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Numero do processo: 10410.008617/2007-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1977; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 67 1 66 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.008617/200780 Recurso nº Resolução nº 2801000.178 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 22 de janeiro de 2013 Assunto IRPF Recorrente EDUARDO BATISTA JÚNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC/PE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima identificado foi efetuado Lançamento, fls. 07 a 11, com imposto suplementar de R$ 2.862,31, multa de ofício de R$ 2.146,73 e juros de mora de R$ 2.059,43, totalizando R$ 7.068,47, em função da omissão de rendimentos decorrente do trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 32.560,36, conforme Precatório 42.022/AL, por êxito na Ação Declaratória que pleiteava 28,86% de reajuste nos vencimentos. No julgamento da Apelação Cível 345122PE que pleiteava a não incidência do imposto de renda sobre tais rendimentos, o TRF 5ª Região considerouos tributáveis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .0 08 61 7/ 20 07 -8 0 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.008617/200780 Resolução nº 2801000.178 S2TE01 Fl. 68 2 2. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 01 a 03, na qual alega, em síntese, que: 2.1. é isento do imposto de renda com base no art. 6º , inciso XIV da Lei 7.713/88, por ser portador de doença grave constatada por junta médica oficial, informada a essa instituição, de modo que ainda que receba tal crédito, não será valorado porque a isenção impede a incidência na norma no caso concreto, inexistindo fato gerador ou hipótese de incidência. Transcreve excerto de decisão judicial; 2.2. a obrigação de informar sobre o crédito é da fonte pagadora, ou seja, do TRF 5ª Região, eximindose o contribuinte a que fora endereçado o crédito, ainda mais na sua condição, pois constatada a moléstia e concedido o benefício está obrigado apenas a fazer declaração de isento; 2.3. não há embasamento legal para cobrança do "principal (imposto suplementar), muito menos das obrigações acessórias". Transcreve excerto de decisão administrativa e solicita insubsistência da cobrança. ” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 43/47, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. Serão computados no cálculo do imposto de renda os rendimentos tributáveis decorrentes de ação judicial comprovadamente omitidos pelo contribuinte. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MOLÉSTIA GRAVE. Somente podem ser considerados isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de moléstia grave prevista em lei, inequivocamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. OPÇÃO PELA VIA AÇÃO JUDICIAL. A opção, por parte da interessado, pela discussão de determinada matéria junto ao Poder Judiciário, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia tácita às instâncias administrativas sobre tal matéria. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 25/04/2011 (AR fl. 50), o interessado interpôs o recurso de fls. 51/54, em 23/05/2011. Em sua defesa, alega que independentemente de dúvidas particulares do Relator da decisão recorrida, restou provado nos autos, através de laudo pericial de junta oficial, que o contribuinte/recorrente era portador de Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.008617/200780 Resolução nº 2801000.178 S2TE01 Fl. 69 3 moléstia grave, que lhe conferiu direito à aposentadoria por invalidez, desde 1997. Aduz que, embora os valores recebidos pelo recorrente, mediante precatório judicial, refiramse a verbas anteriores a data de sua aposentadoria por invalidez, decorrente de moléstia grave, o momento que deve ser considerado para se saber se o contribuinte é isento ou não do tributo é o da efetiva aquisição da disponibilidade econômica, nos termos do art. 43 do CTN, sendo incabível, portanto, a incidência do Imposto de Renda, quando demonstrado que à época do pagamento do precatório o impetrante fazia jus a citada isenção, nos moldes do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. Ainda argumenta que, na ocasião do recebimento do crédito haveria a incidência de 27,5% na fonte, portanto, não haveria obrigação do contribuinte em declarar, mesmo porque houvera a retenção do tributo na fonte. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.008617/200780 Resolução nº 2801000.178 S2TE01 Fl. 70 4 entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10730.901900/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Há cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este (contribuinte) deixa de ser previamente intimado, por termo específico, para sanear ou justificar inconsistências de preenchimento de documentos entregues ao Fisco, identificadas no exame eletrônico da DCOMP, que justificaram o indeferimento do pedido de compensação.
Recurso voluntário provido para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1102-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instancia por cerceamento de direito de defesa, suscitada de ofício pelo Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, vencidos o Conselheiro Relator e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, que rejeitavam a preliminar e prosseguiam no exame de mérito.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(documento assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Há cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este (contribuinte) deixa de ser previamente intimado, por termo específico, para sanear ou justificar inconsistências de preenchimento de documentos entregues ao Fisco, identificadas no exame eletrônico da DCOMP, que justificaram o indeferimento do pedido de compensação. Recurso voluntário provido para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instancia por cerceamento de direito de defesa, suscitada de ofício pelo Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, vencidos o Conselheiro Relator e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, que rejeitavam a preliminar e prosseguiam no exame de mérito.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Relator. (documento assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Há cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando este (contribuinte) deixa de ser previamente intimado, por termo específico, para sanear ou justificar inconsistências de preenchimento de documentos entregues ao Fisco, identificadas no exame eletrônico da DCOMP, que justificaram o indeferimento do pedido de compensação. Recurso voluntário provido para reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instancia por cerceamento de direito de defesa, suscitada de ofício pelo Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, vencidos o Conselheiro Relator e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, que rejeitavam a preliminar e prosseguiam no exame de mérito.Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 19 00 /2 00 8- 41 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório A interessada apresentou DIPJ original referente ao anocalendário de 1999 apurando IRPJ no montante de R$ 18.218,80; pago em quatro parcelas: R$ 3.792,68; 5.047,23; 6.598.97 e 4.102,35. Posteriormente, retificou a Declaração informando a inexistência de imposto a pagar. Trata o presente de Per/Dcomp através do qual a interessada solicita o reconhecimento do crédito de R$ 4.102,35; correspondente a uma das parcelas do suposto pagamento indevido, e a compensação de parte desse valor com débito da Cofins referente ao mês de outubro de 2004. Foi emitido Despacho Decisório eletrônico indeferindo o pleito, em função do pagamento supostamente indevido ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do sujeito passivo, não estando qualquer crédito disponível para compensação. Em manifestação de inconformidade a interessada informa que retificou a DCTF onde constava o débito de IRPJ no valor de R$ 4.102,35 e excluiu esse montante no novo documento. Informou ainda que também retificou a DIPJ correspondente ao ano calendário de 1999, com as alterações que implicaram em zerar o IRPJ informado na Declaração original. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1236.051 dando provimento apenas parcial ao pleito. Em relação ao montante mais significativo do crédito alegado, a decisão identificou que a alteração efetuada pela interessada na DIPJ, entregue com opção pelo presumido, referese à alteração no percentual de presunção utilizado de 32% para 8%. Isso porque a reclamante entendeu que prestaria serviços de natureza hospitalar e não de caráter geral, o que justificaria a alteração efetuada e o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos sob o percentual maior. No entendimento do acórdão recorrido, a interessada não teria demonstrado a prática de serviços hospitalares nos termos definidos pela legislação de regência, especialmente o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 2003; a Instrução Normativa SRF nº Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 4 3 306/2003, com alterações posteriores; e o inciso III, do § 1º, do art. 15, da Lei nº 9.249/95, com as alterações do art. 29, da Lei nº 11.727/2008. Em recurso dirigido a este Colegiado, a interessada sustenta que se enquadraria nas especificações do ADI 18/2003 bem como na IN/SRF 539/2005 (que alterou a IN/SRF nº 306/2003), por exercer “atividades fins de prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia” conforme estabelecido no inciso II, do art. 27 desse ato normativo que, por sua vez, teve como base a RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) nº 50/2002 emitida pela Anvisa. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro: Leonardo de Andrade Couto O cerne da questão consiste em avaliar se a interessada exerce atividade definida como serviço hospitalar o que lhe possibilitaria, ao apurar o resultado na sistemática do lucro presumido, utilizar o coeficiente de presunção de 8% e não de 32 % aplicável aos prestadores de serviço em geral. Nesse caso, como recolheu o IRPJ apurado sob o percentual de 32% no ano calendário de 2004, teria direito ao crédito do valor recolhido a maior. Como documentos comprobatórios de suas alegações, apresenta cópia de notas fiscais emitidas em nome da Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo, Unimed e GEAP Fundação de Seguridade Social, fazendo referência à prestação de serviços médicos e hospitalares; um laudo médico para autorização de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade (APAC); e cópia do livro de registro de empregados com a ficha funcional de quatro funcionárias: uma recepcionista, uma auxiliar técnica, uma faturista e uma auxiliar de enfermagem. A apresentação da ficha funcional de alguns empregados teve o intuito de atestar que a recorrente não se enquadraria no art. 2º do ADI SRF nº 18/2003. Para melhor entendimento, transcrevo o referido Ato (destaques acrescidos): O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que dispõe o art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, e o Processo nº 13819.000897/9921, declara: Art. 1º Para fins do disposto no art. 15, §1º, III, "a'' da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 5 4 Art. 2º Para fins do disposto no art. 1º, independentemente da forma de constituição da pessoa jurídica, não serão considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando forem: I prestados exclusivamente pelos sócios da empresa; ou II referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Parágrafo único. Os termos auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. Tendo em vista que o inciso I, do art. 2º estabelece que não seriam considerados serviços médicos aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da empresa, a interessada quis demonstrar a presença de outros funcionários no exercício das atividades sob exame. Na ausência de outros elementos de prova, a intenção do sujeito passivo não foi bem sucedida. Importa ressaltar que a restrição imposta teve como escopo deixar clara a impossibilidade de considerar serviço hospitalar a atividade ambulatorial exercida em consultórios ou clínicas dirigidas principalmente a consultas, exames, diagnósticos e tratamentos de menor complexidade, sem a necessidade de profissionais especializados que não os próprios sócios. Daí porque, conforme estabelecido no caput e no Parágrafo Único do dispositivo em questão, a simples presença de auxiliares ou colaboradores não é suficiente para caracterizar a atividade hospitalar. Sob esse prisma, as fichas funcionais apresentadas pela recorrente, por si só, não têm qualquer força probante para atestar a prestação de serviços hospitalares. O laudo médico indica que a interessada está apta a efetuar diagnósticos de distúrbios oftalmológicos de indicação cirúrgica, como é o caso da catarata. Entretanto, não é suficiente para demonstrar a existência de centro cirúrgico em suas instalações e, mais importante ainda, a disponibilidade de leitos, ainda que voltados à internações de curto prazo, de forma a caracterizar a típica atividade hospitalar. Quanto às notas fiscais, o que se tem é a indicação da realização de “serviços médicos e hospitalares” sem especificação do que seriam tais serviços. Aqui também, na ausência de outros elementos de prova, não há como saber se as atividades exercidas pela recorrente se enquadariam efetivamente como serviços hospitalares, nos termos das normas que regem a matéria. Na peça recursal, a reclamante transcreve trechos da legislação destacando dispositivos onde entende que estaria albergado. No caso da IN/SRF nº 306/2003 e alterações posteriores, farei aqui o mesmo destaque: Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 6 5 à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1° A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. (.....) Assim, a interessada entende que estaria enquadrada no que seriam “atividades fins de prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4)”. Na inexistência de maiores esclarecimentos por parte do sujeito passivo, buscouse na norma regulamentadora um maior detalhamento do que seriam tais atividades. Conforme mencionado no caput do dispositivo supra transcrito, a definição almejada está contida na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/2002, emitida pela Anvisa que dispõe, nos termos da ementa, sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. As atividades mencionadas nos incisos e alíneas supra transcritos foram extraídas do item 2.1 da RDC e foram denominadas atribuições fim. Representam os serviços hospitalares em essência. Com maiores detalhes, nos termos da RDC, são elas: 1Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; 2Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 7 6 3Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); 4Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); O item 2.2 da RDC apresenta as atividades e subatividades de cada um desses serviços. Para o serviço correspondente à atividade 4, a que o sujeito passivo entende se adequar a RDC indicou as subatividades de Patologia clínica, Imagenologia, Métodos Gráficos, Anatomia patológica e citopatologia, Desenvolvimento de atividades de medicina nuclear, Realização de procedimentos cirúrgicos e endoscópicos, Realização de partos normais, cirúrgicos e intercorrências obstétricas, Desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes externos e internos, Desenvolvimento de atividades hemoterápicas e hematológicas, Desenvolvimento de atividades de radioterapia, Desenvolvimento de atividades de quimioterapia, Desenvolvimento de atividades de diálise, Desenvolvimento de atividades relacionadas ao leite humano, e Desenvolvimento de atividades de oxigenoterapia hiperbárica (OHB). Cada uma dessas subatividades veio acompanhada de uma descrição de procedimentos para facilitar o enquadramento do estabelecimento de saúde. Considerando que foi a interessada que trouxe à baila as disposições da RDC, é razoável supor que ela deveria ao menos tentar demonstrar o enquadramento em algumas das subatividades com a realização dos procedimentos correspondentes, bem como a adequação física para a prática dos serviços, nesse último caso em atendimento ao § 1º do art. 27, da Instrução Normativa em comento. A questão aqui sob exame deve ser dirimida sob um juízo de valoração probante no que tange à prática de serviços hospitalares pela interessada. Do até aqui exposto entendo que não foram trazidos aos autos elementos suficientes a demonstrar o alegado, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Voto Vencedor Conselheiro: Antonio Carlos Guidoni Filho Peço vênia para suscitar, de ofício, preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa da Contribuinte. Conforme se constata do exame dos autos, tratase de pedido de compensação indeferido por despacho decisório eletrônico pela Receita Federal do Brasil, sob o fundamento de que os créditos de IRPJ alegados pela Contribuinte e utilizados no procedimento de compensação teriam sido utilizados para quitação de outros débitos relativos ao mesmo tributo, conforme DIPJ e DCTF (originais) entregues pela Contribuinte ao Fisco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 8 7 Contra esse despacho, observados os limites de sua fundamentação, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argüindo em sua defesa que tais DIPJ e DCTF, consideradas pelo despacho decisório, foram por ela retificadas com a finalidade de excluir citado débito de IRPJ e, por conseguinte, de tornar evidente o crédito objeto do pleito de compensação. Ad cautelam et argumentandum, a Contribuinte apresentou justificativa superficial para a realização de tais retificações (de declarações), embora essa discussão não tivesse sido invocada como fundamento para a negativa do pedido de compensação pelo despacho decisório. Diante de tais fatos, nada obstante os limites de cognição impostos pelo despacho decisório, o acórdão recorrido passou a tratar exclusivamente da correção (ou não) das declarações retificadoras apresentadas pela Contribuinte e, por conseguinte, da existência em sentido estrito do direito creditório, sem versar sobre a validade (ou não) do despacho decisório visàvis as citadas declarações retificadoras e, especialmente, sem permitir à Contribuinte defesa quanto ao objeto das retificações, mediante intimação específica para que apresentasse documentos sobre a correção de suas providências (retificações). Notese que a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro DE 2007, que define procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, de ressarcimento e de declarações de compensação apresentados por intermédio do Programa PER/DCOMP,.estabelece que, nas hipóteses de apreciação eletrônica dos pedidos de compensação, como o caso, será lavrado termo de intimação ao contribuinte para que possam ser saneadas ou justificadas inconsistências ou irregularidades dos documentos entregues ao Fisco que justificariam o indeferimento do pedido de compensação. No caso, não houve a lavratura do citado termo de intimação. Não se nega ao Colegiado a quo o exame da procedência do pleito de compensação. Contudo, considerado o objeto do despacho decisório eletrônico (que, em última análise, delimita o contencioso administrativo) e a ausência de citada intimação prévia à Contribuinte, incumbiria ao Colegiado a quo – antes de tratar da procedência (ou não) das retificações realizadas permitir à Contribuinte, mediante intimação ou diligência, a apresentação de documentos e defesa específica sobre a natureza das atividades por ela desenvolvidas e a conseqüente correção das retificações de declaração apresentadas. Do contrário, com a devida vênia, resta intuitivo o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte. Nesses termos, orientase voto no sentido de anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de direito de defesa, para que outra seja proferida na boa e devida forma, permitindose à Contribuinte, no prazo de 30 dias contados da data da intimação desta decisão, a apresentação de documentos e defesa específica sobre a correção das retificações de suas declarações objeto desse processo. (documento assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10730.901900/200841 Acórdão n.º 1102000.624 S1C1T2 Fl. 9 8 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por LEONARDO DE ANDRA DE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 12897.000727/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ART. 4º da IN SRF 213/02. ILEGALIDADE
A interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º da IN SRF 213/02, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma interpretação razoável do quadro normativo legal.
A observância, pelo contribuinte, do art. 4º da IN SRF 213/02 exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora sobre o tributo lançado.
