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Numero do processo: 10983.914410/2017-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que estabeleça homologação tácita em Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cuida de prazo de homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Numero da decisão: 3402-010.816
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.814, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10983.914411/2017-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que estabeleça homologação tácita em Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cuida de prazo de homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
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DIREITO DE CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que estabeleça homologação tácita em Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cuida de prazo de homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.814, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10983.914411/2017-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 44 10 /2 01 7- 23 Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.816 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10983.914410/2017-23 Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Como relatado na decisão recorrida, a Contribuinte transmitiu Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso, por meio do qual requer restituição de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, sendo que o direito creditório não foi reconhecido no Despacho Decisório emitido pela DERAT de São Paulo/SP. Intimada da decisão de primeira instância, a interessada protocolou Recurso Voluntário, pelo qual pediu a reforma do acórdão recorrido e a homologação tácita do Pedido de Restituição apresentado. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Mérito. Homologação Tácita Alega a Recorrente que ocorreu a homologação tácita no presente caso, uma vez que o pedido de ressarcimento em análise foi transmitido em 21/05/2010 e a ciência despacho decisório se deu em 10/01/2018, transcorrendo o prazo de cinco anos. Sem razão à defesa. Inicialmente, cumpre observar que o presente litígio não versa sobre lançamento de ofício, mas sim de pedido de ressarcimento, sujeitando a Autoridade Fiscal à regra do artigo 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, e não ao prazo decadencial previsto no art. 150, caput e § 4º ou, ainda, no art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. Por sua vez, como bem observado no v. Acórdão recorrido, não há prazo que consolide administrativamente eventual direito de crédito apurado e solicitado em Pedido de Ressarcimento. Assim dispõe o artigo 74, § 5º da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.816 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10983.914410/2017-23 Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (sem destaque no texto original) Por sua vez, não há norma legal que estabeleça a homologação tácita em caso de pedido de restituição, motivo pelo qual afasto tal argumento da defesa. Portanto, está correta a decisão proferida pela DRJ de origem, motivo pelo qual deve ser mantida. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 94DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000946/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
APLICAÇÃO DA SÚMULA 177 DO CARF
No caso, o crédito do contribuinte foi formado por estimativas compensadas, as quais, por força da Súmula 177 do CARF, compõem o saldo negativo. Reconhece-se aludido crédito.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC E DA MULTA DE MORA
Parte do débito foi declarado em DCTF, mas não constou da DCOMP. Tal débito estará sujeito a encargos de mora, já que o art. 13 da Lei nº 9.065/95 prevê a incidência de juros SELIC sobre débitos não liquidados para com a União, referentes a tributos administrados pela RFB. No caso, os débitos não considerados compensados, em razão de não homologação da compensação, são considerados vencidos e não pagos, sujeitando-se, portanto, à SELIC. A Súmula 4 do CARF reforça a incidência da SELIC. Quanto à multa, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 prevê que os débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições administradas pela RFB, não pagos no prazo legal, serão acrescidos de multa de mora à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. O CARF não tem competência para questionar ou analisar a inconstitucionalidade dessas legislações, cabendo ao julgador, aplicar a regra vigente.
Numero da decisão: 1201-006.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado, mas mantendo a exigência de multa de mora e de juros de mora sobre eventual saldo remanescente do débito.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Viviani Aparecida Bacchmi - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Fabio de Tarsis Gama Cordeiro, Fredy José Gomes de Albuquerque, Jose Eduardo Genero Serra, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente)
Nome do relator: VIVIANI APARECIDA BACCHMI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 APLICAÇÃO DA SÚMULA 177 DO CARF No caso, o crédito do contribuinte foi formado por estimativas compensadas, as quais, por força da Súmula 177 do CARF, compõem o saldo negativo. Reconhece-se aludido crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC E DA MULTA DE MORA Parte do débito foi declarado em DCTF, mas não constou da DCOMP. Tal débito estará sujeito a encargos de mora, já que o art. 13 da Lei nº 9.065/95 prevê a incidência de juros SELIC sobre débitos não liquidados para com a União, referentes a tributos administrados pela RFB. No caso, os débitos não considerados compensados, em razão de não homologação da compensação, são considerados vencidos e não pagos, sujeitando-se, portanto, à SELIC. A Súmula 4 do CARF reforça a incidência da SELIC. Quanto à multa, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 prevê que os débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições administradas pela RFB, não pagos no prazo legal, serão acrescidos de multa de mora à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. O CARF não tem competência para questionar ou analisar a inconstitucionalidade dessas legislações, cabendo ao julgador, aplicar a regra vigente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado, mas mantendo a exigência de multa de mora e de juros de mora sobre eventual saldo remanescente do débito. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Viviani Aparecida Bacchmi - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Fabio de Tarsis Gama Cordeiro, Fredy José Gomes de Albuquerque, Jose Eduardo Genero Serra, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente)
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Reconhece-se aludido crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC E DA MULTA DE MORA Parte do débito foi declarado em DCTF, mas não constou da DCOMP. Tal débito estará sujeito a encargos de mora, já que o art. 13 da Lei nº 9.065/95 prevê a incidência de juros SELIC sobre débitos não liquidados para com a União, referentes a tributos administrados pela RFB. No caso, os débitos não considerados compensados, em razão de não homologação da compensação, são considerados vencidos e não pagos, sujeitando-se, portanto, à SELIC. A Súmula 4 do CARF reforça a incidência da SELIC. Quanto à multa, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 prevê que os débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições administradas pela RFB, não pagos no prazo legal, serão acrescidos de multa de mora à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. O CARF não tem competência para questionar ou analisar a inconstitucionalidade dessas legislações, cabendo ao julgador, aplicar a regra vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado, mas mantendo a exigência de multa de mora e de juros de mora sobre eventual saldo remanescente do débito. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 46 /2 00 8- 31 Fl. 965DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-006.121 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.000946/2008-31 Viviani Aparecida Bacchmi - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Fabio de Tarsis Gama Cordeiro, Fredy José Gomes de Albuquerque, Jose Eduardo Genero Serra, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente) Relatório No PARECER SAORT N° 10820/862/2010 (efls. 299), a RFB conta que a empresa transmitiu DCOMP retificadora vinculada à compensação de saldo negativo de IRPJ de 2006, no valor de R$ 521.314,85.Transmitiu também DCOMP de saldo negativo de CSLL do ano de 2006, no valor original de R$ 1.363.288,79. Destaca-se que a empresa manteve em DCTF, a compensação de parte do débito de IRPJ, relativo ao período de 05/2007, no valor original de R$ 767.436,39, vinculado à DCOMP retificada, em consonância com o valor do Saldo Negativo de IRPJ do ano-calendário 2006, apurado na respectiva DIPJ, no valor original de R$ 731.100,69. “Dessa forma, a diferença entre o valor do débito compensado mediante a DCOMP original (R$ 767.436,39) e a DCOMP retificadora (R$ 547.224,20), no montante de R$ 220.212,19, foi determinado que deveria ser objeto de cobrança, já que não houve a extinção do referido crédito tributário, embora esteja confessado em DCTF e devidamente cadastrado nos presentes autos.” Os valores mensais dos débitos apurados sobre a base de cálculo estimada, relativos ao IRPJ confessados em DCTF, considerados pagos mediante compensação e que compuseram o saldo negativo de IRPJ de 2006 foram de R$ 6.501.826,02. Foi considerado homologado pela RFB, R$ 1.594.589,22, sendo que os demais, estão espalhados em outros processos administrativos além deste. Constatou-se a inexistência de Saldo Negativo do IRPJ, no ano-calendário de 2006, cujo valor apurado pela empresa, no montante original de R$ 731.100,69, não deverá ser reconhecido pela Administração Pública; segundo o relatório, observando-se, ainda, a existência de saldo a pagar do IRPJ. Quanto ao imposto de renda retido na fonte, também declarado pela contribuinte na D1PJ 2007, conforme pesquisas efetuadas no sistema eletrônico da RFB (PORTAL — DIRF), deve ser confirmado o valor de R$ 73.629,82. A RFB reconheceu ainda a existência de Saldo Negativo da CSLL, no ano- calendário de 2006, no valor original parcial de R$ 635.756,99, indeferindo-se o valor pleiteado de RS 727.531,81. Às efls 315, a empresa apresenta a Manifestação de Inconformidade, na qual confessou que realizou a apuração real do imposto e houve redução do valor, que foi retificado adequadamente e informado no processo de compensação, acabando por não constar na retificação da DCTF, que para ela, seria mera peça informativa. Requereu, com isso, fosse considerada a apuração do lucro real da qual resultou imposto a menor. Fl. 966DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-006.121 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.000946/2008-31 Ademais, segundo a Recorrente, deve ser dado efeito suspensivo aos demais PAs em que tramitam discussões sobre o crédito dela. Não deve haver cobrança, porque não se findaram os demais PAs. Há duplicidade na cobrança dos créditos, discutidos em outros PAs. “Veja-se, por amostragem, a competência 03/2006, na qual menciona um pagamento de R$ 103.746,96, a titulo de CSLL, e o montante de R$ 257.015,74, a titulo de IRPJ, compensado no processo 10.820.000945/2008-97, cujo valor o fiscal do presente feito considera não homologado, entretanto, está sendo exigido naquele processo, conforme provam os documentos anexos e como provam os próprios despachos decisórios anexos pela fiscalização, de modo que se forem exigidos novamente no presente feito a cobrança será dupla”. Questiona, por fim, a incidência da multa de mora. A DRJ se manifesta às efls. 886 no seguinte sentido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 DCOMP Retificadora. Admitida. Redução do Débito Compensado. Cobrança. Admitida a DCOMP retificadora, para redução do débito compensado, não cabe a cobrança do débito originalmente compensado, nos autos do processo em que discutida a compensação, e nem apreciação desta autoridade quanto à exigibilidade da parcela remanescente do débito. Decorrência. Compensação de Estimativas. Aplicam-se, por decorrência, decisões proferidas em outros processos acerca da compensação dos débitos das estimativas mensais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 Saldo Negativo. Estimativas Compensadas. Não Homologação. Nos termos da legislação tributária, as estimativas devidas no curso do ano-calendário constituem-se em meras antecipações do IRPJ/CSLL devidos no encerramento do período de apuração, e assim apesar de obrigatórias, não atendem os pressupostos de certeza e liquidez, para serem exigíveis, mediante lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União. Somente se extintas, mediante pagamento, ou reforma da decisão administrativa de não homologação de compensação, as estimativas devem integrar o saldo negativo do período. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2006 Saldo Negativo. Estimativas Compensadas. Não Homologação. Nos termos da legislação tributária, as estimativas devidas no curso do ano-calendário constituem-se em meras antecipações do IRPJ/CSLL devidos no encerramento do período de apuração, e assim apesar de obrigatórias, não atendem os pressupostos de certeza e liquidez, para serem exigíveis, mediante lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União. Somente se extintas, mediante pagamento, ou reforma da decisão administrativa de não homologação de compensação, as estimativas devem integrar o saldo negativo do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DCOMP. Compensação Não Homologada. Multa de Mora. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não extintos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte No entender da DRJ, como a estimativa seria uma mera antecipação do tributo/contribuição devido a ser apurado ao final do período, o valor mensalmente devido não assumiria a natureza de obrigação tributária e crédito tributário, não sendo passível, Fl. 967DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-006.121 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.000946/2008-31 consequentemente, de lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União, vez que não atendidos os pressupostos de certeza e liquidez. Conclui-se daí que não se deve admitir a inclusão ao saldo negativo do período da estimativa, cuja compensação fora não homologada, antes de regularmente extinta, pelo pagamento, ou pela reforma da decisão administrativa. Ademais, as decisões tomadas em outros processos administrativos devem ser acatadas pelo julgador de 1ª instância. Logo, as decisões nos processos 10820.000932/2008-18, 10820.000933/2008-62, 10820.000934/2008-15, 10820.000935/2008- 51, 10820.000936/2008- 04, 10820.000937/2008-41, 10820.000944/2008-42, 10820.000945/2008-97, 13822.000009/2007-73, 13822.000012/2007-97 e 10820.002205/2006-23, permanecem ainda válidas e vigentes, haja vista que não reformadas de forma definitiva pela instância superior. Reconhece parte do crédito de CSLL (R$ 18.519,70), por isso a procedência em parte. Recurso Voluntário juntado às efls. 915 tratando, primeiro, do direito ao crédito do saldo negativo. A partir de janeiro do ano calendário seguinte, o saldo negativo poderia ser utilizado para compensações. Para isso, bastaria comprovar o pagamento das estimativas durante o ano-calendário, podendo tal quitação das estimativas ocorrer via compensação. Sobre o saldo negativo de IRPJ de 2006, a Recorrente entende que não haveria motivos para a glosa, até porque as próprias autoridades reconhecem que a DCOMP teria efeito de extinguir créditos para com a Fazenda, sob condição resolutório da ulterior homologação. Todos os processos onde a Recorrente tem crédito em discussão foram relacionados pela DRJ e pela fiscalização, não podendo, a seu ver, desconsiderar-se todos os valores pendentes de julgamento nos recursos referentes aos créditos pleiteados. O parecer, segundo a Recorrente, diz que os processos administrativos encerraram seu curso na esfera administrativa. Isso está errado, porque nenhum processo administrativo foi encerrado ainda. Pelas pesquisas realizadas em ago/2014, nenhum dos processos que serviram de compensação para os tributos que formaram o saldo negativo foi julgado definitivamente em âmbito administrativo. Portanto, na visão da empresa, é de se terem por compensado e efetivamente pagos, sob condição resolutiva, os valores da CSLL recolhidos a maior por meio dos processos de compensação mencionados retro, razão pela qual deve ser rechaçada a conclusão precipitada, do Parecer Saort e que inadequadamente foi acolhida pelo órgão da DRJ/POR ora impugnado. Em vários processos administrativos, que reconheceram parcialmente os créditos, a fiscalização iniciou o procedimento de cobrança dos débitos, estando em duplicidade essa cobrança. Para ela, por fim, os documentos constantes nos autos seriam suficientes para comprovar os créditos e os efetivos pagamentos das antecipações fiscais que originaram o saldo negativo de CSLL em discussão. Fl. 968DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-006.121 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.000946/2008-31 Trata, na sequencia, da incidência da multa de mora e dos juros SELIC, contrariamente à sua incidência. É o relatório. Voto Conselheiro Viviani Aparecida Bacchmi, Relator. A empresa toma conhecimento da decisão da DRJ em 11/07/2014 (6ª feira) e apresenta seu Recurso Voluntário em 12/08/2014, sendo tempestivo seu recurso e dotado dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O caso diz respeito à compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, sendo que tais créditos estão sendo discutidos em outros processos administrativos também. Daí a visão da Recorrente no sentido de que estariam em duplicidade, não podendo permanecer a cobrança relacionada a esses processos, devendo o crédito ser considerado compensado neste processo. A empresa apresentou documentação que, segundo ela, comprova a existência do seu crédito de IRPJ e de CSLL. Note-se que, no caso concreto, a empresa tem direito ao crédito advindo das estimativas por força da Súmula nº 177 (“Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação”). No caso, portanto, da formação do saldo negativo, levam-se em consideração as compensações realizadas, ainda que não homologadas. Não é necessário alongarmos a discussão, porque a Súmula resolve o caso favoravelmente ao contribuinte. No caso, contudo, parte do débito foi confessado em DCTF, mas não declarado em DCOMP, gerando reflexos relacionados aos encargos de mora, abaixo abordados. Incidência de Juros SELIC e de Multa de Mora De acordo com a empresa, seria incabível a cobrança do Juros SELIC, tendo em vista que a Recorrente regularmente confessa o débito e efetua a compensação, sendo desconsiderada pela Fazenda que imputa a mora e aplica os Juros. Fl. 969DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-006.121 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.000946/2008-31 Além disso, é ilegal e inconstitucional a cobrança dos juros SELIC, na visão da empresa, pois teriam natureza remuneratória, contrariando a natureza dos juros prevista no CTN, que é de mora pelo não pagamento do tributo no seu vencimento. Quanto à Multa de Mora, a empresa considera que não houve débito em mora, porque foi extinto pela compensação, e ainda defende-se com o art. 138 do CTN que trata de denúncia espontânea, citando decisões do STJ sobre casos de denúncia espontânea. Quanto aos juros SELIC, o art. 13 da Lei 9.065/95 determina que a partir abril/95, os juros que atualizarão débitos fiscais federais será a SELIC, portanto, desde aquela data não há o que se discutir sobre a incidência da SELIC sobre os débitos dos contribuintes. Ainda que a Recorrente tenha compensado tais débitos com créditos que julgava ter, como a compensação não foi homologada, os débitos compensados passaram a ser considerados vencidos e não pagos, portanto, sujeitos aos encargos legalmente previstos. O tema da incidência dos Juros SELIC está sumulado pelo CARF, portanto, não há como fugir à sua aplicação: Súmula CARF nº 4 Aprovada pelo Pleno em 2006 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas, o CARF não tem a prerrogativa de se manifestar, como previsto na Súmula nº 2. Cabe, portanto, a aplicação dos juros SELIC sobre os débitos remanescentes da Recorrente. Quanto à incidência da multa de mora sobre os débitos cuja compensação não fora homologada, decorre das expressas disposições legais do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 970DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-006.121 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10820.000946/2008-31 A parcela do crédito porventura não homologada faz nascer um débito correspondente ao tributo que fora compensado, que se considera vencido desde o momento inicial da compensação ou na data de seu vencimento. Portanto, sobre tal débito devem incidir os encargos legais – juros e multa – previsto na legislação citada. Considerando que parte do débito ficou confessado em DCTF, mas não foi refletido em DCOMP, esse débito em aberto, não confessado em DCOMP, deverá incidir multa e juros. DISPOSITIVO Isto posto, dou parcial provimento Recurso Voluntário reconhecendo as estimativas confessadas e compensadas mediante DCOMP no saldo negativo e, por ventura, ainda não homologadas, incidindo juros SELIC e multa no saldo devedor remanescente, se inexistente. (documento assinado digitalmente) Viviani Aparecida Bacchmi Fl. 971DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10880.951351/2013-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2013
