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Numero do processo: 11070.000062/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/08/2007
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.269
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 00 62 /2 00 8- 70 Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 19/12/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 21/12/2007, de contribuições previdenciárias patronais e às relativas ao seguro acidente do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados que prestaram serviço à notificada, através de convênio firmado com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Redentora – APAE, no período de 10/2001 a 08/2007. De acordo com o explicitado no Relatório Fiscal de fls. 65/68, o Município firmou convênios com o Ministério da Saúde e a FUNASA para a prestação de serviços de saúde em reservas indígenas, por exemplo, e ao mesmo tempo firmou convênio com a APAE para que a mesma contratasse profissionais para aquela prestação de serviço conveniada com os outros órgãos. Aduz o Relatório, que a notificada repassa os valores da folha de pagamento dos segurados para a APAE, que procedia então ao pagamento dos mesmos, sendo a Administração Municipal quem determinava quais os profissionais deveriam ser contratados, o valor do salário, o tempo de contratação, a concessão das férias, pagamento de décimo terceiro salário, enfim determinava e comandava toda a prestação dos serviços. Os documentos de fls. 146 a 223, comprovam o alegado pelo Fisco. Após a impugnação, Acórdão de fls. 646/653, julgou o lançamento procedente em parte para excluir as competências até 11/2001 e a 13/2001, relativa ao décimo terceiro salário, frente à fluência do prazo decadencial. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ, através de Registro Postal em 09/09/2008, Inconformado com a decisão apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que não há vínculo empregatício dos segurados para com o Município; b) que a execução dos programas de saúde da família ficou a cargo da APAE por conta de convênio firmado entre as partes; c) que a APAE alterou seu estatuto para possibilitar o convênio; d) que o Ministério da Previdência não encontrou qualquer óbice à legalidade dos convênios celebrados com a APAE; e) que não há débito de natureza previdenciária entre o Município e o INSS; f) que o Acórdão não pode fazer julgamento ultrapetita, e g) requer o cancelamento da notificação. É o relatório. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11070.000062/200870 Acórdão n.º 2302003.269 S2C3T2 Fl. 1.848 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 646/653, em 09/09/2008, fls.667, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 10/09/2008, fruindo até 09/10/2008. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 05/11/2008, conforme documento de fls. 668, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000598/2010-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES REPASSADOS À DENTISTAS CREDENCIADOS POR OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE - NÃO INCIDÊNCIA - Os valores repassados aos dentistas pelas operadoras de plano de saúde não devem sofrer incidência de contribuição previdenciária pois estas são apenas intermediárias que oferecem e pagam por serviços médicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO OCORRÊNCIA - Em não se constatando o descumprimento de obrigação principal, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória àquela relacionada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: Marcelo Freitas de Souza Costa
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO OCORRÊNCIA - Em não se constatando o descumprimento de obrigação principal, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória àquela relacionada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente 1 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. 2 Fl. 981DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, referente à contribuições previdenciárias, em virtude do descumprimento de obrigação principal contida na Lei 8212/91, correspondente a parte da empresa e segurado contribuinte individual. De acordo com o Relatório Fiscal foram efetuados os seguintes levantamentos: CI1 – Contribuintes Individuais – Valores lançados na contabilidade a titulo de pagamentos de Exames e Terapias, Assessoria e Consultoria e de Adiantamentos e serviços prestados por dentistas; CO1 – COMISSÕES - Adiantamentos a Marques e Costa; EM1 – DIFERENÇA DE EMPREGADOS – Relativos à comissões sobre vendas; F01- FORNECEDOR - Valores lançados como adiantamento ou pagamentos de serviços de informática; MA1 – MASSAGEM - Assistência medica / massagem. Após a apresentação de defesa a 14ª Turma da DRJ/SP1 julgou procedente o lançamento através do Acórdão 16-37.321 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula nº 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, na contagem do prazo decadencial para constituição do crédito das contribuições devidas à Seguridade Social, na hipótese de lançamento de ofício, utiliza-se a regra geral do art. 173, I, do CTN. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considera-se salário de contribuição, para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo estabelecido no §5º, art. 28, da Lei nº 8.212/91. JUROS. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. 3 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei ordinária validamente inserida no ordenamento pátrio. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, regra que comporta exceções desde que expressas em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com referida decisão a autuada apresentou recurso a este conselho, onde alega em síntese: Que ocorreu a decadência parcial do direito de o fisco constituir o crédito com fulcro no art. 150, § 4º do CTN; Argumenta que a fiscalização tomou como fato gerador o pagamento de valores a contribuintes individuais que prestam serviços, lançados na contabilidade com o titulo adiantamento a fornecedores e pela analise da conta contábil constatou que em diversas competências tais fornecedores teriam recebido valores idênticos, indicativos de remuneração e não de reembolso de despesas com combustíveis e lubrificantes, estacionamento e lanches e refeições. E também, que os valores foram apurados pela conta de adiantamento, que contém os nomes dos segurados "contribuintes individuais" que prestam serviços. Defende que tem atividade diferenciada e regulada por lei especifica, que a coloca submissa a regime jurídico diverso daquele aplicável às empresas comerciais, industriais e de serviços. Que é uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, que exerce atividade regrada pela Lei 9.656, de 03 de junho de 1998, destaca da lei o art. 1º, e seu inciso I (parte final). E assim sendo, a Operadora é somente uma mandatária do consumidor para o fim de efetuar o reembolso e pagamento direto ao prestador, agindo por conta e ordem exclusiva desse mesmo consumidor. Que dentro dessa modalidade, nenhum vinculo jurídico se estabelece entre a Operadora e o prestador dos serviços de saúde. Quem elege o prestador e usufrui dos serviços é o consumidor, como detentor dos direitos próprios do plano privado de assistência à saúde. Afirma que a PREVIDENT não é usuária tomadora dos serviços dos dentistas, não se trata de uma empresa prestadora de serviços odontológicos, mas, sim, de uma operadora de plano de assistência à saúde, sem desenvolver as atividades próprias da odontologia.A PREVIDENT exerce atividade de operadora de plano de assistência a saúde em 4 Fl. 983DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 odontologia, mas não é uma rede de consultórios odontológicos, não dispõe de instalações e equipamentos para a prestação desses serviços, não é gestora de rede de consultórios de assistência odontológica, limita-se a operar o produto descrito no inciso I do art. 1° da Lei 9.656/98. Quanto à exigência atinente aos adiantamentos a fornecedores, o Fisco desconsiderou os lançamentos contábeis e os documentos apresentados para comprovação dos reembolsos fundado em mera presunção, sem nenhuma prova da inidoneidade dos documentos ou dos lançamentos e, tampouco, de qualquer irregularidade nos procedimentos da Impugnante. Aduz que o documento juntado, denominado "guia de tratamento odontológico", dele consta texto expresso autorizando a operadora a pagar, em nome do usuário e por sua conta os serviços prestados, tudo na forma da lei e sob rigorosa fiscalização da ANS. Pelo contrato do plano privado de assistência à saúde celebrado entre operadora e consumidor usuário, se verifica ser condição essencial do mesmo que a operadora pague ao prestador de serviços mediante autorização, em nome e por conta do consumidor usuário. Alega que não há prova documental de que a Autuada seja a tomadora dos serviços dos dentistas ou que os tenha de alguma forma ou por algum meio contratado o que, por si só, já desautoriza a exigência veiculada no auto de infração, por absoluta afronta ao art. 142 do CTN. Sustenta que a forma de autorizar a incidência da norma tributária relativa à contribuição previdenciária sobre pagamentos a avulsos e autônomos é a efetiva tomada de serviços desses profissionais. Se não se materializa o ato de tomar os serviços, a hipótese legal não se configura e, assim, impossível a exigência tributária nos termos do artigo 114 do Código Tributário Nacional. Advoga no sentido de serem confiscatórias e inconstitucionais a imposição da multa bem como a aplicação dos juros com base na Taxa SELIC; Requer o provimento do recurso. É o relatório 5 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que o presente recurso versa apenas acerca do levantamento denominado CI1 – Contribuintes Individuais – Valores lançados na contabilidade a titulo de pagamentos de Exames e Terapias, Assessoria e Consultoria e de Adiantamentos e serviços prestados por dentistas, já que a recorrente reconheceu como procedente os demais lançamentos tendo inclusive solicitado parcelamento dos valores lançados. A fiscalização efetuou este lançamento por entender que os valores pagos ou Creditados a Prestadores de Serviço é inerente a contribuintes individuais e se encontra sujeita a tributação de contribuição previdenciária. Segundo o Auditor Fiscal, os pagamentos efetuados pela Seguradora a prestadores de serviços odontológicos se enquadram nesta situação conforme dispõe o art.12, “g” da Lei nº 8.212/91. Por seu turno, afirma a recorrente não há qualquer vínculo entre ela e os dentistas que figuram na rede credenciada já que os contratos entre a seguradora e a recorrente estabelece vínculo obrigacional exclusivamente entre as partes contratantes, na medida em que, havendo o cumprimento da obrigação do segurado, que é o pagamento do prêmio, o segurador deve ressarcir as despesas médicas por aquele incorridas. Conclui que, o fato de o dentista estar credenciado não se traduz em vínculo de natureza alguma já que este pode estar credenciado e nunca ser escolhido pelo segurado. Faz-se aqui necessária uma distinção entre “Seguro” e “Plano” de saúde. Uma das grandes diferenças entre seguro e plano de saúde é o reembolso das despesas médico-hospitalares. O primeiro possibilita livre escolha de médicos e hospitais, com direito a reembolso. Já o plano de saúde, não. A lei 9656/98, alterada pela MP 2.177/01, ao regular os planos privados de assistência à saúde assim dispõe: "Art.1o - Submetem-se às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotando-se, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: I-Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, 6 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; II-Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; III-Carteira:o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o §1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos Neste contexto, parece-me correto o argumento da recorrente uma vez que, ao não limitar o atendimento do segurado a determinado(s) profissional(is) por ela credenciado(s), desvincula a relação jurídica existente como sendo de contratação de contribuinte individual. A meu ver, as seguradoras de saúde tem tratamento diverso das cooperativas de saúde onde há a união de profissionais para exercer suas atividades. No caso das seguradoras, tratam-se de intermediárias que oferecem e pagam por serviços odontológicos hospitalares na qualidade de substitutas dos particulares que efetivamente se utilizam destes serviços. Se não há incidência de contribuições quando os particulares pagam os honorários aos dentistas, também não deve haver no caso das operadoras que não fazem intermediação direta com profissionais, mas sim com planos. Nestes casos as contribuições sociais são custeadas diretamente pelos profissionais remunerados na qualidade de contribuintes individuais. O simples fato de estar o dentista credenciado junto à operadora não gera um vínculo contratual entre ambos, já que os serviços não são prestados à seguradora, mas sim ao próprio segurado. Note-se que se o serviço for prestado por um profissional não credenciado, o mesmo valor do serviço será reembolsado diretamente ao segurado, não havendo a incidência da referida contribuição, logo, se é certo que a pessoa física não está sujeita ao pagamento de contribuição previdenciária quando remunera diretamente o profissional de saúde, tampouco estaria a operadora, que, como já dito antes, atua apenas como intermediária. Vejamos entendimento do STJ: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIMITE. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados aos médicos pelas operadoras de plano de saúde" (AgRg no AREsp 176.420/MG, Rel. 7 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 22/11/2012). 2. "Os limites à compensação tributária (introduzidos pelas Leis 9.032/95 e 9.129/92, que, sucessivamente, alteraram o disposto no artigo 89, § 3º, da Lei 8.212/91) são de observância obrigatória, mercê da inexistência de declaração de inconstitucionalidade (em sede de controle difuso ou concentrado) dos aludidos diplomas normativos" (EREsp 919.373/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ de 26/04/11). 