Numero da decisão: 1302-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho, Hélio Araújo, Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 ART. 4º da IN SRF 213/02. ILEGALIDADE A interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º da IN SRF 213/02, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma interpretação razoável do quadro normativo legal. A observância, pelo contribuinte, do art. 4º da IN SRF 213/02 exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora sobre o tributo lançado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ART. 4º da IN SRF 213/02. ILEGALIDADE A interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º da IN SRF 213/02, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma interpretação razoável do quadro normativo legal. A observância, pelo contribuinte, do art. 4º da IN SRF 213/02 exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora sobre o tributo lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo e Hélio Araújo. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho, Hélio Araújo, Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 07 27 /2 00 9- 75 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Versa o presente processo sobre recurso de ofício interposto em face do Acórdão n˚ 1230.482, da 2ª Turma da DRJ/RJ1, cuja a ementa assim dispõe: ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 INVESTIMENTO EM CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO DO LUCRO APURADO PELA CONTROLADA COM O SALDO DE PREJUÍZOS ACUMULADOS DA PRÓPRIA CONTROLADA. Nos termos do art. 4° da IN SRF n° 213, de 7 de outubro de 2002, o lucro apurado por controlada sediada no exterior pode ser compensado com prejuízos acumulados dessa mesma controlada, apurados a partir de 1996, sem a restrição de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065, de 1995. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz são estendidos ao lançamento reflexo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A decisão de primeira instância assim está relatada e fundamentada: “Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela Defis (RJ), referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, através dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 9.232.108,85 (fls. 92/97 e termo de verificação às fls. 85/89), e a contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL, no valor de R$ 3.339.017,45 (fls. 98/103), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 Fundamentaram as exações do IRPJ e da CSLL: o interessado não ofereceu à tributação os lucros apurados nos anoscalendário de 2005 e 2006 pela empresa controlada Granite Holdings Corporation, sediada nas Bahamas, da qual detém 100% do capital, conforme a seguir: Data Lucro US$ Taxa de venda Lucro (R$) 31/12/2005 8.992.845 2,3407 21.049.552,29 31/12/2006 7.636.567 2,1380 16.326.980,24 2.1 Nas apurações dos créditos tributários do anocalendário de 2005, os saldos de prejuízo fiscal (IRPJ — R$ 286.785,24) e da base de cálculo negativo (CSLL — R$ 286.785,24) foram compensados integralmente (fls. 95 e 101). Consequentemente, no anocalendário de 2006 apurouse compensações indevidas de prejuízos fiscais (IRPJ — fl. 15) e de base de cálculo negativa (CSLL — fl. 17), ambos no valor de R$ 10.446,7 1. 3 Ao impugnar as exigências, fls. 114/133 e documentos de fls. 134/189, o interessado alega, em síntese, que: embora a empresa controlada tenha apurado lucros nos anos de 2005 e 2006, havia prejuízos acumulados dos anos anteriores que foram compensados antes da disponibilização dos lucros, tal como determina a lei das sociedades por ações (Lei n° 6.404/1976); após a compensação dos lucros com os prejuízos acumulados, ainda restaram prejuízos para serem compensados com lucros futuros; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 230 3 não houve disponibilização e sim utilização destes para compensação de parte dos prejuízos acumulados nos períodos anteriores; é notória a existência da ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Confederação Nacional das Indústria CNI (Adiu 2588) que questiona o §2°, do art. 43, do CTN, alterado pela LC n° 104/2001, e o art. 74 da MP n° 2.158 35/2001, que impõe tributação automática dos lucros obtidos no exterior pela coligada ou controlada. Sendo julgada procedente a ação, a presente autuação será considerada nula; a tributação dos lucros auferidos por empresas coligadas ou controladas no exterior, pelo resultado positivo da avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial, não está previsto na MP n° 2.15835, nem nas Leis nºs 9.249/1995 e 7.689/1988. 4 É o relatório. [...] 6 A autuação decorre da aplicação do inciso II, do §2°, do art. 25 da Lei n° 9.249/1995 que dispõe ser adicionado ao lucro líquido da controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real, os lucros auferidos pela empresa controlada, no caso a empresa Granite Holdings Corporation, sediada nas Bahamas. Para a CSLL, a base legal encontrase no art. 21 da MP n° 2.15835/2001. 7 Por deter a totalidade do capital da controlada, a fiscalização converteu o lucro daquela empresa, apurado nos anos de 2005 e 2006 em dólares americanos, para o real, utilizandose da taxa cambial de venda. Em momento algum foi considerado o cálculo da equivalência patrimonial. 8 Por força do art. 74 da MP n° 2.15835/2001, os lucros apurados são considerados disponibilizados ao controlador na data do balanço no qual tiveram sido apurados. A existência da ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Confederação Nacional das Indústria CNI (Adin 2588) que questiona o §2°, do art. 43, do CTN, alterado pela LC n° 104/2001, e o art. 74 da MP n° 2.15835/2001, em nada afeta o presente julgado, pois o Supremo Tribunal Federal — STF não concluiu a apreciação da causa. 9 A questão da compensação dos lucros apurados pela empresa controlada com seus prejuízos foi tratada na IN SRF n° 213, de 7/10/2002, que normatizou toda a matéria dos lucros auferidos no exterior, conforme a seguir: ‘Art. 4° É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1" Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 § 2° Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. § 3° Na compensação dos prejuízos a que se refere o § 22 não se aplica a restrição de que trata o art 15 da Lei n2 9.065, de 1995.’ (destaquei) 10 Portanto, antes da apuração do lucro da controlada no exterior a ser considerado disponibilizado ao interessado, tal lucro pode ser compensado com os prejuízos acumulados da própria controlada. 11 A tradução juramentada do relatório dos auditores aos acionistas, que trata do exame do balanço da empresa Granite Holdings Corporation por KPMG Auditores Públicos, informa que a Granite foi constituída em 27/8/1999 (fl. 59). Logo, é de se concluir que os prejuízos acumulados dessa empresa atendem ao disposto no §1°; do art. 4% da citada IN, ou seja, formaramse a partir de 1996, condição para compensação com os lucros posteriores. 12 Quanto à apuração dos lucros apurados em 2005 e 2006, cabe destacar que a fiscalização inverteu os valores. O lucro de 2005 corresponde a US$ 7.636.567 e o lucro de 2006 corresponde a US$ 8.992.845 (fls. 39/40 e 57) e não conforme citado no termo de verificação à fl. 86 e indicado no §2° acima. 13 No que se refere às compensações dos lucros com os prejuízos acumulados, o relatório dos auditores demonstram que os lucros dos anos de 2005 e 2006 foram totalmente absorvidos pelos prejuízos (fls. 39/40). 14 Diante do exposto, não há lucro a ser disponibilizado pela controlada sediada no exterior ao interessado. 15 Em decorrência, restaurandose a declaração de IRPJ, não se verifica a segunda infração que trata de compensações indevidas de prejuízo fiscal (IRPJ) e de base de cálculo negativa (CSLL). É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. Com a publicação, no DOU de 20/11/2013, da Portaria MF nº 545/13, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do RICARF, não há mais que se sobrestar o julgamento que envolva matéria que seja objeto de recurso extraordinário recebido no Supremo Tribunal Federal na sistemática do art. 543B do CPC e ainda pendente do trânsito em julgado. Assim sendo, não obstante o lançamento tenha se fundamentado no art. 74 da MP 2.15835/01, devemos passar a análise do mérito do recurso de ofício. No presente caso, tratase de participação da recorrente nos lucros de sua controlada sediada em país de tributação favorecida, pois, nos termos do art. 1º, VII, da IN Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 231 5 RFB 1.037/10, a Comunidade das Bahamas é considerada um país que tributa a renda por alíquota inferior a 20%. Logo, estamos diante de uma das duas situações já definitivamente julgada pelo Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, no Acórdão do RE 611.586/PR, o Informativo nº 701, disponível na página do STF na web, já comunica o que se segue: “No tocante ao RE 611586/PR, por maioria, negouse provimento ao recurso, consoante o que decidido na ADI 2588/DF. Consignouse que a empresa recorrente seria controlada e situada em “paraíso fiscal”, de modo que a legislação impugnada seria aplicável ao caso.”. Observo que se torna indiscutível a aplicação do art. 74 da MP 2.15835 à situação fática ora sub examine, com a notícia da decisão acima transcrita, pois apenas a situação inversa – negar eficácia a lei por considerála inconstitucional – é que exigiria o trânsito em julgado do recurso representativo de controvérsia, nos termos do caput do art. 62A do Anexo II do RICARF, sob pena de ofensa à Súmula CARF nº 2. Ressalto, assim, que limito a análise a seguir aduzida à situação em tela já decidida pelo STF, qual seja, uma controladora residente no Brasil e uma controlada residente em paraíso fiscal. Qualquer instrução normativa da Receita Federal que veicule matéria sob reserva legal, na parte em que desbordar da simples literalidade da norma legal de regência, nada mais é do que mera interpretação da administração tributária. Muitas das vezes, as instruções normativas da Receita Federal cumprem, extraordinariamente, a função de Decreto Regulamentador ao consolidar normas legais esparsas, estruturandoas de forma a tornar mais fácil a consulta pelos diversos operadores do Direito Tributário (auditores, advogados, contadores etc). Isso decorre do fato de que as instruções normativas percorrem um trâmite muito mais célere para sua publicação do que os Decretos, o que as torna mais aptas a acompanharem o dinamismo (volatilidade) das leis tributárias. Todavia, a força normativa dos dispositivos da Instrução Normativa como do Decreto, em matéria sob a estrita legalidade (art. 150, I, CF/88), não decorre de tal ato por si só, mas das LEIS que os fundamenta. Assim, tanto o Decreto como a Instrução da RFB só têm força normativa, em matéria sob reserva legal, quando sejam meras transcrições de normas legais em vigor (consolidações de normas legais) ou, quando dispositivos autônomos, estes se enquadrarem nos parâmetros hermenêuticos da norma legal de regência da matéria (interpretações). Com efeito, a norma jurídica, em matéria sob estrita legalidade, é apenas aquela veiculada por Lei ou Medida Provisória (observados os limites estabelecidos no § 2º do art. 62 da CF/88). Logo, os dispositivos da Instrução Normativa que desbordam da simples literalidade da norma legal não são normas jurídicas, mas meras interpretações da administração tributária, cabendo, assim, ao intérprete verificar se tal exegese encontra amparo na LEI. Tanto é assim, que o Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 203/2012), no inciso II do seu art. 1º dispõe que é finalidade da Receita Federal do Brasil “interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções à sua execução”. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 É verdade que, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, este Colegiado é obrigado a observar interpretações exaradas em pareceres da Procuradoria da Fazenda Nacional, quando ratificados pelo Ministro de Estado da Fazenda. Tratase, apenas, de uma regra de competência que não transforma o parecer em norma jurídica, mas apenas em uma interpretação vinculante para os órgãos do Ministério da Fazenda. Da mesma forma, os julgadores da Delegacia de Julgamento da Receita Federal estão vinculados, por uma regra de competência, às interpretações exaradas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por meio de Atos Declaratórios e Instruções Normativas. Vínculo esse ao qual não está submetido o julgador do CARF, até mesmo porque é função deste Colegiado fazer o juízo de legalidade das interpretações da lei tributária feitas pela RFB. Pelo contrário, as interpretações do CARF é que podem vincular a RFB, uma vez que, por proposta do Presidente do CARF, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica de nível nacional, habilitadas à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poderá atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal (art. 75 do Anexo II da Portaria MF 256/09). Notese, por igual ao já dito, que não se trata de erigir a Súmula CARF à categoria de norma jurídica, mas de mera interpretação da norma tributária vinculante à toda administração. Diante do exposto, entendo que devemos enfrentar a questão central dos autos, ou seja, se o art. 4º da IN SRF 213/02 tem amparo em lei, mas, de plano, já ressalto que ele não encontra amparo ipsis litteris nos dispositivos legais que regem a matéria em tela (tributação da participação nos lucros de controladas no exterior), logo é mera interpretação da Receita Federal, a qual deve ser objeto de juízo de legalidade por parte do julgador deste CARF, mormente por tal questão ser o fundamento da decisão recorrida. Tal análise seria desnecessária se abraçássemos a corrente doutrinária que entende que a Reserva Legal em matéria tributária deve ser observada apenas quando se agrava o ônus do contribuinte. Não me alinho com tal entendimento, pois, se o art. 150, I, da CF/88 fala apenas em instituição e majoração de tributo, o seu § 6º amplia as matérias tributárias sob reserva legal, para alcançar também, entre outras, a redução de base de cálculo. Logo, tudo antes abordado sobre os limites das normas infralegais em matéria sob reserva legal se aplica também quando as instruções normativas e os decretos estão reduzindo o ônus tributário do contribuinte. Não obstante o art. 25 da Lei 9.249/95, que introduziu a tributação em bases universais no nosso ordenamento jurídico, fale em lucros apurados no exterior, em verdade, a investidora no Brasil apura uma receita de participação nos lucros da investida domiciliada no exterior. Notese que o ordenamento jurídico brasileiro pode até tributar as receitas auferidas no exterior por uma empresa domiciliada no Brasil, mas jamais poderá tributar os lucros auferidos no exterior por uma empresa também domiciliada no exterior. Isso porque se faz necessário que determinado elemento normativo estabeleça um liame entre a situação descrita e o ordenamento jurídico que lhe será aplicável. Esse elemento normativo denominase elemento de conexão, o qual pode ser definido como “normas que indicam o direito aplicável às diversas situações jurídicas conectadas a mais de um sistema legal”1. Os mais comuns elementos de conexão são a residência e a fonte produtora da renda, mas o Direito Tributário pátrio adota ainda o critério da fonte pagadora. Por essas razões, devese tomar o termo “lucros” no art. 25 da Lei 9.249/95 como de receitas de investidoras brasileiras decorrente da sua participação nos lucros de investidas residentes no exterior. 1 DOLINGER, JACOB. Direito Internacional Privado, Renovar, p. 261. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 232 7 Ora, assim sendo, o que o art. 74 da MP 2.15835/01 alterou foi o regime de reconhecimento dessa receita de participação nos lucros quando a controlada no exterior for avaliada pela equivalência patrimonial, se não vejamos o que se segue. Notese que, se a investida no exterior é avaliada pelo custo de aquisição, a receita de participação sobre tais lucros só impactará os resultados tributáveis da investidora no Brasil quando efetivamente distribuídos, o que significa dizer que, nesta hipótese, a receita é reconhecida pelo regime de caixa, pois depende de sua realização financeira. Por sua vez, a participação nos lucros da controlada avaliada pelo MEP impacta os resultados tributáveis da controladora no Brasil no momento em que o investimento é avaliado para fins de demonstrações financeiras, antes mesmo de qualquer distribuição, razão pela qual, há uma reconhecimento pelo regime de competência, no qual a realização financeira da receita é irrelevante. Por sua vez, se uma investida no exterior, avaliada pelo custo de aquisição, experimenta um prejuízo contábil, tal resultado não impactará o resultado tributável da investidora no Brasil. A possibilidade dela, posteriormente, distribuir lucros do exercício sem compensar prejuízos acumulados dependerá do que dispuser a lei do país de sua residência. Por isso, é absurda a alegação da contribuinte, na sua impugnação (a fls. 123), que: “embora tenha havido lucros nos anos de 2005 e 2006, o contribuinte possuía prejuízos acumulados dos anos anteriores, os quais precisavam ser compensados antes da disponibilização dos lucros, tal como determina a lei das sociedades por ações (Lei n° 6.404/1976)”. Ora, a impugnante estava ali se referindo sobre a controlada no exterior que não é contribuinte no Brasil nem muito menos está sujeita às determinações da Lei brasileira (Lei 6.404/76). Tratase de uma argumento falacioso que a decisão recorrida, com apoio no art. 4º da IN em tela, indevidamente acolheu. Assim sendo e à míngua de qualquer lei que o fundamente, há que se indagar por que o art. 4º da IN SRF 213/02 previu a possibilidade de que prejuízos de controladas no exterior (avaliadas pelo MEP) pudessem impactar o resultado tributável das controladoras no Brasil? É certo que o legislador do DL 1.598/77 criou tratamento tributário diferenciado no caso de alienação de investidas no exterior, já que, para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do investimento avaliado pelo MEP se modifica a medida em que o patrimônio líquido da investida se altera. Ora, a lei pode estabelecer essa diferenciação e o fez, mas tal não poderia ter sido feito por atos infralegais. Na situação em tela, o art. 4º da IN SRF 213/02 criou, sem base legal, ao mesmo tempo, um elemento redutor da base de cálculo do IRPJ e CSLL e um tratamento diferenciado no caso de investida avaliada pelo MEP, razão pela qual entendo que a interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma intepretação razoável do quadro normativo legal. Saliento que, no Termo de Verificação Fiscal a fls. 87 e segs., em nenhum momento, a autoridade fiscal tratou da compensação de prejuízos de que trata o art. 4º em tela, de forma que, ao que parece, tal questão só foi ventilada como matéria de defesa da recorrente na sua impugnação, a qual, pelas razões antes expostas, não deveria ter sido acolhida. Todavia, a autoridade julgadora de primeira instância estava vinculada as interpretações da legislação Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 tributária emanadas pela autoridade máxima da Receita Federal, razão pela qual sequer emitiu qualquer juízo de legaldiade sobre a IN em questão. Contudo, tem razão a DRJ quando alega que: “Quanto à apuração dos lucros apurados em 2005 e 2006, cabe destacar que a fiscalização inverteu os valores. O lucro de 2005 corresponde á US$ 7.636.567 e o lucro de 2006 corresponde a US$ 8.992.845 (fls. 39/40 e 57) e não conforme citado no termo de verificação, à fl. 86 e indicado no §2° acima.”. Assim, como esta instância julgadora não tem competência para lançar, mantenho a base tributável de 2006 como constante do auto de infração a fls. 95/102, mas voto por reduzir a base tributável do fato gerador de 2005, para US$ 7.636.567.00, o que pela taxa de câmbio aplicável no TVF a fls. 88 (2,3407), monta em R$ 17.874.912,37. Por último, ressalto que deve ser excluída a multa de ofício e os juros de mora, pois, in casu, aplicase o disposto no art. 100, inciso I e parágrafo único, do CTN, in verbis: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.”. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso de Ofício, para: a) restabelecer o lançamento do item 002 do auto de infração do IRPJ, fls. 95, e correlato do auto de infração da CSLL, a fls. 101, mas reduzindo a base tributável do fato gerador de 2005 de R$ 21.049.552,29 para R$ 17.874.912,37; b) restabelecer o lançamento do item 001 do auto de infração do IRPJ, a fls. 95, e o correlato do auto de infração da CSLL, a fls. 101; c) excluir a incidência de multa de ofício e juros de mora sobre os valores lançados a título de IRPJ e CSLL acima referidos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Declaração de Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. Inobstante o respeitável entendimento do Relator, inquestionavelmente autorizado a tecêlos, peço vênia para divergir acerca do afastamento do §2º do art. 4º da IN SRF 213/02, cuja redação é a seguinte: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 233 9 Art. 4 º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. (...) § 2 º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada.(...) Em apertada síntese, e com a finalidade de prover o recurso de ofício, o Relator, sustenta que o artigo supra não possui base legal, representando mera interpretação da RFB. Afirma, ainda, que a lei brasileira apenas previu o reflexo das receitas da investida no exterior nas investidoras brasileira, de modo que o reconhecimento de prejuízos seriam relevantes apenas para fins de tributação do lucro no país estrangeiro. Discordo, pois, da análise da legislação federal (art. 153, III da C.F. e 44 e 43 do CTN), pois o artigo 4º, § 2º da IN SRF 213/02 possui total respaldo e congruência com a legislação vigente. De início, destaco que o ato normativo da Receita Federal (IN SRF 213/02) integra a legislação tributária (art. 96, CTN), não podendo ser ignorada como relevante fonte de interpretação das leis em sentido estrito (emanada pelo Poder Legislativo), muito embora sua validade e eficácia estejam condicionadas às leis interpretadas (art. 153, III da C.F. e 44 e 43 do CTN). A questão que se põe neste momento é verificar se há lei que autorize o teor normativo do art. 4º, §2º, da IN SRF 213/02. Não possui qualquer relevância a constatação de que o Poder Legislativo não editou lei ordinária, autorizando que a controlada no exterior compense seus lucros e prejuízos. Isto pelo simples fato de que não existe dispositivo vendando esta conduta. Recordese que os contribuintes podem fazer tudo que a lei não proíba, enquanto a o Poder Público somente pode fazer aquilo que a lei autoriza, segundo a clássica lição de Hely Lopes Meirelles. Portanto, a ausência de vedação é muito mais significativa do que a existência de autorização em lei. Seguindo por essa trilha, notase que há vedação legal expressa no sentido de impedir que a investidora nacional compense seu lucro com os prejuízos apurado na controlada no exterior, nos termos do art. 25, §5º, da Lei n. 9.249/95 (art. 394, §8º, RIR/99), observese: Art. 25. (...) § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. Ou seja, no universo de condutas possíveis do contribuinte, a única vedação imposta pelo Poder Legislativo foi a acima transcrita, fato que já evidencia a absoluta regularidade da “interpretação” da Receita Federal constante no §2º, art. 4º, da IN SRF 213/02. Importante repisar que, neste caso, se está compensando prejuízos de controladas no exterior com seu próprio lucro, ou seja, estamos trazendo para o Brasil o real resultado (compensação de prejuízos anteriores, com o lucro do exercício – Lucro Real), consoante destaca a seguinte passagem do acórdão da DRJ: embora a empresa controlada tenha apurado lucros nos anos de 2005 e 2006, havia prejuízos acumulados dos anos anteriores que foram compensados antes da disponibilização dos lucros, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 tal como determina a lei das sociedades por ações (Lei n° 6.404/1976); (grifo não original) Dessa forma, caso permaneça o entendimento contrário, impossibilitarseia que prejuízos anteriores, de empresas situadas no exterior, sejam compensados com lucros destas mesmas empresas. Situação que, na legislação caseira, é inquestionavelmente aceita. Importante destacar que a legislação nacional busca tributar apenas o lucro. E este lucro deve ser o efetivamente auferido, ou seja, devem sim ser compensados os saldos negativos, perdas patrimoniais de exercícios anteriores, sob pena de se estar tributando algo maior que o “lucro real” da Pessoa Jurídica situada no Brasil. Quando se fala em renda, elevação de riqueza, e também sobre os tributos incidentes sobre este fato gerador, precisase buscar a essência do artigo 153, III da Constituição Federal e artigo 43 e 44 do CTN, os quais empregam termos como “renda”, “produto do capital”, “acréscimos patrimoniais” etc., observese: Constituição Federal: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: III renda e proventos de qualquer natureza; Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. (grifo não original) Ao assim fazer, a legislação evita que seja tributada uma riqueza inexistente, pois é levado em consideração se o contribuinte, em período anterior, perdeu seu patrimônio (PL) e, no exercício seguinte, está apenas recompondoo. Neste caso somente se pode tributar a variação positiva entre os dois exercícios, pois este é o resultado final daquela unidade produtiva no exterior. Voltando a pergunta para a empresa Brasileira, precisamos analisar qual a real elevação patrimonial ou a riqueza da empresa Brasileira? Qual foi seu acréscimo patrimonial? Qual seu lucro? Qual equivalência patrimonial sua unidade produtiva no exterior lhe trouxe. A resposta é simples, a empresa Brasileira, somente teve a elevação do seu patrimônio após ter abatido os prejuízos que aquela unidade lhe deu nos períodos passados. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12897.000727/200975 Acórdão n.º 1302001.317 S1C3T2 Fl. 234 11 Ressalto novamente que, neste caso, tratase de compensação lucro com prejuízos da mesma unidade situada no exterior, resultado este que foi direto para o Balanço da empresa brasileira, pela equivalência patrimonial, impactando, assim, seu lucro. Todavia, referido reflexo apenas pode ocorrer em relação ao lucro efetivo auferido no exterior. Tal assertiva já é consagrada em nosso ordenamento jurídico, através de lei, adequandose aos mandamentos constitucionais e ao CTN, pois se contrário fosse não se estaria tributando o real conceito de “Lucro”. Tributar algo mais que o efetivo lucro, sem considerar o resultado negativo de exercícios anteriores, seria de forma transversa alterar a alíquota final do Imposto de Renda e da Contribuição Social, majorandolhe as bases de cálculo, hipótese em que seria tributado algo maior que o “Lucro Real”. Ante ao exposto, declaro meu voto pelo não provimento do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 5/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728315/2010-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.448
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 15 /2 01 0- 75 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.728315/201075 Acórdão n.º 2403002.448 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1531.726 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS. PREPARAÇÃO DESCONFORME COM A LEI. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na Lei Orgânica da Seguridade Social e sua regulamentação. MULTA APLICADA. PEDIDO DE RELEVAÇÃO A TEOR DO ART. 291, §1°, DO DECRETO Nº 3.048, DE 1999. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o art. 1º do Decreto nº 6.727, publicado no Diário Oficial da União do dia 13 de janeiro de 2009, foi revogado o art. 291 do Decreto nº 3.048, de 1999, que, mediante condições, admitia a relevação da multa aplicada. Considerando a data em que teve ciência da autuação o contribuinte (01/09/2010), não é possível a relevação da multa aplicada no presente AI, indeferindose solicitação nesse sentido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF. PEDIDO DE PROCEDIMENTO DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO PROFISSIONAL DOS PATRONOS DA CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, a lei determina que as intimações sejam feitas por via postal, ou por qualquer outro meio ou via, porém com prova de recebimento, exclusivamente, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase do AI Auto de Infração, DEBCAD nº 37.289.0539, lavrado em 26/08/2010, e recebido pelo contribuinte, em 01/09/2010, conforme atesta Aviso de Recebimento – AR, às fls. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 119. Aludido AI foi lançado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no uso da competência de que tratam o art. 33 da Lei Orgânica da Seguridade Social (Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991), e o art. 293 do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 2. Consoante se lê do AI (peça inicial e demais documentos que o integram, fls. 02 a 116), o contribuinte em tela, em relação ao período de apuração em epígrafe, foi autuado, em virtude de deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e § 9º, do RPS. 3. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 113 a 116), embora regularmente notificado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e de Termos de Intimação Fiscal para Apresentação de Documentos (TIF), cujas cópias encontramse anexadas ao AI, o contribuinte em tela apresentou folha de pagamento, de forma deficiente. Durante a auditoria fiscal, do exame da documentação apresentada, observouse que o contribuinte, ora autuado, deixou de incluir, nas folhas de pagamentos apresentadas, relativas ao período de janeiro/2008 a junho/2009, os segurados contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços, conforme planilha ali disponibilizada. A remuneração recebida por esses trabalhadores foi detectada através da análise da documentação de Caixa e da escrituração contábil. 3.1. Os fatos, ora relatados, caracterizam descumprimento da obrigação acessória consignada na fundamentação legal constante do item 2 acima, razão pela qual foi emitido o presente auto de infração. 4. Na forma do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 116), a penalidade aplicável para a infração capitulada é a prevista nos artigos 92 e 102, da Lei nº 8.212, de 1991, combinados com o art. 283, I, “a” e art. 373, do RPS, cujo valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPSMF nº 333, de 29 de junho de 2010, corresponde a R$1.431,79 (um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos). 5. Em impugnação interposta em 01/10/2010 (fls. 121 a 143, com anexos às fls. 122 a 183), o contribuinte autuado, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representálo, vem de contraporse ao presente lançamento fiscal. As razões de impugnar, em síntese, são as que, doravante, serão explicitadas. 5.1. Em caráter preliminar, alega a peça impugnatória que, segundo relato da fiscalização, a autuação imposta se refere a omissão, no lançamento contábil, de obrigação dita acessória, nas competências de 01 a 06/2009, cuja multa tem o valor básico de R$1.431,79. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.728315/201075 Acórdão n.º 2403002.448 S2C4T3 Fl. 4 5 Adiciona, nesse sentido, que a autuação imposta não se encontra devidamente motivada, ou seja, não possui clareza bastante capaz de caracterizar e sustentar a infração ali consignada, uma vez que não possui informações precisas e necessárias acerca da suposta infração, a exemplo, também, da sua fundamentação legal. Aduz que este fato impede o exercício da ampla defesa por parte do autuado, inquinando, assim, de nulidade a presente autuação. 5.2. Já no mérito, argúi a impugnação que, tendo em vista o princípio da verdade material, e o espírito da lei, consubstanciado nos artigos 231, 232 e 233 do RPS, a folha de pagamento e os arquivos enviados pelo sistema, anexos à presente defesa, foram oportunamente apresentados à fiscalização, ali encontrandose todas as informações relevantes para precisar o tributo devido sob a rubrica de contribuição previdenciária. Por conseguinte, que o presente auto de infração deve ser julgado improcedente, com consequente baixa do débito nele perquirido, sob pena de ficar caracterizado o enriquecimento ilícito do Fisco. 5.3. Além das nulidades já explicitadas, requer, ante o exposto, a peça impugnatória, que seja julgado improcedente o lançamento de débito operado pela autuação em referência, com o reconhecimento, no mérito, das matérias que, no seu conjunto, importam na anulação dos termos da cobrança levada a efeito nesta oportunidade. Alternativamente, caso venha a ser o entendimento pela aplicação da penalidade, que seja a mesma relevada, como assegura o art. 291, §1°, do RPS, e, por consequência, extinto o respectivo débito. Por derradeiro, que, sob pena de nulidade prevista no art. 39, I, do Código de Processo Civil –CPC, a comunicação quanto ao resultado desta defesa aconteça no endereço profissional, ali fixado, dos patronos da contribuinte. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 8 de maio de 2013 (quartafeira) e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 7 de junho de 2013 (sexta feira). O notificado interpôs o recurso no dia 10de junho de 2013 (segundafeira), portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003358/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/08/2009
DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/08/2009 DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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FATOS GERADORES. Recorrente CONSTRUTORA LIX DA CUNHA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/08/2009 DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 58 /2 00 9- 69 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 413 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.164.7550, CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 05, com período de apuração de 01/2004 a 12/2004, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/08/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. Este processo foi juntado por apensação ao processo 19515.003355/200925, conforme Termo de Juntada de Processo, de fls. 55, reafirmado a folha, 394. O contribuinte apresentou sua defesa, em data ilegível, as fls. 57 a 66, acompanhada dos documentos, de fls. 68 a 199; 202 a 357. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 35 e 359. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1625.657 14ª, Turma DRJ/SP1, em 10/06/2010, fls. 379 a 386. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/05/2011, conforme AR, de fls. 393. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 395, remetido via postal, em 15/06/2011, conforme envelope de remessa, de fls. 408, com razões recursais, as fls. 396 a 407, desacompanhado de qualquer documento. As teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 409 e 411. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 411. É o Relatório. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 414 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, e fls. 05, apenas informa no penúltimo parágrafo, o que transcrevo a seguir. No Anexo I consta a Relação de Segurados não incluídos em GFIP. Todavia, o Acórdão de primeiro grau traz a seguinte justificativa para o lançamento. 11.1.1. Conforme relatório fiscal da infração e do Relatório Fiscal da aplicação da multa e do Anexo I — Relação dos empregados não incluídos em GRP a empresa não informou na GFIP as remunerações pagas aos empregados e as respectivas contribuições previdenciárias, nas competências de 01/2004 a 12/2004, e décimo terceiro salário de 2004, fato apurado quando a empresa, regularmente intimada a apresentar as guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP para o período de 01/2004 a 12/2004, apresentou todas as guias, no entanto, constatouse que as GFIP entregues na versão 8.3 apenas contém as informações acerca de algumas contribuições, informações aquelas que retificaram as entregues anteriormente. 11.2. É conhecido que o modelo da GFIP, implementado pela versão 8.0 do SEFIP, trouxe mudanças significativas quanto à forma de geração, definindo que o empregador/contribuinte deve elaborar apenas uma GFIP única para cada chave. A chave composta por parâmetros extraídos da própria GFIP, não podendo existir mais de uma GFIP com a mesma chave. 0 conceito de GFIP única deve sempre estar associado ao conceito de chave. 11.2.1. Reiterase que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o contribuinte deve entregar uma GFIP única para cada chave, sendo que a GFIP retificadora substituiu todos os dados da anterior, com a mesma chave, conforme item 10, do Manual da GFIP/SEFIP, versão 8.4, disponível na Internet, no endereço: www.receita.fazenda.gov.br/previdência/GFIP/GFIP2Aplicativo s.htm. 11.3. A chave, em regra, é composta pelo CNPJ/CEI do empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 415 4 e FPAS. Para a Receita Federal do Brasil, deve haver apenas uma GFIP/SEFIP para cada chave. Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave) com número de controle diferente, a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora, substituindo a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. 11.4. No caso da autuação a empresa entregou novas GFIP's contendo a mesma chave, informando apenas os valores pagos a alguns empregados assim, como a empresa informou erroneamente suas GFIP's, com a nova entrega a anterior foi retificada. 11.5. Com a retificação procedida pela empresa, temos que os valores das folhas de pagamento da empresa não foram informados em sua integralidade. Motivo pelo qual aplicouse a multa de R$ 86.396,70, como consta do Demonstrativo do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 26. As fls. 09/25 constam discriminados individualmente cada segurado empregado/contribuinte individual, bases de cálculo e valores descontados referentes a folha de pagamento da empresa, Anexo I — Relação dos empregados não incluídos em GFIP. 11.6. Consultamos o sistema do GFIP WEB e comprovamos que houve retificação pela empresa, fls. 360/378. Ou seja, o REFISC é de uma singeleza e parcimônia absoluta e não traz as justificativas do lançamento, nem se quer cita a ocorrência da apresentação de GFIP’s retificadoras e a supressão de informações de GFIP apresentadas anteriormente à GFIP retificadoras. Desta forma, a matéria tributável não está devidamente demonstrada e muito menos a ocorrência do fato gerador pela existência de diferenças e existência de divergência de informações. Aliás, ainda, que tenha havido a apresentação de GFIP para a competência XX/XXXX com base de cálculo de R$ 100.000,00 e depois seja está retificada na competência XX+2/XXXX+1, com base de cálculo de 30.000,00, com a retificadora na versão 8.0 em diante, isso não implica necessariamente em pagamento a menor, pois é de se esperar que o pagamento da GFIP na competência original já tenha ocorrido e naquela foi declarado o total da remuneração e das contribuições ou pelo menos base de cálculo maior do que na suposta retificadora. Só para constar a versão do SEFIP 8.3 passou a ser exigida apenas em 12/2006, ou seja, mais de dois anos após a primeira competência lançada e com dois anos em relação a última competência lançada. A simples retificação com redução da base de cálculo, não implica necessariamente em ausência de pagamento, quando da apresentação da primeira GFIP, isto é, a GFIP da competência, pois tal pagamento pode ter ocorrido, necessário se faz verificar a Fl. 415DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 416 5 situação caso a caso, junto ao sistema de cobrança e controle da instituição, devendo tal circunstância estar demonstrada os autos. Nas planilhas, de fls. 09 a 14, Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, da comparação com a própria GFIP juntada aos autos pela recorrente, relativamente para a competência 03/2004, todos os trabalhadores listados na planilha estão na relação de trabalhadores da GFIP, ou seja, não se verifica a omissão suscitada. Quanto a planilha Construtora Lix da Cunha S/A – Contribuinte Individual, de fls. 15 e 16, não se observa esses trabalhadores na GFIP, da competência 03/2004. Nas planilhas, de fls. 17 a 25, Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, da comparação com a própria GFIP juntada aos autos pela recorrente, relativamente para a competência 03/2004, todos os trabalhadores listados na planilha estão na relação de trabalhadores da GFIP, ou seja, não se verifica a omissão suscitada. Por outro lado verificase das GFIP’s, de fls. 80 a 199, para o estabelecimento 46.014.635/000149, que estão ausentes as GFIP’s das competências 01/2004 e 02/2004. No que tange as GFIP’s supramencionadas, verifiquei que na competência 03/2004, ocorre a seguinte discrepância. A capa da GFIP está com cód. Rec. 908; Protocolo de Envio com cód. Rec. 908 e o corpo da GFIP com cód. Rec. 155, o que demonstra que os documentos não têm relação um com o outro. Para as GFIP’s do estabelecimento 46.014.635/000300 estão ausentes as GFIP’s de 01/2004 e 02/2004. Finalmente, algum elemento de prova surge nos autos, as folhas 360 a 378, estão anexadas extrato do Sistema GFIP/WEB – GFIP Única – Relação de trabalhadores da empresa sem tomador ou Totais das bases de cálculo por categoria. Tal situação se dá para as competências 02/2004, fls. 360 a 362; 05/2004, fls. 363 a 365; 09/2004, fls. 366, para o estabelecimento 46.014.635/000300. Para a competência 13/2004, o controle GFIP, de fls. 367 e 378, informa que não há GFIP para os dois estabelecimentos. A situação se dá para as competências 01/2004, fls. 368 e 369; 02/2004, fls. 370 e 371; 06/2004, fls. 372 e 373; 09/2004, fls. 374 e 375 e 12/2004, fls. 376 e 377, para o estabelecimento 46.014.635/000149. Entretanto, os documentos acima citado mais uma vez demonstram como já descrito que o lançamento possui mácula e pecha em sua formação, pois da comparação das planilhas citadas e que constam as folhas 09 a 25, as denominadas Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, para os dois estabelecimentos, com os extratos de GFIP’s extraídos do Sistema GFIP/WEB e referenciados, anteriormente, podese verificar, que trabalhadores listados nas planilhas como não declarados, em verdade estão declarados, pois constam dos extratos, a seguir a descrição por amostragem. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 417 6 46.014.635/000149 – comp 01/2004 – fls. 368 e 369 Antônio Gomes Silva Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 02/2004 – fls. 370 e 371 Antônio Gomes Silva Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 06/2004 – fls. 372 e 373 Antônio Gomes Silva Antônio Manoel do Nascimento Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Fl. 417DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 418 7 Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 09/2004 – fls. 374 e 375 Antônio Gomes Silva Antônio Manoel do Nascimento Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza 46.014.635/000149 – comp 12/2004 – fls. 376 e 377 Antônio Gomes Silva Antônio Manoel do Nascimento Franscico S da Rocha Irineu Francisco Barbosa João Batista de Oliveira José Onofre Maria Manoel Aparecido Ferreira Samuel Rodrigues da Costa Valder Rocha Souza Fl. 418DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 419 8 46.014.635/000300 – comp 02/2004 – fls. 360 e 362 Luiz Carlos Alves Manoel Nunes de Araújo Mauro Storer Neildo Moreira Amorim Osmar Berteli da Silva Roberto Pinoza Wanderci José Torres 46.014.635/000300 – comp 05/2004 – fls. 363 e 365 Alverindo Lima Ramos Dirceu Ferreira da Costa Edílson Cosmo Santos João Garcia Joaquim F Braga José Amaro Raymundo Jose G Carvalho Luiz Carlos Alves Manoel Nunes de Araújo Mauro Storer Neildo Moreira Amorim Osmar Berteli da Silva Roberto Pinoza Wanderci José Torres Fl. 419DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 420 9 Os trabalhadores acima citados e nas respectivas competência estão listados como não incluídos em GFIP, mas constam dos resumos dos Sistema GFIP/WEB juntados aos autos pela fiscalização, o que demonstram incongruência no lançamento. Não fosse isso suficiente, como dito acima, para a competência 13/2004, o controle GFIP, de fls. 367 e 378, informa que não há GFIP para os dois estabelecimentos. Nesta diapasão nunca é demais lembrar que até a versão 7.0 do SEFIP pode ser usada até 31/01/2006, mas caso a empresa se utilizase da versão 8.0 esta passava a ser obrigatória, bem como até a versão 7.0, não havia apresentação de GFIP para a competência treze, pois o décimo terceiro era declarado juntamente com a competência 12 do ano, passando a existir competência treze da GFIP a partir da versão 8.0, sendo obrigatória para o décimo terceiro de 2005 em diante ou no caso de utilização da nova versão para apresentação de GFIP anterior, mas no sistema novo. A empresa apresentou para o estabelecimento 46.014.635/000149, competência 12/2004, GFIP na versão 8.0, em diante, fls. 376 a 377, o que implica dizer que as informações da GFIP original foram suprimidas pela apresentação da GFIP na versão 8.0, conforme manual SEFIP, veja a transcrição. 