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO APÓS O VENCIMENTO DOS DÉBITOS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1001-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva- Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, José Roberto Adelino da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO APÓS O VENCIMENTO DOS DÉBITOS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva- Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, José Roberto Adelino da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 104-001.524 da 7ª Turma da DRJ04 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, apresentada pela ora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 13 51 /2 01 3- 07 Fl. 449DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 recorrente, contra o Despacho Decisório – DD (fl. 203), o qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 10478.24788.260713.1.3.17-7521. Em sua Manifestação de Inconformidade (MI), a ora recorrente alegou QUE: “Acontece que a requerente valeu-se do instituto da denúncia espontânea ao efetuar os pagamentos acima listados , razão pela qual não há que se falar em incidência de multa, mas, tão somente dos juros, os quais foram devidamente recolhidos pela requerente”. Alega que, conforme previsão contida no art. 138 do CTN, o recolhimento do tributo devido, antes de qualquer iniciativa de cobrança por parte das autoridades fiscais, não enseja a cobrança da multa moratória. “No presente caso, foi justamente o que aconteceu, antes de iniciado qualquer procedimento por parte das autoridades fiscais, a requerente constatou um erro no preenchimento de sua DCTF e, consequentemente, no pagamento de seus tributos. Imediatamente foi apresentada uma DCTF retificadora (documento 4) com a consequente quitação dos valores adicionais, por meio da PER/DCOMP 10478.24788.260713.1.3.17-7521 (IRPJ e CSLL).”. Apresenta jurisprudência judicial que, supostamente, reforçaria o entendimento da manifestante acerca da matéria em lide. Apresenta os Pareceres 2.124 e 2.113, ambos de 2011, editados pela PGFN. Em sua decisão, a DRJ argumenta que a multa moratória incide sobre os débitos não pagos no vencimento, consoante a legislação vigente (art. 61 da Lei n.º 9.430/96 e §1º, ao art. 43 Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012). Assevera que a compensação foi homologada parcialmente tendo em vista as normas em vigor e que o argumento da denúncia espontânea, com base no art. 138, do Código Tributário Nacional, impõe como condição o pagamento do tributo devido e dos juros de mora e que: Compensação não se equipara a pagamento, já que se trata de duas espécies distintas, com efeitos diferenciados. O pagamento extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior. O mesmo não ocorre com a compensação, porque ela se sujeita a uma condição (resolutória) de decisão de não-homologação, que resolve (reverte) os efeitos, fazendo com que o débito retorne à condição de não-extinto. Cita jurisprudência deste CARF, neste sentido. Continua: A multa moratória poderia ter sido afastada acaso tivesse havido pagamento e não compensação. Tendo em vista o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002, a multa contestada deve ter sua aplicação afastada, quando verificada a hipótese prevista no Ato Declaratório PGFN n° 8, de 20 de dezembro de 2011 (expedido como amparo no Parecer PGFN/CRJ n°s 2124, de 10 de novembro de 2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho publicado no DOU de 15 de dezembro de 2011). O Parecer PGFN/CRJ n°s 2124 foi citado na peça insurgente. Fl. 450DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 Conforme Ato Declaratório PGFN n° 8, de 2011, considera-se ocorrida a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa de mora, na situação em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito ao lançamento por homologação), acompanhado do pagamento imediato e integral da parte declarada, retifica a declaração antes de iniciado procedimento fiscal, informando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. ... A respeito do ato declaratório acima transcrito, a Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal expediu a Nota Técnica n.º 19, de 12 de junho de 2012. Nela, expressou o entendimento de que, para a aplicação do art. 19 da Lei n.º 10.522, de 2002, deve ser considerada ocorrida a denúncia espontânea apenas na sua acepção primária de pagamento do débito concomitante à apresentação da declaração e na forma delimitada no próprio Ato Declaratório PGFN n.º 8, de 2011. Assim sendo, a Nota conclui que não se considera ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do art. 19 da Lei n.º 10.522, quando o sujeito passivo compensa o débito, mediante apresentação de DCOMP (item 6, alínea "c3"). Mantém-se, pois, as compensações do PER/DCOMP em análise na forma demonstrada no despacho decisório contestado. Ciência do acórdão DRJ em 08/03/2021 (fl.287 ). Recurso voluntário apresentado em 05/04/2021 (fl.289 ). Em seu Recurso Voluntário (RV), a recorrente afirma ter se valido do instituto da Denúncia Espontânea ao efetuar os pagamentos (sic) e que computou os juros de mora, com base no art. 138, do CTN, posto que o art. 156, do mesmo diploma, define que tanto o pagamento como a compensação são modalidades de extinção do crédito tributário. Traz um histórico do que teria originado o referido art. 138, do CTN e cita uma decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Ac .9101-003.687 e afirma que: 3.15 Forçoso concluir que a correta leitura da expressão “pagamento antecipado” empregada no artigo 138 do Código Tributário Nacional não deve ser entendida de outra forma senão como expressão equivalente à “adimplemento”, já que a compensação, independentemente de sua homologação, também possui eficácia extintiva, mesmo que sujeita à homologação. 3.16 No caso dos autos, foi justamente o que aconteceu, antes de iniciado qualquer procedimento por parte das autoridades fiscais, a requerente constatou um erro no preenchimento de sua DCTF e, consequentemente, no pagamento de seus tributos. Imediatamente foi apresentada uma DCTF retificadora (fls. 255/218) com a consequente quitação dos valores adicionais, por meio do PER/DCOMP 10478.24788.260713.1.3.17-7521. 3.17 Verifica-se, portanto, que os valores compensados na PER/DCOMP ora parcialmente homologada, são exatamente aqueles declarados e confessados nas DCTFs retificadoras e, ainda, apurados sem a incidência da multa que a Receita Federal erroneamente insiste em exigir: ... Fl. 451DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 Cita jurisprudência administrativa, alega o princípio da Verdade Material e conclui pedindo: 5.1 Do exposto, requer-se a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 e artigos 35 e 63 do Decreto nº 7.574, de 2011, para que sejam verificados os documentos e os esclarecimentos juntados aos autos, ou, até mesmo, verificados aqueles ainda não juntados ao processo, a fim de fazer prevalecer a verdade material dos fatos. 5.2 Por fim, requer-se o provimento do presente recurso voluntário para que seja reformado o v. acórdão recorrido, reconhecendo-se, dessa forma, a compensação, haja vista que comprovada a regularidade no procedimento adotado pela recorrente, uma vez que os valores a serem compensados foram apurados em denúncia espontânea e por essa razão não pode haver a incidência de multa moratória. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e admissível segundo os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele conheço. Inicialmente, quanto ao pedido de diligência, eu o considero absolutamente desnecessário posto que aqui o que se discute é uma questão conceitual e não documental. Como afirmado pela recorrente, o art. 29, do Decreto 70.235/72 dispõe que: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Como já dito, entendo ser desnecessário qualquer exame adicional. Além disso, o pedido de diligência possui o rito previsto no art. 16, do mesmo diploma. Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Portanto, rejeita-se o referido pedido. Quanto ao mérito, verifica-se que o direito ao crédito não foi questionado pela Autoridade Administrativa, apenas o montante deste crédito não foi suficiente para compensar os débitos, justamente pela ausência da multa de mora, apesar de ter incluído, conforme a recorrente afirma, os juros de mora. Fl. 452DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 Inúmeras decisões deste conselho tratam da questão da denúncia espontânea nos casos de compensação. A sua grande maioria é no sentido de que a compensação está sujeita a posterior confirmação, ou seja ulterior homologação. Permito-me citar, parcialmente, o acórdão 9101-005.097, da CSFR: 9101-005.097 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 2 de setembro de 2020 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2001 DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo. Neste sentido, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento segundo o qual é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedente: AgInt nos EDcl nos EREsp. 1.657.437/RS, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 17.10.2018. Nesse mesmo acórdão, a relatora cita diversas outras decisões da 1ª Turma na mesma linha, conforme repito, com a devida vênia: Inicialmente importa contextualizar que a 1ª Turma da CSRF já se manifestou contrariamente à caracterização de denúncia espontânea na compensação de débitos em atraso. Neste sentido são os seguintes julgados: MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa de mora decorrente da utilização de débitos vencidos em Declaração de Compensação DCOMP. (Acórdão nº 9101-002.218 - Sessão de 3 de fevereiro de 2016). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente quando as compensações promovidas em atraso não foram acompanhadas dos juros de mora devidos. (Acórdão nº 9101-002.516 - Sessão de 13 de dezembro de 2016). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. (Jurisprudência das Primeira e Segunda Turmas do Fl. 453DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 Superior Tribunal de Justiça STJ). (Acórdão nº 9101-002.969 - Sessão de 5 de julho de 2017). IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS. LEGALIDADE. A imputação proporcional dos pagamentos referentes a tributos, penalidades pecuniárias ou juros de mora, na mesma proporção em que o pagamento o alcança, encontra amparo no artigo 163 do Código Tributário Nacional. DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART 138 DO CTN. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Para fins de denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, a compensação tributária, sujeita a posterior homologação, não equivale a pagamento, não se aplicando, por conseguinte, o afastamento da multa moratória decorrente pelo adimplemento a destempo. (Acórdão nº 9101-004.231, de 6 de junho de 2019). Continuando, a eminente relatora asseverou: Por fim, adicione-se que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já firmou posicionamento unânime em favor do entendimento aqui defendido. Neste sentido é a manifestação invocada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho ao apreciar, na Primeira Turma da Primeira Seção, o Agravo Interno no Recurso Especial nº 1798582 – PR: [...] 5. No mais, o acórdão recorrido e a decisão agravada estão em perfeita harmonia com a jurisprudência atual e consolidada desta Corte. 6. Com efeito, a Primeira Seção pacificou entendimento segundo o qual é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedente: AgInt nos EDcl nos EREsp. 1.657.437/RS, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 17.10.2018. 7. Ainda: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. NÃO OCORRÊNCIA. I - O presente feito decorre de ação objetivando o não recolhimento de multa de mora no regime de denúncia espontânea, bem como o direito de compensar o indébito. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a sentença foi reformada. II - O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento no sentido de que não se aplica o benefício da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária. Fl. 454DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 Nesse sentido: AgInt nos EDcl nos EREsp n. 1.657.437/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, julgado em 12/9/2018, DJe 17/10/2018 e REsp n. 1.569.050/PE, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 13/12/2017. III - Agravo interno improvido (AgInt no REsp. 1.720.601/CE, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 7.6.2019). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. (...) II - Restou sedimentado nesta Corte o entendimento segundo o qual revela-se incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aos casos de compensação tributária, porquanto, em tal hipótese, a extinção do débito submete-se à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo Fisco. (...) VI - Agravo Interno improvido (AgInt no REsp. 1.473.998/SC, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, DJe 2.5.2019). 8. Ante o exposto, nega-se provimento ao Agravo Interno da Empresa. É o voto. DF CARF MF Fl. 524 Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-005.097 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13830.000446/2005-26 Referido julgado, proferido em 08 de junho de 2020, está assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CÓDIGO FUX. SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA NÃO PROVIDO. 1. As razões do Apelo Nobre indicam genericamente ofensa ao art. 1.022 do Código Fux, sem apontar, de forma clara e objetiva, em que consiste o suposto vício do acórdão recorrido e sem demonstrar a sua importância para o deslinde da causa. Não é suficiente, para tanto, a mera afirmação genérica da necessidade de análise, pelo julgado, de determinados dispositivos legais. Incidência da Súmula 284 do STF. 2. A Primeira Seção pacificou entendimento segundo o qual é incabível a aplicação do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN aos casos de compensação tributária, justamente porque, nessa hipótese, a extinção do débito estará submetida à ulterior condição resolutória da sua homologação pelo fisco, a qual, Fl. 455DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 caso não ocorra, implicará o não pagamento do crédito tributário, havendo, por consequência, a incidência dos encargos moratórios. Precedente: AgInt nos EDcl nos EREsp. 1.657.437/RS, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 17.10.2018. 3. Agravo Interno da Empresa não provido. Este acórdão evidencia o entendimento unânime dos atuais Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria), em decisão proferida em 08/06/2020 (AgInt no REsp nº 1798582/PR), e o entendimento unânime dos atuais Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães), em decisão proferida em 23/05/2019 (AgInt no REsp. nº 1.720.601/CE). Por fim, releva ressaltar que esta é a mesma linha de pensamento que prevalece nessa turma. Permito-me citar o acórdão nº 1001-002.804, de relatoria do Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, em julgamento ocorrido em 7 de dezembro de 2022: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO APÓS O VENCIMENTO DOS DÉBITOS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. MULTA DE MORA. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea tem por pressuposto o efetivo pagamento de débitos desconhecidos pelo Fisco, acompanhados dos juros de mora, quando devidos. A compensação, mediante DCOMP, de débitos declarados, mas já vencidos, não afasta a aplicação da multa de mora e dos juros nos cálculos de imputação do direito creditório reconhecido aos débitos compensados. Assim, por concordar integralmente com a decisão da DRJ, peço a devida vênia para a ela aderir, nego provimento ao presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 456DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-003.080 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.951351/2013-07 Fl. 457DF CARF MF Original
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Numero do processo: 15374.903033/2008-06
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
IRRF. SÚMULAS CARF Nº 80 E Nº 143.
Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 1003-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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SÚMULAS CARF Nº 80 E Nº 143. Na apuração do IRPJ ou CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 00226.50978.180906.1.7.02-2634 em 18.09.2006, e 26629.67361.180906.1.7.02-4572 em 18.09.2006, e-fls. 02-10, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$97.437,86 referente ao ano-calendário de 2003, apurado pelo lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 30 33 /2 00 8- 06 Fl. 487DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 Consta no Despacho Decisório, e-fls. 12-13: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposto a pagar. Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 97.437,86 Valor do Imposto a pagar na DIPJ: R$ 5.388.098,36 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 00226.50978.180906.1.7.02-2634 e 26629.67361.180906.1.7.02-4572 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) e art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Consta no Acórdão da 8ª Turma DRJ/RJI/RJ nº 12-35.740, de 17.02.2011, e-fls. 171-173: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantém-se o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido [...] Em sessão desta data, [...] ACORDAM os membros da P Turma de Julgamento da DRJ/RJ01, por unanimidade de votos, nos termos do Relatório e do Voto que passam a integrar o presente julgado, NEGAR PROVIMENTO à manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório n° 759956268 (fl. 11). Recurso Voluntário Notificada em 21.06.2011, e-fl. 177, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.07.2011, e-fls. 178-187, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: Deve ser reformada in totum a r. decisão de 1ª instância prolatada pela 1ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ), em 17.02.2011 - Acórdão n° 12-35.740, consubstanciada na Comunicação n°465/2011, pois totalmente contrária à prova dos autos e ao Direito, em razão dos fatos e dos jurídicos e ilegais fundamentos a seguir aduzidos. [...] Os PER/DCOMP, nos valores de R$87.873,42 e R$9.564,44, decorrem da existência de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2003, amparados pelos efeitos do Mandado de Segurança n° 1999.34.00.003084-6, da 21ª Vara Federal de Brasília (anexo 3), do qual transcrevemos abaixo a sentença: "Diante o exposto, ACOLHO o pedido para declarar a inconstitucionalidade do art. 1° parágrafo único, da Lei n° 9.316/97 e, em conseqüência, a inexistência da respectiva relação jurídica, possibilitando as impetrantes deduzirem os valores da Fl. 488DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da determinação do lucro real, base de cálculo do imposto sobre a renda (IRPJ)” Ressalte-se que a apuração dos saldos negativos é conseqüência direta da aplicação do MS, vez que a redução dos valores da CSLL da base de cálculo do IR resultou na apuração de valores devidos inferiores aos efetiva e previamente recolhidos, o que não pode ser demonstrado na DIPJ do exercício, pelas razões abordadas na seqüência. A RFB, até a DIPJ 99 - AC 98, disponibilizava a linha 19 (-) Exigibilidade Suspensa, na ficha 13 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real (anexo 4), que se prestaria a essa informação, de modo a refletir na DIPJ o efeito do MS. Os efeitos do MS somente estariam plenamente registrados na DIPJ, caso existisse campo para a informação destacada na planilha que se segue, cujos efeitos na apuração do Saldo Negativo do IRPJ seriam por si só evidentes: DIPJ Imposto Sobre o Lucro Real 01.Alíquota de 15% R$36.645.989,39 02.Adicional R$24.406.659,60 Deduções 03.Operações de Caráter Cultural e Artístico (R$728.880,00) 04.Programa de Alimentação do Trabalhador (R$15.819,91) 05.Atividade Audiovisual (R$400.000,00) 08. Imposto de Renda Retido na Fonte (R$97.437,86) 12.IR Mensal Pago por Estimativa (R$54.422.412,86) Suspensão - 25% CSLL* (R$5.485.536,22) 14. IRPJ a pagar-saldo negativo (R$97.437,86) * Base de Cálculo CSLL R$ 21.942.144,87 x 25% = R$5.485.536,22 Nota-se que o saldo negativo é decorrente do IRRF recolhido por terceiros e não deduzido pela Contribuinte no período. Devido à falta de definições sobre o preenchimento da DIPJ, de maneira a evidenciar os efeitos do Mandado de Segurança, a Contribuinte optou por informar a dedução da despesa de CSLL na DCTF (anexo 5), campo "suspensão" em conformidade com as orientações da Receita Federal contidas na opção ajuda - instruções de preenchimento da ficha de suspensão disponibilizada no programa de preenchimento da DCTF. Enquanto, na DIPJ, o valor do IRPJ apurado com base no lucro real é registrado em sua integralidade, gerando, com isso, uma distorção na declaração de saldo de imposto de renda a pagar. O motivo da não homologação decorre do entendimento da Receita Federal no tocante ao Saldo Negativo de IRPJ no ano-calendário de 2003, vez que se atém exclusivamente ao valor informado na DIPJ/2004, ignorando os efeitos do MS (anexo 6). Embora a União (Fazenda Nacional) tenha apresentado apelação (fls. 457/468), em 15.02.2000, em que requer "Anulação da r. sentença; Reforma da r. sentença cassando-se a segurança concedida pelo decisum recorrido," o Juiz da 21ª Vara/DF, em 18.02.2000, recebeu a apelação apenas em seu efeito devolutivo (anexo 7) (fl. 469), permanecendo os efeitos originais do MS, o que significa dizer que a sentença de 1º grau proferida encontra-se plenamente vigente. Deste modo, não havendo reforma da decisão no Mandado de Segurança, o direito às deduções das despesas de CSLL nas bases de cálculo do IRPJ devem Fl. 489DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 produzir os efeitos nos moldes da sentença, sendo inconcebível que a Contribuinte não usufrua do direito concedido em juízo por mera ausência de forma ou previsão adequada quanto às declarações. Ademais, repita-se, mais uma vez, que, a partir da informação constante no Despacho Decisório n.° 759956268, onde a Receita Federai do Brasil não identificou a existência de crédito de saldo negativo, sob o fundamento de que na ficha 12 da DIPJ 2004 consta saldo a pagar no valor de R$5.388.098,36, o problema reside, justamente na impossibilidade de se demonstrar nesta declaração os efeitos imediatos do Mandado de Segurança sub oculis, ou seja, da dedução da despesa da CSLL na base de cálculo de IRPJ. Buscando demonstrar, novamente, os efeitos da aplicação imediata da sentença favorável à Recorrente no Mandado de Segurança, ou seja, da dedução da despesa da CSLL na base de cálculo de IRPJ [...]. Para melhor elucidar a questão, reitere-se, à exaustão, quanto à inexistência, na DIPJ 2004, ano-calendário 2003, de campo específico que permita refletir o efeito do Mandado de Segurança na apuração do tributo IRPJ, o que já foi possível até a DIPJ 1999, ano-calendário 1998 [...]. Assim, caso referido campo existisse na DIPJ 2004 restaria plenamente evidenciado o crédito da Recorrente ora questionado [...]. Assim, uma vez aceitas as argumentações ora levantadas, com a devida venia, a regularização da ocorrência seria mediante retificação de ofício da DIPJ 2004, de acordo com o item 4, quadros 1 e 2, ou item - 5, quadro 4, embasando, em consequência, o entendimento ora exposto, sobre a improcedência da homologação ora pleiteada pelo Fisco, ressaltando, em especial, que a discussão decorre dos efeitos do Mandado de Segurança em reduzir de imediato a base de cálculo do IRPJ, mediante a dedução da despesa de CSLL na apuração do Lucro Real. No que concerne ao pedido conclui que: Ex Positis, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso para, reformando a decisão recorrida, sejam homologados os PER/DCOMP 00226.50978.180906.1.7.02-2634 e 26629.67361.180906.1.7.02-4572. A Recorrente apresenta Petição, e-fls. 311-368, afirmando que: No que tange aos débitos de responsabilidade da Recorrente [...] vinculados ao mandamus acima noticiado, houve por bem a DEMAC, constituir os Processos Administrativos n° 19740.000325/2008-12, 16682.720263/2010-27, 16682.720594/2012-29 e 16682.720997/2013-59 [...], onde se discute a exigibilidade dos aludidos débitos oriundos da referida ação mandamental impetrada. Pois bem. Com o trânsito em julgado do acórdão proferido em sede de apelação restou cassada a sentença concessiva da segurança no MS n° 1999.34.00.003084-6, para confirmar e reconhecer a constitucionalidade da indedutibilidade das despesas de CSLL da apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ. Sói acontecer que, com a edição da Lei nº 12.865/2013 - que, no seu art. 17, reabriu o prazo para adesão ao REFIS instituído pela Lei n° 11.941/2009 - a Recorrente optou em aderir ao benefício fiscal reaberto, realizando, por conseguinte, o "pagamento integral e à vista" dos débitos objeto dos Processos Administrativos n° 19740.000325/208-12, 16682.720263/2010-27, 16682.720594/2012-29 e 16682.720997/2013-59 [...]. Vale salientar ainda que, para obter o benefício fiscal reaberto, como condição essencial, deveria então, a Contribuinte - que, de fato, o fez - desistir de eventual Fl. 490DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 impugnação e/ou recurso, quitar ou parcelar os débitos em aberto, além de renunciar a quaisquer alegações de direito que fundam os processos [...], cujos pedidos foram tempestiva e regularmente formulados nos aludidos feitos. Assim, Sra. Conselheira Relatora, não remanesce dúvida de que o recolhimento de IRPJ balizador do direito creditório glosado, cujo valor aqui discutido está incluso nos comprovantes de arrecadação em anexo [...]. Noutras palavras, isso importa afirmar que o débito devido pela Recorrente neste feito já foi integralmente quitado, e a manutenção da glosa configurará bis in idem, traduzindo, em última análise, no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, conduta esta repudiada por esse Conselho, data maxima venia. Pelo exposto, requer seja provido o presente recurso para, confirmando o direito da Recorrente à compensação de seu direito creditório, determine ao Fisco que homologue integralmente as DCOMP’s objeto do presente feito, com especial destaque para o "pagamento integral e à vista" já comprovadamente realizado [...], cuja destinação objetivou a fruição do benefício fiscal reaberto pela Lei n° 12.865/2013, privilegiando, dentre outros, os princípios da eficiência, da razoabilidade, da legalidade, do não confisco e, sobretudo, da verdade material. Caso assim não entenda, ad cautelam, requer seja o presente julgamento convertido em diligência, para determinar a manifestação da DEMAC-RJ acerca da regularidade do "pagamento integral e à vista" realizado na adesão ao benefício fiscal noticiado, cuja manifestação irá importar no reconhecimento do crédito glosado e, por conseguinte, na homologação das DCOMP’s objeto do presente feito. Diligência Tendo em vista as alegações constantes na peça de defesa da Recorrente, que está instruída com os motivos de fato e de direito que a fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possui, o julgamento foi convertido na realização de diligência consubstanciada na Resolução da 3ª TE/1ª Seção nº 1803-000.115, de 23.09.2014, e-fls. 370-377 (art. 15, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Em atendimento, foi proferido o Despacho Decisório exarado pela DEINF/SPO, de 10.05.2023, e-fls. 413-422, do qual a Recorrente foi notificada em 26.06.2023, e-fl. 426. Em 27.06.2023, e-fl. 423, a Recorrente apresentou Petição de e-fls. 429-430 com o seguinte teor: 2. Em que pese a informação de que não é possível fazer a comprovação em relação ao IRRF de código 5706, incidente sobre os JCP, a RFB através do Despacho Decisório exarada e 10/05/2023, identificou valores retidos em montante superior ao apresentado pela Requerente, que foram efetivamente computados no Lucro Líquido e, por conseguinte, na formação do Lucro Real, conforme tabela apresentada no processo. 3. Dessa forma, prevalecendo os procedimentos adotados pela RFB, observa-se que tais retenções foram integradas ao saldo negativo do IRPJ apurado pela Requente em 2003, de forma a ratificar crédito suficiente para a compensação das Dcomps nº 00226.50978.180906.1.7.02-2634 e 26629.67361.180906.1.7.02-4572. CONCLUSÃO 4. Em virtude do exposto, REQUER-SE sejam integralmente acolhidos os pedidos formulados, por serem insubsistentes os fundamentos pelos quais a Receita Federal busca exigi-las, após exonerações reconhecidas no Despacho Decisório exarado em 10 de maio de 2023, por esta Deinf/SPO. Fl. 491DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que deve ser considerado o conjunto probatório produzido nos autos que evidenciam o direito creditório. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório Fl. 492DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias”, conforme art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Em se tratando da necessidade de se demonstrar a liquidez e certeza do crédito que a Recorrente pretende utilizar no Per/DComp, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou que: “10. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN)” (Agravo Regimental no Recuso Especial 862.572/CE). Em se tratando de Per/DComp inverte-se o ônus da prova, cabendo à Recorrente comprovar seu direito líquido e certo. É dever da autoridade fiscal, ao analisar os valores informados em Per/DComp para fins de decidir homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do indébito apurado pela Recorrente. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Para a análise das provas, cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 80 Fl. 493DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (Vinculante, conforme Portaria nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Tendo em vista as divergências apontadas pela Recorrente o julgamento foi convertido na realização de diligência. Consta no Em atendimento, foi proferido o Relatório de Despacho Decisório exarado pela DEINF/SPO, de 10.05.2023, e-fls. 413-422, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Despacho decisório de 10/05/2023 O presente processo de crédito trata de um alegado saldo negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado pelo contribuinte ao final do ano-base de 2003 no valor de R$ 97.437,86. Esse direito creditório foi utilizado pelo sujeito passivo na extinção por compensação (artigo 156, inciso II da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN)) de créditos tributários referentes ao IRPJ apurado por Pessoas jurídicas (entidades financeiras) obrigadas ao Lucro Real – estimativa mensal (código 2319). Esses débitos fiscais foram confessados por meio de Pedidos Eletrônicos de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs) [...]. Ocorreu que os sistemas da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB) não reconheceram o alegado direito creditório, tal como se observa no Despacho nº 759.956.268 de 09/05/2008 (folhas 12 e 13 do arquivo eletrônico do presente E-processo). Em síntese, a decisão administrativa, com consonância com os números escriturados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica do exercício de 2004 (DIPJ/2004) (ano-base 2003), verificou que o sujeito passivo apurou um ajuste anual de IRPJ a pagar de R$ 5.388.098,36, não sendo confirmado, portanto, o saldo negativo do imposto no valor de R$ 97.437,86. O quadro a seguir demonstra o que foi aqui relatado. [...] Inconformado com o Despacho nº 759.956.268 de 09/05/2008, houve por bem o contribuinte, em conformidade com o que dispõe o artigo 74, §§ 7º e 9º da Lei nº 9.430/96, apresentar manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1). Desse ponto em diante, o rito do presente processo de crédito passou a ser regido pelo Decreto nº 70.235/72, norma primária que regulamenta o processo administrativo fiscal (PAF). Em resumo, o interessado alegou que não foi devidamente informado que parcela do IRPJ apurado no ano-base de 2003 encontrava-se em discussão na esfera judicial, especificamente no mandado de segurança nº 0003070-79.1999.4.01.3400. Nesse mandamus, a administradora de recursos alegava ser inconstitucional o artigo 1º da Lei 9.316/96 que veda a dedução da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do Lucro Real, que constitui a base de cálculo do IRPJ, entre outros tributos, inclusive a própria CSLL. Pretendia o contribuinte, assim, deduzir de seu lucro tributável os gastos incorridos com o recolhimento da CSLL aos cofres públicos. Entendia a instituição financeira que a restrição da dedução da CSLL desembolsada aos cofres públicos do lucro tributável fere o artigo 43 do CTN. Esse dispositivo do Fl. 494DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 CTN define o fato gerador do IRPJ que incide sobre o conceito de renda e, no entender do sujeito passivo, o desembolso da CSLL é um gasto, um componente não integrante do lucro, portanto impassível de ser tributado pela Fazenda Pública, tendo em vista que ao repassar a obrigação tributária à União, o contribuinte deixa de ter a disponibilidade econômica e jurídica dessa parcela de seus resultados positivos, que é direcionada aos cofres públicos. Na época dos fatos aqui examinados, essa parcela do IRPJ de R$ 5.485.536,22 encontrava-se com sua exigibilidade suspensa, por força de sentença proferida no mencionado mandado de segurança nº 0003070- 79.1999.4.01.3400 (folhas 41 a 46) (artigo 151, inciso IV do CTN). Essa parcela do IRPJ apurada em 2003 foi mantida em controle, com sua exigibilidade suspensa, no processo nº 19740.000325/2008-12. Se levado em conta os desdobramentos do writ em questão, confirmar-se-ia o alegado saldo negativo de IRPJ ao final do ano-base de 2003 no valor de R$ 97.437,86, tal como demonstrado na coluna “Contribuinte” do quadro 02. Ao examinar a matéria, a DRJ/RJ1 indeferiu o pedido do contribuinte e manteve inalterado o despacho que não reconhecera o seu alegado saldo negativo (folhas 171 a 173). Em síntese, os julgadores administrativos entenderam que a DIPJ/2004 não demonstrava claramente a existência do alegado saldo negativo de IRPJ em 2003 de R$ 97.437,86. Ainda inconformado, o sujeito passivo apresentou recursos voluntários na tentativa de reformar a decisão da DRJ/BHE tal como permite o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. O presente processo foi então encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que, ao reexaminar a matéria, propôs a baixa do processo em diligência ao órgão preparador que