3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido para restabelecer a sentença. Em recente pronunciamento, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, alinhando-se à orientação da Segunda Turma assim também entendeu conforme se depreende da ementa abaixo: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. VALORES REPASSADOS AOS MÉDICOS CREDENCIADOS. NÃO INCIDÊNCIA. ACÓRDÃO OBJURGADO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESSA CORTE SUPERIOR. PRECEDENTES: AGRG NO RESP. 1.129.306/RJ, REL. MIN. CASTRO MEIRA, DJE 08.09.2010 E RESP. 874.179/RJ, REL. MIN. HERMAN BENJAMIN, DJE 14.09.2010. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Este Superior Tribunal de Justiça tem entendido que não incide contribuição previdenciária sobre os valores repassados aos médicos pelas operadoras de plano de saúde. Precedentes. 2. Noutro ponto, resta sublinhar que se afigura inadequada a argumentação relacionada à observância da cláusula de reserva de plenário (art. 97 da CRFB) e do enunciado 10 da Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, pois não houve declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos legais suscitados, tampouco o afastamento destes, tão somente a interpretação do direito infraconstitucional aplicável à espécie. Precedentes: 2a. Turma, AgRg no REsp. 1.264.924/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 09.09.2011; 1a. Turma, EDcl no AgRg no REsp. 1.232.712/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 26.09.2011. 3. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no AREsp 176.420/MG, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 22/11/12) Logo, comungo dos entendimentos acima mencionados e entendo que deve ser excluído da autuação o levantamento sobre os valores pagos e/ou creditados aos contribuintes individuais dentistas, bem como as multas vinculadas Ante ao exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso.. 8 Fl. 987DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 980 Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator 9 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por IRDA MORAIS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.001205/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteu-se o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, converteuse o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Júlio César Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Kraft Foods Brasil S.A. em face acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (fls. 400/4009), que restou assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 01 20 5/ 20 10 -5 0 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 448 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, • instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não incide atualização monetária, calculada pela variação da taxa Selic, sobre ressarcimento de créditos de IPI, sendo hipótese distinta de restituição de imposto pago indevidamente ou a maior. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Consta dos autos que o crédito tributário em questão referese a crédito presumido de IPI referente a aquisições de pessoas físicas, baseado em decisão proferida no Processo Judicial n° 2002.81.00.0013151 da empresa incorporada, no ano de 2002, Iracema Indústrias de Caju Ltda, CNPJ 05.866.835/000142, transitado em julgado em 19/07/2007, tendo como número do Processo de Habilitação do Crédito 10980.009854/200965. A DRF de origem não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI sob o argumento de que os produtos exportados pela contribuinte são classificados na TIPI como NT (não tributados), situação esta que não dá direito A. utilização do beneficio previsto na Lei n° 9.363/96. Acrescenta ainda, que a contribuinte inseriu nos cálculos para atualização dos valores dos créditos presumidos do IPI a taxa selic, cujo procedimento não encontra respaldo legal tendo em vista que o dispositivo que permite a correção pelos juros selic é exclusivo para repetição de pagamento indevido ou a maior de tributos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 338/354) contra a nãohomologação das compensações, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) o não reconhecimento do seu direito à. utilização do crédito presumido de IPI nos termos da Lei n° 9.363/96 viola de forma flagrante a sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n° 2002.81.00.0013151; b) após a recorrente ter tido reconhecido, de forma definitiva, o seu direito de se utilizar do beneficio do crédito presumido de IPI, não há como se alegar que o fato dos produtos por ela exportados serem classificados como NT não permite a utilização do beneficio em questão, pois toda a discussão quanto ao reconhecimento do direito da recorrente ao mencionado beneficio foram enfrentadas e resolvidas com definitividade no Mandado de Segurança; c) além do mais, inexiste restrição na Lei n° 9.363/96 para aplicação do beneficio do crédito presumido de IPI a produtos classificados corno NT na TIPI. A recorrente é empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, não interessando se os seus produtos são notados como NT; d) no caso especifico da requerente, os produtos por ela exportados são aqueles resultantes do processo de beneficiamento da castanha de caju, o simples fato de seus produtos configurarem como NT na Fl. 448DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 449 3 TIPI não é capaz de desnaturar a condição de empresa produtora, isto é, de empresa que realiza processo de industrialização; e) considerando que o direito ao ressarcimento equiparase ao direito de restituição de qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal. o que de acordo com a disposição contida na legislação aplicável deve ser atualizado pela taxa selic. E, segundo jurisprudência tanto do STJ como do STF, na hipótese de o crédito não ter sido utilizado em função de óbice criado pelo próprio Fisco, deve ser aplicada a atualização monetária em homenagem ao principio da nãocumulatividade, bem corno para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. A DRJ houve por bem em não acolher as alegações da recorrente, mantendo a decisão proferida anteriormente, sob o argumento de que os produtos NT não ensejam o direito a crédito, bem como que o reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. Irresignada a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 412/435), reiterando as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando, ao final a procedência do pedido de compensação dos créditos de IPI. Não houve apresentação de contrarazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA DECISÃO JUDICIAL A compensação de créditos de IPI foi concedida através de decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n. 2002.81.00.0013151. Ora, na referida ação mandamental a recorrente teve reconhecido o seu direito de utilização do benefício do Crédito Presumido de IPI, previsto na Lei n. 9.363/96, sem as restrições previstas na IN n. 23/97, tal como a vedação do cálculo sobre as aquisições junto a fornecedores pessoas físicas e cooperativas. Ora, aqui neste Conselho sempre pautamos nossa conduta em busca de assegurar a todos a tão almejada “segurança jurídica”, ou seja, visamos sempre respeitar os institutos assecuratórios dos direitos tanto do fisco como do contribuinte. Nesse sentido, o princípio da segurança jurídica está diretamente ligado à elaboração do que seja a idéia de Estado Democrático de Direito, se constitui o referido princípio em uma das vigas mestras da ordem jurídica. O citado princípio se liga Fl. 449DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 450 4 estruturalmente à moderna exigência de que se dê maior estabilidade as situações jurídicas, aí incluídas aquelas, que na sua origem, apresentem vícios de ilegalidade. A segurança jurídica estando incluído na espécie do gênero de direito fundamental ocupa lugar de relevo no ordenamento jurídico atual, estando destacado junto com o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito, como postulados máximos de cumprimento inclusive pela legislação infraconstitucional. Em nome da segurança jurídica, consolidaramse institutos desenvolvidos historicamente, com destaque para a preservação dos direitos adquiridos e da coisa julgada”. Reunindose a esse conceito vem a força imperiosa da acomodação fática por via da consolidação dos direitos exercidos e não disputados que tem sua origem no instituto da prescrição. Destarte, extraise a ilação de que a segurança jurídica é o mínimo de previsibilidade necessária que o Estado de Direito deve oferecer a todo cidadão, a respeito de quais são as normas de convivência que ele deve observar e com base nas quais pode travar relações jurídicas válidas e eficazes. Ora, o princípio da segurança jurídica é garantidor do Estado Democrático de Direito onde informa como o Estado deve se conduzir, ocupando ele lugar destacado como consectário da dignidade da pessoa humana e da necessidade de estabilidade nas relações sociais. Não obstante isso, há que ser respeitada a coisa julgada material proferida por Juiz competente. Se a decisão judicial que transitou em julgado em favor do recorrente assegurou seu direito de se utilizar do Crédito Presumido do IPI nos termos previstos na Lei n. 9.363/96, não me parece crível que possa o auditor fiscal dar outra interpretação legislativa diferente daquela determinada na decisão judicial, mormente porque esta é vinculativa à atividade estatal. Com efeito, como bem ressaltou a recorrente em suas razões, não cabe mais levantar, na esfera administrativa, se a recorrente tem ou não direito a se utilizar do benefício, pois toda a discussão do direito em questão já foi devidamente discutida no processo judicial, com resultado favorável ao contribuinte transitado em julgado. Ademais, se a decisão judicial concedeu o direito a crédito ao recorrente, como já explanado, não pode a administração negálo sob o argumento de que não se trata de crédito prêmio e sim de NT. Ora, negarse a cumprir a decisão proferida no Mandado de Segurança é desrespeitar a liturgia das nossas cortes judiciais, o que, tenho certeza, não é esse o escopo desse Conselho. Assim sendo, a autoridade administrativa estaria limitada a aferir se o valor do crédito foi ou não apurado de forma correta de recorrente e não discutir se existe o direito ou não ao mencionado benefício, visto que este já foi sotrancado na esfera judicial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, determinando a remessa dos presente autos à DRJ para que se verifique se os valores apresentados pela recorrente estão corretos ou não. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.787 S3C4T1 Fl. 451 5 Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 451DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10283.005439/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório NOKIA DO BRASIL TECNOLOGIA LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que deferiu parcialmente os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Manaus/AM. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 05 43 9/ 20 07 -3 8 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 709 2 Versa o presente processo sobre declaração de compensação n° 01749.39161.200607.1.3.030857 (fls.2 a 18) em que o contribuinte indica crédito referente a saldo negativo CSLL anocalendário 2006 no valor de R$ 12.212.894,05 para compensar débitos próprios. [...]Na DIPJ exercício 2007 original, apresentada em 27/06/2007 (11.432), o contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 12.212.894,08 (fl.433) Em 11/04/2008 apresentou DIPJ/2007 retificadora (fl.429) apurando saldo negativo CSLL de R$ 9.251.914,35 (f1.430). Por intermédio do Parecer DRF/MNS/SEORT 10283.005439/200738 e respectivo Despacho Decisório (fls.285 a 294), a unidade de origem considerou não homologadas as compensações declaradas em função da inexistência de direito creditório referente ao saldo negativo CSLL anocalendário 2006. Em sua análise, a unidade de origem fundamenta o não reconhecimento do direito creditório a partir da conclusão de que os seguintes valores informados na DIPJ do contribuinte estão incorretos: 1. Amortização de Goodwill (R$ 13.482.833,85): é inadmissível o surgimento do ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. A requerente pretendeu, através de uma manobra contábil com abuso de forma jurídica, beneficiarse de forma a reduzir o lucro em detrimento do Fisco com a amortização do ágio pago na transação, através da criação de uma sociedade (Nokia Holding do Brasil Ltda) que no jargão dos escritórios de planejamento tributário denomina se "sociedade veiculo", já que sua única razão de existência é servir de veiculo a manobras jurídico contábeis meramente elisivas. 2. O procedimento de amortização do ágio pela requerente não teve fundamentação na legislação tributária porque a requerente, que à época dos fatos denominavase NG Industrial Ltda (incorporadora) é quem deveria demonstrar que sua participação na Nokia Holding do Brasil Ltda (incorporada) foi adquirida/integralizada com ágio embasado nos fundamentos econômicos nos termos em que prescreve a legislação, podendo assim proceder á amortização em até sessenta meses como preconiza o normativo quando efetuasse a incorporação da investida, ou mesmo o contrário, a incorporação da investidora pela investida (incorporação às avessas — inc.II, §6° do art.386 RIR/99). Nem que pretendesse proceder de tal forma não poderia, pelas seguintes razões: primeiro, porque não haveria como serem avaliados, a valor de mercado, os bens da Nokia Holding do Brasil já que a mesma não possuía qualquer bem em seu patrimônio, exceto a participação adquirida posteriormente a sua criação na própria NG Industrial Ltda na qual sua sócia (Nokia Móbile Phones Ltd) era também sócia majoritária com 51% das quotas; segundo, não seria razoável aceitar que uma empresa que teve vida efêmera (9 meses) e sem qualquer efetiva produção de bens ou serviços pudesse motivar um ágio com base em sua rentabilidade futura; terceiro, restaria apenas fundamentar o ágio em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, sem possibilidade de amortização nos termos do inciso II do art.386 do RIR/99. 