1 – ORIENTAÇÕES GERAIS PARA RETIFICAÇÃO VIA GFIP/SEFIP Para a Previdência Social, a partir da versão 8.0, a retificação de GFIP/SEFIP passa a ser realizada no aplicativo SEFIP, com a emissão do “Comprovante de Declaração à Previdência”, inclusive para retificação de informações anteriores, uma vez que a entrega de nova GFIP/SEFIP substitui a anteriormente apresentada para a mesma chave. Sobre o conceito de “chave”, observar as orientações do subitem 7.2 do Capítulo I e 10.1 do Capítulo IV. O processo de retificação com entrega de nova GFIP/SEFIP é aplicado para qualquer competência igual ou posterior a 01/1999, ainda que a GFIP/SEFIP incorreta tenha sido gerada em versão do SEFIP igual ou anterior à versão 7.0 ou apresentada em meio papel. Para entrega da nova GFIP/SEFIP, deve ser utilizada versão atualizada do SEFIP. Para a Previdência, considerase retificadora toda nova GFIP/SEFIP que contenha a mesma “chave” de uma GFIP/SEFIP apresentada e com número de controle diferente, conforme disposto no subitem 10.1 do Capítulo IV. O processo de retificação passa a ser realizado por meio do conceito de GFIP/SEFIP retificadora. Para a Previdência Social cada nova GFIP/SEFIP, para uma mesma chave, substitui a anterior (sendo diferentes os números de controle). A chave é composta pelas seguintes informações, conforme o código de recolhimento da GFIP/SEFIP. Da observação da planilha de cálculo, de fls. 26, verificase que a competência 13/2004, foi incluída no cálculo da multa, mas tal inclusão é indevida, pois como dito, a empresa não apresentou GFIP, para os dois estabelecimentos na competência Fl. 420DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003358/200969 Acórdão n.º 2803003.201 S2TE03 Fl. 421 10 treze/2004, conforme consta, as fls. 367 e 378, e assim a infração seria outra, isto é, a infração é a do artigo 32, inciso IV, parágrafo 4º e não a do artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, como consignado, esta é mais uma inconsistência da autuação. Entendo, que o fisco não se desincumbiu de provar a existência do crédito, com a ocorrência do fato gerador e nascimento da obrigação tributária, nos termos do artigo 333, I, da Lei 5.869/73, bem como do artigo 9º e 10, do Decreto 70.235/72, e, ainda, do artigo 37, da Lei 8.212/91 c/c o 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, que lhe permitia promover a constituição do crédito pelo lançamento. De outro lado, ressalto que como esse auto de infração de obrigação acessória deriva dos lançamentos dos outros dois autos apensos, uma vez declarados a improcedência daqueles nada restaria a ser cobrado neste. Assim com esses esclarecimentos deixo de analisar todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, esse foi o motivo para não sumariar as razões recursais no relatório. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19740.000679/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BOLSA DE ESTUDOS - NÃO-INCIDÊNCIA
Os valores relativos à Bolsa de Estudos, pagos pela empresa em conformidade com a legislação previdenciária, não integram o salário de contribuição.
Numero da decisão: 2301-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BOLSA DE ESTUDOS - NÃO-INCIDÊNCIA Os valores relativos à Bolsa de Estudos, pagos pela empresa em conformidade com a legislação previdenciária, não integram o salário de contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete De Oliveira Barros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 506 1 505 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000679/200867 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.005 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2014 Matéria SALÁRIO INDIRETO: BOLSA DE ESTUDOS Recorrente BNY MELLON SERV FINANC DISTR DE TIT E VALORES MOB S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BOLSA DE ESTUDOS NÃOINCIDÊNCIA Os valores relativos à Bolsa de Estudos, pagos pela empresa em conformidade com a legislação previdenciária, não integram o salário de contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 79 /2 00 8- 67 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, incidentes sobre verbas que, no entendimento da fiscalização, possuem caráter remuneratório. Conforme Relatório Fiscal (fls.46), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento relativo a reembolso de faculdades, que constam da conta contábil intitulada “Cursos, Seminário e Congressos. Segundo entendimento da autoridade lançadora, o curso superior, por não se englobar no conceito de educação básica, não está albergado na isenção concedida pela alínea "t", do § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1223.201, da 15a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 220), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 242), alegando, em síntese, que: Foram lavrados três Autos de Infração em seu nome, todos decorrentes da mesma situação fática apontada pelo fisco, e que devem ser julgados em conjunto, de forma a evitar decisões conflitantes. Há necessidade de redução da multa, tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/2009. A recorrente, ao fornecer auxílioeducação, pretendia elevar a qualificação dos seus empregados, e a análise prévia, por um comitê interno, para a concessão dos auxílios em comento não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. Tal fato jamais foi constatado pela fiscalização, que se pautou, exclusivamente, no entendimento que o financiamento de cursos superiores não poderiam deixar de repercutir no pagamento da contribuição previdenciária. Não houve qualquer alegação no sentido de que tais cursos não eram oferecidos de forma isonômica a todos os funcionários da recorrente, mesmo porque consta dos autos todos os documentos que comprovam a acessibilidade do auxílioeducação a todos os empregados. Apenas eram financiados cursos que pudessem contribuir para o crescimento profissional do empregado dentro da empresa, como forma de não desvirtuar a natureza indenizatória do auxílioeducação. Restou comprovado que tal benefício foi concedido para o trabalho, e não pelo trabalho, vez que tratou, exclusivamente, de financiamento de cursos de qualificação profissional. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 2301004.005 S2C3T1 Fl. 507 3 A legislação aplicável ao caso não deve ser pautada na novel redação doa Lei 9.394/96, visto que as alterações introduzidas pela Lei 11.741/08 sobrevieram após a ocorrência dos supostos fatos geradores objeto da discussão sub examine, não podendo, portanto, retroagir. Depreendese, do entendimento externado pela jurisprudência, que a natureza indenizatória do auxílioeducação é suficiente para afastar a incidência da contribuição previdenciária, e o STJ veio dirimir qualquer dúvida acerca da interpretação da norma. A lei 10.243/2001, ao não fazer distinção entre os níveis fundamental, médio e superior, deixou clara a ausência de caráter remuneratório do pagamento de auxílio educação, razão pela qual tal parcela não deve integrar o salário de contribuição dos empregados e, conseqüentemente, não é base de cálculo da contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise dos autos, registro o que se segue. Observase que a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração por entender que os pagamentos relativos a reembolso de faculdades, que constam da conta contábil intitulada “Cursos, Seminário e Congressos, é fato gerador da contribuição previdenciária. A autoridade autuante entendeu que o curso superior, por não se englobar no conceito de educação básica, não está albergado pela isenção de que trata a alínea "t", do § 9o, do art. 28 da Lei 8.212/91. Já a recorrente, em sua defesa, alega que os cursos ofertados são fundamentais para a capacitação dos funcionários e crescimento destes dentro da Sociedade e, nesse sentido, estão, sim, incluídos no rol do referido dispositivo legal. Afirma que a recorrente oferece a todos os seus funcionários a oportunidade de freqüentar cursos de graduação, línguas ou pósgraduação a fim de que estes tenham condições de aprimorar suas formações e evoluir dentro da empresa, e que os cursos ofertados De fato, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais, elencando alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de auxílio educação não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, ou os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. Art 28(...) § 9o(...) t) o valor relativo aplano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (grifei) No caso presente, a fiscalização entendeu que, por ser para pagar curso superior dos empregados, os valores despendidos pela empresa não estariam isentos da contribuição previdenciária, já que não visaria a educação básica. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19740.000679/200867 Acórdão n.º 2301004.005 S2C3T1 Fl. 508 5 Ocorre que as despesas com os cursos de capacitação e qualificação profissional também se enquadram nas hipóteses de isenção do dispositivo legal transcrito acima. A recorrente comprovou, nos autos, que os cursos ofertados eram para capacitar seus empregados. A decisão recorrida manteve o lançamento, argumentando que, pela Lei 9.394/96, a educação profissional não se confundia com ensino superior. No entanto, entendo que nenhum dos dispositivos legais citados no Acórdão da DRJ é no sentido de que o curso superior não se presta para capacitar profissionalmente o empregado de uma empresa. Nesse aspecto, a lei previdenciária deixa claro que, para que os valores pagos para curso de capacitação e qualificação profissional não sejam considerados como salário de contribuição, devem preencher três requisitos, simultaneamente, a saber: estarem vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não serem pagos em substituição de parcela salarial e serem acessíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa. No caso dos autos, a acusação fiscal se limita a afirmar que o curso superior não se englobar no conceito de educação básica. Em nenhum momento, do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirma que os cursos ofertados pela recorrente não estariam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, ou não eram acessíveis a todos os seus empregados e dirigentes. Da mesma forma, não restou comprovado, pelo fiscal autuante, que as parcelas pagas para custear os cursos seriam para substituir salario. Verificase que a empresa foi intimada, por meio de Termo de Intimação de 15/09/2008 (fls. 70), a prestar informações sobre os critérios utilizados para o pagamento/reembolso de cursos de inglês, faculdades, MBA no ano de 2004. E, da análise dos esclarecimentos prestados pela empresa, a fiscalização apenas concluiu que os cursos ofertados não se enquadrariam nas hipóteses de isenção somente porque não se enquadram no conceito de educação básica. Observase que em nenhum momento a fiscalização afirmou que os cursos ofertados não estariam ligados à atividadefim da empresa, Entretanto, como visto, tratamse de cursos de capacitação e, nesse sentido, se enquadram na hipótese de isenção da alínea “t”, do citado art. 28. Entendo que, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os valores concedidos a títulos de bolsas de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 A fiscalização deve provar os fatos em que se funda o lançamento. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos deduzidos. Em face dos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do direito tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica, o que não se verifica no caso vertente. Por todo o exposto, entendo que não restou evidenciada, nos autos, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 411DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900017/2006-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/07/2003
SALDO NEGATIVO IRPJ.
O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
Em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência.
Numero da decisão: 1802-002.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/07/2003 SALDO NEGATIVO IRPJ. O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.900017/200681 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.194 – 2ª Turma Especial Sessão de 03 de junho de 2014 Matéria NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente HARCOVILLE ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/07/2003 SALDO NEGATIVO IRPJ. O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 00 17 /2 00 6- 81 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG (“DRJ/JFA”), que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Para descrever os fatos transcrevo parcialmente o relatório incluso na Resolução 1802000.179, desta 2ª Turma Especial, proferida em 9 de abril de 2013, a qual converteu o feito em diligência. Relatório constante do acórdão recorrido, verbis: “A interessada transmitiu a DCOMP nº 29578.02598.300703.1.7.024209, visando compensar o débito nela declarado, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ – ano calendário 2002; A DRF Juiz de Fora/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência de saldo negativo disponível e também não homologa todos os outros PER/DCOMP vinculados ao referido crédito; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: Os pagamentos de estimativas IRPJ – ano calendário 2002, totalizaram R$4.275,52 e não R$5.698,36; Essa diferença de R$1.422,84 é referente às estimativas de outubro e novembro de 2002 compensadas com saldo negativo do ano calendário 2001, conforme informado na DCTF do 4º trimestre/2002 em anexo; Os valores referentes ao IRRF que totalizaram R$18.107,06 estão todos comprovados conforme demonstrado na planilha e nos extratos anexos; Demonstra assim a existência e a liquidez do direito creditório.” Em sua decisão, a DRJ/JFA julgou parcialmente procedente a defesa apresentada, reconhecendo os valores do IRRF, no montante de R$18.107,06, mas, por outro lado, não reconheceu o crédito de R$1.422,84 e, com isso, manteve a não homologação de todas as compensações vinculadas ao saldo negativo da IRPJ, do ano calendário de 2002. Isto porque, a empresa apurou em sua DIPJ, anocalendário 2002, saldo negativo de IRPJ, no importe de R$10.631,06, em função da informação de estimativas pagas no total de R$5.698,36, sendo que a informação na DIPJ de estimativas pagas, como parcela redutora do IRPJ devido, engloba aquelas recolhidas através de DARF e também àquelas extintas por compensação. Entretanto, foi confirmado como pagamentos apenas o valor de R$4.275,52, quando a contribuinte informou na DIPJ, R$5.698,36, restando claro que as estimativas compensadas, no valor de R$1.422,84, não foram reconhecidas. Em sua impugnação, a contribuinte afirma que informou na DCTF do 4º trimestre de 2002, as compensações dos meses de outubro e novembro de 2002, com crédito proveniente de saldo negativo do anocalendário 2001, demonstrando, com isso, a existência e liquidez do seu direito creditório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 4 3 Negando procedência a esse argumento, assentou a decisão recorrida que não resta dúvida de que a compensação, a partir de 1º de outubro de 2002, de estimativa de IRPJ com saldo negativo de igual tributo, já tinha que ser efetuada com a entrega de declaração específica (DCOMP), por não se enquadrar nas exceções da lei em vigor, nos termos da Lei 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei 9.430/1996. Assim, as estimativas de outubro e novembro de 2002, tiveram seus vencimentos respectivamente em 30/11/2002 e 31/12/2002 e, portanto, para compensação desses débitos já era imprescindível apresentação de DCOMP. A informação em DCTF, a partir da vigência do dispositivo legal citado, não formalizava e nem validava qualquer compensação. Somente com a entrega da DCOMP, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tal decisão está assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/07/2003 COMPENSAÇÃO A partir de 01/10/2002, a compensação de tributos, inclusive de mesma espécie, no âmbito da RFB, regra geral, será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. SALDO NEGATIVO – IRPJ. O valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” A Recorrente foi cientificada da decisão da DRJ em 11/10/2001 e, inconformada, apresentou Recurso Voluntário tempestivamente, em 11/10/2001, alegando, em apertada síntese: 1) reafirma ter apurado saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$10.631,06; 2) o saldo apurado foi composto pelos pagamentos das estimativas que totalizaram R$4.275,52, compensações de estimativas com saldo negativo de 2001 que totalizaram R$1.422,87 e IRRF sobre aplicações financeiras que totalizaram R$18.107,06. O valor devido de IRPJ, foi de R$13.174,39, apurando assim um saldo negativo de IRPJ, no valor de R$10.631,06; 3) a demonstração do crédito na Per/Dcomp no.29578.02598.300703.1.7.024209, foi feita de forma equivocada, sendo que os pagamentos de IRPJ do anocalendário de 2002, foi no valor de R$4.275,52 e não R$5.698,36. A diferença de R$1.422,84, é referente às estimativas de outubro e novembro de 2002, que foram compensadas com saldo negativo do ano calendário de 2001, através das Dcomps no. 33796.70923.251104.1.3.029877 e 13501.42697.251104.1.3.020095, enviadas em 25/11/2004, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 5 4 as quais foram homologadas, vez que passaramse mais do que 5 anos sem qualquer manifestação da Fazenda Pública; 4) demonstrada a certeza e liquidez do crédito tributário impõese o cancelamento da notificação no. 340/2011 e do Despacho Decisório no. 916003772, com a homologação da Per/Dcomp n.º 29578.02598.300703.1.7.024209. Em seu Voto, o D. Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho analisa os fatos e alegações constantes dos autos, mormente a informação segundo a qual a Recorrente teria entregado as DCOMP de nºs 33796.70923.251104.1.3.029877 e 13501.42697.251104.1.3.020095 em 25/11/2004, sendo que referidas declarações constam, inclusive em sua DCTF. Prossegue informando que consultou o sistema da Receita Federal, tendo verificado que a declaração de compensação no. 13501.42697.251104.1.3.020095, encontra se homologada. Por outro lado, constatou que a declaração nº 33796.70923.251104.1.3.029877 (referente à quitação da estimativa de IRPJ de outubro de 2002), teria sido retificada e encontravase pendente de homologação. Vota, portanto, pela conversão do julgamento em diligência, para assegurar a esta Turma, a certeza quanto à homologação ou não do Perd/Comp nº 33796.70923.251104.1.3.029877 (referente à quitação da estimativa de IRPJ de outubro de 2002), por ser prejudicial ao presente processo. Em 16/05/2013, a DRF de Juiz de Fora profere despacho, em resposta à diligência, informando que a DCOMP de nº 33.796.70923.251104.1.3.029877 foi posteriormente retificada pela DCOMP de nº 38.163.80066.180806.1.7.020040, tendo sido posteriormente retificada pela DCOMP de nº 36.778.88504.081107.1.7.021969, esta última protocolada em 08/11/2007, estando todas totalmente HOMOLOGADAS no sistema da Receita Federal. É o Relatório. Passo ao Voto. Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira , Relator. Com base no Relatório acima, depreendese que a questão do saldo negativo de IRPJ foi superada, restando claro que o valor do IRRF efetivamente comprovado, incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação, poderá ser computado na apuração anual do IRPJ. O presente voto centrase, portanto, na questão sobre a regra de compensação através da DCOMP. Segundo a Receita Federal, a partir de 01/10/2002, a compensação de tributos, inclusive de mesma espécie, no âmbito da RFB, regra geral, deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Entendo haver neste caso, argumentos para invocarse o Princípio da Verdade Material em favor do contribuinte, uma vez ter restado claro que há nos autos elementos suficientes para análise do alegado crédito. Entretanto, mais além, erguese ainda a alegação da Recorrente de que teria, sim, efetuado a entrega das DCOMPs necessárias para fazer valer seu crédito, como requerido pela autoridade fiscal. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10640.900017/200681 Acórdão n.º 1802002.194 S1‐TE02 Fl. 6 5 A alegação da Recorrente sobre a entrega das DCOMPs não apenas foi confirmada, como também foi confirmada, através de pesquisa no sistema da Receita Federal e de Resposta à Diligência da própria DRF de Juiz de Fora, a homologação total das referidas DCOMPs. É meu entendimento que, em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório, especialmente quando a autoridade fiscal tiver condições de apurar sua existência. No caso em questão, a própria autoridade fiscal confirmou, em resposta a diligência desta corte, a situação em questão. CONCLUSÃO Tendo em vista, portanto, que (i) há nos autos elementos suficientes para análise do alegado crédito e que (ii) evidenciouse através de pesquisa no sistema da Receita Federal e através de informação da DRF de Juiz de Fora, a homologação total das DCOMPs da Recorrente; em atendimento ao princípio da Verdade Material, bem como da Economia Processual, voto pelo recebimento do Recurso – por tempestivo – e pelo reconhecimento total do direito creditório do contribuinte. É o meu VOTO (assinado digitalmente) LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Numero do processo: 10920.004366/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
Ementa:
ÁGIO - INCORPORAÇÃO DE AÇÕES - EMPRESAS DO MESMO GRUPO - O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusar-lhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97.
