRIBUIÇÕES. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. PARCIAL PROVIMENTO. No regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o direito ao crédito está condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da essencialidade ou relevância dos bens e serviços utilizados como insumos, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Reconhece-se o direito ao crédito das contribuições relativamente à aquisição de pallets, incluindo pallets de madeira e plástico, bem como os serviços diretamente associados à sua utilização, tais como remessa e retorno, reforma, carga e descarga, triagem e repaletização, nos termos do critério de essencialidade definido pelo STJ (REsp 1.221.170/PR). Igualmente, deve-se reconhecer o incontroverso crédito apurado em diligência pela Unidade de Origem. CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO E CROSS DOCKING DE PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços movimentação e cross-docking de produtos acabados são executados após o encerramento do processo produtivo, portanto não podem ser considerados insumo, não gerando direito a crédito ao PIS. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES DE DEVOLUÇÃO DE VENDAS. IMPOSSIBILIDADE. Os fretes relativos a devoluções de vendas não se caracterizam como insumos e nem como frete na operação de vendas, não gerando, assim, direito a crédito ao PIS. Fl. 920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 2 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2020 a 30/06/2020 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São nulos apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não ocorrendo tais circunstâncias, não há o que se falar de nulidade do acórdão da DRJ. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar o processo da seguinte forma: i) por maioria, para rejeitar a nulidade do acórdão recorrido. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa que entendia pela nulidade; ii) por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para: a) acolher o resultado da diligência de e-fls. 852/857; e b) restabelecer os créditos referentes à aquisição de pallets, incluindo pallets de madeira e plástico, bem como os serviços diretamente associados à sua utilização, tais como remessa e retorno, reforma, carga e descarga, triagem e repaletização; e iii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre os fretes associados à devolução de vendas de produtos lácteos e aos serviços de movimentação e cross docking. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Sabrina Coutinho Barbosa e Joana Maria de Oliveira Guimarães. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Assinado Digitalmente Fabio Kirzner Ejchel – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Fl. 921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 3 RELATÓRIO Por bem retratar de forma fidedigna os fatos e questões controvertidas, adota-se integralmente o relatório constante do Acórdão Recorrido, o qual passa a integrar a presente decisão para todos os fins: Trata-se de Manifestação de Inconformidade, fls. 620 a 669, contra Despacho Decisório expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre – RS, fls 446, que reconheceu parcialmente direito creditório relativo à PIS/PASEP não cumulativa, apurado no período de 01/04/2020 a 30/06/2020, onde o valor original do pedido foi de R$ 9.539.907,68, sendo autorizado um direito creditório no valor de R$ 8.463.499,34, conforme consubstanciado no Relatório de Ação Fiscal, que integra o Despacho Decisório, fls. 446 a 450. No citado Relatório de Ação Fiscal, a fiscalização apontou que o contribuinte incluiu, indevidamente, na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as seguintes despesas: remessa e retorno de pallets, remessa e retorno de armazenagem de produtos acabados, devolução de compra de leite cru, devolução de venda de produtos lácteos, armazenagem de produtos acabados frigorificados, frete de transferência entre filiais de produtos acabados, serviço de carga e descarga de produtos acabados, serviço de carga e descarga de pallets, serviço de movimentação e separação de produtos acabados, serviço de triagem de pallets, serviço de repaletização de produtos acabados, movimentação de cross docking, frete de compras de fertilizantes de alíquota zero, frete de compras de produtos acabados de alíquota zero, entre outros. O Relatório de Ação Fiscal aponta que durante o período fiscalizado, o contribuinte também aplicou alíquota incorreta sobre o frete de compras das aquisições de leite cru que geram crédito presumido, do frete de compras de fertilizantes de alíquota zero e do frete de compras de produtos acabados de alíquota zero. O Relatório identificou que houve a inclusão, de modo equivocado, na base de cálculo dos créditos, valores referentes a serviços e materiais, que não são essenciais ou relevantes no processo de produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, descritos a seguir: serviço de manutenção e instalação de condicionadores de ar, serviço de reforma de pallets, serviço de contratação de administração de vestuário, serviço de limpeza de escritório administrativo, serviço mensal de mídia institucional, serviço de produção de audiovisual de produtos, serviço de veiculação de mídia institucional, serviço de veiculação de mídia de produtos, serviço de veiculação de mídia talent, pallets de madeira, cadeados, camisetas para merchandising, carga de ar condicionado, entre outros. Devidamente cientificado, em 01/06/2021, vide termo de fl. 508, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 25/06/2021, vide termo de fl. Fl. 922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 4 514, sua Manifestação de Inconformidade, na qual discorda do entendimento da fiscalização, alegando, em síntese: - QUE primeiramente atesta pela tempestividade do seu feito, fazendo na seqüência uma síntese fática dos acontecimentos. - QUE no mérito alega atuar no ramo de fabricação de laticínios com preparação, beneficiamento, industrialização, distribuição, comércio, importação e exportação de leite e laticínios. Diz ter direito aos créditos do PIS e da Cofins com fundamento no princípio da não cumulatividade. Argumenta que a não cumulatividade serviria para evitar o efeito cascata da tributação das contribuições, não podendo se aplicar as regras usadas para o IPI e ICMS. Cita a Instrução Normativa n£' 404/2004. Passa, então, a discorrer sobre o conceito de insumo, alegando estar ultrapassado o entendimento utilizado no Despacho Decisório. Coloca que o CARF teria ampliado tal conceito como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens e de serviços por ela realizados. Menciona doutrina e decisões administrativas. Discorre que estender o conceito de insumo do IPI seria infringir a estrita legalidade tributária. Sustenta que o critério de interpretação deve estar centrado na utilização e indispensabilidade do insumo na atividade que gera a obtenção da receita tributável. Ressalta que o Superior Tribunal de Justiça – STJ, 1ª Seção, sob a sistemática de Recurso Representativo de Controvérsia, concluiu o julgamento do Recurso Especial n£' 1.221.170, em 22/02/2018, decidindo, nos termos do voto proferido pela Ministra Regina Helena Costa, ser necessária a observância dos critérios de essencialidade ou relevância da despesa, para fins de creditamento de PIS e COFINS. Informa que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional emitiu a Nota SEI n£' 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, oportunidade em que reconheceu que o entendimento manifestado pelo STJ no Recurso Especial n£' 1.221.170-PR deve ser seguido pelas autoridades da RF13, nos termos do art. 19, parágrafos 4£', 5£' e 7£', da Lei n£' 10522, de 19.7.2002. Acrescenta que também foi editado o Parecer Normativo RF13 n£' 5, de 17/12/2018, para reconhecer o afastamento do conceito restritivo de insumos veiculado pelas INs SRF n£' 247 e n£' 404, nos termos fixados pelo STJ. Aponta decisão do CARF que considerou obrigatória a observância desta recente jurisprudência do STJ por parte dos órgãos julgadores administrativos federais. Por fim, destaca a recente edição, em 11/10/2019, da Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019, que em substituição às IN’s anteriores, curvou-se (ainda que parcialmente) ao conceito de insumo consolidado pra PIS/COFINS. - TECE alguns esclarecimentos acerca de seu processo produtivo a fim de demonstrar a imprescindibilidade dos bens e serviços objeto dos créditos legitimamente aproveitados. Informa que juntou “Laudo Técnico” elaborado pela Ferrari Gestão de Ativos Ltda. – FERCIEN (doc. 01), no qual são descritas de forma detalhada todas as etapas produtivas desempenhadas, bem como os bens e serviços inerentes a cada uma delas, visando a comprovação da possibilidade de creditamento da contribuição ao PIS e da COFINS. Fl. 923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 5 - QUE das glosas efetuadas pela DRF Porto Alegre passa a analisar cada um dos itens do relatório fiscal: - Leite Cru - Direito aos créditos oriundos do leite in natura – considera que por ter como objeto social a atuação no ramo de produtos do laticínio, o leite in natura é matéria-prima indispensável ao seu processo produtivo. Sustenta que os insumos corresponderiam a todos os créditos decorrentes de custos e despesas incorridas na produção e venda do produto. Cita decisões do CARF/CSRF para amparar seu argumento. Reitera a necessária observância dos critérios de essencialidade ou relevância da despesa, para fins de creditamento de PIS e COFINS. Cita a Nota SEI n£' 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF que dispensou a contestação e interposição de recursos por parte dos membros da PGFN, bem como o Parecer Normativo n£' 5 COSIT/RF13, de aplicação obrigatória pelos seus agentes, que acatou o entendimento do STJ exarado no REsp 1.221.170. Salienta que, em que pese na entrada do leite “cru” não ser destacado o PIS e a COFINS, pelo princípio da nãocumulatividade, somente será impossibilitada a tomada de crédito quando a operação subseqüente também não for tributada. Conclui que em se tratando de insumos e serviços ligados, consumidos ou incorridos no processo de produção da empresa, ainda que adquiridos sem a tributação das contribuições, mas com saída posterior tributada, seria legitimo o direito creditório em tela, impondose a reversão da glosa efetuada, atinentes a aquisição, industrialização, movimentação e eventuais descartes do leite “cru”. Considera, também, inequívoca a aplicação do benefício fiscal do crédito presumido de PIS/COFINS para agroindústrias, disposto no art. 8£' da Lei n£' 10.925/04. Salienta que em momento algum a Lei n£' 11.116/05 vedou a compensação ao crédito presumido, visto que estabelece a possibilidade de compensação de forma genérica, fazendo referência apenas aos créditos apurados com base no art. 3£' das Leis n£' 10.637/02 e 10.833/03. Cita o artigo 9£'-A, acrescentado à Lei n£' 10.925/04 pela Lei n£' 13.137/2015, que autorizou a compensação de créditos presumidos com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RF13, bem como o ressarcimento em dinheiro. Conclui que deve ser autorizada a utilização integral do saldo credor de PIS/COFINS mediante ressarcimento ou compensação. - Transporte de Leite Cru – Informa que o leite in natura seria um produto altamente perecível e seu transporte exigiria condições adequadas de temperatura e higiene, essenciais para que o produto chegasse em condições de ser consumido. Diz seguir normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, considera que caso não haja um transporte observando os padrões de controle e qualidade determinados pelo MAPA o leite não poderia nem sequer ser recebido na indústria, que por sua vez, sem seu principal insumo, não haveria razão para existir. - Frete interno – entre estabelecimento do mesmo contribuinte / remessa para industrialização – Ressalta que não se trataria de um simples frete, mas sim de uma etapa do seu processo produtivo. Aponta que, por questões de viabilidade Fl. 924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 6 e necessidade operacional, a empresa transfere de uma unidade para a outra a sua matéria-prima ou subproduto para o devido tratamento, industrialização e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica onde, após devido tratamento, o torna apto ao consumo. Concluir que o serviço de frete do leite in natura, seria assim indispensável e essencial para a consecução do objeto social da empresa. Sustenta que o processo produtivo da empresa seria um só, com etapas contínuas em unidades diferentes, sendo certo que o transporte entre os estabelecimentos constitui fase essencial ao desenvolvimento da sua atividade. Considera que o fato da aquisição do leite in natura ter suspensão da incidência do PIS e da Cofins, não impediria o creditamento das despesas incorridas com os fretes. Cita jurisprudência do CARF para amparar seus argumentos. - Frete interno – entre estabelecimentos do mesmo contribuinte / produtos acabados – reitera que o frete, enquanto modalidade de serviço essencial ao desenvolvimento do processo produtivo do contribuinte, gera direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativo sobre à alíquota e nos moldes estabelecidos pelos incisos II e IX, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Ressalta que não se fala aqui em simples “frete de venda”, mas dos fretes que possibilitam a operação de venda como um todo. Conclui que se revela desacertada a glosa perpetuada pelo Despacho Decisório quanto ao frete de produtos acabados entre os estabelecimentos da Manifestante e o frete oriundo de remessa e retorno de armazenagem, posto que sua essencialidade legitima a sua subsunção ao conceito de insumo, para efeitos de creditamento do PIS e COFINS. Cita jurisprudência do CARF para amparar seus argumentos. - Fretes de materiais para laboratório e serviços laboratoriais – remessa e retorno de leite para análise / serviço de estudo de autodepuração de curso d’água – Reforça que sua atividade é a fabricação de laticínios e comércio atacadista de leite e laticínios. Sendo assim, no momento do recebimento do leite, na plataforma de recepção da unidade industrial, são feitas coletas