atualmente jurisdiciona o contribuinte (DIRAT/DEINF/SPO) (folhas 370 a 377) para que os desdobramentos do mandado de segurança nº 0003070-79.1999.4.01.3400 fossem devidamente examinados, em conjunto com os demais dados registrados nos sistemas da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), de modo que fosse refeita a apuração do IRPJ em 2003. Sendo assim, nos parágrafos a seguir serão aqui reexaminados os elementos sobre os quais o CARF solicitou maiores esclarecimentos para fins de elaboração do relatório requerido pelo órgão colegiado. No caso vertente, observou-se que o contribuinte optou por renunciar ao direito sobre o qual o mandado de segurança nº 0003070-79.1999.4.01.3400 se fundamentava com o objetivo de aderir aos benefícios da anistia prevista na Lei nº 11.941/2009, reaberta pelo artigo 17 da Lei nº 12.865/2013 e regulamentada pela Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 7 de 15/10/2013. Conforme detalhado nos parágrafos anteriores, parcela do IRPJ apurado em 2003, mantida com sua exigibilidade suspensa no processo nº 19740.000325/2008-12 no valor de R$ 5.485.536,22, era discutida no mandado de segurança nº 0003070-79.1999.4.01.3400 no qual o impetrante pretendia abater do Lucro Real os gastos referentes ao recolhimento da CSLL. A renúncia sobre o qual a discussão da validade do crédito tributário se fundamentava constitui-se em um dos requisitos para aderir ao chamado “Refis da Crise”, nos termos do artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06 de 22/06/2009, norma secundária que regulamenta a Lei nº 11.941/2009. Nesta adesão, a instituição financeira optou por extinguir à vista o débito mediante pagamento, com anistia da totalidade da multa incidente sobre o crédito tributário e redução de 45% dos juros incidentes sobre esse valor (artigo 1º, § 3º, inciso I da Lei nº 11.941/09). O crédito tributário extinto pelo pagamento à vista, controlado no processo nº 19740.000325/2008-12 e, conforme se observa nas decisões administrativas proferidas nesse processo (folhas 410 e folhas 664 e 665 do E-processo nº 19740.000325/2008-12), a extinção desse débito já foi Fl. 495DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 implementada nos sistemas da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB). Portanto, a parcela da estimativa mensal de IRPJ de dezembro de 2003 no valor de R$ 5.485.536,22 deve ser abatida do IRPJ apurado no ano-base de 2003. Feito esse esclarecimento, deve-se agora refazer o cômputo do IRPJ apurado em 2003 com base nas demais informações extraídas dos sistemas da RFB, haja vista que o Despacho nº 759.956.268 de 09/05/2008 não fez essa apuração e se limitou a constatar que inexistia o alegado saldo negativo do IRPJ ao final de 2003. Sendo assim, refazendo-se o cálculo do IRPJ apurado ao final do período de 2003 tendo por fundamento os valores declarados na DIPJ/2004, foi apurado um Lucro Real passível de tributação pelo IRPJ no valor de R$ 244.306.595,95 na ficha 09B (Demonstração do Lucro Real – Instituições Financeiras) da DIPJ/2004. Sobre esse Lucro Real incidiu a alíquota de 15% (244.306.595,95 x 0,15 = 36.645.989,39), acrescido do adicional de 10% incidente sobre a parcela do Lucro Real que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração ((244.306.595,95 – 240.000,00) x 0,10 = 24.406.659,60) (artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.249/95), resultando em um IRPJ apurado de R$ 61.052.648,99 (36.645.989,39 + 24.406.659,60 = 61.052.648,99). Os cálculos aqui repassados encontram-se detalhados no quadro 02. Esse valor foi parcialmente quitado por pagamentos de estimativas mensais do imposto, com o recolhimento desses valores confirmado no sistema SIEF, além do abatimento de incentivos fiscais referentes às Operações de caráter cultural e artístico (Lei nº 8.313/91 (Lei Rouanet)), Programa de alimentação do trabalhador (PAT) (Lei nº 6.321/76) e Atividade audiovisual (Lei nº 8.685/93 (Lei do Audiovisual)) de estimativas mensais de fevereiro a setembro de 2004 e da dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Em consulta ao sistema que controla as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), foram localizadas retenções em fonte do IRPJ, passíveis de serem aproveitadas pelo sujeito passivo, sob o código de receita 3426 (IRRF incidente sobre aplicações financeiras de renda fixa, exceto em fundos de investimento – pessoa jurídica), código 8045 (IRRF incidente sobre comissões e corretagens pagas à pessoa jurídica), código 1708 (IRRF incidente sobre remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (artigo 52 da Lei nº 7.450/1985)), código 8468 (IRRF incidente sobre operações de day trade) e código 5706 (IRRF incidente sobre juros sobre o capital próprio (JCP) pagos a residentes no Brasil). Os fatos geradores do IRRF de código 3426 são os rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa, decorrentes de alienação, liquidação (total ou parcial), resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação bem como outros rendimentos decorrentes de operações assemelhadas (artigos 729, 730, 734, 759, § 1º e 729 do Decreto nº 3.000 de 26/03/1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99)). A alíquota incidente sobre os ganhos, no ano-base aqui em exame (2003), era de 20% e incidia sobre os rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa, decorrentes de alienação, liquidação (total ou parcial), resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação; sobre rendimentos predeterminados obtidos em operações conjugadas realizadas: nos mercados de opções de compra e venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros (box); no mercado a termo nas bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, em operações de venda coberta e sem ajustes diários e no mercado de balcão; sobre rendimentos obtidos nas operações de transferência de dívidas realizadas com instituição financeira; sobre rendimentos periódicos produzidos por título ou aplicação, bem como qualquer remuneração adicional aos rendimentos prefixados; sobre rendimentos auferidos nas operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, inclusive controladoras, controladas, coligadas e interligadas; sobre rendimentos auferidos em operações de Fl. 496DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 adiantamento sobre contratos de câmbio de exportação, não sacado (trava de câmbio), bem como operações com export notes, com debêntures, com depósitos voluntários para garantia de instância e com depósitos Os fatos geradores do IRRF de código 3426 são os rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa, decorrentes de alienação, liquidação (total ou parcial), resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação bem como outros rendimentos decorrentes de operações assemelhadas (artigos 729, 730, 734, 759, § 1º e 729 do Decreto nº 3.000 de 26/03/1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99)). A alíquota incidente sobre os ganhos, no ano-base aqui em exame (2003), era de 20% e incidia sobre os rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa, decorrentes de alienação, liquidação (total ou parcial), resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação; sobre rendimentos predeterminados obtidos em operações conjugadas realizadas: nos mercados de opções de compra e venda em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros (box); no mercado a termo nas bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, em operações de venda coberta e sem ajustes diários e no mercado de balcão; sobre rendimentos obtidos nas operações de transferência de dívidas realizadas com instituição financeira; sobre rendimentos periódicos produzidos por título ou aplicação, bem como qualquer remuneração adicional aos rendimentos prefixados; sobre rendimentos auferidos nas operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, inclusive controladoras, controladas, coligadas e interligadas; sobre rendimentos auferidos em operações de adiantamento sobre contratos de câmbio de exportação, não sacado (trava de câmbio), bem como operações com export notes, com debêntures, com depósitos voluntários para garantia de instância e com depósitos judiciais ou administrativos, quando seu levantamento se der em favor do depositante; sobre ganhos obtidos nas operações de mútuo e compra vinculada à revenda, no mercado secundário de ouro, ativo financeiro e sobre rendimentos auferidos em contas de depósitos de poupança e sobre juros produzidos por letras hipotecárias. Já o código de receita 1708 se refere ao imposto retido incidente sobre remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (artigo 52 da Lei nº 7.450/1985). O fato gerador dessa retenção em fonte consiste no pagamento ou crédito de importâncias por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas civis ou mercantis pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional. Constatado o fato gerador previsto na hipótese de incidência descrita em lei, aplica-se a alíquota de 1,50% sobre as importâncias pagas ou creditadas como remuneração pelos serviços prestados. No caso em comento, a BB Administração de Ativos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A prestou serviços a outras pessoas jurídicas, e recebeu como contrapartida uma remuneração já descontada do IRRF calculado pela alíquota de 1,50%. Esse imposto retido é posteriormente deduzido do IRPJ a pagar apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual (artigo 650 do RIR/99). Os tomadores de serviços atuam nesse caso como responsáveis tributários pelo cálculo e recolhimento do IRRF, sendo a instituição financeira a beneficiária desses montantes retidos e repassados aos cofres públicos pelo responsável tributário. Foram também identificadas retenções em fonte do IRRF sob o código de receita 8045, que trata-se de retenção em fonte do imposto de renda decorrente de remuneração recebida a título de comissões, corretagens ou outras espécies de recebimento pela mediação na realização de negócios civis e comerciais prevista no artigo 651, inciso I do RIR/99, norma secundária que regulamenta o artigo 53 da Lei nº 7.450/85, artigo 8º do Decreto-lei 2.287/86 e artigo 6º da Lei 9.064/95 Tal como no caso descrito no parágrafo anterior, esse IRRF retido é posteriormente deduzido do IRPJ a pagar apurado no encerramento do período de apuração, sendo calculado pela mesma alíquota de 1,50%. Fl. 497DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 Adicionalmente, deve-se aqui levar em conta no cômputo do imposto retido em fonte as quantias referentes às auto retenções de imposto realizadas pelo próprio beneficiário, BB Administradora de Ativos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A, sendo tais auto retenções decorrentes de remuneração recebida a título de comissões, corretagens ou outras espécies de recebimento pela mediação na realização de negócios civis e comerciais, prevista no artigo 651, inciso I do RIR/99, norma secundária que regulamentava o artigo 53 da Lei nº 7.450/85, artigo 8º do Decreto-lei 2.287/86 e artigo 6º da Lei 9.064/95. No caso, o demandante é constituído como distribuidora de títulos e valores mobiliários e retinha em fonte o imposto de renda a partir do recebimento de corretagens e outras remunerações por ele auferidas por conta de serviços prestados a terceiros. Esse imposto retido corresponde a aplicação da alíquota de 1,5% sobre o valor do recebimento. Já a retenção em fonte sob o código 8468 incide sobre operações de day trade, realizadas em bolsa de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas (artigo 8º da Lei nº 9.959/2000 e artigo 31 da Instrução Normativa (IN) da então Secretaria da Receita Federal (SRF) nº 25 de 06/03/2001. A alíquota do imposto é de 1,00% e incide sobre o valor do resultado positivo apurado no encerramento das operações day trade, sendo considerada como day trade a operação ou conjugação de operações iniciadas e encerradas em um mesmo dia, com o mesmo ativo, em que a quantidade negociada tenha sido liquidada, total ou parcialmente (artigo 187 do RIR/99). A pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real, Presumido ou Arbitrado poderá deduzir o IRRF de código 8468 do IRPJ apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual (artigo 773 do RIR/99), cabendo a retenção e repasse do imposto a instituição intermediadora da operação day trade, que receber diretamente a ordem do cliente. Por fim, o IRRF de código 5706 refere-se à retenção em fonte do imposto sobre os juros sobre o capital próprio recebidos por beneficiários localizados no Brasil. O recebimento do JCP está sujeito à incidência do IRRF nos termos do artigo 668 do RIR/99, norma secundária válida na época dos fatos aqui examinados. O fato gerador do tributo são os juros pagos ou creditados de forma individual a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido da pessoa jurídica e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Os beneficiários dos valores retidos do imposto de renda são as pessoas físicas ou jurídicas, sócias ou acionistas do ente jurídico que os remunerou por meio do JCP. A alíquota do imposto é de 15% e incide sobre o valor dos juros pagos, sendo o tributo retido na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. O imposto em comento não incide sobre os entes jurídicos imunes, determinados pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CR/88). O regime de tributação da pessoa jurídica isenta e da pessoa física é definitivo, ou seja, o imposto é pago e não pode ser restituído no encerramento do período de apuração trimestral ou anual, tampouco sendo necessário oferecer o rendimento à tributação ao final desse período. Para as pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, o imposto retido será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual (artigo 668, § 1º do RIR/99). Compete à fonte pagadora a responsabilidade por seu recolhimento aos cofres públicos (artigo 717 do RIR/99) e o prazo de recolhimento do imposto é até o terceiro dia útil subsequente à semana de ocorrência dos fatos geradores (artigo 865, inciso II do RIR/99). Então, diante do contexto que envolve a retenção em fonte do imposto de renda, nota-se que o tributo retido é tratado como uma antecipação do IRPJ devido ao final do ano e pode ser utilizado no abatimento do imposto apurado contanto que os rendimentos que ensejaram sua retenção tenham sido devidamente oferecidos à Fl. 498DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 tributação. Em outras palavras, o IRRF pode ser abatido do IRPJ apurado ao final do ano caso os rendimentos que originaram essas retenções tenham sido integrados no cômputo do Lucro Real, base de cálculo do IRPJ. A comprovação do IRRF se dá mediante consulta ao sistema DIRF, no qual os responsáveis tributários pela retenção e repasse do imposto aos cofres públicos informam que o contribuinte é beneficiário das quantias retidas. Alternativamente, o contribuinte de fato pode comprovar que possui retenções em fonte do imposto mediante apresentação de cópias dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos e de Retenção de Impostos na Fonte emitido pela fonte pagadora para fins de aproveitamento do IRRF no abatimento do IRPJ devido. A apresentação desses documentos para fins de dedução do imposto devido ao final do ano é fundamentada no artigo 55 da Lei nº 7.450/85 que determina que imposto de renda e contribuições retidos na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Sendo assim, no caso vertente, para que o IRRF seja aproveitado na dedução do IRPJ devido ao final do ano-base de 2003, é necessário que o rendimento que ensejou a retenção em fonte tenha integrado a formação do Lucro Real, sendo também imprescindível que o responsável tributário tenha informado em DIRF que BB Administradora de Ativos – Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A é beneficiária do imposto retido. Alternativamente, a ausência de informações no sistema DIRF pode ser suprida mediante apresentação de cópia simples dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos e de Retenção de Impostos na Fonte emitido pela fonte pagadora para fins de aproveitamento do IRRF no abatimento do IRPJ devido. No caso em tela, a administradora de ativos não apresentou aos autos administrativos cópias dos comprovantes de rendimento referente ao imposto retido em fonte ao longo do ano de 2003, sendo assim, essa informação foi suprida em consulta ao sistema DIRF. Os rendimentos de aplicações financeiras e day trade relacionados às retenções sob o código 3426 e 8468 estão de acordo com os valores de R$ 51.890.743,00 declarado na linha 13 (Outras rendas de títulos e valores mobiliários) da Ficha 06B – Demonstração do Resultado – Instituições Financeiras da DIPJ/2004, sendo assim, todas as retenções sob esses códigos podem abater o IRPJ apurado em 2003. Da mesma maneira, as retenções em fonte sob os códigos 1708 e 8045, bem como as auto retenções do imposto sob o mesmo código 8045 também podem abater o IRPJ apurado no ano, haja vista que na linha 36 (Rendas de prestação de serviços), da mesma ficha 06B, foram computados no Lucro Líquido ganhos na ordem de R$ 789.631.782,60, suficientes para justificar as retenções e auto retenções em fonte do IRRF sob os códigos 1708 e 8045. Para o caso do imposto retido sobre os juros sobre o capital próprio, todavia, deve-se mencionar que há uma divergência entre a apropriação dos JCP pelo regime de competência na escrituração dos livros contábeis e na DIPJ em contraste com o regime de caixa que rege o momento em que se deve fazer a retenção em fonte do imposto incidente sobre o pagamento do JCP pela fonte pagadora. Em outras palavras, o recolhimento do IRRF respeita o regime de caixa, ou seja, só há retenção em fonte do imposto quando os juros sobre o capital próprio são pagos aos cotistas e acionistas. Sob esse prisma, não é incomum que uma pessoa jurídica apure o resultado em um ano, só venha a distribuir o JCP correspondente a esse resultado no ano seguinte, com a correspondente retenção em fonte do imposto e declaração em DIRF também ocorrendo no ano seguinte. Em contraste, as informações prestadas em DIPJ e a escrituração contábil dos contribuintes observa o regime de competência, ou seja, os rendimentos devem ser registrados de acordo com o período ou exercício em que Fl. 499DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 foram auferidos, independentemente desses recursos terem ingressado no caixa da pessoa jurídica