A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida.
Numero da decisão: 1301-001.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Paulo Jakson da Silva Lucas. Wilson Fernandes Guimarães (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para aplicar 1% de juros sobre a multa de ofício e Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
documento assinado digitalmente
Valmir Sandri
Redator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Paulo Jakson da Silva Lucas. Wilson Fernandes Guimarães (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para aplicar 1% de juros sobre a multa de ofício e Paulo Jakson da Silva Lucas e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 43 66 /2 01 0- 18 Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.422 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Valmir Sandri Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.423 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e multa e juros isolados, relativas aos anoscalendário de 2005 a 2009, formalizadas em virtude da glosa de despesa de ágio. Os lançamentos tributários em referência tiveram por base os seguintes fundamentos: i) a despesa glosada está representada pelo denominado ÁGIO INTERNO, isto é, ágio de si próprio; ii) no contexto da reorganização societária empreendida, a ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. enquadrase como “empresa de passagem”, vez que teve como finalidade unicamente transferir o ágio à ZANOTTI S/A; iii) na operação, não ocorreu qualquer pagamento referente ao ágio, havendo tão somente reavaliação a preço de mercado e contabilização do ágio dela decorrente; iv) tanto para doutrina, quanto para a legislação tributária, os pressupostos do ágio são: a) participação societária e; b) fundamento econômico do ágio, pressupostos esses que não foram atendidos no caso vertente; e v) o reconhecimento, na contabilidade, do resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, isto é, sob a mesma vontade, representa geração artificial deste resultado. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 484/517), momento em que sustentou: a caducidade do direito de se efetuar os lançamentos tributários; as operações realizadas tiveram propósito negocial; a forma adequada como foi feita a reavaliação das ações da ZANOTTI S/A; a efetiva ocorrência de “aquisição” de participação societária; ausência de distinção, pela legislação, entre partes dependentes ou independentes para que se aufira ganho ou perda de capital numa operação de alienação de bens e direitos a qualquer título; irrelevância da existência de fluxo financeiro para a caracterização da alienação com ganho de capital; violação, por parte da autuação, de dispositivos da legislação tributária e de vários princípios constitucionais; Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.424 4 tentativa da autoridade fiscal de aplicar as disposições do art. 116 do Código Tributário Nacional; inaplicabilidade da multa e juros isolados. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 0723.605, de 25 de março de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: Fatos passados. Repercussão em Exercícios Futuros. Fiscalização. Possibilidade. Escrituração. Documentos. Guarda. Prazo. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Decadência. Amortização de Ágio. Fatos Geradores Distintos. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente de redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. Ágio constituído Sobre as Quotas da Própria Empresa e Decorrente de Transação Entre Empresas Ligadas. Indedutibilidade. IRPJ. CSLL. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma transação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais transações não se revestem de substância e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade e, consequentemente, o ágio delas decorrente não se enquadra na hipótese de dedutibilidade prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Deve ser glosada eventual despesa lançada em função de ágio constituído nessas condições, mormente se reduziu o resultado da própria sociedade sobre a qual o ágio foi constituído (ágio de si mesmo). Ágio de Si Mesmo. Custo. Fundamentos Contábeis. Inconsistência. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.425 5 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Multa de Ofício. Falta de Recolhimento. A aplicação de multa de ofício no percentual de 75% sobre o valor do tributo/contribuição é legítima, eis que fruto de expressa previsão legal. Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. Multa de Ofício Isolada. Duplicidade de Incidência. Não Caracterização. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. Juros de Mora. Taxa SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Juros de Mora Exigidos Isoladamente, de Ofício, sobre Estimativas Mensais Não recolhidas. Falta de Previsão Legal. A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais (de IRPJ e de CSLL), apurada em procedimento de ofício, enseja a aplicação (apenas) de Multa Isolada, não cabendo a cobrança de juros de mora isolados (de ofício) uma vez que, encerrado o anocalendário, não se faz lançamento de ofício incidente sobre antecipação de imposto/contribuição então apurados pelas regras do Lucro Real Anual. Lançamento Decorrente. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. CSLL Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase ao lançamento decorrente a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Esclareceu a Turma Julgadora de primeiro grau que, tratandose de cancelamento de exigência relativa a juros de mora, inexiste previsão para a interposição de recurso de ofício. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.426 6 Irresignada com a manutenção parcial dos lançamentos, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 873/924, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita ser indevida a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. É o Relatório. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.427 7 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Passo, pois, a apreciar os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário. DECADÊNCIA Alega a Recorrente ter ocorrido caducidade do direito de o Fisco fiscalizar em 2010 a formação e contabilização do ágio, ocorrido nos anoscalendário de 2003 e de 2004. Sustenta que “não há qualquer justificativa para o fato de a auditoria fiscal, realizada de agosto a novembro de 2010, ter volvido aos anos de 2003 e 2004 para formar juízo de valor sobre atos e fatos ocorridos à época, para os quais já havia precluído o direito de auditar, haja vista ter se passado mais de 5 (cinco) anos, contados do encerramento do período de apuração do anocalendário de 2004.” Diz que o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, não ampliou o prazo decadencial para fiscalizar os fatos relativos aos documentos que devem ser conservados. Com o devido respeito, a pretensão da Recorrente revelase absurda. À evidência, o que se submete ao crivo da autoridade fiscalizadora e, por decorrência, ao prazo decadencial estampado na norma de regência, é a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e a aferição da base de cálculo do tributo ou contribuição devidos. Resta lógico, portanto, que, relativamente a todo e qualquer elemento que tenha influência na determinação de um ou de outro (fato gerador e base de cálculo), deve o contribuinte manter em ordem e boa guarda os correspondentes documentos de suporte, de modo a permitir que a autoridade fiscal empreenda as verificações pertinentes. No caso vertente, a fiscalizada reduziu a base de incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por meio de registro de despesas nos anoscalendário de 2005 a 2009 e a autoridade fiscal, por meio de ato fundamentado, promoveu a glosa de referidos dispêndios, retificando o resultado fiscal apurado em cada um desses anos. Os lançamentos tributários foram efetivados em 18 de novembro de 2010 (fls. 419 e 433), por meio de ciência da fiscalizada. Tratandose, pois, de tributo e contribuição submetidos a lançamento por homologação, aplicase, para fins de decadência, as disposições do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo de cinco anos para que a autoridade administrativa homologue o lançamento contase da data da ocorrência do fato gerador. A contribuinte fiscalizada, relativamente aos anoscalendário submetidos ao procedimento fiscal, optou pela tributação anual dos seus resultados, com base no Lucro Real, conforme indicado às fls. 05, 21, 37, 53 e 70. Assim, os fatos geradores correspondentes, nos termos parágrafo 3º do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, ocorreram em 31 de dezembro de 2005, Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.428 8 31 de dezembro de 2006, 31 de dezembro de 2007, 31 de dezembro de 2008 e 31 de dezembro de 2009, sendo que, em relação ao mais antigo dos fatos geradores em questão (31 de dezembro de 2005), o lançamento poderia ter sido efetuado até 31 de dezembro de 2010. Cumpre destacar que a tese de caducidade defendida pela Recorrente permitiria que determinado contribuinte, servindose dos mais absurdos fundamentos, engendrasse, em determinado ano, meios para reduzir as bases de cálculo de determinados tributos e contribuições, e, desde que os efeitos fiscais só fossem alcançados após cinco anos da data da elaboração do “planejamento”, nenhuma providência o Fisco poderia adotar em relação a ele, vez que a contagem do prazo decadencial tomaria por base a data do “planejamento” e não os períodos em que as bases de cálculo dos tributos foram efetivamente atingidas pelos seus efeitos. Os precedentes jurisprudenciais referenciados na peça de defesa, com a devida permissão, não autorizam concluir na linha do argumentado pela Recorrente, eis que admitir a interpretação emprestada pela autuada significa, em última análise, afastar, sem qualquer amparo, as disposições do art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido. Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Resta claro que a norma legal acima transcrita não cuidou de ampliação de prazo decadencial, mas, tãosomente, de explicitar o que me parece lógico, isto é, se o contribuinte pretende em determinado período de apuração fazer repercutir na base de cálculo da exação determinado fato, deverá manter em ordem e em boa guarda os respectivos documentos de suporte, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esse período. Rejeito, assim, a tese de decadência esposada na peça recursal. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Argumenta a Recorrente que em nenhum momento a Fiscalização ou a decisão de primeira instância questionaram a efetiva realização dos atos societários que ensejaram a contabilização do ágio. Diz que sequer foi aventada a hipótese de intento doloso, em qualquer de suas formas. Afirma que não consta do Termo de Verificação Fiscal o menor questionamento quanto aos critérios para a apuração do ágio, que está amparado em laudo de avaliação econômicofinanceira. Sustenta que inexiste vedação legal ao procedimento, expressa ou tácita. Alega que, por absoluta falta de previsão legal, descabe a glosa da amortização de ágio. Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 464/), extraio as seguintes informações: i) em 04 de maio de 1995, foi constituída a empresa V&F IMPORT – IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., com capital social de R$ 1.000,00, que, posteriormente, teve sua razão social alterada para ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA.; ii) em 26 de maio de 1999, foi constituída a empresa ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA.; Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.429 9 iii) em 31 de maio de 2000, a ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA. teve seu capital social aumentado com quotas da fiscalizada ZANOTTI S/A; iv) em 10 de outubro de 2003, a fiscalizada (ZANOTTI S/A) solicita a empresa DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORES avaliação econômico financeira do seu patrimônio; v) em 31 de outubro de 2003, por conta de alteração contratual, ingressa na ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA., como sócia, a empresa ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA., o que faz com que o capital social fosse aumentado em R$ 356.734.070,00, capital esse subscrito e integralizado mediante a incorporação de 1.596.504 ações emitidas por ZANOTTI S/A; vi) em 15 de dezembro de 2004, foi assinado PROTOCOLO E JUSTIFICATIVA DE INCORPORAÇÃO da ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. pela fiscalizada (ZANOTTI S/A); vii) em 28 de dezembro de 2004, a incorporação da ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. pela fiscalizada (ZANOTTI S/A) é autorizada, momento em que esta, a fiscalizada, passa a amortizar o ágio gerado em decorrência da reavaliação do seu próprio patrimônio. Em apertada síntese, as operações que resultaram no surgimento da despesa de ágio objeto de glosa por parte da Fiscalização foram as seguintes: a fiscalizada promoveu avaliação do seu patrimônio; a empresa ZANOTTI ADMINISTRADORA DE BENS E PARTICIPAÇÕES, que detinha ações da fiscalizada, ingressa como sócia na empresa ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA. com as ações da fiscalizada; a fiscalizada incorpora a empresa ZANOTTI COMERCIAL EXPORTADORA LTDA., passando a amortizar o ágio derivado do seu próprio patrimônio. Resta fora de dúvida, portanto, que estamos diante da denominada AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO DE SI PRÓPRIO (ÁGIO INTERNO). O ágio interno em questão caracterizase pelo fato de ter sido criado por meio de processo de reorganização societária, empreendido dentro de um Grupo de empresas submetidos a uma única vontade, sem movimentação financeira de qualquer natureza e, ressalvada a redução da incidência tributária derivada da sua amortização, destituído de substância econômica. No presente caso, o Grupo econômico (do qual a fiscalizada faz parte) promoveu uma simples reorganização societária por meio da qual artificializou a criação de uma despesa, derivada da reavaliação do patrimônio de uma das empresas que o integrava, e, por meio de incorporação às avessas, fez com a que a própria empresa que teve o seu patrimônio reavaliado passasse a deduzir essa suposta despesa da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Destaco que a peça recursal apresentada pela contribuinte limitase a argumentar que os atos societários que ensejaram a contabilização do ágio não foram questionados; que não foi aventada a hipótese de conduta dolosa; e que não houve questionamento acerca dos critérios de apuração do ágio. Não traz, contudo, contrarrazões ao Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.430 10 fato de o referido ágio ter sido gerado internamente, de representar mais valia de si próprio, de ter sido gerado artificialmente, visto que decorrente de atos que, inobstante a obediência aos aspectos formais, não refletem substância econômica. A tentativa da Recorrente de enquadrar a situação que ora se aprecia à refletida no art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77, com a devida permissão, não pode ser admitida. Ali, à evidência, tratase de operação em que houve custo efetivo de aquisição, realizada entre partes independentes e dotada de substrato econômico. A mera adequação da forma à circunstância delineada pelo ato legal autorizador da dedução pretendida, à evidência, não constitui elemento suficiente para que se possa validar o procedimento adotado pela fiscalizada. Repiso: seria necessário demonstrar que custos foram incorridos e que a reorganização efetivamente objetivou alcançar interesses societários, e não simplesmente reduzir a incidência tributária. Não tenho dúvidas de que não cabe à Administração Tributária imiscuirse nas decisões tomadas em âmbito privado por Grupo Econômico de qualquer natureza. Entretanto, quando tais decisões resultam em significativo abalo no fluxo de recolhimento de tributos, deve a autoridade tributária envidar esforços para, no exercício da sua atividade fiscalizadora, verificar se os procedimentos com repercussão tributária porventura adotados encontramse em conformidade com a lei de regência. Em uma primeira análise, os procedimentos adotados pela Recorrente revelamse em conformidade com a lei. Entretanto, ao analisarmos os fatos que lhes serviram de suporte, ficam evidenciados fatores que levam à convicção acerca do artificialismo na geração da despesa com amortização de ágio. Com efeito, um processo de reestruturação societária, submetido a uma única vontade, eis que realizado entre empresas pertencentes ao mesmo Grupo Econômico, no qual não houve desembolso e totalmente desprovido de substância econômica, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, de modo a tornar o ágio, nascido de si próprio, dedutível. A contrario sensu, tivesse a citada reestruturação envolvido partes independentes e revelado efetiva substância econômica, de modo que o preço do negócio (custo de aquisição) fosse formado sem interferência, poderseia admitir a dedutibilidade pretendida. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação por ela própria solicitada, fez refletir no ativo de uma empresa a ela ligada, os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma incorporação às avessas, efetivada sem que fosse despendido um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão a que chegou a Fiscalização, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almejou beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de investimento. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.431 11 É certo que não se encontram nos autos elementos capazes de justificar a exasperação da penalidade, mas isso não autoriza concluir que a conduta dolosa não esteve presente na elaboração do “planejamento tributário”. Tivesse a autoridade fiscal aprofundado suas investigações, tenho como certa a explicitação de que a intenção da fiscalizada foi de, por meio de reestruturação societária de mera aparência, impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da sua condição pessoal, suscetível de afetar o crédito tributário, eis que dissimulador da sua verdadeira capacidade contributiva. MULTA ISOLADA Sustenta a Recorrente não ser possível a exigência de multa isolada concomitantemente com a multa proporcional. Em que pese o fato de o argumento da Recorrente encontrar lastro em densos pronunciamentos deste Colegiado, filiome ao entendimento de que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição em razão de apropriação indevida de despesa; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas), devidas a partir da recomposição das correspondentes bases de cálculo. Penso que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Entendo que o simples fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Nessa linha, tomo por exemplo a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Argumenta a Recorrente que a exigência de juros sobre a multa não tem suporte legal. No que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência manifestações em sentido diverso, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.432 12 respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.433 13 a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO unicamente para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.434 14 Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.435 15 Voto Vencedor Valmir Sandri, Redator Designado. Com a devida vênia do entendimento esposado pelo Nobre Relator do presente recurso para manter a exigência, ouso dele divergir quanto ao mérito da matéria posta a julgamento, qual seja, a glosa do ágio procedido pela fiscalização, ao argumento de que, por ter o referido ágio sido gerado internamente, de representar mais valia de si próprio, de ter sido gerado artificialmente, visto que decorrente de atos que, inobstante a obediência aos aspectos formais, não refletem substância econômica, e por isso, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. De plano, afasto peremptoriamente os argumentos acima despendidos no sentido de que, para ter guarida nas disposições dos arts. 7º. e 8º. da Lei n. 9.532/97, o ágio não poderia ter sido gerado entre empresas de um mesmo grupo econômico e deveria ter havido pagamento (desembolso de caixa) para a sua constituição, bem como, a necessidade de substancia econômica, ou seja, segundo interpretação da fiscalização corroborada pelo voto vencedor, o ágio só seria dedutível se houvesse conteúdo econômico na operação e se tivesse havido pagamento em dinheiro mediante livre negociação entre partes independentes. Com a devida vênia, entendo equivocada tal afirmativa. Isto porque, a formação do ágio foi feita nos estritos limites legais previstos pelo Decretolei n. 1.598/77, o qual, em nenhum momento determinou que o ágio não possa surgir entre empresas de um mesmo grupo econômico, nem exige que para a sua formação o investimento seja feita com desembolso de dinheiro e a necessidade de substância econômica. Por ter sido a presente operação efetuada nos mesmos moldes do processo administrativo n. 16643.000392/201061, do qual fui relator, inclusive com a alegação da inexistência do ágio com base na teoria contábil, transcrevo aqui, no que interessa, os fundamentos que lá registrei para restabelecer a dedução do ágio glosado pela fiscalização, vejamos: “DO PROPÓSITO NEGOCIAL Como visto do relatório, o fundamento da autuação foi no sentido da impossibilidade de amortização do ágio quando: a) não há um pagamento em dinheiro decorrente de uma operação de compra e venda e, b) quando o ágio é gerado envolvendo pessoas jurídicas de um mesmo grupo econômico, em virtude da vedação existente na “teoria contábil”. Tem razão a Recorrente quando defende que a “ausência de pagamento em dinheiro” não é suficiente para invalidar o ágio. De fato, o ágio é conceituado na lei, ex vi do art. 385 do RIR/1999, como a diferença entre o custo de aquisição e o valor do investimento segundo a equivalência patrimonial. A aquisição é meio legal de transmissão da propriedade e a lei não define a que título se faça, nem qual modalidade de contraprestação. Portanto, não se pode fazer uma leitura restritiva de que seja aquisição, inclusive, por ser este um vocábulo transposto da área civil, de acordo com o art. 109 do CTN, Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.436 16 devendo, portanto, ser respeitado na sua essência. Ora, a lei tributária poderá dar efeito tributário diverso aos conceitos e princípios de outros campos do saber, mas, nunca alterar a definição do termo. Ressaltese que, no caso, não é a lei, mas é a interpretação da douta autoridade fiscal que procura dar sentido restritivo diverso ao termo aquisição. É o que leciona a brilhante jurista Dra. Karem Jureidini Dias:1 “O Direito Tributário pode dar tratamento expressamente divergente a um determinado fato conceituado em outra ciência ou em outro regime jurídico. Reiteramos que a divergência é nos efeitos, como ocorre, por exemplo, com o tratamento atribuído pelo Imposto sobre a Renda ao tributo vencido e não pago em razão da suspensão da exigibilidade. De acordo com as normas contábeis, o tributo vencido e não pago é despesa e não provisão. Se é despesa, deveria afetar negativamente a base de cálculo do Imposto sobre a renda. Direito Tributário, entretanto, expressamente excepciona, do tratamento dado à despesa, o fato do tributo vencido que não foi pago em razão de certas hipóteses de suspensão de exigibilidade.” A forma de pagamento, como bem coloca o Prof. Eliseu Martins no Parecer acostado às fls. 1.531 e seguintes do processo, não impacta a relevância ou substância econômica da aquisição do ágio. Quando a lei fala em aquisição, ela quer dizer qualquer forma de transferência de patrimônio e não necessariamente só o pagamento em dinheiro. A aquisição poderá ser por permuta, dação em pagamento, doação etc. Não pode o aplicador querer limitar aonde a lei não limitou, até porque as formas de realizar negócios se encontram no campo da liberdade e autonomia privada. Aliás, recentemente, o tema foi analisado pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal no julgamento do processo nº 13839.001516/200664. Na ocasião, a Turma entendeu que a expressão “aquisição” existente na legislação fiscal não pode ter seu significado reduzido à compra e venda de ações, bem como não há qualquer fundamento legal que enseje tal restrição de modo a excluir a subscrição de ações ou qualquer outra forma de aquisição. Não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Portanto, por aquisição entendese qualquer forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Podese dar pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente, no conceito de “participação societária adquirida”. Assim, sob esse aspecto, não se vislumbra nenhuma vedação no aproveitamento do ágio quando decorrente de outro meio de aquisição que não seja a exclusiva entrega de dinheiro. Já no segundo fundamento da autuação a discussão reside na possibilidade de reconhecimento de ágio gerado em operação envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, matéria controvertida, não só no âmbito deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais como dentro da própria contabilidade. Vejamos. 1 Fato Tributário: Revisão e Efeitos Jurídicos. São Paulo: Noeses, 2012, p. 161. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.437 17 Em síntese, a autuação se refere à acusação de haver dedução indevida, na apuração do lucro real, da amortização de valor de ágio interno considerado como produzido dentro do mesmo grupo econômico. Após as grandes discussões que têm acontecido sobre este tema do chamado “ágio interno”, assim considerado aquele decorrente de operações dentro de um mesmo grupo, decidi me debruçar para examinar com maior profundidade a questão, eis que até o momento, meu estudo sobre o tema era incipiente. Inicialmente, é importante salientar que o tema nada tem haver com as alterações de normas contábeis introduzidas após a Lei nº 11.638/2007 (Resolução nº CFC nº 1.157/09, CPC 15/09, CPC 18/09, ICPC 09/2009). Todavia, em razão da relevância do tema, inclusive para outros casos em julgamento nesta Turma, tratarseá da questão sob duas óticas: a) regramento anterior à edição da Lei nº 11.638/2007; b) regramento posterior à edição da Lei nº 11.638/2007. A autoridade fiscal para conseguir desenvolver o seu raciocínio e criar uma possível infração a ser penalizada, no caso, teve que fazer uso da acusação da prática de fraude, entendendo ser indedutível o ágio amortizado a partir de uma fundamentação abstrata, apontando como sendo a “teoria contábil” o lastro para a impossibilidade de se reconhecer o ágio quando a operação ocorrer dentro de um mesmo grupo econômico. Para tanto, utiliza como lastro normativo os seguintes dispositivos: Resolução CFC nº 1.157/2009 (...) 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Resolução CFC nº 750/93 Princípio do Registro pelo Valor Original Art. 7º Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único – Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I – a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.438 18 admitindose, tão somente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada; V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos. Por sua vez, o acórdão da DRJ ora recorrido (fl. 1.263), na tentativa de buscar um fundamento de maior substância, adicionou aos dispositivos já citados pela fiscalização o item 120 da Resolução CFC nº 1.110/2007 (revogada pela Resolução CFC nº 1.292/2010), que prescrevia: (...) 120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. É importante consignar que a redação do art. 7º da Resolução CFC nº 750/93 (citados pela fiscalização e DRJ) foi alterada pela Resolução CFC nº 1.282/10 e a expressão “transações com o mundo exterior” foi suprimida do novo texto. Constatase, assim que a acusação imputada à recorrente tem como fundamento legal: a “teoria contábil”, normas contábeis posteriores ao ano de ocorrência dos fatos geradores anos de 2004 e 2005 e, a partir daí foi construído um raciocínio que levou à conclusão, pela autoridade fiscal, de que se tratava de despesa indedutível considerada como tal de acordo com o art. 299 do RIR/1999. Foram citadas, ainda, os dispositivos do art. 385 e 386 do RIR/1999 que tratam da dedução de despesa a título de ágio. É importante esclarecer que por existir na lei previsão específica para a dedutibilidade da despesa de ágio, ex vi dos arts. 385 e 386 do RIR/1999, que têm como matriz legal o art. 20 do DecretoLei nº 1598/1977 e a Lei nº 9.532/1997, devem estes dispositivos ser observados em decorrência do princípio da legalidade fiscal, pois de outra forma macularia a ordem jurídica e jurisprudência criar exigências para limitar direitos aonde a lei não restringiu, e é com este raciocínio que irei examinar o presente caso. Antes de adentrarmos ao exame da matéria, é importante fazer um paralelo do histórico sobre as regras contábeis e fiscais sobre a apuração de resultados envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, tendo em vista a interpretação da teoria contábil e o Ofício CVM 01/2007, bem como a Lei n. 11.638/2007 que introduziu no Brasil o conceito de grupo econômico. Vejamos. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.439 19 A Lei nº 11.638/2007 que introduziu no Brasil o IFRS é cristalina ao separar os dois sistemas, quais sejam, o contábil e o fiscal. Esse fenômeno vem sendo observado pela doutrina contábil e fiscal e já foi, inclusive, objeto de um recente Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. No brilhante Parecer PGFN/CAT/nº 202/2013, da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, ela adverte que, em função da neutralidade preconizada na Lei nº 11.638/2007 e a existência de um Regime Tributário de Transição, há uma clara separação entre a contabilidade societária e a contabilidade tributária, conforme podem ser observados os trechos ora transcritos: 12. O professor Ricardo Mariz nos traz esclarecedora explanação sobre o advento da Lei nº 11.638, de 2007, ao afirmar que as alterações introduzidas pelas regras de convergência da lei societária nacional às normas internacionais de contabilidade já eram esperadas, “mas o momento em que a lei foi promulgada causou surpresa, eis que não restou tempo suficiente para que os órgãos públicos e as entidades privadas se preparassem para aplicar as novas regras.” Ainda explicando o impacto que a Lei nº 11.638, de 2007, traria à tributação brasileira, o mesmo autor explica: “(...) O que se verificou, a partir da Lei nº 11.638, foi uma profunda mudança em conceitos básicos da própria contabilidade mercantil brasileira, rompendo com práticas que até então eram adotadas para a demonstração do patrimônio líquido das entidades e dos seus lucros. Tal rompimento atingiu até os Princípios Fundamentais de Contabilidade aprovados pela Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade, que outrora eram chamados “princípios contábeis geralmente aceitos” e assim estão referidos no art. 177 da própria Lei nº 6.404. ....................................................... Com efeito, desde época imemorial o lucro sujeito à incidência tributária é o apurado na contabilidade comercial, a partir do qual são feitos ajustes de natureza exclusivamente fiscal, determinados pela legislação do IRPJ (e mais recente pela da CSL) com vista à quantificação das respectivas bases de cálculo. Tais ajustes, como se sabe, são os de receitas não tributáveis ou com tributação diferida, e os de custos ou despesas não dedutíveis ou com dedução diferida, assim como os dedutíveis até certo limite de valor ou sob determinadas condições, e também aqueles que recebem algum tratamento especial, inclusive a título de incentivo fiscal, procedendose, por fim, à compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores. Ocorre que as modificações na contabilidade, estribadas na lei nº 11.638, não mais permitem a partida, pura e simplesmente, do lucro líquido contábil, com vistas ao cálculo do lucro tributável. Isto ficou assim em virtude de que tanto as normas contábeis, inclusive e especialmente as normas jurídicas sobre Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.440 20 contabilidade refletidas na Lei nº 6.404, quanto as normas tributárias estavam construídas sobre alicerces comuns, os quais faziam com que elas caminhassem lado a lado, sem muitos conflitos, e distanciandose apenas quando as leis tributárias determinassem algum tratamento fiscal a este ou aquele componente do lucro, diferente do que figurava na contabilidade. (...)”. 13. Tornouse necessária a adoção de uma alternativa legal que preservasse a incidência tributária dos efeitos imprevistos e, até então, imprevisíveis, trazidos pela Lei nº 11.638, de 2007. Foi nesse cenário que veio a lume o Regime Tributário de Transição, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, mediante o qual se buscava neutralidade fiscal, conforme já devidamente explicitado na Nota Técnica da RFB. 14. Com efeito, a intenção do RTT foi manter os critérios contábeis previstos na Lei nº 6.404, de 1976, antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007, de forma a que as novas regras contábeis não influenciassem a apuração dos tributos respectivos (IRPJ, CSLL, PIS/COFINS). No que concerne ao IRPJ e CSLL, tributos mais afetados diretamente pelas referidas regras, por terem como base de cálculo o lucro real, o RTT determina que o lucro a ser considerado como base para a quantificação do lucro real deve desconsiderar, para sua composição, as regras contábeis trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. 15. O RTT procurou, enfim, manter os procedimentos tributários utilizados antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007. A partir dele, houve uma separação de mundos que até então tinham suporte comum. O RTT é o divisor de águas. A contabilidade societária tomou um rumo e a fiscal outro, sendo que tal Regime atingiu todas as disciplinas referentes à tributação. (...) ... 17. Efetivamente, os artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941, de 2009, expressamente determinam a observância, para fins tributários, dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, até que entre em vigor lei que discipline os efeitos tributários desses novos métodos e critérios contábeis, ou seja, a legislação tributária vigente nessa época permanece aplicada não sendo considerados os efeitos dos novos critérios contábeis. Dizer diferente significa dar efeito tributário às alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007, o que não se pode admitir em face dos claros mandamentos da Lei nº 11.941, de 2009. ... 31. Assim, tendose em mente que as regras contábeis instituídas pela Lei nº 11.638, de 2007, não podem gerar efeitos tributários, nem servir ao cálculo de tributos, parece claro que os lucros ou dividendos não sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte são os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados segundo as normas tributárias vigentes a partir do advento do Regime Tributário de Transição (RTT), o Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.441 21 “lucro fiscal”, e, portanto, regras societárias originais da Lei nº 6.404, de 1976, anteriores à Lei nº 11.638, de 2007. Deste modo, verificamos que a própria Administração Tributária reconhece e aceita o que a doutrina pátria sempre defenderam em relação à convivência e intersecção entre as normas contábeis e as leis fiscais a partir do IFRS. Ou seja, há total separação dos sistemas contábil e fiscal, sob pena de os novos conceitos trazidos pelas novas regras, como a avaliação do patrimônio a valor justo, valor de mercado, etc., interferirem indiretamente na base de cálculo dos tributos com consequente redução na arrecadação tributária. Na realidade do caso concreto, a autoridade fiscal e a autoridade julgadora, para considerarem ter havido infração e fraude, partiram de premissas equivocadas à luz da “teoria contábil, só que esta teoria está lastreada em regras contábeis editadas em períodos posteriores aos fatos ocorridos. Aceitarse tal interpretação implicaria, de uma só vez, em macular dois princípios caros à ordem jurídica, a legalidade e a irretroatividade. Ora, se nem a lei pode retroagir, muito menos a interpretação. Assim, somente a partir do ano de 2007, com a introdução no nosso sistema jurídico da Lei 11.638/2007, é que passou a ser exigido o resultado consolidado do grupo e foi vedada, a partir de então, apenas para fins societários, a utilização do chamado ágio gerado internamente. Tudo regulado pelos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC. Tal conclusão é de fácil verificação, haja vista que a Lei nº 11.941/1999 criou o RTT exatamente para regrar essas separações de sistemas e, da simples leitura do texto legal constatase que o conceito de balanço consolidado não foi aceito pela lei fiscal, bem assim, as regras de dedutibilidade do ágio continuaram plenamente em vigor, eis que, além de não existir na lei fiscal vedação ao ágio gerado internamente dentro do grupo, a lei também não exigiu que houvesse propósito negocial ou pagamento. Portanto, se não por outros motivos, ainda que se admitisse a possibilidade de se transportar para a área fiscal a nova interpretação das regras contábeis, digase de passagem, não da lei societária, mas de pronunciamentos do CPC, aplicáveis a partir de 2010, ainda assim, pelo princípio da irretroatividade tal interpretação não poderia retroagir para alcançar fatos anteriores à sua existência. Nesse sentido, são magistrais as lições da Profa. Misabel Derzi: “E como as leis não retroagem, porque isso não é de sua natureza, das leis, não podem os Poderes Executivos, inclusive o Judiciário retroagir. O raciocínio lógico derivado será o de que os atos de tais Poderes jamais retroajam, pois jamais determinam, validamente, a invasão do passado já que a lei, à qual se vinculam, não poderá fazêlo”. Acrescenta ainda aquela jurista, “Afinal, os princípios da irretroatividade das modificações jurisprudenciais, a proteção da confiança e a boa fé objetiva são dedutíveis diretamente da Constituição da República”.2 2 DERZI, Misabel de Abreu. Modificações da Jurisprudência no Direito Tributário. São Paulo: Noeses. 2009, pp. 493 e 562. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.442 22 Devese ressaltar ainda que, com a introdução do IFRS no Brasil e a total separação da contabilidade das regras fiscais com as Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009, os entendimentos contábeis e societários não poderão ser transpostos de forma irrestrita para a interpretação das regras fiscais. Aqui, mais uma vez, é importante se buscar o douto Parecer PGFN/CAT nº 202/20130: ITEM I 7. Por sua vez, o RTT foi instituído pela mencionada Medida Provisória nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, tendo como finalidade precípua promover neutralidade tributária aos efeitos contábeis decorrentes da adoção da Lei nº 11.638, de 2007 e de normas outras posteriormente editadas pela CVM com o escopo de alinhar o ordenamento normativocontábil brasileiro aos princípios e regras contábeis já internacionalmente adotadas. ... 