de amostras para análise de controle de qualidade da matéria-prima. Esclarece que é obrigada a realizar análises periódicas do leite em laboratórios credenciados ao MAPA, o que enseja na obrigatoriedade e essencialidade dos fretes e serviços laboratoriais ora tratados. Cita jurisprudência do CARF para amparar seus argumentos. Considera que o frete, enquanto modalidade de serviço essencial ao desenvolvimento do seu processo produtivo, gera direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativo. Informa que o crédito aqui discutido corresponde aos custos dispendidos com o transporte entre os estabelecimentos, e não aquele atinente a mercadorias transportada. Conclui que o frete contratado, seja quando da aquisição de insumos tributados à alíquota zero de PIS/COFINS ou de quaisquer outros empregados no processo produtivo, constitui insumo indispensável à realização de suas atividades, sendo tal operação dissociada da efetiva compra dos insumos, razão pela qual se mostra imperiosa a desconstituição das glosas de créditos apurados a este título. Fl. 925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 7 - Fretes de aquisição de produtos e serviços laboratoriais – sustenta que as despesas com fretes de produtos para análise, bem como os serviços laboratoriais, sejam em laboratório próprio ou em laboratório externo, também geram direito à credito de contribuição ao PIS e de COFINS. - Fretes de remessa e retorno para resfriamento - devolução de compra de insumos, embalagens e material de uso e consumo (devolução de compras) | devolução de vendas de produtos lácteos (acabados) | remessa para industrialização por encomenda | devolução de revenda | serviço excedente saída/devolução – Informa que o leite in natura é matéria-prima indispensável ao seu processo produtivo. Em se tratando de produto altamente perecível, seu transporte em condições adequadas de temperatura e higiene é imprescindível para que o produto chegue ao destino em condições de ser consumido ou utilizado na composição de outros produtos. Conforme atestado em Laudo Técnico juntado aos autos, o leite cru é proveniente de produtores ou postos de resfriamento próprios ou de terceiros, localizados a quilômetros de distância das indústrias que os processam, devendo ser encaminhado a uma instalação onde o leite é estocado e resfriado para manter o padrão e temperatura necessária, até que seja encaminhado para indústria, através do transporte em caminhões tanque. Toda coleta de leite in natura deve ser realizada nos termos das Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, conforme bem salientado no Laudo Técnico. Ainda, a empresa deve cumprir com a entrega dos produtos em perfeitas condições de venda e consumo, sendo sua responsabilidade a coleta e troca se o produto for entregue ao cliente próximo à data de vencimento – uma vez que não é por este aceito – ou com eventuais avarias que impossibilite o produto para consumo, conforme atestado no Laudo Técnico. - Armazenagem em geral - Armazenagem de produtos acabados frigorificados / Armazenagem 15 dias - Ressalta que a correta armazenagem não é uma escolha da empresa, mas uma exigência da ANVISA, de modo que dispende recursos para tal finalidade, objetivando cumprir as determinações legais, a fim de poder encerrar o ciclo produtivo da sua atividade econômica. Cita jurisprudência do CARF para amparar seus argumentos. - Serviço de carga e descarga - Serviço de carga e descarga | Serviço movimentação cross docking | Serviço de movimentação e separação de mercadorias (picking de mercadoria) | Serviço de transbordo | Serviço de classificação de produto – Considera o serviço de carga e descarga absolutamente intrínseco aos serviços de fretes para armazenagem em geral, por isso compõe o processo produtivo da empresa, pois caracterizam-se como despesas essenciais ao acondicionamento especial que demanda a fabricação dos produtos lácteos, bem como para comercialização destes. Cita jurisprudência do CARF para amparar seus argumentos. Fl. 926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 8 - Pallet de madeira e embalagens - Serviço de Repaletização (troca/reforma de pallet) | Frete de remessa para conserto e retorno de pallets | Serviço de carga e descarga – paletizado | Serviço de carregamento de pallets - Ressalta que as condições de armazenamento e transporte dos alimentos nos estabelecimentos industrializados estão regulamentadas pelas legislações federais, sendo que, de acordo com a ANVISA, o estabelecimento com atividades tais quais as suas, devem propiciar condições que impeçam a contaminação e/ou a proliferação de micro-organismos e protejam contra a alteração do produto e danos aos recipientes ou embalagens. Conclui que que a aquisição de pallets não é uma escolha da empresa para a movimentação de cargas e acondicionamento do leite, mas uma exigência da ANVISA, de modo que a empresa despende recursos com aquisição de pallets de madeira e/ou de plástico e de madeiras para pallets, bem como com os serviços diretamente relacionados, como movimentação saída paletizada, carga e descarga, transbordo, aluguel de paleteira manual e locação de transporte de pallets manual. Tudo para cumprir as determinações legais, a fim de poder encerrar o ciclo produtivo da sua atividade econômica. Cita jurisprudência do CARF/CSRF para amparar seus argumentos. Acrescenta que até mesmo os pallets utilizados no transporte do produto final, que não retornam à empresa, poderiam ser classificados como embalagens, ou seja, acompanham o produto final. - Serviço de coleta e transporte de resíduos - Serviços de coleta de resíduos na fábrica para descarte | Remessa de resíduo e Descarte de produtos lácteos | Serviço de triagem de resíduos - considera que atualmente as indústrias devem manter uma preocupação com o meio ambiente, o que envolve a destinação de resíduos poluidores, bem como realizar o tratamento destes resíduos, prevenindo a contaminação do solo, do ar e das nascentes. Ressalta que a legislação atual impõe sanções penais e administrativas no caso de lesão ao meio ambiente. Cita resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA e informa que os licenciamentos da CETESB e IBAMA só são emitidos para aquelas empresas que atendem às legislações ambientais. Conclui assim que existe a obrigatoriedade de proceder o descarte de resíduos dos produtos lácteos em locais próprios e adequados, que também integra o custo de produção da empresa. Cita acórdão do CARF para amparar seus argumentos. - Serviços de manutenção de máquinas – frete de remessa e retorno de máquina em conserto | serviço de manutenção de máquinas | serviço de manutenção em condicionadores de ar – Sustenta que na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS há possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, em relação aos dispêndios com partes e peças de reposição, e com os serviços de manutenção, empregados em máquinas, equipamentos e veículos que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços. Considera que na prestação de serviço de manutenção de máquinas e equipamentos, também se inclui no conceito de despesas passíveis de creditamento as horas técnicas trabalhadas, os gastos com deslocamento, Fl. 927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 9 hospedagem, taxas e serviços condominiais. Ressalta que não se trata de aumento de vida útil das máquinas e equipamentos, mas sim de manutenção necessária para o seu efetivo funcionamento. Nesse sentido, cita jurisprudência do CARF. Portanto, evidente o direito da Manifestante em se creditar dos créditos referentes aos serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos em geral, inclusive no tocante aos dispêndios para a prestação de serviço de manutenção por técnicos. - Créditos relativos a materiais de uso e consumo e serviços gerais tomados – serviço de reforma de pallets | serviço de limpeza administrativa | serviço de veiculação de mídia de produtos | cadeados | camisetas para merchandising | carga de ar condicionado | carta gráfica | lustra móveis | porta cadeado – Sustenta que seria admitido, para fins de creditamento da contribuição ao PIS e da COFINS, a prestação de serviços como insumo. Afirma que a definição de insumos não se limitaria apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Portanto, seria imperioso o reconhecimento do alcance do conceito de insumo para todos os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços, ainda que tais elementos não entrem em contato direto com os bens produzidos. Argumenta que teria se apropriado legalmente dos créditos oriundos dos serviços destacados, a despeito destes não se incorporarem diretamente no produto final, mas em razão de sua essencialidade para a garantia da efetivação da produção da empresa, restando inequívoca a irregularidade das glosas ora combatidas. - Reclama que a fiscalização da DRF Porto Alegre teria falhado na busca da verdade material, devendo ser aplicado o princípio da verdade material para a correta análise da legitimidade dos créditos objeto do seu pedido de ressarcimento. Em respeito a tal princípio requer a produção de todas as provas necessárias para a demonstração do seu direito creditório. POR FIM, requer que seja recebida sua manifestação de inconformidade para o fim de reconsiderar o Despacho Decisório nos pontos combatidos, reconhecendo-se, por conseqüência, a legitimidade de todos os créditos pleiteados nos PER/DCOMP em análise, relacionados às vendas no mercado interno e relativos ao período de R$ 9.539.907,68. Protesta pela possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar a legitimidade e a legalidade dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, em atenção ao princípio da verdade material, bem como pela conversão dos autos em diligência para elaboração de perícia técnica, a ser realizada no momento processual mais oportuno. Consta ainda menção ao Mandado de Segurança nº 5055272-76.2023.4.04- 7100/RS, onde é determinada a distribuição dos processos do manifestante para as Delegacias de Julgamento. Na sequência, em setembro do corrente ano, a interessada ingressou com nova ação mandamental, de número 5061523-13.2023.4.04.7100/RS, distribuída Fl. 928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 10 junto à 13ª Vara Federal de Porto Alegre, que, em medida liminar, determinou a apreciação da manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias. É o relatório. Adotando os critérios estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, a 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil – DRJ/10 decidiu, por unanimidade, manter as glosas efetuadas pela fiscalização, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa ora Recorrente. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2020 a 30/06/2020 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1221170/PR. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1221170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. AQUISIÇÃO DE INSUMO. BEM SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. Não gera direito a crédito a aquisição de insumo tributado à alíquota zero, uma vez que não há previsão legal específica para a apuração de créditos em relação às operações em que não ocorreram pagamento das contribuições. AQUISIÇÕES SEM CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. Não confere direito a crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETES. ARMAZENAGEM. OPERAÇÕES DE VENDA. OUTRAS OPERAÇÕES. A Lei restringe o direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda e quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora. Operações de outra natureza como transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou outras transferências que não se enquadram em operações de venda, não ensejam direito a crédito. DESPESAS ADMINISTRATIVAS. As despesas da pessoa jurídica com atividades diversas da produção de bens e da prestação de serviços não representam aquisição de insumos geradores de créditos das contribuições, como ocorre com as despesas havidas no setor administrativo da pessoa jurídica. Fl. 929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 11 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com o não reconhecimento do crédito apurado, a empresa interpõe recurso voluntário, por meio do qual busca a reforma do decisum, arguindo, em síntese, as seguintes temáticas: III. PRELIMINARES I.1. TEMPESTIVIDADE I.2. NULIDADE DO V. ACÓRDÃO POR AUSÊNCIA DA DEVIDA FUNDAMENTAÇÃO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA I.3 DA NECESSÁRIA REUNIÃO DOS PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. COMPETÊNCIA DO E. CARF PARA JULGAMENTO DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO – OS VALORES EM DISCUSSÃO SUPERAM O LIMITE DE ALÇADA IMPOSTO PELA PORTARIA ME N° 340/2020 E PELA LEI N° 13.988/2020 II. SÍNTESE FÁTICA III – MÉRITO III.1 – PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE E CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS III.2 – ESCLARECIMENTOS A RESPEITO DO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE III.3 – IMPROCEDÊNCIA DA MANUTENÇÃO DAS GLOSAS EFETUADAS PELA DRJ-10 1) AQUISIÇÕES DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES 2) DESPESAS COM FRETES E SERVIÇOS DE TRANSPORTE 2.1 - FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA A - FRETE INTERNO – ENTRE ESTABELECIMENTO DO MESMO CONTRIBUINTE | PRODUTOS ACABADOS B - FRETE INTERNO – ENTRE ESTABELECIMENTO DO MESMO CONTRIBUINTE | REMESSA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO | REMESSA PARA LABORATÓRIOS E SERVIÇOS LABORATORIAIS 2.2 - FRETE DE COMPRA – FERTILIZANTES DE ALÍQUOTA ZERO 2.3 - ARMAZENAGEM EM GERAL - ARMAZENAGEM DE PRODUTOS ACABADOS FRIGORIFICADOS | ARMAZENAGEM 15 DIAS 2.4 - FRETES REMESSA E RETORNO PARA RESFRIAMENTO - DEVOLUÇÃO DE COMPRA DE INSUMOS, EMBALAGENS E MATERIAL DE USO E CONSUMO (DEVOLUÇÃO DE COMPRAS) | DEVOLUÇÃO DE VENDAS DE PRODUTOS LÁCTEOS (ACABADOS) | REMESSA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA | DEVOLUÇÃO DE REVENDA | SERVIÇO EXCEDENTE SAÍDA/DEVOLUÇÃO Fl. 930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 12 3 - SERVIÇO DE CARGA E DESCARGA - SERVIÇO DE CARGA E DESCARGA | SERVIÇO MOVIMENTAÇÃO CROSS DOCKING | SERVIÇO DE MOVIMENTAÇÃO E SEPARAÇÃO DE MERCADORIAS (PICKING DE MERCADORIA) | SERVIÇO DE TRANSBORDO 4 - PALLET DE MADEIRA E EMBALAGENS – AQUISIÇÃO DE PALLETS DE MADEIRA | SERVIÇO DE REPALETIZAÇÃO (TROCA/REFORMA DE PALLET) | FRETE DE REMESSA PARA CONSERTO E RETORNO DE PALLETS | SERVIÇO DE CARGA E DESCARGA – PALETIZADO | SERVIÇO DE CARREGAMENTO DE PALLETS 5 - SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS – FRETE DE REMESSA E RETORNO DE MÁQUINA EM CONSERTO | SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS | SERVIÇO DE MANUTENÇÃO EM CONDICIONADORES DE AR | SERVIÇO DE CONSERTO E MANUTENÇÃO DE MÓVEIS E CADEIRAS | SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE GUINCHOS | SERVIÇO DE DESLOCAMENTO E HOSPEDAGEM (ALUGUEL DE IMÓVEL, TAXA CONDOMINIAL, SERVIÇO DE CONDOMÍNIO) 6 - SERVIÇO DE COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS - SERVIÇOS DE COLETA DE RESÍDUOS NA FÁBRICA PARA DESCARTE | REMESSA DE RESÍDUO E DESCARTE DE PRODUTOS LÁCTEOS | SERVIÇO DE TRIAGEM DE RESÍDUOS 7 - CRÉDITOS RELATIVOS A MATERIAIS DE USO E CONSUMO E SERVIÇOS GERAIS TOMADOS – SERVIÇO DE PESAGEM DE VEÍCULO | SERVIÇO DE CUSTOS ADMINISTRATIVOS EM TSP | AQUISIÇÃO DE PAPEL TOALHA/PAPEL CARTÃO/PAPELÃO | SERVIÇO DE OUTORGA POÇOS ARTESIANOS | SERVIÇO E AQUISIÇÃO DE ITENS DE DECORAÇÃO | AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE ESCRITÓRIO | SERVIÇO DE PALESTRANTE | AQUISIÇÃO VINHOS E VINAGRES 8 - CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DAS VERBAS CONTRATUAIS PAGAS A CLIENTES E DE INSUMOS IV. VERDADE MATERIAL A Recorrente, ao final de sua peça recursal, formula os seguintes pedidos: VII. PEDIDO Ante o exposto, requer que seja recebido e processo o presente Recurso Voluntário, haja vista que preenchidos todos os pressupostos de recorribilidade e que interposto dentro do prazo legal, para julgá-lo procedente a fim de reformar o v. acórdão recorrido, reconhecendo-se à Recorrente o seu direito ao crédito integral, em respeito ao princípio da verdade material, bem como à jurisprudência manifestada por este E. Conselho. Subsidiariamente, na remota hipótese de pairarem dúvidas a respeito da higidez das alegações apresentadas, a Recorrente requer a conversão em diligência do julgamento do presente recurso, nos termos do art. 18, inciso I do RICARF, art. 29 do Decreto n° 70.235/72, e art. 38 da Lei nº 9.784/99. Por fim, pugna pela juntada posterior de documentos que sejam julgados necessários à pretensão consignada nos autos. Fl. 931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 13 Por meio da Resolução nº 3102-000.452, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, com os seguintes fins: Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do art. 29 do Decreto n. 70.235/1972, para que a unidade de origem: 1. Agrupe os itens glosados em categorias estabelecidas em função dos motivos das glosas; 2. Quantifique o montante de créditos glosados relativo a cada categoria de bens identificada; 3. Agrupe os itens glosados constantes na planilha “glosa fretes” de acordo com a sua descrição; 4. Esclareça de que se trata itens da planilha “glosa fretes” cuja descrição apresenta-se genérica e/ou desprovida de caráter autoexplicativo, como os itens descritos como “outras operações/remessas” e “compra produto acabado/intercompany”; 5. Apure a natureza dos bens objeto dos transportes entre estabelecimentos da própria Contribuinte dos quais decorreram as despesas de frete que ensejaram os créditos glosados; 6. Quantifique o montante de créditos glosados relativos ao transporte entre estabelecimentos da própria Contribuinte de cada categoria de bens identificada; 7. Esclareça de que se trata os seguintes itens constantes da planilha “glosa serviços”: Serviço armazenagem 15 dias, serv contratação armazenagem, serviço hora técnica trabalhada, serv contratação serviços gerais, serv manutenção de ar condicionado, serviço armazenagem operador logístico, serv contratação administração de vestia, diversos, serviço adicional, serviço recondicionamento, serv manut preventiva ar cond 7000BTUS, serv manut preventiva ar cond 36000, serv técnico, serv contratação armazenagem – produtos, serv manutenção preventiva ar cond 24000, serviço instalação condicionador de ar, serv contratação armazenagem carga e des. 8. Elabore relatório conclusivo sobre novos elementos trazidos aos autos por sua própria iniciativa, do interessado no processo ou colhidos junto a terceiros. Caso repute necessário, poderá a Autoridade intimar a Recorrente para apresentar outros documentos e informações complementares. Uma vez cumpridas a providências indicadas, à Recorrente deverá ser dada ciência dos resultados da diligência, e lhe deverá ser aberto prazo de 30 dias para manifestação. Em sequência, com ou sem manifestação do contribuinte, retornem os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento à determinação deste CARF, a Unidade de Origem adotou as providências necessárias, procedendo à análise da natureza e da higidez dos créditos pleiteados Fl. 932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 14 pela Recorrente. Ao final, emitiu relatório conclusivo de diligência, no qual reverteu parte das glosas inicialmente efetuadas, reconhecendo determinados valores como créditos presumidos. Dada ciência à Recorrente, esta manifestou concordância com as reversões propostas pela Unidade de Origem, mantendo, contudo, sua discordância quanto às glosas relativas às verbas contratuais, aos serviços de carga e descarga, entre outras rubricas, ocasião em que reiterou as razões recursais e os pedidos formulados no recurso voluntário anteriormente interposto. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. O recurso voluntário, além de tempestivo, preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Depreende-se do relatório que o cerne da controvérsia reside na definição do conceito de insumos e dos critérios legais para fruição dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, à luz do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, bem como dos parâmetros fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR (recurso repetitivo). Em primeira instância, foram mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização, relativas — entre outras — às seguintes rubricas: – Serviços de movimentação cross docking; – Serviço de veiculação de mídia; – Serviço de armazenagem de produtos acabados (diversas modalidades); – Manutenção preventiva de ar-condicionado; – Contratação de operador logístico; – Crédito extemporâneo com período prescrito; – Paletes de madeira; – Fungicida; – Cadeados; – Sacarose; Fl. 933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 15 – Adubo químico; – Camisetas; – Transferências entre filiais de produtos acabados; – Remessas e retornos de armazenagem e de paletes; – Devolução de venda de produtos acabados. Portanto, a lide concentra-se na discussão acerca dessas rubricas. Antes de adentrar o mérito, a Recorrente suscita a nulidade do acórdão recorrido, sob o argumento de ausência de fundamentação e cerceamento do direito de defesa. Aduz que a decisão da DRJ deixou de analisar o conjunto fático-probatório constante dos autos, em especial o Laudo Técnico elaborado por empresa independente, que descreve minuciosamente as etapas do processo produtivo e demonstra a essencialidade dos bens e serviços glosados, justificando sua caracterização como insumos. Sustenta, ainda, que o acórdão recorrido se limitou a reiterar glosas com base em afirmações genéricas, sem relacionar suas conclusões às peculiaridades operacionais da Recorrente, nem confrontar os elementos técnicos apresentados. Afirma que a DRJ teria adotado interpretação literal do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, sem cotejá-lo com os fatos e documentos do caso concreto, em afronta ao princípio da verdade material. Argumenta, por fim, violação ao princípio da motivação, previsto no art. 50 da Lei nº 9.784/1999, pois a decisão não expôs as razões fáticas e jurídicas que justificaram a manutenção das glosas, impedindo a plena compreensão do decisum e configurando cerceamento do direito de defesa. Requer, assim, o reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido. Assiste razão à Recorrente. A DRJ, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, apresentou apenas breve introdução sobre o regime não cumulativo do PIS e da Cofins, reproduzindo os critérios de essencialidade e relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. Em seguida, limitou-se a afirmar, de modo genérico, que diversas despesas permaneceriam fora do conceito de insumo por serem utilizadas “em fase posterior ao processo produtivo”. Transcrevo o trecho pertinente (e-fl. 725), no qual a DRJ adota, como fundamento, excertos do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, concluindo pela exclusão de itens que, segundo entendimento ali reproduzido, seriam alheios às atividades essenciais da pessoa jurídica: Despesas que Permanecem Fora do Conceito de Insumo Fl. 934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 16 [...] Conforme o antes transcrito item 168 do referido PN nº 05, deve-se excluir do conceito de insumo os itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, etc. Bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens, e demais utilizados posteriormente à finalização do processo produtivo. Excluindo-se também do conceito os itens utilizados em atividades que não resultem em um bem destinado à venda ou em um serviço prestado, como em pesquisas, projetos abandonados, projetos infrutíferos, produtos acabados e furtados ou sinistrados, etc. Neste sentido, permanecem válidas as glosas de créditos apurados com despesas relativas a serviços e aquisições de bens que não podem ser considerados como insumos, mesmo após o conceito mais abrangente determinado pelo Parecer Normativo nº 05, como é o caso dos itens glosados, conforme descritos no Relatório de Ação Fiscal de fls. 446 a 450. Despesas de Armazenagem e Fretes Entre Estabelecimentos da Empresa [...] Desse modo, inexiste previsão legal para geração de crédito a partir de dispêndios com frete de mercadorias entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica, seja de matérias primas, produtos semi-acabados ou mesmo de produtos acabados. Por decorrência, não podem, exemplificativamente, ser descontados créditos a título de armazenagem e frete na contratação de serviços destinados ao transporte em fases anteriores à venda (dependente ou não de armazenagem) ou direcionados à organização, separação e embalagem do produto vendido, por ausência de previsão legal. De mesma forma, o conceito de armazenagem e frete não alcança despesas de natureza completamente diversa, como são o mero transporte interno e externo de bens, matérias-primas e os serviços logísticos e de operação portuária (de movimentação, posicionamento e rolagem de contêineres, inspeção de carga, contratação de agenciadoras marítimas etc). Em síntese, o conceito normativo de frete não alcança o transporte interno e externo que se encontre dissociado da operação de venda (do bem produzido) em si mesma considerada. Cumpre acrescentar, especificamente acerca de frete por ocasião da operação de compra, que o dispêndio é tratado como integrante do custo de aquisição dos bens transportados. Pallets de Madeira. Serviços de repaletização. Fretes de remessa e retorno de pallets. Serviços de movimentação paletizado. Serviços de carga e descarga paletizada. [...] Fl. 935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 17 Ainda que a contribuinte discorde do entendimento, tais itens não constituem embalagens de apresentação, mas simples embalagens de transporte de mercadorias. Sobre as embalagens de transporte, estabelece o Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018: Além do mais, o próprio contribuinte admite que tais embalagens (pallets) são utilizados para transporte do produto final, devendo-se destacar que embalagens de produtos acabados não geram direito a crédito nos termos do item 56 do Parecer Normativo: (omissis). A única possibilidade de creditamento seria para embalagens de apresentação o que não é o caso dos pallets em questão. Dessa forma, deve ser mantida a glosa. Crédito Sobre Aquisições de Bens Sujeitos à Alíquota Zero O recurso sustenta que haveria ofensa ao regime da não cumulatividade, diante do fato de que não existiriam restrições ao seu direito de apropriar créditos em operações caracterizadas como alíquota zero. Inicialmente cabe reproduzir o definido pelo § 2º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: [omissis] A legislação é por demais clara sobre a impossibilidade de creditamento, assim, os argumentos alegados pelo contribuinte não se sustentam. Cito aqui a Solução de Consulta nº 227. de 12/05/2017, onde é referendado o que já se encontra disposto nas citadas leis: [omissis] Cabe, novamente, citar o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018, que regulamentou o novo conceito de insumo trazido pelo REsp nº 1.221.170, o qual não deixa dúvidas da impossibilidade de creditamento de operações sujeitas a alíquota zero: [omissis] Portanto, as glosas devem ser mantidas. Entretanto, ao tratar de despesas como armazenagem, fretes entre estabelecimentos, movimentação de cargas, repaletização, pallets de madeira e serviços correlatos, a DRJ limitou-se a afirmar, de forma abstrata, que tais rubricas não estariam associadas à etapa produtiva, sem: - examinar os elementos específicos do processo fabril da Recorrente; - cotejar o Laudo Técnico juntado aos autos; - enfrentar os argumentos apresentados tópico a tópico; Fl. 936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 18 - demonstrar, com base em fatos, por que tais rubricas seriam posteriores ao processo produtivo; - justificar a glosa à luz das particularidades normativas do setor lácteo (exigências do MAPA, ANVISA e regulamentações ambientais). Ao contrário, o acórdão recorrido não faz menção ao Laudo Técnico elaborado pela Ferrari Gestão de Ativos Ltda. – FERCIEN, nem menciona o fluxograma do processo produtivo (“caminho do leite”) apresentado pela contribuinte. Da mesma forma, não enfrenta as justificativas relacionadas às rubricas específicas elencadas pela Recorrente, tais como: (i) fretes e deslocamentos para análise laboratorial e controle de qualidade; (ii) serviços