beneficiária. Esse descasamento de regimes entre a DIRF e a DIPJ pode levar à declaração do recebimento do JCP em um determinado ano na DIPJ com a retenção correspondente do imposto só concretizada no ano seguinte, com o repasse da quantia retida aos cofres públicos e a declaração em DIRF. No caso vertente, não está claro se os ganhos auferidos pelo contribuinte a título de JCP de R$ 32.008,47 que ensejaram retenções em fonte do imposto de R$ 4.801,25 foram efetivamente oferecidos à tributação, considerando que a linha 37 (Receitas de juros sobre o capital próprio) da Ficha 06B (Demonstração do Resultado – Instituições Financeiras) da DIPJ/2004 encontra-se zerada, de modo que não é possível aqui se firmar convicção se, de fato, os ganhos oriundos do recebimento de JCP foram efetivamente oferecidos à tributação pela administradora de ativos. Sendo assim, a retenção em fonte sob o código de receita 5706, extraída do sistema DIRF, foi desconsiderada no cômputo do saldo negativo de IRPJ de 2003, tal como se observa na coluna “DIRAT/DEINF” do quadro 02. Portanto, considerando todos os fatos aqui examinados, com a apuração do IRPJ a partir do Lucro Real informado na DIPJ/2004, abatido das estimativas mensais do imposto pagas pelo contribuinte ao longo do ano de 2003, bem como a parcela de R$ 5.485.536,22 extinta com os benefícios da anistia reaberta pelo artigo 17 da Lei nº 12.865/2013, assim como o imposto de renda retido na fonte sob os códigos 3426, 8045, inclusive o imposto auto retido sob esse código, códigos 1708, código 8468 e desconsiderando-se o IRRF de código 5706, foi possível aqui confirmar o alegado saldo negativo de IRPJ ao final do ano-base de 2003 no valor de R$ 97.437,86, tal como pleiteado pelo contribuinte. Finalmente, em cálculos realizados no sistema SAPO, foi aqui atestado que esse indébito relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2003 de R$ 97.437,86 é suficiente para a completa extinção por compensação dos débitos fiscais mostrados no quadro 01. Bem assim, repisando-se os pontos aqui examinados, foi visto que o contribuinte pretendia extinguir por compensação os débitos fiscais de estimativa mensal de IRPJ de fevereiro e maio de 2004 mostrados no quadro 01. Para tanto, pretendia utilizar o saldo negativo de IRPJ por ele apurado ao final do ano-base de 2003 no valor de R$ 97.437,86. Foi relatado que os sistemas da RFB não confirmaram o alegado direito creditório, haja vista que foi informado em DIPJ/2004 que, ao final do ano de 2003, houve apuração de ajuste anual de IRPJ a pagar. Inconformado, o contribuinte recorreu à DRJ/RJ1 relatando que não fora informado que parcela do IRPJ apurado em 2003, de R$ 5.485.536,22 encontrava-se com sua exigibilidade suspensa por força de sentença proferida no mandado de segurança nº 0003070-79.1999.4.01.3400. Nesse mandamus, o impetrante buscava abater o gasto relativo ao repasse da CSLL aos cofres públicos, entendendo que esse gasto não poderia ser classificado como renda, descrita no artigo 43 do CTN, que se entedia como um resultado positivo no qual seu detentor tinha efetiva disponibilidade econômica e jurídica. Se atendida a demanda da instituição financeira, o desembolso da CSLL deixaria de ser classificado como renda, para fins de tributação pela União. Essa parcela com exigibilidade suspensa passou a ser controlada no processo nº 19740.000325/2008-12. Ao examinar a manifestação de inconformidade, a DRJ/RJ1 manteve a decisão recorrida inalterada e, por sua vez, o interessado recorreu ao CARF que determinou a baixa do presente processo em diligência de modo que fosse refeito o cômputo do saldo negativo de IRPJ ao final de 2003, levando-se em conta os desdobramentos do writ. Foi então relatado que o contribuinte optou por renunciar ao direito sobre o qual o mandado de segurança nº 0003070-79.1999.4.01.3400 se fundamentava com o Fl. 500DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 intuito de aderir aos benefícios da anistia trazida pela Lei nº 11.941/2009, reaberta pelo artigo 17 da Lei nº 12.865/2013. Em consulta ao processo nº 19740.000325/2008- 12 foi comprovado que a adesão à anistia em comento foi deferida, encontrando-se a parcela de R$ 5.485.536,22, originalmente discutida no mandado de segurança, extinta no âmbito do processo nº 19740.000325/2008-12. Sendo assim, o montante extinto pode integrar o cômputo do saldo negativo do IRPJ apurado ao final de 2003. Nessa toada, foi relatado que partes do IRPJ apurado em 2003 foram extintas por pagamentos de estimativas mensais do imposto, bem como pela retenção em fonte do tributo e pela auto retenção da exação sob o código 8045. O interessado não apresentou cópias dos comprovantes de rendimento e de retenção em fonte do imposto, sendo assim, a ausência desses documentos foi suprida em consultas realizadas no sistema DIRF e no sistema SIEF. Foi então reportado que o imposto retido sob o código 1708 e 8045 tem por origem serviços prestados pela instituição financeira a outras pessoas jurídicas, tendo como contraprestação o recebimento de recursos já descontados do imposto retido em fonte que, por sua vez, é repassado aos cofres públicos tendo o banco como beneficiário. Esse imposto retido pode ser aproveitado pelo prestador de serviços no abatimento do IRPJ por ele devido ao final do período de apuração ou na formação de seu saldo negativo de IRPJ contanto que essas receitas sejam devidamente integradas na formação do Lucro Real. Além disso, foi descrito o contexto em que se dá a auto retenção do imposto sob o código 8045, que ocorre quando a instituição financeira presta serviços a outras pessoas jurídicas e é remunerada pelos serviços prestados. No caso, essa contraprestação é repassada à instituição financeira, sem qualquer tipo de desconto ou retenção, cabendo à própria instituição bancária, prestadora do serviço, a tarefa de recolher em seu próprio benefício o IRRF calculado pela alíquota de 1,50% incidente sobre a remuneração pelo serviço prestado sob o código 8045. Adicionalmente, foi visto que o sujeito passivo possuía retenções em fonte do imposto de renda, sob o código de receita 3426, passíveis de serem abatidos do tributo apurado ao final do ano. Os valores retidos sob esse código são originados de ganhos auferidos por aplicações financeiras em renda fixa. A alíquota do imposto retido, na época dos fatos aqui examinados, era fixada em 20% e a base de cálculo do tributo é representada pelo ganho auferido nessa aplicação financeira. O imposto retido para pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real é tratado como uma antecipação do imposto devido, apurado ao final do ano, podendo ser abatido do IRPJ contanto que os rendimentos dessas aplicações financeiras sejam integrados no cômputo do Lucro Real. A retenção do imposto sob o código 8468, por sua vez, ocorre sobre ganhos apurado em operação de bolsa de valores realizadas em um mesmo dia (day trade), incidindo a alíquota de 1,00% sobre esses ganhos, cabendo o cálculo, retenção e repasse do tributo à instituição intermediadora da operação day trade, que receber diretamente a ordem do interessado, que informa ao Fisco que a administradora de ativos era a beneficiária do imposto retido. Ainda, foi aqui detalhado como se dá a retenção em fonte do imposto sob o código 5706, incidente sobre o recebimento de JCP, sujeito à incidência do imposto retido em fonte calculado pela alíquota de 15%, sendo o fato gerador do tributo representado pelo pagamento de juros pagos ou creditados de forma individualizada a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido da pessoa jurídica, limitado a variação da TJLP. O tributo é retido na data do pagamento ou crédito ao beneficiário pela fonte pagadora. Fl. 501DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-004.024 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 15374.903033/2008-06 No caso vertente, foi comprovado que os rendimentos que ensejaram essas retenções em fonte, bem como as auto retenções, foram efetivamente computados no Lucro Líquido e, por conseguinte, na formação do Lucro Real, sendo assim, tais retenções podem ser integradas ao saldo negativo do IRPJ apurado pelo contribuinte em 2003. Só não foi possível fazer essa comprovação em relação ao IRRF de código 5706, incidente sobre os JCP, sendo assim, esse imposto retido não foi aqui considerando no cômputo do saldo negativo em comento. Ao se refazer a apuração do saldo negativo de IRPJ de 2003 levando-se em conta os fatos aqui narrados, referente à adesão à anistia trazida pela Lei nº 11.941/2009 em relação à parcela do IRPJ de R$ 5.485.536,22, às estimativas mensais de IRPJ quitadas por pagamento e as retenções em fonte do imposto confirmadas no sistema DIRF, bem com as auto retenções realizadas sob o código 8045, foi aqui confirmado o pleiteado saldo negativo de IRPJ ao final do ano-base de 2003 no valor de R$ 97.437,86. Em cálculos realizados no sistema SAPO, foi atestado que esse direito creditório é suficiente para a completa extinção por compensação das obrigações tributárias listadas no quadro 01. (g. n) Restou comprovada a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2003. Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício, inclusive no que se refere aos acréscimos legais e os efeitos jurídicos decorrentes das normas tributárias previstas no ordenamento jurídico. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimentos das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra- se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 502DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 36392.001311/2004-17
Turma: Quinta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1998 a 28/02/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 2005-000.095
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição do direito de pedir restituição formulado pelo contribuinte no que se refere ao período de 03/1998 a 05/1999, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem para apreciação das demais questões atinentes a esse pedido, ainda não enfrentadas.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Mario Hermes Soares Campos, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR A 09/06/2015. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição do direito de pedir restituição formulado pelo contribuinte no que se refere ao período de 03/1998 a 05/1999, determinando o retorno dos autos à Unidade de Origem para apreciação das demais questões atinentes a esse pedido, ainda não enfrentadas. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Mario Hermes Soares Campos, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de restituição datado de 24/06/2004, formulado por contribuinte aposentado, como empresário, no qual pleiteia ressarcimento das diferenças das contribuições previdenciárias referentes às competências 03/1998 a 02/2003, pagas em classe superior à permitida pela escala de interstícios. Consta do relatório da recorrida que, apreciando a solicitação, a Unidade de Atendimento Copacabana/RJ da Delegacia da Receita Previdenciária RJ-SUL, emitiu em 21/07/2006 parecer e decisório às fls. 173/176, onde concluiu: - pela regularidade na instrução do processo: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 13 11 /2 00 4- 17 Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2005-000.095 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 36392.001311/2004-17 - pela extinção do direito de pleitear a restituição no período de 03/1998 a 05/1999, em face do transcurso do prazo de 05 anos contados da data de pagamento; e - pela restituição dos valores recolhidos de 06/1999 até 02/2003. Foram executados os procedimentos para o pagamento do crédito reconhecido e, posteriormente, expedido Ofício 90, de 24/07/2006 (fls. 177), comunicando ao solicitante o deferimento parcial do seu requerimento de restituição e do encaminhamento ao Setor Financeiro ou Pagadoria do INSS da Autorização de Pagamento, relativa à parte deferida. Foi comunicado também que, com relação ao período indeferido, caberia a interposição de recurso ao CRPS, no prazo de 30 dias, contados da ciência do Ofício. O contribuinte recorreu da decisão (fl. 224), sendo que a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente, conforme o Acórdão 12-67.830 - 10ª Turma da DRJ/RJO (fls. 242/245), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 28/02/2003 PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição de contribuições previdenciárias extingue-se em cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido. Cientificado do Manifestação de Inconformidade em 05/09/2014 (Termo de Abertura de Documento de fl. 249), o Contribuinte interpôs, em 12/09/2014 (Termo de Solicitação de Juntada de fl. 250), o Recurso Voluntário de fl. 251, cujos termos abaixo reproduz-se: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Apesar de legislação determinar a precrição do direito de restituição, no caso especifico, o processo de aposentadoria abrange 35 anos de contribuição, e o valor expurgado do calculo da minha aposentadoria não foi o realmente pago. Então o que foi pago a maior não pertence a união, que de forma indigna se prevalece de dispositivo legal para não devolver o que é devido ao contribuinte. Também não foram devolvidos, isso dentro do período de 5 anos, isto é, sem prescrição, as multas e juros pagos sobre a contribuição já devolvida. A multa e os juros sobre valores que foram restituídos, fazem parte do mesmo direito a restituição. Dessa forma, solicito a revisão de vossa decisão de não restituir o que passou dos 5 anos, e a devolução dos juros e multas proporcionais ao que já foi devolvido. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relatora O Recurso Voluntário, ainda que denominado pelo recorrente de “Manifestação de Inconformidade”, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2005-000.095 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 36392.001311/2004-17 De plano, verifica-se que, como o pedido de restituição foi formulado perante a administração em 24/06/2004 (fl. 04), aplica-se ao caso concreto os termos da Súmula CARF nº 91, confira-se: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nesse rumo, por terem sido os recolhimentos efetuados pelo recorrente entre 01/03/1998 e 28/02/2003, tem-se que, diversamente da compreensão da DRJ, não há prescrição do pedido de restituição referente aos recolhimentos efetuados entre 03/1998 a 05/1999. Não havendo a decisão a quo, bem como, o parecer e decisório da Unidade de Atendimento Copacabana/RJ da Delegacia da Receita Previdenciária RJ-SUL (fls. 173/176), adentrado nas outras questões de mérito a respeito do direito à restituição dos valores recolhidos no período de 03/1998 a 05/1999, face ao reconhecimento da prejudicial de prescrição, ora afastada, devem os autos retornarem à Unidade de Origem para apreciação dos temas que concernem ao mérito propriamente dito do direito postulado, quanto ao período em tela. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, e no mérito, dar-lhe parcial provimento, para afastar a prescrição do direito de pedir restituição formulado pelo contribuinte no que se refere ao período de 03/1998 a 05/1999, determinando o retorno dos autos à Unidade de origem para apreciação das demais questões atinentes a esse pedido, ainda não enfrentadas. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 258DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11080.734551/2018-81
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-002.014
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendolhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.012, de 28 de outubro de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.735040/2018-87, paradigma ao qual o presente processo foi
vinculado