3. A criação de uma empresa que durante sua breve existência realizou apenas uma única operação, não satisfaria à clássica trilogia da necessidade, normalidade e efetividade como atributos de uma despesa realizada sob normais condições a ensejar dedução no resultado apurado na incorporadora (inteligência dos arts. 299, 324, 385 e 386 do RIR/99). Fl. 596DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 710 3 4. Despesas de Royalties: [...]. Tendo tomado ciência do Parecer DRF/MNS/SEORT 10283.005439/200738 e Despacho Decisório em 17/04/2008 (fl.294), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 16/05/2008 (fls.318 a 356) e documentos anexos (Doc's 01 a 05 — fls.358 a 424), por intermédio de procurador (fls.299/301 e 438), alegando em síntese que: 1. As despesas glosadas apresentam todas as condições materiais e formais para serem reconhecidas como dedutiveis da base de calculo da CSLL; 2. A operação sob análise pode ser entendida em duas etapas: · A Nokia Holding do Brasil Ltda adquiriu participação equivalente a 49% do capital social detido indiretamente por Gradiente Industrial S.A na sociedade NG Industrial Ltda, gerando um ágio; · A NG Industrial Ltda passa a ser denominada Nokia do Brasil Tecnologia Ltda, incorpora a sua investidora (Nokia Holding do Brasil Ltda) e, a partir de então, passa a amortizar o ágio reconhecido por ocasião da aquisição da participação societária descrita na primeira etapa. 3. A operação praticada coadunase com os dispositivos legais aplicáveis matéria, incorporados nos artigos 385 e 386 do RIR/99; 4. A primeira etapa efetuada foi a aquisição de 49% da participação na NG Industrial Ltda por preço determinado em contrato de opção (um valor fixo de US$ 400 milhões e um valor variável equivalente a 49% dos lucros auferidos entre 10 de outubro de 2000 e 31 de dezembro de 2000). Vale ressaltar que o valor do preço fixo estipulado foi determinado com base na rentabilidade futura da operação; 5. A NG Industrial Ltda era uma Joint Venture societária entre a NMP e a Gradiente Telecom. Devese destacar que a NG Industrial Ltda já era, àquela época, uma das maiores fabricantes de telefones portáteis do Brasil e encontrase ainda hoje em franca expansão; 6. A Nokia Holding, ao contabilizar em seu balanço a participação adquirida, seguiu fielmente as determinações do que preconiza o artigo 385 do RIR/99; (transcreve referido artigo) 7. O segundo passo pretendeu levar o ágio ao alcance de seu fundamento econômico, ou seja, a rentabilidade futura em que se baseou a fixação do preço. Dessa forma, a Nokia Holding, pessoa jurídica que adquiriu a participação com ágio baseado em rentabilidade futura, foi incorporada pela sociedade operacional Nokia do Brasil Tecnologia Ltda (nova denominação da NG Industrial Ltda). Essa etapa está perfeitamente em linha com o que dispõe o artigo 386 do RIR199; (transcreve parte do art.386) 8. O reconhecimento da indedutibilidade, por parte da fiscalização, deuse com base em alegações completamente equivocadas, tanto a respeito das questões de fato quanto das questões de direito, sendo ilógicos ou baseados em meras presunções genéricas, sem qualquer base legal; Fl. 597DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 711 4 9. A respeito da aquisição de 49% de participação na NG Industrial Ltda por Nokia Holding do Brasil Ltda, o parecer afirma que para que houvesse o direito à amortização do ágio seria necessário que a investida (NG Industrial Ltda), em razão de ser a incorporadora, demonstrasse que a participação adquirida na investidora (sic) apresentasse como fundamento econômico para o pagamento do ágio a rentabilidade futura da investidora (mesmo no caso da investidora ser incorporada pela investida); 10. Tal afirmação não encontra qualquer fundamento lógico. Primeiro, porque a NG Industrial Ltda nunca adquiriu participação na Nokia Holding. 0 que ocorreu foi exatamente o oposto; 11. É importante deixar bem claro que o ágio é constituído, reconhecido e verificado por ocasião da aquisição do investimento, pelo contribuinte que o adquirir, pela diferença entre o custo de aquisição e o valor do patrimônio liquido ponderado da participação adquirida; 12. Não é o artigo 386 do RIR/99 que determina quem deve avaliar e quem será o objeto da avaliação, para a determinação do ágio, e nem a posição adotada na operação societária engendrada; (transcreve ementa de Solução de Consulta da DISIT 07 e de acórdãos do Conselho de Contribuintes, assim como posição da doutrina); 13. No caso concreto, o valor do ágio contabilizado foi, como só poderia ser, computado pela diferença do valor entregue para a aquisição da participação de 49% de participação na NG Industrial Ltda. O fundamento para o pagamento do ágio foi a expectativa de rentabilidade futura do negócio adquirido, conforme se verifica da análise do doc.02; 14. As alegações procedidas pela fiscalização de que a Nokia Holding não teria condições de comprovar o fundamento do ágio, e que portanto o ágio não teria fundamento econômico, são completamente dissociadas da legislação vigente, pois o ágio é um conceito legal, definido no art.385 do RIR199 e o fundamento do ágio deve estar lastreado na participação adquirida; 15. Inexistia grupo econômico no momento da constituição do ágio. A opção irretratável e irrevogável pela Gradiente Telecom S.A de aquisição de 49% da participação por ela detida na NG Industrial Ltda à NMP ou a quem esta designasse e esta designação se deu em favor da Nokia Holding; 16. Não se trata de confusão patrimonial, pois a Nokia Holding não exerceu um direito que era da NMP, mas um direito seu adquirido mediante a cessão da opção de compra irretratável e irrevogável. Além disso, todas as partes envolvidas apresentam contabilidade regular, segregando seus ativos e passivos. A fiscalização, caso tivesse provas ou elementos para caracterizar a confusão patrimonial, deveria apresentálas à requerente, quando menos para assegurar o seu direito de defesa; 17. Não há, na legislação, dispositivo que impeça a geração de ágio dentro do mesmo grupo econômico. Além disso, a aquisição da participação foi efetuada de pessoa jurídica estranha ao grupo econômico da Nokia; (transcreve ementa de acórdãos do CC sobre o assunto) Fl. 598DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 712 5 18. A presunção de existência de grupo econômico por ocasião da formação do ágio não é verdadeira, não podendo servir de fundamento para a glosa da amortização; 19. Os requisitos de normalidade, necessidade e efetividade são irrelevantes no presente caso. A operação de aquisição e posterior incorporação da investidora pela investida foi efetuada ao abrigo dos artigos 385 e 386 do RIR199, não lhe sendo aplicável o artigo 299 do RIR/99; 20. O artigo 299 dispõe sobre condições gerais de dedutibilidade. Como toda regra geral, sua efetividade está condicionada, caso a caso, à inexistência de regra especifica que verse sobre o tema de maneira objetiva; (transcreve parte de acórdão do CC sobre o assunto) 21. A afirmação de que houve abuso de forma é desprovida de qualquer fundamentação. Não há qualquer demonstração ou elemento no parecer que comprove a criação da Nokia Holding teve como única finalidade a realização de manobras jurídico contábeis meramente elisivas; 22. No ordenamento jurídico brasileiro, os limites para a estruturação das atividades e operações empresariais do ponto de vista tributário são definidos a partir de normas constitucionais. Destacamse a livre iniciativa (inciso IV do art.1° da CF/88), o principio geral da atividade econômica (parágrafo único do art.170 da CF/88), o direito à propriedade (inciso XXII do art.5° da CF/88) e o principio da legalidade (art.150, I da CF/88) que é corolário do principio da segurança jurídica (inciso II do art.5° da CF/88); 23. A atividade tributária é caracterizada pela tipicidade fechada, cabendo à lei definir em abstrato todos os elementos necessários à tributação, permitindo ao contribuinte identificar, de forma segura e confiável, qual o fato que, uma vez praticado, dará ensejo ao surgimento da obrigação tributária, quem estará sujeito ao pagamento do tributo e qual o montante do tributo a ser pago; 24. O abandono do principio da legalidade estrita conduziria a uma completa insegurança e ao arbítrio, em que não seria possível ao contribuinte prever as conseqüências tributárias de suas atividades e operações. Nesse contexto, não se pode obrigar o contribuinte, em suas atividades ou operações empresariais, a pagar mais tributo se há, dentro do ordenamento jurídico, alternativa licita que lhe permite pagar menos tributos. O intuito de economizar tributos não é ilegal, sendo mesmo obrigação dos administradores das empresas; 25. Segundo o artigo 167 do Código Civil, para que haja dissimulação devem existir dois negócios jurídicos, um, simulado, ostensivo, aparente, que não representa o intimo querer das partes; outro, dissimulado, oculto, que justamente constitui a relação jurídica verdadeira; 26. Somente no caso de haver dissimulação é que as autoridades tributárias estão autorizadas a desconsiderar a forma do negócio jurídico (art.116 do CTN), para atingir seu real e efetivo conteúdo; 27. No caso, não há que se falar em abuso de forma ou dissimulação. 0 que houve foi, de fato, a constituição de uma pessoa jurídica no Brasil (Nokia Holding), que posteriormente, no regular exercício de suas atividades, Fl. 599DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 713 6 adquiriu do grupo Gradiente a participação societária na NG Industrial Ltda e foi, finalmente, incorporada pela requerente; 28. No caso, a controladora da Nokia Holding, Nokia Corporation, representando o grupo Nokia, com sede na Finlândia, tinha interesse em incrementar sua posição de investimentos no Brasil, acreditando que o mercado de telefonia celular no Pais teria um incremento significativo de vendas e lucratividade e que o Pais poderia funcionar como um pólo exportador para as Américas. Para tal, criou uma empresa domiciliada no Brasil e aportou recursos; 29. Durante sua existência (9 meses), a Nokia Holding teve seus atos societários registrados na Junta Comercial de São Paulo, obtendo o NIRE n° 35.216.239.531 e foi registrada no CNPJ sob o n° 03.789.596/0001 49. Mais, abriu contas bancárias e realizou operações financeiras, além de adquirir participação acionária da NG Industrial Ltda da empresa Gradiente Telecom S.A; 30. Sua existência, estratégica para o grupo, permitiu a manutenção de recursos em reais no Brasil para a aquisição da participação dos 49% da NG Industrial Ltda, de maneira ágil e segura; 31. A forma adotada para a constituição da Nokia Holding do Brasil foi a prevista em lei; 32. Posteriormente, em razão do negócio praticado estar encerrado, o grupo entendeu por bem incorporar a Nokia Holding na sociedade operacional, visando reduzir a estrutura operacional mantida no Brasil; 33. Nada há de atípico ou anormal na constituição de uma holding por empresa estrangeira para a aquisição de participações societárias no Brasil ou na posterior incorporação desta holding pela empresa controlada. Não há nada de planejamento tributário aqui; 34. Diversas operações são assim feitas e divulgadas na midia, de forma absolutamente corriqueira por estarem totalmente amparadas pelo sistema jurídico nacional; (transcreve noticias da imprensa sobre o assunto e trecho de acórdão do CC) [...] 43. Requer seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, que seja julgado insubsistente o parecer exarado nesses autos e homologadas as declarações de compensação constantes deste processo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0112.871, de 29/01/2009 (fls. 539/557), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2006 AMORTIZAÇÃO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 714 7 Uma vez não comprovada a aquisição de participação societária com ágio, incabível a amortização. DESPESAS COM ROYALTIES. Incabível a adição das despesas com royalties na recomposição da base de cálculo da CSLL por falta de previsão legal. Somente a lei pode estabelecer a base de cálculo do tributo. Ciente da decisão de primeira instância em 26/02/2009, conforme documento de fl. 557, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 27/03/2009 (registro de recepção à fl. 564, razões de recurso às fls. 565/591), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Preliminarmente, a recorrente aponta duas inexatidões materiais no acórdão recorrido. a) Não consideração da compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores, no valor de R$ 41.790.703,67, conforme informado na Ficha 17 da DIPJ (doc. 06). Afirma que inexiste qualquer motivação no acórdão recorrido para a desconsideração dessa compensação, pelo que conclui tratarse de mero erro material. b) Não reconhecimento dos valores de CSLL retidas por pessoas jurídicas de direito privado, no montante de R$ 4.131,86 (doc. 06) na recomposição da base de cálculo da CSLL, valor esse que já teria sido reconhecido pelo Parecer da DRF (fl. 292). Do mesmo modo que no item anterior, diante da falta de motivação para tanto, a interessada conclui tratarse de mero erro material. A recorrente efetua os cálculos que entende corretos e chega ao saldo negativo de CSLL no valor de R$ 6.340.862,49 (quadro à fl. 570) 1. Pede a correção dos erros materiais apontados, sem prejuízo dos demais argumentos recursais. Ao historiar o ocorrido, por sua ótica, a recorrente afirma, sobre a decisão recorrida, que “a dedutibilidade da amortização do ágio pela Recorrente não foi admitida porque não haveria sido demonstrado que a Recorrente possuiria participação na Nokia Holding — por ela incorporada — adquirida com ágio e, em conseqüência, não se enquadraria no permissivo do caput do artigo 386 do RIR/99” e, ainda, que “é importante salientar que este foi o único fundamento adotado pelo Acórdão DRJ/BEL n° 0112.740 para afastar o direito da Recorrente de deduzir o ágio pago pela Nokia Holding — posteriormente incorporada pela Recorrente — quando adquiriu a participação societária na Recorrente. Nenhum dos outros motivos que determinaram sua glosa pela Fiscalização, conforme exposto no Parecer, foi acatado pelo Acórdão como razão para a indedutibilidade da referida amortização”. A interessada sustenta que os julgadores em primeira instância teriam compreendido os fatos de forma incorreta e, em decorrência, ao elencar a legislação aplicável, teriam deixado de relacionar o art. 8º da Lei nº 9.532/1997 e o § 6º do art. 386 do RIR/99, fundamentais para o correto deslinde da questão. 