exigidos por normas sanitárias e ambientais (ANVISA, MAPA, CONAMA); (iii) serviços de movimentação e acondicionamento inerentes ao processo industrial lácteo; (iv) armazenamento frigorificado obrigatório; (v) manutenção de máquinas essenciais ao funcionamento da linha de produção; (vi) remessas e retornos de insumos para resfriamento, análise, industrialização e devolução; (vii) despesas relacionadas a resíduos sólidos; (viii) despesas com pallets utilizados conforme exigências sanitárias. Após análise e confronto entre a fundamentação da DRJ e os argumentos da Recorrente, verifica-se que não houve enfrentamento expresso e individualizado das razões referentes aos itens glosados nos seguintes tópicos apresentados pela contribuinte sobre fretes e análises laboratoriais; fretes especializados para resfriamento e devoluções; serviços de carga, descarga e movimentação; coleta e transporte de resíduos; manutenção de máquinas e equipamentos; materiais de uso correlato à atividade produtiva, abordados nos tópicos: 2) DESPESAS COM FRETES E SERVIÇOS DE TRANSPORTE 2.1 - FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA B - FRETE INTERNO – ENTRE ESTABELECIMENTO DO MESMO CONTRIBUINTE | REMESSA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO | REMESSA PARA LABORATÓRIOS E SERVIÇOS LABORATORIAIS Fl. 937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 19 3) FRETES DE COMPRA E DE MATERIAIS PARA LABORATÓRIO E SERVIÇOS LABORATORIAIS - REMESSA E RETORNO DE LEITE PARA ANÁLISE | SERVIÇO DE ESTUDO DE AUTODEPURAÇÃO DE CURSO D’ÁGUA. 3.1) FRETES DE COMPRA 3.2 - FRETES DE AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS LABORATORIAIS 4) FRETES REMESSA E RETORNO PARA RESFRIAMENTO - DEVOLUÇÃO DE COMPRA DE INSUMOS, EMBALAGENS E MATERIAL DE USO E CONSUMO (DEVOLUÇÃO DE COMPRAS) | DEVOLUÇÃO DE VENDAS DE PRODUTOS LÁCTEOS (ACABADOS) | REMESSA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA | DEVOLUÇÃO DE REVENDA | SERVIÇO EXCEDENTE SAÍDA/DEVOLUÇÃO 6) SERVIÇO DE CARGA E DESCARGA - SERVIÇO DE CARGA E DESCARGA | SERVIÇO MOVIMENTAÇÃO CROSS DOCKING | SERVIÇO DE MOVIMENTAÇÃO E SEPARAÇÃO DE MERCADORIAS (PICKING DE MERCADORIA) | SERVIÇO DE TRANSBORDO | SERVIÇO DE CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO 8) SERVIÇO DE COLETA E TRANSPORTE DE RESÍDUOS - SERVIÇOS DE COLETA DE RESÍDUOS NA FÁBRICA PARA DESCARTE | REMESSA DE RESÍDUO E DESCARTE DE PRODUTOS LÁCTEOS | SERVIÇO DE TRIAGEM DE RESÍDUOS 9) SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS – FRETE DE REMESSA E RETORNO DE MÁQUINA EM CONSERTO | SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS | SERVIÇO DE MANUTENÇÃO EM CONDICIONADORES DE AR 10) CRÉDITOS RELATIVOS A MATERIAIS DE USO E CONSUMO E SERVIÇOS GERAIS TOMADOS – SERVIÇO DE REFORMA DE PALLETS | SERVIÇO DE LIMPEZA ADMINISTRATIVA | SERVIÇO DE VEICULAÇÃO DE MÍDIA DE PRODUTOS | CADEADOS | CAMISETAS PARA MERCHANDISING | CARGA DE AR CONDICIONADO | CARTA GRÁFICA | LUSTRA MÓVEIS | PORTA CADEADO Nesses pontos, a decisão limitou-se a reproduzir conceitos gerais sobre insumos, sem justificar concretamente por que tais itens não se enquadrariam nos critérios de essencialidade ou relevância definidos pelo STJ, configurando motivação deficiente. A ausência de análise das provas e argumentos apresentados — especialmente do Laudo Técnico — configura cerceamento do direito de defesa, pois impede o contribuinte de compreender as razões específicas que ensejaram a manutenção das glosas. Fl. 938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 20 Além disso, o não enfrentamento de questões relevantes e devidamente suscitadas caracteriza supressão de instância, vedada no processo administrativo fiscal, impondo o retorno dos autos para que a autoridade julgadora aprecie integralmente a controvérsia. Assim, concluo que o acórdão recorrido não atende ao dever de motivação, razão pela qual deve ser declarada a sua nulidade, com o consequente retorno dos autos à instância de origem para a prolação de novo julgamento, mediante apreciação integral das alegações e provas apresentadas pela Recorrente. Por essa razão, deixo de apreciar o mérito recursal, nos termos do art. 44 da Portaria CARF nº 1.240/20241. Ante o exposto, ACOLHO A PREMILINAR SUSCITADA PELA RECORRENTE e, com fundamento no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, declaro a nulidade do acórdão recorrido e determino o retorno dos autos à DRJ, para que seja proferido novo julgamento, considerando-se, de forma expressa e motivada, os argumentos deduzidos pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, especialmente aqueles destacados no corpo deste voto. É o meu voto. Rejeitada a preliminar proposta, e indeferida a aplicação do art. 44 da Portaria CARF nº 1.240/2024, passo a analisar o mérito. RESULTADO DA DILIGÊNCIA (CARF). Conforme já relatado, o processo retorna de diligência para exame das rubricas glosadas pela fiscalização e mantidas pela DRJ, dentre as quais: serviços de movimentação cross- docking; serviços de armazenagem de produtos acabados, em suas diversas modalidades; manutenção preventiva de aparelhos de ar-condicionado; créditos extemporâneos; entre outras, todas analisadas individualmente. Antes, entretanto, cumpre registrar o teor do resultado da diligência, que se mostrou parcialmente favorável à Recorrente, resultando na reversão das glosas relativas às 1 DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 44. Ao apresentar voto pelo não conhecimento do recurso ou por converter o julgamento em diligência, o relator estará desobrigado de manifestar-se em relação ao mérito. §1º O disposto no caput também se aplica quando o relator votar pelo acolhimento de preliminar e tal medida consistir prejudicial em relação ao mérito. §2º Se vencido, o relator deverá apresentar o voto de mérito na mesma reunião ou na reunião subsequente em que o processo for pautado. §3° Não concluído o julgamento na mesma reunião, o processo será retirado de pauta e o presidente da turma registrará em ata os votos já proferidos. Fl. 939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 21 vendas no mercado interno tributadas à alíquota zero e aos créditos presumidos — matérias que, inclusive, não foram objeto de controvérsia pela própria Recorrente. A DRJ decidiu nos seguintes termos: 20. Além disso, o contribuinte incluiu, erroneamente, na base de cálculo dos créditos valores referentes a insumos cujas alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS foram reduzidas a zero, conforme o art. 12, incisos |, Il, XII, XII e XXII, da Lei 10.925/2004: adubo classificado no capítulo 31 da NCM; fungicidas e herbicidas — defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da NCM; queijo parmesão; soro de leite pré-concentrado resfriado; soro de leite fluido resfriado; sacarose — açúcar classificado no código 17.01.9900 da NCM; entre outros. 21. Também foi aplicada alíquota incorreta sobre algumas aquisições de leite cru pré-beneficiado integral adquiridas do fornecedor Confebar Agroindustrial Cooperativa Central. A alíquota correta é a alíquota de crédito presumido, a mesma alíquota que a interessada aplicou sobre as demais aquisições do mesmo insumo desse fornecedor. [omissis] 29. Assim sendo, foi apurado o crédito passível de ressarcimento da Contribuição para PIS/PASEP e da COFINS vinculados às vendas no mercado interno com alíquota zero com base no disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e de créditos presumidos com base no disposto no art. 92-A da Lei nº 10.925/2004, conforme planilha abaixo: Diante da concordância da Recorrente e do reconhecimento do crédito pela Unidade de Origem, resta restabelecida a quantia de R$ 412.856,51, referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS vinculadas às c, com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, bem como aos créditos presumidos previstos no art. 92-A da Lei nº 10.925/2004. Prossegue-se, portanto, à análise das demais matérias controvertidas. Fl. 940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 22 CONSIDERAÇÕES INICIAIS - INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE BENS E SERVIÇOS NECESSÁRIOS AO PROCESSO DE FABRICAÇÃO OU PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DESTINADAS À VENDA. A matéria relativa ao conceito de insumo, no âmbito da não cumulatividade do PIS e da COFINS, é tema recorrente no CARF. A jurisprudência administrativa tem aplicado de forma uniforme o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, conforme previsto no art. 98, II, alínea “b”, e art. 99 da Portaria MF nº 1.634/2023. O referido precedente foi posteriormente consolidado pela Administração Tributária por meio do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, que passou a orientar a atuação fiscal quanto à interpretação do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Esse Parecer Normativo sistematiza os critérios de essencialidade e relevância, extraídos do julgamento do STJ, e estabelece parâmetros objetivos para o reconhecimento de créditos sobre bens e serviços empregados no processo de produção ou na prestação de serviços. Entre as diretrizes constantes no Parecer, destacam-se: (a) somente se qualificam como insumos aqueles aplicados diretamente no processo produtivo ou de prestação de serviços, excluindo-se bens e serviços alocados em áreas administrativas e atividades de revenda; (b) admite-se o creditamento não apenas sobre itens que compõem fisicamente o produto, mas também sobre aqueles necessários ao desenvolvimento das etapas produtivas; (c) a utilização posterior ao término do processo produtivo não afasta, em situações específicas, a caracterização do insumo; e (d) o conceito alcança insumos empregados na fabricação de outros insumos (“insumo do insumo”), desde que imprescindíveis às etapas subsequentes. Em complemento, a IN RFB nº 2.121/2022 regulamentou definitivamente as regras de apuração e fiscalização da não cumulatividade, incorporando o entendimento jurisprudencial e técnico já consolidado. Os arts. 175 e 176 detalham a base de cálculo dos créditos, reiterando que se consideram insumos todos os bens e serviços essenciais ou relevantes para a produção ou fabricação de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços, com enumeração exemplificativa das hipóteses admitidas. A instrução também lista, de forma expressa, situações que não configuram insumo, como custos administrativos, despesas alheias ao processo produtivo e gastos com bens do ativo imobilizado (salvo hipóteses legalmente previstas). Fl. 941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 23 A regulamentação ainda reforça que itens exigidos por norma legal ou infralegal para viabilizar a atividade produtiva integram o conceito de insumo (art. 177), reafirmando que o parâmetro interpretativo principal permanece o da essencialidade e/ou relevância conforme delineado pelo STJ. À luz da legislação e dos atos normativos mencionados, conclui-se que a análise do conceito de insumo deve ser feita caso a caso, considerando: (i) as especificidades da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; (ii) o emprego efetivo do bem ou serviço nas etapas produtivas; e (iii) a prova de sua indispensabilidade ou relevância ao resultado da produção ou da prestação de serviços. Assim, não basta alegar a imprescindibilidade do bem — exige-se a demonstração concreta de como o insumo é consumido, aplicado ou utilizado no processo produtivo, conforme os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, que disciplinam a necessidade de prova adequada no processo administrativo fiscal. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes deste Tribunal Administrativo, inclusive no âmbito das Súmulas CARF nº 188 e nº 189. A Súmula 188 admite o crédito sobre fretes na aquisição de insumos não tributados, desde que autônomos e efetivamente onerados pelo PIS/COFINS. Já a Súmula 189 sedimenta o entendimento de que os “insumos do insumo”, especialmente na cadeia agrícola, geram direito ao creditamento. De acordo com o contrato social, a Recorrente se dedica às seguintes atividades: Fl. 942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 24 Conclui-se que a Recorrente atua não apenas no comércio exterior, por meio da importação e exportação de mercadorias, mas também desenvolve atividades relacionadas à revenda, fabricação, prestação de serviços e transporte. Dada a peculiaridade dos produtos comercializados, cumpre destacar a necessidade — aliás, a obrigatoriedade — de observância e cumprimento das normas editadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA2 e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, desde a aquisição do leite até sua disponibilização nas prateleiras. A título de exemplo, reproduzem-se as normas/portarias: 2 https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/defesa-agropecuaria/suasa/regulamentos-tecnicos-de- identidade-e-qualidade-de-produtos-de-origem-animal-1/rtiq-leite-e-seus-derivados Fl. 943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 25 Estabelecidos, portanto, os critérios legais (matéria de direito), passa-se ao exame do caso concreto (matéria de fato). SERVIÇOS DE FRETE. Em síntese, quatro serviços de frete não foram aceitos como insumos pela fiscalização: (i) fretes de transferência entre filiais de produtos acabados; (ii) fretes classificados Fl. 944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 26 como “outras operações/remessas” (transporte de máquinas e equipamentos industriais, como empilhadeiras e bombas hidráulicas); (iii) fretes de remessa e retorno para conserto; e (iv) fretes de remessa/retorno de armazenagem de produtos acabados. Tais rubricas não se qualificam como insumos, razão pela qual foram corretamente desconsideradas. Trata-se dos seguintes serviços: a) Fretes de transferência entre filiais de produtos acabados, os quais se referem a operações de logística interna posteriores ao processo produtivo. b) Fretes classificados como “outras operações/remessas”, relacionados ao transporte de máquinas e equipamentos industriais, tais como empilhadeiras e bombas hidráulicas, sem relação direta com o processo produtivo e sem demonstração, por parte da Recorrente, da relevância desses serviços para tal finalidade. c) Fretes de remessa e retorno para conserto, igualmente estranhos