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendolhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.012, de 28 de outubro de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.735040/2018-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-002.012, de 28 de outubro de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.735040/2018-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Carlos Delson Santiago (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Carlos Delson Santiago. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se IMPUGNAÇÃO apresentada pela requerente ante Notificação de Lançamento que, em vista da não homologação de compensação, aplicou a multa prevista no Parágrafo 17 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com alterações posteriores. A base de cálculo da infração corresponde ao somatório dos débitos remanescentes da compensação realizada, que são calculados, de acordo com a legislação de regência, para a data de transmissão da Declaração de Compensação. Regularmente cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo em sua defesa as razões sumariamente expostas a seguir: Fl. 213DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 da Resolução n.º 3302-002.014 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.734551/2018-81 Da pendência de análise do processo n° 10880.912719/2015-75, onde se deu a compensação que deu origem à multa ora exigida. A multa ora discutida está relacionada com a compensação que foi glosada através de Despacho Decisório, objeto do Processo de Crédito n° 10880.912719/2015-75, tendo a ora Impugnante apresentado naqueles autos a competente Manifestação de Inconformidade, que, atualmente, pende de análise em primeira instância administrativa. Decorre da lógica que, em sendo reconhecido o direito da Impugnante no processo n° 10880.912719/2015-75, correto estará o valor do crédito e, consequentemente, estarão validadas as compensações efetuadas, e nada será devido pela mesma, nem mesmo a multa ora combatida. Por outro lado, apenas se o desfecho daquele processo for desfavorável à ora Impugnante é que se poderia considerar a exigência da citada multa. Em um cenário como o ora observado, O SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO PRESENTE PROCESSO SE MOSTRA CRUCIAL, com o que se evitará exigência indevida. Se o débito principal oriundo de suposta compensação não homologada ainda será discutido no processo n° 10880.912719/2015-75, o prosseguimento da cobrança nestes autos de multa a ele relacionada poderá ensejar o enriquecimento sem causa da Administração, além de violação explícita aos princípios da moralidade e da eficiência administrativa, albergados pela Constituição Federal e pela Lei n° 9.784/98. Tal não pode ser admitido, motivo pelo qual se requer o sobrestamento do julgamento do presente processo, até o encerramento do julgamento do processo n° 10880.912719/2015-75. Inconstitucionalidade do Artigo 74, §17, da Lei ne 9.430/96 e a repercussão geral determinada pelo STF. O sobrestamento em tela também é justificado pela discussão da inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, que tem "repercussão geral" reconhecida pelo Min. Ricardo Lewandowski, nos termos do art. 543-A, §1, do anterior CPC, aguardando julgamento pelo Supremo Tribunal Federal - STF. O Recurso Extraordinário n° 796.939/RS está agora sob a Relatoria do Min. Edson Fachin, que suspendeu o processamento de todos os feitos pendentes que versem sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 1.035, §52, do Código de Processo Civil, e deverá em breve encaminhar o processo para julgamento em conjunto com a ADI 4.905. Nos autos daquele Recurso Extraordinário, a Procuradoria Geral da República, em Parecer do Dr. Rodrigo Janot Monteiro de Barros, deixa claro que somente mediante a comprovação de ato ilícito do contribuinte seria potencialmente aplicável qualquer tipo de sanção ou multa. Fl. 214DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 da Resolução n.º 3302-002.014 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.734551/2018-81 Neste cenário em que, por determinação do STF, estão suspensos os julgamentos de todos os processos que discutem a aplicação da multa isolada prevista no artigo 74, §17, da Lei n° 9.430/96, cuja inconstitucionalidade deverá em breve ser declarada, requer-se o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo até a decisão definitiva do STF. A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a impugnação. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: a Da vinculação do presente recurso ao processo administrativo n° 10880.912719/2015-75; a Da desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa isolada e sua evidente violação aos princípios gerais do direito; a Da impossibilidade de concomitância de multas. - DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente pugna seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, afastando-se por completo a exigência da multa isolada objeto da Notificação de Lançamento que deu azo à cobrança ora impugnada, por se tratar de sanção política vedada em nosso ordenamento, em flagrante violação ao princípio da irretroatividade da norma tributária, além de não terem sido verificados os requisitos de má-fé e fraude. Além disso, deve ser também cancelada porque a multa ora aplicada não pode coexistir com a multa já aplicada no Despacho Decisório que avaliou os créditos tributários compensados. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 16 de junho de 2020, às e-folhas 133. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 15 de julho de 2020, às e-folhas 135. Fl. 215DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 da Resolução n.º 3302-002.014 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.734551/2018-81 O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: o Da vinculação do presente recurso ao processo administrativo n° 10880.907733/2015-57; a Da desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa isolada e sua evidente violação aos princípios gerais do direito; a Da impossibilidade de concomitância de multas. Passa-se à análise. Trata-se de analisar multa por compensação não homologada, expressamente prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art. 74, § 17, e alterações posteriores, nos casos de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada. O lançamento da multa isolada decorreu da não homologação das compensações tratadas no processo administrativo n° 10880.907733/2015-57. Referido processo de crédito já foi analisado na primeira instância do contencioso administrativo. Ingressou-se com o Recurso Voluntário. Observemos os andamentos do mencionado processo: O art. 6º do RICARF, trata das questões relacionadas aos processos conexos, decorrententes e reflexos, recebendo a seguinte redação: Fl. 216DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 da Resolução n.º 3302-002.014 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.734551/2018-81 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando- se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Desta forma, tendo em vista entender que o processo em discussão é decorrente os processo de nº 10880.907733/2015-57, sendo certo que a decisão nele proferida pode influenciar diretamente na decisão, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, sobrestando o julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão definitiva e proceder sua juntada no presente processo. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de sobrestar o processo no CARF até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Fl. 217DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1023.07551.MXZP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 18/01/2022 14:03:00 por GERALDO MAGELA PINTO NOGUEIRA NETO. Documento assinado digitalmente em 18/01/2022 18:54:54 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/10/2023. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.1023.07551.MXZP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: B9DD30A8818DE5473B075F74D0F03D12B880FB35B2BAB9F8197B7B2C046388B5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11080.734551/2018-81. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Page 1 Page 2 Page 3 Page 4 Page 5
score : 1.0
Numero do processo: 10730.002203/97-09
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/12/1995, 01/01/1997 a 31/07/1997
COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Mantém-se o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, no período compreendido pelo auto de infração.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.
O conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para apreciar pedidos de compensação.
Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de compensação. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 178DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 18/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), José Luiz Bordignon, Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.002203/9709 Acórdão n.º 3801000.979 S3TE01 Fl. 171 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de auto de infração de fls. 01 a 14, lavrado pela DRF/Niterói em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 30.302,88, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 10/1995 a 12/1995, 01/1997 a 07/1997, multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 29/08/1997. 2. De acordo com o relatado pelo autuante no Termo de Verificação de fls. 12, a impugnante, em atendimento à intimação de fls. 09, apresentou a documentação nela descrita. Com base na documentação apresentada e nas informações fornecidas pelo próprio contribuinte nos demonstrativos de apuração de fls. 10/11, foi constatada a falta de recolhimento da referida contribuição nos períodos de apuração em questão, na forma discriminada às fls. 02 a 04. 3. Como consta na "Descrição dos fatos e enquadramento legal", às fls. 02, a exigência foi efetuada com fulcro nos artigos 1°, 2°, 3°, 4° e 5° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991. 4. Cientificada em 29.09.1997 (fls. 01), a interessada, inconformada, apresentou em 29/10/1997 a impugnação de fls. 17/20, instruída com os documentos de fls. 21/45, cujo teor é sintetizado a seguir: 4.1 Alega que os valores da Cofins informados como devidos e não recolhidos nas planilhas de fls. 10 e 11, foram objeto de compensação efetuada com crédito oriundo de recolhimentos indevidos por ela efetuados, relativos ao FINSOCIAL no período de 13/10/1989 a 20/04/1992, em alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento), que, posteriormente, foram declaradas inconstitucionais pelo STF; 4.2 Informa ainda que procedeu à referida compensação alicerçada no contido no Decreto n° 2.138, de 29 de janeiro de 1997, na INSRF n°21, art. 14, de 10 de março de 1997 e na IN SRF n° 32, art. 2°, de 09 de abril de 1997; 4.3 Acrescenta ainda que o autuante, em sua diligência, não reconheceu a citada compensação, procedendo, injustamente, à lavratura do presente auto de infração; Fl. 180DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 4.4 Aduz que através da Ação Ordinária n° 9500522985, restou comprovada a existência do crédito supramencionado, sendo este correspondente ao montante de 16.504,09 Ufir, ou a R$ 18.183,37, conforme demonstrado na planilha de fls. 21; 4.5 Por fim requer a compensação do referido crédito com os valores cobrados através de auto de infração de IRPJ, R$ 5.098,00, PisFaturamento, R$ 3.301,17, IRPJ e Reflexos, R$ 3.703,62 e com a Cofins cobrada através do presente processo, R$ 7.080,58”. A Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração; 01/10/1995 a 31/12/1995, 01/01/1997 a 31/07/1997. Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1995 a 31/12/1995, 01/01/1997 a 31/07/1997. Ementa: ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que detém a elas força probante. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não é competência das DRJ a apreciação de pedido de compensação. Lançamento Procedente”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 66 a 69, aduzindo, em síntese: • Que o auto de infração que criou crédito para a Fazenda Nacional não foi contestado na Impugnação oferecida pela ora Recorrente. • Que limitouse a requerer compensação do débito com o crédito reconhecido judicialmente na ação n.° 95.00522985, o que foi reconhecido pelo próprio julgador a quo em seu voto. Afirmou, ainda, não ser da competência da Delegacia de Julgamento reconhecer a compensação, razão pela qual deixava de decidir de forma procedente em favor do contribuinte. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.002203/9709 Acórdão n.º 3801000.979 S3TE01 Fl. 172 5 DO PEDIDO: Por todo o exposto, pugna pelo conhecimento e conseqüente provimento do presente recurso, extinguindose o presente débito, pela compensação, na forma do art. 156, II, do CTN, autorizado pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Medida Provisória n.° 66 de 29 de agosto de 2002. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme visto anteriormente, tratase de auto de infração no qual foi exigido os valores não recolhidos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referentes aos períodos de apuração 10 a 12/1995 e 01 a 07/1997. A requerente, em sua peça recursal, fls. 66/69, assevera que não está contestando a exigência, mas tão somente requer a compensação do débito com o crédito reconhecido judicialmente na ação n.° 95.00522985. Quanto ao requerido, como bem decidiu a autoridade a quo, é de se dizer que nessa instância administrativa não cabe apreciar pedido de compensação, sendo competente para tal a unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Em outro giro, convém registrar o equívoco da recorrente quanto ao resultado da ação judicial de nº 95.00522985 (Medida Cautelar Inominada com Pedido de Liminar). Em 30 de junho de 1995, o juízo da 2ª Vara Federal de Niterói/RJ, julgou improcedente o pedido da interessada, conforme se verifica da parte final da sentença, fls. 150: “Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, condenando a parte ao pagamento dos honorários advocatícios (Súmula 12 do TRF 2ª), que fixo em 10% sobre o valor da causa devidamente atualizado (Súmula 14 do STJ)”. Dessa decisão, a recorrente ingressou com recurso (APELAÇÃO CÍVEL N° 96.02.000163) junto ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, buscando a reforma da decisão do juízo de primeiro grau. Também, nessa instância, a interessada não obteve sucesso, sendo negado provimento à apelação. Referido Acórdão transitou em julgado em 24/02/2006, fls. 162. Desse modo, diante de todo o exposto, uma vez que a requerente não contestou os valores lançados, mas tão somente requereu a compensação com o suposto crédito proveniente da ação judicial nº 95.00.522985 e (i) considerando que esse colegiado não tem competência para apreciar os pedidos de compensação; e (ii) que foi julgada improcedente a demanda judicial impetrada pela interessada, encaminho meu voto no sentido de julgar IMPROCEDENTE o presente recurso, mantendose a exigência da COFINS dos períodos de apuração 10 a 12/1995 e 01 a 07/1997. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 183DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.002203/9709 Acórdão n.º 3801000.979 S3TE01 Fl. 173 7 Fl. 184DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11080.732510/2018-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2014, 2015
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE.
Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea b, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aplica-se decisão do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que deve ser cancelada a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3301-013.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para a unidade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado(a)), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. Por força do disposto no art. 62, inciso II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aplica-se decisão do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 796.939/RS, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que deve ser cancelada a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para a unidade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado(a)), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adota-se o relatório do Acórdão recorrido: 1. Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 14/09/2018, para exigência de multa isolada, no valor de R$ 3.441.703,38, com fundamento no parágrafo 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicada relativamente aos PER/DCOMP a seguir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 10 /2 01 8- 51 Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.487 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732510/2018-51 discriminados, cuja compensação restou não homologada nos autos do processo de reconhecimento de direito creditório de nº 13971.900011/2017-11 (fls. 2/3). 2. A contribuinte foi cientificada da notificação de lançamento em 04/12/2018 (fl. 6). Em 20/12/2018 (fl. 10), a interessada apresentou a impugnação de fls. 11/15, na qual alega, em síntese, o seguinte: • A multa imposta no auto de infração refere-se a uma suposta ausência de homologação de valores compensados nos autos do Processo de Crédito nº 13971.900011/2017-11 e o fiscal autuante entendeu que tal fato seria fundamento para a multa prevista no parágrafo 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430 de 1996. • A decisão de não homologação está sendo questionada na esfera administrativa. Assim, não só o processo administrativo originário da multa está com a exigibilidade suspensa por força do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, como, tudo indica que, após os novos esclarecimentos prestados pela empresa, a decisão a ser ali proferida certamente será favorável à contribuinte. • Ainda que assim não fosse, caberia, igualmente, a suspensão do presente feito em virtude do fato de que a multa foi imposta com base em decisão não analisada por órgão colegiado. A decisão definitiva que venha a ser proferida nos autos do Processo Administrativo nº 13971.900011/2017-11 pode vir a homologar os créditos, ainda que parcialmente, e isso, invariavelmente, afetará diretamente o valor da multa aqui lançada. • A imposição de multa isolada, especialmente antes de qualquer decisão administrativa definitiva, afronta o direito de petição e o princípio da proporcionalidade. Tal entendimento foi também exarado pela Procuradoria Geral da República nos autos do Recurso Extraordinário nº 796936. • Requer o cancelamento da exigência ou, subsidiariamente, que seja aguardada a decisão definitiva que venha a ser proferida nos autos do Processo nº 13971.900011/2017-11. 3. A manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo nº 13971.900011/2017-11 foi julgada procedente em parte por esta Turma de Julgamento, reconhecendo-se crédito adicional no valor de R$ 893.838,58 (Acórdão nº 16- 90.572, de 30/10/2019). Em decisão unânime, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou a impugnação procedente em parte, mantendo-se o crédito tributário constituído em parte. Cientificada, a recorrente reproduziu os argumentos contidos na impugnação, requerendo que se reforme da decisão da Delegacia de Julgamento e se proceda o cancelamento da multa isolada. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.487 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732510/2018-51 Voto Conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Em face do disposto no art. 62, inciso II, alínea “b”, do RICARF, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939/RS, com repercussão geral, não conheço das matérias suscitadas no recurso voluntário, adotando, para o presente caso, a decisão deste Excelso Pretório. No julgamento do referido RE, o STJ reconheceu a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa isolada, em discussão, nos termos da seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 796.939/RS – MULTA ISOLADA/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.487 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732510/2018-51 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca a compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Por sua vez, o art. 62 do RICARF, assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Fl. 162DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003294/2009-56
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS E PIS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS
LEGAIS. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA INDUSTRIAL
VENDEDORA.
São isentas do PIS e da Cofins as receitas decorrentes das operações de venda a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, assim considerados os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Não atendidos tais requisitos, a responsabilidade pelo seu recolhimento é da empresa produtora
vendedora.
Numero da decisão: 3801-000.945
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em
negar provimento ao recurso voluntário.]