1 A decisão recorrida havia reconhecido saldo negativo de CSLL no anocalendário 2006 no montante de R$ 2.575.567,30, conforme fls. 556/557. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 715 8 Passa, então, a reforçar os argumentos já trazidos em sede de impugnação, acerca da origem do ágio pago pela Nokia Holding pela aquisição de participação societária (49%) na NGI. Tal ágio seria baseado na expectativa de rentabilidade futura da investida, e teria sido efetivamente pago à Gradiente Telecom S.A., conforme documentos que especifica. A contabilização teria seguido fielmente as disposições do art. 385 do RIR/99. A seguir, a investidora (Nokia Holding) teria sido incorporada pela investida (NGI, já com sua atual denominação Nokia do Brasil Tecnologia Ltda), tudo em conformidade com o art. 386, caput, inciso III e § 6º, inciso II, do RIR/99. Diante disso, reafirma que todas as condições para que a amortização do ágio seja admitida como dedutível teriam sido observadas. A recorrente discorre, a seguir, sobre a diferença de saldo negativo entre a DIPJ original e a DIPJ retificadora, e sobre os valores de estimativa do anocalendário 2006, desconsiderados pelo acórdão recorrido conforme segue: a) No presente processo, o valor de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006 (crédito) apresentado é de R$ 12.212.894,05. Na DIPJ original, apresentada em 27/06/2007, esse é exatamente o valor do saldo negativo apurado. No entanto, a interessada apresentou DIPJ retificadora em 11/04/2008, na qual o valor do saldo negativo apurado é de R$ 9.251.914,35. A interessada afirma que “ao identificar a discrepância gerada, a Recorrente imediatamente, com o intuito de corrigir a diferença de saldo negativo de CSLL, procedeu ao recolhimento, via DARF, do valor exato da diferença (R$ 12.212.894,05 — R$ 9.251914,35 = R$ 2.960.979,70), no dia 9 de janeiro de 2008, calculado com encargos moratórios desde 31 de janeiro de 2007, considerandoo como estimativa de CSLL (código 2484) do mês de dezembro de 2006 (doc. 07)”. Com isso, entende que teria sido recomposto o saldo negativo originalmente apurado, ainda que tal valor não tenha sido indicado na DIPJ retificadora. Invoca o princípio da verdade material e pede que o valor pago via DARF seja considerado na composição do saldo negativo da CSLL do ano calendário 2006. b) Estimativa de fevereiro/2006: Afirma a interessada que a estimativa de fev/2006 teria sido extinta por compensação nos autos do processo nº 10283.005442/200751. No entanto, a compensação teria sido nãohomologada, em decisão administrativa ainda não definitiva. Por sua ótica, a desconsideração da estimativa de fev/2006, neste processo, seria descabida, não apenas porque sua extinção por compensação se encontra pendente de decisão administrativa final no outro processo, mas também porque, se porventura mantida a cobrança naquele outro processo, estarseia a exigir o valor em duplicidade, lá e cá. Entende perfeitamente válida a utilização do valor de estimativa mensal de fevereiro no valor de R$ 535.398,53 para a composição do total de estimativas pagas de CSLL durante o anocalendário 2006. c) Estimativas de setembro/2006 e outubro/2006: Aqui, a interessada se refere às diferenças entre os valores de estimativas de CSLL que constam da DIPJ (R$ 1.109.509,48 + R$ 5.385.221,75 = R$ 6.494.731,23) e das DCTFs (R$ 76.848,67 + R$ 5.255.429,53 = R$ 5.332.278,20). Afirma que o acórdão recorrido, ao constatar as diferenças, teria adotado os valores das DCTFs, e não teria atentado para o fato que a recorrente teria adimplido o total dos valores declarados em DIPJ. Em suas palavras (fls. 589/590): Fl. 602DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 716 9 4.2.3.6 Ocorre que, apesar de não haver identificado em sua DCTF nem DIPJ, a Recorrente havia procedido, como se fosse relativo ao período de apuração de agosto de 2006, o recolhimento, via DARF (código 2484), de valor de estimativa mensal de CSLL no valor de R$ 1.239.301,70, no dia 28/09/2006 (doc. 08). Aliás, tal valor já foi identificado pela Fiscalização à fl. 43, e serviu para tão somente validar o valor de R$ 76.848,67, relativo a setembro de 2006. 4.2.3.7 O valor remanescente do DARF de R$ 1.162.453,03 (R$ 1.239.301,70 — R$ 76.848,67 = R$ 1.162.453,03), é superior, mas quase idêntico, ao valor total da diferença existente entre os valores informados na DCTF e na DIPJ nos meses de setembro e de outubro de 2006. 4.2.3.8 Portanto, fica claro que a antecipação efetuada em agosto, no valor de R$ 1.239.301,70, cobre integralmente as diferenças apontadas entre os valores identificados na DIPJ e na DCTF. 4.2.3.9 Trilhando o mesmo raciocínio exarado no r. Acórdão recorrido, devese aceitar como estimativas mensais a integralidade dos valores decorrentes do DARF quitado em 28 de setembro de 2006, quando menos não seja, em nome do Princípio da Verdade Material. [...] 4.2.3.10 Ora, se os "fatos tais como se apresentam na realidade" apontam para a existência de um pagamento no valor de R$ 1.239.301,70, identificado como pago pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, não há razão, segundo o princípio da verdade material, para se utilizar somente os valores declarados pela Recorrente na DCTF, e desconsiderar aqueles declarados na DIPJ. Requer, ao final, a procedência de seu recurso, a correção dos erros materiais apontados e a reforma parcial do acórdão recorrido, no que toca à dedutibilidade da amortização do ágio e à composição dos valores pagos por estimativa de CSLL durante o ano calendário 2006, com a consequente homologação das compensações declaradas. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. 1. Alegação de inexatidão material no acórdão recorrido não consideração da compensação da base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores, no valor de R$ 41.790.703,67. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 717 10 Compulsando os autos, encontro, à fl. 30, cópia da DIPJ original (ND 0917610), acostada pela Autoridade Preparadora (cópia autêntica). Na linha 37 consta o valor de R$ 41.790.703,67 (BC neg da CSLL períodos anteriores), com a anotação a mão “adicionar”. A DIPJ retificadora (ND 1491221) se encontra (somente a Ficha 17) às fls. 461/465. Especialmente, à fl. 464 consta na linha 37 o mesmo valor de R$ 41.790.703,67. No Despacho Decisório, fl. 295, ao recompor a base de cálculo da CSLL do anocalendário 2006, a Autoridade Tributária parte do valor de R$ 139.302.345,56, com a indicação expressa de tratarse de “valor sem a compensação dos 30% da BC negativa do período anterior” (corresponde à linha 36 da ficha 17). Dessa indicação, posso concluir que as bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores foram intencionalmente desconsideradas, e afasto, portanto, tratarse de mera inexatidão material. Mas não encontro qualquer explicação para o procedimento da DRF. Na manifestação de inconformidade, a interessada não se manifesta sobre esse assunto. No acórdão recorrido, a DRJ parte do novo valor de base de cálculo declarada de R$ 221.022.277,95 (aquele que consta da DIPJ retificadora, fl. 463), igualmente com a indicação expressa de tratarse da base de cálculo antes da compensação de 30% de bases de cálculo negativas de períodos anteriores. Mas igualmente não diz por que teria desconsiderado o valor declarado a reduzir o montante devido. 2. Alegação de recolhimento, via DARF, no valor original de R$ 2.960.979,70 Sustenta a recorrente que esse recolhimento (extrato à fl. 688) teria sido feito com a finalidade de recompor o saldo negativo de CSLL que consta do presente processo e apurado na DIPJ original. O valor equivaleria à diferença entre o saldo negativo de CSLL da DIPJ original e o correspondente valor na DIPJ retificadora. Seu pedido é de que esse valor integre o montante das estimativas pagas, na recomposição do saldo negativo de CSLL do ano calendário 2006. 3. Alegação referente à estimativa de fevereiro/2006 Afirma a interessada que a estimativa de fev/2006, teria sido extinta por compensação nos autos do processo nº 10283.005442/200751. Compulsando os autos, constato que, de fato, a decisão recorrida deixou de considerar o valor de R$535.398,53, a título de estimativa de CSLL da competência de fevereiro/2006, em face da constatação de que o débito correspondente teria sido objeto de compensação nos autos do processo administrativo nº 10283.005442/200751. Referido processo administrativo nº 10283.005442/200751 se encontra apensado ao processo administrativo nº 10283.720812/201322, sendo certo que o litígio originado no processo nº 10283.005442/200751 foi transferido e passou a ser analisado nos autos do processo administrativo nº 10283.720812/201322. Este último teve seu recurso Fl. 604DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 718 11 voluntário julgado por este Colegiado, nesta mesma data. No entanto, por óbvio, não se trata ainda de decisão administrativa final. 4. Alegação referente às estimativas de setembro/2006 e outubro/2006 Aqui, a interessada se refere às diferenças entre os valores de estimativas de CSLL que constam da DIPJ (R$ 1.109.509,48 + R$ 5.385.221,75 = R$ 6.494.731,23) e das DCTFs (R$ 76.848,67 + R$ 5.255.429,53 = R$ 5.332.278,20). Afirma que o acórdão recorrido, ao constatar as diferenças, teria adotado os valores das DCTFs, e não teria atentado para o fato que a recorrente teria adimplido o total dos valores declarados em DIPJ. A alegação da recorrente é de que teria efetuado o recolhimento de R$ 1.239.301,70, em 28/09/2006, a título de estimativa de CSLL da competência de agosto/2006. Desse total, teriam sido aproveitados somente R$ 76.848,67, restando não aproveitados R$1.162.453,03, por não constarem adequadamente nas DCTFs dos meses de setembro e outubro/2006. Pede então o aproveitamento desse valor, para cobrir a diferença entre os valores de estimativas desses dois meses reconhecidos em primeira instância (R$ 76.848,67 + R$ 5.255.429,53 = R$ 5.332.278,20) e aqueles que constam da DIPJ (R$ 1.109.509,48 + R$ 5.385.221,75 = R$ 6.494.731,23). A diferença é, portanto, de exatos R$1.162.453,03 (= R$ 6.494.731,23 – R$ 5.332.278,20). Compulsando os autos, constato que o alegado pagamento foi identificado nos autos (fl. 44), no valor de R$1.239.301,70, código 2484, em 28/09/2006. Diante dos quatro pontos acima expostos, os quais considero demandar informações adicionais e/ou providências saneadoras, voto por converter o julgamento em diligência, sendo os autos encaminhados à Unidade Preparadora para que sejam adotadas as seguintes providências: 1. Providências relacionadas ao item 1, neste voto: 1.1. A Unidade Preparadora se manifeste sobre os motivos que levaram à desconsideração do valor de R$ 41.790.703,67 (Base de Cálculo Negativa da CSLL de períodos anteriores linha 37 da Ficha 17, tanto da DIPJ original quando da DIPJ retificadora), ao proceder à reconstituição da CSLL devida e do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006. 1.2. A Unidade Preparadora informe qual o valor do saldo negativo de CSLL disponível para compensação, em 31/12/2005. Informe, ainda, se alguma parcela desse valor se encontra, até a presente data, pendente de decisão administrativa definitiva, especificando, se for o caso, o(s) respectivo(s) processo(s) administrativo(s) fiscal(is). Nessa hipótese, o presente processo deverá aguardar, na Unidade Preparadora, a decisão final administrativa nos processos especificados. 1.3. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão administrativa final em cada um dos processos especificados no item acima. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10283.005439/200738 Resolução nº 1302000.316 S1C3T2 Fl. 719 12 1.4. A Unidade Preparadora faça também acostar aos autos demonstrativos de controle de bases de cálculo negativas da CSLL emitidos pelo sistema SAPLI, inclusive histórico, atualizados após a decisão final administrativa nos processos especificados no item 1.2. 2. Providências relacionadas ao item 2, neste voto: 2.1. Confirmar, ou não, o pagamento de fl. 688. Caso confirmado, informar se o pagamento está disponível nos sistemas da RFB ou se está de outra forma alocado. 3. Providências relacionadas ao item 3, neste voto: 3.1. Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 10283.720812/201322. 3.2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 10283.720812/201322. 3.3. A Unidade preparadora informe se, no processo nº 10283.720812/201322, foi ou não homologada a compensação com débito de estimativa de CSLL da competência de fevereiro/2006 no valor de R$535.398,53 e, caso não homologada, se o débito foi extinto mediante pagamento (litígio iniciado no processo nº 10283.005442/200751). 4. Providências relacionadas ao item 4, neste voto: 4.1. A Unidade Preparadora informe se o pagamento de R$1.239.301,70, código 2484 (extrato à fl. 44), já se encontra alocado para alguma outra finalidade, além dos R$76.848,67 de estimativa de CSLL da competência de setembro/2006. Informar qual é o valor disponível desse pagamento. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, após o que, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 606DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10380.010250/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO, NOS MOLDES DA LEI N. 7.689/88, RECONHECIDA POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N. 492/2011, RATIFICADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO A PARTIR DA DECISÃO DO STF NOS AUTOS DO RE 138.284.