às etapas produtivas e sem comprovação da relevância do serviço no processo produtivo. d) Fretes de remessa/retorno de armazenagem de produtos acabados, característicos de operações logísticas e, portanto, alheios ao conceito de insumo. Nenhum desses serviços se enquadra nos critérios de essencialidade ou relevância delineados pelo Superior Tribunal de Justiça, tampouco nas hipóteses previstas na IN RFB nº 2.121/2022 ou no Parecer Normativo COSIT nº 05/2018 SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. Em relação aos serviços glosados, verifica-se que as rubricas impugnadas correspondem a serviços de armazenagem por 15 dias, serviços de armazenagem realizados por operador logístico, serviços de contratação de armazenagem, serviços de contratação de armazenagem de produtos, serviços de armazenagem relacionados a carga e descarga e serviços de armazenagem de produtos acabados frigorificados. Tais serviços foram desconsiderados pela fiscalização por não se enquadrarem no conceito de insumo apto a gerar crédito de PIS/COFINS, conclusão que se confirma à luz do processo produtivo detalhadamente descrito pela própria Recorrente. O conjunto de informações técnicas reproduzido nos autos demonstra que todo o processo industrial — desde o recebimento do leite cru, passando por etapas de pasteurização, UHT, produção de leite em pó, condensado, manteiga, produtos especiais e fracionamento — ocorre integralmente no interior das unidades fabris, em sequência contínua, controlada e dependente de condições específicas de higiene, temperatura e integridade sanitária. Nas diversas etapas, identifica-se que a armazenagem essencial ao processo corresponde exclusivamente aos silos internos, tanques assépticos, equipamentos de transição e Fl. 945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 27 estruturas próprias de retenção intermediária do produto, todos instalados e integrados fisicamente à linha de produção processo industrial — desde o recebimento do leite cru, passando por pasteurização, UHT, produção de leite em pó, leite condensado, manteiga, produtos especiais, fracionamento e demais operações — ocorre integralmente dentro das unidades fabris, em etapas contínuas, controladas e dependentes de condições estritamente sanitárias e térmicas; Em nenhuma etapa do processo fabril a empresa indica a necessidade de recorrer a armazenagem externa, por terceiros, para possibilitar a produção. Ao contrário, a descrição fornecida evidencia que a produção depende exclusivamente da estrutura fabril interna, acompanhada das operações obrigatórias de higienização CIP, controle térmico e manipulação imediata da matéria-prima e dos produtos intermediários. Os serviços glosados, por sua vez, referem-se à armazenagem de produtos acabados, inclusive em câmara frigorificada, à estocagem temporária por limitações de espaço físico, à armazenagem prestada por operadores logísticos e à movimentação e guarda de mercadorias já envasadas, paletizadas e prontas para distribuição. Trata-se, portanto, de atividades que ocorrem somente após a finalização do produto, com finalidade exclusivamente logística e comercial, sem qualquer interferência ou impacto sobre a transformação industrial do leite ou derivado. À luz do entendimento vinculante do Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1.221.170/PR, do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018 e das disposições da IN RFB nº 2.121/2022, somente se qualificam como insumos os bens e serviços essenciais ou relevantes ao resultado do processo produtivo. Os serviços de armazenagem ora discutidos não se conectam com nenhuma etapa tecnológica ou operacional da fabricação, não atuam sobre a matéria-prima, não são exigidos por norma sanitária para viabilizar a produção e não são necessários para a continuidade da linha industrial. A sua função é restrita ao fluxo de distribuição, à gestão de estoques e ao atendimento da demanda comercial — atividades posteriores ao processo produtivo e, portanto, estranhas ao conceito de insumo Diante desse cenário, e considerando que a própria Recorrente descreve um processo industrial que não depende de armazenagem externa para ocorrer, conclui-se que os serviços glosados configuram meras atividades logísticas, sem essencialidade ou relevância para a produção, não atendendo aos critérios jurídicos estabelecidos pelo STJ e pela Receita Federal. Desse modo, impõe-se a manutenção da glosa efetuada pela fiscalização. SERVIÇOS DE AR-CONDICIONADO. Fl. 946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 28 Consta dos autos que foram mantidas as glosas relativas aos serviços de instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado, incluindo serviços de contratação de administração de vestiário, bem como serviços de manutenção preventiva de unidades de 7.000 BTUs, 24.000 BTUs e 36.000 BTUs. A fiscalização entendeu que tais despesas se relacionam às áreas administrativas do contribuinte e, por essa razão, não se qualificam como insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS. A análise do processo produtivo apresentado pela própria Recorrente confirma que todas as etapas industriais — recebimento, análise laboratorial, pasteurização, processamento UHT, produção de leite em pó, condensado, manteiga, produtos especiais e fracionamento — são desenvolvidas em instalações produtivas específicas, compostas por tanques, silos, tubulações sanitárias, linhas de envase e sistemas de higienização CIP. Em nenhuma dessas etapas se identifica a utilização ou a dependência de sistemas de climatização por ar-condicionado para viabilizar a transformação industrial da matéria-prima ou garantir a continuidade do processo fabril. O processo produtivo descrito evidencia que as condições térmicas essenciais ao processamento do leite e derivados são obtidas por equipamentos industriais próprios, tais como pasteurizadores, trocadores de calor, câmaras térmicas e sistemas de refrigeração específicos, integrados diretamente ao fluxo produtivo. A climatização por ar-condicionado não desempenha qualquer função técnica indispensável ao aquecimento, resfriamento, esterilização, padronização ou estabilização dos produtos. Tampouco figura entre os requisitos sanitários obrigatórios para o processamento de lácteos indicados nas normas que regulam o setor, cuja ênfase recai sobre higienização, controles laboratoriais, temperatura da matéria-prima, pasteurização, esterilização e manutenção de equipamentos industriais. Da mesma forma, os serviços relativos à administração de vestiários não apresentam relação de essencialidade ou relevância com a execução das etapas fabris. Ainda que os trabalhadores necessitem de condições mínimas de acomodação e troca de vestimentas, tais despesas configuram custos de suporte administrativo, sem impacto direto na transformação da matéria-prima ou na obtenção do produto final. A legislação sanitária exige o uso de EPIs, limpeza e higienização adequada, mas não impõe a contratação de serviços de administração de vestiários como elemento técnico do processo produtivo. Diante do detalhamento fornecido pela Recorrente, constata-se que os itens glosados não integram o fluxo industrial, não são consumidos no processo, não contribuem para modificar a matéria-prima, não atuam sobre a segurança sanitária do produto e não são exigidos pelas normas técnicas que disciplinam a fabricação de lácteos. Trata-se de despesas típicas de Fl. 947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 29 infraestrutura administrativa, voltadas ao conforto ambiental, organização de espaços ou manutenção predial, sem relação direta ou indireta com a produção em si. À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR e consolidado pelo Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, apenas se qualificam como insumos os bens e serviços essenciais ou relevantes à atividade fim, o que não se verifica nos serviços ora analisados. A própria descrição do processo produtivo reforça a inexistência de vínculo funcional entre os serviços glosados e o resultado industrial. Assim, corretamente concluiu a fiscalização que tais despesas correspondem a atividades administrativas e, por essa razão, não se enquadram no conceito de insumo para fins de creditamento. Mantêm-se, portanto, as glosas efetuadas. PALLETS. Da análise conjunta das provas constantes dos autos, notadamente o laudo técnico apresentado pela Recorrente e a descrição minuciosa do processo produtivo de leite e derivados, verifico que as rubricas relativas à aquisição de pallets, remessa e retorno de pallets, remessa e retorno de mercadorias remetidas para conserto, serviços de carga e descarga de pallets, serviços de triagem, serviços de repaletização de produtos acabados, bem como a utilização de pallets de madeira e plástico, apresentam relação direta e necessária com a dinâmica produtiva da contribuinte. Embora inicialmente alguns argumentos se confundissem com aqueles vinculados aos serviços de frete para devolução de mercadorias vendidas — já analisados em tópico próprio —, o conjunto probatório específico referente aos pallets demonstra tratar-se de insumos cuja utilização é intrínseca ao fluxo operacional dos produtos lácteos. O laudo técnico descreve que, logo após o envase e a embalagem, produtos como leite em pó, leite UHT, manteiga e demais derivados são imediatamente organizados sobre pallets por paletizadoras automatizadas, sendo estabilizados com filme stretch ou stretch hood e encaminhados, por empilhadeiras, aos depósitos refrigerados ou convencionais. Registra também que, nas áreas com contato direto com os alimentos, são utilizados pallets plásticos, evitando-se contaminação. Ademais, evidencia-se que a movimentação interna dos produtos — desde o final do processo industrial até sua estocagem — depende estruturalmente dessas plataformas. O mesmo laudo aponta situações que exigem a constante movimentação, reforma, devolução ou substituição de pallets, seja por desgaste decorrente da operação, seja pela necessidade de adequação às linhas de produção e armazenamento das distintas unidades fabris e centros de distribuição. Os documentos anexados ilustram, inclusive, serviços de reforma, Fl. 948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 30 carregamento, descarregamento e transporte de pallets vinculados diretamente ao funcionamento rotineiro do processo industrial. Ainda que a legislação sanitária (como a IN 77/2018 do MAPA) não estabeleça obrigação expressa de uso de pallets, o conjunto de evidências demonstra que, na realidade operacional da Recorrente, os pallets integram o método produtivo, garantindo a integridade das embalagens, a estabilidade da carga e o adequado encaminhamento dos produtos logo após sua fabricação. Essa funcionalidade é especialmente relevante diante da natureza perecível dos itens produzidos e da fragilidade das embalagens utilizadas no setor alimentício. Dessa forma, diferentemente de despesas meramente logísticas externas, os pallets e os serviços que lhes são correlatos — reforma, remessa e retorno, repaletização, carga e descarga — não se situam apenas na etapa posterior de comercialização, mas atuam como elementos essenciais na transição entre a linha produtiva e o armazenamento imediato, compondo etapa indispensável para que os produtos deixem a linha fabril em condições adequadas. À luz do critério de essencialidade previsto no entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.221.170/PR) e considerando-se a comprovação material das etapas do processo produtivo, concluo que os gastos analisados se enquadram como insumos aptos a gerar créditos. Assim, dou provimento ao recurso para reverter as glosas referentes à aquisição de pallets, remessa e retorno de pallets, serviços de conserto, carga e descarga, triagem, repaletização e demais serviços vinculados à utilização e movimentação desses itens no processo produtivo da Recorrente. AQUISIÇÕES DE BENS A ALÍQUOTA ZERO. No tocante às aquisições de bens sujeitos à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme previsão do art. 12 da Lei nº 10.925/2004, verifica-se que a Recorrente apropriou créditos relativos a insumos como adubos, fungicidas, herbicidas, açúcar, queijo parmesão, soro de leite e outros produtos beneficiados pela desoneração. Ainda que tais itens integrem a cadeia de suprimentos vinculada à produção de lácteos — seja como insumos diretos na fabricação de derivados do leite, seja como elementos essenciais ao programa de fomento agrícola destinado aos produtores rurais que abastecem a indústria — a sistemática legal é clara ao vedar o creditamento nas hipóteses em que a entrada seja tributada à alíquota zero, em razão da inexistência de ônus fiscal a recuperar. Fl. 949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 31 Tendo o legislador adotado, nesses casos, tratamento fiscal diferenciado que elimina a incidência das contribuições sobre a aquisição, não há base jurídica para a geração de crédito, independentemente da essencialidade econômica do item para a atividade industrial da Recorrente. Assim, correta a glosa efetuada pela fiscalização, uma vez que os bens enquadrados nos incisos I, II, XII, XIII e XXII do art. 12 da Lei nº 10.925/2004 não dão direito a crédito de PIS/Cofins, devendo ser mantido o ajuste promovido. OUTROS BENS E SERVIÇOS. No conjunto das despesas glosadas pela fiscalização, constam rubricas heterogêneas, tais como devolução de venda de produtos lácteos, serviços de carga e descarga de produtos acabados, serviços de movimentação e separação de produtos acabados, movimentação tipo cross-docking, serviços de veiculação de mídia institucional e de produtos, serviços técnicos educacionais, aquisição de pallets de madeira, cadeados, camisetas para merchandising, cargas de ar-condicionado, despesas de hospedagem, entre outros. A análise deve ser realizada à luz do processo produtivo e do laudo técnico apresentados pela Recorrente, restringindo-se a identificar, de forma objetiva, quais gastos demonstraram essencialidade ou relevância operacional no contexto da produção de lácteos. Como se observa do laudo técnico e da descrição pormenorizada das etapas industriais — que compreendem a recepção, análise laboratorial, pasteurização, processamento térmico, envase, paletização