9. Assim, buscouse, através do RTT, neutralizar os efeitos tributários associados à adoção do conjunto de normas contábeis de convergência, tendo sido tal neutralidade normativa operacionalizada através do estabelecimento de uma espécie de “âncora” no arcabouço contábil pregresso, fazendo com que, para fins de apuração do lucro real, permanecessem as pessoas jurídicas, quando sujeitas ao RTT, regidas pelos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Assim dispõem o § 1º do art. 15 e o caput do art. 16 da Lei nº 11.941, de 2009, expressis verbis: ... 16. Dos dispositivos constantes acima reproduzidos, o que se pode entender por adoção legal da neutralidade é irretocável: Um montante de receita contábil gerado exclusivamente pelos novos métodos e critérios contábeis não deveria, sob qualquer hipótese, ser considerada para fins tributários. Analogamente, quaisquer custos e despesas decorrentes da adoção dos novos métodos e critérios contábeis não podem ser tributariamente considerados. ITEM II 9. Esse novo modelo contábilsocietário, introduzido com mais vigor, no Brasil, pela Lei nº 11.638, de 2007, além da abordagem diferenciada dos fatos menos fiscalista, portanto, menos rígida e mais permeável a mudanças e voltada à produção de informações úteis aos usuários externos atuantes em mercados de capitais ativos tem uma abrangência ampla, e, por isso, capaz de causar um incremento ou uma defasagem na carga fiscal das empresas Também se colhe de Alexsandro Broedel Lopes que: “ (...) o processo de convergência no caso brasileiro, possui importantes elementos distintivos. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.443 23 Inicialmente, as normas internacionais foram incorporadas ao nosso ordenamento por meio da emissão de pronunciamentos técnicos, orientações e interpretações pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que em seguida foram emitidos pela CVM sob a forma de deliberações, portanto, com aplicação para todas as companhias abertas e para as companhias fechadas que optaram por seguir as normas da CVM. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) também procedeu à emissão de normativos adotando normas internacionais. Tal procedimento acabou por tornar as normas internacionais, por meio dos pronunciamentos do CPC, aplicáveis a todas as sociedades brasileiras. (Aqui em destaque o pronunciamento de pequenas e médias empresas, que é a regra relevante para as sociedades que não se enquadrem na categoria de sociedade de grande porte. (nota do autor). Procedimento semelhante de convergência às normas internacionais vem sendo paulatinamente adotado pelos reguladores responsáveis pelas instituições financeiras, entidades de previdência e seguros. Ou seja, o processo de adoção das normas internacionais de contabilidade no Brasil alcança um escopo muito maior de entidades. (...)” Daí, concluise que as disposições da Resolução CFC nº 1.157/2009 e Ofício CVM nº 01/2007, que tratam da vedação do ágio interno para fins contábeis, não podem ser transpostos para fins fiscais. Nesse sentido, valome da critica esposada pelo Ilustre Relator do Proc. Adm. n. 16682.720880/201111, Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior que, ao se referir ao OfícioCircular CVM/SNC/SEP n. 01/2007(que entendeu que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio, arrematou: “Notase, hoje, que alguns tentam elevar tal pronunciamento da CVM a um status de norma tributária proibitiva do reconhecimento do chamado ágio interno ao grupo econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente econômico, pois sequer embasa seu entendimento em qualquer norma jurídica, muito pelo contrário, afirma que, ainda que respeitada a Lei, economicamente é inconcebível o reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica” assim como “falta de propósito negocial” não são institutos jurídicos nacionais, logo não maculam o ato jurídico seja lá qual for o conceito que os seus aplicadores lhes deem, logicamente, desde que não se configurem como um vício do negócio jurídico, segundo o nosso ordenamento legal.” Ademais, como leciona o Professor Eliseu Martins no parecer complementar apresentado nos memoriais, que tem sido incansavelmente citado e adotado pelas autoridades fiscais como o orientador dessa nova interpretação, para fins contábeis, leciona que somente a partir do CPC 18 – 2010 é que surgiu a vedação do registro de ágio decorrente de operações envolvendo um mesmo grupo econômico. Porém, tal vedação possuiu vida curta, conforme relatado a seguir: Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.444 24 Mas, voltando à situação das normas contábeis no Brasil. Aquele intento conseguido com o Pronunciamento Técnico CPC 18 mencionado atrás, que vedou completamente o reconhecimento do lucro nas operações entre entidades do mesmo grupo, acabou tendo vida curta. Primeiramente, ele contrariava fortemente e demasiadamente toda a cultura contábil brasileira. Em segundo lugar, contrariava a prática europeia e de tantos outros países (na verdade apenas os EUA fazem a vedação na prática conforme comentado). Em terceiro, criava problemas para os sócios minoritários das entidades que de alguma forma transferiam seus ativos para outras do mesmo grupo porque, com o não reconhecimento do lucro, ficava diferido o pagamento de dividendos sobre tais resultados a tais sócios minoritários. Em quarto, porque normatizamos no Brasil algo sobre o que o próprio IASB ainda está por se posicionar. Assim, em 2012 o CPC voltou atrás e também voltaram atrás a CVM e o CFC. O CPC modificou completamente a situação e esses órgãos aprovaram a mudança. Passouse a permitir o reconhecimento do resultado em todas as transações entre partes relacionadas, com a exceção de quando a controladora é que transfere os ativos para qualquer controlada. Vejase a redação do artigo 22A (e também do 22B) do CPC 18 (R1): ... Ou seja, a vedação acabou valendo tão somente para os exercícios sociais de 2010 e 2011. Concordamos com o fato de que a CVM não gosta desses ágios, e que de fato, em alguns momentos, acabou por tomar algumas atitudes nessa direção, mas a realidade é essa: mesmo que indesejadas por alguns, essas operações envolvendo participações societárias sendo negociadas entre entidades sob controle comum jamais podem, antes de 2010, e após 2011, ser dadas como infratoras de normas legais ou infralegais contábeis brasileiras. Esse mesmo pensamento foi publicado, no ano de 2012, pelo ilustre Prof. Eliseu Martins a fim de esclarecer o verdadeiro conteúdo das suas palavras que têm sido equivocadamente interpretadas: O Fisco tem tentado consertar, por vias discutíveis, erros do próprio governo. Mas tal decreto só permitia a dedutibilidade do ágio apenas na baixa do investimento. Portanto, na prática nada de problema muito sério. Porém, com o objetivo de aumentar o valor de suas próprias empresas no processo de desestatização, o governo tomou a iniciativa que redundou na Lei nº 9.532 em 1997, onde passou a aceitar a dedutibilidade da amortização do ágio em cinco anos, desde que mediante processo de fusão, incorporação ou cisão (nenhuma lógica nessa subordinação apenas trabalho adicional às empresas). Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.445 25 Mais recentemente, com o valor dessas dedutibilidades assumindo vultosas cifras, o Fisco começou a autuar as empresas sob os mais variados argumentos: ágio interno, ou seja, derivado de negociações de participações societárias entre empresas do mesmo grupo mas nada na lei fiscal ou contábil jamais vedou isso até 2010; ausência de "custo" por não haver desembolso de caixa na aquisição, já que pagamento com emissão de ações às vezes só que jamais a contabilidade subordinou "custo de aquisição" a desembolso em caixa. (...) mas essa exigência contábil começou entre nós apenas a partir de 2010 etc. Ou seja, o Fisco vem procurando consertar, por vias na maioria das vezes muito discutíveis, os erros do próprio governo. (http://www.valor.com.br/brasil/2805590/dedutibilidadefiscal daamortizacaodoagio#ixzz2JBHo3TBX) E mais, ainda que se pudesse admitir tal possibilidade, ainda assim, por se tratarem de normas editadas nos ano de 2010, pelo princípio da irretroatividade das leis somente poderiam ser aplicáveis a partir do ano de 2010. Por outro lado, mesmo na vigência do regramento contábil e societário anterior à Lei nº 11.638/2007, já existia uma separação nas regras contábeis e tributárias, tanto é que existia o LALUR exatamente para que fossem feitos os ajustes necessários das regras contábeis às leis fiscais. No caso de transações envolvendo empresas do mesmo grupo, essa separação sempre foi patente. Conforme relatado no Parecer (complemento) do Professor Eliseu Martins, o tratamento contábil dado às transações de empresas pertencentes a um mesmo grupo sempre foi objeto de discussão na contabilidade internacional. O pano de fundo da discussão reside na necessidade ou não de apresentação de demonstração consolidadas (demonstrações individuais x demonstrações consolidadas). Para o Prof. Eliseu, nos Estados Unidos, por exemplo, só existe a apuração de resultados por meio de demonstrações consolidadas. Já no Brasil, a Lei nº 6.404/76, lei societária, sempre privilegiou a demonstração individualizada, tratando as demonstrações consolidadas como uma espécie de complemento às demonstrações individuais. Aliás, com a edição do DecretoLei nº 1.598/77 (art. 2º), foi criado, para fins fiscais, a possibilidade de tributação em conjunto de um mesmo grupo econômico, o que levaria, necessariamente, a mudança das demonstrações individuais para as consolidadas. Porém, tendo em vista os seus reflexos na redução do pagamento de tributos, a norma nunca chegou a ser aplicada, haja vista que foi rapidamente revogada pelo Decreto Lei nº 1.648/1978. Ou seja, apesar da tentativa ocorrida em 1977, nunca foi possível, para fins fiscais, aplicar as mesmas regras existentes para apuração do lucro líquido envolvendo empresas de um mesmo grupo. E é fácil se constatar qual o motivo, pois, se houvesse o acolhimento do resultado consolidado para fins fiscais no balanço do grupo, tal fato implicaria Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.446 26 necessariamente que, por exemplo, prejuízos e créditos seriam compensados dentro do grupo o que afetaria o recolhimento de tributos. Ressaltese que a lei fiscal tanto não aceita o conceito de grupo econômico que não se compensam prejuízos ou créditos entre empresas do mesmo grupo, bem como não é possível excluir de tributação ganho de capital apurado em operações envolvendo um mesmo grupo econômico. Por outro lado, para a contabilidade, tudo se computa dentro do grupo para se produzir o resultado final. Por isso, não se pode adotar dois critérios de interpretação. Por exemplo, tratandose de uma venda entre empresas do mesmo grupo, haverá resultado ou lucro a ser considerado para fins tributários? Com certeza sim! Sobre o ganho de capital deverá incidir tributação. Então, não se pode usar um critério de não admitir despesa de ágio e usar outro critério para fins de tributar resultado em relação a mesmos fatos e operações sob o mesmo argumento: tratarse de operações entre empresas do mesmo grupo. É exatamente a causa, a motivação e a finalidade que distinguem os sistemas contábil e fiscal. Dessa forma, afrontaria a moralidade e a ética que conceitos diversos e que são distinguidos pela lei possam ser utilizados de forma idêntica ou desigual ao sabor dos desejos do interprete ou aplicador. A segurança jurídica impõe ao aplicador da norma a certeza e a uniformidade de interpretação que não pode variar na dependência de arrecadar mais ou menos sob pena de gerar insegurança jurídica. O fato é que os sistemas contábil e tributário são elaborados a partir de critérios distintos para atender finalidades distintas. O direito tributário necessariamente não se restringe ao que ocorre na contabilidade ou viceversa. São sistemas diferentes. Tomese como exemplo a valoração de bens: a contabilidade exige que bens sejam avaliados a valor de mercado, preço justo, etc. e isto tem impacto sobre o resultado contábil, o patrimônio da empresa e na depreciação de bens, por exemplo. Por outro lado, a lei fiscal continua a exigir que os bens sejam considerados pelo custo de aquisição e que a despesa de depreciação somente será dedutível para fins do IRPJ e da CSLL em relação a esse valor, devendo tudo ser ajustado no LALUR. Por seu turno, o DecretoLei nº 1.598/1977, que trata da forma em que o ágio deve ser reconhecido, ainda continua vigente para fins fiscais e não foi revogado. Não obstante, em nenhum momento ele trouxe qualquer previsão, exigência ou restrição ou impediu o reconhecimento do ágio gerado intragrupo. Neste ponto, não cabe ao intérprete criar restrições não expressas na lei para impedir o uso do ágio onde o próprio legislador não estabeleceu. Noutro prisma, o fundamento apontado pela autoridade fiscal para não aceitar o ágio gerado entre empresas do mesmo grupo é que por serem partes relacionadas estaria maculada a independência de avaliação, e por isso, a mensuração dos valores da transação não seria confiável. Mais uma vez, aqui se valeu de regras contábeis posteriores aos fatos (Resolução CFC nº 1303/2010 que aprovou o NBC TG 04). Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.447 27 Nesse passo, entendo que não há na legislação fiscal qualquer vedação ao ágio gerado internamente dentro de um mesmo grupo econômico. Ao contrário, foi autorizado pelo art. 36 da Lei n. 10.637/02 (que revogou a postergação do ganho), art. 21 da Lei n. 9.249/95 (único fundamento p/ágio – expectativa de rentabilidade futura) e art. 8º. da Lei n. 9.532/97 (admitiu sua dedutibilidade na incorporação reversa). ÁGIO DERIVADO DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA (GOODWILL) GERADO INTERNAMENTE Outro fundamento adotado pela autoridade lançadora para glosar o ágio foi no sentido de que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Neste diapasão, é relevante, também, examinar que a Instrução CVM nº 247/1996 que foi citada pela autoridade fiscal como fundamento normativo que impedia o uso do ágio, mormente porque ela não veda a utilização do ágio interno, mas simplesmente não aceita o ágio sem fundamento econômico, como se pode ver: Art. 14 O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. ... § 5º O ágio não justificado pelos fundamentos econômicos, previstos nos parágrafos 1º e 2º, deve ser reconhecido imediatamente como perda, no resultado do exercício, esclarecendose em nota explicativa as razões da sua existência. Entretanto, é importante lembrar que a lei fiscal nada traz sobre isso, e sendo assim, de se registrar que o contribuinte não pode ser compelido a pagar uma obrigação pecuniária que não esteja prevista na hipótese de uma lei tributária, ou, de forma contrária, ser punido por se aproveitar de redução da base de cálculo de uma obrigação tributária que esteja prevista na hipótese legal criadora de uma desoneração. De fato, a lei em nenhum momento determinou que o ágio não possa surgir entre empresas de um mesmo grupo econômico, nem tampouco exige que a aquisição do investimento seja feita com desembolso em dinheiro (art. 20 do Dec. 1.598/77), bem como, não trouxe qualquer impedimento quanto a sua amortização. Ao contrário, expressamente a autorizou (art. 7º. da Lei 9.532/97). Ocorre que, ainda que as normas contábeis pudessem ser aplicadas no presente caso, superandose questões insuperáveis como a legalidade fiscal e a irretroatividade, mesmo assim, do exame das robustas provas do processo podese concluir que aqui não se aplicam tão somente os argumentos da “teoria contábil” para a não aceitação do chamado ágio interno, mas também o propósito negocial da operação, tendo em vista que na operação está presente uma empresa estrangeira que é um terceiro independente, a qual teria o maior interesse em ser rigorosa com a concretude da operação e, o mais importante, toda operação foi acompanhada por laudos de empresas idôneas e não impugnados pela autoridade fiscal, ou seja, quer contabilmente quer pela lei fiscal, todas as operações Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.448 28 realizadas pela empresa foram e são consideradas verdadeiras, eis que foram públicas, registradas e efetivas. (.....) Logo, mesmo à luz da teoria contábil não se poderia refutar tal operação, pois nesta se identifica perfeitamente qual o propósito negocial decorrentes dos contratos formalizados e legalmente perfeitos, quais os resultados advindos da operação e a confiabilidade do respectivo custo. Em sendo assim, somente assistiria razão à autoridade fiscal se ela comprovasse que efetivamente os valores envolvidos não mereceriam fé. Porém, nesse ponto, haveria a necessidade de questionar o laudo e seus critérios de avaliação, o que, de fato, não aconteceu no curso da fiscalização. Portanto, se a autoridade fiscal que dirigiu o longo procedimento fiscal, teve acesso a todos os documentos, inclusive podendo utilizar o seu poder de intimar terceiros para obter informações, se aquela autoridade examinou detidamente os critérios do laudo e nada impugnou, ela certamente ratificou os valores constantes do mesmo. Isto é, houve comprovadamente a expectativa de rentabilidade futura como exige a lei, nos valores informados naquele laudo. (...) Aliás, a prova de que as operações entre empresas do mesmo grupo são aceitas e reconhecidas pela lei fiscal é que foram editadas as Leis nº 9.430/96 e 12.249/2010, que disciplinam respectivamente os preços de transferência e os empréstimos efetuados entre empresas de um mesmo grupo. Logo, é falacioso dizer que não existe essa possibilidade. Ora, se a lei contém previsão que aceita para fins fiscais como limitar despesas, reconhecer receitas (ganho de capital), cobrar tributos sobre deságios, não é possível concluir, com base em simples interpretação, pela impossibilidade de se reconhecer um ágio decorrente de aquisição envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico. (...). Portanto, nem mesmo podese afirmar que a operação se deu apenas entre empresas de um mesmo grupo, pois, no propósito negocial objetivado pelo plano de negócios, existia a necessidade de que houvesse uma nova avaliação das empresas, brasileira e estrangeira para que se pudesse realizar a permuta de ações negociada entre elas. Ao que parece, a autoridade fiscal tenta desenvolver um raciocínio no sentido de que as regras contábeis já traziam a vedação do reconhecimento do ágio intra grupo antes do ano de 2007, quando cita a Deliberação CVM º 29 do ano de 1996 e Resolução CFC 750/1993. Da leitura de tais diplomas podem ser retirados vários raciocínios, porém, além de se tratar de regras contábeis, elas nada contém que diga respeito diretamente à impossibilidade de consideração de operações intragrupos de empresas e à vedação do ágio interno. Pelo contrário, até então, apenas o art. 250 da Lei das S/A é que tratava do balanço consolidado entre empresas do mesmo grupo (vejase a redação original e suas posteriores alterações): Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.449 29 Art. 250. Das demonstrações financeiras consolidadas serão excluídas: I as participações de uma sociedade em outra; II os saldos de quaisquer contas entre as sociedades; III as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados e do custo de estoques ou do ativo permanente que corresponderem a resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades. III – as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados e do custo de estoques ou do ativo não circulante que corresponderem a resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º A participação dos acionistas controladores no patrimônio líquido e no lucro líquido do exercício será destacada, respectivamente, no balanço patrimonial e na demonstração consolidada do resultado do exercício. § 1º A participação dos acionistas não controladores no patrimônio líquido e no lucro do exercício será destacada, respectivamente, no balanço patrimonial e na demonstração do resultado do exercício. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo permanente, com dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de nota explicativa. § 2o A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo não circulante, com dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de nota explicativa. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor da participação que exceder do custo de aquisição constituirá parcela destacada dos resultados de exercícios futuros até que fique comprovada a existência de ganho efetivo. § 4º Para fins deste artigo, as sociedades controladas, cujo exercício social termine mais de 60 (sessenta) dias antes da data do encerramento do exercício da companhia, elaborarão, com observância das normas desta Lei, demonstrações financeiras extraordinárias em data compreendida nesse prazo. Salientese que a lei fiscal tentou introduzir também essa sistemática, mas o regramento foi rapidamente revogado como já anteriormente citado. Vejase a redação do DecretoLei n º 1.598/1977: Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.450 30 DecretoLei 1.598/1977 Art 2º Duas ou mais sociedades com sede no País podem optar pela tributação em conjunto, desde que satisfaçam aos seguintes requisitos: (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). ... Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. ... § 5º As sociedades tributadas em conjunto (art. 2º) deverão elaborar, além das demonstrações financeiras de que trata o § 4º, e com observância das disposições da lei comercial e das normas expedidas pelo Ministro da Fazenda, demonstrações consolidadas. (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). ... Art. 30 A base de cálculo do imposto das sociedades tributadas em conjunto (art. 2º) será determinada de acordo com as seguintes normas e a regulamentação expedida pelo Ministério da Fazenda: (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). I o lucro real do conjunto será o lucro líquido do exercício apurado na consolidação dos resultados de todas as sociedades (art. 7º, § 5º), ajustado nos termos do disposto no artigo 6º; (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). II não serão modificadas, pelo fato da consolidação, as deduções admitidas em cada sociedade, cujos limites sejam fixados na lei em função de elementos do seu patrimônio ou das suas operações; (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). III o limite de dedução de contribuições e doações poderá ser calculado com base no lucro líquido do conjunto; (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). IV na determinação do lucro real poderão ser compensados os prejuízos de qualquer das sociedades do conjunto, observado o prazo previsto no artigo 65. (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). Parágrafo único O imposto incide à alíquota de 32% sobre o lucro real das sociedades tributadas em conjunto. (Revogado pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). ... Art 64 A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito a compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. § 5º O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.451 31 real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional.(Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) (Revogado pelo Decretolei nº 1.870, 1981) § 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica, nos termos dos atos da operação, às sociedades resultantes de cisão e à que incorporar parcela do patrimônio de sociedade cindida. (Revogado pelo Decretolei nº 1.730, 1979) A propósito, são pertinentes os comentários do Prof. René Izoldi Ávila3 sobre essa modalidade de apuração do lucro até então vigente na época: Capítulo II Tributação de sociedades em conjunto (arts. 2º a 4º; 7º § 5º; 30 e 64 § 8º) 2.1.1. Entre as muitas novidades criadas pela Lei nº 6.404/76, estão os grupos de sociedades (arts. 265 e seguintes) e as sociedades que, embora sem formarem grupos, mantém relações de interdependência de coligação ou controle (arts. 243 e seguinte). ... 2.1.2. Enfrentando esse novo regime jurídico de sociedades que, embora continuem a constituir pessoas jurídicas independentes, caracterizam relações patrimoniais e de resultados interdependentes, o DecretoLei nº 1.598/77 criou um regime especial de “tributação em conjunto”, objeto dos dispositivos a que o título faz remissão, e que serão analisados neste capítulo. ... 2.6.2. A leitura do artigo 30 e seus incisos revela que, em linhas gerais, a apuração do resultado do conjunto é a soma dos resultados líquidos de cada uma das sociedades que o integram. O que poderá determinar, como já enfatizado o número 2.4.2 acima (ao cuidar do § 2º do artigo 4º) uma comunicação de prejuízos. Cada sociedade continuará com o direito às deduções próprias, em função do seu patrimônio e de suas operações (inciso II). Não obstante, como medida de favorecimento, as deduções e contribuições (que têm limite percentual calculado sobre resultados) poderão ter por base o resultado do conjunto (inciso III). Porém, como já mencionado, tais dispositivos do DecretoLei nº 1.598/1977 foram expressamente revogados pelos DecretosLei nºs 1.648, de 1978 e 1.730 de 1979. 3 ÁVILA, Renê Izoldi. Imposto de Renda Pessoa Jurídica – D.L. 1598 – comentado e aplicado. 1977, 2ª edição. p.61. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.452 32 Com isso, podese concluir que inicialmente era desejo do legislador fiscal pátrio introduzir a consolidação dos resultados do grupo da Lei Societária para fins fiscais, porém, posteriormente, esse mesmo legislador optou por não considerar tais disposições para fins fiscais. É cristalino, portanto, que quaisquer regras da lei societária que disponham sobre registros, raciocínios ou consolidação dos resultados ou lançamentos de operações relativos a grupos de empresas que são aplicáveis para fins societários ou contábeis não poderão ser trazidas ou aplicáveis para fins fiscais. Assim, diante da impossibilidade, para fins fiscais, da aplicação das regras contábeis que tratam da escrituração e apuração envolvendo empresas de um mesmo grupo, sobretudo após as alterações promovidas pelas Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009, bem podese concluir que o reconhecimento do ágio mesmo se tratando do chamado “ágio interno” está de acordo com os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 e devem gerar todos os efeitos fiscais deles decorrentes. E também pela teoria do propósito negocial, eis que havia de fato um interesse da contribuinte ingressar no mercado externo, e para isso, fazia se necessário trazer seu patrimônio a preço de mercado, e mesmo que toda a operação fosse tão somente a economia de impostos, também é um propósito negocial, admitido pelo Direito, eis que dentre as alternativas por ele admitidas, é não ser obrigado a escolher a mais onerosa, mesmo que essa seja a sua única finalidade. Como leciona Humberto Ávila: “... a liberdade exercida pelos Contribuintes está assegurada pela Constituição e pela legislação tributária antes referida, sendo a capacidade contributiva revelada nos termos em que foram celebrados os negócios jurídicos. Não pode a autoridade fiscal negar nem a aplicação da lei tributária, nem a validade dos negócios jurídicos”. “não sendo caso dissimulação, se o particular utilizase de determinadas formas de Direito Privado, sem abusar da forma jurídica, isto é, sem destruir os seus elementos essenciais, essa utilização não pode ser desconsiderada, mesmo que a sua finalidade seja justamente a de pagar menos tributo. Mas por que isso? Simplesmente porque o princípio da liberdade de exercício da atividade econômica e o princípio da liberdade de iniciativa estão postos na Constituição, e como direitos fundamentais que são não podem ser restringidos no seu núcleo.” Sendo assim, no meu entender, não há como questionar as despesas decorrentes da amortização de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, oriundas de operações societárias ocorridas entre empresas do mesmo grupo e com conferências em ações, quando todos os requisitos legais foram devidamente obedecidos, conforme o presente caso, ainda que também tenha havido o propósito de economia de tributos. Nesse sentido, vale novamente transcrever parte do voto do Ilustre Conselheiro Alberto quando assevera que “O propósito negocial pode ser, exatamente, o de Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.453 33 realizar uma reorganização societária para se valer das normas permissivas criadas pelo Estado. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extratributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto”. Mas não é só isso. Ainda que se parta da premissa adotada pela fiscalização, de que o reconhecimento contábil do “ágio interno” não encontra respaldo nos princípios da ciência contábil, só sendo verdadeiros os ágios gerados em aquisições de participações societárias em negócios entre partes independentes, ainda assim o lançamento não se sustentaria. É que, com ou sem respaldo na Ciência Contábil, o fato é que no período de 1º de janeiro de 2003 a 31/12/2005, esse ágio pôde ser registrado para retratar situação prevista em norma tributária específica, in casu, o art. 36 da Lei nº 10.637/20024, revogado pela Lei nº 11.196, de 2005, e que dispunha: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o. Assim, o ágio “interno” registrado no período em que vigorou a Lei nº 10.637, de 2002, não obstante em desacordo com os princípios contábeis, não pode ser impugnado pelo Fisco, por estar amparado em norma legal expressa. O ágio registrado com base nesse comando da legislação tributária tem como único efeito fiscal aquele previsto na própria norma que justificou sua contabilização. 4 Fruto da conversão do art. 99 da MP 66, de 2002 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.454 34 Ou seja, o diferimento da tributação do valor correspondente à reavaliação da participação societária conferida na integralização de capital subscrito. (...) Nos estritos termos da norma fiscal veiculada pelo art. 36 da Lei nº 10.637, na EMS Sigma Pharma Participações, essa diferença entre o valor pelo qual o investimento em EMS S/A. estava registrado em sua contabilidade e o valor do investimento em EMS Participações que o substituiu, e que corresponde ao valor do ágio registrado nesta última, não é computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo ser controlada na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), para ser tributada quando da ocorrência de um dos eventos previstos nos incisos I e II do § 1º. Logo, em julho de 2005, quando ocorreu a incorporação da EMS Investimentos pela EMS S/A., concretizouse o evento previsto no inciso I do § 1º do art. 36 (baixa do investimento), tornando obrigatória, para a EMS Sigma Pharma Participações, a tributação da valorização diferida, controlada no LALUR. Ressaltese que não é aplicável, no caso, a exceção prevista no § 2º (“não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação...”), uma vez que não ocorreu transferência da participação (EMS S/A.) ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida. Assim, quando da incorporação da EMS Investimentos pela EMS S/A, caberia ao Fisco exigir de EMS Sigma Pharma Participações os tributos diferidos controlados no LALUR. Não procede, portanto, glosar as amortizações do ágio realizadas por EMS S/A nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/92, a pretexto de que tal ágio não é verdadeiro, porque sua escrituração foi expressamente autorizada pela Lei nº 10.637/96. O fato concreto é que, o registro do ágio (gerado internamente) decorre de disposição expressa e específica da legislação tributária, com o efeito tributário previsto no dispositivo legal, qual seja, o diferimento da tributação da reavaliação da participação conferida. Por fim, peço vênia novamente ao Ilustre Conselheiro Alberto para transcrever suas considerações no sentido de que “Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileira se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio gerado em operações interna”.” Logo, ante os fundamentos acima transcritos, no meu entender é falaciosa a conclusão de que, para que a amortização do ágio ser dedutível seria necessário demonstrar que os custos foram incorridos e que a reorganização efetivamente objetivou alcançar interesses societários, e não simplesmente reduzir a incidência tributária, ou ainda, tivesse a citada reestruturação envolvido partes independentes e revelado efetiva substância econômica, de Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10920.004366/201018 Acórdão n.º 1301001.297 S1C3T1 Fl. 1.455 35 modo que o preço do negócio (custo de aquisição) fosse formado sem interferência, poderseia admitir a dedutibilidade pretendida, pelo simples fato de que esses argumentos serem apenas uma teoria, sem qualquer amparo na legislação tributária. Dessa forma, o ágio só poderia ser considerado indevido pela fiscalização se os negócios jurídicos não tivessem ocorrido, retratado algo diverso do que efetivamente ocorreu, afastado requisitos legais e/ou preceitos de observância obrigatória ou negado a finalidade legal que justificou a sua celebração. Como nada disso ocorreu, não há como o fisco vedar sua dedução. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário da contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de outubro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 16/12/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10920.906274/2012-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 62 74 /2 01 2- 28 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906274/201228 Acórdão n.º 3801003.315 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13656.901586/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
Ementa:
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 Ementa: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 15 86 /2 00 9- 13 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Juiz de Fora: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Dcomp nº 17120.54049.140905.1.3.040844 (fls. 01 a 05), cujo objeto é a compensação de débito do contribuinte com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins (PA 05/2005), efetuado em 24/06/2005, no valor de R$ 6.337,69. O valor total do crédito original utilizado nesta Dcomp é de R$ 690,57. A DRF/Poços de Caldas/MG emitiu em 09/06/2009, Despacho Decisório Eletrônico, por meio do qual não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte (fl. 06). O contribuinte alega em sua manifestação de inconformidade que o valor de R$ 6.337,69 foi recolhido indevidamente, e que o valor efetivamente devido da Cofins relativa a 05/2005 é de R$ 1.044,99. Afirma ainda que por um erro material deixou de retificar a DCTF relativa a 05/2005 quando da transmissão da Dcomp, mas que posteriormente efetuou a retificação da respectiva DCTF. Após análise dos autos, o presente processo foi baixado em diligência junto à DRF/Poços de Caldas/MG, por meio do Despacho, fls. 54 e 55, do qual transcrevese parte: “De uma análise dos dados armazenados nos sistemas informatizados da RFB, constatase que o valor de Cofins (PA 05/2005) apurado pelo contribuinte (conforme planilha constante de sua peça de defesa) e informado na DCTF retificadora (transmitida antes o Despacho Decisório) é divergente do informado no DACON e do declarado na DCTF original. Dessa forma, proponho o encaminhamento deste processo à DRF/Poços de Caldas/MG, para que a autoridade administrativa competente diligencie junto à empresa e verifique em sua escrituração contábil/fiscal qual o valor de Cofins efetivamente devido pelo contribuinte, se aquele declarado na Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13656.901586/200913 Acórdão n.º 3302002.124 S3C3T2 Fl. 134 3 DCTF original e recolhido aos cofres públicos, ou aquele declarado na DCTF retificadora.” Após efetuadas as verificações, a DRF/Poços de Caldas/MG exarou a Informação Fiscal de fl. 79, na qual a autoridade fiscal manifestouse pela inexistência do direito creditório pleiteado e pela não homologação da Dcomp. Ciente da Informação Fiscal em 01/03/2012, o contribuinte não se manifestou e nem apresentou qualquer razão adicional de defesa. É o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgala improcedente em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Conforme se depreende do relatório acima transcrito tratase de declaração de compensação tendo por base alegado crédito decorrente de pagamento de COFINS a maior realizado na competência maio de 2005. O despacho decisório não homologou a compensação por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A DCTF original foi devidamente retificada pelo Recorrente e acabou por motivar a DRJ em baixar o processo em diligência para averiguar a rela existência do credito alegado. A DRF após analisar os documentos que foram apresentados, chegou a seguinte conclusão: “O contribuinte foi intimado em 29/12/2011 a apresentar livro razão e diário e cópia das páginas que contivessem os lançamentos contábeis de COFINS apurada a pagar para o mês 05/2005, de sorte a dirimir a dúvida suscitada. Não apresentou os livros requeridos entregando somente cópia de uma página do razão conta COFINS e duas páginas do diário, sendo uma de jan/2006 (fora do período em análise) e uma com os lançamentos contábeis de parte do dia 27/05/2005 até parte do dia 31/05/2005. Ou seja, a intimação não foi atendida integralmente. Os documentos apresentados não demonstram o lançamento do valor da COFINS apurada a pagar no mês de maio/2005. Na única cópia do razão da conta COFINS apresentada aparece a informação do crédito de COFINS apurado no DACON em favor da empresa (R$ 986,98), não aparece o lançamento do valor apurado de COFINS para o mês 05/2005 (R$ 7.135,70) e aparece a informação de saldo atual da cifra de R$ 1.044,99. Ou seja, não tendo havido o lançamento, no razão da conta COFINS, do débito apurado de COFINS, para o mês 05/2005, o saldo de R$ 1.044,99 não corresponde a verdade. O valor de R$ 1.044,99 é aquele que o contribuinte informou, em face do equívoco acima, como devido em sua DCTF retificadora. Por seu turno, a informação da DCTF original guarda consonância com o DACON da empresa. No DACON a empresa informa COFINS a pagar de R$ 6.154,90 (apurado de R$ 7.135,70 menos o crédito de 980,80) e na DCTF original informa o valor de R$ 6.154,89 (diferença de um centavo). Pelo exposto, conforme livro razão da empresa, estão corretos os valores declarados no DACON e na DCTF original e está equivocada a informação da DCTF retificadora da empresa, de forma que, no caso em tela inexiste qualquer crédito em favor da empresa, e a DCOMP em questão não deve ser homologada. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13656.901586/200913 Acórdão n.º 3302002.124 S3C3T2 Fl. 135 5 Intimado sobre o resultado da diligencia, não houve manifestação da Recorrente nem apresentação de outros documentos que pudessem confrontar os argumentos expostos pela autoridade fiscal. Diante destes fatos, não há como reconhecer o direito pleiteado, motivo pelo qual NEGO PROVIMETO a Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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