No caso dos autos, o sujeito passivo obteve decisão judicial transitada em julgada que o eximia do recolhimento da CSLL, ante o reconhecimento da inconstitucionalidade desse tributo.
Nada obstante, tem-se que o STF pacificou a questão atinente à higidez constitucional dessa contribuinte, manifestando-se pela sua conformidade com a Carta Política nos autos do RE 138.284, que transitou em julgado em 29.9.1992.
Na esteira do mandatório Parecer PGFN n. 492/2011, o advento dessa decisão do STF fez cessar automaticamente a eficácia das coisas julgadas anteriores que lhe eram contrárias, de modo que devido o tributo em testilha após o trânsito em julgado da referida decisão do Excelso Pretório.
Numero da decisão: 1101-000.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, vencido o Conselheiro José Ricardo da Silva, ao passo que a Conselheira Edeli Pereira Bessa votou pelas conclusões. Os Conselheiros José Ricardo da Silva e Edeli Pereira Bessa farão declaração de voto. Na sessão de junho/2013, fizeram sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Felipe Barreira (OAB/CE no 12.363) e o representante da Fazenda Nacional, Procurador Moisés de Sousa Carvalho Pereira.
NOME DO PRESIDENTE - Presidente.
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 18/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO, NOS MOLDES DA LEI N. 7.689/88, RECONHECIDA POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N. 492/2011, RATIFICADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO A PARTIR DA DECISÃO DO STF NOS AUTOS DO RE 138.284. No caso dos autos, o sujeito passivo obteve decisão judicial transitada em julgada que o eximia do recolhimento da CSLL, ante o reconhecimento da inconstitucionalidade desse tributo. Nada obstante, tem-se que o STF pacificou a questão atinente à higidez constitucional dessa contribuinte, manifestando-se pela sua conformidade com a Carta Política nos autos do RE 138.284, que transitou em julgado em 29.9.1992. Na esteira do mandatório Parecer PGFN n. 492/2011, o advento dessa decisão do STF fez cessar automaticamente a eficácia das coisas julgadas anteriores que lhe eram contrárias, de modo que devido o tributo em testilha após o trânsito em julgado da referida decisão do Excelso Pretório.
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INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO, NOS MOLDES DA LEI N. 7.689/88, RECONHECIDA POR DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N. 492/2011, RATIFICADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO A PARTIR DA DECISÃO DO STF NOS AUTOS DO RE 138.284. No caso dos autos, o sujeito passivo obteve decisão judicial transitada em julgada que o eximia do recolhimento da CSLL, ante o reconhecimento da inconstitucionalidade desse tributo. Nada obstante, temse que o STF pacificou a questão atinente à higidez constitucional dessa contribuinte, manifestandose pela sua conformidade com a Carta Política nos autos do RE 138.284, que transitou em julgado em 29.9.1992. Na esteira do mandatório Parecer PGFN n. 492/2011, o advento dessa decisão do STF fez cessar automaticamente a eficácia das coisas julgadas anteriores que lhe eram contrárias, de modo que devido o tributo em testilha após o trânsito em julgado da referida decisão do Excelso Pretório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, vencido o Conselheiro José Ricardo da Silva, ao passo que a Conselheira Edeli Pereira Bessa votou pelas conclusões. Os Conselheiros José Ricardo da Silva e Edeli Pereira Bessa farão declaração de voto. Na sessão de junho/2013, fizeram sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Felipe Barreira (OAB/CE no 12.363) e o representante da Fazenda Nacional, Procurador Moisés de Sousa Carvalho Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 02 50 /2 00 7- 69 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 NOME DO PRESIDENTE Presidente. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 18/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor da ora Recorrente para exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido atinente ao anocalendário 2005. As seguintes esclarecedoras informações constam do Auto de Infração: Em procedimento de Revisão Interna fazse o presente lançamento de ofício tendo em vista que o contribuinte deixou de recolher e declarar em DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais o valor devido da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, relativa ao anocalendário de 2005, embora as demonstrações financeiras da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica daquele ano apresentadas pelo contribuinte, bem como informações prestadas em resposta à intimação inicial, indiquem a existência de fato gerador dessa contribuição (...) Intimado em 26/07/07 para esclarecer a razão do não recolhimento dessa contribuição, o contribuinte, mediante expediente datado de 16/08/07, informa que está eximido de sujeitarse ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, bem como ao preenchimento da Ficha 17 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, em virtude de Decisão Judicial proferida nos autos do processo no 89.00925466, processada perante a 4a Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, com trânsito em julgado na data de 04 de novembro de 1992, cuja documentação encontrase adunada aos presentes autos. (fl. 4) Destarte, temse que o contribuinte deixou de proceder ao recolhimento da CSLL pelo fato de que, a seu sentir, estava desobrigado do recolhimento dessa contribuição em decorrência de decisão judicial transitada em julgado que deu pela inconstitucionalidade do tributo nos moldes da Lei n. 7.689/88. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010250/200769 Acórdão n.º 1101000.914 S1C1T1 Fl. 3 3 Na ação judicial de que se cuida, a sociedade empresária – assim como outras pessoas jurídicas de direito privado – impetrou Mandado de Segurança cujo pedido foi assim deduzido, verbis: No mérito, pedem as Impetrantes a Vossa Excelência, (sic) que lhes conceda a segurança em definitivo, para não serem compelidas ao recolhimento da Contribuição Social de que tratam a Medida Provisória no 22 e a Lei no 7.689/88, cuja exigência impugnam face os fundamentos de fato e de direito alinhados neste mandamus. (fls. 53 54) O juízo de 1o grau acolheu integralmente a demanda em questão, sendo que os ulteriores Recurso de Apelação e Remessa de Ofício não foram acatados pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5a Região. A União interpôs, então o Recurso Extraordinário n. 135052, que não foi conhecido em decisão da lavra do eminente Ministro Moreira Alves que repousa ao fólio n. 103, de modo que o trânsito em julgado operouse em 4 de novembro de 1992. Nada obstante, a autoridade autuante houve por bem lavrar o vertente lançamento, forte no fato de a jurisprudência posterior do Excelso Pretório ter se consolidado no sentido da constitucionalidade do tributo de que se cuida, o que teria tido lugar nos autos do Recurso Extraordinário n. 138.2848/CE. Em síntese, o que motivou o Auto de Infração em destaque foi o seguinte raciocínio: como a relação jurídicotributária discutida no Mandado de Segurança em que a contribuinte obteve decisão favorável consubstancia relação de trato sucessivo, concluiu a Receita Federal que aquela coisa julgada não poderia prevalecer para anoscalendários futuros, tendo em vista que muitas foram as alterações legislativas havidas após a prolação da decisão que transitou em julgado e mormente após a jurisprudência da Suprema Corte firmarse em sentido contrário à decisão definitiva em benefício do sujeito passivo. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou a tempestiva Impugnação de fls. 154 e seguintes. Nesta peça, aduziu que o lançamento em vergaste representa inconteste violação à coisa julgada, eis que a decisão que transitou em julgado em 4.11.1992 reconheceu a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de forma irrestrita, não tendo qualquer limitador de ordem temporal. Asseverou, ainda, que as alterações legislativas ulteriores não alteraram o aspecto material da incidência, contemplando meras modificações de alíquota e base de cálculo, o que não teria o condão de representar óbice à plena operatividade da eficácia da coisa julgada, que lhe garantia a não sujeição ao gravame. A impugnação foi desprovida pela Colenda DRJ em acórdão assim ementado, litteris: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 CONCESSÃO DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. INCONSTITUCIONALIDADE LEI 7.689/88. TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após a edição de alterações legislativas com aptidão suficiente para o expurgo das inconstitucionalidades observadas quando da instituição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Assim, a eficácia do comando judicial fica restrita aos períodos de incidência em que a exação fiscal ainda não havia sido atingida pelas alterações legislativas posteriormente processadas que, conforme decidido pelo STF, implicaram na inconstitucionalidade tãosomente do art. 8o da Lei no 7.689/88. Contra esse v. acórdão, voltase o presente Recurso Voluntário, no qual a contribuinte traz à balha basicamente as mesmas questões deduzidas na postulação que instalou esse Processo Administrativo. Ainda, pede a aplicação do art. 62A do Regimento Interno deste Colendo CARF, eis que o STJ, apreciando questão análoga à presente, apreciou o Recurso Especial Repetitivo n. 1.118.893/MG, cujo entendimento conduziria ao cancelamento da exação controvertida. É o relatório. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. No caso dos autos, exigese do sujeito passivo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido atinente ao anocalendário 2005, sendo que é inequívoco que o ora Recorrente sagrouse vitorioso em Mandado de Segurança aforado para o fim de combater essa exigência tributária, feito esse que transitou em julgado em novembro de 1992. Sabese que o Colendo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n. 138.284, entendeu pela constitucionalidade do tributo em referência, decisão essa que, obviamente, vai de encontro com o quanto decidido no Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte. Com vistas a definir o tratamento a ser dispensado a situações tais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional houve por bem editar o Parecer n. 492/2011, que posteriormente veio a ser ratificado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Essa ratificação do Ministro da Fazenda acarreta a obrigatoriedade da observância desse Parecer pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de modo que o seu exame é imperioso para o deslinde do caso concreto. O trecho seguinte é extraído da ementa desse Parecer, verbis: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010250/200769 Acórdão n.º 1101000.914 S1C1T1 Fl. 4 5 DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE DISCIPLINA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO/JURÍDICO. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE PRECEDENTE OBJETIVO/DEFINITIVO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE DE VOLTAR A COBRAR O TRIBUTO, OU DE DEIXAR DE PAGÁLO, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS. 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. De acordo com esse Parecer – que, frisese, é de observância obrigatória pelos integrantes do CARF –, as decisões judiciais acobertadas pelo manto da coisa julgada têm sua eficácia cessada quando do advento de decisão do Plenário do STF que lhe seja contrária. Nessa senda, a decisão do STF nos autos do RE 138.284 realmente tem o condão de fazer cessar a eficácia da coisa julgada de que desfrutava o contribuinte. E uma vez que essa decisão do STF é de setembro de 1992, temse que obviamente a CSLL atinente ao anocalendário 2005 é devida. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16366.003427/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, em face da concomitância.