e encaminhamento imediato para depósito — a movimentação dos produtos recém-acabados depende de operações internas de reorganização, consolidação e transferência entre fábricas e centros de distribuição. Nesse sentido, os serviços de movimentação e cross-docking revelam-se indispensáveis à formação dos lotes, à adequação das quantidades demandadas pelos clientes e ao fluxo integrado da cadeia logística da Recorrente, cuja produção é altamente perecível e distribuída em âmbito nacional. O próprio laudo demonstra que a empresa opera com múltiplas plantas e centros de distribuição, tornando necessária a recombinação rápida dos itens após sua fabricação. Assim, reconheço a essencialidade dessas operações e dou provimento para afastar a glosa referente às atividades de movimentação/cross-docking diretamente vinculadas aos produtos lácteos acabados. Quanto aos pallets de madeira, o laudo técnico esclarece que, embora pallets plásticos sejam utilizados nas áreas de contato direto com alimentos, os pallets de madeira Fl. 950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 32 desempenham papel estrutural na movimentação e armazenagem dos produtos acabados, permitindo sua acomodação por empilhadeiras, estabilização da carga com filme stretch e organização nos depósitos. Trata-se de insumo de uso contínuo, que viabiliza a transição entre a linha produtiva e o armazenamento imediato, preservando a integridade das embalagens. À vista disso, reconheço que os pallets de madeira, bem como sua movimentação necessária, apresentam relação funcional com o processo industrial descrito, razão pela qual dou provimento para reverter a glosa correspondente. No tocante aos fretes e custos relacionados à devolução de venda de produtos lácteos, verifica-se que, dada a natureza perecível dos produtos e as longas distâncias percorridas na distribuição nacional, as devoluções constituem etapa inerente ao ciclo operacional, assegurando a manutenção da qualidade e evitando destinações inadequadas ou riscos sanitários. Esses fretes não se configuram como despesas comerciais ordinárias, mas como parte da logística essencial associada à integridade e segurança dos produtos fabricados. Assim, reconheço a necessidade desses gastos e dou provimento para afastar a glosa nas hipóteses comprovadamente vinculadas à devolução de produtos lácteos acabados. Por outro lado, as demais despesas mencionadas — serviços de carga e descarga genéricos, separação de produtos acabados, serviços de mídia institucional ou de marketing, serviços técnicos educacionais, aquisição de cadeados, camisetas para merchandising, carga de ar- condicionado, hospedagem, entre outras — não apresentam, no conjunto probatório, qualquer demonstração de essencialidade ao processo de fabricação de lácteos. Tais rubricas se inserem em atividades administrativas, comerciais, promocionais ou de apoio geral, alheias às etapas industriais que transformam a matéria-prima em produto final. À vista disso, mantenho as glosas referentes a todas essas despesas, por ausência de vínculo direto com o processo produtivo. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso, apenas para reconhecer como essenciais e, portanto, aptas à reversão das glosas, as seguintes categorias: (i) movimentação/cross-docking de produtos lácteos acabados, (ii) pallets de madeira utilizados na movimentação e armazenagem imediata dos produtos, e (iii) despesas com devolução de venda de produtos lácteos. VERBAS CONTRATUAIS – CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No que se refere ao aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e Cofins, reconheço que a legislação permite sua utilização em períodos subsequentes, desde que comprovados documentalmente, vinculados à atividade tributada e respeitado o prazo Fl. 951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 33 decadencial previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, aplicável por força do §1º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Também afasto, para este processo, a exigência de que a escrituração extemporânea esteja condicionada à prévia retificação da EFD-Contribuições, por entender que tal requisito não constitui elemento essencial à própria existência do direito creditório, mas apenas formalidade instrumental. Todavia, ainda que se admita o crédito extemporâneo, não é possível reconhecê-lo no caso concreto, pois os créditos relativos às competências de 09/2015, 10/2015, 12/2015, 01/2016 e 02/2016 foram informados após o prazo prescricional, como demonstrado nos autos. Ressalte-se que a própria Recorrente não impugnou a ocorrência da prescrição, deixando incontroverso o fato de que os créditos foram apropriados além do limite legal. Assim, o indeferimento não decorre da natureza extemporânea do crédito, mas exclusivamente da perda do direito em razão do decurso do prazo prescricional. Quanto às verbas contratuais pagas a clientes — tais como verbas de fidelidade, marketing, inauguração, espaço promocional e congêneres — o laudo técnico e a natureza da atividade da Recorrente deixam inequívoco que tais dispêndios não integram o processo fabril de produtos lácteos. A empresa dedica-se à produção industrial de leite e derivados, cujas etapas produtivas estão detalhadamente descritas no laudo, envolvendo recepção do leite cru, análise laboratorial obrigatória, pasteurização, evaporação, homogeneização, secagem, envase, paletização e armazenamento técnico. Em nenhuma dessas etapas há utilização ou interferência das verbas comerciais pagas ao varejo, que representam, isto sim, custos mercadológicos voltados à promoção de vendas, à negociação de espaços em pontos de venda e ao incremento de relacionamento comercial. Tais dispêndios constituem despesas tipicamente comerciais, alheias ao ciclo produtivo e, portanto, inidôneas para geração de créditos de PIS/Cofins, conforme reiterado entendimento fiscal e jurisprudencial, inclusive administrativo. Diante desse conjunto, concluo que as verbas contratuais não se qualificam como insumos, por ausência de essencialidade ou relevância ao processo produtivo de lácteos e, cumulativamente, porque parte dos créditos foi lançada de forma extemporânea sem observância das condições normativas para sua regularização após o início do procedimento fiscal. Assim, mantêm-se as glosas, seja pela natureza não produtiva das verbas, seja pela impossibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo nas circunstâncias do caso concreto. CONCLUSÃO. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reverter as glosas exclusivamente em relação aos seguintes bens e serviços: Fl. 952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 34 (i) aquisição de pallets, incluindo pallets de madeira e plástico, bem como os serviços diretamente associados à sua utilização, tais como remessa e retorno, reforma, carga e descarga, triagem e repaletização; (ii) serviços de movimentação e cross-docking; (iii) pallets de madeira, quando utilizados na movimentação e armazenagem imediata dos produtos; (iv) fretes associados à devolução de vendas de produtos lácteos; e, (v) acolher o resultado da diligência de e-fls. 852/857 para reconhecer o crédito apurado pela Unidade de Origem. É como voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa VOTO VENCEDOR Conselheiro Fábio Kirzner Ejchel, redator designado. Superadas as questões decididas por unanimidade nos termos do voto da Relatora, o Colegiado entendeu por bem, em que pesem os argumentos trazidos no voto vencido, rejeitar, por maioria de votos, a nulidade do acórdão recorrido e manter, por voto de qualidade, as glosas sobre os fretes associados à devolução de vendas de produtos lácteos e aos serviços de movimentação e cross-docking. Como Conselheiro designado para redigir o voto vencedor, passo a esclarecer as razões de decidir abordadas pelo Colegiado nesses três pontos específicos. 1) Nulidade do acórdão recorrido A recorrente alega que a DRJ deixou de analisar o conjunto fático-probatório constante dos autos, em especial o laudo técnico elaborado por empresa independente; se limitou a reiterar glosas com base em afirmações genéricas, sem relacionar suas conclusões às peculiaridades operacionais da empresa e que teria violado o princípio da motivação previsto no art. 50 da Lei nº 9.784/1999, pois a decisão não expôs as razões fáticas e jurídicas que justificaram a manutenção das glosas, impedindo a plena compreensão do decisum e configurando cerceamento do direito de defesa. Não é o que se verifica no caso concreto. Fl. 953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 35 A DRJ efetuou as análises de cada uma das glosas efetuadas pela fiscalização, de acordo com os critérios de essencialidade e relevância definidos pelo STJ no REsp nº 1.221.770 e com os elementos constantes no processo que entendeu pertinentes, formando a sua convicção e chegando às suas conclusões. A recorrente, de forma absolutamente legítima, não concordou com tal análise e apresentou recurso voluntário. Cabe, então, ao CARF também fazer a sua análise de mérito. O recurso voluntário afirma que “é evidente que a Recorrente carece de elementos capazes e suficientes para compreender os motivos pelos quais foi realizada a manutenção das glosas efetuadas, o que reclama, inevitavelmente, o reconhecimento da nulidade do v. acórdão por carência de fundamentação e cerceamento ao seu direito de defesa”. Não parece que tenha ocorrido cerceamento de defesa e nem que a recorrente não teria elementos para compreender os motivos de manutenção das glosas. O próprio recurso voluntário, com 58 páginas, mostra que a empresa tem, sim, conhecimento do assunto e possibilidade de rebater o que foi decidido na primeira instância. O laudo técnico apresentado pela empresa de atuação independente estava anexado ao processo e era de conhecimento da DRJ. Tal laudo foi, inclusive, citado em 04 oportunidades no acórdão recorrido. No relatório do acórdão da DRJ, foram resumidas as irregularidades apontadas pela fiscalização bem como a atividade da recorrente e todas as demais alegações apresentadas pela empresa na manifestação e inconformidade. O acórdão tratou do conceito de insumo de acordo com o já citado REsp nº 1.221.770. Importante tal análise. A própria manifestação de inconformidade abordou esse assunto em mais de 06 páginas. Em seguida, o acórdão recorrido tratou das glosas de créditos em “Despesas que Permanecem Fora do Conceito de Insumo; Despesas de Armazenagem e Fretes Entre Estabelecimentos da Empresa; Pallets de Madeira. Serviços de Repaletização. Fretes de Remessa e Retorno de Pallets. Serviços de Movimentação Paletizado. Serviços de Carga e Descarga Paletizada; Crédito Sobre Aquisições de Bens Sujeitos à Alíquota Zero; Fretes nas Compras de Bens Não Sujeitos à Tributação e Do Crédito Presumido – Frete na Aquisição de Leite in Natura”. No relatório do acórdão, são resumidas as irregularidades apontadas pela fiscalização bem como a atividade da recorrente e todas as demais alegações apresentadas pela empresa na manifestação de inconformidade. No mais, não ocorreu nenhuma das circunstâncias previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que pudessem representar nulidade ou improcedência do acórdão recorrido: Art. 59. São nulos: I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 36 II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os documentos foram emitidos por autoridade competente e, como já descrito, não houve, em nenhum momento, preterição do direito de defesa. Não existem, assim, motivos que justifiquem a nulidade do acórdão recorrido. 2) Glosas sobre os fretes associados à devolução de vendas de produtos lácteos Com relação a este item, cumpre salientar que não existe nenhuma previsão legal que permita o creditamento sobre fretes nas devoluções de vendas. Os fretes associados à devolução de vendas não se confundem com o próprio frete na operação de venda e nem integram o conceito de insumo. Pelo contrário, o entendimento é que os fretes associados à devolução de vendas devem ser tradados como os serviços de carga e descarga genéricos, separação de produtos acabados, serviços de mídia institucional ou de marketing, serviços técnicos educacionais, aquisição de cadeados, camisetas para merchandising, carga de ar-condicionado, hospedagem, dentre outros, que correspondem a dispêndios não essenciais ao processo de fabricação de lácteos, não se caracterizando como insumos, e nem se caracterizando como frete na operação de vendas. Essa rubrica se insere em atividades administrativas ou comerciais alheias às etapas industriais que transformam a matéria prima em produto final, não tendo vínculo direto com o processo produtivo. A glosa deve, assim, ser mantida. 3) Serviços de movimentação e cross-docking Trata-se de movimentação de produtos acabados em operações de reorganização, consolidação e transferência entre fábricas e centros de distribuição. Os serviços de movimentação de produtos acabados são executados após o encerramento do processo produtivo, portanto não podem ser considerados insumo, não gerando direito a crédito para as contribuições não cumulativas. Esse entendimento está consolidado no CARF através de súmulas que, ainda que eventualmente não se apliquem exatamente a todas as movimentações do caso em tela, trazem o posicionamento claro deste Conselho: Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Fl. 955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.263 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.722723/2021-12 37 SÚMULA CARF Nº 232 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 As despesas portuárias na exportação de produtos acabados não se qualificam como insumos do processo produtivo do exportador para efeito de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-015.131, 9303-015.265, 9303-015.949. O acórdão recorrido não merece, então, reparos neste ponto. Conclusão Assim, o entendimento é o de que a preliminar de nulidade do acórdão recorrido deve ser rejeitada e que as glosas relativas a fretes associados às devoluções de vendas e serviços de movimentação e cross-docking devem ser mantidas. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel Fl. 956DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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11314272 #