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 535 1 534 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003294/200956 Recurso nº 903.034 Voluntário Acórdão nº 380100.945 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de novembro de 2011 Matéria PIS COFINS ISENÇÂO EXPORTAÇÃO Recorrente METALÚRGICA SIMONAGGIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS E PIS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA INDUSTRIAL VENDEDORA. São isentas do PIS e da Cofins as receitas decorrentes das operações de venda a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, assim considerados os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Não atendidos tais requisitos, a responsabilidade pelo seu recolhimento é da empresa produtora vendedora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.] (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Daniela Ribeiro de Gusmão, José Luiz Bordignon e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva. Fl. 540DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 536 2 Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada (fls. 02 a 14), relativos à exigência de Cofins e PIS, ano 2004. Às fls. 15 a 25 consta Relatório de Verificação Fiscal, informando que: • A verificação realizada na empresa teve como origem PER/DCOMP vinculadas aos processos nºs 13016.000156/200486, 13016.000531/2004 15; • O crédito pleiteado pelo contribuinte tem como base legal os artigos 5º da Lei nº 10.637/2002 e 6º da Lei nº 10.833/2003; • No entanto, calcula créditos vinculados a receitas que não podem ser consideradas de exportação; • Constatouse que parte de suas receitas de exportação era proveniente de operação de venda a comercial exportadora; • Intimada a comprovar a efetividade das operações, por meio da entrega de documentação que demonstrasse que o envio das mercadorias dos estabelecimentos da empresa para embarque direto de exportação ou para recinto alfandegado, a empresa apresentou documentação (fls. 28 a 31 e 51 a 275) que não permite verificar o exigido pela legislação (art. 39 da Lei nº 9.532/97, DL nº 1.248/72); • Em conseqüência, tais receitas não foram consideradas como de exportação, tendo sido excluídas dos cálculos de rateio dos custos, encargos e despesas comuns às receitas de exportação e de mercado interno, e incluídas nas receitas de venda no mercado interno. Contestando a autuação, a empresa apresentou impugnação às fls. 298 a 311, com as seguintes alegações: • Ocorreu ofensa a princípios constitucionais em relação ao comércio exterior, tendo sido suficientemente comprovada a efetividade das exportações, ou seja, as empresas comerciais exportadoras destinatárias dos produtos jamais desviaram mercadorias de seu exclusivo destino (exportação); • A prova da efetiva exportação foi ignorada pelo Fisco; • A empresa importa matériaprima sob regime de drawback, sendo que a comprovação da exportação é feita por meio de notas fiscais de exportação emitidas pelas empresas comerciais exportadoras; • Tal forma de comprovação está sendo rejeitada pelo Fisco; Fl. 541DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 537 3 • O Fisco ignorou as disposições previstas no artigo 7º da Lei nº 10.637/2002 e no artigo 9º da Lei nº 10.833/2003, o que seria suficiente para evitar a presente exigência; • A empresa Exportadora de Ferragens Ipacaraí Ltda está rigorosamente inscrita no REI, sendo suas práticas registradas nos órgãos competentes, gozando de regime especial aplicável às exportadoras; • Existem casos em que o cliente do exterior adquire os produtos na própria sede da exportadora, o que é da ciência dos órgãos competentes, reconhecendo também que seus entrepostos aduaneiros não oferecem a mínima condição de operacionalidade; • Desta forma, prevalece a sistemática praticada, com os produtos sendo depositados na sede das empresas; • Os documentos apresentados comprovam que todas as exigências legais foram atendidas, restando comprovada a desoneração tributária assegurada pela lei; • O Fisco não apontou qualquer fato que pudesse sustentar a medida que pretende equiparar vendas com fim específico de exportação com vendas no mercado interno; • A responsabilidade pelo pagamento dos impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pelo estabelecimento industrial é da empresa comercial exportadora, na hipótese em que esta não comprovar o embarque para o exterior. Às fls. 461 a 467 consta acórdão da DRJ/Porto Alegre – RS, mantendo o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Às fls. 475 a 502 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • No relatório da autoridade fiscal não há a descrição dos fatos que apontam as razões que levaram à presente exigência, ferindo regras pétreas em relação ao comércio exterior, de não exportar tributo; • Os produtos remetidos pela recorrente às empresas comerciais exportadoras foram integralmente exportados; • A empresa comercial Exportadora Ipacaraí jamais efetuou operação de revenda no mercado interno; Fl. 542DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 538 4 • A presunção levantada pelo Fisco não se aplica à recorrente ou às comerciais exportadoras para as quais os produtos foram remetidos, pois restou comprovada a efetividade das exportações; • O item 2.2 do PN nº 73/77, favorável à recorrente, foi ignorado pelo Fisco, assim como o item 3; • O valor que está sendo exigido da recorrente não ingressou em seu patrimônio, caracterizandose tentativa de confisco; • A recorrente sistematicamente importa matériaprima sob o regime de drawback, sendo a comprovação das exportações feita por meio de notas fiscais de exportação emitidas pelas comerciais exportadoras, conforme Portaria SECEX nº 36/2008; • A autuação fere a Solução de Consulta nº 38/2003, sendo tais disposições atendidas pela recorrente e pelas empresas exportadoras; • Os artigos 7º da Lei nº 10.637/2002 e 9º da Lei nº 10.833/2003 foram omitidos pela autoridade fiscal em seu relatório; • Outros dispositivos legais e infralegais estabelecem amplitude na definição do que constitui “fim específico de exportação”: EC nº 33/2001, artigos 5º da Lei nº 10.637/2002 e 6º da Lei nº 10.833/2003, Lei nº 9.363/1996, Portaria nº 93/2004, IN/SRF nº 419/2004; • Tal definição alcança remessas de produtos para “embarques” ou para “depósito”, sendo comum a condição “por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente”; • As normas sobre a matéria abrangem as operações de remessa com o fim específico de exportação em que são destinatárias as “trading”, bem como as demais empresas comerciais exportadoras, que usam seus depósitos; • A IN/RFB nº 1.094/2010 tem efeito interpretativo, significando dizer que as operações praticadas pelas ECE desde sempre asseguraram a suspensão do IPI e a não incidência do PIS e da Cofins; • Citase decisão do CARF (proc. nº 13027.000166/200592), acerca de situação semelhante; • No curso da fiscalização, a recorrente apresentou documentação, fazendo constar em todas as notas fiscais a condição “remessa com fim específico de exportação”; • A empresa Exportadora de Ferragens Ipacaraí Ltda está inscrita no REI desde 1992 e suas práticas estão registradas na SECEX, no SISCOMEX e na RFB; • O Fisco demonstrou desconhecer as novas normas de inscrição no REI, consolidadas na Portaria SECEX nº 25/2008; Fl. 543DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 539 5 • O regime especial aplicável às empresas exportadoras, outorgado pelo Fisco Estadual àquela empresa não deixa dúvida de que a mesma tem como objeto exclusivamente a exportação de produtos; • Tratandose de empresas exportadoras situadas em zona de fronteira, em alguns casos o cliente do exterior adquire os produtos na própria sede da exportadora, uma vez que os entrepostos aduaneiros não oferecem condição de operacionalidade; • Assim, os produtos permanecem depositados na sede da empresa, conforme previsto na Portaria MF 93/2004 e na IN 419/2004; • A legislação federal que trata da comprovação da exportação pelas empresas de fins comerciais está consolidada na Portaria SECEX nº 36/2007; • O Convênio ICMS 113/96 dispõe sobre as operações de saída de mercadoria com o fim específico de exportação, determinando que a empresa comercial exportadora deve emitir o “memorandoexportação”; • O autuante não consultou o SISCOMEX, pois, se o fizesse, não adotaria o procedimento fiscal; • Os documentos de fls. 212 a 239, 240 a 328 e 68 a 171 confirmam o demonstrado; • Os documentos de fls. 456 a 528 alcançam operações com as demais empresas exportadoras para as quais a recorrente remeteu seus produtos; • A responsabilidade pelo pagamento dos tributos que deixaram de ser pagos pelo estabelecimento industrial é da empresa comercial exportadora, quando esta não comprovar o embarque para o exterior da mercadoria no prazo fixado em lei, nos termos dos arts. 7º da Lei nº 10.637/2002 e 9º da Lei nº 10.833/2003; • Pelos textos legais citados, concluise que a desoneração tributária para a indústria produtora se dá no momento da venda à empresa comercial exportadora, instrumentalizada com a emissão da nota fiscal, na qual consta o “fim específico de exportação”; • A desoneração restará consumada definitivamente, independentemente do cumprimento de obrigações de responsabilidade da exportadora, não estando condicionada a nenhum outro fato; • As obrigações de responsabilidade da comercial exportadora caracterizam a sua sujeição ao pagamento de todos os tributos; • É vedado ao Fisco, ao seu talante, escolher sujeito passivo diverso do disposto na lei, caracterizando excesso. É o relatório. Fl. 544DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 540 6 Voto Conselheiro Magda Cotta Cardozo, Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Os lançamentos em análise, como visto, decorrem de verificação fiscal realizada em razão de DCOMP apresentadas pelo sujeito passivo em processos específicos, relacionados no relatório de fls. 15 a 25. A recorrente pleiteia o reconhecimento de crédito decorrente do disposto nos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) Fl. 545DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 541 7 III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) (Grifouse) Analisando as receitas de exportação da empresa, a autoridade fiscal concluiu que parte delas era proveniente de venda a empresas comerciais exportadoras, sendo que parte destas não atendia às exigências da legislação para gozo da isenção acima prevista e, conseqüentemente, para apuração do crédito dela decorrente. Fundamenta seu entendimento no fato de que a recorrente não comprovou a venda “com o fim específico de exportação”, uma vez que parte das saídas para empresa comercial exportadora não atenderam ao disposto no artigo 39, § 2º da Lei nº 9.532/97. Instruem os lançamentos os documentos de fls. 53 a 275, correspondentes a notas fiscais de saída emitidas pela autuada, extratos de “controle de estoque exportação”, notas fiscais de saída (venda para exportação), memorandos de exportação e extratos do SISCOMEX. Sobre a tributação pelo PIS e pela Cofins, dispõe o Decreto nº 4.524/2002 que: Art. 1º A Contribuição para o PIS/Pasep (PIS/Pasep), instituída pelas Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 8, de 3 de dezembro de 1970, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão cobradas e fiscalizadas de conformidade com o disposto neste Decreto. (...) Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): (...) Fl. 546DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 542 8 II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (Grifouse) (...) Como se vê, o referido Decreto traz as mesmas disposições contidas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, detalhando dois tipos distintos de empresa comercial exportadora: aquelas regidas pelo Decreto nº 1.248/72, as chamadas trading companies, e aquelas ditas exportadoras em geral, ou seja, qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior. Ao receber um pedido de exportação de mercadorias de sua produção, a empresa poderá optar por não efetuar exportações diretamente, utilizando uma terceira empresa para processar suas vendas ao exterior. A modalidade de exportação por meio de uma terceira empresa é chamada "exportação indireta" ou "exportação via interveniente”. A empresa produtora efetua, então, a venda no mercado interno, com o fim especifico de exportação, a uma empresa comercial, que se encarregará de exportálas, atuando como interveniente na operação. Portanto, a operação de exportação indireta consiste na venda de produtos destinados à exportação, os quais saem do estabelecimento industrial ou comercial para empresas comerciais exportadoras, trading companies ou qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior, as quais atuam como intermediárias na representação e comercialização de produtos entre o Brasil e outros países. O Decreto nº 4.524/2002 traz, ainda, a definição do que seja considerado “fim específico de exportação”, para fins de apuração do PIS e da Cofins, condicionando tal característica da venda à remessa das mercadorias, diretamente do estabelecimento industrial, para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Nessa condição, a princípio não atendida pela recorrente, se fundamentam os lançamentos em análise, estabelecida também para fins de apuração do IPI, nos termos do disposto no artigo 39, § 2º da Lei nº 9.532/97, citado pelo autuante. Tal norma pode ser de aplicação questionável na apuração das referidas contribuições, como ressalva a autoridade fiscal em seu relatório. No entanto, o Decreto acima não o é, uma vez que dispõe Fl. 547DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 543 9 especificamente sobre a apuração do PIS e da Cofins, permanecendo em vigor, sem alteração, até a presente data. Desta forma, é inquestionável que tal condição se aplica ao presente caso, restando apurar se efetivamente restou não atendida, e as conseqüências de tal apuração para a recorrente. A documentação que instrui os lançamentos, apresentada pela autuada no curso do procedimento fiscal, corresponde a notas fiscais de saída por ela expedidas em diversas datas (fls. 51, 77, 150, 202 e 248), nas quais consta a informação de que se trata de mercadoria a ser exportada por meio da empresa Exportadora de Ferragens Ipacaraí Ltda. Tais documentos fiscais constam em relatório de “controle de estoque exportação – relação de notas de saída de uma determinada nota de entrada”, expedido pela empresa exportadora mencionada, vinculado a uma série de notas fiscais de exportação, também expedidas por esta exportadora, todos em datas posteriores à emissão das notas fiscais expedidas pela autuada. Às fls. 53 a 275 constam notas fiscais de exportação expedidas pela empresa Exportadora de Ferragens Ipacaraí Ltda, memorandos de exportação emitidos pela mesma comercial exportadora e comprovantes de exportação emitidos pelo SISCOMEX, relativos a esta empresa, nos quais consta a data de transposição da fronteira, esta sempre posterior à emissão das notas fiscais expedidas pela autuada. O mesmo tipo de documentação foi anexada pela recorrente em sua impugnação (fls. 321 a 399 e 402 a 441), afirmando em seu recurso que as mercadorias em questão foram efetivamente exportadas, o que, no seu entender, seria suficiente para caracterizar o “fim específico de exportação”, uma vez que tal informação constava nas notas fiscais de venda por ela emitidas. Na verdade, a venda com “fim específico de exportação”, nos termos do Decreto acima transcrito, é caracterizado por meio de duas situações: remessa das mercadorias, diretamente do estabelecimento industrial, para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No presente caso, vêse que as mercadorias saíam do estabelecimento produtor (autuada) em uma determinada data (nota fiscal de saída – venda), sendo efetivamente exportadas em data bem posterior (nota fiscal de exportação, memorando de exportação, extrato SISCOMEX), o que, por si só, já inviabiliza a ocorrência da primeira hipótese legal para caracterização do “fim específico de exportação” (remessa direta para embarque de exportação). Não se tratando da primeira hipótese, restaria à recorrente comprovar o ingresso das mercadorias em recinto alfandegado, a fim de aguardar posterior embarque de exportação. No entanto, a empresa em momento algum comprova tal fato. Ao contrário, em seu recurso afirma que, por tratarse de empresas comerciais exportadoras localizadas em zona de fronteira terrestre, tem como prática o envio das mercadorias a depósito de propriedade destas, independentemente de se tratar de recinto alfandegado, para posterior exportação, justificando tal fato em razão da falta de condições de operacionalidade dos entrepostos aduaneiros. Portanto, a recorrente, além de não comprovar o ingresso das mercadorias em recinto alfandegado, como exige a norma, afirma ser prática a saída destas para depósito não alfandegado. A Portaria MF nº 93/2004, bem como a IN/SRF nº 419/2004, citadas pela autuada Fl. 548DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 544 10 como fundamento legal para tal prática, se referem à apuração de crédito presumido de IPI para produtos destinados à exportação para o exterior. Assim, tratandose o Decreto nº 4.524/2002 de norma específica aplicável ao PIS e à Cofins, prevalecem as disposições nele contidas, relativamente ao eventual conteúdo daquelas normas. Desta forma, concluise que tornase irrelevante, no presente caso, a comprovação ou não da exportação das mercadorias sob análise, uma vez que o desrespeito à norma legal encontrase em fase anterior: a remessa destas para venda com fim específico de exportação. Se nenhuma das duas hipóteses legais foi observada pela empresa produtora, não há como caracterizar a saída, do ponto de vista legal, como tendo o fim exigido, sendo equiparada, portanto, a venda para o mercado interno, uma vez que não foram observadas as restrições legais, decorrendo dias entre sua saída do estabelecimento produtor e sua efetiva exportação, sendo que neste intervalo não há comprovação de sua permanência em recinto alfandegado. Em decorrência, não são aplicáveis as disposições contidas nos artigos 7º da Lei nº 10.637/2002 e 9º da Lei nº 10.833/2003, cujo texto abaixo se transcreve: “A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago.” Assim, tanto nas vendas para trading companies, quanto naquelas efetuadas para outras comerciais exportadoras, somente há isenção quando as vendas tiverem o fim especifico de exportação, ou seja, quando atenderem ao disposto no § 1º do artigo 45 do Decreto n° 4.524/2002. No sentido de que o beneficio só contempla as vendas efetuadas com fins específicos de exportação, em que as mercadorias são diretamente embarcadas para a exportação ou depositadas em recinto alfandegado, cabe mencionar o Acórdão n° 20309.716, Recurso n° 123.663, cujo trecho abaixo se transcreve: Além do mais é obvio que se nas empresas comerciais exportadoras que trabalham exclusivamente com exportação é exigido para fruição do beneficio isencional que as mercadorias sejam embarcadas diretamente para exportação, ou depositadas em entreposto aduaneiro sob regime extraordinário de exportação, por conta e ordem da comercial exportadora, mais razão teria ainda o legislador para exigir que tais condições fossem também cumpridas pelas empresas exportadoras que podem destinar seus produtos tanto para exportação como para uso no mercado interna Tal exigência visa exatamente garantir que os produtos adquiridos do produtor sejam exatamente os que são exportados, impedindo, assim, que haja desvio para o consumo interno. Fl. 549DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 545 11 O fato relevante na situação dos autos é que as mercadorias vendidas nem foram diretamente remetidas para embarque de exportação por conta e ordem de empresa comercial exportadora, nem para depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação. Não atendidas essas duas condições, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos é da empresa produtora vendedora, não se prestando os artigos 7º da Lei nº 10.637/2002 e 9º da Lei nº 10.833/2003 para a transferência de tal responsabilidade à comercial exportadora, como pretende a recorrente, uma vez que aquela não recebeu as mercadorias em recinto alfandegado e nem houve embarque direto para exportação, não podendo, portanto, ser considerada a “aquisição para fim específico de exportação”. No mesmo sentido, citase a ementa do Acórdão nº 20312.920 (Recurso nº 139.048): COFINS E PIS. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETITVA EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA INDUSTRIAL VENDEDORA. A isenção do PIS Faturamento e Cofins concedidas nas operações de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. Descumpridos tais requisitos e não comprovada a efetiva exportação, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. Destaquese que não se trata aqui, como quer fazer crer a recorrente, de “escolher” o sujeito passivo da obrigação tributária em discussão, uma vez que tal obrigação é, originalmente, da empresa produtora, somente sendo transferida à empresa comercial exportadora a partir da venda considerada para fim específico de exportação, nos termos em que definida no Decreto n° 4.524/2002. A partir de tal caracterização surge o direito à isenção para a empresa produtora, independentemente da efetiva exportação da mercadoria, e a obrigação de recolher os tributos devidos, para a empresa comercial exportadora, no caso da ocorrência de uma das hipóteses previstas nos artigos 7º da Lei nº 10.637/2002 e 9º da Lei nº 10.833/2003. Quanto às alegações acerca da empresa comercial Exportadora Ipacaraí, estas não são relevantes, uma vez que a infração caracterizada nos autos é de responsabilidade da empresa produtora, como visto acima, além do fato de que em nenhum momento a autoridade fiscal levantou qualquer questionamento acerca das operações realizadas por aquela empresa, ou por outra, ou acerca de suas condições de operacionalidade, fundamentando o lançamento nas mesmas bases acima descritas. A recorrente faz menção à importação de matériaprima sob o regime especial de drawback, sem, no entanto, trazer aos autos qualquer documentação comprobatória de tais operações. Fl. 550DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 546 12 Também o Parecer Normativo CST nº 73/77 e a Solução de Consulta nº 38/2003, da SRRF/6ªRegião Fiscal não corroboram o entendimento da autuada, mas ao contrário, vão no mesmo sentido do entendimento acima demonstrado. Além disso, o texto das diversas normas citadas pela recorrente (EC nº 33/2001, artigos 5º da Lei nº 10.637/2002 e 6º da Lei nº 10.833/2003, Lei nº 9.363/1996, Portaria nº 93/2004, IN/SRF nº 419/2004) não altera a definição trazida no Decreto n° 4.524/2002, relativamente ao “fim específico de exportação”, uma vez que esta norma não contradiz aquelas, mas tãosomente as complementa, especificamente em relação ao PIS e à Cofins. Por fim, resta lembrar que as normas em análise dizem respeito à outorga de isenção de tributo, cabendo observar o disposto no artigo 111 do CTN. A recorrente também menciona a IN/RFB nº 1.094/2010 como fundamento para a isenção pretendida. Abaixo transcrevese trecho da referida norma: Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina os procedimentos inerentes à suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e à nãoincidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) na exportação de mercadorias. Art. 2º Os produtos destinados à exportação poderão sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI quando: I adquiridos por Empresa Comercial Exportadora (ECE), com o fim específico de exportação; e II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. Art. 3º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins não incidirão sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; e II vendas a ECE com o fim específico de exportação. Art. 4º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação as mercadorias ou produtos remetidos, por conta e ordem da ECE, diretamente do estabelecimento da pessoa jurídica para: I embarque de exportação ou para recintos alfandegados; ou II embarque de exportação ou para depósito em entreposto sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, no caso de ECE de que trata o DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. Parágrafo único. O depósito de que trata o inciso II deverá observar as condições estabelecidas em legislação específica.(Grifouse) Fl. 551DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.003294/200956 Acórdão n.º 380100.945 S3TE01 Fl. 547 13 Como se vê, a norma acima segue o mesmo entendimento demonstrado neste voto, condicionando a suspensão do IPI à venda dos produtos a empresa comercial exportadora e à sua remessa a recinto alfandegado ou outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. Destaquese que a norma especifica “e”, e não “ou”, indicando que são necessárias as duas condições para usufruir do benefício. Quanto à isenção do PIS e da Cofins, da mesma forma a referida IN condiciona o “fim específico de exportação” à remessa direta das mercadorias do estabelecimento da empresa vendedora para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, ou, ainda, para depósito ou entreposto, no caso das trading companies. Por todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Fl. 552DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10835.901050/2017-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 13/07/2017
PIS/PASEP. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. REQUISITOS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. SÚMULA 612 DO STJ.
Em julgamento ao RE 566.622, o STF reconheceu que: (a) é exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); (b) lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; e (c) é constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001.
O inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estabelece que a entidade beneficente deve ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social que, posteriormente, passou a ser o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social.
O certificado de entidade beneficente de assistência social (Cebas), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Súmula 612 do STJ.
Numero da decisão: 3402-010.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.818, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10835.901036/2017-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. REQUISITOS. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. SÚMULA 612 DO STJ. Em julgamento ao RE 566.622, o STF reconheceu que: (a) é exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); (b) lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; e (c) é constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. O inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estabelece que a entidade beneficente deve ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social que, posteriormente, passou a ser o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social. O certificado de entidade beneficente de assistência social (Cebas), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Súmula 612 do STJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.818, de 27 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 10835.901036/2017-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 10 50 /2 01 7- 01 Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação. A decisão recorrida foi proferida com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543-B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento dos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem reproduzir os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em [...], em face do indeferimento do pedido de restituição constante do Per/Dcomp [...], nos termos do despacho decisório emitido em [...] pela DRF em [...]. No aludido PER, transmitido eletronicamente em [...], a contribuinte objetiva o reconhecimento de direito creditório no montante de R$ [...], correspondente ao valor total do pagamento de PIS/Pasep efetuado em [...], sob o código [...]. Segundo o despacho decisório, cientificado em [...], a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontrava-se vinculado a processo de parcelamento da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte informa ser uma instituição sem fins lucrativos, imune a impostos de qualquer natureza. Afirma que o PIS é indevido em razão do resultado do julgamento pelo STF do RE nº 636.941/RS, com repercussão geral. Salienta que o entendimento foi acatado pela PGFN por meio da nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. Entende que o indeferimento do pedido de restituição de parcelamento não se justifica. Insiste no deferimento do pleito. Em [...], o processo foi enviado para esta DRJ em [...], para julgamento. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância, apresentando Recurso Voluntário, pelo qual pediu o provimento do recurso e do pedido de restituição. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Mérito Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Pedido de Restituição transmitido eletronicamente, pelo qual a Contribuinte, enquanto instituição sem fins lucrativos, objetiva o reconhecimento de direito creditório correspondente ao valor total do pagamento de PIS/Pasep efetuado em 17/10/2012, sob o código 8301. O Egrégio Supremo Tribunal Federal, em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 636.941/RS, sob repercussão geral, decidiu que são Fl. 250DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 imunes à Contribuição para o PIS as entidades beneficentes de assistência social que atendam os requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme Ementa abaixo reproduzida: EMENTA: TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. REPERCUSSÃO GERAL CONEXA. RE 566.622. IMUNIDADE AOS IMPOSTOS. ART. 150, VI, C, CF/88. IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES. ART. 195, § 7º, CF/88. O PIS É CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (ART. 239 C/C ART. 195, I, CF/88). A CONCEITUAÇÃO E O REGIME JURÍDICO DA EXPRESSÃO “INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCAÇÃO” (ART. 150, VI, C, CF/88) APLICA-SE POR ANALOGIA À EXPRESSÃO “ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSITÊNCIA SOCIAL” (ART. 195, § 7º, CF/88). AS LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR SÃO O CONJUNTO DE PRINCÍPIOS E IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS (ART. 146, II, CF/88). A EXPRESSÃO “ISENÇÃO” UTILIZADA NO ART. 195, § 7º, CF/88, TEM O CONTEÚDO DE VERDADEIRA IMUNIDADE. O ART. 195, § 7º, CF/88, REPORTA-SE À LEI Nº 8.212/91, EM SUA REDAÇÃO ORIGINAL (MI 616/SP, Rel. Min. Nélson Jobim, Pleno, DJ 25/10/2002). O ART. 1º, DA LEI Nº 9.738/98, FOI SUSPENSO PELA CORTE SUPREMA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16-06- 2000). A SUPREMA CORTE INDICIA QUE SOMENTE SE EXIGE LEI COMPLEMENTAR PARA A DEFINIÇÃO DOS SEUS LIMITES OBJETIVOS (MATERIAIS), E NÃO PARA A FIXAÇÃO DAS NORMAS DE CONSTITUIÇÃO E DE FUNCIONAMENTO DAS ENTIDADES IMUNES (ASPECTOS FORMAIS OU SUBJETIVOS), OS QUAIS PODEM SER VEICULADOS POR LEI ORDINÁRIA (ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91). AS ENTIDADES QUE PROMOVEM A ASSISTÊNCIA SOCIAL BENEFICENTE (ART. 195, § 7º, CF/88) SOMENTE FAZEM JUS À IMUNIDADE SE PREENCHEREM CUMULATIVAMENTE OS REQUISITOS DE QUE TRATA O ART. 55, DA LEI Nº 8.212/91, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E AQUELES PREVISTOS NOS ARTIGOS 9º E 14, DO CTN. AUSÊNCIA DE CAPACIDADE CONTRIBUTIVA OU APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE SOCIAL DE FORMA INVERSA (ADI 2.028 MC/DF, Rel. Moreira Alves, Pleno, DJ 16-06-2000). INAPLICABILIDADE DO ART. 2 º, II, DA LEI N º 9.715/98, E DO ART. 13, IV, DA MP N º 2.158-35/2001, ÀS ENTIDADES QUE PREENCHEM OS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N º 8.212/91, E LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE, A QUAL NÃO DECORRE DO VÍCIO DE INCONSTITUCIONALIDADE DESTES DISPOSITIVOS LEGAIS, MAS DA IMUNIDADE EM RELAÇÃO À CONTRIBUIÇÃO AO PIS COMO TÉCNICA DE INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO. EX POSITIS, CONHEÇO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, MAS NEGO-LHE PROVIMENTO CONFERINDO EFICÁCIA ERGA OMNES E EX TUNC. A questão foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 2028, 2036, 2228, 2621 e 44804 e do Recurso Extraordinário (RE) 566.622, com repercussão geral reconhecida, conforme Ementa abaixo: REPERCUSSÃO GERAL - ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - IMUNIDADE - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - ARTIGO 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Admissão pelo Colegiado Maior. Fl. 251DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 (RE 566622 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 21/02/2008, DJe-074 DIVULG 24-04-2008 PUBLIC 25-04-2008 EMENT VOL-02316-09 PP-01919) Em julgamento realizado em 23/02/2017, o Supremo Tribunal Federal, por maioria e nos termos do voto do Relator Ministro Marco Aurélio, deu provimento ao RE nº 566.622 e declarou a inconstitucionalidade de todo o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, concluindo que os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficente para gozarem dos benefícios da imunidade tributária são aqueles dispostos no art. 14 do Código Tributário Nacional. Em 02/03/2017, ao julgar as ADIs 2028, 2036, 2228 e 2621, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, III, da Lei 8.212/1991 e acrescentou-lhe os §§ 3º, 4º e 5º; arts. 4º, 5º e 7º da Lei 9.732/1998; arts. 2º, IV; 3º, VI, § 1º e § 4º; 4º, parágrafo único, do Decreto 2.536/1998; arts. 1º, IV; 2º, IV, e § 1º e § 3º; e 7º, § 4º, do Decreto 752/1993. Posteriormente, em 19/12/2019, o STF acolheu parcialmente os embargos de declaração opostos pela União no RE 566.622, para assentar a constitucionalidade tão somente do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos 1 : a) É exigível lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas (Tema nº 32); b) Lei ordinária pode regular aspectos procedimentais referentes à certificação, fiscalização e controle administrativo; c) É constitucional o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001. Portanto, as entidades beneficentes de assistência social, para fins de fruição da “isenção” das Contribuições de Seguridade Social, devem observar as contrapartidas previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. Por consequência, devem ser considerados como concedidos o CEBAS de que trata o art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91 para todas as entidades que observam os requisitos dispostos em Lei Complementar (CTN). Por sua vez, conforme estabelecido pela Súmula nº 612 do Eg. STJ, tem natureza declaratória a decisão administrativa que concede o certificado e reconhece o preenchimento dos requisitos legais para gozo da imunidade. Vejamos: 1 Redatora: Ministra Rosa Weber - DOU: 11/05/2020 Fl. 252DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 SÚMULA 612 – STJ: O certificado de entidade beneficente de assistência social (Cebas), no prazo de sua validade, possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. Pois bem. A Recorrente informou nos autos que cumpre com os requisitos previstos nos artigos 9º e 14º do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, consoante as seguintes Portarias que atesta, se tratar de Entidade de Assistência Social sem fins lucrativos: Portaria 1363 de 06 de dezembro de 2012, que abrange o período de 07/12/2012 a 06/12/2015; Portaria 1680 de 23 de novembro de 2016, que abrange o período de 07/12/2015 à 06/12/2018; e Portaria 1980 de 19 de dezembro de 2018, que abrange o período de 07/12/2018 a 06/12/2021. As Portarias em referência foram colacionadas em razões recursais, conforme abaixo: Fl. 253DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 Fl. 254DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 Observo que este processo paradigma tem fato gerador em 13/07/2017, abrangido, portanto, pela Portaria 1680 de 23 de novembro de 2016 (período de 07/12/2015 à 06/12/2018). Por tais razões, com relação ao período devidamente comprovado na forma definida pelos Tribunais Superiores, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a Unidade Preparadora analise a certeza e liquidez do direito creditório objeto deste litígio. Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.826 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10835.901050/2017-01 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a imunidade da Recorrente às Contribuições para o PIS e da COFINS a partir do protocolo e pedido da Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), e determinar o retorno dos autos à Unidade Preparadora para analisar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. ( documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 256DF CARF MF Original
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