Luiz Roberto Domingo - Relator,Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, em face da concomitância. Luiz Roberto Domingo Relator,VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo (VicePresidente no exercício da Presidência). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao ressarcimento de PIS e COFINS de aquisições destinadas à exportação, com fundamento na Lei nº 10.276/2001, do período de apuração referente ao quarto trimestre de 2003. Retornam os autos após o cumprimento parcial das diligências determinadas pela Resolução nº 3101000.126, de 09 de dezembro de 2010, na qual foi solicitado que: (i) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 34 27 /2 00 7- 35 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 16366.003427/200735 Acórdão n.º 3101001.619 S3C1T1 Fl. 1.466 2 fosse juntado aos autos cópia das peças do Mandado de Segurança nº 2007.70.01.0072727/PR (inicial, decisão liminar, informações da autoridade coatora, sentença, recursos e Acórdãos dos autos principais e Agravos, bem como certidão de objeto e pé, atualizada); e (ii) fosse “nomeado perito habilitado pela repartição de origem para, juntamente com assistente técnico a ser nomeado pela Contribuinte”,para constatar o processo produtivo alegado no recurso.” Instruído o feito com as peças do processo judicial em curso (fls. 384/1205; 1235/1344), manifestouse o AFRFB pelo retorno e apreciação a este Conselho, posto que verificou o expresso reconhecimento judicial quanto à qualidade de produtor e exportador do contribuinte, assim como o processo judicial já se encontraria em fase de cumprimento de sentença. Aduz que a ocorrência de renúncia à via administrativa está plenamente configurada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Com o retorno dos autos da diligência, verificase que tal providência apresentou resultados esclarecedores acerca da lide posta nos autos. A proposta formulada, nos termos do elogioso relatório fiscal elaborado pelo AFRFB Mário Iberê D’Alessio Quintas que, perspicazmente, observou a superveniência de expressa confirmação judicial quanto à posição de produtor exportador do contribuinte, sugerindo o retorno dos autos para apreciação deste Conselho, mostrase acertada e, portanto, comporta acolhida. Ante os novos fatos trazidos à baila, tornase desnecessária a realização da diligência determinada no item “b” da mencionada resolução, razão pela qual a torno sem efeito. De fato, extraise do conjuto probatório acostado aos autos a prejudicialidade da análise deste recurso administrativo quanto ao seu mérito, em razão da judicialização da questão, o que importa em renúncia à via administrativa. Incialmente, devese observar que o presente caso coincide em exatidão a outro apreciado por este E. Conselho Administrativo (PAF n 16366.003420/200713), já que ambos versam sobre a mesma controvérsia jurídica, tendo também como fato fundante da prejudicialidade o mesmo Mandado de Segurança e as mesmas razões recursais, diferindose somente quanto ao período de apuração. Contudo, inobstante a decisão unânime proferida à época por este colegiado, impende pontuar o equívoco cometido na apreciação do mesmo. Analisando o voto condutor proferido pelo eminente Conselheiro Tarásio Campelo Borges, em que pese seu costumeiro acerto, vêse uma pequena contradição na exposição apresentada, fulcral para determinar a má sorte da decisão colegiada. Senão vejamos: Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 16366.003427/200735 Acórdão n.º 3101001.619 S3C1T1 Fl. 1.467 3 “(...) A Recorrente é empresa comercial que desempenha atividades que se equiparam à indústria, dedicada à produção, comercialização e exportação de mercadorias nacionais classificadas na TIPI como não tributados NT (tais como mercadorias agrícolas e agropecuárias, entre outras), conforme contrato social em anexo, submetidos a processos que se equiparam a industrialização, de acordo com regulamento do IPI (Decreto nº 4.544 de de [sic] 26/12/2002 – RIPI, em seu artigo 3º, e artigo 4º inciso II). Do uso subsidiário da legislação do IPI para buscar o conceito de estabelecimento produtor, tenho como fato de somenos importância a alegada equiparação das atividades da ora recorrente às da industria, porque operação de beneficiamento não equipara estabelecimento comercial a estabelecimento produtor. A equiparação tem pressupostos específicos, enumerados no artigo 4º da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, regulamentado no artigo 9º tanto do RIPI 1998 (Decreto 2.637, de 25 de junho de 1998) quanto do RIPI 2002 (Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002). Distintas da equiparação, a transformação, o beneficiamento, a montagem, o recondicionamento (renovação) e o acondicionamento ou o reacondicionamento são características próprias das operações industriais. É certo que a lei do imposto de consumo e os regulamentos do IPI dela decorrentes somente consideram estabelecimento industrial, stricto sensu, aquele que executa operações próprias das indústrias (transformação, beneficiamento, montagem, recondicionamento e acondicionamento ou reacondicionamento) e cuja produção resulta produto tributado pelo IPI, ainda que de alíquota zero ou isento. Isso acontece porque a saída de mercadorias do estabelecimento produtor é fato gerador do IPI e não há se falar em fato gerador do tributo diante de produtos não tributáveis (NT). Por outro lado, o crédito outorgado pela Lei 9.363, de 1996, é uma presunção e essa norma jurídica não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. Outrossim, quando determina o uso da legislação desse tributo, expressamente indica o seu emprego subsidiário, vale dizer, uso secundário, uso auxiliar, uso subordinado aos ditames da norma extravagante. Além disso, a confessada natureza comercial da pessoa jurídica corrobora fato denunciado no indeferimento do pedido de ressarcimento: a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) cadastrada na Receita Federal do Brasil, tanto da matriz quanto dos estabelecimentos filiais, aponta, inquestionavelmente, para o exercício de atividade comercial, ora atacadista, ora varejista. Igualmente demonstram o exercício de atividade comercial os livros fiscais “Registro de Apuração de IPI”, “Registro de Entradas” e “Registro de Saídas” e todos os documentos fiscais neles escriturados. Nesses livros não existe um só registro de saída de produtos industrializados pelo estabelecimento, nem de entrada de insumos (matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem), sejam insumos provenientes de pessoas jurídicas, sejam insumos oriundos de pessoas físicas. Quanto ao Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) consignado nos documentos fiscais, eles são próprios de operações comerciais. A contradição importa no desfecho da questão, uma vez que, na linha do exposto, se a “norma jurídica não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI.” Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 16366.003427/200735 Acórdão n.º 3101001.619 S3C1T1 Fl. 1.468 4 não poderia enumerar como necessários documentos que visam a comprovação, justamente, desta condição de contribuinte do IPI. No presente recurso, como visto, pleiteia o contribuinte provimento para: 1) Considerar como Receita de Exportação o somatório das vendas ao exterior ou com o fim específico de exportação das mercadorias classificadas na TIPI como NT; 2) Considerar o processo produtivo (beneficiamento); 3)Considerar como integrante da base de cálculo para a incidência do crédito o valor total das aquisições (pessoas físicas e jurídicas); 4) Correção dos valores pleiteados pela incidência da taxa SELIC desde o mês subseqüente ao fato gerador conforme decisão judicial em caso concreto. Contudo, o Mandado de Segurança citado, atualmente em fase de apreciação quanto à admissibilidade dos recursos interposto perante o E. Superior Tribunal de Justiça e E. Supremo Tribunal Federal, abrange inequivocamente todos os pontos passíveis de apreciação no presente feito. Isto porque, conforme se extrai das informações acostadas por meio das cópias do mandamus impetrado, o juízo não somente reconheceu expressamente sua condição de produtor exportador (fls. 1176/1177), como já havia concedido integral provimento jurisdicional em relação ao objeto litigado na via administrativa, tanto é assim que a RFB, inclusive, já apresentou em juízo os cálculos referentes aos créditos ao qual o contribuinte tem direito (fls. 1314/1331 e 1452/1456). Portanto, no que tange à matéria recursal coincidente com o objeto do writ, aplicase a Súmula CARF 01: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Luiz Roberto Domingo Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 15983.000010/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 00 01 0/ 20 10 -8 6 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 00.211 desta 4ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar o andamento das NFLD vinculadas aos fatos geradores constantes desse Auto de infração, evitando decisões discordantes, fl. 622 a 633. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. O INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA ISESC, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.258.5540, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 12/2000 a 11/2003, conforme Relatório Fiscal, às fls. 20/29. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 20/01/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 30.373.908,73 (Trinta milhões, trezentos e setenta e três mil, novecentos e oito reais e setenta e três centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, em 01/06/2006, fora expedido Mandado de Procedimento Fiscal, com ciência em 06/06/2006, dando início à fiscalização na entidade, com o requerimento de documentos e esclarecimentos pertinentes às contribuições previdenciárias relativamente ao período de 05/2000 a 05/2006. Informa, ainda, o fiscal autuante que naquela oportunidade constatouse haver óbice judicial à constituição do crédito previdenciário, em face de provimento judicial em sede de antecipação de tutela concedida pela 2a Vara Federal de Santos, às fls. 52/54, nos autos do processo n° 99.61.04.0052998, onde a autora pleiteia à imunidade contemplada no artigo 7° do artigo 195 da Constituição Federal, razão pela qual efetuouse o lançamento provisório relacionado àquele período, cientificandose o contribuinte em 27/09/2006 dos valores apurados pelo Fisco, consoante Informação Fiscal de fl. 32. Ato contínuo, confirmando que a Instituição não observa os requisitos que garantem o status de entidade acobertada pela imunidade tributária conforme previsto no art. 14 do Código Tributário Nacional, não sendo portanto imune à exação tributária, foi o procedimento fiscalizatório reaberto com vistas a se consumar o lançamento já iniciado, a teor do que determina o parágrafo único do art. 142 da norma geral tributária citada, como se verifica do Mandado de Procedimento Fiscal datado de 12/02/2008, às fls. 570/572. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 8ª Turma da DRJ em Campinas/SP, Fl. 710DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 4 3 achou por bem julgar improcedente o lançamento, acolhendo a decadência total do crédito, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0531.536/ 2010, às fls. 579/586, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/11/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. Aplicase o prazo decadencial do Código Tributário Nacional para os créditos em que não houve constituição definitiva, quanto aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos do efetivo lançamento do crédito. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” Em observância ao disposto no artigo 25, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Retornam os autos após cumprimento da diligência requerida junto ao sindicato. Tratase Lançamento Fiscal (DEBCAD nº37.258.5540) onde estão sendo cobradas contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas em razão de suposta imunidade conferida ao contribuinte. Após julgamento em primeira instância administrativa os autos foram enviados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para que fosse proferida decisão. Em 17.04.2012 o CARF emitiu a resolução nº2401000.211 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, baixando aos autos em diligência. Efetuei pesquisa nos sítios da Justiça Federal e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, onde constatei que na Ação Declaratória nº1999.61.04.0052998 o contribuinte pediu o reconhecimento de sua alegada isenção das contribuições previdenciárias. Nessa pesquisa pude verificar que foi concedida a tutela antecipada, porém não pude ter acesso às decisões judiciais que conferiram a antecipação da tutela. Dessa forma, compareci pessoalmente à 2ª Vara da Justiça Federal em Santos, onde tirei cópia das decisões judiciais que não estavam disponíveis na internet. Juntados referidos documentos aos autos do presente processo, pude constatar que em 30.07.1999 foi proferida decisão liminar concedendo a antecipação da tutela, afastando a exigência da contribuição previdenciária do art. 194, I, da CF. Logo após, em 27.09.1999, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferiu decisão monocrática em sede de agravo de instrumento interposto pelo INSS, concedendo a suspensão dos efeitos da decisão anteriormente referida. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 5 4 Posteriormente, em decisão de 27.08.2001, publicada em 12.12.2001, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reconsiderou a decisão que suspendeu os efeitos da tutela, revigorando seu efeito; ou seja, voltou a ser afastada a exigência da contribuição. Entretanto, em 09.06.2003 foi proferida decisão judicial nos autos da Ação Declaratória nº1999.61.04.0052998 indeferindo pedido de anulação do presente lançamento fiscal, ao ficar constatado que não houve desrespeito à decisão judicial de antecipação da tutela. Em 25.11.2010 o Tribunal Regional Federal da 3ª Região julgou agravo de instrumento interposto pelo INSS contra a decisão que revigorou os efeitos da tutela antecipada, tendo sido negado provimento ao agravo. Por fim, em 08.02.2013, foi proferida sentença de primeira instância, tendo sido julgado improcedente o pedido do contribuinte de reconhecimento da imunidade. Ainda não ocorreu o trânsito em julgado da ação, não tendo sido até o presente momento sido apresentado recurso contra a sentença. Ante o exposto, proponho a devolução do presente processo à egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 15983.000010/201086 Resolução nº 2401000.322 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1271. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Antes de adentrarmos a seara, das informações prestadas acerca da ação judicial, que supostamente iria interferir, na presente autuação, identifiquei um erro no presente processo, que merece ser sanado. Após o cumprimento da diligência, procedeu a autoridade fiscal o encaminhamento do processo ao CARF, sem que tenha sido o recorrente cientificado dos termos da referida informação, para em querendo manifestarse. Assim, converto novamente o processo em diligência, todavia, agora, com o intuito de cientificar o recorrente dos termos da decisão proferida. CONCLUSÃO Face o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que seja o recorrente cientificado dos termos da informação fiscal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 713DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA
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Numero do processo: 13603.900756/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
SALDO NEGATIVO DO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. DOCUMENTO HÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO.
A dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Não apresentadas provas do cumprimento dessas exigências, o IRRF informado na declaração DIPJ não pode ser considerado e deduzido do IRPJ devido.
DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DOS ENCARGOS MORATÓRIOS.
Por expressa previsão legal, aos tributos não recolhidos/compensados no prazo de vencimento, incidem os acréscimos de juros e multa de mora.