Numero do processo: 16682.720742/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3302-001.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16682720610/2012-83, para que seja apurada a repercussão da liquidação daquele processo neste que ora foi sobrestado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson José Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: Não se aplica

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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16682720610/2012-83, para que seja apurada a repercussão da liquidação daquele processo neste que ora foi sobrestado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson José Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP nº. 21883.02526.240807.1.7.04-8004 - DOC 05), registrada em 24/08/2007 (como retificadora da DCOMP nº. 10185.39718.190707.1.3.04.0170), apontando um crédito no valor de R$847.896,40, decorrente de pagamento havido por maior que o devido de COFINS não- cumulativa, do mês de junho de 2004. A DEMAC, Rio de Janeiro, por meio do Despacho Decisório de fls.159/161, indeferiu o pedido e não homologou a compensação, em razão de glosas na análise da documentação que lastreia o pedido inicial, por meio da fiscalização levada a efeito e concluída nos termos do Relatório de Verificação Fiscal de fls.09/38, a saber: DA CONCLUSÃO DOS TRABALHOS 40. Finalizando os trabalhos, foi efetuada consolidação de todos dados apurados pela fiscalização confrontando-os aqueles declarados nas respectivas DCTFs, visando assim a apuração dos efetivos saldos de crédito passível de compensação e os saldos residuais devidos dos respectivos tributos, haja vista os expressivos montantes de glosas efetuadas de ofício nas bases de cálculo de créditos do PlS/COFINS : RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 74 2/ 20 12 -1 3 Fl. 2096DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.231 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720742/2012-13 Anexo 29 - Demonstrativo da Consolidação e Recomposição dos Saldos de Créditos Apurados Fiscalização x Dados Declarados em DCTFs Retificadora Ativa – PIS (Mar/2004 a Fev/2008) Anexo 30 - Demonstrativo da Consolidação e Recomposição dos Saldos de Créditos Apurados Fiscalização x Dados Declarados em DCTFs Retificadora Ativa COFINS (Mar/2004 a Fev/2008) 41. Com base nos Anexos 29 e 30 ficou constatado: • Inexistência de qualquer saldo de crédito residual PIS/COFINS Não cumulativo relativo ao período de mar/2004 a de maio/2007 passível de compensação; • A partir de jun/2007 até Fev/2008, verifica-se que a maior parte das compensações requisitadas pela fiscalizada nas respectivas DCTFs a título de Pagamento Indevido ou Maior, também não tem respaldo de saldos de créditos, salvo os 4(quatro) períodos de apuração conforme demonstrado no Quadro 1 a seguir: (...) 42. Em face ao exposto caberá ao contribuinte retificar as respectivas DCTF/ DACON e retificar/cancelar os respectivos PER/DCOMP, efetuando em seguida os pagamentos dos saldos devedores devidos originários observando as devidas correções e juros previstos na legislação em vigor; DAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO — DCOMPs 43. Não procedendo o cancelamento, o presente relatório deverá ser utilizado para indeferimentos parciais / totais das Declarações de Compensação — DCOMPs entregues pelo contribuinte, cujas as bases de crédito do pleito estejam vinculadas aos saldos de créditos de P1S/COFINS do período de 03/2004 a fev/2008 considerados, neste procedimento fiscal, como nulos ou insuficiente; DO DÉBITO TRIBUTÁRIO APURADO 44. Devido às expressivas glosas efetuadas de ofício em relação às bases de crédito do PIS/COFINS Não Cumulativo declaradas pelo contribuinte nas respectivas DACONs, constata-se a existência de saldos residuais de débitos tributários devidos e não declarados nas respectivas DCTFS, relativo a períodos de apuração ainda não alcançados pelo prazo decadencial ( maio/2007 a fev/2008) conforme demonstrado no Quadro 2 a seguir: (...) DO AUTO DE INFRAÇÃO 45. Diante dos fatos apurados e visando o lançamento de ofício dos créditos tributários de devidos à Fazenda Nacional, foram lavrados nesta data os Autos de Infração do PIS e da COFINS conforme a seguir: Processo Administrativo Fiscal SRFB No 16.682 720 610/2012-83 Tributo Crédito Tributário Programa de Integração Social- Pis- R$ 2.635.125,32 Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social COFINS R$14.610.239,04 Total Geral Processo R$ 16.975.364,36 O presente Termo de Verificação Fiscal e seus Anexos 1 a 30 são partes integrantes e indissociáveis dos Autos de Infração ora lavrados nesta data. Fl. 2097DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.231 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720742/2012-13 Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 167/205, julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito a crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência não- cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CREDITO EXTEMPORÂNEO. APURAÇÃO. A determinação do crédito se dará sobre as aquisições no mês e os custos e despesas ou encargos incorridos no mês. Não há permissão na legislação para determinação de crédito utilizando-se de aquisições, custos ou despesas ou encargos de períodos anteriores ou posteriores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSÁRIA CARACTERIZAÇÃO MATERIAL. A alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo ao contribuinte. Não configura o cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontram-se plenamente assegurados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. Os julgados, mesmo quando administrativos, e a doutrina somente vinculam os julgadores administrativos de Primeira Instância nas situações expressamente previstas nas normas legais. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando que (i) o crédito tributário objeto do PER/DCOMP requerido pela Recorrente deveria ser homologado de imediato, pois representa apenas a diferença suprimida pela autoridade fiscal entre o DARF efetivamente recolhido e o DARF vinculado considerado para a apuração do citado TVF; (ii) no processo 16682.720610/2012-83, embasado no mesmo TVF nº07185.002011-007-02 deste processo, foi realizado diligência para apurar os fatos alegados no item anterior, restando demonstrado o equivoco cometido pela fiscalização; (iii) deve ser revertida a glosa em relação aos serviços de engenheira realizada no sistema de medição, Base Glosada R$ 120.596.258,95 milhões de reais; serviços comerciais e técnicos voltados à recuperação de perdas comerciais, Recuperação de Créditos. Base Glosada – R$ 41.334.491,77 milhões de reais; serviços essenciais de “reparo e manutenção dos ramais, ligações prediais, redes e elevatórias nos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário”, Base Glosada – R$ 7.666.924,64 milhões de reais; serviço de engenharia ambiental que disponibiliza Fl. 2098DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.231 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720742/2012-13 seu corpo técnico a disposição da CEDAE para atuação nas unidades operacionais de tratamento de água – ETAS e de tratamento de esgotos e efluentes – ETES”; Contratação de Deficientes – Base Glosada – R$ 3.083.507, 60 milhões de Reais; Call Center – Base Glosada - R$ 1.699.558,18 - milhões de reais; Reparo e Manutenção de Ramais – Base Glosada – R$ 1.624.759,37 milhões de reais; Leitura de Hidrômetro – Base Glosada – R$ 1.442.161,36 milhões de reais; Recuperação de reservatórias – Base Glosada de R$ 1.113.980,39 milhões de reais; Leitura de Hidrômetro – Base Glosada R$ 485.810,76 mil reais; Limpeza de Dutos e Fossas – Base Glosada de R$ 265.032,44 mil reais; Limpeza e Desenvolvimento de Poços – Base Glosada de R$ 174.864,52 mil reais; Corte e Religação de Ramais – Base Glosada R$ 117.117,60 mil reais; Execução de Obras na Rede – Base Glosada de 115.664,29 mil reais; Inspeção do Hidrômetro – Base glosada de R$ 79.918,92 mil reais; Manutenção da balança das ETAs – Base glosada de R$ 66.469.00 mil reais; Serviços de Engenharia de Apoio, Planejamento e Controle – Base Glosada de R$ 6.439.638,00 milhões de reais; ao final pleiteou diligência para esclarecer a questão sobre a desconsideração dos DARF´s efetivamente recolhidos. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, em razão da não homologação do pedido de compensação feito pela Recorrente, a fiscalização realizou o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos à Fazenda Nacional, objeto do processo administrativo 16682.720610/2012- 83. Naquele processo, a DRJ reconheceu o direito ao crédito de parte dos serviços aqui discutidos, contudo, aplicou o prazo decadencial para manter a glosa, e afastou as alegações da Recorrente quanto ao erro na base de cálculo das contribuições, por não considerar os DARF´s efetivamente recolhidos. Neste Conselho, o recurso da Recorrente foi julgado parcialmente procedente (acórdão 3201-004.298) para: “ I Por unanimidade de votos: 1reconhecer o aproveitamento dos pagamentos de Pis e Cofins dos respectivos períodos, para alocação ao presente lançamento, sem multa de ofício; corrigir os lançamentos dos meses de dezembro de 2007, janeiro de 2008 e fevereiro de 2008, conforme diligência fiscal, observadas as demais matérias decididas no presente acórdão; reconhecer direito ao crédito sobre dispêndios com instalação e manutenção da estrutura física na prestação dos serviços (hidrômetros, tubulações etc), quando possível a identificação dos valores por documentação hábil e idônea, limitado ao valor da depreciação, caso o dispêndio deva ser contabilizado em Ativo Imobilizado da Recorrente; Reconhecer o crédito sobre serviços de ligação, religação, corte e leitura de hidrômetros; Reconhecer o ressarcimento/compensação, nos casos em que, refeitos os cálculos conforme as matérias aqui decididas, restem saldos credores nos respectivos trimestres; II Por voto de qualidade, em negar provimento quanto aos créditos sobre serviços de "call center", vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao recurso; III Por maioria de votos, em negar provimento quanto aos demais créditos, vencidos os conselheiros Fl. 2099DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.231 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720742/2012-13 Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao recurso com relação aos créditos sobre todos os serviços classificados como "Sistema de Medição" e "Recuperação de Créditos" Referido processo versa sobre os mesmos elementos fáticos e jurídicos discutido no presente processo, originados, inclusive, do mesmo TVF nº07185.002011-007-02 que trata da não homologação dos pedidos de compensação realizadas pela Recorrente que, atualmente aguarda julgamento de Embargos de Declaração. Neste caso, entendo que os processos são decorrentes, nos termos que dispõe o inciso II, do §1º, e §5º, do artigo 6º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pelo anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, abaixo transcrito: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. O §5º deste artigo determina que se os processos principal e decorrente estiverem em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá sobrestar o julgamento na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Nestes termos, entendo que a decisão proferida no processos nº 16682.720610/2012-83, deve ser refletida neste processo. . Fl. 2100DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.231 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.720742/2012-13 Diante do exposto, voto por sobrestar o julgamento do processo, para que seja posteriormente juntada a decisão definitiva do processo nº 16682.720610/2012-83, retornando, em seguida, para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2101DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10280.722055/2010-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 21 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) DISPENSÁVEL POR ORIENTAÇÃO DOMINANTE DO STJ E PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016 COM MATÉRIA INCLUSA EM LISTA DE DISPENSA DE CONTESTAR E DE RECORRER DA PGFN. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APP POR OUTROS MEIOS DE PROVA QUE NÃO SEJA POR MEIO DA PRESUNÇÃO ESTABELECIDA PELO ADA EMITIDO PELO IBAMA. Para fatos geradores anteriores ao Código Florestal de 2012, o ADA, emitido pelo IBAMA, não é requisito obrigatório para que ocorra o reconhecimento de APP, sendo possível a comprovação da referida área ambiental por outros meios de prova. Aplicação cogente de item da lista de dispensa de contestar e recorrer da PGFN, item 1.25 - ITR - “a”, incluso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016. O STJ entende ser dispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente, com vistas à concessão de isenção do ITR. A Nota SEI nº 35/2019/CRJ/PGACET/PGFN reafirma a posição dominante do STJ e a dispensa do ADA para reconhecimento de APP. Interpretação sistemática da legislação aplicável (§ 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, na redação dada pelo art. 3º da MP 2.166, de 2001, combinado com a alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, combinado com o art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981, na redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Dispensada a apresentação do ADA, para fins de comprovação de Área de Preservação Permanente (APP), exige-se do contribuinte a apresentação de prova suficiente a demonstração da existência da área ambiental vindicada ao reconhecimento, o que pode ser efetivado através de laudo técnico ambiental de caracterização de área, que se apresente preponderante, de forma consistente e apto a finalidade probatória, sendo a prova obrigatoriamente analisada por instância ordinária.
Numero da decisão: 2001-007.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza – Relatora Assinado Digitalmente Raimundo Cassio Gonçalves Dias– Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Marne Dias Alves (substituto integral), Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, substituído pelo conselheiro Carlos Marne Dias Alves.