Numero da decisão: 1202-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 SALDO NEGATIVO DO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. DOCUMENTO HÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Não apresentadas provas do cumprimento dessas exigências, o IRRF informado na declaração DIPJ não pode ser considerado e deduzido do IRPJ devido. DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DOS ENCARGOS MORATÓRIOS. Por expressa previsão legal, aos tributos não recolhidos/compensados no prazo de vencimento, incidem os acréscimos de juros e multa de mora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. IRRF. DOCUMENTO HÁBIL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A dedução do IRRF na composição do saldo do IRPJ, por expressa disposição legal, somente pode ser efetivada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos e se as correspondentes receitas forem comprovadamente oferecidas à tributação. Não apresentadas provas do cumprimento dessas exigências, o IRRF informado na declaração DIPJ não pode ser considerado e deduzido do IRPJ devido. DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DOS ENCARGOS MORATÓRIOS. Por expressa previsão legal, aos tributos não recolhidos/compensados no prazo de vencimento, incidem os acréscimos de juros e multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 07 56 /2 01 1- 74 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 267 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de examinar pedido de restituição/compensação PER/DCOMP, com crédito originado do saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ ao final do ano calendário de 2007, no valor original de R$ 2.058.092,83, conforme PER/DCOMP das fls.02 à 06. O Despacho Decisório eletrônico da DRF/Contagem/MG deferiu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 770.848,47 e homologou a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido, fls. 07 a 10. O motivo do deferimento parcial foi a falta de comprovação de retenção do IRRF no valor de R$ 1.287.244,37, informado na DIPJ e originado da fonte pagadora com o CNPJ 00.085.507/000195 (fls. 169). Na seqüência, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever o relatório do Acórdão da DRJ/BHE nº 0245.028, de fls. 187 à 194: “Manifestação de Inconformidade 4 O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 12/04/2011, conforme documento à fl. 11. Irresignado, apresenta em 12/05/2011, via postal (fl. 13), a manifestação de inconformidade anexada à fls. 12 a 19, onde, em síntese, argumenta: 4.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 4.2 A DCOMP nº 26055.06337.140708.1.3.029432 foi apresentada em 14/07/2008 com a pretensão de extinguir débito de IPI mediante a utilização de crédito de IRRF – Juros Sobre Capital Próprio retidos em nome de suas empresas incorporadas pela requerente. Intimada a apresentar os comprovantes de retenção, apresentou os comprovantes de rendimentos e IRF fornecidos pelas fontes pagadoras; ainda assim a RFB reconheceu apenas parte do crédito utilizado, sem fundamentar a motivação para a glosa. 4.2.1 Argumenta que o Despacho Decisório é Nulo uma vez que, sem fundamentação, desconsiderou o crédito advindo da PARTIMAG, incorporada pela requerente. Aduz que os créditos da incorporada são transferidos à incorporadora que tem o direito de utilizálos em compensações. 4.2.2 Afirma que é nulo o Despacho Decisório despido de fundamentação e motivação, pois impede a plena ciência, pela requerente, das razões pelas quais seu direito foi negado, cerceando sua defesa em ofensa ao devido processo legal. 4.3 A seguir, tece diversas considerações acerca da incorporação, esclarecendo que a incorporação da PARTIMAG ocorreu na Assembléia de 21/02/2008. Menciona a anexação dos documentos comprobatórios. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 268 3 4.4 Insurgese quanto à multa e os juros de mora, argumentando que a compensação é hipótese de extinção do crédito tributário e que não existe mora ou descumprimento de qualquer dever legal até o momento da ciência do Despacho Decisório que não homologa o pagamento realizado. 4.5 Por fim, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade, com a homologação da compensação declarada; requer ainda a exclusão da multa e dos juros resultantes da compensação não homologada, no período entre a DCOMP e a apreciação definitiva da manifestação de inconformidade.” Examinada a manifestação de inconformidade, a DRJ/BHE emitiu o Acórdão nº 1642.775, de fls. 187 à 194, julgando improcedente a manifestação, com o seguinte ementário: MULTA E JUROS Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência dos encargos moratórios previstos em lei desde o seu vencimento até a sua efetiva extinção. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este colegiado, de fls. 249 à 258, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade. Reforça que inexistiria aproveitamento em duplicidade do IRRFJCP como abordado no acórdão recorrido, isso porque cópia da ficha 12A da declaração DIPJ da empresa Partimag SA, CNPJ 00.085.507/000185, demonstra que o IRRF encontrase zerado, fls. 253. Alega que seria inverídico o fundamento utilizado no acórdão recorrido de que o IRRF sobre os JCP do ano de 2007 teria sido aproveitado triplamente, em outro PER/DCOMP, de nº 42358.56727.090407.1.7.063213, uma vez que o IRRFJCP desse último PER/DCOMP se refere ao ano de 2006, não se confundindo com o presente PER/DCOMP, que se refere ao ano de 2007. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 269 4 O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa. Compulsando os autos, verificase que o despacho decisório contém motivação clara sobre o reconhecimento parcial do direito creditório, ao mencionar nas fls, 08 à 10 que parte do IRRF, no valor de R$ 1.287.244,37, levado em dedução na apuração do IRPJ, na declaração DIPJ, não teria a sua retenção comprovada. Da mesma forma, o acórdão recorrido também fundamentou adequadamente a sua decisão, não se vislumbrando qualquer prejuízo para a recorrente. A análise dos autos mostra que o contribuinte vem apresentando a sua defesa em todas as fases processuais, demonstrando estar plenamente ciente da glosa de parte do direito creditório informado em seu PER/DCOMP, sem que haja cerceamento no seu direito de defesa. Por fim, registrese que a nulidade dos atos administrativos ocorrem nas hipóteses de serem lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações, hipóteses que, definitivamente não se encontram no presente processo: “Art. 59 – São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Em razão do exposto, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Conforme relatado, o contribuinte transmitiu pedido de restituição/compensação PER/DCOMP trazendo como crédito o saldo negativo do IRPJ apurado na declaração DIPJ ao final do anocalendário de 2007, no valor original de R$ 2.058.092,83, fls.02 à 06. A ficha 12A da declaração DIPJ do contribuinte indica que o valor do saldo negativo do IRPJ é composto integralmente do IRRF, uma vez que nesse ano de 2007 não houve apuração de IRPJ sobre o lucro real, fls. 156. Já a ficha 54 – Demonstrativo do IRRF do contribuinte, informa que o IRRF, no total de R$ 2.058.092,83, é composto de R$ 1.287.244,37, retido por PARTIMAG SA CNPJ 00.085.507/000195, e de R$ 770.848,47, retido por MAGNESITA SA CNPJ 19.791.268/000117. Somente o valor de R$ 1.287.244,37 encontrase na situação “retenção na fonte não comprovada”. Por seu turno, a defesa, para comprovar a alegação de que teria direito a deduzir do IRPJ na declaração o valor integral do IRRF, de R$ 2.058.092,83, trouxe em sua manifestação de inconformidade o “comprovante anual de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte – pessoa jurídica”, fls. 86. O comprovante informa que a empresa Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 270 5 MAGNESITA SA reteve o imposto de renda na fonte de PARTIMAG SA, no ano de 2007, no valor de R$ 1.374.808,73, a título de pagamento dos Juros sobre o Capital Próprio. Ao contrário do mencionado no acórdão recorrido, alega a interessada que a empresa PARTIMAG SA, no ano de 2007, não teria se utilizado do IRRF sobre os juros sobre o capital próprio na dedução do IRPJ e, portanto, não haveria duplicidade de aproveitamento do IRRF (na interessada e na Partimag), trazendo cópia de parte da declaração DIPJ para essa comprovação, fls. 263. Examinandose os documentos do processo, verificase que não tem razão a defesa. Em primeiro lugar, a recorrente não trouxe aos autos os “comprovantes anuais de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte – pessoa jurídica” para justificar o IRRF de R$ 2.058.092,83 deduzido em sua declaração DIPJ e que originou o saldo negativo do IRPJ levado em compensação no PER/DCOMP em análise. O comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, onde consta o respectivo IRRF a ser utilizado na declaração DIPJ, é documento obrigatório exigido por lei, a teor do art. 55 da Lei nº 7.450, de 1995, uma vez que o que se está restituindo não é o IRRF, mas sim o próprio IRPJ apurado nessa declaração: Art. 55. 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa fisica ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (grifei) Ademais, a apresentação do comprovante emitido pela fonte pagadora é fundamental para suportar os fatos que a recorrente alega ter ocorrido. Sem esse, não há como certificarse de que o pagamento dos Juros sobre o Capital PróprioJCP efetivamente ocorreu, bem como se foi efetivada a correta retenção do imposto na fonte IRRF. Como já mencionado neste voto, a defesa trouxe apenas um “comprovante de rendimentos e retenção na fonte”, de fls. 86, da qual a interessada não faz parte. Portanto, a primeira conclusão a que se chega é que o comprovante apresentado não se presta para comprovar o IRRF de R$ 1.287.244,37 utilizado/deduzido do IRPJ na DIPJ da interessada e, portanto, o despacho decisório das fls. 07 a 09 encontrase correto. Já a alegação de que a PARTIMAG SA teria sido incorporada pela interessada e, dessa forma, esta faria jus ao aproveitamento do IRRF daquela, também não se sustenta. Isso porque a incorporação da PARTIMAG SA ocorreu em 21/02/2008, fls. 88, portanto, após o encerramento do período de apuração do saldo negativo do IRPJ ora examinado, ocorrido em 31/12/2007. Por decorrência lógica da cronologia dos fatos, algum IRRF porventura aproveitável da incorporada PARTIMAG SA somente poderia ocorrer a partir do ano de 2008 e não no ano de 2007, como pretende a defesa. Um dos fundamentos utilizados no acórdão recorrido foi o de que teria havido aproveitamento em duplicidade do IRRF, na PARTIMAG SA e na interessada. Entretanto, registrese que nem mesmo o fato de divergência de informações existente na Ficha 12A da declaração da PARTIMAG SA trazida pelo recorrente com o IRRF “zerado”, fls. 263, contraposto com a mesma Ficha 12A da declaração da PARTIMAG SA trazida pela DRJ, com Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 271 6 o IRRF aproveitado de R$ 1.504.497,66, fls. 126, não prejudicam os fundamentos deste voto. Isso porque o decisivo é que a defesa deixou de comprovar a integralidade do IRRF a que tem direito para compor o saldo negativo do IRPJ na sua declaração DIPJ. Vale dizer, inexiste nos autos “comprovante de rendimentos e retenção na fonte”, cuja beneficiária seja a interessada, Magnesita Refratários SA – CNPJ 08.684.547/000165, para comprovar o IRRF de R$ 1.287.244,37 utilizado/deduzido do IRPJ na DIPJ para compor o saldo negativo deste último. Salientese que a demonstração da efetividade do direito que a interessada aduz possuir é uma obrigação da recorrente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. (grifos meus) Assim, de todos os ângulos que se examina a matéria, verificase que o despacho decisório encontrase correto e a defesa não conseguiu comprovar, com a documentação exigida por lei, a retenção do IRRF, no valor de R$ 1.287.244,37, para compor o saldo negativo do IRPJ pleiteado. Esclareçase à recorrente que, para aproveitamento do IRRF, é necessário também que as correspondentes receitas auferidas a título de Juros sobre o Capital PróprioJCP sejam oferecidas à tributação na mesma declaração, nos termos do estabelecido em lei e no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), conforme art. 231, inciso III: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n° 9.430, de 1996, art. 2°, § 4°): [...] III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Por fim, quanto à incidência dos encargos moratórios pela não compensação dos tributos informados no PER/DCOMP, cabe dizer que se trata de exigência expressamente prevista em lei, contida no art. 61 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996, dela não podendo se eximir, matéria que foi muito bem abordada no acórdão recorrido, cujas razões de decidir passo a transcrever e também adotar: “23. O manifestante contesta a aplicação da multa e dos juros de mora aos débitos indevidamente compensados, propugnando pela exclusão da multa e dos juros no período entre a apresentação da DCOMP e a apreciação definitiva da manifestação de inconformidade. Acerca dos acréscimos legais, a Lei nº 9.430, de 1996 assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 272 7 a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Os grifos não são do original) 23.1 O dispositivo acima transcrito esclarece quanto aos acréscimos legais aplicáveis aos créditos tributários extintos a destempo. Percebese que a imputação da multa de mora aos débitos extintos a destempo não é uma opção do contribuinte, mas uma obrigação expressamente prevista em lei, e não pode ser desconsiderada pelo agente público. Cabe ressaltar ainda que, ao apresentar a DCOMP, o sujeito passivo, ciente das condições impostas pelo legislador à execução da compensação tributária, a elas se submete, independentemente de qualquer ato ou esclarecimento da administração pública. 23.2 A extinção do crédito tributário através da DCOMP ocorre sob condição resolutória de ulterior homologação. Não confirmado o procedimento executado pelo contribuinte, a operação é desfeita e o débito passa a não extinto, submetendo se às regras determinadas pela legislação vigente para a sua efetiva extinção. Ao apresentar a DCOMP o sujeito passivo declarou a compensação de seus débitos moldes do lançamento por homologação. Não respeitados os requisitos previstos na legislação tributária, sujeitouse à invalidação do procedimento e à aplicação dos encargos moratórios previstos em lei, tal como no caso em questão. 24. Como se vê, o pleito do contribuinte não encontra amparo na legislação tributária vigente e não pode ser acatada.” Em face do exposto, voto para que seja rejeitada a preliminar suscitada e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13603.900756/201174 Acórdão n.º 1202001.178 S1C2T2 Fl. 273 8 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11077.000090/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007
PIS IMPORTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PIS FATURAMENTO. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
O fato da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação não gerar crédito no regime da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep antes do seu efetivo recolhimento não representa duplicidade na exigência fiscal.