Nome do relator: LILIAN CLAUDIA DE SOUZA

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PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) DISPENSÁVEL POR ORIENTAÇÃO DOMINANTE DO STJ E PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016 COM MATÉRIA INCLUSA EM LISTA DE DISPENSA DE CONTESTAR E DE RECORRER DA PGFN. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APP POR OUTROS MEIOS DE PROVA QUE NÃO SEJA POR MEIO DA PRESUNÇÃO ESTABELECIDA PELO ADA EMITIDO PELO IBAMA. Para fatos geradores anteriores ao Código Florestal de 2012, o ADA, emitido pelo IBAMA, não é requisito obrigatório para que ocorra o reconhecimento de APP, sendo possível a comprovação da referida área ambiental por outros meios de prova. Aplicação cogente de item da lista de dispensa de contestar e recorrer da PGFN, item 1.25 - ITR - “a”, incluso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016. O STJ entende ser dispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente, com vistas à concessão de isenção do ITR. A Nota SEI nº 35/2019/CRJ/PGACET/PGFN reafirma a posição dominante do STJ e a dispensa do ADA para reconhecimento de APP. Interpretação sistemática da legislação aplicável (§ 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, na redação dada pelo art. 3º da MP 2.166, de 2001, combinado com a alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, combinado com o art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981, na redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Dispensada a apresentação do ADA, para fins de comprovação de Área de Preservação Permanente (APP), exige-se do contribuinte a apresentação de prova suficiente a demonstração da existência da área ambiental vindicada ao reconhecimento, o que pode ser efetivado através de laudo técnico ambiental de caracterização de área, que se apresente preponderante, de Fl. 122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 2 forma consistente e apto a finalidade probatória, sendo a prova obrigatoriamente analisada por instância ordinária. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza – Relatora Assinado Digitalmente Raimundo Cassio Gonçalves Dias– Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Marne Dias Alves (substituto integral), Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Lílian Cláudia de Souza, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, substituído pelo conselheiro Carlos Marne Dias Alves. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos desde a autuação até o julgamento da impugnação, valho- me do relatório da decisão da DRJ: “Da Autuação Por meio da Notificação de Lançamento nº 02101/00193/2010, de fls. 01/04, emitida em 01/11/2010, o Contribuinte identificado no preâmbulo foi intimado a recolher o c rédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício de 2006, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda São Paulo”, cadastrado na RFB sob o nº 3.317.375- 3, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de Ulianópolis – PA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõe- se de imposto suplementar a pagar no valor de R$ 1.966,23 que, acrescido dos juros de mora no valor de R$ 855,11 e da multa proporcional no valor de R$ 1.47 4,67, totalizou em R$ 4.296,01. A ação fiscal iniciou- se com o Termo de Intimação Fiscal de fls. 06 a 08, recepcionado em 26/07/2010 (“AR” de fls. 09 ), intimando o Contribuinte a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, relativamente à DITR/2006, os seguintes documentos de prova: cópia do Ato Declaratório Ambiental – Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 3 ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserv a legal; - laudo técnico com ART/CREA e memorial descritivo do imóvel, no caso de área de preservação per manente prevista no art. 2º do Código Florestal, e certidão do órgão competente no caso de estar pr evista no seu art. 3º, com o respectivo ato do poder público; - laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com funda mentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planil has de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. A fa lta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o Contribuinte, apresentou os documentos de fls. 16 /33. Na análise da documentação apresentada e da DITR/2006, a autoridade fiscal glosou inte gralmente a área informada de preservação permanente (85,0 ha), além de desconsiderar o VT N declarado de R$ 120.000,00 (R$ 27,55/ha), arbitrando o valor de R$ 340.116,48 (R$ 78,08/ha), com base no SIPT da Receita Federal, com o conseqüente aumento das ár eas tributável/aproveitável, e do VTN tributável e da alíquota de cálculo, esta em razão da redução d o Grau de Utilização do imóvel, de 65,3% para 58,8%, disto resultando o imposto suplementar de R$ 1.966,23, conforme demonstrativo de fls. 03. A desc rição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora co nstam às fls. 02 e 04. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 17/11/2010 (fls. 05), o Contribuinte, por meio de seu procurador, às fls. 45 e 82, protocolizou em 10/12/ 2010 a impugnação de fls. 35/44, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 46/69. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: inicialmente, faz breve relato do procedimento fiscal; - afirma que o imóvel denominado “Fazenda São Paulo” possui 85,0 ha de área de preservação permanente e 3.484,4 ha de área de reserva legal; pode valer- se de outros meios, que não o ADA, para comprovar as áreas de preservação permanente e reserva l egal; discorre sobre as definições e legislação concernentes às áreas ambientais; - transcreve parcialmente acórdãos do STJ, TRF e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, p ara referendar seus argumentos sobre a dispensa do ADA; - cita o art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, para afirmar que é dispensável a comprov ação do ADA para gozo da isenção do ITR; - lista os documentos encaminhados à RFB para comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, e que, portanto, não há necessidade de apresentação, à RFB, do ADA emiti do pelo IBAMA; - eventuais exigências burocráticas estabelecidas pelo Poder Executivo devem ser flexibilizadas p ara admitir meios alternativos de comprovação das áreas declaradas isentas pela legislação fiscal e ambiental, tendo em vista que a finalidade norteadora das isenções do ITR é a proteção ao m eio ambiente; - por fim, requer seja acolhida a impugnação, bem somo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Em atendimento ao solicitado no Despacho nº 05/2013, desta Turma de Julgament o (às fls. 79/80), o requerente, depois de intimado, apresentou a correspondência d fls. 82, contendo a cópia do documento de identificação de seu procurador, que assinou a i mpugnação. Ressalvasse que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feit as no relatório e no voto, referem- se aos autos primeiramente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no q ual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem.” Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 4 Decisão da DRJ de fls. 84/91 julgou improcedente a impugnação em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO Exigese que as áreas de preservação permanente, para fins de exclusão do cálculo do ITR, sejam o bjeto do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerasse matéria não impugnada o arbitramento do VTN para o ITR/2006, com base no SI PT, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vig ente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso voluntário de fls. 110/119 reitera os termos da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Lílian Cláudia de Souza, Relatora I – ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Antes de adentrar ao mérito, é fundamental aferir o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. Referido recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos, razão pela qual, dele conheço. II – DO MÉRITO Conforme relatado, trata-se de autuação relativa a glosa de área de preservação permanente não comprovada e VTN não comprovado. O fundamento da decisão da DRJ para a manutenção da glosa da APP é que o ADA seria documento indispensável para tanto. O contribuinte em sua impugnação de fls. 36/45 salienta que o documento não é o único capaz de demonstrar a existência da referida área verde. E nesse sentido afirma ter apresentado: 1 - Imagens de satélite demostrando que não teria ocorrido alteração nas áreas de preservação permanente no período de 2004 até 2010; Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 5 2 - Recibo do Ato Declaratório Ambiental (ADA) de 2007, emitido pelo IBAMA, comprovando que a Fazenda São Paulo possui 85 ha de APP – fls. 57; 3 - Ato Declaratório Ambiental (ADA) de 2010, emitido pelo IBAMA, comprovando que a Fazenda São Paulo possui 85 ha de APP – fls. 58; 4 - Cadastro Ambiental Rural (CAR); 5 - dentre outros documentos; O VTN não foi contestado pelo contribuinte. Em seu recurso voluntário reitera todos os pontos trazidos em sua impugnação e requer o provimento do recurso para se anular o lançamento. É a partir do cenário acima narrado que os autos devem ser examinados. De acordo com o disposto no Art. 3º da Lei 12.651/2012 – Código Florestal – considera-se área de preservação permanente: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, entende-se por: (...) II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas; Trata-se de uma área que deve ser preservada sem exploração e ocupação. Assim e em razão de sua importância para o ecossistema e sua função ambiental específica destinada à proteção de recursos naturais e à manutenção do equilíbrio ecológico sem fins econômicos ou produtivos, a legislação do ITR permite que ela seja excluída da base de cálculo do imposto no momento de sua apuração. É ver ó Art. 10, §1º, II, “a” da Lei 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) Ocorre que, para que a dedução seja lícita é necessário que o contribuinte comprove a sua existência. No tocante às APP’s a principal prova a ser considerada é o Ato Declaratório Ambiental (ADA), todavia, ao menos para fatos geradores ocorridos até o advento da Lei Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 6 12.651/2012, ele não é o único documento capaz de atestar a natureza da referida área verde, podendo ser comprovada por outros meios. A própria PGFN perfilha desse entendimento exposto no “Parecer PGFN/CRJ/N.º 1.329/2016”, segundo o qual, a partir da interpretação consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), para fatos geradores anteriores a vigência da Lei n.º 12.651, de 2012 (novo Código Florestal), aprovou a seguinte nova redação para o item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer para os representantes daquele órgão: 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1.360.788/MG, REsp 1.027.051/SC, REsp 1.060.886/PR, REsp 1.125.632/PR, REsp 969.091/SC, REsp 665.123/PR e AgRg no REsp 753.469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei n.º 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). Abaixo, trechos do citado parecer PGFN que melhor elucidam a questão: II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei n.º 12.651, de 25 de maio de 2012 – Novo Código Florestal. 17. Como dito anteriormente, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de ser inexigível a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal, dado que tal obrigação constava em ato normativo secundário – IN SRF n.º 67, de 1997, sem o condão de vincular o contribuinte. 18. Contudo, a Lei n.º 10.165, de 2000, ao dar nova redação ao art. 17-O, caput e § 1.º, da Lei n.º 6.938, de 2000, estabeleceu expressamente a previsão do ADA, de modo que, a partir da sua vigência, o fundamento do STJ parecia estar esvaziado. Dispõe o referido dispositivo que: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei n.º 10.165, de 2000) § 1.º A Fl. 127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 7 utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n.º 10.165, de 2000) 19. Ocorre que, logo após a entrada em vigor do artigo supra, a Medida Provisória n.º 2.166-67, de 24 de agosto de 20013, incluiu o § 7.º no art. 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, o qual instituiu a não sujeição da declaração do ITR à prévia comprovação do contribuinte, para fins de isenção. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (...) § 7.º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1.º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. 20. Os dispositivos transcritos eram, em tese, compatíveis entre si, podendo-se depreender que o § 7.º do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, tão-somente desobriga o contribuinte de comprovar previamente a existência do ADA, por ocasião da entrega da declaração de ITR, mas não excluiria a sua existência em si. 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizou-se do teor do § 7.º no art. 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17-O, caput e § 1.º, da Lei n.º 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp n.º 587.429/AL, senão vejamos: - Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp n.º 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166-67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7.º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...]. - Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp n.º 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõe-se a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. - Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp n.º 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõe-se a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. Fl. 128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 8 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7.º ao art. 10, da Lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicar-se a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7.º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, conclui-se que, mesmo com a vigência do art. 17-O, caput e § 1.º, da Lei n.º 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n.º 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei n.º 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7.º do art. 10 da Lei n.º 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei n.º 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. II.3 Considerações relacionadas ao questionamento à luz do disposto na Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 - novo Código Florestal. 25. Destaca-se que com a entrada em vigor da Lei n.º 12.651, de 2012 (novo Código Florestal), o assunto objeto desta manifestação ganhou novos contornos. (...) 31. (...), considerando que a Instrução Normativa RFB n.º 1.651, de 10 de junho de 2016, aparentemente exige apenas o Ato Declaratório Ambiental – ADA (art. 6.º), bem como que a Lei n.º 12.651, de 2012, também revogou o § 7.º do art. 10 da Lei n.º 9.393 (art. 83 da Lei n.º 12.651, de 2012), mantendo o art. 17-O, caput e § 1.º, da Lei n.º 6.938, de 2000, o que é certo é que restou superada a tese do STJ quanto à inexigibilidade do ADA, de forma que, nas demandas que envolvam a desnecessidade de sua apresentação relativamente aos fatos geradores de ITR ocorridos após a entrada em vigor do novo Código Florestal, o Procurador da Fazenda Nacional deve suscitar em juízo a exigência de sua apresentação, à luz do disposto no art. 17-O, caput e § 1.º, da Lei n.º 6.938, de 2000. Aproveito para destacar trecho do voto de relatoria do Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros no acórdão de nº 2202-006.165: “Aliás, de acordo com a nova sistemática do art. 19-A, inciso III, da Lei n.º 10.522, de 2002, a vinculação da RFB às teses firmadas pelos Tribunais Superiores (e não mais passíveis de irresignação em juízo) dá-se com a manifestação da PGFN, sendo desnecessária a edição de ato administrativo específico ou aprovação ministerial para tanto. Ainda que se diga que o dispositivo precise de regulamentação para aplicação à RFB ou que se sustente que os Conselheiros do CARF não se vinculem a tal norma, pois são independentes da RFB, entendo, com respeito as posições em Fl. 129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 9 contrário, que deve prevalecer a segurança jurídica e se aplicar de modo incontinenti o entendimento esposado pela PGFN, sob pena de incentivo a litigância desfavorável a própria Fazenda Nacional. Ademais, cito o seguinte precedente unânime de outra Turma Ordinária deste Egrégio Conselho em recente julgamento (Acórdão n.º 2301-005.972, de 08/04/2019): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. Dito isto, importa aferir os “outros elementos” que possam atestar a área vindicada para o imóvel. (...) Acrescento, ainda, que para reconhecimento de APP não se faz necessário averbação no registro de imóveis. Toda essa digressão para se concluir que outros elementos de prova além do ADA podem ser admitidos para se comprovar a natureza das áreas de preservação permanente. No mesmo sentido do meu entendimento destaco os seguintes precedentes: acórdãos de nº 2401-010.197, 2202-007.302, 2202-009.687, 2202-006.166 e entendimento da CSRF acórdão de nº 9202-011.591. No presente caso foram apresentados os seguintes documentos:  ADA 2010 – fls. 17 – no qual consta como área de preservação permanente 85,000 hectares;  CAR – fls. 18;  Fls. 22 – ADA do exercício 2007 no qual consta como APP o importe de 85,000 hectares;  Às fls. 23 consta memorial descritivo do imóvel com descrição do perímetro e mapa da propriedade;  Fls. 27/30 foi acostado matrícula da Fazenda na qual consta averbada área de reserva legal;  Fls. 62/66 – certidões emitidas pelo Cartório com informações sobre o imóvel; Fl. 130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.995 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10280.722055/2010-17 10 Assim, pelo conjunto probatório dos autos, entendo que a área de preservação permanente deve ser restabelecida por não ser o ADA o único documento capaz de atestar sua existência. III – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso, e, no mérito, DOU provimento. Assinado Digitalmente Lílian Cláudia de Souza Fl. 131DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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