Numero da decisão: 3201-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007 COFINS IMPORTAÇÃO. COFINS FATURAMENTO. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O fato da CofinsImportação não gerar crédito no regime da não cumulatividade da Cofins antes do seu efetivo recolhimento não representa duplicidade na exigência fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007 PIS IMPORTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. PIS FATURAMENTO. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O fato da Contribuição para o PIS/PasepImportação não gerar crédito no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep antes do seu efetivo recolhimento não representa duplicidade na exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 7. 00 00 90 /2 00 8- 27 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 715 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o processo dos autos de infração lavrados para a constituição das contribuições COFINS Importação e PIS/PASEP Importação, acrescidas dos juros de mora, incidentes nas importações das mercadorias submetidas a despacho pelas Declarações de Importação listadas às fls. 03/04 e 13/14, totalizando num crédito tributário exigido de R$ 68.277,01 (fls. 01 a 29). Esclarece o Fisco que em decorrência do deferimento do pedido de antecipação dos efeitos da tutela pleiteado na ação judicial demandada junto à 13a Vara Federal de São Paulo (processo n° 2004.61.00.0332672), em que se discute a exigibilidade da Cofins e do Pis/Pasep incidente na importação da forma como estatuída na Lei n° 10.865/04, a autuada não efetuou o recolhimento dos respectivos valores, razão pela qual, com arrimo no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, por se tratar de decisão ainda não transitada em julgado, lavrou os autos de infração em comento com o objetivo de prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência. Intimada da exação em tela, a autuada apresentou impugnação de fls. 138 a 141, instruída com os documentos de fls. 142 a 253, para aduzir que as mercadorias importadas foram desembaraçadas sem o recolhimento do Pis/Pasep e da Cofins tendo em vista a suspensão de sua exigibilidade concedida nos autos da ação ordinária ajuizada pela interessada. Salienta a impugnante que referida ação foi julgada procedente pelo Juizo a quo que declarou a inexistência da relação jurídica que a obrigue ao recolhimento das referidas contribuições, na medida em que referido Juizo negou a aplicação da sua norma instituidora (Lei n° 10.865/04). Discorre sobre a sistemática da nãocumulatividade estatuída pelo artigo 15 da referida lei para afirmar que os valores acaso despendidos pelo importador com o Pis e Cofins seriam obrigatoriamente descontados do montante posteriormente recolhido a titulo de Pis e Cofins faturamento, como resultado do confronto do saldo devedor e/ou credor de conta gráfica da escritura contábilfiscal. Concluindo, entende que por haver recolhido integralmente as citadas contribuições na operação comercial subseqüente saída dos produtos importados depois de nacionalizados para venda aos seus clientes no mercado interno, sua exigência representa Fl. 715DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 716 3 pagamento em duplicidade, na medida que não utilizou os créditos que por ventura teria direito. Razão pela qual requer a nulidade dos autos de infração impugnados. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/07/2007, 13/07/2007, 14/07/2007, 16/07/2007, 17/07/2007, 18/07/2007, 19/07/2007 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO. REPERCUSSÃO DIRETA E DEPENDENTE. FATO SUPERVENIENTE. Em face do principio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de impugnação em que se discute matéria cujo objeto, além de idêntico, tem repercussão direta no resultado da ação judicial movida pela impugnante importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. A alegação embasada em suposta circunstância ou evento superveniente e incerto, em face de decisão judicial não transitada em julgado, não tem o condão de instaurar o litígio administrativo. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Questiona, ainda, a decisão recorrida afirmando que a discussão contida na ação judicial proposta pela empresa não possui o mesmo objeto da discussão levada pela empresa em impugnação. A ação judicial discutiria acerca da inexigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação, em vista da alegada inconstitucionalidade da Lei 10.865/2004. Já na impugnação ao auto de infração a empresa questionaria a exigibilidade do Pis Cofins importação, considerando o recolhimento integral de PIS e Cofins "faturamento" quando da saída das mercadorias, sem o abatimento do crédito gerado na importação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 716DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 717 4 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No tocante à alegação de que a discussão contida na ação judicial proposta pela empresa não possuiria o mesmo objeto da discussão levada pela empresa em impugnação, mostrase com razão a recorrente. A ação judicial teve como objeto o afastamento da exigência tributária decorrente da Lei nº 10.865/2004, que disciplinou a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) e da Cofins sobre a importação de bens e serviços, sendo alegado: (a) a necessidade de lei complementar para a instituição do tributo, ex vi art. 149, 146 e 195, de Constituição Federal; (b) vicio na definição da base de cálculo do tributo, que estaria a contrariar o que dispõe o artigo 149, inciso III, alínea “a” da Constituição Federal e ainda o Decreto n.° 1.355/ 1.994, o Acordo Constitutivo da Organização Mundial de Comércio (OMC) e o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras (GATT), bem como o CTN em seus artigos 98 e 110; c) violação do principio da isonomia em razão da definição da base de cálculo com a inclusão dos outros tributos em sua composição, que resulta para o Importador em alíquota maior que a suportada pelo comerciante nacional. A impugnação, por sua vez, defende que o lançamento estaria exigindo a contribuição em duplicidade, tendo em vista que, utilizandose da suspensão da exigibilidade do PIS e da CofinsImportação, por meio da ação judicial, a empresa deixou de recolher referidas contribuições; por outro lado, deixou de utilizar do crédito decorrente destas previsto no art. 15 da Lei 10.865/2004, quando do pagamento do PIS e da Cofins faturamento, pois as recolheu integralmente na operação comercial subseqüente saída dos produtos importados depois de nacionalizados para venda a seus clientes no mercado interno. Observase, contudo, que a decisão recorrida enfrentou as questões postas pela recorrente, apenas deixando de ser apreciadas as questões objeto da ação judicial, como demonstra os trechos desta decisão abaixo transcritos: [...] De plano, cumpre salientar a procedência do lançamento do crédito tributário com o objetivo de prevenilo dos efeitos da decadência (artigo 63 da Lei n° 9.430/96), cujo tema já se encontra pacificado na jurisprudência do STJ, a exemplo da Decisão proferida, em 25.02.2003, no Acórdão do RESP 75075/RJ (Recurso Especial 1995/00484110), de autoria do eminente relator, Ministro Francisco Peçanha Martins. [...] De outra parte, a situação representada na autuação em tela e aqui destacada tem mesmo objeto da lide judicial, a discussão acerca da aplicabilidade ou não da Lei n° 10.865/04. [...] Por fim, alega a impugnante que eventualmente manutenção do lançamento em apreço constituirá cobrança em duplicidade das contribuições, sob o fundamento de que na etapa posterior recolheuas integralmente (modalidade faturamento), uma vez Fl. 717DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 718 5 que não efetuou o "desconto" autorizado pelo o artigo 15 da Lei n° 10.865/04. Quanto ao mencionado argumento de defesa convém salientar que não cabe à autoridade lançadora nem ao julgador administrativo perquirir quanto ao resultado de evento futuro e incerto, dependente do trânsito em julgado da ação judicial na qual a reclamante objetiva a inaplicabilidade dos efeitos da Lei n° 10.865/04, como é o caso, bem como não pode o aplicador negar vigência a uma norma legal regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ademais, acaso se confirme, na via judicial intentada, a improcedência da exação em tela, confirmando a inexigibilidade do presente crédito tributário nada há que se devolver à autuada, pois não efetuou qualquer recolhimento a titulo de Pis/Pasep e Cofins incidentes nas operações de importação em trato. Do contrário, caso seja reformada a decisão a quo declaratória da inexistência da relação jurídica que a obrigasse ao recolhimento das referidas contribuições, ensejando o direito de o Fisco exigilas, poderá a contribuinte, após seu efetivo recolhimento, compensar respectivos créditos com os débitos decorrentes das operações, por ventura, realizadas no respectivo período de apuração das referidas contribuições, em conformidade com a sistemática da nãocumulatividade prevista no artigo 15 da Lei n° 10.865/04. Desta forma, não se verifica presente o alegado vício no acórdão recorrido. No tocante a alegada duplicidade de exigência, decorrente do recolhimento integral das citadas contribuições na operação subsequente, qual seja a saída do produto (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre faturamento), sem abatimento dos créditos do PIS/CofinsImportação, mostramse necessários alguns esclarecimentos. Tratamse, claramente, de duas hipóteses de incidência distintas. Nestes Autos de Infração foram constituídos os créditos tributários referentes a Cofins Importação e a Contribuição para o PIS/Pasep – Importação, que tem por fato gerador a entrada de bens estrangeiros no território nacional ou o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado, conforme estabelecido pelo art. 3º da Lei 10.865/04. A contrário, não estão sendo exigidas a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep no Regime da NãoCumulatividade, que incidem sobre o total de receitas auferidas pela pessoa jurídico (art. 1º das Leis 10.637/02 e 10.833/03). Os créditos gerados com o recolhimento dos tributos ora exigidos, de fato, podem modificar o valor devido a título de PIS e Cofins no regime nãocumulativo, mas esta característica do regime de apuração não representa, de forma alguma, duplicidade de exigência, pois, como já explicitado, a lei elenca dois fatos geradores distintos. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11077.000090/200827 Acórdão n.º 3201001.601 S3C2T1 Fl. 719 6 Desta forma, como as alegações não tem o condão de modificar a exigência formalizada neste processo, não merecem acolhida. Diante do exposto, voto por negar seguimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 719DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.004884/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/03/2005
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.551
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 48 84 /2 00 9- 14 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004884/200914 Acórdão n.º 2403002.551 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.178 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO. Constitui infração a legislação previdencidria, deixar o contribuinte de exibir a fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, quando solicitados. MULTA. MANUTENÇÃO. Numa autuação lavrada por ocorrência de várias infrações, somente será afastada a multa lançada se ficar caracterizada a improcedência para TODOS os fatos que ensejaram o auto de infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infringência ao disposto no artigo 33, § 2°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, por ter deixado a empresa de apresentar os livros diários do período de 01/2004 a 03/2005. Relata a fiscalização às fls. 16: 2 no decorrer da ação fiscal a empresa apresentou o Livro Diário n° 39, referente ao período de 01/2004 a 12/2004, registrado na JUCEMG sob o n°00.860.989 em 09/05/2005 e o Livro 41, de 01/2005 a 12/2005, registrado na JUCEMG sob o n° 00.891.149 em 03/05/2006. Ao analisarmos os lançamentos contábeis do Livro Diário n° 39 verificamos que as folhas 769 a 771 referentes ao Balanço Geral da empresa foram substituidas por outras após a encadernação e registro na JUCEMG. 3 — Através do TIF — 02 de 19/12/2008 e TIF — 03 de 21/01/2009 solicitamos a apresentação dos Livros Diários referentes ao período fiscalizado. Fomos informados que a empresa não possuía mais os arquivos dos lançamentos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 contábeis em seu banco de dados e que não poderia gerar os Livros Diários do período solicitado. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2008.01990, Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, fls. 06/07, Termos de Intimação Fiscal, fls. 08 a 13, tendo sido encerrada em 31/08/2009, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, fls. 14/15. Como informado no item 4 do Relatório Fiscal da Infração, fls. 16, a empresa não possui registro de autos de infração anteriores, sendo, portanto primária. De acordo com o Relatório de Aplicação da Multa, fls. 17, em decorrência da infração, foi aplicada a penalidade prevista nos artigos 283, inciso II, alínea "j", e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048, de 1999, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). A empresa teve ciência da autuação, em 08/09/2009, fls. 24, e apresentou impugnação em 08/10/2009, fls. 27 a 32, com as seguintes alegações: A própria fiscalização se contradiz, pois, ao mesmo tempo em que diz que a impugnante deixou de exibir os livros diários de 01/2004 a 03/2005, também diz que a empresa apresentou o Livro Diário 39 referente ao período de 01/2004 a 12/2004, e o livro 41, de 01/2005 a 03/2005; Se a impugnante apresentou os Livros Diários de 01/2004 a 03/2005, não há que se falar em infração cometida, sendo nulo o auto de infração ora impugnado; O lançamento fiscal não guarda qualquer relação com a realidade dos fatos, restando insubsistente. Requer seja provida a defesa apresentada e declarada nula a multa aplicada. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Tempestividade do recurso. Intimação ocorreu em 02/03/2011. · Inexistência da multa. · Contradição da fiscalização. · Falta de motivação. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.004884/200914 Acórdão n.º 2403002.551 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 25 de fevereiro de 2011 (sextafeira) e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 29 de março de 2011 (terçafeira). O notificado interpôs o recurso no dia 1º de abril de 2011 (sextafeira), portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. É como voto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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